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Numero do processo: 11080.009349/99-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição no prazo de 5 anos. O Art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar a o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o pedido de restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-003.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente.
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição no prazo de 5 anos. O Art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar a o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente. Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição no prazo de 5 anos. O Art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar a o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente. Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 93 49 /9 9- 11 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 09/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 11080.009349/9911 Acórdão n.º 2201003.297 S2C2T1 Fl. 441 2 Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 11ª Turma da DRJ/RPO (Fls. 400), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de Pedidos de Compensação e de Restituição, entregues em formulário impresso em 14/05/1999, de crédito referente ao IRRF – Imposto de Renda Retido na Fonte a recuperar e incidente sobre juros de capital próprio, no valor total de R$ 165.549,34. O despacho decisório de fls. 346/347, proferido pela DRF Porto Alegre, em 18/07/2014, não reconheceu o direito creditório, pois o contribuinte não teria declarado em DIPJ despesas de juros sobre o capital próprio, mas apenas receitas. Contudo foi reconhecida a homologação tácita das compensações constantes da fl. 175, pelo decurso do prazo de cinco anos, conforme o disposto no §5º do art. 74 da lei n° 9.430/96, com redação dada pelas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 11.051/2004. Cientificado do despacho em 03/09/2014 (fl. 350), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 368/373, em 02/10/2014, para alegar que teria ocorrido a homologação tácita também do pedido de restituição, pois teriam transcorrido 15 anos entre a protocolização do pedido e a emissão do despacho decisório. O contribuinte defendeu que haveria prazo para apreciação de pedidos de restituição, sendo que transcorridos cinco anos, a expectativa seria convertida em direito adquirido. Argumentou que apesar de não existir disposição legal acerca do prazo para análise de pedidos de restituição, deveria ser aplicado o mesmo prazo para a homologação tácita, por analogia. Citou jurisprudência sobre o assunto. Concluiu, para requerer o reconhecimento da homologação tácita do pedido de restituição, para que fosse restituído integralmente do montante pleiteado. Passo adiante, a 11ª Turma da DRJ/RPO entendeu por bem julgar a Manifestação de Inconformidade Improcedente, em decisão que restou assim ementada: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 09/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 11080.009349/9911 Acórdão n.º 2201003.297 S2C2T1 Fl. 442 3 Inexiste previsão legal para a homologação tácita de Pedido de Restituição. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem, ou não, ser viabilizadas, descabe aplicar ao pedido de restituição, por analogia, a homologação tácita prevista para a declaração de compensação. Cientificada em 26/08/2015 (Fls. 406), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 22/09/2015 (Fls. 408 a 414), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação: É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadors Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. A contribuinte pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu pedido de restituição. O Código Tributário Nacional regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. Quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Contudo, essa linha de raciocínio não pode ser utilizada nos casos de pedido de restituição, como pretendeu a Recorrente. O pedido de restituição não pode ser confundido com o pedido de compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. Por isso a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento (quando não atrelado a um pedido de compensação), e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. É sabido que os contribuintes vêm sofrendo prejuízos financeiros e danos morais decorrentes da morosidade da Administração Tributária Federal em proferir decisões sobre os requerimentos apresentados perante as repartições fiscais. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 09/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 11080.009349/9911 Acórdão n.º 2201003.297 S2C2T1 Fl. 443 4 Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o pedido de restituição formulado pela Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4o., do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. Considerando que a Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do pedido de restituição, com base no artigo 150, § 4o., do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadors Pierre Fl. 443DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 09/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10640.721731/2015-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
MOLÉSTIA GRAVE. RESERVA REMUNERADA. ISENÇÃO.
De acordo com a Súmula CARF no 43, os proventos de reserva remunerada, percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. RESERVA REMUNERADA. ISENÇÃO. De acordo com a Súmula CARF no 43, os proventos de reserva remunerada, percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
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RESERVA REMUNERADA. ISENÇÃO. De acordo com a Súmula CARF no 43, os proventos de reserva remunerada, percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 17 31 /2 01 5- 03 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 10640.721731/201503 Acórdão n.º 2402005.475 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, transcrevo excertos do relatório da decisão recorrida (fls. 52/61), que bem retratam os fatos ocorridos até então: Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2013, anocalendário 2012, do contribuinte acima identificado, procedeuse ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em 25/05/2015, de fls. 05/09. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 138.603,46, recebidos pelo titular e/ou dependentes, da fonte pagadora relacionada abaixo, indevidamente declarados como isentos e/ou nãotributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do Imposto de Renda. Complementação da Descrição dos Fatos O contribuinte comprovou ter sido transferido para a reserva a partir do ano 1995, porém não comprovou a data da reforma. A legislação vigente estabelece que a isenção só é aplicada para rendimentos recebidos em decorrência de aposentadoria, pensão ou REFORMA. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento de fls. 02/04, alegando, em síntese, que: foi transferido para a reserva remunerada em 08/08/1995, e que, segundo o Estatuto dos Militares, Lei no. 6.880/1980, artigo 96, significa inatividade: Art. 96. A passagem do militar à situação de inatividade mediante transferência para a reserva remunerada, se efetua... foi reformado em 12/01/2015, corroborando a inatividade concedida em 08/08/1995, quando foi transferido para reserva remunerada; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 4 foi acometido de cardiopatia grave em 04/2011, situação já devidamente comprovada, o que lhe garante direito à isenção de Imposto de Renda. Retificou as declarações requerendo a restituição que lhe é devida; cita Solução de Consulta da SRRF 09, de 01/04/2013, que trata de isenção quando da transferência para a reserva remunerada; anexa documentos e solicita análise de sua impugnação para que seja reconhecido o direito à isenção do Imposto de Renda por ser portador de moléstia grave. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão 1670.503 22a Turma da DRJ/SPO (fls. 52/61), fundamentada nos seguintes termos: Da análise dos documentos carreados aos autos verificase que o contribuinte foi transferido para a reserva remunerada em 08/08/1995, e, somente em 12/01/2015 é que foi reformado. (...) Desse modo, ainda que a moléstia grave tenha sido reconhecida em abril de 2011, não faz o contribuinte jus ao benefício da isenção do imposto de renda na fonte incidente sobre os proventos recebidos em 2011, haja vista que, nesse período, os proventos por ele recebidos eram decorrentes da reserva remunerada e não de reforma, situação que somente se alterou, conforme visto acima, em 12/05/2015, fl. 18. Cientificado da decisão em 23/12/2015 (f. 65), o sujeito passivo manejou recurso voluntário (fls. 67/69), em 21/01/2016, argumentando, em síntese, que este Egrégio Conselho já decidiu por inúmeros acórdãos que o militar que se encontra em reserva remunerada e é portador de moléstia grave, comprovada por laudo médico oficial, tem seus rendimentos isentos do imposto de renda, conforme súmulas CARF no 43 e 63. Requereu o acolhimento do recurso e juntou documentos (fls. 70/92). É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 10640.721731/201503 Acórdão n.º 2402005.475 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Isenção decorrente de doença grave Temse em pauta recurso voluntário no qual o Interessado pretende que seja reconhecido seu direito à isenção do imposto de renda pessoa física, alegando que é portador de doença grave e que os valores recebidos são provenientes de reserva remunerada. Para o gozo da isenção pleiteada, a Lei no 7.713/1988 estabelece os seguintes requisitos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (grifouse) Dos dispositivos transcritos, verificase que são dois os requisitos para o exercício do direito à isenção pleiteada: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 6 a) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o contribuinte seja portador de uma das doenças enumeradas no inciso XIV, do art. 6o, da Lei no 7.713/1988. Ademais, partir do anocalendário 1996, a Lei no 9.250/1995 qualificou a comprovação do segundo requisito nos seguintes termos: Art. 30 A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifouse) Ainda sobre a matéria, importa trazer à colação o enunciado da Súmula CARF no 43: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Da súmula, constatase o entendimento pacificado nesta corte administrativa de que o benefício fiscal alcança os rendimentos da inatividade dos militares, quer sejam provenientes de reforma ou de reserva remunerada, hipótese que aproveita ao recorrente. Dos autos, constam os seguintes documentos: cópia de um Laudo Oficial emitido em 01/04/2014, pela Gerência Regional de Saúde 4a. RPM, CNPJ 16.605025/000197, fl. 12, e assinado pelos médicos, Antônio Carlos Barreto, CRM 11010, e D'Artagnan Assunção Marliere, CRM 15558, referente a Rui Pereira Tavares em que informam que ele é portador, desde abril/2011, de Doença Coronariana CID I 20, moléstia referida no inciso XIV do art. 6o. da Lei no. 7.713/88, ou no Parágrafo 2o. do art. 30 da Lei no. 9.250/95, sob a rubrica de Cardiopatia Grave. Consta informação de que a doença não é passível de controle; cópia da segunda parte do Boletim Geral da Polícia Militar no. 150, datado de 08/08/1995, fls. 23/24, em que se verifica a transferência para o Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada, a pedido, na Corporação o Capitão PM Rui Pereira Tavares, do 21o. BPM, com soldo integral de seu posto. Por todo o exposto, considerase, então, que o Contribuinte é portador de doença grave prevista no artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713/1988, com a redação dada pela Lei n° 11.052/2004 e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei n° 9.250/1995, nos termos do laudo médico, fazendo jus, em razão disso, à isenção do imposto de renda incidente sobre os rendimentos de reserva remunerada pagos pela fonte "Polícia Militar do Estado de Minas Gerais". Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 10640.721731/201503 Acórdão n.º 2402005.475 S2C4T2 Fl. 5 7 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, dar lhe provimento e exonerar o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10880.730756/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RESP nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, I, nas demais situações.
Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, só se aperfeiçoando em 31 de dezembro do ano-calendário, no presente caso, mesmo na hipótese mais favorável ao contribuinte (aplicação do prazo decadencial conforme o art. 150, § 4º, CTN), não se operou a decadência.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA E DE PESSOA JURÍDICA. EXTINÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRÓPRIAS POR TERCEIROS.
A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.
As obrigações próprias do contribuinte assumidas por terceiros correspondem a rendimentos tributáveis.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. DESCARACTERIZAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUOS.
São tributáveis como rendimentos auferidos os valores recebidos de pessoa física cuja natureza de mútuo foi descaracterizada pela falta de comprovação por meio da apresentação de documentação hábil e idônea.
MULTA AGRAVADA. NÃO CABIMENTO.
É inaplicável o agravamento da multa, nos termos do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, se restar configurado o atendimento das intimações no curso da ação fiscal, ainda que parcial.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
Quando restar demonstrado o evidente intuito de fraude pelo sujeito passivo, deve ser aplicada a multa qualificada em relação àquela infração.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. MULTA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA. SÚMULA CARF Nº 14.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14).
No caso concreto, não restou caracterizada a prática de uma das condutas tipificadas na Lei nº 4.502/1964.
Numero da decisão: 2202-003.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício; quanto ao Recurso Voluntário: por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, apenas em relação à infração 0002 - Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física.
Fez sustentação sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Guilherme Sellitti Rangel, OAB/SP nº 321.271.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RESP nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, I, nas demais situações. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, só se aperfeiçoando em 31 de dezembro do anocalendário, no presente caso, mesmo na hipótese mais favorável ao contribuinte (aplicação do prazo decadencial conforme o art. 150, § 4º, CTN), não se operou a decadência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA E DE PESSOA JURÍDICA. EXTINÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRÓPRIAS POR TERCEIROS. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. As obrigações próprias do contribuinte assumidas por terceiros correspondem a rendimentos tributáveis. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. DESCARACTERIZAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 07 56 /2 01 2- 14 Fl. 2079DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 São tributáveis como rendimentos auferidos os valores recebidos de pessoa física cuja natureza de mútuo foi descaracterizada pela falta de comprovação por meio da apresentação de documentação hábil e idônea. MULTA AGRAVADA. NÃO CABIMENTO. É inaplicável o agravamento da multa, nos termos do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, se restar configurado o atendimento das intimações no curso da ação fiscal, ainda que parcial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Quando restar demonstrado o evidente intuito de fraude pelo sujeito passivo, deve ser aplicada a multa qualificada em relação àquela infração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. MULTA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA. SÚMULA CARF Nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). No caso concreto, não restou caracterizada a prática de uma das condutas tipificadas na Lei nº 4.502/1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício; quanto ao Recurso Voluntário: por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, apenas em relação à infração 0002 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física. Fez sustentação sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Guilherme Sellitti Rangel, OAB/SP nº 321.271. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado). Relatório Reproduzo o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que bem descreveu os fatos ocorridos até a decisão daquela instância. Fl. 2080DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.730756/201214 Acórdão n.º 2202003.576 S2C2T2 Fl. 2.080 3 Cuidase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física, exercício 2008, anocalendário 2007 que formalizou a exigência de crédito tributário, em decorrência da omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica e de Pessoa Física, conforme Termo de Verificação Fiscal – TVF. Imposto (2904) R$1.381.733,89 Multa proporcional R$3.108.901,25 Juros de Mora (até 8/2012) R$647.756,85 Valor do Crédito tributário Apurado R$5.138.391,99 Das Infrações 1 Omissão Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica 2 Omissão Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física Segundo o Enquadramento Legal e o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.610/1.637, os valores envolvidos nesta autuação referemse à extinção parcial, por terceiros, de obrigação assumida pelo contribuinte na compra de parte da meação a que tinha direito a sua exesposa, Sra. Rosa Maria de Almeida Lyra, tudo em conformidade com o parágrafo único do item 11.1, A, do acordo homologado em processo de separação judicial, fls. 5/16. De acordo com a fiscalização, os apartamentos n° 171 do Condomínio L'Essence, situado no Jardim Paulista e os de n° 91 e 221 do Edifício L'Essence Jardins, situados no Bairro de Cerqueira César, foram transferidos à empresa Parque do Palmar Empreendimentos Imobiliários, administrada pela ex esposa do contribuinte, conforme escrituras de Dação em Pagamento de fls. 17/31. O primeiro imóvel foi transferido pelo valor de R$2.286.656,00, enquanto os outros dois pela importância de R$1.407.983,00 cada. Durante o procedimento fiscal na Sra. Rosa Maria, José Pessoa foi intimado a esclarecer os motivos de a Jotapar Participações Ltda ter liquidado obrigações dele com a exesposa e qual a contraprestação à empresa. Em resposta o sujeito passivo alegou que a Jotapar fazia parte dos bens do casal e que o apartamento n° 171 foi recebido via redução de capital. Da mesma forma houve intimação para que o contribuinte esclarecesse porque Célio Cardoso liquidou obrigações dele, José Pessoa, com a Sra. Rosa Maria. Em resposta, alegou que o Sr. Célio Cardoso teria liquidado as dívidas por já ter recebido os valores dos apartamentos n° 91 e 221, conforme escrituras de Fl. 2081DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 dação em pagamento e em contraprestação deu quitação de pendência existente entre ambos. Diz a autuante que o contribuinte prestou informação falsa na medida que a certidão de casamento dá conta do regime de comunhão parcial e não universal como alegado anteriormente e que nos termos do item 9 do acordo homologado a Jotapar não fazia parte dos bens do casal, pois para fins de partilha foram apresentados o direito ao usufruto sobre as ações da Agriholding S/A (com suas subsidiárias e coligadas) e os móveis, alfaias, utensílios e objetos de arte que guarnecem o apartamento n° 171. Adverte a autoridade lançadora tratarse de fraude a alegação de que o apartamento n° 171 foi transferido à exesposa, via Parque do Palmar, como contrapartida de redução de capital da Jotapar (fls. 77 do livro Razão de 2007), se forem observados o acordo homologado, a escritura de dação em pagamento, os documentos obtidos perante cartórios de registro de imóveis e a JUCESP, bem como nas diligências junto à Jotapar. Acrescenta que não se confirma a alegação de que no corpo das escrituras de dação em pagamento consta que Célio Cardoso teria liquidado as dívidas por já ter recebido o valor dos apartamentos n° 91 e 221. Quando intimado, o contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea para comprovar que, em contraprestação, teria dado quitação ao Sr. Célio, nem mesmo esclareceu quais seriam estas pendências. Das diligências na Jotapar Devidamente intimada a empresa apresentou o Contrato Social e as alterações, assim como os livros contábeis. Houve nova intimação para que fossem apresentados documentos e esclarecimentos sobre a conta n° 1.3.02.01.02. Quanto a esta intimação a resposta foi que os lançamentos são de débitos e créditos feitos na mesma conta, tornando nulos seus efeitos, sem qualquer interferência nas contas de resultado. A fiscalização estranhou a alegação porque na data dos lançamentos, 1/3/2007, o apartamento n° 91 era de propriedade da Inpar S/A que em 11/12/2007 o vendeu a Célio Cardoso, e este no mesmo dia o transferiu à Parque do Palmar. A empresa também foi intimada a justificar porque liquidou divida do Sr. José Pessoa com a exmulher no valor de R$2.286.656,00, por meio da transferência do apartamento n° 171 à Parque do Palmar. A resposta foi que a Jotapar fazia parte dos bens do casal e, por via da redução de capital o imóvel foi transferido. As mesmas informações falsas que o contribuinte teria prestado, conforme relatado anteriormente, foram repisadas pela Jotapar. Alerta a autuante que a alegada redução de capital não ocorreu e tratase de uma fraude. Dentre as alterações, fls. 298/365, do contrato social, fls. 366/374, nenhuma dá suporte à redução de capital. Adverte que, inclusive, a última alteração contratual, (19a) é datada de 30/4/2006, anterior à suposta redução de capital que teria ocorrido em 22/9/2007. Fl. 2082DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.730756/201214 Acórdão n.º 2202003.576 S2C2T2 Fl. 2.081 5 Prossegue afirmando que, conforme acordo homologado o apartamento n° 171 foi transferido da Jotapar para a Parque do Palmar e não a Rosa Maria em decorrência da alegada redução de capital. Quanto aos registros contábeis, informa que no Razão de fls. 939/1.192 verificamse os seguintes lançamentos em relação à alegada redução de capital ocorrida em 22/9/2007 (fls. 1.014/1.013). CLASSIF CONTA DÉBITO CRÉDITO 1.3.02.01.02 Edifícios e — R$7.825.689,86 Dependências 2.4.01.01.01 Capital Social R$7.825.689,86 Vr. Ref. Redução Capital cf. acordo homologado por sentença pelo r. juízo da 9a Vara de Família de São Paulo Processo 583.00.2006.1964330 Descreve que a conta Capital Social, a partir de 22/9/2007, passaria a registrar saldo credor de R$16.174.310,14, fl. 1.113 e a conta Edifícios e Dependências, saldo devedor de R$1.243.085,74, fls. 1.014/1015. Entretanto, aponta que no Razão apresentado sem termos de abertura e encerramento, fls. 52/297 e 382/627, apesar de não ter sido informado o mês de setembro de 2007 (informou 9/2011) é possível constatar que nos demais meses, inclusive dezembro, a conta Capital Social registra saldo credor de R$24.000.000,00 (fl. 602), enquanto a conta Edifícios e Dependências saldo devedor de R$9.068.775.70, fl. 587. O histórico dos lançamentos relativos à redução ocorrida em 22/9/2007 estaria em divergência com o acordo homologado que possui data de 10/10/2007. Na sequência a fiscalização informa que na primeira cópia do Diário apresentada, fls. 628/800, não consta nenhum lançamento no dia 22/9/2007 que, por sinal, caiu num sábado. Já na segunda cópia apresentada, fls. 1.193/1.361, constam os seguintes lançamentos para o dia 22/9/2007, fls. 1.302/1.303, com observação às fls. 110/111 do livro. CLASSIFICAÇÃO CONTA DÉBITO CRÉDITO 1.3.02.01.02 Edifícios e Dependências R$7.825.689,86 2.4.01.01.01 Capital Social R$7.825.689,86 Tanto o Balanço Patrimonial quanto as Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido do 1° Diário apresentado registram a conta Capital Social com o valor de R$24.000.000,00, sem variação no período de 1/1/2007 a 31/12/2007. No 2° Diário fornecido à fiscalização não constou o Balanço Patrimonial nem a Demonstração das Mutações do Patrimônio. Fl. 2083DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 Também o Balancete apresentado registra a conta Capital Social com R$24.000.000,00 e sem variação no período de 01/01/2007 a 31/12/2007. Considerada a documentação contábil como fraudulenta, realizouse nova diligência, oportunidade em que os livros originais foram apresentados e houve extração de cópias para instruir o processo de representação fiscal para fins penais. Da diligência no Sr. Célio Cardoso Célio Cardoso foi intimado a esclarecer qual o motivo para liquidar dívida de José Pessoa com a exesposa, conforme escrituras de dação em pagamento dos apartamentos n° 91 e 221 e porque tais imóveis não constaram da sua declaração anual de rendimentos. Como a ciência da intimação foi infrutífera, realizaramse pesquisas na internet e nos cadastros da Receita Federal, tendo a fiscalização verificado a estreita ligação entre José Pessoa e os irmãos Célio e Aylton Cardoso, conforme item 35 do TVF. Registrou ainda a fiscalização que de acordo com certidões de inteiro teor dos registros dos apartamentos n° 91 e 221, Célio Cardoso os comprou da Inpar S/A em 11/12/2007 e 19/12/2007, respectivamente, e no mesmo dia efetuou a transferência para a Parque do Palmar, sendo que o apartamento 221 foi repassado por valor menor, conforme item 37 do TVF. Informa que de acordo com os itens 23 a 25 do TVF, o apartamento 91 aparece em lançamentos do Livro Razão da Jotapar. Dos documentos obtidos na JUCESP Reforça a tese da existência de fraude, pois a redução de capital na Jotapar não existiu, já que na 8a alteração contratual, fls. 1.525/1.546, arquivada na JUCESP em 24/8/1998, verificase que Rosa Maria retirouse da sociedade em 14/8/1998 e não consta nos outros arquivamentos e ficha cadastral que ela tenha sido readmitida. Além disto, na ficha cadastral completa verificase que o Capital Social foi alterado para R$24.000.000,00 em 8/10/2003 e assim permaneceu até 2012, quando foi alterado para R$24.661.660,00. Das intimações a José Pessoa Conforme itens 47 a 55 do TVF a fiscalização descreve as intimações ao contribuinte, bem como os pedidos de prorrogação de prazo, entre eles aquele datado de 30/10/2012 em que solicita 10 dias para que pudesse apresentar resposta pessoalmente, assim se repetindo no dia 14/11/2012 quando informou que não havia conseguido voo de São Paulo para Belo Horizonte. Registra o autuante que desde 19/9/2012 o contribuinte está devidamente intimado a apresentar documentos. Da multa qualificada e agravada Relata a autoridade lançadora que no TVF ficou demonstrado o intuito de fraude, e o enquadramento legal tem base tem base Fl. 2084DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.730756/201214 Acórdão n.º 2202003.576 S2C2T2 Fl. 2.082 7 nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, pois em procedimento de diligência fiscal o Sr. José Pessoa prestou declarações falsas para ocultar o fato gerador da obrigação tributária principal (sonegação), respaldouse em documentação fraudulenta da contabilidade da Jotapar e procurou plantar inverdades sobre o conteúdo das escrituras de dação em pagamento, para suprimir tributo (fraude) e promoveu ajuste doloso com a Jotapar (conluio), visto que apresentaram as mesmas alegações visando a sonegação/fraude. Os mesmos elementos da sonegação e da fraude teriam ocorrido em relação aos imóveis transferidos por Célio Cardoso. Acrescenta que houve conluio entre o impugnante e o Sr. Célio Cardoso diante da proximidade de ambos e entre estes, a Jotapar e o Sr. Aylton Cardoso. Por estes motivos foi aplicada a multa de ofício qualificada de 150%. Em razão do não atendimento no prazo marcado para prestar esclarecimentos, a multa de ofício foi agravada e corresponde ao percentual de 225%. Da Fundamentação Legal e cálculo do imposto apurado Nos itens 56 a 65 consta a fundamentação legal do lançamento, bem como o cálculo do imposto apurado. À fl. 1.847 foi juntada informação fiscal, acompanhada da resposta e documentos protocolizados (em 22/11/2012) pelo contribuinte posteriormente ao encerramento fiscalização, fls. 1.850/1.999. Da Impugnação Cientificado do lançamento, o contribuinte, por seus procuradores, apresentou a peça impugnatória de fls. 1.643/1.1661. Da Decadência Com fundamento no parágrafo único do artigo 38 do Regulamento do Imposto de Renda, aduz que a própria fiscalização confirma que o rendimento é tributado no mês do seu recebimento. A partir daí, formula seus argumentos e conclui com base no artigo 150 § 4° do Código Tributário Nacional CTN que parte do crédito tributário estaria fulminado pela decadência. Por ter sido cientificado da autuação em 8/12/2012, entende que o lançamento da parte relativa à transferência do imóvel da Jotapar a sua exesposa, em 10/10/2007, não poderia ser exigida. Não admite a ideia de aplicação do prazo previsto no artigo 173 do CTN, porque as alegações de fraude constantes da autuação são infundadas. Fl. 2085DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Da inexistência de rendimentos Salienta que nenhuma das acusações fiscais, se analisadas com o mínimo de cuidado, satisfazem o tipo legalmente exigido para incidência do Imposto de Renda. Em conformidade com o artigo 43 do CTN não se pode falar em rendimento algum, pois não há produto do capital, do trabalho ou de ambos, além de não ter sido demonstrada a ocorrência de acréscimo patrimonial. Do imóvel transferido pela Jotapar Alega que o imóvel transferido da Jotapar à exesposa diz respeito a patrimônio dela, havido na vigência do casamento, de modo que não se trata de extinção de obrigação por terceiro. Adverte que é preciso desfazer a confusão criada pela fiscalização, pois a separação judicial foi litigiosa e não consensual, tendo em vista ação movida pela exesposa, bem como a correlata ação cautelar inominada que chegou a destituílo da administração de uma das empresas controladas pela Agriholding. Outro equívoco cometido pela fiscalização seria o de afirmar que a Jotapar nada teria haver com o patrimônio do casal supostamente restrito à Agriholding, ignorando por completo que esta detinha a totalidade das cotas daquela empresa, conforme provam a Ata de Constituição da Agriholding e a Certidão completa da Jotapar emitida pela JUCESP. No seu entendimento, a autoridade lançadora não se deu conta de que a Agriholding, expressamente mencionada na ação de separação judicial do casal, detinha a totalidade das cotas da Jotapar. Insiste que esta empresa era sim objeto da divisão de bens entre o casal, o que atesta não se tratar de qualquer extinção de obrigação. Acrescenta que das provas trazidas aos autos, outro erro da fiscalização foi o de reputar fraudulenta a redução de capital da Jotapar, para transferência do apartamento n° 171. Dos esclarecimentos prestados, a única divergência que pode ser apontada é aquela relativa ao regime de casamento desfeito, já que, por equívoco escusável e inofensivo, informou que o regime seria de comunhão total de bens quando o correto é o parcial. Mas tal informação tornase irrelevante, visto que celebrado o casamento em 1989, a Jotapar foi constituída em 18/1/1991 e a Agriholding em 28/1/1998, ambas na constância da sociedade conjugal. Dos imóveis transferidos por Célio Cardoso Em relação à transferência dos apartamentos n° 91 e 221 do Sr. Célio Cardoso à sua exmulher, a título de compensação pelo patrimônio por ele, impugnante, mantido na separação, esclarece que tais imóveis não foram comprados por Célio e transferidos no mesmo dia. Tendo deixado de registrálos em cartório no momento da aquisição, teve que fazêlo quando da Fl. 2086DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.730756/201214 Acórdão n.º 2202003.576 S2C2T2 Fl. 2.083 9 transferência a Sra. Rosa Maria. Para provar o alegado junta contratos de aquisição entre Célio Cardoso e a Inpar S/A. Relata que a fiscalização criou confusão ao acusálo de conluio com o Sr. Célio Cardoso. Rebate o argumento fiscal, pois jamais escondeu possuir relacionamento de longa data com os irmãos Cardoso (Célio e Aylton). Informa que Aylton é seu advogado e para provar a longa amizade com Célio, teria lhe cedido importante soma em dinheiro em mútuo. Da indevida Multa Qualificada (150%) Contesta os argumentos da fiscalização para qualificar a penalidade, pois no seu entendimento não houve sonegação, quanto mais fraude e conluio. Quanto às fraudes reputadas à contabilidade da Jotapar, cabe à administração tributária fiscalizála e, diante de prova cabal, autuála, impondo a tal pessoa jurídica e não a ele multa qualificada. Diz ser absurda a imposição de sanção tributária ao sócio por suposta conduta fraudulenta da pessoa jurídica. Cita as súmulas n° 14 e 25 do CARF. Argumenta que do trabalho fiscal não resultou qualquer prova firme de conduta fraudulenta. Da multa agravada (225%) Esclarece que foram expedidos pela fiscalização quatro termos de intimação até a lavratura do auto de infração. O primeiro, no início da fiscalização, realmente não o respondeu, mas única e exclusivamente por não ter recebido, o que pode ser decorrente de algum equívoco na recepção do seu prédio. Esta falha isoladamente não é motivo para imputarlhe multa mais gravosa. O segundo termo que continha as requisições do primeiro foi recebido e diante do prazo exíguo de 10 dias, foi solicitada prorrogação, protamente deferida por igual prazo. Como os 20 não foram suficientes para prestar todas as informações, foi requerida nova dilação de prazo que foi postergado até 22/11/2012, por força do termo de n° 4. Aduz que o auto de infração foi lavrado sem que os agentes fiscais apreciassem a manifestação tempestivamente protocolada na DERAT em São Paulo que é a repartição situada na mesma cidade em que reside e trabalha. Entende que aqui está caracterizada a ofensa à ampla defesa. Ao final requer: a) O cancelamento da exigência fiscal e, se assim não for; b) O afastamento da multa qualificada e agravada. (grifos do original) Fl. 2087DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG)) julgou procedente em parte a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DECADÊNCIA. IRPF. AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. FRAUDE. O fato gerador do imposto de renda em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual ocorre em 31 de dezembro e tem a contagem do prazo iniciada no primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia o fisco ter efetuado o lançamento. Nas hipóteses em que inexiste pagamento antecipado ou em que estiver comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento é disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA E JURÍDICA. EXTINÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRÓPRIAS POR TERCEIROS. As obrigações próprias do contribuinte assumidas por terceiros, correspondem a rendimentos tributáveis, quando inexistente a comprovação de contraprestação entre as partes. OPERAÇÃO DE MÚTUO. REQUISITOS. São indispensáveis para a comprovação da operação de mútuo, o contrato levado ao registro público e a apresentação de documentos hábeis e idôneos, considerados insuficientes para opor a operação à terceiros, a simples alegação de existência da operação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Demonstrada a intenção deliberada com o objetivo de impedir o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, além de ação dolosa tendente a excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal de modo a reduzir o montante do imposto devido, impõese a aplicação da multa qualificada. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE AGRAVAMENTO. É inaplicável o agravamento da multa por falta de atendimento a intimação, se não ficar configurada nos autos a situação definida em lei para sua imposição. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão da DRJ excluiu parte do crédito tributário lançado, por ter desagravado a multa de ofício, reduzindoa do percentual de 225% para 150%. Fl. 2088DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.730756/201214 Acórdão n.º 2202003.576 S2C2T2 Fl. 2.084 11 Tendo em vista que o total do crédito exonerado foi superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, que é de um milhão de reais, foi interposto Recurso de Ofício. Cientificado da decisão em 07/10/2013, por via postal (A.R. de fl. 2.041), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 30/10/2013 (fls. 2.043 a 2.069), no qual combate a decisão de primeira instância, repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. Tratase de lançamento de ofício contra o Contribuinte acima identificado, relativo ao imposto sobre a renda da pessoa física do exercício 2008 (anocalendário 2007), pelo qual se exige imposto de renda no valor de R$1.381.733,89, além dos juros de mora calculados até 08/2012 e multa de ofício de 225%, totalizando crédito tributário de R$5.138.391,99. RECURSO DE OFÍCIO Tendo em vista que o total do crédito exonerado pela DRJ foi superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, que é de um milhão de reais, o Recurso de Ofício deve ser conhecido. A Fiscalização agravou a multa de ofício, aplicando o percentual de 225%, alegando que o sujeito passivo não apresentou nenhuma resposta com vistas a atender ao solicitado nos termos de intimação fiscal. A decisão de primeira instância foi no sentido de desagravar a multa de ofício, pois entendeu que não se poderia afirmar que houve omissão na prestação das informações requeridas pelo Fisco. Entendo que a decisão de primeira instância não merece reparo nesse ponto. O agravamento da multa de ofício tem previsão legal, por força do disposto no art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Fl. 2089DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; Conforme descrito pela DRJ, o Contribuinte já havia sido intimado durante o procedimento fiscal junto a sua esposa, tendo prestado diversos esclarecimentos à Fiscalização sobre os fatos que são objeto do presente lançamento, além de ter entregue resposta escrita, protocolada na DERAT/SP (fls. 1.684 a 1.689) dentro do prazo estipulado, conforme trecho abaixo do voto condutor da decisão recorrida. Entretanto, é preciso esclarecer que o contribuinte, antes mesmo da instauração do procedimento fiscal que culminou na lavratura deste auto de infração, já havia sido intimado (fls. 38/42) no curso da ação fiscal levada a efeito contra a sua ex esposa, Rosa Maria. Naquela oportunidade, o interessado apresentou diversos esclarecimentos à fiscalização, conforme bem mencionado no TVF. Tais informações, inclusive, serviram como fundamento para as conclusões do presente lançamento. Instaurada a ação fiscal, foi emitido o Termo de Intimação n° 1 (fls. 1.560/1.564), do qual constam diversos pontos solicitados em sede de diligência, acrescido de pedido de alguns esclarecimentos em relação ao que já havia sido atendido. Em relação a este termo o contribuinte não se manifestou. Em seguida foi lavrado o Termo de Intimação n° 2 (fls. 1.567/1.571), com as mesmas solicitações do termo anterior. Em 30/10/2012 o contribuinte solicitou prorrogação de dez dias para apresentação pessoal das informações. Foi emitido o termo n° 3 (fls. 1.575/1.576) com prorrogação do prazo solicitado até 16/11/2012, tendo em vista a ciência em 7/11/2012. No dia 14/11/2012, o contribuinte pede nova prorrogação até o dia 22/11/2012 e por telefone informa não ter conseguido voo de São Paulo para Belo Horizonte. Emitiuse, então, o Termo n° 4 (fls. 1.582/1.583) com prorrogação de prazo até 22/11/2012. Em vez de comparecer pessoalmente como solicitado à fiscalização, o sujeito passivo optou por protocolar a resposta à intimação, acompanhada de documentos, na DERAT/SP (fls. 1.684/1.689). A ação fiscal foi encerrada sem que os autuantes tivessem conhecimento da manifestação do contribuinte. Neste ponto, não se pode atribuir culpa ao sujeito passivo, pois apesar dele próprio ter solicitado o comparecimento pessoal, no termo de intimação lhe foi facultado entregar os documentos e esclarecimentos na unidade da Receita Federal que jurisdiciona deu domicílio fiscal. Considerando todas as prorrogações de prazo, concessões feitas pela autoridade fiscal, o contribuinte protocolou sua resposta no prazo final concedido, ou seja, em 22/11/2012. Em 6/5/2013, Fl. 2090DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.730756/201214 Acórdão n.º 2202003.576 S2C2T2 Fl. 2.085 13 a autoridade autuante juntou aos autos a resposta do contribuinte protocolada em 22/11/2012, acompanhada de documentos. Esta resposta já havia sido apresentada pelo interessado quando protocolou a impugnação ao lançamento. Mesmo não tendo ciência dos esclarecimentos do contribuinte, pelo exame dos autos podese afirmar que os documentos juntados em nada alteram as infrações apontadas no TVF. Importante registrar que o não conhecimento da resposta protocolizada na DERAT/SP não prejudica a ampla defesa, pois tais esclarecimentos, detidamente analisados em sede de julgamento, não trazem nenhuma novidade em relação àquilo que a fiscalização já havia colhido como elemento de prova durante diligência fiscal no próprio contribuinte e na empresa Jotapar. Neste contexto, não se pode afirmar que houve omissão na prestação das informações requeridas pelo fisco. Ainda que se pudesse cogitar na hipótese de atendimento parcial da intimação, para se proceder ao agravamento da penalidade é necessário que a conduta do sujeito passivo esteja associada a um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal. Isto não ficou demonstrado. Apesar de não ter atendido à primeira intimação e ter solicitado prorrogações de prazo para comparecer pessoalmente, o interessado, na data marcada pelo quarto termo emitido, apresentou seus esclarecimentos. Assim, penso que não restou caracterizada a omissão do fiscalizado na prestação das informações de modo a causar prejuízos à ação fiscal e a ensejar a aplicação da multa agravada. Portanto, deve ser mantida a decisão de primeira instância que afastou o agravamento da multa, negandose provimento ao Recurso de Ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. DA DECADÊNCIA No tocante à contagem do prazo decadencial, em observância do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 973.733 SC, cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que Fl. 2091DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). No que concerne ao IRPF, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, utilizandose qualquer das hipóteses de contagem do prazo decadencial, observase que não ocorreu a decadência. Mesmo que se considere a hipótese mais favorável ao contribuinte, a da contagem do início do prazo decadencial a partir da data do fato gerador, conforme art. 150, § 4º , do CTN, o lançamento não foi alcançado pela decadência. Diferentemente do alegado pelo Recorrente, no caso dos rendimentos recebidos sujeitos ao ajuste anual, o fato gerador do imposto de renda ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário, tratandose de fato gerador complexivo anual. Assim, o fato gerador relativo à omissão de rendimentos do anocalendário 2007, objeto desse lançamento, somente ocorreu no dia 31/12/2007 e o prazo decadencial, com base no art. 150, § 4º, findaria em 31/12/2012. Tendo em vista que a ciência do auto de infração se deu em 08/12/2012 (fl. 1.639), o lançamento não foi alcançado pela decadência. INFRAÇÃO 0001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Fl. 2092DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.730756/201214 Acórdão n.º 2202003.576 S2C2T2 Fl. 2.086 15 Essa infração referese à transferência do apartamento nº 171 do Condomínio L´Essence, situado no Jardim Paulista, pela empresa Jotapar Participações Ltda. à empresa Parque do Palmar Empreendimentos Imobiliários Ltda., administrada pela exesposa do Contribuinte, conforme Escritura Pública de Dação em Pagamento de fls. 17 a 24, pelo valor de R$ 2.286.656,00. A Recorrente sustenta que a referida transferência da Jotapar para a sua ex esposa, Rosa Maria, ocorreu em virtude de acordo judicial em processo de divórcio, tendo esse imóvel sido expressamente listado entre os bens partilhados e que foram destinados a ela. Alega que não é verdadeira a afirmação de que, à época do acordo judicial, a sra. Rosa Maria não fazia jus à metade da empresa Agriholding, detentora das cotas da Jotapar, uma vez que o litígio do divórcio contemplou todo o patrimônio do casal, o qual abrangia a Agriholding, conforme expressamente reconhecido pelo Poder Judiciário. Argumenta que, ainda que o imóvel não fizesse parte do patrimônio do casal, conforme defende a Fiscalização, também não seria do Recorrente, visto que na visão da autoridade fiscal ele não seria acionista majoritário da Agriholding, o que implica em dizer que a transferência do imóvel da Jotapar para sua exesposa teria sido mera liberalidade da empresa e rendimento da exesposa, sem qualquer relação com ele, Recorrente. Entendo que não assiste razão ao Recorrente. Conforme se depreende do acordo judicial relativo ao divórcio entre o Recorrente e sua exesposa, sra. Rosa Maria, a transferência do apto. 171 do Edifício L' Essence, deuse como uma compensação à varoa em virtude da divisão dos bens. Pelo acordo estipulado, o referido imóvel não fez parte da partilha dos bens, mas sim foi objeto de recebimento pela exesposa como pagamento da parte remanescente de sua meação. Observase que, conforme o acordo, "será vertido em seu nome ou de empresa que indicar, por conta e ordem do varão, da empresa JOTAPAR PARTICIPAÇÕES LTDA., por ele administrada, absolutamente livre de quaisquer pagamentos: a) o apartamento n° 171, dois depósitos e onze vagas na garagem, do Edifício L 'Essence, [...] (destaquei) Assim, verificase que o recebimento do aludido imóvel pela exesposa do Recorrente não se deu como um bem em si partilhado, porém como recebimento da parte remanescente de sua meação, sendo que a transferência deuse por conta e ordem do Recorrente, o que significa que era dele a obrigação. O acordo judicial de divórcio assim dispôs: [...] 9. Para fins de partilha, e ao tempo do casamento, declaramse os divorciandos proprietários e titulares dos seguintes bens e direitos: a) direito do Separando ao usufruto sobre a participação societária correspondente a 100% (cem por cento) do capital social da Agriholding S/A, que é de R$36.000.000,00 (trinta e seis milhões de reais), com suas subsidiárias e coligadas, entre as quais a JOTAPAR PARTICIPAÇÕES LTDA.; Fl. 2093DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 b) móveis, alfaias, utensílios e objetos de arte e adorno, que guarnecem a residência da varoa, à Rua João Lourenço n° 464, apto. 171, 17° andar, no valor estimado de R$407.378,00;" [...] 11. Os bens são assim partilhados: Caberá ao varão a totalidade dos direitos de usufruto sobre as ações da empresa Agriholding S/A, suas coligadas e subsidiárias; Caberão à varoa os bens que guarnecem o imóvel de sua residência. 11.1 Em pagamento da parte remanescente de sua meação, ora alienada a título oneroso ao varão, receberá a varoa o valor de R$5.592.622,00 (cinco milhões quinhentos e noventa e dois mil, seiscentos e vinte e dois reais), da seguinte forma e condições: A) Será vertido em seu nome ou de empresa que indicar, por conta e ordem do varão, da empresa JOTAPAR PARTICIPAÇÕES LTDA., por ele administrada, absolutamente livre de quaisquer pagamentos: a) o apartamento n° 171, dois depósitos e onze vagas na garagem, do Edifício L 'Essence, sito nesta Capital à Rua João Lourenço n° 463, 17° andar, Vila Nova Conceição, descritos e caracterizados nas matrículas n° 164.980, 164.946, 164.947, 164.920, 164.921,164.922, 164.923, 164.926, 164.819, 164.820, 164.823, 164824, 164.915, do 4° Cartório de Registro de Imóveis da Capital, com valor venal de R$2.286.656,00; § único Ditas propriedades encontramse tituladas à empresa JOTAPAR PARTICIPAÇÕES LTDA., pelas matrículas e forma acima mencionadas e que, neste ato, devidamente representada pelo varão, cede e transfere à varoa, ou a empresa por ela controlada, em pagamento de sua meação, aí incluída sua participação na sociedade, referidos direitos sobre os imóveis mencionados, habilitandose a receber as respectivas escrituras definitivas diretamente junto aos titulares de domínio, correndo por conta do varão todas as despesas com referida escritura, imposto de transmissão, inclusive da cessão e custas do registro de imóveis. [...] (destaquei) Como o contribuinte ficou com a totalidade do usufruto das ações da Agriholding, cuja maioria foi objeto de doação aos filhos, ele compensou a exesposa, pelo fato dela ter recebido tão somente os bens móveis que guarneciam sua residência, com a transferência de imóveis, entre eles o apartamento n° 171 da Jotapar, empresa do grupo Agriholding, tudo devidamente avençado no acordo judicial. A Escritura Pública de Dação em Pagamento (fls. 17 a 24), tendo como objeto o imóvel em referência, assim dispôs: 1) O ANUENTE, através de acordo judicial firmando.com Rosa Maria Lyra Pessoa de Queiroz, celebrado em 10 de outubro de.2007 perante a 9ª Vara da Família e das Sucessões desta Fl. 2094DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.730756/201214 Acórdão n.º 2202003.576 S2C2T2 Fl. 2.087 17 Capital, em sede da ação de conversão da separação litigiosa em divórcio nos autos do processo nº 583.00.2006.1964330, reconheceu ser devedor de Rosa Maria Lyra Pessoa de Queiroz em valores, para efeitos fiscais, no montante de R$6.000.000,00 (seis milhões de reais) e comprometeuse em proceder ao pagamento através de dação de bens móveis e imóveis, que Rosa Maria Lyra Pessoa de Queiroz satisfeita aceitou, e no mesmo ato, indicou a OUTORGADA para receber todos os bens em dação, com que o ANUENTE também aceitou; dentre os bens imóveis ofertados, o OUTORGANTE, em cumprimento de parte da referida obrigação assumida pelo ANUENTE, no montante de R$2.286.656,00 (dois milhões, duzentos e oitenta e seis mil, , seiscentos e cinqüenta e seis reais), concordou; em dar em pagamento à OUTORGADA, os imóveis abaixo descritos e caracterizados, declarando o OUTORGANTE possuílos, de forma absolutamente livres e desembaraçados de todo e qualquer ônus, impostos, taxas e despesas condominiais, inclusive hipotecas legais ou convencionais, e que integram o "CONDOMÍNIO L'ESSENCE", situado na Rua João Lourenço n° 463 no 28° Subdistrito Jardim Paulista, do distrito, município, comarca e 4° Oficial de Registro de Imóveis desta Capital, são objetos das Matrículas n°s, 164.980, 164.946, 164.947, 164.920, 164.921, 164.819, 164.820, 164.922, 164.923, 164.823, 164.824, 164.926, 164.927 e 164.915, que assim se descrevem e caracterizam: APARTAMENTO DÚPLEX N° 171 (CENTO E SETENTA E UM), localizado no 16° e 17º pavimentos, com a área privativa coberta edificada de 1.027,790 metros quadrados [...] (destaques do original) Resta evidente, portanto, que a transferência do apartamento nº 171, do Condomínio L' Essence, foi na realidade um pagamento feito pelo Recorrente à sua exesposa, como compensação pela partilha de bens, através de dação do bem imóvel, sendo que essa obrigação pessoal do Recorrente foi assumida pela empresa Jotapar Participações Ltda. Sobre a alegação do Recorrente de que a transferência do referido imóvel deuse por meio de redução de capital da Jotapar, também não lhe assiste razão. Primeiro porque se tratava de um pagamento pela compensação à exesposa pela partilha dos bens da forma acordada, conforme já exposto. Segundo porque não restou comprovada tal redução de capital, como veremos a seguir. Pelos documentos apresentados pelo Recorrente e aqueles obtidos mediante diligências efetuadas, concluise que nunca ocorreu a alegada redução de capital em contrapartida à transferência do imóvel à exesposa, consoante a fundamentada decisão de primeira instância, da qual transcrevo os seguintes trechos do voto condutor, adotandoos também como razões de decidir. Feitos estes registros, ainda que o referido imóvel constasse do objeto da partilha, a redução de capital da Jotapar para justificar a sua transferência (do imóvel) para a empresa administrada pela exesposa do contribuinte não possui requisito de validade. Em virtude das intimações com vistas a buscar esclarecimentos sobre os lançamentos no Razão, na conta Edifícios e Fl. 2095DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 Dependências, a empresa tratou de refazer os livros contábeis e de maneira totalmente dissociada dos princípios básicos que norteiam a boa técnica contábil, em especial o princípio da oportunidade, efetuou alterações que buscaram tão somente ludibriar o fisco. Na sequência são elencados diversos elementos que demonstram cabalmente a tese de fraude contábil na Jotapar. • A primeira cópia dos livros Diário e Razão foi apresentada em 17/10/2011 (postagem fl. 376). No Razão, fls. 52/297 e 382/627, sem termos de abertura e encerramento, não constou o mês 9/2007 que deveria trazer a suposta redução de capital. No Diário, fls. 628/800, existe termo de abertura e encerramento autenticado na JUCESP em 6/2008, fl. 629, com lançamento nas contas 1.3.02.01.02 Edifícios e Dependências (R$9.068.775.70) e 2.4.01.01.01 Capital Social (R$24.000.000,00), portanto, sem redução de capital; • Em relação ao Diário, o Balanço, fl. 169 e a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido DMPL, fl.171, trazem os mesmos valores para as duas contas mencionadas anteriormente, assim como o Balancete de fls. 801/928; • Na segunda cópia do livro Razão, fls. 939/1.192, apresentada em 28/11/2011, agora com termos de abertura e encerramento, fl. 935, lá estão as contas Edifícios e Dependências e Capital Social, a partir de 22/9/2007 com redução do capital, fls. 1.014/1.013. Na segunda cópia do Diário, fls. 1.193/1.361, obviamente foi "demonstrada" a redução de capital. • O que mais causa perplexidade é a operação empreendida pela empresa por conta da alteração do conteúdo dos registros no Diário, sobretudo nas duas contas mencionadas e a utilização da mesma autenticação na JUCESP. Vale dizer, em vez de alterar a escrita contábil e levála novamente a registro com outra data e termo de autenticação, a Jotapar valeuse de um procedimento muito distante da boafé, para beneficiar o Sr. José Pessoa que estava sob ação fiscal; • Na segunda cópia do Diário, foram suprimidas as folhas que traziam o Balanço Patrimonial e a DMPL; • Dentre as diversas alterações contratuais da Jotapar, não consta nenhuma redução de capital social. Na ficha cadastral completa da empresa junto a JUCESP, fls. 1.547/1.556, a última alteração contratual apresentada durante a fiscalização ocorreu em 30/4/2006 e a pretendida redução de capital teria supostamente ocorrido em 22/9/2007. O contribuinte, não apresentou qualquer outra alteração contratual com registro da redução de capital. Ao contrário, na ficha completa consta que o capital social alterado para R$24.000.000,00 em 2003, assim permaneceu até 2012, momento em que foi aumentado para R$24.651.660,00. Não bastasse toda esta demonstração de que nunca houve a redução de capital em contrapartida à transferência do imóvel à exesposa, a contabilidade da Jotapar ainda traz em seus Fl. 2096DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.730756/201214 Acórdão n.º 2202003.576 S2C2T2 Fl. 2.088 19 registros, na conta Edifícios e Dependências, em 1/3/2007, transferência de parcelas do apartamento n° 91, que não era de propriedade da empresa para quitar parcelas do apartamento n° 171. Melhor explicando, a Jotapar contabilizava transferência de parcelas de imóvel que sequer constava do seu ativo. Outro fato importante que merece registro é que o acordo que pôs fim à sociedade conjugal de José Pessoa e Rosa Maria somente foi homologado judicialmente em 10/10/2007, mas a Jotapar contabilizou a inexistente redução de capital no dia 22/9/2007, antes mesmo do fim da demanda judicial. Como dito anteriormente e de fundamental importância para arrematar o exame da redução de capital, de acordo com a 8° alteração contratual, Rosa Maria já havia se retirado do quadro societário da Jotapar, a exemplo dos outros sócios, para ingressar como acionista da Agriholding no ano de 1998. Portanto, não possui nenhum fundamento a alegação de que a redução de capital supostamente ocorrida em 22/09/2007 seria uma contrapartida pela saída, nove anos depois, da exesposa da sociedade. Rosa Maria no ano de 2007, em que foi aventada a suposta redução de capital, era acionista da Agriholding, sendo inadmissível acatar que o Sr. José Pessoa, na condição de usufrutuário das ações da Agriholding, pudesse se desfazer do patrimônio desta empresa e transferir imóvel de uma das empresas do grupo para quitar obrigação pessoal. Registrese, por oportuno, que na 14ª Alteração do Contrato Social, José Pessoa foi readmitido na Jotapar, mas com participação de trinta quotas de um total de 1.600.000. Na 15ª alteração o contribuinte retirase novamente da sociedade, com a transferência de suas quotas para José Adolpho Pessoa de Queiroz. Na 17ª alteração, ocorre o inverso, retirase da sociedade o Sr. José Adolpho e entra novamente José Pessoa. Assim, restou devidamente demonstrado pela autoridade fiscal que o Contribuinte omitiu rendimentos recebidos de pessoa jurídica, ao ter obrigações próprias extinguidas por terceiros, ou seja, pela Jotapar Participações Ltda. A tributação dos rendimentos recebidos pelo Contribuinte da empresa Jotapar Participações Ltda. foi fundamentada nos arts. 37, 38, 55, IV, e 996 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99). Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66). Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. [...] Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): [...] IV os rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos, avaliados em dinheiro, pelo valor que tiverem na data da percepção; [...] Art. 996. Os rendimentos recebidos e as deduções pagas sob a forma de extinção de obrigações serão avaliados pelo montante das obrigações extintas, inclusive juros vencidos, se os houver (Lei nº 4.506, de 1964, art. 25). Dessa forma, deve ser mantido o lançamento de ofício referente à infração 001 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. INFRAÇÃO 0002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA Essa infração referese à transferência dos apartamentos nºs 91 e 221 do Condomínio do Edifício L´Essence Jardins, situado na Rua Haddock Lobo, 1725, na cidade de São Paulo, pelo sr. Célio Cardoso à empresa Parque do Palmar Empreendimentos Imobiliários Ltda., administrada pela exesposa do Contribuinte, conforme Escrituras Públicas de Dação em Pagamento de fls. 25/30 e 31/36, pelo valor total de R$ 2.815.966,00. O Recorrente alega que os imóveis foram transferidos pelo sr. Célio Cardoso como pagamento de uma dívida e que, em se tratando de contrato de mútuo, a lei não exige a forma escrita, conforme arts. 586 e 592 do Código Civil. Sustenta que o negócio jurídico foi concluído com o espontâneo pagamento do mútuo pelo sr. Célio Cardoso mediante a transferência de imóveis de sua propriedade em pagamento de obrigação do Recorrente. O Código Civil assim disciplina sobre o contrato de mútuo. Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Fl. 2098DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.730756/201214 Acórdão n.º 2202003.576 S2C2T2 Fl. 2.089 21 Sobre a prova do instrumento particular em relação a terceiros, assim estipula o Código Civil. Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor, mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. [...] Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1º do art. 654. A Lei dos Registros Públicos (Lei nº 6.015/73) dispõe: Art. 127. No Registro de Títulos e Documentos será feita a transcrição: I – dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor; No presente caso, o Recorrente não apresentou nenhum documento que possa comprovar as suas alegações de que existia um contrato de mútuo firmado com o sr. Célio Cardoso. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. Nesse caso, o Recorrente apenas alegou e nada provou e, segundo brocardo jurídico por demais conhecido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". O artigo 373 do Novo Código de Processo Civil (NCPC) art. 333 do antigo CPC estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...] Assim, está correto o entendimento da autoridade fiscal em tributar os rendimentos recebidos pelo Recorrente do sr. Célio Cardoso, tendo em vista que este último extinguiu obrigações pessoais do Recorrente, qual seja, a transferência dos apartamentos nºs 91 e 221 do Condomínio do Edifício L´Essence Jardins, situado na Rua Haddock Lobo, 1725, na cidade de São Paulo, à empresa Parque do Palmar Empreendimentos Imobiliários Ltda., administrada pela sua exesposa, sra Rosa Maria, pelo valor total de R$ 2.815.966,00. Dessa forma, deve ser mantido o lançamento de ofício referente à infração 0002 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física. DA MULTA DE OFICIO QUALIFICADA Fl. 2099DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 22 A qualificação da multa de ofício deve ocorrer nos casos em que restar configurada conduta do contribuinte enquadrada nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, conforme previsão da Lei nº 9.430/96. Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1ª O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502/1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. No presente caso, a Fiscalização assim justificou a aplicação da multa qualificada: Desse modo, em relação à infração 0001, com base no que foi relatado no item "II AUDITORIA FISCAL", ficou amplamente demonstrado o intuito de fraude (gênero), inclusive com enquadramento nos três artigos da Lei n° 4.502/64, quais sejam, arts. 71, 72 e 73 (bastava um), pois, dentre outros, restou comprovado que, no procedimento de diligência, o. Sr. José Pessoa: 1 prestou diversas declarações falsas à autoridade fazendária para ocultar o fato gerador da obrigação tributária principal (sonegação); 2 respaldouse em documentação contábil fraudulenta da Jotapar (termos de resposta assinados por ele, José Pessoa) no intuito de suprimir tributo, inclusive afirmando categoricamente que "a compensação pela saída da Fl. 2100DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.730756/201214 Acórdão n.º 2202003.576 S2C2T2 Fl. 2.090 23 varoa da sociedade teve como contrapartida a redução de capital da Jotapar Participações Ltda. conforme lançamentos de folhas 77 do livro razão ano calendário 2007" (fraude); 3 promoveu ajuste doloso com a Jotapar, empresa administrada por ele (José Pessoa), uma vez que apresentaram as mesmas alegações, (termos de resposta assinados por ele, José Pessoa), visando a sonegação/fraude (conluio). Portanto, no lançamento de ofício dessa infração, deve ser aplicada a multa de 150% (qualificada). 68. Outrossim, em relação à infração 0002, com base no que foi relatado no item "II AUDITORIA FISCAL", ficou amplamente demonstrado o intuito de fraude (gênero), inclusive com enquadramento nos três artigos da Lei nº 4.502/64, quais sejam, arts. 71, 72 e 73 (bastava um), pois, dentre outros, restou comprovado que, no procedimento de diligência, o Sr. José Pessoa: 1 prestou diversas declarações falsas à autoridade fazendária para ocultar o fato gerador da obrigação tributária principal (sonegação); 2 procurou "plantar" inverdades sobre o conteúdo das escrituras públicas de dação em pagamento, no intuito de suprimir tributo, sem sequer apresentar documentação probatória para comprovar a pendência existente entre ele (José Pessoa) e o Sr. Célio/Cardoso (fraude); 3 promoveu ajuste doloso com o Sr. Célio Cardoso visando a sonegação/fraude, uma vez que: a) ficou comprovada a proximidade entre o Sr. José Pessoa e o Sr. Célio Cardoso (e ainda entre esses e a Jotapar e o Sr. Aylton Cardoso, irmão do Sr. Célio Cardoso, que acompanhava o Sr. José Pessoa na entrega da resposta a um dos Termos); b) o Sr. Célio Cardoso adquiriu os apartamentos da Inpar S/A e, no mesmo dia, os transferiu ao Sr. José Pessoa, sendo que o apto 221 (com depósitos e vagas) foi repassado por valor menor; c) causou estranheza o registro do apto. 91 em lançamento no Livro Razão da Jotapar, isso porque, na data do lançamento, o apto 91 era de propriedade da Inpar S/A, que, em 11/12/2007, o vendeu ao Sr. Célio Cardoso, que, no mesmo dia, o transferiu à Parque do Palmar; d) além disso, o Sr. Célio Cardoso não foi encontrado em seu domicílio fiscal para recebimento do Termo n? 01 da diligência (conluio). Portanto, no lançamento de ofício dessa infração, deve ser aplicada a multa de 150% (qualificada). Em relação à infração 0001 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, entendo que deve ser mantida a qualificação da multa, pois restou comprovada a conduta fraudulenta do Contribuinte, conforme bem descrito pela autoridade fiscal e decidido pela DRJ. A autoridade fiscal demonstrou claramente a fraude contábil engendrada pela empresa Jotapar Participações Ltda., com o intuito de evitar a tributação do imposto de renda pelo Recorrente, em conluio com este. Registrese que o Recorrente era o representante legal da empresa e foi quem assinou os documentos entregues à Fiscalização. Transcrevo a seguir trecho do voto condutor da decisão a quo sobre a ocorrência de fraude e conluio: Fl. 2101DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 24 A fraude contábil ficou claramente demonstrada no tópico que examinou a transferência do apartamento nº 171 da Jotapar para a empresa administrada por Rosa Maria, exesposa do contribuinte. A toda evidência os autos demonstram que o contribuinte utilizouse dos documentos contábeis da empresa para esconder do fisco, o verdadeiro fato gerador. De maneira consciente o impugnante valeuse de toda a engenharia contábil fraudulenta para esvairse da tributação do imposto de renda incidente sobre rendimentos que vieram à tona sobre a extinção de obrigação dele com a exesposa. Ainda em relação ao imóvel transferido pela Jotapar, ficou claramente demonstrado nos autos que, as mesmas informações trazidas pelo contribuinte em sede de diligência, foram também deduzidas pela empresa Jotapar, o que demonstra o acerto de procedimentos (conluio), demonstrado nos autos. De forma especial, tomemse como exemplo as respostas idênticas em relação à inexistente redução de capital, que por sinal foram prestadas pelo Sr. José Pessoa na condição de representante da empresa. Assim, concluo que deve ser mantida a qualificação da multa de ofício em relação a infração 0001 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, em face das razões expostas. Quanto à infração 0002 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física, não concordo com as justificativas da Fiscalização para a qualificação da multa. Penso que as alegações do Recorrente de que se tratava de pagamento de um mútuo celebrado com o sr. Célio Cardoso, embora não tenha sido provado, não significam que ocorreu fraude ou conluio. Sobre a justificativa da decisão de primeira instância de que se enquadraria também na conduta de sonegação, entendo que se trata de simples omissão de rendimentos. A prestação de informações ao Fisco, em atendimento às intimações, divergentes do que foi apurado pela Fiscalização, bem como a omissão de rendimentos, não caracterizam evidente intuito de fraude que justifique a imposição da multa qualificada. O Contribuinte não logrou comprovar que existiu um contrato de mútuo entre as partes, razão pela qual a autoridade fiscal teve que desconsiderar as alegações apresentadas e tributar os valores da transação, o que não é suficiente para a caracterização de uma das condutas tipificadas na Lei nº 4.502/1964. Portanto, quanto à infração 0002, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Diante do exposto, voto no seguinte sentido: a) NEGAR provimento ao Recurso de Ofício; b) Quanto ao Recurso Voluntário: REJEITAR a preliminar de decadência e DAR PARCIAL provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, apenas em relação à infração 0002 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física. Fl. 2102DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.730756/201214 Acórdão n.º 2202003.576 S2C2T2 Fl. 2.091 25 Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 2103DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13888.001589/2005-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004
EMBARGOS. OMISSÃO E OBSCURIDADE. EFEITOS INFRINGENTES.
Deve ser acolhido o Embargo que aponta omissão e obscuridade, e que leva à necessidade de apreciar preliminar e matéria de mérito que implica em revisão da decisão recorrida.
COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE.
Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra na área do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou álcool).
Numero da decisão: 3401-003.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para admitir o direito de crédito em relação aos gastos com combustíveis utilizados no transporte de empregados e de mão de obra na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar e álcool), vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, quanto ao transporte de empregados/mão de obra e de resíduos, e o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, quanto aos resíduos.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: Relator Eloy Eros da Silva Nogueira
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 EMBARGOS. OMISSÃO E OBSCURIDADE. EFEITOS INFRINGENTES. Deve ser acolhido o Embargo que aponta omissão e obscuridade, e que leva à necessidade de apreciar preliminar e matéria de mérito que implica em revisão da decisão recorrida. COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra na área do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou álcool).
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OMISSÃO E OBSCURIDADE. EFEITOS INFRINGENTES. Deve ser acolhido o Embargo que aponta omissão e obscuridade, e que leva à necessidade de apreciar preliminar e matéria de mérito que implica em revisão da decisão recorrida. COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra na área do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou álcool). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para admitir o direito de crédito em relação aos gastos com combustíveis utilizados no transporte de empregados e de mão de obra na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar e álcool), vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, quanto ao transporte de empregados/mão de obra e de resíduos, e o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, quanto aos resíduos. Robson José Bayerl Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 15 89 /2 00 5- 90 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente de Embargos ingressados nos termos do artigo 65 do RICARF em vigor, face o Acórdão n. 3401003.065 proferido por esta turma na sessão de 26 de janeiro de 2016, cuja Ementa ficou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INTERPRETAÇÃO COMPREENSIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL. O arrendamento de um prédio, assim considerado uma construção (coisa acessória), não se dá de forma independente e autônoma, mas pressupõe o arrendamento de uma construção (coisa acessória) mais o bem imóvel sobre o Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.001589/200590 Acórdão n.º 3401003.209 S3C4T1 Fl. 3 3 qual a mesma foi erigida (coisa principal). Logo, se é lícito ao contribuinte descontar créditos com relação ao arrendamento de um todo que compreende o acessório mais o principal, acredito que não existem razões para se vedar o desconto de créditos quando se tratar de arrendamento de um bem imóvel sem acessão coisa principal, que é parte do todo. Por isso, não há como deixar de reconhecer o direito à apuração de créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo em relação as despesas de aluguel de propriedade rural. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Cofins ou do Pis não cumulativo. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. Apenas os créditos do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa apurados, respectivamente, na forma do art. 3º da Lei n. 10.627/2002 e do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 podem ser objetos de aproveitamento para fins de compensação ou ressarcimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Regra geral, considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso, nos seguintes termos: i) Despesas e custos relacionados às oficinas por unanimidade de votos, parcial provimento, nos termos do voto do relator; ii) Despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iii) Despesas relacionadas a armazenamento por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iv) Despesas de materiais elétricos e de materiais de construção das conta contábeis da área agrícola por unanimidade de votos, negouse provimento, Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 nos termos do voto; v) Despesas e custos com serviços de manutenção (i) das oficinas e (ii) dos armazéns pagos a pessoas jurídicas por maioria de votos, deuse parcial provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que dava provimento em menor extensão; vi) Comissões e corretagens e gastos em venda e comercialização, pagas a pessoas jurídicas por unanimidade de votos, negouse provimento; vii) Despesas de transporte pagos a PJ Por maioria de votos, deuse provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl; viii) Despesas com aluguel de veículos por unanimidade, negouse provimento; ix) Despesas com aluguel e arrendamento rural PF e PJ por maioria de votos, deuse parcial provimento para os valores pagos a pessoas jurídicas, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan e Robson José Bayerl, designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira para redigir o voto vencedor; x) Despesas portuárias, despesas com armazenagem e despesas com documentação e estadias, nas operações de exportação por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso; xi) Despesas de exportação pela proporcionalidade das receitas de exportação por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. O recurso alega que houve omissão e/ou obscuridade com relação á seguinte matéria: glosa dos gastos com combustíveis usados no transporte. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Este processo cuida de pedido de ressarcimento da contribuição social e das Declarações de Compensação a ele vinculadas, por meio dos quais a contribuinte requer, primeiramente, reconhecimento de créditos da contribuição social em comento, do regime não cumulativo (PIS ou COFINS mercado externo nos termos do art. 3o da Lei n. 10.627/2002 e Lei n° 10.833/2003). A contribuinte alega possuir créditos no período de apuração, referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. A auditoria fiscal propôs glosas, confirmadas pela autoridade administrativa no Despacho Decisório, que, somadas, reduziram o pretendido e solicitado pelo contribuinte DISPONÍVEL para as compensações. E concluíram não existir saldo disponível para o ressarcimento tratado neste processo. Após apreciar a manifestação de inconformidade, os Julgadores de 1º piso não acolheram as alegações da contribuinte e mantiveram as glosas fiscais. Este colegiado apreciou o recurso voluntário e, na sessão de 26 de janeiro de 2016, decidiu darlhe parcial provimento. Senhores Conselheiros, proponho que analisemos a matéria questionada nos Embargos, e dessa maneira verifiquemos a existência da omissão ou da obscuridade aventada Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.001589/200590 Acórdão n.º 3401003.209 S3C4T1 Fl. 4 5 e, se admitida, passemos à apreciação do mérito. Creio que nesse andar, conjugando a decisão de admissão do recurso com a decisão de mérito da matéria, ganharemos em eficiência e objetividade. Matéria: glosa dos gastos com combustíveis usados no transporte. A autoridade fiscal firmou seu entendimento de que insumo, utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, compreende “a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam, incluídos no ativo imobilizado (IN 404/04, art. 8o, § 4o c/c § 9o)”. Além desse entendimento, adotado como critério para a glosa, a autoridade fiscal glosou também as despesas relacionados a centros de custos que não estavam diretamente vinculados á produção e fabricação dos produtos vendidos. Nesse conjunto, estavam os gastos com combustíveis usados no transporte. A contribuinte trouxe ao contraditório as razões por que defende a legalidade e correção dos créditos apurados a partir desses gastos. Em resumo: sobre as despesas com combustíveis que os combustíveis foram adquiridos para o transporte do produto para exportação e que são indispensáveis à atividade agroindustrial. Argumenta que não há como se negar que a atividade agroindustrial integrada demanda grandes espaços, e, por isso mesmo, uma movimentação muito grande de máquinas e veículos, seja na colheita e nos transporte de matériaprima dos fundos agrícolas para a indústria, seja no transporte de máquinas, equipamentos e, sobretudo, adubos e produtos químicos aos diversos fundos agrícolas onde são aplicados. Sem mencionar o transporte da mão de obra que é indispensável em todo o processo de plantio, tratos culturais, colheita e industrialização. Em decorrência da necessidade de constante vigilância das lavouras, em todo o seu estágio, são necessárias diligências diárias aos diversos fundos agrícolas por agrimensores, agrônomos e demais empregados qualificados para a finalidade de tratar da cultura. E que todo esse transporte se faz em sua grande parte por meio de veículos próprios e de terceiros movidos à gasolina ou álcool ou, na hipótese de ônibus, óleo diesel. Sem combustível, portanto, não há como se conceber o plantio, os tratos culturais, a colheita, o transporte e, por fim, a industrialização da canadeaçúcar. ... resta patente que os combustíveis se consubstanciam em verdadeiro insumo de produção intrinsecamente ligados ao processo agroindustrial e, conseqüentemente, à atividade da Recorrente. Os julgadores de 1ºpiso, sobre combustíveis utilizados no transporte, decidiram que a legislação equiparou os combustíveis aos demais bens considerados como Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 insumos, desde que aqueles também sejam utilizados diretamente no processo produtivo, de fabricação do açúcar e do álcool destinado à venda. Portanto, em seu entendimento, não haveria que se falar em creditamento na aquisição de combustíveis utilizados no transporte da produção para a exportação ou mesmo da mãodeobra utilizada no processo agrícola, como pleiteou expressamente a recorrente. A aquisição de combustíveis geraria direito a crédito apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. No caso, não aceitaram as alegações da contribuinte. Essa matéria foi contraditada novamente pela contribuinte, vindo para julgamento da 2ª instância. No voto do Conselheiro relator constaram as seguintes considerações e decisões a respeito dessa matéria: Sobre as despesas e custos relacionados às oficinas (a) Depreendo, portanto, que as despesas com combustíveis, lubrificantes, consumo de água, materiais de manutenção e materiais elétricos nas oficinas de serviços de limpeza operativa, de serviços auxiliares, de serviços elétricos, de caldeiraria e de serviços mecânicos e automotivos para as máquinas, equipamentos e veículos utilizados no processo produtivo da canadeaçúcar, ou seja, sua semeadura, colheita e transporte até a usina onde será fabricado o açúcar, atendem ao critério para caracterização como insumos. (b) CONTUDO, as despesas relacionadas aos centros de custos: "Diretoria Industrial/Administração planejamento", "Manutenção Conservação Civil" e "brigada de incêndio", "Central de ar condicionado", "Serviços Auxiliares", Funcionários afastados industrial, incentivo vale transporte industrial , não têm demonstradas pela recorrente a sua característica de insumo e a sua vinculação com o processo de produção propriamente dito e com os produtos vendidos. Por falta de comprovação e previsão legal, entendo que as glosas devem ser mantidas. Proponho dar PARCIAL provimento ao recurso neste item. (GRIFOS ACRESCIDOS) Sobre as despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar Com a mesma razão anteriormente exposta, entendo que atendem aos critério para caracterização como insumo as despesas e custos com combustíveis, consumo de água e materiais elétricos para emprego nas atividades: balança de cana; destilaria de álcool; ensacamento de açúcar; fabricação de açúcar; fermentação; geração de energia (turbo gerador); geração de vapor (caldeiras); laboratório teor de sacarose; lavagens de cana/ residuais; mecanização industrial; preparo e moagem; recepção e armazenagem; transporte industrial; tratamento do caldo; captação de água; rede de restilo; refinaria granulado. Proponho dar provimento ao recurso neste item. (GRIFOS ACRESCIDOS) Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.001589/200590 Acórdão n.º 3401003.209 S3C4T1 Fl. 5 7 Como se vê, o voto tratou da matéria, propondo provimento ao recurso quanto a este ítem. Contudo, no desdobrar da sessão, faltou a apreciação dos Conselheiros sobre a seguinte parte do voto do relator, com considerações e proposição diretamente vinculadas a essa matéria. Vejamos: Glosa das despesas de transporte pagos a PJ e dos gastos relacionados a transportes a autoridade fiscal e os julgadores a quo decidiram que essas despesas não podem ser consideradas insumo e não podem gerar credito na apuração da contribuição em questão. Consultei os documentos que instruem este processo, as planilhas demonstrando a apuração das receitas, as despesas e os centros de custos e, nelas, vejo dois tipos de categorias de serviços de transporte: 1º) as que se referem a transporte de empregados e de mão de obra no contexto do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou alcool); 2º) as que se referem a transporte de produtos acabados e os serviços de transporte que não se relacionam diretamente com as atividades de cultivo, colheita e tratamento da cana de açúcar e de seus subprodutos, antes da obtenção do produto final açúcar ou alcool. Nesse ponto, entendo que razão assiste à recorrente quando se trata da primeira categoria acima, de gastos e custos agrícolas, pois elas se referem a serviços e insumos necessários ao processo de produção da cana e seus derivados, e também transporte de pessoal no âmbito das colheitas, e, a meu ver, guardam relação direta com a produção de cana de açúcar. Mas entendo que razão não lhe assiste quanto ao segundo grupo de despesas acima indicado, pois não guardam relação direta com o processo de produção da cana, de seus derivados, e também com a fabricação de açúcar e alcool. Entendo que a glosa deve ser mantida para essa segunda categoria, pois não se trata de insumo necessário tendo em vista as especificidades do processo da colheita de cana de açúcar, nem se enquadram na previsão para obtenção de créditos a partir de despesas de transporte. Proponho dar PARCIAL provimento ao recurso neste aspecto. A meu ver, o texto do Acórdão recorrido traz obscuridade que deve ser sanada, para que fique expresso e julgado o entendimento de que os gastos com combustíveis usados no transporte podem gerar crédito nos termos que constam do voto, o que justificam dar parcial provimento ao recurso voluntário neste item. Por essas razões, proponho seja admitido, Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 conhecido e apreciado este Embargo, e no mérito passe a constar do Acórdão recorrido o entendimento favorável ao provimento PARCIAL do recurso neste item. CONCLUSÃO FINAL Seja acolhido o Embargo para dar PARCIAL provimento ao recurso voluntário na matéria glosa dos gastos com combustíveis usados no transporte, e que essa decisão altere o que consta como dispositivo conclusivo do Acórdão recorrido, com efeitos infringentes, cuja Ementa passa ser acrescida do seguinte: COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra no contexto do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou álcool). Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002240/2003-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
FALTA DE RECOLHIMENTO
A falta ou insuficiência de recolhimento do IPI, apurado em procedimento
fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais.
AUSÊNCIA DE PROVAS. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE
DIREITO A AMPLA DEFESA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Numero da decisão: 3302-003.350
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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AUSÊNCIA DE PROVAS. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DIREITO A AMPLA DEFESA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. RICARDO PAULO ROSA- Presidente. LENISA PRADO- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Paulo Guilherme Dérouledé, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araújo e Lenisa Prado. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 38 19 .0 02 24 0/ 20 03 -2 7 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária agosto de 2016 agosto de 2016 Processo Administrativo Fiscal Processo Administrativo Fiscal ASCAEL COMERCIAL LTDA ASCAEL COMERCIAL LTDA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 220DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Trata-se de auto de infração lavrado em decorrência de revisão de ofício, onde foram constatadas inexatidões de valores registrados nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais - DCTFs, referentes ao período entre abril e dezembro de 1998. A fiscalização considerou que a comprovação dos valores recolhidos a título de Imposto sobre Produtos Industrializados foi insuficiente, o que ensejou a aplicação de multa de ofício e juros de mora, totalizando o montante de R$ 127.797,34. Em sua impugnação (fls. 1/ 60) o contribuinte alega ter pago os débitos gerados pelo auto de infração em testilha. No despacho de encaminhamento, a autoridade remetente esclarece (fl. 115): "O débito apontado pelo Auto de Infração da DCTF/1198 - original - segundo trimestre foi alocado automaticamente pelo sistema, já o débito da DCTF/1998 - original - terceiro trimestre, foi feita revisão de lançamento PA - 11- 09/1998 no valor de R$ 1.997,49 e feita alocação manual (fl. 64). Já os demais pagamentos alegados foram encontrados, mas JÁ UTILIZADOS pela apresentação de DCTF - original como consta de - PA'S 01-04/1998 a 21-12/1998 (fls. 67 a 78). Contudo, o sistema não reconheceu a duplicidade quando da apresentação de DCTF- complementar (fls 79 a 82) apresentado pelo contribuinte com os mesmos valores da DCTF- original como consta de fls. 83 a 84 por esse motivo foi emitido contra o contribuinte o já citado Auto de Infração". A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou parcialmente procedente a impugnação, somente para cancelar o lançamento da multa de ofício. Esse acórdão recebeu a seguinte ementa (fls. 120/122): Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/1998 a 31/12/1998 FALTA DE RECOLHIMENTO A falta ou insuficiência de recolhimento do IPI, apurado em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. RETROATIVIDADE BENIGNA Aplica-se ao ato pretérito a legislação que comine penalidade menos severa que a vigente à época do lançamento. Lançamento Procedente em Parte. O contribuinte foi intimado sobre o conteúdo do acórdão em 16/12/08 (fl. 125) e interpôs, tempestivamente, recurso voluntário em 26/12/2008 (fls. 126/127). Fl. 221DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13819.002240/2003-27 Acórdão n.º 3302-003.350 S3-C3T2 Fl. 221 3 Em 17/09/2014 a 1ª Turma Especial da 3ª Seção deste Conselho converteu o julgamento do recurso em diligência, para que o contribuinte informasse e comprovasse (fls. 201/205): 1. Se os valores declarados em DIPJ ou por outro meio de prova (fiscal, contábil e etc), confirmam a existência de pagamentos declarados em duplicidade; 2. Abra vista de 30 dias para a contribuinte se manifestar; e, Retorne o processo a este CARF para julgamento. Resolução acima mencionada foi disponibilizada no Módulo e-CAC do sítio eletrônico da Receita Federal na caixa postal do contribuinte em 20/10/2014. Em 04/11/2014 foi acostado aos autos o Termo de Ciência por Decurso de Prazo (fl.214), uma vez que transcorrido o prazo de 15 dias. Diante da inércia do contribuinte, os autos retornaram a este Conselho. Voto Conselheira Lenisa Prado, A controvérsia dos autos está em saber se, por equívoco do contribuinte, foram lançados em duplicidades os valores nas DCTF1s, ou se existem valores idênticos, sendo um pago e outro não. Apesar da importância de provas para subsidiar o recurso voluntário, o contribuinte quedou-se inerte ao comando da diligência. Por indicar com precisão a necessidade que teria o contribuinte em apresentar as provas que corroborassem o que alega, reproduzo os fundamentos que levaram o então relator do processo sob análise a converte o julgamento em diligência: "Consoante se verifica no voto do acórdão ora recorrido, há informação a fl. 115 (ou fls. 113, pela numeração de autos físicos) que os pagamentos alegados tanto em impugnação, quanto agora em recurso voluntário, já foram utilizados nos débitos constantes na DCTF original, ou seja, os valores lançados no auto de infração se referem aos débitos declarados na DCTF complementar, conforme documentos de fls. 81 a 87 (ou fls. 79 a 85, pela numeração de autos físicos). A declaração complementar, diferentemente da DCTF retificadora, não tem o condão de substituir a original, assim os valores nela informados são adicionados aos contidos na original e constituem-se também em confissão de dívida. A impugnante não apresentou cópia dos livros fiscais e contábeis 1 Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, regulamentada pela Instrução Normativa RFB n. 1.599/2015. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 que pudessem contestar os valores lançados, de modo a acolher inquestionavelmente a sua alegação. A mera alegação de pagamento, com a juntada das DARF's pagas, não lhe exime do débito que lhe está sendo cobrado no auto de infração que lhe foi imposto neste processo administrativo, contudo, se analisadas as DCTFs em conjunto com a DCTF complementar, verifica-se que os valores se repetem. Poderia ser que houvesse duplicidade ou simplesmente valores idênticos. A título de exemplo, vejamos o IPI do 2º Dec/Abr de 1998, que na DCTF aponta o valor de R$ 1.987,80, que o contribuinte comprova ter pago em DARF de fls. 140, contudo este mesmo valor está novamente lançado em DCTF Complementar. Com isso, o contribuinte lançou duas vezes o valor de R$ 1.987,80 para o 2º Dec/Abr. Caberia ao contribuinte o ônus de provar o erro realizado e de que haveria a duplicidade de valores, por meio de livros e documentos fiscais. Não o fazendo, leva a crer que há dois valores idênticos sendo devidos: um pago e outro não. Se a contribuinte errou ao realizar na DCTF complementar, fazendo a reprodução de valores, deveria ela apresentar documentação hábil a comprovar o seu direito. Aliás, o acórdão da DRJ/RPO fundamenta em igual sentido: "como a impugnante não apresentou cópia dos livros fiscais e contábeis que pudessem contestar os valores lançados, não há como acolher a sua alegação". Contudo, há fortes indícios da presença de pagamentos em duplicidade. Desse modo, há dúvida substancial que impede o julgamento do processo no estado em que se encontra, em razão da clara possibilidade de existência de pagamentos em duplicidade". O art. 16, § 4º do Decreto n. 70.235/1972 determina que as provas documentais sejam apresentadas na impugnação. Ao recorrente, ao ser convertido o julgamento em diligência, foi aberta nova oportunidade para comprovar o que alega, o que afasta qualquer eventual alegação sobre o cerceamento de direito a ampla defesa. A falta de comprovação documental, na hipótese dos autos, não permite com que os "fortes indícios da presença de pagamentos em duplicidade" sejam confirmados. É inconteste que meras alegações sem a devida produção de provas não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento. Vale trazer a colação o que dispõe a Lei n. 9.784/199: Fl. 223DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13819.002240/2003-27 Acórdão n.º 3302-003.350 S3-C3T2 Fl. 222 5 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta lei. Diante do exposto, por inexistirem provas que comprovem o que alega o recorrente, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Lenisa Prado - Relatora Fl. 224DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10980.933374/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.415
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Alargamento da base de cálculo. Recorrente CONSTRUTORA TOMASI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 33 74 /2 00 9- 17 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10980.933374/200917 Acórdão n.º 3402003.415 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Curitiba/PR que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório, que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A não homologação se deveu a inexistência do crédito informado, vez que o mesmo havia sido integralmente utilizado. Em sua manifestação a interessada alega que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei nº9.718, de 1998, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. Sobreveio então o Acórdão 06041.139, da DRJ/CTA/PR, julgando improcedente a manifestação de inconformidade da Contribuinte. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.399, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10980.911525/201010, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.399): "O recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10980.933374/200917 Acórdão n.º 3402003.415 S3C4T2 Fl. 0 3 A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10980.933374/200917 Acórdão n.º 3402003.415 S3C4T2 Fl. 0 4 Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; conclui se pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento. 2 Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10980.933374/200917 Acórdão n.º 3402003.415 S3C4T2 Fl. 0 5 Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, tornase imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10980.933374/200917 Acórdão n.º 3402003.415 S3C4T2 Fl. 0 6 compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10980.933374/200917 Acórdão n.º 3402003.415 S3C4T2 Fl. 0 7 ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerêla em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10980.933374/200917 Acórdão n.º 3402003.415 S3C4T2 Fl. 0 8 Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10980.933374/200917 Acórdão n.º 3402003.415 S3C4T2 Fl. 0 9 base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos valores recolhidos com amparo no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 (declarado inconstitucional pelo STF), devendo o montante do direito creditório ser apurado pela unidade de origem. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.971838/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2003
PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL.
A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.376
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinando-se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Restituição. Prescrição. Recorrente FÁBRICA CARIOCA DE CATALISADORES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2003 PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL. A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida para compensação de débitos tributários federais com créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 18 38 /2 00 9- 55 Fl. 747DF CARF MF Processo nº 15374.971838/200955 Acórdão n.º 3402003.376 S3C4T2 Fl. 3 2 A compensação não foi homologada pela unidade de origem sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, apesar de localizado, havia sido integralmente utilizado na compensação de débitos declarados pelo contribuinte, que esgotaram o crédito disponível. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega que recolheu indevidamente o IPI no período de outubro de 2002 a maio de 2003 (aplicou a alíquota de 10%), sobre saídas de produtos cuja alíquota fora reduzida a zero. Em face disso, considera fazer jus à restituição dos valores pagos, e que tais valores podem ser objeto de compensação, com base no art.74 da Lei nº 9.430/96. A manifestação foi julgada improcedente (Acórdão 14054.312), a despeito do reconhecimento da existência do crédito, em razão da verificação de ofício da prescrição do direito do contribuinte de pleitear a restituição. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual repisa a sua impugnação, acrescentando que o prazo prescricional do direito de pleitear a restituição foi interrompido por iniciativa da Recorrente, que ajuizou ação cautelar de protesto, com o fito de interromper o prazo de prescrição nos termos do art.174, parágrafo único, II do Código Tributário, em 05/09/2007, vindo a ser definitivamente efetivada em 21/01/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.367, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 15374.971828/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.367): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. A questão inicial do processo dizia respeito à existência ou não do crédito de IPI decorrente do pagamento indevido, questão esta prima facie superada pelo próprio reconhecimento da decisão a quo da sua existência, com base nos documentos de fls. 111303, analiticamente examinados no "Relatório extrajudicial sobre utilização crédito IPI" de fls. 526661, verbis: Em princípio, observo que a manifestante, aparentemente, trouxe aos autos provas do indevido recolhimento, bem como, a autorização para pedir a restituição do adquirente. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 15374.971838/200955 Acórdão n.º 3402003.376 S3C4T2 Fl. 4 3 O seu exaurimento cognitivo restou prejudicado pela verificação ex officio da prescrição do direito do Recorrente de pleitear a restituição dos créditos, com fundamento no art.168, I c/c art.165, I, ambos do Código Tributário Nacional, concluindo nos seguintes termos: Pois bem, consta dos autos que este processo é o de crédito e que a PERDCOMP foi transmitida em 01/04/2008, sendo que o pagamento indevido foi efetuado em 10/03/2003, ou seja, já em 11/03/2008 o contribuinte tinha perdido o direito de pleitear a repetição do indébito, considerando o disposto no CTN: Pois bem, em seu Recurso Voluntário, o Recorrente apresentou certidão judicial da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.502503) certificando a propositura, por ela, de uma Ação de Protesto Judicial contra a Fazenda Nacional com o objetivo de interromper o prazo para restituição do IPI recolhido a partir de Outubro de 2002 até o último decêndio de Maio de 2003. Certificou também que a propositura da ação se deu em 05/09/2007, tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015. Em primeiro lugar, há que se enfrentar a questão da preclusão acerca da apresentação de provas sobre o ajuizamento da ação cautelar de protesto pela Recorrente, haja vista tais provas terem sido juntadas apenas com seu Recurso Voluntário. Entendemos ser perfeitamente cabível tal juntada e manifestação específica acerca da questão da prescrição, por se tratar de questão fática e jurídica trazia posteriormente aos autos, ao ser conhecida de ofício na decisão recorrida e que portanto somente pôde ser atacada em seus fundamentos no âmbito do Recurso Voluntário. É a dicção expressa do art.16, §4, "c" do Decreto 70.235/72, verbis: Art.16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Desse modo, é legítima a juntada de documentos após a decisão de 1ª instância com vistas a contrapor matéria conhecida de ofício pelo Colegiado a quo. Superado este ponto, podese enfrentar seguramente o mérito das alegações. De fato, a decisão recorrida está correta ao estabelecer que o dies a quo do prazo prescricional relativo ao direito do contribuinte de pleitear a restituição tem início com o pagamento feito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é essa a dicção clara do CTN: “Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 749DF CARF MF Processo nº 15374.971838/200955 Acórdão n.º 3402003.376 S3C4T2 Fl. 5 4 I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário ; “Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo do tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Desse modo, o art.150, §1º do mesmo Código é claro quanto a eficácia extintiva do pagamento antecipado, sendo a homologação posterior apenas condição resolutória, isto é, exercer seus efeitos desde o momento da sua realização, ficando sujeito a evento futuro e incerto que pode lhe tirar a eficácia: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos desta lei extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.” Para afastar quaisquer dúvidas a respeito da identificação da data de início de contagem do prazo, a Lei Complementar nº 118/2005 trouxe em seu artigo 3º regra interpretativa a esse respeito, aplicandose retroativamente por força do art.106, I do CTN: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Até o presente ponto o raciocínio da decisão recorrida é irretocável. Todavia, olvidou o julgado da existência de causa de interrupção da prescrição do direito à repetição tributária, por não ter sido tal matéria informada desde o início na manifestação de inconformidade. De fato, as causas de interrupção da prescrição são as seguintes: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 15374.971838/200955 Acórdão n.º 3402003.376 S3C4T2 Fl. 6 5 Portanto, o ajuizamento da ação cautelar de protesto, se feito dentro do prazo prescricional, tem o condão de interrompêlo. Nesse sentido, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consolidado nos votos da lavra do Min. Demócrito Reinaldo, a exemplo do REsp 52.281/DF, julgado em 03/03/1997, no qual consignou o seguinte: Com efeito, o CTN, em seu artigo 174, parágrafo único, inciso II, expressamente elege o protesto judicial como causa interruptiva do prazo prescricional para propor a ação de cobrança do crédito tributário. Face ao princípio da "isonomia processual", idêntico tratamento deve ser dispensado ao contribuinte, nas ações em que postula repetição do indébito. Tal entendimento encontra eco também no REsp nº 82.553/DF, REsp nº 40.365/DF e no REsp 108.866/DF, com a ressalva que neste último se enfrenta especificamente a data em que se inicia a recontagem do prazo prescricional: PROCESSO CIVIL. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. SE A AÇÃO E PRECEDIDA DE PROTESTO JUDICIAL, A PRESCRIÇÃO SE INTERROMPE NA DATA DA CITAÇÃO DESTE (CC, ART. 172). RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE. (REsp 108.866/DF, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/02/1997, DJ 07/04/1997, p. 11098) Nesses termos, a citação da Fazenda Nacional marca o reinício do prazo prescricional, retroagindo a interrupção à data da propositura da ação cautelar de protesto, por força da regra da actio nata, consagrada de longa data pelo Superior Tribunal de Justiça e consentânea com a sistemática do exercício do direito de ação. Por fim, recentemente, cumpre apontar também a decisão do REsp 335942/RS, julgado em 01/10/2009, cuja ementa traz o seguinte: PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 1º, 8º E 9º DO DECRETO 20.910/1932. 1. O STJ possui entendimento no sentido de que o prazo prescricional referente ao aproveitamento do créditoprêmio de IPI é de cinco anos contados da aquisição do direito, nos termos do Decreto 20.910/1932. 2. Hipótese que se diferencia da restituição de tributo indevidamente recolhido (art. 168, I, do CTN), pois se trata de pedido relativo a benefício fiscal não reconhecido pelo Fisco a ser creditado pelo interessado. 3. O regime jurídico da prescrição deve ser analisado à luz do Decreto 20.910/1932, que prevê a possibilidade de interrupção por uma única vez, recomeçando o lapso temporal a correr pela metade. 4. Ajuizouse medida cautelar de protesto judicial interruptivo da prescrição (art. 867 do CPC; c/c o art. 202, II, do Código Civil), tendo sido citada a recorrente em 6.12.1984. A ação declaratória que originou o presente recurso foi ajuizada em 9.11.1987, isto é, Fl. 751DF CARF MF Processo nº 15374.971838/200955 Acórdão n.º 3402003.376 S3C4T2 Fl. 7 6 após o transcurso de mais de dois anos e meio do ato interruptivo. Prescrição reconhecida. 5. Recurso Especial provido. (REsp 335.942/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 09/10/2009) A posição atual do STJ é pela aplicação dos arts. 8º e 9º do Decreto nº 20.910/32, que se encontra válido e vigente no ordenamento pátrio e assim prescreve: Art. 8º A prescrição somente poderá ser interrompida uma vez. Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. Considerando que a propositura da ação se deu em 05/09/2007 e portanto dentro do prazo prescricional e tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015, possui ainda o Contribuinte dois anos e meio para pleitear sua restituição, contados desta data, isto é, até 21/07/2017. Portanto, não há que se considerar a prescrição apontada pela decisão a quo. Superado a preliminar referente à prescrição, verificase que a decisão recorrida pautouse exclusivamente por ela, deixando de analisar o mérito relativo ao crédito pleiteado, razão pela qual esse Colegiado não pode avaliála. Ante o exposto, voto por dar provimento à preliminar de inocorrência de prescrição do direito ao pedido de ressarcimento/compensação, remetendo os autos à DRJ responsável pela decisão a quo para, superada a questão prescricional, se manifeste sobre o mérito do crédito pleiteado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 752DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724176/2013-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
INTEMPESTIVIDADE. Conforme o art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do Recurso Voluntário é de 30 dias, a contar da ciência do Acórdão de Impugnação. No caso dos autos, a ciência à decisão de primeira instância deu-se em 26/08/2013 e o Recurso fora interposto em 22/10/2013 conforme efl. 74 dos autos.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-004.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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score : 1.0
Numero do processo: 13116.722752/2012-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. PREFERÊNCIA. INTIMAÇÃO ELETRÔNICA E PESSOAL.
Não há preferência entre os meios de intimação descritos nos incisos do artigo 23, isto é, entre a intimação pessoal, por via postal ou por meio eletrônico, conforme §3º do mesmo artigo 23, do Decreto nº 70.235/1972.
DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ELETRÔNICO E POSTAL. ARTIGO 23, §4º, DO DECRETO 70.235/1972.
Considera-se domicílio tributário do sujeito passivo tanto o endereço postal fornecido à administração tributária, quanto o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo, nos termos do §4º, incisos I e II, do artigo 23, do Decreto nº 70.235/1972.
INTEMPESTIVIDADE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. INTIMAÇÃO POSTAL VÁLIDA.
É intempestivo recurso voluntário interposto após o prazo descrito no artigo 33, do Decreto nº 70.235/1972, considerando o início do prazo com a intimação postal válida.
Numero da decisão: 9101-002.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, vencida a conselheira Adriana Gomes Rego, que não o conheceu e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício.
(Assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora.
EDITADO EM: 14/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal De Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu), Luis Flavio Neto e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. PREFERÊNCIA. INTIMAÇÃO ELETRÔNICA E PESSOAL. Não há preferência entre os meios de intimação descritos nos incisos do artigo 23, isto é, entre a intimação pessoal, por via postal ou por meio eletrônico, conforme §3º do mesmo artigo 23, do Decreto nº 70.235/1972. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ELETRÔNICO E POSTAL. ARTIGO 23, §4º, DO DECRETO 70.235/1972. Considera-se domicílio tributário do sujeito passivo tanto o endereço postal fornecido à administração tributária, quanto o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo, nos termos do §4º, incisos I e II, do artigo 23, do Decreto nº 70.235/1972. INTEMPESTIVIDADE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. INTIMAÇÃO POSTAL VÁLIDA. É intempestivo recurso voluntário interposto após o prazo descrito no artigo 33, do Decreto nº 70.235/1972, considerando o início do prazo com a intimação postal válida.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. PREFERÊNCIA. INTIMAÇÃO ELETRÔNICA E PESSOAL. Não há preferência entre os meios de intimação descritos nos incisos do artigo 23, isto é, entre a intimação pessoal, por via postal ou por meio eletrônico, conforme §3º do mesmo artigo 23, do Decreto nº 70.235/1972. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ELETRÔNICO E POSTAL. ARTIGO 23, §4º, DO DECRETO 70.235/1972. Considerase domicílio tributário do sujeito passivo tanto o endereço postal fornecido à administração tributária, quanto o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo, nos termos do §4º, incisos I e II, do artigo 23, do Decreto nº 70.235/1972. INTEMPESTIVIDADE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. INTIMAÇÃO POSTAL VÁLIDA. É intempestivo recurso voluntário interposto após o prazo descrito no artigo 33, do Decreto nº 70.235/1972, considerando o início do prazo com a intimação postal válida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, vencida a conselheira Adriana Gomes Rego, que não o conheceu e, no mérito, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 27 52 /2 01 2- 11 Fl. 5673DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO 2 (suplente convocado), que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. EDITADO EM: 14/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal De Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu), Luis Flavio Neto e Cristiane Silva Costa. Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Auto de Infração de IRPJ (fls. 3/23), quanto aos anoscalendários de 2008, 2009 e 2010, no valor de R$ 278.490.823,80, acrescido de juros de mora no importe de R$ 75.638.055,41, multa de 75% no valor de R$ 208.868.117,85, além de multa exigida isoladamente equivalente a R$ 242.095.426,44, esta última correspondente à falta de pagamento de bases de cálculos estimadas no anos de 2007 a 2010. Consta do Auto de Infração (fls. 5): “Valores excluídos indevidamente do Lucro Líquido do período, na determinação do Lucro Real, a título de 'Crédito Outorgado de ICMS', benefício concedido pelo Estado de Goiás, não enquadrado como subvenção para investimento, conforme relatório fiscal (e suas planilhas) em anexo, parte integrante deste Auto de Infração.” O auditor fiscal da Receita Federal do Brasil também efetuou lançamento reflexo da CSLL quanto aos anos de 2008 a 2010, no valor de R$ 100.522.833,98, juros de R$ 27.85.516,79, multa no percentual de 75% no valor de R$ 75.392.125,50 e multa isolada de R$ 86.618.579,68 (fls. 24/40). Os administradores da contribuinte foram identificados como responsáveis tributários (fls. 64), com fundamento no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional. A contribuinte apresentou impugnação administrativa, na qual alegava: (a) que o benefício fiscal do programa "Produzir" (Lei nº 13.591/2000) caracterizase como Fl. 5674DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 9101002.443 CSRFT1 Fl. 5.674 3 subvenção para investimento; (b) a impossibilidade de exigência de multa isolada; (c) o caráter confiscatório das multas impostas; (d) a impossibilidade de cobrança de juros sobre as multas; e (e) a ausência de responsabilidade pessoal dos diretores da contribuinte. Às fls. 5.125 consta procuração outorgada pela contribuinte. Não consta instrumento de mandato outorgado pelos responsáveis tributários. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília manteve integralmente o Auto de Infração (fls. 5.152/5.176), em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO ENCERRADO. NÃO CONCOMITÂNCIA. A lei autoriza a imposição de multa isolada sobre a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais após encerrado o anocalendário, não se confundindo esta penalidade com a multa de ofício sobre o imposto devido apurado no encerramento do período. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, no regime do lucro real anual. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. APRECIAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar a constitucionalidade de lançamento fiscal cujos fundamentos encontramse amparados em lei. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES. IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. No caso de pluralidade de sujeitos passivos, em que o lançamento é constituído em face da pessoa jurídica na condição de contribuinte e dos administradores na condição de responsáveis, a irresignação quanto à responsabilidade solidária dos administradores deve ser apresentada por meio de (1) petição conjunta da contribuinte com os responsáveis; (2) petição própria de iniciativa de cada um dos administradores da pessoa jurídica; ou (3) petição conjunta dos referidos administradores. A impugnação apresentada pela pessoa jurídica, em que sustenta a ilegitimidade da inclusão dos seus Fl. 5675DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO 4 administradores no polo passivo da relação jurídica tributária, não merece ser conhecida, por lhe faltar legitimidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. Descaracterização. Incentivos Fiscais. Crédito Outorgado de ICMS. Inexistência de Vinculação. Descaracterização. Os valores correspondentes ao benefício fiscal do Crédito Outorgado de ICMS que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimentos, devendo ser computados na determinação do lucro real. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, constituem estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando tempestividade do recurso pela nulidade da intimação por via postal, em especial porque a Portaria MF 527/2010 dispõe que somente quando não houver termo de opção seria autorizada a intimação por via postal, além de reproduzir as demais razões de sua impugnação, pleiteando a reforma da decisão da DRJ. O Recurso Voluntário não foi conhecido, por sua intempestividade, conforme acórdão da 2ª Turma da 4ª Câmara do CARF: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 Fl. 5676DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 9101002.443 CSRFT1 Fl. 5.675 5 INTIMAÇÃO. ORDEM DE PREFERÊNCIA. Não existe ordem de preferência entre as intimações pessoal, postal e eletrônica. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso voluntário que tenha sido apresentado em período posterior ao prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto no 70.235, de 1972. Extraise do voto condutor do citado acórdão, de relatoria do Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar: Consta dos autos a intimação, por via postal, com ciência da parte interessa a em 24/05/2013 (A.R. de fl. 5.182), conforme atesta a própria defendente em seu recurso voluntário à fl. 5.186, in verbis. “... Contrariamente a esta obrigação, neste caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Anápolis/GO, data maxima venia, por equívoco, utilizouse da modalidade de intimação postal, enviada pelos Correios, que foi recebida pela Recorrente em 24.05.2013, como atestado pelo Aviso de Recebimento (AR) acostado aos autos, bem como pelos demais responsáveis solidários em datas aproximadas. ...” Destaquese, por oportuno, que essa intimação foi enviada ao endereço postal fornecido pela empresa, para fins cadastrais, à administração tributária. Como se vê, quanto à ciência da interessada, ocorrida em 24/05/2013, não há qualquer dúvida ou discussão. Resta, para o deslinde do caso, a análise quanto a possível benefício de ordem das intimações. Sobre o tema, vale notar que a partir da edição da Lei nº. 11.196/2005, que inseriu o § 3º no artigo 23 do Decreto 70235/1972, os meios de intimação não mais comportam benefício de ordem. (...) Pelo dispositivo acima, depreendese que entre as intimações pessoal, postal e eletrônica não existe ordem de preferência, podendose, assim, utilizarse de uma ou outra forma indistintamente. Apenas a intimação por edital é que só deve ser empregada quando resultar improfícua qualquer uma das outras modalidades de intimação (pessoal, via postal ou por meio eletrônico). Além disso, “para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo [...] o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária” (art. 23, §4º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972). Cabe salientar que no presente caso a intimação postal foi a forma utilizada em toda a tramitação do presente processo (vide fls. 5068 a 5069, 5070 a 5072, 5182), tendo inclusive a empresa Fl. 5677DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO 6 apresentado sua impugnação após sua devida intimação na modalidade postal. Portanto, intimado o contribuinte pela via postal sem divergência de identificação, no domicílio tributário informado à Receita Federal, conforme determina o artigo 23, inciso II c.c. § 4º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, há de se ratificar a perempção apontada no termo de fl. 5.183. A contribuinte foi intimada quanto ao mencionado acórdão por acesso à Caixa Postal em 03 de junho de 2015 (fls. 5357). Nesse contexto, a contribuinte e os responsáveis apresentaram Embargos de Declaração, em 05 de junho de 2015, para que fossem sanadas omissões e contradições no acórdão embargado. Apenas neste momento foram constituídos procuradores para os responsáveis tributários, conforme instrumentos de mandato às fls. 4.377/5.403. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara deste Conselho acolheu os Embargos de Declaração apenas para suprir a contradição suscitada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR OMISSÃO PRESENTE. Constatada a existência de contradição ou dúvida quanto aos fundamentos do voto condutor do aresto, acolhemse os embargos para fins sanar e esclarecer a decisão. Consta do voto condutor do acórdão: (...) o início do voto condutor do acórdão embargado, fl. 5.334, admite que o recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, dele tomando conhecimento. Além disso, constatase da leitura da análise no voto condutor do acórdão embargado que a tempestividade do recurso voluntária é matéria apreciada em preliminar. Ocorre que a conclusão expressa naquele acórdão, fl. 5.338, assim como em seu dispositivo, fl. 5.322, foi, contraditoriamente, no sentido de não conhecer do recurso voluntário. Caracterizada a contradição aventada. (...) Voto no sentido de dar provimento aos embargos de declaração, na parte admitida, para, tãosomente, sanar a contradição entre a conclusão e o dispositivo do Acórdão n° 1402001.944 (...). A contribuinte "recebeu mensagem com acesso aos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal na data de 08/01/2016", sendo intimada quanto ao acórdão que julgou os embargos de declaração, conforme termo às fls. 5517. Diante disso, a contribuinte e os devedores solidários interpuseram recurso especial em 19/01/2016, no qual sustentam divergência sobre a interpretação do artigo 23, §4º, incisos I e II, do Decreto nº 70.235/1972, apontando como paradigma o acórdão nº 3403 Fl. 5678DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 9101002.443 CSRFT1 Fl. 5.676 7 002.141, que decidiu que "quando o contribuinte adere à Caixa Postal, pelo Módulo eCAC do site da Receita Federal, de modo que a notificação passa acontecer na forma do art. 23, III, do Decreto nº 70.235/72 ". A Recorrente alega que "a Portaria SRF 259/2006 e a Portaria MF nº 527/2010 corroboram o entendimento do acórdão paradigma" (fls. 5.554/5.568). O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas (fls. 5.655/5.659): Examinando o acórdão paradigma verificase que traz o entendimento de que "quando o contribuinte adere à Caixa Postal, pelo Módulo eCAC do site da Receita Federal, seu domicílio tributário passa a ser o endereço eletrônico, de modo que a notificação passa a acontecer na forma do art. 23, III, do Decreto nº 70.235/72". (...) O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, não comporta benefício de ordem e assim depreendese que entre as intimações pessoal, postal e eletrônica não existe ordem de preferência, podendose, assim, utilizarse de uma ou outra forma indistintamente. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pelo Sujeito Passivo. Em assim sucedendo, proponho que seja dado seguimento ao recurso especial interposto. (...) Com fundamento nas razões acima expendidas, dou seguimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial, requerendo seja negado provimento a este recurso. Alega que os meios de intimação não comportam benefício de ordem, na forma do artigo 23, §3º, do Decreto 70.235/1972. Além disso, que considerase domicílio tributário, para fins de intimação, o endereço postal por ele fornecido, conforme §4º inciso I, do mesmo artigo 23. Acrescenta que a Recorrente apresentou impugnação após intimação postal. (fls. 5661/5666) Voto Cristiane Silva Costa Conheço do recurso especial, eis que tempestivo e devidamente demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária. Os Recorrentes apontam acórdão paradigma nº 3403002.141, proferido nos autos do processo nº 10480.721782/200969. Neste acórdão paradigma, restou decidido que "quando o contribuinte adere à Caixa Postal, pelo Módulo eCAC do site da Receita Federal, de modo que a notificação passa acontecer na forma do art. 23, III, do Decreto nº 70.235/72 ". Fl. 5679DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO 8 A discussão travada no recurso especial, portanto, é sobre a interpretação do artigo 23, do Decreto nº 70.235/1972, que regula a intimação do sujeito passivo. Pois bem. No momento da intimação postal em análise neste processo (24/05/2013), prescrevia o artigo 23, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1 Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 5680DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 9101002.443 CSRFT1 Fl. 5.677 9 a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) A única alteração neste dispositivo, até a presente data, foi na redação do inciso III, do §2º. Primeiramente, o inciso III, do §2º teve redação alterada pela Medida Provisória nº 449/2009, mas tal alteração não constou da Lei nº 11.941/2009, que resultou da conversão parcial daquela Medida Provisória. Assim, tal alteração perdeu a vigência a partir da Lei nº 11.941/2009, nos termos do artigo 62, §12, da Constituição Federal. Além disso, após a intimação postal acima citada (24/05/2013), houve alteração deste inciso III pelo artigo 33, da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013. O artigo 33 entrou em vigor na data da publicação daquela Lei, como prevê expressamente o artigo 49, V, da mesma. O III, do artigo 23, do Decreto nº 70.235/1972 passou a ter a seguinte redação: Art. 23. (...) §2º (...) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 5681DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO 10 b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) De toda forma, a alteração na redação do inciso III, acima reproduzido, não altera a interpretação constante do presente voto. Isso porque a questão que se coloca em análise neste processo é se há benefício de ordem nas intimações a serem feitas pela Receita Federal do Brasil, após a autorização conferida pelo sujeito passivo para utilização de endereço eletrônico. Consta do acórdão recorrido que "Não existe ordem de preferência entre as intimações pessoal, postal e eletrônica." A Turma a quo fundamentou o voto nos parágrafos 3º e 4º, do artigo 23, conforme trecho a seguir destacado: Art. 23 (...) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (...) Pelo dispositivo acima, depreendese que entre as intimações pessoal, postal e eletrônica não existe ordem de preferência, podendose, assim, utilizarse de uma ou outra forma indistintamente. Apenas a intimação por edital é que só deve ser empregada quando resultar improfícua qualquer uma das outras modalidades de intimação (pessoal, via postal ou por meio eletrônico). Além disso, “para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo [...] o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária” (art. 23, §4º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972)." Sustentam os Recorrentes que "por adesão expressa do contribuinte, sua Caixa Postal passou a ser o seu domicílio tributário". Esta interpretação seria possível se o "e" que separa os incisos do artigo 23, §4º tivesse sentido de "ou" excludente, ao tratar dos possíveis domicílios tributários do sujeito passivo. Destacase o teor do §4º e seus incisos: Art. 23 .... § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. A interpretação da contribuinte, conforme recurso especial ora analisado, é que só existiria um domicílio tributário do contribuinte que seria o eletrônico na hipótese de opção por sua utilização e, assim, a opção pelo endereço eletrônico excluiria o endereço postal por ele fornecido à administração tributária. Fl. 5682DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 9101002.443 CSRFT1 Fl. 5.678 11 Não nos parece, entretanto, que essa seja a interpretação adequada do Decreto nº 70.235/1972, notadamente se considerado que o §3º expressamente enuncia que "Os meios de intimação (...) não estão sujeitos a ordem de preferência", referindose à intimação pessoal, postal ou eletrônica. Como decidiu a Turma de origem: "Apenas a intimação por edital é que só deve ser empregada quando resultar improfícua qualquer uma das outras modalidades de intimação (pessoal, via postal ou por meio eletrônico).", nos termos do §1º, do mesmo artigo 23. Acrescentese que não há no Decreto nº 70.235/1972 qualquer outro dispositivo que justifique o entendimento de que o domicílio eletrônico excluiria o domicílio postal. Além disso, a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, também não define prioridade na forma de intimação. Apenas enfatiza a necessidade de assegurar a "certeza da ciência do interessado": Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências.... § 3º A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. No caso dos autos, a intimação efetuada por via postal prevista legalmente assegurou a ciência ao contribuinte, e, portanto, foi suficiente para se considerar o início do prazo recursal. A possibilidade de diversos domicílios é prestigiada pela legislação civil, como se verifica do artigo 75, do Código Civil e do artigo 46, §1º, do atual Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2013), não existindo qualquer óbice para tanto no processo administrativo tributário. Pelo contrário, como acima citado, a opção pelo recebimento de intimações eletrônicas automaticamente implica na coexistência de domicílios eletrônico e postal. Ressalto que a Recorrente alega que "a Portaria SRF 259/2006 e a Portaria MF nº 527/2010 corroboram o entendimento do acórdão paradigma", conforme razões às fls. 5.554/5.568. Passo a apreciar tal alegação. A Portaria nº 527/2010, que vigia ao tempo da intimação em análise neste processo (24/05/2013), dispõe sobre a prática de atos e termos processuais em forma eletrônica, prescrevendo que: Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pelo órgão competente do MF mediante: I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. Fl. 5683DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO 12 § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a caixa postal a ele atribuída pela Administração Tributária e disponibilizada no centro virtual na Internet, desde que o sujeito passivo expressamente autorize. (...) § 3º Inexistindo a autorização prevista no § 1º e não sendo realizada a intimação nos termos do inciso II do caput, o órgão do MF deverá realizála por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ao endereço do sujeito passivo, com prova de recebimento, conservandose o comprovante de entrega em meio físico, após a sua respectiva digitalização e juntada ao processo eletrônico, observado o disposto no § 3º do art. 1º desta Portaria. Os Recorrentes sustentam que o artigo 4º, §3º, acima reproduzido, impõe ordem de intimação, isto é, seria possível a intimação postal "apenas na hipótese de inexistência de autorização para intimação por meio eletrônico" (trecho do recurso especial fls. 5.567). A leitura isolada deste §3º poderia ocasionar tal interpretação, mas a conclusão não se sustenta diante da análise de toda legislação que trata do processo administrativo. Com efeito, o §3º acima citado está incluído no artigo 4º, da Portaria MF 527, portanto, só expressa aspectos complementares ao caput. Por sua vez, o art. 4º, caput, trata de intimação eletrônica, o que é coerente com a própria Portaria em que inserido (que regula a prática de atos processuais em forma eletrônica). Ao expressar complemento a este caput, o §3º só enuncia que, na hipótese de processo eletrônico em que não ocorrida a intimação eletrônica, é possível a intimação postal. Ora, a intimação eletrônica é opção válida, assim como a intimação postal, na medida em que o contribuinte mantém os dois domicílios, na forma permitida pelo Decreto nº 70.235/1972. No mesmo sentido, a Portaria nº 259/2006 de 13/03/2003 regula "os atos e termos processuais na forma eletrônica", dispondo que: Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade Fl. 5684DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 9101002.443 CSRFT1 Fl. 5.679 13 pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. § 4º Após concluída a transmissão da declaração do sujeito passivo à RFB, o aplicativo por ele utilizado para gerar a declaração exibirá o recibo de entrega e a intimação a que se refere o § 3º, bem como possibilitará sua impressão. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) As disposições da Portaria nº 259, assim como a anteriormente citada, não não afastam a aplicabilidade do artigo 23, §3º, do Decreto nº 70.235/1972. A consulta ao sítio da Receita Federal do Brasil confirma que não há preferência pela intimação eletrônica, ao orientar o quanto segue: A Receita Federal colocou à disposição dos contribuintes a opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE). A adesão ao DTE permite que sua Caixa Postal no eCAC também seja considerada seu Domicílio Tributário perante a Administração Tributária Federal. Ao aderir ao DTE, o contribuinte terá várias facilidades, como: cadastrar até três números de celulares e três endereços de e mail para recebimento de avisos quando mensagens importantes forem gravadas na Caixa Postal; redução no tempo de trâmite dos processos administrativos digitais; garantia quanto ao sigilo fiscal e total segurança contra o extravio de informações; e acesso, na íntegra, a todos os processos digitais existentes em seu nome, em tramitação na RFB, na ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para adotar o DTE, o contribuinte precisa ter a certificação digital e fazer a opção no Portal eCAC > Serviços disponíveis no Portal eCAC> Outros>Opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico. (http://idg.receita.fazenda.gov.br/acesso rapido/processos/processodigital/conhecaasvantagensde aderiraodomiciliotributarioeletronicodte) Pondero, ainda, que às fls. 5.254 consta informação de que a contribuinte aderiu ao Domicílio Tributário Eletrônico em 12/08/2010, isto é, bem antes da intimação em debate neste processo. Ademais, como apontado pela decisão recorrida, todas as intimações no processo foram realizadas por via postal, como se verifica da intimação sobre o auto de infração (fls. 5.069, ocorrida em 21/11/2012), sem que esta primeira intimação tenha impedido ou dificultado a defesa plena da Recorrente. Em sua impugnação administrativa, aliás, a Recorrente nem sequer trata do assunto. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso especial da contribuinte, confirmando a decisão recorrida e a intempestividade de recurso voluntário interposto após o prazo de 30 dias, estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 5685DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO 14 (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto. No caso dos autos, o contribuinte aderiu ao domicílio eletrônico e passou reiteradamente a ser notificado em seu respectivo endereço eletrônico (eCAC). No decorrer deste processo administrativo, não obstante a referida adesão ao domicílio eletrônico, o contribuinte recebeu intimações pela via postal. Em especial, após ser intimado pela via postal quanto ao indeferimento de sua impugnação e, por não ter a empresa se atentado a tal correspondência, o contribuinte foi notificado, em seu endereço eletrônico, quanto ao decurso de prazo para a interposição de recurso ao CARF. O contribuinte, então, apresentou recurso voluntário ao CARF, requerendo o conhecimento deste por tempestivo em face da nulidade da notificação postal recebida, tendo em vista a eleição do domicílio eletrônico (eCAC). A Turma a quo, ao julgar o caso, proferiu decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 INTIMAÇÃO. ORDEM DE PREFERÊNCIA. Não existe ordem de preferência entre as intimações pessoal, postal e eletrônica. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso voluntário que tenha sido apresentado em período posterior ao prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto no 70.235, de 1972. Na sessão de setembro de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou o recurso especial interposto pelo contribuinte em face do aludido acórdão, decidindo, por maioria de votos, por sua manutenção. Por restar vencido neste julgamento, com a devida vênia, apresento os fundamentos que me fizeram votar pelo provimento do recurso especial interposto pelo contribuinte, por compreender ser essa a melhor solução ao caso concreto. Fl. 5686DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 9101002.443 CSRFT1 Fl. 5.680 15 O Código Tributário Nacional (“CTN”) garante aos contribuintes o direito de escolher, “eleger” o seu domicílio fiscal, entre aqueles que lhe forem possíveis (art. 127, caput). A autoridade administrativa apenas pode recusar a escolha do contribuinte caso a referida eleição impossibilite ou dificulte demasiadamente a atividade fiscal (art. 127, § 2º). No caso de pessoas jurídicas, se não houver eleição expressa, o seu domicílio fiscal será o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento (art. 127, II). Vale transcrever o aludido dispositivo do CTN: SEÇÃO IV Domicílio Tributário Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: I quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; II quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior. Notese que, por força do art. 146 da Constituição Federal, compete à lei complementar em matéria tributária dispor sobre normas gerais em matéria tributária, as quais devem ser cumpridas por todos os entes tributantes da federação. Como se pode constatar, o art. 127 do CTN, que possui o status de lei complementar em matéria tributária, trata da questão do lugar do domicílio fiscal do contribuinte e prescreve duas hipóteses distintas: 1) a eleição pelo contribuinte de um dos possíveis domicílios fiscais, o que obriga a administração a adotálo, com respeito à opção apresentada; Fl. 5687DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO 16 2) o inexistência de eleição expressa pelo contribuinte de qualquer domicílio fiscal, com a adoção da regra geral do lugar da sede ou dos estabelecimentos da pessoa jurídica. Nos termos do CTN, eleito um domicílio pelo contribuinte, a administração fiscal deverá realizar intimações neste endereço, a fim de dar publicidade ao contribuinte quanto aos assuntos fiscais de seu interesse. Uma outra questão diz respeito às formas que podem ser utilizadas pela fiscalização para que o contribuinte seja intimado pela administração fiscal em seu endereço fiscal. Ocorre que a eleição do domicílio fiscal e as formas como as informações serão enviadas a este endereço (intimação pessoal, por carta registrada, via telegrama etc.) são questões distintas. O Decreto n. 70.235/72 prevê as formas de intimação que poderão ser utilizadas para que o contribuinte seja informado, neste domicílio eleito, sobre assuntos fiscais de seu interesse. Merece destaque o art. 23 do Decreto n. 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. Contatae que, diferente do art. 127 do CTN, o art. 23 do Decreto n. 70.235/72 não trata do local do domicílio fiscal do contribuinte. O aludido Decreto, que possui status de lei ordinária, trata das formas das formas de intimação, as quais devem, naturalmente, ser encaminhadas ao domicílio do contribuinte. O Decreto n. 70.235/72, art. 23, § 3o, prevê que não haverá ordem de preferência entre as referidas formas de intimação do contribuinte em seu domicílio fiscal. Assim, se o contribuinte eleger um determinado domicílio fiscal, deverá receber a intimação, por quaisquer das formas em questão, no referido endereço eleito. Por sua vez, o Decreto n. 70.235/72, art. 23, § 4o, a fim de acompanhar os avanços tecnológicos, passou a prever que o domicílio fiscal do contribuinte pode ser tanto físico (postal) como eletrônico (eCAC). Tanto o endereço postal quanto o eletrônico passaram a figurar como domicílios fiscais possíveis (ou seja, passíveis de eleição pelo contribuinte) no âmbito da administração tributária federal. O referido dispositivo restou assim redigido: Art. 23. (...) Fl. 5688DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 9101002.443 CSRFT1 Fl. 5.681 17 § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. O art. 23, § 5o, do Decreto n. 70.235/72, resguardou a utilização do domicílio eletrônico para as hipóteses em que o contribuinte o tenha eleito expressamente. A adoção do endereço postal, em linha com o art. 127, II, do CTN, passou a ser utilizado na hipótese de silêncio do particular quanto à adesão aos meios eletrônicos de comunicação. No caso dos autos, o contribuinte expressamente elegeu como domicílio fiscal o seu endereço eletrônico, nos precisos termos do art. 127, caput, do CTN, de forma que as notificações quanto aos assuntos de seu interesse deveriam passar a ser realizadas neste. Concretizada a eleição do endereço eletrônico, a administração fiscal deve restringir as intimações a este endereço. Por obediência ao § 2o do art. 127 do CTN, a administração fiscal apenas pode recusar essa escolha do contribuinte, com o direcionamento de notificações a outro endereço (postal), caso o endereço eletrônico eleito impossibilitasse ou dificultasse a atividade fiscal. Obviamente isso não ocorre nos autos, pois o endereço eletrônico é justamente o que gera menos onerosidade ao fisco, com menos custos, dispêndio de mão de obra, bem como maior agilidade e praticabilidade à administração fiscal. Estes fundamentos já são suficientes para que se constate a nulidade de intimações realizadas ao contribuinte a endereços diversos de seu domicílio eletrônico expressa e regularmente eleito. No entanto, vale ainda observar que a Portaria MF n. 527/2010, que regulou a forma como as intimações eletrônicas devem ser realizadas em face do contribuite, por reconhecer as normas jurídicas vigentes no sistema, relegou os meios físicos de intimação às hipóteses em que o contribuinte não tenha aderido ao domicílio eletrônico. Merece destaque o art. 4o do aludido ato do Ministério da Fazenda: Art. 4o A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pelo órgão competente do MF mediante: I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (...) § 3o Inexistindo a autorização prevista no § 1º e não sendo realizada a intimação nos termos do inciso II do caput, o órgão do MF deverá realizála por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ao endereço do sujeito passivo, com prova de recebimento, conservandose o comprovante de entrega em meio físico, após a sua respectiva digitalização e juntada ao Fl. 5689DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO 18 processo eletrônico, observado o disposto no § 3º do art. 1º desta Portaria. Notese que o art. 4o, § 3o, da Portaria MF n. 527/2010, restringiu a adoção de intimações postais às hipóteses em que contribuinte não tenha optado pelo domicílio eletrônico, encontrase perfeitamente em linha com a norma do art. 127 do CTN: i) o contribuinte possui o direito de “eleger” o seu domicílio fiscal e, caso seja eleito o endereço eletrônico (eCAC), a Portaria MF n. 527/2010 regula como se dará a respectiva intimação pelo meio eletrônico, única forma que se mostra necessária ou mesmo possível nesse ambiente digital desenvolvido pela administração fiscal (eCAC); ii) na falta de eleição expressa de qualquer domicílio, deverá ser considerado o endereço físico, para o qual as intimações poderiam ser enviadas pela via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento. A Portaria MF n. 527/2010 também está em consonância com o art. 23, § 3o, do Decreto n. 70.235/72. Na ausência de eleição expressa de domicílio eletrônico e, assim, com a adoção do endereço físico do contribuinte, não há ordem de preferência em relação à via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio. Por sua vez, na hipótese de eleição expressa pelo domicílio eletrônico, embora nenhuma ordem de preferencia seja imposta, é suficiente ou mesmo tecnicamente possível que as notificações ocorram apenas mediante intimações eletrônicas no ambiente do eCAC. Pelos fundamentos expostos, portanto, é necessário reconhecer que as intimações postais, encaminhadas ao endereço físico do contribuinte após a expressa eleição pelo domicílio eletrônico, devem ser considerados nulas. Nas oportunidades em que o contribuinte, notificado via postal, cumpriu o seu direito de defesa com a apresentação de recursos, podese compreender superada a referida nulidade (Decreto n. 70.235/72, art. 59, §3o). No entanto, a intimação postal quanto ao julgamento da DRJ padece de insanável nulidade, não podendo ensejar a preclusão recursal em face do contribuinte, sob pena de cerceamento de seu direito de defesa perante este Tribunal. A maioria do Colegiado da CSRF adotou interpretação diversa, segundo a qual a administração fiscal, mesmo em face da eleição expressa do domicílio eletrônico, pode adotar aleatoriamente o domicílio físico ou o domicílio eletrônico, ainda que este último tenha sido expressamente eleito. Haveria, então, discricionariedade da administração na desconsideração aleatória do endereço eletrônico do contribuinte, a despeito de sua eleição expressa pelo particular e da norma do art. 127 do CTN. Permissa venia, ainda que essa segunda perspectiva tenha sido considerada possível pela maioria deste Colegiado, compreendo que deve ser adotada a interpretação normativa que conduza à potencial vivificação dos princípios da segurança jurídica, do direito ao contraditório e à ampla defesa, com a recusa às construções interpretativas que prejudiquem o efetivo exercício de tais garantias asseguradas pela Constituição Federal. No caso, além de considerar mais plausível a interpretação exposta neste voto, a sua adoção e o reconhecimento do direito do contribuinte à apresentação de suas razões de mérito a este Tribunal conduzem justamente à preservação das aludidas garantias fundamentais dos particulares. Fl. 5690DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 9101002.443 CSRFT1 Fl. 5.682 19 Voto, assim, por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Conselheiro Luís Flávio Neto. Fl. 5691DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LUIS FLAVIO NETO
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Numero do processo: 10680.000539/2004-42
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
LEGITIMIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO COM PROVIDÊNCIA DE RETORNO
Não detem legitimidade para opor Embargos de Acórdão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno.
Numero da decisão: 9101-002.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Embargos não conhecidos por unanimidade de votos, com retorno dos autos à Turma a quo. Os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), votaram pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Embargos não conhecidos por unanimidade de votos, com retorno dos autos à Turma a quo. Os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), votaram pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO COM PROVIDÊNCIA DE RETORNO Não detem legitimidade para opor Embargos de Acórdão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Embargos não conhecidos por unanimidade de votos, com retorno dos autos à Turma a quo. Os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), votaram pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 05 39 /2 00 4- 42 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 2 DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório A Turma ordinária decidiu o recurso voluntário em acórdão que restou vazado na seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vicio ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. MULTA ISOLADA CSL DECADÊNCIA — CONSTATAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO A Contribuição Social sobre o Lucro, tributo cuja legislação prevê a antecipação de pagamento sem prévio exame pelo Fisco, está adstrita à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 40 do CTN). No caso de dolo, fraude ou simulação, deslocase esta regência para o art. 173, I, do CTN, que prevê como inicio de tal prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorrendo a ciência do auto de infração pela contribuinte no ano de 2003, é incabível a preliminar de decadência suscitada para a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa lançada no anocalendário de 1998. CSL — OMISSÃO DE RECEITAS — Caracteriza a ocorrência de omissão de receitas a diferença apurada pela fiscalização no confronto entre as receitas escrituradas/declaradas com aquelas constantes dos boletins de Caixa da loja, principalmente quando a empresa não contesta a infração detectada e efetua parcelamento desses débitos fiscais no PAES. CSL APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA — A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco, nem escriturálas nos livros próprios, durante períodos consecutivos, procedimento adotado sistematicamente em todo o grupo de empresas capitaneado pela autuada, por meio de limitadores eletrônicos de emissão de notas fiscais ou cupom, além da manutenção de controles paralelos de receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa agravada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – A falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro, calculada por estimativa com base na receita bruta, sujeita a contribuinte à imposição da multa prevista no art. 44 § 1° inciso IV da Lei n° 9.430/96. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO ACOMPANHANDO EXIGÊNCIA DE TRIBUTO — COMPATIBILIDADE — A falta de recolhimento da CSL sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § 1 0 do art. 44 da Lei no 9.430/96. 0 lançamento é compatível com a exigência da contribuição apurada em procedimento fiscal, acompanhada da correspondente multa de oficio. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10680.000539/200442 Acórdão n.º 9101002.279 CSRFT1 Fl. 3 3 INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. TAXA SELIC — JUROS DE MORA — PREVISÃO LEGAL Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. MULTA DE OFICIO — CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO — A multa de oficio constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA POR SUCESSÃO A incorporadora somente responde pelos os tributos devidos pelo sucedido. 0 que alcança a todos os fatos jurídicos tributários (fato,gerador) verificados até a data da sucessão, ainda que a existência do débito tributário venha a ser apurada após aquela data. Art. 132 CTN. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial por contrariedade à lei e a evidencia de provas, onde pede que seja dado provimento ao recurso para restabelecer a multa isolada no percentual de 150% sob a responsabilidade da sucessora. Admitido o Recurso da Fazenda Nacional, o acordão de recurso especial conheceu e lhe deu provimento, “determinando o retorno dos autos a Câmara recorrida para apreciar as demais alegações da recorrente”. O acórdão da CSRF foi assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 Ementa: MULTA DE OFICIO INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE SOB CONTROLE COMUM A interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporadas, sempre estiveram sob controle comum de sócio pessoa física e de controladora informal. Consta na parte final do voto do relator: Assim conheço em parte do RE e das ContraRazões, e no mérito dou provimento e determino o retorno dos autos à Câmara de origem ou àquela que a sucedeu para o exame das demais questões tratadas no recurso voluntário interposto. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 4 Encaminhado o processo ao colegiado a quo e sorteado entre os seus membros, o relator contemplado foi o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. O referido conselheiro apresentou Embargos de Declaração abaixo transcrito: Conforme o termo de verificação de infração de fls. ..., todo um conjunto de auditorias levou à autuação da empresa MG Master Ltda em razão de omissões praticadas por 24 (vinte quatro) empresas sucedidas. Foram 24 (vinte quatro) autuações de IRPJ e seus reflexos e 46 (quarenta e seis) autuações relativas a multas isoladas de IRPJ e CSLL (vinte e três para cada tributo). Só uma das empresas incorporadas não sofreu autuação de multas isoladas por adotar o regime do lucro presumido. O presente feito é uma dessas quarenta e seis autuações de multa isolada e está relacionado com uma das vinte e quatro autuações de CSLL e seus reflexos. É, portanto, similar a várias dezenas de outros, dos quais vários nos foram distribuídos por retorno determinado pela Câmara Superior. Por meio do acórdão ..., a extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte havia dado provimento integral ao recurso voluntário ..., sob o fundamento de ilegalidade da aplicação de multa de ofício na sucessora. Já a Câmara de Superior de Recursos Fiscais ao analisar o recurso especial da Fazenda Nacional, deulhe provimento por meio do acórdão ... sob o fundamento de ser legal a aplicação de multa de ofício, uma vez comprovado nos autos que ambas as sociedades sucessora e sucedida sempre estiveram sob controle comum, e determinou o retorno dos autos à “Câmara de origem ou àquela que a sucedeu para o exame das demais questões tratadas no recurso voluntário interposto”. Ao compulsarmos o voto condutor do acórdão ..., entendemos que todas as questões suscitadas no recurso voluntário foram enfrentadas pelo relator, que negava provimento ao recurso voluntário. Abaixo, as relacionamos: a) decadência; neste ponto, o acórdão considerou caracterizado o evidente intuito doloso da conduta delitiva; b) nulidade em razão de sua lavratura em separado; c) multa na sucessora; d) adesão ao PAES e suspensão do crédito tributário; e) falta de base legal e constitucional para a aplicação de juros à taxa SELIC; f) concomitância da multa isolada com a multa de ofício; e g) caráter confiscatório da multa. Foi o voto de divergência, porém, que prevaleceu. Poderíamos supor, então, que alguns pontos constantes do voto vencido teriam sido prejudicados pelo voto vencedor. Neste, porém, há a seguinte afirmação: Fl. 460DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10680.000539/200442 Acórdão n.º 9101002.279 CSRFT1 Fl. 4 5 Inicialmente gostaria de enaltecer a clareza do relatório e profundidade do voto proferido [...] peço vênia para dele discordar somente quanto a aplicação da multa isolada nos casos de incorporação [...] Ademais, todos os pontos suscitados pela defesa, inclusive aqueles que poderiam ter sido prejudicados, constam da ementa, como a concomitância com a multa de ofício. Dessarte, não identificamos nenhuma questão suscitada pela defesa a ser enfrentada, o que nos levou à conclusão de ter havido supostamente contrariedade ou omissão do acórdão ... . Só haveria a redução passível de iniciativa de ofício do patamar sancionador de 150% para 50% em razão das alterações supervenientes da redação do art. 44 da Lei 9.430/96. Por todo o exposto, interpomos embargos de declaração com o fito de se sanear a contrariedade ou a omissão do acórdão ... para se esclarecer quais questões devem ser enfrentadas por esta turma. Encaminhado o processo à Primeira Turma da CSRF, os Embargos foram admitidos por despacho do Presidente da CSRF. É o relatório. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo Preliminarmente, há uma questão a ser respondida, qual seja: se um relator de Turma Ordinária que recebeu um processo com decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) determinando o retorno a turma a quo poderia, ou não, embargar esse Acórdão, visando esclarecer os contornos e limites do retorno. O tema ganha relevância, pois estarseá a definir a autonomia da decisão da Câmara Superior, se é possível a interpretação autêntica ou se sua interpretação deverá ser avaliada pela turma ordinária que lhe dá cumprimento. O art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, apresenta, em seu parágrafo primeiro, o seguinte rol de legitimados para oposição de Embargos de Declaração (vale ressaltar que essa redação era a mesma existente no Regimento Interno anterior, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, e com redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010): Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. A partir dos regramentos transcritos, podese discutir o enquadramento nos incisos I e V. a.1) Ao se eleger como legitimado o ‘conselheiro do colegiado’, é defensável que o termo ‘colegiado’ acima envolva a turma de julgamento que tem interesse no que está sendo decidido; assim, poderseia defender que estariam aí os conselheiros do colegiado que julgará o retorno da decisão da CSRF. Não obstante, também é defensável que o colegiado abrange apenas a turma prolatora do acórdão (ainda mais com o acréscimo que se fez no atual regimento interno incluindo a expressão “inclusive pelo próprio relator”). Fl. 462DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10680.000539/200442 Acórdão n.º 9101002.279 CSRFT1 Fl. 5 7 a.2) A tradição da Casa entende que a segunda alternativa é a mais apropriada, a ela me alio, sob pena de abrir um precedente que poderia evoluir no sentido de que nesse dispositivo caberiam todos os colegiados do Conselho (tendo em vista a subjetividade do que seria um colegiado que tem interesse no julgamento); o que, evidentemente, não é o que desejou o legislador do regimento interno. b.1) Em se tratando do titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, poderseia interpretar que a turma a quo poderia ocupar a posição de unidade da administração tributária e que esse “titular” poderia, por analogia, ser o relator ou o Presidente (nesse caso, faleceria competência no caso concreto, pois os Embargos não foram subscritos pelo Presidente), já que é natural pensar que a turma para o qual o processo retornou está “executando” o acórdão. b.2) Mais uma vez, reconhecendo a engenhosidade da alternativa de interpretação, sigo a prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas (art. 100, III, do Código Tributário Nacional) ou a tradição, sem adentrar no campo do direito administrativo que conceituaria “unidade da administração tributária”, para rejeitar a possibilidade e continuar entendendo que o inciso V do art. 65 está apenas voltado para a unidade preparadora. A Portaria MF nº 197, de 23 de abril de 2015, dispôs sobre consulta pública relativa a alterações a serem promovidas no Regimento Interno do CARF. Confiramse alguns de seus dispositivos: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) realizará consulta pública com o objetivo de receber contribuições por escrito para aperfeiçoamento do Regimento Interno do órgão, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. ... §2º A minuta de Regimento Interno do CARF objeto da consulta será disponibilizada no endereço eletrônico referido no § 1º, acompanhada da exposição de motivos, com indicação dos objetivos institucionais que se pretende alcançar com a nova regulamentação. §3º A apresentação das sugestões, a ser efetivada por meio de formulário próprio disponível juntamente com a consulta, deverá atender à seguinte estrutura: I redação proposta para artigo, parágrafo, inciso, alínea ou item a que se refira; e II justificativa para cada item da proposta, que demonstre a pertinência e o atendimento dos objetivos institucionais. § 4º As contribuições deverão ser enviadas por meio de correio eletrônico para o endereço ricarf_Consulta@carf.fazenda.gov.br, com anexação do formulário próprio de que trata o § 3º. Art. 2º As sugestões recebidas e que atenderem ao disposto no § 3º do art. 1º poderão ser consideradas total ou parcialmente na definição do texto do novo regimento. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 8 Parágrafo único. O CARF publicará em seu sítio na internet relatório com as justificativas das sugestões não acatadas. Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Com base nesta louvável1 iniciativa do CARF para o aperfeiçoamento de seu regimento interno, apresentei a proposta de nº 128 com quatro sugestões de mudanças, entre elas estava a seguinte inovação: Novo inciso no parágrafo 1º do art. 65: VI – por relator de turma ordinária, relativamente à decisão da CSRF com providência de retorno a turma a quo, considerandose a ciência como a indicação para o processo em pauta. Na oportunidade, motivei da seguinte forma: Há casos de acórdãos da CSRF que decidem com retorno a turma ordinária, mas não é possível identificar exatamente qual a providência que a turma ordinária deverá tomar. Assim, fazse necessário que o relator desses acórdãos nas turmas ordinárias tenha competência para embargar a decisão da CSRF. Poderia ser utilizado o inciso I, mas esse é voltado apenas ao colegiado no qual o acórdão é proferido. Também poderia ser utilizado o inciso V, entendendose o presidente de turma como titular da unidade da administração tributária para execução do acórdão, ou seja, a turma a quo estaria “executando” o acórdão, mas também essa interpretação é questionável. O CARF justificou o não acatamento afirmando que: Se, após passar por todas as autoridades que têm legitimidade para embargar, ninguém que tomou ciência desta decisão da CSRF embargou, o relator do processo nessas hipóteses irá decidir com os elementos de que dispõe nos autos. Verificase que, embora a motivação do não acatamento tenha sido bem suscinta, foi suficientemente clara em delegar ao relator o poder de interpretar a decisão da CSRF (superando omissões/contradições/obscuridades como bem entender caso não as leve a julgamento ou não sejam identificadas pelos outros Conselheiros – ou apresentando propostas de saneamento – caso decida leválas a julgamento), submetendoa a seu juízo prévio. A partir do estudo dos “anais” de elaboração do regimento interno, podese concluir que foi dada oportunidade ao legislador regimental enfrentar a disciplina da questão e, em tendo este se manifestado no sentido de não acolher a modificação proposta, me permito extrair uma interpretação histórica com a seguinte orientação: nos atuais incisos do art. 65 não há guarida para se incluir entre o rol dos legitimados o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno; estando, 1 Do que tenho notícia foi a primeira vez que um Tribunal resolveu escutar a sociedade civil ao tratar da sua lei orgânica, estão de parabéns as autoridades que assim decidiram! Fl. 464DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10680.000539/200442 Acórdão n.º 9101002.279 CSRFT1 Fl. 6 9 portanto, afastadas as duas possíveis interpretações a que já fiz menção ao tratar dos incisos I e V. Assim, por todo o exposto, o relator deverá interpretar a decisão da Turma da CSRF que determina o retorno para determinada turma ordinária e, caso encontre omissões/contradições/obscuridades, leválaás a julgamento da turma, como foi feito no julgamento que restou no Acórdão nº 1201001.173, sessão de 04/03/2015, da qual participei, onde os contornos da decisão da Turma da CSRF foram dados pela decisão da Turma Ordinária do CARF, conforme se pode perceber da parte dispositiva do acórdão, abaixo transcrito: “... os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHERAM a preliminar de decadência de janeiro a novembro de 1997; por maioria de votos, AFASTARAM a preliminar de decadência de dezembro de 1997, vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado, que o acompanhou pelas conclusões; por unanimidade de votos, ENTENDERAM que a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9101000.702, de 08/11/2010, não alcança a COFINS; por unanimidade de votos, DECLARARAM a nulidade material dos autos de infração dos anos calendário de 1997 a 2000; e, por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso voluntário dos anoscalendário de 2001 a 2003.” Nesse sentido, voto por NÃO ACOLHER os Embargos de Declaração, por ausência de legitimidade ativa do Conselheiro que os opôs, e determinar o retorno dos autos a Turma a quo. Esse é o meu voto. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator Fl. 465DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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