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Numero do processo: 16327.001359/2006-55
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
MULTA QUALIFICADA. Para qualificação da multa de ofício é condição que o Termo de Verificação Fiscal tenha identificado e detalhado a conduta do contribuinte específica a identificar a conduta dolosa prevista nos artigos 71 a 72 da Lei 4.502/76.
DECADÊNCIA. De acordo com o entendimento do STJ em sede de Recurso Repetitivo a que os julgamentos do CARF estão obrigados a seguir de acordo com o artigo 62 A do RICARF, entendo que houve a decadência pelo fato do contribuinte ter apresentado declarações do período e Darfs.
CRITÉRIO DE ARBITRAMENTO. Alegação de receitas de factoring. Ante a impossibilidade de provar a natureza das receitas omitidas, deve o contribuinte ficar sujeito ao arbitramento do lucro fundamentado no critério legalmente estabelecido para tanto. Após a determinação do critério de arbitramento, não cabe se tratar de eventual margem de lucro, pois se não foi provada a natureza das receits, não cabe a prova sobre eventual margem de lucro do mercado de factoring.
Numero da decisão: 9101-001.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos prover em parte o presente recurso, para afastar os índices de lucratividade da atividade de factoring como base de cálculo.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann
Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Para qualificação da multa de ofício é condição que o Termo de Verificação Fiscal tenha identificado e detalhado a conduta do contribuinte específica a identificar a conduta dolosa prevista nos artigos 71 a 72 da Lei 4.502/76. DECADÊNCIA. De acordo com o entendimento do STJ em sede de Recurso Repetitivo a que os julgamentos do CARF estão obrigados a seguir de acordo com o artigo 62 A do RICARF, entendo que houve a decadência pelo fato do contribuinte ter apresentado declarações do período e Darfs. CRITÉRIO DE ARBITRAMENTO. Alegação de receitas de factoring. Ante a impossibilidade de provar a natureza das receitas omitidas, deve o contribuinte ficar sujeito ao arbitramento do lucro fundamentado no critério legalmente estabelecido para tanto. Após a determinação do critério de arbitramento, não cabe se tratar de eventual margem de lucro, pois se não foi provada a natureza das receits, não cabe a prova sobre eventual margem de lucro do mercado de factoring. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos prover em parte o presente recurso, para afastar os índices de lucratividade da atividade de factoring como base de cálculo. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 59 /2 00 6- 55 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.626 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 837 e seguintes) lavrouse o auto de infração contra o contribuinte, para a exigência de IRPJ (e reflexos), em face de omissão de receitas, constatada por meio de depósitos bancários de origem não comprovadas, referente aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003. Conforme o Termo de Verificação Fiscal,considerouse imprestáveis os livros contábeis apresentados pelo contribuinte, tendo em vista, por exemplo, que no Livro Diário constava registro de operação do seu objeto social. Constou a conta “prestação de serviços” e um único valor em relação a todo mês, o mesmo ocorrendo no Livro Razão. Um dos sócios da empresa autuada, em resposta à intimação para apresentação de planilhas das receitas dos serviços de factoring, narrou que a empresa encerrou suas atividades em 31/12/2003, de modo que os documentos de registros de pagamento, descontos de duplicatas e cheques prédatados foram jogados no lixo, por desconhecerem, os sócios, a necessidade de sua guarda. O contribuinte apresentou à Fiscalização, por outro lado, 51 planilhas, com operações realizadas com a empresa DAKHIA, nos anoscalendário 2001 a 2003, constando spread com variação de 1,5% a 3,5% . Apresentou, ainda, planilhas concernentes a operações realizadas com as empresas GRAO TÉCNICO, MPN, KAMAL e COAMPLA, com spread variando entre 1,5% e 3,5%. E forneceu planilhas relativas à empresa BWA, com taxas variando entre 1,5% e 2%. Com base nas informações constantes dessas planilhas, a Fiscalização intimou as empresas mencionadas, as quais, contudo, não foram localizadas nos endereços cadastrados na Receita Federal. O sócio da BWA, que acabou sendo encontrado, intimado a comprovar os pagamento efetivados pela autuada, informou que, na verdade, não realizava pagamentos, pois as operações consistiam em descontos de cheques, e duplicatas, com o recebimento dos valores Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.627 3 descontados. O contribuinte não respondeu à intimação para apresentar as provas dessas operações. Diante desses fatos, a Autoridade Fiscal concluiu que os valores das operações registrados são ínfimos, em relação à movimentação financeira do período. Constatouse, também, que os spreads cobrados, conforme as planilhas apresentadas, não correspondem aos valores correntes no mercado, divulgados pela ANFAC; que a planilha apresentada não possui correspondência com os extratos bancários; não restou comprovado que as operações de factoring ocorreram efetivamente nos momentos e valores indicados e que os registros no Livro Diário e Razão não eram diários, mas sim mensais. Desta forma, em face da imprestabilidade da escrituração comercial, o Fisco procedeu ao lançamento de ofício, por intermédio do arbitramento da receita omitida com base nos depósitos bancários. O contribuinte apresentou Impugnação às fls. 1009/1027 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 1118/1135) julgou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINARES. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição de créditos tributários sujeitos ao regime de lançamento por homologação, na hipótese de constatação de fraude fiscal, é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante estipulado no artigo 150, parágrafo 4°, c/c com o artigo 173, inciso I, ambos do CTN. Já o prazo decadencial para o lançamento das contribuições sociais é de 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, a teor do disposto no artigo 150, parágrafo 4°, do CTN, c/c o artigo 45, da Lei 8.212/91. MÉRITO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO . ARBITRAMENTO DE OFICIO. CABIMENTO. Constatado que o contribuinte obrigado á. tributação com base no lucro real, não mantém escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, apresentando def ciências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, OU determinar o lucro real, impõese a apuração, de oficio, dos créditos tributários sonegados, pelo regime de arbitramento, em bases trimestrais. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ARBITRAMENTO DO LUCRO COM BASE EM RECEITA BRUTA CONHECIDA. LEGITIMIDADE. Caracterizamse omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados cm conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove, mediante documentação hábil c idônea, a origem dos recursos. Nessa Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.628 4 hipótese, a autoridade tributária deve determinar o valor do imposto c do adicional de acordo com o regime de tributação a que está submetida a pessoa jurídica, in casu, o regime de arbitramento, considerandose a receita omitida como receita bruta conhecida. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. INTUITO DE FRAUDE FISCAL. Significativo volume de operações realizadas por anos seguidos, sem o devido registro contábil e sem oferecimento A tributação, das respectivas receitas e resultados, revela evidente intuito de fraude fiscal por parte do contribuinte, justificando a aplicação da multa agravada, de 150%. Não minimiza a ilicitude dessa conduta de sonegação fiscal o fato de o contribuinte noticiar ter descartado no lixo toda a documentação contábil relativa As suas operações, por julgar que a guarda não seria necessária para fins fiscais, vez que a ordem jurídica vigente não admite a alegação de ignorância da lei, como escusa para o seu descumprimento. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENCAMINHAMENTO APÓS TRANSITO EM JULGADO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária deve ser encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre exigência fiscal do crédito tributário correspondente. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CS LL. PIS. COFINS. 0 decidido quanto ao IRPJ repercute seus efeitos nos lançamentos decorrentes, em função de estarem estes sendo realizados em razão de mesmo fato que ensejou o crédito do imposto. Lançamento Procedente O contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1150/1175). A antiga Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls 1442/1463) desqualificou a multa de ofício aplicada, acolheu a preliminar de decadência em relação ao IRPJ e CSLL (fatos geradores ocorridos até o 2º semestre de 2001), PIS e Cofins (fatos geradores ocorridos até agosto de 2001). No mérito, deu parcial provimento ao recurso, para limitar a base de cálculo dos tributos à aplicação dos índices da ANFAC, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 ARBITRAMENTO FACTORING O arbitramento deve ser mantido quando se verifica omissão de receita sem comprovação de origem e o contribuinte não tem escrituração regular, mas em se verificando a operação de factoring a base de cálculo deve ser reduzida de acordo com os índices de lucratividade da atividade de factoring. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.629 5 MULTA QUALIFICADA FRAUDE DESCABIMENTO A multa agravada, aplicável em casos em que haja evidente intuito de fraude somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação. A aplicação não pode ser feita por presunção ou alicerçada em indícios. DECADÊNCIA IRPJ, CSLL, COFINS E PIS Afastada a hipótese de intuito de fraude ou dolo pelo contribuinte, aplicase a regra contida no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional que determina que em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com base em divergência jurisprudencial, no que toca à multa qualificada, à decadência e à aplicação de índices ANFAC para fins de arbitramento do lucro. Sustentou, no que tange à qualificação da multa, que os elementos constantes dos autos são suficientes para a configuração do evidente intuito de fraude, sobretudo em vista da caracterização de omissão de rendas reiteradas, em diversos períodos. No que se refere à decadência, sustentou a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, com base na ausência de pagamento antecipado do tributo. Alegou que, no que tange aos anoscalendário de 2000 e 2001, reputamse ocorridos os respectivos fatos geradores em 31 de dezembro de cada ano, de modo que os respectivos lançamentos somente poderiam ter ocorrido, respectivamente, em 2001 e 2002, iniciandose, o prazo decadencial relativo ao fato gerador ocorrido em 31/12/2000 em 01/01/2002. De forma que a decadência não teria se configurado. Por outro lado, em relação ao arbitramento, a Fazenda Nacional baseou o seu recurso especial em violação à legislação tributária (artigo 27 da Lei nº 9.430/96 c.c artigos 15, inciso III, “d”, e 16, da Lei nº 9.249/95). Sustentou a legitimidade, no caso, de aplicação da presunção legal de que o lucro das empresas de factoring, quando arbitrado, é integrado pelo percentual de 38,4% das receitas declaradas e das receitas omitidas e não declaradas, correspondentes a depósitos bancários. Argumentou tratarse de presunção legal, não cabendo falarse em aplicação das taxas da ANFAC para aferição de tais receitas. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão Recorrido e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (cf. certidão de fls. 1.624). Entretanto, não houve apresentação de contrarrazões. Por fim, conforme fls. 1.622, o processo agora controla apenas o crédito tributário objeto do recurso especial, em virtude do Contribuinte ter aderido ao programa de parcelamento de parte dos débitos. Voto Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.630 6 Conselheira Susy Gomes Hoffmann O recurso é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou comprovar as divergências jurisprudenciais suscitadas. O Recurso Especial como aventado no relatório trata dos seguintes temas: 1. qualificação da multa de ofício; 2. decadência; e 3. critério utilizado para arbitramento do lucro. Passo a analisar os itens acima. Na qualificação da multa de ofício, a autoridade fiscal deveria ter detalhadamente delineado a tipicidade da conduta do contribuinte no que tange aos pressupostos fáticos imprescindíveis à qualificação da multa, propriamente aqueles previstos nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/76. Isto, contudo, não ocorreu. Com efeito, verificando o Termo de Verificação Fiscal e o auto de infração, em momento algum consta qualquer menção expressa à ocorrência de fraude, conforme se depreende das passagens abaixo relacionadas. Termo de Verificação Fiscal (fls. 849), item 54, tópico D – DA PENALIDADE APLICÁVEL: “Em caso de lançamento de ofício incide a penalidade proporcional ao valor devido de imposto ou contribuição, na forma prevista no inciso II do art. 44, da Lei no 9.430/96” Ademais, como se verifica na fl. 947, o auto de infração se limitou a dar o “enquadramento legal da multa” – com esteio no Art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96. Assim, podese concluir que, no Termo de Verificação Fiscal e no auto de infração, a aplicação da multa qualificada não foi objeto de argumentação e apontamento fático específico pela autoridade fiscal, apto a demonstrar os atos descritos nos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/76. Entretanto, fazse mister, para fins de aplicação da penalidade qualificada, que a autoridade fiscal demonstre, especificamente, os atos do contribuinte que dariam causa à qualificação da multa. Essa demonstração, que se exigiria, não foi de modo algum desenvolvida pelo Fisco, como se verificou pela análise do Termo de Verificação Fiscal e do auto de infração. O que restou demonstrado, apenas, foi a omissão de receitas. A qualificação da multa, conforme pacífico entendimento jurisprudencial, demanda a constatação de evidente intuito de fraude, na conduta do contribuinte, não se sustentando, simplesmente, pela verificação de omissão de receitas ou rendimentos. É o que dispõe o enunciado n° 14 da Súmula jurisprudencial do CARF: Súmula CARF n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Conforme se depreende dos julgados que levaram à edição da súmula, temse que o evidente intuito de fraude não se presume, devendo encontrarse patentemente Fl. 6DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.631 7 comprovado nos autos. Citemos trechos destes julgados, que explicitam bem a linha de entendimento do CARF acerca do tema: a) no acórdão n° 10419.384, de relatoria do Conselheiro Nelson Mallmann, expôsse que: “O fato de alguém pessoa jurídica não registrar as vendas, no total das notas fiscais na escrituração, pode ser considerado de plano com evidente intuito de fraudar ou sonegar o imposto de renda? Obviamente que não. O fato de uma pessoa física receber um rendimento e simplesmente não declarálo é considerado com evidente intuito de fraudar ou sonegar? Claro que não.” E prossegue: “Se a premissa do fisco fosse verdadeira, ou seja, que a falta de declaração de algum rendimento recebido, através de crédito em conta bancada, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de oficio normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias (...)” b) no Acórdão n° 10419.806, de relatoria do mesmo Conselheiro, fixouse os requisitos necessários à caracterização do dolo: “O dolo implica conteúdo criminoso, ou seja, a intenção criminosa de fazer o mal, de prejudicar, de obter o fim por meios escusos. Para caracterizar dolo, o ato deve conter quatro requisitos essenciais: (a) o ânimo de prejudicar ou fraudar; (b) que a manobra ou artifício tenha sido a causa da feitura do ato ou do consentimento da parte prejudicada (c) uma relação de causa e efeito entre o artifício empregado e o benefício por ele conseguido; e (d) a participação intencional de uma das partes no dolo.” Deste modo, importa verificar se os fatos apurados nos autos efetivamente configuram o evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. As provas coligidas aos autos não permitem que se afirme, de forma despida de qualquer dúvida, que o contribuinte agiu com intuito de fraude, isto é, com a finalidade de sonegar, impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou evitar o seu pagamento (nos termos do que dispõem os artigos 71 e 72 da Lei n° 4502/64). A DRJ sustentou o agravamento da multa com base nos argumentos infra: MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. INTUITO DE FRAUDE FISCAL. Significativo volume de operações realizadas por anos seguidos, sem o devido registro contábil e sem oferecimento a tributação, das respectivas receitas e resultados, revela evidente intuito de fraude fiscal por parte do contribuinte, justificando a aplicação da multa agravada, de 150%. Não minimiza a ilicitude dessa conduta de sonegação fiscal o fato de o contribuinte noticiar ter descartado no lixo toda a documentação contábil relativa As suas operações, por julgar que a guarda não seria necessária Fl. 7DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.632 8 para fins fiscais, vez que a ordem jurídica vigente não admite a alegação de ignorância da lei, como escusa para o seu descumprimento. A falta de registros contábeis, mesmo que reiteradamente, não qualifica fraude. Tal fator pode ensejar o lançamento, mas não a imposição da multa qualificada. Desta forma, não havendo segurança no sentido de se afirmar a ocorrência do evidente intuito de fraude, a multa a ser aplicada deve ser a prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 (75%), por ser mais benigna em relação à prevista no artigo 4° da Lei n° 8218/91. Portanto, mantenho a decisão recorrida no que afastou a qualificação da multa, negando provimento, nessa matéria, ao recurso da Fazenda. Passo a analisar a questão da decadência. O cerne da questão é a aplicação do art. 150, parágrafo 4º, do CTN ou do artigo 173, I, do mesmo Codex. O entendimento desta relatora sempre foi no sentido de que, nos termos do artigo 150, parágrafo 4o., do CTN o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento, de tal forma que, para o julgamento, não interessava a ocorrência ou não do pagamento. Temse que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 8DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.633 9 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A imperiosidade de aplicação dessa decisão do STJ, no âmbito do CARF, é inequívoca, conforme o disposto no artigo 62A do seu Regimento Interno. Discussões surgiram, no entanto, em relação a como se deveria dar tal aplicação, tendo em vista que, na determinação de incidência do artigo 173, inciso I, do CTN, estabeleceuse, em discrepância com a previsão literal desse dispositivo legal, que o prazo decadencial começaria a correr do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato imponível. Neste aspecto, após muitas idas e vindas, e profunda reflexão, consolidei o meu posicionamento no sentido de que a aplicação da decisão do Superior Tribunal de Justiça tramitada no rito dos recursos repetitivos deve darse, analisandoa (o acórdão) em face da lei que trata do tema nele versado. Neste passo, é de se ter que o artigo 173, inciso I, do CTN, por diversas vezes citado no acórdão do STJ, dispõe expressa e inequivocamente que o prazo decadencial deve ser computado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.634 10 Pois bem, superadas tais questões, uma outra acabou por assomar. Analisandose a decisão do STJ, temse que, em princípio, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, nada haveria que ser homologado, de sorte que dispositivo legal regente da decadência, em tal hipótese, é o artigo 173, inciso I, do CTN. Contudo, perquirindose mais detidamente o teor da decisão, podese extrair, expressamente, que: “Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” O que se depreende da passagem transcrita? Que o prazo decadencial contar seá do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: a) quando a lei não prevê o pagamento antecipado da exação; b) quando a lei prevê o pagamento antecipado, mas este não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação (porque havendo tais posturas por parte do contribuinte, mesmo a existência do pagamento antecipado não elide a incidência do artigo 173, inciso I, do CTN); c) quando não existe declaração prévia do débito. Este detalhe do acórdão do STJ leva à conclusão de que ao pagamento antecipado do tributo equiparouse, cuidandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a declaração prévia do débito prestada pelo contribuinte. A inexistência de ambos leva à aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN. Isto é, mesmo não tendo ocorrido o pagamento antecipado do tributo, se houve declaração prévia do débito, incide o artigo 150, §4°, do CTN. Deveras, analisandose ainda mais a fundo a decisão do STJ, verificase que, em seu bojo, citouse acórdãos do próprio Tribunal que respaldam o entendimento fixado. Ilustrativamente, citese o quanto decidido nos Embargos de Divergência no Resp. n° 276.142 SP, de relatoria do próprio Ministro Luiz Fux: “Impende salientar que a homologação a que se refere o art. 150 do Código Tributário é da atividade do sujeito passivo, não necessariamente do pagamento do tributo. O que se homologa, quer expressamente, quer tacitamente, é o proceder do contribuinte, que pode ser o pagamento suficiente do tributo, o pagamento a menor ou a maior ou, também, o nãopagamento. Seja qual for, dentre todas as possíveis condutas do contribuinte, ocorre uma ficção do Direito Tributário, sendo irrelevante que tenha havido ou não o pagamento, uma vez que relevante é apenas o transcurso do prazo legal sem pronunciamento da autoridade fazendária, dilo o Codex Tributário.” Fl. 10DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.635 11 Desta forma, não se pode desconsiderar aqui tais questões, pois que integram claramente o acórdão cuja aplicação se impõe no âmbito do CARF. Do modo que, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, devese aferir, no caso concreto, se o contribuinte efetuou o recolhimento antecipado ou se perpetrou declaração prévia do débito. Havendo um ou outro, o prazo decadencial terá início nos termos do artigo 150, §4°, do CTN, ou seja, a partir da ocorrência do fato gerador. Caso contrário, o prazo regerseá pelo artigo 173, inciso I, do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, a ciência do Auto de Infração ocorreu em 29/09/2006 (fls. 849, 926, 948, 961, 974) e os fatos geradores referemse aos anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003. Importante notar, igualmente, que o contribuinte apresentou as respectivas DIPJ´s e DCTF´s dos períodos (fls. 011, 045, 79, 125) e entregou à fiscalização os respectivos DARF´s (cf. informação de fls. 182). Portanto, do mesmo modo que a multa qualificada não pode ser aplicada ante a falta de prova inequívoca de fraude, dolo ou simulação, entendemos, considerando que houve declaração e prova de pagamento dos tributos, que o cálculo da decadência deve ser realizado conforme o disposto no art. 150, §4°, do CTN. Com base nisso, mantenho o entendimento do acórdão recorrido: “Se considerarmos que os fatos geradores em análise correspondem ao período de 2000 a 2003, e que o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 29/09/2006, então haverá ocorrido a decadência, relativamente ao IRPJ, para o ano de 2000 e primeiro e segundo trimestres de 2001. O mesmo raciocínio deve ser utilizado para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Quanto ao PIS e a Cofins, a situação é diferente. Tais contribuições são lançadas em bases mensais. Conforme recentemente decidido pelo STF, o prazo decadencial para tais contribuições é o estabelecido pelo CTN, sendo inconstitucional a contagem feita com base nos dispositivos da Lei n° 8.212/91. Assim, para as contribuições relativas aos meses de janeiro de 2000 a agosto de 2001 já haveria ocorrido a decadência. Nesse ponto, dou provimento ao recurso para reconhecer a decadência relativa ao IRPJ e CSLL, para o ano de 2000 e primeiro e segundo trimestres de 2001 e do PIS e da Cofins para os meses de janeiro de 2000 a agosto de 2001. Contudo, tendo em vista a ausência de pagamento antecipado ou de prévia declaração do débito, incide o artigo 173, I, do CTN. O início do prazo decadencial, desta forma, deuse em 01/01/2002, de sorte que não restou caracterizada a decadência.” Por fim, passo a decidir sobre a questão dos critérios para arbitramento do lucro. Por oportuno, vale identificar, resumidamente, o modus operandi da atividade de factoring. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.636 12 Uma empresa que atua como factoring, em essência, efetua o pagamento antecipado de recebíveis mercantis futuros. Isto é, a empresa de factoring adianta valores aos seus clientes, que, por sua vez, cedem direitos creditórios à factoring. Em função do adiantamento do fluxo de caixa futuro, a factoring é remunerada via deságio entre o preço que paga pelo crédito e o valor de face do título ou direito. Desta forma, o lucro tributável de uma factoring, quando apurado regularmente pelo contribuinte, deveria corresponder ao deságio das compras de recebíveis (eventualmente poderia haver, também, receita por prestação de serviços). A fiscalização, constatada a omissão de rendimentos do contribuinte, procedeu ao arbitramento do lucro, tomando como base a receita bruta conhecida (fls.933, 936, 939 e 942). Pois bem, com esteio nos artigos 15 e 16, da Lei 9.249/95 e no artigo 27, inciso I, da Lei 9.430/96, a Fiscalização considerou o coeficiente de 38,40% para chegar ao lucro, arbitrado. Vejamos a redação desses dispositivos legais: Lei 9.249/95 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: III trinta e dois por cento, para as atividades de: d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. Lei 9.430/96 Art. 27. O lucro arbitrado será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 16 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1º desta Lei; De fato, a estipulação legal contida no art. 16 da Lei 9.249/95 é clara ao afirmar que “o lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento.”, portanto, nos, a lei determina forma específica para o cálculo do lucro arbitrado, a saber, a utilização do percentual de presunção aplicável à atividade do contribuinte, caso apurasse o imposto de renda com base no lucro presumido, acrescido de 20%. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.637 13 Para as atividades de compra de direitos creditórios (factoring) tal percentual de presunção é de 32% (cf. art. 15, § 1º, III, d), in fine, da Lei 9.249/95). Quando acrescido de 20% (20% x 32% = 6,40%), conforme determina o art. 16 da Lei 9.249/95, o percentual de presunção para fins de arbitramento do lucro em caso de omissão de rendimentos de factoring é 38,40% (= 32% + 6,40%). A norma para arbitramento de lucro goza de presunção absoluta, ex lege, não admitindo, portanto, prova em contrário do contribuinte e vinculando a ação do Fisco. Notese que essa interpretação (i.e presunção absoluta) é, em última análise, uma norma de proteção para o próprio contribuinte. Isso, pois, considerandoa norma de presunção absoluta, todos os contribuintes já conhecem seguramente, de antemão, qual o critério que será utilizado pelo Fisco, em eventual arbitramento do lucro tributável. Afastase, portanto, as possibilidades de utilização de diversos critérios diferentes que, sob a ótica econômica, financeira e contábil, poderiam ser utilizadas no arbitramento do lucro e delimitase, no plano jurídico, um único critério possível para tanto. Poderseia entender, como foi feito no acórdão recorrido, que o arbitramento do lucro, no caso de omissão de receitas de factoring, deveria encontrar fundamento e baliza em critérios de mercado, com base nos índices divulgados pela ANFAC. Contudo, não acredito que essa seja a correta interpretação para o caso sob análise, em que pese ser uma interpretação possível que não deve ser descartada a priori. Nos casos em que a receita é conhecida de forma indireta (omissão de receita) – por valores de depósitos bancários não declarados pelo contribuinte – não há a identificação da natureza dessas receitas. Ante esse fato, caberia ao contribuinte provar a natureza delas (o que não ocorreu no presente caso), sob pena de ter o lucro tributável arbitrado, de acordo com as regras antes comentadas. Notese que a prova a que me refiro acima é prova da natureza das receitas, que poderia conferir direito ao contribuinte a que o arbitramento do lucro ocorresse com base no regime de apuração a que estivesse submetido no período base que corresponder à omissão, conforme os ditames do art. 24 da Lei 9.249/95, abaixo reproduzido: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Logicamente, nos casos em que não há prova da natureza das receitas omitidas, a mensuração da base de cálculo arbitrada deve ocorrer em consonância com o critério legalmente estabelecido para tanto (i.e artigos 15 e 16, da Lei 9.249/95 e no artigo 27, inciso I, da Lei 9.430/96). Não entendo, todavia, que o fato das factorings serem obrigadas à apuração do imposto de renda pelo método do Lucro Real (tal obrigatoriedade existia à época dos fatos geradores em discussão, por força do art. 14, VI, da Lei 9.718/98) deva influenciar na conclusão supra. Explico. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.638 14 Na medida em que a fiscalização constatar a omissão de receitas, não demonstradas na escrituração do contribuinte, por empresas de factoring, duas situações poderiam ocorrer: (i) o contribuinte poderia provar que as receitas eram oriundas das atividades de factoring, quando, então, a apuração do Lucro Real deveria ser o método para quantificar o lucro arbitrado e, nesse caso, haveria espaço para a utilização dos índices da ANFAC (ex vi art. 24 da Lei 9.249/95 c.c art. 14,VI, da Lei 9.718/98); ou (ii) o contribuinte, ante a impossibilidade de provar a natureza das receitas omitidas, ficaria sujeito ao arbitramento do lucro fundamentado no critério legalmente estabelecido para tanto, não mais possível a produção de prova em contrário, já que, não provando o antecedente (natureza das receitas), não caberia a prova do consequente (Lucro Real), de forma que não caberia perquirir qual o valor de mercado do deságio que deveria ser utilizado para o arbitramento do lucro, pois, de qualquer maneira, as receitas não seriam caracterizadas como receitas da compra de créditos. No presente caso, entendo que o raciocínio descrito no item (ii) acima seja o mais adequado. Desta forma, concedo, nessa parte, provimento ao recurso da Fazenda Nacional, reformando o acórdão recorrido, para que seja mantida a autuação do contribuinte com base no arbitramento do lucro estipulado pela Lei (artigos 15 e 16, da Lei 9.249/95 e no artigo 27, inciso I, da Lei 9.430/96) e nego provimento quanto aos temas da multa qualificada e da decadência. Sala das Sessões, em 23 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 14DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10380.903427/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes para alterar a fundamentação, ementa e decisório do Acórdão nº 3301-00.136, de 09/08/2011, passando a ter a seguinte ementa: Em se tratando de pagamento indevido ou maior que o devido, nos termos do art. 165, I, c/c art. 168, I, do CTN, cujos pedidos de restituição ou compensação tenha sido efetuado após a entrada em vigor da Lei Complementar nº LC 118/05 (09.06.2005), relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplica-se o respectivo prazo qüinqüenal, contado da data do pagamento, em conformidade com o art. 3º da novel Lei Complementar.
Embargos Acolhidos e Providos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.339
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher e prover os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, alterando-se a fundamentação, ementa e decisório do Acórdão nº 3301-00.136, de 09/08/2011, passando a constar como recurso voluntário negado, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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EFEITOS INFRINGENTES. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes para alterar a fundamentação, ementa e decisório do Acórdão nº 330100.136, de 09/08/2011, passando a ter a seguinte ementa: Em se tratando de pagamento indevido ou maior que o devido, nos termos do art. 165, I, c/c art. 168, I, do CTN, cujos pedidos de restituição ou compensação tenha sido efetuado após a entrada em vigor da Lei Complementar nº LC 118/05 (09.06.2005), relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplicase o respectivo prazo qüinqüenal, contado da data do pagamento, em conformidade com o art. 3º da novel Lei Complementar. Embargos Acolhidos e Providos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher e prover os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, alterandose a fundamentação, ementa e decisório do Acórdão nº 330100.136, de 09/08/2011, passando a constar como recurso voluntário negado, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 330100.136, prolatado por este Colegiado na sessão de 09/08/2011, sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário:1999 Em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, contados da data do fato gerador, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.” . Recurso Parcialmente Provido De acordo com a embargante, o acórdão embargado padece do vício da contradição, vez que aplicou a decisão proferida no RE nº 566.621, do E. STF, sobre a irretroatividade da Lei Complementar nº 118, de 2005, todavia, decidiu pelo deferimento da compensação de indébito pagos em 10/03/1999, objeto da PER/DCOMP nº 16153.27709.1507.05.1.3.041325, transmitida em 15/07/2005. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Os embargos são tempestivos e atendem aos requisitos do art. 65, e incisos do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com a redação dada Portaria MF nº 586, de 2010, tendo em vista a contradição apontada nos v. embargos. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10380.903427/200934 Acórdão n.º 330101.339 S3C3T1 Fl. 95 3 De fato, o acórdão embargado está fundamentado na decisão do E. STF, nos autos do RE nº 566.621, no qual foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar nº 118, de 2005, que determinava a aplicação retroativa do seu artigo 3º – norma que, ao interpretar o artigo 168, I, do Código Tributário Nacional (CTN), fixou em cinco anos, desde o pagamento indevido, o prazo para o contribuinte buscar a repetição de indébitos tributários (restituição) relativamente a tributos sujeitos a lançamento por homologação. A decisão do E. STF, é assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) De acordo com a embargante, o acórdão embargado padece do vício da contradição, vez que aplicou a decisão proferida no RE nº 566.621, do E. STF, sobre a Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 irretroatividade da Lei Complementar nº 118, de 2005, todavia, decidiu pelo deferimento da compensação de indébito pagos em 10/03/1999, objeto da PER/DCOMP nº 16153.27709.1507.05.1.3.041325, transmitida em 15/07/2005, quando já era aplicável o art. 3º da referida LC, limitando o prazo para a restituição na hipótese do inciso I, do art. 168, do CTN, qual seja, “cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior que o devido”, em cinco anos contados da data do pagamento. Portanto, como o referido dispositivo entrou em vigor em 09/06/2005, por força do art. 4º acima transcrito, quando a PER/DCOMP nº 16153.22709.1507.05.1.3.041325, foi transmitida, em 15/07/2005, o prazo para a restituição/compensação, na hipótese de pagamento espontâneo indevido, isto é, hipótese previsto no art. 168, I, do CTN, já era aquele previsto na LC nº 118, de 2005, razão pela qual não caberia a restituição/compensação de indébito pago em 10/03/1999 Em face do exposto, voto no sentido de acolher e prover os Embargos de Declaração, para em seguida negar provimento ao recurso, em razão da extinção do direito da contribuinte à época do pleito da restituição/compensação. Sala das Sessões, em 16 de fevereiro de 2012 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002873/99-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 1012
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Período de apuração: 01.03.1995 a 31.12.1999. Ementa: APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSISTÊNCIA. INEXISTÊNCIA. A fiscalização informou em relatório fiscal que os dados incluídos à base de cálculo foram extraídos da contabilidade e dos livros fiscais, informação necessária a permitir o contribuinte comparar os dados, e, impugnar, inexistindo demonstração da inconsistência alegada, não há que se falar em cancelamento do lançamento. Ementa: Ementa: BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DISTINTAS DO FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A base cálculo para apuração do PIS e a COFINS se restringe tão-só ao faturamento da empresa, conforme decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal – STF, que declarou inconstitucional o art. 3 o da Lei 9.718/99, que promoveu o alargamento da base de cálculo destas contribuições.
Numero da decisão: 3403-001.496
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as receitas financeiras.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Período de apuração: 01.03.1995 a 31.12.1999. Ementa: APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSISTÊNCIA. INEXISTÊNCIA. A fiscalização informou em relatório fiscal que os dados incluídos à base de cálculo foram extraídos da contabilidade e dos livros fiscais, informação necessária a permitir o contribuinte comparar os dados, e, impugnar, inexistindo demonstração da inconsistência alegada, não há que se falar em cancelamento do lançamento. Ementa: Ementa: BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DISTINTAS DO FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A base cálculo para apuração do PIS e a COFINS se restringe tãosó ao faturamento da empresa, conforme decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal – STF, que declarou inconstitucional o art. 3o da Lei 9.718/99, que promoveu o alargamento da base de cálculo destas contribuições. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as receitas financeiras. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Liduina Maria Alves Macambira, Marcos Tranchesi Ortiz e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra a decisão que manteve parcialmente o lançamento constituído por meio de Auto de Infração para a COFINS relativo ao período de apuração de01. 03.1995 a 31.12.1999: Adoto o relatório da decisão recorrida por espelhar a realidade dos autos: “Contra a interessada foi lavrado o Auto de Infração as fls. 124 a 130, que lhe exige o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 444.702,33, sendo: R$ 199.864,47 de Cofins; R$ 94.939,58 de juros de mora, calculados até 29/10/99; R$ 149.898,28 de multa proporcional (passível de redução). Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o lançamento decorreu de falta de recolhimento da contribuição, assim justificada no Termo de Verificação Fiscal e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 131 a 133): "No período de setembro/89 a dezembro/92 efetuamos o levantamento da base de calculo do F1NSOCIAL e da COFINS, considerando os valores das vendas e de serviços escrituradas nos balancetes mensais emitidos pela empresa (lis. 68 a 74). No período de 01/93 a junho/99 as bases de calculo correspondem às vendas e serviços constantes das planilhas elaboradas pela empresa, cuja consistência foi verificada por amostragem e consideradas corretas (fls. 60 a 67). Após efetivado os cálculos dos débitos do FINSOCIAL, com a base na Receita Bruta apurada pela Fiscalização, através do aplicativo CAD —Cobrança Administrativa Domiciliar «Is. (83 a 88) foram efetuadas as imputações dos pagamentos efetuados nos códigos 6120 nos débitos do FINSOCIAL, relativo ao Fl. 423DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11516.002873/9977 Acórdão n.º 3403001.496 S3C4T3 Fl. 2 3 período de 09/89 a 02/92. Os saldos de pagamento do código 6120 (FINSOCIAL), a partir dos pagamentos feitos em 16/04/90 a 06/12/91, foram considerados como pagamentos da COF1NS de 04/92 a 08/98 (11. 116/120). Os depósitos judiciais convertidos em renda da União foram considerados como pagamentos. No entanto, mesmo após serem considerados válidos os parcelamentos existentes (lis. 38 a 53) e as compensações autorizadas pelas medidas judiciais dos valores pagos excedentes a 0,5% do FINSOCIAL, inclusive, considerando os índices de correção monetária constantes das decisões judiciais, concluise que não existiram todos os créditos pleiteados pela empresa. Ao contrário, apuramos valores de "débitos não declarados" e não pagos da COFINS, objeto deste lançamento de oficio, conforme consta no Demonstrativo de Débitos Remanescentes (fls. 110 a 111). Todos os demonstrativos de cálculo ficam fazendo parte integrante do Auto de Infração.”“. A autuada apresentou impugnação pedindo o arquivamento do presente processo, em resumo, sob os seguintes argumentos: 1 — considera ilegal a cobrança de juros com base na Selic; 2 — "Com referência aos cálculos até 31 de julho de 1998 existem diferenças entre os valores notificados e os valores corretos, razão pela qual há necessidade de uma revisão daquela tributação."; 3 — "Quanto ao período de marco a 30 de junho de 1999 a autuada toma a liberdade de informar que não existem aqueles débitos, porquanto os mesmos foram compensados com a diferença do Finsocial requerida em juízo”; 4 — “... não existem débitos em atraso, capazes de merecerem a imputação pretendida pela fiscalização, por estarem todos os valores recolhidos dentro dos respectivos prazos”. Com esse sistema o Sr. Fiscal acaba tributando valores a partir de 1989 o que não está acobertado pela legislação, uma vez que os prováveis débitos de outubro de 1989 a outubro de 1994 estão protegidos pelo instituto da DECADÊNCIA “; 5 — no cálculo da fiscalização não foram considerados todos os valores parcelados e os parcelados a maior”; 6 — “Para a competência de 12/91 a Secretaria da Receita federal considerou como valor parcelado Crs 1.520,64 (equivalentes a 2,25 UFIRS). 0 valor pago pela empresa referente à competência 12/91 (é de 1.520,64 UFIRS)”; 7 não foram considerados, em relação aos pagamentos a maior ou indevidamente, os reais efeitos inflacionários e os juros devidos. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Por força do disposto na Portaria SRF n. ° 442, de 12 de abril de 2006 (DOU de 18.04.2006), a competência de julgamento do presente processo foi transferida para esta DRJ. Vindo os autos a esta Turma de Julgamento, nos termos do Despacho da Presidência n. ° 1039/2007 (fls. 173/174), foi determinada a realização de diligência para esclarecimentos e providências acerca da imputação de pagamentos efetuada quando do lançamento. 0 resultado da diligência realizada encontrase consubstanciado na Informação Fiscal às fls. 284/286. Reaberto o prazo regulamentar de defesa, a contribuinte voltou a se manifestar as fls. 295/307, pedindo, consoante os argumentos ali aduzidos, o seguinte: a) o recebimento e processamento da presente manifestação junto ao processo n°11516.002873/9977; b) a anulação do auto de infração em t face da impossibilidade de verificação do objeto das planilhas levantadas, o que cerceia o direito de defesa do contribuinte; c) a anulação do auto de infração frente à ausência de provas dos fatos constantes da planilha de folhas 68 a 74 (item “a’)”; c.1) alternativamente, devese utilizar os valores apurados pelo contribuinte que possuem presunção de veracidade; d) a anulação do auto de infração em virtude dos vícios existentes que não podem ser sanados pelo contencioso administrativo (item "b"); e) a anulação do auto de infração visto que a autoridade diligenciante não observou as diretrizes determinadas por esta DIU (item "c'); .1) a anulação do auto de infração em razão do lançamento ter distorcido as compensações realizadas pelo contribuinte (item” d'); g) a extinção do crédito tributário exigido frente à decadência prevista 77 § 4° do art. 150 do CTN (item “e’)”; h) a anulação do auto de infração em virtude do desrespeito da decisão judicial que determinava a inclusão dos juros SELIC (item “‘7”); e e) alternativamente, a anulação do lançamento, pois não ê possível verificar os cálculos da SELIC nos créditos apurados. Para instrução dos autos anexei, às fls. 325/333, extrato de DCTFs entregue pela contribuinte. O relatório ““. A decisão hostilizada reconheceu a decadência do direito de constituir o crédito tributário até fevereiro de 1995. Apesar do reconhecimento do período decaído a recorrente mantémse forte em sua argumentação de que não existiu, e, além disso, teria sido constituído crédito de FINSOCIAL também já alcançados pela decadência, vez que, a fiscalização compensou créditos existentes em 17 de novembro de 1999 com débitos referentes diferenças não recolhidas, cujos fatos geradores ocorreram antes de julho de 1994. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11516.002873/9977 Acórdão n.º 3403001.496 S3C4T3 Fl. 3 5 Sustentou ainda suas razões recursais: a) ausência de prova dos fatos mencionados pela fiscalização; b) impossibilidade de saneamento do auto de infração pela decisão da DRJ; c) necessidade da demonstração do consumo de todos os créditos; d) exclusão das Receitas Financeiras da Base de Cálculo da Cofins alteração promovida pelo art. 3º, §1°, da Lei 9.718/98 nas bases de cálculo do PIS e da COFINS; e) juntada de documentos novos pela DRJ; f) Da ilegalidade de inserção dos juros previstos na Lei n° 8.981/95 e da Taxa SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, assim sendo, tomo conhecimento. Inicialmente examino argüição em relação ao cancelamento do auto de infração frente à ausência de prova dos fatos constantes da planilha de folhas 68 a 74, por entender ser prejudicial ao exame do mérito. Em que pese alcançar período cuja perda do direito de constituir crédito tributário já restou reconhecido pelo julgador de piso, há implicação quanto apuração do débito a ser compensado com o crédito oriundo da decisão judicial. A planilha de fls. 68/74 elaborada pela fiscalização encontra consubstanciada nos balancetes extraídos da contabilidade e dos livros fiscais. De outro lado a Interessada deixou de demonstrar a divergência em relação aos dados utilizados pela fiscalização. Deixando de apontar à divergência, tenho como certo que o procedimento fiscal não causou prejuízo a defesa. Fortes nestes argumentos em razão da inexistência de demonstração da divergência por parte da Recorrente em relação à base de cálculo, deixo de acolher os argumentos tecidos para cancelar o lançamento. Da impossibilidade de saneamento do auto de infração pela decisão da DRJ. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Neste caso não assiste razão a recorrente. A diligência determinada restou esclarecedora e norteou o julgamento de piso. O fato de a Autoridade Administrativa constatar equívocos cometidos pela fiscalização não importa em vicio. Assim, deixo de acolher a sustentação, pois a diligência e o seu resultado não implica em inovação do fundamento do lançamento e tampouco em usurpação do poder outorgado a fiscalização. Da juntada de documentos novos pela DRJ. Incabível os argumentos articulados pela recorrente, tratase de documentos juntados pela própria interessada, mesmo que não fosse o fato da juntada de informações fiscais, planilhas de cálculos, etc., a meu sentir não se revela prejudicial à impugnação já apresentada, cuja oportunidade fica franqueada no momento do recurso. Deixando de demonstrar o prejuízo causado pela juntada dos documentos, impõe em rejeitar. Da ilegalidade de inserção dos juros previstos na Lei n° 8.981/95 e da Taxa SELIC. A aplicação dos juros de mora e a Taxa Selic encontram amparadas pela legislação. Nesse caso a decisão deu contorno jurídico acertado. Assim, inexiste razão capaz de dar suporte a irresignação trazidas no bojo do recurso voluntário, matéria essa que encontra pacificada nesta Corte por meio da Súmula CARF. Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Diante de vedação expressa da Súmula nº 04 do CARF, rejeito os argumentos e mantenho o que restou decido. Da exclusão das Receitas Financeiras da Base de Cálculo da Cofins alteração promovida pelo art. 3º, §1°, da Lei 9.718/98 nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Neste ponto assiste razão a recorrente. Compulsando os autos verifica que às fls. 60 e 64 incluiuse item a título de outras receitas sem declinar de que se trata. No documento de fls. 61, 63 e 67 encontra informação de que se trata de receitas financeiras. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11516.002873/9977 Acórdão n.º 3403001.496 S3C4T3 Fl. 4 7 Observase que a referida Lei nº 9.718/98 ampliou o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita. Logo, a exação passou a incidir sobre todas as receitas da empresa, independentemente do tipo de atividade exercida e da classificação contábil adotada. De outra parte as reiteradas decisões, o excelso Supremo Tribunal Federal afastou a arguíção de que a publicação da Emenda Constitucional nº 20/98, em data anterior ao início da produção dos efeitos da Lei nº 9.718/98 poderia conferirlhe fundamento de validade. Nessa esteira, firmouse o entendimento ode que o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento constante da redação original do artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Essa matéria resta pacificada neste Conselho. O Supremo Tribunal Federal tem posição firmada a respeito da Lei nº 9.718/98, construída em plenário por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários nos 346.084 e 390.840. E este entendimento é o de que, ao positivar a exigência de apuração do PIS e da COFINS sobre receitas que não as estritamente obtidas com a venda de mercadorias ou a prestação de serviços, o diploma teria ultrapassado os lindes da competência para a criação de contribuições destinadas à Seguridade Social. Daí porque, na oportunidade, proclamou a inconstitucionalidade do dispositivo. Com advento da Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a base de cálculo para apuração das contribuições para o PIS e a COFINS passou a incidir sobre o total das receitas operacionais, essas receitas compreendem a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Portanto, são contribuintes da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, nesta modalidade, as pessoas jurídicas que auferirem receitas, independemente de sua denominação ou classificação contábil. Essas receitas compreendem a receita bruta de venda de bens e serviços nas operações em conta alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Estão sujeitas à COFINS e o PIS na modalidade não acumulativa as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. Basicamente, estão sujeitas a Cofins e à contribuição para o PISPasep na modalidade não cumulativa as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, com algumas exceções, como as instituições financeiras e as receitas decorrentes da prestação de serviços com transporte coletivo, hospitalares e educação, independentemente da forma de tributação adotada. Deste modo as pessoas jurídicas não enquadradas no regime não cumulativo permanecem sujeitas às normas da legislação vigente anteriormente às Leis números 10.833/2003 e 10.637/2002, alteradas pelas Leis números 10.865 e 10.925/2004. A legislação em vigor prevê três modalidades de exigência de Cofins/PIS Pasep, além das outras hipóteses previstas exclusivamente para o PIS. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 Assim sendo, à incidência sob a égide da Lei n. 9.718/98 em relação ao PIS alcança o período de dezembro de 2000 a novembro de 2002 e a COFINS a partir de dezembro de 2000 a janeiro de 2004. Em primeiro lugar cabe demarcar à incidência sob a égide da Lei n. 9.718/98, portanto, aplicase a legislação anterior aos fatos geradores ocorridos, sendo que, referente ao PIS até novembro de 2002 e a COFINS até janeiro de 2004. No caso concreto, percebese, que trata da inclusão à base de cálculo de receitas referente receitas financeiras. É de conhecimento geral com o evento da edição da Lei 9.718/98, a base de cálculo foi alargada para alcançar a totalidade das receitas, porém, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o disposto PARÁGRAFO PRIMEIRO do art. 3º da mencionada lei, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições, embora haja entendimento que a extensão erga omnes só alcança a parte diretamente vinculada no processo judicial em quanto não for editada Resolução pelo Senado Federal. Entendo tratarse de receitas que não guarda qualquer vinculo com o conceito de faturamento. Como se vê, não há como ir à contramão do entendimento da mais alta Corte do País, que vem reiteradamente confirmando e consolidando o entendimento no sentido da inconstitucionalidade declarada em relação ao parágrafo 1o do artigo 3o da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo que a receita bruta é o faturamento, compreendido como sendo a comercialização dos produtos e a prestação de serviços. Portanto, só compõe a base de cálculo para a determinação da contribuição às receitas provenientes da venda de produtos e da prestação de serviços, por essa razão devese ser afastada da base de cálculo outras receitas distintas do faturamento. Assim sendo, deve ser afastada da base de cálculo os valores das receitas distintas do conceito de faturamento incluídas na base de cálculo com arrimo no art. 3o, parágrafo 1o, da Lei n. 9.718/98. Portanto, de acordo com o posicionamento do Supremo Tribunal Federal a prevalecer de que o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 é inconstitucional. Ante o exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para reconhecer o direito de excluir da base de cálculo as receitas financeiras. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 429DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11516.002873/9977 Acórdão n.º 3403001.496 S3C4T3 Fl. 5 9 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 16707.005571/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/07/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista no Inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, observado o valor mínimo fixado no inciso II do §3º do mesmo dispositivo legal suso mencionado.
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.
O Processo Administrativo Fiscal constitui-se no instrumento processual próprio e adequado para que o sujeito passivo exerça, administrativamente, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em face da exigência fiscal infligida pela fiscalização, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235/72.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
COMPENSAÇÃO. MANDATO ELETIVO. PRAZO CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 168, II DO CTN.
O termo a quo para contagem do prazo prescricional do direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos por exercentes de mandato eletivo assenta-se na data da publicação da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, a qual suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.717-1/PR.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2009 a 31/07/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista no Inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, observado o valor mínimo fixado no inciso II do §3º do mesmo dispositivo legal suso mencionado. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. O Processo Administrativo Fiscal constitui-se no instrumento processual próprio e adequado para que o sujeito passivo exerça, administrativamente, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em face da exigência fiscal infligida pela fiscalização, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235/72. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. COMPENSAÇÃO. MANDATO ELETIVO. PRAZO CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 168, II DO CTN. O termo a quo para contagem do prazo prescricional do direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos por exercentes de mandato eletivo assenta-se na data da publicação da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, a qual suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.717-1/PR. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Recurso Voluntário Negado
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CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista no Inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, observado o valor mínimo fixado no inciso II do §3º do mesmo dispositivo legal suso mencionado. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. O Processo Administrativo Fiscal constituise no instrumento processual próprio e adequado para que o sujeito passivo exerça, administrativamente, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em face da exigência fiscal infligida pela fiscalização, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235/72. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. COMPENSAÇÃO. MANDATO ELETIVO. PRAZO CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 168, II DO CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 55 71 /2 00 9- 60 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 O termo a quo para contagem do prazo prescricional do direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos por exercentes de mandato eletivo assentase na data da publicação da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, a qual suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005571/200960 Acórdão n.º 2302002.453 S2C3T2 Fl. 113 3 Período de apuração: 01/03/2009 a 31/07/2009 Data da lavratura do AIOP: 22/10/2009. Data da ciência do AIOP: 26/10/2009. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude da apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com omissões e incorreções relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração a fl. 07. CFL 78 Apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. Informa a Autoridade Lançadora que nas competências de 03/2009 a 07/2009 o Município apresentou GFIP com informações incorretas nos campos abaixo relacionados, cujas informações estão devidamente registradas no sistema GFIPWEB: CAMPOS INCORRETOS das GFIP 03/2009 a 06/2009: "Valor solicitado" "Valor compensado" "Compensação Período Inicial" CAMPOS INCORRETOS da GFIP 07/2009: "Valor solicitado" "Valor compensado" "Compensação Período Inicial" "Compensação Período Final" Aduz a fiscalização que no campo "Valor compensado" foram informados indevidamente valores de supostas compensações, provocando, consequentemente, a apuração do valor a menor no campo "Valor Devido à Previdência". Os valores referentes à compensação são provenientes de contribuições que o Município entendia que haviam sido recolhidos a maior, em virtude do pagamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos detentores de mandatos eletivos no período de 02/1998 a 09/2004. Entretanto, na auditoria fiscal, constatouse a improcedência parcial da referida compensação, sendo os valores glosados e lançados por meio da lavratura do Auto de Infração AI DEBCAD nº 37.193.3137, processo fiscal ao qual foi apensado o presente Auto de Infração. Acrescenta que o campo "Período inicial" deveria ter sido preenchido com a competência inicial de origem do crédito compensável e o campo "Período Final" com a competência final de origem do referido crédito. Por óbvio, as competências inicial e final Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 deveriam, necessariamente, ser anteriores à competência em que se pretende utilizar referidos créditos. Além disso, a informação correta desses campos é imprescindível para a análise da origem do crédito do sujeito passivo, inclusive quanto à prescrição ou não desse direito. Quanto à prescrição do direito à compensação/restituição, a fiscalização entendeu, com fulcro no art. 168 do CTN, que já estariam prescritos os eventuais créditos decorrentes dos recolhimentos efetuados até o dia 29/02/2004. Assim, o crédito que o contribuinte alega existir estaria restrito apenas aos valores das contribuições relativas às remunerações de Prefeito, de VicePrefeito e vereadores cujos recolhimentos tenham ocorrido a partir de 01/03/2004. Informa a autoridade autuante que a multa a ser aplicada foi calculada pelo somatório de parcelas de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas, nos termos fincados no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, sendo observado o valor mínimo de R$ 500,00, nos termos do inciso II do §3º do dispositivo legal acima referido, conforme assinalado no Relatório Fiscal da Infração a fl. 07. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 73/81. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 85/89, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 06 de outubro de 2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 91. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 97/100, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que a fiscalização entendeu que o Recorrente teria efetuado a compensação informada nas GFIP com créditos oriundos exclusivamente das contribuições indevidas sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo. Aduz que, em realidade, os créditos utilizados na compensação possuem 04 origens distintas: · Recolhimentos indevidos efetuados sobre os subsídios de agentes políticos no período de 02/1998 a 09/2004; · Diferença de 1% na Majoração indevida do SAT, nas competências de 2007 a 2009; · Recolhimentos indevidos, no limite da prescrição, efetuados sobre verbas de natureza indenizatória, não integrantes do Salário de Contribuição; · Diferenças positivas evidenciadas através do histórico de recolhimentos do Recorrente, no limite da prescrição Ao fim, requer a desconstituição da multa. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005571/200960 Acórdão n.º 2302002.453 S2C3T2 Fl. 114 5 Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 06/10/2011. Havendo sido o recurso voluntário postado na Agência dos Correios no dia 07/11/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alegou, exclusivamente em sede de Recurso Voluntário, que utilizou na compensação créditos decorrentes de diferenças de 1% na Majoração indevida do SAT, nas competências de 2007 a 2009 e de Diferenças positivas evidenciadas através do histórico de recolhimentos do Recorrente, no limite da prescrição. Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as questões nelas deduzidas não foram oferecidas à apreciação da Corte de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça de Defesa ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram aventadas pelo Impugnante em sede de impugnação administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005571/200960 Acórdão n.º 2302002.453 S2C3T2 Fl. 115 7 a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, as matérias abordadas no primeiro parágrafo deste tópico, além de outras dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas em sede de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas por este Colegiado em virtude da preclusão. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 2.1. DA PRESCRIÇÃO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando o Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR, da relatoria do ministro Carlos Velloso, assentou o entendimento de que a instituição de contribuição previdenciária sobre a remuneração dos titulares de mandato eletivo, antes da vigência da Emenda Constitucional nº 20/1998, mostravase desarmônica com a Carta Federal, tendo em vista não se enquadrarem os agentes políticos no conceito de trabalhador, previsto na redação originária do inciso II do artigo 195 do Diploma Maior, sendo necessária a edição de lei complementar para a disciplina, conforme dessai da ementa do acórdão adiante transcrita, publicada no Diário da Justiça de 21 de novembro de 2003: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL: PARLAMENTAR: EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO FEDERAL, ESTADUAL ou MUNICIPAL. Lei 9.506, de 30.10.97. Lei 8.212, de 24.7.91. C.F., art. 195, II, sem a EC 20/98; art. 195, § 4º; art. 154, I. I. A Lei 9.506/97, § 1º do art. 13, acrescentou a alínea h ao inc. I do art. 12 da Lei 8.212/91, tornando segurado obrigatório do regime geral de previdência social o exercente de mandato eletivo, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social. II. Todavia, não poderia a lei criar figura nova de segurado obrigatório da previdência social, tendo em vista o disposto no art. 195, II, C.F.. Ademais, a Lei 9.506/97, § 1º do art. 13, ao criar figura nova de segurado obrigatório, instituiu fonte nova de custeio da seguridade social, instituindo contribuição social sobre o subsídio de agente político. A instituição dessa nova contribuição, que não estaria incidindo sobre "a folha de salários, o faturamento e os lucros" (C.F., art. 195, I, sem a EC 20/98), exigiria a técnica da competência residual da União, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º, ambos da C.F. É dizer, somente por lei complementar poderia ser instituída citada contribuição. III. Inconstitucionalidade da alínea ‘h’ do inc. I do art. 12 da Lei 8.212/91, introduzida pela Lei 9.506/97, § 1º do art. 13. IV. R.E. conhecido e provido. Com efeito, a Resolução n° 26/2005 do Senado Federal suspendeu a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR. RESOLUÇÃO SENADO FEDERAL nº 26, de 21 de junho de 2005 O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005571/200960 Acórdão n.º 2302002.453 S2C3T2 Fl. 116 9 Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. De acordo com o previsto no §2º do art. 1º do referido Decreto, os efeitos da suspensão da execução pelo Senado Federal seriam retroativos à data de entrada em vigor da norma declarada inconstitucional. Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997. Art. 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. §1º Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. (grifos nossos) §2º O disposto no parágrafo anterior aplicase, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. O Secretário da Receita Federal do Brasil publicou o Ato Declaratório Executivo RFB n° 60, de 17 de outubro de 2005, dispondo em seu Art. 1º que “A suspensão, pela Resolução nº 26 do Senado Federal, da execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997, produz efeitos ex tunc, ou seja, desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional”. Nesse contexto, até o dia 18 de setembro de 2004, os exercentes de mandato eletivo não poderiam ser considerados segurados obrigatórios do RGPS, por falta de previsão legal. Somente a contar da data de vigência da Lei n° 10.887/2004, digase, 19 de setembro de 2004, é que o exercente de mandato eletivo não vinculado a Regime Próprio de Previdência Social passou a ser caracterizado como segurado obrigatório do RGPS, na qualidade de segurado empregado. Ocorre que a norma disposta no §2º do art. 1º do Decreto n° 2.346/1997, aplicável nas hipóteses em que o Supremo Tribunal Federal, na via incidental, declara inconstitucional lei ou ato normativo, deixa dúvidas quanto o estabelecimento do termo inicial do prazo prescricional para o exercício do direito de repetição de indébito, uma vez que a suspensão da norma pelo Senado Federal não opera efeitos ex tunc, como na hipótese descrita no §1º do mesmo dispositivo legal, mas sim, efeitos ex nunc, de forma que não faz sentido, nestes casos, a decisão retroagir à data de entrada da norma declarada inconstitucional. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 O Código Tributário Nacional, por seu turno, estatui em seu art. 168, II que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Código Tributário Nacional CTN Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Deflui de uma interpretação teleológica da norma estampada no inciso II do art. 168 acima transcrito que, na hipótese tratada nos autos, o termo a quo para a contagem do prazo tem início com a publicação da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, uma vez que somente a contar de então, os contribuintes estranhos ao Recurso Extraordinário nº 351.7171, passaram a usufruir dos efeitos dimanados da decisão do STF, graças aos efeitos erga omnes em que se opera a Resolução do Senado Federal em foco. Cumpre registrar que a própria Previdência Social já adotou esse entendimento anteriormente no precedente de inconstitucionalidade das contribuições instituídas por meio da Lei n° 7.789, conforme se depreende do teor da norma inscrita no art. 228 da Instrução Normativa INSS/DC n° 100/2003, em excerto rememorado a seguir para a melhor compreensão de seus fundamentos. Instrução Normativa INSS/DC n° 100/2003 Art. 228. O prazo final para apresentação de pedido de restituição ou de início da efetivação da compensação de contribuições sociais previdenciárias relativas a remuneração paga a autônomos, empresários e avulsos, foi estabelecido de acordo com os seguintes critérios: I os recolhimentos efetuados com base no inciso I do art. 3º da Lei nº 7.787, de 30 de junho de 1989, relativos ao período de setembro de 1989 a outubro de 1991, tiveram por início do prazo prescricional o dia 28 de abril de 1995 (data da publicação da Resolução nº 14 do Senado Federal) e, por término, o dia 28 de abril de 2000; II os recolhimentos efetuados com base no inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, relativos ao período de novembro de 1991 a abril de 1996, anterior à vigência da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, tiveram por início do prazo prescricional o dia 1º de dezembro de 1995 (data da republicação da decisão proferida na Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN nº 1.102/DF) e, por término, o dia 1º de dezembro de 2000. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005571/200960 Acórdão n.º 2302002.453 S2C3T2 Fl. 117 11 Nessa mesma rota navega a jurisprudência assentada nos Tribunais Superiores, conforme se depreende do julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial n° 506.127 PR (2003/00360043), de relatoria do Ministro Luiz Fux, publicada no DJ em 1º de março de 2004, cuja ementa encontrase assim redigida: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA A AVULSOS, AUTÔNOMOS E ADMINISTRADORES. ART. 3º, I, DA LEI 7.787/89 E ART. 22, I, DA LEI 8.212/91. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. 1. O sistema de controle de constitucionalidade das leis adotado no Brasil implica assentar que apenas as decisões proferidas pelo STF no controle concentrado têm efeitos erga omnes. Consectariamente, a declaração de inconstitucionalidade no controle difuso tem eficácia inter partes. Forçoso, assim, concluir que o reconhecimento da inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo pelo STF só pode ser considerado como termo inicial para a prescrição da ação de repetição do indébito quando efetuado no controle concentrado de constitucionalidade, ou, tratandose de controle difuso, somente na hipótese de edição de resolução do Senado Federal, conferindo efeitos erga omnes àquela declaração (CF, art. 52, X). 2. Ressalva do ponto de vista do Relator, no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade somente tem o condão de iniciar o prazo prescricional quando, pelas regras gerais do CTN, a prescrição ainda não se tenha consumado. Considerando a tese sustentada de que a ação direta de inconstitucionalidade é imprescritível, e em face da discricionariedade do Senado Federal em editar a resolução prevista no art. 52, X, da Carta Magna, as ações de repetição do indébito tributário ficariam sujeitas à reabertura do prazo prescricional por tempo indefinido, violando o primado da segurança jurídica, e a fortiori, todos os direitos seriam imprescritíveis, como bem assentado em sede doutrinária: "Por isso, o controle da legalidade não é absoluto, exige o respeito do presente em que a lei foi vigente. Daí surgem os prazos judiciais garantindo a coisa julgada, e a decadência e a prescrição cristalizando o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. (...) Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminarseia a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornarse iam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. O acórdão em Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Tratase de repetição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN." (Eurico Marcos Diniz de Santi. Decadência e Prescrição no Direito Tributário. São Paulo, Editora Max Limonad, 2000, p. 271/277) 3. Submissão ao entendimento predominante da Primeira Seção, no julgamento do ERESP nº 423.994/MG, com a ressalva do relator de que essa tese não pode reabrir prazos prescricionais superados à luz do CTN. Destarte, naquele julgamento restaram assentados os seguintes termos iniciais da ação de repetição: a) quando no controle concentrado houver declaração de inconstitucionalidade, iniciase a prescrição quinquenal da ação, do trânsito em julgado da declaração pelo STF; b) quando o controle for difuso, o termo inicial é a data da publicação da resolução do Senado Federal (art. 52, X, da CF); c) inocorrendo declaração de inconstitucionalidade, prevalece a tese dos 5 (cinco) mais 5 (cinco), vale dizer, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional é de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio, computados desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título do tributo. 4. A declaração da inconstitucionalidade da expressão "avulsos, autônomos e administradores", contida no inciso I do art. 3 da Lei 7.787/89, se deu no julgamento do Recurso Extraordinário 177.2964/RJ (controle difuso), publicada no DJ de 09/12/1994. Entretanto, a Resolução nº 14 do Senado Federal, consectária ao referido julgamento, e que suspendeu a execução dos referidos Decretosleis, foi publicada no Diário Oficial da União apenas em 28/04/1995, pelo que este é o termo inicial da prescrição da ação de repetição do indébito, perfazendo o lapso de 5 (cinco) anos para efetivarse a prescrição, em 28/04/2000. 5. Por outro lado, a declaração de inconstitucionalidade da expressão "avulsos, autônomos e administradores" contida no inciso I do art. 3º da Lei 8.212/91, se deu no julgamento da ADIN 1.102/DF, cujo acórdão foi publicado no DJ de 17/11/1995, tendo transitado em julgado em 13/12/1995, perfazendo o lapso de 5 (cinco) anos para efetivarse a prescrição, em 13/12/2000. 6. Agravo regimental provido, para dar parcial provimento ao recurso especial do INSS, reconhecendo prescrita a pretensão de repetição dos valores recolhidos a título de contribuição previdenciária sobre a remuneração paga a autônomos, avulsos e administradores sob a vigência da Lei 7.787/89. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005571/200960 Acórdão n.º 2302002.453 S2C3T2 Fl. 118 13 Estampado nesse matiz o quadro Jurídico aplicável à espécie, avulta como certo que, somente a contar da publicação da Resolução do Senado Federal n° 26/2005 o sujeito passivo passou a ter a seu dispor o Direito de Ação para pleitear a restituição/compensação dos valores indevidamente recolhidos à Seguridade Social. Nesse contexto, o termo inicial do prazo prescricional ora debatido assentase então em 22 de junho de 2005, encerrandose destarte em 21 de junho de 2010. Nesse contexto, não demanda áurea mestria concluir que a prescrição dos créditos decorrentes das contribuições previdenciárias incidentes sobre subsídios de agentes políticos indevidamente recolhidas até o dia 18 de setembro de 2004 somente ocorre a contar da competência junho/2010, inclusive esta. Assim, sendo o período de apuração do crédito tributário de março de 2009 a julho de 2009, cumpre reconhecer que todas as compensações efetuadas pelo sujeito passivo não se encontram vitimadas pela prescrição. Não procede a tese da prescrição decenal tão veementemente defendida pelo Recorrente. O art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 estatui que, para efeito de interpretação do art. 168, I do CTN, a extinção do crédito tributário, nos casos de tributos sujeitos à lançamento por homologação, dáse quando do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º do mesmo Código. Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1º do art. 150 da referida Lei. O inciso III do art. 150 da Constituição Federal, estatui ser vedado aos entes tributantes cobrar tributos "em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado". Temse aí o princípio da irretroatividade das leis tributárias, o qual ostenta como princípio norteador a segurança jurídica dos Contribuintes, impedindo que sejam surpreendidos por mudanças inesperadas na política tributária dos governos. Tal regra não é absoluta, entretanto, sendo excepcionada pela norma tributária encartada no art. 106 do CTN, cujo inciso I dispõe que a lei se aplica a caso pretérito "quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados". Tratase da assim denominada “interpretação autêntica”, a qual dimana da mesma fonte legislativa que formulou o dispositivo interpretado. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Em realidade, olhandose com os olhos de ver, a lei interpretativa não retroage, mas apenas esclarece o sentido e alcance do dispositivo legal interpretado. Trata, assim, de garantir a plena eficácia da lei anterior que, se interpretada segundo a mens legislatoris, não teria sofrido certas limitações ou gerado controvérsias exegéticas. Dessarte, as leis denominadas “interpretativas” não inovam o ordenamento jurídico, cingindose apenas a explicitar o sentido e o alcance do texto interpretado. O Recorrente sabe disso, mas, coloquialmente falando, “deu uma de migué”. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3.1. DA ORIGEM DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EMPREGADO NA COMPENSAÇÃO O Recorrente alega que a fiscalização entendeu que a compensação informada nas GFIP teria sido efetuada com créditos oriundos exclusivamente das contribuições indevidas sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo. O Recorrente argumenta que além dos recolhimentos indevidos efetuados sobre os subsídios de agentes políticos no período de 02/1998 a 09/2004, os créditos utilizados na compensação possuem ainda outras três origens distintas: · Diferença de 1% na Majoração indevida do SAT, nas competências de 2007 a 2009; · Recolhimentos indevidos, no limite da prescrição, efetuados sobre verbas de natureza indenizatória, não integrantes do Salário de Contribuição; · Diferenças positivas evidenciadas através do histórico de recolhimentos do Recorrente, no limite da prescrição; O Autuado só se esqueceu de um pequeno detalhe: De demonstrar e comprovar o recolhimento indevido em relação a tais rubricas. Chamamos a atenção do Recorrente para o fato de que, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005571/200960 Acórdão n.º 2302002.453 S2C3T2 Fl. 119 15 competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre crédito tributário, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o Código Tributário Nacional CTN conferiu ao instituto da compensação os contornos jurídicos de modalidade de extinção do crédito tributário da fazenda pública em face do sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos dos seus artigos 156, II ; 170 e 170A. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) Notese que, ao estabelecer normas gerais em matéria de crédito tributário, através do regramento de uma de suas modalidades de extinção, o art. 170 do CTN estatuiu que a lei poderia, nas condições e sob as garantias que estipulasse, ou cuja estipulação em cada caso atribuísse à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessarte, o instituto da compensação, no Direito Tributário, depende pois de previsão legal. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Atendendo ao comando do CTN, no âmbito federal, o instituto da compensação de tributos federais foi regulamentado pela Lei nº 8.383/91, cujo Art. 66 dispôs que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderia efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. Ao mesmo tempo, o parágrafo único do referido dispositivo legal impôs uma restrição à compensação tributária ao dispor que a compensação, no âmbito tributário, só poderia ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. (com Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (grifos nossos) §2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. §4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Em se tratando de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, a regulamentação jurídica do instituto da compensação tributária foi confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 89 assim estatui: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) (grifos nossos) §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005571/200960 Acórdão n.º 2302002.453 S2C3T2 Fl. 120 17 §4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios.(Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §8º Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) A redação do caput do Art. 89 da Lei nº 8.212/91 é de clareza solar ao dispor que somente os créditos do sujeito passivo em face da fazenda pública, decorrentes de pagamento ou recolhimento indevido de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, é que podem ser objeto de compensação ou de restituição. Para tornar esse entendimento o mais livre de dúvidas possível, o parágrafo segundo do mesmo art. 89 complementou o respectivo caput dispondo que somente pode ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91, ou seja, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social: a) A cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, nos termos do Art. 22, I, II e III da Lei Nº 8.212/91. b) As contribuições sociais a cargo dos empregadores domésticos, de acordo com o Art. 24 da Lei Nº 8.212/91. c) As contribuições sociais a cargo dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição, conforme Art. 20 da Lei Nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; As disposições inscritas no parágrafo segundo do aludido art. 89 combinadas com as do parágrafo único do art. 11, ambos da Lei nº 8.212/91, excluem da compensação toda e qualquer espécie de crédito da empresa em face da fazenda pública que não sejam aquelas decorrentes das contribuições sociais instituídas pelos artigos 20, 22, I, II e III e 24, todos da Lei Orgânica da Seguridade Social LOSS. O exercício do direito à compensação, entretanto, não se revela incondicionado, haja vista encontrarse circunscrito ao preenchimento de determinados requisitos legais, a ônus do interessado, consistentes, dentre outros, na efetiva demonstração e comprovação da existência e titularidade do crédito tributário que se almeja compensar. De outro eito, o Interessado dispõe de prazo peremptório para o exercício do seu direito creditório, sob pena de prescrição. É necessário e indispensável que o Interessado demonstre e comprove, mediante a apresentação de documentos idôneos o efetivo recolhimento indevido parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91, ou seja, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social. Anotese que o forum processual adequado para a contradita dos termos do lançamento concentrase, na via administrativa, ao Processo Administrativo Fiscal cujo rito processual, estampado no Decreto nº 70.235/72, determina que o instrumento de impugnação ao lançamento deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao Impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas no parágrafo primeiro do art. 16 do Diploma de Regência. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005571/200960 Acórdão n.º 2302002.453 S2C3T2 Fl. 121 19 §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Conforme demonstrado, não se contenta alei que rege o Processo Administrativo Fiscal com a mera alegação da existência de créditos em face da Fazenda Pública. Mostrase indispensável que o Impugnante demonstre e comprove, com fundamento em provas documentais, já na fase de impugnação, a efetiva existência desses créditos. O Órgão Julgador de 1ª Instância já havia rechaçado essa mesma alegação, aviada em grau de defesa administrativa, e indeferido o pedido correlato ao fundamento da falta de comprovação de recolhimentos indevidos relativos a tais rubricas. E diga a DRJ em Recife/PE: Quanto ao argumento de haver, na GFIP da competência 07/2009, incluído compensações de recolhimentos incidentes Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 sobre verbas indenizatórias, o impugnante nada comprovou neste sentido no feito, não havendo, assim, como acolher sua irresignação neste ponto. Mas, enquanto houver bambu, tem flecha. Apesar de haver tido o pleito indeferido pela falta de elementos de prova do direito alegado, nada obstante, retorna a carga o Recorrente para infirmar, tão somente, a existência de recolhimentos indevidos. Não logrou a empresa, todavia, ornamentar tal afirmativa com os indispensáveis indícios de prova material representativos dos alegados recolhimentos indevidos ou a maior das contribuições sociais referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, não ultrapassando a barreira das voláteis argumentações verbais. A defesa por negativa geral não se apruma com a dinâmica do Processo Administrativo Fiscal cujo mecanismo de contradita às autuações do fisco exige que o sujeito passivo instrua o instrumento de bloqueio à imputação fiscal com todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de rechear a peça de defesa com todas as provas documentais garantidoras de seu direito, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em lei. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 302 do CPC, que não admite a contestação pela simples negativa geral, ressalvados o curador especial, ao advogado dativo e ao Ministério Público, entendendo que impugnação assim formulada equivaleria a uma não contestação, ensejando a revelia e seus efeitos. O ordenamento jurídico pátrio impõe ao sujeito passivo o ônus de manifestarse precisamente sobre cada um dos fatos alegados, pois aqueles não refutados serão considerados como verdadeiros, passando a ser fato incontroverso. Nesse contexto, mesmo ciente de que sua impugnação houvera sido refutada pela Autoridade Julgadora a quo em razão da carência da comprovação material do Direito reclamado, o Recorrente quedouse inerte no sentido de suprir a falta em destaque, não fazendo acostar aos autos as demonstrações substanciais e os elementos de prova aptos a contrapor o conjunto probatório trazido à balha pela fiscalização, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores do lançamento tributário que ora se opera, não conseguindo se desincumbir, dessarte, do ônus que lhe era avesso. Nessa perspectiva, excluída da compensação os demais créditos alegados pelo sujeito passivo, em razão da carência de comprovação material do recolhimento indevido, concentrase o direito creditório do Recorrente nos recolhimentos indevidos efetuados sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo, no período de 02/1998 a 09/2004, os quais, reiterese, também não dispensam a comprovação material do efetivo recolhimento, além de outros requisitos cumulativos previstos na legislação previdenciária, conforme se discorrerá doravante. Com efeito, a Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, ao suspender a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005571/200960 Acórdão n.º 2302002.453 S2C3T2 Fl. 122 21 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida incidenter tantum pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR, fez irradiar efeitos erga omnes à decisão judicial acima assinalada. Nesse diapasão, a Secretaria da Receita Previdenciária publicou no Diário Oficial da União de 18/09/2006 a Instrução Normativa SRP nº 15/2006, dispondo sobre a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/97, nela estatuindo a obrigatoriedade de o ente federativo preceder eventual compensação com a indispensável retificação das GFIP correspondentes, para destas excluir todos os exercentes de mandato eletivo informados, sendo certo que tal retificação deve ser levada a efeito mesmo que o sujeito passivo não opte pela compensação/restituição. Instrução Normativa SRP nº 15, de 12/09/2006 Art. 1º Dispor sobre a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997, bem como sobre procedimentos relativos aos créditos constituídos com base no referido dispositivo. Art. 6º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º, compensar os valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1º, observadas as seguintes condições: I a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; (grifos nossos) II deverá ser realizada com contribuições previdenciárias declaradas em GFIP; (Redação dada pela IN RFB nº 909/2009) III o ente federativo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição; (Redação dada pela IN RFB nº 909/2009) IV o ente federativo deverá estar em dia com parcelas relativas a acordos de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso III, considerados todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio; V somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição; VI a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes àqueles a que se referem os valores pagos com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212, de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 §1º O ente federativo poderá efetuar a compensação dos valores descontados do exercente de mandato eletivo e efetivamente recolhidos, desde que: I seja precedida de declaração do exercente de mandato eletivo de que está ciente que esse período não será computado no seu tempo de contribuição para efeito da concessão de benefícios do Regime Geral de Previdência Social RGPS, conforme modelo constante do Anexo I desta Instrução Normativa; e II possa comprovar o ressarcimento de tais valores ou possua uma procuração por instrumento particular, com firma reconhecida em cartório, ou por instrumento público, outorgada pelo exercente de mandato eletivo, autorizandoo a efetuar a compensação, conforme modelo constante do Anexo II desta Instrução Normativa. §2º Caso seja constatado, em procedimento fiscal, a inobservância ao disposto no §1º, os valores compensados serão glosados. §3º Os documentos referidos no §1º deverão ser mantidos sob a guarda do ente federativo para exibição à fiscalização da SRP, quando solicitados. §4º É obrigatória a retificação da GFIP, por parte do dirigente do ente federativo, independentemente de efetivação da compensação. (grifos nossos) §5º O descumprimento do disposto no §4º sujeitará o infrator à multa prevista no §6º do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, e configura crime, conforme previsto no inciso III do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro. Colhemos do texto dos dispositivos legais acima revisitados que, para o exercício regular do direito de compensação de contribuições previdenciárias, figura como condição sine qua non o adimplemento cumulativo dos requisitos abaixo elencados: · Que os subsídios dos agentes políticos, no período de 01/02/1998 a 18/09/2004, tenham sido oferecidos à tributação. Assim, os agentes políticos do Ente municipal requerente (Prefeito, VicePrefeito e Vereadores) devem ter sido registrados, durante o período em foco, como segurados obrigatórios do Município vinculados ao RGPS; · Que o crédito tributário incidente sobre os subsídios dos agentes políticos em tela tenha efetivamente se materializado, seja através do registro nos livros fiscais próprios, seja mediante confissão espontânea, seja por declaração em GFIP, ou ainda tenha sido constituído por meio de lançamento de ofício, através de autuação fiscal; · Que, uma vez constituído o crédito tributário, este tenha sido comprovadamente extinto pelo pagamento. Não basta o mero oferecimento à tributação. É indispensável a comprovação do efetivo recolhimento ao Erário; · Que, a partir de janeiro/1999, os nomes dos agentes políticos em relevo tenham sido declarados nas GFIP correspondentes na condição de segurados empregados; Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005571/200960 Acórdão n.º 2302002.453 S2C3T2 Fl. 123 23 · Que as GFIP originárias em que figuravam os nomes dos agentes políticos em apreço tenham sido efetivamente retificadas, de molde a se excluir os exercentes de mandato eletivo, cujas contribuições previdenciárias houveramse por declaradas inconstitucionais. · Que inexistam débitos constituídos em face do Interessado em favor da fazenda pública correspondente, na data da entrega de GFIP em que esteja sendo empreendida a compensação; · Que o ente federativo esteja em situação regular perante a Fazenda Pública, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição; · Que o ente federativo esteja em dia com parcelas relativas a eventuais acordos de parcelamento de contribuições previdenciárias, considerados todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio; · Que a compensação pretendida seja efetivamente realizada dentro do prazo não vitimado pelo instituto da prescrição tributária; Dessarte, demonstrada a natureza jurídica previdenciária da obrigação tributária principal indevida da qual decorre o crédito alegado pelo sujeito passivo, imperativa se mostra a comprovação da constituição do crédito tributário dela decorrente, a qual pode ser levada a efeito nas formas que se vos seguem: I. A partir de janeiro de 1999, pela declaração em GFIP da remuneração e das contribuições dela decorrentes; II. Pela confissão das contribuições devidas, mediante Lançamento de Débito Confessado; III. Pela constituição de ofício do crédito tributário, mediante Auto de Infração ou Notificação Fiscal de Lançamento. Na sequência, demonstrada a constituição do crédito tributário, há que ser comprovada a sua extinção pelo correspondente pagamento, pois só assim irá se configurar o recolhimento indevido ou a maior, elemento essencial e condição indispensável para o exercício do direito ora pleiteado. Por fim, há que se comprovar, se for o caso, a retificação das GFIP mediante a exclusão dos exercentes de cargo eletivo cujas contribuições previdenciárias houveramse por declaradas inconstitucionais pelo STF, e nas quais se fundamenta o direito creditório do sujeito passivo. Tal exclusão decorre da mais perfunctória lógica do pedido de restituição/compensação. O Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR, proferiu decisão definitiva declarando a inconstitucionalidade das contribuições Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 previdenciárias incidentes sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital e municipal, ao fundamento de que tais trabalhadores não se configuravam como segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social . Por tal motivo, não se enquadrando os agentes políticos em foco como segurados do RGPS, indevida era, por consequência inafastável, a contribuição previdenciária para o FPAS, instituída por mera lei ordinária, Lei nº 9.506/97, sendo demandado para tanto, um instrumento legislativo do status de Lei Complementar. Dessarte, constando o nome tais exercentes de mandato eletivo nas GFIP em que foram oferecidas suas respectivas remunerações à tributação, referentes ao período de 01/02/1998 a 18/09/2004, tornase necessário que esses agentes políticos sejam excluídos da base de dados da Seguridade Social, nesse período, mediante a entrega de GFIP retificadora (promovendo tal exclusão). Caso tal exclusão não seja efetuada, os agentes políticos acima referidos continuarão figurando na base de dados da seguridade social, no período ora em destaque, como segurados empregados, qualificação essa que o STF declarou inconstitucional. Compulsando os autos, não logramos encontrar qualquer indício de prova material da entrega de GFIP retificadoras promovendo a exclusão dos agentes políticos em relevo. Corrobora de maneira indiciária a inexistência de tal exclusão a alegação desfiada pelo Recorrente no processo nº 16707.005569/200991, que a retificação somente poderia ocorrer com a prévia autorização do respectivo exercente de mandato eletivo para esta finalidade. A Retificação da GFIP é obrigatória, havendo ou não compensação, e não facultativa, conforme dispõe o §4º do art. 6º da IN MPS/SRP nº 15/2006. Assim, enquanto não for promovida a exclusão dos agentes políticos em ribalta da base de dados da Seguridade Social, mediante a entrega das respectivas GFIP retificadoras, obstada se manterá a constituição do respectivo crédito em favor do Recorrente. Em consequência, inexistindo crédito líquido e certo em sua carteira, indevida será a compensação levada a efeito pelo Recorrente. Procedente a glosa. De outro canto, produção de outro lote, porém, o Relatório Fiscal do processo nº 16707.005569/200991 assevera que: a) Quanto aos Prefeitos e Viceprefeitos: · O prefeito e o viceprefeito, Sr. Arnaud Macedo de Oliveira e Lúcio Roberto Pereira, respectivamente, não foram declarados em nenhuma das competências de 01/1999 a 12/2000 (período de suas gestões). 0 prefeito Antônio Petronillo Dantas Filho, cuja posse se deu em .01/01/2001, foi informado em todas as competências de 01/2001 a 09/2004, entretanto, o viceprefeito José Radi de Macedo foi informado nas competências 03/2001 a 09/2004, deixando, portanto, de ser informado nas competências 01/2001 e 02/2001. · Quanto à Retificação das GFIPs para fins de exclusão das remunerações: que as GFIP retificadoras excluindo a remuneração do prefeito nas competências de 02/2004 a 09/2004 foram devidamente apresentadas. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005571/200960 Acórdão n.º 2302002.453 S2C3T2 Fl. 124 25 · Quanto aos recolhimentos conforme declarados nas GFIP, que os valores devidos nas competências de 02/2004 a 09/2004 foram efetivamente recolhidos pelo Município ou incluídos no lançamento de débito no 35.846.3548, consolidado em 13/01/2006. b) Quanto aos Vereadores: · Não foi declarado nenhum vereador para as competências de 01/1999 a 12/2002 e 01/2004 a 09/2004; 11 (onze) vereadores foram declarados nas competências de 01/2003 a 10/2003; 9 (nove) vereadores foram declarados na competência de 11/2003; 8 (oito) vereadores foram declarados na competências de 12/2003. · Quanto à Retificação das GFIPs para fins de exclusão das remunerações: que as GFIP retificadoras excluindo a remuneração dos vereadores nas competências em que foram informados, não foram devidamente apresentadas. · Quanto ao efetivo recolhimento dos valores devidos em virtude do pagamento de remunerações aos vereadores: Não consta recolhimento algum para as competências de: 05/1998 a 13/1998; Os recolhimentos das competências 01/1998 a 04/1998; 01/1999 a 06/2003 e 01/2004 a 09/2004, referemse SOMENTE aos segurados não agentes eletivos, conforme declarado nas próprias GFIP, Folhas de Pagamento e Resumos das Folhas de Pagamento; Os recolhimentos das competências 07/2003 a 12/2003 contemplam os valores das contribuições devidas sobre a remuneração dos detentores de mandato eletivo informados nas respectivas competências. Conforme apurado pela fiscalização, o atendimento aos requisitos exigidos pela legislação previdenciária para o reconhecimento do crédito em favor do município recorrente é apenas parcial. Cumpre atentar que o art. 89 da Lei nº 8.212/91 somente admite a compensação de contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido, ou a maior que o devido, desde que atendidas as condições e os termos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art.89. As contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) (grifos nossos) Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 Atendendo ao comando legal assentado no art. 89, caput, in fine, da Lei nº 8.212/91, a Secretaria da Receita Federal do Brasil fez publicar no Diário Oficial da União de 31/12/2008 a Instrução Normativa nº 900/2008 disciplinando a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, dispondo em seu art. 34 que não pode ser objeto de compensação o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela RFB, assim como o crédito apurado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) de que trata a Lei nº 9.964/2000, do Parcelamento Especial (Paes) de que trata o art. 1º da Lei nº 10.684/2003 e do Parcelamento Excepcional (Paex) de que trata o art. 1º da Medida Provisória nº 303/2006. Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. (...) §3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no §1º: (...) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela RFB; (...) XII o crédito apurado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) de que trata a Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, do Parcelamento Especial (Paes) de que trata o art. 1º da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, e do Parcelamento Excepcional (Paex) de que trata o art. 1º da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, decorrente de pagamento indevido ou a maior; (...) Diante de tal panorama, avulta não se contentar a legislação tributária com a mera inclusão de contribuições previdenciárias, supostamente indevidas, em parcelamento administrativo, para fins de compensação tributária. Dessarte, embora não comprovado nestes autos, se de fato houve a inclusão de contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios dos agentes políticos nos parcelamentos do Município, este deverá ingressar com pedido de exclusão de tais parcelas na Unidade da RFB, especificando os parcelamentos nos quais estas estariam incluídas. Assim, fulgura mais promissora a revisão administrativa do parcelamento realizado, visando ao expurgo das contribuições tidas como indevidas, e nova consolidação de débitos e créditos do sujeito passivo com o fito de se apurar se houve efetivamente recolhimentos indevidos e, havendo, promoverse a revisão do parcelamento realizado. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005571/200960 Acórdão n.º 2302002.453 S2C3T2 Fl. 125 27 De todo o exposto, assentado que o Recorrente não promoveu a devida e indispensável retificação das GFIP; considerando que tal retificação mostrase como condição sine qua non para a homologação da compensação pretendida; considerando que o prazo prescricional do direito à compensação de créditos decorrentes do recolhimento indevido das contribuições previdenciárias relativas aos subsídios pagos aos exercentes de mandato eletivo expirou em 21 de junho de 2010, e considerando que não foram comprovadas a liquidez e certeza dos demais créditos alegados pelo Município recorrente, pugnamos pela negativa de provimento aos pedidos formulados no Recurso Voluntário interposto. 4. DECISÃO Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso para, no mérito, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10730.009174/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade
lançadora glosar a despesa que tem suporte em documento que não preenche os requisitos legais ou que não comprova uma despesa dedutível. Hipótese em que a prova requerida é parcialmente apresentada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.690
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer a dedução com despesa médica no montante de R$20.163,40.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora glosar a despesa que tem suporte em documento que não preenche os requisitos legais ou que não comprova uma despesa dedutível. Hipótese em que a prova requerida é parcialmente apresentada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer a dedução com despesa médica no montante de R$20.163,40. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0422695 (fl. 27), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação ao lançamento, decorrente da glosa de deduções indevidas a título de dependentes e despesas médicas, consoante descrição dos fatos às fls. 4 e verso. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS Para que o contribuinte comprove que as despesas médicas são dedutíveis deve demonstrar o efetivo pagamento, o tratamento efetuado e quem é o paciente do tratamento para que se subsuma à norma que prevê a dedução. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Nos termos do art. 17°, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF a recorrente reitera o pedido pela insubsistência da glosa relacionada aos profissionais Luciano da Silva Dias (fl. 08, 57/58), Claudia Amorim (fl. 09/15) e Lindolfo S. de O. Neto (fl. 07 – atribui à CASSI o erro de opor o carimbo de reembolso no recibo). É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Sobre a dedução de despesas médicas, vejamos o que dispõe o artigo 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10730.009174/200811 Acórdão n.º 210101.690 S2C1T1 Fl. 2 3 (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Inicialmente, verificase que a descrição dos fatos do lançamento em exame (fl. 05verso) indica que foram glosadas integralmente os pagamentos efetuados a Luciano da Silva Dias e Claudia Amorim, pelo descumprimento de formalidades essenciais previstas em lei (falta do endereço do consultório/estabelecimento do profissional, no recibo) e a Lindolfo S. de Olivaes Neto por não ser comprovado que o valor não tenha sido reembolsado. Do exame das peças processuais, verificase que a Declaração à fl. 09, escrita do próprio punho e assinada pela Psicóloga Claudia Amorim, CRP nº 16.664 RJ, suprem a falta apontada como fundamento para a glosa da despesa médica a ela relacionada, no montante anual de R$13.000,00. Da mesma forma, deve ser restabelecida a dedução da despesa médica relacionada ao profissional de odontologia Luciano da Silva Dias, CRO/RJ nº 13.321, pois a Declaração à fl. 58 complementa o recibo apresentado à fiscalização (fl. 08 e 57), suprindo a falta apontada como fundamento para referida glosa, no valor de R$7.163,40. Todos os documentos apresentados foram conferidos com os originais pela repartição fiscal de origem. Por fim, deve ser mantida a glosa da despesa médica relacionada ao ginecologista Lindolfo S O Neto, no valor de R$220,00, à mingua de qualquer elemento de prova nos autos, apresentada pela contribuinte, a fim de refutar o carimbo “reembolso” colocado no respectivo recibo (fl. 07). Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com despesa médica no montante de R$20.163,40. (assinado digitalmente) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 José Raimundo Tosta Santos Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005000/2010-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2006
LUCRO REAL ANUAL. ESTIMATIVAS MENSAIS.
OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO.
A pessoa jurídica optante pela tributação com base no lucro real anual é obrigada ao recolhimento mensal do imposto sobre a base estimada.
Numero da decisão: 1103-000.603
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Hugo Correia Sotero.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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ESTIMATIVAS MENSAIS. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. A pessoa jurídica optante pela tributação com base no lucro real anual é obrigada ao recolhimento mensal do imposto sobre a base estimada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Hugo Correia Sotero. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Fl. 129DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 2 Trata se de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada a respeito da decisão da DRJ de Brasília/DF que negou a manifestação de inconformidade da contribuinte. Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 77/90, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário abaixo discriminado, relativo ao anocalendário de 2006, totalizando R$ 34.395,16: Multa exigida isoladamente (IRPJ) 24.073,31 Multa exigida isoladamente (CSLL) 10.321,85 De acordo com a descrição dos fatos, a fiscalização constatou que nos meses de 05 a 08/2006 a contribuinte efetuou recolhimentos a menor de IRPJ e CSLL devidos sobre a base mensal estimada, apurada com base em balanços de suspensão e LALUR, o que implicou o lançamento de ofício de multa isolada sobre as insuficiências constatadas, conforme demonstrativo anexado às fls. 75/76, integrantes dos autos. Cientificada pessoalmente da exigência em 14/07/2010 (fls. 78 e 85), a contribuinte apresentou em 13/08/2010 a petição impugnativa acostada às fls. 100/105, contestando os autos de infração sob a alegação de que não optou pela tributação de que trata o art. 222 do RIR/99, tendo seguido o disposto no art. 221 do mesmo RIR, utilizando o sistema de balancetes de suspensão, onde não há antecipação do pagamento do IRPJ e da CSLL, que são pagos no final do exercício, em razão do que não é cabível a imposição de multa isolada. A DRJ decidiu: “LUCRO REAL ANUAL. ESTIMATIVAS MENSAIS. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. A pessoa jurídica optante pela tributação com base no lucro real anual é obrigada ao recolhimento mensal do imposto sobre a base estimada, apurada em balancete mensal de redução/suspensão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Ao lançamento da CSLL aplicase o decidido em relação ao IRPJ, quando decorrente da mesma matéria fática.” A contribuinte, recorre: MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE R$ 10.321,85 Impugnase, a cobrança citada pelas seguintes razãos de direito: A cobrança acima citada, de MULTA ISOLADA, não pode ser considerada, pois o contribuinte optou em realizar os valores de acordo com o art. 221 do RIR/99, que prediz: Art. 221. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma desta Seção deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano (Lei n° 9.430. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10120.005000/201073 Acórdão n.º 110300.603 S1C1T3 Fl. 2 3 de 1996, art. 2°. § 3°). Parágrafo único. Nas hipóteses de que tratam os §§ 1o e 2o do art. 220, o lucro real deverá ser apurado na data do evento (Lei n" 9.430. de 1996, art.1º §§ 1º e 2º). Assim sendo, recolheuse o valor do Imposto de renda e Contribuição Social sobre o Lucro, valor esse apurado com base no lucro real, balancete suspensão, não por estimativa, conforme, alega o Fiscal autuante, estando assim totalmente equivocado no que se refere a Multa Isolada, pois a Empresa Autuada, não optou pelo sistema determinado pelo art. 222 do RIR/99, que se refere a ESTIMATIVA, se verifica na Declaração de Renda Pessoa Jurídica, como o entendimento esta evidenciado nas emendas dos acórdãos do Conselho do Contribuintes do Ministério da Fazenda, publicadas no site WWW.conselhos.fazenda.gov.br., e Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda., também tem acatado, outros entendimentos semelhantes ao da concomitância de multas, segundo os quais as multas isoladas por falta de recolhimento mensal da antecipação do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro (CSL), não procedem quando se recolhem pelo sistema de BALANCETE SUSPENSÃO, onde não há antecipação de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) e da contribuição social sobre lucro ( CSL), mas paga no final do exercício. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Do acórdão da DRJ extraio: “No caso sob apreciação, é induvidoso que a impugnante exerceu opção por esta forma de tributação, manifestada a partir dos pagamentos efetuados no curso do anocalendário (listados às fls. 75/76) e confirmada pelas informações contidas na DIPJ/2007 (fls. 49/70). O fato de a pessoa jurídica levantar balancetes mensais não a coloca, em regra geral, a salvo da obrigatoriedade de efetuar os aludidos recolhimentos antecipados, como equivocadamente interpreta a impugnante. O procedimento apenas serve de salvaguarda para que a pessoa jurídica possa comprovar que suspendeu ou reduziu o pagamento, por ter ocorrido a hipótese prevista no art. 230 do RIR/99: Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive Fl. 131DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 4 adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º).(g.n.o.). Em suma, no caso sob enfoque, o sujeito passivo efetuou nos meses objeto da autuação recolhimentos inferiores ao devidos sobre o resultado (lucro real) apurado nos balancetes mensais, como retrata o demonstrativo constante das planilhas acostadas pelo autor do feito, às fls. 75/76, ficando, por via de conseqüência, sujeito à imposição da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº. 9.430, de 1996 (com a redação pelo art. 14da Lei nº. 11.488, de 2007)” Assim, não resta dúvida da opção por estimativas mensais, e o pagamento a menor das mesmas tanto para IRPJ quanto para CSLL. Quanto a jurisprudência citada pela recorrente, é preciso frizar quer se trata de jurisprudência sob a redação antiga da Lei nº 9430/1996. No caso, a jurisprudência dos antigos Conselhos de Contribuintes afastava a multa por estimativa, por diversos motivos, entre os quais a concomitância com a multa de ofício, que não ocorrerá nestes autos, ou até mesmo, por lançamento após o término do ano calendário. Enfim, na interpretação dominante dos antigos Conselhos de Contribuintes a base de cálculo para a multa por estimativa, em que pese a previsão legal, deveria ser a de 31/12, e não a mensal, pois, dessa forma, não feriria alguns princípios importantes. Em respeito a jurisprudência dos antigos Conselhos de Contribuintes o legislador achou por bem, primeiro diminuir o valor da multa de 75% para 50%, e esclarecer, ou melhor dispor de forma mais clara a principal questão já prevista na redação antiga, conforme transcrição: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Assim, conforme já explanado acima, o legislador alterou a redação para ficar mais claro, ainda, a saber: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 132DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10120.005000/201073 Acórdão n.º 110300.603 S1C1T3 Fl. 3 5 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. O artigo 2º se refere a estimativa, conforme transcrição: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Dessa forma, não resta dúvida que houve a adequação da legislação ao entendimento explanado pelos Conselhos. Observese, que a única inovação foi a diminuição do valor da multa de 75% para 50 %, pois, o restante, como dito, já esta previsto no inciso IV do parágrafo 1º. Em assim, sendo, foi lavrado o presente auto de infração já como a nova redação. Por tudo isso, não tem mais sentido a jurisprudência citada, já que a nova redação, mais benéfica, quando afirma 50 % sobre o valor do pagamento mensal não deixa margem de dúvida. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 16 de janeiro de 2012 (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 133DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 6 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11030.002511/2008-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Período de Apuração: 01.04.2006 a 31.05.2006 Ementa: CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO SIMULTÂNEA COM DÉBITO. LANÇAMENTO. PROVENIENTE. Justifica o lançamento do crédito tributário cujo ressarcimento tenha sido solicitado e simultaneamente o contribuinte utiliza o mesmo crédito para compensar débitos, configura duplicidade de crédito. Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.476
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Período de Apuração: 01.04.2006 a 31.05.2006 Ementa: CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO SIMULTÂNEA COM DÉBITO. LANÇAMENTO. PROVENIENTE. Justifica o lançamento do crédito tributário cujo ressarcimento tenha sido solicitado e simultaneamente o contribuinte utiliza o mesmo crédito para compensar débitos, configura duplicidade de crédito. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Liduina Maria Alves Macambira, Marcos Tranchesi Ortiz e Raquel Motta Brandão Minatel. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de recurso contra a decisão que manteve o crédito tributário constituído relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS referente ao período de apuração de 01.04.2006 a31. 05.2006. O crédito segundo consta da decisão recorrida é proveniente de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago. Descreve, ainda, que a fiscalização em procedimento de verificação de legitimidade de crédito concluiu pela veracidade da totalidade do pleito no valor de R$ 137.104,24, opinou favorável a compensação de R$ 91.000,00 (noventa e um mil reais) requerida por meio de PER/DCOMP, restando saldo passível de restituição, em espécie, da ordem de R$ 46.104,24 (quarenta e seis mil, cento e quatro reais e vinte e quatro centavos). Descreve que o motivo do lançamento de ofício decorre da utilização do saldo de R$ 46.104,24 (quarenta e seis mil, cento e quatro reais e vinte e quatro centavos) indevidamente na compensação de débito apurado no trimestre seguinte, isso é, na extinção do débito relativo aos meses de abril e maio de 2006, segundo as palavras da Autoridade Fiscal, consignadas da decisão nos seguintes termos: “Entretanto, como a contribuinte, inadvertidamente, utilizou após o encerramento do trimestre em questão (1º/2004), o referido valor de R$ 46.104,24) para deduzir crédito da COFINS apurado nos meses subseqüentes, ou seja, nos meses de abril/2006 (R$ 45.288,16) e maio de 2006 (R$ 816,08) estamos efetuando o lançamento de ofício dos valores deduzidos indevidamente (...). A empresa sustenta que cumpriu à risca às instruções contidas no manual de utilização da PER/COMP, preenchendo os campos necessários. E, contabilmente efetuou os lançamentos corretos, isto é, dando baixa nos créditos até então existente. Sustenta, também, que o auto de infração não pode prevalecer sem que formalmente a Administração indefira a compensação realizada, oportunidade que apresentaria a manifestação de inconformidade. Inexistindo o indeferimento, entende que houve homologação tácita. Acresce aos argumentos que os valores foram declarados em DCTF, tanto o débito quanto o crédito extinguindo a obrigação, sendo assim, não pode o Fisco recusar a compensação sem notificar o contribuinte essa decisão e constituir o crédito por meio de auto de infração. Concluiu, que o crédito existia, portanto, o fato de ter sido utilizado no trimestre seguinte não invalida a compensação realizada. É o relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11030.002511/200891 Acórdão n.º 3403001.476 S3C4T3 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, assim sendo, tomo conhecimento. A razão de decidir encontra fulcrada em utilização de duplicidade do direito creditório da empresa recorrente. Afirma a Autoridade julgadora que o fato da contribuinte ter solicitado o ressarcimento de crédito mediante procedimento regulamentar, e, ao mesmo tempo ter deduzido contabilmente parte desses créditos por meio de compensação de débitos, implica em utilização em duplicidade. Não assiste razão a Recorrente. Extraíse, dos autos o envio do pedido de ressarcimento em 15 de maio de 2006, crédito que restou confirmado pela diligência fiscal, informando o saldo remanescente de R$ 46.104,24 (quarenta e seis mil, cento e quatro reais e vinte e quatro centavos). Portanto, não há dúvida quanto à certeza e a liquidez do crédito. O que encontra em debate é o fato da contribuinte ter promovido em sua contabilidade a abaixa do crédito com encontro de débito apurado ao tempo que já tinha solicitado o ressarcimento. Compensada parte do crédito, o saldo remanescente apontado pela fiscalização seria objeto de ressarcimento em espécie, presumindo que seria devolvido no lapso temporal de 30 (trinta) dias. No caso em tela só posso vislumbrar essa razão a justificar o lançamento. O pedido de ressarcimento não se revela obstáculo ao direito de compensar débito apurado em trimestre distinto àquele em que se fez a solicitação. O contribuinte ao informar a sua intenção por meio da DCTF de compensar crédito com débitos demanda junto à administração à necessidade de certificar a existência do referido crédito, logo verificaria que no caso dos autos a pretendida extinção da obrigação darseia com o saldo remanescente da PER/DCOMP informada. No entanto, simultaneamente a contribuinte utilizou o saldo credor para extinguir outros débitos de modo que, inviabilizou a devolução em espécie por parte da Administração. Assim, entendo e concordo com a cautela do Fisco em lançar em razão da duplicidade de aproveitamento do mesmo crédito, uma via contabilidade e outra pelo pedido de ressarcimento, concretizado a situação que justificava o lançamento. É direito do contribuinte utilizarse de crédito perante a Fazenda Pública, independentemente de autorização, para extinguir débito, no entanto, não pode solicitar e ao mesmo tempo proceder à compensação via contabilidade de débitos existentes, razões que Fl. 187DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 vislumbro no procedimento fiscal capaz de justificar a constituição do crédito tributário e a exigências dos consectários legais e penalidades de ofício. Firme nestas razões deixo de acolher argumentos da Recorrente para manter o lançamento. Ante o exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 188DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 11516.008446/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
MULTA DE OFÍCIO. A exigência da multa de ofício, no percentual de 75%, no caso de omissão de rendimentos, tem previsão legal expressa e em vigor (artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96), não podendo ser afastada com base em mero juízo subjetivo da autoridade julgadora.
MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-001.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO. A exigência da multa de ofício, no percentual de 75%, no caso de omissão de rendimentos, tem previsão legal expressa e em vigor (artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96), não podendo ser afastada com base em mero juízo subjetivo da autoridade julgadora. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1864; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 183 1 182 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.008446/200854 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201001.865 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2012 Matéria IRPF Recorrente CARLOS FREDERICO PETERSEN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO. A exigência da multa de ofício, no percentual de 75%, no caso de omissão de rendimentos, tem previsão legal expressa e em vigor (artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96), não podendo ser afastada com base em mero juízo subjetivo da autoridade julgadora. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO– Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 84 46 /2 00 8- 54 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração (fls. 39/48) relativo ao IRPF, exercícios de 2005 a 2008, para exigir crédito tributário no montante total de R$123.979,24, incluído os acréscimos legais, originado da omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, recebidos da Fundação CEEE de Seguridade Social – Eletroceee. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls.41, o lançamento restou assim justificado: Omissão de rendimentos recebidos da Fundação CEEE de Seguridade Social Eletroceee (CNPJ 90.884.412/000124) nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício (código de arrecadação 0561), conforme se verifica contrastando as Declarações de Ajuste Anual (DIRPF) apresentadas pelo contribuinte com as Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentadas pela fonte pagadora, considerando o desfecho da ação ordinária n° 2004.71.00.0099683 impetrada na Justiça Federal/RS (transitada em julgado). Na ação ordinária n° 2004.71.00.0099683/RS ocorreu o deferimento de antecipação de tutela, determinando à União que se abstivesse de recolher o Imposto de Renda sobre os valores pagos aos autores a título de "Complementação Temporária de Proventos". Posteriormente restou reconhecida a natureza remuneratória da verba em comento, sobre a qual, então, deveria incidir o Imposto de Renda. Cabe observar que a decisão liminar apenas afastou a incidência da verba, sem determinar o depósito judicial da mesma. Situação esta confirmada pelas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentadas pela fonte pagadora. É de se ressaltar ainda que não foram apresentadas Declarações de Ajuste Anual (DIRPF) retificadoras pelo contribuinte, como consequência, necessária, da situação jurídica final. Conforme informação contida no extrato do processo acostado às fls.24/25, o processo foi baixado definitivamente em 02/10/2007. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva de fls.52/56, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto nesta parte: No tocante aos fatos, alega que declarou como não tributáveis os valores percebidos da Companhia Estadual de Energia Elétrica CEEE, a título de complementação temporária de proventos, pagos em razão da sua adesão ao Programa de Desligamento Incentivado Plano de Aposentadoria Incentivada, implementado por aquela Companhia, com amparo na decisão liminar proferida no processo n° 2004.71.00.0099683 Ia Vara Federal de Porto Alegre (posteriormente transferido para a 2a Vara Tributária de Porto Alegre). Por tal motivo, entende que jamais omitiu os rendimentos que embasaram a autuação. Adentrando nas questões de direito, requer, preliminarmente, que seja suspensa a aplicação dos juros e da multa, haja vista que jamais omitiu rendimentos e declarou os rendimentos tributáveis de acordo com a decisão judicial exarada no processo citado. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 11516.008446/200854 Acórdão n.º 2201001.865 S2C2T1 Fl. 184 3 No mérito, alude que, não havendo omissão, não há crédito a ser recolhido, bem como não há que se falar na exigência da multa, pois inexistente o principal, inexistem os acessórios; que a liminar gerou efeitos jurídicos nos anos em que teve incidência; que elaborou suas DIRPF de acordo com os comprovantes de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora. Na conclusão, reforça os argumentos em síntese já expostos, e requer o cancelamento do débito fiscal. Após analisar a matéria, os Membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/FNS n° 0724.784, de 03/06/2011, fls. 63/65, em decisão assim ementada: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. De acordo com a legislação aplicável, os rendimentos comprovadamente omitidos na declaração de ajuste anual, detectados em procedimentos de ofício, serão adicionados à base de cálculo declarada para efeito de cálculo do imposto devido, aplicandose multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada, não podendo, a autoridade lançadora, deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio. O contribuinte foi cientificado dessa decisão em 27/07/2011, (fl. 68) e, com ela não se conformando, interpôs, na data de 25/08/2011, o Recurso Voluntário Tempestivo de fls. 69/77, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls.177 (última) e digitalizado em 181 páginas. É o Relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. A matéria posta à apreciação desse colegiado referese à aplicação de multa de oficio sobre imposto de renda incidente na verba de Complementação Temporária de Proventos decorrentes de adesão ao programa de incentivo à aposentadoria, cuja exigibilidade restou liminarmente suspensa em processo judicial. Quando do julgamento do mérito do processo, restou indeferido o pleito do contribuinte por ter a justiça reconhecido a natureza remuneratória da referida verba, sobre a qual, portanto, deveria incidir imposto de renda. Conforme informação acostada às fls. 30, a decisão judicial que deferiu a antecipação de tutela, “se limitou a afastar a incidência da verba”. Assim, restou comprovado que não houve qualquer recolhimento do imposto. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 4 Ocorre que, quando a decisão judicial transitou em julgado, a liminar anteriormente concedida perdeu seu efeito, pois, no mérito, o processo foi julgado improcedente. Efetivamente, o contribuinte não omitiu o rendimento, apenas o declarou isento e não tributável com base numa decisão liminar, a qual tem o condão apenas de antecipação dos efeitos da sentença, quando restar comprovado o fumus bônus iuris e periculum in mora, porém, válida somente até a edição desta. Com o intuito de respaldar seu direito, assim se manifestou o contribuinte no seu recurso voluntário, às fls.71/72: “A decisão liminar emanada pelo poder judicial gerou os seus legais e jurídicos efeitos, tendo atingido a sua eficácia temporal, não tendo o contribuinte intimado omitido rendimentos ou sonegado informações a Receita Federal relativamente aos valores recebidos de Pessoa Jurídica devidamente intimada pela Justiça para que informasse que considerasse como Isentos e Não Tributáveis os rendimentos revertidos em favor do Contribuinte autuado. Não se pode imaginar em retroagir no tempo para eliminar os efeitos que foram gerados pela decisão judicial, eis que, nos períodos onde o Fisco aponta omissão de rendimentos não podia o Contribuinte contrariar a decisão judicial e também o DIRF que recebia da empresa sem determinar o depósito judicial da mesma” Ocorre que a jurisprudência pátria é pacífica no sentido de que quando processo é julgado improcente a liminar perde seus efeitos. Nesse sentido se manifestou o Eminente Superior Tribunal de Justiça ao proferir o Acórdão abaixo transcrito: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. FINSOCIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. LIMINAR. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. SEGURANÇA DENEGADA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO NO PRAZO DO ART. 63, § 2º, DA LEI N. 9.430/96. AFASTAMENTO DOS JUROS E MULTA DE MORA EM RELAÇÃO AO PERÍODO EM QUE A LIMINAR VIGEU. 1. A Corte de origem entendeu que não incidem multa nem juros moratórios em relação ao período em que o crédito tributário esteve com sua exigibilidade suspensa, por força de liminar concedida em mandado de segurança, posteriormente cassada por ocasião da sentença. 2. O julgado está amparado no art. 63, § 2º, da Lei n. 9.430/96, que dispõe: "a interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição". 3. É de rigor a incidência da regra, para afastar a cobrança dos juros e da multa de mora em desfavor do contribuinte, nestes casos. Precedente da Turma no AgRg no REsp 1005599/MG, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/06/2008. 4. Agravo regimental provido para negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Possível a apreensão, portanto, de que, em conformidade com o egrégio Tribunal pátrio mencionado, se, após serem exauridas todas as etapas do processo judicial em questão, o órgão judicante entender pela improcedência do pedido, em contraposição com o que estabeleceu anteriormente em medida liminar, os efeitos desta são suspensos para a plena validade e eficácia da Sentença posteriormente proferida. Nesse mesmo entendimento, segue a Ministra do Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon ao declarar em analogia à Súmula 405 do STF: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 11516.008446/200854 Acórdão n.º 2201001.865 S2C2T1 Fl. 185 5 “Como a outorga da tutela antecipada é provisória, incorporase a mesma à sentença, quando é a ação julgada procedente. E quando estamos diante de uma sentença terminativa ou de improcedência? No meu entender, se após cognição plena e exauriente o juiz conclui que não tem o autor razão, ou que o processo foi inútil, porque defeituoso ou carente, naturalmente que não pode prevalecer a eficácia da tutela antecipatória. Aliás, o Supremo Tribunal Federal, em relação ao mandado de segurança, fez editar a Súmula 405, que me parece perfeitamente adequável à espécie, ao enunciar: "Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária." Mutatis mutandis, é o que ocorre em relação à tutela objeto de apreciação, quando há sentença terminativa ou improcedente.” A lei tributária é clara, após ser declarado devido o tributo, o contribuinte tem 30 dias para efetuar o recolhimento sem incidência inclusive de multa de mora, nos termos do artigo art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996 que dispõe: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. O auto de infração é datado de 19/12/2008, muito após o processo ter sido inclusive baixado, fato ocorrido em 02/10/2007, no entanto, em todo esse período, o contribuinte não efetuou o recolhimento do valor devido. Assim, a autoridade fiscalizadora teve formalizar lançamento de ofício para cobrar o tributo devido e, nesse momento, a lei tributária vigente é clara ao determinar a aplicação da multa de oficio, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/96: Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 187DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 6 § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...)” Se o contribuinte tivesse recolhido o imposto após o prazo de 30 dias, mas antes do procedimento fiscal, teria sido aplicada multa de mora, cujo percentual máximo é de 20%, mas não o fez. Portanto, sobre o valor não recolhido, foi aplicada multa de oficio no percentual de 75% Sobre essa multa de ofício o contribuinte se insurge argumentando ser a mesma confiscatória. No entanto, é importante ressaltar que a multa pelo não pagamento do tributo devido é imposição de caráter punitivo, constituindose em sanção pela prática de ato ilícito por ocasião de infrações ás disposições tributárias. O permissivo legal que esteia a aplicação das multas punitivas encontrase no artigo 161 do Código Tributário Nacional, já antes citado, quando afirma que a falta do pagamento devido enseja a aplicação de juros moratórios “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária”, extraindose daí, portanto, o entendimento de que, o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora e multa – de mora ou de ofício , dependendo se o débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização ou não. Assim, a multa de 75% é devida, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal a qual não foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim penalidade pecuniária prevista em lei, sendo, portanto, inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF, não conflitando com o estatuído no art. 5º, XXII da CF, que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência, sendo perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, por não se aplicar, às penalidades pecuniárias de caráter punitivo, o princípio de vedação ao confisco. Neste tocante, mister se faz esclarecer que não cabe ao julgador administrativo questionar se a aplicação da legislação tributária ao caso concreto ofende ou não os princípios da capacidade contributiva e do não confisco, uma vez que, verificado o fato gerador, o lançamento deve ser realizado e o julgamento se dá para a verificação da correção do lançamento em relação à norma como está posta. Tais argumentos só podem ser validamente aduzidos no Poder Judiciário, a quem cabe a aplicação das normas tributárias de forma mais ampla e finalística, nos termos da posição sumulada desse Conselho: Fl. 188DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 11516.008446/200854 Acórdão n.º 2201001.865 S2C2T1 Fl. 186 7 Súmula CARF nº 2 – O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em síntese, o contribuinte tinha 30 dias após declarado devido o tributo, para efetuar o recolhimento do mesmo sem multa de mora. Após esse prazo e antes do lançamento de oficio, o imposto seria cobrado com a multa de mora. Ocorre que como não houve pagamento, a autoridade autuante, teve que cobrar o imposto através de lançamento de oficio, ou seja Auto de Infração, através do qual o imposto devido passa ser cobrado com multa de ofício de 75%, salvo comprovado caso de dolo, fraude e simulação, quando o imposto é cobrado com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, nos termos, respectivamente, do artigo 44, inciso I e §1º da Lei nº 9.430/96, acima transcrito. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 189DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11080.905028/2008-74
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 05 02 8/ 20 08 -7 4 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/05/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.905028/200874 Resolução nº 3801000.491 S3TE01 Fl. 149 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, nos quais não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. A interessada contesta a decisão administrativa alegando que no Despacho Decisório os valores pagos pelo DARF foram alocados para os valores informados em DCTF como devidos do tributo, não havendo valores para serem utilizado para a compensação pleiteada, mas que estes valores informados em DCTF estariam errados e foram retificados após a ciência do ato decisório, estando mencionado também na DIPJ, devendo a retificação da DCTF ser aceita e homologada a compensação pleiteada. A DRJ em Porto Alegre (RS), às fls. 38/40, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 52/54, no qual alega , na essência, que o valor declarado como crédito no PERDCOMP, no montante de R$ 17.672,41, não seria um pagamento indevido ou a maior mas sim, o total de retenções na fonte que determina a Lei 9430/96 art.64 que foram aplicadas por ocasião do recebimento de receitas junto a órgãos públicos e praticadas durante o ano de 2003. Alega ainda ter declarado em sua DIPJ 2004, original, a compensação deste valor em dezembro/2003, que apresenta o valor de R$ 37.702,89 como líquido de COFINS devido para esta competência, cujo pagamento efetuado em 15/01/2004 foi de R$ 55.375,30. Tal fato restaria configurado a partir dos respectivos lançamentos contábeis e da retificação da DCTF, apresentada após tomar ciência do Despacho Decisório. É o Relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/05/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.905028/200874 Resolução nº 3801000.491 S3TE01 Fl. 150 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de retenções na fonte que determina a Lei 9430/96 art.64 que foram aplicadas por ocasião do recebimento de receitas junto a órgãos públicos e praticadas durante o ano de 2003 e deduzidas do valor apurado da COFINS, referente ao mês de dezembro/2003. Tal crédito teria sido mencionado na DIPJ 2004, entregue em 08/06/2004.Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da DCTF do 4° trimestre/03. Compulsando os autos, para embasar seu direito, verificamos que a recorrente anexou ao Recurso Voluntário cópia dos lançamentos contábeis no Livro Razão e cópia da DIPJ 2004 anocalendário 2003 com recibo de entrega de n° 06.01.44.24.95 datado de 08/06/2004. Segundo consta, houve um pagamento a maior de COFINS, período de apuração de dezembro/2003, recolhido em 15/01/2004, no montante de R$ 55.375,30, quando o valor devido seria de R$ 37.702,89, gerando um crédito de R$ 17.672,41. Este valor teria sido declarado na DCTF do 4° trimestre de 2003, retificada posteriormente à ciência do Despacho Decisório, gerando o recibo de entrega n° 39.83.34.70.08., conforme informação da recorrente à fl. 03. Esta diferença seria equivalente ao total de retenções na fonte que determina a Lei 9430/96 art.64 que foram aplicadas por ocasião do recebimento de receitas junto a órgãos públicos e praticadas durante o ano de 2003 e que foram deduzidas do valor apurado da COFINS, referente ao mês de dezembro/2003. Tal informação é ainda corroborada pela DIPJ 2004, transmitida em 08/06/2004, conforme consta na Ficha 26A, com cópia à fl. 122 e pelos lançamentos contábeis na Ficha Razão da conta contábil código reduzido 906 classificação 01.1.3.7.08COFINS A RECUPERARLEI 9430/96 às fls.719 do Livro Razão Ativo Janeiro a Junho de 2004, com cópia à fl. 69. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/05/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.905028/200874 Resolução nº 3801000.491 S3TE01 Fl. 151 4 Apesar das alegações da recorrente terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, prevista no § 4º do art. 16 do PAF, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Verifico ainda que não consta nos autos alguns dos documentos citados pela recorrente para embasar seu direito, tais como DCTF retificadora e o comprovante de pagamento da COFINS referentes ao período de apuração em discussão, mas que, por se tratarem de documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo e não se vislumbrando prejuízo para o curso normal do mesmo, podem ser providos de ofício, conforme determina o art. 37 da Lei 9.784/99. Desse modo, deve ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da contribuição para a COFINS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Anexe cópia da DCTF retificadora/ativa referente ao 4º trimestre de 2003 e do comprovante de pagamento da COFINS cód 2172 PA 31/12/2003; b) apure o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), período de apuração de Dez/2003, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil; c) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/05/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 13982.001408/2009-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008
PIS/COFINS. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. TRIBUTAÇÃO DO ATO COOPERATIVO ADMITIDA EM DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
Havendo decisão judicial transitada em julgado que, no caso específico do contribuinte, entende pela legalidade e constitucionalidade da revogação, pela Lei nº 9.718/98, da isenção concedida aos atos cooperativos pela Lei Complementar nº 70/91, resta admitida a tributação do ato cooperativo para o caso concreto.
Ato cooperativo é aquele praticado entre a cooperativa e seus cooperados, destinado à consecução dos objetivos sociais da entidade. O fato de os pagamentos realizados pela cooperativa configurarem ou não um ato cooperativo é indiferente para a apuração da Cofins, pois se trata de uma contribuição que incide sobre o faturamento ou receita bruta, ou seja, que se refere às entradas de recursos. Apenas se o ato cooperativo se configurasse em relação a um ingresso de recursos na cooperativa é que se poderia cogitar de implicação em relação à incidência de Cofins, sendo, ao contrário, indiferente para tal incidência, o fato de o ato cooperativo se configurar em relação a uma saída de recurso da cooperativa.
PIS/COFINS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. DEDUÇÕES DAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 9º, III, DA LEI 9.718/98. INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS.
Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde, independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras.
MULTA QUALIFICADA. ART. 44, § 1º, DA LEI 9.430/96. CARACTERIZAÇÃO DAS CONDUTAS PREVISTAS NOS ARTS. 71, 72 E 73 DA LEI 4502/64. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A aplicação da multa qualificada depende da demonstração de que o contribuinte tenha praticado conduta tipificada nos arts. 71, 72 ou 63 da Lei nº 4.502/64. Não caracteriza fraude o fato, em si mesmo, de o contribuinte informar em declaração um valor de tributo inferior ao valor que foi posteriormente apurado pela Fiscalização, se declarou o valor corresponde ao que efetivamente apurou, com base na interpretação que entendia aplicável à legislação. A reiteração do mesmo método de apuração ao longo do tempo apenas demonstra que era tal, e a mesma, a interpretação que o contribuinte entendia aplicável. Conduta que não evidencia a intenção de impedir o conhecimento da Fiscalização quanto à ocorrência do fato gerador, nem de modificar as características do fato gerador para reduzir imposto, nem configura fraude ou sonegação.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-001.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as indenizações dos eventos ocorridos e efetivamente pagos, nos termos do voto do Relator, e para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao patamar de 75%.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. TRIBUTAÇÃO DO ATO COOPERATIVO ADMITIDA EM DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Havendo decisão judicial transitada em julgado que, no caso específico do contribuinte, entende pela legalidade e constitucionalidade da revogação, pela Lei nº 9.718/98, da isenção concedida aos atos cooperativos pela Lei Complementar nº 70/91, resta admitida a tributação do ato cooperativo para o caso concreto. Ato cooperativo é aquele praticado entre a cooperativa e seus cooperados, destinado à consecução dos objetivos sociais da entidade. O fato de os pagamentos realizados pela cooperativa configurarem ou não um ato cooperativo é indiferente para a apuração da Cofins, pois se trata de uma contribuição que incide sobre o faturamento ou receita bruta, ou seja, que se refere às entradas de recursos. Apenas se o ato cooperativo se configurasse em relação a um ingresso de recursos na cooperativa é que se poderia cogitar de implicação em relação à incidência de Cofins, sendo, ao contrário, indiferente para tal incidência, o fato de o ato cooperativo se configurar em relação a uma saída de recurso da cooperativa. PIS/COFINS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. DEDUÇÕES DAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 9º, III, DA LEI 9.718/98. INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS. Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 14 08 /2 00 9- 81 Fl. 856DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde, independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras. MULTA QUALIFICADA. ART. 44, § 1º, DA LEI 9.430/96. CARACTERIZAÇÃO DAS CONDUTAS PREVISTAS NOS ARTS. 71, 72 E 73 DA LEI 4502/64. NÃO CONFIGURAÇÃO. A aplicação da multa qualificada depende da demonstração de que o contribuinte tenha praticado conduta tipificada nos arts. 71, 72 ou 63 da Lei nº 4.502/64. Não caracteriza fraude o fato, em si mesmo, de o contribuinte informar em declaração um valor de tributo inferior ao valor que foi posteriormente apurado pela Fiscalização, se declarou o valor corresponde ao que efetivamente apurou, com base na interpretação que entendia aplicável à legislação. A reiteração do mesmo método de apuração ao longo do tempo apenas demonstra que era tal, e a mesma, a interpretação que o contribuinte entendia aplicável. Conduta que não evidencia a intenção de impedir o conhecimento da Fiscalização quanto à ocorrência do fato gerador, nem de modificar as características do fato gerador para reduzir imposto, nem configura fraude ou sonegação. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as indenizações dos eventos ocorridos e efetivamente pagos, nos termos do voto do Relator, e para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75%. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de autos de infração (fls. 03/39 eprocesso) lavrados para a exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2006 a 31/12/2008. A notificação do contribuinte aconteceu em 25/11/09 (fls. 5e e 24e). A motivação do lançamento é detalhada pelo Termo de Verificação Fiscal (fls. 274/281e), no qual se evidencia adoção do seguintes critérios: Fl. 857DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 857 3 5.1.1 RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO e DEMAIS RECEITAS. Na formação da base de cálculo considerada pela fiscalização consideramos o faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pelas sociedades cooperativas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, conforme dispõe a Lei nr. 9.718/98, art. 2º e 3º, Decreto nº 4.524/02, IN SRF 247/02, art. 10, e IN SRF n 635/06, art. 6º, caput. Os valores discriminados nas planilhas de fls. 187/188, 215/216 e 241/242 a titulo de (+) TOTAL DA RECEITA e (+) TOTAL DE OUTRAS RECEITAS, foram compulsados nos demonstrativos contábeis adunados as Fls. 1189 A 214 (ano calendário de 2006), 217 a 240 (ano calendário de 2007), e 243 a 26Z (ano calendário de 2008). 5.1.2 TOTAL DE GLOSAS E CANCELAMENTOS. Os valores lançados nas planilhas de Fls. 187/188, 215/216 e 241/242 foram compulsados nos demonstrativos contábeis acima mencionados, sendo que tais valores guardam relação com aqueles informados pelo contribuinte na planilha de Fls. 69 a 71 (linha cancelamentos + linha glosas). 5.1.3. DAS DEDUÇÕES RELATIVAS AS SOCIEDADES COOPERATIVAS DE MÉDICOS QUE OPERAM PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. Especificamente para a cooperativa em questão, também cabem as seguintes deduções: I exclusão dos valores glosados em faturas emitidas contra planos de saúde. (IN SRF n. 635/2006, art. 17, inciso I). O valor já consta do item 5.1.2 supra. II dedução dos valores das coresponsabilidades cedidas. (Medida Provisória n. 2.15835/2001, art. 20, ao incluir o § 9° ao art. 3º da Lei n. 9.718/1998; e IN SRF n. 635/2006, art. 17, II). De acordo com a planilha de Fls. 69 a 71, de lavra do próprio contribuinte, não há valores a deduzir a este titulo. III dedução das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas. (Medida Provisória n 2.158 35/2001, art. 2n, ao incluir o § 9n ao art. 3n da Lei n 9.718/1998; e IN SRF no 635/2006, art. 17, II). Constam na planilha de Fls. 69 a 71, de lavra do próprio contribuinte, os valores a serem deduzidos a este titulo os quais foram aceitos por esta fiscalização. IV dedução do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das Fl. 858DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. (Medida Provisória n. 2.15835/2001, art. 20, ao incluir o § 9º ao art. 3º da Lei n. 9.718/1998; e IN SRF n. 635/2006, art. 17, II) O contribuinte lançou em sua planilha de Fls. 69 a 71, quantias a serem deduzidas a este titulo (linha indenização eventos efetivamente pagos) as quais não foram aceitas por estas autoridades fiscais, visto que, a autuada informou valores relativos a eventos com seus próprios associados. Sobre esta dedução, em especial, existem várias manifestações das Divisões de Tributação de Superintendências Regionais da Receita Federal dando conta de que a dedução em comento não se refere às operações com associados da própria operadora. Neste sentido, transcrevese a ementa da Solução de Consulta SRRF/3a RF/DISIT nº 20, de 23 de outubro de 2003 (grifos acrescidos), o qual representa o entendimento utilizado por estas autoridades fiscais. Ementa: BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA A SAÚDE. Na apuração da base de cálculo da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde, poderão deduzir de sua receita bruta o valor das coresponsabilidades cedidas, o da parcela das contraprestações em moeda destinadas à constituição de suas provisões técnicas e o da diferença positiva entre os desembolsos efetivamente realizados para indenizar seus conveniados por eventos realizados em associados de outra operadora e as quantias recebidas desta outra operadora a titulo de ressarcimento por aqueles desembolsos. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 286/313e) argumentando, em síntese, o seguinte: 1) que todos os atos que pratica são cooperativos, de modo que, em razão do art. 79, p.u., da Lei nº 5.764/71 não há incidência de PIS/Cofins sobre as entradas decorrentes da venda de planos de saúde (fl. 293 eprocesso); Entende que, embora tais ingressos refiramse a atos que pratica com terceiros não associados, configuram atos inerentes ao negócio fim, devendo, por isso, ser tratados como ato cooperativos. O contribuinte não qualifica como ato auxiliar, baseandose para tanto nos seguintes conceitos adotados em precedente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (2005.72.03.0004802, fl. 294): É preciso anotar as diversas espécies de negócios, ou atos negociais que podem ser praticados pelas cooperativas. Surge, em primeiro lugar, o chamado ato cooperativo, também chamado negóciofim ou negócio cooperativo, ou ainda, os negócios internos, isto é, as relações entre a cooperativa e os cooperados. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 858 5 Esse, é claro, normalmente ocorrendo, não poderá sujeitar a tributação do Imposto de Renda porque não há lucro para pessoa jurídica. As cooperativas, para chegar a esse negóciofim, precisam praticar alguns atos com terceiros, que são os pressupostos necessários para a realização dos atos cooperativos. Se a cooperativa recebeu a produção de um cooperado, precisa vender essa produção a terceiros. Esse tipo de negócio constitui os chamados negócios externos ou negócios de meio são os atos meios para que se realize o ato cooperativo ou ainda negócios de contrapartida: são as venda dos produtos recebidos, para terceiros. Ai também, é claro, se esta dentro da finalidade da cooperativa, pois estes atos são atos derivados do ato cooperativo, são decorrentes da função especifica das cooperativas, e por isso, normalmente, estão fora da incidência do Imposto de Renda. Em terceiro lugar, existem ainda outros negócios ou atos que são acessórios ou auxiliares para a boa administração da cooperativa: contratar em pregados, alugar salas, vender imóveis, vender máquinas velhas, vender resíduos de beneficiamento, ou produtos estragados, e outras alienações eventuais. Ai a cooperativa estará agindo, não como uma sociedade comercial, mas como qualquer pessoa em atividade não comercial, como um associado civil que é, procurando, não o lucro, mas simplesmente a maisvalia na forma de ganho. Estes negócios estão de fora da incidência do Imposto de Renda. A quarta modalidade de negócios que pode ser praticada pelas cooperativas são atos chamados vinculados à finalidade básica. Serão os negócios com não associados, são autorizados pela Lei das Cooperativas nos artigos 85, 86 e 88. São os negócios com não associados ou investimentos em sociedades não cooperativas. Esta é uma abertura que a lei deu, para que as cooperativas tenham condições de melhor funcionamento, porque poderão aproveitar uma capacidade ociosa na sua maquinaria, ou terão possibilidades de aplicar o dinheiro em investimentos, em vez de deixar o dinheiro parado. A lei autorizou as cooperativas efetuassem esse tipo de transações. São atividades não ligadas ao objetivo principal; mas, de algum modo, com ele relacionadas, pois visam a dar uma melhor capacidade, um aproveitamento maior às virtualidades, às potencialidades da cooperativa. Esses tipos de negócio, segundo a lei, estarão, evidentemente, sujeitos ao Imposto de Renda. 2) que deve ser excluída da base de cálculo de PIS/Cofins as receitas financeiras e não operacionais, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo pretendido pela Lei nº 9.718/98; 3) que não poderia ter sido aplicada a multa agravada, tendo em vista que “Os auditores fiscais, embora a Impugnante tenha demonstrado todos os documentos e esclarecimentos que embasaram a sua interpretação sobre o cálculo dos tributos, aplicaram multa de oficio de 150% incidente sobre o crédito tributário constituído sob o argumento de Fl. 860DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 que a Impugnante impediu o conhecimento por parte da administração tributária do total das exações devidas!” (fl. 290e). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (DRJ), por meio do Acórdão nº 0726.533, de 28 de outubro de 2011 (fls. 772/790e), considerou a impugnação procedente em parte, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 LANÇAMENTO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. INSTRUMENTOS LEGAIS. Os artigos 10 e 11 do Decreto n°. 70.235/72 tratam, respectivamente, dos requisitos a serem observados no auto de infração e na notificação de lançamento, sendo ambos instrumentos legais para o lançamento de créditos tributários. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. AMPLIAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. A Pessoa Jurídica que se encontra amparada por decisão judicial transitada em julgado que declarou a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, deve ter excluída da base de cálculo de suas contribuições, conforme sentença, os valores das receitas estranhas ao faturamento, assim entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, permanecendo a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DE ATOS EMPRESARIAIS. PLANOS DE SAÚDE. TRIBUTAÇÃO. Os atos de venda dos serviços médicos dos cooperados (e terceiros não cooperados) se traduz na comercialização de planos de saúde, sendo que os valores recebidos dos usuários, seja diretamente ou na forma de mensalidades do plano de saúde, constituise em receita bruta da cooperativa decorrente de atos empresariais, sujeitandose à tributação. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS A dedução da base de cálculo das contribuições, prevista no § 9°., III, do art. 3°. da Lei no. 9.718/98 (incluído pela Medida Provisória n°. 2.15835 de agosto de 2001), trata da diferença entre os valores efetivamente pagos, pela operadora de plano de saúde cessionária, aos seus conveniados, profissionais e empresas de saúde, relativamente os eventos realizados com associados/usuários de outras operadoras (as cedentes) e a Fl. 861DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 859 7 quantia correspondente às importâncias recebidas, pela cessionária, das operadoras cedentes, a titulo de transferência de responsabilidade ou intercâmbio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 Ementa: BASE DE CALCULO. REGIME CUMULATIVO. AMPLIAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. A Pessoa Jurídica que se encontra amparada por decisão judicial transitada em julgado que declarou a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, deve ter excluída da base de calculo de suas contribuições, conforme sentença, os valores das receitas estranhas ao faturamento, assim entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, permanecendo a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DE ATOS EMPRESARIAIS. PLANOS DE SAÚDE. TRIBUTAÇÃO. Os atos de venda dos serviços médicos dos cooperados (e terceiros não cooperados) se traduz na comercialização de planos de saúde, sendo que os valores recebidos dos usuários, seja diretamente ou na forma de mensalidades do plano de saúde, constituise em receita bruta da cooperativa decorrente de atos empresariais, sujeitandose à tributação. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. A dedução da base de cálculo das contribuições, prevista no §9°., III, do art. 3°. da Lei n°. 9.718/98 (incluído pela Medida Provisória n°. 2.15835 de agosto de 2001), trata da diferença entre os valores efetivamente pagos, pela operadora de plano de saúde cessionária, aos seus conveniados, profissionais e empresas de saúde, relativamente aos eventos realizados com associados/usuários de outras operadoras (as cedentes) e a quantia correspondente as importâncias recebidas, pela cessionária, das operadoras cedentes, a titulo de transferência de responsabilidade ou intercâmbio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008 MULTA AGRAVADA. APLICABILIDADE. É cabível a multa de 150% no caso em que ficar evidente a ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto, devido. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O provimento parcial foi apenas para afastar da incidência de PIS/Cofins as receitas estranhas ao faturamento, as quais foram apuradas sob o título de “outras receitas” (fls. 188/189e, 217/218e, 243/244e). O voto proferido pelo Relator detalha o seguinte: “Conforme relatório fiscal, a contribuinte buscou provimento judicial que lhe assegurasse a não apurar a Cofins sobre os atos cooperativos próprios da sua finalidade social. Conforme declaração de sua lavra (fl. 72), em sede de ação fiscal, teria declarado não existir provimento judicial que desse guarita ao seu pleito Em sede de contencioso administrativo, entretanto, a contribuinte alega ter se equivocado ao prestar informações sobre a ação judicial em questão, mas que a sua declaração não pode afastar os efeitos da coisa julgada, prevista no art. 5°., XXXVI da Constituição, art. 6°. da Lei de Introdução ao Código Civil, e arts. 467 e 474, ambos do Código de Processo Civil. Remete ao mandado de segurança que impetrou na Vara Federal de Joaçaba/SC, sob o n°. 99.70016440, dizendo possuir decisão do Supremo Tribunal Federal concedendolhe o direito ao não recolhimento do PIS e da Cofins sobre as receitas estranhas ao faturamento da cooperativa, limitando a tributação à soma das receitas oriundas do exercício das atividades sociais. (...) Em razão da referida decisão, a contribuinte requer que sejam excluídos da base de cálculo os valores discriminados como "Demais Receitas", de todo o período lançado, apuradas no "Demonstrativo de apuração da Cofins e do PIS". Desta feita, a impugnante deve ser atendida em seu pleito, visto que se encontra amparada por decisão judicial transitada em julgado que declarou a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, de forma que devem ser excluídos da base de cálculo, conforme sentença, os valores das receitas estranhas ao faturamento, assim entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, permanecendo a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Em síntese, na análise do Parecer, extraise que o campo de nãoincidência corresponde As atividades inerentes A cooperativa, ou seja, àquelas que envolvem os serviços que prestem diretamente aos associados na organização e administração dos interesses comuns ligados à atividade profissional. No caso da cooperativa, a finalidade não pode se voltar diretamente para o atendimento pleno do cliente, pois os associados, limitados a uma categoria de atuação, é que formam Fl. 863DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 860 9 o parâmetro do seu objeto social. Portanto, na cooperativa, a finalidade está vinculada atividade própria do associado. (...) Ressaltese, ainda, que, quando a cooperativa contrata serviços de terceiros para atender os clientes, retira de suas receitas as origens de recursos para custeio do serviço, o que não se configura como ato cooperativo, mas sim ato de mercancia. A conclusão a que se chega é que as receitas auferidas com os pagamentos mensais não são dos médicos cooperados, pois a razão jurídica do pagamento do plano de saúde é diversa da razão jurídica do pagamento do serviço que o médico presta ao seu paciente. Na primeira hipótese, a razão é um contrato entre a cooperativa e o cliente, onde o médico associado fica de fora do ato praticado pela cooperativa. Na segunda, é pelo serviço prestado ao paciente, que a cooperativa paga ao médico: os honorários. IId, portanto, receitas de naturezas diversas: uma auferida pela cooperativa, em face do contrato de plano de saúde, e outra auferida pelo associado, em face da prestação especifica do serviço médico. Desta forma, o valor global dos pagamentos mensais efetuados pelos clientes/usuários, que é um pagamento relativo a plano de saúde, se caracteriza como receita própria da cooperativa. Os atos da venda dos serviços médicos dos cooperados (e terceiros não cooperados) se traduz na venda de planos de saúde, onde os valores das receitas referemse, indistintamente, aos serviços a eles prestados por associados ou por terceiros, contratados pela cooperativa. Repitase, não se tratam de atos cooperativos, mas de simples contratos mercantis, ou seja, os valores recebidos dos usuários, seja diretamente ou na forma de mensalidades do plano de saúde, constituise como "receita bruta" da cooperativa, sujeitandose à tributação. Portanto, enganase a contribuinte quando alega que os atos de venda da produção dos cooperados com terceiros são atos cooperados derivados, não sujeitos tributação do PIS e da Cofins. Quanto à multa de 150%, o voto condutor do acórdão na DRJ entendeu o seguinte: No caso em tela, não se tratou de um pequeno período ou de pequenos valores que pudessem evidenciar um erro inadvertido por parte da contribuinte. No caso em apreço, a contribuinte declarou reiteradamente em todo o período fiscalizado — 01/2006 a 12/2008 — em clara ação tendente a modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Desta forma, fica caracterizada a intenção e o dolo do contribuinte, estando presentes os elementos necessários para justificar a aplicação do agravamento previsto no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 816/842e) no qual reitera os fundamentos de sua impugnação, requerendo o cancelamento da autuação ou, quando menos, a redução da multa qualificada. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso foi protocolado em 02/04/2012 (fl. 816 eprocesso), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação, ocorrida em 02/03/2012 (fl. 814e). Por ser tempestivo, conheço do recurso. As alegações do recurso voluntário podem ser agrupadas em três temas: (1) que deveria ser afastada a tributação do ato cooperativo, (2) que a dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98 referese às indenizações com eventos relacionados aos seus usuários e (3) que não poderia ser aplicada a multa de ofício no patamar de 150%, por não se caracterizarem os pressupostos que autorizariam sua aplicação. 1. A tributação do ato cooperativo. O Recorrente alega que seria equivocado o entendimento da DRJ de que “o objeto da cooperativa somente pode ser a prestação de serviços diretamente aos associados desta, nunca à prestação de serviços a terceiros”, pois, conforme explica, seria inerente a toda e qualquer cooperativa o exercício de uma atividade econômica, e que, no caso das cooperativas de médicos, os recursos provenientes dos usuários dos planos são destinados para o proveito comum dos cooperados, de maneira que deveria ser tratado como ato cooperativo. Como se percebe, este argumento teria como desdobramento natural a discussão a respeito do alcance do conceito de ato cooperativo e a definição do que seria ato cooperativo auxiliar e se este último deveria receber o mesmo tratamento. Ocorre que neste caso concreto tal discussão perde a importância diante da decisão transitada em julgado, em ação judicial proposta pelo contribuinte em questão, por meio da qual foi reconhecida a legalidade da tributação do ato cooperativo. O pedido da ação judicial proposta pelo contribuinte foi para impedir a exigência da Cofins sobre atos cooperativos (fl. 499e). Mas a decisão final do Judiciário (fls. 652/656) foi pela legalidade da revogação, promovida pela Lei nº 9.718/98, da isenção dos atos cooperativos concedida pela Lei Complementar nº 70/91, de modo que restou admitida a tributação do ato cooperativo para o seu caso concreto. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 861 11 Com efeito, decidiu categoricamente o E. Tribunal Regional Federal da 4ª Região que “revogada a isenção prevista no art. 6° da LC 70/91, é devido o recolhimento da COFINS pelas sociedades cooperativas” (fl. 655e). Mas ainda que assim não fosse, a discussão a respeito da configuração do ato cooperativo não socorreria o Recorrente. A Lei nº 5.764/71 (Lei das Cooperativas) assim dispõe a respeito dos atos cooperativos: “Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (...) Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar (redação dada pela MP no 2.15835/2001). (...) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei.” (grifo nosso) Talvez a única conclusão incontroversa que pode ser extraída destes dispositivos seja a de que se deve tratar com normalidade o fato de as cooperativas praticarem atos cooperativos e atos nãocooperativos, ou seja, que a prática de atos nãocooperativos não implica na perda da qualidade da entidade enquanto cooperativa. A discussão entre o contribuinte e o Fisco referese ao alcance do conceito de ato cooperativo. Para o contribuinte, todo ato que seja destinado, direta ou indiretamente, para a consecução dos objetivos da entidade, servindo de suporte para a atuação de seus cooperados, deveria ser qualificado como ato cooperativo. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Para o Fisco, apenas os atos praticados especificamente entre cooperativas ou entre a cooperativa e seus cooperados poderiam ser qualificados como ato cooperativo. A contribuinte argumenta que a sua atividade não configuraria atividade mercantil, de maneira que os ingressos na entidade não configurariam receita ou faturamento, não se submetendo à incidência de PIS/Cofins. O Fisco, de outro lado, entende que a atividade da entidade consiste na venda de planos de saúde, cuja receita configuraria ato típico de mercado, pois é realizada entre a cooperativa e o público em geral, atuando abertamente no mercado, como mais um agente econômico prestador de serviços de saúde, de maneira que estas receitas estaria regularmente sujeitas à incidência de PIS/Cofins. Vale lembrar que o Parecer Normativo CST nº 38, de 30 de outubro de 1980, manifesta o seguinte entendimento a respeito do regime tributário das cooperativas: 2.3.1 Atos Cooperativos. A primeira delas abrange os negócios jurídicos internos, negóciosfim, com caracteres próprios em relação aos atos civis, mercantis ou trabalhistas, que a lei denomina atos cooperativos e define como: "os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais" (art. 79) (...)2.3.2 Atos NãoCooperativos Legalmente Permitidos. A segunda categoria corresponde a alguns atos não cooperativos, cuja prática o legislador considerou tolerável, por servirem ao propósito de pleno preenchimento dos objetivos sociais, mas sujeitaos, por isso mesmo, à escrituração em separado e à tributação regular dos resultados obtidos. São estas as operações admitidas: ............... II — fornecimento, a não associados, de bens ou serviços, assim entendidos estes bens e serviços como sendo os mesmos que a cooperativa, em obediência ao seu objetivo social e estejam de conformidade com a lei, oferecer aos próprios associados. (art. 86) ............... 3 DAS COOPERATIVAS DE MÉDICOS 3.1 — Atos Cooperativos As cooperativas singulares de médicos, ao executarem as operações descritas em 2.3.1, estão plenamente abrigadas da incidência tributária em relação aos serviços que prestem diretamente aos associados na organização e administração dos interesses comuns ligados à atividade profissional, tais como os que buscam a captação de clientela; a oferta pública ou particular dos serviços associados; a cobrança e o recebimento de honorários; o registro, controle e distribuição periódica dos Fl. 867DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 862 13 honorários recebidos; a apuração e cobrança das despesas da sociedade, mediante rateio na proporção direta da fruição dos serviços pelos associados; cobertura de eventuais prejuízos com recursos provenientes do Fundo de Reserva (art. 28, I) e, supletivamente, mediante rateio entre os associados, na razão direta dos serviços usufruídos (art. 89). 3.2 — Atos NãoCooperativos, Diversos dos Legalmente Permitidos. Se, conjuntamente com os serviços dos sócios, a cooperativa contrata com a clientela, a preço global não discriminativo, ainda o fornecimento, a esta, de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com (a) diárias e serviços hospitalares, (b) serviços de laboratórios, (c) serviços odontológicos, (d) medicamentos e (e) outros serviços, especializados ou não, por não associado pessoas físicas ou jurídicas, é evidente que estas operações não se compreendem nem entre os atos cooperativos nem entre os excepcionalmente facultados pela lei, resultando, portanto, em modalidade contratual com traços de segurosaúde. 3.3 — Intermediação Como estas obrigações contratuais não poderão ser cumpridas diretamente pela cooperativa porque seu objetivo social é voltado internamente aos associados, nem pelos associados na condição de prestadores de serviços médicos, tornase logicamente imprescindível a aquisição daqueles bens/serviços de outras sociedades ou de outros profissionais, o que evidentemente, é característica da mercancia, ou seja a intermediação. 3.4 — Organização Mercantil Estas atividades, francamente irregulares para esse tipo societário, estão iniludivelmente contidas em contexto de modelo comercial, uma vez que seu perfil operacional, neste particular, envolve (1) atividade econômica (2) fins lucrativos (3) habitualidade, (4) organização voltada à circulação de bens e serviços e (5) assunção de risco. Esta afirmação melhor estará corroborada se abstrairmos, dentre as obrigações assumidas com a clientela, a de prestação de serviços médicos pelos próprios associados; percebese, então, que seria lógica e juridicamente insustentável considerarse como cooperativa a entidade que tivesse como único objetivo a revenda de bens e serviços." O entendimento deste Parecer, adotado pela Fiscalização e pela DRJ, é de que apenas os atos praticados especificamente entre a cooperativa e o cooperado é que poderiam ser qualificados como atos cooperativos. De acordo com essa interpretação, portanto, a contratação de terceiros, não associados, para a prestação de serviços hospitalares e auxiliares de diagnóstico e tratamento, tais como serviços laboratoriais, radiológicos e de imagens, não configura ato cooperativo. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 Por isso, ainda que venham a ser conceituados como atos cooperativos auxiliares, não configurariam ato cooperativo em sentido estrito, por não se tratar de ato praticado entre a cooperativa e o médico cooperado. Percebese, ainda, que a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos é tarefa que apenas toma lugar em relação aos pagamentos realizados por uma cooperativa médica. Ocorre que a Cofins é uma contribuição que incide sobre o faturamento ou receita bruta, de maneira que apenas se o ato cooperativo se referisse a uma receita é que haveria implicação direta em relação à incidência da Cofins. As entradas de recursos nas cooperativas médicas correspondem, basicamente, aos pagamentos de planos de saúde realizados pelos clientes que contratam a cooperativa e em relação a este tipo de receita, considerada a interpretação restritiva acima explicada, não seria possível a configuração como ato cooperativo, visto tratarse de ato praticado entre a cooperativa médica e os usuários/contratantes da cobertura médica. Ou seja, os ingressos de valores nas cooperativas médicas referemse basicamente a receitas decorrentes da venda de planos de saúde ao público em geral, não havendo que se cogitar na configuração de em ato cooperado em relação a estas receitas. As receitas correspondem aos pagamentos realizados pelo usuários dos planos de saúde, portanto, devem ser submetidas à regular incidência da Cofins, por não se tratarem de atos cooperados, mas de atos de cunho mercantil. Este relator alterou seu entendimento pessoal anterior (Acórdão 340300.932, PA 10410.004376/200376, j. 05/05/2011), justamente pela peculiaridade de que, em relação às cooperativas médicas, a discussão a propósito da classificação com ato cooperativo gira em torno das despesas, dos pagamentos realizados pela cooperativas, e não sobre as receitas, pois são originadas de terceiros não associados, não configurando ato cooperativo, e por isso submetendose à incidência da Cofins. 2. O alcance da dedução prevista no inciso III do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98. O Recorrente alega que não lhe foi corretamente aplicada a hipótese de dedução prevista no art. 3º, § 9º, III da Lei nº 9.718/98, que autoriza a dedução do “valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”. Para a DRJ, as indenizações de eventos ocorridos apenas poderiam ser interpretadas como os pagamentos realizados pela operadora em favor de outra operadora. Para o contribuinte, as indenizações de eventos ocorridos referemse aos pagamentos que a operadora realiza aos médicos e prestadores de serviço em cumprimento à cobertura do amparo médico contratado, independente de se referir a usuários da própria ou de outra operadora. Entendo que assiste razão ao contribuinte, primeiro porque fica claro que o legislador transportou para as operadoras de planos de saúde o mesmo método e racionalidade da apuração da receita que é aplicada às seguradoras. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 863 15 Não há como ignorar a identidade entre a sistemática de apuração prevista em relação às sociedades seguradoras, prevista no § 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e a sistemática introduzida em relação às operadoras de planos de saúde no § 9º do mesmo dispositivo de Lei. No caso das empresas de seguros privados, a Lei assegura a dedução do “valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos” (§ 6º, II). No caso das operadoras de plano de saúde, a Lei assegura a dedução do “valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”. Como visto, em ambos os casos permitese que, em relação ao total das receitas auferidas, sejam deduzidos os pagamentos realizados pelos contribuintes para suportar os sinistros, no caso das seguradoras, e os eventos, no caso das operadoras de planos de saúde. Podese criticar o legislador por ter adotado os termos “indenização” e “eventos” em relação às operadoras de planos de saúde, por não ser a terminologia mais adequada para esta atividade. Mas a falta de precisão terminológica, como se percebe, decorre justamente de se ter transportado para as operadoras de planos de saúde a mesma racionalidade da apuração aplicada às seguradoras, o que induziu à repetição de termos nativos da experiência com as seguradoras. Pareceu suficiente ao legislador manter o termo “indenização”, aplicandoo tanto para as seguradoras como para as operadoras de planos de saúde, e apenas adaptar o termo “sinistros” para “eventos”, da mesma forma como adaptou o termo “cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos” para “importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”. É certo, portanto, que o significado do termo “sinistros” para as seguradoras é o mesmo que o termo “eventos” quer significar para as operadoras de plano de saúde, e que ambos se referem aos pagamentos realizados por estas entidades para o amparo de seus contratantes, concretizando a cobertura de risco ou a cobertura de eventos de assistência médica. Isto porque, a grosso modo, em ambos os casos as entidades proporcionam uma proteção aos seus contratantes em relação a fatos que podem ou não ocorrer. É neste sentido a manifestação da Agência Nacional de Saúde, conforme consta de Ofício juntado aos autos, quando conceitua como “eventos ocorridos”, para o efeito do art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, “os custos assistências decorrentes da utilização, pelos beneficiários, da cobertura oferecida pelos planos de saúde, ou seja, são os custos com os atendimentos feitos aos beneficiários do plano de saúde da operadora, tais como consultas médicas/odontológicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc, que estejam diretamente ligados ao ato assistencial, os quais a operadora reconhecerá contabilmente na data de apresentação da conta médica ou do aviso pelos prestadores, em atenção ao regime de competência” (fl. 2192e; grifos editados). Fl. 870DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 Ou seja, as indenizações por eventos ocorridos são os pagamentos realizados pela operadora de planos de saúde para dar amparo à cobertura médica contratada, em razão dos atendimentos incorridos em favor dos usuários de planos de saúde. Quis o legislador que tais pagamentos (que tratou de maneira uniforme sob o nome de “indenização”), os quais são destinados a suportar a cobertura de risco em razão de sinistros/eventos concretamente ocorridos, fossem excluídos da base de cálculo. Não se descuida de que os dispositivos em questão, na parte final de seu texto, ressalvam que, de tais valores de deduções (pagamentos para a indenização de sinistros e eventos), devem ser deduzidas as importâncias que o contribuinte receber de outro contribuinte “a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos’, no caso das seguradoras, e de “importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”, no caso das operadoras de planos de saúde. Embora esta parte final se refira a atos praticados com terceiros – ou seja, com outros contribuintes, que podem ser outras seguradoras, outras operadoras de planos de saúde, ou mesmo os usuários/contratantes –, isto não surte o efeito de restringir a interpretação da primeira parte do texto dos mesmos dispositivos, para que apenas alcancem pagamentos realizados para cobertura de sinistros/eventos suportados em favor de usuários de outras seguradoras ou operadoras de planos de saúde. Conforme conceitua a ANS, as importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades “são os valores de repasse recebidos a título de transferência de responsabilidade, ou seja, os valores recuperados de eventos em decorrência do compartilhamento de risco”. Isto quer significar que, se de uma lado a dedução prevista no inciso III corresponde ao valor de todos os pagamentos realizados para suportar os eventos cobertos pelo plano de saúde em relação a usuários da própria operadora como em relação a outras operadoras, de outro lado, os valores recuperados (recebidos pela operadora A de uma operadora B, em decorrência da operadora A ter suportado o atendimento de usuário da operadora B) devem ser excluídos do valor da dedução legal. Isto impede que seja utilizado como dedução um valor que a operadora A suportou em favor de usuário da operadora B, mas que foi recuperado, em razão da operadora B ter transferido para a operadora A o valor desta indenização pelo evento ocorrido. Mas se não ocorre esta recuperação, a operadora deduz integralmente as indenizações que suportou, seja em relação a usuários próprios, seja em relação a usuários de outras operadoras. Não procede o raciocínio da Fiscalização de que a dedução prevista no inciso III se resumiria ao confronto entre (a) o valor que pago pela operadora para proporcionar o atendimento de usuários de outras operadoras e (b) o valor que foi recebido pela operadora, transferido por outras operadoras, em caráter de ressarcimento. Tal raciocínio faz confusão entre as deduções previstas nos incisos I e III, pretendendo que o primeiro surta um efeito de restrição em relação a este último. Ocorre que as duas deduções tratam de situações diferentes. A este propósito, confira mais uma vez a explicação da Conselheira Fabíola Keramidas, no julgamento já mencionado: Fl. 871DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 864 17 Conforme esclarecido, as empresas que operam a saúde podem fazeêlo por meio de sua rede própria e/ou com o auxílio de terceiros ou ainda cooperados. Ocorre que esses terceiros, também denominados de “credenciados” ou “congêneres” podem ser contratados de forma direta ou indireta. Os credenciados contratados de forma direta (ou simplesmente credenciados) prestam o serviço “em nome” e sob a responsabilidade da OPS contratante. Aqui, não há transferência de responsabilidade da cobertura de assistência à saúde dos beneficiários ou usuários dos planos de saúde. O credenciado é contratado para a prestação de serviços específicos a serem prestados consoante sua especialidade médica, trata da saúde dos beneficiários do plano por evento. Por exemplo, médicos cardiologistas que atendem os usuários do plano de saúde em seu consultórios particulares e são remunerados pelas OPS, em função da quantidade de horas despendidas ou pela quantidade de consultas efetuadas. Já as congêneres credenciados contratados de forma indireta são outras OPS (denominadas de congêneres por serem do mesmo gênero da contratante) que são contratadas para assumir a responsabilidade pela cobertura de assistência à saúde de determinados grupos de beneficiários ou usuários dos planos de saúde da OPS contratante. Aqui se identifica a TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE ou TRANSFERÊNCIA DE RISCO. Essas congêneres prestam o serviço contratado em seu próprio nome e, por isso, respondem diretamente pelo serviço prestado. As congêneres obrigatoriamente devem ser OPS, porque apenas as operadoras registradas na ANS podem assumir riscos em saúde suplementar. A congênere assume o risco de tratar permanentemente da saúde dos usuários que assumiu de outra OPS, cobrando para tanto uma taxa mensal para “cuidar” dos beneficiários que foram “transferidos” aos seus cuidados. Portanto, recebe um valor fixo contratado entre as partes, sendo este valor devido ainda que o serviço não seja utilizado pelo beneficiário. De forma sumária temse que no primeiro caso (“credenciado”), a responsabilidade é da OPS contratante e o pagamento do serviço é feito mensalmente, pelos eventos ocorridos, enquanto no segundo caso (“congêneres”), a responsabilidade pelo atendimento médico é da OPS contratada e o pagamento é realizado mensalmente, apurado de acordo com a quantidade de beneficiários transferidos/cobertos pela congeênere. Esta questão da responsabilidade é regulada pela própria ANS, que para garantir os beneficiários exige, cada vez que a OPS credencia um prestador de serviço, uma seŕie de documentos/informações. A substituição de prestadores de serviços na rede credenciada – principalmente congêneres é procedimento complicado e burocrático que, caso desrespeitado, impõe severas multas às OPS, justamente pela necessidade de manutenção da capacidade e da qualidade de atendimento aos usuários dos planos de saúde. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 18 Em termos tećnicos, em razão da própria natureza do serviço, a rede credenciada consiste na espećie de produto oferecido, uma vez que se refere à abrangência geográfica da prestação do serviço. Logo, as regras aplicáveis às congêneres são denominadas regras de PRODUTO. Toda esta introdução é necessária porque a redação do “inciso I” do citado §9º, menciona que serão excluídos da base os valores referentes à “coresponsabilidade cedida”. Trata, portanto, de responsabilidade e de cessão. Neste aspecto, o dispositivo legal mencionado permite que sejam excluídos da base de cálculo os valores pagos justamente para estas congêneres, que se responsabilizam por determinados beneficiários da OPS contratante, do que se conclui, por dedução lógica inversa, que os valores pagos aos credenciados (contratados de forma direta) não se enquadram neste “inciso I”. No Plano de Contas adotado pela ANS, a percepção de qual seria este número está evidente – e por isso mesmo não costuma gerar dúvidas para a fiscalização, é que estes valores estão registrados separadamente nas já mencionadas contas 3.1.1.7 e 3.1.1.8. São os CUSTOS COM CONGÊNERES e estão classificados no Grupo 3, relativo às contas de RECEITAS. (Acórdão nº 3302001.765, PA nº 13971.002373/200411, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas, j. 21/08/2012) Assim, a dedução prevista no inciso I, de “coresponsabilidades cedidas”, referese a valores mensais transferidos entre entidades congêneres como forma de estruturação do sistema de atendimento e do compartilhamento de risco, ou responsabilidade. Já a dedução prevista no inciso III, referese a valores que são pagos pela operadora de saúde para seus credenciados, médicos cooperados ou estabelecimentos hospitalares, clínicas, laboratórios, para a indenização de eventos ocorridos, na eventualidade e na medida em que estes aconteçam. A dedução do inciso I, portanto, não influi nem restringe a interpretação da dedução do inciso III de nenhuma forma. O inciso III assegura que a dedução incluirá os pagamentos de eventos que envolvem usuários da própria operadora e também de outras operadoras, salvo, conforme prevê a parte final do mesmo inciso, em relação aos valores que a outra operadora tenha ressarcido à operadora que prestou o atendimento. Não impressiona o argumento da DRJ de que com esta interpretação se estaria fazendo as contribuições incidirem sobre o resultado, e não mais sobre a receita. É por força de Lei que se permite deduzir da receita tributável da entidade um valor que se refere a um pagamento realizado pela entidade, em caráter de indenização pelos eventos gerados pelos usuários dos planos de saúde que é obrigada a suportar. Tal sistemática legal significa que os recursos que apenas transitam na operadora – ingressos que são destinados à cobertura dos atendimentos previstos no plano de saúde (ou, nos termos da Lei, as indenizações por eventos ocorridos e as coresponsabilidades Fl. 873DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 865 19 cedidas) – não agregam o patrimônio da operadora, não configurando faturamento ou receita bruta. E assim o é, como visto, por expresso reconhecimento e qualificação legal. Entendo, pois, que a indenização de eventos ocorridos prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98 corresponde a todos os pagamentos que a operadora realiza a terceiros, sejam cooperados ou não, para dar assistência aos usuários, sejam da própria operadora ou de outra operadora de saúde. Apenas não configuram indenizações aquelas despesas suportadas diretamente pela própria operadora de saúde, em razão de atendimentos realizados por seus funcionários ou hospitais próprios – os quais podem ser denominados de “rede própria”. Mas se os pagamentos são realizados pelas operadoras a terceiros – assim considerados os médicos, cooperados ou não, e os laboratórios, clínicas ou hospitais, credenciados ou não –, estes pagamentos devem ser considerados abrangidos pelo conceito de indenização. É neste mesmo sentido o seguinte julgado de relatoria da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: “(...) COOPERATIVAS MÉDICAS PIS/COFINS MEDIDA PROVISOŔIA Nº 2.158/35 POSSIBILIDADES DE EXCLUSAÕ INDENIZAÇÕES REFERENTES A EVENTOS OCORRIDOS CONCEITO Grande polêmica alcança a exclusão de base de cálculo prevista no inciso III, § 9º, artigo 2º da MP 2.15835, que assim determina: “III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importa ncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades”. Este dispositivo diverge, por consectário lógico, não equivale ao inciso “I”, que possibilita a exclusão de valores repassados para as congêneres contratadas com transferência de responsabilidade. O inciso “III” permite a exclusão dos valores repassados aos credenciados, sem transferência de responsabilidade, que ao invés de receberem valores fixos mensais, recebem indenizações por eventos efetivamente ocorridos. Em nenhuma hipótese se permite a exclusão da base de cálculo de valores referentes à rede própria. (...) (Acórdão nº 3302001.765, PA nº 13971.002373/200411, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas, j. 21/08/2012) Em seu voto, a Conselheira Fabíola explica inicialmente a distinção entre planos e seguros de saúde, detalhando em relação aos primeiros a diferença entre rede própria e credenciados: As operadoras de medicina de grupo oferecem basicamente dois tipos de coberturas assistenciais na área da saúde: planos de saúde e seguros saúde. Ambos são sistemas de assistência médicohospitalar. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 20 Os planos de saúde oferecem aos seus usuários, o direito de usufruir da assistência médica em caso de necessidade, com serviços prestados nas instalações próprias da operadora, por profissionais por ela empregados (denominados rede própria) e estabelecimentos terceiros, contratados pela operadora (denominados credenciados), nominalmente indicados em livro periódico (os livretos do plano). Na terminologia de mercado, estas são as “operadoras”, porque efetivamente “operam” o atendimento médico. Os seguros de saúde, por sua vez, proporcionam aos associados a livre escolha de profissionais, hospitais e laboratórios, cujos custos são ressarcidos por meio de reembolso (total ou parcial) e a utilização de rede referenciada, indicada em livro periódico. Tratase de típica atividade de seguro, denominandose vulgarmente de “seguradoras de saúde”. Não possuem rede própria. A diferença básica, portanto, consiste na existência ou não do reembolso das despesas médicas aos associados e da existência de rede própria da OPS. Ambas as empresas (que comercializam plano e seguro) utilizam os serviços de terceiros (credenciados), mas apenas algumas possuem o custo de uma rede própria. (Acórdão nº 3302001.765, fls. 15/16) Ao final, a Conselheira assim delimita o alcance da dedução prevista no inciso III: Com este raciocínio questiono: qual o conceito de eventos ocorridos? O que o legislador pretendeu, ao expressamente conceder a possibilidade de redução da base de cálculo dos tributos em discussão? A despeito do entendimento que vêm sendo apresentado pela fiscalização, conforme se depreende do Plano de Contas da ANS, os eventos ocorridos estão sim definidos na conta “4.1. EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS / SINISTROS RETIDOS”. E tratase de identidade de classificação, é exatamente este termo – eventos – que permite a interpretação que a intenção da lei é alcançar esta rubrica contábil. Várias OPS aplicam este entendimento de forma genérica e excluem da base de cálculo o valor referente ao inteiro teor da conta “4.1.1. EVENTOS CONHECIDOS / INDENIZAC ÕES AVISADAS DE ASSISTE NCIA MÉDICOHOSPITALAR”. Todavia, também não coaduno com este entendimento. É que entendo que, como se trata de benefício fiscal, a lei deve ser analisada em seus termos literais4, lembrando que no ordenamento jurídico não há palavras inúteis. A rubrica 4.1.1. contém registros dos custos incorridos com a rede própria e a rede contratada (no caso terceiros simplesmente credenciados, não congêneres). Ocorre que entendo que os custos com a rede própria não estão incluídos no dispositivo de desoneração legal. Explico. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 866 21 Conforme se depreende do texto legal, o inciso III permite a dedução do “...valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos ...” O que significa indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos? Mais uma vez socorro me dos aspectos técnicos específicos do setor. É cediço que o setor da saúde é diverso dos demais setores da sociedade, não apenas por tratar de serviço essencial e se sujeitar às regras definidas por Agência Reguladora, mas pela própria operação e exatamente por isso é que a legislação limitou à possibilidade de exclusão da base de cálculo aos eventos ocorridos efetivamente pagos. Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da ANS, a sistemática de procedimento das empresas de saúde geralmente obedece ao seguinte critério: As operadoras de saúde possuem sistemas de controles internos contábeis e extracontábeis, integrados com os controles da ANS, e toda esta informação é importante porque justamente com base nesta movimentação de faturamento/ pagamento/ despesas/ utilização de rede credenciada, que a ANS faz todos os seus controles, não necessariamente contábeis. Por exemplo, é com base nesta informação que são feitos os cálculos dos valores que precisarão ser provisionados (as mencionadas Provisões Técnicas que garantem o atendimento aos beneficiários); assim como são controladas as alterações de produto (descredenciamento/alteração de rede credenciada). Podese citar, ainda, o cruzamento de informações com o SUS (que e ́ uma espećie de terceiro, uma vez que as operadoras precisam ressarcilo na hipótese da Rede pública de atendimento médico vir a atender beneficiários das OPS). Neste diapasão, os eventos ocorridos em janeiro/X1, serão reconhecidos contabilmente em fevereiro/X1, quando AVISADOS, e efetivamente pagos a partir de março/X1, quando da validação e aprovação final das contas apresentadas para a OPS, sendo impossível qualquer outro procedimento. Este procedimento específico tem uma razão de ser. Ate ́ o momento do pagamento podem ocorrer e efetivamente ocorrem – glosas. Assim, na hipótese de o legislador permitir a contabilização e dedução do valor AVISADO, estaria utilizando valor não definitivo. Por outro giro, ao utilizar o valor PAGO, a legislação adota o custo efetivo do evento, não o valor Fl. 876DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 22 informado pelo credenciado, mas aquele efetivamente aceito pela OPS contratante e efetivamente pago. Podese dizer que, com este procedimento, o legislador buscou os números finais mais objetivos possíveis, pois a partir do pagamento entendese incabível qualquer tipo de reajuste. Esta “apuração do número final”, inclusive, permite a rastreabilidade dos valores envolvidos, por ser um número definitivo. Procedimento diverso significaria a contabilização de números preliminares sujeitos a ajustes nos meses seguintes, o que macularia a objetividade da apuração da referida exclusão. É uma espećie de exceção aos regimes de caixa e competência, e por isso que se tornou imperioso ao legislador reconhecer a especificidade do setor e determinar que apenas poderia ser deduzido o valor das “indenizações referentes a evento ocorrido efetivamente pago”, sob pena de (i) o benefício não poder ser aplicado ao setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou, no limite, (iii) serem deduzidos valores preliminares, ainda não pagos, e reconhecidos contabilmente. É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela rubrica que podem, a meu ver, ser considerados como “indenizações” ou ‘eventos ocorridos, efetivamente pagos”. A Rede Própria consiste no exercício direto do serviço médico, incluindo portanto todos os custos e despesas operacionais decorrentes da utilização de hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios, serviços de imagem, inclusive folha de salário dos empregados médicos e paramed́icos, depreciação dos imóveis operacionais,...., das OPS. Para tais, não há como tratálos nos limites de definição ao termo “indenização”. Estes eventos não são “indenizados” pelas OPS, mas sim custeados por ela. A folha de pagamento salarial não precisa ser avisada ou aguardar qualquer procedimento de confirmação para ser “efetivamente paga”, e ́ simplesmente elaborada pelas OPS e paga, de forma automática, todos os meses, como em qualquer outra empresa. Não me parece, ao conhecer o procedimento do setor, que os valores referentes à rede própria estejam dentre aqueles imaginados pelo legislador, e esta interpretação decorre justamente da análise dos termos legais. Todavia, é visível a identidade dos dizeres apostos no inciso III com o procedimento adotado para os credenciados. Indiscutível que são estes os valores cuja exclusão foi pretendida pelo legislador. Os credenciados – não congêneres – atuam por evento, e recebem o pagamento para cada serviço prestado, após estar efetivamente confirmado pela OPS contratante. Todavia, é preciso atentar para o fato de que não são todos os eventos AVISADOS pelos terceiros que serão deduzidos, mas apenas aqueles efetivamente pagos, por isso se considera a conta contábil de resultado. (Acórdão nº 3302001.765, fls. 22/24) Fl. 877DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 867 23 Conforme bem destaca a Conselheira Fabíola, a dedução em questão se refere aos valores efetivamente pagos, não alcançando os valores a liquidar. Enfim: deve ser reconhecido que a dedução prevista no inciso III do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98 referese aos pagamentos realizados pelas operadoras de planos de saúde aos terceiros credenciados – tais como médicos, laboratórios, clínicas e hospitais – em razão dos atendimentos realizados para a cobertura dos planos de saúde, limitandose aos valores efetivamente pagos, reduzidos, ainda, dos valores que sejam recuperados de outras operadoras de saúde. 3. A multa qualificada. A motivação do lançamento para a aplicação da multa qualificada foi a seguinte (fls. 277/278 eprocesso): “A juízo destas autoridades fiscais, a autuada adotou conduta que teve por desiderato impedir o conhecimento por parte da administração tributária do total das exações devidas pela mesma durante o ano calendário de 2006 a 2008. As ações/omissões da autuada que levaram a fiscalização a fixar a multa de oficio em 150 % é o fato de a mesma nas DCTF's relativas ao anos calendários abrangidos por esta autuação, (Fls. 142 a 145), informar valores inferiores ao devido à administração tributária. É principalmente por meio das declarações acima mencionadas que a Administração Tributária se instrumentaliza a fim de cobrar coercitivamente (judicialmente) os tributos sujeitos a lançamento por homologação que lhes são devidos. A inércia do contribuinte fez com que o Estado tivesse de movimentar sua máquina de fiscalização a fim de detectar tais omissões sob pena de ver perecer o seu direito. É na omissão do contribuinte ou na prestação de informações falsas que reside a fraude que justifica o percentual da multa ora aplicada, visto que, por meio destas condutas, o contribuinte se esconde na esperança de que o Fisco nada descubra, e assim não possa exercer o seu direito (constituir o crédito tributário) no prazo decadencial, acarretando assim prejuízos aos cofres públicos. Relevante notar que a conduta adotada pelo contribuinte se materializa por todo o período abrangido por esta autuação, e que, pela quantidade de lançamentos demonstra que não houve um mero erro de fato. (grifos editados) A DRJ manteve a multa qualificada por entender que “no caso em tela, não se tratou de um pequeno período ou de pequenos valores que pudessem evidenciar um erro inadvertido por parte do contribuinte. No caso em apreço, a contribuinte declarou reiteradamente em todo o período fiscalizado – 01/2006 a 12/2008 – em clara ação tendente a Fl. 878DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 24 modificar as características essenciais do fato gerador de modo a reduzir o montante do imposto devido” (fl. 777 eprocesso). Entendo, contudo, que as circunstâncias apontadas pela fiscalização não configuram nenhuma das condutas previstas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, que daria causa à aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96. O contribuinte apresentou as declarações fiscais, nelas informando os valores devidos conforme entendeu que deveria ser interpretada e aplicada a legislação, declarando os valores que apurou, apurando de maneira coerente com a interpretação que lhe pareceu aplicável. A reiteração do mesmo método de apuração ao longo do tempo apenas demonstra que era tal, e a mesma, a interpretação que o contribuinte entendia aplicável. Tal conduta não evidencia qualquer ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, ou de sua natureza, ou de suas circunstâncias materiais, não tipificando sonegação, conforme prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Também não configura ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador ou modificar as suas características para reduzir tributo devido, não tipificando fraude, conforme prevista no art. 72 da mesma Lei.. O fato de o contribuinte ter adotado uma interpretação que o fazia chegar a um valor de tributo menor do que a Fiscalização entende que seria devido, no entanto, não pode ser tomado como intenção de impedir o conhecimento da Fiscalização quanto à ocorrência do fato gerador. O que se verifica é que o contribuinte declarou o que entendeu devido, de acordo como entendeu que deveria ser apurado o tributo, enquanto a Fiscalização, por sua vez, verificou que a apuração deveria ser feita de maneira diferente, resultando em valores superiores.. A conduta do contribuinte, descrita pela Fiscalização, não configura nem sonegação, nem fraude – tipificadas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64 –, não configurando hipótese de aplicação da multa qualificada. 4. Conclusão. Voto pelo provimento parcial do recurso, (a) para reconhecer ao recorrente o direito à dedução prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, para o efeito de permitir a dedução da base de cálculo de PIS/Cofins dos pagamentos realizados pela cooperativa para indenizar os eventos a que deram causa os usuários dos planos de saúde, tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc, independente de serem realizados em favor de cooperados ou de nãocooperados, desde que tenha sido efetivamente pagos e (b) para reduzir a multa de ofício para o patamar de 75%. Ivan Allegretti Fl. 879DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 868 25 Fl. 880DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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