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Numero do processo: 10980.722958/2013-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 29 58 /2 01 3- 45 Fl. 10113DF CARF MF Processo nº 10980.722958/201345 Acórdão n.º 9202004.868 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 10114DF CARF MF Processo nº 10980.722958/201345 Acórdão n.º 9202004.868 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 10115DF CARF MF Processo nº 10980.722958/201345 Acórdão n.º 9202004.868 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 10116DF CARF MF Processo nº 10980.722958/201345 Acórdão n.º 9202004.868 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 10117DF CARF MF Processo nº 10980.722958/201345 Acórdão n.º 9202004.868 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 10118DF CARF MF Processo nº 10980.722958/201345 Acórdão n.º 9202004.868 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 10119DF CARF MF Processo nº 10980.722958/201345 Acórdão n.º 9202004.868 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 10120DF CARF MF Processo nº 10980.722958/201345 Acórdão n.º 9202004.868 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 10121DF CARF MF Processo nº 10980.722958/201345 Acórdão n.º 9202004.868 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 10122DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.000528/2002-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Esta regra aplica-se inclusive para as DCOMP apresentadas antes da vigência da MP nº 135, de 30/10/2003.
Numero da decisão: 9303-004.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator), Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Possas, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Marcio Canuto Natal - Relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Esta regra aplicase inclusive para as DCOMP apresentadas antes da vigência da MP nº 135, de 30/10/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator), Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Possas, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Marcio Canuto Natal Relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 05 28 /2 00 2- 44 Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10880.000528/200244 Acórdão n.º 9303004.704 CSRFT3 Fl. 3 2 Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3402001.631, de 26/1/2012, fls. 734/740 do eprocesso. Transcrevo abaixo o relatório da decisão recorrida: "Tratase de processo de ressarcimento do crédito presumido do IPI a ser utilizado na compensação de débitos tributários. O sujeito passivo teve seu pedido indeferido por falta de apresentação de documentação probatória necessária para análise do pleito. Inconformado com a denegação de seu pedido, apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese que por reorganização da empresa inadvertidamente omitiuse de apresentar tal documentação, sendo que a mesma está na empresa à disposição da fiscalização, assim, com base no artigo 19 da IN 600/2005 e nos princípios da finalidade, razoabilidade eficiência, informalidade e da verdade material, requer que seja determinada a realização de diligências que comprovarão seu direito ao crédito presumido do IPI, cuja lei impediria qualquer espécie de exclusão dos insumos empregados na industrialização de produtos exportados. A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade em razão do recorrente não ter apresentado tempestivamente documentos que comprovassem de forma peremptória seu direito creditório. Em 27/08/2009, foi protocolado recurso voluntário ao CARF, com a juntada de diversos documentos. Na peça recursal, discorre sobre os princípios que regem a administração pública e sobre o direito ao crédito presumido de IPI nas operações de exportação, requerendo, em síntese: a) Que seja determinada a baixa do processo em diligência para apuração do crédito presumido de IPI em vista da impossibilidade de a recorrente juntar aos autos todos os documentos requeridos pelo agente fiscal, em razão da quantidade; e b) Com o resultado da diligência, que seja reformada a decisão de primeira instância no sentido de reconhecer integralmente o pedido de ressarcimento/compensação requerido inicialmente pelo recorrente." A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a homologação tácita da compensação, conforme o Acórdão nº 3402001.631, cuja ementa é a seguinte: "Ementa: Fl. 902DF CARF MF Processo nº 10880.000528/200244 Acórdão n.º 9303004.704 CSRFT3 Fl. 4 3 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento." Ao reconhecer preliminarmente a homologação tácita, o Colegiado não adentrou as demais questões tratadas no recurso voluntário. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência, fls. 742/753 do eprocesso, sustentando que a decisão divergiu do Acórdão nº. 20311.648 quanto à aplicação do prazo de cinco anos para homologação da compensação, previsto no art. 74, §5º, da Lei nº 9.430, de 1996, aos pedidos protocolados antes de 30/10/2003, data da publicação da MP nº 135, de 2003. Por meio de Despacho de Exame de Admissibilidade nº 340000.453, de 6/11/2013, fls. 767/768 do eprocesso, o Recurso Especial foi admitido. A contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 3402001.631, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Exame de Admissibilidade, por meio de comunicação eletrônica, em 17/12/2013, fl. 771, e apresentou contrarrazões em 30/12/2013, fls. 774/799, na qual defende a decisão atacada. É o relatório. Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10880.000528/200244 Acórdão n.º 9303004.704 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. 1. Conhecimento do recurso especial e delimitação do julgamento. O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo, conforme folha 741 e consulta ao endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx, com o código EP16.0117.15171.GN7T, e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A única questão a ser resolvida neste julgamento, porque apenas em relação a ela foi comprovada e demonstrada a divergência de interpretação da norma tributária, é a aplicação do prazo de homologação de cinco anos, instituído pelo Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (D.O.U. 30/10/2003, ed. extra), convertida na Lei nº 10.833, de 2003, ao pedido de compensação protocolado pela contribuinte em 11/01/2002, fl. 6 do eprocesso, objeto do despacho decisório de folhas 64/66, lavrado em 14/05/2008, cientificado à recorrida em 02/06/2008, fl. 70 do eprocesso. Passase à discussão da divergência jurisprudencial. 2. Homologação tácita Esta Turma já se posicionou, por maioria de votos, favorável ao entendimento de que a criação do prazo de cinco anos para homologação de compensação somente alcança as compensações efetuadas a partir da entrada em vigor da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (D.O.U. 30/10/2003, ed. extra), convertida na Lei nº 10.833, de 2003, conforme Acórdãos nºs. 9303003.300, de 25/3/2015, e 9303004.390, de 9/11/2016. No Acórdão nº 9303004.390, em que fui designado para redigir o voto vencedor, adotei como fundamento o voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, proferido no julgamento do PAF 13502.000589/200398, que, conforme Acórdão nº 9303003.300, fl. 428 daquele PAF, tratava de pedidos de compensação protocolados antes de 30/10/2003 e decididos antes de 30/10/2008. O mesmo ocorreu no processo ora em julgamento, em que o pedido de compensação foi protocolado em 11/01/2002, foi indeferido em 15/05/2008, e a ciência da decisão de indeferimento ocorreu em 02/06/2008. Assim, com as licenças de praxe e homenagens ao Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, adoto como fundamentos deste voto as razões de decidir do voto condutor do Acórdão 9303003.300, que passo a transcrever: "(...) A teor do relatado, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão decidir se as compensação realizadas pelo sujeito passivo, à data da decisão da autoridade preparadora, encontravamse homologadas tacitamente. O colegiado Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10880.000528/200244 Acórdão n.º 9303004.704 CSRFT3 Fl. 6 5 recorrido entendeu que, na data em que fora prolatado o despacho decisório já se havia exaurido o prazo da homologação previsto no § 5º do art. 74 da lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833/2003. O Regime jurídico das compensações relativas a tributos administrados pela Receita Federal é regido pelo Art. 74 da Lei 9.430/1996 e suas alterações, dentre essas, ganha destaque a introduzida pelo art. 49 da Lei 10.637, de 30/12/2002, resultado da conversão em Lei da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002. A grande alteração trazida por essa MP foi a que previu que a declaração de compensação extinguiria, antecipadamente, o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação1. Outra mudança que merece ser citada foi a do §4º desse mesmo artigo2, que transformou os pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em declarações de compensação, desde o seu protocolo. Posteriormente, o art. 17 da Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003, introduziu novas alterações no art. 74 da Lei 9.430/1996, dentre as quais destacase o § 5° 3, que fixa prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para a homologação da compensação declarada. Diante desse quadro de alterações na legislação, a pergunta a ser feita é: essas mudanças na legislação de regência, alcança os pedidos de compensação protocolados sob o auspícios da legislação anterior? No caso da transformação de pedidos de compensação em declaração de compensação, dúvida não há, pois a Lei expressamente faz essa transformação. Todavia, no tocante à criação do prazo de homologação, essa alteração alcança apenas as compensações efetuadas a partir da vigência do dispositivo legal que introduziu tal prazo no ordenamento jurídico, ou seja, a partir de 30 de outubro de 2003, data em que foi editada a Medida Provisória 135, convertida na Lei 10.833/2003. As normas de Direito Processual e o Direito Intertemporal Os processos instaurados na vigência da lei nova não oferecem maiores dificuldades, pois serão por ela disciplinados. Tampouco há dificuldade de entender os efeitos da lei nova sobre processos findos, que estão acobertados pelo manto da coisa julgada. Todavia, o mesmo não se pode dizer da situação em que, no curso do processo, haja alteração da lei processual, pois não há na legislação processual qualquer regulamentação de como e em que fase processual irá ocorrer a incidência da nova lei. Três teorias tentaram solucionar o problema. Teoria da unidade processual. Os adeptos dessa teoria consideram o processo como um todo, uma unidade, desdobrado em atos diversos. Essa característica unitária faria com que o processo fosse regido por uma única lei, a 1 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) 2 § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) 3 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 905DF CARF MF Processo nº 10880.000528/200244 Acórdão n.º 9303004.704 CSRFT3 Fl. 7 6 nova ou a velha. Mas como, em 4regra, a lei não retroage, a lei antiga deve se impor, de modo a evitar a retroação da nova, que acarretaria prejuízo dos atos já praticados até a sua vigência. Teoria das fases processuais. Essa corrente, ao contrário da anterior, defende que o processo seria constituído de fases autônomas (postulatória, instrutória e de julgamento), cada uma disciplinada pela lei vigente ao seu tempo. Teoria do isolamento dos atos processuais. Segundo os defensores dessa corrente, a lei nova não alcançaria os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, aplicandose apenas aos atos que vierem a ser praticados após sua vigência, sem limitações quanto às fases processuais. Em síntese, por essa teoria, a lei nova, em relação ao processo pendente, confere eficácia aos atos processuais já realizados e passa a disciplinar os demais a partir de sua vigência, respeitando o ato jurídico perfeito (acabado) e o direito adquirido de praticar um ato processual iniciado e ainda pendente. Na linha desse raciocínio, temse que se um processo foi iniciado sob a égide de uma lei processual e, em seu curso, nova lei foi publicada, o ato praticado sob os auspícios da lei antiga terá validade, sob pena de se vulnerar os princípios do direito adquirido e do ato jurídico perfeito, cláusulas pétreas presentes na Carta Política da República. Não se pode olvidar, ainda, alguns princípios norteadores do sistema processual brasileiro, tais como o Princípio da Imediatividade, o Princípio da Irretroatividade da Norma Processual, e o Princípio do Tempus Regit Actum. Pelo primeiro, entendese que, uma vez vigente, a norma passa a valer para todos os processos pendentes e futuros a partir de então, como previsto no 5art. 1.211 do CPC; já pelo segundo, o da irretroatividade da lei processual, temse a impossibilidade da norma processual nova alcançar ato processual praticado sob o abrigo da lei antiga, por força do primado constitucional da defesa do direito adquirido e da proteção aos efeitos do ato jurídico perfeito, e, finalmente, pelo terceiro, que nada mais é do que a síntese dos dois primeiros, impõese a observância dos atos praticados sob a égide da lei revogada, bem como dos seus efeitos, vedandose a retroação da lei nova. Sob esse prisma, a lei em vigor na data da protocolização do pedido de compensação, ou da entrega da declaração de compensação, rege todo o processo. Hoje, encontrase apascentado, na doutrina e na jurisprudência, o entendimento de que o sistema processual brasileiro abraçou a Teoria do Isolamento dos Atos Processuais, segundo a qual, os atos processuais são realizados durante o curso normal do processo e, uma vez inserida nova norma processual ao ordenamento jurídico, em relação a processo pendente, essa novel legislação regerá apenas os atos que ainda deverão ser praticados. Esse isolamento dos atos processuais garante que a lei nova não alcançará os efeitos produzidos por atos já realizados até aquela fase do processo, por ato préexistente à nova lei. 4 Regra geral, a lei produz efeitos para frentes, à exceção da lei penal mais benéfica e da que for meramente interpretativa. 5 Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes Fl. 906DF CARF MF Processo nº 10880.000528/200244 Acórdão n.º 9303004.704 CSRFT3 Fl. 8 7 É por demais óbvio que para os processos iniciados após a vigência da norma nova, não há que se falar em isolamento, e todos os atos do processo, desde o início, serão regidos por essa nova legislação. Sobre o tema, Galeno Lacerda6, ensina que a lei nova "não pode atingir situações processuais já constituídas ou extintas sob o império da lei antiga, isto é, não pode ferir os respectivos direitos processuais adquiridos. O princípio constitucional de amparo a esses direitos possui, aqui, também, plena e integral vigência". Cândido Dinamarco Rangel, um dos maiores expoente da Teoria Geral do Processo, ensina que a lei nova processual não tem aplicação imediata nas situações seguintes: quando atingir o próprio direito de ação, de modo a impor ao sujeito novas competências ou priválo dos meios antes postos a sua disposição para a obtenção da tutela jurisdicional; quando retirar a proteção jurisdicional antes outorgada à determinada pretensão, excluindo ou comprometendo radicalmente a possibilidade do exame desta, de modo a tornar impossível ou particularmente difícil a tutela anteriormente prometida; quando seu objetivo é criar novas impossibilidades jurídicas; quando haja redução da possibilidade de ampla defesa, quando crie novas competências ou tornem irrelevantes as já existentes. De outro lado, o Código Tributário Nacional, em seu art. 106, traz, numerus clausus, as situações em que a lei tem efeitos pretéritos, quais sejam: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A situação tratada nos autos não se enquadra em nenhuma das hipóteses enumeradas no artigo transcrito linhas acima, o que leva à conclusão inexorável que a alteração legislativa que introduziu o prazo de homologação tácita da compensação tributária não retroage para alcançar os pedidos efetuados anteriormente à vigência dos dispositivos veiculadores desse prazo. Por último, registro o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça sobre a lei aplicável à compensação. 6 O novo direito processual civil e os feitos pendentes, Rio de Janeiro, Forense, 1974, p. 13. Fl. 907DF CARF MF Processo nº 10880.000528/200244 Acórdão n.º 9303004.704 CSRFT3 Fl. 9 8 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. 1. Inexiste contradição em acórdão que lança premissas harmônicas com as conclusões adotadas. 2. A jurisprudência atual da 1ª Seção é no sentido de que a compensação tributária há de regerse pela lei vigente no momento em que o contribuinte a aciona. 3. No caso, a compensação estava vinculada aos ditames da Lei nº 9430 de 1996, que exigia requerimento prévio ao órgão arrecadador. 4. Embargos rejeitados. (EDcl no AgRg no REsp 701865/MG EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2004/01596046, Rel Ministro JOSÉ DELGADO DJ 22/05/2006 p. 152). Diante do exposto, a conclusão inexorável é a de que a homologação tácita, por decurso de prazo, introduzida no ordenamento jurídico das compensações alcança os pedidos convertidos em Dcomp, mas apenas no sentido de que o prazo introduzido pela MP 135, de 30 de outubro de 2003, contase a partir dessa data, não havendo possibilidade de ser aplicado retroativamente. Aplicandose tal entendimento ao caso concreto, não há homologação tácita para nenhum dos pedidos ora em apreço, uma vez que todos foram todos examinados antes de 29 de outubro de 2008. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para afastar a homologação tácita das compensações sob exame, e determinar o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para que examine as demais questões acerca dessas compensações. (...)" As conclusões constantes do voto transcrito são perfeitamente aplicáveis ao presente caso. Conclusão. Pelo exposto, especialmente, por entender que a todos os pedidos de compensação apreciados antes de 30 de outubro de 2008 não se aplica o prazo homologatório, previsto na Lei nº 10.833, de 2003, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para declarar que não foram tacitamente homologadas as compensações apresentadas no presente processo. Como a decisão de piso não adentrou no mérito do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, o presente processo deve retornar à instância a quo, para decidir sobre as demais questões não apreciadas. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 908DF CARF MF Processo nº 10880.000528/200244 Acórdão n.º 9303004.704 CSRFT3 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza Redator designado. Discordamos do il. Relator. Entendemos existirem equívocos intransponíveis nos fundamentos adotados no voto condutor do acórdão que embasa a sua decisão e que nela foi transcrita. O PRIMEIRO: A homologação tácita das compensações é matéria de direito material – corpo de normas que disciplinam as relações jurídicas entre as pessoas, entre as pessoas e seus bens etc –, não de direito adjetivo, o qual se destina a determinar o modo pelo qual se dá o exercício da jurisdição, as ações que cabem ao demandante e como se dão as defesas do demandado. Portanto, todo o arrazoado que se sustenta nesta premissa é, a nosso juízo, equivocado e nada resolve a matéria a ser dirimida. O SEGUNDO: O Art. 106 do CTN é norma cuja finalidade é dar segurança jurídica ao contribuinte, estabelecendo limites ao exercício da atividade legiferante do Estado (em total consonância com o que disciplina a própria Constituição Federal). Disciplina, também, a retroatividade benigna, a fim de que não se penalize diferentemente contribuintes diversos que cometeram a mesma falta. Não vemos como aplicálo para disciplinar os efeitos intertemporais das inovações legislativas quanto à homologação tácita das compensações. O TERCEIRO: O aresto do STJ citado no mesmo acórdão versa, tão somente, sobre o direito à compensação – modo de extinção de uma relação jurídica obrigacional mediante o confronto de créditos e débitos do Fisco e do contribuinte, que, no entendimento nele plasmado, regese pela legislação vigente à época em que requerida (ver o item 3 do aresto). Dele não se pode concluir que o prazo de cinco anos para que se dê a homologação tácita estabelecida na Lei nº 10.833, de 2003, só operaria efeitos futuros, ou seja, quanto às DCOMPs apresentadas somente depois do início de sua vigência, notadamente porque, se assim fosse, o legislador o teria dito expressamente. A propósito: por que, afinal, transformar os pedidos de compensação apresentados antes da Medida Provisória MP nº 135, de 2002, se não fosse para lhes aplicar toda a disciplina da novel Declaração de Compensação DCOMP? Por fim, o entendimento que ora vimos de expor é o mesmo adotado pela própria RFB, como se pode observar da ementa da Solução de Consulta Interna Cosit nº 1, de 04/01/2006: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Homologação tácita de compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. Fl. 909DF CARF MF Processo nº 10880.000528/200244 Acórdão n.º 9303004.704 CSRFT3 Fl. 11 10 INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARA PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO NÃO CONVERTIDOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE EXAME DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CABIMENTO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA O NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO OBJETO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Não foram convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação de créditos de terceiros, “crédito prêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Os pedidos de compensação não convertidos em Declaração de Compensação não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. Na hipótese de pedido de compensação convertido em declaração de compensação, a autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, após reconhecer a homologação tácita da compensação declarada, deve se posicionar quanto à procedência e ao montante do crédito do sujeito passivo para com a União. Quando o crédito for reconhecido e tiver valor superior ao total do débito objeto da compensação tacitamente homologada, a autoridade competente da Secretaria da Receita Federal deverá promover a restituição do saldo creditório remanescente que foi objeto de pedido de restituição, desde que inexistam outros débitos a serem compensados com o referido crédito. Ainda que haja o reconhecimento da homologação tácita da compensação pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, é cabível a apresentação de manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do direito creditório quando o crédito informado pelo sujeito passivo em seu pedido de compensação convertido em declaração de compensação não for integralmente reconhecido. Fl. 910DF CARF MF Processo nº 10880.000528/200244 Acórdão n.º 9303004.704 CSRFT3 Fl. 12 11 A DRJ, ao apreciar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição cumulado com pedido de compensação, pode reconhecer o exato valor do crédito do sujeito passivo para com a União, bem como o exato valor do débito compensado. DISPOSITIVOS LEGAIS: Decretolei nº 491, de 1969, art. 1º; Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59; Lei nº 8.748, de 1993, arts. 2º e 3º, inciso I, este com a redação determinada pelo art. 28 da Lei nº 10.522, de 2002; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002 e pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa SRF nº 460, de 2004, arts. 48, 69 e 70. Ante o exposto, sendo apenas esta a matéria debatida no recurso especial, nego lhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 911DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.001142/2003-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/05/1993 a 30/09/1995, 31/01/1999 a 30/06/2002
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MATERIAL NA DECISÃO. IMPLEMENTAÇÃO IMPOSSÍVEL. CORREÇÃO.
Havendo lapso na decisão embargada que impossibilite a implementação pela unidade local da RFB, a decisão deve ser corrigida, em sede de embargos, viabilizando a etapa de eventual cobrança do crédito tributário.
Numero da decisão: 3401-003.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, corrigindo-se o lapso material detectado, e dando-se provimento ao recurso voluntário interposto.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Hélcio Lafetá Reis (suplente), André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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LAPSO MATERIAL NA DECISÃO. IMPLEMENTAÇÃO IMPOSSÍVEL. CORREÇÃO. Havendo lapso na decisão embargada que impossibilite a implementação pela unidade local da RFB, a decisão deve ser corrigida, em sede de embargos, viabilizando a etapa de eventual cobrança do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, corrigindose o lapso material detectado, e dandose provimento ao recurso voluntário interposto. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Hélcio Lafetá Reis (suplente), André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 11 42 /2 00 3- 25 Fl. 650DF CARF MF 2 Tratase de embargos (fls. 283 a 285)1 opostos pela Fazenda, em relação ao Acórdão nº 3803001.015 (fls. 405 a 408), no qual, por unanimidade, foi acolhida preliminar de decadência e cancelado o lançamento em relação aos períodos de janeiro de 1999 a junho de 2002. A PGFN interpôs recurso especial (fls. 411 a 426), ao qual foi negado seguimento (fls. 640/641). A unidade local, ao implementar o acordado pelo CARF, verificou que não havia crédito a ser exigido, visto que não existiu lançamento para os períodos de maio a dezembro de 1998, para o qual foi mantida a autuação no julgamento do CARF. Em função da verificação, o titular da unidade local interpôs embargos de declaração (fl. 647), com base no art. 65, I do RICARF, para “reanálise da decisão expressa no acórdão”. Apesar de serem intempestivos como embargos de declaração, os embargos foram admitidos, em função do princípio da fungibilidade dos recursos, como embargos inominados, para possibilitar a correção do lapso de natureza material, pelo despacho de fl. 648. O processo foi a mim sorteado em 23/06/2016. Em virtude da suspensão das sessões, por determinação do CARF, de outubro a dezembro de 2016, e de ser a pauta de janeiro de 2017 mera reprodução da definida originalmente para o mês de outubro de 2016, o processo foi indicado para pauta no mês de fevereiro de 2017, não tendo sido julgado por falta de tempo hábil. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de fl. 648, passase diretamente à análise do lapso material apontado. O resultado do julgamento no qual foi proferido o acórdão embargado informou que o tribunal acordou “... por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência do direito de constituição de crédito tributário relativamente aos períodos de apuração de maio de 1993 a abril de 1998, e, no mérito, por unanimidade de votos, em cancelar o lançamento referente aos períodos de janeiro de 1999 a junho de 2002, mantendose a exigência das demais parcelas não decaídas, nos termos do voto do relator. (grifo nosso) Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10660.001142/200325 Acórdão n.º 3401003.447 S3C4T1 Fl. 651 3 O que informa a unidade local é que o excerto grifado é inócuo, visto que não restaram parcelas lançadas e não decaídas. Verificase, na autuação (fls. 7 a 14), que é exigida a Contribuição para o PIS/PASEP referente a fatos geradores que vão de 31/05/1993 a 30/09/1995 (período considerado como afetado pela decadência no julgamento), e de 31/01/1999 30/06/2002 (período com lançamento cancelado pelo CARF). Efetivamente, nada restaria que justificasse a expressão “mantendose a exigência das demais parcelas não decaídas”, assistindo razão à embargante. Em relação à decadência, não há ressalva alguma. No entanto, é preciso ter cautela com a expressão “nos termos do voto condutor”, que segue o excerto grifado, indicando que poderia haver ressalva em relação ao cancelamento no corpo do voto condutor do acórdão. No entanto, não há ressalva expressa no voto condutor que possa levar a crer que o provimento foi parcial. Merece, assim, aparas o texto do resultado do julgamento, suprimindose a parte em negrito, corrigindo o lapso material no qual incidiu a turma de julgamento. O texto do resultado do julgamento deve ser assim alterado, então: De: “...no mérito, por unanimidade de votos, em cancelar o lançamento referente aos períodos de janeiro de 1999 a junho de 2002, mantendose a exigência das demais parcelas não decaídas, nos termos do voto do relator. (grifo nosso) Para: “...no mérito, por unanimidade de votos, em cancelar o lançamento referente aos períodos de janeiro de 1999 a junho de 2002”. (grifo nosso) Apesar de alterado o resultado do julgamento, tal alteração não promove qualquer efeito sobre a implementação do julgado, pois manter o lançamento de “zero” é o mesmo que não manter o lançamento. Seria impossível à unidade local da RFB manter o restante o lançamento se não havia qualquer lançamento restante após os montantes afastados no julgamento. Diante do exposto, devem ser acolhidos os embargos inominados, corrigindo se o lapso material detectado, e dandose provimento ao recurso voluntário interposto. Rosaldo Trevisan Fl. 652DF CARF MF 4 Fl. 653DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917378/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.111
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.917378/201111 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.111 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2017 Assunto PIS E COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 37 8/ 20 11 -1 1 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10480.917378/201111 Resolução nº 3401001.111 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.098. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10480.917378/201111 Resolução nº 3401001.111 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10480.917378/201111 Resolução nº 3401001.111 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 188DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.925223/2009-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.504
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 52 23 /2 00 9- 00 Fl. 547DF CARF MF Processo nº 11080.925223/200900 Acórdão n.º 9303004.504 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803005.949, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 11080.925223/200900 Acórdão n.º 9303004.504 CSRFT3 Fl. 4 3 Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 11080.925223/200900 Acórdão n.º 9303004.504 CSRFT3 Fl. 5 4 É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 11080.925223/200900 Acórdão n.º 9303004.504 CSRFT3 Fl. 6 5 Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 551DF CARF MF Processo nº 11080.925223/200900 Acórdão n.º 9303004.504 CSRFT3 Fl. 7 6 No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 552DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13646.000259/2005-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PIS - COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE
Tratando-se de aquisições sujeitas à aliquota "0" (zero), ainda que se trate de produto com incidência monofásica, não é cabível o crédito da contribuição em conformidade com a vedação disposta nos §§ 2º das Leis 10.833, de 2003, para a Cofins e 10.637, de 2002, para o PIS/Pasep.
A incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda.
CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DO PIS/Pasep.
A cessão de direitos de ICMS não compõe a base de cálculo para a contribuição.
Recurso Voluntário parcialmente provido
Numero da decisão: 3301-003.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1. Quanto à possibilidade de aumentar a base de cálculo da contribuição ao PIS em pedidos de restituição ou compensação: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 2.1. A respeito dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado: por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o Relator e as Conselheiras Maria Eduarda Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Redator designado: José Henrique Mauri. 2.2. Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) e ENE (Subestação Energia Elétrica): 2.2.1. Abastecimento e tratamento de água 2.2.2. Subestação Energia Elétrica: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado: por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário apenas quanto ao item 12 da tabela, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri e Marcelo Costa Marques D´Oliveira, que davam provimento também quanto ao item 7 e 10, e a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento também quanto aos itens 2, 3, 5, 7, 9 e 10. 2.4. Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 3. Cessão de créditos do ICMS: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE Tratandose de aquisições sujeitas à aliquota "0" (zero), ainda que se trate de produto com incidência monofásica, não é cabível o crédito da contribuição em conformidade com a vedação disposta nos §§ 2º das Leis 10.833, de 2003, para a Cofins e 10.637, de 2002, para o PIS/Pasep. A incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DO PIS/Pasep. A cessão de direitos de ICMS não compõe a base de cálculo para a contribuição. Recurso Voluntário parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1. Quanto à possibilidade de aumentar a base de cálculo da contribuição ao PIS em pedidos de restituição ou compensação: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 2.1. A respeito dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado: por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o Relator e as Conselheiras Maria Eduarda Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Redator designado: José Henrique Mauri. 2.2. Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU (Abastecimento e Tratamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 6. 00 02 59 /2 00 5- 20 Fl. 792DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 793 2 de Água) e ENE (Subestação Energia Elétrica): 2.2.1. Abastecimento e tratamento de água 2.2.2. Subestação Energia Elétrica: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado: por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário apenas quanto ao item 12 da tabela, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri e Marcelo Costa Marques D´Oliveira, que davam provimento também quanto ao item 7 e 10, e a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento também quanto aos itens 2, 3, 5, 7, 9 e 10. 2.4. Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 3. Cessão de créditos do ICMS: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0930.124 (fls. 354 a 364), de 23 de junho de 2010, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade do Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora recorrido: Tratase o presente das Declarações de Compensação de débitos, no valor total de R$1.564.378,88, com crédito do PIS — regime não cumulativo, relativo ao 4° trimestre de 2005, constantes dos processos relacionados à fl. 185. Os processos acima mencionados foram apensados ao presente processo para análise em conjunto, uma vez que se referem ao mesmo crédito solicitado. Da verificação da legitimidade do crédito solicitado resultou o Relatório Fiscal Final (fls. 154 a 161), do qual se extrai as seguintes glosas: bens utilizados como insumos (gás liquefeito do petróleo GLP e álcool etílico, produtos adquiridos sujeitos à alíquota zero) Fl. 793DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 794 3 encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado: (i) sobre máquinas e equipamentos nos centros de custos AGU — Abastecimento e Tratamento de Água e ENE — Subestação de Energia Elétrica por não afetarem a produção diretamente; (ii) móveis e equipamentos não utilizados na fabricação dos produtos vendidos; (iii) equipamentos formado aquisições de peças e serviços antes de 30/04/2004 ajuste negativo do crédito (aumento da base de cálculo da contribuição, adicionando valores relativos à cessão de créditos de ICMS). A DRFUberaba/MG emitiu Despacho Decisório, no qual homologa parcialmente a compensação pleiteada, até onde as contas se encontrarem, fls. 185 a 192, nos seguintes termos: Conforme os fundamentos acima e com base na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que instituiu o regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, DECIDO: 1 RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO no valor de R$429.264,74 referentes ao período de apuração outubro/2005; R$452.409,03 referentes ao período de apuração novembro/2005 e R$641.664,46 referentes ao período de apuração em dezembro/2005, perfazendo o valor de R$1.523.338,23 (Hum milhão quinhentos e vinte e três mil, trezentos e trinta e oito reais e vinte e três centavos) dos créditos relativos ao PIS, 40 Trimestre/2005; 2 HOMOLOGAR PARCIALMENTE as compensações realizadas, respeitada as vinculações dos respectivos períodos de apuração até onde as contas se encontrarem; 3) EXIGIR os débitos indevidamente nelas compensados, com base no § 6° do art. 74 da Lei n° 9 430 de 1996 e § 4° do art 34 da IN RFB n° 900 de 2008. Fica a empresa ciente, que deverá executar em seus livros fiscais e contábeis, a adequação de seus registros e de suas informações prestadas a RFB, através dos sistemas informatizados disponíveis, em decorrência dos valores apurados em diligência fiscal e da parte do crédito pleiteado que foi objeto de glosa. Nos termos do Decreto n° 70 235 de 1972 com as alterações posteriores do § 90 do ar! 74 da Lei 9 430 de 1996 e do art 66 da IN RFB n° 900 de 2008; cabe manifestação de inconformidade contra o despacho decisório dirigida a DRJ de Juiz de Fora/MG no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência deste despacho decisório. À Sarac para cientificar a interessada, intimar o sujeito passivo a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência deste despacho decisório na forma do § 7° do art. 74 da Lei ° 9.430 de 1996 e art 37 da IN RFB n° 900, de 2008 e adotar as demais providências a seu cargo. A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 219 a 248), na qual após as alegações deduzidas, requer: Por todo o exposto, seja com base nas preliminares, seja com fundamento nas razões de mérito, concluise que deve o r. despacho decisório ser modificado "in totum", para o fim de (i) cancelar as glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição ao PIS; (h) determinar a exclusão dos montantes recebidos em contrapartida à cessão dos créditos do ICMS, da base de cálculo daquela exação; (iii) refazer o cálculo do percentual de rateio de créditos entre o mercado interno e externo (iv) homologar integralmente as compensações realizadas pela requerente, nos autos dos processos n. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 795 4 13646.000259/200520, 13646.000262/200543 e 13646.000311/200548 e (iv) cancelar as respectivas Cartas Cobrança. Protesta a requerente provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia e ajuntada de documentos. Em atendimento ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n. 70.235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial. Diante do relatório acima posto, o acórdão recorrido contemplou a seguinte redação em sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. SERVIÇOS. CRÉDITO SOBRE INSUMOS. Somente os serviços aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda são considerados insumos e dão direito à crédito. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação, somente em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação, de produtos destinados à venda. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DO PIS/Pasep. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para a contribuição. PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. PEDIDO DE PERÍCIA. Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, indeferese pedido de juntada de novas provas e considerase não formulado o pedido de realização de perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, indeferese pedido de juntada de novas provas e considerase não formulado o pedido de realização de perícia. Haja vista a decisão pela improcedência da manifestação de inconformidade no acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário (fls. 377 a 417), em 23 de agosto de 2010. Pleiteia a reforma da decisão “ (...) cancelandose as glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição ao PIS, determinandose a exclusão dos montantes recebidos em contrapartida à cessão dos créditos do ICMS, da base de cálculo daquela exação, bem como homologando integralmente as compensações realizadas pela recorrente, nos processos nº 13646.000259/200520, 13646.000262/200543 e 13646.000311/200548”. Em Resolução nº 3101000.187 (fls. 453 a 459), da 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Fl. 795DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 796 5 CARF, em 11 de novembro de 2011, acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Por intermédio dessa Resolução requereuse o seguinte: 1) intime a recorrente, para trazer aos autos, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, laudo de perito competente, que descreva o processo produtivo da empresa, e que aponte a existência, ou não, e em que medida, da utilização dos centros de custos AGU – Abastecimento e Tratamento de Água, ENE – Subestação Energia Elétrica, e dos móveis e equipamentos relacionados no item 5.2 do Relatório Fiscal, na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; 2) ato contínuo à juntada do laudo, promova diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo e sucinto acerca da utilização dos centros de custos AGU – Abastecimento e Tratamento de Água ENE – Subestação Energia Elétrica, e dos móveis e equipamentos relacionados no item 5.2 do Relatório Fiscal, em quadro pormenorizado. O Contribuinte apresenta em laudo detalhado (fls. 467 a 560), em 11 de junho de 2012, a descrição de cada etapa do processo produtivo em análise nos autos, em resposta a Intimação nº 03/2012/ARF/AXA/MG. O Relatório de Diligência (fls. 586 e 587) é apresentado visando suprir as dúvidas levantadas pela Resolução do CARF supracitada e responde da seguinte forma: (...) 3 Dentre os diversos bens relacionados no Laudo, somente quatro constam do Relatório Fiscal. Um, no subitem 5.1, e três, no subitem 5.2. Portanto, a diligência se restringiu a estes bens, conforme a seguir. 4 Bens objetos da diligência: a) A bomba modelo Bek/16 vedação para gaxeta, imobilizado n° 6945, está relacionada no subitem 5.1 do Relatório Fiscal e no item 30, fls. 26, do Laudo. Conforme descrito no referido Laudo, alimenta de água a caldeira que gera vapor utilizado na produção; b) O armário alto fechado, imobilizado n° 6888, está relacionado no subitem 5.2 do Relatório Fiscal e no item 66, fls. 55, do Laudo. Localizase em sala de comando de operações e destinase a arquivo de manuais e outros documentos utilizados na planta industrial; c) O aparelho de ar condicionado Gree K7 4100, imobilizado nº 6904, está relacionado no subitem 5.2 do Relatório Fiscal e no item 102, fls. 77, do Laudo. Está instalado em sala de operações e, conforme descrito no Laudo, destinase a reduzir a temperatura ambiente para proteger equipamentos sensíveis ao calor; d) O rádio VHF mod em 2004 canais, imobilizado nº 7058, está relacionado no subitem 5.2 do relatório Fiscal e no item 127, fls. 93, do Laudo. Situase em sala de operações e, conforme descrito no Laudo, é instrumento de comunicação indispensável às operações da planta industrial. 5 – É o Relatório. O Contribuinte, por sua vez, apresentou manifestação (fls. 591 a 598) em relação ao Relatório de Diligência alegando que a análise da fiscalização foi insuficiente, pois não verificou parte dos bens constantes no laudo de funcionalidade e objeto da glosa fiscal. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 797 6 O Contribuinte apresentou Requerimento (fls. 628 a 632) em 15 de abril de 2013, ao Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Presidente da 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara da 3ª Seção, do CARF com o seguinte teor: 1. Dos fatos. Tratase de recurso voluntário interposto contra o v. acórdão n. 0930118, de 23.6.2010, proferido pela ia Turma da DRJ em Juiz de Fora — MG, que manteve integralmente o despacho decisório, de 15.3.2010, por meio do qual a fiscalização homologou parcialmente as declarações de compensação apresentadas pela ora requerente de créditos da contribuição para o programa de integração social (PIS), apurada no regime nãocumulativo, relativos ao terceiro trimestre de 2005, com débitos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O julgamento do recurso voluntário, em 11.11.2011, foi convertido em diligência pela 1ª Turma Ordinária, 1ªCâmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos. Determinouse, na ocasião, a elaboração de laudo que atestasse a vinculação dos bens objeto da glosa fiscal ao processo produtivo da requerente, bem como uma análise in loco, por parte das autoridades fiscais, da validade das informações constantes do referido laudo. Devidamente intimada da Resolução, a requerente acostou o laudo aos autos, o qual apresenta com minúcias a funcionalidade de diversos itens não reconhecidos pela fiscalização. Ato continuo, promoveuse a diligência à unidade produtiva da requerente, a fim de validar as informações constantes do laudo. Não obstante a amplitude do laudo apresentado nos autos, a fiscalização constatou, erroneamente, e sem justificar seu comportamento, que apena pequena parcela de itens glosada constava do laudo, mais precisamente quatro deles, o que a levou a limitar o objeto da diligência tão somente aqueles bens. É possível que a análise da fiscalização tenha se limitado a quatro itens, em razão de a descrição dos bens, no laudo e no relatório que acompanhou as glosas fiscais, às vezes, variar por conta de uma palavra, ou de um código na nomenclatura do bem. Ocorre que essas variantes não interferem na natureza dos bens, que é exatamente a mesma, conforme se verifica na planilha anexa (doc. 01). Seja como for, se dúvidas havia quanto à identidade dos bens, não deveria a fiscalização proceder à análise de apenas quatro deles, sem intimar a requerente a prestar esclarecimentos porventura necessários. Fato é que a requerente não pode, de modo algum, ser prejudicada em seu direito em razão da análise insuficiente promovida pela fiscalização. Nesse sentido, com o intuito de dirimir eventuais dúvidas, a requerente pede vênia para acostar aos autos laudo de funcionalidade complementar, o qual demonstra, de forma cabal, a intrínseca relação dos itens indevidamente glosados pela fiscalização ao seu processo produtivo (doc. 02). 2. Requerimento final Face ao que precede, e reportandose a tudo o mais que dos autos consta, a requerente postula o conhecimento e provimento de seu recurso, de modo que o acórdão recorrido seja reformado, reconhecendose a validade do creditamento da contribuição ao PIS, bem assim o caráter indevido da inclusão dos ingressos derivados da cessão de crédito de ICMS na base de cálculo daquela contribuição. Fl. 797DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 798 7 Caso assim não se entenda, o que se admite apenas para fins de argumentação, a requerente postula a realização de nova diligência para verificação da verossimilhança das informações contidas no laudo apresentado, que não foram apreciadas na diligência fiscal em foco. A 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF emitiu, em 23 de abril de 2013, a Resolução nº 3101000.272 (fls. 660 a 663) que converte, novamente, por unanimidade de votos, o julgamento em diligência, requerendo que: 1) a recorrente seja intimada a apontar de maneira taxativa a correspondência entre os itens constantes do laudo técnico juntado aos autos e do Relatório Fiscal Final (do qual foram extraídas as glosas a título de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, ora sub analisis) em prazo de 60 dias. 2) Ato contínuo à manifestação da recorrente em virtude do item supra, promova nova diligência fiscal in loco, para verificar de forma ampla as conclusões do laudo pericial, levando em consideração a correspondência entre os itens constantes do laudo técnico juntado aos autos e do Relatório Fiscal Final e elaborando Relatório conclusivo e sucinto acerca da utilização dos centros de custos AGU – Abastecimento e Tratamento de Água, ENE – Subestação Energia Elétrica, e dos móveis e equipamentos relacionados no item 5.2 do Relatório Fiscal, em quadro pormenorizado. Em cumprimento à Resolução n° 3101000.272 o Contribuinte apresenta em 20 de dezembro de 2013 (fls. 670 a 765) Laudo de Funcionalidade com o fito de contemplar as demonstrações e os esclarecimentos objeto da diligência fiscal. Com a apresentação por parte do Contribuinte do Laudo de Funcionalidade, a administração fiscal apresentou, em 29 de abril de 2014, o Relatório de Diligência (fls. 766 a 769) em atendimento à Resolução nº 3101000.272. Por sua vez o Contribuinte apresentou manifestação (fls. 772 a 783) em face do citado Relatório de Diligência, requerendo que sejam acolhidos os fundamentos apresentados, reconhecendose o crédito postulado. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário (fls. 377 a 417) interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0930.124 (fls. 354 a 364), de 23 de junho de 2010, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Conforme se verifica nos autos, a lide está vinculada 1) à discussão da possibilidade de aumentarse a base de cálculo do PIS em pedidos de compensação e ou restituição; 2) às glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição, e, 3) se os ingressos financeiros decorrentes da cessão de créditos de ICMS integram a base de cálculo da Contribuição. Assim, as compensações foram homologadas parcialmente em razão de glosas dos créditos apurados na contribuição ao PIS. Fl. 798DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 799 8 1. Quanto à possibilidade de aumentar a base de cálculo da contribuição ao PIS em pedidos de restituição ou compensação. Alega o Contribuinte a impossibilidade de a administração fiscal alterar a base de cálculo de incidência da contribuição, no caso específico majorandoa, em pedidos de ressarcimento ou de declaração de compensação de créditos da contribuição do PIS. Fato ocorrido em razão do entendimento do fisco de que determinadas receitas deveriam ser computadas pelo Contribuinte e, no caso, não foram. O Contribuinte sustenta no Recurso Voluntário da impossibilidade do referido aumento da base de cálculo nestes termos (fls. 380 e 381): Contudo, equivocamse as d. autoridades julgadoras de primeira instância administrativa, que não atentaram para a totalidade do ordenamento jurídico, especialmente para as regras do Código Tributário Nacional, relativas às modalidades de lançamento. Com efeito, o inciso V do art. 149 desse Código prescreve que "o lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa" quando restar comprovada a omissão ou a inexatidão do sujeito passivo, no exercício da atividade denominada de lançamento por homologação. Ou seja, de acordo com a regra inserta naquele dispositivo legal, as omissões e as inexatidões, quaisquer que sejam elas, comprovadas pela fiscalização, na verificação dos lançamentos por homologação, devem ser objeto de lançamento de ofício. Não por outra razão, o antigo 2° Conselho de Contribuintes, em situações semelhantes à destes autos, entendeu que, em pedidos de restituição, compensação e ressarcimento, não pode ser modificada a base de cálculo da contribuição ao PIS, visto que, para tanto, seria necessário formalizar lançamento de ofício. Melhor dizendo, ainda que a fiscalização entendesse que a base de cálculo daquela contribuição social, no terceiro trimestre de 2005, foi incorretamente apurada, pois não foram nela computadas as supostas receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS, tais equívocos não poderiam ser corrigidos neste processo administrativo, que decorre de declarações de compensação apresentadas pela recorrente, mas deveriam ser objeto de lançamento de ofício. No acórdão ora recorrido a decisão se dá no sentido da possibilidade de majoração da base de cálculo da contribuição em análise, acarretando a inclusão de receitas que deixaram de ser consideradas pelo Contribuinte na restituição ou compensação de créditos referentes ao PIS, conforme se verifica no trecho a seguir do voto (fls. 346 a 347): A contribuinte aduz que, ainda que a fiscalização entendesse incorreta a apuração da base de cálculo da contribuição em foco, porque não foram computadas as supostas receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS, ela não poderia, em sede de declarações de compensação, corrigir tais equívocos. Cumpre salientar, por oportuno, que, na sistemática da não cumulatividade, instituída pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no caso do PIS/Pasep, e pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, no caso da Cofins, há o encontro entre o valor devido da contribuição e o crédito a descontar, sendo que somente o saldo devedor da contribuição é objeto de confissão de dívida por meio da declaração competente, ou de lançamento de oficio, nos termos da legislação de regência. No presente caso, a fiscalização constatou erro na apuração do crédito da contribuição em foco, que se deu em virtude da exclusão indevida de valores Fl. 799DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 800 9 relativos à cessão para terceiros de crédito de ICMS na base de cálculo da citada exação. Conforme demonstrado nas tabelas de fl. 153 e 154, a recomposição do valor total das receitas auferidas pela contribuinte, representada pela inclusão dos ingressos relativos à transferência, para terceiros, de créditos de ICMS, acarretou o aumento na receita total a ser considerada no cálculo do crédito solicitado, e a conseqüente alteração nos percentuais de rateio dos créditos do mercado interno e externo e nos valores dos respectivos créditos. O aumento da base de cálculo da contribuição, em razão da mencionada inclusão, ensejou a insuficiência de recolhimento da contribuição nos importes de R$21.913,29, R$23.225,28 e R$17.207,86, nos meses de julho, agosto e setembro, respectivamente, mesmo após o aproveitamento dos créditos discriminados na tabela de fl. 155, item 1.6.1, relativos ao mercado interno, apurado pela autoridade fiscal, e ao mercado externo, descontado pela contribuinte na Dacon juntada à fl. 92verso. Para a parcela da contribuição deduzida dos créditos a descontar não cabe formalização de exigência tributária, contudo, é diferente o tratamento a ser dado à parcela do débito remanescente após a dedução, para a qual houve, inclusive, lançamento de oficio, processo n° 13646.000061/201011. É de se concluir do exposto que prescindem do lançamento de oficio os ajustes efetuados no presente processo, que cuida das Declarações de Compensação, sendo obrigatório contudo para exigência dos créditos tributários originados das verificações procedidas, objeto do processo do Auto de Infração acima mencionado. (grifouse). Percebese assim que, por um lado, a fiscalização procedeu os ajustes nas Declarações de Compensação, e, por outro lado, inclusive de acordo com o alegado pelo Contribuinte, de que os equívocos deveriam ser objeto de lançamento de ofício, realizou o lançamento de ofício em relação a parcela do débito remanescente após a dedução por intermédio do processo n° 13646.000061/201011. Por entender correta a decisão da DRJ/JFA, sem entrar no mérito dos ajustes procedidos pela autoridade fiscal acerca à cessão de créditos de ICMS, nego provimento ao Recurso Voluntário no que tange a este ponto. 2. Quanto às glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição Insta observar por primeiro que há, na legislação pátria, a divisão entre tributos cumulativos e nãocumulativos. Inicialmente a não cumulatividade aplicavase apenas ao IPI e ICMS, conforme determinação constitucional constante nos artigos 153, IV, § 3º, II, e 155, II, § 2º, I, e posteriormente passou a abranger também o PIS/PASEP e a Cofins, normatizado por meio das Leis nº 10.637 de 2002 (PIS/PASEP), 10.833 de 2003 (Cofins) e 10.865 de 2004 (PIS/PASEP e CofinsImportação). Considerando como critério as fases do processo produtivo ou do ciclo comercial, e a incidência dos tributos sobre uma ou mais, podese, no caso destes últimos classificálos em cumulativos e não cumulativos. Tratase de uma classificação quanto à técnica de aplicação dos tributos multifásicos. Tributo cumulativo ou também denominado em cascata é aquele que incide em várias fases de circulação do bem sem, contudo, deduzirse o valor que já incidiu nas Fl. 800DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 801 10 anteriores, isto é, não é permitida a dedução do tributo suportado no decorrer da atividade produtiva/comercial. Já o tributo não cumulativo é aquele que incide em várias fases do processo produtivo apenas sobre o valor que naquela se agregou, significa isto que se pode também gravar todo o valor acumulado do bem, desde que se desconte, se deduza, o valor que gravou as fases anteriores. A questão central nesta discussão reside na caracterização do que será considerado insumo na cadeia produtiva, possibilitando com isso a dedução ou não dos tributos suportados a montante nas fases anteriores do sistema produtivo. A legislação é extremamente restritiva na caracterização do insumo para crédito no caso do IPI e é ampla quando se trata do IRPJ. Quanto a aplicação ao PIS as normas e a doutrina entendem que a aplicação deve se dar de forma intermediária entre os dois extremos citados, ou seja, mais abrangente que o conceito aplicado ao IPI e menos amplo que aquele aplicado ao IRPJ. Cito aqui trecho do voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, que bem elucida a questão: (...) A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições . Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: “Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 802 11 Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] Com isso, entendese que há de se aplicar o princípio da essencialidade para a caracterização do bem ou serviço como insumo, ou seja, deve ser levado em conta se tais produtos utilizados como base do creditamento das contribuições são essenciais para a produção daqueles bens em questão, com o intuito de atender o disposto na legislação pertinente sobre a não cumulatividade. Posto isso como referencial para compreender o litígio em questão passo a decidir sobre os pontos controversos acerca das glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição. 2.1. A respeito dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado O ora recorrido Acórdão entende, assim como a fiscalização, que os custos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado devem ser excluídos do cálculo dos créditos das contribuições por estarem sujeitos a aplicação da alíquota zero, respeitando assim o art. 3º, § 2º, II da Lei nº 10.833 de 2003 no que se refere a Cofins e o art. 3º, §2º, II da Lei nº 10.637 de 2002 no caso de PIS/Pasep. Cito trecho do voto para elucidar a questão (fls. 347 e 348): A fiscalização excluiu do cálculo do crédito das contribuições os custos do gás GLP e do álcool etílico sob o argumento de que as respectivas aquisições estavam sujeitas à alíquota zero, enquadrandose na hipótese do inciso II do §2° do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, no caso da Cofins, e do inciso II, §2° do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, no caso do PIS/Pasep. Em sua defesa aduz a requerente que as aquisições do GLP e do álcool etílico hidratado, realizadas pela requerente, estão sujeitas à alíquota zero da contribuição em exame, contudo esses produtos sofreram incidência antecipada da exação em foco, quando da venda realizada por seus produtores e distribuidores. Neste ponto, vale transcrever os arts. 21 e 37 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de Fl. 802DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 803 12 2004, que assim assevera: "Art. 21. Os arts, 1° 2°, 3°, 6°, 10, 12, 15, 25, 27, 32, 34, 49, 50, 51, 52, 53, 56 e 90 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 3° ............. (...) § 2° Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa fisica; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à aliquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." (grifouse) (...) Art. 37. Os arts. 1°, 2°, 3° 5°, 5°A e 11 da Lei n°10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 3°.................... (...) § 2° Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." (grifouse) A leitura dos dispositivos acima revela que o legislador, ao permitir a apuração de créditos na forma do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, determinou que esta não se daria de forma ampla e irrestrita, pois, a admissibilidade de aproveitamento de créditos, que repousa necessariamente nos custos, despesas e encargos classificados nos seus incisos, encontrou outro ponto limitador da norma, qual seja, a vedação acima transcrita, onde o legislador expressamente excluiu o aproveitamento de créditos sobre valores de aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Por sua vez o Contribuinte, nas razões do ora analisado Recurso Voluntário, entende que a interpretação legal cabível ao caso permite que sejam compensados os créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado, conforme se verifica em trecho do Recurso Voluntário (fls. 393 e 394): Com o advento da Lei n. 9718, de 27.11.1998, a apuração da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas decorrentes das vendas de derivados de petróleo, que incluem o GLP e o álcool etílico hidratado passou a ser com base nos regimes de tributação denominados "incidência monofásica", que se caracteriza pela "concentração" do ônus tributário em determinada etapa da cadeia produtiva. No período fiscalizado os produtores e importadores deveriam recolher a contribuição ao PIS, incidentes sobre as vendas de GLP e álcool etílico hidratado, Fl. 803DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 804 13 com base em alíquotas mais elevadas do que a "genérica", correspondentes a 10,2% e 1,46%, respectivamente. Ou seja, em última análise, os produtores e importadores de GLP e álcool etílico hidratado eram os responsáveis pelo recolhimento da contribuição social em foco devida na etapa seguinte da cadeia produtiva. Em compensação, e até por decorrência lógica desse regime especial de tributação, as "revendas" desses produtos não eram tributadas por aquela exação. Nesse contexto, não se pode dizer que os insumos em questão não estavam sujeitos ao pagamento da contribuição ao PIS, o que inviabilizaria a apuração do crédito dessa contribuição sobre o respectivo custo de aquisição. Isso porque, muito embora as aquisições do GLP e álcool etílico hidratado, realizadas pela recorrente, estejam sujeitas à alíquota zero daquela contribuição social, esses produtos sofreram a incidência antecipada da exação em foco, quando da venda realizada por seus produtores. Em relação ao entendimento diverso entre o Contribuinte e o Fisco, cabe observar que em relação a contribuição ao PIS a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, assim prescreve: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (grifouse). Já o disposto no mesmo artigo assim prevê em seguida: Art. 3° (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição.(grifouse). Não há no caso em exame contradição entre os dispositivos legais aplicados ao caso, visto que o Art. 3°, § 2°, é preciso no sentido de que não darseá credito a aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), desde que não sujeitos ao pagamento da contribuição, não alcançados pela contribuição. Os insumos GLP e álcool hidratado estão sujeitos à alíquota 0 (zero), mas, salientase, foram em fases anteriores sujeitos ao pagamento da contribuição. Portanto, neste caso, pelo fato de suportar tributo a montante os bens objeto da análise, pela incidência antecipada, e, também pelo fato de que os combustíveis são essenciais no processo produtivo realizado pelo Contribuinte, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário afastando a glosa dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado. 2.2. Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) e ENE (Subestação Energia Elétrica) 2.2.1. Abastecimento e tratamento de água Fl. 804DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 805 14 O Relatório de Diligência apresentado pela Receita Federal do Brasil (fls. 766 a 769) indica que os bens referentes a esta questão são uma bomba modelo Bek/16 e um relé de proteção do motor, os quais são utilizados para circulação de água na caldeira e para proteção do motor contra sobrecargas, respectivamente. No entendimento da Fiscalização estes bens não foram utilizados na produção de forma específica, “mas no bombeamento e reaproveitamento da água que circula nas plantas industriais” (fl.768). (Grifouse). Por sua vez o Contribuinte argumenta no sentido de que os equipamentos utilizados no tratamento e bombeamento de água, assim como o abastecimento, são imprescindíveis para sua atividade produtiva, inclusive cita procedimentos em que a água se faz essencial para a produção, conforme se verifica no trecho da Manifestação ao Relatório de Diligência feito pelo Contribuinte (fls. 778): É importante dizer que, no processo produtivo do nióbio, a água é elemento fundamental, na medida em que serve de “veículo” do minério de uma fase a outra do processo produtivo. Aqui importa destacar em caráter especial o parágrafo 64 do laudo elaborado pela requerente, o qual se transcreve aqui nas partes necessárias: “Nesse sentido, observese que, na concentração, o processo de flotação ocorre essencialmente em meio aquoso, sendo as partículas de pirocloro expostas a reagentes químicos e coletadas em bolhas de ar dentro deste meio. Os processos que se valem de fornos utilizam água para resfriamento e granulação de materiais e escória. Por sua vez, a produção de óxidos de nióbio, dada a pureza do material, necessita de água desmineralizada para o seu processo, justificando os ativos relacionados à desmineralização da água.” Entendese, com isso, que o Contribuinte não teria condições de processar os minérios para transformálos em produto final sem a utilização da água, fazendo com que esta seja indispensável no sistema produtivo realizado pelo Contribuinte. Tendo isto claro, respeitando o critério da essencialidade deste insumo, visto que a água é elemento fundamental no processo produtivo do nióbio, e sem a água nas diversas fases do processo produtivo não é possível processar os minérios objeto da atividade do Contribuinte, voto no sentido de considerar que a depreciação das máquinas e os equipamentos utilizados no tratamento e abastecimento de água permitem o creditamento na contribuição ao PIS nãocumulativo, visto que são utilizados na produção de bens destinados à venda. 2.2.2. Subestação Energia Elétrica O Relatório de Diligência (fls. 766 a 769) entende que softwares de supervisão e controle da energia da subestação, módulo de protocolo que permite a comunicação entre equipamentos, sistema de medição de faturamento de energia e serviços para instalação do sistema de medição de faturamento não tem qualquer relação com o processo produtivo e que os bens do centro de custo não são utilizados na produção, mas no controle, conversão e adaptação da energia. Portanto, a administração fiscal, por entender que o desgaste desses bens não decorre do processo produtivo, nega ao Contribuinte o direito de creditamento da depreciação destes equipamentos e serviços no que se refere a contribuição ao PIS. Já a posição do Contribuinte é diversa e desta forma argumenta às fls. 779: (...) Diante da informação constante do laudo elaborado pela requerente sobre o rateio de energia elétrica entre suas diferentes unidades no sentido de que 99% da Fl. 805DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 806 15 energia é consumida nos processos produtivos, o Relatório de Diligência afirmou que tal percentual seria “parcial e insustentável, pois os fatos demonstram que várias unidades que constam do Anexo III não tem qualquer relação com o processo produtivo”. A requerente não conseguiu identificar quais centros de custo foram considerados pela fiscalização como desvinculados do processo produtivo. É que a afirmação das autoridades fiscais, neste particular, foi vaga, lacônica, não tendo havido, no Relatório de Diligência, análise de cada unidade produtiva e informação sobre quais unidades, ao ver dos agentes fiscais, não possuíram qualquer relação com o processo produtivo. Como está claro nos autos a atividade de produção de nióbio pelo Contribuinte requer, além do sistema de abastecimento e tratamento de água, a existência de uma subestação de energia elétrica, visto que a energia elétrica recebida da concessionária CEMIG precisa, necessariamente, receber um processo de adequação da tensão para que possa ser aplicada aos equipamentos industriais. Observase ademais que no laudo elaborado pela requerente (fls. 670 a 765) se demonstra que 99% da energia consumida é destinada ao processo produtivo do Contribuinte e que menos de 1% destinase as atividades administrativas da indústria. Em conclusão, a água e a energia elétrica são indispensáveis as atividades de processamento do minério pelo Contribuinte, e, assim sendo, os equipamentos e as máquinas utilizados no tratamento desses insumos com o fito de tornar possível a sua utilização, pela adequação técnica que a atividade requer, devem ser considerados como itens utilizados no processo produtivo de acordo com o previsto na Lei n° 10.637/02, que assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Logo, respeitando o princípio da essencialidade, é cabível o creditamento dos valores relativos a depreciação do Centro de Custo ENE – Subestação Energia Elétrica, visto que está sendo diretamente utilizado, no sentido de necessário e essencial, ao sistema produtivo em discussão, portanto, voto em prover o Recurso Voluntário neste tema. 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado O Relatório de Diligência apresentado elencou 13 itens (fl. 768) que estão instalados nas plantas industriais e que são considerados pelo Contribuinte como bens utilizados na fabricação dos produtos vendidos. Para melhor precisar a glosa efetuada de depreciação de outros itens do ativo imobilizado vejase a tabela abaixo: Nº Bens Utilização 1 Armários São utilizados para: guardar pertences pessoais do Empregados, manuais, relatórios, ferramentas, amostras, etc. 2 Ar condicionado, aparelho de ar Utilizados para resfriar o ambiente, protegendo Fl. 806DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 807 16 condicionado, central de ar condicionado. pessoas, equipamentos ou ambos. 3 Serviço de montagem de ar condicionado. Serviço aplicado na instalação de ar condicionado na planta industrial. 4 Licença software MS Office STD português. Programas instalados em computadores da unidade. 5 Rádios fixos e portáteis, conjunto de rádios. Viabiliza a comunicação entre os operadores. 6 Reservatório de 2000 litros. Destinado a armazenagem de substância que atua no sistema de resfriamento de água. 7 Poltronas, cadeiras. Usadas pelos trabalhadores e visitantes das seções. 8 Tanque de água fresca, fabricado em fibra. 9 Motosserras. Cortar eletrodos utilizados na unidade. 10 Caixa d´água eta Armazena água desmineralizada utilizada nas unidades. 11 Mesas, gaveteiros. Usados nas tarefas rotineiras das unidades. 12 Detector de radiação G606/650 Separador magnético – escória produto. 13 Sistema de alta voz com corneta. Utilizado na comunicação dos operadores da unidade. Dos itens relacionados na tabela acima a autoridade administrativa fiscal reconheceu o item 12, detector de radiação G606/650, responsável pela separação da escória, como um bem que se desgasta ou danificase no processo produtivo, reconhecendo que sobre este o crédito deve ser admitido. O Contribuinte requer em sua Manifestação ao Relatório de Diligência a inclusão de todos os demais itens, armários, aparelho ar condicionado, serviço de montagem do ar condicionado, motosserras. Salientase que esses itens requeridos na manifestação são em menor número do que o requerido no Recurso Voluntário como consta na tabela acima. O Contribuinte afirma que (fls. 400): Muito embora, à primeira vista, possam surgir dúvidas acerca da utilização de alguns desses itens no processo de produção do minério, que é vendido pela recorrente, se se investigar a fundo esse processo, verificarseá que eles são, nos dizeres da norma legal, "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (..) para utilização na produção de bens destinados à venda". Entretanto, não vejo demonstrado nos autos de forma cabal a relação destes outros itens que integram a tabela com o processo produtivo, uma vez que são bens necessários para viabilizar as atividades da maioria das empresas, não estando vinculados diretamente com o produto final da atividade do Contribuinte. Logo, voto por não admitir crédito sobre suas cotas de depreciação, negandose assim provimento ao Recurso Voluntário em relação a todos os itens com exceção do item 12 da tabela, ao qual dou provimento. 2.4. Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004 A decisão da DRJ/JFA, consubstanciada no acórdão ora recorrido, acabou por desconsiderar os encargos de depreciação do Forno Feixe de Elétrons II, do Forno Elétrico Túnel para Calcinação Óxido de NB e do Sistema de Briquetagem Reciclagem de Finos Gerados, visto que as partes e peças desses equipamentos foram adquiridas antes de 31 de abril de 2004. A base legal que fundamentou a decisão recorrida é a Lei nº 10.865 de 2004 que assim estabelece: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § Fl. 807DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 808 17 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. §1º Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1o de maio. De forma diversa entende o Contribuinte, que alega em seu Recurso Voluntário, que não se pode aplicar tal dispositivo por haver assim ofensa ao seu direito adquirido referente ao desconto dos créditos do PIS calculados sobre os encargos de depreciação do ativo imobilizado acima mencionado. Cito trecho do recurso analisado como elucidação de seus argumentos (fls. 401 e 402): Com efeito, segundo as regras previstas no art. 3º da Lei n. 10637/02, o direito ao creditamento daquela contribuição "nasce" no momento em que os bens do ativo imobilizado são adquiridos pela pessoa jurídica. Contudo, a dedução dos respectivos créditos é diferida para o momento em que forem reconhecidas as correspondentes quotas de depreciação ou amortização, nos termos do inciso III do parágrafo 1° daquele dispositivo legal. Por essa simples razão, não pode a norma do art. 31 da Lei n. 10865/04 ser aplicada retroativamente para alcançar os créditos relativos aos bens do ativo imobilizado, que tenham sido adquiridos antes de 30.4.2004, conforme reconhecido pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4a Região, no julgamento do Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade na AMS n. 2005.70.00.0005940/PR, em 26.6.2008, assim ementado: "TRIBUTÁRIO. INCIDENTE DE ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA DO PIS E DA COFINS. CREDITAMENTO REFERENTE DEPRECIAÇÃO DE BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO. ART. 31, CAPUT, DA LEI 10865/2004. LIMITAÇÃO TEMPORAL. OFENSA AO DIREITO ADQUIRIDO E À IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. PRINCIPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. INCONSTITUCIONALIDADE. 1 A nãocumulatividade do PIS/COFINS depende, para sua efetivação, de um conjunto de deduções, previstas em lei, que digam respeito a determinadas operações realizadas pela empresa, que possam representar a incidência de contribuições em etapas anteriores da cadeia produtiva. 2 As deduções elencadas no art. 3° das Leis 10637/2002 e 10833/2003 não figuram na ordem tributária como benesse fiscal, mas como pressupostos da nãocumulatividade, uma contrapartida ao aumento das allquotas de PIS e COFINS. Outra não pode ser a interpretação, pois, pretendendo a lei criar um sistema nãocumulativo, deve estabelecer as hipóteses em que o contribuinte terá direito a créditos compensáveis, como uma decorrência da regra da não cumulatividade. 3 A ocorrência de qualquer das hipóteses mencionadas no caput do art. 30 das Leis 10637/2002 e 10833/2003 é por si suficiente para fazer surgir o direito de crédito em favor do contribuinte, que se incorpora ao patrimônio da empresa. 4 O art. 31, caput, da Lei 10865/2004 limitou temporalmente o Fl. 808DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 809 18 aproveitamento dos créditos decorrentes das aquisições de bens para o ativo imobilizado realizadas até 30 de abril de 2004. 5 No entanto, os créditos decorrentes da aquisição de bens para o ativo imobilizado se tomaram parte do patrimônio da empresa antes da edição da Lei 10865/2004. Assim, as disposições do art. 31caput, da referida lei, acabaram por atingir fatos pretéritos, ofendendo o direito adquirido e a regra da irretroatividade da lei tributária. 6 A vedação do aproveitamento de créditos, instituída por lei no curso da sistemática da nãocumulatividade, quando inúmeros contribuintes já haviam realizado investimentos em maquinário, equipamentos, entre outros, ofende o Princípio da Segurança Jurídica e a regra da nãosurpresa, implícitos na Carta de 1988. 7 Declarada a inconstitucionalidade do art. 31, caput, da Lei 10865/2004." Pelas razões acima expostas, deve ser reformado o v. acórdão recorrido, também nessa parte, de modo que seja cancelada a glosa dos encargos de depreciação do Forno Feixe de Elétrons II, do Forno Elétrico Túnel para Calcinação óxido de NB e do Sistema de Briquetagem Reciclagem de Finos Gerados. Apesar dos argumentos do Contribuinte não há como negar a clareza da norma em questão quando define que é vedado o desconto de créditos relativos a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até a data de 30 de abril de 2004. Logo, não se trata de uma ofensa ao direito adquirido do Contribuinte, mas sim a simples e necessária aplicação da legislação pertinente a matéria discutida. Com isso, haja visto a legislação aplicável ao caso, voto no sentido de negar provimento ao pedido do Contribuinte referente a este ponto. 3. A cessão de créditos do ICMS A decisão ora recorrida entende que a cessão do crédito referente ao ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições, conforme se demonstra nesse trecho do voto do referido Acórdão (fls. 362 e 363): Relativamente à cessão de créditos de ICMS, o artigo 1° da Lei 10.833/2003, que trata da incidência nãocumulativa da Cofins, e o mesmo artigo da Lei nº 10.637/2002, que trata do PIS/Pasep nãocumulativo, estabelecem, de forma clara, o fato gerador dessas contribuições, qual seja, "o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil". (...) No caso, a cessão de direitos de ICMS, que o contribuinte adquire no momento da compra de um bem ou direito, é uma nova operação jurídica/contábil com este direito do contribuinte, gerando uma nova receita, que pode ou não gerar lucro. Em se tratando de receita, auferida com a cessão de créditos de ICMS admitida pela legislação estadual, cumpre analisar o cabimento ou não de sua tributação pelo PIS/Pasep e pela Cofins. A operação de transferência dos créditos do ICMS configura uma cessão de créditos em que a pessoa jurídica vendedora toma o lugar do cedente; o adquirente, o do cessionário e a Unidade da Federação, o do cedido. Conforme o disposto nas Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (PIS Fl. 809DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 810 19 nãocumulativo) e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (incidência não cumulativa da Cofins), estas contribuições têm como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, sendo que o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Constatase que a opção do legislador foi a generalização do alcance da incidência das contribuições em tela. Já ao tratar das hipóteses de exclusão da base de cálculo, a norma foi bastante seletiva, restringindoas a um pequeno rol, numerus clausus. Observase que o negócio jurídico ora analisado não se enquadrava em nenhuma das exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins previstas na legislação pertinente. Tanto é assim que a hipótese de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, relativamente a receitas decorrentes de transferência onerosa, a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação conforme o disposto no inciso II do 12 do art. 25 da Lei Complementar n° 87, de 13 de setembro de 1996, somente passou a existir a partir da edição da MP 451, de 15 de dezembro de 2008, convertida na Lei n° 11.945, de 04 de junho de 2009, que incluiu o inciso VI ao §3° do artigo 1° da Lei n° 10.833/2003 e o VII ao §3° do artigo 1° da Lei n° 10.637/2002. Destacase quanto aos efeitos da citada MP sobre a matéria, seu art. 22, que assim dispõe: Art. 22. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de janeiro de 2009, em relação ao disposto: () b) no art. 8°, relativamente ao inciso VII do §3°do art. 1° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2003 c) no art. 9°, relativamente ao inciso VI do §3°art. 1°, e ao art. 58J, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...) (sem grifo no original). Por sua vez, o Contribuinte alega em seu Recurso Voluntário, citando jurisprudência do próprio CARF, que os valores decorrentes de cessão de créditos do ICMS não podem ser considerados sob o conceito de receita passível de tributação pelo PIS, conforme se verifica no seguinte trecho retirado do Recurso ora em análise (fls. 402): Na manifestação de inconformidade, restou demonstrado que, no terceiro trimestre de 2005, a recorrente efetuou, nos termos da legislação do ICMS do Estado de Minas Gerais, a cessão de seus créditos desse imposto a terceiros, sem ágio ou com deságio. Confiramse, a título meramente exemplificativo, os documentos anexados à sua manifestação de inconformidade. Ao verificar a apuração da contribuição ao PIS, relativa àqueles meses, a fiscalização constatou que a recorrente emitiu "notas fiscais faturas, relativas à transferência de crédito acumulado de ICMS", sem que fossem os correspondentes valores incluídos na base de cálculo dessa contribuição social. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 811 20 Partindo da premissa de que não há previsão legal expressa de que os valores recebidos pela recorrente nessas operações podem ser excluídos da apuração da contribuição em foco, os Srs. AFRFB adicionaram tais montantes à sua base de cálculo. Como se vê, a fiscalização e as d. autoridades julgadoras “a quo” entendem que os ingressos decorrentes das cessões de créditos do ICMS representam receitas tributáveis e, não havendo norma legal que afaste a incidência da contribuição ao PIS nesses casos, os respectivos valores devem ser computados em sua base de cálculo. Mas, o raciocínio por elas desenvolvido está equivocado, na medida em que, em momento algum, aprofundaram o exame da natureza jurídica da contraprestação da cessão de créditos de ICMS, verificando se ela se amolda ao conceito de receita. Percebese, quando da leitura da Ata de Assembléia Geral Extraordinária da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, de 30 de junho de 2008, que dispõe sobre a reforma integral do estatuto social da Companhia, que tem por objeto social (fls. 431): (i) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de minérios, produtos químicos, fertilizantes e produtos metalúrgicos, e a exploração e o aproveitamento de jazidas minerais no território nacional; (ii) a representação de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras; e; (iii) a participação em outras sociedades, como sócia ou acionista; e (iv) o desenvolvimento de outras atividades correlatas, de interesse da Companhia. (grifouse). Neste sentido, como o Contribuinte desenvolve a atividade de exportação de minérios e requer a retirada da base de cálculo da cessão de créditos do ICMS, cabe considerar a decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que ficou assim ementado: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X , “a”, da CF) . Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante Fl. 811DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 812 21 do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. A decisão proferida no RE 606.107/RS, de relatoria de Rosa Weber, em sede de repercussão geral, implica no respeito ao disposto no RICARF desta forma: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim sendo, de acordo com a legislação e a jurisprudência aplicável ao tema, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário e afastar da base de cálculo da contribuição o produto oriundo da cessão de créditos do ICMS. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 813 22 Conclusão Observada a legislação e a jurisprudência aplicáveis ao caso e os laudos técnicos trazidos aos autos nas duas diligências realizadas, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte. Valcir Gassen Relator Fl. 813DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 814 23 Voto Vencedor Conselheiro José Henrique Mauri Redator designado O presente voto vencedor referese unicamente à glosa dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado, posto que, quanto aos demais itens, o voto do Relator fora mantido pelo colegiado. Entendeu o Conselheiro Relator em Dar Provimento ao Recurso Voluntário, no pormenor ora cuidado, afastando a glosa dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado, sob fundamento de tratarse de incidência monofásica e assim sendo ocorre a incidência antecipada da contribuição, eis o dispositivo do voto vencido: "Portanto, neste caso, pelo fato de suportar tributo a montante os bens objeto da análise, pela incidência antecipada, e, também pelo fato de que os combustíveis são essenciais no processo produtivo realizado pelo Contribuinte, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário." Em que pese o bem fundamentado voto, ouso divergir dele para Negar Provimento ao Recurso Voluntário, com os fundamentos a seguir explicitado. Conforme relatado, a fiscalização excluiu do cálculo do crédito das contribuições os custos do gás GLP e do álcool etílico sob o argumento de que "as respectivas aquisições estavam sujeitas à aliquota zero, enquadrandose na hipótese do inciso II do §2° do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, no caso da Cofins, e do inciso II, §2° do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, no caso do PIS/Pasep". Em sua defesa aduz a requerente que as aquisições do GLP e do álcool etílico hidratado estão sujeitas à alíquota zero da contribuição em exame, contudo esses produtos sofreram incidência antecipada da exação em foco, quando da venda realizada por seus produtores e distribuidores. Eis o que dispõe a Lei nº 10.833, de 2003 e, em igual inciso, a Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3° [...] § 2° Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à aliquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." [...] A leitura dos dispositivos acima revela que o legislador, ao permitir a apuração de créditos, expressamente excluiu o aproveitamento de créditos sobre valores de aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 815 24 A meu ver, a concentração da tributação no produtor (incidência monofásica) não descaracteriza a "alíquota 0 (zero)" para fins de enquadramento na vedação prevista nos §§ 2º das Leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002. Ademais, Pela sistemática da tributação de incidência monofásica, o tributo recolhido pelo produtor não significa antecipação do que seria devido nas etapas subseqüentes, diferentemente do sistema de substituição tributária. Assim, a incidência das mencionadas contribuições sobre os produtores, bem como os pagamentos por eles realizados são considerados definitivos. Nessa mesma esteira caminha a jurisprudência1 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao consolidar entendimento segundo o qual a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento. No julgamento do REsp 1.140.723/RS, a Ministra Eliana Calmon sintetizou a impossibilidade de creditamento na incidência monofásica ao dispor que "a técnica do creditamento é incompatível com a incidência monofásica porque não há cumulatividade a ser evitada, razão maior da possibilidade de que o contribuinte deduza da base de cálculo destas contribuições (faturamento ou receita bruta) o valor da contribuição incidente na aquisição de bens, serviços e produtos relacionados à atividade do contribuinte. Permitir a possibilidade do creditamento destas contribuições na incidência monofásica, além de violar a lógica jurídica da adoção do direito à nãocumulatividade, implica em ofensa à isonomia e ao princípio da legalidade, que exige lei específica (cf. art. 150, § 6º da CF/88) para a concessão de qualquer benefício fiscal. E sem dúvida a permissão de creditamento de PIS e da COFINS em regime de incidência monofásica é concessão de benefício fiscal". TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL PIS COFINS INCIDÊNCIA MONOFÁSICA CREDITAMENTO IMPOSSIBILIDADE [...]. 1. [...] 2. A Constituição Federal remeteu à lei a disciplina da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS, nos termos do art. 195, § 12 da CF/88. 3. A incidência monofásica, em princípio, é incompatível com a técnica do creditamento, cuja razão é evitar a incidência em cascata do tributo ou a cumulatividade tributária. [...] 6. Recurso especial não provido. (REsp 1.140.723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22.09.2010) Assim, tratandose de aquisições sujeitas à aliquota "0" (zero), ainda que se trate de produto com incidência monofásica, não é cabível o crédito da contribuição em conformidade com a vedação disposta nos §§ 2º das Leis 10.833, de 2003, para a Cofins e 1 Precedentes do STJ: REsp n° 1.218.561/SC, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe de 15/04/2011. AgRg no REsp n° 1.219.450/SC, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe de 15/03/2011. AgRg no REsp n° 1.224.392/RS, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, DJe de 10/03/2011. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 13646.000259/200520 Acórdão n.º 3301003.211 S3C3T1 Fl. 816 25 10.637, de 2002, para o PIS/Pasep, bem assim porque a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Portanto correta a glosa efetuada pela autoridade fiscal. Dispositivo Ante o todo exposto voto por Negar Provimento ao Recurso Voluntário para excluiu do cálculo do crédito das contribuições os custos do gás GLP e do álcool etílico. Conselheiro José Henrique Mauri Redator designado Fl. 816DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.721537/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das exigências estipuladas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto de renda, salvo quando, a juízo da Autoridade Lançadora, haja razões para que se apresentem documentos complementares, como dispõe o artigo 73 do mesmo Decreto.
A fiscalização pode exigir a comprovação do efetivo pagamento da despesa e, não o fazendo, o contribuinte fica sujeito à glosa da dedução.
Numero da decisão: 2202-003.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento integral ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
Assinado digitalmente
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das exigências estipuladas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto de renda, salvo quando, a juízo da Autoridade Lançadora, haja razões para que se apresentem documentos complementares, como dispõe o artigo 73 do mesmo Decreto. A fiscalização pode exigir a comprovação do efetivo pagamento da despesa e, não o fazendo, o contribuinte fica sujeito à glosa da dedução.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento integral ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada.
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das exigências estipuladas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto de renda, salvo quando, a juízo da Autoridade Lançadora, haja razões para que se apresentem documentos complementares, como dispõe o artigo 73 do mesmo Decreto. A fiscalização pode exigir a comprovação do efetivo pagamento da despesa e, não o fazendo, o contribuinte fica sujeito à glosa da dedução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento integral ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 15 37 /2 01 2- 17 Fl. 187DF CARF MF 2 Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento lavrada em 30/04/2012, relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2009, ano calendário de 2008, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas médicas, por falta de comprovação do efetivo pagamento e da efetiva prestação de serviços. As despesas glosados somam R$ 56.100,00, resultando na diferença de imposto a pagar de R$ 15.427,50 mais multa de ofício de 75% e juros de mora calculados com base na taxa Selic, conforme demonstrado às fls. 97/100. A Notificação de Lançamento motivou a glosa conforme se lê às fls. 99: "Regularmente intimado contribuinte não comprovou o pagamento das despesas médicas declaradas". A Notificação identifica os pagamentos glosados. Em razão do falecimento do notificado, ocorrido em 05/11/2010, sua viúva e sucessora apresentou impugnação, onde expôs ter atendido aos Termos de Intimação datados de 16/01/2012 e 27/03/2012, com a apresentação de todos os recibos das despesas, certidão de casamento e parte das comprovações da efetiva prestação dos serviços (declarações dos profissionais a respeito dos serviços prestados em que consignam terem recebido os valores em dinheiro). Explica a impossibilidade de apresentar relatório da psicóloga Gersoni Zanolla, em função de seu falecimento em 25/12/2010. Ratifica e reitera que todos os pagamentos foram realizados em dinheiro pelo contribuinte falecido. Informa que as contas correntes bancárias do contribuinte foram encerradas com o advento de sua morte, por esse motivo não foram juntados os extratos bancários requeridos. Salienta que todos os profissionais que prestaram os serviços e emitiram recibos, foram absolutamente claros em seus relatórios ao afirmar que receberam os valores em dinheiro, a seu entender, prova mais que suficiente para a comprovação dos gastos. Anexou certidões de óbito (fls. 21 e 24), comprovação do encerramento das contas correntes (fls. 25/28), cópias dos recibos de despesas médicas (fls. 34/64), declarações dos profissionais (fls. 65/77). A 22ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 106/110), cujo teor transcrevo parcialmente: DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10825.721537/201217 Acórdão n.º 2202003.662 S2C2T2 Fl. 188 3 As deduções de despesas médicas encontram previsão legal no art. 8º, inciso II, alíneas "a", e §2º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Foram declaradas as despesas médicas no valor de dedução de R$ 56.100,00. Sendo as mesmas totalmente glosadas pela fiscalização, por falta de apresentação de comprovantes de efetivo pagamento. Vide: CPF/CNPJ/NIT Obs. Nome do Beneficiário Código Valor Pago Reembolsado 299.493.48846 Dep. CAMILA BOLLA IAIA 10 4.800,00 0,00 306.947.08828 Dep. ANA PAULA BOLLA IAIA 10 4.300,00 0,00 306.947.08828 Tit. ANA PAULA BOLLA IAIA 10 1.900,00 0,00 145.792.30841 Dep. JOARA DE CASSIA PERACOLI IAIA 10 3.500,00 0,00 145.792.30841 Tit. JOARA DE CASSIA PERACOLI IAIA 10 4.500,00 0,00 289.111.49810 Dep. CARLA ZANOLA ORTIGOSA 10 7.500,00 0,00 289.111.49810 Tit. CARLA ZANOLA ORTIGOSA 10 2.500,00 0,00 484.711.43887 Dep. GERSONI ZANOLA 10 5.600,00 0,00 302.063.21880 Dep. MARINA PERICOLO TENGO 10 5.400,00 0,00 302.063.21880 Tit. MARINA PERICOLO TENGO 10 10.600,00 0,00 293.556.91807 Tit. FERNANDO TODARELLI 10 5.500,00 0,00 Total 56.100,00 0,00 O contribuinte comprovou a dependência de MARIA APARECIDA SILVA MORELLI com apresentação de certidão de casamento realizado em 11/01/1969. O rendimento tributáveis do contribuinte é da ordem de R$ 213.667,97. O valor de suas despesas médicas, R$ 56.100,00, corresponde a um percentual de 26,26 % sobre seu rendimento tributável. O contribuinte apresentou a maioria dos recibos de suas despesas com saúde sem a indicação do paciente. O contribuinte apresentou declarações dos profissionais de saúde afirmando ter o mesmo e/ou sua dependente submetidos a tratamentos de saúde. O contribuinte não apresentou comprovantes do efetivo pagamento das despesas declaradas, conforme solicitado pela fiscalização através da intimação nº 76/2012 (fl 32). Vide os termos da intimação: Em complementação aos documentos apresentados solicitamos: 1 Comprovantes da efetiva prestação dos serviços médicos, odontológicos, entre outros informados na Declaração de Ajuste Anual (relatório sucinto do procedimento, emitido pelo profissional/empresa, informando o nome do paciente e data do procedimentos), referentes a todos os profissionais constates de sua declaração. 2 Comprovantes do efetivo pagamento das despesas médicas informadas na Declaração de Ajuste Anual (cópias de cheques compensados ou extrato bancário identificando os saques relativos aos pagamentos efetuados, etc), referentes a todos os profissionais declarados Fl. 189DF CARF MF 4 É direito do contribuinte a dedução da base de cálculo do imposto de renda de aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;fisioterapeutas, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Entretanto, essa dedução limitase a pagamentos especificados e comprovados com recibos, com indicação do nome, endereço e número CPF/CNPJ de quem os recebeu. Podendo, na falta de documentação, documentação sem os requisitos legais ou a juízo da autoridade lançadora (Decretoslei nº 5.844, de 1943, art. 11 e § 3º), ser feita a comprovação e/ou justificação do efetivo pagamento. No presente caso, o valor da dedução com despesa médica é elevado em relação ao rendimento declarado do contribuinte (Decretoslei nº 5.844, de 1943, art. 11 e § 4º) e a maioria dos recibos não permite a identificação do beneficiário do tratamento. O contribuinte não apresentou com sua impugnação a comprovação do efetivo pagamento mediante apresentação de cópia de cheque, comprovante de transferência bancária ou extrato bancário comprovando o saque das importâncias correspondentes, com datas e valores compatíveis, nos casos de pagamento em moeda corrente. O ônus da prova recai sobre aquele de cujo beneficio se aproveita. Cabe assim, ao contribuinte, no seu interesse, produzir as provas dos fatos consignados em sua declaração de rendimentos, sob pena de não têlos aceitos pelo Fisco. Como o contribuinte não fez prova do efetivo pagamento de suas deduções médicas impugnadas, conforme solicitado pela fiscalização, devese manter o lançamento. Cientificada dessa decisão por via postal em 13/05/2013, (A.R. de fls. 116), a interessada apresentou Recurso Voluntário em 11/06/2013 (fls. 127 e seguintes), alegando que mesmo com as declarações emitidas pelos profissionais médicos e recibos anexos, o Sr. Auditor Fiscal efetuou a glosa de todas as despesas médicas sob o argumento de que não houve comprovação dos serviços prestados. Que após a impugnação a DRJ São Paulo entendeu por manter a glosa das despesas médicas, sob o argumento de que não foi comprovado o pagamento das despesas. Anexa ao recurso os recibos médicos complementados com o endereço dos referidos profissionais, visto que alguns dos recibos que constavam dos autos, não possuíam o endereço dos médicos e no mérito argumenta, em síntese: • que a notificação de lançamento é nula pois não considerou os documentos apresentados que confirmam a prestação dos serviços e o recebimento em espécie, evidenciando o descumprimento dos princípios constitucionais da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, segurança jurídica, ampla defesa, contraditório, interesse público e eficiência. E ainda a verdade real dos fatos. O Sr. Fiscal limitouse a solicitar comprovantes dos serviços médicos prestados, não explicitando a razão de eventual invalidade dos que foram apresentados e ainda desprezando os documentos e Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10825.721537/201217 Acórdão n.º 2202003.662 S2C2T2 Fl. 189 5 declarações dos profissionais que comprovam o recebimento e prestação dos serviços. Em momento algum o Sr. Fiscal explicou que outras provas eram necessárias. • que o artigo 73 do Decreto 3.000/99 ampara a glosa de despesas médicas apenas quando são exageradas, mediante comparação com os rendimentos do declarante, o que não ocorre no presente caso pois foram declarados rendimentos de R$ 213.667,97 contra despesas médicas de R$ 56.100,00. Somandose os rendimentos, deduzindose as despesas e considerando a variação patrimonial do contribuinte, chegou a um caixa de R$ 107.993,00, demonstrando que restou para a sobrevivência do contribuinte e de sua esposa (dependente) em média R$ 9.000,00 líquidos por mês. Portanto, as despesas médicas declaradas não são incompatíveis. • questiona como pode ser rejeitado o recibo de um psicólogo, pois se o declarante e sua esposa tiveram crises emocionais e se submeteram a análises, não há exames ou receitas para corroborar o tratamento, vez que os psicólogos evitam o uso de medicamentos. Requer o reconhecimento da legalidade dos recibos e das declarações firmadas e afastadas as glosas pois preenchidos os requisitos legais já que constam dos mesmos os dados dos profissionais: nome, CPF, inscrição no órgão de atuação, endereço, bem como o nome do contribuinte ou de sua esposa que receberam a prestação dos serviços. • reproduz ementa do acórdão nº 280200.402, de 27/07/2010, proferido pela Colenda 2ª Turma Especial do CARF, que restabeceu a dedução de despesas médicas. Requer, ao final, o cancelamento da notificação fiscal. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar, relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação pela Autoridade Fiscal, de recibos e declarações de despesas médicas desacompanhados da comprovação do efetivo desembolso dos valores pagos pelo declarante. A recorrente afirma, e constam das declarações dos prestadores de serviços, que os pagamentos foram realizados em espécie. No entanto não comprova por meio de extratos bancários, a realização de saques, com datas e valores compatíveis, que suportem os pagamentos ou outra origem do dinheiro utilizado para o pagamento das despesas médicas em apreço. Tanto a Notificação de Lançamento quanto a decisão da DRJ consideraram as declarações prestadas pelos profissionais, porquanto não há nos autos nada que desabone tais documentos. O que faltou, no caso, é a parte do contribuinte, que instado a comprovar a origem dos recursos utilizados para efetuar os pagamentos nada apresentou, apenas repisa que foram realizados em dinheiro. Fl. 191DF CARF MF 6 O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das características regradas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda, salvo, quando, a juízo da Autoridade Lançadora, haja razões para que se apresentem documentos complementares, como dispõe o artigo 73 do citado Decreto. Nada obsta que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, abaixo transcritos: DecretoLei nº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). No caso destes autos o declarante, por meio de sua sucessora, foi intimado a comprovar a origem do dinheiro utilizado para pagar as despesas médicas realizadas em 2008. No atendimento à intimação a inventariante afirma que as contas correntes bancárias foram encerradas após o falecimento do notificado. Admito que se trata de situação peculiar, mas entendo plenamente possível a solicitação pela interessada, de extratos às instituições bancárias assim como a identificação pontual dos saques e suas destinações. Nada disso foi feito. Assim, pela falta de efetividade da comprovação da despesa, nos termos estabelecidos na Intimação Fiscal, entendo que deva ser mantida a glosa efetuada. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727055/2009-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Constatada omissão no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Ausente a alegada contradição entre a decisão e seus fundamentos, não se conhece dos embargos nesta parte.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO §2o DO ART. 62 DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC. Aplicação do §2o do art. 62 do anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015).
Embargos Acolhidos em parte.
Numero da decisão: 2402-005.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, rejeitando a contradição e, quanto à omissão, por maioria acolhê-los em parte para dar-lhes efeitos infringentes no sentido de determinar que seja recalculado o imposto de renda devido sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, rejeitando a alegação de nulidade do lançamento, vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci que reconhecia a nulidade. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Ronnie Soares Anderson e Bianca Felícia Rothschild.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada omissão no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Ausente a alegada contradição entre a decisão e seus fundamentos, não se conhece dos embargos nesta parte. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO §2o DO ART. 62 DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC. Aplicação do §2o do art. 62 do anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015). Embargos Acolhidos em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, rejeitando a contradição e, quanto à omissão, por maioria acolhê-los em parte para dar-lhes efeitos infringentes no sentido de determinar que seja recalculado o imposto de renda devido sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, rejeitando a alegação de nulidade do lançamento, vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci que reconhecia a nulidade. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Ronnie Soares Anderson e Bianca Felícia Rothschild. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1412; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.727055/200987 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2402005.653 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de fevereiro de 2017 Matéria IRPF. EMBARGOS. RRA. REGIME DE COMPETÊNCIA. Embargante ROSA MARIA DA CONCEIÇÃO CORREIA OLIVEIRA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada omissão no acórdão, acolhemse os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Ausente a alegada contradição entre a decisão e seus fundamentos, não se conhece dos embargos nesta parte. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO §2o DO ART. 62 DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. Aplicação do §2o do art. 62 do anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015). Embargos Acolhidos em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 70 55 /2 00 9- 87 Fl. 173DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, rejeitando a contradição e, quanto à omissão, por maioria acolhêlos em parte para darlhes efeitos infringentes no sentido de determinar que seja recalculado o imposto de renda devido sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, rejeitando a alegação de nulidade do lançamento, vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci que reconhecia a nulidade. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Ronnie Soares Anderson e Bianca Felícia Rothschild. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10580.727055/200987 Acórdão n.º 2402005.653 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Temse em pauta embargos de declaração (fls. 149/156), opostos pelo sujeito passivo, em face do acórdão no 2101002.4421.ª Câmara / 1.ª Turma Ordinária / CARF (fls. 134/139). Os embargos foram parcialmente admitidos, consoante despacho (fls. 167/170), dos quais transcrevemos os excertos a seguir: Tratase de embargos de declaração (efls. 149 a 156), intentados pela contribuinte, com fulcro no art. 64, I do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, em vigor quando da propositura do recurso, em face do Acórdão n° 2101002.442, da 1a Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção (efls. 134 a 138), julgado na sessão plenária de 20 de março de 2014, onde, por unanimidade de votos, se optou por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para afastar a multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF 73. A ementa do Acórdão se encontra abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS COMO ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS PELO CONTRIBUINTE A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. LEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO. A União tem legitimidade ativa para cobrar o imposto de renda da pessoa física nas hipóteses em que o Estado não tenha efetuado a retenção na fonte. IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. RENDIMENTOS NÃO SUBMETIDOS À TRIBUTAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA DO CONTRIBUINTE. Nos termos do Parecer Normativo SRF n. ° 01, de 24 de setembro de 2002, verificada a falta de retenção pela fonte pagadora antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, passase a exigir do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, nos casos em que este não tenha submetido os rendimentos à tributação. Fl. 175DF CARF MF 4 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza salarial. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. O erro escusável do Recorrente justifica a exclusão da multa de ofício (Súmula CARF 73). Recurso provido em parte. (...) Adentrandose a peça, alega a embargante que o acórdão embargado foi: a) Contraditório, ao reconhecer a existência de legislação estadual (Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003) prevendo a isenção, enquanto que, por outro lado, afastou sua observância, sob o argumento que não se poderia utilizar analogia para estender à embargante o tratamento dispensado aos servidores federais. Alega que, ao afastar a aplicação da referida Lei, o Acórdão embargado violou o art. 62 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho já citado, reconhecendo, em verdade, a inconstitucionalidade de lei para lhe afastar a vigência, indo de encontro à Súmula CARF no. 2; b) Omisso, por não ter se pronunciado acerca da demandada apuração mensal do débito, em conjunto com os salários auferidos, ou seja, levandose em consideração a receita mensal auferida pelo contribuinte nos anos de 1994 a 2001 em conjunto com os recebimentos a título de URV. Alega que, na hipótese de reconhecimento de erro na constituição do lançamento, a jurisprudência administrativa deste CARF tem reconhecido a nulidade do lançamento. Requer, assim, que seja confirmada a existência da contradição e da omissão levantadas, e que se modifique o julgado e, seja pela existência de óbice à incidência do imposto sobre a renda, seja pela necessidade de aplicação da Lei Ordinária da Bahia no. 8.730, de 2003, o recurso voluntário seja provido. Analiso os quesitos na mesma ordem em que apresentados pela embargante: a) Quanto à contradição alegada: Entendo não assistir razão à embargante, uma vez que, conforme se depreende do teor do voto condutor à efl. 137, o que fez o Colegiado julgador foi analisar a natureza jurídica dos rendimentos recebidos pela contribuinte à luz do art. 43 do Código Tributário Nacional, sendo certo ser este último o dispositivo correto capaz de definir a ocorrência ou não do fato gerador do tributo sob análise. Ainda, de se notar que não se está a negar, ali, na decisão, que o(s) dispositivo(s) da legislação estadual em questão possam produzir efeitos outros, desde que, repitase, não se esteja a tratar da definição da Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10580.727055/200987 Acórdão n.º 2402005.653 S2C4T2 Fl. 4 5 ocorrência ou não fato gerador do Imposto sobre a Renda, onde é soberano o art. 43 do CTN anteriormente citado, não se tratando assim de negar vigência a qualquer dispositivo legal. Nada há de contraditório em se utilizar da legislação constitucionalmente amparada para fins de definição do fato gerador do Imposto Sobre a Renda (CTN), em detrimento da legislação estadual, quando da definição da natureza jurídica a ser utilizada para fins de definição da caracterização ou não da hipótese de incidência do referido tributo. Constitucionalmente incabível que a legislação ordinária estadual pudesse estabelecer qualquer hipótese de exclusão de crédito de Imposto Sobre a Renda, conforme quer fazer crer o contribuinte (Vejase, também, que o dispositivo da Lei Estadual em questão se limita a tratar da natureza "indenizatória" das verbas, não mencionado o instituto da isenção), não havendo, destarte, também, que se cogitar de qualquer inconstitucionalidade no vergastado nesta seara, ao afastar sua aplicabilidade para fins da definição de ocorrência do fato gerador em questão. Assim, opino por rejeitar os embargos do contribuinte quanto a esta matéria. b) Quanto à omissão alegada: Entendo que se está diante da omissão alegada, uma vez que em nenhum momento, no voto condutor de efls. 136 a 138, se enfrentou a preliminar de nulidade do lançamento, constante de forma expressa dos itens 20 a 26 do Recurso Voluntário do Contribuinte (efls. 99 a 103). Assim, opino no sentido de que sejam admitidos os embargos quanto a esta matéria a fim de que seja sanada tal omissão. Diante do exposto, proponho que os presentes embargos sejam parcialmente admitidos, a fim de que seja sanada a omissão do Acórdão guerreado, através da prolação de novo acórdão, onde, agora, se enfrente a preliminar de nulidade levantada pelo contribuinte, decorrente da não adoção da apuração do imposto devido em bases mensais, quando do lançamento. Nesses termos recebemos os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 177DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Conhecidos parcialmente os embargos, passamos diretamente à análise da questão de mérito admitida. Dos rendimentos recebidos acumuladamente Em sua peça recursal (fl. 99), o sujeito passivo acusa a nulidade do lançamento, em razão da forma inadequada de apuração da base de cálculo do tributo lançado. Para o contribuinte, a fiscalização deveria apurar mês a mês os valores do imposto de renda, em conjunto com os salários auferidos. O regime de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, na época dos fatos geradores, era estabelecida pelo art. 12 da Lei no 7.713/1988 nos seguintes termos: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Como se observa, a disciplina legal era de que a incidência do imposto de renda se dava no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos. No entanto, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal caminhou em outro sentido, decidindo que, nesse caso específico, a tributação com base no regime de caixa (mês do recebimento), violaria os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, visto que os contribuintes que recebem seus rendimentos acumuladamente sofreriam carga tributária maior que aqueles que receberam as verbas no período próprio. O tributo deveria, portanto, observar a renda auferida mês a mês pelo segurado. Nesse sentido já vinha decidindo o STJ, desde o julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), processado sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, que assim decidiu: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10580.727055/200987 Acórdão n.º 2402005.653 S2C4T2 Fl. 5 7 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) A matéria foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, que decidiu pela inconstitucionalidade, sem redução de texto, da regra do art. 12 da Lei nº 7.713/88, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, mormente para afastar o regime de caixa e determinar a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor (regime de competência). A ementa do acórdão foi redigida como segue: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) Do julgamento, restou enunciada a seguinte tese para o tema "68 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente": O Imposto de Renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, aplicável a alíquota correspondente ao valor recebido mês a mês, e não a relativa ao total satisfeito de uma única vez. Obs: Redação da tese aprovada nos termos do item 2 da Ata da 12ª Sessão Administrativa doNo tema 68 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente STF, realizada em 09/12/2015. De acordo com o §2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF no 343/2015, tais decisões judiciais devem ser reproduzidas nos julgamentos realizados no âmbito deste Colegiado. Vejamos: Art. 62. (...) §2o As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 179DF CARF MF 8 No caso sob exame, temse rendimentos recebidos acumuladamente pelo sujeito passivo, que foram tributados pelo total, na data do recebimento, nos termos do art. 12 da Lei no 7.713/1988. Neste ponto, revendo posicionamento anterior, rejeito a alegação de nulidade do lançamento e entendo que, em face das decisões judiciais mencionadas, impõese que o tributo seja recalculado, levando em consideração as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. As razões para tanto já foram bem expostas no voto vencedor proferido pelo Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, no acórdão no 9202003.958 2.ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), que transcrevo e adoto como fundamento: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do referido Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão vinculante, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 8, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10580.727055/200987 Acórdão n.º 2402005.653 S2C4T2 Fl. 6 9 Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento da relatora, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisium vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a manutenção do auto de infração, apenas determinando a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos, devendose porém retornar o feito à autoridade julgadora a quo, para fins de nova manifestação acerca dos pontos recursais não enfrentados pelo recorrido, considerado o anterior prevalecimento, naquele, da tese de anulação do lançamento por vício material. Acrescento que, nesse sentido, tanto nos acórdãos proferidos pelo Supremo Tribunal Federal1, quanto nos acórdãos proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça2, não se 1 Vide (ARE 848281 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 12/05/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe100 DIVULG 27052015 PUBLIC 28052015) e (ARE 817409 AgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 07/04/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe075 DIVULG 22042015 PUBLIC 23042015). 2 Vide: AgRg no REsp 1462576/RS; REsp 1420607/RS; AgRg no AgRg no REsp 1332443/PR; AgRg no REsp 1316357/RS; AgRg no Ag 1339770/SC. Fl. 181DF CARF MF 10 observa ordem de cancelamento dos lançamentos, mas somente a determinação para o recálculo do tributo. Ademais, embora os rendimentos acumulados recebidos em atraso devam submeterse à aplicação das alíquotas que seriam incidentes se os rendimentos tivessem sido pagos ao tempo correto, o crédito tributário mantémse na época do efetivo recebimento dos valores, exatamente como foi feito no presente lançamento, sob pena de, se lançado na época em que deveriam ter sido recebidos, onerar mais ainda o contribuinte com a incidência dos acréscimos legais. Logo, não há que se cogitar da necessidade de novo lançamento em competências diversas, mas temse somente a revisão do lançamento decorrente de decisão judicial. Desse modo, assiste razão ao contribuinte ao questionar a base de cálculo do tributo, que deve ser recalculada, não se reconhecendo, entretanto, a nulidade do lançamento. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos, rejeitando a contradição e, quanto à omissão, acolhêlos parcialmente, com efeitos infringentes, para determinar que seja recalculado o imposto de renda devido sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, rejeitando a alegação de nulidade do lançamento. assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 14479.000142/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/07/2002
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. PRAZO. DECADÊNCIA TOTAL.
O direito de a Fazenda Pública constituir seus créditos extingue-se após 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, no lançamento por homologação em que houve pagamento antecipado. Nesses termos, todas as competências do crédito tributário foi alcançada pela decadência.
Numero da decisão: 2402-005.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, unanimidade de votos, conhecer do recurso e dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2000 a 31/07/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. PRAZO. DECADÊNCIA TOTAL. O direito de a Fazenda Pública constituir seus créditos extingue-se após 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, no lançamento por homologação em que houve pagamento antecipado. Nesses termos, todas as competências do crédito tributário foi alcançada pela decadência.
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Recorrente SUA MAJESTADE TRANSPORTE LOGÍSTICA E ARMAZENAGEM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/07/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. PRAZO. DECADÊNCIA TOTAL. O direito de a Fazenda Pública constituir seus créditos extinguese após 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, no lançamento por homologação em que houve pagamento antecipado. Nesses termos, todas as competências do crédito tributário foi alcançada pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 01 42 /2 00 7- 40 Fl. 533DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, unanimidade de votos, conhecer do recurso e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 14479.000142/200740 Acórdão n.º 2402005.783 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Temse em pauta recurso voluntário (fls. 380/462) apresentado contra o acórdão no 1721.748, da 8.ª Turma da DRJ/SPOII (fls. 349/376), que julgou integralmente procedente o lançamento. Inicialmente, transcrevemos o relatório da decisão recorrida, por bem representar os fatos ocorridos até então: Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil em face do contribuinte acima identificado, que de acordo com Relatório Fiscal de fls. 61/71, referese a fatos geradores de contribuições previdenciárias, apuradas por aferição indireta, correspondentes à parte da empresa, a descontada pela empresa sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas aos Terceiros, para as competências abrangidas pelo período de 05/2000 à 10/2005. Nos termos do citado Relatório Fiscal, a presente Notificação Fiscal é composta do seguinte levantamento: a) AL ALIMENTAÇÃO CNPJ 02.748.818/000112 competências 05/2000 à 01/2004, 03/2004, 05/2004 à 10/2004 c 12/2004 à 10/2005; A notificada forneceu alimentos a seus empregados em desacordo com a Lei n.° 6.321/76, pois durante o referido período não optou por participar de nenhuma das modalidades previstas no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador. Portanto, os valores gastos com alimentação no referido período foram considerados salários indiretos (ganhos habituais sob a forma de utilidades), conseqüentemente sobre os mesmos foram cobradas as contribuições previdenciárias e de Terceiros, face o que dispõe o art. 28, inciso I, combinado com o §9°, letra c do mesmo artigo, da Lei n.° 8.212/91. De acordo com o artigo 3o da Lei n.° 6.321 /76, "não se considera salário de contribuição à parcela paga in natura, pela empresa, nos programas aprovados pelo Ministério do Trabalho. " Tendo em vista que a empresa não apresentou registros com dados individualizados de gastos com alimentos por empregado, a auditoria fiscal adotou o seguinte critério de individualização: dividiu os valores das despesas líquidas contabilizadas mensalmente, a título de refeição, na conta contábil de despesas 3.6.1.04.068 Refeição, pela quantidade de empregados informados na GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (coluna G da planilha Fl. 535DF CARF MF 4 1), do correspondente mês, encontrandose a remuneração individual (coluna H da planilha I), entendendose como despesas liquidas as despendidas na aquisição das refeições, subtraídas as parcelas descontadas dos empregados sobre a folha de pagamento (coluna D da planilha I). Na planilha I, o valor da coluna B corresponde aos pagamentos efetuados pela notificada aos seus fornecedores, enquanto que o valor da coluna C, referese á participação dos empregados. Para fins de cobrança das contribuições de responsabilidade da empresa, a auditoriafiscal adotou os valores das despesas liquidas contabilizadas mensalmente, conforme coluna D da planilha I e coluna C da planilha 2. As referidas planilhas foram elaboradas principalmente para que sc possam encontrar as contribuições dos empregados, e para isso, na coluna B da planilha 2 registrouse o salário de contribuição (valor da remuneração I) sobre o qual o empregado já havia sofrido o desconto da contribuição providenciaria, e na coluna C, também da planilha 2, os valores dos salários indiretos ganhos habituais sob a forma de utilidades (valor da remuneração 2). Somadas as duas remunerações, os salários de contribuição de cada empregado foram conhecidos, sobre os mesmos aplicouse a alíquota certa, apurouse a contribuição devida, deduziuse as já descontadas sobre a folha de pagamento e as diferenças a cobrar foram encontradas, conforme coluna H, da planilha 2. A planilha I encontrase às fls. 72/74, e planilha 2 encontrase às fls. 75/266 desta notificação fiscal. Estes fatos geradores de contribuições previdenciárias não foram informados mensalmente em GFIPs Guias de Recolhimento do FGTS c Informações à Previdência Social. Tal fato constitui, em ltese, crime de sonegação de contribuição previdenciária, conforme estabelece o artigo 337A. inciso III, do Código Penal, motivo pelo qual. o mesmo será objeto de emissão de Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, para ciência do ocorrido à autoridade competente para as providências cabíveis. Foram examinados, dentre outros documentos, os Livros de Registros de Empregados, as Folhas de Pagamento, as GFlP's Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, as RAIS Relação Anual de Informações Sociais, as Declarações dc Rendimentos da Pessoa Jurídica e os Livros Diários n.° 1 a 11. Para os anos bases de 1999 a 2003. a empresa tez opção pelo regime tributário do Lucro Presumido, e para os de 2004 e 200S, optou pelo regime tributário do Lucro Real. O valor consolidado do débito na data de 09/08/2007 importava na quantia de R$ 329.385,62 (trezentos e vinte e nove mil trezentos e oitenta e cinco reais e sessenta e dois centavos), sendo o contribuinte cientificado pessoalmente da lavratura desta notificação fiscal, conforme comprova assinatura aposta pelo sócio gerente às fls. 01. Transcorrido o prazo regulamentar de 30 dias para apresentação de defesa ou pagamento do débito em epigrafe, o Fl. 536DF CARF MF Processo nº 14479.000142/200740 Acórdão n.º 2402005.783 S2C4T2 Fl. 4 5 contribuinte apresentou manifestação tempestiva às fls. 271/318 através de advogado constituído, juntando procuração adjudicia et extra às fls. 319. e documentos às fls. 320/321, alegando em síntese que: • A notificação deve ser anulada para que o INSS promova o lançamento utilizando o critério da aferição que demonstrasse a proporcionalidade entre o valor aferido e o efetivamente devido, uma vez que a prerrogativa de aferição está estabelecida cm lei, porém, o critério utilizado para tal ato deve ser permeado por cautelas que não foram seguidas no caso em comento; • Ocorreu incontornável ofensa ao disposto no artigo 37 da Lei n.° 8.212/91. posto que autoridade fiscal procedeu ao lançamento de contribuições previdenciárias de outras filiais de forma consolidada no CNPJ da matriz; • Encontrase omissa qual alínea do inciso II do artigo 22 da Lei n° 5.212/1991 fundamenta a exigência da contribuição destinada ao SAT, posto que esta legitima a alíquota a ser aplicada (1%, 2% ou 3%), motivo pelo qual, deverá ser emitido despacho por autoridade competente, com ciência ao contribuinte, sob pena de nulidade da NFLD; • Requer o reconhecimento da decadência do direito de lançar obrigações tributárias supostamente devidas referentes a parcelas anteriores a agosto de 2002, tendo em vista recentes julgados do STJ, STJ c da A" CAJ; • Não é possível que estar de acordo com o programa de alimentação do trabalhador— PAT signifique cumprir mera formalidade de postagem de um formulário que "automaticamente" concede isenção. • Requer a completa exclusão dos valores referentes ao SAT, posto que seu ingresso no ordenamento jurídico encontrase eivado de máculas, já que a base de cálculo deste tributo não poderia ser disciplinada, estabelecida ou alterada por intermédio de Decreto, considerandose que a legislação tributária exige, em harmonia com os preceitos constitucionais, a elaboração de Lei específica para tal finalidade; • Com base no binômio custeio/beneficio é indevida a contribuição destinada ao SEBRAE, posto que a empresa não mantém qualquer convênio com a referida entidade, tampouco seus empregados auferem qualquer beneficio ou contrapartida do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas; • Há de se reconhecer a improcedência da contribuição relativa ao INCRA, ante a absoluta inexistência de relação jurídico obrigacional entre o Fisco e o contribuinte desde a vigência da Lei n.° 8212/91, conforme posicionamento consolidado do STJ; • Requer a exclusão da taxa SELIC utilizada, urna vez que os juros ultrapassam o limite de 12% ao ano estabelecido pela Fl. 537DF CARF MF 6 Constituição Federal de 1988.6% ao ano pelo Código Civil, e a lei que a estabelece é inconstitucional; • Não pode prosperar a multa aplicada neste lançamento, posto que não houve sonegação, fraude ou aproveitamento econômico de qualquer natureza, mas tão somente o devido lançamento e a decorrente homologação; • É entendimento pacifico, tanto em nivel doutrinário como jurisprudencial, que a esfera administrativa tem total competência para analisar questões de ordem constitucional, tendo em vista a harmonia do sistema jurídico. Cientificado do acórdão da DRJ em 20/03/2008 (fl. 378), o sujeito passivo apresentou recurso voluntário (fls. 380/462), em 22/04/2008, aduzindo, em síntese, as seguintes teses de defesa: 1. Preliminarmente, a nulidade do lançamento por: 1.1. ausência de razoabilidade e proporcionalidade na utilização da aferição indireta; 1.2. ofensa ao art. 37 da Lei no 8.212/1991, por impossibilidade de unificação e cobrança de fatos geradores ocorridos em distintos estabelecimentos; 1.3. precária fundamentação legal relativa ao enquadramento no grau de risco de acidentes de trabalho; 1.4. manifesta decadência a contaminar parte do débito; 1.5. obscuro e impreciso enquadramento no código CNAE; 2. No mérito: 2.1. não incidência de contribuições sobre a alimentação concedida diretamente pela empresa; 2.2. isenção da contribuição previdenciária sobre o PAT; 3. Discussão acerca das inconstitucionais tributações: 3.1. ilegitimidade das contribuições ao seguro acidente de trabalho (SAT); 3.2. inconstitucionalidade da cobrança INCRA; 3.3. ilegitimidade da cobrança do SEBRAE; 3.4. ilegitimidade da cobrança de contribuições aos "terceiros"; 4. questionamento dos consectários legais: 4.1. da inconstitucionalidade da taxa SELIC; 4.2. da multa consignada: a multa não pode ser aplicada porque não houve sonegação, fraude, aproveitamente econômico de qualquer natureza etc, mas somente o devido lançamento e a decorrente homologação. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 14479.000142/200740 Acórdão n.º 2402005.783 S2C4T2 Fl. 5 7 Ao final, requer, ainda, a realização de defesa oral quando do julgamento postulando sua intimação quando da inclusão em pauta. Recurso assinado por patrono cuja procuração já consta dos autos (fl. 332). Às fls. 470/482, o sujeito passivo atravessa petição, recebida em 05/03/2009, requerendo a declaração da decadência do crédito tributário, tendo em vista a Súmula Vinculante STF no 08 e o Parecer PGFN/CAT no 1617/2008. A seguir, em 28/02/2010, o sujeito passivo apresenta requerimento de desistência de recurso administrativo, relativo ao período de apuração de 08/2002 a 10/2005 (fl. 486), e pedido de inclusão deste mesmo período em parcelamento (fl. 494). À fl. 496 consta o termo de transferência do valor de R$ 214.795,02 para o DEBCAD no 37.325.9999 e às fls. 498/508 o discriminativo analítico do débito desmembrado, com a transferência das competências 08/2002 a 10/2005. Conforme despacho (fl. 514), restaram mantidos no presente processo, DEBCAD no 37.087.4781, as competências de 05/2000 a 07/2002. É o relatório. Fl. 539DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, razão porque deve ser conhecido. Preliminarmente no recurso, e novamente em petição posterior, o sujeito passivo alega a decadência do crédito tributário. Da decadência A NFLD foi lavrada considerando o prazo de dez anos para a Seguridade Social constituir seus créditos, nos termos do que estabelecia, à época do lançamento, o art. 45 da Lei no 8.212/91: “Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada”. Entretanto, em decorrência do julgamento dos Recursos Extraordinários no 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante no 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5o do Decreto Lei no 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Em conseqüência, o prazo para a Fazenda Pública constituir seus créditos passou a ser de cinco anos, nos termos do art. 173, inciso I do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Ademais, tratandose de tributo lançado por homologação, como é o caso das contribuições sociais, havendo pagamento antecipado por parte do sujeito passivo, o crédito tributário se extingue após cinco anos da data do fato gerador, nos termos do §4o do art. 150 do CTN. Vejamos: Art. 150 [...] Fl. 540DF CARF MF Processo nº 14479.000142/200740 Acórdão n.º 2402005.783 S2C4T2 Fl. 6 9 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Aplicando o disposto no §4o. do art. 150 do CTN, considerando que o lançamento completouse em 10/08/2007, com a ciência pelo sujeito passivo (fl. 2), e que houve pagamento em todas as competências do período mantido neste processo (05/2000 a 07/2002), conforme se verifica no Relatório de Documentos Apresentados RDA (fls. 27/33), estão decadentes as competências até 07/2002. Desse modo, impõese a revisão do lançamento para excluir as competências de 05/2000 a 07/2002, pela extinção do direito de a Fazenda Pública constituir seus créditos, nos termos da art. 156, inciso V do CTN. Inexistindo outras competências não alcançadas pela decadência, fica prejudicada a análise dos demais argumentos de defesa. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, darlhe provimento, exonerando o crédito tributário pela decadência. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Fl. 541DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002656/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/05/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS, ARTIGO 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Incidência do preceito inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN, em face da simulação e sonegação demonstradas pela fiscalização. Deve ser afastada a decadência arguida, pois, a competência mais antiga do presente AI - 01/2003 - teve como data de início da contagem do prazo decadencial 01/01/2004, com término em 31/12/2009, data posterior a qual se efetuou o lançamento.
JUNTADA DE DOCUMENTOS
Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão. No caso concreto, a documentação foi juntada tempestivamente com a peça de impugnação.
CARACTERIZAÇÃO DE VINCULO EMPREGATÍCIO DEMONSTRANDO A REALIDADE DE FATO DO VINCULO EXISTENTE.
Cabe a fiscalização desconsiderar os atos e os negócios jurídicos que não retratam a realidade dos fatos, embasada nos artigos 118 a 149 do CTN que preveem a primazia da realidade sobre os atos jurídicos realizados.
DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR COOPERATIVA. CARACTERÍSTICAS DA RELAÇÃO DE EMPREGO. SEGURADOS EMPREGADOS -
Prestação de serviços através de cooperativas quando, na realidade, constatado o trabalho prestado nos termos do art. 3° da CLT, por pessoas físicas que de fato prestam serviço de natureza não eventual, com subordinação, pessoalidade, alteridade e mediante remuneração, são segurados empregados, incidindo as contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga ou creditada conforme previsto na Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 2401-004.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar e a decadência do crédito tributário, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/05/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS, ARTIGO 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Incidência do preceito inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN, em face da simulação e sonegação demonstradas pela fiscalização. Deve ser afastada a decadência arguida, pois, a competência mais antiga do presente AI - 01/2003 - teve como data de início da contagem do prazo decadencial 01/01/2004, com término em 31/12/2009, data posterior a qual se efetuou o lançamento. JUNTADA DE DOCUMENTOS Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão. No caso concreto, a documentação foi juntada tempestivamente com a peça de impugnação. CARACTERIZAÇÃO DE VINCULO EMPREGATÍCIO DEMONSTRANDO A REALIDADE DE FATO DO VINCULO EXISTENTE. Cabe a fiscalização desconsiderar os atos e os negócios jurídicos que não retratam a realidade dos fatos, embasada nos artigos 118 a 149 do CTN que preveem a primazia da realidade sobre os atos jurídicos realizados. DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR COOPERATIVA. CARACTERÍSTICAS DA RELAÇÃO DE EMPREGO. SEGURADOS EMPREGADOS - Prestação de serviços através de cooperativas quando, na realidade, constatado o trabalho prestado nos termos do art. 3° da CLT, por pessoas físicas que de fato prestam serviço de natureza não eventual, com subordinação, pessoalidade, alteridade e mediante remuneração, são segurados empregados, incidindo as contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga ou creditada conforme previsto na Lei 8.212/91.
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS, ARTIGO 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Incidência do preceito inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN, em face da simulação e sonegação demonstradas pela fiscalização. Deve ser afastada a decadência arguida, pois, a competência mais antiga do presente AI 01/2003 teve como data de início da contagem do prazo decadencial 01/01/2004, com término em 31/12/2009, data posterior a qual se efetuou o lançamento. JUNTADA DE DOCUMENTOS Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão. No caso concreto, a documentação foi juntada tempestivamente com a peça de impugnação. CARACTERIZAÇÃO DE VINCULO EMPREGATÍCIO DEMONSTRANDO A REALIDADE DE FATO DO VINCULO EXISTENTE. Cabe a fiscalização desconsiderar os atos e os negócios jurídicos que não retratam a realidade dos fatos, embasada nos artigos 118 a 149 do CTN que preveem a primazia da realidade sobre os atos jurídicos realizados. DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR COOPERATIVA. CARACTERÍSTICAS DA RELAÇÃO DE EMPREGO. SEGURADOS EMPREGADOS Prestação de serviços através de cooperativas quando, na realidade, constatado o trabalho prestado nos termos do art. 3° da CLT, por pessoas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 56 /2 00 8- 51 Fl. 963DF CARF MF 2 físicas que de fato prestam serviço de natureza não eventual, com subordinação, pessoalidade, alteridade e mediante remuneração, são segurados empregados, incidindo as contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga ou creditada conforme previsto na Lei 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar e a decadência do crédito tributário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 964DF CARF MF Processo nº 19515.002656/200851 Acórdão n.º 2401004.647 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2003 a 31/05/2006 Primeiramente, importante ressaltar que se encontra apensado aos presentes autos dois processos: a) 19515.002652/200872 (Apenso I) e b) 19515.002654/200861 (Apenso II). Tratase de crédito tributário, lançado através do Auto De Infração AI n° 37.165.984 1, composto por contribuições sociais previdenciárias devidas à Seguridade Social correspondente à parte da empresa (ao FAPS e as destinadas ao financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa) incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados considerados empregados, inclusive a título de ajuda de custo, cujos recolhimentos não foram comprovados pela empresa bem como não constam do banco de dados do Sistema de Informação de Arrecadação e Débito do INSS DATAPREV. Os valores consolidados neste AI referemse à remuneração de empregados contratados irregularmente através de cooperativa de trabalho no período compreendido entre 01/2003 e 12/2006, essencialmente para prestação de serviços de telemarketing. O local da prestação de serviços era a sede da SERCOM e o número de cooperados era superior a mil por competência mensal; por outro lado, o número de empregados registrados da empresa foi sempre inferior a 10 entre 01/2003 e 04/2006. Os trabalhadores contratados por meio das cooperativas eram essenciais para a execução das finalidades da empresa (essencialmente a prestação de serviços de telemarketing) e, portanto, o trabalho executado por eles não era eventual, como seria característico do trabalho autônomo. O valor do presente lançamento é de R$ 16.909.135,36; consolidado em 25/06/2008. O Relatório Fiscal de Fls. 553/573, esclarece que os fatos descritos no item 2.1 e 2.5 verificados no período de 01/2002 a 05/2006 constituem, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária, conforme o art. 337A, incisos I, II e Ill, do Código Penal Decretolei n° 2.848, de 07/12/40. Não foi emitida a Representação Fiscal Para Fins Penais tendo em vista que a ação fiscal já resultou de investigação do Ministério Público do Trabalho. Ressalta ainda que as características destacadas nos contratos, como o cumprimento de horário de trabalho, a necessidade de adoção de rotinas de trabalho rigidamente definidas, a avaliação e monitoramento diário dos operadores são incompatíveis com o trabalho autônomo. Os serviços de telemarketing, que constituem a atividade principal da empresa, são objeto de contrato entre a Sercom e diversos tomadores (alguns contratos foram anexados ao Relatório Fiscal). Os termos dos contratos firmados entre a SERCOM e seus tomadores excluem a possibilidade de que os serviços sejam prestados por trabalhadores autônomos, já que pressupõem não eventualidade e subordinação. Para melhor demonstrar suas Fl. 965DF CARF MF 4 alegações, reproduz algumas cláusulas dos contratos firmados entre a SERCOM e as Tomadoras de Serviços, cujo conteúdo reforçam a impossibilidade de seu atendimento por trabalhadores autônomos. Citado, o sujeito passivo apresentou impugnação às fls. 590/575 (processo principal), alegando questões formais e materiais. Preliminarmente alegou a decadência quinquenal prevista no Código Tributário Nacional — CTN (artigo 173) e a irrelevância do acordo celebrado com o ministério público para induzir relação de emprego no período anterior ao termo de ajuste. No mérito, alega que a Lei compete expressamente às empresas contratantes das cooperativas de trabalho a obrigação de pagar a contribuição de pagar a contribuição empresarial previdenciária sobre o percentual das faturas mensais estimados para o pagamento dos cooperados, a presente autuação estaria praticando bis in idem, circunstância que contraria os princípios da incidência tributária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I (SP) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1619.482 – 14ª Turma da DRJ/SP0I, às fls. 886/904, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade sob o fundamento de que o procedimento fiscal atendeu às disposições expressas da legislação e a Impugnante não apresentou argumentos e/ou elementos de prova capazes de elidir o levantamento, devendo ser mantida a exigência como formalizada pela fiscalização. Recordese: “DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR COOPERATIVA. CARACTERÍSTICAS DA RELAÇÃO DE EMPREGO. SEGURADOS EMPREGADOS Prestação de serviços através de cooperativas quando, na realidade, constatado o trabalho prestado nos termos do art. 3° da CLT, por pessoas fisicas que de fato prestam serviço de natureza não eventual, com subordinação, pessoalidade, alteridade e mediante remuneração, são segurados empregados, incidindo as contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga ou creditada conforme previsto na Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, a contribuição a seu cargo, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada, a qualquer titulo, aos segurados empregados a seu serviço. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Considerase saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28 da Lei 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA. Fl. 966DF CARF MF Processo nº 19515.002656/200851 Acórdão n.º 2401004.647 S2C4T1 Fl. 4 5 Não obstante seja procedimento excepcional, a aferição indireta encontrase perfeitamente autorizada, nos termos do art. 33, §3° da Lei 8.212/91, na hipótese de não apresentação pelo contribuinte dos documentos regularmente solicitados pela Fiscalização. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSAO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual exceto se atender e demonstrar as hipóteses do art. 16, §§ 4 0 e 5°, do Decreto n° 70.235/72.” O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 19/12/2008, conforme AR juntado às fls. 913. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 917/951, ratificando suas alegações anteriormente expendidas e ao final requer o acatamento do recurso de modo a alterar a decisão recorrido. Em suma o Recorrente alega que a os documentos juntados retratam inúmeras decisões individuais da Justiça do Trabalho, negando relação de emprego a ex sócios das mencionadas cooperativas de trabalho. Esta circunstância foi alegada na impugnação, e os documentos apenas corroboraram o fato. Aduz, que sobrou comprovado na impugnação que parte da autuação está extinta pela decadência. A autuação abrangeu o período de janeiro de 2003 a dezembro de 2006, envolvendo interstício sobre o qual eventual crédito estaria extinto. No tocante ao acordo celebrado com o Ministério Público afirma tratarse de conduta para frente, para o futuro, não abrangendo relações jurídicas consolidadas e regidas por leis especificas, como é a hipótese da retenção e recolhimento pelas cooperativas de trabalho das contribuições previdenciárias inerentes à condição de contribuinte individual de seus sócios (Lei n. 10.666, de 08 de maio de 2003). Recorda que foi contestado (na impugnação) expressamente a relação de emprego apurada ao alvedrio do Sr. Auditor, o procedimento deveria ter sido automaticamente sobrestado até o pronunciamento final do Judiciário sobre as demandas trabalhistas eventualmente decorrentes dos contratos questionados. No tocante as contribuições previdenciárias, nas quais as ações trabalhistas foram julgadas procedentes, alega que o argumento da decisão ora recorrida não tem o menor fundamento, pois quando se discute relação de emprego, não existe prescrição. Apenas o prazo decadencial de 2 (dois) anos para formular a reclamação. Ademais, E. Conselho, antes de homologar o cálculo, inclusive das contribuições previdenciária, o representante do INSS passa a integrar o processo, tendo poderes para discordar dos valores destinados ao recolhimento em questão. Ademais, tanto os direitos trabalhistas como o direito de constituir créditos tributários, podem protrair para cinco anos antes da reclamação, valendo esta no caso como lançamento. Fl. 967DF CARF MF 6 Por fim, afirma que a sentença recorrida não se manifestou sobre a contribuição ESPECIAL SOBRE OS CONTRATOS COM COOPERATIVAS DE TRABALHO (ARTIGO 22, INCISO IV, DA LEI N. 8.212/91). É o relatório. Fl. 968DF CARF MF Processo nº 19515.002656/200851 Acórdão n.º 2401004.647 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 19/12/2008 conforme AR juntado às fls. 913, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 15/01/2009, razão pela qual CONHEÇO DOS RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DA PRELIMINAR 2.1. DA DECADÊNCIA O Instituto da decadência no Direito Tributário, encontrase regulamentado nos artigos 150 e 173, ambos do Código Tributário Nacional CTN. Recordese: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (.) §4ª Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (.) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. "(grifamos) Fl. 969DF CARF MF 8 No caso sub examine, operase a incidência das disposições constantes do inciso I do mencionado artigo 173 do Código Tributário Nacional, em razão da simulação verificada nos contratos de serviços firmados entra a Recorrente e seus empregados. Conforme se verifica dos fatos demonstrados no Relatório Fiscal (fls. 553/573), pelos termos dos contratos de serviços firmados entre a Recorrentes e os Tomadores de Serviços excluemse a possibilidade de que os serviços sejam prestados por trabalhadores autônomos, já que evidenciam os requisitos constantes do artigo 3º da CLT: eventualidade e subordinação. É de ressaltar que o REFISC destaca nos referidos contratos as características que evidenciam que a prestação do serviço só pode ser realizada por empregados, tais como: cumprimento de horário de trabalho, obrigação de adotar rotinas de trabalho rigidamente definidas, avaliação e monitoramento diário dos operadores, dentre outras, são características incompatíveis com o trabalho autônomo. Diante desse cenário, devese ater à questão referente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência de dezembro de cada ano calendário. Relativo ao período de apuração (01/2003 a 05/2006), o lançamento foi efetuado em 25/06/2008, considerando o prazo de 5 anos para a constituição do crédito previdenciário, não há que se falar em prescrição. 2.2. JUNTADA DE DOCUMENTOS Ao contrário do que afirma a Recorrente, a decisão de primeira instância não afirmou que houve juntada de documentos após a apresentação da Impugnação. E de fato não houve. Conforme se observa dos autos, a Impugnação foi apresentada às fls. 292/302 acompanhadas dos documentos de fls. 303/427 (decisões judiciais). Na verdade, o que consta do decisório vergastado são as possibilidades de juntada de documento após apresentada a impugnação, conforme previsto no Decreto nº 70.235/72: “Art. 16, § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Portanto, não há que se falar em juntada extemporânea de documentos, uma vez que a empresa Recorrente juntou a prova documental a tempo e modo, nos termos do caput do artigo acima citado. 2.3. IRRELEVÂNCIA DO ACORDO CELEBRADO COM O MINISTÉRIO PÚBLICO O Ministério Público do Trabalho, ao tomar conhecimento de irregularidades nas relações de trabalho primeiro convoca a empresa para se adequar ao ordenamento jurídico, via Termo de Ajustamento de Conduta antes de propor medida judicial. No presente caso, apenas após Ação Judicial é que foi formulado o acordo, fls. 91/94, no qual, expressamente, a Fl. 970DF CARF MF Processo nº 19515.002656/200851 Acórdão n.º 2401004.647 S2C4T1 Fl. 6 9 Empresa, entre outras obrigações, se compromete a "não celebrar contratos, bem como rescindir os eventualmente firmados, com sociedades cooperativas para prestação de serviços de natureza não eventual, ligados à sua atividade fim ou meio e cuja execução exija e pressuponha a pessoalidade e subordinação direta do trabalhador sociedade executora do contrato ou a tomadora do serviço..." (fls. 91), ainda que não haja reconhecimento de culpa ou da existência de irregularidade na contratação de mãodeobra mediante cooperativas de trabalho ou outras formas de terceirização. Assim, a ação foi proposta (em 2005) em face da ora Recorrente porque a irregularidade na contratação de trabalhadores já tinha sido constatada em fiscalização do trabalho ocorrida anos antes a que deu origem ao processo ora em apreço. Ou seja, somente a partir de 05/2006 — Inicio do acordo judicial — a empresa passou a contratar, nos termos ajustados, deixando de utilizar as cooperativas. Portanto, não assiste razão também a essa preliminar arguida, pois não há amparo no argumento de que o acordo realizado em juízo, nos autos da ação civil pública promovida pelo Ministério Público do Trabalho e o período anterior ao ajuste são irrelevantes ao reconhecimento da existência de trabalho subordinado e respectivos encargos previdenciários. Por outro giro, no tocante a suposta incompetência material para reconhecimento de vinculo empregatício, novamente não procede a argumentação da Recorrente, pois não existe exclusividade do poder judiciário para reconhecimento desse vínculo. Nesse sentido, existe autorização legal para o fiscal quando constatar e reconhecer diante de fatos e documentos que os segurados são empregados e estão sujeitos as respectivas contribuições sociais (não se trata de reconhecimento do vinculo para fins trabalhistas), promover a Autuação. A fiscalização previdenciária deve reconhecer o vinculo empregatício sempre que observar a existência dos requisitos legais, cabendo ao contribuinte ilidir, mediante prova, essa presunção. Frisarse que a AuditoraFiscal, no estrito cumprimento de suas atribuições legais, deve exigir das empresas o recolhimento das contribuições para a Seguridade Social de acordo com a categoria de segurado de cada trabalhador, cujo enquadramento segue as regras ditadas pelo art. 12 da Lei n° 8.212/1991 e art. 9° do RPS, que qualificam todos os segurados da Previdência Social. 3. MÉRITO 3.1. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS NAS HIPÓTESE DAS AÇÕES TRABALHISTAS JULGADAS PROCEDENTES. Cabe à fiscalização desconsiderar os atos e os negócios jurídicos que não retratam a realidade dos fatos, embasada nos artigos 118 e 149 do CTN, que prevê em a primazia da realidade sobre os atos jurídicos realizados. Fl. 971DF CARF MF 10 Art.118 – A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes,responsáveis,ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II –dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos Art. 149 – O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII – quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo,fraude ou simulação. Essa atribuição da fiscalização é reforçada quando se trata do correto enquadramento dos segurados empregados, para fins de cobrança da contribuição previdenciária devida. Nesse sentido,dispõe o artigo 33 da Lei nº 8.212/91: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da Fl. 972DF CARF MF Processo nº 19515.002656/200851 Acórdão n.º 2401004.647 S2C4T1 Fl. 7 11 unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Mencionada atribuição passou a ser do Ministério da Previdência Social, por força do artigo 1º da Lei 11.098/2005. Para que a fiscalização da Secretaria da Receita Previdenciária – SRP possa efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias é necessário que se enquadre corretamente os segurados obrigatórios. O artigo 12, I “a”da Lei 8.212/91 prevê: “Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;” Assim, a alegação da Recorrente de que a Auditora Fiscal extrapolou os limites da sua competência, invadindo a competência da Justiça do Trabalho, não merece prosperar, vez que o Auditor Fiscal da Previdência Social, no exercício de atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, prevista no art. 142 do CTN, ao constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I, do caput do art. 9º, RPS, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, art. 229, § 2º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99: A esfera Administrativa e judiciária são independentes, portanto, a existência de Ação Trabalhista não atrapalha ou influencia no andamento da presente Ação Administrativa. No tocante a um possível bis in idem, ressaltase que o pagamento judicial da dívida será reconhecido administrativamente no momento da cobrança, no entanto, até o momento o Recorrente não comprovou o pagamento de nenhuma contribuição previdência referente ao período em questão (seja administrativamente ou judicialmente). Nesse contexto, afirma o recorrente que existem ações trabalhistas que estariam sendo julgadas improcedentes, ou seja, os vínculos trabalhistas não estariam sendo reconhecidos, no entanto, não junta qualquer documento comprovando o alegado. Fl. 973DF CARF MF 12 3.2. CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL SOBRE OS CONTRATOS COM COOPERATIVAS DE TRABALHO (ARTIGO 22, INCISO IV, DA LEI N. 8.212/91) Novamente, não assiste razão ao recorrente, quando afirma que o acórdão recorrido não se manifestou sobre esse tocante. Pois a fiscalização verificou e considerou os recolhimentos das ditas contribuições, conforme bem demostrado no Relatório de Documentos Apresentados (fls. 38/39) e no DAD – Discriminativo Analítico de Debito(fls. 09/23). Nesse contexto, para não pairar dúvida sobre a existência de menção ao alegado no acórdão recorrido, transcrevese trecho do acórdão recorrido, in verbis: “Fica aqui consignado que a Fiscalização no tocante aos recolhimentos realizados com fundamento inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/91, ao contrario do que afirma a Impugnante, a Fiscalização verificou e considerou o recolhimento de tais contribuições, vide, além do relatório fiscal ( item 2.4 As fls. 280), também o RDA — Relatório de Documentos Apresentados (fls. 38/39) e o RADA — Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (fls. 40/41) que comprovam a consideração dos créditos, além do DAD — Discriminativo Analítico de Debito (fls. 09/23). Ainda, a despeito da única alegação genérica na impugnação que contesta o "aleatório valor" (fls. 301), verificase que o procedimento fiscal não merece reparo, o relatório fiscal justifica a adoção do procedimento excepcional de aferição indireta, em consonância com o art. 33 e seus §§ 3° e 6° da Lei 8.212/91, esclarece como foram aferidos os valores que serviram de base de cálculo das contribuições lançadas (vide item 2.5 e 2.6 do relatório fiscal, fls. 281/282) e o fundamento legal da aferição indireta se encontra no FLD — Fundamentos Legais do Débito, fls. 42/44; as notas fiscais foram devidamente identificadas e relacionadas As fls. 248/275, bem como foram juntadas cópias dos lançamentos contábeis, por amostragem (fls. 222/247). Consoante relatório fiscal, bem como pelos documentos juntados, a Auditora Fiscal, após meticuloso e profundo trabalho, apenas juntado por amostragem tendo em vista o volume dos elementos, apresentou, afinal, um resultado consistente e conclusivo de que a Empresa deveria ter recolhido as contribuições sociais em decorrência da prestação de serviços de empregados. Desta forma, tendo sido observada pela Fiscalização a legislação previdenciária e obedecida as normas infralegais norteadoras do procedimento fiscal, uma vez demonstrada a obtenção das bases de cálculo com parâmetro nas notas fiscais que remuneraram o serviço prestado por pessoas físicas cuja verdadeira natureza do vinculo era empregatício, não se justifica a argumentação genérica e desprovida de fundamentos e provas da Impugnante e concluise que o auto foi lavrado com integral observância das determinações legais vigentes.” Por todo exposto, não merece provimento o recurso voluntário, devendo ser mantido na integra o venerando acórdão recorrido. 4. CONCLUSÃO: Fl. 974DF CARF MF Processo nº 19515.002656/200851 Acórdão n.º 2401004.647 S2C4T1 Fl. 8 13 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da recorrente para, no mérito, NERGALHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 975DF CARF MF
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