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Numero do processo: 11610.003482/2008-53
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2008
OPÇÃO. INCLUSÃO RETROATIVA.
Não existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional e assim não se conforma com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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INCLUSÃO RETROATIVA. Não existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional e assim não se conforma com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 34 82 /2 00 8- 53 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.003482/200853 Acórdão n.º 1801001.540 S1TE01 Fl. 83 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou em 12.03.2008, fl. 01, o Pedido de Inclusão no Simples Nacional, nos seguintes termos Vem requer a opção pelo [Simples Nacional] à data de sua constituição (18.12.2007), tendo em vista que tal opção não se consolidou em função da inobservância da funcionária designada para função na ocasião do cadastramento do CNPJ. A Decisão Simples Nacional DRF/SPO/SP nº 85, de 30.04.2008, fl. 20, indeferiu o pedido fundamentandose no fato de que [...] de acordo com o § 3º, inciso I da Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007, a [pessoa jurídica] após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis terá o prazo máximo de 10 (dez) dias contados do último deferimento de inscrição para efetuar a opção pelo Simples Nacional. A inscrição estadual foi deferida em 14/01/2008. A empresa teria o prazo máximo de 24/01/2008 para solicitar a opção. O processo foi protocolizado em [14.03.2008]. Cientificada em 19.05.2008, fl. 22, a Recorrente apresentou a impugnação em 16.06.2008009, fl. 20, com os argumentos a seguis resumidos. Faz um arrazoado dos fatos e ressalta que foi formalmente constituída e teve o início de suas atividades em 12.11.2007 e em 13.03.2008 pleiteou seu enquadramento no Simples Nacional. Esclarece que protocolizou sua solicitação tempestivamente, porque o § 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, prevê que “não poderá efetuar opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data da abertura constante no CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3º deste artigo”. Diz que desde sua constituição cumpre com suas obrigações tributárias regularmente e que a interpretação da complexa da legislação tributária de regência levou aos fatos. Argui que o exame da matéria litigiosa deve ser norteado pelo princípio da função social da pessoa jurídica. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Fl. 83DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.003482/200853 Acórdão n.º 1801001.540 S1TE01 Fl. 84 3 Diante de todo exposto, requer seja deferido o presente recurso, para então [...] determinar o enquadramento da [Recorrente] no Simples Nacional com data retroativa desde a sua abertura [...]. Está registrado como resultado do Acórdão da 12ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1628.842, de 07.01.2011, fls. 5864: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. INEXISTÊNCIA DE OPÇÃO TEMPESTIVA. INCLUSÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet no Portal do Simples Nacional, sendo irretratável para todo anocalendário e deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção. Nos casos de empresa com início de atividade no anocalendário de 2008, o prazo para opção neste mesmo ano se encerrará após decorridos 10 (dez) dias da comprovação do último deferimento de inscrição nos entes federativos, quando exigíveis. A ME ou EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) da data da abertura constante no CNPJ, observados os demais requisitos [...]. Notificada em 28.02.2011, fl. 69, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 30.03.2010, fls. 7071, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados impugnação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente diz que deve ser deferida a sua inclusão retroativa no Simples Nacional. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.003482/200853 Acórdão n.º 1801001.540 S1TE01 Fl. 85 4 O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário, oportunidade em que presta declaração quanto ao não enquadramento nas vedações legais. Nos casos de empresa com início de atividade no anocalendário de 2008, o prazo para opção neste mesmo ano se encerrará após decorridos 10 (dez) dias da comprovação do último deferimento de inscrição nos entes federativos, quando exigíveis. A pessoa jurídica não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) da data da abertura constante no CNPJ, observados os demais requisitos. A opção implica o recolhimento mensal, mediante Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) até o dia 20 do mês subseqüente àquele em que houver sido auferida a receita bruta. Ainda que se trate de situação de inatividade, deve ser entregue anualmente à RFB e declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais a ser disponibilizada aos órgãos de fiscalização tributária e previdenciária, constituindo confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos tributos e contribuições que não tenham sido recolhidos resultantes das informações nela prestadas.1. Analisando a legislação de regência que vigorava à época dos fatos, temse que a microempresa ou empresa de pequeno porte no caso de início de atividade no ano calendário da opção, deve observar as seguintes condições cumulativas: (a) após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (b) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de pessoa jurídica em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos legais. Analisando as provas produzidas nos autos, verificase que a Recorrente: (a) iniciou suas atividades em 12.11.2007, fls. 0405, conforme registro do Requerimento de Empresário da Junta Comercial do Estado de São Paulo; (b) teve sua abertura junto a RFB em 12.11.2007, de acordo com o Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), fl. 06; (c) teve sua inscrição municipal deferida em 14.01.2008, em conformidade com a Ficha de Dados Cadastrais (FDC) da Prefeitura Municipal de São Paulo, fl. 07; 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 17, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007 e Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 . Fl. 85DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.003482/200853 Acórdão n.º 1801001.540 S1TE01 Fl. 86 5 (d) o pleito de opção retroativa constante nos presente autos foi formalizado em 12.03.2008, fl.01. Nesse sentido a Recorrente deveria cumprir os seguintes requisitos concomitantemente: (a) somente poderia efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de pessoa jurídica em início de atividade até 10.04.2008; (b) deveria efetuar sua opção pelo Simples Nacional até dia 24.01.2008. Restou comprovado que somente em 12.03.2008 a Recorrente formalizou seu pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional à data do início de suas atividades, ou seja, intempestivamente. Por essa razão não cabem reparos à Decisão Simples Nacional DRF/SPO/SP nº 85, de 30.04.2008, fl. 20, nem ao Acórdão da 12ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1628.842, de 07.01.2011, fls. 5864, que permanecem incólumes. Especificamente sobre o pedido de inclusão retroativa, cabe ressaltar que o princípio da legalidade estabelece os limites da atuação administrativa e tem por objeto o exercício de direitos individuais em benefício da coletividade e nesse sentido a vontade da Administração Pública decorre tãosomente da lei de modo que apenas pode fazer o que a lei permite. Vale lembrar que por essa razão, o servidor não pode por um mero ato administrativo conceder direitos, criar obrigações ou impor proibições aos sujeitos passivos sem previsão legal (art. 37 da Constituição Federal). A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina que a opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição. O indeferimento da opção pelo Simples Nacional será formalizado mediante ato da Administração Tributária e a exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das pessoas jurídicas optantes. É de fato irrelevante o fato de possa ter havido intenção inequívoca de aderir ao Simples Nacional pelos instrumentos relativos aos pagamentos mensais e a apresentação da declaração correspondentes, uma vez que não há permissivo legal que ampare sua pretensão. Analisando as determinações normativas verificase que não existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional e assim não se conforma com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A solicitação arguida pela defendente, por essa razão, não pode ser deferida. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso2. A ilação designada pela defendente, a despeito de tudo, não se destaca como procedente. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de 2 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.003482/200853 Acórdão n.º 1801001.540 S1TE01 Fl. 87 6 inconstitucionalidade3. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 3 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10630.720148/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. OMISSÃO DE RECEITA. CABIMENTO.
Cabe à fiscalização a prova do fato indiciário, que, uma vez comprovado, leva à presunção de omissão de receita (fato presumido), a qual permanece incólume quando o sujeito passivo não logra afastá-la.
PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. OMISSÃO DE RECEITA. DESCABIMENTO.
Não cabe a presunção de omissão de receita nos casos em que a fiscalização não comprovada o fato indiciário.
AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
São indedutiveis da apuração do lucro real e do lucro líquido as despesas que, apesar de contabilizadas, não tenham comprovada a efetividade da correspondente operação.
MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS.
Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando o aprofundamento da investigação fiscal demonstra o intuito de fraude, com a simulação de negócios jurídicos, tanto para omitir receitas como para deduzir despesas indevidamente.
DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA.
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos litígios decorrentes, referentes a outros tributos, quanto à mesma matéria fática.
Numero da decisão: 1402-001.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento aos recursos apresentados pelos coobrigados e proviam parcialmente o recurso voluntário apresentado pela pessoa jurídica para excluir a qualificação da multa em relação à irregularidade decorrente da glosa de despesas com amortização de ágio; tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. OMISSÃO DE RECEITA. CABIMENTO. Cabe à fiscalização a prova do fato indiciário, que, uma vez comprovado, leva à presunção de omissão de receita (fato presumido), a qual permanece incólume quando o sujeito passivo não logra afastá-la. PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. OMISSÃO DE RECEITA. DESCABIMENTO. Não cabe a presunção de omissão de receita nos casos em que a fiscalização não comprovada o fato indiciário. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. São indedutiveis da apuração do lucro real e do lucro líquido as despesas que, apesar de contabilizadas, não tenham comprovada a efetividade da correspondente operação. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS. Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando o aprofundamento da investigação fiscal demonstra o intuito de fraude, com a simulação de negócios jurídicos, tanto para omitir receitas como para deduzir despesas indevidamente. DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos litígios decorrentes, referentes a outros tributos, quanto à mesma matéria fática.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento aos recursos apresentados pelos coobrigados e proviam parcialmente o recurso voluntário apresentado pela pessoa jurídica para excluir a qualificação da multa em relação à irregularidade decorrente da glosa de despesas com amortização de ágio; tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONDUTA DOLOSA. Presentes a conduta dolosa, fraudulenta ou de simulação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário deslocase da regra do parágrafo 4o do artigo 150 para a do inciso I do artigo 173, ambos do CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA.. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA.. SOLIDARIEDADE. A existência da responsabilidade pessoal das pessoas referidas no art. 135 do CTN não afasta a sujeição passiva da pessoa jurídica na condição de contribuinte, permanecendo todos igualmente responsáveis pelo crédito tributário, sem beneficio de ordem. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. OMISSÃO DE RECEITA. CABIMENTO. Cabe à fiscalização a prova do fato indiciário, que, uma vez comprovado, leva à presunção de omissão de receita (fato presumido), a qual permanece incólume quando o sujeito passivo não logra afastála. PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. OMISSÃO DE RECEITA. DESCABIMENTO. Não cabe a presunção de omissão de receita nos casos em que a fiscalização não comprovada o fato indiciário. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 01 48 /2 01 0- 81 Fl. 2607DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.564 2 São indedutiveis da apuração do lucro real e do lucro líquido as despesas que, apesar de contabilizadas, não tenham comprovada a efetividade da correspondente operação. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS. Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando o aprofundamento da investigação fiscal demonstra o intuito de fraude, com a simulação de negócios jurídicos, tanto para omitir receitas como para deduzir despesas indevidamente. DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos litígios decorrentes, referentes a outros tributos, quanto à mesma matéria fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento aos recursos apresentados pelos coobrigados e proviam parcialmente o recurso voluntário apresentado pela pessoa jurídica para excluir a qualificação da multa em relação à irregularidade decorrente da glosa de despesas com amortização de ágio; tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2608DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.565 3 Relatório Valadares Diesel Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Juíz de Fora/MG, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados os autos de infração de fls. 02/29, que lhe exigem um crédito tributário assim discriminado, com juros de mora calculados até 09/08/2010: Auto de Infração Valor (R$) IRPJ 22.576.325,14 PIS/Pasep 575.464,34 CSLL 8.078.864,55 Cofins 2.655.989,58 TOTAL 33.886.643,61 Na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” constante do Auto de Infração de IRPJ, o fiscal autuante relatou o seguinte: “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Ofício, nos termos do art. 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 – OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO FICTÍCIO Omissão de Receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já pagas e/ou incomprovada, conforme descrição da infração feita no item 44 do Relatório de Auditoria Fiscal, parte integrante dos presentes Autos de Infração. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 24 da Lei nº 9.249/95; Art. 40 da Lei nº 9.430/96; Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 281, inciso III, e 288 do RIR/99. 002 – OMISSÃO DE RECEITAS PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE Omissão de Receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas operacionais, conforme descrição da Fl. 2609DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.566 4 infração feita no item 44 do Relatório de Auditoria Fiscal, parte integrante dos presentes Autos de Infração. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 281, inciso II, e 288, do RIR/99. 003 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS Valor apurado conforme descrição da infração feita no item 44 do Relatório de Auditoria Fiscal, parte integrante dos presentes Autos de Infração. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99. 004 – GLOSA DE PREJUÍZO SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES Compensação indevida de prejuízo fiscal apurado, tendo em vista a(s) reversão(ões) do prejuízo(s) após o lançamento da(s) infração(ões) constatada(s) no(s) período(s)base de 2004, 2005 e 2006, através deste Auto de Infração. O valor glosado, discriminado na planilha “Glosas a Lançar no Período Fiscalizado” (Doc. 124), foi apurado tendo como base os extratos do SAPLI (Sistema de Apuração do Prejuízo Fiscal, Base de Cálculo Negativa da CSLL e Lucro Inflacionário) de 2004, 2005 e 2006, e as planilhas “Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais” dos anos de 2004, 2005 e 2006. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99. Os lançamentos da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins decorreram do lançamento do IRPJ. O Relatório de Auditoria Fiscal encontrase às fls. 31/132. No item 44, citado nos autos de infração, as autoridades lançadoras assim relataram as infrações 01 a 03: DAS INFRAÇÕES COMETIDAS PELA FISCALIZADA 44. Das irregularidades tributárias apuradas: a) A LESSA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA foi intimada a apresentar os livros Diário e Razão dos anos de 2004, 2005 e 2006 (Doc.115). Da análise dos lançamentos de suprimentos de caixa feitos na forma de empréstimos da LESSA para a VALADARES DIESEL LTDA, obedecendo à dinâmica exposta no item 27, resultou a apuração da seguinte infração: Fl. 2610DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.567 5 § OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO NÃO EXIGÍVEL — ART. 281, III, DO DECRETO 3000/99: OMISSÃO DE RECEITA CARACTERIZADA PELA EXISTÊNCIA DE SUPRIMENTOS DE CAIXA NA FORMA DE EMPRÉSTIMOS FEITOS PELA LESSA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES ATRAVÉS DE CHEQUES DE TERCEIROS, SEM O RESPECTIVO LANÇAMENTO CONTÁBIL DA SAÍDA DE CAIXA NA SUPRIDORA. OS SUPRIMENTOS ESTÃO DETALHADOS NA PLANILHA ABAIXO. OS DOCUMENTOS QUE RESPALDARAM A OBSERVÂNCIA DA INFRAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO SÃO: LIVRO RAZÃO DE 2005 DA LESSA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA (CONTA CAIXA/ANEXO III) E RECIBOS E DOCUMENTOS ENTREGUES PELA FISCALIZADA PARA JUSTIFICAR OS SUPRIMENTOS (DOC.116). O MONTANTE APURADO TOTALIZOU R$ 5.685.421,34 (CINCO MILHÕES SEISCENTOS E OITENTA E CINCO REAIS E OITENTA E CINCO MIL, QUATROCENTOS E VINTE E UM REIS E TRINTA E QUATRO CENTAVOS) EM 2005; [...] b) A VALADARES DIESEL LTDA não logrou justificar a exigibilidade das obrigações lançadas como empréstimo da INVERSORA HEINZ S/A na conta do passivo 2201010216, INVERSORA HEINZ S/A”, com base nos seguintes motivos: [...] § OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO NÃO EXIGÍVEL — ART. 281, III, DO DECRETO 3000/99: OMISSÃO DE RECEITA CARACTERIZADA PELA EXISTÊNCIA EMPRÉSTIMOS CONTRAÍDOS PELA FISCALIZADA CUJA EXIGIBILIDADE NÃO RESTOU COMPROVADA. FOI CONFIGURADA MATÉRIA TRIBUTÁVEL OS VALORES DOS SALDOS DA CONTA DO PASSIVO 2201010216 — INVERSORA HEINZ S/A EM 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO, EXCLUÍDOS DO SALDO INICIAL DO ANO ANTERIOR, COMPUTANDO SE AS VARIAÇÕES CAMBIAIS INCORRIDAS NO PERÍODO: R$ 15.227.350,00 EM 2004, R$ 3.498.250,00 EM 2005 E R$ 5.861.400,00 EM 2006. c) A VALADARES DIESEL LTDA foi intimada a comprovar que foi proprietária de títulos do tesouro americano que foram adquiridos da INVERSORA HEINZ S/A, em transação intermediada pelo TRIGON BANK, com sede em Viena na Fl. 2611DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.568 6 Áustria, em 30/10/2000. O valor da transação foi de R$ 14.468.480,00. Posteriormente, em 03/11/2000, a fiscalizada teria se utilizado desses recursos para integralizar capital na empresa VDL AGROFLORESTAL LTDA. Ato contínuo à integralização, a empresa investida foi incorporada parcialmente pela fiscalizada em 31/12/2000 e o saldo do ágio que a fiscalizada havia pagado na aquisição da participação societária foi transferido para o ativo diferido, passando a ser amortizado como despesa a partir de 2001, à razão de R$ 2.185.963,92 ao ano, nos termos do art.386, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda. O registro dos valores foi feito pela fiscalizada na conta de despesas operacionais n° 4501039940, denominada DESPESAS DIFERIDAS. Ocorre que, segundo discorrido no item 39 deste relatório, a operação não foi efetivamente comprovada, tendo essa fiscalização concluído, inclusive, pela inidoneidade do documento apresentado com esse intuito. Dessa forma, a fiscalizada incorreu na seguinte infração: § GLOSA DE DESPESAS DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS — ARTS. 249, 1, 251 E PARÁGRAFO ÚNICO, 299 E 300 DO RIR/99 A FISCALIZADA NÃO COMPROVOU A OPERAÇÃO DE COMPRA DE TÍTULOS DO TESOURO AMERICANO QUE FORAM USADOS PARA INVESTIMENTO EM OUTRA EMPRESA, CONTABILIZADOS COMO ÁGIO NA INVESTIDORA, E QUE FORAM, POSTERIORMENTE, TRANSFERIDOS PARA CONTA DO ATIVO PERMANENTE E AMORTIZADOS DURANTE OS ANOS DE 2004 E 2005 POR CONTA DE INCORPORAÇÃO PARCIAL DA INVESTIDA PELA INVESTIDORA. VALOR DA GLOSA: R$ 2.185.963,92 EM 2004 E 2005 (Doc.117). d) A VALADARES DIESEL LTDA recebeu suprimentos de caixa na forma de empréstimos das empresas: GOIÁS CAMINHÕES E ÔNIBUS LTDA, CARDIESEL LTDA, CALISTO DIESEL DE VEÍCULOS LTDA, AUTOSETE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA, HORIZONTE TEXTIL LTDA, OSAKA AUTOMÓVEIS LTDA, VDL FOMENTO LTDA, VDL SIDERÚRGICA LTDA, VADIESEL VALE DO AÇO DIESEL LTDA E UBERLÂNDIA CAMINHÕES E ÔNIBUS LTDA. Os suprimentos foram feitos através de cheques que supostamente teriam servido para pagar diversas dívidas da VALADARES DIESEL LTDA com fornecedores diversos. Todas as empresas foram intimadas a apresentar a cópia autenticada microfilmada dos cheques passados pelas empresas supridoras. De posse dos documentos, a fiscalização observou que os cheques eram cruzados e nominais ou a VALADARES DIESEL LTDA ou a LESSA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA, sem qualquer indicação em no verso de que serviram para pagamento de algum título, de acordo com o que prevê a Lei 7.357185, art.28 Fl. 2612DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.569 7 (Lei do cheque). Outra irregularidade flagrante foi o uso pelo beneficiário de endosso em branco (Doc.118). Os cheques foram em sua maioria depositados nos bancos Bradesco S.A e Rural, em governador Valadares. Na ausência de identificação da conta em que foram depositados, por se tratarem de cheques cruzados, a fiscalização considerou a conta de depósito como sendo a do beneficiário. O movimento bancário relativo aos depósitos dos cheques foi completamente omitido na contabilidade da VALADARES DIESEL LTDA em 2004, 2005 e 2006, tal situação é indicativo contundente da utilização regular de “caixa dois” pela fiscalizada e demais empresas envolvidas nas operações. A título de ilustração, a conta 130940 na agência 03964 do Bradesco em Governador Valadares, de titularidade da VALADARES DIESEL LTDA, conforme comprovante de depósito feito pela fiscalização (anexo ao Doc.118 — cheques da Horizonte Têxtil, operações 143, 144 e 145 da planilha citada em seguida), recebeu depósitos em 26/12/2006 no valor de R$ 241.877,39 (duzentos e quarenta e um mil oitocentos e setenta e sete reais e trinta e nove centavos), e a conta 06905 no banco rural, agência 067, que recebeu grande quantidade de depósitos em 2004 e 2005, também foi de titularidade da fiscalizada, conforme se observa no Doc.119. Essa agência posteriormente deixou de existir em Governador Valadares. O movimento bancário não está escriturado e não há qualquer indicação de que esses recursos foram utilizados para o pagamento de qualquer título. A planilha abaixo relaciona os recibos, que compõem o ANEXO III do processo, os cheques, a materialidade e a utilização dos mesmos de acordo com os documentos analisados: [...] A análise documental nos permite aduzir que a fiscalizada não comprova de forma inequívoca que os cheques apresentados serviram para pagar os títulos bancários correspondentes às dívidas quitadas, dessa forma, os pagamentos feitos pela fiscalizada não encontram respaldo nos lançamentos contábeis feitos. Em não sendo, os documentos apresentados, capazes de provar como efetivamente o pagamento ocorreu, e partindose do princípio de que realmente ocorreram, concluise que os mesmos foram efetuados com recursos mantidos a margem da escrituração. Resta configurada a incidência pela fiscalizada na seguinte infração: § OMISSÃO DE RECEITAS — FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS — ART. 281, II, DO DECRETO 3000/99: OMISSÃO DE RECEITA CARACTERIZADA PELA EXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS REALIZADOS PELA FISCALIZADA CUJOS ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS APRESENTADOS Fl. 2613DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.570 8 (CHEQUES) INDICAM QUE OS MESMOS FORAM DEPOSITADOS EM CONTA CORRENTE. EM FACE DA AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO NO VERSO DOS MESMOS DE QUE SERVIRAM PARA PAGAR TÍTULOS E DA AUSÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO DOS MESMOS NA CONTA BANCOS DA FISCALIZADA, EVIDENCIASE QUE A ESCRITURAÇÃO DA FISCALIZADA NÃO REFLETE DE QUE FORMA OS PAGAMENTOS REALMENTE SE SUSCEDERAM E, POR CONSEGUINTE, FICA CONFIGURADA A PRESUNÇÃO DE QUE TENHAM SIDO EFETUADOS COM RECEITAS MANTIDAS A MARGEM DA ESCRITURAÇÃO REGULAR DA EMPRESA. 45. A empresa apurou o imposto de renda da pessoa jurídica com base no lucro real anual nos anos fiscalizados. As receitas omitidas e as despesas não dedutíveis resultantes das infrações acima descritas, deverão ser ajustadas ao lucro líquido apurado nos anos fiscalizados na forma do art. 249, iricisos 1 e II do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), na determinação do montante do imposto de renda devido. Da mesma forma, apuramse de forma reflexa as contribuições para o PIS/PASEP, COFINS e CSLL, cujos Autos de Infração, de acordo com o que determina o § 10 do art. 90 do Decreto n° 70.235/72, com nova redação dada pela Lei n° 8.748/93, comporão o mesmo processo do IRPJ. Foram ainda apuradas infrações relativas à insuficiência de saldo de Prejuízo Fiscal e de Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social no ano de 2006, conforme discriminado nos Docs. 124 e 125. Tendo em vista as infrações apuradas, as autoridades lançadoras aplicaram a multa qualificada de 150%, formalizaram processo de representação fiscal para fins penais e, com fundamento nos arts. 121, 124 e 135 do CTN, responsabilizaram os sócios, diretores e procuradores da fiscalizada pelo crédito tributário lançado (Termos de Sujeição Passiva Solidária, às fls. 1.700/1.704). A aplicação da multa qualificada e a responsabilização tributária estão assim justificadas no Relatório de Auditoria Fiscal: DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA DE 150% E DA RESPONSABILIZACÃO DOS SÓCIOS, DIRETORES E PROCURADORES DA EMPRESA FISCALIZADA 46. Em auditoria, o termo fraude se aplica a atos voluntários de omissão e manipulação de transações e operações, adulteração de documentos, registros, relatórios e demonstrativos contábeis, tanto em termos físicos, quanto monetários. Verificouse que a fiscalizada cometeu infrações de cunho tributário decorrentes de condutas repetitivas e continuadas nos três anos fiscalizados (2004, 2005 e 2006). A fiscalização, ao concluir a análise do fluxo dos recursos tomados emprestados pela fiscalizada, verificouas atípicas, posto que exageradas, sucessivas e temporalmente próximas, sem fundamento econômico ou propósito negocial, conforme deixou de comprovar a própria fiscalizada quando foi intimada acerca deste tema. Os Fl. 2614DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.571 9 documentos e informações colhidos de terceiros como: BACEN, TESOURO AMERICANO, MINISTÈRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES; da própria fiscalizada, e da LESSA ADMINISTRAÇÃO E PARTIC1PAÇÕES LTDA, reforçaram a certeza da fiscalização a respeito da falta de idoneidade da empresa INVERSORA HEINZ S/A, a qual não demonstra possuir nenhuma capacidade financeira, quiçá operacional, e de que os empréstimos são inexigíveis para a tomadora fiscalizada, estribando se nos pontos que considera cruciais enumerados no item 44, letra b, deste relatório. Os documentos apresentados tanto pela VALADARES DIESEL LTDA como pela LESSA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA, quais sejam: contratos de mútuo tomados pela fiscalizada, que tiveram como origem outros empréstimos contraídos pela INVERSORA HEINZ S/A de outras empresas no exterior, foram descaracterizados pela fiscalização e considerados inábeis para comprovar que as operações que de fato ocorreram foram empréstimos regularmente contraídos, tendo, inclusive, os documentos que foram apresentados como sendo a origem do lastro financeiro obtido pela INVERSORA HEINZ S/A, para a prática das operações com a fiscalizada, sido considerados sem valor jurídico pela fiscalização e, em alguns casos, inidôneos. Todas as circunstâncias e indícios apresentados concorreram para a fiscalização considerar que os valores lançados no passivo da empresa como empréstimos, na ausência de provas contundentes pela fiscalizada em contrário, presumemse receitas omitidas. Dada a forma como as operações foram realizadas e se sucederam umas as outras, mês após mês, ano após ano, não há outra hipótese senão a de se considerar que a manutenção desses valores, observada pela fiscalização nos três anos fiscalizados, no passivo da empresa na forma dissimulada de empréstimos, foi premeditada. Além dessa conduta, a fiscalizada também se utilizou do subterfúgio de deduzir despesas de amortização com ágio em investimentos nos anos de 2004 e 2005 de forma irregular, tendo em vista que não houve comprovação da compra de supostos títulos do tesouro americano de propriedade da INVERSORA HEINZ S/A pela fiscalizada, o quais teriam sido posteriormente usados para a aquisição de investimento em participação societária em outra empresa. O documento apresentado como comprobatório da propriedade dos títulos possui informações inconsistentes e não é representativo dos papéis que foram realmente emitidos em conformidade com os dados efetivos do Governo do Estado Americano, eivado que é de vícios de ordem material. Na mesma esteira, a não comprovação documental dos pagamentos de dívidas com fornecedores nos três anos consecutivos, caracteriza a intenção de assim proceder da fiscalizada. Evidentemente que a empresa operou nesse contexto das infrações sob a égide de seus sócios, diretores, administradores e representantes, inclusive os nomes de vários deles se fazem presentes na assinatura dos diversos contratos analisados por essa fiscalização, indicando que foram os autores diretos das operações que ora são esmiuçadas e consideradas como fatos geradores de imposto e de contribuições federais, convertendo Fl. 2615DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.572 10 se em matéria tributável cujas receitas foram mantidas a margem da tributação de forma sistemática nos três anos observados pela fiscalização. A conduta do contribuinte que resultou nas infrações tributárias é que define a multa a ser aplicada. Será de 150% se agiu com evidente intuito de fraude: [...] 47. A conduta do contribuinte, certamente, enquadrase no preceito estabelecido pelo art. 44, inciso 1, e § 1º da Lei n° 9.430/96, sujeitandoo, portanto, à multa de ofício qualificada, posto que manteve no passivo da empresa, de forma não justificável, tendo em vista a utilização de empresa que a fiscalização considera só existir no papel e terem sido considerados sem propósito, vultosa quantia na forma de empréstimos, ou seja, o contribuinte impediu deliberadamente o conhecimento do fato gerador modificando as suas características essências e as circunstâncias materiais em que ocorreram com vistas a se eximir do pagamento do montante do imposto devido, ademais de ter criado despesas inexistentes para deliberadamente reduzir o montante do imposto apurado em 2004 e 2005 e pagar obrigações com recursos mantidos à margem da tributação, uma vez não comprovado pela fiscalizada que os cheques recebidos das pessoas jurídicas pertencentes ao mesmo grupo societário se prestaram a esse fim. PARTE IX RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS [...] Ficou comprovada e evidente a participação das seguintes pessoas, as quais tiveram ingerência nos fatos que resultaram na apuração das infrações descritas neste relatório: RÔMULO EUSTÁQUIO GONÇALVES LESSA, CPF 468.064.66672: assina como suposto 1º vicepresidente da INVERSORA HEINZ S/A; assinou os contratos de empréstimos para a VALADARES DIESEL LTDA representando a INVERSORA HEINZ S/A; assinou os contratos de venda de dólar representando a fiscalizada e assinou o contrato de compra e venda de notas do tesouro dos Estados Unidos representando a INVERSORA HEINZ S/A; LUIZ GONÇALVES LESSA JÚNIOR, CPF 308.509.08604: assinou os contratos de empréstimos para a VALADARES DIESEL LTDA representando a fiscalizada; assina como suposto 2° vicepresidente da INVERSORA HEINZ S/A; JAYRO LUIZ LESSA, CPF 069.740.74620: sócio cotista da VALADARES DIESEL LTDA, assina como presidente da INVERSORA HEINZ S/A; assina como diretor da VALADARES DIESEL LTDA no contrato de compra e venda de notas do tesouro dos Estados Unidos; Fl. 2616DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.573 11 OROSIMAR VALENTIM FRAGA, CPF 179.128.65691: administrador da fiscalizada nomeado em contrato social; VDL PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 70.949.888/000199: sócia pessoa jurídica da VALADARES DIESEL LTDA. A VDL PARTICIPAÇÕES LTDA é a holding do grupo e VDL PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 70.949.888/000199: sócia pessoa jurídica da VALADARES DIESEL LTDA. A VDL PARTICIPAÇÕES LTDA é a holding do grupo e tem como SÓCIO cotista majoritário o Sr. JAYRO LUIZ LESSA, CPF 069.740.74620. A VDL PARTICIPAÇÕES LTDA detêm 99,20% do capital da VALADARES DIESEL LTDA [sic]. Às fls. 133/137, encontrase o Índice de Documentos do Processo elaborado pela autoridade lançadora. Cientificados da autuação, a contribuinte Valadares Diesel Ltda e os responsabilizados apresentaram as impugnações às fls. 1.719/2.206 (volumes IX, X e XI), sendo que parte dos documentos juntados pela contribuinte passaram a compor o Anexo IV (volumes I, II e III) dos autos. Em suas impugnações os responsabilizados pediram a “exclusão do pólo passivo do lançamento fiscal em exame, afastandose a responsabilidade tributária nele consignada, tanto solidária, quanto pessoal”, e, alternativamente, o cancelamento dos autos de infrações em face das “razões de mérito expostas pela VALADARES DIESEL LTDA., em sua peça de Impugnação”. Quanto à exclusão do polo passivo, invocando julgado do então 1º Conselho de Contribuintes, os responsabilizados, em resumo, assim se manifestaram: Desta forma, não há como negar o equívoco cometido pela autoridade autuante, visto que: § indicou o Impugnante como responsável solidário da empresa VALADARES DIESEL LTDA., apesar de não existir qualquer prova da existência de interesse comum entre estes sujeitos na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, na forma do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, somente presunções; § tentou justificar a incidência do artigo 124, inciso II, do Código Tributário Nacional, cumulandoo com o artigo 135, também do CTN, que disciplina, como demonstrado, responsabilidade pessoal do sócio do sujeito passivo da obrigação principal, e não responsabilidade solidária, fracassando, ainda, em comprovar a existência de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Fl. 2617DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.574 12 No que tange ao lançamento do crédito tributário exigido, a contribuinte VALADARES DIESEL LTDA pediu o arquivamento dos autos de infração, em resumo, em virtude dos seguintes argumentos (Volume XI, fls. 1.999/2.205): II – DA DECADÊNCIA PARCIAL DA PRETENSÃO FAZENDÁRIA. [...] Deste modo, considerando os efeitos das decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo da Controvérsia, aliado às razões aduzidas no presente tópico, espera a Impugnante ter demonstrado a ocorrência da decadência da pretensão fazendária em efetuar o lançamento tributário com relação ao IRPJ, à CSLL, ao PIS e à COFINS, no que se refere aos supostos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004, bem como nos meses de janeiro a agosto do anocalendário de 2005, motivo pelo qual tais valores devem ser excluídos do cômputo do auto de infração ora combatido. II – DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. [...] a) Da comprovação dos empréstimos contraídos pela Impugnante perante a sociedade Inversora Heinz S/A. Do incorreto emprego da presunção em detrimento dos elementos de prova apresentados nos autos. a.1) Consideração preliminar. [...] Nestes termos, o cerne da questão que ensejou a exigência é o entendimento do agente fiscal (manifestado através da presunção legal do art. 281, III, do RIR/99) de que os empréstimos recebidos da INVERSORA HEINZ não são exigíveis, pelo que a obrigação lançada na conta 2201010216 constituiria um passivo fictício, caracterizando as receitas omitidas. Entretanto, com a devida vênia do trabalho fiscal realizado, a Impugnante entende que a presunção efetuada pela fiscalização foi afastada pelo próprio agente lançador, visto que conforme o descrito às fls. 05 a 23 e a documentação anexada ao processo, pode ser verificado que todos os empréstimos tiveram os devidos contratos de câmbio, com registros pertinentes no Banco Central do Brasil. Este é o dado fático que prova a efetiva consecução dos empréstimos e, consequentemente, a sua existência e exigibilidade, elementos que afastam a presunção de omissão de receitas com base em passivo fictício. Logo, o próprio relato fiscal e a documentação que o ampara são os elementos fáticos que elidem a presunção legal. Fl. 2618DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.575 13 Não há como se ter como inexistente e/ou inexigível uma obrigação devidamente registrada e pendente de acompanhamento pelo Banco Central, inclusive por ser sujeita ao seu Regulamento e passível de aplicação das rigorosas e vultuosas penalidades do BACEN. As demais afirmativas do agente fiscal são simples ilações, sem qualquer vínculo com o pretenso ilícito do passivo fictício. Estas outras alegações não são contempladas pela presunção legal constante do artigo 281, III, do RIR/99. A presunção legal é única, ou seja, inerente à existência e exigibilidade da obrigação. Se provado estes dados (o que foi feito no curso do trabalho fiscal, pela explicitação da entrada dos recursos pela rede bancária e pelos registros pertinentes no banco central), não poderão outras ilações amparar qualquer exigência a título de passivo fictício. [...] a.2) Dos elementos de prova acerca dos empréstimos contraídos pela Impugnante perante a sociedade Inversora Heinz S/A. [...] Pela leitura dos argumentos utilizados pelo agente lançador, depreendese que a motivação que o levou a desconsiderar os empréstimos contraídos da Inversora Heinz S/A, bem como a peremptoriamente não aceitar como prova os diversos documentos apresentados pela Impugnante referentes a tais operações, se resume no fato de que a fiscalização questiona a razão para terse constituído tal obrigação, bem como também a própria existência da referida sociedade. [...] Percebese, portanto, que conforme discriminado no Quadro Demonstrativo acima elaborado, a Impugnante não deixou de prestar os esclarecimentos pertinentes em nenhum dos 05 (cinco) Termos de Intimação expedidos pela fiscalização, muito pelo contrário, trouxe diversos elementos de prova aliados aos esclarecimentos correspondentes. Ressaltese, ainda, que para fins de verificação acerca das operações realizadas com a sociedade Inversora Heinz S/A, a fiscalização também expediu, concomitantemente aos 05 (cinco) Termos de Intimação Fiscal que foram lavrados em face da Impugnante, o TERMO DE DILIGÊNCIA FISCAL de fls. 772, para que a Lessa Participações Ltda. comprovasse o exercício do controle sobre a Inversora Heinz S/A, bem como a origem dos recursos recebidos na forma de empréstimos, nos anos de 2004, 2005 e 2006, nos seguintes valores: R$ 16.252.590,00 (ano de 2004); R$ 5.707.840,00 (ano de 2005) e R$ 7.497.020,00 (ano de 2006). Fl. 2619DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.576 14 Nestes termos, em sua resposta de fls. 777, a sociedade Lessa Participações Ltda. efetivamente comprovou o controle societário sobre a Inversora Heinz, apresentando à fiscalização a cópia autenticada do Certificado Representativo da totalidade das ações ao portador emitidas por aquela empresa (fls. 778). Para robustecer ainda mais os elementos de prova que revelam a estrutura societária da INVERSORA HEINZ S/A, a Impugnante traz aos autos os Atos Constitutivos da referida sociedade (DOCUMENTOS EM ANEXO — 01), devidamente registrados e chancelados pelo Governo do Uruguai. E mais, ainda em sua resposta à fiscalização de fls. 777, a sociedade Lessa Participações Ltda. também comprovou a origem dos recursos emprestados pela Inversora Heinz S/A para a Impugnante, apresentando as cópias autenticadas dos contratos firmados pela INVERSORA, através dos quais foram contraídos os empréstimos junto a instituições financeiras localizadas no exterior (fls. 784/786 e 794/796). E neste caso, de modo a afastar o argumento da fiscalização no sentido de que não poderiam ser aceitos como prova documentos que estivessem em inglês, a Impugnante anexa a presente peça de defesa os referidos contratos firmados pela INVERSORA junto a instituições financeiras localizadas no exterior (FBP BANK INC, OLIMPUS INVESTMENT CORP, RUAL INTERNATIONAL BANK LIMITED, TRADE LINK BANK, e BANCO SANTANDER BRASIL S/A), devidamente traduzidos pela Tradutora Pública e Intérprete Comercial da Associação dos Tradutores Juramentados do Estado de Minas Gerais (DOCUMENTOS EM ANEXO 02). Corroborando com os esclarecimentos prestados pela Impugnante e pela Lessa Participações Ltda., também se depreendem dos autos os seguintes elementos de prova acerca das operações realizadas com a sociedade INVERSORA HEINZ S/A: a) Contrato de Fiança e Constituição de Penhor (fls. 805/809), com a indicação da sociedade responsável pela representação da instituição financeira do exterior (SOLAIR DO BRASIL REPRESENTAÇÕES LTDA.); b) Resposta da SOLAIR DO BRASIL REPRESENTAÇÕES LTDA. (fls. 810), apresentando à fiscalização a descrição dos serviços por ela prestados, bem como a cópia autenticada dos termos de abertura e encerramento dos Livros Diário e Razão dos anos calendário de 2004 e 2005, além das cópias das Notas Fiscais, dos Contratos de Câmbio fechados e dos correspondentes extratos bancários; c) Apresentação por parte da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através do OFÍCIO SGIGAB/05281201 0, dos Atos Constitutivos da HEINZ DO BRASIL COMERCIAL LTDA — CNPJ N° 16.970.253/000128, da Fl. 2620DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.577 15 qual a INVERSORA HEINS S/A é sócia cotista juntamente com o Sr. Rômulo Eustáquio Gonçalves Lessa (fls. 8271878); e d) Apresentação por parte do BANCO CENTRAL DO BRASIL BACEN, através do Ofício n° 1 74/2009/Decic/GTBHO, da seguinte documentação: SG/GAB/0528/2010, d.1) Contratos de câmbio de Recebimento de Empréstimo — período de 01.06.2004 a 14.12.2004. d.2) Relatório das transferências internacionais em reais — período de 11/97 a 06/2003. d.3) Cópia dos Contratos de Câmbio de Recebimento de Empréstimo — período de 14.12.2004 a 09/2006. d.4) Cópias dos esquemas de pagamento dos registros de operação financeira referentes aos empréstimos contratados com a INVERSORA HEINZ S/A. Significa, dizer, então, que no caso do empréstimo contraído em face da sociedade INVERSORA HEINZ S/A, os competentes Contratos de Empréstimos (fls. 195/207), juntamente com os originais dos Contratos de Câmbio relativos aos ingressos dos recursos, e das cópias dos extratos bancários comprovando os ingressos de recursos (fls. 208/284), aliados as cópias dos Livros Razão demonstrando a contabilização dos ingressos dos recursos e da aplicação dos mesmos (ANEXOS I e II), obviamente são elementos suficientes a demonstrar e comprovar a origem do valor investigado, ao contrário do que afirmou o agente lançador. Mas não é só. Como demonstrado anteriormente, aliado aos elementos de prova carreados aos autos pela Impugnante, também comprovam a efetiva ocorrência dos empréstimos contraídos da sociedade INVERSORA HEINZ S/A a própria documentação obtida pela fiscalização em suas diligências tanto perante o BACEN (Contratos de câmbio de Recebimento de Empréstimo; Relatório das transferências internacionais em reais; Cópia dos Contratos de Câmbio de Recebimento de Empréstimo; e Cópias dos esquemas de pagamento dos registros de operação financeira referentes aos empréstimos contratados com a INVERSORA HEINZ SIA), como também em face da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Atos Constitutivos da HEINZ DO BRASIL COMERCIAL LTDA, da qual a INVERSORA HEINS SIA é sócia cotista juntamente com o Sr. Rômulo Eustáquio Gonçalves Lessa (fls. 827/878). Nesse diapasão, estando a fiscalização de posse de todo este vasto documentário, o que é incontestável, não há mais que se olvidar da aplicação do artigo 282 do RIR/99, como inadequadamente o fez o agente lançador, para fins de buscar Fl. 2621DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.578 16 amparo em presunção legal, pois, neste caso, novamente se inverte o ônus da prova. Inclusive, o próprio emprego da presunção no caso sob exame, é fulminado pelo Egrégio Conselho de Contribuintes, conforme se depreende dos julgados abaixo transcritos: [...] Ademais, além dos Contratos de Empréstimo apresentados pela Impugnante, todo o seu documentário fiscal/contábil, acompanhado das declarações legalmente exigidas para fins de apuração dos tributos federais, fora efetivamente colocado à disposição da fiscalização no decorrer de seus trabalhos, não sendo detectada por esta, nenhuma irregularidade na escrita do contribuinte. Por esta razão, equivocouse a fiscalização quanto ao emprego da presunção legal, pois tal premissa legal não permite que o Fisco peremptoriamente afaste os elementos de prova apresentados pelos contribuintes, no intuito de alcançar uma aventada “segunda presunção”, qual seja, de que a sociedade INVERSORA HEINZ S/A não teria suporte financeiro para contrair os empréstimos no exterior, chegando ao ponto de suscitar uma absurda “terceira presunção”, de que os empréstimos junto às instituições financeiras no exterior não teriam ocorrido. Não obstante, para ilidir totalmente quaisquer das hipóteses “presumidas” pelo agente lançador, a Impugnante anexa a presente peça de defesa a documentação que comprova o expressivo volume de operações de exportação da Inversora Heinz S/A (DOCUMENTOS EM ANEXO — 03), documentos estes que são suficientes para comprovar não apenas a indubitável existência da referida sociedade, como também sua capacidade financeira, o que afasta a tese da fiscalização de que a mesma não poderia ter contraído empréstimos no exterior. Por este motivo, tornase nítido que a fiscalização optou pelo inadequado uso da presunção, ao invés de aprofundar os seus trabalhos fiscais. Ademais, existe regra própria no RIR/99, que fulmina tal prática, a saber: “Da Prova Art. 923. [...] Ônus da Prova Art. 924. [...] Percebese, portanto, a total ausência de critério da fiscalização, na medida em que pautou seus trabalhos em singelos indícios, além de, com o objetivo de alcançar um suposto ilícito fiscal, ter Fl. 2622DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.579 17 se socorrido de três presunções, as quais sequer encontravamse revestidas de legitimidade. Há que se lembrar, ainda, que o indício não é uma prova diretamente relacionada ao fato que se deseja provar. O indício representa um outro fato, mas que, por intermédio de um raciocínio, poderia vir a indicar a ocorrência do fato que se deseja provar. [...] Desta forma, entende a Impugnante como plenamente demonstrada a precariedade do lançamento fiscal, na medida em que este se utilizou critério carecedor de fundamentação, o qual fora pautado em meros indícios e simples presunções que não às legalmente permitidas , razão pela qual deverá ser declarada a nulidade/improcedência da exação. b) Da legitimidade das operações de empréstimos/mútuo pela Impugnante, na qualidade de sociedade controlada pela LESSA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA.. b.1) Considerações Preliminares. [...] Surpreende a utilização de uma presunção legal de omissão de receitas contra a ora Impugnante, em vista de possível falha na contabilidade de outra empresa, que não a autuada. Porém, apesar desta perplexidade, as alegações que se seguem, bem como a efetiva prova que se realiza, fatalmente afastarão a presente exigência fiscal. b.2) Da comprovação dos empréstimos/mútuos entre a Impugnante e a sociedade LESSA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA.. [...] No caso, o agente lançador elaborou às fls. 77/91, do Relatório Fiscal, uma “RELAÇÃO DE SUPRIMENTOS DE CAIXA SEM O CORRESPONDENTE LANÇAMENTO CONTÁBIL NA SUPRIDORA”, de modo a justificar a imputação sobre o montante inerente aos suprimentos de caixa feitos na forma de empréstimos tomados junto à LESSA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA.. Contudo, de forma a afastar por completo a justificativa que amparou tal rubrica do lançamento tributário, a Impugnante apresenta, nesta oportunidade, os seguintes elementos de prova (DOCUMENTOS EM ANEXO 04): A) Cópias autenticadas dos Livros Diário da sociedade LESSA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA., nos quais restam assinalados os lançamentos contábeis de todos os valores objeto da autuação; Fl. 2623DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.580 18 B) Cópias autenticadas dos Recibos dos empréstimos tomados da sociedade LESSA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA.; e C) Cópias autenticadas dos Boletos/Faturas da Impugnante, os quais correspondem aos pagamentos efetuados através dos empréstimos/mútuos tomados junto à LESSA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA.. Logo, a prova dos registros dos empréstimos tomados junto à LESSA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA., acrescida dos correspondentes pagamentos das faturas/boletos, frisese, nos mesmos valores discriminados pela fiscalização na “RELAÇÃO DE SUPRIMENTOS DE CAIXA SEM O CORRESPONDENTE LANÇAMENTO CONTÁBIL NA SUPRIDORA”, evidentemente se traduz em elemento que ilide por completo a autuação fiscal. Assim, não restam mais dúvidas quanto à legitimidade da prova apresentada pela Impugnante, a qual afasta o “motivo da refuta” que fundamentou o ilícito apontado pela fiscalização. Neste sentido, já se manifestou o Egrégio Conselho de Contribuinte, vejase: [...] Inclusive, em suas respostas aos Termos de Intimação Fiscal expedidos pelo agente lançador, a Impugnante esclareceu por diversas vezes que as movimentações entre as empresas controladas pela LESSA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. são centralizadas, para fins de controles internos, através da controladora, sendo registradas as movimentações entre a empresa fornecedora dos recursos e a tomadora, com a intermediação da empresa controladora. Pelo exposto, uma vez que os empréstimos foram comprovados pela Impugnante, através de documentação hábil e idônea, resta então demonstrada a improcedência do lançamento fiscal, neste particular, razão pela qual haverá de ser cancelada a exigência tributária inerente aos os suprimentos de caixa feitos na forma de empréstimos tomados junto à LESSA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA.. c) Do incorreto emprego da presunção para fins de invalidar os empréstimos provenientes de empresas do mesmo grupo. [...] De plano, conforme por diversas vezes narrado pela Impugnante nesta peça de defesa, já se tornou claro que a mesma compõe um grupo de empresas, dentre as quais também fazem parte as empresas intimadas pela fiscalização, a saber: GOIÁS CAMINHÕES E ÔNIBUS LTDA, CARDIESEL LTDA, CALISTO DIESEL DE VEÍCULOS LTDA, AUTOSETE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA, HORIZONTE TEXTIL LTDA, OSAKA AUTOMÓVEIS LTDA, VDL FOMENTO LTDA, VDL Fl. 2624DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.581 19 SIDERURGIA LTDA, VADIESEL VALE DO AÇO DIESEL LTDA E UBERLÂNDIA CAMINHÕES E ÔNIBUS LTDA. Assim, o fato das empresas acima discriminadas terem emitido cheques nominais à Impugnante, indicam que tal procedimento se constituía em regular trâmite entre as mesmas, sem qualquer objetivo contrário à lei, ou mesmo que buscasse camuflar as suas operações de caráter comercial, tanto é que a fiscalização não encontrou qualquer óbice para o recebimento das cópias dos cheques solicitadas. [...] Em verdade, o simples fato de a fiscalização ter se socorrido para fundamentar o lançamento tributário, tãosomente de eventuais irregularidades no que tange a requisito previsto em norma de caráter comercial (Lei do Cheque), já indica sua incerteza quanto à exatidão da matéria tributável. Verificase, portanto, na hipótese da exigência fiscal sob exame, a inequívoca utilização indevida da presunção, para fins de validar o lançamento tributário. Ocorre que, a prova por indícios, ou mesmo por presunções, por não ser direta, demanda zelosa cautela, já que envolve uma maior possibilidade de erro que a chamada prova direta. Significa, dizer, então, que um indício pode ser utilizado como meio de prova, dando origem a uma presunção, quando indício e presunção geram a convicção de que não existe nenhuma outra alternativa razoável que não aquela indicada pelo indício. Inclusive, a ausência do aprofundamento do trabalho fiscal se torna mais evidente na medida em que não houve qualquer depuração para fins de verificar se os suprimentos de caixa foram registrados contabilmente, ou mesmo estariam vinculados a receitas que já haviam sido oferecidas à tributação anteriormente pelas demais empresas do grupo, ou seja, àquelas que foram intimadas no decorrer do procedimento fiscal instaurado em face da Impugnante. Este também é o entendimento do Conselho de Contribuintes (atual CARF) sobre o tema, vejase: [...] Por derradeiro, não obstante o acima exposto, também merece ser destacado que a afirmação fiscal de que as contas bancárias n°s 13094O e 03964, do Banco Bradesco S/A, e a conta n°06905, do Banco Rural S/A, de titularidade da Impugnante, não estariam escrituras, de forma alguma condiz com a realidade dos fatos, o que poderá, inclusive, ser verificado através de eventual diligência. Desta forma, entende a Impugnante como plenamente demonstrada a precariedade do lançamento, na medida em que para a fiscalização chegar à presunção legal esta se utilizou de Fl. 2625DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.582 20 critério carecedor de fundamentação, pautado em meros indícios e simples presunções, que não as legalmente permitidas, o qual jamais poderia se sobrepor aos elementos de prova e justificativas constantes dos autos. d)Do equívoco no tocante à análise da operação de compra de títulos da INVERSORA HEINZ S/A. [...]agente lançador simplesmente com base em pretensas “inconsistências” por ele verificadas, através de buscas em sítios da internet, busca desconstituir todos os elementos de prova constantes dos autos, os quais atestam não apenas a efetiva aquisição por parte da Impugnante das NOTAS DO TESOURO AMERICANO, como também todas as operações decorrentes desta compra. De plano, há que se ressaltar que, consoante consta do próprio Relatório Fiscal, a fiscalização reconhece que a operação societária vinculada à compra dos títulos foi devidamente registrada contabilmente pela Impugnante, ao afirmar que “a escrituração seguiu o art. 384 do R1R199”. E mais, se verifica também que a Impugnante, através de resposta datada de 18/102/2007 (fls. 884/889), há muito já havia informado à Administração Tributária as condições da operação em exame, da seguinte forma: [...] Deste modo, constam dos autos os seguintes elementos de prova: a) ATA DA ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA, referente à cisão parcial da sociedade VDL NET S/A (fls. 891; b) PROTOCOLO JUSTIFICAÇÃO DE CISÃO PARCIAL (fls. 892/897; c) LAUDO DE AVALIAÇÃO do Patrimônio Líquido da VDL NET S/A (fls. 898/899); d) CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE NOTAS DO TESOURO DOS ESTADOS UNIDOS (fls. 900/903); e e) ORIGINAL DO BOLETO DE AQUISIÇÃO DAS NOTAS DO TESOURO AMERICANO (fls. 932/933) Destarte, como se já não fosse suficiente todo o documentário acima discriminado, também consta dos autos o MEMORANDO RF/Suari/Corin/N° 010, expedido pelo Coordenador Técnico da Coordenação Geral de Relações Internacionais (fl. 943), de onde se subtraem as seguintes informações, verbis: [...] Logo, os documentos apresentados pela Impugnante, e as próprias informações obtidas pela fiscalização através do Fl. 2626DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.583 21 memorando expedido pelo Coordenador Técnico da CoordenaçãoGeral de Relações Internacionais revestem de plena legalidade a aquisição das Notas do Tesouro Americano questionada pelo agente autuante, razão pela qual, são elementos suficientes para demonstrar a total improcedência do presente lançamento fiscal. Não obstante, vale mencionar ainda que, quanto à matéria em exame, o Egrégio Conselho de Contribuintes já se manifestou de forma contrária às formalidades ora exigidas pelo agente lançador, [...] [...] Concluise, então, que houve por parte da Impugnante a devida comprovação da aquisição das Notas do Tesouro Americano, além do efetivo registro da operação societária vinculada a tal compra, nos moldes como determina a legislação de regência. Logo, não restam dúvidas de que tal procedimento adotado pelo agente lançador está em total desacordo com o disposto no parágrafo 1°, do artigo 845, do R1R199, que assim determina: [...] Repisese que a fiscalização, ao invés de buscar fundamentos para refutar a resposta da contribuinte, no que não logrou êxito, buscou simplesmente apontar eventuais “formalidades” que supostamente não teriam sido cumpridas pela Impugnante. Ora, claramente se constata mais uma vez a imprecisão do trabalho fiscalizatório quanto à exatidão da matéria tributável, pelo que, consequentemente, tornase evidente que o agente lançador se utilizou, frisese, incorretamente e exclusivamente de presunção, para fins de efetuar o lançamento tributário. [...] IV DA INCORRETA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. Em razão dos argumentos expostos pela Impugnante nos tópicos anteriores, tornase completamente incabível a qualificação da multa de ofício, como de fato lhe foi imputada através do lançamento tributário ora combatido. Até mesmo porque, há que ser considerado o fato de que a Impugnante efetivamente prestou todos os esclarecimentos devidos, o que ratifica o equívoco da aplicação da multa qualificada consubstanciada nestes autos, pois a não aceitação por parte do agente autuante, da totalidade das justificativas apresentadas anteriormente à lavratura do auto de infração, não pode ser utilizada como fator preponderante para a majoração da penalidade por eventual infração de ordem tributária. Ademais, não há como se cogitar da hipótese de que as eventuais omissões apuradas pela fiscalização, já seriam suficientes para Fl. 2627DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.584 22 configurar “evidente intuito de fraude”, pois, para estes casos, não restam dúvidas de que o correto, se cabível, seria a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), como determina a legislação de regência. O Conselho de Contribuintes há muito vem afastando a aplicação da multa agravada, em casos semelhantes ao da Impugnante, vejase: [...] Ressaltese, ainda, que o próprio Supremo Tribunal Federal, já se manifestou no sentido da inconstitucionalidade de multas aplicadas em percentual superior ao valor do principal, como se depreende do trecho do voto do Exmo. Ministro Marco Aurélio, proferido na ADIN n° 551 1/RJ, vejase: [...] V – DO PROCEDIMENTO REFLEXO INERENTE À CSLL, AO PIS, E À COFINS. [...] VI – DA RECOMPOSIÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL, EFETUADA PELA FISCALIZAÇÃO. [...] É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 09 33.595 (fls. 2.2152.233) de 17/02/2011, considerou parcialmente procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONDUTA DOLOSA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário deslocase da regra do parágrafo 4º do artigo 150 para a do inciso I do artigo 173, ambos do CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. A existência da responsabilidade pessoal das pessoas referidas no art. 135 do CTN não afasta a sujeição passiva da pessoa jurídica na condição de contribuinte, permanecendo todos igualmente responsáveis pelo crédito tributário, sem benefício de ordem. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Fl. 2628DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.585 23 PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. OMISSÃO DE RECEITA. Cabe à fiscalização a prova do fato indiciário, que, uma vez comprovado, leva à presunção de omissão de receita (fato presumido), a qual permanece incólume quando o sujeito passivo não logra afastála. De outro lado, é incabível a presunção de omissão de receita nos casos em que não comprovado o fato indiciário. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. São indedutíveis na apuração do lucro real e do lucro líquido as despesas que estejam contabilizadas, mas que não haja comprovação da efetividade da operação correspondente. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS. Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando o aprofundamento da investigação fiscal demonstra o intuito de fraude, com a simulação de negócios jurídicos, tanto para omitir receitas como para deduzir despesas indevidamente. DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos litígios decorrentes, referentes a outros tributos, quanto à mesma matéria fática.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 01/03/2011 (fl. 2.266 2.270) a interessada e solidários interpuseram recursos voluntários em 28/03/2011 (Jairo Luis Lessa fls. 2.2732.285; Rômulo Estáquio Gonçalves Lessa fls. 2.2872.299; Luis Gonçalves Lessa Junior fls. 2.3012.313; Orosimar Valentim Fraga fls. 2.3152.327; VDL Participações fls. 2.3292.341) e em 29/03/2013 (Valadares Diesel fls. 2.3512.397), onde repisam os argumentos apresentados na fase de impugnação. A Delegacia de Julgamento recorreu de ofício tendo em vista a parte do crédito tributário exonerada ter excedido o limite de alçada previsto na legislação. É o relatório. Fl. 2629DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.586 24 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Dos Recursos Voluntários Ponderase, de início, que a legitimidade para interpor recurso administrativo, por aqueles apontados pela fiscalização como responsáveis tributários, encontra respaldo na Portaria RFB nº 2.284, de 29/11/2010 e na Súmula CARF nº 71, abaixo transcrita. Súmula CARF nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Assim, por tempestivos, conheço dos Recursos Voluntários apresentados pelos responsabilizados e pela pessoa jurídica autuada na condição de contribuinte. Passo, então, à análise do litígio instaurado, na ordem dos argumentos aduzidos pela Autuada e pelos responsabilizados, doravante chamados de Recorrentes. Da argüição de decadência Sabese que o IRPJ, a CSLL, o PIS/Pasep e a Cofins amoldamse ao chamado lançamento por homologação, cuja regra específica de decadência encontrase estabelecida no art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] §4º. Se a Lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação . [Grifei] . Em observância à ressalva estabelecida no § 4º do art. 150 do CTN, nos casos de dolo, fraude ou simulação a contagem do prazo de decadência é deslocada para a regra geral do art. 173, I, do CTN, que assim dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 2630DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.587 25 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]. [Grifei]. Essa interpretação dos arts. 150, § 4º e 173, inciso I, ambos do CTN, tem sido adotada pela jurisprudência administrativa. Conforme se verá ao longo do presente voto, no caso vertente restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, aplicando a regra do art. 173, inciso I, do CTN para os fatos geradores lançados mais longínquos, ocorridos em 31/12/2004, o marco inicial da contagem do prazo decadencial se inicia no ano de 2006, pois o lançamento só poderia ter sido efetuado a partir de 2005. Portanto, em 09/09/2010, data da ciência dos lançamentos pela contribuinte (fl. 2.211), ainda não havia transcorrido o prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Sendo assim, deve ser rejeitada a argüição de decadência levantada no recurso. Da Omissão de receita. Foi efetuado o lançamento de ofício por omissão de receitas, relativo aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, com fundamento no art. 281, incisos II e III, do RIR/99, que assim dispõe: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): [...] II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Os incisos acima transcritos têm matriz legal no artigo 40 da Lei nº 9.430/96, abaixo reproduzido: Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. Por meio desse dispositivo o legislador estabeleceu de forma clara uma presunção legal e relativa de omissão de receita, a qual já se encontra plenamente sedimentada na esfera administrativa de julgamento: Súmula CARF nº 54: A constatação de existência de "passivo não comprovado" autoriza o lançamento com base em presunção legal de omissão de receitas somente a partir do anocalendário de 1997. Fl. 2631DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.588 26 Em face da presunção legalmente estabelecida, cabe à fiscalização a prova do fato indiciário, que se comprovado leva à presunção de omissão de receita (fato presumido). Sendo relativa a presunção legal, cabe ao sujeito passivo provar que a omissão de receita não ocorreu. Assim, por exemplo, partindose do fato indiciário de que pagamentos efetuados não foram escriturados, chegase ao fato legalmente presumido de que houve omissão de receitas. Essa presunção legal baseiase na experiência de que se o pagamento não foi contabilizado, via de regra, o recurso utilizado para esse pagamento também não foi, o que implica a omissão de receita. Ao demonstrar a existência de pagamentos não escriturados, o Fisco se desincumbe de provar a ocorrência da omissão de receita e inverte o ônus probante. É o sujeito passivo que deve comprovar a origem dos recursos utilizados no pagamento. Deixando de fazê lo, está configurada a presunção legal de omissão de receitas. Sob esse prisma, passo à análise das omissões de receitas apontadas pela fiscalização. 1 – Empréstimos tomados da Inversora Heinz S/A Segundo a fiscalização, a contribuinte não comprovou a exigibilidade das obrigações escrituradas como empréstimo da Inversora Heinz S/A, configurando assim a omissão de receita em face de passível não exigível (art. 281, inciso III, do RIR/99). De início, destaco que a auditoria fiscal decorreu de comunicação do Banco Central do Brasil – BC (fls. 738/739), de 03/08/2007, à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Com base em contratos de câmbio relativos a mútuos entre a contribuinte e a Inversora Heinz S/A, o BC encontrou indícios de que essas operações envolviam “retorno ao País dos recursos da própria empresa [Valadares Diesel Ltda – acrescentei] enviados para as Ilhas Bahamas e para o Uruguai, no mercado de Transferências Internacionais em Reais.” Os indícios apontados pelo BC podem ser assim sintetizados: entre novembro/97 e junho/2003, a contribuinte transferiu para o exterior, no mercado de Transferências Internacionais, cerca de R$ 15 milhões, sem qualquer registro de retorno até a época do comunicado do BC em agosto de 2007; da análise das demonstrações financeiras da Valadares Diesel Ltda, podese deduzir que, no ano de 2004, praticamente a totalidade dos direitos a receber estariam aplicados no exterior (a conta “Aplicações” não comportava as disponibilidades mantidas no exterior), hipótese pouco provável; entre 2004 e 2006, a Valadares Diesel Ltda contratou empréstimos externos, sem a incidência de juros (prática não usual), com a Inversora Heinz S/A, empresa sediada no Uruguai, num total de US$ 11.500.000,00; não houve nenhuma remessa de recursos a título de pagamento dos empréstimos, sendo que do total ingressado, US$ 9.500.000,00 já estavam com pagamento atrasado, com parcelas cujas datas de vencimento variam de julho/2006 a junho/2007. Fica claro pela comunicação do Banco Central à RFB que os contratos de câmbio registrados no BC não foram cumpridos pela Valadares Diesel Ltda, já que não houve remessas para o exterior a fim de quitar os empréstimos contratados. Evidentemente, diante dos indícios apontados, esses contratos, além de não justificarem os empréstimos tomados da Fl. 2632DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.589 27 Inversora Heinz S/A, não comprovam a efetiva realização destes, tampouco a respectiva exigibilidade. Não obstante essa constatação, é da fiscalização o ônus de provar o fato indiciário – a manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada que leva à presunção legal de omissão de receita. Nesse sentido, a fiscalização procedeu a uma análise detalhada sobre os recursos recebidos da Inversora Heinz S/A e seu trânsito na contabilidade da contribuinte, conforme consubstanciado na Parte III do Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 34/53). Das inúmeras constatações da auditoria fiscal, destaco as seguintes: até o final da fiscalização, em agosto de 2010, a contribuinte, sem qualquer justificativa plausível, não havia pago qualquer valor relativo aos empréstimos escriturados como sendo da Inversora Heinz S/A, mesmo já tendo transcorrido quase quatro anos dos primeiros vencimentos; os valores recebidos da Inversora Heinz S/A ou permaneceram em aplicações financeiras ou foram repassados, via empréstimos sem juros (sistema de compensação contábil), para empresas do grupo VDL Participações Ltda, principalmente a Lessa Administração e Participações Ltda1, sem qualquer justificativa aparente (ex.: a Lessa Administração e Participações Ltda tinha saldo expressivo na conta Caixa à época dos empréstimos – Anexo II); mesmo após o vencimento das obrigações, valores recebidos da Inversora Heinz S/A permaneceram em aplicações financeiras (ex.: empréstimo de R$ 2.724.920,00, cujo vencimento ocorreu em 20/7/2006 – Doc. 121). A documentação invocada pela contribuinte não afasta os indícios que deram origem à auditoria fiscal nem as constatações acima referidas, que quando analisadas em conjunto já são suficientes para demonstrar a manutenção no passivo de obrigações com exigibilidade não comprovada. Provado então esse fato indiciário, caberia ao sujeito passivo refutar a presunção legal e relativa de omissão de receita estabelecida no art. 281, inciso III, do RIR/99, o que na espécie não ocorreu. Pelo contrário, o aprofundamento da investigação fiscal reforçou a omissão de receita presumida, demonstrando inclusive práticas dolosas que buscaram ocultar o real acontecimento dos fatos e dar uma aparente legalidade formal às operações alegadas pela Valadares Diesel Ltda e outras empresas envolvidas, que tinham em comum as pessoas responsabilizadas pela fiscalização, conforme se verá adiante. A contribuinte foi intimada a apresentar documentos que comprovassem “o(s) fator(es) que implicaram na necessidade dos empréstimos” e a “EFETIVA APLICAÇÃO dos empréstimos nas atividades econômicas da Valadares Diesel Ltda” (Termo de Intimação Fiscal n.º 01 fl. 185). No entanto, não apresentou qualquer documento ou esclarecimento hábeis a responder esses questionamentos da fiscalização, o que, mais uma vez, indica a inexistência de propósito negocial nos “empréstimos” tomados da Inversora Heinz S/A. A contribuinte sustenta que, assim como a Inversora Heinz S/A, é controlada pela Lessa Administração e Participações Ltda. Tal informação, ainda que comprovada, o que não ocorreu nos autos conforme se verá a seguir, carece de outros elementos de prova a fim de afastar a existência no passivo de obrigações inexigíveis. Nos autos não há evidências de que a 1 A Valadares Diesel e a Lessa Administração e Participações Ltda pertencem ao mesmo grupo econômico, cuja a holding é a VDL Participações Ltda, e têm como sócios cotistas em comum, pessoas físicas, os responsabilizados Jayro Luiz Lessa, Luiz Gonçalves Lessa e Orosimar Valentin Braga, sendo que os dois primeiros são pai e filho. A Lessa Administração e Participações Ltda não possui participação societária na Valadares Diesel Ltda (Doc. 102 – fl. 769). Fl. 2633DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.590 28 contribuinte tenha pago suas obrigações para com a Inversora Heinz S/A por meio da Lessa Administração e Participações Ltda. A par disso, a análise feita a partir dos dados constantes do CNPJ dá conta de que a Lessa Administração e Participações Ltda não possui participação societária na Valadares Diesel Ltda (Doc. 102 – fl. 769), embora tenham em comum os mesmos sócios, pessoas físicas, os responsabilizados Jayro Luiz Lessa, Luiz Gonçalves Lessa e Orosimar Valentin Braga. Quanto ao controle da Lessa sobre a Inversora Heinz S/A, o título ao portador apresentado pela Lessa Administração e Participações Ltda (Doc. 1041, fl. 778) não comprova o controle societário sobre a Inversora Heinz S/A. Esse título é datado de 01/05/93, tem valor nominal de CR$ 500.000,00 (quinhentos mil cruzeiros reais) e representa 5.000 (cinco mil) ações ordinárias de CR$ 100,00 (cem cruzeiros reais). Ora, conforme salientou a fiscalização (item 37 do relatório de Auditoria Fiscal), o título ao portador não tem o condão de comprovar o controle da Inversora Heinz S/A, pois uma de suas características é a possibilidade de ser transferido pela simples tradição e a não expressão, em seu corpo, de quem são seus reais beneficiários. Os demais elementos coligidos pela fiscalização, além de confirmarem essa conclusão, apontam para a inexistência de fato da Inversora Heinz S/A, cuja criação teria por objetivo a sua utilização em operações simuladas. Veja: na Lessa Administração e Participações Ltda não estão escriturados os investimentos na Inversora Heinz S/A (Doc. 103 – fls. 770/771), em que pesem as obrigações acessórias acerca das demonstrações financeiras de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior (Lei n.º 9.249/95, art. 25; IN SRF n.º 213/2002, art. 6º); a Inversora Heinz S/A se constitui em uma das chamadas “Sociedades Anonimas Financieras de Inversion” (SAFIs), conhecidas no Uruguai por ensejarem a possibilidade de lavagem de dinheiro, fato que levou o governo uruguaio a aprovar a Lei n.º 17.904/2005, proibindo a criação de novas SAFIs desde de dezembro de 2006 e obrigando às já existentes, a partir de 2007, a identificar, em registro público, seu endereço, administradores, diretores e representantes legais, sob pena de cassação de seu funcionamento, tornando sem efeito os atos por ela praticados (Doc. 2.2 – fl. 412/425); os documentos recebidos pela Embaixada do Brasil em Montevidéu (Doc. 104.2 – fls. 779/783) dão conta de que a Inversora Heinz S/A foi constituída em 1991, ou seja, mais de dois anos antes da emissão do referido título ao portador, sendo que os administradores e o endereço da empresa só foram informados, em registro público, em outubro de 2009, com a fiscalização já em curso; o endereço registrado da Inversora Heinz S/A é o mesmo de seu presidente e vicepresidentes os responsabilizados Jayro Luiz Lessa, Rômulo Eustáquio Gonçalves Lessa e Luiz Gonçalves Lessa – e da empresa de consultoria jurídica e tributária GTS Uruguai2. O “estatuto” da Inversora Heinz S/A, juntado à peça de defesa, também não comprova controle da Lessa Administração e Participações Ltda sobre a Inversora Heinz S/A. Seu artigo 3º (fl. 2.134) estabelece que “O capital, formado por títulos de uma ou mais ações ordinárias ao portador, de Cr$100,00 (cem cruzeiros) cada uma, será de Cr$10.000.000,00 (dez 2 A fiscalização também verificou a existência de outros dois endereços da Inversora Heinz Ltda, constantes em contrato de compra e venda de notas do tesouro americano e em contrato social da Heinz do Brasil Comercial Ltda, sendo que em ambos também funcionam empresas de consultoria jurídico tributária a Shaw Faget & Associados (do grupo Price Waterhouse Coopers) e a Blanco & Etcheverry (Doc. 3). Fl. 2634DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.591 29 milhões de cruzeiros)” e que “Através de assembléia extraordinária de acionistas, este capital poderá ser aumentado até a soma de Cr$50.000.000,00 (cinquenta milhões de cruzeiros), numa ou mais vezes, sem necessidade de reforma do estatuto [..]”. Isso significa dizer que a empresa foi constituída por 100.000 (cem mil) ações ordinárias, com possibilidade de aumento do capital. Ora, o título ao portador apresentado pela Lessa Administração e Participações Ltda, mais de dois anos após a constituição da Inversora Heinz S/A, representa apenas 5.000 (cinco mil) ações ordinárias, correspondendo, em julho de 2004, a um valor de R$ 181,82. Aprofundando a investigação quanto à existência de fato da Inversora Heinz S/A, a autoridade fiscal descobriu que a empresa é proprietária de quase 100% do capital social da HEINZ DO BRASIL COMERCIAL LTDA, que tem como sócio minoritário o Sr. Rômulo Eustáquio Gonçalves Lessa. Por duas vezes, então, a Junta Comercial do Estado de Minas Gerais foi intimada a apresentar os seguintes documentos relativos à Inversora Heinz S/A, de arquivamento obrigatório segundo a Instrução Normativa DNRC n.º 76/98: Documento(s) de prova da existência legal da empresa e da legitimidade de sua representação (representante legal ou procurador); Inteiro teor do contrato social ou estatuto; Procuração estabelecendo representante no Brasil com poderes para receber citação; Cópia dos documentos traduzidos, por tradutor matriculado em qualquer junta comercial, no caso de existência de documentos em língua estrangeira. Nas respostas às intimações realizadas, a Junta Comercial não apresentou os documentos supracitados, o que mais uma vez indica a inexistência de fato da Inversora Heinz S/A (Doc. 106 a 108, fls. 825/878). Ressalto que o Sr. Rômulo também assinou, pela Inversora Heinz Ltda, contratos de empréstimo para a Valadares Diesel Ltda. Entretanto, intimado a apresentar os documentos que comprovassem sua condição de diretor vicepresidente e poderes para realizar operações financeiras no Brasil em nome da Inversora Heinz Ltda, o Sr. Rômulo também não apresentou qualquer documento (Doc. 105, fl. 822/824). Para comprovar a origem dos recursos emprestados, cerca de R$ 29,5 milhões, a contribuinte trouxe tradução juramentada dos contratos firmados entre a Inversora Heinz S/A e instituições financeiras localizadas no exterior. Entretanto, não refutou outras constatações fiscais, que não a falta da tradução juramentada, as quais não permitem aceitar tais contratos como comprovantes da origem dos recursos emprestados. Nesse sentido, destaco a seguir alguns aspectos relevantes, na sua maioria consolidados no Relatório de Auditoria Fiscal, no trecho às fls. 62/71. Os contratos têm por fim colocar crédito à disposição da Inversora Heinz S/A e não comprovam a efetiva entrega de recursos, muito menos demonstram a relação de coincidência entre datas dos efetivos recebimentos das linhas de crédito pela Inversora Heinz S/A e o respectivo repasse dos valores, constantes de contratos de câmbio, para a Valadares Diesel Ltda. Linha de crédito contratada com a OLIMPUS INVESTMENT CORP (cópia do contrato original e tradução juramentada às fls. 2.160/2.167): concessão de crédito no valor três milhões de dólares, disponível entre 20/04/2004 a 20/04/2006. Contrato em papel sem timbre, em que o garantidor é o Sr. Jayro Luiz Lessa e os representantes das partes não estão Fl. 2635DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.592 30 identificados. A comparação com outras assinaturas constantes de documentos acostados aos autos permite identificar, como signatário da Olimpus Investment Corp, o Sr. Luiz Gonçalves Lessa3 e, como signatário da Inversora Heinz S/A, o Sr. Rômulo Eustáquio Gonçalves. Por pertinente, transcrevo a conclusão da fiscalização sobre esse contrato (fl. 63): O documento apresentado não goza de credibilidade, não sendo hábil para justificar a ocorrência de concessão da linha de crédito, na ausência de qualquer outro elemento que induza à conclusão em contrário, uma vez que se trata de ato que possui como pólos pessoas que pertencem ao mesmo grupo societário e com estreita relação pessoal familiar. Inegável que os participantes do ato compartilhem interesses comuns na formação de prova que lhes favoreçam. Portanto, face aos presentes fatos, sob o ponto de vista de terceiros, o documento se configura numa prova produzida pela própria parte interessada. A Olimpus Investment Corp, assim como inúmeras outras empresas, tem como endereço o do escritório da empresa de consultoria e criação de empresas offshore Mossack Fonseca & Co. Ltda, localizado em Nassau, Bahamas. Todas essas empresas não tem fax, telefone ou email disponíveis e se utilizam da caixa postal da Mossack Fonseca & Co. Ltda. As buscas feitas pela fiscalização na internet, com base no nome da Olimpus Investment Corp, não encontraram qualquer indício de sua real existência. Por pertinente, transcrevo a conclusão da fiscalização sobre essas empresas (fl. 65): O conjunto de indícios reforça a tese da fiscalização a respeito da não existência de fato de todas essas empresas, inclusive a OLIMPUS INVESTMENT CORP, as quais teriam seus nomes usados pelos interessados nos serviços de consultoria da Mossack Fonseca & C.O LTD. Linha de crédito contratada com o TRADE LINK BANK4 (cópia do original e tradução juramentada às fls. 2.198/2.205): concessão de crédito no valor um milhão de dólares, com vencimento em 12/06/2006 e taxa de juros de 9,875% ao ano (os empréstimos da Inversora Heinz à contribuinte eram a taxa zero). Contrato datado de 15/06/2006, em papel sem timbre, em que os garantidores e os representantes da Inversora Heinz Ltda são os Srs. Jayro Luiz Lessa e Rômulo Eustáquio Gonçalves (identificados como presidente e vice da Inversora Heinz Ltda). O Sr. Rômulo assina também nos dois campos destinados à assinatura do Sr. Jayro. O representante da Trade Link Bank não está identificado no contrato. Sobre a representação dos Srs. Rômulo e Jayro e o contrato em foco, transcrevo, por pertinente, relato da fiscalização (fls. 66/67): [...] a fiscalização não dispõe de informações de que ambos estariam legalmente autorizados a assinar pela INVERSORA HEINZ, tendo o Sr. RÔMULO, inclusive, sido intimado para comprovar a capacidade de representação da INVERSORA HEINZ S/A e não atendido a fiscalização. A própria Direção Geral de Registros, que é um órgão oficial do governo 3 O Sr. Luiz Gonçalves Lessa é administrador da Lessa Administração e Participações Ltda e pessoa ligada à holding VDL Participações Ltda, que controla dentre outras empresas a Valadares Diesel Ltda. 4 O Trade Link Bank tem sede nas Ilhas Cayman. A autoridade fiscal apresentou reportagem (Revista "Veja", de 27/07/2005, matéria "Conexão RuralPTdoleiros", Doc. 104.6 fls. 797/802) para demonstrar que é de conhecimento da mídia nacional, e foi objeto de investigação e denúncia, o envolvimento do Trade Link Bank com a remessa de dinheiro para o exterior e seu repatriamento ilegal por meio das chamadas contas CC5. Fl. 2636DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.593 31 uruguaio, somente passou a registrar os nomes desses senhores no curso dessa fiscalização, restando claro que a empresa INVERSORA HEINZ S/A sofreu como que um processo de “ressuscitação” promovido pelos sócios e representantes da fiscalizada, a partir de outubro de 2009. A fiscalização recorda neste ponto que, de acordo com relatado no item 5 deste relatório, a inscrição dos nomes dos administradores anônimos deveria se dar até 01/01/2007, sob pena de que os atos que viessem a ser praticados pela empresa sem que os administradores neles envolvidos tivessem seus nomes devidamente registrados não teriam validade perante terceiros, de acordo com os arts. 13 e 16 da “Ley 17904” de outubro de 2005 (Lei uruguaia que regulou a matéria), Isso prova que a INVERSORA HEINZ S/A não realizou qualquer operação no interstício decorrido entre 2007 e 2009, pelo menos para a “cliente” VALADARES DIESEL LTDA, e sustenta a tese de que a mesma não realiza operações de forma regular, tanto no que tange a sua presença no mercado empresarial quanto ao teor dos negócios praticados, pois, se assim não fosse, não haveria tamanha negligência dos seus supostos administradores em face de tão grave penalidade imposta pelo governo uruguaio, manipulada na medida em que haja necessidade pelos interessados. Da mesma forma que no contrato anterior, existem fortes indícios de que este contrato tenha sido produzido pela própria parte interessada, desta forma, a fiscalização o considera inábil de plano em sua substância para comprovar a origem dos recursos que a INVERSORA HEINZ S/A teria pegado emprestado e reemprestado para a VALADARES DIESEL LTDA. Linhas de crédito com o FBP INTERNATIONAL BANK INC. (fls. 2.145/2.159): contratadas em 08/12/2004 e 19/08/2005, nos valores de um milhão de dólares e taxas de juros de 9,75% (os empréstimos da Inversora Heinz à contribuinte eram a taxa zero). São documentos em papel sem timbre, sem a identificação e/ou sem a assinatura do representante do banco credor e, por conseguinte, de sua capacidade para assinálo. Os demais signatários são pessoas que pertencem ao mesmo grupo societário e/ou com relação pessoal familiar, configurando assim prova produzida unilateralmente. A empresa SOLAIR DO BRASIL REPRESENTAÇÕES LTDA, que, segundo os documentos apresentados pela contribuinte e pela Lessa Administração e Participações Ltda, representaria o FBP INTERNATIONAL BANK INC no Brasil, não confirmou essa informação em resposta à intimação fiscal (fls. 810/813). Linhas de crédito com o RURAL INTERNATIONAL BANK LIMITED, localizado em Nassau, Bahamas, contratadas em 03/6/2004 e 30/05/2005, no valor de três milhões de dólares cada (fls. 2.168/2.175 e 2.191/2.197). O primeiro deles foi consignado em papel sem timbre da instituição financeira e sem oferecimento de qualquer garantia por parte da beneficiária das linhas de crédito. Embora não haja identificação, por comparação, é fácil notar que a assinatura do representante da Inversora Heinz Ltda em ambos contratos é do Sr. Rômulo. Embora a contribuinte tenha juntado à peça de defesa duas atas de assembléia da Inversora Heinz Ltda (sem tradução juramentada), de 31/03/2004 e 01/12/2008, nas quais constam o Sr. Rômulo Eustáquio Gonçalves Lessa como diretor vicepresidente da empresa, repiso que tal situação só foi informada em registro público em outubro de 2009, embora a lei uruguaia exigisse esse registro a partir de 2007, sob pena de cassação de funcionamento da Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.594 32 empresa e tornando sem efeito os atos por ela praticados. Lembro ainda que, intimado a apresentar os documentos que comprovassem sua condição de diretor vicepresidente e poderes para realizar operações financeiras no Brasil em nome da Inversora Heinz Ltda, o Sr. Rômulo não apresentou qualquer documento (Doc. 105, fl. 822/824). Pelo que consta dos autos, não foi procedida pelas instituições financeiras qualquer análise da capacidade da Inversora Heinz S/A em honrar os empréstimos contratados. É interessante destacar esse fato, pois a investigação fiscal demonstrou que a Inversora Heinz S/A não teria condições de obter linhas de crédito de tal monta. Ao ensejo, cito os seguintes excertos do Relatório de Auditoria Fiscal (fl. 70): A empresa INVERSORA HEINZ S/A não deixou qualquer informação registrada por sua suposta controladora a respeito de sua capacidade de produção, administrativa, comercial e de relacionamentos. Ao contrário, todas as informações colhidas demonstraram que a empresa não é empresa regularmente constituída, não possuindo sequer endereço próprio. [...] considerandose que a única informação de cunho patrimonial de que se dispõe é a de que a INVERSORA HEINZ S/A possui um capital investido pelos sócios equivalente em reais a R$ 181, 82 (cento e oitenta e um reais e oitenta e dois centavos), valor de referência para a data base de julho de 2004, podese afirmar que a empresa não tem quaisquer condições de honrar esses compromissos de acordo com os dados conhecidos. 5 Em impugnação e recurso a contribuinte afirma ter anexado “documentação que comprova o expressivo volume de operações de exportação da Inversora Heinz S/A (DOCUMENTOS EM ANEXO — 03), documentos estes que são suficientes para comprovar não apenas a indubitável existência da referida sociedade, como também sua capacidade financeira.” Tais documentos encontramse no Anexo IV dos autos, fls. 02/120. A análise desses documentos mostra que a sua maioria referese a operações relativas a empresa VDL Siderurgia. Quando envolvem a Inversora Heinz S/A, são documentos produzidos pelas partes interessadas. Portanto, diante de todos os fatos narrados, não são hábeis a comprovar a existência de fato e a capacidade financeira da Inversora Heinz S/A. Enfim, à vista de todo exposto restou configurada a omissão de receita em razão da escrituração de empréstimos cuja exigibilidade não foi comprovada, assim como demonstrada a existência de um feixe de indícios que indicam a simulação de negócios por parte da contribuinte e outras pessoas interessadas. Portanto, devem ser mantidas as exigências correspondentes de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins. 2 – Empréstimos tomados da Lessa Adm. e Participações Ltda A decisão recorrida exonerou o crédito tributário lançado com essa infração, recorrendo de ofício de tal decisão. Dessa forma, deixo a análise da matéria para momento posterior nesse Voto, quando da apreciação do Recurso de Ofício. 5 Os documentos juntados à impugnação, relativos à constituição da Inversora Heinz S/A, em nada alteram essa conclusão acerca da falta de patrimônio para garantir as linhas de crédito concedidas. Fl. 2638DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.595 33 3 Empréstimos tomados de empresas do grupo VDL. Falta de Escrituração de Pagamentos A decisão recorrida exonerou parcialmente o crédito tributário lançado com essa infração. Vejase os argumentos daquele decisum. Tratase de situação semelhante à analisada no item “2.2 Empréstimos tomados da Lessa Adm. e Participações Ltda”. No presente caso, a autoridade fiscal relata que a contribuinte também recebeu suprimentos de caixa na forma de empréstimos de empresas do grupo VDL (“PAGAMENTO DE FORNECEDORES DA FISCALIZADA (TERCEIROS) COM RECURSOS DE EMPRESAS DO MESMO GRUPO”). Esses suprimentos foram feitos na forma de cheques cruzados e nominais ou à própria Valadares Diesel Ltda ou à Lessa Adm. e Participações Ltda e teriam servido para pagar dívidas da contribuinte. As operações em foco estão resumidas na planilha às fls. 96/125. A fiscalização entendeu que não há comprovação inequívoca de que esses cheques serviram para pagar os títulos bancários correspondentes às dívidas quitadas e que, portanto, os pagamentos feitos pela contribuinte não encontram respaldo nos lançamentos contábeis feitos, pois não refletem a forma como os pagamentos efetivamente ocorreram. Nessa linha, concluiu que os pagamentos teriam sido realizados com recursos mantidos a margem da escrituração. A infração foi assim sintetizada no Relatório de Auditoria Fiscal: OMISSÃO DE RECEITAS — FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS — ART. 281, II, DO DECRETO 3000/99: OMISSÃO DE RECEITA CARACTERIZADA PELA EXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS REALIZADOS PELA FISCALIZADA CUJOS ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS APRESENTADOS (CHEQUES) INDICAM QUE OS MESMOS FORAM DEPOSITADOS EM CONTACORRENTE. EM FACE DA AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO NO VERSO DOS MESMOS DE QUE SERVIRAM PARA PAGAR TÍTULOS E DA AUSÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO DOS MESMOS NA CONTA BANCOS DA FISCALIZADA, EVIDENCIASE QUE A ESCRITURAÇÃO DA FISCALIZADA NÃO REFLETE DE QUE FORMA OS PAGAMENTOS REALMENTE SE SUSCEDERAM E, POR CONSEGUINTE, FICA CONFIGURADA A PRESUNÇÃO DE QUE TENHAM SIDO EFETUADOS COM RECEITAS MANTIDAS A MARGEM DA ESCRITURAÇÃO REGULAR DA EMPRESA. No Anexo III dos autos a autoridade lançadora juntou documentação relativa ao suprimento de caixa em foco. Da análise desses documentos, infiro que, ao contrário da premissa adotada pela fiscalização, o senso comum é de que os cheques de outras empresas do grupo VDL foram, sim, utilizados para pagar despesas da Valadares Diesel Ltda. Há coincidência de datas e valores entre: os cheques emitidos, as dívidas quitadas da contribuinte e os registros contábeis. Além disso, pelo extrato bancário do emitente do cheque e/ou pela cópia do cheque, é possível perceber que o cheque foi compensado no banco em que o boleto da dívida foi autenticado. Tomo como exemplo a operação n.º 1 (planilha à fl. 96), de 01/07/2004, no valor de R$ 63.625,29. Tratase de cheque emitido pela Uberlândia Caminhões Ltda naquela data, cruzado e nominal à Lessa Adm. e Part. Ltda, com endosso em branco dessa empresa. Fl. 2639DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.596 34 Os documentos acostados às fls. 02/07 do Anexo III mostram que: 1 no mesmo dia em que foi emitido o cheque pela Uberlândia Caminhões Ltda foi quitado no Banco Rural, por meio de boleto bancário, dívida de mesmo valor da Valadares Diesel Ltda; 2 – o cheque também foi compensado no Banco Rural, conforme número do banco (n.º 453) aposto no extrato bancário da Uberlândia Caminhões Ltda6; 3 – os controles internos e recibos apresentados pela contribuinte são consentâneos com essa operação. Entretanto, segundo a fiscalização, esse cheque não pode ser aceito como prova do pagamento de dívida da contribuinte em razão de não haver indicação em seu verso de que serviu para pagamento de algum título, conforme determina o art. 28 da Lei n.º 7.357/85 (Lei do cheque)7. Ora, referido dispositivo não obriga a indicação da causa da emissão do cheque. Afirma tãosomente que caso seja indicada essa causa, a liquidação do cheque pelo banco sacado prova a extinção da obrigação indicada. Ainda assim, mesmo que fosse obrigatória a indicação da nota, fatura ou outra causa da emissão do cheque, diante das coincidências existentes, a ausência dessa suposta obrigação não autorizaria rejeitar tais cheques como comprovante de pagamento de despesas. Lembro que é do Fisco o ônus de provar a inexistência da escrituração dos pagamentos efetuados, para assim inverter o ônus da prova e incumbir o sujeito passivo de demonstrar que não houve omissão de receita, sendo que, no caso, a fiscalização não apontou a falta de escrituração de pagamento, mas sim que esses teriam se dado de forma diversa do contabilizado. A segunda premissa adotada pela autoridade lançadora é de que o movimento bancário relativo aos depósitos dos cheques foi completamente omitido da contabilidade da contribuinte e que “não há qualquer indicação de que esses recursos foram utilizados para o pagamento de qualquer título” (fl. 95). À guisa de exemplo, citou as operações 143, 144 e 145 da planilha às fls. 96/125, ocorridas em 26/12/2006, cujos cheques correspondentes, emitidos pela Horizonte Têxtil Ltda em nome da Valadares Diesel Ltda, comprovariam os depósitos em contas correntes da contribuinte. As cópias microfilmadas desses cheques encontramse às fls. 1.363/1.368 (volume VII). No verso desses cheques, de fato, foi aposto o número da conta corrente da contribuinte no Banco Bradesco. Entretanto, isso não permite afirmar que tais cheques foram depositados na conta da Valadares Diesel Ltda e, por isso, não foram utilizados para pagar as despesas alegadas pela contribuinte. Tal procedimento por vezes é adotado pelo caixa da agência bancária apenas para fins de vinculação do cheque a determinada conta corrente, principalmente quando é conhecido o emitente e o favorecido do cheque e este é utilizado para pagamento de diversas despesas do favorecido. Ao invés de anotar os diversos boletos a que se destina o cheque, o caixa simplesmente anota a conta bancária, a fim de saber, tendo em vista o endosso existente no verso do cheque, a quem se reportar no caso de o cheque ser devolvido por qualquer motivo. 6 Essa coincidência, entre o Banco em que foi autenticado o pagamento do boleto e o Banco em que o cheque foi compensado, também pode ser verificada em outras operações, pelo extrato bancário do emitente do cheque (ex.: Anexo III, fls. 152/157, 189/193, 270/273, 274/277, 278/283 etc). 7 Art . 28 O endosso no cheque nominativo, pago pelo banco contra o qual foi sacado, prova o recebimento da respectiva importância pela pessoa a favor da qual foi emitido, e pelos endossantes subseqüentes. Parágrafo único Se o cheque indica a nota, fatura, conta cambial, imposto lançado ou declarado a cujo pagamento se destina, ou outra causa da sua emissão, o endosso pela pessoa a favor da qual foi emitido, e a sua liquidação pelo banco sacado provam a extinção da obrigação indicada. Fl. 2640DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.597 35 Friso que, além da coincidência entre datas e valores, os cheques em foco foram compensados pelo mesmo banco em que foram autenticados os boletos bancários, conforme demonstram o carimbo cruzado do Banco Bradesco em cada um dos três cheques utilizados (fls. 1.363/1.368) e a autenticação dos sete boletos bancários (Anexo III, volume IV, fls. 743/759). De outro lado, examinando a escrituração juntada pela fiscalização, observo que no Razão Geral – Dezembro/2006 da contribuinte está registrada a movimentação financeira realizada por meio do Banco Bradesco (Anexo I, volume XII, fls. 2.394/2.401). Embora os cheques em questão não estejam ali contabilizados, na conta Caixa Geral, no dia 26/12/2006, está registrada a entrada dos valores correspondentes (que coincidem com as despesas quitadas), a título de empréstimo da Horizonte Têxtil Ltda. No mesmo dia está lançada também, com o histórico de “DIVS”, a saída do Caixa Geral desses mesmos valores. Esse tipo de contabilização se repete também em outras operações objeto da autuação fiscal. Por exemplo, em relação às operações 135 a 141 (fls. 123/124), no Caixa Geral (Anexo I, volume XII, fls. 2.275) estão lançadas, no mesmo dia, a entrada e saída de recursos correspondentes aos valores dos cheques. A entrada tem por histórico empréstimos da Horizonte Têxtil Ltda e a saída “DIVS PAGTOS”. Isso indica que os cheques podem ter sido utilizados para pagar despesas da contribuinte, sem transitar pela conta contábil que registra a movimentação bancária. É verdade que em operações, como as de n.º 1 a 7 (fls. 96/97), não vislumbrei a saída do Caixa Geral correspondente a entrada registrada a título de empréstimo de empresa do grupo VDL (Anexo I, volume I, fls. 166/169). Entretanto, essa constatação poderia ensejar outra presunção legal de omissão de receitas que não aquela capitulada na autuação8, haja vista que os elementos constantes dos autos apontam no sentido de que os cheques foram utilizados para pagamento de despesas. Dessa forma, não estando comprovado nos autos o fato indiciário – pagamentos efetuados e não escriturados – não se pode presumir a omissão de receita capitulada na autuação. Por conseguinte, devem ser deduzidos das bases de cálculo dos lançamentos de ofício os valores de R$ 375.572,49 (FG de 31/12/2004), R$ 181.625,69 (FG de 31/12/2005) e R$ 2.045.772,33 (FG de 31/12/2006), cancelandose as exigências correspondentes de IRPJ e CSLL9. Com efeito, há que se concordar com os argumentos acima, pelo que mantenho o lançamento remanescente da decisão recorrida. Da Glosa de despesas com amortização de ágio na aquisição de participações societárias Segundo as normas legais consolidadas nos art. 386, III, c/c o art. 385, § 2º, inciso II, ambos do RIR/99, a possibilidade de deduzir o ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL restringese ao caso em que a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada com base em 8 Isto sem falar na possibilidade de os recursos utilizados para pagar as despesas da contribuinte serem objeto de omissão de receitas de outras empresas do grupo VDL. Tal procedimento seria semelhante àquele adotado pela contribuinte, que usou receitas omitidas ("empréstimos da Inversora Heinz") para pagar despesas, via empréstimos, de empresas do grupo VDL. 9 Nos autos de infração de PIS/Pasep e de Cofins não foram realizados os lançamentos correspondentes a essa omissão de receita apontada no Relatório de Auditoria Fiscal. Fl. 2641DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.598 36 previsão dos resultados nos exercícios futuros, caso em que a amortização poderá ocorrer à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. No caso vertente, nos lançamentos de IRPJ e CSLL, anos de 2004 e 2005, foi glosada a despesa de amortização do ágio relativo à integralização de capital na empresa VDL AGROFLORESTAL (nome fantasia VDL NET S.A.). Os Recorrentes argumentaram que o procedimento fiscal não se sustenta, pois se baseia em “pretensas ‘inconsistências’” e “eventuais ‘formalidades’” que não teriam sido cumpridas. Não assiste razão aos Recorrentes nesse ponto, dado que existe uma série de indícios, os quais não foram afastados na impugnação nem nos recursos, que respaldam a conclusão fiscal. Por meio de Notas do Tesouro Americano, adquiridas da Inversora Heinz S/A em 30/10/2000, a Valadares Diesel Ltda integralizou capital na VDL AGROFLORESTAL, no valor de R$ 14.471.220,00, sendo R$ 2.740,00 de custo de aquisição e R$ 14.468.480,00 de ágio. Surgem aí os dois primeiros fortes indícios de simulação das operações que resultaram na dedução do ágio na apuração do lucro tributável: 1 consoante já visto, as provas coligidas aos autos demonstram que a Inversora Heinz S/A foi criada para utilização em operações simuladas, não havendo comprovação de sua existência de fato; 2 – pelo valor exorbitante do ágio em relação ao custo de aquisição, era de se esperar ser evidente a expectativa de alta rentabilidade futura, o que não se confirmou. Os acontecimentos em seqüência robustecem esses indícios: em 28/11/2000, a Valadares Diesel Ltda vendeu, por R$ 37.000,00, parte das ações compradas e registrou uma perda na operação de R$ 3.660.000,00; em 31/12/2000, houve cisão parcial da VDL Agroflorestal Ltda, sendo vertido para a Valadares Diesel Ltda um patrimônio a descoberto no valor R$ 155.639,70; a partir do anocalendário de 2001, a contribuinte começou a amortizar o valor de R$ 10.929.819,7010, correspondente ao ágio contabilizado acrescido do patrimônio a descoberto incorporado. Em suma, apenas dois meses após a alegada operação de integralização na VDL Agroflorestal, com ágio no valor de R$ 14.468.480,00, a Valadares Diesel Ltda teria obtido em troca uma despesa com ágio no valor de R$ 10.929.819,70, a ser amortizada no período de cinco anos. Ora, não é razoável que a contribuinte tenha efetivamente realizado uma operação tão desfavorável, sem qualquer justificativa plausível. A análise mais detalhada dos documentos juntados aos autos, que alicerçaram as operações alegadas pela contribuinte, traz mais indícios ainda que apontam no sentido da inexistência de fato das operações de compra do título americano, de integralização e de cisão. Senão vejamos: Protocolo de Justificação de Cisão Parcial, de 26/12/2000, e Laudo de Avaliação do Patrimônio Líquido, de 31/12/2000: segundo esses documentos a VDL NET S.A. (VDL Agroflorestal) tinha “Prejuízos Acumulados” na ordem de R$ 53 milhões e patrimônio a descoberto, isto apenas dois meses após o aporte de mais de R$ 14 milhões pela Valadares Diesel Ltda; é difícil acreditar que uma empresa, digamos, pouco conhecida no mercado, com patrimônio líquido negativo e prejuízos dessa monta, tenha possibilidade de fazer 10 Ágio a amortizar = custo aquisição part. soc. + ágio – custo contábil baixado + patrimônio a descoberto vertido Ágio a amortizar = 2.740,00 + 14.468.480,00 – (37.000,00 + 3.660.000,00) + 155.639,70 = R$ 10.929.819,70 Fl. 2642DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.599 37 investimentos que venham a oferecer a rentabilidade futura que justifique o pagamento do ágio, mesmo com o ingresso do capital integralizado; segundo informações obtidas do Departamento do Tesouro Americano, não há registro da participação direta da contribuinte em leilões desse tipo de título (fls. 943/945); embora seja possível a aquisição do título no mercado secundário, a contribuinte não comprovou, por meio de registro da operação por intermediário autorizado (Termo de Intimação Fiscal n.º 03 – fls. 764/765), que deteve sua posse; tampouco no Contrato de Compra e Venda de Notas do Tesouro dos Estados Unidos há menção da instituição financeira que detém a custódia dos títulos (fls. 900/905); já no documento denominado “Trade Confirmation” aparece o logotipo do “Trigon Bank”, entretanto nele não consta assinatura, data, identificação do representante da instituição financeira ou menção das partes negociantes (fl. 928); conforme apontado pela autoridade lançadora, dentre outras inconsistências constantes da “Trade Confirmation”, o número CUSIP do título referese a Treasury Inflation – Protected Securities (TIPS), enquanto o título especificado é do tipo Treasury Notes (TNotes) (fls. 945 e 949). a pesquisa realizada na “internet” revela que foi aceito o pedido de falência do Trigon Bank, que paralisou suas operações em outubro de 2000 (segundo a contribuinte, a compra do título americano teria se dado em 30/10/2000) (fl. 936); Assim, em virtude das circunstâncias que envolvem este caso concreto, deve ser mantida a glosa de despesas com amortização de ágio para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Da glosa de prejuízo Conforme demonstrado na decisão recorrida, quando do cálculo dos tributos a serem exigidos, tendo em vista os valores das infrações ali mantidas, permanece incólume a glosa de prejuízos e de base de cálculo negativa compensados indevidamente no ano calendário de 2006, no valor de R$ 657.045,63. Da multa qualificada A aplicação da multa no percentual de 150% tem fundamento legal no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430/96, conforme transcrito no Relatório de Auditoria Fiscal em item específico. Segundo o inciso I, a multa proporcional é aplicada no percentual de 75% nos casos de mera falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Todavia, a majoração do percentual da multa para 150%, conforme determina o § 1º, ocorre nos casos de condutas dolosas do sujeito passivo previstos nos arts. 71 a 73 da Lei n.º 4.502/64, ou seja, sonegação, fraude ou conluio. As circunstâncias que demonstram a conduta dolosa na omissão de receitas e na dedução de despesas, mantidas no presente voto, ambas ocorridas sucessivamente no tempo, estão fartamente comprovadas nos autos, principalmente no tocante ao uso da Inversora Heinz S/A em operações simuladas, conforme análise já feita acima. Diante de tais circunstâncias deve ser mantida a qualificação da multa nos termos do art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430/96. Fl. 2643DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.600 38 Da responsabilidade tributária Quanto à análise da sujeição passiva, adoto os fundamentos contido no voto condutor da decisão recorrida, por entender que aquela enfrentou adequadamente a matéria. A sujeição passiva do crédito tributário constituído de ofício recaiu sobre a Valadares Diesel Ltda, na condição de contribuinte. Ocorre que, com fundamento nos arts. 124 e 135, ambos do CTN, a fiscalização também incluiu no polo passivo outras pessoas na condição de responsáveis tributários. A existência da responsabilidade das pessoas referidas no art. 135 não afasta a sujeição passiva da pessoa jurídica na condição de contribuinte, permanecendo todos igualmente responsáveis pelo crédito tributário, sem benefício de ordem. Assim, não há desoneração da pessoa jurídica em razão da responsabilidade daquelas pessoas, nem depende a responsabilidade destas do esgotamento do patrimônio da sociedade. Respondem todos, integral e solidariamente. Ao ensejo, cito ensinamentos colhidos da doutrina: Outra coisa é a responsabilidade de que cuida o art. 135. Nela existe a solidariedade ab initio, e o responsável se coloca junto do contribuinte desde a ocorrência do fato gerador. Pouco importa, nesses casos, que o contribuinte tenha, ou não, patrimônio para responder pela obrigação tributária. A Fazenda credora pode dirigir a execução contra o contribuinte ou o responsável. Do ponto de vista processual, ao contrário do que ocorre nas hipóteses do art. 134, é necessário que o auto de infração consigne o nome do responsável e que se lhe assegure o direito de defesa. [TORRES, Ricardo Lobo. Curso de Direito Financeiro e Tributário. Rio de Janeiro: Renovar, 1997. p. 227 e 228]. Dizer que são pessoalmente responsáveis as pessoas que indica não quer dizer que a pessoa jurídica fica desobrigada. A presença do responsável, daquele a quem é atribuída a responsabilidade tributária nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, não exclui a presença do contribuinte. [MACHADO, Hugo de Brito Machado. Comentários ao Código Tributário Nacional. V. 2, São Paulo: Atlas, 2004, p. 572 e 594]. Com efeito, preocupandose o Direito Tributário com o fato econômico da circulação de riqueza, se a pessoa jurídica promove esse fato econômico, surge para si a obrigação tributária, independentemente de haver ilicitude ou não por parte de seus administradores. Não há sentido em afastar do polo passivo a pessoa jurídica que “auferiu faturamento”, “vendeu mercadorias”, “prestou serviços”. A análise sistemática da ordem jurídica também aponta para a responsabilidade solidária dos administradores, visto que estes, no regramento do Código Civil (art. 1.016), respondem solidariamente perante terceiros (inclusive o Estado) pela prática de atos ilícitos. Não há sentido em ser o crédito tributário menos garantido que o crédito comum. Portanto, a responsabilidade solidária prevista no art. 124 do CTN coexiste com a responsabilização pessoal prevista no art. 135 do CTN devendo, em cada caso, ser verificada a presença dos elementos fático e subjetivo da hipótese legal versada no art. 135. Quanto ao elemento fático (“atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”), as circunstâncias que envolveram a falta de recolhimento de tributos evidenciam infração à lei, com conseqüências não Fl. 2644DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.601 39 só no campo tributário, mas também na área penal. São ilícitos que envolvem as condutas descritas nos arts. 71 a 73 da Lei n.º 4.502/64, ou seja, sonegação, fraude ou conluio, haja vista a existência de simulação de operações, documentos falsos, escrituração fraudada (passivo fictício) etc. No caso, restou também caracterizado o elemento subjetivo, qual seja: a participação das pessoas descritas nos incisos II e III do art. 135 do CTN em atos que infringiram a lei. Por oportuno, trago trecho do Relatório de Auditoria Fiscal que sintetiza a ligação de cada responsabilizado com esses atos: RÔMULO EUSTÁQUIO GONÇALVES LESSA, CPF 468.064.66672: assina como suposto 1º vicepresidente da INVERSORA HEINZ S/A; assinou os contratos de empréstimos para a VALADARES DIESEL LTDA representando a INVERSORA HEINZ S/A; assinou os contratos de venda de dólar representando a fiscalizada e assinou o contrato de compra e venda de notas do tesouro dos Estados Unidos representando a INVERSORA HEINZ S/A; O Sr. Rômulo assina ainda: 44ª Alteração Contratual da Valadares Diesel Ltda, na condição de representante da VDL Administração e Participação Ltda (sócia majoritária); o Protocolo Justificação de Cisão Parcial na condição de Diretor de Administração e Finanças. LUIZ GONÇALVES LESSA JÚNIOR, CPF 308.509.08604: assinou os contratos de empréstimos para a VALADARES DIESEL LTDA representando a fiscalizada; assina como suposto 2° vicepresidente da INVERSORA HEINZ S/A; É administrador da Lessa Administração e Participações Ltda e pessoa ligada à holding VDL Participações Ltda; assinou ainda: contrato de mútuo como representante da Olimpus Investment Corp; Ata da Assembléia Geral Extraordinária e Protocolo Justificação de Cisão Parcial, ambos da VDL NET S.A.. JAYRO LUIZ LESSA, CPF 069.740.74620: sócio cotista da VALADARES DIESEL LTDA, assina como presidente da INVERSORA HEINZ S/A; assina como diretor da VALADARES DIESEL LTDA no contrato de compra e venda de notas do tesouro dos Estados Unidos; Assinou ainda, dentre outros documentos, a Ata da Assembléia Geral Extraordinária e Protocolo Justificação de Cisão Parcial, ambos como presidente da VDL NET S.A.. OROSIMAR VALENTIM FRAGA, CPF 179.128.65691: administrador da fiscalizada nomeado em contrato social; Sobre o Sr. Orosimar acrescento: foi nomeado administrador da contribuinte pela VDL Participações Ltda, cujo sócio majoritário é o Sr. Jayro; assinou o Protocolo Justificação de Cisão Parcial da VDL NET S.A., na condição de Diretor Comercial. Especificamente quanto à VDL PARTICIPAÇÕES LTDA, holding do grupo VDL (por onde circularam as receitas omitidas pela contribuinte), esta empresa detém 99,20% do capital da VALADARES DIESEL LTDA e tem o poder de indicar o seu administrador, no caso o Sr. Orosimar. A empresa tem como sócio majoritário o Sr. Jayro. Os signatários da 44ª Alteração Contratual da Valadares Diesel Ltda, os Srs. Jayro, Rômulo e Orosimar, simbolizam a vinculação gerencial e a coincidência de sócios e administradores entre as duas empresas, implicando a solidariedade tributária versada no art. 124 do CTN. Fl. 2645DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.602 40 Isto posto, deve ser mantida a inclusão no polo passivo daqueles apontados no lançamento como responsáveis tributários. Por todo o exposto, Voto por negar provimento aos recursos voluntários apresentados. Do Recurso de Ofício A decisão recorrida exonerou o crédito tributário lançado com a infração constante do item 2 – Empréstimos tomados da Lessa Adm. e Participações Ltda, recorrendo de ofício de tal decisão. Vejase os argumentos daquele decisum. “Também com base no art. 281, inciso III, do RIR/99, a fiscalização apontou, para o ano de 2005, a omissão de receitas (“PASSÍVEL NÃO EXIGÍVEL”) no valor de R$ 5.685.421,34, “caracterizada pela existência de suprimentos de caixa na forma de empréstimos feitos pela Lessa Administração e Participações através de cheques de terceiros, sem o respectivo lançamento contábil da saída de caixa na supridora.” (grifei). Na planilha “Relação de Suprimentos de Caixa sem o Correspondente Lançamento Contábil na Supridora” (fls. 77/91) foram relacionados os lançamentos contábeis que, segundo a autoridade fiscal, deram origem à referida omissão de receita. A coluna “Descrição Geral” foi preenchida com a expressão “PAGAMENTO DE FORNECEDORES DA FISCALIZADA (TERCEIROS) COM RECURSOS DE EMPRESAS DO MESMO GRUPO”, enquanto a coluna “Motivo da Refuta” foi preenchida com a expressão “sem lançamento correspondente Diário/Razão da supridora (suprimento de caixa não comprovado)”. Para comprovar a infração apontada, além dos recibos apresentados pela contribuinte, a fiscalização juntou o Livro Razão, Conta Caixa (Anexo II, Volume II), da Lessa Administração e Participações Ltda11. De outro lado, a contribuinte juntou à impugnação, dentre outros documentos, cópia autenticada dos Livros Diário da Lessa Administração e Participações Ltda e boletos/faturas da Recorrente, que corresponderiam aos pagamentos efetuados por meio dos empréstimos (Anexo IV, vol. I, fls. 121 em diante). Compulsando os autos, verifico que, em relação à operação ocorrida em 04/02/2005, no valor de R$ 35.180,03, esta foi registrada tanto na conta Caixa do livro Razão da Lessa (Anexo II, fl. 269) como no livro Diário da Lessa (Anexo IV, fls. 138/139). Por conseguinte, considerando o “Motivo da Refuta” adotado, deve ser afastada de plano a infração relativa a essa operação. Quanto às demais operações, no Diário da Lessa Administração e Participações Ltda constam diversos lançamentos contábeis com o histórico de “Registro da transferência entre contas” nos mesmos valores e datas consignados na planilha “Relação de Suprimentos de Caixa sem o Correspondente Lançamento Contábil na Supridora”. Esses lançamentos contábeis estão também de acordo com a resposta de intimação constante das fls. 968/978 (volume V), inclusive no que tange às empresas envolvidas em cada operação. Portanto, em relação às operações que originaram a infração ora em análise, as transferências de recursos entre as 11 Segundo a contribuinte, a Lessa Administração e Participações Ltda centralizava o registro das operações de mútuo que envolviam as empresas do grupo VDL, no que se incluiria os empréstimos relativos à Valadares Diesel Ltda (Doc. 116, fl. 968). Fl. 2646DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.603 41 empresas do grupo VDL foram registradas no Diário da Lessa Administração e Participações Ltda. De acordo com o histórico constante do Diário da Lessa “Registro da transferência entre contas” , muitas dessas operações foram escrituradas por um sistema de compensação de débitos e créditos entre as empresas do grupo VDL, o que não implica necessariamente lançamentos contábeis na conta Caixa da Lessa Administração e Participações Ltda. Isto explica a falta do registro de saída da conta Caixa no livro Razão da Lessa Administração e Participações Ltda, apresentada como elemento de prova pela fiscalização. Aliás, a própria fiscalização aceitou (deixou de lançar) valores concernentes a outras operações escrituradas nessa mesma sistemática: na Lessa, como transferência de contas entre empresas do grupo VDL, sem saída do Caixa; na Valadares Diesel, como empréstimo da Lessa12. Exemplifica essa situação as operações 36 e 37 (fl. 970) informadas pela contribuinte em resposta a intimação e não computadas nem nesta infração nem na seguinte a ser analisada (vide Anexo II, vol. II; Anexo IV, fl. 140; Anexo I, vol. V, fl. 870). Entretanto, para justificar os valores autuados ora em análise, a fiscalização afirmou que “Todas as operações passaram em 2004 e 2005 pelo caixa da intermediária Lessa Administração e Participações Ltda, ou seja, para todos os efeitos, a contabilidade registra que a Valadares Diesel empresta e recebe emprestado recursos da LESSA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA [...]” (item 27 do Relatório de Auditoria Fiscal, fl. 55). Ocorre que, como visto acima, essas operações não passavam necessariamente pela conta Caixa da Lessa Adm. e Part. Ltda, embora fossem registradas por essa empresa. Assim, diante do que consta dos autos, não restou comprovada a existência do “PASSÍVEL NÃO EXIGÍVEL” que levaria à presunção de omissão de receita, nos termos apontados pela fiscalização para o anocalendário de 2005. Deve então ser deduzido das bases de cálculo dos lançamentos de ofício o valor de R$ 5.685.421,34, cancelandose as exigências correspondentes. Há que se concordar com os argumentos acima, que adoto como razão de decidir, pelo que mantenho o cancelamento do lançamento nesse ponto. Acrescentese, ainda, que a decisão recorrida exonerou parcialmente o crédito tributário lançado com a infração 3 Empréstimos tomados de empresas do grupo VDL Falta de Escrituração de Pagamentos, cuja análise neste voto não diverge daquela levada a cabo na decisão de primeira instância. Dessa forma, nego provimento ao recurso de ofício. Conclusão 12 De acordo com a escrituração carreada aos autos, os valores dos cheques de empresas do grupo VDL nominais à Lessa Adm. e Part. Ltda, que foram repassados à contribuinte, estão escriturados na Valadares Diesel como empréstimo da Lessa. Já os cheques nominais à própria Valadares Diesel estão escriturados como empréstimos da empresa do grupo VDL emitente do cheque. Fl. 2647DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720148/201081 Acórdão n.º 1402001.319 S1C4T2 Fl. 2.604 42 Ante o exposto, Voto por negar provimento aos recursos de ofício e voluntários. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 17883.000196/2010-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2302-000.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi, Wilson Antonio de Souza Correa, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi, Wilson Antonio de Souza Correa, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 78 83 .0 00 19 6/ 20 10 -2 7 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17883.000196/201027 Resolução nº 2302000.219 S2C3T2 Fl. 384 2 RELATÓRIO Trata o presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado em 02/09/2010 e cientificado ao sujeito passivo em 14/09/2010, de contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados e não incluídos em folhas de pagamento, sob a rubrica “extrafolha”, nas competências de 08/2005 a 02/2007 O relatório fiscal de fls.21/25, diz que a autuada consideravase isenta da contribuição previdenciária patronal, informando tal situação em GFIP, mas já tivera contra si lavrado o Ato Cancelatório de Isenção n.º 01/2008, em 12/02/2008, posteriormente retificado por outro datado de 13/05/2008, cancelando o benefício a partir da competência 10/2005. Após a impugnação, Acórdão de fls. 364/371, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega , em síntese: a) que não se absteve de tratar matéria constante dos autos, como diz o Acórdão recorrido, pois fez referência a parcelamentos efetuados, onde consta a matéria proposta; b) que não agiu como dolo, nem tentou violar o parágrafo 6º do artigo 55, da Lei n.º 8.212/91; c) que os efeitos do Ato Cancelatório foram suspensos, voltando a recorrente a situação anterior de isenta, sem o ônus de sofrer os danos do cancelamento; d) que a situação do cancelamento é injusta, eis que vive com parcos recursos, sendo o único hospital da região em que se situa; e) que detém todas as condições para gozar a isenção; f) que possui recurso em andamento no CARF, quanto ao Ato Cancelatório de Isenção. Requer o provimento do recurso para afastar o ônus imputado e cancelar o ato administrativo. É o relatório. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17883.000196/201027 Resolução nº 2302000.219 S2C3T2 Fl. 385 3 VOTO O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade devendo ser conhecido. Entretanto, é de se observar que o lançamento se refere às contribuições devidas pela perda da isenção que a recorrente gozava, através da emissão de Ato Cancelatório. Na peça recursal os argumentos da autuada versam apenas sobre a perda da isenção, cujo Ato que cassou o benefício, ainda não teria decisão administrativa definitiva, estando pendente de recurso junto a este Colegiado. Como não consta dos autos informação do Fisco acerca do trânsito em julgado do recurso interposto quanto ao Ato Cancelatório, entendo que não é possível prosseguir com o julgamento sem a informação concreta sobre a situação de fato existente. Neste lançamento está sendo cobrada a contribuição para as terceiras entidades incidente sobre a remuneração dos segurados empregados, em virtude da cassação da imunidade usufruída pela entidade. Ocorre que este assunto já tem que estar resolvido na área administrativa para que se possa julgar o mérito do auto de infração de obrigação principal, porque não cabe aqui tecer ainda considerações a cerca do descumprimento dos requisitos essenciais para a manutenção do benefício legal Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que o Fisco esclareça se a decisão que cancelou a isenção patronal das contribuições previdenciárias da recorrente é definitiva. Do resultado da diligência deve ser dado conhecimento a autuada e concedido prazo para manifestação. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 404DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 15983.001376/2008-58
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2004
EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA.
INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Creditos tributários (contribuições previdenciárias) constituídos por ofício em
razão de exclusão do SIMPLES, por Ato Declaratório precluso, objetos de
recurso apenas questionando tal fato não podem ser apreciados pela 3a Turma
Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF/MF, em razão de
incompetência.
SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS RETROATIVOS. NATUREZA DECLARATÓRIA.
A lei estabeleceu que o ato de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento
de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno
Porte SIMPLES, por fatos já conhecidos pelo contribuinte, tem natureza
declaratória, emanando efeitos a fatos anteriores à sua prolatação, sujeitam à
contribuinte às normas de tributação aplicável às demais contribuintes.
Precedentes do STJ com efeitos repetivos.(REsp n. 1.124.507/MG).
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991
pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula
Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos
previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato
gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do
Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de
inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, deve-se aplicar a norma mais benigna ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito
Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.512
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§1º e 3º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, não devendo ser realizada comparação conjunta com as sanções previstas na forma art. 35-A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Gustavo Vettorato
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Creditos tributários (contribuições previdenciárias) constituídos por ofício em razão de exclusão do SIMPLES, por Ato Declaratório precluso, objetos de recurso apenas questionando tal fato não podem ser apreciados pela 3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF/MF, em razão de incompetência. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS RETROATIVOS. NATUREZA DECLARATÓRIA. A lei estabeleceu que o ato de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, por fatos já conhecidos pelo contribuinte, tem natureza declaratória, emanando efeitos a fatos anteriores à sua prolatação, sujeitam à contribuinte às normas de tributação aplicável às demais contribuintes. Precedentes do STJ com efeitos repetivos.(REsp n. 1.124.507/MG). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, deve-se aplicar a norma mais benigna ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§1º e 3º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, não devendo ser realizada comparação conjunta com as sanções previstas na forma art. 35-A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Creditos tributários (contribuições previdenciárias) constituídos por ofício em razão de exclusão do SIMPLES, por Ato Declaratório precluso, objetos de recurso apenas questionando tal fato não podem ser apreciados pela 3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF/MF, em razão de incompetência. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS RETROATIVOS. NATUREZA DECLARATÓRIA. A lei estabeleceu que o ato de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, por fatos já conhecidos pelo contribuinte, tem natureza declaratória, emanando efeitos a fatos anteriores à sua prolatação, sujeitam à contribuinte às normas de tributação aplicável às demais contribuintes. Precedentes do STJ com efeitos repetivos.(REsp n. 1.124.507/MG). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.001376/200858 Acórdão n.º 280301.512 S2TE03 Fl. 224 2 O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, devese aplicar a norma mais benigna ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§1º e 3º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, não devendo ser realizada comparação conjunta com as sanções previstas na forma art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Leôncio Nobre de Medeiros, Wilson Antônio Junior, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.001376/200858 Acórdão n.º 280301.512 S2TE03 Fl. 225 3 Relatório O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 172e seguintes dos autos físicos), que manteve o crédito tributário oriunda à multa aplicada em razão de a empresa ter infringido o disposto no art. 32, inciso IV e parágrafo 3o, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados näo correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5o, também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, em razão de exclusão retroativa do Sistema de Pagamento de Impostos e Contribuições de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2002, conforme Ato Declaratório de Exclusão DRF/STS n° 68, de 19/11/2008. A ciência do auto de infração inaugural foi em 14.12.2008 (fls. 31 dos autos físicos). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos repetidos em impugnação: • tem direito ao devido processo legal, assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa, inclusive no que diz respeito ao duplo grau de jurisdição, não devendo a presente impugnação ser apreciada pelo Delegado da Receita Federal em Santos, para que não se viole o principio da imparcialidade; • o Lançamento por parte da Autoridade Administrativa nas hipóteses elencadas no art. 149 do CTN, somente poderá ocorrer enquanto não extinto o direito da Fazenda constituir o crédito tributário no prazo previsto no art. 173 do CTN. (..) • Ora, na medida em que os fatos geradores de parte do crédito tributário exigidos no Auto de Infração em referência ocorreram no período de 01.12.2002 até 12.12.2003, sendo que a ciência da Requerente deuse somente em 12.12.08, tais lançamentos ultrapassaram o prazo legal previsto no artigo 173 do CTN. • tratandose de débitos declarados em GFIP, fica caracterizado um auto lançamento pelo próprio contribuinte, e, quando muito, eventuais diferenças de tributos seriam passíveis da cobrança da multa de mora de que trata o art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, mas jamais da multa de lançamento de oficio de que trata o art. 44, inciso I, da citada Lei no 9.430, de 1996, sob pena de violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Mesmo a multa de mora, ainda que aplicável ao caso em tela, somente poderia ser exigida após decisão final a ser proferida nestes autos; • a exclusão do Simples Federal não poderia gerar efeitos retroativos atingindo fatos geradores ocorridos anteriormente a sua edição, sob pena de ferir o principio da segurança jurídica e o da irretroatividade da lei e ainda, por analogia, o previsto no inciso XXXIX do art. 5° da Constituição Federal, isto 6, que não Fl. 232DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.001376/200858 Acórdão n.º 280301.512 S2TE03 Fl. 226 4 há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. Se a Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, não faz tal previsão, não pode uma norma de hierarquia inferior, no caso a Instrução Normativa n° 608, de 9 de janeiro de 2006, fazêlo, em face do principio da hierarquia das normas. Portanto, caso mantida a exclusão da Requerente do Simples após Decisão final nos autos do processo administrativo em tela, seus efeitos somente poderão alcançar os fatos geradores ocorridos a partir da edição do Ato Declaratório DRF/Santos n° 68/2008, de 19.11.08, do qual a mesma expressou ciência nos autos em 12.12.2008; • na questão posta nos autos, a postura adotada pela Fiscalização Fazendária constituise em verdadeira mudança de critérios jurídicos adotado por ocasião dos lançamentos anteriores, ocorridos no período de 01.12.2002 a 31.12.2004. (..) De fato, na questão posta nos autos, o Auto de Infração ora impugnado foi lavrado, em ato de revisão, quando já transcorridos, aproximadamente, 05 (cinco) anos dos respectivos fatos geradores. Nas situações da espécie, de há muito pacificouse o entendimento firmado na jurisprudência predominante em nossos Tribunais, quanto et impossibilidade da alteração do Lançamento em ato de revisão, por erro de direito ou mudança de critérios jurídicos por parte dos Agentes Fazendcirios; • em razão da impossibilidade do Ato Declaratório Executivo n° 68, de 19/11/2008, alcançar fatos geradores anteriores a sua edição, o presente auto de infração é nulo, não produzindo, pois, nenhum efeito legal; • ao editar o artigo 9°, inciso V. da Lei n° 9.317/96, o legislador, no caso, teve por objetivo único, vedar a adesão ao SIMPLES, das Sociedades Civis Prestadoras de Serviços de "Construção de Imóveis", constituídas por Engenheiros, Arquitetos, etc., ou seja, profissões cujo exercício da atividade dependa de habilitação profissional legalmente exigida, o que comprovadamente, não é o caso da ora Requerente. (..) Tanto é verdade, que na qualificação dos sócios integrantes do quadro social da Requerente, não há qualquer menção de que os mesmos exerçam quaisquer das atividades relacionadas no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96 (..). Dessa forma, a prevalecer o entendimento firmado pela DRF/Santos no Ato Declaratório n° 68/2008, resultou na exclusão da Requerente do SIMPLES, restará malferido o principio da Legalidade previsto no artigo 5°, inciso, da Constituição Federal; • o auto de infração encontrase eivado de vicio formal insanável, na medida ern que inserida no crédito tributário exigido a incidência dos juros de mora, pois, consoante pacifica orientação predominante em nossos Tribunais, tal encargo somente é devido após a Decisão final a ser exarada no processo administrativo de que se cuida, quando então a contribuinte Fl. 233DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.001376/200858 Acórdão n.º 280301.512 S2TE03 Fl. 227 5 poderá ser considerada em mora. E essa incidência dos juros de mora revestese ainda mais de flagrante ilegalidade, na medida em que na atualização dos créditos tributários devidos ao Fisco Federal, utilizase a taxa Selic, instituída pelo art. 39, § 40, da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cuja inconstitucionalidade já foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça. Por final, a Recorrente reforça a questão de que o Ato Declaratório Executivo n. 68/2008 estaria suspenso em razão de manifestação da Contribuinte, alega que a decisão recorrida é nula por afronta aos princípios de ampla defesa e contraditório por não ter deferido os pedidos de diligência e perícia técnica. O presente relator entendeu em proposta de resolução que o presente julgamento deveria ter sido convertido em diligência em razão de dúvida quanto à conclusão do processo administrativo de exclusão da Recorrente do SIMPLES, se a mesma foi mantida ou não, considerando que não é de competência da presente Turma Especial apreciar tal matéria (art. 2º, inciso V, do Regimento Interno do CARF/MF). Questão essa que vicío de origem da constituição dos créditos impugnados. A proposta fora de que convertido em diligência, teria a finalidade de que a autoridade preparadora informasse em qual fase processual encontrase o Processo Administrativo n° 15983001.159/200868, bem como se o Ato Declaratório Executivo n° 68, de 19/11/2008 fora reformado por alguma decisão posterior, se houve o transito em julgado administrativo da última decisão que reformou ou manteve os efeitos do Ato Declaratório Executivo n° 68, de 19/11/2008. Contudo, em votação da Turma Especial, por maioria com voto de qualidade, a proposta de conversão em diligência fora negada, sob o fundamento de que sob Ato Declaratório de exclusão não incidiria efeito suspensivo, sendo de eficácia imediata. Assim, retornase o julgamento do mérito do presente Recurso Voluntário, sob presuposto de que a diligência proposta não será base da presente decisão. Esse é o relatório. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.001376/200858 Acórdão n.º 280301.512 S2TE03 Fl. 228 6 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), contudo o seu conhecimento deve ser parcial.. A razão da parcialidade de conhecimento está na incompetência da presente Turma Especial em anular o crédito tributário questionado com fundamento apenas na ilegalidade ou nulidade do ato de exclusão da Recorrente do SIMPLES (Lei n° 9.317/96 SIMPLES e a partir de 01/07/2007, vigência da LC n° 123/06 Simples Nacional). O ato de exclusão e sua possível anulação fora apreciado em procedimento próprio e diverso, como observado pela decisão a quo, não podendo ser rediscutido dentro do procedimento de lançamento de contribuições previdenciárias, porque conforme o art. 2º, inciso V, do Regimento Interno do CARF/MF, a competência para processamento e julgamento de recursos que discutam propriamente essa materia é da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. Assim, as alegações da ilegalidade da exclusão da Recorrente do SIMPLES não devem ser conhecidos, conhecendose apenas as demais matérias devolvidas à apreciação. II Quanto à alegação de aplicação da decadência na forma do art. 150, §4o, do CTN, a mesma não deve ser acolhida. Por se tratar de constituição de crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por descumprimento de obrigação instrumental (acessória) o lançamento de crédito tributário é realizado de ofício, em especial nos casos de não exibição de documentos e informações solicitadas pela autoridade fiscal. Assim, no presente caso, as regras de decadência do crédito tributário a serem aplicadas não são as definidas para os casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação de pagamento (art. 150, § 4º e art. 156, VII, do CTN), mas das regras destinadas a reger a decadência dos créditos tributários sujeitos ao lançamento de ofício, devendo assim ser observado o disposto nos arts. 156, V, e 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o direito de constituição do crédito tributário será extinto ao termo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, a partir do exercício seguinte ao da infração cometida. Essa é inclusive a orientação jurisprudencial de vários julgados do 2º Conselho de Contribuintes e da 2ª Sessão de Julgamento do CARF/MF, a exemplo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.001376/200858 Acórdão n.º 280301.512 S2TE03 Fl. 229 7 O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 40, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n os 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, tratandose de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez que a contribuinte omitiu informações ao INSS, caracterizando lançamento de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Ac. 240100.567, ,Rel.Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira da 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF/MF, sessão de 03.12.2009 – no mesmo sentido Ac Ac. 20601.698 do 2º CC) Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos O aspecto temporal da hipótese de incidência da norma sancionatoria é o momento de desobediência da norma tributária de obrigação acessória, que se dá no momento em que ela deveria ser cumprida, mas não é. Assim, por ter sido o Auto de Infração perfectibilizado em 12.12.2012, seguindo a regra acima indicada, o período mais distante que poderia ter atingido pelo lançamento de ofício é o de 01/2003, logo, está correta a autuação neste aspécto. Logo, neste ponto, não deve ser acolhido o Recurso Voluntário. III – Quanto aos efeitos retroativos do Ato Declaratório Executivo n° 68, de 19/11/2008, em que os seus efeitos somente afetariam fatos posteriores à notificação do contribuinte sobre o ato. Devese atentar que o art. 15, II, do mesmo diploma é claro em estabelecer que haveria aplicação do regime de apuração tributário normal no mês subseqüente à Fl. 236DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.001376/200858 Acórdão n.º 280301.512 S2TE03 Fl. 230 8 ocorrência da situação excludente, no caso em questão desde . Tal entendimento, foi consolidado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, inclusive com efeitos repetitivos (art. 543C, do CPC) a qual o CARF deve observar (art. 62A do Regimento Interno do CARFMF) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. EXCLUSÃO DO REGIME TRIBUTÁRIO SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. ORIENTAÇÃO ADOTADA EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. 1. Esta Corte já pacificou entendimento, inclusive em sede de recurso repetitivo (REsp n. 1.124.507/MG), na sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido de que o ato de exclusão do regime tributário SIMPLES tem natureza declaratória, e como tal, retroage seus efeitos a partir do mês subseqüente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da Lei n. 9.317/96, eis que é obrigação do contribuinte conhecer as situações que impedem seu ingresso e permanência nesse regime. 2. Tendo em vista que o presente agravo regimental foi interposto após e contra o entendimento adotado no recurso representativo da controvérsia, é o caso de aplicarse a multa prevista no art. 557, § 2º, do CPC, a qual fixo em 10% sobre o valor da causa. 3. Agravo regimental não provido. (AGRESP 200901831353, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 04/10/2010) Assim, a alegação de que haveria aplicação do regime normal de tributação, inclusive previdenciária, somente após a notificação do ato de exclusão do regime de tributação SIMPLES, que supostamente não ocorreu, e que seus efeitos não seriam retroativos, não carece de razão. Assim, os créditos tributários lançados sobre as verbas remuneratórias apuradas pela fiscalização, são devidos salvo as exceções apresentadas neste voto. IV Quanto à suposta inconstitucionalidade da Taxa SELIC como índice de juros, em face do principio da legalidades, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. V – Quanto à nulidade do julgamento por não atendimento aos pedidos de diligência e perícia, em face do princípio da ampla defesa e contraditório, não merece prosperar, pois, como decidido pelo julgamento anterior, a matéria trazida pela Recorrente é apenas de direito, bem como não indicou qual seria o fundamento e objetivo probatório a ser atingido com a perícia e a diligência, como também se verifica no presente recurso. O art. 18, do Decreto n. 70235/1972, estabelece que o julgador de primeira instância pode indeferir pedidos de perícia e diligências que sejam prescindíveis. Ressaltese que quanto à diligência, a questão já fora decidido pela Tuma conforme relatado. Logo, os pedidos de nulidade do julgamento anterior por não atendimento dos pedidos de perícia e diligência, não merecem acolhimento. VI Contudo, entendo que em razão de dever de interpretação mais benéfica ao contribuinte e retroatividade benígna, devese fazer a seguinte manifestação quanto à aplicação da multa. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.001376/200858 Acórdão n.º 280301.512 S2TE03 Fl. 231 9 Todavia, por dever de ofício, ao se verificar a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, §§3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, devese atentar às alterações legais implementadas por esta e sua lei de conversão (Lei n. 11.941/2009), que revogou os parágrafos e incluiu o art. 32A, I,. Recentemente, as normas sancionatórias relativas à GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, e provavelmente beneficiam a Recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, Fl. 238DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.001376/200858 Acórdão n.º 280301.512 S2TE03 Fl. 232 10 decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Salvo se a própria lei, expressamente assim definisse. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retroatividade benígna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Assim, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), como o entendimento que a aplicação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. VII Conclusão Isso posto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário e, no mérito, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§1º e 3º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, não Fl. 239DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.001376/200858 Acórdão n.º 280301.512 S2TE03 Fl. 233 11 devendo ser realizada comparação conjunta com as sanções previstas na forma art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Sala de Sessões, 17 de abril de 2012. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 240DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 15586.001030/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA IN NATURA. NÃO
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada
jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da
contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos
segurados. Tendo sido o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 objeto de Ato
Declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, urge serem
observadas as disposições inscritas no art. 26-A, §6º, II, “a” do Decreto nº
70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA PRESTADA
POR SERVIÇO MÉDICO OU ODONTOLÓGICO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico,
próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas
com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares
e outras similares, somente será excluído da base de incidência
das contribuições previdenciárias, se e somente se a cobertura abranger a
totalidade dos empregados e dirigentes da empresa.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente
pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter
irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa
referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC
a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.685
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídas as parcelas referentes a cestas básicas. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior acompanhou pelas conclusões.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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PARCELA FORNECIDA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Tendo sido o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 objeto de Ato Declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, urge serem observadas as disposições inscritas no art. 26A, §6º, II, “a” do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA PRESTADA POR SERVIÇO MÉDICO OU ODONTOLÓGICO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, somente será excluído da base de incidência das contribuições previdenciárias, se e somente se a cobertura abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídas as parcelas referentes a cestas básicas. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior acompanhou pelas conclusões. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Eduardo Augusto Marcondes de Freitas Relatório Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004. Data da lavratura do AIOP: 07/08/2008. Data da Ciência do AIOP: 07/08/2008. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas a outras entidades e fundos (INCRA, SalárioEducação FNDE, SENAI e SESI e SEBRAE), incidentes sobre os valores despendidos pela empresa em favor de seus segurados empregados a título de Alimentação e assistência médica, fornecidos em desacordo com a legislação previdenciária, e horas extras, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 30/37. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 68/84. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão fls. 135/143, julgando procedente o lançamento levado a efeito pela autoridade fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001030/200832 Acórdão n.º 230201.685 S2C3T2 Fl. 172 3 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 10/12/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 145. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 152/167, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que a alimentação fornecida ao empregado in natura por si só afasta a incidência da contribuição previdenciária, porque retira da parcela fornecida a natureza salarial pretendida pela fiscalização Autárquica; • Que a aplicação da SELIC nos débitos extrapola a previsão legal, pois além de possuir esta taxa natureza remuneratória, o INSS aplicou a SELIC como juros remuneratórios, o que não seria permitido; Ao fim, requer a declaração de insubsistência do lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 10/12/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 06/01/2009, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 2.1. DA ABRANGÊNCIA DO CONCEITO LEGAL DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Alega o Recorrente a alimentação fornecida ao empregado in natura por si só afasta a incidência da contribuição previdenciária, porque retira da parcela fornecida a natureza salarial pretendida pela fiscalização Autárquica. Cumpre, de plano, destacar que o presente processo referese ao lançamento de contribuições sociais incidentes sobre os valores despendidos pela empresa em favor de seus segurados empregados a título de Alimentação in natura e assistência médica, fornecidos em desacordo com a legislação previdenciária. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001030/200832 Acórdão n.º 230201.685 S2C3T2 Fl. 173 5 II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) § 3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustaas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001030/200832 Acórdão n.º 230201.685 S2C3T2 Fl. 174 7 no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS, encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente sobre a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Imerso nessa ordem constitucional, iluminese a definição legal de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Impende destacar que o Direito Legislado na Consolidação das Leis do Trabalho não ostenta concepção diversa das ilações ora produzidas, senão vejamos: Consolidação das Leis do Trabalho Fl. 8DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001030/200832 Acórdão n.º 230201.685 S2C3T2 Fl. 175 9 Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (grifos nossos) Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos adiante, no excerto de interesse: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528/97) (grifos nossos) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Fl. 9DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Conjuguese ainda, nesse mister, que o preceito encartado no art. 176 do CTN exige previsão legal para a concessão de isenção, não podendo tal requisito ser suprido por acordo coletivo de trabalho, os quais produzem efeitos, unicamente, entre as partes que os celebram, sendo imprestáveis para vincular o Estado aos termos pactuados em suas cláusulas. Código Tributário Nacional Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração. (grifos nossos) 2.1.1. DO FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatui, de forma expressa, que não integra o Salário de contribuição a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. No caso ora em foco, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, restou a cargo da Lei nº 6.321/76, a qual dispõe sobre os Programas de Alimentação do Trabalhador. Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976: Art. 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. " (grifos nossos) Ressaltese que os preceptivos aqui enunciados não conflitam com as linhas traçadas pelo art. 5º do Decreto nº 5/1991, que aponta para o mesmo norte. Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador. Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo Dec. 2.101/96) Fl. 10DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001030/200832 Acórdão n.º 230201.685 S2C3T2 Fl. 176 11 Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. (grifos nossos) Conforme já enaltecido alhures, tratandose de hipótese de renúncia fiscal, urge emprestarse exegese restritiva à fórmula isentiva acima abordada. Inferese, portanto, dos preceptivos suso selecionados que a adesão ao PAT constituise condição sine qua non para a fruição dos benefícios fiscais tributários e previdenciário, conforme expressamente previsto na alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, verbatim: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) De fato, a inscrição no PAT não se constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. Com efeito, a Portaria nº 03/2002 estabeleceu as instruções para a perfeita execução do Programa de Alimentação do Trabalhador, estabelecendo de forma taxativa que a execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador acarretará o cancelamento da inscrição ou registro no Ministério do Trabalho e Emprego, com a consequente perda do incentivo fiscal, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 No caso em exame, a legislação que rege a isenção em foco exige que o fornecimento de cestas básicas, mesmo in natura, para ser alcançado pela hipótese de exclusão tributária sob comento, seja realizado nos estritos limites traçados pela legislação própria, o que de fato, conforme detalhadamente demonstrado, não ocorreu no cotidiano da empresa. Tal digressão revelouse necessária para demonstrar que a Autoridade Lançadora, no exercício do seu dever de ofício, procedeu ao lançamento em palco em atenção à natureza plenamente vinculada das atribuições atávicas ao seu cargo, e nos estritos ditames da lei. Ocorre, todavia, malgrado à expressa disposição legal, que a Corte Superior de Justiça pacificou o entendimento de que a alimentação in natura oferecida ao trabalhador não se subsume à hipótese de incidência de contribuições previdenciárias, mesma que a empresa não esteja inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, como assim se depreende dos seguintes julgados a seguir ementados: AgRg no Ag 1392454 Relator: Ministro Arnaldo Esteves Lima DJe 25/11/2011 Ementa: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. SALÁRIO IN NATURA. DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o pagamento efetuado in natura do salário alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante estar a empresa inscrita ou não no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Agravo regimental não provido. AgRg no AREsp 5810 Relator Ministro Benedito Gonçalves DJe 10/06/2011 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Fl. 12DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001030/200832 Acórdão n.º 230201.685 S2C3T2 Fl. 177 13 Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. Em razão da sedimentação da jurisprudência em torno da matéria no Superior Tribunal de Justiça, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, reconhecendo que todos os argumentos que poderiam ser levantados em defesa dos interesses da União haviam sido rechaçados pelo STJ, exarou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011,curvandose ao entendimento adotado pelo Tribunal Superior em tela. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Nesse contexto, considerandose que o aludido Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 foi objeto de Ato Declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009, in verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 13DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Não deve persistir, portanto, o lançamento em relação às contribuições previdenciárias incidentes, exclusivamente, sobre os valores equivalentes à alimentação fornecida in natura aos segurados empregados. 2.1.2. DA ASSISTÊNCIA MÉDICA Colhemos da norma tributária inscrita na alínea ‘q’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 que não integra o Salário de contribuição, “o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa”. Registrese, por fundamental, que a exclusão de tais parcelas da base de incidência das contribuições previdenciárias não é incondicionada. Constituise condição sine qua non para a exclusão da base de incidência em tela que a cobertura do plano de assistência médica abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Dessai do item 3 do Relatório Fiscal a fls. 33/34 que o benefício em tela foi a oferecido a menos de 10% dos empregados da empresa, mais especificamente aos segurados abaixo elencados: • Honor Vieira Froes Junior Encarregado de Britadeira • Lucio Bastos de Assi Gerente Concretagem • Augustinho Gualandi Gerente Financeiro • Carlos Eduardo Colnago Vendedor • Luciani Dutra Assistente Administrativa Diante das diretivas legais ora anunciadas, avulta, por decorrência lógica, que para a exclusão da assistência médica da base de cálculo das contribuições previdenciárias mostrase indispensável que a cobertura do benefício abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Louvouse tal condicionamento no objetivo governamental de fomentar a função social da empresa e garantir a isonomia entre dirigentes e empregados, privilegiando se dessarte aquelas que primarem pela não segregação entre as diversas estratificações na linha vertical de comando. A fruição do benefício em realce por parcela privilegiada dos segurados, em detrimento dos demais empregados da empresa, conduz à exclusão das verbas em estudo da hipótese de não incidência tributária prevista na alínea ‘q’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, o que implica a sujeição dos valores pagos sob o rótulo de assistência médica ao conceito legal Fl. 14DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001030/200832 Acórdão n.º 230201.685 S2C3T2 Fl. 178 15 de salário de contribuição estatuído no inciso I do caput do mesmo dispositivo legal acima citado. Nessa perspectiva, não havendo sido apresentada, nem em sede de impugnação administrativa, tampouco na instância recursal, qualquer contestação em face da rubrica sob debate, insta admitir como reconhecida pelo Recorrente a procedência do lançamento correspondente à verba em realce, em atenção às disposições inscritas no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 2.2. DA TAXA SELIC Pondera em defesa o Recorrente que a aplicação da taxa SELIC nos débitos extrapola a previsão legal, pois além de possuir esta taxa natureza remuneratória, o INSS aplicou a SELIC como juros remuneratórios, o que não seria permitido. As alegações acima postadas não merecem o albergue pretendido. A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante. o Fl. 16DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001030/200832 Acórdão n.º 230201.685 S2C3T2 Fl. 179 17 que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Dessarte, se nos afigura correta a incidência de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. A propósito, repisese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Assim emoldurado o quadro jurídico, avulta encontrarse impedida esta Corte Administrativa de apreciar tal rogativa e reformar a Decisão Recorrida, ao argumento de que de ilegalidade da aplicação da taxa Selic como juros moratórios, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídos do lançamento as contribuições previdenciárias incidentes, exclusivamente, sobre os valores equivalentes à alimentação fornecida in natura aos segurados empregados, sendo mantidas as demais. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 18DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001030/200832 Acórdão n.º 230201.685 S2C3T2 Fl. 180 19 Fl. 19DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 14041.000002/2009-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS PARA OS SÓCIOS DE ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não incide contribuição previdenciária em relação aos lucros distribuídos para os sócios, desde que ela ocorra em consonância com a previsão no Contrato Social.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS PARA EX-SÓCIOS DE ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Incide contribuição previdenciária em relação aos valores distribuídos para os ex-sócios.
6% DO VALE TRANSPORTE PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Há incidência de contribuição previdenciária apenas em relação aos 6% do vencimento básico dos segurados empregados, caso o empregador opte por pagá-lo, tendo em vista que se trata de remuneração indireta.
NULIDADE. OCORRÊNCIA.
Deve ser anulado o lançamento que não contenha a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, nos termos do art. 37 da Lei nº 8.212/91, vigente à época do fato gerador.
MULTA DE MORA.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, a) por unanimidade de votos, em manter a atuação sobre os lucros distribuídos para Gerta. b) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a tributação incidente sobre os lucros distribuídos aos demais sócios. O conselheiro Paulo Maurício votou pelas conclusões. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. c) por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para manter apenas 6% do salário base em relação à rubrica Transporte- TRN e manter o levantamento HON- honorários e FPF- a Filial de Salvador. d) por maioria de votos, em dar provimento parcial para afastar os lançamentos DCI, DSE, FPA. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari. e) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Fez sustentação oral o Dr. Leonardo Sperb de Paola - OAB/PR 16.015.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não incide contribuição previdenciária em relação aos lucros distribuídos para os sócios, desde que ela ocorra em consonância com a previsão no Contrato Social. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS PARA EXSÓCIOS DE ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Incide contribuição previdenciária em relação aos valores distribuídos para os exsócios. 6% DO VALE TRANSPORTE PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Há incidência de contribuição previdenciária apenas em relação aos 6% do vencimento básico dos segurados empregados, caso o empregador opte por pagálo, tendo em vista que se trata de remuneração indireta. NULIDADE. OCORRÊNCIA. Deve ser anulado o lançamento que não contenha a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, nos termos do art. 37 da Lei nº 8.212/91, vigente à época do fato gerador. MULTA DE MORA. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 00 02 /2 00 9- 73 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, a) por unanimidade de votos, em manter a atuação sobre os lucros distribuídos para Gerta. b) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a tributação incidente sobre os lucros distribuídos aos demais sócios. O conselheiro Paulo Maurício votou pelas conclusões. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. c) por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para manter apenas 6% do salário base em relação à rubrica Transporte TRN e manter o levantamento HON honorários e FPF a Filial de Salvador. d) por maioria de votos, em dar provimento parcial para afastar os lançamentos DCI, DSE, FPA. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari. e) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Fez sustentação oral o Dr. Leonardo Sperb de Paola OAB/PR 16.015. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000002/200973 Acórdão n.º 2403001.964 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Sirvome do Relatório da DRJ, constante nas fls. 67/71 da numeração digital, in verbis: “Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal — AIOP no 37.206.0528 emitido contra a empresa em epígrafe, no montante de R$ 103.960,28 (Cento e três mil, novecentos e sessenta reais e vinte e oito centavos), consolidado em 02/01/2009, alusivo às contribuições sociais cotaparte dos segurados, não declaradas em GFIP e incidentes sobre as remunerações pagas a segurados que prestaram serviços à autuada, tendo por objeto as seguintes rubricas: Auxílio transporte; Remunerações pagas a segurados registrados na Folha de pagamento e não declarados em GFIP; Remunerações pagas a segurados registrados na Contabilidade e não declaradas em GFIP Filial Salvador; Remunerações pagas a segurados constantes da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte — Pessoas Físicas — DIRF — e não declaradas em GFIP; Remunerações pagas a contribuintes individuais, a título de honorários, registradas na contabilidade e não declarados em GFIP; Valores pagos, registrados na contabilidade, a sócios (contribuintes individuais), por meio de distribuição de lucros, configurando remuneração não declarada em GFIP. Conforme Relatório Fiscal, fls. 20/31, da análise da documentação entregue pelo contribuinte (Anexo II e III), verificouse que não houve declaração em GFIP, nem incidência de contribuição social sobre as seguintes rubricas: Fonte: folha de pagamento. Desconto de VTR período 01/2004 a 12/2004 Fonte: contabilidade. Descrição conta da contabilidade: Cód. 50237 — Honorários — pessoa física período 01/2004 a 12/2004 Cód. Vários — Lucros distribuídos período 01/2004 a 12/2004 Cód. 50521 salários — Filial Salvador— período 11/2004 a 12/2004 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Fonte: DIRF Cód. Rendimento do trab. Assalariado — período 01/2004 a 12/2004 Cód. Rendimento do trab. Sem vínculo empregatício — período 01/2004 a 12/2004. Os valores das rubricas supracitadas, discriminadas por trabalhador, encontramse no anexo I. Quanto ao transporte, informa a fiscalização que a empresa não efetuou o desconto de 6% do vencimento básico dos segurados empregados, configurando remuneração indireta. A contribuinte declarou que, por liberalidade e norma interna ajustada, não efetua o desconto de 6% (seis por cento) a recair sobre o salário básico de seus empregados. No que concerne à distribuição de lucros, da análise da contabilidade da empresa, não foram identificados pagamentos de honorários aos sócios, apenas o pagamento de distribuição de lucros, registrados na contabilidade. Ressalta que tais pagamentos eram efetuados mensalmente, constituindose, portanto, em aditamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. Relaciona nominalmente os sócios beneficiários e o correspondente valor pago. Frisa ter a empresa esclarecido que os advogados nominados, no referido termo, não recebem qualquer remuneração decorrente de trabalho. Referidos advogados são sócios da sociedade autuada, conforme contrato social em vigor, à ocasião, e, dos resultados auferidos pela sociedade, recebem dividendos decorrentes de sua participação. Quanto a valores pagos a prestadores de serviços — pessoas físicas — não declarados em GFIP, tratase de pagamentos a prestadores de serviços, pessoas físicas, registrados na contabilidade conta código 50237 — Honorários — pessoas físicas, e não declarados em GFIP. Os valores divergentes entre os constantes da DIRF e GFIP referemse a pagamentos a segurados empregados, competência dezembro/2004 e contribuintes individuais declarados na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF, e não relacionados na Folha de pagamento e GFIP. Há ainda remunerações constantes da folha de pagamento e não declaradas em GFIP, e salários da filial de Salvador, das competências novembro e dezembro de 2004 a empresa não apresentou folha de pagamento e nem declarou em GFIP despesas com salários da filial de Salvador— BA, registradas na contabilidade na conta 50521. Os fatos geradores desta Autuação constam nos seguintes levantamentos: TRN — Transporte não declarados em GFIP; HON — Honorários pagos a Contribuintes Individuais não declarados em GFIP; LUC – Lucros Distribuídos em desacordo com a legislação e não declarados em GFIP; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000002/200973 Acórdão n.º 2403001.964 S2C4T3 Fl. 4 5 DCI – Valores Pagos a contribuintes individuais não declarados em GFIP (batimento DIRF X GFII'); DSE – Valores pagos a segurados empregados não declarados em GFIP (batimento DIRF X GFIP); FPA — Folha de pagamento não declarada em GFIP; FPF — Salários da Filial não declarados em GFIP. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento em 09/01/2009, a autuada apresentou impugnação tempestiva em 06/02/2009 (fls. 35/57), alegando, em apertada síntese: que a empresa se configura como sociedade simples de fins econômicos e, por isso, não apura propriamente lucros, mas sim resultado. Há uma clara distinção entre o valor que é pago ao sóciogerente como remuneração (prólabore) e os valores que são entregues a todos os sócios como dividendos de sua participação nos resultados da sociedade. Que os sócios que não gerenciam a sociedade, mais que servirem à sociedade, servemse da sociedade para realizarem as suas atividades como advogados, sendo sua remuneração vinculada aos resultados dessa atividade; que a interpretação dada ao art. 201, § 5o do RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, extrapola a interpretação da Lei e corresponde a uma ficção jurídica; ainda que se entendesse que uma parcela da remuneração paga aos sócios que não gerenciam a sociedade devesse ser considerada coleio pro labore, tal parcela jamais poderia ser considerada equivalente ao total dos dividendos recebidos, mas sim limitada ao valor do pro labore pago ao efetivo sóciogerente. Desse modo, seria de se reduzir a base de incidência do tributo; aduz a distinção entre profissões liberais e atividades empresariais, citando a Lei n° 8.906/94 — Estatuto da OAB, sendo preciso estabelecer com precisão a qualificação jurídica da impugnaste para não submetêla a regime de funcionamento e distribuição de lucros; no caso, o correto é de resultados das atividades comerciais ou empresariais; que a remuneração pelo trabalho prestado à sociedade (pro labore) é devida apenas ao sócio gerente, e não aos demais sócios que não exercem funções de direção na sociedade; haver falta de base legal do artigo 201, §5° do RPS; que, ainda que fosse exigível, a parcela da remuneração dos sócios que não exercem atividade de direção, pro labore, não poderia exceder o valor pago ao verdadeiro sóciogerente; a insubsistência do lançamento relativo à rubrica auxílio transporte, já que o desconto de 6% é uma faculdade e não uma obrigação. E, caso assim não se Fl. 103DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 entenda, o valor lançado deveria limitarse a essa parcela, não podendo alcançar o valor total dos vales transporte; quanto às demais rubricas constantes na autuação: Remunerações pagas a segurados registrados na Folha de pagamento e não declarados em GFIP; Remunerações pagas a segurados registrados na Contabilidade e não declaradas em GFIP Filial Salvador; Remunerações pagas a segurados constantes da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte — Pessoas Físicas — DIRF — e não declaradas em GFIP Remunerações pagas a contribuintes individuais, a título de honorários, registradas na contabilidade e não declarados em GFIP, alega não haver qualquer irregularidade contábil que as justifiquem, além de haver a ausência de imputação clara e circunstanciada no relatório fiscal, o que acarretaria cerceamento de defesa. Não obstante, produz as seguintes alegações quanto a essas rubricas: Remunerações pagas a segurados constantes da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte — Pessoas Físicas — DIRF — e não declaradas em GFIP alega que, geralmente, há correspondência entre tais documentos fiscais, mas ela não é absoluta. No caso, o principal lançamento de R$ 201.448,18 referese a uma participação dos empregados nos resultados da Sociedade, que seguiu o regramento da Lei 10.101/2000, excluída, pois, da incidência da contribuição previdenciária por força do art. 28, § 9°, ‘j’ da Lei 8.212/91; Remunerações pagas a segurados registrados na Contabilidade e não declaradas em GFIP Filial Salvador alega ter havido um equívoco no seu preenchimento com a troca de CNPJ. No lugar do CNPJ da filial, utilizouse o da matriz; sendo o lançamento insubsistente, já que houve declaração e o tributo foi pago; Remunerações pagas a contribuintes individuais, a título de honorários, registradas na contabilidade e não declaradas em GFIP: nessa rubrica, várias diferenças apontadas pela fiscalização são fruto de uma análise superficial e já foram identificadas como inexistentes. O problema é que boa parte dos lançamentos relatados o foram por agregados, o que atrapalha a confecção de relatórios comprobatórios das teses de defesa. Assevera que a impugnante juntará, tão logo disponíveis, explicações e relatórios documentados sobre tais rubricas. Por fim, requer o julgamento desta autuação conjuntamente com as demais autuações lançadas nessa ação fiscal, por estarem correlacionadas. No mérito, requer a improcedência do lançamento, ou que sejam reduzidas as bases de cálculo apuradas. Em 01/04/09, a impugnante protocolou adendo à impugnação inicial (fls. 271/273 – AIOP nº 37.206.0510), na qual anexa documentos, alegando que os mesmos comprovam que o lançamento ‘remunerações pagas a segurados constantes em DIRF e não declarados em GFIF’ é insubsistente, isso porque, esse lançamento diz respeito a pagamento recebido por funcionários a título de participação nos lucros e resultados, em dezembro de 2004 (anexa cópia do contrato de participação). Acrescenta a improcedência da mesma parte do lançamento da GFIP que inclui os valores de férias, os quais foram retidos em dezembro de 2004 e, por essa razão, equivocadamente considerados pelo Fisco previdenciário como sujeitos à tributação naquele mês. Alega que, no caso, o fato gerador do Imposto de renda é considerado em dezembro de 2004, mas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as férias só incidem no mês de janeiro de 2005. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000002/200973 Acórdão n.º 2403001.964 S2C4T3 Fl. 5 7 Alega ainda não ter sido considerada a dedução da base de cálculo prevista na Medida Provisória n ° 202/04, quanto ao lançamento ‘remunerações pagas a segurados constantes em DIRF e não declaradas em GFIP’; inconsistência no lançamento ‘folha de pagamento não declarada em GFIP’; pelo fato de o resumo da folha de pagamento, no ano de 2004, coincidir com as informações declaradas em GFIP, havendo diferenças quanto à funcionária Luciene de Azevedo Alves, não considerada pelo fisco nos meses fiscalizados. Afirma que, no lançamento ‘honorários não declarados em GFIP’, as diferenças apuradas devemse aos pagamentos destinados a exsócios, e decorrentes de distribuição de resultados, e não de remuneração por eventual trabalho prestado.” DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em BrasíliaDF, por meio da 5a Turma da DRJ/BSB, prolatou o Acórdão n° 03 34.235, de fls. 66/75, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AIOP no 37.206.0528 ANTECIPAÇÃO DE LUCRO/DIVIDENDO É preceito constitucional que somente a lei poderá conceder isenção, redução de alíquota ou de base de cálculo, anistia, remissão e outros incentivos e benefícios fiscais (§ 6.o, art. 150, CF/88). CERCEAMENTO DE DEFESA Não se caracteriza quando, na impugnação apresentada, o contribuinte denota pleno conhecimento dos itens da exigência fiscal. VALE TRANSPORTE Somente o ValeTransporte concedido nas condições e limites definidos na Lei no 7.418/85 não constitui base de incidência de contribuição previdenciária. IMPUGNAÇÃO Não basta alegar, o contribuinte deve produzir prova, convincentemente, dos fatos alegados e oferecer os elementos que juridicamente desconstituam o lançamento, ao formular a impugnação ou o recurso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 105DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 DO RECURSO Inconformada, a Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 78/98), requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, com os mesmos argumentos da Impugnação. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000002/200973 Acórdão n.º 2403001.964 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 100, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS A Fiscalização entendeu que a Recorrente não pagou honorários aos sócios, apenas distribuiu lucros mensalmente, constituindo adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício, motivo pelo qual considerou esses valores como sendo remuneração não declarada em GFIP. Para tanto, colacionase trecho dos motivos expostos no Relatório Fiscal, fl. 135: 33. Analisando a contabilidade da empresa não foram identificados pagamentos de honorários aos sócios, apenas o pagamento de distribuição de lucros, registrados na contabilidade, conforme abaixo discriminado. Cabe ressaltar que tais pagamentos eram efetuados mensalmente, constituindo se, portanto, em adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. São os seguintes os sócios beneficiários dos pagamentos: (...) 34. Intimada a informar, discriminando por competência a remuneração decorrente do trabalho exercido pelos sócios, a empresa esclareceu “... que os advogados nominados no referido termo não receberam qualquer remuneração decorrente de trabalho. Referidos advogados são sócios da sociedade ALINO & ROBERTO E ADVOGADOS, conforme contrato social em vigor à ocasião, e, dos resultados auferidos pela sociedade, receberam dividendos decorrentes da sua participação.” 35. Diante da falta de discriminação entre a remuneração do trabalho e a decorrente da remuneração do capital os pagamentos acima relacionados foram considerados por esta fiscalização, como base de cálculo para a Previdência Social. Por outro lado, a Recorrente sustenta que, in verbis: “No caso da Alino & Roberto e Advogados —sociedade de advogados que se configura como sociedade civil simples de fins econômicos e, por isso, não apura propriamente lucros, mas sim resultados — há uma clara discriminação entre o valor que é Fl. 107DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 pago ao sóciodiretor como remuneração por seu trabalho em prol da administração da sociedade (pro labore) e os valores que são entregues a todos os sócios como dividendos de sua participação nos resultados da sociedade. Nesse sentido, não há nada de irregular no fato de os sócios que não gerenciam a sociedade não receberem quaisquer valores por seu trabalho em prol da sociedade, já que, mais do que servirem à sociedade, servemse da sociedade para realizar a sua atividade como advogados, sendo sua remuneração vinculada aos resultados dessa atividade.” (sem destaque no original) Primeiramente, antes de adentrar ao mérito da incidência ou não de contribuição previdenciária no presente caso, há de se destacar a exposição dos motivos do fiscal e a nulidade da autuação em razão da “presunção absoluta” realizada. Conforme exposto acima, o fiscal considerou tratarse de rendimentos obtidos decorrente trabalho pelo simples fato de não haver discriminação entre prólabore, que não é recebido pelos sócios, e a distribuição de lucros. A partir disto, considera todos os valores distribuídos aos sócios como se rendimento do trabalho fosse. Ora, estes são os motivos expostos e apenas com relação a isto deve o julgador adentrar ao mérito da autuação. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO – NULIDADE – ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA. Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles especificamente indicados no lançamento. Teoria dos motivos determinantes. (CARF, Terceira Seção, Processo nº 10480.008987/200289, Recurso nº 239.774 Voluntário, Acórdão nº 3403000.811 – 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária, Sessão de 4 de fevereiro de 2011, relator Ivan Allegretti) Os atos do fiscal ferem os princípios constantes no art. 2º da lei que rege o processo administrativo federal, Lei n. 9.784/99, quais sejam, o da motivação dos atos, razoabilidade e proporcionalidade. Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. A motivação, apesar de formalmente existente, uma vez que o fiscal informa que está considerando as importâncias pagas como se prólabore fosse, ela não encontra amparo em qualquer motivo, ou seja, seu fundamento, pressuposto de fato e de direito que serve para sua prática, marcando o ato, data venia, pela arbitrariedade em razão de “presunção absoluta” sem respaldo fático. Destarte, na situação vertente, caberia a autoridade lançadora fazer prova do contrário do alegado como também provado pelo contribuinte. Nesse sentido, Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez Lopéz, com muita propriedade, ensinam que: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000002/200973 Acórdão n.º 2403001.964 S2C4T3 Fl. 7 11 A palavra ônus, do latim ônus, significa carga, peso, encargo, obrigação. Quando se indaga a quem cabe o ônus da prova, quer se saber a quem cabe a obrigação de prover os elementos probatórios suficientes para a formação do convencimento do julgador. O Direito distribui o ônus entre os litigantes de forma coerente com o ônus da informação e se inspira no critério da igualdade entre partes. Como regra geral, cabe àquele que pleiteia um direito provar os fatos, sendo facultado a outra parte reagir à pretensão e infirmála com outras provas. No processo administrativo fiscal, temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então, o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o interessado aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes. 1 Para tanto, vejase o precedente do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda que trata da existência de prova segura para o lançamento do crédito: Após o advento do Código Tributário Nacional, que consagrou o princípio da reserva legal na atividade administrativa de lançamento, as exigências tributárias somente poderão ser formalizadas com prova segura, a cargo de quem alega, dos fatos que velem o auferimento de receita passível de tributação, ou mediante a demonstração de que ocorreram aqueles fatos expressamente arrolados pela lei, como presunções de omissões de receita. Se for certo que as presunções hominis ou facti, não se prestam para alicerçar a incidência do imposto sobre a renda, como é cediço na doutrina e na jurisprudência, impossível a manutenção da exigência quando se baseia em simples ilação.2 Nesse sentido também, a Câmara Superior de Recursos Fiscais já decidiu pela inidoneidade da presunção, conforme se depreende do Acórdão 40106015, Processo n° 11080.008088/200171, Recurso n° 101133.140 Especial do Procurador, in verbis: PRESUNÇÃO COMO MEIO DE PROVA Presunção é a ilação que se tira de um fato conhecido para provar a existência de um fato desconhecido. Sua validade repousa em três requisitos: o da gravidade, o da previsão e o da concordância, não prosperando a ilação quando os indícios escolhidos autorizem conclusões antípodas, como ocorreu no caso concreto. Incumbe ao Fisco provar que o ato se fez na contramão da lei de regência com o propósito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação 1 NERDER, Marcos Vinicius. LOPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 213/214. 2 Recurso n. 116.065, com ementa publicada no DOU de 29 de junho de 1999. p.3. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Analisando a matriz constitucional da Contribuição Previdenciária prevista no art. 195 da Constituição Federal, temos o que segue: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) III sobre a receita de concursos de prognósticos. IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Do exposto, verificase que o fato gerador das contribuições previdenciárias é a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Logo, não há previsão constitucional para a incidência de contribuição previdenciária em relação ao lucro distribuído aos sócios. Ademais, na Lei n. 8.212/91 não há qualquer previsão de incidência da contribuição previdenciária em relação ao lucro. Diferente, por exemplo, da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL, que há previsão na Lei n. 7.689/98. Conforme transcrito alhures, a Recorrente sustenta que há uma discriminação entre o prólabore pago ao sóciodiretor, como remuneração, e os valores que são entregues a todos os sócios, como dividendos de suas participações nos resultados da sociedade. A hodierna doutrina dispõe no sentido de que não há, na legislação tributária, nenhuma vedação para o sócio ou acionista receberem apenas os lucros e dividendos3, in verbis: “A nosso ver, em qualquer sociedade, os sócios ou acionistas podem optar por não querer perceber remuneração (prólabore), 3 Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – São Paulo: MP Editora., 2012. P. 347. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000002/200973 Acórdão n.º 2403001.964 S2C4T3 Fl. 8 13 aceitando apenas os lucros ou dividendos. Não há em nosso ordenamento jurídico norma que obrigue ao sócio ou acionista receber o pagamento de prólabore. Muito pelo contrário; tratase de uma opção do sócio/acionista administrador de uma sociedade, que pode tanto angariar parte do pagamento por força de prólabore e a outra parte a título de lucro/dividendo, como optar por perceber tudo somente como lucro/dividendo.” (sem destaque no original) Sendo, outrossim, o entendimento exarado pelo STJ no julgamento do REsp n. 510.810/MG, onde transcrevo alguns trechos, in verbis: “Analisando o contrato social da Impetrante, fls. 12/32, extraise que este nunca previu o pagamento de pro labore aos sócios em decorrência dos serviços de advocacia prestados a terceiros, mas estabeleceu a distribuição dos lucros auferidos segundo os critérios determinados pelos sócios majoritários. Não se deve olvidar, por outro lado, que retirada a título de pro labore está tãosomente prevista como contraprestação pelo trabalho profissional prestado à sociedade (doc. Fls. 14), não havendo notícia nos autos da realização de pagamento aos sócios a tal título. (...) Desta forma, levandose em consideração a previsão contratual segundo a qual o lucro apurado pela sociedade seria distribuído conforme deliberação dos sócios majoritários, podendo ser antecipações por conta do resultado final do exercício e o disposto no documento de fls. 46, atestando que os valores percebidos pelos sócios estão contabilizados exclusivamente sob a rubrica ‘distribuição de lucros’, entendo que deve ser mantida a sentença a quo, que concedeu a segurança aos impetrantes para reconhecer o direito líquido e certo da impetrante de não se sujeitar, a partir de setembro de 1988, ao recolhimento da contribuição social incidente sobre a remuneração de autônomos e empresários, disciplinada pelo art. 1º, I, da Lei Complementar nº 84/96, atualmente regida pelo art. 22, III, da Lei nº 8.212/91, com redação que lhe foi conferida pelo art. 1º da Lei nº 9.876/99.” Também, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, recentemente, em 21 de junho de 2012, prolatou acórdão neste sentido, em voto vencedor de lavra do presidente da 3ª Câmara, 1ª Turma, Marcelo Oliveira, in verbis: Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2006 a 21/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. PRÓLABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 As remunerações por prólabore e participação nos resultados devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do § 5o do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. No caso, a discriminação ocorreu, não havendo que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre a parcela referente a lucros. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. EXACERBAÇÃO DE COMPETÊNCIA. SÚMULA 02 DO CARF. A tentativa de afastar a aplicação de multa no caso em comento encontra seu fundamento no caráter confiscatório da multa, o que seria vedado pela Constituição Federal. Reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência. A apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Incidência da Súmula 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº. 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº. 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº. 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº. 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº. 8.212/1991 combinado com o art. 44, I, da Lei nº.9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível à comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº. 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000002/200973 Acórdão n.º 2403001.964 S2C4T3 Fl. 9 15 (CARF. 2ª Seção. Processo nº. 10140.720487/201080, Recurso n. 999.999 Voluntário, Acórdão 2301002.905 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Sessão de 21 de junho de 2012) Feitas essas considerações, passo a analisar o caso concreto. No Relatório Fiscal de fls. 22/33, especificamente na fl. 30, a Fiscalização listou os sócios que receberam os lucros, quais sejam: Paula Frassinetti Viana AttaOAB/DF 6319, conta: 29308, valor recebido. R$ 597.719,73; José da Silva Caldas—OAB/DF 6002, conta: 29309, valor recebido: R$ 273.518,52; Cláudio Santos da Silva—OAB/DF 10081, conta: 29310, valor recebido: R$ 429.683,10; Rodrigo Peres Torelly—OAB/DF 12557, conta: 29311, valor recebido: R$ 164.868,86; Eryka Farias de Negri — OAB/DF 13372, conta: 29314, valor recebido: R$ 253.822,15; Marcelise de M. Azevedo — OAB/DF 13811, conta: 29315, valor recebido:R$ 132.963,43; Luciana M. Barbosa — OAB/DF 1245300, conta: 29316, valor recebido: R$ 68.516,05; Damares Medina R. de Oliveira—OAB/DF 14489, conta: 29317, valor recebido: R$1 30.432,98; Gerta C. S. Falsei—OAB/DF 17080 (ago a dez/04), conta: 29324, val.recebido:R$ 12.206,05; Shigueru Sumida — OAB/DF 14870, conta: 29327, valor recebido: R$ 105.572,10; Beatriz Veríssimo de Sena — OAB/DF 15777, conta: 29328, valor recebido: R$ 74.232,06; Alexandre Simões Lindoso — OAB/DF 12067, conta: 29330, valor recebido: R$ 295.183,94; Mauro de Azevedo Menezes — OAB/DF 10826, conta: 73674, valor recebido: R$257.711,59 André Luiz Queiroz Sturaro — OAB/DF 12051, conta: 73675, valor recebido: R$ 57.513,74; Analisando a Décima Terceira e Décima Quarta Alterações do Contrato Social constantes nas fls. 100/107, especificamente nas fls. 101 e 106, verifico que todos os advogados listados acima constam no Contrato Social da Recorrente como sócios, exceto a Gerta Falsei – OAB/DF 17.080 que apenas passou a fazer parte do quadro social em momento posterior. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 A Décima Segunda Alteração e Consolidação do Contrato Social, constante nas fls. 94/99 do Processo Principal de nº 14041.000001/200929, especificamente a “4a Modificação”, que reformou a redação da “cláusula treze”, que vigorou à época do fato gerador, dispõe o seguinte acerca da Distribuição e Pagamento de Honorários, in verbis: “TREZE — DISTRIBUIÇÃO E PAGAMENTO DE HONORÁRIOS — Os honorários de êxito recebidos pela Sociedade serão distribuídos mensalmente, no primeiro dia útil, após a apuração do respectivo valor depositado em conta corrente, e de acordo com as regras definidas nos parágrafos desta cláusula e planilhas aprovadas pelos Sócios, que as rubricarão para constituírem parte integrante do Contrato Social. Serão, ainda, para efeito de aplicação das referidas regras e planilhas, respeitadas as retenções para a constituição do Fundo de Reserva, Imposto de Renda, Contribuição Social e Previdência Social, bem como os percentuais previstos neste contrato. Incluemse nas retenções quaisquer espécies de contribuições, taxas ou impostos que incidam sobre o valor pago a cada Sócio ou que sejam do dever da própria Sociedade pagar.” De acordo com o Contrato Social, concluo que os citados advogados não receberam remuneração decorrente do trabalho desenvolvido, mas lucros auferidos pela Recorrente, prática não vedada pelo ordenamento jurídico brasileiro, como destacado alhures. Ademais, esclareçase desde já que a relação contratual entre advogados é regido por normas específicas, em especial o Estatuto da OAB e seu regulamento, que estabelecem que os advogados podem reunirse em sociedade civil de prestação de serviço de advocacia, sem vínculo de emprego, para percepção de resultados, in verbis: Art. 15. Os advogados podem reunirse em sociedade civil de prestação de serviço de advocacia, na forma disciplinada nesta Lei e no Regulamento Geral. § 1º A sociedade de advogados adquire personalidade jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede. § 2º Aplicase à sociedade de advogados o Código de Ética e Disciplina, no que couber. § 3º As procurações devem ser outorgadas individualmente aos advogados e indicar a sociedade de que façam parte. § 4º Nenhum advogado pode integrar mais de uma sociedade de advogados, com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho Seccional. § 5º O ato de constituição de filial deve ser averbado no registro da sociedade e arquivado junto ao Conselho Seccional onde se instalar, ficando os sócios obrigados a inscrição suplementar. § 6º Os advogados sócios de uma mesma sociedade profissional não podem representar em juízo clientes de interesses opostos. (Estatuto da OAB – Lei 8.906/94) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000002/200973 Acórdão n.º 2403001.964 S2C4T3 Fl. 10 17 Art. 39. A sociedade de advogados pode associarse com advogados, sem vínculo de emprego, para participação nos resultados. Parágrafo único. Os contratos referidos neste artigo são averbados no registro da sociedade de advogados. Analisando o Balancete Analítico, devidamente assinado por um contabilista, constante nas fls. 342/441, do Processo Principal de nº 14041.000001/200929, verifico que de fato a Recorrente sempre distribuiu aos advogados lucros obtidos. Logo, restou comprovado pela Recorrente que todos os sócios relacionados pela Fiscalização estão no seu Contrato Social, assim como não receberam remuneração, mas lucros obtidos, nos termos da cláusula treze do Contrato Social. Coaduno com o entendimento doutrinário e jurisprudencial destacados alhures, no sentido de que não há nenhum impedimento ao sócio receber apenas distribuição dos lucros, em detrimento da remuneração. Deve, portanto, o lançamento ser anulado no que se refere ao lucro distribuído, vez que não integra o salário de contribuição. HONORÁRIOS PAGOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS No que se referem aos honorários pagos a contribuintes individuais, a Recorrente sustenta que são honorários devidos aos exsócios, decorrentes da distribuição de resultados e não remuneração por eventual trabalho prestado à sociedade. Alega que a distribuição está devidamente prevista na cláusula treze da Décima Primeira e Décima Segunda Alteração do Contrato Social constantes nas fls. 90/99 do Processo Principal de nº 14041.000001/200929. No entanto, não assiste razão à recorrente, uma vez que a retirada de alguém do quadro da sociedade exclui o vínculo necessário existente entre elas, pressuposto para distribuição dos lucros, o que caracterizaria a priori, doação e não distribuição. DO VALE TRANSPORTE A Fiscalização autuou a Recorrente por entender que a falta do desconto de 6%, prevista no art. 9º, I, do Decreto nº 95.247/87, no vencimento básico dos segurados empregados configura remuneração indireta. Ocorre que, por esse motivo, desconsiderou todo o valor pago a título de valetransporte, conforme se percebe de trecho do relatório fiscal constante na fl. 29, (134 do processo principal 14041.000001/200929): 28. Cumpre observar que a empresa não efetuou o desconto de 6% do vencimento básico dos segurados empregados conforme acima descrito, configurando remuneração indireta. Intimada, por meio de Termo de Intimação Fiscal, a informar qual a rubrica da folha de pagamento era utilizada para o registro do desconto de 6% referente à participação dos segurados Fl. 115DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 18 empregados no custeio do vale transporte a empresa declarou que “por mera liberalidade e norma interna ajustada não efetua o desconto de 6% (seis por cento) a recair sobre o salário básico de seus empregados,...” Contudo, tendo em vista que a remuneração indireta corresponde a apenas 6% do salário base, não há razão para desconsiderar todo o valor pago a título de vale transporte. Logo, deve o lançamento permanecer, apenas, em relação aos 6% do vencimento básico dos segurados empregados, que a Recorrente pagou por liberalidade, tendo em vista que corresponde à remuneração indireta. DCI – VALORES PAGOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO DECLARADOS EM GFIP (BATIMENTO DIRF X GFIP); DSE – VALORES PAGOS A SEGURADOS EMPREGADOS NÃO DECLARADOS EM GFIP (BATIMENTO DIRFI X GFIP); FPA – FOLHA DE PAGAMENTO NÃO DECLARADA EM GFIP Em sua conclusão do relatório fiscal, fl. 31 (fl. 136 do processo principal), o auditor informa que os fatos geradores do auto encontrarseiam presentes nos levantamentos sob algumas rubricas, dentre elas: DCI – VALORES PAGOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO DECLARADOS EM GFIP (BATIMENTO DIRF X GFIP); DSE – VALORES PAGOS A SEGURADOS EMPREGADOS NÃO DECLARADOS EM GFIP (BATIMENTO DIRF X GFIP); FPA – FOLHA DE PAGAMENTO NÃO DECLARADA EM GFIP No entanto a Fiscalização não trouxe a descrição clara e precisa dos fatos para embasar os lançamentos referentes às rubricas acima. Sequer há destaque no Discriminativo Analítico de Débito, da forma feita no processo principal. O ato contraria o art. 37 da Lei nº 8.212/91 vigente à época do fato gerador, in verbis: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. (sem destaques no original) Logo, ante a ausência da discriminação clara e precisa dos fatos geradores, deve o Recurso Voluntário ser julgado procedente no que se referem às rubricas acima. SALÁRIOS DA FILIAL DE SALVADOR A Recorrente foi autuada por não apresentar Folha de Pagamento e não declarar em GFIP despesas com salários da filial de SalvadorBA, registradas na contabilidade na conta 50521. Contudo, a Recorrente não trouxe nenhum argumento de fato ou de direito a fim de invalidar o lançamento. Logo, deve o lançamento ser mantido. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000002/200973 Acórdão n.º 2403001.964 S2C4T3 Fl. 11 19 DA MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, dou provimento parcial ao recurso para manter a autuação sobre os lucros distribuídos para Sra. Gerta Falsei – OAB/DF 17.080, excluindo a tributação incidente sobre os lucros distribuídos aos demais sócios. Excluir da base de cálculo da Contribuição Previdenciária as rubricas: DCI, DSE e FPA; em relação à rubrica TRN, manter apenas em relação aos 6% do salário base; Manter o levantamento HON – honorários e FPF de Salvador;assim como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 117DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13977.000019/2005-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS
Ano-calendário: 2004
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA.
Tendo sido comprovado o pagamento do valor correspondente ao consumo de energia elétrica no estabelecimento da recorrente, deve ser reconhecido seu direito ao crédito de COFINS correspondente.
Numero da decisão: 3201-000.906
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 302 1 301 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13977.000019/200583 Recurso nº 32.010.00906 Voluntário Acórdão nº 320100.906 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 1º de março de 2012 Matéria COFINS Recorrente BUTZKE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Anocalendário: 2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA. Tendo sido comprovado o pagamento do valor correspondente ao consumo de energia elétrica no estabelecimento da recorrente, deve ser reconhecido seu direito ao crédito de COFINS correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Presidente. Error! Reference source not found. Relator. EDITADO EM: 22/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de "Pedido de Ressarcimento" de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, relativo ao quarto trimestre de 2004, no valor de R$ 208.940,37, pelo qual a interessada acima identificada foi intimada a proceder As demonstrações relativas ao seu direito creditório. Com base na análise da documentação apresentada pela interessada, além das informações obtidas por meio de consultas aos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB), foram efetuadas glosas de parte dos créditos requeridos no Dacon, conforme exposto a seguir, em breve síntese: 1. Glosas de Bens utilizados como insumos: Antes de discriminar quais os valores glosados a esse titulo, a autoridade fiscalizadora apresenta uma planilha comparativa entre os valores dos dados disponibilizados na memória de cálculo utilizada para a obtenção dos valores informados na linha 02 da ficha 06 do Dacon e o arquivo digital contendo dados do LRE, ambos com a discriminação por CFOP. No cotejo dessa informações, foram verificadas pequenas discrepâncias associadas às linhas correspondentes aos CFOP que as compõem. Conforme o método de análise comparativa abordado no relatório (por CFOP), para fins de chegar ao "valor máximo admissível" para a linha 02 do Dacon, a cada mês, foram utilizados os seguintes parâmetros: conforme os respectivos CFOP os valores são "ajustados" de acordo com os valores obtidos no LRE, quando estes apresentam valor menor do que o verificado na memória de cálculo; os valores são "validados", conforme memória de cálculo, quando esta apresenta valor igual ou menor do que o verificado no LRE (por CFOP). Comparando os valores máximos admissíveis com os informados na referida linha do Dacon, efetuouse a glosa pela diferença nos meses em que o Dacon apresentou valor superior ao máximo admissível, já consideradas as glosas devidas a outros fatores, conforme abaixo discriminadas: 1.1. Glosas de fretes: Consta que foram computados indevidamente créditos relativos a fretes em operações de saída ou de entrada para reparos, de amostras grátis, brindes, para devoluções de vendas, aquisições não enquadradas como insumos, mercadorias para demonstração e exposição. Também foram computados fretes em outras operações de saída que não se constituíam em vendas e em operações envolvendo o Ativo Imobilizado. Desta forma, foram glosados muitos dos valores relativos aos CFOP 1.352 e 2.352, em todos os meses do trimestre em questão. 1.2. Glosa correspondente à diferença entre o LRE e a Memória de Cálculo: Conforme os motivos explanados no inicio desse item, foram glosadas as diferenças entre os valores do LRE e a Memória de Cálculo, relativo ao CFOP 1.556 (todos os meses do trimestre) e ao CFOP 1.949 (mês de dezembro). 1.3. Da totalização das glosas de bens utilizados como insumos: Neste item, a autoridade fiscalizadora expõe a planilha com os valores declarados no Dacon no comparativo com a Base de Cálculo foi ajustada após as glosas acima descritas, pelo qual se verifica o total glosado a cada mês. 2.Glosas de despesas indevidamente computadas como energia elétrica, relativa a uma despesa de R$ 32.285,29 computada sem que se apresentasse a Fl. 763DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13977.000019/200583 Acórdão n.º 320100.906 S3C2T1 Fl. 303 3 correspondente nota fiscal (outubro) e a contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública — Cosip (todos os meses do trimestre); 3.Glosas relativas aos encargos de depreciação, devidos a vários bens que, embora constem do Ativo Imobilizado, não são utilizados na produção dos bens destinados à venda ou na prestação de serviços, a teor da legislação relativa ao regime nãocumulativo; 4.Glosa de créditos presumidos relativo ao estoque de abertura, visto a impropriedade do computo de valores relativos a materiais de consumo para fins de apuração do estoque a servir de base de cálculo do crédito presumido. Sob o título "Cálculo Final", ha referências ao Anexo I do relatório de auditoria fiscal onde constam as demonstrações dos cálculos dos valores deferidos, com a determinação das novas bases de cálculo e a reescrita do aproveitamento dos créditos apurados em cada mês. Com base no relatório sucintamente descrito acima, é emitido o Despacho Decisório, onde é reconhecido o direito creditório no valor de R$ 198.456,56, a titulo de mercado externo, com a ressalva de que a homologação de Declarações de Compensações, caso existam,e o ressarcimento em dinheiro, caso haja saldo remanescente, somente podem ser realizados até o limite do valor reconhecido a titulo de mercado externo, observandose as condições estabelecidas pela IN RFB n°. 900/08. A contribuinte apresenta a manifestação de inconformidade, pela qual alega ser legitimo todo o crédito expurgado, pautado no principio da nãocumulatividade e na legislação ordinária. Na seqüência, sob o titulo "Do Direito", no tópico intitulado "o direito ao crédito é amplo e irrestrito", a interessada expõe o seu entendimento sobre o amplo e irrestrito direito ao crédito, remetendo aos princípios constitucionais e às ponderações doutrinárias de alguns tributaristas, dentre outros argumentos, para alegar que, na sistemática da incidência nãocumulativa, a regra é que o tributo incidente na etapa anterior seja sempre aproveitado pelo contribuinte na etapa subseqüente e que a vedação ao crédito, por qualquer motivo que seja, é exceção A regra geral, não podendo prevalecer caso não esteja constitucionalmente autorizada. Sustenta, em síntese, que o padrão constitucional do regime jurídico da não cumulatividade do ICMS e do IPI aplicase também à Cofins e ao PIS. Tece, ainda, algumas considerações acerca da EC n°. 42/2003. Sustenta que todas as mercadorias, insumos, custos e demais despesas que concorram para a obtenção das receitas tributáveis devem gerar direito a crédito, sob pena de não se estar tributando apenas o valor agregado ou adicionado na operação pelo contribuinte, impedindose a implementação da nãocumulatividade tributária em toda a sua plenitude e extensão. Sob o item IV, o qual trata das glosas de fretes, despesas financeiras de empréstimos e financiamentos, encargos de depreciação e materiais de uso e consumo, a contribuinte alega que, como consequência do exposto no item anterior, não se fazem necessárias maiores considerações para estas glosas, pois o direito ao crédito é amplo e irrestrito, de sorte que as glosas em virtude de restrições impostas pela legislação ordinária não podem prevalecer. No item "V" da manifestação, a manifestante insurgese contra a glosa relativa a uma despesa de R$ 32.285,29 de energia elétrica, computada sem que se apresentasse a correspondente nota fiscal (outubro), alegando que a fatura se refere ao mês de setembro (3°. Trimestre), que acabou chegando em atraso, somente sendo possível a sua escrituração e pagamento no mês de outubro, ou seja, em um único mês escriturou duas faturas de energia elétrica, em estrita observância aos princípios contábeis inerentes it espécie. Como comprovante da Fl. 764DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 4 lisura do crédito, argumenta que, no despacho decisório relativo ao 3°. Trimestre de 2004, não foi lançada a energia elétrica objeto do presente pedido. No item "VI", aborda a "Diferença entre LRE e a memória de cálculo", para destacar que esta diferença decorre de combustíveis utilizados na atividade produtiva da empresa, não escriturados no livro registro de entradas, os quais são indispensáveis à atividade produtiva da empresa, gerando o crédito correlato. Por fim, requer que seja regularmente processada a manifestação de inconformidade para que se reconheça o direito pleiteado em sua integralidade, que se homologue as compensações nesta mesma proporção, e que se cancele por completo os "débitos" imputados é empresa. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Anocalendário: 2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo A sua aplicação direta ao produto em fabricação. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA. Não geram direito aos créditos as contribuições municipais relacionadas aos serviços de fornecimento de iluminação, mas apenas os valores atribuídos à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, conforme literalmente disposto na legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITORIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13977.000019/200583 Acórdão n.º 320100.906 S3C2T1 Fl. 304 5 Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuição ao PIS e a COFINS não incidem unicamente sobre produtos industrializados, nem só sobre a venda de mercadorias, também não incide sobre todos os ingressos de recursos no patrimônio da empresa, estas contribuições incidem sobre somente sobre os ingressos que devam ser qualificados como integrantes da receita bruta, ou melhor, da receita bruta oriunda da venda de mercadorias, de serviços e da combinação destes. Assim, é da lógica do sistema tributário nacional que a não cumulatividade destas contribuições esteja intimamente ligada aos custos e despesas incorridos pelo contribuinte para o desenvolvimento regular de sua empresa, ou seja, se relacione diretamente com as necessidades existentes para a geração desta mesma receita bruta. Ademais, é importante frisar que a não cumulatividade pensada para a contribuição ao PIS e a COFINS não está fundada no Princípio da Neutralidade Tributária, que estabelece que a tributação deve ser otimizada de forma a interferir o mínimo possível na economia, permitindo assim a livre concorrência, e que é fundamentalmente o Princípio Constitucional que justifica a adoção da não cumulatividade no IPI e no ICMS. Este afastamento do Princípio da Neutralidade, que está presente também no presente caso, mas de forma subsidiária, se nota com clareza quando se verifica a possibilidade de creditamento mesmo quando as operações anteriores não estavam sujeitas à não cumulatividade e, portanto, geraram um recolhimento aos cofres públicos em alíquotas inferiores às praticadas por aquele que aproveita o crédito. Esta realidade da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS gera uma consequência imediata de perda de arrecadação setorial, criando uma distorção na livre concorrência e permitindo que certos setores tenham uma vantagem competitiva (com a redução de seus custos fiscais). Estes são os motivos pelos quais os conceitos de insumos do IPI e do ICMS são insuficientes para uma aplicação direta e imediata no caso em exame, já que a incidência destas contribuições não se limita à receitas de vendas de mercadorias ou produtos industrializados e aqueles conceito buscam atender ao princípio da neutralidade da tributação. Logo, devese aplicar a analogia para buscar a melhor forma de integrar este novo conceito abstrato e hipotético. A analogia surge, na esfera tributária, como regra de integração, prevista no artigo 108 do CTN: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; Fl. 766DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 6 IV a eqüidade É a regra preferencial e, portanto, aplicase ao fato jurídico, por meio da analogia, uma norma legal que regula uma situação semelhante, sempre que não exista uma norma imediata e expressamente aplicável ao fato em questão. Alguns buscam a aproximação do conceito de crédito para o PIS/COFINS com os conceitos de custo e despesa dedutível para o Imposto de Renda e a contribuição social sobre o lucro. O argumento é sedutor, pois o lucro é parcela da receita bruta, portanto, a proximidade dos conceitos parece tornar esta analogia mais consistente. Contudo, não estou convencido disto, seja porque o Imposto de Renda onera a todas as pessoas jurídicas sem considerar suas especificidades e/ou as diferenças setoriais, seja porque não há como, para interpretar novas normas jurídicas, se buscar igualar tributos que têm naturezas claramente distintas, e por fim, seja porque tanto o "custo", quanto a "despesa dedutível" são elementos essenciais para a definição e distinção de renda e lucro, mas não o são para faturamento ou receita bruta. Não estou afastando esta possibilidade de aplicação analógica dos conceitos neste caso, por entender que estes são demasiadamente elastecidos ou por qualquer justificativa econômica, mas simplesmente por entender que a analogia é descabida neste caso. Aponto ainda, para melhor esclarecer meus pares sobre minha posição pessoal sobre a matéria, que entendo que o conteúdo dos parágrafos 7º e 8º do artigo 3º das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 (cujos textos são idênticos), não me conduz à conclusão de que houve uma opção legislativa para ampliar a base de cálculo dos créditos àqueles "custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas". É o seguinte o texto legal: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (grifos acrescidos por este relator) Isto porque entendo que há presunção legal de que o parágrafo não deve ampliar o conceito descrito no caput, mas somente complementálo ou definir exceções, na forma do disposto na alínea "c" do inciso III do artigo 11 da Lei Complementar nº 95/98. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13977.000019/200583 Acórdão n.º 320100.906 S3C2T1 Fl. 305 7 Admitir que os mencionados parágrafos 7º e 8º ampliam, e verdadeiramente generalizam, a base de cálculo para os créditos, quando o artigo no qual estes comandos estão inseridos cuida exclusivamente da especificação dos dispêndios sobre os quais deverão ser calculados tais créditos, seria admitir uma contradição dentro do próprio dispositivo normativo, o que não me parece aceitável. Portanto, opto por me filiar à corrente daqueles que entendem que o conceito autorizativo do crédito do PIS e da COFINS está na "inerência do dispêndio pago". Acresço, logo, o adjetivo "pago" ao clássico conceito do Prof. Marco Aurélio Grego, pois entendo que assim como a receita tributável deve ser somente aquela efetivamente recebida pelo contribuinte, o crédito, para efeito de cálculo do tributo devido, também somente deve surgir após o devido pagamento do dispêndio. No que se refere à inerência do dispêndio, entendo que devamos seguir a orientação da Suprema Corte, que em repetidos julgados, tem decidido que: a Constituição de 1988 não assegurou direito à adoção do modelo de crédito financeiro para fazer valer a não cumulatividade do ICMS, em toda e qualquer hipótese. (...) Assim, a adoção de modelo semelhante ao do crédito financeiro depende de expressa previsão Constitucional ou legal, existente para algumas hipóteses e com limitações na legislação brasileira.” (RE 447.470AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 1492010, Segunda Turma, DJE de 8 102010.) Vide: RE 313.019AgR, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 178 2010, Segunda Turma, DJE de 1792010; RE 598.460AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 2362009, Segunda Turma, DJE de 782009; AI 445.278 AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 1842006, Primeira Turma, DJ de 3062006. Ou melhor, a inerência do dispêndio está limitada ao crédito físico, logo, somente dará direito a crédito o dispêndio pago que se refira a bem ou serviço que integre a venda de mercadorias, a prestação de serviços ou a combinação destes, sendo também possível, desde expressamente autorizado por lei, o crédito financeiro. Dentre aquelas hipóteses previstas nas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, nos seus artigos terceiro, entendo que os incisos I e II cuidam de créditos físicos, contudo, os demais incisos tratam de créditos claramente financeiros. São eles: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 768DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 8 a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Fl. 769DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13977.000019/200583 Acórdão n.º 320100.906 S3C2T1 Fl. 306 9 Por fim, para encerrar a contextualização dos conceitos sobre os créditos de PIS e COFINS, aponto que entendo que a inerência do dispêndio permite, que para o enquadramento de determinado bem ou serviço, no disposto nos incisos I e II do artigo 3º das leis que regem a matéria, seja considerada a essencialidade destes. Os críticos contestam esta possibilidade de aceitação da prova da essencialidade para a caracterização do insumo por entenderem que tal conceito de essencialidade é subjetivo e, portanto, sujeito a variações que afetam a segurança jurídica do sistema tributário. Aprecio este risco, entretanto, creio que a aplicação da regra do artigo 333, I do CPC ao Procedimento Administrativo Tributário, que exige que o fato constitutivo do direito deva ser provado pela parte interessada, mitiga tal risco. Acrescentese a isto que negar validade mínima a um princípio, mesmo um princípio subsidiário, como é o caso do Princípio da Neutralidade na não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS é negar o direito. Logo, a eventual insegurança gerada pela subjetividade momentânea do conceito de essencialidade não me parece justificar sua negação. Destarte, são dois os elementos de prova suficientes, no entende deste relator, para o enquadramento do bem ou serviço como insumo, (i) sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou (ii) a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes. Ainda neste mérito, consigno que entendo ser válida a limitação infraconstitucional ao direito de crédito na sistemática da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, porque não há na Carta Magna uma garantia plena à não cumulatividade ou sequer um determinado e fixo modelo conceitual hipotético de não cumulatividade, portanto o legislador infraconstitucional tem autonomia para moldar este modelo, além disso o § 12 do artigo 195 da Constituição Federal permite à lei a exclusão de setores inteiros da sistemática da não cumulatividade, o que demonstra que a Carta Magna optou por não erigir a não cumulatividade ao patamar de direito universalmente garantido. Postas estas breves considerações iniciais, passo ao exame dos fatos específicos do recurso voluntário em análise. O recurso voluntário cuida diversos pontos da decisão recorrida, a saber: (1) fretes; (2) despesas financeiras de empréstimos e financiamentos; (3) energia elétrica; (4) encargos de depreciação; e (5) materiais de uso e consumo. Quanto aos créditos relativos aos fretes, não restou provado que os insumos estavam relacionados com a operação de venda, sendo certo que o despacho decisório já reconheceu como válidos os fretes de venda e de aquisição dos insumos utilizados na produção para venda, portanto, não há como reconhecer o crédito correspondente. No que diz respeito às despesas financeiras de empréstimos e financiamentos, e aos materiais de uso e consumo, registro que não há no Relatório de Auditoria Fiscal de fls. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 10 629/669 ou no Despacho Decisório de fls. 671 qualquer referência a glosa de insumos desta natureza. Somese a isto que tanto a manifestação de inconformidade, quanto o recurso voluntário somente fazem referências genéricas a estas glosas, sem apresentar qualquer elemento de prova de essencialidade ou aplicação direta no processo produtivo da recorrente ou mesmo especificar razões para sua reversão. Com relação à glosa da energia elétrica, entendo que tem razão a recorrente, pois a glosa somente ocorre por postergação, ou melhor, atraso no pagamento daquele valor, tendo a autoridade fiscal entendido que tal circunstância impede seu aproveitamento. O argumento trazido na decisão recorrida não encontra embasamento legal para manutenção da glosa. Diz a decisão recorrida: A autoridade fiscalizadora não poderia acatar o valor do pagamento para o mês 10/2004 em mês diferente daquele em que foi consumido este insumo nos estabelecimentos da empresa. No caso em concreto, para ter direito a esse crédito, a despesa há que ser associada ao mês de consumo, conforme fatura, o que poderia ter ocorrido com a devida retificação do Dacon do respectivo mês, qual seja, setembro de 2004. Destarte, não há como acatar as razões da interessada. (grifos acrescidos por este relator) O despacho decisório não havia aceitado tal crédito por não apresentação da necessária documentação comprobatória (fls. 658), contudo, tendo esta sido apresentada pela recorrente em sua manifestação de inconformidade, não há porque negar o direito pleiteado. Quanto aos encargos de depreciação, observo que o parágrafo primeiro do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 estabelece que: § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. Vale ressaltar, como bem apontou a decisão recorrida, que o artigo 31 da Lei n° 10.865 de 30 de abril de 2004 vedou, a partir de 1° de agosto de 2004, o desconto de créditos oriundos de encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos após 1° de maio de 2004, verbis: Fl. 771DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13977.000019/200583 Acórdão n.º 320100.906 S3C2T1 Fl. 307 11 Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § I° Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1° do art. 3° das Leis ns. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1° de maio. § 2º O direito ao desconto de créditos de que trata o § 1° deste artigo não se aplica ao valor decorrente da reavaliação de bens e direitos do ativo permanente. § 3° É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. Assim, os encargos de depreciação computados na base de cálculo do crédito da contribuição devem se referir a bens do ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços ou que seja essencial as estas e, a partir de 1° de agosto de 2004, terem sido adquiridos após de 1° de maio de 2004, observados os limites impostos pelos parágrafos 2º e 3º acima transcritos. Observo que a decisão de primeira instância ao analisar a questão procedeu dentro destes mesmos parâmetros, portanto, não há como dar provimento ao pedido formulado no recurso voluntário. Portanto, VOTO por conhecer do recurso para darlhe provimento parcial somente para reconhecer o direito de crédito da recorrente ao valor pago a título de energia elétrica no período de outubro de 2004. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 772DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900750/2006-68
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
PROVA. DEFESA. CRÉDITO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL/FISCAL.
As alegações de liquidez e certeza do crédito utilizado na declaração de compensação, que compõem a defesa, devem estar substanciadas na escrita fiscal e contábil ou de documentos capazes de demonstrá-la.
Numero da decisão: 3803-004.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corinto Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo deve ser demonstrada a liquidez e certeza do crédito utilizado na declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 PROVA. DEFESA. CRÉDITO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL/FISCAL. As alegações de liquidez e certeza do crédito utilizado na declaração de compensação, que compõem a defesa, devem estar substanciadas na escrita fiscal e contábil ou de documentos capazes de demonstrála. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corinto Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 07 50 /2 00 6- 68 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 28952.71711.230903.1.3.046802, fls.30/34 em que utilizou como crédito pagamento a maior de PIS não cumulativo relativo ao período de apuração maio de 2003, no valor de R$ 4.815,49. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 19, a DRF/Campinas não homologou a compensação por ter identificado que o pagamento correspondente ao DARF indicado na DComp encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 2/5, a Interessada alegou, em síntese, que: a) após a ciência da decisão em tela, constatou que se equivocou no valor declarado na DCTF. Tentou retificar essa declaração, mas isso não lhe foi permitido, em razão de já ter se passado mais de cinco anos em relação aos períodos por ela abrangidos; b) o crédito existe, portanto não pode ser penalizada por um mero erro de procedimento. Em julgamento da lide, a DRJ/Campinas, fls. 49/53, consignou que o efeito imediato da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição. Nesses termos, a DComp prestase a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro de quem é a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Apontou que o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revelou que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Ante isso concluiu que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Anotou que são indispensáveis os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do real valor devido a título da contribuição apurada para o período de apuração em questão, para que se comprove a existência do direito creditório indicado na DComp. No caso dos autos – continuou foram apresentados apenas cópias de demonstrativos de fls. 6, 20 e 23, os quais não podem ser tomados como prova, já que desacompanhados de documentação contábil/fiscal que os fundamente. Demais disso, o conteúdo legível dos referidos documentos não evidencia claramente a apuração do PIS do código 6912 no período e a origem do suposto direito creditório reclamado. Disse, ainda, que na hipótese de aproveitamento de créditos, e sendo a interessada sujeita a vários regimes de incidência da referida contribuição (segundo seu próprio demonstrativo), seria indispensável a indicação do fundamento legal que ampare o mencionado aproveitamento, bem como a adequada demonstração da apuração a que se refere o recolhimento a maior. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.900750/200668 Acórdão n.º 3803004.187 S3TE03 Fl. 72 3 Consignou que ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Referiu que não era o caso de estar privilegiando o aspecto formal em detrimento da verdade matéria, mas que sua defesa carece de provas documentais robustas para que a interessada lograsse infirmar informações por ela própria prestadas. Pela faltando, nos autos, da comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão em 06 de fevereiro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, fls. 62/65, em 06 de março de 2012, em que, reiterou os exatos termos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo, e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A decisão recorrida houvese com correção ao indeferir a solicitação da Contribuinte contida na manifestação de inconformidade, por não ter, a Interessada, suprido as suas alegações com a escrituração contábil/fiscal ou os documentos que comprovassem o indébito, bem como com a sua justificativa legal, aptos a encaminhar a votação a uma decisão favorável. Os pressupostos para essa exigência foram adequadamente pontuados pela Julgadora de primeira instância, sobre os quais assentou o cabimento, à Contribuinte, o ônus da comprovação como elemento integrante da defesa. A inconformação contra esta razão de decidir deveria movimentar a Recorrente na direção de trazer aos autos estes elementos faltantes indicados pelo Colegiado a quo. Mesmo tendo esta referência erigida como obstáculo à pretensão de sua defesa, a Recorrente não se desincumbe desse mister que lhe cabe para que viesse a obter êxito. A liquidez e certeza do utilizado na DComp continuou sem ser demonstrada nesta fase de contestação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 21 de maio de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 19679.015898/2004-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2003
DCTR MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
É inaplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no CTN quanto às obrigações acessórias, mantendo-se a multa por atraso na
entrega da DCTF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-000.225
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Nanci Gama
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2003 DCTR MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É inaplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no CTN quanto às obrigações acessórias, mantendo-se a multa por atraso na entrega da DCTF. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida DR.I-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2003 DCTR MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É inaplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no C -1- N quanto às obrigações acessórias, mantendo-se a multa por atraso na entrega da DCTF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / 1" Turma Ordinária da Terceira .• Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. ELO GUERRA DE CASTRO - Presidente ctek:A Cl GA - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto, Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente e Heroldes Bahr Neto. Processo o" 19679.015898/2004-16 S3-C21'1 Acórdão 3201-00.225 F I. 69 Relatório Adoto o relatório da decisão nos seguintes termos: "Por meio do Auto de Infração de fl. 25, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 220954,29 ; a titulo de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF. referente ao I°, 3° e 4° trimestre do ano calendário de 2003. O enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3" e 160 da Lei n" 5.172/1966 (CTN); artigo 4' combinado com o artigo 2° da Instrução Normativa SM' n" 73/98; artigo 2° e 5' da Instrução Normativa SRF n° 126/98 combinado com item I da Portaria MF n° 118/84; artigo 5° do DL 2124/84 e artigo 7" da MP n° 18/01 convertida na Lei n°10.426/2002. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fis. 01 a 08, na qual alega, em apertada síntese, que a(s) DCTF(s) em tela foram apresentadas ,• antes de qualquer procedimento da administração. Conclui, que está albergada pelo instituto da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN." A DM de São Paulo prolatou a decisão, por unanimidade de votos, cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Obrigaçries Acessórias Ano Calendário: 2003 Ementa: DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A responsabilidade pela entrega da DCTF não está alcançada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente." Ciente da decisão de primeira instância, em 04/07/07 (AR de fl. 34), a interessada, inconformada, apresentou, em 25/07/07, Recurso Voluntário a este Conselho, reiterando os argumentos de sua peça impugnatória. di\Çt" Proce;rso 19679.015S9812004- I 6 S3-C2T1 Adira° ii." 3201-00.225 Fl. 70 • Requer, ao final, a reforma da decisão recorrida e, conseqüentemente, a anulação do auto de infração e a cobrança dele decorrente. É o Relatório. ,• • 1 3 Processo n" 19679.015898/2004-16 53-C2T1 Acórdão n." 3201-00.225 H. 71 • VOO Conselheira NANC1 GAMA, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço o Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, CARBONO LORENA LTDA. ora Recorrente. A Recorrente requer a reforma da decisão proferida pela Dele gacia da Receita Federal, que indeferiu a impugnação para manter a aplicação da penalidade pelo atraso na entre ga da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), relativa ao 1", 3" e 4" trimestres de 2003. Argüi a Recorrente que o cumprimento espontâneo da obrigação em tela, ainda que a destempo, ensejaria, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional, o afastamento da imposição de multa pela Fiscalização. No entanto, tanto na esfera judicial, quanto na administrativa, é pacifico o entendimento que o referido dispositivo do Código Tributário Nacional não se aplica às obri gações tributárias acessórias, tal como a entrega da DCTF. Este entendimento já foi declarado pela Segunda Câmara deste Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: "OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS — DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A cobrança de multa por atraso na entrega de DCTF tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espon7ânea não é aplicável as obrigações- acessórias, que tratam-se de atos , formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta c9111 a ocorrência do jato gerador. Nos termos do art. 1/3 do CTN o simples fato da inobservância da obrigação acessória converte-a em obrigação principal. relativamente ó penalidade pecuniária. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. (Recurso Voluntário n" 124.843, Sessão de 16110/2003)" A mesma posição foi adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, em decisão do Agravo Regimental em Agravo de Instrumento no 490441/DJ, que entendeu: "Cabível a aplicação de multa pelo atraso ou falta de apresentação da DCTF, uma vez que se trata de obrigação acessória autônoma, sem qualquer laço com os efei os de C, .24 P MCCSSO n" 9679 MI 5898/2004-16 S3-C2T1 Acórdfin n." 3201-09.225 R. 71 possível fato gerador de tributo, exercendo a Administração Pública, nesses casos, o poder de polícia que lhe e atribuído." Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça editou a súmula n" 360, de 27 de agosto de 2008, segundo a qual "o beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso Voluntário e manter a penalidade aplicada pela Fiscalização, com vista às razões acima expostas. Sala das Sessões, em 18 de junho de 2009. - NA Cl GA - Relatora Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10297.000825/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
JUROS(TAXA SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. JUROS/TAXA SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 29 7. 00 08 25 /2 01 1- 61 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10297.000825/201161 Acórdão n.º 2402003.637 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais (prólabore), relativas à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 01/1999 a 12/2001. O Relatório Fiscal (fls. 48/53) informa que os valores das contribuições previdenciárias foram apurados com base nos documentos apresentados pelo sujeito passivo à Fiscalização, quais sejam: folhas de pagamento, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s), Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS) e Guias de Recolhimentos à Previdência Social. Esse Relatório Fiscal informa ainda que constituem fatos geradores as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados, sendo apurados com base nas remunerações pagas pela empresa aos segurados empregados, por meio de folhas de pagamento mensais e do RAIS. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 20/06/2003 (fls.01 e 57), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 61/85) – acompanhada de anexos de fls. 86/88 –, alegando, em síntese, que: 1. ocorreu cerceamento de defesa, posto que a defendente quando do início da ação disponibilizou aos agentes fiscalizadores todos os comprovantes de recolhimento dos tributos ora tidos como não recolhidos, entretanto, o agente fiscal desconsiderou os documentos. Deve ser efetuada nova verificação nos livros e documentos fiscais da ora defendente para efeito de serem abatidos os valores já recolhidos; 2. foram desrespeitados três princípios pelos quais deve a Administração Pública se pautar: da reversibilidade, da lealdade e boafé e da verdade material. Também não foi obedecido o princípio do informalismo em favor do interessado. Por causa disso, concluise que a garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório foi violada. O agente fiscalizador deve pautar sua conduta em observância tanto ao princípio da moralidade, como da proporcionalidade administrativa; 3. somente uma perícia pode verificar os elementos contábeis da Pessoa Jurídica e a dedução dos valores já recolhidos, e comprovar que foi recolhida exatamente a importância devida; Fl. 170DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 4. ocorreu violação ao princípio da proibição da aplicação de tributo com efeito confiscatório; 5. requer que seja a NFLD arquivada, posto não haver fundamento legal na alegação de recolhimento a menor dos tributos decorrentes da remuneração paga e creditada aos segurados empregados. A Delegacia da Receita Previdenciária (DRP) em Belém/PA – por meio da DecisãoNotificação (DN) 12.401.4/0528/2003 (fls. 90/97) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 102/131), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Belém/PA encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10297.000825/201161 Acórdão n.º 2402003.637 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo (fls. 98/102). Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (SalárioEducação/FNDE, SENAI, SESI, INCRA, SEST, SENAT e SEBRAE). Os valores das contribuições sociais previdenciárias decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais (pró labore), e foram devidamente delineados no Relatório Fiscal, sendo apurados nas folhas de pagamento da Recorrente. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal e seus anexos, complementados pelos documentos acostados pela Recorrente, são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Débito (DD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Discriminativo Sintético do Débito (DSD); Relatório de Lançamentos (RL); Relatório de Documentos Apresentados (RDA) e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA); base de cálculo declarada nas folhas de pagamento e nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. E, após isso, passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente também insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, inclusive prova pericial, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10297.000825/201161 Acórdão n.º 2402003.637 S2C4T2 Fl. 5 7 Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova pericial e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito – tais como a prova testemunhal ou pericial – quando não se referir a matéria fática documental não posta nos autos, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova pericial, ou mesmo documental, que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de provimento, ou não, do recurso voluntário ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que o lançamento fiscal com seus anexos (fls. 01/88) contém de forma clara os elementos necessários para a sua configuração. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova pericial ou testemunhal. Dessa forma, a realização de prova pericial, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/1972) estabelecem: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/1972 – na redação dada pela Lei 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, inclusive a solicitação de prova pericial, por considerálo prescindível e meramente protelatório. No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em Fl. 174DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10297.000825/201161 Acórdão n.º 2402003.637 S2C4T2 Fl. 6 9 Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991, sem as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;.(...) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais (fls. 35/39), em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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