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Numero do processo: 10855.900976/2008-42
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002
LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. EMPREITADA.
Somente pode ser aplicado o percentual sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal de 8% (oito por cento), no caso de empreitada comprovadamente em que há emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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COEFICIENTE. EMPREITADA. Somente pode ser aplicado o percentual sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal de 8% (oito por cento), no caso de empreitada comprovadamente em que há emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 09 76 /2 00 8- 42 Fl. 615DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900976/200842 Acórdão n.º 1801001.480 S1TE01 Fl. 616 2 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 17791.00724.140404.1.3.048253 em 14.04.2004, fls. 0608 utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor de R$1.267,08 do DARF no valor de R$1.689,44 relativo ao recolhimento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre o lucro presumido, código nº 2089, efetuado em 31.07.2001, para compensação do débito ali confessado. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 09, acompanhado da Planilha de fl. 10, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.650,05 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizadas um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 19.05.2008, fl. 11, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 06.06.2008, fls. 1215, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Aduz que exerce a atividade econômica de prestação de serviços de construção civil com emprego de materiais próprios e mãodeobra e está sujeita ao lucro presumido calculado pelo coeficiente de 8% sobre a receita bruta, conforme a solução no processo de consulta. Suscita que equivocadamente calculou o lucro presumido adotando um coeficiente de 32% sobre a receita bruta. Defende que entregou a Per/DComp utilizando o crédito decorrente. Explica que à época apresentou a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) e a Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) com dados incorretos, e por esta razão o crédito tributário não foi reconhecido automaticamente. Acrescenta que não agiu com dolo. Conclui Ante o exposto, requer seja dado provimento a presente manifestação de inconformidade, para homologar a compensação efetuada e anular o débito. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900976/200842 Acórdão n.º 1801001.480 S1TE01 Fl. 617 3 Para evitar decisões divergentes sobre fatos idênticos, requer o apensamento deste processo ao processo de crédito nº 10855900.739/200881. Requer ainda, prazo de 10 dias para juntada de cópia autenticada do contrato social, caso julgue necessário. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. Termos em que, e. deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1426.498, de 22.10.2009, fls. 138143:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta que Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Notificada em 02.12.2009, fl. 146, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.12.2009, fls. 148152, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Explica A Recorrente é uma pessoa jurídica que tem como objeto social a exploração da construção civil destacando a prestação de serviços de: a) saneamento urbano e rural; b) pavimentação em todos seus tipos e modalidades; c) terraplanagem e remoção de terra; d) drenagem; e) calçamento e sua reposição; f) construção civil em geral, por empreitada ou administração, por conta própria ou de terceiros; g) serviços técnicos de engenharia civil; h) serviços especializados de impermeabilização e vedação na construção civil; i) administração de obras de construção civil; j) incorporação imobiliária em geral; k) compra e venda de imóveis e a promoção e venda de empreendimentos imobiliários de sua propriedade; l) administração de bens imóveis próprios; m) representação por conta própria e de terceiros no seu ramo de negócio; n) qualquer outro negócio conexo, conseqüente, afim ou correlato com o objetivo social; conforme disposto na cláusula terceira do seu contrato social. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900976/200842 Acórdão n.º 1801001.480 S1TE01 Fl. 618 4 Em 23/01/2003, a Recorrente formulou Consulta Fiscal processo nº 10855.000267/200351, esclarecendo que possuía contratos de execução de obras e/ou serviços de engenharia com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo SABESP, firmados por meio de procedimento licitatório, para execução de obras de instalação e prolongamento de rede de água e esgoto, construção de estação elevatória de esgoto e outras, em diversos municípios do Estado de São Paulo, que exigiam o emprego de materiais. Nela perguntou qual o percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando houver emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido, obtendo como resposta o percentual de 8%. Vejamos a conclusão da Solução de Consulta: "Diante do exposto, solucionase a presente consulta informando a consulente que o percentual a ser aplicado pela pessoa jurídica prestadora de serviços na área de construção civil será de 8% sobre a receita bruta para fins de apuração do lucro presumido quando houver emprego de material em qualquer quantidade. Por outra lado, quando a pessoa jurídica executar obras de construção civil mediante emprego unicamente de mãodeobra o referido percentual será de 32%, ou seja, aquele aplicado à prestação de serviço em geral". Diante desta solução, a Recorrente constatou que sempre apurou o lucro presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, conseqüentemente, sempre recolheu o IRPJ à maior, pelo quádruplo do valor devido. A Recorrente procedeu, então, a apuração do IRPJ recolhido à maior e compensou o crédito com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal (PIS, COFINS, IRPJ e CSLL) por meio do programa PER/DCOMP. No entanto, deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ, de modo que o sistema não constatou o pagamento à maior do imposto, gerando a não homologação da compensação por ausência de crédito. [...] Contra o despacho decisório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, narrando todos esses acontecimentos e comprovando que as suas receitas foram todas provenientes da prestação de serviços na construção civil, com emprego de materiais. Juntou as notas fiscais que emitiu e os contratos que as originaram, bem como, as notas fiscais dos materiais empregados nas obras. Contudo, a decisão recorrida entendeu que o crédito não foi devidamente comprovado, sendo imprescindível a apresentação de toda a documentação fiscal do trimestre para apuração da base de cálculo do IRPJ. É importante esclarecer que embora o período de apuração do IRPJ seja trimestral (lucro presumido), a Recorrente sempre o apurou e o recolheu mensalmente, para evitar que suas disponibilidades financeiras fossem destinadas a outras despesas e não restassem recursos para o pagamento do imposto no final do trimestre. Essa medida sempre implicou em antecipação parcial do pagamento do IRPJ devido no trimestre. Assim, para comprovar seu crédito, a Recorrente anexou na Manifestação de Inconformidade cópias das notas fiscais emitidas no mês correspondente ao DARF pago e os contratos de prestação de serviços com emprego de materiais que as originaram. Juntou também, as notas fiscais dos materiais empregados nas obras. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900976/200842 Acórdão n.º 1801001.480 S1TE01 Fl. 619 5 Verificase, portanto, que os documentos apresentados eram suficientes a comprovação do crédito, não tendo a Recorrente anexado cópia dos livros fiscais porque já havia apresentado os documentos que deram suporte à escrituração. Contudo, para atender a exigência do órgão recorrido, a Recorrente anexou ao presente recurso, todas as notas fiscais emitidas no trimestre, os contratos dos demais meses que compõem o trimestre e que não haviam sido juntados, as notas fiscais dos materiais empregados nas obras e a cópia do Livro Diário correspondente ao trimestre. Referidos documentos estão sendo anexados ao recurso em respeito ao princípio da verdade material, para comprovar definitivamente que a Recorrente sempre prestou serviços de construção civil com emprego de materiais, recolhendo indevidamente o IRPJ pelo quádruplo do valor devido. Conclui Ante o exposto, requer seja dado provimento ao presente recurso, para reformar a decisão recorrida e homologar a compensação. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. Termos em que, e. deferimento. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.054, de 25.01.2011, fls. 260263 para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente intime a) a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP a informar se a Recorrente utiliza materiais próprios na execução dos contratos de prestação de serviços de construção civil, realizados nos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001; b) a Recorrente a apresentar: b.1) demonstrativo analítico dos materiais adquiridos com seus recursos e utilizados nos contratos de prestação de serviços que anexa aos autos; b.2) cópias das folhas do Livro Razão da conta nas quais escritura as referidas compras de materiais; b.3) cópia das folhas do Livro Razão das contas das receitas obtidas no curso dos anoscalendário em questão; b.4) demonstrativo analítico que evidencie a determinação da matéria tributável e cálculo do montante do tributo devido, bem como a existência de pagamento maior que o devido no período referente ao crédito pleiteado, acompanhado das cópias dos registros contábeis pertinentes. Foi proferida Informação Fiscal, fls. 604608, do qual a Recorrente foi regularmente noticiada em 15.06.2012, fl. 608 e permaneceu silente. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900976/200842 Acórdão n.º 1801001.480 S1TE01 Fl. 620 6 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente solicita que os presentes autos sejam apensados ao processo nº 10855.900739/200881. Nos processos administrativos serão observadas, dentre outras, a adequação entre meios e fins, a adoção de formalidades essenciais suficientes para garantir e propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados. Por esta razão, os litígios instaurados em relação aos Per/Dcomp que tenham por base o mesmo crédito, em relação ao mesmo sujeito passivo, devem ser juntados por anexação, uma vez que a comprovação dos pleitos depende dos mesmos elementos de prova1. Cabe ressaltar que o processo nº 10855.900739/200881 se encontra findo na esfera administrativa2 e ali a Recorrente formalizou o Per/DComp nº 02315.26374.121203.1.3.048840 em 12.12.2003, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor de R$255,46 do DARF no valor de R$1.058,78 relativo ao recolhimento de IRPJ determinado sobre o lucro presumido, código nº 2089, efetuado em 30.12.1998, para compensação do débito ali confessado. Resta comprovado que não se tratando do mesmo crédito, os presentes autos não podem juntados por anexação àquele, por falta de previsão legal. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente alega que está amparada pela Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit nº 52, de 07.03.2005 formalizada no processo nº10855.000267/200351. A solução de consulta pode ser formulada pelo sujeito passivo sobre a aplicação da legislação tributária em relação a fato determinado e não suspende o prazo para o recolhimento de tributo3. Cabe ressaltar que o processo de consulta em referência somente elucidou o teor do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, matéria posteriormente disciplinada no Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997, fls. 2629: 1 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 2 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp> . Acesso em: 28 mai.2013. 3 Fundamentação Legal: art. 46 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 48, art. 49 e art. 50 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900976/200842 Acórdão n.º 1801001.480 S1TE01 Fl. 621 7 I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão deobra, ou seja, sem o emprego de materiais. [...] Diante do exposto, solucionase a presente consulta informando à consulente que o percentual a ser aplicado pela pessoa jurídica prestadora de serviços na área de construção civil será de 8% sobre a receita bruta para fins de apuração do lucro presumido, quando houver emprego de material em qualquer quantidade. Por outro lado, quando a pessoa jurídica executar obras de construção civil mediante emprego unicamente de mãodeobra o referido percentual será de 32%, ou seja, aquele aplicado à prestação de serviço em geral Nesse sentido, mediante esse procedimento fiscal a Recorrente obteve esclarecimentos sobre a questão, oportunidade em que não lhe foi reconhecido qualquer direito creditório, por falta de análise da liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A dedução esclarecida pela defendente, então, não está evidenciada. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas, pois está sujeita ao lucro presumido calculado pelo coeficiente de 8% sobre a receita bruta, uma vez que se dedica à construção civil com emprego de materiais e de mão de obra. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior4. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua 4 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900976/200842 Acórdão n.º 1801001.480 S1TE01 Fl. 622 8 natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 5. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Por via de regra, o lucro presumido é apurado mediante a aplicação do coeficiente de oito por cento sobre a receita bruta. Para as atividades expressamente relacionadas, entretanto, o coeficiente é distinto, já que o parâmetro de fixação relacionase diretamente aos custos e às despesas incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. Especificamente na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de 5 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900976/200842 Acórdão n.º 1801001.480 S1TE01 Fl. 623 9 obra ou de (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais 6. O pedido de reconhecimento do direito creditório de IRPJ se fundamenta na aplicação incorreta do coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% (trinta e dois por cento) ao invés de 8% (oito por cento), tendo em vista que no período exerceu a atividade de construção por empreitada e o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de 8% (oito por cento), uma vez que houve emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra. O empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho ou com ele e os materiais. A obrigação de fornecer os materiais não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. O contrato para elaboração de um projeto não implica a obrigação de executálo, ou de fiscalizarlhe a execução. No caso em que o empreiteiro fornece os materiais, correm por sua conta os riscos até o momento da entrega da obra, a contento de quem a encomendou, se este não estiver em mora de receber. Mas se estiver, por sua conta correrão os riscos. Se a obra constar de partes distintas, ou for de natureza das que se determinam por medida, o empreiteiro terá direito a que também se verifique por medida, ou segundo as partes em que se dividir, podendo exigir o pagamento na proporção da obra executada. Tudo o que se pagou presumese verificado. O que se mediu presumese verificado se, em trinta dias, a contar da medição, não forem denunciados os vícios ou defeitos pelo dono da obra ou por quem estiver incumbido da sua fiscalização. Concluída a obra de acordo com o ajuste, ou o costume do lugar, o dono é obrigado a recebêla. Poderá, porém, rejeitála, se o empreiteiro se afastou das instruções recebidas e dos planos dados, ou das regras técnicas em trabalhos de tal natureza 7. No presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelecem que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar8. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior9. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Está registrado no Contrato Social como objeto, fl. 1924: Construção civil e as seguintes prestações de serviços: a) Saneamento urbano e civil; b) Pavimentação em todos seus tipos e modalidades; 6 Fundamentação legal: Fundamentação legal: art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.art. 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 e Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997. 7 Fundamento legal: arts. 610 a 626 do Código Civil. 8 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 147 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900976/200842 Acórdão n.º 1801001.480 S1TE01 Fl. 624 10 c) Terraplenagem e remoção de terra; d) Drenagem, e) Calçamento e sua reposição; f) Construção Civil e Geral, por empreitadas ou administração por conta própria ou de terceiros; g) Serviços técnicos de engenharia; h) Serviços especializados de impermeabilização, vedação na construção civil; i) Administração de obras na construção civil; j ) Incorporação imobiliária em geral; k) Compra e venda de imóveis e a promoção e venda de empreendimentos imobiliários de sua propriedade; 1) Administração de bens imóveis próprios; m) Qualquer outro negócio conexo, conseqüente, afim ou correlato com o objetivo social. Constam nos autos I) Carta Contrato nº 3383/01 IM I. 1) Carta Contrato nº 3383/01 IM com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP denominado Carta Contrato de Execução de Obras e/ou Serviços de Engenharia, com o seguinte objeto, fls. 242247: 1.1 – Constitui objeto da presente CartaContrato o(a) Execução de ligações prediais de Água (150 un) e ligações prediais de esgotos ( 9 0 un), no município de São Roque, de acordo com a proposta da CONTRATADA e demais documentos constantes do Dossiê SABESP 01/016.020, Volume I, Tomo I. I.2) Notas Fiscais de Saída de fornecedores de materiais para a Recorrente estão incluídos, entre outros, os seguintes produtos fls. 248258: [...] cal hidratada, chave grifo, bucha galvanizada, cimento, areia usinada para concreto, fita veda rosca, prego, disco de corte, argamassa, pedra britada, caixa de fibra de vidro, [...] I.3) Notas Faturas de Serviços emitidas pela Recorrente em nome SABESP está evidenciado como discriminação dos serviços, fl. 158: [...] Contrato nº 3383/01 IM – Objeto: Execução de ligações prediais de água e ligações prediais de esgoto no município de São Roque/SP [...] II) Carta Contrato nº 23.576/00 IM Fl. 624DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900976/200842 Acórdão n.º 1801001.480 S1TE01 Fl. 625 11 II. 1) Carta Contrato nº 23.576/00 com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP denominado Carta Contrato de Execução de Obras e/ou Serviços de Engenharia, com o seguinte objeto, fls. 7681 e 113128: 1.1 Constitui o objeto da presente CartaContrato o(a) Serviços de corte (3.810,00 un) e restabelecimento (3.810,00 un) de fornecimento de água e supressões (308,00 un) e religações (284,00 un) de fornecimento de água, no Município de São Roque., de acordo com a proposta da CONTRATADA e demais documentos constantes do Dossiê SABESP 00/016.176, Volume I, Tomo I. II.2) Notas Fiscais de Saída de fornecedores de materiais para a Recorrente estão incluídos, entre outros, os seguintes produtos fls. 8285 e 129134: [...] cimento, arame cozido, areia, pedra de brita, blocos de cimento, caneletas, união, cotovelo, luva, registro gaveta, bucha, luva, anel, argamassa, caixa de amianto [...] II.3) Notas Faturas de Serviços emitidas pela Recorrente em nome SABESP está evidenciado como discriminação dos serviços, fls. 41, 155, 159 e 173: [...] Contrato nº 23.576/00 IM – Objeto: Serviço de corte e restabelecimento do fornecimento de água e supressões e religações do fornecimento de água no município de São Roque [...] III Termo de Contrato nº 23.590/00 IM V. 1) Termo de Contrato (IG) nº 23.590/00 com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP denominado Carta Contrato de Execução de Obras e/ou Serviços de Engenharia, com o seguinte objeto, fls. 5070 e 86108: 1.1 Constitui o objeto da presente CartaContrato o(a) Serviços de corte (3.806,00 un) e restabelecimento (3.806,00 un) de fornecimento de água e supressões (269,00 un) e religações (245,00 un) de fornecimento de água, no Município de Alumínio, de acordo com a proposta da CONTRATADA e demais documentos constantes do Dossiê SABESP 00/016.171, Volume I, Tomo I. III.2) Notas Fiscais de Saída de fornecedores de materiais para a Recorrente estão incluídos, entre outros, os seguintes produtos fls. 7275 e 109112: [...] bucha, luva, união, tubo de PVC [...] III.3) Notas Faturas de Serviços emitidas pela Recorrente em nome SABESP está evidenciado como discriminação dos serviços, fls. 39,49,154, 160, 167 e171: [...] Contrato nº 23.590/00 IM – Objeto: Serviço de corte e restabelecimento do fornecimento de água e supressões e religações do fornecimento de água no município de Alumínio [...] IV) Carta Contrato nº 3466/01 IM IV. 1) Carta Contrato nº 3466/01 IM com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP denominado Carta Contrato de Execução de Obras e/ou Serviços de Engenharia, fls. 229234: Fl. 625DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900976/200842 Acórdão n.º 1801001.480 S1TE01 Fl. 626 12 1.1 Constitui o objeto da presente CartaContrato o(a) Serviços operacionais, no Sistema de Abastecimento de Água, no município de São Roque, de acordo com a proposta da CONTRATADA e demais documentos constantes do Dossiê SABESP 01/016.004, Volume I, Tomo I. IV.2) Notas Fiscais de Saída de fornecedores de materiais para a Recorrente estão incluídos, entre outros, os seguintes produtos fls. 235241: [...] cimento, adesivo, adaptador, cotovelo, junção, tubo de PVC, veda rosca, tubo de esgoto, válvula hidráulica, [...]. IV.3) Notas Faturas de Serviços emitidas pela Recorrente em nome SABESP está evidenciado como discriminação dos serviços, fl. 42, 43, 153, 174 e 175: [...] Contrato nº 3466/01 IM – Objeto: Serviços Operacionais no Sistema de Abastecimento de Água no Município de São Roque/SP [...] Os autos estão instruídos ainda com as Notas Fiscais – Faturas de Serviços emitidas pela Recorrente em favor da SABESP por execução de ligações domiciliares de água e de esgoto no município de (a) Araçariguana/SP, fls. 36, 44, 45, 168, 168, 176 e 177; (b) Ibiúna/SP, fls. 38, 156, 161,169 e 170; e (c) Capela do Alto, fls. 46, 156, 162, 163, 164 e 178. Por seu turno, a autoridade de primeira instância de julgamento diz que Portanto, a contribuinte deveria trazer aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 2º trimestre de 2001 com aplicação, no caso de atividades diversificadas, do percentual correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, aí sim, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido. Remanesce, ainda, que há na DCTF declaração da existência de débito de IRPJ, código de receita: 2089, do 2º trimestre de 2001, no valor de R$5.683,51, não sendo suficiente para desnaturála a simples alegação em contrário, pois aquele documento goza do efeito de confissão legal de dívida (Decretolei n° 2.124, de 1984, artigo 5º , § 1º). Se há contradição e desejando a recorrente fazer valer montante diverso daquele regularmente declarado incumbialhe apresentar provas que permitissem albergar sua tese de pagamento indevido ou a maior. Tem cabimento insistir que são condições cumulativamente imprescindíveis para ser aplicado pela pessoa jurídica prestadora de serviços de empreitada na área de construção civil de o coeficiente 8% sobre a receita bruta para fins de apuração do lucro presumido, a efetiva comprovação regularmente escriturada de emprego de material em qualquer quantidade e de mãodeobra. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, houve realização de diligência para esclarecer a situação fática (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972) em que a Autoridade Fiscalizadora constatou efetivamente, fls. 604608: Fl. 626DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900976/200842 Acórdão n.º 1801001.480 S1TE01 Fl. 627 13 Anocalendário – 2º Trimestre de 2001 Processo Administrativo n° 10855.900976/200842. 1) Com relação à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, em sua correspondência (vide documento anexo às folhas n° 277 e 278) nada nos informou ou ajudou a esclarecer, se a recorrente utilizou material em suas obras. 2) Com relação a CAMF Engenharia e Construções Ltda objeto desta diligência, temos a informar que: 21) Referente ao item "a" acima citado, a recorrente juntou o demonstrativo de fls. 239 a 294 do presente processo, onde relacionou as notas fiscais de sua emissão, vinculou as notas aos contratos prestados e com as notas fiscais de aquisição de materiais aplicados, mas não comprovou no demonstrativo que foram pagos com recursos da recorrente e se foram am pagos não foram contabilizados em sua escrita contábil. 22) Referente ao item "b" a recorrente simplesmente juntou cópias do Livro Diário e do Livro Razão (vide fls. 335 a 592 desteno processo administrativo), mas não indicou as folhas onde comprovassem as efetividades das aquisições dos materiais. 23) Referente, ao item "c" acima citado foram entregues cópias do Livro Diário e Livro Razão, os quais foram juntados as folhas 335 a 592, das quais as receitas obtidas no curso do anocalendário foram contabilizadas nas folhas n° 77 a 80, do Livro Razão, (anexas as fls. 587 e 590) do presente processo administrativo. 24) Finalmente, em resposta ao item "d" acima, foi apresentado uma planilha anexada as folhas 296 a 298 , onde fica, demonstrada, sob a ótica, da recorrente, a matéria tributável e o cálculo do montante do tributo devido. [...] Concluímos que a recorrente não escriturou boa parte das notas fiscais dos fornecedores de materiais. Em se aceitando as razões da recorrente o instrumento em que solicita à compensação (PERDCOMP Pagamento indevido ou a maior) está inadequado. Haja, visto ser um crédito de Saldo Negativo de Lucro Presumido que deveria ser apurado na declaração retificadora, coisa que a contribuinte não o fez. Fica a CAMF Engenharia e Construções Ltda cientificada dos procedimentos desta diligência e desta Informação Fiscal para que, no prazo de 30 (trinta) dias, desejando se manifestar a respeito, com objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerente (inciso LV do art. 5° da Constituição da República). O conjunto probatório decorrente do processo investigativo realizado pela Autoridade Fiscal demonstra de forma motivadamente explícita, clara e congruente que os autos não estão instruídos com a totalidade das provas, entre outras, com os registros contábeis e os documentos que comprobatórios pertinentes, em especial, as cópias das folhas do Livro Diário e do Livro Razão das contas nas quais são escrituradas as aquisição e emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra modo a comprovar o direito à fruição do percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo mensal de 8% (oito por cento) para fins de determinação base de cálculo do IRPJ do 2º trimestre do ano calendário de 2001, referente aos dados informados para a RFB. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900976/200842 Acórdão n.º 1801001.480 S1TE01 Fl. 628 14 Por seu turno, a Recorrente, embora ciente de todas as discrepâncias quantitativas, não juntou aos autos os outros elementos de prova respectivos, pois nesse caso, cabelhe produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior10. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca dos registros contábeis e documentos hábeis de que suas alegações estão corretas. Não foram produzidos nos autos elementos de prova que comprovem a correção das informações indicadas na peça de defesa. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não está comprovada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso11. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade12. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 10 Fundamentação legal: art. 147 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 11 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 12 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900976/200842 Acórdão n.º 1801001.480 S1TE01 Fl. 629 15 Fl. 629DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915280/2008-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2002
RECURSO INTEMPESTIVO. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO.
Não instaura o contencioso a apresentação de recurso posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 15 do Decreto no 70.235/72. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3802-001.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Sérgio Celani.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2002 RECURSO INTEMPESTIVO. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO. Não instaura o contencioso a apresentação de recurso posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 15 do Decreto no 70.235/72. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Sérgio Celani. Relatório Tratase de petição de recurso voluntário apresentada em face da decisão da 13a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 60/64), da qual a interessada tomou ciência em 09/06/2011, conforme AR de fls. 66. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 52 80 /2 00 8- 11 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Inconformada, apresentou, em 22/07/2011, a petição de fls. 67/75, onde requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme relatado, a ciência da decisão recorrida se deu em 09/06/2011 (ver AR de fls. 66). Porém, a petição de recurso voluntário só foi apresentada em 22/07/2011 (ver carimbo de protocolo às fls. 67), portanto, posteriormente ao prazo de 30 dias de que dispõe o sujeito passivo para formalizar sua contestação, tanto na primeira quanto na segunda instância de julgamento, nos termos dos artigos 15 e 33 do Decreto n° 70.235/72, abaixo transcritos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O prazo de que trata o dispositivo acima referenciado, além de peremptório, ou seja, improrrogável, é também preclusivo, tendo, portanto, natureza decadencial, posto que findo o mesmo não mais se torna possível a prática de atos posteriores. Logo, no caso presente, não há como se conhecer do recurso, uma vez que não houve a apresentação do mesmo no prazo legal, o que impede o conhecimento da peça contestatória na presente instância. Por fim, importa destacar que consta dos autos a lavratura de termo de perempção, conforme fls. 126. Da conclusão Diante de todo o exposto, voto para não conhecer do recurso interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 23 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915280/200811 Acórdão n.º 3802001.811 S3TE02 Fl. 129 3 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003212/2006-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
Base de Cálculo. Estão compreendidas as receitas decorrentes de venda de mercadorias e prestação de serviços na base de cálculo da COFINS inseridas no conceito de faturamento.
Alteração de Alíquotas.
COFINS. Instituída com fundamento no art. 195, inciso I, da Constituição Federal, logo, a alteração de suas alíquotas pode ser feita por lei ordinária.
INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a este Conselho apreciar exame de constitucionalidade de lei. Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3201-001.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Pedro Guilherme Lunardelli. Ausência justificada de Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Base de Cálculo. Estão compreendidas as receitas decorrentes de venda de mercadorias e prestação de serviços na base de cálculo da COFINS inseridas no conceito de faturamento. Alteração de Alíquotas. COFINS. Instituída com fundamento no art. 195, inciso I, da Constituição Federal, logo, a alteração de suas alíquotas pode ser feita por lei ordinária. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a este Conselho apreciar exame de constitucionalidade de lei. Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Pedro Guilherme Lunardelli. Ausência justificada de Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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Estão compreendidas as receitas decorrentes de venda de mercadorias e prestação de serviços na base de cálculo da COFINS inseridas no conceito de faturamento. Alteração de Alíquotas. COFINS. Instituída com fundamento no art. 195, inciso I, da Constituição Federal, logo, a alteração de suas alíquotas pode ser feita por lei ordinária. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a este Conselho apreciar exame de constitucionalidade de lei. Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 32 12 /2 00 6- 03 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Pedro Guilherme Lunardelli. Ausência justificada de Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra decisão da DRF – Cuiabá, que não reconheceu o direito creditório pleiteado na declaração de compensação nº 07568.59616.300806.1.3.045083, não homologando a compensação ali formalizada, nem as compensações formalizadas nas vinte declarações subsequentes, que se utilizavam, de forma sucessiva, do saldo que remanescia das declarações anteriores. O crédito pleiteado se referia a supostos pagamentos indevidos de Cofins, cuja alíquota e base de cálculo teriam sido alteradas com afronta à Constituição Federal. Afirmou a requerente que o E. Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a majoração da base de cálculo daquela contribuição, que se limitava ao faturamento e passou a abranger a totalidade das receitas. Referida inconstitucionalidade refletiuse no aumento da alíquota de 2% para 3%, já que base de cálculo e alíquota compõem um todo inseparável. A pretensão não foi acolhida pela DRF Cuiabá que, no despacho decisório de fls. 147 a 149, não reconheceu o direito creditório, nem homologou as compensações, ao argumento de que a requerente não demonstrou, na planilha apresentada, as receitas que teriam sido indevidamente acrescidas à base de cálculo; além disso, aduziu a DRF que extrapola a competência da autoridade administrativa o exame de constitucionalidade da lei. A requerente, não resignada, se insurgiu contra a decisão, reproduzindo os mesmos argumentos já apresentados. Disse, ainda, que a criação de contribuições exige lei complementar. Assim, a majoração da alíquota de 2% para 3% não poderia ter sido feita por lei ordinária. Ademais, a Cofins, por opção do Congresso Nacional, foi criada por lei complementar. Sendo assim, qualquer modificação, inclusive o aumento de alíquotas, haveria de observar a exigência de lei dessa categoria. Com esses fundamentos, pugnou pelo reconhecimento do direito creditório e pela homologação das compensações. Requereu ainda que a incidência de correção monetária e a suspensão da exigibilidade do débito objeto de compensação. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10183.003212/200603 Acórdão n.º 3201001.266 S3C2T1 Fl. 205 3 É o relatório.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/CGE no 0428.688, de 22/05/2012, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2001, 2002, 2003 Base de Cálculo. Faturamento. Indébito. Inexistência. Na base de cálculo da COFINS estão compreendidas as receitas decorrentes de venda de mercadorias e prestação de serviços, que se inserem no conceito de faturamento. Sendo calculado sobre o faturamento, o valor pago não pode ser tido como indébito. Cofins. Alteração de Alíquotas. Lei Ordinária. Sendo a COFINS uma contribuição de seguridade social, instituída com fundamento no art. 195, inciso I, da Constituição Federal, a alteração de suas alíquotas pode ser feita por lei ordinária. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi pela improcedência da impugnação e manutenção dos autos. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta, não recolher a contribuição para o Cofins, conforme art. 8° da Lei n° 9.718/98 e entender indevido o aumento do percentual de 2% para 3%, pois não procede, tendo em vista inexistir disposição constitucional para ser alterado, por lei ordinária que é inferior à lei complementar. Conclui, solicitando, autorização para compensar, nos termos do art. 170 do CTN. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 O recorrente solicita revisão dos valores devidos e recolhidos a título de Cofins, com transmissão dos PER/DCOMPs, listagem, às fls. 147/148, nos quais declara a compensação de supostos créditos pleiteados no presente processo com débitos de 1RPJ, CSLL, PIS e COFINS Esclarece o recorrente, quando demandado, que os créditos requeridos na petição de folhas 1/2 e utilizados nas declarações de compensação em pauta, no montante original de R$ 60.250,41 são relativos a parcelas dos pagamentos de Cofins (08/2001 a 12/2003) correspondentes a diferença entre as alíquotas de 2% e 3%. Argumenta a ampliação da base de cálculo da Cofins promovida pelo artigo 3° , § 1°, da Lei n° 9.718/1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e, por tratarse base de cálculo e alíquota um todo inseparável, referido posicionamento da corte suprema também abarcaria a majoração de alíquota prevista pelo artigo 8° daquela norma. Acrescenta que a Lei n° 9.718/98 instituiu nova exação fundamentada no artigo 195, § 4o , da Constituição Federal, que exige a edição de lei complementar. Constam nos autos cópias de Darfs de pagamentos de Cofins (08/2001 a 11/2003), planilha de cálculo dos supostos pagamentos indevidos, cópia autenticada de documento de identificação do Sr. Angelo Dalsoquio e cópia autenticada do contrato social e terceira alteração contratual. Segundo o contrato social (cláusula terceira), à fl. 157, a sociedade terá por objetivo a exploração do ramo de comércio e materiais de construção, materiais elétricos, tintas e prestação de serviços de carga e descarga, escavações e movimentação de terra. Observase que a planilha apresentada, que os supostos pagamentos indevidos de Cofíns e utilizados como crédito nas declarações de compensação, sob litígio, correspondem a diferença dos valores obtidos com a aplicação das alíquotas de 2% e 3% sobre idêntica base de cálculo. A Medida Provisória n° 1.724, de 29/10/1998, posteriormente convertida na Lei n° 9.718, de 27/11/1998, que no § 1° do artigo 3° alterou o conceito de faturamento anteriormente definido, passandoo a considerar como receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e no artigo 8° majorou a alíquota para 3%. Assim sendo, o pleito da recorrente baseiase em dois pontos, ambos envolvendo inconstitucionalidade. O primeiro se refere à majoração da base de cálculo da Cofins, o segundo, à majoração da alíquota. Pois bem, a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo foi, de fato, reconhecida pelo E. STF. Porém, apenas a parcela que corresponda a receitas que não sejam oriundas da venda de mercadoria ou da prestação de serviços. No caso, o eventual indébito dependia da demonstração, pelo recorrente, de que na base de cálculo da Cofins foram incluídas receitas que não fossem oriundas nem da venda de mercadorias, nem da prestação de serviços, o que não ocorreu. O Processo Administrativo Fiscal é similar a existente no Código de Processo Civil acerca do ônus da prova. Art. 333. O ônus da prova incumbe I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10183.003212/200603 Acórdão n.º 3201001.266 S3C2T1 Fl. 206 5 II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Então, o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o Processo Administrativo Fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída tanto ao autor do procedimento, a autoridade fiscal (como disposto na parte final do caput do artigo 9º do Decreto n.º 70.235/1972, os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”), quanto ao contribuinte que contesta o lançamento (“Art. 16. A impugnação mencionará : [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.”). No tocante à constitucionalidade da majoração da alíquota da Cofins de 2% para 3%, o E. STF já firmou entendimento de que a Lei Complementar nº 70/1991 é complementar apenas em sentido formal, podendo ser alterada ou revogada por lei ordinária. Além disso, a Cofins é contribuição instituída com fulcro no art. 195, inciso I, da Constituição, tributo para o qual não se exige lei complementar. O acórdão RE 527.6023 SP, cuja ementa dispõe: PIS E COFINS – LEI Nº 9.718/98 – ENQUADRAMENTO NO INCISO I DO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NA REDAÇÃO PRIMITIVA. Enquadrado o tributo no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal, é dispensável a disciplina mediante lei complementar. RECEITA BRUTA E FATURAMENTO – A sinonímia dos vocábulos – Ação Declaratória nº 1, Pleno, relator Ministro Moreira Alves – conduz à exclusão de aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida – Recurso Extraordinário nº 357.9509/RS, Pleno, de minha relatoria (Relator Ministro Marco Aurélio – Dje nº 213, publicação 13/11/2009). Por fim, a Súmula no 2, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), prescreve: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstiucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 208DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 11516.003125/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
Conforme jurisprudência vinculante do Superior Tribunal de Justiça, na forma do artigo 62-A do Regimento Interno deste CARF, empresa prestadora de serviços de locação de mão-de-obra temporária (regida pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), independentemente do regime normativo aplicável, não pode excluir da base de cálculo da COFINS os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
Conforme jurisprudência vinculante do Superior Tribunal de Justiça, na forma do artigo 62-A do Regimento Interno deste CARF, empresa prestadora de serviços de locação de mão-de-obra temporária (regida pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), independentemente do regime normativo aplicável, não pode excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários.
Numero da decisão: 3201-000.810
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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EPP Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003 Conforme jurisprudência vinculante do Superior Tribunal de Justiça, na forma do artigo 62A do Regimento Interno deste CARF, empresa prestadora de serviços de locação de mãodeobra temporária (regida pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), independentemente do regime normativo aplicável, não pode excluir da base de cálculo da COFINS os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002, 2003 Conforme jurisprudência vinculante do Superior Tribunal de Justiça, na forma do artigo 62A do Regimento Interno deste CARF, empresa prestadora de serviços de locação de mãodeobra temporária (regida pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), independentemente do regime normativo aplicável, não pode excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MERCIA HELENA TRAJANO D’AMORIM Presidente Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM 2 MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Daniel Mariz Gudino, Paulo Sérgio Celani (Suplente) e Wilson Sampaio Sahade Filho (Suplente). Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: DA AUTUAÇÃO Em procedimento fiscal realizado na empresa em epígrafe, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal — COFINS e PIS (fls. 1.612/1.619), constatouse que não foi oferecida à tributação do PIS e da COFINS parte das receitas auferidas, o que contraria a legislação (Lei n°9.718/1998). 2. Em razão da falta apurada, foram lavrados em 02/01/2006 e cientificados ao sujeito passivo em 11/01/2006 (fls. 1.720) os seguintes autos de infração: 2.1. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 1.700/1.703): Crédito tributário no valor total de R$ 189.293,90 (cento e oitenta e nove mil, duzentos e noventa e três reais e noventa centavos), incluídos tributo, multa e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 1.702. 2.2. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 1.711/1.715): Crédito tributário no valor total de R$ 71.971,16 (setenta e um mil, novecentos e setenta e um reais e dezesseis centavos), incluídos tributo, multa e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 1.714/1.715. DAS IMPUGNAÇÕES 3. Inconformada com os referidos autos de infração, a empresa, tempestivamente, apresentou as impugnações de fls.1721/1729 (COFINS) e de fls. 1.743/1.751 (PIS), alegando em síntese que: 3.1. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal — COFINS e PIS, a empresa, fornecedora de mão de obra temporária, reduziu sua receita bruta ao recolher valores referentes a sua receita, excluindo os custos obtidos na contratação de funcionários. 3.2. Tais valores, não compõem a receita bruta da empresa, somente é tributável a taxa de administração. Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM Processo nº 11516.003125/200511 Acórdão n.º 3201000.810 S3C2T1 Fl. 1.808 3 3.3. É empresa prestadora de serviços de agenciamento de mão de obra a terceiros e efetua o pagamento dos salários, encargos sociais e benefícios devidos aos empregados por ela contratados e cedidos a terceiros, incluídos com a taxa de serviço na fatura cobrada dos tomadores. Porém, estes valores (salários, encargos e benefícios) não fazem parte da receita, são meros repasses que não influenciam sua situação patrimonial. 3.4. Discorre sobre empresa de trabalho temporário (fls. 1.722 e 1.744) e conclui que a mesma é mera intermediadora entre a tomadora e o trabalhador temporário contratado. 3.5. Neste sentido, apresenta às fls. 1.723/1.727 e 1.745/1.748 jurisprudências e doutrina. 3.6. Os valores pagos referentes aos salários não se enquadram no conceito de faturamento e de receita. 3.7. Ademais, houve ilegalidade de tributação tendo em vista que o art. 30 da Lei n° 10.833/2003, modificado pela MP 232/2004, foi revogado pela MP 243/2005. Portanto, não estando mais em vigor o referido art. 30, bem como não sendo possível a aplicação da Lei n° 9.718/1998 a cobrança destes valores carece de fundamentação legal, ferindo os Princípios da Legalidade, da Capacidade Contributiva e da Vedação ao Confisco. 3.8. Diante do exposto, requer a extinção dos autos de infração, tendo em vista que os valores recolhidos a menor referemse ao pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003 BASE DE CÁLCULO A partir da vigência da Lei n°9.718 de 27/11/1998, a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, sendo permitidas somente as exclusões determinadas em lei. BASE DE CÁLCULO. PRESTADORA DE SERVIÇOS DE MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. A base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS para empresa prestadora de serviços de mão de obra temporária compreende, dentre outras receitas, a totalidade dos valores recebidos, tais como salários, encargos sociais, taxas, etc., como contrapartida dos serviços fornecidos que, neste caso, é a colocação do trabalhador temporário à disposição do tomador de serviços. Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM 4 LANÇAMENTO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. FATO GERADOR. Aplicase ao lançamento a legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente alterada ou revogada, nos termos do artigo 144, caput do Código Tributário Nacional CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002, 2003 BASE DE CÁLCULO. A partir da vigência da Lei n° 9.718 de 27/11/1998, a base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, sendo permitidas somente as exclusões determinadas em lei. BASE DE CÁLCULO. PRESTADORA DE SERVIÇOS DE MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. A base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS para empresa prestadora de serviços de mão de obra temporária compreende, dentre outras receitas, a totalidade dos valores recebidos, tais como salários, encargos sociais, taxas, etc., como contrapartida dos serviços fornecidos que, neste caso, é a colocação do trabalhador temporário à disposição do tomador de serviços. LANÇAMENTO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. FATO GERADOR. Aplicase ao lançamento a legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente alterada ou revogada, nos termos do artigo 144, caput do Código Tributário Nacional CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. Lançamento Procedente O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM Processo nº 11516.003125/200511 Acórdão n.º 3201000.810 S3C2T1 Fl. 1.809 5 Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria debatida neste recurso voluntário já foi apreciada pelo Superior Tribunal de Justiça, que optou por submetêla ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, o que tem efeito vinculante a este Colegiado por força do artigo 62 A do Regimento Interno do CARF. A decisão em tela adotou a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. "FATURAMENTO" E "RECEITA BRUTA". LEIS COMPLEMENTARES 7/70 E 70/91 E LEIS ORDINÁRIAS 9.718/98, 10.637/02 E 10.833/03. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO QUE OBSERVA REGIMES NORMATIVOS DIVERSOS. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DE LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA (LEI 6.019/74). VALORES DESTINADOS AO PAGAMENTO DE SALÁRIOS E DEMAIS ENCARGOS TRABALHISTAS DOS TRABALHADORES TEMPORÁRIOS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. 1. A base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares 7/70 e 70/91 ou Leis ordinárias 10.637/2002 e 10.833/2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários. 2. Isto porque a Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 847.641/RS, perfilhou o entendimento no sentido de que: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. "FATURAMENTO" E "RECEITA BRUTA". LEI COMPLEMENTAR 70/91 E LEIS 9.718/98, 10.637/02 E 10.833/03. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO QUE OBSERVA REGIMES NORMATIVOS DIVERSOS. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DE LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA (LEI 6.019/74). VALORES DESTINADOS AO PAGAMENTO DE SALÁRIOS E DEMAIS ENCARGOS TRABALHISTAS DOS TRABALHADORES TEMPORÁRIOS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. 1. A base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS é o faturamento, hodiernamente compreendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM 6 de sua denominação ou classificação contábil, vale dizer: a receita bruta da venda de bens e serviços, nas operações em conta própria ou alheia, e todas as demais receitas auferidas (artigo 1º, caput e § 1º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.8333/2003, editadas sob a égide da Emenda Constitucional nº 20/98). 2. A Carta Magna, em seu artigo 195, originariamente, instituiu contribuições sociais devidas pelos "empregadores" (entre outros sujeitos passivos), incidentes sobre a "folha de salários", o "faturamento" e o "lucro" (inciso I). 3. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, que sucedeu o FINSOCIAL, é contribuição social que se enquadra no inciso I, do artigo 195, da Constituição Federal de 1988, incidindo sobre o "faturamento", tendo sido instituída e, inicialmente, regulada pela Lei Complementar 70/91, segundo a qual: (i) a exação era devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, (ii) sendo destinada exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social, e (iii) incidindo sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. 4. As contribuições destinadas ao Programa de Integração Social PIS e ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP, por seu turno, foram criadas, respectivamente, pelas Leis Complementares nº 7/70 e nº 8/70, tendo sido recepcionadas pela Constituição Federal de 1988 (artigo 239). 5. A Lei Complementar 7/70, ao instituir a contribuição social destinada ao PIS, destinavaa à promoção da integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas, definidas como as pessoas jurídicas nos termos da legislação do Imposto de Renda, caracterizandose como empregado todo aquele assim definido pela Legislação Trabalhista. 6. O Programa de Integração Social PIS, à luz da LC 7/70, era executado mediante Fundo de Participação, constituído por duas parcelas: (i) a primeira, mediante dedução do Imposto de Renda; e (ii) a segunda, com recursos próprios da empresa, calculados com base no faturamento. 7. A Lei nº 9.718/98 (na qual foi convertida a Medida Provisória nº 1.724/98), ao tratar das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das aludidas exações, definindoo como a "receita bruta" da pessoa jurídica, por isso que, a partir da edição do aludido diploma legal, o faturamento passou a ser considerado a "receita bruta da pessoa jurídica", entendida como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, 8. Deveras, com o advento da Emenda Constitucional nº 20, em 15 de dezembro de 1998, a expressão "empregadores" do artigo Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM Processo nº 11516.003125/200511 Acórdão n.º 3201000.810 S3C2T1 Fl. 1.810 7 195, I, da Constituição Federal de 1988, foi substituída por "empregador", "empresa" e "entidade a ela equiparada na forma da lei" (inciso I), passando as contribuições sociais pertinentes a incidirem sobre: (i) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (ii) a receita ou o faturamento; e (iii) o lucro. 9. A base de cálculo da COFINS e do PIS restou analisada pelo Supremo Tribunal Federal que, na sessão plenária ocorrida em 09 de novembro de 2005, no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, e nº 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, consolidou o entendimento de que inconstitucional a ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. 10. A concepção de faturamento inserta na redação original do artigo 195, I, da Constituição Federal de 1988, na oportunidade, restou adstringida, de sorte que não poderia ter sido alargada para autorizar a incidência tributária sobre a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, revelandose inócua a alegação de sua posterior convalidação pela Emenda Constitucional nº 20/98, uma vez que eivado de nulidade insanável ab origine, decorrente de sua frontal incompatibilidade com o texto constitucional vigente no momento de sua edição. A Excelsa Corte considerou que a aludida lei ordinária instituiu nova fonte destinada à manutenção da Seguridade Social, o que constitui matéria reservada à lei complementar, ante o teor do disposto no § 4º, artigo 195, c/c o artigo 154, I, da Constituição Federal de 1988. 11. Entrementes, em 30 de dezembro de 2002 e 29 de dezembro de 2003, foram editadas, respectivamente, as Leis nºs 10.637 e 10.833, já sob a égide da Emenda Constitucional nº 20/98, as quais elegeram como base de cálculo das exações em tela o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (artigo 1º, caput), sobejando certo que, nos aludidos diplomas legais, estabeleceu se ainda que o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica (artigo 1º, § 1º). 12. Deveras, enquanto consideradas hígidas as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, por força do princípio da legalidade e da presunção de legitimidade das normas, vislumbrase a existência Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM 8 de dois regimes normativos que disciplinam as bases de cálculo do PIS e da COFINS: (i) o período em que vigorou a definição de faturamento mensal/receita bruta como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa, dada pela Lei Complementar 70/91, a qual se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98; e (ii) período em que entraram em vigor as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 (observado o princípio da anterioridade nonagesimal), que conceituaram o faturamento mensal como a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. 13. Os princípios que norteiam a eficácia da lei no tempo indicam que, nas demandas que versem sobre fatos jurídicos tributários anteriores à vigência das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, revelase escorreito o entendimento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS (faturamento mensal/receita bruta), devidos pelas empresas prestadoras de serviço de fornecimento de mãodeobra temporária, regidas pela Lei 6.019/74, contempla o 6.019/74, contempla o preço do serviço prestado, "nele incluídos os custos da prestação, entre os quais os encargos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores para tanto contratados" (Precedente da Primeira Turma acerca da base de cálculo do ISS devido por empresa prestadora de trabalho temporário: REsp 982.952/RS, Rel. Originário Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 02.10.2008, DJ 16.10.2008). 14. Por outro lado, se a lide envolve fatos imponíveis realizados na égide das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 (cuja elisão da higidez, no âmbito do STJ, demandaria a declaração incidental de inconstitucionalidade, mediante a observância da cognominada "cláusula de reserva de plenário"), a base de cálculo da COFINS e do PIS abrange qualquer receita (até mesmo os custos suportados na atividade empresarial) que não constar do rol de deduções previsto no § 3º, do artigo 1º, dos diplomas legais citados. 15. Conseqüentemente, a conjugação do regime normativo aplicável e do entendimento jurisprudencial acerca da composição do preço do serviço prestado pelas empresas fornecedoras de mãodeobra temporária, conduz à tese inarredável de que os valores destinados ao pagamento de salários e demais encargos trabalhistas dos trabalhadores temporários, assim como a taxa de administração cobrada das empresas tomadoras de serviços, integram a base de cálculo do PIS e da COFINS a serem recolhidas pelas empresas prestadoras de serviço de mãodeobra temporária (Precedentes d oriundo da Segunda Turma do STJ: REsp 954.719/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 13.11.2007). 16. Outrossim, à luz da jurisprudência firmada em hipótese análoga: 'Não procede, ademais, a alegação de que haveria um "bis in idem", já que os recursos utilizados pelos lojistas para pagar o Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM Processo nº 11516.003125/200511 Acórdão n.º 3201000.810 S3C2T1 Fl. 1.811 9 aluguel (ou, eventualmente, a administração comum do shopping center), por provirem de seu faturamento, já se sujeitaram à incidência das contribuições questionadas (PIS/COFINS), pagas pelos referidos locatários. O argumento, que não foi adotado pelo acórdão embargado e que sequer foi invocado na impetração, prova demais. Na verdade, independentemente de ser o aluguel estabelecido em valor fixo ou calculado por percentual sobre o faturamento, os recursos para o seu pagamento são invariavelmente (a não ser em se tratando de empresa deficitária) provenientes das receitas (vale dizer, do "faturamento") do locatário. Isso independentemente de se tratar de loja de shopping center ou de outro imóvel qualquer. E não só as despesas com aluguel, mas as demais despesas das pessoas jurídicas são cobertas com recursos de suas receitas, podendo, quando se destinarem à aquisição de bens e serviços de outras pessoas jurídicas, formar o faturamento dessas, sujeitandose, conseqüentemente, a novas incidências de contribuições PIS/COFINS. Ora, essa é contingência inevitável em face da opção constitucional de estabelecer como base de cálculo o "faturamento" e as "receitas" (CF, art. 195, I, b). Por isso mesmo, o princípio da nãocumulatividade não se aplica a essas contribuições, a não ser para os setores da atividade econômica definidos em lei (CF, art. 195, § 12). Como lembra Marco Aurélio Greco, "... uma incidência sobre receita/faturamento, quando plurifásica, será necessariamente cumulativa, pois receita é fenômeno apurado pontualmente em relação a determinada pessoa, não tendo caráter abrangente que se desdobre em etapas sucessivas das quais participem distintos sujeitos. Receita é auferida por alguém. Nisso se esgota a figura.' (GRECO, Marco Aurélio. "Nãocumulatividade no PIS e na COFINS", apud "Nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS", obra coletiva, coordenador Leandro Paulsen, São Paulo, IOB Thompson, 2004, p.101). Atualmente, o regime da nãocumulatividade limitase às hipóteses e às condições previstas na Lei 10.637/02 (PIS/PASEP) e Lei 10.8333/03, alterada pela Lei 10.865/04 (COFINS). Aliás, há, em doutrina, críticas severas em relação ao modo como a matéria está disciplinada, por não representar qualquer vantagem significativa para os contribuintes. "O novo regime", sustentase, "longe de atender aos reclamos dos contribuintes não veio abrandar a carga tributária; pelo contrário, aumentoua , instaurou verdadeira balbúrdia no regime desses tributos, a ponto de desnortear o contribuinte, comprometer a segurança jurídica e fazer com que bem depressa a sociedade sentisse saudades da época em que era o da cumulatividade" (MARTINS, Ives Gandra da Silva, e SOUZA, Fátima Fernandes Rodrigues de. Apud "Nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS", obra coletiva, cit., p. 12). Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM 10 Independentemente das vantagens ou desvantagens do regime da nãocumulatividade estabelecido pelo legislador, matéria que aqui não está em questão, o certo é que, mantido o atual sistema constitucional e ressalvadas as situações previstas nas Leis acima referidas, as contribuições para PIS/COFINS podem incidir legitimamente sobre o faturamento das pessoas jurídicas mesmo quando tal faturamento seja composto por pagamentos feitos por outras pessoas jurídicas, com recursos retirados de receitas sujeitas às mesmas contribuições." (EREsp 727.245/PE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 09.08.2006, DJ 06.08.2007) (...) 18. Recurso especial provido, invertidos os ônus de sucumbência." (REsp 847.641/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25.03.2009, DJe 20.04.2009) 3. Deveras, a definição de faturamento mensal/receita bruta, à luz das Leis Complementares 7/70 e 70/91, abrange, além das receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, concepção que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal que assentaram a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS e do PIS pela Lei 9.718/98: RE 390.840, Rel. Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09.11.2005, DJ 15.08.2006; RE 585.235 RGQO, Rel. Ministro Cezar Peluso, Tribunal Pleno, julgado em 10.09.2008, DJe227 DIVULG 27.11.2008 PUBLIC 28.11.2008; e RE 527.602, Rel. Ministro Eros Grau Rel. p/ Acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 05.08.2009, DJe213 DIVULG 12.11.2009 PUBLIC 13.11.2009). 4. Por seu turno, com a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovida pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários subsumemse na novel concepção de faturamento mensal (total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil). 5. Conseqüentemente, a definição de faturamento/receita bruta, no que concerne às empresas prestadoras de serviço de fornecimento de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019/74), engloba a totalidade do preço do serviço prestado, nele incluídos os encargos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores para tanto contratados, que constituem custos suportados na atividade empresarial. 6. In casu, cuidase de empresa prestadora de serviços de locação de mãodeobra temporária (regida pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74, consoante assentado no acórdão regional), razão pela qual, independentemente do regime normativo aplicável, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM Processo nº 11516.003125/200511 Acórdão n.º 3201000.810 S3C2T1 Fl. 1.812 11 não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 7. Outrossim, o artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (grifos acrescidos por este relator) Portanto, no mérito, não há como dar provimento ao recurso interposto, e me submetendo a esta limitação legal, VOTO por conhecer do recurso para negarlhe provimento. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM
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Numero do processo: 10410.720858/2009-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. VERBA DE GABINETE PAGA A MEMBROS DO PODER LEGISLATIVO ESTADUAL. DESVIO DE FINALIDADE DOS RECURSOS. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA.
A denominada verba de gabinete se constitui em meio necessário para que o parlamentar possa exercer seu mandato. Entretanto, constatado que os valores correspondentes a dita verba não foram gastos para suprir tais despesas, sendo utilizados pelo deputado para outras finalidades, tais valores transformam-se em rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda.
Numero da decisão: 2201-002.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 13/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausentes justificadamente os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. VERBA DE GABINETE PAGA A MEMBROS DO PODER LEGISLATIVO ESTADUAL. DESVIO DE FINALIDADE DOS RECURSOS. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. A denominada verba de gabinete se constitui em meio necessário para que o parlamentar possa exercer seu mandato. Entretanto, constatado que os valores correspondentes a dita verba não foram gastos para suprir tais despesas, sendo utilizados pelo deputado para outras finalidades, tais valores transformam-se em rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Relator. EDITADO EM: 13/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausentes justificadamente os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1927; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.720858/200962 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.138 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2013 Matéria IRPF Recorrente MANOEL GOMES DE BARROS FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. VERBA DE GABINETE PAGA A MEMBROS DO PODER LEGISLATIVO ESTADUAL. DESVIO DE FINALIDADE DOS RECURSOS. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. A denominada verba de gabinete se constitui em meio necessário para que o parlamentar possa exercer seu mandato. Entretanto, constatado que os valores correspondentes a dita verba não foram gastos para suprir tais despesas, sendo utilizados pelo deputado para outras finalidades, tais valores transformamse em rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 08 58 /2 00 9- 62 Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 13/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausentes justificadamente os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2005, 2006, 2007 e 2008, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 551/580, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 2.104.364,81. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada e omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: a) os depósitos bancários, conforme já explicitado no atendimento às diligências preliminares, proveem de seus salários e outros proventos pagos pela Assembleia Legislativa de Alagoas e dos rendimentos obtidos na exploração de atividades agrícolas em parceria com seu genitor, Manoel Gomes de Barros, nas seguintes propriedades: 1. Fazenda Barra da Jussara – União dos Palmares – Al – NIRF 5.239.1310; 2. Fazenda Brejinha – União dos Palmares – Al – NIRF 1.118.1079 3. Fazenda Mata Redonda – União dos Palmares – Al – NIRF 1.118.1109. b) a verba de gabinete recebida foi pura decorrência de ações parlamentares, não podendo ser confundida com rendimentos não declarados; c) a partir da aplicação do art.3º da Resolução nº 428/2002 o limite da verba de gabinete passou para R$ 30.400,00, de acordo com interpretação levada a cabo pela então Mesa Diretora da Assembléia, que significa dizer que cada parlamentar poderia ser ressarcido de suas despesas parlamentares, a título de verba de gabinete, no máximo, até o patamar de R$ 15.200,00, cada parcela, o que daria um montante final mensal de R$ 30.400,00 ao mês, sistemática que vigorou até 2006, quando foi editada a Resolução nº 462/2006, tudo isso consolidado pela Resolução Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.720858/200962 Acórdão n.º 2201002.138 S2C2T1 Fl. 3 3 Interpretativa nº 482/2008. Esses eram valores limite. Nem sempre esses valores eram atingidos; d) a Resolução nº 482/08, interpretando os termos das Resoluções nº 392/95 e nº 471/07, reafirmou o limite de R$ 39.100,00 para verbas de gabinete; e) sempre realizou suas prestações de contas, depositandoas mensalmente na Diretoria Financeira da Assembléia Legislativa Alagoana. Quanto às destinações dadas aos referidos recursos, recebidos no período objeto de fiscalização e que se referem os pagamentos de despesas previstos no art. 1° da Resolução nº 392 de 1995, resta comprovado pelo ofício expedido pela Assembléia Legislativa que todas essas despesas seguiram o discriminado na legislação regente e foram objeto de prestação de contas; f) por meio desse ofício, a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa reafirma a impossibilidade de disponibilizar os documentos comprobatórios dos gastos efetuados em razão destes terem sido objeto de busca e apreensão pela Polícia Federal; g) transcreve trecho do parecer PGFN nº 1.084, de 5 de junho de 2007 e colaciona ementas de acórdãos do então Conselho de Contribuintes afirmando que: I – o fato de não haver prestação de contas, por si só, não transforma em renda aquilo que tem natureza indenizatória; II – a não exigência de prestação de contas das despesas correspondentes à referida verba é questão que diz respeito ao controle e a transparência da Administração; III – a verba de gabinete, por suas características, não estão ao alcance da base de incidência do Imposto de Renda, não sendo sequer consideradas como “rendimentos isentos e não tributáveis”, razão pela qual não podem ser objeto de inclusão como rendimento a qualquer título nas declarações de Imposto de Renda dos seus declarantes. 7.1 Por fim, requer que o Auto de Infração, em questão, seja tornado nulo ou insubsistente. A 6ª Turma da DRJ em Recife/PE julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões de órgãos singulares ou colegiados de jurisdição administrativa possuem efeito inter partes. Para que se constituam em normas complementares da legislação tributária, necessitam de eficácia normativa a ser atribuída por lei. VERBAS DE GABINETE. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. CONDIÇÕES. Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Constitui condição indispensável ao reconhecimento do caráter indenizatório dos recebimentos a título de verba de gabinete a comprovação de sua efetiva destinação por meio da devida prestação de contas. Descumprida essa condição, o valor recebido configura acréscimo patrimonial sujeito à incidência do Imposto sobre a Renda. VERBAS DE GABINETE. LIMITE. TRIBUTAÇÃO. Recebimentos a título de verba de gabinete em montante superior ao fixado na legislação que a disciplina implicam descaracterização de sua natureza indenizatória, constituindo rendimentos sujeitos à incidência do Imposto sobre a Renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Intimado da decisão de primeira instância em 24/10/2011 (fl. 1409), Manoel Gomes de Barros Filho apresenta Recurso Voluntário em 16/11/2011 (fls. 1378/1390), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada e omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, relativamente a fatos ocorridos nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007. Em sua peça recursal alega o suplicante que os depósitos bancários provêem de seus salários e outros proventos pagos pela Assembléia Legislativa de Alagoas e dos rendimentos obtidos na exploração de atividades agrícolas em parceria com seu genitor, Manoel Gomes de Barros. Assevera, ainda, que a verba de gabinete recebida visa recompor gastos parlamentares e, portanto, tem natureza indenizatória, conforme prestações de contas depositadas mensalmente na Diretoria Financeira da Assembléia Legislativa Alagoana. Por fim, afirma que o fato de não haver prestação de contas, por si só, não transforma em renda aquilo que tem natureza indenizatória, conforme inúmeras jurisprudências carreadas aos autos. Pois bem, no que tange a tributação de depósitos bancários sem origem comprovada, cumpre esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.720858/200962 Acórdão n.º 2201002.138 S2C2T1 Fl. 4 5 titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Neste caso, não basta a simples explicação de que os depósitos bancários são oriundos de proventos pagos pela Assembléia Legislativa de Alagoas e de rendimentos obtidos na exploração de atividades agrícolas, pois, o ônus da prova, por determinação legal, é do contribuinte. Assim, o recorrente deve estabelecer uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com razoável coincidência de data e valor, não cabendo, desta feita, a indicação genérica da origem dos recursos. Destarte, não se constatando nos autos provas documentais de suas alegações, correta a tributação dos valores como renda omitida. Quanto à natureza da verba de gabinete recebida, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou Súmula regulamentando a matéria. Tratase da Súmula CARF nº 87, verbis: Súmula CARF nº 87: O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. (grifei) Do exposto, verificase que, regra geral, a verba recebida não está contida no âmbito da incidência tributária e, consequentemente, deve ser considerada como rendimento isento ou não tributável na Declaração Ajuste. Contudo, quando provado que a verba de gabinete não foi utilizada para suprir despesas parlamentares, sendo utilizada pelo contribuinte para outras finalidades, tais valores transformamse em rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda. Portanto, da leitura do enunciado da Súmula CARF nº 87, verificase que houve uma transferência do ônus probatório à fiscalização e, no caso dos autos, penso que a autoridade fiscal logrou comprovar a utilização da referida verba em beneficio próprio não relacionado à atividade legislativa. Com efeito, pela clareza e precisão dos fundamentos da decisão recorrida, reproduzo o trecho em que a questão é analisada: No caso em apreço, o impugnante afirma que houve prestação de contas, baseado no ofício nº 149/2009 (na realidade 118/2009), de fls. 80 e 81, expedido pelo Gabinete do Presidente da Assembléia Legislativa em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de fls. 74 a 78. Segue trecho desse ofício acerca do tema: “(...) Inicialmente cumpre destacar que, segundo foi apurado na Direção Financeira desta Casa Legislativa, o Deputado em referência apresentou suas prestações de contas, conforme certificou o responsável pelo Setor. (...)” 13.1 No trecho acima, percebese referência à certidão de fl. 35, expedida pelo Diretor Financeiro atestando a prestação de contas do contribuinte. Continua o citado ofício: Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 “(...) Não obstante a apresentação da prestação de contas, esta Casa Legislativa sofreu, em decorrência do inquérito policial acima suscitado, busca e apreensão das prestações de contas de parlamentares que se encontravam sob a guarda da Direção Financeira, as quais ainda não foram restituídas a esta Corte de Leis. Cabendo informar inclusive que, segundo informações colhidas nos vários setores deste Poder Legislativo, se foi confeccionado termo de busca e apreensão destes documentos pela Polícia Federal, quando da deflagração da operação taturana, o mesmo não se acha em qualquer departamento deste órgão, quer seja porque nenhum servidor soube informar se alguém havia recebido eventual termo de busca e apreensão, quer seja porque os Chefes de Setor foram presos no dia da operação e obviamente não tiveram como acompanhar a busca e apreensão realizada e muito menos dar o recebimento a qualquer termo de busca e apreensão. Em atenção ao questionamento feito acerca da eventual existência de cópias das prestações de contas, insta consignar que esta Casa de Leis nunca fez cópia das prestações de contas, razão pela qual não as possui. (...)” 13.2 Como se nota, a Assembleia Legislativa informa que os documentos contendo as prestações de contas dos parlamentares foram retidos pelo Departamento de Polícia Federal, e, como ainda não foram devolvidos, não se encontram em seu poder. 13.3 Já a referida certidão de fl. 35 informa (grifouse): “Atendendo solicitação verbal do Excelentíssimo Senhor Deputado Manoel Gomes de Barros Filho, certifico para os devidos fins que, revendo os arquivos desta DIRETORIA FINANCEIRA, verificamos que foram apresentadas as prestações de contas dos valores recebidos a título de Verba de Gabinete, durante os períodos de janeiro a dezembro de 2005, janeiro a dezembro de 2006 e janeiro a outubro de 2007, (...)” 13.4 Ocorre que a certidão acima data de 21 de maio de 2009, enquanto que o próprio Laudo de Exame Contábil do Departamento de Polícia Federal (fls. 257 a 270), que teve por base a documentação apreendida na Assembléia Legislativa, possui data de 23 de julho de 2008. Portanto, tornase inconsistente uma certidão, posterior à apreensão dos documentos, atestar a prestação de contas com base nos arquivos desta Diretoria Financeira, tendo em vista o ofício de fls. 80 e 81 afirmar que a documentação encontrase de posse do Departamento de Polícia Federal, não constando sequer cópias para exame por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Tal fato demonstra a fragilidade do controle de prestação de contas realizado pela Assembléia Legislativa do Estado de Alagoas, assim como da certidão emitida pela Diretoria Financeira. Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.720858/200962 Acórdão n.º 2201002.138 S2C2T1 Fl. 5 7 13.5 Por outro lado, com base nos documentos obtidos junto ao Departamento de Polícia Federal, observase que não consta prestação de contas do referido parlamentar, exceto em relação aos meses de janeiro a março de 2007, os quais a fiscalização afirma que foram acatadas e excluídas da totalidade dos valores pagos nos respectivos meses, a título de verbas de gabinete. Do exposto, verificase que houve prestação de contas da verba de gabinete somente nos meses de janeiro a março de 2007. Entretanto, em relação aos demais períodos fiscalizados não consta dos autos a efetiva prestação de contas, conforme ficou assentado pela decisão recorrida. Destarte, não há qualquer reparo a ser feito na decisão a quo. Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10880.955449/2008-68
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 55 44 9/ 20 08 -6 8 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955449/200868 Resolução nº 1802000.268 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SP I, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. O presente processo surgiu em razão do PER/DCOMP nº 33839. 37963.290904.1.3.040653 (fls. 6 a 10), transmitido em 29/09/2004, pelo qual a Contribuinte pretendeu compensar débito de estimativa de IRPJ de agosto/2004 com crédito proveniente de pagamento indevido referente à estimativa de CSLL do mês de fevereiro/2004, no valor original de R$ 50.952,86. A Delegacia de origem, por meio de despacho decisório emitido em 24/11/2008 (fls. 1), decidiu não homologar a compensação porque o pagamento gerador do alegado crédito já teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Com a manifestação de fls. 11 e 13, a Contribuinte inaugurou a fase litigiosa, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 1627.648 (fls. 32 a 34), apresentou os argumentos descritos abaixo: A contribuinte efetuou o pagamento de R$ 50.952,86 em 31/03/2004, a título de estimativa mensal de CSLL. Ocorre que tal pagamento foi efetuado a maior, uma vez que nenhum valor era devido a título de estimativa para esse período, conforme demonstram a DIPJ, o LALUR e a DCTF retificada em 10/12/2008 (doc. 02). A contribuinte, em revisão interna efetuada em 2004, notou que decidiu pagar a CSLL com base no balanço de suspensão/redução, tendo efetuado o cálculo compensando o prejuízo fiscal decorrente de atividade rural apenas até o limite de 30%, conforme demonstrado às fl. 12. Ocorre que, nos termos da legislação aplicável (artigo 512 do RIR/99), o prejuízo fiscal da atividade rural apurada no período poderá ser compensado, sem limite, com o lucro real das demais atividades, apurado no mesmo período. Diante do exposto, solicita a contribuinte que seja reconhecido de forma integral o crédito aqui demonstrado, de forma que lhe seja restituído o valor de R$ 50.952,86 e deferidas as compensações vinculadas. Protesta pela juntada de documentos adicionais que comprovem seu direito creditório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955449/200868 Resolução nº 1802000.268 S1TE02 Fl. 4 3 Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SP I manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO,: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2004 DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito corresponde exatamente ao débito confessado em DCTF e que a contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 11/01/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 10/02/2011, com os seguintes argumentos: a Recorrente requereu a compensação do IRPJ do período de apuração de agosto de 2004, no valor de R$ 54.631,66, com CSLL paga a maior, relativa à competência fevereiro/2004; a Recorrente é empresa que exerce tão somente atividade rural, conforme se demonstra pelos atos societários válidos na época dos fatos (doc. 04); tal recolhimento a maior de CSLL efetuado no mês de fevereiro de 2004 deveuse ao fato de ter a Recorrente utilizado o limitador de 30% para a compensação de base negativa de CSLL, quando na realidade não está sujeita a tal limitador. Isso porque, a base negativa de CSLL apurada na atividade rural pode ser compensada com o resultado positivo da mesma atividade, obtido em períodos de apuração posteriores, não se lhe aplicando o limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado, para fins de redução por compensação de base de cálculo negativa; ao revisar sua escrita fiscal, a Recorrente percebeu que havia utilizado indevidamente o limitador de 30% para a compensação de base de cálculo negativa de CSLL, quando na realidade, tal limitador não precisava ser utilizado; a Recorrente procedeu a reapuração dos impostos, desta vez, sem utilizar o limitador de 30% para compensação de base negativa de CSLL, o que culminou no pagamento aqui discutido. Após, a Recorrente também realizou a retificação da DCTF anteriormente apresentada (doc. 05), para o fim de corrigir os valores anteriormente informados; DA NÃO CONFIGURAÇÃO DA CONFISSÃO DE DÍVIDA DOS DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF apesar do entendimento majoritário da jurisprudência administrativa de que o débito declarado em DCTF configura a “confissão de dívida” a que faz referência o parágrafo Fl. 128DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955449/200868 Resolução nº 1802000.268 S1TE02 Fl. 5 4 1º do artigo 59 do DL nº 2.124/84, isso não elide a possibilidade de a Recorrente se defender e comprovar os erros eventualmente cometidos; o efeito da confissão referida no DL nº 2.124/84 não é absoluto; quando falamos de obrigação tributária, permeada pelos princípios da legalidade e da tipicidade, é de conhecimento cediço que a verdade material sobrepõese a eventuais declarações incorretas feitas pelo contribuinte; o erro no preenchimento de uma declaração não possui o efeito de deflagrar o nascimento de obrigação tributária, cuja ocorrência depende da efetiva subsunção do fato jurídico tributário à hipótese de incidência descrita em lei; impossível afirmar a ocorrência de confissão de dívida dos débitos declarados em DCTF, quando a Recorrente apresenta provas cabais de que houve erro de fato na DCTF original apresentada, o que inclusive determinou a apresentação da DCTF retificadora; DA POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL DADA A EXISTÊNCIA DE ERRO DE FATO a DCTF retificadora tem a mesma natureza da original, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores dos débitos já declarados, ou modificar as vinculações dos débitos (pagamentos, saldo a pagar, compensação, parcelamento, exigibilidade suspensa); o § 3º do art. 11 da Instrução Normativa nº 786, de 19 de novembro de 2007 (vigente à época), estabelece que a retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela Receita Federal do Brasil nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração; não resta dúvida que a Recorrente é empresa que exerce apenas atividade rural. Da mesma forma, dúvidas não subsistem de que a base de cálculo negativa de CSLL decorrente de atividade rural poderão ser integralmente abatida do lucro líquido apurado em período subseqüente, sem qualquer limitador; na reapuração de seus tributos, a Recorrente verificou o equívoco cometido e apresentou DCTF retificadora. A plena possibilidade de retificação da DCTF para compensação de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL já foi reconhecida pelo antigo Conselho de Contribuintes (Acórdão 10196.580); e nem se alegue a impossibilidade de retificação de DCTF após o início do procedimento fiscal. Como afirmado alhures, a retificação de DCTF é plenamente possível quando existe erro de fato, nos termos do § 3º do art. 11 da IN RFB 786/2007, reproduzida até a atualidade através do mesmo § 3º agora do art. 9º da IN RFB 1110/2010; ainda, se assim não fosse, reafirmase que o processo administrativo fiscal deve ser regido pelo principio da verdade material, ou seja, no processo administrativo fiscal o Fl. 129DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955449/200868 Resolução nº 1802000.268 S1TE02 Fl. 6 5 julgador deve sempre buscar a verdade, mesmo que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados; nesse sentido, resta evidenciado pelos documentos anteriormente acostados e agora novamente apresentados, que a Recorrente possuía base de cálculo negativa de CSLL decorrente de atividade rural passível de compensação e que cometeu apenas um erro material em não ter retificado imediatamente a sua DCTF (realizando referida retificação posteriormente), não obstante ter enviado DIPJ e escriturado o Lalur corretamente (docs. 07 e 08); como já demonstrado pela Recorrente, a DIPJ/2005 acostada aos autos do processo confirma que na Ficha 16, linha 02 e 03 do mês de fevereiro de 2004, não houve base de cálculo da CSLL, declaração esta enviada tempestivamente em 30/06/2005 e devidamente processada pela RFB. No mesmo sentido, o LALUR da Recorrente, (também corretamente escriturado), atesta os mesmos dados informados anteriormente (que a empresa incorreu em prejuízo fiscal em fevereiro de 2004); não poderia ser argumento desta fiscalização que ambos demonstrativos foram elaborados pela própria empresa, mesmo porque todas as informações prestadas em relação ao imposto de renda e à CSLL são efetivamente preparadas pelo contribuinte uma vez que este tributo é lançado por homologação; a verificação da RFB foi realizada eletronicamente de forma objetiva e automática através de cruzamentos de dados sem observar uma gama de documentações e outras provas que atestam a verdade material dos fatos; diversamente do que ocorre na esfera judicial na qual impera o princípio da verdade formal , a administração deve sempre buscar a verdade material dos fatos, ainda que isso implique a desconsideração de alguns requisitos formais; a fim de cumprir tal desiderato, verificase que o Regimento Interno do CARF prevê a realização de diligências; assim, não sendo suficientes os documentos e esclarecimentos ora apresentados com o objetivo de comprovar a veracidade dos fatos, requer a Recorrente, desde já, a realização de diligência com intuito de demonstrar a existência de base de cálculo negativa da CSLL no mês em referência; em síntese, não há qualquer débito confessado pelo Contribuinte, devendo ser observada a DCTF retificadora, diante a existência de erro material na DCTF original; em razão disso, deve ser reconhecida a existência do crédito a ser ressarcido à Recorrente e, conseqüentemente, a compensação do mesmo, nos termos efetuados. Este é o Relatório. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955449/200868 Resolução nº 1802000.268 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 29/09/2004, na qual utiliza crédito decorrente de um alegado pagamento indevido a título de estimativa de CSLL referente ao mês de fevereiro/2004. O débito objeto da referida compensação corresponde à estimativa de IRPJ de agosto/2004, no valor de R$ 54.631,66. A negativa da Delegacia de origem foi motivada pelo fato de o pagamento gerador do crédito já ter sido integralmente utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Após o despacho decisório, a Contribuinte retificou a DCTF, para cancelar o valor da referida estimativa de fevereiro/2004, e na seqüência apresentou manifestação de inconformidade. De acordo com suas alegações, ela havia deixado de compensar integralmente base negativa de CSLL de período anterior, sem a trava de 30%, o que poderia ser feito já que se trata de atividade rural, e com isso ela acabou declarando e recolhendo uma estimativa que na verdade não era devida. A Delegacia de Julgamento manteve a negativa em relação à compensação, fundamentando sua decisão na ausência de prova do que foi alegado: [...] Com relação ao débito confessado espontaneamente pela contribuinte em DCTF, vigora a presunção de liquidez e certeza (o débito existe, no exato valor indicado), de modo que, para desconstituílo, a contribuinte deveria apresentar provas contundentes de que a verdade material é outra, o que não ocorre no presente caso. A contribuinte limitase a apresentar um demonstrativo no corpo da impugnação e cópia da DIPJ e do LALUR (relativo ao IRPJ, e não ao objeto da lide que é a CSLL),demonstrativos estes elaborados pela própria empresa, os quais, desacompanhados de documentos comprobatórios dos valores ali indicados, não têm o condão de desconstituir a confissão do débito em DCTF. Destaquese que, nos termos do artigo 923 do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte, desde que os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos hábeis, o que não é o caso. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955449/200868 Resolução nº 1802000.268 S1TE02 Fl. 8 7 Observese, ainda, que, nos termos do §4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, a prova documental deve ser apresentada junto com a manifestação de inconformidade. Por todo o exposto, voto no sentido de se considerar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte Nessa fase de recurso voluntário, a Contribuinte desenvolve uma extensa argumentação, alegando em síntese: que por desenvolver atividade rural tem o direito de compensar base negativa de CSLL sem a trava de 30%; que declarou em DCTF e recolheu indevidamente a estimativa de CSLL de fevereiro/2004; que o efeito da declaração em DCTF não é absoluto; que o erro no preenchimento de uma declaração não possui o efeito de deflagrar o nascimento de obrigação tributária; que a DIPJ/2005, enviada tempestivamente em 30/06/2005 e devidamente processada pela RFB, demonstra a inexistência de base de cálculo para a CSLL de fevereiro/2004; que o LALUR, já apresentado anteriormente e corretamente escriturado, atesta estas informações; e que se não forem suficientes os documentos e esclarecimentos apresentados, ela requer a realização de diligência. Com o recurso voluntário, a Contribuinte apresentou novamente cópia de parte da DIPJ e cópia do LALUR, trazendo ainda um Demonstrativo da composição da base de cálculo da estimativa de CSLL de fevereiro/2004 e um balancete contábil referente a fevereiro/2004. Inicialmente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio do PER/DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP (29/09/2004), que deu origem ao presente processo, pleiteando Fl. 132DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955449/200868 Resolução nº 1802000.268 S1TE02 Fl. 9 8 perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado indevidamente, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se falar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou a Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. Além de ter enviado o PER/DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu erro na apuração e recolhimento da estimativa de CSLL referente ao mês de fevereiro/2004, conforme inclusive evidenciavam a DIPJ e o Lalur. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955449/200868 Resolução nº 1802000.268 S1TE02 Fl. 10 9 Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento mencionou que a Contribuinte limitouse a apresentar um demonstrativo no corpo da impugnação e cópia da DIPJ e do LALUR, e que estes demonstrativos estariam desacompanhados de documentos comprobatórios dos valores ali indicados, pelo que não se poderia desconstituir a confissão do débito em DCTF. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. No caso, o crédito utilizado na compensação decorre de pagamento indevido de estimativa de CSLL e o débito objeto de compensação é de IRPJ. Este colegiado tem admitido compensação com pagamento indevido ou a maior de estimativa desde que reste comprovado que o pagamento efetivamente superou o valor mensal que seria devido (seja com base na receita bruta, seja a partir de balancete de suspensão/redução), e que ele não tenha sido aproveitado no final do período para redução do tributo ou para formação de saldo negativo. Mas não há nos autos uma cópia completa da DIPJ para que se verifique qual foi a apuração de ajuste da CSLL em 2004, e qual a repercussão das estimativas (especialmente a de fevereiro) nesta apuração. Conforme o caso, uma eventual não confirmação de valores deduzidos a título de antecipações de CSLL (retenções e estimativas) poderia gerar saldo em aberto no ajuste, o que prejudicaria o reconhecimento do reivindicado crédito por pagamento indevido relativo à estimativa de fevereiro, já que esse pagamento poderia ser total ou parcialmente absorvido para a quitação do ajuste, dependendo do montante do saldo que restasse em aberto. Dada a relação entre as estimativas mensais e o ajuste no final do período, não seria correto deixar o ajuste de CSLL a descoberto, e utilizar a estimativa para a quitação de débito de outra natureza. Diante destas considerações, entendo necessário que a Delegacia de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SP): 1) junte aos autos cópia integral da DIPJ do anocalendário 2004; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955449/200868 Resolução nº 1802000.268 S1TE02 Fl. 11 10 2) verifique e descreva o processo produtivo e as atividades desenvolvidas pela empresa, informando se ela desenvolve exclusivamente atividade rural, ou se há exercício de outras atividades com contabilização separada, visando esclarecer a questão relativa à aplicação da trava de 30% para a compensação de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL; 3) verifique e informe, à luz das DIPJ, da escrituração contábil e fiscal, dos balancetes de suspensão/redução, e de outros elementos que entender necessários: os valores devidos a título de estimativa mensal de CSLL em 2004; o valor total da CSLL devida em 2004; o valor das retenções na fonte; o valor das estimativas recolhidas; o saldo de CSLL a pagar no ajuste; 4) verifique e informe se há base negativa de CSLL de período anterior em montante suficiente para convalidar a compensação realizada no LALUR, relativamente à apuração da estimativa de CSLL de fevereiro/2004; 5) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se houve pagamento indevido para a estimativa de CSLL de fevereiro/2004, e se este indébito estava disponível para ser utilizado na quitação da estimativa de IRPJ de agosto/2004; 6) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DERAT/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.004725/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004
AUXÍLIO-SAÚDE e PREVIDÊNCIA PRIVADA.
O art. 28, par. 9o., alíneas p e q, da Lei n. 8.212/1991, para ser excluído da base de cálculo de contribuição previdenciária deverá ser disponibilizada a todos os funcionários da empresa.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso no sentido de que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.208 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, comparada apenas com a do art. 35-A, da Lei n. 8.212-1991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, desde que mais favorável ao contribuinte, sendo vedada a comparação conjunta com as penalidades dos arts. 32 e 32-A, sob a anterior e atual redação. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Junior , Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2323; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 352 1 351 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.004725/200910 Recurso nº 15.504.004725200910 Voluntário Acórdão nº 2803002.278 – 3ª Turma Especial Sessão de 17 de abril de 2013 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente R. PARDINI SERVICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004 AUXÍLIOSAÚDE e PREVIDÊNCIA PRIVADA. O art. 28, par. 9o., alíneas p e q, da Lei n. 8.212/1991, para ser excluído da base de cálculo de contribuição previdenciária deverá ser disponibilizada a todos os funcionários da empresa. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso no sentido de que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.208 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, comparada apenas com a do art. 35A, da Lei n. 8.2121991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, desde que mais favorável ao contribuinte, sendo vedada a comparação conjunta com as penalidades dos arts. 32 e 32A, sob a anterior e atual redação. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 47 25 /2 00 9- 10 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.004725/200910 Acórdão n.º 2803002.278 S2TE03 Fl. 353 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Junior , Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.004725/200910 Acórdão n.º 2803002.278 S2TE03 Fl. 354 3 Relatório O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da DRJ, que manteve parcialmente o crédito tributário oriundo do lançamento de contribuições previdenciárias (empresa) incidente sobre valores pagos a título plano de saúde e previdência privada disponível apenas aos diretores e funcionários com mais de 1(um) ano de contrato de trabalho, além de diferenças de prólabore pagos aos diretores da recorrente, no período de 01/08/2004 a 31/12/2004,. A ciência do auto de infração inaugural foi em 19.08.2009 (fls. 01). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: em que os valores pagos não tem natureza salarial, que a exigência de abranger todos os funcionários é discrimitatórias, quiçá inconstitucional, excessividade da multa. Esse é o relatório. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.004725/200910 Acórdão n.º 2803002.278 S2TE03 Fl. 355 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. Quanto às alegações de não incidência de contribuições previdenciárias sobre valores referentes à saúde plano de assistência médicohospitalarodontológico e previdência privada aos diretores sócios e dependentes, bem como aos funcionários com mais de 1(um) ano de emprego, verificase que o art. 28, par. 9o., alineas p e q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. Fato esse é claro no art. 458, par. 2o., IV e VI, da CLT, ao apontar que tais valores não configuram salários quando disponíveis aos empregados. Assim, caso obedecido tais critérios, não podem considerandoos fatos geradores passíveis de informação em GFIP, e serem objeto da autuação em questão. Entendo que o auxílio saúde e previdência não se enquadra perfeitamente na hipótese prevista no art. 28, § 9º , alíneas “p” e “q” da Lei nº 8.212, de 1991, justamente em razão de não ter obedecido a parte final do dispositivo que ordena a disponibilidade a todos os funcionários. A contribuinte não apresentou documentos ou indícios de que tal benefício era disponibilizado a todos os funcionários, apenas constatouse que era fornecido aos sócios e seus dependentes, ou seja nem chega a atender o disposto no art. 458, par. 2o., IV e VI, da CLT. A discussão de que tratase tal exigência deve ser tratada como discriminatória, confiscatória, ou contrária a igualdade, para afastála, pois seria inconstitucionalidade, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. Por final, ressalvase que a fiscalização aplicou de forma equivocada o art. 35A, da Lei n. 82121991, na redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, convertido na Lei n. 11.9412009, que remete à aplicação do art. 44, I, da Lei n. 94301996, com multa estabelecida no patamar de 75%, por entender mais benéfico ao contribuinte. Em análise ao art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, a multa aplicada ao caso é escalonada de acordo com a fase do processo de constituição e cobrança das contribuições previdenciárias, iniciando com 4% a 100%. Os patamares superiores à 75% somente eram aplicáveis após o ajuizamento de ação de execução fiscal. Ou seja, em fase administrativa, a aplicação mais favorável é a da redação do art. 35, , da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008. Notese que os créditos são inclusive anteriores à publicação da MP n 449, de 04.12.2008, Assim, entendimento contrário, será uma afronta à irretroatividade da aplicação da lei, salvo se mais benéfica,(art. 104, III, c;c 106, I, do CTN) bem como negar vigência à necessidade de interpretação mais Fl. 355DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.004725/200910 Acórdão n.º 2803002.278 S2TE03 Fl. 356 5 benéfica ao contribuinte (art. 112, do CTN), pois o ato omissivo de não pagamento de contribuições que não foram devidamente declaradas ocorreu antes do lançamento. Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 32A cumulada com a multa do art. 35, com a redação anterior, como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Salvo se a própria lei, expressamente assim definisse. Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de 75% (art.. 35A da Lei n. 8.21211991 combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.208 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase Fl. 356DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.004725/200910 Acórdão n.º 2803002.278 S2TE03 Fl. 357 6 processual, comparada apenas com a do art. 35A, da Lei n. 8.2121991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, desde que mais favorável ao contribuinte, sendo vedada a comparação conjunta com as penalidades dos arts. 32 e 32A, sob a anterior e atual redação. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 357DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13804.001097/00-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/1990 a 31/03/1992
FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
Afastada a decadência e na análise do mérito, resta comprovado o
indébito tributário através de documentos que foram entregues
quando do pedido de restituição, à época da solicitação, segundo
orientação da IN/SRF no 21/97 e alterações.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-000.261
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO.' e4e74,44."., Processo n° 13804.001097/00-65 Recurso n° 139.352 Voluntário Acórdão n° 3201-00.261 - 2a Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2009 Matéria FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente G.F. FACAS DE CORTE E VINCO LTDA Recorrida DRJ/SÃO PAULO/SP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1990 a 31/03/1992 FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. , Afastada a decadência e na análise do mérito, resta comprovado o indébito tributário através de documentos que foram entregues quando do pedido de restituição, à época da solicitação, segundo orientação da IN/SRF no 21/97 e alterações. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / 1' Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. d , . JUDITH D 11 A • ' L MARCONDES ARMANDO lildentePre * , (44:x p...P NA C-1---t-P co./pr..4,4--- M CIA HR L T JANO D'AMORIM Relatora Participaram, ainda do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. 1 Relatório A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de , decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos, adoto integralmente o relatório componente da decisão recorrida, constante de fls. 165/166, até então; que transcrevo, a seguir: , Trata o presente processo de pedido de restituição (fl. 01), protocolado em 28/04/2000, que a interessada vem formular por seus representantes legais pleiteando os recolhimentos efetuados a título de FINSOCIAL, dos períodos de apuração compreendidos entre 03/90 e 04/92, com base na declaração de inconstitucionalidade, por via de recurso extraordinário, logo, com efeitos entre partes, das maj orações da alíquota da referida exação. Mediante pedidos de compensação de fls. 35, 36, 37, 40, 41, 42 e 43, a interessada informa a compensação dos valores recolhidos a maior a título FINSOCL4L com débitos do IRPJ, PIS, COFINS e IPL Pelo despacho decisório de fls. 45/46, a autoridade preparadora não tomou 1 conhecimento do pedido e julgou prejudicada a compensação pretendida, com base no decurso do prazo decadencial, previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25/10/1966) e no Ato Declaratório SRF n°96, de 26/11/1999. O contribuinte inconformado com despacho decisório que indeferiu seu pleito apresentou sua manifestação de inconformidade (lb. 49/51). Por intermédio da Decisão n°925/2001, face às disposições da Portaria MF n° 416/2000, a Delegacia de Julgamento de Curitiba, em 16/08/2001, manteve a decisão da unidade preparadora, (fls. 53/56). Descontente com a posição da primeira instância administrativa, o interessado entrou com Recurso Voluntário, fls. 60/68. O Segundo Conselho de Contribuintes, por intermédio do Acórdão n° 202.14.177, afastou a hipótese de decadência e determinou que fosse analisado o mérito do pedido, fls. 75/81. O processo retornou à unidade de origem para atender a solicitação do , Conselho de Contribuintes. O processo encontrava-se carente de documentos probatórios. Para sanear as lacunas na instrução processual, o postulante foi provocado a participar do processo por intermédio da intimação n° 300/2005, fls. 91/92. Como resposta protocolou os documentos de fls. 94/111. Após analise dos elementos acostados aos autos, foi constatado que o contribuinte não atendeu de forma suficiente a retrocitada Iintimação. A autoridade fiscal insistiu em provocar o requerente, por meio da intimação n° 42/2006, fls. 112/113, a apresentar os documentos não apresentados e que são imprescindíveis a analise do pleito. O interessado protocolou petição, fl. 114, afirmando que os itens 02, 03, 04 e 05 da j intimação não estão disponíveis por não existirem mais, pois foram conservados até a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se referiam. 2 , Processo n° 13804.001097/00-65 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.261 Fl. 189 Cabe informar quais são esses elementos identificados como inexistentes, são eles: os livros fiscais em que se encontram os valores referentes às bases de cálculo da contribuição para o FINSOCIAL referentes aos períodos de apuração pleiteados neste processo, as notas fiscais emitidas nos meses de junho a outubro de 1990, março e dezembro de 1991 e janeiro de 1992 e os termos de abertura e de encerramento dos livros Diário relativos aos anos de 1990, 1991 e 1992. A DERAT indeferiu o pedido, alegando uma deficiência na instrução probatória, uma vez que o contribuinte informa a inexistência de base documental que sustente o seu pleito (fls. 145/154). Posteriormente, o contribuinte inconformado com o novo despacho decisório que indeferiu seu pleito apresentou sua manifestação de inconformidade (fls. 156/159), no qual argumenta, em síntese: Que o art. 6" da IN SRF n°21/97, alterada pela IN SRF n° 73/97, não exigia a apresentação dos elementos solicitados nas intimações feitas pela DERA T. Que todas as exigências contidas na Instrução Normativa acima citada foram atendidas, tendo sido emanado o julgamento final, na via administrativa, pelo Conselho de Contribuintes, que deferiu o pedido de restituição. Que o descarte da documentação não apresentada se deu pelo simples fato de que a SRF não notificou o contribuinte da necessidade de mantê-la sob sua guarda e que já tinha se passado quatro anos do Acórdão proferido pelo Conselho. É o relatório." Decidiu-se no julgamento de primeira instância, pelo indeferimento da solicitação do pleito, nos termos do Acórdão DRJ/SPO I n 2 16-11.770, de 29/11/2006, da 6' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 164/169), cuja ementa assim resumiu o julgado: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES • Período de apuração: 01/03/1990 a 30/04/1992 FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Falta de Comprovação do Indébito Tributário - Intimado para apresentar documentos que comprovassem de forma peremptória seu direito, o interessado se manteve inerte, prejudicando a análise do pleito. Solicitação Indeferida." 3 O interessado foi intimado. Inconformado apresenta recurso voluntário, no qual, repete praticamente as alegações contidas em sua impugnação, defendendo que os documentos comprobatórios e necessários foram entregues juntamente com o pedido de restituição em 28/04/2000, conforme orientação da IN/SRF n° 21/97. O processo foi distribuído a esta Conselheira, à fl. 187(última).1 É o relatório. 4 Processo n° 13804.001097/00-65 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.261 Fl. 190 Voto Conselheira, MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMOREVI, Relatora O presente recurso apresenta os requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. Conforme relatado, o processo em evidência versa sobre pedido de restituição/compensação relativo a pagamentos efetuados pela recorrente, a título de FINSOCIAL. Ressalto, inicialmente que através do Acórdão n° 202.14.177, prolatado em 18/09/2002, às fls. 75/81, cuja decisão foi no sentido de anular o processo a partir da decisão proferida na DRJ, para que outra decisão seja emitida analisando o mérito do pedido e afastada a decadência, tendo em vista a Medida Provisória n° 1.110/95. A decisão a quo indeferiu a solicitação, tendo em vista ausência de documentação, a qual teria trazido grandes prejuízos à instrução processual, pois tornou inviável a apuração do valor devido e, por consequência, a determinação de um eventual indébito tributário. Não obstante as razões acima, acato as razões da recorrente, pois ao se defender, alega a mesma que os documentos comprobatórios e necessários foram entregues juntamente com o pedido de restituição em 28/04/2000 (fl. 01), conforme orientação da IN/SRF n°21/97, vigente à época da solicitação. Dos autos constam: (i) os comprovantes dos pagamentos ou recolhimentos indevidos ou a maior; e, (ii) o demonstrativo da base de cálculo, do valor devido e do respectivo saldo. Pois bem, nos termos do art. 6, da citada IN/SRF n° 21/97, em relação ao pedido de restituição de tributo ou contribuição administrado pela SRF, o pedido de restituição deverá ser efetuada a requerimento do contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, dirigido à unidade da SRF de seu domicílio fiscal, acompanhado dos comprovantes do pagamento ou recolhimento e de demonstrativo dos cálculos: Art. 60 À exceção do valor a restituir relativo ao imposto de renda de pessoa física, apurado na declaração de rendimentos, todas as demais restituições em espécie, de quantias pagas ou recolhidas indevidamente ou em valor maior que o devido, a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF, nas hipóteses relacionadas no art. 2°, serão efetuadas a requerimento do contribuinte, pessoa física ou jurídica, dirigido à unidade da SRF de seu domicílio fiscal, acompanhado dos comprovantes do pagamento ou recolhimento e de demonstrativo dos cálculos. § 1 0 0 demonstrativo a que se refere o caput deverá conter a base de cálculo efetiva, o valor do tributo ou contribuição pago o recolhido, o valor efetivamente devido e o saldo a restituir. Estes, ao meu entender, foram anexados'. Logo, entendo, s.mj., que a unidade da Receita Federal do Brasil tem condições de quantificar o valor para atender o pleito, inclusive porque, salvo se esta tenha autuado a recorrente por falta de recolhimento do Finsocial, presume-se que os pagamentos efetuados foram suficientes para quitação dos débitos (face à homologação tácita ocorrida cinco anos após cada recolhimento). Por todo o exposto, voto por que seja dado provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 10 de julho de 2009 44t-- 01~ M IA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relatora I Verifique-se que a norma em evidência esclarece, ainda, que somente no caso de restituição de Imposto de Renda, haverá necessidade de o contribuinte juntar a respectiva declaração: Art. 6 (..) (.) § 2° No caso de valor a restituir, relativo a imposto de renda de pessoa jurídica, o demonstrativo a que se refere o caput será substituído por cópia da respectiva declaração de rendimentos. Ora, no caso concreto, não se está solicitando a restituição de IR, mas, consoante alhures exposto, a restituição de Finsocial. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO_ Processo n°: 11128.000773/2002-46 Recurso n.°: 140.770 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n°. 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Primeira Turma da Segunda Câmara da Terceira Sessão, a tomar ciência do Acórdão n.° 3201-00.238. Brasília, 21 de sete irode 2009 LUIZ HU 1; RT R"ANDES Chefe d. a CO. f Terceira Seção Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ 1 Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10783.921634/2009-38
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. EQUÍVOCO PREENCHIMENTO DIPJ.
Restando comprovado o equívoco no preenchimento da DIPJ, frente à documentação acostada, necessário que o processo retorne à DRF de origem para averiguação do saldo negativo do IRPJ do ano de referência.
Numero da decisão: 1803-001.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Roberto Armond Ferreira da Silva e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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EQUÍVOCO PREENCHIMENTO DIPJ. Restando comprovado o equívoco no preenchimento da DIPJ, frente à documentação acostada, necessário que o processo retorne à DRF de origem para averiguação do saldo negativo do IRPJ do ano de referência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 92 16 34 /2 00 9- 38 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.921634/200938 Acórdão n.º 1803001.692 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Roberto Armond Ferreira da Silva e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, do não reconhecimento do direito creditório da recorrente, referente ao saldo negativo de IRPJ do ano de 2007, cujas compensações declaradas não foram homologadas pelo fato do valor do saldo informa na DCOMP( R$40.561,31) ter sido diferente do apurado na DIPJ (R$30.949,35). A recorrente, intimada a retificar a DIPJ e/ou a DCOMP e/ou a DCTF, uma vez que o valor do saldo informado na DCOMP era diferente do apurado na DIPJ e que os débitos por estimativa informados na DIPJ nos meses de janeiro, março e maio, eram diferentes dos valores declarados nas DCTF correspondentes, apresentou manifestação de inconformidade após ter tido ciência do despacho, alegando que ocorreu erro de preenchimento da DIPJ/2007, pois fez constar R$30.949,35 de saldo negativo, quando na realidade deveria constar R$40.561,31. A recorrente apresentou retificação em 19.01.2010. A autoridade de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento, porquanto que a recorrente foi intimada a retificar a DIPJ e/ou a DCTF, mas a retificação da DIPJ ocorreu tão somente após a ciência da decisão recorrida, tendo sido a manifestação de inconformidade apresentada logo após. Refere que o §1° do art. 147 do CTN determina que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se fundamente e antes de notificado do lançamento. Assim, a retificação de declaração havida no decorrer de processo administrativo fiscal deverá vir acompanhada de documento que comprovem a veracidade dos valores ou dados retificadores, ou seja, deverá ser comprovado que ocorreu erro de fato. Atenta o julgador que a recorrente deveria ter comprovado que ocorreu erro de fato, mas que esta não acostou aos autos qualquer documento que comprovasse os novos valores alegados, sequer produziu demonstrativo dos novos valores. Devidamente cientificada, a recorrente apresenta, de forma tempestiva suas razões em seara de recurso voluntário alegando em apertada síntese o que segue: 1. Foi constatado que o PER/DCOMP n° 02204.40781.280207.1.3.023380 competência 01/2007 no valor de R$ 9.152,18, constava como declarante outra empresa. Para regularizar a situação, foi solicitado o cancelamento da referida declaração, tendo sido enviada outra PER/DCOMP em nome da empresa recorrente, de forma retificadora sob o n° 27154.99018.120111.1.7.020303, em anexo. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.921634/200938 Acórdão n.º 1803001.692 S1TE03 Fl. 113 3 2. Frente à apresentação de recurso voluntário, requer a recorrente o efeito suspensivo constante no art. 74 da Lei 9.430/96; 3. Pugna pelo cerceamento do direito de defesa, vez que segundo o entendimento da recorrente não houve clareza na decisão proferida pela autoridade fiscal, contrariando o determinado no art.5° da Constituição Federal. Cita jurisprudência e doutrina neste sentido. Aduz que a administração deve manifestarse claramente para cada DCOMP apresentada, informando se o resultado de sua análise foi pela homologação ou homologação parcial, permitindo assim ao contribuinte exercer o direito de manifestação sobre tais requerimentos em eventual negativa do direito demandado. Atenta para o fato de que, no caso presente, o despacho decisório em primeira instância não foi claro o bastante para possibilitar o pleno direito de defesa, uma vez que se limitou a informar que o valor original do crédito infirmado em PER/DCOMP estava divergente do valor do crédito informado em DIPJ: "Valor original do saldo negativo informado em PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$40.561,31. Valor na DIPJ: R$30.949,35. Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$185.949,15. IRPJ devido: R$154.999,80". A empresa recorrente conclui que a decisão acima transcrita revelase extremamente confusa e não há qualquer indicação do motivo o qual não foram considerados os valores demonstrados na DIPJ, limitandose a afirmar as divergências e pagamentos supostamente não confirmados. E, diante da obscuridade da decisão, a recorrente teve o seu direito de ampla defesa prejudicado, já que não pode trazer à impugnação de primeira instância outros argumentos que certamente lhe permitiriam demonstrar a insubsistência da presente cobrança. 4. Pugna pela nulidade da decisão, conforme art. 59, II do Decreto 70.235/72, posto entender que são nulos as decisões e despachos proferidos por autoridades com preterição do direito de defesa. 5. Refere que a autoridade deveria ter aplicado o disposto nos arts. 145 e 149 do CTN e, frente ao erro apresentado, revisto de ofício o lançamento. 6. E quanto ao mérito, refere mais uma vez que a divergência nos valores se deve ao fato de ter ocorrido erro no preenchimento da DIPJ a título de saldo negativo de IRPJ. 7. Alega que devem ser considerador os valores recolhidos a título de estimativas calculados em balancetes de suspensão, bem como os valores retidos a título de IRRF. 8. Em ato contínuo atenta para o fato de que não se pode desconsiderar o próprio relatório da RFB, emitido através do site do eCAC, em que se confirma o recolhimento no valor de R$ 148.751,20 a título de IRPJ 9código DARF 2362) para as apurações realizadas no ano calendário 2007. 9. Prossegue a empresa recorrente argumentando que o valor efetivamente retido de IRRF totaliza R$37.197,95, no ano calendário 2007, mas no sistema da Receita Federalsão informados os valores de IRRF declarados em DIRF por fornecedores e instituições financeiras no total de R$ 35.811,84, comprovando que ao menos tais valores foram retidos da Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.921634/200938 Acórdão n.º 1803001.692 S1TE03 Fl. 114 4 empresa recorrente a tal título, o que gera a consonância com o declarado na DIPJ do ano em comento. 10. Apresenta o seguinte resumo de valores: 11. Por fim refere que devem ser acatados os valores apresentadso como créditos para homologar a compensação outrora apresentada. É o relatório Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de não reconhecimento de direito creditório da recorrente, referente ao saldo negativo de IRPJ do ano de 2007, cujas compensações declaradas não foram homologadas, em razão de divergência entre os valores informados na DCOMP e na DIPJ. A empresa recorrente, devidamente intimada a retificar a DIPJ, e/ou DCOMP e/ou DCTF, já que o saldo informado na DCOMP era diferente do apurado na DIPJ e que os débitos por estimativas informados na DIPJ eram diferentes dos valores declarados na DCTF, acabou por não o fazer, justificando em seara de manifestação de inconformidade tão somente ter ocorrido erro de preenchimento da DIPJ. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.921634/200938 Acórdão n.º 1803001.692 S1TE03 Fl. 115 5 A decisão de primeira instância foi no sentido de manter o lançamento em função da recorrente, quando da retificação para qual foi intimada, não ter apresentado documentação que lastreasse a retificação da DIPJ. No entanto, a empresa em seara de recurso voluntário acosta aos autos farta e robusta documentação que lastreiam seus argumentam. Importa salientar que foi acostado ao recurso voluntário documentos/comprovantes de arrecadação, retirados do site da Secretaria da Receita Federal. Frente à documentação acostada, entendo ser necessário remeter o presente feito à DRF de origem para que, superado a comprovação do equívoco, por parte da empresa recorrente, retorne o processo para a averiguação do saldo negativo do IRPJ do ano de 2007. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso voluntário para que a DRF de origem aprecie o direito creditório da recorrente. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 10510.004089/99-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/1999
INSTITUIÇÃO EDUCACIONAL SEM FINS LUCRATIVOS. IMUNIDADE. ARTIGO 195, § 7º, DA CF/88. REQUISITOS. ARTIGO 14 CTN.
São imunes quanto às contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.
IMUNIDADE. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 333, I, DO CPC.
Segundo o artigo 333, I do CPC o ônus da prova cabe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O artigo 14 do CTN, dentre outros requisitos para a fruição da imunidade, proíbe a distribuição de qualquer parcela de patrimônio ou renda aos sócios e dirigentes e exige a aplicação integral dos recursos na manutenção dos objetos institucionais da entidade beneficente. Embora alegue cumprir tais requisitos, vê-se que a Recorrente sequer juntou cópia de seu contrato social, de molde a não se desincumbir do ônus da prova que era seu, inviabilizando, por conseguinte, o exame da imunidade que alega fazer jus.
Recurso voluntário improvido.
Numero da decisão: 3202-000.809
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/1999 INSTITUIÇÃO EDUCACIONAL SEM FINS LUCRATIVOS. IMUNIDADE. ARTIGO 195, § 7º, DA CF/88. REQUISITOS. ARTIGO 14 CTN. São imunes quanto às contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. IMUNIDADE. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 333, I, DO CPC. Segundo o artigo 333, I do CPC o ônus da prova cabe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O artigo 14 do CTN, dentre outros requisitos para a fruição da imunidade, proíbe a distribuição de qualquer parcela de patrimônio ou renda aos sócios e dirigentes e exige a aplicação integral dos recursos na manutenção dos objetos institucionais da entidade beneficente. Embora alegue cumprir tais requisitos, vê-se que a Recorrente sequer juntou cópia de seu contrato social, de molde a não se desincumbir do ônus da prova que era seu, inviabilizando, por conseguinte, o exame da imunidade que alega fazer jus. Recurso voluntário improvido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 83 1 82 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.004089/9981 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.809 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2013 Matéria COFINS. IMUNIDADE Recorrente COLÉGIO ARQUIDIOCESANO S. CORAÇÃO DE JESUS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/1999 INSTITUIÇÃO EDUCACIONAL SEM FINS LUCRATIVOS. IMUNIDADE. ARTIGO 195, § 7º, DA CF/88. REQUISITOS. ARTIGO 14 CTN. São imunes quanto às contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. IMUNIDADE. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 333, I, DO CPC. Segundo o artigo 333, I do CPC o ônus da prova cabe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O artigo 14 do CTN, dentre outros requisitos para a fruição da imunidade, proíbe a distribuição de qualquer parcela de patrimônio ou renda aos sócios e dirigentes e exige a aplicação integral dos recursos na manutenção dos objetos institucionais da entidade beneficente. Embora alegue cumprir tais requisitos, vêse que a Recorrente sequer juntou cópia de seu contrato social, de molde a não se desincumbir do ônus da prova que era seu, inviabilizando, por conseguinte, o exame da imunidade que alega fazer jus. Recurso voluntário improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 40 89 /9 9- 81 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10510.004089/9981 Acórdão n.º 3202000.809 S3C2T2 Fl. 84 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRF/SDR) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 74 a 81) apresentada por Colégio Arquidiocesano S. Coração de Jesus, ora Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão citado, verbis: “Relatório Trata o presente processo de "Pedido de Restituição" (fl. 01) de recolhimentos da Cofins relativos a fatos geradores ocorridos de fevereiro a agosto de 1999, protocolado em 28/10/1999. As folhas 02/04, a interessada alega que, em face do disposto no inciso X do art. 14 da Medida Provisória n° 1.8587, de 29 de julho de 1999, passou a gozar da isenção da Cofins incidente sobre as receitas relativas as atividades próprias, visto que se trata de instituição de educação que atende a todos os requisitos previstos no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Assim, entende ter direito à restituição dos valores da Cofins pagos indevidamente, conforme fotocópias dos DARF às folhas 05/08, confirmados nos sistemas da Receita Federal (fl. 09). Após anexação dos documentos de folhas 12/32, foi proferido o Despacho Decisório DRF/AJU n° 490/2009 (fls. 33/37) indeferindo o pedido de restituição, sob o argumento de que a interessada não comprovou preencher Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10510.004089/9981 Acórdão n.º 3202000.809 S3C2T2 Fl. 85 3 todos os requisitos elencados no § 2° do art. 12 da Lei n° 9.532, de 1997, imprescindíveis para que a instituição de educação seja considerada imune. Igualmente, afirma o agente do Fisco que as receitas oriundas das mensalidades escolares recebidas pela interessada não decorrem de atividades próprias, por ter caráter contraprestacional, não estando, portanto, amparadas pela isenção da Cofins prevista no inciso X do art. 14 da MP n°2.158, de 2001. Por fim, consta do referido despacho decisório que, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 30/31) exarado quando da lavratura de Auto de Infração contra a contribuinte, essa não era detentora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, condição exigida para fruição da isenção da Cofins, tendo sido constatado que o seu diretor executivo é remunerado pelos serviços prestados, ferindo assim a condição estabelecida na alínea "a" do § 2° do art. 12 da Lei n° 9.532, de 1997. Cientificada em 07/10/2009 do referido despacho decisório, conforme Aviso de Recebimento — AR à folha 39, a interessada apresentou em 06/11/2009 a Manifestação de Inconformidade de folhas 41/47, sendo essas as suas alegações, em síntese: 1. Tratase de pessoa jurídica imune à tributação, por ser entidade de educação sem finalidade lucrativa, que atende a todos os requisitos constitucionais e os estabelecidos no Código Tributdrio Nacional CTN, não sendo necessário, no presente caso, o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEBAS, por tratarse de imunidade e não de isenção, e, assim, exigir o referido certificado é uma afronta direta aos princípios constitucionais; 2. O despacho decisório ora guerreado equivocase ao afirmar que a recorrente não é entidade beneficente, pois, de fato, não é e nunca alegou que fosse; 3. As mensalidades pagas pelos alunos não ensejam a perda da imunidade, conforme doutrina e jurisprudência que transcreve; 4. O Monsenhor Carvalho, citado no despacho decisório, apenas exerce a função de diretor executivo, sendo remunerado como um empregado da instituição, sendo que a direção geral é exercida pelo Arcebispo Metropolitano de Aracaju, ao qual o diretor executivo é subordinado, inexistindo prova de que o Monsenhor Carvalho tenha participação nos lucros; 5. A interessada não possui renda, e como tal não contribui para o imposto de renda, razão pela qual não poderia ser cobrada a Cofins”. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10510.004089/9981 Acórdão n.º 3202000.809 S3C2T2 Fl. 86 4 Em sua decisão, a DRJ/SDR houve por bem manter o lançamento através do acórdão n° 1522.179, de 22 de janeiro de 2010, cuja ementa foi assim formulada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/1999 a 31/08/1999 RECEITA. CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. INCIDÊNCIA. A isenção prevista na Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, atinge tão somente as receitas relativas às atividades próprias, não incluindo as receitas de caráter contraprestacional auferidas pelas instituições de educação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com o acórdão da DRJ/SDR, a Recorrente interpôs o presente recurso, retomando as alegações coligidas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento, passando a analisar os argumentos trazidos pela Recorrente. No que tange as alegações concernentes à imunidade da Recorrente, é mister destacar que a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste Colegiado, no acórdão 930301.521 (processo nº 19515.002921/200639), com relatoria do Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, assim decidiu acerca da matéria: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10510.004089/9981 Acórdão n.º 3202000.809 S3C2T2 Fl. 87 5 Com efeito, a principal questão suscitada pela Fazenda Nacional referese à incidência da COFINS sobre as receitas decorrentes de atividades próprias da entidade, conforme preceito do art. 14 da MP n.º 2.15835/2001. No entendimento da Fazenda Nacional, deve ser aplicado à espécie o disposto na IN SRF nº 247/2002, a qual explicitou, em seu art. 47, § 2º, que as receitas referentes às atividades próprias da entidade beneficente de assistência social são “somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento de seus objetivos sociais”. Ocorre que uma instrução normativa, norma complementar, prevista no artigo 100, inciso I, do CTN, não tem o condão de limitar isenção concedida por lei em sentido estrito, tampouco a imunidade prevista em dispositivo constitucional. É evidente que a expressão “receitas próprias”, contida na MP n.º 2.15835/2001, não se refere apenas àquelas receitas enumeradas na Instrução Normativa acima mencionada. Para melhor compreensão da controvérsia, fazse mister destacar os dispositivos aplicáveis à espécie da MP n.º 2.15835/2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10510.004089/9981 Acórdão n.º 3202000.809 S3C2T2 Fl. 88 6 (...) omissis X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. (...) Art. 17. Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 1991. Notese que no caso das Entidades Beneficentes de Assistência Social, como é o caso da contribuinte em tela (artigo 13, III), o artigo 17, acima transcrito, preceitua que o gozo da isenção da COFINS só é permitido se cumpridos os requisitos estabelecidos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, o que, no caso vertente, está cabalmente comprovado nos autos – não há discussão quanto a este ponto. A expressão filantrópica, utilizada no inciso IV do artigo 13, diz respeito à necessidade de a entidade prestar serviços gratuitos a quem deles necessitar. Nada impede, todavia, a cobrança de determinado valor daqueles que podem pagar pelos serviços, isto é, daqueles que não se enquadram no conceito de hipossuficientes. Daí não ser razoável limitar as receitas próprias de entidades de assistência social somente aos recebimentos de caráter não contraprestacionais (mensalidades, contribuições e doações), na forma da IN SRF nº 247/2002. Tal limitação, conforme asseverado pelo Ilustre Conselheiro redator do voto vencedor do v. aresto ora recorrido, “é aplicável às outras entidades discriminadas nos incisos I, II e V em diante do art. 13 da MP n.º 2.15835/2001, mas não aos incisos III e IV”. De se destacar, ainda, o seguinte excerto do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro redator, verbis: É que as outras entidades que não as de assistência social, enumeradas no referido art. 13, possuem objetos específicos, a limitar as suas receitas próprias. Assim, as receitas próprias dos templos (inc. I) são somente os dízimos e doações diversas; dos partidos políticos (inc. II), as contribuições permitidas por lei; dos sindicatos, federações e confederações (inc. V), a contribuição sindical fixada em assembleia e a prevista em lei (conforme o art. 8°, IV, da Constituição Federal), além de outros recebimentos previstos em estatutos tudo; dos serviços sociais autônomos, conhecidos por Sistema "S", bem como dos conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas (incs.: VI e VII), as mensalidades e contribuições previstas em lei; das fundações de direito privado instituídas ou mantidas pelo Poder Público (inc. VIII), bem como das fundações de direito público, os valores dos repasses orçamentários, além de contribuições e doações autorizadas em estatuto; dos condomínios Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10510.004089/9981 Acórdão n.º 3202000.809 S3C2T2 Fl. 89 7 (inc. IX), as mensalidades dos condôminos; e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e das Organizações Estaduais de Cooperativas (inc. X), as contribuições dos seus associados, além de outras receitas próprias. Quanto às entidades de assistência social (incs.. III e IV do art. 13 da MP n° 21.5835/2001), se suas receitas próprias são todas condizentes com o seu objeto social, nada obriga sejam tributadas as receitas oriundas da prestação de serviços. O importante, para que a isenção (ou imunidade) desonere também as receitas contraprestacionais, é que, primeiro, sejam atendidos os requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/91, e segundo, que os serviços prestados se relacionem direta ou indiretamente com o objeto social da entidade. Por conseguinte, considerando que a entidade aqui tratada cumpriu todos os requisitos do art. 55 da Lei n.º 8.212/91, o que, aliás, foi concluído inclusive por diligência determinada pela Câmara ora recorrida, o recurso especial da Fazenda Nacional não merece guarida. Cabe ressaltar, no entanto, a despeito do que foi acima expendido, que o principal fundamento para afastamento da exigência está no § 7º do artigo 195 da Constituição Federal, qual seja, a própria previsão de imunidade, que impede a exigência de contribuição social das entidades beneficentes de assistência social. Referido dispositivo tem o seguinte teor: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. É certo que o dispositivo constitucional, na esteira do entendimento da jurisprudência e da doutrina consolidada, trata de imunidade, e não de isenção. Outrossim, também não há dúvida de que referido dispositivo, quando aponta as exigências estabelecidas em lei, o faz remetendo a lei complementar, que no caso é o artigo 14 do CTN. Sendo assim, e aplicando o dispositivo constitucional à presente controvérsia, indubitável que a exação contida no auto de infração não merece prosperar. (grifos nossos). Embora comuge do entendimento supracitado, ou seja, de que a exigência contida no §2° do artigo 47 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN SRF) n° 247 de 21 de novembro de 2002 tenha transposto os limites da lei ao definir que somente seriam receitas derivadas de atividades próprias das entidades beneficentes aquelas sem caráter contraprestacional direto, verifico, por outro lado, que embora a Recorrente alegue cumprir Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10510.004089/9981 Acórdão n.º 3202000.809 S3C2T2 Fl. 90 8 todos os requisitos ensejadores da imunidade das contribuições do PIS e da COFINS, sequer juntou aos autos cópia do contrato social (fls.80) ou outra evidencia que permita concluir que restaram cumpridos os requisitos delineados no artigo 14 do Código Tributário Nacional (vedação de se distribuir qualquer parcela de patrimônio ou renda aos sócios e dirigentes e aplicação integral dos recursos na manutenção de seus objetos institucionais). O artigo 333 do Código de Processo Civil assim disciplinou o ônus da prova: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (g.n.) Se cabia à Recorrente o dever de comprovar o cumprimento dos requisitos delineados no artigo 14 do Código Tributário Nacional e nas demais disposições que regem a imunidade das contribuições sociais em apreço, ao deixar de fazêlo, não se desincumbiu do ônus que a legislação processual lhe impõe, inviabilizando o exame do direito à imunidade, por insuficiência de provas. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto pela Recorrente. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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