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Numero do processo: 16327.001904/2005-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
RECURSO. ASSINATURA NÃO CONFERE COM A DO DOCUMENTO DO SIGNATÁRIO. NÃO-CONHECIMENTO.
Recurso voluntário assinado por pessoa que não comprova a legitimidade para representar a recorrente não pode ser conhecido.
Numero da decisão: 3402-002.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente-substituto.
SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Recorrente COOPERATIVA DE CRÉDITO MÚTUO DOS EMPREGADOS DA EMBRAER Recorrida DRJ em SÃO PAULOSP I ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 RECURSO. ASSINATURA NÃO CONFERE COM A DO DOCUMENTO DO SIGNATÁRIO. NÃOCONHECIMENTO. Recurso voluntário assinado por pessoa que não comprova a legitimidade para representar a recorrente não pode ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidentesubstituto. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 04 /2 00 5- 22 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA 2 Contra a pessoa jurídica qualificada neste processo foi lavrado auto de infração para formalizar a exigência de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) decorrente dos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2003. O lançamento foi efetuado sem a aplicação da multa cabível nos lançamentos de ofício, por se tratar de constituição de crédito tributário para prevenir a decadência, pois a exigibilidade desse crédito eencontravase suspensa por liminar concedida no Mandado de Segurança (MS) n° 2001.61.00.0114606, impetrado pela Central de Cooperativas de Crédito do Estado de São Paulo (Cecresp), à qual a contribuinte é filiada. A peça fiscal foi impugnada e a 10ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloSP I (DRJ/SPOI), em Acórdão proferido em 28 de julho de 2010, decidiu não conhecer da impugnação por ser ela intempestiva. A contribuinte teve ciência dessa decisão em 1° de setembro de 2010 e, em 20 de setembro de 2010, interpôs recurso voluntário para alegar, em síntese, que teve ciência da exigência em 06 de maio de 2010, data em que, após a revogação da liminar, foi intimada para pagamento do crédito tributário, e o art. 15 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, estabelece como termo inicial para contagem do prazo de trinta dias para apresentação da impugnação a data da ciência da exigência e não a data da ciência do auto de infração. Na peça recursal, foram apresentadas também razões de defesa quanto ao mérito da exigência e, ao final, solicitouse o provimento do recurso para que a impugnação seja considerada tempestiva e sejam apreciadas as razões de mérito ou o que o próprio Consselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) reconheça a procedência do pedido e decrete a inexigibilidade do tributo. Após a protocolização do recurso, a contribuinte foi intimada a apresentar cópia autenticada do documento do signatário do recurso, Sr. Reginaldo Ferreira Lima Filho, para verificação da assinatura, pois a assinatura inserida na peça recursal não conferia com a contida na cópia do documento do signatário constante destes autos. Até 29 de março de 2011, não foi apresentado o documento solicitado e o processo foi remetido ao CARF. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto nas esfera de competências regimentais da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); contudo, não pode ser conhecido por não ter sido interposto po parte legítima. Com efeito, é visível que a assinatura aposta no recurso voluntário não confere com a assinatura da cópia da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) constante da fl. 245 e, tendo sido intimada em 07 de outubro de 2010, sobre a irregularidade na representação Fl. 324DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA Processo nº 16327.001904/200522 Acórdão n.º 3402002.077 S3C4T2 Fl. 324 3 processual, até 29 de março de 2011, portanto, quase seis meses após essa intimação, a contribuinte não apresentou a cópia solicitada, tampouco manifestouse com vista a renovar a peça recursal com apresentação de recurso assinado por pessoa legitimada para tal. Em face disso, voto por não conhecer do recurso voluntário. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 325DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720633/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2007
GASTOS COM EXPATRIADOS. CONFIGURAÇÃO DE REMUNERAÇÃO INDIRETA. BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS. PAGAMENTO SEM CAUSA NÃO CONFIGURADO. NATUREZA JURÍDICA DE MÚTUO.
Não incide IRRF com alíquota de 35% quando os beneficiários dos pagamentos são identificados através da documentação juntada no processo administrativo fiscal, isso referente aos primeiros fatos. Bem como na segunda situação fática, onde fica claro os motivos e a justificativa dos pagamentos, independente do AFRFB entender elas convenientes ou não, dedutíveis ou não.
Numero da decisão: 1302-001.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso voluntário, para: a) por unanimidade de votos, cancelar a exigência relativa pagamento sem causa pelo pagamento à empresa ON/OFF; b) por maioria de votos, cancelar a exigência relativa a pagamento a beneficiário não identificado, relativo a pagamento de salário indireto, vencido o conselheiro Eduardo de Andrade, que negava provimento a esta matéria.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
(assinado digitalmente)
MÁRCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente em Exercício), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2007 GASTOS COM EXPATRIADOS. CONFIGURAÇÃO DE REMUNERAÇÃO INDIRETA. BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS. PAGAMENTO SEM CAUSA NÃO CONFIGURADO. NATUREZA JURÍDICA DE MÚTUO. Não incide IRRF com alíquota de 35% quando os beneficiários dos pagamentos são identificados através da documentação juntada no processo administrativo fiscal, isso referente aos primeiros fatos. Bem como na segunda situação fática, onde fica claro os motivos e a justificativa dos pagamentos, independente do AFRFB entender elas convenientes ou não, dedutíveis ou não. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso voluntário, para: a) por unanimidade de votos, cancelar a exigência relativa pagamento sem causa pelo pagamento à empresa ON/OFF; b) por maioria de votos, cancelar a exigência relativa a pagamento a beneficiário não identificado, relativo a pagamento de salário indireto, vencido o conselheiro Eduardo de Andrade, que negava provimento a esta matéria. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) MÁRCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 15/07/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 06 33 /2 01 1- 15 Fl. 4595DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente em Exercício), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Fl. 4596DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16682.720633/201115 Acórdão n.º 1302001.131 S1C3T2 Fl. 4.596 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, interposto em face do Acórdão da 4ª Turma da DRJ/RJ1, que manteve o lançamento de IRRF no valor de R$ 10.979.351,26, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, julgando improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte contra o Auto de Infração de fls. 2.183/2.213. O presente processo tem origem no Mandado de Procedimento Fiscal n.º 07.1.90.002010020696, cujo objetivo era fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias correspondente à Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica relativas ao ano calendário de 2007. Foram expedidas intimações solicitando informações e documentos, o que foi atendido pela recorrida (fls. 3 e 452). De posse das informações apresentadas, o auditor fiscal efetuou o lançamento de ofício de IRRF, no valor total de R$ 25.878.081,94, fundamentandose na falta de recolhimento do imposto sobre pagamentos a beneficiário não identificado e sem causa ou de operação não comprovada. Melhor esclarecendo. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 2.215/2.225), o Auditor Fiscal narra que a fiscalização teve início em 29/03/2010, quando solicitou à fiscalizada uma série de documentos, os quais foram devidamente apresentados. Assim, em função de toda a documentação apresentada, verificouse o que segue: 1. Gastos com Expatriados O Auditor analisou os contratos apresentados e identificou gastos efetuados com diretores estrangeiros da empresa fiscalizada, os quais observou serem das mais diversas finalidades, tais como taxa escolares, moradia, reembolso de aluguel, armazenagem, entre outros. Em 07/06/2010, o Auditor intimou a fiscalizada para justificar a necessidade de tais gastos, informar se aqueles valores foram adicionados ao lucro líquido do período, e apresentar os documentos que deram causa aos lançamentos contábeis. A empresa fiscalizada apresentou os documentos solicitados e também cópia do LALUR. O Auditor constatou tratarem de gastos pessoais dos diretores, classificando os como salários indiretos, que foram devidamente adicionados ao lucro líquido da empresa, mas que entendeu não ter sido recolhido IRRF sobre o valor, procedendo seu reajustamento e Fl. 4597DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 4 tributação, caracterizando como remuneração indireta paga a beneficiário não identificado, com alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), fundamentandose nos artigos 625 e 725, do Decreto 3.000/99. 2. Da Aquisição da Empresa ON/OFF O Auditor Fiscal verificou pela análise dos documentos que lhe foram entregues pela empresa fiscalizada que a conta ‘01.01.02.02.10 – Intradivisão – Empréstimo a Receber’ encerrou o balanço de 31/12/2006 com saldo credor de R$ 49.057.566,20, mas que este saldo é zerado através de um lançamento de ajuste contra a conta ’02.01.03.01 – Intradivisão – Contas a Pagar’. Observou o Auditor que o lançamento de ajuste teve como origem, em síntese, os seguintes fatos: Em 10/01/2006, a sócia Dresser transfere à Cooper Cameron do Brasil Ltda. as cotas do capital social da empresa ON/OFF Manufatura e Comercio de Válvula LTDA, pelo valor de R$ 53.102.729,00, conforme a 2ª alteração do contrato social; Através dos extratos do Banco Real, agência 0403, conta corrente 5706422 1, da empresa Cooper Cameron do Brasil LTDA, verificouse que no dia 10/01/2006 uma operação de câmbio com depósito, no valor de R$ 48.241.975,82; Consta no decorrer do ano de 2006 empréstimos à empresa ON/OFF no valor total de R$ 20.370.000,00, todos com saídas do Banco Real, agência 0403, conta corrente 57064221; Em 01/11/2006 é firmado instrumento particular de contrato de transferência de estabelecimento empresarial, onde o valor de R$ 20.370.000,00, anteriormente contabilizado como empréstimos, agora são transformados em adiantamento à dívida de R$ 46.030.453,06, pela transferência do estabelecimento empresarial localizado na Cidade de Jacareí, Estado de São Paulo, à rua Particular, s/n, CEP 12305904; O restante da dívida será paga através de uma promissória no valor de R$ 25.660.453,06; Nos balanços de 2007, 2008 e 2009 a dívida ainda figura em aberto; Consta do registro de imóveis da comarca de Jacareí, R8937, em 18 de maio de 2006, a transmissão conforme instrumento particular de primeira alteração ao contrato social da sociedade ON/OFF, que o imóvel situado a rua Particular, s/n, foi transmitido a título de conferência de bens para integralização de capital social no valor de R$ 2.953.221,81. Para facilitar o entendimento, representamse as operações supracitadas nos diagramas abaixo: Fl. 4598DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16682.720633/201115 Acórdão n.º 1302001.131 S1C3T2 Fl. 4.597 5 A RFB intimou a empresa fiscalizada a justificar por escrito a causa dos pagamentos acima citados, apresentando documentação que deu lastro a essa operação, sob pena de reconhecimento de pagamento sem causa e do seu valor como líquido, cabendo reajustamento. O Auditor Fiscal narra que a empresa fiscalizada apresentou carta resposta em 27/04/2011, onde alegou sempre ter desejado desenvolver os negócios relativos ao setor de válvulas pela própria pessoa jurídica Cameron, e que tal objetivo foi alcançado em 01/11/2006, através da compra do estabelecimento realizado através do Instrumento Particular de Contrato de Transferência de Estabelecimento. Alegou, ainda, a empresa fiscalizada que em razão das complexas obrigações e prazos impostos pela legislação societária, no que se refere às operações de fusão e incorporação, a Cameron optou por adquirir o estabelecimento de ON/OFF, por ser a alternativa mais simples e rápida de se operar a referida reestruturação das operações. Continuou a recorrente que o bem adquirido em 01/11/2006 corresponde ao estabelecimento industrial, atinente ao acervo líquido da ON/OFF, representado pelo saldo remanescente do Ativos, subtraídos o Passivo, registrados a valores contábeis na data da transferência. Entendeu o Auditor Fiscal que não ficou comprovada a causa dos pagamentos efetuados no decorrer do ano de 2006, e que o valor em comento deveria ser tributado, destacando os seguintes pontos: O imóvel situado a rua Particular, s/n, Rio Comprido, CEP 12305904, bem como o imóvel onde esta localizada a empresa ON/OFF, e o imóvel localizado na Praia de Botafogo, n.º 228, sala 802, Edifício Argentina, CEP 22250906, são integralmente transferidos da empresa Dresser para a ON/OFF, quando da integralização do aumento de capital, conforme Fl. 4599DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 6 instrumento particular de 1ª alteração ao contrato social, datado de 30/11/2005; A sociedade ON/OFF foi adquirida pela Cameron, em 10/01/2006, conforme 2ª alteração ao contrato social (transferência da integralidade das cotas); O valor foi pago em 10/01/2006, através do Banco Real, agência 0403, conta corrente 57064221, por emissão de TEC, no valor de R$ 48.241.975,82; A empresa fiscalizada não comprova através de documentação hábil e idônea (escrituras de compra e venda) a posse e propriedade dos imóveis em seu nome, já que efetuou sua compra; A empresa fiscalizada não comprova quitação da nota promissória no valor de R$ 25.660.453,06, com vencimento para 01 de novembro de 2006, a qual continua em aberto até a presente data – maio/2011; Caso esta operação tivesse ocorrido com uma empresa estranha ao grupo, sua execução já teria ocorrido (vendedor teria executado comprador por falta de pagamento); A consulta efetuada não produziu efeito, uma vez que o fato já estava definido em lei; Pelo entendimento desta fiscalização a Cameron comprou o que já possuía, ou seja, a totalidade das cotas da ON/OFF, assim entendido todo o seu patrimônio. Desta forma o Auditor Fiscal procedeu a tributação dos valores pagos no decorrer do ano de 2006, perfazendo o total de R$ 20.370.000,00, como pagamento sem causa, fundamentandose nos artigos 61, §1º, da Lei 8.981/95 e 674, §1º, do Dec. 3.000/99 (RIR/99), tendo seu valor como líquido, cabendo o reajustamento, conforme art. 61, §3º, da Lei 8.981/95 e art. 725, do Dec. 3.000/99. Em face da constituição do crédito tributário em seu desfavor, a recorrida apresentou impugnação, argumentando o que segue (fl. 2.275 e ss.): (i) Decadência referente às competências de janeiro a 27 de julho de 2006: A recorrida aduziu a decadência do direito da Fazenda Nacional constituir crédito tributário de IRRF referente às remessas de numerário à ON/OFF ocorridas no período de janeiro a 27 de julho de 2006, pois transcorrido mais de 5 anos da ocorrência dos fatos geradores, conforme art. 150,§4º, do CTN, ocorrendo sua homologação tácita; (ii) Violação da ampla defesa e do devido processo legal: Alegou a recorrida que parte dos gastos com expatriados questionados no Auto de Infração não correspondem a qualquer despesa registrada nas contas contábeis no período de apuração. Fl. 4600DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16682.720633/201115 Acórdão n.º 1302001.131 S1C3T2 Fl. 4.598 7 Ponderou que o processo administrativo fiscal deve pautarse nos princípios constitucionais da ampla defesa e do devido processo legal, devendo os fatos que conduziram ao lançamento tributário estarem claramente explicados e fundamentados; Pugnou pela nulidade de todo o procedimento fiscal em razão da não observância dos princípios supracitados, o que findou na incompreensão da base documental que sustenta o Auto de Infração, impossibilitando sua defesa de forma plena. (iii) Gastos com expatriados: Alega a recorrente que o Auditor Fiscal equivocouse ao afirmar que a totalidade dos valores indicados no Auto de Infração caracterizavase como benefícios indiretos, uma vez que partes daqueles valores foram incluídos na base de remuneração dos beneficiários e sujeitaramse à retenção na fonte do IRRF pela tabela progressiva; Argumenta que a RFB incluiu na base de cálculo do IRRF valores que não correspondem a qualquer pagamento realizado pela recorrente, o que se comprova pela análise dos razões apresentados; Alega que os valores incluídos na DIRF, e que sofreram retenção do IRRF pela tabela progressiva não estão registrado em uma conta de pro labore somente pelo fato que o pagamento das remunerações dos expatriados foi segregado para fins contábeis em contas que identificam a natureza de cada gasto, o que não foi observado pelo Auditor; Requereu a produção de prova pericial para demonstrar os equívocos cometidos pela RFB. (iv) Da aquisição da empresa ON/OFF Informa que as remessas de numerário que ocorreram em 2006 e que o Auditor Fiscal tenta caracterizar como pagamento sem causa foram objeto de outro auto de infração lavrado sob o mesmo MPF n.º 0719000/02069/10 para a cobrança de IOF, quando as referidas remessas foram apontadas como mútuo e o Auditor Fiscal defendeu a incidência de IOF sobre as mesmas; Obtempera que, ante ao acima alegado, não se pode sustentar a falta de justificativa para tais pagamentos para impor tributação do IRRF, inexistindo pagamento sem causa, por trataremse de remessa de mútuo, o que foi caracterizado pela própria RFB. Adverte que a conversão do empréstimo em adiantamento de preço para aquisição de estabelecimento comercial também afasta a caracterização da remessa de numerário como pagamento seu causa; Menciona que a transferência de estabelecimento comercial teve o devido reflexo nos seus balanços, e que a causa dos pagamentos, inicialmente como numerário a título de mútuo, convertida posteriormente em adiantamento Fl. 4601DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 8 para aquisição do estabelecimento comercial, está devidamente comprovada, seja contabilmente, seja pelo Instrumento Particular de Transferência firmado em 01/11/2006, sendo absolutamente descabido o entendimento firmado pelo Auditor Fiscal; Alega que, quando da transferência do estabelecimento da ON/OFF para a recorrente, esta possuía valores a receber de ON/OFF, no montante de R$ 20.370.000,00, em decorrência dos empréstimos realizados, devidamente excluídos do passivo de ON/OFF para fins de valorização do acervo líquido. Assim, o valor devido pela recorrente à ON/OFF pela aquisição do estabelecimento foi parcialmente pago através da liquidação destes empréstimos e sua consequente conversão em adiantamento de preço de compra; Assim, aduz que o saldo remanescente devido à ON/OFF pela compra do estabelecimento decorrente da diferença entre o valor de avaliação do estabelecimento e a liquidação dos empréstimos foi pago através da emissão de uma Nota Promissória, e que não há ilegalidade no fato da mesmo não ter sido quitada até a presente data, pelo que encontrase a dívida corretamente contabilizada no passivo da Recorrente; Argumenta que restou comprovado pelos documentos acostados à ação fiscal que a causa dos pagamentos efetuados pela Recorrente à ON/OFF referemse, inicialmente, a operações de mútuo destinados ao capital de giro da ON/OFF, os quais, posteriormente, foram liquidados por via de compensação, quando da sua conversão em adiantamento de preço para a compra do estabelecimento da ON/OFF pela recorrente; Pugna pela declaração de ilegalidade da cobrança do IRRF à alíquota de 35% sobre os valores pagos, com a consequente improcedência do auto de infração. A Quarta Turma de Julgamento da DRJ/RJI declarou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão nº 1247.815 (fls. 2.570/2.606) e, portanto, mantendo na íntegra o Auto de Infração de lançamento de IRRF, excepcionando aos valores recolhidos no decorrer do Processo Administrativo Fiscal, constante do Processo n.º 16682.720303/201101 (fls. 2.568), pois já aceitos pela interessada, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2006, 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto n.º 70.235/1972 e a observância do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. DILIGENCIA. PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. PRESCINDIBILIDADE. O instituto da diligência/perícia tem por fundamento a elucidação de pontos duvidosos oriundos das provas contidas nos autos. O sujeito passivo ao requerer a realização de diligência/perícia, objetivando, unicamente, a verificação de Fl. 4602DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16682.720633/201115 Acórdão n.º 1302001.131 S1C3T2 Fl. 4.599 9 documentos que poderiam ter sido juntados, terá por indeferido o respectivo pleito. DELIMITAÇÃO DA LIDE. Os valores aceitos pela interessada e objeto de recolhimento devem ficar fora dos limites do contraditório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA Nos termos do art. 173, I, do CTN, os fatos geradores ocorridos até julho de 2006 (inclusive), sem que tenha sido observado o respectivo pagamento, só decairiam a partir de 01/01/2012.. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007 GASTOS COM EXPATRIADOS. REMESSAS DE NUMERÁRIOS A TERCEIROS SEM CAUSA. Sujeitase à incidência do imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como na hipótese de que trata o §2º , do art. 74, da Lei 8.383/1991. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra a decisão da DRJ, a RECORRENTE apresentou recurso voluntário no qual praticamente reafirma as argumentações da impugnação, acrescentando apenas o seguinte: (i) “(...) Ao julgar procedente o auto de infração, a DRF/RJ I laborou em flagrante equívoco, pois confundiu a aquisição das cotas da ON/OFF, ocorrida em Janeiro/2006, com a aquisição do estabelecimento comercial, ocorrida em novembro/2006, operações distintas e realizadas nos exatos termos da legislação comercial, com a finalidade de tributar pelo IRRF o preço efetivamente pago pela Recorrente mediante conversão dos mútuos para a aquisição do estabelecimento” (fls. 2.619). (ii) “(...) conforme restará demonstrado no presente Recurso Voluntário, o Acórdão ora recorrido merece ser reformado, tendo em vista que a autoridade julgadora (fls. 2.621 e ss.) (...) Em manifesta violação ao princípio do devido processo legal, garantido aos contribuintes por meio do art. 5º, LV, da Constituição Federal, a Autoridade Julgadora simplesmente NÃO analisou os documento trazidos pela Recorrente, que Fl. 4603DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 10 comprovam a retenção na fonte à alíquota de 27,5% sobre valores pagos a título de prolabore aos expatriados Douglas Scott Vickery e Teddy William Broadhead, e, consequentemente, comprovam serem indevidas as cobranças de IRRF à alíquota de 35% sobre os mesmos valores, mas ainda assim mantém as referidas cobranças. (iii) “(...) Caso tivesse se dado ao mínimo trabalho de analisar os razões juntados ao Processo Administrativo n.º 16682.720634/201151 ou, em se julgando incompetente tecnicamente para fazêlo, deferindo a perícia requerida, a Autoridade Julgadora teria concluído o óbvio, que a conta 0101020210, mencionada pela Autoridade Fiscalizadora para fins de suportar a cobrança do IRRF sobre “pagamento sem causa” é exatamente a mesma conta contábil 40002001, de nomenclatura “Intradivisão – Duplicadas a Curto Prazo a Receber”, utilizada, como afirma a própria Autoridade Julgadora, para fins de tributação dos empréstimos realizados á ON/OFF pelo IOF.(...) Isto porque, se realmente tivesse analisado os razões das contas contábeis (Doc. 16), juntados tanto ao presente processo administrativo, quanto ao processo administrativo n.º 16682.720634/201151, teria concluída que a conta de numeração 0101020210 não é utilizada pela contabilidade estatutária da Recorrente. Conforme se depreende da análise do balancete analítico relativo a todos os meses do anocalendário 2006 (Doc. 13), a conta de numeração 0101020210 simplesmente não existe. A contacontábil que efetivamente registrou os empréstimos concedidos a ON/OFF no período de janeiro a outubro de 2006 foi a conta 40002001. (...)Afirma a Autoridade Julgadora que as operações realizadas pela Recorrente não podem ser consideradas empréstimos, e sim pagamentos sem causa, sob o argumento de que, para que pudessem ser considerados empréstimos, a quitação deveria ter sido comprovada. (...) Uma simples análise dos documentos juntados tanto à Impugnação, quanto ao presente Recurso Voluntário, são capazes de demonstrar que o empréstimo foi efetivamente quitado, uma vez que utilizado como adiantamento para aquisição do estabelecimento comercial da ON/OFF, a fim de que todos os bens, direitos e obrigações daquela pessoa jurídica passassem a integrar o conjunto de Ativos e Passivos da Recorrente.(...) Afirma a Autoridade Julgadora que “a aquisição do estabelecimento já havia sido concretizada em janeiro de 2006”. Entretanto, não compreendeu que ESTABELECIMENTO COMERCIAL e PESSOA JURÍDICA não se confundem! (...) Destarte, resta comprovada a causa das transferências efetuadas pela Recorrente à ON/OFF, pelo que ilegal a cobrança do IRRF, à alíquota de 35% sobre os valores transferidos, devendo ser reformado o Acórdão ora recorrido, a fim de ser declarado improcedente o Auto de Infração objeto do Processo Administrativo Fiscal em epígrafe.” Fl. 4604DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16682.720633/201115 Acórdão n.º 1302001.131 S1C3T2 Fl. 4.600 11 É o relatório. Fl. 4605DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 12 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. GASTOS COM EXPATRIADOS Analisando toda documentação apresentada e as razões da Recorrente, fazse necessário destacar que, no Termo de Verificação Fiscal, o Auditor Fiscal fundamenta o lançamento dos valores despendidos com os expatriados unicamente por caracterizálos como pago a beneficiário não identificado, nos seguintes termos (fls. 2.217 e 2.220): “(...) consideramos o pagamento como líquido, procedemos ao seu reajustamento, conforme art. 725 do Decreto 3.000/99 e procedemos a sua tributação através de auto de infração, caracterizados como remuneração indireta paga a beneficiário não identificado (...) Sendo assim, consideramos para fins de cálculo do índice do reajustamento, os pagamentos como sendo a beneficiário não identificado, com alíquota de 35%, e não os da tabela progressiva. (...) conforme preceitua o art. 675 do Decreto 3.000/99, combinado com o art. 725 do mesmo Decreto.” Ao apreciar os fundamentos da decisão da DRJ, inobstante esta entender correto o lançamento tributário, verificase a impugnação específica e individualizada de todos os lançamentos contestados pela Recorrente (fls. 2.592/2.602), apresentando, como restou evidente através dos documentos que instruíram todo o procedimento fiscal, o beneficiário de cada lançamento, em contrariedade aos fundamentos do Auditor Fiscal, que caracterizou os valores tributados como “remuneração indireta paga a beneficiário não identificado”, assim fundamentando o lançamento do crédito tributário. No recurso voluntário, a Recorrente repisa a análise da DRJ, detalhando melhor os lançamentos (fls. 2652/2.660), combatendo uma a uma das fundamentações lançadas, restando inconteste que não houve dispêndios com beneficiário não identificado, como segue exemplificado: Fl. 4606DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16682.720633/201115 Acórdão n.º 1302001.131 S1C3T2 Fl. 4.601 13 Inobstante isto, o próprio AFRFB reconhece no Termo de Verificação Fiscal que os valores em comento foram gastos com os diretores da Recorrente, caracterizandoos como salário indireto, o que comprova que os beneficiários dos gastos eram plenamente reconhecidos, o que se verifica do trecho abaixo colacionado (fls. 2.216): Assim, incabível o lançamento do crédito tributário, pois este se fundamenta exclusivamente na equivocada classificação do Auditor Fiscal como pagamentos realizados a beneficiário não identificado, o que não se sustenta, pois ele próprio identificou os beneficiários de cada pagamento realizado pela Recorrente (os Diretores) e que são objeto do lançamento tributário em combate. Mais ainda, deve a presente atuação ser anulada, pela equivocada fundamentação apresentada pelo AFRFB, ou seja, não cita o artigo 358 do RIR que se refere a pagamento de salários indiretos (diferente de pagamento a beneficiário não identificado), senão vejamos: Art. 358. Integrarão a remuneração dos beneficiários (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74): I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagas diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: Fl. 4607DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 14 a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no inciso I. § 1º A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes, observado o disposto no art. 622 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 1º). § 2º A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, observado o disposto no art. 675 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 3º Os dispêndios de que trata este artigo terão o seguinte tratamento tributário na pessoa jurídica: I quando pagos a beneficiários identificados e individualizados, poderão ser dedutíveis na apuração do lucro real; 2. DO PAGAMENTO SEM CAUSA – AQUISIÇÃO DA EMPRESA ON/OFF O Auditor Fiscal observou que o razão da conta 01.01.02.02.10 – Intradivisão – Empréstimo a Receber encerrou o balanço de 31/12/2006 com saldo credor de R$ 49.057.566,20, o qual foi zerado em 01/01/2007 devido um ajuste contra a conta 02.01.03.01 – Intradivisao – Contas a Pagar. Em síntese, o Auditor Fiscal concluiu que o ajuste adveio de operações negociais realizadas pela Recorrente, entendendo a realização de pagamento sem causa, como segue: “ Em 10/01/2006, a sócia Dresser transfere à Cooper Cameron do Brasil Ltda. as cotas do capital social da empresa ON/OFF Manufatura e Comercio de Válvula LTDA, pelo valor de R$ 53.102.729,00, conforme a 2ª alteração do contrato social; Através dos extratos do Banco Real, agência 0403, conta corrente 57064221, da empresa Cooper Cameron do Brasil LTDA, verificouse que no dia 10/01/2006 uma operação de câmbio com depósito, no valor de R$ 48.241.975,82; Consta no decorrer do ano de 2006 empréstimos à empresa ON/OFF no valor total de R$ 20.370.000,00, todos com saídas do Banco Real, agência 0403, conta corrente 57064221; Em 01/11/2006 é firmado instrumento particular de contrato de transferência de estabelecimento empresarial, onde o valor de R$ 20.370.000,00, anteriormente contabilizado como empréstimos, agora são transformados em adiantamento à Fl. 4608DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16682.720633/201115 Acórdão n.º 1302001.131 S1C3T2 Fl. 4.602 15 dívida de R$ 46.030.453,06, pela transferência do estabelecimento empresarial localizado na Cidade de Jacareí, Estado de São Paulo, à rua Particular, s/n, CEP 12305904; O restante da dívida será paga através de uma promissória no valor de R$ 25.660.453,06; (...) Diante aos fatos apresentados, entende esta fiscalização que a causa dos pagamentos efetuados não ficou devidamente comprovada, e cita alguns pontos que levaram ao entendimento que deva ser efetuado a tributação ora discutida, senão vejamos: (...) A sociedade ON/OFF foi adquirida pela Cameron, em 10/01/2006, conforme 2ª alteração ao contrato social (transferência da integralidade das cotas); O valor foi pago em 10/01/2006, através do Banco Real, agência 0403, conta corrente 57064221, por emissão de TEC, no valor de R$ 48.241.975,82; A empresa fiscalizada não comprova através de documentação hábil e idônea (escrituras de compra e venda) a posse e propriedade dos imóveis em seu nome, já que efetuou sua compra; A empresa fiscalizada não comprova quitação da nota promissória no valor de R$ 25.660.453,06, com vencimento para 01 de novembro de 2006, a qual continua em aberto até a presente data – maio/2011; Caso esta operação tivesse ocorrido com uma empresa estranha ao grupo, sua execução já teria ocorrido (vendedor teria executado comprador por falta de pagamento); A consulta efetuada não produziu efeito, uma vez que o fato já estava definido em lei; Pelo entendimento desta fiscalização a Cameron comprou o que já possuía, ou seja, a totalidade das cotas da ON/OFF, assim entendido todo o seu patrimônio. Desta forma procedemos a tributação dos valores pagos, perfazendo o total de R$ 20.370.000,00, como pagamento sem causa, conforme preceitua o artigo 61, parágrafo primeiro da Lei 8.951, de 1995, e art. 674, parágrafo primeiro do Decreto 3.000/99 (RIR/99), e o seu valor tido como líquido, cabendo o reajustamento de acordo com o art. 61, parágrafo 3º, da Lei 8.981/85, e art. 725 do Decreto 3.000/99 (RIR/99) ” Já em sede de análise pela DRJ, definiuse que o cerne do lançamento está na definição da natureza jurídica das operações financeiras que o Auditor qualificou como pagamento sem causa, entendendo pela necessidade de comprovação da quitação dos supostos empréstimos, pois a saída de numerário ficou comprovada, concluindo da seguinte maneira: “Nos supostos empréstimos à firma ON/OFF, novamente comprovase a saída de numerário, mas não a competente Fl. 4609DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 16 quitação, estando, ainda, em aberto a Nota Promissória ao valor supostamente restante da aquisição do estabelecimento, cujo vencimento foi 01/11/2006 e que até maio de 2011 ainda estava em aberto. Como já salientado aqui, para que um empréstimo seja reputado real, impõese dentre outras exigências, a comprovação hábil e idônea da efetiva entrega do numerário. Pois bem, pelo fatos aqui trazidos identificase a clara e efetiva saída do numerário, mas não seu retorno à empresa. Assim, não vejo como tomar como efetiva a quitação de empréstimos destacadas na espécie, convertidos posteriormente como adiantamento para a aquisição deste estabelecimento comercial, sendo que a aquisição deste estabelecimento já havia sido concretizada desde janeiro de 2006 com a alteração contratual competente, bem como através da Transferência Eletrônica TED, no valor de R$ 48.241.975,82, através do Banco Real. Verificase da documentação acostada aos autos que, em 10/01/2006, com o registro na JUCERJA em fevereiro de 2006 (fls. 2.059/2.069), a empresa interessada adquiriu a empresa ON/OFF da sua única sócia, a empresa DRESSER INDÚSTRIA E COMÉRCIO, conforme abaixo se segue: (...) Pelas fls. 2.061 desses autos, verificase que a interessada, em 10/01/2006, integraliza todas as quotas que anteriormente pertenciam à DRESSER, mudando, para tanto, a cláusula quarta do contrato social da ON/OFF. Além disso, também para a mesma data, no extrato bancário de fls. 2.074, o fisco verifica a transferência eletrônica através de um TED no valor de R$ 48.241.975,82, citado no Termo de Verificação Fiscal, e que não foi objeto de justificativa pela interessada em sua peça defensiva. Argumenta que em 10/01/2006 a empresa ON/OFF foi adquirida por ela, interessada e pela Cameron Holding (Cayman) Limited, sendo certo que pelos documentos acostados às fls. 2.059, que apenas a interessada adquiriu naquela data (10/01/2006) a referida empresa. Já às fls. 2.070, observase que em 01 de novembro de 2006 foi transacionado pelas partes (ON/OFF e COOPER CAMERON DO BRASIL LTDA) o Instrumento Particular de Compra de Transferência de Estabelecimento, onde ocorre, mais uma vez, a compra do estabelecimento empresarial pela mesma empresa que já o havia adquirido em janeiro de 2006, alterando as remessas de numerário realizadas pela interessada à ON/OFF que, inicialmente foram descritas como empréstimos, para adiantamento na aquisição de estabelecimento comercial, o qual já havia sido adquirido conforme a 2ª alteração contratual de ON/OFF MANUFATURA E COMÉRCIO DE VÁLVULAS. Afirma que nesse período (entre 10/01/2006 e 01/11/2006) era controladora da empresa, não havendo ainda àquela época sua completa aquisição, ou seja, em janeira a empresa ON/OFF ainda não fazia parte do patrimônio da interessada. Fl. 4610DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16682.720633/201115 Acórdão n.º 1302001.131 S1C3T2 Fl. 4.603 17 Entretanto, vislumbrase que desde janeiro de 2006 a interessada adquiriu 100% das quotas da empresa ON/OFF, sendo a sua única sócia. O problema não reside na compra do estabelecimento e sim causa estranheza o mesmo estabelecimento ter sido adquirido em duas oportunidades pela mesma empresa. Ora, se primeiro, ainda em 10/01/2006 a interessada realiza uma transferência bancária para a empresa ON/OFF no valor de R$ 48.241.975,82 e, ainda, ao longo do ano, realiza transferências sobre as quais estão sendo exigidas pelo Fisco os recolhimentos de IRRF, a título de pagamento sem causa, bem como assina uma nota promissória, em 01/11/2006, comprometendose a pagar o valor ali estipulado (fls. 2.099), e até a conclusão da fiscalização, ou melhor, até a data deste voto, não há qualquer menção da interessada, nem mesmo com apresentação a posteriori de petição, requerendo a juntada do respectivo pagamento, o qual ela própria afirma que seria o complemento da aquisição deste patrimônio já adquirido, não há como se ter confiabilidade nas alegações por ela trazidas de que os pagamentos foram realizados como empréstimos e transmudaramse para adiantamento na aquisição deste estabelecimento que seria complementado como pagamento da Nota Promissória no valor de R$ 25.660.453,06 (fls. 2.099). Portanto, entendo que não houve por parte da interessada a comprovação da operação, bem como da causa das respectivas transferências de numerário, razão pela qual tornase cabível a incidência do IRRF, conforme o disposto no artigo 61, §1º da Lei n.º 8.981/1995 (artigo 674,§1º do RIR/1999).” Verificase do trecho supracitado que a DRJ, muito embora sistematiza os fatos com coerência à realidade, os interpreta de maneira equivocada, entendendo que a remessa que ocorreu 10/01/2006 foi direcionado á empresa ON/OFF, quando na verdade, a conclusão coerente é que o valor de R$ 48.241.975,82 transferido nesta data teve como destinatária a empresa DRESSER, sendo a quem pertencia as cotas da ON/OFF. Restou indiscutível que em 10/01/2006 a Recorrente adquiriu a totalidade das cotas da ON/OFF (fls. 2.059), ingressando no quadro societário desta, o que não acarretou na sua extinção ou na incorporação dos ativos e passivos da ON/OFF ao patrimônio da Recorrente. Desta forma, entre 10/01/2006 e 01/11/2006, sendo necessário o aporte de capital de giro para que a ON/OFF fizesse frente às suas responsabilidades e obrigações, a Recorrente realizou remessas de capital, a título de mútuo, negócio jurídico perfeitamente possível entre as duas pessoas jurídicas e que, por sua natureza, já descaracteriza a configuração de pagamento seu causa. Entretanto, cabe esclarecer que a natureza do Instrumento Particular de Compra e Transferência de Estabelecimento, realizado entre a Recorrente e a ON/OFF em 01/11/2006 (fls. 2.070), não pode ser confundida com o da aquisição das cotas da ON/OFF (fls. 2.059), como aconteceu na ótica da DRJ: “(...) causa estranheza o mesmo estabelecimento ter sido adquirido em duas oportunidades pela mesma empresa.” Fl. 4611DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 18 Através do Instrumento Particular de Compra e Transferência de Estabelecimento, houve a aquisição pela Recorrente do ativo imobilizado da ON/OFF, resultando na transferência de todo o estabelecimento comercial desta para a Recorrente, diferentemente do ocorrido em 10/01/2006, quando não houve a incorporação dos ativos e passivos da ON/OFF ao patrimônio da Recorrente e sim apenas a aquisição das suas quotas. Como forma de pagamento pela transferência do estabelecimento da ON/OFF ficou consignado que se compensaria os valores repassados a título de mútuo pela Recorrente, comprovando, assim, a quitação dos empréstimos, e a diferença de R$ 25.660.453,06 restou caucionada pela emissão da Nota Promissória (fls. 2.099), da qual a discussão sobre sua quitação é irrelevante. Neste sentido, concluise que a natureza jurídica das remessas realizadas pela Recorrente a empresa ON/OFF, no valor de R$ 20.370.000,00, entre o período de 10/01/2006 e 01/11/2006, caracterizase como operações de empréstimos, posteriormente convertidas em adiantamento, inexistindo impedimentos para a conversão. Reapresentase, para melhor entendimento, o diagrama que representa as operações objeto de discussão no Auto de Infração: 3. PRELIMINARES DE NULIDADE E DECADÊNCIA A análise das preliminares restaram prejudicadas em face do julgamento procedente do Recurso Voluntário. 4. CONCLUSÃO Fl. 4612DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16682.720633/201115 Acórdão n.º 1302001.131 S1C3T2 Fl. 4.604 19 Ante ao exposto, julgo procedente o recurso de voluntário, para exonerar o crédito tributário constituído em desfavor da Recorrente, em virtude de que ambas as situações jurídicas fáticas não podem ser consideradas pagamento não identificado ou sem causa nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo – Relator Fl. 4613DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/07/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001247/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE.
Não sendo demonstradas a omissão e obscuridade nos fundamentos do acórdão recorrido os embargos não podem ser conhecidos.
Numero da decisão: 1302-001.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos interpostos por não terem sido demonstradas a contradição e a obscuridade alegadas, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente Momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. Não sendo demonstradas a omissão e obscuridade nos fundamentos do acórdão recorrido os embargos não podem ser conhecidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos interpostos por não terem sido demonstradas a contradição e a obscuridade alegadas, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente Momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 12 47 /2 00 7- 28 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 10820.001247/200728 Acórdão n.º 1302001.101 S1C3T2 Fl. 338 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 180400.078, proferido por esta 4a. Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, em 26/05/2009 (fls. 322/324), com a seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PAF NULIDADE Não é nula a decisão que aborda a matéria dos autos; o contribuinte entendeu o lançamento e a decisão e exerceu amplo direito de defesa. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS COMPROVAÇÃO – As despesas financeiras devem ser consideradas dedutíveis na medida em que comprovadas. O colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, para cancelar a glosa de despesa financeira no valor de R$ 87.215,00. Cientificada em 06/07/2010, a Procuradoria da Fazenda Nacional, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs embargos de declaração em 07/07/2010, sustentando em síntese que: A) o colegiado cancelou a glosa de despesa financeira com base em dois fundamentos: a) inexistência de intimação do contribuinte, prévia à lavratura do auto de infração, para comprovar a necessidade e efetividade das despesas; b) juntada, pelo contribuinte, de documentação idônea, apta a in firmar o lançamento; B) que a decisão embargada revelouse contraditória com a prova dos autos, além de obscura; C) que, diferentemente do que consta na decisão, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar os esclarecimentos que julgasse necessários, bem como documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, que comprovasse as despesas ocorridas; D) que, no entanto, o contribuinte limitouse a prestar alguns esclarecimentos, desacompanhados de qualquer documentação; E) que a decisão embargada revelase contraditória com a prova dos autos no que tange à afirmação da relatora do acórdão de que não houve intimação do contribuinte, prévia à lavratura do auto de infração, para apresentação de esclarecimentos; Fl. 338DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 10820.001247/200728 Acórdão n.º 1302001.101 S1C3T2 Fl. 339 3 F) que a decisão também mostrase obscura, na medida em que não explicita quais documentos considera aptos a provar a ocorrência de despesas; G) que os documentos citados como elementos de comprovação no acórdão se restringem à cópias de livros contábeis da empresa, sem outros elementos de comprovação; H) que, considerando ainda que o contribuinte não juntou novos documentos quer na fase de impugnação, quer por ocasião do recurso voluntário, fazse mister seja esclarecido o posicionamento adotado por essa Câmara no tocante à valoração das provas; I) que é necessário que seja esclarecido se a escrituração contábil da empresa, desacompanhada de qualquer documento que respalde os registros constantes nos livros fiscais, é suficiente para comprovar a ocorrência das despesas glosadas; e J) que, portanto, a decisão embargada apresenta dois vícios: a) contradição com a prova dos autos, dado que, ao contrário do que consta no voto condutor do acórdão, antes da lavratura do auto de infração o contribuinte foi intimado a apresentar esclarecimentos, bem como documentação capaz de comprovar a ocorrência das despesas, conforme termo de intimação fiscal de fls. 22 e 23; b) obscuridade, dado que não explicitou quais documentos considera capaz de comprovar a ocorrência das despesas, restando obscuro se a mera a escrituração contábil da empresa — desacompanhada de qualquer documento que respalde os registros constantes nos livros fiscais — é suficiente para comprovar a ocorrência das despesas glosadas. Ao final, a embargante requer “que os presentes embargos de declaração sejam recebidos, conhecidos e providos para sanar os vícios apontados”. É o relatório. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 10820.001247/200728 Acórdão n.º 1302001.101 S1C3T2 Fl. 340 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos, impondose verificar se preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do RICARF, com vistas ao seu conhecimento. Alega a Fazenda Nacional, ora embargante que a decisão recorrida ao dar provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo contém dois vícios: a) contradição com a prova dos autos, e, b) obscuridade, dado que não explicitou quais documentos considera capaz de comprovar a ocorrência das despesas. No tocante ao primeiro ponto, cumpre observar que a contradição exigida para o conhecimento dos embargos é intrínseca à própria decisão. Assim, “a contradição pode estar nos fundamentos, no decisório, pode existir entre os fundamentos e o decisório, ou ainda, localizandose entre a ementa e o corpo do acórdão”. 1 Assim, não se conhecem de embargos cuja contradição apontada reside entre elementos dos autos e à decisão embargada. No tocante à alegação de obscuridade, examinando a fundamentação da decisão embargada, verificase que ela aponta claramente quais os elementos que teriam sido apresentados pela recorrente para a comprovação da efetividade da despesa, indicando a documentação contábil que a comprovaria. O que a embargante questiona, portanto, é a valoração das provas feita pela relatora do acórdão e acolhida pelo colegiado, não havendo qualquer obscuridade na decisão recorrida quanto aos seus fundamentos. Como cediço, “o objetivo dos embargos é a revelação do verdadeiro sentido da decisão. Não se presta, portanto, esse recurso, a corrigir uma decisão errada” 2. Assim, inexistindo a obscuridade apontada, o recurso não pode ser conhecido também sob este aspecto, uma vez que os embargos não se prestam ao reexame das provas dos autos. 1 WAMBIER, Luiz Rodrigues e TALAMINI, Eduardo. CURSO AVANÇADO DE PROCESSO CIVIL .Volume I : Teoria Geral do Processo e Processo de Conhecimento. 12 ed. Editora Revista dos Tribunais, 2011. p. 714. 2 Op. cit., p. 714. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 10820.001247/200728 Acórdão n.º 1302001.101 S1C3T2 Fl. 341 5 Ante ao exposto, voto no sentido de não conhecer dos embargos interpostos por não terem sido caracterizadas a contradição e a obscuridade alegadas. Sala das Sessões, em 09 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 341DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E
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Numero do processo: 13749.000004/2008-51
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Constatado que a decisão recorrida ampliou a imputação fiscal ao exigir do contribuinte comprovação maior do que aquela exigida pela notificação de lançamento, fica caracterizado o cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, capaz de provocar a nulidade da decisão proferida em primeiro grau administrativo.
Numero da decisão: 2802-002.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos declarar a nulidade do acórdão proferido em primeira instância, determinando o retorno dos autos à DRJ em Campo Grande (MS) para que seja realizado novo julgamento.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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Constatado que a decisão recorrida ampliou a imputação fiscal ao exigir do contribuinte comprovação maior do que aquela exigida pela notificação de lançamento, fica caracterizado o cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, capaz de provocar a nulidade da decisão proferida em primeiro grau administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos declarar a nulidade do acórdão proferido em primeira instância, determinando o retorno dos autos à DRJ em Campo Grande (MS) para que seja realizado novo julgamento. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 00 00 04 /2 00 8- 51 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de notificação de lançamento, fls. 30 a 33, formalizada para exigência do Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao exercício financeiro de 2005, ano calendário de 2004, em virtude da constatação da dedução indevida das despesas médicas, no valor de R$ 49.300,00. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: “Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 10.800,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento legal: Art. 8º, inciso II, alínea "a", e §§ 2° e 3º, da Lei nº 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n.a 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n.º 3.000/99 RIR/99. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Apresentou recibo sem o numero do conselho (crefito). 10.000,00 e 800,00.” Foi apresentada impugnação, fls. 01 a 06, da qual se extrais os seguintes pontos de defesa, em resumo: • as profissionais, cujos recibos por elas emitidos foram glosados, possuíam, à época, registro junto aos órgão regulador da categoria; • ocorreram dois equívocos. Um deles em razão de não constar o carimbo funcional e o outro por haver deixado de apresentar cópia do verso do recibo; • para suprir as faltas, solicitou declaração da profissional que não havia carimbado o recibo, com a finalidade de complementar as informações, e apresenta cópia frente e verso onde consta carimbo funcional de outra profissional que havia carimbado no verso do recibo; • requer seja efetuada diligência junto ao CREFITO, com a finalidade de comprovar o fato de que ambas as profissionais estão inscritas e habilitadas a exercer a profissão de fisioterapeutas quando da emissão dos recibos; • utilizouse de deduções conforme determina o RIR; • antes de lavrar as notificações, a autoridade fiscal poderia solicitar maiores esclarecimentos, requerendo elementos adicionais e realizando diligências; • cita jurisprudência com a finalidade de demonstrar a necessidade de solicitar elementos adicionais pela autoridade fiscal, sob pena de ilegitimidade da glosa de deduções; • em momento algum teve a intenção de iludir a autoridade fiscal. Simples equívocos não podem resultar em pena capital ao contribuinte; • requer o cancelamento do crédito tributário. Examinando o assunto, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), fls. 43 a 52, entendeu que: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13749.000004/200851 Acórdão n.º 2802002.304 S2TE02 Fl. 70 3 “[...] PRODUÇÃO DE DILIGÊNCIA [...] Destarte, não cabe à autoridade julgadora deferir a produção de provas. Devem estas ser apresentadas com a impugnação, no prazo de 30 dias de ciência da exigência fiscal, a menos que ocorra uma das hipóteses "a" a "c" acima transcritas. Neste caso, deveria ser a apresentado requerimento que demonstrasse a ocorrência das situações ali mencionadas, cabendo à autoridade julgadora, se configuradas as hipóteses, aceitar a prova trazida aos autos e considerálas no julgamento. Em caso contrário, como ocorre nos presentes autos, em que não houve requerimento fundamentado; juntada de documentos e outras provas intentadas, deve o julgamento ser procedido no estado em que se encontra o processo. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS [...] Com isso fica claro que as decisões administrativas e judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Tratase de glosa de despesas médicas por falta de comprovação, no valor total de R$ 10.800,00, relacionados no quadro a seguir: [...] A questão da prova das despesas médicas deve ser analisada, nos termos da primeira parte do art. 29 o Decreto n° 70.235/1972, à luz dos seguintes elementos, critérios e princípios, colhidos na legislação do imposto de renda pessoa física, na doutrina e na jurisprudência administrativas: [...] 3) Requisitos da Prova: Em síntese, da análise do § 2º do art. 8º da lei 9.250/95, extraise que, para que o documento de despesas médicas seja considerado eficaz como prova da dedução, deve necessariamente conter as seguintes características: a) servir como quitação da obrigação por meio de pagamento realizado pelo contribuinte (inc. I e III), o que, por evidente, enseja a especificação do valor pago e do pagante; b) identificar o contribuinte e/ou seus dependentes como beneficiários do tratamento (inc. II); c) identificar a natureza do serviço prestado, e a quantidade, se for o caso, o que não é suprido por expressões genéricas (inc. III); d) identificar o nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Fl. 67DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Físicas CPF ou no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ do prestador do serviço (inc. III). 4) Ônus da Prova: regra geral, ao fisco cabe provar as alegações sobre omissão de rendimentos e, ao contribuinte, a prova dos fatos que reduzem o crédito tributário (art. 333 do CPC), competindolhe, portanto, desincumbirse do ônus da prova das despesas médicas deduzidas, quando exigida pelo Fisco, por força da determinação contida no Decreto Lei 5.844/43, reproduzida no art. 73 do RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999: Ari. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, ajuízo da autoridade lançadora (DecretoLei 11" 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). É decorrência da regra geral do direito, segundo a qual quem alega alguma coisa deve comprovála, pois não seria lícito que a parte se beneficiasse do alegado com base apenas em meras afirmações. Logo, para desincumbirse do ônus da prova, ao contribuinte compete provar o fato que deu origem à despesa (serviço/produto) e também o pagamento efetuado. Contrario sensit, não se desincumbe do ônus da prova o contribuinte que apenas declara o fato e o pagamento da despesa. É o que se passa a demonstrar a seguir. 5) Natureza do Recibo e da Declaração de Pagamento: Esses documentos contêm uma declaração de fato, o que faz com que tenham aptidão para provar a declaração, mas não o fato declarado, conforme dicção do parág. único do art. 368 do Código de Processo Civil e parág. único do art. 219 do Código Civil/2002; [...] Em síntese, como não há presunção de veracidade, perante o Fisco, do recibo e da declaração de pagamento, a este documento atribuise ordinário valor probatório. Assim, com base nos princípios da persuasão racional e do livre convencimento, e, considerando que, conforme dispositivos do Código Civil retrocitados, o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte interessado na prova da sua veracidade, concluise que, desde que haja motivos relevantes, é legítima a exigência, pelo Fisco, de elementos complementares a este documento, com a finalidade de formar juízo de verossimilhança dos fatos declarados, não se exigindo, para tanto, a infirmação da autenticidade e veracidade do recibo e da declaração de pagamento. Os motivos para tanto serão tratados no item 7 abaixo. [...] 7.1 Despesas médicas de valor expressivo: ensejam, necessariamente, maior comprovação da despesa incorrida, as deduções de despesas médicas que tenham valor expressivo individualmente ou em conjunto. E sabido que, em regra, os Fl. 68DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13749.000004/200851 Acórdão n.º 2802002.304 S2TE02 Fl. 71 5 tratamentos de saúde mais onerosos são mais complexos, sendo, por isso, precedidos por exames laboratoriais, radiológicos e outros. Além disso, é possível afirmar que, em regra, as dívidas de valores elevados são pagas em cheque ou cartão de crédito, por questões de segurança e de comodidade. Considerando esses fatores, que são de conhecimento geral, e, portanto, deduzidos a partir da ordinária experiência, presumese que, nesses casos, em regra, é viável, e possível, a apresentação, pelo contribuinte, de elementos complementares ao recibo de pagamento, tais como os documentos retrocitados (exames laboratoriais, cheques, etc). [...] Com base na legislação, critérios e princípios expostos, conclui se por: I) Considerar ineficazes os dez recibos (fls. 11 a 15) e a declaração (fl. 16), emitidos por Simone Thurler, no valor total de R$ 10.000,00, com base nos fundamentos contidos nos itens 3; 4; 5 e 7.1 do presente voto. Porque não contêm o endereço da emitente, e por se tratar de despesa de valor considerável, necessitaria que o efetivo dispêndio fosse confirmado. II) Considerar ineficaz o recibo (fls. 17), emitido por Alexandra Dias Serafim, no valor total de R$ 800,00, com base nos fundamentos contidos nos itens 3; 4; 5 e 7.1 do presente voto. Porque não contém o endereço da emitente, e por se tratar de despesa de valor considerável, necessitaria que o efetivo dispêndio fosse confirmado. Em suma, deve ser mantida totalmente a glosa de despesas médicas no montante de R$ 10.800,00.” Cientificado em 27/04/2011, fls. 48, o contribuinte ingressou recurso voluntário em 23/05/2011, fls. 49 a 53, apresentado as seguintes alegações a seguir transcritas, na parte essencial ao assunto discutido: apõemse ao acórdão supracitado a preliminar de nulidade, pois o mesmo afronta primeiramente aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa, da legalidade e do devido processo administrativo e também ao que prescreve o inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235/72, ao fundamentar a manutenção do lançamento de ofício do imposto em fato diverso do descrito na Notificação de Lançamento, preterindo o direito de defesa da impugnante; observa que a notificação baseouse no fato do descumprimento de uma formalidade em relação aos recibos apresentados e a decisão dos julgadores se baseou no fato de os recibos não conterem os endereços das emitentes e pelo fato de os mesmos serem de valores consideráveis; a decisão nestes termos além de não analisar os argumentos de defesa da impugnante, não permitiu que a mesma se defendesse adequadamente, pois na notificação que recebeu não foram mencionados os fatos que mantêm a decisão do lançamento a que se impugna; Fl. 69DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 não se pode admitir que um cidadão, contribuinte, seja notificado para se defender de uma acusação e a decisão que sustenta a punição respectiva à acusação sofrida se utilize de novos fatos e de novas acusações as quais o cidadão não foi chamado a se defender; o que se extrai do confronto do fundamento descrito na Notificação de Lançamento e as razões de decidir constantes do acórdão é uma verdadeira afronta aos princípios já colacionados da ampla defesa, do contraditório, do devido processo legal administrativo e também dos pressupostos de racionalidade e razoabilidade a que devem seguir tais procedimentos e decisões tomadas pela Administração Pública; é de se ver que os julgadores basearam sua decisão em fatos, motivos e em pressupostos legais totalmente diversos dos explicitados na Notificação de Lançamento que originou o processo administrativo contencioso. Não merecendo, portanto, permanecer constituído o acórdão. não obstante assistir razão ao órgão responsável pela fiscalização da exação aqui tratada quanto ao descumprimento da exigência de falta do nome dos beneficiários dos serviços, bem como o endereço dos beneficiários, tal vício formal foi sanado logo quando da impugnação ao lançamento de ofício, visto que junto a sua peça de defesa a requerida apresentou os documentos necessários para solucionar o defeito dos documentos quanto às referidas formalidades, descabendo, portanto, a manutenção do respectivo lançamento. Tal conclusão se chega tendo em vista a competência fiscalizadora, não obstante sua extrema importância e eficiência, se reduzir a necessidade de o declarante apresentar, em caso de dúvida levantada pelo órgão competente, os documentos imprescindíveis para provar o que alegam na declaração. Assim, ao apresentar o número do registro junto ao órgão profissional, sanado foi por inteiro o vício reclamado na notificação, não existindo mais, desta feita, os motivos que a levaram a efeito. concluise que a constituição do crédito tributário não deve prosperar, pois, conforme já fundamentado e demonstrado, falta congruência entre os fatos relatados na Notificação de Lançamento que formaliza o crédito tributário e os fundamentos da decisão que mantém o referido lançamento, eivando de vícios todo o procedimento administrativo; além do mais, os motivos que geraram o crédito tributário por meio da Notificação de Lançamento já não mais existem, perdendose o objeto do lançamento de ofício, o que por óbvio extingue o crédito tributário; requer o acolhimento da preliminar, nos termos apresentados, tornando nulo os efeitos da decisão e o acórdão que mantêm indevidamente o crédito tributário; sejam considerados válidos os recibos e as respectivas declarações apresentadas pela impugnante, a fim de seja sanado os vícios formais encontrados nos recibos apresentados no procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual; seja julgada procedente a impugnação, visto que os documentos acima referidos suprem as exigências feitas na Notificação de Lançamento e, consequentemente, seja desconstituído o crédito tributário em favor da União. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13749.000004/200851 Acórdão n.º 2802002.304 S2TE02 Fl. 72 7 O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A recorrente alega que a decisão recorrida baseouse em fatos, motivos e em pressupostos legais totalmente diversos dos explicitados na Notificação de Lançamento que originou o processo administrativo, não permitindo, assim, que se defendesse adequadamente. Alega também que os argumentos de defesa apresentados na impugnação não foram analisados pelos julgadores de primeira instância. Diante disso, entende que a solução dada ao contencioso pelo órgão julgador de primeiro grau administrativo incorreu em cerceamento do seu direito de defesa. Sobre o assunto, assim dispõe o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...].” Conforme relatado, a notificação de lançamento se fundamentou na constatação de que os recibos das despesas médicas apresentados pelo contribuinte “Apresentou recibo sem o numero do conselho (crefito). 10.000,00 e 800,00”. Por sua vez, ao apreciar a impugnação apresentada pelo contribuinte, o colegiado julgador de primeira instância entendeu que, por envolverem valores considerados expressivos, o exame das despesas médicas glosadas ensejariam, necessariamente, maior comprovação da despesa incorrida, entre as quais a apresentação, pelo contribuinte, de elementos complementares ao recibo de pagamento, tais como exames laboratoriais, cheques, etc. Diante disso, considerou ineficazes todos os recibos de despesas médicas acostados aos autos pelo impugnante. Observese que, ao declarar a ineficácia dos recibos apresentados pela contribuinte, o julgamento administrativo ampliou a imputação fiscal. Nesse sentido, em várias oportunidades esta 2ª Turma Especial da Segunda Seção do CARF, decidiu que não cabe ao julgador ocupar o papel da autoridade lançadora no sentido de comprovar a inidoneidade dos recibos, conforme se pode observar do seguinte excerto extraído do voto que conduziu o Acórdão nº 2802001.900, proferido na sessão realizada dia 19/09/2012, relator: Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso: “Não obstante seja louvável a preocupação do julgador de primeira instância, o devido processo legal exige que o processo caminhe sempre para frente e que o contribuinte arque com o ônus de defenderse unicamente da imputação que lhe foi feita no auto de infração, desta forma, não cabe ao julgador ocupar o papel da autoridade lançadora no sentido de comprovar a inidoneidade dos recibos e, ainda que haja imperfeições na lei que permitam eventual deturpação do benefício fiscal, não é lícito ao julgador, na tentativa de corrigir essas imperfeições, ampliar a imputação fiscal e com isso aumentar as exigências comprobatórias ao contribuinte sem base legal.” Fl. 71DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Portanto, constatado que a decisão recorrida ampliou a imputação fiscal ao exigir do contribuinte comprovação maior do que aquela exigida pela notificação de lançamento, fica caracterizado o cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo que, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, é capaz de provocar a nulidade da decisão proferida em primeiro grau administrativo. A recorrente também alega que a decisão de primeiro grau não atacou os argumentos expostos na peça impugnatória. Nesse sentido, observase que, embora o acórdão contestado tenha destacado que os recibos que não preencham os requisitos objetivos do art. 8º § 2º da lei 9.250, de 1995, não têm eficácia probatória para fins de dedução do imposto de renda pessoa física, também se observa que o relator do voto do acórdão recorrido não se manifestou quanto à alegação apresentada pelo impugnante no sentido de que os vícios apontados pelo lançamento de ofício teriam sido sanados. Tal falha revela omissão contida no voto proferido pela autoridade julgadora de primeira instância, a qual deverá ser sanada, sob pena de violação ao princípio do duplo grau de jurisdição que rege o processo administrativo fiscal. Pretende a recorrente que seja desconstituída a exigência formalizada pela notificação do lançamento, sob a alegação de “falta congruência entre os fatos relatados na Notificação de Lançamento que formaliza o crédito tributário e os fundamentos da decisão que mantém o referido lançamento, eivando de vícios todo o procedimento administrativo”. Observese que, por força do § 1º do art. 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, a nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Diante dessa determinação legal, não há como acolher tal pretensão apresentada pela recorrente. Voto por declarar a nulidade do acórdão proferido em primeira instância, determinando o retorno dos autos à DRJ em Campo Grande (MS) para que novo julgamento seja realizado. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 72DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 16004.000469/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002
Ementa:DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. NOTA FISCAL CALÇADA. PRESENÇA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC.
Aplicabilidade do art. 62 A do Regimento Interno do CARF. No caso concreto, há prova nos autos da conduta dolosa do contribuinte, consubstanciada na prática conhecida como laranjas e nota calçada, foi decisiva para que a contagem do prazo decadencial fosse feita a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO DO INTERESSE DE TERCEIRO NOS FATOS QUE GERARAM A EXIGÊNCIA FISCAL. INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS.
As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador e aquelas expressamente designadas em lei são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
Comprovado nos autos que os obrigados efetivamente conduziram os negócios da empresa, acobertados pela interposição de terceiros sem capacidade econômica para garantir as obrigações da pessoa jurídica, deve ser mantida a sujeição passiva solidária daqueles.
ARBITRAMENTO DOS LUCROS
Impõe-se o arbitramento do lucro quando a escrituração contábil e fiscal revelar-se imprestável para a apuração do lucro real e para a identificação da movimentação financeira.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PROVA INDICIÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CABIMENTO.
A prova indiciaria é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. É o caso dos autos onde se desnuda, com todas as luzes, o procedimento fraudulento, consistente na utilização de interposta pessoa jurídica, sem existência fática e sem capacidade operacional, com vistas ao não pagamento dos tributos e contribuições devidos em operações perpetradas pelas pessoas físicas até então ocultas e agora responsabilizadas.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicá-la nos moldes da legislação que a instituiu. Esta Corte Administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF n° 2).
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Verificada e provada conduta fraudulenta tendente ao não pagamento dos tributos e contribuições é cabível a sua exigência com a multa qualificada de 150%.
MULTA AGRAVADA NO ARBITRAMENTO. DESCABIMENTO.
O agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação para apresentação da escrituração ou de esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tem conseqüências específicas previstas na legislação, no caso o arbitramento dos lucros.
AUTO REFLEXO (CSLL/COFINS/PIS)
Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo.
Numero da decisão: 1301-001.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e em DAR provimento parcial aos recursos apresentados por Marcelo Buzolin Mozaquatro, por Patrícia Buzolin Mozaquatro, por CM-4 Participações Ltda, por Alfeu Crozato Mozaquatro, por Industrias Reunidas CMA Ltda, e por João Pereira Fraga, exonerando a parte relativa ao agravamento da multa (reduzindo de 225,5% para o patamar de 150%) e, mantendo quanto aos demais itens os termos da decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. NOTA FISCAL CALÇADA. PRESENÇA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC. Aplicabilidade do art. 62 A do Regimento Interno do CARF. No caso concreto, há prova nos autos da conduta dolosa do contribuinte, consubstanciada na prática conhecida como “laranjas” e “nota calçada”, foi decisiva para que a contagem do prazo decadencial fosse feita a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO DO INTERESSE DE TERCEIRO NOS FATOS QUE GERARAM A EXIGÊNCIA FISCAL. INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 04 69 /2 00 8- 12 Fl. 4410DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 12 2 As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador e aquelas expressamente designadas em lei são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Comprovado nos autos que os obrigados efetivamente conduziram os negócios da empresa, acobertados pela interposição de terceiros sem capacidade econômica para garantir as obrigações da pessoa jurídica, deve ser mantida a sujeição passiva solidária daqueles. ARBITRAMENTO DOS LUCROS Impõese o arbitramento do lucro quando a escrituração contábil e fiscal revelarse imprestável para a apuração do lucro real e para a identificação da movimentação financeira. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PROVA INDICIÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CABIMENTO. A prova indiciaria é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. É o caso dos autos onde se desnuda, com todas as luzes, o procedimento fraudulento, consistente na utilização de interposta pessoa jurídica, sem existência fática e sem capacidade operacional, com vistas ao não pagamento dos tributos e contribuições devidos em operações perpetradas pelas pessoas físicas até então ocultas e agora responsabilizadas. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicála nos moldes da legislação que a instituiu. Esta Corte Administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF n° 2). MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Verificada e provada conduta fraudulenta tendente ao não pagamento dos tributos e contribuições é cabível a sua exigência com a multa qualificada de 150%. MULTA AGRAVADA NO ARBITRAMENTO. DESCABIMENTO. O agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação para apresentação da escrituração ou de esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tem conseqüências específicas previstas na legislação, no caso o arbitramento dos lucros. AUTO REFLEXO (CSLL/COFINS/PIS) Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. Fl. 4411DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 13 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e em DAR provimento parcial aos recursos apresentados por Marcelo Buzolin Mozaquatro, por Patrícia Buzolin Mozaquatro, por CM4 Participações Ltda, por Alfeu Crozato Mozaquatro, por Industrias Reunidas CMA Ltda, e por João Pereira Fraga, exonerando a parte relativa ao agravamento da multa (reduzindo de 225,5% para o patamar de 150%) e, mantendo quanto aos demais itens os termos da decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 4412DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 14 4 Relatório Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, apurouse que a escrituração por ele mantida para o ano de 2002 estava imprestável para a determinação do lucro real, de modo que não restou outra alternativa senão o arbitramento do lucro. Constatouse, ainda, que o contribuinte apresentou as DCTFs com valores zerados de IRPJ e CSLL e com valores a menor de PIS e de COFINS. Diante disso, foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 35813584), CSLL (fls. 35883591), COFINS (fls. 35953598) e PIS (fls. 36053608). Conforme descrito no "Termo de Verificação Fiscal" de fls. 3614/3736, a ação fiscal foi desenvolvida no âmbito da chamada "Operação Grandes Lagos", por meio da qual foi desbaratada uma organização criminosa criada para fraudar a administração tributária, por diversas formas. Houve determinação judicial para que todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas fossem fiscalizadas pela Receita Federal. Dentre as empresas envolvidas estava a COFERFRIGO ATC LTDA. No bojo da referida operação, o Poder Judiciário autorizou a realização de buscas e apreensões, prisões, escutas telefônicas, quebra de sigilo bancário e solicitou à Receita Federal que fiscalizasse os contribuintes envolvidos. Em linhas gerais, as pessoas físicas e jurídicas envolvidas podem ser divididas em núcleos, da seguinte forma: 1 Núcleo Mozaquatro: composto por empresas constituídas em nome de "laranjas", por meio das quais transita a maior parte do faturamento do grupo, sem pagamento dos tributos incidentes sobre as operações. Outras empresas, também constituídas por "laranjas", servem de anteparo entre o grupo e as ações trabalhistas movidas por seus empregados, mediante contratos simulados de fornecimento de mão de obra; 2 Núcleo Itarumã: composto por empresas constituídas em nome de "laranjas" para movimentar a maior parte do faturamento, sem recolher os tributos devidos ou subfaturando as receitas; 1 Núcleo dos "noteiros": composto por algumas empresas, constituídas em nome de "laranjas", que se especializaram na emissão e venda de notas fiscais "frias" a frigoríficos e a "taxistas", para que estes movimentassem receitas de suas atividades sem recolher os tributos devidos, atuando, ainda, na geração de créditos fictícios de ICMS que eram vendidos a terceiros; 2 Núcleo dos "clientes dos noteiros": compostos pelas empresas que adquiriam as notas fiscais "frias" das empresas que compunham o "núcleo dos noteiros" para movimentar parte do seu faturamento sem recolher os tributos devidos e também para creditaremse indevidamente do ICMS; 3 Núcleo dos "taxistas": composto por pessoas físicas que atuam na atividade de compra e abate de gado e venda de carne e couro, como se frigoríficos fossem. Fl. 4413DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 15 5 No Relatório da Policia Federal consta que a "Coferfrigo é um frigorífico que existe de fato, mas colocado em nome de “laranjas”. Abate gado tanto do Grupo Mozaquatro quanto de 'taxistas', neste caso ficando com o subproduto do abate como pagamento em troca das notas fiscais 'frias' que lhes fornece para que possam operar. Sua movimentação financeira não apresenta grande discrepância em relação à sua receita declarada porque há contas bancárias da empresa que são 'emprestadas' a vários taxistas, que movimentam suas finanças a partir delas para não serem detectados pelo fisco". Concluiu a autoridade policial que a Coferfrigo foi criada para blindar o patrimônio dos titulares de fato, já que os tributos incidentes sobre as operações não são pagos, e nem a empresa nem os "laranjas" utilizados em sua constituição têm patrimônio suficiente para fazer frente aos débitos. A autoridade policial afirma que "a Coferfrigo não esconde do fisco a receita de sua atividade; apenas não paga os tributos, dando à prática sonegatória ares de mera inadimplência". 0 referido Relatório prossegue afirmando que: "Alfeu Crozato Mozaquatro oficialmente é proprietário CM4 Participações Ltda. (com 20% de participação), Mapra Veículos e Peças Ltda. (com 99% de participação), Indústrias Reunidas CMA Ltda. (com 95% de participação) e CMA Indústria de Subprodutos Bovinos Ltda. (com 10% de participação). Marcelo Buzolin Mozaquatro oficialmente consta como sócio da CM4 Participações Ltda. (com 20% de participação), como sócioadministrador da M4 Logística Ltda. e como administrador das Indústrias Reunidas CMA Ltda. (sem participação no capital social). Patricia Buzolin Mozaquatro consta como sócia da CM4 Participações Ltda. (com 20% de participação) e como administradora das Indústrias Reunidas CMA Ltda. (sem participação no capital social). Extraoficialmente, Alfeu, Patrícia e Marcelo são também proprietários das empresas Coferfrigo, Friverde, Transverde, Mega Boi, Caromar, Nogueira & Poggi, Pedretti & Magri, Wood Comercial e Atual Carnes, todas colocadas em nome de sócios"laranja". Alfeu também foi proprietário de outras empresas abertas em nome de "laranjas", como o Frigorifico Boi Rio, a Comércio de Carnes Boi Rio e a Distribuidora São Luiz." Esclarece a autoridade policial que a CM4 PARTICIPAÇÕES arrenda as plantas de seus frigoríficos em Fernandópolis e em São José do Rio Preto à COFERFRIGO. Esta é a estratégia utilizada para blindar o patrimônio do Grupo Mozaquatro. Entre os anos de 2001 a 2004, a COFERFRIGO teve receita declarada de R$ 725.969.323,37 e movimentação financeira de R$ 717.210.000,61. A despeito disso, nada recolheu aos cofres públicos. A COFERFRIGO foi constituída em 23/03/2001, com capital social de R$ 150.000,00. Valter Francisco Rodrigues Junior subscreveu 99% das quotas da empresa, ficando o 1% restante com José Roberto Barbosa, que foi sucedido, em 2003, por Álvaro Antônio Miranda. 0 Sr. Valter Francisco Rodrigues Júnior tinha rendimento mensal aproximado de R$ 1.000,00, incompatível com o valor do capital integralizado da empresa em 2001. Anteriormente, foi interposta pessoa no quadro social da DISTRIBUIDORA DE CARNES E Fl. 4414DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 16 6 DERIVADOS SÃO LUIZ LTDA (99% do capital social). Antes disso, trabalhou em uma usina de açúcar e álcool na função de eletricista de instalações, com remuneração em torno de 4 salários mínimos. No período de 2002 a 2006, seus rendimentos declarados giraram em torno de R$ 20.000,00 por ano e seu patrimônio variou de R$ 80.000,00 a R$ 150.000,00. Sua movimentação financeira aumentou de R$ 84.000,00 em 2002 para R$ 237.000,00 em 2003. Nos controles internos do Grupo Mozaquatro, obtidos com autorização judicial, foram encontrados registros de pagamento de despesas pessoais dele, inclusive pagamento de alugueis e de prestação relativa à aquisição de veiculo particular. Todos esses fatos demonstram sua condição de sócio "laranja" na COFERFRIGO. 0 Sr. José Roberto Barbosa foi funcionário da Indústrias Reunidas CMA Ltda, empresa ostensiva do Grupo Mozaquatro, de 01/10/1998 a 26/03/2001. No período de 2002 a 2006, seus rendimentos declarados não chegaram a R$ 20.000,00 por ano e seu patrimônio aumentou de R$ 7.800,00 em 2002 para quase R$ 35.000,00 em 2006. Sua movimentação financeira girou em torno de R$ 40.000,00 anuais. Em depoimento à Policia Federal, afirmou que após a constituição da COFERFRIGO continuou a exercer as mesmas atividades na Indústrias Reunidas CMA Ltda, sem registro em CTPS. Voltou a ser empregado desta empresa de maio de 2006 a junho de 2007. Também consta como sócio da COMERCIAL REIS DE PRODUTOS BOVINOS LTDA (50% do capital social). 0 Sr. Álvaro Antônio Miranda também consta como sócio da TRANSVERDE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA (98% do capital social) e da FRI VERDE INDUSTRIA DE ALIMENTOS LTDA (95% do capital social). No ano de 2002, seus rendimentos declarados giravam em torno de R$ 15.000,00, passando para pouco mais de R$ 120.000,00 em 2003. Tal aumento de rendimento pode ter sido declarado com o fim de justificar a origem dos recursos utilizados na integralização do capital da FRIVERDE, pois foram registrados a titulo de rendimentos isentos, sem especificação da respectiva procedência, e nos dois anos seguintes ele voltou a declarar rendimentos totais inferiores a R$ 25.000,00 por ano. Relata a autoridade autuante as diversas alterações promovidas no contrato social da COFERFRIGO, destacandose a abertura de diversas filiais e as constante mudanças de endereços dos estabelecimentos. Quanto da lavratura dos autos de infração, a COFERFRIGO possuía 13 estabelecimentos registrados no sistema CNPJ. Relata a autoridade que diversos dos endereços cadastrais citados para estes estabelecimentos já foram ocupados por outras empresas do Núcleo Mozaquatro. A COFERFRIGO apresentou as DCTFs relativas ao primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2002 sem impostos a pagar. Em 30/06/2003, apresentou a DIPJ/2003, relativa ao anocalendário de 2002, apurando o IRPJ pelo lucro real anual. Em 29/09/2006, no curso de ação fiscal relativa a revisão interna de DIPJ, seis dias antes de ser deflagrada a Operação Grandes Lagos, realizada pela Policia Federal, retificou suas DCTFs relativas aos quatro trimestres de 2002, incluindo valores de IRPJ e de CSLL a pagar informados na DIPJ/2003. Finalmente, em 08/03/2007, após o inicio da ação fiscal que resultou na lavratura dos autos de infração de que trata o presente processo administrativo, retificou a DCTF referente ao quarto trimestre de 2002, majorando os débitos de PIS e de COFINS apurados para o mês de dezembro de 2002. Em diligencia realizada, em 12/12/2006, junto ao endereço cadastral informado pela COFERFRIGO para a matriz (Rua Artia, 420, Jd. Independência, São Fl. 4415DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 17 7 Paulo/SP), constatou a autoridade que o estabelecimento não existia e a empresa não era conhecida pelos vizinhos. Assim, em 07/02/2007, o Delegado da DRF/SÃO JOSÉ DO RIO PRETO transferiu, de oficio, a matriz para o endereço de uma de suas filiais, situado na Rua Capitão Faustino de Almeida, 1530, Vila Esplanada, São José do Rio Preto/SP. 0 Sr. Jéferson César Gonçalves Resende, gerente da COFERFRIGO (CNPJ 04.352.222/000205) em Fernandópolis/SP, prestou valiosos esclarecimentos. Informou que exercia suas funções de gerente comercial da empresa desde 2001, a despeito de estar registrado na CAROMAR como gerente administrativo, situação esta que perdurou até 10/09/2004. Afirmou que, quando a referida filial da COFERFRIGO passou a operar nas instalações da COFERCARNES COMERCIAL DE FERNANDÓPOLIS DE CARNES LTDA (Estrada FernandópolisMeridiano, Km, 2, Zona Rural, Fernandópolis/SP), continuou a exercer as mesmas funções. Esclareceu que desde 1999, época em que trabalhava na DISTRIBUIDORA DE CARNES SÃO LUIZ, sendo registrado na CAROMAR, até 04/10/2006 recebeu ordens do Sr. Alfeu Crozato Mozaquatro, que visitava freqüentemente as instalações e as operações industriais. Asseverou que o Sr. João Pereira Fraga, sócio da COFERCARNES, além de fiscalizar a manutenção e reparo da planta industrial do frigorífico, também comprava gado para a COFERFRIGO, utilizando uma conta bancária do Bradesco a ela pertencente, da qual era procurador. Também o Sr. João Pereira Fraga apresentou preciosos esclarecimentos sobre o Núcleo Mozaquatro. Afirmou que a DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO LUIZ LTDA fornecia notas fiscais "frias" para Alfeu Mozaquatro, com o fim de ocultar as operações de abate e comércio de carnes realizadas pelas empresas deste. Porém, o Sr. Alfeu chegou à conclusão de que a compra de notas fiscais tinha custo muito alto, de modo que constituiu a COFERFRIGO, trazendo da DISTRIBUIDORA SÃO LUIZ o sócio"laranja", Sr. Valter Francisco Rodrigues, que não tinha poder de mando. Esclareceu que o Sr. Valter, assim como o Sr. Alvaro Antonio Miranda, não têm experiência nem respaldo ou condições para tocar um frigorífico. 0 Sr. João Pereira Fraga asseverou que o arrendamento da planta industrial da COFERCARNES à COFERFRIGO se deu sob o comando do Sr. Alfeu Mozaquatro. Esclareceu que tinha procuração da COFERFRIGO para movimentar a conta n° 60.3430, mantida junto à agência 0639 do Banco Bradesco, utilizandoa principalmente para pagamento de aquisição de gado e, eventualmente pagamentos a outros segmentos por ordem do Sr. Alfeu. Reconheceu que autorizou pagamentos ao Sr. Valter Francisco Rodrigues com dinheiro próprio, a titulo de empréstimo, por intermédio do Sr. Jéferson César Gonçalves Resende, argumentando que o Sr. Valter foi humilhado pelo Sr. Alfeu por haver pedido dinheiro a este. Afirmou, ademais, que eventualmente fazia a aproximação das partes interessadas (fornecedor e clientes) na venda de carnes e derivados para a COFERFRIGO e para o Frigorífico Mozaquatro. 0 Sr. Paulo Henrique Augustino, procurador da COFERFRIGO, prestou importantes declarações. Afirmou que trabalhou no FRIGORÍFICO VALE DO RIO GRANDE, a seguir na DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO LUIZ LTDA (de 1997 a 2001), na COFERFRIGO (de 2001 até o final de 2004), na INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA (final de 2004 a dezembro de 2005), todas na Av. Expedicionários Brasileiros, 139, Fernandópolis/SP. Esclareceu que no período em que atuava na DISTRIBUIDORA SÃO LUIZ e na COFERFRIGO era registrado no FRIGORÍFICO CAROMAR LTDA, empresa esta que prestava serviços de fornecimento de mão de obra. Fl. 4416DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 18 8 Asseverou que atuava como faturista, conferia notas fiscais de entrada e de saída e emitia boletins de abate. Reconheceu que havia funcionários responsáveis pela emissão de notas fiscais que tinham uma tabela com o nome e o código correspondente dos "taxistas". Dentre os "taxistas" por ele citados encontrase o Sr. João Pereira Fraga. Os sócios de direito ("laranjas") foram intimados a informar quem os orientou na constituição da COFERFRIGO, a detalhar suas funções ou atividades, a informar quem eram os gerentes e terceiros ligados à empresa, bem como a comprovarem a integralização do capital social. Não se manifestaram sobre quaisquer dos esclarecimentos solicitados. Apurouse que o FRIGORÍFICO CAROMAR LTDA foi utilizado pelo Grupo Mozaquatro para a prática de fraudes trabalhistas e previdenciárias, simulando a locação de mão de obra. No ano de 2002, o CAROMAR foi utilizado apenas para registrar os funcionários da filial de Fernandópolis/SP da COFERFRIGO (CNPJ 04.352.222/000205), conhecida como Frigorifico Mozaquatro, e do FRIGORÍFICO SANTA ESMERALDA LTDA (Grupo Campboi). Constatouse, pelos extratos bancários do CAROMAR, que os únicos débitos significativos dizem respeito aos pagamentos das folhas de salários desses frigoríficos. Coincidentemente, no mesmo mês dos referidos débitos, há créditos supridos pelo FRIGORÍFICO SANTA ESMERALDA e pela COFERFRIGO. Da mesma forma, apurouse que a WOOD COMERCIAL LTDA foi utilizada para registrar os funcionários da filial de Jales/SP da COFERFRIGO (CNPJ 04.352.222/0010 15). Também nesse caso, os únicos débitos de valores vultosos constatados nas contas da WOOD dizem respeito aos pagamentos das folhas de salários, sendo os recursos supridos pela COFERFRIGO. Diversas outras empresas integram o Grupo Mozaquatro. Apurouse que atuaram como "noteiras" as empresas COMÉRCIO DE CARNES BOI RIO LTDA e PEREIRA, PEREIRA COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA. Esta função também foi desempenhada pela DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO LUÍS LTDA, que, além disso, pagou despesas relativas às reformas e ampliações das instalações do Frigorifico Mozaquatro em Fernandópolis/SP e transferiu valores aos sócios da CM4 PARTICIPAÇÕES, Alfeu Crozato Mozaquatro e seus filhos, Marcelo Buzolin Mozaquatro e Patricia Buzolin Mozaquatro. Em 05/10/2007, foram realizadas diversas buscas e apreensões com autorização judicial, por meio das quais foi possível coletar importantes provas. Na sede da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, situada na Rua José Pedro Bassan, n° 1000, Mini Distrito Industrial, Monte Aprazível/SP, foram apreendidos discos rígidos de computador. Da mesma forma, na Rua Cel. Joaquim da Cunha, n° 445, Centro, Tanabi/SP, local em que se encontram a ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL UNIA0 LTDA (responsável pela contabilidade das empresas ostensivas e dissimuladas do Grupo Mozaquatro) e a empresa UNIÃO PRATIC INFORMÁTICA LTDA, foram apreendidos discos rígidos de computador. Os documentos extraídos destes discos rígidos, aliados a diversas outras provas, demonstram que a vinculação da COFERFRIGO ao Sr. Alfeu Crozato Mozaquatro, à Sra. Patricia Buzolin Mozaquatro, ao Sr. Marcelo Buzolin Mozaquatro, à INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA, à CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA e ao Sr. João Pereira Fraga. Fl. 4417DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 19 9 Quanto ao Sr. Alfeu Mozaquatro, constatouse que ele, com o apoio de seus filhos, Patricia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro, controlou os valores movimentados nas contas bancárias da COFERFRIGO. Dentre os documentos constantes dos discos rígidos apreendidos na sede da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, cujo sóciogerente no ano de 2002 era o Sr. Alfeu Mozaquatro, destacase um com controles de pagamentos, transferências e recebimentos relativos às seguintes pessoas: DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO LUÍS LTDA, COFERFRIGO ATC LTDA, INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA, Alfeu Crozato Mozaquatro, Patricia Buzolin Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Valter Francisco Rodrigues Júnior e outros. As transferências de valores para a COFERFRIGO foram confirmadas pelas coincidências em datas, valores e bancos. Constatouse, ainda, a existência de banco de dados com plano de contas contendo empresas do Grupo Mozaquatro, inclusive a COFERFRIGO, como também bens pessoais de Alfeu Mozaquatro. Apurouse que o Sr. Alfeu Mozaquatro recebeu cheque proveniente da COFERFRIGO e efetuou diversos pagamentos em cheque a esta empresa. Intimado a justificar estas operações, o Sr. Alfeu limitouse a afirmar que "em razão do tempo transcorrido (mais de 5 anos) e ainda agravado pelo fato de buscas e apreensões realizadas quando da operação grandes lagos pela Policia Federal, buscas essas também realizadas pelo Fisco Estadual, não foi possível levantar os dados solicitados". Constatou a autoridade que a COFERFRIGO e a INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA, controlado pelos Sr. Alfeu no ano de 2002 com 95% do capital social, coincidentemente se sucederam ou conviveram simultaneamente em diversos endereços ocupados por seus estabelecimentos. Também dos discos rígidos apreendidos na sede da ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL UNIÃO LTDA foram extraídos documentos reveladores. Em um deles consta proposta de prestação de serviços à COFERFRIGO, na ocasião da substituição da DISTRIBUIDORA SAO LUÍS, indicando, no quesito "CONTROLE DE CRÉDITO ACUMULADO" (de ICMS), os dizeres "Elaboração de levantamentos periódicos de crédito acumulado (Alfeu)". Outro documento contém valores para prestação de serviços contábeis e fiscais, por estabelecimento, indicando todas as empresas ostensivas e paralelas ou dissimuladas do Grupo Mozaquatro, mostrando inclusive os valores relativos às fazendas de Alfeu e esposa, constando, na descrição das tarefas, os dizeres "Elaboração de levantamentos periódicos de crédito acumulado (Alfeu)". Há planilha com relação de honorários, relativos às empresas ostensivas, paralelas ''e ligadas . ao Grupo Mozaquatro, tendo como itens "COFERFRIGOFRAGA", COFERFRIGOBOI RIO, entre outros, sob o titulo "HONORÁRIOS — ALFEU". Outro documento contem a relação de funcionários responsáveis por diversas áreas administrativas dos frigoríficos de Fernandópolis, São José do Rio Preto e Jales da COFERFRIGO, assim como do CURTUME (INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA), estabelecimento de Monte Aprazível. Finalmente, há documento, intitulado "RELATÓRIO DE EMPRESAS", contendo, dentre outras informações, a relação dos estabelecimentos da CMA, da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, da M4 LOGÍSTICA LTDA, da CMA INDÚSTRIA DE SUBPRODUTOS BOVINOS LTDA, da COFERFRIGO, da FRIVERDE e relação de empresas ligadas à COFERFRIGO, nas quais estão registrados os seus funcionários. Fl. 4418DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 20 10 A SEFAZ/SP também forneceu os seguintes documentos que atestam a vinculação entre Alfeu Mozaquatro e COFERFRIGO: 1 contrato particular de arrendamento rural da Fazenda Cachoeira em Monte Aprazível/SP, datado de 01/04/2002, tendo como arrendatária a COFERFRIGO e como fiadores Alfeu e sua filha Patricia; 2 boleto de pagamento, tendo como cedente a empresa IKEDA ONO E CIA LTDA e como sacada a COFERFRIGO, contendo anotação com os seguintes dizeres: "(Sr. Alfeu)"; 3 boleto de pagamento, tendo como cedente MOORE BRASIL LTDA e como sacada a COFERFRIGO, juntamente com cópia do cheque desta, contendo a seguinte inscrição: "78.7 DEBITO REF. DESP. DIVERSAS — PAGO MOORE BRASIL LTDA — REF. — NOTAS FISCAIS COFERFRIGO — DEBITAR SR. ALFEU — F0033794 — 110639"; 4 cópia de cheque nominal para a COFERFRIGO, datado de 24/09/2002, com identificação abaixo, referindose ao cheque n° 002041, "BRADESCO — COFERFRIGO", utilizado para "PG. ALFEU MOZAQUATRO". A Sra. Patricia Buzolin Mozaquatro detinha, em 2002, 20% do capital social da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA. Conforme já referido, há registros de controle de pagamentos, transferências e recebimentos da COFERFRIGO, bem como de despesas pessoais de Patricia Mozaquatro, mediante utilização de recursos e da estrutura da CM4. A partir da quebra do sigilo bancário, apurouse que Patricia Mozaquatro recebeu diversos cheques da COFERFRIGO no ano de 2002. Intimada a manifestarse acerca de tais recebimentos, limitouse a afirmar que "em razão do tempo transcorrido (mais de 5 anos) e ainda agravado pelo fato de buscas e apreensões realizadas quando da operação grandes lagos pela Policia Federal, buscas essas também realizadas pelo Fisco Estadual, não foi possível levantar os dados solicitados". A SEFAZ/SP também forneceu documentos que atestam a vinculação entre Patricia Mozaquatro e COFERFRIGO, destacandose a cópia de um fax emitido pelo Banco, datado de 02/06/2003, tratando de controle de aplicações financeiras — CDB/RDB, tendo como cliente a COFERFRIGO, e os seguintes dizeres manuscritos: "A/C: Patricia". 0 Sr. Marcelo Buzolin Mozaquatro detinha, em 2002, 20% do capital social da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA. Também para ele há registros de controle de pagamentos, transferências e recebimentos da COFERFRIGO, bem como de despesas pessoais dele, mediante utilização de recursos e da estrutura da CM4. Marcelo Mozaquatro também recebeu cheques da COFERFRIGO em 2002. Intimado a manifestarse, limitouse a afirmar que "em razão do tempo transcorrido (mais de 5 anos) e ainda agrado pelo fato de buscas e apreensões realizadas quando da operação grandes lagos pela Polícia Federal, buscas essas também realizadas pelo Fisco Estadual, não foi possível levantar os dados solicitados". Relata a autoridade autuante diversas outras provas da vinculação entre a INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA e a COFERFRIGO. Em 2002, o Sr. Alfeu tinha 95% do capital social da CMA. Foram apreendidos registros de controle de pagamentos, transferências e recebimentos da COFERFRIGO, bem como da CMA, mediante utilização de recursos e da estrutura da CM4. A quebra do sigilo bancário permitiu constatar que a CMA efetuou diversos pagamentos à. COFERFRIGO no ano de 2002. Constatouse, ainda, que a CMA registrou pagamentos à COFERFRIGO em seu livro Diário. Contudo, documentos recebidos das instituições financeiras demonstram que o beneficiário dos pagamentos foi a DISTRIBUIDORA SAO LUÍS. Os registros dos pagamentos da CMA à DISTRIBUIDORA Fl. 4419DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 21 11 SAO LUÍS não foram localizados no livro Diário. É curioso notar que o Sr. Marcelo Mozaquatro recebeu pagamentos da CMA que foram contabilizados por esta como destinados à COFERFRIGO. Na CMA, situada na R. Cel. Spinola de Castro, 3635, salas 141 e 142, Centro, São José do Rio Preto/SP, a Policia Federal apreendeu um talão de cheques da COFERFRIGO, contendo 20 folhas em branco, apenas com assinaturas do Sr. Valter Francisco Rodrigues Junior. A autoridade autuante também relata diversas provas da vinculação entre a CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA e a COFERFRIGO. 0 Sr. Alfeu Crozato Mozaquatro tinha, em 2002, 20% do capital social da CM4. No site do portal da internet www.importabrazil.com , conhecido como "The Brazilian Export Portal", em "Company Info", constava a razão social da DISTRIBUIDORA SÃO LUÍS como sendo o nome completo do Frigorifico Mozaquatro Ltda (hoje CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA), indicando o endereço Av. Expedicionários Brasileiros em Fernandópolis/SP e Alfeu Crozato Mozaquatro como a pessoa indicada para contato. No entanto, na época, as instalações frigoríficas nesse endereço estavam arrendadas para a COFERFRIGO. Ademais, na SEFAZ/SP, a COFERFRIGO, nesse estabelecimento, é também considerada sucessora da DISTRIBUIDORA SAO LUÍS. Apurouse, ainda, que a COFERFRIGO efetuou transferências de recursos a DISTRIBUIDORA SAO LUIZ, contabilizando tais operações como pagamentos as empresas LUAN COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, APR ALIMENTOS LTDA, COMÉRCIO DE CARNES BOI RIO LTDA e FRIGOESTRELA FRIG. ESTRELA D'OESTE LTDA ou a titulo de SUPR. CAIXA. Relata a autoridade autuante diversas provas que demonstram a vinculação entre o Sr. João Pereira Fraga e a COFERFRIGO. 0 contrato social da COFERFRIGO e respectivas alterações, bem como as fichas cadastrais na JUCESP, demonstram que a filial 000710 estabeleceuse, no período de 18/05/2001 a 01/07/2002, na Estrada Municipal FernandópolisMeridiano, Km 2, Zona Rural, Fernandópolis/SP, mesmo endereço do frigorifico do Sr. João Pereira Fraga e da respectiva residência, endereço este posteriormente ocupado também pela filial 000205. 0 Sr. João Pereira Fraga tinha procuração da COFERFRIGO para movimentar as contas 60.3392, 60.3430 e 61.8268, todas mantidas junto a agência 0063 do Banco Bradesco em Fernandópolis/SP, bem como a conta 13004.6355, mantida na agência 0094 do Banespa em Fernandópolis/SP. Intimado a prestar esclarecimentos, o Sr. João Pereira Fraga afirmou que a conta 60.3430 foi utilizada apenas para a compra de gado para as empresas do Sr. Alfeu e que não tinha acesso as demais contas, que eram controladas exclusivamente por funcionários nomeados ou indicados por Alfeu Mozaquatro. Afirmou, ainda, que exerceu apenas a função de comprador de gado em pé para o Sr. Alfeu. Finalmente, asseverou que recebeu, em sua conta bancária particular, três depósitos da COFERFRIGO, a titulo de reembolso de fretes esporádicos feitos para ela em veiculo de sua propriedade, conduzido por seu filho, que arcou com o pagamento do combustível. Porém, não apresentou documentação comprobatória dessas operações. A quebra do sigilo bancário permitiu a constatação de que, de fato, ele recebeu em sua própria conta, também no ano de 2002, três pagamentos em cheque provenientes da conta da COFERFRIGO por ele controlada por procuração. Entretanto, não apresentou provas dessas operações. Fl. 4420DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 22 12 Além disso, apurouse que a conta bancária da COFERFRIGO controlada pelo Sr. João Pereira Fraga recebeu, no ano de 2002, diversos depósitos provenientes de cheques da própria COFERFRIGO. Quanto a esses depósitos, afirmou o Sr. João Pereira Fraga que "não tem a menor idéia da origem dos recursos". A Policia Federal apreendeu, no escritório de João Pereira Fraga (Rua Pernambuco, 2590), diversos documentos que demonstram a vinculação dele com a COFERFRIGO. Foram apreendidos canhotos de notas fiscais desta, bem como das empresas PEREIRA & PEREIRA e DISTRIBUIDORA SÃO LUÍS, entregues ao Frigorífico Mozaquatro. Ao manifestarse acerca desses documentos, o Sr. João Pereira Fraga afirmou que o escritório lhe pertencia e era particular, admitindo que funcionários administrativos da COFERFRIGO trabalhavam no local. No mesmo local, foi apreendido também: 1 um talão de cheques da COFERFRIGO, contendo quinze folhas em branco, assinadas por Valter Francisco Rodrigues Junior, relativos à conta corrente n° 61.9590, mantida na agência 0639 do Banco Bradesco em Fernandópolis/SP; 2 cinco talões de cheques em branco da COFERFRIGO, com todas as folhas assinadas por Valter Francisco Rodrigues Junior, relativos à. conta corrente n° 60.3392, mantida na agência 0639 do Banco Bradesco em Fernandópolis/SP. Há também provas da ligação de João Pereira Fraga com a COFERFRIGO nas mídias digitais apreendidas nas dependências da ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL UNIÃO LTDA, em 05/10/2007. Consta planilha com relação de honorários, destinados às empresas ostensivas, paralelas e ligadas ao Grupo Mozaquatro, constando num dos itens "COFERFRIGOFRAGA", tendo como titulo "HONORÁRIOS — ALFEU", referência que corrobora a informação contida no Relatório da Policia Federal, segundo a qual o Frigorífico Mozaquatro em Fernandópolis/SP, enquanto arrendado para a COFERFRIGO, era controlado pelo Sr. João Pereira Fraga, com o consentimento do Sr. Alfeu Mozaquatro. Consta, ainda, documento intitulado "RELATÓRIO DE EMPRESAS", datado de 12/01/2006, que, dentre as diversas informações, contém• relação dos estabelecimentos da COFERFRIGO, com indicação de seu controle ou sua atividade; sendo que as localizadas em Fernandópolis são designadas como "FRIGORÍFICO — FRAGA" e "COMÉRCIO — FRAGA". Das análises efetuadas nas movimentações financeiras, a partir da quebra de sigilo bancário dos envolvidos, apurou a autoridade autuante que Alfeu Crozato Mozaquatro, Patricia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro receberam transferências provenientes de contas bancárias da COFERFRIGO. Tais valores constam nos controles internos apreendidos na CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA como retirada prólabore, pagamento de salário ou de despesa pessoal. Constatouse, ainda, que a COFERFRIGO recebeu pagamentos efetuados pela REUNIDAS CMA LTDA, empresa ostensiva do Grupo Mozaquatro, valores esses lançados em sua contabilidade de forma genérica, sem apoio em livros auxiliares. Apurouse que a COFERFRIGO permitiu a utilização de suas contas bancárias por pessoas físicas que praticavam atividades de comércio por conta própria, utilizando suas notas fiscais para acobertar operações dessas pessoas físicas. Permitiu, ademais, a utilização de suas contas bancárias por gerentes ou representantes de outras pessoas jurídicas ou de outros núcleos ou grupos. A análise da escrituração da COFERFRIGO relativa ao ano de 2002 revelou evidentes indícios de fraudes, que a tornam imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira e, também, para determinar o lucro real. Eis os vícios constatados: Fl. 4421DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 23 13 1 Diversos valores registrados nos seus extratos bancários, relativos a recebimentos e pagamentos, não se encontram individualizados em seus Livros Diário e Razão; 2 Alguns valores simplesmente não foram registrados na escrituração contábil; 3 Há valores que foram lançados de forma consolidada, sem amparo em livros auxiliares, de modo que não é possível encontrar a conexão com os remetentes ou destinatários dessas transferências bancárias; 4 Há lançamentos do tipo "CAIXA a BANCOS" e "BANCOS a CAIXA", tendo em resposta alegado o contribuinte a impossibilidade de identificar a origem dos recursos recebidos; 5 Não foram escriturados quaisquer livros auxiliares; 6 Houve a manutenção de cinco contas bancárias à margem da escrituração contábil. Diante das deficiências constatadas na escrituração, concluiu a autoridade autuante que o lucro deveria ser arbitrado. A COFERFRIGO apresentou a DIPJ 2003, relativa ao anocalendário de 2002, com valores compatíveis com os apurados nas GIAs fornecidas pela SEFAZ/SP. Além disso, a movimentação financeira representa cerca de 70% da receita bruta declarada. Assim, a autoridade autuante decidiu adotar, como receita bruta conhecida, aquela informada na DIPJ apresentada pelo contribuinte em 30/06/2003, excluindose as vendas canceladas e descontos incondicionais concedidos. A partir de tais valores foram apurados o IRPJ e a CSLL devidos consoante o método do lucro arbitrado. Também o PIS e a COFINS foram apurados a partir da receita declarada na DIPJ, excluindose as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e as receitas de exportação. Foram desconsiderados os valores indicados na DIPJ a titulo de "Outras Exclusões", por falta de comprovação, já que o contribuinte não apresentou os esclarecimentos necessários. Os lançamentos dos créditos tributários foram necessários, tendo em vista que o contribuinte apresentou, para o ano de 2002, valores zerados relativos ao IRPJ e à CSLL nas DCTFs, bem como valores a menor relativos ao PIS e à COFINS nestas mesmas declarações. Os débitos de PIS e de COFINS declarados foram deduzidos do PIS e da COFINS lançados. Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada multa de oficio de 225%, vale dizer, multa qualificada e majorada. A qualificação da multa decorre do evidente intuito de fraude revelado pelos fatos apurados. A majoração é conseqüência da falta de atendimento ao "Termo de Constatação e Intimação n° 083", no qual foram solicitados esclarecimentos acerca da escrituração contábil e da receita bruta. Além disso, o contribuinte foi reintimado a prestar esclarecimentos, mediante o "Termo de Constatação e Reintimação n° 088", tendo sido alertado sobre o agravamento da multa de oficio em caso de não atendimento. Finalmente, o contribuinte não atendeu ao "Termo de Constatação e Intimação n° 089", no qual foram solicitados esclarecimentos acerca de exclusões efetuadas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS, tendo sido alertado novamente sobre o agravamento da multa em caso de não atendimento. Fl. 4422DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 24 14 Além disso, diante de todas as provas colhidas, concluiu a autoridade autuante que: 1 Alfeu Crozado Mozaquatro teve interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, sendo, portanto, solidariamente obrigado ao pagamento dos créditos tributários lançados, nos termos dos arts. 121 e 124, I, do CTN. Ademais, também ficou caracterizada sua responsabilidade pessoal, por exercer a administração de fato da COFERFRIGO (art. 135, III, do CTN); 2 João Pereira Fraga teve interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, sendo, portanto, solidariamente obrigado ao pagamento dos créditos tributários lançados, nos termos dos arts. 121 e 124, I, do CTN; 3 Marcelo Buzolin Mozaquatro teve interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, sendo, portanto, solidariamente obrigado ao pagamento dos créditos tributários lançados, nos termos dos arts. 121 e 124, I, do CTN; 4 Patrícia Buzolin Mozaquatro teve interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, sendo, portanto, solidariamente obrigado ao pagamento dos créditos tributários lançados, nos termos dos arts. 121 e 124,1, do CTN; 5 INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA teve interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, sendo, portanto, solidariamente obrigado ao pagamento dos créditos tributários lançados, nos termos dos arts. 121 e 124, I, do CTN; 6 CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA teve interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, sendo, portanto, solidariamente obrigado ao pagamento dos créditos tributários lançados, nos termos dos arts. 121 e 124, I, do CTN. Contra os autos de infração lavrados, foram apresentadas as seguintes impugnações: Marcelo Buzolin Mozaquatro (fls. 3762/3778), Patricia Buzolin Mozaquatro (fls. 3781/3797), CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA (fls. 3802/3819), Alfeu Crozato Mozaquatro (fls. 3828/3851), INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA (fls. 3854/3871), João Pereira Fraga (fls. 3879/3943) e COFERFRIGO ATC LTDA (fls. 3958/3960). A impugnação apresentada pela COFERFRIGO contém as alegações resumidas a seguir: 0 crédito tributário lançado encontrase prescrito, pois passaramse mais de cinco anos entre a data da apresentação da DCTF e sua cobrança. A DCTF é modo de constituição do crédito tributário, contandose, a partir de sua apresentação, a prescrição qüinqüenal, sendo facultado à Fazenda Pública ajuizar ação executiva. Cita jurisprudência em abono a seus argumentos. Aduz, ainda, que "a aplicação da multa moratória em percentual elevado, evidencia o caráter confiscatório da mesma. Com efeito, o percentual da multa moratória ultrapassa 200%. No âmbito Federal, a Lei federal n. 9430/96, fixa a multa moratória no Fl. 4423DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 25 15 percentual de 20%. Assim, a multa aplicada no caso dos autos, além de possuir caráter confiscatório, infringindo a Constituição Federal, viola a Lei Federal retro aludida, devendo, na remota hipótese de rejeição da preliminar de prescrição, o montante ser reduzido em 20%". Por fim, pede o acolhimento de suas alegações, reconhecendose a prescrição do crédito tributário, ou, caso assim não se entenda, requer a redução da multa moratoria para 20%. As impugnações apresentadas por Marcelo Buzolin Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro, CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA e INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA reproduzem as alegações constantes do recurso apresentado por Alfeu Crozato Mozaquatro, alegações estas que são, a seguir resumidamente discriminadas: São citados diversos excertos do "Termo de Verificação Fiscal" lavrado pela autoridade autuante. Em seguida, alega que o lançamento foi atingido pela decadência, segundo a regra inscrita no art. 150, § 4 0, do CTN. Afirma Alfeu Mozaquatro que seus filhos, Marcelo e Patrícia, jamais administraram as empresas de direito ou de fato, agindo sempre consoante suas ordens, de modo que é descabida a atribuição a eles de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados. Quanto às imputações a ele atribuídas, afirma Alfeu que "todos os fatos elencados na peça de acusação constituemse em aparência, tão só. E que mesmo que pudesse o Impugnante, como quer o Fisco, ser sócio de fato da empresa COFERFRIGO, ainda assim, pelo simples relato do constante (sic) dos autos, denominados "Núcleos", todos também seriam sócios de fatos (sic), já que é o próprio Fisco quem reconhece tais fatos". Aduz que os pagamentos e recebimentos constatados entre CM4 e INDÚSTRIAS REUNIDAS, bem como outras empresas, por si só, não autorizam conclusões. Reconhece que realizava negócios na condição de administrador destas empresas, de modo que os pagamentos e recebimentos decorrem da atividade de cada empresa, sendo comum no mercado de carne recebimentos de terceiros, inclusive cheques, por transferências pura e simples ou endossos, além de cessões de créditos. Afirma o impugnante que desconhece os dados extraídos dos computadores da CM4 e da INDÚSTRIAS REUNIDAS, requerendo a realização de perícia em sua contra prova, pois nada nela foi encontrado, indicando como assistente o Sr. Anderson Ribeiro de Barros para responder aos seguintes quesitos: "a) a contraprova entregue ao Impugnante, segundo narrado nos autos, traduz o que é alegado pelo Fisco; b) obedeceu a colheita todos os procedimentos que permitam afirmar sua autenticidade? Como se dá a recuperação de registros deletados, partindo do disco rígido? Em sendo possível, pode se afirmar que possuem a mesma validade do texto não deletado? Outros esclarecimentos". Assevera que, mesmo considerando reais os registros apontados pelo Fisco, as transações indicadas nada provam, a não ser o exercício normal de atividades comerciais, envolvendo, no ramo de carne, o pecuarista, o atravessador "taxista", o frigorífico, o comércio de produtos de graxaria e o curtume. Sustenta que, na condição de administrador da CM4 e da INDÚSTRIA REUNIDAS, tinha interesse no couro dos abates, de modo que, ao locar as plantas frigoríficas à COFERFRIGO, podia gozar delas para o monopólio do couro, real Fl. 4424DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 26 16 objetivo de seus negócios, em especial da INDÚSTRIAS REMIDAS. Conclui que os acertos de contas eram feitos segundo as inúmeras situações. Afirma que não existem os "laranjas" apontados pela autoridade autuante, pois o comércio de carne é um mercado de alto risco e dominado por poucas empresas, razão pelo qual os pequenos são assumidos apenas por aqueles que estão dispostos ao risco. Alfeu Mozaquatro alega que jamais quis assumir o risco de tocar um frigorífico, razão pela qual optou por arrendar as plantas. Sustenta que o sócio da COFERFRIGO sempre esteve presente, não negando tal qualidade como detentor de 99% das quotas do capital social. Acrescenta que, a "proximidade do Impugnante ou de empresas destes eram reais, assim como eram reais as operações com os taxistas e ainda com outros grupos, segundo narrado na peça de acusação. Acertos de contas eram próprias (sic) dos negócios, sendo a conclusão de que tudo se dava porque não tinha ele (o sócio de direito) patrimônio, maldade pura. Constitui raciocínio fácil e próprio de quem tudo vê sempre pelo lado negativo". Alega que o arbitramento do lucro se deu a destempo, já que o Fisco informa que a COFERFRIGO nunca deixou de declarar seu movimento à Receita Federal e reconhece a existência da contabilidade da empresa. Finalmente, afirma que, "quanto à solidariedade por interesse comum, admitida em razão do interesse na compra do couro, esta por si só seria insuficiente para o fim pretendido, enquanto que o fato de tudo ter declarado sempre a COFERFRIGO, conforme noticia nos autos, ao Fisco Federal, afasta o constante do art. 135 do CTN, porque (...) resta evidente, que se denunciadas ao Fisco as operações, não foram violados os mandamentos inseridos nas normas". Conclui que não se pode considerar oculto o fato gerador do imposto, pois sempre foi declarado. Aduz que não contesta o lançamento em nome da COFERFRIGO, pois não tem elementos para tanto, baseando sua defesa no que tem conhecimento a partir dos autos. Assevera que a multa qualificada é descabida, pois tudo estava contabilizado, conforme reconhece a própria autoridade autuante. Afirma que está fora de contexto o reconhecimento da ocorrência de dolo apenas pelo fato de que seriam ainda responsáveis pela empresa outras pessoas físicas e/ou jurídicas. "Quanto à multa agravada, tomandose a circunstância do número de intimações atendidas e as duas noticiadas como não, o que ainda não se reconhece envolvendo os responsáveis solidários, resta evidente que não teriam estes praticado o ato, sendo que o número das atendidas demonstram que nunca foi ignorado o Fisco, pelo contrário, sempre considerado". Por fim, pede o impugnante o cancelamento de sua sujeição passiva, bem como dos demais envolvidos de sua família, estendendo suas alegações aos lançamentos reflexos (CSLL, COFINS e PIS). João Pereira Fraga, em sua impugnação, invoca os argumentos resumidos a seguir: Sustenta ser parte ilegítima para figurar no pólo passivo da obrigação tributaria, pois não há prova de que a filial 007 da COFERFRIGO tenha funcionado, no período de 18/05/2001 a 01/07/2002, na estrada municipal FernandópolisMeridiano, Km 2, em Femandópolis/SP, onde reside, juntamente com sua família. Sugere que o contrato social com indicação daquele endereço foi registrado na Junta Comercial sem seu conhecimento, mas Fl. 4425DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 27 17 jamais houve a efetiva instalação da referida filial naquele local. Afirma que não foi produzida qualquer prova de uma mínima atividade no local. Alega que consta dos registros a indicação da Estrada Municipal FernandópolisMeridiano, S/N, Zona Rural, não havendo menção que fosse no Km 2. A planta do estabelecimento frigorífico foi concluída apenas em meados de 2004, quando teve as autorizações dos órgãos de inspeção federais e começou a proceder aos primeiros abates. Afirma que lhe causou estranheza a afirmação de que a filial 002 do FRIGORÍFICO ENTRE LAGOS LTDA estabeleceuse, desde 1998, também na Estrada Municipal FernandópolisMeridiano, Km 2, pois lá funcionava a COFERCARNES COMERCIAL FERNANDOPOLIS DE CARNES LTDA, de propriedade de João Roberto Bonassi. Além disso, alega que ingressou no quadro societário da COFERCARNES apenas em 08/04/2004, empresa esta que entrou em funcionamento em setembro de 2004, razão pela qual não tem condições de saber o que se passou antes de sua admissão. Aduz que a fiscalização não concede a inscrição para que dois estabelecimentos comerciais ou industriais ocupem, ao mesmo tempo, o mesmo espaço fisico, exceto nas hipóteses de arrendamento do estabelecimento. Assevera que o endereço citado como sede do estabelecimento é impreciso, pois não identifica o Km da rodovia, de modo que é impossível determinar qual o imóvel que teria sido utilizado para o suposto estabelecimento da empresa. Alega que atuou como corretor para o Sr. Alfeu Mozaquatro, comprando gado para suas empresas e pagando com cheques emitidos pela COFERFRIGO, assinados por Valter Francisco Rodrigues Junior, do qual recebera procuração. Relata que sempre colaborou com as investigações policiais. Reproduz os esclarecimentos prestados no curso da ação fiscal, inclusive que era o Sr. Alfeu quem determinava para qual empresa a nota do produtor deveria ser emitida e que, quase diariamente, eram repassadas, ao Escritório Unido de Tanabil, de César Luis Menegasso, as cópias dos cheques emitidos para as compras de gado, bem como os extratos e os saldos existentes na conta movimentada por procuração. Assevera este escritório era responsável pelo controle da conta, conferindo se o valor dos cheques emitidos batia com o valor das compras, com os depósitos e se os saldos estavam corretos. João Pereira Fraga reconhece que chegou ao seu conhecimento que uma cópia da procuração a ele outorgada foi juntada pelo Sr. Alfeu nas demais contas citadas pela autoridade autuante, mas sustenta que não tinha acesso a elas, pois estavam controladas exclusivamente por funcionários administrativos nomeados ou indicados por Alfeu Mozaquatro, sendo estas procurações posteriormente revogadas por Valter Francisco Rodrigues Junior. Quanto aos cheques em branco assinados por Valter Francisco Rodrigues Junior apreendidos em seu escritório, afirma João Pereira Fraga que tais cheques eram utilizados por ele na compra de gado para as empresas do Sr. Alfeu Mozaquatro. Argumenta que é titular de parte das quotas do capital social da COFERNARNES COMERCIAL FERNANDOPOLIS DE CARNES LTDA e que esta empresa arrendou o imóvel industrial para a COFERFRIGO, pelo prazo de 24 meses (de 15/10/2004 a 14/10/2006), mediante o pagamento mensal de R$ 15.000,00. Após o arrendamento, afirma que os compradores de gado do Sr. Alfeu tomaram conta de várias salas comerciais ali existentes, onde instalaram telefones e mantinham seus arquivos, suas agendas e recebiam os produtores vendedores de gado. Afirma que a autoridade autuante não precisou quem estaria utilizando os talondrios de cheques A. época da apreensão. Aduz que os "taxistas" também tinham e utilizavam talonários de cheques assinados em branco por Valter Francisco Rodrigues Junior. Sustenta que os cheques apreendidos estavam na posse de funcionários Fl. 4426DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 28 18 administrativos que os utilizavam para pagamentos a mando de Alfeu Mozaquatro. Afirma que a imputação feita pela autoridade fundase em mera presunção e que, na qualidade de procurador da COFERFRIGO junto à instituição financeira, poderia assinar cheques, de modo que não haveria necessidade de manter cheques assinados em branco. Afirma que não procede a afirmação de que são seus os vistos constantes das relações de canhotos de notas fiscais emitidas por INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES GRANDES LAGOS, COFERFRIGO, CAMPO GRANDE CARNES E DERIVADOS, DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO, INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES C&S LTDA, DISTRIBUIDORA DE CARNES SÃO LUIZ, AGRO CARNES ALIMENTOS ATC LIDA e PEREIRA, PEREIRA COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LIDA, apreendidas no escritório da COFERFRIGO. Alega que sequer tem conhecimento da existência de tais relações e que os vistos, caso existam, devem ser de funcionários administrativos da COFERFRIGO. Aduz que, à mingua de perícia ou exame grafotécnico, não pode a autoridade afirmar a autoria dos vistos. Alega que ocorreu a decadência do direito de lançar os créditos tributários pertinentes aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002, tendo em vista que se esgotou o prazo de cinco anos previsto no art. 150, § 4o., do CTN. Invoca decisão do Conselho de Contribuintes em abono a seus argumentos. Relata que, em 16/11/1990, o Sr. João Baptista Bonassi e a Sra. Gessilia Camillo Bonassi doaram uma gleba de terras para a constituição da COFERCARNES COMERCIAL FERNANDÓPOLIS DE CARNES LTDA, com sede na Av. Afonso Cáfaro, n° 1.325A, Fernandópolis/SP. Em 17/12/1997 esta empresa mudou sua sede para o terreno havido em doação, localizado na Estrada Municipal FernandópolisMeridiano, Km 2, zona rural, Fernandópolis/SP. Posteriormente, em 15/10/2004, a COFERCARNES arrendou o imóvel industrial para a COFERFRIGO, pelo prazo de 24 meses (de 15/10/2004 a 14/10/2006), mediante o pagamento mensal de R$ 15.000,00. Em decorrência do arrendamento, a COFERCARNES teve sua inscrição estadual suspensa pelo período do contrato, tal como determina a legislação estadual (Portaria CAT n° 39), de modo que permaneceu sem qualquer movimento fiscal. A despeito disso, o impugnante, juntamente com sua família, permaneceu morando na residência existente no mesmo imóvel rural. Passou, então, a atuar como corretor para o Sr. Alfeu Mozaquatro, comprando gado para suas empresas. Vencido o contrato de arrendamento, em 14/10/2006, a COFERFRIGO ainda resistiu a deixar o imóvel por algum tempo, até que foi notificada judicialmente para desocupálo, saindo somente em 30/11/2006. Diante desses fatos, conclui que não houve caracterização de responsabilidade solidária com base no art. 133 do CTN, pois a COFERFRIGO não adquiriu o estabelecimento da COFERCARNES. Aduz, ademais, que, tendo a COFERFRIGO arrendado a planta frigorífica da COFERCARNES em 14/10/2004, não pode o impugnante ser solidariamente responsável por débito relativo ao anocalendário de 2002. Cita diversas decisões judiciais que corroboram seus argumentos. Alega que a COFERFRIGO não estava inscrita ou instalada naquele local no ano calendário de 2002 e declarou os débitos relativos aos fatos geradores ocorridos neste período em outros estabelecimentos, de modo que é descabida a atribuição a ele de responsabilidade por débitos declarados pela COFERFRIGO e decorrentes de fatos geradores ocorridos antes do arrendamento. Afirma que não pode ser responsabilizado por fatos geradores ocorridos em todos os estabelecimentos da COFERFRIGO, já que instalação de um dos estabelecimentos Fl. 4427DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 29 19 desta empresa na planta industrial da COFERCARNES ocorreu apenas no período de 14/10/2004 a 30/11/2006. Argumenta que a COFERFRIGO não encerrou suas atividades, razão pela qual a eventual execução fiscal, caso a empresa não tenha patrimônio para suportar os débitos, deve ser direcionada a Valter Francisco Rodrigues Junior, seu sócio de direito, ou a Alfeu Crozato Mozaquatro, proprietário de fato da empresa. Conclui que, em virtude do prosseguimento da COFERFRIGO na exploração de suas atividades, não há que se falar em sucessão tributária ou atribuição de responsabilidade a terceira pessoa. Afirma que a COFERFRIGO declarou os débitos decorrentes dos fatos geradores ocorridos em seu estabelecimento comercial no anocalendário de 2002, fatos estes distintos dos ocorridos na planta arrendada no ano de 2004, de modo que não há que se falar em responsabilidade solidária. Alega que, com a entrega da DCTF, começa a correr o prazo prescricional de cinco anos para exigir os débitos. Assim, a partir do último dia de 2002, iniciouse, segundo seu entendimento, a contagem do prazo prescricional. Conclui que não pode o débito já confessado e declarado ser novamente exigido, por solidariedade, de terceiras pessoas, após o transcurso do prazo prescricional. Cita diversas decisões judiciais nesse sentido. Por fim, pede que sejam acolhidas suas alegações de ilegitimidade de parte e de prescrição, requerendo sua exclusão do pólo passivo. A autoridade julgadora de primeira instância DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP, decidiu a matéria por meio do Acórdão 1435.218, de 12/09/2011 (fls.3984), julgando a impugnação procedente em parte, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA. IRPJ. Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 DECADÊNCIA. SÓCIOS "LARANJAS". RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE DOS GERENTES. ARBITRAMENTO DO LUCRO. MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. A contagem do prazo decadencial, havendo dolo do contribuinte na prática das infrações apuradas, é regulada pelo art. 173, I, do CTN, de modo que o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Uma vez comprovado que a sociedade foi constituída com sócios "laranjas" com o fim de proteger o patrimônio dos titulares de fato contra a exigência dos créditos tributários devidos, é cabível a inclusão destes como responsáveis solidários, por haver interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores dos créditos tributários lançados. Também é cabível a atribuição de responsabilidade pelo crédito tributário ao gerente que agir com infração à lei. Impõese o arbitramento do lucro quando a escrituração contábil e fiscal revelarse imprestável para a apuração do lucro real e para a identificação da movimentação financeira. É cabível a aplicação de multa qualificada quando for demonstrado que o contribuinte agiu dolosamente para a prática das infrações apuradas. A falta de atendimento a intimação para prestar esclarecimentos a respeito de fatos relevantes demonstra a falta de cumprimento do dever de colaboração pelo contribuinte que é causa suficiente para o agravamento da multa. Fl. 4428DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 30 20 AUTO REFLEXO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO/CSLL. Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL/COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002 Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexos de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte É o relatório. Passo ao voto. Fl. 4429DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 31 21 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas RECURSO DE OFÍCIO Em face da decadência alegada nas impugnações apresentadas pelos responsáveis tributários Marcelo Buzolin Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro, CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, Alfeu Crozato Mozaquatro, INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA e João Pereira Fraga, (registrese que, por intempestiva, não se conheceu da impugnação oferecida pela COFERFRIGO ATC LTDA), a Turma de julgamento em primeira instância assim se pronunciou: Quanto à alegação de decadência, cabe observar que o art. 150, § 4o., do CTN, in fine, excepciona da regra geral os casos em que ficar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na situação versada nos autos, foi demonstrada, conforme será adiante referido, a atuação dolosa e fraudulenta do contribuinte, em virtude da utilização de interpostas pessoas e da reiteração de condutas que infringiram a legislação tributária. Diante disso, a contagem do prazo decadencial regulase pela regra inscrita no art. 173, I, do CTN, de modo que o prazo de cinco anos contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em razão do arbitramento do lucro, os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorreram no último dia de cada um dos trimestres do ano de 2002. Assim, para os três primeiros trimestres de 2002, a contagem do prazo decadencial teve inicio em 1° de janeiro de 2003, esgotandose em 31/12/2007. Para o último trimestre de 2002, o prazo decadencial começou a correr apenas em 1° de janeiro de 2004, encerrandose em 31/12/2008. Tendo em conta que a ciência dos autos de infração lavrados ocorreu em 04/06/2008, concluise ocorreu a decadência para os lançamentos de IRPJ e de CSLL relativos aos três primeiros trimestres de 2002, remanescendo apenas os créditos tributários lançados para o último trimestre deste ano. Da mesma forma, o prazo decadencial do PIS e da COFINS, cujos fatos geradores ocorrem no último dia de cada um dos meses de 2002, já havia se esgotado, quando da ciência dos autos de infração lavrados, para os meses de janeiro a novembro de 2002. Quanto ao PIS e à COFINS lançados para o mês de dezembro de 2002, o prazo de cinco anos começou a ser contado somente em 1° de janeiro de 2004, esgotandose em 31/12/2008. Portanto, quanto ao PIS e à COFINS, remanescem apenas os créditos tributários lançados para o mês de dezembro de 2002. O valor do crédito exonerado supera o limite estabelecido pela Portaria/MF 03, de 03/01/2008, razão pela qual, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei 9.532/97, deve a decisão ser submetida à revisão necessária. Pelo que conheço do recurso de ofício interposto. Fl. 4430DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 32 22 Portanto, o primeiro ponto a ser apreciado, antes mesmo das questões preliminares suscitadas, é a ocorrência ou não de dolo ou fraude na conduta da contribuinte, posto que dessa decisão se poderá orientar outras, no que tange às alegações de decadência e da qualificação da multa. Compulsando os autos, constato que a acusação contempla a conduta sistemática da fiscalizada de se utilizar de interpostas pessoas (“Laranjas”) para a constituição de empresas com a finalidade de movimentar a maior parte do seu faturamento, sem recolher os tributos devidos, e, ainda, a prática de subfaturamento e aquisição de notas fiscais “frias”. Verificase, ainda mais, a existência de cinco contas bancárias à margem da escrituração contábil. Os sócios de direito ("laranjas") foram intimados a informar quem os orientou na constituição da COFERFRIGO, a detalhar suas funções ou atividades, a informar quem eram os gerentes e terceiros ligados à empresa, bem como a comprovarem a integralização do capital social. Não se manifestaram sobre quaisquer dos esclarecimentos solicitados. Vêse, também, que a COFERFRIGO (empresa fiscalizada) apresentou as DCTFs relativas ao primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2002 sem impostos a pagar. Em 30/06/2003, apresentou a DIPJ/2003, relativa ao anocalendário de 2002, apurando o IRPJ pelo lucro real anual. Em 29/09/2006, no curso de ação fiscal relativa a revisão interna de DIPJ, seis dias antes de ser deflagrada a Operação Grandes Lagos, realizada pela Policia Federal, retificou suas DCTFs relativas aos quatro trimestres de 2002, incluindo valores de IRPJ e de CSLL a pagar informados na DIPJ/2003. Finalmente, em 08/03/2007, após o inicio da ação fiscal que resultou na lavratura dos autos de infração de que trata o presente processo administrativo, retificou a DCTF referente ao quarto trimestre de 2002, majorando os débitos de PIS e de COFINS apurados para o mês de dezembro de 2002. Esse procedimento se encontra fartamente provado nos autos, devendo ser especialmente destacado o minucioso trabalho investigativo do Fisco, colhendo informações do relatório da Policia Federal, encaminhado pelo Poder Judiciário, também da SEFAZ/SP, bem como, da escrita contábil e fiscal da autuada. Tenho que tal conduta se amolda com perfeição à sonegação e à fraude, tipificadas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 4431DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 33 23 Diante do exposto, impõese a conclusão da correção da multa de 150% aplicada, em convergência com o art. 44 da Lei nº 9.430/1996, em sua redação dada pela Lei nº 11.884/2007. A seguir, cabe apreciar os argumentos dos recorrentes acerca da decadência para os fatos geradores ocorridos no ano calendário 2002. Seu principal argumento é de que o lançamento teria sido formalizado em 28/05/2008 (ciência em 04/06/2008). Desta forma, e de acordo com as disposições do art. 150, § 4º, do CTN, o ano calendário 2002 estaria alcançado pela decadência. Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Fl. 4432DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 34 24 Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Posteriormente, o próprio STJ reviu seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. Fl. 4433DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 35 25 De se ver, portanto, de que forma essa jurisprudência deve ser reproduzida no caso sob exame, em cumprimento das nóveis disposições regimentais. O Superior Tribunal de Justiça aponta, inequivocamente, para a contagem do prazo decadencial segundo as disposições do art. 173, I, do CTN, como regra geral. Esse seria também o dispositivo aplicável quando a lei determine o pagamento antecipado do tributo e o contribuinte não cumpra com essa obrigação e, ainda, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte , inexistindo declaração prévia do débito. No caso concreto, conforme anteriormente demonstrado, está presente o dolo, a fraude e a sonegação na conduta adotada pelo contribuinte com o intuito de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador. Nos termos da decisão do STJ que deve ser reproduzida por este Colegiado, tenho que a circunstância verificada é suficiente para fazer com que o regramento aplicável à contagem do prazo decadencial seja aquele do art. 173, inciso I, do CTN, ou seja, o dies a quo deve ser considerado como o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. Conforme se depreende do processo, a ciência aos autos de infração deuse em 04 de agosto de 2008, e alcançam fatos geradores corridos no ano calendário de 2002, sendo que para os fatos geradores do IRPJ e da CSLL, foram lançados trimestralmente e os de PIS e COFINS mensalmente. Logo, aplicando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, para o IRPJ e a CSLL, sujeitos à apuração em períodos trimestrais, os fatos geradores correspondentes aos três primeiros trimestres encerrado em 30/04/2002, 31/07/2002 e 30/10/2002, respectivamente, poderiam ter sido objeto de lançamento neste ano (a partir do quarto trimestre). O primeiro dia do exercício seguinte seria, então, 01/01/2003, a partir de quando se há de contar o lustro decadencial, que se encerraria em 31/12/2007. Desde que a ciência do lançamento se deu em 04/06/2008, concluise que os três primeiros trimestres lançados do ano calendário de 2002 foram alcançados pela decadência. Para o PIS e a COFINS, sujeitos à apuração em períodos mensais, os fatos geradores correspondentes aos meses de janeiro a novembro de 2002, poderiam ter sido objeto de lançamento ainda em 2002 (dezembro). O primeiro dia do exercício seguinte seria, então, 01/01/2003, a partir de quando se há de contar o lustro decadencial, que se encerraria em 31/12/2007. Desde que a ciência do lançamento se deu em 04/08/2008, concluise, que os lançamentos relativos aos meses de janeiro a novembro de 2002 estariam alcançado pelo instituto da decadência. Constatase, portanto, que o tema da decadência argüidas nas impugnações tempestivamente apresentadas foram cuidadosamente analisadas pelo Relator do voto condutor do Acórdão recorrido e, considerando, assim, que a redução da matéria tributável conforme demonstrado acima está em consonância com a legislação aplicável e com a jurisprudência deste Conselho, nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Recursos interpostos conjuntamente pelos responsáveis tributários ALFEU CROZATO MOZAQUATRO, MARCELO BUZOLIN MOZAQUATRO, PATRÍCIA BUZOLIN MOZAQUATRO, CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, INDÚSTRIAS REUNIDAS Fl. 4434DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 36 26 CMA LTDA e, individualmente, por JOÃO PEREIRA FRAGA, são tempestivos e assentes em lei. Deles conheço. Os temas se repetem ao da fase inicial (impugnação), quais sejam: (i) Decadência; (ii) Responsabilidade Tributária/Prova Emprestada e, (iii) Caráter Confiscatório das multas aplicadas. Nos recursos apresentados, os quais serão apreciados em conjunto, pois se repetem nas mesmas argumentações, os interessados (todos eles: ALFEU CROZATO MOZAQUATRO, MARCELO BUZOLIN MOZAQUATRO, PATRÍCIA BUZOLIN MOZAQUATRO, CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA e JOÃO PEREIRA FRAGA, este o único a apresentar em separado), procuram defenderse alegando não estar enquadrados em nenhum dos dispositivos legais atinentes a matéria. Contudo os fatos contam uma outra história. Sendo relevante, ao caso, reproduzir os seguintes excertos do voto condutor da decisão recorrida, que adoto como razão de decidir: “Os impugnantes pretendem fazer crer que as movimentações financeiras verificadas entre eles decorrem das atividades desenvolvidas, envolvendo pecuaristas, atravessadores "taxistas", frigoríficos, comércio de produtos de graxaria e curtumes. Afirmando que no mercado de carne são comuns recebimentos de terceiros, inclusive cheques, por transferências pura e simples ou endossos, além de cessões de créditos. Estas alegações foram apresentadas de maneira genérica, desacompanhadas de qualquer prova. Cabe esclarecer que, nos termos do art. 251 do RIR/1999, deve o contribuinte manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, abrangendo todas as operações, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. Além disso, conforme prescreve o art. 264 do RIR/1999, deve o contribuinte conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade. Portanto, a simples alegação, desacompanhada de prova, de que as movimentações financeiras constatadas decorrem das atividades desenvolvidas pela COFERFRIGO, pela CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA e pela INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA não basta para infirmar as conclusões a que chegou a autoridade autuante, sobretudo tendo em conta que diversas outras provas foram colhidas no curso da ação fiscal. Esse conjunto de provas demonstrou que a COFERFRIGO foi constituída pelo Núcleo Mozaquatro com sócios "laranjas", a fim de blindar o patrimônio de seus titulares de fato, de modo a que estes pudessem desenvolver suas atividades sem recolher os tributos devidos e protegendose de eventuais execuções fiscais. A condição de "laranjas" dos senhores Valter Francisco Rodrigues Júnior, José Roberto Barbosa e Alvará Antônio Miranda na constituição da COFERFRIGO se infere de diversos elementos, a começar pela falta de capacidade econômica de cada um deles para iniciar um empreendimento desse porte e para administrálo. O Sr. Valter Francisco Rodrigues Júnior tinha rendimento mensal aproximado de R$ 1.000,00, incompatível com o valor do capital integralizado da empresa em Fl. 4435DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 37 27 2001. Anteriormente, foi interposta pessoa no quadro social da DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SAO LUIZ LTDA (99% do capital social). Antes disso, trabalhou em uma usina de açúcar e álcool na função de eletricista de instalações, com remuneração em tomo de 4 salários mínimos. No período de 2002 a 2006, seus rendimentos declarados giraram em tomo de R$ 20.000,00 por ano e seu patrimônio variou de R$ 80.000,00 a R$ 150.000,00. Sua movimentação financeira aumentou de R$ 84.000,00 em 2002 para R$ 237.000,00 em 2003. 0 Sr. José Roberto Barbosa foi funcionário da INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA, empresa ostensiva do Grupo Mozaquatro, de 01/10/1998 a 26/03/2001. No período de 2002 a 2006, seus rendimentos declarados não chegaram a R$ 20.000,00 por ano e seu patrimônio aumentou de R$ 7.800,00 em 2002 para quase R$ 35.000,00 em 2006. Sua movimentação financeira girou em tomo de R$ 40.000,00 anuais. Também consta como sócio da COMERCIAL REIS DE PRODUTOS BOVINOS LTDA (50% do capital social). 0 Sr. Álvaro Antonio Miranda também consta como sócio da TRANSVERDE PRODUTOS "ALIMENTÍCIOS LTDA (98% do capital social) e da FRIVERDE INDUSTRIA DE ALIMENTOS LTDA (95% do capital social). No ano de 2002, seus rendimentos declarados giravam em torno de R$ 15.000,00, passando para pouco mais de R$ 120.000,00 em 2003. Tal aumento de rendimento pode ter sido declarado com o fim de justificar a origem dos recursos utilizados na integralização do capital da FRIVERDE, pois foram registrados a titulo de rendimentos isentos, sem especificação da respectiva procedência, e nos dois anos seguintes ele voltou a declarar rendimentos totais inferiores a R$ 25.000,00 por ano. No curso da ação fiscal e também na impugnação apresentada, o Sr. João Pereira Fraga reconheceu que o Sr. Alfeu Mozaquatro era o titular de fato da COFERFRIGO e sempre atuou ativamente em sua administração. Também o Sr. Jéferson César Gonçalves Resende, gerente da COFERFRIGO (CNPJ 04.352.222/000205) em Fernandópolis/SP, prestou valiosos esclarecimentos. Informou que exercia suas funções de gerente comercial da empresa desde 2001, a despeito de estar registrado na CAROMAR como gerente administrativo, situação esta que perdurou até 10/09/2004. Afirmou que, quando a referida filial da COFERFRIGO passou a operar nas instalações da COFERCARNES COMERCIAL DE FERNAND6POLIS DE CARNES LTDA (Estrada FernandópolisMeridiano, Km, 2, Zona Rural, Fernandópolis/SP), continuou a exercer as mesmas funções. Esclareceu que desde 1999, época em que trabalhava na DISTRIBUIDORA DE CARNES SAO LUIZ, sendo registrado na CAROMAR, até 04/10/2006 recebeu ordens do Sr. Alfeu Crozato Mozaquatro, que visitava freqüentemente as instalações e as operações industriais. Ademais, nos controles internos do Grupo Mozaquatro, obtidos com autorização judicial, foram encontrados registros de pagamento de despesas pessoais do Sr. Valter Francisco Rodrigues Junior, inclusive pagamento de aluguéis e de prestação relativa à aquisição de veiculo particular. Todos esses fatos demonstram sua condição de sócio "laranja" na COFERFRIGO. Em depoimento à Policia Federal, o Sr. José Roberto Barbosa afirmou que após a constituição da COFERFRIGO continuou a exercer as mesmas atividades na INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA, sem registro em CTPS. Voltou a ser empregado desta empresa de maio de 2006 a junho de 2007. Fl. 4436DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 38 28 Esclareçase que os sócios de direito ("laranjas") foram intimados a informar quem os orientou na constituição da COFERFRIGO, a detalhar suas funções ou atividades, a informar quem eram os gerentes e terceiros ligados à empresa, bem como a comprovarem a integralização do capital social. Não se manifestaram sobre quaisquer dos esclarecimentos solicitados. Todas estas provas demonstram com clareza que a COFERFRIGO foi constituída por sócios "laranjas", para acobertar as operações realizadas por seus efetivos titulares, liderados pelo Sr. Alfeu Mozaquatro. Mas há mais provas a referir. Em 05/10/2007, foram realizadas diversas buscas e apreensões com autorização judicial. Na sede da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, situada na Rua José Pedro Bassan, n° 1000, Mini Distrito Industrial, Monte Aprazível/SP, foram apreendidos discos rígidos de computador. Da mesma forma, na Rua Cel. Joaquim da Cunha, n° 445, Centro, Tanabi/SP, local em que se encontram a ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL UNIA0 LTDA (responsável pela contabilidade das empresas ostensivas e dissimuladas do Grupo Mozaquatro) e a empresa UNIÃ0 PRATIC INFORMÁTICA LTDA, foram apreendidos discos rígidos de computador. Os documentos extraídos destes discos rígidos, aliados a diversas outras provas; demonstram que a vinculação da COFERFRIGO ao Sr. Alfeu Crozato Mozaquatro, à Sra. Patricia Buzolin Mozaquatro, ao Sr. Marcelo Buzolin Mozaquatro, à INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA, à. CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA e ao Sr. João Pereira Fraga. Os impugnantes afirmam que desconhecem os dados extraídos dos computadores da CM4 e da INDUSTRIAS REUNIDAS, requerendo a realização de perícia em sua contraprova. A produção de prova pericial no processo administrativo fiscal é regulada pelo art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, nos seguintes termos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 10 da Lei n° 8.748/93). Para a apreciação da necessidade da perícia solicitada, convém transcrever o excerto do "Termo de Verificação Fiscal" que descreve a forma pelo qual os dados foram extraídos dos discos rígidos apreendidos. Eis a descrição: 168. Após o recebimento das mídias digitais apreendidas, na DRF São José do Rio Preto, houve a abertura e deslacração dos volumes, a recuperação dos arquivos de interesse fiscal e a inclusão dos arquivos recuperados em arquivos compactados, autenticados mediante uso da função MD5 com geração de uma chave para cada arquivo, visando a garantia da integridade do conteúdo dos mesmos, tendo sido fornecido cópia dos mesmos com as respectivas chaves MD5 ao representante legal da contribuinte, sendo devolvida as mídias originais na forma em que foram recebidas. E, ainda, todo o procedimento foi realizado na presença de representante legal da contribuinte. 169. A titulo de esclarecimento, para realizar a recuperação de arquivos digitais de interesse fiscal como também de arquivos digitais apagados, os quais teriam sido eliminados a mando dos titulares de fato ou de seus contadores, utilizamos softwar de recuperação de dados. Em seguida, foram produzidos arquivos Fl. 4437DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 39 29 compactados com os dados de interesse desta fiscalização, representando, na maior parte das vezes, cada disco rígido ou outra mídia digital apreendida. Os HD e as outras mídias digitais originais foram devolvidos à fiscalizada, na forma em que foram recebidos, tendo sido fornecidas também h. fiscalizada cópia idêntica de todos os arquivos compactados produzidos por esta fiscalização, autenticados mediante uso da função MD5, de forma a garantir sua integridade. Obs.: A função ou verificação MD5 (MessageDigest algorithm 5) gera uma chave unida (conhecida como chave MD5) de letras e números que representam um conjunto de dados, neste caso, os arquivos digitais recuperados largamente utilizada em todo o mundo para verificar a integridade de arquivos digitais. Os procedimentos acima descritos, realizados na presença do representante legal do contribuinte, demonstram os cuidados tomados na obtenção dos dados extraídos dos discos rígidos apreendidos. Diante disso, a alegação genérica de desconhecimento dos dados não basta para retirar o poder de convencimento de que é dotada a prova produzida. Registrese que os HD e as outras mídias digitais originais apreendidas, bem como cópias idênticas de todos os arquivos compactados produzidos foram entregues ao contribuinte, de modo que o assistente indicado pelo contribuinte poderia facilmente fazer uma avaliação preliminar do material e apontar eventuais inconsistências na prova colhida, a fim de demonstrar a necessidade da perícia requerida. Em suma, reputo desnecessária a realização de perícia, razão pela qual indefiro o pleito. Dentre os documentos constantes dos discos rígidos apreendidos na sede da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, cujo sóciogerente no ano de 2002 era o Sr. Alfeu Mozaquatro, destacase um com controles de pagamentos, transferências e recebimentos relativos as seguintes pessoas: DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO LUÍS LTDA, COFERFRIGO ATC LTDA, INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA, Alfeu Crozato Mozaquatro, Patricia Buzolin Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Valter Francisco Rodrigues Júnior e outros. As transferências de valores para a COFERFRIGO foram confirmadas pelas coincidências em datas, valores e bancos. Constatouse, ainda, a existência de banco de dados com plano de contas contendo empresas do Grupo Mozaquatro, inclusive a COFERFRIGO, como também bens pessoais de Alfeu Mozaquatro. Estes documentos revelam com clareza a existência de um grupo de empresas controlado pelas mesmas pessoas físicas. As conclusões da autoridade autuante, portanto, não foram extraídas precipitadamente a partir dos pagamentos e recebimentos constatados, conforme pretendem fazer crer os impugnantes. Tampouco procede a alegação de que o arrendamento das plantas industriais para a COFERFRIGO decorre da opção por não se expor ao risco da atividade. As evidências colhidas demonstram que a COFERFRIGO, assim como outras empresas integrantes do grupo Mozaquatro, foi adrede constituída por "laranjas" para blindar o patrimônio dos respectivos titulares de fato. Isso foi comprovado não apenas pela falta de recursos dos sócios "laranjas", mas também pelos depoimentos já referidos, pelo rastreamento da movimentação financeira acima mencionada e também pelos documentos extraídos dos discos rígidos apreendidos na sede da CM4. Há, ainda, outros elementos que atestam a vinculação entre as empresas integrantes do grupo Mozaquatro e as pessoas físicas envolvidas nos ilícitos apurados. Nos discos rígidos apreendidos na sede da ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL UNIÃO LTDA foram extraídos documentos reveladores. Em um deles consta proposta de prestação de serviços COFERFRIGO, na ocasião da substituição da DISTRIBUIDORA SÃO LUIS, indicando, no quesito "CONTROLE DE CRÉDITO Fl. 4438DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 40 30 ACUMULADO" (de ICMS), os dizeres "Elaboração de levantamentos periódicos de crédito acumulado (Alfeu)". Outro documento contém valores para prestação de serviços contábeis e fiscais, por estabelecimento, indicando todas as empresas ostensivas e paralelas ou dissimuladas do Grupo Mozaquatro, mostrando inclusive os valores relativos as fazendas de Alfeu e esposa, constando, na descrição das tarefas, os dizeres "Elaboração de levantamentos periódicos de crédito acumulado (Alfeu)". E planilha com relação de honorários, relativos ás empresas ostensivas, paralelas e ligadas ao Grupo Mozaquatro, tendo como itens "COFERFRIGO FRAGA", COFERFRIGOBOI RIO, entre outros, sob o titulo "HONORÁRIOS — ALFEU". Outro documento contém a relação de funcionários responsáveis por diversas áreas administrativas dos frigoríficos de Fernandópolis, São José do Rio Preto e Jales da COFERFRIGO, assim como do CURTUME (INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA), estabelecimento de Monte Aprazível. Finalmente, há documento, intitulado "RELATÓRIO DE EMPRESAS", contendo, dentre outras informações, a relação dos estabelecimentos da CMA, da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, da M4 LOGÍSTICA LTDA, da CMA INDUSTRIA DE SUBPRODUTOS BOVINOS LTDA, da COFERFRIGO, da FRIVERDE e relação de empresas•ligadas à COFERFRIGO, nas quais estão registrados os seus funcionários. Especificamente quanto à relação de Alfeu Mozaquatro com a COFERFRIGO e com o grupo Mozaquatro como um todo, além das provas já referidas há diversos outros elementos colhidos no curso da ação fiscal. Apurouse que o Sr. Alfeu Mozaquatro recebeu cheque proveniente da COFERFRIGO e efetuou diversos pagamentos em cheque a esta empresa. Intimado a justificar estas operações, o Sr. Alfeu limitouse a afirmar que "em razão do tempo transcorrido (mais de 5 anos) e ainda agravado pelo fato de buscas e apreensões realizadas quando da operação grandes lagos pela Policia Federal, buscas essas também realizadas pelo Fisco Estadual, não foi possível levantar os dados solicitados". Constatou a autoridade que a COFERFRIGO e a INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA, controlado pelos Sr. Alfeu no ano de 2002 com 95% do capital social, coincidentemente se sucederam ou conviveram simultaneamente em diversos endereços ocupados por seus estabelecimentos. Também o Sr. João Pereira Fraga apresentou preciosos esclarecimentos sobre o Núcleo Mozaquatro. Afirmou que a DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO LUIZ LTDA fornecia notas fiscais "frias" para Alfeu Mozaquatro, com o fim de ocultar as operações de abate e comércio de carnes realizadas pelas empresas deste. Porém, o Sr. Alfeu chegou à conclusão de que a compra de notas fiscais tinha custo muito alto, de modo que constituiu a COFERFRIGO, trazendo da DISTRIBUIDORA SÃO LUIZ o sócio"laranja", Sr. Valter Francisco Rodrigues, que não tinha poder de mando. Esclareceu que o Sr. Valter, assim como o Sr. Álvaro Antonio Miranda, não têm experiência nem respaldo ou condições para tocar um frigorífico. A SEFAZ/SP também forneceu os seguintes documentos que atestam a vinculação entre Alfeu Mozaquatro e COFERFRIGO: 1 contrato particular de arrendamento rural da Fazenda Cachoeira em Monte Aprazível/SP, datado de 01/04/2002, tendo como arrendatária a COFERFRIGO e como fiadores Alfeu e sua filha Patrícia; 2 boleto de pagamento, tendo como cedente a empresa IKEDA ONO E CIA LTDA e como sacada a COFERFRIGO, contendo anotação com os seguintes dizeres: "(Sr. Alfeu)"; 3 boleto de pagamento, tendo como cedente MOORE BRASIL LTDA e como sacada a COFERFRIGO, juntamente com cópia do cheque Fl. 4439DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 41 31 desta, contendo a seguinte inscrição: "78.7 DEBITO REF. DESP. DIVERSAS — PAGO MOORE BRASIL LTDA — REF. — NOTAS FISCAIS COFERFRIGO — DEBITAR SR. ALFEU — F0033794 — 110639"; 4 cópia de cheque nominal para a COFERFRIGO, datado de 24/09/2002, com identificação abaixo, referindose ao cheque no 002041, "BRADESCO — COFERFRIGO", utilizado para "PG. ALFEU MOZAQUATRO". Portanto, está evidenciado que o Sr. Alfeu Mozaquatro foi o mentor do grupo Mozaquatro, atuando na constituição das diversas empresas, na respectiva administração e auferindo benefícios econômicos das atividades por elas exercidas, inclusive da COFERFRIGO. Dai a conclusão no sentido de que Alfeu Crozado Mozaquatro teve interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, sendo, portanto, solidariamente obrigado ao pagamento dos créditos tributários lançados, nos termos dos arts. 121 e 124, I, do CTN. Ademais, também ficou caracterizada sua responsabilidade pessoal, por exercer a administração de fato da COFERFRIGO (art. 135, III, do CTN). Registrese que a responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do CTN não é afastada pelo fato de a receita utilizada no arbitramento do lucro ter sido declarada em DIPJ. A infração à lei está na falta de manutenção de escrituração regular e também na blindagem patrimonial que o Sr. Alfeu Mozaquatro intentou promover ao constituir a COFERFRIGO valendose de sócios "laranjas". Também a vinculação de Patrícia Mozaquatro com a COFERFRIGO e com o grupo Mozaquatro em seu conjunto foi devidamente demonstrada nos autos. A Sra. Patrícia Buzolin Mozaquatro detinha, em 2002, 20% do capital social da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA. Conforme já referido, há registros de controle de pagamentos, transferências e recebimentos da COFERFRIGO, bem como de despesas pessoais de Patrícia Mozaquatro, mediante utilização de recursos e da estrutura da CM4. A partir da quebra do sigilo bancário, apurouse que Patrícia Mozaquatro recebeu diversos cheques da COFERFRIGO no ano de 2002. Intimada a manifestar se acerca de tais recebimentos, limitouse a afirmar que "em razão do tempo transcorrido (mais de 5 anos) e ainda agravado pelo fato de buscas e apreensões realizadas quando da operação grandes lagos pela Policia Federal, buscas essas também realizadas pelo Fisco Estadual, não foi possível levantar os dados solicitados". A SEFAZ/SP também forneceu documentos que atestam a vinculação entre Patrícia Mozaquatro e COFERFRIGO, destacandose a cópia de um fax emitido pelo Banco, datado de 02/06/2003, tratando de controle de aplicações financeiras — CDB/RDB, tendo como cliente a COFERFRIGO, e os seguintes dizeres manuscritos: "A/C: Patrícia". Concluise, assim, que Patrícia Buzolin Mozaquatro teve interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, sendo, portanto, solidariamente obrigado ao pagamento dos créditos tributários lançados, nos termos dos arts. 121 e 124, I, do CTN. Da mesma forma, foram colhidas robustas provas da vinculação de Marcelo Mozaquatro com a COFERFRIGO e com o grupo Mozaquatro em seu conjunto. Fl. 4440DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 42 32 0 Sr. Marcelo Buzolin Mozaquatro detinha, em 2002, 20% do capital social da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA. Também para ele há registros de controle de pagamentos, transferências e recebimentos da COFERFRIGO, bem como de despesas pessoais dele, mediante utilização de recursos e da estrutura da CM4. Marcelo Mozaquatro também recebeu cheques da COFERFRIGO em 2002. Intimado a manifestarse, limitouse a afirmar que "em razão do tempo transcorrido (mais de 5 anos) e ainda agravado pelo fato de buscas e apreensões realizadas quando da operação grandes lagos pela Policia Federal, buscas essas também realizadas pelo Fisco Estadual, não foi possível levantar os dados solicitados". Destarte, está devidamente comprovado que Marcelo Buzolin Mozaquatro teve interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, sendo, portanto; solidariamente obrigado ao pagamento dos créditos tributários lançados, nos termos dos arts. 121 e 124, I, do CTN. Também foi evidenciada a vinculação entre a INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA e a COFERFRIGO. Em 2002, o Sr. Alfeu tinha 95% do capital social da CMA. Foram apreendidos registros de controle de pagamentos, transferências e recebimentos da COFERFRIGO, bem como da CMA, mediante utilização de recursos e da estrutura da CM4. A quebra do sigilo bancário permitiu constatar que a CMA efetuou diversos pagamentos à COFERFRIGO no ano de 2002. Constatouse, ainda, que a CMA registrou pagamentos à COFERFRIGO em seu livro Diário. Contudo, documentos recebidos das instituições financeiras demonstram que o beneficiário dos pagamentos foi a DISTRIBUIDORA SÃO LUÍS. Os registros dos pagamentos da CMA à DISTRIBUIDORA SÃO LUÍS não foram localizados no livro Diário. Curioso notar que o Sr. Marcelo Mozaquatro recebeu pagamentos da CMA que foram contabilizados por esta como destinados à COFERFRIGO. Na CMA, situada na R. Cel. Spinola de Castro, 3635, salas 141 e 142, Centro, São José do Rio Preto/SP, a Policia Federal apreendeu um talão de cheques da COFERFRIGO, contendo 20 folhas em branco, apenas com assinaturas do Sr. Valter Francisco Rodrigues Junior. Diante disso, concluise que a INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA teve interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, sendo, portanto, solidariamente obrigado ao pagamento dos créditos tributários lançados, nos termos dos arts. 121 e 124, I, do CTN. Finalmente, foi demonstrada, ainda, a vinculação entre a CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA e a COFERFRIGO. 0 Sr. Alfeu Crozato Mozaquatro tinha, em 2002, 20% do capital social da CM4. Conforme já referido, na sede da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA foi apreendido HD contendo diversos arquivos fazendo referência à COFERFRIGO, com controles de pagamentos, transferências e recebimentos. As transferências de valores para a COFERFRIGO foram confirmadas pelas coincidências em datas, Fl. 4441DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 43 33 valores e bancos. Constatouse, ainda, a existência de banco de dados com plano de contas contendo empresas do Grupo Mozaquatro, inclusive a COFERFRIGO, como também bens pessoais de Alfeu Mozaquatro. Além disso, no site do portal da internet www.importabrazil.com , conhecido como "The Brazilian Export Portal", em "Company Info", constava a razão social da DISTRIBUIDORA SÃO LUÍS como sendo o nome completo do Frigorífico Mozaquatro Ltda (hoje CM4 PARTICIPAÇÕES LIDA), indicando o endereço Av. Expedicionários Brasileiros em Fernandópolis/SP e Alfeu Crozato Mozaquatro como a pessoa indicada para contato. No entanto, na época, as instalações frigoríficas nesse endereço estavam arrendadas para a COFERFRIGO. Ademais, na SEFAZ/SP, a COFERFRIGO, nesse estabelecimento, é também considerada sucessora da DISTRIBUIDORA SÃO LUÍS. Concluise que a CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA teve interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, sendo, portanto, solidariamente obrigado ao pagamento dos créditos tributários lançados, nos termos dos arts. 121 e 124,1, do CTN. Os impugnantes alegam que o arbitramento do lucro se deu a destempo, já que o Fisco informa que a COFERFRIGO nunca deixou de declarar seu movimento à Receita Federal e reconhece a existência da contabilidade da empresa. Quanto a essa alegação, é preciso esclarecer que a análise da escrituração da COFERFRIGO relativa ao ano de 2002 revelou evidentes indícios de fraudes, que a tornam imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira e, também, para determinar o lucro real. Eis os vícios constatados: 1 Diversos valores registrados nos seus extratos bancários, relativos a recebimentos e pagamentos, não se encontram individualizados em seus Livros Diário e Razão; 2 Alguns valores simplesmente não foram registrados na escrituração contábil; 3 Há valores que foram lançados de forma consolidada, sem amparo em livros auxiliares, de modo que não é possível encontrar a conexão com os remetentes ou destinatários dessas transferências bancárias; 4 Há lançamentos do tipo "CAIXA a BANCOS" e "BANCOS a CAIXA", tendo em resposta alegado o contribuinte a impossibilidade de identificar a origem dos recursos recebidos; 5 Não foram escriturados quaisquer livros auxiliares; 6 Houve a manutenção de cinco contas bancárias à margem da escrituração contábil. Diante de todos esses vícios, não restou à autoridade administrativa outra alternativa senão o arbitramento do lucro. 0 fato de a apuração do lucro arbitrado ter se dado com base na receita bruta declarada pelo contribuinte não significa que o arbitramento foi feito a destempo, como argumentam os impugnantes. Na verdade, o lucro arbitrado, quando conhecida a receita bruta, deve ser apurado com base nela, conforme prescreve o art. 532 do RIR/1999. Portanto, a autoridade apenas deu cumprimento à lei. Fl. 4442DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 44 34 O Sr. João Pereira Fraga reitera, em sua impugnação, os argumentos por ele utilizados no curso da ação fiscal. Nesse sentido, afirma que atuou apenas como comprador de gado para as empresas do Sr. Alfeu Mozaquatro. Reconhece que tinha procuração para movimentar uma contacorrente aberta em nome da COFERFRIGO, mas aduz que a utilizava somente para efetuar os pagamentos das aquisições de gado que efetuava. Assevera que ingressou no quadro societário da COFERCARNES apenas em 08/04/2004 e que esta empresa arrendou sua planta frigorífica, localizada na estrada municipal Fernand6polisMeridiano, Km 2, para a COFERFRIGO em 14/10/2004, de modo que não pode o impugnante ser solidariamente responsável por débito relativo ao anocalendário de 2002. Além disso, alega o Sr. João Pereira Fraga que não há prova de que a filial 007 da COFERFRIGO tenha funcionado, no período de 18/05/2001 a 01/07/2002, na estrada municipal Fernand6polisMeridiano, Km 2. Quanto aos cheques em branco assinados por Valter Francisco Rodrigues Junior apreendidos em seu escritório, afirma João Pereira Fraga que tais cheques eram utilizados por ele na compra de gado para as empresas do Sr. Alfeu Mozaquatro. Finalmente, afirma que não procede a afirmação de que são seus os vistos constantes das relações de canhotos de notas fiscais emitidas por INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES GRANDES LAGOS, COFERFRIGO, CAMPO GRANDE CARNES E DERIVADOS, DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO, INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES C&S LTDA, DISTRIBUIDORA DE CARNES SÃO LUIZ, AGRO CARNES ALIMENTOS ATC LTDA e PEREIRA, PEREIRA COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA. Os argumentos do Sr. João Pereira Fraga não se sustentam quando confrontados com as provas colhidas no curso da ação fiscal. O contrato social da COFERFRIGO e respectivas alterações, bem como as fichas cadastrais na JUCESP, demonstram que a filial 000710 estabeleceuse, no período de 18/05/2001 a 01/07/2002, na Estrada Municipal Fernand6polis Meridiano, Km 2, Zona Rural, Fernandópolis/SP, mesmo endereço do frigorífico do Sr. João Pereira Fraga e da respectiva residência, endereço este posteriormente ocupado também pela filial 000205. A alegação de que a inscrição na JUCESP se deu sem o conhecimento do Sr. João Pereira Fraga não convence. Em primeiro lugar, porque a autoridade administrativo demonstrou à exaustão que a sucessão de empresas/estabelecimentos do grupo Mozaquatro nos mesmos endereços é parte do modus operandi, situação esta que se repetiu em vários outros locais e com várias outras empresas do grupo. Além disso, o envolvimento do Sr. João Pereira Fraga com o Sr. Alfeu Mozaquatro e com o esquema por ele arquitetado foi evidenciado por várias outras provas. O Sr. João Pereira Fraga tinha procuração da COFERFRIGO para movimentar as contas 60.3392, 60.3430 e 61.8268, todas mantidas junto à agência 0063 do Banco Bradesco em Fernandópolis/SP, bem como a conta 13004.6355, mantida na agência 0094 do Banespa em Fernandópolis/SP. A afirmação de que apenas uma destas contas foi por ele utilizada com o único fim de efetuar pagamentos do gado por ele adquirido para as empresas do Sr. Alfeu Mozaquatro tampouco é compatível com as provas colhidas. 0 Sr. Jéferson César Gonçalves Resende, gerente da COFERFRIGO (CNPJ 04.352.222/000205) em Fernandópolis/SP, asseverou que o Sr. João Pereira Fraga, além de fiscalizar a manutenção e reparo da planta industrial do frigorífico, também comprava gado para a COFERFRIGO, utilizando uma conta bancária do Bradesco a ela pertencente, da Fl. 4443DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 45 35 qual era procurador. Vejase que, segundo o depoimento, a atuação do Sr. João Pereira Fraga era muito mais ampla que a de mero comprador de gado. A Policia Federal apreendeu, no escritório de João Pereira Fraga (Rua Pernambuco, 2590), diversos documentos que demonstram a vinculação dele com a COFERFRIGO. Foram apreendidos canhotos de notas fiscais desta, bem como das empresas PEREIRA & PEREIRA e DISTRIBUIDORA SÃO LUÍS, entregues ao Frigorífico Mozaquatro. Ao manifestarse acerca desses documentos, o Sr. João Pereira Fraga afirmou que o escritório lhe pertencia e era particular, admitindo que funcionários administrativos da COFERFRIGO trabalhavam no local. No mesmo local, foi apreendido também: 1 um talão de cheques da COFERFRIGO, contendo quinze folhas em branco, assinadas por Valter Francisco Rodrigues Junior, relativos à conta corrente' n° 61.9590, mantida na agência 0639 do Banco Bradesco em Fernandópolis/SP; 2 cinco talões de cheques em branco da COFERFRIGO, com todas as folhas assinadas por Valter Francisco Rodrigues Junior, relativos à conta corrente n° 60.3392, mantida na agência 0639 do Banco Bradesco em Fernandópolis/SP. Foge ao bom senso a afirmação do Sr. João Pereira Fraga de que seu escritório particular era ocupado por funcionários de uma empresa (COFERFRIGO) na qual, conforme pretende fazer crer, atuava apenas como comprador de gado. Está claro que em seu escritório eram efetuadas atividades de gerência da unidade de Fernandópolis/SP da COFERFRIGO. A utilização desse escritório não se deve ao acaso. E decorrência da posição de gerência ocupado pelo Sr. João Pereira Fraga na COFERFRIGO. Ademais, tendo ele procuração para movimentar conta bancária da COFERFRIGO, evidentemente não necessitaria cheques em branco firmados pelo Sr. Valter Francisco Rodrigues Junior. Tais cheques, segundo parece, estavam sob seu controle em razão de sua atuação como gerente da unidade, mas seriam utilizados por terceiros, eventualmente para comprar gado ou para outra aquisição qualquer no interesse da COFERFRIGO. Essa conclusão é corroborada pelas provas da ligação de João Pereira Fraga com a COFERFRIGO presentes nas mídias digitais apreendidas nas dependências da ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL UNIÃO LTDA, em 05/10/2007. Consta planilha com relação de honorários, destinados as empresas ostensivas, paralelas e ligadas ao Grupo Mozaquatro, constando num dos itens "COFERFRIGOFRAGA", tendo como titulo "HONORÁRIOS —ALFEU", referência que corrobora a informação contida no Relatório da Policia Federal, segundo a qual o Frigorífico Mozaquatro em Fernandópolis/SP, enquanto arrendado para a COFERFRIGO, era controlado pelo Sr. João Pereira Fraga, com o consentimento do Sr. Alfeu Mozaquatro. Consta, ainda, documento intitulado "RELATÓRIO DE EMPRESAS", datado de 12/01/2006, que, dentre as diversas informações, contém relação dos estabelecimentos da COFERFRIGO, com indicação de seu controle ou sua atividade, sento que as localizadas em Fernandópolis são designadas como "FRIGORIFICO — FRAGA" e "COMÉRCIO — FRAGA". Mais que isso, apurouse que o Sr. João Pereira Fraga recebeu, em sua conta bancária particular, depósitos provenientes da COFERFRIGO. Argumenta ele que tais depósitos ocorreram a titulo de reembolso de fretes esporádicos feitos para ela em veiculo de sua propriedade, conduzido por seu filho, que arcou com o pagamento do combustível. Porém, não apresentou documentação comprobatória dessas operações. Finalmente, apurouse que a conta bancária da COFERFRIGO controlada pelo Sr. João Pereira Fraga recebeu, no ano de 2002, diversos depósitos provenientes Fl. 4444DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 46 36 de cheques da própria COFERFRIGO. Quanto a esses depósitos, afirmou o Sr. João Pereira Fraga que "não tem a menor idéia da origem dos recursos". Todas estas provas demonstram que João Pereira Fraga teve interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, sendo, portanto, solidariamente obrigado ao pagamento dos créditos tributários lançados, nos termos dos arts. 121 e 124, I, do CTN. É preciso esclarecer, ademais, que a atribuição de responsabilidade ao Sr. João Pereira Fraga não se deu com base no art. 133 do CTN, vale dizer, seu fundamento não foi a transferência do estabelecimento comercial/industrial, de modo que as alegações que invocam esta disposição legal estão fora de lugar. As transferências bancárias, ocorridas no ano de 2002, entre contas da COFERFRIGO e do Sr. João Pereira Fraga e também para a conta da COFERFRIGO por ele controlada demonstra que já neste ano ele atuava como gerente da unidade. Os demais elementos de prova colhidos acima referidos confirmam essa afirmação. Portanto, foi cabalmente comprovado que o Sr. João Pereira Fraga teve interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, sendo, portanto, solidariamente obrigado ao pagamento dos créditos tributários lançados, nos termos dos arts. 121 e 124, I, do CTN.” Pois bem. De se ressaltar, que nos presentes autos o lançamento relativo ao anocalendário de 2002, se deu com base no arbitramento do lucro, por não ter a contribuinte, tendo sua opção pelo lucro real sido desconsiderada e deixado de apresentar escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, quando regularmente intimada a fazêlo. No caso, o artigo 44 do Código Tributário Nacional estabelece que a base de cálculo do IRPJ é o montante: real, presumido ou arbitrado da renda ou dos proventos de qualquer natureza. O arbitramento de lucro não é penalidade, é forma de apuração do lucro quando a contabilidade da pessoa jurídica é inexistente ou imprestável. O lucro arbitrado é apurado sempre que estiver presente uma das hipóteses previstas no artigo 47 da Lei n° 8.981/1995. O presente caso subsumese ao estatuído no inciso I do citado artigo: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei n° 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Os fatos do caso concreto se subsumem perfeitamente à hipótese legal descrita, não havendo reparo a ser feito no arbitramento do lucro. Retomando a análise do tema Responsabilidade Tributária, segundo nos ensina o mestre Bernardo Ribeiro de Moraes, o vocábulo responsabilidade é empregado para indicar a situação de uma pessoa que é convocada PARA RESPONDER por certa situação que lhe foi atribuída. Fl. 4445DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 47 37 No caso vertente, a autoridade fiscal decidiu, a partir da constatação do inadimplemento da obrigação tributária, exigir também de outras pessoas (jurídicas e físicas), as prestações correspondentes, incluindoos, como sujeitos passivo, por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária. A teor do disposto no art. 121 do Código Tributário Nacional, sujeito passivo da obrigação tributária principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, sendo denominada CONTRIBUINTE quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, e, RESPONSÁVEL, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Em conformidade com o art. 142 do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional), LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, IDENTIFICAR O SUJEITO PASSIVO e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O lançamento tributário, como é cediço, declara a existência da obrigação tributária, formalizando o crédito tributário correspondente. À luz do exposto, mostrase absolutamente indubitável que o RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO integra, como sujeito passivo, a relação jurídico tributária nascida a partir da ocorrência das hipóteses descritas na lei tributária (“o responsável é um devedor em nome próprio, obrigado ao cumprimento da prestação tributária, da mesma forma que o sujeito passivo originário – contribuinte”). Os elementos probantes carreados pelo Fisco comprovam de forma inequívoca que a sociedade é formalmente constituída por interpostas pessoas, que se convencionou chamar de "laranjas", pessoas sem qualquer condição de responder pelas operações realizadas pela empresa e, por conseqüência, pelo crédito tributário constituído em seu nome. E foi exatamente por isso que o Fisco, para salvaguardar o crédito tributário investigou e demonstrou de forma cabal a identidade dos verdadeiros sócios (ocultos) da empresa, aqueles que integralizaram capital social, gerenciaram, administraram e movimentaram efetivamente os recursos da empresa. Logo, é justo que sejam responsabilizados de forma a satisfazer o crédito tributário. Desta forma, repito, andou bem o Fisco ao relacionar no pólo passivo não apenas o contribuinte (a pessoa jurídica CONFERFRIGO ATC Ltda.), mas também aqueles sobre os quais entendeu recair a responsabilidade tributária. Ao contrário do que afirmam as recorrentes as provas carreadas aos autos, bem como, o trabalho de fôlego desenvolvida pela auditoria fiscal, não são "mera aparências". Estão ali, com todas as luzes, provas incontestes de que a pessoa jurídica de Conferfrigo ATC Ltda., era gerida inteiramente pelos responsabilizados para acobertar suas atividades. E a prova indiciária é admitida no Direito Tributário. No caso em exame, basta uma lida no completo, coerente e conclusivo Relatório de Atividade Fiscal e do voto guerreado para que o julgador se convença à saciedade. Fl. 4446DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 48 38 Não há como se exigir mais do fisco em matéria de prova nos negócios jurídicos em que presentes as figuras delituosas, mormente a simulação, por interposição de pessoas. Observo também que, a rigor, não se cuida de prova emprestada. Conforme se verifica no Termo de Verificação Fiscal de fls. 3614/3736, a ação fiscal foi desenvolvida no âmbito da chamada "Operação Grandes Lagos", por meio da qual foi desbaratada uma organização criminosa criada para fraudar a administração tributária, por diversas formas. Houve determinação judicial para que todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas fossem fiscalizadas pela Receita Federal. No bojo da referida operação, o Poder Judiciário autorizou a realização de buscas e apreensões, prisões, escutas telefônicas, quebra de sigilo bancário e solicitou à Receita Federal que fiscalizasse os contribuintes envolvidos. As autoridades fiscais partiu desses elementos documentais, para então, fazer sua própria investigação, com base nos lançamentos constantes nos Livros fiscais e contábeis da empresa Coferfrigo ATC Ltda e demais empresas do Grupo Mozaquatro, documentos que dão lastro a tais lançamentos. Não se louvou em elementos dados como provados, mas partiu dos documentos apreendidos, e no que interessa, referentes às operações da e feitas com a recorrente, para então elaborar e constituir a instrução primária dos lançamentos, i. é., para então elaborar e formar conjunto probatório para a pretensão fiscal. Não se está diante, portanto, de prova emprestada em sentido próprio. No caso presente, para o anocalendário 2002 ocorreu a utilização de informações transmitidas pelo Poder Judiciário e prestadas pelo próprio sujeito passivo ao Fisco Estadual, conforme previsão em convênio de cooperação. Com relação à decadência e multa qualificada tais matérias foram tratadas quando da análise do Recurso de Ofício conforme acima se constata. Por fim, no caso dos presentes autos, cabe analisar a imposição da multa agravada em face do atraso ou falta de atendimento de intimações ou pedidos de esclarecimentos. Ressaltese que o suposto caráter confiscatório do percentual da multa aplicado é matéria de natureza constitucional que foge à apreciação desse Colegiado pela prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário quanto ao tema. Nessa linha, esta Corte Administrativa uniformizou entendimento através da Súmula CC n° 2, cujo enunciado prevê: 0 Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Neste tópico para melhor entender a matéria transcrevo partes dos fundamentos contidos no voto do acórdão combatido: Quanto à multa agravada, alegam os impugnantes que "tomandose a circunstancia do número de intimações atendidas e as duas noticiadas como não, o que ainda não se reconhece envolvendo os responsáveis solidários, resta evidente que não teriam estes praticado o ato, sendo que o número das atendidas demonstram que nunca foi ignorado o Fisco, pelo contrário, sempre considerado". A alegação não procede. É preciso esclarecer, de inicio, que o art. 44, § 2°, I, da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007, norma que Fl. 4447DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 49 39 contempla o agravamento da multa de oficio pelo não atendimento pelo sujeito passivo de intimação para prestar esclarecimentos, não prevê a necessidade de confrontar o número de intimações atendidas com o de não atendidas. Não ha previsão legal de uma fórmula matemática decorrente desse confronto da qual se infira a necessidade de agravamento da multa. A base legal para o agravamento da multa é apenas e tãosomente a falta de atendimento, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. Evidentemente, deve a autoridade administrativa avaliar se os esclarecimentos solicitados nas intimações não atendidas são, de fato, importantes para o conhecimento de fatos relevantes e se a falta de atendimento é reveladora da falta de colaboração do contribuinte para o esclarecimento desses fatos. Essa é a avaliação que deve ser feita, como, de resto, reconhece a jurisprudência administrativa. No caso versado nos autos, a majoração é conseqüência da falta de atendimento ao "Termo de Constatação e Intimação n° 083", no qual foram solicitados esclarecimentos acerca da escrituração contábil e da receita bruta. Além disso, o contribuinte foi reintimado a prestar esclarecimentos, mediante o "Termo de Constatação e Reintimação n° 088", tendo sido alertado sobre o agravamento da multa de oficio em caso de não atendimento. Finalmente, o contribuinte não atendeu ao "Termo de Constatação e Intimação n° 089", no qual foram solicitados esclarecimentos acerca de exclusões efetuadas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS, tendo sido alertado novamente sobre o agravamento da multa em caso de não atendimento. A legislação tributária tem mecanismos para enfrentar os contribuintes renitentes, como é o caso da multa agravada em 50% (cinqüenta por cento) quando há clara recusa do contribuinte no atendimento às requisições fiscais. Como tenho votado nesta Câmara, o dever geral de colaboração do contribuinte para com a fiscalização não pode ser levado ao extremo para exigir que o fiscalizado faça prova de elementos que não possui ou que possa incriminálo. Entretanto, há que se levar em conta que, no caso em exame, o agravamento da multa se deu em virtude, principalmente, do não atendimento às intimações para prestar esclarecimentos sobre a escrituração contábil e da receita bruta, cuja conseqüência legal foi exatamente o arbitramento dos lucros, não cabendo, ao meu ver, a majoração da penalidade. Em face de todo o exposto voto pela procedência em parte dos recursos apresentados por Marcelo Buzolin Mozaquatro, por Patricia Buzolin Mozaquatro, por CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, por Alfeu Crozato Mozaquatro, por INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA e por João Pereira Fraga, exonerando a parte relativa ao agravamento da multa (reduzindo de 225,5% para o patamar de 150%) e, mantenho quanto aos demais itens os termos da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Fl. 4448DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 1301001.233 S1C3T1 Fl. 50 40 Fl. 4449DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002340/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
PUBLICIDADE. LUCRO REAL. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÕES.
O fato de empresa recebedora de pagamentos estar irregular perante a Receita Federal não é suficiente para impor a glosa de despesas dos pagamentos a ela realizadas quando a empresa encontra-se ativa no cadastro de consulta público da RFB e for comprovada a efetividade do serviço prestado e dos pagamentos realizados.
O direito protege o terceiro de boa-fé, que não pode demandar informações sigilosas das empresas contratadas como condicionante da dedutibilidade das despesas incorridas.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1401-000.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 PUBLICIDADE. LUCRO REAL. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÕES. O fato de empresa recebedora de pagamentos estar irregular perante a Receita Federal não é suficiente para impor a glosa de despesas dos pagamentos a ela realizadas quando a empresa encontrase ativa no cadastro de consulta público da RFB e for comprovada a efetividade do serviço prestado e dos pagamentos realizados. O direito protege o terceiro de boafé, que não pode demandar informações sigilosas das empresas contratadas como condicionante da dedutibilidade das despesas incorridas. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 23 40 /2 01 0- 33 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11020.002340/201033 Acórdão n.º 1401000.784 S1C4T1 Fl. 335 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra o acórdão recorrido: Contra o contribuinte foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ – e de multa isolada por falta de recolhimentos de estimativa (fls. 3/22) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 23/34), exigindo um total de credito tributário de R$ 1.699.764,54. De acordo como Relatório de Auditoria Fiscal de folhas 36/40, o contribuinte efetuou pagamentos para Bazzo Competições Automobilísticas Ltda. a título de “Patrocínio campeonato brasileiro de automobilismo Categoria copa BR Petrobrás ou Pickup racing”, conforme consta no corpo das notas fiscais, registrando contabilmente em conta de despesa de Publicidade/Propaganda/Promoções. Ocorre que a pessoa jurídica beneficiária dos pagamentos, Bazzo Competições Automobilísticas Ltda., apresentou as declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anos Calendário de 1999 a 2009, como inativa. Intimada, respondeu não possuir Livros Diários, Caixa, Razão, Balanço (fls. 122/123). Nessas condições, as despesas pagas à referida pessoa jurídica não atendem ao disposto no § 2º do art. 366 do RIR/99, o qual dispõe que as despesas de propaganda, pagas ou creditadas a quaisquer empresas, somente serão admitidas como despesa operacional quando a empresa beneficiada for registrada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica e mantiver escrituração regular. O autuante registra, também, que o contribuinte, dentre as notas fiscais escrituradas, não apresentou as notas fiscais 238, 310 e 319. Em razão da redução indevida das estimativas mensais, foi lançada a multa isolada prevista no art. 44, II, “b”, da lei n. 9.430, de 1996. O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 144 a 154, alegando que as despesas de publicidades incorridas se encontram perfeitamente adequadas ao conceito de despesa operacional dedutível, na medida em que se constituem em despesas úteis e necessárias para a manutenção e consecução do negócio, além de ser notório o fato de serem usuais. Alega que a cópia do cartão do CNPJ da Bazzo Competições Automobilísticas Ltda. (fls. 40 – Vol. 2) comprova que a pessoa jurídica se encontra com Situação Cadastral ativa desde Fl. 336DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 08/04/2005, ou seja, o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica controlado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil dá conta de que a referida empresa se encontra em situação ativa e regular. Alega que a comprovação da regularidade da escrituração somente pode ser feita pela própria fiscalização, não lhe sendo possível atestar tal regularidade, mesmo que fosse apresentado pela beneficiária qualquer outro documento. Alega, ainda, que sob qualquer aspecto que possa ser analisada a questão, é inegável de que a comprovação da escrituração regular da beneficiária dos pagamentos não pode ser exigida do impugnante, e muito menos ser razão suficiente para desqualificar as despesas, tornandoas indedutíveis. A exigência prevista na lei não se apresenta razoável, impossível de ser feita pelo impugnante, mas apenas pelo Fisco. A 1ª Turma da DRJ Porto Alegre, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, por meio do Acórdão nº 1035.758, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 PROPAGANDA OU PUBLICIDADE. CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE DO LUCRO REAL A dedutibilidade das despesas de propaganda, pagas ou creditada a quaisquer pessoa jurídica, somente são admitidas como despesa operacional quando a empresa beneficiada for inscrita no CNPJ e possuir escrituração regular. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do referido Acórdão em 10/01/2012, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 23/01/2012, reiterando as alegações anteriormente apresentadas em sua impugnação É o relatório. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11020.002340/201033 Acórdão n.º 1401000.784 S1C4T1 Fl. 336 5 Voto Vencido Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, a glosa das despesas de patrocínio do campeonato brasileiro de automobilismo (Copa BR Petrobrás ou Pickup Racing), registradas pelo impugnante como propaganda e publicidade, foi motivada pelo fato de a empresa beneficiada ter apresentado as Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anoscalendário de 1999 a 2009, como inativa (fls. 124128). Além disso, quando intimada, a empresa beneficiada respondeu não possuir Livros Diários, Caixa, Razão e Balanço (fls. 122/123). A fundamentação legal dpo lançamento foi o § 2º do art. 366 do Regulamento do Imposto de Renda, verbis (grifado): Despesas de Propaganda Art. 366. São admitidos, como despesas de propaganda, desde que diretamente relacionados com a atividade explorada pela empresa e respeitado o regime de competência, observado, ainda, o disposto no art. 249, parágrafo único, inciso VIII (Lei n° 4.506, de 1964, art. 54, e Lei n° 7.450, de 1985, art. 54): [...] IV as despesas pagas ou creditadas a quaisquer empresas, inclusive de propaganda; [...] § 2° As despesas de propaganda, pagas ou creditadas a quaisquer empresas, somente serão admitidas como despesa operacional quando a empresa beneficiada for registrada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica e mantiver escrituração regular (Lei n° 4.506, de 1964, art. 54, inciso IV). A redação da norma legal em apreço é suficientemente clara, ao afirmar que as despesas de propaganda somente são admitidas como despesa operacional quando a empresa beneficiada atender a duas condições cumulativas: a) estiver devidamente registrada no CNPJ e b) mantiver escrituração regular. A recorrente considera que a exigência prevista na lei não se apresenta razoável. No entender da recorrente, a comprovação da escrituração regular da beneficiária dos pagamentos não pode ser exigida do impugnante, e muito menos ser razão suficiente para desqualificar as despesas. Não assiste razão à recorrente. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 Afinal, ninguém pode alegar o desconhecimento da lei. Diante da cristalina redação do art. 366 dio Regulamento do Imposto de Renda, qualquer contribuinte, ao realizar despesas de patrocínio ou propaganda, deve buscar a garantia junto ao patrocinado de que este encontrase devidamente registrado noCNPJ e que mantém escrituração regular. Na realidade, se contribuinte tivesse tomado a elementar providência de solicitar da empresa patrocinada a apresentação de cópia das DIPJs relativas aos anos calendário em que realizou as despesas de patrocínio, facilmente teria constatado que a referida empresa encontravase inativa. Nesse caso, a contribuinte provavelmente iria repensar sua decisão de realizar aquelas despesas de patrocínio, sabedora de que tais despesas seriam indedutíveis na apuração do lucro real, consoante a legislação em vigor. Para sua maior segurança, a contribuinte (ora recorrente), ao firmar o contrato de patrocínio (fls. 5/8 – vol. 2) também poderia ter incluído uma cláusula estipulando a obrigação do patrocinado de manter seu registro regular junto ao CNPJ e de manter sua escrituração regular. A contribuinte, contudo, abstevese de tomar estas elementares cautelas, razão pela qual não pode agora, de forma simplista, limitarse a afirmar que a exigência legal não se revela “razoável”. As opiniões doutrinárias mencionadas pela recorrente não versam especificamente sobre a questão em análise, razão pela qual não se revelam úteis para o presente julgamento. Quanto ao precedente jurisprudencial mencionado pela recorrente, a simples leitura de sua fundamentação indica que, naquele processo, a empresa beneficiária pelo pagamento encontravase regularmente inscrita no CNPJ, apenas não contando com escrituração regular. Para comprovar este fato, é suficiente transcrever o seguinte trecho da pretensa decisão paradigma, fls. 11 da peça recursal, verbis: Sem dúvida que a cumulação das duas ocorrências: inexistência de inscrição do CNPJ e falta de escrituração comprovada, seria tratada de forma mais severa, mas esse não é o caso. No presente caso, contudo, houve a cumulação das duas ocorrências, acima mencionadas: a) a pessoa jurídica beneficiária dos pagamentos apresentou DIPJ dos anos calendário de 1999 a 2009 como inativa (fls. 124128); b) quando intimada, a empresa beneficiária afirmou não possuir Livros Diários, Caixa, Razão e Balanço (fls. 122123). Consequentemente, considero que no presente caso a glosa das aludidas despesas de publicidade se justifica, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Voto Vencedor Fl. 339DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 11020.002340/201033 Acórdão n.º 1401000.784 S1C4T1 Fl. 337 7 O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, redator designado: Posto o feito em julgamento, divergi do entendimento apresentado pelo douto Conselheiro Relator acerca da dedutibilidade das despesas com propaganda ora em discussão, tendo o entendimento divergente alcançado a maioria da Turma Julgadora, pelo que peço vênia para expôlo. Como bem salientado no voto vencido, “a glosa das despesas de patrocínio do campeonato brasileiro de automobilismo (Copa BR Petrobrás ou Pickup Racing), registradas pelo impugnante como propaganda e publicidade, foi motivada pelo fato de a empresa beneficiada ter apresentado as Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anoscalendário de 1999 a 2009, como inativa (fls. 124128). Além disso, quando intimada, a empresa beneficiada respondeu não possuir Livros Diários, Caixa, Razão e Balanço (fls. 122/123)”. Apesar da situação irregular da empresa beneficiária dos pagamentos, temse que mesma encontravase ativa junto ao sistema da receita Federal do Brasil, no sistema de consulta pública. De fato, o cartão de CNPJ acostado às fls. 245 demonstra que a empresa beneficiária dos pagamentos estava ativa e regular, pelo que não teria como a Recorrente suspeitar que a mesma havia se declarado como inativa por meio de suas DIPJ’s. Demais disso, a Recorrente comprovou, por meio de documentos hábeis e idôneos, a efetiva realização do evento contratado, assim como seu efetivo pagamento, demonstrando a efetividade da despesa objeto de dedução. Nesse contexto, não se pode exigir do pagador acesso às informações que são restritas à Receita Federal. Existe prova do pagamento e prova da prestação de serviço, além de fotos das competições automobilísticas, o que tornam o Recorrente terceiro de boafé Caberia, em verdade, à Autoridade Fiscal provar a irregularidade da despesa, o que não fez durante o curso da fiscalização. Na verdade, a fiscalização deveria ter demandado a comprovação da efetiva realização do serviço – o que por si só seria suficiente para afastar a glosa pretendida pelo auto de infração. Leiase, neste sentido, a jurisprudência deste Conselho: LEVANTAMENTO FISCAL PROVA ADMITIDA. GLOSA DE DESPESAS Havendo prova documental hábil e idônea das respectivas despesas, e sendo necessárias e vinculadas à atividade, há de se excluir do lançamento os valores.( Acórdão nº 10808922 do Processo 107300009890034). GLOSA DE CUSTOS OU DESPESAS Comprovadas por documentos haveis e idôneos as glosas de despesas da Fl. 340DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 autuação, cancelase a exigência tributária.( Acórdão nº 10808056 do Processo 100700007649380 ) Diante do exposto, a maioria da Turma Julgadora votou no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 341DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10640.005301/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
O indeferimento fundamentado do pedido de realização de perícia não acarreta a nulidade da decisão, pois tais procedimentos somente devem ser autorizados quando forem imprescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo não contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALIDADE.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 29.
No caso de conta bancária em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias.
Numero da decisão: 2201-002.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida pela recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores referentes à conta-corrente do Banco do Brasil e, relativamente à conta-corrente do Sicoob, o valor de R$ 30.267,20.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Guilherme de Souza Barranco (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O indeferimento fundamentado do pedido de realização de perícia não acarreta a nulidade da decisão, pois tais procedimentos somente devem ser autorizados quando forem imprescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo não contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALIDADE. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 29. No caso de conta bancária em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida pela recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores referentes à conta-corrente do Banco do Brasil e, relativamente à conta-corrente do Sicoob, o valor de R$ 30.267,20. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Guilherme de Souza Barranco (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
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INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O indeferimento fundamentado do pedido de realização de perícia não acarreta a nulidade da decisão, pois tais procedimentos somente devem ser autorizados quando forem imprescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo não contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALIDADE. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 29. No caso de conta bancária em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 53 01 /2 00 8- 11 Fl. 884DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida pela recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores referentes à contacorrente do Banco do Brasil e, relativamente à contacorrente do Sicoob, o valor de R$ 30.267,20. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Guilherme de Souza Barranco (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/12, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 409.926,44, calculados até 11/2008. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: A impugnante suscita preliminar de nulidade do lançamento, afirmando que a descrição dos fatos está em desacordo com o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, porquanto a autoridade fiscal não comentou o lançamento tributário, dificultando a análise e a sua defesa, que acabou sendo cerceada, pois a fiscalização não definiu a origem e destino dos cheques emitidos, limitandose a registrar os valores dos depósitos bancários. Ainda, afirma que houve inúmeros descontos de cheques, transferências entre contas correntes, “além da necessidade incontestável de se ter em mãos, às cópias dos cheques e seus reais destinatários”. Também como questão preliminar a interessada requer diligência e perícia contábil em suas contas correntes bancárias, afirmando que tal fato irá redirecionar a fiscalização para a empresa de seu cônjuge, LUIZ CARLOS DO AMARAL “EPP”, origem de todos os valores transitados em suas contas. Para tanto, nomeia o perito e apresenta os quesitos. Fl. 885DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10640.005301/200811 Acórdão n.º 2201002.090 S2C2T1 Fl. 3 3 Ainda como preliminar, a defendente afirma que com base no disposto no art. 16, § 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72, poderá juntar provas documentais depois de protocolada a impugnação, levando em conta a total impossibilidade de fazêlo no ato de sua defesa, requerendo o deferimento do seu pleito pela busca da verdade e da justiça. Como questão de mérito alega a interessada que os indigitados depósitos bancários não representavam renda sua. Esclarece que em 13/04/2004 foi lavrado no Tabelionato de Registro Civil Raymundo de Assumpção de Tocantis, uma procuração pública, na qual Luiz Carlos do Amaral nomeoua como sua procuradora com amplos e gerais poderes, para representar a empresa em que é titular, inscrita no CNPJ sob o nº 86.619.863/000167. Acresce a interessada que assim, como procuradora e auxiliar financeira da empresa LUIZ CARLOS DO AMARAL “EPP”, no anocalendário de 2005, dado às dificuldades e empecilhos encontrados na movimentação bancária da empresa que representa, passou a depositar parte dos cheques recebidos pela pessoa jurídica, em suas contas correntes bancárias do Banco do Brasil de da SECOOB. Salienta que os depósitos bancários não representam renda factível de tributação, pelo simples fato de não se constituir em faturamento, de acordo com a melhor jurisprudência. Ressalta que os depósitos feitos em suas contas correntes bancárias foram devidamente tributados na citada pessoa jurídica, não restando qualquer valor base de cálculo de lançamento tributário, o que será constatado sem maiores dificuldades. Citando a jurisprudência do atual CARF sobre a matéria em exame, diz a interessada que no caso devem ser aplicadas as regras do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, § 3º, incisos II e §5º, os quais definem os depósitos bancários como omissão de receita ou de rendimentos, devendo, entretanto, ser ressalvado que, todos os depósitos havidos nas contas correntes da impugnante já foram devidamente tributados no regime de apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas, denominado SIMPLES NACIONAL. Frisa a defendente que o Auditor Fiscal, em seu relatório, somente citou o artigo 42 e seus incisos, deixando, entretanto, de colocálos em prática, eis que não cuidou de determinar as origens dos depósitos e dos cheques formalizados. Reitera a impugnante que os valores depositados nas suas contas correntes foram devidamente tributados na pessoa jurídica da empresa EPP, LUIZ CARLOS DO AMARAL, no regime de tributação SIMPLES, sendo referidos valores originários da conta de Receitas – Revenda de Mercadorias. Nesses termos, afirma a interessada que depois de aferida a conta de Receita de Vendas e o Caixa da referida empresa, Fl. 886DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 poderá ser verificado com extrema facilidade, tratarse não de omissão de receita oriunda das suas contas correntes bancárias, mas SIM, de valores já inclusos na base de cálculo dos tributos da pessoa jurídica. À guisa de informação superficial, diz a defendente que a empresa LUIZ CARLOS DO AMARAL registrou no ano calendário de 2005 o montante de R$ 324.198,47, devendo referido valor substituir parte dos depósitos levantados pela fiscalização em suas contas correntes bancárias. Para comprovação do valor complementar a impugnante requer o prazo de 60 (sessenta) dias para a juntada destes no presente processo. Em face do exposto, requer a defendente: 1 – Sejam deferidas as preliminares argüidas, constantes da perícia e juntada de documentos depois de protocolada esta Impugnação, levando em conta o nível de complexidade e dificuldades no tema sob análise. 2 – Que a presente IMPUGNAÇÃO seja julgada PROCEDENTE, e o Lançamento Tributário declarado IMPROCEDENTE, nulo de pleno direito, em face dos depósitos bancários terem sido declarados pela fiscalização como omissão de receita, quando na verdade, constituem receita de vendas da empresa LUIZ CARLOS AMARAL “EPP”, já tributada pelo regime de apuração denominado SIMPLES NACIONAL. A defesa vem instruída com os documentos de folhas 231/407. A 6ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que a interessada, tanto na fase de autuação, quanto na fase impugnatória, teve oportunidade de carrear aos autos documentos, informações, esclarecimentos, no sentido de elidir a tributação contestada. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A apresentação de provas deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10640.005301/200811 Acórdão n.º 2201002.090 S2C2T1 Fl. 4 5 Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários cuja origem dos recursos não for comprovada pelo titular. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTRIBUINTE. Não restando comprovado nos autos que a origem dos depósitos bancários é da movimentação da pessoa jurídica e que já foram tributados, a contribuinte se sujeita à tributação pela presunção legal de omissão de rendimentos da pessoa física caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Lançamento Procedente Intimada da decisão de primeira instância em 16/06/2011 (fl. 424), Rosemeire Costa do Amaral apresenta Recurso Voluntário (fls. 425 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário de 2005. Antes de adentrarmos no mérito da questão, insta examinar, de antemão, a preliminar aventada pela recorrente e que diz respeito à nulidade do acórdão recorrido, por conta de um suposto cerceamento do seu direito de defesa, tendo em vista o indeferimento de seu pedido de perícia. De início, cumpre esclarecer que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993). Fl. 888DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Os procedimentos de perícia não podem ter por objetivo a complementação do conjunto probatório, suprindo, a destempo, eventuais lacunas do trabalho do Fisco ao lançar o crédito ou da Impugnação apresentada pelo interessado. Tais instrumentos se prestam tão somente a esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas ao julgador no exame do litígio. No presente caso houve a devida apreciação pela turma julgadora do pedido de perícia e foi bem explicitada a razão pela qual foi indeferida. Transcrevese o art. 29 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formar livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessária. A esse respeito escreveu o Professor Marcos Vinicius Neder na importante obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Ed. Dialética, pág. 210: Como já dissemos, a perícia não se constitui em direito subjetivo do autuado, cabendo ao julgador, se, justificadamente, entendê la desnecessária, não acolher o pedido formulado pelo interessado. A perícia é prova de caráter especial, cabível nos casos em que a interpretação dos fatos demande juízo técnico. Verificase que, dificilmente, as autoridades de primeira instância têm se curvado aos pedidos formulados pelos contribuintes sob a alegação de ser desnecessária. Já nos Conselhos de Contribuintes, com certa freqüência, admitese a descida dos autos para a realização de diligências, como meio de melhor apuração da verdade material. De qualquer forma, o indeferimento ou deferimento do pedido de realização de perícia ou diligência depende do livre convencimento da autoridade preparadorajulgadora, sendo que o seu indeferimento não implica nulidade da decisão, sobretudo quando os autos demonstram a sua prescindibilidade. (grifei) Portanto, se a recorrente possuía outros elementos capazes de corroborar com a tese esposada em sua defesa, deveria carreálos aos autos para que pudesse ser objeto de análise do Colegiado. Destarte, estéril o argumento suscitado pela defesa para anular a exigência. Sobre a preliminar de sobrestamento arguida pelo Conselheiro Guilherme Barranco de Souza, penso que a mesma não deve ser acolhida, pois o caso em apreço não se subsume ao § 1º do art. 62A do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Com efeito, de acordo com a Portaria CARF nº 01/2012, o procedimento de sobrestamento somente será aplicado nas hipóteses em que houver sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o sobrestamento de Recursos Extraordinários que versem sobre matéria idêntica àquela debatida na Suprema Corte. Ademais, a tese de sobrestamento não foi acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. No mérito, alega a suplicante que por ser gerente e procuradora da empresa Luiz Carlos do Amaral – EPP movimentava os recursos da pessoa jurídica em suas contas bancárias, conforme farta documentação carreada aos autos. Assevera, ainda, que a autoridade lançadora não promoveu a devida exclusão dos cheques sem fundos e empréstimos, além de não considerar os saldos das contas bancárias como origem de parte dos depósitos. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10640.005301/200811 Acórdão n.º 2201002.090 S2C2T1 Fl. 5 7 Pois bem, a presente omissão de rendimentos está sendo exigida da contribuinte em vista a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, com base na presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 constitui um instrumento direcionado à facilitação do trabalho de investigação fiscal, justamente em razão das dificuldades impostas à identificação dos fatos econômicos dos quais participou a recorrente. Existe normalmente uma grande quantidade de ações e negócios não formais efetuados pelo contribuinte, na maioria das vezes marcada pela inexistência de prova documental, razão pela qual a lei desincumbiu a autoridade fiscal de provar sua ocorrência. Não tem sentido a autoridade fiscal constituir prova de um fato presumido. Assim, não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, na forma do artigo 43 do Código Tributário Nacional1. Passando as questões pontuais de mérito, verifico, pois, que a recorrente não logrou comprovar que a integralidade dos recursos movimentados em suas contas bancárias são oriundos da empresa Luiz Carlos do Amaral – EPP e foram por ela tributados. Quando se tenta cotejar, por exemplo, a entrada de recursos de janeiro de 2005, conforme livro razão de fl. 322, verificase que o montante representou R$ 4.494,34. Por sua vez, os depósitos sem comprovação de origem, relativo ao mesmo período, corresponde a R$ 14.207,24 (Banco do Brasil – fl. 101) e R$ 28.950,76 (Sicoob – fl. 94). Portanto, diferentemente do que alega a recorrente, os valores que transitaram nas contas correntes bancárias da interessada não foram tributados na pessoa jurídica Luiz Carlos do Amaral EPP. Ressaltese que além do livro razão e da ficha gráfica da operação, a recorrente não carreou aos autos prova (notas fiscais, comprovantes de depósitos, declaração dos depositantes, entre outros) de que sua conta bancária era utilizada pela pessoa jurídica. 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Quanto aos cheques devolvidos, assiste razão a recorrente. Compulsandose os autos, verificase que a autoridade lançadora deixou de excluir, do montante dos depósitos não comprovados do Sicoob (fls. 94/100), os cheques devolvidos no valor de R$ 30.267,20, conforme relação de fl. 451. Sobre os valores constantes do extrato do Sicoob como sendo “Créd Lib TB”, em que pese alegue a suplicante tratase de operações de empréstimos, verificase da relação de fls. 235/291, que tais valores se referem, em verdade, a créditos oriundos de operação de desconto de cheques, conforme se infere da “Ficha Gráfica da Operação”, fls. 235/236. No que tange a possibilidade de se utilizar os saldos bancários do início de 2005, para justificar os depósitos de origem não comprovada, deve ser esclarecido que a pesar da coincidência de datas e valores não esteja explicita no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o §3º do referido artigo impõe que os créditos sejam analisados individualizadamente. Portanto, não é possível a indicação genérica da fonte a fim de comprovar um ou mais créditos. Por fim, verificase que a conta do Banco do Brasil nº 25.262X é em conjunto com Luiz Carlos do Amaral, desde 12/01/1994 (fl. 204/205), contudo, não se identifica nos autos a intimação para o segundo titular da conta comprovar a origem dos depósitos nela efetuados. Com efeito, a única intimação constante dos autos para comprovação da origem dos créditos bancários foi direcionada apenas a recorrente, conforme se observa à fl. 93. Em situações como a presente, objetivando identificar quem é de fato o titular da movimentação bancária, a jurisprudência deste E. Colegiado se consolidou no sentido de que todos os titulares das contas bancárias devem ser intimados durante o processo de fiscalização, sob pena de nulidade do lançamento, como ficou assentando na Súmula CARF nº 29, cujo entendimento é de adoção obrigatória por este Colegiado nos termos regimentais: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. No presente processo, o cotitular da referida conta bancárias jamais foi intimado comprovar a origem dos depósitos, portanto, resta cristalizado que o procedimento fiscal não está lastreado nas condições impostas pela legislação pertinente. Nessa conformidade, devese excluir da exigência os depósitos relativos à conta nº 25.262X do Banco do Brasil. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de indeferimento do pedido de perícia e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o montante de R$ 30.267,20, relativo aos cheques devolvidos do Sicoob, bem como excluir da exigência os depósitos relativos à conta nº 25.262X do Banco do Brasil. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 891DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10640.005301/200811 Acórdão n.º 2201002.090 S2C2T1 Fl. 6 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10640.005301/200811 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.090. Brasília/DF, 17 de abril de 2013 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 892DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Fl. 893DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914467/2009-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Data do fato gerador: 10/03/2006
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF.
A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO.
A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Data do fato gerador: 10/03/2006 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 44 67 /2 00 9- 32 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.914467/200932 Acórdão n.º 3801001.809 S3TE01 Fl. 11 2 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.914467/200932 Acórdão n.º 3801001.809 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte alegou que o direito ao crédito decorrente do pagamento a maior não pode ser contestado por argumentos de índole formal, visto que o despacho decisório baseouse em informações desencontradas, erroneamente prestadas pela contribuinte. Entende que a não homologação da compensação teve como motivo a entrega da DCTF original com informações equivocadas. Informa que apresentou DCTF retificadora que já apresentaria o crédito em disputa. Uma vez corrigido o lapso que levou os sistemas de cruzamento da Administração Tributária a não admitir o aproveitamento do direito de crédito argumenta que deve ser homologada a compensação. Pleiteia a conjugação entre a realidade material e a realidade formal vertida na declaração de compensação, invoca direito constitucional ao aproveitamento do valor pago indevidamente e conclui, ao fim, pela necessidade de reforma do despacho decisório. A DRJ em Campinas (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: Direito Creditório. Prova. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.914467/200932 Acórdão n.º 3801001.809 S3TE01 Fl. 13 4 Direito de Crédito. Regime de Retenção. Ônus Financeiro. Comprovação. Tratandose de crédito envolvendo tributo retido pela instituição financeira na qualidade de responsável, cabe a esta a comprovação de que alegado pagamento a maior foi por ela suportado. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos. Menciona que o crédito em questão decorre de valor recolhido indevidamente, em face de que na qualidade de substituto tributário efetuou a retenção da CPMF, por equívoco, sobre operações não tributadas, seja em razão da imunidade do cliente correntista, seja em razão da não incidência da contribuição por ser o cliente órgão público. Esclarece que os extratos das contas correntes dos respectivos clientes evidenciam os valores indevidamente retidos a título de CPMF, bem como os estornos correspondentes. Destaca que procedeu aos estornos dos valores relativos à CPMF indevida, e assim passou a suportar o ônus tributário. Outrossim, em observância ao princípio da verdade material, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, pois demonstram o recolhimento a maior, a assunção do encargo financeiro. Colaciona doutrina e jurisprudências administrativa e judicial. Por fim, requer a reforma da decisão proferida, com a consequente homologação da compensação pretendida. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito pleiteado com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de 10/03/2006, inclusive verificasse se, de fato, o ônus financeiro recaiu sobre a instituição financeira. A DRF de origem atendeu o solicitado na Resolução e não confirmou a legitimidade do crédito, visto que a documentação (em especial a de fls. 73 a 85, e fls. 96 a 101) visava comprovar a cobrança indevida da CPMF dos clientes , no valor total de R$ 20.117,58, valor este recolhido através do DARF objeto da DCOMP nº 01726.89096.180406.1.3.042557. Esclarece que tal DCOMP referese exclusivamente ao DARF de nº 2423898361, período de apuração 10/03/2006, código de receita 5869, no valor original de R$ 146.824.951,05, data de arrecadação 17/03/2006. Destaca que o interessado deixou de comprovar qualquer cobrança indevida da CPMF recolhida através deste DARF. A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência, tendo se manifestado no prazo que lhe foi concedido. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.914467/200932 Acórdão n.º 3801001.809 S3TE01 Fl. 14 5 Discordando dos cálculos da autoridade fiscal, a recorrente sustenta que não deixou de comprovar o crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 20.117,58. Alega que por um equívoco na elaboração do PER/DCOMP 01726.89096.180406.1.3.042557, a recorrente informou como sendo o DARF de pagamento a maior o de R$ 146.842.951,05, código de recita 5869, relativo ao período de apuração de 10/03/2006, quando o correto seriam outros 2 DARF’s dos períodos de apuração de 31/03/2006 e 10/0802005 nos valores de R$ 129.827.603,98 e relativo ao cliente Itapejara D’Oeste Prefeitura e de R$ 23.837,14 referente ao cliente Associação Paranaense de Cultura . Esclarece que o crédito de R$ 20.117,58 é composto por retenções indevidas de 19 contribuintes, conforme planilha apresentada. Ressalta que no processo administrativo tributário prevalece o princípio da verdade material. Insiste na tese de que o mero erro formal não pode ser fundamento para a não homologação da compensação, visto que efetivamente houve recolhimento indevido da CPMF. Por último, requer que dado provimento ao recurso voluntário interposto, convalidandose a compensação. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.914467/200932 Acórdão n.º 3801001.809 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Não assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. O artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis. Como visto, a delegacia de origem realizou uma diligência fiscal e constatou que o interessado deixou de comprovar qualquer cobrança indevida da CPMF recolhida através do DARF de nº 2423898361, período de apuração 10/03/2006, código de receita 5869, no valor original de R$ 146.824.951,05, data de arrecadação 17/03/2006, objeto da DCOMP nº 01726.89096.180406.1.3.042557. Não se pode perder de vista que não assiste razão à interessada em relação ao valor que não foi reconhecido porque, como admitido pela recorrente, eles referemse a pagamento indevido de outros DARFs. enquanto este processo tem por objeto recolhimento a maior do período de apuração 17/03/2006, DARF no valor de R$ 146.824.951,05. De sorte que eventual repetição de indébito relativo a pagamento a maior de outros recolhimentos tem que ser pleiteada em processo administrativo fiscal específico. Não se trata de mero erro formal como quer fazer crer a recorrente, mas de inobservância das normas legais que regem a restituição e compensação de tributos, portanto não há possibilidade de que o PER/DCOMP seja retificado de ofício. O litígio restringese ao pagamento do período de apuração 10/03/2006 como amplamente demonstrado. A restituição de tributos está condicionada ao requerimento do sujeito passivo e mediante a utilização do Programa Pedido Eletrônico ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Destarte, não basta comprovar o pagamento indevido ou a maior, é necessário requerer a restituição, o que não ocorreu com os pagamentos dos outros períodos de apuração. Assim sendo, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, e em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, constatase que em relação Fl. 132DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.914467/200932 Acórdão n.º 3801001.809 S3TE01 Fl. 16 7 ao período de apuração em discussão, a contribuinte não tem um crédito de pagamento a maior da CPMF. Em remate, não ficou caracterizado o direito creditório vinculado à compensação efetuada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 133DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720664/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
SUJEIÇÃO PASSIVA. ÔNUS DA PROVA.
Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, a hipótese de ilegitimidade passiva somente pode ser considerada caso o contribuinte demonstrasse de forma inequívoca que deixou de ter a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel. A alegação de alienação do imóvel desacompanhada de qualquer documento comprobatório não pode prosperar.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ARBITRAMENTO DO VTN. PUBLICIDADE DAS INFORMAÇÕES DO SIPT.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
A falta de publicidade dos dados contidos no SIPT, utilizados no arbitramento do VTN, em nada obstaculiza a defesa do contribuinte, posto que para contrapor o arbitramento basta a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, que demonstre de forma inequívoca o VTN declarado.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 20/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 SUJEIÇÃO PASSIVA. ÔNUS DA PROVA. Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, a hipótese de ilegitimidade passiva somente pode ser considerada caso o contribuinte demonstrasse de forma inequívoca que deixou de ter a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel. A alegação de alienação do imóvel desacompanhada de qualquer documento comprobatório não pode prosperar. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ARBITRAMENTO DO VTN. PUBLICIDADE DAS INFORMAÇÕES DO SIPT. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. A falta de publicidade dos dados contidos no SIPT, utilizados no arbitramento do VTN, em nada obstaculiza a defesa do contribuinte, posto que para contrapor o arbitramento basta a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, que demonstre de forma inequívoca o VTN declarado. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 20/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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ÔNUS DA PROVA. Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, a hipótese de ilegitimidade passiva somente pode ser considerada caso o contribuinte demonstrasse de forma inequívoca que deixou de ter a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel. A alegação de alienação do imóvel desacompanhada de qualquer documento comprobatório não pode prosperar. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ARBITRAMENTO DO VTN. PUBLICIDADE DAS INFORMAÇÕES DO SIPT. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. A falta de publicidade dos dados contidos no SIPT, utilizados no arbitramento do VTN, em nada obstaculiza a defesa do contribuinte, posto que para contrapor o arbitramento basta a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, que demonstre de forma inequívoca o VTN declarado. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 06 64 /2 00 7- 81 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720664/200781 Acórdão n.º 2102002.574 S2C1T2 Fl. 138 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 20/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra BANCO ARBI S/A foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/03, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativa ao exercício 2003, no valor de R$ 40.830,82, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes calculados até 30/11/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal foi arbitramento do valor da terra nua (VTN), que foi alterado de R$ 10.000,00 para R$ 210.539,52, mediante utilização do valor extraído do Sistema de Preços de Terra (SIPT). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 26/33, que foi considerada improcedente, por unanimidade de votos, pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme acórdão DRJ/BSB nº 0344.892, de 14/09/2011, fls. 74/90. Cientificado da decisão de primeira instância em 26/10/2011, fls. 93, o contribuinte apresentou, em 24/11/2011, recurso voluntário, fls. 94/110, trazendo as alegações a seguir resumidas: Da ilegitimidade passiva da recorrente – A recorrente alienou onerosamente a Fazenda Campo Alegre, pelo que não responde mais pelas eventuais dívidas decorrentes do imóvel. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720664/200781 Acórdão n.º 2102002.574 S2C1T2 Fl. 139 3 Da nulidade do Auto de Infração em razão da inexistência da descrição circunstanciada da forma como efetuado o arbitramento – falta de acesso ao SIPT – Na Notificação de Lançamento não há qualquer menção ao valor da terra nua arbitrado, a partir do qual a autoridade fiscal teria chegado ao valor total do imóvel. Ou seja, sabese qual o valor total do imóvel arbitrado, mas não se sabe como o auditor fiscal chegou a tal valor, pois não foi especificado o VTN utilizado no arbitramento. Quando da apresentação da impugnação, o recorrente, além de não ter conhecimento sobre a origem e as fontes dos dados, não sabia quais valores tinham sido utilizados pela fiscalização para se chegar ao valor total do imóvel, o que impossibilitou – e ainda impossibilita – de aferir a legitimidade de tais informações, fato que cerceou o direito de defesa do recorrente. Necessidade de revisão do lançamento – O valor da terra nua do imóvel, declarado, foi alcançado depois de diligências in loco, verificando os estados das benfeitorias e pastagens e da área do terreno como um todo, constatandose que, em razão do terreno irregular, dos inúmeros aclives e declives que circundam a propriedade rural e das áreas que, muito embora pudessem ser destinadas à agricultura, não permitem a instalação de infraestrutura, já que localizadas em topo de morros. Verificase que o engenheiro, signatário do laudo apresentado pelo recorrente, após análise detida de todas as áreas que compõe o imóvel e de seu estado de conservação, concluiu que as partes do imóvel possuem os seguintes valores: valor das benfeitorias – R$ 0,00, valor das pastagens – R$ 0,00, valor da terra nua – R$ 10.000,00, valor total do imóvel – R$ 10.000,00. Outrossim, percebese que tal fato é atestado pela pesquisa elaborada com corretores da região, mormente quando aplicados os índices de homogeneização para encontrar o valor relativo do imóvel inspecionado. O valor do imóvel é aquele declarado, não o arbitrado pela Receita Federal do Brasil, que atribuiu valor absurdo ao bem e que em nada condiz com o seu valor de mercado, tampouco com o valor pelo qual, à época, foi adquirido, devendo ser dado integral provimento ao presente recurso. Consigna o recorrente que juntará aos autos, em breve, outro laudo de avaliação do imóvel, mais detalhado e definitivo. É o Relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720664/200781 Acórdão n.º 2102002.574 S2C1T2 Fl. 140 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Em sede preliminar o contribuinte suscita, primeiramente, a ilegitimidade passiva, argüindo que alienou onerosamente a Fazenda Campo Alegre, razão porque não responderia mais pelas eventuais dívidas decorrentes do imóvel. Ocorre que, conforme bem alertado na decisão recorrida, não consta dos autos qualquer documento que comprove que o contribuinte tenha de fato alienado o imóvel em questão, seja antes ou depois de ocorrido o fato gerador do imposto exigido no lançamento. Outrossim, apesar de ter sido alertado na decisão recorrida da falta de documentação que comprovasse a aventada alienação, o contribuinte, no recurso, insiste na tese de ilegitimidade passiva, entretanto, não traz aos autos qualquer documento que demonstre a veracidade de sua alegação. E mais, o contribuinte apresentou a DITR do exercício correspondente ao lançamento na qualidade de proprietário do imóvel. Nestes termos, afastase a preliminar de ilegitimidade passiva, em razão da total falta de comprovação da alegação de alienação da Fazenda Campo Alegre. Ainda preliminarmente o recorrente suscita nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, por entender que na Notificação de Lançamento não há qualquer menção ao valor da terra nua arbitrado, a partir do qual a autoridade fiscal teria chegado ao valor total do imóvel. Argúi também que não se sabe como o auditor fiscal chegou a tal valor, pois não foi especificado o VTN utilizado no arbitramento. De imediato, cumpre dizer que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na lavratura da Notificação de Lançamento foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e o lançamento está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. No que se refere à descrição dos fatos, a autoridade fiscal foi clara ao afirmar que o lançamento foi motivado pela falta de comprovação do valor da terra nua (VTN), por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT e disse ainda que o arbitramento teve por base as informações do Sistema de Preços de Terra (SIPT), sendo certo que no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, fls. 02, parte integrante da Notificação de Lançamento, consta que o VTN foi alterado de R$ 10.000,00 para R$ 210.539,52. Logo, se o VTN do imóvel considerado para fins de lançamento foi de Fl. 140DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720664/200781 Acórdão n.º 2102002.574 S2C1T2 Fl. 141 5 R$ 210.539,52 e o imóvel tem área total de 3.456,0 ha, chegase, por regra de três simples, ao valor de R$ 60,92/ha. Portanto, nada há a obstar a defesa do contribuinte, sendo certo que, no caso de o recorrente não concordar com o valor adotado no arbitramento do VTN, para elidir o lançamento, bastaria trazer aos autos o laudo de avaliação do imóvel, que atendesse ao estabelecido na NBRABNT 14.653. Aliás, a possibilidade do arbitramento do VTN, a partir de sistema instituído pela Secretaria da Receita Federal, consta especificamente no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, pela Portaria SRF nº 447/2002, instituiu o Sistema de Preços de Terras (SIPT), o qual é alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores da terra nua que constam da base de declarações do ITR. Vêse, portanto, que a instituição do SIPT está prevista em lei, sendo certo que a autoridade fiscal quando da lavratura da Notificação de Lançamento não incorreu em qualquer violação ao direito de defesa do contribuinte. Digase, ainda, que a falta de publicidade dos dados contidos no SIPT em nada obstaculiza a defesa do contribuinte, posto que, conforme já dito, para contrapor o arbitramento do VTN bastaria ao contribuinte trazer aos autos laudo de avaliação do imóvel que demonstrasse de forma inequívoca o VTN declarado. Nessa conformidade, afastase a preliminar de nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, suscitado pelo contribuinte. No mérito, o contribuinte insiste em afirmar que o VTN declarado está correto, posto que confirmado mediante laudo, emitido por engenheiro. De pronto, cumpre dizer que o documento intitulado pelo recorrente como laudo de avaliação, fls. 17, foi emitido em 14/09/1998, pela Companhia Brasileira de Leilões e está assinado por corretor de imóveis, sendo redigido nos seguintes termos: REF. AVALIAÇÃO DAS GLEBAS REMANESCENTES DA FAZENDA CAMPO ALEGRE DE PROPRIEDADE DO BANCO ARBI LAUDO PRELIMINAR Após visita de nosso avaliador a estas glebas chegamos conclusão que devido a posse do imóvel estar nas mãos de diversos posseiros e, levandose em consideração que a região de Santana do Araguaia é uma região de grande conflito de terra, constatamos que o mercado imediato para as referidas glebas é praticamente inexistente, por tanto, sugerimos um valor de RS 10.000,00 (Dez mil reais) por todas as glebas. Como se vê, tal documento não pode ser tomado como Laudo de Avaliação, posto que sequer identifica, mediante descrição completa, o imóvel avaliado, não foi assinado por engenheiro, não atende aos requisitos estabelecidos na NBRABNT 14.653, tampouco Fl. 141DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720664/200781 Acórdão n.º 2102002.574 S2C1T2 Fl. 142 6 possui a anotação de responsabilidade técnica (ART). E mais, foi emitido em 1998, data bastante anterior ao exercício examinado no lançamento. A decisão recorrida ao fundamentar a manutenção do arbitramento traz uma verdadeira infinidade de motivos para se contrapor a pretensão do recorrente de ver mantido o VTN declarado, de modo que reproduzo a fundamentação ali esposada, ao passo que as adoto integramente: No caso, o citado “Laudo Preliminar”, às fls. 17, não é documento hábil para revisão do VTN arbitrado para o exercício de 2003, primeiramente por tratarse de um documento não elaborado por um engenheiro habilitado, como alegado pela impugnante, e sim pela “Cia. Brasileira de Leilões”, com a aposição de um número de Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI), e, portanto, por um corretor de imóveis. Em segundo lugar, o valor nele informado referese ao valor venal do imóvel, idêntico ao declarado, não fazendo referência nenhuma quanto ao VTN, valor de benfeitorias ou de pastagens, como, também, alegado pela impugnante. Em terceiro lugar, o valor venal nele constante, além de não se referir à data do fato gerador do exercício, posto que sua emissão é de 14.09.1998, referese a uma sugestão sobre a “avaliação das glebas remanescentes da fazenda Campo Alegre de propriedade do Banco Arbi”, não especificando qual é a dimensão dessas glebas remanescentes. Não obstante, esses fatos serem, por si sós, isoladamente, inclusive, suficientes para a rejeição desse “Laudo”, como documento hábil para revisão do VTN arbitrado, ele, também, não segue as normas da ABNT, até porque emitido por profissional não competente, com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), nos termos da Lei nº 6.496, de 07.12.1977, para um Laudo com fundamentação e grau de precisão II, não demonstrando, de forma clara e inequívoca, o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do ITR/2003 (1º.01.2003), como já dito, nem a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. Outrossim, não obstante alegação em contrário da impugnante, o autor do trabalho não fez, de maneira objetiva, a comparação qualitativa das características particulares do imóvel em comparação com as demais terras dos imóveis rurais circunvizinhos, não evidenciando, de forma inequívoca, que o mesmo possui características particulares desfavoráveis diferentes das características gerais da microrregião de sua localização, para fins de justificar a revisão pretendida. (...) Ademais, reiterase que tal documento foi emitido mais de 5 (cinco) anos antes do fato gerador do exercício em questão, constando apenas o valor venal do imóvel e não o valor da terra Fl. 142DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720664/200781 Acórdão n.º 2102002.574 S2C1T2 Fl. 143 7 nua. E mesmo que tal documento fosse relativo ao exercício em questão, ele seria apenas fonte que deve ser analisada dentro do contexto e juntamente com um Laudo Técnico de Avaliação, conforme descrito anteriormente, e outros documentos. Cabe registrar que o “Laudo” apresentado pela impugnante, para o exercício de 2003, além de não se referir ao exercício em questão, é o mesmo apresentado para o exercício de 2004, referente ao mesmo imóvel rural, juntado aos autos do Processo nº 10218.720676/200714, também, julgado nesta Sessão, apresentando idêntico valor venal para o imóvel R$ 10.000,00, levandose a hipótese de que não haveria oscilações no mercado imobiliário rural no transcorrer dos anos, fato que em nosso entendimento seria muito difícil ocorrer. Além disso, esse mesmo “Laudo” foi apresentado nos autos dos Processos nº 10218.720663/200737 e nº 10218.720675/2007 61, referentes, respectivamente, aos exercícios de 2003 e de 2004, relativos aos lançamentos suplementares das DITR do imóvel de NIRF 6.771.9880, com área total de 8.712,0 ha, também, de propriedade da impugnante. Em síntese, não tendo sido apresentado “Laudo de Avaliação”, com as exigências apontadas anteriormente, e sendo tal documento imprescindível para demonstrar que o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º.01.2003, está compatível com a distribuição das suas áreas, de acordo com as suas características particulares e classes de exploração, não cabe alterar o VTN arbitrado pela fiscalização. Assim sendo, entendo que deva ser mantida a tributação do imóvel com base no VTN de R$ 210.539,52 (R$ 60,92/ha), arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. Diante da farta fundamentação acima transcrita, devese manter o arbitramento do VTN do imóvel, nos termos em que consubstanciado na Notificação de Lançamento. Ante o exposto, voto por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 143DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720664/200781 Acórdão n.º 2102002.574 S2C1T2 Fl. 144 8 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10680.912762/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.
Recurso Voluntário Negado
A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado.
Numero da decisão: 3301-001.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a diligência proposta pelo conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Geraldo Mascarenhas L. C. Diniz, OAB/MG 68.816.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2093; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 150 1 149 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.912762/200949 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301001.962 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2013 Matéria PIS DCOMP Recorrente FEDERAÇÃO INTERFEDERATIVA DAS COOP. DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 18/08/2000 COOPERATIVA. SUJEIÇÃO. FOLHA DE SALÁRIOS/FATURAMENTO. As sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %. INDÉBITO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a diligência proposta pelo conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Geraldo Mascarenhas L. C. Diniz, OAB/MG 68.816. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 62 /2 00 9- 49 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ Belo Horizonte que julgou improcedente manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito fiscal de IRPJ, vencido na data de 31/05/2005, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 09/14, transmitida na data de 06/06/2005, com crédito financeiro decorrente de pagamento da contribuição para o PIS referente à competência de julho de 2000, recolhida em 18/08/2000. A DRF em Belo Horizonte, MG, não homologou a compensação declarada sob o argumento de que o crédito financeiro declarado foi utilizado integralmente para a extinção do débito declarado na respectiva DCTF, não gerando saldo algum passível de repetição/compensação, conforme Despacho Decisório às fls. 08. Cientificada da decisão da DRF, inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fl. 02/04), insistindo na homologação da compensação declarada, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “ assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; (...).” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a nãohomologação da compensação do débito declarado, conforme Acórdão nº 0238.025, datado de 20/05/2012, às fls. 51/55, sob a seguinte ementa: “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.912762/200949 Acórdão n.º 3301001.962 S3C3T1 Fl. 151 3 Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que falar de crédito passível de compensação.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 62/84), requerendo a sua reforma a fim de que se homologue a compensação declarada, alegando, em síntese, que o crédito financeiro utilizado decorreu de pagamento indevido da contribuição para o PIS, apurada sobre a folha de salários de julho de 2000 e recolhida em 18 de agosto do mesmo ano. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: I – Dos Fatos; II – Do Afastamento da Exigência do PIS Folha pela Receita Federal – Efeito Vinculante da Solução de Consulta Nº 412/2004; e, III – A Ilegalidade da Exigência Concomitante do PIS Folha/Faturamento e a Ausência de Dedução das Rubricas Previstas no Decreto 4.524/02 pela Recorrente, concluindo, ao final, que na decisão proferida na Solução de Consulta nº 412, de 15/12/2004, efetuada por ela, a Receita Federal reconheceu a não incidência dessa contribuição sobre sua folha mensal de salários e a exigência do PIS concomitantemente sobre a folha de salários e sobre o faturamento é ilegal. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A compensação de crédito financeiro contra a fazenda nacional com débito fiscal vencido está prevista na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...]. § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, Fl. 152DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. [...].” No presente caso, a recorrente declarou crédito financeiro decorrente de pagamento, a título de PIS, apurado sobre a folha mensal de salários, referente à competência de julho de 2000, no valor de R$1.351,91, efetuado por meio de darf, no mesmo valor, recolhido em 18/08/2000, visando à compensação de débito do IRPJ, no valor de R$2.453,85, vencido em 31/05/2005. Contudo, fazendose o encontro de contas entre o valor do débito do PIS declarado na respectiva DCTF e o valor recolhido, nenhum indébito foi apurado. Na DCTF, a recorrente declarou para o mês de maio de 2000: a) débito de PIS, no valor de R$1.351,91; e, b) pagamento, via darf, vinculado àquele débito, no mesmo valor. Assim, nenhum indébito foi apurado. Em seu recurso voluntário, alegou que o valor de R$1.351,91 se refere ao PIS apurado e pago sobre a folha mensal de salários. No entanto, posteriormente, efetuou consulta à Receita Federal sobre a incidência dessa contribuição sobre sua folha de salários. Em resposta a sua consulta, a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, por meio da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT Nº 412, de 15/12/2004, teria reconhecido a não incidência dessa contribuição sobre sua folha mensal de salários. Assim, aquele valor teria sido apurado e pago indevidamente, constituindose indébito tributário passível de repetição/compensação. Ao contrário do entendimento da recorrente, do exame da referida solução de consulta, cópia às fls. 94/101, verificamos que a aquela Superintendência não reconheceu a isenção nem a não incidência do PIS sobre sua folha mensal de salários, assim concluindo: “CONCLUSÃO 17. À vista do exposto, respondo à consulente que, à vista dos elementos do processo, ela não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade.” Do exame do Estatuto Social, cópia às fls. 112/148, verificamos que a recorrente é uma sociedade cooperativa de responsabilidade limitada, constituída nos termos da Lei nº 5.764, de 1971, e tem como objeto social a prestação de serviços as suas federadas, cooperativas filiadas. A legislação vigente no período do fato gerador, objeto do pretenso indébito reclamado, Lei nº 9.715, de 25/11/1998, previa a incidência do PIS sobre a folha mensal de salários das sociedades cooperativas e também sobre o faturamento mensal, assim dispondo: “Art. 1º Esta Lei dispõe sobre as contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP, de que tratam o art. 239 da Constituição e as Leis Complementares no 7, de 7 de setembro de 1970, e no 8, de 3 de dezembro de 1970. Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.912762/200949 Acórdão n.º 3301001.962 S3C3T1 Fl. 152 5 I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; [...]; § 1º As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados. Art. 3º Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.” Ora, segundo este diploma legal, a recorrente, no período objeto do indébito reclamado, estava sujeita à contribuição para o PIS sobre sua folha mensal de salários e também sobre o faturamento mensal, com as exclusões da base de cálculo, previstas em lei. Assim, a contribuição apurada e paga sobre a folha de salários de julho de 2000 e recolhida em 18 de agosto de 2000 era devida e não constitui indébito tributário. Quanto à suscitada ilegalidade da exigência do PIS sobre a folha mensal de salários e sobre o faturamento decorrente de operações com não associados, conforme demonstrado anteriormente, tal exigência está fundamentada na Lei nº 9.715, de 25/11/1998. A compensação de débito fiscal, mediante a transmissão de Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, citado e transcrito anteriormente, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão é incerto e ilíquido, ou seja, ao contrário do entendimento da recorrente, a contribuição para o PIS, apurada e paga sobre a folha de salário de julho de 2000, era devida por ela e não constitui indébito tributário passível de restituição/compensação. Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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