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Numero do processo: 10480.905411/2011-52
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 54 11 /2 01 1- 52 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905411/201152 Acórdão n.º 3801002.271 S3TE01 Fl. 178 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905411/201152 Acórdão n.º 3801002.271 S3TE01 Fl. 179 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: 1. Tratase de Declaração de Compensação (nº 34009.33746.191007.1.3.046955), elaborada com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitida em 19/10/2007, que tem por origem do crédito um suposto pagamento indevido da Contribuição para o PIS Código (informado) 8109, apresentando o DARF as seguintes características: Apuração Vencimento Arrecadação Principal Multa Juros Total 28/02/2003 14/03/2003 14/03/2003 17.226,42 17.226,42 1.1. Na DCOMP teria sido utilizada uma parcela daquele suposto crédito, no valor original de R$ 1.398,55, que, com a Selic acumulada, seria suficiente para a compensação de um débito, da Contribuição para o PIS cumulativa, Código 8109, relativo a setembro de 2007, no valor de R$ 2.406,21, com vencimento em 19/10/2007. 2. A DCOMP foi analisada de forma automática, pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações – SCC, culminando com a emissão, em 06/06/2011, do Despacho Decisório eletrônico Nº de Rastreamento 932682150, devidamente chancelado pela autoridade administrativa competente – no caso, o titular da DRF/Recife –, do qual a interessada foi cientificada, por via postal, em 17/06/2011. 2.1. O DARF informado na DCOMP foi encontrado nos Sistemas Informatizados da RFB, mas já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Diante da inexistência do crédito, a compensação não foi homologada, resolvendose integralmente a extinção do débito, que passou a ser exigível, com os acréscimos legais devidos, calculados desde o vencimento. 3. Irresignada, a interessada apresentou, em 15/07/2011, Manifestação de Inconformidade, onde diz que, pelo que se depreende do teor do Despacho Decisório, “Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs ..., o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior” e sustenta que “exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente da época em que procederam as referidas compensações e utilizouse dos mecanismos exigidos pela Receita Federal, ou seja, PER/DCOMP, para finalizar o processo de compensação de pagamento indevido ou a maior, sendo que apenas não procedeu a retificação das DCTFs e demais obrigações acessórias”. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905411/201152 Acórdão n.º 3801002.271 S3TE01 Fl. 180 4 3.1. Em seguida transcreve os dispositivos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que regula as compensações dos tributos administrados pela RFB, enfatizando que a compensação com valores pagos indevidamente ou a maior não se enquadra em nenhuma das vedações legais. 3.2. Sintetiza os ponto de discordância da seguinte forma (in verbis): a) Da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e do respectivo DARF; b) Do direito em retificar as DCTFs e demais obrigações acessórias. 3.3. Ao final, “demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRESSUPOSTOS. O direito à restituição decorre do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido (art. 165, I, do CTN), do qual se origina a obrigação tributária, inalterável até a extinção do crédito tributário dela decorrente (art. 113, § 1º, 139 e 140, do CTN). COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente ao débito declarado em DCOMP, a compensação não será homologada, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905411/201152 Acórdão n.º 3801002.271 S3TE01 Fl. 181 5 Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de quem o alega (art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art 333, I, do CPC), devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ADMISSÃO. UNIDADE DE ORIGEM. Cabe à Unidade de Origem decidir sobre a admissibilidade de retificação da DCTF ou de qualquer outra declaração, falecendo competência às Delegacias da Receita Federal de Julgamento para apreciar pedidos desta natureza. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, em síntese, que o seu direito creditório decorre de mandado de segurança coletivo movido pelo Sindhospe Sindicato dos Hospitais de Pernambuco voltado à permissão de compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos, ante à suspensão da exigibilidade de tais tributos, cuja sentença lhe foi favorável, tendo, inclusive, transitado em julgado. Alega ainda que ingressou com um pedido administrativo de habilitação de crédito, o qual gerou o processo n° 10480.732928/201205, que teria permitido a compensação de créditos decorrentes do pagamento do Pis e da Cofins sobre a venda de medicamentos, reconhecidos na referida ação judicial. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905411/201152 Acórdão n.º 3801002.271 S3TE01 Fl. 182 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme relatado, a recorrente transmitiu PERDCOMP no qual pleiteia a compensação de débitos com um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição PIS e COFINS. Posteriormente, em sede de recurso voluntário, alegou que o seu direito creditório decorre de ação judicial na qual havia sido reconhecido o direito à compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos. Conforme Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a compensação declarada foi não homologada sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O direito creditório não existiria, segundo despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam todos vinculados a débitos já declarados e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Quanto ao mérito do direito creditório alegado em sede recursal, devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Fl. 182DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905411/201152 Acórdão n.º 3801002.271 S3TE01 Fl. 183 7 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Tais dispositivos refletem o princípio da Preclusão presente no PAF, ou seja, a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. Entretanto, este princípio muitas vezes é sopesado pela busca da verdade material, sendo admitida a apresentação de novas provas destinadas à comprovação de alegações já postas. No caso em tela, a recorrente inovou em relação as alegações apresentadas à 1ª Instância, bem como, não juntou nenhuma documentação comprobatória que pudesse embasar o seu direito. A recorrente alega ainda que o seu direito creditório foi reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil através do despacho decisório exarado no Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, com cópia nos autos. No entanto falece razão à recorrente nesse aspecto, pois não é essa a finalidade do citado procedimento. No procedimento de habilitação se realizam as verificações constantes no art. 71, § 4º, da IN/RFB 900/08 sendo que nessa fase não se realizam os cálculos para apurar o direito creditório, visto que nessa fase não se instaura o contencioso: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905411/201152 Acórdão n.º 3801002.271 S3TE01 Fl. 184 8 reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional quinquenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º.(grifamos) O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Significa apenas autorização para transmissão do PER/DComp. O valor constante do pedido de habilitação é informativo e de responsabilidade do contribuinte. Não implica reconhecimento de direito creditório desse valor, quando deferido o pedido. Somente após a inserção de todos esses dados no sistema CPERDCOMP é que o contribuinte conseguirá transmitir os PER/DComp correspondentes ao crédito habilitado, sendo que no caso vertente as declarações de compensação foram transmitidas muito antes do referido Pedido de Habilitação e, inclusive, anteriormente ao próprio trânsito em julgado da decisão judicial na qual a recorrente alega ter embasado o seu direito creditório . Quanto à verdade material, muito embora no processo administrativo o julgador não pode se contentar apenas com a verdade formal, ou seja, aquela verdade que Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905411/201152 Acórdão n.º 3801002.271 S3TE01 Fl. 185 9 resulta das provas e alegações trazidas aos autos pelas partes, tal dever atribuído ao julgador não pode ser estendido para além dos limites do rito procedimental a não ser quando entender que as provas trazidas tempestivamente não espelham a realidade dos fatos. No mais, considerandose que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Salientamos que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, é defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo, bem como, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 37024.001323/2003-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2003
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. APROPRIAÇÃO EM LANÇAMENTO ANTERIOR.
O crédito apropriado em lançamento anterior já consolidado e objeto de parcelamento, o que gera a aceitação e confissão completa dos créditos, logo não pode ser objeto de compensação ou restituição.
Recurso Voluntário Negado - Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 2803-002.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
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COMPENSAÇÃO. APROPRIAÇÃO EM LANÇAMENTO ANTERIOR. O crédito apropriado em lançamento anterior já consolidado e objeto de parcelamento, o que gera a aceitação e confissão completa dos créditos, logo não pode ser objeto de compensação ou restituição. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 02 4. 00 13 23 /2 00 3- 11 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 37024.001323/200311 Acórdão n.º 2803002.896 S2TE03 Fl. 406 2 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 37024.001323/200311 Acórdão n.º 2803002.896 S2TE03 Fl. 407 3 Relatório Os presentes autos tratamse de pedido de restituição de contribuições retidas da Recorrente, na forma do art. 31, da Lei n. 8.212/1991, em razão compensação realizada com lançamento de créditos previdenciários constantes em NDFL n. 37.024.5369 (Proc. Adm. Trib. N. 16665.000740/200761), lavrada em razão de exclusão da Recorrente do SIMPLES com efeitos retroativos. Inconformada, a Recorrente apresentou recurso em que alega a impossibilidade de decisão negativa de restituição enquanto a NFLD supramencionada estiver sob análise dos respectivos órgãos do contencioso administrativo. Foi realizada diligência para obtenção cópias do indicado processo administrativo de lançamento, para terse certeza de que houve apropriação dos valores que pretende a recorrente restituirse. Os autos retornaram com cópias daquele processo. Os autos vieram à turma especial. É o relatório. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 37024.001323/200311 Acórdão n.º 2803002.896 S2TE03 Fl. 408 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Com a resposta da diligência, verificouse que os créditos retidos nas competências 06/2003 e 07/2003, a título de cessão de mãodeobra, foram efetivamente apropriados no lançamento da NDFL n. 37.024.5369 (Proc. Adm. Trib. N. 16665.000740/200761), conforme as fls.249251 dos presentes autos digitais. Inclusive, tal lançamento foi julgado como parcialmente procedente pela DRJ, somente excluindo poucos valores em razão de decadência. Após tal julgamento, aquele lançamento foi objeto de parcelamento (fls. 394) , havendo a desistência dos fundamentos e alegações de inconformidade da cobrança. Assim, houve aceitação de tal apropriação. Dessa forma, em razão da efetiva apropriação dos créditos naquele lançamento e seu transito em julgado, não há mais créditos a serem compensados/restituídos. Isso posto, voto para conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, negar lhe provimento. É como voto. (assinatura digital) Gustavo Vettorato Relator Fl. 408DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10803.720140/2012-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
NULIDADE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos autos do processo são suficientes para formar a convicção do julgador. O indeferimento de pedido de perícia, que tenha por objetivo a demonstração de elementos, cujo ônus da prova é do contribuinte, não pode ser tomado como cerceamento do direito de defesa.
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO - CAUSA NÃO COMPROVADA
É devido o IRRF exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, sobre os pagamentos efetuados a terceiros não identificados, quando não restar comprovada a operação ou a sua causa, nos termos do art. 674 do RIR/99.
DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS - FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
Para se comprovar uma despesa, de modo a torná-la dedutível, face à legislação do imposto de renda, é indispensável comprovar o dispêndio corresponde à contrapartida de serviços efetivamente prestados pelo beneficiário dos pagamentos.
JUROS DE MORA CALCULADOS À TAXA SELIC. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE
A aplicação da taxa de juros Selic para corrigir o crédito tributário lançado decorre de expressa disposição legal, inexistindo ilegalidade ou inconstitucionalidade na sua aplicação. Observância da Sumula nº 4 do CARF.
MULTA CONFISCATÓRIA.
A multa de ofício aplicada decorre de expressa disposição legal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1101-001.007
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Meigan Sack Rodrigues e José Ricardo da Silva, que davam provimento parcial.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora
(documento assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 NULIDADE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos autos do processo são suficientes para formar a convicção do julgador. O indeferimento de pedido de perícia, que tenha por objetivo a demonstração de elementos, cujo ônus da prova é do contribuinte, não pode ser tomado como cerceamento do direito de defesa. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO - CAUSA NÃO COMPROVADA É devido o IRRF exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, sobre os pagamentos efetuados a terceiros não identificados, quando não restar comprovada a operação ou a sua causa, nos termos do art. 674 do RIR/99. DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS - FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Para se comprovar uma despesa, de modo a torná-la dedutível, face à legislação do imposto de renda, é indispensável comprovar o dispêndio corresponde à contrapartida de serviços efetivamente prestados pelo beneficiário dos pagamentos. JUROS DE MORA CALCULADOS À TAXA SELIC. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE A aplicação da taxa de juros Selic para corrigir o crédito tributário lançado decorre de expressa disposição legal, inexistindo ilegalidade ou inconstitucionalidade na sua aplicação. Observância da Sumula nº 4 do CARF. MULTA CONFISCATÓRIA. A multa de ofício aplicada decorre de expressa disposição legal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Meigan Sack Rodrigues e José Ricardo da Silva, que davam provimento parcial. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Meigan Sack Rodrigues.
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INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos autos do processo são suficientes para formar a convicção do julgador. O indeferimento de pedido de perícia, que tenha por objetivo a demonstração de elementos, cujo ônus da prova é do contribuinte, não pode ser tomado como cerceamento do direito de defesa. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO CAUSA NÃO COMPROVADA É devido o IRRF exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, sobre os pagamentos efetuados a terceiros não identificados, quando não restar comprovada a operação ou a sua causa, nos termos do art. 674 do RIR/99. DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, face à legislação do imposto de renda, é indispensável comprovar o dispêndio corresponde à contrapartida de serviços efetivamente prestados pelo beneficiário dos pagamentos. JUROS DE MORA CALCULADOS À TAXA SELIC. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE A aplicação da taxa de juros Selic para corrigir o crédito tributário lançado decorre de expressa disposição legal, inexistindo ilegalidade ou inconstitucionalidade na sua aplicação. Observância da Sumula nº 4 do CARF. MULTA CONFISCATÓRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 01 40 /2 01 2- 58 Fl. 706DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.720140/201258 Acórdão n.º 1101001.007 S1C1T1 Fl. 707 2 A multa de ofício aplicada decorre de expressa disposição legal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Meigan Sack Rodrigues e José Ricardo da Silva, que davam provimento parcial. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI Relatora (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Meigan Sack Rodrigues. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.720140/201258 Acórdão n.º 1101001.007 S1C1T1 Fl. 708 3 Relatório BAURUCAR AUTOMOVEIS E ACESSÓRIOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 17/12/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$2.792.499,69, referente aos seguintes tributos (imposto/contribuição, multa de 75% e 150% e juros de mora calculados até a data da autuação): Imposto de Renda Pessoa Jurídica – R$325.722,91 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – R$ 151.770,75 Imposto de Renda Retido na Fonte – R$2.315.006,03 Tratase de ação fiscal iniciada em 15/05/2012, (AR fl.66), referente aos anos calendário de 2006 a 2008 objetivando verificar o registro contábil e a regularidade no cumprimento das obrigações tributárias em virtude da emissão de notas fiscais de prestação de serviços emitidas por Expertise Comunicação Total Ltda. Em 21/06/2012, a contribuinte atendeu ao termo inicial e apresentou os originais das primeiras vias ou cópias dos demonstrativos das notas fiscais dos anos 2006 e 2007, comprovantes de pagamentos, cópia do balanço patrimonial sintético de 31/12/2011 e cópias de folhas de pagamento de 2006 a dezembro de 2008. Os documentos foram devolvidos ao contribuinte em 13/07/2012 (Termo de devolução à fl. 184). Na seqüência, a contribuinte foi intimada: a) Em 22/08/2012 (AR fl.189) a comprovar o registro contábil de despesas onde foram contabilizadas as notas fiscais emitidas pela empresa Expertise Comunicação Total Ltda (fls. 187 e 188). O atendimento ocorreu em 04/09/2012 com a apresentação das folhas do livro Razão do período de 01/01/2006 a 31/12//2008 (fls. 190 a 228). b) Em 25/10/2012 (AR fl. 293) foi intimada a manifestarse quanto as notas fiscais emitidas por Expertise Comunicação Total Ltda, listadas em cd; apresentar o contrato de prestação de serviços firmado com a Expertise Comunicação Total Ltda; apresentar o livro Razão contendo os termos de abertura e encerramento, o registro contábil em conta de resultados nos quais foram contabilizadas as notas fiscais emitidas pela Expertise Comunicação Total Ltda; apresentar cópia dos comprovantes de pagamentos das referidas notas fiscais ou comprovar a conta fornecedores, com registro das correspondentes baixas por pagamento; informar e apresentar cópia das folhas do livro Razão, o registro contábil em conta de despesas, nos quais foram contabilizados os valores remanescentes referentes às notas fiscais n. 93.421, 97.974, 100.226, 102.567, 104.575 (cita exemplo). Termo de Intimação às fl. 229. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.720140/201258 Acórdão n.º 1101001.007 S1C1T1 Fl. 709 4 Em resposta ao termo de intimação, em 05/11/2012 (fls.294 a 296) a contribuinte informou que os documentos solicitados já tinha sido apresentados e que o contrato de prestação de serviços foi pactuado verbalmente. A fiscalização elaborou o anexo I com a relação de notas fiscais constantes às fls. 233 a 292, emitidas pela Expertise Comunicação Total Ltda, onde constava “Não tributados ISS” e “Tributados”, importâncias correspondentes a “Exchange Card Campanha de Incentivo” e “Comissão Agência...” e “Cobrança ref. ao Processamento dos cartões” e concluiu no Termo de Verificação que essas importâncias destinavamse respectivamente à remuneração pelos serviços que deveriam ser prestados pela contratada para aquisição de cartões carregados com valores a serem entregues a beneficiários indicados pela contratante e ao custo dos cartões. Faz constar também que os pagamentos à Expertise Comunicação Total Ltda foram comprovados e levados a resultado do exercício com o registro contábil em contas de despesas de propaganda, sem identificar os beneficiários dos pagamentos efetuados por meio dos cartões denominados “exchange card”. Não restando comprovada a efetiva prestação de serviços pela contratada (Expertise Comunicação Total Ltda), a causa dos pagamentos e a identificação na contabilidade dos beneficiários dos pagamentos efetuados por meio dos cartões, fatos estes que poderiam comprovar as despesas nos termos do art. 299 do RIR/99, os valores foram glosados na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos valores constantes no anexo I. Foi efetuado também o lançamento do IRRF, nos termos do art. 674 do RIR/99, com a base de cálculo reajustada e formalizada a representação fiscal para fins penais. A contribuinte apresentou a impugnação (fls. 539 a 581), insurgindose contra a autuação, alegando em síntese: · Defende que as deduções com os pagamentos com cartões são legítimas por se tratarem de fornecimento de alimentação e/ou vale de alimentação via cartão; · Alega não haver falta de comprovação dos serviços prestados pela Expertise Comunicação Total S/C Ltda, face às notas fiscais, aos pagamentos efetuados e à escrituração apresentada; · Assevera que os autos de infração foram lavrados com base em presunção do Fisco, sob a alegação de que a contribuinte teria deixado de comprovar a efetiva prestação de serviços que embasaram as notas fiscais apresentadas; · Destaca que a simples alegação não se constitui em provas, necessárias ao lançamento; · Opõese à utilização da taxa Selic para cômputo dos juros de mora; Pede a anulação dos autos de infração em face de legalidade da dedução de despesas que foram indevidamente glosadas; inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic e a aplicação de multa de mora em percentual que representa caráter confiscatório; e pugna pelo deferimento da produção de provas, em especial a perícia técnica. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.720140/201258 Acórdão n.º 1101001.007 S1C1T1 Fl. 710 5 A Turma julgadora rejeitou estes argumentos exarando o Acórdão 1645.676 que (fls 619 a 625),com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008 Ementa: PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃOIDENTIFICADOS. CARTÕES MAGNÉTICOS. Não são dedutíveis as importâncias declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC BASE LEGAL SÚMULA nº 4 CARF CABIMENTO A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála nos moldes da legislação que a instituiu. PEDIDOS DE PERÍCIA. De acordo com o § 1º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do caput do referido artigo. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário:2006, 2007, 2008 Ementa: PAGAMENTO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. TRIBUTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Estão sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados e os recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não restar comprovada a operação ou a sua causa, nos termos do § 1º do art. 674 do RIR/99. Ao fisco compete demonstrar a existência de pagamento ou entrega de recursos, e ao contribuinte, provar a efetividade da operação ou a sua causa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão de primeira instância em 19/04/2013 (AR fl. 630), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 20/05/2003 (fls. 633 a 688), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Elabora o relato dos fatos, demonstra a tempestividade do recurso e apresenta as alegações. No item III, principia informando que é cediço que o fornecimento de alimentação e/ou vale alimentação se trata de mera liberalidade dos empregadores, desde que não previstos na Convenção Coletiva de Trabalho e que o Governo Federal objetivando incentivar a adoção da prática, concedeu benefícios, dentre estes, a dedução no imposto de renda das empresas. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.720140/201258 Acórdão n.º 1101001.007 S1C1T1 Fl. 711 6 Acresce que o benefício tem natureza indenizatória. Cita manifestação do STF e frisa que o benefício concedido ao trabalhador somente não poderá ser concedido em espécie, sendo possíveis várias outras modalidades, dentre elas o cartão, e uma vez que a empresa forneça o citado benefício a seus empregados, faria jus ao incentivo fiscal por meio da dedução de despesas de custeio de alimentação como despesa operacional, e além disso, a dedução de percentual dessa parcela diretamente no imposto devido. Afirma que os agentes fiscais presumiram que as importâncias destinavamse à remuneração pelos serviços que deveriam ser prestados pela Expertise Comunicação Total Ltda, para aquisição de cartões carregados com valores a serem entregues a beneficiários indicados pela recorrente e ao custo dos cartões e que os agentes chegaram a esta conclusão ante a alegação de que os beneficiários deveriam ser indicados pela recorrente, e a mesma não teria comprovado a causa dos pagamentos e identificação dos beneficiários. Afirma que a contribuinte apresentou todos os documentos solicitados pelos agentes, inclusive as notas fiscais e os respectivos comprovantes de pagamentos, não havendo o que falar em comprovação e que nos autos não há prova de qualquer documentação hábil que comprove a irregularidade das notas fiscais e comprovantes de pagamentos apresentados. Defende que a contribuinte contratou os serviços, fato constatado pelas notas fiscais e pagou pelos mesmos, fato constatado pelos recibos juntados aos autos e escriturou as despesas. Aduz que não logrando êxito em fundamentar a exação, os agentes fiscais fizeram alegações vazias, sugerindo que a contribuinte não teria comprovado a efetiva prestação de serviços. Faz observar que os agentes estão declarando como inidôneas as informações prestadas pela contribuinte, sem nenhuma fundamentação legal ou prova e que cabe ao agente fiscal a prova da suposta irregularidade realizada. Cita jurisprudência do Tribunal Regional da 3a Região. No item IV, destaca que o auto de infração foi lavrado com base em presunção do fisco, revisitando alegações já trazidas no item III de que a contribuinte teria apresentado toda a documentação e que não houve prova documental ou por outro meio que comprovassem as alegações do fisco. No item V insurgese contra a taxa Selic para apuração dos juros moratórios em débitos tributários, abservando que, embora não haja vedação expressa à utilização da taxa Selic , tal entendimento se extrai do princípio da legalidade do Direito Tributário, que consiste na limitação ao poder de tributar (art. 150, I , CF). Transcreve acórdão da 2a Turma do E. Superior Tribunal de Justiça, no RE 215881/PR. Continua, observando que há afronta ao princípio da tipicidade tributária, pois a taxa Selic não se vincula ao Sistema Tributário Nacional, mas sim ao Sistema Financeiro Nacional, sendo típica aos aplicados financeiros e não aos contribuintes, não podendo ser utilizada para fins tributários. Cita jurisprudência e doutrina. Alega aspectos inconstitucionais e ilegais latentes na cobrança de taxas remuneratórios, em ofensa ao art. 193, §3o da CF que limita a cobrança de juros a 12% ao ano. Cita jurisprudência, transcrevendo partes do acórdão da 1a Câmara Civil do TJ/RJ, n. 5.560/89; manifestação dos relatores e voto. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.720140/201258 Acórdão n.º 1101001.007 S1C1T1 Fl. 712 7 Afirma que o STF já se pronunciou sobre a matéria dos juros, no debate sobre as taxas de juros reais, quando concluiu que seriam de no máximo 12% ao ano, mais a taxa de inflação. Conclui, após diversas considerações, que é incontestável o direito da contribuinte à utilização das taxas de mora a 1% ao mês para atualização de seus débitos, para atualização de seus débitos. No item VI opõese à multa imposta no auto de infração, afirmando que a mesma é confiscatória. Cita doutrina e avança alegando que a doutrina constitucional moderna e STF determinam que não se deve analisar as leis somente sob a ótica do princípio da reserva legal. Cita jurisprudência do STF. Discorre sobre o limite da penalidade, cita Ives Gandra da Silva Martins, e diversos doutrinadores. Assevera que a multa imposta é ilegal e confiscatória e afronta aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, cita ensinamentos de Luis Emygdio Rosa Jr, ADIN n. 1075/DF, despacho no Agravo Regimental em Agravo de Instrumento n. 202.9028 e ADIN 5511/RJ. Assevera que o STJ se manifestou a respeito da multa abusiva no AgRg 1362016/RSSTJ, 02a Turma. No item VII questiona a retificação dos saldos de prejuízos fiscais, solicitada através de notificação, nos termos dos demonstrativos que acompanharam os autos de infração. Requer o diferimento da citada retificação ao término do presente processo administrativo e que o requerimento não foi devidamente analisado pela DRJ. No item VIII aduz a necessidade de produção de provas. Alega que os agentes fiscais solicitaram documentação para a contribuinte, que as cumpriu. Diz que não está claro os valores apurados pelos agentes fiscais, gerando insegurança à contribuinte se quiser parcelar ou recolher, ou até mesmo para exercer seu direito à ampla defesa. Pede a prova pericial onde será corroborada as alegações da contribuinte quanto à escrituração das notas fiscais e comprovantes de pagamentos, comprovando que os serviços foram efetivamente prestados. Requer a conversão do julgamento em diligência para produção de provas. Por fim, pede: a) Anulação do auto de infração pelos seguintes fundamentos: legalidade da dedução glosada; que o auto foi lavrado em decorrência de presunções; inconstitucionalidade da aplicação da Selic nos juros de mora; aplicação de multa em percentual que representa nítido caráter confiscatório; b) Diferimento da retificação nos saldos de prejuízos fiscais ao final do processo administrativo; c) Deferimento de realização de perícia para produção de provas; Fl. 712DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.720140/201258 Acórdão n.º 1101001.007 S1C1T1 Fl. 713 8 d) Deferimento de sustentação oral perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheira MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A autuação ocorreu por dois fatores: primeiramente a fiscalização constatou que os valores pagos pela contribuinte à Expertise Comunicação Total S/C Ltda, apurados com base em notas fiscais e registros contábeis, contratualmente destinados à aquisição de cartões que deveriam ser utilizados a pagamentos de prêmios a beneficiários, foram contabilizados como propaganda. Os tais pagamentos foram considerados sem comprovação de causa e sem identificação de beneficiários. Foi lançado o IRRF à alíquota de 35% sobre a base de cálculo reajustada com base no art. 674 do RIR/99. A multa de ofício exigida foi qualificada (150%) O segundo motivo da autuação foi a falta de efetiva comprovação da prestação dos serviços pagos à Expertise Comunicação Total S/C Ltda. Houve a glosa dos valores com lançamento do IRPJ e da CSLL. A multa de ofício exigida foi de 75%. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.720140/201258 Acórdão n.º 1101001.007 S1C1T1 Fl. 714 9 DA LEGALIDADE DAS DEDUÇÕES A contribuinte aduz que as deduções efetuadas por ela são válidas, pelos motivos elencados no recurso. A questão é que a contribuinte não logrou provar no curso da fiscalização e nem em sede de impugnação a efetividade dos serviços prestados e a indicação dos beneficiários dos cartões carregados com valores, denominados Exchange Card. Quando intimada a apresentar o contrato de prestação de serviços com a Expertise Comunicações, informou que se tratava de contrato verbal. Ainda que estas despesas não tivessem sido contabilizadas como propaganda, elas não seriam dedutíveis de acordo com o previsto no art. 304 do RIR/99, pois não houve indicação da operação ou da causa que deu origem ao rendimento, e tampouco a identificação do beneficiário do rendimento. A contribuinte alega em seu recurso, que estes pagamentos seriam destinados a fornecimento de alimentação e/ou vale alimentação (fl. 640), fato este não comprovado pela mesma em sede de impugnação. Ainda assim, para a dedução da despesa e utilização do incentivo do Programa de Alimentação do Trabalhador, a contribuinte teria de sujeitarse ao disposto nos arts. 581 a 587 do RIR/99, o que não ocorreu. Relativamente ao lançamento do IRRF nos termos do artigo sobre os pagamentos a beneficiários não identificados – pagamento sem causa, cabe à contribuinte a comprovação da efetiva prestação de serviço não bastando a entrega de notas fiscais e os comprovantes de pagamento. Por isso, não sendo comprovada a efetiva prestação dos serviços pela contratada, tampouco a causa do pagamento e a indicação dos beneficiários dos pagamentos efetuados por meio dos cartões, elementos estes necessários à comprovação de despesas, correto está o lançamento de glosa destes valores na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL nos termos do artigo 299 e §§ do RIR/99. A meu sentir, não merece reforma o conteúdo da decisão recorrida na parte em que manteve a glosa atinente aos pagamentos sem causa que resultaram em lançamento do IRPJ e da CSLL e o conseqüente lançamento do IRRF. Por óbvio, verificase a ausência de causa nos pagamentos realizados, situação esta não se pode aferir outra coisa que não a intenção de criarse por tais pagamentos, uma despesa sem causa, e portanto indedutível. DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO SOB PRESUNÇÕES A dedutibilidade dos custos e despesas deve atender à regra geral prevista no artigo 300 do RIR/99, de sorte que o pagamento, quando não revelada sua causa, será obrigatoriamente considerado como mera liberalidade. Por outro lado, os pagamentos foram registrados como “despesas de propaganda”, conforme folhas do livro Razão às fls. 194 a 228. As notas fiscais emitidas pela Fl. 714DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.720140/201258 Acórdão n.º 1101001.007 S1C1T1 Fl. 715 10 Expertise Comunicação Total Ltda expressam na discriminação dos serviços os seguintes dizeres “Exchange Card campanha de Incentivo” como serviço não tributado pelo ISS e “Comissão agência 5% conf. cláusula 3a do contrato” como serviço tributado pelo ISS (fls. 233 a 292), porquanto, mesmo existindo o pagamento, como mostram os pagamentos (extratos bancários) e notas fiscais às fls 75 a 183, não houve demonstração de sua causa. Quando intimada (fls. 229 a 232): 1) a se manifestar quanto às notas fiscais emitidas por Expertise Comunicação Total Ltda (gravadas no CD); 2) apresentar o contrato de prestação de serviços; 3) comprovar com cópias do livro Razão o registro contábil em conta de resultados (despesas), nos quais foram contabilizados os valores inseridos nas notas fiscais gravadas no CD; 4) apresentar cópia dos comprovantes de pagamento, a contribuinte informou que: “Em relação ao solicitado no item 2, a presente tem por finalidade informar a impossibilidade de cumprimento, visto que o referido contrato de prestação de serviço pactuouse verbalmente” fls 294 e 295). Em relação à entrega dos demais documentos solicitados, a contribuinte respondeu “Conforme se pode constatar no processo de fiscalização, todos os documentos solicitados nos itens 01, 03 e 4, salvo juízo diverso, foram devidamente apresentados em 23 de maio de 2012, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização 08.1.03.0020120037477.” Portanto, não tem razão a contribuinte. Não se trata de simples presunção, como tentam fazem crer as alegações recursais, mas sim de provas fornecidas pelo próprio contribuinte (notas fiscais, recibos de pagamento, contabilização). Despesas estas que foram levadas a resultado como despesa de propaganda, sem a revelação da causa do pagamento. Em sede recursal, foi alegado que se tratavam de despesas com alimentação de empregados, sem acompanhamento de provas, no entanto. RETIFICAÇÃO DOS SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS No item VII questiona a retificação dos saldos de prejuízos fiscais, solicitada através de notificação, nos termos dos demonstrativos que acompanharam os autos de infração. Requer o diferimento da citada retificação ao término do presente processo administrativo e que o requerimento não foi devidamente analisado pela DRJ. Diz que nos termos do art. 151, III é causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário a apresentação de reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo administrativo fiscal e que suspenso o crédito tributário não há que se falar em retificação nos saldos dos prejuízos fiscais, uma vez que o crédito não está definitivamente constituído. Entendo que não cabe razão à contribuinte. O Código Tributário Nacional assim dispõe acerca da suspensão da exigibilidade do crédito tributário: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Fl. 715DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.720140/201258 Acórdão n.º 1101001.007 S1C1T1 Fl. 716 11 VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Para apreciação do tema recorrido compartilho das razões da decidir da Conselheira Edeli Pereira Bessa no processo Acórdão 1101000.969 de 09/10/2013: “E, não bastasse a impugnação e o recurso voluntário integrarem o inciso III, e não os incisos IV e V referidos no art. 63 da Lei nº 9.430/96 como hipóteses que podem afastar a aplicação da multa em lançamento de ofício, há que se observar que o art. 151 do CTN apenas suspende a exigibilidade do crédito tributário e não todo e qualquer efeito do ato administrativo de lançamento. Como bem observa a doutrina transcrita pela recorrente, o que se suspende, portanto, é o “dever de cumprir a obrigação tributária”, qual seja, a obrigação tributária principal formalizada no lançamento questionado administrativamente. Os demais deveres decorrentes, no caso, da reversão para lucro dos prejuízos e bases negativas originalmente apurados, não estão alcançados pela suspensão estabelecida, naqueles termos, pelo Código Tributário Nacional. Acrescentese que, em sede de recurso administrativo, somente se cogita de efeito suspensivo quando a lei expressamente assim o diz. Nesse mesmo sentido, são os ensinamentos da professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (in Direito Administrativo, pág. 640, 18ª ed. 2005): ‘Recursos administrativos são todos os meios que podem utilizar os administrados para provocar o reexame do ato pela Administração Pública. Eles podem ter efeito suspensivo ou devolutivo; este último é o efeito normal de todos os recursos, independendo de normal legal ; ele devolve o exame da matéria à autoridade competente para decidir. O efeito suspensivo, como o próprio nome diz, suspende os efeitos do ato até a decisão do recurso; ele só existe quando a lei o preveja expressamente. Por outras palavras, no silêncio da Lei, o recurso tem apenas efeito devolutivo.’ E isto porque, segundo as lições da mesma doutrinadora, os atos administrativos, revestidos de presunção de legitimidade, detêm autoexecutoriedade,e assim produzem efeitos enquanto não anulados ou cancelados por autoridade competente, sem que isto de forma alguma represente condenação sumária: A presunção de legitimidade, assim, opera no sentido da atribuição de validade aos atos administrativos, caso não restem concreta e eficazmente invalidados pelo contribuinte (de se lembrar a inadmissibilidade da negação geral); nesta hipótese, a presunção atribui força tal ao ato que pode ele instrumentar as medidas seguintes na direção de sua execução forçada. Assim, à falta de previsão expressa em outro sentido, os recursos administrativos têm apenas efeito devolutivo da matéria recorrida. Ou seja, se a norma em referência determina, tão só, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, claro está que apenas este efeito do ato administrativo é postergado. A reversão do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa tem efeito imediato, e o lançamento de Fl. 716DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.720140/201258 Acórdão n.º 1101001.007 S1C1T1 Fl. 717 12 ofício de sua utilização indevida somente poderia ser impedido por conduta espontânea do sujeito passivo que revertesse esta utilização antes do início do procedimento fiscal tendente a promovêlo de ofício.” Quanto ao pedido de diferimento da retificação ao término do presente processo administrativo, com a alegação de que, se julgado procedente o recurso, a contribuinte teria de proceder nova retificação, entendo não haver possibilidade de acolhimento. Sobre a hipótese de eventuais sanções/punições aventada pela recorrente, cumpriria à mesma manejar os competentes recursos e à Administração Tributária vincular o julgamento destes autos à apreciação do lançamento que lhe precederia. JUROS SELIC Quanto aos argumentos contestadores da SELIC julgo que deve ser aplicada a Súmula nº 4 do CARF, a ver: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Relativamente às alegações de inconstitucionalidade, especialmente o art. 192 §3o da CF, o CARF não é competente para apreciação, nos termos da Sumula CARF n. 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” MULTAS As multas exigidas no lançamento de ofício foram: a) multa de 150% para os fatos geradores entre 01.01.2006 a 31.12.2007: art. 44, inciso II, da Lei n. 9430/96; para os fatos geradores entre 01/01/2007 a 31/12/2008 art. 44, inciso II, da Lei n. 9430/96 com a redação data pela Medida Provisória n. 351/07. b) multa de 75 % para os fatos geradores entre 01.01.2006 a 31.12.2006: art. 44 , inciso I, da Lei 9430/96; para os fatos geradores ente 01/01/2007 a 31/12/2008: art. 44 , inciso I, da Lei 9430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/07. A Recorrente alega que a multa aplicada é confiscatória e inconstitucional, pois atenta contra os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da proporcionalidade, tendo com isso um caráter exorbitante. Cumpre esclarecer que tal alegação não compete a este foro a discussão sobre a matéria, dado que a Administração Pública é compelida a aplicar a penalidade nos moldes fixados na legislação de regência, o que foi observado no caso ora analisado, porque o auditor fiscal agiu no estrito cumprimento do dever legal. Ademais, frisese que a análise da alegação retromencionada seria incabível na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja Fl. 717DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.720140/201258 Acórdão n.º 1101001.007 S1C1T1 Fl. 718 13 constitucionalidade, ou ilegalidade, vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991 e demais disposições da legislação vigente aplicadas ao lançamento fiscal ora analisado. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PEDIDO DE PERÍCIA/NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVAS Primeiramente cabe apreciar a pedido de diligência solicitado pela contribuinte que alega: “ (...) consoante observase no procedimento de fiscalização, a Recorrente não teve oportunidade de se defender, restringindo suas manifestações à apresentação de documentações, as quais foram solicitadas pelos agentes fiscalizadores”. Argumenta que nos autos de infração não resta claro os valores apurados pelos agentes fiscais, o que geraria insegurança à recorrente para que se realizasse o pagamento ou o parcelamento, ou até mesmo a existência do cerceamento do direito de defesa, ante a obscuridade das informações, fazendo indispensável a prova pericial. Cabe dizer que no processo administrativo fiscal vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências e perícias que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” A DRJ se pronunciou pelo indeferimento do pedido, não o conhecendo, em razão do disposto no §1o do artigo 16 do Decreto n. 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (....) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes Fl. 718DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.720140/201258 Acórdão n.º 1101001.007 S1C1T1 Fl. 719 14 aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). Apesar de a contribuinte ter alegado em seu recurso que formulou corretamente o pedido para produção de prova pericial, e que inclusive o justificou, correta está a decisão da DRJ, para indeferimento do pedido, visto não cumprimento integral do inciso IV. Entendo, ademais, que os autos estão suficientemente embasados para nortear o julgamento, pois foram constituídos utilizando documentos apresentados pela própria contribuinte. Cabe lembrar que a contribuinte apresentou impugnação e recursos tempestivos e que a produção de provas para comprovar efetividade da prestação de serviços ou quanto à escrituração das notas fiscais e comprovantes de pagamento poderia ter sido a teor do art. 16, §4o do Decreto nº 70.235/72, apresentados à autoridade julgadora de 1a instância. Portanto, meu voto é para indeferimento do pedido de diligência. Por fim, o requerimento de sustentação oral deve seguir o rito próprio da Portaria MF 256/09 e alterações. Face ao exposto, meu voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de voluntário. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI – Relatora Fl. 719DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10803.720140/201258 Acórdão n.º 1101001.007 S1C1T1 Fl. 720 15 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10240.000748/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2007
EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO FEDERAL, ESTADUAL, DISTRITAL OU MUNICIPAL, NESSA QUALIDADE, NÃO AMPARADO POR RPPS. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS.
As pessoas físicas exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, não amparadas, nessa qualidade, por Regime Próprio de Previdência Social, são qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS. As pessoas físicas exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, não amparadas, nessa qualidade, por Regime Próprio de Previdência Social, são qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 07 48 /2 01 0- 13 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2007 Data da lavratura do AIOP: 17/06/2010. Data de ciência do AIOP: 01/07/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Campo Grande/MS que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.265.5424, consistente em contribuições sociais previdenciárias patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração de segurados obrigatórios do RGPS, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 11/22. De acordo com a resenha fiscal, constatouse que a Câmara Municipal de Alto Paraíso não possuía Regime Próprio de Previdência Social, sendo seus servidores e agentes políticos (Vereadores) filiados ao Regime Geral de Previdência Social (Artigo 198 da Lei Complementar 07, de 01/11/96). Apurou a Fiscalização que o Órgão Público em foco deixou de declarar os segurados empregados (Vereadores) identificados no anexo I, a fls. 17/19, nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP relativas ao período de 01/2006 a 03/2007, deixando também de efetuar o devido recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a esses segurados. Assim, constatada a falta de declaração e recolhimento das contribuições devidas, houvese por lavrado o presente Auto de Infração de Obrigação Principal, tendo por objeto a constituição do crédito tributário referente às contribuições sociais patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a essa categoria de segurados empregados. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 28/31. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0427.648 – 4ª Turma da DRJ/CGE, a fls. 200/204, julgando procedente o lançamento levado a efeito pela autoridade fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 02/04/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 208. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 210/213, concentrando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: Fl. 218DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10240.000748/201013 Acórdão n.º 2302002.963 S2C3T2 Fl. 218 3 · Que a inserção dos agentes políticos no rol dos segurados obrigatórios do RGPS foi realizada mediante a Lei nº 10.887/2004, que é uma lei ordinária federal, enquanto que a Constituição Federal de 1988 prevê que a instituição de novos impostos só se dará mediante Lei Complementar, e não por Lei Federal como de fato ocorreu com a Lei 10.887/2004 Alfim, requer a reforma da Decisão de Primeira Instância Administrativa. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 02/04/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 02/05/2012, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Igualmente não constarão na pauta de debate desta 2ª Turma Ordinária as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DOS EXERCENTES DE MANDATO ELETIVO MUNICIPAL VEREADORES O Recorrente alega que a “inserção dos agentes políticos no rol dos segurados obrigatórios do RGPS foi realizada mediante a Lei nº 10.887/2004, que é uma lei ordinária federal, enquanto que a Constituição Federal de 1988 prevê que a instituição de novos impostos só se dará mediante Lei Complementar e não por Lei Federal como de fato ocorreu com a Lei 10.887/2004”. (sic) Sem razão. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10240.000748/201013 Acórdão n.º 2302002.963 S2C3T2 Fl. 219 5 Ao realizarmos a retrospectiva histórica da legislação que instituiu a contribuição previdenciária sobre os subsídios dos vereadores, nos deparamos que, ab initio, com o §1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, acrescentou ao inciso I do artigo 12 da Lei nº 8212/91 a alínea “h”, a qual qualificava como segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social. Ocorre que a mencionada lei nº 9.506/97 trouxe de berço, desde sua origem, um vício de inconstitucionalidade formal. Com efeito, quando da edição da citada Lei Ordinária nº 9.506/97, o art. 195 da Constituição Federal dispunha que: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores;" Com fundamento na tese de que o inciso II do suso transcrito art. 195 da CF/88 não comportava os agentes políticos, forte no argumento de que eles não poderiam ser qualificados como "trabalhadores", e em razão de não se tratar de instituição de contribuição sobre "a folha de salários, o faturamento e os lucros", o disposto no artigo 13, §1º da Lei nº 9.506/97 foi declarado inconstitucional, em 08/10/03, conforme Decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 351.717/PR, publicada no DJ de 21/11/2003, eis que, segundo o Excelso Pretório, a criação de uma nova figura de segurado obrigatório da Previdência Social somente poderia ter ocorrido por meio de lei complementar, nunca por Lei Ordinária. Em virtude de tal decisão ter sido proferida no trâmite do Controle Difuso de Constitucionalidade, tal veredictum beneficiou, à época, tão somente, o impetrante da ação judicial em relevo. Nessa perspectiva, em decorrência própria da aludida decisão da Suprema Corte, o Senado Federal suspendeu, com fundamento no art. 52, X da CF/88, a execução da norma inscrita na referida alínea "h" do Inciso I do Artigo 12 da Lei nº 8212/91, conforme Resolução nº 26, de 21 de junho de 2005, in verbis: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: (...) X suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; RESOLUÇÃO Nº 26, DE 2005 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Suspende a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997. O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. O entrave constitucional acima abordado veio a ser desbloqueado com a publicação da Emenda Constitucional nº 20/98, a qual conferiu nova redação ao Inciso II do artigo 195 da Constituição Federal de 1988, que passou a ter a seguinte redação: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, A Emenda Constitucional nº 20/98 incluiu, ainda, o §13 no art. 40 da CF/88: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 40. O servidor será aposentado: (...) §13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o regime geral de previdência social. Nesse contexto, com as alterações constitucionais introduzidas pela Emenda Constitucional nº 20/98, ficou afastada a reserva da lei complementar para a instituição de nova categoria de segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, possibilitando que nova lei ordinária, tão só, formalizasse legalmente a sua criação. E foi exatamente o que se Fl. 222DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10240.000748/201013 Acórdão n.º 2302002.963 S2C3T2 Fl. 220 7 sucedeu em 18 de junho de 2004 com a promulgação da Lei nº 10.887/2004, que acrescentou ao tão comentado inciso I do artigo 12 da Lei 8212/91 a alínea ‘j’, com a mesma redação da extirpada alínea ‘h’ já vista anteriormente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; Dessarte, efetivadas as comentadas modificações legislativas, os exercentes de mandato eletivo federais, estaduais, distritais e municipais, quando não vinculados a regime próprio de previdência social, passaram a ter filiação compulsória ao Regime Geral de Previdência Social, sujeitandose tais agentes políticos bem como os respectivos órgãos públicos, às obrigações tributárias fixadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Desta forma, a partir de 21 de junho de 2004, data da publicação da Lei nº 10.887/2004, com eficácia a partir de 19 de setembro de 2004, por força da anterioridade específica prevista no art. 195, §6º da CF/88, tornouse indiscutível e obrigatória a contribuição previdenciária dos Entes Públicos Federativos incidentes sobre a remuneração paga a seus exercentes de mandato eletivo, nos termos do art. 22, I da Lei nº 8.212/91, bem como a contribuição previdenciária a cargo destes, incidentes sobre os seus respectivos subsídios, observado o limite máximo do Salário de Contribuição, conforme art. 20 do mesmo diploma Legal, desde que tais agentes políticos não estejam vinculados a regime próprio de previdência social, como assim se configura o caso dos autos. No entanto, é de salientar que, se a vinculação a regime próprio de previdência for concomitante com outras atividades remuneradas, situação bem comum no caso de vereadores, o agente político será segurado obrigatório em relação a cada atividade desenvolvida, mesmo se a vinculação se der a regimes previdenciários diferentes, podendo ser, como exemplo, contribuinte de regime próprio de previdência social na qualidade de servidor público titular de cargo efetivo e contribuinte do regime geral de previdência social, na qualidade de vereador. Nesse sentido assim ilumina o art. 6º, XIX da IN SRP nº 3/2005, na redação vigente à data de ocorrência dos fatos geradores: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 6° Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de segurado empregado: (...) XIX o exercente de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, salvo o titular de cargo efetivo da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, incluídas suas autarquias e fundações de direito público, afastado para o exercício do mandato eletivo, filiado a RPPS no cargo de Fl. 223DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 origem, observada a legislação de regência e os respectivos períodos de vigência; (grifos nossos) (...) §2º Na hipótese do inciso XIX do caput, o servidor público vinculado a RPPS que exercer, concomitantemente, o mandato eletivo no cargo de vereador, será obrigatoriamente filiado ao RGPS em razão do cargo eletivo, devendo contribuir para o RGPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do mandato eletivo e para o RPPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do cargo efetivo. Outra não é a norma tributária inscrita no art. da IN RFB nº 971/2009 Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 Art. 6º Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de segurado empregado: (...) XIX o exercente de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, salvo o titular de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações de direito público, afastado para o exercício do mandato eletivo, filiado a RPPS no cargo de origem, observada a legislação de regência e os respectivos períodos de vigência; (...) §2º Na hipótese do inciso XIX do caput, o servidor público vinculado a RPPS que exercer, concomitantemente, o mandato eletivo no cargo de vereador, será obrigatoriamente filiado ao RGPS em razão do cargo eletivo, devendo contribuir para o RGPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do mandato eletivo e para o RPPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do cargo efetivo. Chamamos a atenção para a clareza do dispositivo infralegal ao determinar que, nas hipóteses de o exercente de mandato eletivo municipal ser filiado, concomitantemente, a Regime Próprio de Previdência Social, para não contribuir ao Regime Geral de Previdência Social pelos valores auferidos pelo exercício do cargo na Câmara Municipal, como vereador, deve estar oficialmente afastado da sua atividade como servidor titular de cargo efetivo, exercendo apenas a vereança. Assim, sendo mantendo as duas atividades simultaneamente e auferindo remuneração em ambas, o vereador servido contribuirá ao RPPS pelo salário na atividade de servidor público efetivo e para o RGPS, pelos subsídios recebidos como vereador. A propósito, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 10887/2004 ao art. 12, I da lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10240.000748/201013 Acórdão n.º 2302002.963 S2C3T2 Fl. 221 9 Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Assim emoldurado o quadro jurídico, avulta encontrarse impedida esta Corte Administrativa de apreciar tal rogativa e reformar a Decisão Recorrida, ao argumento de que a exação incidente sobre a remuneração de vereadores estaria maculada por vício de inconstitucionalidade, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3. CONCLUSÃO: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10665.003559/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. COEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTOS.
A contestação do procedimento de exclusão do Simples não impede que sejam apuradas outras irregularidades, decorrentes ou não das tratadas no processo de exclusão, e também não impede a atuação do Fisco até o momento da existência de decisão definitiva em relação àquele litígio.
EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. EFEITOS
A exclusão do Simples motivada. por excesso de receita produz efeitos a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Sujeita-se ao arbitramento do lucro a contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal. Nessa forma de apuração de tributos, não há que se falar na consideração de custos e despesas, já contemplados nos percentuais aplicáveis à atividade exercida.
PERCENTUAIS DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROVA.
A mera alegação de que há atividades a serem segregadas, para efeito de tratamento tributário distinto, desprovida de comprovação efetiva de sua materialização, é insuficiente para elidir a motivação do procedimento de oficio.
OMISSÃO DE RECEITAS.
Correto o lançamento fundado em notas fiscais não escrituradas e em recibos de serviços prestados, comprovados por transferências bancárias efetuadas pela mesma pessoa jurídica tomadora desses serviços.
MULTA QUALIFICADA. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE.
A pratica de reduzir a receita declarada substancialmente e de modo reiterado, durante todos os meses, ao longo de três anos-calendário consecutivos, não pode ser creditada a simples erro contábil e caracteriza a conduta dolosa.
Numero da decisão: 1401-001.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
JORGE CELSO FREIRE DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Bezerra Presta, Mauricio Pereira Faro e Alexandre Antonio Alkmin Teixeira.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. COEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTOS. A contestação do procedimento de exclusão do Simples não impede que sejam apuradas outras irregularidades, decorrentes ou não das tratadas no processo de exclusão, e também não impede a atuação do Fisco até o momento da existência de decisão definitiva em relação àquele litígio. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. EFEITOS A exclusão do Simples motivada. por excesso de receita produz efeitos a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeita-se ao arbitramento do lucro a contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal. Nessa forma de apuração de tributos, não há que se falar na consideração de custos e despesas, já contemplados nos percentuais aplicáveis à atividade exercida. PERCENTUAIS DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROVA. A mera alegação de que há atividades a serem segregadas, para efeito de tratamento tributário distinto, desprovida de comprovação efetiva de sua materialização, é insuficiente para elidir a motivação do procedimento de oficio. OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado em notas fiscais não escrituradas e em recibos de serviços prestados, comprovados por transferências bancárias efetuadas pela mesma pessoa jurídica tomadora desses serviços. MULTA QUALIFICADA. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. A pratica de reduzir a receita declarada substancialmente e de modo reiterado, durante todos os meses, ao longo de três anos-calendário consecutivos, não pode ser creditada a simples erro contábil e caracteriza a conduta dolosa.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006 EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. COEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTOS. A contestação do procedimento de exclusão do Simples não impede que sejam apuradas outras irregularidades, decorrentes ou não das tratadas no processo de exclusão, e também não impede a atuação do Fisco até o momento da existência de decisão definitiva em relação àquele litígio. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. EFEITOS A exclusão do Simples motivada. por excesso de receita produz efeitos a partir do anocalendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeitase ao arbitramento do lucro a contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal. Nessa forma de apuração de tributos, não há que se falar na consideração de custos e despesas, já contemplados nos percentuais aplicáveis à atividade exercida. PERCENTUAIS DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROVA. A mera alegação de que há atividades a serem segregadas, para efeito de tratamento tributário distinto, desprovida de comprovação efetiva de sua materialização, é insuficiente para elidir a motivação do procedimento de oficio. OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado em notas fiscais não escrituradas e em recibos de serviços prestados, comprovados por transferências bancárias efetuadas pela mesma pessoa jurídica tomadora desses serviços. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 35 59 /2 00 8- 97 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 9/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 2 MULTA QUALIFICADA. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. A pratica de reduzir a receita declarada substancialmente e de modo reiterado, durante todos os meses, ao longo de três anoscalendário consecutivos, não pode ser creditada a simples erro contábil e caracteriza a conduta dolosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Bezerra Presta, Mauricio Pereira Faro e Alexandre Antonio Alkmin Teixeira. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 9/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10665.003559/200897 Acórdão n.º 1401001.003 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 480483): 1 Da Autuação Tratase de auto de infração para exigência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins (fls. 2/15) referente a períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006. O lançamento decorre de falta/insuficiência de recolhimento da Cofins, conforme valor apurado nas notas fiscais e recibos de prestação de serviços anexados, e tem como fundamentação legal os arts. 2°, II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02. Conforme demonstrativo consolidado no doc. de fls. 2, o valor total do crédito tributário constituído é de R$ 1.142.091,89, incluídos o principal, multa e juros de mora, estes calculados até 28/11/2008. 110 De acordo com o relatório fiscal de fls. 16/17, "0 contribuinte foi intimado através do Termo de Inicio da Ação Fiscal a apresentar notas fiscais, recibos, faturas de serviços prestados a terceiros com ciência em 02/06/2008 para apresentação em 09/06/2008. No dia 27/06/2008, foi lavrado outro Termo de Intimação para apresentação dos mesmos documentos já solicitados no termo anterior para apresentação a partir de 02/07/2008. Após a análise dos documentos apresentados, constatamos uma receita bruta superior aos limites permitidos para que a empresa permanecesse no SIMPLES. Foi então emitida uma Representação Administrativa para exclusão do SIMPLES em 16/09/2008. No dia 08/10/2008, foram emitidos os Atos Declaratórios Executivos DRF/DIV le 46 para exclusão do SIMPLES FEDERAL através do processo administrativo n" 10665.002883/200898; n° 48, para exclusão do SIMPLES NACIONAL através do processo administrativo n° 10665.002946/200814, dos quais tiveram ciência em termo próprio no dia 21/10/2008 através do Sr. Robson Luiz Esteves, sócio da empresa, inscrito no CPF/MF sob o n° 775.490.90653 Do resultado da exclusão do SIMPLES, foram solicitadas apresentações dos Livros Diário e Razão, Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, Demonstrativos dos créditos de PIS e COFINS, com ciência da empresa em 21/10/2008 para apresentação em 20 dias contados da Fl. 546DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 9/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 4 ciência deste termo. Vencido o prazo, foi solicitada pela empresa a prorrogação de tal prazo. A solicitação foi atendida, sendo concedido um novo prazo de 20 dias contados do encerramento do prazo anterior (12/11/2008), tendo sido lavrado outro Termo de Intimação solicitando a apresentação dos mesmos documentos mencionados no termo anterior. A empresa teve ciência deste termo em 17/11/2008. Findo este prazo, foi concedido um novo prazo de 5 dias úteis com ciência da empresa em 10/12/2008 para apresentação de tais documentos. Até o encerramento desta auditoria não foram apresentados os Livros Diário, Razão, LALUR e nem os demonstrativos de créditos de PIS e OFINS, razão pela qual procedeuse a apuração do imposto de Renda Pessoa Jurídica pela forma do Lucro Arbitrado com base na receita bruta apurada nas notas fiscais e recibos de prestação de serviços. Anexas a este relatório encontramse as planilhas demonstrativas do faturamento apurado pela apresentação das Notas Fiscais e Recibos de Prestação de Serviços apresentados pela empresa. Segue anexa também planilha demonstrativa da distribuição dos tributos apurados no Simples e recolhidos em guias de DARF (Documento de Arrecadação Federal) com a respectiva distribuição dos seus valores (Previdência Social — cota patronal, IRPJ ,CSLL, PIS, COFINS)." 2 Da Impugnação Em 23/12/2008 a empresa tomou ciência dos autos de infração (fls. 3), e em 23/01/2009 apresentou impugnação (fls. 165/189), com as alegações a seguir sintetizadas. Requer a nulidade da autuação, por cerceamento de defesa, por entender que somente poderia ter sido acusada de omitir rendimentos e sofrer o arbitramento do lucro após o "prévio e regular processo administrativo tributário para exclusão" do Simples (Lei n° 9.317/96) e do Simples Nacional (LC n° 123/2006). Entretanto, teria havido apenas uma representação administrativa para exclusão do Simples e posteriores atos declaratórios de exclusão, para aplicar a regra do arbitramento do lucro, sem considerar a regra do lucro presumido, mais favorável ao contribuinte, segundo os percentuais de presunção de 8% para produção de mudas e 32% para serviços. Argumenta que no processo não há prova da omissão de receitas e que o lançamento foi baseado em informações prestadas pelo próprio contribuinte e por terceiros. Ressalta que todas as solicitações do auditor fiscal foram prontamente atendidas e que não houve resistência à entrega de documentos fiscais. Afirma desconhecer por completo os recibos utilizados pelo Fisco, documentos que não constam de sua contabilidade ou de sua declaração, nem se encontram assinados. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 9/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10665.003559/200897 Acórdão n.º 1401001.003 S1C4T1 Fl. 4 5 Acrescenta que as notas fiscais emitidas pela impugnante representaram, de fato, ingressos de valores, mas não necessariamente, em seu total, receita operacional da empresa. Parte destes recursos se refere à participação de terceiros na atividade operacional da empresa, ou seja, produção de mudas, plantio, corte e produção de carvão. Sustenta que a receita bruta da autuada está devidamente informada nas declarações apresentadas. Reitera que os recibos utilizados pelo Fisco não se revestem de formalidades legais e não representam receitas. Observa que "muitos destes valores consignam o valor contido nas Notas Fiscais. Ou seja, houve diversas sobreposições de valores, atribuindose receita em dobro". Entende ter havido presunção de receitas operacionais por parte da autoridade fiscal. Lembra que, salvo nos casos previstos em lei especifica, não é dado ao Fisco o direito de lançar com base em presunção, e tampouco presumir o dolo, a fraude ou a simulação. Invoca o principio da verdade material e, em seguida, cita e transcreve trechos da doutrina e da jurisprudência administrativa. Argumenta que o Fisco tinha o dever de carrear aos autos as provas de que houve omissão de receitas. Relativamente à apuração dos tributos, entende que o Fisco deveria ter intimado "a pessoa jurídica a se manifestar sobre a opção pela forma de tributação de seus lucros a partir do ano seguinte da exclusão. E não simplesmente se utilizar do arbitramento do Lucro da Pessoa Jurídica (em 38,4%), que, por si só, já é penalizador do agravamento de percentuais em comparações com o Lucro Presumido (8% e 32% para mudas e serviços respectivamente)." Considera que o Fisco apurou indevidamente, "o Imposto de Renda Pessoa Jurídica com base no Lucro Arbitrado em todos os anos objeto do lançamento (2004, 2005 e 2006) e não com base no Lucro Presumido nos anos 2005 e 2006, não manteve a forma de apuração do SIMPLES em 2004, como determina a norma administrativa, Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006 artigo 9°". Discorda do procedimento adotado pela fiscalização, por entender que, por ter ultrapassado, no anocalendário de 2004, o limite de receita, a contribuinte pagaria os tributos na forma de apuração simplificada com acréscimos. Nessa hipótese, a empresa deveria ser tributada pelo lucro presumido a partir de janeiro do anocalendário subsequente (2005) àquele em que se deu o excesso de receita bruta. Quanto à aplicação da multa, entende que tal procedimento deve ser considerado improcedente, em face do principio constitucional de vedação ao confisco. Argumenta que a multa Fl. 548DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 9/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 6 qualificada foi indevidamente aplicada, já que todas as informações disponíveis foram apresentadas e que não se pode caracterizar a fraude ou dolo. Por consequência, entende que a Representação Fiscal para Fins Penais não deve ser mantida. Defende, ainda, a inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic. A impugnante reitera seu pedido para que sejam acatadas as preliminares de nulidade para cancelamento dos autos de infração. Somente para argumentar, requer que sejam determinadas diligências a fim de comprovar a existência de valores relacionados como efetiva receita da impugnante; que se apurem as receitas segundo cada atividade operacional (produção de mudas, carvão e serviços), para efeito de apuração do lucro presumido/arbitrado; que a forma de apuração de tributos seja alterada para lucro presumido e que sejam excluídos os juros de mora pela taxa Selic. Por fim, requer a produção de provas periciais e documentais, e que as intimações sejam encaminhadas ao endereço de seu representante legal. 3. Da Diligencia De acordo com o Despacho DRJ/BHE n° 153, de 8 de abril de 2009 (fls. 386//389), o julgamento do presente processo foi convertido em diligencia, para que a unidade de origem juntasse documentos, a fim de melhor elucidar os fatos. Em atendimento, a repartição de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 390/391, na qual esclarece que: Todos os valores mencionados neste processo a titulo de valores recebidos pela empresa CARMAC CARVOARIA MARTINHO CAMPOS LTDA., constantes ás folhas 22, 25, 28, 31, 34, 37, 40, 43, 47, 49, 51, 53, 55, 57, 59, 61, 63, 65, 68, 70, 72, 74, 76, 78, 80, 82, 87, 90, 93, 98, 99, 103, 104, 112, 114, 116 e 121; estão devidamente comprovados através de transferências bancárias TED, emitidas pelo banco BRADESCO em que a tomadora de serviços CAF SANTA BÁRBARA forneceu a este Auditor Fiscal, contra quem a empresa auditada emitiu Notas Fiscais de Prestação de Serviços e efetivamente recebeu tais valores em sua conta corrente 84.784 agencia 2283 do Banco do Brasil conforme cópias de transferências anexas às páginas seguintes. Anexa a esta informação fiscal há um quadro demonstrativo dos valores recebidos onde esclarecemos que os valores recebidos apresentados neste processo são provenientes da soma de Comprovante TED + Pagamentos em espécies (a titulo de adiantamentos efetuados pela tomadora de serviços conforme demonstrado em cópias anexas de seu livro razão analítico) + Desconto SIPAT (Referente a treinamento de Segurança do trabalho) + Venda de Madeiras Fl. 549DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 9/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10665.003559/200897 Acórdão n.º 1401001.003 S1C4T1 Fl. 5 7 Esclarecemos também que estão anexas a este processo cópias do Livro Razão Analítico onde estão demonstrados os valores pagos pela tomadora de serviços a empresa prestadora de serviços. Na ocasião, foi juntado o quadro demonstrativo de fls. 392; cópias do livro Razão Analítico da empresa CAF Santa Bárbara Ltda. (fls. 393/407); além de cópias de comprovantes, emitidos pelo Bradesco, de pagamentos mediante TED (transferência eletrônica disponível), efetuados pela empresa CAF Santa Bárbara em favor da Carmac – Carvoaria Martinho Campos Ltda., (fls. 408/443). Cientificada da referida Informação Fiscal e seus anexos em 13/08/2009, (aviso de recebimento de fls. 444v), e de que poderia, em face das informações contidas nos documentos recebidos, aditar a defesa já apresentada, no prazo de trinta dias, a interessada permaneceu silente. 4. Da Representação Fiscal Para Fins Penais Em 18/10/2008, foi formalizado o processo de Representação Fiscal para Fins Penais n° 10665.003518/200809 A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006 EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. COEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTOS. A contestação do procedimento de exclusão do Simples não impede que sejam apuradas outras irregularidades, decorrentes ou não das tratadas no processo de exclusão, e tampouco engessa a atuação do Fisco até o momento da existência de decisão definitiva em relação àquele litígio. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. EFEITOS A exclusão do Simples motivada. por excesso de receita produz efeitos a partir do anocalendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal fica sujeita ao arbitramento do lucro, determinado pela aplicação de percentuais fixados em lei sobre a receita bruta: Nessa forma de apuração de tributos, não há que se falar na consideração de custos e despesas, já contemplados nos percentuais aplicáveis A atividade exercida. PERCENTUAIS DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROVA. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 9/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 8 A mera alegação de que há atividades a serem segregadas, para efeito de tratamento tributário distinto, desprovida de comprovação efetiva de sua materialização, é insuficiente para elidir a motivação do procedimento de oficio. OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado em notas fiscais não escrituradas e em recibos de serviços prestados, comprovados por transferências bancárias efetuadas pela mesma pessoa jurídica tomadora desses serviços. MULTA QUALIFICADA. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. A pratica de reduzir a receita declarada substancialmente e de modo reiterado, durante todos os meses dos anos de 2004 a 2006, não pode ser creditada a simples erro contábil e caracteriza a conduta dolosa. Os percentuais da multa qualificada, exigíveis em lançamento de oficio, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade ou a legalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia quando esta se revela prescindível. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSA.O. Toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte, inconformada com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário (fls. 505530) no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. É o relatório. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 9/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10665.003559/200897 Acórdão n.º 1401001.003 S1C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminar de nulidade Repetindo a alegação apresentada na fase impugnatória, a contribuinte argüiu a nulidade do lançamento, por considerar que a acusação de omissão de rendimentos e o procedimento de arbitramento do lucro não observou o "prévio e regular processo administrativo". Esclareçase, por oportuno, que o presente processo versa exclusivamente sobre os lançamentos tributários decorrentes da apuração de omissão de receitas. O procedimento de exclusão do Simples constitui um procedimento distinto. Apesar de relacionados entre si, tais procedimentos não se confundem. Conforme bem apontado pela decisão de piso, fls. 484, a interessada foi excluída de oficio do Simples por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/DIV n° 46, de 8/10/ 2008 (fls. 290), com efeitos a partir de 01/01/2004. Tal ato foi motivado pelo fato de a contribuinte ter auferido, em 2003, receita bruta superior ao limite estabelecido para permanecer no sistema simplificado, conforme previsto no art. 9°, II, da Lei n° 9.317/96. Como se percebe, o excesso de receita ocorreu no anocalendário de 2003, e não em 2004, como indevidamente afirma a impugnante. Tal procedimento foi formalizado por meio do processo n° 10665.002883/200898. Importa frisar que o fato de a contribuinte contestar o procedimento de exclusão do Simples não impede que sejam apuradas outras irregularidades, decorrentes ou não das tratadas naquele processo, e tampouco engessa a atuação do Fisco até o momento da existência de decisão definitiva em relação àquele litígio. A contribuinte foi excluída do sistema simplificado a partir de 01/01/2004. Após este fato, conforme relatório fiscal de fls. 16/17, o Fisco intimou a contribuinte a apresentar notas fiscais, recibos, faturas de serviços prestados a terceiros. Em seguir, solicitou se a apresentação dos Livros Diário e Razão, Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, Demonstrativos dos Créditos de PIS e COFINS. A contribuinte, contudo, abstevese de apresentar os livros e demonstrativos solicitados. Sobre o tema, extraio as seguintes considerações do Relatório Fiscal, fls. 16/17: Do resultado da exclusão do SIMPLES, foram solicitadas apresentações dos Livros Diários e Razão, Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR, Demonstrativos dos créditos de PIS e COFINS, com ciência da empresa em 21/10/2008 para apresentação em 20 dias contados da ciência deste termo. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 9/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 10 Vencido o prazo, foi solicitada pela empresa a prorrogação de tal prazo. A solicitação foi atendida, sendo concedido um novo prazo de 20 dias contados do encerramento do prazo anterior (12/11/2008), tendo sido lavrado outro Termo de Intimação solicitando a apresentação dos mesmos documentos mencionados no termo anterior. A empresa teve ciência deste termo em 17/11/2008. Até o encerramento desta auditoria não foram apresentados os Livros Diários, Razão, LALUR e nem os demonstrativos de créditos de PIS e COFINS, razão pela qual procedeuse a apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica pela forma do Lucro Arbitrado com base na receita bruta apurada nas notas fiscais e recibos de prestação de serviços. Em sua peça recursal, a contribuinte discordou da adoção de oficio do regime de tributação com base no lucro arbitrado. Sobre o tema, assim se manifestou a recorrente, fls. 488: Não houve a intimação para que o contribuinte manifestasse sua opção, que certamente seria pelo Lucro Presumido, em percentuais segundo cada atividade operacional, 8% para produção de mudas e fornecimento de carvão, e 32% para prestação de serviços. A TURMA JULGADORA JUSTIFICA QUE O REFERIDO PROCEDIMENTO É CORRETO PORQUE A RECORRENTE NÃO APRESENTOU OS LIVROS FISCAIS DIÁRIO, RAZÃO E LALUR. ÓBVIO QUE NÃO APRESENTOU, FORAM LHE CONCEDIDOS 10 DIAS PARA QUE A AUTUADA, ORA RECORRENTE, PUDESSE REFAZER UMA CONTABILIDADE DE 03 ANOS EM 10 DIAS!!!! Ora, tal alegação é claramente desprovida de fundamento. Os elementos constantes dos autos demonstram, à exaustão, que a contribuinte foi inicialmente intimada a apresentar os seus livros contábeis e fiscais em 21/10/2008, ocasião em que lhe foi concedido o prazo de 20 dias. Vencido esse prazo, a contribuinte requereu prorrogação do aludido prazo, e o Fisco atendeu ao seu requerimento. Ao todo, foi concedido à contribuinte um prazo superior a 60 dias para apresentação dos seus livros contábeis e fiscais, posto que a primeira intimação ocorreu em 21/10/2008 e o encerramento da auditoria somente se deu em 22/12/2008 (v. fls. 17). Não merece prosperar, portanto, a arguição de cerceamento de direito de defesa, apresentada pela recorrente. No tocante à alegação de inexistência de provas acerca da efetiva omissão de receitas e de possível inobservância do princípio da verdade material, cumpre destacar que tais aspectos constituem questões de mérito, não devendo ser apreciada em sede de preliminar de nulidade. Sobre o tema, manifestouse com suficiente propriedade o acórdão recorrido, fls. 455, verbis: 0 sujeito passivo deve manter a escrituração, com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos. A contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal fica sujeita ao arbitramento do Fl. 553DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 9/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10665.003559/200897 Acórdão n.º 1401001.003 S1C4T1 Fl. 7 11 lucro. Como ficou comprovado nos autos, no período objeto da ação fiscal, o imposto devido foi determinado com base nos critérios do lucro arbitrado porque a autuada deixou de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal a que estava obrigada. Verificase, no presente caso, que os autos de infração foram lavrados por servidor competente, que regularmente intimou a impugnante a cumprilos ou impugnálos no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que esta instruído com provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, as impugnações acompanhadas de todos os meios de prova inerentes. 0 enfrentamento das questões nas peças de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram os procedimentos e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade dos atos em litígio Diante do exposto, considero que as preliminares de nulidade argüidas merecem ser rejeitadas. Mérito No presente processo, o montante da omissão de receitas foi apurado com base no cotejo entre: a) a soma dos valores das notas fiscais de serviços prestados para a CAF Santa Bárbara Ltda. e para outras empresas, e b) soma dos valores encontrados em recibos de pagamentos efetuados pela mesma CAF Santa Bárbara Ltda. Em sua peça impugnatória, a contribuinte confirmou ter emitido as notas fiscais consideradas pelo Fisco, mas alegou que nem todo o valor constante daquelas notas fiscais constituía receita operacional da pessoa jurídica, posto que uma parte desses valores referiamse à participação de terceiros na atividade da empresa. Tal alegação foi corretamente refutada pelo acórdão de piso, nos seguintes termos, fls. 456, verbis: Quanto à alegação de que parte desses recursos se refere à participação de terceiros na atividade operacional da empresa, cabe esclarecer que o arbitramento o lucro é determinado pela aplicação de percentuais fixados em lei sobre a receita bruta, e não há que se falar na consideração de custos e despesas, já contemplados nos percentuais aplicáveis atividade exercida pela impugnante. Com efeito, não ha na legislação de regência fundamento legal para tal dedução, nos termos do art. 31 da Lei n°8.981, de 1995, anteriormente transcrito, que admite excluir da receita bruta tão somente as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos. A contribuinte também questionou a correção dos percentuais utilizados para arbitramento do lucro (38,4%), sob o argumento de que deveriam ser consideradas as diferentes atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica (produção de mudas e prestação de serviços). Fl. 554DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 9/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 12 Tal alegação também foi corretamente enfrentada pelo acórdão recorrido, fls. 456: A esse respeito, verificase que os autos não estão instruídos com a indicação e a comprovação do suposto erro material mencionado na peça de defesa. As notas fiscais constantes dos autos revelam que a natureza das atividades da empresa é a prestação de serviços. Se a contribuinte entende que ha atividades a serem ser segregadas, para efeito de tratamento tributário distinto, deveria demonstrar o suposto erro e apresentar a correspondente comprovação, pois as meras alegações da impugnante desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para elidir a motivação do procedimento de oficio. Logo não lhe cabe razão. Em relação a este tema, considero que o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. A seguir, repetindo o que fizera na fase impugnatória, a recorrente afirmou desconhecer os valores constantes dos recibos utilizados pela fiscalização, não reconhecendo os como receitas auferidas em razão do exercício de atividades da empresa. No entanto, a diligência realizada a pedido do colegiado julgador a quo demonstrou, com clareza, que a esmagadora maioria destes recibos tinha valores correspondentes a depósitos bancários efetuados por meio de TED (transferência eletrônica disponível). Além disso, os aludidos valores também constavam do livro Razão Analítico da empresa CAF Santa Bárbara Ltda. Sobre o tema, pronunciouse com grande propriedade o acórdão recorrido, razão pela qual transcrevo e adoto parcialmente as suas razões de decidir, fls. 457458, verbis: Por outro lado, para efeito de comprovação da omissão de receitas, os depósitos bancários efetuados por meio de TED (docs. de fls. 408/443) revelamse bem mais consistentes. Embora não se trate, no caso vertente, de lançamento fundado na presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não resta dúvida quanto à credibilidade que o legislador atribuiu à prova constituída com base em depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada. Tais documentos, cuja origem não é comprovada mediante documentação hábil e idônea, por si sós, já autorizariam o Fisco a proceder ao lançamento. Desse modo, as transferências bancárias efetuadas pela mesma pessoa jurídica tomadora dos serviços constante nos recibos utilizados pela fiscalização comprovam que os referidos recibos correspondem efetiva e indubitavelmente a operações que deram causa a receitas omitidas. Importante destacar que, após a realização da diligência, constataramse algumas divergências entre os valores de omissão de receitas apurados pelo Fisco e os valores constantes das transferências. Por esta razão, o lançamento objeto do presente processo foi retificado (reduzido), segundo os critérios claramente expostos no voto condutor da decisão recorrida, fls. 458: Fl. 555DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 9/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10665.003559/200897 Acórdão n.º 1401001.003 S1C4T1 Fl. 8 13 Entretanto, como foram encontradas divergências entre os valores da receita omitida apurados pela fiscalização e os valores consignados nas transferências eletrônicas, constantes do Quadro I, o lançamento deve ser reformado, conforme demonstrativo constante do Quadro II. Para tanto, o procedimento ora adotado foi cotejar, mês a mês, os valores das transferências eletrônicas (TED) com os valores da receita omitida, apurada pela fiscalização. Os critérios ora adotados foram considerar como receita omitida: 1. todas as notas fiscais juntadas aos autos, de serviços prestados para a CAF Santa Barbara Ltda. (coluna B do Quadro II) e para outras empresas (coluna A), uma vez que a emissão das notas fiscais não. 'foi contestada pela impugnante. 2. os valores considerados pela fiscalização, correspondentes aos recibos emitidos pela CAF Santa Bárbara Ltda. (coluna C), até o limite do valor dos depósitos bancários, comprovados por meio de TED (coluna E). Ou seja, nos períodos em que o valor dos recibos foi superior ao valor da transferência bancária, prevaleceu apenas o valor da transferência como receita omitida comprovada (coluna G), e quando o montante dos recibos foi igual ou inferior ao valor da transferência, foi mantido o valor dos recibos, originalmente considerado. Dito de outro modo, dos dois valores o menor. A coluna D — "Operações com a CAF", soma das colunas A e B, permite visualizar com clareza que as transferências bancárias apresentam valores iguais ou muito próximos ora h. referida soma, ora ao valor considerado dos recibos. Mais uma vez reiterando o alegado na fase impugnatória, a recorrente argumentou que os valores constantes dos recibos muitas vezes representam valores já contidos nas Notas Fiscais, razão pela qual teria havido sobreposição de valores (tributação em duplicidade). Tal alegação também não merece prosperar, conforme resultou claramente demonstrado pela decisão de piso, fls. 458: Com relação ao argumento levantado pela defesa de que muitos dos valores dos recibos "consignam o valor contido nas Notas Fiscais. Ou seja, houve diversas sobreposições de valores, atribuindose receita em dobro", cabe observar que os valores registrados nos recibos não foram integralmente considerados pela fiscalização, justamente por terem sido deduzidos os valores das notas fiscais de serviços prestados para a CAF Santa Barbara Ltda. Nesse sentido, cumpre repetir que cabe à interessada apontar e demonstrar a ocorrência de tais supostos erros cometidos pelo Fisco. Assim sendo, em relação a este tema o presente recurso não merece provimento. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 9/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 14 Multa qualificada A recorrente voltou a questionar a incidência da multa qualificada, invocando a aplicação dos princípios constitucionais de vedação ao confisco e da razoabilidade. Agiu bem a instância a quo, ao afirmar que a instância administrativa não constitui o foro adequado para discussões acerca da legalidade ou da constitucionalidade de normas legalmente inseridas no ordenamento jurídico pátrio. A recorrente afirmou, outrossim, que inexiste nos autos prova inequívoca acerca da inequívoca caracterização de fraude, dolo ou simulação. Não obstante o entendimento majoritário desta turma em sentido contrário, considero que, em situações similares à descrita no presente processo, resulta claramente demonstrado o evidente intuito de fraude. Para justificar meu entendimento, adoto e transcrevo as bem assentadas razões de decidir constantes da decisão recorrida, fls. 461462, verbis: Durante todos os meses dos anos de 2004, 2005 e 2006 a contribuinte prestou informações falsas quanto ao seu faturamento, informando nas declarações simplificadas entregues à RFB (fls. 125/151) valores muito menores do que aqueles auferidos em razão da prestação de serviços, apurados com base nas notas fiscais emitidas e recibos de pagamentos, comprovados por depósitos bancários. Ora, ao declarar a menor suas receitas com intuito de furtarse a tributação, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributaria principal. A prática de reduzir sua receita substancialmente e de modo reiterado, durante todo esse período, não pode ser creditada a simples erro contábil e caracteriza a conduta dolosa. [...] As circunstâncias narradas nos autos e as divergências verificadas entre os valores da receita oferecidos A tributação e aqueles auferidos em razão da prestação de serviços, apurados com base nas notas fiscais emitidas e recibos de pagamentos, comprovados por depósitos bancários, demonstram o dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta descrita na Lei n° 4.502/64. Dessa forma, deve ser mantida a multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento). A título meramente ilustrativo, com base no demonstrativo de fls. 459, informo que ao longo dos anoscalendários de 2004, 2005 e 2006 a contribuinte, de maneira sistemática e reiterada, omitiu mais de 85% das receitas efetivamente auferidas. Em outras palavras, para cada R$ 1,00 declarado ao Fisco, mais de R$ 6,00 eram sonegados. Esta constatação, ao meu ver, é amplamente suficiente para demonstrar que, no presente caso, não estamos diante de uma simples apuração de omissão de receitas, a que se refere a Súmula nº 14 do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. Estamos, isso sim, diante de uma omissão de receitas qualificada pelo evidente intuito de fraude, ensejadora da aplicação da multa qualificada. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 9/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10665.003559/200897 Acórdão n.º 1401001.003 S1C4T1 Fl. 9 15 Taxa SELIC No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF nº 4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 558DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 9/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.902175/2012-64
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 75 /2 01 2- 64 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902175/201264 Acórdão n.º 3803005.270 S3TE03 Fl. 70 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o pedido de restituição formulado, relativo a indébito da contribuição para o PIS devida em abril de 2003, apurada com base na Lei nº 10.637, de 2002, no montante de R$ 2.981,91. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição para o PIS, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de parte do livro Registro de Apuração do ICMS, de planilha de apuração da contribuição por ele elaborada, do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) e do DARF, que, segundo ele, comprovariam a origem do direito creditório pleiteado. A DRJ Porto Alegre/RS não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 7 de agosto de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 5 de setembro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902175/201264 Acórdão n.º 3803005.270 S3TE03 Fl. 71 3 Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1 ADC n° 18/DF Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902175/201264 Acórdão n.º 3803005.270 S3TE03 Fl. 72 4 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º e §§ da Lei nº 10.637, de 2002, a contribuição para o PIS incide sobre o faturamento, definido como “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, compreendendo “a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica”. Notese que, diferentemente da Lei nº 9.718, de 1998, a Lei nº 10.637, de 2002, deixou de prever a exclusão do ICMS quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, evidenciando ainda mais o descabimento da exclusão pretendida pelo Recorrente. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902175/201264 Acórdão n.º 3803005.270 S3TE03 Fl. 73 5 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11060.001766/2001-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
LANÇAMENTO DECORRENTE.
O lançamento de Cofins sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência principal de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento de Cofins sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência principal de IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
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O lançamento de Cofins sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência principal de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 17 66 /2 00 1- 11 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.001766/200111 Acórdão n.º 1801001.829 S1TE01 Fl. 579 2 Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0521 com a exigência do crédito tributário no valor de R$750.404,14 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional, no período de 31.01.1998 a 31.05.2001. O lançamento fundamentase na falta de recolhimento do tributo, uma vez que como cooperativa de consumo, que tem por objeto a compra e fornecimento de bens a consumidores, está sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997). As bases de cálculo foram apuradas a partir da escrituração da Recorrente, ou seja, Livro Razão e Balancetes, fls. 110241. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 2º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, Medida Provisória nº 1.858, de 24 de setembro de 1999 e Medida Provisória 1.807, de 25 de fevereiro de 1999. Cientificada em 13.09.2001, fl. 06, a Recorrente apresentou a impugnação em 15.10.2001, fls. 245251 com as razões a seguir transcritas. Faz um relato sobre os fatos e sobre a sua estrutura organizacional esclarecendo que é uma cooperativa de produção que “tem por objetivo prestar serviços a seus cooperados, recebendo a produção dos seus associados para armazenar, classificar, beneficiar, padronizar, industrializar, registrar para afinal vendêla.” Suscita que Este procedimento efetivase pelo repasse dos Advogados produtos dos cooperados para as dependências da cooperativa, que toma a si não apenas o transporte das mercadorias, mas, sobretudo a responsabilidade de comercializar estes artigos. [...] Por derradeiro, resta comprovado pela análise das relações entre a autuada e os seus cooperados, o seu enquadramento como cooperativa de produção, eis o papel exercido de mediadora entre o SOL produtor e o mercado, sem que suas atividades exerçam, cunho meramente mercantilista ou aufiram lucros. [...] Outrossim, devem ser consideradas estas atividades de consumo, atividades complementares à atividade fim da entidade, qual seja a de promover a associação cooperativa, aperfeiçoando o sentido de solidariedade do homem, procurando melhorar a economia do pequeno proprietário, proporcionando aos pequenos produtores as vantagens da concentração econômica, financeira e técnica que podem Melhores de auferir desta relação. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.001766/200111 Acórdão n.º 1801001.829 S1TE01 Fl. 580 3 Não resta dúvida, pelas atividades exercidas pela autuada, o caráter de sociedade cooperativa mista que a entidade possui, tendo em vista que, ao mesmo tempo que realiza atividades típicas das SOL cooperativas de produção, como a venda da produção de seus associados em seu nome próprio, também pratica atividades de consumo que não têm caráter exclusivo, conforme demonstrado, nem tampouco destinação específica aos consumidores, conforme preceitua a lei. [...] O artigo 69, da Lei n° 9.532, de 10.12.1997, [...] equiparou os estabelecimentos das sociedades cooperativas que Acadêmicos praticam atividades de consumo, aos estabelecimentos comerciais em Carlos Alberto F Dutra Karen Oliveira Machado geral, de modo a imporlhes a obrigatoriedade de, a partir de 10.1.1998, promover o recolhimento de impostos e contribuições de competência da União Federal. Entretanto, a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação através do Ato Declaratório (Normativo) n° 4, de 25 de fevereiro de 1999, declarou, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: “a) não se aplica às sociedades cooperativas mistas o disposto no art. 69 da Lei te 9.532/97, que estabelece tratamento tributário para as sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e de fornecimento de bens aos consumidores. [...]” Assim, temse que a distribuição de bens aos associados das cooperativas, criadas que foram para eliminar os intermediários, propiciando melhores preços aos consumidores cooperados, nada mais é do que os atos cooperativos a que alude a letra "c", do inciso III, do artigo 146, da Constituição Federal, atos esses sobre os quais, a partir de então considerados como fatos geradores pelo artigo 69, da Lei n° 9.532/97, passariam a estar sujeitos às contribuições e impostos federais, em clara afronta à regra constitucional de e à regulamentação prevista na Lei ir 5.764/71, que explicita o conceito de ato cooperativo. Entretanto, tendo em vista que esta atividade não é a atividade objeto da autuada, que pelo que se depreende é sociedade DE SOL cooperativa de produção que, eventualmente, pratica atividades de consumo, ou seja, tem caráter de sociedade cooperativa mista, aplicase ao caso em comento o disposto no Ato Declaratório (Normativo) n° 4, exonerandoa, portanto, da regra prevista no art. 69 da Lei 9.532/97. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui ISTO POSTO, REQUER a V. Sa., que se digne a receber a presente DEFESA, tempestivamente apresentada, para o fim de acolher as razões expostas, declarando a insubsistência do Auto de Infração formulado pela fiscalização fazendária. PROTESTA, pela apresentação de outras provas que se fizerem necessárias, inclusive a pericial, para o justo deslinde do litígio. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.001766/200111 Acórdão n.º 1801001.829 S1TE01 Fl. 581 4 Nestes Termos Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/STM/RS nº 1.225, de 06.12.2002, fls. 349353: “Lançamento Procedente”. Restou ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 31/05/2001 Ementa: PRELIMINAR. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de alegações de inconstitucionalidade de ato legal regularmente editado compete exclusivamente ao Poder Judiciário. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/05/2001 Ementa: COOPERATIVA DE CONSUMO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS. Caracterizado que a sociedade cooperativa, apesar de ter sido constituída como de produção, exerce somente a atividade de cooperativa de consumo, sua receita deve ser tributada como a das demais pessoas jurídicas. Notificada em 06.01.2003, fl. 357, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 03.02.2003, fls. 365374, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta Procede ainda a juntada de formulário devidamente preenchido, com a discriminação do bem arrolado, bem como de cópias do Relatório da Administração e Balanço Geral do ano de 2001 e das Demonstrações Contábeis Levantadas até 31.03.2002 [...], as quais demonstram a inclusão do bem acima referido no ativo permanente da recorrente. Conclui Isto posto, requer a v. sa., que se digne a receber o presente recurso voluntário, e documentos, tempestivamente apresentados, para o fim de acolher as razões expostas, declarando a insubsistência do auto de infração, face ao direito da recorrente, como sociedade cooperativa mista que é, de lhe ser excluída a tributação determinada pelo art. 69 da lei n° 9.532, de 1997, segundo o amparo do ato declaratório (normativo) n° 4, de 25 de fevereiro de 1999. Nestes termos pede deferimento. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.001766/200111 Acórdão n.º 1801001.829 S1TE01 Fl. 582 5 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do lançamento de ofício. Tratase de Auto de Infração às fls. 0521 com a exigência do crédito tributário no valor de R$750.404,14 a título de Cofins, juros de mora e multa de ofício proporcional, no período de 31.01.1998 a 31.05.2001. Cabe ressaltar que nos presente autos não serão reexaminados os argumentos pertinentes ao lançamento principal de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), formalizado processo nº 11060.001763/200179, por se encontrar findo na esfera administrativa e foi exonerado. Essa informação está registrada no processo nº 11060.001764/200113 como resultado do Acórdão da 7ª CÂMARA/1ª SJ nº 10709.397, de 29.05.2008, de exigência de Programa de Integração Social (PIS), referente ao mesmo sujeito passivo e a comprovação dos ilícitos dependem dos mesmos elementos de prova do lançamento de IRPJ1: “Acordam os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Consta no Voto condutor: Este processo é decorrente da fiscalização relativa ao IRPJ em que se descaracterizou a cooperativa como mista para enquadrála como cooperativa de consumo. O Segundo Conselho de Contribuintes já havia constatado esse fato na Resolução n°20300.581, fls. 469, quando declinou competência em favor deste Colegiado. Ao julgar a impugnação relativa ao IRPJ, no Processo n° 11060.001763/200179 Acórdão n° 1.839/2003, assim decidiu a l' Turma da DRJ/Santa Maria: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica 1RPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 Ementa: SOCIEDADES 1 Disponível em: <http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf>. Acesso em: 20 nov.2013. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.001766/200111 Acórdão n.º 1801001.829 S1TE01 Fl. 583 6 COOPERATIVAS MISTAS. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO Não se aplica às cooperativas mistas o disposto no art. 69 da Lei n° 9.532, de 19971 que estabelece o tratamento tributário das sociedades cooperativas de consumo. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito que vincula um ao outro, a decisão proferida no lançamento principal é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente. Lançamento Improcedente.” O Processo relativo ao IRPJ encontrase arquivado, veja: Número : 11060.001763/200179 Data de Protocolo : 21/09/2001 Documento de Origem : AI210901 Assunto : AUTO DE INFRACAOIRPJ Nome do Interessado : COOPERATIVA AGRÍCOLA LTDA CNPJ : 87.068.821/000148 órgão Origem : ARQUIVO GERAL DA GRARS Órgão Destino : ARQUIVO GERAL DA GRARS Movimentado em : 06/05/2004 Sequencia : 0006: RM : 03408 Situação: ARQUIVADO POR 10 ANOS UF : RS Transcrevo relevante trecho do Voto do Relator da 1ª Turma da DRJ/Santa Maria no julgamento da exigência de IRPJ: “O art. 10 da Lei 5.764, de 1971, dispõe que as cooperativas também se classificam de acordo com o objetivo ou pela natureza das atividades desenvolvidas por elas ou por seus associados, e o § 2° do mesmo artigo dispõe que serão consideradas mistas as cooperativas que apresentarem mais de um objeto de atividades. Analisandose o estatuto da autuada 19), vêse que entre os objetivos da sociedade consta o seguinte: "Art. 2° A sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I — O estímulo, o desenvolvimento progressivo e a defesa de suas atividades econômicas, de caráter comum. II — A venda, em comum, dos produtos abaixo mencionados nos mercados locais, nacionais ou internacionais a seus associados ou terceiros. Parágrafo 1° para consecução de seus objetivos, a Cooperativa deverá: transportar do local da produção ou de aquisição para as suas dependências, os produtos que venham a ser adquiridos de associados ou de terceiros, bem como transportar da Fl. 583DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.001766/200111 Acórdão n.º 1801001.829 S1TE01 Fl. 584 7 Cooperativa para as dependências dos associados ou de terceiros as compras por eles realizadas. classificar, padronizar, armazenar, vender, beneficiar, industrializar e registrar, se for o caso, as marcas de tais produtos de acordo com a viabilidade do mercado e com a capacidade técnica da Cooperativa. adquirir, na medida em que o interesse social o aconselhar, gêneros alimentícios e artigos de uso doméstico e pessoal para fornecimento a seus associados e a terceiros, assim como: implementos, máquinas agrícolas, fertilizantes, corretivos, inseticidas, outros insumos, derivados do petróleo, materiais de construções, hidrosanitários e elétricos, tintas, eletrodomésticos, produtos veterinários, etc. ..." Além das atividades inerentes à cooperativa de produção (receber a produção de seus associados para armazenar, classificar, beneficiar, vender, etc), vêse que o estatuto social autoriza a Contribuinte a atuar em outras áreas de interesse de seus associados, motivo pelo qual possui vários estabelecimentos que têm como objetivo atender as necessidades de consumo dos associados (estabelecimento matriz onde procede a venda de bens de uso doméstico e pessoal, urna loja de ferragens e um supermercado). Dessa forma, afigurase uma cooperativa mista, definida no § 2° do art. 10 da lei n°5.764, de 1971, pois apresenta mais de um objeto de atividades. A defesa apresenta comprovantes de aquisições de produtores cooperados (fls. 248270). Aliás, o Autuante admite (fl. 08) a existência de eventuais aquisições de produtores associados, mas observa que não há segregação contábil entre essas aquisições e aquelas procedidas junto a terceiros. Examinandose a legislação que versa sobre a matéria, em primeiro lugar, verificase que não há dispositivo legal que autorize a classificação da autuada como cooperativa de consumo, somente porque não escriturou em separado as aquisições de terceiros. Em segundo lugar, também não há ato legal que estabeleça determinada proporcionalidade preponderante de um ou outro ato cooperativo que defina a classificação da sociedade (cooperativa de produção ou de consumo). Por conseguinte, concluise que a interessada é uma cooperativa mista, não se aplicando o disposto no art. 69 da Lei n° 9.532, de 1997, de acordo com a alínea "a" do Ato Declaratório Normativo n°4, de 1999, e, por isso, não é alcançada pela tributação aplicável às demais pessoas jurídicas. De acordo com o PN CST n° 73, de 1975, a apuração do resultado tributável para fins de IRPJ pode ser apurado a partir da segregação das receitas (associados e não associados), com a apuração dos custos diretos e o rateio proporcional dos custos indiretos e as despesas e encargos comuns às duas espécies de receitas. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.001766/200111 Acórdão n.º 1801001.829 S1TE01 Fl. 585 8 No presente caso, a autuada informa (fl. 31) que na contabilidade é feita a distinção no que se refere à vendas a associados e a terceiros. Por isso, entendese que está incorreto tributar o resultado positivo total da cooperativa, pois é possível a identificação das receitas oriundas de operações com cooperados e não cooperados. Em conseqüência, também está incorreta a glosa referente à despesas para constituição de reservas, pois correspondem aos fundos de constituição obrigatória previstas no art. 39 do Estatuto Social, e instituídas pela Lei n°5.764, de 1971, art. 28. Por oportuno, acrescentese que a partir de I° de outubro de 1999, em virtude das alterações trazidas pela Lei n° 9.718, de 1998, e pela Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, e reedições, arts. 13, 23, 1 e II, "a", consolidadas na Instrução Normativa SRF n° 145, de 1999, as cooperativas (mistas) devem recolher PIS/PASEP e a COF1NS com base na receita bruta mensal, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, nos termos do art. 3°, § I°, da Lei n°9.718, de 1998. No entanto, a cooperativa poderá excluir certas receitas da base de cálculo. Entre as exclusões, conforme o art. 15, II e § 1°, da MP n° 1.8588, de 1999, encontramse as receitas de vendas de bens e mercadorias a associados, mas desde que vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. Observese que no § 2° está prevista a obrigatoriedade de contabilização destacada, além da devida comprovação, dessas operações. Por todo o exposto, voto no sentido de julgar improcedente o lançamento de IRPJ.” Não faz sentido manterse a exigência que é mera decorrência da acusação principal. Ademais, os fundamentos da fiscalização são frágeis e fundados em parâmetros que a legislação não trouxe, conforme bem salientou o Relator da julgamento relativo ao IRPJ. Por isso, voto por se dar provimento ao recurso. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo2. O lançamento de Cofins sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência principal de IRPJ formalizada no processo nº 11060.001764/200113. 2 Fundamentação Legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.001766/200111 Acórdão n.º 1801001.829 S1TE01 Fl. 586 9 Cabe esclarecer que a exigência relativa ao IRPJ está finda na esfera administrativa e foi exonerada, de modo que é improcedente lançamento de Cofins. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 586DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10805.000901/2002-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1997
PIS. DCTF. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
A prévia confissão do crédito tributário via DCTF, indicando depósitos judiciais efetuados,não impede o lançamento, que é atividade privativa da autoridade administrativa (art. 142 do CTN), não havendo vício no lançamento se este não ocasiona ônus adicional ao sujeito passivo, sendo constituído sem acréscimo da multa de oficio e com a finalidade de tão somente prevenir a decadência. Precedente do CSRF.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1997 PIS. DCTF. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. A prévia confissão do crédito tributário via DCTF, indicando depósitos judiciais efetuados,não impede o lançamento, que é atividade privativa da autoridade administrativa (art. 142 do CTN), não havendo vício no lançamento se este não ocasiona ônus adicional ao sujeito passivo, sendo constituído sem acréscimo da multa de oficio e com a finalidade de tão somente prevenir a decadência. Precedente do CSRF. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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LANÇAENTO DE OFÍCIO Recorrente LABORTEX IND E COM DE PRODUTOS DE BORRACHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997 PIS. DCTF. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. A prévia confissão do crédito tributário via DCTF, indicando depósitos judiciais efetuados,não impede o lançamento, que é atividade privativa da autoridade administrativa (art. 142 do CTN), não havendo vício no lançamento se este não ocasiona ônus adicional ao sujeito passivo, sendo constituído sem acréscimo da multa de oficio e com a finalidade de tão somente prevenir a decadência. Precedente do CSRF. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 09 01 /2 00 2- 60 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, lavrado em 14/03/2002, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 64.681,54, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da não localização dos pagamentos vinculados aos débitos declarados para os períodos de abril a junho de 1997. Cientificado do auto de infração, o contribuinte, protocolizou impugnação, pedindo que fosse julgado nulo ou improcedente o lançamento, porque o tributo já teria sido constituído, por meio de DCTF, e objeto de depósito judicial. Pela mesma razão, a empresa defendeu a ilegalidade da multa de ofício, no percentual de 75%. Conclusos os autos com a defesa do contribuinte, a DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação. O acórdão recorrido rejeitou a preliminar de nulidade, suscitada pela empresa, pois o presente lançamento atendeu à exigência de formalização de lançamento para prevenir a decadência, então preconizada no art. 90 da Medida Provisória nº 2.158/2001, não tendo causado, ainda, prejuízo ao direito de defesa. No mérito, o acórdão recorrido rejeitou o argumento de que o auto de infração seria improcedente, porque os tributos lançados teriam sido objeto de depósitos judiciais. Para a DRJ, nos termos do art. 142 do CTN e do art. 63 da Lei nº 9.430/1996, o lançamento de ofício é dever da autoridade fiscal, mesmo nessas circunstâncias. O aresto recorrido acrescentou, ainda, que os alegados depósitos judiciais não foram localizados e que a ação judicial indicada não se referia ao período objeto do lançamento impugnado. Por fim, a DRJ acatou a impugnação para exonerar a multa de ofício, no percentual de 75% cada uma, aplicando retroativamente a legislação mais benéfica (art. 18 da Lei nº 10.833/2003), mantendo, todavia, a multa de mora e os juros de mora, por força do art. 161 do CTN e do art. 61 da Lei nº 9.430/1996: Cientificada da decisão acima transcrita, a empresa interpôs recurso voluntário, pedindo que fosse julgado nulo ou improcedente o auto de infração, porquanto não se poderia efetuar lançamento de ofício, relativo a crédito tributário já constituído em DCTF e com depósito judicial. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.000901/200260 Acórdão n.º 3202000.899 S3C2T2 Fl. 95 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Cingese o recurso voluntário a questionar a validade do lançamento de ofício efetuado, embora a Recorrente tenha declarado em DCTF os tributos nele exigidos e realizado depósitos judiciais que lhes suspendiam sua exigibilidade. Correto o acórdão recorrido ao asseverar que a suspensão da exigibilidade, como prevista pelo Código Tributário Nacional (CTN), referese ao crédito e não à possibilidade de a Autoridade Administrativa efetuar o Lançamento. Assim, o que se impede é que a Fazenda execute atos de cobrança do crédito, enquanto sua exigibilidade se encontra suspensa, mas a Administração não resta impedida de proceder ao ato administrativo de lançamento. O lançamento teve apenas o condão de constituir o crédito tributário, na forma do artigo 142, caput e parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN), e não de tornálo exigível. Nesse diapasão, leciona o professor ALBERTO XAVIER: "A suspensão regulada pelo art. 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada necessária para evitar a decadência do poder de lançar". (XAVIER, Alberto. Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2' ed., Forense, Rio de Janeiro, 1997) Não bastasse isso, a autuação para prevenir a decadência é dever da Administração, na forma do art. 90 da MP 2.15835/2001, não podendo a autoridade fiscal nem a autoridade julgadora se furtar se aplicálo.In verbis: Art.90.Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo,decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados,relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por fim, também não merece acolhida a afirmação contida no Recurso Voluntário, de que a DCTF já teria constituído o crédito tributário objeto do lançamento de ofício, o qual seria nulo por esse motivo. Porém, no meu entender, embora não seja necessária a lavratura de auto de infração para constituição do crédito confessado em DCTF, não é vedado à autoridade praticá lo, desde que não acarrete prejuízo ao contribuinte. In casu, a DRJ afastou a imposição de multa de ofício, em nada diferenciando a presente exigência realizada daquela que se daria, através de DCTF, uma vez que o ônus imposto ao sujeito passivo será o mesmo, no caso de derrota da ação judicial. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 Sem discrepar da exegese ora propalada, orientase a Câmara Superior de Recurso Fiscais: Processo n° 16327.002895/200244 Recurso n° 101151.528 Especial do Contribuinte Acórdão n° 910100.307 –1ª Turma Relator: ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO Sessão de 25 de agosto de 2009 CSLL.DCTF. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO. A prévia confissão do crédito tributário via DCTF não impede o lançamento, que é atividade privativa da autoridade administrativa (art. 142 do CTN), não havendo víciono lançamento se este não ocasiona ônus adicional ao sujeito passivo, sendo constituído sem acréscimo da multa de oficio e com a finalidade de tão somente prevenir a decadência. Com relação à existência de supostos depósitos judiciais, pagando tempestivamente os tributos ora lançados, concordo com o aresto recorrido quando assentou que inexiste prova nesse sentido nos presentes autos. Ademais, como também destacou a DRJ, “cumpre observar que, nos termos da Norma de Execução CSAR/CST/CSF nº 2, de 14 de janeiro de 1992, na nota 5 do item 23.1, o valor depositado é considerado, na amortização do débito, como um Darf pago, na data do depósito”, na eventualidade de a contribuinte vir a provar, posteriormente, o depósito e sua conversão em renda para quitar os tributos aqui lançados. Forte nessas razões, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13707.000044/2007-17
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DIRPF/DIRF. CRUZAMENTO DE DADOS. VALORES ERRONEAMENTE DECLARADOS. EXCLUSÃO.
Prevalece a exclusão dos valores lançados na declaração de ajuste anual quando estes estão em descompasso com os valores informados em DIRF pela fonte pagadora.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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CRUZAMENTO DE DADOS. VALORES ERRONEAMENTE DECLARADOS. EXCLUSÃO. Prevalece a exclusão dos valores lançados na declaração de ajuste anual quando estes estão em descompasso com os valores informados em DIRF pela fonte pagadora. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 00 44 /2 00 7- 17 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13707.000044/200717 Acórdão n.º 2801003.200 S2TE01 Fl. 94 2 Tratase de Auto de Infração por intermédio do qual a Autoridade lançadora alterou o valor dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas de R$ 35.272,00 para R$ 16.074,46, com redução do respectivo IRRF de R$ 1.613,00 para R$ 554,06, tendo como resultado um imposto a restituir no valor originário de RS 529,53, ao invés do imposto a pagar originariamente apurado na declaração de ajuste anual do contribuinte, no valor de R$ 1.069,94. O rendimento de R$ 19.198,26, originário da Secretaria de Estado de Administração e Reestruturação do Rio de Janeiro, foi excluído da declaração de ajuste do Recorrente e incluído, como rendimento omitido, na declaração de ajuste de sua genitora, Sra. Juana Soto Rivera, em conformidade com o Comprovante de Rendimentos Pagos de fl. 14 deste processo digital e DIRF de fl. 35, na qual consta, como rendimentos recebidos da citada fonte, pela mãe do Interessado, o valor total de R$ 43.477,26. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Os rendimentos tributáveis recebidos de pessoais jurídicas devem ser apropriados aos respectivos beneficiários, identificados nas respectivas DIRF e Comprovantes de Rendimentos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. Cientificado da decisão de primeira instância em 26/05/2011 (fl. 55), o Interessado interpôs, em 15/06/2011, o recurso de fls. 57/62, acompanhado dos documentos de fls. 63/88. Na peça recursal aduz, em síntese, que: A decisão de piso não pode prosperar, porquanto contrária à prova dos autos. Isto porque, apesar de ter constado no informe de rendimentos o nome e o CPF de sua genitora, o valor de R$ 19.198,26 lhe pertence, posto referente à pensão especial paga em face do falecimento de seu pai. Os dados constantes da DIRF, que estavam incorretos, foram posteriormente retificados junto à fonte pagadora, retificação esta que pode ser constatada nos comprovantes do mês de outubro de 2005 no qual consta anotada a Lei 7.301/73, bem como no comprovante do mês de dezembro de 2005. A prevalecer o entendimento exposto na decisão recorrida, ocorreria in bis in idem, na medida em que se estaria tributando duas vezes um mesmo fato gerador, qual seja, o recebimento da pensão especial que tem como beneficiário o Recorrente, e não a sua genitora. O lançamento relativo ao anocalendário de 2000, cujo objeto é semelhante a este, foi julgado, por unanimidade de votos, improcedente, cancelandose o crédito tributário respectivo, conforme acórdão que anexa à peça recursal. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13707.000044/200717 Acórdão n.º 2801003.200 S2TE01 Fl. 95 3 O processo nº 13707.001613/200652, de sua mãe, relativo ao ano calendário de 2002, foi objeto de recurso voluntário ao CARF, em 09/05/2011. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida, cancelandose, em consequência, a parcela do imposto a restituir que lhe foi deferida, no valor de R$ 529,53, uma vez que já foi pago o imposto efetivamente devido, no valor de R$ 1.069,94. Protesta, ademais, pela juntada de prova documental superveniente. Anexa, à peça recursal, os documentos de fls. 63/88 deste processo digital. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presente os requisitos de admissibilidade. O Recorrente declarou, como rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, o valor de R$ 19.198,00, fonte pagadora Secretaria de Estado de Administração e Reestruturação do Governo do Rio de Janeiro, e o valor de R$ 16.074,00, fonte pagadora Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro IPERJ (declaração às fls. 15/17 deste processo digital). Os comprovantes de rendimentos de fls. 13/14 revelam que o Recorrente recebeu do IPERJ, a título de pensão, o valor de R$ 16.074,00, e a Sra. Juana Soto Rivera, sua genitora, recebeu, da Secretaria de Estado de Administração, o valor de R$ 19.198,00. A Declaração de Ajuste Anual acostada aos autos em fls. 21/23, da mãe do Interessado, aponta rendimentos tributáveis recebidos da fonte pagadora Secretaria de Estado de Administração e Reestruturação do Rio de Janeiro no valor de R$ 24.279,00. As Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF de fls. 37/38 evidenciam que o Interessado consta como beneficiário apenas da DIRF emitida pelo Instituto de Previdência, com rendimento bruto de R$ 16.074,46 e IRRF de R$ 554,06. A DIRF emitida pela Secretaria de Administração aponta a mãe do Recorrente como beneficiária do rendimento bruto de R$ 43.477,26 (R$ 24.279,00 + R$ 19.198,26) e respectivo IRRF no valor de R$ 2.377,84. Correto, portanto, o procedimento fiscal que, com base nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras e nos respectivos comprovantes de rendimentos, ano calendário de 2002, excluiu da declaração de ajuste do Recorrente o rendimento tributável no valor de R$ 19.198,00 e respectivo imposto retido, incluindo tais valores na declaração de ajuste da mãe do Interessado. As alegações recursais não têm o condão de desconstituir o lançamento fiscal, haja vista que: a) Os comprovantes de rendimentos juntados aos autos, referentes ao ano calendário de 2002 (fls. 13/14 deste processo digital), revelam que o único valor pago a título de pensão foi R$ 16.074,00, cujo beneficiário foi Marcello Soto Rivera de Lima, ora Recorrente (Tipo de Vinculação – Pensionista). Fl. 95DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13707.000044/200717 Acórdão n.º 2801003.200 S2TE01 Fl. 96 4 b) Se os dados das DIRF relativas ao anocalendário de 2002 estavam incorretos, deveriam ter sido retificados junto à extinta Secretaria da Receita Federal – SRF pela Secretaria de Estado de Administração, o que não foi feito. c) Ao excluir o rendimento e respectivo imposto da declaração do Recorrente e incluílos na declaração de sua genitora, a Autoridade lançadora, por óbvio, não incorreu em bis in idem, o que só ocorreria, a meu ver, se os valores fossem tributados nas duas declarações. d) Os informes de rendimentos dos anoscalendário 2005, 2006, 2007 e 2008 demonstram que os valores foram recebidos pelo Recorrente, neste período, na qualidade de servidor matriculado (matrícula 00/08213258), e não a título de pensão pelo falecimento de seu pai. e) Decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal não vinculam os julgadores administrativos. f) Benefícios previdenciários dos servidores do Estado do Rio de Janeiro são pagos, em tese, pelo Instituto de Previdência do Estado, criado para esse fim, e não por uma Secretaria de Estado. Registro, por fim, que o processo nº 13707.001613/200652, em nome da mãe do Recorrente, encontrase na Secretaria da 2ª Câmara do CARF, ainda não distribuído. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 96DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 16327.900995/2006-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 21/01/2003
DCTF. RETIFICAÇÃO POSTERIOR À NOTIFICAÇÃO. EFEITO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A DCTF retificada após notificação do resultado de despacho de não homologação retira a espontaneidade do contribuinte, mas não impede que este comprove que incorreu em erro ao realizar a declaração original, de modo a recebe a chancela do órgão julgador.
IRRF. GANHO DE CAPITAL DE INVESTIDOR NÃO RESIDENTE. ISENÇÃO. §1º, ART. 81 LEI Nº 8.931/94.
É isento de IRRF o ganho de capital apurada em operações de compra e venda de ações em bolsa por investidor não residente que se adeque às regras estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. Situação preenchida pela entidade em tela.
Numero da decisão: 2202-002.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente Substituto.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 06/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior (suplente convocado), Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez (Presidente Substituto).
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 21/01/2003 DCTF. RETIFICAÇÃO POSTERIOR À NOTIFICAÇÃO. EFEITO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A DCTF retificada após notificação do resultado de despacho de não homologação retira a espontaneidade do contribuinte, mas não impede que este comprove que incorreu em erro ao realizar a declaração original, de modo a recebe a chancela do órgão julgador. IRRF. GANHO DE CAPITAL DE INVESTIDOR NÃO RESIDENTE. ISENÇÃO. §1º, ART. 81 LEI Nº 8.931/94. É isento de IRRF o ganho de capital apurada em operações de compra e venda de ações em bolsa por investidor não residente que se adeque às regras estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. Situação preenchida pela entidade em tela.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 06/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior (suplente convocado), Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez (Presidente Substituto).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 21/01/2003 DCTF. RETIFICAÇÃO POSTERIOR À NOTIFICAÇÃO. EFEITO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A DCTF retificada após notificação do resultado de despacho de não homologação retira a espontaneidade do contribuinte, mas não impede que este comprove que incorreu em erro ao realizar a declaração original, de modo a recebe a chancela do órgão julgador. IRRF. GANHO DE CAPITAL DE INVESTIDOR NÃO RESIDENTE. ISENÇÃO. §1º, ART. 81 LEI Nº 8.931/94. É isento de IRRF o ganho de capital apurada em operações de compra e venda de ações em bolsa por investidor não residente que se adeque às regras estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. Situação preenchida pela entidade em tela. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 09 95 /2 00 6- 61 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 06/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior (suplente convocado), Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez (Presidente Substituto). Fl. 207DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16327.900995/200661 Acórdão n.º 2202002.520 S2C2T2 Fl. 207 3 Relatório 1 Pedido de Compensação A recorrente efetuou compensação de IRRF a pagar com IRRF supostamente pago a maior. O IRRF utilizado para compensação foi recolhido a maior devido a erro na classificação do titular do ganho de capital. Em 21/01/203, a recorrente realizou para seu cliente Banque Générale Du Luxembourg uma operação de venda de ações de VALE5, na qual foi apurado ganho de capital no valor de R$ 1.318.531,6, o que daria ensejo a recolhimento de IRRF no montante de R$ 84.074,66. Ocorre que tal incidência só ocorreria caso o investidor estrangeiro estivesse situado em país de tributação favorecida. Luxemburgo — país do cliente — está listado como país de tributação favorecida na IN 188/02, mas somente em relação às holdings lá registradas. A cliente da recorrente — Banque Générale du Luxembourg —, contudo não é holding. Desse modo, ao verificar que a retenção foi indevida, a recorrente reembolsou o valor indevidamente retido e efetuou a compensação do tributo mediante a PERD/DCOMP nº 07072.39927.300603.1.3.04 9404 (fls. 3843). 2 Despacho Decisório Em análise do pedido de compensação, foi proferido despacho decisório não homologando o pedido (fl. 12). A justificativa foi a ausência de excesso de recolhimento, porquanto a DARF corresponde ao valor da DCTF (R$ 81.696,62), não se podendo falar em pagamento a maior. Desse modo, restou crédito tributário de R$ 161.85,06 a pagar, incluídos tributo, multa de mora de 20 % e juros de mora. 3 Manifestação de Inconformidade Tendo sido intimado do despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 15) atacando o despacho, expondo os seguintes argumentos: a) em 21/01/03, a empresa Banque Gènèrale Du Luxembourg, situada em Luxemburgo, realizou operação em bolsa com ações da VALE5, e apurou ganho de capital no montante de R$ 1.318.531,46, sobre o qual foi retido IR de R$ 84.04,66, valor recolhido em conjunto com outros débitos de IRRF em operações contemporâneas, cuja DARF totalizou R$ 181.696,62; b) ocorre que o tributo foi retido indevidamente, pois o Banque Du Luxembourg é investidor não residente, adaptado à Resolução CMN Fl. 208DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 2.869/00, e não é considerado situado em paraíso fiscal. Isso porque Luxemburgo, de acordo com a IN 188/02, é considerado paraíso fiscal somente em relação às holdings lá registradas, o que não é o caso da empresa em questão; c) uma vez constatado o erro, o recorrente efetuou o reembolso ao cliente e pediu a compensação do tributo. Dessa forma, como foi demonstrado que o recolhimento foi indevido, e que o recorrente arcou com o ônus econômico do tributo, é legítima a compensação. 4 Acórdão de Manifestação de Inconformidade A manifestação de inconformidade foi indeferida pela 8ª Turma da DRJ/SPOI. A decisão (fls. 5359) trouxe os seguintes fundamentos: a) a análise do mérito restou prejudicada, pois não foi comprovado que o suposto indébito de R$ 84.074,66 estaria incluído no total recolhido no DARF em questão, de R$ 181.696,62. Tal prova deveria ser realizada correlacionando estes valores com os registros contábeis da recorrente; b) não foi comprovada pelo recorrente a retificação da DCTF, a fim de excluir a parcela de R$ 84.074,66 do crédito tributário confessado; c) o pedido de diligência realizado pelo recorrente restou prejudicado, pois o momento de produção de provas é o da apresentação de manifestação de inconformidade. 5 Recurso Voluntário Intimada do acórdão da DRJ em 19/12/08, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 6475), tempestivo, em 20/01/09. Além de repisar os argumentos da manifestação de inconformidade, acresce: a) o DARF de R$ 181.696,62 é composta pelas seguintes retenções efetuadas no período: b) apresentou os demonstrativos das operações de venda acima listadas (fls.95102) Fl. 209DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16327.900995/200661 Acórdão n.º 2202002.520 S2C2T2 Fl. 208 5 c) acostou páginas de seus livros contábeis nas quais estão registradas as operações, com a indicação do que representam na contabilidade (fls. 105110); d) demonstrou a retificação da DCTF (fls. 140141); e) apresentou declaração da CVM atestando que o Banque Générale Du Luxembourg é adaptado à Resolução CMN n 2.689/2000. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O presente recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, e está de acordo com o disposto na Lei nº 9.430/96, motivo pelo qual merece ser conhecido e julgado. A controvérsia cingese à possibilidade de a recorrente compensar o valor de R$ 84.074,66, correspondente a IRRF supostamente pago a maior. No julgamento da manifestação de inconformidade pela DRJ, a análise do mérito foi julgada prejudicada pelos motivos que transcrevo: 6.1. Antes de entrar no mérito sobre estar ou não correta não tributação do rendimento obtido pelo nãoresidente ("Banque Generale Du Luxembourg") farseia necessário apresentar a composição dos valores que perfizeram o montante de R$181.696,62, correlacionandoo, inclusive, com os registros efetuados em livros contábeis da contribuinte. Não há nos autos a comprovação de que os R$ 84.074,66, supostamente indevidos, estejam inseridos no valor recolhido de R$ 181.696,62. 6.2. Registrese que qualquer procedimento de retificação de declaração apresentada em cumprimento a dever instrumental, definido, na legislação de regência, somente é regularmente admitido, em face de comprovado erro de fato. Frisese que não há prova nos autos a embasar as retificações efetuadas nas DCTF pela contribuinte em 17/06/2008 e 18/08/2008 (fls. 49, 51/53); notadamente, não foram acostados ao processo os registros nos livros contábeis a evidenciar a correção da retificação procedida. 6.3. Além disso, a retificação efetuada nas DCTF em 17/06/2008 e 18/08/2008 (fls. 49, 51/53), após a prolação do despacho decisório (20/05/2008 fls. 47), caracterizase como inovação, e, sendo assim, configura uma nova solicitação cuja competência de apreciação originária é da DRF jurisdicionante do domicílio fiscal da contribuinte, estando fora da alçada da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Desta feita, referidas retificações nas DCTF devem ser desconsideradas. 1 DA PROVA DA PRESENÇA DO VALOR COMPENSADO NA COMPOSIÇÃO DA DARF INDICADA Para rebater o ponto 6.1, o recorrente trouxe aos autos a tabela listando as operações que comporiam a DARF em que foi recolhido tributo a maior: Fl. 211DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16327.900995/200661 Acórdão n.º 2202002.520 S2C2T2 Fl. 209 7 Ainda, apresentou o registro dessas operações em seu livro Razão Contábil (fls.104105): O valor total do imposto a recolher seria de R$ 260.879, 72, mas uma parcela de R$ 79.182.65 foi adimplida mediante compensação: O restante — R$ 181.696,62 — foi recolhido mediante DARF (fl 112). Além disso, apresentou os demonstrativos das operações (fls. 95102), de modo a comproválas. Ainda, para demonstrar que arcou com o ônus econômico da retenção, apresentou extratos das contas de seu cliente, demonstrando tanto a retenção quanto a devolução dos valores (fls. 128 e 131): Fl. 212DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Dessa forma, entendo que restou exaustivamente comprovado que o valor de R$ 84.074,66 integrava o DARF de R$ 181.696,62. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16327.900995/200661 Acórdão n.º 2202002.520 S2C2T2 Fl. 210 9 2 DO ERRO FORMAL NA COMPENSAÇÃO Quanto ao ponto seguinte, de que não pode ser acolhido o crédito pois não foi retificada a DCTF à época do pedido de compensação, entendo que tal fato não pode ser utilizado como óbice ao reconhecimento do crédito e homologação da compensação. Isso porque a retificação da DCTF após o início do procedimento de fiscalização não é completamente inócua: ela possui caráter informativo. O efeito de sua retificação extemporânea é a perda da espontaneidade e da força probatória, de modo que é necessário comprovar o erro indicado que deu azo à retificação. Tal posicionamento encontra respaldo na jurisprudência desse Conselho: INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PARA LEGITIMAR COMPENSAÇÃO DE OUTROS DÉBITOS FEDERAIS. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO A compensação de outros tributos federais com eventual crédito decorrente de recolhimento indevido de Imposto de Renda Retido na Fonte deve preceder de legitimação deste, através de regular processo administrativo, onde as razões do equívoco que lhe deram causa devem estar documentalmente evidenciadas. A simples apresentação de DCTF retificadora em data posterior ao indeferimento da compensação formalizada, por inexistência do crédito, não é suficiente para o seu reconhecimento. (CARF. Segunda Seção. 1ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 2102002.183. Rel. Conselheiro Atílio Pitarelli) No caso em tela, embora a apresentação da DCTF tenha ocorrido de maneira extemporânea, a negativa se deu devido à falta de comprovação por parte do recorrente do erro que teria ensejado a retificação. Ou seja, admitiuse que o CARF poderia acolher a modificação e extinguir o crédito tributário se a prova tivesse sido realizada. Quanto à Sumula nº 33 desse Conselho —A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício — entendo que seu efeito é afastar a força probatória das declarações entregues após o início do procedimento fiscal, bem como afastar a incidência da denúncia espontânea. Por força da aludida Súmula CARF nº 33, mesmo que realize a retificação de sua declaração, cabe ao contribuinte comprovar seu direito através de apresentação de todos os documentos necessários à formação da convicção do julgador administrativo de que efetivamente faz jus ao reparo do indébito através da compensação com tributo devido. Dessa forma, afasto tal fundamento da decisão de primeira instância. 3 DO DIREITO DO CRÉDITO Uma vez comprovado que o recorrente arcou com o ônus econômico do tributo — por ter reembolsado ao cliente o tributo retido indevidamente —, e que o valor erroneamente recolhido estava efetivamente incluído no DARF indicado, é necessário analisar se o tributo foi efetivamente pago de forma indevida. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 O cliente que sofreu a retenção é instituição financeira sediada em Luxemburgo. A operação na qual ocorreu a retenção foi venda de ações em bolsa, que resultou em ganho de capital. A legislação brasileira, com o intuito de fomentar o desenvolvimento econômico do país, criou regime tributário diferenciado para os investidores estrangeiros. Tal regime tributário isenta os ganhos de capital auferidos por estes investidores. De acordo com a Lei nº 8.981/95, os ganhos de capital que sejam auferidos por instituições enquadradas pela CMN como investidores estrangeiros são isentos de IRRF: Lei nº 8.981/95 Art. 81. Ficam sujeitos ao Imposto de Renda na fonte, à alíquota de dez por cento, os rendimentos auferidos: I pelas entidades mencionadas nos arts. 1º e 2º do DecretoLei nº 2.285, de 23 de julho de 1986; § 1º Os ganhos de capital ficam excluídos da incidência do Imposto de Renda quando auferidos e distribuídos, sob qualquer forma e a qualquer título, inclusive em decorrência de liquidação parcial ou total do investimento pelos fundos, sociedades ou carteiras referidos no caput deste artigo. DecretoLei nº2.285/86 Art 2º O Poder Executivos, por intermédio do Conselho Monetário Nacional, fica autorizado a estender o tratamento fiscal previsto no artigo anterior a outras entidades, que tenham por objetivo a aplicação de recursos nos mercados financeiros e de capitais, e das quais participem pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, fundos ou outras entidades de investimentos coletivo, constituídos no exterior. (Vide Decretolei nº 2.469, de 1988) Essa isenção está regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 25/01, que, em seus arts. 39 e 40 dispõe: Art. 39. Os rendimentos auferidos por investidor residente ou domiciliado no exterior, individual ou coletivo, que realizar operações financeiras no País de acordo com as normas e condições estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, sujeitamse à incidência do imposto de renda às seguintes alíquotas: (...) Art. 40. Não estão sujeitos à incidência do imposto de renda os ganhos de capital auferidos pelos investidores estrangeiros de que trata o artigo anterior. Segundo ofício da CVM à fl. 114, o Banque Générale Du Luxembourg S.A. cumpre as disposições da Resolução CVM nº 2.689/00, que regulamenta os investimentos estrangeiros no Brasil. Quanto à natureza do rendimento auferido pelo Banque Générale Du Fl. 215DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16327.900995/200661 Acórdão n.º 2202002.520 S2C2T2 Fl. 211 11 Luxembourg na operação, o comprovante à fl. 95 demonstra que corresponde a ganho de capital. Dessa forma, entendese que o ganho de capital em comento enquadrase na isenção supra referida. Sendo assim, correto o entendimento da recorrente de que o imposto não deveria incidir sobre essa operação, e, conseqüentemente, deve ser reconhecido que o pagamento de R$ 84.074,66 foi indevido. Com base no acima exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, homologando a compensação e declarando extinto o crédito tributário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 216DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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