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Numero do processo: 15504.001987/2010-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
FATO GERADOR.
O fato gerador dos tributos submetidos à sistemática do SIMPLES é complexivo, englobando a totalidade das receitas auferidas durante o mês, não importando em quais dias tais receitas hajam sido auferidas.
PROVAS.
Mantém-se o lançamento quando as alegações de defesa não se acompanham de um robusto conjunto probatório.
Numero da decisão: 1402-001.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernanda Carvalho Álvares, Cristiane Silva Costa, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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O fato gerador dos tributos submetidos à sistemática do SIMPLES é complexivo, englobando a totalidade das receitas auferidas durante o mês, não importando em quais dias tais receitas hajam sido auferidas. PROVAS. Mantémse o lançamento quando as alegações de defesa não se acompanham de um robusto conjunto probatório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernanda Carvalho Álvares, Cristiane Silva Costa, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 19 87 /2 01 0- 66 Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.001987/201066 Acórdão n.º 1402001.895 S1C4T2 Fl. 1.261 2 Relatório Vapt Vupt Transportes LtdaME recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma da DRJ Belo Horizonte/MG, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Contra a sociedade acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração (A.I.) de fls. 2 a 68, exigindolhe o pagamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição para Seguridade Social (INSS), no montante de R$ 1.307.760,40 (um milhão, trezentos e sete mil, setecentos e sessenta reais e quarenta centavos), aí incluídos multa por lançamento de ofício e juros moratórios, como segue: QUADRO I – VALORES LANÇADOS, EM R$ FLS IMPOSTO OU CONTRIBUIÇÃO PRINCIPAL JUROS MULTA (75%) TOTAL 2 a 28 IRPJ 28.367,17 14.943,03 21.275,30 64.585,50 29 a 38 PIS 28.367,17 14.943,03 21.275,30 64.585,50 39 a 48 CSLL 46.377,22 24.684,75 34.782,84 105.844,81 49 a 58 Cofins 92.754,42 49.369,59 69.565,74 211.689,75 59 a 68 INSS 378.025,68 199.509,95 283.519,20 861.054,83 SOMA 573.891,66 303.450,35 430.418,38 1.307.760,39 Tais lançamentos originaramse da verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte da interessada, ficando constatado que esta omitira receitas e realizara recolhimentos insuficientes. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 69 a 72 assim descreve a autuação: [...] Analisando a documentação apresentadas pela empresa fiscalizada, bem como a resposta ao Termo de Intimação nº 001, onde através dos requerimentos encaminhados pelo contribuinte em 17/08/2009, 10/09/2009 e 17/09/2009, e pelo ofício de 13/10/2009, foi informado pelo contribuinte, em apertada síntese, que as movimentações financeiras a crédito das contas correntes da empresa tem origem em transferências e pagamentos efetuados pelos clientes da mesma, portanto, tais valores representam a receita bruta da empresa, base de cálculo para apuração do montante a pagar utilizando a sistemática do SIMPLES. Alega que tais pagamentos/transferências seriam para pagamento de despesas diversas, entretanto, a sistemática de apuração do montante devido de tributos no sistema simples, não prevê dedução de despesas das receitas auferidas pela empresa, sendo considerado como receita bruta da empresa, todos os créditos apontados no Termo de Intimação nº 001, e não justificados nas respostas ao citado termo. Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.001987/201066 Acórdão n.º 1402001.895 S1C4T2 Fl. 1.262 3 Dentre as justificativas de valores a crédito nas contas correntes da empresa, no requerimento de 17/09/2009, cabe razão ao contribuinte em relação às transferências efetuadas entre as contas 33.9164 e 21.8502,0 nos valores de R$ 9.000,00 e R$ 3.200,00, efetuadas respectivamente em 01/12/2005 e 13/01/2005, sendo o valor total de R$ 12.200,00 reduzido dos créditos efetuados em sua conta corrente para fins de apuração da base de cálculo do SIMPLES do mês de dezembro de 2005. As demais alegações do contribuinte, não são consideradas, ou por se tratarem de mera alegação sem nenhuma documentação comprobatória, ou por falta de previsão legal. Conforme o item 4, do OFÍCIO encaminhado pelo contribuinte em 13/01/2009, “A empresa reconhece o erro na manutenção de seu sistema de arrecadação simplificada/SIMPLES FEDERAL e está disposta a arcar com as diferença apuradas, desde que sejam levadas em consideração as entradas de receitas e despesas”. Portanto, entendese que não cabe razão à empresa fiscalizada, em suas alegações, uma vez que a mesma, no anocalendário de 2005, optou pela apuração dos tributos na modalidade do SIMPLES, ou seja, não existe previsão legal para dedução das despesas da empresa da receita bruta, sendo esta a base de cálculo sem quaisquer deduções, a seguir demonstrada: [...] Ciente em 18 de fevereiro de 2010 (fls. 3), a interessada apresentou, em 22 de março de 2010 (segundafeira), a impugnação de fls. 295 a 305, complementada pelo Laudo de fls. 3 a 228 do Anexo I. As alegações da interessada podem ser assim resumidas: I DECADÊNCIA – mencionando o artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, alega que, em 18 de fevereiro de 2005, o Fisco haveria decaído do direito de efetuar lançamento de ofício sobre fatos geradores ocorridos entre 1o de janeiro e 17 de fevereiro de 2005; BASE DE CÁLCULO – faz reparos ao valor tributado, aduzindo que de sua movimentação bancária deveriam ser excluídas operações tais como transferências entre contas de mesma titularidade, os empréstimos, os resgates de aplicações, as operações financeiras, os estornos de débitos indevidos em conta corrente, as reapresentações de cheques e outras operações para as quais o conceito de renda bruta não encontra aplicação. Nesta linha, faz referência aos seguintes pontos: a. suposta inclusão indevida de cheque, no valor de R$ 3.504,00, que não figuraria nos extratos bancários que embasaram os lançamentos; b. suposto cômputo de transferências entre contas de mesma titularidade, exemplificando com crédito no valor de R$ 19.823,00, efetuado em 10 de fevereiro de 2005; c. suposto cômputo em duplicidade de cheques devolvidos, dizendo que lapso desta espécie, no valor de R$ 16.941,42, já haveria sido verificado por seu perito, embora ainda pendesse de comprovação; acrescenta haver solicitado confirmação deste evento à instituição financeira na qual mantém contas correntes, sem resposta, à data da impugnação; requer dilação de prazo de quarenta e cinco dias para obter esta resposta; Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.001987/201066 Acórdão n.º 1402001.895 S1C4T2 Fl. 1.263 4 d. supostos empréstimos concedidos à interessada por seus sócios; e. suposto reembolso de valores pagos pela interessada ao Fisco estadual em benefício de cliente sua (EMPRESA DISTRIBUIDORA LUNAR LTDA.), autuada por descumprimento de obrigações acessórias; f. suposta falha do Autor do feito, no demonstrativo de fls. 71, ao não deduzir da base de cálculo os valores de receita consignados em Documento de Arrecadação Fiscal DARF SIMPLES nos meses de janeiro, fevereiro e dezembro de 2005, embora compute estes mesmos valores no demonstrativo de fls. 7. A interessada finda por requerer: i prazo de quarenta e cinco a sessenta dias para juntada de novas provas de suas alegações; ii juntada de outras provas, inclusive testemunhal; iii realização de perícia; iv encaminhamento de intimações ao escritório da signatária da impugnação; v que o lançamento seja considerado insubsistente e que se excluam os valores apontados nos tópicos acima. A impugnação resume o que foi alegado no Laudo Pericial Contábil que constitui o Anexo I dos presentes autos. Em 14 de junho de 2010, a interessada apresentou o documento de fls. 444, de seguinte teor: Vapt Vupt Transportes Ltda [...] vem [...] apresentar o Laudo pericial Contábil Complementar anexo, com o fito de comprovar o equívoco perpetrado pelo d. Auditor Fiscal [...] quanto à determinação da base de cálculo do SIMPLES, em especial no tocante aos lançamentos em duplcidade de cheques devolvidos [...] de titularidade da Autuada, ora Impugnante. Ressaltese que a diferença relativa aos cheques devolvidos e que deve ser excluída do cômputo da base de cálculo do SIMPLES apurada no laudo pericial contábil apresentado nesta oportunidade alcança o patamar de R$ 1.150,00 [...]. Volvendose à questão da transferência de recursos da empresa Distribuidora Lunar Ltda à Impugnante a título de reembolso de valores, insta informa que, até presente data, a [...] SEF/MG não disponibilizou a documentação requerida a título de prova [...]. Assim, requer lhe seja concedido um prazo adicional de 30 [...] dias para providenciar sua devida juntada aos autos [...]. Acompanha este petitório novo laudo, de fls. 445 a 458.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 02 34.797 (fls. 1.1691.176) de 22/09/2011, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a Impugnação, mantendo o lançamento conforme quadro abaixo transcrito. QUADRO III – VALORES REMANESCENTES – R$ MESES IRPJ PIS CSLL COFINS INSS SOMA janeiro 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 fevereiro 1.449,59 1.449,59 2.787,67 5.575,34 16.335,76 27.597,95 Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.001987/201066 Acórdão n.º 1402001.895 S1C4T2 Fl. 1.264 5 março 2.496,18 2.496,18 3.840,28 7.680,57 30.722,26 47.235,47 abril 1.348,28 1.348,28 2.074,28 4.148,56 17.838,81 26.758,21 maio 2.926,03 2.926,03 4.501,59 9.003,18 38.713,65 58.070,48 junho 2.216,94 2.216,94 3.410,68 6.821,36 29.331,87 43.997,79 julho 2.509,64 2.509,64 3.860,99 7.721,98 33.204,52 49.806,77 agosto 3.120,45 3.120,45 4.800,69 9.601,39 41.285,97 61.928,95 setembro 2.854,81 2.854,81 4.392,02 8.784,04 37.771,37 56.657,05 outubro 3.301,32 3.301,32 5.078,96 10.157,91 43.679,02 65.518,53 novembro 2.857,11 2.857,11 4.395,55 8.791,10 37.801,73 56.702,60 dezembro 2.739,98 2.739,98 4.215,35 8.430,69 36.251,99 54.377,99 Totais 27.820,33 27.820,33 43.358,06 86.716,12 362.936,95 548.651,81 A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 DILAÇÃO PROBATÓRIA. Incabível em sede de contencioso administrativotributário, em face de expressa vedação legal. PERÍCIA. Incabível a realização de perícia na ausência de obscuridades de natureza técnica. INTIMAÇÕES. Incabível o envio de intimações para endereço diverso daquele que consta do cadastro de contribuintes do Fisco federal. FATO GERADOR. O fato gerador dos tributos submetidos à sistemática do SIMPLES é complexivo, englobando a totalidade das receitas auferidas durante o mês, não importando em quais dias tais receitas hajam sido auferidas. PROVAS. As alegações do contribuinte devem ser acompanhadas de um robusto conjunto probatório.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 27/12/2011 (A.R. de fl. 1.194), a interessada interpôs recurso voluntário em 26/01/2012 (fls. 1.1971204), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.001987/201066 Acórdão n.º 1402001.895 S1C4T2 Fl. 1.265 6 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. De início, cabe consignar que os autos foram baixados em diligência para apresentação de provas por parte da Autuada. Infrutíferas as diversas tentativas de intimação (fls. 1.231 a 1.253), retornam os autos para julgamento. Dessa forma, passo à análise do feito fiscal considerando a documentação acostada aos autos. Alega a Recorrente matéria fática, pontuada e a seguir analisada: Aduz a Defendente que houve o cômputo indevido de depósito em dinheiro no valor de R$3.504,00, no mês de fevereiro/2005, para o qual não foi encontrada correspondência no extrato bancário da conta corrente nº 33.9164, agência Bradesco 05088. Com efeito, assiste razão à Recorrente. Entretanto, tal valor já foi computado pela DRJ, vejase o trecho da decisão recorrida, fl. 1.175. No que tange às receitas em si, verificase que à interessada assiste razão quanto à inclusão, na base de cálculo, dos valores de R$ 3.504,00 e R$ 19.823,00 em fevereiro de 2005 (itens “IIa” e “IIb” das alegações), conforme documentos de fls. 7 e 12 do Anexo I. Quanto ao alegado cômputo em duplicidade de cheques devolvidos, mantém se o entendimento da DRJ. A interessada logrou comprovar a ocorrência de evento desta natureza apenas no montante de R$ 1.150,00, no mês de outubro de 2005. Tal montante já foi considerado pela DRJ. O restante alegado pela Recorrente, totalizando R$27.948,84, constante da planilha de fls. 1.149/1.150 não encontra suporte em provas documentais. No que tange às alegações de empréstimos concedidos à interessada por seus sócios e de reembolso feito por cliente sua, verificase, de plano, que elas não foram provadas, e, por conseguinte, não merecem acolhida. Mesma sorte merece a alegação da Recorrente quanto à transferência de recursos da Empresa Distribuidora Luna. Em que pese terem sido os autos baixados em diligência, dada a total inação da autuada, não se pode acolher os argumentos apresentados quando desacompanhados das correspondentes provas. Por fim, a interessada questiona a ausência de dedução, no demonstrativo de fls. 71, dos valores de receita consignados em Documentos de Arrecadação Fiscal DARF SIMPLES correspondentes aos meses de janeiro, fevereiro e dezembro de 2005. Entretanto, constatase que o Fisco elaborou o demonstrativo de fls. 71 apenas e tãosomente para verificar os percentuais de SIMPLES aplicáveis à receita acumulada Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.001987/201066 Acórdão n.º 1402001.895 S1C4T2 Fl. 1.266 7 em cada mês (verifiquese, a título de exemplo, que o valor constante do DARF de fls. 273 não integra a base de cálculo do mês de janeiro – q.v. fls. 11). Ora, as minguadas receitas consignadas nestes DARF (R$ 478,00, R$ 549,00 e R$ 148,15) em nada alteram o percentual a ser adotado, conforme acertadamente fundamentado na decisão recorrida. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10140.721925/2012-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
CSLL E IRPJ. LANÇAMENTO. DECORRÊNCIA.
Aplicam-se ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir aplicáveis ao lançamento do IRPJ, quando ambos decorrerem dos mesmos elementos de fato.
INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. EXCLUSÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL.
A pessoa jurídica que, por meio de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundado em expectativa de rentabilidade, poderá amortizar o valor do ágio nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos subseqüentes ao evento de incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração.
Numero da decisão: 1401-001.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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AQUISIÇÃO. PROCESSO PÚBLICO DE PRIVATIZAÇÃO. ÁGIO. REGULARIDADE. Pode ser lealmente contabilizado como ágio o valor correspondente à diferença entre o valor nominal da participação societária e o valor de arrematação em leilão, ocorrido no âmbito do processo público de desestatização. INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. EXCLUSÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. A pessoa jurídica que, por meio de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundado em expectativa de rentabilidade, poderá amortizar o valor do ágio nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos subseqüentes ao evento de incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 CSLL E IRPJ. LANÇAMENTO. DECORRÊNCIA. Aplicamse ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir aplicáveis ao lançamento do IRPJ, quando ambos decorrerem dos mesmos elementos de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 19 25 /2 01 2- 99 Fl. 3731DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias. Fl. 3732DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10140.721925/201299 Acórdão n.º 1401001.166 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório constante do Acórdão de piso, fls. 36903693: Tratase de impugnação apresentada contra lançamento que, constatando exclusões indevidas na apuração do lucro tributável decorrentes de amortização de ágio, formalizou a exigência de crédito tributário de IRPJ e CSLL, no montante de R$ 44.482.779,98, compreendendo ambos os tributos, acrescidos de juros de mora e de multa vinculada e multa isolada, tendo por fundamento legal o art. 3º da Lei nº 9.249/1995 e demais dispositivos indicados nos autos de infração de fls. 2617 a 2663. Os fundamentos de fato e de direito que dão suporte à exigência do crédito tributário foram expostos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 2593 a 2606, no qual a autoridade lançadora apontou a existência de planejamento tributário ilícito, baseado em pessoa jurídica fictícia, qualificada no referido termo como “mera empresa de papel”, constituída com o único propósito de possibilitar a transferência de ágio para a impugnante. A infração, em suma, consistiu na amortização de ágio, gerando em consequência redução do lucro tributável. Os motivos da autuação podem ser assim resumidos: A empresa Espírito Santo Centrais Elétricas S.A. – Escelsa integrante de grupo econômico que explora o ramo de energia elétrica criou em 10/04/1997 a holding Magistra Participações S.A., com o propósito de adquirir o controle acionário da Enersul, na época em que foi implementada a desestatização do setor elétrico. Em 19/11/1997, Magistra Participações ofereceu o lance vencedor de R$ 625.555.000,00, em leilão realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, adquirindo assim o controle acionário da Enersul. Pelos lançamentos verificados no livro Diário de 1997 (fls. 903 a 910), constatou a Fiscalização que a empresa não possuía recursos para quitar o compromisso assumido no leilão, sendo por isso necessário: a) que o grupo econômico pagasse diretamente ao vendedor a aquisição das ações, sendo lançado no Diário da Magistra Participações, na conta credora n° 2.4.02.02 adiantamento para aumento de capital, o valor de R$ 251.982.555,00, em 25/11/1997 (fls. 905); b) que o grupo econômico oferecesse garantias junto ao BNDES, para obter o empréstimo de R$ 170.173.000,00, visto que Magistra Participações não possuía lastro patrimonial, nem Fl. 3733DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 financeiro para contrair dívida desse porte, conforme lançamento no livro Diário em 25/11/1997 na conta n° 2.2.01.01 empréstimos e financiamentos (fls. 905); c) que o grupo econômico aceitasse notas promissórias no valor de R$ 240.000.000,00, emitidas por Magistra Participações, para fornecer o recurso destinado à aquisição das ações da Enersul, segundo consta no lançamento no Diário em 25/11/1997, na conta n° 2.1.01.03. Além disso, de 06/08/2004 a 31/07/2005, Magistra Participações ocupou o mesmo prédio, na Rodovia BR 101 Norte, km 9,5, n° 3.450, em Serra ES, onde funcionavam as seguintes empresas do grupo: Escelsapar Escelsa Participações S.A., Energest S.A. e Brasympe Energia S.A. No mesmo endereço, a partir de 14/06/2007, iniciouse o funcionamento da Santa Fé Energia S.A. Por outro lado, Magistra Participações era uma empresa sem empregados, conforme se verifica dos livros Diários e das Declarações de Informações EconômicoFiscais – DIPJ. Nem mesmo seu corpo diretivo era por ela remunerado. O grupo econômico é que administrava e executava as operações da empresa, utilizandose de empregados de outras empresas do grupo. Todos esses fatos levaram a Fiscalização a concluir que Magistra Participações não passava de mera empresa de papel. Prosseguindo, a Fiscalização afirmou que até o ano de 2002, a Enersul vinha apurando prejuízo; portanto, não lhe interessava deduzir o ágio pago pela Magistra Participações na aquisição de seu controle acionário. Reduzidos os custos e as despesas, a Enersul passou a gerar lucro a partir de 2003. Assim, para reduzir a tributação, a Enersul incorporou sua controladora, passando dali em diante a excluir do respectivo resultado o ágio, na proporção prevista na Resolução Autorizativa Aneel n° 164, de 25 de abril de 2005. Desde de 01/08/2005, o resultado tributável já vem sendo reduzido pelas exclusões efetuadas. Por tudo isso, concluiu a Fiscalização que Magistra Participações teve a função de contabilizar o ágio do investimento na Enersul, para posterior incorporação por sua controlada, no momento em que a operadora de energia elétrica passasse a gerar lucro. Verificase que Magistra Participações funcionou como “empresa veículo”, com a finalidade exclusiva de transportar ágio para a própria empresa cuja aquisição gerara o sobrepreço. Não resignada, a impugnante apresentou contra o lançamento as seguintes alegações: 1 A Magistra não é "empresa de papel", já que (a) possuía estabelecimento autônomo e independente; (b) auferia receitas, contraia despesas e recolhia os tributos correspondentes, Fl. 3734DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10140.721925/201299 Acórdão n.º 1401001.166 S1C4T1 Fl. 4 5 inclusive IRPJ e CSLL, tendo sido Fiscalizada e autuada pela própria Receita Federal do Brasil (o que, por princípio e definição, não ocorre com empresas exclusivamente de papel); (c) exerceu regularmente seu objeto social de "participar em outras sociedades" por 8 (oito) anos, inclusive em relação a empresa distinta da própria Impugnante, conforme reconhecido pela própria Fiscalização. O fato de a Magistra possuir participação relevante na Impugnante se comparada com outras empresas investidas, com a devida vênia, é absolutamente indiferente para reconhecimento de sua natureza jurídica de holding; 2 A Magistra foi adquirida pela Espírito Santo Companhia Energética S.A. ("Escelsa") em 08/10/1997 para participação no processo de privatização da Impugnante instaurado em 24/09/1997. Nesse período, sequer existia previsão legal sobre a amortização do ágio (cf. Medida Provisória n. 1.602, de 14.11.1997). A escolha da Magistra para participação no processo de privatização da Impugnante decorreu exclusivamente de aspectos econômicos e comerciais, notadamente (a) adequada organização societária e de investimento, inclusive para preservação de acionistas minoritários, conforme regulamentação da CVM sobre o tema (Instrução CVM 319/99 c/c Instrução CVM 349); e (b) dificultar a percepção dos concorrentes em relação à participação de seu grupo econômico no processo licitatório, como estratégia para não atrair a atenção de outros concorrentes do mesmo setor, que acompanham de perto os indicadores e o desempenho econômico da ESCELSA, empresa pública de capital aberto que tem suas informações amplamente divulgadas em balanços publicados e no site da CVM, os quais poderiam ser utilizados pelos concorrentes para deduzir os limites e as estratégias de preço, trazendo grande prejuízo à sua participação no processo licitatório; (c) preservação da imagem pública da concessionária em caso de insucesso no leilão, perante seus clientes. 3 Com a devida vênia, a par dos citados fundamentos econômicos e comerciais, é intuitivamente improcedente a alegação fiscal de que a Magistra teria sido constituída apenas para fins tributários diante do fato incontroverso de que sua constituição, aquisição pela Escelsa e o início do processo licitatório se deram em data anterior à previsão legal que autorizava a amortização do ágio. 4 A Magistra foi incorporada em 2005 pela Impugnante em virtude de (a) reorganização societária decorrente (e imposta) por legislação federal relativa ao setor elétrico, denominado de "processo de desverticalização", segundo o qual as empresas pertencentes ao setor elétrico deveriam se organizar de forma a que cada concessionária prestasse apenas um dos serviços públicos concedidos pela União (Distribuição, Transmissão ou Geração de energia elétrica), sendo vedada a concentração de mais de um serviço em uma única empresa; (b) concentração e aumento da liquidez das ações no mercado de capitais (para ter Fl. 3735DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 seus valores mobiliários admitidos à negociação em bolsa de valores); e (c) simplificação da estrutura acionária do grupo e redução de custos operacionais combinados, conforme expressamente informado pela Impugnante e suas coligadas em fato relevante; 5 A Magistra não "durou o tempo em que a Enersul apresentava prejuízo", pois a Magistra foi incorporada pela Impugnante em 2005 (repitase, por força do processo de desverticalização citado), sendo que a Impugnante apresentou lucro tributável desde 2003, conforme faz prova a própria informação contida às fls. 7/8 do TVF. A par de o evento de incorporação competir exclusivamente aos acionistas das empresas, fosse verdadeira a ilação fiscal de "planejamento tributário abusivo", a incorporação deveria ter ocorrido em 2003 e não em 2005, já que desde 2003 haveria lucro tributável passível de ser absorvido pela amortização do ágio. Com a devida vênia, é óbvio que a incorporação não teve a finalidade precípua de aproveitamento de ágio. 6 A empresa Energias do Brasil S.A. e seu respectivo Grupo Econômico (tida pela Fiscalização como a "controladora direta" da Impugnante) sequer participaram do processo de privatização da Impugnante. A Energias do Brasil apenas passou a ser controladora indireta da Impugnante em 1999, quando da aquisição da Escelsa, dois anos após o advento da privatização e formação do ágio. 7 Ainda que não fosse demonstrado o fundamento econômico da Magistra (repitase: único fundamento da autuação fiscal), o que se admite apenas para argumentar, o aproveitamento de ágio por intermédio de incorporação, fusão ou cisão de empresas veículo de investimento em processos de privatização é conduta não apenas admitida, mas notadamente desejada pelo legislador federal (Lei n. 9.532/97, arts. 7º e 8º), já que permitiu o aumento de preço das ofertas no leilão de privatização e estimulou reorganizações societárias, condutas estas bastante caras ao ordenamento jurídico. Tratase de entendimento pacífico, com a devida vênia, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), segundo a qual "a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco" (3ª Câmara, Acórdão n° 1301000.711). (fls. 2678 a 2680) A impugnante alegou ainda a impossibilidade jurídica de cumular multa vinculada com multa isolada, dado que ambas incidiriam sobre o mesmo fato e a mesma base. Insurgiuse também contra a incidência de juros moratórios sobre a multa, afirmando inexistir respaldo legal para tanto. Com esses fundamentos, pugnou pelo cancelamento dos autos de infração. A 2ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, cancelando o crédito tributário exigido. Fl. 3736DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10140.721925/201299 Acórdão n.º 1401001.166 S1C4T1 Fl. 5 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. PROCESSO PÚBLICO DE PRIVATIZAÇÃO. ÁGIO. REGULARIDADE. É lícito o registro contábil como ágio da diferença entre o valor nominal da participação societária e o valor de arrematação em leilão realizado no âmbito do processo público de desestatização. INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. EXCLUSÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundado em expectativa de rentabilidade, poderá amortizar o valor do ágio nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 CSLL E IRPJ. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicamse ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir aplicáveis ao lançamento do IRPJ, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Os autos foram remetidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em atenção ao disposto no art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235 (recurso de ofício). É o relatório. Fl. 3737DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, o fundamento da autuação foi a alegada inexistência de fato da pessoa jurídica Magistra Participações S.A.. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 2593 a 2606), a Magistra Participações S.A. seria uma empresa de papel, de existência meramente formal, cujo único objetivo teria sido a de servir de veículo para transportar ágio para a contribuinte, para que esta última pudesse deduzilo do lucro tributável. O colegiado recorrido, contudo, por decisão unânime, considerou que o lançamento fundavase neste único fundamento, o qual, examinado em conjunto com os demais elementos constantes dos autos, não se mostrava consistente para sustentar a conclusão a que chegaram as autoridades autuantes. Para embasar seu entendimento, assim se pronunciou o voto condutor da decisão de piso, fls. 3693 e seguintes: Outros casos envolvendo planejamento tributário, mediante reorganização societária, já passaram por esta Turma de Julgamento. E, em quase todos, o lançamento foi mantido na totalidade. Em geral, a ineficácia do atos perpetrados pelos contribuintes decorria de simulação do negócio jurídico ou da inexistência do ágio. Eram situações que muitas vezes envolviam empresas do mesmo grupo econômico, que fixavam, de forma unilateral e às margens das condições de mercado, o preço pelo qual uma empresa seria vendida à outra.Em outras situações, os órgãos de direção das sociedades eram compostos pelas mesmas pessoas, o que também possibilitava a fixação arbitrária do preço da operação, ensejando o aparecimento de ágios fictícios, porquanto imunes aos fatores que atuam na formação do preço de mercado. [...] Em determinadas situações, o ágio foi descaracterizado pela falta de propósito negocial, que normalmente se evidenciava quando as operações (aquisição/ incorporação/cisão/fusão) se processavam em lapso de tempo muito curto, deixando entrever que as operações se ajustavam numa estratégia traçada para atingir uma finalidade de natureza estritamente fiscal. [...] O caso em exame, entretanto, não se encaixa em nenhuma das situações acima descritas. Em primeiro o lugar, a aquisição da Enersul se deu, no contexto do processo de desestatização do setor elétrico, em leilão público realizado em bolsa de valores. Essa circunstância, por si, afasta a ilação de falsidade do ágio. Fl. 3738DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10140.721925/201299 Acórdão n.º 1401001.166 S1C4T1 Fl. 6 9 Não há ligação entre as empresas envolvidas no negócio. As ações são oferecidas em leilão público, aberto a todos que, atendendo as condições do edital, se disponham a participar da disputa. O preço, por sua vez, é o maior lance oferecido, observado o mínimo estabelecido no mesmo edital. Portanto, não se trata de negócio jurídico simulado, nem há prova de que o ágio seja falso ou de que o preço fora fixado de forma arbitrária e alheia aos fatores que interferem no mercado. A Fiscalização, aliás, em nenhum momento, fez qualquer afirmação nesse sentido. A par desse fato, não se poderia afirmar a existência de operações desprovidas de propósito negocial, normalmente caracterizado pelo curto intervalo entre aquisição e incorporação. É que a aquisição da Enersul pela Magistra Participações se deu em 1997 e a incorporação desta pela controlada só veio a se consumar em 2005, ou seja, oito anos depois. A distância entre essas duas operações enfraquece a tese de que ambas integrem uma engenharia societária preordenada exclusivamente a reduzir o IRPJ e a CSLL. [...] Oito anos parece um tempo muito grande para sustentar a tese de que Magistra Participações foi criada com o propósito exclusivo de evasão fiscal. O auto de infração, como se disse, está alicerçado em fundamento único: a pessoa jurídica Magistra Participações seria uma empresa de papel, de existência apenas formal. [...] A par de tudo quanto se disse, o que torna mais frágil o argumento de que Magistra Participações é uma pessoa jurídica sem existência real é o fato de a Receita Federal ter lavrado contra ela quatro autos de infração, buscando exigir respectivamente IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (18471.001222/2004 09; 18471.001224/200490; 18471.001225/200434; 18471.001226/200489). Ora, se a empresa é “de papel”, de existência fictícia, jamais poderia figurar em uma relação de natureza obrigacional, seja como credora ou como devedora. O lançamento, portanto, não poderia se dirigido contra pessoa inexistente, mas, sim, contra quem que dela se utilizasse como meio de fraudar a arrecadação tributária. A propósito, pesquisando o comprot, sistema de controle de processos, verificase a existência de inúmeros processos referentes à declaração de compensação. Nesse ponto, esbarrase numa questão de ordem lógica intransponível, sintetizada na seguinte fórmula: ou a empresa Fl. 3739DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 10 existe ou não existe. Não há terceira hipótese (princípio do terceiro excluído). Os elementos reunidos pela Fiscalização são insuficientes para respaldar a inexistência de fato da Magistra Participações como fundamento único do auto de infração. Ademais, a própria Receita Federal, em outro momento, considerou que a referida pessoa jurídica existia e, assim, estava apta a figurar no polo passivo da relação tributária. Por todas essas razões, sem embargo do tirocínio, da dedicação e do zelo dos fiscais autuantes no exercício de suas funções, o lançamento não pode subsistir. Considero bastante fortes e contundentes os elementos fáticos e jurídicos que sustentam a decisão recorrida. Com base nestes mesmos elementos, também partilho da convicção de que a pessoa jurídica Magistra Participações não pode ser considerada uma simples empresa de papel, conforme sustentado pelas autoridades autuantes. A guisa de conclusão, apresento uma breve síntese dos aspectos que sustentam a minha convicção de que o presente recurso de ofício não merece provimento: 1 A aquisição da Enersul se deu, no contexto do processo de desestatização do setor elétrico, em leilão público realizado em bolsa de valores. Tal circunstância, por si só, afasta a ilação de falsidade na constituição do ágio. 2 Não havia nenhuma ligação entre as empresas envolvidas no negócio jurídico que envolveu a aquisição da Enersul. As ações da Enersul foram oferecidas em leilão público, aberto a todos que, atendendo as condições do edital, se dispusessem a participar da disputa. O preço, por sua vez, foi o maior lance oferecido, observado o mínimo estabelecido no mesmo edital. Assim sendo, resulta afastada a hipótese de negócio jurídico simulado, bem como afastada qualquer suspeita de falsidade do ágio ou de que o preço de aquisição tenha sido fixado de forma arbitrária e/ou sem respeitar as condições de mercado. 3 A aquisição da Enersul pela Magistra Participações ocorreu em 1997 e a incorporação desta última pela controlada só veio a se consumar em 2005, ou seja, oito anos depois. O grande lapso de tempo decorrido entre essas duas operações enfraquece a tese de que se tratava de uma “engenharia societária” preordenada exclusivamente para reduzir a incidência tributária referente ao IRPJ e à CSLL. 4 – Não é razoável a alegação do fisco no sentido de que a Magistra Participações fosse uma pessoa jurídica sem existência real. Afinal, a Receita Federal lavrou quatro autos de infração contra a citada pessoa jurídica, referentes ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (PAs nº 18471.001222/200409; nº 18471.001224/200490; nº 18471.001225/200434 e nº 18471.001226/200489). Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 3740DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10140.721925/201299 Acórdão n.º 1401001.166 S1C4T1 Fl. 7 11 Fl. 3741DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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Numero do processo: 18050.010804/2008-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SALÁRIO FAMÍLIA. DOCUMENTOS NÃO APRESENTADOS.
Os requisitos para a concessão do salário família são estabelecidos pela legislação previdenciária, sendo devida a penalidade isolada quando a respectiva documentação exigida por lei para sua concessão e manutenção não são entregues à fiscalização.
ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADE, INCONSTITUCIONALIDADE E OFENSAS A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de supostas ofensas a princípios constitucionais, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SALÁRIO FAMÍLIA. DOCUMENTOS NÃO APRESENTADOS. Os requisitos para a concessão do salário família são estabelecidos pela legislação previdenciária, sendo devida a penalidade isolada quando a respectiva documentação exigida por lei para sua concessão e manutenção não são entregues à fiscalização. ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADE, INCONSTITUCIONALIDADE E OFENSAS A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de supostas ofensas a princípios constitucionais, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 01 08 04 /2 00 8- 52 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.010804/200852 Acórdão n.º 2402004.554 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 22/12/2008 para exigência de multa em razão da empresa deixar de exibir documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias, ou apresentálos sem o atendimento das formalidades legais exigidas, no período de 01/2004 a 12/2004. O Recorrente apresentou impugnação (fls. 53/78) requerendo a total improcedência do auto de infração. Após, o Recorrente protocolou petição (fls. 82/86) pleiteando pela redução da multa, conforme alterações promovidas pela MP nº 449/08. A DRJ/RJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário (fls. 87/91), sob o argumento de que constitui infração deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias. O Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 97/104) alegando que: (i) não poderia ter apresentado os documentos comprobatórios dos pagamentos efetuados a título de salário família, haja vista que foram danificados com a chuva que aconteceu em maio/2008, não podendo ser aplicada multa; (ii) irá comprovar no decorrer do processo que os pagamentos a título de salário família foram efetuados em observância à legislação; e (iii) a multa aplicada é confiscatória e ofende aos princípios da capacidade contributiva, razoabilidade e isonomia. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A presente penalidade foi imposta por não ter o Recorrente apresentado o termo de responsabilidade e anotações referentes às vacinações obrigatórias para os menores de 6 anos e comprovação de frequência escolar para os maiores de 7 anos, em inobservância ao disposto no art. 84 do RPS, que assim dispõe: “Art. 84. O pagamento do saláriofamília será devido a partir da data da apresentação da certidão de nascimento do filho ou da documentação relativa ao equiparado, estando condicionado à apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória, até seis anos de idade, e de comprovação semestral de freqüência à escola do filho ou equiparado, a partir dos sete anos de idade. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) § 1º A empresa deverá conservar, durante dez anos, os comprovantes dos pagamentos e as cópias das certidões correspondentes, para exame pela fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social, conforme o disposto no § 7º do art. 225. (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) § 2º Se o segurado não apresentar o atestado de vacinação obrigatória e a comprovação de freqüência escolar do filho ou equiparado, nas datas definidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, o benefício do saláriofamília será suspenso, até que a documentação seja apresentada. (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999)” Em vista disso, foi aplicada a penalidade prevista no art. 92 da Lei nº 8.212/91, atualizado pela Portaria MPS/MF nº 77/2008. Cumpre destacar que os documentos solicitados são necessários à verificação da regularidade dos pagamentos efetuados a título de salário família. Em seu recurso, a Recorrente alega que não poderia apresentar tais documentos, pois seus livros diários e a documentação armazenada em um depósito da empresa haviam sido danificados com a chuva que aconteceu em maio/2008. Segundo a Recorrente, “tal fato ocorreu por conta de uma fatalidade, um desastre que destruiu os documentos da Autuada. O fato foi registrado formalmente, em Boletim de Ocorrência que será oportunamente colacionado aos autos.” Contudo, verificase que a Recorrente não juntou aos autos qualquer boletim de ocorrência, tampouco buscou comprovar a sua impossibilidade de apresentar os documentos solicitados. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.010804/200852 Acórdão n.º 2402004.554 S2C4T2 Fl. 4 5 Assim, não pode a mera alegação de que não “tinha os documentos” servir como fundamento para se baixar a exigência, ficando claro que a Recorrente descumpriu o dever de apresentar os documentos relacionados às contribuições previdenciárias. Desta forma, não há razão nos argumentos da Recorrente. Quanto à alegação de que a multa aplicada é confiscatória e ofende aos princípios da capacidade contributiva, razoabilidade e isonomia, temse que a atribuição de afastar a aplicação de dispositivos legais por suposta ofensa a princípios constitucionais é concedida apenas aos órgãos do Poder Judiciário, sendo vedado a este Conselho infringir esta competência, salvo naqueles casos expressamente previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF, sob pena de afronta ao princípio da separação dos poderes. Por fim, destacase que não é caso de aplicação da retroatividade benigna, pois a multa foi aplicada com base no art. 92 da Lei nº 8.212/91, o qual não foi revogado pela Lei nº 11.941/09. Ante o exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 19515.000574/2007-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN).
INTIMAÇÃO ELETRÔNICA. VALIDADE. ACEITAÇÃO DAS REGRAS PARA CRIAÇÃO DE ENDEREÇO ELETRÔNICO.
Não é porque as primeiras intimações ao sujeito passivo tenham sido de forma pessoal via AR, que no decurso do processo administrativo, não possam ser encaminhadas eletronicamente. A criação de endereço eletrônico pelo sujeito passivo, presumi sua concordância com o encaminhamento de intimações eletrônicas a partir de sua criação.
Numero da decisão: 9202-004.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor quanto a não conversão em diligência a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia aa Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor De Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis Da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN). INTIMAÇÃO ELETRÔNICA. VALIDADE. ACEITAÇÃO DAS REGRAS PARA CRIAÇÃO DE ENDEREÇO ELETRÔNICO. Não é porque as primeiras intimações ao sujeito passivo tenham sido de forma pessoal via AR, que no decurso do processo administrativo, não possam ser encaminhadas eletronicamente. A criação de endereço eletrônico pelo sujeito passivo, presumi sua concordância com o encaminhamento de intimações eletrônicas a partir de sua criação.
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DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) “contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN). INTIMAÇÃO ELETRÔNICA. VALIDADE. ACEITAÇÃO DAS REGRAS PARA CRIAÇÃO DE ENDEREÇO ELETRÔNICO. Não é porque as primeiras intimações ao sujeito passivo tenham sido de forma pessoal via AR, que no decurso do processo administrativo, não possam ser encaminhadas eletronicamente. A criação de endereço eletrônico pelo sujeito passivo, presumi sua concordância com o encaminhamento de intimações eletrônicas a partir de sua criação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 74 /2 00 7- 91 Fl. 1673DF CARF MF 2 provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor quanto a não conversão em diligência a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia aa Silva Relatora. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor De Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis Da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201002.081, fls. 1.630/1.638 do eprocesso, que, por unanimidade, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, acolhendo a preliminar de decadência relativamente ao anocalendário de 2001, aplicando o art. 150, §4º do CTN, como regra de contagem do prazo decadencial. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) “contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 19515.000574/200791 Acórdão n.º 9202004.533 CSRFT2 Fl. 1.674 3 despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Preliminar rejeitada Decadência acolhida Recurso parcialmente provido Na origem, tratase de Auto de Infração de fls. 1.462/1.465 do eprocesso, em que o lançamento foi à omissão de rendimento apurada com base em depósitos bancários sem origem comprovada, conforme descrito no auto de infração e no Termo de Verificação constante nos autos, para exigência de IRPF, referente aos exercícios de 2001 e 2002, acrescidos de multa de ofício e de juros de mora, totalizando o valor de R$ 10.491.837,05. A 5ª Turma da DRJ em São Paulo/SP julgou procedente o lançamento fiscal, conforme Acórdão nº 1728.716 de fls. 1.571/1.583 do eprocesso, mantendo integralmente o crédito tributário apurado. O Contribuinte, inconformado com tal decisão, interpôs Recurso Voluntário de fls. 1.596/1.622 do eprocesso, o qual foi julgado parcialmente procedente pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, no dia 17 de abril de 2013, conforme Acórdão nº 2201 002.081 de fls. 1.630/1.638 do eprocesso. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial com fundamento no art. 67, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009 (vigente a época dos fatos), alegando que o referido acórdão merece reforma, entendendo pela aplicação do art. 173, I do Fl. 1675DF CARF MF 4 CTN, citando como paradigmas os Acórdãos ns. 230101.079 e 920201.967, cujas ementas transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2004 RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. AFASTAMENTO. Sem que haja a configuração nos autos dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN, não pode prevalecer a responsabilização dos sócios. NULIDADE NA FASE FISCALIZATÓRIA. NATUREZA INQUISITORIAL DO PROCEDIMENTO. INAPLICABILIDADE DOS IMPERATIVOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. No rito do procedimento administrativo fiscal, a fase de investigação, preliminar à lavratura do Auto de Infração, é inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração do devido processo legal, mediante a apresentação de impugnação instruída com os argumentos e provas de que disponha o sujeito passivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. CARACTERIZAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PRESENÇA DE PESSOALIDADE, SUBORDINAÇÃO, CONTINUIDADE E ONEROSIDADE. O negócio jurídico é reconhecido juridicamente por sua causa objetiva, sua finalidade práticosocial, e não pela forma que lhe é, artificialmente, atribuída. Cabe à fiscalização promover a qualificação jurídica dos fatos para atribuir ao real negócio jurídico celebrado, identificado segundo sua causa objetiva, as conseqüências tributárias que lhe são próprias segundo os desígnios da lei. As diferenças entre um contrato de trabalho e um contrato de prestação de serviço residem na pessoalidade, subordinação e continuidade que estão fortemente presentes no primeiro. Havendo provas da presença de tais elementos, correta a qualificação jurídica de contrato de trabalho proposta pela fiscalização, o que resulta em considerar os pagamentos feitos os Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 19515.000574/200791 Acórdão n.º 9202004.533 CSRFT2 Fl. 1.675 5 prestador como parcela remuneratória sujeita à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 2301003.079, referente ao processo 11831.002357/200741). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). DECADÊNCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. No caso dos autos, o auto de infração apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada deve ser apurada em base mensal, mas tributada na base de cálculo anual, cujo fato gerador ocorre no encerramento do anocalendário, já que o fato gerador do IRPF é complexivo. Para os exercícios de 2000 e 2001, anos calendários de 1999 e 2000, constam na Declaração de Ajuste Anual (fls. 210/218) rendimentos com tributação exclusiva, que se referem a valores do imposto de renda retido na fonte, oriundos de aplicações financeiras. Ocorre que, não se prestam a ser considerados como antecipação de pagamento para definição da regra decadencial a ser aplicada, os valores retidos na fonte decorrentes de aplicações financeiras, posto que a tributação é realizada em separado, já que são submetidas ao regime de tributação exclusiva na fonte, não integrando o ajuste anual. Portanto, verificase que não houve pagamento antecipado, conforme consta da Declaração de Ajuste Anual dos exercícios de 2000 e 2001, anos calendários de 1999 e 2000 (fls. 210/218). Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para o período mais remoto, ano Fl. 1677DF CARF MF 6 calendário 1999, dáse no dia 01/01/2001 e o termo final no dia 31/12/2005. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 07 de abril de 2005, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Recurso especial provido. (Acórdão nº 920201.967, referente ao processo 10660.000863/200580). Conforme despacho de admissibilidade de fls. 1.656/1.660, foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, sendo o Contribuinte intimado via intimação eletrônica, conforme fls. 1.664/1.665. De acordo com o Termo de Ciência por Decurso de Prazo de fls. 1.667, não houve a apresentação de contrarrazões pelo Contribuinte. O Despacho de Encaminhamento de fls. 1.670 comprova a ausência de contrarrazões do Contribuinte. É o relatório. Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 19515.000574/200791 Acórdão n.º 9202004.533 CSRFT2 Fl. 1.676 7 Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional cumpre os requisitos gerais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A Fazenda Nacional, em seu Recurso Especial, insurge com relação a aplicação do art. 150, §4º do CTN ao invés do art. 173, I do CTN para fins de contagem do prazo decadência, conforme transcrevo: Com a devida vênia, não obstante a argumentação do r. votocondutor, o aresto merece reforma, visto que negou vigência ao art. 173, I, do CTN, bem como aplicou indevidamente o art. 150, § 4.º, do CTN, situação que implica manifesta violação dos aludidos preceitos legais e ao entendimento exposado pelo CARF. Isso porque a aplicação dessas normas está umbilicalmente associada à verificação do pagamento parcial antecipado das contribuições objeto de cobrança, e tal exame foi realizado de maneira equivocada na espécie, promovendo distorções inaceitáveis, consoante será demonstrado doravante. A respeito do prazo para o lançamento do tributo em comento, o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado pela e. Câmara a quo, pois se considera o pagamento antecipado em relação aos fatos geradores objeto do lançamento, de forma individualizada, a considerar cada fato gerador. Assim, diante da ausência de pagamento em relação aos fatos geradores objeto do lançamento, aplicase o art. 173, inc. I do CTN, não sendo o caso de incidir a norma do art. 150, §4° do CTN. (Fls. 1.643) Contudo, antes de adentrar na presente discussão apresentada pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial, devemos verificar a ausência de Contrarrazões por parte do Contribuinte. Verificase nos autos que todas as intimações e comunicações ao Contribuinte foram realizadas de forma física via aviso de recebimento – AR, conforme os constantes nas fls. 07, 10, 35, 53, 56, 60, 1.466, 1.564 e 1.592. Com efeito, o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 estabelece que: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1679DF CARF MF 8 a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (Grifei) Neste sentido, a Portaria SRF nº 259/2006 que dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal – que estabelece: Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 19515.000574/200791 Acórdão n.º 9202004.533 CSRFT2 Fl. 1.677 9 do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) (...) § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) (Grifei) Assim, percebese que a validade da intimação eletrônica necessita (i) do expresso consentimento do sujeito passivo quanto à implementação do seu endereço eletrônico e (ii) da informação ao contribuinte, a ser realizada pela Receita Federal, acerca do processo em que será permitida a prática de atos de forma eletrônica. Dessa forma, a E. 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, no voto proferido pelo Ilmo. Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior nos autos do processo nº 16561.720036/201159, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTIMAÇÃO FICTA REALIZADA NOS AUTOS. NULIDADE. TEMPESTIVIDADE. O fato de que o sujeito passivo estava a receber intimações neste processo em meio físico aliado à necessidade de o Fisco informar ao sujeito passivo o processo em que serão realizadas intimações eletrônicas revelam que a súbita alteração na forma de proceder no que tange às comunicações é geradora de insegurança.(...) (Grifei) Em seu voto o Ilmo. Conselheiro destaca: Esse raciocínio revelase ainda mais apropriado num caso como o vertente, em que as prévias intimações dirigidas ao contribuinte tiveram lugar em meio postal – ver, por exemplo, o Aviso de Recebimento constante da fl. 156 –, de modo que o sujeito passivo tinha legítima expectativa de que as demais comunicações atinentes a este feito também ocorressem pela mesma via. Ora, o fato de que o sujeito passivo estava a receber intimações neste processo em meio físico aliado à necessidade de o Fisco informar ao sujeito passivo o processo em que serão realizadas intimações eletrônicas revelam que a súbita alteração na forma de proceder no que tange às comunicações é geradora de insegurança. Essa insegurança não pode estar presente quando se está diante de intimação de ato de órgão julgador a respeito do qual é latente o interesse de recorrer do contribuinte, mormente diante da disposição inserta no §3o do art. 26 da Lei n. 9.784 – diploma legal que regula os processos administrativos no seio da Administração Pública Federal –, que prevê que as intimações devem ser feitas de modo a assegurar a certeza de que o interessado teve ciência do conteúdo do respectivo ato. Fl. 1681DF CARF MF 10 Frisese que o que tem lugar no vertente processo é apenas um exemplo dos bastantes casos em que contribuintes altamente aparelhados e familiarizados com procedimentos fiscais – sujeitos passivos esses que por sua vez são assessorados por respeitáveis bancas de advogados e de profissionais da ciência contábil – têm problemas relacionados a intimações eletrônicas, cenário esse que ratifica as conclusões atinentes à insegurança ínsita ao sistema em apreço. Outro elemento que corrobora a existência dessa inaceitável insegurança repousa na informação trazida a esse Conselheiro pelo ilustre patrono da ora Recorrente, no sentido de que o sistema passou por alterações recentemente. De fato, narrou o advogado do contribuinte que, até o fim de 2013, o ambiente eletrônico do eCAC permitia que seu usuário acessasse sua conta sem que mandatoriamente tivesse que abrir as intimações que lhe tinham sido remetidas pela Receita Federal, quadro esse alterado a partir de janeiro de 2014, quando o sistema passou a não permitir o manejo de outras funcionalidades antes que os documentos que encerram intimações fossem abertos pelos contribuintes. Ou seja, essa alteração sugere que a própria Administração, ciente dos problemas por que passavam os contribuintes, com muita propriedade promoveu alteração no ambiente eletrônico com vistas a assegurar a certeza quanto ao recebimento efetivo das intimações. Essa alteração, contudo, teve lugar após a discutida intimação eletrônica realizada neste processo. Assim sendo, pelas razões acima declinadas, entendo nula a intimação eletrônica (ficta) em apreço, razão pela qual finco a intimação do acórdão recorrido no momento em que o contribuinte pessoalmente teve acesso ao aresto vergastado – em 30 de abril de 2013 , de modo que tempestivo o Recurso Voluntário interposto em 17 de maio de 2013. (Grifei – fls. 18 do acórdão nº 1101001.077, referente ao processo nº 16561.720036/201159). Assim, voto no sentido de anular a intimação eletrônica de fls. 1.664/1.665, para que o contribuinte seja novamente intimado via física (AR) e seja reaberto o prazo para contrarrazões e interposição de Recurso Especial por parte do Contribuinte. DECADÊNCIA No caso dos autos, o Contribuinte antecipou pagamento de imposto em ambos os exercícios autuados, conforme se verifica das cópias das DIRPF às fls. 36/40. Portanto, em ambos os casos, o prazo decadencial constase da data do fato gerador. Assim procedendo, relativamente ao ano calendário de 2001, o lançamento poderia ser efetuado até 31/12/2006 e, relativamente, ao ano calendário de 2002, até 31/12/2007. E, conforme Aviso de Recebimento – AR às fls. 1466, a ciência do auto de infração ocorreu em 27/03/2007.Concluise, portanto, pela decadência relativamente ao ano calendário de 2001 e a não decadência relativamente ao ano calendário de 2002. Assim, nego provimento Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 19515.000574/200791 Acórdão n.º 9202004.533 CSRFT2 Fl. 1.678 11 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada. Peço licença a ilustre conselheira relatora, para divergir do seu entendimento com relação a necessidade de conversão do julgamento em diligência. Para que possamos melhor elucidar os fundamentos da divergência apresentada, trago a baila trecho do próprio voto vencido, senão vejamos: Contudo, antes de adentrar na presente discussão apresentada pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial, devemos verificar a ausência de Contrarrazões por parte do Contribuinte. Verificase nos autos que todas as intimações e comunicações ao Contribuinte foram realizadas de forma física via aviso de recebimento – AR, conforme os constantes nas fls. 07, 10, 35, 53, 56, 60, 1.466, 1.564 e 1.592. Com efeito, o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 estabelece que: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 1683DF CARF MF 12 a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (Grifei) Neste sentido, a Portaria SRF nº 259/2006 que dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal – que estabelece: Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) (...) § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) (Grifei) Assim, percebese que a validade da intimação eletrônica necessita (i) do expresso consentimento do sujeito passivo quanto à implementação do seu endereço eletrônico e (ii) da informação ao contribuinte, a ser realizada pela Receita Federal, acerca do processo em que será permitida a prática de atos de forma eletrônica. Ao contrário do que trazido pela relatora, não é porque as primeiras intimações ao sujeito passivo deramse de forma pessoal, por meio de AR, que não possa no Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 19515.000574/200791 Acórdão n.º 9202004.533 CSRFT2 Fl. 1.679 13 decurso do processo administrativo se adotar a sistemática de cientificação eletrônica. Digase que o endereço eletrônico não é criado e imposto pela administração tributária de forma compulsória. Pelo contrário, facultase ao sujeito passivo a abertura do endereço eletrônico, contudo, com a aceitação de regras de que a abertura importará a aceitação de recebimento de todas as intimações eletronicamente. Dessa forma, entendo que não há que se falar em ausência de intimação, tendo em vista que nos autos consta fls. 1664, o encaminhamento da intimação eletrônica. Face o exposto, voto pela desnecessidade de conversão em diligência, tendo em vista a intimação eletrônica suprir a ciência pessoal ou postal. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1685DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.905481/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.036
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 05 48 1/ 20 12 -9 1 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10480.905481/201291 Resolução nº 3401001.036 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.530. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10480.905481/201291 Resolução nº 3401001.036 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10480.905481/201291 Resolução nº 3401001.036 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000276/2008-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-005.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1680; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 17883.000276/200868 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.005 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BMB MODE CENTER INDUSTRIA, COMERCIO E SERVICOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 76 /2 00 8- 68 Fl. 321DF CARF MF Processo nº 17883.000276/200868 Acórdão n.º 9202005.005 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 17883.000276/200868 Acórdão n.º 9202005.005 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 17883.000276/200868 Acórdão n.º 9202005.005 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 324DF CARF MF Processo nº 17883.000276/200868 Acórdão n.º 9202005.005 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 17883.000276/200868 Acórdão n.º 9202005.005 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 326DF CARF MF Processo nº 17883.000276/200868 Acórdão n.º 9202005.005 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 17883.000276/200868 Acórdão n.º 9202005.005 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 328DF CARF MF Processo nº 17883.000276/200868 Acórdão n.º 9202005.005 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 17883.000276/200868 Acórdão n.º 9202005.005 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 330DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.901190/2009-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1613; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10940.901190/200964 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.657 – 1ª Turma Sessão de 16 de março de 2017 Matéria IRPJ PER/DCOMP Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA AGRICOLA MISTA DE PONTA GROS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180301.181, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 11 90 /2 00 9- 64 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10940.901190/200964 Acórdão n.º 9101002.657 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10940.901190/200964 Acórdão n.º 9101002.657 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10940.901190/200964 Acórdão n.º 9101002.657 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 207DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.900029/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/02/2003
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.570
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BEBIDAS NOVA GERAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/02/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de PIS, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 29 /2 01 2- 01 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.900029/201201 Acórdão n.º 3302003.570 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 06045.796. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, na parte aplicável ao presente caso (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.900029/201201 Acórdão n.º 3302003.570 S3C3T2 Fl. 4 3 que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.900029/201201 Acórdão n.º 3302003.570 S3C3T2 Fl. 5 4 II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.900029/201201 Acórdão n.º 3302003.570 S3C3T2 Fl. 6 5 MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.900029/201201 Acórdão n.º 3302003.570 S3C3T2 Fl. 7 6 REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.900029/201201 Acórdão n.º 3302003.570 S3C3T2 Fl. 8 7 configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. (...) Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.900029/201201 Acórdão n.º 3302003.570 S3C3T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15471.004029/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. PRECLUSÃO.
Quando o contribuinte de modo expresso declara na peça vestibular a sua concordância com a infração descrita pela fiscalização, deixando de impugnar determinado lançamento, é vedado a ele inovar na postulação recursal para incluir a contestação dessa matéria atingida pela preclusão lógica.
AJUSTE. GLOSA. DESPESAS DE LIVRO-CAIXA. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA.
O contribuinte que recebe rendimentos do trabalho não assalariado pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeio escrituradas em livro-caixa, necessárias à percepção da receita e a manutenção da fonte produtora, quando comprovadas por documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento parcial, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. PRECLUSÃO. Quando o contribuinte de modo expresso declara na peça vestibular a sua concordância com a infração descrita pela fiscalização, deixando de impugnar determinado lançamento, é vedado a ele inovar na postulação recursal para incluir a contestação dessa matéria atingida pela preclusão lógica. AJUSTE. GLOSA. DESPESAS DE LIVRO-CAIXA. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. O contribuinte que recebe rendimentos do trabalho não assalariado pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeio escrituradas em livro-caixa, necessárias à percepção da receita e a manutenção da fonte produtora, quando comprovadas por documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS DE LIVROCAIXA Recorrente MARLEY BONFIM BRUNO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. PRECLUSÃO. Quando o contribuinte de modo expresso declara na peça vestibular a sua concordância com a infração descrita pela fiscalização, deixando de impugnar determinado lançamento, é vedado a ele inovar na postulação recursal para incluir a contestação dessa matéria atingida pela preclusão lógica. AJUSTE. GLOSA. DESPESAS DE LIVROCAIXA. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. O contribuinte que recebe rendimentos do trabalho não assalariado pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeio escrituradas em livrocaixa, necessárias à percepção da receita e a manutenção da fonte produtora, quando comprovadas por documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 40 29 /2 01 0- 71 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 15471.004029/201071 Acórdão n.º 2401004.572 S2C4T1 Fl. 259 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento parcial, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 15471.004029/201071 Acórdão n.º 2401004.572 S2C4T1 Fl. 260 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJ2), cujo dispositivo tratou de considerar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1336.285 (fls. 68/72): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVAS. Verificado por meio das provas materiais juntadas aos autos, corroboradas pelas informações dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, que os rendimentos de aluguel são rateados entre pessoas físicas e que a parte recebida pelo contribuinte foi devidamente informada na Declaração de Ajuste Anual, descabe o lançamento apurado. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NÃO CONTESTADA A COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72. Impugnação Procedente em Parte 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2009/925711396276650, relativa ao anocalendário 2008, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foram apuradas as seguintes infrações (fls. 5/10). (i) omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 17.474,16; (ii) dedução indevida de livrocaixa, no importe de R$ 21.176,07; e (iii) compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), equivalente a R$ 23.107,08. 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindose o imposto suplementar, juros de mora e multa. 3. Cientificado da notificação por via postal em 22/9/2010, às fls. 63, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2/3). Fl. 260DF CARF MF Processo nº 15471.004029/201071 Acórdão n.º 2401004.572 S2C4T1 Fl. 261 4 4. Intimado em 20/6/2013, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 77/78, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 17/7/2013 (fls. 81/82). 4.1 Expõe que a fiscalização glosou a compensação de IRRF não confirmada relativamente à retenção na fonte pelo Condomínio do Edifício Santa Luzia, CNPJ 36.103.596/000100. Entretanto, alega que houve erro nas informações prestadas na declaração de ajuste anual no que diz respeito aos rendimentos recebidos dessa mesma fonte pagadora, uma vez que somaram no anocalendário 2008 a importância de R$ 96.000,00, e não R$ 320.281,15. 4.2 Quanto à desconsideração da escrituração das despesas no livrocaixa pela autoridade lançadora, no valor de R$ 21.176,07, requer a juntada e apreciação dos comprovantes dessas despesas escrituradas, acostados em cópias às fls. 97/246. 4.3 Esclarece, ainda, que deixou de incluir na declaração de ajuste o recolhimento do carnêleão no montante total de R$ 15.404,72 (fls. 96). É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 15471.004029/201071 Acórdão n.º 2401004.572 S2C4T1 Fl. 262 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Delimitação da matéria devolvida a julgamento 6. A interposição do recurso voluntário transfere ao órgão "ad quem", conforme a extensão da petição, o reexame da matéria decidida pelo acórdão de primeira instância. Destarte, o recurso não remete à instância recursal o conhecimento de matéria não contestada quando da impugnação do lançamento. 7. Nessa linha de entendimento, dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 7.1 De tal forma que não é permitido inovar na postulação recursal para incluir matérias diversas daquelas anteriormente deduzidas. 7.2 Sob pena de afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição, o qual orienta o processo administrativo fiscal, é veda a análise pelo órgão "ad quem" de matérias arguidas somente na fase recursal, não provocadas a debate na primeira instância por meio da peça vestibular, constituindose em matérias preclusas. 7.3 Escapam à preclusão as questões de ordem pública, via de regra, porque transcendem aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador. 8. Após confrontar impugnação e recurso voluntário, identifico a preclusão da alegação constante no apelo recursal quanto à ocorrência de erro material na DAA do ano calendário 2008, concernente ao montante dos rendimentos recebidos do Condomínio do Edifício Santa Luzia, CNPJ 36.103.596/000100 (fls. 52). 8.1 Nem mesmo de forma indireta tal matéria chegou a ser ventilada quando da apresentação da defesa em primeira instância. Além do que o recorrente não trás prova nos autos de suas alegações, mediante a juntada de documentação hábil e idônea. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 15471.004029/201071 Acórdão n.º 2401004.572 S2C4T1 Fl. 263 6 9. Em verdade, o contribuinte de forma expressa na peça vestibular concordou com a acusação fiscal relacionada à compensação indevida de IRRF, referente à mesma fonte pagadora, Condomínio do Edifício Santa Luzia (fls. 2 e 8). 10. Quando deixa de impugnar determinado lançamento, uma vez que admitiu como verdadeira a infração apontada pela autoridade lançadora, é vedado a parte inovar na postulação recursal para incluir a contestação dessa matéria que já foi atingida pela preclusão lógica. 11. Dessa feita, os argumentos da recorrente deduzidos na fase recursal não podem ser apreciados pelo julgador, visto que ao não se instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal considerase a matéria definitivamente consolidada na esfera administrativa. Deduções de despesas em livrocaixa 12. No tocante à infração relacionada à dedução indevida de despesas, o interessado apresentou na fase de impugnação cópia do livrocaixa às fls. 26/50. Porém, a escrituração não estava acompanhada da documentação comprobatória das despesas, o que resultou na manutenção do lançamento pela decisão de piso. 13. No recurso voluntário, o recorrente colaciona aos autos, também em cópias, os documentos fiscais de fls. 97/246. Referemse a despesas de custeio vinculadas a gastos com luz, telefone, material de expediente e de consumo, impostos, condomínio, empregados, rescisão contratual, anuidade paga ao órgão fiscalizador da profissão, entre outros dispêndios, necessários à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora dos rendimentos. 14. Os documentos fiscais contêm satisfatoriamente a identificação do adquirente e das despesas realizadas, as quais estão escrituradas no mesmo livrocaixa apresentado na fase de impugnação. Constatase que os dispêndios lastreados em documentação estão vinculados ao custeio do exercício da atividade profissional de advocacia, no imóvel localizado na Avenida Presidente Antônio Carlos, 54, sala 201, Rio de Janeiro (RJ). 15. Desse modo, sintome confortável em afirmar que o conjunto probatório existente nos autos é hábil e suficiente para afastar a imputação da irregularidade apontada pela fiscalização no tocante à dedução indevida de despesas a título de livrocaixa, no importe de R$ 21.176,07. Demais alegações 16. Por outro lado, quanto aos pagamentos mensais do carnêleão, no valor total de R$ 15.404,72, os quais não teriam sido compensados pelo contribuinte com o apurado na Declaração de Ajuste Anual, cuidase de matéria estranha ao litígio instaurado com a impugnação. 16.1 Com efeito, relativamente à matéria inicialmente impugnada pelo interessado, suas alegações foram integralmente aceitas. Pela decisão de piso, no que se refere à inexistência de omissão de rendimentos de alugueis, no valor de R$ 17.474,16; e agora, no recurso voluntário, quanto às deduções de despesas escrituradas em livrocaixa, no importe de R$ 21.176,07. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 15471.004029/201071 Acórdão n.º 2401004.572 S2C4T1 Fl. 264 7 16.2 Como se vê, o imposto exigido de ofício pela fiscalização foi considerado procedente em parte, remanescendo como devido a parcela da glosa de compensação do IRRF, eis que o contribuinte, nessa matéria, concordou com a imputação fiscal quando da apresentação da impugnação. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para restabelecer a dedução a título de despesas escrituradas em livrocaixa, no importe de R$ 21.176,07 (vinte e um mil, cento e setenta e seis reais, sete centavos), relativamente ao anocalendário 2008. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.722873/2014-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 31/12/2003 a 31/12/2007
EMBARGOS ADMITIDOS.
Os embargos que logram demonstrar erro da decisão recorrida devem ser acolhidos para saná-lo.
Numero da decisão: 3401-003.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para corrigir o registro equivocado presente na decisão tomada pelo colegiado.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 31/12/2003 a 31/12/2007 EMBARGOS ADMITIDOS. Os embargos que logram demonstrar erro da decisão recorrida devem ser acolhidos para saná-lo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para corrigir o registro equivocado presente na decisão tomada pelo colegiado. Rosaldo Trevisan - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1290; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.722873/201476 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401003.516 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria ADUANA INTERPOSIÇÃO EMBARGOS Embargante CONSELHEIRO Interessado FAZENDA NACIONAL E NEXT BOATS COMÉRCIO DE PRODUTOS NÁUTICOS LTDA. EPP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 31/12/2003 a 31/12/2007 EMBARGOS ADMITIDOS. Os embargos que logram demonstrar erro da decisão recorrida devem ser acolhidos para sanálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para corrigir o registro equivocado presente na decisão tomada pelo colegiado. Rosaldo Trevisan Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 28 73 /2 01 4- 76 Fl. 529DF CARF MF 2 Tratase de Embargos Inominados interpostos por Conselheiro, com base no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão n° 3401003.176, proferido na sessão de 27 de setembro de 2016, cuja ementa tem o seguinte texto: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 18/12/2009, 19/08/2010, 22/10/2010 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. Constitui dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias estrangeiras importadas com ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SOCIEDADE DISSOLVIDA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Padece de vício o auto de infração que tem no pólo passivo sujeito passivo inexistente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso para afastar do polo passivo a pessoa jurídica NEXT BOATS COMÉRCIO DE PRODUTOS NÁUTICOS LTDA. EPP. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. GRIFOS ACRESCIDOS O recorrente alega que há contradição no Acórdão, pois ele informa que foi dado provimento ao recurso voluntário para excluir a NEXT BOATS do polo passivo, quando, de fato, a exclusão foi decidida de ofício e o recurso voluntário da NEXT TRADE não foi conhecido por que esse contribuinte já havia sido declarado revel na instância anterior, e a contribuinte não apresentou argumentos ou provas para afastar sua condição de revelia. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. O recurso foi considerado tempestivo e legítimo. Entendo que essa decisão deve ser revista em sessão para corrigir o registro da conclusão posta em ata e no dispositivo do acórdão, pois ela informa que foi dado provimento ao recurso voluntário para excluir a NEXT BOATS do polo passivo, quando, de fato, a exclusão foi decidida de ofício e o recurso voluntário da NEXT TRADE não foi Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10880.722873/201476 Acórdão n.º 3401003.516 S3C4T1 Fl. 3 3 conhecido por que esse contribuinte já havia sido declarado revel na instância anterior, e a contribuinte não apresentou argumentos ou provas para afastar sua condição de revelia. Vejamos como consta do voto aprovado naquela sessão: Compõe o polo passivo a empresa NEXT BOATS, com sede em São Paulo, SP. O Auto de Infração foi lavrado em 07/08/2014. A empresa NEXT TRADE, com sede no Rio de Janeiro, RJ, foi intimada desse Auto de Infração e do Termo de sua Sujeição Passiva, que a incluiu no polo passivo dessa autuação, em 15/08/2014. A autuação se refere a declarações de importação (DI) registradas em 2009 e 2010. Apenas a NEXT BOATS apresentou impugnação, o que justificou o Colegiado de Julgamento de 1º piso proferir a revelia da empresa NEXT TRADE em 25/02/2015. (fls.458465) Encontramos as Intimações da unidade local (n. 33/2015 e 34/2015), respectivamente para a NEXT BOATS e para a NEXT TRADE, datadas de 30/03/2015. (fls. 469470) A autoridade local informa que, apesar do AR não ter sido devolvido, é possível considerar que as recorrentes tomaram ciência em 15/06/2015 desse Acórdão. (despacho de 22/06/2015, fls. 517) Há pedido de cópia do processo por parte da empresa NEXT TRADE datada de 12/06/2015 (fls.502512). Como podemos ver, senhores Conselheiros, apenas a NEXT TRADE apresentou recurso voluntário. Ocorre que ela havia sido declarada revel na instância anterior. Ao rever os atos processuais, verifiquei que ela havia sido regularmente intimada do auto de infração e do termo de sua sujeição passiva, mas deixou de contraditá los. A sua manifestação ingressada como pedido de recurso voluntário a este Colegiado não traz qualquer contestação contra essa revelia, ou contra o ato que lhe teria dado ciência do auto de infração. COM RELAÇÃO À NEXT TRADE, não há, a meu ver, irregularidades no auto de infração e no termo de sujeição passiva que pudessem ultrapassar a revelia e propor, de ofício, a sua alteração ou seu cancelamento. Com essas considerações, proponho a este Colegiado que seja reconhecida a falta de atendimento de requisito de admissibilidade no caso a legitimidade para recorrer por parte da NEXT TRADE e não seja conhecida a manifestação identificada como recurso voluntário. Como se pode ver, ficou registrado provimento ao recurso voluntário, mas a NEXT BOATS não recorreu pois ela já estava extinta desde antes da autuação. Quem apresentou manifestação contra a decisão dos julgadores a quo foi a NEXT TRADE, mas ela estava revel quanto à instância anterior. Para que não haja dúvidas, rogo sejam esses Embargos aceitos para corrigir esses registro da decisão tomada pelo Colegiado naquela sessão. Por isso proponho a este colegiado conhecer e dar provimento ao embargos de declaração. Fl. 531DF CARF MF 4 Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 532DF CARF MF
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