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Numero do processo: 18471.001035/2008-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
IMPOSTO DE RENDA EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. DESPESAS COM BENEFÍCIOS E VANTAGENS CONCEDIDOS PELA EMPRESA A ADMINISTRADORES, DIRETORES, GERENTES E SEUS ASSESSORES. CARTÕES DE PREMIAÇÃO DE OU INCENTIVO.
Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, as despesas com benefícios e vantagens, concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, por meio de cartões de premiação ou cartões de incentivo, quando não houver, por parte da empresa, a identificação os beneficiários das despesas ou a adição aos respectivos salários dos valores a elas correspondentes.
Numero da decisão: 9202-007.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II, do RICARF, a conselheira Miriam Denise Xavier (suplente convocada) não votou nesse julgamento, por se tratar de processo originalmente relatado pela conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, com voto já proferido e consignado na reunião de março/2019. Nos termos do art. 58, §13, do Anexo II, do RICARF, foi designado pelo Presidente de Turma de Julgamento, como redator ad hoc para este julgamento, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Redator-Designado AD HOC para formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 IMPOSTO DE RENDA EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. DESPESAS COM BENEFÍCIOS E VANTAGENS CONCEDIDOS PELA EMPRESA A ADMINISTRADORES, DIRETORES, GERENTES E SEUS ASSESSORES. CARTÕES DE PREMIAÇÃO DE OU INCENTIVO. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, as despesas com benefícios e vantagens, concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, por meio de cartões de premiação ou cartões de incentivo, quando não houver, por parte da empresa, a identificação os beneficiários das despesas ou a adição aos respectivos salários dos valores a elas correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II, do RICARF, a conselheira Miriam Denise Xavier (suplente convocada) não votou nesse julgamento, por se tratar de processo originalmente relatado pela conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, com voto já proferido e consignado na reunião de março/2019. Nos termos do art. 58, §13, do Anexo II, do RICARF, foi designado pelo Presidente de Turma de Julgamento, como redator ad hoc para este julgamento, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 35 /2 00 8- 41 Fl. 569DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto. Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 106 a 135), com ciência pessoal do contribuinte em 13/06/2008, no valor de R$ 5.773.412,92, respeitante ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), anocalendário 2004. O lançamento foi realizado tomandose por base três frentes. A primeira, relativa a pagamentos efetuados a dirigentes, assessores e gerentes, oriundos de cartões de incentivo, sem a incidência do IRRF, considerado como remuneração indireta (planilha às efls. 77 a 87); a exigência do IRRF sobre pagamentos efetuados a beneficiários não identificados, eis que não foram devidamente qualificados quando do procedimento fiscal, conforme informações fornecidas pela autuada (planilha da efl. 88). E, por último, multa isolada e juros isolados pela falta de retenção ou recolhimento de IRRF em relação aos valores disponibilizados a outros empregados, cujos cargos não são de administradores, diretores, gerentes ou seus assessores (efls. 89 a 105). A autuada apresentou impugnação, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ (efls. 379 a 404). Em 10/03/2015, a 1ª TO da 1ª CAM deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatando o Acórdão nº 2101002.722 (efls. 484 a 495), com o seguinte resultado: “ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, para afastar a tributação dos diretores e, quanto à tributação dos empregados, recalcular a base de cálculo da multa lançada, sem o reajuste previsto no §3º do art. 674 do Decreto 3.000, de 1999. Vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por dar provimento parcial em menor extensão. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 PRÊMIOS VINCULADOS À PRODUTIVIDADE. CARTÕES DE INCENTIVO. NATUREZA JURÍDICA. O pagamento de valor financeiro, mesmo sob a forma de cartões de incentivo emitidos por outra pessoa jurídica para estímulo ao aumento de produtividade dos beneficiários, constitui Fl. 570DF CARF MF Processo nº 18471.001035/200841 Acórdão n.º 9202007.756 CSRFT2 Fl. 3 3 rendimento tributável e base de cálculo do IRRF, se tratando de remuneração variável direta, não abrangida nos ditames do art. 74 da Lei no. 8.383, de 1991. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Os pagamentos efetuados por empresas que não identifiquem o real beneficiário dos rendimentos, sujeitamse à tributação exclusiva na fonte. Entendese como identificado o beneficiário, em se tratando de empregados, sempre que houver a qualificação de seu nome, CPF e montante recebido. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. REAJUSTE DA BASE DE CÁLCULO. PREVISÃO LEGAL. O Imposto de Renda Retido na Fonte, quando da caracterização da hipótese prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995, é calculado à alíquota de 35%. O rendimento será considerado líquido, cabendo seu reajustamento sobre o qual recairá o imposto. RECEBIMENTO DE RECURSOS PELO SUJEITO PASSIVO ATRAVÉS DOS CARTÕES DE INCENTIVO POR SEUS FUNCIONÁRIOS. INCIDÊNCIA DE IRRF. ENCERRADO O PERÍODO DE APURAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELA MULTA E JUROS ISOLADOS. Quando for detectado que a fonte pagadora, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, não efetuou a retenção ou o recolhimento do tributo correspondente, serlheá aplicada a multa de ofício isolada e os juros de mora a ela correspondentes, calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, em se tratando de rubrica de rendimento tributável, é de se afastar a responsabilidade da fonte pagadora, exceto quanto à multa isolada e os juros de mora a ela correspondentes. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 19/03/2015, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. Em 24/04/2015, portanto tempestivamente, foram opostos Embargos de Declaração (efls. 497 e 498), alegando contradição, uma vez que o argumento ligado à violação do art. 142 do CTN por erro na identificação do sujeito passivo ensejaria a nulidade do item 01 do lançamento por vício formal e não seu cancelamento. Tais embargos foram rejeitados, conforme Despacho s/nº, da 1ª Câmara, de 23/04/2015 (efls. 501 a 503). Em 24/04/2015 o processo foi novamente encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010, a qual interpôs, em 28/04/2015, portanto tempestivamente, Recurso Especial (efls. 505 a 518). Fl. 571DF CARF MF 4 Em seu recurso, suscitou dissídio jurisprudencial em relação ao entendimento manifestado no acórdão recorrido nos seguintes temas: a) pagamentos realizados aos dirigentes da empresa, via cartões magnéticos da sociedade Salles, Adan & Associados e Incentive House não poderiam ser tributados na fonte, à alíquota de 35%, na forma prevista no art. 74 da Lei nº 8.383/1991, em razão de não se tratarem de benefícios ou vantagens, tendo por conseqüência o cancelamento do item 01 do auto de infração por erro de identificação do sujeito passivo, considerando que tal desalinho do fato jurídicotributário relacionado ao critério pessoal estabelecido pela regra matriz de incidência gera vício de natureza material, visto que o lançamento deve ser realizado em face das pessoas físicas que receberam a verba; e b) subsidiariamente, na hipótese de hipótese de não ser aceito o entendimento acima, o item 01 do lançamento deve ser anulado por vício formal, e não material. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 1ª Câmara, de 25/05/2017 (efls. 528 a 536), de acordo com os Acórdãos Paradigmas nº 9202 002.893 e 2202002.526 para o item “a” e 30131.801 e 20309.762 para o item “b”. Em seu recurso, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: · “A autuação ora guerreada ocorreu pelo fato da empresa ter efetuado pagamentos de forma indireta aos seus gerentes, diretores e assessores, sem têlos incorporados à remuneração do beneficiário. · Referidos pagamentos, como anteriormente observado, foram efetuados mediante créditos em cartões eletrônicos disponibilizados às pessoas indicadas pelo sujeito passivo, administrados pela Salles, Adan & Associados e Incentive House. · Como se verifica do contrato, a interessada pagava à Incentive House S/A e Salles prêmios em razão do programa de estímulo ao aumento de produtividade, incumbindo a esta prestadora de serviços, como intermediária dos negócios, disponibilizar os recursos alocados pela interessada aos premiados, quando da utilização dos cartões de marketing. Ou seja, a interessada não entregava diretamente ao beneficiário o prêmio respectivo, utilizandose de uma agência de marketing para operacionalizar tais pagamentos, que emitiu faturas onde constam os valores dos prêmios e dos serviços contratados. · Necessário se faz ressaltar que o imposto ora exigido não corresponde ao incidente sobre os serviços prestados pela empresa contratada, o qual, é destacado nas notas fiscais de serviço por ela emitidas, incidente sobre o valor da comissão paga pela autuada pelos serviços prestados, mas sim sobre os valores pagos pela autuada aos seus diretores gerentes e assessores, mediante créditos nos cartões fornecidos pela Incentive House S. A e Salles. · A empresa contratada, no que diz respeito aos benefícios, apenas se encarregou da distribuição dos valores, assim como qualquer instituição financeira onde grande maioria das empresas entregam numerários a serem creditados nas contas dos beneficiários. Portanto, embora a autuada utilize a empresa contratada para operacionalizar os pagamentos, é ela a fonte pagadora. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 18471.001035/200841 Acórdão n.º 9202007.756 CSRFT2 Fl. 4 5 · Sobre o argumento de que não cabe atribuir a responsabilidade pelo pagamento do IRRF à empresa contratante, que a autuação não poderia prevalecer, pois, o imposto de renda devido pelos beneficiários dos rendimentos se esgotaria no final do exercício em que os rendimentos fossem pagos, 31 de dezembro de todo ano, e que, a responsabilidade é da pessoa física que auferiu os rendimentos, cabe esclarecer que, isto somente ocorre quando a tributação se dá na fonte pagadora apenas como antecipação do devido na declaração de ajuste, no caso, da pessoa física beneficiária do rendimento. Todavia, o lançamento trata de tributação exclusiva na fonte, sendo o imposto responsabilidade da fonte pagadora dos rendimentos. · Cumpre, então, analisar o fato relatado no que diz respeito às remunerações pagas aos diretores, administradores assessores e gerentes, relacionados no TVF, diante da legislação tributária. · O fato gerador do tributo ora questionado corresponde às “remunerações indiretas pagas pela empresa a seus administradores, diretores, gerentes e assessores”. · Inicialmente, cumpre ressaltar que os rendimentos em questão são tributáveis conforme previsto na legislação tributária, não se tratando de rendimentos isentos ou não tributáveis como aduziu a contribuinte. O Código Tributário Nacional (CTN) dispõe no art. 111, que se interpreta a literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. · Não se constata do art. 39 do RIR de 1999, que os rendimentos considerados pela autuada “Presente Perfeito”, “benefícios concedidos por mera liberalidade (...), visando à motivação de seus empregados e colaboradores”, se enquadrem nos seus incisos. · Ressaltese, ainda, que de acordo com o previsto no art. 38 do RIR de 1999, a tributação independe da denominação dos títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício da contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.313, de 1988, art. 3º § 4º). Portanto, o fato de a remuneração ser denominada de “Presente Perfeito” não a torna isenta ou não tributável. · Quanto ao rendimento submeterse à tributação e ser exclusiva na fonte, à alíquota de 35%, observese o disposto no Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR de 1999: Rendimentos do Trabalho Assalariado e Assemelhados Rendimentos do Trabalho Assalariado, de Dirigentes e Conselheiros de Empresas, de Pensões, de Proventos e de Benefícios da Previdência Privada Fl. 573DF CARF MF 6 Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): I salários, ordenados... (...) XVII benefícios e vantagens concedidos a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, ou a terceiros em relação à pessoa jurídica, tais como: a) a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, relativos a veículos utilizados no transporte dessas pessoas e imóveis cedidos para seu uso; b) as despesas pagas diretamente ou mediante a contratação de terceiros, tais como a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa, os pagamentos relativos a clubes e assemelhados, os salários e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos pela empresa, a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos na alínea "a". § 1º Para os efeitos de tributação, equiparase a diretor de sociedade anônima o representante, no Brasil, de firmas ou sociedades estrangeiras autorizadas a funcionar no território nacional (Lei nº 3.470, de 1958, art. 45). § 2º Os rendimentos de que trata o inciso XVII, quando tributados na forma do § 1º do art. 675, não serão adicionados à remuneração (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º). (Destaque nosso) Rezam as disposições legais em que foi baseado o lançamento; Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, II c/c art. 61, § 1º da Lei nº 8.981, de 1995: Lei nº 8.383, de 1991: Art. 74. Integrarão a remuneração dos beneficiários: (...) II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: (grifei) (...) § 1º A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 18471.001035/200841 Acórdão n.º 9202007.756 CSRFT2 Fl. 5 7 § 2º A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e três por cento. Lei nº 8.981, de 1995 Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. (Destaque nosso) · Conforme se vê na parte final do destacado parágrafo 1º, a incidência prevista no caput compreende, também, a hipótese de que trata o § 2º do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991, no qual o fato se enquadra perfeitamente. · Com efeito, não há dúvidas de que a disponibilização de crédito por meio de cartões de premiação configura benefício aos dirigentes da empresa autuada, tratandose de remuneração indireta, a qual deve, portanto, ser acrescida ao salário para fins de incidência do imposto de renda, na forma da legislação apontada. · Nesse contexto, diante das citadas leis, não tendo a empresa integrado às remunerações os benefícios pagos, nem efetuado a retenção e o recolhimento do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre a remuneração indireta paga a diretores, gerentes e assessores a título de prêmio disponibilizado no cartão “Flexcard”, ainda que identificados os beneficiários, tais valores estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte. · Logo, é forçoso concluir que o acórdão hostilizado merece reforma, devendo ser restabelecido o lançamento. Na remota hipótese de não ser aceito o entendimento acima, passase a demonstrar que o item 01 do lançamento deve ser anulado por vício formal, e não material. · Rezam os arts. 10 do Decreto 70.235/72 e 142 do CTN: Decreto nº 70.235/72: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Fl. 575DF CARF MF 8 II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. (Grifos nossos) · Pela leitura desses dispositivos, percebese que os requisitos neles elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o auto de infração, deve exteriorizase. · Com efeito, o descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59 do Decreto nº 70.235/72) e, portanto, enseja a anulação do lançamento por vício formal. · Desse modo, temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura. · Na hipótese em apreço, o equívoco na identificação do sujeito passivo é causa de anulação do lançamento por vício formal e não de cancelamento. A propósito, a jurisprudência do CARF é farta em decisões que anulam o auto de infração por vício de forma, em razão da falta de preenchimento de alguns dos requisitos estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN. A título de exemplo, seguem as ementas dos seguintes julgados: Acórdão 30240.005: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 16/03/1994 a 16/11/1995 É nulo, por vício formal, o lançamento tributário quando não estiverem presentes todos os elementos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como, quando se constatar confusa contextualização dos elementos de prova que visavam determinar o fato gerador da obrigação, e os que forem formalizados com erro na determinação da matéria tributável, posto que, por representar preterição de uma Fl. 576DF CARF MF Processo nº 18471.001035/200841 Acórdão n.º 9202007.756 CSRFT2 Fl. 6 9 formalidade essencial, caracterizase cerceamento do direito de defesa. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.” Acórdão nº 10610.087: “NORMAS PROCESSUAIS AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS O ato administrativo deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo artigo 10, do Decreto nº 70.235/72. Acolher a preliminar de nulidade do lançamento.” · Por tudo, concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado, pois o vício apontado pelo Relator acarreta a anulação do item 01 do auto de infração e não o seu cancelamento.” Cientificado do Acórdão nº 2101002.722, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 23/06/2017, o contribuinte apresentou em 10/07/2017, portanto, tempestivamente, Contrarrazões (efls. 547 a 567). Quanto ao conhecimento: · Em suas Contrarrazões, alega que o primeiro paradigma apresentado pela Fazenda Nacional não se aprofundou sobre a natureza jurídica das premiações/bonificações pagas através de terceiros (empresas de marketing de incentivo) e que o segundo paradigma apresentado, da mesma forma, não entra no campo da discussão sobre a definição de remunerações indireta. · Em relação ao mérito, lembra que foi autuado, em relação às bonificações pagas aos administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pelo não recolhimento do IRRF sob o fundamento de que neste caso tratavase de remuneração indireta e que, portanto, a tributação se dá de forma exclusiva na fonte, provocando a aplicação do art. 358, II e §2º do RIR, e ainda do art. 61, da Lei nº 8.981/1995; e que, por outro lado, em relação aos empregados que não ocupavam tais cargos (administradores, diretores, gerentes e seus assessores), o fiscal não lançou o IRRF contra o Recorrido, destacando que os pagamentos nesse caso seriam remuneração direta e que não estavam sujeitos a retenção exclusiva na fonte, conforme art. 43, do Decreto nº. 3.000/99, que trata de rendimento do trabalho assalariado, conceituando as premiações adquiridas como “quaisquer proventos ou vantagens percebidos...”; e que, por tal motivo, foram aplicados a multa e os juros isolados ao Recorrido. Lembra, ainda, que o terceiro item da autuação diz respeito aos pagamentos a beneficiários não identificados; e registra que há no RIR as duas hipóteses de tipificação – pagamento e remuneração indireta: Seção II Pagamento a Beneficiário não Identificado Fl. 577DF CARF MF 10 Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). Seção III Remuneração Indireta Paga a Beneficiário não Identificado Art. 675. A falta de identificação do beneficiário das despesas e vantagens a que se refere o art. 622 e a sua não incorporação ao salário dos beneficiários, implicará a tributação exclusiva na fonte dos respectivos valores, à alíquota de trinta e cinco por cento (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). · Diz que a fundamentação legal adotada pelo fiscal autuante foi a do art. 674, considerando, portanto, que “os valores disponibilizados através dos referidos cartões de incentivo” (auto de infração – item 2) não tinham natureza de remuneração indireta e sim de pagamento”, e acrescenta que, também para o fisco era irrelevante, pois em ambos os casos dos artigos acima a tributação era exclusiva na fonte, mas fica evidente a falta de coerência no lançamento. · Salienta que a remuneração indireta tem a sua definição nas alíneas a, b, c e d, do inciso II, do art. 74, da Lei 8.393/91 (base da redação do art. 358 do RIR citado mais acima), que assim dispõe: Art. 74. Integrarão a remuneração dos beneficiários: (...) II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no item I. · Ressalta que o artigo traz um norte do que seriam as remunerações indiretas e, além de não haver menção a prêmio decorrente do aumento da produtividade ou pelo fato do funcionário ter atingido uma meta, o rol exemplificativo nem de perto pode servir como parâmetro. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 18471.001035/200841 Acórdão n.º 9202007.756 CSRFT2 Fl. 7 11 Destaca o Parecer Normativo COSIT nº 11/1992, citado no recurso voluntário e no acórdão recorrido, que vem assegurar a tese de defesa do Recorrido, orientando mais uma vez sobre o que se pode dizer por remuneração indireta, verbis: “BENEFÍCIOS E VANTAGENS SALÁRIOS INDIRETOS 12. A despeito de os salários indiretos abrangerem as DESPESAS PARTICULARES dos administradores, diretores, gerentes e seus assessores, nelas incluídas despesas de supermercados e cartões de crédito, pagamento de anuidade de colégios, clubes, associações, etc, julgamos despiciendo tecer maiores considerações acerca da indedutibilidade de tais gastos para fins de apuração do lucro real, face à sua obviedade. Uma vez adicionados às remunerações dos beneficiários, os salários indiretos serão tratados como despesas operacionais dedutíveis, observadas as condições previstas na legislação tributária. 13. Contudo, existem despesas que podem acarretar dúvidas quanto à sua dedutibilidade, e mesmo quanto à hipótese de poderem ser consideradas benefícios indiretos. Referimonos especificamente às despesas com ALUGUEL DE IMÓVEIS utilizados por beneficiários diversos e com a MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS nas mesmas condições. 14. As despesas pagas ou incorridas com os veículos utilizados no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros, em quaisquer atividades extra operacionais da pessoa jurídica, integram a remuneração do beneficiário como salário indireto. Dentre estas despesas, sobressaemse as relativas à manutenção do veículo, conservação, consumo de combustíveis, encargos de depreciação e respectiva correção monetária, valor do aluguel ou do arrendamento etc. 15. Caso o veículo utilizado tenha características de automóvel particular, resta claro que todo o custo incorrido deverá ser incorporado à remuneração do beneficiário. 16. Na hipótese de o veículo caracterizarse como de utilização mista, isto é, servir na atividade operacional da pessoa jurídica e, ademais, no uso particular do administrador, diretor, gerente ou assessor, as despesas a ele relativas, obviamente, não poderão ser consideradas operacionais e dedutíveis em sua totalidade, devendo a parcela correspondente à utilização extra operacional do mencionado veículo ser incorporada à remuneração do beneficiário. 17. Na impossibilidade de se quantificar o tempo efetivamente gasto pela utilização extraoperacional do veículo pelo beneficiário, é admissível que a pessoa jurídica adote o critério de proporcionalizar e ratear os custos e encargos em foco, em função dos dias úteis e não úteis cobertos pela utilização do veículo. Fl. 579DF CARF MF 12 Caso a empresa adote o regime ordinário de trabalho das segundas às sextasfeiras, os sábados serão considerados dias não úteis.(...) “ · Além da explanação acima, cita diversos julgados onde podese concluir que não há como se inserir as premiações que foram pagas mensalmente a título de aumento produtividade no conceito de remuneração indireta. · Conclui que o acórdão recorrido deu a melhor interpretação da legislação tributária, ao considerar as premiações pagas aos administradores, diretores, gerentes, e seus assessores como remunerações diretas, a desafiar a aplicação do regime de retenção por antecipação, tributandose a fonte pagadora através do lançamento da multa e juros isolados pela falta de retenção; como se tratam de premiações/rendimentos pagos no exercício de 2004, sendo certo que a declaração de tais rendimentos caberia ao próprio contribuinte/empregado quando da entrega da DIPF em 2005, não o fazendo e tendo o fisco procedido a autuação em 2007, afastase a responsabilidade da fonte pagadora. · Em relação ao tratamento tributário dado às retenções indiretas pagas a beneficiários identificados, alega que a presente tese de defesa foi suscitada no Recurso Voluntario, mas acabou não sendo apreciada por força do acolhimento do pedido principal, conforme destacado no voto recorrido (fls. 493, último parágrafo), mas que tal tópico se faz absolutamente necessário na hipótese, mesmo que remota, deste Eg. CARF entender que tais premiações são remunerações indiretas. · Destaca vários posicionamentos de acórdãos que afastam a tributação na fonte quando forem identificados os beneficiários e lembra que apresentou a lista com todos os nomes dos funcionários beneficiados com os cartões de premiação, listou seus cargos e apresentou os valores que cada um recebeu; e diz que a situação concreta se enquadra exatamente nos precisos termos dos acórdãos citados, devendo ser afastada a aplicação da tributação exclusiva, sendo somente devido neste caso a multa e os juros isolados. · Em relação ao tipo de vício, argumenta que os paradigmas trazidos pela Fazenda Nacional tratamse de acórdãos muito antigos, que enfrentaram o tema de forma bastante singela, sendo certo que ao longo desses mais de 12/13 anos, dezenas de julgados sobre ilegitimidade passiva se formaram, e todos consideraram tal circunstância como vício material. É o relatório. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 18471.001035/200841 Acórdão n.º 9202007.756 CSRFT2 Fl. 8 13 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto. Pelo fato de a Conselheira Relatora Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira não mais compor o colegiado em função da designação para outro cargo neste Conselho, eu, Mário Pereira de Pinho Filho, nomeado para formalização, reproduzo a seguir o voto por ela encaminhado em sessão de julgamento. Embora tenha sido designado como redator adhoc apenas para a formalização da decisão, deixo consignado que acompanhei a relatora e estou de acordo com os fundamentos por ela adotados em seu voto. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo. Analisemos as razões do Contribuinte pela inadmissibilidade do Recurso Especial da Procuradoria. Do conhecimento 1ª Matéria: impossibilidade da tributação, na fonte, à alíquota de 35%, na forma prevista no art. 74 da Lei nº 8.383/1991, dos pagamentos realizados aos dirigentes da empresa, via cartões magnéticos da sociedade Salles, Adan & Associados e Incentive House, por não se tratarem de benefícios ou vantagens indiretos. O Contribuinte, em suas Contrarrazões, alegou que o primeiro paradigma apresentado pela Fazenda Nacional, Acórdão nº 9202002.893, (a) não se aprofundou sobre a natureza jurídica das premiações/bonificações pagas através de terceiros (empresas de marketing de incentivo) e (b) o caso concreto se limitou a análise "da ilegalidade da cobrança do IRRF lançado, que contraria a norma legal e os fatos apresentados nos autos, uma vez que perfeitamente identificados os destinatários dos recursos e as causas dos pagamentos, situação que exclui a incidência do art. 61 da Lei nº 8.981/95, além de se constituir em dupla cobrança do imposto de renda sobre o mesmo rendimento (...)". De acordo com o Contribuinte, o segundo paradigma, Acórdão 2202 002.526, da mesma forma, não entra no campo da discussão sobre a definição de remunerações indireta. Segundo o Autuado, entre os acórdãos paradigmas há conflito de posicionamentos: “i) no primeiro tributase exclusivamente na fonte pagadora, mesmo tendo sido identificados os destinatários dos recursos e as causas dos pagamentos conforme destacado pelo contribuinte; ii) no segundo não, deixase claro que o imposto será pago na fonte “nos casos em que a empresa não identifique e/ou não adicione os benefícios indiretos às respectivas remunerações””. Entendo, diferentemente, ou seja, que está correto o Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial da Procuradoria, ao consignar a evidente divergência de Fl. 581DF CARF MF 14 interpretação da legislação tributária entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido e assumo as razões do despacho como minhas, as quais transcrevo: Confrontando as teses esposadas nos acórdãos paradigmas e recorrido, constatase evidente divergência de interpretação da legislação tributária: os lançamentos trataram de pagamento de remuneração indireta aos diretores por meio de cartões de premiação e da não adição desses valores aos salários na forma determinada pelo § 1º do art. 74 da Lei n° 8.383/91, efetuou(se) o lançamento para exigir da empresa contratante imposto de renda na fonte à alíquota de 35%. Entretanto, o acórdão recorrido cancelou a autuação do item 01, por considerar indevido o lançamento consubstanciado no art. 74 da Lei n° 8.383/91 na pessoa jurídica, enquanto os acórdãos paradigmas mantiveram a autuação, destacando que o art. 74, § 2º da Lei 8.383/91 trata exatamente da tributação exclusiva na fonte pela inobservância do dever da empresa contratante em adicionar ao salário dos dirigentes os valores pagos por meio de cartões de premiação. (Grifouse.) Com o fim de melhor evidenciar tal conclusão, verifiquese, primeiramente, o teor das questões em apreço nos acórdãos recorrido e paradigmas. Acórdão 2101002.722 (recorrido) Relatório Alegou a autoridade autuante, consoante Termo de Constatação Fiscal de efls. 73 a 105, que a fiscalizada disponibilizou valores a terceiros (diretores, administradores, gerentes, seus assessores e demais funcionários), sem entretanto efetuar a devida retenção do Imposto de Renda na Fonte IRRF correspondente, fato que ensejou a lavratura de Auto de Infração de efls. 106 a 135. Dividiuse a autuação em três tópicos principais, assim relatados na forma do mesmo Termo de Constatação Fiscal: 1. IRF SOBRE REMUNERAÇÃO INDIRETA (BENEFICIÁRIO IDENTIFICADO) Quanto ao tratamento tributário aplicável aos valores disponibilizados pela fiscalizada aos seus diretores, administradores e gerentes, mediante cartões eletrônicos de incentivo das referidas prestadoras de serviços Salles, Adan & Associados, Marketing de Incentivos Ltda. e Incentive House S.A., denotase que a não integração na remuneração dos beneficiários de despesas com benefícios e vantagens concedidos pela pessoa jurídica, pagos diretamente ou através de contratação de terceiros, implica na incidência do imposto de renda exclusivo na fonte à alíquota de 35%, com base reajustada, consoante o disposto no art. 74 da Lei n° 8.383/91, c/c art. 61, § 1º. da Lei n° 8.981/95. Tratase, portanto, de remuneração "indireta". (Grifouse.) Voto 1. Quanto à tributação efetuada pela autoridade fiscal decorrente dos prêmios (bonificações) recebidos por administradores, diretores, gerentes e seus assessores item 01 do AI : Fl. 582DF CARF MF Processo nº 18471.001035/200841 Acórdão n.º 9202007.756 CSRFT2 Fl. 9 15 Entendo que o deslinde do litígio se resume à definição acerca dos seguintes fatos: a) Definição acerca da natureza jurídica da remuneração auferida pelos ocupantes dos referidos cargos através dos programas "de produtividade", implantados pela recorrente através da contratação das empresas Salles, Adan & Associados e Incentive House, ou seja, se se tratam de remuneração indireta, consequentemente a serem integradas à remuneração do beneficiário por sua sujeição ao inciso II do art. 74 da Lei nº. 8.383, de 1991 (matriz legal do art. 358 do RIR/99) com eventual tributação exclusiva na fonte à alíquota de 35% com reajuste de base, consoante previsto pelo §2º. do mesmo artigo, quando combinado com o art. 61, §1º. da Lei nº. 8.981, de 20 de dezembro de 1995, ou se se tratariam de remuneração direta, conforme alegado pela autuada. Para fins de melhor contextualização do litígio, reproduzse, a seguir, os dispositivos de interesse citados: (Grifouse.) Lei 8.383/91 Art. 74. Integrarão a remuneração dos beneficiários: I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, atualizados monetariamente até a data do balanço: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no item I. § 1° A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. § 2° A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e três por cento (g.n.) (Grifos no original.) Fl. 583DF CARF MF 16 Lei 8.981/95 Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o§ 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991.(g.n.) (Grifos no original.) b) Em se tratando de remuneração indireta, se a identificação dos beneficiários carreada aos autos e realizada pela recorrente em sede de ação fiscal seria capaz de, na forma alegada, elidir a tributação exclusiva na fonte e excluir a responsabilidade da autuada na condição de fonte pagadora, excetuandose tão somente eventual aplicação de multa e juros isolados. Subsidiariamente, caso mantida a responsabilidade da autuada, manifestarse acerca da alegação de violação ao princípios constitucionais da legalidade e de vedação ao confisco. g A propósito, com a devida vênia ao posicionamento externado pela autoridade julgadora de 1ª. instância quanto ao caráter meramente exemplificativo do elenco de hipóteses estabelecidas no inciso II do art. 74 supra reproduzido e, ainda, quanto à necessidade de demonstração no contracheque/prólabore dos beneficiários, ouso discordar. Inicialmente, quanto a esta última argumentação, é cediço que o que se está a discutir, no âmbito do presente, é a subsunção da situação fáticojurídica em questão à hipótese prevista no art. 74, sendo certo que a definição da natureza jurídica dos prêmios/bonificações a ser aqui buscada independe de sua inserção ou não nos mencionados contracheque/prólabore. (Grifouse.) Entendo que a interpretação correta a ser dada ao §2º. do art. 74 é a de que, uma vez tendo sido as despesas ali caracterizadas como remuneração indireta, ou melhor, uma vez estando as remunerações sob análise sujeitas ao regramento estabelecido pelo mesmo art. 74, estabelecerseia uma conseqüência pela não inclusão das mesmas na remuneração dos beneficiários pela fonte pagadora, porém, notese, não devendo interferir esta conseqüência, ou seja, aqui, a mencionada não inclusão, na necessária prévia caracterização da subsunção ou não das despesas ao dispositivo, que é o que se busca. (Grifouse.) Daí a irrelevância da referida argumentação de inclusão nos "holleriths" para fins de definição acerca da celeuma "remuneração direta vs. remuneração indireta", ou mais corretamente, sob uma ótica jurídica, da celeuma de subsunção ou não ao referido art. 74, restringindose a relevância da presença ou não em holleriths/prólabore ao estabelecimento de eventual conseqüência legal, caso se conclua se tratar de remuneração subsumida ao mencionado art. 74. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 18471.001035/200841 Acórdão n.º 9202007.756 CSRFT2 Fl. 10 17 Ou seja, é de se analisar, inicialmente, a subsunção dos pagamentos efetuados a título de bonificação/prêmios aos administradores, diretores, gerentes e seus assessores ao mencionado artigo.(Grifouse.) A propósito, pedindo vênia novamente ao julgador de 1ª. instância, tenho posicionamento antagônico ao emanado daquela decisão. Ainda que aceda à argumentação de se tratarem os itens "a" a "d" do mencionado artigo 74 da Lei no 8.383, de 1991, de rol meramente exemplificativo, verifico entre tais exemplos característica comum, capaz de extrair o real significado da norma, qual seja: em todos os exemplos citados no inciso II do referido artigo se está a tratar de despesas que, de outra forma, seriam inicialmente de caráter pessoal do beneficiário pessoa física e que, no entanto, passam a ser assumidas pela sociedade contratante, que assume o ônus das mesmas apesar de não auferir qualquer benefício oriundo de tais despesas (de caráter particular), não havendo livre disposição do beneficiário sobre o montante disponibilizado, tal como no caso de remuneração pecuniária através de carga de valores em cartões. (Grifos no original.) Tal constatação e posicionamento aqui expressado no sentido de somente despesas com tais características estarem subsumidas ao referido inciso II do art. 74 da Lei nº. 8.383, de 1991, guarda perfeito alinhamento, inclusive, com o termo "despesas particulares" utilizado no item 12 do Parecer Cosit 01/1992 (na verdade, tratase do Parecer Cosit 11/1992), corretamente mencionado pelo recorrente em seu pleito recursal, tendo sido tal Parecer inclusive utilizado pelo Acórdão recorrido para fundamentar sua decisão (ainda que tenha se utilizado de item diverso do Parecer, com finalidade de excluir da subsunção ao referido art. 74 os empregados outros que não sejam administradores, diretores, gerentes ou assessores dos mesmos). (Grifos no original.) Do acima exposto, entendo não haver como se concluir que pagamentos de natureza variável a título de prêmio/produtividade (a meu ver, remuneração direta variável) possam estar abrangidos pelo mencionado art. 74, entendendo ainda, como já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos e em total alinhamento com o Parecer Normativo Cosit 01/2002, que nesta hipótese, uma vez cientificado o auto muito após o prazo de entrega da declaração em questão, o destinatário da exigência a título de principal devido só poderia ser o beneficiário (in casu administradores, gerentes, diretores e assessores) cabendo tão somente á fonte pagadora eventual penalidade a título de juros e multa isolada, não aplicados neste item pela autoridade lançadora. (Grifouse.) Assim, entendo que é de se declarar a nulidade do item 01 do presente AI, ressaltando que, quanto à natureza do vício, no caso específico deste erro de identificação do sujeito passivo, me alinho aos que entendem se estar diante de vício material sempre que houver eventual desalinho do fato jurídico tributário em questão ao critério pessoal estabelecido pela regra Fl. 585DF CARF MF 18 matriz de incidência, o que vislumbro ter ocorrido neste item da autuação sob análise, uma vez que não se trata, por exemplo, de eventual mero erro de fato na identificação do sujeito passivo, o que remeteria à caracterização de vício formal e eventual possibilidade de refazimento do lançamento. Daí, de se cancelar a exigência. (Grifouse.) (...) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte quanto à este item, cancelandose a exigência constante do item 01 do auto de infração. No primeiro acórdão paradigma – Acórdão n° 9202002.893 –, da mesma forma, tratase de pagamentos a destinatários identificados (diretores), realizados parte a título de programa de incentivo a aumento de produtividade e parte a título de prestação de serviços (relativa a comissão da Incentive House S/A, de 7,5%), sem retenção de IRRF sobre tais valores. Tais pagamentos foram considerados como concessão de remuneração indireta a diretores da empresa (art 74, II da Lei n° 8.383, de 1991), e, em decorrência de não terem sido adicionados às respectivas remunerações, na época própria, como determina o do art. 74, § 2°, da Lei n° 8.383, de 1991, considerouse estarem sujeitos à tributação exclusiva na fonte à alíquota de 35%, de acordo com o art. 61, § 1°, da Lei nº 8.981, de 1995 (parte final), ante a inobservância do art. 74, § 1°, da Lei n° 8.383, de 1991, que prevê a obrigação da empresa adicionar aos respectivos salários os valores correspondentes às despesas com benefícios e vantagens concedidos. Verifiquese: 1° Paradigma Acórdão n° 9202002.893 Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 A redação do caput art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 e do seu parágrafo primeiro mencionam que a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, incide quando: i) houver pagamento a beneficiário não identificado; houver pagamento sem causa; iii) e ainda, na hipóteses de que trata o § 2°, do art 74, da Lei n° 8.383, de 1991 (redação do na parte final do parágrafo primeiro). O § 2° do art 74 da Lei n° 8.383, de 1991 trata exatamente da tributação exclusiva na fonte pela inobservância do disposto no referido art 74. O art 74, II da Lei n° 8.383, de 1991 prevê que integra a remuneração dos beneficiários as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores e o art 74, § 1º da referida Lei disciplina que deve a empresa identificar os beneficiários das despesas e adicionar aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. Por ter havido concessão de remuneração indireta a diretores da empresa (art 74, II da Lei n° 8.383, de 1991), cujos valores não foram adicionados as respectivas remunerações, na época própria, estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte a uma Fl. 586DF CARF MF Processo nº 18471.001035/200841 Acórdão n.º 9202007.756 CSRFT2 Fl. 11 19 alíquota de 35%, conforme disciplina contida art 61, § 1° da Lei n" 8.981, de 1995 (parte final), ante a inobservância art 74, § 1° da Lei n° 8.383, de 1991, que prevê a obrigação da empresa adicionar aos respectivos salários as remunerações indiretas, de acordo com o que disciplina art 74, § 2º da Lei n° 8.383. de 1991 . (Grifouse.) Recurso Especial do Contribuinte Negado. Relatório Em seu recurso especial, o contribuinte revela seu inconformismo com o provimento do Recurso de Oficio, em razão da ilegalidade da cobrança do IRRF lançado, que contraria a norma legal e os fatos apresentados nos autos, uma vez que perfeitamente identificados os destinatários dos recursos e as causas dos pagamentos, situação que exclui a incidência do art. 61 da Lei n° 8.981/95, alem de se constituir em dupla cobrança do imposto de renda sobre o mesmo rendimento, considerando que estes recursos já foram tributados nas pessoas físicas beneficiárias dos rendimentos, fatos provados nos autos. (Grifouse.) Voto A discussão neste colegiado restringese sobre a interpretação do art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, combinado com o art. 74, § 2° da Lei 8.383, de 1991. A redação do caput art 61 da Lei nº 8.981, de 1995 e do seu parágrafo primeiro mencionam que a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, incide quando: i) houver pagamento a beneficiário não identificado; houver pagamento sem causa; iii) e ainda, na hipóteses de que trata o § 2°, do art 74, da Lei n° 8.383, de 1991 (redação do na parte final do parágrafo primeiro): (...) Por seu turno o art 74, II da Lei n° 8.383, de 1991 prevê que integra a remuneração dos beneficiários as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores e o art 74, § 1° da referida Lei disciplina que deve a empresa identificar os beneficiários das despesas e adicionar aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. Há de se esclarecer que a remuneração indireta concedida a beneficiários identificados referese a benefícios concedidos à diretores da empresa, conforme detalham o Relatório Fiscal (fls. 326 a 328) e o Auto de Infração (fls. 333 e 334). Ou seja, por ter havido concessão de remuneração indireta a diretores da empresa (art. 74, II da Lei n° 8.383, de 1991), cujos valores não foram adicionados as respectivas remunerações, na época própria, estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte a uma alíquota de 35%, conforme disciplina contida art 61, § 1° da Lei n" 8.981, de 1995 (parte final), ante Fl. 587DF CARF MF 20 a inobservância art 74, § 1° da Lei n° 8.383, de 1991, que prevê a obrigação da empresa adicionar aos respectivos salários as remunerações indiretas, de acordo com o que disciplina art. 74, § 2° da Lei n° 8.383, de 1991. (Grifouse.) Analisando o inteiro teor do Acórdão n° 9202002.893 e tratase de não recolhimento do IRRF relativo aos rendimentos pagos aos beneficiários por meio do cartão Flexcard, o que já demonstra a similitude entre os julgados. É transparente a similitude fática entre as situações enfrentadas pelos acórdãos recorrido e paradigma: em ambos os casos tratase de definir a da tributação, na fonte, à alíquota de 35%, na forma prevista no art. 74 da Lei nº 8.383/1991, de pagamentos realizados aos dirigentes da autuada via cartões magnéticos; no caso do acórdão recorrido, entendeuse que a tributação não é possível, por não se tratarem, tais pagamentos, de benefícios ou vantagens indiretos; no acórdão recorrido, considerouse existente remuneração indireta, e correta a tributação, face ao disposto no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, combinado com o art. 74, § 2°, da Lei 8.383, de 1991. Idêntico é o caso do 2° Paradigma – Acórdão n° 2202002.526, do qual transcrevo os seguintes extratos: Ementa IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. BENEFÍCIOS E VANTAGENS. PAGAMENTO DE SALÁRIOS INDIRETOS "FRINGE BENEFITS". BENEFÍCIOS INDIRETOS NÃO ADICIONADOS ÃS RESPECTIVAS REMUNERAÇÕES. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento de despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores. A efetuação do pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no artigo 61, da Lei n° 8.981, de 1995. Assim, nos casos em que a empresa não identifique e/ou não adicione os benefícios indiretos às respectivas remunerações, os valores pagos não integram os rendimentos tributáveis da pessoa física e o imposto será pago na fonte pela pessoa jurídica, à alíquota de 35%, o qual será considerado exclusivo na fonte. PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA. A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. REMUNERAÇÃO INDIRETA. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CALCULO. A remuneração indireta paga a administradores, diretores, gerentes e assessores, cujos rendimentos não tenham sido incorporados aos salários dos beneficiários, se sujeita à Fl. 588DF CARF MF Processo nº 18471.001035/200841 Acórdão n.º 9202007.756 CSRFT2 Fl. 12 21 aplicação da alíquota na fonte de 35%, com reajuste da base de cálculo. Recurso negado. (Grifouse.) Voto condutor Segundo se infere da legislação mencionada, é cristalino que procede o argumento da fiscalização que no caso em pauta, qual seja da autuada propiciar o pagamento de prêmios para os funcionários graduados da empresa (diretores, gerentes, assessores, etc.), caracteriza salários indiretos e se sujeitam as normas do art 74, da Lei n° 8.383, de 1991, combinado com o art 61, da Lei n° 8.981, de 1995. (...) Dos Rendimentos com Cartões de Flexcard e Remuneração Indireta disponibilizados a gerentes e assessores, tendo em vista a discussão realizada anteriormente O pagamento dos benefícios indiretos, também chamados "fringe benefits", concedidos pelas empresas a administradores, diretores, gerentes ou seus assessores, cujos valores não foram adicionados as respectivas remunerações, na época própria, serão considerados como valores líquidos recebidos cabendo o reajustamento da base de cálculo, cujo imposto será calculado a uma alíquota de 35%, como sendo exclusivo de fonte. (Grifouse.) Desse modo, estão presentes os pressupostos de de admissibilidade da 1ª Matéria: impossibilidade da tributação, na fonte, à alíquota de 35%, na forma prevista no art. 74 da Lei nº 8.383/1991, dos pagamentos realizados aos dirigentes da empresa, via cartões magnéticos da sociedade Salles, Adan & Associados e Incentive House, por não se tratarem de benefícios ou vantagens indiretos. Não há qualquer contestação acerca do conhecimento da segunda matéria, objeto de pedido alternativo na modalidade eventual – na hipótese de ser confirmado o entendimento do acórdão recorrido na primeira matéria, considerar a ilegitimidade passiva como vício de natureza formal, e não material, como constou no acórdão recorrido. Nessa questão, concordo com o Despacho de Admissibilidade, devendo ser apreciado o seu mérito. Do mérito 1ª Matéria: impossibilidade da tributação, na fonte, à alíquota de 35%, na forma prevista no art. 74 da Lei nº 8.383/1991, dos pagamentos realizados aos dirigentes da empresa, via cartões magnéticos da sociedade Salles, Adan & Associados e Incentive House, por não se tratarem de benefícios ou vantagens indiretos. Tratase inicialmente de verificar qual o tratamento tributário aplicável aos valores disponibilizados pela autuada aos seus diretores, administradores e gerentes, mediante cartões eletrônicos de incentivo das prestadoras de serviços Salles, Adan & Associados, Marketing de Incentivos Ltda. e Incentive House S.A., valores que não foram adicionados aos salários dos beneficiários. Transcrevo, novamente, a legislação pertinente: Lei 8.981/95 Fl. 589DF CARF MF 22 Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o§ 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991. (Grifouse.) Lei 8.383/91 Art. 74. Integrarão a remuneração dos beneficiários: I – a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, atualizados monetariamente até a data do balanço: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II – as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no item I. § 1° A empresa identificará os beneficiários das despesas E adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. § 2° A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e três por cento (Grifouse.) Primeiramente, registro que o art. 61 da Lei 8.981, de 1995, prevê a incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, em três situações distintas: (a) ao pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (art. 61, caput); Fl. 590DF CARF MF Processo nº 18471.001035/200841 Acórdão n.º 9202007.756 CSRFT2 Fl. 13 23 (b) aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (art. 61, § 1º, primeira parte); (c) à hipótese de que trata o§ 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991 (art. 61, § 1º, parte final). O caso em apreço versa, como visto, da hipótese de que trata o§ 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991 (art. 61, § 1º, parte final). Não está em questão, portanto, a tributação de pagamentos efetuados a beneficiários não identificados (letra “a”) ou da tributação de pagamentos sem causa ou operação comprovadas (letra “b”). Conforme já transcrito, entendeu a fiscalização que, sendo os beneficiários identificados, “a não integração na remuneração dos beneficiários de despesas com benefícios e vantagens concedidos pela pessoa jurídica, pagos diretamente ou através de contratação de terceiros, implica na incidência do imposto de renda exclusivo na fonte à alíquota de 35%, com base reajustada, consoante o disposto no art. 74 da Lei n° 8.383/91, c/c art. 61, § 1º. da Lei n° 8.981/95. Tratase, portanto, de remuneração “indireta”. Assim, não tendo sido integrado na remuneração dos beneficiários o pagamento dos referidos benefícios, aplicarseia a tributação pelo imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, por força do art. 61 da Lei 8.981, de 1995. O acórdão recorrido, a seu turno, entendeu que a remuneração em questão tratase de remuneração direta variável e, por conseguinte, não abrangidas pelo art. 74 da Lei 8.383, de 1991. Transcrevo novamente o trecho pertinente do acórdão recorrido: Ou seja, é de se analisar, inicialmente, a subsunção dos pagamentos efetuados a título de bonificação/prêmios aos administradores, diretores, gerentes e seus assessores ao mencionado artigo (art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991).(Grifou se.) A propósito, pedindo vênia novamente ao julgador de 1ª. instância, tenho posicionamento antagônico ao emanado daquela decisão. Ainda que aceda à argumentação de se tratarem os itens "a" a "d" do mencionado artigo 74 da Lei no 8.383, de 1991, de rol meramente exemplificativo, verifico entre tais exemplos característica comum, capaz de extrair o real significado da norma, qual seja: em todos os exemplos citados no inciso II do referido artigo se está a tratar de despesas que, de outra forma, seriam inicialmente de caráter pessoal do beneficiário pessoa física e que, no entanto, passam a ser assumidas pela sociedade contratante, que assume o ônus das mesmas apesar de não auferir qualquer benefício oriundo de tais despesas (de caráter particular), não havendo livre disposição do beneficiário sobre o montante disponibilizado, tal como no caso de remuneração pecuniária através de carga de valores em cartões. (Grifouse.) Tal constatação e posicionamento aqui expressado no sentido de somente despesas com tais características estarem subsumidas ao referido inciso II do art. 74 da Lei nº. 8.383, de 1991, guarda perfeito alinhamento, inclusive, com o termo "despesas particulares" utilizado no item 12 do Parecer Cosit 01/1992 (na verdade, tratase do Parecer Cosit 11/1992), corretamente Fl. 591DF CARF MF 24 mencionado pelo recorrente em seu pleito recursal, tendo sido tal Parecer inclusive utilizado pelo Acórdão recorrido para fundamentar sua decisão (ainda que tenha se utilizado de item diverso do Parecer, com finalidade de excluir da subsunção ao referido art. 74 os empregados outros que não sejam administradores, diretores, gerentes ou assessores dos mesmos). (Grifos no original.) Do acima exposto, entendo não haver como se concluir que pagamentos de natureza variável a título de prêmio/produtividade (a meu ver, remuneração direta variável) possam estar abrangidos pelo mencionado art. 74, entendendo ainda, como já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos e em total alinhamento com o Parecer Normativo Cosit 01/2002, que nesta hipótese, uma vez cientificado o auto muito após o prazo de entrega da declaração em questão, o destinatário da exigência a título de principal devido só poderia ser o beneficiário (in casu administradores, gerentes, diretores e assessores) cabendo tão somente á fonte pagadora eventual penalidade a título de juros e multa isolada, não aplicados neste item pela autoridade lançadora. (Grifouse.) Assim, a linha de raciocínio do acórdão recorrido é: a vantagem ou benefício recebida pelos administradores, diretores, gerentes e seus assessores por meio dos cartões de premiação (fornecidos pelas sociedades Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos Ltda. e Incentive House S.A.), a título de incentivo à performance e produtividade, não se subsumem ao inciso II do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991, uma vez que tal norma trataria unicamente de despesas de caráter pessoal do beneficiário pessoa física e que passam a ser assumidas pela sociedade contratante, que assume o seu ônus apesar de não auferir qualquer benefício oriundo de tais despesas (de caráter particular), não havendo livre disposição do beneficiário sobre o montante disponibilizado, tal como no caso de remuneração pecuniária através de carga de valores em cartões. Assim, para o acórdão recorrido, os benefícios e vantagens recebidas tratadas pelo art. 74, II, da Lei nº 8.383, de 1991, limitamse, tão somente, à assunção, pela contratante, de despesas de caráter pessoal do beneficiário e pela inexistência de livre disposição do beneficiário sobre o montante disponibilizado. Em razão disso, o acórdão recorrido considerou que as verbas pagas a beneficiários identificados por meio de cartão de premiação seriam remuneração direta variável, pelo que não se subsumiriam ao inciso II do art. 74 da Lei nº. 8.383, de 1991, e, por decorrência, também não se subsumiriam à parte final do § 1º do art. 61 da Lei 8.981, de 1995, pelo que foi dado provimento ao recurso voluntário, nessa matéria. Pedindo vênia ao respeitado relator do acórdão recorrido, ouso discordar. Penso que para se subsumir ao suporte fático do art. 74, II, da Lei nº 8.383, de 1991, basta haver a concessão, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes ou seus assessores, de benefícios e vantagens, independentemente desses serem considerados (a) remuneração (ou salário) indireto, como foi tratado pela fiscalização no lançamento do acórdão recorrido e nos paradigmas ou de (b) remuneração (ou salário) direto, como foi considerado pelo acórdão recorrido. Analisemos a legislação em questão. Como visto, o art. 61, § 1º da Lei 8.981, de 1995, dispõe ficar sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, entre outros casos, na “hipótese de que trata o § 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991”. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 18471.001035/200841 Acórdão n.º 9202007.756 CSRFT2 Fl. 14 25 Sublinho que a incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte implica em que tais benefícios e vantagens não integrarão os rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual da pessoa física e, obviamente, o imposto retido na fonte, que é exclusivo, não poderá ser compensado com o devido na Declaração de Ajuste Anual. O mencionado § 2° do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991, refere que a “inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte”, na época, à alíquota de trinta e três por cento, elevada a trinta e cinco por cento, como visto, pelo o art. 61, § 1º da Lei 8.981, de 1995. O art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991, prevê a integração à remuneração dos beneficiários (ponto de vista da pessoa física) um conjunto de despesas (ponto de vista da empresa) suportadas pela pessoa jurídica. São esses: (a) a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, atualizados monetariamente até a data do balanço (art. 74, I) (a.1) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica (art. 74, I, “a”) e (a.2) de imóvel cedido para uso de qualquer dos citados (art. 74, I, “b”); (b) de despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros (art. 74, II); são citados nas alíneas do inciso II do art. 74 diversos exemplos de despesas que integram a remuneração dos beneficiários, dentre as quais destaco a aquisição de quaisquer bens, inclusive alimentos, para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa (art. 74, II, “a”); os demais exemplos são: pagamentos relativos a clubes e assemelhados (art. 74, II, “b”); o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros (art. 74, II, “c”) e a conservação, o custeio e a manutenção dos veículos ou imóveis anteriormente referidos. Digase de passagem que, do ponto de vista da pessoa física, tais valores, integrados à remuneração dos mencionados beneficiários, comporão seus rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual da pessoa física e, caso haja retenção de imposto sobre a renda na fonte, tal imposto poderá ser compensado com o devido na Declaração de Ajuste Anual. Retornando ao art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991, o § 1º indica dois deveres à empresa, sob pena de, não o fazendo, implicar “a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte (art. 74 §2º): (1) identificar os beneficiários das despesas E (2) adicionar aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. No caso em apreço houve tão somente, pela empresa, a identificação dos beneficiários das despesas, mas não houve a adição dessas aos salários dos beneficiários, razão pela qual houve a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, como determinado pelo § 2º do art. 74 da Lei 8.383, de 1991. Dadas essas premissas, examinemos a questão posta em julgamento. Para tanto, convém atentar para a natureza dos referidos cartões de incentivo ou cartões de premiação, os quais são descritos no artigo “Incentive House é pioneira no relacionamento”, constante no endereço eletrônico (pesquisa em 19/02/2019) https://www.mundodomarketing.com.br/reportagens /mercado/103/incentivehouseepioneira norelacionamento.html. Tratase, conforme o tipo de cartão de “voucher de compras ao portador”, “voucher aceito em hotéis e pontos turísticos”, sendo que alguns cartões, como o Fl. 593DF CARF MF 26 “Premium Card” e o “Top Premium Card” servem também para saques em redes bancárias específicas. Verifiquese: Consoante jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, a parcela recebida na modalidade de prêmio, inclusive sob a forma de cartão de premiação ou cartão de incentivo, possui natureza salarial quando paga com habitualidade, devendo integrar a remuneração para todos os efeitos legais, nos termos artigo 457, § 1º, da CLT. Nesse sentido, cito os seguintes precedentes: "AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. PARCELA DENOMINADA 'PRÊMIOS'. NATUREZA SALARIAL. DECISÃO EM CONSONÂNCIA COM A ITERATIVA, NOTÓRIA E ATUAL JURISPRUDÊNCIA DO TST 1. Inadmissível recurso de revista interposto contra acórdão de Tribunal Regional do Trabalho proferido em consonância com jurisprudência do TST (art. 896, § 7º, da CLT). 2. De acordo com a iterativa, notória e atual jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, a assiduidade/habitualidade no pagamento de parcelas denominadas 'prêmio' produz reflexos de natureza salarial. 3. Agravo de instrumento de que se conhece e a que se nega provimento." (AIRR 66928.2012.5.14.0031 , Relator Ministro: João Oreste Dalazen, Data de Julgamento: 04/03/2015, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 13/03/2015); (Grifouse.) "[...] PARCELA PAGA A TÍTULO DE PRÊMIO. HABITUALIDADE. NATUREZA SALARIAL O Regional ressaltou que, em princípio, os prêmios não integram o salário, por constituírem liberalidade do empregador, mas que, como eram pagos com habitualidade à reclamante, integravam seu salário para todos os efeitos legais. O Tribunal a quo também consignou que a norma coletiva estabelecia pagamento de algo temporário, situação diversa da verificada nos autos, em que eram habituais os valores pagos à reclamante sem registros, por meio de cartões (FLEXCARD e SIMCLUB). Assim, entendeu que era inaplicável a norma coletiva invocada pela reclamada. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 18471.001035/200841 Acórdão n.º 9202007.756 CSRFT2 Fl. 15 27 Como os valores pagos à reclamante a título de prêmio, sem registro, eram feitos de forma habitual, não há como afastar o caráter salarial da parcela. Nessas circunstâncias, o Regional, ao manter a integração dessa parcela, para todos os efeitos, não afrontou o artigo 457, § 1º, da CLT, aplicável aos prêmios efetivamente pagos sem habitualidade, hipótese diversa da hipótese sub judice. Recurso de revista não conhecido." (RR 38300074.2005.5.12.0037 , Relator Ministro: José Roberto Freire Pimenta, Data de Julgamento: 18/06/2014, 2ª Turma, Data de Publicação: DEJT 01/07/2014); (...) . PARCELA DENOMINADA "INCENTIVE HOUSE" NATUREZA JURÍDICA INDICAÇÃO DA CARÁTER SALARIAL NA DECISÃO RECORRIDA MATÉRIA FÁTICA APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 126 DO TST. I Se a premissa fática veiculada na decisão recorrida, insuscetível de modificação no TST (Súmula nº 126), é a da natureza salarial da parcela denominada "Incentive House", a consequência jurídica resultante é o pagamento de sua repercussão nas demais verbas que compõem a remuneração. (Processo: RR 128100 91.2007.5.03.0139 Data de Julgamento: 02/12/2009, Relator Ministro: Antônio José de Barros Levenhagen, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 11/12/2009.) (Grifouse.) Percebese que o aspecto relevante para a direito do trabalho é a habitualidade, a qual definirá terem ou não tais parcelas, recebidas a titulo de premiação ou de incentivo, natureza salarial. Por outro lado, é irrelevante sua caracterização como salário (ou remuneração) direto ou indireto; sendo salário (ou remuneração), direto ou indireto, incide sobre elas as verbas trabalhistas; caso contrário, não haverá a incidência. Do ponto de vista da legislação fiscal, é igualmente irrelevante caracterizarse tais verbas como salário (ou remuneração) direto ou indireto. Tanto é assim que a legislação não faz tal distinção. O caput do art. 74 da Lei 8.383, de 1991, define que as despesas, citadas em seus incisos, “integrarão a remuneração dos beneficiários”, sem limitar tal remuneração a verbas tidas como remuneração direta ou de remuneração indireta. Do mesmo modo, o 1º do art. 74 da Lei 8.383, de 1991, determina que a empresa adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes, sem qualquer restrição a que tal norma se refira, apenas, a remuneração (ou salário) indireta ou à remuneração (ou salário) direta. Assim, é irrelevante, para fins da tributação em apreço, tanto a caracterização, pela autoridade lançadora, das verbas como pertencentes à remuneração indireta dos beneficiários quanto, de forma distinta, a caracterização, pelo acórdão recorrido, de tais verbas como remuneração direta de seus beneficiários. O que é relevante, pois este é o comendo legal, é que tais verbas, recebidas por meio dos cartão de incentivo ou de premiação sejam, como de fato são, “benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores” (art. 74, II, da Lei 8.383, de 1991). Friso que não há, ao meu juízo, diferença substancial entre os benefícios e vantagens advindos da utilização dos cartões de premiação e os exemplos de benefícios e vantagens constantes nas alíneas do inciso II do art. 74 da Lei 8.383, de 1991, notadamente a alínea “a”: “aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário Fl. 595DF CARF MF 28 fora do estabelecimento da empresa”. Mas, mesmo que assim não fosse, recordo, mais uma vez, que quaisquer “benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores” se subsumem à tributação de que trata o art. 74 da Lei 8.383, de 1991, combinado com o art. 61 da Lei 8.981, de 1995. Além do mais, com a devida vênia ao estimado Conselheiro relator do acórdão recorrido, não é razoável utilizarse dos limitados exemplos elucidativos constante em nas alíneas do art. 74, II, da Lei 8.383, de 1991, para restringir o alcance da norma tributária constante do caput do art. 74, II, da Lei 8.383, de 1991, ou seja, os multicitados benefícios e vantagens. Por outro lado, o Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação (PN CST) 18, de 1985, naquela ocasião tratando de legislação análoga mas diversa, por evidente, uma vez que a Lei 8.383, de 1991 ainda não fora editada em 1985, esclarecendo o tratamento tributário de salários indiretos de diretores, administradores, sócios, gerentes e empregados de pessoas jurídicas, referese que eles podem ser “concedidos sob a forma de vantagens, benefícios e ganhos adicionais, pecuniários ou não, como retribuição pelo desempenho dos referidos cargos, funções ou empregos” (grifouse). Ou seja, caso fosse relevante a distinção entre salário direto e salário indireto, subsumindose ao do art. 74, II, da Lei 8.383, de 1991 apenas o salário indireto (com o qual não concordo, como discorrido), a concessão de vantagens ou benefícios pecuniários não implica na inexistência de salário indireto (ou de remuneração indireta, termo utilizado pelo acórdão recorrido), conforme consta expressamente no item 1 do PN CST 18, de 1995. O próprio item 12 do PN Cosit 11, de 1992, citado pelo acórdão recorrido, refere que os salários indiretos abrangem “as despesas particulares dos administradores, diretores, gerentes e seus assessores, nelas incluídas despesas de supermercados e cartões de crédito, pagamento de anuidades de colégios, clubes, associações, etc”, o que, a seu turno, guarda estreita similitude com os benefícios e vantagens advindos da utilização dos mencionados cartões de premiação/incentivo, que, como visto, podem ser utilizados em redes de compras e no turismo, mesmo que alguns cartões também se prestem a saques em redes. O caráter da pessoalidade das despesas mencionadas pelas alíneas do inciso II do art. 74 da Lei 8.383, de 1991, também referido pelo acórdão recorrido, é existente no caso concreto, em que cada cartão de premiação/incentivo referese a um destinatário específico e identificado, que o usufruirá em nome próprio. Quanto à livre disposição do beneficiário sobre o montante disponibilizado, elemento que ao juízo do acórdão recorrido exclui a subsunção do caso concreto ao inciso II do art. 74 da Lei 8.383, de 1991, entendo que livre disposição não é elemento constante na norma tributária do inciso II do art. 74 da Lei 8.383, de 1991, para o qual basta, como visto, o recebimento pelos beneficiários indicados de “benefícios e vantagens”. Em suma, discordando do juízo professado pelo acórdão recorrido, entendo que a disponibilização de valores pela fiscalizada aos seus diretores, administradores e gerentes, mediante cartões eletrônicos de incentivo das prestadoras de serviços Salles, Adan & Associados, Marketing de Incentivos Ltda. e Incentive House S.A., se subsume ao inciso II do art. 74 da Lei 8.383, de 1991, por trataremse de benefícios ou vantagens, como prevê a norma. Nesse sentido, oriento meu voto por dar provimento, nesta matéria, ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, determinando a continuidade do julgamento do Recurso Voluntário no âmbitos das Turmas Ordinárias (uma vez que a Turma que proferiu o acórdão recorrido ter sido extinta), superada a questão de haver subsunção dos fatos constantes do item 1 do lançamento “IRF SOBRE REMUNERAÇÃO INDIRETA (BENEFICIÁRIO IDENTIFICADO)” ao inciso II do art. 74 da Lei 8.393, de 1991. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 18471.001035/200841 Acórdão n.º 9202007.756 CSRFT2 Fl. 16 29 Considerando ter sido afastado pelo colegiado o vício declarado pelo acórdão recorrido, deixo de apreciar a segunda matéria natureza do vício, por restar prejudicada. Por fim, determinase o retorno ao colegiado a quo para julgamento das demais questões do Recurso Voluntário, já que superada a questão de haver subsunção dos fatos constantes do item 1 do lançamento “IRF SOBRE REMUNERAÇÃO INDIRETA (BENEFICIÁRIO IDENTIFICADO)” ao inciso II do art. 74 da Lei 8.393, de 1991. Uma vez que a Turma que proferiu o acórdão recorrido foi extinta, o processo deve ser objeto de sorteio entre as Turmas que compõem a 2º Seção do CARF. Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, determinando o retorno ao colegiado a quo para julgamento das demais questões do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto. Fl. 597DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.906692/2009-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. DATA. VALORAÇÃO. ERRO DE FATO.
Tendo o contribuinte incorrido em erro de fato ao apresentar novos PER/DComp tão-somente para corrigir o valor do saldo negativo de IRPJ, sem alterar os montantes do crédito original, da Selic acumulada, do crédito atualizado, do débito compensado e do crédito original utilizado, é de se considerar como data da compensação a ser homologada, para fins de valoração de débitos e créditos, a data dos PER/DComp originalmente transmitidos.
Numero da decisão: 1401-003.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, restituindo-se os autos à delegacia de origem para que seja retificada a homologação das compensações declaradas, tendo como datas de compensação as datas dos PER/DCOMP inicialmente apresentados pela contribuinte, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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DATA. VALORAÇÃO. ERRO DE FATO. Tendo o contribuinte incorrido em erro de fato ao apresentar novos PER/DComp tãosomente para corrigir o valor do saldo negativo de IRPJ, sem alterar os montantes do crédito original, da Selic acumulada, do crédito atualizado, do débito compensado e do crédito original utilizado, é de se considerar como data da compensação a ser homologada, para fins de valoração de débitos e créditos, a data dos PER/DComp originalmente transmitidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, restituindose os autos à delegacia de origem para que seja retificada a homologação das compensações declaradas, tendo como datas de compensação as datas dos PER/DCOMP inicialmente apresentados pela contribuinte, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 66 92 /2 00 9- 40 Fl. 324DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Inicialmente, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre: Relatório A manifestação de inconformidade foi apresentada pela contribuinte em 02/12/09 contra o despacho decisório da DRF em Santa Cruz do Sul (DRF/SCS) que não homologou os PER/DCOMPs conforme a tabela abaixo: PER/DCOMP Homologadas/Não Homologadas Vinculadas ao Saldo Negativo do Ano Calend. 2004 Débitos pleiteados Crédito Pleiteado nos PER/DCOMP Saldo negativo AC 2004 PER/DCOMP Data da Transm Valor Origem do crédito Ano calen Situação 233.451,61 Vcto Valor (principal) 33858.00840.180906.1.3.026996 18/09/2006 104.778,93 Sldo Neg IRPJ 2004 Homologada 128.672,68 29/07/05 114.869,14 02134.18383.180906.1.3.029640 18/09/2006 9.532,54 Sldo Neg IRPJ 2004 Homologada 119.140,14 31/08/05 10.594,47 28265.89721.180906.1.3.023868 18/09/2006 37.728,95 Sldo Neg IRPJ 2004 Homologada 81.411,19 31/10/05 43.124,19 33824.77234.180907.1.7.020029 18/09/2007 39.563,38 Sldo Neg IRPJ 2004 Homologada 41.847,81 30/06/05 42.744,28 32996.91712.180906.1.3.028531 18/09/2006 44.804,61 Sldo Neg IRPJ 2004 Homol. Parcial 0,00 30/11/05 51.843,41 26823.94562.180906.1.3.021612 18/09/2006 25.332,54 Sldo Neg IRPJ 2004 Não Homolog. 0,00 28/02/06 30.396,51 Total 261.740,95 Saldo 0,00 O direito creditório pleiteado pela contribuinte é o saldo negativo do anocalendário de 2004 no valor de R$ 233.451,61. Foi reconhecido integralmente esse direito creditório em favor da contribuinte. A contribuinte se insurge contra a forma cálculo utilizada pela RFB, que não permitiu a homologação de todos os PER/DCOMP pleiteados utilizando esse direito creditório. O despacho decisório da DRF/SCS foi emitido em 23/10/09 (fl. 97) com ciência da contribuinte por edital em 05/03/10 (fl. 103). O despacho decisório assinalou que o crédito disponível foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual não foram homologados todos os PER/DCOMP pleiteados, conforme se verifica na tabela acima. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13005.906692/200940 Acórdão n.º 1401003.325 S1C4T1 Fl. 325 3 A contribuinte alega, em síntese, que: 1) Em resposta ao Termo de Intimação nº 672800188 – DRF/SCS/Saort nº 156/2009, para prestar esclarecimentos quanto ao pedido de compensação em questão, retificou o PER/DCOMP nº 12484.25750.300605.1.3.027080, corrigindo o saldo negativo e o valor do demonstrativo de crédito. 2) Em nenhum momento teria corrigido o valor do saldo negativo e o valor do demonstrativo de crédito, oriundos das DIPJs de 2004 (anocalendário 2003) e de 2005 (anocalendário 2004). 3) Em nenhum momento o PER/DCOMP retificador aumentou os valores compensados, uma vez que somente ajustou os valores demonstrados com os constantes na DIPJ. 4) Por equívoco, na transcrição do saldo a compensar, teria informado o valor de R$ 245.201,75, quando o correto seria R$ 233.451,61, conforme planilha que anexa. 5) Anexou planilha que comprovaria que o saldo devedor de tributo seria de R$ 11.750,14 e não de R$ 68.616,75 conforme informado no despacho decisório. 6) Tratariase de um erro formal da contribuinte ao requerer a compensação, mas o crédito existe e ele teria direito as compensações até o limite desse crédito. A contribuinte requer que seja reformado o despacho decisório, reconhecido o crédito e homologado o pedido de compensação realizado até o limite do crédito declarado. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente e a ementa do acórdão restou assim consignada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. CÁLCULO. BASE LEGAL. Na compensação, os créditos da contribuinte serão valorados e os débitos sofrerão acréscimos legais conforme a legislação em vigor na data da transmissão da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário por meio do qual reiterou as questões postas na manifestação de inconformidade. A questão central sob análise pode ser sintetizada no seguinte trecho: Fl. 326DF CARF MF 4 A recorrente instruiu o recurso voluntário com os seguintes PER/DComp: PER/Dcomp apresentados pela contribuinte PER/Dcomp Data da transmissão Original / Retificadora Débito compensado 12484.25750.300605.1.3.027080 30/06/2005 Original 33824.77234.180907.1.7.020029 18/09/2007 Retificadora IRPJ maio/2005 25030.90018.290709.1.3.020531 29/07/2005 Original 33858.00840.180906.1.3.026996 18/09/2006 Original IRPJ junho/2005 21691.32718.250805.1.3.026370 25/08/2005 Original 02134.18383.180906.1.3.023640 18/09/2006 Original IRPJ julho/2005 07935.19654.281005.1.3.023090 28/10/2005 Original 28265.89721.180906.1.3.023868 18/09/2006 Original IRPJ setembro/2005 11839.63612.301105.1.3.029527 30/11/2005 Original 32996.91712.180906.1.3.028531 18/09/2006 Original IRPJ outubro/2005 12546.65097.230206.1.3.025285 23/02/2006 Original 26823.94562.180906.1.3.021612 18/09/2006 Original IRPJ janeiro/2006 Em síntese, era o que havia a relatar. Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13005.906692/200940 Acórdão n.º 1401003.325 S1C4T1 Fl. 326 5 À partida, impende destacar que dois pontos são incontroversos neste processo: (i) a contribuinte efetivamente tem direito ao aproveitamento do saldo negativo de IRPJ apurado em 2004 no valor de R$ R$ 233.451,61; (ii) a própria contribuinte reconhece que houve compensação indevida no valor de R$ 11.750,14, tendo em vista que teria cometido um erro em seus controles e utilizado um saldo negativo de R$ 245.201,75. O ponto controverso, portanto, não envolve o Pedido de Ressarcimento ou Restituição do saldo negativo de IRPJ de 2004 no montante de R$ 233.451,61, mas a homologação das compensações realizadas com tal crédito. O ponto nevrálgico da questão é a determinação do momento em que se considera declarada a compensação e, por conseguinte, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória. O momento da compensação determina a valoração de débitos e créditos, ou seja, de um lado, a correção dos créditos do contribuinte utilizados na compensação e, de outro, a incidência de multa e juros de mora sobre os débitos compensados. Para uma melhor compreensão da questão posta, é oportuno destacar parte da fundamentação da decisão de primeira instância: A contribuinte admite que o saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 2004 foi de R$ 233.451,61, conforme sua manifestação de inconformidade (fl. 3), planilha anexa (fl. 50) e DIPJ/2005 (anocalendário 2004) (fl. 53). A Secretaria da Receita Federal do Brasil detém a competência legal para disciplinar a compensação de crédito tributário com créditos do sujeito passivo, conforme determinado no parágrafo 14 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 4º da Lei nº 11.051/04, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) ... § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Grifei.) O forma da valoração dos créditos e débitos a compensar segue a regra determinada no art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900/08, in verbis: Art. 36 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da Fl. 328DF CARF MF 6 legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. (Grifei.) § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 , salvo os casos excepcionados em legislação específica. Art. 72 . O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: ... II houver a entrega da Declaração de Compensação ou for efetivada a compensação na GFIP; ... § 1 º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009 ) ... IV na hipótese de saldo negativo de IRPJ e de CSLL, o mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração; ... § 4º Não haverá incidência dos juros compensatórios de que trata o caput sobre o crédito do sujeito passivo quando: I sua restituição for efetuada no mesmo mês da origem do direito creditório; II na compensação de ofício ou declarada pelo sujeito passivo, a data de valoração do crédito estiver contida no mesmo mês da origem do direito creditório. ... § 7º As quantias pagas indevidamente a título de multa de mora ou de ofício, inclusive multa isolada, e de juros moratórios decorrentes de obrigações tributárias relativas aos tributos administrados pela RFB também serão restituídas ou compensadas com o acréscimo dos juros compensatórios a que se refere o caput. A forma de incidência de acréscimos legais aos débitos está prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96, que determina o seguinte: Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13005.906692/200940 Acórdão n.º 1401003.325 S1C4T1 Fl. 327 7 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quanto a forma de incidência dos acréscimos legais aos débitos, a matéria já se encontra pacificada também na esfera administrativa, conforme está consolidado na Súmula nº 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atualmente CARF, nestes termos: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (publicada no DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006) Aplicandose esses normativos legais aos PER/DCOMP pleiteados pela contribuinte obtémse os resultados já constantes do detalhamento do despacho decisório (fls. 98 a 101) e sintetizados na planilha abaixo: Crédito Saldo Negativo (em 31/12/04) Débitos Crédito (Alocado) Original Na data da compensação Saldo Juros até Data Compe Principal Multa Juros Total Na data da compe Original Débito (saldo do principal no venciment o) Número do PER/Dcomp Data da Compe (R$) (%) Data de Vencimento (R$) (%) (R$) (%) (R$) (R$) (R$) (R$) (R$) 33858 18/09/06 233.451,61 28,53 29/07/05 114.869,14 20,00 22.973,82 18,39 21.124,43 158.967,39 158.967,39 123.681,16 0,00 02134 18/09/06 109.770,45 28,53 31/08/05 10.594,47 20,00 2.118,89 16,73 1.772,45 14.485,81 14.485,81 11.270,37 0,00 28265 18/09/06 98.500,08 28,53 31/10/05 43.124,19 20,00 8.624,83 13,82 5.959,76 57.708,78 57.708,78 44.899,08 0,00 33824 30/06/05 53.601,00 8,04 30/06/05 42.744,28 0,00 0,00 0,00 42.744,28 42.744,28 39.563,39 0,00 32996 18/09/06 14.037,61 28,53 30/11/05 51.843,41 20,00 10.368,68 12,44 6.449,32 68.661,41 18.042,54 14.037,61 38.220,24 26823 18/09/06 0,00 28/02/06 30.396,51 30.396,51 A partir da planilha acima, obtida com base na legislação mencionada, podese concluir que o saldo negativo informado pela contribuinte no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito, e reconhecido pela contribuinte em sua manifestação de Fl. 330DF CARF MF 8 inconformidade (R$ 233.451,61) foi integralmente utilizado nas compensações pleiteadas, restando um saldo devedor de crédito tributário que foi corretamente exigido pela DRF/SCS do contribuinte. Quando se coteja a tabela utilizada pela DRJ para confirmar o Despacho Decisório com os PER/DComp que constam dos autos, observase que a autoridade julgadora utilizou os PER/DComp ("originais") entregues em 18/09/06, com exceção do PER/DComp nº 12484.25750.300605.1.3.027080, entregue em 30/06/2005, que foi objeto de PER/DComp retificadora. É exatamente contra esse fato que a contribuinte recorre. Pugna pelo reconhecimento da compensação na data da entrega dos PER/DComp iniciais de cada débito compensado. Segundo a contribuinte, a apuração, ao considerar as datas dos PER/DComp inicialmente apresentados, pode ser resumida no seguinte quadro: Compulsando os PER/DComp juntados aos autos, verificase que, de fato, houve um erro formal da contribuinte ao apresentar Declarações de Compensação originais em duplicidade para os débitos de IRPJ de junho, julho, setembro e outubro/2005 e janeiro/2006. Entretanto, verifico que a única alteração feita em cada uma dessas Declarações de Compensação é o valor do saldo negativo de IRPJ de 2004. Nas primeiras declarações, a contribuinte simplesmente repetiu o valor do crédito atualizado como saldo negativo. Essa informação está equivocada, pois é incontroverso que o saldo negativo a que a contribuinte faz jus é de R$ 233.451,61. Os demais valores que compõem as Declarações de Compensação, que são os valores que dizem respeito diretamente à extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 170 do CTN, permaneceram inalterados. De se ver, Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13005.906692/200940 Acórdão n.º 1401003.325 S1C4T1 Fl. 328 9 Número do PER/Dcomp 12484.25750.300605.1.3.027080 33824.77234.180907.1.7.020029* Saldo Negativo R$ 42.744,28 R$ 233.451,61 Crédito original R$ 39.563,38 R$ 39.563,38 Selic acumulada 8,04% 8,04% Crédito atualizado R$ 42.744,28 R$ 42.744,28 Débito (IRPJ maio/05) R$ 42.744,28 R$ 42.744,28 Crédito original utilizado R$ 39.563,38 R$ 39.563,38 * Esta DComp é retificadora e a DRJ já considerou a data da declaração inicial. Número do PER/Dcomp 25030.90018.290709.1.3.020531 33858.00840.180906.1.3.026996 Saldo Negativo R$ 114.869,14 R$ 233.451,61 Crédito original R$ 104.778,93 R$ 104.778,93 Selic acumulada R$ 9,63 R$ 9,63 Crédito atualizado R$ 114.869,14 R$ 114.869,14 Débito (IRPJ junho/05) R$ 114.869,14 R$ 114.869,14 Crédito original utilizado R$ 104.778,93 R$ 104.778,93 Número do PER/Dcomp 21691.32718.250805.1.3.026370 02134.18383.180906.1.3.023640 Saldo Negativo R$ 10.594,47 R$ 233.451,61 Crédito original R$ 9.532,54 R$ 9.532,54 Selic acumulada 11,14% 11,14% Crédito atualizado R$ 10.594,47 R$ 10.594,47 Débito (IRPJ julho/05) R$ 10.594,47 R$ 10.594,47 Crédito original utilizado R$ 9.532,54 R$ 9.532,54 Número do PER/Dcomp 07935.19654.281005.1.3.023090 28265.89721.180906.1.3.023868 Saldo Negativo R$ 43.124,19 R$ 233.451,61 Crédito original R$ 37.728,95 R$ 37.728,95 Selic acumulada 14,30% 14,30% Crédito atualizado R$ 43.124,19 R$ 43.124,19 Débito (IRPJ setembro/05) R$ 43.124,19 R$ 43.124,19 Crédito original utilizado R$ 37.728,95 R$ 37.728,95 Fl. 332DF CARF MF 10 Número do PER/Dcomp 11839.63612.301105.1.3.029527 32996.91712.180906.1.3.028531 Saldo Negativo R$ 51.843,41 R$ 233.451,61 Crédito original R$ 44.804,61 R$ 44.804,61 Selic acumulada 15,71% 15,71% Crédito atualizado R$ 51.843,41 R$ 51.843,41 Débito (IRPJ outubro/05) R$ 51.843,41 R$ 51.843,41 Crédito original utilizado R$ 44.804,61 R$ 44.804,61 Número do PER/Dcomp 12546.65097.230206.1.3.025285 26823.94562.180906.1.3.021612 Saldo Negativo R$ 30.396,51 R$ 233.451,61 Crédito original R$ 25.332,54 R$ 25.332,54 Selic acumulada 19,99% 19,99% Crédito atualizado R$ 30.396,51 R$ 30.396,51 Débito (IRPJ janeiro/2006) R$ 30.396,51 R$ 30.396,51 Crédito original utilizado R$ 25.332,54 R$ 25.332,54 É cristalino que a contribuinte cometeu erro formal ao apresentar novas Declarações de Compensação "originais" tãosomente para corrigir o valor do saldo negativo. Tal erro não tem o condão de deslocar a data da extinção do crédito tributário para a data da apresentação da nova Declaração de Compensação. Assim, impende considerar como datas de compensação dos débitos declarados, para fins da aplicação da legislação colacionada pela DRJ na decisão de piso, as datas das declarações inicialmente apresentadas: PER/Dcomp Data da transmissão Original / Retificadora Débito compensado 12484.25750.300605.1.3.027080 30/06/2005 Original IRPJ maio/2005 25030.90018.290709.1.3.020531 29/07/2005 Original IRPJ junho/2005 21691.32718.250805.1.3.026370 25/08/2005 Original IRPJ julho/2005 07935.19654.281005.1.3.023090 28/10/2005 Original IRPJ setembro/2005 11839.63612.301105.1.3.029527 30/11/2005 Original IRPJ outubro/2005 12546.65097.230206.1.3.025285 23/02/2006 Original IRPJ janeiro/2006 Por fim, é de se lembrar que a própria contribuinte reconheceu que realizou compensações indevidas, ou seja, em montante maior do que o crédito a que tem direito, com as devidas correções. Por este motivo, não é de se dar provimento integral ao recurso voluntário. Conclusão. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13005.906692/200940 Acórdão n.º 1401003.325 S1C4T1 Fl. 329 11 Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, restituindose os autos à delegacia de origem para que seja retificada a homologação das compensações declaradas, tendo como datas de compensação as datas dos PER/DComp inicialmente apresentados pela contribuinte, nos termos deste voto. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator Fl. 334DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.720367/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
DCTF. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE.
No julgamento do REsp 1.149.022, sob o regime do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o pagamento de débito tributário, declarado em DCTF retificadora, em data anterior e/ ou na mesma data de transmissão da respectiva declaração, configura denúncia espontânea nos termos da legislação tributária e, consequentemente, afasta a incidência da multa moratória.
São equivalentes o recolhimento por meio de DARF e a compensação pormeiodeDCOMPparaoefeitodeconfiguraçãodadenúnciaespontânea, a formadoart.138doCTN.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
Numero da decisão: 3301-006.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer à contribuinte a aplicação da denúncia espontânea, cujo efeito é o de afastar a exigência da multa de mora sobre o débito objeto do PER/DCOMP 41349.04893.050504.1.3.04-6536. Vencida a Conselheira Larissa Nunes Girard, que negou provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semiramis de Oliveira Duro. Ausente a conselheira Liziane Angelotti Meira.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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RETIFICAÇÃO. DÉBITO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. No julgamento do REsp 1.149.022, sob o regime do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o pagamento de débito tributário, declarado em DCTF retificadora, em data anterior e/ ou na mesma data de transmissão da respectiva declaração, configura denúncia espontânea nos termos da legislação tributária e, consequentemente, afasta a incidência da multa moratória. São equivalentes o recolhimento por meio de DARF e a compensação pormeiodeDCOMPparaoefeitodeconfiguraçãodadenúnciaespontânea, a formadoart.138doCTN. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer à contribuinte a aplicação da denúncia espontânea, cujo efeito é o de afastar a exigência da multa de mora sobre o débito objeto do PER/DCOMP 41349.04893.050504.1.3.046536. Vencida a Conselheira Larissa Nunes Girard, que negou provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 03 67 /2 00 7- 18 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10768.720367/200718 Acórdão n.º 3301006.075 S3C3T1 Fl. 206 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semiramis de Oliveira Duro. Ausente a conselheira Liziane Angelotti Meira. Relatório Tratase de pedido de compensação declarado no PER/DCOMP nº 41349.04893.050504.1.3.046536, cujo crédito pleiteado é pagamento indevido ou a maior de PIS – não cumulativo (código da receita: 69121), período de apuração 01/2004, data de arrecadação 13/02/2004, no valor de R$ 3.681.192,62, sendo o crédito referente a este pagamento de R$ 667.304,85, usado na compensação de PIS combustíveis (código de receita 68242), período de apuração 01/2004, no mesmo valor, R$ 667.304,85 . Por expor adequadamente os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância, o qual passo a transcrever: Tratase no presente processo de declaração de compensação (Dcomp) de débitos da contribuição para o PIS, código 68242 do período de apuração 01/2004 mediante o aproveitamento de crédito proveniente de pagamento a maior a título de PIS, código 6912, relativo ao mesmo período de apuração. A autoridade fiscal, com base no Parecer Conclusivo nº 119/2009 (fls. 46 a 48), exarou o despacho decisório de fl. 49, reconhecendo parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 648.878,42 para fins de homologação da compensação declarada, até o limite do crédito reconhecido. No Parecer Conclusivo consta consignado, resumidamente, que: a) O contribuinte não havia declarado em DCTF qualquer valor para o PIS no período em questão. Na DIPJ foi declarado o valor de R$ 3.106.756,79 para o código 6912 (PIS nãocumulativo) e R$ 667.304,85 para o código 6824 (PIS combustíveis). Consta recolhimento no valor de R$ 3.681.192,62 sob o código 6912; b) Em face das divergências, o processo foi encaminhado à DEFIC para realização de diligência. O resultado da diligência consta do relatório de fls. 38/41 onde é informado que o valor devido a título de PIS código 6912 é de R$ 3.125.183,23 no código 6840, R$ 667.304,85. O contribuinte quitou por compensação parte do PIS devido no código 6912, no montante de R$ 92.869,03, restando o valor de R$ 3.032.314,20; c) Considerando que consta recolhimento efetuado no valor de R$ 3.681.192,62, e que o valor devido é de R$ 3.032.314,20, temse por Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10768.720367/200718 Acórdão n.º 3301006.075 S3C3T1 Fl. 207 3 configurado o pagamento a maior no valor de R$ 648.878,42 a título de PIS, código 6912. Cientificada do Parecer Seort e da correspondente cartacobrança em 28/04/2009 (fls. 58), a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade em 11/05/2009 (fls. 64 a 71), alegando, em síntese, que: a) Contra a decisão é cabível medida administrativa dotada de efeito suspensivo e, portanto, há impropriedade no procedimento de cobrança imediata adotado pela Receita Federal; b) O PER/DCOMP foi formalizado com vistas a promover a adequação no apontamento do código de recolhimento informado no DARF; c) O DARF original apontava um único código de recolhimento, 6912, quando o procedimento correto conduzia à necessidade de desdobramento do mesmo valor em dois códigos, 6912 e 6824; d) O Per/Dcomp teve essa única finalidade, em virtude da impossibilidade de se emitir novo DARF com a vinculação ao código de arrecadação correto, na forma do art. 10 da IN SRF 403/2004; e) O pagamento deuse tempestivamente e no valor exato da declaração; f) Todo o valor devido já estava nos cofres da Receita Federal desde o primeiro DARF. Em sendo assim, não houve mora no caso sob escrutínio; g) Requer o recebimento da Manifestação com efeito suspensivo e a imputação adequada do pagamento a que se refere o PAF em questão. A DRJ/RJ2 decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, exarando o Acórdão nº 1339.131 4ª Turma, em 20/12/2011, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos compensados sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual apresenta os seguintes argumentos: a) Informa que não tomou ciência do "Relatório de Diligência Fiscal" efetuada pela DEFIC/RJO, conforme Termo de Ciência à fl. 108, assinado em 30 de abril de Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10768.720367/200718 Acórdão n.º 3301006.075 S3C3T1 Fl. 208 4 2009. Diante disso, não teria como contestar o levantamento da base de cálculo e o cálculo da contribuição devida apurada no procedimento fiscal, pois somente na ocasião de apresentação do presente recurso tomou conhecimento através da disponibilidade do processo digital no portal eCAC da RFB; b) Afirma, porém, que a cobrança não tem relação com a diferença apontada no levantamento da base de cálculo da contribuição devida apurada no procedimento fiscal, conforme tabela que anexa. Ratifica, portanto, que o valor cobrado pela Receita referese à multa e juros calculados entre a data de vencimento do débito compensado e a data de transmissão da PER/DCOMP, ou seja, não tendo nenhuma relação com as divergências entre as apurações. c) Aduz que efetuou recolhimento para o pagamento integral do PIS de Janeiro de 2004, pago em Fevereiro de 2004 dentro do prazo legal de apuração. Todavia, percebeu que o código de receita havia sido equivocadamente lançado no DARF gerado. A inconsistência do código do DARF teve como motivo a publicação da Lei 10.637/2002 que inovou trazendo a nãocumulatividade do PIS e, do Ato Declaratório Executivo Corat n° 26/2003, com acréscimo de novo código. d) Esclarece que, para sanar o erro material (código de receita), ajustou a DIPJ de 2005, anocalendário 2004, tendo em vista que esta continha apuração dessa contribuição, mediante a geração de PER/DCOMP, pois não mais era possível a adequação por REDARF, conform art. 10 da Instrução Normativa nº 403, de 2004; e) Expõe que, em. sede de diligência decorrente da manifestação de inconformidade, o Auditor da RFB não considerou o fato do recolhimento tempestivo efetuado pela Recorrente. Por outro lado, o mesmo identificou saldo creditório do contribuinte, tanto que homologou parcialmente as compensações efetuadas. Assim, a parcela cobrada referese à aplicação de multa e juros sobre a compensação efetuada. No entanto, sendo o crédito e débito efetuado no mesmo período, entende que esta cobrança é indevida, uma vez que o valor contempla multa e juros calculados entre a data de vencimento e a data da transmissão da DCOMP; f) Assevera ser o caso de aplicação do instituto da denúncia espontânea, conforme art. 138 do CTN, tendo a DCTF referente ao fato gerador do primeiro trimestre de 2004 sido transmitida em 14/05/2004 (dentro do prazo disposto no Art. 30 da IN SRF 395/2004 — vigente à época) e apresentação da DCÓMP em 05/05/2004, antes de qualquer procedimento fiscal, não cabe a cobrança da multa moratória peia RFB; g) Entende que não há o que se falar de cobrança de juros de mora, uma vez que a atualização é feita tanto para o débito quanto para o crédito, sendo ambos os valores referentes ao mesmo período, janeiro/2004; e h) Manifesta sua não concordância com a homologação parcial da declaração de compensação, pois entende que toda a documentação comprobatória e os argumentos utilizados relatados em diversos itens acima, comprovam que o cálculo, formas de compensação (PER/DCOMP) e o recolhimento do imposto forma feitos estritamente dentro da lei. Por tais razões, impõese o provimento do recurso. Encerra seu recurso com os seguintes pedidos: Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10768.720367/200718 Acórdão n.º 3301006.075 S3C3T1 Fl. 209 5 VI — DO PEDIDO 21. Requerse, de início, o recebimento do presente Recurso Voluntário com efeito suspensivo, haja vista a norma contida no art. 77, § 5° da Instrução Normativa SRF n° 1.300/12, de modo que o crédito tributário materializado neste Processo Administrativo seja novamente analisado e posteriormente extinto o pleito da RFB. 22. A despeito da formalidade cabe, em última análise, ao CARF corrigir a distorção de cobrança de multa e juros de mora quando a obrigação tributária principal foi satisfeita no tempo devido. Tendo a DCOMP sendo transmitida antes da confissão de dívida, realizada através da DCTF. 23 Requerse então a exclusão da multa de mora cobrada pela Receita em virtude da extinção do crédito tributário, feito através de compensação, ter sido realizado dentro do prazo legal, antes da DCTF, cabendo assim o instituto da Denuncia espontânea, conforme Art. 138 do Código Tributário Nacional. 24. Requerse ainda a exclusão da cobrança dos juros moratórias em virtude do pagamento a maior e o débito compensado serem do mesmo período de apuração, sendo então os juros compensatórios e os juros moratórios de igual valor, conforme apontado nos itens 12 a 14 do presente recurso. 25. É pelo exposto que acredita e pugna pelo adequado equacionamento dessa Exma. Câmara pelo cancelamento da cobrança, caso verifique nos presentes autos a verdade material narrada; ou, alternativamente, que determine nova conversão de julgamento em diligência para fins de apuração dos seguintes fatos: 25.1 A extinção do crédito tributário, por compensação, foi realizada antes da confissão de dívida, realizada através de DCTF, cabendo então o instituto da denúncia espontânea, elidindo assim qualquer multa moratória sobre o débito? 25.2 O recolhimento da receita tributária paga a maior, a despeito do código de DARF, foi pago dentro do prazo legal, e a compensação foi efetuada para débito do mesmo período de apuração, elidindo a incidência de qualquer sorte de incremento de juros de mora? É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais pressuposto de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Adotarei a estrutura firmada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário para manifestação sobre cada ponto por ela elencado. I — DA TEMPESTIVIDADE E DOS FATOS Neste item, uma das alegações da Recorrente diz respeito à tempestividade do recurso. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10768.720367/200718 Acórdão n.º 3301006.075 S3C3T1 Fl. 210 6 A tempestividade do recurso encontrase devidamente apurada, inclusive sendo um dos requisitos para o seu conhecimento. Prossegue expondo como se deu o recolhimento a maior de PIS para o período de apuração janeiro de 2004: A apuração do PIS de Janeiro de 2004, anexa, gerou um valor a pagar de R$ 3.774.061,64, valor este pago a maior, informado na DCTF do 1° Trimestre de 2004, quitado conforme abaixo relatado: 3.1 DARF Código 6912 = R$ 3.681.192,62 pago no dia 13/02/2004. 3.2 PER/DCOM 11104.16520.120204.1.3.04.2658 = R$ 92.869,03 Estes fatos estão confirmados nos autos, especificamente à sua fl. 33. E termina este item com a alegação de ausência de ciência do "Relatório de Diligência Fiscal" efetuada pela DEFIC/RJO, conforme Termo de Ciência à fl. 108 (fl. 109 do eProcesso), assinado em 30 de abril de 2009. Por conta disso, não teria como contestar o levantamento da base de cálculo e o cálculo da contribuição devida apurada no procedimento fiscal, pois somente na ocasião de apresentação do presente recurso tomou conhecimento através da disponibilidade do processo digital no portal eCAC da RFB Quanto a esta alegação, entendo não haver prejuízo à sua contestação, pois as conclusões do mencionado Relatório de Diligência Fiscal fizeram parte Parecer Conclusivo nº 119/09, o qual, por sua vez, fez parte do Despacho Decisório datado de 07/04/2009, que reconheceu parcialmente o direito creditório. A Recorrente foi cientificada de ambos os documentos, tanto o Parecer Conclusivo quanto o Despacho Decisório, bem como de diversos documentos destes autos, como prova o Termo de Ciência à fl. 109. Cito, a seguir, trechos do Parecer Conclusivo nº 119/09, onde são reproduzidas as conclusões da Diligência Fiscal: Em face do valor envolvido, bem como das divergências acima elencadas, e para que se pudesse concluir se havia certeza e liquidez no alegado crédito, nos termos do artigo 170 do CTN, foi o processo à DIPAC/DEFIC/RJO, para que fosse efetuada diligência, nos moldes previstos no artigo 42 da então vigente INSRF nº 600/2005, mediante exame da escrituração contábil e fiscal da empresa e demais documentos comprobatórios, visando a esclarecer qual o efetivo valor de PIS, em cada código de retenção, a ser considerado para o período de apuração de janeiro de 2004, bem como orientar o contribuinte a proceder às retificações que se fizessem necessárias, particularmente a DCTF. O resultado da diligência consta do relatório acostado às fls. 38/41, onde é informado que: a) o valor devido a titulo de PIS, para o mês de janeiro de 2004 é de R$ 3.125.183,23 referente à alíquota geral para o PIS não cumulativo, código 6912, após as deduções de Contribuição retida por órgão público e decorrente de exportação de produtos; e R$ 667.304,85 referente à alíquota diferenciada, código 6840; Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10768.720367/200718 Acórdão n.º 3301006.075 S3C3T1 Fl. 211 7 b) o contribuinte quitou por compensação parte do valor devido sob o código 6912, R$ 92.869,03, conforme declarado em DCTF retificadora (f Is. 32 e 43/44), restando o valor de R$ 3.032.314,20, sob este código; [...] No caso em tela, considerando que o sistema SINAL 07 registra o recolhimento do valor de R$ 3.681.192,62, sob o código 6912 (fl. 18); e que o valor apurado do débito, de acordo com a informação fiscal, é R$ 3.032.314,20, temse por configurado o pagamento a maior do valor de R$ 648.878,42 a titulo de PIS, código 6912, referente ao período de apuração de janeiro de 2004. Em face do exposto, proponho o reconhecimento parcial do direito creditório da interessada, no valor acima discriminado, para fins de homologação da Dcomp eletrônica n 41349.04893.050504.1.3.046536, fls. 04/08, até o limite do crédito reconhecido. Como acima se vê, os valores apurados pela fiscalização fizeram parte do Parecer Conclusivo nº 119/09, do qual a Recorrente tomou conhecimento, permitindolhe exercer sua contestação sem quaisquer prejuízos. Nesse ponto, cumpre acrescentar que, embora ciente do reconhecimento parcial de seu direito creditório, a Recorrente não contestou essa matéria em sua Manifestação de Inconformidade, limitandose, nesse recurso, a afirmar que a compensação visou tão somente o acerto no código de arrecadação utilizado no DARF, o que motivou a DRJ a considerar essa matéria não impugnada. Assim, não vislumbro o prejuízo na elaboração da Manifestação de Inconformidade alegado pela Recorrente, motivo pelo qual voto pela rejeição do recurso nesta parte. Por outro lado, entendo que a falta de contestação da matéria em primeira instância recursal não impede apreciação do novel questionamento agora em fase Recurso Voluntário por este Colegiado, em razão da busca pela verdade material na solução dos litígios administrativos, o que será feita no item a seguir. II — DAS DIVERGÊNCIAS ENTRE O RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA E APURAÇÃO REALIZADA PELA PETROBRÁS DISTRIBUIDORA Embora a Recorrente tenha, no item precedente, dedicado boa parte de seu Recurso Voluntário com a alegação de prejuízo à sua Manifestação de Inconformidade decorrente da falta de ciência do Resultado da Diligência Fiscal, nesta parte de seu recurso, e, portanto, após afirmar ter analisado o inteiro teor da mencionada diligência, alega que a cobrança não tem relação com a diferença apontada no levantamento da base de cálculo da contribuição devida apurada no procedimento fiscal, conforme tabela anexa à fl. 175. Segundo afirma: O principal valor da diferença referese ao saldo da conta 3401000007 Aprop. Mútuo Absorvível Produto BR que não é tributada pela Cia por se tratar de conta transitória utilizada apenas para ajustes do valor dos saldos dos contratos de mútuo realizada pela Cia e seus clientes, não tendo cunho de receita e devendo ser analisada em conjunto com a conta 3401000009 — Contratos Mútuos. Produtos — Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10768.720367/200718 Acórdão n.º 3301006.075 S3C3T1 Fl. 212 8 Absorvidos, onde são efetivamente alocadas as despesas relativas à estes contratos. O saldo desta conta acaba por ser credor devido ao lançamento de transferência do saldo para a conta efetiva. Ratifica, portanto, que o valor cobrado pela Receita referese à multa e juros calculados entre a data de vencimento do débito compensado e a data de transmissão da PER/DCOMP, ou seja, não tendo nenhuma relação com as divergências entre as apurações. Equivocase a Recorrente. O valor cobrado pela Receita, R$ 123.456,94 (exposto à fl. 164), resultante da homologação parcial do PER/DCOMP destes autos, em parte, sim, referese a multa e juros decorrentes da transmissão a destempo do PER/DCOMP, mas, em outra parte, também à redução do crédito pleiteado, de R$ 667.304,85 para R$ 648.878,42. Assim, se o crédito inicialmente pleiteado era R$ 667.304,85, o seu reconhecimento parcial pela unidade de origem, em R$ 648.878,42, resultará em saldo de débito não amortizado pelo crédito a menor. E, esclareçase, o crédito somente foi reconhecido parcialmente, em R$ 648.878,42, porque a fiscalização, por intermédio de diligência, apurou o PIS não cumulativo (código de receita 6912), do período de apuração 01/2004, no valor de R$ 3.125.183,23, ou seja, em valor maior que o apurado pela Recorrente (R$ 3.106.756,80). Essa diferença de apuração do PIS, R$ 18.426,43 (R$ 3.125.183,23 R$ 3.106.756,80), repercutiu no correspondente pagamento que originou o direito creditório, pois, se antes o seu saldo seria R$ 667.304,85, após a apuração fiscal restou um valor a menor, de R$ 648.878,42, o qual foi reconhecido e usado na compensação destes autos. A seguir, planilha que demonstra o acima exposto. CONTRIBUINTE X FISCALIZAÇÃO CONTRIBUINTE (PIS JANEIRO/2004) CÓDIGO 6912 FISCALIZAÇÃO (PIS JANEIRO/2004) CÓDIGO 6912 DÉBITO APURADO 3.106.756,79 DÉBITO APURADO 3.125.183,23 CRÉDITOS VINCULADOS CRÉDITOS VINCULADOS Pagamento (3.013.887,77) Pagamento (3.032.314,20) Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior (92.869,03) Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior (92.869,03) SOMA DOS CRÉDITOS VINCULADOS (3.106.756,80) SOMA DOS CRÉDITOS VINCULADOS (3.125.183,23) SALDO A PAGAR 0,00 SALDO A PAGAR 0,00 Dados do DARF Dados do DARF Período de Apuração 31/01/2004 Período de Apuração 31/01/2004 Código do Tributo 6912 Código do Tributo 6912 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10768.720367/200718 Acórdão n.º 3301006.075 S3C3T1 Fl. 213 9 Vencimento 13/02/2004 Vencimento 13/02/2004 Valor do Principal 3.681.192,62 Valor do Principal 3.681.192,62 Valor Pago do Débito (3.013.887,77) Valor Pago do Débito (3.032.314,20) Saldo de Crédito 667.304,85 Saldo de Crédito 648.878,42 Portanto, o valor cobrado pela Receita, R$ 123.456,94, não resulta apenas de multa e juros sobre o débito compensado, como afirma a Recorrente, mas também do reconhecimento parcial do correspondente crédito pleiteado, de R$ 667.304,85 para R$ 648.878,42, em razão da apuração fiscal que, na análise do crédito, apurou o respectivo débito em R$ 3.125.183,23, maior que o informado pela Recorrente, R$ 3.106.756,80. Por entender que a cobrança se refere apenas a multa e juros de mora, esclarece a Recorrente que estes acréscimos não deveriam existir, pelas seguintes razões: a) efetuou recolhimento para o pagamento integral do PIS de Janeiro de 2004, pago em Fevereiro de 2004 dentro do prazo legal de apuração. Todavia, percebeu que o código de receita havia sido equivocadamente lançado no DARF gerado. A inconsistência do código do DARF teve como motivo a publicação da Lei 10.637/2002 que inovou trazendo a nãocumulatividade do PIS e, do Ato Declaratório Executivo Corat n° 26/2003, com acréscimo de novo código. b) para sanar o erro material (código de receita), ajustou a DIPJ de 2005, anocalendário 2004, tendo em vista que esta continha apuração dessa contribuição, mediante a geração de PER/DCOMP, pois não mais era possível a adequação por REDARF, conforme art. 10 da Instrução Normativa nº 403, de 2004; e c) em. sede de diligência decorrente da manifestação de inconformidade, o Auditor da RFB não considerou o fato do recolhimento tempestivo efetuado pela Recorrente. Por outro lado, o mesmo identificou saldo creditório do contribuinte, tanto que homologou parcialmente as compensações efetuadas. Assim, a parcela cobrada referese à aplicação de multa e juros sobre a compensação efetuada. No entanto, sendo o crédito e débito efetuado no mesmo período, entende que esta cobrança é indevida, uma vez que o valor contempla multa e juros calculados entre a data de vencimento e a data da transmissão da DCOMP; Pelo que se extrai dos esclarecimentos prestados: A Recorrente pagou em apenas um DARF dois débitos: i) PIS não cumulativo, código de receita 6912, PA 01/2004; e ii) PIS combustíveis, código de receita 6824, PA 01/2004; O pagamento teve as seguintes características: período de apuração: 31/01/2004; código de receita 6912; data de vencimento: 13/02/2004, valor do principal: R$ 3.681.192,62, data de arrecadação 13/02/2004; Diante de vedação para REDARF com o intuito de desdobrar pagamentos, conforme art. 10 da IN SRF nº 403/2004, transmitiu PER/DCOMP para usar o excesso do pagamento no débito do código de receita 6824, no valor de R$ 667.304,85; Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10768.720367/200718 Acórdão n.º 3301006.075 S3C3T1 Fl. 214 10 O PER/DCOMP foi transmitido, em 05/05/2004, sendo o vencimento do débito a compensar em 13/02/2004; e Por se referirem o pagamento e o débito compensado ao mesmo período, entende que não deveria incidir os acréscimos moratórios no procedimento compensatório. Quanto ao caso sob análise, é notório que o aproveitamento do pagamento a maior de um débito para extinção de outro débito, ainda que do mesmo tributo, só se faz por compensação, incidindo, portanto, os acréscimos legais devidos na compensação após o vencimento do débito. Assim, agiu corretamente a Recorrente ao se valer de PER/DCOMP para amortizar o débito de PIS do código 6824. No entanto, como o PER/DCOMP foi transmitido após o vencimento do débito a compensar, são devidos os acréscimos moratórios, por força da legislação vigente à época, já reproduzida no voto condutor da decisão recorrida. Logo, improcede o entendimento da Recorrente de ausência de acréscimos moratórios sobre o débito compensado por PER/DCOMP apresentada após o prazo de vencimento do débito. III — DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA E A EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA Neste item, assevera a Recorrente ser o caso de aplicação do instituto da denúncia espontânea, conforme art. 138 do CTN, tendo a DCTF referente ao fato gerador do primeiro trimestre de 2004 sido transmitida em 14/05/2004 (dentro do prazo disposto no Art. 30 da IN SRF 395/2004 — vigente à época) e apresentação da DCÓMP em 05/05/2004, antes de qualquer procedimento fiscal, não cabe a cobrança da multa moratória pela RFB. Assistelhe razão quanto à aplicação ao presente caso do instituto da denúncia espontânea, mas não pela raciocínio acima exposto, e sim pelo seguinte: A matéria destes autos concerne à aplicação do instituto da denúncia espontânea, estabelecido no art. 138, do Código Tributário Nacional, notadamente quanto a tributo sujeito a lançamento por homologação e declaração em DCTF. Tal assunto já se encontra pacificado no STJ à luz do que restou decido no REsp nº 1.149.022, julgado em 09/06/2010, sob a sistemática de recurso repetitivo, e na Súmula 360, de 27 de agosto de 2008, a saber: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10768.720367/200718 Acórdão n.º 3301006.075 S3C3T1 Fl. 215 11 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10768.720367/200718 Acórdão n.º 3301006.075 S3C3T1 Fl. 216 12 punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) *** Súmula 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. (Súmula 360, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/08/2008, DJe 08/09/2008) *** Ressaltese que o entendimento do STJ no REsp nº 1.149.022 deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Art. 62 [...]§2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, inferese da decisão e da súmula supra citadas que o benefício da denúncia espontânea será aplicado aos casos em que não houver declaração do débito (ou em que houver declaração a menor) e o contribuinte realiza o pagamento integral (ou da diferença não declarada) antes de qualquer procedimento fiscal. Ou seja, o contribuinte primeiro recolhe os débitos e, posteriormente, declaraos em DCTF. No presente caso, a Recorrente inicialmente transmitiu sua DCTF original do 1º Trimestre de 2004 sem quaisquer valores a título de PIS declarados, conforme extrato à fl. 16 e atestado pela repartição de origem por meio do Despacho à fl. 20, datado de 13/12/2007. Ou seja, até essa data, 13/12/2007, está provado nos presentes autos que a Recorrente não havia confessado o débito em questão. Somente em 30/01/2008, quando da transmissão de sua DCTF retificadora promoveu a declaração dos valores, tanto daquele relativo ao código de receita 6912 (R$ 3.106.756,80) quanto do relativo ao código 6824 (R$ 667.304,85), conforme extratos às fls. 3133. Como a transmissão do PER/DCOMP ocorreu em 05/05/2004 e antes de qualquer procedimento fiscal, aplicável a denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN. Ressalto aqui meu entendimento de que são equivalentes o recolhimento por meio de DARF e a compensação por meio de DCOMP para o efeito de configuração da denúncia espontânea, na forma preconizada acima. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10768.720367/200718 Acórdão n.º 3301006.075 S3C3T1 Fl. 217 13 Portanto, acato o Recurso Voluntário quanto ao reconhecimento à contribuinte da aplicação da denúncia espontânea, cujo efeito é o de afastar a exigência da multa de mora sobre o débito objeto do PER/DCOMP 41349.04893.050504.1.3.046536. IV DA COBRANÇA DOS JUROS DE MORA A Recorrente entende que não há o que se falar de cobrança de juros de mora, uma vez que a atualização é feita tanto para o débito quanto para o crédito, sendo ambos os valores referentes ao mesmo período, janeiro/2004. Quanto a este ponto, remeto a análise à conclusão do item II acima: "... como o PER/DCOMP foi transmitido após o vencimento do débito a compensar, são devidos os acréscimos moratórios, por força da legislação vigente à época, já reproduzida no voto condutor da decisão recorrida". Esclareço que a conclusão do parágrafo precedente é regra geral, pois no presente caso é de ser aplicada a denúncia espontânea para afastar a multa de mora. V DA DECISÃO Aqui, a Recorrente manifesta sua não concordância com a homologação parcial da declaração de compensação, pois entender que toda a documentação comprobatória e os argumentos utilizados relatados em diversos itens acima, comprovam que o cálculo, formas de compensação (PER/DCOMP) e o recolhimento do imposto forma feitos estritamente dentro da lei. Por tais razões, impõese o provimento do recurso. Não vejo o que possa ser analisado, já que neste item a Recorrente faz apenas considerações gerais sobre a regularidade de sua conduta, fazendo remissão aos demais itens quanto à comprovação de como assim procedeu. Portanto, como o recurso está sendo analisado item a item, não há o que neste mencionar. VI — DO PEDIDO A parte final do recurso da Recorrente está assim elaborado: 21. Requerse, de início, o recebimento do presente Recurso Voluntário com efeito suspensivo, haja vista a norma contida no art. 77, § 5° da Instrução Normativa SRF n° 1.300/12, de modo que o crédito tributário materializado neste Processo Administrativo seja novamente analisado e posteriormente extinto o pleito da RFB. 22. A despeito da formalidade cabe, em última análise, ao CARF corrigir a distorção de cobrança de multa e juros de mora quando a obrigação tributária principal foi satisfeita no tempo devido. Tendo a DCOMP sendo transmitida antes da confissão de dívida, realizada através da DCTF. 23 Requerse então a exclusão da multa de mora cobrada pela Receita em virtude da extinção do crédito tributário, feito através de compensação, ter sido realizado dentro do prazo legal, antes da DCTF, cabendo assim o instituto da Denuncia espontânea, conforme Art. 138 do Código Tributário Nacional. 24. Requerse ainda a exclusão da cobrança dos juros moratórias em virtude do pagamento a maior e o débito compensado serem do mesmo período de apuração, Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10768.720367/200718 Acórdão n.º 3301006.075 S3C3T1 Fl. 218 14 sendo então os juros compensatórios e os juros moratórios de igual valor, conforme apontado nos itens 12 a 14 do presente recurso. 25. É pelo exposto que acredita e pugna pelo adequado equacionamento dessa Exma. Câmara pelo cancelamento da cobrança, caso verifique nos presentes autos a verdade material narrada; ou, alternativamente, que determine nova conversão de julgamento em diligência para fins de apuração dos seguintes fatos: 25.1 A extinção do crédito tributário, por compensação, foi realizada antes da confissão de dívida, realizada através de DCTF, cabendo então o instituto da denúncia espontânea, elidindo assim qualquer multa moratória sobre o débito? 25.2 O recolhimento da receita tributária paga a maior, a despeito do código de DARF, foi pago dentro do prazo legal, e a compensação foi efetuada para débito do mesmo período de apuração, elidindo a incidência de qualquer sorte de incremento de juros de mora? Percebese que, dentre os pedidos que constam deste item, restou analisar apenas o pedido alternativo para conversão do julgamento em diligência, para fins de apuração da denúncia espontânea e para confirmar ou não a incidência dos juros de mora na compensação. Notase, porém, a desnecessidade da diligência solicitadas, eis que os pontos a serem esclarecidos pela Recorrente encontramse devidamente analisados nesta decisão, porquanto estão presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários para a adequada solução da lide. Assim, considero prescindível o pedido de diligência. Diante de todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer à contribuinte a aplicação da denúncia espontânea, cujo efeito é o de afastar a exigência da multa de mora sobre o débito objeto do PER/DCOMP 41349.04893.050504.1.3.046536. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15758.000004/2011-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA
Havendo a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, deve ser aplicada a multa qualificada. No caso em tela é o que se verifica da conduta do réu que agiu deliberadamente com evidente intuito de fraude para fins de obter vantagens indevidas.
Numero da decisão: 9202-007.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA Havendo a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, deve ser aplicada a multa qualificada. No caso em tela é o que se verifica da conduta do réu que agiu deliberadamente com evidente intuito de fraude para fins de obter vantagens indevidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 00 04 /2 01 1- 73 Fl. 196DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2802001.322, proferido pela 2ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração de fls. 70/86, lavrado em 04/01/2011, com lançamento de imposto de renda da pessoa física relativo aos exercícios / anoscalendário 2007/2006, 2008/2007 e 2009/2008, no valor total de R$ 70.963,70, incluídos multa proporcional e juros de mora calculados até 30/12/2010. O lançamento decorreu da constatação de redução da base de cálculo do imposto de renda mediante dedução indevida de contribuições para previdência social oficial e para previdência privada, despesas médicas e pensão alimentícia, bem como redução do valor do imposto devido mediante dedução indevida de contribuição patronal paga à Previdência Social pelo empregador doméstico. Segundo a autoridade fiscal, o interessado não comprovou a totalidade das despesas utilizadas para redução da base de cálculo do tributo nos exercícios 2007 e 2009, conforme explicitado às fls. 71/73 e que, devido a “utilização de falsa declaração em relação às despesas declaradas sem comprovação dos serviços, nem apresentação de documentação hábil, e de forma continuada pelo fiscalizado", justificouse a aplicação da multa de ofício qualificada e elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 90/97. A DRJ/SDR, às fls. 127/131, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 135/138. A 2ª Turma Especial de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 146/152, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a multa qualificada. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 Ementa: IRPF. MULTA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. É do sujeito passivo a responsabilidade pelas informações prestadas em suas Declarações de Ajuste Anual, ainda que venha a comprovar que contratou terceiro para elaborar e transmitir referidas declarações. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 15758.000004/201173 Acórdão n.º 9202007.738 CSRFT2 Fl. 10 3 IRPF. MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a multa qualificada, a autoridade lançadora deve trazer aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4,502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. Recurso Voluntário parcialmente provido Às fls. 154/162, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: IRPF Penalidades/Multa de Ofício Qualificada Desqualificação. Alega a Fazenda que, como se referem a períodos de apuração seguidos, as infrações apuradas decorrem de prática reiterada, conforme anotado no relatório fiscal. Tratase, assim, de típico caso de dolo reiterado, caracterizado pela prática do mesmo ilícito por seguidas vezes, no sentido de burlar o legítimo pagamento do tributo, por meio da conduta de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, pela autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Apresenta se sem qualquer mácula a majoração da multa qualificada imposta ao contribuinte, considerando se todo o corpo probatório e indiciário que instrui os presentes autos, bem demonstrando a materialidade da conduta dolosa do sujeito passivo. Contudo, o colegiado a quo entendeu pela desqualificação da multa. O acórdão paradigma entendeu que a conduta reiterada conduz automaticamente às situações legais de qualificação da multa e foi claro, em caso análogo ao presente, em manter a multa de 150%, uma vez constatado o evidente intuito de fraude, em hipótese, igualmente, de prática reiterada do ilícito tributário. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 182/185, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: IRPF Penalidades/Multa de Ofício Qualificada Desqualificação. Cientificado à fl. 191, o Contribuinte permaneceu inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Fl. 198DF CARF MF 4 Tratase de Auto de Infração de fls. 70/86, lavrado em 04/01/2011, com lançamento de imposto de renda da pessoa física relativo aos exercícios / anoscalendário 2007/2006, 2008/2007 e 2009/2008, no valor total de R$ 70.963,70, incluídos multa proporcional e juros de mora calculados até 30/12/2010. O lançamento decorreu da constatação de redução da base de cálculo do imposto de renda mediante dedução indevida de contribuições para previdência social oficial e para previdência privada, despesas médicas e pensão alimentícia, bem como redução do valor do imposto devido mediante dedução indevida de contribuição patronal paga à Previdência Social pelo empregador doméstico. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: IRPF Penalidades/Multa de Ofício Qualificada Desqualificação. O voto vencedor que prevaleceu no acórdão recorrido considerou que o Contribuinte logrou êxito em se eximir da qualificadora sob o argumento de que não tinha conhecimento das informações constantes de sua declaração as quais foram transmitidas pelo Contador contratado. Observo que o caso trata da constatação de redução da base de cálculo mediante dedução indevida de contribuições para previdência social oficial e para previdência privada, despesas médicas e pensão alimentícia, bem como redução do valor do imposto devido mediante dedução indevida de contribuição patronal paga à Previdência Social pelo empregador doméstico – todas glosas que restaram mantidas nos autos. O acórdão cita que no relatório fiscal o auditor fiscal ressaltava: A autoridade fiscal relatou que, na fase de fiscalização, o contribuinte informou desconhecer deduções efetuadas a título de despesas médicas, com instrução, previdência privada etc, cujos serviços não foram prestados nem foram desembolsados os referidos valores (fls. 25). A qualificação da multa e a formulação de Representação Fiscal para Fins Penais decorreu da "(...) utilização de falsa declaração em relação às despesas declaradas sem comprovação dos serviços, nem apresentação de documentação hábil, e de forma continuada pelo fiscalizado (...)", conforme descrito às fls. 71/73. Segundo a autoridade fiscal, o interessado não comprovou a totalidade das despesas utilizadas para redução da base de cálculo do tributo nos exercícios 2007 e 2009, conforme explicitado às fls. 71/73 e que, devido a “utilização de falsa declaração em relação às despesas declaradas sem comprovação dos serviços, nem apresentação de documentação hábil, e de forma continuada pelo fiscalizado", justificouse a aplicação da multa de ofício qualificada e elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais. Não há dúvidas de que a multa é um tipo de penalidade. É sanção imposta ao autor de um ato ilícito, consistente na agressão a um bem jurídico tutelado pelo Estado. Deste modo, temse que as multas fiscais, a despeito sanções, medidas repressivas a uma conduta reprovável, isto é, o não recolhimento de tributos. Tais multas, têm nítido escopo de impor castigo e repreensão ao devedor e, também, um evidente caráter pedagógico e inibitório do não pagamento dos tributos. Nesta medida, a qualificação de multas, por representar não só uma sanção ao descumprimento do dever de pagar o tributo, mas também uma repressão a uma Fl. 199DF CARF MF Processo nº 15758.000004/201173 Acórdão n.º 9202007.738 CSRFT2 Fl. 11 5 conduta fraudulenta, com intuito claramente penal, não pode ser aplicada livremente pelo fisco, pois este deverá motivar a efetiva e clara conduta reiterada do Contribuinte. Ou seja, entendeu a autoridade lançadora que o contribuinte prestou informações ao fisco, em sua Declaração de Ajuste Anual e em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda, e que mesmo tendo lhe sido ofertado prazo para correção e defesa não logrou êxito em comprovar a inexistência do crédito em favor da Receita Federal. Todavia, tendo havido a imputação do débito e realizada a defesa por parte do contribuinte cabe a autoridade lançadora considerar ou desconsiderar os dados e provas apresentadas (matéria de prova), e desconsiderandoas constituir o lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de omissão de rendimentos, o que para o relator a quo, que eu concordo, caracteriza irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento de ofício normal de 75%, já que a irregularidade apontada jamais seria motivo para qualificação da multa, já que ausente conduta material bastante para a sua caracterização, sem se levar em conta que o presente lançamento foi efetuado por presunção de omissão de rendimentos (depósitos bancários não justificados). Ou seja, o suplicante não conseguiu provar que os recursos depositados/movimentados já foram tributados ou que não eram tributáveis, razão pela qual a autoridade fiscal, por dever de oficio, deve desconsiderar as alegações apresentadas e não considerálos como depósitos bancários com origem justificada e adicionálos a base de cálculo tributável no anocalendário questionado. Já a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, respeitando assim o princípio da legalidade e a vontade do legislador. Uma vez que a literalidade do dispositivo legal ressaltou expressamente que para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Para tanto, se faz necessário sempre ter em mente o princípio de direito de que a “fraude não se presume”, devem existir, sempre, dentro do processo, provas evidentes do intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultála. Pensar diferente levaria a ideia de que toda omissão de rendimentos, ou que a simples reiteração em anos subsequentes seriam caso de aplicação de multa qualificada, e se assim fosse, o próprio dispositivo legal deveria trazer essa previsão, contudo não o fez, justamente por que a simples realização da conduta “omissão de rendimentos” não caracteriza o intuito de fraudar. Fl. 200DF CARF MF 6 A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática identificada de omissão de rendimentos por presunção legal, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro (“laranja”), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. E aqui peço vênia para me utilizar dos exemplos utilizados pelo relator do Acórdão 210201.296, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, o qual exemplifica que "não se pode reconhecer na simples omissão de rendimentos, a exemplo de omissão no registro de compras, omissão no registro de vendas, passivo fictício, passivo não comprovado, saldo credor de caixa, suprimento de numerário não comprovado, acréscimo patrimonial a descoberto ou créditos bancários cuja origem não foi comprovada, tratarse de rendimentos já tributadas ou não tributáveis, embora clara a sua tributação, que justifique a imposição de multa qualificada". Isso ocorre por uma resposta muito simples. É porque existe a presunção de omissão de rendimentos, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar. O motivo da falta de tributação é diverso. Pode ter sido, omissão proposital, equívoco, lapso, negligência, e até mesmo desorganização, etc. Se a premissa da autoridade fiscal lançadora fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de rendimentos; a exemplo da simples declaração inexata de rendimentos; da classificação indevida de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; da falta de inclusão de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, da inclusão indevida de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, da simples glosa de despesas por falta de comprovação ou da falta de declaração de algum rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de renda, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, depósitos bancários não justificados, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa de despesas, etc. Assim, tomando como base os dispositivos legais atinentes a fraude fiscal, tenho que salientar que foi escorreito o acórdão recorrido ao citar que seu conceito esta delineado na leitura conjunta da Lei 4.502/64 nos arts 71,72 e 73, Lei 9430/96 em seu artigo 44, e Decreto 3000/99, art. 957. Disso se depreende que juridicamente, entendese por máfé todo o ato praticado com o conhecimento da maldade ou do mal que nele se contém. É a certeza do engano, do vício, da fraude. O intuito de fraudar referido não é todo e qualquer intuito, tão somente por ser intuito, e mesmo intuito de fraudar, mas há que ser intuito de fraudar que seja evidente, pois, quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 15758.000004/201173 Acórdão n.º 9202007.738 CSRFT2 Fl. 12 7 Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. Considero que o intuito de fraude aparece de forma clarividente em casos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. Na hipótese dos autos, observase que o Contribuinte teve mantidas as glosas em razão de que não houve mero engano no preenchimento da declaração, quanto menos dúvida razoável a respeito da aplicação da legislação. O que houve foi a evidente declaração de dados que não lhe pertenciam, tais quais: dedução indevida de contribuições para previdência social oficial e para previdência privada, despesas médicas e pensão alimentícia, bem como redução do valor do imposto devido mediante dedução indevida de contribuição patronal paga à Previdência Social pelo empregador doméstico A alegação de que elas foram inseridas por um terceiro, qual seja o contador, aponta para responsabilidade do contribuinte que delegou a outrem o poder de agir em seu nome e foram inclusas deduções de despesas nunca desembolsadas pelo Contribuinte. E na análise das mesmas verificase um reiterado intuito do Contribuinte em obter vantagens indevidas e o fez por meio de informações falsas. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 202DF CARF MF
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Numero do processo: 13894.000823/2002-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999
DIREITO CREDITÓRIO INTEGRALMENTE RECONHECIDO. COMPENSAÇÕES INTEGRALMENTE HOMOLOGADAS. FALTA DE INTERESSE RECURSAL.
Inexistindo pretensão resistida, deve ser negado conhecimento ao recurso voluntário, mormente se este não veicula qualquer argumento contra a decisão recorrida e os procedimentos dela decorrentes.
Numero da decisão: 1402-003.861
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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COMPENSAÇÕES INTEGRALMENTE HOMOLOGADAS. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. Inexistindo pretensão resistida, deve ser negado conhecimento ao recurso voluntário, mormente se este não veicula qualquer argumento contra a decisão recorrida e os procedimentos dela decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Relatório PUBLICIDADE EXIBIDORA S/C LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária DCOMP - Saldo Negativo - IRPJ DCOMP - Saldo Negativo - IRPJ PUBLICIDADE EXIBIDORA S/C LTDA PUBLICIDADE EXIBIDORA S/C LTDA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 489DF CARF MF Processo nº 13894.000823/2002-30 Acórdão n.º 1402-003.861 S1-C4T2 Fl. 3 2 Campinas/SP que, por unanimidade de votos, reconheceu o direito creditório em litígio e homologou as compensações até o limite do direito creditório reconhecido e atualizado. A contribuinte apresentou pedido de restituição no valor original de R$ 65.495,71, associado a pedidos de compensação entregues de 18/03/2002 a 13/09/2002 e a declarações de compensação - DCOMP autuadas em processos apensos, todos correspondentes a recolhimentos e retenções de imposto de renda na fonte verificados no ano-calendário 1999. No despacho decisório às e-fls. 289/292, o pedido de restituição foi tratado como saldo negativo de IRPJ no ano-calendário 1999 e, validando retenções no montante de R$ 11.420,90, confrontadas com o IRPJ devido de R$ 1.707,03, a autoridade fiscal reconheceu ao sujeito passivo direito creditório de R$ 9.713,87. Cientificado em 30/01/2007, a contribuinte manifestou sua inconformidade, afirmando a existência de antecipações no valor total de R$ 67.202,74 e pleiteando a revisão do despacho decisório. A DRJ/Campinas restituiu os autos à Unidade de origem para que fosse implementada a compensação do direito creditório reconhecido, procedimento que evidenciou sua insuficiência para liquidação dos débitos informados em parte dos pedidos de compensação. Os autos retornaram à DRF/Campinas que, preliminarmente, observou a inexistência de qualquer decisão proferida pela autoridade administrativa nos oito processos em que a contribuinte vincula compensações de débitos ao crédito pleiteado nos presentes autos, afirmando a impropriedade da juntada promovida pela autoridade local. Na sequência, anotou a conversão dos pedidos de compensação em DCOMP e, revendo o despacho decisório, admitiu a dedução das retenções recolhidas pela contribuinte, na condição de agência de publicidade, confirmando o oferecimento dos correspondentes rendimentos à tributação, assim apurando saldo negativo de R$ 70.181,64, que foi reconhecido ao sujeito passivo até o limite do valor pleiteado (R$ 65.495,71). Em consequência, a decisão de 1ª instância complementou o direito creditório reconhecido no despacho decisório em R$ 55.781,84. Consta do acórdão recorrido, ainda, que a contribuinte deduziu saldo negativo do mesmo período, mas no montante de R$ 76.209,06, em DCOMP apresentadas de 16/09/2003 a 13/07/2005, objeto de despacho decisório de não-homologação no processo apenso nº 10875.901301/2006-11, dada a divergência entre o saldo negativo informado em DCOMP e em DIPJ. Além de decidir o litígio constituído naqueles autos, a autoridade julgadora consignou que o direito creditório reconhecido nestes autos deveria ser imputado aos débitos constantes no extrato do presente processo no sistema PROFISC, assim como às demais compensações já formalizadas, inclusive no processo administrativo nº 10875.901301/2006-11. A imputação do crédito reconhecido aos débitos está demonstrada às e-fls. 441/455, dela decorrendo a liquidação de todos os débitos controlados nestes autos, e objeto dos pedidos de compensação (e-fls. 458/461), bem como dos débitos controlados nos processos apensados nº 10875.005663/2002-55, 10875.005681/2002-37, 13894.001927/2002-61, 13894.001928/2002-14, 13894.001929/2002-51, 13894.001962/2002-81, 13894.001999/2002- 17 e 13894.002047/2002-11. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 13894.000823/2002-30 Acórdão n.º 1402-003.861 S1-C4T2 Fl. 4 3 Cientificada da decisão de primeira instância em 10/08/2010 (e-fl. 470), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 30/08/2010 (e-fls. 472), nos seguintes termos: PUBLICIDADE EXIBIDORA LTDA, com sede e estabelecimento na Av. Dom Pedro II, 1634 "A 9 , Centro, CEP.08550-000, Município de Poá, Estado de São Paulo, inscrita no CNPJ sob n°. 59.651.08310001-21, por seu representante legal, não concorda com a notificação recebida referente ao julgamento dos processos acima mencionados, vem, respeitosamente, no prazo legal, apresentar nossa contestação a decisão deste órgão a nós apresentado. CONTESTAÇAO Baseado em todos os argumentos e documentos anexos aos processos mencionados na presente notificação, não concordamos com o resultado do julgamento proferido a nossos manifestos de inconformidade anteriormente protocolados. Diante das provas anexas aos processos, não concordamos também com a condenação em que nossa empresa notificada e intimada a recolher os valores constantes nos documentos de arrecadação anexos. Diante do exposto, solicitamos nova revisão ao julgamento aos processos já mencionados. Registre-se que no processo apenso nº 10875.901301/2006-11 há litígio autônomo, contestado por meio do mesmo recurso voluntário juntado a estes autos, e que assim será objeto de outro acórdão. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa - Relatora Constata-se que nestes autos houve reconhecimento integral do direito creditório, e sua imputação aos débitos compensados nestes autos e nos processos apensados nº 10875.005663/2002-55, 10875.005681/2002-37, 13894.001927/2002-61, 13894.001928/2002- 14, 13894.001929/2002-51, 13894.001962/2002-81, 13894.001999/2002-17 e 13894.002047/2002-11 resultou na extinção total dos débitos compensados. Logo, inexiste pretensão resistida nestes autos e, ademais, o recurso voluntário não veicula qualquer argumento específico contra a decisão recorrida e os procedimentos dela decorrentes. Assim, deve ser NEGADO CONHECIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 491DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901127/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Presidente em Exercício
(assinado digiltamente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator
(assinado digiltamente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
RELATÓRIO
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Presidente em Exercício (assinado digiltamente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator (assinado digiltamente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva. RELATÓRIO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA – Presidente em Exercício (assinado digiltamente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digiltamente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva. RELATÓRIO Por bem ralatar os fatos do Processo Administrativo Fiscal, transcrevo o relatório da DRJ: (...) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 01 12 7/ 20 13 -1 6Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 10983.901127/201316 Resolução nº 3201001.964 S3C2T1 Fl. 1.702 2 Tratase de Pedido de Ressarcimento eletrônico (PER no 32476.81523.260712.1.5.080460) pelo qual a contribuinte pretendeu o reconhecimento de direito creditório relativo ao PIS vinculado à receitas de exportação apurado no 2o trimestre de 2011. no valor de R$ 4.977.575,24. Ao direito creditório pleiteado a contribuinte vinculou Declarações de Compensação (Dcomp). A DRF de origem proferiu Despacho Decisório deferindo parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 165.953,54, homologando parcialmente as compensações declaradas até esse limite (efls. 1.463/1.464). Conforme Termo de Informação Fiscal acostada aos autos (TIF e fls.1.294/1.353), as razões do deferimento parcial do crédito, consistem, fundamentalmente, em: (i) glosa de créditos não comprovados; (ii) glosa de créditos relativos a: bens e serviços utilizados como insumos; bens cujas aquisições não são sujeitas a tributação (alíquota zero e suspensão); bens adquiridos de pessoas físicas; (iii) fretes e despesas de armazenagem; (iv) devoluções de vendas. Consignouse ainda que houve instauração de procedimento fiscal para apurar a regularidade de pedidos de ressarcimento de créditos de PIS/Cofins relativos aos 2o e 4o trimestres de 2010, 1o a 4o trimestres de 2011 e de 2012. Cientificada do Despacho Decisório em 12/04/2017 (efls. 1.471), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 12/05/2017 (efls. 1.355/1.404), requerendo, em síntese e fundamentalmente, a nulidade da decisão tendo em vista inconsistências nas planilhas de cálculo em que a fundamentaram, e o reconhecimento integral do direito de crédito pleiteado. As razões do deferimento parcial dos créditos explicitadas pela auditoria fiscal e as respectivas razões de defesa apresentadas pela contribuinte serão detalhadas no V oto. Seguindo a marcha processual normal, foi proferido acórdão pela DRJ que assim restou ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 10983.901127/201316 Resolução nº 3201001.964 S3C2T1 Fl. 1.703 3 Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto no 70.235, de 1972. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de diligência/perícia quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade e quando todos os elementos dos autos são suficientes a formação da convicção do julgador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não gera créditos a aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero ou não tributados. com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; APURAÇÃO NÃO CUMULA TIV A. CRÉDITOS PRESUMIDOS. REGULAÇÃO. A partir de 01/01/2011 o crédito presumido que pode ser aproveitado pelas pessoas jurídicas fabricantes dos produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, e pelas pessoas jurídicas que adquiram esses mesmos produtos para industrialização ou venda a varejo é aquele regulado pela Lei no 12.350, de 2010 e Instrução Normativa RFB no 1.157, de 2011, não mais se aplicando as disposições do art. 8o e 9o da Lei no 10.925, de 2004. APURAÇÃO NÃO CUMULA TIV A. CRÉDITOS. FRETE. ARMAZENAGEM. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete e de armazenagem, somente dará direito à apuração de crédito aquelas despesas relacionadas a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda e nem se referirem à operação de Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 10983.901127/201316 Resolução nº 3201001.964 S3C2T1 Fl. 1.704 4 venda de mercadorias, as despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados das contribuições para o PIS e a Cofins. Também não geram créditos da não cumulatividade os fretes incorridos na compra de bens não considerados como insumos. Dispêndios diversos efetuados para manter as mercadorias mais próximas ao porto ou mesmo no porto para aguardar a efetivação da venda/exportação, muito embora possam ser indispensáveis pelas características das mercadorias, não se caracterizam como armazenagem em efetiva operação de venda. Inconformado com o respectivo julgado a Contribuinte pede reforma repisando os termos da Manifestação de Inconformidade no seguinte sentido: (i) Divergência entre os valores apresentados em DACON e as memórias de cálculo apresentadas à Fiscalização. Os valores não demonstrados nos memoriais de cálculo foram glosados. (ii) Bens e serviços utilizados como insumos (combustíveis e lubrificantes, produtos utilizados na movimentação e armazenagem de carga, produtos utilizados no sistema de refrigeração/aquecimento, serviços prestados, produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho, serviços de despachante, monitoramento e movimentação de material interno); (iii) Bens adquiridos com alíquota zero; (iv) Produtos adquiridos de pessoa física; (v) Insumos adquiridos com suspensão; (vi) Crédito presumido da Agroindústria; (vii) Serviços de frete; (viii) Despesas com armazenagem; (ix) Devolução de vendas sujeitas às alíquotas de 7,6%. É o relatório. VOTO Conselheiro LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR O Recurso Voluntário é tempestivo. Inicialmente é de trazer a baila que tratase de Pedido de Ressarcimento eletrônico, no qual, obtendo glosas de crédito relativo a bensa e serviços utilizados como insumos. Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 10983.901127/201316 Resolução nº 3201001.964 S3C2T1 Fl. 1.705 5 Ressaltase que com o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça este CARF, passou adotar o posicionamento conforme abaixo ementado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Nessa sentido, este Conselho vem adotando o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, contudo, sendo necessário analisar o processo produtivo. Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 10983.901127/201316 Resolução nº 3201001.964 S3C2T1 Fl. 1.706 6 Compulsando os autos, não é compreensível o processo produtivo do Contribuinte, uma vez, que não ficou evidenciando pela Fiscalização e nem pelos argumento do Contribuinte. Na resolução de no. 3201 000.569, de Relatoria do Conselheiro Winderley Morais Pereira, o assunto foi enfrentado por essa Turma, envolvendo o mesmo Contribuinte: Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração da COFINS não cumulativa; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída tais verificações, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 10983.901127/201316 Resolução nº 3201001.964 S3C2T1 Fl. 1.707 7 Ademais, à Fiscalização deverá observar os critérios estabelecidos REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018 e Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digitalmente) Fl. 1706DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.722042/2017-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE
Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
Numero da decisão: 2002-001.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 20 42 /2 01 7- 51 Fl. 49DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 02 a 07), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação por suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação na Justiça Federal e dedução indevida de previdência oficial. Tal infrações geraram lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 9.876,27, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 08 a 14 dos autos, que conforme decisão da DRJ, o contribuinte alega que: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, exercício 2014, anocalendário 2015, referente ao lançamento das infrações de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, Decorrentes de Ação Judicial no valor de R$ 27.273,61 e Dedução Indevida de Previdência Oficial no valor de R$ 12.255,93. Em sua impugnação a defesa alega, em síntese, que comprova que é portador de moléstia grave. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/FOR que, por unanimidade, em 09/04/2018, no acórdão 0842.512, às efls. 29 a 35, julgou a impugnação parcialmente procedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 21/05/2018, apresentou recurso voluntário, às efls. 43 a 45, no qual alega, em resumo, que é portador de moléstia grave. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 16/05/2018, efls. 40 , e interpôs o presente Recurso Voluntário em 21/05/2018, efls. 43, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10073.722042/201751 Acórdão n.º 2002001.016 S2C0T2 Fl. 42 3 Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação na Justiça Federal e dedução indevida de previdência oficial. A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, nos seguintes termos: O contribuinte anexou o laudo médico pericial emitido pelo INSS, datado de 2017, fl. 13, onde consta que o mesmo foi considerado como portador de doença especificada em lei, neoplasia maligna, com início em 04/2013. Consta ainda que o mesmo é aposentado por invalidez desde de 1998. Contudo, o contribuinte não apresentou nenhum documento referente ao rendimento recebido de ação judicial, através da Caixa Econômica Federal. (...) Em análise aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, verificouse que na DIRF entregue pelo Fundo do Regime Geral de Previdência, consta a dedução com previdência oficial no valor de R$ 12.255,93. Dessa forma, merece reparo o feito fiscal. Assim, a decisão de piso manteve a autuação quanto a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação judicial, vez que o contribuinte não comprovou a origem dos valores. Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia Fl. 51DF CARF MF 4 grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10073.722042/201751 Acórdão n.º 2002001.016 S2C0T2 Fl. 43 5 PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) A matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Não se questiona os laudos juntados pelo contribuinte constatando sua condição de portador de moléstia grave. Contudo, como mencionado alhures, além de laudo oficial, o contribuinte deve comprovar a origem de seus rendimentos, vez que aplicase a isenção apenas quanto aos proventos oriundos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Como o contribuinte não fez prova da origem dos rendimentos recebidos acumuladamente, mantenho a decisão de piso. Desta forma, conheço do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 53DF CARF MF 6 Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.722440/2011-32
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO.
O termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN na hipótese de pagamento antecipado do tributo e ausência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. Caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no Processo Administrativo Fiscal.
Numero da decisão: 2002-000.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN na hipótese de pagamento antecipado do tributo e ausência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. Caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no Processo Administrativo Fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN na hipótese de pagamento antecipado do tributo e ausência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. Caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no Processo Administrativo Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 24 40 /2 01 1- 32 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10825.722440/201132 Acórdão n.º 2002000.970 S2C0T2 Fl. 49 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 13/18) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2009, onde se apurou a Dedução Indevida de Despesas Médicas de R$ 7.974,04 referente à CABESP. O contribuinte apresentou Impugnação parcial (efls. 02/03), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 25): Cientificado da exigência em 24/11/2011 (fl. 19), o contribuinte apresentou, em 23/12/2011, impugnação acostada às fls. 2/3, em que discorda de parte da glosa efetuada (R$ 3.862,48), sob a alegação de que se trata de despesa própria e de sua esposa. Por fim, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. A Impugnação foi julgada improcedente pela 6ª Turma da DRJ/BSB em decisão assim ementada (efls. 24/28): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DESPESA MÉDICA (PARCIAL). Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa efetuada quando a dedutibilidade dos valores informados na Declaração de Ajuste Anual não resta comprovada por documentação hábil e idônea. Cientificado do acórdão de primeira instância em 20/04/2015 (efls. 31/32), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 18/05/2015 (efls. 34/35) com a seguinte alegação: "Conforme indicado às fls. 30 da referida intimação, a data do vencimento do débito é 30/04/2009 com lapso temporal superior a 5 anos quando da constituição do crédito tributário que ocorreu na data do mencionado Acórdão, este julgado na Sessão de 07 de abril de 2015, portanto há de se afirmar sua prescrição." Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10825.722440/201132 Acórdão n.º 2002000.970 S2C0T2 Fl. 50 3 Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Ainda que se trate de questão não ventilada na Impugnação apresentada pelo contribuinte, cabe a este Colegiado apreciar a arguição de decadência apontada no Recurso Voluntário por se tratar de matéria de ordem pública. Cumpre esclarecer inicialmente que a constituição do crédito tributário se dá com a ciência do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, conforme disposto no art.142 do Código Tributário Nacional CTN, e não com o julgamento de primeira instância, tal como entende o recorrente. Adentrando ao exame da questão, impõese observar que, nos lançamentos por homologação, como é o caso do IRPF, o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário extinguese em 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, desde que tenha sido efetuado pagamento antecipado de parte do imposto e que não tenha sido comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Nas hipóteses de ausência de pagamento ou nos casos de dolo, fraude e simulação, a contagem do prazo quinquenal iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsto no art. 173, I, do CTN. É nesse sentido a decisão proferida no REsp nº 973.733/SC, julgado na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil CPC, cuja emenda encontrase parcialmente reproduzida a seguir: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10825.722440/201132 Acórdão n.º 2002000.970 S2C0T2 Fl. 51 4 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). No caso em tela, em que se examina o ano calendário 2008 e a ciência da Notificação de Lançamento foi realizada em 24/11/2011 (efls. 19), não há que se falar em decadência seja com base no art. 150 ou com base no art. 173, I, do CTN. Também não merece ser acolhida a prescrição suscitada pelo recorrente. De acordo com o art. 174, caput, do CTN, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos contados da data de sua constituição definitiva, ou seja, do momento em que a Fazenda Pública passa a ter o direito de exigir judicialmente do contribuinte a prestação tributária. Isto se dá quando esgotado o prazo para pagamento ou apresentação de recurso administrativo sem que eles tenham ocorrido ou, ainda, com a decisão do último recurso administrativo interposto. As impugnações e recursos na instância administrativa suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151 do CTN, não correndo, neste período, o prazo de prescrição. No que tange à prescrição intercorrente, deve ser observado o disposto na Súmula CARF nº 11, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal, nos termos da Portaria MF nº 277 de 07/06/2018: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.901234/2015-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO E NÃO PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, incumbe à interessada a comprovação do erro de fato. À míngua de tal comprovação não há como reconhecer o direito creditório.
Numero da decisão: 1302-003.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. A conselheira Maria Lúcia Miceli votou pelas conclusões do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10283.901232/2015-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO E NÃO PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, incumbe à interessada a comprovação do erro de fato. À míngua de tal comprovação não há como reconhecer o direito creditório.
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DCOMP. RETIFICADORA Recorrente ORIENT RELÓGIOS DA AMAZÔNIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO E NÃO PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, incumbe à interessada a comprovação do erro de fato. À míngua de tal comprovação não há como reconhecer o direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. A conselheira Maria Lúcia Miceli votou pelas conclusões do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10283.901232/201504, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 12 34 /2 01 5- 95 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10283.901234/201595 Acórdão n.º 1302003.453 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1152.276, de 22/03/2016, da 4ª Turma da DRJ de Recife que, por unanimidade de votos, não conheceram da manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 DCOMP. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. INCOMPETÊNCIA O julgador administrativo não é competente para apreciar pedido de retificação de crédito informado na Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente dedicase à fabricação, ao comércio e à reparação de cronômetros e relógios. É optante do regime de tributação com base lucro real, com pagamentos por estimativas mensais. Sustenta que, em conformidade com sua DIPJ, teria efetuado pagamento indevido ou a maior de estimativa, o que teria resultado em saldo negativo de IRPJ. A recorrente apresentou DCOMP para compensar débito de IRPJ. A DCOMP não foi homologada, nos termos do Despacho Decisório eletrônico. A recorrente alega que teria incorrido em equívoco no momento do preenchimento da DCOMP. Pois, informou que o crédito seria decorrente de "Pagamento Indevido ou a Maior", ao passo que deveria ter sido indicado "Saldo Negativo de IRPJ. Sustenta que teria sido esse o motivo da não localização de pagamento a maior. O DARF indicado na DCOMP, correspondia exatamente aos débitos declarados em DCTF. Apresentou manifestação de inconformidade tempestivamente demonstrando o referido erro de preenchimento que inviabilizou a DCOMP. A DRJ/REC concluiu que "o julgador administrativo não é competente para apreciar pedido de retificação de crédito informado na Declaração de Compensação". A recorrente foi intimada do acórdão de manifestação de inconformidade e protocolou recurso voluntário tempestivamente. Em suas razões, a recorrente sustenta: · reportase à Ficha 12A de sua DIPJ, em que registra saldo negativo de IRPJ de R$ R$ 327.217,14 e afirma que a empresa recorrente dispunha de saldo negativo de IRPJ apto a alicerçar sua pretensão de compensação; Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10283.901234/201595 Acórdão n.º 1302003.453 S1C3T2 Fl. 4 3 · em função do equívoco ocorrido em relação à indicação da origem do referido crédito "Pagamento Indevido ou a Maior" ao invés de "Saldo Negativo de IRPJ" a delegacia responsável pelo exame da DCOMP não detectou o direito creditório postulado; · não obstante o fato de que havia a possibilidade de retificar a DCOMP, a recorrente só tomou ciência do equívoco cometido no momento em que recebeu o Despacho Decisório informandoa sobre a não homologação de sua compensação; · a Delegacia de Julgamentos, ao invés de adotar conduta proativa e que promovesse a busca da verdade material, declarouse incompetente para proceder a retificação das declarações apresentadas pelo contribuinte; · ciente da existência de fortes indícios de que efetivamente a empresa recorrente teria cometido erros de preenchimento na documentação creditícia, caberia a essa autoridade julgadora, determinar o retorno do processo à origem para que a delegacia competente reapreciasse o pedido de compensação, desconsiderando o aludido erro de preenchimento da DCOMP; · a existência do direito de crédito do contribuinte advém de apuração contábil e não pode ser obstado em razão de meros erros no preenchimento do respectivo documento de compensação; · se assim fosse, haveria inaceitável sobreposição da forma administrativa ao direito material legalmente assegurado ao cidadão administrado. E, como consequência desse fato, haveria o risco de locupletamento do Fisco Federal, mediante o recebimento de receitas não previstas em lei; · os equívocos nos quais incorreu a empresa recorrente no momento de formalização da DCOMP, não tornam inexistente o seu direito creditório liquido, certo e amplamente embasado em documentação fiscal e contábil; · citou acórdãos do Carf que concluíram pelo baixa dos autos à DRF para que fosse apreciado o alegado direito creditório e o alegado erro de preenchimento, à vista das evidências e especificidades dos casos examinados; · requereu que esta Turma determinasse a remessa do feito à delegacia de origem para que lá a DCOMP seja reprocessada. Fundamentou o pedido nos acórdãos citados e nas disposições do art. 147, CTN; · invoca o princípio da verdade material; É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10283.901234/201595 Acórdão n.º 1302003.453 S1C3T2 Fl. 5 4 1302003.451, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10283.901232/2015 04, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1302003.451): Conheço do recurso voluntário, à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento aos demais requisitos de admissibilidade. Verificase que a recorrente enviou a DCOMP n° 02826.34969.110311.1.3.048788, em 11 de março de 2011, para compensar débito de IRPJ (cód. rec. 2362) no montante de R$ 124.097,15, com crédito de R$ 326.819,73. Por equívoco, indicou que o crédito seria originário de pagamento a maior de IRPJ, por estimativa apurada no exercício findo em 31/12/2010. Na tentativa de demonstrar o equívoco, esclareceu que o crédito indicado referiase ao DARF, período de apuração de 30/10/2010, código da Receita Federal 2362, no valor de R$ 759.616,05, arrecadado em 30/12/2010. Alega que esse pagamento, em realidade, teria sido destinado à liquidação do débito confessado em DCTF. Para ilustrar suas alegações, quanto à sucessão de acontecimentos e comprovar a existência de direito creditório, a recorrente apresentou os seguintes quadros: Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10283.901234/201595 Acórdão n.º 1302003.453 S1C3T2 Fl. 6 5 Em que pese o esforço da recorrente, as informações apresentadas não são suficientes para evidenciar a real existência do direito creditório invocado. A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, quando devidamente demonstrado, a recorrente não trouxe a comprovação do erro de fato. O próprio valor informado na DIPJ não corresponde ao saldo pleiteado, o que, com mais razão, exigiria a comprovação documental. A recorrente teve a oportunidade para apresentar escrita contábil e respectivo suporte para se concluir, com certeza e precisão, sobre o valor do alegado saldo negativo e a sua disponibilidade para a utilização na DCOMP em questão. Todavia, não se desincumbiu de tal providência. Assim, à mingua da comprovação do alegado crédito, não vejo como acolher as pretensões da recorrente. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10283.901234/201595 Acórdão n.º 1302003.453 S1C3T2 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.900182/2008-77
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇAO.
Não havendo demonstração do crédito favorável ao contribuinte, tal qual informado em sua PER/DCOMP, acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas, não há que se falar em homologação da compensação do débito declarado.
Numero da decisão: 3001-000.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de conversão em diligência e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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AUSÊNCIA DE PROVAS DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇAO. Não havendo demonstração do crédito favorável ao contribuinte, tal qual informado em sua PER/DCOMP, acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas, não há que se falar em homologação da compensação do débito declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de conversão em diligência e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação com saldo credor de COFINS na competência agosto/1999, tendo por base pagamentos indevidos ou a maior, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 90 01 82 /2 00 8- 77 Fl. 49DF CARF MF 2 valor original total de R$3.859,87 por meio das Declaração de Compensação 19162.28804.140504.1.3.045495. A DRF de Franca/SP, em apreciação ao pleito da contribuinte, proferiu Despacho Decisório (efl. 14) não homologando a compensação declarada tendo em vista que a inexistência do crédito utilizado. Afirma que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp. Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese, que as compensações efetuadas encontramse embasadas em créditos do PIS e da Cofins pagos a maior pelo regime de substituição tributária por compra de combustíveis. A DRJ de Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório conforme Acórdão no 1430.366 a seguir transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/09/1999 RESSARCIMENTO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. Somente ao consumidor final é assegurado o ressarcimento dos valores da contribuição, correspondentes A incidência na venda no varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/09/1999 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. CONDIÇÃO ESSENCIAL. A condição essencial para a utilização de crédito do contribuinte em compensação tributária é a liquidez e certeza desse crédito, conforme preceitua o art. 170 do CTN. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/09/1999 PAF. PROVA DOCUMENTAL. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação (manifestação de inconformidade). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância repisando os argumentos de que desenvolve atividades de transporte rodoviário coletivo de passageiros adquirindo combustíveis diretamente das distribuidoras, ensejando direito a ressarcimento de contribuições para o PIS e de COFINS retidas nas notas fiscais de compras efetuadas diretamente da distribuidora. Afirma Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13855.900182/200877 Acórdão n.º 3001000.780 S3C0T1 Fl. 326 3 ainda que deveria ter sido intimado a apresentar a comprovação de seus procedimentos, requerendo o retorno dos autos à DRF em Franca para tal. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre declaração de compensação com saldo credor de COFINS no mês de agosto/1999, tendo por base supostos pagamentos indevidos ou a maior decorrentes de aquisição de combustíveis diretamente de distribuidoras o que ensejaria o ressarcimento de contribuições para o PIS e de COFINS retidas nas notas fiscais. A decisão de piso decidiu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade tendo em vista que, apesar de ter constatado que a sociedade empresária tem como ramo de atividade o "transporte coletivo de passageiros com linhas regulares interestaduais, fretamento continuo e eventual, transporte de cargas e turísticos, por via rodoviária", deveria ter apresentado documentação fiscal que comprovasse o destaque das contribuições nas notas fiscais emitidas pelas distribuidoras nos termos do art. 6º, §1º da IN SRF no 006/99. Inicialmente insta destacar que o presente Colegiado tem acompanhado a tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para acolher as provas apresentadas nesta instância recursal. Contudo, para sua aplicação Fl. 51DF CARF MF 4 é necessária a apresentação pormenorizada por parte da recorrente dos elementos necessários e indispensáveis para comprovação das suas alegações, em especial dos créditos efetivamente pretendidos. A Recorrente alega que possui o direito invocado relacionado à crédito oriundo da aquisição de combustíveis diretamente de distribuidoras o que ensejaria o ressarcimento de contribuições para o PIS e de COFINS retidas nas notas fiscais, entretanto não apresentou qualquer documentação que comprovasse suas afirmações e pudesse demonstrar a certeza e liquidez do crédito. Frisese que, em termos de direito creditório, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, o que, no presente caso, não ocorreu. Considerando que a Recorrente, apesar de ter havido a oportunidade de trazer aos autos, quer na Manifestação de Inconformidade quer no Recurso Voluntário, não envidou nenhum esforço em demonstrar com quaisquer elementos probatórios para formar convicção deste julgador sobre os pontos objeto da análise. Portanto, rejeito o pedido de diligência suscitado pela Recorrente. Portanto, não havendo demonstração do crédito favorável ao contribuinte, tal qual informado em sua PER/DCOMP, não há que se falar em homologação da compensação do débito declarado. Diante do exposto, voto rejeitar a proposta de conversão em diligência e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 52DF CARF MF
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