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Numero do processo: 10980.003643/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Exercício: 2008
Ementa:
DIRF. MULTA. ÓRGÃOS E/OU AUTORIDADES PÚBLICAS. A partir de
julho de 2004, nos termos do Parecer nº 16 da Advocacia Geral da União – AGU, cujos efeitos se estendem a todos os órgãos do Poder Executivo Federal, é devida a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigações acessórias por parte de pessoas jurídicas de direito público
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-001.562
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2008 Ementa: DIRF. MULTA. ÓRGÃOS E/OU AUTORIDADES PÚBLICAS. A partir de julho de 2004, nos termos do Parecer nº 16 da Advocacia Geral da União – AGU, cujos efeitos se estendem a todos os órgãos do Poder Executivo Federal, é devida a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigações acessórias por parte de pessoas jurídicas de direito público Recurso Voluntário Negado.
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MULTA. ÓRGÃOS E/OU AUTORIDADES PÚBLICAS. A partir de julho de 2004, nos termos do Parecer nº 16 da Advocacia Geral da União – AGU, cujos efeitos se estendem a todos os órgãos do Poder Executivo Federal, é devida a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigações acessórias por parte de pessoas jurídicas de direito público Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 20/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Márcio de Lacerda Martins, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício). Relatório Fl. 41DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Contra a PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA, foi lavrado Auto de Infração para exigir multa no valor R$531.084,50 devida pelo atraso na entrega da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF 2008, apresentada após o prazo fixado pela IN SRF nº 784/2007. Inconformado com o lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls.01/04), cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: a) argúi que apesar dos problemas na implantação do arquivo de geração das informações, o mesmo foi iniciado e feito o repasse do documento dentro do prazo marcado, às 20:05 horas do dia 15/02/2011; b) contudo, a partir desse momento o sistema da Secretaria da Receita Federal não aceitou o repasse das informações; que efetuou novas tentativas em 16 e 17/02/2008 (sábado e domingo), sem lograr êxito; que o atraso deuse em razão do desligamento do sistema no final de semana em razão do congestionamento da internet; que somente conseguiu transmitir a declaração em 19/02/2008. às 07:16 horas, data em que foi possível acessar o sistema da Receita Federal; c) aduz que a exigência de apresentação do documento em questão para os órgãos públicos è meramente informativa e. apesar do contratempo, foi encaminhado e cumprida a exigência legal; d) que, quando os Estados, o Distrito Federal c os Municípios (art. 158 da CF.) forem, por determinação da lei que regulamenta a cobrança do imposto da renda, obrigados a reterem na fonte o imposto de renda, o produto desta retenção pertence ao agente arrecadador; e) que. além da DIRF ser informativa apenas, nenhuma repercussão de natureza fiscal ocorreu em razão de os valores arrecadados pertencerem ao próprio ente federativo; que, em não havendo repercussão fiscal, a aplicação da multa da tamanha monta deixa de ser medida justificável; que, adotando o princípio da insignificância, temos que o ocorrido não apresenta maiores derivações, uma vez que o Município de Curitiba tem cumprido com suas obrigações, alem de manter com a entidade federal estreito relacionamento cooperativo, por força de convênio celebrado entre as partes para troca de informações; f) ao final, requer o cancelamento do lançamento propugnado pela procedência da impugnação. Após analisar a matéria, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/CTA n° 0631.240, de 14/04/2010, fls. 15/17, em decisão assim ementada: “DIRF. MULTA ATRASO. A apresentação da DIRF 2008 após o prazo fixado pela legislação tributária enseja a aplicação da multa por atraso na sua declaração. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.003643/200838 Acórdão n.º 220101.562 S2C2T1 Fl. 2 3 Impugnação improcedente.” Cientificado da decisão de primeira instância em 12/05/2012, a interessada apresentou, em 08/06/2011, Recurso Voluntário Tempestivo de fls fls.30/34, acompanhado dos documentos de fls.35/38, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Na análise do presente recurso, valhome das bem lançadas razões apresentadas pelo Ilustre Colega Conselheiro, Dr. Pedro Paulo Pereira Barbosa, ao analisar o recurso da Secretária da Fazenda do Estado de Minas Gerais, nos termos do acórdão nº 2201 001.540 de 13/03/2012, as quais, adoto na sua íntegra: “Quanto ao mérito, conforme relatório, tratase da exigência de multa pelo atraso na entrega da DIRF. Quanto ao atraso na entrega do documento, a questão pode ser verificada objetivamente e, portanto, não há dúvida sobre este aspecto. O que se discute é a aplicação, consideradas as circunstâncias específica do caso, especialmente a personalidade jurídica da autuada. Sobre este ponto, embora a questão não tenha sido expressamente argüida, convém deixar explicitado que, segundo orientação da Advocacia Geral da União, cujos efeitos se estendem a todos os órgãos do Poder Executivo Federal, é devida a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigações acessórias por parte de pessoas jurídicas de direito público. Refirome ao Parecer nº 16 da AGU, aplicável a partir de julho de 2004 a saber: EMENTA: AS MULTAS PREVISTAS EM LEI SÃO APLICÁVEIS ÀS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. O FAVORECIMENTO, PELA EXCLUSÃO, CARACTERIZA DESVIO DE PODER. [...] Estou de acordo, nesta linha, com o Parecer AGU/GV01/2004, de modo a propor a revisão dos Pareceres CGR H313 de 1966, H717 de 1968, H782 de 1969 e L038 de 1974, fazendo prevalecer entendimento ora afirmado de que os órgãos e/ou autoridades públicas estão sujeitas a penalidade administrativa correspondente, em caso de mora ou infração, em especial no que respeita à fiscalização do trabalho. Sobre a alegada inconstitucionalidade e ausência de razoabilidade e proporcionalidade da autuação, convém ressaltar que o exame de tais matérias escapa à competência dos Fl. 43DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 órgãos administrativos de julgamento, vinculado que estão à lei e não podem deixar de aplicála com base em juízo subjetivo sobre sua constitucionalidade ou sobre os efeitos econômicos de sua aplicação. Esta posição, a propósito, no âmbito deste Conselho, já está consolidada na Súmula nº 2, segundo a qual “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, finalmente, sobre a alegação de que a autuação implica em supressão de receita, a questão, da mesma forma, alcança a própria Constitucionalidade da norma com relação às pessoas jurídicas de direito público e, de qualquer forma, a questão está superada pela orientação da AGU, acima referida. Enfim, é inequívoco que a declaração foi apresentada com atraso e há previsão legal expressa de incidência da multa para estes casos, multa a qual foi aplicada pela autoridade competente. E, não tendo sido identificados vícios no procedimento fiscal e na autuação dela decorrente, deve ser mantida a exigência.” Pelos mesmos fundamentos, NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 44DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001765/2009-04
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA.
Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
Numero da decisão: 3803-003.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
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CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação em relação a crédito de COFINS referente ao quarto trimestre/2008. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 17 65 /2 00 9- 04 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 14/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 As fls. 126/127 sobreveio Despacho Decisório, por meio do qual o pleito foi indeferido com fundamento de ausência de previsão legal para o creditamento, uma vez que os créditos nas operações com substituição tributária no regime de tributação da não cumulatividade é vedado pelo art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei n.º 10.833/2003. Assim, para os julgadores “a quo”, embora o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha autorizado créditos em relação a vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e COFINS, por outro lado o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 ditou a regra de que a apuração dos créditos, nos termos do art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, necessariamente precisam seguir a regra do art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, razão pela qual há vedação do creditamento quando o produto adquirido estiver sob regime de substituição tributária e cuja saída esteja com suspensão das contribuições. Irresignado com a decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 129/131, sob os seguintes argumentos: · Em se tratando do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, se apura o crédito em razão da aquisição de insumos e bens para revenda, por meio da aplicação das alíquotas das contribuições sobre os valores de aquisição destes bens. Neste mesmo sentido, apura o débito mediante a aplicação das alíquotas das contribuições sobre o valor de venda das mercadorias que produz ou revende; · Com a edição da Medida Provisória n° 206/2004, art. 16, atualmente artigo art. 17 da Lei n° 11.033/04, os contribuintes cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota zero, ou com suspensão, tem direito a manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrente da aquisição de insumos; · Alertou que o regime não cumulativo do PIS e a COFINS não é idêntico ao previsto para o IPI e ICMS, onde lá a sistemática de apuração daqueles tributos é feita pela técnica imposto contra imposto, onde o imposto pago na operação anterior serve para ser abatido do imposto gerado na operação presente; · Na não cumulatividade do PIS e da COFINS, não se perquire se houve ou não tributação da etapa anterior para fins de direito de crédito. Além do que deve ser observado o § 12 do art. 195 da CF, o qual prevê que as contribuições em exame serão não cumulativas, sem qualquer restrição ao creditamento. Às fls. 139/141 a DRJ de Porto Alegre proferiu o Acórdão n.º 1035.3672ª Turma, com o seguinte teor: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de Fl. 228DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 14/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001765/200904 Acórdão n.º 3803003.682 S3TE03 Fl. 155 3 ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade da COFINS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando A hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com efeito, a DRJ manifestouse pelo indeferimento do pedido com fundamento na impossibilidade do reconhecimento, na esfera administrativa, da inconstitucionalidade do art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei n.º 10.833/2003, que vedou a apuração de créditos em relação à operações sujeitas a substituição tributária. A DRJ ainda utilizou como argumento para indeferir o pleito, o fato de que não consta no contrato social da empresa a atividade de industrialização de qualquer dos bens objetos do pedido. Apontou ainda que as aquisições para as quais a empresa requer os créditos para o PIS e COFINS estão relacionadas no artigo 43 da Medida Provisória n° 2158 35 de 24 de agosto/2001 e na Lei n° 10.485/2.002, que por sua vez estão sujeitos aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica respectivamente. Em outras palavras, entende a DRJ que as vendas realizadas pelo Recorrente, que por sua vez é comerciantes, fica desonerada da incidência das contribuições, já que diante da substituição tributária a obrigação pelo pagamento do tributo, se dá em relação as operações praticadas pelos fabricantes ou importadores. Deste modo, o art. 1° da Lei n° 10.485/2002 reduziu para zero as alíquotas das contribuições em relação à receita bruta auferida por comerciante, com a venda dos produtos para os quais se desejam os créditos e por esse motivo o creditamente é indevido. Os julgadores de primeiro grau, adotaram ainda a tese em relação a inexistência de direito aos créditos, ainda que o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha dito caber créditos para as vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, uma vez que o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 determina que a sua apuração segue a regra disposta no art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, que por sua vez proíbem créditos em relação as operações com substituição tributária. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 14/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Inconformado com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e basicamente repetiu seus argumentos já trazidos na Manifestação de Inconformidade e reforçou o seu direito aos créditos com fundamento no art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, bem como no art. 195 da Constituição Federal, sob o argumento de que a norma constitucional não impôs qualquer restrição aos créditos. Por fim, requer que seu recurso seja conhecido e ao final que o seu direito creditório seja reconhecido. Em que pese a DRJ ter ingressado ao mérito e negado o pedido, cumpre informar que o Recorrente optou por discutir a matéria no Poder Judiciário, conforme citado às fl. 02. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Conforme se observa do contrato social, a Recorrente tem por objeto a revenda de máquinas agrícolas e a distribuição de peças, sendo que adquire os produtos das indústrias para posterior distribuição. Cumpre informar que estes produtos são vendidos sem a incidência do PIS e COFINS. O cerne da questão está em se apurar se há créditos em relação as vendas de produtos com suspensão do pagamento das contribuições, quando a lei estabelece o regime de substituição tributária. Alega o Recorrente que embora as vendas das máquinas e peças agrícolas estejam com a suspensão do pagamento do PIS e COFINS, ainda assim o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 confere o direito creditório e por essa razão tornase pertinente reproduzir a redação desta norma: Lei n.º 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em que pese a discussão de mérito, analisando os autos, constatei que a matéria aventada no presente Recurso Voluntário está sendo tratada na esfera judicial, conforme mencionado às fl. 02, tendo por objeto igual pretensão pleiteada administrativamente, qual seja, crédito referente ao PIS e CONFINS. Reputase idênticas 2 (duas) ações que possuam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido, como determinam os §§ 1º e 2º do art. 301, do CPC: Art. 301: “§ 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 14/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001765/200904 Acórdão n.º 3803003.682 S3TE03 Fl. 156 5 § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.” Sobre a litispendência, leciona Nelson Nery Junior: “Ocorre a litispendência quando se reproduz ação idêntica a outra que já está em curso. As ações são idênticas quanto têm os mesmos elementos, ou seja, quando têm as mesmas partes, a mesma causa de pedir (próxima e remota) e o mesmo pedido (mediato e imediato). A citação válida é que determina o momento em que ocorre a litispendência (CPC 219 caput). Como a primeira já fora anteriormente ajuizada, a segunda ação, onde se verificou a litispendência, não poderá prosseguir, devendo ser extinto o processo sem julgamento do mérito (CPC 267 V).” (Código de Processo Civil Comentado, 6ª edição, RT, p. 655). Deste modo, optando a Recorrente pela via judicial ocasiona impedimento da manifestação do CARF a respeito na matéria em razão da concomitância verificada. Assim, aplicase a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria apreciada pelo Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 231DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 14/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10730.000238/2002-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 1998
CONHECIMENTO. CSRF. DIVERGÊNCIA. DECISÕES COM FUNDAMENTOS DISTINTOS.
Compete à CSRF julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF.
Caracteriza-se a divergência quando os acórdãos paradigma e recorrido, em situações fáticas e jurídicas idênticas, concluíram de maneira diversa.
No presente caso não há divergência jurisprudencial, pois as situações que fundamentaram a decisão são diversas.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann ( Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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CSRF. DIVERGÊNCIA. DECISÕES COM FUNDAMENTOS DISTINTOS. Compete à CSRF julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Caracterizase a divergência quando os acórdãos paradigma e recorrido, em situações fáticas e jurídicas idênticas, concluíram de maneira diversa. No presente caso não há divergência jurisprudencial, pois as situações que fundamentaram a decisão são diversas. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 02 38 /2 00 2- 14 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann ( VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10730.000238/200214 Acórdão n.º 9202002.428 CSRFT2 Fl. 126 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0100, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 085, que decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Para esclarecimento, foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 1998, anocalendário 1997, por ter sido apurada omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício recebido do Ministério da Fazenda, com base em comprovante anual de rendimentos. O procedimento fiscal foi instaurado após ter sido encerrada, com resultado desfavorável ao contribuinte, a ação em que aquele movia contra a União para obter isenção de imposto de renda por possuir mais de 65 anos de idade. Já estando comprovado que a partir de setembro de 1997 o contribuinte era portador de moléstia grave e em razão da ausência de DIRF, a fiscalização dividiu o total dos rendimentos anuais por 12 e aplicou esse resultado de janeiro a agosto de 1997. Por fim, o acórdão recorrido decidiu que o lançamento foi equivocado, pois o rateio foi incorreto, o Fisco possuía as informações para lançar o valor correto no lançamento, afirmando que o lançamento que suporta a presente exação não identificou a matéria tributável adequadamente (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN) e foi elaborado com inexatidão material, não devendo prosperar, pois não compete ao órgão julgador refazer o lançamento, mormente quando agrava a exigência formulada inicialmente pela autoridade fiscal e quando já ultrapassado o termo final do prazo decadencial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA IRPF Exercício: 1998 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. FATO GERADOR. LANÇAMENTO. ISENÇÃO NO CURSO DO ANO CALENDÁRIO. O lançamento do imposto de renda da pessoa física exige que seja adequadamente identificada a matéria tributável, por meio da descrição dos fatos e do valor do rendimento efetivamente recebido. No caso dos autos, a isenção do imposto de ano calendário já em curso exige que a identificação dos rendimentos tributáveis recebidos até os meses anteriores à isenção correspondam aos rendimentos efetivamente recebidos, vedado o rateio linear do rendimento total anual. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Lúcia Reiko Sakae e Luis Fabiano Alves Penteado votaram pelas conclusões por entenderem que houve agravamento da exigência. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Há divergência jurisprudencial; 2. O erro na matéria tributável não pode levar à anulação do lançamento, nem á sua improcedência; 3. Desnecessário e ilegal o cancelamento da autuação, nos termos ora postos, uma vez que caracterizada a infração imputada pela fiscalização; 4. Dessa maneira, é de se reformar o referido julgado, merecendo reprimenda a conclusão aplicada ao caso concreto; 5. Assinalese, ainda, que, mesmo diante de isenção a partir do mês de setembro de 1997, não se faz necessário o real e efetivo rateio dos rendimentos omitidos durante os meses de janeiro a agosto do ano calendário, para fins de apuração do imposto de renda, cujo fato gerador é anual, pois é sobre o valor total da omissão constatada nos aludidos meses que incide o IRPF; e 6. Ante o exposto, espera o conhecimento e o provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0107, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 0116, argumentando, em síntese, que o acórdão recorrido deve ser mantido. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10730.000238/200214 Acórdão n.º 9202002.428 CSRFT2 Fl. 127 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto à admissibilidade, há questão a ser analisada. A PGFN apresenta, como acórdão paradigma, a seguinte decisão: “O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De fato, a matéria tributável foi equivocadamente apurada por ocasião da ação fiscal, e os próprios documentos anexados aos autos (xerox do Livro Caixa às fls. 12 a 24) confirmam que a receita auferida pela recorrente não atinge o montante em que se baseou a auditoria. A matéria é de prova e neste aspecto agiu bem a autoridade monocrática ao excluir as parcelas de Cr$ 4.743.000,00, Cr$ 69.900.000,00 e Cr$ 15.678.100,00 relativos aos meses de janeiro, março e agosto de 1993. Também não merece reparo a decisão recorrida com relação ao imposto de renda retido na fonte. A jurisprudência dominante neste Pretório é mansa e pacífica no sentido de que as disposições do art. 8° do Decretolei n° 2.065/83 vigorou somente até o ano de 1988. A partir do ano de 1989, os lucros apurados pelas pessoas jurídicas sujeitam se à tributação de 8% (oito por cento), independentemente de distribuição, na forma prevista nos arts. 35 e 36 da Lei n° 7.713/88. Neste sentido o entendimento da própria administração tributária exarada no Ato Declaratório Normativo n° 6/96 de que o art. 8° do Decretolei n°2.065/83 foi revogado pelos arts. 35 e 36 da Lei n°7.713/88. Isto posto, nego provimento ao recurso ex officio mantendo a decisão recorrida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos.” Portanto, resta claro que, no acórdão paradigma verificouse valores lançados a mais e, pela análise dos autos, chegouse à conclusão pela retificação do lançamento, com a exclusão desses valores. Já no acórdão recorrido, com todo respeito, a decisão é outra, com outra finalidade e outra solução. Vejamos: “Não há dúvidas de que o valor da omissão apurada no auto de infração é inferior ao valor efetivamente recebido pelo recorrente, nesse ponto não há qualquer margem para acatar a tese defensiva de que houve agravamento da exigência pelo julgador e após o prazo decadencial. A questão central, portanto, não é o suposto agravamento da exigência, uma vez que o valor total da omissão lançada para Fl. 268DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 1997 efetivamente ocorreu. O núcleo da controvérsia é a validade do lançamento que ao invés de segregar de janeiro a agosto o valor efetivamente recebido distribuiu o valor anual proporcionalmente pelos meses de janeiro a agosto de 1997. Penso que como o fato gerador do imposto de renda da pessoa física é complexo, consumandose no dia 31 de dezembro é possível cogitar a validade do lançamento que tomando um valor anual correto para os rendimentos tributáveis, faça a distribuição uniforme ao longo do ano, sem alterar o valor tributável anual e desde que não haja acréscimos legais contados a partir de cada um dos meses do ano em que foi apropriado o rendimento mensal rateado. Ocorre que nesses autos a situação fática possui peculiaridades, uma delas é que nem todos os pagamentos que compõem o rendimento total anual são tributáveis, o que se deve ao fato de ter sido reconhecida a isenção do imposto a partir do mês de setembro de 1997, com isso é inadequado o rateio mensal linear, é necessário que seja identificado o valor efetivamente recebido de janeiro a agosto de 1997. Outrossim, o valor da suposta omissão de rendimentos (identificada pela DRJ) é superior ao que foi apurado no auto de infração em razão de um outro fato que passou despercebido pela fiscalização, qual seja, houve um recebimento no valor de R$44.276,23 no mês de junho de 1997 (contracheque de maio de 1997). É como dito no adágio popular, mirou no que viu e acertou o que não viu. Dessa forma, o lançamento que suporta a presente exação não identificou a matéria tributável adequadamente (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN) e foi elaborado com inexatidão material, não devendo prosperar. Não compete ao órgão julgador refazer o lançamento, mormente quando agrava a exigência formulada inicialmente pela autoridade fiscal e quando já ultrapassado o termo final do prazo decadencial. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso.” Portanto, como está claro na decisão, o provimento do recurso, constante do acórdão recorrido, deuse, em síntese, por equívoco no cálculo do valor lançado e pelo valor lançado ser menor (devido a erro), diferentemente do acórdão paradigma, em que o valor lançado foi maior e a discussão no contencioso administrativo levou à correção desse valor. Assim, as decisões possuem fundamentos diferentes. Nesse sentido, não há como conhecer do recurso da PGFN. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10730.000238/200214 Acórdão n.º 9202002.428 CSRFT2 Fl. 128 7 CONCLUSÃO: EM razão doe exposto, voto em NÃO CONHECER do recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 270DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.018257/2008-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
IRPF - GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS, DE INSTRUÇÃO E DE LIVRO-CAIXA - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO IDÔNEA - LANÇAMENTO MANTIDO
Ausentes comprovantes idôneos de despesas médicas, de instrução e de livro-caixa, nos termos das exigências do RIR/99, é de manter-se o lançamento.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 2802-001.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 14/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 IRPF - GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS, DE INSTRUÇÃO E DE LIVRO-CAIXA - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO IDÔNEA - LANÇAMENTO MANTIDO Ausentes comprovantes idôneos de despesas médicas, de instrução e de livro-caixa, nos termos das exigências do RIR/99, é de manter-se o lançamento. Recurso improvido.
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Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 14/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 82 57 /2 00 8- 41 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, de fls. 204/213, relativa aos exercício de 2006, 2007 e 2008, anoscalendário de 2005 a 2007, em virtude de suposta dedução indevida de despesas médicas (exercícios 2007 e 2008), por falta de comprovação; dedução indevida de despesas de livrocaixa (exercícios 2006 a 2008), ora por falta de previsão legal, ora por falta de comprovação; e dedução indevida de despesas de instrução (exercício 2007), por falta de comprovação. Cientificado do lançamento, a fl. 218, o contribuinte apresentou impugnação, tempestiva, fl. 221, alegando em síntese, que os profissionais prestadores dos serviços referentes às despesas glosadas sempre prestaram serviços ao contribuinte; que não houve “omissão ao fisco”; que as informações constantes dos documentos apresentados são verdadeiras; que os serviços relativos às despesas deduzidas foram pagos em espécie, não havendo nisso qualquer irregularidade; que o contribuinte sofria de problemas de saúde que demandavam tratamento, vindo a falecer em virtude de tais problemas e junta documentos. Em julgamento, a 4ª Turma da DRJ/CTA, em sessão realizada no dia 31/05/2011, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, considerando não impugnada a dedução indevida de livrocaixa e as deduções indevidas de despesas de instrução e rejeitando a impugnação de glosas de despesas médicas, ora por não terem sido trazidos comprovantes aos autos, ora por não preencherem os requisitos do RIR/99, e por considerar a DRJ que os recibos desacompanhados de prova de efetivo desembolso não são hábeis a fundamentar as deduções pretendidas. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl.269, o contribuinte tempestivamente interpôs Recurso Voluntário, a fl. 272, alegando em síntese que, impugna a totalidade do lançamento; que o processo no. 14486000.483/201111, instaurado no tocante à matéria não impugnada deve ser anexado ao presente e sobrestado; a decisão da DRJ é nula pois não houve manifestação sobre o decidido no processo no. 10980.01865/200625, cuja decisão a recorrente juntou aos autos e que comprovaria que os profissionais envolvidos nos presentes autos sempre prestaram serviços ao contribuinte; no tocante a despesas médicas a fiscalização não logou infirmar a higidez dos recibos e declarações acostados aos autos; as despesas apuradas em livrocaixa foram comprovadas no processo 10980.01865/200625, ao qual o presente deve ser reunido, por esta razão; as despesas de instrução devem ser confrontadas com as declarações das instituições de ensino indicadas na DIRPF; que é desnecessária a prova de efetivo pagamento de despesas médicas, quando constam comprovantes idôneos dos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, no particular em que impugna a glosa de deduções de pagamentos com despesas médicas e de instrução e deduções de livrocaixa. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10980.018257/200841 Acórdão n.º 2802001.991 S2TE02 Fl. 285 3 Passo a apreciar o mérito do recurso. Quanto às despesas de instrução deduzidas, referentes ao exercício 2007, não logro localizar nos autos um único comprovante, razão pelas quais é de ser mantida a glosa, de vez que é obrigação legal do contribuinte manter a guarda dos comprovantes e sua exibição quando exigida, não podendo, à falta destes, pretender que a matéria se resolva mediante diligência nas declarações de imposto de renda das respectivas instituições de ensino, de vez que, não havendo se desincumbido do ônus da prova que lhe cabe, a matéria se resolve com base nos elementos constantes dos autos. Quanto às despesas deduzidas a título de livrocaixa, exercícios 2006 a 2008, a fundamentação do lançamento é detalhada e encontrase a fls.248, discriminando de forma especificada quais os comprovantes e valores acolheramse e quais rejeitaramse, não se podendo acolher a alegação da recorrente de que as despesas apuradas em livrocaixa foram comprovadas no processo 10980.01865/200625, ao qual o presente deve ser reunido, por esta razão. Se a contribuinte foi intimada nos presentes autos a apresentar os elementos de prova em questão e não o fez, não pode pretender valerse para este fim de prova emprestada. Quanto às despesas médicas deduzidas, relativas aos exercícios 2007 e 2008, assiste razão à DRJ ao afirmar que os comprovantes e declarações constantes de fls.225236, ou não dizem respeito aos exercícios em questão, ou estão desacompanhados de indicação do endereço dos profissionais que os firmam, não sendo passíveis de serem considerados prova idônea de pagamento, nos termos do RIR/99, não havendo nos autos outros comprovantes das referidas despesas. Isto posto, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 286DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901408/2009-68
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.DIREITO CREDITÓRIO ORIUNDO DE MULTA MORA. NÃO COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Nos termos do REsp 962.379, submetido ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do Código de Processo Civil, portanto, de observância obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do art. 62-A, do Regimento Interno do CARF, para que se configure a denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na forma do art. 150, §4o do Código Tributário Nacional, o pagamento deve preceder a constituição da obrigação tributária, ou seja, a entrega da DCTF.
No caso dos autos, o contribuinte não logrou comprovar que se subsumia à hipótese, sendo certo que nas compensações, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório.
Numero da decisão: 1801-001.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.DIREITO CREDITÓRIO ORIUNDO DE MULTA MORA. NÃO COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Nos termos do REsp 962.379, submetido ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do Código de Processo Civil, portanto, de observância obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do art. 62-A, do Regimento Interno do CARF, para que se configure a denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na forma do art. 150, §4o do Código Tributário Nacional, o pagamento deve preceder a constituição da obrigação tributária, ou seja, a entrega da DCTF. No caso dos autos, o contribuinte não logrou comprovar que se subsumia à hipótese, sendo certo que nas compensações, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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NÃO COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Nos termos do REsp 962.379, submetido ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do Código de Processo Civil, portanto, de observância obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do art. 62A, do Regimento Interno do CARF, para que se configure a denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na forma do art. 150, §4o do Código Tributário Nacional, o pagamento deve preceder a constituição da obrigação tributária, ou seja, a entrega da DCTF. No caso dos autos, o contribuinte não logrou comprovar que se subsumia à hipótese, sendo certo que nas compensações, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 14 08 /2 00 9- 68 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo da Declaração de Compensação Eletrônica n. 19689.89356.310305.1.3.049921, de 31/03/05, relativa a débito de CSLL, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior, no valor original de R$1.834,27, referente ao pagamento de multa de mora, de CSLL. Em 31.10.2000 a Recorrente recolheu DARF referente a crédito tributário de CSLL, do período de apuração de 31/07/2000, no valor de R$11.209,28, sendo que o valor de R$1.834,27, a título de multa de mora e R$203,62, de juros de mora. O despacho eletrônico não homologou o crédito tributário sob o fundamento de que foram localizados o pagamento, mas que teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte , não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando que o pagamento realizado em 31.10.2000 foi anterior a qualquer procedimento da fiscalização e da entrega da respectiva DCTF, que constituiu a obrigação tributária, configurandose a hipótese do art. 138 do CTN, de denúncia espontânea, de sorte que transmitiu a DCOMP objeto do presente litígio para reaver os valores indevidamente pagos. A DRJ de Juiz de Fora não homologou o direito creditório da Recorrente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2000 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea não se aplica a pagamento realizado a destempo, de tributo sujeito a lançamento por homologação regularmente declarado (Súmula STJ nº 3600), sendo devida nesse caso a exigência da multa de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido De acordo com a decisão ora recorrida, Na decisão ora recorrida, a DRJ fez remissão ao REsp 962.379, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, DJe 28/10/08, submetido ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do CPC, em que se firmou entendimento de que, na hipótese de tributos Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.901408/200968 Acórdão n.º 1801001.303 S1TE01 Fl. 9 3 sujeitos a lançamento por homologação, o crédito declarado e constituído pelo contribuinte e pago a destempo, não configura denúncia espontânea. A Recorrente apresentou recurso voluntário em que reitera os argumentos da manifestação de inconformidade, ou seja, que teria realizado o pagamento antes de qualquer procedimento da fiscalização, bem como antes da entrega da DCTF, subsumindose ao entendimento do Superior Tribunal Justiça de configuração da hipótese de denúncia espontânea. Juntou, por ocasião do recurso voluntário, a DCTF do 4o trimestre de 2000, entregue em 15/05/20001. Voto Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo – Relatora Tratamse os presentes autos de declaração de compensação relativa a crédito de multa de mora, relativo a pagamento de CSLL do período de apuração de 31/07/2000, com vencimento em 31/08/2000. A Recorrente realizou o pagamento a destempo, em 31/10/2000 com os respectivos consectários legais, porém, em momento posterior, entendeu que se enquadrava na hipótese de denúncia espontânea, art. 138 do CTN, de sorte que o pagamento realizado caracterizavase como indevido. A DRJ não reconheceu o direito creditório, sob a alegação de que a Recorrente não se enquadrava nas condições para o gozo da denúncia espontânea, estabelecidas em consonância com a jurisprudência pacificada do Superior Tribunal de Justiça. Nesse passo, importante estabelecer quais os requisitos para se configurar o instituto da denúncia espontânea, em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, especialmente no REsp 962.379, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, DJe 28/10/08, submetido ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS– GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Considerandose o entendimento no recurso especial em referência, de reprodução obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do art. 62A, do Regimento Interno do CARF c/c art. 543C do CPC, que, inclusive é suscitado pela própria Recorrente, para que se configure a denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação ou “autolançamento”, na forma do art. 150, §4o do Código Tributário Nacional, o pagamento deve preceder a constituição da obrigação tributária. Da documentação acostada aos autos, especialmente da declaração de compensação objeto do presente processo, verificase que o DARF de pagamento é datado de 31/10/2000 e referese a CSLL, do período de apuração de 31/07/2000, com vencimento em 31/08/2000 (fls.27). Não obstante, a DCTF acostada aos autos no advento da apresentação do recurso voluntário, apresentada em 14/02/2001, referese ao 4o trimestre de 2000, ou seja, período compreendido entre 01/10/2000 a 31/12/2000, não abarcando o período de apuração do tributo que teria originado o pagamento indevido, que é CSLL de 31/07/2000, o que obsta a apreciação da ocorrência da denúncia espontânea. E, nessa esteira, entendese que apenas a documentação que reflita de maneira inconteste o direito creditório do contribuinte poderá ensejar o reconhecimento de seu direito creditório, pois a compensação é constituída normativamente por declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, ficando sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Assim, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.901408/200968 Acórdão n.º 1801001.303 S1TE01 Fl. 10 5 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 11075.720024/2010-10
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2005
MULTA ISOLADA. VIOLAÇÃO DO DEVER LEGAL DE ANTECIPAR PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL POR ESTIMATIVA MENSAL.
Incide multa isolada sobre os valores do IRPJ e da CSLL devidos por estimativa mensal, apurados com base na receita bruta e acréscimos ou com base em balancetes mensais de suspensão/redução, que deixaram de ser pagos antecipamente por violação do dever legal de antecipação, ainda que, no
encerramento do ano calendário em 31 de dezembro, tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido.
DEMANDA JUDICIAL EM CURSO. QUESTÃO PREJUDICIAL. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste previsão legal para sobrestamento de processo administrativo tributário, no âmbito do Decreto nº 70.235/72 e do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal – RICARF, pelo fato da contribuinte questionar, em juízo, a legalidade do despacho decisório que julgou a compensação tributária “não declarada” e que, reflexamente, implicou a aplicação, via auto de infração, das multas isoladas objeto da lide deste processo administrativo por descumprimento do dever legal de antecipação de pagamento das exações fiscais devidas por estimativa mensal.
O despacho decisório, questionado judicialmente, aplicou o comando normativo do art. 6º, §1º, inciso II, da Lei nº 9.430/96 que, no caso de saldo negativo do imposto, permite a compensação somente com débitos de períodos subsequentes, vedando, portanto, a utilização de saldo negativo para compensar débitos de períodos pretéritos, por ser norma específica de compensação tributária, afastando, nessa parte, a incidência do art. 74 da Lei
nº 9.430/96. No âmbito da Justiça Federal, a pretensão da recorrente de afastamento da incidência do art. 6º, §1º, II, da Lei nº 9.430/96, tanto na primeira instância quanto na instância recursal, foi denegada, embora ainda pendente de apreciação Embargos de Declaração contra o Acórdão proferido na Apelação
Cível manejada pela contribuinte. De qualquer forma, enquanto inexistir decisão transitada em julgado no processo judicial, o qual é prejudicial deste processo administrativo, a Fazenda Nacional não poderá exigir o crédito tributário objeto destes autos, se restar mantido por decisão irreformável nesta instância administrativa.
Numero da decisão: 1802-001.234
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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VIOLAÇÃO DO DEVER LEGAL DE ANTECIPAR PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL POR ESTIMATIVA MENSAL. Incide multa isolada sobre os valores do IRPJ e da CSLL devidos por estimativa mensal, apurados com base na receita bruta e acréscimos ou com base em balancetes mensais de suspensão/redução, que deixaram de ser pagos antecipamente por violação do dever legal de antecipação, ainda que, no encerramento do anocalendário em 31 de dezembro, tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido. DEMANDA JUDICIAL EM CURSO. QUESTÃO PREJUDICIAL. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal para sobrestamento de processo administrativo tributário, no âmbito do Decreto nº 70.235/72 e do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal – RICARF, pelo fato da contribuinte questionar, em juízo, a legalidade do despacho decisório que julgou a compensação tributária “não declarada” e que, reflexamente, implicou a aplicação, via auto de infração, das multas isoladas objeto da lide deste processo administrativo por descumprimento do dever legal de antecipação de pagamento das exações fiscais devidas por estimativa mensal. O despacho decisório, questionado judicialmente, aplicou o comando normativo do art. 6º, §1º, inciso II, da Lei nº 9.430/96 que, no caso de saldo negativo do imposto, permite a compensação somente com débitos de períodos subsequentes, vedando, portanto, a utilização de saldo negativo para compensar débitos de períodos pretéritos, por ser norma específica de Fl. 118DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 2 2 compensação tributária, afastando, nessa parte, a incidência do art. 74 da Lei nº 9.430/96. No âmbito da Justiça Federal, a pretensão da recorrente de afastamento da incidência do art. 6º, §1º, II, da Lei nº 9.430/96, tanto na primeira instância quanto na instância recursal, foi denegada, embora ainda pendente de apreciação Embargos de Declaração contra o Acórdão proferido na Apelação Cível manejada pela contribuinte. De qualquer forma, enquanto inexistir decisão transitada em julgado no processo judicial, o qual é prejudicial deste processo administrativo, a Fazenda Nacional não poderá exigir o crédito tributário objeto destes autos, se restar mantido por decisão irreformável nesta instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.96/108 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Santa Maria (fls.80/90) que julgou improcedente a impugnação, mantendo os autos de infração de multa isolada do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2005. Quantos fatos: em 09/03/2010, foram lavrados os autos de infração para exigência, respectivamente, de multa isolada de 50% por falta de pagamento de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2005 (fls. 03/10 e 11/17); crédito tributário lançado no montante de R$ 717.867,79, assim especificado: a) multa isolada do IRPJ...................R$ 343.282,52; b) multa isolada da CSLL.................R$ 374.585,27. descrição das infrações imputadas: (...) MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Multa apurada em decorrência da falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. A Declaração de Compensação n° 23950.05304.131107.1.7.02 0053, foi considerada como NÃO DECLARADA, nos termos do Despacho Decisório DRF/URA/Seort n° 6, de 23 de fevereiro de 2010 (em anexo e que passa ser parte integrante deste auto de infração). A indigitada Dcomp utilizava crédito de saldo negativo apurado na DIPJ 2007 e indicava para compensação os débitos de estimativa mensal de IRPJ abaixo arrolados. P.A . IRPJ mar/05 R$ 79.132,83 set/05 R$ 540.419,60 out/05 R$ 33.887,55 nov/05 R$ 33.125,04 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 4 4 Nos termos do disposto no § 13, do artigo 74 da Lei 9.430/96, a compensação considerada "não declarada" não tem o condão de produzir os efeitos explanados no § 2º do citado artigo, ou seja, não extingue o crédito tributário sob condição resolutória. Dessarte, restaram sem recolhimento as estimativas acima colacionadas, acarretando a exigência da multa objeto do presente Auto de Infração. P.A Multa isolada mar/05 R$ 39.566,42 set/05 R$270.209,80 out/05 R$ 16.943,78 nov/05 RS 16.562,52 Total R$ 343.282,51 (...) MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTTMADA Multa apurada em decorrência da falta de pagamento da Contribuição Social, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. A Declaração de Compensação n° 23950.05304.131107.1.7.02 0053, foi considerada como NÃO DECLARADA, nos termos o Despacho Decisório DRF/URA/Seort nº 6 de 23 de fevereiro de 2010 (em anexo e que passa ser parte integrante deste auto de infração). A indigitada Dcomp utilizava crédito de saldo negativo apurado na DIPJ 2007 e indicava para compensação os débitos de estimativa mensal de CSLL abaixo arrolados. P.A. CSLL mar/05 R$530.496,01 set/05 R$194.551,06 out/05 R$ 12.198,44 nov/05 R$ 11.925,01 Nos termos do disposto no § 13, do artigo 74 da Lei 9.430/96, a compensação considerada "não declarada" não tem o condão de produzir os efeitos explanados no § 2 ° do citado artigo, ou seja, não extingue o crédito tributário sob condição resolutória. Dessarte, restaram sem recolhimento as estimativas acima colacionadas, acarretando a exigência da multa objeto do presente Auto de Infração. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 5 5 P.A Multa isolada mar/05 R$265.248,01 set/05 R$ 97.275,53 out/05 R$ 6.099,22 nov/05 R$ 5.962,51 Total R$ 374.585,26 (...) Cientificada dos autos de infração, a interessada protocolizou, tempestivamente, a impugnação na primeira instância de julgamento, aduzindo, em síntese, que: fora surpreendida com a lavratura dos autos de infração, que deram origem a este processo administrativo, por meio dos quais o fisco exige o recolhimento de multa isolada equivalente a 50% sobre estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, quanto aos períodos de apuração de março, setembro, outubro e novembro de 2005, todas consideradas não recolhidas; as referidas antecipações mensais foram regularmente compensadas, mediante a transmissão eletrônica, mediante utilização do programa PER/DCOMP, da Declaração de Compensação n.° 23950.05304.131107.1.7.02 0053, em 13 de novembro de 2007; não obstante, ao analisar tal Declaração de Compensação, a Delegacia da Receita Federal de Uruguaiana emitiu o Despacho Decisório DRF/URA/Seort n.° 6/2010, considerando essa compensação tributária como "não declarada", sob o argumento de que a contribuinte não poderia ter utilizado crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2006, para compensar estimativas mensais do IRPJ e da CSLL relativas a períodos do anocalendário de 2005; a penalidade imposta não merece prosperar; que discorda do conteúdo do Despacho Decisório DRP/URA/Seort n.° 6/2010, em que a Declaração de Compensação n.° 23950.05304.131 i 07.1.7.020053 foi considerada como não declarada. Da inexistência de pressuposto fático para a aplicação da multa: que não encontrou na legislação tributária federal qualquer impedimento para utilizar o saldo negativo do anocalendário 2006 para compensar as estimativas mensais do IRPJ e da CSLL relativas ao anocalendário de 2005 que ainda pendiam de pagamento; que a legislação relativa à compensação de tributos prevê expressamente a possibilidade de "compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF " (art. 26 da Instrução Normativa SEF n.° 600/2005, vigente na época); Fl. 122DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 6 6 que, assim, as estimativas mensais do IRPJ e da CSLL relativas a março, setembro, outubro e novembro de 2005 foram regularmente compensadas. Consequentemente, falta pressuposto fático válido para amparar a aplicação da multa isolada. Da impossibilidade da aplicação de multa isolada: que a multa não é devida no presente caso, uma vez que (i) não houve falta de pagamento do IRPJ e CSLL ao final do anocalendário de 2005 e (ii) referida multa está sendo aplicada em exercício posterior àquele ao qual as estimativas se referem; a imposição da penalidade, ora discutida, somente teria razão de existir se (i) após o encerramento do anocalendário de 2005 a contribuinte houvesse deixado de recolher valores do IRPJ e da CSLL ou (ii) se o lançamento da multa ora contestada tivesse sido efetuado no próprio curso do anocalendário de 2005, momento em que as autoridades fiscais ainda não teriam elementos suficientes para verificar o quantum dabeatur do IRPJ e da CSLL relativo ao final do mesmo período de apuração; que as antecipações mensais, que se referem exclusivamente à forma de recolhimento do IRPJ e da CSLL e não a qualquer um dos aspectos da regra de incidência desses tributos, estão totalmente vinculadas ao ajuste anual ou trimestral, não representando, portanto, uma obrigação tributária principal e autônoma; que a contribuinte citou jurisprudência administrativa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em defesa de sua tese; que, ao final, a requerente pediu a improcedência dos autos de infração, para cancelamento, integral, das multas isoladas aplicadas, na medida em que (i) as estimativas mensais de IRPJ e CSLL foram regularmente pagas (compensadas) e, ainda que assim não seja, (ii) não há como se admitir aplicação de multas isoladas em ano calendário posterior ao ano de 2005, no qual, comprovadamente, não houve falta, mas, sim, excesso de pagamento do IRPJ e da CSLL apurados. A DRJ/Santa Maria, refutando as razões da contibuinte, manteve o lançamento fiscal, conforme Acórdão de 02/09/2010 (fls. 80/90), cuja ementa transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. Encerrado o anocalendário, havendo estimativas do IRPJ não recolhidas ou compensadas, correta a imposição da multa de ofício isolada correspondente. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 7 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 ESTIMATIVAS MENSAIS DA CSLL. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. Encerrado o anocalendário, havendo estimativas mensais da CSLL não recolhidas ou compensadas, correta a imposição da multa de ofício isolada correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 04/02/2011 (fl. 95), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 03/03/2011 (fls.96/108), ainda juntando os documentos de fls. 109/111, cujas razões do recurso, em síntese, são as seguintes: da regularidade da compensação das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2005, pois: a) os saldos negativos apurados no anocalendário 2006 poderiam ser compensados, utilizados a partir de janeiro/2007 para compensação tributária com débitos próprios vencidos ou vincendos; b) que a compensação realizada no curso do anocalendário 2007 – na qual utilizou crédito de saldo negativo do IRPJ relativo ao anocalendário 2006 para quitação dos débitos de estimativa mensal do IRPJ e da CSLL dos períodos de apuração março, setembro, outubro e novembro/2005 – era absolutamente permitida e amparada pela legislação aplicável (IN SRF nº 600/2005, art. 5º e 26); c) que, entretanto, a decisão a quo, afastou esse argumento com base no artigo 6o, §1°, II, da Lei n.° 9.430/96, que determina que o saldo negativo de IRPJ pode ser "compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior " d) que, a partir da instituição da declaração de compensação, a compensação de saldo negativo do IRPJ e da CSLL somente é permitida mediante PER/DCOMP, não existindo a alternativa de compensação direta na escrituração. da necessidade de sobrestamento deste processo administrativo, pelos seguintes motivos: a) que a compensação julgada “não declarada” DCOMP n° 23950.05304.131107.1.7.020053 está sendo questionada, com base nos mesmos argumentos acima, nos autos do Mandado de Segurança n° 500080850.2010.404.7103, o qual atualmente Fl. 124DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 8 8 aguarda julgamento do recurso de Apelação, interposto pela recorrente perante o Tribunal Regional Federal da 4a Região; b) que resta clara a necessidade de sobrestamento deste processo, conforme art. 265, IV, “a”, do Código de Processo Civil; c) que. não obstante, reitera a impossibilidade de aplicação da multa isolada, pois entende ter demonstrado a regular compensação das estimativas mensais de março, setembro, outubro e novembro de 2005, de forma que não haveria pressuposto fático para a aplicação da multa isolada em exame. Por fim, ante o exposto, a recorrente pediu provimento ao recurso, ou seja, a reforma decisão recorrida, de forma que seja reconhecida a regular compensação das estimativas mensais consideradas como base da multa isolada combatida. Caso esse não seja o entendimento, que, alternativamente, seja determinado o sobrestamento do julgamento do presente processo administrativo até o desfecho do Mandado de Segurança n° 5000808 50.2010.404.7103. Ainda, a recorrente reiterou a alegação de inexigibilidade da multa isolada. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 9 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da exigência de crédito tributário a título de multa isolada por falta de pagamento de estimativas menasis do IRPJ e da CSLL, ano calendário 2005. A recorrente rebelase contra a decisão recorrida, alegando a improcedência da aplicação da multa isolada, com base nos seguintes argumentos: que as estimativas mensais do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2005 teriam sido regularmente pagas (compensadas) com utilização de direito creditório – saldo negativo do IRPJ – do anocalendário 2006; que, então, não haveria pressuposto fático para a imposição e exigência de multa isolada; que, caso se entenda diversamente, não há como se admitir a aplicação de multa isolada em anocalendário posterior ao ano de 2005, no qual, comprovadamente, não houve falta de pagamento do IRPJ e da CSLL , com base na declaração de ajuste anual. A irresignação da recorrente não merece prosperar. A contribuinte tencionou compensar, utilizar o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2006 (crédito) para quitação de débitos de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2005, mediante utilização do programa PER/DCOMP, conforme DCOMP nº 23950.05304.131107.1.7.020053. Entretanto, essa compensação tributária foi julgada “não declarada” por inobservância da legislação de regência, conforme Despacho Decisório da DRF/URA/Seort n.° 6/2010. Val dizer, a compensação tributária, como forma de extinção da obrigação tributária e sob condição resolutória, só pode ser efetuada nos limites autorizados em lei específica. No caso, a recorrente inobservou o disposto no art. 6º, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 10 10 I – (omissis) II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Ainda, o Ato Declaratório SRF n° 003, de 07 de janeiro de 2000, possibilitou a restituição ou compensação do saldo negativo do IRPJ e da CSLL, apurado anualmente, com IRPJ ou CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Como visto, o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2006 pode ser compensado com o IRPJ ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro de 2007, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a sua restituição. Jamais, o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2006 poderia ser utilizado para quitação de débitos pretéritos, mormente do anocalendário 2005. Entretanto, a contribuinte, à revelia da legislação de regência, tentou compensar o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2006 (crédito) com estimativas mensais ainda não recolhidas do IRPJ do anocalendário 2005 (débito), infringindo o disposto no art. 6º, § 1º, II da Lei nº 9.430, de 1996. Por isso, da aplicação e exigência da multa isolada do IRPJ e da CSLL em relação às estimativas mensais que restaram não quitadas do anocalendário 2005, em face da compensação julgada “não declarada”. Entretanto, nas razões do recurso, a recorrente alegou que, após o encerramento do anocalendário, sequer se justificaria a aplicação de multa isolada por falta de pagamento das antecipações do IRPJ e da CSLL devidos por estimativas mensais desse ano calendário, pois deveria prevalecer a situação apurada com base no lucro real, no encerramento do anocalendário em 31 de dezembro (declaração de ajuste anual); que, no encerramento do anocalendário 2005, constatou que as antecipações de pagamentos, a título de estimativas mensais dessas exações fiscais, já haviam suplantado os valores apurados com base no lucro real; que houve excesso de antecipações pagas; que não haveria, por conseguinte, pressuposto fático para a imposição da multa isolada. Não procede a argumentação da recorrente. Embora não exista uniformidade de entendimento na jurisprudência deste CARF quanto à multa isolada, no caso de violação do dever legal de fazer antecipação de pgamento do IRPJ e da CSLL devidos por estimativa mensal, o entendimento desta Turma de Julgamento é pela aplicação e exigência da multa isolada, na forma da Lei nº 9.430/96, art. 44, II, “b”, com redação atualizada pela Lei nº 11.488/2007, que assim dipõe, in verbis: (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 11 11 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Entendimento diverso do insculpido na Lei, seria tornála “letra morta”, pelo menos para deleite de uma parcela de contribuintes, em tese, recalcitrantes em cumprilá. Ora, a lei não tem expressões ou palavras inúteis. Não se pode confundir o fato gerador do IRPJ e da CSLL com base no lucro real anual, no encerramento do anocalendário em de 31 de dezembro e informados na declaração de ajuste anual, com o fato gerador da obrigação acessória, mensal, de antecipar o pagamento dessas exações fiscais com base na receita bruta mensal e acréscimos ou com base em balancete mensal de suspensão/redução. Como visto são obrigações de natureza diversa. Na primeira situação, está definido na lei o fato gerador da obrigação principal que ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário, com base no lucro real anual, quanto ao IRPJ e CSLL; na segunda situação, está definido o fato gerador da obrigação acessória, dever legal de antecipar, mensalmente, o pagamento dessas exações, com base na receita bruta e acréscimos ou com base em balancetes mensais de suspensão/redução. A multa isolada, por falta de antecipação mensal dessas exações fiscais, é devida, ainda que no final do anocalendário a empresa tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL. Por conseguinte, é irrelevante, ao final do anocalendário respectivo, se houve prejuízo fiscal ou se já houve pagamento por antecipação em excesso de estimativa mensal, pois acerca dos débitos apurados por estimativa mensal e não pagos por anticipação, incide sim a multa isolada, justamente, pela quebra do dever legal de fazer a antecipação do pagamento. O descumprimento de obrigação acessória (quebra do dever legal de antecipar pagamento de estimativas mensais) convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária, conforme art. 113 do CTN, in verbis: (...) Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º (...) § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 128DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 12 12 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Ainda, em matéria tributária são inaplicáveis os princípios da consunção ou da absorção, elaborados pela doutrina penalista no campo da teoria do crime, pois aqui não se trabalha com o bem da vida jus libertatis, mas sim com bens de relevância econômicojurídico tributária, pressupostos para incidência de obrigação tributária principal e acessória. Na esfera administrativotributário, a infração “violação de obrigação principal” (falta de pagamento de imposto) não absorve a infração “violação de obrigação acessória (dever legal de antecipar pagamento de exação fiscal devida por estimativa mensal). No campo das infrações administrativotributárias, as penalidades são cumulativas, como regra. Não há espaço para aplicação de teoria da consunção ou da absorção de infração na legislação tributária, sendo irrelevante a classificação ou distinção das infrações administrativotributárias em infração de maior potencial lesivo ou de menor potencial lesivo, para efeito de infração meio ou de infraçãofim. Se fosse admitida a absorção da infração descumprimento de obrigação acessória (violação do dever de antecipar pagamento de estimativa mensal) pela infração – descumprimento de obrigação principal “falta de pagamento de saldo de imposto” na declaração de ajuste anual, haveria subversão da ordem jurídicotributária, quebra da isonomia de tratamento tributário aos contribuintes do lucro real anual, pois para os contribuintes, em tese, relapsos, recalcitrantes ou contumazes descumpridores da lei, que determina a antecipação do pagamento das estimativas mensais, ela seria “letra morta”; porém, seria plenamente válida e eficaz, apenas, para os contribuintes que religiosamente antecipam o pagamento das estimativas mensais. Então, seria patrocinar, no campo tributário, a “Lei de Gerson”, ou seja, “leva vantagem quem for mais esperto”. Porém, o sistema tributário não permite isso. Devese rechaçar, também, a tese de alguns da impossibilidade de dupla penalização pelo mesmo fato econômico de relevância jurídicotributária, pois no campo administrativotributário, como já dito alhures, a cumulatividade de multas é a regra. Por exemplo, se a omissão de receita ou glosa de uma despesa, em determinado mês, implicou violação do dever legal de antecipar pagamento imposto por estimativa mensal nesse mês e, ao mesmo tempo, implicou falta de pagamento de saldo do imposto na declaração de ajuste anual, incidem duas multas de natureza administrativo tributária autônomas, cujos fatos geradores são diversos; uma, por descumprimento de obrigação acessória (violação do dever de antecipar pagamento de exação fiscal por estimativa mensal) e, outra, por descumprimento de obrigação principal (falta de pagamento de saldo de imposto, apurado na declaração de ajuste anual). Em relação ao processo judicial autos do Mandado de Segurança n° 500080850.2010.404.7103 – no qual a contribuinte busca provimento jurisdicional, discutindo Fl. 129DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 13 13 suposta ilegalidade do Despacho Decisório que julgou a compensação como “não declarada” – também não teve melhor sorte, pois tanto na primeira instância da Justiça Federal, quanto na instância recursal – TRF/4ª Região, sua tese foi rejeitada ou denegada. A propósito, em grau de recurso no TRF/4ª Região, muito recentemente foi negado provimento à Apelação da contribuinte, na sessão do dia 14/02/2012. Nesse sentido, transcrevo a ementa e o Acórdão da Egrégia 2ª Turma do TRF/4ª Região, in verbis: APELAÇÃO CÍVEL Nº 500080850.2010.404.7103/RS RELATOR: Des. Federal OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA APELANTE: AES URUGUAIANA EMPREENDIMENTOS SA ADVOGADO: Thales Michel Stucky : MARCOS CALEFFI PONS : Laura Ely de Carvalho APELADO APELADO: UNIÃO FAZENDA NACIONAL MPF: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL EMENTA TRIBUTÁRIO. IRPJ RECOLHIDO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO IMPOSTO APURADOS EM EXERCÍCIO PRETÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 6º, §1º, II, LEI Nº 9.430/96. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA ‘NÃO DECLARADA'. LEGALIDADE DO ATO. ART. 74, §§ 3º E 12º, I, LEI Nº 9.430/96. 1. No caso do saldo negativo do imposto de renda pessoa jurídica, a expressão contida no art. 6º, §1º, inciso II, da lei nº 9.430/96 permite a compensação somente com períodos subsequentes, vedando, portanto, a utilização desse saldo negativo para compensar períodos pretéritos. 2. Diante disso, relativamente aos tributos referentes a fatos geradores anteriores a 31 de dezembro do ano em que foi constatado saldo negativo, o art. 6º, §1º, inciso II, da Lei nº 9.430/96 constitui norma específica do imposto de renda de pessoa jurídica que arreda a possibilidade de compensação por meio da declaração prevista no art. 74 daquele diploma legal. Caso fosse intenção do legislador permitir a compensação nos termos em que postulado pela parte, teria no art. 6º, inciso II, da mesma lei, feito mera remissão ao seu art. 74, já que institutos tratados no mesmo diploma normativo. 3. Em havendo norma específica para o imposto de renda da pessoa jurídica tributada pelo lucro real e recolhido por estimativa, o fisco, ao considerar a compensação como 'não declarada', atendeu aos preceitos contidos nos §§ 3º e 12º, I, do art. 74 da Lei 9.430/96. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 14 14 4. Logo, não há fundamento legal que autorize a pretensão, uma vez que não se constata qualquer ilegalidade na conduta da autoridade impetrada que indeferiu a utilização do saldo negativo de imposto de renda anocalendário 2006 para compensação com débitos referentes a fatos geradores do ano calendário 2005, pois a norma que trata do tema art. 6º, § 1º, II, Lei 9.430/96. , é explícita sobre tal impedimento. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por maioria, negar provimento à apelação, vencida a Juíza Cláudia Maria Dadico, nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. (...) A contribuinte apresentou embargos de declaração, ainda pendente de julgamento pelo TRF/4ª Região, conforme última movimentação registrada em 09/04/2012. Por fim, quanto ao pedido de sobrestamento do presente processo administrativo, até que haja decisão definitiva nos autos do citado processo judicial (alegou questão prejudicial), não há previsão legal de sobrestamento do processo administrativo no Decreto nº 70.235/72 e não há previsão, também, no Regimento Interno do CARF, no caso o RICARF, para essa situação dos autos. De qualquer forma, enquanto inexistir decisão transitada em julgado no processo judicial, o qual é prejudicial deste processo administrativo, a Fazenda Nacional não poderá exigir o crédito tributário objeto destes autos, se restar mantido por decisão irreformável nesta instância administrativa. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 131DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000309/2001-79
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 24/10/2000
RESTITUIÇÃO. ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM. OPERAÇÃO NÃO CONSIDERADA COMO DE EXPEDIÇÃO DIRETA.
A não apresentação de documento emitido pela alfândega do país de trânsito, que comprove a vigilância aduaneira sobre a mercadoria, quando requerida no processo de avaliação de origem, implica o não cumprimento do requisito de origem de que trata o art. 4o, b, da Resolução 252 da ALADI e considerar a operação de transporte como não sendo de expedição direta. Descumpridos os requisitos de origem, é descabido o direito ao benefício.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3202-000.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Antônio Carlos Guimarães Gonçalves, OAB/SP nº. 195.691.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Helder Massaaki Kanamaru.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1992; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 263 1 262 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.000309/200179 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.680 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2013 Matéria II. RESTITUIÇÃO Recorrente PANASONIC DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/10/2000 RESTITUIÇÃO. ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM. OPERAÇÃO NÃO CONSIDERADA COMO DE EXPEDIÇÃO DIRETA. A não apresentação de documento emitido pela alfândega do país de trânsito, que comprove a vigilância aduaneira sobre a mercadoria, quando requerida no processo de avaliação de origem, implica o não cumprimento do requisito de origem de que trata o art. 4o, “b”, da Resolução 252 da ALADI e considerar a operação de transporte como não sendo de expedição direta. Descumpridos os requisitos de origem, é descabido o direito ao benefício. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou se impedido. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Antônio Carlos Guimarães Gonçalves, OAB/SP nº. 195.691. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Helder Massaaki Kanamaru. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 03 09 /2 00 1- 79 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Tratam os autos de pedido de restituição (fl. 56), no valor de R$ 32.515,25, referente ao Imposto de Importação, em razão de a interessada, segundo alega, haver recolhido tributo a maior. A contribuinte, em 24/10/2000, promoveu a importação de mercadorias amparada pela DI nº 00/10169398 (fls. 34/37), tendo sido desembaraçadas junto à Alfândega do Porto de Santos/SP. Preditas mercadorias foram produzidas no México e enviadas para os Estados Unidos para embarque no Brasil. Por tratarse de mercadoria produzida por país integrante da ALADI, entendeu a interessada que teria direito à redução do Imposto de Importação de 20% sobre a alíquota normal, independentemente da localização geográfica do exportador, no caso, os Estados Unidos. Tendo a interessada efetuado o recolhimento integral do mencionado imposto, por não ter conseguido, segundo alega, registrar a redução tarifária pretendida no SISCOMEX, entendeu valerse de direito creditório do imposto de importação que teria sido pago a maior, razão pela qual, em 28/12/2000, requereu o reconhecimento do pretenso crédito, com a correspondente restituição. A Alfândega do Porto de Santos indeferiu o pedido da contribuinte (fl. 67/68), ao que a interessada manifestou sua inconformidade por meio da manifestação de inconformidade apresentada às fls.71/85. A DRJFortaleza/CE indeferiu o pleito da requerente (fls. 94/108), por entender que a importação realizada não atendeu às exigências legais para a aplicação da redução tarifária prevista no acordo internacional firmado no âmbito da ALADI. Alegou aquele órgão julgador que as Faturas Comerciais apresentadas (fls. 40/42), bem como a informação nos Certificados de Origem dos números das faturas comerciais emitidas pelo fabricante no México, evidenciavam que as mercadorias tinham sido objeto de comércio entre o produtor do México (paísmembro da ALADI) e a empresa dos Estados Unidos da América (país não membro da ALADI), que as teria revendido para o importador no Brasil. Tal comercialização, envolvendo país de trânsito não pertencente à ALADI, impediria a aplicação da redução tarifária solicitada, por não atender ao requisito previsto no art. 4º, alínea” b”, ii, da Resolução/ ALADI nº. 252. Irresignada, a contribuinte ofereceu Recurso Voluntário a este Colegiado (fls.113/134), onde apresentou, em linhas gerais, os mesmos argumentos expendidos na inicial. Salientou, ainda, que a triangulação efetuada com a empresa dos Estados Unidos deveuse a motivos geográficos e que o trânsito das mercadorias no território americano, pela própria natureza da operação, deuse sob a vigilância da autoridade aduaneira daquele país, com os rigores que lhes são próprios. Ao final, requereu o reconhecimento da existência do crédito tributário passível de restituição. Em sessão de 22 de maio de 2007, a Primeira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº. 3011.847, decidiu converter o julgamento em diligência, para que fossem juntados aos autos cópias das duas faturas comerciais expedidas pelo produtor no México, de números TA 3841 e TA 3833. (fls.155/159). Fl. 264DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.000309/200179 Acórdão n.º 3202000.680 S3C2T2 Fl. 264 3 Em sessão de 12/08/2008, por meio da Resolução nº. 30102.007, diante de dúvidas existentes, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes achou por bem converter novamente o julgamento em diligência, para: a) que a contribuinte juntasse declaração da Alfândega dos Estados Unidos da América, no sentido de explicar o motivo de a mercadoria em questão ter sido introduzida em seu território. b) fosse solicitada manifestação do Departamento de Negociações Internacionais/Secex, quanto à comercialização de mercadoria por operador de terceiro país, membro ou não da ALADI (art. 9o da Resolução no 252 da ALADI – Decreto no 3.325/99), a fim de que respondesse aos seguintes quesitos: “b1) pode a operação estar ao amparo de preferência tarifária prevista no acordo (PTR4), no caso de a mercadoria ter sido vendida pelo produtor (México) e entregue a esse 3o país (Estados Unidos da América), e depois ter sido exportada pelos EUA para o Brasil, oportunidade em que foi emitido o Certificado de Origem com a observação de que a mercadoria foi objeto de faturamento pelos EUA? b2) nos casos da espécie, para efeitos de condição ao uso do benefício, a interveniência de operador de terceiro país afasta a obrigatoriedade do requisito de expedição direta de que trata o art. 4o da Resolução no 252? e b3) ainda quanto ao requisito de expedição direta (art. 4o, “b”, ii, da Resolução no 252): a venda da mercadoria (com emissão de fatura comercial) e sua expedição para terceiro país, e a posterior comercialização e expedição do 3o país para o Brasil (com emissão de fatura comercial), não são fatos que excluem a mercadoria da preferência tarifária, tendo em vista que o dispositivo citado veda o benefício quando se tratar de mercadorias destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito? Vale dizer, o comércio posterior da mercadoria já em poder do operador exportador do 3o país, não se caracteriza como uma expedição não direta pelo país de origem, tendo em vista que a mercadoria foi enviada para 3o país e depois foi comercializada com o Brasil?” A contribuinte manifestouse às fls. 189/205. Quanto ao pronunciamento do Departamento de Negociações Internacionais/Secex, requerido pelo Conselho de Contribuintes, contrariando a decisão daquele Colegiado e manifestando juízo de valor que não lhe era cabível, achou por bem a Alfândega do Porto de Santos encaminhar os autos à COANA, para “firmar orientação sobre o caso”(fls. 224/226). A COANA, então, asseverou que o entendimento da Receita Federal já tinha sido firmado pela Alfândega do Porto de Santos, quando do indeferimento do pedido de restituição (efls. 251/252). Às fls. 258/259, a Alfândega do Porto de Santos juntou aos autos cópia do Ofício nº. 223/2008/DEINT, onde aquele Departamento respondeu os mesmos quesitos formulados nestes autos pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, mas que se refere a outros processos administrativos, versando, no entanto, sobre idêntica matéria e cuja contribuinte é a mesma empresa Panasonic do Brasil Ltda. Cumprida a diligência requerida, retornaram os autos a este Colegiado, para julgamento. É o Relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O benefício pretendido pela recorrente, que lhe daria a redução tarifária do Imposto de Importação, decorre da aplicação do Acordo de Preferência Tarifária – APTR nº. 04, internalizado no Brasil pelo Decreto no 90.782/84, e que, em seu artigo 9º, adota expressamente o Regime de Origem da ALADI, consubstanciado na Resolução n° 252, que aprovou o texto consolidado e ordenado da Resolução no 78, do Comitê de Representantes da Associação LatinoAmericana de Integração, e que foi incorporada à legislação brasileira pelo Decreto nº. 3.325, de 30/12/99. Referido Acordo foi firmado entre Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela e estabelece preferência tarifária regional na importação de produtos similares provenientes de países de terceiros. Essa preferência estabelece uma redução percentual, que varia conforme a categoria do país que concede a redução e a do que recebe. O cerne do litígio está em se saber se há impedimento ao enquadramento do benefício previsto no Acordo da ALADI quando a mercadoria é vendida e remetida pelo México (país de origem) aos Estados Unidos da América e, depois, exportada deste país para o Brasil, com emissão de Certificado de Origem que informa o faturamento pela empresa dos EUA. Comprovado que as mercadorias em questão são originárias de país signatário do referido Acordo, por meio dos Certificados de Origem acostados às fls. 43/44, resta saber se o trânsito das mercadorias pelos Estados Unidos, país não signatário, estaria em conformidade com as disposições da Resolução/ALADI nº 252, que assim dispõe em seu art. 4º: "QUARTO Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: a) as mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do Acordo; b)as mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos de transportes; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iü) não sofram, durante o seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.000309/200179 Acórdão n.º 3202000.680 S3C2T2 Fl. 265 5 Da leitura do referido dispositivo, inferese que, para gozo do benefício, as mercadorias devem ser transportadas diretamente do país exportador signatário do Acordo para o país importador também signatário (expedição direta), sendo possível efetuarse o trânsito por países não participantes do Acordo, desde que sejam preenchidas as condições estabelecidas na alínea b do referido artigo. No caso em questão, a recorrente não logrou comprovar o preenchimento de uma das condições ali impostas, qual seja: que o trânsito, nos Estados Unidos da América, deu se sob vigilância da autoridade competente naquele país. Devidamente intimada, em razão de diligência requerida pela antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, a recorrente não apresentou o documento alfandegário dos EUA, para que ficasse provada a vigilância no país de trânsito, limitandose apenas a informar que “diante do Termo de Intimação acima referido, a Requerente envidou todos seus esforços para obter o documento solicitado. No entanto, no caso dos presentes autos, apesar da colaboração do exportador no sentido de tentar resgatar o documento da alfândega dos EUA que amparou a entrada das mercadorias naquele país (documento apresentado em outros processos administrativos similares a este), não foi possível obtê lo.”(fl.192). A apresentação de tal documento mostrase de fundamental importância para que a operação possa ser considerada como de exportação direta e se tenha por preenchidos todas as condições impostas pelo art. 4o, “b”, da Resolução 252 da ALADI. Neste ponto, passo a adotar como razões de decidir o voto do Conselheiro Jose Luís Novo Rossari, proferido nos autos do processo nº. 11128.006566/0081, o qual transcrevo abaixo: “Em resposta à intimação decorrente da diligência solicitada pela 1ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes, o Departamento de Negociações Internacionais (Deint) da Secretaria de Comércio Exterior do MICT respondeu a cada uma das questões enunciadas no relatório, esclarecendo, de forma abrangente quanto às operações efetuadas por operador de terceiro país, verbis: “(1) Resposta: Conforme entendimento deste DEINT, a operação acima citada cumpre com o disposto na normativa que trata de exportação via operador de um terceiro país no âmbito do regime de origem da ALADI (Art. 9o da Resolução 252). Ademais, a Resolução 252 da ALADI não dispõe em contrário, no que diz respeito à possibilidade de a fatura comercial emitida no país de origem da mercadoria apresentar data posterior à da fatura emitida no país em que se encontra o terceiro operador. Cabe aqui observar, que esse mecanismo é adotado ao âmbito do APTR4, tendo em vista que em determinadas situações, o terceiro operador não tem o conhecimento prévio da quantidade/preço das mercadorias que serão destinadas para o país outorgante da preferência. (2) Resposta: A regra referente a operador de terceiro país não afasta a obrigatoriedade de observação do Fl. 267DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 requisito referente à expedição direta. Dessa forma, deverão ser atendidos os critérios dispostos no Art. 4, inciso b: “QUARTO. – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: (...) b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: (destaquei) i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. (3) Resposta: Este DEINT entende que a exportação da mercadoria para o Brasil não contraria o art. 4o, ii, tendo em vista que a expressão “não estejam destinadas ao comércio [...] no país de trânsito” diz respeito apenas aos casos em que a mercadoria é revendida internamente no país de trânsito. Esta situação não ocorre na operação via operador de um terceiro país (Estados Unidos), tendo em vista que este agente comercial reexportará a mercadoria para o país (Brasil) que concede a preferência ao país de origem da mercadoria (México).” Ao final, o Deint/SCI/MICT acrescenta que: “Diante do exposto, informamos que as operações dispostas nos Ofícios GAB/nos 193/08, 195/08, 197/08, 198/08 e 208/08 cumprem com o disposto nos artigos 4o e 9o da Resolução 252 da ALADI. No que diz respeito aos Ofícios/GAB/nos 194/08 e 196/09, entendemos que as operações dispostas nestes documentos cumprem com o art. 9o da Resolução, entretanto, com relação ao art. 4o é necessário verificar se o documento Transportation Entry and Manifest of Goods Subject to Customs Inspection and Permit ou equivalente, foi emitido pela aduana dos Estados Unidos.” (destaquei) O órgão demandado foi claro no sentido de que a operação cumpre com o disposto no art. 9o da Resolução, que trata de faturamento por parte de um operador de terceiro país, membro ou não da ALADI. Cumpre ressaltar, no entanto, que, devidamente intimada, a recorrente não apresentou o documento alfandegário dos EUA, para que ficasse provada a vigilância no país de trânsito. Tratase de exigência que foi objeto de Resolução da 1ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes, por ter sido considerada de fundamental Fl. 268DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.000309/200179 Acórdão n.º 3202000.680 S3C2T2 Fl. 266 7 importância para que a operação possa ser considerada como de exportação direta, em observância ao disposto no art. 4o, “b”, da Resolução 252 da ALADI. E o entendimento da Câmara foi integralmente ratificado na manifestação do Deint/SCE/MICT pertinente à mercadoria objeto de lide, quando esse órgão acrescentou, de forma expressa e clara, ser necessário verificar se o documento de que se trata foi emitido pela aduana dos EUA. As redações contidas na lei ou em tratados internacionais não contém palavras ou expressões inúteis. A existência de norma estabelecendo a vigilância de autoridade aduaneira do país de trânsito para que a operação esteja amparada no regime de origem, não pode ser desconsiderada. Destarte, contrariamente ao que defende a recorrente, o fato de a Resolução estabelecer em seu art. 4o, “b”, que “considerase como expedição direta as mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes (...) sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países (...)” significa que, mesmo que não tenha sido instituído documento específico na ALADI para comprovar essa vigilância, o que é óbvio, visto que diz respeito a países que não fazem parte do Acordo – se houver necessidade de tal comprovação, essa deverá ser satisfeita, sob pena de a operação ser considerada uma expedição não direta. A recorrente foi devidamente intimada para satisfazer à exigência e não apresentou o documento requerido. A alegação de que matéria similar teve decisão favorável à recorrente em instância superior não pode ter qualquer vinculação com o caso presente, tendo em vista que este processo está enriquecido com a existência de elementos concretos e objetivos aplicáveis à matéria, principalmente das informações específicas sobre o acordo de origem trazidas pela Secretaria de Comércio Exterior do MICT, órgão incumbido do acompanhamento e aplicação dos regimes de origem nos Acordos da ALADI e do MERCOSUL (Decreto no 6.209/2007, anexo I, art. 17, V), o que o distingue daqueles alegados. Em vista dos elementos trazidos aos autos e considerando as conclusões objetivas da Secretaria de Comércio Exterior/Deint a respeito da matéria, entendo que a importação não atende aos requisitos de origem previstos no art. 4o da Resolução no 252 do Comitê de Representantes da ALADI, posta em execução pelo Decreto no 3.325, de 1999, restando descabido o direito ao benefício previsto no PTR4.” Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto Irene Souza da Trindade Torres Fl. 269DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 13603.901695/2008-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO A QUE CORRESPONDE, NA TIPI, A NOTAÇÃO NT. DERIVADO DE PETRÓLEO. PRODUTO IMUNE. CABIMENTO.
O chamado crédito presumido de IPI, concedido e disciplinado pelas Leis nos 9.363/96 e 10.276/01, alcança a exportação de produto submetido a processo industrial que, em razão da imunidade prevista pela CF/88, artigo 155, § 3o, corresponder à notação NT na TIPI.
Numero da decisão: 3403-001.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan (relator) e Antonio Carlos Atulim. Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Marcos Tranchesi Ortiz - Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1750; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 419 1 418 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.901695/200867 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.907 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2013 Matéria IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Recorrente PETRONAS LUBRIFICANTES BRASIL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO A QUE CORRESPONDE, NA TIPI, A NOTAÇÃO “NT”. DERIVADO DE PETRÓLEO. PRODUTO IMUNE. CABIMENTO. O chamado “crédito presumido de IPI”, concedido e disciplinado pelas Leis nos 9.363/96 e 10.276/01, alcança a exportação de produto submetido a processo industrial que, em razão da imunidade prevista pela CF/88, artigo 155, § 3o, corresponder à notação “NT” na TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan (relator) e Antonio Carlos Atulim. Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Marcos Tranchesi Ortiz Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 16 95 /2 00 8- 67 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre a DCOMP de fls. 9 a 2261, buscando compensar saldo credor de IPI (R$ 450.189,77) apurado no 4o trimestre de 2003. Na composição do saldo credor, há créditos básicos e crédito presumido de IPI (fls. 39 e 162). Por meio do Termo de Verificação Fiscal de fls. 303 a 311, concluise que: (a) a empresa adquire lacres para manter invioláveis os tambores que acondicionam seus produtos, que não podem ser considerados como material de embalagem, glosandose o crédito correspondente (R$ 145,00); e (b) no que se refere ao crédito presumido, parte dos produtos exportados (óleos lubrificantes) eram NT (nãotributados), devendo ser excluídos do cômputo, ocasionando glosa de R$ 61.445,69. A autoridade local da RFB acata o Termo de Verificação Fiscal e indefere parcialmente o pleito (fls. 282), reconhecendo direito creditório de R$ 388.599,08. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 269 a 281), a empresa não questiona a glosa referente aos lacres, informando que efetuaria o correspondente pagamento, mas solicita reconhecimento total do crédito presumido, pois o art. 1o da Lei no 9.363/1996 não exige que as mercadorias sejam tributadas pelo IPI. Em 18/3/2011, no julgamento de primeira instância (fls. 372 a 377), analisa se exclusivamente a questão do crédito presumido (tendo a empresa pago o imposto relativo à matéria não contestada, referente à aquisição de lacres), acordandose: (a) pela falta de amparo legal para o reconhecimento do crédito de IPI para produtos exportados classificados na TIPI como “NT”; e (b) pelo reconhecimento de crédito presumido no valor de R$ 13.014,54, referente a créditos acumulados no segundo e no terceiro trimestres de 2003, segundo dados apurados pela fiscalização (demonstrativo de fl. 359), reduzindose a glosa a R$ 48.431,15. Cientificada da decisão em 2/5/2011 (fl. 382), a empresa apresenta recurso voluntário em 30/5/2011 (fls. 383 a 393), no qual argumenta que: (a) o objetivo do benefício estabelecido pela Lei no 9.363/1996, que tem origem na Medida Provisória no 948/1995, é desonerar as exportações, aumentando a competitividade dos produtos brasileiros, não exigindo a lei que as mercadorias sejam tributadas pelo IPI, mas apenas que sejam mercadorias nacionais destinadas a exportação; (b) o ressarcimento é de “PIS” e COFINS e o mecanismo para tal ressarcimento é o crédito presumido de IPI, sendo irrelevante o fato de o produto exportado ser classificado como “NT” na TIPI; e (c) a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI das receitas decorrentes de exportação de produtos classificados na TIPI como “NT” é tema pacificado no âmbito do CARF. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 420DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901695/200867 Acórdão n.º 3403001.907 S3C4T3 Fl. 420 3 Voto Vencido Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A matéria controversa em sede de Recurso Voluntário restringese à oposição à glosa do crédito presumido pela autoridade fiscal, em virtude da exclusão das exportações de produtos “NT” da apuração do benefício. O crédito presumido em comento é estabelecido na Lei no 9.363/19962, que dispõe, nos arts. 1o, 2o, 3o e 6o que: “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art.2oA base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Art.3o (...) Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (...) Art.6oO Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais 2 A Lei no 10.276/2001 estabelece forma alternativa de creditamento, reconhecendo a aplicação subsidiária da Lei 9.363/96 em seu art. 1o, parágrafo 5o. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador.” (grifo nosso) Não há dúvidas de que o benefício criado pela Lei no 9.363/1996 objetivava desonerar as exportações, aumentando a competitividade dos produtos brasileiros, como afirmado no Recurso Voluntário. Mas a simples leitura dos comandos legais já mostra que tal benefício não é amplo a ponto de abarcar quaisquer produtos nacionais exportados. Vejase que o caput do art. 1o fala em ressarcimento à empresa “produtora e exportadora” relativo a aquisições no mercado interno de bens para “utilização no processo produtivo”. Como se destaca na informação fiscal e no julgamento de piso, extraindose conceito da Lei do IPI (Lei no 4.502/64), com autorização expressa do parágrafo único do art. 3o da Lei no 9.363/1996, estabelecimento produtor é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Não é, assim, irrelevante o fato de o produto exportado ser não industrializado ou classificado como “NT” na TIPI. A Portaria MF no 64, de 24/3/20033, com autorização expressa da lei (art. 6o da Lei no 9.363/1996) estabeleceu, no inciso II do § 12 de seu art. 3o: “§ 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: (...) II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais;” (grifos nossos) É de se destacar, aqui, que o pedido que dá ensejo a este processo (DCOMP transmitida em 14/1/2004, e referente ao 4o trimestre de 2003) ocorre sob a égide da referida Portaria MF, na qual o Ministro da Fazenda usa regularmente da competência legalmente atribuída. Assim, não se pode admitir a inclusão dos produtos “NT” e não industrializados no cômputo da receita bruta de exportação. E percebase que não se está a violar o art. 111 do CTN, seja porque tal comando trata especificamente de isenções, ou simplesmente porque a interpretação apontada como restritiva ao benefício é expressamente autorizada pelo legislador ordinário. Aliás, esse é o entendimento explicitado pelo STJ, em julgados recentes: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVOS REGIMENTAIS NOS RECURSOS ESPECIAIS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. FORMA DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES REFERENTES A AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 993.164/MG. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. O STJ já se manifestou pela legalidade da limitação imposta pelas IN SRF 313/2003 e 419/2004, de cômputo dos valores referentes a exportação de produtos não tributados na base de 3 Disciplinada pelas IN SRF 313/2003 (Lei 9.363/96) e 315/2003 (alternativaLei 10.276/2001). Fl. 422DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901695/200867 Acórdão n.º 3403001.907 S3C4T3 Fl. 421 5 cálculo do crédito presumido do IPI, na medida em que, a própria Lei 9.363/96 admitiu a possibilidade de ampliação ou restrição do conceito de "receitas de exportação" por norma de hierarquia inferior. Precedentes: REsp 982.020/PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 14/02/2011 e AgRg no REsp 1236305/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16/05/2011. 2. Tendo em vista que, além do reconhecimento do direito da contribuinte a computar, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores referentes aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, houve o deferimento da pretensão de correção monetária de tais valores, concluise que houve o decaimento da Fazenda em maior proporção.” 4 (grifo nosso) O STJ notoriamente comunga do entendimento pela regularidade da definição infralegal de “receita de exportação”: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º, 2º E 6º, DA LEI N. 9.363/96. (...). ILEGALIDADE DO ART. 2º, §2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 23/97. LEGALIDADE DO ART. 17, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 313/2003. CORREÇÃO MONETÁRIA. (...). (...) 2. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. 3. O art. 17, §1º, da IN SRF n. 313/2003, não viola o art. 2º, da Lei n. 9.363/96, pois encontra guarida no art. 6º, da mesma lei, que admitiu que o conceito de "receita de exportação" (componente da base de cálculo do benefício fiscal) ficaria submetido a normatização inferior, podendo, inclusive, ser restringido ou ampliado, conforme a teleologia do benefício e razões de política fiscal. 4. O tema da correção monetária dos créditos escriturais de IPI é matéria sumulada neste STJ (Súmula 411/STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco") e já foi objeto de julgamento pela sistemática para recursos repetitivos prevista no artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, no REsp. Nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. 4 AgRg no REsp 1239952/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, unânime, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 5. A compensação tributária submetese ao regime em vigor na data do ajuizamento da demanda. Tema que já foi objeto de julgamento no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.137.738 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.12.2009.” 5 (grifo nosso) Improcedente, então, o pleito de inclusão dos produtos NT e não industrializados no cômputo da receita bruta de exportação. Por fim, em relação à afirmação de que a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI das receitas decorrentes de exportação de produtos classificados na TIPI como “NT” é tema pacificado no âmbito do CARF, inclusive na CSRF, incumbe ressaltar que os julgados apresentados se referem a apreciações feitas pelo tribunal na década passada (de 2002 a 2008), em grande parte sob a influência de normas como a Portaria MF no 38, de 27/2/1997 (revogada pela retrocitada Portaria MF no 64, de 24/3/2003), que contemplava de forma alargada o benefício. Em julgados mais recentes (e que se referem a períodos em que a Portaria MF no 64, de 24/3/2003 já estava vigente), verificase que a jurisprudência majoritária é no sentido oposto ao apontado pela recorrente (seja no que se refere a produtos “NT” ou a produtos não industrializados). Em que pese o fato de tais julgamentos (assim como os trazidos no Recurso Voluntário) não vincularem a presente decisão, é de se transcrever abaixo excertos de acórdãos recentes (inclusive desta Turma), que demonstram o exposto: “Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, o montante correspondente à exportação de produtos não tributados (NT) deve ser excluído no cálculo do incentivo, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. (...)” 6 “Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003. (...) CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. DEFINIÇÃO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. RESTRIÇÃO A BENS NÃO INDUSTRIALIZADOS. PROCEDÊNCIA. A definição de “receita de exportação” estabelecida nas Portarias do MF encontra expresso amparo no art. 6o da Lei n o 9.363/1996. (...)”7 “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃOTRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE DE GOZO DO INCENTIVO. O caput do art. 1º da Lei 9.363/96, ao dispor que “a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados [...]” revela, de antemão, que o direito a aludido crédito se restringe a pessoa jurídica que, 5 REsp 982.020/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, unânime, julgado em 03/02/2011, DJe 14/02/2011. 6 Acórdão 3803003.586, CARF, 3a Turma Especial, Quarta Câmara, Terceira Seção, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, Sessão de 23.out.2012. 7 Acórdãos 3403001.735, 736, 737 e 738, CARF, Terceira Turma Ordinária, Quarta Câmara, Terceira Seção, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, maioria, Sessão de 26.set.2012. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901695/200867 Acórdão n.º 3403001.907 S3C4T3 Fl. 422 7 cumulativamente, satisfaça às seguintes condições: seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O alcance conceitual do termo “empresa produtora”, por expressa disposição legal contida no parágrafo único do artigo 3° da Lei n° 9.363/96, deverá ser aquele objeto da legislação do IPI, aplicável para a definição “[...] de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem”. Nesse âmbito, o artigo 6o da Lei no 10.451/02 exclui do campo de incidência do IPI os produtos relacionados na TIPI com a notação “NT” (nãotributado). Ainda, o artigo 3o da Lei no 4.502/64 considera “estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Como os produtos gravados na TIPI como “NT” estão fora do campo de incidência do IPI, tais produtos, portanto, para fins do referido imposto, não podem ser considerados como advindos de um processo de industrialização, não sendo, pois, abrangidos, pelo incentivo de que trata o crédito presumido do IPI.” 8 “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO SUBMETIDAS A PROCESSO INDUSTRIAL. DESCABIMENTO. O chamado “crédito presumido de IPI”, concedido e disciplinado pelas Leis nºs 9.363/96 e 10.276/01, beneficia tãosomente o produtor exportador, assim compreendida a pessoa jurídica que realiza operação de industrialização segundo os conceitos definidos pela legislação do IPI.” 9 “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos nãotributados (NT).” 10 8 Acórdão 3802000.739, CARF, 2a Turma Especial, Quarta Câmara, Terceira Seção, Rel. Cons. Francisco José Barroso Rios, unânime, Sessão de 21.nov.2011. 9 Acórdão 3403001.295, CARF, Terceira Turma Ordinária, Quarta Câmara, Terceira Seção, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, Sessão de 9.nov.2011. 10 Acórdão 9303001.450, CSRF, Rel. Cons. Gilson Macedo Rosenburg Filho, qualidade, Sessão de 30.mai.2011. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de piso. Rosaldo Trevisan Fl. 426DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901695/200867 Acórdão n.º 3403001.907 S3C4T3 Fl. 423 9 Voto Vencedor Segundo depreendo do voto do ilustre relator, Conselheiro Rosaldo Trevisan, o crédito presumido do IPI a que se referem as Leis nos 9.363/96 e 10.276/01 não alcançaria a exportação de produtos quaisquer produtos, enfatizese aos quais corresponda, na TIPI, a notação “NT”. De minha parte, tenho orientado meus posicionamentos a respeito em sentido distinto. Parcialmente distinto, para ser mais exato. É o que procurarei expor a seguir. Realmente, as Leis nos 9.363/96 e 10.276/01, nas quais o incentivo foi instituído e disciplinado, impõem ao beneficiário o desempenho de “produção”. Confirase: “Art. 1o. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos. 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” “Art. 1o. Alternativamente ao disposto na Lei no. 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento.” A mesma Lei no 9.363/96 circunscreve o que se há de compreender por “produção”, para fins de determinação dos beneficiários do direito por ela outorgado. É o que se lê do seu artigo 3o, parágrafo único, segundo o qual o sentido do vocábulo coincide com aquele definido pela “legislação” do IPI. Vejase: “Art. 3o. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem.” Sendo este o contexto normativo em que se insere a pretensão, peço vênia para reproduzir aqui as considerações externadas pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, lançadas ao ensejo do julgamento de recurso voluntário interposto nos autos do processo no 13909.000124/200283, sob o qual se instalou controvérsia análoga à presente. Vejamos: Fl. 427DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 “Com isso, pareceme fora de qualquer discussão que o beneficiário do instituto criado em 1996 tem de ser um estabelecimento produtor na forma do que preceitua a legislação do imposto. (...) Ora, a legislação do IPI referida na norma tem como âncora a Lei no. 4.502 que, desde 1964, define o que seja produção para efeitos do IPI em seu artigo 3o: ‘Art. 3o. Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I – o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II – o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; III – o preparo de medicamentos oficiais ou magistrais, manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente a consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica; IV – a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas.’ Mas nesse contexto original, cabia sim interpretar o alcance das expressões ‘alterar o acabamento ou a apresentação do produto’. Os diversos decretos que aprovaram regulamentos do IPI (RIPI) delimitaram o alcance das expressões contidas na lei ao definir, com precisão, cinco modalidades de industrialização. No período das exportações promovidas pela recorrente, o que vigia era ainda o RIPI baixado pelo decreto de no. 87.981, de 1982. Seu artigo 4o. assim regulamentava a definição de industrialização (disposição repetida em todos os regulamentos posteriores): ‘Art. 4o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei no. 4.502, de 1964, art. 3o, parágrafo único, e Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I – a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); Fl. 428DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901695/200867 Acórdão n.º 3403001.907 S3C4T3 Fl. 424 11 III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo qual a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados.’ Como se observa, a regulamentação, embora aprofundasse o alcance das expressões originais, ainda deixava aberto o campo de interpretação quanto aos limites das alterações que devem ser promovidas pelo ‘produtor’ sobre o produto para que se configure uma industrialização. Por este motivo, esta Câmara, por maioria, tem entendido possível ao contribuinte demonstrar o cumprimento dos requisitos previstos nesse dispositivo para enquadrarse como ‘produtor’, ainda que o seu produto esteja indicado na TIPI como NT. Dentre as modalidades ali definidas ressalvese que de modo exemplificativo duas parecem cogitáveis ao caso concreto: o beneficiamento e o acondicionamento. (...) Divirjo desse entendimento, embora deixando registrado que não concordo com o simples argumento de que basta o produto ser NT na TIPI para que o beneficio se torne incogitável. Cumpre esclarecer esse meu posicionamento. É que entendo que aquela tabela, igualmente baixada por meio de decreto regulamentar expedido pela Presidência da República, vem exatamente para impedir interpretações divergentes, no âmbito administrativo, acerca do que seja industrialização para efeito do IPI. (...) vêse que o que seja industrialização, mesmo com a definição que lhe deram tanto a Lei quanto o Decreto, pode ainda, em muitos casos, ser objeto de interpretações diversas. Para efeito de IPI, porém, toda discussão cessa diante da TIPI, pois é exatamente para dirimir qualquer dúvida nesse aspecto que ela é baixada. Não cabe, pois, ao agente administrativo considerar que o produto que ali esteja definido como não industrializado seja industrializado, ou viceversa. Trocando em miúdos, sempre que uma dada operação aparentemente puder enquadrarse como industrialização é aquela norma regulamentar que dirimirá, no âmbito das Fl. 429DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 12 obrigações atinentes ao IPI, o correto entendimento (ao menos, o correto na visão do Poder Executivo, de onde provém), e de forma vinculante a todos os aplicadores do direito integrantes de sua estrutura administrativa. E é claro que esse entendimento pode ser contestado pelos contribuintes, mas então há de ser objeto de apreciação pela instância constitucionalmente capaz: o Poder Judiciário. Nessa esteira é que entendo que não podem os aplicadores do direito não integrantes do Poder Judiciário ultrapassar as definições emanadas da TIPI no que se refere ao alcance do conceito de industrialização para efeito do IPI. Mas, como disse, esse posicionamento tampouco autoriza que se remeta automática e acriticamente à TIPI para desconfigurar o direito do postulante ao crédito presumido de que trata a Lei no. 9.363/96, apenas porque na TIPI o produto apareça como NT. E isso porque nem todos os produtos que ali aparecem com tal expressão o fazem por serem produtos não industrializados. De fato, muitos, sem dúvida a maioria, o são. Mas ao lado deles há também os casos da imunidade conferida a alguns produtos. Para eles também a TIPI reserva a expressão NT, desde que aquela não incidência não dependa de qualquer condição. No que respeita apenas à aplicação do IPI não faz qualquer diferença o motivo: sendo NT, o produto está fora do campo de incidência daquele imposto e quem o produz nenhuma obrigação tem com respeito ao tributo. Mas, quando se examina a TIPI com olhos no benefício da Lei no. 9.363/96, isso faz sim diferença, pois ela não exigiu, e nisso a recorrente tem inteira razão, que os produtos exportados estejam no campo de incidência do IPI. O que ela exige é que eles tenham sido submetidos a uma operação de industrialização. E, como espero ter deixado claro, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.”. A notação “NT” da TIPI é, portanto, polissêmica. Designa prioritariamente mercadorias que, ao menos sob a perspectiva do Executivo Federal, não resultem de processo industrial. Mas designa residualmente também produtos que, conquanto industrializados, tenham sido postos à margem da competência impositiva em matéria de IPI por obra de regra imunizante. Digo, aliás, que a norma de imunidade, nestes casos, tem razão de ser justamente porque são industrializados os produtos nela mencionados. Fossem produtos in natura ou obtidos de processos não industriais, não teria cabimento imunizálos, já que por obra de pura e simples nãoincidência ficaram a salvo da imposição tributária. Pois é disso que se trata nestes autos. Os produtos a que a ora recorrente dá saída para exportação são óleos lubrificantes, derivados de petróleo que, embora originados de processo industrial, recebem a notação “NT” na TIPI justamente porque o artigo 155, § 3o da CF/88 lhes confere imunidade frente ao IPI. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13603.901695/200867 Acórdão n.º 3403001.907 S3C4T3 Fl. 425 13 Com estas considerações, peço vênia ao ilustre relator para dele divergir neste particular, a fim de reconhecer o direito ao crédito presumido vindicado pela ora recorrente e de dar provimento a seu recurso voluntário. É como voto. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 431DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 05/03/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 12259.001103/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.195
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes, que votaram em
dar provimento ao recurso. Redator Designado: Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Resolvem os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes, que votaram em dar provimento ao recurso. Redator Designado: Adriano Gonzáles Silvério. Marcelo Oliveira Presidente Damião Cordeiro de Moraes Relator Adriano Gonzales Silvério – Redator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL (CBF), em face de decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJ01), que julgou procedente o lançamento fiscal. 2. Segundo o relatório fiscal, o lançamento de débito referese às contribuições sociais, equivalentes à retenção para a seguridade social, no percentual de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas emitidas por diversas empresas prestadoras de serviço, com cessão de mãodeobra, no período de 01/2002 a 01/2003 – 04/2003 a 01/2004 – 03/2004 a 06/2005 e 09/2005, cujos serviços encontramse elencados no artigo 219, § 2º (I, II, XII e XXII), do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 (ff. 48 a 53). 3. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que se transcreve: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2005 CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. CESSÃO DE MÃODEOBRA OU EMPREITADA. RESPONSABILIDADE PRINCIPAL DA EMPRESA CONTRATANTE PELA RETENÇÃO DE 11% E RESPECTIVO RECOLHIMENTO. É devida a contribuição à Seguridade Social incidente sobre a renumeração paga aos segurados empregados das empresas contratadas (art. 20 e art. 22, I, II, III da Lei 8.212/91). O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra responde pela retenção de 11% sobre os valores pagos às empresas contratadas e pelo repasse à Seguridade Social, a título de antecipação de recolhimento das contribuições das empresas contratadas. (Artigo 31, caput, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.711/98). Lançamento Procedente” 4. Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese o seguinte: a) que somente a Fazenda Previdenciária possui legitimidade para exigir da recorrente às contribuições devidas pelas empresas prestadoras de serviços, caso haja a anterior verificação do não recolhimento por parte dessas empresas, sob pena de cobrança em duplicidade, e, consequentemente, enriquecimento ilícito do Fisco; b) que o regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) não se coaduna com a retenção dos 11%, estabelecida em norma geral aplicável a todos os contribuintes. Dessa forma, seria inexigível a referida retenção em relação às empresas optantes por essa sistemática de recolhimento de tributos; c) indevida exigência da retenção dos 11%, a título de contribuição previdenciária, sobre os serviços que não foram prestados de forma contínua, não caracterizando cessão de mãodeobra. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12259.001103/200991 Resolução n.º 2301000.195 S2C4T2 Fl. 503 3 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. É o relatório Fl. 524DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO LANÇAMENTO 2. A controvérsia central dos autos envolve a incidência de contribuição previdenciária no percentual de 11% sobre o valor bruto dos serviços prestado mediante cessão de mãodeobra, contidos em Nota Fiscal, Fatura ou Contrato, não retida e não recolhida pela contratante, no período 01/01/2002 a 30/09/2005. 3. Como é cediço, a prestação de serviços, com a cessão de mãodeobra, ocorre quando a empresa prestadora de serviços (cedente) cede sua a mãodeobra de seus trabalhadores à empresa contratante (tomador). 4. A propósito, sobre essa matéria tanto o Decreto 3.048/99, em seu artigo 219, parágrafo 1º, quanto a Lei de Custeio, em seu artigo 31, §2º, conceituam a cessão de mão de obra da seguinte forma: Art. 219 (...) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros.” Art. 31 (...) § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). 5. Do conceito de cessão de mãodeobra, destacase a necessidade do preenchimento dos seguintes requisitos cumulativos: a) os prestadores devem ficar à disposição do tomador, submetidos a seu poder de comando, o qual gerencia a realização do serviço; b) a execução das atividades ocorrerá no estabelecimento comercial do tomador de serviços ou de terceiros. 6. Além do mais, destaco ainda a ‘continuidade dos serviços’ como outro requisito previsto em lei, ou seja, o serviço em si deve ser contínuo, independentemente da Fl. 525DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12259.001103/200991 Resolução n.º 2301000.195 S2C4T2 Fl. 504 5 rotatividade de prestadores de serviços que a empresa tomadora contrate. É dizer: não importa se o prestador ou o trabalhador será o mesmo, e sim que o serviço seja contínuo. 7. E considerando que no caso em questão, o lançamento foi fundamentado no artigo 31, da Lei no 8.212, de 1991, exigese, assim, a caracterização dos serviços mediante cessão de mão de obra no bojo do relato fiscal. 8. No entanto, o relatório fiscal não mencionou em nenhum momento se os prestadores estavam submetidos ao poder de comando da empresa recorrente (tomadora), se a natureza do serviço era contínuo, se o serviço realmente envolvia mão de obra. Enfim, constatase que não houve, por parte do fisco, qualquer embasamento fático e jurídico para a constituição do lançamento, vez que ausente a motivação necessária para fundamentar a lavratura da notificação. 9. É importante esclarecer que o contribuinte foi intimado a apresentar vários documentos listados no termo de intimação para apresentação de documentos (TIAD) (ff. 41 e 42). De acordo com o termo de encerramento da ação fiscal (TEAF), constatase que foram analisadas as folha de pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), comprovantes de recolhimento e outros elementos. (f. 43) 10. Desta forma, descabe o argumento fazendário de que o fisco poderia caracterizar a cessão de mão de obra em face da não apresentação de documentação pela empresa, pois foi constatado no TEAF que o fisco examinou diversos documentos entregues pela empresa recorrente. 11. Além disso, da leitura do relatório fiscal depreendese que os serviços apontados pelo fisco mediante cessão de mão de obra não foram devidamente caracterizados, apenas foi feita uma referência indeterminada, como por exemplo: “Manutenção Granja Comari”, “Credenciamento” e “Treinamento” (f. 49). Outrossim, a fiscalização apenas juntou aos autos um dos contratos com as prestadoras de serviço (ff. 62 a 65). 12. Dessa forma, verificase que não há qualquer menção, nos contratos juntados ao processo, sobre a cessão de mão de obra. Assim, as prestações de serviço contratadas pela recorrente tiveram a referências genéricas dos seus objetos no lançamento fiscal. 13. Considerando que cumpre à administração tributária apontar todos os elementos necessários à configuração do fato gerador, não há como deixar de considerar o lançamento insubsistente por não comprovar a materialidade da regra matriz de incidência da contribuição. 4 Até mesmo os critérios utilizados pelo fisco para chegar aos valores do débito não foram devidamente esclarecidos pela autoridade lançadora. 15. A doutrina sustenta o seguinte: “O lançamento é ato singular que se faz proceder de procedimentos preparatórios e que se faz suceder de procedimentos revisionais, podendo ser declarado, ao cabo, subsistente ou insubsistente, no todo ou em parte, em decorrência do controle do ato administrativo pela própria administração” (Sacha Calmon Navarro Coelho. Liminares e Fl. 526DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Depósitos Antes do lançamento por Homologação – Decadência e Prescrição. 2 ed. Dialética. p. 68) 16. Com efeito, cumpre destacar que o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. 17. A propósito, a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, trata em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. 18. Isto porque, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 19. Nesse sentido, o próprio art. 37, da Lei 8.212/91, dispõe que a fiscalização deverá lavrar notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores: “constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” [g.n.] 20. Acrescento ainda que o relatório fiscal é a peça essencial para propiciar o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo da obrigação tributária, assim como a adequada análise do crédito. 21. Nesse aspecto, é cediço que não se pode vincular a recorrente a uma determinada obrigação tributária, sem que haja comprovação da ocorrência do fato gerador que ensejou tal cobrança, vez que o onus probandi cabe ao fisco. 22. Feitas essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário nos termos acima delineados. CONCLUSÃO 23 Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, tendo em vista a ausência de caracterização de cessão de mão de obra ou empreitada. Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 527DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12259.001103/200991 Resolução n.º 2301000.195 S2C4T2 Fl. 505 7 Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Redator Designado Pedi vista desses autos para melhor examinar a alegação do recorrente no sentido de que algumas empresas prestadoras de serviços estavam enquadradas no SIMPLES e, por isso, os serviços por estas efetuados não poderiam estar sujeitos à retenção de 11%. A argumentação tecida no recurso voluntário toma importância na medida em que o Colendo Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o Recurso Especial nº 1.112.467, em regime de recurso repetitivo, decidiu que dado o enquadramento em regime especial de tributação, não deveria haver a proclamada retenção previdenciária. Ressalto, outrossim, que o acórdão proferido nos autos do recurso especial transitou em julgado em 28/09/2009, como aponta o sítio daquele Egrégio Tribunal Superior, razão pela qual esse Colegiado Administrativo, por força do previsto no artigo 62A do seu Regimento Interno deve aplicar o entendimento sufragado pelo Poder Judiciário. Analisando a documentação carreada aos autos, bem como em consulta ao sitio do Simples Nacional, em especial na Consulta de Optantes verifiquei o seguinte: i) há indícios de que a empresa Vigma era optante do Simples no período lançado, haja vista constar exclusões entre os períodos 01/07/2007 a 31/12/2008 e 01/01/2009 a 31/12/2010; ii) a empresa Casa Service Teresópolis declara às fls. 72 dos autos de que é optante do Simples. Porém na consulta ao sitio do Simples Nacional não há registros de opção em períodos anteriores; e iii) em relação à empresa Condo Service Teresópolis, a fiscalização aponta, às fsl.18, que a empresa é optante do Simples, porém na consulta ao sitio do Simples Nacional não há registros de opção em períodos anteriores. Diante das divergências constatadas e no intuito de bem cumprir o quanto fixado no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, bem como garantir a ampla defesa e o contraditório prestigiado pela Carta Magna no artigo 5º, inciso LV, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que o Fisco aponte, mediante prova documental, quais das empresas arroladas pela fiscalização como prestadoras de serviços estavam enquadradas no Simples no período da autuação e, em caso de exclusão, comprove os efeitos dos atos emanados pela autoridade competente, dando ciência da diligência ao contribuinte. Adriano Gonzales Silvério Fl. 528DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 13609.900580/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade deve-se permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado pelo próprio contexto em que foi feita a declaração. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O sujeito passivo que apurar crédito tributário líquido, certo e passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF, respeitadas as normas vigentes para a sua utilização.
Numero da decisão: 1401-000.735
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado pelo próprio contexto em que foi feita a declaração. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O sujeito passivo que apurar crédito tributário líquido, certo e passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF, respeitadas as normas vigentes para a sua utilização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900580/200803 Acórdão n.º 1401000.735 S1C4T1 Fl. 119 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, João Carlos de Figueiredo Neto e Jorge Celso Freire da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0223.053, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteMG. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante na decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório n° rastreamento 757724371 emitido eletronicamente em 24/04/2008 (fl. 08), referente ao PER/DCOMP n° 10999.91612.300304.1.3.048977 (fls. 01/05). DO DESPACHO DECISÓRIO O Despacho Decisório proferido pela DRF Sete Lagoas não homologou a compensação declarada, nos seguintes termos: ' Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$246.025,55. A partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida em 30/03/2004 com o objetivo de compensar o débito código receita: 24841 CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal, do mês de fevereiro de 2004/ vencimento em 31/03/2004, no valor de R$200.000,00 (fl. 05), com crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, data de arrecadação 30/01/2004 (fl. 02). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900580/200803 Acórdão n.º 1401000.735 S1C4T1 Fl. 120 3 Cientificado do Despacho Decisório, em 06 de maio de 2008 (fl. 09), protocolou a Manifestação de Inconformidade de fls. 13/21, documentação de fls. 22/42 e 55/104, com as argumentações a seguir sintetizadas: apurou crédito relativo a tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), passível de restituição ou ressarcimento. Solicitou à SRF a compensaçaão de tais valores por meio de PER/DCOMP, no valor de R$200.000,00, nos termos da Instrução Normativa nº 376, de 23 dezembro de 2004. Das razões para a Reforma do Despacho Decisório equivocouse a autoridade, uma vez que verificando os documentos anexados (DARFs, PER/DCOMP e a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), percebese que a empresa faz jus à homologação do crédito, não por se tratar de pagamento indevido, mas por tratar de se saldo negativo de CSLL. ressalta que cometeu erro no preenchimento do PER/DCOMP, ao informar como crédito Pagamento Indevido ou a Maior e o correto era crédito de saldo negativo sobre a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. não pode ser prejudicada na compensação de saldo negativo de tributos por causa de simples erro material no preenchimento do PER/DCOMP. diz que, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes demonstra indubitavelmente que simples erro ao preencher qualquer tipo de obrigação acessória não pode acarretar no ‘perdimento do direito’, transcrevendo ementas neste sentido. erro material não afeta em nada o direito em ter o crédito declarado devidamente homologado, uma vez que o próprio Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) – art. 170, autoriza o contribuinte a compensar créditos tributários. ressalta que a legislação aplicável ao caso deve ser aquela que era utilizada na época da realização da Declaração de Compensação. tanto na lei ordinária (art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996) quanto na Instrução Normativa nº 210, de 2002, que à época disciplinava sobre a restituição e a compensação de tributos federais, não havia regra quanto a não homologação do crédito tributário por simples hipótese de erro material. o PER/DCOMP utilizado foi aprovado pela Instrução Normativa nº 376, de 2003, sendo que a referida instrução pode tãosomente fazer com que seja aplicada corretamente a lei em seu sentido estrito. ilustra o entendimento com texto do professor Antônio Carlos Rodrigues do Amaral, que diz que as instruções normativas são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam prevista na lei ou no decreto dela decorrente. aos processo tributários administrativos são aplicados inúmeros princípios constitucionais e legais que condicionam toda a atividade estatal, coibindo os procedimentos fiscais que porventura, ao exigir tributos e penalidades, não são desenvolvidos dentro dos limites legais e de acordo com os princípios inerentes do ordenamento jurídico. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900580/200803 Acórdão n.º 1401000.735 S1C4T1 Fl. 121 4 a Lei nº 9.784, de 1999 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, em seu art. 2º, dispõe sobre a obrigatoriedade de obediência aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa, contraditório, dentre outros. um dos princípios primordiais para melhor decisão da presente lide é o princípio da verdade material. Ressalta que a autoridade julgadora é obrigada a decidir com base nos fatos que representam a realidade vivenciada pelo contribuinte, sempre partindo dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Reforça, citando entendimento do Conselho de Contribuintes. Diante de todo o exposto, requer o recebimento e provimento in totum da Manifestação de Inconformidade, para que seja reformado o Despacho Decisório, no sentido de reconhecer integralmente os créditos declarados pelo contribuinte. É o Relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2004. Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na manifestação de inconformidade. Esta Quarta Câmara baixou o julgamento em diligência para verificar a liquidez e certeza do Crédito. Às fls. 112/113, consta pronunciamento da Fiscalização em sentido quase totalmente favorável à Recorrente. A Recorrente foi cientificada do Relatório Final de Diligência concordando parcialmente com o mesmo (fls. 111/115), insurgindose apenas quanto a falta de execução imediata do encontro de contas entre crédito e débitos. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900580/200803 Acórdão n.º 1401000.735 S1C4T1 Fl. 122 5 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Em apertada síntese, a Recorrente alega que cometera erro material no preenchimento da DCOMP, uma vez que indicou equivocadamente Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL ao invés de saldo negativo de CSLL, do Exercício de 2004, ano calendário2003. Por bem descrever os fatos, reproduzo abaixo trecho do voto da DRJ: Ao indicar Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, no processamento do PER/DCOMP n° 10999.91612.300304.1.3.048977 de fls. 01/05, objeto do presente processo, fezse eletronicamente, o batimento do DARF (indicado no PER/DCOMP fl. 03) com a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (fls. 55/56). Nesta análise automática de créditos informados em PER/DCOMP, considerase: pagamento a maior, a diferença entre o pagamento efetuado em Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e o valor alocado, nos sistemas de cobrança, ao respectivo débito confessado pelo sujeito passivo (DCTF). Na DCTF do 4o trimestre de 2003 (fl. 56) foi declarado, um débito de CSLL, para o mês de dezembro, no valor de R$4.597.374,37. Daí, a conclusão do Despacho Decisório n° rastreamento 757724371 emitido eletronicamente em 24/04/2008, que não existia crédito, não homologando a compensação declarada (valor do DARF é exatamente igual ao valor declarado em DCTF como débito de CSLL do mês de dezembro de 2003 fl. 56). . No caso de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, o processamento eletrônico da declaração de compensação, a partir do período'de apuração do saldo negativo informado pelo contribuinte no PER/DCOMP, consulta a DIPJ correspondente para confirmação da forma de tributação e de apuração no período,bem como a exatidão do saldo negativo apurado, para sua validação : A validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ e pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada pela análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP. As antecipações referentes a retenções na fonte, pagamentos por estimativa ou renda variável e estimativas compensadas são validadas mediante confronto com informações constantes nos sistemas da RFB. Percebese, que a estimativa do mês de fevereiro de 2003, parte foi efetivada por DARF (no valor de R$1.166,05 fl. 62) e parte por meio de PER/DCOMP n° 09444.54877.040603.1.3.049736 (processo n° 10620.900186/200659), no valor de R$ 120.000,00, não homologada (fl. 63). Uma vez que, não foi indicado corretamente a origem do crédito tributário, no caso saldo negativo de CSLL do Exercício de 2004, não houve a validação e a verificação da exatidão do referido saldo e consequentemente não houve o Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900580/200803 Acórdão n.º 1401000.735 S1C4T1 Fl. 123 6 reconhecimento do direito creditório, competência do Delegado da Receita Federal do Brasil de origem do contribuinte. A DRJ, por seu turno, colocando ênfase no aspecto formal inadequado pelo qual a recorrente produziu o seu pedido, negou a solicitação nos seguintes termos: Assim, a alegação de erro de preenchimento da DCOMP não pode ser admitida, eis que, a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação (artigo 56 da IN SRF nº 460 de 18/10/2004, 57 da IN SRF nº 600 de 28/12/2005 e 77 da IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que admitem a retificação da DCOMP apenas quando a mesma ainda se encontrar pendente de decisão administrativa). De fato, restou configurado que não existe pagamento a maior das estimativas pagas da CSLL (Cod. 2484), podendo existir porém em tese, saldo negativo da CSLL, situação esta que envolve inúmeras outras variáveis que devem ser levadas em conta para que se dê ou não a restituição/compensação. A recorrente se por um lado confundiu esses conceitos, por outro deixou inequívoco que sua intenção era mesma aproveitar o saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2003. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade, devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento, o que ficou configurado no caso concreto em que há divergência facilmente perceptível entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. É que o campo “Valor Original do Crédito Inicial” no contexto da Ficha de Pagamento Indevido, no valor de R$ 246.025,55 (fl. 02) coincidente com o valor do Saldo Negativo da CSLL também neste mesmo valor revela (fl.61) essa intenção e o conseqüente erro material. Nesse contexto, inclineime pela realização de uma diligência específica para que se transmutasse a situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo da CSLL para o anocalendário de 2003, levando a PER/Dcomp a tratamento manual e validasse o saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP. Às fls. 103 e 104 do presente processo consta retorno de diligência favorável à Recorrente, nos seguintes termos: Assim, s.m.j., iremos atender em parte aos diversos quesitos uma vez que entendemos não ser possível pelo menos no presente momento, o atendimento em sua totalidade. Desta forma realizamos o nosso trabalho de modo a validar o saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ por meio da análise das parcelas que compõem o crédito informado no PER/DCOMP e verificar a certeza e liquidez do crédito tributário. Por conseguinte, os débitos remanescentes por ventura existentes bem como a transmutação da situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo da CSLL será feita em momento próprio após a decisão administrativo exarada por esse CARF. A validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo em DIPJ deve ser feita pela análise das parcelas que compõem o crédito informadas no Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900580/200803 Acórdão n.º 1401000.735 S1C4T1 Fl. 124 7 PER/DCOMP em confronto com a totalidade das deduções informadas à ficha 17 da DIPJ, que se constituem entre outras, das antecipações referentes a CSLL mensal paga por estimativa e retenções na fonte. No caso concreto, o contribuinte informou na PER/DCOMP n.° 10999.91612.300304.1.3.048977 apenas uma parcela de pagamento da CSLL mensal por estimativa como formadora do saldo negativo da CSLL no valor de R$ 4.597.374,37 (folha 03), correspondente ao mês de dezembro de 2003. Em que pese tal procedimento, o contribuinte informou na DIPJ como única dedução a ser feita da CSLL devida, a parcela de CSLL mensal paga por estimativa no valor total de R$ 7.258.400,09 (folha 61), obtendo com isto como valor de CSLL a pagar, um saldo negativo de R$ 246.025,55. Um detalhe deve ser explanado. Na composição do valor total de R$ 7.258.400,09 o contribuinte declarou como débitos dos meses de janeiro (243.100,71), fevereiro (121.166,05), março (863.150,41), abril (1.433.608,55) e dezembro (4.597.374,37), conforme extrato da DCTF às folhas 94/95, os mesmos valores informados em DIPJ às folhas 57/60. No que se refere aos pagamentos, os mesmos foram confirmados nos sistemas da RFB conforme folha 62 acostados aos autos. Quanto ao total que compõe o mês de fevereiro, a parte declarada em DCTF (folha 63) como compensação por meio da DCOMP n.° 09444.54877.040603.1.3.049736 no valor de R$ 120.000,00, está sendo discutida administrativamente (processo de crédito n.° 10620.900186/200659 folha 96/97), sendo que R$ 18.679,67 já foram extintos por pagamento no processo de cobrança n.° 13609.720066/200888 (folhas 99/101), restando ainda um débito de R$ 101.320,33, que está sendo controlado noSIEF por meio do processo de cobrança n.° 13609.720175/200714 (folhas 98/99). Assim, podemos considerar como pago o valor total de R$ 7.258.400,09, ainda que, em tese, falte o pagamento de R$ 101.320,33, que se não foi ainda pago será cobrado, caso haja débito, após a solução da lide no processo n.° 10620.900186/200659. Do acima exposto, consideramos como correto o valor do saldo negativo informado pelo contribuinte na DIPJ do anocalendário de 2003, no valor de R$ 246.025,55. Em relação ao pedido de diligência de que nossa análise seja feita em conjunto com o processo n.° 13609.900282/200807, podemos dizer unicamente que o crédito de saldo negativo d eR$ 246.025,55 na verdade se trata do mesmo crédito. Este é inclusive o valor original do crédito inicial em ambas as declarações de compensação dos respectivos processos (folhas 02 e 102). Após a decisão exarada por esse* CARF e na eventual possibilidade de utilização de tal crédito para compensação do débito declarado na DCOMP deste processo, a compensação será feita e o saldo restante, por ventura existente, poderá ser utilizado na compensação do débito daquele processo ou viceversa. Este mesmo parágrafo consta do processo n.° 13609.900282/200807 com as alterações pertinentes. Como se vê a diligência apenas evidenciou o patente erro de fato cometido pela recorrente ao indicar a situação de pagamento a maior quando na verdade desejava aproveitar o saldo negativo, no caso da CSLL. A insurgência da Recorrente quanto ao procedimento da DRF não tem também razão de ser, pois em primeiro lugar o que ficou faltando é um procedimento apenas de execução por parte da DRF que será feita em momento oportuno após este julgamento e, por último, o presente voto já indicou desde o início a necessidade de se fazer essa “transmutação” e o subseqüente compensação dos débitos. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900580/200803 Acórdão n.º 1401000.735 S1C4T1 Fl. 125 8 Por todo o exposto, dou provimento ao recurso para considerar o resultado de diligência que deu como líquido e certo o saldo negativo de CSLL de R$ 246.025,55, bem assim homologar as compensações nos limites dos créditos concedidos. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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