Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,484)
- Primeira Turma Ordinária (16,434)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Primeira Turma Ordinária (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,516)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,721)
- Terceira Câmara (68,184)
- Segunda Câmara (57,010)
- Primeira Câmara (21,265)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,874)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,921)
- Segunda Seção de Julgamen (115,679)
- Primeira Seção de Julgame (77,486)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,117)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,476)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,893)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,657)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,651)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,653)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (18,907)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11128.000266/2006-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/07/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO.
Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão no Acórdão embargado.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3102-002.266
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para rerratificar o Acórdão embargado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/07/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão no Acórdão embargado. Embargos Acolhidos
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11128.000266/2006-36
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5384667
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-002.266
nome_arquivo_s : Decisao_11128000266200636.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 11128000266200636_5384667.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para rerratificar o Acórdão embargado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5644712
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047253875163136
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-09-05T09:50:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-09-05T09:50:20Z; Last-Modified: 2014-09-05T09:50:20Z; dcterms:modified: 2014-09-05T09:50:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2014-09-05T09:50:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-09-05T09:50:20Z; meta:save-date: 2014-09-05T09:50:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-09-05T09:50:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-09-05T09:50:20Z; created: 2014-09-05T09:50:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2014-09-05T09:50:20Z; pdf:charsPerPage: 1677; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-09-05T09:50:20Z | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 185 1 184 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.000266/200636 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3102002.266 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de agosto de 2014 Matéria Embargos de Declaração Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Interessado CP SHIPS LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/07/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão no Acórdão embargado. Embargos Acolhidos Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para rerratificar o Acórdão embargado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Relatório A Procuradoria da Fazenda Nacional opõe Embargos de Declaração ao Acórdão nº 310200.724, de 30 de julho de 2010, que recebeu, à época, a seguinte ementa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/07/2005 IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA QUE NÃO SE APLICA A HIPÓTESE EM EXAME AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 02 66 /2 00 6- 36 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000266/200636 Acórdão n.º 3102002.266 S3C1T2 Fl. 186 2 Os atos praticados pelo Recorrente não caracterizam a conduta descrita vedada pela alinea "c", VII, do art. 107, do DecretoLei n ° 37/66. Crédito Tributário Exonerado. Recurso Voluntário Provido. Reproduzo uma vez mais o Relatório no qual se baseou o Acórdão embargado. Tratase de auto de infração lavrado para lançamento de multa pela não prestação de resposta à intimação lavrada em sede de procedimento fiscal no prazo previsto pela Receita Federal do Brasil, sanção essa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do DecretoLei n° 37/66, combinado com o art. 37 da Instrução Normativa n° 28, de 27/04/1994. De acordo com a autoridade fiscal, o Contribuinte deixou de registrar os dados de embarque das mercadorias despachadas por meio de declaração de exportação no prazo de 24 (vinte e quatro) horas estabelecido em lei. Cientificado da lavratura do auto de infração, o Contribuinte apresentou impugnação, na qual alegou que a multa seria inaplicável, porque teria sanado o equivoco, apresentando as informações exigidas, tão logo percebeu o erro. Incidiria, assim, o beneficio da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Por outro lado, as Noticias Siscomex. Transportador 002/2005 teria ampliado o prazo de 24 horas para 7 dias para prestação de informações. Argumentou, ainda, que sua conduta não estaria tipificada nas alíneas "c" e "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n°37/66. Examinando os autos, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente o lançamento, por meio de acórdão assim ementado (fl. 71): ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 30/07/2005 EMBARAÇO À EXPORTAÇÃO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. No despacho de exportação o transportador deve registrar os dados do embarque no Siscomex, dentro do prazo previsto na legislação aduaneira . O desatendimento constitui embaraço a fiscalização. Lançamento procedente. Irresignado, o Contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual requer a reforma da decisão proferida pela DRJ pelos seguintes fundamentos: a) ilegitimidade passiva, na medida em que a empresa CP Ships Ltda. não é a transportadora, mas sim agente de navegação; b) inexistência de prazo expressamente previsto A. época da suposta infração para a prestação de informações sobre exportação; c) ausência de embaraço à fiscalização; d) ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade previstos no art. 20 da Lei n° 9.784/99. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000266/200636 Acórdão n.º 3102002.266 S3C1T2 Fl. 187 3 No entender da Embargante, o Acórdão é omisso por faltarlhe clareza a respeito da espécie de nulidade da qual foi acometido o Auto de Infração controvertido nos autos. Nas palavras da Embargante, Pela leitura do Acórdão 310200.724, verificase que essa e. Turma, dando provimento ao recurso voluntário, anulou o lançamento. Ocorre que nulidade é termo equivoco e, desse modo, tornase necessária a especificação do seu sentido. É indispensável o esclarecimento dessa questão para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173 do CTN: Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II — da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. (Grifos nossos) Partindo da premissa de que houve nulidade, a Fazenda Nacional entende que se trata de nulidade formal, pois seu fulcro estaria centrado em fato procedimental. No entanto, fazse necessária, para que se espanquem tergiversações, a manifestação expressa dessa Colenda Câmara. É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos Embargos de Declaração. Com efeito, o provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte se deu em face da evidência de preterição ao direito de defesa, do que decorreu a declaração da nulidade do Auto de Infração litigado. É o que depreendo do texto do Voto, se não vejamos. Entendo que o lançamento merece ser anulado, na medida em que o ilícito praticado pelo Contribuinte não foi devidamente enquadrado no auto de infração. Conseqüentemente, não consta o dispositivo legal efetivamente violado no auto de infração. (...) Assim não poderia deixar de ser, pois na medida em que falta ao auto de infração a correta cominação legal, com a devida e indispensável motivação de sua lavratura, cerceiase os direitos à ampla defesa e ao devido processo legal. Uma vez inadequados a descrição e o enquadramento legal conferidos à hipótese, não deve ser mantido oõ lançamento. Entre uma e outra das passagens acima transcritas, a i. Relatora do Processo externa seu entendimento no sentido de que infração descrita na alínea "e" do artigo 107 do Fl. 130DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000266/200636 Acórdão n.º 3102002.266 S3C1T2 Fl. 188 4 Decretolei nº 37/66 é a que se ajustaria precisamente à conduta do apenado e não a descrita na alínea "c" como entendeu a Fiscalização Federal. A conduta ilícita descrita na alínea "e" do art. 107, por sua vez, consiste em "deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Essa sanção seria aplicável não apenas à empresa de transporte internacional, mas também ao agente de carga, conforme expressa previsão legal dessa alínea "e". Portanto, a conduta da alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66 expressamente indica a informação sonegada (sobre veiculo ou carga transportada), prevê a possibilidade de aplicação de multa quando a informação é apresentada a destempo e, ainda, estabelecea para os casos em que a norma legal exige informações sobre veiculo ou carga em operações de comercio exterior. Tratase da hipótese em exame, na qual o Contribuinte deixou de apresentar no prazo legal informação sobre embarque de mercadorias. Contudo, a alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66 não foi citada no auto de infração. Na verdade, a autoridade fiscal enquadrou o Contribuinte na conduta descrita na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66, no que incorreu em nulidade. Me parece que assista razão à Embargante no que diz respeito à omissão do Acórdão em relação à natureza do vício cometido. Uma vez que declarada a nulidade do Auto de Infração maculado pelo vício, dois dies a quo separados por um abismo temporal poderão ser levados em conta na contagem do prazo decadencial, restando imperioso que se determine se o vício apurado é formal ou material. O assunto precisa ser enfrentado. Segundo entendo, o vício de forma está sempre relacionado a elementos extrínsecos do auto de infração, não à matéria da qual ele é constituído. A descrição dos fatos em si, sendo um dos elementos que integram a exigência, deverá ser avistada no corpo do auto de infração, sob pena de subtrairlhe uma das partes da qual é composto e eivála de vício de forma. Contudo, uma vez que lá esteja, suas imprecisões ou acarretam vício material, ou improcedência do lançamento, nunca de vício de forma. O Ato Declaratório Cosit nº 02, de 03 de fevereiro de 1999 não destoa dessa leitura. Observese como determina os procedimentos a serem observados pela Fiscalização Federal na decretação de nulidade dos atos praticados. Ato Declaratório Normativo COSIT nº 002, de 03 de fevereiro de 1999. Dispõe sobre a nulidade de lançamentos que contiverem vício formal e sobre o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário objeto de lançamento declarado nulo por essa razão. O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno de Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF No 227, de 3 de setembro de 1998, e tendo em vista o disposto nos arts. 142 e 173, inciso II, da Lei No 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), nos arts. 10 e 11 do Decreto No 70.235, de 6 de março de 1972, e no art. 6o da IN SRF No 94, de 24 de dezembro de 1997, Fl. 131DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000266/200636 Acórdão n.º 3102002.266 S3C1T2 Fl. 189 5 Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: 1. os lançamentos que contiverem vício de forma incluídos aqueles constituídos em desacordo com o disposto no art. 5o da IN SRF No 94, de 1997 devem ser declarados nulos, de ofício, pela autoridade competente; 2. declarada a nulidade do lançamento por vício formal, dispõe a Fazenda Nacional do prazo de 5 (cinco) anos para efetuar novo lançamento, contado da data em que a decisão declaratória da nulidade se tornar definitiva na esfera administrativa. CARLOS ALBERTO DE NIZA E CASTRO Instrução Normativa SRF nº 094, de 24 de dezembro de 1997 nº 094, de 24 de dezembro de 1997 (...) Art. 5º Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: I a identificação do sujeito passivo; II a matéria tributável, assim entendida a descrição dos fatos e a base de cálculo; III a norma legal infringida; IV o montante do tributo ou contribuição; V a penalidade aplicável; VI o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; VII o local, a data e a hora da lavratura; VIII a intimação para o sujeito passivo pagar ou impugnar a exigência no prazo de trinta dias contado a partir da data da ciência do lançamento. Art. 6º Sem prejuízo do disposto no art. 173, inciso II, da Lei nº 5.172/66, será declarada a nulidade do lançamento que houver sido constituído em desacordo com o disposto no art. 5º: (..) O enunciado legal acima transcrito remete à obrigação de que o auto de infração contenha, dentre outros, a norma legal infringida e a penalidade aplicável, sob pena de nulidade por vício formal. Contrário senso, se o auto contém essa informação, mas a Fiscalização Federal equivocouse na escolha da disposição legal infringida, como, segundo entendimento da Turma, ocorreu no caso concreto, não há que se falar em nulidade formal. Com efeito, é possível dizer que o vício de forma encontrase afeto às especificações descritas nos artigos 10 e 12 do Decreto 70.235/72 com alterações posteriores, nas quais são identificados os elementos constitutivos do auto de infração e da notificação de lançamento. Noutras palavras, esses artigos especificam a forma da qual se revestem os documentos de formalização da exigência. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000266/200636 Acórdão n.º 3102002.266 S3C1T2 Fl. 190 6 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugná la no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Noutro vértice encontrase no artigo 142 do Código Tributário Nacional, evidenciando aspectos materiais do documento que veicula a exigência. Ao cometer à autoridade administrativa a competência privativa do lançamento, o artigo especifica o procedimento de verificação da ocorrência, determinação da matéria tributável, cálculo do tributo, identificação do sujeito passivo e aplicação de penalidade, ações que devem ser conduzidas de tal sorte a demonstrar a procedência da autuação. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. No caso em tela, não vejo que alguma formalidade tenha sido negligenciada. No entendimento da Relatora do Processo, no qual foi acompanhada pelos demais integrantes da Turma, a Fiscalização Federal laborou em erro na condução do procedimento determinado no artigo 142 do Código Tributário Nacional. VOTO pelo acolhimento dos Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para que fique consignado no decisum embargado que o Auto de Infração foi declarado nulo por vício material. Fica rerratificado o Acórdão. Sala das Sessões, 21 de agosto de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 133DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000044/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/12/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - AIOP CORRELATO
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavrados sobre os mesmos fatos geradores. Sendo determinada a procedência dos AIOP o mesmo destino, deve ser dado aos AIOA
MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Correto o procedimento da autoridade fiscal, que fez o comparativo entre a multa mais benéfica, considerando a lançamento da obrigação principal e acessória.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir a penalidade referentes aos fatos geradores excluídos da NFLD correlata - (Processo 16095.000050/2008-81, DEBCAD: 37.052.982-0), bem como sejam excluídos do lançamento a multa sobre os fatos geradores nas NFLD declaradas improcedentes, conforme Despacho de devolução, fls. 4351. II) Pelo voto de qualidade, recalcular o valor da multa, tendo como limite o previsto no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que limitavam o valor da multa nos termos do artigo 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/12/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - AIOP CORRELATO A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavrados sobre os mesmos fatos geradores. Sendo determinada a procedência dos AIOP o mesmo destino, deve ser dado aos AIOA MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Correto o procedimento da autoridade fiscal, que fez o comparativo entre a multa mais benéfica, considerando a lançamento da obrigação principal e acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16095.000044/2008-23
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5384685
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-003.638
nome_arquivo_s : Decisao_16095000044200823.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16095000044200823_5384685.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir a penalidade referentes aos fatos geradores excluídos da NFLD correlata - (Processo 16095.000050/2008-81, DEBCAD: 37.052.982-0), bem como sejam excluídos do lançamento a multa sobre os fatos geradores nas NFLD declaradas improcedentes, conforme Despacho de devolução, fls. 4351. II) Pelo voto de qualidade, recalcular o valor da multa, tendo como limite o previsto no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que limitavam o valor da multa nos termos do artigo 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5644851
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047253887746048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2391; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.000044/200823 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.638 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente BORLEM S/A EMPREENDIMENTOS INDUSTRIAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 20/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP PREVIDENCIÁRIO SALÁRIOS INDIRETOS RESULTADO DAS NFLD CORRELATAS. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 AIOP CORRELATO A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavrados sobre os mesmos fatos geradores. Sendo determinada a procedência dos AIOP o mesmo destino, deve ser dado aos AIOA MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 00 44 /2 00 8- 23 Fl. 4368DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Correto o procedimento da autoridade fiscal, que fez o comparativo entre a multa mais benéfica, considerando a lançamento da obrigação principal e acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir a penalidade referentes aos fatos geradores excluídos da NFLD correlata (Processo 16095.000050/200881, DEBCAD: 37.052.9820), bem como sejam excluídos do lançamento a multa sobre os fatos geradores nas NFLD declaradas improcedentes, conforme Despacho de devolução, fls. 4351. II) Pelo voto de qualidade, recalcular o valor da multa, tendo como limite o previsto no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que limitavam o valor da multa nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 4369DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000044/200823 Acórdão n.º 2401003.638 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n.37.052.9740, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, fl. 16 e seguintes, os fatos geradores que ensejaram a aplicação da multa descrita no presente AI: BRA, CCT, PIO, PLR, PR1, SV2, SAT e RO. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 05/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 20/12/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 53 a 80. A Decisão de 1 instância confirmou a procedência total do lançamento, fls. 4290 e seguintes:. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 INFRAÇÃO. GFIP/GRFP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. RELEVAÇÃO DA MULTA. Constitui infração à Lei n° 8.212/91, a apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Diante da inconstitucionalidade formal do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 expressa na Súmula n° 8 do STF, aplica se o prazo decadencial qüinqüenal estabelecido • no Código Tributário Nacional A primariedade do infrator, a inocorrência de circunstâncias agravantes e o pedido efetuado dentro do prazo de impugnação possibilitam a relevação da multa aplicada nas competências em que houve a correção total da falta. RELEVAÇAO PARCIAL DA MULTA Lançamento Procedente em Parte Fl. 4370DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 145 a 180. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. esclarece que a impugnação é tempestiva e em preliminar requer a reunião de processos e julgamento simultâneo dos autos Debcad n° 37.052.9790, 37.052.9804, 37.052.9812, 37.052.9839, 37.052.9847, 37.052.9774 e 37.052.9820, em face da conexão entre eles, evitandose julgamentos conflitantes; 2. entende que havendo impugnação parcial do débito o julgamento deve se restringir a parte contestada, sendo liquidada (parcelamento) a parte incontroversa com as devidas retificações de GFIP quanto ao auto Debcad n° 37.052.9758, restando impugnados os levantamentos relativos aos Debcad n° 37.052.9790, 37.052.9804, 37.052.9812, 37.052.983 9, 37.052.9847, 37.052.9774 e 37.052.9820; 3. assevera que não foi observado na autuação o critério da dupla visita que veda a autuação em primeiro momento, somente podendo penalizar a empresa em momento posterior, devendo ser decretada a nulidade do auto; 4. insurgese contra a responsabilização dos procuradores/administradores pelo débito, devendo ser excluídos do pólo passivo, pois em desconformidade com o prescrito nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional/CTN, devendo o disposto no artigo 13, parágrafo único, da Lei no 8.620/93 ser aplicado em conjunto com os referidos dispositivos; 5. sustenta a decadência dos créditos lançados em período posterior a fevereiro/2002, sem prejuízo da relevação da multa de ofício, requerendo a juntada das GFIP retificadas e disponibilizando os arquivos digitais para que o fisco constate em regular • diligência (dupla visitação) a exatidão das GFIP; 6. acrescenta que se operou a decadência com fulcro no artigo 150, § 4 0, do CTN, sendo inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, devendo;'"ser declarada sua extinção de acordo com o artigo 156, inciso V, do CTN ou subsidiariamente com base no seu inciso VII; 7. defende a nulidade da autuação uma vez que a auditora fiscal invadiu a competência da Justiça do trabalho, afastando os acordos coletivos firmados com o sindicato e ainda presumindo a incidência de contribuições previdenciárias nas NFLD n° 37.052.9774 e 37.052.9820, desconsiderando os princípios norteadores do direito material e processual do trabalho; 8. aduz que não pode corrigir fatos que não considera comó de incidência de contribuições previdenciárias; 9. rebate a forma de cálculo da multa, argumentando que a incidência deve se dar • somente sobre os salários dos empregados e não sobre o total dos rendimentos, uma vez que deve haver correlação entre o valor de salário de contribuição para fins de benefício, que não considera as verbas extras salariais; 10. aduz que a aplicação de juros a taxa Selic é ilegal e inconstitucional uma vez que a taxa é usada para remunerar o capital financeiro, sendo que a multa aplicada está em desacordo com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pois a progressão dos valores da multa em função do tempo decorrido não guarda proporção com a suposta infração, sendo que a própria fiscalização reconheceu não haver indícios de sonegação, devendo Fl. 4371DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000044/200823 Acórdão n.º 2401003.638 S2C4T1 Fl. 4 5 ser afastada a multa por ilegalidade, requerendo subsidiariamente a redução de 50% de seu valor nos termos do artigo 35, §41, da Lei 8.212/91, pois dispensada de apresentar dados em GFIP em relação a parcela paga; 11. requereu ao final a insubsistência da autuação devido a atenuação/relevação, e subsidiariamente o acolhimento como impugnação pleiteando a suspensão do crédito previdenciário em razão da acessoriedade em relação aos autos Debcad conexos, e ainda que as intimações sejam encaminhadas para a sede da impugnante no endereço mencionado no rodapé da petição, sob pena de nulidade do ato. O processo foi convertido em diligência por meio da resolução n. 2401 000.196, no intuito de identificar o andamento das correlatas, nos seguintes termos: DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. A decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte das Notificações Fiscais lavradas sob fatos geradores de mesmo fundamento, quais sejam: DEBCAD Nº 37.052.9758 (LDC), e NFLD n. 37.052.9766, 37.052.9774, 37.052.9782, 37.052.9790, 37.052.9804, 37.052.9812, 37.052.9820, 37.052.9839, 37.052.9847, sendo que não se identificou decisão final a respeito das mesmas nos sistemas, nem tampouco é possível identificar quais fatos geradores constam em cada AI, para que se determine a correlação entre os AI e as NFLD. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível a análise tendo por base o resultado das referidas Notificações Fiscais. Dessa forma, para que se possa proceder ao julgamento, devem ser prestadas informações acerca da NFLD conexo(s). Caso as referidas NFLD já tenham sido quitadas, parceladas ou julgadas deve ser colacionada tal informação aos presentes autos. No caso, requer seja realizado detalhamento acerca do resultado, do período do crédito e da matéria objeto de cada NFLD, para que se possa identificar corretamente a correlação de cada AI com seu resultado e proceder ao julgamento do auto em questão. Após cumrpida a diligência os autos retornam com as informações pertinentes, tendo sido solicitado a conexão com os processos ali elencados, para o julgamento conjunto do AI. É o relatório. Fl. 4372DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 252. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Contudo, nenhum dos argumentos apontados pelo recorrente são capazes de desconstituir a autuação, posto que restando comprovado serem devidas as contribuições sobre os pagamentos das obrigações principais correlatas, bem como tendo o mesmo reconhecido o débito na LDC n. 37.052.9758, pela ausência de ditas informações em GFIP. Não há que se apreciar as alegações acerca da validades de acordos coletivos, posto que esse fato já restou apreciado nas NFLD. O AIOP (Processo 16095.000050/200881, DEBCAD: 37.052.9820), lavrado em relação aos fatos geradores PLR, encontramse em julgamento nessa mesma sessão, sendo que a procedência parcial do mesmo, apenas ratifica a omissão em GFIP, e por consequência a procedência do AI de obrigação acessória, devendo ser excluídos da obrigação acessória os fatos geradores excluídos na respectiva NFLD. Transcrevo abaixo a ementa do acordão referente a parcela patronal: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – AI – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – PAGAMENTO EM MAIS DE DUAS PARCELAS – ANOS CIVIS DISTINTOS – PREVISÃO LEGAL Nos termos do § 2, do art. 3 da lei 10.101/2000 é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A vedação descrita na lei referese ao pagamento de qualquer ANTECIPAÇÃO mais de 2 vezes no mesmo ano civil. Assim, a empresa pode pagar PLR mais de duas vezes, desde que em ano civis distintos. Fl. 4373DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000044/200823 Acórdão n.º 2401003.638 S2C4T1 Fl. 5 7 PERIODICIDADE INFERIOR A UM SEMESTRE CIVIL – DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO DA LEI 10.101/2000 – INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Além da exigência legal quanto ao número de pagamentos no ano civil, a empresa deve obedecer, ainda, a impossibilidade de efetuar o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil, o que restou descumprido no PLR 2004. Ao descumprir o requisito legal da periodicidade, viciado encontrase todo o PLR da empresa, razão pela qual a incidência de contribuições darsea sobre a totalidade dos pagamentos. Recurso Voluntário Provido em Parte O AIOP (Processo 6095.000049/200856, DEBCAD: 37.052.9774), lavrado em relação aos fatos geradores PLR, encontramse em julgamento nessa mesma sessão, sendo que a procedência parcial do mesmo, apenas ratifica a omissão em GFIP, e por consequência a procedência do AI de obrigação acessória, devendo ser excluídos da obrigação acessória os fatos geradores excluídos na respectiva NFLD. Transcrevo abaixo a ementa do acordão referente a parcela patronal: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – NFLD ABONO. REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES – CARATER HABITUAL E VINCULADO AO SALÁRIO – INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO 16/2011DA PGFN. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. Acredito que o lançamento do ABONO previsto em convenção coletiva, apreciado no referido acordão, NÃO se enquadra na exclusão prevista no Parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº 2114/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 16/2011, de 20/12/2011 considerando o carater habitual ao longo dos anos em que foi pago, bem como a vinculação ao salário do empregado. Recurso Voluntário Negado Destacase que, assim, como enfatizado pelo julgador de primeira instância parte das NFLD que embasaram a presente autuação 37.052.9847, 37.052.9790 e 37.052.9812 foram julgadas improcedentes em razão da decadência do direito de lançar, conforme Acórdãos, respectivamente, n° 22.649, 22.650 e 22.651, todos de 13/08/2008, motivo pelo qual serão • excluídos os respectivos levantamentos da presente autuação, conforme será demonstrado no item relativo a decadência; Fl. 4374DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista, bem como procedeu a autoridade julgadora a devida apreciação da multa aplicada, não tendo o recorrente apresentado qualquer novo argumento que pudesse alterar o julgamento então proferido. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário, devendo não apenas arcar com a contribuição previdenciária correspondente, como com a multa imposta pela ausência de informação em GFIP. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. QUANTO A MULTA IMPOSTA Em relação ao questionamento acerca do caráter confiscatório da multa, observamos, que a planilha fl. 08 a 10 do relatório fiscal, foram muito esclarecedores em relação a multa aplicada, descrevendo a comparativo da multa mais benéfica ao contribuinte. Conforme descrito no referido relatório, a multa originalmente prevista era a do art. 35 da Lei n ° 8.212/1991: No caso, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo que o fato de entender que a verba não constituiria salário de contribuição não é argumento válido para afastar a penalidade. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: Fl. 4375DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000044/200823 Acórdão n.º 2401003.638 S2C4T1 Fl. 6 9 a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá Fl. 4376DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Contudo, também como enfatizado pelo auditor, não só a ausência de recolhimento ensejava a aplicação de multa moratória, mas a ausência de informação em GFIP ensejava aplicação de multa, pelo descumprimento de obrigação acessória. Contudo, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP 449, convertida na lei 11.941. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 4377DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000044/200823 Acórdão n.º 2401003.638 S2C4T1 Fl. 7 11 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício (como no presente caso), a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, qual seja, aplicação de multa de ofício de 75%. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Ademais, mesmo tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Fl. 4378DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Considerando ter o recorrente em seu recurso reiterado pontos já apreciados pelo julgador de primeira instância, sem contrapor qualquer novo argumento e considerando que entendo acertado o posicionamento adotado na decisão de primeira instância, transcrevo abaixo as questões adotandoas como razões de decidir: Dupla visita O alegado cerceamento de defesa, por não ter sido dada oportunidade durante a ação fiscal para o contribuinte prestar esclarecimentos, não sendo respeitado o critério da dupla visita, não merece prosperar uma vez que não se aplica o contraditório durante a atividade fiscal que precede o lançamento, pois nesta fase não há ainda contencioso propriamente dito, apenas procedimento administrativo, aplicandose o princípio inquisitivo decorrente do poder de polícia inerente ao ato de fiscalização. Neste sentido a jurisprudência do 1 1 Conselho de Contribuintes que transcrevo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO DEVIDO PROCESSO LEGAL E CERCEAMENTO DE DEFESA PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO —Não há se confundir procedimento administrativo fiscal com processo administrativo fiscal. O primeiro tem caráter apuratório e inquisitorial e precede a formalização do lançamento, enquanto o segundo somente se inicia com a impugnação do lançamento pelo contribuinte. As garantias do devido processo legal, em sentido estrito, do contraditório e da ampla defesa são próprias do processo administrativo fiscal. Estando o lançamento amparado por farta documentação colacionada ao processo, e tendo descrito com clareza, precisão e de acordo com as formalidades legais, as infrações imputadas ao contribuinte, não há se falar em cerceamento de defesa a impor a nulidade do jeito. Coresponsáveis Em preliminar pleiteia o impugnante a exclusão da responsabilidade dos sócios da presente autuação, contudo, não há referência alguma no relatório fiscal de estar se responsabilizando pessoalmente os sócios e administradores nos moldes do prescrito no artigo 135 do Código Tributário Nacional/CTN, sendo a presente autuação lavrada em nome da pessoa jurídica fiscalizada, como se observa da capa do auto. Esclareço que o Relatório de Representantes Legais/REPLEG e relação de vínculos, fls. 04/07, são documentos integrantes do processo administrativo fiscal previdenciário, conforme determina o artigo 660 da Instrução Normativa da Secretaria Fl. 4379DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000044/200823 Acórdão n.º 2401003.638 S2C4T1 Fl. 8 13 Receita Previdenciária IN/SRP n° 03, de 14/07/05, tendo como finalidade a indicação das pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo e identificação do período de atuação • dos sócios, conforme artigo 660, incisos X e XI da referida Instrução, na redação dada pela Instrução Normativa n° 20, de 11/01/07, verbis: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: , . ~••~ X Relatório de Representantes Legais — RepLeg, que lista todas as pessoas fsicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legáis ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Dessa forma, não há motivos para exclusão dos sócios da presente autuação, pois não se está apurando responsabilidade pessoal destes, sendo a autuação lavrada em nome da pessoa jurídica pelo descumprimento de obrigação tributária acessória. Por todo o exposto a autuação seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima expostos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar o AI em questão. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, para; I) para excluir a penalidade referentes aos fatos geradores excluídos da NFLD correlata (Processo 16095.000050/200881, DEBCAD: 37.052.9820); II) bem como sejam excluídos do lançamento a multa sobre os fatos geradores nas NFLD declaradas improcedentes, conforme Despacho de devolução, fls. 4351, III) recalcular o valor da multa, tendo como limite o previsto no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 4380DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13312.900022/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
Tributo: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. MANUTENÇÃO E UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. PROVAS DO DIREITO CREDITÓRIO.
A análise do processo produtivo, a correta escrituração dos livros fiscais, o correto estorno dos créditos e a análise das notas fiscais de entradas são elementos de prova imprescindíveis ao reconhecimento da legitimidade dos créditos do IPI. Nos termos do art. 170 CTN, o reconhecimento do direito creditório depende da demonstração da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - EXPORTAÇÃO INDIRETA - VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO - Para que reste caracterizada a venda à comercial exportadora com finalidade específica de exportação é necessário que o produto seja remetido diretamente para embarque ou para recinto alfandegado, o que não ocorreu na hipótese.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas relatora e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 Tributo: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. MANUTENÇÃO E UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. PROVAS DO DIREITO CREDITÓRIO. A análise do processo produtivo, a correta escrituração dos livros fiscais, o correto estorno dos créditos e a análise das notas fiscais de entradas são elementos de prova imprescindíveis ao reconhecimento da legitimidade dos créditos do IPI. Nos termos do art. 170 CTN, o reconhecimento do direito creditório depende da demonstração da certeza e liquidez do crédito pleiteado. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - EXPORTAÇÃO INDIRETA - VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO - Para que reste caracterizada a venda à comercial exportadora com finalidade específica de exportação é necessário que o produto seja remetido diretamente para embarque ou para recinto alfandegado, o que não ocorreu na hipótese. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13312.900022/2006-01
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5392246
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3301-002.378
nome_arquivo_s : Decisao_13312900022200601.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FABIA REGINA FREITAS
nome_arquivo_pdf_s : 13312900022200601_5392246.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas relatora e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Fábia Regina Freitas - Relatora. Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5682804
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047253894037504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2264; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 338 1 337 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13312.900022/200601 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.378 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria IPI Recorrente AQUACULTURA FORTALEZA AQUAFORT S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 Tributo: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. MANUTENÇÃO E UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. PROVAS DO DIREITO CREDITÓRIO. A análise do processo produtivo, a correta escrituração dos livros fiscais, o correto estorno dos créditos e a análise das notas fiscais de entradas são elementos de prova imprescindíveis ao reconhecimento da legitimidade dos créditos do IPI. Nos termos do art. 170 CTN, o reconhecimento do direito creditório depende da demonstração da certeza e liquidez do crédito pleiteado. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI EXPORTAÇÃO INDIRETA VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO Para que reste caracterizada a venda à comercial exportadora com finalidade específica de exportação é necessário que o produto seja remetido diretamente para embarque ou para recinto alfandegado, o que não ocorreu na hipótese. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas – relatora e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 90 00 22 /2 00 6- 01 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900022/200601 Acórdão n.º 3301002.378 S3C3T1 Fl. 339 2 Fábia Regina Freitas Relatora. Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900022/200601 Acórdão n.º 3301002.378 S3C3T1 Fl. 340 3 Relatório Por bem relatar os fatos descritos nesses autos, adoto em sua integralidade o Relatório prolatado pela Delegacia de Julgamento de Belém no caso concreto: Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI referente ao 2° trimestre de 2002, no valor de R$ 30.829,73, transmitido em 19.08.2003 juntamente com declaração de compensação, conforme fls. 01/15. 2. A DRF Sobral/CE indeferiu o pedido e considerou não homologada a compensação (fls. 200/203), acatando posicionamento do Serviço de Fiscalização da Unidade (fls. 177/178), o qual concluiu, com base nas respostas dadas pelo contribuinte aos termos de fiscalização, não ter havido apuração de crédito presumido no trimestre em questão. 3. Informa ainda a Fiscalização que no dia 07.04.2008 recebeu documentação da empresa relatando equivoco na informação prestada anteriormente, e atestando ter havido 110 apuração do crédito presumido no 4° trimestre de 2002 e nos trimestres de 2003 (estranhos ao presente processo) anexando demonstrativos de apuração (DCP e DCTF). 4. Cientificada em 18.08.2008 (AR fl. 204) a interessada apresentou, tempestivamente, em 16.09.2008, manifestação de inconformidade (fis. 201/217), na qual solicita a apreciação do presente processo em conjunto com os referentes aos demais trimestres, principalmente para aproveitamento dos documentos anexados no processo 13312.900023/200648. . 5. Alega haver sido levada a prestar a informação equivocada de que não possuía o crédito e o Livro de Apuração do período, devido a troca de assessoria contábil, o que não deverá prejudicala na fruição do beneficio, em respeito ao principio da verdade real 6. Tece comentário sobre todas as fases de industrialização e exportação dos camarões que produz, sobre seu enquadramento como estabelecimento industrial e sobre o insumos utilizados na sua produção. 7. Indica a existência de documentos relativos à sua operação, exportação direta, venda para comerciais exportadoras e declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil, solicitando prazo de trinta dias para a apresentação do Livro de Apuração do IPI. A DRJ, analisando as questões trazidas nos autos, entendeu por bem desprovêlos por meio de aresto (fls.311/315), cuja ementa a seguir se transcreve: Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ESCRITURAÇÃO. Remanescendo saldo credor, é permitida a utilização de conformidade com as normas sobre ressarcimento em espécie e Fl. 342DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900022/200601 Acórdão n.º 3301002.378 S3C3T1 Fl. 341 4 compensação previstas pelo Fisco, a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido escriturado no Livro Registro de Apuração do IE. VENDA PARA COMERCIAL EXPORTADORA COMUM ("NÃOTRADING"). Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Destarte, a passagem desses produtos por outros estabelecimentos intermediários, tais como armazéns gerais, descaracteriza a aquisição com o fim específico de exportação. Em face do mencionado acórdão foi interposto recurso voluntário pela contribuinte (fls.318/338), apontado essencialmente o seguinte: (i) houve excesso de formalismo por parte da fiscalização ao deixar de reconhecer o crédito presumido de IPI pleiteado pela recorrente em razão da não escrituração da mesma; (ii) entende que restou atendido o requisito descrito na norma para o fim do gozo do benefício fiscal decorrente da exportação de seus produtos por meio de empresa comercial exportadora. Isso porque “as mercadorias objeto da exportação se encontravam nas instalações da empresa exportadora e não teria sentido terse de emitir nota do produto exportador tendo como destinatário o porto”. Descreveu, ainda, que “como a mercadoria se encontrava na comercial exportadora, para que fosse enviada diretamente para a exportação e para que o documentário fiscal espelhasse a realidade e obedecesse ao dispositivo legal acima, a RECORRENTE (produtorexportador) emitiu nota fiscal de venda para a comercial exportadora figurando na nota fiscal como adquirente a ser exportado, e descrevendo, claro e legível, em dois carimbos ali apostos: "MERCADORIA EXCLUSIVA PARA EXPORTAÇÃO" e "REMESSA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO...”. É o relatório. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900022/200601 Acórdão n.º 3301002.378 S3C3T1 Fl. 342 5 Voto Vencido Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. A discussão travada nesses autos envolve duas questões, a saber: (i) a ausência de escrituração do crédito presumido de IPI é razão suficiente para se deixar de reconhecer o crédito presumido de IPI?; e (ii) é possível ser reconhecido crédito presumido de IPI quando há venda de produto a uma comercial exportadora com fim específico à exportação, mas os produtos ou não são remetidos ou não há comprovação de que foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados? Desde já adianto que, quanto ao primeiro questionamento, entendo assistir razão ao contribuinte, ora recorrente. Já no tocante ao segundo questionamento, em vista da firme jurisprudência desse Eg. CARF, entendo falecer créditos à tese do contribuinte. DA ESCRITURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO CONDIÇÃO À SUA EFETIVA EXISTÊNCIA Quanto a esse ponto, entendo que andou mal a r. decisão a quo e isso porque estabeleceu sua convicção não nos fatos e provas carreados aos autos, mas no excessivo formalismo,o que discordo totalmente. No caso concreto, a recorrente trouxe à baila diversos documentos para comprovar efetivamente seu direito ao crédito pleiteado. Dentre os documentos estão os seguintes: Notas Fiscais da venda dos seus produtos à empresas comerciais exportadoras com fim específico de exportar, Livros Contábeis, DCPs de 2002, 2003 e 2004, DCTF de 2002, 2003 e primeiro trimestre de 2004 e DIPJ 2002, 2003 2 2004, planilhas contendo registro de exportações, datas de embarques, registro dos cálculos dos créditos presumidos de IPI apresentados e submetidos à Fiscalização, bem como todas as informações solicitadas pela Fiscalização no tocante aos insumos utilizados no processo produtivo da mercadoria exportada. A colocação supra se faz necessária, na medida em que revela que a Fiscalização teve todo o arcabouço fáticoprobatório à disposição e pôde analisar a existência efetiva ou não do crédito pleiteado. Tanto isso é verdade que analisou o crédito pleiteado a fundo e, no tocante ao crédito oriundo de vendas indiretas para o exterior, resolveu indeferilo por entender que não houve entrega de mercadorias em recinto alfandegado. Já no tocante ao crédito presumido de IPI decorrente de exportação direta, a Eg. DRJ apenas levantou como óbice o fato de não ter sido o mesmo devidamente escriturado. Nesse ponto destacase o seguinte trecho do v. aresto recorrido, na parte que interessa: Inferese, como derivação direta da legislação tributária acima transcrita, o óbvio: que o direito ao ressarcimento do crédito em questão, previsto em abstrato na lei, vinculase a que o titular da Fl. 344DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900022/200601 Acórdão n.º 3301002.378 S3C3T1 Fl. 343 6 pretensão tenha mantido e mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor dos créditos pleiteados, fato que não ocorre neste processo em análise. Em que pese o respeito que tenho pela D. Autoridade julgadora a quo, a situação dos autos foi tratada, de fato, com excessivo formalismo. Pelo que se infere da leitura do voto condutor a quo o crédito decorrente das exportações diretas efetuadas pelo contribuinte não foi questionada. Não se atribuiu qualquer vício no cálculo do benefício decorrente dessas exportações a não ser a ausência de escrituração dos mesmos. Nesse passo, noto que os documentos apresentados pela contribuinte são suficientes a comprovar a efetiva exportação dos produtos a despeito de não terem sido escriturados, e isso em respeito aos princípios da verdade material, da fungibilidade das formas. De fato, a formalidade da escrituração não pode se sobrepor à realidade dos fatos. O crédito em si não pode ser afastado tão somente por um rigorismo formal, perfeitamente superável pela vasta documentação trazida pelo contribuinte no caso concreto. Situação muito similar a presente foi tratada pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste órgão colegiado, que nos autos do PA nº 11080.001914/200665, cujo relator foi o eminente Conselheiro Luiz Roberto Domingo. Em seu voto, o Relator foi muito feliz ao se posicionar da seguinte forma: Cabe ressaltar que, diante das sucessivas e ininterruptas apurações saldo credor de IPI que se constata no Livro Registro de Apuração desse imposto, a exigência de escrituração do crédito presumido apurado e declarado em DCP não alteraria o direito creditório da Recorrente conforma já explicitado na decisão que converteu o julgamento em diligência: “Ademais, inobstante a Recorrente confirmar que seu pedido de ressarcimento/compensação foi enviado no mesmo trimestre calendário em que escriturou seu crédito presumido no Livro de Apuração do IPI, entendo que os princípios da instrumentalidade e da fungibilidade das formas podem ser invocados no presente caso, conforme precedente do próprio CARF, em acórdão de relatoria do Ilmo. Conselheiro Dr. Jorge Freire, no Processo Administrativo Fiscal no13976.000189/9606 – Acórdão 20173.440, que firmou entendimento no sentido de que a possibilidade de se apurar o saldo credor do benefício pleiteado por outras formas, que não a objetivamente prevista, não prejudicará o direito do contribuinte, vejamos: Ementa IPI CRÉDITO INCENTIVADOS 1 Descabe limitação ao benefício instituído pela Lei no 8.402/92(art. 1o, II, c/c o art. 2o) pelo singelo fato de o crédito não ter sido escriturado no Livro Registro de Apuração, se o fisco, por outros meios, conclui que o crédito é líquido e certo. A norma veiculadora do referido incentivo fiscal não fulmina o próprio direito pela inobservância de forma quanto à escrituração do mesmo no Livro de Apuração do IPI. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900022/200601 Acórdão n.º 3301002.378 S3C3T1 Fl. 344 7 2 Firmouse o escólio na Câmara Superior de Recursos Fiscais que a correção monetária, por não se constituir em nenhum plus, requeira expressa previsão legal. Recurso Voluntário provido. Tal posicionamento, inclusive, reforça a vinculação do Processo Administrativo ao princípio da verdade real, de modo que, na possibilidade de se demonstrar eventual saldo positivo do crédito presumido de IPI em favor da Recorrente, por outra forma igualmente idônea que não seja a estipulada pelo art. 22 da Instrução Normativa no 315/2003, indiscutível será o seu direito ao ressarcimento/compensação, na forma do art. 4º Lei no 9.363/99, vejamos: Art. 4º Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. Desta forma, entendo que a norma de regência, ao dispor “em caso de comprovada impossibilidade de utilização do cred́ito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido”, dá ensejo que havendo saldo credor ou tendo sido recolhido o IPI resultado da apuração em livro próprio, o valor apurado em DCP e objeto de pedido administrativo de ressarcimento autônomo, consiste em forma que atendo ao objetivo da lei, qual seja, “farseá o ressarcimento em moeda corrente”. A Portaria MF nº 38/1997, é mais explícita ao dispor, em seu art. 4º que a apuração poderá ser feita de forma centralizada no estabelecimento Matriz, inobstante de esse estabelecimento ser ou não contribuinte do IPI, facultando a transferência a filiais: Art. 4º O crédito presumido será utilizado pelo estabelecimento produtor exportador para compensação com o IPI devido nas vendas para o mercado interno, relativo a períodos de apuração subseqüentes ao mês a que se referir o cred́ito. ... § 3º No caso de impossibilidade de utilização do cred́ito presumido na forma do caput ou do § 1º, o contribuinte poderá solicitar, à Secretaria da Receita Federal, o seu ressarcimento em moeda corrente. § 4º pedido de ressarcimento será apresentado por trimestre calendário, em formulário próprio, estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. § 5º O ressarcimento em moeda corrente, na hipótese de apuração centralizada, será efetuado ao estabelecimento matriz. § 6º Constitui requisito para a fruição do crédito presumido a inexistência de deb́ito relacionado com tributos ou contribuições federais de responsabilidade da empresa. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900022/200601 Acórdão n.º 3301002.378 S3C3T1 Fl. 345 8 Assim, o requisito da escrituração não é exclusivo para dar ao contribuinte produtor exportador o direito ao Cred́ito Presumido de IPI. Ademais, é de saltar aos olhos que a fiscalização procedeu à apuração do cred́ito presumido de IPI dos períodos de 2º, 3º Trimestres de 2003 e 1º Trimestre de 2004 sem que houvesse a escrituração mensal dos Créditos Presumidos de IPI nos meses imediatamente anteriores. No caso concreto, a contribuinte requereu a compensação do seu crédito presumido de IPI e demonstrou por meio de sua documentação contábil a efetiva origem do mesmo. O excessivo formalismo utilizado pela decisão a quo decorre da inobservância da realidade dos fatos e de haver, na própria legislação de regência, a possibilidade de outras formas de constituição desse crédito, tal como foi reconhecido por esse Eg. Conselho no precedente supra transcrito. Diante desse entendimento, com o qual comungo inteiramente, e do fato de, nos autos, não ter sido levantado outro óbice para o aproveitamento do crédito presumido decorrente das exportações diretas, concluo por, nessa parte, dar provimento ao recurso da contribuinte para reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI decorrente das exportações diretas. DO DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Quanto ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação indireta, concordo com o v. aresto recorrido. Com efeito, o mencionado crédito deixou de ser reconhecido ao fundamento de que os produtos vendidos para a comercial exportadora não teriam sido entregues na forma preconizada pelo art 39 da Lei . 9.532/97, pois não foram remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recintos. Entendo que o v. aresto recorrido está correto quanto ao óbice destacado. É que, no entender desse Eg. CARF, para que haja a comprovação de que a venda à comercial exportadora teve o fim específico de exportação é necessário, na forma do art. 39 da Lei n. 9532/97, que tais produtos tenham sido remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recintos alfandegados. Nesse sentido os seguintes precedentes: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 SUSPENSÃO DO IPI. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Produtos que tenham sido remetidos do estabelecimento industrial para o estabelecimento do próprio adquirente não podem ser considerados adquiridos com o fim específico de exportação, para fins de suspensão do IPI, benefício que exige a remessa direta do estabelecimento fabricante para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Vidros de segurança formados de folhas contracoladas, utilizados como párabrisas em automóveis, lanchas ou outros veículos classificamse no código Fl. 347DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900022/200601 Acórdão n.º 3301002.378 S3C3T1 Fl. 346 9 7007.21.00 da TIPI, com alíquota de 15%. Não se enquadram no Ex 01 do referido código os párabrisas para ônibus e caminhões cujas dimensões variem para mais ou para menos de 5% daquelas nele estabelecidas. RECURSOS VOLUNTÁRIO NEGADO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO” (PA 11020.001557/201026; Rodrigo Mineiro Fernandes) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008, 01/10/2008 a 31/10/2008 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para caracterizar as receitas como decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação e, conseqüentemente, usufruir da isenção da contribuição para a COFINS, fazse necessário comprovar que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. PIS E COFINS. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO DE ICMS PARA TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. Consoante julgamento de mérito pelo STF do RE 606107 submetido à sistemática de Repercussão Geral, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, não incidem PIS e Cofins sobre a transferência a terceiros de créditos de ICMS obtidos em razão do benefício fiscal de que trata o artigo 25 da Lei Complementar nº 87/96. RO Provido e RV Provido em Parte”( PA 15586.001586/201043, Maria da Conceição Arnaldo Jacó) A despeito de qualquer desses precedentes tratarem especificamente da questão atinente ao crédito presumido de IPI, entendo que o conceito do que seja venda à comercial exportadora com fim específico de exportação está muito bem retratada, assim como os requisitos para assim considerálas. Diante desses fatos e da ausência de comprovação ou mesmo da não impugnação do contribuinte ao fato de que tais produtos não foram remetidos nas condições exigidas pela legislação (remetidos diretamente para embarque ou para recintos alfandegados), é de se negar o crédito presumido de IPI decorrente das exportações indiretas, seja porque não atendidas as exigências legais, seja por entender que restou inatacado fundamento autônomo e suficiente à manutenção do julgado a quo nessa parte. CONCLUSÃO DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito de IPI, relativo ao ressarcimento de PIS e COFINS, e NÃO PROVIMENTO ao crédito presumido de IPI, relativo a exportação indireta. Fábia Regina Freitas – Relator Fl. 348DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900022/200601 Acórdão n.º 3301002.378 S3C3T1 Fl. 347 10 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Esclareço que o presente voto vencedor vai abordar somente a parte do voto da ilustre relatora que reconheceu parcialmente o direito creditório, sendo que na parte negada houve consenso da turma em acompanhála. A relatora em seu voto, considerou que foram apresentados todos os elementos necessários e suficientes à apuração do crédito presumido do IPI, porém este crédito não teria sido considerado pela autoridade julgadora tão somente por meras questões formais relativas à escrituração do Livro Registro de Apuração do IPI. Com todo respeito ao voto da relatora, ouso discordar de suas conclusões. A decisão recorrida concluiu, entre outras coisas, que o direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI vinculase a que o titular da pretensão tenha mantido e mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor dos créditos pleiteados, fato que não ocorre neste processo em análise. Desde o início, o contribuinte teve várias oportunidades de demonstrar o seu direito inequívoco de que possuía crédito presumido de IPI passível de ressarcimento. Durante a fiscalização, foi intimado e reintimado, a apresentar todos os documentos comprobatórios do crédito, além do seu controle por meio do Livro de Registro de Apuração do IPI. Durante a fiscalização, além de pedidos de prorrogação de prazos, chegou a responder por escrito que não possuía direito a crédito presumido de IPI e que não havia efetuado a sua apuração e também que não possuía o referido livro. Ou seja, desde o início, demonstrou desprezo pelos controles determinados pela legislação. Somente em sede de sua manifestação de inconformidade teria apresentado o livro de apuração do IPI, porém sem fazer o controle da apuração do crédito presumido e sem os estornos preconizados na legislação. Além disto, também discordo da relatora, quando disse que os documentos apresentados pelo contribuinte são suficientes para apuração do crédito presumido. Os documentos apresentados somente comprovam a exportação e a possível existência de crédito presumido do IPI. A apuração do crédito está totalmente dependente da análise das notas fiscais de entrada com incidência do PIS e da Cofins. Ou seja, depende da análise se os produtos adquiridos permitem direito ao crédito. Pois bem, as notas fiscais de entrada nunca foram juntadas no presente processo. Não há a prova do direito líquido e certo ao crédito presumido do IPI. Esta prova está a cargo do interessado, que teve várias oportunidades de fazêlo e não fez. Aliás esta era uma prova muito fácil de realizar pois as notas fiscais de entrada eram poucas, conforme se deprende da relação informada no PER/Dcomp. Assim nos termos do art. 170 do CTN, não há como reconhecer o pedido de ressarcimento por ausência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 349DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900022/200601 Acórdão n.º 3301002.378 S3C3T1 Fl. 348 11 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Por oportuno cabe ressaltar que deve ser negado o pedido de diligência efetuado pelo contribuinte, pois esta não se presta a complementar a instrução probatória do processo. Portanto não há reparos a fazer na decisão da DRJ, que indeferiu o ressarcimento e não homologou as compensações efetuadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal – Redator Designado. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001746/2002-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1997 a 30/11/1997
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA.
Se no momento da lavratura do auto de infração eletrônico, cujo fundamento foi a falta de pagamento/declaração inexata, em razão da não comprovação da extinção do crédito tributário por meio de compensação no processo judicial informado, uma vez que a decisão judicial não amparava a hipótese de compensação pleiteada, deve ser considerado procedente o lançamento.
DÉBITOS COMPENSADOS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO RESTRITIVA A TRIBUTO DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-004.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de admitir a compensação do Finsocial com o PIS. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento integral e cancelavam o auto de infração. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1997 a 30/11/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA. Se no momento da lavratura do auto de infração eletrônico, cujo fundamento foi a falta de pagamento/declaração inexata, em razão da não comprovação da extinção do crédito tributário por meio de compensação no processo judicial informado, uma vez que a decisão judicial não amparava a hipótese de compensação pleiteada, deve ser considerado procedente o lançamento. DÉBITOS COMPENSADOS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO RESTRITIVA A TRIBUTO DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10925.001746/2002-32
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5398502
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-004.283
nome_arquivo_s : Decisao_10925001746200232.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 10925001746200232_5398502.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de admitir a compensação do Finsocial com o PIS. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento integral e cancelavam o auto de infração. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5714500
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047253916057600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2419; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 193 1 192 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.001746/200232 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801004.283 – 1ª Turma Especial Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria Auto de Infração Recorrente DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS ACB LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1997 a 30/11/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA. Se no momento da lavratura do auto de infração “eletrônico”, cujo fundamento foi a falta de pagamento/declaração inexata, em razão da não comprovação da extinção do crédito tributário por meio de compensação no processo judicial informado, uma vez que a decisão judicial não amparava a hipótese de compensação pleiteada, deve ser considerado procedente o lançamento. DÉBITOS COMPENSADOS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO RESTRITIVA A TRIBUTO DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de admitir a compensação do Finsocial com o PIS. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento integral e cancelavam o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 17 46 /2 00 2- 32 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.001746/200232 Acórdão n.º 3801004.283 S3TE01 Fl. 194 2 auto de infração. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. (assinado digitalmente) MARCOS ANTÔNIO BORGES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 194DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.001746/200232 Acórdão n.º 3801004.283 S3TE01 Fl. 195 3 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da DRJ de Ribeirão Preto (SP), assim expresso: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) no período de agosto a novembro de 1997, exigindoselhe contribuição de R$ 9.499,33, multa de ofício de R$ 7.124,50 e juros de mora de R$ 8.653,52, perfazendo o total de R$ 25.277,35. O enquadramento legal encontrase à fl. 12. O lançamento foi devido à nãocomprovação de processo judicial de compensação informado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, em síntese, que compensou os débitos lançados com créditos do Finsocial apurados conforme decisão judicial, que anexa, e que as compensações foram realizadas de acordo com a Instrução Normativa (IN) SRF nº 21, de 1997. A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1997 a 30/11/1997 LANÇAMENTO. DCTF. MANUTENÇÃO. Mantémse o lançamento do PIS quando o contribuinte não comprova a compensação judicial do débito indicada em DCTF. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a ato pretérito a legislação que comine penalidade menos severa que a vigente à época do lançamento para cancelar a multa de ofício prevista no art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O argumento da DRJ foi de que a sentença da Recorrente somente permitiu a compensação de Finsocial com a COFINS e não com o PIS, como aqui foi feito. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.001746/200232 Acórdão n.º 3801004.283 S3TE01 Fl. 196 4 A Recorrente apresenta o presente recurso voluntário alegando que a compensação foi feita nos moldes autorizados pela legislação, que a própria RFB entende que é possível fazer a compensação nos moldes em que foi feita, requerendo o cancelamento do Auto Lavrado. É o que importa relatar, Fl. 196DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.001746/200232 Acórdão n.º 3801004.283 S3TE01 Fl. 197 5 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Pelo que pode ser visto o presente auto de infração originouse da realização de auditoria interna nas DCTF, tendo sido constatada, segundo a descrição dos fatos e o demonstrativo de créditos vinculados não confirmados, a falta de recolhimento da contribuição para o PIS, decorrente de declaração inexata, não se comprovando a existência do processo judicial informado pelo contribuinte, vinculado a compensações – termo comumente grafado como “Proc jud não comprovado”, ou seja, processo judicial não comprovado. Nos autos consta cópia do processo na qual a Recorrente figura como autora e que foi fundamento para a autuação. No ordenamento pátrio a motivação dos atos administrativos sempre foi obrigatória, ou como pressuposto de existência, ou como requisito de validade, ex vi do artigo 50 da Lei nº 9.784/1999 e alterações posteriores. Além das expressas disposições em lei, também a doutrina ensina que a falta de congruência entre a situação fática anterior à prática do ato e seu resultado, invalidao por completo. Constróise, assim, a teoria dos motivos determinantes. No magistério de Hely Lopes Meirelles, “tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade” 1. Basicamente, presumese que o auto de infração foi lavrado em virtude de acreditar a fiscalização que a referida ação judicial não existia, nada mais. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da .fundamentação legal da exigência, deve ser lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada, por força do que determina o § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8,748, de 1993. Em sintonia com o que determina a disposição legal supra, também a doutrina jurídica, na exegese de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopes (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 2002, p. 184), recomenda o seguinte: “Assim, constatadas pela autoridade julgadora inexatidões na verificação do .fato gerador, relacionadas com o mesmo ilícito descrito no lançamento original, o saneamento do processo fiscal será promovido pela feitura de Auto de Infração Complementar. Esta peça, sob pena de nulidade, deverá descrever os motivos que fundamentam a alteração do 1 Manual de Direito Administrativo, José dos Santos Carvalho Filho, Editora Lumen Juris, 1999, p. 81. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.001746/200232 Acórdão n.º 3801004.283 S3TE01 Fl. 198 6 lançamento original, indicando o .fato ou circunstância que ele pretende aditar ou retificar, demonstrando o crédito tributário unificado, de modo a permitir ao contribuinte o pleno conhecimento da alteração”... Se a autuação tornou como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial, e o contribuinte demonstrou a existência da ação, resta patente que o lançamento não tem suporte fático válido, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe. De acordo com a teoria dos motivos determinantes, o ato administrativo está forçosamente vinculado aos fatos concretos apurados e aos fundamentos legais que lhe dão suporte. A fiscalização preferiu tomar um suporte fático genérico e impreciso para dar suporte à autuação, ao invés de promover a apuração concreta da realidade do caso. E errou de fundamento, sendo então incabível que as instâncias julgadoras promovam a atividade de fiscalização que a autoridade lançadora devia ter executado, decantando o suporte concreto que deveria ter sido apurado e indicado pela autoridade lançadora para a lavratura do auto de infração. Ora, uma vez notificado do lançamento e demonstrado a existência de processo judicial a autuação não justifica. Não procede, portanto, o lançamento, por não se comprovar a fundamentação fática que o originou, ressaltandose que não integra o objeto deste voto a correção, ou não, do procedimento adotado pelo contribuinte em relação aos créditos tributários objeto do lançamento, em função da decisão judicial obtida, uma vez que tal questão não foi analisada quando da realização do lançamento. Da única imputação que lhe foi feita na autuação – processo judicial não comprovado – o contribuinte defendeuse, informando que efetivamente integrava a ação judicial por ele relacionada, não constando do lançamento qualquer outra alegação que fundamentasse a exigência. Por outro lado, independentemente disso é a própria Receita Federal que entende a compensação depende do crédito e não do teor mandamental da sentença. A própria Solução de Consulta n.º 98 (DOU de 02/10/2002) definiu que não obstante a sentença judicial, transitada em julgado, autorizar a compensar o valor do PIS recolhido indevidamente com a própria contribuição vincenda, é admissível a sua compensação com os demais tributos e contribuições federais, administrados pela Secretaria da Receita Federal, ou mesmo a sua restituição, mediante requerimento. A compensação não depende de pedido do contribuinte à Receita Federal, nem de sentença transitada em julgado, depende somente da carga declaratória da sentença, ou seja, da existência ou não do crédito e no caso a sentença é expressa em apontar que, verbis: (b) que a parte Autora é detentora de crédito em face da União, representado pelos valores recolhidos, no período pós constitucional, à Fazenda Nacional (DARFs e guias inclusas nos autos), até a competência 03/92, decorrentes das majorações pós Fl. 198DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.001746/200232 Acórdão n.º 3801004.283 S3TE01 Fl. 199 7 constitucionais de alíquotas do FINSOCIAL acima de meio por cento. (...) Além disso, por meio da Solução de divergência n.º 02/2010, ficou estabelecido que os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado após a Lei n.º 10.637/2002, que tenha sido restritiva, permitindo apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, ou ainda, que tenha permitido apenas a repetição do indébito, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB. Por todo o exposto, no mérito, voto por dar provimento ao recurso voluntário, considerandose improcedente o presente lançamento. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 199DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.001746/200232 Acórdão n.º 3801004.283 S3TE01 Fl. 200 8 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar quanto a nulidade do presente auto de infração. O lançamento teve como fundamento o artigo 90, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que determinava a lavratura de lançamento de ofício na hipótese de constatação de incorreções nos saldos a pagar informadas pelo contribuinte em DCTF. Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal Não obstante este artigo tenha sido modificado pelo art 18 da Lei 10833/2003, que restringiu as hipóteses de lançamento de ofício à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida ou não comprovada em declaração prestada pelo sujeito passivo, relativamente aos tributos administrados pela SRF, os lançamentos efetuados anteriormente constituem atos perfeitos segundo as normas vigentes à data em que foram elaborados, cabendo apenas a exoneração da multa de ofício quando não verificadas as hipóteses previstas nesse artigo, o que foi feito pela decisão recorrida. Apesar da descrição lacônica, inferese que a autuação dos débitos correspondentes a PIS dos meses de agosto a novembro de 1997 que continham a descrição "Proc jud não comprovado", fazendo menção ainda ao numero do processo e a expressão “Comp s/ DARFOutros PJU”, tem por motivação a não comprovação da ação judicial nº 97.70014303, informada pela recorrente em sua DCTF, que daria amparo a compensação dos débitos declarados. Conforme consta dos autos, verificase que a recorrente ingressou junto ao Poder Judiciário com Ação Declaratória nº 97.70014303, pleiteando o reconhecimento da inconstitucionalidade das contribuições recolhidas ao FINSOCIAL, excedentes à alíquota de meio por cento, e a compensação dos créditos decorrentes do pagamento indevido. Na sentença de 1ª Instância a autuada obteve autorização para compensar valores do Finsocial recolhidos a maior com débitos vincendos da Cofins, o que foi confirmado pelo E. Tribunal Regional Federal da 4a Região, tendo transitado em julgado o acórdão em 09/06/1999. Apesar de comprovada a existência da ação judicial, a compensação dos débitos declarados de PIS não se encontravam abarcados pela decisão judicial uma vez que ela autorizava apenas a compensação dos valores do Finsocial recolhidos a maior com débitos vincendos da Cofins. Desta forma, mostrase correto o pressuposto fático que dá suporte ao auto de infração, cujo fundamento foi a falta de pagamento/declaração inexata, em razão da não Fl. 200DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.001746/200232 Acórdão n.º 3801004.283 S3TE01 Fl. 201 9 comprovação da extinção do crédito tributário por meio de compensação no processo judicial informado, uma vez que a decisão judicial não amparava a hipótese de compensação pleiteada. No entanto, acompanho o voto vencido quanto a possibilidade de compensação com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB de créditos reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie. No presente caso a decisão judicial reconheceu apenas o direito à compensação com débito da mesma espécie com fulcro no art. 66 da Lei 8.383, de 30/12/1991, que estipulava que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, administrados pela Receita Federal, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderia efetuar a compensação desse valor no recolhimento da importância correspondente a períodos subseqüentes, desde que a compensação fosse realizada entre tributos e contribuições da mesma espécie. Porém, com o advento da Lei 9.430, de 27/12/1996, artigos 73 e 74, a Administração Tributária passou a admitir a compensação de créditos do sujeito passivo, perante a Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração do mesmo Órgão, vencidos ou vincendos, ainda que não fossem da mesma espécie e nem tivessem a mesma destinação constitucional. Assim entendo que a legislação mais benéfica ao contribuinte, mesmo que vigente quando do trânsito em julgado, não foi considerada como fundamento da decisão judicial mais restritiva, ou seja, não foi apreciada e rechaçada na decisão judicial, razão pela qual é devida a aplicação da norma, garantindose o direito mais abrangente concedido por ordem legislativa. Tal entendimento é corroborado ainda pela Solução de Consulta n.º 98 (DOU de 02/10/2002) e Solução de Divergência n.º 02/2010 citadas pelo I. Relator. Nesse sentido voto por dar provimento parcial ao presente recurso voluntário no sentido de admitir a compensação do Finsocial com o PIS, mantendose o lançamento apenas no que exceder o direito creditório apurado pela Delegacia de origem. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 201DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 14485.003001/2007-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1998
PRAZO DECADENCIAL.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por decadência.
Julio Cesar Vieira Gomes- Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: Luciana de Souza Espíndola Reis
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1998 PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 14485.003001/2007-08
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5401782
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2402-004.233
nome_arquivo_s : Decisao_14485003001200708.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Luciana de Souza Espíndola Reis
nome_arquivo_pdf_s : 14485003001200708_5401782.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por decadência. Julio Cesar Vieira Gomes- Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5737342
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047253921300480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1562; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 3.857 1 3.856 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14485.003001/200708 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.233 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2014 Matéria DECADÊNCIA Recorrente SAP BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1998 PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por decadência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 30 01 /2 00 7- 08 Fl. 3857DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 1617098 da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ São Paulo I, fl. 37723789, com ciência ao sujeito passivo em 15/07/2008 que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP lavrado sob o Debcad no 37.015.5955, com ciência ao sujeito passivo em 11/12/2007, f. 02. De acordo com o relatório fiscal e demais anexos, o AIOP trata de exigência de contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, relativas à parte da empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a título de “Participação nos Lucros ou Resultados”, durante o mês, aos segurados empregados nas competências 01/1997, 02/1997, 07/1997, 08/1997, 10/1997, 11/1977, 01/1998 a 03/1998 e 05/1998 a 09/1998. A interessada apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente. Em 13/08/2008 o sujeito passivo, representado por advogado qualificado nos autos, interpôs recurso, fl. 37983850, suscitando invalidade do acórdão recorrido por preterição do direito de defesa, sustentando que a decisão recorrida deixou de analisar as alegações quanto à natureza dos pagamentos realizados, e, no mais, reitera as razões da defesa, que foram relatadas no acórdão de primeira instância: Em suas razões, após declarar a tempestividade da defesa e fazer breve relato sobre a NFLD em pauta, a Empresa alega, em síntese, que a mesma não deve prevalecer, uma vez que: Os créditos previdenciários exigidos por meio da presente NFLD, foram atingidos pela decadência e encontramse extintos nos termos do artigo 156, V, do Código Tributário Nacional; Os pagamentos efetuados pela impugnante aos seus empregados no período de janeiro de 1997, fevereiro de 1997, julho de 1997, agosto de 1997, outubro de 1997, novembro de 1997, janeiro de 1998, fevereiro de 1998, março de 1998, maio de 1998, junho de 1998, julho de 1998, agosto de 1998, e setembro de 1998, nada mais são do que pagamento de bônus de incentivo, os quais não possuem natureza salarial ou remuneratória, não podendo ser incluídos nas bases de cálculo das contribuições em questão, e Ainda que se considere que os referidos pagamentos efetuados pela Impugnante caracterizamse como PLR, não há que se falar em natureza salarial em virtude de suposta desobediência à legislação específica, uma vez que o inciso XI do artigo 7° da Constituição Federal é autoaplicável na parte em que prevê expressamente a desvinculação de tais pagamentos da remuneração, razão pela qual não se sujeitam à incidência de contribuições previdenciárias por expressa vedação legal e constitucional; Fl. 3858DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003001/200708 Acórdão n.º 2402004.233 S2C4T2 Fl. 3.858 3 A interpretação teleológica do art. 7o, XI da Constituição Federal e a Lei 10.101/00 juntamente com a constatação de que a Impugnante observou o requisito substancial da semestralidade (pois pagou PLR apenas em janeiro e julho de 1999, sendo que o pagamento efetuado em agosto de 1999 foi um mero complemento destinado ajustar alguns pagamentos à menor efetuados a apenas alguns empregados no mês de julho de 1999) levam à conclusão de que não houve qualquer prejuízo, seja aos empregados, seja à Seguridade Social. PRELIMINARMENTE Da Decadência Os períodos objeto desta NFLD foram todos atingidos pela decadência e, portanto, não podem mais ser exigidos da Impugnante. Após discorrer fartamente sobre a matéria, entende que: aplica se às contribuições objeto da presente NFLD o disposto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. A Seguridade Social tem cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador das contribuições por ela arrecadadas, para homologar o procedimento adotado pelo contribuinte e, se transcorrido esse prazo sem qualquer manifestação expressa, ou lançamento de eventual diferença que ela entenda devida, consumarseá a extinção do crédito tributário (art. 156, inciso VII do CTN), o que implica, por igual, a extinção da relação jurídica tributária, posto que não há relação tributária sem o respectivo objeto, qual seja, o crédito tributário Requer seja o lançamento julgado insubsistente pela inexistência de tributária (=créditos extintos) por força da decadência do direito da Fazenda Pública efetuar o respectivo lançamento. NO MÉRITO Da Participação nos Lucros ou Resultados Segundo a autoridade fiscal, a Impugnante pagou verbas aos seus empregados a título de participação nos lucros nos meses de janeiro de 1997, fevereiro de 1997, julho de agosto de 1997, outubro de 1997, novembro de 1997, janeiro de 1998, fevereiro de 1998, março de 1998, maio de 1998, junho de 1998, julho de 1998, agosto de 1998, e setembro de em desacordo com a Lei n° 10.101/00, sendo que os dispositivos legais que embasaram a notificação foram os artigos 2º, § 1º, item II e art. 3°, § 2o da referida Lei. Ao final, a autoridade concluiu que, pelo fato de o Acordo ter sido firmado em 28/01/99, a impugnante não teria observado o art. 2º, § 1º, item II da Lei n° 10.101/00, transcrito anteriormente (Medidas Provisórias n°s: 1.53927, 153928, 1.53933, 1.539 35, 1.53938, 1.61940, 1.61941, 1.91942, 1.61944, 1.69846, 1.69847, 1.9848, 1.69850, vigentes à época), o qual determina Fl. 3859DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 que os programas de metas, resultados e prazos devem ser pactuados previamente. Além disso, a autoridade fiscal concluiu, também, que a Impugnante não teria observado o art. 3º, § 2º da Lei n° 10.101/2000, que veda o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. De fato, os pagamentos efetuados nos anos de 1997 e 1998 foram realizados com base no anexo I indicado no Acordo mencionado pela fiscalização. O referido anexo "Certidão de Concessão de Unidades de Desempenho" (Doc. 2), é instrumento que fazia parte da política de incentivos da Impugnante para os anos de 1996 e 1997, o que gerou os pagamentos efetuados em 1997 e 1998, objeto da presente NFLD. O Plano de Incentivos a Longo Prazo: Como o próprio nome indica, não se tratava de plano de participação nos lucros, mas sim plano de incentivos que foi adotado pelas empresas SAP América Inc. e todas as suas subsidiárias integrais, dentre as quais a ora Impugnante. O pagamento dos valores vinculados ao plano de incentivo estava condicionado ao atingimento das metas que variavam de acordo com o número de unidades de desempenho concedidas individualmente para cada funcionário por intermédio da "Certidão da Concessão de Unidades de Desempenho". Constavam deste plano, como em relação aos demais planos, regras claras delimitando as medidas e metas de desempenho individuais, metodologia de cálculo, período de validade, etc. Alguns pagamentos efetuados nos meses de janeiro e julho de 1997 e janeiro e julho de 1998 haviam sido feitos, equivocadamente, a menor, alguns ajustes de valores praticamente insignificantes foram feitos nos meses que os seguiram, isto é, em fevereiro, agosto, outubro e novembro de 1997 e fevereiro, março, junho, agosto e setembro de 1998, a fim de corrigir os pagamentos efetuados a determinados empregados. Essas meras saídas de caixa, cujos valores são irrelevantes quando comparados aos pagamentos efetuados em janeiro e julho de 1997 não podem, sob qualquer aspecto, ser consideradas para fins da periodicidade semestral prevista na Lei n° 10.101/00. Os valores pagos pela Impugnante aos seus profissionais, nos meses em questão, foram vinculadas a metas de desempenho individuais, ou seja, tratase de ganhos auferidos por esses empregados, e que não poderiam, sob qualquer aspecto ou pretexto, ser integrados à sua remuneração mensal, dado o seu caráter absolutamente condicional. Da natureza não salarial dos pagamentos efetuados pela Impugnante nos anos de 1997 e 1998. Ganhos eventuais que independem da caracterização como participação nos lucros para não estarem sujeitos às incidências previdenciárias. Fl. 3860DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003001/200708 Acórdão n.º 2402004.233 S2C4T2 Fl. 3.859 5 É certo que a Impugnante firmou, em 29/01/1999, um Acordo de Participação nos Lucros com seus empregados cujos efeitos retroagiram para 1º de janeiro de 1996 para ratificar os benefícios concedidos no anexo 1 que é justamente o Plano de Incentivos a Longo Prazo e esteve em vigor até 31/12/97. Independentemente de o pagamento realizado pela Impugnante estar ou não de acordo com as medidas provisórias que regiam a PLR à época e sua respectiva lei de conversão (Lei n° 10.101/00), a autoridade fiscal deveria verificar se tais quantias poderiam efetivamente ser caracterizadas como parcelas do salário ou remuneração habitual de seus empregados e, portanto, sujeitas à incidência das contribuições em questão. Inexiste habitualidade. É importante destacar que nem todos os empregados da Impugnante atingiram as metas pré estabelecidas e, conseqüentemente, também não receberam o pagamento do bônus, tanto em janeiro ou julho de 1998 como em janeiro ou julho de 1998. Cita exemplos de quantidades de empregados que efetivamente receberam bônus pelo atingimento de metas e outros que não receberam qualquer quantia a título de bônus em nenhum dos meses, posto que não atingiram suas metas de desempenho. A periodicidade semestral como parâmetro para a descaracterização da habitualidade foi consagrada pela própria Lei 10.101/2000. O TST entende que a gratificação que é paga semestralmente também não repercute no cálculo de horas extras, de férias e de aviso prévio, ainda que indenizados, exatamente porque é paga esporadicamente. Os próprios Tribunais Regionais do Trabalho já pacificaram seu entendimento no sentido de que pagamento a título de premiação pelo atingimento de metas, tais como as quantias pagas pela Impugnante possuem caráter eventual e incerto e, por essa razão, não integram o salário ou remuneração dos empregados, não incidindo, dessa forma, quaisquer das contribuições exigidas nesta NFLD. Transcreve várias ementas. A participação nos lucros e resultados das empresas está prevista no art. 7o, XI da Constituição Federal. Ainda que a Impugnante tivesse pago participação nos lucros em desacordo com meras formalidades previstas na legislação de regência (o que se admite apenas para afins de argumentação), ainda assim, por força da norma imunizante prevista no art. 7o da Constituição Federal, tais verbas não poderiam ser vinculadas à remuneração de empregados. Cita afirmação do Prof. Amauri Mascaro do Nascimento. Após fazer uma rápida análise histórica do instituto da PLR na legislação brasileira, acrescenta que, no caso em tela, só houve 2 (dois) pagamentos durante o ano de 1997 e outros 2 (dois) no ano de 1998, ambos em janeiro e julho (os dos demais meses, Fl. 3861DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 como visto, foram ajustes de apenas alguns funcionários, relativos aos pagamentos efetuados em janeiro e julho), sendo que a Impugnante e os empregados, com a participação do Sindicato acordaram, ainda que retroativamente, quanto aos critérios e periodicidade das quantias pagas aos empregados, consoante o Acordo firmado em 1999. Falta o mínimo de razoabilidade na lógica do AFRFB. Por conta de um formalismo ela entendeu que a PLR paga pela Impugnante estaria sujeita às contribuições incidentes sobre a folha de salários/remunerações; Tratase de um rigorismo exacerbado e um apego ao formalismo que não é minimamente compatível com o espírito da própria Lei n° 10.101/2000 e art. 7º, XI, da Constituição Federal. Ao final, pede o cancelamento da exigência. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 3862DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003001/200708 Acórdão n.º 2402004.233 S2C4T2 Fl. 3.860 7 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de Decadência Sobre a decadência das contribuições previdenciárias, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, aplicase o regime de decadência do Código Tributário Nacional (CTN) às contribuições previdenciárias e às devidas aos terceiros. Na sistemática do CTN, inexistindo antecipação de pagamento pelo sujeito passivo, ainda que parcial, considerase o termo inicial para contagem do prazo decadencial o disposto no inciso I do art. 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; ... A segunda regra, prevista no § 4º do art. 150 do CTN, abaixo transcrito, é aplicável quando há pagamento, ainda que parcial, exceto quando constatada fraude, dolo e simulação, casos em que deve ser adotada a regra anterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 3863DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Em síntese, para se determinar o dies a quo, é necessário verificar se houve ou não pagamento antecipado. Caso a resposta seja afirmativa, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador, caso contrário, será de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, que, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, deve ser reproduzido nas turmas deste Conselho. O lançamento em exame referese ao período de janeiro de 1997 a setembro de 1998. De acordo com o Discriminativo Analítico de Débito – DAD, f. 69, não consta informação de que houve antecipação de pagamento parcial, fazendo incidir a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Por conseguinte, o prazo decadencial das competências 01/1997 a 11/1997 teve início em 1o de janeiro de 1998 e encerrouse em 31 de dezembro de 2002 e o prazo decadencial das competências 12/1997 e 01/1998 a 09/1998 teve início em 1o de janeiro de 1999 e encerrouse em 31 de dezembro de 2003. O sujeito passivo teve ciência pessoal do lançamento somente em 11 de dezembro de 2007, f. 02, após o decurso do prazo de cinco anos previsto para constituição do crédito tributário pela Fazenda Pública. Portanto, com base no art. 156, V, do Código Tributário Nacional (CTN), estão extintos os créditos tributários exigidos neste lançamento. Por incompatibilidade, deixo de analisar as demais alegações do recurso. Conclusão Com base no exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 3864DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11052.001107/2010-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO
A existência de depósitos bancários de origem não comprovada pela pessoa jurídica regularmente intimada autoriza o lançamento de ofício por omissão de receitas.
LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL e COFINS.
Tratando-se da mesma matéria fática, aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ).
Numero da decisão: 1401-001.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO A existência de depósitos bancários de origem não comprovada pela pessoa jurídica regularmente intimada autoriza o lançamento de ofício por omissão de receitas. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL e COFINS. Tratando-se da mesma matéria fática, aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11052.001107/2010-66
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5391341
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1401-001.236
nome_arquivo_s : Decisao_11052001107201066.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 11052001107201066_5391341.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
id : 5673311
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047253947514880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1836; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 694 1 693 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11052.001107/201066 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401001.236 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de julho de 2014 Matéria IRPJ/Reflexos Recorrente AVATAR 2001 PRODUCOES ARTISTICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO A existência de depósitos bancários de origem não comprovada pela pessoa jurídica regularmente intimada autoriza o lançamento de ofício por omissão de receitas. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL e COFINS. Tratandose da mesma matéria fática, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 11 07 /2 01 0- 66 Fl. 694DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11052.001107/201066 Acórdão n.º 1401001.236 S1C4T1 Fl. 695 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11052.001107/201066 Acórdão n.º 1401001.236 S1C4T1 Fl. 696 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro IRJ. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tem origem o presente processo nos autos de infração de fls. 46/72, lavrados pela DRF Rio de Janeiro 1 RJ, contra Avatar 2001 Produções A r t í s t i c a s Ltda, relativos ao 1 o semestre de 2007, para exigir o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ no valor de R$ 460.509,61, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no valor de R$ 170.103,46, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins no valor de R$ 177.191,07 e a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no valor de R$ 38.391,38, todos acrescidos de multa proporcional de 75% e de j u r o s de mora. Conforme consta dos autos de infração e do Relatório Fiscal de fls.42/45, foi constatada incompatibilidade entre a receita declarada e a movimentação financeira do autuado. Com base nos extratos bancários fornecidos pelo próprio autuado, a fiscalização intimouo a apresentar a comprovação das operações que deram origem aos recursos depositados em suas contascorrente, mas ele respondeu que não encontrou, em seus arquivos, quaisquer documentos que comprovassem os ingressos, o que levou a fiscalização a considerar caracterizada a omissão de receitas por força do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Cientificado das autuações em 03.12.2010 (fl. 415), o autuado apresentou, em 30.12.2010, a impugnação de fls. 417/435, com as seguintes alegações, em síntese: a) A fiscalização não anexou à intimação os extratos bancários que serviram de base para a elaboração das planilhas, o que impediu o autuado de conferir os valores, já que, inadvertidamente, não guardou cópia dos extratos que entregara à fiscalização; b) O histórico constante dos próprios extratos bancários já identifica a origem de parte dos depósitos, como, por exemplo: "cobrança especial", "liberação de contrato de crédito", "estorno CPMF", "devolução de TED e DOC" etc; c) O fato gerador foi indevidamente deslocado para o mês anterior ao correto, para os cheques e DOC a compensar, ingressados nos últimos dias dos meses, porque a disponibilidade econômica só acontece após a compensação e o desbloqueio do valor, nos termos do art. 43 do CTN; d) Os depósitos cujos históricos são "cobrança especial" referem se, obviamente, a vendas e, por isso, têm a origem conhecida, motivo pelo qual devem se submeter ao comando do §2° do art. 42 da Lei n° 9.430/96, portanto, não podem ser tributados ao amparo da presunção legal e seus fatos geradores devem Fl. 696DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11052.001107/201066 Acórdão n.º 1401001.236 S1C4T1 Fl. 697 4 coincidir com a ocasião da realização dos serviços, segundo o regime de competência, e não no mês do recebimento, como consta dos lançamentos; e) Pelo mesmo motivo, é ilegal a tributação em 2007 dos ingressos decorrentes de serviços prestados em 2006, com emissão de nota f i s c a l, cuja relação e cópia das notas fiscais são juntadas; f) Também é absurdo que se considerem sem comprovação de origem os Doe e TED identificados, uma vez que o extrato do banco discrimina o remetente (o cliente), ou seja, a origem decorre do pagamento de vendas; g) Devem ser expurgadas da base de cálculo as 4 transferências entre contas de titularidade do autuado, relacionadas; h) Também não podiam ser considerados como receita os 15 créditos (relacionados) cujos históricos especificam estorno de CPMF e devolução de DOC ou TED; i) A fiscalização computou, equivocadamente, o valor de R$ 92.860,00, de 06.02.2007, apesar de o histórico mencionar "liberação contrato de crédito", que se refere a empréstimo contraído; j ) Os valores de R$ 150.000,00 e R$ 50.000,00, de 22.02.2007 e 22.05.2007, não podem compor a base tributável, por se referirem a recebimentos de patrocínio do show Sacramento, conforme documentação anexada; e k) Os 12 valores ora discriminados referemse a transferências de recursos de empresas do grupo (Rigel, Tarumã e Fênix), ou seja, tratase de mútuo entre empresas ligadas, sem qualquer repercussão t r i b u t á r i a . Juntou documentação comprobatória da ligação entre as empresas. É o relatório. A DRJ MANTEVE EM PARTE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa J u r í d i c a IRPJ Anocalendário: 2007 RECEITA OMITIDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Exceto nos casos em que o contribuinte mostra, na defesa, que os ingressos não têm natureza de receita, caracterizam omissão de receita as quantias depositadas em suas contas bancárias para as quais ele não comprovou, quando intimado, a operação que as originou. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Estendemse aos lançamentos decorrentes as conclusões da decisão prolatada no Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, reprisando os pontos trazidos anteriormente na impugnação. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11052.001107/201066 Acórdão n.º 1401001.236 S1C4T1 Fl. 698 5 Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, reprisando os pontos trazidos anteriormente na impugnação que não foram acatados; e contestando a decisão da DRJ em cada um desses pontos, mas com argumentos similares aos colocados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11052.001107/201066 Acórdão n.º 1401001.236 S1C4T1 Fl. 699 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Preliminares de nulidade A Recorrente alega cerceamento do direito de defesa em função de a fiscalização não ter anexado os extratos às intimações por meio das quais pediu a comprovação da origem dos recursos. Esperava ela que a fiscalização lhe devolvesse os extratos bancários. A DRJ muito bem fundamentou essa negativa de cerceamento: Não vejo qualquer prejuízo para a defesa no fato de a fiscalização não ter juntado os extratos bancários às intimações por meio das quais pediu a comprovação da origem dos recursos. Os extratos bancários haviam sido apresentados à fiscalização pelo próprio autuado, conforme ambos afirmaram, e, mesmo que assim não fosse, o titular tem acesso aos extratos das suas próprias contascorrente, nas instituições financeiras. O que a legislação comanda, na verdade, é que o contribuinte seja intimado a partir de uma listagem dos valores extraídos dos extratos bancários e isso foi efetuado. Essa devolução dos extratos não é razoável, justamente pelos motivos aduzidos pela DRJ. Outrossim, se a Recorrente possuía alguma dificuldade com relação a esse aspecto, por que não o fez não fase oficiosa, mas somente agora no contraditório? Inúmeras foram as oportunidades concedidas pela fiscalização. Inúmeros prorrogações foram concedidas por motivos diversos, inclusive alegando motivos de saúde de pessoa envolvida no processo (fls. 33), mas nenhuma menção se fez a essa dificuldade, o que no mínimo é estranho. As outras justificativas eram apenas alegando a dificuldade em resgatar os documentos que comprovariam a origem dos recursos. Consta também do processo que a Recorrente solicitou das três instituições financeiras que lhe fossem entregues os extratos em meio magnético. Nos autos, verifiquei apenas que um dos bancos (Itaú) o fez em de forma impressa. No caso concreto, o autuado não exibiu qualquer documento, na época do procedimento de fiscalização, o que levou a fiscalização a considerar a totalidade dos depósitos como receita omitida por presunção (art. 42 da Lei n° 9.430/96), já que, sem acesso aos documentos correspondentes, era impossível a prova direta, assim como também era impossível saber a data em que a receita foi auferida. A teor do art. 59 do Decreto 70235/72, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, auditor fiscal, bastando para tanto a assinatura do mesmo, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória e recurso acostados aos autos, como efetivamente o fez. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11052.001107/201066 Acórdão n.º 1401001.236 S1C4T1 Fl. 700 7 Também foram observados dois requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Os requisitos apontados estão previstos em lei, são os incisos III e IV do art. 10 do Decreto 70.235/72 . Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade. MÉRITO PRESUNÇÃO LEGAL Depósitos Bancários sem comprovação da origem dos Recursos O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Como se vê da descrição dos fatos, a empresa não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos recebidos em conta bancária. O que foi apresentado de provas efetivas durante a fase impugnatória a DRJ já acatou. Em sede impugnatória e recursal, a interessada ao invés de tentar provar cabalmente os fatos alegados, se concentra mais em tecer considerações de direito, no sentido de enfraquecer o lançamento por ter sido lastreado apenas em presunções, bem assim com considerações de inconstitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.43096. Outrossim, é falaciosa a sua justificativa de afirmar que os históricos contidos nos extratos bancários, por si sós, já seriam suficientes para demonstrar a origem dos recursos. É que apesar de eles descreverem de forma resumida o motivo de alguns créditos (cobrança especial, por exemplo), entendo que tal informação não supre a necessidade de o contribuinte apresentar os documentos que demonstrem a transação que originou os créditos (notas fiscais, contratos etc). É claro que existem exceções a esse regra, no caso de alguns eventos serem por si sós aptos a demonstrar que aquela ocorrência não ter a natureza de receitas, como é o caso, por exemplo, dos históricos “empréstimo”, “devolução de TED”, “devolução de DOC”, “Estorno de CPMF”, situações estas que foram inclusive já acatadas pela DRJ (20 valores foram expurgados do auto de infração). Entretanto, o fato é que a fiscalização tem o Dever/Poder de solicitar a documentação, durante o procedimento fiscal, para que daí possa segregar a receita provada por presunção da receita demonstrada por prova direta, como bem colocou a DRJ. A esse mesmo respeito, segregação da prova direta da indireta, a Recorrente procura também macular o lançamento alegando que o comando do §2° do art. 42 da Lei 9.430/96 não foi respeitado. Ferindose assim o critério temporal do lançamento. É que somente na fase do contraditório o contribuinte tenta exibir a documentação que demonstraria tratarse, de fato, de receita e, assim, reivindicar que a tributação siga as normas específicas de tributação, o que ensejaria fazer um novo lançamento para a alteração do momento de ocorrência do fato gerador, em virtude do regime de competência. Também, macularia o Fl. 700DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11052.001107/201066 Acórdão n.º 1401001.236 S1C4T1 Fl. 701 8 lançamento nesse mesmo aspecto, o fato de a fiscalização não ter ajustado o momento exato em que o crédito registrado no seu extrato bancário efetivamente se tornasse disponível nos casos em que o mesmo estivesse bloqueado em função dos prazos de compensação. Ora, bem se vê que a Recorrente procura encontrar a todo custo uma forma de macular o lançamento, apontando “filigramas” formais que ensejassem esse desiderato. Porém, novamente sem sucessos essas suas investidas. A DRJ a esse respeito fundamentou bem a questão, nada tendo a reparar, principalmente porque o recurso não consegue infirmar os fundamentos da DRJ: Uma vez constituído o crédito tributário com base na presunção, não há mais chance, na fase do contraditório, para o contribuinte exibir a documentação que demonstra tratarse, de fato, de receita e, assim, reivindicar que a tributação siga as normas específicas de tributação, o que demandaria fazer um novo lançamento para a alteração do momento de ocorrência do fato gerador, em virtude do regime de competência. Acolher tal pedido, significaria permitir que o contribuinte conseguisse, sempre, esquivarse do lançamento, bastando, para isso, seguir a estratégia de não apresentar qualquer documento durante a auditoria fiscal e só fazê lo ao impugnar o lançamento. Por esse motivo, concluo que o comando contido no §2° do art. 42 é para ser seguido durante a ação fiscal e não na fase litigiosa. Entendimento diverso colidiria com o objetivo do legislador e acabaria por anular os efeitos do dispositivo legal, que visou autorizar a tributação nos casos em que o agente fiscal não consegue a prova direta (caput do art. 42) e, para isso, cuidou de determinar que o fato gerador se considerasse ocorrido no mês do ingresso do recurso (§1° do art. 42), segundo o regime de caixa. (...) O autuado também argumentou que na data do crédito indicada nos extratos bancários o recurso pode ainda não estar disponível, no caso dos depósitos em cheques e Doc a compensar. A despeito da queixa, entendo que, independentemente do prazo de compensação dos cheques, a regra deve ser a estabelecida no § 1 o do art. 42 da Lei n° 9.430/96, ou seja, a data a ser considerada é a do crédito efetuado pela instituição financeira, que é a indicada no extrato bancário, mesmo que seja o último dia do mês. Ninguém discorda que o critério temporal é fundamental para compor a regra matriz de incidência, pois dele se extrai inúmeras conseqüências relevantes para apuração da base de cálculo, decadência, cálculo dos juros de mora etc. O problema é que no caso que se cuida não houve qualquer mácula ao mesmo, na medida em que se interprete corretamente a presunção legal prevista no art. 42 da Lei 9.430/96. As presunções legais são criadas no direito apoiandose em dois vértices que na prática são difíceis de serem conciliados, mas que o legislador mesmo assim através de ficção procura integrálo : busca da verdade material através da experiência passada e simplificação para a fiscalização na constatação de omissão de receita. Dessa feita, nesse contexto e muito mais levandose em conta aqui o vértice da simplificação, a única leitura que se pode fazer do : § 1 o do art. 42 da Lei n° 9.430/96 é a que a DRJ muito bem sublinhou: “(...) a data a ser considerada é a do crédito efetuado pela instituição financeira, que é a indicada no extrato bancário, mesmo que seja o último dia do mês”. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11052.001107/201066 Acórdão n.º 1401001.236 S1C4T1 Fl. 702 9 Nesse mesmo contexto, em relação ao segundo ponto, a exibição das notas fiscais de prestação de serviço, só serve mesmo para confirmar que era verdade aquilo que antes apenas se presumia e, assim, para corroborar o lançamento e não para maculálo, em vista de um desrespeito ao critério temporal. Como bem colocou a DRJ e o contribuinte em seu recurso se desvia de dar uma resposta razoável a esse argumento: Acolher tal pedido, significaria permitir que o contribuinte conseguisse, sempre, esquivarse do lançamento, bastando, para isso, seguir a estratégia de não apresentar qualquer documento durante a auditoria fiscal e só fazêlo ao impugnar o lançamento. A respeito dos dois valores recebidos a título de patrocínio para realização de show, na forma da Lei n° 8.313/91 assim se pronunciou a DRJ: (...) creio que eles foram corretamente incluídos na base de cálculo. Tratase de recursos transferidos ao autuado para que ele realizasse projeto cultural (show) e, como tal, amoldamse ao conceito de subvenção para custeio, ou seja, uma contribuição pecuniária destinada a auxílio, ou em favor de uma pessoa ou de uma instituição, para que se mantenha ou para que execute os serviços ou obras pertinentes a seu objeto. De acordo com o artigo 392 do RIR/99 (REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA, APROVADO PELO DECRETO N° 3.000/99), as subvenções para custeio ou operação devem ser computadas no lucro operacional e, portanto, são tributadas. Em seu recurso a Recorrente não contesta que tais valores merecem ser tributados. Justifica sua insurgência na base de que teria comprovado a sua origem. Ora, não basta comprovar a origem dos depósitos para se ver livre da tributação. Por óbvio, a comprovação também tem que ser feita em relação a aferição de que foram ou não oferecidos à tributação no caso de possuírem a natureza de receitas. Como não foi demonstrado que tais valores foram tributados e por se tratarem de receitas, matéria não questionada, correta a manutenção de tais valores na base de cálculo do lançamento. Em relação aos 12 valores que referemse a transferências de recursos de empresas do grupo (Rigel, Tarumã e Fênix), também não tem razão a Recorrente. É que sua alegação de se tratar de mútuos entre empresas ligadas, sem qualquer repercussão tributária ensejaria a juntada de documentação comprobatória de em primeiro lugar, ligação das empresas e, por último e também mais importante, comprobatória desses mútuos. Foram juntados, apenas, os contratos sociais que mostram a ligação entre as empresas na fase impugnatória e, apesar de alertado pela DRJ, não juntou o mais importante que é os contratos de mútuo. Sem essa prova, não passa de mera alegação. O fato de uma empresa ser ligada a outra não necessariamente se pode deduzir que toda transferência entre elas se dê através de empréstimos. Feitas tais considerações e, evidenciada a absoluta licitude do estabelecimento das presunções legais, cumpre dizer que, as alegações trazidas pelo contribuinte mostramse despropositadas, visto que, o simples fato da existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário que, conforme dito, não as apresentou. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11052.001107/201066 Acórdão n.º 1401001.236 S1C4T1 Fl. 703 10 Há que se esclarecer também que alegações de inconstitucionalidade fogem à competência das instâncias administrativas, sendo matéria inclusive sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Também não se pode alegar no caso concreto que o auditor não teria agido com o necessário zelo na apuração dos fatos. Diversas foram as oportunidades ofertadas para que o contribuinte exercesse o seu ônus probatório, tendo sido intimado conforme manda a lei através de planilha onde constava os valores dos depósitos individualizados carentes de comprovação de sua origem. Por todo o exposto, mantenho o lançamento neste ponto. Lançamentos reflexos Tratandose da mesma matéria fática, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Por todo o exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, NEGO provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 703DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.904837/2012-96
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10950.904837/2012-96
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5393161
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-004.477
nome_arquivo_s : Decisao_10950904837201296.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10950904837201296_5393161.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5684855
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047253950660608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1784; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.904837/201296 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.477 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de outubro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO NÃOCUMULATIVA PER/DCOMP ELETRÔNICO Recorrente CACAU'S DISTRIBUIDORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 48 37 /2 01 2- 96 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904837/201296 Acórdão n.º 3801004.477 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904837/201296 Acórdão n.º 3801004.477 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904837/201296 Acórdão n.º 3801004.477 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904837/201296 Acórdão n.º 3801004.477 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904837/201296 Acórdão n.º 3801004.477 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904837/201296 Acórdão n.º 3801004.477 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904837/201296 Acórdão n.º 3801004.477 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.004185/2008-14
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
Nulidade Da Decisão. Cerceamento Do Direito De Defesa.
Constitui cerceamento de defesa a mudança dos critérios utilizados para a apuração dos tributos lançados ex officio em sede de decisão de julgamento, por consistir em inovação nos elementos materiais constituídos através do lançamento de ofício já realizado (artigo 142 do CTN), ainda que manifestada no sentido de salva guardar somente parte dos lançamentos tributários realizados em flagrante descompasso com as normas tributárias vigentes.
Numero da decisão: 1801-002.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque que mantém o lançamento tributário e apresentou Declaração de Voto.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 Nulidade Da Decisão. Cerceamento Do Direito De Defesa. Constitui cerceamento de defesa a mudança dos critérios utilizados para a apuração dos tributos lançados ex officio em sede de decisão de julgamento, por consistir em inovação nos elementos materiais constituídos através do lançamento de ofício já realizado (artigo 142 do CTN), ainda que manifestada no sentido de salva guardar somente parte dos lançamentos tributários realizados em flagrante descompasso com as normas tributárias vigentes.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 18471.004185/2008-14
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5398503
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1801-002.180
nome_arquivo_s : Decisao_18471004185200814.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
nome_arquivo_pdf_s : 18471004185200814_5398503.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque que mantém o lançamento tributário e apresentou Declaração de Voto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5714511
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047253981069312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2205; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.004185/200814 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801002.180 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de outubro de 2014 Matéria PIS e Cofins Auto de Infração Arbitramento Recorrente NINTEC 2000 COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INOBSERVÂNCIA À NORMA TRIBUTÁRIA. É insubsistente o lançamento tributário realizado ao arrepio da norma tributária, cuja natureza é típica cerrada, não permitindo ao aplicador modificar qualquer elemento definido, precipuamente o momento da ocorrência do fato gerador das obrigações tributárias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INOBSERVÂNCIA À NORMA TRIBUTÁRIA. É insubsistente o lançamento tributário realizado ao arrepio da norma tributária, cuja natureza é típica cerrada, não permitindo ao aplicador modificar qualquer elemento definido, precipuamente o momento da ocorrência do fato gerador das obrigações tributárias. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento de defesa a mudança dos critérios utilizados para a apuração dos tributos lançados ex officio em sede de decisão de julgamento, por consistir em inovação nos elementos materiais constituídos através do lançamento de ofício já realizado (artigo 142 do CTN), ainda que manifestada no sentido de salva guardar somente parte dos lançamentos tributários realizados em flagrante descompasso com as normas tributárias vigentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 41 85 /2 00 8- 14 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUER QUE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque que mantém o lançamento tributário e apresentou Declaração de Voto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1232.241/10 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ 1, efls. 123 a 135, que decidiu julgar procedente em parte os lançamentos tributários consubstanciados nos Autos de Infração lavrados para as exigências de PIS e Cofins, e improcedentes os lançamentos de IRPJ e CSLL, relativos ao ano calendário de 2003, por constatada omissão de receitas, evidenciada por depósitos/créditos bancários cujas origens não foram justificadas pela autuada. O Acórdão recorrido assim restou ementado: "DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Em não havendo pagamento, o prazo para a fazenda pública constituir o lançamento decai em 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que a autoridade poderia fazêlo, art. 173, I, do CTN. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETOS. Improcedente é o lançamento que não mantém correlação adequada entre os fatos efetivamente apurados, e a descrição e fundamentação legal dos mesmos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Aplicase ao lançamento dito decorrente da autuação do IRPJ o mesmo tratamento dado ao lançamento matriz, devido à íntima relação de causa e efeito que os une. OMISSÃO DE RECEITAS.REGIME DE TRIBUTAÇÃO. PIS E COFINS. FALTA /INSUFICIÊNCIA RECOLHIMENTO. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará a insuficiência do recolhimento que constitui a infração a ser lançada no competente auto de infração. Mantémse parcialmente os lançamentos face a ocorrência de erro material na apuração da base tributável das contribuições em questão. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE NÃO COMPROVADA. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUER QUE Processo nº 18471.004185/200814 Acórdão n.º 1801002.180 S1TE01 Fl. 3 3 Não caracterizada a ocorrência da ação dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do tributo de modo a evitar o seu pagamento, descabe a aplicação da MULTA qualificada de 150%." A Turma de Julgamento de Primeira Instância decidiu que os lançamentos de IRPJ e CSLL foram insubsistentes, bem como a qualificação da multa de ofício, mantendo, em parte, os lançamentos de PIS e Cofins, somente em relação a alguns meses, pois a fiscalização considerou como data de fato gerador da exação fiscal destas contribuições em bases trimestrais e não mensais, como determinado na norma tributária vigente. Na decisão ora recorrida, somente as omissões de receitas detectadas em relação aos meses de março, junho, setembro e dezembro restaram preservadas como bases de cálculos para as exigências de PIS e Cofins e a multa na forma qualificada, aplicada em 150% foi reduzida para o patamar regular, no percentual de 75%. No Recurso Voluntário, apresentado em 19/05/2011, a empresa ataca veemente o procedimento adotado na decisão prolatada em não declarar a nulidade dos lançamentos tributários destas contribuições por terem sido realizados em bases trimestrais (valores das bases de cálculo e períodos de apuração) em flagrante ilegalidade, mas procedeu à nova apuração das bases de cálculos e corrigiu, nos lançamentos tributários, os períodos de apuração destas contribuições sociais, pretendendo aperfeiçoar os referidos lançamentos tributários. Argumenta, ainda, que não foi declarada a decadência dos lançamentos tributários relativos aos meses de 2003, por tratarse de lançamentos por homologação, cujo preceito legal aplicável é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), em vista da ciência dos lançamentos haver ocorrido somente em 25 de novembro de 2008. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Merece acolhida a irresignação da recorrente. A atividade do lançamento é vinculada e a autoridade fiscal deve pautarse em estrito cumprimento às normas tributárias, principalmente quanto à apuração dos elementos materiais da obrigação tributária. Assim dispõe o artigo 142 do Código Tributário Nacional e seu parágrafo único: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 166DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUER QUE 4 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. No caso em concreto, a autoridade fiscal fixou as datas de ocorrência dos fatos geradores das contribuições sociais, do PIS e da Cofins, bem como apurou as bases de cálculo, em dissonância com o que determina a norma legal, maculando os lançamentos tributários de nulidade material, absoluta. E é procedimento defeso ao órgão julgador alterar os fundamentos dos lançamentos tributários por consistir em inovação da matéria e, por conseguinte, agravamento das exigências fiscais originalmente impostas. Nestes termos dispõe, expressamente, o parágrafo 3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal PAF: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos não pertencem ao original) Destarte, é nula a decisão de primeira instância no que respeita à inovação quanto aos períodos de apuração das contribuições sociais, e valores das bases de cálculo, sem proceder a devolução dos autos à fiscalização para proceder aos ajustes em conformidade com a legislação tributária mediante a lavratura de novo Auto de Infração/Notificação de Lançamento e reabertura de prazo para a recorrente manifestarse. Ainda que assim procedesse, os lançamentos tributários, refeitos em observância às normas regentes, estariam fulminados pela decadência. No que concerne à alegação de decadência à época dos lançamentos tributários e demais pontos suscitados pela recorrente em sua defesa inicial, reprisados no ora analisado recurso voluntário, adoto os fundamentos esposados no acórdão recorrido, mas o embate perde qualquer valor, pelo que deixo de alongarme a respeito, em face a já reconhecida insubsistência dos lançamentos tributários para as exigências de PIS e Cofins, consoante realizados em bases trimestrais quando o artigo 74 do Decreto nº 4.524/02 define o período de apuração mensal para estas contribuições. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUER QUE Processo nº 18471.004185/200814 Acórdão n.º 1801002.180 S1TE01 Fl. 4 5 Pelo exposto, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Declaração de Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque Peço vênia à muito digna Relatora e aos demais membros dessa egrégia Turma de Julgamento para discordar de seu entendimento. O presente lançamento foi realizado em razão da constatação de omissão de receitas presumida pela existência de depósitos bancários de origem não comprovada. A autoridade julgadora de primeira instância exonerou o lançamento de IRPJ e CSLL, não havendo mais lide sobre essa matéria. Aquela autoridade julgadora também exonerou parte do lançamento de PIS e Cofins, devido ao fato de a fiscalização ter incluído, na base de cálculo, depósitos bancários realizados durante todo o primeiro trimestre de 2003, apontando o dia 31/03/2003 como data do fato gerador, enquanto a lei determina a apuração mensal desses tributos. Assim, a decisão foi no sentido de manter a exigência relativa ao período de apuração março/2003, cujo fato gerador se dá na data apontada no auto de infração, retirando da base de cálculo os depósitos bancários realizados em janeiro e fevereiro. A decisão apontada pela Relatora e acompanhada pela maioria desta Turma é no sentido da impossibilidade de se podar a base de cálculo de PIS e Cofins na forma como feita na decisão a quo, por configurar alteração dos fundamentos do lançamento tributário, consistindo em inovação da matéria e, por conseguinte, agravamento das exigências fiscais originalmente impostas. Respeito o entendimento declinado, mas não posso acompanhálo. Quanto à parte que foi mantida na decisão recorrida, relativa aos depósitos realizados em março/2003, não há alteração de fundamentos, seja fático ou legal. O auto de infração foi motivado apontando como fundamento legal o art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 1970, e como fundamento fático a constatação da existência de depósitos bancários de origem não comprovada. Esse é exatamente o fundamento da decisão recorrida. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUER QUE 6 Também não há inovação de matéria. A matéria alcançada pela decisão recorrida são os valores devidos de PIS e Cofins para março/2003, calculados com base nos depósitos bancários realizados naquele mês. Todos esses depósitos foram considerados pela autoridade lançadora e também constituem o fundamento fático do lançamento tributário original. Pelo mesmo motivo, não há que se falar em agravamento, seja pelo critério material acima mencionado, seja pelo critério quantitativo, pois houve a redução do valor exigido. Se a autoridade lançadora errou ao incluir depósitos bancários realizados em janeiro e fevereiro na base de cálculo do PIS e Cofins devidos em março, a autoridade julgadora deve fazer a devida reparação, adequando a base de cálculo ao seu valor legal. Determinar a total anulação do lançamento é, data venia, ceder a um rigorismo que macula o princípio da verdade material, informador do processo administrativo fiscal, pois os fatos geradores ocorridos em março de 2003 foram devidamente comprovados nos autos, foram duplamente submetidos ao contraditório e sequer foram questionados pelo recorrente. Por essas razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 169DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUER QUE
score : 1.0
Numero do processo: 15504.011312/2008-19
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 01/01/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DA RETENÇÃO. FORMALIZAÇÃO IRREGULAR. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO.
RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO IMPOSSIBILIDADE. EXIGÊNCIAS LEGAIS DESATENDIDAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. ELEMENTOS APRESENTADOS POSSUEM DIVERGÊNCIAS E INCORREÇÕES.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 01/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DA RETENÇÃO. FORMALIZAÇÃO IRREGULAR. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO. RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO IMPOSSIBILIDADE. EXIGÊNCIAS LEGAIS DESATENDIDAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. ELEMENTOS APRESENTADOS POSSUEM DIVERGÊNCIAS E INCORREÇÕES. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15504.011312/2008-19
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5387751
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-003.596
nome_arquivo_s : Decisao_15504011312200819.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15504011312200819_5387751.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
id : 5658716
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047253991555072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1674; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 372 1 371 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.011312/200819 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.596 – 3ª Turma Especial Sessão de 09 de setembro de 2014 Matéria RESTITUIÇÃO: EMPRESAS EM GERAL Recorrente CONSTRUTEL TECNOLOGIA E SERVIÇOS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 01/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DA RETENÇÃO. FORMALIZAÇÃO IRREGULAR. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO. RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO IMPOSSIBILIDADE. EXIGÊNCIAS LEGAIS DESATENDIDAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. ELEMENTOS APRESENTADOS POSSUEM DIVERGÊNCIAS E INCORREÇÕES. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 13 12 /2 00 8- 19 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.011312/200819 Acórdão n.º 2803003.596 S2TE03 Fl. 373 2 Relatório Os presentes autos cuidam de Requerimento de Restituição da Retenção – RRR, que tem por objeto restituição das contribuições sociais previdenciárias supostamente retidas a maior na competência 12/2003, conforme requerimento, de fls. 01. O contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório Nº 1.174/2012, que não reconheceu o direito creditório e negou a restituição, em 27/07/2012, conforme AR, de fls. 176. A requerente, em 27/08/2012, apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 179 a 186, acompanhada dos documentos, de fls. 187 a 314. A citada manifestação foi considerada tempestiva, fls. 315, e remetida a DRJ/BHE para apreciação, fls. 316. A DRJ por intermédio do Despacho N° 0 (zero), de 17/12/2012, fls. 315, baixou os autos em diligência, visando a correção de erro material no DD, de fls. 313. No intuito de atender a diligência foi emitida a Informação Fiscal – IF, de fls. 322 e 323. O contribuinte foi cientificado da IF, conforme AR, de fls. 324, recebido em 09/01/2013. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0244.957 8ª Turma da DRJ/BHE, em 29/05/2013, fls. 328 a 334, pelo qual a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente e o direito crédito não foi reconhecido. A empresa requerente tomou conhecimento do Acórdão, conforme AR, de fls. 339, recebido, em 26/11/2013. A empresa apresentou o Recurso Voluntário, em 20/12/2013, as fls. 344 a 353, acompanhado dos documentos, de fls. 354 a 366. As razões recursais são assim resumidas. · que a turma julgadora da DRJ baseouse no parecer da fiscalização e não analisou os documentos anexados a manifestação de inconformidade; · que a recorrente foi fiscalizada, em relação ao período de 07/2001 a 12/2006, e que a fiscalização nada encontrou, ou seja, a empresa está regular do ponto de vista fiscal, basta ver o MPF, TIAD e TEAF; · que os originais dos documentos não foram apresentados em razão do grande volume, juntando foto para a prova do alegado; Fl. 373DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.011312/200819 Acórdão n.º 2803003.596 S2TE03 Fl. 374 3 · que em março/2003 a recorrente começou um programa de demissão na filial 18.743.724/000867, razão pela qual em 12/2003 apenas três funcionários administrativos estão nessa filial, mas os serviços faturados são de meses anteriores e que só foi autorizado o faturamento nos mês de dezembro; · que está havendo enriquecimento ilícito do fisco, pois a retenção é uma antecipação compensável; · que a recorrente não é devedora da previdência, possuindo CND válida, conforme a requerida em 27/10/2013 e válida até 25/04/2014; · Por fim requer: a) a modificação do acórdão, julgando o recurso procedente. O órgão preparador não se manifestou quanto a tempestividade do recurso. Foi sugerido o encaminhamento dos autos ao CARF, fls. 367, bem como realizado seu envio, fls. 370. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014, Lote 01. É o Relatório. (Assinado digitalmente). Conselheiro Eduardo de Oliveira. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.011312/200819 Acórdão n.º 2803003.596 S2TE03 Fl. 375 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira – relator. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. A turma julgadora da DRJ não precisa fazer uma nova análise de todos os documentos carreados aos autos, desde que sua posição se fundamente em pareceres, decisões despacho ou informações das autoridades fiscais que analisaram a documentação. Aliás, o Supremo Tribunal Federal – STF e o Superior Tribunal de Justiça – STJ abraçam essa tese, observese os arestos. EMENTA Habeas corpus. Processual penal. Acórdão que adotou como razões de decidir o Parecer do Ministério Público estadual. Alegação da falta de fundamentação. Inocorrência. Precedentes de ambas as Turmas desta Suprema Corte. 1. A adoção do parecer do Ministério Público como razões de decidir pelo julgador, por si só, não caracteriza ausência de motivação, desde que as razões adotadas sejam formalmente idôneas ao julgamento da causa. 2. Decisão impugnada que se encontra em perfeita consonância com a pacífica jurisprudência desta Suprema Corte. 3. Habeas corpus denegado. (HC 94164, MENEZES DIREITO, STF) EMENTA Habeas corpus. Processual penal e constitucional. Adoção dos fundamentos da sentença de 1º grau pelo acórdão de Segunda Instância como razões de decidir. Não violação da regra do art. 93, inc. IX, da Constituição Federal. Precedentes. 1. O entendimento esposado na decisão do Superior Tribunal está em perfeita consonância com o posicionamento desta Suprema Corte, no sentido de que a adoção dos fundamentos da sentença de 1º grau pelo julgado de Segunda Instância como razões de decidir, por si só, não caracteriza ausência de fundamentação, desde que as razões adotadas sejam formalmente idôneas ao julgamento da causa, sem que tanto configure violação da regra do art. 93, inc. IX, da Constituição Federal. 2. Habeas corpus denegado. (HC 94384, DIAS TOFFOLI, STF) EMEN: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. CONDENAÇÃO. TRANSCRIÇÃO DAS CONTRARRAZÕES DO MINISTÉRIO PÚBLICO INCORPORADAS ÀS RAZÕES DE DECIDIR. ALEGADA OFENSA AO ART. 458, INCISOS II E III, DO CPC. INEXISTÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO VÁLIDA. PRECEDENTES. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA, EM RELAÇÃO À COMPETÊNCIA DA CORTE ESPECIAL, CONHECIDOS, MAS REJEITADOS. 1. A reprodução de fundamentos declinados pelas partes ou pelo órgão do Ministério Público ou mesmo de outras decisões atendem ao comando normativo, e também constitucional, que impõe a necessidade de fundamentação das decisões judiciais. O que não se tolera é a ausência de Fl. 375DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.011312/200819 Acórdão n.º 2803003.596 S2TE03 Fl. 376 5 fundamentação. Precedentes citados: HC 163.547/RS, 5.ª Turma, Rel. Ministra LAURITA VAZ, DJe de 27/09/2010; HC 92.479/RS, 5.ª Turma, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, DJe de 09/03/2009; HC 92.177/RS, 6.ª Turma, Rel. Ministro HAROLDO RODRIGUES Desembargador convocado do TJCE , DJe de 07/12/2009; HC 138.191/RS, 5.ª Turma, Rel. Ministro FELIX FISCHER, DJe de 07/12/2009; AgRg no REsp 1186078/RS, 5.ª Turma, Rel. Ministra LAURITA VAZ, DJe de 28/06/2011; HC 98.282/RS, 5.ª Turma, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe de 16/11/2009; RHC 15.448/AM, 5.ª Turma, Rel. Ministro GILSON DIPP, DJ de 14/06/2004; HC 27347/RJ, 6.ª Turma, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, DJ de 01/08/2005; HC 192.107/TO, 5.ª Turma, Rel. Ministro GILSON DIPP, DJe de 17/08/2011. 2. Embargos de divergência, com relação à competência da Corte Especial, conhecidos, mas rejeitados. Determinação de redistribuição dos embargos no âmbito da Primeira Seção para análise dos recursos à luz dos paradigmas remanescentes. EMEN:(ERESP 201001433722, LAURITA VAZ, STJ CORTE ESPECIAL, DJE DATA:04/10/2012 ..DTPB:.) (todos os grifos são dessa peça). O acórdão da DRJ deixa claro que os documentos apresentados pela recorrente foram analisados duas vezes, uma quando do requerimento da restituição, isto é por ocasião da apresentação do RRR e outra quando da interposição da manifestação de inconformidade, observese a transcrição, fls. 334. Contudo, toda documentação que a empresa aduz comprovar o seu direito creditório foi analisada pela fiscalização quando do protocolo do pedido, bem como após a apresentação da manifestação de inconformidade, tendo sido constatado que os argumentos e documentos apresentados não comprovam o direito creditório pleiteado. A empresa foi devidamente intimada da informação fiscal que concluiu pela manutenção do indeferimento do seu pedido, tendo sido oportunizado prazo para manifestarse sobre tal conclusão e para apresentar os esclarecimentos e documentos necessários à comprovação do crédito pleiteado. Contudo, a requerente não se manifestou O que acima foi dito fica claro quando se observa, o que asseverou o agente fiscal ao emitir a Informação Fiscal IF, de fls. 322, visando a atender a diligência da DRJ, veja o trecho a seguir transcrito. 3. Procedemos à análise dos documentos anexados à Manifestação de Inconformidade pelo sujeito passivo, relativo à competência objeto do pedido, e constatamos que, apesar da retificação da GFIP de 12/2003, nada de esclarecedor foi acrescentado sobre o reduzido valor relativo das bases de cálculo oferecidas à tributação, quando confrontadas com os respectivos preços de venda dos serviços prestados, constantes das Notas Fiscais de Prestação de Serviços submetidas à sistemática de retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/1991”. Portanto, os documentos que acompanham a Manifestação de Inconformidade, por não se constituírem em fatos não conhecidos por ocasião da decisão proferida no DD nº 1.174 – DRF/BHE, datado de 20/07/2012, não ensejam nenhuma modificação na decisão já proferida. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.011312/200819 Acórdão n.º 2803003.596 S2TE03 Fl. 377 6 O fato da recorrente ter sido fiscalizada em nada afeta a situação de que para fins de restituição da retenção a empresa não logrou êxito em provar a existência do direito creditório, pois ter sido verificada no momento da fiscalização a ausência de crédito a ser lançado de ofício, não implica em dizer que existe crédito a favor da empresa e que essa tenha tal direito, pois para fins de restituição da retenção cabe a ela provar a existência do fato constitutivo do seu direito, artigo 333, I, da Lei 5.869/73 c/c o artigo 16, §4º, do Decreto 70.235/72. Apesar da busca não vi nos autos a alegada foto, mas isso é irrelevante, cabe ao contribuinte fazer a prova do seu direito, segundo consta da DD e da IF a restituição foi negada em razão das divergências e incorreções verificadas nos documentos e não pela falta de originais. O programa de ajuste administrativo, organizacional e da estrutura da recorrente em razão da filial 18.743.724/000867 é irrelevante, pois a empresa no que tange a restituição deve provar preencher os requisitos legais para a restituição e isso não foi feito, mas três oportunidades desse processo. Não está havendo enriquecimento ilícito do Estado, pois é o contribuinte que não consegue provar a existência do direito creditório e se o contribuinte, não prova essa condição o Estado não tem o que devolver, pois cabe a ele Estado cuidar dos bens da sociedade/coletividade. A empresa ser detentora de CND em nada auxílio ao seu pleito, pois a CND apenas atesta a regularidade fiscal da empresa em dado momento, ou seja, a inexistência de crédito constituído a favor do fisco. Contudo, não prova que o contribuinte é credor do fisco, prova essa que deveria ter sido feito junto ao pedido de restituição e que a recorrente não fez, fato esse que fundamentou o indeferimento do pedido de restituição. Destarte, com essas explicações na falta de demonstração da existência do direito creditório rejeito todos os pedidos da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso para no mérito negarlhe provimento em razão da falta de comprovação do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira – Relator. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904970/2011-00
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Samuel Manzotti Riemma, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10280.904970/2011-00
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5402833
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-000.529
nome_arquivo_s : Decisao_10280904970201100.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10280904970201100_5402833.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Samuel Manzotti Riemma, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5740491
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254013575168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1488; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 12 1 11 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.904970/201100 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.529 – 3ª Turma Especial Data 17 de setembro de 2014 Assunto Processo Administrativo Fiscal Recorrente BELEM DIESEL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Samuel Manzotti Riemma, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 97 0/ 20 11 -0 0 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904970/201100 Resolução nº 3803000.529 S3TE03 Fl. 13 2 Relatório. A autoridade administrativa competente por meio de Despacho Decisório emitido em 01/11/2011, após análise do valor do direito creditório informado em Per/DComp, concluiu pela inexistência do crédito pleiteado, por conseguinte não homologando a compensação declarada. Manifestando a sua inconformidade com o decidido no referido despacho, a contribuinte aduziu sucintamente: (i) A despeito da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a autoridade administrativa houve por bem indeferir o pedido de restituição apresentado, sem que fosse fundamentadas as razões para tanto, por conseguinte não reúne condições mínimas para prosperar, pois está em desacordo com a legislação vigente e jurisprudência já pacificada sobre o tema, impondose a restituição integral da quantia pleiteada no pedido de restituição apresentado. (ii) Em homenagem ao princípio da economia processual requer a reunião dos processos adiante listados para apreciação em julgamentos simultâneos, posto que possuem o mesmo objeto, fundamento legal e partes (conexão). São eles: 10850.906133/201103, 10850.906134/2011 40, 10280.904439/201129, 10280.904424/201161, 10280.904436/201195, 10280.904440/201153, 10280.904438/201184, 10280.904443/201197, 10280.904441/201106, 10280.904427/201102, 10280.904425/201113, 10280.904437/201130, 10280.904426/201150, 10280.904431/201162, 10280.906137/201183, 10280.906135/201194, 10280.906136/201139, 10280.906138/201128, 10280.906139/201172, 10280.904444/201131, 10280.904446/201121, 10280.904433/201151, 10280.904430/201118, 10280.904432/201115, 10280.904445/201186, 10280.904435/201141, 10280.904447/201175 e 10280.904442/2011 42 (28 PAF). (iii) Reclamou pela inexistência de realização de diligência ao seu estabelecimento para verificação da exatidão das informações prestadas, em contrariedade ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, uma vez que não foi intimada para prestar quaisquer esclarecimentos acerca da higidez de seu crédito. (iv) Com base no art. 195, I, CF/88 a LC nº 70/91 instituiu a Cofins sobre o faturamento mensal das pessoas jurídicas em geral, assim entendido "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". (v) O legislador ordinário pretendeu modificar a sistemática de apuração da contribuição em comento e ampliar a sua base de cálculo, o que foi feito por meio da Lei nº 9.718/98, notadamente através dos seus arts. 2º e 3º, inclusive o caput e § 1º, deste. (vi) Ao assim proceder o legislador ordinário afrontou o mandamento constitucional do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, bem como Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904970/201100 Resolução nº 3803000.529 S3TE03 Fl. 14 3 contrariou a norma consubstanciada no art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. (vii) Essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quando, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/99, mediante decisão proferida no julgamento do RE nº 390840/MG, em 09/11/05. Após o que inúmeros outros RE foram julgados no mesmo sentido a exemplo dos números 342.051/2006, 479.612/2006, 346.084/2005 e 585.235/2008, respectivamente, este considerado como de repercussão geral, com proposta de súmula vinculante a respeito do assunto. entendimento este que já foi pacificado por meio da Lei nº 11.941/09, que revogou o malsinado § 1º do art. 3º dessa Lei. (viii) a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação pelo Fisco, das decisões prolatadas neste sentido no âmbito do poder Judiciário, conforme os acórdãos proferidos pela CSRF do CARF em destaque: 230378, 226802 e 239790/2010 (3ª T, CSRF), 142592 e 147967/2010 (1ª T, CSRF). (ix) Ademais disso, o inciso I, do § 6º, do art. 26A, do Dec. nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/09, veda aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, no mesmo sentido vai o art. 59 do Dec. nº 7.574/11, como também no caput do art. 62A do RICARF/09. (x) No caso concreto em comento a requerente faz jus a um crédito de R$ 5.388,86, valor que foi calculado sobre receita que não integra o seu faturamento, razão pela qual não é alcançada pela hipótese de incidência da mencionada contribuição. (xi) E para que não restem quaisquer dúvidas a esse respeito, a requerente acostou aos autos: a) cópia do respectivo DARF, o qual demonstra o recolhimento indevido (doc. 03); b) o demonstrativo por ela elaborado, onde está discriminado o valor que foi indevidamente computado à base de cálculo da COFINS (doc. 04); e c) cópia dos documentos contábeis com o registro dos valores que compõem o crédito aqui pleiteado (doc. 05). (xii) Requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos para, ao final, requerer pela reforma do despacho decisório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904970/201100 Resolução nº 3803000.529 S3TE03 Fl. 15 4 Conclusos foram os autos para apreciação pela 4ª Turma da DRJ/RPO/SP, que em sessão realizada em 18/04/13, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, também não reconhecendo o direito creditório, consoante os termos vazados na ementa adiante transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 31/03/1999 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. a prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Relativamente à questão atinente à reunião de processos o voto condutor mencionou o contido no inciso IV do art. 1º da Portaria SRF nº 666/2008, que disciplina a formalização de processos no âmbito da SRF, para fundamentar a rejeição ao pleito, eis que os processos não são oriundos do mesmo crédito, condição no seu entender sine qua non para o atendimento ao pleito formulado pela contribuinte. Acerca do motivo do indeferimento do pedido supôs o acórdão de piso que a interessada possa haver cometido erro no preenchimento do Per/DComp, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado, eis que do confronto das informações constantes do Per/DComp com as do DARF, verificouse que houve inversão entre as datas de arrecadação e de vencimento no preenchimento do pedido. Ademais disso, remanesceu a questão do direito creditório, eis que ao realizar pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse que a contribuinte confessou um débito de R$ 52.027,65 da Cofins para o mês de março de 1999, quitado com três DARF's, um deles no valor de R$ 45.396,03, que se encontra totalmente utilizado para quitar o referido débito, portanto dentre os débitos confessados pela própria contribuinte por meio de DCTF, em valor até superior ao do recolhimento objeto do pedido de restituição. Não existe, portanto, saldo passível de restituição. Aduziu ainda o juízo de piso que para existir saldo a restituir seria necessário que a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão de seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior e, neste caso, a autoridade fiscal poderia determinar a realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que fosse verificada, mediante exame da sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, conforme prevê o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, suscitada pela recorrente. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada, ou mesmo a vinculação do CARF em face da decisão plenária, na sistemática da repercussão geral. No entendimento vazado no acórdão de primeira instância apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que Fl. 180DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904970/201100 Resolução nº 3803000.529 S3TE03 Fl. 16 5 se refere o PER/DCOMP em análise, isto consubstanciado em excertos do Parecer PGFN nº 2.025/11, que trata da repercussão no âmbito da inscrição, administração e cobrança administrativa e judicial da dívida ativa da União, nos casos de julgamentos submetidos à sistemática dos arts. 543B (repercussão geral) e 543C (recurso repetitivo) do CPC. Do referido Parecer concluiu a autoridade julgadora que: "podese afirmar que a adequação prática das atividades administrativas não significa concordância com a tese contrária à da Fazenda. Inexistindo alterações na legislação de regência, Parecer aprovado pelo PGFN, Súmula ou Parecer da AGU ou Súmula do CARF, que concluam no mesmo sentido do pleito do particular, não há razões jurídicas que obriguem a Fazenda Nacional a anuir à tese contrária aos interesses da União". Mencionou ainda que o contribuinte que houver pago crédito considerado indevido pelos Tribunais Superiores, em virtude do julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C do CPC, não faz jus à restituição do montante pago, uma vez que: (i) a Fazenda Nacional, ao deixar de contestar e recorrer em razão de julgado oriundo da sistemática dos recursos extremos repetitivos, não manifesta concordância com a tese dos Tribunais Superiores. (ii) os fundamentos jurídicos que autorizam a Fazenda Nacional a absterse de cobrar não extravasam para o plano do direito material (não há remissão sem lei tributária específica). (iii) observe que o tributo é devido. A lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e o julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C, do CPC, embora revestido de força persuasiva qualificada, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes. Em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. Ademais, sobretudo para os créditos extintos por pagamento em momento anterior ao advento do julgado do STF ou STJ, não há como questionar a validade dos pagamentos efetuados. (iv) a restituição do indébito, em situações tais, dependeria de lei que considerasse indevidos os valores pagos quando houvesse julgamento na sistemática dos recursos extremos repetitivos. Dessa forma, seria possível o enquadramento nas hipóteses de restituição do art. 165, I, do CTN. Por derradeiro, ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904970/201100 Resolução nº 3803000.529 S3TE03 Fl. 17 6 E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235. Cientificado da decisão de piso por meio de AR, em 30/08/13, e irresignada com o nela decidido, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/09/13, para aduzir: · Relativamente à reunião de processos alegou a recorrente acerca da existência de conexão entre os mesmos, pois têm o mesmo objeto e causa de pedir, mencionando jurisprudência administrativa em prol de sua tese. · Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos – falta de retificação de DCTF, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12, segundo o qual a autoridade competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Isto por força do contido no art. 142 do CTN. Notadamente porque a DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. · O art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. Tratase de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. · A exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público. · A recorrente, seja porque a lei não contém semelhante restrição, seja porque se trata de medida de formalismo excessivo, entendeu que a retificação de declarações não se afigura legítima como condição à restituição de indébito tributário, mencionando, inclusive jurisprudência e doutrina em defesa de sua tese. Analisando a situação por outro viés temse que o descumprimento de obrigação acessória não altera a disciplina referente à obrigação principal, e viceversa, o que, transportado ao caso em comento, significa dizer que a não retificação da DCTF não interfere na obrigação principal (recolhimento de imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente · A falta de retificação de uma declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sendo certo que o aproveitamento do crédito Fl. 182DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904970/201100 Resolução nº 3803000.529 S3TE03 Fl. 18 7 é corolário do princípio da legalidade. Além do mais, em matéria de fato, são válidos todos os meios de prova em direito admitidos, sendo certo que, desde o advento do Código Comercial de 1850, prescreve que a contabilidade em ordem faz prova em favor da pessoa jurídica, conforme se observa pela leitura de seu art. 23, III, não mais em vigor, por força do advento do Código Civil de 2002, entretanto em plena vigência e expressamente previsto no art. 923 do RIR/99 (art. 9º, § 1º, DL nº 1.598/77), citando jurisprudência administrativa em defesa de sua tese. · Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado, eis que o valor em foco recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, ex vi do art. 230 do RIR/99. · Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que ocorreu por ocasião da decisão contida no despacho decisório, o que se fez mediante a manifestação de inconformidade, inclusive para contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer com base neste fundamento, a juntada aos presentes autos do Livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado, posto que é documento obrigatório para todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, ex vi do art. 259, do RIR/99, que incorporou os art. 14 da Lei nº 8218/91 e 62 da Lei nº 8383/91. No mais, em relação à discussão de mérito, a recorrente reitera os termos expendidos na exordial, de maneira minudente, para postular ao final, pelo provimento do recurso, pela reforma do acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da Cofins, calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904970/201100 Resolução nº 3803000.529 S3TE03 Fl. 19 8 O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade. Dele conheço. Ab initio versam os autos acerca da declaração de inconstitucionalidade pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em sessão de julgamento realizada em 10/09/2008, na sistemática de repercussão geral, portanto do alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e das implicações dela decorrentes, encontrandose tal decisão respaldada por farta jurisprudência nas esferas judicial e administrativa, das quais destacase a ementa do RE 585.2351/MG, transcrita a seguir: TRIBUNAL PLENO 10/09/2008 REPERCUSSÃO GERAL POR QUEST. ORD. EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO 585.2351 MINAS GERAIS. RELATOR: MIN. CEZAR PELUSO RECORRENTES(S): UNIÃO ADVOGADO(S): PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO(A/S): IRMAZI ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA ADVOGADO(A/S): DANIEL BARROS GUAZZELLI E OUTRO(A/S) EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição Social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, REL. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. No passo seguinte cabe ressaltar que, para além da declaração de inconstitucionalidade, por se constituir a referida decisão em caráter definitivo, na forma do disposto no § 2º do art. 102, CF/88, repercutiu o seu efeito vinculante aos demais órgãos do Poder Judiciário, inclusive projetandose na Administração Pública direta e indireta em todas as esferas de governo. Por tal razão o citado parágrafo foi objeto de revogação pela Lei nº 11.941/09, sendo certo que o próprio RICARF/09, por meio do seu art. 62A, vincula os julgamentos realizados no âmbito de seus órgãos judicantes às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C, respectivamente. Cabe registrar, para fins de análise, que as receitas financeiras, quando relacionadas às atividades econômicas da recorrente, devem ser elencadas no grupo de contas Fl. 184DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904970/201100 Resolução nº 3803000.529 S3TE03 Fl. 20 9 destinadas à receitas não operacionais, por conseguinte devem ser afastadas da base de cálculo da Cofins, para fins de incidência tributária. Isto dito, ante os fatos circunscritos ao campo do direito, cabe aqui o reconhecimento do direito da recorrente quanto ao afastamento da base de cálculo da Cofins, das receitas financeiras apuradas, na data do fato gerador de que tratam os autos. O acórdão recorrido, muito embora haja reconhecido que o tributo é devido, mencionou que a lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e que o julgamento proferido na forma dos arts. 543B e 543C, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes, para justificar que, em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. E assim poder a autoridade administrativa justificar que, para os créditos da recorrente já extintos por pagamento, em momento anterior ao advento do julgado do SRF ou STJ, não mais há como se questionar a validade dos pagamentos efetuados. Logo não merece prosperar esse entendimento profligado no acórdão recorrido, eis que tal inferência, refirome ao Parecer da PGFN nele citado, carece de expresso amparo constitucional, pois se encontra no pretenso plano infralegal da discricionariedade da autoridade administrativa e do julgador, posição firmada essa não se coaduna com o princípio da estrita legalidade, consoante previsto no art. 150, I, CF/88, que não dá margem para a subjetividade. Ademais disso o juízo a quo não poderia utilizar como fundamento das razões de decidir entendimento embasado em parecer da PGFN, pelo simples motivo de que a Fazenda Nacional como representante da Administração é parte, é juíza, no processo subjudice. Creio haver grande equívoco cometido pelo juízo a quo ao formular as assertivas contidas no item (iii) da decisão proferida no acórdão recorrido, não devendo as mesmas serem convalidadas. Certifiquese. A Constituição Cidadã de 1988, que limitou com muita propriedade, a competência do poder de tributar, no § 2º do seu artigo 102, assim assentou: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Grifei). Na esteira desse entendimento encontrase o art. 62A do RICARF/09, que vincula à adoção do entendimento vazado em decisão definitiva pelo STF, para os julgadores do CARF, por ocasião de julgamento de recursos. Quanto a este aspecto nada mais há a se comentar. Ademais disso, sob a hipótese legal de se estar adimplindo com a obrigação principal, portanto efetuandose o pagamento do tributo devido na data do vencimento mensal, até o advento da Lei nº 11.941/09, mesmo na forma da base de cálculo ampliada (revogada pelo art. 79, XII, desta Lei), para aqueles que não ingressaram com demandas judiciais com o Fl. 185DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904970/201100 Resolução nº 3803000.529 S3TE03 Fl. 21 10 fito de questionar o seu direito acerca do tema ora tratado (a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), a realização da conduta pelo contribuinte, corresponde ao acerto inconteste. Assim para este contribuinte, somente a partir da revogação expressa da regra que permitia o alargamento da base de cálculo pela Lei nº 11.941/09, é que se tornou disponível o seu direito de postular pela restituição do pagamento indevido. Portanto não há se alegar que não há mais como se questionar a validade dos pagamentos efetuados antes da decisão definitiva do STF ou STJ para aqueles que não demandaram judicialmente. No mesmo sentido, para os casos de repetição de indébito tributário, o art. 3º da LC nº 118/05, publicada no DOU de 09/02/05, ao interpretar o contido no inciso I do art. 168, do CTN, com vistas à extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, determinou o prazo decadencial de dez anos, contados da data do fato gerador, para os eventos ocorridos antes da vigência dessa lei, aplicandose a cada caso a regra do art. 150, § 4º, em caso de realização de pagamento antecipado, ou apresentação de DCTF, ou ainda a regra prevista no art. 173, I, ambos os arts. do CTN, se não houve antecipação de pagamento, nem apresentação de DCTF. Tal entendimento encontrase consubstanciado em larga jurisprudência judicial e administrativa, notadamente no âmbito do CARF. Isto relacionase à questão do alcance do beneplácito obtido pela recorrente, a partir da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do alargamento da base de calculo da Cofins. Ainda nesta seara há o pleito formulado pela recorrente para o acolhimento da juntada de documentos aos autos, extemporaneamente, notadamente do Livro Razão, sob a alegação de que novos fatos foram trazidos aos autos, por meio do despacho decisório e da decisão recorrida, o que fez com amparo na alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72. Acerca deste tema tenho me pronunciado em outros julgamentos nos quais tenho participado na qualidade de julgador, pelo acolhimento desse tipo pleito, sob o amparo do disposto nos arts. 131 e 333 do CPC, especialmente no que atine ao princípio da verdade material. Bem se vê que tais fundamentos não se contrapõem ao disposto no art. 16 do Dec. Nº 70.235/72, ao contrário se harmonizam para a integração da legislação tributária, mesmo que subsidiariamente como é o caso dos artigos invocados do CPC. O mesmo entendimento emana do disposto no art. 29 do Dec. Nº 70.235/72, inclusive quanto ao poder discricionário do julgador no que atine à determinação de diligências que entender necessárias ao deslinde da controvérsia, sendo tal faculdade endereçada ao julgador, no auxílio à formação de sua convicção pessoal, com vistas à formação da sua convicção, por ocasião do pronunciamento em sede de julgamento. É com este entendimento que afasto a alegação de preclusão da apresentação de provas extemporaneamente. Adoto a mesma medida para rejeitar as alegações formuladas pela recorrente acerca da imprescindível realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de verificação da exatidão das informações prestadas, mediante o exame de sua escrituração contábil e fiscal. Logo não há se alegar descumprimento ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, ou a outra qualquer norma infralegal. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904970/201100 Resolução nº 3803000.529 S3TE03 Fl. 22 11 No que atine à possibilidade de reunião de processos para julgamentos simultâneos, sob a alegação de existência de conexão entre eles, percebese que entre os mesmos é comum o objeto ou e a causa de pedir. No caso vertente também há identidade entre as partes litigantes, mesmo que não sejam oriundos do mesmo crédito, pois a lei não faz esta exigência. Com a finalidade de dar respaldo à proposição formulada pela recorrente em relação a este cenário veio o art. 105 do CPC dispor, in verbis: Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Com fulcro no texto legal acima transcrito acolho o pleito da recorrente de reunião dos processos para que possam se apreciados simultaneamente. A retificação da DCTF, como pressuposto para o reconhecimento do direito creditório arguido pela recorrente, não deve desautorizar outra(s) possibilidade(s) de comprovação do crédito alegado, principalmente quando tais provas encontramse consubstanciadas por meio de documentos hábeis e idôneos a exemplo dos livros de escrituração contábil e fiscal, como o Livro Diário e Razão, do Livro de Registro de Inventário, etc. No caso concreto dos autos o despacho decisório mencionou que no curso da análise do direito creditório apresentado com o PER/DCOMP foram detectadas inconsistências que foram objeto de termo de intimação e que restaram não saneadas pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi confirmada a existência do crédito pleiteado. Significa que o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito, para indeferir o pedido de restituição, com fulcro no art. 165 do CTN. De acordo com esse cenário seguindo o mesmo raciocínio o juízo a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, em razão da preclusão, quando da apresentação da prova documental. O relator colacionou aos autos extratos dos sistemas da RFB, que sinalizam pela inexistência do direito creditório alegado pela recorrente, também aduzindo ser a insuficiência de elementos de prova material prejudicial à formação de seu convencimento, inclusive supondo que o motivo do indeferimento do pedido, apesar de não alegado, seria o cometimento de erro no preenchimento do PER/DCOMP, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado. Em contrapartida há o débito confessado por meio de DCTF em valor atá superior ao do recolhimento, ensejador do pedido de restituição. Com tais argumentos concluiu pela inexistência de saldo passível de restituição, aventando, inclusive, que tal possibilidade, de existência de saldo credor poderia ocorrer, se a recorrente houvesse por bem retificado sua DCTF até a data de transmissão do PER/DCOMP já mencionado. De outra parte a recorrente de boa fé buscou esclarecer ao Fisco acerca da origem do indébito segundo o seu entendimento, colacionando aos autos cópia do DARF que registra o valor do pagamento indevido efetuado em 15/04/99, no valor de R$ 45.396.03 (doc. 03), além de demonstrativo por ela elaborado onde está discriminado o valor das receitas financeiras que foram indevidamente computados à base de cálculo da Cofins (doc. 04), além de cópia do balancete de março/99 com os registros contábeis dos valores que compõem o Fl. 187DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904970/201100 Resolução nº 3803000.529 S3TE03 Fl. 23 12 crédito aqui pleiteado (doc. 05) e, posteriormente anexou o Livro Razão, que possibilita identificar todas as operações realizadas no período de apuração das receitas financeiras (01/03 a 31/03/99). Entendo que a recorrente procurou, ao seu modo, segundo a sua crença de que os documentos apresentados seriam o suficiente a comprovar o alegado, se desincumbir de sua responsabilidade de demonstrar a existência do crédito alegado na data de transmissão do PER/DCOMP e, com isso, demonstrar o fato constitutivo de seu direito, e extintivo do direito do Fisco. Ou seja, a contribuinte, nos moldes do art. 333 do CPC, buscou demonstrar a existência do seu direito creditório colacionando aos autos os documentos que, no seu entendimento seriam o suficiente ao cumprimento do desiderato. Já a autoridade administrativa admitiu a possibilidade de existência de erro no preenchimento da DCTF e que por tal razão não encontrou o DARF que, no entender da recorrente é o motivo da existência do direito creditório alegado. Diante deste contexto creio não haver como penalizar o sujeito passivo. O atributo da liquidez, certeza e exigibilidade, é imprescindível seja para o Fisco realizar a cobrança do crédito tributário ou, na mesma medida, para a contribuinte obter a repetição do indébito. Assim oriento o meu voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser efetivamente apurado e informado, DETALHADAMENTE, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos retromencionados. Vencida esta etapa deve a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela contribuinte, se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente nessa data. Isto posto deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição preparadora, bem assim a sua manifestação em relação ao feito, se assim lhe aprouver, em razoável espaço de tempo para, posteriormente retornarem os autos com o fito de dar prosseguimento ao julgamento ora suspenso. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
