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Numero do processo: 10384.720157/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
OBSCURIDADE. RETIFICAÇÃO.
Contatada a obscuridade apontada em sede de Embargos, é devida a retificação do Acórdão.
Numero da decisão: 2201-003.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos propostos para, sanando a obscuridade apontada, retificar a parte dispositiva do Acórdão nº 2802-002.692, de 18/02/14, que passa a ter a seguinte redação: "Ante o exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para declarar a insubsistência do lançamento apenas na parte controversa, correspondente ao crédito tributário calculado sobre o que exceder o Valor da Terra Nua reconhecido pelo contribuinte e regularmente comprovado mediante a apresentação de Laudo de Avaliação ( R$ 123.418,00)."
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 06/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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RETIFICAÇÃO. Contatada a obscuridade apontada em sede de Embargos, é devida a retificação do Acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos propostos para, sanando a obscuridade apontada, retificar a parte dispositiva do Acórdão nº 2802002.692, de 18/02/14, que passa a ter a seguinte redação: "Ante o exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para declarar a insubsistência do lançamento apenas na parte controversa, correspondente ao crédito tributário calculado sobre o que exceder o Valor da Terra Nua reconhecido pelo contribuinte e regularmente comprovado mediante a apresentação de Laudo de Avaliação ( R$ 123.418,00)." Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 06/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 01 57 /2 00 7- 26 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração propostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2802002.692, fl. 107/111, exarado pela 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT). LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO ELABORADO SEGUNDO AS NORMAS DA ABNT. MEIO HÁBIL PARA CONTRADITAR OS VALORES DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua VTN, pode a autoridade fiscal se valer do valor constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o VTN que servirá para apurar o ITR devido. Laudo técnico, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Para desconsiderar o laudo apresentado, a autoridade fiscal deve apontar alguma nulidade formal, contraditálo com outro laudo ou mesmo demonstrar a inviabilidade dos parâmetros utilizados Recurso Provido. Cientificada do Acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração formalizado pela petição de fl. 113/115. Aduz a representação da Fazenda: 1. Analisandose com cuidado os autos temos que na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua — VTN, entendeu a autoridade fiscal que houve subavaliação, tendo em vista os valores constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei 9.393/96, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel na DITR/2003, de R$ 23.000,00 (R$14,23 por hectare), foi aumentado para R$ 1.170.322,09 (R$ 724,03 por hectare), valor este apurado com base nos valores apontados no SIPT, conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal, às fls. 02. 2. Nesta contexto, o v. acórdão ora embargado admitiu o "Laudo de Avaliação', doc. de fls. 18/25 e seu anexo, fls. 27, emitido por profissional habilitado, Eng. Civil Francisco de Sousa Neto, acompanhado de ART, devidamente anotada no CREA, fIs. 26, em que se atribui ao imóvel rural avaliado em 2007 o VTN de R$ 123.418,00 ou R$ 76,35/ha, e solicita o seu acolhimento. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10384.720157/200726 Acórdão n.º 2201003.353 S2C2T1 Fl. 123 3 3. Como se observa o valor do hectare calculado no laudo de avaliação (R$ 76,35) é INFERIOR ao valor atribuído pela Fiscalização, porém SUPERIOR ao valor declarado pelo contribuinte (R$ 14,23 por hectare). 4. Daí, temos a PATENTE OBSCURIDADE, quando o v. acórdão ora embargado DÁ PROVIMENTO TOTAL ao Recurso Voluntário da contribuinte e NÃO PARCIAL PROVIMENTO. 5. Ora, tal OBSCURIDADE merece ser sanada, considerando que no pedido formulado no Recurso Voluntário pedese o cancelamento da autuação e não a mera adequação do montante devido ao laudo de avaliação apresentado. Em 01 de outubro de 2014, o Sr. Presidente da 2ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, concordando com os termos do despacho de admissibilidade acostado às folhas 117/118, admite os embargos. E o relatório necessário Voto Conselheiro CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Inicialmente, expresso minha concordância com os pressupostos de admissibilidade contidos no despacho de fls. 117/118. Vejamos quais foram os pedidos do contribuinte tanto em sede de impugnação quanto de Recurso Voluntário: Na impugnação, fl. 12/13: (...) Em face da discrepância, não concorda o contribuinte com o lançamento efetuado, requerendo o acolhimento da presente impugnação e retificação da avaliação do bem imóvel segundo os cálculos ora apresentados, que acompanham esta petição Através da presente peça de defesa , o contribuinte indica a real avaliação do imóvel e o correto cálculo do valor da Terra Nua, uma vez que os valores apresentados pela Receita não coincidem com a realidade. (...) A vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do procedimento fiscal, espera e requer o impugnante seja acolhida a presente impugnação o para o fim de assim ser decidido, retificandose o débito fiscal reclamado, para constar valor a menor, razoável e proporcional com o de mercado. No Recurso Voluntário, fl. 70 a 77: Fl. 124DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA 4 (...)Ocorre que em 21/11/2007, a contribuinte recebeu Carta Cobrança para recolhimento do referido imposto aceito pela Receita Federal no montante referido na impugnação, com base em Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel Rural. Àquela época, a contribuinte efetivou o pagamento, acreditando estar quite com a Receita Federal, conforme comprovantes de recolhimento do imposto anexos a este recurso. Entendeu a contribuinte que a decisão' da Receita foi de acatar o valor atribuído na impugnação. (...)Diante do exposto, a contribuinte requer:(...) Julgar a insubsistência e improcedência do procedimento fiscal, aceitando como quite o recolhimento realizado pela contribuinte no processo já arquivado. Assim o Conselheiro Relator German Alejandro San Martín Fernández conduziu o seu voto, no que foi acompanhada por todos os demais membros do colegiado: Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Versam os autos sobre retorno de Diligência, deferida para obtenção, pela autoridade competente, do VTN do imóvel à época do fato gerador. A necessidade da realização da Diligência se deu pela desconsideração do Laudo apresentado pelo ora recorrente perante a DRJ. Conforme já ressaltado por ocasião do primeiro julgamento, o recorrente, em Impugnação,, apresentou Laudo de Avaliação contestado pela decisão de 1ª instância, sob o fundamento de não atendimento aos requisitos exigidos pelas Normas ABNT 14.653, mormente por chegar a valor inferior ao previsto no SIPT, e por não se utilizar de fontes de pesquisa contemporâneas ao fato gerador (2004). Entretanto, é de se observar que o recorrente, em Impugnação, requer diligência/perícia, indeferida pela decisão de 1ª instância, sob o argumento de que o Laudo de Avaliação apresentado foi suficientemente apreciado pelos integrante da Turma, não havendo matéria controversa ou de complexidade que justifique a produção de prova pericial ou realização de diligência. No caso em julgamento, ao menos no aspecto formal, o Laudo de Avaliação seguiu as Normas ABNT, cabendo ao órgão de julgamento, se inclinado a desconsiderar as conclusões do perito, buscar fundamento em outro Laudo a ser apresentado pela autoridade lançadora ou resultado de perícia a ser realizada no curso do processo administrativo tributário. Caso contrário, provas adicionais deveriam ter sido juntadas durante na fase pré contenciosa. Daí a necessidade, antes de arbitrar o VTN, de deferir a diligência/perícia requerida, de sorte a permitir a contradita do Laudo apresentado e colher informações adicionais a respeito da verdadeira grandeza econômica do fato gerador. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10384.720157/200726 Acórdão n.º 2201003.353 S2C2T1 Fl. 124 5 Entretanto, conforme visto, a resposta à Diligência foi pela impossibilidade do cumprimento do determinado, por falta de pessoal especializado. Essa resposta me leva à seguinte conclusão. Explico e fundamento. O Laudo apresentado pelo contribuinte e não contraditado durante o processo administrativo, mormente em face do indeferimento da perícia requerida por ocasião da Impugnação, tornam as suas conclusões aptas para desconsiderar o arbitramento da base de cálculo realizado com base do SIPT. Ademais, se a legislação determina a apuração e a antecipação do pagamento do ITR, por conta e risco do próprio contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária (art. 10 da lei n. 9.393/96), não há se exigir a elaboração prévia de Laudo, de sorte a tornar impossível que o perito colha informações precisas a respeito de exercícios passados, que aliás, provavelmente indicariam valores ainda inferiores daqueles apresentados. É de se considerar que o arbitramento de base de cálculo em matéria tributária é medida extrema. Somente se justifica na total ausência de informações a respeito do fato gerador pelo sujeito passivo ou no caso de imprestabilidade de seus documentos. Não é o que se verifica no caso presente, face à apresentação de Laudo assinado por profissional credenciado e, ao menos formalmente, em respeito às Normas ABNT exigidas. Esta 2ª. Seção, em julgado da 2ª. Turma da 1ª. Câmara, Processo n° 10670.720131/200752, Sessão de 12 de maio de 2010, assim decidiu: ITR. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT). HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO AS NORMAS DA ABNT, É MEIO HÁBIL PARA CONTRADITAR OS VALORES DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua VTN, pode a autoridade fiscal se valer do valor constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o VTN que servirá para apurar o ITR devido. Entretanto, apresentado laudo técnico, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, esse é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Para desconsiderar o laudo apresentado, a autoridade fiscal tem que apontar alguma nulidade formal, contraditálo com outro laudo ou mesmo demonstrar a inviabilidade dos parâmetros utilizados (erros ou equívocos nos VTNs dos imóveis que serviram de paradigmas Fl. 126DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA 6 para a avaliação, quantidade de paradigmas, alienações de imóveis próximos que confrontem os preços utilizados etc.). Ante o exposto, conheço e dou provimento integral ao Recurso Voluntário para cancelar a autuação fiscal. Como bem apontou a Procuradoria da Fazenda, houve alteração do valor da terra nua em procedimento fiscal, que desconsiderou o valor declarado e o arbitrou a partir dos preços médios constantes do Sistema Sipt. Inconformado, o contribuinte impugnou o lançamento juntando laudo de avaliação que atribuiu à terra nua em questão um valor intermediário entre o valor originalmente declarado e aquele considerado no lançamento (oriundo do Sipt). O contribuinte, concordando em parte com o lançamento, recolheu a parcela do crédito tributário que restou incontroversa, dando seguimento à lide administrativa apenas em relação à diferença entre os valores considerados pela Fiscalização (Sipt) e o valor constado no laudo apresentado. Portanto, de plano, vêse que, pelo menos em parte, a ação fiscal é procedente. Na verdade, salta aos olhos a contradição do pedido do contribuinte que, embora objetivasse a aceitação do valor apurado no laudo apresentado em sua impugnação, claramente concordando em parte com o lançamento, tendo recolhido o valor incontroverso, requereu a insubsistência e a improcedência do procedimento fiscal. Assim, de modo a não restarem dúvidas quanto aos seus efeitos, entendo que, de fato, merece melhor redação a conclusão do Acórdão embargado. Conclusão: Pelas razões e fundamentos legais acima expressos, voto por conhecer e acolher os embargos propostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, sanando a obscuridade apontada, retificar a parte dispositiva do Acórdão nº 2802002.692, de 18/02/2014, que passa ter a seguinte redação: Ante o exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, para declarar a insubsistência do lançamento apenas na parte controversa, correspondente ao crédito tributário calculado sobre o que exceder o Valor da Terra Nua reconhecido pelo contribuinte e regularmente comprovado mediante a apresentação de Laudo de Avaliação ( R$ 123.418,00). Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10384.720157/200726 Acórdão n.º 2201003.353 S2C2T1 Fl. 125 7 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10882.901022/2008-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 10 22 /2 00 8- 20 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901022/200820 Acórdão n.º 9303004.036 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 340201.311, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901022/200820 Acórdão n.º 9303004.036 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901022/200820 Acórdão n.º 9303004.036 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901022/200820 Acórdão n.º 9303004.036 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901022/200820 Acórdão n.º 9303004.036 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901022/200820 Acórdão n.º 9303004.036 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901022/200820 Acórdão n.º 9303004.036 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10920.002722/2005-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência conforme proposto pela relatora, para que a autoridade fiscal esclareça/especifique, com base nos registros constantes da Receita Federal, quais valores de IRRF se referem ao contribuinte.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência conforme proposto pela relatora, para que a autoridade fiscal esclareça/especifique, com base nos registros constantes da Receita Federal, quais valores de IRRF se referem ao contribuinte. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência conforme proposto pela relatora, para que a autoridade fiscal esclareça/especifique, com base nos registros constantes da Receita Federal, quais valores de IRRF se referem ao contribuinte. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 02 72 2/ 20 05 -9 3 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10920.002722/200593 Resolução nº 2401000.531 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório Embargos Declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão 2101002.510 que, contrariamente à informação contida no Acórdão de Impugnação 0715.395 6a. Turma da DRJ/FNS, considerou que havia sido feito recolhimento antecipado do imposto por parte do recorrente e, portanto, teria havido a decadência do direito da Fazenda constituir o crédito tributário tendo em vista o par. 4 do art.50 do CTN. O contribuinte incidiu em parâmetro de malha fiscal no ano calendário 1999, por ter declarado imposto retido na fonte que não fora corroborado pelas informações fornecidas pela empresa, da qual era sócio, à Receita Federal. A embargante pugna pela realização de diligência, tanto por meio da escrita fiscal da empresa, quanto dos arquivos do fisco, para fins de constatação de IRRF sobre o pró labore do embargado. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10920.002722/200593 Resolução nº 2401000.531 S2C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora A princípio, existe contradição entre a decisão e as provas constantes dos autos. A autuação ocorrera porque não fora constatado recolhimento de IRRF para o contribuinte. Na DIRPF do contribuinte também não consta que teria sido recolhido imposto de renda ou parte dele, pois teria apenas compensado o IRRF (não declarado/recolhido pela empresa empregadora) como pagamento do tributo devido. O contribuinte alega que teria havido recolhimento do IRRF pela empresa, (conforme doc. à fl. 23) através de compensação com imposto pago a maior em anos anteriores, e inclusive anexou documentos comprobatórios. Contudo, tais documentos não são suficientes para resolver a questão, pois foram produzidos pela empresa e não individualizam a quais empregados se referem o IRRF recolhido/compensado. Desta forma, voto por transformar o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal esclareça/especifique, com base nos registros constantes da Receita Federal, se realmente ocorreu pagamento/compensação do IRRF declarado pela empresa para o contribuinte, mesmo que parcial, no ano sob análise. Deverá ser dada ciência da diligência ao contribuinte para que se manifeste no prazo regimental de 30 dias. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10380.005569/2007-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 09/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN.
Em se tratando de Auto de Infração de Obrigação Acessória, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 9202-004.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para aplicar a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, porém reduzindo o valor da multa ao estabelecido no art. 32-A, da Lei n° 8.212, de 1991, nas competências em que a correspondente obrigação principal estiver alcançada pela decadência, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Heitor de Souza Lima Junior, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 09/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. Em se tratando de Auto de Infração de Obrigação Acessória, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN.
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. Em se tratando de Auto de Infração de Obrigação Acessória, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 55 69 /2 00 7- 72 Fl. 625DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para aplicar a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, porém reduzindo o valor da multa ao estabelecido no art. 32A, da Lei n° 8.212, de 1991, nas competências em que a correspondente obrigação principal estiver alcançada pela decadência, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Heitor de Souza Lima Junior, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10380.005569/200772 Acórdão n.º 9202004.447 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 35.863.5705, lavrado contra o contribuinte identificado acima, em decorrência do descumprimento da obrigação acessória de Fundamento Legal 68 (apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias) no período de 08/1999 a 02/2005. Conforme informações contidas no relatório fiscal, fls. 10 e seguintes, os fatos geradores não declarados na GFIP foram discriminados em planilha anexa, fls. 166 a 367; a empresa é reincidente, tendo em vista o Auto de Infração n° 35.031.2443, lavrado por ter a empresa infringido o art. 32, III, da Lei n° 8.212/91, c/c Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, julgado procedente em definitivo em 30/06/2000; e a empresa possuía, no período auditado, número de segurados situado entre 1.001 a 5.000, tendo sido aplicada a multa prevista no art. 32, §5º , da Lei 8.212/91, c/c art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, correspondente a 100% do valor da contribuição não declarada, limitada, por competência, aos valores da tabela do art. 32, §4°, da Lei n° 8.212/91, os quais dependem do número de segurados a serviço da empresa. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE julgado o lançamento procedente em parte, relevando, parcialmente, a multa aplicada, fls. 424. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 473 a 480, o Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitou a argüição de decadência e, no mérito, deu parcial provimento ao recurso para que se aplique a multa mais benéfica, a qual terá como limite o valor previsto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas. Portanto, em sessão plenária de 19/11/2013, deuse parcial provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2401003.262, fls. 473 a 480, assim ementado: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 28/02/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Fl. 627DF CARF MF 4 Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Cientificado da decisão proferida, o contribuinte opôs, tempestivamente, Embargos de Declaração alegando que a decisão atacada incorreu em erro de fato (contradição/omissão) ao não observar que, tendo a empresa efetuado recolhimentos para todo o período da lavratura, aplicou para contagem do prazo decadencial o art. 173, I, do CTN; solicitando que todos os débitos anteriores à competência 12/2000 fossem declarados decadentes, tanto no AI sobre questão, quanto na NFLD que lhe é conexa. Tais embargos foram rejeitados. Novamente cientificado da decisão proferida em 14/11/2014, o contribuinte interpôs Recurso Especial em 01/12/2014, cumprindo, portanto, o prazo legal de 15 (quinze) dias estipulado pelo Regimento Interno do CARF (RICARF). Em seu recurso requer: · em sede preliminar, que seja determinada a imediata paralisação de quaisquer procedimentos tendentes à cobrança dos débitos albergados no presente processo, face à expressa determinação da suspensão da exigibilidade dos créditos referenciados conforme art. 151, III, do CTN, passando a constar com exigibilidade suspensa nos sistemas informáticos da Receita Federal, de forma que seja deferida Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa, nos termos dos arts. 205 e 206 do CTN; · no exame de mérito, anular qualquer cobrança lastreada no presente AI, declarando inexistentes (decadência, art. 156, V, do CTN) os débitos nela inscritos em que tenha ocorrido o lapso de cinco anos entre a ocorrência de cada fato gerador e o lançamento (16/05/2005), ou seja, todos os fatos geradores anteriores a 12/2000, para todos os fins de direito. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 0/2015, da Quarta Câmara, de 11/11/2015. A recorrente traz como alegações, que: · foi realizado recolhimento das contribuições sociais ao INSS em todos os meses objeto da fiscalização, ainda que em montante inferior ao imputado pela autoridade fiscalizadora, atraindo ao caso o art. 150, §4º do CTN, que aduz à homologação tácita quando da inércia estatal em corrigir o valor recolhido pelo contribuinte. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10380.005569/200772 Acórdão n.º 9202004.447 CSRFT2 Fl. 4 5 · nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, os quais o próprio contribuinte verifica o quantum a ser recolhido, o Fisco, em momento posterior, averiguará o fato gerador e o recolhimento efetuado, para inferir e imputar cobrança principal ou acessória, todavia, em caso de inércia do Poder Estatal por cinco anos em não verificar o valor recolhido, contados de cada fato gerador ocorrido com pagamentos efetuados pelo contribuinte, ocorre o que a doutrina chama de lançamento tácito, uma vez que se depreende que o silêncio da Fazenda anuiu com apuração do montante devido. · não haveria mais possibilidade de se efetuar lançamentos de ofício de valores sobre tais fatos jurígenos, sejam eles principais ou acessórios destes decorrentes, por aplicação da máxima latina acessorium corruit, sublato principal, pois, a incidência de multa recai sobre valores já homologados na forma do art. 150, §4º do CTN, devendo se estender os efeitos da homologação às obrigações acessórias. · se houve pagamento com homologação do valor da obrigação principal, e decorrente perda do direito de realizar lançamento de ofício por não ter sido exercido no prazo legal, os efeitos da homologação se aplicariam também à multa que incide sobre esses valores. · observando o AI do presente processo, constatase que o mesmo foi lavrado em 09/12/2005, sendo dada ciência do lançamento ao contribuinte em 16/12/2005, acarretando decadência do direito do Fisco de se manifestar expressamente quanto ao lançamento de crédito tributário, principal ou acessório, das competências anteriores a dezembro de 2000. · além da lógica do art. 150, §4º do CTN às contribuições submetidas à Lei nº 8.212/91, foi editada a Súmula Vinculante nº 08, do STF, o qual, por força constitucional (art. 103A da CF 1988), possui aplicação obrigatória, geral e irrestrita, para todos os órgãos e entidades do Estado na República Federativa do Brasil. Cientificada do Recurso Especial do contribuinte em 19/11/2015, a Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, em 02/12/2015, suas Contrarrazões, onde alega que: · logicamente, não houve pagamento antecipado porque se trata de auto de infração para lançamento de penalidade, cujo lançamento será sempre de ofício, e, por conta disso, aplicase como termo inicial da decadência o disposto no art. 173, inciso I, do CTN que dispõe: · o termo inicial da decadência deslocase para o fato gerador, nos termos do artigo 150, §4º do CTN, tão somente quando for lançamento por homologação, e o contribuinte efetuar recolhimento antecipado do tributo. Fl. 629DF CARF MF 6 · no presente caso, tratandose de lançamento de multa, cujo lançamento será sempre de ofício, e não por homologação, não existe dispositivo legal que autorize deslocar o termo inicial da decadência para o fato gerador. É o relatório. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10380.005569/200772 Acórdão n.º 9202004.447 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 613. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. DO MÉRITO A questão objeto do recurso, referese ao acatamento da preliminar referente ao prazo de decadência, para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração de obrigação acessória, considerando que a Câmara a quo apreciou a decadência a luz do art. 173, I do CTN. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD ou dos AI de obrigações principais, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 631DF CARF MF 8 Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10380.005569/200772 Acórdão n.º 9202004.447 CSRFT2 Fl. 6 9 que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa cumprido obrigação acessória, mais especificamente, informar no documento GFIP fatos geradores de contribuições previdenciárias. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Neste ponto, apenas esclareço a inaplicabilidade da súmula 99 do CARF, considerando que a regra ali expressa, visa deixar claro que rubricas pagas pelo empregador na condição de salário indiretos serão apreciadas a luz do art. 150, §4º do CTN, sempre que demonstrado recolhimento antecipado/parcial sobre o mesmo fundamento legal. Entretanto, como já enfatizado, estamos falando de obrigação acessória, dessa forma, não há que se falar de recolhimento antecipado. Notese que, a apreciação da decadência a luz do art. 173 do CTN que descreve: "O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", deve levar em consideração que a data limite para entrega da GFIP. Nesse sentido, convém verificar nos normativos próprio da GFIP Manual da GFIP, versão 8.4, qual a data para apresentação: A GFIP/SEFIP é utilizada para efetuar os recolhimentos ao FGTS referentes a qualquer competência e, a partir da competência janeiro de 1999, para prestar informações à Previdência Social, devendo ser apresentada mensalmente, independentemente do efetivo recolhimento ao FGTS ou das contribuições previdenciárias, quando houver: a) recolhimentos devidos ao FGTS e informações à Previdência Social; b) apenas recolhimentos devidos ao FGTS; c) apenas informações à Previdência Social. O arquivo NRA.SFP, referente ao recolhimento/declaração, deve ser transmitido pelo Conectividade Social até o dia sete do mês seguinte àquele em que a remuneração foi paga, creditada ou se tornou devida ao trabalhador e/ou tenha ocorrido outro fato gerador de contribuição ou informação à Previdência Social. Caso não haja expediente bancário, a transmissão deve ser antecipada para o dia de expediente bancário imediatamente anterior. O arquivo NRA.SFP, referente à competência 13, destinado exclusivamente à Previdência Social, deve ser transmitido até o dia 31 de janeiro do ano seguinte ao da referida competência. Dessa forma, tanto a entrega da GFIP da competência dezembro como do 13º salário, em matéria previdenciária, somente vence no dia 07 e 31 do mês subsequente, ou seja, aproximadamente 07 e 31 de janeiro do ano seguinte (a depender se é dia útil ou não). Nesse Fl. 633DF CARF MF 10 sentido, a competência dezembro e 13º salário, só terá o prazo para lançamento (autuação) iniciado no dia 1º dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado o tributo ou aplicada a multa correspondente. Por fim, esclareço que a decisão aqui refletida não afronta, de forma alguma, decisão do STF, uma vez que a súmula nº 08 declara a inconstitucionalidade do art. 45 da lei 8212/91, passando a decadência a ser apreciada a luz do disposto no CTN, conforme foi analisado no corpo desse voto. Da mesma forma, não acato o entendimento do recorrente de que em aplicandose a decadência do principal a luz do art. 150,§4º do CTN, igual destino deve ser dado a obrigação acessória ligada àqueles fatos. Conforme já exaustivamente descrito, uma coisa é a obrigação legal de recolher o tributo, outra diversa, é a obrigação acessória de informar em documentos próprio, como exigência prevista em dispositivo próprio. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 09/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 16/12/2005. Os fatos geradores omitidos referemse ao período de 08/1999 a 02/2005, dessa forma, a luz do art. 173, I do CTN, encontrarseiam decadentes as multas aplicadas pelos fatos geradores até 11/1999, fato esse já considerado pela autoridade de primeira instância, tanto que mencionado no acórdão recorrido. Isto posto, não há qualquer reparo a ser feito no julgado. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso ESPECIAL DO CONTRIBUINTE, para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10380.005569/200772 Acórdão n.º 9202004.447 CSRFT2 Fl. 7 11 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Divirjo do brilhante voto da Ilustre Conselheira Relatora, apenas para ressalvar que, tratandose de multa por descumprimento de obrigação acessória, analisandose as obrigações de uma forma global, pode haver competências em que, embora a obrigação acessória seja mantida, a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Nesses casos, há que ser ressalvado o direito do Contribuinte ao cálculo mais benéfico da multa por descumprimento da obrigação acessória, já que esta é mantida, desatrelada da obrigação principal. Assim, dou provimento parcial ao Recurso Especial do Contribuinte, para que seja aplicada a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, porém reduzindose o valor da multa ao estabelecido no art. 32A, da Lei n° 8.212, de 1991, nas competências em que a correspondente obrigação principal estiver alcançada pela decadência. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 635DF CARF MF
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Numero do processo: 10325.000980/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO.
A prova documental deve ser apresentada junto com a impugnação, podendo ser aceita a juntada posterior quando demonstrado motivo de força maior, fato superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidas aos autos.
DECADÊNCIA DO ANO-CALENDÁRIO DE 2004.
Devido a falta de antecipação do pagamento, no presente caso aplica-se o artigo 173, inciso I do CTN. Sendo assim, os créditos não foram atingidos pela decadência.
GLOSAS DE DESPESAS.
Não devem ser computadas na apuração do lucro real os custos e despesas não comprovados pelo sujeito passivo.
DIFERENÇA ENTRE VALOR ESCRITURADO E DECLARADO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, ou recorrida.
GLOSA DE DESPESAS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplica-se a mesma decisão do principal.
Numero da decisão: 1402-002.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada junto com a impugnação, podendo ser aceita a juntada posterior quando demonstrado motivo de força maior, fato superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidas aos autos. DECADÊNCIA DO ANOCALENDÁRIO DE 2004. Devido a falta de antecipação do pagamento, no presente caso aplicase o artigo 173, inciso I do CTN. Sendo assim, os créditos não foram atingidos pela decadência. GLOSAS DE DESPESAS. Não devem ser computadas na apuração do lucro real os custos e despesas não comprovados pelo sujeito passivo. DIFERENÇA ENTRE VALOR ESCRITURADO E DECLARADO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, ou recorrida. GLOSA DE DESPESAS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 09 80 /2 01 0- 11 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10325.000980/201011 Acórdão n.º 1402002.248 S1C4T2 Fl. 512 2 LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Fl. 512DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10325.000980/201011 Acórdão n.º 1402002.248 S1C4T2 Fl. 513 3 Trata o presente de Recurso Voluntário (fls. ) interposto face v. acórdão (fls. 462/469) que decidiu manter parcialmente as exigência descritas no Auto de Infração (fls. ). A Recorrente tem como sua principal atividade comércio atacadista de cervejas, chope e refrigerante, conforme DIPJs dos anos de 2005 à 2008. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 389/403) o Auto de Infração foi lavrado com devido a três infrações: 1 Dedução de despesas não comprovadas, eis que apos ter sido regularmente intimado (fls.109/112) e reintimado (fls.113/116) a Recorrente deixou de apresentar à fiscalização notas fiscais e comprovantes de pagamentos referentes aos custos e despesas especificados na intimação referentes aos anos de 2004 à 2007 (fls. 398/401). Em decorrência desta primeira infração, também foi lançado exigência da CSLL para os mesmos anos. 2 Foi declarado IRPJ à menor do que o escriturado foram constatadas divergências entre os valores do imposto declarado e o escriturado nos anos de 2004 à 2006, conforme demonstrativo de fls.402. 3 Pagamento a menor do débito de estimativa de IRPJ apurado mediante a divergência entre o valores declarados e escriturados da base de cálculo estimada, em função da receita bruta e acréscimos e/ou balancetes de suspensão ou redução, conforme demonstrativo de fls. 403. (insta esclarecer que neste item o que se está cobrando é a multa pela falta de estimativa isolada e não o imposto). Foi aplicada multa de ofício agravada no importe de 112,5% para a primeira e para a terceira infração nos termos do artigo 959 do RIR/99, bem como multa de oficio no importe de 75% para a infração 2. Segundo a Fiscalização a Recorrente teria deixado de apresentar os arquivos magnéticos previstos no artigo 265 do RIR/99, no formato definido na Instrução Normativa da SRF 86/2001 e pelo Ato Declaratório Executivo 15 de 23/01/2001, eis que ao tentar validar os arquivos eles apresentaram erros que impossibilitaram sua auditoria (fls. 396/397). Cumulativamente, foi aplicado multa isolada por falta de recolhimento das estimativas de alguns meses de 2004 à 2007. (fls. 403) Cientificado da lavratura do Auto de Infração (fl.406), o Recorrente ofereceu impugnação (fls.413/423), com as seguintes alegações: (cópia do relatório do v. acórdão recorrido) Fl. 513DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10325.000980/201011 Acórdão n.º 1402002.248 S1C4T2 Fl. 514 4 Protesta pela produção de todos os meios de provas admitidas pelo direito, inclusive a testemunhal, e requer a conversão do julgamento em diligência. Por fim, requer a anulação/cancelamento do Auto de Infração. Ato contínuo, foi proferido pela 4a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Fortaleza o v. acórdão recorrido (fls.462/469), acolhendo a alegação de decadência nos termos do artigo 173, inciso I do CTN em relação as penalidades aplicadas sobre a diferença da estimativas dos meses de abril, julho, agosto, setembro e outubro de 2004, afastando as demais alegações da Recorrente, mantendo o restante das exigências do Auto de Infração. Insta esclarecer que o v. acórdão não analisou a infração 2, relativa ao recolhimento do IRPJ a menor do que o declarado, pois tal ponto não foi impugnado pela Recorrente, quedandose precluso seu direito nos termos do artigo 17 do Decreto 70.235/72. A Recorrente também não impugnou a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, apenas apresentando alegações de defesa em relação ao agravamento da multa. Inconformada com o v. acórdão "a quo", a Recorrente interpõe Recurso Voluntário (fls.474/477 e 478/480), reiterando as mesmas alegações postas na impugnação em relação as despesas advindas de perdas de crédito (vendas canceladas), entretanto sem alegar a Fl. 514DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10325.000980/201011 Acórdão n.º 1402002.248 S1C4T2 Fl. 515 5 decadência dos créditos, tanto pelo artigo 150, parágrafo 4, como pelo artigo 173, inciso I, ambos do CTN, bem como deixa de recorrer sobre a multa agravada aplicada ao presente caso e o prazo exíguo para atender as intimações. Aqui, também resta ressaltar, que a Recorrente interpôs duas peças recursais sucessivas e de igual teor (fls.474/480), sendo que pelo princípio da eventualidade e por não hever nenhum prejuízo às partes do processo, utilizarei para o meu voto o primeiro recurso de fls.474/477. Em seguida, os autos foram encaminhados para a 1 Seção de Julgamento deste E. CARF/MF (fls. 490), onde foi constatado que a digitalização do v. acórdão recorrido não estava completa, conforme r. despacho de fls. 492/493, o qual colaciono seu teor abaixo: "Ao analisar o presente processo constatei que o acórdão da 4" Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza, objeto do recurso voluntário a ser julgado por este CARF, não se encontra na integra nos autos. São as seguintes as falhas detectadas: 1 Ás fls. 462 do processo físico (465 digitalizado) a ementa cessa abruptamente, sem completar o pensamento correspondente ao verbete "Decadência. Multa isolada. Diferença de estimativa". 2 O "Relatório" está interrompido no parágrafo 4 (fls. 463 do processo físico, 466 digitalizado). 3 Faltam os parágrafos iniciais do "Voto", constando apenas do 10 ao 18 (fls. 464 do processo físico. 467 digitalizado), não constando os parágrafos 19 a 27 e 32 a 35. Isto posto, proponho a restituição dos autos à DRJ ern Fortaleza, para proceder regularização." Em seguida a DRJ de Fortaleza emitiu o seguinte despacho de encaminhamento: "O presente processo retorna a esta DRJ com o despacho de fls.492/493, onde é informado que o Acórdão da 4ª Turma de Julgamento não se encontra anexado na íntegra aos autos. Verificando o histórico no eProcesso, constatamos que a sua digitalização ocorreu na DRFB em ImperatrizMA, em 01/11/2014, onde deve se encontrar arquivada a sua documentação. O equívoco, possivelmente , ocorreu pelo fato de não haver sido digitalizado o verso das folhas 462, 463, 464 e 465, do processo físico, correspondentes às folhas 465, 466, 467 e 468 do eProcesso. Assim, encaminhese ao Nurac/DRFB/ImperatrizMA, a fim de que seja regularizada a digitalização do Acórdão de fls.462/466, do processo físico, com seus versos, anexandoo ao processo, devendo, em seguida, os autos retornarem ao CARF, para apreciação do Recurso Voluntário." Ato contínuo, o v. acórdão completo foi juntado aos autos às fls. 497/505. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10325.000980/201011 Acórdão n.º 1402002.248 S1C4T2 Fl. 516 6 A D. Procuradoria e a Recorrente não se manifestaram nos autos acerca de tal fato. A Recorrente não alegou nada sobre a falha na digitalização do v. acórdão recorrido. Em seguida os autos forma distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10325.000980/201011 Acórdão n.º 1402002.248 S1C4T2 Fl. 517 7 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Inicialmente, cumpre salientar que a Recorrente não apresentou qualquer alegação em seu Recurso Voluntário, sobre a falha/erro material na digitalização do v. acórdão recorrido, quedandose inerte. Desta forma, por ser tempestivo e preencher todos os requisitos de admissibilidade, entendo que o Recurso Voluntário por ela interposto deve ser conhecido, eis que o processo encontrase em condições de julgamento. Em relação a infração 2 e a concomitância da multa isolada com a de ofício descritas no AI, ambas não impugnadas pela Recorrente, entendo que o direito de defesa de tais pontos encontrase precluso, devendo os respectivos créditos serem mantidos. Da mesma forma, em relação aos créditos que foram afastados pelo v. acórdão por terem decaído nos termos do artigo 173, inciso I do CTN, deixo de analisálos devido a não interposição do Recurso de Ofício, pois o valor cancelado é inferior ao previsto em lei. Quanto ao pedido genérico de produção de provas, deixo de acolhêlo por entender que no PAF federal tem o momento adequado para instrução dos autos com documentos, sendo que a exceção de juntada posterior ao previsto na lei, deve ser fundamentada pelo contribuinte, o que não foi feito nem na impugnação e nem no recurso. Em relação ao pedido de conversão do julgamento em diligência, para que Autoridade Fiscal analise os documentos que estão sob cuidados da Recorrente e que já deveriam ter sidos juntados nos autos, também voto no sentido de negar provimento a tal pleito. Desta forma, entendo que o processo se encontra em condições para ser julgado e para formar minha convicção com base nas provas que já se encontram acostadas aos autos, não sendo necessário a conversão do julgamento em diligência. PREJUDICIAL DE DECADÊNCIA: Insta ressaltar, que mesmo que a Recorrente não tenha alegado decadência dos créditos em seu recurso, por ser matéria de ordem pública, entendo que o Julgador tem competência para analisála de oficio. Vejamos. A três infrações cometidas pela Recorrente apontadas no Auto de Infração, acarretaram em falta de pagamento do imposto, sendo certo, que esta condição impede a aplicação do artigo 150, parágrafo 4 do CTN. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10325.000980/201011 Acórdão n.º 1402002.248 S1C4T2 Fl. 518 8 Sendo assim, o cerne da questão, tornase verificar qual o marco inicial para a contagem do prazo decadencial no caso concreto, aplicandose o artigo 173, inciso I do CTN. O lançamento foi feito em 23/07/2010. Como o Auto de Infração trata de créditos dos anos de 2004 à 2007, o lançamento de ofício para o ano de 2004 por exemplo, poderia ter sido efetuado a partir de abril de 2005 (regime de apuração anual). Como se aplica ao presente caso o artigo 173, inciso I do CTN, o início da contagem do prazo decadencial se inicia a partir de 01.01.2006 e o lançamento de ofício poderia ser feito até 31/12/2010. Desta forma, os créditos não foram atingidos pela decadência. Em relação a alegação de prazo exíguo para atendimento da intimação, entendo que a Recorrente não assiste razão. Conforme o TVF, a Recorrente foi intimada e reintimada para apresentar documentos. Em 04.06.2010, a Recorrente foi intimada a aprestar a documentação, notas fiscais e comprovantes de pagamentos que comprovem os lançamento de despesas referentes a operação e manutenção de diversos veículos, perdas, custos de administração, dentre outros (relação de despesas apontadas às fls. 398/401) no prazo de 5 (cinco) dias. (fls. 109/102) Não atendida a intimação, em 24.06.2010 a contribuinte foi novamente intimada a apresentar os mesmos documentos. (fls. 113/116) Conforme ressaltado pela Fiscalização no TVF, até o dia 15/07/2010, após 40 dias da primeira intimação, a Recorrente não havia atendido às solicitações da Fiscalização. Inclusive, nem durante o processo ela entregou a documentação solicitada nas intimações. Desta forma, não me parece verídica a alegação de que foi concedido curto prazo para a entrega dos documentos, eis que a Recorrente nunca cumpriu o solicitado nas intimações. Por conseqüência de tais atos da Recorrente, as despesas não ficaram comprovadas nos autos por meio de documentos e comprovantes de pagamentos, não restando alternativa à Fiscalização senão glosar os créditos considerandoos não dedutíveis na apuração do Lucro Real. DA PERDA NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO (VENDAS CANCELADAS) Fl. 518DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10325.000980/201011 Acórdão n.º 1402002.248 S1C4T2 Fl. 519 9 Este tópico se refere a única alegação específica produzida pela Recorrente, que se refere a glosa de despesas advindas de perdas de recebimento de créditos de vendas canceladas, que foram indevidamente registradas como perda de crédito. Para se defender da acusação, a Recorrente alega que por equivoco no registro contábil da seguinte formar: Para tentar comprovar suas alegações, a Recorrente junta aos autos balancetes analíticos apenas do mês de dezembro, dos anos de 2004 à 2007 (fls. 429/452) e cópia do Registro de Apuração do ICMS dos mesmos períodos (fls. 453/460). Entretanto, após a análise dos fatos e de tais documentos, conforme muito bem fundamentado pelo texto do v. acórdão recorrido abaixo colacionado, não assiste razão a Recorrente. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10325.000980/201011 Acórdão n.º 1402002.248 S1C4T2 Fl. 520 10 DA MULTA AGRAVADA À 112,5%: A Fiscalização agravou a multa de ofício de 75% para 112,5% nos termos dos artigos 265. 266 e 959 do RIR/99. As fls. 106/108, a Fiscalização registra que a Recorrente entregou os arquivos magnéticos com erros que impossibilitaram a validação e a auditoria. Novamente a Recorrente não apresentou em seu recurso, alegações possíveis de elidir a acusação fiscal, sendo certo que restou comprovado nos autos a entrega dos arquivos com irregularidades. Desta forma, entendo que a multa agravada deve ser mantida em seus termos, e para evitar repetições, utilizo os fundamentos do v. acórdão recorrido. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10325.000980/201011 Acórdão n.º 1402002.248 S1C4T2 Fl. 521 11 Desta forma, entendo que a multa agrava deve ser mantida em seus termos. Quanto a CSLL reflexa, aplicase o mesmo que foi decidido no Auto de Infração do IRPJ. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Voto Relator. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO
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Numero do processo: 10240.001140/2005-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES.
Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O fato de o imóvel rural encontrar-se inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada.
Numero da decisão: 9202-004.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra (relator) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O fato de o imóvel rural encontrarse inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra (relator) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 11 40 /2 00 5- 49 Fl. 572DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração para exigência de ITR complementar referente ao imóvel Seringal Boa Vista, por ter sido efetuada pela fiscalização a glosa da área de utilização limitada de 3.600ha, referente à área de declarado interesse ecológico. Calculouse então o ITR complementar, os juros da taxa SELIC e a multa devidos. O contribuinte impugnou integralmente o lançamento, mas seu apelo não foi provido. Assim sendo, tempestivamente, foi apresentado Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso Voluntário a 2ª Turma Ordinária, da2ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento a ele negou provimento, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Para efeito de exclusão do ITR não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator Regularmente intimado da decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando rediscutir necessidade de averbação da ARL – Área de Reserva Legal, antes da ocorrência do fato gerador, e formas de comprovação da Área de Interesse Ecológico. Para demonstrar a divergência de interpretação trouxe como paradigma os acórdãos nº 30330.811. Em suas razões, alega o Contribuinte, em síntese: Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10240.001140/200549 Acórdão n.º 9202004.618 CSRFT2 Fl. 573 3 1. A questão posta em discussão reside na parte do imóvel "Seringal Boa Vista" (3.600 ha) que não foi averbada na matricula do imóvel como área de reserva legal, preservação permanente ou interesse ecológico; 2. verificase que já foi feita a efetiva comprovação de que a área do imóvel está a salvo de tributação do ITR por se enquadrar como área institucional de reserva extrativista do JaciParaná (área de preservação ambiental), conforme previsão dos arts. 20 e 22, parágrafo único, da Lei Complementar n°. 233 do Estado de Rondônia, que dispõem sobre o Zoneamento SócioEconômico Ecológico do Estado. 3. A decisão ora combatida considera que a restrição (áreas de reserva legal, preservação permanente e interesse ecológico) somente passa a existir após a averbação à margem da matrícula no registro de imóveis é diversa ao entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por sua Turma Julgadora, que nos autos do Processo Administrativo nº' 10240.001229/200262, ao julgar o Recurso n.° 303128.760, prolatou a seguinte decisão (Acórdão n.° 03.05.945): 4. Igualmente, analisando a Lei n° 9.393/96, verificase que o artigo 10, §1, II, "a" e "b", estabelece que não são tributáveis as áreas de interesse ecológico para a proteção de ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. 5. In casu, a área do contribuinte objeto do presente recurso está dentro de uma área de Reserva Ambiental Extrativista, não restando dúvidas sobre o seu caráter não tributável. 6. Tanto é assim foram juntados, no ato da impugnação, documentos comprobatórios da isenção de ITR sobre o imóvel objeto de autuação que foram: Certidão da Comarca de Porto Velho enquadrando 50% do imóvel como área de PRESERVAÇÃO FLORESTAL; Parecer Técnico da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM) enquadrando o imóvel na ZONA 03/ SUBZONA 3.2; Declaração do Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA enquadrando o imóvel na ZONA 03/ SUBZONA 3.2 e Certidão do Registro de Imóveis, Livro 3D, Número de Ordem 1.651; Na análise de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto, nos seguintes termos: "Do simples confronto do voto do acórdão recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal, que no caso em questão é a necessidade da averbação, tempestiva, da área à margem da inscrição de matricula do imóvel no Registro de Imóveis competente (necessidade da averbação no Cartório de Registro de Imóveis Fl. 574DF CARF MF 4 da área destinada a reserva legal), bem como a comprovação da área de interesse ecológico." Regularmente intimada, a União apresentou contrarrazões, alegando, em apertada síntese: 1. A obrigação de averbar a área na matrícula está prevista originariamente em lei, qual seja, na Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei nº 7.803/1.989, e foi mantida nas alterações posteriores. Desta forma, ao se reportar a essa lei ambiental, a Lei nº 9.393/1.996 está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal ao cumprimento dessa exigência – averbação à margem da matrícula do imóvel. 2. A delimitação do prazo para o cumprimento da exigência em análise atua em consonância com a intenção perseguida pelo legislador, que é a de garantir, por meio da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel, que a referida área será devidamente conservada, dando maiores garantias à preservação de uma área necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos sistemas ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e à proteção de fauna e flora nativas; 3. O prazo para o cumprimento dessa obrigação deve considerar que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador do tributo, conforme dispõe o art. 144 do CTN. Mais ainda, o caput do art. 10 da Lei 9393/96 estabelece como marco temporal do fato gerador do ITR o dia 10 de janeiro de cada ano; 4. Nesse contexto, a União requer seja negado provimento ao recurso especial interposto, mantendose o acórdão proferido pela e. Segunda Câmara. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Com relação a admissibilidade do recurso do contribuinte, entendo estarem presentes os requisitos. O acórdão paradigma tratava de caso do próprio contribuinte, porém de outro imóvel, e de período de apuração anterior, onde restou decidido o seguinte: Acato, de início a alegação de nulidade da exigência do Imposto Territorial Rural, nos moldes como demonstrado no Auto de Infração pois, pelo que se verifica dos autos, a recorrente comprova que o imóvel objeto da discussão denominado Vai Quem Quer e Outros, estabelecido no Município de Campo Novo de Rondônia, no Estado de Rondônia, está inscrito como área de Preservação Permanente, nos tenros do que dispõe a Lei Complementar n° 52/91, editada pelo governo do Estado de Rondônia, que determinou a criação de uma zona de restrição Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10240.001140/200549 Acórdão n.º 9202004.618 CSRFT2 Fl. 574 5 ambiental, caracterizada em zoneamento SócioEconômico Ecológico do Estado de Rondônia. No caso dos autos, a turma de julgamento a quo decidiu que a Lei genérica não é suficiente para comprovar tratarse de área de interesse ecológico, passível de exclusão da área tributável do ITR. Para tanto, seria necessário ato específico do poder público. Nesse contexto, presentes os requisitos para admissibilidade do recurso especial, passo à análise do mérito da questão. Como visto, o auto de infração foi lavrado ao fundamento de que inexiste ato específico, emanado de órgão estadual ou federal competente, apto a comprovar a área de interesse ecológico declarada pelo Contribuinte. Para realizar a glosa da área de interesse ecológico a fiscalização assim se manifestou: "Após a análise da'documentação citada acima concluiuse o seguinte: a) O imóvel fiscalizado integra o espólio de Isaac Benayon Sabbá, conforme a DITR/01, a Certidão expedida pela 1' Vara de lFamília e a Certidão de Inteiro Teor do imóvel;' b) Na av09/1651': da Certidão de Inteiro Teor apresentada foi do 50% da área como Preservação Florestal, o que corresponde à 4.500ha da área total do imóvel; c) No ADA apresentado com data de protocolização de I3.11.01, portanto tempestivo, constam as seguintes áreas declaradas: c.l) área de preservacão permanente 150ha; c.2) área de utilização limitada 4.500ha e, c.3) área de declarado interesse ecológico 4 350ha. d) O parecer da SEDAM não foi considerado documento, hábil para comprovar a existência da área de declarado interesse ecológico'" porquanto apenas localiza o imóvel em fiscalização nas zonas 1 e 2 do Zoneamento Sócioeconômicoecológico do Estado de Rondônia, as quais são passíveis 'de usos "agropecuário, agroflorestal, florestal e manejo sustentado. Portanto, não foi atendida a exigência do art. 10, §1º, inc. II, letra b da lei n° 9393/96 c/c o art 16, inc. IV da IN SRF n° 060/01, que prevêem ato específico de órgão competente estadual ou federal." Para comprovar a existência da referida área o Contribuinte, já na primeira resposta à intimação fiscal trouxe aos autos os seguintes documentos: Certidão de Inteiro Teor da Matricula 1651 Livro 3D expedida em 05.06.03, pelo 1º Serviço Registral da Comarca de Porto Velho; Fl. 576DF CARF MF 6 Cópia da ADA Ato declaratório Ambiental do imóvel acima, referente ao exercício de 2001, recepcionado pelo IBAMA; Certidão da SEDAM Secretaria do Estado de Desenvolvimento Ambiental do Governo do Estado de Rondônia. Lei Complementar nº. 233 do Governo do Estado de Rondônia A Turma de julgamento a quo entendeu, com fundamento no artigo 10º, §6, da IN 43/97, que para a comprovação da área de interesse ecológico é necessária a expedição de ato específico pelo órgão estadual ou federal competente, relativo a determinadas áreas da propriedade particular, não servindo as Leis Estaduais a tal fim. Importante transcrever trecho da referida decisão: Para a comprovação da área de relevante interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, fazse necessário que ela seja declarada em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular, não podendo ser aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas em caráter geral – exatamente o pleito do contribuinte, ao mencionar as Leis Complementares nº 52/1991 e l52/1994 do Estado de Rondônia conforme art. 10, § 6º, da Instrução Normativa SRF n° 43/1997, com a redação dada pelo art. 1°, II, da Instrução Normativa SRF no 67/1997: Art. 10. (..) § 6° Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. Pois bem. O artigo 10, §1º, “b”, da Lei 9.393/96, vigente à época, admitia a exclusão da área tributável do imóvel, das áreas de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10240.001140/200549 Acórdão n.º 9202004.618 CSRFT2 Fl. 575 7 estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; A questão a ser aqui definida é se Lei geral é ato suficiente para suportar a exclusão da área de interesse ecológico da base de cálculo do ITR ou se há necessidade de ato específico, emanado da administração pública para tanto. Inicialmente, é importante delimitar o que está contido nas referidas "áreas de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas". Na minha visão, com a regulamentação do artigo 225, §1º, I e III da CR/88 pela Lei 9.985/2000 essa dimensão ficou extremamente clara. Referidas normas constitucionais visam a preservação do meio ambiente, garantindo o seu uso sustentável, nos seguintes termos: Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondose ao Poder Público e à coletividade o dever de defendêlo e preservá lo para as presentes e futuras gerações. § 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: I preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; (...) III definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; A referida Lei 9.985/2000 instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, estabeleceu critérios e normas para a criação, implantação e gestão das unidades de conservação. Conforme dispõe seu artigo 7º, as unidades de conservação dividemse em dois grupos, as Unidades de Proteção Integral e as Unidades de Uso Sustentável. O objetivo das Unidades de Proteção Integral é preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos nesta Lei. Já o objetivo das Unidades de Uso Sustentável é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais. O grupo das Unidades de Proteção Integral é composto pelas seguintes categorias de unidade de conservação: 1. Estação Ecológica; 2. Reserva Biológica; Fl. 578DF CARF MF 8 3. Parque Nacional; 4. Monumento Natural; 5. Refúgio de Vida Silvestre. Constituem o Grupo das Unidades de Uso Sustentável as seguintes categorias de unidade de conservação: 1. Área de Proteção Ambiental; 2. Área de Relevante Interesse Ecológico; 3. Floresta Nacional; 4. Reserva Extrativista; 5. Reserva de Fauna; 6. Reserva de Desenvolvimento Sustentável; e 7. Reserva Particular do Patrimônio Natural. A meu ver, essas são as áreas de interesse ecológico que a Lei fiscal atualmente permite a exclusão da área tributável do ITR. Para a criação de referidas áreas, a própria Lei estabeleceu 9.985/2000, em seu artigo 22, a necessidade de ato do Poder Público, nos seguintes termos: Art. 22. As unidades de conservação são criadas por ato do Poder Público. Esse mesmo raciocínio vale para fatos ocorridos anteriormente à vigência da Lei, época em que vigiam os artigos 5º e 6º, da Lei 4.771/1965. O artigo 5º previa a criação de Parques Nacionais, Estaduais e Municipais, Reservas Biológicas, e as Florestas Nacionais, Estaduais e Municipais, com fins econômicos, técnicos ou sociais. Já o artigo 6º previa a criação de florestas particulares. Vejamos a redação dos referidos artigos: Art. 5° O Poder Público criará: (Revogado pela Lei nº 9.985, de 18.7.2000) a) Parques Nacionais, Estaduais e Municipais e Reservas Biológicas, com a finalidade de resguardar atributos excepcionais da natureza, conciliando a proteção integral da flora, da fauna e das belezas naturais com a utilização para objetivos educacionais, recreativos e científicos; (Revogado pela Lei nº 9.985, de 18.7.2000) b) Florestas Nacionais, Estaduais e Municipais, com fins econômicos, técnicos ou sociais, inclusive reservando áreas ainda não florestadas e destinadas a atingir aquele fim. (Revogado pela Lei nº 9.985, de 18.7.2000) Parágrafo único. Ressalvada a cobrança de ingresso a visitantes, cuja receita será destinada em pelo menos 50% (cinquenta por cento) ao custeio da manutenção e fiscalização, bem como de obras de melhoramento em cada unidade, é Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10240.001140/200549 Acórdão n.º 9202004.618 CSRFT2 Fl. 576 9 proibida qualquer forma de exploração dos recursos naturais nos parques e reservas biológicas criados pelo poder público na forma deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 7.875, de 13.11.1989) (Revogado pela Lei nº 9.985, de 18.7.2000) Art. 6º O proprietário da floresta não preservada, nos termos desta Lei, poderá gravála com perpetuidade, desde que verificada a existência de interesse público pela autoridade florestal. O vínculo constará de termo assinado perante a autoridade florestal e será averbado à margem da inscrição no Registro Público. (Revogado pela Lei nº 9.985, de 18.7.2000) Nesse contexto, entendo que apenas parques, reservas, florestas nacionais, etc, criados pelo poder público mediante ato específico ou cujo interesse seja expressamente reconhecido por ato do órgão ambiental/florestal e averbado na inscrição de matrícula do imóvel são considerados como áreas de interesse ecológico, cuja lei fiscal admite a exclusão da base de cálculo do ITR. No presente caso, analisando a certidão de matrícula do imóvel em questão (Fl. 13) é possível verificar a averbação de preservação florestal, em conformidade com termo de acordo firmado entre o contribuinte e o IBAMA, no ano de 1992, com retificação em 2001, conforme abaixo: Diante disso, entendo que a averbação em questão foi realizada em obediência ao artigo 6º, da Lei 4.771/1965, estando, assim, comprovada a área de interesse ecológico, por entender haver aqui o ato específico do IBAMA, devidamente averbado na inscrição de matrícula do imóvel, conforme determinava a Lei 4771/1965. Nesse contexto, voto por DAR provimento ao recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 580DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Redatora Designada Discordo do voto do Ilustre Conselheiro Relator, no que tange ao cumprimento das condições para que a Área de Interesse Ecológico seja isenta da tributação do ITR Imposto Territorial Rural, no exercício de 2001. Examinandose a legislação de regência, verificase que o direito à isenção em questão está previsto na Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 10, com a redação vigente à época do fato gerador: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (...)" (grifei) Nesse sentido, o acórdão recorrido bem remarcou a necessidade de que a área em tela fosse reconhecida como de interesse ecológico, por meio de ato específico do Poder Público, o que não foi feito no presente caso. Nesse contexto, o Ilustre Conselheiro Relator aceitou a averbação na matrícula do imóvel como prova do cumprimento das condições para que a área ora analisada seja considerada como de Interesse Ecológico, para fins de isenção da tributação do ITR. Entretanto, no entender desta Conselheira, dita averbação prova apenas que o Contribuinte firmou com o Ibama um acordo de preservação florestal, sem que tal informação tenha o condão de suprir a prova de que se trata efetivamente de uma Área de Interesse Ecológico, assim declarada por ato específico do Poder Público, muito menos com restrições de uso superiores àquelas estabelecidas para a Reserva Legal e de Preservação Permanente. Ademais, não se sabe sequer se tal averbação diria respeito não a suposta Área de Interesse Ecológico, mas sim à Área de Utilização Limitada/Área de Reserva Legal, correspondente a 50% da área total do imóvel (4.500 ha), aceita como tal pelo Fisco (Demonstrativo de Apuração do ITR de fls. 27). Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10240.001140/200549 Acórdão n.º 9202004.618 CSRFT2 Fl. 577 11 Destarte, ausente a comprovação do atendimento às condições estabelecidas pela legislação de regência, não há como acatarse a área pretendida como de Interesse Ecológico para proteção dos ecossistemas. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 582DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.001423/98-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 29/09/1993 a 09/03/1995
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. REMUNERAÇÃO PAGA POR CONCESSIONÁRIAS ÀS DETENTORAS DO USO DA MARCA NO PAÍS POR SERVIÇOS PRESTADOS. NÃO INCLUSÃO.
Os valores relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, a título de comissão pelo uso da marca, publicidade, garantia, treinamento e assistência técnica, não deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas.
Tais rubricas se materializam após a internalização dos produtos no Brasil e suas remunerações são destinadas a uma pessoa jurídica brasileira, não havendo possibilidade de integrar o valor aduaneiro.
Numero da decisão: 9303-004.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen (Suplente convocado), Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. REMUNERAÇÃO PAGA POR CONCESSIONÁRIAS ÀS DETENTORAS DO USO DA MARCA NO PAÍS POR SERVIÇOS PRESTADOS. NÃO INCLUSÃO. Os valores relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, a título de comissão pelo uso da marca, publicidade, garantia, treinamento e assistência técnica, não deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Tais rubricas se materializam após a internalização dos produtos no Brasil e suas remunerações são destinadas a uma pessoa jurídica brasileira, não havendo possibilidade de integrar o valor aduaneiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 14 23 /9 8- 91 Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.301 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen (Suplente convocado), Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 2.137 a 2.143) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3201001.004 (fls. 2.108 a 2.134) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 24/05/2012, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 29/09/1993 a 09/03/1995 VALOR ADUANEIRO COMISSÕES PAGAS À DETENTORA DO USO DA MARCA NO PAIS. Não deve integrar o Valor Aduaneiro, para os fins previstos no art. 8°, §1°, alínea "a", inciso "I", qualquer valor pago à detentora do uso da marca no País, a título de comissões, relativamente aos serviços prestados pela representante da exportadora, pois estas são operações distintas e independentes, não guardando qualquer vínculo com as importações objeto da autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). O processo originouse de auto de infração (fls. 03 a 81), lavrado em procedimento de revisão aduaneira, para exigência de diferenças de tributos aduaneiros (II e IPI vinculado à importação), incidentes sobre a internação de veículos para transporte de passageiros da marca "Mitsubishi", por declaração a menor do valor aduaneiro dos mesmos. Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.302 3 Na ação fiscal, a aduana comunicou a possível influência da vinculação entre importador e exportador sobre o preço da transação. A Fiscalização afirmou existir uma associação legal de negócios entre a COIMEX e a MMC do Brasil e do Japão, descrevendo o funcionamento da relação comercial nos seguintes termos (fls. 06): FUNCIONAMENTO DA OPERAÇÃO COMERCIAL Pretendendo que fossem vendidos veículos da marca "MITSUBISHI" no Brasil, foi montada uma operação comercial em que eram importados veículos utilizandose de uma empresa intermediária em Vitoria/ES para usufruir dos benefícios do FUNDAP (basicamente diferimento do pagamento do ICMS devido e financiamento de parte do mesmo pelo Banco do Governo daquele Estado). A operação por si só já demonstra a vinculação entre o exportador e o importador, mas coloca um intermediário na tentativa de declararse não vinculada. A responsabilidade pelas obrigações tributárias foi atribuída à COIMEX pois as declarações e o respectivo lançamento do imposto constam em nome da mesma, sendo a MMC Automotores do Brasil responsável solidária, nos termos do art. 124, inciso II do Código Tributário Nacional CTN, por determinar a forma de introdução dos veículos no território nacional. A fiscalização consignou no auto de infração que a empresa COIMEX emitiu notas fiscais de venda dos veículos da marca "Mistsubishi" em valor a menor, caracterizando infração ao Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 2.637/98, por ter deixado de recolher o imposto sobre a base de cálculo majorada. No entanto, o lançamento efetuado adotou como base o Acordo de Valoração Aduaneira, base de cálculo do IPI, deixando de fazêlo com fundamento no RIPI. No transcurso da ação fiscal, foram obtidas as seguintes provas: [...] 1 Contrato entre a COIMEX e os revendedores MITSUBISHI, tendo como interveniente tácito a MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA, que comprova que a transação era feita entre a MITSUBISHI MOTOR CO. e a MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA, atuando a COIMEX como mera intermediária para obtenção dos benefícios do FUNDAP, caracterizando bem as responsabilidades tributárias dos revendedores e da MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA, bem como seu poder de mando na operação, pois a COIMEX agia sempre a conta e ordem da mesma. Neste contrato esta firmado que a MMC e que efetuará os pagamentos e que repassará as cartas de crédito ao exportador; 2 Contratos assinados entre a BRABUS AUTO SPORT e depois pela MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA, com a MITSUBISHI MOTORS CORPORATION, em que a primeira é nomeadamente DISTRIBUIDORA da marca no Brasil, explicitando que as transações serão feitas sempre Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.303 4 entre a MMC do exterior e a MMC AUTOMOTORES DO BRASIL, inclusive os pagamentos; 3 Listas de preços do fabricante no exterior, emitidas pela MITSUBISHI CORPORATION válidas para a MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA. Como fabricante, aparecem a própria MITSUBISHI, e no caso do modelo Eclipse, a empresa "DIAMOND TRADING CO.". 4 Faturas comerciais, que instruíram inclusive Declarações de Importação e remessas cambiais, emitidas pela MITSUBISHI CORPORATION para a MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA. 5 Cópias de Notas Fiscais, Faturas de Serviços, emitidas pela MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA para seus revendedores, em que são cobrados aos mesmos importâncias a titulo de "comissão pelo uso da marca." O auto de infração descreveu, ainda, as penalidades a que está sujeita a contribuinte, fazendo ressalva à aplicação de parte delas em razão do art. 11 do Acordo de Valoração Aduaneira prever o direito do importador de apresentar recurso sem imposição de nenhuma penalidade. No que tange à apuração do valor aduaneiro, a Fiscalização entendeu existir a vinculação entre as empresas COIMEX e a MMC do Brasil e do Japão, influenciando o preço da transação, com base nos seguintes fundamentos: APURAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO [...] A vinculação, a nosso ver, é indireta com relação a COIMEX e direta com relação a MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA, baseandose nos termos do artigo 15 do Acordo, que diz que existe a vinculação sempre que uma das partes envolvidas tiver posição de mando na operação, bastando haver a vinculação, não se restringindo portanto a vinculação a uma empresa ser subsidiária de outra. [...] Havendo a vinculação e esta influenciando o preço da transação podemos não aceitar o primeiro método de valoração e consequentemente o valor declarado pelo importador. Ao examinarmos o presente caso, veremos que tanto poderemos aceitar o preço da transação ajustado pelo valor que a MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA cobra dos revendedores a título de "comissão de compras" e/ou "licença para uso da marca", importâncias relacionadas em anexo a este Auto de Infração e que foram apurados junto à própria MMC, que deveria ter sido acrescentado como ajuste ao valor da transação como manda o artigo oitavo do Acordo, quando não aceitando o valor do método primeiro por estar o mesmo influenciado por esta vinculação, passarmos para que o Acordo manda no caso de não aceito o valor da transação Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.304 5 primeiro método, passando sucessivamente em ordem crescente aos demais. O segundo e terceiro métodos, não podem ser adotados no presente caso, pois não existem importações nem vendas de veículos da marca MITSUBISHI diretamente do Japão e com as características idênticas ou similares a dos importados para o Brasil na mesma época. Determinavase, assim, pelo quarto método, em que chegariam a valores próximos do que se consiga adicionandose os ajustes. O Acordo em seu artigo oitavo porem, como acontece no presente caso, manda que sejam feitos ajustes acrescentandose ao preço da transação, os valores pagos aos representantes dos exportadores, como "comissão pelo uso da marca", eis que a mesma é suportada pelo comprador (no caso presente quem esta importando a mercadoria, sendo no caso o comprador, e cada concessionário que é quem paga a referida comissão cada vez que importa um veículo), e não se trata de uma "comissão de compra" nos termos das Notas Interpretativas ao artigo 8 do Acordo em seu parágrafo 1 (a) (i). As citadas "comissões", por outro lado, não se confundem com quaisquer outros custos que sejam suportados pelos compradores, muitos deles também passiveis de serem ajustados também. Resta dizer que, embora a vinculação exista no caso especifico, o Acordo não dispõe que para haver ajustes no artigo oitavo deve haver vinculação entre as partes interessadas nos ajustes como pode se ver, por exemplo, no caso de fretes e seguros. O Acordo também não dispõe sobre o fato de que o beneficiário do citado ajuste deva ser obrigatoriamente o exportador. Longa troca de informação foi feita entre o Fisco e as empresas COIMEX e MMC, sendo que estas chegaram a confessar que cobravam das concessionárias percentual de 17% (dezessete por cento) como "comissão pelo uso da marca", que deveriam ter sido adicionadas ao Valor Aduaneiro. Após esta troca de informação, as empresas concordaram com a utilização de percentuais calculados mês a mês, deduzidas despesas que elas próprias indicaram e que estão relacionadas em anexo e que fazem parte do presente Auto de Infração. Em resposta a nossa Intimação de no. 82/97, a CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX solicitou reconsideração quanto a valores mandados ajustar de acordo com o artigo 8 do Acordo de Valor Aduaneiro (Decreto no.92.930/86), referente a cobrança de percentual a titulo de "licença pelo uso da marca", baseado no artigo 14 da IN SRF no. 39/94. Foi negado provimento ao pedido pelo Sr. Superintendente da Receita Federal na 7a. RF, após apreciar exposição da Fiscalização e da DIANA/SRRF/7a.RF, que fazem parte integrante deste Auto de Infração. Consequentemente, aceitamos o preço da transação declarado, com o ajuste da "comissão pelo uso da marca" cobrado pela MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA., reservandose o direito da Fazenda Nacional de efetuar outros ajustes de valores suportados pelos compradores de veículos, caso os mesmos sejam comprovados. Os novos valores aduaneiros estão discriminados no local próprio, todos com incorporação do valor da "comissão" cobrada. Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.305 6 Cientificadas da autuação, sobreveio a apresentação de impugnação das empresas COIMEX (fls. 1.452 a 1.482) e MMC Automotores do Brasil Ltda (fls. 1.399 a 1.422), com fulcro nos argumentos sintetizados no acórdão recorrido: Impugnação da Cia. Importadora e Exportadora COIMEX [...] Em Preliminar o Auto de Infração é nulo, de pleno direito, não podendo deste modo subsistir, tendo em vista ter ocorrido à decadência do direito do Fisco de proceder à revisão do lançamento, posto que está em desacordo com o prazo estabelecido pelo art. 50 do Decretolei 37/66, ressalvado no art. 447 do atual Regulamento Aduaneiro; em matéria de imposto de importação, o lançamento é feito por declaração, através da DI, cabendo ao contribuinte fornecer os elementos de fato, à Administração Tributária cabe aplicar o direito; quando do procedimento de internação dos veículos, todos os fatos foram perfeitamente conhecidos e avaliados pela Administração por meio do exame documental e da conferência física que, só então, deu por encerrado o procedimento que o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN denomina "lançamento"; o lançamento de ofício só é permitido quando houver erro de fato, relativo às circunstâncias materiais do fato imponível, sendo inadmissível quando se tratar de erro de direito, assim, tratandose de valoração jurídica de fatos e não de dúvidas quanto à existência ou extensão, não pode mais ser revisto o lançamento por força do princípio da imutabilidade dos atos administrativos criadores de situações jurídicas individuais, consagradas em nosso direito positivo no art. 145, c/c o art. 149, ambos do CTN; o Auto de Infração, também, é nulo, tendo em vista não ter sido atendido, no caso, o devido processo legal, fez que não guarda nexo de pertinência com a previsão legal que rege a matéria Código de Valoração Aduaneira (Decreto nº. 92.930/86); de um exame dos documentos que instruem a acusação fiscal, depreende se com clareza que o processo legal foi sensivelmente desprezado, cerceando o direito de defesa do importador de apresentar as justificativas que determinaram o valor aduaneiro declarado; o procedimento adotado pela fiscalização aduaneira subverte o "iter" previsto na lei, atribuindo ao contribuinte a responsabilidade pela produção de provas negativas, o que se afigura incompatível com o ordenamento jurídico vigente e atenta os princípios atinentes ao lançamento tributário, desrespeitando o Código de Valoração Aduaneira, além de negar vigência ao "caput" do art. 142 do CTN; No Mérito Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.306 7 a suplicante não tem qualquer vinculação com a empresa estrangeira exportadora e também não é intermediária da importação, opera normalmente como empresa fundapiana, adquirindo mercadorias importadas de diversas procedências e empresas, promovendo a sua venda no mercado interno para várias e diversificadas empresas, praticando preço real e efetivo das mercadorias e efetuando o recolhimento dos impostos devidos, incidentes sobre o valor real da transação, razão pela qual não se justifica a suposição de vinculação formulada pelo Fisco; a existência de vínculo cabia ao Fisco, o que não foi feito, já que se atribuiu à defendente a responsabilidade pela realização de prova de natureza negativa, o que é impossível; improcede a alegação das autoridades lançadoras, quando afirmam que a autuada figuraria como mera intermediária entre a exportadora e a empresa MMC Automotores do Brasil Ltda., pelo que restaria caracterizada a vinculação, por associação em negócios; inexiste qualquer contrato entre importador e exportador neste sentido (intermediação) e a empresa que detém no Brasil a licença de uso e comercialização da marca Mitsubishi não procedeu a qualquer importação no período compreendido pelo Auto de Infração, operação esta efetuada pela interessada, que revende, a posteriori, os veículos para os concessionários Mitsubishi; a importadora não está, não é, nem foi vinculada ao exportador (Mitsubishi Motor Co.), donde improcede a revisão do valor aduaneiro declarado, prevalecendo o mesmo como sendo o valor da transação; a teor do Acordo de Valoração Aduaneira, o valor de transação é aceitável para fins aduaneiros, quando o preço de venda é o valor de mercado, com pequenas variações, é o que ocorre no presente caso. O preço FOB tem por parâmetro o da Lista de Preços fornecida pelo fabricante estrangeiro, tratase, portanto, de preço internacional; no presente caso, como dito, o valor de transação se aproxima do vigente no mesmo tempo ao valor de transação em vendas de mercadorias idênticas ou similares, logo a questão da influência da eventual vinculação, vale dizer, a sua existência ou não, é irrelevante; procurando atender às solicitações feitas no curso do procedimento fiscal, a requerente consignou documentalmente que o preço FOB da transação de veículos exportados, para mercadorias parelhas, é similar, desta forma, tratase efetivamente de preço aceitável para fins aduaneiros; ainda que houvessem diferenças de impostos passíveis de cobrança, não poderia o Fisco arbitrar valores, sem fundamento nas operações de fato ocorridas e sem prova da existência dos pressupostos a que se referem o Código de Valoração Aduaneiro, objeto de impugnação nos itens antecedentes; o quadro levantado pela fiscalização não é autoexplicativo, de sorte que dele não se consegue a metodologia adotada para se chegar aos ajustes pretendidos; Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.307 8 a fiscalização informou que os percentuais obtidos da ordem de 30% a 40% resultam da divisão do valor da nota fiscal de serviço (emitida pela MMC Brasil) pelo valor tributável (CIF), multiplicandose o resultado por cem, obtendose, pois, os percentuais indicados; não tendo a impugnante, qualquer ligação com a empresa MMC Brasil, não tem conhecimento quanto aos critérios por ela adotados no tocante aos valores cobrados a título de prestação de serviços, licença pelo uso da marca, treinamento, etc., logo, os valores que a detentora do direito de uso da marca Mitsubishi cobra das concessionárias não têm qualquer relação como aqueles cobrados pela Coimex ao ensejo da venda dos veículos importados; os citados cálculos estabelecem uma relação percentual absolutamente inócua e despropositada, já que sequer foi enfocado o fundamento legal da memória de cálculo que levou a fiscalização à adoção deste procedimento de cálculo, o que vicia de ilegalidade, por fazer supor que a base de cálculo utilizada nas importações seria merecedora de ajuste, implicando na cobrança de valores absolutamente fictícios e desprovidos de correlação com as operações em causa; o IPI pago pela importação foi tomado a crédito pela empresa importadora, m virtude de nas suas vendas no mercado interno, por equiparação a industrial, estar obrigada a destacar e recolher novamente o imposto federal, o que significa que a exigência do IPI, por suposto "ajuste" do valor aduaneiro declarado, viola o princípio constitucional da não cumulatividade, porque o recolhimento do referido imposto na etapa subseqüente de circulação abrange o da fase anterior, vale dizer, o imposto que deveria ser pago em duas fases, teria sido recolhido de uma só vez; todo o IPI devido já foi pago, estando extinta a obrigação tributária nos termos do art. 156, I do CTN, que exigir mais imposto do que já foi efetivamente pago seria incidir em "bis in idem", o que é expressamente vedado pela Constituição Federal; com a edição das Decisões n° 14 e 15, exaradas pelo Coordenador do Sistema de Tributação COSIT, em 15/12/1997, em respostas a duas consultas formuladas pela Confederação Nacional do Comércio CNC, no sentido de que os valores pagos pelas concessionárias às detentoras do uso da marca no País, a título de treinamento, garantia, divulgação da marca; etc., não constituem acréscimos ao valor aduaneiro da mercadoria para fins de cálculo do II e do IPI, no caso deste último imposto, ainda que as detentoras de uso da marca tenham atuado como agente de compra das importadoras; a pretensão fiscal veiculada pelo presente auto de infração, portanto, já foi afastada por aquela CoordenadoriaGeral (COSIT), de sorte que impõe o cancelamento do lançamento feito, posto que o entendimento da Administração vincula todos os seus órgãos, bloqueando a prolatação de atos dos quais resulte diverso, sob pena de violação ao disposto no art. 37 da Constituição Federal. [...] Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.308 9 Reivindica, por fim, nos termos do que dispõe art. 16, IV da Lei nº 8.748, de 09/12/1993, à conversão do julgamento em diligência, para a realização de competente Prova Pericial, para tanto, além de indicar assistente técnico, formula, previamente, os quesitos que entende necessários, além de protestar pela posterior apresentação de quesitos suplementares. Em face do exposto, requer que sejam considerados improcedentes os lançamentos referentes ao crédito tributário ora litigado, cancelandose o auto de infração em exame, por insubsistente, determinando, por conseguinte, o arquivamento do presente processo administrativo. Impugnação da MMC Automotores do Brasil Ltda. A MMC Automotores do Brasil Ltda. foi intimada (fls. 1391) do auto de infração em comento na condição de responsável solidária. [...] "A atividade exercida pela impugnante consiste na prestação de serviços, no mercado interno, decorrente de contrato de distribuição firmado com a empresa japonesa ("Mitsubishi Motos Co."), em razão do qual tem o direito de uso da marca "Mitsubishi" no Brasil. Ainda, em função deste mesmo contrato, por ser responsável pela criação e manutenção da rede de concessionários, recebe remuneração de seus concessionários, pelos serviços de garantia, treinamento, assistência técnica, etc. Vale dizer, a ora impugnante não importa veículos. Apenas detém o direito ao uso da marca "Mitsubishi" no território nacional, não tendo sido, no período abrangido pelo auto de infração, intermediária nas importações realizadas pela Coimex, com quem, ressaltese, não tem qualquer vinculação. [...] Destarte. a MMC.Brasil.não possui nenhum contrato com a importadora, mas sim com a rede de concessionários da marca para a prestação dos serviços já referidos. [...] Assim, a MMC é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da acusação fiscal, donde resulta a nulidade do auto de infração." Como se vê, em suma, a MMC Automotores do Brasil Ltda. afirma que não é o importador, nem mesmo responsável solidário. Para tanto, pede sua exclusão da lide, por ser parte ilegítima. Afora à contestação acima, percebese que a intimada MMC Automotores do Brasil Ltda., em sua peça impugnatória juntada às fls. 1393 a 1416, utilizouse das mesmas argumentações, fundamentações legais, citações doutrinárias e jurisprudenciais trazidas aos autos pela contribuinte Cia. Importadora e Exportadora COIMEX, razão pela qual, tais alegações não serão novamente transcritas no presente relatório, sendo tratadas em conjunto, por conseguinte, quando da sua apreciação. Às fls. 1517/1518, temse que em 28/01/1999, a então impugnante, na condição de responsável solidária, aditou a retrocitada impugnação. Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.309 10 [...] As impugnações foram julgadas improcedentes pela Delegacia Regional de Julgamento em Florianópolis SC, por meio do Acórdão DRJ/FNS nº 0.652, de 28 de março de 2002 (fls. 1.561 a 1.605), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 29/09/1993 a 09/03/1995 Ementa: NULIDADE DA AÇÃO FISCAL. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Estando o procedimento fiscal realizado em estrita observância às suas normas de regência, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. IMPUGNAÇÃO. ADITAMENTO. ALEGAÇÕES INTEMPESTIVAS. INADMISSIBILIDADE. Deixase de apreciar razões de defesa complementares, trazidas em aditamento, que foram apresentadas cinco meses após encerramento do prazo legal de impugnação, face à ausência de dispositivo legal que autorize o acolhimento de alegações intempestivas. PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. COMPLEMENTAÇÃO. Dispensável a complementar produção de provas, por meio de perícia, quando os elementos que integram os autos revelamse suficientes para formação da convicção e conseqüente julgamento do feito. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTTTUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 29/09/1993 a 09/03/1995 Ementa: SOLIDARIEDADE PASSIVA Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.310 11 Caracterizase a solidariedade passiva tributária entre o representante exclusivo para comercialização de veículos de determinada marca e terceiro importador (mandatário para os efeitos legais), quando este terceiro, ainda que seja uma trading, realiza em nome próprio importações e revendas de veículos dessa marca. Contratos firmados entre a representante exclusiva e diversas concessionárias, mencionando a intervenção desse terceiro nas transações comerciais reforçam a comprovação da solidariedade. PRAZO DECADENCIAL. VALOR ADUANEIRO. FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA. Nos lançamentos por homologação, o direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos relativos aos tributos aduaneiros extinguese depois de cinco anos, contados do fato gerador. O Valor Aduaneiro encontrase no escopo das matérias atinentes ao despacho aduaneiro passíveis de revisão por parte da autoridade fiscal. O prazo de cinco dias para a liberação da mercadoria anteriormente ao desembaraço, tratase de período de tempo procedimental, relativo somente ao despacho aduaneiro, não se constituindo em prazo decadencial de formalização da exigência tributária. REVISÃO DE OFÍCIO. Agindo o contribuinte em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, por dever de ofício, deve proceder à revisão e se for o caso, exigir, por meio do lançamento, os tributos que deixaram de ser pagos, além dos demais acréscimos legais cabíveis. Assunto: Imposto sobre a Importação Período de apuração: 29/09/1993 a 09/03/1995 Ementa: VALOR ADUANEIRO. AJUSTES AO VALOR DE TRANSAÇÃO. ACRÉSCIMO. CABIMENTO. Integram o valor aduaneiro, as parcelas cobradas das concessionárias, sempre vinculadas à revenda de veículos importados, tendo por objeto a prestação de serviços pela representante da exportadora no País a essas concessionárias, relativos às atividades comerciais de concessão comercial de veículos automotores de vias terrestres, notadamente, ao licenciamento do uso diversificado da marca, expressões e sinais de propaganda dentre outros, que revertem em favor da exportadora estrangeira. DECISÕES DA COSIT EM PROCESSO DE CONSULTA. As Decisões da COSIT em processo de consulta produzem efeitos somente em relação à matéria nelas tratada. Tais tipos de Decisões, por se constituírem exegese de textos legais específicos, não comportam interpretação extensiva. INCIDÊNCIA DO IPI NA IMPORTAÇÃO. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. FATO GERADOR. Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.311 12 O fato gerador do IPI na importação constitui o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira, cuja base de cálculo é o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo dos tributos aduaneiros, por ocasião do despacho de importação, acrescido do montante desses tributos e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis. Uma vez majorado o valor de transação de mercadoria importada, em decorrência dos ajustes previsto no AVA, resta exigir de ofício a diferença do respectivo crédito tributário. Lançamento Procedente Não resignada, a contribuinte COIMEX interpôs recurso voluntário (fls. 1.615 a 1.649) reforçando os argumentos trazidos na impugnação e pleiteando, ao final, a reforma da decisão. O recurso voluntário da COIMEX foi provido pela Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 30235.883, de 03 de dezembro de 2003 (fls. 1.812 a 1.863), consignando entendimento de que as comissões pagas pelas vendedoras à detentora do uso da marca no País, no caso representante da exportadora, não integram o valor aduaneiro, base de cálculo do imposto de importação e do imposto sobre produto industrializado vinculado, para os fins previstos no art. 8º, §1º, a, inciso I do Acordo. Foram aplicadas por aquele Colegiado as Decisões COSIT nºs 14 e 15, de 1997. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 1.865 a 1.871) sustentando a solidariedade passiva entre a COIMEX e a MMCB, nos termos do art. 80 do Decreto nº 91.030/85 e do art. 124, inciso I do CTN. No mérito, utilizase dos argumentos expostos na "Descrição dos fatos e enquadramento legal" do Auto de Infração. O recurso foi admitido por meio do Despacho nº 50 (fls. 1.887 a 1.890). As interessadas COIMEX e MMC Automotores do Brasil Ltda. apresentaram contrarrazões (fls. 1.902 a 1.915). No julgamento daquele recurso especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do extinto Conselho de Contribuintes decidiu por anular todos os atos processuais ocorridos a partir da ciência da decisão de primeira instância, em razão da falta de intimação da empresa indicada como responsável solidária, MMC Automotores do Brasil Ltda., retornando os autos à autoridade preparadora para intimação dos dois sujeitos passivos acerca do julgado da DRJ/FNS e, eventualmente, apresentação de novo recurso voluntário. A decisão restou consignada no Acórdão nº 0306.268 (fls. 1.992 a 2.007). Após devidamente intimadas, as empresas MMC Automotores do Brasil Ltda. e Companhia Importadora e Exportadora COIMEX interpuseram novo recurso voluntário (fl.s 2.018 a 2.050), sobrevindo novo julgamento nos termos do Acórdão nº 3201001.004, de 24 de maio de 2012 (fls. 2.108 a 2.134), ora recorrido, para reconhecer não integrarem o valor aduaneiro quaisquer montantes pagos à detentora do uso da marca no País. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 2.137 a 2.143), alegando divergência jurisprudencial quanto à exclusão do cálculo do valor aduaneiro das comissões pagas pelo uso da marca. Indicou como paradigma o acórdão nº Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.312 13 930101.065, no qual a matéria examinada e as partes envolvidas são idênticos aos da decisão recorrida. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) a discussão cingese ao ajuste do valor aduaneiro, realizado pela Fiscalização, com o acréscimo do montante pago pelos concessionários a título de comissões pelo uso da marca Mitsubishi à sua detentora no Brasil, a empresa MMC Automotores do Brasil Ltda., ao valor dos bens importados declarado pela importadora; (b) é legítima a autuação para cobrança da diferença dos impostos e consectários legais devidos pelo não oferecimento à tributação do valor das comissões pagas pelos concessionários à detentora da marca Mitsubishi no Brasil, conforme art. 8º do Acordo de Valoração Aduaneira; (c) a COIMEX importava os veículos da marca Mitsubishi na condição de intermediária, por conta e ordem da empresa MMC Automotores do Brasil Ltda, fazendo constar nas notas fiscais de venda emitidas em seu nome o preço correspondente ao valor de aquisição dos veículos, acrescido da parcela destinada à MMCB em percentual sobre o valor do veículo a título de comissões pelo uso da marca, sem que o mesmo fosse oferecido à tributação; (d) a atuação da MMC Automotores do Brasil Ltda. não corresponde a de um agente de compras, pois não atua no interesse das concessionárias; ela age no interesse do exportador estrangeiro, caracterizandose como agente de vendas, recebendo percentual sobre o preço dos veículos exportados para o Brasil a título de remuneração; (e) considerando as condições negociais estabelecidas entre as empresas, aplicável o art. 1º, §1º c/c art. 8º, §1º, alínea "a", do Acordo de Valoração Aduaneira, devendo ser acrescidos, na determinação do valor aduaneiro de mercadoria importada, ao preço efetivamente pago ou a pagar as comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra, por não serem as convenções particulares oponíveis ao Fisco. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho nº 3200000.203, de 23 de janeiro de 2015 (fls. 2.186 a 2.188), proferido pelo ilustre Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial quanto à inclusão das comissões pagas pelo uso da marca no cálculo do valor aduaneiro. As interessadas apresentaram contrarrazões (fls. 2.202 a 2.240) postulando a negativa de provimento ao recurso especial, com fulcro nos seguintes argumentos: Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.313 14 (a) preliminarmente, sustentam a inadmissibilidade do recurso pois o paradigma apresentado foi objeto de interposição de embargos de declaração, sendo imprestável para comprovação do dissídio jurisprudencial por sua precariedade; (b) alegam que a tese do acórdão nº 930301.065, apontado como paradigma pela Fazenda Nacional, foi superada pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ao decidir que não integram o valor aduaneiro, para efeito do ajuste pretendido pela Fazenda, supostamente com base no art. 8º do AVA, as remunerações pagas pelos concessionários às detentoras do uso da marca no País, a título de remuneração pela autorização do uso da marca, conforme consignado nos acórdãos nºs 9303002.351, 9303002.350, 9303 002.645, 9303002.874, 9303002.875 e 9303002.876. (c) tecem considerações acerca dos contratos celebrados pelas empresas relacionadas com a operação de comércio exterior questionada pelos auditoresfiscais, para elaboração do lançamento; descrevem a operação de comércio exterior e de comércio interno de mercadorias e serviços, relacionadas com o lançamento, especificando a participação de cada empresa; e, ainda, trazem arrazoado quanto à exigência fiscal. (d) aduzem que a remuneração da MMCB referese à prestação de serviços e à cessão do direito de uso de marca aos concessionários, no Brasil, não se enquadrando como "comissões de venda", supostamente devidas pelo exportador, na acepção utilizada no art. 8º, §1º, alínea a, inciso I do AVA, sendo incabível, assim, o ajuste do valor aduaneiro pretendido pelo Fisco. Invocam as Decisões COSIT nºs 14 e 15, de 1997; (e) sustentam ter a decisão de primeira instância inovado a fundamentação legal do lançamento, por não constar no enquadramento legal do auto de infração o art. 8º, §1º, alíneas c ou d do AVA, sendo que a Fiscalização não cogitou sobre a existência de pagamento de direitos de exploração (royalties) ou direitos de licença como condição de venda, mas sim pretendeu efetuar o ajuste considerando os valores recebidos pela MMCB como "comissões e corretagens", com base no art. 8º, §1º, alínea a, inciso I do AVA; (f) afirmam que as importâncias relativas à autorização pelo uso da marca, reembolso de despesa de propaganda, assistência técnica e garantia não são cobradas aos concessionários pela COIMEX. São valores entregues por eles diretamente à MMCB, não transitando pela COIMEX. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 17/03/2016, estando apto o feito a ser relatado e submetido à Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.314 15 análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende os pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ser conhecido. Impende esclarecerse que, embora tenha havido a interposição de embargos de declaração em face do acórdão paradigma nº 930301.065, o mesmo não foi reformado, conforme decisão prolatada em 12/04/2012 no sentido de acolher os embargos de declaração para sanar a omissão e o erro material apontados, sem efeitos modificativos. Portanto, prestase a decisão à comprovação da divergência jurisprudencial. Mérito No mérito, centrase a controvérsia na possibilidade de ajuste do valor aduaneiro, mediante a inclusão das remunerações pagas pelos concessionários à detentora do uso da marca no País, a título de licença do uso da marca, com base no art. 8º, §1º, alíneas c e d, do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto nº 92.930, de 16/07/1986. O valor aduaneiro é aquele atribuído ao produto para efeitos de tributação sobre a importação, constituindose na base de cálculo do imposto de importação (II) e do imposto sobre produto industrializado vinculado à importação (IPI vinculado). O mesmo é aferido na forma definida no art. VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT e no Acordo para Implementação do art. VII do GATT, denominado de Acordo de Valoração Aduaneira, regulamentado pelo Decreto nº 2.498/98, vigente à época dos fatos geradores, posteriormente revogado pelo Decreto nº 4.543/2002, por sua vez revogado pelo Decreto nº 6.759/2009. O Acordo de Valoração Aduaneira, tratado multilateral que busca estabelecer regras para o comércio internacional não predatório entre os países participantes, foi promulgado no Brasil pelo Decreto nº 92.930/86, e assim dispõe em seus artigos 1º e 8º: Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.315 16 ARTIGO 1º 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do artigo 8º, desde que: a) não haja restrições à cessão ou à utilização das mercadorias pelo comprador, ressalvadas as que: i) sejam impostas ou exigidas por lei ou pela administração pública do país de importação; ii) limitem a área geográfica na qual as mercadorias podem ser revendidas; ou iii) não afetem substancialmente o valor das mercadorias; b) a venda ou o preço não estejam sujeitos a alguma condição ou contraprestação para a qual não se possa determinar um valor em relação às mercadorias objeto de valoração; c) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito, de conformidade com as disposições do artigo 8º, e d) não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou, se houver, que o valor da transação seja aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste artigo. 2. a) Ao se determinar se o valor de transação é aceitável para os fins do parágrafo 1, o fato de haver vinculação entre comprador e vendedor, nos termos do artigo 15, não constituirá, por si só, motivo suficiente para se considerar o valor de transação inaceitável. Neste caso, as circunstâncias da venda serão examinadas e o valor de transação será aceito, desde que a vinculação não tenha influenciado o preço. Se a administração aduaneira, com base em informações prestadas pelo importador, ou obtidas por outros meios, tiver motivos para considerar que a vinculação influenciou o preço, deverá comunicar tais motivos ao importador, a quem dará oportunidade razoável para contestar. Havendo solicitação do importador, os motivos lhe serão comunicados por escrito. b) No caso de venda entre pessoas vinculadas, o valor de transação será aceito e as mercadorias serão valoradas segundo as disposições do parágrafo 1, sempre que o importador demonstrar que tal valor se aproxima muito de um dos seguintes, vigentes no mesmo tempo ou aproximadamente no mesmo tempo: i) o valor da transação em vendas a compradores não vinculados, de mercadorias idênticas ou similares destinadas a exportação para o mesmo país de importação; ii) o valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do artigo 5º; Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.316 17 iii) o valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do artigo 6º; iv) o valor de transação, em vendas a compradores não vinculados, para exportação para o mesmo país de importação, de mercadorias idênticas às mercadorias importadas, exceto pelo fato de terem um país de produção diferente, desde que os vendedores, nas duas transações comparadas, não sejam vinculados. Na aplicação dos critérios anteriores, deverão ser levadas na devida conta as diferenças comprovadas nos níveis comerciais e nas quantidades, os elementos enumerados no artigo 8º e os custos suportados pelo vendedor, em vendas nas quais ele e o comprador não sejam vinculados, e que não são suportados pelo vendedor em vendas nas quais ele e o comprador sejam vinculados. c) Os critérios estabelecidos no parágrafo 2 (b) devem ser utilizados por iniciativa do importador e exclusivamente para fins de comparação. Valores substitutivos não poderão ser estabelecidos com base nas disposições do parágrafo 2 (b). [...] ARTIGO 8º 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do artigo 1º, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: a) os seguintes elementos, na medida em que sejam suportados pelo comprador mas não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias; i) comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra; ii) o custo de embalagens e recipientes considerados, para fins aduaneiros, como formando um todo com as mercadorias em questão; iii) o custo de embalar, compreendendo os gastos com mãodeobra e com materiais; b) o valor, devidamente apropriado, dos seguintes bens e serviços, desde que fornecidos direta ou indiretamente pelo comprador, gratuitamente ou a preços reduzidos, para serem utilizados na produção e na venda para exportação das mercadorias importadas, e na medida em que tal valor não tiver sido incluído no preço efetivamente pago ou a pagar; i) materiais, componentes, partes e elementos semelhantes, incorporados às mercadorias importadas; ii) ferramentas, matrizes, moldes e elementos semelhantes, empregados na produção das mercadorias importadas; iii) materiais consumidos na produção das mercadorias importadas; Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.317 18 iv) projetos de engenharia, pesquisa e desenvolvimento, trabalhos de arte e de "design" , e planos e esboços, necessários à produção das mercadorias importadas e realizados fora do país de importação; c) "royalties" e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais "royalties" e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; d) o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor. Em procedimento de revisão aduaneira, nos termos dos artigos 455 e 456 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, realizada nas declarações de importação da empresa COIMEX relativas à internação de veículos da marca "MITSUBISHI" para transporte de passageiros, apontou a Fiscalização ter sido declarado a menor o valor aduaneiro das mercadorias, razão pela qual foi lavrado o auto de infração. Portanto, tratase de litígio relativo à valoração aduaneira dos veículos automotores importados pela COIMEX, exportados pela Mitsubishi Motors Coporation (MMC do Japão), fabricante sediado no Japão, o qual mantém com a MMC Automotores do Brasil Ltda. contrato para distribuição e comercialização da marca Mitsubishi no território nacional. A relação entre as empresas MMC Automotores do Brasil Ltda., Companhia Importadora e Exportadora COIMEX e Mitsubishi Motors Corporation (MMC do Japão), dá se da seguinte forma bem sintetizada nas contrarrazões ao recurso especial: a) a MMCB é a distribuidora dos produtos da MMC e MC no Brasil, sem exclusividade, podendo importálos, formar rede de concessionários autorizados à venda dos produtos, fazer uso da marca e permitir aos concessionários a utilização da mesma, promover a propaganda e divulgação da marca e autorizar terceiros a importar os produtos; b) por meio de "Instrumento Particular de Contrato de Fornecimento, Uso de Marca, Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Outras Avenças), a MMCB constitui concessionários e assume a obrigação de fornecimento de produtos, diretamente ou através de terceiros, pelos preços acordados; autoriza o concessionário a utilizar a marca; comprometese com o treinamento dos empregados do concessionário, habilitandoos a prestar assistência técnica aos adquirentes finais dos produtos; c) a MMCB e os concessionários acordam os serviços que a primeira irá prestar aos segundos, através de Contrato de Prestação de Serviços: "preparação e promoção de campanhas publicitárias visando a divulgação e colocação dos produtos Mitsubishi no mercado interno; autorização ao concessionário para uso da marca para fins de Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.318 19 comercialização dos produtos; serviços de assistência técnica, mediante treinamento de pessoal do concessionário. Estabelecem também os preços dos aludidos serviços e que a importação dos produtos será cometida à COIMEX, com a interveniência da MMCB, na forma definida nos "contratos de compra e venda por encomenda". d) COIMEX, concessionário e MMCB celebram "Contrato de Compra e Venda por Encomenda", figurando a última como Interveniente. No pacto, determinam que as importações serão realizadas pela COIMEX, atendose esta aos produtos discriminados pelos concessionários e aos preços acordados, convencionandose ainda que a MMCB providenciará a indicação da COIMEX como consignatária, nas faturas próforma, e repassará para a COIMEX as cartas de crédito relativas às importações, indicandoa como consignatária, nos referidos efeitos. A MMC Automotores do Brasil Ltda. detém o direito de uso da marca Mitsubishi no Brasil, sem exclusividade, tendo referido contrato de distribuição, sendolhe atribuída a responsabilidade pela divulgação dos produtos da marca, razão pela qual cria e mantém rede de concessionários, sendo remunerada pelos serviços de garantia, treinamento, assistência técnica, etc. Portanto, a remuneração recebida pela MMCB não se caracteriza como "comissões de venda", por se tratar de contrapartida pela prestação de serviços aos concessionários no Brasil, e não ao exportador, e pela cessão do uso da marca. Nos termos da Nota Explicativa 2.1, do AVA, itens 2, 4, 5 e 7, os serviços prestados pela MMCB e a cessão do uso da marca não se confundem com os serviços de agenciamento de vendas ou de compras. As quantias pagas ao distribuidor pelos concessionários, que não são importadores, no caso em exame, não são comissões. Por isso, a MMCB não é uma agente de vendas da MMC do Japão, mas sim sua distribuidora, conforme consta das cláusulas 2 e 3 do Contrato de Distribuição (fls. 1.150 a 1.175): CONTRATO DE DISTRIBUIÇÃO Este Contrato, feito e celebrado aos 15 dias de março de 1993, entre a MITSUBISHI MOTORS CORPORATION, uma companhia organizada e existente sob as leis do Japão, com sede em 338, Shiba 5chome, Minatoku, Tóquio, Japão (aqui de agora em diante referida como "MMC"), e a BRABUS AUTOSPORT LTDA., uma companhia (sociedade de propriedade única) organizada e existente de acordo com as leis da República Federativa do Brasil, com sede na Rua Funchal 651 B, CEP 04558060, São Paulo, Brasil (aqui de agora em diante referida como DISTRIBUIDOR). [...] Artigo 2. DESIGNAÇÃO 1. Sujeito aos termos e condições deste Contrato, a MMC designa por este instrumento o DISTRIBUIDOR como importador e distribuidor dos Produtos no Território, em uma base não exclusiva, pelo prazo especificado Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.319 20 no Artigo 22 deste Contrato, e o DISTRIBUIDOR por este instrumento aceita tal designação. 2. A participação da MMC neste Contrato está condicionada à participação pessoal ativa, substancial e contínua na administração da organização do DISTRIBUIDOR das pessoas listadas abaixo e sua participação, se houver, na porcentagem especificada no capital do DISTRIBUIDOR ou outros interesses societários, conforme o caso: [...] 3. A MMC pode celebrar um contrato com MITSUBISHI CORPORATION, uma companhia organizada e existente sob as leis do Japão, com sede em 63 Marunouchi 2chome, Chiyodaku, Tóquio (aqui de agora em diante referida como MC) e pode fornecer a totalidade ou parte dos Produtos sendo vendidos de acordo com este através da MC atuando como exportadores. No caso da MMC fornecer qualquer Produtos através da MC, a MMC pode delegar à MC qualquer ou todos seus direitos ou obrigações contidos neste Contrato. 4. Em adição a qualquer e todos os outros direitos reservados à MMC de acordo com este (incluindo, mas não limitandose a, aqueles direitos reservados provenientes em virtude da natureza não exclusiva da designação pela MMC, de acordo com este, do DISTRIBUIDOR como importador e distribuidor dos Produtos no Território), a MMC se reserva o direito de vender os Produtos diretamente ou através de qualquer companhia trading ou qualquer outra entidade designada pela MMC para qualquer governo nacional, estadual ou municipal, agência ou autoridade do Território ou do Japão, a qualquer organização internacional localizada no Território, a qualquer companhia considerada geralmente como sendo uma parte do Grupo Mitsubishi, a qualquer empregado de qualquer tal governo, agência, autoridade, organização internacional ou companhia, a qualquer entidade cuja compra está sendo financiada na totalidade ou em parte por qualquer entidade para uso em conexão com a construção de uma fábrica ou projeto e/ou a qualquer usuário final. Artigo 3. RELACIONAMENTO ENTRE AS PARTES Todos os Produtos fornecidos ao DISTRIBUIDOR de acordo com este, serão comprados pelo DISTRIBUIDOR por sua própria conta e risco e revendidos apenas de acordo com os termos e condições deste Contrato. Fica entendido que o relacionamento entre a MMC e o DISTRIBUIDOR não será aquele de principal e agente, mas sim o de vendedor e comprador, e o DISTRIBUIDOR não estará autorizado a atuar como agente da MMC de qualquer maneira que seja e não deverá concluir qualquer contrato ou acordo em nome da MMC, fazer qualquer declaração ou garantia vinculando a MMC ou agir de outro modo em nome de e/ou em representação da MMC. (grifouse) Depreendese das disposições contratuais, portanto, não se enquadrarem os valores recebidos pela MMCB como sendo "comissões de venda", sendo incabível o ajuste do valor aduaneiro com base no art. 8º, 1, "a", "i" do Acordo de Valoração Aduaneira. Aliás, Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.320 21 consta expressamente no artigo 3º do Contrato de Distribuição não estar a MMCB (distribuidora) autorizada a atuar como agente da MMC, não se podendo considerála, portanto, como um agente de vendas, mas tão somente como distribuidora. A remuneração da MMCB decorre dos serviços prestados, no Brasil, aos concessionários e pela cessão do uso da marca, não se confundindo com os serviços de agenciamento de vendas ou de compras, nos termos da Nota Interpretativa 2.1, do AVA, itens 2, 4, 5 e 7 (IN SRF nº 17/1998). Nessa linha relacional, a Administração Tributária, por meio das Decisões Cosit nºs 14 e 15, de 1997 (fls. 1.703 a 1.712), manifestou entendimento no sentido de que os valores pagos pelas concessionárias às detentoras do uso da marca, a título de prestação de serviços e de cessão do uso da marca, não integram o valor aduaneiro da mercadoria para fins de cálculo do II e do IPI, in verbis: Decisão Cosit nº 14, de 15/12/1997 Assunto: Imposto de Importação II. Ementa: VALORAÇÃO ADUANEIRA Os valores pagos pelas Concessionárias às Detentoras do Uso da Marca no Pais, pelos serviços, efetivamente contratados e prestados no Brasil, não constituirão acréscimos ao valor aduaneiro da mercadoria, para cálculo do Imposto de Importação. As comissões pagas pelas Importadoras às Detentoras do Uso da Marca no País, pelo agenciamento de compras de veículos, no exterior, não serão acrescidas ao valor de transação, para fins de cálculo do Imposto de Importação, se comprovado que esses valores foram pagos diretamente pelo importador ao agente de compra. Se as comissões forem assumidas pelo exportador, serão, obrigatoriamente, acrescidas ao preço efetivamente pago ou a pagar pelos veículos, para fins de apuração do valor aduaneiro, independentemente de o exportador retribuir, diretamente, os serviços do intermediário, ou, no momento da venda, contratar junto ao importador que este assumirá, além do preço faturado, a comissão a ser paga ao intermediário. [...] (grifouse) Decisão Cosit nº 15, de 15/12/1997 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Ementa: BASE DE CÁLCULO DO IPI NA IMPORTAÇÃO. Os valores pagos pelas Concessionárias às Detentoras do Uso da Marca no País, em retribuição aos serviços de pesquisa mercadológica, treinamento de pessoal, divulgação, sustentação e representação da marca no País, não Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.321 22 integram a base de cálculo do IPI incidente nas importações de veículos, realizadas pela Importadora, ainda que as Detentoras do Uso da Marca no País tenham atuado como Agente de Compra das Importadoras. Os valores pagos pelas Importadoras às Detentoras do Uso da Marca no País integrarão a base de cálculo do IPI incidente na importação, sempre que esses valores forem acrescidos ao valor de transação da mercadoria, para fins de cálculo do Imposto de Importação. [...] (grifouse) Portanto, a parcela devida à MMCB pelas concessionárias, objeto da presente autuação, decorre da efetiva prestação de serviços, depois que o contrato de compra e venda já se consumou, conforme reconhecido pela própria Fiscalização. Não há relação dos valores pagos à MMCB com a operação de importação contratada entre a Coimex e as concessionárias. Com relação ao enquadramento dado pela decisão de primeira instância aos valores pagos pelos concessionários à MMCB, no art. 8º, item 1, alíneas "c" ou "d", inovando os fundamentos trazidos no auto de infração, também não há como prosperar. Isso porque nos contratos celebrados entre as empresas não há cláusula estipulando, como condição de venda das mercadorias importadas, o pagamento à MMC de qualquer importância a título de "royalties" ou direitos de licença relacionados com as mercadorias. Ainda, na expressão "condição de venda" o significado de "venda" é o de exportação para o país de importação, nos termos do item 2 da Nota Interpretativa ao parágrafo 1, "c", do artigo 8º, do AVA: Nota ao artigo 8º [...] Parágrafo 1 (c) 1. Os royalties e direitos de licença referidos no artigo 8.1 (c) poderão incluir, entre outros, pagamentos relativos a patentes, marcas registradas e direitos de autor. No entanto, na determinação do valor aduaneiro, os ônus relativos ao direito de reproduzir as mercadorias importadas no país de importação não serão acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas. 2. Os pagamentos efetuados pelo comprador pelo direito de distribuir ou revender as mercadorias importadas não serão acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas, caso não sejam tais pagamentos uma condição da venda, para exportação para o país de importação, das mercadorias importadas. (grifouse) De outro lado, as verbas objeto da autuação não podem ser caracterizadas como "parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias, Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.322 23 que reverta direta ou indiretamente ao vendedor", como definido no art. 8º, parágrafo 1º, item "d", do AVA. Conforme esta cláusula do Acordo, o montante a ser adicionado ao valor aduaneiro deve reverter ao vendedor, e por vendedor, digase, exportador. Nesse sentido é o entendimento da própria Administração Tributária, conforme disposto no art. 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 327/03, que estabelece normas e procedimentos para a declaração e o controle do valor aduaneiro de mercadoria importada, in verbis: Art. 10. O preço efetivamente pago ou a pagar compreende todos os pagamentos efetuados ou a efetuar, como condição de venda das mercadorias objeto de valoração, pelo comprador ao vendedor, ou pelo comprador a terceiro, para satisfazer uma obrigação do vendedor, assim considerados: I comprador, a pessoa que adquire a mercadoria e se compromete a pagar ao vendedor o preço negociado, mesmo que se utilize de terceiro, nos casos admitidos pela legislação de regência, para honrar essa obrigação ou promover o despacho aduaneiro de importação; II vendedor, a pessoa que, em decorrência da transação comercial, transfere ao comprador a propriedade da mercadoria que lhe pertence e se compromete a entregála conforme termos e condições acordados, mesmo que se utilize de terceiro, nos casos admitidos pela legislação de regência, para honrar essa obrigação ou promover o despacho aduaneiro de exportação. Os valores questionados na presente autuação não decorrem da revenda efetuada pelos concessionários e não há parcela do resultado da revenda, direta ou indiretamente, repassada ao exportador. As quantias são pagas à MMCB pelos serviços prestados e pela cessão do uso da marca, independentemente de qualquer revenda efetuada pelos concessionários. Além disso, não há prova nos autos de que o preço de revenda praticado pela COIMEX não seja o efetivamente devido, até porque este não foi questionado expressamente pela Fiscalização, bem como impossível afirmar serem os valores constantes das notas fiscais da MMCB decorrentes de parcela do preço de revenda. A importadora COIMEX revendeu os veículos para os concessionários e recebeu o preço estabelecido nos contratos, não tendo transitado por ela quaisquer valores relativos à autorização do uso da marca, prestação de serviços de assistência técnica e reembolso de despesas de propaganda, os quais são pagos diretamente à MMCB pelos concessionários. A tese da defesa vem confirmada pelos documentos que instruem os autos, pois não há notas fiscais juntadas da COIMEX e nas notas fiscais da MMCB consta a expressão "remuneração pela autorização, pelo uso da marca Mitsubishi Motors, pela divulgação da marca e prestação de serviço, assistência técnica através do treinamento do pessoal". (fls. 1.275 a 1.282) Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.323 24 Consignese, ainda, que as parcelas recebidas pela MMCB não constituem resultado de revenda ou utilização posterior de mercadorias importadas e também não reverteram direta ou indiretamente ao exportador, nem mesmo a título de valorização da marca, inexistindo justificativa para o ajuste do valor aduaneiro. Nesse ponto, pertinente transcreverse parte dos fundamentos expendidos no acórdão nº 930300.208, proferido por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em processo envolvendo as mesmas partes, in verbis: [...] Essa comissão, citada em notas fiscais fatura de serviços, que pode ser qualquer coisa pois não consta nas notas fiscais acostadas ao processo comissão de que, (aparecem como comissão sobre importação mas não há operação de importação vinculada à nota fiscal) segundo rege o AVA, não são agregadas ao valor aduaneiro quando paga por importadores às detentoras do uso da marca no país. É essa a interpretação dada pela COSIT em 1997, com a qual concordo. Ora, se são valores que robustecem a marca, ou se são valores de fato ligados a prestação de garantias de manutenção dos serviços com o padrão de qualidade requerido pela marca, ou se são meros repasses indiretos para o grupo no Brasil, tais valores jamais influenciariam no preço do produto no curto prazo. Na realidade a valorização da marca por qualquer razão leva ao aumento dos lucros, tanto pelo aumento do mercado, como pela possibilidade de aumento futuro no preço da mercadoria. Meros repasses indiretos ao grupo deveriam ser tratados ou na esfera dos preços de transferência imposto de renda. [...] Diante dessas considerações, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 12466.001423/9891 Acórdão n.º 9303004.215 CSRFT3 Fl. 2.324 25 Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO
score : 1.0
Numero do processo: 12448.721632/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
COMPENSAÇÃO DE IRRF. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
Quando comprovada a retenção, o imposto pode ser compensado na declaração de ajuste anual, independentemente do efetivo recolhimento pela fonte pagadora.
Numero da decisão: 2202-003.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Quando comprovada a retenção, o imposto pode ser compensado na declaração de ajuste anual, independentemente do efetivo recolhimento pela fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado). Relatório O presente processo trata de Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 09 a 13), referente ao exercício 2008, anocalendário 2007, tendo sido exigido um crédito tributário total de R$ 8.997,48, incluídos juros de mora e multa de mora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 16 32 /2 01 0- 11 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.721632/201011 Acórdão n.º 2202003.514 S2C2T2 Fl. 199 2 O lançamento acima foi decorrente da infração de Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte – glosa de compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, pleiteada indevidamente pela contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007. O motivo da glosa foi que a documentação apresentada foi insuficiente para verificar a efetiva retenção de valores a título de imposto de renda (sem contrato de locação, administração, títulos de propriedade etc.). Os valores glosados foram os seguintes: Fonte Pagadora Valor (R$) Iron Muscle Academia Ltda. 1.095,16 Golden Gool Locação Esportiva Ltda. 4.851,40 Inews Comércio de Jornais, Revistas e Periódicos Ltda. 195,90 Total 6.142,46 A Contribuinte foi cientificada da notificação em 29/11/2010, tendo apresentado impugnação de fls. 02/06, acompanhada de documentos, requerendo, inicialmente, a suspensão da exigibilidade do crédito impugnado. Alega que cumpriu rigorosamente com a legislação, conforme comprovam os documentos apresentados no Termo de Intimação Fiscal e juntados à impugnação. Afirma que os documentos apresentados comprovam que recebeu apenas rendimento líquido decorrente de aluguel, cumprindo literalmente o disposto no art. 7º, parágrafo único do Decreto Lei nº 1.642/1978. Argumenta que, apesar de solicitado, apenas algumas das fontes pagadoras lhe forneceram os comprovantes e alguns ainda com valor discrepantes dos realmente pagos e retidos, como por exemplo a fonte pagadora News Comercio de Jornais e Revista e Periódicos Ltda.. Acrescenta que a discrepância pode ser gerada pela diferença no regime de apuração de pessoa física e jurídica, sendo aquela de caixa e este de compensação. Sustenta que a glosa implica em locupletamento ilícito do locatário pessoa jurídica que é a fonte pagadora e tem a obrigação legal de recolhimento do tributo, bem como crime de apropriação indébita e contra a ordem tributária. Ressalta que entrou com ação de despejo por falta de pagamento cumulada com cobrança de aluguel e encargo contra a Golden Locação Esportiva Ltda. Ao final , requer a improcedência da notificação de lançamento. Foi solicitada diligência pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) DRJ/BEL , porém as fontes pagadoras não se pronunciaram. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.721632/201011 Acórdão n.º 2202003.514 S2C2T2 Fl. 200 3 A DRJ/BEL julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Mantémse a glosa se o contribuinte não comprovar, com documentação hábil e idônea, que a fonte pagadora efetuou a retenção do Imposto no valor informado na Declaração. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, cabendo ao contribuinte produzir as provas necessárias para justificar suas alegações. Cientificado dessa decisão em 06/07/2015, por via postal (A.R. de fl. 124), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 31/07/2015 (fls. 131 a 193), no qual repisa os argumentos da impugnação, acrescentando o seguinte: a intimação da empresa Golden Gool foi efetuada no endereço do qual ela já havia sido despejada; as intimações da Golden Gool e da Iron Muscle diziam respeito a outro processo; as fontes pagadoras não foram devidamente intimadas; não foi intimada do resultado da diligência, contrariando a solicitação da DRJ, o que implica cerceamento de defesa; a DRJ do Rio de Janeiro, analisando documentos idênticos, de fontes pagadoras idênticas, da mesma contribuinte, decidiu em seu favor, considerando comprovados os valores de IRRF compensados, relativos a outro anocalendário; Ao final, requer, preliminarmente, a anulação do procedimento administrativo e da decisão recorrida e, sucessivamente, pugna pela improcedência do auto de infração. Anexa ao recurso voluntário os documentos de fls. 155 a 193. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.721632/201011 Acórdão n.º 2202003.514 S2C2T2 Fl. 201 4 A Recorrente aponta algumas nulidades na decisão recorrida, porém, em conformidade com o art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), quando puder decidir do mérito a favor de quem se aproveitaria da declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 59. São nulos: [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Portanto, não serão apreciadas as alegações de nulidade da Recorrente. É de se ressaltar que o requisito necessário para que o contribuinte compense em sua declaração de ajuste anual o imposto retido na fonte é a sua efetiva retenção por parte da fonte pagadora, independentemente do efetivo recolhimento pela fonte pagadora. O Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, assim dispõe: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): [...] IV o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; [...] O Parecer Normativo nº 01, de 24/09/2002, da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB dispõe sobre a responsabilidade pelo recolhimento do imposto. IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. O argumento utilizado pela DRJ para não acatar as deduções dos valores de IRRF foi de que não foram anexados aos autos documentos emitidos pela fonte pagadora para comprovar o valor do imposto informado pela contribuinte como retido pelas fontes pagadoras, também não tendo sido anexado documentos que comprovassem o efetivo recebimento pela contribuinte dos valores de aluguéis constantes nos recibos anexados já com o desconto do imposto retido na fonte. Embora reconheça que o fato de a fonte pagadora descumprir sua obrigação de entregar DIRF não impede o contribuinte de compensar em sua declaração o imposto efetivamente retido pela fonte pagadora, a DRJ entendeu que a Contribuinte não trouxe Fl. 201DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.721632/201011 Acórdão n.º 2202003.514 S2C2T2 Fl. 202 5 documentos que demonstrem que recebeu rendimentos já com a retenção do imposto na fonte informada em sua declaração. Entendo que a Contribuinte não pode ser penalizada pelo fato de as empresas locatárias não terem cumprido com as suas obrigações tributárias, seja principais ou acessórias. Ressaltese também o fato de que a Fiscalização não teve o devido zelo para cumprir de forma efetiva a diligência solicitada pela DRJ no sentido de obter as informações das empresas, tendo se limitado a enviar as correspondências para os endereços cadastrais e não tendo sequer dado oportunidade à Fiscalizada de se pronunciar sobre a sua conclusão. Penso que a decisão da DRJ não está correta, pois se observa que a Contribuinte trouxe farta documentação para comprovar as suas alegações, relativas às locações de sua propriedade, tendo apresentado contrato de locação com as três fontes pagadoras, bem como documento de matrícula dos imóveis objeto de locação, além de ter declarado em sua Declaração de Ajuste Anual as correspondentes receitas de aluguéis. A Contribuinte também apresentou os recibos relativos aos recebimentos dos aluguéis das três empresas, referentes ao anocalendário de 2007. Às fls. 16/21 e 165/176 encontramse os recibos relativos aos recebimentos da empresa Iron Muscle Academia, onde se pode constatar a retenção na fonte do IRRF. Os recibos referentes aos recebimentos da empresa Golden Gool encontramse às fls. 22/25 e 177/181 e os recibos referentes à empresa Inews Com. de Jornais estão nas fls. 26/32 e 182/193, os quais demonstram os valores retidos de imposto de renda. Dessa forma, entendo como devidamente comprovados os valores de IRRF tidos como indevidamente compensados no lançamento de ofício, devendo, portanto, serem restabelecidos. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 202DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002389/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IRRF. RECOLHIMENTO. O momento da retenção do imposto de renda retido na fonte é a data da disponibilização dos valores ao contribuinte. No caso dos autos, os valores foram recebidos em duas partes e a primeira parte não fora oferecida à tributação, pois declarada pelo contribuinte como isenta na DIRPF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: tfd yutuyt
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 IRRF. RECOLHIMENTO. O momento da retenção do imposto de renda retido na fonte é a data da disponibilização dos valores ao contribuinte. No caso dos autos, os valores foram recebidos em duas partes e a primeira parte não fora oferecida à tributação, pois declarada pelo contribuinte como isenta na DIRPF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
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RECOLHIMENTO. O momento da retenção do imposto de renda retido na fonte é a data da disponibilização dos valores ao contribuinte. No caso dos autos, os valores foram recebidos em duas partes e a primeira parte não fora oferecida à tributação, pois declarada pelo contribuinte como isenta na DIRPF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 23 89 /2 00 9- 77 Fl. 343DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10855.002389/200977 Acórdão n.º 2401004.560 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso voluntário em face do acórdão 1747.584, da 4a. Turma da DRJ/SP2, que indeferiu o pedido de perícia e manteve o valor do imposto de renda retido na ação trabalhista conforme a autuação. O contribuinte busca aproveitar todo o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte em decorrência de ação trabalhista, valor esse que fora atualizado de R$ 61.407,91 para R$ 140.866,04. A autoridade fiscal considerou como IRRF o valor original (R$ 61.407,91). O recorrente embasa o recurso nos dois documentos relativos a controvérsia, a saber, a DIRF apresentada pelo Banco do Brasil(fl. 22) e também o Comprovante de Imposto de Renda determinado pela Justiça do Trabalho (cópia do arquivo da agência). Argumenta que o valor constante do acórdão recorrido referese ao valor inicial, não corrigido, à data de posicionamento do cálculo, ou seja, em 28.08.1998 e que o recebimento do crédito ocorreu em 2007, conforme a declaração de IRPF. A diferença de valores decorre da majoração ocorrida de 1998 até 2007. Mais ainda, o recorrente apresenta documento emitido pelo Banco do Brasil, à fls. 43 e 95 que comprovariam a retenção que pleiteia. Enfatiza que o indeferimento da perícia solicitada acarreta cerceamento de defesa do recorrente. Processo que retorna para julgamento após diligência cumprida para juntada de documentos, neste caso, a DIRPF do ano 2003, para comprovar o oferecimento dos rendimentos recebidos acumuladamente à tributação naquele ano. No caso, na DIRPF ac2003 do contribuinte foram declarados como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, item 5 da declaração, o valor de R$ 188.046,30. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF 4 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora Os valores da reclamatória trabalhista foram pagos em duas partes, conforme fls. 72 do processo, sendo a última parcela definitivamente julgada em 28/06/2007 (fls 75), muito embora a data do crédito tenha sido em 28/08/1998, cfe. fls. 77 dos autos. A forma de cálculo/pagamento do imposto de renda está explicitada no documento a fl.101 dos autos, com data de 26/02/1997, conforme a seguir: “Considero satisfatórios os esclarecimentos prestados pelo Sr. Perito. Face a concordância do reclamante, homologo os cálculos de fls. 230/331, fixando a condenacâo, atualizada até 01.02.97, no importe de R$194.626,48, incluídos os juros moratórios e excluído o valor devido ao INSS. Do montante acima deverá ser descontado o valor referente ao IRRF, cujo pagamento deverá ser comprovado nos autos pela reclamada quando do adimplemento da obrigação principal, sob pena de execução por quantia equivalente.”(grifei) O valor depositado pela reclamada foi de R$ 267.443,99 atualizado até 26/08/98. Esse valor, conforme documento a fl. 101 compreende os juros moratórios e também o IRRF. O valor relativo ao imposto de renda recolhido pela reclamada só foi repassado aos cofres públicos da União em 2007, conforme fl. 78 e seguintes dos autos. Observase que o total recebido na ação trabalhista, conforme documento à fls. 72 (numeração manual), datado de 20/04/2007 (a seguir reproduzido) compreende os valores pagos ao contribuinte diretamente(R$ 160.876,75 + R$21.296,10), recolhidos diretamente ao INSS por serem valores devidos pelo contribuinte (R$ 18.852,75) e recolhidos à Fazenda Nacional, por serem valores de IRRF devidos pelo contribuinte (R$ 61.407,91). Observase que na fl. 70 (numeração manual), o relatório do processo dá conta de que houve um depósito de R$267.443,99, em 25/08/1998, pela reclamada, valor este exatamente igual a soma dos valores recebidos pelo contribuinte na ação trabalhista. Reprodução de inserto da fl 72 dos autos: “Fls. 934 — Do numerário de fls. 727 liberese ao reclamante seu crédito remanescente no importe de R$21.296,10 (R$262.433,28 R$160.876,75 valor incontroverso liberado as fls. 891 — R$18.852,52 INSS — R$61.407,91 IR), ao Sr. Perito os seus honorários. O ficiese o Banco do Brasil, para proceder a transferência dos valores aos Orgãos, cód. 8045 IR e 2909 INSS. Findos, liberese a reclamada os depósito recursais constantes do principal, arquivandose os autos. São Paulo, 20/04/2007” Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10855.002389/200977 Acórdão n.º 2401004.560 S2C4T1 Fl. 4 5 Na fl. 79 dos autos está explícito o índice de reajuste desde 1997, época do depósito judicial pela reclamada, em 1,143114973. Não justifica que os valores relativos a INSS e pagos ao reclamante tenham um índice de reajuste, e a retenção do imposto de renda tenha outro muito superior, conforme quer o recorrente. Contudo a diligência específica foi conclusiva e o Banco confirmou o valor que teria sido recolhido a título de IRRF no caso da reclamatória trabalhista. O valor do imposto de renda foi retido pela fonte pagadora em 1998, quando a reclamada efetuou o depósito global. Em 2007 houve apenas o repasse dos valores retidos à fazenda pública. Assim, não houve pagamento adicional relativo ao imposto de renda. O valor informado na DIRF do Banco do Brasil como rendimento bruto só pode ser entendido se for considerado o valor de R$ 61.407,91 de imposto de renda, perfazendo o total de R$ 61.407,91+ R$ 201.025,37 como o total recebido pelo contribuinte (i.e. R$ 262.433,28). Foi efetuada diligência para questionar o Banco do Brasil e a 59a. Vara do Trabalho de São Paulo – Capital sobre os valores efetivamente recolhidos aos cofres públicos a título de retenção de imposto de renda na fonte relativamente à ação judicial. A diligência fora levada a efeito, documentos foram juntados aos autos e o contribuinte foi intimado do resultado da diligência e não se pronunciou. Conforme os cálculos informados pelo contribuinte ele teria recebido na ação trabalhista, em 2007, R$ 201.025,37 e teria como direito a IRRF o valor de R$ 140.866,04. No entanto a fiscalização teria considerado apenas o valor do IRRF sem a correção, de R$ 61.407,91. Conforme despacho acima, do valor devido fora retirado o IRRF. Tal IRRF (R$ 61.407,91) ficara retido no Banco do Brasil e sofreu reajustes até o final da sentença, quando foi definitivamente recolhido aos cofres públicos e aí sim, com juros e correção, o que resultou no valor de R$ 140.866,04. As informações bancárias obtidas na diligência especificam os valores recebidos na ação trabalhista, consignados na seguinte tabela: data resgate alvará valor corrigido (R$) valor sem correção (R$) responsável pelo levantamento 26/11/2003 9462003 268.637,56 160.876,75 Pedro Martins/ADVOGADO 22/06/2007 6342007 11.199,68 5.010,71 Hernani//PERITO 22/06/2007 6332007 42.190,19 18.852,52 Pedro/ADVOGADO 12/07/2007 6932007 47.798,05 21.296,05 José Marcondes 15/10/2007 O 1551/07 140.866,04 61.407,91 IR (corrigido, líquido) total 2007 242.053,96 106.567,19 O IRRF recolhido fora descontado do valor a receber na ação trabalhista em 2003, época em que fora feito o recolhimento ao Banco do Brasil. Assim, o valor recolhido teria englobado o débito de IRRF para todos os valores recebidos e a receber na reclamatória trabalhista. Observo também que na fl. 71, o valor de IRRF no percentual de 27,5 %, devido em 2003, seria R$ 61.767,91. Fl. 347DF CARF MF 6 Considerando que, conforme DIRPF do ano calendário 2003, juntada ao processo na diligência, o contribuinte não ofereceu a primeira parcela dos rendimentos recebidos na ação judicial em 2003, entendo que a autuação não merece reparos. Voto pelo não provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 348DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720792/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CRÉDITO PRESUMIDO IPI. EXTEMPORÂNEO. RESSARCIMENTO RECONHECIDO.
Inexiste na legislação aplicável uma disciplina específica para a forma de ressarcimento do crédito identificado de forma extemporânea. O meio encontrado pela Recorrente para solicitar o ressarcimento foi realizado em conformidade com a disciplina normativa, com a correção das informações e documentos pertinentes (DCP, LRAIPI e Pedido de Ressarcimento) e observando o prazo prescricional aplicável. Análise das Instruções Normativas n.º 313/2003, 419/2004 e 420/2004, quanto ao crédito presumido, e da Instrução Normativa n.º 460/2004, quanto ao pedido de ressarcimento, vigentes à época.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO IPI. EXTEMPORÂNEO. RESSARCIMENTO RECONHECIDO. Inexiste na legislação aplicável uma disciplina específica para a forma de ressarcimento do crédito identificado de forma extemporânea. O meio encontrado pela Recorrente para solicitar o ressarcimento foi realizado em conformidade com a disciplina normativa, com a correção das informações e documentos pertinentes (DCP, LRAIPI e Pedido de Ressarcimento) e observando o prazo prescricional aplicável. Análise das Instruções Normativas n.º 313/2003, 419/2004 e 420/2004, quanto ao crédito presumido, e da Instrução Normativa n.º 460/2004, quanto ao pedido de ressarcimento, vigentes à época. Recurso Voluntário Provido.
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CRÉDITO PRESUMIDO EXTEMPORÂNEO Recorrente AKL MADEIRAS LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO IPI. EXTEMPORÂNEO. RESSARCIMENTO RECONHECIDO. Inexiste na legislação aplicável uma disciplina específica para a forma de ressarcimento do crédito identificado de forma extemporânea. O meio encontrado pela Recorrente para solicitar o ressarcimento foi realizado em conformidade com a disciplina normativa, com a correção das informações e documentos pertinentes (DCP, LRAIPI e Pedido de Ressarcimento) e observando o prazo prescricional aplicável. Análise das Instruções Normativas n.º 313/2003, 419/2004 e 420/2004, quanto ao crédito presumido, e da Instrução Normativa n.º 460/2004, quanto ao pedido de ressarcimento, vigentes à época. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 92 /2 00 9- 43 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por trazer uma síntese clara e objetiva do processo, peço vênia para transcrever o relatório do voto do I. Conselheiro Relator Gilson Macedo Rosenburg Filho na Resolução n.º 3402000.522, na qual entendeu pela conversão do presente julgamento em diligência: "Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: 'Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação eletrônicos n° 38612.51616.301105.1.7.015641 (fls. 001/011), protocolado em 30/11/2005, n° 06305.06259.141106.1.3.012077 (fls. 012), protocolado em 14/11/2006, n° 26503.59546.120107.1.3.010731 (fls. 013/016), protocolado em 12/01/2007, e n° 02336.26224.201105.1.1.018053 (fls. 017/018), protocolado em 20/11/2005, por meio dos quais a contribuinte pretende compensar crédito no valor total de R$ 33.236,72, em débitos do estabelecimento. Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem sua origem em créditos de insumos, fundamentado no art. 11 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e em crédito presumido, com base na Lei 10.276, de 10 de setembro de 2001, referentes ao 2º trimestre de 2003. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau SC, que, em 07/12/2009, emitiu Despacho Decisório (fls. 073/074), no qual a autoridade competente reconheceu apenas em parte o crédito no valor de R$ 8.531,10 e homologou apenas em parte as compensações em virtude da apuração e da escrituração extemporâneas de parte do crédito presumido pleiteado. Cientificada do Despacho Decisório, em 11/12/2009 (fl. 077), a contribuinte ingressou, em 08/01/2010, com a manifestação de inconformidade de fls. 078/083 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. A diferença não reconhecida não se trata de crédito novo, mas de um complemento do crédito que já havia sido apurado. Tal diferença foi regularmente informada no momento em que foi identificada por meio das retificações correspondentes tanto do DCP como da declaração de compensação, tudo conforme as regras dos respectivos programas geradores. Assim, como o crédito original e o crédito complementar têm a mesma origem e não há razão para desvincular um do outro e, portanto, a justificativa utilizada pela fiscalização para indeferir o crédito não merece êxito, pois Fl. 221DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13971.720792/200943 Acórdão n.º 3402003.291 S3C4T2 Fl. 221 3 aplicase aos casos de apuração de crédito pela primeira vez e não de retificação, que é a situação presente. Conclui requerendo o reconhecimento do crédito integral, bem como o deferimento dos pedidos e a homologação das compensações vinculadas ao referido crédito.' A 8ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1434278, de 21 de junho de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: 'Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO EXTEMPORÂNEA. RESSARCIMENTO SUJEITO AO SALDO CREDOR DO TRIMESTRE– CALENDÁRIO DA ESCRITURAÇÃO. O crédito presumido extemporaneamente escriturado vinculase ao ressarcimento de eventual saldo credor do trimestecalendário de sua escrituração, não podendo ser incluído em ressarcimentos de períodos anteriores por não ter submetido ao aproveitamento prioritário na dedução de débitos de IPI.' Inconformado com a decisão proferida, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, onde alega, em brevíssima síntese, que: 1) A empresa desde o ano de 2003 até o ano de 2005, nunca teve saldo devedor de créditos de IPI, ou seja, apurou sim débitos de IPI em alguns períodos, porém sempre encerrou os períodos com saldo credor da contribuição (sic). Assim, não procede a afirmação do Fisco de que a contribuinte não teria utilizado primeiramente o crédito presumido do IPI para abater os débitos de IPI, uma vez que não havia deduções para realizar; 2) A diferença não reconhecida não se trata de crédito novo, mas de um complemento do crédito que já havia sido apurado. Tal diferença foi regularmente informada no momento em que foi identificada por meio das retificações correspondentes tanto do DCP como da declaração de compensação, tudo conforme as regras dos respectivos programas geradores. Assim, como o crédito original e o crédito complementar têm a mesma origem e não há razão para desvincular um do outro e, portanto, a justificativa utilizada pela fiscalização para indeferir o crédito não merece êxito, pois aplicase aos casos de apuração de crédito pela primeira vez e não de retificação, que é a situação presente; 3) Caso seja indeferido o direito do contribuinte ao ressarcimento integral do crédito do 2º trimestre de 2003, a recorrente estaria impossibilitada de fazer novo pedido de ressarcimento em face de prescrição quinquenal que já teria sucumbido o seu direito creditório, nos termos do art. 1 ° do Decreto n ° 20.910, de 06/01/32; 4) Em 31/01/2006, transmitiu outro pedido de ressarcimento referente ao 4º trimestre de 2005. Assim, caso a empresa tivesse optado por fazer um novo pedido de ressarcimento em 2005 com período do 4º trim/2005, estaria pedindo créditos em duplicidade. Termina a petição recursal requerendo o provimento do recurso para reconhecer o crédito integral referente ao 2º trimestre de 2003 no montante de R$ 33.230,72, bem como o deferimento do PER nº 02336.26224.301105.1.1.010853 e a homologação das compensações vinculadas ao referido crédito, sob nº Fl. 222DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 06305.06259.141106.1.3.012077 e nº 26503.59546.120107.1.3.010731." (fls. 188/190) Como mencionado, o julgamento foi convertido em diligência para que a Unidade de Origem identificasse informações não constante dos autos, quais sejam, "as datas das efetivas exportações ou vendas à comercial exportadora dos bens cujos custos dos insumos estão sendo incluídos na base de cálculo do incentivo fiscal previsto na Lei nº 10.276/2001." (fl. 190) Esta diligência se fez necessária diante do entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de que o sujeito passivo só poderá requisitar o ressarcimento do crédito presumido de IPI no trimestrecalendário seguinte à exportação ou à venda dos bens à comercial exportadora (momento no qual se adquire o direito ao crédito presumido). Em atendimento à diligência, após a apresentação das notas fiscais pela Recorrente, foi formulada a Informação Fiscal de fls. 211/212, nas quais foram trazidas as datas das efetivas exportações ou vendas a comercial exportadora, abaixo reproduzidas: Sem manifestação do sujeito passivo, os autos voltaram a esse CARF. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13971.720792/200943 Acórdão n.º 3402003.291 S3C4T2 Fl. 222 5 É o Relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Comprovada a tempestividade do Recurso Voluntário, passase à análise de suas razões. Antes, para uma devida compreensão do presente caso, essencial focar em alguns aspectos fáticos delineados pela fiscalização e pela Recorrente. Originariamente, a Recorrente transmitiu o Demonstrativo do Crédito Presumido do IPI DCP relativo ao 2º trimestre de 2003 com o valor total do crédito presumido de R$ 8.236,20. Este crédito foi registrado no livro Registro de Apuração do IPI e foi objeto do Pedido de Ressarcimento. Em novembro/2005 e antes da emissão do despacho decisório relativo ao pedido de ressarcimento, a Recorrente verificou equívoco em sua apuração do crédito presumido apurado naquele período, procedendo com a retificação do DCP para a indicar o valor total do crédito entendido como correto, no valor de R$ 32.941,82. Com essa retificação, o crédito complementar (de R$ 24.705,62) foi lançado no livro Registro de Apuração do IPI de novembro/2005 e foi apresentado o Pedido de Ressarcimento Retificador 02336.26224.301105.1.1.018053, substituindo o anteriormente emitido para a inclusão das notas fiscais correspondentes ao crédito complementar. Com a emissão do PER, o crédito foi estornado no LRAIPI de dezembro de 2005. Em análise dos créditos indicados no referido PER retificador, foi emitido o Despacho Decisório reconhecendo parcialmente o crédito pleiteado por entender que o crédito complementar não teria sido solicitado no trimestre calendário correto. No entendimento da fiscalização, este crédito complementar deveria compor o pedido de ressarcimento relativo ao 4º trimestre de 2005, momento da retificação do DCP e do LRAIPI quando, no entender fiscal, o crédito estaria disponível para ressarcimento. Vejamos o exato fundamento para a glosa no despacho decisório: "Analisando o Livro Registro de Apuração do IPI n° 14 (LRAIPI n° 14), no qual constam os registros do ano calendário 2003, vemos que ao longo dos meses de abril, maio e junho a interessada fez três lançamentos um em cada mês na rubrica "outros créditos, especificando tratarse de crédito presumido, cujos valores são respectivamente R$ 3.308,96, R$ 2.865,69 e R$ 2.061,55, o que totaliza R$ 8.236,20. O restante do valor do crédito presumido por ela demonstrado no DCP do 2º trimestre de 2003 R$ 24.705,62 foi escriturado apenas no mês de novembro de 2005 (fl. 46 do LRAIPI n.º 16). Considerando o momento da escrituração desta parcela do crédito presumido apurado no 2º trimestre de 2003, temse que eles devem compor o montante de crédito de IPI apurado ao longo do 4º trimestre de 2005. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 6 A interessada incorreu em um equívoco quanto ao conceito "período de apuração" do credito de IPI objeto de Pedido de Ressarcimento . Uma vez que no que tange ao detalhamento do crédito de IPI objeto de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação, o conceito "período de apuração" indica o trimestrecalendário da escrituração do crédito, e não necessariamente trimestre calendário em que se deu o fato gerador do acúmulo dos referidos créditos. Tanto que a interessada só conseguiu gerar um documento que incluído no valor de crédito passível de ressarcimento para o 2º trimestre de 2003 o valor integral do crédito presumido informado no DCP do 2º trimestre de 2003, porque ela, no documento que detalha o crédito (PER/DCOMP n° 38612.51616.301105.1.7.01 5641) informou que escriturou no 3º decêndio de junho de 2003, crédito presumido decorrente das operações de exportação do mês de junho de 2003, no valor de R$ 32.941,82" (fl. 93 grifei) Assim, o único fundamento para a glosa foi o aparente equívoco quanto ao momento da disponibilidade do crédito: entendeu a fiscalização que o crédito somente estaria disponível no 4º trimestre de 2005, momento de sua escrituração no Livro de IPI (em decorrência da retificação dos cálculos) e não no 2º trimestre de 2003, momento da efetiva apuração do crédito. Como se depreende desse histórico, traçado pela própria fiscalização no Despacho Decisório, constatase que o presente caso difere de outros muito mais complexos que já foram analisados por este Conselho, vez que a discussão travada não abrange o valor do crédito apurado ou mesmo a sua validade diante dos requisitos legais. A lide se cinde em verificar qual é o período de apuração correto para o ressarcimento de créditos presumidos das Leis n° 9.363/1996 e n° 10.276/2001, apurados de forma extemporânea: aquele no qual foi feita a escrituração no Livro de IPI e no DCP retificador (4º trimestre de 2005, no entendimento da fiscalização e da decisão de primeira instância) ou aquele aos quais os créditos presumidos se referem (2º trimestre de 2003, no entendimento da Recorrente). E entendo que tem razão a Recorrente. Senão vejamos. Os artigos 4º a 6º da Lei n.º 9.363/1996 garantem o ressarcimento em dinheiro dos valores do crédito presumido de IPI que não for utilizado na apuração deste imposto pelo contribuinte exportador. Referida disciplina legal, igualmente aplicável ao crédito presumido apurado na forma da Lei n.º 10.276/2001 (art. 1º, §5º)1, expressa: "Art. 4º Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. Parágrafo único. Na hipótese de crédito presumido apurado na forma do § 2º do art. 2º, o ressarcimento em moeda corrente será efetuado ao estabelecimento matriz da pessoa jurídica. 1 "Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996." Fl. 225DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13971.720792/200943 Acórdão n.º 3402003.291 S3C4T2 Fl. 223 7 Art. 5º A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1o, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente. Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador" (grifei) A disciplina normativa mencionada no art. 6º acima transcrito foi trazida pela Instrução Normativa n.º 313/2003, vigente à época dos fatos que deram ensejo ao crédito, e pelas Instruções Normativas n.º 419/2004 (quanto ao crédito da Lei n.º 9.363/1996) e n.º 420/2004 (quanto ao crédito da Lei n.º 10.256/2001), vigentes à época da retificação da apuração do crédito: · Instrução Normativa n.º 313/2003 "Art. 18. A utilização do crédito presumido darseá: I primeiramente, pela dedução do valor do IPI devido pelas operações no mercado interno do estabelecimento matriz da pessoa jurídica; II a critério do estabelecimento matriz da pessoa jurídica, o saldo resultante da dedução descrita no inciso I poderá ser transferido, no todo ou em parte, para outros estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, da mesma pessoa jurídica; III não existindo os débitos de IPI referidos no inciso I ou remanescendo saldo credor após o aproveitamento na forma dos incisos I e II, é permitida a utilização, de conformidade com as normas sobre ressarcimento em espécie e compensação previstas em ato específico da SRF, a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido: a) escriturado no livro Registro de Apuração do IPI, caso se trate de matriz contribuinte do imposto; ou b) apurado, caso se trate de matriz não contribuinte do IPI. § 1º A utilização do crédito presumido de conformidade com o disposto nos incisos I e II poderá se dar ao final do mês em que foi apurado. § 2º O crédito presumido do IPI somente poderá ser utilizado na forma prevista no inciso III, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado o referido crédito, do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) relativo ao trimestrecalendário de sua apuração." (grifei) · Instrução Normativa n.º 419/2004 "Art. 18. A utilização do crédito presumido darseá: I primeiramente, pela dedução do valor do IPI devido pelas operações no mercado interno do estabelecimento matriz da pessoa jurídica; II a critério do estabelecimento matriz da pessoa jurídica, o saldo resultante da dedução descrita no inciso I poderá ser transferido, no todo ou em parte, para outros estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, da mesma pessoa jurídica; III não existindo os débitos de IPI referidos no inciso I ou remanescendo saldo credor após o aproveitamento na forma dos incisos I e II, é permitida a utilização Fl. 226DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 8 de conformidade com as normas sobre ressarcimento em espécie e compensação previstas em ato específico da SRF: a) a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido escriturado no livro Registro de Apuração do IPI, caso se trate de matriz contribuinte do imposto; ou b) a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido apurado, caso se trate de matriz não contribuinte do IPI. § 1º A utilização do crédito presumido de conformidade com o disposto nos incisos I e II poderá se dar ao final do mês em que foi apurado. § 2º O crédito presumido do IPI somente poderá ser utilizado na forma prevista no inciso III, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado o referido crédito, do demonstrativo do crédito presumido (dcp) relativo ao trimestrecalendário de sua apuração." (grifei) · Instrução Normativa n.º 420/2004 "Art. 22. A utilização do crédito presumido darseá: I primeiramente, pela dedução do valor do IPI devido pelas operações no mercado interno do estabelecimento matriz da pessoa jurídica; II a critério do estabelecimento matriz da pessoa jurídica, o saldo resultante da dedução descrita no inciso I poderá ser transferido, no todo ou em parte, para outros estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, da mesma pessoa jurídica; III não existindo os débitos de IPI referidos no inciso I ou remanescendo saldo credor após o aproveitamento na forma dos incisos I e II, é permitida a utilização de conformidade com as normas sobre ressarcimento em espécie e compensação previstas em ato específico da SRF, a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido: a) escriturado no livro registro de apuração do IPI, caso se trate de matriz contribuinte do imposto; ou b) apurado, caso se trate de matriz não contribuinte do IPI. § 1º A utilização do crédito presumido de conformidade com o disposto nos incisos I e II poderá se dar ao final do mês em que foi apurado o crédito presumido. § 2º O crédito presumido do IPI somente poderá ser utilizado na forma prevista no inciso III, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado o referido crédito, do DCP relativo ao trimestrecalendário de sua apuração." (grifei) É possível depreender que a disciplina trazida pelos três diplomas normativos é idêntica quanto à possibilidade de ressarcimento do crédito presumido, exigindo, em se tratando de matriz contribuinte do IPI, que: 1) exista saldo credor de IPI no período / inexista débito de IPI; 2) o pedido de ressarcimento seja apresentado na forma exigida pelas normativas da Receita (à época, a Instrução Normativa n.º 460/2004); 3) o pedido de ressarcimento seja formulado a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido escriturado no livro registro de apuração do IPI; e 4) tenha sido entregue o DCP relativo ao trimestrecalendário de sua apuração. Sem se atentar para o fato que o presente caso envolve uma identificação extemporânea de crédito, a decisão de primeira instância se ateve com veemência na exigência Fl. 227DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13971.720792/200943 Acórdão n.º 3402003.291 S3C4T2 Fl. 224 9 indicada no item 3 acima, mantendo o entendimento no sentido de que o crédito presumido (cuja validade não foi rebatida, frisese novamente) deveria ter sido solicitado no primeiro dia subseqüente ao 4º trimestrecalendário de 2005, vez que o crédito foi escriturado no livro de apuração de novembro/2005: "No entanto, a parcela complementar do crédito presumido referente aos meses do 2º trimestre de 2003 somente está disponível para ressarcimento se implementadas duas condições, nos termos do art. 18 da IN SRF n.º 313/2003: 1. escrituração no RAIPI, para disponibilização desse crédito a eventual dedução de débitos do trimestrecalendário da escrituração; e 2. entrega do DCP em que esteja registrado o valor do crédito presumido apurado. Essas duas condições somente foram implementadas em novembro de 2005, com a escrituração da parcela complementar do crédito presumido e com a retificação do DCP original. Portanto, somente a partir do primeiro dia do trimestrecalendário seguinte, esse valor estaria disponível para ressarcimento referente ao 4º trimestre de 2005. Logo, não é possível incluílo em um pedido de ressarcimento referente ao 2º trimestre de 2003." (fl. 125) Entretanto, com grande respeito ao entendimento trazido na primeira instância, ele não merece prevalecer. Ora, todas as exigências normativas acima elencadas foram devidamente observadas pela Recorrente quando da elaboração do primeiro pedido de ressarcimento, elaborado em outubro/2003, como atestado pela própria fiscalização. Foi, inclusive, observado o prazo para a formulação do pedido, a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestre calendário em que o crédito presumido foi escriturado no livro registro de apuração do IPI. Contudo, após o transcurso de mais de 2 anos, em novembro/2005, a Recorrente verificou que teria deixado de indicar créditos válidos na escrituração do livro e, observando o prazo prescricional de 5 anos contados da exportação/entrega para comercial exportadora, na forma do Decreto n.º 20.910/322, procedeu com a retificação da documentação pertinente para identificar os créditos presumidos complementares. Por se tratar de crédito de período pretérito, e inexistindo na legislação uma tratativa específica dessa situação, a Recorrente se utilizou das formas previstas nos próprias normas da Secretaria da Receita Federal para evidenciar o crédito e sua validade, procedendo com a retificação: (i) do DCP relativo ao 2º trimestre de 2003. A retificação do DCP é autorizada por seu programa gerador e pelas Instruções Normativas que tratam do crédito presumido sob análise. De fato, a única hipótese de vedação de retificação é trazida no art. 2º da IN n.º 420/20043, quanto à escolha da alternativa de apuração do crédito presumido da Lei n.º 10.276/2001. Por sua vez, todas as Instruções Normativas trazem previsão expressa quanto à exigência de retificação do DCP na hipótese do contribuinte verificar a 2 Aplicável à hipótese conforme Parecer Normativo CST n.º 515/1971 3 "Art. 2º A opção pelo regime alternativo de que trata esta Instrução Normativa abrangerá: I todo o anocalendário; II o período remanescente do anocalendário, na hipótese de exercício quando do início de atividades da pessoa jurídica. Parágrafo único. Não será admitida a retificação da opção de que trata o caput." Fl. 228DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 10 ocorrência de fato futuro que o impediria de apurar o crédito presumido (art. 35, IN n.º 313/20034, art. 37 da IN n.º 419/20045 e art. 41 da IN n.º 420/20046). (ii) da informação no Livro de Registro de Apuração do IPI. Uma vez que inexistia à época a possibilidade de retificação do Livro de Apuração de IPI, o registro do crédito presumido foi realizado no campo de observação do LRAIPI do mês quando identificou o equívoco na apuração (novembro/2005), com o correspondente estorno do crédito em dezembro/2005; (iii) do Pedido de Ressarcimento formulado quanto ao 2º trimestre de 2003, conforme autorizado pelos artigos 55 a 60 da IN n.º 460/2004 vigente à época da retificação. O pedido retificador, analisado pela fiscalização, relacionou todas as notas fiscais objeto do pedido (sejam aquelas que foram inicialmente indicadas no Livro de Apuração, sejam aquelas objeto da retificação incorrida em novembro/2005). E, na diligência realizada, a Recorrente apresentou todas as notas fiscais que respaldaram o crédito extemporâneo. Exatamente com fulcro nessas notas, a fiscalização conseguiu identificar todas as datas das efetivas exportações/vendas para as comerciais exportadoras, demonstrando, por conseguinte, o adimplemento de todas as condições legais e normativas necessárias ao gozo do crédito presumido, inclusive do prazo prescricional. Insta novamente frisar que a fiscalização em qualquer momento refutou a validade dos créditos presumidos, aduzindo, apenas, que o momento para o seu pleito estaria equivocado. Entretanto, o dispositivo legal no qual se respalda a fiscalização e a decisão de primeira instância não é aplicável ao presente caso por se tratar de hipótese distinta: de crédito presumido identificado em momento posterior ao período de apuração. Ora, inexistindo na legislação aplicável qualquer disciplina específica para esse crédito identificado de forma extemporânea, vislumbrase que o meio encontrado pela Recorrente para solicitar o ressarcimento do crédito presumido extemporâneo foi realizado em conformidade com a disciplina normativa, com a correção das informações e documentos pertinentes (DCP, LRAIPI e Pedido de Ressarcimento) e observando o prazo prescricional aplicável. Assim, inexiste razão para o não reconhecimento do crédito. 4 "Art. 35. No caso em que a pessoa jurídica esteja submetida ao regime de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep de conformidade com o disposto nos arts. 1º a 6º da Lei nº 10.637, de 2002, e que, durante o trimestre de apuração do crédito presumido verifique a ocorrência de fato que impeça a utilização desse regime, deverá retificar as informações relativas à apuração do crédito presumido de todo o trimestrecalendário, inclusive no Livro Registro de Apuração do IPI, ainda que já tenha ocorrido o aproveitamento de parte desses créditos para dedução do valor do IPI devido em operações no mercado interno." 5 "Art. 37. No caso em que a pessoa jurídica esteja submetida ao regime nãocumulativo de apuração do PIS/Pasep e da Cofins e que, durante o trimestre de apuração do crédito presumido, verifique a ocorrência de fato que impeça a utilização desse regime, deverá retificar as informações relativas à apuração do crédito presumido de todo o trimestrecalendário, inclusive no Livro Registro de Apuração do IPI, ainda que já tenha ocorrido o aproveitamento de parte desses créditos para dedução co valor do IPI devido em operações no mercado interno. Parágrafo único. Caso já tenha sido entregue o DCP relativo ao trimestre de ocorrência do fato, a retificação de que trata o caput deverá ser informada em DCP retificador." 6 "Art. 41. No caso em que a pessoa jurídica esteja submetida ao regime nãocumulativo de apuração do PIS/Pasep e da Cofins e que, durante o trimestre de apuração do crédito presumido, verifique a ocorrência de fato que impeça a utilização desse regime, deverá retificar as informações relativas à apuração do crédito presumido de todo o trimestrecalendário, inclusive no Livro Registro de Apuração do IPI, ainda que já tenha ocorrido o aproveitamento de parte desses créditos para dedução do valor do IPI devido em operações no mercado interno." Fl. 229DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13971.720792/200943 Acórdão n.º 3402003.291 S3C4T2 Fl. 225 11 E aqui é importante salientar as incongruências do raciocínio proposto no Despacho Decisório e na decisão de primeira instância: se o contribuinte tem prazo prescricional em curso para o aproveitamento do seu crédito, qual a razão para a esperar até o primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário de escrituração do crédito, relativo à período pretérito, para aproveitar o crédito? Além disso, se já possuía pedido de ressarcimento sob análise e sem decisão administrativa, porque não poderia retificar seu pedido para devidamente incluir, com fulcro em DCP retificada, os valores pertinentes de crédito? Não há qualquer dispositivo legal que vede o procedimento adotado, afastado pela fiscalização. O aproveitamento de crédito extemporâneo pelos contribuintes passíveis de serem beneficiados pelo crédito presumido é plenamente aceito pela Secretaria da Receita Federal nas soluções de consulta abaixo, que trazem como exigência, apenas, a retificação da documentação suporte (DCP/DCTF) e a observância do prazo prescricional de 5 anos do Decreto n.º 20.910/32, ambos observados no presente caso: "ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO EXTEMPORÂNEAS. RETIFICAÇÃO DE DCTF ANTES DA UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a multa prevista no art. 30 da IN SRF nº 419, de 2004, quando a pessoa jurídica que faça jus a créditos presumidos do IPI, não os tendo apurado nem utilizado, por qualquer forma, procede à revisão das correspondentes DCTF, apresentadas originalmente dentro do prazo, para apurar e utilizar créditos presumidos referentes a períodos em que as informações a eles relativas deviam ser prestadas nessa declaração, respeitado o prazo decadencial de 5 anos, contados da data da realização das exportações que tenham originado o direito ao benefício fiscal, e atendidas todas as obrigações acessórias estabelecidas na legislação pertinente." (Solução de Consulta n.º 267 de 12 de Agosto de 2004 grifei) "ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO EXTEMPORÂNEAS. DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO PRESUMIDO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA . APLICABILIDADE. A pessoa jurídica produtoraexportadora pode, respeitado o prazo prescricional, utilizar o crédito presumido a que faz jus em qualquer tempo, devendo observar, entretanto, que, a partir do momento que o utilize, tornase obrigada à apresentação do Demonstrativo do Crédito Presumido(DCP), inclusive daqueles relativos a períodos anteriores à utilização do crédito presumido, sendo de se observar os prazos para entrega do referido demonstrativo, o qual tem início a partir do trimestre da utilização do respectivo crédito presumido. A multa por falta de entrega do DCP tornase devida a partir da utilização do crédito presumido, por qualquer forma, desde que não sejam observados os prazos de entrega, contados a partir da referida utilização. A versão do Programa Gerador da DCP a ser utilizada é a disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br. Atualmente o Programa DCP 1.1 permite ao declarante o preenchimento, validação do conteúdo e gravação do Demonstrativo do Crédito PresumidoDCP, para entrega à SRF, de informações relativas à apuração do Crédito Presumido de IPI a partir do 4º trimestre de 2002." (Solução de Consulta n.º 120 de 02 de Abril de 2007 grifei) Fl. 230DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 12 Acrescese ainda o fato que a Recorrente não possuiu qualquer débito de IPI no período sob análise, como se depreende dos Livros de Apuração acostados aos presentes autos, autorizando o seu ressarcimento quando comprovada a validade do crédito presumido. Assim, sendo válido o crédito presumido (como reconhecido pela fiscalização) e inexistindo qualquer vedação normativa para o seu ressarcimento no 2º trimestre de 2003, período de apuração ao qual se refere (único fundamento para a glosa pela fiscalização), entendo que ele deve ser integralmente reconhecido para a correspondente homologação das compensações vinculadas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a integralidade do crédito presumido glosado. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 231DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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