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Numero do processo: 10665.901726/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Inexistindo crédito capaz de suportar a compensação declarada, de considerá-la como não homologada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-002.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Inexistindo crédito capaz de suportar a compensação declarada, de considerá la como não homologada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório O presente processo trata de Declarações de Compensação de débitos nos valores de R$ 43.565,76, R$ 13.998,40 e R$ 152.461,55, todas as três efetuadas mediante o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 17 26 /2 01 0- 81 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 aproveitamento de alegado crédito de IPI (ressarcimento do saldo credor apurado com base na Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999) do 4º trimestre de 2006. O Despacho Decisório da DRF em DivinópolisMG homologou apenas a primeira das três compensações, no valor de R$ 43.565,76, sob o argumento de que não haveria crédito em montante suficiente para tanto, a teor do levantamento realizado pela fiscalização constante do processo nº 10665.001722/201000 e reproduzido neste processo. Na Manifestação de Inconformidade a interessada pugnou pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário até que seja proferida decisão em definitivo no referido processo que tratou da revisão de seu saldo credor e que resultou na lavratura de auto de infração. Juntou cópia da impugnação apresentada contra o referido lançamento no processo nº 10665.001722/201000. Despacho monocrático do Presidente da 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de ForaMG determinou a devolução do processo à DRF em Divinópolis para que essa Unidade avaliasse a possibilidade de revisão de seu Despacho Decisório no sentido de não reconhecer a totalidade do direito creditório postulado e não homologar as compensações dos débitos contidos nas Dcomp que especificou. Referido despacho da DRJ invocara a regra contida no art. 20 da IN SRF nº 600, de 28/12/2005, reproduzida no art. 25 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008, segundo a qual “É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação de exigência de crédito de IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido.” A DRF em Divinópolis, por sua vez, não acatou a recomendação da instância julgadora e não procedeu a nenhum reparo em seu Despacho Decisório por entender que o comando dado pelo artigo 25 da IN SRF 600, de 2006, aplicarseia somente aos casos em que a discussão administrativa antecedesse ao pedido de ressarcimento, o que não é o caso. A 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de ForaMG manteve então os termos do Despacho Decisório de indeferimento em decisão que insistiu na necessidade de aplicação daquela regra contida no art. 25 da IN SRF 600, de 2006. No Recurso Voluntário a Recorrente argumentou que o dispositivo invocado pela DRJ somente poderia ser aplicado no caso de o processo judicial ou administrativo ser anterior à data das compensações, sob pena de violação da regra contida no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Entende a Recorrente que, em o crédito tendo sido apurado no momento da compensação pelo contribuinte e não pelo Fisco, e, ainda, que referido crédito fora estornado na escrita fiscal por determinação infralegal, não haveria de se glosar o que não mais existe. Considera também a Recorrente que o referido dispositivo invocado pela instância de piso não encontraria previsão no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, o que lhe daria a característica de ilegalidade por prever hipótese negativa sumária de recurso onde o Decreto que regula o processo administrativo não prevê. Para ela, estaria havendo violação do princípio da segurança jurídica por se invocar fato posterior que, obviamente, a seu ver, não tinha ciência à época da realização da compensação. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10665.901726/201081 Acórdão n.º 3401002.002 S3C4T1 Fl. 3 3 Por fim, em face das circunstâncias, defende que haja o sobrestamento do julgamento do processo e não o indeferimento sumário da manifestação de inconformidade. No essencial, é o Relatório. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Cientificada da decisão da DRJ em 09/04/2012, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 09/05/2012, portanto, de forma tempestiva. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. A Recorrente tem razão quando contesta o indeferimento sumário do reconhecimento de seu crédito e, consequentemente, da não homologação de todas as suas compensações. Ora, a regra contida no caput dos artigos 20 e 25, respectivamente, das instruções normativas da SRF de nºs. 600, de 2005 e 900, de 2008, invocado pela DRJ, segundo a qual “É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente à pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido.”, à evidência não se aplica ao presente caso, uma vez que o procedimento de fiscalização foi deflagrado justamente para que a Autoridade Tributária tivesse a certeza da existência dos saldos credores informados nos pedidos de ressarcimento e, dessa forma, homologasse as compensações declaradas. Referido procedimento de fiscalização, aquele consubstanciado por meio do processo administrativo nº 10665.001722/201000, por certo, baseouse noutra regra, contida nos artigos 19 e 65, respectivamente, das referidas instruções normativas 600, de 2006 e 900, de 2008, a seguir reproduzidos: Art. 19. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação, pelo estabelecimento que escriturou referidos créditos, do livro Registro de Apuração do IPI correspondente aos períodos de apuração e de escrituração (ou cópia autenticada) e de outros documentos relativos aos créditos, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal no estabelecimento da pessoa jurídica a fim de que seja verificada a exatidão das informações prestadas. Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Além disso, o parágrafo único dos mencionados artigos 20 e 25 das referidas IN SRF nºs. 600, de 2006 e 900, de 2008, estabelecem que “Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob penas da lei, de que a pessoa jurídica não se encontra na situação mencionada no caput.” Mas, no presente caso, a tal “situação mencionada no caput” [existência de processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão Fl. 276DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10665.901726/201081 Acórdão n.º 3401002.002 S3C4T1 Fl. 4 5 definitiva, na esfera administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido] só veio a ocorrer após a entrega dos vários PER/Dcomp, de modo que, repito, não há que se falar naquele indeferimento sumário a que se referem os tais artigos 20 e 25 das duas instruções normativas acima citadas consoante defendeu a instância de piso em seu voto. Conforme relatado, naquele processo administrativo nº 10665.001722/2010 00, a auditoria fiscal detectou infrações à legislação do IPI que resultaram na reconstituição de ofício da escrita fiscal do contribuinte, inserindo débitos e glosando créditos, de sorte que os saldos credores originais apurados não foram reconhecidos pelo Fisco. Resta bastante claro, portanto, que a auditoria fiscal que culminou na lavratura do auto de infração nada mais é do que o resultado da apreciação dos pedidos de ressarcimento dos saldos credores, caracterizandose, portanto, uma relação indissociável entre ambos os procedimentos [PER/Dcomp e auto de infração]. Na sessão de 25 de setembro de 2012, por meio do Acórdão nº 3401001.946, esta Turma, por unanimidade de votos, referendou integralmente os procedimentos do Fisco relacionados à mencionada reconstituição dos saldos credores da interessada, de maneira que somente os saldos credores ali apurados é que podem ser utilizados em procedimento de compensação. Para o presente processo o Fisco informou que não há saldo credor suficiente para suportar as compensações nos valores de R$ 13.998,40 e R$ 152.461,55. Voto, pois, por negar provimento ao Recurso. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 277DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13839.902417/2008-63
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA.
Não comprovada, na fase recursal, a certeza e liquidez do crédito, mantém-se a decisão recorrida que, pelo mesmo motivo, não homologou a compensação declarada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Não comprovada, na fase recursal, a certeza e liquidez do crédito, mantémse a decisão recorrida que, pelo mesmo motivo, não homologou a compensação declarada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 24 17 /2 00 8- 63 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro grau, transcrevo a seguir o relatório nele encartado: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP nº 36822.00483.220906.1.7046609, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior (Darf código 8109, período de apuração 06/2000, data arrecadação 24/09/2004, valor total R$ 147.577,00). A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 147.577,00 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO, a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 20/08/2008, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 11/09/2008, alegando que possui o crédito pleiteado, o qual somente não teria sido reconhecido em decorrência de alguns equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias. Relata: 7. No mês de junho de 2000 a REQUERENTE apurou PIS a recolher no montante de R$ 77.761,55, o qual foi quitado mediante compensação com o crédito que a REQUERENTE Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.902417/200863 Acórdão n.º 3802001.304 S3TE02 Fl. 11 3 detinha a título de ressarcimento de IPI, conforme se verifica da documentação acostada aos autos; 8. Após isso, no mês de setembro de 2004, tendo em vista a exigência do valor referente a junho/2004 (sic) pela Administração Tributária, uma vez que a compensação ainda estava pendente de homologação, a REQUERENTE quitou novamente o mesmo tributo mediante o pagamentos dos seguintes valores: [...] 9. É importante destacar que a REQUERENTE imaginou, à época, que o DARF relacionado ao recolhimento mencionado continha equívoco no preenchimento, razão pela qual, em 08/10/2004, emitiu REDARF solicitando a troca do CNPJ inicialmente informado (57.010.662/0001 60) para o CNPJ nº 55.121.438/000110 (pertencente a outra empresa do Grupo Societário). 10. Após isso, verificando que o CNPJ inicial era realmente o correto, preencheu novo REDARF para fazer constar, desta vez, o seu CNPJ (57.010.662/000160). 11. No entanto, acredita a REQUERENTE que este último REDARF não foi processado pelos sistemas da Administração Tributária, justamente em razão da não homologação de seu pedido de compensação. Prosseguindo. 12. Naquele mesmo ano, ao comparecer ao Centro de Atendimento ao Contribuinte, o Representante Legal da REQUERENTE foi informado, verbalmente, de que a compensação realizada no ano 2000 havia sido homologada pela Administração Tributária. 13. Em razão disso, tendo em vista o recolhimento efetuado em 24 de setembro de 2004, a REQUERENTE passou a ser detentora de créditos para com a Administração Tributária, razão pela qual apresentou o PER/DCOMP em foco. 14. Ocorre que ao emitir a PER/DCOMP supracitada, por meio da qual utilizou o valor recolhido em 2004, acrescido de multa e juros, a REQUERENTE informou a data incorreta de arrecadação, razão pela qual, acredita a REQUERENTE, não houve o adequado cruzamento de dados por parte do Fisco. 15. Deveras, ao invés de mencionar a data de recolhimento como sendo 24/09/2004, a REQUERENTE, em sua PER/DCOMP, informou como data de arrecadação a data de 24/06/2004, razão pela qual realizou a competente retificação da PER/DCOMP (Doc. 03), considerada pela Administração Tributária. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 16. Vêse, portanto, que o Fisco desconsiderou o último REDARF apresentado, o que ensejou a não localização do recolhimento nos sistemas da SRF, que deixou de reconhecer o valor recolhido como passível de restituição. Acrescenta que somente com a ciência do Despacho em tela é que verificou o efetivo motivo do não conhecimento de seu crédito. Entretanto, a verificação dos aludidos erros de preenchimento da DCOMP e do não afasta a existência inequívoca de seu crédito. Cita jurisprudência administrativa e judicial que corroborariam seu entendimento. Aduz, por fim, que não há prejuízo ao Fisco; ao contrário, não lhe permitir utilizar tal crédito configuraria enriquecimento ilícito do Erário. Em 10/03/2011, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 08/04/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que saldo de crédito disponível, no valor de R$ 147.443,74, erroneamente vinculado ao CNPJ nº 55.121.438/000110, pertencente a pessoa jurídica Incorporada, poderia e deveria por ela ser compensado, pois, nos termos do art. 227 da Lei nº 6.404, de 1976, fazia jus ao referido credito. Aduziu ainda que o princípio da verdade material deverseia sobrepor a qualquer equívoco cometido no cumprimento das obrigações acessórias, logo, meros erros de preenchimento de declaração não poderiam tolher o seu direito à compensação da quantia paga a maior, sob pena de patente enriquecimento ilícito do Erário. Em 10/08/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de março de 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro, em conformidade com o disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite de alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme consignado no contestado Despacho Decisório (fl. 63), a não homologação da compensação em tela decorreu do fato de não ter sido localizado nos sistemas da Administração Tributária o pagamento (Darf) com os dados informados na presente DComp. No presente Recurso, a Interessada informou que o pagamento (Darf) informado na DComp fora objeto de dois Pedidos de Retificação de Darf – Redarf (58/59). No primeiro, com data de 08/10/2004, o nº do CNPJ originalmente indicado no Darf, que era o da própria Recorrente (57.010.662/000160), foi alterado para o CNPJ de nº 55.121.438/000110, pertencente a outra pessoa jurídica do mesmo grupo societário e que foi por ela incorporada em 30/11/2000 (fl. 82). No segundo, protocolado em 27/10/2004, foi pedido o restabelecimento do Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.902417/200863 Acórdão n.º 3802001.304 S3TE02 Fl. 12 5 nº do CNPJ original (57.010.662/000160), porém, segundo os extratos de fls. 71/72, esta nova retificação não foi processada no âmbito dos sistemas da Receita Federal, consequentemente, o referido pagamento (Darf) continua vinculado ao CNPJ de nº 55.121.438/000110, o que motivou a não localização do mencionado pagamento e, em face da inexistência do crédito informado, a não homologação da compensação em apreço. Por sua vez, embora tenha confirmado que o saldo do crédito vinculado ao referido pagamento (Darf), no valor total de R$ 147.443,74, estivesse disponível para utilização, a Turma de Julgamento de primeiro grau manteve a não homologação da compensação em tela, sob a alegação de que a Recorrente não havia demonstrado a certeza e a liquidez do crédito informado na presente DComp, com base nos seguintes argumentos: a) a Recorrente havia declarado ter apurado débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2000, no valor de R$ 168.904,87, do qual R$ 165.523,45 foram informados como compensados com créditos de ressarcimento de IPI (processo nº 13601.000245/0019), porém, esta compensação não foi integralmente deferida, pois, conforme extratos de fls. 79/81, parte do débito compensado, no valor de R$ 117.296,91, foi enviada à PGFN e inscrita em Dívida Ativa da União (processo nº 13839.500940/200778) em 26/10/2007; e b) a Interessada havia juntado aos autos (fls. 61/62) cópia do Demonstrativo de Débito Apurado e Creditos Vinculados da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2000, relativo à DCTF apresentada pela pessoa jurídica incorporada (CNPJ nº 55.121.438/000110), com os seguintes valores: a) débito apurado no valor de R$ 77.830,86; e b) créditos vinculados a (i) outras compensações e deduções, no valor de R$ 77.761,55 (processo nº 10880.010681/0019) e (ii) exigibilidade suspensa, no valor de R$ 69,31. Entretanto, não havia constado dos autos qualquer documento relativo a eventual deferimento da referida compensação. Em suma, de acordo com os fundamentos fáticos aduzidos pela Turma de Julgamento de primeiro instância, nem a Recorrente nem a pessoa jurídica por ela incorporada havia realizado o alegado pagamento maior ou indevido, fonte do crédito utilizado no presente procedimento compensatório, haja vista que, em relação ao citado período de apuração, remanesciam débitos em aberto da Contribuição para o PIS/Pasep em montante igual ou inferior ao valor do indébito informado. No presente Recurso, reafirmou a Recorrente que a causa da não homologação da compensação declarada fora a não localização do crédito informado na DComp em apreço, em face do não processamento do último Redarf e a consequente manutenção do alegado pagamento indevido vinculado ao CNPJ nº 55.121.438/000110, pertencente à pessoa jurídica incorporada. Em relação aos argumentos apresentados no Acórdão recorrido, no item 16 do Recurso em apreço asseverou a Recorrente o seguinte: 16. Ora, a não homologação das compensações apresentadas em outros processos administrativos, digase de passagem, sequer poderia ser mencionada no presente Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 feito, já que em um deles o montante exigido foi recolhido e outro é objeto de discussão judicial. Com base nessa informação, ao meu ver, a Recorrente confessou a existência dos dois débitos mencionados no voto condutor do julgado recorrido, ademais, esclareceu o seguinte: a) o débito em nome da própria Recorrente, inscrito em Dívida Ativa União (DAU), no valor de R$ 168.904,87, estava em discussão judicial; e b) o débito em nome da Incorporada, no valor de R$ 77.761,55, fora recolhido. Em relação ao débito inscrito em DAU, além de não ter apresentado prova da citada ação judicial, tal fato ratifica o argumento do Órgão julgador de primeiro grau de que a Recorrente era detentora de débito maior (R$ 168.904,87) do que valor do indébito alegado (R$ 77.761,55). No que tange ao pagamento do débito da Incorporada, no valor de R$ 77.761,55, tal informação confirma a sugestão do Relator do julgado recorrido, no sentido de que tal pagamento, na verdade, tratavase da quitação do débito não compensado da Incorporada do mesmo valor. Dessa forma, resta esclarecido que o deferimento e processamento do primeiro pedido de Redarf, por meio do qual o nº do CNPJ da Recorrente (57.010.662/0001 60) fora substituído pelo nº do CNPJ da Incorporada (55.121.438/000110 (fl. 71), estava correto, o que equivale a dizer que o pagamento do valor do débito da Incorporada, realizado por meio do Darf de fl. 58, foi erroneamente recolhido com o nº do CNPJ da Recorrente. Em consequência, fica demonstrada a improcedência do novo pedido de Redarf (fl. 59), apresentado pela Recorrente, com o objetivo de restabelecer o nº do seu CNPJ para o citado pagamento. Com base nessas considerações, estou convencido de que, no caso em tela, não houve o alegado pagamento a maior ou indevido, o que confirma a inexistência do crédito utilizado pela Recorrente no presente procedimento compensatório. Por fim, alegou ainda a Recorrente que o princípio da verdade material deve se sobrepor a qualquer equívoco presente nas obrigações acessórias, não podendo meros erros de preenchimento de declaração tolher o seu direito a restituição ou compensação da quantia indevidamente paga. Discordo. No âmbito do processo administrativo fiscal, em conformidade com o princípio da estrila legalidade, o princípio da verdade material atribui primazia a busca pela verdade substancial em detrimento da verdade formal, porém, isto não significa que a autoridade julgadora tenha de assumir ônus probatório das partes interessadas, seja da Fiscalização ou do sujeito passivo. Na verdade, a orientação determinada pelo referido princípio é no sentido de que a autoridade julgadora não deve contentarse apenas com os aspectos formais da controvérsia. Entretanto, no que tange ao dever de provar as suas alegações, tal princípio não ampara a omissão deliberada ou injustificada da parte interessada, incluindo, obviamente, o sujeito passivo, conforme expressamente determinado no § 4º1 do art. 16 do PAF, aplicável ao 1 "Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.902417/200863 Acórdão n.º 3802001.304 S3TE02 Fl. 13 7 processo de compensação, por força do disposto no art. 74, § 112, da Lei nº 9.430, de 1996, que, em face da preclusão, veda o conhecimento da prova documental apresentada após a fase impugnatório ou de manifestação de inconformidade, caso não atendidas as ressalvas previstas nas alíneas do referido parágrafo. Além disso, em consonância com o disposto nos arts. 15 e 18 do PAF, o encargo da instrução probatória é sempre da incumbência da parte que alega o fato probando, não podendo tal atividade ser transferida para a autoridade julgadora, sob pena de desvirtuamento das regras que rege o processo administrativo fiscal. Em consequência desse regramento legal, somente quando a instrução probatório se revelar imprescindível e necessária à formação do convencimento da autoridade julgadora é que ela poderá determinar a sua produção ou complementação, de ofício ou a requerimento da parte interessada. Não se pode também olvidar que, na condição de titular do crédito compensado, o ônus de provar a certeza e liquidez do alegado crédito, na data da compensação, era da Recorrente, conforme expressamente exige o art. 170 do CTN, combinado com o disposto no § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Por fim, é oportuno ressaltar que o entendimento aqui esposado não significa privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material, mas em deixar expresso que a homologação da compensação prescinde da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação, o que não ocorreu no presente caso. Por essas razões, rejeito as alegações da Recorrente, para manter a não homologação da compensação em tela, por falta do crédito informado na presente DComp. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos".(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). 2 "Art. 74. Omissis. (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. " Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 José Fernandes do Nascimento Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722516/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO
É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - DISTRIBUIÇÃO DE PRÊMIOS - SORTEIOS VÍDEOS LOTÉRIAS
Estão sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, os prêmios pagos no jogo de bingo e por máquinas eletrônicas de qualquer valor, não se aplicando o limite de isenção previsto no parágrafo 1° do art. 676 do RIR/1999
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - PAGAMENTO SEM CAUSA.
A incidência também alcança os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
DA MULTA QUALIFICADA
Cabível a multa qualificada de 150%, majorada em 50%, quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos, que o agente envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo desejado de, reiteradamente, ocultar parte do faturamento, deixando, com isto, de recolher os tributos devidos.
Rejeitar Preliminares.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2202-002.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - DISTRIBUIÇÃO DE PRÊMIOS - SORTEIOS VÍDEOS LOTÉRIAS Estão sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, os prêmios pagos no jogo de bingo e por máquinas eletrônicas de qualquer valor, não se aplicando o limite de isenção previsto no parágrafo 1° do art. 676 do RIR/1999 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - PAGAMENTO SEM CAUSA. A incidência também alcança os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. DA MULTA QUALIFICADA Cabível a multa qualificada de 150%, majorada em 50%, quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos, que o agente envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo desejado de, reiteradamente, ocultar parte do faturamento, deixando, com isto, de recolher os tributos devidos. Rejeitar Preliminares. Recurso Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2131; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.722516/200953 Recurso nº 946.307 Voluntário Acórdão nº 2202002.043 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria IRRF Recorrente FUNCHAL DIVERSÕES ELETRÔNICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DISTRIBUIÇÃO DE PRÊMIOS SORTEIOS VÍDEOS LOTÉRIAS Estão sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, os prêmios pagos no jogo de bingo e por máquinas eletrônicas de qualquer valor, não se aplicando o limite de isenção previsto no parágrafo 1° do art. 676 do RIR/1999 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PAGAMENTO SEM CAUSA. A incidência também alcança os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. DA MULTA QUALIFICADA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 25 16 /2 00 9- 53 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Cabível a multa qualificada de 150%, majorada em 50%, quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos, que o agente envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo desejado de, reiteradamente, ocultar parte do faturamento, deixando, com isto, de recolher os tributos devidos. Rejeitar Preliminares. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722516/200953 Acórdão n.º 2202002.043 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, FUNCHAL DIVERSÕES ELETRÔNICAS LTDA, foi lavrado auto de infração do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF (fls. 02 a 07), lavrado para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 1.146.828,04 (principal, multa e juros). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, Falta de Recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Pagamentos a Beneficiários não Identificados “Valor apurado conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo, parte integrante deste”. Períodos de apuração: janeiro a abril de 2004; junho a outubro e dezembro de 2006; e janeiro a julho de 2007; Falta de Recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Pagamentos sem Causa ou de Operação Não Comprovada “Valor apurado conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo, parte integrante deste”. Período de apuração: dezembro de 2004. Foi aplicada a multa qualificada de 150% Apresentouse impugnação, contrapondose, em síntese, que: 4.1. a Fiscalização identificou a falta de recolhimento do IRRF sobre (i) pagamentos a beneficiários não identificados, assim entendidos os ganhadores de prêmios em vídeo loterias, e (ii) recursos repassados a terceiros e sócios a título de empréstimos, quando não comprovada a efetividade da operação, sendo o crédito tributário lançado com fulcro no art. 674, caput e § 1o, do RIR/99, com “multa punitiva agravada de 150%”, “por entender configurados os tipos prescritos pelos incisos I e II da Lei n° 8.137/65”; 4.2. a empresa restou vinculada às operações financeiras realizadas pelas empresas integrantes do grupo econômico "Sonho Real", alvo de operação da Polícia Federal para fins de investigação da "exploração irregular de loterias e de máquinas caçaníqueis", sendo consideradas como receitas da Impugnante a movimentação junto às máquinas de videoloteria exploradas pelo grupo "Sonho Real", bem como as comissões auferidas diretamente pela Impugnante por meio da venda de bilhetes lotéricos; Fl. 496DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 4.3. Transcreve trechos do Termo de Verificação Fiscal, e diz que o mesmo não deve prosperar, por (i) ser impossível o enquadramento dos fatos na previsão do art. 674, caput, e §1º, c/c art. 61 da Lei nº 8.981/95 e (ii) não haver provas da ocorrência do ilícito penal exigido pelo art. 44 da Lei 9.430/96 para aplicação da multa qualificada; Alegações preliminares de nulidade, cerceamento de defesa e negativa de pleito de reabertura do prazo da impugnação 4.4. alega preliminar de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa e negativa do pleito de reabertura do prazo da impugnação; 4.4.1. a fiscalização decorreu da Operação Zebra, deflagrada pela Polícia Federal em 24/08/2007, com a apreensão de diversos documentos e mídia (HD); 4.4.2. a impugnante foi notificada do conteúdo dos lançamentos em 11/12/2009, sem que, entretanto, fossemlhe devolvidos os documentos exigidos pelas autoridades lançadoras ou aqueles apreendidos pela Polícia Federal, não obstante sucessivos requerimentos dirigidos à DRF, seja para liberação seja para obtenção de fotocópia; 4.4.3. “a providência somente foi adotada em 17/12/2009, consoante o Termo de Devolução de Livros e Documentos em anexo”. Transcreve conteúdos do referido Termo, nos seguintes termos, entre outros: “... estamos procedendo nesta data a devolução dos Livros e documentos a seguir relacionados:“ e “Estamos procedendo, nesta data a entrega ao contribuinte dos documentos apreendidos na ‘Operação Zebra’, utilizados como prova nas auditorias fiscais realizadas nas empresas Sistemas Recifenses de Máquinas Ltda, Funchal Diversões Eletrônicas Ltda e MCCM Entretenimento Ltda e anexadas aos respectivos processos” 4.4.4. até 17/12/2009 não teve acesso aos documentos utilizados para os lançamentos, impossibilitandolhe de conferir e contraditar informações dos Autos de Infração, restando prejudicada sua defesa no período de 11/12/2009 a 17/12/2009; 4.4.5. pleiteou reabertura do prazo do art. 15 do Decreto 70.235/72 para impugnação para “que seu dies a quo coincidisse” com a entrega dos documentos em 17/12/2009, “o que foi negado” pela DRF/Recife, havendo cerceamento à defesa; 4.4.6. qualquer restrição ao contraditório e à ampla defesa é censurável pelas garantias constitucionais. Transcreve excertos de decisões do CARF que entende aplicáveis e conclui que, diante da demora na entrega de documentos e “em face da impossibilidade do Impugnante de, (...) entre 11.12.2009 a 17.12.2009, ter ciência dos fundamentos da exigência fiscal”, a DRJ/Recife decrete “a nulidade do processo administrativo, reabrindo o prazo para impugnação ou, (...), devolva ao Impugnante o prazo de 6 (seis) dias para apresentação de razões complementares (...)”; Fl. 497DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722516/200953 Acórdão n.º 2202002.043 S2C2T2 Fl. 4 5 Sobre o IRRF incidente sobre os prêmios pagos pagamento a beneficiário não identificado 4.5. a base de cálculo do IRRF foram os valores da relação "Saídas de Máquinas", dos "Relatórios de Controle de Máquinas" apreendidos na Operação Zebra; 4.5.1. “concluiu a Autuação que (i) os valores relacionados nas "Entradas de Máquinas" consistiriam na receita bruta auferida pelo Impugnante, decorrente das apostas realizadas nas máquinas de vídeo bingo, e, (...) (ii) o quantitativo de que trata a planilha "Saídas de Máquinas" corresponderia aos prêmios em dinheiro (...)”; 4.5.2. alertou que os valores das "Saídas de Máquinas" não se referem apenas a prêmios em dinheiro, mas o Fisco os manteve como base de incidência do IRRF, e enquadrou os fatos no art. 674 do RIR/99 (pagamento a beneficiário não identificado), incorrendo em erro de enquadramento legal, pois “deveria (...) pautarse tãosomente (...) pelos artigos 676 e 677 do RIR/99”, além que a alíquota usada (35%) não é aplicável ao caso, que seria de 30% para pagamento de prêmios em dinheiro e 20% para prêmios em bens e serviços; 4.5.3. “Em face do (...) Parecer COSIT n° 2, de 30 de março de 2001, o jogo de bingo foi enquadrado como ‘sorteios de qualquer espécie’, estando (...) sujeito ao IR Fonte”, com base de cálculo e alíquota previstas nos arts. 676 e 677 do RIR/99; 4.5.4. “se em relação ao jogo do bingo houve (...) alguma discussão quanto a sua subsunção ao IRRF do art. 676 e 677, no que tange à vídeoloteria ou à loteria eletrônica não há qualquer dúvida quanto ao enquadramento nas citadas normas específicas”, concluindo que não cabe a base de cálculo reajustada e a alíquota do art. 674 do RIR/99; 4.5.5. nem todas as "Saídas de Máquinas" são em dinheiro, grande parte é de “apostas bem sucedidas transformadas em créditos para novos jogos nas máquinas”, assim, “variados prêmios (=saídas) são pagos por meio de bens e serviços (créditos outorgados aos apostadores bem sucedidos para novos jogos)”; 4.5.6. a base de cálculo do IRRF, valor reajustado das "SAÍDAS DE MÁQUINAS", “é bastante superior à receita (...) na mesma atividade de exploração de vídeoloteria ("ENTRADAS DE MÁQUINAS"), conforme a apuração” do “próprio Fisco”; 4.5.7. não concorda que, porque a contribuinte não identificou os ganhadores dos prêmios, o Fisco caracterize o pagamento a beneficiário não identificado (art. 674 do RIR/99), considerando como líquidos os valores pagos e reajuste a base de cálculo; 4.5.8. assim, presumiuse que a receita tributável pelo IRRF é a soma do valor líquido pago e do IRRF que deveria ter sido retido, e que as máquinas de videoloteria distribuem prêmios Fl. 498DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 superiores ao arrecadado, “fato impossível de se aceitar como verdadeiro”; 4.5.9. o pagamento de prêmio em pecúnia é pressuposto para o IRRF conforme o art. 674 do RIR/99 c/c o art. 61 da Lei 8.981/95, mas derrubada tal “presunção”, “descabe a incidência (...) pelo caput do art. 674 do RIR/99”; 4.5.10. “a falta de comprovação (...) do pagamento do prêmio em dinheiro desautoriza o reajuste da base de incidência do IRRF”, conforme a IN n° 15/2001; 4.5.11. Transcreveu art. 20 e seu §3º, da IN nº 15/2001, nos seguintes termos: “não se aplica o reajustamento da base de cálculo: I – aos prêmios distribuídos sob a forma de bens e serviços, por meio de concursos e sorteios de qualquer espécie”, e aduz que como“significativa parcela dos prêmios concedidos pelas máquinas de vídeoloteria é revertida em forma de bens e serviços, como espécie de crédito para novas apostas, não correspondendo a um pagamento em dinheiro”, descaberia o reajustamento da base de cálculo do IRRF; 4.5.12. “a tributação do IRRF sobre base ("Saídas de Máquinas") (...) superior à receita apurada ("Entradas de Máquinas"), (...) agride o princípio da capacidade contributiva” por tomar por base valor não agregado ao seu patrimônio. Cita art. 145, §1o, da Constituição Federal e transcreve excerto do RE nº 153.771/MG; 4.5.13. a base legal é inaplicável, irreal, sendo o lançamento inválido, pois; (i) deveria orientarse pelos arts. 676 e 677 do RIR/99, normas específicas aplicáveis à exploração de loterias, ocorrendo erro de enquadramento legal, ensejando anulação por incompatibilidade entre a norma e o fato tributável; (ii) a base de cálculo do IRRF não poderia ser reajustada, pois “traz presunção de (...) prêmios em pecúnia” superiores a todas as apostas em “Entradas das Máquinas”; (iii) o Fisco não admitiu “prêmios (...)de bens e serviços, com os créditos para possibilitar novas apostas”, o que afasta o IRRF do “art. 674 do RIR/99’ e não permite o reajuste da base de cálculo, conforme art. 20, § 3°, I, da IN 15/2001; (iv) “a base de incidência do IRRF eleita pela Fiscalização conflita com o princípio da capacidade contributiva”, impondo tributo sobre signo que não é de riqueza; Alegações de desconsideração da regra da isenção inscrita no art. 676, §1º, do RIR/99, e de necessidade de diligência para obtenção dos relatórios gerados pelas máquinas de vídeo loteria. 4.6. conforme art. 676, I, §1º, do RIR/99 o imposto à alíquota de 30%, só deve incidir sobre o total dos prêmios lotéricos e de sweepstake superiores a 11 centavos; Fl. 499DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722516/200953 Acórdão n.º 2202002.043 S2C2T2 Fl. 5 7 4.6.1. no entanto, a fiscalização considerou como premiação, e base de incidência, todos os valores do Relatório “Saídas de Máquinas”, “sem discriminar, como se faz possível através da extração de relatório individualizado de cada máquina, o valor específico de cada premiação” de modo a aplicar a regra de isenção do art. 676, §1º, do RIR/99; 4.6.2. as máquinas de videoloteria exploradas pela impugnante possuem premiação de 1, 4, 100 e 1000 vezes o valor da aposta, e aceita apostas de R$ 0,10 ou R$ 0,25; 4.6.3. como “a imensa maioria das apostas” era de “R$ 0,10”, só sobre “a premiação máxima (1000 vezes o valor da aposta)” incidiria “IRRF, estando todos os demais prêmios (...) entre R$ 0,10 e R$ 10,00 (...) na faixa de isenção (...) do art. 676, §1º, do RIR/99”; 4.6.4. o mesmo raciocínio se aplica às apostas de R$ 0,25, incidindo IRRF somente em relação aos prêmios de 100 ou 1000 vezes o valor da aposta; 4.6.5. “a imensa maioria das máquinas de vídeoloteria exploradas pelo Impugnante ("SUPER BOLA"), possui 4 (quatro) faixas de premiação ("quatro cantos", "linha", "linha dupla" e "bingo") correspondentes, respectivamente, a 1, 4, 100 e 1000 vezes o valor (...) apostado, (...) R$ 0,10 (dez centavos) ou R$ 0,25 (vinte e cinco centavos)”; 4.6.6. as “máquinas de videoloteria foram objeto de Laudo Pericial do INEP (Instituto de Eletrônica de Potência do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Santa Catarina) e do Instituto de Criminalística do Departamento de Polícia Civil do Estado do Paraná, ambos em anexo, constando desse último que 66,2642% das jogadas são objeto de premiação, sendo 25,3274% das jogadas (16,7830% do total de jogadas) na primeira faixa de premiação (1 vez o valor da aposta); 72,4373% das jogadas (48% do total de jogadas) na segunda faixa de premiação (4 vezes o valor da aposta); 2,2238% das jogadas (1,4736% do total de jogadas) na terceira faixa de premiação (100 vezes o valor da aposta); e, finalmente, 0,0115% das jogadas (0,0076% do total de jogadas) na quarta e última faixa de premiação (1000 vezes o valor da aposta)”, sendo “patente o absurdo de submeter à tributação pelo IRRF a totalidade das premiações, quando estatisticamente verificado que tãosomente 2,2353% das apostas premiadas estariam sujeitas à incidência do mesmo, na medida em que superiores ao limite isento de R$ 11,10”; 4.6.7. “as máquinas (...) da videoloteria encontramse (i) apreendidas em poder da Polícia Federal ou (ii) armazenadas, desligadas e inoperantes, pelo Impugnante, devendo ser levada a efeito a perícia física (...), para constatar e reafirmar as conclusões (...) do ‘Laudo de Exame de Equipamento Eletrônico’ exarado pelo Instituto de Criminalística do Departamento da Polícia Civil do Estado do Paraná e (...) estabelecer, de forma Fl. 500DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 precisa, os prêmios que, nos termos dos (...) art. 676, §1º, do RIR/99, sofreriam a incidência do IRRF”; 4.6.8. “tendo em vista a omissão da autoridade lançadora de proceder à discriminação do valor dos prêmios individualmente pagos (informação de possível obtenção mediante extração de relatório das máquinas), desconsiderando, assim, a regra de isenção (...) sobre prêmios de valor inferior a R$ 11,10, depreca (...) pela (...) perícia técnica para (...): (a) discriminação completa e minuciosa dos valores dos prêmios pagos, mediante extração de relatórios das máquinas exploradas pelo Impugnante, de sorte a estabelecer, de forma precisa, as premiações passíveis de incidência do IRRF, conforme (...) art. 676, § 1o, do RIR/99”. Indica como assistente técnico, a contabilista Rosimar Pereira Soares Moura, CRC 052901–RJ; Sobre o IRRF sobre Pagamentos sem Causa/Operação Não Comprovada 4.7. Além do IRRF “sobre os prêmios conferidos por meio da exploração de vídeoloteria”, o Fisco, com base no §1o do art. 674 do RIR/99, exigiu o IRRF “sobre os empréstimos contraídos” pela empresa junto à MCCM Entretenimento Ltda e aos seus sócios; 4.7.1. como a contribuinte “não comprovou o trânsito financeiro da transação, a Autuação consideroua como operação não comprovada ou sem causa, lançando o IRRF sobre as respectivas bases, ajustadas pelo acréscimo da alíquota de 35%”; 4.7.2. “a existência do pagamento ou da entrega do recurso ao terceiro ou sócio figura como pressuposto material para ensejar a incidência do IRRF”, o que o Fisco precisaria provar, para “caso não demonstrada (...) a operação ou causa (...), considerar como pagamento a beneficiário não identificado” sujeito ao pagamento de IRRF; 4.7.4. contraditória a postura da fiscalização, considerando o caso subsumido ao §1º do art 674 do RIR/99, por não provar a entrega dos recursos aos terceiros; 4.7.5. “Se a operação é questionada justamente ante a ausência de prova da efetiva entrega do valor do empréstimo, não há como considerar que houve pagamento a beneficiário não identificado. A desconsideração fiscal da operação por não haver a circulação financeira dos valores somente permitiria a tributação por omissão de receitas, relativamente ao pretenso retorno do capital no caixa da empresa, como veio a reconhecer a própria Fiscalização ao aplicar a presunção legal preconizada pelo art. 282 do RIR/99”; 4.7.6. “Não poderia a Autuação, assim, tratar o empréstimo como dois eventos distintos, ora sujeito ao IRRF em relação aos pagamentos/entregas de recursos, ora tributado pelo IRPJ referentemente aos suprimentos de caixa fornecidos à empresa em retorno do valor do empréstimo”; Fl. 501DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722516/200953 Acórdão n.º 2202002.043 S2C2T2 Fl. 6 9 4.7.7. “os (...) (tomadores do empréstimo) estão claramente identificados, a causa do pagamento foi determinada por meio da apresentação dos contratos de mútuo, desconhecendose apenas a efetividade da entrega dos recursos aos terceiros e sócios”; 4.7.8. “não havendo o pagamento ou a entrega do recurso (...), não há (...) incidência do IRRF”. Transcreve ementas do CARF sobre o assunto; 4.7.9. “afastada pela própria autuação a realização do pagamento em lide, não estão presentes os pressupostos (...) da incidência do IRRF na forma prescrita pelo § 1o do art. 674 c/c art. 61 da Lei n° 8.981/95 (...)” e “verificada a inidoneidade da prova da circulação financeira dos valores (...) dos empréstimos, cumpriria à Autuação tãosomente proceder à tributação dos respectivos valores por omissão de receitas”; 4.7.10. apesar de todos os argumentos apresentados nesta impugnação para esta infração, a contribuinte, posteriormente, apresentou desistência da impugnação relativamente à mesma, conforme fls. 375 e 376, e ainda relatado no item 5 adiante; Alegação de Ausência de Requisitos para a Imposição da Multa Qualificada 4.8. foi imputada a multa de 150% do art. 44, §1o, da Lei n° 9.430/96, pois, a conduta do Impugnante estaria, em tese, na hipótese do art. 71 da Lei n° 4.502/64; 4.8.1. “mister o enquadramento efetivo da conduta do contribuinte no tipo penal, caracterizandose a intenção deliberada de fraudar a Administração Tributária”; 4.8.2. “Como o crime tributário não se presume, não se dispensa dilações investigativas para fins de caracterizálo. Imprescindível, assim, a comprovação do intuito fraudulento do sujeito passivo para legitimar a qualificação da multa de ofício agravada”. Transcreve Súmula n o 14 do 1o CC, atual CARF; 4.8.3. “a falta de declaração dos valores dos prêmios e (...) de prova da entrega dos recursos relativos aos empréstimos escriturados foi suficiente para caracterizar, sem quaisquer outras investigações, a prática do crime de sonegação e (...) a imputação da penalidade agravada”; 4.8.4. “Não houve (...) a comprovação da conduta ilícita (...), limitandose” o Fisco “a assentar que o crime ocorreu em tese, conforme Termo de Verificação Fiscal”; 4.8.5. “não houve o necessário enquadramento da conduta do Impugnante, mediante fatos concretos e comprovados, nos tipos penais ventilados pelo Fisco, pelo que não se afigura correta a aplicação da penalidade qualificada”; Fl. 502DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 4.8.6. “Apenas o não cumprimento ou mesmo o cumprimento inadequado das obrigações tributárias acessórias, como a omissão em relação ao registro das referidas movimentações financeiras, não configura, isoladamente, fato suficiente para a tipificação penal”. Transcreve mais ementas do CARF, no caso, sobre multa qualificada; 4.8.7. “(...) o auto de infração (...) de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pretensos pagamentos a terceiros beneficiários não identificados (...) tratase de valores que não transitaram pelas contas de Resultado Econômico da Empresa, não se prestando, justamente por isso, a reduzir qualquer base tributável”; 4.8.8. “se as bases descortinadas pela autoridade lançadora não tivera qualquer influência sobre a quantificação dos tributos devidos pelo Impugnante, não há se que falar em sonegação de impostos”; 4.8.9. não comprovado o “elemento subjetivo do tipo arguido (...) para (...) legitimar a (...) multa qualificada, incabível” esta, “à luz da Súmula 1a CC”; 4.8.10. apesar de afirmar que a Impugnante tinha "escrituração paralela” e “valores à margem da escrituração regular, todos os elementos necessários à quantificação do crédito tributário foram obtidos de documentos produzidos pelo Impugnante, não sendo possível descortinar (...) o intento fraudulento, (...) necessário à (...) multa qualificada”; 4.8.11. manteve escrituração regular, possibilitando ao Fisco obter todos os registros necessários à formação do crédito, “descabe a aplicação de multa agravada, posto que inexistente o intuito evidente de fraude”. Transcreve mais ementas do CARF sobre multa; 4.8.12. “a ‘escrituração paralela’ supostamente descortinada pela autoridade lançadora consistia, em verdade, na aplicação de entendimento do Impugnante de que somente seriam tributáveis os valores correspondentes ao resultado obtido da exploração das máquinas de videoloteria (diferença entre o valor das apostas e dos prêmios pagos), entendimento que, em que pese possa ser considerado equivocado, não caracteriza intuito "manifesto" de fraude, passível de ser apenado por multa qualificada”; Conclusões da impugnação 4.11. requer: “a) a (...) nulidade” por “cerceamento de defesa”, “reabrindo o prazo para impugnação ou (...)” que “devolva ao Impugnante o prazo de 6 (seis) dias para apresentação de razões complementares, de forma a garantir o direito (...) de ampla defesa”; “b) (...) diante da impossibilidade da aplicação, in casu, do IRRF na forma prescrita pelo art. 674, caput e § 1o, do RIR/99, por completa ausência de subsunção aos fatos apurados na ação fiscal (erro de enquadramento legal), e (...) verificada (...) base de incidência completamente irreal do IRRF lançado (em valor Fl. 503DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722516/200953 Acórdão n.º 2202002.043 S2C2T2 Fl. 7 11 superior à totalidade das apostas), (...) que seja (...) integralmente anulado o lançamento”; e 4.11.1. “caso se entenda possível a reforma do auto mediante a substituição do lançamento tributário, requer (...) a revisão do lançamento, para (a) enquadrar a distribuição dos prêmios por meio de máquinas de videobingo na hipótese de incidência do IRRF de que tratam os artigos 676 e 677 do RIR/99, normas específicas que tratam da atividade de exploração de loterias, levandose em consideração tais alíquotas na composição do reajustamento da base de cálculo, na forma do art. 20 da IN SRF n° 15/2001; (b) determinar a revisão da base de incidência do IRRF sobre os prêmios concedidos pelas máquinas de videoloteria, para que seja afastado o reajustamento da base de cálculo sobre os prêmios distribuídos em forma de bens e serviços, assim considerados os créditos concedidos para novas apostas; (c) limitar o reajustamento da base de cálculo do IRRF ao valor arrecadado pelas máquinas de videobingo, assim consideradas as "Entradas de Máquinas", sob pena de se admitir a distribuição de prêmios em valores superior às apostas registradas; (d) aplicar a regra do art. 676, § 1o, do RIR/99, excluindo da incidência do IRRF os prêmio em valor inferior a R$ 11,10, de acordo com o resultado da perícia requerida; e, (e) excluir a multa qualificada, por força do entendimento sedimentado na Súmula 1a do CARF”. 5. Consta da fl. 375 do Processo, Despacho de Encaminhamento, ao SECAT/DRF/RECIFE, com data de emissão de 19/03/2010, para que se procedesse à “informação de desistência das respectivas impugnações em razão da adesão lei 11941/09”. 5.1. na fl. 376 consta petição da empresa Funchal Diversões Eletrônicas Ltda, referente ao presente Processo nº 10480722516/200953, na qual, por meio do seu representante legal, o sócio Julio Emilio Cavalcanti Paschoal Neto, CPF 501.516.81449, vem “requerer a DESISTÊNCIA PARCIAL da impugnação interposta, no que diz respeito ao IRRF (código 2932), com fato gerador em 31/12/2004, no valor principal de R$ 69.295,24 pertinente a pagamento considerado “sem causa”. Declara, ainda e por fim, que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam a referida impugnação e que o crédito tributário objeto da autuação será recolhido nas condições previstas na Lei nº 11.941/2009, cuja adesão já restou deferida”. A DRJ/Recife julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004, 2006, 2007 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 IRRF PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO SEM CAUSA. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado e os pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2006, 2007 MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA COMPROVADA. Não se instaura o contencioso sobre as matérias não expressamente contestadas. NULIDADE. HIPÓTESES NÃO VERIFICADAS. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, nãohá que se ventilar hipótese de nulidade do lançamento. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia e diligência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTENÇÃO DE OCULTAR DO FISCO A OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR. A conduta do contribuinte no sentido de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador, enseja a qualificação da multa de ofício. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE. NORMAS LEGAIS. JULGAMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não podendo decidir, em âmbito administrativo, pela inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos normativos validamente editados. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722516/200953 Acórdão n.º 2202002.043 S2C2T2 Fl. 8 13 A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito a contribuinte interpõe recurso voluntário reiterando as razões da impugnação. Indica que o lançamento se pautou em duas situações: a primeira, pagamento de prêmios a apostadores em máquinas de videoloteria, entendendo a autoridade lançadora que havia obrigatoriedade de identificação dos ganhadores e a retenção do impostos de renda na fonte;. Alega cerceamento do direito de defesa e exige a anulação do processo e restabelecimento do prazo de impugnação, uma vez que não teria acesso a documentos que teriam sido retidos pela Policia Federal; Indica que lhe estaria prejudicada a defesa tendo em vista que só teve acesso a documentação após o início de prazo de impugnação, o que limitaria a sua defesa. Do cerceamento do direito de defesa por indeferimento do pedido de pericia, uma vez que teria apresentado laudos indicando que tão somentr 2,2353% das apostas estariam sujeitas a incidência do mesmo. Do IRRF incidente sobre os prêmios pagos – pagamento a beneficiário não identificado. Alega que nunca poderia a autoridade lançadora simplesmente ter considerado todo o movimento de “Saída de Máquinas” como prêmios entregues em dinheiro, sujeitando o fato à hipótese de incidência prescrita pelo artigo 674 do Regulamento, vez que o pagamento de prêmios lotéricos tem regra de incidência específica do IRRF. No caso em análise pelo fato de não ter sido identificados os ganhadores dos prêmios, a autuação caracterizou a hipótese de pagamentos a beneficiário não identificado (art. 674 do RIR) considerando como líquidos os valores pagos e procedendo o reajuste da base de cálculo do IRRF. Presumiu que a receita tributável é o valor líquido pago ao apostados mais a quantia que deveria ter sido recolhida de IRRF. Nesse caso surge a impossibilidade pois as máquinas de videoloteria distribuem prêmios em valores superiores ao que efetivamente arrecadam a autuação deixou de admitir a existência de prêmios distribuídos na forma de bens e serviços, como os créditos para possibilitar novas apostas Fl. 506DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Da desconsideração da regra de isenção no art. 676, § 1 do RIR/99, da necessidade de diligência para obtenção de relatório gerados pelas máquinas de vídeoloteria;. Da ausência de requisitos para imposição da multa qualificada. No entendimento da autoridade lançadora a falta de declaração dos valores dos prêmios e a falta de prova relativo aos empréstimos escriturados foi o suficiente, no entendimento da autoridade lançadora para caracterizar, a qualificação da multa. É o relatório. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722516/200953 Acórdão n.º 2202002.043 S2C2T2 Fl. 9 15 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da Preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Do Pedido de Pericia É de ser indeferido o pedido de perícia quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. Dos Pagamentos a Beneficiários não Identificados A infração apontada se refere ao art. 674 do RIR. Art.674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei 8.981, de 1995, art. 61). §1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei 8.981, de 1995, art. 61, §1º). §2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei 8.981, de 1995, art. 61, §2º). §3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei 8.981, de 1995, art. 61, §3º). Entendo que não seria o caso de ser aplicado o artigo 676 do RIR Fl. 508DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Art.676. Estão sujeitos à incidência do imposto, à alíquota de trinta por cento, exclusivamente na fonte: I os lucros decorrentes de prêmios em dinheiro obtidos em loterias, inclusive as instantâneas, mesmo as de finalidade assistencial, ainda que exploradas diretamente pelo Estado, concursos desportivos em geral, compreendidos os de turfe e sorteios de qualquer espécie, exclusive os de antecipação nos títulos de capitalização e os de amortização e resgate das ações das sociedades anônimas ( Lei 4.506, de 1964, art. 14); II os prêmios em concursos de prognósticos desportivos, seja qual for o valor do rateio atribuído a cada ganhador (Decreto Lei 1.493, de 7 de dezembro de 1976, art. 10). §1º O imposto de que trata o inciso I incidirá sobre o total dos prêmios lotéricos e de sweepstake superiores a onze reais e dez centavos, devendo a Secretaria da Receita Federal pronunciar se sobre o cálculo desse imposto (DecretoLei 204, de 27 de fevereiro de 1967, art. 5º, §§1ºe 2º, e Lei 5.971, de 11 de dezembro de 1973, art. 21, Lei 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei 9.249, de 1995, art. 30). Os jogos de vídeo loteria se enquadram como modalidade sorteios em geral. Os lucros decorrentes de prêmios distribuídos por intermédio de jogos de bingo estariam sujeitos ao imposto de 30% (trinta por cento), mediante desconto na fonte pagadora, quando distribuídos em dinheiro, e devidamente identificados os beneficiários. Os valores dos prêmios distribuídos nas máquinas de vídeo lotéria são determinados com base na leitura de "saída", quando inexistente qualquer forma de controle específico ou de registro contábil. O sujeito passivo da obrigação tributária, na condição de responsável pela retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre a distribuição de prêmios, nas atividades de apostas em vídeo loteria , é a fonte pagadora A isenção de R$ 11,11 é aplicável apenas aos prêmios lotéricos (Loteria Federal) e de Sweepstake (aposta em Corrida de Cavalos). Desta forma, o limite de isenção de R$ 11,11 é inaplicável no caso de prêmios em dinheiro obtidos em sorteios realizados na exploração de vídeo loterias. Da Qualificação da Multa Cabível a multa qualificada de 150%, quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos, que o agente envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo desejado de, reiteradamente, ocultar parte do faturamento, deixando, com isto, de recolher os tributos devidos. Consoante a defesa, a qualificação da multa teria sido indevida, pois que não teria sido provada a intenção de fraudar o fisco por parte do contribuinte, “limitandose a autoridade fiscal a assentar que o crime ocorreu em tese”. A simples omissão de receita não poderia dar ensejo à qualificação, posição adotada pelo Conselho de Contribuintes (Carf), inclusive objeto da súmula nº 14 do 1º Conselho. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722516/200953 Acórdão n.º 2202002.043 S2C2T2 Fl. 10 17 Mais uma vez, não lhe assiste razão. O não recolhimento, tampouco declaração __ sequer foram apontados os ganhadores __, do IRRF incidente sobre a totalidade dos prêmios pagos, de forma contumaz (anos de 2005 a 2007), bem assim a realização de pagamentos cujas respectivas operações não se comprovaram, em conjunto, evidenciam a intenção deliberada de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador do tributo, particularidade que se amolda ao art. 71 da Lei nº 4.502, de 196412, e, de consequente ao inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Como se vê nos autos, o contribuinte foi autuado sob a acusação de ação dolosa e fraudulenta caracterizada pela utilização sistemática do expediente de "escrituração paralela"; "demonstrativos identificando a sua real arrecadação e distribuição de prêmios". Ou seja, ao deixar de contabilizar propositalmente e reiteradamente a distribuição de prêmios, o contribuinte ocultou deliberadamente a sua real destinação, impedindo de forma maliciosa e ardilosa o conhecimento, por parte da Secretaria da Receita Federal, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, qual seja, o pagamento de prêmios em sorteios de vídeo loteria, ou operações não comprovada com a intenção de propiciar pagamentos a terceiros. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 510DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10480.914180/2009-53
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-001.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a Decisão da DRJ nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que dava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a Decisão da DRJ nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 41 80 /2 00 9- 53 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801001.696 S3TE01 Fl. 92 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Tratase de manifestação de inconformidade protocolizada em 12/11/2009, em face do Despacho proferido eletronicamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE DRF/REC/PE, mediante o qual foi indeferido/nãohomologada Pedido Eletrônico de Restituição/ Declaração de Compensação (PER/DCOMP. . 2. Consoante se verifica às fls. 01/04 , a contribuinte, através de sobredito PER/DCOMP, declarou a compensação do débito descrito em sua página com conjecturado crédito, no montante originário de R$ 90.082,44, que seria derivado de pagamento indevido a título da COFINS, código de receita: 2172, do período de apuração de novembro de 2000, efetuado aos 15/12/2000. 3. Inferese, do Despacho Decisório de fl.05, que, com fundamento nos arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN) e, ainda, no art. 74, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado e, por decorrência, foi não homologada a compensação no qual o pretenso crédito foi utilizado – pois o pagamento vinculado ao suposto indébito foi totalmente aproveitado para a extinção do débito de COFINS do período de apuração de novembro de 2000 . 4. O sujeito passivo, cientificado de enfocado Despacho Decisório aos 21/10/2009 (vide aviso de recebimento de fl.41), interpôs a mencionada manifestação de inconformidade, na qual alega possuir créditos pautados em decisão judicial favorável à Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Pernambuco OAB/PE (à qual a empresa seria (sic) sindicalizada), garantidora da isenção do pagamento da COFINS às empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas, motivo por que teria direito ao reconhecimento do indébito do pagamento da COFINS tratado nos correntes autos e, conseqüentemente, à homologação das compensações realizadas por intermédio do PER/DCOMP aqui examinado. 5. Sustenta a recorrente, ainda, que, de acordo com informações colhidas junto ao Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC da DRF/REC/PE, a conclusão atingida pelo Despacho Decisório censurado se deveria à nãoretificação, para o novo valor apurado, da respectiva Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) circunstância que, na visão da defendente, não anularia a existência do pretendido crédito. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 6. Á manifestação de inconformidade, o sujeito passivo anexou, dentre outros documentos, cópia de acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 5ª Região TRF/5ª Região (fls. 22/37) e de certidão de trânsito em julgado (fl.38). 7. Este julgador juntou aos presentes autos os seguintes documentos: (i) extrato de consulta processual junto ao sítio do TRF/5ª Região à Ação Rescisória tombada sob o n° 2006.05.00.0442426 e ementas dos acórdãos proferidos naquela ação aos 23/11/2007, 27/02/2008 e 16/06/2010 (fls.42/53 ); e (ii) extrato de consulta processual junto ao sítio do Supremo Tribunal Federal STF à Reclamação etiquetada sob o n° 6.917/PE e decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa (fls.54/57). A Delegacia de Julgamento em Recife (PE) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/11 /2000 a 30/11/2000 SOCIEDADE CIVIL. COFINS. ISENÇÃO RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. SUBSEQÜENTE POSICIONAMENTO DIVERSO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TITULO JUDICIAL. INEXIGIBILIDADE. É inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado que reconhece direito à isenção do pagamento da COFINS a sociedades civis prestadoras de serviços relacionados a profissão legalmente regulamentada, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal, especialmente quando a eficácia da decisão judicial transitada em julgado haja sido desconstituída em ação rescisória. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO FUNDADO EM TÍTULO JUDICIAL INEXIGÍVEL. NÃOHOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. É procedente o Despacho Decisório que não homologa compensações em que é utilizado suposto direito creditório fundado em titulo judicial inexigível, por inexistir crédito líquido e certo a ser compensado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 68 a 73, aduzindo, em síntese. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801001.696 S3TE01 Fl. 93 5 A decisão da DRF/Recife considerou não homologadas as compensações com base no fato de que os DARF’s aos quais estavam vinculados os créditos estavam totalmente utilizados. A Recorrente baseou sua manifestação de inconformidade em argumentos e fatos que tentavam ilidir a decisão da DRF/Recife, buscando demonstrar a existência dos créditos tributários em favor da empresa. Em sede de julgamento por parte da DRJ/Recife não está ocorrendo apenas a revisão proferida pela DRF/Recife, mas sim uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações, que agora sustentase na apresentação das DCOMP antes do trânsito em julgado da ação, sem que tenha sido oportunizado à empresa a possibilidade de apresentar defesa sobre o assunto. Toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. A decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente nos argumentos sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre novos fatos e informações apresentados ao processo, merece reparos. A argumentação da DRJ/Recife não condiz com a realidade dos fatos. Em seu item 19, a decisão da DRJ/Recife informa que não seria possível a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de COFINS. A decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da COFINS já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos ex nunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício isenção da COFINS somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. A liminar é decisão precária e não anulou os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. DO PEDIDO: De todo o exposto e demonstrado nesta, restando provada a existência dos créditos relativos a pagamentos indevidos de COFINS e que a decisão proferida pela DRJ/Recife está em dissonância com a realidade dos fatos, requer que seja processado Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 regularmente o presente Recurso Voluntário, na forma do Decreto nº 70.235/72, de acordo com os mandamentos do art. 74, da Lei nº 9.430/96 e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife, reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título de Cofins e, consequentemente, homologar a compensação realizada no PER/DCOMP relacionado a esse processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801001.696 S3TE01 Fl. 94 7 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme já relatado, a Requerente teve seu pedido de compensação indeferido em razão do pagamento ter sido integralmente utilizado na quitação do débito declarado em DCTF, não restando saldo disponível a ser aproveitado para compensar com débitos informados no PerDcomp. Em sua Manifestação de Inconformidade, aduz a empresa que estava isenta do pagamento da contribuição para a COFINS na forma do decidido judicialmente, portanto todos os pagamentos realizados a tal título tornaramse indevidos consoante disposição do art. 165, I, do CTN. A Autoridade Julgadora de Primeira Instância, com fulcro no art. 741, II e parágrafo único do Código de Processo Civil, abaixo colacionado, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da DRF/Recife, sob o fundamento de que é inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal. Art. 741. Na execução contra a Fazenda Pública, os embargos só poderão versar sobre: [...] II inexigibilidade do título; [...] Parágrafo único. Para efeito do disposto no inciso II do caput deste artigo, considerase também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal. Por seu turno, a Recorrente se contrapõe aos fundamentos da DRJ/Recife, pontuando duas questões, a saber: Cerceamento de defesa em razão da inovação perpetrada pela DRJ/Recife que inovou o conteúdo do indeferimento inicial das compensações sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e alegações apresentadas ao processo. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 A decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu dar parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc a decisão e que apenas contra esta decisão do TRF foi proferida a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. I Da preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Protesta a Requerente pela ocorrência de cerceamento de defesa em razão de inovação no conteúdo do indeferimento inicial, consubstanciado na ausência de comunicação prévia dos documentos acostados aos autos e abertura de prazo para manifestação. Passemos à análise do arguido. Da análise dos autos, constatase que foram juntados os documentos de fls. 42 a 57, conforme informação de fls. 58, abaixo colacionada: 7. Este julgador juntou aos presentes autos os seguintes documentos: (i) extrato de consulta processual junto ao sítio do TRF/ 5ª Região à Ação Rescisória tombada sob o n° 2006.05.00.0442426 e ementas dos acórdãos proferidos naquela ação aos 23/11/2007, 27/02/2008 e 16/06/2010 (fls.42/53 ); e (ii) extrato de consulta processual junto ao sítio do Supremo Tribunal Federal STF à Reclamação etiquetada sob o n° 6.917/PE e decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa (fls. 54/57). Importante registrar que a juntada dos referidos documentos ocorreu após a apresentação da manifestação de inconformidade pelo Contribuinte. Também, que não há impedimento legal para a juntada de novos documentos pela autoridade administrativa/julgadora, todavia o que não é permitido é inovar em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. No caso presente, além do Contribuinte não ter sido cientificado da juntada de novos elementos ao processo, a razão de decidir estampada no acórdão se deu com fundamento nos novos documentos. Convém aclarar que, nos casos em que a autoridade administrativa/julgadora carrear aos autos documentos após a apresentação da peça impugnatória, é essencial que o contribuinte seja cientificado e aberto prazo para manifestação, se desejar, só assim estará garantido o pleno exercício de seu direito a ampla defesa e ao contraditório, postulados gravados na Constituição Federal e no Processo Administrativo Fiscal. Não obstante, a manifestação de inconformidade é ato que faz nascer o contencioso, repercutindo na mudança do procedimento administrativo preparatório para o de julgamento, comportando ao contribuinte as garantias relativas ao devido processo legal. Resta claro que o Despacho Decisório emanado pela DRF/Recife teve como fundamento a insuficiência de saldo disponível para procederse a compensação, enquanto que Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801001.696 S3TE01 Fl. 95 9 a decisão da DRJ/Recife alicerçou –se nos efeitos das decisões judiciais prolatadas nos processos (i) AMS nº 80558/PE (2001.83.00.145250); (ii) Ação Rescisória nº 5471/PE (2006.05.00.0442426) e (iii) RCL/6917 – STF – Reclamação. O que não se pode, agora, em segunda instância administrativa de julgamento, é analisar fatos e documentos que não constavam da lide inicial, sob pena de afrontar garantias e princípios processuais, como por exemplo, o do duplo grau de jurisdição. É fato que a Recorrente tem o direito de participação no processo administrativo em relação a todo e qualquer ato ou documento juntado, sendo que a falta de comunicação acarreta cerceamento de defesa pela ausência de contraditório. Desse modo, as normas reguladoras do processo administrativo fiscal outorgam ao contribuinte o direito de ter a matéria litigiosa, seus fundamentos, argumentos e provas analisados pelas duas instâncias administrativas de julgamento, sem o que teríamos como conseqüência a supressão de uma delas. Desse modo, diante das razões acima expostas, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para declarar NULA a decisão da DRJ/Recife, como também todos os atos praticados posteriormente à referida decisão, posto que esta inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. A partir de então, deve o processo retornar à Unidade de Origem para: 1. Cientificar o contribuinte dessa decisão; 2. Cientificar o contribuinte dos documentos de fls. 42 a 57, juntados pela DRJ/Recife; 3. Abrir prazo para manifestação, se assim desejar; 4. Aplicar o rito do PAF. É como voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10467.902153/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.496
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente).
RELATÓRIO
Com o objetivo de elucidar os fatos ocorridos até a propositura deste recurso voluntário, reproduzo o relatório da decisão vergastada, verbis:
Trata o presente processo de Pedido Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP- nº 21053.66235.131205.1.3.04-9720, de fls.01/04, com os seguintes créditos e débitos, respectivamente: COFINS: Data de Arrecadação: 15/03/2004. PIS/Pasep e COFINS - Período de Apuração: dezembro de 2005.
2. O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl.05, do Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa -PB com base nas seguintes constatações, in verbis:
Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no Per/Dcomp: R$ 798,93.
A partir das características do darf discriminado no Per/dcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação dos débitos informados no Per/Dcomp.
3. Cientificada de tal negativa na data de 01/06/2009, a contribuinte apresentou em 26/06/2009 a manifestação de inconformidade de fl.07/08, na qual alega:
3.1. que, de acordo com o art.3º § 2º, da Lei nº 10.485 de 03 de julho de 2002, ficaram reduzidas a zero por cento as alíquotas da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista com as vendas dos produtos de que trata o inciso I- caput, do referido artigo;
3.2.sendo assim, por ser comerciante varejista de peças de veículos relacionados nos anexos I e II da Lei supracitada, entende que tem direito à tal redução;
3.3. em levantamento realizado nas saídas de mercadorias, foi verificado que no ano calendário de 2004, o pagamento de 3% da Cofins teve como base de cálculo a receita bruta mensal, daí o valor da Cofins recolhido a maior, conforme levantamento ora demonstrado (planilha que compõe a manifestação de conformidade);
3.4.desta forma, o pagamento da Cofins referente ao mês de fevereiro de 2004 realizado em 15/03/2004, correspondente a R$ 956,88 é superior ao realmente devido que corresponde a R$ 157,95, havendo um pagamento a maior de R$ 798,93;
3.5. informa que pelas razões ora apresentadas procedeu em 06/06/2009 à retificação da DIPJ do exercício de 2005, ano-calendário de 2004(Ficha 26- A) e da DCTF informando a Cofins devida no valor de R$ 157,95
3.6. solicita, em face do exposto, que seja considerada a compensação declarada no Per/Dcomp de nº 21053.66235.131205.1.3.04-9720;
3.7.junta cópia dos recibos da DCTF retificadora correspondentes ao 1º trimestre de 2004.
4. Foram juntadas aos presentes autos por esta julgadora a seguinte duas DCTF apresentadas pela contribuinte relativas ao mês de fevereiro de 2004, datadas 12/05/2004 e 05/06/2009.
A 2ª Turma da DRJ Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 11-33220, de 24 de março de 2011, cuja ementa abaixo transcrevo:
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao sujeito passivo o ônus da prova relativo a direito creditório pleiteado em Pedido Eletrônico de Restituição.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Eventuais erros de preenchimento na DCTF devem ser comprovados pela recorrente, uma vez que esta detém todos os elementos necessários, ou seja, a escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação.
COMPENSAÇÃO. INDÉBITO INCOMPROVADO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. Procede o despacho decisório que não-homologa a compensação de débitos com suposto direito creditório incomprovado pelo sujeito passivo.
Diante da decisão proferida pela primeira instância administrativa, apresentou recurso voluntário onde alega, em breve síntese, que:
A empresa atua no ramo de comércio de peças e acessórios para veículos, logicamente obrigada a efetuar compras aos fornecedores dos produtos de autopeças e próprios para máquinas e veículos autopropulsados, ambos no anexo I e II da Lei nº 10.485 de 03/07/2002, art. 3º, bem como direito ao PIS/Cofins reduzido a 0% as alíquotas, relativamente à receita bruta auferidas dos mesmos produtos;
No direito de deduzir no seu faturamento as vendas de produtos tributados pela alíquota zero, a empresa apresentou na época, retificadora das DCTF e DIPJ, porque recolheu a maior a Cofins do mês de 02/2004. Dentro da possibilidade de provas necessárias e com a finalidade de convencer as autoridade julgadoras, anexamos cópias das notas fiscais de aquisição porque nelas se verificam mercadorias adquiridas com classificações fiscais para o PIS e Cofins.
Termina seu recurso requerendo a procedência total de seu pedido, baseado nas razões recursais apresentadas.
É o relatório.
VOTO
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl.05, do Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa -PB com base nas seguintes constatações, in verbis: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no Per/Dcomp: R$ 798,93. A partir das características do darf discriminado no Per/dcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. 3. Cientificada de tal negativa na data de 01/06/2009, a contribuinte apresentou em 26/06/2009 a manifestação de inconformidade de fl.07/08, na qual alega: 3.1. que, de acordo com o art.3º § 2º, da Lei nº 10.485 de 03 de julho de 2002, ficaram reduzidas a zero por cento as alíquotas da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista com as vendas dos produtos de que trata o inciso I- caput, do referido artigo; 3.2.sendo assim, por ser comerciante varejista de peças de veículos relacionados nos anexos I e II da Lei supracitada, entende que tem direito à tal redução; 3.3. em levantamento realizado nas saídas de mercadorias, foi verificado que no ano calendário de 2004, o pagamento de 3% da Cofins teve como base de cálculo a receita bruta mensal, daí o valor da Cofins recolhido a maior, conforme levantamento ora demonstrado (planilha que compõe a manifestação de conformidade); 3.4.desta forma, o pagamento da Cofins referente ao mês de fevereiro de 2004 realizado em 15/03/2004, correspondente a R$ 956,88 é superior ao realmente devido que corresponde a R$ 157,95, havendo um pagamento a maior de R$ 798,93; 3.5. informa que pelas razões ora apresentadas procedeu em 06/06/2009 à retificação da DIPJ do exercício de 2005, ano-calendário de 2004(Ficha 26- A) e da DCTF informando a Cofins devida no valor de R$ 157,95 3.6. solicita, em face do exposto, que seja considerada a compensação declarada no Per/Dcomp de nº 21053.66235.131205.1.3.04-9720; 3.7.junta cópia dos recibos da DCTF retificadora correspondentes ao 1º trimestre de 2004. 4. Foram juntadas aos presentes autos por esta julgadora a seguinte duas DCTF apresentadas pela contribuinte relativas ao mês de fevereiro de 2004, datadas 12/05/2004 e 05/06/2009. A 2ª Turma da DRJ Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 11-33220, de 24 de março de 2011, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao sujeito passivo o ônus da prova relativo a direito creditório pleiteado em Pedido Eletrônico de Restituição. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Eventuais erros de preenchimento na DCTF devem ser comprovados pela recorrente, uma vez que esta detém todos os elementos necessários, ou seja, a escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO INCOMPROVADO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. Procede o despacho decisório que não-homologa a compensação de débitos com suposto direito creditório incomprovado pelo sujeito passivo. Diante da decisão proferida pela primeira instância administrativa, apresentou recurso voluntário onde alega, em breve síntese, que: A empresa atua no ramo de comércio de peças e acessórios para veículos, logicamente obrigada a efetuar compras aos fornecedores dos produtos de autopeças e próprios para máquinas e veículos autopropulsados, ambos no anexo I e II da Lei nº 10.485 de 03/07/2002, art. 3º, bem como direito ao PIS/Cofins reduzido a 0% as alíquotas, relativamente à receita bruta auferidas dos mesmos produtos; No direito de deduzir no seu faturamento as vendas de produtos tributados pela alíquota zero, a empresa apresentou na época, retificadora das DCTF e DIPJ, porque recolheu a maior a Cofins do mês de 02/2004. Dentro da possibilidade de provas necessárias e com a finalidade de convencer as autoridade julgadoras, anexamos cópias das notas fiscais de aquisição porque nelas se verificam mercadorias adquiridas com classificações fiscais para o PIS e Cofins. Termina seu recurso requerendo a procedência total de seu pedido, baseado nas razões recursais apresentadas. É o relatório. VOTO
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(assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 67 .9 02 15 3/ 20 09 -1 4 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10467.902153/200914 Resolução nº 3402000.496 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Com o objetivo de elucidar os fatos ocorridos até a propositura deste recurso voluntário, reproduzo o relatório da decisão vergastada, verbis: Trata o presente processo de Pedido Restituição e Declaração de Compensação – PER/DCOMP nº 21053.66235.131205.1.3.049720, de fls.01/04, com os seguintes créditos e débitos, respectivamente: COFINS: Data de Arrecadação: 15/03/2004. PIS/Pasep e COFINS Período de Apuração: dezembro de 2005. 2. O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl.05, do Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa PB com base nas seguintes constatações, in verbis: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no Per/Dcomp: R$ 798,93. A partir das características do darf discriminado no Per/dcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação dos débitos informados no Per/Dcomp.” 3. Cientificada de tal negativa na data de 01/06/2009, a contribuinte apresentou em 26/06/2009 a manifestação de inconformidade de fl.07/08, na qual alega: 3.1. que, de acordo com o art.3º § 2º, da Lei nº 10.485 de 03 de julho de 2002, ficaram reduzidas a zero por cento as alíquotas da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista com as vendas dos produtos de que trata o inciso I caput, do referido artigo; 3.2.sendo assim, por ser comerciante varejista de peças de veículos relacionados nos anexos I e II da Lei supracitada, entende que tem direito à tal redução; 3.3. em levantamento realizado nas saídas de mercadorias, foi verificado que no ano calendário de 2004, o pagamento de 3% da Cofins teve como base de cálculo a receita bruta mensal, daí o valor da Cofins recolhido a maior, conforme levantamento ora demonstrado (planilha que compõe a manifestação de conformidade); 3.4.desta forma, o pagamento da Cofins referente ao mês de fevereiro de 2004 realizado em 15/03/2004, correspondente a R$ 956,88 é superior ao realmente devido que corresponde a R$ 157,95, havendo um pagamento a maior de R$ 798,93; 3.5. informa que pelas razões ora apresentadas procedeu em 06/06/2009 à retificação da DIPJ do exercício de 2005, anocalendário de 2004(Ficha 26 A) e da DCTF informando a Cofins devida no valor de R$ 157,95 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10467.902153/200914 Resolução nº 3402000.496 S3C4T2 Fl. 102 3 3.6. solicita, em face do exposto, que seja considerada a compensação declarada no Per/Dcomp de nº 21053.66235.131205.1.3.049720; 3.7.junta cópia dos recibos da DCTF retificadora correspondentes ao 1º trimestre de 2004. 4. Foram juntadas aos presentes autos por esta julgadora a seguinte duas DCTF apresentadas pela contribuinte relativas ao mês de fevereiro de 2004, datadas 12/05/2004 e 05/06/2009. A 2ª Turma da DRJ Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1133220, de 24 de março de 2011, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao sujeito passivo o ônus da prova relativo a direito creditório pleiteado em Pedido Eletrônico de Restituição. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Eventuais erros de preenchimento na DCTF devem ser comprovados pela recorrente, uma vez que esta detém todos os elementos necessários, ou seja, a escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO INCOMPROVADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. Procede o despacho decisório que nãohomologa a compensação de débitos com suposto direito creditório incomprovado pelo sujeito passivo. Diante da decisão proferida pela primeira instância administrativa, apresentou recurso voluntário onde alega, em breve síntese, que: 1) A empresa atua no ramo de comércio de peças e acessórios para veículos, logicamente obrigada a efetuar compras aos fornecedores dos produtos de autopeças e próprios para máquinas e veículos autopropulsados, ambos no anexo I e II da Lei nº 10.485 de 03/07/2002, art. 3º, bem como direito ao PIS/Cofins reduzido a 0% as alíquotas, relativamente à receita bruta auferidas dos mesmos produtos; 2) No direito de deduzir no seu faturamento as vendas de produtos tributados pela alíquota zero, a empresa apresentou na época, retificadora das DCTF e DIPJ, porque recolheu a maior a Cofins do mês de 02/2004. Dentro da possibilidade de provas necessárias e com a finalidade de convencer as autoridade julgadoras, anexamos cópias das notas fiscais de aquisição porque nelas se verificam mercadorias adquiridas com classificações fiscais para o PIS e Cofins. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10467.902153/200914 Resolução nº 3402000.496 S3C4T2 Fl. 103 4 Termina seu recurso requerendo a procedência total de seu pedido, baseado nas razões recursais apresentadas. É o relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Como dito alhures, o contribuinte não foi intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado. Foi exarado um despacho decisório que se restringiu a afirmar, sem análises jurídicas, que foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Delegacia da Receita Federal do Brasil do domicílio fiscal do recorrente deveria ter intimado o contribuinte para apresentar as razões de seu pedido. Não se pode aceitar que seja proferida uma decisão sobre um direito potestativo, baseado apenas em batimento entre comprovante de recolhimento e a DCTF apresentada. A análise tem que passar, necessariamente, pela verdadeira causa de pedir do requisitante, nunca por um batimento eletrônico. A falta de intimação e de uma crítica aos verdadeiros fundamentos jurídicos que poderiam sustentar o pedido do contribuinte, ocasiona o cerceamento do direito de defesa. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega incansavelmente que seu direito deriva de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. E, equivocadamente, efetuou os cálculos do PIS e da Cofins sem excluir as vendas destes produtos. Fato que elevou o valor devido das exações. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do recorrente por falta de provas suficientes para demonstrar o indébito apontado. No recurso voluntário, foram repisados todos os argumentos antes expostos, com a juntada aos autos de cópias digitalizadas de diversas notas fiscais que podem provar suas insistentes alegações. Entendo que esses novos documentos acostados ao processo necessitam de uma analise aprofundada e do cotejo com os livros fiscais, para uma justa verificação do direito alegado pelo recorrente tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário. Neste contexto, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem analise os documentos acostados aos autos quando da propositura do recurso Fl. 115DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10467.902153/200914 Resolução nº 3402000.496 S3C4T2 Fl. 104 5 voluntário e produza um relatório conclusivo sobre a composição das bases de cálculo das exações, observando em especial as operações com produtos com a alíquota zero. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das Sessões, em 28/11/2012 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.004504/2003-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No Auto de Infração (fls. 3) consta valor de imposto retido na fonte para o exercício de 1998, ano calendário de 1997. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1997 dá-se no dia 01/01/1998 e o termo final no dia 31/12/2002.
Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 24/11/2003, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1997.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 19/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 19/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No Auto de Infração (fls. 3) consta valor de imposto retido na fonte para o exercício de 1998, ano calendário de 1997. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1997 dáse no dia 01/01/1998 e o termo final no dia 31/12/2002. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 24/11/2003, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1997. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 45 04 /2 00 3- 11 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 19/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 194 00.104, proferido pela 4ª Turma Especial da 4ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em 09/12/2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “IRPF DECADÊNCIA. No imposto de renda da pessoa física, por se tratar de um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial iniciase a partir da data da ocorrência do fato gerador, que se consolida no dia 31.12 do anocalendário, e termina depois de transcorrido o prazo de cinco anos, conforme prevê o § 4º , do art. 150, do Código Tributário Nacional. Recurso provido.” A PGFN afirma que, quanto a contagem da decadência, o acórdão ora combatido promoveu interpretação acerca do marco inicial desse prazo, apregoando, com espeque no art. 150, §4º do CTN, que tal termo deveria ser a ocorrência do fato gerador, independentemente de ter havido pagamento antecipado pelo contribuinte. Apresenta paradigmas segundo os quais, para as hipóteses de total ausência de recolhimento do tributo, incide o prazo previsto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Seguem abaixo as suas ementas: “TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nq 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.Q 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173,1); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10840.004504/200311 Acórdão n.º 9202002.440 CSRFT2 Fl. 3 3 ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4a) Recurso Especial do Sujeito Passivo Negado.” (AC CSRF/0203.331) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LAPSO MANIFESTO. RERATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. “Constatada a ocorrência de erro no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos interpostos para a devida retificação do julgado anterior. Deve ser acolhida a proposta de saneamento do Acórdão na 20214.058, para suprimir do voto condutor a consideração sobre a semestralidade da base de cálculo do crédito tributário remanescente (08/98 a 05/99 e 08/99, sem modificação da conclusão do acórdão, mantendose a ementa anterior: "PIS PRAZO DECADENCIAL Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, havendo pagamentos, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4a, do CTN, de modo que o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Não havendo pagamentos, configurase a situação em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, com a decadência do direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento. (Precedentes do STJ REsp na 58.9185/RJ, REsp na 199560/SP). Recurso provido nesta parte. PIS LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA A Resolução do Senado Federal ns 49, de 09/10/95, suspendeu a execução dos DecretosLeis nu 2.445/88 e 2.449/88, em função da inconstitucionalidade reconhecida pelo STF, no julgamento do RE na 148.7542/RJ, afastandoos definitivamente do ordenamento jurídico pátrio. 2) A retirada dos referidos decretosleis do mundo jurídico produziu efeitos ex tunc, e funcionou como se nunca houvessem existido, retornandose, assim, a aplicabilidade da sistemática anterior, passando a ser aplicadas as determinações da LC n 7/70, com as modificações deliberadas pela LC n° 17/73. PARAGRAFO ÚNICO DO ART. 6o DA LEI COMPLEMENTAR N° 7/70 A norma do parágrafo único do art. 6a da LC na 7/70 determina a incidência da contribuição sobre o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador faturamento do mês. 2) A base de cálculo da contribuição permaneceu incólume e em pleno vigor até os efeitos da edição da MP nB 1.212/95, quando passou a ser considerado o faturamento do mês (Precedentes do STJ e da CSRF/MF). Recurso ao qual se dá provimento parcial." Embargos acolhidos.” (AC 20218.684) Explica que, enquanto o acórdão recorrido entende que, quanto aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, somente se aplica o artigo 150, § 4°, do CTN, os acórdãos paradigmas advogam que, a depender da existência de pagamento antecipado, deve ser aplicado ou o art. 150, § 4º do CTN, ou o art. 173, I, também do CTN. No mérito, observa que, no caso em apreço, não houve pagamento antecipado de tributo pelo contribuinte quanto aos créditos de IRPF referente ao exercício de 1998. Assim, pondera que, como a ciência do auto de infração ocorreu em 25/11/2003, e os fatos geradores dos tributos excluídos do lançamento pelo acórdão recorrido se aperfeiçoaram em 31/12/97, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado é 01/01/1999, razão pela qual o lançamento poderia ter sido realizado até 31/12/2003. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho n.º 220000.334, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte ofereceu, tempestivamente, contrarazões. Afirma que, consoante a Declaração de Ajuste Anual – ano calendário de 1997, o contribuinte sofreu retenção de imposto de renda na fonte, valor que não foi glosado pela fiscalização. Desse modo, pondera que não há que se falar em ausência de pagamento antecipado. Nesse contexto, sustenta que a posição adotada pelo acórdão hostilizado ajustase perfeitamente à tese sufragada nos arestos paradigmas, visto que apenas determinou a aplicação do art. 150, §4º do CTN em caso no qual houve uma antecipação de pagamento do tributo sujeito à modalidade do lançamento por homologação. Do exposto, conclui que não há divergência entre o aresto atacado e os paradigmas apresentados pela Fazenda Nacional, de maneira que o recurso especial em comento sequer merece ser conhecido. Ademais, no caso concreto argumenta que, mesmo que se entenda que os valores retidos na fonte não configuram a antecipação de recolhimento, tal situação não tem o condão de alterar a disciplina típica do lançamento por homologação, visto que o contribuinte exerceu uma variada gama de atividades tendentes a levantar o crédito tributário eventualmente devido no exercício em questão, ou seja, procedeu a todas as operações que a legislação lhe impunha para determinar a matéria tributável. Salienta que todo esse procedimento podia perfeitamente ser objeto de homologação por parte da autoridade administrativa, algo que, a rigor, acabou ocorrendo de forma tácita, por conta do transcurso do qüinqüênio a que se refere o §4º do artigo 150 do CTN. Frisa que não se aplica ao caso em tela a orientação do STJ de que a regra de decadência a ser aplicada na hipótese de lançamento por homologação sem o pagamento antecipado é a prevista no inciso I do art. 173 do CTN, pois o contribuinte cumpriu todas as obrigações inerentes à quantificação do imposto e procedeu aos respectivos cálculos de acordo com a legislação de regência, sendo que, ao final, apurou que o montante já recolhido durante o ano calendário (retenções na fonte) foi superior ao IRPF devido. Ao final, requer que o recurso especial não seja conhecido, ou que lhe seja negado provimento. Eis o breve relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10840.004504/200311 Acórdão n.º 9202002.440 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No Auto de Infração (fls. 3) consta valor de imposto retido na fonte para o exercício de 1998, ano calendário de 1997. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1997 dáse no dia 01/01/1998 e o termo final no dia 31/12/2002. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 24/11/2003, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato gerador, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1997. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10840.004504/200311 Acórdão n.º 9202002.440 CSRFT2 Fl. 5 7 Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001879/2007-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/01/2002 a 10/12/2004
IPI. SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. HIPÓTESES.
Nos termos do art. 39 da Lei nº 9.532/97, somente poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação quando adquiridos por empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, assim caracterizada pela sua remessa direta do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
IPI. MULTA DE OFÍCIO. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO NÃO CONFIGURADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. ART. 80 DA LEI 4.502/64.
Não tendo sido caracterizada a hipótese de suspensão do IPI, por não ter o produtor entregue os produtos diretamente no embarque ou no recinto alfandegário, não se caracterizando com isso a venda para exportação, configura-se a falta de recolhimento prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64, aplicando-se a multa de ofício.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-001.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti (Relator), Rosaldo Trevisan e Domingos de Sá Filho, que deram provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as operações em relação às quais foram comprovadas as exportações. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Robson José Bayerl Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. HIPÓTESES. Nos termos do art. 39 da Lei nº 9.532/97, somente poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação quando adquiridos por empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, assim caracterizada pela sua remessa direta do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. IPI. MULTA DE OFÍCIO. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO NÃO CONFIGURADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. ART. 80 DA LEI 4.502/64. Não tendo sido caracterizada a hipótese de suspensão do IPI, por não ter o produtor entregue os produtos diretamente no embarque ou no recinto alfandegário, não se caracterizando com isso a venda para exportação, configurase a falta de recolhimento prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64, aplicandose a multa de ofício. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti (Relator), Rosaldo Trevisan e Domingos de Sá Filho, que deram provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as operações em relação às quais foram comprovadas as exportações. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 18 79 /2 00 7- 70 Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Robson José Bayerl – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fl. 1429): O estabelecimento industrial acima qualificado foi autuado por Auditores Fiscais da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul (DRF/CXL), conforme Auto de Infração das fls. 3 a 9 (vol. I), e anexos, para formalização da exigência do IPI, (…), acrescido dos juros de mora e da multa de 75%, por falta de lançamento do imposto, (…). Os motivos da autuação estão expostos no Relatório de Auditoria Fiscal das fls. 43 a 50 (vol. I) e seguem resumidos. A fiscalização apurou que o interessado descumpriu as condições para suspensão do IPI, nas vendas a empresas comerciais exportadoras, por não ter havido a remessa dos produtos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, tendo ocorrido a remessa aos próprios estabelecimentos das empresas comerciais exportadoras adquirentes dos produtos, sendo que muitas delas eram empresas inaptas, inexistentes de fato ou que se declararam inativas. (…) O sujeito passivo tomou ciência do lançamento de oficio em 28 de junho de 2007, conforme consta na fl. 4 (vol. I), e apresentou impugnação tempestiva, em 27 de julho de 2007 (…) Em primeiro lugar, o impugnante afirma que teria ocorrido a decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos de janeiro a junho de 2002, ou seja, há mais de cinco anos da lavratura do Auto de Infração. Além disso, afirma que os produtos industrializados destinados ao exterior são imunes do IPI, sendo que os produtos em questão foram efetivamente exportados, conforme cópias de notas fiscais e de comprovantes de exportação anexados à defesa. O interessado alega, na sequência, que remeteu seus produtos para empresas comerciais exportadoras, o que, em si, dá direito Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11020.001879/200770 Acórdão n.º 3403001.833 S3C4T3 Fl. 10 3 à suspensão do IPI, citando como exemplo a empresa "Foz Global Exportadora de Alimentos Ltda.", que tem por objeto social exclusivamente a exportação de alimentos. Argumenta que depõe contra os termos da lei e conta a finalidade da norma constitucional que imunizou as exportações para o exterior a pretensão fazendária, no sentido de que somente haveria a suspensão do IPI caso o produto fosse encaminhado diretamente ao exterior. Em seguida, o interessado contesta a aplicação da multa de oficio, por falta de lançamento do IPI, por não ter ocorrido a infração, dizendo ainda que o art. 80, I, da Lei 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430, de 1996, foi expressamente revogado pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Por último, pede a improcedência da autuação” (fls. 1428v/1429v). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS (DRJ), por meio do Acórdão 1027.845, de 15 de outubro de 2010, deu parcial provimento à impugnação apenas para retirar do auto de infração os fatos geradores ocorridos mais de 5 anos antes da notificação (1º decêndio de janeiro de 2002 ao 2) decêndio de junho de 2002), mantendo a autuação quanto ao mais, conforme o entendimento sintetizado na sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2002 a 10/12/2004 FALTA DE LANÇAMENTO DO IPI. SUSPENSÃO INDEVIDA VENDAS A EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS, COM SUPOSTO FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Inexiste o direito A suspensão do IPI nas vendas a empresas comerciais exportadoras, com alegado fim especifico de exportação, em relação às quais tenha sido verificado que os produtos não foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. Verificada a antecipação de pagamento do IPI, segundo a legislação desse imposto, e expirado o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, decaindo a Fazenda Pública do direito de exigir eventuais diferenças, por falta de lançamento do IPI nas notas fiscais. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. MULTA DE OFÍCIO. A falta de lançamento do IPI nas notas fiscais é punida com a multa de oficio de 75% do imposto que deixou de ser lançado. Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1455/1466) alegando que: 1) seria beneficiário da imunidade destinada à exportação, prevista no art. 153, § 3º, III, da Constituição e que “Passando a análise do fato concreto, as notas fiscais denunciam que o destino das mercadorias era o exterior, uma vez que foram entregues a empresa comercial exportadora. Ainda, e conforme se vê dos documentos juntados à defesa, ditas mercadorias foram, comprovadamente, exportadas, isso se infere pelas Notas fiscais de exportação e pelos Comprovantes de Exportação expedidos pelo SISCOMEX” (fl. 1457) e que, “tendo em conta que as operações impugnadas pela fiscalização são todas relativas à remessas para empresas comerciais exportadoras, adequada a operação, para fins de reconhecimento do seu enquadramento legal à hipótese da imunidade pela exportação de produtos para o exterior. E, não poderia ser diferente, uma vez que, tomandose, por exemplo, a empresa Foz Global Exportadora de Alimentos Ltda. a qual tem por objeto social tão somente a "exportação de alimentos", como evidentemente denuncia sua razão social depõe contra os termos da lei e contra a finalidade da norma constitucional que imunizou as exportações para o exterior a pretensão fazendária, no sentido de que somente haveria a suspensão do IPI acaso o produto fosse encaminhado diretamente ao exterior” (fl. 1459); 2) que a multa de ofício de 75% não seria aplicável, tendo em vista que “foi fundamentada pelo art. 80, I, da Lei n.° 4.502/64, com redação alterada pela Lei n.° 9.430/96, em seu artigo 45, todavia, esse dispositivo foi expressamente revogado pela Lei 11.488/07” (fl. 1465), de modo que, “pelo fato de não existir dispositivo legal que penalize a conduta da Recorrente, ainda mais que inexistiu a infração, não deve prosperar o presente auto de infração, por falta de tipicidade legal” (fl. 1465) e que “Recorrente não incorreu nas infrações descritas naqueles artigos citados pela Fiscalização, motivo pelo qual, a única conclusão plausível é que não há enquadramento no tipo legal lá descrito” (fl. 1466). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso é tempestivo (fls. 1452 e 1455) motivo pelo qual dele conheço. O contribuinte alega que seria beneficiário da imunidade constitucional prevista no art. 153, § 3º, III, da Constituição, o qual dispõe que o IPI “não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior”, em relação às operações de saída que realizou sob o título de “remessa para o fim de exportação”. A Fiscalização apurou que “o contribuinte apresentou as cópias das Notas Fiscais solicitadas (fl. 116 a 315), onde se confirma a ausência de destaque do IPI. Muito embora nas Notas Fiscais emitidas até 24/05/2002 (fl. 116 a 141) o contribuinte indique como base legal, justificativa para a ausência de destaque de IPI, a imunidade constante do art. 18, inciso II do RIPI/98, na verdade, sendo tais remessas efetuadas a Comerciais Exportadoras, a base legal aplicável , sem dúvida o art. 40, inciso VI, alínea "a" do RIPI/98 ou o art. 42, inciso V. alínea "a" do RIPI/02, legislação esta informada pelo contribuinte nas demais Notas Fiscais (fl. 142 a 315)” (fl. 44; grifo editado). Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11020.001879/200770 Acórdão n.º 3403001.833 S3C4T3 Fl. 11 5 A Fiscalização promoveu o lançamento do IPI em relação a estas vendas, por entender que o contribuinte não atendeu os requisitos previstos no art. 40, inciso VI, alínea "a" do RIPI/98, depois substituído pelo art. 42, inciso V, alínea "a" do RIPI/02, para que houvesse a suspensão do IPI na operação de venda para a empresa comercial exportadora. A razão de tal entendimento, reiterado pela DRJ, reside no fato de que os produtos não foram entregues diretamente no embarque para exportação ou em recinto alfandegado. Diz a Fiscalização que “com base na análise das Notas Fiscais apresentadas pelo contribuinte, constatase que as mesmas tiveram como destino o estabelecimento comercial das Comerciais Exportadoras adquirentes dos produtos, o que também é confirmado pela resposta do próprio contribuinte (fl. 87, item "ii") onde o mesmo afirma que os produtos "foram remetidos diretamente para o Endereço do Estabelecimento Comercial do Comprador", restando inequívoco o descumprimento do requisito indispensável para a fruição do beneficio da suspensão do IPI, constante do § 2° do art. 40 do RIPI/98 ou do § 1° ao art. 42 do RIPI/02, que condiciona tal beneficio à remessa dos produtos diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado” (fls. 44/45). A Fiscalização também identificou graves inconsistências em relação a algumas das empresas comerciais exportadoras envolvidas nestas operações, conforme se transcreve abaixo: A empresa "Capricho Comercio de Alimentos Ltda. CNPJ 00.980.570/000195", para a qual a fiscalizada remeteu, no período fiscalizado (2002 a 2004), o total de R$ 400.725,00 de produtos (fl. 57), i empresa inapta nos sistemas da RFB (Secretaria da Receita Federal do Brasil), com efeitos desde 10/09/2002 (fl. 103). Consultandose os sistemas da Receita Federal do Brasil, constatase que tal suposta Comercial Exportadora não concluiu qualquer exportação no período aqui fiscalizado (fl. 104). A empresa "Comercial Grande de Alimentos Ltda. CNPJ 01.532.329/000166", destinatária da NF 241607, emitida pela fiscalizada em 13/02/2002, no valor de R$ 18.500,00 (fl. 125), ainda no ano de 2002 alterou sua razão social para "Mercearia Kofad Ltda." (fl. 106), atua no comércio varejista (fl. 107). Tal suposta Comercial Exportadora, se declarou INATIVA no ano calendário de 2002 (fl. 108), ano do fornecimento constante da NF 241607. A empresa "Exportadora Isabella Ltda. CNPJ 82.070.764/000118", é empresa INAPTA, com efeitos desde 21/08/2006 por ser INEXISTENTE DE FATO (fl. 110). Em relação ano calendário 2003, ano em que a fiscalizada remeteu lhe R$ 103.150,00 de produtos com o fim especifico de exportação (fl. 57), a mesma sequer apresentou DIPJ (Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica fl. 111). A Comercial Exportadora "Comercial Ópera Ltda. CNPJ 81.682.452/000100", também foi declarada INAPTA, a partir de 11/11/2003, por ser INEXISTENTE DE FATO (fl. 112). A Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 fiscalizada remeteu produtos a esta suposta empresa, nos anos de 2002 e 2003, no valor total de R$ 100.650,00 (fl. 57). No ano calendário de 2002 a compradora (Comercial Ópera Ltda.) declarouse INATIVA e no ano de 2003 sequer apresentou DIPJ (fl. 113). Consultandose os sistemas da Receita Federal do Brasil, constatase que tal suposta Comercial Exportadora não concluiu qualquer exportação no período aqui fiscalizado (fl. 114). A empresa "Alexandre da Cruz & Marques Cia. Ltda. CNPJ 01.245.640/000124" é outra empresa declarada INAPTA, com efeitos desde 20/01/2003 (fl. 115). No entanto a fiscalizada remeteu, a esta empresa, produtos constantes da NF no 283946, emitida em 20/05/2003, no valor de R$ 30.750,00 (fl. 182). Ressaltese que esta suposta "Comercial Exportadora", nos anos de 2002 e 2003, não realizou qualquer operação regular de exportação (fl. 109) Como se pode perceber deste breve relato, muitas das remessas efetuadas a Comerciais Exportadoras, com fim especifico de exportação, foram efetuadas a empresas INAPTAS, INEXISTENTES DE FATO, ou que se declaram INATIVAS. Importante destacar que, ainda que tais exportações tenham sido realizadas, não poderia a fiscalizada ter se beneficiado do instituto da suspensão, uma vez que não cumpriu o requisito indispensável a fruição do beneficio. Tal relato tem o Único intuito de demonstrar a relevância e coerência do requisito legal que condiciona a suspensão do IPI à remessa dos produtos diretamente para embarque de exportação ou recinto alfandegado, como forma de prevenção a possíveis evasões fiscais. Ocorre que a contribuinte juntou com a impugnação os documentos de fls. 360/1429, em que apresenta uma sequência combinada (1) de notas fiscais de vendas realizadas por ela às empresas FOZ GLOBAL EXPORTADORA DE ALIMTS LTDA., MUFFATO E FILHO LTDA., MUFFATO BENTO LTDA., (2) de notas fiscais emitidas por estas empresas comerciais exportadoras para destinatários localizados no exterior, bem como (3) de memorandos destas empresas demonstrando o vínculo entre as notas de venda da contribuinte para a exportadora e as notas de venda da exportadora para o exterior, e (4) comprovantes de exportação (COMPROVANTE DE EXPORTAÇÃODSE) referentes às notas fiscais de venda da exportadora para o exterior. Não apenas os memorandos, mas também as notas fiscais de venda das empresas exportadoras para o exterior indicam as notas fiscais da contribuinte, das quais se originaram os produtos. Tais documentos demonstram a existência de ligação entre a saída dos produtos da contribuinte até a sua efetiva exportação. Ou seja, evidenciam que os produtos que a contribuinte deu saída foram exportados. Isto é substancialmente relevante, pois significa que a operação de saída do contribuinte para a empresa comercial exportadora resultou – concreta e efetivamente – na exportação dos produtos. Ou seja, estáse diante de provas que demonstram que uma parte dos produtos foi efetivamente exportada. Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11020.001879/200770 Acórdão n.º 3403001.833 S3C4T3 Fl. 12 7 Ora, as normas regulamentares estabelecem um itinerário burocrático cuja finalidade é a de assegurar que não seja burlado este efeito final. Quando estas normas estabelecem um determinado formato de negócio jurídico, seu objetivo é o de impedir que haja desvios dos produtos, bem como permitir um controle eficiente pelo Estado, além de segurança na informação de que tenham sido efetivamente exportados. A suspensão do IPI na operação entre o produtor e a comercial exportadora é uma medida que ampara a saída do produto do estabelecimento, sem a qual haveria a incidência do IPI. Exigir que a entrega física do produto acontecesse diretamente no embarque para o exterior, ou em um recinto alfandegário, foi a medida de que se serviu o legislador para resguardar tanto o produtor como a comercial exportadora, garantindo a realização da exportação. Por meio deste mecanismo também se eliminou a dúvida sobre quem seria o responsável pelo imposto, assegurando a arrecadação caso fosse frustrada a exportação. Com efeito, se o produtor não entrega o produto diretamente no embarque ou no recinto alfandegário, já por esta razão se assegurar ao Estado que busque contra o produtor o valor do IPI. Mas se o contribuinte consegue provar que entregou o produto à comercial exportadora e este produto foi exportado, não há porque lançar mão deste mecanismo que asseguraria cobrar do produtor pela frustração da exportação. Com efeito, a suspensão apenas existe por um breve momento, para logo depois transformarse em desoneração definitiva, por força da imunidade conferida às exportações. Mas se trata apenas de um mecanismo para assegurar a arrecadação, prevenindo a hipótese de que seja frustrada a exportação, por meio de um mecanismo formalmente simples, que atribui a responsabilidade ao produtor por força de algo que ele mesmo deixe de fazer, mas que é um mecanismo intermediário, de passagem, que não pode ser elevado acima da própria razão final de toda a estrutura normativa, que não pode prevalecer diante da verificação de que houve a exportação daquele produto que o produtor deu saída. A nota fiscal de saída do produtor indica como “Natureza da operação” o texto “REMESSA C/ FIM ESPECIF. EXPORTAÇÃO” e os memorandos conectam os números destas notas fiscais às notas fiscais de exportação, as quais também indicam o nome da produtora e o número das notas fiscais. As informações estão interrelacionadas e dão conta de que houve a exportação. O conjunto dos documentos demonstra, pois, que o itinerário até chegar à exportação aconteceu de maneira diferente da prevista no regulamento, mas ao mesmo tempo demonstra que houve a exportação dos produtos produzidos pela contribuinte, por meio de empresa comercial exportadora. Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 É importante esclarecer que os documentos que comprovam as exportações referemse às empresas FOZ GLOBAL EXPORTADORA DE ALIMTS LTDA., MUFFATO E FILHO LTDA. e MUFFATO BENTO LTDA. Não se referem, portanto, àquelas empresas indicadas pela Fiscalização, em relação às quais verificouse nunca haver realizado nenhuma operação de exportação no período fiscalizado, ou que estariam inativas ou inexistentes de fato. Concluo, pois, que deve ser dado provimento parcial do recurso, por entender que não pode haver exigência de IPI em relação às operações de saída da contribuinte em relação às quais foram comprovadas a exportação, conforme as notas fiscais apresentadas pelo recorrente com a sua impugnação, devendo ser mantido o auto de infração quanto às demais operações. No que se refere à aplicação da multa de ofício, o contribuinte alega que não seria aplicável, tendo em vista que “foi fundamentada pelo art. 80, I, da Lei n.° 4.502/64, com redação alterada pela Lei n.° 9.430/96, em seu artigo 45, todavia, esse dispositivo foi expressamente revogado pela Lei 11.488/07” (fl. 1465), de modo que, “pelo fato de não existir dispositivo legal que penalize a conduta da Recorrente, ainda mais que inexistiu a infração, não deve prosperar o presente auto de infração, por falta de tipicidade legal” (fl. 1465). Não tem razão o contribuinte, pois, não tendo sido caracterizada a hipótese de suspensão do IPI, por não ter o produtor entregue os produtos diretamente no embarque ou no recinto alfandegário, não se caracterizando com isso a venda para exportação, configurase a falta de recolhimento prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64, aplicandose a multa de ofício. O caput do art. 80 da Lei nº 4.502/64 não foi revogado pela Lei nº 11.488/2007, tendo remanescido vigente com a seguinte redação Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. Na medida, pois, em que não se configurou a hipótese de suspensão do IPI, é patente que houve falta de recolhimento do imposto, o que dá causa à aplicação da multa de ofício. Pelas razões expostas, voto pelo provimento parcial do recurso, por entender que não pode haver exigência de IPI em relação às operações de saída da contribuinte em relação às quais foram comprovadas a exportação, conforme as notas fiscais apresentadas pelo recorrente com a sua impugnação, devendo ser mantido o auto de infração quanto às demais operações, mantida a aplicação da multa de ofício. Ivan Allegretti Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator Designado Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11020.001879/200770 Acórdão n.º 3403001.833 S3C4T3 Fl. 13 9 Nada obstante os plausíveis argumentos deduzidos pelo douto conselheiro relator, divirjo de sua compreensão acerca da possibilidade da fruição da suspensão de imposto vindicada quando devidamente comprovadas as exportações realizadas. Nos termos do art. 39 da Lei nº 9.532/97, a garantia de suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI está atrelada à venda com o fim específico de exportação, assim entendida a remessa dos produtos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. No caso vertente, os produtos foram remetidos a estabelecimento não alfandegado da pessoa jurídica adquirente, ainda que posteriormente comprovada a sua exportação. Mesmo louvável o raciocínio ora vergastado, a verdade é que sua adoção criaria a estranha figura da “suspensão condicional” do imposto, eis que vincularia sua eficácia à ocorrência de um evento futuro e incerto, consistente na exportação posterior dos produtos pelo adquirente, sendo hipótese de condição resolutória, porquanto indigitada suspensão subsistiria desde o momento da saída dos produtos do estabelecimento vendedor e extinguirse ia com a não comprovação da operação de exportação pela empresa comercial exportadora. Contudo, o dispositivo adrede arrolado não abre margem a tal possibilidade, pois é categórico em relacionar em quais situações a suspensão poderá ser aproveitada: remessa para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. E só. Em qualquer outra hipótese o imposto deve ser destacado normalmente. Logo, uma vez não observado o requisito necessário para o gozo da suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, cabível a exigência do tributo devido com os consectários legais, como formalizado no presente lançamento. Com estas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente e m 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10875.000127/2002-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1997
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECRETO-LEI nº 2.445/88 e DECRETO-LEI nº 2.449/88. CONSTITUÇÃO. DISPENSA.
Improcedente o lançamento em auto de infração ou notificação de lançamento do crédito tributário correspondente à parcela de contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do Decreto-Lei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do Decreto-Lei nº 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, haja vista expressa disposição legal dispensando sua constituição.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
EDITADO EM: 12/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Elias Fernandes Eufrásio. Ausente a Conselheira Nanci Gama.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1997 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECRETO-LEI nº 2.445/88 e DECRETO-LEI nº 2.449/88. CONSTITUÇÃO. DISPENSA. Improcedente o lançamento em auto de infração ou notificação de lançamento do crédito tributário correspondente à parcela de contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do Decreto-Lei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do Decreto-Lei nº 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, haja vista expressa disposição legal dispensando sua constituição. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Relator. EDITADO EM: 12/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Elias Fernandes Eufrásio. Ausente a Conselheira Nanci Gama.
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DECRETOLEI nº 2.445/88 e DECRETOLEI nº 2.449/88. CONSTITUÇÃO. DISPENSA. Improcedente o lançamento em auto de infração ou notificação de lançamento do crédito tributário correspondente à parcela de contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, haja vista expressa disposição legal dispensando sua constituição. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 12/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Elias Fernandes Eufrásio. Ausente a Conselheira Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 01 27 /2 00 2- 63 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração relativo à Contribuição para o PIS, lavrado em 29/10/2001(fls. 107), cientificado ao contribuinte por via postal em 14/12/2001 (fls. 115), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 64,72, em virtude de não confirmação do processo judicial indicado para fins de suspensão da exigibilidade do débito declarado para o período de maio de 1997. Em oposição ao lançamento foi protocolizada em 03/01/2002 a impugnação de fls. 01/07, acompanhada dos documentos de fls. 08/113, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. Argúi em preliminar a nulidade do Auto de Infração por inobservância das normas legais de regência por deixar de ressalvar que a exigibilidade do crédito tributário estaria suspensa por sentença judicial. No mérito, assevera que os valores lançados foram objeto de compensação realizada com amparo em sentença judicial, alegando que: ajuizou Medida Cautelar Inominada, processo nº 96.0014052, visando a concessão de liminar para compensar, sem os requisitos da Instrução Normativa nº 67/92, o PIS indevidamente recolhido, com o próprio PIS, em conformidade com o art. 66 da Lei 8.383/91, tendo obtido a liminar; a ação foi julgada improcedente em primeiro grau, ensejando interposição de recurso de apelação, ao qual foi dado provimento pelo TRF, tendo ocorrido trânsito em julgado; paralelamente, foi ajuizada ação principal Declaratória cumulada com pedido de repetição de indébito, que não foi apensada à Medida cautelar, e aguarda apreciação em primeiro grau. Reportase à suspensão da exigibilidade do crédito tributário em função do art. 151, V, do CTN. Finaliza requerendo o cancelamento do Auto de Infração. Em análise prévia, a autoridade preparadora, fazendo menção à Medida Cautelar Inominada, informou, às fls. 123/124, ter apurado que a contribuinte obteve o direito de compensar com o PIS vincendos, conforme sentenças da primeira e segunda instâncias, observadas as seguintes datas: 05/06/96 obteve liminar favorável em primeira instância e em 23/09/96 a sentença foi julgada improcedente, fls. 120; em 23/09/98 teve Acórdão favorável, fls. 66 e 122. O Auto de Infração teve por base a DCTFs entregue em 24/12/97, portanto a compensação foi efetuada fora do prazo autorizado judicialmente. Aponta, ainda, ausência, nos autos, de provas da existência dos supostos créditos de PIS. Por meio do despacho de fls. 126, foi o processo remetido para julgamento. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10875.000127/200263 Acórdão n.º 3102001.633 S3C1T2 Fl. 3 3 DCTF. REVISÃO INTERNA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Incabível discutir aspectos que poderiam ensejar a nulidade do lançamento, se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. LANÇAMENTO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, ainda que restasse confirmada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não obstaculiza a formalização do lançamento, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de suspensão da exigibilidade não comprovada, apurada em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. O processo versa sobre crédito constituído em auto de infração ainda que declarado em DCTF pela autuada, cuja exigência está suspensa por medida judicial ainda não transitada em julgado, discutindo a legalidade da majoração da Contribuição ao Programa de Integração Social promovida pelos DecretosLei nº 2445 e 2.449, ambos de 1988. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou pertinente o lançamento, pois, embora o crédito esteja definitivamente constituído na declaração em DCTF e, por força disso, exigível desde que o administrado não logre êxito no processo judicial, o lançamento obedeceu à regra então vigente, que, segundo entendimento da administração, determinava o lançamento dos tributos, mesmo que declarados pelo contribuinte. Outro processo do mesma empresa foi julgado por esta mesma Turma, e o auto de infração mantido conforme a seguir reproduzido. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 O crédito tributário correspondente à multa de ofício contida no auto de infração foi exonerado em primeira instância. Sendo seu valor inferior ao limite de alçada, não há recurso de ofício a esse respeito, razão porque remanesce apenas a discussão acerca da Contribuição exigida. A data do trânsito em julgado da ação que reconheceu o direito de crédito do contribuinte perante a Fazenda Pública ocorreu em 31/08/1999, posterior, portanto, à data de compensação com os débitos exigidos. Ademais, pacífico o entendimento de que a compensação depende da adoção de procedimentos que impeçam a utilização do direito de crédito em duplicidade, como bem lecionado no voto condutor da decisão recorrida. Noutro giro, em sede de recurso voluntário a recorrente não renova pedido de decretação da nulidade do auto de infração em face da confissão de dívida constituída em DCTF. Quanto a isso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento assim manifestouse em relação à consignação do débito em dois instrumentos distintos, hábeis à formalização da exigência. Em sua defesa, reportase o interessado a compensação com crédito decorrente da ação judicial de Repetição de Indébito nº 92.00794963 e argúi tanto a nulidade como improcedência da autuação invocando disposições da IN SRF 32/97 e das Leis 8.383/91 e 9.430/96. Inicialmente com referência à arguição de nulidade do lançamento, cumpre observar que sua formalização decorre do que dispunha a Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Todavia, o escopo de tal dispositivo foi reduzido pela Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, que assim dispôs: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. [...] E, neste contexto, prevaleceu administrativamente o entendimento de que a DCTF teria mantido o caráter de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário nela declarado, atribuído pelo art. 5o, § 1o, do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, inclusive durante a vigência do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Assim, embora o presente lançamento de ofício tenha por objeto o mesmo crédito tributário já confessado pelo sujeito passivo em sua declaração encaminhada à Receita Federal, atendeu à exigência de formalização então preconizada no referido art. 90 da Medida Provisória nº 2.158/2001, posteriormente sobrepujada pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10875.000127/200263 Acórdão n.º 3102001.633 S3C1T2 Fl. 4 5 Portanto, em razão da nova ordem legal que rege a revisão/lançamento das DCTF, superadas estão eventuais nulidades havidas no lançamento ora impugnado. Descabe, pois, discutir sua validade, se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. Cumpre, apenas, apreciar os argumentos de mérito para decidir sobre a procedência da exigência. Pelas razões expostas, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sobrevém, contudo, aqui, argumento veiculado no Recurso Voluntário, do qual não se tem lembrança ter feito parte da defesa apresentada no outro processo, de que a Instrução Normativa n 31, de 08 de abril de 1997 ( e não 32, como acima), dispensava a constituição do crédito em litígio, nos seguintes termos. "Ad argumentandum" o presente processo administrativo é NULO por contrariar o próprio entendimento do Fisco Federal consubstanciado na IN/SRF N9 31 de 08 de abril de 1997, a qual determina a dispensa da constituição de créditos da Fazenda Nacional e ocancelamento do lançamento nos casos que específica: Com efeito, melhor analisando o caso, chego a conclusão de que não só a Instrução Normativa, mas a própria MP 1.175/95 dispensava a constituição do crédito tributário decorrente da majoração introduzida pelos citados Decretos, desde 27 de outubro de 1995. Portanto, muito antes do lançamento de que aqui se trata. Art. 17. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: (grifos meus) (...) VIII à parcela de contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970. Pelo exposto, sem adentrar à questão da pertinência ou não da constituição em auto de infração de dívidas já constituídas por declarações prestadas pelo sujeito passivo, não vejo como manter um crédito quando a própria Lei dispensava sua constituição. VOTO POR DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 26 de setembro de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 35380.000602/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1991 a 31/05/2001
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo quinquenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.
CARACTERIZAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS COMO SEGURADOS EMPREGADOS.
Para que seja considerado, o contribuinte individual, como segurado empregado, é necessário que ele possua cumulativamente as seguintes características: subordinação, não eventualidade, onerosidade e pessoalidade. A ausência de qualquer um desses requisitos acaba inevitavelmente descaracterizando a relação jurídica de emprego.
No caso dos autos, faltando o requisito da pessoalidade não há que se falar em relação de emprego entre os contribuintes individuais e o sujeito passivo.
Numero da decisão: 2301-003.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que negavam provimento ao recurso. Impedido: Mauro José Silva, com base no Art. 43 do RICARF.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Aontonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1991 a 31/05/2001 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo quinquenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. CARACTERIZAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS COMO SEGURADOS EMPREGADOS. Para que seja considerado, o contribuinte individual, como segurado empregado, é necessário que ele possua cumulativamente as seguintes características: subordinação, não eventualidade, onerosidade e pessoalidade. A ausência de qualquer um desses requisitos acaba inevitavelmente descaracterizando a relação jurídica de emprego. No caso dos autos, faltando o requisito da pessoalidade não há que se falar em relação de emprego entre os contribuintes individuais e o sujeito passivo.
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Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplicase o prazo quinquenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. CARACTERIZAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS COMO SEGURADOS EMPREGADOS. Para que seja considerado, o contribuinte individual, como segurado empregado, é necessário que ele possua cumulativamente as seguintes características: subordinação, não eventualidade, onerosidade e pessoalidade. A ausência de qualquer um desses requisitos acaba inevitavelmente descaracterizando a relação jurídica de emprego. No caso dos autos, faltando o requisito da pessoalidade não há que se falar em relação de emprego entre os contribuintes individuais e o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que negavam provimento ao recurso. Impedido: Mauro José Silva, com base no Art. 43 do RICARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 38 0. 00 06 02 /2 00 6- 18 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Aontonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.137.3861, a qual exige contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas ao custeio Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a outras Entidades e Fundos (FNE, INCRA, SESC E SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas aos trabalhados autônomos, os quais, após a conclusão dos trabalhos fiscais, foram caracterizados como segurados empregados, o que resultou, após ser revertido o valor total recolhido a título de autônomo como empregado, na constituição da diferença do crédito previdenciário, relativo ao período de 01/1991 a 05/2001. Nesse sentido, informa o Relatório Fiscal de fls. 125 a 136 que: “Os fatos geradores do presente lançamento foram apurados com base nas remunerações pagas aos segurados considerados trabalhadores autônomos pela Entidade extraídas dos lançamentos contábeis realizados nas contas "Plantões" e "Contas Correntes — Docentes Prest. Serv. Conv.", localizadas nos Livros Diário referentes ao período da prestação de serviços (relacionados no item 3 Elementos examinados), Relatórios de Serviços Prestados e Relatórios de Plantões Médicos, emitidas pela Entidade ora notificada, nos quais verificamos o tipo do serviço prestado e sua correspondente remuneração.” Com a realização da fiscalização, foi constatada a seguinte situação fática: “Esta fiscalização observou que a Entidade conforme artigo 4° e seus Estatutos "São finalidades básicas da Fundação colaborar para a melhoria das condições gerais e administrativas do Hospital das Clinicas e da Faculdade de Medicina da UNESP em Botucatu, para que possam atingir os objetivos definidos peia própria Faculdade de Medicina de Botucatu da UNESP. "... que em seu artigo 5°, “A fundação atuará, para efeitos do artigo quarto, mediante 'subvenções governamentais, auxílios recebidos, convênios e/ou contratos com Instituições públicas ou privadas."... que em seu artigo 13º "A Diretoria Executiva compete: X Contratar serviços, pessoal e criar comissões de caráter permanente ou transitório, para consecução das atividades inerentes aos objetos da Fundação, ouvido o Conselho de Curadores;"... que em seu artigo 16° "0 regime Jurídico do Pessoal da Fundação será o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT.", deixando claro o seu campo de atuação e o regime de contratação do seu pessoal”. (Grifo original) Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 35380.000602/200618 Acórdão n.º 2301003.078 S2C3T1 Fl. 509 3 Dando continuidade os trabalhos de fiscalização, a D. Autoridade Fiscal, ao examinar a possível configuração dos requisitos necessários para a caracterização dos segurados autônomos como empregados, concluiu que: “De tal análise, elencamos os segurados que prestaram serviços nãoeventuais, visando atender as atividades normais da Entidade conforme prevê os seus Estatutos, relacionadas diretamente com os seus fins previstos em seus atos constitutivos. A situação encontrada pela fiscalização é de que a prestação de serviços é feita de forma continuada, não esporádica, com subordinação e pagamento mensal de remuneração, constituindose em necessidade permanente da Entidade para finalidade em que foi criada, atendendo as necessidades da Faculdade de Medicina e do Hospital das Clinicas. Os docente e os mesmos como plantonistas deste Hospital de forma continuada e insofismável, documentos anexos, subordinamse as normas do mesmo, ou seja sob sua direção e comando na determinação da atuação concreta do profissional, controle na prestação do serviço e, ainda, na possibilidade de aplicação de penalidades pelo descumprimento de suas obrigações; mediante remuneração para tanto. Enfim: o tempo de duração do trabalho, bem como o fato de ser intercalado, por si só, não afastam a natureza empregatícia da relação jurídica. Portanto, temse por configurada a subordinação de tais trabalhadores, posto que participam integradamente do processo da Entidade, cumprindo funções indispensáveis e só através deles poder realizar seus fins.” O sujeito passivo apresentou impugnação sustentando, em síntese, a ocorrência de litispendência, haja vista a existência de ações judiciais discutindo o vínculo empregatício dos médicos que prestavam serviços à Impugnante, bem como a ausência do preenchimento dos requisitos necessários para a configuração do vínculo empregatícios nos termos do artigo 3º da CLT. Em 31/08/2001, foi expedido Ofício nº 316/2001 solicitando, no prazo de 3 (três) dias, a juntada da cópia do Convênio firmado entre UNESP e FAMESP, citado no arrazoado da Impugnação. Em atendimento ao referido ofício, o sujeito passivo protocolou petição requerendo a juntada do Convênio, conforme se denota das fls. 274 a 331. Em 20/11/2001, a Diretoria de Arrecadação Gerência Executiva em Bauru/SP proferiu decisão (fls. 338/354) que julgou procedente o lançamento do crédito previdenciário constituído por meio do NFLD nº 35.137.3861. Em face desse r. julgado, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, objetivando reformar o r. decisório de 1ª Instância Administrativa. A 2ª Câmara de julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social converteu o julgamento em diligência, determinandose a remessa dos autos do presente processo fiscal à Divisão de Assuntos Jurídicos do CRPS, para que este Órgão se pronunciasse sobre a matéria ora debatida, sobretudo no que se refere aos provimentos judiciais proferidos nas ações trabalhistas que examinam o vínculo empregatício dos médicos. Em parecer de fls. 388/390, a Divisão de Assuntos Jurídicos do CRPS opinou no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário do sujeito passivo, para julgar improcedente o lançamento tributário. Por entender que a matéria discutida nos autos envolveria questão previdenciária de relevante interesse público, o Ministério da Previdência Social também foi chamado a se manifestar sobre o tema, nos termos do artigo 309 do Decreto 3.048/1999. Assim, em 02/09/2003, expediu a Informação AJ/CRPS nº 533/2002, por meio da qual se Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 pronunciou no sentido de que o mérito do assunto julgado deveria ser enfrentado pelos membros da 2ª Câmara de Julgamento, sem a participação ministerial para a solução da lide. A 2ª Câmara de Julgamento encaminha novamente o processo em referência à Divisão de Assuntos Jurídicos, em virtude da conclusão de "ser equivocado o entendimento consubstanciado nos Pareceres/CJ MPAS n° 956/97 e 1544/98, vez que, diante do óbice constitucional, não e lícita a vinculação de segurados a órgãos da Administração Pública direta e indireta como "empregados" fossem sem a previa aprovação em concurso público e, por conseguinte, do lançamento fiscal efetuado sob tal fundamento." Em resposta, a Divisão de Assuntos Jurídicos proferiu novo parecer concordando com a conclusão da Informação DAJ/AO nº 306/2003, emitida no processo oriundo da NFLD nº 32.282.1191, no sentido de que “306/2003, emitida no processo oriundo da NFLD n°. 32.282.1191, no sentido de que "...o assunto deve ser enfrentado, no mérito, pelos membros da Segunda CAJ, sem a participação ministerial para a solução da lide." Em 20/02/2006, o sujeito passivo foi intimado a, dentro do prazo 10 (dez) dias, se manifestar sobre os pareceres supramencionados. Assim, em 06/03/2006, o sujeito passivo protocolou a sua manifestação. Após, o 2ª Conselho de Contribuintes proferiu acórdão no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e anular a decisão de primeira instância, ante a ocorrência de vícios de cerceamento de defesa, por conta da falta de intimação sobre diligência realizada. Por conta disso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil realizou novo julgamento, no qual foi proferido novo v. acórdão que manteve parcialmente o lançamento do crédito previdenciário lançado na NFLD nº 35.137.3861. Objetivando a reforma da decisão a quo o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário a esse Conselho, por meio do qual reitera os argumentos já despendidos anteriormente. Diante da parcial manutenção do crédito tributário consignado na NFLD nº 35.137.3861, também, a DRJ recorre de ofício ao presente CARF, tendo em vista o valor ultrapassar o limite de alçada. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Os recursos são tempestivos e não há óbices para seus respectivos conhecimentos. Decadência Passo ao exame preliminar da decadência, matéria devolvida a esse Conselho por força de Recurso de Ofício. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 35380.000602/200618 Acórdão n.º 2301003.078 S2C3T1 Fl. 510 5 Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 35380.000602/200618 Acórdão n.º 2301003.078 S2C3T1 Fl. 511 7 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos a autoridade fiscal, conforme se apura às fl. 68 verificou durante o procedimento fiscalizatório os pagamentos efetuados mediante GPS, considerando, assim, a totalidade da folha de salários do sujeito passivo, efetuando o lançamento das diferenças encontradas. Assim, a meu ver, não há dúvidas, pois, de que houve pagamento antecipado e, portanto, deve incidir o prazo quinquenal do artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Nesses termos a r. decisão recorrida: “Assim, da análise da NFLD em foco, com ciência do contribuinte datada de 28/06/2001 e constituindo contribuições sociais que remontam ao período compreendido entre janeiro/1991 a maio/2001, aplico ao caso a regra especifica do § 4° do artigo 150, mormente porque a antecipação dos recolhimentos é evidenciada selos anexos da Notifica do Fiscal, e afasto do lançamento as contribuições sociais nela vertidas até a competência maio/1996, consoante novel entendimento.” Sabendose que na espécie o período verificado está compreendido entre janeiro de 1991 a maio de 2001 e que a ora recorrente foi intimada da NFLD em 28 de junho de 2001, verificase que está decaído o período de janeiro de 2000 a maio de 1996, razão pela qual nego provimento ao recurso de ofício. Relação de vínculo empregatício Em relação à parte não decaída, verificase que, por se tratar de cobrança de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais caracterizados, pela D. Fiscalização, como segurado empregado, o cerne da questão reside, assim, em saber se os prestadores de serviços enquadramse ou não na figura jurídica de empregado previsto no artigo 3º da CLT, para efeitos da incidência das contribuições sociais a cargo da empresa, nos moldes como cobrado por meio desse lançamento. Segundo o relatório fiscal, essa contribuição previdenciária é devida tendo em vista a constatação do seguinte: “A situação encontrada pela fiscalização é de que a prestação de serviços é feita de forma continuada, não esporádica, com subordinação e pagamento mensal de remuneração, constituindose em necessidade permanente da Entidade para finalidade em que foi criada, atendendo as necessidades da Faculdade de Medicina e do Hospital das Clínicas. Os docentes e os mesmos como plantonistas deste Hospital de forma continuada e insofismável, documentos anexos, subordinamse as normas do mesmo, ou seja, sob sua direção e comando na determinação da atuação concreta do profissional, controle na prestação do serviço e, ainda, na possibilidade de aplicação de penalidades pelo descumprimento de suas obrigações, mediante remuneração para tanto. Enfim, o tempo de duração do trabalho, bem como o fato de ser intercalado, por si só, não afastam a natureza empregatícia da relação jurídica.” À vista dos argumentos esposados no relatório fiscal, percebese claramente que, para fundamentar a incidência da contribuição previdenciária em julgamento, a Fiscalização examinou a presença de todos os requisitos necessários para a caracterização do segurado empregado que se encontra disposto no artigo 3º da CLT que prevê: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 35380.000602/200618 Acórdão n.º 2301003.078 S2C3T1 Fl. 512 9 “Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.” Para que seja considerado, o prestador de serviços, como empregado nos termos da legislação trabalhista, é necessário que ele possua cumulativamente as seguintes características: subordinação, não eventualidade, onerosidade, pessoalidade e que ele seja pessoa física. A ausência de qualquer um desses requisitos anteriormente citado, acaba inevitavelmente descaracterizando a relação jurídica de emprego. Partindo dessa premissa básica e analisando os autos constatei, porém, a inexistência de um dos requisitos necessários para enquadrar os segurados contribuintes individuais como segurados empregados, qual seja, a pessoalidade. Isso acontece porque, conforme se denota do Convênio firmado entre a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar recorrente (fls. 292 a 298), verificase que as suas normas estabelecem (Cláusula 11ª, inciso I, alínea “d”) que caberia a UNESP indicar à FAMESP a equipe de docentes especialistas que iria atuar nos plantões, conforme se depreende dos trechos extraídos do mencionado convênio. Vejase: “CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA – DAS OBRIGAÇÕES DA UNESP São obrigações da UNESP: (...) d) indicar à FAMESP, por intermédio dos Departamentos de Ensino da Faculdade de Medicina e aprovação de sua Congregação, bem como com aprovação do Conselho de Administração do Hospital, a equipe de plantonistas especialistas que deverá atuar nos plantões;” Apurase que a prestação de serviços em plantões não era, à época dos fatos, realizada de forma constante por determinado médico, mas por qualquer membro pertence à equipe especializada indicada pela UNESP, o que demonstra, ante a ausência de prova em contrário, que qualquer docente do grupo de especialistas poderia ser colocado à disposição do sujeito passivo para efetuar o atendimento hospitalar. Isso releva, a meu ver, que o sistema de atendimento de plantões não se vinculava a determinado profissional da área médica, ou seja, intuitu personae, mas sim a qualquer um indicado pela UNESP. Para o sujeito passivo bastava que o profissional fosse indicado pela Universidade para prestar o atendimento na modalidade de plantão. Com base nisso, não vejo, in casu, a pessoalidade no atendimento dos plantões, em relação aos membros da equipe, pois qualquer um poderia ser substituído. Por conta da ausência desse requisito, tenho que a relação de emprego sustentada no NFLD não pode ser mantida, pois não foram preenchidos todos os requisitos do artigo 3º da CLT. Corroborando todo o exposto, cabe ainda registrar que, em decorrência do trâmite de processos trabalhistas que não reconheceram o vínculo empregatício dos docentes, a Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 10 Assessoria Jurídica da Previdência opinou pelo total procedência do Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, conforme se vê abaixo: “Em outra Demanda, cujos Reclamantes são ARISTIDES AUGUSTO PALHARES NETO e FRANCISCO HABERMANN, também contra a interessada e a UNESP, proc 582/99 (fls. 248/253), destacamos alguns trechos: “Os reclamantes, médicos, estão vinculados à 2ª Reclamada, e o vínculo que os une é celetista.” ...“ Aristides foi vinculados em 21/05/1992 (fl. 216).” ... “Francisco foi admitido em 31/12/69 (fls. 30 e 216).” Agora, querem o reconhecimento de um segundo vínculo de emprego, com a 1ª reclamada, respondendo a 2ª solidariamente." ... “Queremno porque realizam plantões e acham que, por receberem a remuneração a eles corresponde da 1ª reclamada, a quem estariam subordinados, com esta há a formação de outro vínculo de emprego, paralelo ao vínculo de emprego já existente.” ... “O trabalhador, inclusive o médico, pode ter mais de um emprego. A lei o permite, desde que haja compatibilidade de horários, é obvio, e desde que haja, em casos como o destes autos, observância do art. 37, II, XI, XVI e XVII, da Constituição federal.”... “Têm os reclamantes dois empregos, um com a 2ª reclamada e outro com a 1ª ? ... “Não, têm apenas um emprego, com a 2ª reclamada.” ... “Dizer que os plantões têm o condão de fazer nascer um novo emprego é algo que não encontra amparo na lei.”” Diante da não comprovação cumulativa de todos os requisitos previstos no artigo 3º da CTL, sobretudo o da pessoalidade, não há como admitir a existência de vínculo empregatício. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER os recursos de ofício e voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso fazendário e DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao recurso do sujeito passivo, cancelandose, assim, integralmente o crédito constituído nesse lançamento. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 10DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10725.000819/2005-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Constatado lapso manifesto na apreciação de prova constante dos autos, devem ser acolhidos os embargos.
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Comprovado, através de laudos oficiais, que a contribuinte é portadora de doença grave prevista em lei e que seus rendimentos são decorrentes de pensão alimentícia judicial, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88.
Embargos Acolhidos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-001.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos Declaratórios para, retificando o Acórdão 2201-01.529, de 12/03/2012, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer a isenção relativa aos rendimentos de pensão alimentícia judicial, a partir de julho de 2000.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
EDITADO EM: 10/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Constatado lapso manifesto na apreciação de prova constante dos autos, devem ser acolhidos os embargos. IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Comprovado, através de laudos oficiais, que a contribuinte é portadora de doença grave prevista em lei e que seus rendimentos são decorrentes de pensão alimentícia judicial, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos Declaratórios para, retificando o Acórdão 220101.529, de 12/03/2012, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer a isenção relativa aos rendimentos de pensão alimentícia judicial, a partir de julho de 2000. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO– Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 10/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 08 19 /2 00 5- 78 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos por mim, Relatora, com base no art. 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em face do Acórdão nº 220101.529, julgado por essa Turma em 12/03/2012, no qual, por lapso manifesto, utilizei de premissa equivocada para a conclusão do julgamento, em detrimento de elemento de prova constante dos autos. A controvérsia nos autos restringese em determinar se a contribuinte tinha ou não, direito à isenção do IRPF por moléstia grave, no anocalendário de 2000. No meu voto, utilizei a premissa da falta de comprovação da natureza do rendimento recebido pela contribuinte, para concluir que a mesma não atendia os requisitos para usufruir da isenção prevista no inciso XXXIII do artigo 39 do RIR/99, in verbis: “Conforme acima explanado, o pressuposto desde a decisão de primeira instância para o não reconhecimento da isenção foi de que não restou comprovado que a natureza dos rendimentos recebidos pela contribuinte, são relativos a aposentadoria ou pensão, visto que na DIRF (fls.70), apresentada pela fonte pagadora consta a informação de que se trata de rendimentos do trabalho assalariado. Assim, não há reparos a fazer ao lançamento.” Ao rever os autos, percebi que tal premissa carecia de validade, uma vez que consta, às fls.88 dos autos, Declaração,emitida pela Divisão de Pessoal da Magistratura do Departamento de Administração de Pessoal da Diretoria Geral de Gestão de Pessoas do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, em 11 de dezembro de 2009, atestando que os rendimentos recebidos pela contribuinte são relativos a pensão alimentícia, nos seguintes termos: “Declaro, para fins de prova junto a Receita Federal que VANDA PASSOS PERES percebe pensão alimentícia desde agosto de 1986 de acordo com o Oficio 492/85/R do Juízo da 1a Vara de Família da Comarca de Campos do Goytacazes de 25 de junho de 1986, no percentual de 50%, paga pelo Exm°. Desembargador aposentado ANTÔNIO SAMPAIO PERES, matricula 11046, membro deste Egrégio Tribunal de Justiça desde 30 de julho de 1962.” Para esclarecer os fatos em apreciação, transcrevo o relatório constante do acórdão embargado: Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado Auto de Infração (fls.10/17) relativo ao IRPF, exercício 2001, tendo sido apurado crédito tributário no montante total de R$ 52.768,44, incluindo juros e multa pertinentes, originado da omissão de rendimentos no valor de R$55.888,13 recebidos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e dedução indevida R$11.173,78 a título de carneleão. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10725.000819/200578 Acórdão n.º 2201001.823 S2C2T1 Fl. 111 3 Intimada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação, fls.01/02, argumentado em síntese que é Portadora de Doença Grave e que declarou apenas o valor de R$45.088,14 como tributáveis, por ter sido considerada portadora de moléstia grave desde julho de 2000, por meio do processo administrativo n.10725.002242/9966. No curso do procedimento fiscal, a contribuinte foi intimada a apresentar o comprovante de rendimentos do exercício 2001, anocalendário 2000, recebidos da fonte pagadora Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (fls.67) e quedouse inerte, sendo assim, enviado para Delegacia de Julgamento (fls.69). Após analisar a matéria, os Membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/RJO RJ2 n° 13 26.871 de 19 de outubro de 2009, fls. 71/72, pelas razoes sintetizadas no seguinte enxerto do voto condutor: “Com relação à moléstia grave ficou comprovado que a partir de julho de 2000 a contribuinte poderia ser considerada portadora do Mal de Parkinson, conforme documento de fl.56, emitido pela Junta Médica da GRA/ NUCAM (fl.56) Quanto a natureza dos rendimentos recebidos não foi provada que é de aposentadoria ou pensão, a contribuinte não apresentou nenhum documento que pudesse alterar os dados prestados por meio da DIRF de fl.70, na qual consta a informação de que se tratam de rendimentos do trabalho assalariado. Por conseguinte, diante das exposições supra, o contribuinte não faz jus A isenção prevista no inciso XIV do artigo 6°, da Lei n° 7.713/1988 com a redação dada pelo artigo 47 da Lei n° 8.541/1992 e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei n° 9.250/1995 , por na obter cumprido as duas condições cumulativas. Com relação ao valor de carnêleão não foi apresentado qualquer documento que pudesse afastar a glosa efetuada.” Cientificada da decisão da DRJ em 19/12/2009 (“AR”fls.75), a contribuinte apresentou, através do seu procurador, na data de 15/12/2009, Recurso Voluntário Tempestivo (fls.76/84), argumentando em síntese: Preliminarmente, nulidade do acórdão de primeira instância “que não apreciou detidamente todas as questões que foram colocadas na Impugnação, notadamente a natureza do rendimento da contribuinte, contrariando posicionamento do próprio fisco nos despachos de fls. 55 e 64, taxativos no sentido proclamar a natureza jurídica do rendimento auferido pela recorrente: "Tratase de Pensão Judicial". No mérito, requer o cancelamento do lançamento por ser a contribuinte comprovadamente portadora de moléstia grave (mal de Parkinson), conforme comprovado pelo atestado médico de fls. 19, emitido por médico do Sistema Uni ficado de Saúde SUS, e Declaração Médica de fls. 20, emitida por médico particular. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 4 Afirma ainda que nunca manteve relação de emprego com Tribunal de Justiça do RJ e que a relação existente sempre foi desde agosto de 1986, decorrente da percepção de pensão alimentícia. É o relatório. A decisão do acórdão embargado, que negou provimento ao recurso por unamidade de votos, estava assim ementada: “MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. REQUISITOS. Para a configuração da isenção do imposto de renda aos portadores de moléstia grave, dois requisitos precisam estar presentes, simultaneamente: a existência da doença por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial do qual conste, de forma inequívoca, a existência de moléstia grave prevista no inc. XXVII do art. 40 do RIR/94 e os rendimentos devem estar comprovadamente relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão. Recurso Voluntário Negado.” É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora Analisando novamente o processo, verificase que a premissa ignorada quando do julgamento original – mas constatada a tempo é determinante na análise do caso concreto. A matéria em questão – isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria ou reforma e pensão por ser o contribuinte portador de moléstia grave – está disciplinada no artigo 6º, incisos XXI e XIV, da Lei nº 7.713/88, com a redação dada pelo artigo 47, da Lei nº 8.541/92. Em sua defesa, a contribuinte sustentou que era portadora de Mal de Parkinson, desde julho de 2000, fato que restou incontroverso desde o julgamento em primeira instância, bem como que os rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, sobre os quais versou a parte do lançamento relativa a omissão de rendimentos, era decorrente de pensão alimentícia judicial. Ocorre que essa dúvida foi afastada pela declaração trazida às fls.88, amoldando o caso concreto à isenção legal prevista o no artigo 6º, da Lei nº 7713/88, matriz legal do artigo 39, do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3000/99: “Artigo 39 Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ......... XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10725.000819/200578 Acórdão n.º 2201001.823 S2C2T1 Fl. 112 5 concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); ......... XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º) " (grifei). Comprovado que a contribuinte é portadora de moléstia grave relacionada no inciso XXXIII , desde julho de 2000, e que conforme alegado, a relação com a fonte pagadora é decorrente da percepção de pensão alimentícia judicial, é forçoso reconhecer o direito da recorrente à isenção do Imposto de Renda a partir desta data. Neste sentido, há muito já se pronunciou a jurisprudência administrativa: “Pensão judicial Estão abrangidos pela isenção os valores recebidos a título de pensão em cumprimento de acordo ou decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais.” (ADN 35/95). PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Estão isentos de tributação pelo imposto de renda os rendimentos de pensão alimentícia judicial somente quando forem auferidos por pessoa física comprovadamente portadora de qualquer das moléstias elencadas no inciso XXVII do art. 40 do RIR/94 (Dec. 7ª RF 329/97). Inclusive para que fosse afastada qualquer controvérsia, relativa à isenção da pensão alimentícia judicial, recebida por portador de moléstia grave, consta no Perguntas e Respostas IRPF – 2012, publicado no site Receita Federal do Brasil (http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoafisica/irpf/2012/perguntao/assuntos/rendimentos isentosenaotributaveis.htm), a seguinte orientação: 267 É tributável a pensão alimentícia judicial ou por escritura pública recebida por portador de doença grave? Não. Os valores recebidos a título de pensão em cumprimento de acordo ou decisão judicial, ou ainda por escritura pública, inclusive a prestação de alimentos provisionais, estão abrangidos pela Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 6 isenção de portadores de moléstia grave. (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), art. 39, inciso XXXI) Referente ao valor declarado de carnêleão, nada foi apresentado, não havendo portanto qualquer reparo a fazer ao lançamento neste tocante. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher os presentes Embargos Declaratórios para, retificando o Acórdão nº 220101.529 de 12/03/2012, DAR provimento parcial ao recurso para reconhecer a isenção relativa aos rendimentos de pensão alimentícia judicial, recebidos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a partir de julho de 2000. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10725.000819/200578 Acórdão n.º 2201001.823 S2C2T1 Fl. 113 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 10/11/2012 __________(assinado digitalmente)_____________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
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