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Numero do processo: 10880.917149/2013-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2013
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO
É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório.
ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.392
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 71 49 /2 01 3- 48 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.917149/201348 Acórdão n.º 3302006.392 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação apenas parcial da compensação declarada, pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, limitandose a alegar a nulidade da decisão, sob o argumento de ausência de fundamentação. Questionou o então Manifestante a validade da decisão eletrônica, não submetida ao crivo de um Auditor Fiscal, e discorreu acerca do instituto da nulidade dos atos administrativos, trazendo aos autos farta doutrina e jurisprudência. Pugnou, também, pela posterior produção de provas, considerando a ausência de motivação da decisão a impossibilitar o conhecimento prévio da prova a ser produzida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14051.441, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, declarando a validade do Despacho Decisório, sob o argumento de que o documento, ainda que eletrônico, possuía todos os elementos legalmente exigidos, proferido por autoridade competente e motivado pela verificação dos valores objeto de outras declarações. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.361, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.917118/201397, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.361): Sinteticamente, a Recorrente questiona a validade do Despacho Decisório por meio do qual foi denegado o pedido de compensação de tributos, sob o argumento de que ele limitouse a afirmar. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.917149/201348 Acórdão n.º 3302006.392 S3C3T2 Fl. 4 3 "A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 1.248,99 Valor do crédito original reconhecido: 114,34 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2013. (...) Para detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereçowww.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008." Em sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente não traz aos autos qualquer prova documental e para a dilação de sua entrega invoca o artigo 16, § 4º, a), do Dec. 70235 sob o argumento de que "... demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por força maior." eis que ao seu ver "... a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas." Já no Recurso Voluntário também sustenta tratarse de um ato vinculado que, portanto, necessita ser realizado em conformidade com o ordenamento jurídico. Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.917149/201348 Acórdão n.º 3302006.392 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002764/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2002
ERRO ESCUSÁVEL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O aventado equívoco de substituição das razões de impugnação destes autos com as de outro é erro inescusável, fruto de displicência da parte, motivo pelo qual se julga improcedente a preliminar.
REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO DAS DEMANDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Impossível o julgamento conjunto do presente processo com aquele de nº 15504.002765/200846, uma vez que, além de os processos tratarem de lançamentos distintos e independentes, o feito relativo à NFLD nº 37.110.962-0já teve seu julgamento concluído, em 26 de outubro de 2016 (acórdão de nº 9202-004.522).
CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. PEDIDO GENÉRICO. INEXISTÊNCIA DE PROVA DOCUMENTAL NOVA. IMPOSSIBILIDADE.
Incabível a conversão do processo em diligência, uma vez que a Recorrente pautou seu pedido em argumentação genérica e não comprovou a existência de prova documental nova apta a influir no julgamento do presente feito.
INCONSISTÊNCIAS DO LANÇAMENTO. FORNECIMENTO DE MATERIAL DESTACADO EM NOTAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INOVAÇÃO RECURSAL. VEDAÇÃO.
Em função de erro inescusável, a parte somente questionou a forma de aferição da base de cálculo das contribuições em fase recursal. Impossível, contudo, conhecer de argumentações não aventadas em impugnação, em respeito ao art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
PERÍCIA. PEDIDO EM FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. ART. 16, IV, DECRETO 70.235/72.
O contribuinte suscitou a necessidade de perícia exclusivamente em sede recursal. Em respeito ao art. 16, IV, do Decreto 70.235/72, rejeita-se o conhecimento da matéria.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN, APENAS QUANDO HOUVER INÍCIO DE PAGAMENTO.
Tratando-se de contribuições distintas - contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, bem como diferenças de retenção sobre os serviços contratados com cessão de mão de obra-, com fatos geradores próprios, a análise da decadência deve ser feita de forma individualizada.
No que tange às contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, verifica-se que, em todos os períodos, houve pagamento, ainda que parcial, o que, conforme dispõe a Súmula 99 do CARF, atrai a aplicação da regra do art. 150, § 4º, CTN.
Quanto às diferenças de retenção sobre os serviços contratados com cessão de mão de obra, a análise quanto à existência, ou não, de pagamento parcial, deve observada a competência por subempreiteiro, dado o caráter bilateral da relação cessionário/tomador. Assim sendo, constata-se que, em determinadas competências, não houve qualquer recolhimento ao Fisco, o que atrai a incidência da regra geral do art. 173, I.
Numero da decisão: 2202-004.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, dar-lhe, por maioria de votos, provimento parcial para reconhecer a decadência das contribuições devidas sobre as remunerações pagas a segurados empregados até a competência julho/2002, sendo que, no tocante às diferenças de retenção sobre os serviços de cessão de mão de obra, determinar fosse aferida a decadência considerando os recolhimentos efetuados por subempreiteira, nos termos detalhados no voto da relatora. Vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson, que deram provimento parcial em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2002 ERRO ESCUSÁVEL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O aventado equívoco de substituição das razões de impugnação destes autos com as de outro é erro inescusável, fruto de displicência da parte, motivo pelo qual se julga improcedente a preliminar. REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO DAS DEMANDAS. IMPOSSIBILIDADE. Impossível o julgamento conjunto do presente processo com aquele de nº 15504.002765/200846, uma vez que, além de os processos tratarem de lançamentos distintos e independentes, o feito relativo à NFLD nº 37.110.962-0já teve seu julgamento concluído, em 26 de outubro de 2016 (acórdão de nº 9202-004.522). CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. PEDIDO GENÉRICO. INEXISTÊNCIA DE PROVA DOCUMENTAL NOVA. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a conversão do processo em diligência, uma vez que a Recorrente pautou seu pedido em argumentação genérica e não comprovou a existência de prova documental nova apta a influir no julgamento do presente feito. INCONSISTÊNCIAS DO LANÇAMENTO. FORNECIMENTO DE MATERIAL DESTACADO EM NOTAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INOVAÇÃO RECURSAL. VEDAÇÃO. Em função de erro inescusável, a parte somente questionou a forma de aferição da base de cálculo das contribuições em fase recursal. Impossível, contudo, conhecer de argumentações não aventadas em impugnação, em respeito ao art. 17 do Decreto nº 70.235/72. PERÍCIA. PEDIDO EM FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. ART. 16, IV, DECRETO 70.235/72. O contribuinte suscitou a necessidade de perícia exclusivamente em sede recursal. Em respeito ao art. 16, IV, do Decreto 70.235/72, rejeita-se o conhecimento da matéria. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN, APENAS QUANDO HOUVER INÍCIO DE PAGAMENTO. Tratando-se de contribuições distintas - contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, bem como diferenças de retenção sobre os serviços contratados com cessão de mão de obra-, com fatos geradores próprios, a análise da decadência deve ser feita de forma individualizada. No que tange às contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, verifica-se que, em todos os períodos, houve pagamento, ainda que parcial, o que, conforme dispõe a Súmula 99 do CARF, atrai a aplicação da regra do art. 150, § 4º, CTN. Quanto às diferenças de retenção sobre os serviços contratados com cessão de mão de obra, a análise quanto à existência, ou não, de pagamento parcial, deve observada a competência por subempreiteiro, dado o caráter bilateral da relação cessionário/tomador. Assim sendo, constata-se que, em determinadas competências, não houve qualquer recolhimento ao Fisco, o que atrai a incidência da regra geral do art. 173, I.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, dar-lhe, por maioria de votos, provimento parcial para reconhecer a decadência das contribuições devidas sobre as remunerações pagas a segurados empregados até a competência julho/2002, sendo que, no tocante às diferenças de retenção sobre os serviços de cessão de mão de obra, determinar fosse aferida a decadência considerando os recolhimentos efetuados por subempreiteira, nos termos detalhados no voto da relatora. Vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson, que deram provimento parcial em maior extensão. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2002 ERRO ESCUSÁVEL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O aventado equívoco de substituição das razões de impugnação destes autos com as de outro é erro inescusável, fruto de displicência da parte, motivo pelo qual se julga improcedente a preliminar. REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO DAS DEMANDAS. IMPOSSIBILIDADE. Impossível o julgamento conjunto do presente processo com aquele de nº 15504.002765/200846, uma vez que, além de os processos tratarem de lançamentos distintos e independentes, o feito relativo à NFLD nº 37.110.9620já teve seu julgamento concluído, em 26 de outubro de 2016 (acórdão de nº 9202004.522). CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. PEDIDO GENÉRICO. INEXISTÊNCIA DE PROVA DOCUMENTAL NOVA. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a conversão do processo em diligência, uma vez que a Recorrente pautou seu pedido em argumentação genérica e não comprovou a existência de prova documental nova apta a influir no julgamento do presente feito. INCONSISTÊNCIAS DO LANÇAMENTO. FORNECIMENTO DE MATERIAL DESTACADO EM NOTAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INOVAÇÃO RECURSAL. VEDAÇÃO. Em função de erro inescusável, a parte somente questionou a forma de aferição da base de cálculo das contribuições em fase recursal. Impossível, contudo, conhecer de argumentações não aventadas em impugnação, em respeito ao art. 17 do Decreto nº 70.235/72. PERÍCIA. PEDIDO EM FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. ART. 16, IV, DECRETO 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 27 64 /2 00 8- 00 Fl. 331DF CARF MF Processo nº 15504.002764/200800 Acórdão n.º 2202004.893 S2C2T2 Fl. 332 2 O contribuinte suscitou a necessidade de perícia exclusivamente em sede recursal. Em respeito ao art. 16, IV, do Decreto 70.235/72, rejeitase o conhecimento da matéria. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN, APENAS QUANDO HOUVER INÍCIO DE PAGAMENTO. Tratandose de contribuições distintas contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, bem como diferenças de retenção sobre os serviços contratados com cessão de mão de obra, com fatos geradores próprios, a análise da decadência deve ser feita de forma individualizada. No que tange às contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, verificase que, em todos os períodos, houve pagamento, ainda que parcial, o que, conforme dispõe a Súmula 99 do CARF, atrai a aplicação da regra do art. 150, § 4º, CTN. Quanto às diferenças de retenção sobre os serviços contratados com cessão de mão de obra, a análise quanto à existência, ou não, de pagamento parcial, deve observada a competência por subempreiteiro, dado o caráter bilateral da relação cessionário/tomador. Assim sendo, constatase que, em determinadas competências, não houve qualquer recolhimento ao Fisco, o que atrai a incidência da regra geral do art. 173, I. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, darlhe, por maioria de votos, provimento parcial para reconhecer a decadência das contribuições devidas sobre as remunerações pagas a segurados empregados até a competência julho/2002, sendo que, no tocante às diferenças de retenção sobre os serviços de cessão de mão de obra, determinar fosse aferida a decadência considerando os recolhimentos efetuados por subempreiteira, nos termos detalhados no voto da relatora. Vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson, que deram provimento parcial em maior extensão. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia. Relatório Fl. 332DF CARF MF Processo nº 15504.002764/200800 Acórdão n.º 2202004.893 S2C2T2 Fl. 333 3 Tratase de recurso voluntário interposto por APIS ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS LTDA. contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que acolheu parcialmente a impugnação apresentada para reconhecer a decadência dos créditos previdenciários cujos fatos geradores tenham ocorrido no período compreendido entre junho de 2000 e novembro de 2011. Transcrevo, no que importa, trechos do mencionado acórdão (fls. 271/274), por bem sintetizarem a querela ora sob escrutínio: [T]ratase de crédito no valor de R$ 193.884,85 (cento e noventa e três mil, oitocentos e oitenta e quatro reais e oitenta e cinco centavos), correspondente a contribuições sociais devidas à Seguridade Social e a Terceiros, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados no período de 06/2000 a 12/2002. Foram apuradas também as diferenças de retenção sobre serviços de cessão de mão de obra contratados pela notificada no período de 08/2000 a 12/2002. (...) O contribuinte requer a aplicação do disposto no artigo 150, § 4 ° do CTN, ou, alternativamente, o reconhecimento da decadência com base no disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. Não cabe a aplicação do artigo 150, §4 ° requerida preferencialmente pelo contribuinte em sua defesa, pois tal norma estabelece prazo para homologação de lançamento no caso em que o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento. O presente processo referese a lançamento de oficio efetuado pela autoridade administrativa, conforme previsto no inciso V, artigo 149, do Código Tributário Nacional (…). (…) Foi lançado o crédito previdenciário pela autoridade administrativa em decorrência da falta de pagamento ou pagamento a menor por parte do contribuinte. Embora a constituição do crédito tenha ocorrido em 22/08/2007, na vigência do artigo 45, da Lei 8.212 de 1991, a publicação da Súmula Vinculante n°8 do Supremo Tribunal Federal em 20/06/2008, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da referida Lei deverá ser observada. Dessa forma, o lançamento sujeitase ao disposto no inciso I, artigo 173, do Código Tributário Nacional — CTN (…). No presente caso, considerando que a notificação abrange o período de 06/2000 a 12/2002 e que o lançamento ocorreu em 22/08/2007, deverão ser excluídas as competências 06/2000 a 11/2001 e mantidas as competências 12/2001 a 12/2002 (sublinhas deste voto). Com o reconhecimento parcial da decadência dos débitos tributários, foi feita a retificação do montante devido, que passou perfazer a quantia de R$ 69.099,26 (sessenta e nove mil, noventa e nove reais e vinte e seis centavos) – “vide” fls. 275/299. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 15504.002764/200800 Acórdão n.º 2202004.893 S2C2T2 Fl. 334 4 Intimada do acórdão, a recorrente apresentou, em 23/04/2009, recurso voluntário (fls. 307/319), sustentando, preliminarmente, a necessidade de anulação do julgamento realizado em primeira instância e remessa do processo à DRJ para prolação de nova decisão, em razão de suposto cerceamento de defesa decorrente de erro escusável. Diz que a folha inicial da impugnação atinente à NFLD no 37.110.9612, objeto destes autos, foi trocada com a da NFLD de nº 37.110.9620, discutida no bojo de outro processo – o de nº 15504.002765/200846. Em caráter subsidiário, pleiteou a apreciação conjunta das supramencionadas NFLDs ou a conversão do julgamento em diligência para a juntada de cópia dos documentos constantes nos autos do processo de no 15504.002765/200846. Ainda em sede preliminar, pugnou pela aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Salienta serem todas as contribuições previdenciárias de um determinado período passíveis de recolhimento e declaração tão só em um único momento. Quanto ao mérito, afirma que de acordo com a Ordem de Serviço no 209/99, em vigor à época da ocorrência dos fatos geradores, a discriminação dos valores de materiais e equipamentos nas notas fiscais seria suficiente para o seu abatimento da base de cálculo da retenção. Sustenta que, malgrado as notas fiscais acostadas façam a discriminação de tais valores, o lançamento se deu pelo seu valor bruto. Por essa razão, afirma ser necessária a realização de perícia, indicando expert e formulando quesitos em suas razões recursais. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Reservo a aferição do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal para após o escrutínio das preliminares suscitadas, pois se encontram umbilicalmente atreladas. PRELIMINARES I – Da ocorrência de “erro escusável”: necessidade de remessa dos autos à instância de origem Conforme relatado, pretende a recorrente a remessa dos autos à instância de origem ao argumento de que teria incorrido em “erro escusável”. Disse que, “[p]or um infortúnio que não se sabe a razão, a folha inicial da impugnação atinente ao presente recurso e à impugnação de nº 37.110.9620 foram trocadas” (fl. 309). Aventa que o lapso poderia ter “(…) sido praticado por um dos patronos da parte, mas também por qualquer serventuário da repartição que, no momento de autuar, por equivoco trocou os conjuntos de documentos” (fl. 309). Erro escusável é aquele passível de ser perdoado, uma vez que poderia ter sido cometido por qualquer indivíduo atuando em grau normal de diligência. O precedente trazido à baila pela própria recorrente traz excelente exemplo daquilo que pode ser considerado “erro escusável” (fl. 310): uma procuração outorgada em agosto de 1992, cujo termo final era março daquele mesmo ano. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 15504.002764/200800 Acórdão n.º 2202004.893 S2C2T2 Fl. 335 5 Por outro giro, a apresentação de impugnação que discrepa dos motivos que ensejaram a autuação, ainda que similar à numeração da NFLD que lastreia outro processo, não pode, a meu aviso, ser considerada erro escusável. É que não me parece crível a suspeita de que algum serventuário tenha mantido a folha de rosto da impugnação – que indica corretamente o número da NFLD ora sob escrutínio (fl. 184) – e substituído pelas folhas que traziam a impugnação da NFLD nº 37.110.9620. Na verdade, a recorrente sequer comprova ter a troca de impugnações ocorrido. Se assim tivesse sido, bastaria demonstrar que o acórdão da DRJ que apreciou a NFLD nº 37.110.9620 não conheceu das alegações postas, uma vez que não guardavam semelhança com a autuação, tal qual aconteceu nestes autos. Ao que me parece, foi a parte displicente no momento da elaboração de sua insurgência, não se atentando para as peculiaridades fáticas de cada caso concreto. Por essa razão, rejeito a preliminar. II – Do agrupamento dos autos: necessidade de apreciação em conjunto das NFLDs de no 37.110.9620 e 37.110.9612 Em caráter subsidiário, requereu a “(…) a união dos presentes autos aos da NFLD de nº 37.110.9620, para que o conjunto probatório daquele feito seja, neste, conhecido” (fl. 310). Malgrado sejam idênticas as partes e o período autuado, além de o RICARF (art. 6º, §3º, anexo II) admitir a vinculação de processos para julgamento conjunto, não vislumbro ser possível acolher o pedido ora formulado. Isto porque, em sessão realizada em 26 de outubro de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais concluiu o julgamento do processo de nº 15504.002765/200846, cujo acórdão (nº 9202004.522) restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2002 DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Os tributos ora cobrados tem como fato gerador o pagamento de remuneração à contribuintes individuais (autônomos e pró labore) e à segurados empregados. Tratamse de contribuições com distintas fundamentações legais. A contribuição devida pelas remunerações pagas a contribuintes individuais está prevista no artigo 22, III, da Lei 8.212/91, enquanto que a contribuição devida em função do pagamento de remuneração aos segurados empregados está prevista no artigo 22, I, do mesmo diploma legal. Em relação às contribuições devidas a segurados empregados é possível identificar nos autos pagamentos em todos os períodos, conforme se vê do RDA e RADA (fls. Fl. 45 a Fl. 54). Já em relação aos pagamentos efetuados à contribuintes individuais, não se verifica pagamento nos autos. Assim sendo, considerando que o pagamento foi comprovado em parte, o prazo decadencial deve ser contado com base no artigo 150, §4º do CTN em relação às contribuições devidas pela remuneração aos segurados empregados. Em relação à remuneração à contribuintes individuais, aplicase a regra decadencial contida no artigo 173, I, do CTN. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 15504.002764/200800 Acórdão n.º 2202004.893 S2C2T2 Fl. 336 6 Além disso, do cotejo analítico dos levantamentos incrustados nas NLFDs, verificase a ausência de identidade entre eles, o que afasta quaisquer alegações quanto à necessidade de julgamento conjunto dos feitos. Confirase: NFLD nº 37.110.9620 (já julgada) Levantamento AUT : referente aos pagamentos a autônomos que prestaram serviço à empresa. Levantamento FPA: referente a valores aferidos em ação fiscal para os casos de empregados que constam no Livro de Registro de Empregados e não foram incluídos em folhas de pagamento e GFIP. Levantamento FPS: referente às diferenças entre folhas de pagamento e recolhimentos efetuados. Levantamento PRO: referente aos pagamentos efetuados a titulo de pró labore lançados em contas diversas. NFLD nº 37.110.9612 (sob escrutínio) 1. Levantamento FPG: referente às diferenças entre as contribuições devidas sobre a remuneração de segurados empregados e as contribuições efetivamente recolhidas. 2. Levantamentos AFR, AMR, EER, EGR, EIR, EJR, EMR, FCR, GMR, GSR, JCR, JGR, JMR, LCR, LER, LGR, LOR, OPR, OSR, POR, RMR, SER, TIR (cada código corresponde a um subempreiteiro): referente às diferenças dos valores retidos e recolhidos sobre as notas fiscais de serviço. 3. Levantamento DAL: referente às diferenças de acréscimos legais nas GPS recolhidas em atraso. Código de lançamento. Com essas considerações, rejeito a preliminar suscitada. III – Da conversão do julgamento em diligência: necessidade de juntada dos documentos acostados aos autos do processo de no 15504.002765/200846 (NFLD no 37.110.9620) Subsidiariamente, ainda em caráter preliminar, pede “(…) seja convertido em diligência o julgamento, determinandose à serventia a juntada de cópia dos documentos e defesa encartados nos autos 37.110.9620 nos presente autos, garantindose a ampla defesa e o contraditório no processo administrativo”. Ao meu aviso, igualmente não merece acolhida a pretensão da recorrente. Para além de ter formulado o pedido de forma genérica, não vislumbro existir naqueles autos qualquer prova documental (nova) que possa influir no julgamento do presente feito. Por essa razão, não acolho a preliminar. Feitas essas considerações, passo à análise dos requisitos de admissibilidade recursal. Em razão do erro inescusável cometido pela recorrente, foi trazida matéria alheia à discutida nestes autos – qual seja, a suposta regularidade da antecipação de lucros aos sócios (fl. 199/200) –, ao passo que não foi impugnada, em primeira instância, a forma de Fl. 336DF CARF MF Processo nº 15504.002764/200800 Acórdão n.º 2202004.893 S2C2T2 Fl. 337 7 apuração da base de cálculo das contribuições quando há fornecimento de materiais. Esta matéria – por displicência da própria parte, frisese –, apenas veio a ser deduzida em sede recursal, com pedido de realização de perícia contábil. Consabido que o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 determina que será considerada “não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Por esse motivo, não tendo sido impugnada em primeira instância a forma de aferição da base de cálculo para a incidência da contribuição previdenciária, forçoso reconhecer a preclusão e inovação recursal quanto a essa parte. Em verdade, ainda que se admitisse uma interpretação mais ampla do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, com vistas a garantir a verdade material, melhor sorte não socorreria a recorrente. É que apenas em suas razões recursais requereu “(…) o abatimento de todas as notas anexadas nos autos do débito 37.110.9620, dos valores lançados, por conta da previsão especifica de materiais ou equipamentos (…)” (f. 315), bem como a “(…) correta contabilização dos mesmos (sic), por meio de perícia” (f. 315). O Decreto nº 70.235/72, no inc. IV do art. 16, determina que na impugnação deverão restar consignadas “as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito”. Clara, portanto, a inadequação do pedido de realização de perícia apenas em sede de recurso voluntário. A indigitada inconsistência do lançamento, arguida apenas em sede recursal por erro inescusável da parte, aliada à imprescindibilidade de realização perícia contábil, faz com que a matéria não possa ser conhecida por esta Turma julgadora. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. IV – Da decadência: inteligência dos comandos previstos nos arts. 150 e 173 do CTN Sob a sistemática dos recursos repetitivos, o col. Superior Tribunal de Justiça firmou, no bojo do RESP nº 973.333/SC, o entendimento segundo o qual o prazo de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário começa a correr no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado “nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Da atenta leitura do referido precedente daquela Corte Superior, tirante de dúvidas que, havendo adiantamento de pagamento, ainda que parcial, deverá ser adotada regra prevista no §4º do art. 150 do Digesto Tributário. Assim, constatado o princípio de pagamento, deve ser aplicado o regramento previsto no art. 150, § 4º do CTN. Esse entendimento encontra se, inclusive, sumulado no âmbito deste Conselho. Confirase: Súmula nº 99 – Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na Fl. 337DF CARF MF Processo nº 15504.002764/200800 Acórdão n.º 2202004.893 S2C2T2 Fl. 338 8 base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fixadas essas premissas, mister aplicálas ao caso sob escrutínio. Conforme narrado alhures, verificase que a NFLD nº 37.110.9612abrange débitos referentes tanto a contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, quanto às diferenças de retenção sobre os serviços contratados com cessão de mão de obra. A recorrente pugna que todas as contribuições previdenciárias objeto do processo sejam analisadas em conjunto, uma vez que, ao seu sentir, são passíveis de recolhimento e declaração em um mesmo ato e momento. Há de se ter em vista, contudo, que estas têm fatos geradores distintos, motivo pelo qual não podem ser consideradas conjuntamente. Devese proceder, portanto, à análise individualizada dos lançamentos. Este foi inclusive o entendimento adotado pela Câmara Superior deste Conselho ao se debruçar sobre os autos processo de nº 15504.002765/200846. Vale repisar que, naquela oportunidade, a CSRF discutiu os débitos da NFLD nº 37.110.9620, os quais pretendia a recorrente fossem apreciados em conjunto com os que ora se discute. Peço licença para transcrever breve trecho extraído do voto do Conselheiro Gerson Macedo Guerra, relator do acórdão de nº 9202004.522: Vejo, entretanto, que os tributos ora cobrados tem como fato gerador o pagamento de remuneração à contribuintes individuais (autônomos e prólabore) e à segurados empregados. Vale aqui destacar que tratamse de contribuições com distintas fundamentações legais. A contribuição devida pelas remunerações pagas a contribuintes individuais está prevista no artigo 22, III, da Lei 8.212/91, enquanto que a contribuição devida em função do pagamento de remuneração aos segurados empregados está prevista no artigo 22, I, do mesmo diploma legal (fl. 539; sublinhas deste voto). Analisando a documentação acostada relativa às contribuições devidas sobre as remunerações pagas a segurados empregados, observase que a recorrente declarou parte do valor devido e quitou apenas a parcela declarada. Isto porque, do arcabouço fático probatório, resta demonstrado que em todos os períodos houve pagamento, ainda que os valores declarados em GFIP fossem inferiores àqueles constantes das FP. Sendo assim, em consonância com a Súmula nº 99 do CARF, deve ser aplicada a estas contribuições a regra do art. 150, § 4º, CTN e, portanto, reconhecida a decadência dos débitos para os fatos geradores ocorridos até a competência 07/2002. No que se refere às diferenças de valores decorrentes da contratação de serviços com fornecimento de mão de obra, há uma particularidade a ser discutida. Sem me descurar das balizadas postas pela Súmula nº 99 do CARF, registro que os acórdãos paradigmas do retromencionado verbete sumular acórdão de nºs 9202002.669, 9202 002.596, 9202002.436, 920201.413, 2301003.452, 2403001.742, 2401002.299 e 2301 002.092 , malgrado versem sobre contribuições sociais previdenciárias, não tratam da subempreitada. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 15504.002764/200800 Acórdão n.º 2202004.893 S2C2T2 Fl. 339 9 Como narrado, no relatório fiscal, foram elaborados códigos diferentes para cada um dos subempreiteiros que prestou serviços à recorrente. Sendo assim, há de se decidir se a avaliação quanto à existência ou não de pagamento antecipado deve se dar em relação a cada um deles separadamente ou em relação ao conjunto de subempreiteiros. Caso a análise seja feita por subempreiteiro, há períodos em que, a despeito da ocorrência do fato gerador, não houve nenhum pagamento, atraindo a aplicação da regra decadencial do art. 173, inc. I do CTN. Todavia, se for feita a análise do conjunto, em todas as competências houve algum pagamento, salvo em 09/2002. Isto porque, naquela competência, só há registro de uma única nota fiscal – a de nº 3664 –, em relação à qual não houve retenção ou recolhimento – “vide” tabelas às fls. 113135. Assim, se desconsiderarmos a existência de diversos subempreiteiros e nos ativermos apenas à competência, deverá ser aplicada a regra do art. 150, § 4º, CTN. Entendo que a contagem do prazo decadencial, deve ser computado por subempreiteiro, observada a existência – ou não – de pagamento (ainda que a menor) para a aplicação das regras dos arts. 150 e 173, respectivamente, conforme determina a Súmula nº 99 do CARF. Isto porque, ao meu aviso, a relação de subempreitada traz particularidades que não podem ser descuradas. Na redação original do art. 31 da Lei nº 8.212/91, era solidária a responsabilidade entre contratante e contratado no que diz respeito às contribuições previdenciárias devidas pela empresa prestadora de serviços. À época da ocorrência dos fatos geradores do caso em tela, o mesmo dispositivo daquele diploma sofreu alteração e passou a viger com a seguinte redação: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. § 1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. Dada as particularidades da relação – bilateral, sinalagmática, que gera direito à compensação – entre as figuras do cedente/prestador e do cessionário/tomador, não pode o prazo decadencial ser computado observando única e exclusivamente a competência, tomando diversos subempreiteiros como se um só fossem. A título exemplificativo, se tomarmos os levantamentos feitos em relação à subempreiteira ALL FACTOR ENGENHARIA LTDA. – “vide” fl. 113 –, para a competência 12/2001, na qual não houve qualquer recolhimento ou retenção, aplicase o prazo do inc. I do art. 173 do CTN, não tendo sido o crédito fulminado pela decadência. Por outro lado, ainda que posteriormente ocorrido, o fato gerador de 03/2002 já teria sido alcançado pela decadência, Fl. 339DF CARF MF Processo nº 15504.002764/200800 Acórdão n.º 2202004.893 S2C2T2 Fl. 340 10 uma vez que, tendo havido pagamento parcial, aplicase o regramento do § 4º do art. 150 do CTN. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial para reconhecer a decadência das contribuições devidas sobre as remunerações pagas a segurados empregados até a competência julho/2002, sendo que, no tocante às diferenças de retenção sobre os serviços de cessão de mão de obra, determino seja aferida a decadência considerando os recolhimentos efetuados por subempreiteira em cada um das competências. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003194/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2005, 2006
RECOLHIMENTOS INDEVIDOS. RESTITUIÇÃO.
Não há direito a restituição de valores que foram considerados no cálculo da aposentadoria por tempo de contribuição, ainda que tais contribuições não tenham alterado o valor do benefício concedido em razão de sua fixação pelo valor mínimo nacionalmente unificado.
Numero da decisão: 2201-004.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2005, 2006 RECOLHIMENTOS INDEVIDOS. RESTITUIÇÃO. Não há direito a restituição de valores que foram considerados no cálculo da aposentadoria por tempo de contribuição, ainda que tais contribuições não tenham alterado o valor do benefício concedido em razão de sua fixação pelo valor mínimo nacionalmente unificado.
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RESTITUIÇÃO. Não há direito a restituição de valores que foram considerados no cálculo da aposentadoria por tempo de contribuição, ainda que tais contribuições não tenham alterado o valor do benefício concedido em razão de sua fixação pelo valor mínimo nacionalmente unificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata o presente de recurso voluntário formalizado em face do Acórdão nº 0260.860, de 09 de outubro de 2014, exarado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, fl. 89 a 92. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 31 94 /2 01 0- 91 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11516.003194/201091 Acórdão n.º 2201004.840 S2C2T1 Fl. 107 2 O objeto da lide administrativa é um pedido de restituição de recolhimentos efetuados à Previdência Social em duplicidade, no período de 04/2005 a 08/2006, em que a contribuinte alega: Esses pagamentos foram efetuados como forma de “refis” para quitar contribuição como contribuinte individual, acerca de um período que a mesma ficou sem recolher as contribuições. O objetivo era melhorar sua aposentadoria. Ocorre que o profissional (contador) que efetuou todo o procedimento de parcelamento (refis) não o vez corretamente, e os referidos pagamentos de nada serviram para a contribuinte, pois adesão ao parcelamento não foi entregue ao INSS, por culpa exclusiva do contador . (doc. 01). Assim, estes recolhimentos encontramse nos cofres da previdência, porém não foram revertidos como receita de parcelamento”. Afirma a Autoridade fiscal que a contribuinte recolheu contribuições em Cadastro Específico do INSS no período em tela, os quais, por não influenciarem o valor de sua aposentadoria, resultou no pedido de restituição. Tendo em visa que o sistema PERDCOMP não contempla pedidos de restituição de contribuições efetuados em matrículas CEI, os mesmos foram transferidos para seu NIT, como forma de viabilizar a transmissão do PER. Em fl. 30, constatase que o pedido foi parcialmente deferido através do Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, que acolheu o pedido de restituição apenas dos valores recolhidos na competência abril de 2005, na importância de R$ 52,00, já que os demais valores pleiteados foram utilizados no cálculo do benefício concedido à contribuinte. Cientificada do deferimento apenas parcial do requerimento, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando: que os valores haviam sido recolhidos objetivando opção pelo Refis, contudo o contador fez o procedimento equivocadamente e o Refis não se perfectibilizou, fato do qual tomou conhecimento quando ao ser atendida no INSS, onde pretendia regularizar suas contribuições previdenciárias; que deu entrada em sua aposentadoria em 04 de fevereiro de 2010 e no pedido de restituição em 02 de março de 2010, sendo o pedido de aposentadoria indeferido em 20 de março, o que a obrigou a recolher por mais três competências e, então, ter seu benefício concedido. que sem a orientação recebida para transferir os recolhimentos dos valores do CEI para o NIT, teriase evitado a presente lide administrativa; que reitera a restituição do crédito indeferido, correspondentes ao período de maio e 2005 a agosto de 2006. Debruçada sobre os termos da impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP exarou o Acórdão ora recorrido, em que considerou Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11516.003194/201091 Acórdão n.º 2201004.840 S2C2T1 Fl. 108 3 improcedente a manifestação de inconformidade, lastreada nas conclusões que podem ser assim resumidas: (...) Confrontando os documentos anexos ao processo (“CNIS – Cadastro Nacional de Informações Sociais – Consulta Recolhimentos”, NIT 1.172.5392, x ND 1492281384 SANDRA REGINA K NIEDERAUER Forma de Calculo Calc da Lei”), constatase que os recolhimentos efetuados pela requerente objeto do presente pedido de restituição foram computados no cálculo da média aritmética de sua aposentadoria por tempo de contribuição. Logo, evidenciase que o fato de os recolhimentos terem sido realizados, inicialmente, em matricula CEI e só posteriormente ajustados para o seu NIT, não impediram que fossem computados para o cálculo da média aritmética de sua aposentadoria por tempo de contribuição. Cientificada do Acórdão de 1ª Instância, em 23 de outubro de 2014, conforme AR de fl. 97, ainda inconformada, a contribuinte apresentou tempestivamente o recurso voluntário de fl. 99 a 101, em que reitera os argumentos apresentados na impugnação, os quais serão melhor detalhados no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender às demais condições de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Afirma a defesa que, em 02/03/2010, formalizou o pedido de restituição dos valores recolhidos para fins de Refis e que não teriam sido alcançados pela decadência, tendo tal pedido sido devolvido, sob o argumento de que deveria ser pleiteado na forma prescrita pela legislação, ou seja, via PERDCOMP. Alega que, para acatar a orientação do servidor, precisou transformar os recolhimentos efetuados pela CEI para GFIP. Aduz que o intuito nunca foi o de se beneficiar dos valores recolhidos para fins de aposentadoria, tanto que parou de pagar pela CEI e continuou suas contribuições previdenciárias mediante GFIP até abril de 2010. Sustenta que, ao acatar a orientação do servidor, acabou se envolvendo numa situação estranha a sua vontade, eis que não necessitava daqueles valores para requerer sua aposentadoria. Argumenta que a falha do serviço de atendimento da Receita Federal desencadeou o resultado em que os valores que deveriam ser restituídos acabaram por serem contabilizados para sua aposentadoria, sem que fosse seu interesse. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11516.003194/201091 Acórdão n.º 2201004.840 S2C2T1 Fl. 109 4 Por fim, afirma que, demonstrado o nexo causal entre o fato lesivo imputável ao ente público e o dano, exsurge para a União o dever de indenizar o particular mediante restabelecimento do patrimônio lesado, mas que pretende, tão só, o reconhecimento do direito à restituição dos valores recolhidos na matrícula CEI. A análise dos autos evidencia que, de fato, os valores que a recorrente pretende ver restituídos foram alcançados pelos cálculos da média aritmética de sua aposentadoria por tempo de contribuição. Em fl. 15, na consulta aos recolhimentos constantes do Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, podese localizar tais valores recolhidos, em que resta evidente que no período em discussão há contribuições recolhidas tanto por meio de recolhimento quanto por meio de GFIP. Já em fls. 28/29 é possível identificar que os valores totais recolhidos em cada um dos meses em questão foram atualizados e utilizados para fins de cálculo do benefício como o qual a contribuinte foi contemplada. Assim, ainda que os valores não tivessem feito diferença para os cálculo do valor do salário de benefício, já que há indicação nos autos de que este teria sido fixado em seu valor mínimo, é certo que tal fixação se dá em razão de direito social constitucionalmente previsto1, que, neste caso, é considerado apenas quando o cálculo do benefício evidenciar um valor inferior ao piso salarial nacionalmente unificado. Desta forma, tendo em vista que os valores questionados, mesmo antes da alteração dos recolhimentos, foram utilizados para fins de cálculo do benefício já concedido, não há que se falar em indébito tributário, sendo certo que o fato de ter ocorrido a alteração do recolhimento de CEI para GFIP em nada mudaria este cenário, a não ser na indicação da relação de recolhimentos do CNIS, pois, se fossem calculados após a alteração, os valores apareceriam apenas com indicação de que foram efetuados por GFIP e não como Recolhimento/GFIP. Por fim, vale ressaltar que o argumento utilizado pela contribuinte de que nunca teve intenção de se beneficiar dos recolhimentos pleiteados no presente para fins de aposentadoria mostrase incompatível com o pleito inicial, em que restou expresso que esses 1 Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (...) Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:(...) IV salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11516.003194/201091 Acórdão n.º 2201004.840 S2C2T1 Fl. 110 5 pagamentos foram efetuados para quitar contribuição como contribuinte individual e objetivavam cobrir um período não recolhido com vistas à melhoraria de sua aposentadoria. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.913373/2012-56
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/07/2007 a 31/07/2007
PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP.
Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO.
Inexistindo efetiva comprovação das transferências realizadas aos entes públicos, não poderão os Municípios deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP eventuais repasses.
Numero da decisão: 3001-000.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/07/2007 a 31/07/2007 PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. Inexistindo efetiva comprovação das transferências realizadas aos entes públicos, não poderão os Municípios deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP eventuais repasses.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante.
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BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. Inexistindo efetiva comprovação das transferências realizadas aos entes públicos, não poderão os Municípios deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP eventuais repasses. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 33 73 /2 01 2- 56 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 101 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 86 a 90) interposto contra a decisão consubstanciada no Acórdão 0444.501, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS DRJ/CGE, referente ao julgamento realizado em 29.11.2017 (efls. 60 a 82). Da decisão de 1ª instância O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo os termos do Despacho Decisório Nº de Rastreamento 043236383 emitido em 01.02.2013 (efls. 02 a 05). Cuja ementa transcrevese, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/2007 a 31/07/2007 PASEP. MUNICÍPIOS. SUJEITO PASSIVO. O Município, pessoa jurídica de direito público, é sujeito passivo e contribuinte do PASEP, sujeitandose à referida exação. O contribuinte da exação instituída no inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, são as pessoas jurídicas de direito público, sendo ela, como um todo, que deve recolher o tributo sobre todas as suas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/07/2007 a 31/07/2007 DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da síntese dos fatos Por bem retratar e sintetizar a realidade fática, adoto e transcrevo o relatório da decisão recorrida, verbis: Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório (do Sistema de Controle de Créditos SCC) Nº Rastreamento 043236383, anexo às fls. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 102 3 02/04, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo/RS DRF/NHO em 01/02/2013, no qual foi Não homologada a compensação do débito de PASEP (código 3703), constante da Declarações de Compensação DCOMP anexa às fls. 48/52. Tratase de declaração de compensação da contribuição Pasep (fls. 48/52), transmitida eletronicamente em 09/03/2012, com base em crédito de Pagamento Indevido ou a Maior da própria contribuição ao Pasep (código 3703), recolhido para o período de apuração julho de 2007. De acordo com o Despacho Decisório citado, "A partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Assim, diante da inexistência de crédito, a Compensação declarada na DCOMP foi Não Homologada. Como enquadramento legal foi colocado: "Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Cientificado do Despacho Decisório em 19/02/2013 (AR às fls. 53), o Interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 21/03/2013. A Unidade de origem se manifestou em Despacho, às fls. 56, pela tempestividade da manifestação de inconformidade. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em 21/03/2013 o Interessado apresentou sua irresignação e documentação anexa (fls 06 e segs.), firmada por procurador habilitado, segundo a qual, resumidamente, afirma: I DOS FATOS ∙ Informa que, no segundo semestre de 2011, a Receita Federal do Brasil realizou auditoria nas contas do Município, oportunidade na qual, dentre outros assuntos, verificou que o Município não estava se utilizando de possíveis deduções no cálculo quando do recolhimento a título de PASEP, o que gerou um saldo que poderia ser compensado em relação aos futuros recolhimentos. A partir de então, além das deduções mensais, o Município passou, aos poucos, a compensar créditos dos últimos cinco anos, através de PER/DCOMP, conforme procedimento orientado pela própria RFB. ∙ Ocorre que, para a surpresa, o Município foi intimado de inúmeros Despachos Decisórios, dandolhe ciência de que as compensações não haviam sido homologadas, posto que estavam sendo realizadas de forma indevida, e que os "débitos indevidamente compensados" deveriam ser pagos de maneira corrigida e acrescida de juros e multa. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 103 4 Sendo assim, o Município busca levar à apreciação deste Órgão Julgador as compensações declaradas para as quais pugna sejam homologadas II DO DIREITO II.1 DA PRELIMINAR Da suspensão da Exigibilidade ∙ Pugna que um dos efeitos decorrentes do recebimento da presente manifestação seja a manutenção da suspensão da exigibilidade do suposto crédito tributário impugnado, em seu valor total (não homologado), forte no §11, do art. 74, da Lei nº 9.430/96 C/C inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. II.2 DO MÉRITO ∙ Aduz que a fundamentação do Despacho Decisório ora impugnado é no sentido de que não foi encontrado crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP, a partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP originário. Todavia, cumpre observar que as compensações pleiteadas pelo Município aqui impugnante, foram executadas em harmonia à normatização de regência, motivo pelo qual se pugna pela homologação das mesmas. ∙ Ressalta que, em setembro de 2011, a Receita Federal do Brasil realizou auditoria nas contas do Município, oportunidade na qual, dentre outros assuntos, verificou que o mesmo não estava se utilizando de possíveis deduções na composição da base de cálculo quando do recolhimento a título de PASEP, o que gerou um saldo financeiro passível de compensação em relação aos futuros recolhimentos. A partir de então, além das deduções mensais, o Município passou, aos poucos, a compensar créditos dos últimos cinco anos, através de PER/DCOMP, conforme procedimento orientado pela própria RFB. ∙ Esclarece que as deduções de que o Município passou a se utilizar foram as transferências efetuadas a outras entidades públicas da Administração Indireta, fonte no artigo 7º da Lei nº 9.715/1998, conforme demonstram os documentos já juntados aos autos. Isto porque as transferências financeiras do executivo para entidades da administração indireta podem ser deduzidas, em virtude do fato que estas deverão compor a base de cálculo daquelas entidades, evitando assim o pagamento em duplicidade do PASEP. ∙ Defende que tendo o Município apurado crédito não prescrito passível de compensação, utilizouo na compensação de débito em relação aos futuros recolhimentos, a teor do que dispõe a legislação tributária. Desta forma, discorda da fundamentação do Despacho Decisório, vez que o crédito objeto de compensação é decorrente da dedução que o Município passou a fazer em relação à PER/DCOMP originária, razão pela qual Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 104 5 pugna pela homologação da compensação, e, subsidiariamente, indique a RFB as eventuais correções que deverão ser realizadas para a regularização do procedimento quanto à compensação realizado pelo Município. Finaliza com o seguinte Pedido: À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, homologando a compensação objeto de questionamento. Subsidiariamente, indique a RFB as eventuais correções que deverão ser realizadas para a regularização do procedimento quanto à compensação realizado pelo Município. Por fim, protesta pela juntada de demais provas em direto admitidas, em especial, dada a natureza da demanda, a documental. Grifado no original. É o relatório. Do recurso voluntário Irresignado com a decisão recorrida, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que repete os argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade, porquanto reproduz, ipsis litteris, idênticas razões de defesa perante este colegiado ad quem. Do encaminhamento O presente processo digital foi encaminhado em 26.02.2018 para ser analisado por este Carf (efl. 95), sendo, posteriormente, distribuído para este relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O recurso voluntário atende aos pressupostos extrínsecos de admissibilidade, pois há regularidade formal e respeito ao trintídio legal de que trata o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 PAF, na medida que foi apresentado em 03.01.2018, conforme observase do carimbo de protocolo aposto, por servidor lotado na ARF/São Leopoldo, em sua "Folha de Rosto"; após ciência do acórdão recorrido, verificada em 15.12.2017, conforme colhese, conjuntamente, do "Termo de Intimação ARF/SLO nº 501/2017" e Aviso de Recebimento "AR" dos Correios, juntados às efls. 84/85. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 105 6 Da competência para julgamento do feito Observo, com espeque no artigo 23B, Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015 RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, a competência deste Colegiado para prosseguir no feito. Do mérito Da adoção da decisão recorrida como fundamento Dispõe o parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, do RICARF, com a redação dada Portaria MF nº 329, de 2017, verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) Da fundamentação No caso presente, verificandose que o recorrente reitera perante este colegiado, ipsis litteris, os argumentos de defesa apresentados na manifestação de inconformidade, ao amparo no permissivo regimental acima reproduzido, por concordar, in totum, com os argumentos do voto condutor da lavra do Relator Antonio César de Campos, com a devida licença, adotoo, por seus próprios fundamentos, como razão de decidir no presente julgado. Razão pela qual cito trechos do Acórdão recorrido, verbis: Voto (...) Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 106 7 1.2 DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO IMPUGNADO. Em preliminar, a impugnante pleiteia, em sua manifestação, a manutenção da suspensão da exigibilidade do suposto crédito tributário impugnado, em seu valor total (não homologado). A título de esclarecimento, com o recurso/manifestação apresentado, passaram a estar suspensos todos os assuntos/valores cuja compensação não foi homologada. Com efeito, constatase que a Unidade de Origem juntou nos autos, extrato deste processo às fls. 54, no qual foi informada a situação de Contestação do resultado da análise da Compensação pleiteada. 1.3 DO MÉRITO. Com relação ao mérito, o Manifestante alega que as transferências financeiras do executivo para entidades da administração indireta podem ser deduzidas, em virtude do fato que estas deverão compor a base de cálculo daquelas entidades, evitando assim o pagamento em duplicidade do PASEP. Constatase que as deduções pleiteadas pelo Manifestante, a quais geraram o crédito de Pasep por pagamento Indevido/ a Maior, referemse aos valores de transferências ao Hospital Centenário e os repasses ao IAPS (Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Servidores Públicos do Município de São Leopoldo), no mês de julho 2007. Tal conclusão pode ser tirada dos demonstrativos acostados aos autos, fls. 19 e 20, dos demonstrativos contábeis apresentados, fls. 21 a 47, e também pelos maiores detalhes e documentos trazidos no Processo nº 11065.720866/201244, do mesmo Contribuinte, que trata do mesmo assunto em outros períodos e também analisado por esta Turma da DRJ/Campo Grande/MS. Passase, então, à análise da questão. A Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público Pasep foi instituída pela Lei Complementar nº 8, de 03 de dezembro de 1970. Nos termos desse diploma legal, são contribuintes do Pasep a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios, bem como suas autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações. O artigo 2º da LC nº 08/70 assim dispõe: Art. 2º. A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: I União: 1% (um por cento) das receitas correntes efetivamente arrecadadas, deduzidas as transferências feitas a outras Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 107 8 entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subsequentes. II Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios: a) 1% (um por cento) das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971, 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes; b) 2% (dois por cento) das transferências recebidas do Governo, da União, dos Estados, através do Fundo de Participações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir de 1º de julho de 1971. Ao tempo da ocorrência dos fatos geradores ora discutidos, ano calendário de 2007, a incidência de tal contribuição se efetivou em consonância com as inovações introduzidas pela Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, com alterações promovidas pela Medida Provisória nº 2.15835/01, e conforme regulamentado pelo Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que assim dispõem: Lei nº 9.715/98 Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: [...] III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. [...] Art. 7º Para efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art. 8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: [...] III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Decreto nº 4.524/2002 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 108 9 Art. 70. As pessoas jurídicas de direito público interno, observado o disposto nos arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III, § 3º e art. 7º). § 1º Não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. § 2º Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. No caso da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, portanto, a base de cálculo do Pasep é composta pelas receitas correntes arrecadadas, transferências correntes destinadas à manutenção e funcionamento de serviços e transferências de capital destinadas a investimentos, recebidas de outras entidades da Administração Pública. Além disso, poderão ser deduzidas da base de cálculo as transferências que tais contribuintes destinarem a outras entidades da Administração Pública, evitandose, com isso, a dupla tributação. Ocorre que acerca do tema central da controvérsia, a base de cálculo do Pasep, foi exarada a Solução de Consulta da Coordenação Geral de Tributação Cosit nº 278, de 01 de junho de 2017, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 06 de junho de 2017, (disponível na íntegra no sítio eletrônico da Receita Federal do Brasil (RFB) <http://idg.receita.fazenda.gov.br/>), que nos termos do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 2013, tem efeito vinculante no âmbito da RFB em relação à interpretação a ser dada à matéria. De acordo com o art. 96 do Código Tributário Nacional CTN, a expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Por sua vez, segundo estabelece o art. 100, I, do mesmo Código, são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, entre os quais se incluem as instruções normativas e os atos declaratórios expedidos pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (SRF), atual Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Orientações e/ou definições contidas em atos normativos, por serem normas complementares da legislação tributária (art. 100 do CTN) e refletirem o entendimento da Administração tributária, devem ser seguidas pelas Delegacias da Receita Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 109 10 Federal do Brasil de Julgamento, nos termos do disposto no inciso V do art. 7º da Portaria nº 341, de 12/07/2011, do Ministro de Estado da Fazenda (disposição que constava no art. 7º da Portaria nº 58, de 17/03/2006, do Ministro de Estado da Fazenda): Art.7º. São deveres do julgador: [...] V. observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Cabe aos atos normativos expedidos por autoridade administrativa, como normas complementares da lei que são, orientar, detalhar, esmiuçar a lei, para melhor entendimento e cumprimento por parte do contribuinte. O Código Tributário Nacional, em seu art. 106, estabelece hipóteses nas quais se aplica a retroatividade da lei a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. [grifo nosso] Assim, são plenamente aplicáveis a casos pretéritos normas de cunho interpretativo, a qual é o caso da Solução de Consulta da Coordenação Geral de Tributação Cosit nº 278. Considerando a precisão e profundidade com que foi tratado o assunto bem como a sua total adequação ao litígio ora em julgamento, adoto os fundamentos lá expostos, em sua integralidade, como razão de decidir, transcrevendo os trechos da mencionada Solução de Consulta relevantes para o esclarecimento do presente feito, a seguir: “EMENTA: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ENTES PÚBLICOS. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUINTES. OPERAÇÕES INTRAGOVERNAMENTAIS E Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 110 11 INTERGOVERNAMENTAIS. REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. AUTARQUIAS. FUNDAÇÕES PÚBLICAS. CONSÓRCIOS PÚBLICOS. As transferências intergovernamentais podem se constituir em transferências constitucionais ou legais ou em transferências voluntárias: a) as transferências intergovernamentais constitucionais ou legais estão abrangidas pela regra do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor excluir os valores transferidos de sua base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário dos recursos deve incluir tais montantes na base de cálculo da sua contribuição; b) transferências intergovernamentais voluntárias estão abrangidas pelo § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor manter os valores transferidos voluntariamente na base de cálculo de sua Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário deve excluir tais montantes de sua base de cálculo. (...) Os recursos do FUNDEB e do SUS consistem em transferências intergovernamentais constitucionais ou legais operacionalizadas de modo indireto. Em casos específicos, os recursos do SUS podem ser descentralizados via transferências voluntárias. O § 6º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, ordena que a União retenha, por meio da Secretaria do Tesouro Nacional, os valores a serem transferidos a outros entes, podendo esses valores ser excluídos da contribuição devida desses últimos. (...) Fundamentos (...) 12. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep dos entes públicos em geral (a partir daqui tratada por Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais), bem como algumas de suas regras específicas, estão estabelecidas na Lei nº 9.715, de 1998, in verbis: Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (…) Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 111 12 III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (…) § 3º Para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. (grifo nosso) (…) § 6º A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 7º Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido (Incluído pela Lei nº 12.810, de 2013) (…) Art. 7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. (grifo nosso). Art. 8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (…) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. 13. As receitas correntes, as transferências correntes e as transferências de capital, elementos que compõem a base de cálculo da supracitada contribuição, estão conceituadas na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964: Art. 11 A receita classificarseá nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.939, de 1982) § 1º São Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 112 13 ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. (…) Art. 12. A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: (…) § 2º Classificamse como Transferências Correntes as dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. (…) § 6º São Transferências de Capital as dotações para investimentos ou inversões financeiras que outras pessoas de direito público ou privado devam realizar, independentemente de contraprestação direta em bens ou serviços, constituindo essas transferências auxílios ou contribuições, segundo derivem diretamente da Lei de Orçamento ou de lei especialmente anterior, bem como as dotações para amortização da dívida pública. 14. Fazse mais que pertinente recorrer ao conceito de pessoas jurídicas de direito público interno, entes sobre os quais incide a contribuição em análise. Segundo a Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil Brasileiro), são pessoas jurídicas de direito público interno: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I a União; II os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III os Municípios; IV as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei nº 11.107, de 2005) V as demais entidades de caráter público criadas por lei. 15. As transferências ou repasses de recursos entre entes públicos podem derivar de contraprestação em bens ou serviços ou podem possuir natureza meramente financeira (independem de qualquer tipo de contraprestação). 16. De outra banda, essas transferências ou repasses podem ocorrer no âmbito do mesmo ente público ou entre entes governamentais distintos. Quando ocorrem no âmbito do mesmo ente federativo, podese classificálos Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 113 14 em operações intraorçamentárias e transferências intragovernamentais; quando ocorrem entre entes federativos distintos, denominamse transferências intergovernamentais. OPERAÇÕES INTERGOVERNAMENTAIS 17. As transferências intergovernamentais compreendem as transferências de um ente público (ente transferidor) a outro (ente recebedor). Elas ocorrem entre entes federativos distintos. Podem ser divididas em transferências constitucionais ou legais e em transferências voluntárias. 18. Para a correta aferição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, quando da ocorrência de operações intergovernamentais, é necessário o esclarecimento de alguns pontos da legislação. 19. Nos termos do inciso III do caput do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais corresponde às receitas correntes arrecadadas e às transferências correntes e de capital recebidas pelas pessoas jurídicas de direito público interno. 20. Vêse que a lei adotou uma visão orçamentária para a receita pública, exigindo que os valores sejam incluídos na base de cálculo da entidade que se apropriar dos recursos. Nesse contexto, o art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, ao referenciar o inciso III do art. 2º dessa mesma Lei, quis especificálo quanto a duas situações: 20.1. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública: a primeira parte do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, veio a esclarecer que a receita tributária, que é espécie das receitas correntes (§ 1º do art. 11 da Lei nº 4.320, de 1964), deve ser alocada a quem de fato ficará com os recursos oriundos da receita. Ora, ele corrobora o inciso III do art. 2º da mesma Lei nº 9.715, de 1998, por isso se remete a ele. Portanto, se um ente federativo arrecadar a receita tributária, mas os recursos forem transferidos a outra entidade por lhe pertencerem, a entidade recebedora dos recursos deve inserir tais valores em sua base de cálculo. Aqui ocorreu nada mais que uma transferência corrente, que o próprio inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, já exige que seja incluída na base de cálculo da contribuição em voga devida pela entidade recebedora; 20.2. E deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas: a segunda parte do art. 7º da Lei nº Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 114 15 9.715, de 1998, que permite a dedução por parte da entidade transferidora dos valores repassados a outros entes, vem a complementar um aspecto operacional do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, que ordena que as transferências correntes e de capital recebidas sejam incluídas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do ente beneficiário. Ora, as transferências intergovernamentais ocorrem mediante um ente transferidor que entrega os recursos a outro, o ente recebedor. A lei ordena, portanto, que quem recebe as transferências deve inserir os valores em sua base de cálculo (inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998) e quem transfere esses recursos deve excluir tais valores para fins de apuração da contribuição. A sistemática vai ao encontro da regulamentação do tributo, pois se a entidade recebedora fosse obrigada a incluir os valores das transferências recebidas em sua base de cálculo e a entidade transferidora não pudesse excluir os valores transferidos quando da apuração da exação, a contribuição incidiria duas vezes sobre o mesmo valor, o que não deve ocorrer segundo explicita o parágrafo único do art. 68 do Decreto nº 4.524, de 2002, reproduzido abaixo: ... 20.3.1. É notável a preocupação da Lei Complementar nº 8, de 1970, no sentido de que não se incida a Contribuição para o Pasep duas vezes quando da ocorrência das transferências intergovernamentais, tanto quando permite a dedução das transferências efetuadas a outras entidades públicas, como quando ressalta que sobre as transferências não recairá mais de uma contribuição em nenhuma hipótese. Portanto, a sistemática dessa legislação é consentânea com todo o raciocínio exposto nos itens 17.1 e 17.2, ratificandoos. Grifo nosso 20.4. Quanto ao § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, ele estabeleceu uma regra específica em relação à sistemática já exposta. Para o seu entendimento, cabe conceituarmos mais uma vez as transferências intergovernamentais e especificarmos suas espécies. Segundo a Secretaria do Tesouro Nacional STN (Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público MCASP, 2014, 7ª ed.): As Transferências Intergovernamentais compreendem a entrega de recursos, correntes ou de capital, de um ente (chamado “transferidor”) a outro (chamado “beneficiário”, ou “recebedor”). Podem ser voluntárias, nesse caso destinadas à cooperação, auxílio ou assistência, ou decorrentes de determinação constitucional ou legal. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 115 16 (…) 3.6.4.3. Transferências Constitucionais e Legais Enquadramse nessas transferências aquelas que são arrecadadas por um ente, mas devem ser transferidas a outros entes por disposição constitucional ou legal. (…) 3.6.4.4. Transferências Voluntárias Conforme o art. 25 da Lei Complementar nº 101/2000, entendese por transferência voluntária a entrega de recursos correntes ou de capital a outro ente da Federação, a título de cooperação, auxílio ou assistência financeira, que não decorra de determinação constitucional, legal ou os destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em termos orçamentários, a transferência voluntária da União para os demais entes deve estar prevista no orçamento do ente recebedor (convenente), conforme o disposto no art. 35 da Lei nº 10.180/2001, que dispõe: Art. 35. Os órgãos e as entidades da Administração direta e indireta da União, ao celebrarem compromissos em que haja a previsão de transferências de recursos financeiros, de seus orçamentos, para Estados, Distrito Federal e Municípios, estabelecerão nos instrumentos pactuais a obrigação dos entes recebedores de fazerem incluir tais recursos nos seus respectivos orçamentos. No entanto, para o reconhecimento contábil, o ente recebedor deve registrar a receita orçamentária apenas no momento da efetiva transferência financeira, pois, sendo uma transferência voluntária, não há garantias reais da transferência. Por esse mesmo motivo, a regra para transferências voluntárias é o beneficiário não registrar o ativo relativo a essa transferência (grifo nosso). ... 20.6. Assim, podese concluir que o legislador preferiu não inserir as transferências voluntárias na apuração mensal para fins da base de cálculo da contribuição, já que a receita de transferência só estará configurada quando de seu efetivo recebimento pela entidade beneficiária. Nesse caso, os recursos, quando de seu efetivo repasse, já foram tributados na entidade transferidora por meio de suas receitas correntes arrecadadas. Por esse motivo é que as transferências voluntárias devem ser encaradas como uma exceção à regra prevista no inciso III do art. 2º, conjugado com o art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, pois tais transferências Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 116 17 acabam por serem tributadas na entidade transferidora e, quando o efetivo repasse ocorrer, devem ser excluídas da base de cálculo da entidade recebedora, para que não haja dupla tributação dos recursos em obediência ao parágrafo único do art. 68 do Decreto nº 4.524, de 2002. Grifouse ... OPERAÇÕES INTRAGOVERNAMENTAIS 23. As transferências ou repasses de recursos no âmbito do mesmo ente federativo podem se dar por meio de transferências intragovernamentais ou operações intraorçamentárias. 23.1. Transferências intragovernamentais, nomenclatura adotada por esta Solução de Consulta, referemse às transferências ou repasses de recursos no âmbito do mesmo ente federativo. Elas ocorrem quando da descentralização orçamentária e financeira. 23.2. Quanto às operações intraorçamentárias, a própria consulente informa em seu Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP, 7ª edição, 2016, p. 293) que “operações intraorçamentárias são aquelas realizadas entre órgãos e demais entidades da Administração Pública integrantes do orçamento fiscal e do orçamento da seguridade social do mesmo ente federativo. Por isso, não representam novas entradas de recursos nos cofres públicos do ente, mas apenas movimentação de recursos entre seus órgãos. As receitas intraorçamentárias são a contrapartida das despesas classificadas na Modalidade de Aplicação “91 Aplicação Direta Decorrente de Operação entre Órgãos, Fundos e Entidades Integrantes do Orçamento Fiscal e do Orçamento da Seguridade Social” que, devidamente identificadas, possibilitam anulação do efeito da dupla contagem na consolidação das contas governamentais.” 23.2.1. Na mesma direção, a Portaria Interministerial STN/SOF nº 338, de 2006, expõe em seu art. 1º: Portaria Interministerial STN/SOF nº 338 de 26/04/2006 Art. 1º Definir como intraorçamentárias as operações que resultem de despesas de órgãos, fundos, autarquias, fundações, empresas estatais dependentes e outras entidades integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade social decorrentes da aquisição de materiais, bens e serviços, pagamento de impostos, taxas e contribuições, quando o recebedor dos recursos também for órgão, fundo, autarquia, fundação, Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 117 18 empresa estatal dependente ou outra entidade constante desses orçamentos, no âmbito da mesma esfera de governo. 23.3. Para fins da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, as duas formas de repasses de valores públicos no âmbito do mesmo ente federativo devem ter tratamento tributário diferente. 23.4. De um lado, quanto às transferências intragovernamentais, elas ocorrem entre pessoas jurídicas de direito público no âmbito do mesmo ente federativo ou entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica de direito público. Daí também derivam dois tratamentos distintos: 23.4.1. Quando as transferências intragovernamentais ocorrerem entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica, o que atualmente ocorre através da descentralização da execução orçamentária e financeira, não haverá impacto para a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, dado que o contribuinte é a pessoa jurídica (inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998), sendo suas movimentações internas de recursos anuláveis quando da apuração da base de cálculo da exação. Assim, devese considerar as receitas correntes arrecadadas e as transferências correntes e de capital recebidas da pessoa jurídica e não de seus órgãos ou fundos para fins de apuração do tributo em voga. Grifouse 23.4.2. Quando as transferências intragovernamentais ocorrerem entre pessoas jurídicas de direito público no âmbito do mesmo ente federativo, o tratamento tributário para fins da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep deve ser idêntico ao dispensado às transferências intergovernamentais, haja vista que em ambos os casos ocorreram transferências correntes e de capital entre entidades públicas (§ 2º e § 6º do art. 12 da Lei nº 4.320, de 1964), o que configura a situação descrita na parte final do art. 7º ou no § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998. Dessa forma, deve seguir a mesma regra de inclusão ou exclusão dos valores, a depender do tipo de transferência efetuada (se transferência constitucional ou legal ou se transferência voluntária). Grifouse 23.4.3. Importante repisar mais uma vez que o contribuinte da exação instituída no inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, são as pessoas jurídicas de direito público, sendo ela, como um todo, que deve recolher o tributo sobre todas as suas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas. Grifouse Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 118 19 ... 23.5. De outro lado, quanto às operações intraorçamentárias, elas não estão abrangidas pelo conceito de transferência corrente e de capital da Lei nº 4.320, de 1964, haja vista que se realizam através de contraprestação em bens e serviços ou simplesmente decorrem do pagamento de alguma obrigação da entidade. Grifouse 23.5.1. A título de maiores explicações, a consulente informa nas Perguntas e Respostas aos seus Manuais que: As despesas intraorçamentárias ocorrem quando órgão, fundos, autarquias, fundações, empresas estatais dependentes e outras entidades integrantes do orçamento fiscal e da seguridade social efetuam aquisições de materiais, bens e serviços, realizam pagamento de impostos, taxas e contribuições, além de outras operações, quando o recebedor dos recursos também for órgão, fundo, autarquia, fundação, empresa estatal dependente ou outra entidade constante desse orçamento, no âmbito da mesma esfera de governo. Ocorre despesa intraorçamentária, por exemplo, quando o Ministério da Saúde órgão integrante do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social da União, apropria uma obrigação com a Imprensa Nacional, que também pertence ao Orçamento Fiscal e da Seguridade Social da União. Observase que no momento da apropriação da obrigação ocorre uma despesa intraorçamentária no Ministério da Saúde e no momento do recebimento, pela Imprensa Oficial, ocorre uma receita intraorçamentária. Portanto, ocorrendo uma despesa intraorçamentária, obrigatoriamente ocorrerá uma receita intraorçamentária em órgão integrante do Orçamento Fiscal e Seguridade Social, mas em virtude da despesa ser reconhecida no momento da apropriação e a receita no momento da arrecadação, os registros não ocorrerão no mesmo momento. As despesas intraorçamentárias não se aplicam às descentralizações de créditos para execução de ações de responsabilidade do órgão, fundo ou entidade descentralizadora, efetuadas no âmbito do respectivo ente da Federação, assim como não implicam no restabelecimento das extintas transferências intragovernamentais. (Perguntas e Respostas STN, 2014, p. 14).(grifos nossos) 23.5.2. Destarte, as operações intraorçamentárias correntes não devem ser encaradas como transferências para fins da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, não podendo o ente transferidor dos recursos abater de sua base de cálculo os valores transferidos a outras entidades Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 119 20 públicas, não estando sujeitas, portanto, à parte final do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. 23.5.3. Dessa forma, caso a operação intraorçamentária ocorra entre entes com personalidade jurídica de direito público, apesar de os valores já terem sofrido tributação em um momento anterior, o ente recebedor dos recursos deve tratálas como receitas correntes (que não a espécie transferências) e inserilas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais devida por ele. Já o ente transferidor não pode deduzir tais valores de sua base de cálculo dessa contribuição, haja vista que não se trata de transferências correntes e de capital. 23.5.4. Considerando todo o posicionamento no que tange às operações intraorçamentárias, consideramse respondidos os itens “a”, “c” e “d”. 24. Importante ressaltar que os fenômenos devem ser interpretados à essência do exposto nessa Solução de Consulta, não estando subordinado a aspectos ou registros contábeis. Nesse contexto, ainda é de suma importância ressaltar que as transferências de recursos entre entes ou entidades públicas devem ter o tratamento descrito nos itens anteriores, independentemente da forma como ocorram operacionalmente. REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RPPS) 25. No que tange aos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), suas receitas devem ser inseridas ou não na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais de acordo com todo o conteúdo já exposto. Tendo em vista a explanação anterior de que o contribuinte do tributo são as pessoas jurídicas de direito público interno como um todo e do tratamento das operações intraorçamentárias, a questão “k” considerase respondida. ... 25.2. As fontes de financiamento dos RPPS constituemse notoriamente da contribuição patronal dos entes federativos e da contribuição dos segurados ativos, inativos e pensionistas. Outras receitas são também fonte de custeio de tais regimes, como as receitas decorrentes de investimentos e patrimoniais e da compensação financeira previdenciária. 25.3. A contribuição dos servidores aos RPPS está incluída no conceito de receita corrente. Se assim não fosse, não poderia se constituir em dedução do somatório das receitas tratadas pela Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, para fins de delimitação do conceito de Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 120 21 receita corrente líquida. É o que se pode inferir da leitura do art. 2º da LC nº 101, de 2000, ora denominada Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF): Art. 2º Para os efeitos desta Lei Complementar, entendese como: [...] IV receita corrente líquida: somatório das receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de serviços, transferências correntes e outras receitas também correntes, deduzidos: a) na União, os valores transferidos aos Estados e Municípios por determinação constitucional ou legal, e as contribuições mencionadas na alínea a do inciso I e no inciso II do art. 195, e no art. 239 da Constituição; b) nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios por determinação constitucional; c) na União, nos Estados e nos Municípios, a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira citada no § 9º do art. 201 da Constituição (grifo nosso). 25.4. O motivo pelo qual o legislador excluiu na alínea “c” do art. 2º supracitado a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira foi para dar um tratamento específico a ela. Isso é corroborado pelo inciso IV do art. 50 da mesma lei, que diz que “as receitas e despesas previdenciárias serão apresentadas em demonstrativos financeiros e orçamentários específicos”. 25.5. O fato de a contribuição dos servidores ao RPPS se constituir em uma receita corrente ainda é corroborado pelo próprio Ministério da Previdência Social: (…) As operações correntes dos RPPS estão contempladas nos seguintes subgrupos de contas: (a) receitas correntes: contribuições retidas dos segurados; os recebimentos de parcelamento de débitos previdenciários...(LIMA, Diana Vaz de; GUIMARÃES, Otoni Gonçalves. Contabilidade aplicada aos regimes próprios de previdência social. Brasília: MPS, 2009.). 25.6. A Receita Federal do Brasil (RFB) já se manifestou sobre o caso. Portanto, é mais que cabível mencionar fragmento do Despacho Decisório nº 1 SRRF01/Disit, de 12 de janeiro de 2010: Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 121 22 21. Em relação à contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social devese observar que a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000), que define Receita Corrente Líquida como o somatório de todas as receitas correntes deduzidas: 1) As transferências constitucionais, conforme disposto na Seção VI Repartição das Receitas Tributárias, e ainda as mencionadas nos incisos I e II do art. 195 e o art. 239 da Constituição; 2) A contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira mencionada no § 9º, art. 201 da Constituição Federal. 22. A partir dessa definição, podese inferir que, legalmente, a contribuição dos servidores é classificada como uma “receita corrente”, em função disso, deve também integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. 23. Aplicandose esses conceitos ao caso concreto apresentado, temse que: (i) as receitas provenientes das contribuições previdenciárias dos servidores e órgãos patronais constituem receitas correntes; (ii) as receitas direcionadas ao custeio e manutenção do RPPS, constituem transferências correntes; e (iii) os rendimentos das aplicações financeiras constituem outras receitas. Portanto, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.715/98, todos esses valores devem integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. 25.7. Quanto à contribuição previdenciária patronal aos RPPS, também há posicionamento da RFB, que pode ser verificado por meio da Solução de Consulta nº 66 SRRF04/Disit, de 10 de dezembro de 2010, que em sua ementa deixa claro que: As receitas correntes relativas à contribuição previdenciária patronal (ainda que esta seja arrecadada por outra entidade da administração pública) e dos servidores públicos, bem como os rendimentos financeiros provenientes da aplicação destas no mercado, integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep devida, na espécie, por autarquia estadual que administra o respectivo regime próprio de previdência social. Ressaltese, outrossim, que as autarquias não são contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários (grifos nossos). 25.8. As contribuições patronais recebidas pelos RPPS são, na essência, operações intraorçamentárias, pois o ente público transfere para o fundo os recursos e em troca, espera uma contraprestação para seus servidores Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 122 23 na forma de benefícios previdenciários. Portanto, os recursos transferidos devem ser encarados dessa forma. O MCASP (6ª edição, 2014, p. 249) vem corroborar com o enquadramento quando afirma que o pagamento da contribuição patronal constitui uma despesa intraorçamentária para o ente e uma receita intraorçamentária para o RPPS. 25.9. A classificação das demais receitas do RPPS para fins de inclusão ou não na base de cálculo da contribuição deve ser feito à luz dessa Solução de Consulta, sempre tendo em vista que qualquer espécie de receita corrente compõe a base de cálculo do tributo. Dessa forma, considerase respondido o item “l”. ... AUTARQUIAS 26. O § 3º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, institui uma regra específica para as autarquias, nos seguintes moldes: Lei nº 9.715, de 1998 Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (…) § 3º Para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. 26.1. O dispositivo ordena que as receitas do Tesouro Nacional, assim classificadas nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social, não sejam incluídas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais apurada pelas autarquias. Dessa forma, o ente transferidor, no caso a União, deve sofrer a tributação da contribuição em relação aos seus recursos alocados às autarquias. Com isso, considerase satisfeito o item “b”. ... Conclusão 29. Diante do exposto, conquanto os questionamentos apresentados pela consulente tenham sido respondidos ao longo do texto, apresentamse as conclusões abaixo. 30. As transferências de recursos podem ser intergovernamentais ou intragovernamentais, e a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais varia conforme a espécie de transferência de recursos. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 123 24 31. As transferências intergovernamentais podem se constituir em transferências constitucionais ou legais ou em transferências voluntárias: a) As transferências intergovernamentais constitucionais ou legais estão abrangidas pela regra do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor excluir os valores transferidos de sua base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário dos recursos deve incluir tais montantes na base de cálculo da sua contribuição; b) As transferências intergovernamentais voluntárias estão abrangidas pelo § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor manter os valores transferidos voluntariamente na base de cálculo de sua Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário deve excluir tais montantes de sua base de cálculo. 32. A transferência ou repasse de recursos no âmbito do mesmo ente federativo pode se dar por meio de transferências intragovernamentais ou operações intraorçamentárias. Grifouse 32.1. Quanto às transferências intragovernamentais: a) Quando as transferências intragovernamentais ocorrerem entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica, os valores não terão impacto na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais devida pela entidade pública que aglomera os órgãos ou fundos envolvidos; Grifouse b) Diferentemente, quando as transferências intragovernamentais envolvem diferentes entidades dotadas de personalidade jurídica de direito público, o tratamento a ser dispensado dependerá da espécie de transferência que esteja sendo efetivada, se constitucional ou legal ou se voluntária (as regras são idênticas às das transferências intergovernamentais). 32.2. Nas operações intraorçamentárias, o ente transferidor não pode excluir de sua base de cálculo os valores transferidos, por não se sujeitarem à parte final do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. O ente recebedor dos recursos também não pode excluir as Receitas Intraorçamentárias Correntes de sua base de cálculo, pois os valores recebidos não se enquadram como transferências para fins da Lei nº 4.320, de 1964, e do art. 7º retromencionado. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 124 25 Assim, face à Solução de Consulta Cosit nº 278, de 01 de junho de 2017, entendo como correta que nas transferências intragovernamentais entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica, o que atualmente ocorre através da descentralização da execução orçamentária e financeira, não haverá impacto para a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais, dado que o contribuinte é a pessoa jurídica (inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998). No caso em questão, smj, não foi devidamente esclarecido a respeito da personalidade jurídica das entidades recebedoras dos valores. Contudo, concluise pelos autos, sem sombra de dúvidas, se tratarem de transferências intragovernamentais voluntárias, a respeito das quais, a conclusão da Solução de Consulta Cosit nº 278, é taxativa no sentido de que: As transferências intergovernamentais voluntárias estão abrangidas pelo § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor manter os valores transferidos voluntariamente na base de cálculo de sua Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário deve excluir tais montantes de sua base de cálculo. Portanto, no caso concreto o município de São Leopoldo Prefeitura, pessoa jurídica de direito público interno, é sujeito passivo e contribuinte do PASEP, respondendo também pelas transferências voluntárias que realizar. Por seu turno, o Parecer Normativo nº 1, de 21 de maio de 1996, editado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, orienta que as pessoas jurídicas de direito público sujeitamse às contribuições para o PIS/PASEP (grifei): Entidades públicas que recebem transferências correntes e de capital de outras entidades públicas têm suscitado dúvidas sobre a determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP, tendo em vista as normas que sucederam a publicação da Resolução nº 49, baixada pelo Senado Federal, em 9 de outubro de 1995. (...) 3. Da leitura dos arts. 2º, 3º, 7º e 8º, da citada Medida Provisória, observase que as pessoas jurídicas de direito público ou privado, alinhadas a seguir, sujeitamse à referida exação, tendo base de cálculo e alíquota distintas, segundo suas características e peculiaridades: (...) 3.3 Pessoas jurídicas de direito público interno (União, Estados, Distrito Federal, Municípios e suas autarquias) base de cálculo: o valor mensal das receitas correntes Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 125 26 arrecadadas, inclusive as que tenham sido arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade dentre as citadas, e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas; alíquota: um por cento.” (grifei) Nesta mesma conformidade, o art. 2º da Lei n.º 9.715/983 impõe a obrigatoriedade da contribuição mensal ao PASEP aos sujeitos passivos nele relacionados, abrangendo as pessoas jurídicas de direito público interno, que devem calcular a contribuição com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Destarte, a própria Constituição Federal prevê os referidos entes como sujeitos passivos das contribuições sociais, conforme disposto em seu art. 195, e § 1º. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 1º As receitas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios destinadas à seguridade social constarão dos respectivos orçamentos, não integrando o orçamento da União. Não se pode olvidar que a jurisprudência administrativa caminha no mesmo sentido, conforme exemplifica o Acórdão do antigo Conselho de Contribuintes, atualmente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, cuja ementa segue abaixo (grifei): Ementa PASEP. SUJEITO PASSIVO. MUNICÍPIO. LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DO CNPJ DA PREFEITURA. LEGALIDADE. No lançamento do Pasep cujo sujeito passivo é o Município, a pessoa jurídica de direito público contribuinte da Contribuição, deve ser empregado o CNPJ do órgão Prefeitura Municipal, posto que o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica emitido em nome deste órgão identifica com precisão aquela pessoa jurídica. Recurso de Ofício provido, com restabelecimento do lançamento e retorno dos autos à DRJ, para apreciação do mérito. (Segundo Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 20311773, Processo 10280003116200659, Data 25/01/2007) Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 126 27 Vejamos que tal entendimento também é externado pelo e. TRF3 (grifei): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. AUTARQUIA MUNICIPAL. NATUREZA TRIBUTÁRIA NO PERÍODO POSTERIOR À CONSTITUIÇÃO DE 1988. EXIGIBILIDADE. 1. A partir da vigência da Constituição Federal de 1988, a contribuição ao PASEP adquiriu feição tributária. Com essa natureza jurídica, desapareceu o caráter facultativo da adesão que estava previsto na Lei Complementar nº 08/70, que, neste particular, não foi recepcionada (ou foi revogada) pela Constituição da República de 1988. 2. A obrigação tributária é uma obrigação "ex lege", que decorre imediatamente da lei, sendo irrelevante a vontade do contribuinte para determinar o seu nascimento. A obrigação tributária não nasce por acordo de vontades, ou mesmo por força da vontade unilateral do Fisco ou do sujeito passivo, mas por imposição legal cogente. 3. Nesses termos, desde 1988, o dever de recolhimento da contribuição ao PASEP tornouse inafastável para os Municípios, assim como para suas autarquias. 4. Precedentes do STF e deste Tribunal. 5. Honorários advocatícios fixados de acordo com os parâmetros do art. 20, § 4º, do CPC. 6. Remessa oficial a que nega provimento. (TRF3 REOAC: 9008 SP 2000.61.12.0090080, Relator: JUIZ CONVOCADO RENATO BARTH, Data de Julgamento: 18/07/2007, TERCEIRA TURMA) Dessa forma, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), concluise que deve a RFB não homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues. Em que pese não ser competência das DRJ indicar, pela RFB, as eventuais correções que deverão ser realizadas para a regularização do procedimento quanto à compensação, conforme solicitado pelo Contribuinte, esperase que a fundamentação ora trazida seja útil ao Interessado à título de esclarecimentos pertinentes ao caso. (...) Da conclusão Desta feita, amparado pelo parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017, conheço do Recurso Voluntário e no mérito voto por julgálo improcedente, para manter o Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado, por inexistência de crédito, e não homologou a compensação constante da(s) DCOMP em análise. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11065.913373/201256 Acórdão n.º 3001000.653 S3C0T1 Fl. 127 28 (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001627/2005-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles.
Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática.
Numero da decisão: 9303-007.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles. Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 16 27 /2 00 5- 65 Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 10875.001627/200565 Acórdão n.º 9303007.813 CSRFT3 Fl. 1.436 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte VISTEON SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.892 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 08 de dezembro de 2015, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido A Turma a quo entendeu por negar provimento ao recurso voluntário da Contribuinte pois, em síntese, não teria ela se desincumbido do ônus de comprovar o seu direito creditório, bem como em razão da impossibilidade de apreciação dos argumentos trazidos pela Recorrente somente na via recursal e cujo litígio não foi instaurado desde a primeira instância. Além disso, no acórdão recorrido, foi consignado ter ocorrido a juntada de documentos pelo Sujeito Passivo em data posterior ao próprio julgamento do recurso voluntário, corroborando a afirmação contida no decisum de não insurgência da Contribuinte, por meio de manifestação de inconformidade, quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, deixando transcorrer in albis o prazo para a sua defesa. Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 10875.001627/200565 Acórdão n.º 9303007.813 CSRFT3 Fl. 1.437 3 Em face da referida decisão, a Contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados conforme despacho s/n.º, por inexistir quaisquer vícios de omissão, obscuridade ou contradição no julgado. Não resignada, a empresa interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto à (a) apreciação de provas trazidas em sede recursal, nos termos do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72; e (b) aplicação da regra da preclusão, consoante art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, com relação à possibilidade de apreciação dos argumentos suscitados apenas em sede de recurso voluntário e cuja controvérsia não foi instaurada em primeira instância administrativa. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos n.ºs 9303001.842 e 910100.514, respectivamente. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 18 de janeiro de 2017, proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial quanto à apresentação extemporânea de documentos e à aplicação da regra da preclusão. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial, por ausência de cotejo analítico e de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas, e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anterior Portaria MF n.º 256/09). Depreendese da análise do acórdão recorrido ter o mesmo fundamento em dois pontos: (a) não ter a Contribuinte se desincumbido do seu ônus probatório com relação ao crédito pleiteado, bem como (b) ausência de apresentação de defesa com relação ao segundo Termo de Constatação Fiscal no prazo legal estabelecido, o que foi corroborado pela juntada de documentos após o julgamento do recurso voluntário, impossibilitando a sua apreciação. Para elucidar a assertiva, pertinente a transcrição de trechos do acórdão recorrido, in verbis: Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 10875.001627/200565 Acórdão n.º 9303007.813 CSRFT3 Fl. 1.438 4 [...] No presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, incumbindo ao autor a prova quanto ao fato constitutivo do seu direito. No caso em exame, a interessada declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. Nesses termos, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação ao fisco, quando solicitado, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações. [...] Conforme relatado, a DCOMP apresentada foi submetida a análise pela autoridade competente para decidir acerca do direito pleiteado: ∙ Seort da DRF/Guarulhos emitiu o Despacho Decisório n° 536/2009, por meio do qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às diversas intimações seria insuficiente para reconhecimento do crédito pleiteado, registrando ainda que o contribuinte não atendeu integralmente as intimações nos prazos fixados, deixando de apresentar elementos essenciais ao exame do pleito, Restando não homologados os créditos pleiteados, demonstrase a seguir de forma sumarizada os desdobramentos e tramitação processual respectivos. Uma vez nãohomologada a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é facultada ao sujeito passivo a apresentação de manifestação de inconformidade às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ contra a nãohomologação da compensação pela autoridade competente para decidir o pleito (no prazo de trinta dias da ciência da nãohomologação), assim como a apresentação de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF contra o acórdão das DRJ que manteve a não homologação da compensação (no prazo de trinta dias da ciência do acórdão), conforme previsão dos §§ 7º a 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Usando da faculdade que lhe o confere o referenciado dispositivo legal, o contribuinte ingressou com a Manifestação de Inconformidade acompanhada dos documentos de fls. 273/554. Na sequência, a 3ª Turma da DRJ/Campinas decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2.961, de 14/06/2010. [...] Ante o exposto constatase que foram feitas várias intimações, antes de ser exarado o Despacho Decisório não homologatório de fls. n° 536/2009 e ainda, após instaurado o litígio, a instância julgadora a quo, diante da novel documentação apresentada na Manifestação de Inconformidade converteu o julgamento em diligência, em razão de sua competência regimental, nos termos do 1art.233, inciso IV, da Portaria MF nº 203, de 2012, DOU de Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 10875.001627/200565 Acórdão n.º 9303007.813 CSRFT3 Fl. 1.439 5 17/05/2012, que aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB para julgamento de litígio instaurando em decorrência de apresentação de inconformidade contra apreciações das autoridades em processos relativos a compensação, para que a autoridade jurisdicionante, competente para decidir o pleito procedesse a análise da documentação apresentada, ensejando em decorrência os dois termos de constatação fiscal acima mencionados, sendo importante ressaltar que ao exarar o primeiro Termo de Constatação, após cientificado, o contribuinte solicitou prazo adicional para apresentação de documentos, sendo acolhido, se não expressamente, de maneira tácita, já que novos documentos foram apreciados, resultando no segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717. Verificase assim que quanto ao aspecto material, visando conferir a liquidez e certeza do crédito alegado, foi procedida a verificação junto ao contribuinte do suporte probatório que lhe competia demonstrar, conforme dispõe a legislação de regência, quantos às operações que ensejariam referido crédito, no entanto como já sobejamente explicitado, o contribuinte ofereceu apenas parte da documentação, que se mostrou insuficiente para homologar totalmente o crédito pleiteado. Digno de nota que embora regularmente cientificado do segundo Termo de Constatação Fiscal, declinou o contribuinte de exercer o seu direito de defesa, já que não houve a contestação na Manifestação de Inconformidade quanto ao referido termo. Inferese portanto que o contribuinte não desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Inexistindo contestação acerca do segundo termo de contestação a instância a quo procedeu ao julgamento com a apreciação das matérias litigadas na Manifestação de Inconformidade apresentada e o resultado da diligência solicitada, cujo conteúdo decisório se demonstra a seguir, por alguns excertos: [...] Do ponto de vista formal, com fulcro no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, [Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997), assim os argumentos de mera presunção quanto ao direito à via recursal, ainda que silente em relação à primeira instância, não podem ser acolhidos, uma vez que as matérias submetidas à primeira instância determinam os limites do litígio na via contenciosa administrativa, de modo que a matéria não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pela recorrente somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria, condição, segundo a norma que rege o processo administrativo fiscal para submeterse ao duplo grau de jurisdição. [...] Digno ainda de nota que a solicitação de juntada de documentos em 15/12/2015, conforme relatado foi efetuada após o julgamento do presente processo, corroborando a fundamentação já delineada quanto a não Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 10875.001627/200565 Acórdão n.º 9303007.813 CSRFT3 Fl. 1.440 6 apresentação de manifestação de inconformidade relativa ao segundo Termo de Constatação no prazo legal estabelecido com os motivos de fato e de direito para fundamentar sua contestação, bem como os pontos de discordância, as razões e provas que visassem infirmar o referido termo. Assim os documentos apresentados somente em 15/12/2015 não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações respectivas: [...] Nesse mister, ante os fundamentos acima expostos deixo de conhecer a contestação somente em sede recursal quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717, mantendo in totum a decisão de piso, bem como os documentos cuja solicitação de juntada foi posterior ao julgamento do presente processo. [...] A Contribuinte, ao apresentar o seu recurso especial, insurgiuse tão somente quanto ao argumento da análise de provas apresentadas posteriormente à manifestação de inconformidade e à preclusão, não tendo realizado a comprovação da divergência com relação à atribuição do ônus probatório. Assentandose a decisão em mais de um fundamento, sendo eles autônomos entre si para a manutenção do julgado, é necessário que a parte se insurja quanto a todos eles para que tenha prosseguimento o recurso especial. Nesse sentido é a Súmula do STF n.º 283: " É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Além disso, com relação ao tema de insurgência análise de provas juntadas aos autos após a manifestação de inconformidade e preclusão não houve a devida comprovação da divergência jurisprudencial por meio dos paradigmas apresentados, conforme despacho de exame de admissibilidade exarado no processo n.º 16098.000064/200955, do mesmo Contribuinte, o qual tem idênticos acórdãos recorrido e paradigmas. Naqueles autos, a negativa de seguimento ao apelo especial deuse em razão da ausência de comprovação do dissenso interpretativo, com base nos seguintes argumentos, que passam a integrar o presente julgado: [...] 1 – COFINS – PROVA – APRECIAÇÃO DE PROVAS APRESENTADAS EXTEMPORANEAMENTE – ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72 Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº CSRF/9303001.842. Vejamos sua ementa: [...] Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 10875.001627/200565 Acórdão n.º 9303007.813 CSRFT3 Fl. 1.441 7 Inicialmente importa ressaltar que o recurso especial é remédio para solução de divergências na interpretação da legislação tributária. Não cabe à Instância Especial a reapreciação do conjunto probatório. A recorrente parte da premissa equivocada de que o acórdão recorrido teria rechaçado a possibilidade de apreciar provas apresentadas extemporaneamente. Tal não se deu. Não há decisão, no acórdão recorrido, que negue a apreciação das provas apresentadas a destempo, em tese. A rejeição às provas juntadas extemporaneamente, no presente caso, fundamentase no fato material de terem sido apresentadas, conforme a exposição da relatora, depois da data julgamento do acórdão recorrido. Sustenta a recorrente que o acórdão recorrido teria cometido equívoco, ao considerar a data da apresentação das provas em 15/12/2015, quando, alega, foram apresentadas em 01/12/2015. Alega ainda que tal circunstância foi objeto de sustentação oral, porém não acatada pela Turma (folha 1.177 e 1.178). Tais alegações foram rebatidas, em despacho de admissibilidade de embargos, em outros processos da empresa julgados na mesma sessão pela Turma. Neste presente processo os embargos foram rejeitados porque intempestivos. De qualquer modo, o que resta é que o fundamento do acórdão recorrido, neste aspecto, é a ausência das provas quando do julgamento, portanto, decorre a incomparabilidade com o paradigma apresentado. Assim, sendo diversos os fundamentos dos arestos comparados, não há demonstração de divergência jurisprudencial quanto a esta matéria. 2 – COFINS – MATÉRIA PRECLUSA ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72 Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº CSRF/910100.514. Vejamos sua ementa, transcrita na parte de interesse ao presente exame: [...] O paradigma expressa a tese de que, no contexto da apreciação do instituto da preclusão, previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, devese diferenciar a “defesa” dos “fundamentos de defesa”. A primeira não poderia ser inovada, enquanto os segundos, sim. Em outras palavras, a preclusão incidiria sobre as infrações cometidas e não defendidas, isto é, se todas as infrações tiverem sido contestadas em recurso inicial, eventual recurso a instância superior poderia apresentar novas teses jurídicas. Porém, o acórdão recorrido considerou que o contribuinte não apresentou nenhuma defesa nem defesa, nem fundamentos de defesa perante as infrações apontadas no resultado da diligência fiscal, resultado da diligência fiscal que restou convalidado pela DRJ. Com efeito, o acórdão recorrido relata que o contribuinte foi intimado a manifestarse acerca dos resultados da diligência fiscal que calculou o crédito afinal acatado pela instância julgadora a quo e não o tendo feito, não remanesceu qualquer litígio. Confirase trecho (folha 966): [...] Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 10875.001627/200565 Acórdão n.º 9303007.813 CSRFT3 Fl. 1.442 8 Ressalto que fato de o cálculo ter sido feito apenas em sede de diligência fiscal solicitada pela DRJ foi responsabilidade do contribuinte, posto que não apresentou, na fase anterior, os documentos solicitados. Portanto, a responsabilidade para que a oportunidade de defesa sobre as infrações apontadas tenha se dado após a manifestação de inconformidade também é do contribuinte. [...] Portanto, nenhuma das infrações e diferenças de cálculo apontadas na referida diligência fiscal final foi objeto de “defesa” ou “fundamentos de defesa” por parte do contribuinte, na primeira instância administrativa. Desse modo, a distinção vazada pelo paradigma se revela inócua no presente caso, razão pela qual concluise que não foi demonstrada a divergência quanto a esta matéria. [...] Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1442DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923689/2012-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.967241/2012-78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
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DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.967241/201278, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 36 89 /2 01 2- 80 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.923689/201280 Acórdão n.º 1301003.514 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instancia que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas em razão dos créditos da contribuintes já terem sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. A autoridade de primeira instancia julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.511, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.967241/2012 78, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.511): "Configuramse os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentada pelo sujeito passivo, visto que protocolizada no prazo legal. Reafirma a Recorrente que a DCTF (retificadora) apresentada ao Fisco Federal evidencia que o débito no importe de R$ 56.740,18 (código 2089) estava em aberto, ou seja, denunciado e não pago, não havendo em DCTF nenhum DARF vinculado a tal ocorrência. Referido débito, faria, ainda, parte de um parcelamento extraordinário junto à própria RFB, lei 11.941/09. Ressaltese que a retificação da DCTF, ou de qualquer outra declaração pelo próprio contribuinte, depois de ter sido intimado do despacho decisório, não serve como prova do pretenso direito creditório. Nesse sentido é o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e a jurisprudência do CARF. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.923689/201280 Acórdão n.º 1301003.514 S1C3T1 Fl. 4 3 Na situação em análise, além de a retificação da DCTF ser posterior à intimação do despacho decisório, não há no recurso sequer a descrição do fato de que teria se originado o crédito pretendido. A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele que alega o fato tem o ônus de proválo. Portanto, se no auto de infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos pedidos de restituição e nas compensações o ônus de provar o indébito é daquele que bate às portas do Fisco, reivindicando o direito. Por último, cabe dizer que, no caso em exame, a solução da controvérsia passa ao largo das supostas diferenças entre processo e procedimento. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.902108/2008-60
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Relatório
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator. Marcos Antonio Borges - Presidente. Vinícius Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 02 10 8/ 20 08 -6 0 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10530.902108/200860 Resolução nº 3003000.009 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Tratase de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório n° de rastreamento 804807868, de 07/11/2006 (fl. 03), da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana/BA, que não homologou a compensação declarada através do PER/DCOMP nº. 24873.56983.280906.1.7.040830 (fls. 13/17). No citado PER/DCOMP, a interessada pretendia utilizar um crédito referente a um pagamento a maior ou indevido do PIS Não Cumulativo, código 6912, do período de apuração outubro de 2003, no valor de R$ 7.865,33, para compensar um débito do próprio PIS Não Cumulativo, no valor de R$ 4.764,01, do mesmo período de apuração, ou seja, outubro de 2003. Cientificada do indeferimento a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 01, requerendo, em síntese, o cancelamento das PER/DCOMP de n°s. 20991.69065.011004.1.3.042117 e 24873.56983.280906.1.7.040830, sob a alegação de que as mesmas foram emitidas e transmitidas indevidamente. Diz ainda que a PER/DCOMP a que se refere à compensação do PIS Não Cumulativo, do período de apuração outubro de 2003, é a de n°. 38403.79976.011004.1.3.046387, requerendo, ainda, a baixa do presente processo o qual se refere à cobrança da PER/DCOMP n°. 20991.69065.011004.1.3.042117. A 4ª Turma da DRJ em Salvador proferiu decisão nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/09/2006 COMPENSAÇÃO O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PERDCOMP. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, pugnando (fl. 40) 1: O valor de R$ 4.764,01 referese ao pagamento do PIS (4º. trimestre/2003), sendo que, por equívoco, foi informado na Perdcomp n° 20991.69065.01104.1.304.2117 com código de IRPJ (0220). Entretanto, tal crédito não foi utilizado para compensação do IRPJ naquele trimestre. Observe, V.Sa., que o valor declarado do IRPJ foi de R$ 123.734,18 e os DARFs anexos comprovam a sua quitação total sem a inclusão do crédito de R$ 4.764,01. Por isso foi pedido o cancelamento da referida Perdcomp. 1 Neste voto, as referências às folhas processuais seguem a numeração do eprocesso. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10530.902108/200860 Resolução nº 3003000.009 S3C0T3 Fl. 4 3 Dos documentos juntados, contatase que o PIS 10/2003 no valor de R$ 7.990,02 não se encontra em aberto. O mesmo foi quitado com o pagamento de dois DARFs: R$ 7.865,33 pago em 14/11/2003 e R$ 124,69 em 31/03/2004. Diante do exposto, pedese a correção de ofício, por inexistência de débitos e a manifestação de conformidade e homologação do processo n° 10530.902108/200860. Salientase, por oportuno, que não foi feita a alteração da DTCF 10/2003 porquanto o sistema não permite a retificação do exercício de 2003. É o relatório. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, dentro, portanto, da alçada de competência desta turma extraordinária. A controvérsia se restringe em saber se deve subsistir a decisão de não homologação da compensação do PIS, atinente ao 4º. trimestre de 2003, conforme despacho decisório eletrônico às fls. 34/35. A decisão de piso sustentou a não homologou da compensação, tendo trazido, como fundamento, as razões a seguir transcritas: Verificase, de fato, que a interessada declarou na PER/DCOMP n°. 38403.79976.011004.1.3.046387, transmitida em 01/10/2004 (fls. 19/23), o débito do PISNão Cumulativo, do período de apuração outubro/2003, no valor de R$ 4.764,01. Observase, no entanto, que por constar em tal declaração, como data de arrecadação do Darf, objeto do crédito, a data de sua transmissão, ou seja 01/10/2004 (pág. 3), esta foi retificada pela PER/DCOMP n° 248734.56983.280906.1.7.040830 e, por conseguinte, cancelada, conforme se verifica da consulta feita ao sistema "SIEF" da RFB (fl. 24). Deste modo, improcedem as alegações da interessada de que a compensação do PISNão Cumulativo, do período de apuração outubro/2003, encontrase na referida PER/DCOMP. Quanto ao pedido de cancelamento da PER/DCOMP n°. 20991.69065.011004.1.3.042117, verificase a sua improcedência, haja vista que a compensação ali pleiteada para o débito de IRPJ (código 0220), no Valor de R$ 4.764,01, para o 4° Trimestre/2003, foi parcialmente homologada, conforme se verifica do despacho decisório eletrônico da DRF/Feira de Santana, obtido mediante consulta feita aos sistemas da Receita Federal (fls. 31/32). Improcedem, de igual forma, o pedido de cancelamento da PER/DCOMP n° 2487156983.280906.1.7.040830 (fls. 13/17), ora sob Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10530.902108/200860 Resolução nº 3003000.009 S3C0T3 Fl. 5 4 análise, posto que o débito nela declarado, do PISNão Cumulativo, do período de apuração outubro/2003, no valor de R$ 4.764,01, encontra se em aberto, por inexistência de crédito para fazer face a sua compensação, já que o crédito ali pleiteado, já havia sido utilizado para compensação de débito de IRPJ declarado na PER/DCOMP nº. 20991.69065.011004.1.3.042117. Isso posto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação declarada. Da leitura dos excertos da decisão, podese verificar que o colegiado a quo entendeu que não há crédito disponível para a compensação do débito de PIS nãocumulativo, de outubro de 2003, no valor de R$ 4.764,01, informado na PER/DCOMP n° 2487156983.280906.1.7.04 0830, uma vez que o crédito ali indicado havia sido utilizado para compensar débito de IRPJ, no mesmo valor, concernente ao último trimestre de 2003, declarado na PER/DCOMP nº. 20991.69065.011004.1.3.042117. Em seu Recurso, a recorrente argumenta que a compensação informada no PER/DCOMP nº. 20991.69065.01104.1.304.2117 se deu por equívoco, tendo sido indicado débito de IRPJ (código 0220), ao invés de débito de PIS, no valor de R$ 4.764,01. A recorrente sustenta, além disso, que o débito de PIS no valor de R$ 7.990,02 estaria extinto, em virtude de seu pagamento por meio de DARFs nos valores de R$ 7.865,33(14/11/2003) e de R$ 124,69 (31/03/2004). A recorrente esclarece, também, que o valor declarado de IRPJ do quarto trimestre de 2003 foi de R$ 123.734,18. Junta DARFs, DCTFs e PER/DCOMPs às fls. 45 a 55. Analisando as alegações e documentos apresentados, assim como as razões de decidir do aresto recorrido, podese dizer que o litígio se resume à perquirição da (in)subsistência do débito de IRPJ do PER/DCOMP nº. 20991.69065.01104.1.304.2117, uma vez que o valor utilizado para sua extinção é a origem do direito creditório para a compensação efetuada na declaração de compensação analisada no presente processo. Vimos que a DRJ sustenta o despacho decisório exatamente porque entende que subsiste o débito de IRPJ, no valor de R$ 4.764,01, declarado no PER/DCOMP nº. 20991.69065.01104.1.304.2117, o qual foi extinto pelos créditos que a recorrente buscou utilizar para a compensação do débito de PIS de mesmo valor, por meio do PER/DCOMP discutido no presente processo. Por sua vez, a recorrente busca afastar referido débito de IRPJ, alegando que houve erro no preenchimento da declaração de compensação, tendo trazido documentos para tentar demonstrar seus argumentos. Vejamos. Compulsando os autos, observase que a recorrente declarou, em DCTF (fls. 45/46), débito de PIS no valor de R$ 7.990,02, atinente à competência de 10/2003. Podese verificar que referido débito foi, ao menos em juízo sumário, extinto por meio de recolhimentos cujos documentos de arrecadação se encontram à fl. 47. Verificase, ainda, pela análise da DCTF constante às fls. 50/51, que a recorrente apurou, para o quarto trimestre de 2003, um débito de IRPJ no valor de R$ 123.734,18, tendo tal débito sido quitado por diversos pagamentos e compensações cujos comprovantes se encontram às fls. 52 a 55 , nenhum dos quais se refere à compensação realizada no PER/DCOMP 20991.69065.011004.1.3.042117. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10530.902108/200860 Resolução nº 3003000.009 S3C0T3 Fl. 6 5 A análise dos documentos juntados aos autos aponta, pois, para a verossimilhança das alegações da recorrente. Em juízo de delibação, há que se reconhecer que os elementos probatórios trazidos pela recorrente são robustos, embora não conclusivos, na tentativa de se confirmar o equívoco na declaração de IRPJ constante do PER/DCOMP 20991.69065.011004.1.3.042117, e, por consequencia, fato que implicaria o reconhecimento do direito creditório do PER/DCOMP n° 2487156983.280906.1.7.040830, ensejando a homologação da compensação. Apesar dos documentos apresentados indicarem para a inconsistência da declaração de compensação atinente ao IRPJ do último trimestre de 2003, há que se reconhecer que não há, nos autos, elementos suficientes para uma conclusão definitiva sobre as alegações da recorrente. Desse modo, em homenagem ao princípio da verdade material, considerando que a recorrente apresentou argumentos verossímeis e documentos robustos para tentar demonstrar seu pleito, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de Origem tome as seguintes providências: 1. Verificar a consistência dos pagamentos e documentos apresentados pela recorrente, adotando todos os procedimentos cabíveis à confirmação de sua validade e disponibilidade. 2. Analisar a subsistência do débito de IRPJ, quarto trimestre de 2013, no valor de R$ 4.764,01, declarado no PER/DCOMP nº.20991.69065.011004.1.3.042117, levandose em consideração a apuração de IRPJ em DCTF e sua escrituração contábilfiscal. 3. Proceder à aferição e análise das compensações discutidas no presente processo, levando em consideração os documentos apresentados pela recorrente, fls. 45 a 55, assim como a análise de (in)consistência do débito de IRPJ referido no item anterior. Especial atenção deverá ser dada ao controle de eventual duplicidade de débitos e erros de fato nas declarações de compensação, declarações de débitos e documentos de arrecadação. 4. Apresentar relatório com parecer conclusivo, no qual sejam apresentados todos os fundamentos e documentos aptos para justificar as análises realizadas e conclusões alcançadas, trazendo, ao processo, todos os documentos essenciais para fundamentar seu parecer como, por exemplo, cópias de DCTF´s originais e retificadoras, cópias de páginas de livros de registros contábeis, extratos de sistemas de controle de arrecadação, etc. 5. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Vinícius Guimarães Relator Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10297.000799/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade quanto os atos e termos são lavrados por pessoa competente, ou quando os despachos e decisões são proferidos por autoridade legalmente designada, sem preterição do direito de defesa e do contraditório.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
1. Em sede de processo administrativo de constituição do crédito tributário não há que se cogitar na existência de prazo prescricional.
2. O prazo decadencial para o lançamento é de cinco anos, contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN, ou na forma do seu art. 173, inc. I.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.
Numero da decisão: 2402-006.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/2000 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade quanto os atos e termos são lavrados por pessoa competente, ou quando os despachos e decisões são proferidos por autoridade legalmente designada, sem preterição do direito de defesa e do contraditório. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. 1. Em sede de processo administrativo de constituição do crédito tributário não há que se cogitar na existência de prazo prescricional. 2. O prazo decadencial para o lançamento é de cinco anos, contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN, ou na forma do seu art. 173, inc. I. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva.
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ARBITRAMENTO Recorrente FLORAPLAC INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/2000 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade quanto os atos e termos são lavrados por pessoa competente, ou quando os despachos e decisões são proferidos por autoridade legalmente designada, sem preterição do direito de defesa e do contraditório. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. 1. Em sede de processo administrativo de constituição do crédito tributário não há que se cogitar na existência de prazo prescricional. 2. O prazo decadencial para o lançamento é de cinco anos, contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN, ou na forma do seu art. 173, inc. I. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 29 7. 00 07 99 /2 00 9- 56 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10297.000799/200956 Acórdão n.º 2402006.899 S2C4T2 Fl. 340 2 Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisãonotificação do INSS, que julgou improcedente a impugnação apresentada em face de lançamento de ofício das contribuições devidas à seguridade social, parte dos empregados, da empresa, SAT/GILRAT, e contribuições destinadas a terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados, a empregadores a título de prólabore e sobre a receita bruta da comercialização da produção rural. Relatou a acusação fiscal que: a) todos os valores teriam sido apurados por arbitramento, já que a empresa não teria apresentado nenhum dos documentos solicitados. Segue ementa da decisão que julgou a impugnação: O sujeito passivo foi intimado da decisão em 06/01/2003 (fl. 111) e interpôs recurso voluntário em 21/01/2003 (v. fl. 130 e recurso de fls. 118 e seguintes), cujos fundamentos são resumidamente os seguintes: Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10297.000799/200956 Acórdão n.º 2402006.899 S2C4T2 Fl. 341 3 b) não teria se recusado a apresentar documentos ou livros à fiscalização; c) haveria excesso de exação; d) o auditor fiscal não poderia eximirse de analisar a documentação da empresa; e) neste momento processual, e conforme boletim de ocorrência, teria havido um incêndio no escritório, que teria destruído a documentação; f) seria optante pelo simples até agosto de 1999 e estaria dispensada de escrituração comercial; g) estaria cumprindo com todas as suas obrigações perante a previdência; h) o prólabore dos sócios teria sido arbitrado em desacordo com o RPS; i) com relação ao Funrural, não seria adquirente de madeira em tora de outras empresas, ou de terceiros; j) não teria sido respeitado o direito de contraditório e de ampla defesa. Inicialmente, o recurso não foi admitido por falta do depósito recursal de 30%, mas houve devolução dos autos pela PGFN, em decorrência da Súmula Vinculante STF nº 21, que declarou inconstitucional a exigência de depósito prévio. Às fls. 316/319, a recorrente requereu que fosse reconhecida a existência de prescrição, em função da Súmula Vinculante STF nº 08. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da alegação de prescrição Em petição apresentada após a interposição do recurso, a recorrente suscita a existência de prescrição. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10297.000799/200956 Acórdão n.º 2402006.899 S2C4T2 Fl. 342 4 Tratase de matéria de ordem pública, suscetível de conhecimento pelo órgão julgador, mesmo que ventilada após a apresentação da defesa ou após a interposição recursal. Na dicção do inc. II do art. 487 do CPC, o juiz pode decidir de ofício sobre a decadência ou prescrição. Consequentemente, essas matérias não estão sujeitas à preclusão, o que se explica pelo fato de serem questões de ordem pública, insuscetíveis, portanto, de disponibilidade pelas partes. A título de ilustração, segue decisão do STJ sobre o tema: AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE PRECLUSÃO. SÚMULA 83/STJ. OFENSA AO ART. 32 DO CTN. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ firmouse no sentido de que as matérias de ordem pública, tais como prescrição e decadência, nas instâncias ordinárias, podem ser reconhecidas a qualquer tempo, não estando sujeitas à preclusão. 2. No que concerne à citada afronta ao art. 32 do CTN, sob o argumento de que o IPTU não seria devido em virtude de ter ocorrido o esvaziamento econômico integral do imóvel, aplicase o óbice da Súmula 7/STJ. Isso porque, ao decidir a controvérsia, o Tribunal a quo consignou que não houve a desapropriação indireta. É inarredável a revisão do conjunto probatório dos autos para afastar as premissas fáticas estabelecidas pelo acórdão recorrido. 3. Agravo Interno desprovido. (AgInt no AREsp 786.109/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/02/2017, DJe 06/03/2017) Entretanto, não houve prescrição e nem mesmo decadência. Em sede de processo administrativo de constituição do crédito não há que se cogitar na existência de prazo prescricional. A prescrição é da ação de cobrança em juízo e pressupõe a constituição definitiva do crédito tributário (art. 174 do CTN), ao passo que o prazo de sua constituição é decadencial (art. 150, § 4º, ou art. 173, ambos do Código). Por outro lado, é assente que não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Vejase: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Com efeito, estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário, diante da apresentação de impugnação tempestiva, não se inicia o prazo prescricional para a sua cobrança. Afastase, portanto, a alegação de prescrição. Quanto à decadência, o sujeito passivo foi autuado em 13/11/2001 (v. fl. 44), ocasião em que o lustro decadencial não havia transcorrido integralmente, seja na forma do § Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10297.000799/200956 Acórdão n.º 2402006.899 S2C4T2 Fl. 343 5 4º do art. 150 do CTN (homologação tácita e contagem do prazo a partir do fato gerador), seja na forma do inc. I do seu art. 173 (contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Expressandose de outra forma, nem é mesmo necessário aferir qual o critério legal para a aplicação do prazo de decadência (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I), pois como o fato gerador mais pretérito ocorreu em setembro de 1999, mesmo que a contagem se desse na forma do art. 150, ainda assim não teria transcorrido tempo superior a cinco anos, rejeitando se, destarte, a alegação de decadência. 3 Do arbitramento Por razões diversas, que foram resumidas nos itens "b" a "h" do relatório desta decisão, a recorrente questiona, sem razão, o arbitramento feito pela fiscalização. Ora, o § 3º do art. 33 da Lei 8212/91 preleciona que ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Esse dispositivo está inspirado no art. 148 do Código Tributário Nacional, segundo o qual a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará a base de cálculo do tributo sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Neste caso concreto, conforme demonstrado no relatório fiscal e em todos os seus anexos, mais precisamente o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, datado de 19/02/2001, a recorrente não apresentou nenhum dos documentos solicitados, o que atraiu a aplicação da norma retro mencionada. Vejase, nesse sentido, o seguinte parágrafo extraído do relatório fiscal (v. fl. 40): Isto é, a recorrente recusouse sim a fornecer os documentos solicitados e também não apresentou, na forma do art. 148 do CTN, qualquer avaliação contraditória que comprovasse a sua tese de excesso de exação. Diferentemente do que sustentou o sujeito passivo, ademais, ele não era optante pelo simples, e, mesmo que fosse, estaria obrigado a apresentar os documentos, inclusive as notas fiscais de aquisição e o livro caixa. A recorrente não demonstrou qualquer desacerto no arbitramento, inclusive das contribuições ao Funrural, limitandose a fazer meras alegações sem a devida fundamentação legal e sem a respectiva comprovação documental. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10297.000799/200956 Acórdão n.º 2402006.899 S2C4T2 Fl. 344 6 No mais, a ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; a NFLD foi devidamente motivada e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; a notificação ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13931.001193/2008-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
RECURSO ESPECIAL. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I. TERMO INICIAL. SÚMULA CARF 101.
A expressão "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" prevista no artigo 173, I, do CTN, corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte ao do vencimento do tributo. Entendimento constante dos acórdãos precedentes que informaram a Súmula CARF 101 (vinculante), que é de observância obrigatória pelos Conselheiros nos termos do artigo 45, VI, do Anexo II do RICARF.
Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 9101-004.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 RECURSO ESPECIAL. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I. TERMO INICIAL. SÚMULA CARF 101. A expressão "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" prevista no artigo 173, I, do CTN, corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte ao do vencimento do tributo. Entendimento constante dos acórdãos precedentes que informaram a Súmula CARF 101 (vinculante), que é de observância obrigatória pelos Conselheiros nos termos do artigo 45, VI, do Anexo II do RICARF. Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I. TERMO INICIAL. SÚMULA CARF 101. A expressão "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" prevista no artigo 173, I, do CTN, corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte ao do vencimento do tributo. Entendimento constante dos acórdãos precedentes que informaram a Súmula CARF 101 (vinculante), que é de observância obrigatória pelos Conselheiros nos termos do artigo 45, VI, do Anexo II do RICARF. Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 1. 00 11 93 /2 00 8- 12 Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 13931.001193/200812 Acórdão n.º 9101004.014 CSRFT1 Fl. 2.075 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) (fls. 794799) contra o acórdão 120100.425, de 24 de fevereiro de 2011, proferido pela 1a Turma Ordinária da 2a Câmara (fls. 767777), o qual negou provimento ao recurso de ofício; e, quanto ao recurso voluntário, afastou a preliminar de nulidade do auto de infração e acatou a decadência para os créditos de IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário de 2002. A PFN contesta o entendimento adotado no acórdão recorrido quanto à contagem do prazo de decadência do direito de o fisco lançar tributo sujeito a lançamento por homologação, previsto art. 173, I, do CTN. Para retratar o entendimento que prevaleceu no recorrido, reproduziuse trecho da sua ementa (grifamos): Acórdão recorrido: 120100.425, de 24 de fevereiro de 2011 DECADÊNCIA. Aplicação do artigo 173, I do CTN, quando não há pagamento do IRPJ e da CSLL. Contagem do prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. Reconhecimento da decadência do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2002, visto que o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2003, com término do prazo em 31/12/2007. Lançamento efetuado apenas em 24/12/2008. e apenas no que tange à extinção da obrigação tributária de recolhimento do tributo. Para demonstrar a divergência, a PFN indicou como paradigma o acórdão 240101.759, da 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção, tendo reproduzido trecho de ementa relativo à matéria contestada (grifamos): Acórdão paradigma: 240101.759, de 14 de abril de 2011 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2000 a 30/09/2003 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO REALIZADO. Não se verificando antecipação de pagamento das contribuições, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencia1, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN. Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 13931.001193/200812 Acórdão n.º 9101004.014 CSRFT1 Fl. 2.076 3 Em síntese, a Fazenda Nacional alega que, pelo acórdão recorrido, o termo de início de contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador, ao passo que o acórdão paradigma decidiu que essa contagem se iniciaria no primeiro dia do exercício seguinte ao vencimento do tributo. Portando, no caso em questão, que tratou na parte que interessa a este recurso de fatos ocorridos no anocalendário de 2002, o acórdão recorrido entendeu que o prazo decadencial teve início a partir do primeiro dia de 2003, enquanto que, no entender da PFN, se aplicado o raciocínio do acórdão paradigma tal prazo teria início apenas no primeiro dia de 2004. O despacho de admissibilidade 120000.152, da 2ª Câmara da Primeira Seção, proferido em 14 de outubro de 2014 (fls. 1.9791.981), deu seguimento ao recurso especial do Procurador. Intimado em 11 de dezembro de 2014 (fl. 1.993), o contribuinte apresentou contrarrazões em 26 de dezembro de 2014 (fl. 1.9952.001). Nesta peça, não aduz qualquer questionamento quanto à admissibilidade do recurso especial, sustentando, exclusivamente, que no caso se operou a decadência nos termos do artigo 150, par. 4o, do CTN, o qual contemplaria regra específica que prevalece diante da regra geral do artigo 173, I, do mesmo diploma legal. O contribuinte também apresentou recurso especial, ao qual foi negado seguimento por meio do despacho de fls. 2.0452.048. Tendo sido intimado de tal despacho em 15 de março de 2017 (fl. 2.072), não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Admissibilidade recursal O recurso especial do Procurador é tempestivo e atendeu aos requisitos de admissibilidade, não havendo, inclusive, questionamento pela parte recorrida quanto à sua admissibilidade, motivo pelo qual concordo e adoto as razões do i. Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF para conhecimento parcial do Recurso Especial, nos termos do permissivo do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/1999. De fato, o acórdão paradigma apresentado se presta a demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária em relação à decisão recorrida, nos termos do artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, verificandose a necessária similitude fática entre ele e o recorrido. Isso porque, muito embora recorrido e paradigma tenham tratado de tributos diversos este contribuições patronais para a Seguridade Social e aquele IRPJ e CSLL ambos discutem a interpretação a ser dada a uma mesma regra do CTN, qual seja, o artigo 173, Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 13931.001193/200812 Acórdão n.º 9101004.014 CSRFT1 Fl. 2.077 4 I, na hipótese em que não houve pagamento antecipado. De se notar que decadência é matéria atinente às normas gerais de direito tributário. Em essência, a controvérsia a ser dirimida reside em definir se a menção ao "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" constante do artigo 173, I, do CTN corresponde (i) ao primeiro dia do exercício seguinte ao fato gerador (posição abraçada pelo acórdão recorrido) ou (ii) ao primeiro dia do exercício seguinte ao do vencimento do tributo (posição vencedora no acórdão paradigma). Diante do exposto, conheço do recurso especial do Procurador. Mérito Superada a questão do conhecimento, a discussão meritória diz respeito a definir, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação em que a regra decadencial foi deslocada (do artigo 150, §4º, para o artigo 173, I, do CTN) em razão da constatação da ineistência de pagamento ou declaração, se o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde (i) ao primeiro dia do exercício seguinte ao fato gerador, conforme decidiu o acórdão recorrido, ou (ii) ao primeiro dia do exercício seguinte ao do vencimento do tributo, nos termos do acórdão paradigma. A contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação para os quais não se constatou pagamento ou declaração foi inicialmente analisada pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (Recursos Repetitivos). Tal decisão mencionou especificamente que o dies a quo para a contagem do prazo decadencial do artigo 173, I, do CTN nesta hipótese é o ao primeiro dia do exercício seguinte ao fato gerador. Vejase (grifamos): STJ REsp 973.733 / SC, julgado em 12/08/2009 Tema 169 Repetitivos PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 13931.001193/200812 Acórdão n.º 9101004.014 CSRFT1 Fl. 2.078 5 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 Observo que as decisões do STJ apreciadas sob a sistemática dos recursos repetitivos, tais como a acima citada, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Considerando isso, esta Câmara Superior também já se manifestou, de forma unânime, nos seguintes termos (grifamos): Acórdão 9101001.210, de 17/10/2011 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 1995. Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 13931.001193/200812 Acórdão n.º 9101004.014 CSRFT1 Fl. 2.079 6 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 173, I, DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO NO SENTIDO DE QUE O TRIBUTO TERIA DE SER LANÇADO NO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DO FATO GERADOR. FATO GERADOR OCORRIDO EM 1995. PRAZO DECADENCIAL QUE SE INICIA EM 1o. DE JANEIRO DE 1996 E FINDA EM 31.12.2000. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo. Em referido julgamento restou entendido que o prazo decadencial se inicia no exercício financeiro seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Necessária observância dessa decisão, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Não obstante, o próprio STJ proferiu, mesmo após o REsp 973.733, decisões em sentido contrário, entendendo que o prazo do artigo 173, I, do CTN se conta a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao vencimento do tributo. Neste sentido, por exemplo, o EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 674497/PR, Segunda Turma, de 9/02/2010 não repetitivo, utilizado como razões de decidir do acórdão CSRF 9202003067, de 13/02/2014). Este CARF passou, assim, a aplicar tal dies a quo, tendo por fim aprovado a Súmula CARF 101 vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018 com o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 101 Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Acórdãos Precedentes: 9202003.067, de 13/02/2014; 9202003.130, de 27/03/2014; 9202003.245, de 29/07/2014; 9303002.857, de 18/02/2014; 1102000.939, de 08/10/2013; 2102003.046, de 18/07/2014; 2201002.433, de 16/07/2014; 2802001.581, de 15/05/2012; 3102 002.211, de 27/05/2014; 3202001.239, de 23/07/2014. A análise dos acórdãos precedentes indicados para tal enunciado sumular do CARF revela que, em todos eles, para a definição do termo inicial para a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 173 do CTN, foi relevante o fato de que o lançamento do tributo somente pode ocorrer após o seu vencimento. Nestes termos, ocorrendo o vencimento do tributo em janeiro de determinado ano, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado seria 1o de janeiro do ano seguinte ao do fato gerador. Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 13931.001193/200812 Acórdão n.º 9101004.014 CSRFT1 Fl. 2.080 7 Vejase, a título ilustrativo, trechos dos votos respectivamente do acórdão 9202003.067, de 13/02/2014, e do acórdão 9303002.857, de 18/02/2014: "(...) quanto à competência de 12/2000, o lançamento somente poderia ter sido efetuado em 2001, iniciandose o prazo decadencial em 1º/01/2002, findandose em 31/12/2006. (...)" "(...) sendo certo que o lançamento somente pode ocorrer após o vencimento do tributo, o qual, no caso, ocorre em janeiro de 1996, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que já poderia ocorrer o lançamento, no texto da lei, é o dia 1º de janeiro de 1997. Findase, com isso, o prazo em 31 de dezembro de 2001. (...)" O Regimento Interno do CARF prevê que a não observância de Súmula do CARF é causa de perda de mandato dos Conselheiros (art. 45, VI, do Anexo II). Diante disso, esta Relatora se vê vinculada a decidir, nos termos dos acórdãos precedentes que informaram a Súmula CARF 101, que a expressão "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" prevista no artigo 173, I, do CTN corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte ao do vencimento do tributo. Conclusão Por todos estes fundamentos, voto no sentido conhecer do recurso especial do Procurador e, no mérito, por darlhe provimento. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 2080DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720215/2016-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
RECURSO DE OFÍCIO. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO QUE EXONEROU O SUJEITO PASSIVO.
Confirma-se, pelos seus próprios fundamentos, a decisão de primeira instância que exonerou o sujeito passivo do pagamento de parte do crédito tributário lançado pela fiscalização.
OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. RETIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO.
Uma vez comprovado que valores computados no lançamento não devem integrar as receitas decorrentes da atividade rural da pessoa física, cabe a retificação da omissão apurada pela autoridade lançadora.
DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. CONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO E COMPROVAÇÃO.
Para fins das despesas de custeio e/ou investimento escrituradas em livro-caixa, devem ser considerados na apuração do resultado da atividade rural todos os valores levantados pela autoridade fiscalizadora como despesas comprovadamente incorridas.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. VALORES ESTORNADOS.
Cabe expurgar do lançamento fiscal os depósitos em cheques de origem não comprovada objeto de estorno da conta bancária do autuado.
Numero da decisão: 2401-005.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 RECURSO DE OFÍCIO. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO QUE EXONEROU O SUJEITO PASSIVO. Confirma-se, pelos seus próprios fundamentos, a decisão de primeira instância que exonerou o sujeito passivo do pagamento de parte do crédito tributário lançado pela fiscalização. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. RETIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO. Uma vez comprovado que valores computados no lançamento não devem integrar as receitas decorrentes da atividade rural da pessoa física, cabe a retificação da omissão apurada pela autoridade lançadora. DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. CONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO E COMPROVAÇÃO. Para fins das despesas de custeio e/ou investimento escrituradas em livro-caixa, devem ser considerados na apuração do resultado da atividade rural todos os valores levantados pela autoridade fiscalizadora como despesas comprovadamente incorridas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. VALORES ESTORNADOS. Cabe expurgar do lançamento fiscal os depósitos em cheques de origem não comprovada objeto de estorno da conta bancária do autuado.
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CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO QUE EXONEROU O SUJEITO PASSIVO. Confirmase, pelos seus próprios fundamentos, a decisão de primeira instância que exonerou o sujeito passivo do pagamento de parte do crédito tributário lançado pela fiscalização. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. RETIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO. Uma vez comprovado que valores computados no lançamento não devem integrar as receitas decorrentes da atividade rural da pessoa física, cabe a retificação da omissão apurada pela autoridade lançadora. DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. CONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO E COMPROVAÇÃO. Para fins das despesas de custeio e/ou investimento escrituradas em livro caixa, devem ser considerados na apuração do resultado da atividade rural todos os valores levantados pela autoridade fiscalizadora como despesas comprovadamente incorridas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. VALORES ESTORNADOS. Cabe expurgar do lançamento fiscal os depósitos em cheques de origem não comprovada objeto de estorno da conta bancária do autuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 02 15 /2 01 6- 02 Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 15956.720215/201602 Acórdão n.º 2401005.893 S2C4T1 Fl. 1.553 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Cuidase de recurso de ofício interposto pelo Presidente da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) em face do Acórdão nº 0273.327, de 29/05/2017, cujo dispositivo tratou de considerar parcialmente procedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido no auto de infração (fls. 1.487/1.510): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 PRELIMINAR. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. As alegações de nulidade são improcedentes quando a autuação se efetivou dentro dos estritos limites legais e foi facultado ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO POSTERIOR. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o impugnante apresentála em momento posterior, salvo se demonstrado motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 15956.720215/201602 Acórdão n.º 2401005.893 S2C4T1 Fl. 1.554 3 PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Indeferese o pedido de perícia quando tal providência for desnecessária à solução da lide. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. Confirmado o recebimento de receitas decorrentes da atividade rural, as quais não integraram o montante declarado, retificase a omissão apurada pela autoridade lançadora. DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. CONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO E COMPROVAÇÃO. Somente são aceitas as despesas de custeio e investimento que forem escrituradas em conformidade com a legislação de regência e estiverem lastreadas em comprovantes hábeis e idôneos, devendo ser considerados, na apuração do resultado, todos os valores devidamente levantados pela autoridade fiscalizadora. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES ESTORNADOS. Os depósitos bancários objeto de estorno devem ter os correspondentes valores expurgados do lançamento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. As informações, em declaração apresentada ao Fisco, de receitas da atividade rural reiteradamente inferiores às auferidas, com o propósito de reduzir o resultado da atividade rural efetivamente percebido, bem como a omissão reiterada de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a imposição de multa de ofício qualificada. MULTA DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE EFEITO DE CONFISCO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. Impugnação Procedente em Parte Extraise do Relatório Fiscal, acostado às fls. 1.242/1.273, que o processo administrativo é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente ao anocalendário de 2011, acrescido de juros de mora e multa de ofício, decorrente das seguintes infrações: Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 15956.720215/201602 Acórdão n.º 2401005.893 S2C4T1 Fl. 1.555 4 (i) omissão de rendimentos da atividade mensal (fls. 1.230/1.234); (ii) despesas da atividade rural não comprovadas e/ou indevidas (fls. 1.231); e (iii) omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada (fls. 1.232/1.233). Em relação à omissão de rendimentos da atividade rural e depósitos bancários de origem não comprovada, a autoridade lançadora procedeu à qualificação da multa de ofício (fls. 1.268/1.269). O procedimento fiscal contou com o compartilhamento de dados bancários colhidos mediante afastamento do sigilo bancário de investigados, acusados ou condenados no âmbito da denominada "Operação Lavajato", autorizado pela Justiça Federal do Paraná (fls. 187/188). Com o lançamento de ofício, a fiscalização efetuou a alteração do resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício (fls. 130/183). O Auto de Infração está juntado às fls. 1.229/1.240. Cientificado do auto de infração em 05/12/2016, o sujeito passivo impugnou a exigência fiscal, em 28/12/2016 (fls. 1.309/1.311 e 1.314/1.347). No julgamento em primeira instância, o colegiado decidiu pela procedência parcial da impugnação, pelos seguintes motivos: (i) adição de valores que não deveriam integrar a receita da atividade rural; (ii) inclusão de depósitos bancários em cheque objeto de estorno; e (iii) exclusão de despesas incorridas com a atividade rural, em dois meses do anocalendário. Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada de que trata a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. Intimada em 09/06/2017, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, a pessoa física não apresentou recurso voluntário e requereu, em 10/07/2017, o parcelamento do crédito tributário mantido pela decisão de piso (fls. 1.513/1.516 e 1.526/1.528). Encaminhado o processo para a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, não ofereceu contrarrazões (fls. 1.549). É o relatório. Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 15956.720215/201602 Acórdão n.º 2401005.893 S2C4T1 Fl. 1.556 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Formalizado na própria decisão, o recurso de ofício foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dada que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), estabelecido pela Portaria MF nº 63, de 2017. Uma vez satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, dele tomo conhecimento. Mérito A exoneração do crédito tributário deve ser confirmada pelos próprios fundamentos do acórdão de primeira instância, cuja decisão de piso mostrouse minudente na análise dos elementos de prova e justificou os pressupostos de fato e direito para a redução do imposto de renda lançado de ofício. Quanto à omissão de receitas da atividade rural, o lançamento em apreço promoveu a inclusão indevida de alguns valores na base de cálculo já considerados pela fiscalização tributária como rendimentos da atividade de outros contribuintes pertencentes a mesma família, devidamente declarados ou objeto de lançamento em processo administrativo específico. No que tange às despesas da atividade rural não comprovadas e/ou indevidas, identificouse que a autoridade lançadora refez o demonstrativo da atividade rural, não tendo considerado, entretanto, a totalidade dos valores comprovados para as despesas incorridas nos meses de novembro de dezembro do anocalendário de 2011. Por fim, quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, a fiscalização considerou no lançamento valores relativos a depósitos de cheques posteriormente devolvidos, mediante estorno da conta bancária. Tais valores devem ser expurgados do lançamento fiscal. Reproduzo, abaixo, os correspondentes trechos do acórdão de primeira instância, que, desde já, acolho como razões para homologar a decisão que exonerou o sujeito passivo do pagamento de parte do crédito tributário lançado, negando, desse modo, provimento ao recurso de ofício (fls. 1.498/1.510): "(...) Análise das Infrações Lançadas Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 15956.720215/201602 Acórdão n.º 2401005.893 S2C4T1 Fl. 1.557 6 1) Omissão de Receitas da Atividade Rural (...) · Segundo o impugnante, compuseram o montante das receitas da atividade rural lançadas valores referentes a desconto de cheques recebidos por Guilherme Costa Marques Bumlai (R$ 3.000.182,71) e Maurício de Barros Bumlai (R$ 187.515,44), os quais estão demonstrados na Tabela 5 (relatório) e já teriam sido considerados como receitas da atividade rural de Guilherme (R$ 3.152.331,59, processo administrativo 15956.720230/201642) ou de Maurício (R$ 192.539,92, processo 15956.720231/201697), conforme o caso. De fato, examinando os processos administrativos acima mencionados, em especial as respectivas “Planilhas A” (relação de receitas da atividade rural, juntadas às fls. 1.466 a 1.474 e 1.478 a 1.484) e as informações prestadas por São Fernando Açúcar e Álcool Ltda. (relativamente aos pagamentos efetuados em decorrência das aquisição de cana de açúcar e mudas de cana, termos de anexação de arquivo nãopaginável às fls. 1.485 e 1.486), confrontandoas com a Planilha A de fls. 1.274 a 1.302, considerados os documentos de fls. 237, 240, 348 a 350, 434, 435, 472, 474, 640, 641, 732, 733, 747, 811, 812 e 1.365 a 1.387, verificase que o argumento do impugnante procede e não podem ser mantidas, nestes autos, as omissões relacionadas na Tabela 7, a seguir. Tabela 7: Valores Creditados em Conta Corrente de José Carlos C. M. Bumlai que Já Foram Tributados como Receitas da Atividade Rural de Guilherme Bumlai ou Maurício Bumlai Cheque nº Nota Fiscal Data do Crédito em CC de José Carlos Crédito CC José Carlos (Valor do Cheque Menos Encargos) Elementos de Prova (Fls.) 4270 31 10/03/2011 201.074,85 348, 349, 1365, 1366 4271 31 10/03/2011 199.908,39 348, 350, 1365, 1366 3867 11186 13/01/2011 325.804,70 237, 240, 1368, 1369 4454 53 13/04/2011 116.953,50 434, 435, 1371, 1372 4455 53 13/04/2011 115.832,37 434, 435, 1371, 1372 4578 68 13/05/2011 156.730,33 472, 474, 1374, 1375 4580 (*) 68 13/05/2011 154.936,08 472, 474, 1374, 1375 5224 77 26/07/2011 (*) 49.527,07 1376, 1377 5225 77 26/07/2011 (*) 49.486,67 1376, 1377 5322 98 03/08/2011 258.372,57 640, 641, 1379, 1380 5599 110 01/09/2011 68.215,64 747, 1382, 1385 5600 110 01/09/2011 68.161,52 747, 1382, 1385 5601 110 01/09/2011 76.705,90 747, 1382, 1385 5328 98 01/09/2011 250.607,79 747, 1382, 1385 5329 98 (*) 30/08/2011 249.655,92 732, 733, 1386, 1387 5330 98 (*) 30/08/2011 248.620,04 732, 733, 1386, 1387 5757 145 21/9/2011 (*) 93.720,12 1389, 1390 5758 145 21/9/2011 (*) 93.795,32 1389, 1390 TOTAL 2.778.108,78 Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 15956.720215/201602 Acórdão n.º 2401005.893 S2C4T1 Fl. 1.558 7 (*) Informações que constaram do demonstrativo do contribuinte (fl. 1.325) apresentavam erros, possivelmente decorrentes de digitação, que encontramse corrigidos acima, conforme elementos de prova examinados. O cheque 4580 corresponde a crédito em conta corrente do contribuinte no valor de R$ 154.936,08 (= R$ 163.661,46 R$ 7.323,66 R$ 1.401,72, fl. 1.374). O valor do desconto dos cheques 5224 e 5225 foi disponibilizado ao contribuinte em 26/7/2011 (fl. 1.376). A nota fiscal vinculada aos cheques 5329 e 5330 é a de número 98 (processo 15956.720230/201642, “Comprovante Guilherme de Barros Bumlai.xlsx”, aba “98”). Os valores decorrentes do descontos dos cheques 5757 e 5758 foram disponibilizados para o contribuinte em 21/9/2011 (fls. 1.296 e 1.389) (...) · Outro argumento do impugnante é que teriam sido computados, indevidamente, na Planilha A, créditos do extrato bancário do contribuinte Guilherme Costa Marques Bumlai (Banco do Brasil, agência 18813, conta corrente 16.7673), já considerados no auto de infração de que trata o processo administrativo nº 15956.720230/201642. Examinando o referido processo, em especial os extratos da conta 16767 3, juntados às 1.440 a 1.462, constatase que se trata de conta conjunta de Guilherme B. C. Bumlai e Jose Carlos C. M. Bumlai, o impugnante. Quanto aos documentos que constam destes autos, os esclarecimentos fornecidos pelo contribuinte à autoridade lançadora sobre os depósitos ocorridos em suas contas bancárias (fls. 228 a 998) foram analisados em conjunto com os demonstrativos de receitas da atividade rural fornecidos em 25/4/2011 (fls. 13 a 112) de forma a averiguar a pertinência das conclusões da autoridade lançadora quanto às receitas identificadas com asterisco (*) na Planilha A (fls. 1.275 a 1.302), a saber: Valores informados como Receitas da Atividade Rural Conforme os DEMONSTRATIVOS DE RECEITAS da ATIVIDADE RURAL apresentado pelo contribuinte em 25/04/2016 (fl. 1.302). Levouse em consideração que, em relação a alguns depósitos o interessado, fornecendo esclarecimentos acerca da origem e natureza de depósitos efetuados em suas contas bancárias, já havia informado à autoridade fiscalizadora que se tratavam de receitas de Guilherme (fls. 228 a 998). Foi avaliado se o contribuinte poderia ter incluído o valor em discussão em sua DIRPF (receitas da atividade rural à fl. 146) ou mesmo nos demonstrativos de receitas mensais apresentados durante a fiscalização (fls. 13 a 112) e concluiuse que os valores questionados pelo impugnante, conforme sintetizado na Tabela 8, a seguir, devem ser excluídos do lançamento, seja porque a receita já havia sido declarada por Guilherme Bumlai (fls. 1.463 a 1.465) ou porque já havia sido objeto de lançamento no processo administrativo de nº 15956.720230/201642 (fls. 1.466 a 1.474). Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 15956.720215/201602 Acórdão n.º 2401005.893 S2C4T1 Fl. 1.559 8 Tabela 8: Relação de Créditos Efetuados na Conta Corrente 16.7673, Agência 18813, Banco do Brasil, Já Considerados Como Receitas de Guilherme Costa Marques Bumlai (Processo 15956.720230/201642 Data Valor Fls. Destes Autos Fls. Proc. 15956.720230/20 1642 (*) Receita a Excluir 03/03/2011 143.438,50 27, 334, 338, 339, 1280 428, 1270 143.438,50 18/03/2011 12.863,68 27, 334, 339, 1281 428, 1270 12.863,68 05/04/2011 2.500.000,00 33, 412, 418, 419, 1282 429, 1270 2.500.000,00 06/04/2011 5.000.000,00 33, 412, 418, 419, 1282 429, 1270 5.000.000,00 07/04/2011 100.000,00 33, 412, 429, 430, 1282 428, 1270 100.000,00 20/04/2011 84.761,68 33, 412, 447, 448, 1283 428, 1270 84.761,68 20/04/2011 84.826,52 33, 412, 447, 448, 1283 428, 1270 84.826,52 23/05/2011 283.395,19 39, 462, 508, 509, 1285 428, 1271 283.395,19 31/05/2011 283.395,19 39, 462, 509, 518, 1285 428, 1271 283.395,19 08/06/2011 283.395,19 49, 527, 1286 428, 1271 283.395,19 14/06/2011 432.437,31 49, 527, 553, 554, 1287 428, 1271 432.437,31 21/06/2011 100.000,00 49, 527, 559, 1287 428, 1272 100.000,00 22/06/2011 20.832,38 49, 527, 564, 565, 1287 428, 1272 20.832,38 22/06/2011 150.000,00 49, 527, 564, 565, 1287 428, 1272 150.000,00 30/06/2011 54.554,50 49, 527, 572, 573 , 1288 428, 1272 54.554,50 14/07/2011 185.550,91 56, 577, 596, 598, 1289 428, 1272 185.550,91 15/07/2011 168.088,77 56, 577, 605 a 607, 1289 428, 1272 168.088,77 21/07/2011 20.304,13 56, 577, 616 a 618 , 1289 428, 1272 20.304,13 02/08/2011 50.000,00 66, 628, 638, 639, 1290 1272 50.000,00 04/08/2011 50.000,00 66, 628, 642, 1290 1273 50.000,00 10/08/2011 163.661,46 66, 628, 662, 663,1291 1273 163.661,46 12/08/2011 100.497,53 66, 628, 670, 671, 1291 428, 1273 100.497,53 18/08/2011 48.000,00 66, 628, 690, 691, 1291 428, 1273 48.000,00 22/08/2011 28.838,43 66, 628, 702 a 704, 1291 428, 1273 28.838,43 12/09/2011 70.000,00 81, 744, 788, 789, 1295 428, 1273 70.000,00 SOMA 10.418.841,37 (*) Os documentos citados nesta coluna foram juntados às fls. 1.463 a 1.465 (Demonstrativo de Receitas da Atividade Rural fornecido por Guilherme Bumlai) e 1.466 a 1.474 (Planilha A, parte integrante do lançamento efetuado no processo 15956.720230/201642). (...) Na Tabela 9, a seguir, encontramse sintetizadas as alterações promovidas nas receitas da atividade rural para fins de cálculo do resultado da atividade rural, no ajuste anual. Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 15956.720215/201602 Acórdão n.º 2401005.893 S2C4T1 Fl. 1.560 9 Tabela 9: Receitas da Atividade Rural Apuradas para Fins de Cálculo do Resultado no Ajuste Anual AnoCalendário 2011 Mês/2011 (A) Receitas Computadas no Lançamento (Planilha A, fls. 1.274 a 1.302) (B) Exclusões Tabela 7 (C) Exclusões Tabela 8 (D) Receitas Apuradas para Fins de Cálculo no Ajuste Anual (= A B C) Janeiro 788.414,86 325.804,70 462.610,16 Fevereiro 2.055.385,10 2.055.385,10 Março 2.551.605,84 400.983,24 156.302,18 1.994.320,42 Abril 9.619.225,66 232.785,87 7.769.588,20 1.616.851,59 Maio 3.428.517,97 311.666,41 566.790,38 2.550.061,18 Junho 3.533.811,54 1.041.219,38 2.492.592,16 Julho 2.504.979,02 99.013,74 373.943,81 2.032.021,47 Agosto 5.399.406,10 756.648,53 440.997,42 4.201.760,15 Setembro 9.149.061,81 463.690,85 70.000,00 8.615.370,96 Outubro 2.892.754,08 187.515,44 2.705.238,64 Novembro 3.093.300,22 3.093.300,22 Dezembro 4.131.157,77 4.131.157,77 TOTAL 49.147.619,97 2.778.108,78 10.418.841,37 35.950.669,82 Dessa forma, a infração omissão de receitas da atividade rural apurada de R$ 27.718.430,00 (= R$ 49.147.619,97 R$ 21.429.189,38, receitas da atividade rural apuradas no lançamento menos receitas da atividade rural declaradas, fls. 146 e 1.264) é reduzida para R$ 14.521.480,44 (=R$ 35.950.669,82 R$ 21.429.189,38, receita da atividade rural apurada neste voto menos receita da atividade rural declarada). 2) Despesas da Atividade Rural Não Comprovadas e/ou Indevidas (...) Por outro lado, o contribuinte pondera que a autoridade lançadora não considerou as despesas comprovadas em novembro e dezembro, superiores aos valores declarados. De fato, uma vez que a autoridade lançadora refez mensalmente os demonstrativos da atividade rural, tanto no tocante às receitas como às despesas, constatado que as despesas comprovadamente incorridas nos meses de novembro e dezembro são diferentes daquelas declaradas, para fins de apuração do resultado da atividade rural (sujeito ao ajuste anual), tais valores, como solicitado pelo impugnante, devem ser contemplados. Na Tabela 10, a seguir, são demonstradas as despesas da atividade rural mantidas neste voto para fins de cálculo do resultado da atividade rural no ajuste anual Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 15956.720215/201602 Acórdão n.º 2401005.893 S2C4T1 Fl. 1.561 10 Tabela 10: Despesas da Atividade Rural para Fins de Cálculo do Resultado da Atividade Rural, no Ajuste Anual AnoCalendário 2011 Mês/2011 Despesas Declaradas (fl. 146) Despesas Mantidas para Fins de Cálculo no Ajuste Anual (fl. 1.262) Janeiro 1.532.843,26 1.237.757,19 Fevereiro 1.509.720,88 1.289.898,70 Março 1.739.409,45 1.203.411,94 Abril 1.524.837,06 982.419,77 Maio 2.136.032,72 1.595.189,54 Junho 1.421.915,88 1.578.934,25 Julho 2.047.188,01 1.761.276,47 Agosto 2.556.377,49 2.477.864,82 Setembro 1.940.654,81 1.729.220,75 Outubro 1.987.327,17 1.704.045,32 Novembro 1.348.246,74 1.566.235,22 Dezembro 2.997.060,46 3.106.281,04 TOTAL 22.741.613,93 20.232.535,01 Diante do exposto, a infração despesas da atividade rural não comprovadas e/ou indevidas é reduzida de R$ 2.836.287,98 (fl. 1.231) para R$ 2.509.078,92 (= R$ 22.741.613,93 R$ 20.232.535,01, despesas da atividade rural declaradas, fl. 146 menos despesas da atividade rural mantidas neste voto). 3) Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários (...) · Devolução de depósito em cheques não estornados da relação de depósitos sem comprovação de origem, mais precisamente, os depósitos ocorridos no Banco do Brasil (conta 2167565, em 19/8/2011, nos valores de R$ 39.050,00 “Depósito Bloqueado 1 Dia Útil” e R$ 460.950,00 “Depósito em Cheque Liberado”) foram objeto da devolução ocorrida em 22/8/2011, no total de R$ 500.000,00. De fato, examinando os documentos de fls. 628 e 696, comprovase o argumento do impugnante, devendo ser excluído do lançamento o valor de R$ 500.000,00 (= R$ 39.050,00 + R$ 460.950,00), em 19/8/2011 (fl. 1.305). (...) Na Tabela 11 sintetizase o total da omissão mantida neste tópico. Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 15956.720215/201602 Acórdão n.º 2401005.893 S2C4T1 Fl. 1.562 11 Tabela 11: Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada Mantida Neste Voto Fato Gerador Valor Lançado (R$) Exclusão Voto Omissão Mantida 30/04/2011 1.010.000,00 0,00 1.010.000,00 31/05/2011 950.311,75 0,00 950.311,75 30/06/2011 100.219,67 0,00 100.219,67 31/07/2011 810.000,00 0,00 810.000,00 31/08/2011 1.751.782,59 500.000,00 1.251.782,59 30/09/2011 2.215,04 0,00 2.215,04 31/10/2011 50.139,80 0,00 50.139,80 30/11/2011 595.166,07 0,00 595.166,07 31/12/2011 3.790,05 0,00 3.790,05 SOMA 5.273.624,97 500.000,00 4.773.624,97 (...)" Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso de ofício e NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1562DF CARF MF
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