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Numero do processo: 15586.000318/2008-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
CONSTITUCIONALIDADE. LEIS.
Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 31/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. Recurso Voluntário Negado.
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ICMS. INCLUSÃO. Por integrar o preço de venda das mercadorias, o valor do ICMS integra o faturamento e, conseqüentemente, a base de cálculo da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. Por integrar o preço de venda das mercadorias, o valor do ICMS integra o faturamento e, conseqüentemente, a base de cálculo do PIS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 03 18 /2 00 8- 90 Fl. 957DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000318/200890 Acórdão n.º 3302002.544 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 31/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins, relativo a fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 2003, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a empresa excluiu o valor do ICMS da base de cálculo das exações. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujos fundamentos da contestação foram resumidos pela decisão recorrida nos seguintes termos: 1. Com a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, unificouse o regulamento do PIS e da COFINS, modificando, por meio do art. 3º, § 1º, a base de cálculo de ambas as contribuições; 2. A modificação das bases de cálculo ocasionaram rupturas nos seus fundamentos de validade constitucional, os quais permitiam a instituição de contribuições que incidissem sobre o faturamento, este entendido como venda de bens ou serviços e sobre todas as receitas da pessoa jurídica; 3. A tentativa de correção, das inconstitucionais alterações produzidas pela Lei n.° 9.718/98, foi feita por meio da Emenda Constitucional n.° 20, de 16 de dezembro de 1998, acrescentando a expressão "receita" à alínea "b" do inciso I do art. 195 da CF. Porém, a alteração do texto constitucional, trazendo, como se pudesse, o fundamento constitucional para validar a majoração de base de cálculo efetuada pela Lei n.° 9.718/98, não surtiu o efeito desejado; 4. Ao tempo da edição da referida lei, a Constituição somente permitia a incidência de contribuições sobre o faturamento, não fazendo qualquer menção ao termo "receita"; 5. Ora, a permissão constitucional para a instituição das Contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS incidentes sobre a "receita" criou, sem dúvida, uma nova Fl. 958DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000318/200890 Acórdão n.º 3302002.544 S3C3T2 Fl. 4 3 contribuição que, para ser cobrada, exigia a edição de Lei Complementar, após a alteração produzida pela Emenda Constitucional. Não houve, como se pretendeu, a constitucionalização retroativa da Lei n.° 9.718/98, mas, de resto, o incontestável entendimento de sua inconstitucionalidade, sufragado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal; 6. Com a edição das Leis n.°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituiuse, por fim, a forma de cobrança não cumulativa das contribuições, com alíquotas maiores, e sistema de débito e crédito; 7. Resumindo, passaram as Contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, após a edição das leis anteriormente referenciadas, a incidir: (a) sobre o faturamento, entendido como receita bruta operacional, em relação às empresas sujeitas à sistemática da Lei n.° 9.718/98, regime cumulativo, e, (b) sobre a receita bruta, quando submetidas ao regime nãocumulativo; 8. Para melhor situar o conceito de faturamento e de receita bruta, mister entender que faturamento restringese à chamada receita bruta operacional, ou seja, os ingressos oriundos do objeto social da empresa (venda de mercadorias ou prestação de serviços), e receita bruta, com espectro maior, referese a todas as entradas que importem em aumento do patrimônio; 9. Diante do exposto, uma conclusão inarredável, o levantamento fiscal que instrumentaliza o lançamento está incorreto, ou seja, o ilustre Agente do Fisco autuante incluiu, na base de cálculo das contribuições o valor do ICMS, que não corresponde faturamento ou receita da defendente, onerando, desta forma, ilegalmente, o lançamento objeto da presente impugnação, conseqüentemente, fulminandoo de nulidade; 10. Outro aspecto relevante é que multas nos percentuais do lançamento são excessivas, ofendem o direito de propriedade, pois resultam numa forma de tributação com efeito de confisco, onerando ilegalmente o patrimônio do contribuinte, no caso, a Autora, em franca violação ao art. 150, inciso IV da Constituição Federal; 11. Esta disposição constitucional proibitiva do confisco é regra de estrutura, dirigida aos legisladores federais, estaduais e municipais, regulando sua conduta legislativa, no sentido de proibir, no âmbito de suas competências, a edição de normas legais que utilizem o tributo com efeito confiscatório. 12. A tributação não pode expropriar a riqueza sobre a qual incida. Neste sentido, a doutrina brasileira, na lição de seus mais proeminentes mestres, repudia a tributação confíscatória; 13. Como se vê, a multa dos autos foi aplicada sem atender aos princípios da razoabilidade e da moderação, aos quais se submetem os atos do Poder Público, devendo, por seu excesso, ser considerada nula; 14. Isto posto, em face aos erros de direito e de fato em sua lavratura, requer a declaração de nulidade do Auto de Infração impugnado. A 5a Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro II RJ julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1337.733, de 11/10/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000318/200890 Acórdão n.º 3302002.544 S3C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins, podendo, ser excluído da base de cálculo da contribuição somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços, na condição de substituto tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 30/12/2003 BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS, podendo, ser excluído da base de cálculo da contribuição somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços, na condição de substituto tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Ciente desta decisão em 07/11/2011 (conforme AR), a interessada ingressou, no dia 07/12/2011, com Recurso Voluntário, no qual renova os argumentos da impugnação, acima resumido. Na forma regimental, o Recurso Voluntário foi distribuído para relatar e, por força da determinação contida no art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/09), o seu julgamento foi sobrestado, nos termos do Despacho nº 3302 078, de 26/07/2013. Com a revogação do referido dispositivo regimental (Portaria MF nº 545/13), o Recurso Voluntário foi sorteado para relatar e, agora, volta à pauta de julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000318/200890 Acórdão n.º 3302002.544 S3C3T2 Fl. 6 5 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trato o presente de autos de infração de PIS e de Cofins, lavrado em razão da exclusão, pela Recorrente, do valor do ICMS da base de cálculo das exações. Quanto aos argumentos de inconstitucionalidade suscitados pela Recorrente, relativamente à inclusão do ICMS no conceito de faturamento, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao mérito, o ICMS integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins, conforme previsto na Lei Complementar nº 70/1991 e nas Leis Ordinárias nº 9.715/98, 9.718/1998, 10.637/2002 e 10.833/03. A previsão legal de exclusão da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo das contribuições contempla o ICMS apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário (art.3º, § 2°, I, da Lei nº 9.718/1998). Assim sendo, a alegação da recorrente de que o valor do ICMS não integra o conceito de faturamento, para fins de inclusão na base de cálculo do PIS e da Cofins, não tem respaldo na legislação, não existindo nenhuma determinação legal que autorize tal exclusão. Correto está o acórdão recorrido porque o ICMS, por ser um imposto indireto e com mecanismo de cálculo por dentro, contemplando o seu próprio montante em sua base de cálculo, agregase ao preço do produto, integrando também o faturamento. E como tal, há necessidade de expressa previsão legal para a sua exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins. Com relação ao percentual da multa de ofício lançada, não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência, conhecer as alegações relativas ao seu caráter confiscatório, a teor dos arts. 97 e 102 da CF/88. Os juízos quanto ao princípio do não confisco tributário e da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não autoridade administrativa. Estando o percentual da multa fixado em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000318/200890 Acórdão n.º 3302002.544 S3C3T2 Fl. 7 6 cumprimento. No caso em tela, a multa de ofício aplicada foi a prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/962. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19993). Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). 3 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 16366.720340/2011-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2011
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA.
É cabível a multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
REDARF. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO.
A conduta da contribuinte de ocultar a real natureza dos créditos, alegados como decorrentes de pagamentos próprios indevidos ou a maior, quando, se tratam de créditos de terceiros obtidos mediante o artifício do procedimento indevido de REDARF (retificação de DARF), visando à extinção de débitos fiscais, por meio de PERDCOMP, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa de ofício qualificada de 150% pela ocorrência da sonegação nos moldes previsto no art. 71, inciso II da Lei nº 4.502/1964.
INTIMAÇÕES AO ADVOGADO/PROCURADOR EM LOCAL DIVERSO DO DOMICILIO FISCAL ELEITO PELO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Numero da decisão: 1802-002.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Gilberto Baptista e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2011 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. É cabível a multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. REDARF. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. A conduta da contribuinte de ocultar a real natureza dos créditos, alegados como decorrentes de pagamentos próprios indevidos ou a maior, quando, se tratam de créditos de terceiros obtidos mediante o artifício do procedimento indevido de REDARF (retificação de DARF), visando à extinção de débitos fiscais, por meio de PERDCOMP, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa de ofício qualificada de 150% pela ocorrência da sonegação nos moldes previsto no art. 71, inciso II da Lei nº 4.502/1964. INTIMAÇÕES AO ADVOGADO/PROCURADOR EM LOCAL DIVERSO DO DOMICILIO FISCAL ELEITO PELO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Gilberto Baptista e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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Compensação não declarada. Recorrente JOÃO VICENTE CAPOBIANGO & ADV ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2011 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. É cabível a multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. REDARF. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. A conduta da contribuinte de ocultar a real natureza dos créditos, alegados como decorrentes de pagamentos próprios indevidos ou a maior, quando, se tratam de créditos de terceiros obtidos mediante o artifício do procedimento indevido de REDARF (retificação de DARF), visando à extinção de débitos fiscais, por meio de PERDCOMP, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa de ofício qualificada de 150% pela ocorrência da sonegação nos moldes previsto no art. 71, inciso II da Lei nº 4.502/1964. INTIMAÇÕES AO ADVOGADO/PROCURADOR EM LOCAL DIVERSO DO DOMICILIO FISCAL ELEITO PELO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 03 40 /2 01 1- 11 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Gilberto Baptista e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e considerar pertinente adoto parte do relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: Trata o presente processo de auto de infração de multa isolada qualificada de 150%, no valor total de R$ 98.837,34, lavrado em 10/11/2011 em decorrência de as Dcomp relacionadas a seguir terem sido consideradas como Não Declaradas: nº 40638.17031.300710.1.3.041074, nº 04457.55670.200910.1.3.040639 e nº 00253.24322.081010.1.3.040064, nº 23330.65786.271010.1.3.040080, nº 04363.10582.031110.1.3.048299, nº 13232.37347.241110.1.3.040940, nº 33329.70193.271210.1.3.040184, nº 09560.55944.220111.1.3.040035, nº 17457.48463.310111.1.3.048434, nº 22974.48766.310111.1.3.041192, nº 28351.85281.250211.1.3.047354, nº 01382.42985.250311.1.3.040042, nº 39678.42940.230411.1.3.041279, nº 40585.30506.250511.1.3.044723, nº 14919.52972.240611.1.3.041747, nº 17620.75565.120711.1.3.048315 e nº 22369.37924.110811.1.3.043358. Referida multa foi aplicada em atendimento ao disposto no § 4º, art. 18 da Lei nº 10.833/2003 (com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007), tendo sido a multa duplicada, conforme o § 1º, art. 44 da Lei 9.430/96 (também com a redação da Lei 11.488/2007), em face da configuração, no entendimento da fiscalização, do crime previsto no inciso II, art. 71, da Lei 4.502/1964. Notese que em decorrência desse fato a autoridade tributária elaborou a competente Representação Fiscal para Fins Penais, consubstanciada no processo administrativo nº 16366.720365/201114. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 23/11/2011, através da Intimação nº 1.488/2011, com ciência por meio de AR/EBCT, e apresentou em 20/12/2011 a impugnação ao lançamento cujo teor é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos a interessada defende, primeiramente, a impossibilidade do Restabelecimento das Informações do Pagamento Original e o Efeito Suspensivo da Manifestação de Inconformidade. Diz que o restabelecimento imediato das informações do Darf original fere diversos princípios constitucionais, dentre eles o da reserva legal. Sustenta que, em atendimento aos princípios do contraditório do Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16366.720340/201111 Acórdão n.º 1802002.184 S1TE02 Fl. 3 3 devido processo legal, o referido restabelecimento somente poderia ocorrer após o trânsito em julgado do processo. Alega que o crédito foi transferido com total consentimento do órgão administrativo e do contribuinte original e que o restabelecimento ao estado anterior transmitirá indevidamente um bem patrimonial (crédito) a terceiro. Defende que o crédito encontrase em discussão administrativa e que deve ser atribuído efeito suspensivo à manifestação de inconformidade, bem como, para todos os fins, às retificações de informações procedidas nos DARF. Na seqüência a contribuinte defende a transferência de crédito realizada através do procedimento de Redarf. Diz que compareceu perante o órgão administrativo e, tendo cumprido todas as formalidades legais, esse chancelou as transferências de créditos em favor da contribuinte. Sustenta que o reconhecimento do direito ao crédito gera efeitos jurídicos e consequências imediatas e suplanta eventuais outros impedimentos existentes. Alega que o indeferimento deveria ter ocorrido no momento do pedido formal de Redarf, e não posteriormente, após a consolidação da situação fiscal. Defende que não houve falsidade de declaração, uma vez que o pedido formal restou deferido, e, também, que não houve má fé,considerando que só realizou a compensação após o deferimento da transferência do crédito. Sustenta que não agiu de forma unilateral e que cumpre à administração pública observar o princípio da segurança jurídica, gerando estabilidade nas relações entre o Fisco e a Contribuinte, e não gerando conflitos. Por fim a contribuinte insurgese contra a aplicação da multa qualificada. Repisa a total ausência de máfé ou dolo em suas atitudes e reforça que somente realizou a compensação em virtude do órgão administrativo ter transmitido o crédito em seu favor. Diz que não houve qualquer prejuízo aos cofres públicos e nem a prática de ato ilícito por parte da contribuinte. Sustenta que “Para incidir a multa qualificadora é necessária que a conduta tenha na sua essência a falsidade, o engodo, a intenção de enganar. E, onde está esta intenção se o próprio contribuinte manifestou formalmente perante a Receita Federal pleito solicitando a transmissão do crédito ?” . Diante do exposto, requer: Preliminarmente, que somente seja procedido o restabelecimento das informações originais nos DARF após o trânsito em julgado do presente processo administrativo; Sejam legalmente reconhecidas as transferências de crédito fiscal solicitadas através dos Redarf, as quais foram anteriormente homologadas pela Receita Federal; Em decorrência da legitimidade da transmissão do crédito, sejam homologadas as compensações declaradas; Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Seja julgada procedente essa defesa e improcedente o auto de infração; Que as intimações sejam encaminhadas em nome do advogado e procurador que subscreve a impugnação. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Curitiba /PR), julgou improcedente a impugnação conforme decisão proferida no Acórdão nº 0638.428, de 21 de novembro de 2012, cientificado ao interessado em 11/01/2013, em consonância com o Aviso de Recebimento (AR). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/11/2011 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. Tratandose de compensação não declarada em que o crédito seja de terceiros é cabível a aplicação de multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado. REDARF. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO. DOLO. DCOMP. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. A utilização do procedimento de Redarf para transferência de crédito de terceiros combinada com a utilização desse crédito na compensação de débitos tributários próprios, por meio de Dcomp, configura atitude dolosa e enseja a aplicação da multa de ofício qualificada. INTIMAÇÃO AO PROCURADOR. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não encontra amparo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa do procurador do sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de primeira instância que manteve a multa isolada, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário em 14/02/2013 ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF no qual o Recorrente, de início, adianta que o mesmo versa tãosomente sobre a questão da multa isolada, no caso qualificada (150%), incidente sobre a totalidade dos tributos compensados nos PERDCOMPs que foram consideradas as compensações não declaradas, cujo processo administrativo fiscal foi tombado sob nº 16366.720283/201161, por meio do qual se questiona a compensação do principal, o rito que se estabeleceu indevidamente para o caso é o da Lei 9.784/99. Argúi que tal rito tolhe sobremaneira o devido processo legal, já que impede das instâncias superiores, tal qual o próprio CARF, de analisar o mérito das autuações, sobretudo quando diretamente vinculada a questão principal do acessório, como no caso presente. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16366.720340/201111 Acórdão n.º 1802002.184 S1TE02 Fl. 4 5 Alega que, na decisão recorrida não foram analisados todos os fundamentos contidos nas razões recursais, que, conforme argumentado o "restabelecimento das informações (CNPJ) do pagamento original (item "b" do despacho decisório), conforme consta no auto de infração ocorreu de imediato sem que houvesse qualquer decisão administrativa. Ou seja, ao assim proceder o Fisco Federal feriu princípios constitucionais assegurados aos litigantes em geral. E, restabelecer as informações do pagamento original antes do encerramento do processo administrativo fiscal feriu o devido processo legal. Ao suscitar a questão, dada a sua relevância, a corte inferior deveria ter se pronunciado, e não o fez, razão pela qual, sob pena de supressão de instância, a decisão deve ser declarada nula, proferido novo julgamento, por falta de fundamentação. Argumenta que: devese ter em conta que o crédito foi transferido com a total aquiescência não só desta Delegacia, bem como, e igualmente, do contribuinte original: FAMA DO BRASIL INDÚSTRIA DE MOLAS E AUTOPEÇAS LTDA, cujo restabelecimento ao status quo poderá acarretar prejuízos irreparáveis ao recorrente, pois, ao restabelecer as informações originais estarseá transmitindo indevidamente um bem patrimonial (crédito) a terceiro, que não mais lhe pertence, e, uma vez ingressado em seu patrimônio poderá livremente utilizálo, gozar e usufruir nos termos da lei civil. Neste momento o crédito encontrase por falta de expressão melhor "subjudice" (ainda que administrativamente), e assim deve ser o tratamento jurídico a lhe ser dispensado até o desate final da questão. Pesa sobre referido crédito um ônus, qual seja, discutese até mesmo a quem pertence, e não somente se poderia ou não ser transmitido. o contribuinte solicitou dentro das regras a transferência do crédito, e em momento algum escondeu culposa ou dolosamente a sua pretensão. Tivesse a Receita Federal, desde o primeiro momento (solicitação inicial) indeferido o pleito, e a transferência não teria sido efetivada e por conseguinte a compensação não teria ocorrido. o contribuinte compareceu perante a Secretaria da Receita Federal e solicitou (pedido formal) a transferência dos créditos da empresa FAMA DO BRASIL INDÚSTRIA DE MOLAS E AUTO PEÇAS LTDA, CNPJ sob n? 75.267.096/000158, para JOÃO VICENTE CAPOBIANGO & ADVOGADOS ASSOCIADOS Cópia dos referidos pedidos encontram se em anexo ao processo administrativo. todas as formalidades de praxe foram cumpridas, e executados todos os expedientes necessários, sendo que a própria Delegacia da Receita Federal chancelou a transferência de tais créditos em favor do contribuinte, ora recorrente. Houve o reconhecimento do crédito. Este reconhecimento havido gera efeitos jurídicos e consequências imediatas. Não está sujeito a qualquer outro expediente, quer por imposição legal, quer requisitos de normas instrutórias internas da Secretaria da Fazenda Federal. uma vez reconhecido o crédito em favor do contribuinte a sua utilização é direito que se impõem. Se há proibição por lei — admitindose para argumentar — da transferência de crédito para terceiro ou mesmo a utilização de REDARF para executar tal procedimento, em qualquer caso houve a expressa anuência por parte do Fisco Federal. o indeferimento, se este fosse o entendimento, deveria ocorrer naquele momento do pedido formal; e não posteriormente, quando a situação fiscal já se encontrava consolidada. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Acaso fosse indeferido o pedido de transferência do crédito, por certo, que o contribuinte não teria procedida a compensação com os seus débitos apurados. Nem teria sustentação fática, pois não haveria crédito a ser compensado, por óbvio. Isto somente ocorreu em virtude do deferimento do pedido pela autoridade competente. Não foi um ato praticado unilateralmente pelo contribuinte. o contribuinte está sendo penalizado sem que tenha cometido qualquer ilícito, sendo compelido pelo auto de infração a pagar os tributos com os acréscimos entendidos como de lei, e, sobretudo, multa penal qualificada (150%) como se com máfé tivesse agido. A punição tem como pressuposto um ato ilícito, e, no caso, o contribuinte está sendo penalizado por pedir e não por ter cometido um ilícito, o que já causa verdadeira irresignação e repugna o direito como um todo, sendo que, ao se considerar que referido pedido foi acatado (DEFERIDO) pela Receita Federal do Brasil, cresce de modo descomunal o inconformismo com a decisão proferida. o Fisco Federal concedeu a transferência do crédito de um CNPJ para outro. Não se pode dizer que tenha sido iludido, pois analisou a reivindicação, e a presunção legítima do contribuinte é a de que, ao analisar, o Fisco Federal teve em consideração todos os elementos e documentos fornecidos pelo contribuinte. O deferimento não ocorreu de forma perfunctória, ligeira e superficial. O responsável pelo deferimento levou em conta toda a documentação que instruiu o pleito, sopesou e subsumiu os fatos às normas vigentes, e por fim deferiu, aquiesceu, e homologou a transferência do crédito. o contribuinte somente se valeu do instituto da compensação em virtude de que a Receita Federal do Brasil transmitiu internamente o crédito em seu favor. Isto per si é o suficiente para descaracterizar a multa aplicada, sobretudo quanto a multa qualificada. Está claro que não houve intenção de lesar ao Fisco, ou de praticar sonegação ou fraude. a multa qualificadora não se aplica a situações em que o contribuinte às claras, e sem tentar ocultar qualquer elemento verificador do fato gerador ou de algum de seus elementos pratica atos que, embora lícitos, tenham seus efeitos desconsiderados pelo Fisco, porquanto não há o elemento dolo a justificar a aplicação de punição na sua modalidade mais grave dentre aquelas previstas na legislação de regência. O Recorrente requer seja suspenso o presente processo administrativo, até que se julgue o processo principal (auto de infração contido no PAF 16366.720283/201161), porquanto a multa aplicada é acessória do principal, e, uma vez julgado improcedente aquele auto de infração, incontinenti, este, igualmente, será julgado improcedente. Finalmente requer: a) seja julgada legitima e legal a transferência do crédito fiscal da empresa FAMA DO BRASIL INDÚSTRIA DE MOLAS E AUTOPEÇAS LTDA (cedente) para o defendente (cessionário), em virtude da homologação havida anteriormente pela Receita Federal do Brasil; b) sejam definitivamente homologadas as compensações efetivadas, e extintas as obrigações fiscais e tributárias, o principal e o acessório (multa); Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16366.720340/201111 Acórdão n.º 1802002.184 S1TE02 Fl. 5 7 c) seja julgada procedente este recurso, pelas razões acima delineadas, e improcedente o auto de infração contido no processo administrativo acima referenciado; d) seja, por fim, julgado improcedente a multa de 150%, ou que se aplique no percentual máximo de 20%, tal qual a jurisprudência reinante nos tribunais (sobretudo STJ), haja vista que não se pode punir a boafé do contribuinte que tomou todas as precauções necessárias para o fim da transferência do crédito. e) E que, as intimações sejam efetivadas em nome do advogado e procurador que subscreve o recurso. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Conforme relatado trata o presente processo do Auto de Infração lavrado em 10/11/2011, que exige o valor de R$ 98.837,34 a título de multa de ofício isolada, em decorrência de declarações de compensação consideradas não declaradas, apresentadas pelo Recorrente. Na descrição dos fatos do auto de infração consta o seguinte: 1Introdução O contribuinte João Vicente Capobiango & Advogados Associados, CNPJ nº 03.692.786/000143, apresentou Declarações de Compensação vinculadas a créditos decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior. Todos os pagamentos haviam sido originalmente atribuídos ao contribuinte “Fama do Brasil Indústria de Molas e Auto Peças Ltda”, CNPJ nº 75.267.096.000158 e posteriormente submetidos ao procedimento de Retificação de DARF (REDARF). Estas Declarações foram consideradas não declaradas, visto decorrentes de utilização de créditos de terceiros, e as retificações (REDARF) anulados nos termos do parecer e despacho exarados no processo nº 16366.720283/201161. 2 Do uso indevido do REDARF Fl. 123DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 “A Instrução Normativa nº 672, de 30 de agosto de 2006, que dispõe sobre a retificação de erros no preenchimento do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), já prevê em seu art, 21 que “A utilização indevida de retificação de Darf ou DarfSimples implicará responsabilidade administrativa, tributária, civil e penal a quem lhe der causa, conforme o caso.” O REDARF prestase à correção sumária de ‘erros de fato’ no preenchimento de DARF pago junto à rede arrecadadora. No caso de mudança de titularidade do pagamento, quando se altera o CNPJ originariamente informado no DARF, o procedimento deve ser utilizado exclusivamente para correção de informação equivocada, ou seja, o CNPJ de contribuinte não devedor, para o CNPJ do efetivo devedor da obrigação tributária ali representada e extinta. Em outros termos, a alteração de CNPJ só tem fundamento se objetivar a liquidação do débito (código de tributo, período de apuração) informado no DARF, pelo real devedor. A utilização posterior do pagamento cuja titularidade foi alterada, como crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, para compensação com outros débitos, revela a inserção de informações ideologicamente falsas nos Documentos de Arrecadação, visando a transferência de direitos creditórios. Nas palavras do Parecer exarado no processo nº 16366.720283/201161, “A legislação que rege a compensação de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil veda a utilização de créditos de terceiros. O REDARF não se presta a que esta vedação seja contornada.” O uso indevido do REDARF visava a liquidação de débitos a partir de suposto crédito de terceiros, o que ofende condição essencial à compensação no âmbito da Receita Federal: que devedor e credor sejam a mesma pessoa física ou jurídica: ... 3 Da multa isolada Em conformidade com a Lei nº 10.833/2003, art.18, § 4º, há que se efetuar o lançamento de multa isolada de 75%, no caso de compensação considerada não declarada, sendo aventada a possibilidade de qualificação da multa: ... As circunstâncias que determinaram que as compensações fossem consideradas “não declaradas”, descritas nos itens 1 e 2 deste Auto de Infração, implicam o lançamento de multa isolada qualificada, conforme previsto no § 1º do art.44 da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o inciso II do art.71 da Lei nº 4.502/1964. ... A multa isolada, no caso qualificada (150%), é incidente sobre a totalidade dos tributos com compensação considerada não decalarada, e o Recorrente se insurge contra o processo administrativo fiscal tombado sob nº 16366.720283/201161, o qual trata dos Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16366.720340/201111 Acórdão n.º 1802002.184 S1TE02 Fl. 6 9 PERDCOMPs em que foram consideradas as compensações não declaradas. Argúi que o rito que se estabeleceu indevidamente para o caso é o da Lei 9.784/99. Alega que tal rito tolhe sobremaneira o devido processo legal, já que impede das instâncias superiores, tal qual o próprio CARF, de analisar o mérito das autuações, sobretudo quando diretamente vinculada a questão principal do acessório, como no caso presente. Compulsandose os autos constatase que foi anexado o Despacho Decisório nº 253 SRRF09/Disit de 16/11/2012 que julgou o Recurso Hierárquico impetrado pelo contribuinte em relação ao mencionado processo nº 16366.720283/201161 aventado pelo Recorrente. A análise que dá fundamentação para negar provimento ao recurso tem lastro na resposta à intimação apresentada pela empresa Fama do Brasil Indústria de Molas e Auto Peças Ltda (cedente dos créditos) que informa ter efetuado os recolhimentos. E que, o Recorrente (beneficiário) não comprovou os pagamentos ou os desembolsos necessários para efetuar os pagamentos. A autoridade administrativa que expediu o Despacho Decisório acima, concluiu, : Diante do exposto, concluímos que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina atuou conforme a legislação vigente ao considerar não declaradas as compensações acima relacionadas e ao anular as retificações de DARF. Em consulta ao “eprocesso” verificouse que cientificado o Recorrente da mencionada decisão, o processo se encontra arquivado desde 09/11/2014. Sobre a matéria argüida pelo Recorrente de que lhe foi tolhido o direito de recorrer ao CARF, no âmbito do processo nº 16366.720283/201161 que considerou as DCOMPs como não declaradas, a Lei nº 9.430/96 assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)(Vide Decreto nº 7.212, de 2010)(Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) ... § 9oÉ facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 125DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual doDecreto no70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3odeste artigo;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito:(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros;(Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) ... § 13. O disposto nos §§ 2ºe 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Grifei) Desse modo, a determinação do § 13 acima transcrito, é categórica: considerada como não declarada a compensação na hipótese em que o crédito seja de terceiro (§ 12, inciso II, alínea “a”) como é o caso dos presentes autos em que aplicada a multa isolada, à manifestação de inconformidade e ao recurso apresentado pelo interessado naquele processo nº 16366.720283/201161 não se aplica o rito processual previsto no Decreto nº 70.235/72. O Recorrente alega que, na decisão recorrida dos presentes autos não foram analisados todos os fundamentos contidos nas razões recursais, que, conforme argumentado o "restabelecimento das informações (CNPJ) do pagamento original (item "b" do despacho decisório), conforme consta no auto de infração ocorreu de imediato sem que houvesse qualquer decisão administrativa. Ou seja, ao assim proceder o Fisco Federal feriu princípios constitucionais assegurados aos litigantes em geral. E, restabelecer as informações do pagamento original antes do encerramento do processo administrativo fiscal feriu o devido processo legal. Ao suscitar a questão, dada a sua relevância, a corte inferior deveria ter se pronunciado, e não o fez, razão pela qual, sob pena de supressão de instância, a decisão deve ser declarada nula, proferido novo julgamento, por falta de fundamentação. Sobre tal questão, consta da decisão recorrida (fls.3 e 4) a seguinte observação: Destaquese, inicialmente, que o presente processo trata da Multa Isolada aplicada em decorrência de as Dcomp (listadas no início do relatório) terem sido consideradas como Não Declaradas, cabendo, tão somente, no âmbito do mesmo, a discussão do mérito da aplicação da multa e de sua gradação. O mérito relativo a Não Declaração das Dcomp, bem como o relativo ao créditos nelas utilizado, proveniente das retificações procedidas por meio dos procedimentos de Redarf, por sua vez, encontrase limitado ao processo administrativo nº 16366.720283/201161, por meio do qual a autoridade tributária considerou Não Declaradas as Dcomp mencionadas. Outrossim, não podem ser analisados no presente, pelo fato de serem Fl. 126DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16366.720340/201111 Acórdão n.º 1802002.184 S1TE02 Fl. 7 11 matérias circunscritas aquele outro processo, os pedidos da interessada: para que se aplique efeito suspensivo nas alterações procedidas por meio dos Redarf, de modo que o restabelecimento das informações originais nos DARF ocorra somente após o trânsito em julgado do presente processo; e para que sejam reconhecidas as transferências de crédito fiscal solicitadas através dos Redarf. Não merece reparo à decisão recorrida, pois, todos os fatos relativos aos REDARFs servem de substrato para serem considerados os PERDCOMPS elencados no Relatório acima como compensações nãodeclaradas. Portanto, matéria circunscrita àquele outro processo nº 16366.720283/201161 para o qual não se admite o rito processual previsto no Decreto nº 70.235/72. Nesse passo, e, julgado definitivamente o processo nº 16366.720283/2011 61, por meio do Recurso Hierárquico previsto no artigo 56 da Lei 9.784/99, não subsiste o pleito do Recorrente para que se analise a transferência do crédito fiscal da empresa FAMA DO BRASIL INDÚSTRIA DE MOLAS E AUTOPEÇAS LTDA (cedente) para o defendente (cessionário), e sejam homologadas as compensações efetivadas. Passemos, pois, a análise da multa isolada em razão da infração imputada (compensação considerada não declarada) que ocorreu na data de transmissão dos PER/DCOMPs listados no Relatório, que foram transmitidos pelo Recorrente. O Recorrente não nega que os créditos objeto da compensação em comento decorrem de terceiros mediante o uso de REDARFs. Todavia, o Recorrente se esquiva de sua responsabilidade atribuindo toda culpa à Receita Federal. Vejamos suas alegações: o contribuinte compareceu perante a Secretaria da Receita Federal e solicitou (pedido formal) a transferência dos créditos da empresa FAMA DO BRASIL INDÚSTRIA DE MOLAS E AUTO PEÇAS LTDA, CNPJ sob n? 75.267.096/000158, para JOÃO VICENTE CAPOBIANGO & ADVOGADOS ASSOCIADOS Cópia dos referidos pedidos encontram se em anexo ao processo administrativo. todas as formalidades de praxe foram cumpridas, e executados todos os expedientes necessários, sendo que a própria Delegacia da Receita Federal chancelou a transferência de tais créditos em favor do contribuinte, ora recorrente. Houve o reconhecimento do crédito. Este reconhecimento havido gera efeitos jurídicos e consequências imediatas. Não está sujeito a qualquer outro expediente, quer por imposição legal, quer requisitos de normas instrutórias internas da Secretaria da Fazenda Federal. uma vez reconhecido o crédito em favor do contribuinte a sua utilização é direito que se impõem. Se há proibição por lei — admitindose para argumentar — da transferência de crédito para terceiro ou mesmo a utilização de REDARF para executar tal procedimento, em qualquer caso houve a expressa anuência por parte do Fisco Federal. As alegações do Recorrente são impertinentes e inverossímeis em face do estabelecido pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim prescreve: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)(Vide Decreto nº 7.212, de 2010)(Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) ... § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3odeste artigo;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito:(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) seja de terceiros;(Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) ... Como se vê o § 12 é claro ao estabelecer que a compensação será considerada não declarada na hipótese em que o crédito seja de terceiro. Conforme consta na decisão final do processo nº 16366.720283/201161 (Despacho Decisório nº 253 SRRF09/Disit de 16/11/2012 que julgou o Recurso Hierárquico) os pagamentos foram efetuados pela empresa Fama do Brasil Indústria de Molas e Auto Peças Ltda para o que não há contestação do Recorrente. Portanto, se considerados pagamentos de tributos indevidos ou a maior somente poderão ser utilizados na compensação tributária pelo contribuinte que efetuou os pagamentos. O procedimento da retificação de DARF tem por objetivo corrigir erros dos documentos de arrecadação e não é procedimento adequado para transferência de créditos entre contribuintes. O recorrente aduz que, o Fisco Federal concedeu a transferência do crédito de um CNPJ para outro. Alega que, não se pode dizer que o Fisco tenha sido iludido, pois analisou a reivindicação, e a presunção legítima do contribuinte é a de que, ao analisar, o Fisco Federal teve em consideração todos os elementos e documentos fornecidos pelo contribuinte. O deferimento não ocorreu de forma perfunctória, ligeira e superficial. O responsável pelo deferimento levou em conta toda a documentação que instruiu o pleito, sopesou e subsumiu os fatos às normas vigentes, e por fim deferiu, aquiesceu, e homologou a transferência do crédito. Indubitavelmente há de se admitir o REDARF em que se altere o nº do CNPJ, quando, no ato de preenchimento do DARF, determinado tributo recolhido tenha sido, por erro de fato, atribuído a contribuinte outro que não o devedor. Assim, o REDARF se prestaria a substituir informação equivocada – no caso, contribuinte sem relação jurídico tributária com a contribuição recolhida – por informação correta – o sujeito passivo da obrigação tributária. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16366.720340/201111 Acórdão n.º 1802002.184 S1TE02 Fl. 8 13 A conduta do Recorrente de ocultar a real natureza dos créditos, alegados como decorrentes de pagamentos próprios indevidos ou a maior, quando, se tratam de créditos de terceiros obtidos mediante o artifício do procedimento indevido de REDARF (retificação de DARF), visando à extinção de débitos fiscais, por meio de PERDCOMP, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa de ofício qualificada de 150% pela ocorrência da sonegação nos moldes previsto no inciso II do artigo 71, da Lei nº 4.502/1964. O artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, constituise em fundamento legal para a imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação, 1) quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) e, 2) quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Portanto, será aplicada a multa de 150%, no caso do item (1) e, no caso do item (2) 75% ou 150% nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, a saber: Lei nº 10.833/2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 129DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Lei nº 9.430/96 ... Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) ... § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16366.720340/201111 Acórdão n.º 1802002.184 S1TE02 Fl. 9 15 e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) O Recorrente alega que, acaso fosse indeferido o pedido de transferência do crédito, por certo, que o contribuinte não teria procedida a compensação com os seus débitos apurados. Nem teria sustentação fática, pois não haveria crédito a ser compensado. Isto somente ocorreu em virtude do deferimento do pedido pela autoridade competente. Não foi um ato praticado unilateralmente pelo contribuinte. A argumentação da Recorrente não prospera, pois, como transcrito acima, a lei específica que rege a compensação no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil veda expressamente a utilização de créditos de terceiros para esse fim (inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996) e a ninguém é permitido beneficiarse de situação ilegal por desconhecimento da lei. Não se trata de proibição da cessão de créditos a terceiros feita sem a utilização de artifício, e sim da utilização de crédito de terceiros para quitar tributos federais por compensação diante da vedação legal expressa. A Recorrente alega que, uma vez observada a formalidade legalmente exigida e apresentada à declaração de compensação ao Fisco, não há falar em sonegação, fraude ou conluio tampouco em falsidade da declaração, que pressupõe que a informação nela contida seja irreal, desleal, infundada ou forjada, pois, o contribuinte não tinha intenção de prejudicar o erário e muito menos de inserir informações que não correspondessem a verdade. E que os dados insertos nos formulários remetidos estavam sujeitos à pronta verificação do Fisco para fim de homologação. Finalmente conclui que, não merece subsistir o lançamento da multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento), por ausência de dolo. Diferente do alegado pela defesa, entendo que no contexto da autuação que se deu em razão das compensações serem consideradas “não declaradas” e praticadas com a nítida intenção de burlar o fisco porque indicada como origem do direito creditório “pagamento indevido ou a maior” que na realidade seria “credito de terceiros” oriundo de “utilização indevida de Redarf”, resta aplicável a multa de 150%, nos termos da legislação acima transcrita (Art. 18, § 4º da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 junho de 2007). Ora, o exercício de toda formalidade/artificiosa e apresentadas as declaração de compensação resulta exatamente na fraude que exterioriza um fato diferente da realidade, pois, o crédito compensado com os débitos nas DCOMPs não tem origem em Pagamento Indevido ou a Maior de acordo com a legislação vigente e sim, a utilização de REDARF para mascarar a DCOMP e ser recepcionada pelo sistema eletrônico da Receita Federal, pois, acaso informado que o crédito compensado no PERDCOMP seria de “terceiros” com a utilização de REDARFs, os PERDCOMPs seriam rejeitados de plano pelo mesmo sistema eletrônico, pois, incorridos nas hipóteses vedadas pela legislação vigente (inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). O contribuinte não pode alegar ser vítima da anuência do Fisco na suposta aquisição de créditos de terceiros, pois, o fez mediante utilização de pedido de retificação de DARFs (REDARF) e adotou procedimento irregular de sua responsabilidade na compensação Fl. 131DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 de tais créditos como descrito acima., pois, como afirmado em sua defesa “O contribuinte compareceu perante esta Secretaria da Receita Federal e solicitou (pedido formal) a transferência dos créditos da empresa FAMA DO BRASIL INDÚSTRIA DE MOLAS E AUTO PEÇAS LTDA, CNPJ sob nº 75.267.096/000158, para JOÃO VICENTE CAPOBIANGO & ADV ASSOCIADOS, CNPJ/MF sob nº 03.692.786/000143.” Assim, todo procedimento na tentativa da compensação irregular é de responsabilidade da empresa em nome da qual foram apresentadas as DCOMPs consideradas nãodeclaradas. Não merece reparo à decisão recorrida que sustenta a multa de 150%, diante dos fatos demonstrados pelo autuante, cujos fundamentos também adoto como razão de decidir, ipsis litteris: ... É notório, portanto, que a intenção da contribuinte era efetivar, através do procedimento de Redarf, as “transferências” de créditos. Para a consecução desse fim, a contribuinte, em conjunto com a empresa possuidora dos DARF (Fama do Brasil Indústria de Molas e Auto Peças Ltda, CNPJ 75.267.096/000158), afirmou, por meio dos pedidos de retificação de DARF, que havia ocorrido erro de fato na identificação do sujeito passivo quanto aos DARF a serem retificados. Notese que essas afirmações inverídicas, de ocorrência de erros que sabidamente não tinham acontecido, foram inseridas em documentos públicos (Pedidos de Retificação de DARF), os quais foram devidamente assinados (com firma reconhecida) tanto pela contribuinte como pelo representante da empresa Fama do Brasil Indústria de Molas e Auto Peças Ltda. Em conformidade com a legislação que regula a compensação tributária (art. 74, §12, inciso II, alíneas a e b, da Lei nº. 9.430/96), os débitos próprios, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não podem ser compensados com créditos tributários proveniente de terceiros, ou seja, a transferência de créditos tributários entre contribuintes distintos é vedada no âmbito federal. A contribuinte, entretanto, entende que descobriu um forma mágica de realizar essa transferência. Para a consecução desse meio, no entanto, é necessário, como se vê, que a contribuinte subverta o procedimento de Redarf e, em conjunto com o cedente do crédito, insira em documento público destinado ao citado procedimento informações falsas sobre a ocorrência de erro de fato quanto a identificação do sujeito passivo. Nesses termos, resta claro a intenção dolosa da interessada no procedimento adotado. A contribuinte agindo de forma consciente e premeditada tentou ludibriar o órgão administrativo inserindo informações inverídicas em pedidos de Retificação de DARFRedarf e após, as aprovações dos procedimentos de retificação, entregou diversas Declarações de Compensação utilizandose de créditos relativos a DARF que, sabidamente eram de outra pessoa jurídica, com o único objetivo de contornar as limitações legais impostas ao procedimento de compensação tributária relativamente à utilização de crédito de terceiros. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16366.720340/201111 Acórdão n.º 1802002.184 S1TE02 Fl. 10 17 E estando assim configurada, essa atitude dolosa deve ser enquadrada no inciso II, art. 71, da Lei 4.502/1964, como fundamento para o agravamento da multa, na forma do § 1º, do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, uma vez que houve a tentativa de quitar, através de compensação, débitos tributários próprios com créditos tributários indevidamente transferidos para a contribuinte. Assim, resta evidente que a interessada agiu de forma consciente em busca de seu propósito (não recolher os tributos devidos), desconsiderando as vedações impostas pela legislação e assumindo os riscos dessa empreitada. Nesse contexto, revelada a vontade consciente de praticar a irregularidade fiscal, resta caracterizada a ocorrência de hipótese prevista no no inciso II, art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, o que enseja a aplicação da multa isolada no percentual de 150%, nos termos da legislação antes mencionada. O Recorrente requer sejam as intimações efetivadas em nome do advogado e procurador que subscreve o recurso. De acordo com o artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser endereçadas ao domicílio fiscal do sujeito passivo. Sobre o assunto, a Súmula CARF nº 9, é suficiente para o indeferimento do pleito, vejamos: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. O domicílio fiscal da pessoa jurídica é o constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), conforme Instrução Normativa (RFB) nº 1.183/2011. Assim, razão não há para que as intimações sejam encaminhadas para outros endereços que não seja o domicílio fiscal eleito pelo contribuinte indicado no CNPJ. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10283.720526/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.160
Decisão: VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, julgamento convertido em diligência nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, julgamento convertido em diligência nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .7 20 52 6/ 20 10 -1 4 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10283.720526/201014 Resolução nº 1301000.160 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase, no caso, de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte impugnante contra acórdão proferido pela 1a Turma da DRJ/BEL nos autos do processo supra referenciado, cuja síntese fora assim então apresentada: ASSUNTO: IMPOSTO S O B R E A RENDA D E PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006,2007 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. APURAÇÃO CONTÁBIL PROVA A ciência contábil é formada por uma estrutura única composta de postulados e orientada por princípios. A regência da norma jurídica originária tem dupla natureza: descrever um fato econômico em linguagem contábil sob forma legal e um fato jurídico imposto legal e prescritivamente. Feito o registro contábil, como determina a lei, torna se norma jurídica individual e concreta, observada por todos. MULTA DE OFÍCIO.CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada a contribuinte no dia 15/05/2011, foi por ela então apresentado o seu Recurso Voluntário, no dia 14/06/2011, destacando, em suas razões, o seguinte: Fl. 609DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10283.720526/201014 Resolução nº 1301000.160 S1C3T1 Fl. 4 3 I Nas empresas optantes pelo lucro presumido que agenciam publicidade e propaganda, a base de cálculo do IRPJ e CSLL será 32% sobre o valor da comissão e do PIS e COFINS o valor da comissão recebida dos veículos de comunicação, nunca o faturamento bruto da empresa, em que esteja incluída a remuneração paga às mídias. II O contribuinte tem direito ao parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009, mesmo que esteja submetido à fiscalização, diante da inexistência de explícita vedação. a multa a ser aplicada é de 20%, pois foi essa a cobrada pela receita federal quando deferiu o parcelamento do REFIS IV. sob pena de ocorrer bis in idem, não podem ser cobrados os mesmo valores duas vezes, sendo uma através de processo de parcelamento e outra via auto de infração. Em seus pedidos, destaca, expressamente, o seguinte: 1) Nas empresas optantes pelo Lucro Presumido que agenciam publicidade e propaganda, o ponto de partida para a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS é o valor apenas da comissão, encontrado através da aplicação de percentuais que variam de 5% a 20% apurados caso a caso, conforme notas fiscais e demais documentos comprobatórios, e não o faturamento bruto das agências, que engloba as parcelas pertencentes aos veículos; 2) Por força da Lei n.° 11.941/2009, as empresas, mesmo as que estiverem sob ação fiscal, têm o direito de optar pelo parcelamento instituído pelo REFIS IV, já que inexiste qualquer vedação legal para tanto; 3) Não podem, sob pena de haver bis in idem, ser cobrados dos Contribuintes os mesmos valores duas vezes, sendo uma através de processo de parcelamento e outra via auto de infração; 4) Tendo a Receita Federal do Brasil recebido e aceito o pedido de parcelamento com a multa de 20%, mesmo sabendo que a ora Recorrente estava sob ação fiscal; 5) Se o entendimento for de que a multa cabível é a de ofício, de 75%, há que ser assegurado o desconto de 40% porquanto o parcelamento foi feito antes de trinta dias da data da ciência do Auto de Infração, na forma da Lei n.° 8.218/91, verbis: Art. 6° Ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, será concedido redução da multa de lançamento de ofício nos seguintes percentuais: (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) (Vide Decreto n° 7.212, de 2010). I 50% (cinquenta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento; (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009); II 40% (quarenta por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009); Fl. 610DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10283.720526/201014 Resolução nº 1301000.160 S1C3T1 Fl. 5 4 III 30% (trinta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009); IV 20% (vinte por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009); REQUER seja dado provimento integral ao presente recurso voluntário para fins de: 1 Excluir do lançamento fiscal constante no presente processo os valores já parcelados através do REFIS IV, 2 Considerar como base de cálculo dos tributos lançados apenas o valor das comissões recebidas pela agência, de acordo com os apontamentos feitos nas notas fiscais sob fiscalização, e 3 Garantir a multa de 20% já deferida pelo REFIS IV. 4 Alternativamente, para o caso de esse Eg. Conselho entender correta a multa de ofício de 75%, que a mesma seja reduzida em 40%, nos termos do art. 6o da Lei n° 8.218/91, considerando que o pedido de parcelamento foi feito antes de trinta dias da data da ciência do auto de infração, sem deixar de deduzir o que já consta confessado e parcelado no REFIS IV. Em rápida síntese, é o que se tem a relatar. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso, dele conheço. A questão discutida nos autos, pelo que se verifica, diz respeito à definição da base de cálculo dos tributos incidentes sobre as atividades desenvolvidas pela recorrente, que, tratandose de empresa atuante no ramo de agenciamento de propaganda e publicidade, realizando – como ela própria destaca em seu recurso , a intermediação entre seus clientes (anunciantes) e os meios de comunicação (jornais, rádios e televisões), não corresponderia ao total do montante recebido de suas clientes, mas sim apenas à parcela especificamente referente à remuneração de suas atividades de intermediação (portanto apenas um percentual definido das notas emitidas), sendo válida e legítima, assim, a dedução dos valores de repasses por ela realizados. A previsão legal especifica da tributação sobre as atividades apontadas são aquelas reproduzidas pelas disposições do Art. 651 do RIR/99 que, sobre o assunto, assim especificamente destaca: Fl. 611DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10283.720526/201014 Resolução nº 1301000.160 S1C3T1 Fl. 6 5 Art. 651. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de um e meio por cento, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas (Lei nº 7.450, de 1985, art. 53, DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, art. 8º, e Lei nº 9.064, de 1995, art. 6º): I a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais; II por serviços de propaganda e publicidade. § 1º No caso do inciso II, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio e televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços (Lei nº 7.450, de 1985, art. 53, parágrafo único). § 2º O imposto descontado na forma desta Seção será considerado antecipação do devido pela pessoa jurídica. Pela análise do dispositivo normativo em destaque, verificase que, de fato, às empresas de propaganda e publicidade (Inciso II) é expressamente garantido o direito da exclusão da base de cálculo das importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio e televisão, jornais e revistas, apurandose, assim, a efetiva e verdadeira base tributável das atividades apontadas. Pois bem. A partir dessas razões, verificase que, de acordo com os documentos que compõem os presentes autos, a única intimação efetivada pela fiscalização para que a contribuinte apresentasse “livros e documentos” – conforme indicado pela própria narrativa fiscal , foi aquela apresentada no dia 14/01/2010, no TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO, donde consta a seguinte e específica solicitação efetivada: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e com base nos art. 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), damos início .a ação fiscal, ocasião em que INTIMAMOS o contribuinte acima identificado a apresentar, no prazo de 05 (cinco) dias, os elementos elencados abaixo: 1. Livros Diário, Razão e Caixa, relativos aos anoscalendário de 2Q0§ e 2007. 2. Livros de Registro de Entradas,, de Saídas, de Apuração de ICMS, de Apuração do ISS, relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007. 3. Livro de Registro de Inventário relativo, aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007. 4. Documentos Fiscais emitidos peio contribuinte nos anoscalendário de 2006 e 2007. No TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL, de 04/08/2010 fls. 60 , verificamse também as seguintes e específicas informações da fiscalização: Fl. 612DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10283.720526/201014 Resolução nº 1301000.160 S1C3T1 Fl. 7 6 No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e com base nos art. 904, 905, 911 e 927 do Decreto n2 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), CONSTATAMOS o que segue: 1. O contribuinte apresentou à Fiscalização as Notas Fiscais emitidas pela empresa JOBAST PRODUÇÕES CINEMATOGRÁFICAS LTDA nos anoscalendário de 2006 e 2007. 2. Os valores brutos registrados nas Notas Fiscais aludidas no item 1 acima estão consolidados em planilha anexa ao presente Termo, a qual vai rubricada pelo contribuinte ou seu representante legal. Nessa planilha, consignamse, também, os valores de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS retidos na fonte. E, para constar e surtir os efeitos legais lavramos o presente termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e pelo contribuinte ou seu representante legal, que neste ato recebe uma das vias. Analisando os autos, verifico que na descrição dos fatos, apresentada pelo Auto de Infração (lavrado em 04/08/2010) relativo à apuração do débito da contribuinte, extraemse as seguintes e específicas razões: Em face da emissão, em 16/12/2009, do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 022010020090088 93, desenvolveuse ação fiscal, relativa aos anos calendário de 2006 e 2007, de que resultaram Autos de Infração, lavrados com vistas à constituição de crédito tributário. A lavratura do presente Auto de Infração ocorre em razão de ter sido constatado que o contribuinte JOBAST PRODUÇÕES CINEMATOGRÁFICAS LTDA auferiu, nos anoscalendário de 2006 e 2007, receitas em relação às quais o contribuinte, regularmente intimado, deixou de apresentar documentação que demonstrasse terem aqueles valores sido integralmente computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estavam sujeitos. Ao ser designado para executar o Mandado de Procedimento Fiscal 02201002009 008893 , o Auditor Fiscal responsável pela lavratura do Auto de Infração foi cientificado de que documentos internos da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus davam conta de indícios de irregularidades fiscais para o período objeto de fiscalização, haja vista a existência de indicadores de obtenção de receitas, por parte da empresa fiscalizada, em valores superiores aos que haviam sido submetidos à tributação. A fiscalização iniciouse em 14/01/2010, momento em que o contribuinte foi intimado a apresentar livros e documentos, para que a Fiscalização pudesse ter esclarecimentos acerca da atividade econômica da empresa. A empresa, por meio de Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007, optou por submeterse à forma de tributação baseada no Lucro Presumido, lucro esse calculado pelo regime de competência. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10283.720526/201014 Resolução nº 1301000.160 S1C3T1 Fl. 8 7 O procedimento de auditoria fiscal realizado junto à empresa JOBAST PRODUÇÕES CINEMATOGRÁFICAS LTDA centrouse na apuração dos valores brutos das operações de prestação de serviços realizadas pela empresa, operações essas que a Fiscalização constatou terem sido amparadas por Notas Fiscais emitidas pela empresa. Mediante tal procedimento de auditoria, constatouse que, no periodo objeto de fiscalização, a empresa auferiu receitas cujos valores não foram integralmente computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estavam sujeitos. Assim, com vistas à constituição de crédito tributário, a Fiscalização procedeu à apuração das bases de cálculo e dos valores devidos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) , Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) , mediante a utilização da sistemática aplicável às empresas cuja tributação fazs e no regime de Lucro Presumido. Durante o procedimento fiscal, a empresa, por meio de 04 (quatro) Declarações enviadas ao Fisco (Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais/DCTF, relativas ao 1o e ao 2o s e m e s t r e s dos anoscalendário de 2006 e 2007 ), confessou débitos referentes ao período fiscalizados, mas tais Declarações deixaram de ser consideradas na apuração do crédito ributário objeto do presente Auto de Infração, pois a empresa não dispunha do instituto da espontaneidade. (Destaque nossso) A específica peculiaridade da tributação incidente sobre as atividades desenvolvidas pela contribuinte, vale destacar, não passou despercebida pela decisão de primeira instância, apenas ressaltando que, na específica situação dos presentes autos, a contribuinte não teria apresentado provas suficientes e/ou adequadas para a comprovação dos apontados repasses. Eis o enfrentamento específico da matéria realizada pela decisão recorrida: Concordo com os argumentos apresentados pela Impugnante, os quais demonstram que na tributação de empresas que tem como atividade publicidade e propaganda, podem ser excluídas das bases de cálculos do lucro presumido, da CSLL, do PIS e da COFINS, as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio e televisão, jornais e revistas. No entanto, compulsando os autos, verificamos está correta a tributação, ora direcionada, pela Fiscalização, pois, o Razão, anexo aos autos nas fls. 102/103, demonstra que as receitas a serem oferecidas à tributação estão contabilizadas na conta de resultado, n° 311010022. E foram estes valores que deram suporte ao lançamento fiscal. Logo, as bases de cálculos foram as indicadas pelo Contribuinte em sua contabilidade e nos demonstrativos de fls. 60/75. Ademais, a Impugnante não apresentou, em sua Impugnação, documentos comprobatórios (hábeis e idôneos) de seus argumentos indicando que parte destas receitas foram repassadas às empresas de divulgação. Ou melhor, para tanto indicaria a receita a que faria jus, e as repassadas às empresas de comunicações. Logo, correta a tributação. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10283.720526/201014 Resolução nº 1301000.160 S1C3T1 Fl. 9 8 A par dessas considerações fáticas, verificase que, conforme apontado, o procedimento adotado pela fiscalização limitouse, exclusivamente, à apuração dos valores globais relativos às notas fiscais emitidas pela empresa no período fiscalizado e a sua confrontação com as informações por ela apresentadas em sua DIPJ e DCTF (originais), não considerando as retificações realizadas (porque promovidas no período em que ela já se encontrava sujeita à fiscalização), bem como ainda qualquer outra informação de sua contabilidade. Aliás, na análise dos argumentos adotados pela fiscalização, causa espécie a referência expressamente contida no relatório apresentado no sentido de que o agente da fiscalização teria sido “cientificado por meio de documentos internos daquela Delegacia”, documentos esses que, vale ressaltar, não se encontram nos presentes autos, não merecendo, portanto, qualquer consideração especificamente a ela relacionada. Assim, a razão fundamental da autuação efetivada, pelo que se observa, é tão somente a existência da diferença entre os valores (globais) das notas fiscais emitidas pela contribuinte e aqueles então registrados em suas declarações prestadas à fiscalização como sendo o valor das receitas por ela auferidas, não se verificando, a esse respeito – ao menos até antes da decisão de primeira instância , qualquer solicitação, pela fiscalização, de informação a respeito da existência ou não dos repasses realizados pela autuada ou mesmo a respeito da forma de contabilização por ela realizada. A contribuinte, intimada da autuação efetivada, apresentou então a sua IMPUGNAÇÃO, destacando as peculiaridades próprias das atividades das agências de propagandas, e a impossibilidade de consideração do valor global das notas fiscais por ela emitidas como sendo o valor total da base tributável, sobretudo ante o específico tratamento normativo que, como já dito, prevê a perfeita possibilidade da dedução dos valores dos repasses realizados, sendo, portanto, limitada e deficiente a apuração realizada no lançamento apresentado. Nesse ponto, verificase que a defesa da contribuinte não se vincula à simples consideração da “possibilidade de dedução dos valores repassados”, mas sim, especificamente, às peculiaridades do tratamento tributário a ela conferida, tema esse que, de fato, não foi observado pela fiscalização quando do lançamento efetivado. A DRJ, por sua vez, apreciando as razões trazidas pela IMPUGNAÇÃO, destaca a impossibilidade de admissão dos argumentos da contribuinte, sobretudo porque, conforme destacado, não teria ela efetivamente demonstrado a realização das apontadas transferências, e, nem tampouco, indicado quais seriam, então, as específicas bases tributáveis dos períodos fiscalizados, simplesmente rejeitando, assim, como se verifica, os argumentos trazidos em defesa pela autuada. Ora, a partir do cotejo desses simples elementos fáticos contidos nos autos, verifico que a autuação, em momento algum, voltase contra a ausência de comprovação, pela contribuinte, da efetivação dos repasses para as empresas de publicidade e propaganda, mas sim, simplesmente, da diferença entre o valor das notas fiscais emitidas e os montantes informados em suas Declarações Fiscais (DIPJ. DCTF) como sendo o valor da renda tributável, não se promovendo, a esse respeito, qualquer maior investigação em relação aos critérios aplicáveis à contribuinte ou às circunstâncias específicas a que então estaria sujeita. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10283.720526/201014 Resolução nº 1301000.160 S1C3T1 Fl. 10 9 Aliás, pelo que se verifica, em momento algum, antes da autuação efetivada, foi a contribuinte intimada a apresentar explicação ou mesmo fundamento para a diferença apurada pela fiscalização, sendo certo, também, que ao contrário do que afirmado na autuação, a contribuinte atendeu às intimações realizadas, apresentando, especificamente, a documentação exigida. Se a documentação apresentada não era suficiente ou, ainda, se da sua análise remanescia maior necessidade de investigações pelos agentes da fiscalização, deveriam eles então aprofundar as suas análises, e não, simplesmente, rejeitar toda e qualquer manifestação apresentada pela contribuinte e, assim, promover o lançamento, da forma como então especificamente efetivado. A partir dessas considerações, entendo, nesse particular, caber razão à recorrente, sobretudo porque, conforme aqui apontado, as análises promovidas pelos agentes da fiscalização não se atentaram para as específicas peculiaridades do regime tributário a que se encontra ela submetida, não promovendo as necessárias apurações relativas aos montantes específicos dos repasses por ela promovidos aos chamados veículos de mídia, simplesmente desconsiderando, ao que tudo indica, as disposições do Art. 651 do RIR/99. Em face dessas considerações, apresentadas as razões perante o colegiado, restou então definido pela necessidade de diligência fiscal específica, no sentido de apurar o montante efetivamente repassado pela contribuinte aos respectivos veículos de mídia, no sentido de apurar, de fato, a existência ou não de valores devidos e não recolhidos pela empresa naquele específico exercício. Diante disso, encaminho o meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, no sentido de requerer aos doutos agentes da fiscalização fazendária que promovam a análise dos registros e documentos mantidos pela contribuinte/recorrente, no sentido de efetivamente apurar os valores por ela objetivamente pagos às empresas de mídia a que aqui faz referência, apurando, ao final, a existência, ou não, de valores devidos e não pagos naquele específico exercício. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 616DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10480.006433/00-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/2002
RESSARCIMENTO DE IPI. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto, importa em renúncia à discussão no processo administrativo, por concomitância, e impede a apreciação das razões de mérito pela Autoridade Administrativa a quem caberia o julgamento.
CRÉDITOS DE IPI. CONCEITO DE INSUMOS.
Nos termos da legislação do IPI, o aproveitamento de créditos do imposto só é possível na aquisição de insumos, assim entendidos, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Estão excluídos deste conceito produtos que não guardem qualquer correspondência com o processo produtivo.
RESSARCIMENTO DE IPI. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Nos termos do art. 333 do CPC, cabe ao contribuinte o ônus da prova da existência de crédito alegado. Não há como reconhecer direito creditório, sem que o contribuinte demonstre a origem dos valores solicitados.
CRÉDITOS DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa Selic a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto, importa em renúncia à discussão no processo administrativo, por concomitância, e impede a apreciação das razões de mérito pela Autoridade Administrativa a quem caberia o julgamento. CRÉDITOS DE IPI. CONCEITO DE INSUMOS. Nos termos da legislação do IPI, o aproveitamento de créditos do imposto só é possível na aquisição de insumos, assim entendidos, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Estão excluídos deste conceito produtos que não guardem qualquer correspondência com o processo produtivo. RESSARCIMENTO DE IPI. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Nos termos do art. 333 do CPC, cabe ao contribuinte o ônus da prova da existência de crédito alegado. Não há como reconhecer direito creditório, sem que o contribuinte demonstre a origem dos valores solicitados. CRÉDITOS DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa Selic a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 64 33 /0 0- 03 Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.006433/0003 Acórdão n.º 3301002.166 S3C3T1 Fl. 1.520 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.006433/0003 Acórdão n.º 3301002.166 S3C3T1 Fl. 1.521 3 Relatório Por economia processual e por bem descrever os fatos até aquele momento adoto o relatório, abaixo transcrito, elaborado por ocasião do Acórdão recorrido nº 1132.758 da 6ª Turma da DRJ/Recife. A empresa em epígrafe pleiteou, com fundamento no artigo 11 da Lei nº 9.779, de 1999, ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, no valor de R$ 15.966.109,38, que teriam sido apurados no período compreendido entre janeiro de 1990 e dezembro de 2002, conforme documentos anexados as fls. 01 e 774, tendo requerido, ainda, a compensação desses créditos com débitos próprios e de terceiros. Consta dos autos, às fls. 999/1055, vasta documentação relativa à Ação Judicial — Apelação Cível N° 276055 PE (2000.83.00.0129859) — impetrada pela requerente junto à Justiça Federal em Pernambuco, de onde se extrai a seguinte ementa: "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IPI. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO RELATIVO A. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, INSUMOS E MATERIAL DE EMBALAGEM UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS SUJEITOS AO REGIME DA ALÍQUOTA ZERO. PRINCIPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. 0 direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao regime de aliquota zero encontra respaldo no principio constitucional da nãocumulatividade, que visa a impedir, em última análise, o repasse integral dos encargos financeiros do tributo para os preços dos bens industrializados." (fls. 1007) Às fls. 1055/1066 e 1075, constam anexados Termos de Informação Fiscal onde se conclui pela inexistência dos créditos vindicados. Nos referidos documentos fiscais é feita análise das circunstâncias atinentes ao pleito formulado, sendo apresentadas algumas conclusões que podem ser assim sintetizadas: i) Em vista do que se encontra expressamente assentado na decisão judicial em tela, a validade formal e substancial do pleito deve ser objeto de exame do Fisco. ii) Os créditos alegados como decorrentes das aquisições, realizadas no período de 1990 a 2002, de insumos não tributados e de aliquota zero foram calculados sem o amparo da legislação pertinente e da jurisprudência sobre a matéria, mediante a injustificável aplicação dos percentuais de 8%, 15% e 50% sobre o valor das aquisições. iii) Os créditos alegados como decorrentes de insumos tributados estão em desacordo com o disposto no art. 82, inciso IX do RIPI/82 e no art. 148 do RIPI/98 (atual art. 165 do RIPI/2002), além de referiremse a materiais de consumo adquiridos de contribuinte varejista, não contribuinte de IPI, e destinaremse à manutenção de máquinas e equipamentos. Fl. 2170DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.006433/0003 Acórdão n.º 3301002.166 S3C3T1 Fl. 1.522 4 iv) Não existe previsão legal para correção monetária e juros SELIC, a serem calculados sobre créditos de IPI. Por meio do Despacho Decisório de fl. 1076, o Delegado da Receita Federal em Recife/PE, tendo como fundamento as conclusões relatadas nos Termos de Informação Fiscal acima mencionados, indeferiu o pleito formulado e determinou o cancelamento de todas as operações de compensação e respectivos DCCs — Documentos Comprobatórios de Compensação — efetuadas com base nos créditos considerados inexistentes. Inconformado com a decisão administrativa, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1135 a 1152, onde apresenta, resumidamente, as seguintes razões de discordância: Questiona o cancelamento das compensações requeridas, em função do pleito contido na ação judicial por ela impetrada, o qual teria sido deferido no sentido de confirmar o direito creditório a seu favor, o que terminou por viabilizar a apresentação do presente pedido e a efetivação das referidas compensações. Sustenta que as compensações (DCCs) jamais poderiam ser canceladas por meio de ato unilateral da autoridade administrativa e sim, somente, com autorização judicial. Passa a defender a legitimidade do direito ao crédito do IPI, mesmo nos casos em que os insumos adquiridos são desonerados do imposto, alegando que tanto o IPI quanto o ICMS são regidos pelo principio da nãocumulatividade, a teor do disposto no art. 153, § 3º, II da Constituição Federal. Argumenta que, diferentemente do que ocorre com o ICMS, a nãocumulatividade constitucional, quanto ao aproveitamento de créditos relativos ao IPI, é ampla e incondicional, não comportando restrições, conforme inteligência do art. 155, inc. II, § 2°. A respeito do tema, transcreve excerto doutrinário e faz uso de ementas de julgados judiciais e administrativos que apontam no sentido de garantir o direito ao crédito do IPI na aquisição de insumos desonerados do imposto. Expõe que a edição do art. 11 da Lei n° 9.779/99, teria sido efetivada com o intuito de dirimir as dúvidas porventura existentes em relação à manutenção dos créditos de IPI e que tal dispositivo legal seria parte de uma política de desoneração tributária visando ao equilíbrio da economia nacional. Afirma que a IN SRF n° 21/97 resguardaria o creditamento decorrente de estímulos fiscais na área do IPI e critica o termo de informação que embasou a decisão combatida, assim como o trabalho realizado pelo Fisco, por não terem sido quantificados os créditos, relativos aos insumos desonerados, reconhecidos em favor da empresa. Alega também que a decisão do Delegado da DRF/Recife, além de abusiva e ilegal, teria enveredado de forma impertinente pela rediscussão a respeito da existência do crédito, a qual já estaria, segundo sua ótica, consagrada. Volta a defender o direito ao crédito do imposto relativo aos insumos utilizados na produção, fazendo uso novamente de ementas de julgados judiciais e transcrevendo trecho do Parecer Normativo CST n° 65/79. Aduz que aplicou sobre os insumos desonerados, em relação aos quais reivindica o direito creditório, as mesmas aliquotas que haveriam de incidir sobre o produto final, o que seria respaldado pela legislação de regência. Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.006433/0003 Acórdão n.º 3301002.166 S3C3T1 Fl. 1.523 5 Fazendo uso de excertos de julgados administrativos e judiciais e de entendimento expresso em parecer da AGU (o qual é transcrito parcialmente, porém sem identificação) e na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR N° 08/1997, defende a incidência de correção monetária sobre os créditos em discussão, em vista de ser, segundo afirma, consectário legal indissociável do referido direito creditório. Quanto ao assunto, alega ainda que a não atualização dos créditos constituiria enriquecimento ilícito da União. Sustenta também a aplicação dos juros SELIC sobre os valores concernentes aos créditos em questão. Mais uma vez, para fortalecer a tese esposada, faz uso de julgados judiciais e do conselho de contribuintes. Por fim, requer a reforma do despacho guerreado, no sentido de que sejam ressarcidos os créditos pleiteados e mantidas as compensações efetivadas em face da decisão judicial prolatada nos autos da Apelação Cível n° 276055PE (2000.83.00.0129859). A unidade de origem, por entender intempestivo o instrumento de defesa apresentado pelo contribuinte em 07/04/2004, emitiu Termo de Revelia (fl. 1207), ao qual se seguiu requerimento do contribuinte que se presta a argüir a tempestividade da manifestação originalmente apresentada (fls. 1338/1343), despacho do Delegado da DRF/Recife (fls. 1388/1389), por meio do qual se ratificou a intempestividade anteriormente apontada, seguindose do recurso de fls. 1394/1399, por intermédio do qual o interessado volta a contestar a emissão do referido termo de revelia e, conseqüentemente, a suscitar a tempestividade da sua manifestação de inconformidade. É o que importa relatar. Analisando referida manifestação de inconformidade a 6ª Turma da DRJ/Recife proferiu o Acórdão de nº 1132.758, de 28/01/2011, cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITOPRÊMIO. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto, importa em renúncia à discussão no processo administrativo, por concomitância, e impede a apreciação das razões de mérito pela Autoridade Administrativa a quem caberia o julgamento. CRÉDITOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. Somente poderão ser objeto de compensação os créditos do contribuinte reconhecidos por decisão judicial com trânsito em julgado. RESSARCIMENTO. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. INSUMOS. Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.006433/0003 Acórdão n.º 3301002.166 S3C3T1 Fl. 1.524 6 Apenas os créditos oriundos das aquisições de insumos compreendidos nos conceitos estabelecidos pela legislação do IPI como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem são passíveis de ressarcimento. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste amparo legal para a incidência de atualização monetária calculada pela variação da taxa Selic sobre ressarcimento de créditos de 1PI, sendo esta hipótese distinta de restituição de tributo pago indevidamente ou a maior. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/2002 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. TEMPESTIVIDADE. Tendo ficado provado nos autos que a manifestação de inconformidade foi apresentada dentro do prazo regulamentar previsto no PAF, é de se considerála tempestiva. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com citada decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual repete basicamente as mesmas questões trazidas em sede da manifestação de inconformidade e que podem assim ser resumidas: A Recorrente obteve decisão judicial reconhecendo o seu direito ao crédito de IPI, nos autos da Ação Ordinária n° 2000.83.000129859, na qual foi proferida sentença concessiva da segurança, que restou confirmada pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 5° Região. Porém que em 30/11/2009, para efeito do que dispõe a MP nº 470/09, apresentou renúncia parcial do direito, tão somente em relação aos créditos de IPI decorrentes de insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados; defende que o seu direito creditório advém do princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI, nos termos do art. 153, § 3º, II da CF; defende que o prazo para repetição de indébito é de dez anos contados do fato gerador do tributo, citando jurisprudência judicial neste sentido; que a Lei nº 9.779/99 tem aplicação retroativa, pois ela simplesmente teria ratificado a prática adotada em obediência ao princípio constitucional da não cumulatividade, portanto o contribuinte teria direito ao aproveitamento de créditos de IPI antes de janeiro/1999; que a IN SRF nº 33/99, por ser ato infralegal, não teria competência para desconstituir, limitar ou extinguir direito garantido na Constituição Federal; Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.006433/0003 Acórdão n.º 3301002.166 S3C3T1 Fl. 1.525 7 que a IN SRF nº 41/00, proibiu ilegalmente o aproveitamento de créditos para compensação com débitos de terceiros. Cita excerto doutrinário e jurisprudência judicial para defender que esta IN não poderia ter revogado o art. 15 da IN SRF nº 21/97, pois violaria o § 2º do art. 1º do DecretoLei nº 491/69 e o art. 179 do Decreto nº 2.637/98 (Regulamento do IPI); cita jurisprudência judicial, inclusive relativa ao ICMS, defendendo a tese de que seus produtos estariam inseridos na categoria de insumos, sendo legítimo o aproveitamento de créditos de IPI; cita jurisprudência administrativa, judicial e até um Parecer da AGU, no sentido de validar o seu entendimento a respeito do direito à incidência da correção monetária sobre os valores do crédito de IPI a que teria direito; solicita também a incidência da taxa Selic e por fim a anulação das decisões denegatórias de seu direito creditório. É o relatório. Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.006433/0003 Acórdão n.º 3301002.166 S3C3T1 Fl. 1.526 8 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e por isto, dele tomo conhecimento. Em relação à discussão sobre o mérito do direito de crédito de IPI, a decisão recorrida não conheceu da matéria por entender que há concomitância com o processo judicial nº 2000.83.00.0129859, pelo qual o contribuinte buscou a tutela judicial para creditarse e ser ressarcido do IPI oriundo da aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos com alíquota zero do tributo. Em seu recurso o contribuinte, apesar de repudiar como um todo a decisão recorrida, acaba concordando com esta conclusão. Concorda com a existência da ação que lhe teria proferido sentença concessiva da segurança e que esta teria sido confirmada pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 5ª Região. De fato o contribuinte discute judicialmente o direito de creditamento de IPI e as matérias objetos do litígio judicial podem ser conferidas no relatório e voto proferido pelo Desembargador Relator Castro Meira, fl. 1000/1001, e que resumo da seguinte forma: o objeto da ação é o aproveitamento de créditos de IPI relativos à aquisição de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos sujeitos ao regime de alíquota zero. Discutese, neste sentido, o direito de aproveitamento daquele crédito em data anterior à vigência da Lei nº 9.779/99 e também o prazo prescricional de dez anos para a efetivação do pedido de restituição/ressarcimento. O contribuinte havia obtido decisão favorável ao seu pedido. A União apelou, o que resultou em um primeiro julgamento no TRF5 com sentença cuja ementa transcrevese abaixo, fl. 1007: "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IPI. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO RELATIVO A. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, INSUMOS E MATERIAL DE EMBALAGEM UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS SUJEITOS AO REGIME DA ALÍQUOTA ZERO. PRINCIPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. 0 direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao regime de aliquota zero encontra respaldo no principio constitucional da nãocumulatividade, que visa a impedir, em última análise, o repasse integral dos encargos financeiros do tributo para os preços dos bens industrializados. Apelação e remessa oficial improvidas.” Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.006433/0003 Acórdão n.º 3301002.166 S3C3T1 Fl. 1.527 9 Houve a apresentação de Recurso Especial e Extraordinário, sendo que o STJ, determinou o sobrestamento dos recursos, tendo em vista o reconhecimento da existência de repercussão geral no RE 562.980/SC, cuja matéria tratada é idêntica à deste processo. Posteriormente, como o próprio contribuinte admite em seu recurso voluntário, houve renúncia, por parte da recorrente, ao direito relativo aos créditos de IPI decorrentes das aquisições de insumos sujeitos à alíquota zero e não tributados. Em 08/07/2011 foi publicado Acórdão por meio do qual a Primeira Turma do TRF/5ª Região, em juízo de retratação, alterou a decisão anterior, cuja ementa trascrevese abaixo: EMENTA: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. CREDITAMENTO DE IPI.PRAZO PRESCRICIONAL. QÜINQÜENAL. AJUIZAMENTO DA AÇÃO. ENTENDIMENTO UNÍSSONO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ENTRADA TRIBUTADA. PRODUTO FINAL ISENTO. PRINCIPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 153, PARÁGRAFO 3º, INCISO II, DA CF/88. PRESSUPOSTO. ENTRADA E SAÍDA TRIBUTADA. INCENTIVO FISCAL. ART. 150, §6º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. LEI Nº 9.779/99. APLICAÇÃO RETROATIVA. NÃO CABIMENTO. DIREITO SUPERVENIENTE. ENTENDIMENTO FIRMADO PELO PRETÓRIO EXCELSO NO RE 562.980/SC. 1. A Primeira Seção do STJ firmou entendimento no sentido de que a prescrição dos créditos fiscais decorrentes do creditamento de valores de IPI, originados da tributação à alíquota zero ou da ausência de tributação de matériasprimas e insumos é qüinqüenal, sendo atingidas as parcelas anteriores aos cinco anos que precederam a propositura da ação, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32. 2. O princípio da nãocumulatividade tem por fim evitar que sobre o mesmo produto ocorra a incidência do imposto em cascata, onerando, assim, a cadeia produtiva por incidência sucessiva de tributação. Destarte, o figurino constitucional apenas denota o caráter não cumulativo do imposto que se traduz no abatimento do valor devido do IPI em cada operação com o tributo pago nas operações anteriores. Tal princípio, entrementes, não autoriza a compensação do crédito do contribuinte que não puder abater o IPI devido na saída dos produtos, quando, a exemplo do caso dos autos, a operação de entrada é tributada (aquisição de insumos sujeitos ao pagamento de IPI) e o produto final é isento. 3. O sistema da nãocumulatividade, previsto no art. 153, §3º, II, da Constituição Federal, pressupõe a incidência de IPI nas operações de entradas de insumos necessários ao processo de industrialização, bem como na operação de saída. 4. O direito ao aproveitamento do crédito de IPI em casos em que a operação de saída é isenta não emana da Constituição Federal, ao invés, revelase como inegável incentivo fiscal. E por se tratar de incentivo fiscal fezse necessária a edição de lei Fl. 2176DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.006433/0003 Acórdão n.º 3301002.166 S3C3T1 Fl. 1.528 10 ordinária autorizando o contribuinte compensar o crédito resultante de tributo pago e não compensado na saída do tributo, sob pena de se afrontar o § 6º do art. 150 da Constituição Federal, o qual exige lei específica para a concessão de crédito presumido de IPI. 5. Apenas com o advento da Lei nº 9.779/99, assegurouse o aproveitamento do crédito de IPI na hipótese em que há recolhimento na operação de entrada (na aquisição de insumos sujeitos ao pagamento de IPI) e não há recolhimento na saída, porquanto o produto final é isento. 6. Abraçando a tese ora sufragada, o Plenário do Supremo Tribunal Federal pacificou a questão no Recurso Extraordinário nº 562.980/SC, de cuja ementa se extrai: “IPI CREDITAMENTO ISENÇÃO OPERAÇÃO ANTERIOR À LEI Nº 9.779/99. A ficção jurídica prevista no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 não alcança situação reveladora de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI que a antecedeu". (RE 562980, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 06/05/2009, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO PUBLIC 04092009) 7. Apelação e remessa oficial providas, em juízo de retratação, ex vi art. 543 B, do CPC. Juntei ao presente processo, o espelho do Resultado da Consulta Processual realizada em 21/01/2014, no sítio do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, bem como inteiro teor do Acórdão da sentença proferida pela Primeira Turma do TRF05 no processo judicial nº 2000.83.00.0129859, publicado em 08/07/2011, cuja ementa está acima transcrita. Pelo que consta até o momento, ainda não houve o trânsito em julgado do citado processo. Mas pelo que foi exposto é possível confirmar que há concomitância parcial do objeto de mérito discutido no presente processo, sendo acertada a decisão recorrida em estabelecer a concomitância de assuntos com o processo judicial. Assim restam como pontos controversos a serem conhecidos no presente recurso: 1) a quantificação de eventual crédito de IPI em favor do contribuinte em decorrência do saldo credor apurado, em face dos insumos adquiridos e utilizados no processo produtivo na fabricação de produtos isentos ou tributados à alíquota zero; 2) o conceito de insumos para fins de aproveitamento de créditos de IPI; 3) a incidência de correção monetária e de Juros Selic até a utilização dos créditos; QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO DE IPI O contribuinte efetuou dois pedidos de ressarcimento de IPI. O primeiro pedido relativo a créditos acumulados de IPI no valor de R$ 9.947.435,00 referentes aos Fl. 2177DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.006433/0003 Acórdão n.º 3301002.166 S3C3T1 Fl. 1.529 11 períodos de apuração de janeiro/1990 a dezembro/1999. O próprio contribuinte discriminou estes créditos da seguinte maneira: Decorrente de insumos tributados R$ 490.116,67 Decorrentes de insumos não tributados R$ 5.448.060,59 Decorrentes de insumos tributados com alíquota zero R$ 4.009.257,74 TOTAL R$ 9.947.435,00 Como se vê da própria afirmação do contribuinte no recurso voluntário e também do processo judicial já citado, o contribuinte renunciou da discussão a respeito dos créditos decorrentes de insumos não tributados e de alíquota zero. Vêse portanto, que restam em discussão, deste primeiro pedido a quantia de R$ 490.116,67. No segundo pedido de ressarcimento em exame no presente processo, o contribuinte solicita a quantia de R$ 6.018.674,38, relativos aos períodos de apuração de fevereiro/2000 a fevereiro/2002, assim discriminados: Decorrente de insumos tributados R$ 12.540,35 Decorrentes de insumos não tributados R$ 27.752,85 Decorrentes de insumos tributados com alíquota zero 2.202.334,85 SUBTOTAL R$ 2.242.628,05 Decorrente de “complemento de processos” R$ 3.776.046,33 TOTAL GERAL R$ 6.018.674,38 Com a renúncia no processo judicial dos créditos decorrentes de insumos não tributados e tributados com alíquota zero, restou para análise o valor de R$ 12.540,35 referentes a créditos com insumos tributados e R$ 3.776.046,33 de créditos de IPI decorrente de “complemento de processos”. CRÉDITO DECORRENTE DE INSUMOS TRIBUTADOS Na análise deste ponto primeiramente o Termo de Informação Fiscal, fl. 1056/1067 (1179/1190 numeração digital), destaca que estes produtos estão relacionados no anexo III e são os seguintes: ANEXO III: 7320.90.00 Molas de Aço; 7318.14.00 Parafusos; 8311.10.00 Eletrodos; 8708.31.10 Discos de Freio; 8482.80.00 Rolamentos; 7318.16.00 Porcas; 8473.30.39 Cartucho; 8535.10.00 Fusíveis; 8421.23.00 Filtros; 8536.30.00 Contatos; 8409.99.13 Injetor; 8424.90.90 Mangote; 6812.90.10 Gaxetas; 8413.19.00 Bombas; 4010.19.00 Correias; 6813.90.90 Lona de Freio; 2715.00.00 óleos Lubrificante; Fl. 2178DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.006433/0003 Acórdão n.º 3301002.166 S3C3T1 Fl. 1.530 12 3823.90.00 Antiespumantes; 7208.90.00 Cabo de Aço; 2208.20.20 aguardente; 8409.91.90 Cabeçotes; 7318.16.00 Arruelas; 4011.20.90 Pneumáticos; 4013.90.00 Câmaras de Ar e outros produtos da mesma natureza, ou seja, destinados a manutenção de máquinas e equipamentos. Aqui, neste momento, a quantificação do crédito depende antes de verificar se os produtos apresentados nas notas fiscais de aquisição são efetivamente insumos para fins de apuração de crédito de IPI. Portanto entramos já no segundo mérito das contravérsias a serem apreciadas no presente recurso. Foi constatado que a contribuinte industrializa os seguintes produtos: AEHC (Álcool Etílico Hidratado) TIPI 2207.10.00 Ex 01 (NT – não tributado); AHOF (Álcool Hidratado p/ outros fins) TIPI 2207.10.00 Alíquota zero; Aguardente de Cana – TIPI 2208.40.00 – tributado à alíquota positiva, porém sua saída do estabelecimento industrial davase com suspensão do imposto por força do disposto no art. 36, IV, do RIPI/82; art. 41 do RIPI/98 e art. 43 do RIPI/2002. Para fabricação destes produtos, a informação fiscal citada, concluiu, in verbis: (...) Por sua vez, os créditos relativos aos insumos identificados como tributados pelo IPI foram calculados aplicandose sobre o valor de aquisição a aliquota a que o produto estava sujeito. Acontece que os produtos listados no ANEXO III, na realidade, dizem respeito a materiais de consumo destinados à manutenção de máquinas e equipamentos, adquiridos de comerciante varejista, sem destaque de IPI. Os créditos calculados sobre essas aquisições estão em desacordo com a legislação do IPI. Na fabricação de alcoóis e aguardentes, produtos como mola de aço, pneumáticos, lona de freio, porca, parafuso etc., não são considerados matéria – prima nem produto intermediário. Para a legislação do IPI, matériaprima é o insumo queintegra o produto final. Produto intermediário é o insumo que, embora não integrando o produto final, se desgasta em razão de seu contato direto com os produtos em fabricação. (...) O único produto informado que poderia ser considerado matériaprima seria a “caninha” para a fabricação de aguardente de cana, porém, de acordo com a informação fiscal, ela teria sido adquirida com suspensão do imposto, ou seja, sem valor destacado e pago de IPI. No seu recurso voluntário o contribuinte não contesta a acusação fiscal de que as notas fiscais de aquisição destes produtos foram emitidas por comerciantes varejistas, sem destaque do IPI. Limita a citar jurisprudências judiciais, que são genéricas a respeito do produto ou insumo analisado, para tentar validar a tese de que os seus produtos listados Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.006433/0003 Acórdão n.º 3301002.166 S3C3T1 Fl. 1.531 13 encaixariam como produtos intermediários, assim entendidos como aqueles que apesar de não integrar o produto final, seriam consumidos no processo produtivo. Para ter direito a crédito de IPI, o RIPI/2002, no art. 164, inc. I, dispositivo este já contemplado nas edições anteriores do regulamento do IPI, assim dispunha: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n°4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que. embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Entendo conveniente citar também um trecho do Parecer Normativo CST nº 65/79, cujas conclusões adoto, dando o meu entendimento da correta interpretação do dispositivo legal acima transcrito. (...) 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos 'que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização', para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em 'incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários', é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’ semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão 'consumidos' sobretudo levandose em conta que as restrições 'imediata e integralmente', constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo". (...) Desta forma não há como acatar os produtos listados no anexo III, acima citados, como insumos a gerarem crédito de IPI, pois não guardam qualquer verossimilhança dentro do processo produtivo de álcool e aguardente, a exemplo de pneumáticos, molas de ação, etc. Acrescento ainda que além de não se encaixarem no conceito de insumos, também não foram cumpridos os requisitos de gerarem crédito de IPI, pois na operação de compra não foram onerados pelo tributo. Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.006433/0003 Acórdão n.º 3301002.166 S3C3T1 Fl. 1.532 14 Voltando à quantificação do crédito, resta analisar o pedido de ressarcimento de R$ 3.776.046,33, constante do quadro acima sob o título de “complemento de processos”. A autoridade administrativa que negou o ressarcimento afirmou que o contribuinte não apresentou comprovação deste valor, além de nada ter esclarecido sobre a sua origem e fundamento. Tanto em sua manifestação de inconformidade, como no recurso voluntário, o contribuinte não dedica uma linha a prestar esclarecimentos a respeito da composição deste valor. Nos institutos da restituição, ressarcimento e compensação, embora sejam direitos garantidos ao contribuinte, nas hipóteses previstas em lei, cabe a ele demonstrar e fazer prova do direito creditório. Nos termos do inc. I do art. 333 do CPC, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto à existência de fato constitutivo do seu direito. Portanto, considero corretos o despacho decisório e o acórdão recorrido, ao negarem o direito creditório tendo em vista os seguintes aspectos: que não há previsão legal para reconhecimento de créditos decorrentes de insumos não tributados e com alíquota zero. Neste sentido, em âmbito judicial, o contribuinte até já renunciou a este direito; que embora exista previsão legal para o aproveitamento de créditos de IPI na aquisição de insumos tributados, não foram comprovados a existência de créditos a este título pelo contribuinte, sendo que os produtos apresentados a este título não se encaixam no conceito legal de insumos perante a legislação do IPI; que não foram comprovados o direito creditório intitulado pelo contribuinte como “complemento de processos”. O contribuinte sequer teve o trabalho de explicar a origem e natureza deste crédito. CORREÇÃO MONETÁRIA Embora tenha concluído pela inexistência de crédito de IPI a ser ressarcido ao contribuinte, reputo correto também o acórdão recorrido ao decidir pela inexistência de base legal para acréscimos de correção monetária e juros Selic no ressarcimento de IPI. A partir de 1º de janeiro de 1996, a Lei nº 9250/95 estabeleceu a incidência de juros equivalentes à taxa Selic sobre o valor a ser restituído ou compensado, em face da ocorrência de pagamento a maior ou indevido, que não é o caso dos presentes autos, ou seja, não existe previsão legal para incidência de correção monetária e de juros Selic nos casos de ressarcimento de IPI. Nesta situação também não se aplica a matéria já pacificada pelo E. Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil), pois na circunstância o STJ julgou no sentido de não haver correção monetária, em regra, nos créditos escriturais, mas em havendo ilegítima resistência do Fisco em aceitar créditos legítimos de IPI, tais créditos deixam de ser escriturais, e passam a sofrer incidência de atualização monetária. Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.006433/0003 Acórdão n.º 3301002.166 S3C3T1 Fl. 1.533 15 Vejamos o entendimento do Tribunal no Acórdão do REsp. 1.035.847 – RS (os negritos são nossos): PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Não vislumbro no presente processo que tenha havido resistência ilegal à utilização de créditos de IPI. A própria decisão judicial que, em princípio, reconhecia direito ao crédito de IPI, ressaltou que a utilização destes créditos estavam sujeitos à verificação por parte da Receita Federal, quanto à sua correta apuração, nos termos da legislação do IPI. Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.006433/0003 Acórdão n.º 3301002.166 S3C3T1 Fl. 1.534 16 Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10425.720041/2010-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 00 41 /2 01 0- 69 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) em que utiliza crédito decorrente de ressarcimento de PIS apurado no regime não cumulativo, cujo saldo corresponde ao segundo trimestre de 2006. Despacho Decisório do DRF/Campina Grande/PB indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720041/201069 Acórdão n.º 3803006.166 S3TE03 Fl. 226 3 A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente aos débitos declarados na DCOMP, as compensações não serão homologadas, implicando a cobrança dos valores indevidamente compensados, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS (próprio), que compõe o preço da mercadoria, integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS, que é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia (art. 1º, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.637/2002). RECEITA BRUTA DAS VENDAS DE BENS E SERVIÇOS. CONCEITO LEGAL. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, não se incluindo as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (art. 31, caput e parágrafo único, da Lei nº 8.981/95). ICMS. “DESTAQUE” MERAMENTE INFORMATIVO. O ICMS ao contrário do IPI, por disposição legal (art. 13, § 1º e inciso I da Lei Complementar nº 87/96), incide “por dentro” do valor da mercadoria e não é cobrado de forma destacada do comprador, constituindo a informação do seu valor na Nota Fiscal mera indicação para fins de controle. Cientificada da decisão em 22 de agosto 2012 irresignada, apresentou recurso voluntário em 31 de agosto de 2012, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720041/201069 Acórdão n.º 3803006.166 S3TE03 Fl. 227 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720041/201069 Acórdão n.º 3803006.166 S3TE03 Fl. 228 7 A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal tem como sujeito passivo o vendedor. 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Ademais, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 232DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10580.720939/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello, relator. - Relator.
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 09 39 /2 00 9- 19 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello, relator. Relator. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720939/200919 Acórdão n.º 2802002.803 S2TE02 Fl. 128 3 EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2 e ss.), relativo ao IRPF, exercícios de 2005 a 2007, em razão de suposta classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Esclareçase que tratase de rendimentos recebidos em razão da Lei complementar estadual baiana de número 20/2003 e dizem respeito a diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração da contribuinte de Cruzeiro Real para URV, pagas mensalmente de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. A Lei estadual em comento estabeleceu a sistemática de pagamento de tais parcelas em virtude da objeto da Ação Ordinária de nº140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias n.. 613 e 614. Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 38 e ss., aos seguintes fundamentos: (i) que os rendimentos em questão são isentos de tributação, por seu caráter indenizatório, não havendo a mencionada classificação indevida de rendimentos; (ii) que o dever de retenção do tributo era da fonte pagadora e não da contribuinte; (iii) que a fonte pagadora levou a contribuinte, pelo demonstrativo que lhe forneceu, a classificar como isentos os rendimentos de que ora se trata, não se podendo imputar à mesma responsabilidade por tal fato; (iv) que a lei estadual supracitada expressamente apontou como de natureza indenizatória os valores de que aqui se trata e, se nisso há alguma impropriedade, é de responsabilidade do legislador estadual e não da contribuinte; (v) cita a legislação federal e requer, caso mantida a infração, que seja exonerada do pagamento da multa e de juros moratórios por não ter dado causa à situação de que aqui se trata; (vi) que a aplicação da alíquota vigente no momento da autuação, em caso de rendimentos recebidos a destempo acumuladamente com os rendimentos correspondentes ao mês trabalhado, é causa de nulidade do lançamento, de vez que deveria ter sido aplicada a alíquota vigente ao momento em que os rendimentos deveriam ter sido originariamente pagos e não o foram, bem como deveria ter sido levada em consideração a remuneração à época em que o pagamento deveria ter ocorrido para fins de apuração da base de cálculo do imposto; (vii) cita a jurisprudência de diversos tribunais, de tribunais superiores e do Supremo Tribunal Federal; (viii) cita a jurisprudência administrativa do CARF; Fl. 253DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 (ix) que tratase de receitas de tributo federal que, no entanto, devem permanecer nos cofres estaduais, pela distribuição das receitas tributárias, e se o próprio Estado legislou no sentido do caráter indenizatório de tais valores, renunciou a estas receitas; (x) que, sendo, segundo a jurisprudência, a União parte ilegítima para figurar em relação processual em que servidor estadual pretenda a isenção ou não incidência de IRRF, também não cabe à União exigir do Estado a retenção do imposto, se este não o fez; (xii) que também não há incidência de imposto de renda sobre juros moratórios e assim, ainda que se entenda devido o imposto sobre as diferenças em questão, não incide o mesmo sobre os juros moratórios pagos em razão do lapso temporal decorrido entre o momento em que o pagamento deveria ter sido feito e o momento do efetivo pagamento; (xiii) que o STF fez expedir a Resolução n.245/2002 em razão da qual os magistrados federais não sofreram a incidência do IR no recebimento de verbas de idêntica natureza, havendo violação do princípio da isonomia na tentativa de impor tal exação aos magistrados estaduais; (xiv) que não poderiam ser tributadas parcelas relativas a correção de valores recebidos a título de férias indenizadas e de 13o salário, pela natureza das verbas principais; (xv) que a pretensão do Fisco de receber o valor do imposto supostamente devido acrescido de multa e juros represente quebra do princípio da capacidade contributiva, por resultar em valor muito mais elevado a ser enfrentado pelo contribuinte. Em sessão realizada em 03 de março de 2011 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, a turma julgou PROCEDENTE em parte a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, fundamentando que os argumentos utilizados pelo contribuinte afirmando os atos estavam em acordo com a legislação estadual da Bahia não justificam o recolhimento indevido, pois, deve ser considerada a legislação federal. Quanto ao art. 3º da Lei Complementar 20/2003, do Estado da Bahia, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720939/200919 Acórdão n.º 2802002.803 S2TE02 Fl. 129 5 Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados ou Membros do Ministério Público do Estado da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Quanto ao não cabimento da tributação de verbas relativas à correção incidente sobre férias indenizadas e 13o salário, a DRJ acolheu a impugnação, desconstituindo em parte o auto de infração para adequálo às corretas alegações do contribuinte. Intimado da supramencionada decisão (fls.137), interpôs tempestivamente o recurso de fl.138, repisando argumentos esgrimidos na impugnação, no sentido de conduzirem todos ao cancelamento do lançamento, salvo quando argui que a DRJ não enfrentou a tese de ilegitimidade da União para exigência do imposto, o que exigiria o retorno dos autos à DRJ para novo julgamento, de forma a não haver supressão de instância. Em sessão de julgamento do dia 28 de setembro de 2011, determinouse o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010, e que ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Com a edição da portaria MF n° 545/2013, foi afastada a necessidade de sobrestamento, razão pela qual o feito é ora apresentado à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Voto Fl. 255DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão à Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720939/200919 Acórdão n.º 2802002.803 S2TE02 Fl. 130 7 Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais Neste sentido, o art. 2° da Lei Federal n° 10.477/02 assim dispôs: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. Já o art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõem: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Fl. 257DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei complementar do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Fl. 258DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720939/200919 Acórdão n.º 2802002.803 S2TE02 Fl. 131 9 Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 10 De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 35061.001237/2006-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/03/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. ALTERAÇÃO DO RITO PROCESSUAL. RECURSO ESPECIAL ANTERIOR À ALTERAÇÃO.
Não se conhece de Recurso Especial, quando posteriormente à sua interposição ocorre alteração legislativa, excluindo a apreciação da matéria pelo CARF, ressalvando-se que o não conhecimento do apelo não implica na validação da decisão esposada no acórdão recorrido.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.em exercício
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 20/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/03/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. ALTERAÇÃO DO RITO PROCESSUAL. RECURSO ESPECIAL ANTERIOR À ALTERAÇÃO. Não se conhece de Recurso Especial, quando posteriormente à sua interposição ocorre alteração legislativa, excluindo a apreciação da matéria pelo CARF, ressalvando-se que o não conhecimento do apelo não implica na validação da decisão esposada no acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora EDITADO EM: 20/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. ALTERAÇÃO DO RITO PROCESSUAL. RECURSO ESPECIAL ANTERIOR À ALTERAÇÃO. Não se conhece de Recurso Especial, quando posteriormente à sua interposição ocorre alteração legislativa, excluindo a apreciação da matéria pelo CARF, ressalvandose que o não conhecimento do apelo não implica na validação da decisão esposada no acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 06 1. 00 12 37 /2 00 6- 71 Fl. 600DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente.em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 20/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata o presente processo, de Ato Cancelatório de Isenção, tendo em vista a prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Em sessão plenária de 13/03/2008, foi julgado o Recurso Voluntário 142.727, prolatandose o Acórdão 20600.595 (fls. 213 a 224), assim ementado: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/03/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. PARECER DA CJ. N° 3272/2004. PROMOÇÃO SOCIAL MANTIDA. NÃO VIOLAÇÃO AO INCISO III DO ART 55. I A entidade assistencial que preste serviços por meio de cessão de mãodeobra, ainda que essa atividade reflita significativamente na sua receita, bem como na própria disponibilidade de seus funcionários, não viola, de forma absoluta, o dever de promover a assistência social que lhe compete, se ainda assim, a entidade execute essa promoção assistencial por outros meios; II — Apenas a demonstração de que não se promove qualquer atendimento voltado para a promoção social, poderia entender que estaria violado o disposto no aventado inciso III do art. 55 da Lei n° 8.212/91, mas nunca pela simples prestação de serviços por cessão de mãodeobra. Recurso Voluntário Provido.” A decisão foi assim resumida: Fl. 601DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 27 3 “ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por negar provimento ao recurso.” Cientificada do acórdão em 18/09/2008 (fls. 225), a Fazenda Nacional interpôs, em 22/09/2008 (fls. 228), o Recurso Especial de fls. 229 a 264, com fundamento no inciso II, do art. 56, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes c/c o inciso I, do art. 7º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nª 147, de 2007. Tratase de Recurso Especial por Contrariedade à Lei ou à Evidência de Prova, em que a Fazenda Nacional alega violação ao art. 2° da LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social (Lei n.° 8.472, de 1993), ao art. 55 e incisos III a V, da Lei n.° 8.212, de 1991, e ao art. 111, inciso II, do CTN. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho 2400 278, de 03/09/2009 (fls. 265 a 268). O apelo contém os seguintes argumentos, em síntese: a) Imunidade: cessão remunerada de mãodeobra não é assistência social – violação ao art. 22 da LOAS a discussão central do processo envolve a análise da imunidade insculpida no art. 195, § 72 da Constituição Federal, verbis: "§ 72 São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei". vêse que a Constituição utiliza o conceito de assistência social como referência para delimitar o tipo de entidade e de receita abrangida pelo beneplácito fiscal; assistência social não é conceito aberto ou ignorado pela Constituição, muito pelo contrário, em seu art. 203, a Carta Magna preceitua o que é assistência social: "Seção IV DA ASSISTÊNCIA SOCIAL. Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II o amparo às crianças e adolescentes carentes; III a promoção da integração ao mercado de trabalho; Fl. 602DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 4 IV a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V a garantia de um salário mínimo de beneficio mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de têla provida por sua família, conforme dispuser a lei". ou seja, a Constituição Federal deferiu à legislação ordinária a formatação da imunidade, com o estabelecimento dos requisitos, porém a Carta Política possui um conceito de assistência social que jamais poderia ser afrontado pelas leis editadas a partir dela; essa definição de assistência social é também o vetor de interpretação que deve nortear o aplicador ao interpretar os requisitos encartados no art. 55 da Lei n 2. 8.212, de 1991; fixadas essas premissas, partese para o exame da violação perpetrada pelo julgado ora atacado à LOAS; um dos pontos suscitados pelo acórdão recorrido foi o de que o exercício preponderante de atividade de cessão remunerada de mãodeobra não desnaturaria o conceito de entidade de assistência social; entretanto, um rápido exame do art. 2º da LOAS (Lei nº 8.274, de 1993) revela que essa atividade realizada pela entidade não caracteriza assistência social: "Art. 2° A assistência social tem por objetivos: I a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II o amparo às crianças e adolescentes carentes; III a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V a garantia de 1 (um) salário mínimo de beneficio mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de têla provida por sua família. Parágrafo único. A assistência social realizase de forma integrada às políticas setoriais, visando ao enfrentamento da pobreza, à garantia dos mínimos sociais, ao provimento de condições para atender contingências sociais e à universalização dos direitos sociais". a leitura da LOAS não deixa dúvida: nem serviço de saúde devidamente remunerado é assistência social, nem a cessão de mãodeobra para prestação desses serviços tampouco, portanto não há, no caso, imunidade albergada pela Constituição Federal; ao contrário, a cessão onerosa de mãodeobra é atividade econômica e, como qualquer outra, deve ser tributada para financiar a Seguridade Social; Fl. 603DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 28 5 a saúde é tratada pela Constituição Federal em seção própria, não podendo se mesclar com a assistência social; ora, se fosse intento do legislador conferir imunidade instituições hospitalares ou de saúde o teria o feito, porém a verdade é que o fez apenas para as entidades de assistência social, que, notadamente, não se confundem com as de saúde e muito menos com prestadoras de serviço de cessão de mãodeobra; em conclusão, cingese que a Constituição Federal adota disciplina absolutamente diversa para saúde e assistência social, os temas contam inclusive com seções próprias e legislação infraconstitucional apartada; não fosse isso o bastante, temse ainda que a atividade prestada pela recorrente de forma remunerada nem mesmo saúde é, mas sim a cessão de mãodeobra para Prefeitura Municipal; essa prática de cessão de mãodeobra remunerada não e assistência social, descabendo falar em direito à imunidade do art. 195, § 7º, da CF, e quando o r. aresto guerreado promove essa equiparação, colide com dispositivos de estatura constitucional e com o art. 2º da Lei nº. 8.472, de 1993 b) Violação ao art. 55, III da Lei nº 2. 8.212, de 1991 caso se entendesse que a atividade de cessão de mãodeobra está englobada no espectro do art. 195, § 7º, da CF – o que, como visto, não está – exsurge que a entidade teria que comprovar a observância dos requisitos do art. 55 da Lei nº. 8.212, de 1991, para fazer jus à imunidade, especialmente do inciso III do citado dispositivo, que em sua redação originária assim dispunha: "Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Vide Lei nº 9.429, de 26.12.1996) (Vide Lei nº 11.457, de 2007) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes;". posteriormente, a Lei nº 9.732, de 1998, modificou a redação do inciso III, do art. 55 da Lei nº. 8.212, de 1991, que passou a gizar o seguinte: "Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Vide Lei nº 9.429, de 26.12.1996) (Vide Lei nº 11.457, de 2007) III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência;(Redação dada pela Lei n 2 9.732, de 11.12.98)". na ADI nº. 20805, o STF suspendeu a eficácia da Lei nº 9.732, de 1998, inclusive da parte que alterou o inciso III, do art. 55 da Lei n 2. 8.212, de 1991, porém, na Fl. 604DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 6 petição inicial da ADI, houve um defeito substancial e não foi questionada a redação originária do inciso III, do art. 55 da Lei 8.212, de 1991; suspensa a redação da Lei 9.732, de 1998, foi acertada a conduta da fiscalização de examinar a lide à luz do teor originário do art. 55, pois como este dispositivo não foi atacado na ADI, está plenamente válido e vigente; com efeito, os argumentos da ADI eram de inconstitucionalidade de índole formal e material, sendo que a liminar deferida rejeitou a alegação formal, enfatizando que as duas teses eram relevantes e que de nada adiantaria acolher esse argumento, afinal não fora impugnada a redação originária do art. 55 da Lei n2. 8.212, de 1991, e, por fim, considerou a tese material relevante e deferiu a medida tãosomente para suspender a Lei nº. 9.732, de 1998; leiase a fundamentação do Ministro Moreira Alves: "Embora relevante a tese de que, não obstante o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei", sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorarseia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. É relevante o fundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados o que não poderia ser feito sequer por lei complementar estabeleceram requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do "periculum in mora". Referendouse o despacho que concedeu a liminar para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta". assim, observase que não foi acatada a alegação de inconstitucionalidade formal e que não foi impugnada, via ADI, a redação originária da Lei nº. 8.212, de 1991, razão pela qual a questão dos autos foi corretamente tratada com base na legislação primitiva, que exige que a entidade "promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes". de acordo com a dicção originária do art. 55, III, da Lei nº 8.212, de 1991, exsurge que não era obrigatória a gratuidade e a exclusividade integrais, como passou a ser exigido a partir da Lei nº 9.732, de 1998; assim, a entidade descumpriu o requisito da legislação pelo fato de a sua atividade prioritária, preponderante, ter passado a ser a cessão onerosa de mãodeobra; é possível que uma entidade beneficente de assistência social aufira uma receita extraordinária, alheia às doações e provisões que lhe são inerentes, contudo é inadmissível que ela deixe de ser uma entidade filantrópica para ter como foco principal a atividade empresarial de cessão remunerada de mãodeobra; é imperioso transcrever o que a fiscalização disse a respeito da entidade: Fl. 605DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 29 7 "A partir de 03/2005 a entidade tornouse empresa de cessão de miodeobra, realizando seguidos contratos com a Prefeitura de Aracruz – ES. Tais contratos visam unicamente criar uma nova forma de evasão fiscal, as entidades beneficentes utilizam suas vantagens tributárias de isenção de alíquotas patronais e fornecem mãodeobra desonerada aos tomadores de serviço, no caso, a Prefeitura de Aracruz – ES. O número de empregados cedidos em relação ao número de empregados da entidade é superior a 60% atualmente. É importante ressaltar que a entidade não tem sequer o poder de selecionar os candidatos a emprego na cessão de mãodeobra. Isto pode ser observado pelo contrato 023/2005, celebrado com a Prefeitura de Aracruz e anexado no segmento deste relatório". de outra parte, não se vislumbra que a cessão de mãodeobra era eventual, como quer fazer crer a recorrida; o contrato supostamente deveria viger para o período de março a maio de 2005, entretanto existem notas emitidas pela Prefeitura de Aracruz em julho de 2005 (fl. 56), demonstrativo de créditos relativos ao contrato no período de agosto de 2005 (lêse, à fl. 70, "créditos referentes ao contrato FHMSC x PMA", ou seja, Prefeitura Municipal de Aracruz), demonstrativo de setembro de 2005 (fl. 76), outubro de 2005 (fl. 83), demonstrativo de novembro de 2005 (fl. 95), folha de pagamento de janeiro de 2006 (fl. 107), fevereiro de 2006 (fl. 116), folha de pagamentos de março de 2006 (fl. 121), abril de 2006 (fl. 127); sobreleva notar que os documentos carreados aos autos evidenciam uma prestação de serviço continuada por mais de um ano, para muito alem do período contratualmente acertado; há permanência e continuidade na cessão de mãodeobra retratada nos autos, o que evidencia a prática reiterada da atividade e a tentativa da entidade de se valer da sua imunidade fiscal para ingressar no mercado com vantagem tributária e, ainda, desfalcar a arrecadação previdenciária relativa a essa prestação de serviço, oferecendo um serviço barato pela dedução dos tributos; no particular, o aresto recorrido, quando admitiu que a imunidade não fosse cancelada, contrariou a prova dos autos indicativa de que a cessão de mãodeobra constituía o objeto social precípuo da entidade; a norma do inciso III, do art. 55 da Lei nº. 8.212, de 1991, não autoriza que a beneficiária pratique atividades assistenciais de modo subsidiário e, ao revés, se transforme em uma empresa de cessão de mãodeobra, com mais de 60% do seu pessoal voltado para essa atividade; é necessário um mínimo de razoabilidade na interpretação dessa norma: se não se acha adequado exigir a gratuidade completa, também, por coerência, não se pode acatar a atividade empresarial quase que integral e continuar pregando que isso é assistência social; sobre a impossibilidade de se considerar válida a prática desse tipo de cessão de mãodeobra contínua, por entidade supostamente filantrópica que se escuda na imunidade para promover atividade empresarial em caráter primordial e prioritário, como fez a Fl. 606DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 8 Fundação Sao Camilo, calha trazer ao lume o Parecer da Consultoria Jurídica do MPAS de nº. 3.272/2004; Pinçase, de inicio, a conclusão inequívoca do parecer: "Ante o exposto concluise que somente poderio realizar cessão de mãodeobra, sem perder a isenção prevista no art. 55 da Lei nº 8.212/91, as entidades que atendam dois critérios, a saber: CARÁTER ACIDENTAL DA CESSÃO ONEROSA DE MÃODE OBRA EM FACE DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA ENTIDADE BENEFICENTE, e MÍNIMA REPRESENTATIVIDADE QUANTITATIVA DE EMPREGADOS CEDIDOS EM RELAÇÃO AO NÚMERO DE EMPREGADOS DA ENTIDADE BENEFICENTE. As entidades que fazem cessão de mãodeobra sem atentar para um destes dois critérios, na forma descrita no corpo do presente parecer, violam a exigência do inciso III do art. 55 da Lei nº 8.212/91 e não fazem jus correspondente isenção". nenhum dos dois critérios foi atendido pela Fundação São Camilo: mais de 60% dos seus empregados estavam direcionados para a cessão de mãodeobra, e, além de tudo, não houve caráter acidental, muito ao contrário, constam nos autos documentos que atestam a prestação de serviço contínua, mês a mês, por mais de um ano, com folha de pagamento fixa estabelecida e demonstrativos mensais; urge, pois, que se transcrevam os preclaros fundamentos adotados pela Consultoria Jurídica do MAPS no aludido Parecer nº 3.272, de 2004: "15. Iniciando o exame da matéria, convém fazer um breve relato da legislação que regula a isenção das contribuições para a seguridade social. Assim, o primeiro dispositivo a ser citado é o art. 195, § 7º, da Constituição, que tem a seguinte redação: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. 16. Em cumprimento ao comando constitucional, foi editado o art. 55 da Lei nº 8.212/91, que estabelece as exigências para a caracterização de entidade beneficente de assistência social com direito à isenção das contribuições para a seguridade social. Veja o que dispõe o artigo 55, em sua redação vigorante: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; Fl. 607DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 30 9 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao • órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei re 9.528, de 10.12.97) § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. 17. Esta é a redação que se pode considerar atualmente em vigor, posto que as alterações promovidas pela Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, foram suspensas pelo STF, por meio de decisão liminar proferida nos autos da ADIN nº 20285, de 20.11.98. 18. Incumbe ao INSS receber, analisar e decidir os pedidos de isenção formulados pelas entidades que se julgam beneficentes de assistência social. A análise destes requerimentos corresponde à verificação dos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91. 0 descumprimento de qualquer das exigências resulta no indeferimento do pedido de isenção, na medida que a entidade não poderá ser considerada beneficente de assistência social para o fim de gozar da isenção das contribuições previdenciárias. Nessas hipóteses, restarão desatendidas as exigências estabelecidas em lei, na forma do que determina o § 7º do art. 195 da Constituição. 19. Os requisitos previstos nos incisos I e II do art. 55, que tratam, respectivamente, do titulo de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, são estritamente objetivos, cabendo ao INSS, na análise do pedido de isenção, verificar se a entidade tem ou não o titulo e o certificado. Não pode o INSS recusar a concessão da isenção com base no descumprimento dos incisos I e II se a entidade apresentou o titulo e o certificado, ficando a sua atuação, neste aspecto, restrita à elaboração de representação aos órgãos competentes, para o respectivo cancelamento. 20. Já o efetivo cumprimento dos demais requisitos deve ser verificado, diretamente, pelo INSS, inclusive com inspeção in loco e todo o tipo de diligencia cabível. O INSS é o responsável por verificar se a entidade requerente cumpre de forma efetiva as exigências previstas nos incisos III, IV e V do art. 55, decidindo, fundamentadamente, pela concessão ou não da isenção das contribuições para a seguridade social. Enfim, a Fl. 608DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 10 constatação do cumprimento ou não dos requisitos previstos nos incisos III, IV e V requer a realização de juízo de valor, de interpretação das normas e, quando pertinente, de diligências por parte do agente do INSS, o que não ocorre em relação ao CEBAS e ao titulo de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal. 21. Com fulcro nestas afirmações, temse que, para o deslinde da consulta, importam as exigências previstas nos incisos III e V do art. 55 da Lei nº 8.212/91, posto que a verificação dos demais incisos pelo INSS não guarda correlação com a realização de cessão de mãodeobra por parte da entidade que requer a isenção. O inciso IV trata da proibição de se remunerar os diretores. Por sua vez, as exigências para concessão de CEBAS e do titulo de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal não podem ser julgadas pelo INSS (incisos I e II). 22. Quanto ao inciso V, o consulente entende que a entidade que faz cessão de mãodeobra, sem que haja tal previsão em seu estatuto, viola o requisito de aplicação integral do eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais (...). Este inciso não veda a realização eventual de cessão de mãodeobra por parte das entidades beneficentes que não tenham tal previsão em seu estatuto, na medida que, nesta hipótese, de cessão apenas eventual, a entidade estará, tão somente, aproveitando mãodeobra ociosa para obter receita, e não fazendo aplicação de eventual resultado operacional. Por sua vez, se a cessão de mãodeobra não for eventual, e sim habitual, ai sim restará violado o inciso V, bem como o inciso III, ambos do art. 55. A violação nesta hipótese, de cessão onerosa habitual, é muito óbvia e será facilmente visualizada com os argumentos que serão delineados sobre a cessão eventual de mãodeobra. 23. A cessão onerosa de mãodeobra, em regra, desvirtua a promoção de assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes, violando o disposto no inciso III do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Entretanto, quando esta cessão é feita em situações pontuais, de forma eventual, não haverá violação ao inciso III do art. 55, conforme se demonstrará adiante. 25. O Supremo Tribunal Federal, na decisão liminar proferida nos autos da ADIN nº 20285, sinalizou no sentido de que as entidades beneficentes de assistência social podem empreender atividades econômicas para reverter os resultados obtidos em suas atividades assistenciais, ou seja, em seus fins institucionais. É o que se obtém da leitura do seguinte trecho da decisão liminar monocrática proferida pelo Excelentíssimo Sr. Ministro Marco Aurélio nos autos da ADIN nº 20285, verbis: (...). Ora, no caso, chegouse à mitigação do preceito, olvidando se que nele não se contém a impossibilidade de reconhecimento do beneficio quando a prestadora de serviços atua de forma gratuita em relação aos necessitados, procedendo cobrança junto àqueles que possuam recursos suficientes. (...). As exigências estabelecidas em lei não podem implicar verdadeiro Fl. 609DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 31 11 conflito com o sentido, revelado pelos costumes, da expressão "entidades beneficentes de assistência social". Em síntese, a circunstância de a entidade, diante, até mesmo, do principio isonômico, mesclar a prestação de serviços, fazendoo gratuitamente aos menos favorecidos e de forma onerosa aos afortunados pela sorte, não a descaracteriza, não lhe retira a condição de beneficente. 26. Corroborou este entendimento no âmbito do STF o voto do Excelentíssimo Sr. Ministro Moreira Alves que, aprovado por unanimidade pelo plenário, referendou a decisão monocrática proferida pelo Ministro Marco Aurélio. Veja o trecho pertinente do citado voto, verbis: Com efeito, a Constituição, ao conceder imunidade As entidades beneficentes de assistência social, o fez para que fossem a Unido, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios auxiliados nesse terreno de assistência aos carentes por entidades que também dispusessem de recursos para tal atendimento gratuito, estabelecendo que a lei determinaria as exigências necessárias para que se estabelecessem os requisitos necessários para que as entidades pudessem ser consideradas beneficentes de assistência social. E. evidente que tais entidades, para serem beneficentes, teriam de ser filantrópicas (por isso, o inciso II do artigo 55 da Lei 8.212/91 que continua em vigor, exige que a entidade "seja portador do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos"), mas não exclusivamente filantrópica, até porque as que o são não o são para o gozo de benefícios fiscais, e esse beneficio concedido pelo § 7) do artigo 195 não o foi para estimular a criação de entidades exclusivamente filantrópicas, mas, sim, das que, também sendo filantrópicas sem o serem integralmente, atendessem As exigências legais para que se impedisse que qualquer entidade, desde que praticasse atos de assistência filantrópica a carentes, gozasse da imunidade, que é total, de contribuição para a seguridade social, ainda que não fosse reconhecida de utilidade pública, seus dirigentes tivessem remuneração ou vantagens, ou se determinassem elas a fins lucrativos. Aliás, são essas entidades que, por não serem exclusivamente filantrópicas, têm melhores condições de atendimento aos carentes a quem o prestam que devem ter sua criação estimulada para o auxilio ao Estado nesse setor, máxime em época em que, como a atual, são escassas as doações para a manutenção das que se dedicam exclusivamente à filantropia. 27. Obviamente, se é facultado às entidades beneficentes de assistência social mesclar a prestação de serviços, fazendoo gratuitamente aos menos favorecidos e de forma onerosa aos afortunados pela sorte, não há como limitar, a priori, a realização de cessão de mãodeobra por estas entidades, especialmente se considerarmos que grande parte das atividades assistenciais, por sua própria natureza, não suporta cobrança. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 12 28. CONTUDO, TAMBÉM SE REVELA ÓBVIO QUE ESTAS ATIVIDADES EXTRAS, ALHEIAS ÀS FINALIDADES ASSISTENCIAIS DAS ENTIDADES, NÃO PODEM ASSUMIR PROPORÇÕES, NEM FORMAS, QUE DESVIRTUEM A PRÓPRIA NATUREZA DA ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. E nesse sentido que serão traçadas as soluções possíveis para a presente controvérsia jurídica, a fim de delimitar ate onde uma entidade pode ceder mãodeobra, cobrando por seus serviços, com intuito finalístico, nesta atividade, de obter receita, sem que reste suprimida a sua natureza assistencial necessária para o gozo da isenção das contribuições para a seguridade social. 29. O primeiro ponto a ser esclarecido é o de que a cessão onerosa de mãodeobra não atende ao objetivo assistencial de promoção ao mercado de trabalho, previsto no art. 203, III, da Constituição. 30. A pessoa cedida pela entidade para prestar serviços ao tomador não está sendo integrada ao mercado de trabalho em razão da cessão de mãodeobra por um motivo muito simples: ela já é empregada da entidade cessionária, portanto devidamente integrada ao mercado de trabalho. 31. Caso se admitisse que a cessão remunerada de mãodeobra cumpre o objetivo de integração ao mercado de trabalho, toda e qualquer empresa deste ramo de serviços, mesmo voltada para a obtenção de lucro, teria direito à isenção das contribuições para a seguridade social, o que, certamente, não foi intenção do legislador. Esta situação fere, frontalmente, as regras constitucionais e infraconstitucionais de regência da assistência social. 32. A titulo ilustrativo, a integração ao mercado de trabalho pode ser promovida por meio da preparação da pessoa para as exigências do mercado, dotandoa de meios para a obtenção de emprego. O ensino de uma profissão, como a de marceneiro ou mecânico, constitui a mais comum forma de promover a integração de alguém ao mercado de trabalho. 33. Convém elucidar que este objetivo da assistência social integração ao mercado de trabalho pode assumir outras formas de realização, mas é certo que a cessão de mãodeobra não configura, em nenhuma hipótese, a promoção de integração ao mercado de trabalho. Mesmo nas hipóteses em que a entidade ensina a pessoa uma determinada profissão e depois faz a cessão remunerada de sua mãodeobra para terceiros não resta configurada a atividade assistencial de promoção ao mercado do trabalho na cessão de mãodeobra realizada. Somente poderão ser apropriados como assistenciais, conforme o caso, os gastos despendidos na formação profissional desenvolvida pela entidade, caso tenha sido direcionada a pessoas carentes. A cessão de mãodeobra feita posteriormente somente pode ser tida como atividade voltada para a obtenção de receita, portanto alheia à atividade assistencial da entidade. 34. A Divisão de Consultoria de Matéria Tributária da Procuradoria Federal Especializada/INSS, por meio do Parecer/ Fl. 611DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 32 13 CGMT/DCMT nº 18/2003, defendeu bons argumentos no sentido de que a cessão de mãodeobra não configura atividade assistencial, bem como fixou em que situação a cessão de mão deobra não desvirtua a natureza assistencial da instituição. Confira o seguinte trecho do citado parecer, verbis: No pólo oposto, merece ser afastada a imunidade das entidades cuja atividade predominante é a cessão de mãodeobra, sobremodo para o exercício de atividades em nada afetas ao objeto declarado da entidade, em função do qual obteve a isenção, muito menos à própria seguridade social. Nesse ponto sugerese normatização da matéria, até mesmo para que em relação a essas atividades a entidade pague as contribuições pertinentes, pois que a imunidade outorgada pela Constituição Federal, no que toca à contribuição patronal, cingiuse àquela contribuição relativa às pessoas físicas que prestam serviços à própria entidade, de modo a viabilizar a prestação de suas atividades beneficentes, e não a implementação do objeto de terceiros, alheios à benemerência. Isso porque, embora não se negue a faculdade amplamente reconhecida pelo STF de as entidades imunes empreenderem atividades econômicas alheias aos fins assistenciais desde que os resultados assim obtidos sejam revertidos para esses fins, no caso vertente a suposta atividade meio é viabilizada na maioria dos casos exatamente porque prescinde de contribuições para a seguridade social. Tal significa que a entidade, ao ceder trabalhadores desonerados em virtude de esta ser benemerente, não contribui em pecúnia para a seguridade social, tampouco em espécie, porquanto esses trabalhadores fruirão dos benefícios previdenciários, assistenciais e de saúde assegurados pela Constituição Federal sem nada ofertar em contrapartida, senão que uma mãodeobra barata – como decorrência da desoneração – muita vez atuando em searas como limpeza, vigilância e outras alheias à seguridade, beneficiando efetivamente as empresas tomadoras da mãodeobra. HA que se desenhar mentalmente o absurdo da situação para compreender por que os precedentes dos tribunais pátrios aplicamse com cautela extrema à utilização de cessão de mão deobra como forma de angariar fundos para as entidades beneficentes de assistência social, pois não se pode tomar essa máxima para admitir que os recursos para amparar tais entidades decorram de vera evasão fiscal, de burla ao preceito constitucional que atribui a toda a sociedade o custeio da seguridade social, somente desonerando as entidades que beneficentes de assistência social, não as demais, tomadoras da mãodeobra, o que implicaria prejuízo generalizado e afronta ao critério atuarial imperante na previdência social. (...) Deveras, nessa hipótese, patente está a evasão fiscal, eis que a atividade fim, ao invés de ser a benemerência, transmudase em Fl. 612DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 14 atividade meio erigida para viabilizar a atividade fim, qual seja, a cessão de mãodeobra desonerada, clara situação em que se distorce ao propósito da imunidade para permitir que as entidades supostamente imunes impulsionem os negócios de outras empresas através de mãodeobra barata. Leiase: o beneficio é fruído em verdade pelas cessionárias de mãode obra. (...) 3.1. A vista do exposto, por qualquer aspecto que se mire, praticamente insustentável é a imunidade das entidades beneficentes de assistência social que cedem mãodeobra, a não ser naquelas hipóteses pontuais, isoladas, em que não é objeto social da entidade tal atividade, adotando a entidade tal mister em vista da disponibilidade temporária de mãodeobra. 35. Ante o exposto até aqui, concluise que a cessão onerosa de mãodeobra não caracteriza, em nenhuma hipótese, atividade assistencial para o fim de obtenção da isenção das contribuições para a seguridade social. Pelo contrário, é a isenção das contribuições para a seguridade social que atrai as empresas tomadoras de serviços a contratar com as entidades beneficentes, em prejuízo das demais empresas do ramo de terceirização de serviços que pagam contribuição para a seguridade social e não podem oferecer o mesmo preço, o que subverte a finalidade da regra de isenção, que é estimular a realização de assistência social pelos particulares. 36. No fim, quem se beneficia da isenção previdenciária, com a prática de cessão de mãodeobra por entidades beneficentes de assistência social, é a empresa tomadora de serviços, que contrata a cessão a preços menores, e não o público alvo da assistência social. Nesse sentido, a cessão onerosa de mãodeobra, por parte das entidades isentas de contribuição para a seguridade social, deve ser encarada com mais restrição ate do que outras atividades lucrativas que estas entidades venham a realizar, uma vez que o verdadeiro beneficiado nesta operação é a empresa tomadora de serviços, que nada tem de assistencial. 37. A razão de ser do entendimento adotado pelo STF está na necessidade das entidades beneficentes, em face da escassez de doações no Brasil, obterem recurso de alguma outra fonte com vistas ao sustento da atividade beneficente de assistência social. 38. Contudo, a autorização contida na posição da Suprema Corte não é irrestrita a ponto de permitir o desvirtuamento da regra de isenção prevista no art. 195, § 7º, da Constituição. O exame do STF foi muito mais restrito, abarcando aquelas situações bastante comuns de entidades educacionais e de saúde que cobram de alguns alunos e pacientes e prestam serviços gratuitos para outros, em função da situação de carência destes últimos. Não foi autorizada a realização de atividade lucrativa, indiscriminadamente, de forma que as entidades assistenciais pudessem atuar no mercado como qualquer outra empresa com fins lucrativos. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 33 15 39. Conforme salientado, a cessão onerosa de mãodeobra é um exemplo de atividade que não pode ser permitida às entidades beneficentes de assistência social que gozem de isenção previdenciária. Ao menos não de forma livre, sob pena de extensão da garantia prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, a toda e qualquer empresa que queira contratar mãodeobra terceirizada das entidades beneficentes de assistência social. 40. Da exposição acima resulta que as entidades que realizam cessão remunerada de mãodeobra não podem, em regra, serem consideradas beneficentes de assistência social, e, portanto, não fazem jus ã isenção prevista no art. 195, § 7º, da Constituição. Entretanto, é possível estabelecer, a partir de um esforço hermenêutico, situações muito especiais em que a cessão onerosa de mãodeobra pode ser feita sem retirar a natureza beneficente de assistência social da entidade. 41. Tais hipóteses passam necessariamente pela verificação de dois critérios, a saber: caráter acidental da cessão onerosa de mãodeobra em face das atividades desenvolvidas pela entidade beneficente; e mínima representatividade quantitativa de empregados cedidos em relação ao número de empregados da entidade beneficente. 42.O primeiro critério está em verificar se a entidade realiza contratações com o objetivo precipuo de fazer a cessão onerosa de miodeobra. Se a entidade realiza a contratação de empregados com vistas, exclusivamente, a realizar cessão de miodeobra destes empregados não fará jus à isenção das contribuições para a seguridade social. Em outras palavras, a entidade beneficente somente pode realizar a cessão de mãode obra em situações pontuais, em que os empregados cedidos tenham função dentro de suas próprias atividades que devem ser assistenciais mas estejam ociosos por motivos alheios à vontade da instituição. Se um ou alguns empregados são contratados, primordialmente, para prestarem serviços a terceiros, a entidade não pode ser considerada beneficente de assistência social, pois esta atividade não será acidental. 43. O segundo critério mínima representatividade quantitativa de empregados cedidos em relação ao número de empregados da entidade beneficente deve ser examinado caso a caso, com atenção aos seguintes fatores: ociosidade eventual, e não provocada, da força de trabalho; existência ou não de prejuízos para as atividades fins da instituição; caráter temporário da cessão onerosa de mãodeobra; e aspecto subsidiário da atividade de cessão de mãodeobra. 44. Os empregados eventualmente cedidos, de forma remunerada, devem estar sem função na entidade assistencial em razão de fatores alheios à. vontade da própria entidade assistencial, como, por exemplo, no caso de redução da demanda. Caso a entidade contrate empregados sem necessidade, ou seja, sem função em suas atividades normais, e, Fl. 614DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 16 logo em seguida, faça a cessão remunerada destes empregados, restará caracterizada a ociosidade desejada da força de trabalho. Nessa hipótese, e em outras situações semelhantes, a entidade não fará jus à isenção prevista no art. 55 da Lei nº 8.212/91, por descumprimento do seu inciso III pois estará visando, primordialmente, a realização de cessão de mãode obra como atividade principal. 45. A cessão de mãodeobra não pode interferir no bom desempenho das atividades fins da entidade, ou seja, a força de trabalho cedida não pode afetar as atividades próprias das entidades beneficentes de assistência social, que não se confundem com a realização de cessão de mãodeobra. A manutenção das atividades assistenciais no mesmo patamar e qualidade anteriores à cessão onerosa da mãodeobra deve ser observada, sob pena de restar configurada a prevalência do intuito lucrativo, contido na cessão, em detrimento do fim assistencial exigível da entidade isenta. 46. A atividade de cessão remunerada de miodeobra não pode prolongarse demasiadamente, com a celebração de novos contratos seguidos um do outro. Como afirmado anteriormente, a cessão tem que ser eventual, celebrada em situações pontuais e isoladas. A sedimentação de um patamar mais baixo de demanda da força de trabalho, para as atividades típicas da entidade, deve ser acompanhada da dispensa dos empregados ociosos, e não da perpetuação da cessão de mãodeobra, na medida que a cessão somente foi autorizada em função da diminuição da quantidade de trabalho nas atividades próprias da entidade. 47. Por fim, devem ser examinados e valorados, no caso concreto, outros fatores quaisquer que indiquem ser a cessão onerosa de mãodeobra a atividade primordial da entidade. A cessão de mãodeobra só é permitida às entidades beneficentes num patamar mínimo em relação ao todo das atividades por elas desenvolvidas, de forma a emprestarlhe sempre um caráter subsidiário na vida da instituição assistencial. 48. Enfim, a realização de cessão de mãodeobra pelas entidades assistenciais tem que ser EVENTUAL, NÃO PREJUDICIAL, TEMPORÁRIA, SUBSIDIARIA, ACIDENTAL e dirigida à manutenção da atividade assistencial da instituição, sob pena de violação do art. 55, III, da Lei nº 8.212/91, e, conseqüentemente, de cancelamento ou indeferimento da isenção das contribuições para a seguridade social. 49. Cumpre esclarecer que o fato do estatuto da entidade prever ou não a cessão de mãodeobra como atividade fim não tem relevância para o exame do pedido de isenção, pois o que importa é se a entidade faz ou não, efetivamente, a cessão onerosa de mãodeobra. Ainda que conste do seu estatuto a previsão dessa atividade, a entidade que ceder mãodeobra fora dos critérios fixados no presente parecer não faz jus â isenção das contribuições para a seguridade social. De outro lado, se constar do estatuto a atividade de cessão de mãodeobra, mas a entidade não a tiver desenvolvido efetivamente, não pode ter o seu pedido negado com base na previsão estatutária. 0 que Fl. 615DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 34 17 importa e deve ser examinado é se foi feita, de fato, a cessão onerosa de mãodeobra. 50. Ante o exposto concluise que somente poderão realizar cessão de mãodeobra, sem perder a isenção prevista no art. 55 da Lei nº 8.212/91, as entidades que atendam dois critérios, a saber: CARÁTER ACIDENTAL da cessão onerosa de mãode obra em face das atividades desenvolvidas pela entidade beneficente; E MÍNIMA REPRESENTATIVIDADE QUANTITATIVA DE EMPREGADOS CEDIDOS EM RELAÇÃO AO NÚMERO DE EMPREGADOS DA ENTIDADE BENEFICENTE. As entidades que fazem cessão de mãodeobra sem atentar para um destes dois critérios, na forma descrita no corpo do presente parecer, violam a exigência do inciso III do art. 55 da Lei nº 8.212/91 e não fazem jus à correspondente isenção. o parecer é claro acertado: a realização de cessão de mãodeobra pelas entidades assistenciais tem que ser eventual, não prejudicial, temporária, subsidiária, acidental, porém nada disso ocorreu no caso em tela, uma vez que a entidade cedeu mais de 60% dos seus empregados e prosseguiu na atividade de cessão por mais de um ano ininterrupto, continuamente exercendo a atividade remunerada; por fim, alem disso, a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é farta em precedentes que apontam para a pertinência e validade do multicitado art. 55 da Lei nº. 8.212/91, conforme os acórdãos abaixo reproduzidos: "COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. ISENÇÃO. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. Para o gozo da imunidade estatuída pelo art. 195, § 7º, da Constituição Federal, ou da isenção aplicável as instituições de educação e de assistência social, carece sejam obedecidos os requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. Recurso negado. [Acórdão n2. 20310818]". "COFINS. IMUNIDADE. As entidades beneficentes que prestam assistência social no campo de educação, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, devem atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. BASE DE CALCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 32 da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Recurso provido em parte. [Acórdão n2: 202 17.484]. há que reconhecer, diante de tudo o que foi explicitado, e, sobretudo, pelas razões do Parecer CJ MPAS nº 3.272/2004, que a entidade deve ter a sua imunidade cancelada e que decisão recorrida operou violação ao art. 55, III, da Lei nº 8.212/91. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 18 c) Descumprimento dos demais requisitos do art. 55 da Lei n°. 8.212191 vislumbrase, outrossim, que a entidade, além de não ter atendido ao requisito do inciso III, do art. 55 da Lei nº 8.212/91, deixou também de observar as demais exigências obrigatórias, a exemplo dos incisos IV e V da mesma norma; assim, importa que essa Col. CSRF não admita a manutenção da imunidade sem o atendimento desses requisitos, reconhecendo, nesse passo, que a r. decisão recorrida colidiu com os demais preceitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, por deferir o beneficio fiscal sem avaliar o seu devido cumprimento; d) Violação ao art. 111 do CTN a afronta ao art. 111 do CTN tem lugar quando, ante os argumentos esposados, a r. decisão recorrida opta por uma interpretação ampliativa de norma que defere beneficio fiscal; diante do exposto, concluise que a entidade não faz jus a imunidade do artigo 195, §7º da Constituição Federal, por não atender aos requisitos legais, devendo ser confirmado o Ato Cancelatório; nos termos do Parecer MPAS n 2. 3272/2004, a cessão de mãodeobra, por parte de entidades assistenciais, deve ser eventual, acidental, e comprometer mínima quantitativa de empregados cedidos em relação ao número de empregados da entidade beneficente, diferentemente do que foi praticado pela Fundação são Camilo; a r. decisão objurgada merece reforma, pois, nos termos em que esta posta, viola a prova dos autos e os seguintes dispositivos legais: art. 2º da LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social (Lei nº 8.472/93); art. 55 e seus incisos III, IV e V. da Lei nº 8.212/91; e art. 111, inciso II, do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja admitido o recurso, pugnando para que, no mérito, lhe seja dado provimento, mantendose o cancelamento da imunidade. Cientificada do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 21/10/2009 (fls. 273), a Contribuinte ofereceu, por meio de correspondência postada em 04/11/2009, as ContraRazões de fls. 276 a 284, contendo os seguintes argumentos, em resumo: o ilustre Procurador da Fazenda Nacional volta a repisar temas já analisados e devidamente rechaçados pelo irreparável teor do Acórdão do então 2° Conselho de Contribuintes; ao contrário do entendimento do ilustre Procurador, o atacado acórdão não faz referência a tal situação, mas, em se pensando nas atividades realizadas pela Contribuinte, é justamente isto o que ela faz, e vem discutindo tal desde o início deste processo quando equivocadamente foi autuada pela zelosa fiscalização; como bem explicitado no acórdão, não existe agressão ao art. 2° da LOAS, ainda que a entidade assistencial preste serviços por meio de cessão de mãodeobra, e ainda que tal atividade reflita significativamente na sua receita, bem como na própria disponibilidade de seus funcionários, considerando o seu dever de promover a assistência social que lhe compete, se ainda assim, a entidade execute essa promoção assistencial por outros meios; Fl. 617DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 35 19 a Contribuinte é uma entidade filantrópica de assistência social, que realmente presta atendimento social na área de saúde a uma população de aproximadamente 120.000 (cento e vinte mil) cidadãos, nas cidades de Aracruz, Ibiragú, João Neiva e Fundão, além de outros que buscam atendimento em suas dependências; desta forma, afirmar ou alegar, como quer o Procurador da Fazenda Nacional, de que foi contrariado o art. 2° da LOAS, é um verdadeiro atentado ao trabalho realizado pela Contribuinte; este, sem dúvida, é um sólido argumento para que seja mantido o venerando acórdão do 2° Conselho de Contribuintes. também não assiste razão ao Procurador da Fazenda Nacional, quando afirma que houve contrariedade ao art. 55 e seus incisos III, IV e V da Lei 8.212, de 1991; tal alegação vem sendo rechaçada desde o início do procedimento, e volta agora a ser levantada pelo Procurador; a Contribuinte já provou e comprovou que tal dispositivo não foi em nenhum momento contrariado, senão vejamos : Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. tanto o fiscal quanta agora o Procurador da Fazenda Nacional, querem fazer crer que a Contribuinte teria mudado sua atividade, deixando de fazer assistência social e se tornando uma empresa de cessão de mãodeobra; tal argumento não prosperou junto ao 2° Conselho de Contribuintes, e também não pode prosperar junto a essa colenda corte; em momento nenhum a cessão de mãodeobra ficou sendo a atividade preponderante da Contribuinte; a condição para que uma empresa possa ser considerada como “cedente de mãodeobra” é explicitada no art. 219 do RPS, onde fica estabelecido que condição é “que o contratado coloque à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos”; Fl. 618DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 20 o contrato que a Contribuinte manteve por um curto espaço de tempo com a municipalidade, em momento nenhum levou a tal escopo, pois a relação contratual estabelecia o “atendimento nas residências e domicílios dos idosos, excepcionais, menores e pessoas carentes”, e jamais no estabelecimento da contratante ou ainda de terceiros; se não houve colocação de segurados nas dependências do contratante, ou ainda em terceiros, não há que se falar em cessão de mãodeobra; não houve por parte da Contribuinte, como quer fazer crer o Recorrente, que aquela passou a exercer atividade empresarial, e isto está robustamente comprovado nos autos do processo; o Parecer da Consultoria Jurídica do MPAS de n° 3.372/2004 (fls 238 e anexo às fls 254), citado pelo Recorrente, é favorável à Contribuinte no sentido de afirmar que: ...somente poderão realizar cessão de mãodeobra, sem perder a isenção prevista no art. 55 da Lei no 8.212/91, as entidades que atendam dois critérios, a saber : 1. CARÁTER ACIDENTAL DA CESSÃO ONEROSA DE MÃODEOBRA EM FACE DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA ENTIDADE BENEFICENTE; e 2. MÍNIMA REPRESENTATIVIDADE QUANTITATIVA DE EMPREGADOS CEDIDOS EM RELAÇÃO AO NÚMERO DE EMPREGADOS DA ENTIDADE BENEFICENTE. o Parecer acima é admitido apenas ad argumentandum tantum à vista de efetivamente como já comprovado nos autos a Contribuinte não haver praticado cessão de mãodeobra; mas, se fosse o caso, o caráter acidental estaria presente, já que foi por um curto espaço de tempo, bem como a questão relativa aos seus empregados, já que todos que trabalhavam com os programas de saúde e fazendo assistência social no domicilio dos cidadãos atendidos. para a Contribuinte parece que equivocouse o ilustre Recorrente, dizer que aquela contrariou os dispositivos dos incisos III, IV e V do Art. 55 da Lei nº 8.212/91; onde teria contrariado? No inciso III? Não, isto já está definitivamente comprovado. Nos incisos IV e V? Muito menos; não dá para entender porque o Sr. Procurador citou tais dispositivos se em seu recurso qualquer menção fez a eles; aliás, são assuntos novos no processo, pois o fiscal autuante não levantou as hipóteses estabelecidas nos incisos IV e V, do art. 55 da Lei n° 8.212/91; mas, mesmo assim, é bom que se registre, tais disposições legais são seguidas à risca pela Contribuinte, já que seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, não recebem ou percebem qualquer remuneração, bem como não usufruem vantagens ou benefícios a qualquer titulo; é bom que se frise também que a Contribuinte aplica integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos Fl. 619DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 36 21 institucionais, apresentando anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades; a Contribuinte é uma entidade beneficente de assistência social na área de saúde, atuando na região polinorte do Estado do Espírito Santo, há mais de 40 (quarenta anos), sendo esta a primeira vez que recebe fiscalização com autuação deste jaez; também por esta razão deve ser mantido o acórdão recorrido; tampouco pode prosperar a alegação do Recorrente que o acórdão contrariou o estabelecido no inciso II do Artigo 111 do CTN; com efeito, o inciso II do Art. 111 do CTN estabelece que a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente; é estranha a alegação do Recorrente, está tudo bem claro na ementa do acórdão guerreado; a legislação foi interpretada desta forma, literalmente, ou seja, do jeito que está escrita; ao contrário do que fazer crer o Recorrente, não houve qualquer interpretação ampliativa, mas a interpretação do 2° Conselho de Contribuintes foi restritiva e dentro do estabelecido na legislação; em que pese a consideração do Ilustre Presidente dessa Egrégia Câmara onde, em seu despacho alegou : “.... verifico que ficou demonstrado, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contraria à lei ou à evidência dos fatos....” o que se demonstrou nestas ContraRazões é que não assiste razão ao ilustre Procurador, mas que o v. acórdão seguiu no sentido da lei, e da evidência dos fatos; assim, espera e confia o Contribuinte seja desconsiderado o Recurso Especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendose em seu inteiro teor o acórdão recorrido, a uma por não haver a Contribuinte infringido a norma do art. 2° da LOAS; a duas por não haver a Contribuinte desobedecido em qualquer momento a norma dos incisos III, IV e V da Lei n° 8212/91; a três por não haver no acórdão qualquer interpretação que possa ser considerada como ampliativa, mas de acordo com o estabelecido no art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi incluído na pauta de julgamento de 11/05/2011. Nesta oportunidade, o recurso foi retirado de pauta, conforme o Despacho nº 00.254, com o seguinte teor (fls. 296): “Versa o presente processo acerca de cancelamento de isenção de contribuições sociais em relação ao contribuinte em epígrafe. O processo encontrase, com recurso especial interposto pela Fazenda Nacional pendente de apreciação, tendo sido distribuído ao Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior que pediu sua inclusão em pauta na Sessão de julgamento do mês de maio de 2011. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 22 Durante a sessão, o conselheiro Elias Sampaio Freire informou da novel alteração da legislação no tocante aos processos de isenção, destacando a necessidade de sua aplicação. Nesse contexto, em razão do novo regramento jurídico em relação à matéria, qual seja, a Lei n° 12.201/2009 e o Decreto n° 7.237/2010, para processos cuja controvérsia relacionase a isenção das contribuições previdenciárias e que não estejam definitivamente julgados, devese observar as disposições do art. 45 do referido decreto, in verbis: Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei no 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato . gerador. Vêse, portanto, que o art. 45 do Decreto.n° 7.237/2010, determina a devolução dos autos ao órgão de origem. Desse modo, remeto este processo à Secretaria para que esta tome as providências necessárias ao atendimento da legislação.” Destarte, o processo foi encaminhado à DRF em Vitória/ES, que direcionou os autos à Fiscalização, para cumprimento da nova legislação. O Auditor Fiscal responsável assim se pronunciou, em 06/09/2011 (fls. 303): “A Auditoria do Contribuinte FUNDAÇÃO HOSPITAL MATERNIDADE SÃO CAMILO foi feita concomitante com Auditoria da PREFEITURA DE ARACRUZ . Em decorrência dos contratos de prestação de serviços feitos pela FUNDAÇÃO HOSPITAL MATERNIDADE SÃO CAMILO com a PREFEITURA DE ARACRUZ é que foi solicitada cancelamento de isenção . Na Auditoria da Prefeitura de Aracruz , encerrada em 16/06/2006, foi incluída uma NFLD — Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de número 35.775.9257. Esta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi emitida para cobrar as contribuições de 21% ( 20 + 1% de RAT ) da Prefeitura de Aracruz. Esta notificação teve por base os Salários de Contribuição dos Segurados Empregados cedidos pela Fundação ã Prefeitura de Aracruz . A fundação já havia recolhido os descontos de Segurados. A Prefeitura de Aracruz não apresentou defesa e parcelou o débito.” Finalmente, o processo foi devolvido ao CARF, com o seguinte despacho, de 30/09/2011 (fls. 304): “1. Tratase o presente processo de cancelamento de isenção de contribuições previdenciárias em relação ao contribuinte acima identificado. 2. O processo foi devolvido à origem para verificação dos requisitos da isenção na forma estabelecida pelo art. 45 do Decreto nº 7.237/2010 c/c o art. 32 da Lei no 12.101/2009. 3. O auditor Jeferson Mergon Vieira, matrícula 0.887.004, em atendimento ao processo emitiu a Informação Fiscal de fls. 303, Fl. 621DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 37 23 onde informa que os créditos previdenciários referentes ao período fiscalizado foram devidamente cobrados. 4. Ao Chefe do SEFIS, sugerindo encaminhamento ao SAPAC/DRF/VIT, para subsidiar futuras fiscalizações na empresa em referência.” Fl. 622DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 24 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando ponderar acerca de demais questões relativas ao seu conhecimento. Tratase de Ato Cancelatório de Isenção, tendo em vista a prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Distribuído o recurso na Câmara Superior de Recursos Fiscais, este foi retirado da pauta de julgamento de 11/05/2011, tendo em vista a superveniência da Lei n° 12.201, de 2009, e do Decreto n° 7.237, de 2010, que assim dispuseram: “Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente.” (Lei nº 12.201, de 2009) “Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.” (Decreto nº 7.237, de 2010) Assim, o processo foi enviado à DRF em Vitória/ES, para cumprimento da legislação acima, retornando ao CARF com informação da Fiscalização e despacho da DRF, conforme a seguir: Parecer (fls. 303) “A Auditoria do Contribuinte FUNDAÇÃO HOSPITAL MATERNIDADE SÃO CAMILO foi feita concomitante com Auditoria da PREFEITURA DE ARACRUZ . Em decorrência dos contratos de prestação de serviços feitos pela FUNDAÇÃO HOSPITAL MATERNIDADE SÃO CAMILO com a PREFEITURA DE ARACRUZ é que foi solicitada cancelamento de isenção . Na Auditoria da Prefeitura de Aracruz , encerrada em 16/06/2006, foi incluída uma NFLD — Notificação Fiscal de Fl. 623DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 38 25 Lançamento de Débito de número 35.775.9257. Esta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi emitida para cobrar as contribuições de 21% ( 20 + 1% de RAT ) da Prefeitura de Aracruz. Esta notificação teve por base os Salários de Contribuição dos Segurados Empregados cedidos pela Fundação ã Prefeitura de Aracruz . A fundação já havia recolhido os descontos de Segurados. A Prefeitura de Aracruz não apresentou defesa e parcelou o débito.” Despacho (fls. 304): “1. Tratase o presente processo de cancelamento de isenção de contribuições previdenciárias em relação ao contribuinte acima identificado. 2. O processo foi devolvido à origem para verificação dos requisitos da isenção na forma estabelecida pelo art. 45 do Decreto nº 7.237/2010 c/c o art. 32 da Lei no 12.101/2009. 3. O auditor Jeferson Mergon Vieira, matrícula 0.887.004, em atendimento ao processo emitiu a Informação Fiscal de fls. 303, onde informa que os créditos previdenciários referentes ao período fiscalizado foram devidamente cobrados. 4. Ao Chefe do SEFIS, sugerindo encaminhamento ao SAPAC/DRF/VIT, para subsidiar futuras fiscalizações na empresa em referência.” De todo o exposto, depreendese que a matéria objeto dos autos – perda do direito à isenção, mediante a emissão de Ato Cancelatório – está sujeita a um novo rito, que não mais inclui a apreciação por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Por outro lado, o presente Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional antes da alteração da respectiva legislação, encontrase pendente de solução. Nesse passo, não havendo como adentrar ao mérito da matéria, a única solução cabível é o não conhecimento do recurso, que restou sem objeto, ressalvandose que tal posicionamento não implica na convalidação da decisão recorrida. Isso porque, repita se, a matéria em tela hoje comporta novos procedimentos, que não a emissão/cancelamento de atos, mas sim a verificação direta acerca do atendimento aos requisitos necessários à isenção, com a adoção das medidas necessárias à exigência do cumprimento das obrigações tributárias, se for o caso. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, ressalvando que, conforme a informação da fiscalização às fls. 303/304, no presente caso já foi aplicada a nova sistemática relativa à isenção, apurandose crédito tributário objeto de parcelamento, nada mais restando a este Colegiado decidir. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 624DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 26 Fl. 625DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO
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Numero do processo: 10580.004860/2002-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 15/05/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 3202-001.177
Decisão: Recurso voluntário não conhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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RESSARCIMENTO Recorrente RIO DOCE MANGANÊS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/05/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 48 60 /2 00 2- 62 Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.004860/200262 Acórdão n.º 3202001.177 S3C2T2 Fl. 1.566 2 Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, que não reconheceu o direito de crédito apresentado pela Recorrente: Tratase de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório do Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT da DRF Salvador/BA n°481, 10/07/2006, fls.119/122, que declarou não homologada a compensação da Cofins dos PA de abril//2002, junho/2002 e novembro/2002, requerida nos Pedidos de Compensação de fls.01, 21 e 39 nos valores de R$201.104,79, R$143.115,66 e R$257.123,94 por considerar desatendidas as exigências especificadas nos atos normativos que regem o ressarcimento/compensação de tributos administrados pela RFB, contida no art.4°, §4° da IN SRF n°23, de 1996; art.8°, §§6° e 7°, art.11 da IN SRF n°21, de 1997; art.9°, caput e §1°, art.11, §4° da IN 23, de 1997, e insuficiente a demonstração do direito alegado ante a não apresentação da documentação necessária à instrução e saneamento do processo que permitisse a apreciação do pleito. Consta no Despacho Decisório que a compensação foi indeferida inicialmente, com base no Parecer n°399/04 — SEORTPJ, de (fls.58/60), em razão de a interessada não ter informado nas declarações de compensação o número do pedido de ressarcimento no campo 3 do formulário, informando em seu lugar, o número do presente processo em epígrafe ( 11.39). Além disso juntou cópia incompleta da DCTF, referente ao 1° trimestre/2002, com apuração do crédito presumido com custo integrado pela Lei n°9.363/96 (fls.14/18), em contradição com o que consta na planilha referente ao 1° trimestre/2002 (11.38), apurada com base na Lei n°10.276, de 2001, acrescida do 3° trimestre/2002 (fl.55). Contudo, através do Acórdão DRJ/Recife n°12.636, de 30/06/2005 (fls.102/107), a decisão foi anulada para que a interessada fosse intimada a apresentar informações necessárias ao exame do mérito. Para instrução do processo a contribuinte juntou os pedidos de ressarcimento de IPI (fls.84, 86, 93, 96 e 99), nos quais omite o trimestre de apuração, mas informa serem retificadoras, bem como as DCOMP de fls.83, 87, 95, no qual informa como origem do crédito o próprio número do processo ora sob julgamento, e às fls.85 e 98, outras DCOMP como retificadoras, mas contendo como origem do crédito o pedido de ressarcimento 10580.004861/200215, estatuto social e ata de assembléia e CND, cópia do LRAIPI, referente ao 2° deandio de maio/2002 (fls.90 e 100), 2° decêndio de julho/2002 (fls.89 e 94) e 2° decêndio de dezembro/2002 (fls.88 e 97). No cumprimento ao determinado pela DRJ/Recife, foram expedidas as intimações de n°450 e 528 (fls.109/110 e fls.117/118, respectivamente, esta última recepcionada pela contribuinte em 19/12/2005, que não logrou prestar qualquer atendimento), solicitando preenchimento do Pedido de Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.004860/200262 Acórdão n.º 3202001.177 S3C2T2 Fl. 1.567 3 ressarcimento de crédito presumido do IPI com valor correspondente ao apurado na DCTF, respectivo trimestrecalendário, preenchimento do campo 4, cópia assinada do LRAIPI do trimestre constante do pedido, cópia do lançamento contábil do estorno do crédito na conta custos, com seus títulos informados. decendios de dezembro/2002, alegando que a manifestação de inconformidade é tempestiva e que formalizou Pedidos de Compensação de débitos da Cofins dos PA de 04, 06 e 11/2002 com créditos de IPI perfazendo R$601.344,39. Contudo, seu pleito foi indeferido sob a alegação de que não atendeu ao §4 0 do art.4° da IN SRF n°23/96, art.8° da IN SRF n°21/97, mas tais alegações não podem prosperar em face do art.74 da Lei n°9.430/96 que não impõe qualquer restrição ao direito do contribuinte, sendo admitida a formalização da compensação com a simples apresentação de pedido de compensação, admitido ainda que este possa ser apresentado após um pedido de ressarcimento, conforme art.12 e §§ da IN SRF n°21/97, demonstrandose sua desnecessidade, pois a apuração do crédito pela contribuinte se dá antes de sua pretensão de compensálo. Não se aplica a IN SRF 210/2002, já em vigência quando da apresentação do pedido de compensação, conforme disposição do art.21. Quanto ao não preenchimento do "campo 4" fica cristalino que o não preenchimento significa que a contribuinte não possuía quaisquer processos administrativo ou judicial que viesse acarretar a redução do seu crédito. Não merece prosperar o argumento de não apresentação de cópia da DCTF com comprovação de efetiva entrega porque em nenhum momento a DCTF foi solicitada interessada, que por cautela apresentou cópia. 0 que se requeria era cópia da DCP, mas a Receita Federal possui meios suficientes para obter as informações necessárias à verificação do direito do contribuinte. Requer a reforma do despacho e homologação da compensação. Quanto ao argumento de que a escrituração da contribuinte não está condizente com a legislação documentação apresentada, há muito possui autorização da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia para emitir seus livros eletronicamente, não se justificando o posicionamento da Receita Federal em não homologar o pleito porque a Administração encontrase adstrita ao principio da busca da verdade material. 0 processo foi encaminhado a DRJ/Salvador tendo em vista o disposto no Anexo V, da Portaria SRF 179, de 13/02/2007, publicada no DOU em 14/02/2007, f1.154, verso. A decisão de fls. 156 e seguintes, proferida pela DRJ de Salvador, foi assim ementada: RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEFERIMENTO A alegação do contribuinte acerca de direito de crédito de IPI deverá ser devidamente fundamentada e acompanhada dos elementos que comprovem a inequívoca e real existência dos créditos. Deve ser indeferido pedido de ressarcimento de créditos do IPI, sem a devida prova documental e escritural e sem amparo na legislação de regência. Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.004860/200262 Acórdão n.º 3202001.177 S3C2T2 Fl. 1.568 4 Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente protocolou recurso voluntário reiterando os termos anteriormente apresentados e juntado mais de dois volumes de documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior Muito embora o Recurso Voluntário apresentado tenha sido tempestivo, não deve ser conhecido em decorrência do pedido de desistência apresentado posteriormente pela Recorrente. Como relatado, a Recorrente apresentou petição em 24/01/2014 informando a desistência, de forma irrevogável, do recurso voluntário, bem como renunciando a qualquer direito sobre o que se fundamenta o presente processo administrativo, tendo em vista o pagamento do débito com os benefícios da Lei nºs 11.941/2009. No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (Portaria MF nº 256, de 2009) em seu Anexo II, verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. §1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. §2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (grifamos) Ressaltese, que a competência para apreciar/deferir os valores que incluiu, espontaneamente, após a autuação, em pagamento/parcelamento, pertence à unidade de jurisdição da recorrente e o rito processual foge ao Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), por considerarse encerrado o litígio instaurado. Pelo exposto, voto em não conhecer o recurso voluntário. Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.004860/200262 Acórdão n.º 3202001.177 S3C2T2 Fl. 1.569 5 É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727399/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/08/2008
ALÍQUOTA GILRAT - BANCOS COOPERATIVOS
Os Bancos Cooperativos devem contribuir com a alíquota de 1%, sobre a remuneração dos segurados empregados para o custeio do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, conforme CNAE 6424-7/01, de acordo com anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, na redação dada pelo Decreto 6.042/2007.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-003.149
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício, que pugnou pela improcedência do lançamento, porquanto o sujeito passivo se enquadra no CNAE 6424-7/01, com alíquota de 1%, como vinha recolhendo, não havendo que se falar em lançamento de qualquer diferença a este respeito.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/08/2008 ALÍQUOTA GILRAT - BANCOS COOPERATIVOS Os Bancos Cooperativos devem contribuir com a alíquota de 1%, sobre a remuneração dos segurados empregados para o custeio do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, conforme CNAE 6424-7/01, de acordo com anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, na redação dada pelo Decreto 6.042/2007. Recurso de Ofício Negado
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Recurso de Ofício Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício, que pugnou pela improcedência do lançamento, porquanto o sujeito passivo se enquadra no CNAE 64247/01, com alíquota de 1%, como vinha recolhendo, não havendo que se falar em lançamento de qualquer diferença a este respeito. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 73 99 /2 01 1- 00 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório O presente processo referese ao Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.333.2955 , relativo às contribuições previdenciárias referentes aos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados nas competências de 06/2007 a 08/2008, e ao Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.333.2963, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s a do período de 06/2007 a 08/2008, a alíquota de 1% do GILRAT, quando deveria ter informado 3%. Os autos de infração foram lavrados em 27/10/2011 e cientificados ao sujeito passivo, através de registro postal em 31/10/2011. O Relatório Fiscal de fls. 12/29, diz que o crédito referese à diferença da alíquota do GILRAT, à razão de 2%, porquanto a partir da competência 06/2007, os Bancos Comerciais com CNAE 64212/00, passaram a recolher a alíquota de 3% para os riscos ambientais do trabalho, conforme disposto pelo Decreto n.º 6.042/2007. Entretanto, a autuada continuou a recolher a alíquota de 1%, gerando o débito ora lançado. A recorrente impugnou a autuação dizendo que por se tratar de Banco Cooperativo a alíquota a ser recolhida para o SAT/RAT é de 1%. Acórdão de fls. 183/187, julgou procedente a impugnação, exonerou o crédito lançado e recorreu de ofício da decisão, com a seguinte ementa: ALÍQUOTA GILRAT. A alíquota a ser aplicada e declarada em GFIP pelos bancos cooperativos no cálculo da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é de 1% sobre a remuneração dos empregados, no período fiscalizado, com base no Decreto 6.042/2007. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.727399/201100 Acórdão n.º 2302003.149 S2C3T2 Fl. 193 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da análise da decisão recorrida, objeto deste Recurso de Ofício, entendo estar correto o procedimento nela adotado. O levantamento referese exclusivamente à diferença na alíquota de GILRAT, porque o Fisco entendeu se aplicar o CNAE 64212/00 , relativo a Banco Comercial, com alíquota de 3%. Ocorre que do exame dos autos e da documentação juntada em sede de impugnação, mais precisamente os Estatutos do Banco Cooperativo do Brasil S/A às fls. 104 a 168, vislumbrouse que o mesmo funciona como banco cooperativo e portanto se enquadra no CNAE 64247/01, com alíquota de 1%, como vinha recolhendo, não havendo que se falar em lançamento de qualquer diferença a este respeito. O anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, na redação dada pelo Decreto 6.042/2007, traz o grau de risco leve para as atividades desenvolvidas pelos bancos cooperativos CNAE 64247/01, fixando a alíquota GILRAT em 1%. Da mesma forma, não há que se falar de descumprimento de obrigação acessória consubstanciada no Auto de Infração lavrado no Código de Fundamento Legal 68, por incorreção na alíquota de GILRAT informada, porquanto foi informada corretamente no período de 06/2007 a 08/2008, na razão de 1%, de acordo com anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, na redação dada pelo Decreto 6.042/2007. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao Recurso de Ofício, que julgou improcedente o lançamento. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 194DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 19395.720288/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
CUSTOS/DESPESAS NÃO NECESSÁRIOS. GLOSA. PROVA.
São indedutíveis custos e despesas que, segundo contratos firmados, constituem obrigações de terceiros.
Numero da decisão: 1302-001.321
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Guilherme Pollastri e Hélio Araújo. Designado Redator para o acórdão o Conselheiro Waldir Rocha.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Guilherme Pollastri e Hélio Araújo. Designado Redator para o acórdão o Conselheiro Waldir Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior
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GLOSA. PROVA. São indedutíveis custos e despesas que, segundo contratos firmados, constituem obrigações de terceiros. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Guilherme Pollastri e Hélio Araújo. Designado Redator para o acórdão o Conselheiro Waldir Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 72 02 88 /2 01 2- 16 Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.161 2 Trata o presente processo de auto de infração de IRPJ e CSLL, consubstanciando exigências de R$ 4.711.687,00 e R$ 1.732.098,79, respectivamente, acrescidos de juros e multa de 75%. Das diferenças tributáveis apuradas foram deduzidos os prejuízos/bases negativas do próprio período e de períodos anteriores. Conforme descrição dos fatos, as autuações tiveram como fundamento glosa de despesas que totalizam R$ 29.941.444,64 das seguintes contas contábeis: Os fatos apurados e as conclusões alcançadas foram assim sintetizados: Breve Histórico dos Fatos : observase, no mercado das empresas periféricas à Petrobrás, a seguinte prática: uma pessoa jurídica estrangeira, interessada em prestar serviços para a Petrobrás, cria uma empresa segundo as leis brasileiras, com sede em território nacional, da qual detem o controle acionário. a Petrobrás firma contratos distintos, um com a empresa estrangeira, que é de afretamento de embarcações, e o outro, com a empresa nacional, de prestação de serviços. No caso concreto, foi possível apurar as discrepâncias remuneratórias dos contratos de afretamento, onde figuram em conjunto como contratadas pela Petrobrás, as empresas brasileira de navegação, MARÉ ALTA DO BRASIL e a empresa estrangeira JAVA BOAT CORPORATION. em diligência na Petrobrás, a fiscalização solicitou informações sobre os valores pagos no ano de 2008 para cada empresa relativos aos contratos de afretamento e serviços, visto que os contratos apresentados pela fiscalizada não traziam estes valores claramente discriminados, apenas eram estabelecidas em seus anexos as condições gerais de pagamento. pela análise das informações apresentadas, observou a fiscalização que em alguns contratos, a empresa Maré Alta recebeu apenas 10% do valor total dos valores pagos Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.162 3 pelos contratos de afretamento e serviços, tendo sido destinado à Java Boat 90% do montante total pagos pelo mesmo contrato de afretamento. tomando como exemplo o contrato de afretamento n. 2050.0031525.07.2 envolvendo a embarcação Carline Tide, apurou que foram pagos USD 5.406.982,80 à Java Boat em 2008, enquanto à MARÉ ALTA recebeu apenas R$ 41.002,77. Porém, pelo contrato de serviços vinculado a este de afretamento, a Maré Alta acabou recebendo R$ 1.820.753,14. foi possível constatar que os valores destinados à Maré Alta como pagamento pelos contratos de afretamento e serviços representaram, na média geral com relação aos contratos firmados com a Petrobrás no ano de 2008, cerca de 20% dos valores remetidos ao exterior pela Petrobrás para a empresa Java Boat pelos contratos de afretamento. segundo a fiscalização, o propósito deste arranjo negocial, é a saída de recursos nacionais, sem a incidência do IRRF. Mediante esta estratégia adotada, vultosos valores saem do País, sem retenção na fonte, para pagamento de afretamentos (por força de alíquota zero), enquanto valores contratuais com menor relevo ficam no País, consignados na escrita contábil e fiscal de empresas, que sempre dão prejuízo, implicando nenhum recolhimento a título de IRPJ e CSLL, incidentes sobre o faturamento, isto porque os custos dispendidos nas contratações com as empresas estrangeira e brasileira ficam em sua maior parte por conta da empresa brasileira, que os lança como dedutíveis para efeito de apurar o seu resultado, muito embora sejam custos consumidos para gerar receita de afretamento para a empresa estrangeira. o contribuinte foi intimado a apresentar o Contrato Social e Alterações, explicar o desdobramento da rubrica Serviços Prestados pessoa jurídica (linha 30 ficha 4A DIPJ 2009) e desdobramento da rubrica Outros Custos (linha 39 ficha 4A DIPJ 2009). Em resposta apresentou a documentação solicitada. com base na análise dos contratos e das informações prestadas, verificou a fiscalização a seguinte estrutura societária da fiscalizada: a empresa MARÉ ALTA DO BRASIL tem como únicos sócios as empresas Twenty Grand Off Shore, INC., com sede em Nova Orleans, Lousiana, Estados Unidos. Seu capital social é de R$ 2.500.000,00, dividido em 2.500.000 cotas, no valor de R$ 1,00 cada uma, sendo que 2.499.999 cotas pertencem a Twenty Grand Offshore, INC e 1 (uma) cota a Twenty Grand (Brazil). o objeto social da sociedade é a exploração de serviços de navegação marítima, fluvial, lacustre e portuária, através de embarcações próprias ou afretadas de terceiros; operar embarcações próprias ou afretadas de terceiros em apoio a sondas ou plataformas de perfuração de petróleo em águas marítimas; agenciamento marítimo e as atividades de operador portuário; consultoria sobre agenciamento marítimo e/ou operações de embarcação em águas marítimas e a participação em outras sociedades, nacionais ou estrangeiras. Em consulta ao sítio na internet da ANTAQ Agência Nacional de Transportes Aquaviários, apurou o fiscal que consta registro de que a empresa MARÉ ALTA DO BRASIL figura entre as empresas que estão autorizadas a desempenhar a navegação do tipo apoio marítimo. Fl. 3162DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.163 4 as empresas MARÉ ALTA, situada no Brasil, e Java Boat Corporatio BV, situada em Amsterdam, pertencem a um mesmo grupo econômico, chamado “Tide Water Marine Group” cuja companhia controladora principal é a TIDEWATER. a MARÉ ALTA DO BRASIL Ltda tem sede em Macaé, e é proprietária de duas embarcações de apoio marítimo, que foram construídas em estaleiros brasileiros e carregam a bandeira brasileira. em resposta a Intimação, conforme documento juntado, a empresa JAVA BOAT CORPORATION atua na Holanda e a MARÉ ALTA atua no Brasil, de maneira autônoma, com dirigentes próprios e não relacionados, sem ligação ou dependência legal, econômica ou fiscal, embora ambas façam parte do mesmo grupo econômico Tide Water Marine. segundo a fiscalização esta informação não é real, pois verificou que a empresa JAVA BOAT CORPORATION fez diversas remessas de dinheiro à empresa MARÉ ALTA DO BRASIL a título de reembolsar diversas despesas decorrentes dos contratos de afretamento. Tal fato então contradiz a afirmação de ausência de ligação entre as empresas pois o que se inferiu é que a fiscalizada funciona como uma representação no Brasil da empresa JAVA BOAT e foi criada com o escopo de viabilizar e garantir a relação da Java com as empresas brasileiras nos contratos de afretamento em que é contratada. as provas mais contundentes da relação de dependência entre as empresas estão evidentes nas seguintes situações: a) a existência de instrumento de acordo celebrado entre as empresas, que define expressamente, como sendo de responsabilidade da JAVA BOAT, inúmeras obrigações que abrangem a maior parte dos custos e despesas decorrentes dos contratos de afretamento e serviços, contudo na prática quem os assume e lança como dedutíveis na contabilidade para efeito de apurar o seu resultado é a MARÉ ALTA, conforme Instrumento de Acordo. (DOC. 3) b) a MARÉ ALTA juntamente com a JAVA BOAT, de forma solidária, mantém contratos de afretamento de embarcações e de prestação de serviços celebrados com a Petrobrás. Os contratos de afretamento e serviços vigentes em 2008 envolvem ao todo 23 embarcações, dentre as quais apenas duas pertencem à fiscalizada. As demais embarcações pertencem a empresas estrangeiras. Contudo a fiscalizada assume mais de 70% dos dispêndios, custos/despesas, necessários para cumprir as obrigações contratuais, o que lhe causou um prejuízo fiscal no ano de 2008 da ordem de R$ 5.995.881,63, conforme a DIPJ 2009. c) diversos custos e despesas consumidos para gerar as elevadas receitas de afretamento da JAVA BOAT são contabilizados na MARÉ ALTA, porém esta recebe como ressarcimento apenas uma pequena parte dos dispêndios na forma de reembolso, mantendo a maior parte incorporada aos seus reais custos/despesas utilizados como dedutíveis na apuração de resultado do exercício. as transferências de recursos para pagar reembolsos de despesas da JAVA passam pela conta corrente número 1.510.0029 título Contas a receber Intercompanhia. Iintimada para esclarecer a natureza desta conta e seu mecanismo de funcionamento, em resposta às intimações respondeu o seguinte: Fl. 3163DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.164 5 " a conta é utilizada para registrar reembolsos de despesas provenientes das operações efetuadas entre as empresas MARÉ e JAVA, conforme Instrumento Particular de acordo celebrado entre as empresas, conforme contratos mencionados anteriormente que encontramse em anexo." "A MARÉ ALTA, quando atua como agente da JAVA aqui no Brasil, faz pagamentos para os fornecedores da JAVA BOAT e, em seguida, repassa as despesas pagas em seu nome a JAVA BOAT através de notas de reembolso. Na ocasião do pagamento para o fornecedor, é debitada Contas a receber terceiros e creditada Fornecedores . Pela emissão da nota de reembolso a conta 1.510.0029 é debitada e creditada Contas a receber Terceiros. Pelo recebimento da nota de reembolso é debitada a conta 10290065 Bancos e creditada a conta 1.510.0029 Contas a receber Intercompanhia." Da análise dos contratos: segundo a fiscalização, pelos contratos apresentados, de afretamento celebrados com a Petrobrás no ano de 2008, fica claro que as empresas MARÉ ALTA e JAVA BOAT, atuam de forma solidária,já que mantém contratos de afretamento de embarcações e de prestação de serviços com a Petrobrás. Os contratos de afretamento e serviços vigentes em 2008 envolvem ao todo 23 embarcações, dentre as quais apenas duas pertencem à fiscalizada, quais sejam Mílan Tide e Danko Tide. As demais embarcações pertencem a empresas estrangeiras, na maior parte empresas do grupo Tide Water, as quais são exploradas pela Java. Os contratos de afretamento e serviços apresentados pela MARÉ ALTA constam anexos a este Termo de Verificação. (DOC.4) pelos contratos de afretamento apresentados e seus anexos, verificou a fiscalizaçaõ que eles seguem um determinado padrão, e que consta nos contratos de afretamento apresentados uma cláusula prevendo que estes seriam executados simultaneamente com o contrato de serviços, celebrados e assinados na mesma data. Assim, mediante Termo de Intimação n. 02, foi solicitado à empresa tal contrato de serviços e anexos, cujas cópias foram juntadas a este AutodeInfração. no contrato de afretamento, via de regra, as empresas MARÉ ALTA e JAVA BOAT são designadas como CONTRATADAS, e são solidariamente responsáveis pelas obrigações contratuais assumidas. A empresa MARÉ ALTA recebe a denominação de FRETADORA e JAVA BOAT de CONTRATADA, ambas conjuntamente designadas por CONTRATADAS na redação do contrato de afretamento. conforme cláusula primeira do contrato de afretamento, constitui objeto do contrato o afretamento da embarcação pelas CONTRATADAS, para uso nas áreas em que a Petrobrás for concessionária, com finalidade de apoio às unidades de produção e perfuração. de acordo com a cláusula segunda, 2.2.1, a embarcação deverá estar à disposição da Petrobrás em condições operacionais. Portanto, a obrigação que decorre do contrato abrange não só o bom estado das embarcações, mas tabém o material humano. nos termos da cláusula 2.2.1.2 o contrato de afretamento sempre terá execução simultânea com um contrato de prestação de serviços. A rescisão de um acarreta a rescisão do outro, conforme cláusula décima terceira 13a e seguintes. Fl. 3164DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.165 6 a remuneração dos contratos de afretamento foi estipulada a partir de uma taxa diária paga em dólares às contratadas (JAVA BOAT e MARÉ ALTA), não havendo discriminação específica acerca das quantias destinadas a cada uma delas. intimada a esclarecer tais montantes não o fez e diante da sua negativa, foi aberta diligência junto à Petrobrás. Apurou que a parcela referente à taxa diária de afretamento paga em moeda estrangeira é muito superior à taxa de afretamento nacional. Para se ter uma idéia da discrepância, tomouse como exemplo o contrato de afretamento da embarcação Carline Tide, onde o valor total de pagamento referente à parcela de taxa de afretamento em moeda estrangeira foi equivalente a R$ 22.865.488,00, pagos à Java Boat, enquanto o valor oa parcela referente à taxa de afretamento nacional totalizou R$ 153.459,65, pagos à MARÉ ALTA. na cláusula 17 e seguintes, foi estabelecida a possibilidade da Petrobrás aplicar multas às contratadas no caso de descumprimento do contrato. Assim, diante de qualquer problema que ocorra em relação à operação da embarcação, a Petrobrás cobra diretamente da contratada brasileira. diante da discrepância da remuneração destinada a cada contratada, e a falta de clareza quanto às obrigações assumidas por cada uma, no contrato de afretamento, e, tendo em vista que as condições operacionais englobam uma vasta gama de prestações a serem cumpridas, abrangendo não só a condição física das embarcações, bem como o material humano necessário para operálas, questionouse a existência de um contrato entre as empresas. em atendimento à intimação, foi apresentado o instrumento particular de acordo (DOC 3) entre as empresas, datado de janeiro de 2002, onde a JAVA BOAT é descrita como uma empresa estrangeira afretadora de embarcações de apoio marítimo, apta a operar na operação de barcos de apoio às unidades de pesquisa, produção e perfuração de hidrocarbonetos. A MARÉ ALTA é definida como empresa brasileira de navegação, devidamente licenciada, e com experiência necessária para o afretamento ou operação de embarcações no mar territorial brasileiro. o contrato reza, que a JAVA BOAT e a MARÉ ALTA celebram CONTRATOS para o fornecimento de embarcações de apoio para empresas que se dedicam à exploração e produção de petróleo, que atuem na plataforma continental brasileira, e que ambas têm o interesse comum de oferecer colaboração técnica e profissional com a finalidade de cumprir as obrigações específicas destes CONTRATOS. O objeto deste instrumento de acordo é o atendimento aos CONTRATOS para a prestação de serviços de apoio a empresas que atuam na plataforma continental brasileira. na cláusula 4 do referido instrumento de acordo, constam as seguintes obrigações assumidas pela Java Boat em relação aos CONTRATOS firmados por ambas contratadas, Java e Maré: 4 A. operar e manter os barcos em bom estado no que concerne a casco e máquinas e adequadamente equipados, de acordo com os contratos, para o apoio às operações de exploração e produção de hidrocarbonetos (petróleo e gás) na plataforma continental brasileira; Fl. 3165DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.166 7 4B. Manter no B.asil em base(s) própria ou de terceiros estoque mínimo de peças de reposição s jficientes para manter a operação normal dos barcos em águas brasileiras; 4C Através de terceiros devidamente contratados, manter bases de operações de barcos e escritórios no Brasil, empregar pessoal operacional, administrativo e auxiliar (brasileiro) que seja necessário ou exigido á luz de uma avaliação comercial prudente ou por força de leis locais , e arcar com todos os custos e despesas pagáveis no Brasil relativamente à operação de tais bases e escritórios de apoio; 4D. Suprir, mediante contrato de trabalho entre agente local e o empregado, o pessoal embarcado brasileiro, ficando acordado que o pessoal brasileiro jamais será tido como sendo empregado da Maré Alta; 4E. Providenciar a compra de alimentos, material de limpeza e todos os artigos de consumo não pagos ou proporcionados pelos contratos; 4F. Empreender e custear qualquer manutenção e reparo dos barcos, seja ela de pequena monta ou de vulto; 4G. Recolher os barcos a dique seco para reparos, inspeções e manutenção, conforme ditem uma marinhagem prudente, leis e regulamentos aplicáveis e os requisitos de sociedades classificadoras de embarcações; 4H. Executar e custear quaisquer alterações ou melhoramentos de vulto nos barcos porventura exigidos pelos Contratos, para ulterior reembolso, ou de outro modo ditados por boas razões comerciais; 41. Proporcionar oficiais expatriados para barcos no número e nos postos exigidos por leis ou regulamentos aplicáveis aos contratos ou, então, por práticas comerciais sensatas, sendo responsável pelo custo engajamento desse pessoal expatriado embarcado, inclusive o custo de suas gratificações por manuseio de âncora (se houver) e suas despesas de viagem e benefícios incluindo assistência médica, ficando acordado que o pessoal embarcado jamais será tido como sendo empregado pela Maré Alta; 4J. Mobilizar e desmobilizar os barcos aos respectivos portos de entrega/devolução, e arcar com o custo de tais mobilizações e desmobilizações; 4K. Proporcionar e/ou custear o combustível e os lubrificantes consumidos pelo barcos durante tais mobilizações e desmobilizações, durante períodos extraaluguel e em todas as demais ocasiões em que o combustível e os lubrificantes para os barcos não sejam proporcionados ou custeados pelo cliente conforme estabelecido nos contratos; 4L. Providenciar e pagar seguro de casco e máquinas, seguro de "P&l" para os barcos, assim como quaisquer outras espécies de cobertura de seguros exigidas pelos contratos ou razões comerciais prudentes com respeito aos barcos. na cláusula 3, figuram como obrigações e responsabilidades da Maré Alta do Brasil: 3 A.P ara fins de atendimento aos Contratos no âmbito deste acordo, a Maré Alta poderá afretar, através de contrato específico, ("Contrato de Afretamento"), as Fl. 3166DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.167 8 embarcações cujas características se enquadrem às requeridas nos referidos Contratos. As embarcações acima são doravante designadas de Barcos; 3B. Os contratos de afretamento entre a Maré Alta e a Java Boat serão listados no Anexo B do presente acordo e o anexo A Contratos em Vigor será específico e abrangente e será atualizado semore que houver inclusão, exclusão ou modificação dos contratos especificados; 3C. A Maré Alta, a pedido da Java Boat, poderá ser responsável por registrar em seu nome o Contrato de Afretamento no módulo RDEROF do banco Central do Brasil, bem como efetuar e registrar as remessas de valores relativas ao Contrato de Afretamento para a Java Boat; jD a Maré Alta, a pedido da Java Boat, atuará como simples agente da Java Boat no Brasil a fim de providenciar os devidos trâmites e registros juntos aos órgãos oficiais competentes para regularização da entrada e permanência dos Barcos no Brasil; 3E. Quando solicitada a Maré Alta, às expensas da Java Boat, proporcionará aos Barcos da Java Boat no Brasil o apoio logístico relativo às obrigações atribuídas à Java Boat que a mesma não possa, no todo ou em parte, cumprir em razão de limitações de ordem legal ou prática; 3F. A Maré Alta debitará à Java Boat e por ela será reembolsada dos valores incorridos e devidamente comprovados através de notas de débito específicas dos valores desembolsados com a finalidade de manutenção junto aos órgãos oficiais do Brasil da permanência legal dos Barcos da Java Boat no Brasil, listados no Anexo B Contratos de Afretamento em Vigor apenso a este acordo. a partir das cláusulas do acordo firmado entre as contratadas JAVA BOAT e MARÉ ALTA, podese constatar que todo e qualquer custo e/ou despesa referente às obrigações contidas nas cláusulas 4 são de responsabilidade da JAVA BOAT. restou acordado no sobredito Instrumento, ser obrigação da empresa estrangeira operar as embarcações, ou seja, prover as condições operacionais exigidas pela Petrobrás, enquanto à MARÉ ALTA ficou designado o papel de mera agente da empresa estrangeira no Brasil e responsável pelos trâmites e registros necessários para que os contratos de afretamento possam ser celebrados com as empresas brasileiras. outro dado que evidencia a natureza de fato da relação entre as empresas, de ser a MARÉ ALTA uma representante da estrangeira JAVA BOAT no Brasil, está demonstrado na cláusula 5 do referido acordo, onde fica estipulado o preço que cabe a cada uma nos contratos celebrados: 5A. I Quando o contrato for exclusivo entre o cliente e a Java Boat a mesma pagará à Maré Alta o percentual de 2,5% para contratos com período de duração igual ou inferiores a 30 dias, e 1,25% para contratos mais longos, por embarcação e durante a vigência deste acordo. II Quando o contrato abranger o cliente, a JAVA BOAT e MARÉ ALTA, a MARÉ ALTA será remunerada em 0,5% e este percentual será destacado especificamente no contrato. 5B Este percentual incidirá sobre a taxa diária contratual estipulada nos contratos e incluirá os reajustamentos contratuais estipulados nos mesmos. diante do pactuado pelas empresas no Acordo, é incabível à fiscalizada proceder como o fez: lançar os custos enumerados na cláusula 4 como dedutíveis na apuração de seu resultado. Estes custos necessários para viabilizar as condições operacionais das Fl. 3167DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.168 9 embarcações e colocálas aptas para as atividades de apoio marítimo não são seus. Até porque os referidos dispêndios foram consumidos na obtenção de receitas para a empresa estrangeira. no caso particular das embarcações que são de propriedade da MARÉ ALTA ou quanto às por ela administradas, contratadas com empresas que não a Petrobrás, os custos para operar as embarcações são imputáveis à MARÉ ALTA DO BRASIL, agindo esta de modo adequado ao leválos à apuração de seu resultado. O contrato de serviços celebrado pela Petrobrás e a empresa MARÉ ALTA têm como objeto a prestação de serviços de operação da embarcação, abrangendo a função de tripular, realizar a operação náutica e efetuar manutenção preventiva dos barcos. neste contrato, via de regra, há uma cláusula contratual, 2.2.1.2, que expressamente o vincula ao contrato de afretamento, prevendo que serão firmados na mesma data e que, a rescisão do afretamento, acarreta a rescisão do sobredito contrato. pelo exposto anteriormente em relação ao objeto do contrato de afretamento e a metodologia aplicada na contratação das empresas JAVA e MARÉ ALTA pela Petrobrás, observase que todas as obrigações descritas no contrato de serviços na verdade já estão contidas no contrato de afretamento, no qual a JAVA BOAT e a MARÉ ALTA são partes contratadas para disponibilizar as embarcações afretadas em condições operacionais. deste modo, considerando o objeto do contrato de afretamento; considerando o Instrumento de acordo existente entre as contratadas, onde fica a JAVA BOAT como responsável por operar as embarcações e, de fato é com ela que o contrato de afretamento é celebrado, haja vista que a maior parte da receita de afretamento é para ela destinada; considerando que o referido Instrumento restringe a atuação da MARÉ ALTA à condição de representante e agente da empresa estrangeira no Brasil, constatou a fiscalização que estes contratos de serviço tem a mera natureza de viabilizar os contratos de afretamento, possibilitando à contratante Petrobrás ter meios de exigir o cumprimento do afretamento diretamente da MARÉ ALTA, sem precisar demandar a JAVA BOAT Corporation, bem como facilitar o ressarcimento, caso sejam descumpridos os contratos de afretamento. a Maré Alta recebe como remuneração pelo agenciamento prestado, o valor estipulado nos contratos de serviços e os valores estipulados como Preço no Instrumento de Acordo existente entre a JAVA BOAT e MARÉ ALTA. que os contratos de prestação de serviços possuem um aditivo onde a empresa fiscalizada cede, com anuência da contratada Petrobrás, todos os direitos e obrigações inerentes aos contratos de serviços celebrados à empresa Pan Marine do Brasil Ltda. A cedente e cessionária respondem solidariamente pelas obrigações assumidas. a empresa Pan Marine do Brasil, também empresa do grupo Tide Water Marine, fica como responsável pela alocação da mãodeobra operacional das embarcações e também administrativa da fiscalizada. Na ocasião do Termo de Intimação n.4, onde foi solicitada a folha de pagameneo da MARÉ ALTA, esta respondeu que não possui funcionários, razão peia qual, não emite folhas de pagamento. Todos os funcionários alocados pela MARÉ ALTA na consecução das suas atividades são empregados da Pan Marine do Brasil, havendo entre elas um instrumento de contrato de prestação de serviços, cuja cópia encontrase anexa a este Auto. assim, para atender os contratos de serviços celebrados com a Petrobrás, a fiscalizada contratou a empresa Pan Marine do Brasil, que funciona como uma simples agente da MARÉ ALTA. A MARÉ ALTA paga uma taxa de agenciamento, lançada na conta Fl. 3168DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.169 10 contábil 6.055.0300, à Pan Marine a título de remuneração pelos serviços de agenciamento marítimo prestados. analisando o contrato de prestação de serviços firmado entre a MARÉ ALTA e Pan Marine, verificouse que as obrigações da Pan Marine são idênticas às obrigações que cabem à JAVA BOAT constantes do acordo firmado entre a MARÉ ALTA E JAVA BOAT. Tal dado é mais um reforço à evidência da relação de fato que existe entre a empresa estrangeira JAVA BOAT e a brasileira MARÉ ALTA de que esta atua como uma representante da empresa estrangeira no Brasil, portanto intermedeia as contratações com a Petrobrás feitas pela JAVA BOAT e confere garantia a estas. É por este mecanismo que a empresa MARÉ ALTA viabiliza condições para a JAVA BOAT operar suas embarcações. A seguir enumerase algumas obrigações assumidas pela Pan Marine no contrato firmado com a MARÉ ALTA do Brasil: I)cuidar dos trâmites e registros junto aos órgãos públicos para regularização e permanência das embarcações no Brasil; II)empregar pessoal operacional e administrativo, seja brasileiros ou estrangeiros III) providenciar apoio logístico para os barcos afretados pela Petrobrás, entre outros, cujos custos com salário, encargos sociais etc, são debitados diretamente à MARÉ ALTA, através de notas de débitos. notase que na prática a empresa Pan Marine foi contratada pela MARÉ ALTA para servir principalmente às embarcações com contrato de afretamento entre Petrobrás e JAVA BOAT, haja vista que ao todo são 23 barcos, quando apenas dois pertencem à contratante MARÉ ALTA. Mesmo assim, o total dos custos decorrentes desta contratação é debitado em nome da contratante MARÉ ALTA, que posteriormente é reembolsada pela JAVA BOAT apenas com uma pequena parcela. estes fatos evidenciam que o contrato de prestação de serviços celebrado entre a MARÉ ALTA e a Petrobrás, quando estabelece que seu objeto é para que a MARÉ ALTA opere a embarcação, na verdade quer dizer tão somente para que esta viabilize a operação da embarcação, que de fato é feita pela empresa estrangeira JAVA BOAT, conforme demonstrado com o Instrumento de Acordo entre a JAVA BOAT e a MARÉ ALTA, onde a MARÉ ALTA assume a obrigação de representar a empresa estrangeira no Brasil, e de que a remuneração pela viabilização da operação da embarcação acordado com a JAVA BOAT é paga pela contratante Petrobrás, mediante o contrato de Prestação de Serviços o contrato de prestação de serviços celebrado entre a MARÉ ALTA e a Petrobrás surge, portanto, meramente para viabilizar a operação das embarcações afretadas; a obrigação de operar a embarcação propriamente dita foi assumida pela JAVA BOAT perante a MARÉ ALTA no acordo interpartes. O contrato de prestação de serviços também tem o escopo de ser a remuneração que a MARÉ ALTA recebe por intermediar as relações da JAVA BOAT com a Petrobrás, obrigação esta assumida pela MARÉ ALTA perante a JAVA BOAT, no mesmo Instrumento de Acordo uma prova que este contrato com a Petrobrás é de viabilização de operação da embarcação pela JAVA BOAT é a subcontratação da Pan Marine, cujos serviços são pagos pela JAVA BOAT mediante reembolso de despesas, conforme Instrumento Particular de acordo mencionado anteriormente. Da Glosa de Custos e Seus Motivos: ficou assim, segundo a fiscalização, comprovado que o contribuinte considerou como dedutíveis, compras de materiais e pagamentos por conta de serviços Fl. 3169DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.170 11 prestados por terceiros que não guardam quaisquer liames com as transações ou operações exigidas pela real atividade da sociedade empresária, custos estes lançados em sua contabilidade, os quais estão identificados na coluna C da planilha abaixo. na planilha a seguir, constam informações extraídas da contabilidade (SPED), na qual estão identificados na coluna (C), a totalidade dos custos apurados pela Fiscalizada na apuração do resultado de exercício e os custos glosados coluna (D). observase que os custos discriminados na coluna C foram Informados pela fiscalizada em sua DIPJ 2009 e checados com sua escrituração contábil. Os valores constantes da coluna D, onde foram considerados os custos dispendidos pela MARÉ ALTA referente às contratações das embarcações que não são de sua propriedade e que foram contratadas com a Petrobrás, foram obtidos pela contabilidade da empresa SPED e pelos balancetes por centro de custo por embarcação que foram fornecidos pela fiscalizada no decorrer da auditoria. A escrituração contábil da empresa considera cada embarcação como um centro de custo, sendo portanto, possível identificar os custos contidos nas contas abaixo referentes às embarcações que não são de propriedade da MARÉ ALTA e que foram contratadas com a Petrobrás. Foram anexados a este Autodelnfração: a relação apresentada pela empresa dos barcos que tiveram contratos em 2008, a relação discriminada de cada centro de custo/cada embarcação e os balancetes identificados por centro de custo/embarcação (DOC 5). os custos imputáveis à fiscalizada, e, portanto possíveis de serem levados ao seu resultado, são aqueles cuja natureza decorre da sua atividade como agente da empresa estrangeira no Brasil, quais sejam Outros custos de embarcação conta 60550010; Hard/Softw/Manutenção conta 60550200; Comunicação Embarcação 60550220; Agenciamento60550300 e os decorrentes da operação das suas próprias embarcações (Danko Tide e Milan Tide) e dos barcos em que ela assume a obrigação de operar através de contratos firmados com empresas que não são a Petrobrás (embarcações Cumbria Service, Faridah Tide, Lester Pollack e Herbet Tide). A B C D NOME CUSTOS CONTA RES/EXERC CUSTOS GLOSA Serv. Prest. P. Jurídicas 60000040 13.000.411,11 13.000.411,11 Afretamento a Casco nu 60400020 8.553.236,69 0,00 Despesas de viagem 60060080 2.774.945,56 2.770.050,35 Alimentação e Lavanderia 60100010 1.763.611,76 1.763.611,76 Encargos s/ serv. Prestados PJ 60040410 5.250.304,76 5.250.304,76 Seguro de vida 60040400 61.325,16 61.325,16 Despesas Médicas 60040010 1.103.885,04 1.096.173,63 Desp. Médicas Rateio 60040015 2.398,56 2.132,06 Reparo 60160030 2.917.205,63 0,00 Outros custos de embarcação 60550010 2.152.158,48 0,00 Hard/SOFTW/Manutenção 60550200 60.799,81 0,00 Comunicação Embarcação 60550220 189.228,29 0,00 Agenciamento 60550300 3.267.874,06 0,00 Reparo e manutenção geral 60150030 2.534.136,34 1.661.095,01 Combustível 60250010 2.707.085,28 2.626.946,18 Lubrificante 60250020 1.709.394,62 1.709.394,62 Depreciembar/software 61002210 9.407.162,79 0,00 SOMA DOS CUSTOS 29.941.444,64 Fl. 3170DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.171 12 Custos glosados: Serviços prestados pessoa jurídica conta 60000040: glosa de R$ 13.000.411,11. Estes custos lançados nesta conta referemse aos valores pagos pela alocação de mãodeobra contratados com a Pan Marine, nos navios que não são de propriedade da empresa MARÉ ALTA e que foram contratados com a Petrobrás, conforme notas fiscais de prestação de serviços cujas cópias encontramse anexas. Tais custos são de responsabilidade da empresa JAVA BOAT, conforme cláusulas 4C e 4 D do Instrumento de Acordo entre as empresas MARÉ ALTA e JAVA BOLT transcritas anteriormente. Despesas de viagem conta 60060080: glosa de R$ 2.770.050,35. Custos de responsabilidade da JAVA BOAT dispendidos com o pessoal aplicado para operar as embarcações que não são de propriedade da fiscalizada nos contratos firmados com a Petrobrás. Estes custos estão abrangidos pelas clausulas 4C e 4D do mencionado Instrumento de Acordo existente entre as empresas brasileira e estrangeira, no qual a responsabilidade pelo pagamento é imputada à JAVA BOAT; Alimentação e Lavanderia conta 60100010: glosa de R$ 1.763.611,76. Estes custos foram suportados pela MARÉ ALTA e lançados ao seu resultado, porém não estão relacionados à atividade produtiva da empresa, que é de agenciamento e representação da empresa JAVA BOAT no Brasil. Referemse a custos de alimentação e lavanderia com o pessoal aplicado nas embarcações que não são de propriedade da MARÉ ALTA, nos contratos firmados com a Petrobrás. Tais dispêndios, por força do que foi pactuado pela JAVA BOAT e MARÉ ALTA na cláusula 4E do Instrumento de Acordo, que rege as relações entre ambas, são de responsabilidade da empresa estrangeira. Como foi mencionado anteriormente, a MARÉ ALTA não tem empregados. Todos o pessoal alocada nas embarcações são contratados com a Pan Marine, portanto as despesas de alimentação e lavanderia se referem a este pessoal, cujos valores dispendidos competem à JAVA BOAT arcar; Encargos s/ serv. Prestados PJ conta 60040410: Foi glosado o valor de R$ 5.250.304,76. Tais custos estão relacionados aos custos lançados na conta 6000040, Serviços prestados pessoa jurídica, e referemse aos encargos trabalhistas (FGTS, INSS, entre outros, conforme especificados nas folhas de pagamento) do pessoal alocado nas embarcações que não são de propriedade da MARÉ ALTA nos contratos firmados com a Petrobrás. Estes custos, por força do contido na cláusula 4C do Instrumento de Acordo entre as empresas MARÉ ALTA e JAVA BOAT,são de responsabilidade da JAVA BOAT. Foram anexadas a este Auto as folhas de pagamento das embarcações, comprovando que estes encargos se referem ao pessoal aplicado nos contratos com a Petrobrás, nas embarcações que não são da MARÉ ALTA; Seguro de Vida conta 60040400: Glosa do valor de R$ 61.325,16. Custos cuja responsabilidade de pagamento é imputada à JAVA BOAT, por força da cláusula 4C do Instrumento de Acordo. Custos também relacionados ao pessoal aplicado nas embarcações contratadas pela Petrobrás e cuja propriedade não é da MARÉ ALTA; Despesas médicas conta 60040010 e despesas médicas rateio conta 60040015: Glosa do valor de R$ 1.098.305,69, haja vista que os custos aqui envolvidos, de despesas médicas com pessoal aplicado na operação das embarcações que não são de propriedade da MARÉ ALTA e contratadas pela Petrobrás, são abrangidos pela cláusula 4C do Instrumento de Acordo entre as empresas MARÉ ALTA e JAVA BOAT, e portanto são de responsabilidade da JAVA BOAT; Reparo e Manutenção geral conta 60150030: Glosa do valor de R$ 1.661.095,01. Tais custos, por força do que está prenisto nas cláusulas 4A e 4F do Instrumento de Acordo entre as empresas MARÉ ALTA e JAVA BOAT, e aqui não importa o vulto do reparo a ser realizado nas embarcações que não são de propriedade da MARÉ ALTA, são imputáveis à JAVA BOAT e, deste modo, cabem a esta a responsabilidade do pagamento; Fl. 3171DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.172 13 Combustível conta 60250010: Glosa do valor de R$ 2.626.946,18, que corresponde aos gastos com combustível as embarcações que não são de propriedade da MARÉ ALTA e que foram contratadas com a Petrobrás, cujo pagamento do combustível utilizado não foi custeado por esta. Nos termos da cláusula 4K do Instrumento de Acordo entre as empresas MARÉ ALTA e JAVA BOAT, estes custos são obrigação da JAVA BOAT, portanto devendo ser pagos e assumidos por esta; Lubrificante conta 60250020: Glosa do valor de R$ 1.709.394,62. Por força da cláusula 4K do instrumento de Acordo entre as empresas MARÉ ALTA e JAVA BOAT, tais custos são de obrigação da contratada JAVA BOAT, portanto, considerados indedutíveis para apuração do resultado da empresa brasileira e devendo ser glosado. foi solicitada a apresentação de Notas fiscais relativos aos lançamentos na conta 60150030 Reparo e Manutenção Geral, superiores a R$ 4.000,00, o que significa uma amostra representativa de 70% do montante total da conta. As notas apresentadas fazem menção às embarcações a que se referem os reparos, e deste modo, confirmam que os valores dispendidos lançados nesta conta referemse a reparos realizados em embarcações que não são de propriedade da fiscalizada e portanto não poderiam ter sido assumidos por ela (DOC 6). foram solicitadas a apresentação das notas fiscais da conta 60000040 Serviços Prestados Pessoa Jurídica, para que fosse possível confirmar a natureza e titularidade dos custos ali consignados (DOC 7). estes documentos encontramse em anexo a este Termo de Verificação Fiscal. Dessa forma, o contribuinte fiscalizado ao deduzir custos/despesas de responsabilidade da sociedade empresarial JAVA BOAT, na apuração do Lucro Real, fez reduzir a base de cálculo do imposto devido mediante o abatimento de custos/despesas não necessárias, infringindo o disposto no Decreto n°. 3.000/99. desse modo, os gastos para os quais não restar provada que a natureza do dispêndio atende aos critérios de usualidade, necessidade e normalidade, a lei veda que sejam deduzidos no cálculo do lucro real, já que não integraram a produção do bem ou serviço. face ao exposto, foi efetuada a glosa dos custos de responsabilidade da JAVA BOAT, no valor de R$ 29.941.444,64, considerado indevidamente como dedutíveis na apuração do resultado da fiscalizada, respeitando a parte cabível a esta. Inconformada, a interessada impugnou o auto de infração, argumentando em sintese o seguinte: que o auto de infração foi fundamentado em acusações injuriosas e genéricas, com longa exposição da opinião do fiscal autuante. É uma pça carregada de raiva e emoção. que o trabalho fiscal foi minuncioso e sua conclusão consumiu 16 meses de trabalho, tempo em que a Interessada respondeu pronta e fielmente a 11 intimações. que ao contrário do afirmado pela fiscalização a empresa não atua nem nunca atuou na prospecção, perfuração, avaliação, complementação e workover. a empresa atua apenas em serviço de apoio marítimo, não só de embarcações estrangeiras afretadas pela Petrobrás de empresas do mesmo grupo econômico, como também de embracações próprias, construídas no Brasil (de bandeira brasileira). Fl. 3172DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.173 14 que a Petrobrás que impôs e adota de dois contratos entrelaçados, um de afretamento, com a empresa estrangeira, que representa 80% da soma dos dois contratos, e outro de prestação de serviços, com a empresa criada no Brasil, que representa os outros 20%. Que as minutas são incluídas no convite internacional de licitação e as partes interessadas apenas apresentam a oferta de preços, a repartição da soma dos dois contratos é estabelecida pela Petrobrás. que a proporção da divisão feita não é fixa de 80/20%, dependendo do contrato ela pode ser de 70/30, 75/25 ou 50/50%. Os licitantes vencedores são obrigados a apresentar, a partir da comunicação do resultado da licitação, um envelope com dois documentos: "Demonstrativo de Formação de Preços Afretamento" e Demonstrativo de Formação de Preços Serviços". Os custos são assim, justificados, antes da assinatura do contrato com aquele que vencer a licitação. que no contrato de afretamento com a empresa estrangeira, a empresa nacional também é parte, e entra como responsável por algumas obrigações, como obter licenças para operação da embarcação estrangeira. Para isto uma pequena parte do custo de afretamento é destinado a empresa brasileira, como se fosse uma agente, sempre de acordo com o previsto nos Convites. que junta como comprovação do afirmado os documentos referentes à embarcação CARLINE TIDE: Convite Internacional, e o Adendo Instruções para apresentação de Demonstrativo de Formação de Preços, Afretamento, bem como o Demonstrativo de Formação de Preços, Serviços, nos quais se tem o que foi considerado para formar a Taxa Diária de Afretamento para Empresa Estrangeira, a ser pago em USD (EE), e o que foi considerado para formar a Taxa Diária de Prestação de Serviços de Operação (EBN). que desta forma, resta claro que é a Petrobras que faz a "engenharia jurídica", aplica a "metodologia dos contratos bipartidos de serviços a serem prestados" e os interessados sequer podem discutir as clausulas, é como um contrato de adesão. sendo assim a acusação de que o propósito da metodologia adotada de contratos é o escoamento para o exterior da maior parte dos valores envolvidos, não deveria ser dirigida aos afretadores e sim a Petrobrás. que, porém, a Petrobras consulta os demais órgãos reguladores federais como Antaq e a RFB, antes de decidir a modelagem das suas licitações internacionais e os empresários limitamse a cotar seus preços (afretamento e serviços), em conformidade com os Convites Internacionais. que as licitações são de "menor preço", e fiscalizadas, não só pelos muitos próprios ofertantes como também pelo Tribunal de Contas da União. que a Petrobras limita o quanto possível a remessa de pagamentos ao exterior, não só determinando a parceria empresa estrangeira/empresa nacional, como limitando as remessas ao exterior. que sendo assim, resta claro o equívoco da conclusão a que a fiscalização chegou de glosar as despesas não porque sejam indevidas, mas porque a metodologia adotada, na sua opinião, serve para beneficiar as partes e prejudicar os interesses nacionais. Fl. 3173DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.174 15 a Fiscal Autuante, em suma, diz que: a) Apurou "discrepância remunatória dos contratos de afretamento entre a Petrobras, a MARÉ ALTA e a JAVA BOAT; b) Em alguns contratos de afretamento a JAVA BOAT recebeu 90% e a MARÉ ALTA 10% do valor total dos valores pagos pelos contratos de afretamento e serviços, c) Tomando como exemplo o contrato de afretamento do CARLINE TIDE, "foram pagos USD 5.406.982,80 a JAVA BOAT no ano de 2008, enquanto apenas R$ 41.002,77 pagos a MARÉ ALTA. Fica notória esta diferença abissal pelo contrato de serviços vinculado a este de afretamento, em que a MARÉ ALTA recebeu o valor de R$ 1.820.753,14 d) Nos contratos com a Petrobras em 2008 a média geral em relação ao total, foi de 80% de pagamentos à empresa estrangeira e 20% para a empresa nacional. quanto a (a) acima: Não houve "discrepância remunertatória" nos contratos de afretamento e serviços. Por discrepância só se pode entender remuneração diversa da que foi contratada, desbalanço entre o valor pago ao estrangeiro e o valor pago à prestadora de serviços nacional. quanto a (b) acima: Em nenhum dos contratos fiscalizados a proporção foi de 90/10%. A Fiscal autuante está equivocada, vide tabela abaixoque contem apenas os contratos com a Petrobras de afretamento e serviços de embarcações estrangeiras. PETROBRÁS – CONVITES INTERNACIONAIS E CONTRATOS ASSINADOS % Convite Internacional %Contratos Assinados BARCO Afretamento/serviço Inclui Fretadora/Armadora (EBN) no Contrato de Afretamento Afretamento (empresa estrangeira) Afretamento (empresa nacional) Prestação de Serviço (empresa nacional) Adam Tide 60/40 60.0% 0.0% 40.0% Carline Tide 75/25 0.5% a 5% 74.5% 0.5% 25.0% CE Laborde Jr 80/20 80.0% 0.0% 20.0% Chesapeak Seahorse 70/30 0.5% a 5% 64.5% 0.5% 35.0% Collins Tide 75/25 0.5% a 5% 75.5% 0.5% 25.0% Gallusturm 60/40 Mínimo 40% 60.0% 40.0% 0.0% Goliath Tide 70/30 70.0% 0.0% 30.0% Goux Tide 60/40 Mínimo 40% 60.0% 40.0% 0.0% Guard Tide 60/40 Mínimo 40% 60.0% 40.0% 0.0% Huntetor 75/25 0.5% a 5% 74.5% 0.5% 25.0% Kehoe Tide 75/25 0.5% a 5% 74.3% 0.7% 25.0% Mammoth Tide 70/30 70.0% 0.0% 30.0% Marion Tide 50/50 Mínimo 50% 50.0% 50.0% 0.0% Mire Tide 60/40 60.0% 0.0% 40.0% Oil Onyx 60/40 Mínimo 40% 60.0% 40.0% 0.0% Oil Tracer 75/25 0.5% a 5% 74.5% 0.5% 25.0% Oil Trader 60/40 Mínimo 40% 60.0% 40.0% 0.0% Oil Vibrant 70/30 70.0% 0.0% 30.0% Pardee Tide 70/30 70.0% 0.0% 30.0% Seeker 70/30 63.0% 2.0% 35.0% pelo exposto, vêse que a fiscalização se equivocou mais uma vez em relação ao contrato de afretamento relativo à embarcação Carline Tide, na medida que a Fl. 3174DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.175 16 proporção da remuneração da Petrobrás, não foi de 80/20% como afirmado e sim de 71 % para a empresa estrangeira e 29% para as nacionais (MARÉ ALTA e Pan Marine). Vide tabela abaixo: Contratos Assinados – Embracação Estrangeira – Anexo II Contratos Afretamento Valor – Taxa Diária – USD$ (R$ convertido a USD$ na data da lictação) Barco Afretamento empresa estrangeira Afretamento empresa brasileira Prestação de serviço empresa brasieleira Adam Tide $ 8.994,00 $ $ .996,00 Carline Tide $14.676,50 $ 8,50 $ .925,00 CE Laborde Jr $34.600,00 $ $8.650,00 Chesapeak Seahorse $4.031,25 $ 1,25 $2.187,50 Collins Tide $13.335,50 $89,50 $4.475,00 Gallusturm $4.774,26 $1.240,00 $ Goliath Tide $6.580,00 $ $2.820,00 Goux Tide $3.684,00 $2.456,00 $ Guard Tide $4.410,00 $2.940,00 $ Huntetor $10.348,05 $69,45 $3.472,50 Kohoe Tide $25.844,05 $258,44 $8.672,50 Mammoth Tide $6.405,00 $ $2.745,00 Marion Tide $1.862,50 $ $1.862,50 Mire Tide $4.662,00 $ $3.134,00 Oil Onyx $ $ $ Oil Tracer $13.968,75 $93,75 $4.687,50 Oil Trader $4.662,00 $ $3.108,00 Oil Vibrant $9.100,00 $ $3.900,00 Pardee Tide $5.425,00 $ $2.325,00 Seeker $7.717,50 $245,00 $4.287,50 $185.119,33 $7.521,89 $67.247,99 71% 3% 26% Total Taxa Diária USD $259.889,21 100% portanto, a proporção em USD não é alterada pelas partes, varia somente em função de variação cambial ou monetária quando porventura prevista nos contratos de serviços. que os equívocos apontados possivelmente se devem pelo desconhecimento da fiscalização de como os contratos funcionam em conjunto e que eles são inseparáveis. pelo contrato de afretamento, o proprietário (JAVA BOAT) freta a embarcação a tempo, parcialmente tripulada, para a MARÉ ALTA, uma empresa brasileira de navegação (EBN), para prestar serviços à Petrobras. a obrigação do dono do barco (JAVA BOAT) em um contrato deste tipo, é de fornecer o barco em condições próprias de navegabilidade, e parcialmente tripulado. a empresa brasileira, por sua vez, recebendo o barco em afretamento, para o fim especifico de prestar serviços à Petrobras, se obriga a atender o barco em tudo que disser respeito às autoridades brasileiras, providenciando as licenças cabíveis e exigidas para o barco poder trabalhar em aguas jurisdicionais brasileiras (AJB). Fl. 3175DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.176 17 por este serviço, a empresa brasileira faz juz a uma remuneração, como a de um agente marítimo. É a parcela destacada do contrato de afretamento do CARLINE TIDE, a que refere a Fiscal Autuante no trecho acima transcrito do Termo de Verificação Fiscal. Este serviço, no caso do CARLINE TIDE, rendeu para a Maré Alta em 2008, R$ 41.002,77. Nada mais que honorários de agenciamento. que o normal seria que este valor estivesse embutido no custo de afretamento cobrado pelo dono do navio, pois é uma despesa do dono do navio, e assim seria remetido para o exterior. Mas a Petrobras, paga diretamente esta parcela, no Brasil. Por isso aparece o pagamento em reais, à Maré Alta, e no contrato de afretamento, de R$ 41.002,77. pelo segundo contrato, de serviços, a empresa brasileira (MARÉ ALTA), se obriga a operar o barco, provisionando tudo o que for necessário para a prestação do serviço. Isto inclui a contratação e pagamento de tripulação brasileira (exigência da lei brasileira, o barco necessariamente terá pelo menos 2/3 de brasileiros em sua tripulação), prover alimentação, plano de saúde, despesas de manutenção e pequenos reparos de manutenção, combustíveis, e em geral tudo que for necessário para operar o barco em serviço da Petrobras. Neste contrato a remuneração é contratada em reais e paga pela Petrobras no Brasil. os dois contratos, assim são conexos, só podem funcionar em conjunto, são inseparáveis. então perguntase: porque não um só contrato ? Simplesmente porque é necessário separar o que será pago com remessa ao estrangeiro, em USD, do que será pago em Reais no Brasil. Para ficar bem claro, transparente e fácil de fiscalizar e impedir justamente o que a Fiscal autuante achou que estaria ocorrendo. Que nada alem do estritamente devido seja enviado para o exterior. neste particular a Fiscal Autuante entra numa contradição: glosa varias despesas que devem ser pagas no Brasil, e autua assim a empresa pelo lucro que teria se tais despesas fossem ressarcidas pela empresa estrangeira. se as despesas fossem responsabilidade da empresa estrangeira, é obvio que seriam incluídas no calculo do valor cobrado, aumentariam este valor, embutido na taxa diária, que seria paga pela Petrobras. E o valor seria remetido isento de taxas. em resumo, a Autuada está sendo punida exatamente por não fazer o que a Fiscal Autuante considera que seria o intento criminoso da Petrobras e seus prestadores de serviços, remeter dinheiro sem pagar taxas para o exterior. Portanto, para se verificar o balanceamento dos contratos impossível examinarse os contratos separadamente. deve se verificar quanto recebe a empresa estrangeira pelo afretamento, em USD, e quanto no total recebe a empresa brasileira pelos serviços (no contrato de afretamento, a remuneração de agente, e no contrato de serviços, a remuneração pela operação do barco), em reais. a realidade, em conclusão, de quanto recebeu a JAVA BOAT, e quanto recebeu a MARÉ ALTA, em relação aos contratos dos barcos estrangeiros com a Petrobras, cujos contratos bipartidos foram examinados pela Fiscal Autuante, e a proporção entre os Fl. 3176DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.177 18 pagamentos em USD esta no quadro que se vê na página 11. (Demontrativo das Taxas Diárias de acordo ao Anexo II dos Contratos de Afretamento e Serviços assinados entre as partes). e porque a autuante concluiu pelos números que colocou em sua acusação resumida no item (c) acima? Isto é, segundo a Fiscal autuante, no contrato referente ao CARLINE TIDE, enquanto a JAVA BOAT recebeu USD USD 5.406.982,80, em 2008, a MARÉ ALTA recebeu R$ 41.002,77 e "pelo contrato de serviços vinculado a este de afretamento, a MARÉ ALTA recebeu o valor R$ 1.820.753,14." que a autoridade autuante não atentou (embora tivesse recebido os contratos e os seus aditamentos), para o fato de que pelo aditamento nº 02 ao contrato de serviços assinado com a Petrobrás em 26/05/2008, que a MARÉ ALTA cedeu todos os direitos e obrigações do contrato referente à embarcação CARLINE TIDE, à empresa coirmã Pan Marine do Brasil Ltda, para quem, a partir de julho de 2008 a Petrobrás passou a pagar a taxa diária pela prestação dos serviços. é evidente que para aferir o montsnte pago em reais, os pagamentos realizados à PAN MARINE nos 6 meses depois da cessão devem ser adicionados ao total pago em reais no Brasil, conforme tabela anexa: Caroline Tide – Jan a Dez 208 em R$ Empresa Receita Bruta % Estrangeira Java Boat R$ 9.537.448,50 70,15% Brasileira Mare Alta R$ 1.687.804,64 12,41% Pan Marine R$ 2.371.447,34 17,44% Total Emp. Brasileiras R$ 4.059.251,98 29,85% Total R$ 13.596.700,48 100,00% em conclusão, a Fiscal autuante, erra, ao afirmar que a empresa estrangeira recebe 80% e a brasileira 20% na soma dos dois contratos de cada barco com a Petrobras. A proporção varia de barco a barco. Quanto maior, mais sofisicado o barco, maior será a proporção da empresa estrangeira, desde que os custos da empresa brasileira, para o serviço de operar o barco, varia menos em relação ao tamanho do barco. como visto na verdade a proporção era de 70/30% no caso da embarcação Caroline Tide e não de 90/10% como afirmado pela fiscalização, que nunca existiu. quanto à acusação de que: "valores contratuais fícam no país, consignados na escrita contábil e fiscal das empresas, que sempre dão prejuízo, implicando nenhum recolhimento a titulo de IRPJ e CSLL, incidentes sobre o faturamento, isto porque os custos dispendidos nas contratações com as empresas estrangeira e brasileira ficam em sua maior parte por conta da empresa brasileira, que os lança Fl. 3177DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.178 19 como dedutíveis para efeito de apurar o seu resultado, muito embora sejam custos consumidos para gerar receita de afretamento para a empresa estrangeira" também é equivocada. como se verá na impugnação às glosas, os custos que são lançados como custos dedutíveis, são custos que pela letra dos contratos e de acordo com o usual em contratos de afretamento e de serviços de operação de navios, são custos a cargo da empresa que contratou para prestar os serviços de operação dos barcos, no caso a MARÉ ALTA. estes custos constam expressamente como da MARÉ ALTA, no "Demonstrativo de Formação de Preços" de todos os barcos contratados pela Petrobras. se estivessem incluidas no Demonstrativo de Formação de Preços de Afretamento, portanto por conta da JAVA BOAT, é lógico que acresceriam o valor a ser pago em dolares, o valor desses custos seriam remetido para o exterior. Não seria esta, sem duvida, a melhor alternativa para o pais, aumentar o valor a ser remetido para o exterior, como já dito. a proporção do contrato do CARLINE TIDE era de 75/25%, conforme abaixo. Descrição Empresa USD % Afretamento Java Boat $ 14,676.50 74.5% Afretamento (Fretadora) Mare Alta $ 98.50 0.5% Serviços Mare Alta $ 4,925.00 25.0% Total (Afretamento e Serviços) $ 19,700.00 100% «0.0% que os custos glosados constam do “demonstrativo de formação de preços” da MARÉ ALTA e não do “demonstrativo de formação de preços de afretamento”, imputável à JAVA BOAT. que de fato, a MARÉ ALTA paga despesas da JAVA BOAT, como sua agente marítima no Brasil, e delas pede reembolso, o que confirma, apesar do entendimento contrário da fiscalização, a independência econômica e administrativa entre as duas pessoas jurídicas. que não foram apresentadas provas de efetiva ligação entre a MARÉ ALTA e JAVA BOAT, além de serem as mesmas pertencentes ao mesmo grupo econômico. que nada significa o fato de, em 2008, a interessada ter apurado prejuízo. O lucro é eventual e depende de os barcos estarem atuando como planejado. que é incorreta a afirmação de que apenas parte das despesas pagas pela MARÉ ALTA, em nome da JAVA BOAT, são reembolsadas. que a afirmação de que a MARÉ ALTA teria "sido criada com o escopo de viabilizar e garantir a relação da JAVA com as empresas brasileiras nos contratos de afretamento" é uma conclusão exagerada. Fl. 3178DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.179 20 a MARÉ ALTA é uma empresa de navegação brasileira, como dito e possui três barcos, construídos no Brasil, e que são operados em contratos com as empresas petrolíferas, sem qualquer participação ou ingerência de qualquer outra empresa, inclusive da JAVA BOAT. que a existência de acordo celebrado entre as empresas [MARÉ ALTA E JAVA BOAT], demonstram que as empresas são independentes e se relacionam mediante contratos e que são solidarias em contratos com a Petrobras nos quais cada uma tem sua própria responsabilidade, indepedente da outra. que os diretores, gestores, gerentes e funcionários da JAVA BOAT não pertencem aos quadros de dirigentes, gestores e funcionários da MARÉ ALTA não têm qualquer relação ou mesmo comunicação com a JAVA. quando a Fiscal autuante diz que "a fiscalizada assume mais de 70% dos dispêndios, custos/despesas, necessários para cumprir as obrigações estabelecidas nos contratos, o que lhe causou um prejuízo fiscal no ano de 2008 na ordem de R$ 5.995.881,63", mostra desconhecer a realidade do negócio, e sua vissicitudes. ao cotar o preço do afretamento e dos serviços para a Petrobras, vêse nos ' Demonstrativos de Formação de Preços" tanto no afretamento como nos serviços, que as empresas estimam um lucro. acontece que a Petrobras paga a taxa diária enquanto o barco está à sua disposição e se por qualquer motivo, geralmente problemas mecânicos, o barco é retirado do serviço, para reparos ou por qualquer outra razão, a Petrobras cessa o pagamento do aluguel diário para o dono do barco estrangeiro, e dos serviços para a empresa Brasileira, além de cobrar aos dois contratantes uma multa pela indisponibilidade, 15% da taxa diária de aluguel e 15% da taxa diária de serviços de operação. E durante o período de suspensão de pagamentos, tanto o proprietário do barco, como o Armador brasileiro, continuam pagando os tripulantes e os custos de manutenção e combustíveis. o lucro, portanto, depende de os barcos estarem funcionando como planejado. Em certos anos, é o caso de 2008, o número de dias perdidos é mais elevado que em outros. Daí o prejuízo naquele ano. para uma melhor compreensão vejase abaixo a tabela constando o resultado fiscal de 7 anos, desde 2002, quando a MARÉ ALTA iniciou seu funcionamento, até 2008. Em alguns anos houve lucro e em outros prejuízo. A soma dos dois, no entanto, mostra um resultado positivo, lucro fiscal de R$ 7.927.576.00 no período. Ano Lucro/Prejuizo 2002 R$ 976.208,00 Lucro 2003 R$ (2.560.759,00) Prejuizo 2004 R$ (10.134.941,00) Prejuizo 2005 R$ 9.171.473,00 Lucro 2006 R$ 14.920.229,00 Lucro 2007 R$ 1.551.248,00 Lucro 2008 R$ (5.995.882,00) Prejuizo Total R$ 7.927.576,00 Lucro Fl. 3179DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.180 21 quanto ao prejuízo operacional de 2008, os quadros abaixo indicam a razão: vese na relação o numero de barcos que ficaram fora de operação naquele ano, pagando multa à Petrobras e suportando as despesas sem faturamento. MARÉ ALTA DO BRASIL NAVEGAÇÃO LTDA. Re ultado Operacional em 2008 . flores em Reais R$ (sem centavos) Quantidade Resultado Operacional em 2008 de Barcos R$ 2008 Barcos com Lucro 16 R$ 10,661,998.89 Barcos com Prejuízo 17 R$ (13,299,455.97) Resultado Operacional| RS (2,637,457.08)1 Quantidade Prezuízo Operacional em 2008 de Barcos R$ 2008 % Barcos com Prejuízo acima de R$ 1 milhão 5 R$ (10,781,885.73) 81% Barcos com Prejuízo abaixo de R$ 1 milhão 12 R$ (2,517,570.24) 19% Barcos com Prejuízo RS (13,299,455.97)1 100% demosntrase pelo quadro acima, que o resultado operacional negativo se deu, principalmente, em decorrência da paralização de 17 barcos em razão de reparos. Cinco destes barcos apresentaram em 2008, prejuízo operacional acima de R$ 1 milhão, que somados representaram 81% (R$ 10.781.885,73) do total do prejuízo operacional de (R$ 13.29.455,97). enquanto em em reparos no estaleiro, alem da perda das receitas e das despesas necessárias à manutenção de suas operações, os barcos são penalizados na razão de 15% dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, a saber: a empresa estrangeira é penalizada na razão de 15% da taxa diária prevista no contrato de afretamento e arca com os custos considerados de vulto associados com o reparo. a empresa brasileira é penalizada na razão de 15% da taxa diária prevista no contrato de serviços e arca com os custos não considerados como sendo de vulto e não diretamente associados ao reparo principal que levou a embarcação ao status de "Downtime", assim como também arca com os demais custos inerentes e previstos no contrato de prestação de serviços como por exemplo despesas de viagem, suprimentos, etc... o calculo gerencial abaixo demonstra o quanto representou para a Mare Alta as perdas de vendas nesses cinco contratos e assim como o correspondente efeito em multas contratuais gerados em função dos dias em "downtime": Calculo Gere.icial Valores em Reais R$ (sem centavos) Barco Taxa Daria Mare Alta USD Taxa Diária Mare Alta R$ ■ Convertidos ao cambio medio de 2008 de R$1.80 Das em Dow ntime Perda de Receitas Multa Contratual (15%) Cruz Tide $ 6,960.79 R$ 12,529 (206) R$ (2,581,059) R$ (387,159) Guard Tide $ 2,940.00 R$ 5,292 (70) R$ (370,440) R$ (55,566) Huntetor $ 3,541.95 R$ 6,376 (365) R$ (2,327,061) R$ (349,059) Oil Onyx S 4,781.25 R$ 8,606 (362) R$ (3,115,462) R$ (467,319) Oil Trader $ 3,108.00 R$ 5,594 (139) R$ (777,621) RS (116,643) Fl. 3180DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.181 22 Total $ 21,332 R$ 38,398 (1,142) R$ (9,171,644) R$ (1,375,747) Total Perdas de Receitas e de Multas Contratuais| R$ (10,547,390)| durante 2008, além destes barcos, outros apresentaram períodos de “downtime”, o que contribuiu negativamente para o resultado operacional naquele período. a Fiscal autuante não levou em consideração a existência dos dois contratos interligados. Assim a "pequena parte dos dispêndios na forma de reembolso" são as despesas pagas por conta da JAVA BOAT pela MARÉ ALTA, como agente marítimo. a "maior parte incorporado aos seus reais custos/despesas" são na verdade os custos e despesas de responsabilidade da MARÉ ALTA no Contrato de Serviços, custos estes que estão estimados perfeitamente no Demonstrativo de Formação dr Preços – Serviços. Para cobrir este custos/despesas, ao que acresce uma parcela de seu lucro, a MARÉ ALTA recebe da Petrobras a taxa diária de serviços. Da análise dos contratos: que os subparágrafos 4.1 a 4.4.1. estão corretos. Nada a comentar. No sub parágrafo 4.4.2. a Fiscal autuante considera que "condições de operar abrangem não só o bom estado das embarcações, mas também o material humano, ambos necessários para que as embarcações estejam aptas a cumprir as atividades de apoio marítimo para as quais são contratadas." engano. A proprietária (no Contrato de Afretamento, a que se refere a Fiscal autuante neste subparágrafo) é obrigada a entregar uma embarcação em condições, apta a operar. Não equipada para operar. Nem poderia, desde que o contrato de serviços estabelece que a operação será feita pela empresa brasileira, que contratará os tripulantes brasileiros, pelo menos 2/3 da tripulação do barco. a responsabilidade da empresa estrangeira, proprietária do barco, é entregálo em condições, "seaworthy". Como ocorre em um carro alugado: a locadora entrega um carro em condições de ser usado. Não fornece o motorista (salvo se o contrato inclui expressamente que a locadora fornecerá o motorista). no subparágrafo 4.4.3, a Fiscal autuante volta a mencionar que, em sua opinião, no afretamento do CARLINE TIDE, "a taxa de afretamento em moeda estrangeira foi equivalente a R$ 22.865.488,00 pagos à JAVA BOAT, enquanto o "valor da parcela referente à taxa de afretamento nacional totalizou R$ 153.459,65, pagos a Maré Alta". A acusação referente ao CARLINE TIDE já foi impugnada e respondida icima, à qual a Impugnante se refere. cabe lembrar, apenas que segundo informações obtidas em registros contábeis, a Java Boat faturou dólares equivalentes a R$ 9.537.448,50 (e não R$ 22.865.488,00), e as empresas brasileiras R$ 4.059.251,98 ("taxa de afretamento nacional", agenciamento, no Contrato de Afretamento, mais taxa de prestação de serviços da Maré Alta e de sua cessionária Pan Marine), no Contrato de Serviços, conforme se vê na tabela abaixo, já apresentada mas que se repete para facilidade do leitor. Carline Tide Jan a Dez 2008 em R$ Empresa Receita Bruta % Fl. 3181DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.182 23 Estrangeira Java Boat ( a ) R$ 9,537,448.50 70.15% Brasileira Mare Alta Pan Marine R$ 1,687,804.64 R$ 2,371,447.34 12.41% 17.44% Total Emp. Brasileiras R$ 4,059,251.98 29.85% Total R$ 13,596,700.48 100.00% Nota ( a ) : Valor em dólares convertido para Reais (R$) pelo cambio médio para o ano de 2008 de R$ 1.80. em seguida a Fiscal autuante discorre longamente sobre o "instrumento particular de acordo, entre a JAVA BOAT e a MARÉ ALTA, transcrevendo, nas páginas 7 e 8 do Termo de Verificação Fiscal, as cláusula 3 e 4 onde, na sua opinião, constam as obrigações de cada uma das partes em contratos como os com a Petrobras e concluiu que os custos alocados pela MARÉ ALTA como seus, seriam custos de responsabilidade da JAVA BOAT. Mais um engano da Fiscal autuante. o "instrumento particular de acordo" que levou em consideração, é um acordo de 18/01/2002. Ano em que a MARÉ ALTA iniciou seu funcionamento. Os contratos, de afretamento e de serviços foram assinados em data posterior, o do CARLINE TIDE, por exemplo, em 30/04/2007. os contratos com a Petrobras, estabelecem as obrigações das partes, em particular o Contrato de Serviços claramente estabelece as obrigações da MARÉ ALTA, em sua prestação de serviços de armadoraoperadora dos barcos. Ambos contratos, de Afretamento e de Serviços foram assinados pela JAVA BOAT e pela MARÉ ALTA e com a Petrobras. é evidente que ao aceitarem as tarefas/obrigações como constam nos contratos posteriores, de 2007, revogaram, por novação, aquelas que estavam ajustadas no instrumento particular de 2002. E mais, as duas empresas em todos os contratos apresentaram o "Demonstrativo de Formação de Preços", "Afretamento" pela JAVA BOAT, e "Serviços" pela Maré Alta. dos demonstrativos apresentados na licitação do CARLINE TIDE, que serve de exemplo e é similar em todas as licitações, anexados (ANEXO 2.2 e 2.3), lêse em "custos diretos" (valores em dolares no demonstrativo da Java Boat em USD no original, convertidos em reais na tabela junto, cambio medio de 2008 R$ 1,80/USD: 1.1 CUSTOS DIRETOS JAVA BOAT MARÉ ALTA Seguro Supervisão Técnica Manutenção Depreciação Juros Salários e Benefícios Alimentação e Viagem Manutenção de Rotina Diesel e Lubrificantes Outros Custos R$ 16.833,60 / dia 72% R$ 6.472,00/dia 28% DOS CUSTOS (CUSTOS DIRETOS + CUSTOS INDIRETOS + IMPOSTOS S/LUCRO Fl. 3182DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.183 24 R$ 20.962,80/dia 69% R$ 6.472,00/dia 31% diante do exposto e provado, toda a argumentação da Fiscal autuante, do subparágrafo 5.1, na página 6, e páginas 7, 8, 9 e 10, do Termo de Verificação Fiscal, pelo qual invocou clausulas do "instrumento particular de acordo entre a JAVA BOAT E MARÉ ALTA, de 2002, nada valem, desde que o referido instrumento particular de acordo entre a JAVA BOAT e a MARÉ ALTA, foi substituído pelas cláusulas e condições dos contratos de 2007, baseados, por sua vez, nas condições impostas pelo Convite Internacional e pelos Demonstrativos de Formação de Preços Afretamento e Serviços. estes últimos documentos, agora apresentados no Anexo 2, não foram solicitados ou vistos pela Fiscal autuante. Se o tivessem sido não teria glosado os custos apropriados pela MARÉ ALTA, custos de responsabilidade contratual da MARÉ ALTA, como veremos com mais detalhes a seguir. Da Glosa de Custos e Seus Motivos: esta a parte vital do auto de infração, cuja impugnação agora se faz uma a uma, conforme relacionado no quadro a fis. 11 do citado documento, sob o titulo "Contabilidade Nome dos Custos" (tecnicamente "descrição das contas contábeis"). para facilidade e melhor compreensão copiase, abaixo, o quadro de fis. 11 do Termo de Verificação Fiscal, com a lista das contas contábeis glosadas: A B c D CONTABILIDADE NOME DOS CUSTOS CONTAS RES / EXERCÍCIO CUSTOS GLOSADOS Serv. Prest. P. Jurídicas 60000040 13.000.411,11 13.000.411,11 Afretamento a Casco nu 60400020 8.553.236,69 0,00 Despesas de viagem 60060080 2.774.945,56 2.770.050,35 Alimentação e Lavanderia 60100010 1.763.611,76 1.763.611,76 Encargos s/ serv. Prestados PJ 60040410 5.250.304,76 5.250.304,76 Seguro de vida 60040400 61.325,16 61.325,16 Despesas Medicas 60040010 1.103.885,04 1.096.173,63 Desp. Medicas Rateio 60040015 2.398,56 2.132,06 Reparo 60160030 2.917.205,63 0,00 Outros custos de embarcação 60550010 2.152.158,48 0,00 Hard/SOFTW/Manutenção 60550200 60.799,81 0,00 Comunicação Embarcag5o 60550220 189.228,29 0,00 Agenciamento 60550300 3.267.874,06 0,00 Reparo e manutenção geral 60150030 2.534.136,34 1.661.095,01 Combustível 60250010 2.707.085,28 2.626.946,18 Lubrificante 60250020 1.709.394,62 1.709.394,62 Depreciembar/software 61002210 9.407.162,79 0,00 Soma dos custos 29.941.444,64 A seguir as razões de impugnação de cada uma das glosas: (a) Serviços prestados pessoa juridica – conta 60000040 – R$ 13.000.411,11 Fl. 3183DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.184 25 como corretamente explica a fiscalizção, esta conta registra o pagamento pela MARÉ ALTA, em reembolso, da mão de obra de funcionários da Pan Marine, marítimos tripulantes atuando nos barcos cujo serviços de operação são de responsabilidade da Maré Alta. o Contrato de Serviço, celebrado entre a Petrobras, MARÉ ALTA e JAVA BOAT (como solidária) (contrato no. 2050.0031527.07.2, do CARLINE TIDE, tomado como exemplo, redação idêntica dos outros contratos de serviço dos outros barcos), a MARÉ ALTA comparece como "ARMADORA". Como é sabido, ARMADORA é a empresa que arma, equipa a embarcação, no caso com os tripulantes brasileiros. a Cláusula Terceira Obrigações da Armadora, relaciona tudo o que por força do contrato é de responsabilidade (de providenciar e óbvio de pagar), da Armadora, no caso a MARÉ ALTA. A clausula 3.5. dispõe: "3.5. Tripular adequadamente a EMBARCAÇÃO com mão de obra contratada sob a égide da legislação brasileira, equipandoa para o apoio às operações de pesquisa e lavra de hidrocarbonetos, e atividades correlatas na Plataforma Continental Brasileira, compatíveis com o seu tipo e porte, na forma dos citados ANEXOS III e IIIA." mais adiante, sob o titulo Quanto à Tripulação, o mesmo Contrato de Serviços lista em 19 itens ou subcláusulas, as obrigações da ARMADORA (MARÉ ALTA), com relação à tripulação contratada pela ARMADORA. Copiase algumas subcláusulas,auto eplicativas: Quanto a Tripulação 3.11. Providenciar tripulação qualificada, adequada e suficiente para o integral cumprimento das disposições do presente CONTRATO, da legislação brasileira pertinente, e, em particular, aquelas estabelecidas nos itens 3.5, 3.6 e 3.18, arcando com todos e quaisquer encargos decorrentes da legislação trabalhista e previdenciária. 3.11.1. Contratar diretamente os tripulantes necessários ao atendimento do Cartão de Lotação da EMBARCAÇÃO. É vedada a contratação de Cooperativas. 3.11.12. A ARMADORA assegura que os tripulantes embarcados, terão passado por exames médicos executados por hospitais / médicos qualificados, certificando que eles estão preparados para serviço a bordo 3.11.14 Responsabilidade pelo pagamento de salários e qualquer reivindicação e/ou indenização salarial e/ou diferenças e/ou disputas advindas do contrato de trabalho como acordado entre a ARMADORA e o tripulante deve permanecer com a ARMADORA. A PETROBRAS não é responsável por qualquer ordem ou requisição de qualquer autoridade nacional ou internacional ou instituição oficial com respeito a pagamento de taxas e/ou Fl. 3184DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.185 26 encargos sociais relativos à tripulação suprida e empregada pela ARMADORA. 3.11.16. A ARMADORA providenciará e custeará o embarque e desembarque de tripulantes contratados, incluindo passagens, refeições, e acomodações, inclusive no reinício de operação da EMBARCAÇÃO. a fiscal entendeu que o custo com tripulação brasileira seria da Java Boat, segundo clausulas do Instrumento de Acordo entre a Mara Alta e Java Boat, conforme exposto acima, e pelas razões também antes exposta, que se pode sintetizar da seguinte maneira. o referido instrumento particular é de 18/01/2002 é evidente que as condições do contrato com a Petrobras, de 30/04/2007, inovam, prevalecem sobre quaisquer contratos anteriores envolvendo as mesmas partes. Lembrase que o contrato de serviços com a Petrobras, foi assinado pela MARÉ ALTA e JAVA BOAT. Nada mais justo que a fornecedora de serviço brasileira seja a responsável pela contratação de brasileiros. a Java Boat contrata, e paga no exterior, a tripulação estrangeira. A legislação brasileira exige uma porcentagem de tripulantes brasileiros (2/3), em todo e qualquer barco estrangeiro que tenha autorização de trabalhar no Brasil (Resolução Normativa 72/2006, do Conselho Nacional de Imigração, Ministério do Trabalho e Emprego). A tripulação brasileira é contratada pelo Amador brasileiro. Portanto a locação do custo da mão de obra de tripulantes brasileiros na MARÉ ALTA está correta e não deve ser glosada. (b) Despesas de viagem Conta 60060080 glosa de R$ 2.770.050,35 o Contrato de Serviços acima citado, nas obrigações da MARÉ ALTA, quanto à Tripulação, estabelece: "3.11.16. A ARMADORA providenciará e custeará o embarque e desembarque de tripulantes contratados, incluindo passagens, refeições e acomodações, inclusive no reinicio de operação da EMBARCAÇÃO." sem duvida estes custos estão bem alocados como custos da MARÉ ALTA e não podem ser glosados. (c) Alimentação e Lavanderia. Conta 60100010 glosa de R$ 1.763.611,76 a Clausula 3.8. do Contrato de Prestação de Serviço estabelece como responsabilidade da Maré Alta: 3.8. Providenciar e fornecer, por sua conta, alimentação para os tripulantes da EMBARCAÇÃO. Fl. 3185DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.186 27 (d) Encargos s/serv Prestados PJ R$ 5.250.304,76 são os encargos trabalhistas (FGTS e INSS) recolhidos diante do pagamento dos tripulantes brasileiros. O acessório segue o principal. Despesa contratualmente por conta da MARÉ ALTA. (e) Seguro de Vida R$ 61.325,16 também é despesa acessória de encargos trabalhistas ou relacionadas com os tripulantes brasileiros pagos pela MARÉ ALTA, devida como determinado em ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) com os Sindicatos das categorias dos tripulantes brasileiros. Esta glosa não pode prosperar. (f) Despesas Médicas R$ 1.096.173,63 (g) Desp. Médicas Rateio R$ 2.132,06 são despesas de atendimento médico a tripulantes de vários barcos que não podem ser alocadas a um barco, estas despesas são rateadas por toda a frota e contabilizada nesta conta. Sendo assim a glosa nestas contas não podem prosperar. (h) Reparo e manutenção geral R$ 1.661.095,01 quanto a Manutenção, a clausula 3.15 do Contrato de Serviços estabelece ser de responsabilidade da MARÉ ALTA, como segue: "Quanto a Manutenção 3.15. Ecarregarse da manutenção e reparo da EMBARCAÇÃO, arcando com o custo de reposição dos seus equipamentos, materiais, acessórios e sobressalentes, bem como das despesas resultantes da realização de reparos de qualquer natureza." como em qualquer contrato de afretamento, a manutenção decorrente do uso do barco é por conta do afretador (no caso a MARÉ ALTA), beneficiária do uso. Não se confunde com "manutenção" os reparos de vulto, em estaleiro, não resultantes do uso do barco, estes por conta do dono do barco. a esta manutenção cujo custo é de responsabiidade da MARÉ ALTA, a Petrobras, no formulário Demonstrativo de Formação de Preço Serviços, chama de "Manutenção de Rotina" e por isso a glosa desta conta também não pode ser mantida. (i) Combustível R$ 2.626.946,18 (j) Lubrificante R$ 1.709.394,62 Fl. 3186DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.187 28 a cláusula 4.1 estabelece que a Petrobrás é responsável pelo fornecimento de água e combustível necessários a operação da embracação, ou seja é ela quem fornece o combustível. De tempos em tempos, a quantidade de combustível existente a bordo é verificada, aplicandose então o que dispõe a clausula 3.22.3. do contrato. além disso, quando em downtime o barco consome combustível. Tanto que no Demonstrativo de Formação de Preços (doc. 1.3, anexo) vêse que faz parte dos custos diretos do prestador de serviços, "Diesel e Lubrificantes". outros artigos do Contrato de Serviços indicam a Maré Alta como responsável por esta conta, quando o barco não está servindo a Petrobras '3.22. Arcar com os custos de aquisição e de reposição de materiais de operação e consumíveis em geral, necessários à operação da EMBARCAÇÃO. 3.22.1. Arcar com o custo do combustível fornecido à EMBARCAÇÃO, no stermos do item 4.1, que exceder ao consumo básico a ser definido no inicio do CONTRATO pela PETROBRAS." as despesa com combustível e lubrificantes apropriadas nesta conta são, portanto, de responsabilidade da MARÉ ALTA e a glosa não pode ser mantida. diante de todo o exposto, provado que a Auditora autuante equivocouse ao glosar os custos que constam da coluna D, da tabela à página 11 do Termo de Verificação Fiscal, eis que tais custos são de responssabilidade da Impugnante, conforme estabelecido no Contrato de Serviços com a Petrobras, inclusive previstos como tal nas Condições do Convite Internacional e no Demonstrativo de Formação de Preços Serviços, requer a anulação do Auto de Infração. A 6ª Turma da DRJ/RJ1, pelo do Acórdão nº 1255.116, unanimemente, negou provimento a impugnação, conforme ementa a seguir: GLOSA DE DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. São indedutíveis despesas que, segundo contratos firmados, constituam obrigações de terceiros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTOS CONEXOS Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplicase o mesmo julgado. Intimada em 07/05/2013, a interessada apresentou recurso voluntário em 06/06/2013, reiterando os argumentos de impugnação e acrescentando em síntese o seguinte: que os contratos com a Petrobrás dispõe que todas as despesas glosadas são de responsabilidade da MARÉ ALTA, enquanto o fiscal e a DRJ entenderam que o contrato de agenciamento marítimo deve prevalecer e tendo a MARÉ ALTA agido como mera Fl. 3187DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.188 29 agente marítimo da JAVA BOAT, as depesas glosadas teriam sido pagas pela MARÉ ALTA em nome da JAVA BOAT, e assim deveriam ser ressarcidas pela JAVA BOAT, e não escrituradas como despesas da MARÉ ALTA. que a decisão da DRJ parte do pressuposto que três contratos devem ser considerados: o primeiro entre a Petrobrás e a MARÉ ALTA (afretamento), onde a JAVA BOAT também é designada fretadora; o segundo, vinculado ao primeiro, onde a MARÉ ALTA é deignada armadora, se comprometendo a tripular, realizar operações náuticas, fornecer alimentação e serviços médicos a tripulação,.....; e o terceiro entre a MARÉ ALTA e a JAVA BOAT, onde a MARÉ ALTA atuaria como mera agente da JAVA no Brasil, tomando todas as providencias mediante reembolso. que a DRJ deixou de mensionar parte integrante dos contratos que estipulavam “Demonstrativos de Formação de Preço”. no exemplo apresentado, o primeiro demonstrativo, indica o valor/dia (USD 14.677.00) que a Petrobras pagará, diretamente à JAVA BOAT, em dólares. O segundo demonstrativo, indica o valor/dia (R$ 10.721,00) que a Petrobras pagará, à MARÉ ALTA, no Brasil, em reais. Em ambos demonstrativos, o lucro esperado está declarado, demonstrando total transparência na operação. na planilha da MARÉ ALTA, encarregada de operar o barco, anexada, está claro quais as verbas que assumiu pagar, por isto formando o preço cobrado à Petrobras em reais. que o "instrumento particular entre empresas", datado de jan/2002, assinado entre a MARÉ ALTA e JAVA BOAT já não estava em vigor em 2008, ano da autuação. Além disso, o contrato de 2002 era de agenciamento e nada a ver com o contrato de prestação de serviços em vigor em 2008. em 2002 a MARÉ ALTA não tinha ainda a outorga de EBN (Empresa Brasileira de Navegação de Apoio Marítimo). Funcionava como agente marítimo, o Armador era o dono do barco. que a recorrente definitivamente não atuou como "agente" do proprietário estrangeiro. Atuou como armadora, aprestando e operando o barco estrangeiro afretado. que foi, portanto, contratada, como uma EBN para operar as embarcações e por estas tarefas e custos a ela associados, a Petrobras pagou em reais pelo “conteúdo local", incluindo as despesas que o fisco pretende glosar. que caindo a interpretação errada de que o contrato de agencia marítima teria o condão de derrogar as disposições posteriores nos contratos com a Petrobras, terseá como resultado a improcedência das glosas. A Fazenda Nacional apresentou contrarazões ao recurso voluntário, aduzindo basicamente o seguinte: as referidas empresas de forma solidária, em 2008, mantinham contratos de afretamento de embarcações e prestação de serviços com a Petrobrás. Fl. 3188DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.189 30 que tais contratos de afretamento seguiam um determinado padrão, deles constando, que seriam executados em conjunto com outro contrato, de prestação de serviços, realizado entre a Petrobrás e a MARÉ ALTA. A rescisão de um dos contratos acarretaria, também a rescisão do outro. assim eram firmados dois contratos com a Petrobrás: 1) de afretamento e prestação de serviços, tendo como contratadas a MARÉ ALTA e JAVA BOAT; e, 2) de prestação de serviços, celebrado apenas com a MARÉ ALTA. que segundo o contrato de afretamento, as embarcações seriam disponibilizadas à Petrobrás em condições de operar, abrangendo todos os custos (manutenção, pessoal,...). que os acordos de 2008 envolviam 23 embarcações, das quais apenas 2 pertenciam à empresa brasileira, que, contudo, assumia 70% dos custos/despesas, abatendoos de suas bases tributáveis. A fim de reembolsar as despesas arcadas pela empresa nacional, a Java Boat realizava remessas financeiras que transitavam em conta específica. a remuneração dos contratos de afretamento foi estipulada a partir de uma taxa diária paga em dólares às contratadas (JAVA BOAT e MARÉ ALTA), não havendo discriminação específica acerca das quantias destinadas a cada uma delas. Foi, então, realizada diligência junto à Petrobrás, que informou, para o ano de 2008, pagamento de R$ 22.865.488,00 à JAVA BOAT e de R$ 153.459,65 à Maré Alta. questionada acerca da discrepância entre o rateio de despesas e o de receitas, além da falta de clareza dos contratos de afretamento, no que tange à divisão de tarefas entre a pessoa jurídica estrangeira e a brasileira, esta última esclareceu que haveria um instrumento particular entre ambas datado de janeiro de 2002. que reza o referido instrumento que os custos inerentes à disponibilização das embarcações em condições operacionais seriam da Java Boat, aí incluídos: reparações técnicas em geral, operação das embarcações, emprego de pessoal, fornecimento de alimentos, material de limpeza e combustíveis, realização de seguros etc. À MARÉ ALTA ficou designado apenas o papel de mera agente da empresa estrangeira no Brasil, responsável pelos trâmites necessários para que os contratos de afretamento pudessem ser executados. já o contrato de prestação de serviços celebrado entre a Petrobrás e a Maré Alta tinha como objeto a operação das embarcações, incluindo as funções de tripular, realizar a operação náutica e a manutenção das embarcações. Todavia, tais obrigações já estavam contidas no contrato de afretamento, uma vez que nele a JAVA BOAT e a MARÉ ALTA assumiram, de forma solidária, a obrigação de disponibilizar as embarcações em condições operacionais. Ademais, a MARÉ ALTA, com anuência da Petrobrás, cedeu a PAN MARINE do Brasil todos os direitos e obrigações inerentes aos contratos de serviços com ela pactuados, passando a responder solidariamente por todos direitos e obrigações. que na prática, diante do contrato com a PAN MARINE do Brasil, esta assumiu todos os encargos que, no contrato entre a interessada e a JAVA BOAT, haviam sido destinados a esta última. Tal fato seria, segundo relatado, mais um reforço à evidência da relação de fato que existe entre a empresa estrangeira JAVA BOAT e a empresa brasileira Maré Alta, de que esta atua como uma representante da empresa estrangeira no Brasil, Fl. 3189DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.190 31 portanto, intermedeia as contratações com a Petrobrás feitas pela JAVA BOAT e confere garantia a estas. que portanto, seriam ilegítimas as deduções, por parte da interessada, na apuração de seu lucro real, de despesas que estariam fora de sua incumbência e que, na verdade, seriam geradoras de receitas para a JAVA BOAT. Não obstante a maior parte da receita do contrato de afretamento pertencer à JAVA BOAT, os custos e dispêndios das obrigações foram concentrados na empresa brasileira, reduzindo indevidamente sua base tributável. segundo entendimento adotado pela fiscalização, a autuada poderia apenas deduzir despesas inerentes às embarcações de sua propriedade a questão é: as estipulações e obrigações de pagamento devidas pelas partes (JAVA BOAT e MARÉ ALTA), regemse pelos contratos de afretamento e de serviços assinados com a Petrobrás (em 2008), ou por um contrato particular de agenciamento marítimo, entre a JAVA BOAT e a MARÉ ALTA, assinado em 2002? na licitação internacional, a Petrobrás estabeleceu os parâmetros mínimos e máximos a serem necessariamente atendidos pelos licitantes, entre o valor diário a ser pago em dólares, ao dono do barco estrangeiro, e o valor diário a ser pago em reais, ao armador brasileiro. como exemplo, temse um primeiro demonstrativo (afretamento) que indica o valor/dia (USD 14.677.00) que a Petrobrás pagou, diretamente, à JAVA BOAT, em dólares. O segundo demonstrativo (serviços) indica o valor/dia (R$ 10.721,00) que a Petrobrás pagou à MARÉ ALTA, no Brasil, em reais Na planilha da MARÉ ALTA, encarregada pelo contrato de serviços de operar o barco, está claro quais as verbas que assumiu pagar, por isto formando o preço cobrado à Petrobrás em reais. E tais encargos são exatamente os que foram estabelecidos no contrato de serviços. que nos termos do artigo 299 do RIR/99, para que um dispêndio seja considerado despesa operacional dedutível, ele deve atender a certos requisitos, como efetividade, necessidade e normalidade no contexto das transações do contribuinte. a despesa operacional é o desembolso necessário à atividade da empresa e à manutenção de sua fonte produtora. Tratase de uma atividade planejada, um dispêndio realizado com vistas à obtenção de receitas que o compensem. dos instrumentos analisados resta clara a responsabilidade da Java Boat pela maior parte dos custos decorrentes do afretamento. Contudo, a MARÉ ALTA lançou tais despesas como dedutíveis em sua contabilidade. A fiscalizada assumiu mais de 70% dos dispêndios dos contratos com a Petrobrás, o que lhe causou um prejuízo fiscal no ano de 2008 de R$ 5.995.881,63. As receitas, por outro lado, estavam todas concentradas na empresa JAVA BOAT. ora, se os custos decorrentes das contratações geraram receitas para a empresa estrangeira, eles não podiam ser deduzidos pela MARÉ ALTA. A fiscalização corretamente concluiu que os custos possíveis de serem levados ao seu resultado eram os seguintes: Fl. 3190DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.191 32 a) aqueles cuja natureza decorre da sua atividade como agente da empresa estrangeira no Brasil (outros custos de embarcação conta 60550010, Hard/softw/manutenção conta 60550200, comunicação embarcação conta 60550220, agenciamento conta 60550300); b) os decorrentes da operação das suas próprias embarcações (Danko Tide e Milan Tide); e c) dos barcos em que ela assume a obrigação de operar por meio de contratos firmados com empresas que não são da Petrobrás (embarcações Cumbria Service, Faridah Tide, Lester Pollack e Herbert Tide). as despesas glosadas pela fiscalização são as seguintes: a) serviços prestados pela pessoa jurídica (conta 60000040): valores pagos pela alocação de mãodeobra contratada com a Pan Marine, nos navios que não são de propriedade da recorrente e que foram disponibilizados à Petrobrás. Tais custos são de responsabilidade da Java Boat, conforme acordo firmado entre a recorrente e a empresa estrangeira, cláusulas 4C e 4D; b) despesas de viagem (conta 60060080): custos de responsabilidade da Java Boat, conforme cláusulas 4C e 4D. Despesas com o pessoal aplicado para operar as embarcações que não são de propriedade da fiscalizada nos contratos firmados com a Petrobrás; c) alimentação e Lavanderia (conta 60100010): custos de alimentação e lavanderia com o pessoal aplicado nas embarcações que não são de propriedade da recorrente. Os valores são de responsabilidade da empresa estrangeira, conforme cláusula 4E do instrumento de acordo. d) encargos s/ serv. prestados PJ (conta 60040410): encargos trabalhistas do pessoal alocado nas embarcações que não são de propriedade da recorrente. Custos de responsabilidade da Java Boat (cláusula 4C). e) seguro de vida (conta 60040400) e despesas médicas (60040010): custos também relacionados ao pessoal alocados nas embarcações que não são de propriedade da recorrente (responsabilidade da Java Boat cláusula 4C). f) reparo e manutenção geral (conta 60150030): tais custos, por força das cláusulas 4A e 4F do instrumento de acordo, são imputados à Java Boat. g) combustível (conta 60250010) e lubrificante (conta 60250020): gastos com combustível e lubrificante das embarcações que não são de propriedade da Maré Alta e que foram contratadas com a Petrobrás. Responsabilidade da Java Boat, conforme cláusula 4K do instrumento. Fl. 3191DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.192 33 que das provas dos autos, vêse que a recorrente, efetivamente, deduziu despesas que não tinham qualquer relação com as atividades prestadas por ela. Por essa razão, a fiscalização corretamente realizou a glosa dos valores, não devendo ser alterado o auto de infração. É o relatório. Voto Vencido Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Relator. O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70235/72, razão porque, dele conheço. A Recorrente demonstrou em sua impugnação que as despesas objeto de glosa eram de sua responsabilidade, Armadora, e não da proprietária dos barcos, JAVA BOAT CORPORATION B.V., por força do disposto em contratos de afretamento e de prestação de serviços firmados com a Petrobras, vigentes em 2007/2008. A decisão de 1a instância entendeu que tais depesas cabiam à proprietária dos barcos, JAVA BOAT, em resumo por entender que deveria prevalecer o disposto no contrato entre a MARÉ ALTA e a JAVA BOAT, de agenciamento marítimo, firmado em 2002. A questão em debate, portanto, é esta: As estipulações e obrigações de pagamento devidos pelas partes (JAVA BOAT e MARÉ ALTA), regemse pelos contratos de afretamento e de serviços assinados com a PETROBRAS, vigentes em 2008, ou por um contrato particular de agenciamento marítimo, entre a JAVA BOAT e a MARÉ ALTA, assinado em 2002 ? Segundo a fiscalização apurou, é prática comum de mercado, empresas estrangeiras que prestam serviços para a Petrobrás, criarem empresas brasileiras, da qual detêm o controle acionário. Com isso elas escoam para o exterior, recursos liberados de retenção na fonte, remetidos a título de “receitas de afretamento de embarcações” e acumulam as despesas na empresa nacional, reduzindo seus lucros de forma artificial. Apurou a fiscalização que no presente caso, as empresas Maré Alta e Java Boat pertencem a um mesmo grupo econômico, denoinado “ Tide Water Marine Group” e que as referidas empresas, de forma solidária, mantêm contratos de afretamento de embarcações e prestação de serviços com a Petrobrás, e que os contratos de afretamento seriam executados em conjunto com um outro contrato de prestação de serviços, realizado entre a Petrobrás e a Maré Alta, ou seja a mesma prática acima indicada. Os contratos com a Petrobrás dispõe que todas as despesas glosadas são de responsabilidade da MARÉ ALTA, enquanto a Autoridade autuante e depois a julgadora, entenderam que o contrato de agenciamento marítimo deve prevalecer com o que a MARÉ ALTA teria agido como mera agente marítimo da JAVA BOAT, e portanto as depesas glosadas teriam sido pagas pela MARÉ ALTA em nome da JAVA BOAT, e assim deveriam ser ressarcidas pela JAVA BOAT, e não escrituradas como despesas da MARÉ ALTA. Fl. 3192DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.193 34 Onde está o erro de apreciação da fiscalização e da DRJ? A meu ver ambos partiram do pressuposto de que deveriam ser considerados três contratos: o primeiro, intitulado "contrato de afretamento", onde consta de um lado, a ' Petrobrás e de outro a Recorrente, designada fretadora, juntamente com a JAVA BOAT, ambas solidariamente responsáveis pelas obrigações assumidas perante a Petrobrás; o segundo, vinculado ao primeiro por cláusula expressa, consiste num "contrato de prestação de serviços entre a Petrobrás e a MARÉ ALTA do Brasil" no qual a "armadora", se compromete a tripular, realizar operações náuticas, fornecer alimentação e serviços médicos à tripulação, manutenção, reparos e docagem e, ainda, a suprir a embarcação dos materiais de consumo necessários; e, o terceiro contrato denominado "instrumento particular entre empresas" pactuado entre a Recorrente e a JAVA BOAT, onde ficou estipulado que a Recorrente seria mero agente da JAVA BOAT no Brasil, providenciando, mediante posterior reembolso, trâmitres e registros, apoio logístico, manutenção e reparos, tripulação, alimentação, docagem, materiais de consumo em geral, despesas medicas etc." Porém, tanto a fiscalização quanto a DRJ, deixaram de incluir, entre as disposições relevantes a serem consideradas, os "Demonstrativo de Formação de Preços" parte integrante dos contratos com a Petrobrás. A "engenharia jurídica" estabelecida pela Petrobras, ao contrário do vislumbrado pela fiscalização e pela DRJ visou minimizar o quanto possível o valor a pagar ao proprietário do barco, estrangeiro, em dólares, a titulo de afretamento do barco, no Brasil em admissão temporária, pelo regime do REPETRO e maximizar o quanto possível o valor a pagar à empresa brasileira (EBN), por salários e insumos pagos ou comprados no país, pagamento a ser feito em reais, sem remessa de dólares ao estrangeiro. Para regular ou restringir os interessados a seguirem esta política da Petrobras, ela estabeleceu na licitação internacional os parâmetros minímos e máximos a serem necessariamente atendidos pelos licitantes, entre o valor diário a ser pago em dólares, ao dono do barco estrangeiro, e o valor diário a ser pago em reais, ao Armador brasileiro (contratado pelo Contrato de Prestação de Serviços) como condição sine qua non para serem contratados, obedecido ainda o critério de menor preço. A divisão de valores (dolares/reais) fica registrada no "Demonstrativo de Formação de Preços", apresentado pelos licitantes com suas propostas. Estes demosntrativos foram juntados pela Recorrente junto com a impugnação e recurso: o primeiro indica o valor/dia (USD 14.677,00) que a Petrobrás pagaria diretamente a JAVA BOAT em dólares e o segundo o valor/dia (R$ 10.721,00) que a Petrobrás pagaria a Recorrente, ou seja, nos dois demonstrativos o lucro esperado está préestabelecido. Na planilha da MARÉ ALTA, Armador brasileiro, encarregado pelo Contrato de Serviços de operar o barco, está claro quais as verbas que assumiu pagar, por isto formando o preço cobrado à Petrobras em reais. E tais encargos são exatamente os que foram estabelecidos no Contrato de Serviços,corretamente descriminados pela Autoridade julgadora, ao descrever o contrato 2, a saber: "2 o segundo, vinculado ao primeiro por cláusula expressa, consiste num "contrato de prestação de serviços entre a Petrobras e a MARÉ ALTA do Brasil" no qual esta, designada "armadora", se compromete a tripular, realizar operações náuticas, fornecer Fl. 3193DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.194 35 alimentação e serviços médicos à tripulação, manutenção, reparos e docagem e, ainda, a suprir a embarcação dos materiais de consumo necessários." Não fosse o malsinado contrato 3 incluído pela Autoridade julgadora fiscal como também a ser considerado, o contrato de agente marítimo, datado de vários antes dos demais contratos com a Petrobras, não haveria duvida, disputa: todas as verbas glosadas são de encargos da MARÉ ALTA, conforme contratos em vigor em 2008. A autoridade julgadora entendeu (a nosso ver flagrantemente em engano) que o contrato 3, de agencia marítima, estaria em vigor, e seria aplicável, derrogando a distribuição de obrigações/encargos claramente estabelecidas nos dois contratos assinados com a Petrobras e nos respectivos Demonstrativos de Formação de Preços. Com o seguinte raciocínio, que se lê à página 12 do acórdão: "2. Validade do chamado "instrumento particular entre empresas". Conforme exposto, a tese defendida pela autoridade autuante é a de que, apesar dos dispêndios correspondentes aos custos e despesas glosados, referentes a ) aparelhamento da embarcação, terem sido efetivados pela autuada, eram arcados, de fato, pela pessoa jurídica estrangeira, por constituírem obrigação desta última. Neste sentido, a empresa sediada em território nacional agiria em nome da outra, como mero agente ou representante. Tal versão dos fatos tem como base o contrato intitulado "instrumento particular entre empresas". Em sua defesa, afirma a interessada que o acima referido "instrumento particular entre empresas", datado de jan/2002, já não estava em vigor em 2008, ano objeto da autuação. Segundo informa, naquele ano aquele primeiro contrato já havia sido substituído por outro, de prestação de serviços entre a Petrobras e a MARÉ ALTA, que estabelece que os custos gerais inerentes à operacionalização correriam por conta da MARÉ ALTA do Brasil, fato este que legitimaria a dedutibílidade dos mesmos. Sobre seu prazo de vigência o contrato apontado como inválido pela impugnante assim dispunha: Das cláusulas acima referidas constatase que não foi especificado termo inicial e final de validade. O acordo se renovava automaticamente, conforme fossem inseridos no referido "Anexo A"novos afretamentos, não havendo sido juntados aos autos qualquer counicação por escrito, conforme clausula 2C acima, que tenha expressamente posto fim ao vínculo contratual." Sem razão a autoridade julgadora em sua tese, de que os contratos de fretamento e de serviços, assinados pela JAVA BOAT e pela MARÉ ALTA, não valeriam no que c ^ntrariassem as disposições do contrato de agencia marítima. Em resumo, pelas seguintes razões de fato e de direito: 1. As clausulas e condições de contrato posterior prevalece às cláusulas e condições de contrato anterior entre as mesmas partes (principio de que a norma nova derroga a anterior). Fl. 3194DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.195 36 Um contrato é, antes de tudo, e principalmente, o instrumento de registro da vontade entre as partes. A vontade é que forma o contrato, não o seu instrumento. As partes são livres de acordar, por mútuo acordo, de maneira diversa do que anteriormente tinham acordado. O novo entendimento automaticamente abroga o anterior. Como nas leis (e o contrato é lei entre as partes), a lei nova revoga a lei anterior, sem necessidade sequer de nominar as que serão canceladas, bastando a simples expressão genérica: revogamse as disposições em contrário. A disposição no contrato antigo, que seria necessário notificação da outra parte para seu término, é lógico que funciona para a terminação por vontade unilateral, de uma das partes. Se as duas partes estão de acordo, simplesmente entram no novo contrato, o antigo estará automaticamente cancelado. É também evidente que as partes (JAVA BOAT e MARE ALTA) eram competentes para contratar com a Petrobras. E estavam livres para fazelo. Não se concebe que um contrato anterior (e para outro fim especifdico, de agenciamento marítimo), pudesse tornar nulas as obrigações assumidas entre as duas partes (responsabilidade solidária) e a Petrobras, no que se refere aos encargos de cada uma no afretamento e na prestação de serviços contratada. O contrato de 2002 era um contrato para agenciamento, nada a ver com o contrato de prestação de serviços, armação do barco, em vigor em 2008. Em 2002 a MARÉ ALTA não tinha ainda a outorga de EBN (Empresa Brasileira de Navegação de Apoio Marítimo). Funcionava como agente marítimo, o Armador era o dono do barco. Pelos contratos com a Petrobras, vigentes em 2008, a MARÉ ALTA atuou como Armadora, em sua qualidade de EBN. Armava os barcos em seu nome, não como agente do armador estrangeiro. A própria autoridade julgadora invoca a Resolução 192 da Antaq, que estabelece que a embarcação estrangeira só pode operar no Brasil sob a égide de uma EBN. Por isso mesmo a Petrobras estabeleceu a engenharia jurídica de dois contratos: o de operação, prestação de serviços, é com uma EBN nacional, no caso a MARÉ ALTA. A MARE ALTA, definitivamente não atuou como "agente" do proprietário estrangeiro. Atuou como armadora, aprestando e operando o barco estrangeiro afretado. Invoca a autoridade julgadora o art 2o da Lei 9432/97, para concluir que seria do fretador, no caso a JAVA BOAT, em contrato de afretamento a tempo entregar a embarcação armada e tripulada, isto é pronta para a exploração comercial. Não percebeu, a autoridade julgadora, que o artigo ressalva que o afretador pode receber a embarcação armada ou tripulada, OU PARTE DELA, óbvio que toda ou parcialmente armada e tripulada, e para, o afretador a recebe para OPERÁLA por tempo determinado. Fl. 3195DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.196 37 Por operação de uma embarcação entendese administrar a embarcação, explorala na sua finalidade, que é a navegação. O que explora chamase no Brasil de ARMADOR, e só uma EBN poderá operar, ser o armador, de uma embarcação empregada na navegação de apoio marítimo. A MARÉ ALTA, portanto, foi contratada, como uma EBN (empresa brasileira de navegação) para operar as embarcações referidas neste processo, para armalas, contratar e pagar os 2/3 de tripulantes brasileiros, equipala, e mais todas as tarefas próprias de sua qualidade e relacionadas, corretamente, pela autoridade julgadora ao descrever o 2o contrato, o que vale a pena se repetir: "2 o segundo, vinculado ao primeiro por cláusula expressa, consiste num "contrato de prestação de serviços" entre a Petrobras e a MARÉ ALTA do Brasil no qual esta, designada "armadora", se compromete a tripular, realizar operações náuticas, fornecer alimentação e serviços médicos à tripulação, manutenção, reparos e docaqem e, ainda, a suprir a embarcação dos materiais de consumo necessários." Por estas tarefas e custos a ela associados a Petrobras pagou em reais, em vez de pagar ao dono do barco em dólares, pagou pelo "conteúdo local", incluindo as despesas que o fisco pretende glosar. Com a devida vénia, o fisco, neste caso, está na contramão dos interesses nacionais de prestigiar o "conteúdo local". De qualquer maneira, caindo a interpretação errada de que o contrato de agencia marítima teria o condão de derrogar as disposições posteriores nos contratos com a Petrobras, terseá como resultado a improcedência das glosas, com a reforma da decisão ora atacada, e declarada a procedência da impugnação ao Auto de Infração fiscal. A vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa. Passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões às quais chegou o Colegiado. As discussões no presente processo giram em torno da glosa de custos e despesas, diante do entendimento do Fisco de que seriam desnecessárias às operações da autuada. Os gastos estariam relacionados à atividade da Java Boat, que seria contratualmente e de fato a responsável pelos dispêndios. Os custos/despesas glosados alcançaram vinte e três Fl. 3196DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.197 38 embarcações que não são de propriedade da interessada e são objeto de contratos com a Petrobrás. Em se tratando da dedutibilidade de custos/despesas, é pacífico que o ônus da prova recai sobre aquela que apropria dos gastos e deles se beneficia, reduzindo a base tributável. No caso, a interessada Maré Alta do Brasil Navegação Ltda. Pois bem. Ainda no curso do procedimento fiscal, foi constatada a sobreposição (ou, na melhor das hipóteses, uma falta de definição) de atribuições nos contratos firmados entre a Petrobrás e as contratadas Java Boat e Maré Alta (solidárias), quando comparados aos contratos firmados entre a Petrobrás e a Maré Alta, na qualidade de armadora. Os contratos eram simultâneos, diziam respeito sempre à mesma embarcação e um fazia menção ao outro, mas não restava clara a divisão de atribuições entre as contratadas. Intimada a prestar esclarecimentos, a própria Maré Alta apresentou ao Fisco o Instrumento Particular de acordo entre empresas, datado de janeiro/2002, firmado entre Java Boat e Maré Alta. Tal contrato, naquele momento dado por válido pela própria Maré Alta, definia com clareza quais encargos e atribuições recairiam sobre cada uma das partícipes. Especificamente, à Java Boat eram atribuídos todos os custos e obrigações relativos à operacionalização das embarcações. Além disso, o contrato estabelecia renovação automática, sempre que fossem inseridos no “Anexo A” novos afretamentos, e dispunha que o fim do vínculo contratual deveria ser objeto de comunicação por escrito (cláusula 2C). O Fisco também identificou várias transferências de recursos da Java Boat para a Maré Alta, a título de reembolso de diversas despesas decorrentes dos contratos de afretamento e que haviam sido pagas pela Maré Alta, inclusive com notas fiscais emitidas em nome da Maré Alta. Após a autuação, a Maré Alta passou a afirmar que o Instrumento Particular de acordo entre empresas não mais estaria em vigor, tendo sido derrogado pelos contratos de afretamento firmados posteriormente, nos quais a atribuição dos encargos entre as contratadas disporia de modo diferente. No entanto, ao analisar as alegações das partes e os documentos trazidos aos autos, entendeu o Colegiado que a interessada não se desincumbiu adequadamente do ônus de provar que as despesas em questão seriam suas, por contrato. Inicialmente, como bem já havia pontuado o acórdão recorrido, o Instrumento Particular de acordo entre empresas não foi expressamente revogado, por escrito, conforme suas próprias disposições. Por certo se poderia, em tese, admitir que o contrato houvesse sido revogado tacitamente, desde que as partes contratantes houvessem passado a agir de modo diferente, sem qualquer oposição da outra parte. Mas não há prova disso nos autos. As glosas abrangeram custos/despesas de 23 embarcações, mas somente foram trazidos aos autos os contratos do navio Carline Tide, pelo que não é possível daí extrair conclusões para os demais. Além disso, mesmo a análise dos contratos dessa única embarcação não esclarece as dúvidas suscitadas pelo Fisco. O único documento que dispõe com clareza acerca das obrigações e encargos para operacionalização das embarcações é o Instrumento Particular de acordo entre empresas. A linha de defesa da recorrente deveria estar lastreada em prova detalhada e inconteste, baseada em seus assentamentos contábeis e documentação de suporte, para todas as Fl. 3197DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.198 39 23 embarcações, de que os custos e despesas por ela contabilizados foram de fato incorridos, em decorrência de operações que geraram receitas próprias (e não da Java Boat), e que os vários repasses de numerário recebidos da Java Boat não se destinaram ao ressarcimento de gastos por ela adiantados mas que, de fato, seriam de responsabilidade da outra empresa do grupo econômico. E essa prova não encontro nos autos. Além da ausência dos contratos e das incertezas mencionadas, também foi trazido pelo Fisco o contrato firmado entre Maré Alta e Pan Marine, mediante o qual a primeira cede à segunda todos os direitos e obrigações decorrentes do contrato com a Petrobrás. Tal contrato especifica que seus efeitos se dariam de forma retroativa a partir de 04/07/2007. Ora, ainda que hipoteticamente se pudesse admitir que a Maré Alta fosse a titular de obrigações diante da Petrobrás, tais obrigações teriam sido cedidas (juntamente com os direitos) à Pan Marine. Também nessa hipótese, os encargos contabilizados como custos seriam indedutíveis. E também essa questão não foi adequadamente esclarecida e comprovada pela recorrente. Diante de tudo isso, a constatação de que a Maré Alta assumiu mais de 70% dos dispêndios relacionados aos contratos com a Petrobrás, enquanto as receitas deles decorrentes estavam concentradas na Java Boat assume grande relevância. Se os custos decorrentes das contratações geraram receitas para a empresa estrangeira, tais custos não poderiam ser apropriados ao resultado da Maré Alta. Ao trazer aos autos contratos de apenas uma das embarcações (ao passo que a glosa atingiu 23), não provar que o Instrumento Particular de acordo entre empresas foi revogado, ainda que tacitamente, e não fazer a prova detalhada anteriormente mencionada, as alegações da recorrente quedam sem suporte, e não se há de fazer reparo ao acórdão recorrido. Por todo o exposto, a decisão do Colegiado foi no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 3198DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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