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Numero do processo: 15586.001361/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/12/2009
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria.
Recurso Voluntário Negado.
A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais.
Numero da decisão: 2401-003.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRP na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/12/2009 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 13 61 /2 00 9- 53 Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001361/200953 Acórdão n.º 2401003.643 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente auto de infração de obrigação acessória, lavrado sob o n. 37.308.8540, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, I da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, I e § 9º e art. 283, I, “a” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de elaborar folha de pagamento com todas as remunerações dos segurados que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 101, os fatos geradores encontram se assim descritos: DIFERENÇAS DE FÉRIAS 2.2. As diferenças foram apuradas com base nas informações constantes nas folhas de pagamento, por meio das verbas G60 (férias normais), G62 (férias 1/3 constitucional) e 440 (complemento de férias acordo coletivo). Os valores mensais considerados como base de cálculo encontramse discriminados por estabelecimento e por competência no DD — Discriminativo de Débito nos levantamentos DF6 e DF7, sendo que as diferenças por empregado encontramse no anexo I. SEGURO DE VIDA EM GRUPO 2.3. Em 2005, a empresa contratou seguro de vida em grupo com a Seguradora Itati Seguros S/A para os seus empregados e dirigentes, arcando com o custo total do beneficio, não estando o mesmo, segundo informação da própria empresa, previsto no acordo coletivo, pois tal direito incorporouse definitivamente ao contrato de trabalho. 2.4. Os valores foram apurados com base nas informações constantes nas folhas de pagamento, por meio da verba 885 (Premio Total — Svg), em conjunto com as informações constantes nos relatórios anexos As apólices, os quais foram fornecidos pela empresa. Os valores mensais considerados como base de cálculo encontramse discriminados por estabelecimento e competência no DD nos levantamentos SG6 e SG7, sendo que os valores discriminados por segurado encontramse no anexo I. BOLSA AUXÍLIO EDUCAÇÃO GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO 2.5. No exame da escrituração contábil foram encontrados pagamentos feitos aos empregados referentes A educação superior, não estando estes pagamentos abrangidos pela exclusão prevista na alínea "t" do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, se enquadrando como valor pago, devido ou creditado a "qualquer titulo", conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei n°8.212/91. 2.6. Além disso, a empresa informou que o beneficio foi pago apenas para os funcionários da filial Guaiba, pois faz Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 parte da política de beneficios adotada pela fábrica de Guaiba, antes de sua aquisição pela Aracruz Celulose, que configura uma restrição à extensão a todos os segurados da empresa, contrariando outro requisito da citada alínea "t". 2.7. Os valores foram apurados com base na escrituração contábil na conta 321314 — Bolsa de Estudo e sua totalização mensal, discriminada por estabelecimento, encontrase no DD no levantamento CS6, sendo que os valores por empregado encontramse no anexo I. ASSISTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA PARA OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES 2.8. A empresa disponibiliza aos seus empregados e dirigentes, extensivo aos dependentes, plano de saúde, de assistência médica e odontológica, através de contrato firmado com a operadora de plano de saúde MEDISERVICE, sendo extensivo a toda empresa, com exceção da filial Guaiba, cujo contrato foi realizado com a UNIMED Centro Sul e com a UNIODONTO Porto Alegre. 2.9. Os recursos destinados A cobertura da assistência médica, hospitalar e odontológica dos dependentes dos segurados empregados e dirigentes, por não estarem expressamente previstos no art. 28, § 9°, "q", integram o salário decontribuição, nos termos do art. 28, incisos I e III da Lei n°8.212/91. 2.10. Os dados relativos aos fatos geradores ocorridos baseiamse nas informações, prestadas pela própria empresa, dos valores mensais por ela suportados com os dependentes que usufruiram dos beneficios ofertados pelo plano de saúde, e encontramse discriminados por estabelecimento e competência no DD nos levantamentos PS6 e PS7, estando os valores discriminados por segurado no anexo I.2.11. As despesas com o plano de saúde dos dependentes, custeadas pelos empregados e dirigentes, não foram objeto de levantamento. GESTÃO POR RESULTADOS (GPR) PAGA AOS EMPREGADOS OCUPANTES DE CARGOS EXECUTIVOS 2.12. A empresa adota dois programas de participação nos lucros ou resultados para seus empregados. Um para o nível operacional e administrativo (PLR) e outro para o nível executivo (GPR). 2.13. Pela análise dos Acordos de Participação nos Lucros e Resultados, celebrados entre a Aracruz e a Comissão de Representantes dos Empregados (no caso da filial Guaiba) e com os demais Sindicatos Representantes da Categoria dos Empregados, cujas cópias estão no anexo III As fls. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001361/200953 Acórdão n.º 2401003.643 S2C4T1 Fl. 4 5 522 a 603, foi verificado que em todos os acordos consta cláusula de exclusão de gerentes, coordenadores e similares (cargos executivos), por já possuírem um programa de resultados com metas individuais. 2.14. A empresa foi intimada a apresentar o Termo de Acordo celebrado com o Sindicato ou Comissão escolhida entre as partes, contendo regras claras e objetivas estabelecidas para pagamento da Gestão por Resultados para os empregados ocupantes de cargos executivos. 2.15. A empresa informou que a exclusão do Termo do Acordo da PLR dos empregados que ocupam cargos executivos, por já possuírem um programa de resultados com metas individuais, permite maior liberdade para tratar da questão, cujos esclarecimentos constam no anexo IV as fls. 605 a 610, não apresentando nenhum documento comprovando que as regras contidas no Programa de Resultados com Metas Individuais foram objeto de negociação, mediante um dos procedimentos definidos no art. 2°, I e II da Lei n° 10.101/2000. 2.16. Foi analisado o manual do programa GPR 2004, que originou o pagamento da GPR em 2005, verificandose tratar de um programa híbrido, composto de metas individuais e metas corporativas, sendo extensivo a todos os ocupantes de cargos executivos,., sendo os mesmos divididos em três níveis. 2.17. Para avaliação de desempenho individual o programa estabelece uma escala de avaliação contendo 5 níveis de desempenho, para os quais não existem regras claras quanto ao valor a ser recebido pelos empregados que obtiveram classificação entre os níveis de desempenho 1 a 4. 2.18. As metas corporativas também não possuem regras claras quanto ao valor a ser recebido de GPR, no caso das metas corporativas não terem sido atingidas ou terem sido atingidas proporcionalmente, tendo o programa apenas definido o valor máximo de salários a ser pago aos empregados executivos. No programa também não existem mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento das metas corporativas. 2.19. Foi constatado, ainda, que vários empregados receberam valores expressivos e aleatórios muito superiores aos 8,5 salários estabelecidos no manual como valor máximo a ser pago a titulo de remuneração variável (GPR), o que demonstra mais uma vez a ausência de critérios claros e objetivos pré determinados exigidos pelo art. 2°, § 1° da Lei n° 10.101/2000. 2.20. Analisando a folha de pagamento foi encontrada a rubrica Bônus Espontâneo (verba 134), nas competência 08 e 09/2005. Intimada, a empresa informou que se trata de nome tecnicamente equivocado, dado h antecipação da GPR, das pessoas que participaram do Projeto Veracel, cujos esclarecimentos seguem no anexo VI, de fls. 680 a 687. Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 2.21. Com base nos documentos apresentados, foi constatado que o Bônus Espontâneo não se trata de uma antecipação de GPR e sim do pagamento final da GPR referente ao Projeto Veracel, já que o adiantamento ocorreu em 27/06/2005. 2.22. Foi constatado ainda que diversos empregados receberam GPR mais de duas vezes no mesmo ano civil, o que é vedado pelo art. 3, § 2°, da Lei n° 10.101/2000, sendo que os referidos funcionários constam no anexo VIII de fls. 702. 2.23. Os dados relativos aos fatos geradores foram apurados com base na escrituração contábil e nas informações constantes das folhas de pagamento, por meio das verbas 277 (Part. Lucros Resultados/GPR) e 134 (Bônus Espontâneo) e estão discriminados por estabelecimento e competência no DD nos levantamentos GR6 e GR7, sendo que os valores discriminados por empregado encontramse no anexo I. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 10/12/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 14/12/2009. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 122 a 164 Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 402 : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INCRA. FÉRIAS. ESCRITURAÇÃO CONTABIL EM TÍTULOS PRÓPRIOS. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PREVISÃO EM ACORDO COLETIVO. BOLSA AUXÍLIO EDUCAÇÃO. ASSISTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA PARA DEPENDENTES DE EMPREGADOS E DIRIGENTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. A contribuição para o INCRA não foi extinta e é devida também pelas empresas urbanas. Para que 'determinadas rubricas sejam consideradas como de natureza indenizatória,. fazse necessária a escrituração das mesmas em títulos próprios na contabilidade. 0 seguro de vida em *grupo, para ser excluído do salário decontribuição, deve estar previsto em acordo ou conve4ã6 coletiva. A bolsa auxilio educação, para ser. excluida do saláriode contribuição, deve ser fornecida para custear ensino básico ; ou profissionalizante e abranger a totalidade dos empregados da empresa. Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001361/200953 Acórdão n.º 2401003.643 S2C4T1 Fl. 5 7 A assistência médica e odontológica dos dependentes dos empregados e dirigentes integra o saláriodecontribuição por expressa falta de previsão legal para sua exclusão, dado que a interpretação para outorga de isenção deve ser literal. A participação nos lucros e resultados, para ser excluída do salário de contribuição, deve ser prevista em instrumento de negociação com a participação do sindicato, deve possuir regras claras e não pode ser pago mais do que duas vezes no mesmo ano civil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 424, contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 1. Para fins de cobrança do SAT, devese considerar a atividade desempenhada pelo contribuinte através de cada estabelecimento, individualizado através de seu CNPJ, o que, em razão de reiteradas manifestações do STJ, culminou com a edição da súmula n°351. (INAPLICÁVEL) 2. A contribuição ao INCRA foi extinta pela Lei n° 7.787/89 e não ha previsão da contribuição ao INCRA nas Leis re's 8.212/91 e 8.213/91. (INAPLICÁVEL) 3. A discriminação dos débitos exigidos por meio da autuação mostrase sobejamente confusa, não sendo possível ao recorrente verificar individualmente quais eventos específicos geraram tais autuações, que poderiam ser separadas por assuntos, mas que tratam de assuntos em comum, variando tão somente quanto a referências em que se mostra ser praticamente impossível identificar o período, a forma como o cálculo foi encontrado e os empregados relacionados a determinado valor cobrado. 4. Verificouse que significativa parte, sendo a integralidade, das verbas relativas a férias, se referem a pagamentos efetuados a titulo de terço constitucional de férias e outros adicionais de caráter indenizatório e não integram o saláriodecontribuição, nos termos do art. 28, § 9°, "d" da Lei n° 8.212/91. 5. Os valores pagos a titulo de seguro de vida em grupo estão expressamente desvinculados dos salários dos segurados, na forma do disposto no art. 458, § 2°, V da CLT, não podendo o Regulamento da Previdência Social dispor de forma diferente, dado que haveria grave lesão h. hierarquia entre as normas. As verbas pagas quanto aos seguros de vida sequer podem ser individualizadas por empregado, o que, naturalmente, impede que possam integrar o salário de contribuição. 6. O valor da bolsa de educação pago pelo recorrente não possui natureza jurídica de remuneração pelos serviços prestados, tendo em vista que, no período em que está estudando, o trabalhador sequer está à disposição da empresa. 7. O art. 28, § 9°, alínea "t", da Lei n° 8.212/91, ao excluir do salário de contribuição os valores destinados a "cursos de capacitação e qualificação profissionais", se conclui com Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 nítida tranqüilidade que os cursos superiores também estariam compreendidos por tal categoria, especialmente porque os mesmos possuem intima ligação com a capacitação e qualificação profissional de qualquer funcionário. 8. No que tange ao fato de que os beneficios seriam concedidos apenas a funcionários da filial de Guaiba da recorrente, impõese registrar que tal estabelecimento foi incorporado pela mesma pouco antes do advento do exercício objeto da autuação. Todos os valores autuados se resumem a bolsas concedidas anteriormente à tal incorporação, de modo que o acesso da integralidade dos funcionários e dirigentes da empresa incorporada a esses benefícios era fielmente observado, não podendo as referidas bolsas serem simplesmente cassadas, pois os funcionários agraciados não poderiam arcar com o pagamento dos respectivos cursos, sob pena de terem que desistir de continuálos, o que revela com clareza a correção da opção do recorrente em manter os benefícios anteriores, caracterizando o conceito de ato jurídico perfeito. 9. A assistência médica e odontológica não possui natureza remuneratória, por tratarse de beneficio concedido para o trabalho e não pelo trabalho, posto que objetiva a manutenção da plena saúde dos seus funcionários, a qual resultará no incremento da sua produção. 10. A assistência médica não possui as características de gratuidade, habitualidade e contra prestação dos serviços do empregado. O fato de tal beneficio ser estendido a dependentes não tem o condão de alterar a sua natureza indenizatória. A concessão de tal beneficio aos dependentes é uma liberalidade da recorrente para dar maior saúde e tranqüilidade à família de seu empregado para que este possa produzir de forma mais eficiente. Houve a plena concordância do sindicato com o auxilio promovido, nos termos das respectivas convenções coletivas aprovadas quanto aos biênios 2004/2005 e 2005/2006, conforme documentos 05 e 06 em anexo. 11. A Lei n° 10.243/04, ao alterar o art. 458 da CLT, tornou inaplicáveis as disposições que condicionavam a não incidência da contribuição previdenciária sobre o valor relativo ao fornecimento de assistência médica ou odontológica. 12. O constituinte originário optou por deixar expressa no texto constitucional a impossibilidade de integração da participação nos lucros ao salário do trabalhador, não delegando qualquer espaço para o legislador dispor de forma diferente. 13. No que tange à participação nos lucros, optou o constituinte originário por prever que a mesma seria desvinculada da remuneração dos trabalhadores, deixando de impor qualquer tipo de restrição, valendo dizer que a expressão "conforme definido em lei", presente no dispositivo constitucional supracitado, somente se aplica participação dos trabalhadores na gestão da empresa e não à participação nos lucros, tendo o art. 7°, XI da Constituição Federal, desde a sua promulgação, plena eficácia em relação à participação nos lucros, especialmente quanto a impossibilidade de tal parcela ser integrada ao salário dos trabalhadores. 14. Ainda que se entenda que a expressão "conforme definido em lei" também se aplica à participação nos lucros, não poderia o legislador, sob pretexto de regulamentar o texto constitucional, alterar o seu conteúdo, como o fez o art. 28, § 9°, "j" da Lei 8.212/91. 15. O § 40 do art. 218 da Constituição Federal estabelece que cabe a lei apoiar e incentivar a distribuição dos lucros pelas empresa, sendo impossível tal comando atingir o seu objetivo se for imposta às empresas pesada carga previdencidria em razão do descumprimento de pequenas formalidades, como no caso em tela, sendo que a Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001361/200953 Acórdão n.º 2401003.643 S2C4T1 Fl. 6 9 legislação infraconstitucional não pode ignorar o referido dispositivo constitucional, sendo esta a posição dos Tribunais Superiores e dos Tribunais Regionais Federais, transcrevendo jurisprudência. 16. No que tange a não comprovação de que o programa de metas dos funcionários executivos foi objeto de negociação sindical, as próprias convenções emitidas quanto aos biênios 2004/2005 e 2005/2006, As fls. 1.153 a 1.178, corroboraram o tratamento em separado da participação dos gerentes e executivos através do GPR, cujo instrumento às fls. 1.180 a 1.197, ao contrário do alegado pela fiscalização, constou efetivamente da análise por parte do Sindicato, tendo em vista que o mesmo foi anexado aos acordos de participação nos lucros, As fls. 1.199 a 1.221. 17. No que se refere à pretensa inexistência de regras claras quanto aos valores a serem pagos aos empregados na hipótese de as metas não serem atingidas ou serem atingidas parcialmente, importa recordar que, ao revés, tal argumentação é demasiadamente clara, pois os percentuais e pesos traçados pelas tabelas apostas no instrumento que regulamentou o GPR e, sem prejuízo, as diretrizes especificas de cada área, delimitam com precisão a aludida remuneração em quaisquer casos, exemplificando através de casos concretos de calculo, conforme fls. 1.223 a 1.274. 18. Quanto à suposta usurpação do limite estabelecido no GPR e o alegado desrespeito A periodicidade de dois pagamentos anuais; insta observar que tais conclusões da fiscalização foram estrita e diretamente influenciadas por remunerações vinculadas ao "Projeto Veracel", as quais não podem ser equiparadas As participações nos lucros, uma vez que, dotadas de caráter eminentemente eventual e extraordinário, são alheias incidência de contribuições previdenciárias, conforme documentos juntados As fls. 1.276 a 1.321. 19. Além disso, os valores foram distribuídos unicamente em razão de determinados funcionários terem atingido especificamente a meta de construção da unidade VERACEL, recebendo, em contrapartida, bônus de caráter excepcional, tendo sido concedida em caráter eventual, devendo ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias por força do disposto no art. 28, § 9 0, V, "j" da Lei n° 8.212/91, assim como no § 11 do art. 201 da Constituição Federal. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora DO MÉRITO O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Notese, que a base para a autuação, da obrigação acessória em questão, está prevista na Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 32, I, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Como se percebe, a própria lei conferiu poderes ao INSS e posteriormente RP, atual RFB, para definir o padrão e as normas de elaboração dos documentos. A elaboração das folhas de pagamentos está disciplinada no art. 225 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, nestas palavras: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; IIagrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001361/200953 Acórdão n.º 2401003.643 S2C4T1 Fl. 7 11 Assim, era obrigação da recorrente o preparo das folhas de pagamentos seja para os segurados empregados e contribuintes individuais, seja em relação as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração. Assim, mesmo que entendesse indevida a inclusão de determinadas verbas no conceito de remuneração deveria a empresa, incluílas em folha de pagamento, conforme preceitua a lei. Conforme comprovado nos autos, tal elaboração não foi realizada na forma estabelecida. Justificável apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da AIOP que indicou os fatos geradores, Processo n. 15586001360/200917 (patronal) em julgamento nessa mesma sessão. Vejamos ementa do acordão proferido referente a parcela patronal, devendo ambos serem observados para recalculo da multa, considerando a procedência parcial dos mesmos. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS PAGAMENTOS INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DA LEI INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. DIFERENÇA DE SAT CÁLCULO CONSIDERADO POR ESTABELECIMENTO PUBLICAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO 11/2011, DE 20/12/2011 O lançamento à título de diferença de SAT, ora sob enfoque, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, que ensejou a publicação do ATO DECLARATÓRIO 11/2011, DE 20/12/2011. No termos do Ato DECLARATÓRIO a cobrança do SAT deve ser feita levandose em consideração o grau do risco da atividade de cada estabelecimento da pessoa jurídica, desde que individualizado por CNPJ próprio. DIFERENÇA DE FÉRIAS AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO EXPRESSA . 1/3 DE FÉRIAS RECURSO REPETITIVO STJ Os valores foram apurados no próprio resumo de férias, sendo perfeitamente possível a empresa identificar as origens dos valores, demonstrando, face a legislação aplicável se realmente se tratavam de verbas com natureza indenizatória. A ausência de impugnação expressa, acaba por impossibilitar a esse colegiado a apreciação dos valores lançados por meio das contas G60 (férias normais) e 440 (complemento de férias acordo coletivo), razão pela qual correto o lançamento. A alegação de tratarse genericamente de verbas indenizatórias não pode ser acatado, quando não demonstra especificamente o recorrente que a verbas pagas caracterizamse, por exemplo Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 como férias pagas na rescisão, essas sim, excluídas do conceito de salário de contribuição. 1/3 DE FÉRIAS INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nos termos do art. 28, § 9ºda lei 8212/90, não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; Embora a jurisprudência venha se encaminhando por desconstituir a natureza remuneratória da verba, a lei 12844/2013 que alterou a 10.522 nos casos do recursos repetitivos transitados em julgados, deve a receita observar a norma (adequando suas decisões), exceto no caso de existência de recurso extraordinário discutindo a mesma matéria, o que se observa no presente caso. Assim, não há como afastar a incidência da contribuição até a decisão final a respeito do tema. SEGURO DE VIDA EM GRUPO ATO DECLARATÓRIO 12/2011, DE 20/12/2011 Conforme previsto no Ato Declaratório 12/2011, de 20/12/2011, o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles não se inclui no conceito de salário, afastandose, assim a incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba. AUXÍLIO EDUCAÇÃO CURSO SUPERIOR MANUTENÇÃO DE BENEFÍCIO CONCEDIDO ANTES DE INCORPORAÇÃO Ao contrário do que entendeu o julgador, a legislação trabalhista é clara ao descrever nos seus art. 10 e 448 do DecretoLei 5452/1943 que instituiu a CLT, que alterações na estrutura jurídica (como é o caso da incorporação) ou mesmo alterações na propriedade não afetam os contratos de trabalhos. Ou seja, nos termos da legislação trabalhista não poderia a empresa simplesmente cessar a concessão do benefício, como entendeu o julgador para enquadrarse na exclusão legal. Vejamos dispositivos: O fato de dar continuidade ao plano de fornecimento de educação aos empregados de empresa incorporada não é capaz de determinar o descumprimento da exigência “extensível a todos os empregados e dirigentes”, tendo em vista que a exclusividade da concessão deuse por força legal e contratual, a qual o autuado não poderia eximirse, considerando até mesmo a possibilidade do empregado exigir a permanência do benefício face a justiça do trabalho. ASSISTÊNCIA MÉDICA DEPENDENTES Para que os benefícios concedidos aos empregados não constituam salário de contribuição devem constar do rol de exclusão do art. 28, § 9 da lei 8212/91, não podendo valerse da legislação trabalhista (art. 458, para definir o conceito de salário de contribuição de contribuições previdenciárias. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001361/200953 Acórdão n.º 2401003.643 S2C4T1 Fl. 8 13 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ESTIPULAÇÃO EXISTÊNCIA DE ACORDO PARA O PAGAMENTO AOS DIRIGENTES Não demonstrou o recorrente que os acordos realizados com as comissões possuíam assinatura do respectivo sindicato, o que fere dispositivo da legislação que regula a matéria, atribuindo se natureza salarial a verba PLR. O programa Gerir Desempenho fl. 1201 (1181), não demonstra a existência de acordo com a participação do sindicato para sua elaboração, nem tampouco prova o recorrente que o mesmo faz parte de acordo coletivo. A fl. 606, em resposta ao termo de intimação n. 5, no item 2.2, a empresa informa que a remuneração variável encontrase consubstanciado em acordo coletivo (todavia, o auditor ressalva por escrito que os referidos acordos não foram apresentados). Recurso Voluntário Provido em Parte Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Desse modo, a recorrente praticou a infração, pois a não contabilização em títulos próprios acarreta a responsabilidade do infrator pela penalidade prevista na legislação previdenciária. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13855.723957/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Ataíde Marcelino Júnior, OAB/SP 197.021, advogado do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator
EDITADO EM: 08/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Ataíde Marcelino Júnior, OAB/SP 197.021, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator EDITADO EM: 08/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep de períodos de 2008 a 2010, sendo exigindo o crédito tributário no valor total de R$3.782.944,97. O procedimento fiscal originouse da verificação do recolhimento das Contribuições Sociais devidas à Previdência Social e às Outras Entidades e Fundos. No seu decorrer, verificouse RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 55 .7 23 95 7/ 20 12 -6 1 Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13855.723957/201261 Resolução nº 3101000.382 S3C1T1 Fl. 4 2 infrações à legislação previdenciária com reflexos na Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins não cumulativas. A fiscalização aponta a ocorrência de infrações pela utilização de interpostas pessoas para a contratação de empregados, com redução ilícita de encargos previdenciários, e a geração indevida de créditos para o PIS e a COFINS, em oposição à situação de fato em de existência de uma única empresa. Comprovando que as empresas fornecedoras de mãodeobra para a recorrente eram interpostas pessoas, as notas fiscais de prestação de serviços de mãode obra não seriam aptas a produzir créditos, pois o pagamento dessa mãodeobra a pessoa física (situação fática) não ensejaria crédito na apuração das contribuições, nos termos das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, art. 3º, § 2º, I. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação, alegando que: todos os esclarecimentos e documentos, inclusive das empresas diligenciadas, foram disponibilizados à fiscalização; surpreendentemente a fiscalização entendeu que a impugnante se valeu de empresas interpostas para contratar segurados com redução de encargos previdenciários; não foram considerados os recolhimentos das empresas “interpostas”; a terceirização é uma realidade universal hoje em dia e imprescindível para a sobrevivência da indústria calçadista; a fiscalização esqueceu totalmente o lado positivo da terceirização, talvez pelo fato de o País não dispor de uma legislação específica; as irregularidades apontadas pela fiscalização são, na verdade, imposições normais e usuais da sistemática de terceirização; toda a matéria do processo estão sendo impugnados; faltou o contraditório ao desconsiderar a personalidade jurídica das empresas consideradas interpostas, nos moldes previstos nos art. 80 e 81 da Lei nº 9.430/1996; não ficou demonstrada e relação empregatícia entre os empregados das empresas consideradas inexistentes com a autuada; Cerceamento do direito de defesa – descrição imprecisa do fato gerador e falta de clareza nas provas. não se verifica com clareza nos autos do processo os documentos a que se referem os anexos I a LXIX; ainda que estejam nos autos, se encontram todos desorganizados; Imprecisão no enquadramento legal e indeterminação da matéria e do montante tributável. Ofensa aos artigos 97 e 142 do CTN e 9º do Decreto nº 70.235/1972. a descrição dos fatos e o enquadramento legal apresentamse de forma confusa e não objetiva prejudicando o contraditório e a ampla defesa; Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13855.723957/201261 Resolução nº 3101000.382 S3C1T1 Fl. 5 3 a impugnante não se enquadrou em nenhum dispositivo constante no FLD; Não incidência de juros Selic sobre multa de ofício A revogação das multas punitivas e de mora pelo artigo 79 da Lei nº 11.941/2009. que não ficou demonstrada a relação empregatícia dos empregados das empresas consideradas inexistentes com a autuada; que não cabe à RFB desconsiderar os vínculos empregatícios, cabe ao Ministério do Trabalho, por meio da fiscalização do trabalho, verificar a regularidade dos vínculos; algumas terceirizadas foram fiscalizadas pelo Ministério do Trabalho; foi homologada uma composição entre a impugnante e o Ministério do Trabalho sobre a terceirização da produção de calçados. A impugnante na referida composição se comprometeu a cumprir uma série de obrigações, sob pena de sanções administrativas e penais; daí que contratar empresas idôneas, de confiança, é condição sine que non para a impugnante; Não houve e não há fraude nos autos capaz de justificar a qualificação da multa; o fato da reiterada irregularidade não justifica a majoração da multa; já está pacificado no CARF a necessidade de comprovação cabal de atitude dolosa, fraudulenta ou simulada dos agentes. requer o benefício disposto no art. 112 do CTN; se ilícito houve, os responsabilizados agiram mediante erro de proibição. Também cientificados os sócios aos quais foi atribuída responsabilidade tributária pelos débitos, não houve apresentação de contestação da parte deles. Para esclarecer a questão referente às multas isoladas, o processo foi baixado em diligência. Em resposta, a DRF em Franca elaborou o despacho de fl. 1833, no qual confirmou a procedência da alegação da contribuinte sobre esse ponto, pois a ciência dos despachos decisórios que não homologaram as compensações declaradas e do que indeferiu o pedido de ressarcimento ocorreu em data posterior à ciência dos autos de infração deste processo. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, em sessão realizada em 19 de setembro de 2013, acordou, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação, cancelando a multa isolada por não homologação de compensação e indeferimento de pedido de ressarcimento, mantendo a exigência relativa à Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, acrescidas das multas de ofício qualificadas e juros de mora. O Acórdão 1444.825 foi assim ementado: Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13855.723957/201261 Resolução nº 3101000.382 S3C1T1 Fl. 6 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009, 2010 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009, 2010 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008, 2009, 2010 DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase legalmente como fraude ou sonegação. RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS SÓCIOS. Os sócios administradores são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A falta de contestação por parte dos sócios aos quais foi atribuída responsabilidade tributária implica em preclusão do direito de fazêlo em outro momento processual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A interessada, regularmente cientificada do Acórdão da DRJ Ribeirão Preto, interpôs o Recurso Voluntário, onde basicamente reprisa as alegações trazidas na impugnação. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13855.723957/201261 Resolução nº 3101000.382 S3C1T1 Fl. 7 5 Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O presente processo não se encontra em condições de ser julgado por esse colegiado, tendo em vista sua conexão com outros processos que analisam Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação relativos aos mesmos fatos e períodos do presente processo. Segundo o Termo de Verificação Fiscal Processo nº 13855.723957/201261 (fls.81 a 82), as glosas dos créditos relativos às notas fiscais de aquisição emitidas pelas empresas MP Company Calçados, MX1 Indústria e Comércio, Silvio Cezar Teófilo e CIA, Luis Fernando de Araújo FrancaME e Pesponto Bela Vista Ltda, implicaram em diferenças na apuração dos valores devidos a título de PIS e COFINS, nas competências fevereiro, março, junho, julho, setembro a dezembro de 2008, março a agosto, outubro a dezembro de 2009, janeiro, março a julho, setembro a dezembro de 2010, que foram objeto do lançamento de ofício no presente processo. O referido termo destacou também que o contribuinte apresentou Pedidos de Ressarcimentos de créditos de PIS e COFINS, relativo aos períodos objetos do lançamento efetuado, e Declarações de Compensação, que foram objetos de despachos decisórios e manifestações de inconformidade, cujos processos administrativo fiscal (13855.902603/201281, 13855.902605/201270, 13855.905758/201198, 13855.902604/201225, 13855.905757/201143, 13855.723587/201261, 13855.902606/201214) ainda se encontram pendentes de julgamento final, com reflexo direto no presente processo. Destacase que o processo 13855.902606/201214 entrou em pauta para julgamento em 27 de maio de 2014, na 1ªTurma Especial da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, sendo convertido em diligência conforme Resolução nº 3801000.740. Dessa forma, voto para converter o presente julgamento em diligência, com retorno dos autos à unidade de origem para anexar a decisão final dos processos 13855.902603/201281, 13855.902605/201270, 13855.905758/201198, 13855.902604/201225, 13855.905757/201143, 13855.723587/201261, 13855.902606/201214. Após o cumprimento da diligência, retornase os autos para julgamento neste órgão colegiado. Sala das sessões, 17 de setembro de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 13609.906777/2009-29
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-003.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência justificada de Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência justificada de Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de belo Horizonte/MG. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 67 77 /2 00 9- 29 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 7/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: O interessado transmitiu, em 23/07/2009, o PER/DCOMP de fls. 24/29, visando a compensar o(s) débito(s) nela declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 31/03/2003. A Delegacia da Receita Federal jurisdicionante emitiu em 23/10/2009, o Despacho Decisório eletrônico (fl. 03) não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o crédito foi utilizado integralmente para quitação de débito(s) do contribuinte, não restando valor disponível para compensação do(s) débito(s) informado(s) no PER/DCOMP. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 01/03, argumentando que efetuou pagamento de Cofins, código 2172, no valor de R$ 2.762,06 e que o valor devido seria de R$ 1.176,18, gerando um crédito de R$ 1.585,88. Diz, ainda, que com esse crédito acrescido de atualização monetária pela Selic, a cada PER/DCOMP entregue, foram efetuadas as compensações listadas na manifestação de inconformidade. Requer o deferimento do crédito. É o relatório. O pleito foi deferido parcialmente, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BHE no 0232.019, de 25/04/2011, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 COMPENSAÇÃO A compensação é regular no caso da existência de créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. O julgamento foi no sentido considerar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo o crédito no valor original de R$ 997,80. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória para o restante da parte procedente. O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 7/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.906777/200929 Acórdão n.º 3802003.607 S3TE02 Fl. 149 3 Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Considerando que a decisão de primeira instância julgou procedente em parte a solicitação para reconhecer o crédito no valor original de R$ 997,80, a ser utilizado, até esse limite, na compensação de débitos deste processo. Os fatos observados são que a recorrente transmitiu, em 23/07/2009, o PER/DCOMP, com objetivo de compensar débito nela declarado, com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 31/03/2003. Observase que o Despacho Decisório, em 23/10/2009, não homologou a compensação, tendo em vista que o crédito fora utilizado integralmente para quitação de débito da recorrente, não restando saldo para compensação do débito da PER/DCOMP, ou seja, inexiste crédito. Por sua vez, como relatado, alega a recorrente que efetuou pagamento de Cofins, no valor de R$ 2.762,06 e que o valor devido seria de R$ 1.176,18, gerando um crédito de R$ 1.585,88. Este crédito atualizado, a cada PER/DCOMP entregue, acobertaria todas as compensações.. É o que entende a recorrente. A recorrente transmitiu a DCTF retificadora, em 31/07/2008, na qual consta o débito apurado de Cofins de R$ 1.764,26, para o período de apuração de março/2003, tendo vinculado o pagamento de R$ 1.176,18 e declarado a suspensão de exigibilidade no valor de R$ 588,08. Como dito, a recorrente entende que gerou o crédito de R$ 1.585,88, porque subtraiu apenas R$ 1.176,18 do pagamento de R$ 2.762,06. No entanto, o crédito é de R$ 997,80, pois do valor da Cofins paga em 15/04/2003, ou seja, R$ 2.762,06, deve ser subtraído o valor apurado de R$ 1.764,26, declarado na DCTF retificadora de 31/07/2008 e de acordo com os valores informados na DIPJ/2004 (ficha 26A da DIPJ/2004, entregue em 21/06/2004, consta a Cofins a pagar de R$ 1.672,85 na linha 39 e R$ 91,40 de Cofins – código 2172 na linha 40, cujos valores totalizam R$ 1.764,25, que, inclusive, consta como valor declarado em DCTF. Em sendo assim, a recorrente detém o crédito de R$ 997,80 resultante da subtração entre o valor pago (R$ 2.762,06) e o valor apurado (R$ 1.764,25), cujo valor já foi reconhecido pela decisão a quo, e não o crédito como entende a recorrente no valor de R$ 1.585,88. Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do art. 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária só ocorre nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 7/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Inclusive, os decorrentes de ação judicial, como alega a recorrente, porém, só poderia ser utilizado, quando do trânsito em julgado, bem como líquido e certo. Relembrando o que dispõe o art. 170 do CTN: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Destarte, o CTN é expresso ao dispor sobre a permissão da compensação, desde que seja feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Concluise que o crédito líquido e certo que faz jus a recorrente já foi totalmente concedido. Diante do exposto NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos.. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 7/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 16905.000124/2010-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 26/01/2011
IPI. APLICAÇÃO DE MULTA ADMINISTRATIVA. EXIGÊNCIA DE SELO EM PRODUTO IMPORTADO.
Há que se manter a multa aplicada pela exigência de selo em produto importado, quando o adquirente do produto não faz prova da importação regular do produto, mas apenas se limita a tratar de temas constitucionais que não guardam relação com o auto de infração e sequer podem ser conhecidos no âmbito administrativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 26/01/2011 IPI. APLICAÇÃO DE MULTA ADMINISTRATIVA. EXIGÊNCIA DE SELO EM PRODUTO IMPORTADO. Há que se manter a multa aplicada pela exigência de selo em produto importado, quando o adquirente do produto não faz prova da importação regular do produto, mas apenas se limita a tratar de temas constitucionais que não guardam relação com o auto de infração e sequer podem ser conhecidos no âmbito administrativo. Recurso Voluntário Negado.
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APLICAÇÃO DE MULTA ADMINISTRATIVA. EXIGÊNCIA DE SELO EM PRODUTO IMPORTADO. Há que se manter a multa aplicada pela exigência de selo em produto importado, quando o adquirente do produto não faz prova da importação regular do produto, mas apenas se limita a tratar de temas constitucionais que não guardam relação com o auto de infração e sequer podem ser conhecidos no âmbito administrativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 90 5. 00 01 24 /2 01 0- 11 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 26/01/2011, veiculando exigência de multa no valor de R$ 92.747,20, pela exigência de selo nos produtos da Recorrente. O Decreto n. 4.544/2002, em seu artigo 245, dispõe sobre a aplicação de selo nos produtos. A multa administrativa pela ausência de selo é disciplinada pelo artigo 33, inciso I, do Decretolei n. 1.593/1977, assim foi lançada multa de ofício em razão da comercialização de relógios de pulso sem selo. A Recorrente impugnou o auto de infração alegando ofensa à ordem constitucional, que a autuação foi lavrada em contrariedade ao Sistema Tributário Nacional, que a inexistência de selo não significa que a mercadoria é fruto de importação fraudulenta. Defendeu ainda que a autuação seria genérica e que o fisco não demonstrou a veracidade de suas afirmações. A DRJ julgou improcedente a impugnação, decidindo que a lavratura do auto decorreu de operação de repressão ao contrabando e descaminho da Oitava Região Fiscal, em conjunto com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, e que no estabelecimento da Recorrente foram encontrados mercadorias de origem estrangeira sem documentação fiscal de sua importação legal ou regular aquisição no mercado interno, ensejando apreensão das mercadorias. Que foram apreendidas 6.370 unidades de relógio, compreendendo o valor total de R$ 92.747,20 (valor de R$ 14,56 por relógio), sendo que foi aplicado o artigo 46 da Lei n. 4.502/1964, o Decreto 4.544/2002, vigente à época, e a própria Instrução Normativa n. 30, de 01 de março de 1999. Portanto, decidiu a DRJ que a a autuação se deu com base na legislação em vigor, pela ausência de selo, e que não lhe competia dispor sobre constitucionalidade ou inconstitucionalidade da norma. A Recorrente, em seu Recuso Voluntário, repete o conteúdo de sua defesa, aduzindo que a autuação se baseou em presunção. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 16905.000124/201011 Acórdão n.º 3403003.184 S3C4T3 Fl. 4 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista A Fiscalização encontrou, em operação destinada a reprimir o contrabando e o descaminho inúmeros relógios estrangeiros sem selo no estabelecimento da Recorrente, tendoos apreendido ante a não apresentação de documentos que comprovassem que teriam se originado de importação regular. Portanto, diversamente do alegado pela Recorrente, não se trata de mera presunção legal, mas da comprovação física da ausência de um requisito previsto no artigo 46 da Lei n. 4.502/1964, que ganhou concretude com os artigos 224, 245 e 499 do Decreto n. 4.544/2002, e com a própria IN SRF 30/1999, vigentes à época dos fatos. A Recorrente, ao invés de apresentar provas cabais da regularidade da importação, ou da obtenção do selo em seus produtos, preferiu assumir trajetória de questionar a constitucionalidade do procedimento e a legalidade do lançamento, alegações essas completamente distantes do quanto tratado no presente processo administrativo e do próprio lançamento, realizada de forma legítima, em conformidade com a Lei. Assim, resta evidente que a Recorrente incidiu em contrariedade à Lei, sendo, pois, válida e verdadeira a aplicação da multa que lhe inflingida, motivo pelo qual nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 13820.001190/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. NÃO DEPENDENTE.
Nos termos da legislação em vigor, somente podem ser deduzidas no Ajuste Anual as despesas médicas incorridas em favor do contribuinte ou de seus dependentes, não se podendo admitir a dedução de despesas havidas com terceiros não dependentes, ainda que as despesas tenham sido custeadas pelo próprio contribuinte.
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA.
Comprovada, através de documentos trazidos em sede de Recurso, a efetividade das despesas médicas efetuadas com plano de saúde, devem as mesmas ser restabelecidas na medida de sua comprovação.
Numero da decisão: 2102-003.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer as despesas médicas no montante de R$ 2.712,11.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 23/10/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, SIDNEI DE SOUSA PEREIRA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. NÃO DEPENDENTE. Nos termos da legislação em vigor, somente podem ser deduzidas no Ajuste Anual as despesas médicas incorridas em favor do contribuinte ou de seus dependentes, não se podendo admitir a dedução de despesas havidas com terceiros não dependentes, ainda que as despesas tenham sido custeadas pelo próprio contribuinte. IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Comprovada, através de documentos trazidos em sede de Recurso, a efetividade das despesas médicas efetuadas com plano de saúde, devem as mesmas ser restabelecidas na medida de sua comprovação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer as despesas médicas no montante de R$ 2.712,11. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 23/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, SIDNEI DE SOUSA PEREIRA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. NÃO DEPENDENTE. Nos termos da legislação em vigor, somente podem ser deduzidas no Ajuste Anual as despesas médicas incorridas em favor do contribuinte ou de seus dependentes, não se podendo admitir a dedução de despesas havidas com terceiros não dependentes, ainda que as despesas tenham sido custeadas pelo próprio contribuinte. IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Comprovada, através de documentos trazidos em sede de Recurso, a efetividade das despesas médicas efetuadas com plano de saúde, devem as mesmas ser restabelecidas na medida de sua comprovação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer as despesas médicas no montante de R$ 2.712,11. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 23/10/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 11 90 /2 00 9- 17 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, SIDNEI DE SOUSA PEREIRA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face da Contribuinte acima identificada, foi lavrado a Notificação de Lançamento de fls. 04/07, exigindose a importância de R$3.337,78 (três mil, trezentos e trinta e sete reais e setenta e oito centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, anocalendário 2006, correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas. Da descrição dos fatos e do enquadramento legal, a auditora fiscal assim sintetizou os fundamentos do lançamento: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$10.948,60, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Analisando os documentos apresentados apuramos que as despesas com os profissionais Luiz de Sá (970,00) e Marilene Ap. R. Dalpino (1.415,00) não foram efetuadas pelo declarante, como o declarante não tem dependente relacionado em sua DIRPF/2007 essas despesas foram glosadas. Tendo em vista que o contribuinte não atendeu a intimação recepcionada em 21/10/2009 solicitando comprovante do convênio Sul América especificado por beneficiário, que correspondem a 5 (cinco), e também na impossibilidade de calcular o valor individual do contribuinte no plano, glosamos também o valor total declarado de 8.563,60. Cientificada do lançamento, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 02, por meio da qual alegou que: todas as deduções mencionadas na DIRPF são comprovadas por meio de recibos originais no valor total de R$23.773,80; as cópias de todos os recibos foram levadas pessoalmente à unidade da Receita Federal em Santo André, sendo comparado as cópias com os originais de todos os documentos em 24.07.2008; mesmo tendo apresentado toda a documentação, o Contribuinte teria sido intimado novamente a apresentálos em 16.10.2009, tendo protocolado em 10.11.2009 na unidade da Receita Federal em São Caetano do Sul, sua manifestação explicando já ter apresentado os mesmos documentos anteriormente; Fl. 58DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13820.001190/200917 Acórdão n.º 2102003.133 S2C1T2 Fl. 58 3 a Contribuinte ressalta ainda que, diante da Notificação de Lançamento, apresenta mais uma vez toda documentação pertinente as deduções médicas, e acosta diversos documentos; por fim, a Contribuinte contesta integralmente o lançamento fiscal, tendo em vista que as deduções mencionadas em sua DIRPF, são baseadas em recibos com CPF/CNPJ do emissor, podendo ser apresentadas a qualquer momento, como já o fizera anteriormente, e ainda que se referem as despesas odontológicas e médicas, sem cobertura do plano de saúde, sendo que os tratamentos médicos perduraram em 2007, 2008 e 2009. Na análise de suas alegações, os integrantes da 8ª Turma da DRJ/SP2 decidiram, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendose integralmente o crédito tributário exigido, sendo extraída a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. O direito às deduções de despesas médicas, condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos e ainda, que sejam relacionadas ao tratamento do próprio contribuinte ou seus dependentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte teve ciência de tal decisão em 25.08.2011, e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 46/47, em 20.09.2011, acostando novos documentos, e reiterando integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, ressaltando ainda – resumidamente – que: “I – Dos fatos A autoridade fiscal em Revisão da Declaração de Imposto de Renda exercício de 2007, ano base 2006, de acordo relato da fiscalização, alegou deduções indevidas de despesas médicas na declaração. Os valores pela fiscalização glosados tratase de R$970,00 e R$1.415,00, recibos emitidos pelos profissionais Luiz de Sá e Marilene Ap. R. Dalpino, por identificar que tais despesas não foram diretas da declarante. Também glosou o valor de R$8.563,60 de Plano de Saúde Sul América, por ter cinco beneficiários incluídos e não haver possibilidade de calcular o valor individual do contribuinte. II Do Direito Improcede em parte a alegação da fiscalização, pois, apesar da declarante ter solicitado a empresa de Plano de Saúde, não lhe fora dado outro documento senão o apresentado a fiscalização em valor total, somente agora em 29/08/2011 chegou o informe que solicitado fora, portanto conforme se prova com documentos Fl. 59DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 em anexo, do total de R$8.563,60 para a declarante coube o valor de R$2.712,11”. Por fim, a Contribuinte postula pela improcedência da ação fiscal, com o acolhimento do recurso apresentado, cancelandose o débito fiscal reclamado e calculandose apenas o devido. Desta forma, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 25.08.2011, como atesta o AR de fls. 45. O Recurso Voluntário foi interposto em 20.09.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento decorrente da glosa de despesas médicas pleiteadas pela Recorrente em sua DIRPF. No caso, foram glosadas despesas com profissionais cujos recibos apontavam uma pessoa não dependente da Recorrente como beneficiária do tratamento (Luiz de Sá e Marilene Dalpino), e ainda despesas com o plano de saúde da Recorrente, tendo em vista que seriam 5 os beneficiários do referido plano, e não somente ela – que não possuía nenhum dependente. Com efeito, a legislação vigente prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13820.001190/200917 Acórdão n.º 2102003.133 S2C1T2 Fl. 59 5 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) Em resumo, o contribuinte deve provar: a) que ele ou um de seus dependentes efetivamente tenha utilizado os serviços médicos cuja dedução pleiteou; e b) que efetivamente pagou pelos serviços prestados. Por isso a autoridade lançadora pode e deve exigir a comprovação do pagamento das despesas cuja dedução pleiteia o contribuinte em sua DIRPF. Esta comprovação pode ser exigida quando faltarem outros dados de comprovação da efetividade das despesas, e/ou ainda quando a documentação apresentada pelo contribuinte for inidônea – sob pena de ser indeferido o direito à dedução pretendida. No caso em exame, como já salientado, as glosas relativas aos recibos médicos trazidos pela Recorrente foram motivadas pelo fato de que os beneficiários dos serviços em questão (Adriana e Andrea Aguila – cf. fls. 21/25 e 33) não eram dependentes da Recorrente, de forma que não poderiam tais despesas ser por ela deduzidas, em obediência ao que determina a norma acima transcrita Ademais, como a Recorrente não trouxe qualquer novo argumento em sede de recurso que pudesse refutar este fato, deve a decisão ser mantida quanto a glosa das referidas despesas. Por outro lado, a glosa relativa ao montante pago à Sul América (seguro de saúde) se deveu ao fato de não ter a fiscalização podido determinar qual teria sido o valor pago a este título em benefício da Recorrente, já que a mesma pagava o plano para 5 beneficiários distintos (inclusive ela). Em sede de Recurso Voluntário, porém, a Recorrente logrou trazer aos autos os documentos de fls. 52/53, consistentes em extratos emitidos pela seguradora (Sul América), e que demonstram quanto teria sido pago em favor de cada beneficiário do plano no ano de 2006 (objeto deste lançamento). De tais documentos é possível confirmar que foram pagos R$ Fl. 61DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 2.712,11 em benefício da Recorrente a título do referido plano de saúde no ano de 2006, razão pela qual a referida despesa deve ser parcialmente restabelecida. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso para restabelecer as despesas médicas no montante de R$ 2.712,11. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 62DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 19515.003011/2006-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
ISENÇÃO. SUSPENSÃO. CRITÉRIOS LEGAIS. OBSERVÂNCIA.
As disposições do art. 12 da Lei 9.532/97 estabelecem a obrigatoriedade de destinação dos valores de eventuais superávits das entidades isentas em suas atividades estatutárias, não definindo, entretanto, qualquer critério temporal para essa aplicação.
APLICAÇÃO EM ATIVIDADES DIVERSAS. INEXISTÊNCIA.
A par da inexistência de critérios temporais para a aplicação dos recursos na respectiva legislação de regência, é também relevante destacar, no presente caso, a total inexistência de apontamento dos agentes da fiscalização de que a entidade tenha destinado os valores de seus indicados superávits a atividades diversas daquelas legalmente determinadas, inexistindo, assim, qualquer fundamento para a decretação da suspensão considerada.
Numero da decisão: 1301-001.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos temos do relatório e voto proferidos pelo relator. Fizeram sustentação o representante do contribuinte, Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP n° 138.192, e o Dr. Miquerlam Chaves Cavalcante, Procurador da Fazenda Nacional.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri e Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Suspensão de isenção Recorrente INSTITUTO UNIBANCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 ISENÇÃO. SUSPENSÃO. CRITÉRIOS LEGAIS. OBSERVÂNCIA. As disposições do art. 12 da Lei 9.532/97 estabelecem a obrigatoriedade de destinação dos valores de eventuais superávits das entidades isentas em suas atividades estatutárias, não definindo, entretanto, qualquer critério temporal para essa aplicação. APLICAÇÃO EM ATIVIDADES DIVERSAS. INEXISTÊNCIA. A par da inexistência de critérios temporais para a aplicação dos recursos na respectiva legislação de regência, é também relevante destacar, no presente caso, a total inexistência de apontamento dos agentes da fiscalização de que a entidade tenha destinado os valores de seus indicados superávits a atividades diversas daquelas legalmente determinadas, inexistindo, assim, qualquer fundamento para a decretação da suspensão considerada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos temos do relatório e voto proferidos pelo relator. Fizeram sustentação o representante do contribuinte, Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP n° 138.192, e o Dr. Miquerlam Chaves Cavalcante, Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 11 /2 00 6- 73 Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri e Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior. Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003011/200673 Acórdão n.º 1301001.273 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever as circunstâncias específicas dos autos, adoto o relatório apresentado pela r. decisão de origem, onde destaco: A pessoa jurídica acima identificada, constituída na forma de associação civil sem fins lucrativos, teve suspensa sua isenção tributária no período de 1° de janeiro de 2001 a 31 de dezembro de 2005 mediante o Ato Declaratório Executivo n° 212, de 22 de dezembro de 2006 (fls.529) por descumprimento dos artigos 15, § 3 0, e 12, § 2°, alínea "b", e § 3° da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1.997. Posteriormente, decorrente de auditoria nos livros da pessoa jurídica, foi lavrado em 14/11/2007 Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ (fls.769/771), no montante de R$ 71.743.546,04, relativamente aos períodos de 2001 a 2005, em que foi apurado lucro operacional não declarado. Por tributação reflexa, também foram lavrados os seguintes Autos de Infração e seus correspondentes montantes: Contribuição Social sobre o Lucro LiquidoCSLL (fls. 778/781), R$ 37.172.540,58, Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls.804/809), R$ 1.314.500,03; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS (fls. 830/835), R$ 17.708.421,07, inclusos nos referidos valores acréscimos legais calculados até 31/10/2007, perfazendo o crédito tributário total de R$ 127.939.007,72. O relato dos fatos ocorridos consta na Notificação Fiscal (fls.246/255), no Relatório de Diligência Fiscal (fls.481/499) e nos Termos de Verificação: do IRPJ e CSLL (fls.757/762), do Pis (fls.787/792) e da Cofins (fls.813/818), elaborados pelo autor do procedimento fiscal, que verificou os seguintes pontos relevantes: • após auditoria nos livros, documentos, balancetes e atos constitutivos apurou que a contribuinte obteve superávit nos anos de 2001 a 2005, conforme quadro abaixo • que o superávit havido em todos os anos referidos compõese de receitas provenientes de aplicações financeiras, ganhos de capital, equivalência patrimonial e plano de participação de executivo do capital Unibanco(Parex), o Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 que o levou a caracterizar a prática de atividades típicas de instituições financeiras, não previstas no estatuto da entidade; • que, do superávit acumulado de R$ 339.504.227,04, no período de 2001 a 2005, a entidade limitou os investimentos nos objetivos sociais em R$ 18.368.782,61, cerca de 5,41%, o que caracterizaria a não aplicação integral dos recursos na manutenção e desenvolvimento dos recursos sociais; • que, pelos motivos expostos, a empresa foi notificada a apresentar alegações e provas documentais que entendesse necessárias (fls.246/255); • que, analisada a resposta da contribuinte (fls.256/279), foi suspensa a isenção tributária da entidade nos períodos de 2001 a 2005, através da Decisão Defic/SPO e ADE n° 212/2006 (fls.520/524); • posteriormente, com base nas receitas apuradas e não declaradas, conforme superávits já constatados, foram lavrados os Autos de Infração do IRPJ, CSLL, Pis e Cofins referidos no intróito. Cientificada a contribuinte em 03/01/2007 (fls.527, in fine) do Ato Declaratório Executivo n° 212/2006, interpôs impugnação contra a suspensão da isenção em 01/02/2007 (fls.534/557). Igualmente cientificada dos Autos de Infração em 14/11/2007 (fls.769, 778, 805 e 831), apresentou impugnação contra os lançamentos em 17/12/2007 (fls.841/884). As razões de argumentação nas duas impugnações apresentadas, em face da relação de causa e efeito da suspensão e lavratura dos Autos, entrelaçamse e se confundem, razão pela qual serão sintetizadas por pontos do arrazoado, sem distinção da origem. Assim, em resumo e substância, a contribuinte suscita as seguintes questões: 1. que jamais descumpriu qualquer dos dispositivos legais invocados pelo autuante; 2. não remunera seus administradores, não distribuiu lucros a quem quer que seja e em caso de extinção seu acervo liquido será destinado a outra associação congênere, conforme dispõem os artigos 1°, 10, 25 e 26 do estatuto da entidade; 3. o simples fato de a instituição apresentar superávit que ainda não foi aplicado em suas atividades institucionais, mas que poderá ser aplicado a qualquer momento porque tais recursos permanecem na sua contabilidade, destinados às suas finalidades, não faz com que perca a característica fundamental de entidade sem fins lucrativos; 4. o que o § 3° do artigo 12 da Lei n° 9.532/97 determina é que os resultados superavitários não sejam desviados para aplicação em outras atividades, devendo ser destinados (mesmo que não tenham sido ainda aplicados de fato) integralmente A manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais; desta forma, a fiscalização só poderia suspender os benefícios de isenção se a entidade tivesse de fato destinado os resultados superavitários para outras finalidades não previstas em seu estatuto; 5. para que o ADE de suspensão da isenção fosse válido seria necessário que a entidade de fato já tivesse aplicado este superávit em finalidades estranhas aos seus objetivos institucionais, o que não ocorreu; Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003011/200673 Acórdão n.º 1301001.273 S1C3T1 Fl. 4 5 6. a irrelevância da origem das receitas auferidas pela entidade, conforme já decidido pelo plenário do STF, inclusive não havendo incompatibilidade pois a própria Lei n° 9.532/97 prevê em seu artigo 15, § 2°, a possibilidade de entidades da espécie fazerem aplicações financeiras de renda fixa e variável sem que tal procedimento implique na perda da isenção; 7. igualmente, não há incompatibilidade entre a atividade da impugnante e a aplicação dos recursos enquanto não forem destinados às atividades institucionais, em ações ou quotas de outras empresas, por exemplo, na Banagro, pois seria uma forma de preservar o patrimônio da entidade; 8. também não é incompatível com a finalidade não lucrativa obter receitas de reversões de provisões operacionais; 9. que as receitas de pequeno valor com um plano de participação de executivos do conglomerado Unibanco (Parex) são eventuais e decorrem do fato de a entidade ter sido agente fiduciário deste Plano, sendo remunerado por isso, sendo aliás essas receitas também utilizadas em suas atividades institucionais. A acrescentar ainda que desde 2001, o Instituto foi desonerado da administração do Plano Parex, tendo restado apenas um residual de receitas apontado pelo Fisco; 10. que os valores considerados pela fiscalização como superávit do Instituto passível de aplicação nos diversos anosbase fiscalizados e sobre os quais calculou os percentuais de aplicação, devem ser ajustados pela exclusão: a) dos resultados de equivalência patrimonial e b) dos efeitos da marcação do valor de valores mobiliários, porque nem um nem outro valor representam receitas ou lucros efetivos, mas ganhos apenas potenciais. Além disso, a Fiscalização deixou de considerar, no ano de 2001, uma transferência patrimonial para o Instituto Moreira Salles no valor de R$ 175.000.000,00, para que este Instituto fizesse frente às atividades culturais institucionais do Conglomerado; 11 que a comparação de superávit realizado passível de aplicação de cada ano, não pode ser comparado com as aplicações efetivas do mesmo ano. A comparação a ser feita deve ser entre o superávit realizado acumulado e aplicação do superávit acumulado; 12. que, além da expressa previsão legal de que as entidades isentas podem fazer aplicações em renda fixa e variável, o Fisco já teria se manifestado através da Decisão 292/977a RF no sentido de que a obtenção de receitas oriundas da aplicação do patrimônio ainda não destinado às finalidades institucionais não pode ser invocado para autorizar a suspensão do beneficio da isenção, bem como ações judiciais, onde o STF em casos similares entendeu que receitas diversas não desvirtuavam as finalidades da entidade porque visavam custear as atividades institucionais das entidades; 13. mesmo que superávit acumulado por ela jamais venha a ser de fato utilizado, há a garantia estatutária e legal de que, na eventual extinção da entidade, seu patrimônio somente poderá ser destinado a outra entidade congênere, de modo que os seus recursos sempre estarão vinculados ao fomento das finalidades institucionais para as quais foi criada; Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 14. a nulidade dos lançamentos havidos, em face da fiscalização ignorar a aplicação da regra geral de tributação por períodos trimestrais, conforme o artigo 1° da Lei n° 9.430, de 1997, e ter aplicado no caso em comento a apuração anual do imposto; 15. a decadência do direito de o Fisco constituir os créditos tributários, em face do transcurso do prazo estipulado no artigo 150, § 4°, do CTN, para os fatos geradores ocorridos até outubro de 2002. Ainda, quanto as contribuições, não seria aplicável o disposto no art.45 da Lei n° 8.212/91, porque matéria relativa a prescrição e decadência só poderia ser objeto de lei complementar. Cita, nesse sentido, doutrina e julgados administrativos, bem como a Portaria SRF n° 4.066/2007; 16. a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 relativamente ao período em que aplicável ao Pis (até novembro/2002) e Cofins (até janeiro/2004), tendo em vista que as receitas financeiras e assemelhadas não compõem a receita de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. Nesse sentido, julgados do Plenário do STF, RE n° 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084; 17. os julgadores de processos administrativos, em face do principio do contraditório e ampla defesa, não só podem como devem acatar e aplicar em suas decisões a jurisprudência pacificada pelo STF; 18. impossibilidade de se exigir juros de mora sobre a multa de oficio, seja por um enfoque literal, teleológico ou sistemático dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96; 19. da inaplicabilidade da taxa Selic para efeitos de cobrança dos juros de mora, por ser composta de correção monetária, juros e valores correspondentes de serviços das instituições financeiras e extrapolar o percentual de 1% previsto no art.161 do CTN. Analisando os argumentos aduzidos em sede de IMPUGNAÇÃO, entendeu a douta 7a Turma da DRJ/SPOI pela PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO, em acórdão que assim então restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001,2002,2003,2004,2005 ISENÇÃO. SUSPENSÃO. Caracterizado que a entidade não destinou o superávit havido para fins de aplicação na finalidade institucional, é de suspenderse a isenção pela não aplicação integral dos recursos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IRPJ/PIS/COFINS/CSLL. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica inserese no rol dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Entretanto, não ocorrido o pagamento do imposto, não há o que homologar, e, tratandose de lançamento de oficio, contase o prazo decadencial na forma do art. 173, I, do CTN. Para as Contribuições Sociais, o prazo de decadência é de 10 anos do fato gerador, na forma da legislação especifica. PIS. COFINS. TAXA SELIC. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003011/200673 Acórdão n.º 1301001.273 S1C3T1 Fl. 5 7 Arguições de inconstitucionalidade, ilegalidades e outros juízos de valoração da lei, refogem competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação, o que não ocorreu no presente caso. TRIBUTAÇÕES REFLEXAS. Aplicase aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido intima relação de causa e efeito existente entre eles. Lançamento Procedente Tendo sido devolvida a intimação enviada por AR à contribuinte, conforme se verifica na documentação constante às fls. 2041 e ss., foi então afixado, em 10/07/2008, o edital no 183/2008 nas dependências da DERAT – SPO, foi por ela então protocolado, em 25/08/2008 o seu competente Recurso Voluntário, destacando, em síntese, os seguintes argumentos: Preliminarmente: a) Inconformismo em relação à intimação realizada por meio de edital; b) Nulidade no Lançamento de IRPJ e CSLL Apuração anual, quando a regra a ser aplicada era a apuração trimestral; c) A ocorrência da decadência do direito à efetuação do lançamento, No mérito: d) Invalidade da decisão DEFIC/SPO de 22/12/2006, tendo em vista que a simples ausência de destinação dos valores apurados a título de superávit não representa, por si só, o descumprimento das regras contidas no art. 12, par. 2o, alínea b, da Lei 9.532/97; e) O preenchimento integral de todos os requisitos pelo INSTITUTO para o gozo do benefício fiscal correspondente; f) A análise do conteúdo e o alcance das disposições do apontado Art. 12, par. 2o da Lei 9.532/97; g) A irrelevância da origem das receitas, conforme inclusive já reconhecido pelo STF, no julgamento da Medida Cautelar na ADIn no 1802/DF; h) A adequada apuração do superávit, a partir da análise das circunstâncias próprias aplicáveis à contribuinte; i) A invalidade da cobrança do PIS (até Novembro/2002) e da COFINS (até janeiro/2004), em decorrência do reconhecimento da inconstitucionalidade do Art. 3o, par. 1o da Lei 9.718/98 pelo STF ((RE n° 357.9501RS); j) A invalidade da exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício; e k) A imprestabilidade da Taxa SELIC como índice para efeitos do cômputo dos juros de mora; Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 8 Esse é o relatório. Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003011/200673 Acórdão n.º 1301001.273 S1C3T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso, dele conheço. A primeira ponderação trazida pelo recorrente em seu Recurso Voluntário diz respeito ao seu inconformismo em relação à utilização da intimação por edital, utilizada pela simples devolução do AR ao remetente, sem que, antes disso, tivesse sido utilizada qualquer outra forma possível de intimação, como, por exemplo, o encaminhamento desta aos sócios/associados/acionistas da contribuinte, o que, certamente, poderia causar relevantes prejuízos para a sua defesa. Em que pese a relevância dos argumentos apresentados, insta ressaltar, antes mesmo de quaisquer considerações, que o protocolo do Recurso Voluntário, conforme aqui já apontado, fora efetivado dentro do prazo legal, sendo, de fato, a discussão proposta quanto à eventual invalidade da intimação por edital elemento completamente despiciendo nos presentes autos. Em face dessas considerações, deixo de analisar qualquer eventual invalidade da intimação, já que, no presente caso, inexiste qualquer prejuízo à defesa da contribuinte recorrente. Com efeito. A par das ponderações relativas à intimação editalícia, verificase ainda na argumentação aduzida pela recorrente o apontamento de nulidade do lançamento em decorrência de equívoco na apuração dos tributos pela autoridade fiscal que, tendo determinado a suspensão do gozo da isenção pela contribuinte, promoveu a apuração dos tributos IRPJ e CSLL a partir da apuração anual, quando a regra, segundo sustenta, seria a apuração trimestral. A apuração anual desses tributos é relevante destacar , é faculdade legalmente disponibilizada aos contribuintes, a partir de expressa opção por ele manifestada, conforme se verifica, inclusive, nas especificas disposições do art. 2o da Lei 9.430/96, sendo as regra geral a ser aplicada, de fato, a apuração anual, na linha do que sustentado pela recorrente. Nada obstante, em que pese essas considerações iniciais aqui apresentadas ainda sem qualquer análise material específica a respeito das circunstâncias fáticas constantes nos autos , relevante ressaltar que, em que pese a possibilidade eventual do reconhecimento da nulidade apontada, a análise desta – assim como, também, todas as demais teses sustentadas no recurso – somente teriam pertinência em caso de julgamento desfavorável à recorrente, tendo em vista as expressas disposições do parágrafo 3o do Art. 59 do Decreto 70.235/72, que, sobre o assunto, inclusive, assim especificamente aponta: Art. 59: (...) Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 10 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Em decorrência desse mandamento, e, ainda, da análise feita em relação ao mérito do presente recurso, passo à apreciação da questão central aqui discutida, sem prejuízo da eventual abordagem dos temas acaso necessário. Vejamos: Da análise a respeito da (in)validade do ato de suspensão da isenção/imunidade A questão central discutida nestes autos referese, especificamente, à acusação, feita pelas autoridades da fiscalização, a respeito do suposto descumprimento, pela contribuinte, das disposições especificamente relacionadas ao gozo da isenção fiscal de que tratam as disposições do art. 12, par. 2o, alínea b c/c par. 3o da Lei 9.532/97, que, especificamente no que aqui nos interessa, especificamente estabelece: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (Vide Lei nº 10.637, de 2002) b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. §3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003011/200673 Acórdão n.º 1301001.273 S1C3T1 Fl. 7 11 ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Nos termos da decisão DEFIC/SPO, donde decorreu o ADE no 212/2006, que determinou a suspensão da imunidade/isenção, verificase: "CONSIDERANDO que as receitas apresentadas nas demonstrações de resultados caracterizam, em sua predominância, práticas de atividades de Instituições Financeiras; CONSIDERANDO que, dos recursos disponíveis, a entidade limitou os investimentos nos objetivos sociais a um percentual mínimo, caracterizando a não aplicação integral dos seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais; CONSIDERANDO que o superávit admissível para que uma entidade seja considerada como entidade sem fins lucrativos é o que ocorre em um determinado e excepcional exercício; e CONSIDERANDO que o interessado, ao menos desde 2001, apresenta, ininterruptamente, superávits de valores elevados, totalizando, segundo a Fiscalização, R$339.504.227,04; DEFIRO a proposta de SUSPENSÃO DA ISENÇÃO FISCAL do interessado em epígrafe, relativamente aos anos calendários de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, por inobservância ao disposto nos artigos 12, §2°, alínea "b", c/c §3° e artigo 15, caput e §3° da Lei n°9.532, de 10 de dezembro de 1997." A questão que se coloca, então, na análise da matéria aqui apresentada em debate é relativa à adequada compreensão, no caso, das disposições do aponto Art. 12, par. 2o , alínea b e par. 3o da Lei 9.532/97, verificandose se, da leitura de suas disposições, devese considerar que a obrigação de “aplicação integral dos resultados positivos da entidade na manutenção e no desenvolvimento dos seus objetivos sociais” representa a imediata aplicação do superávit naquelas atividades ou se, no caso, estarseia a tratar, na verdade, de exclusiva vedação ao emprego daqueles valores em destinos diversos daqueles ali apontados. A questão da hermenêutica do dispositivo em destaque, é importante ressaltar, não se mostra de forma tão simplificada como pretendem ambas as partes fazer transparecer em suas considerações, sobretudo porque, como se verifica, a interpretação das isenções no direito tributário brasileiro encontra, de fato, especifica limitação nas disposições do art. 111 do CTN, que, sobre o assunto, assim então especificamente determina: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 12 Pois bem. Conforme aqui apontado, tratandose, no caso, de específica hipótese de isenção fiscal, concedida pelas apontadas disposições do Art. 12 da Lei 9.532/97, verificase que, como se verifica, a exigência legal especificamente estabelecida (e única aqui especificamente discutida) diz respeito à condicionante apresentada tanto pelas disposições do par. 2o, alínea b quanto, também, pela parte final das disposições do par. 3o daquele mesmo dispositivo normativo, que é, como se verifica, a indicação da obrigatoriedade de destinação dos resultados positivos auferidos pela entidade especificamente para os fins a que fora constituída. A fiscalização, conforme se verifica, entendeu que, considerando a acumulação de superávit do longo de diversos anos apontados (2001 a 2005), representava um descumprimento da determinação contida no dispositivo destaque, sobretudo porque, conforme restou assentado, num país como o Brasil onde as possibilidades de investimento nas áreas culturais são tamanhas, não seria crível que a contribuinte não tivesse ainda verificado projetos suficientes para a aplicação dos apontados recursos. Ocorre que, a par das considerações apresentadas, relevante destacar que, de fato, nas disposições apontadas pela referida legislação, a exigência apresentada é a da aplicação, somente, não havendo a indicação da “aplicação imediata” e, nem tampouco, o estabelecimento de lapso temporal específico para a referida aplicação. Tal ponderação, ao nosso sentir, fazse aqui relevante, sobretudo porque, tratandose de específica condição para o gozo do benefício fiscal em referência, não se pode admitir a sua presunção, exigindose, sob o esteio próprio das disposições do apontado art. 111 do Código Tributário Nacional, que tais obrigações estivessem de fato especificamente previstas nas apontadas disposições legais de regência. Para a adequada apreciação da matéria, é relevante destacar, estáse no campo da estrita legalidade, não sendo admissíveis as ponderações e valorações sugeridas tanto pela fiscalização quanto pela própria decisão de primeira instância, referentes à incognoscível possibilidade de ausência de investimentos em tão largo espaço temporal. Ora, de fato, inexiste na apontada legislação de regência qualquer apontamento temporal a respeito do prazo a que teria a contribuinte para a promoção dos referidos investimentos, e ainda, nem tampouco, qualquer consideração a respeito da impossibilidade de acumulação de saldo de superávit para eventuais investimentos futuros, sendo certo que, sem qualquer esteio legal específico, as ponderações contidas no lançamento efetivado, de fato, nada mais representam senão abusiva e ilegal criação de condicionantes para a fruição do benefício fiscal em referência, o que, com a mais respeitosa vênia, efetivamente não tem lugar em nosso ordenamento jurídico pátrio. A r. decisão de primeira instância, inclusive, foi além. Não bastasse simplesmente ratificar as considerações apontadas pela fiscalização, chegou ainda a estabelecer outras “obrigações acessórias” à contribuinte, tendo em vista a necessidade de que esta deveria manter os referidos valores contabilizados, com o destaque do possível investimento futuro nas atividades e nos projetos relacionados, o que, com toda a certeza, também não se verifica em qualquer normativo especificamente relacionado à matéria em debate. Insisto nesse ponto: o estabelecimento de condições para o usufruto de qualquer benefício no campo da incidência tributária é matéria exclusivamente sagrada à específica legislação de regência, não se podendo admitir, de forma alguma, que obrigações e exigências que importem na impossibilidade de usufruto de benefício fiscal sejam Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003011/200673 Acórdão n.º 1301001.273 S1C3T1 Fl. 8 13 estabelecidos ao bel prazer dos agentes da fiscalização, da forma como pretende fazer crer a autuação aqui debatida. Observese que, em todo o arrazoado constante dos presentes autos não se verifica um único apontamento sequer a respeito da eventual aplicação de recursos pela contribuinte , em atividades estranhas àquelas previstas em seus estatutos, sendo certo que todas as considerações trazidas, tanto pela fiscalização, quanto, também, pela r. decisão de primeira instância, nada mais representam senão suposições, sem qualquer fundamento fático, legal ou mesmo regulamentar que lhe pudesse, ainda que eventualmente, servirlhe de esteio. A ausência (simplesmente) de aplicação do superávit obtido pela entidade, por qualquer período que eventualmente se pudesse supor, não representa, em nenhuma disposição normativa própria, qualquer elemento capaz de, per se, imputar a invalidade das atividades da contribuinte e, com isso, a consideração da impossibilidade de gozo do apontado benefício fiscal, sendo certo, e definitivamente incontestável, que a pretensão das disposições apontadas nada mais pretendem senão a garantia da impossibilidade de destinação diversa aos referidos recursos que não aqueles institucionalmente estabelecidos, não cabendo às autoridades administrativas fiscalizatórias, da forma como aqui pretendido, estabelecer condições laterais sem qualquer previsão legal específica a esse respeito. Ademais, é importante ressaltar, nem a fiscalização e nem mesmo a r. decisão de primeira instância chegam a estabelecer, especificamente, qual seria o “prazo” da contribuinte para a aplicação dos referidos recursos em suas atividades institucionais, se no dia seguinte à apuração dos superávit, no mês seguinte, no trimestre, no semestre, no ano, ou mesmo no qüinqüênio subseqüente. Ora, sem a previsão normativa específica a respeito do estabelecimento de “prazo” para a aplicação dos recursos mantidos em superávit pela contribuinte, não se pode considerar como inválida a simples ausência atual de aplicação dos recursos apontados, sendo certo que, definitivamente, o que veda o dispositivo legal em referência não é a manutenção do saldo, mas sim, especificamente, a atuação ilegal positiva da contribuinte no sentido de dar destinação diversa à devida aos referidos recursos, o que, efetivamente, em momento algum se verifica nos presentes autos. A ausência de condicionante legal específica a respeito da exigência apontada não significa outra coisa, senão, a inexistência dessa condicionante em nosso sistema normativo, sendo pois, com toda a certeza, completamente inválida a sua imposição da forma como pretendido pela autuação perpetrada. Diante dessas considerações, entendo, com todas as vênias necessárias, pela necessidade de reforma da r. decisão de origem, aqui no sentido de reconhecer a completa ausência de fundamento legal para a autuação da forma como efetivada, tendo em vista que, inexistindo, conforme aqui apontado, qualquer determinação legal a respeito do prazo a que estaria adstrita as contribuinte para a aplicação dos referidos recursos em seus objetivos estatutários, importa na necessária conclusão da inexistência de obrigação legal nesse sentido, e, com isso, a inexistência também de qualquer vedação à acumulação de saldos de superávit para eventuais aplicações futuras, sendo certo que o que se encontra vedado pela especifica legislação de regência não é como quis considerar a fiscalização , a simples inexistência atual de aplicação dos recursos, mas sim, propriamente, o emprego destes montantes em destinos diversos daqueles antes devidamente previstos e correspondentes aos bens jurídicos almejados pela específica norma isentiva. Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 14 Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, reconhecendo, no caso, a invalidade da imputação fiscal relativa à suspensão da isenção/imunidade pelo simples fato de que a contribuinte não ter dado (qualquer) destino aos valores por ela mantidos a título de superávit nos anos de 2001 a 2005, determinando assim a desconstituição integral dos termos da autuação efetivada e, por conseqüência, o cancelamento do lançamento constituído. Por entender pela desconstituição integral do lançamento, deixo de me pronunciar a respeito da nulidade apontada, das argüições relativas à decadência e, ainda, às demais considerações apresentadas pela recorrente, tendo em vista o acolhimento da prejudicial de mérito, nos termos aqui apontados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10746.904231/2012-76
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 23 1/ 20 12 -7 6 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904231/201276 Resolução nº 3803000.604 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.879, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano Calendário: 2009 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904231/201276 Resolução nº 3803000.604 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904231/201276 Resolução nº 3803000.604 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904231/201276 Resolução nº 3803000.604 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 129DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904231/201276 Resolução nº 3803000.604 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904231/201276 Resolução nº 3803000.604 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 131DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904231/201276 Resolução nº 3803000.604 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10980.008751/2002-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/1989 a 31/10/1991
Ementa:
FINSOCIAL - ANISTIA - COMPETÊNCIA. O inciso VII do Artigo 2º do RICARF ao disciplinar a inclusão de tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Sessões, forneceu competência a Primeira Sessão para julgar anistia tributária.
Numero da decisão: 9303-002.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: I) em rejeitar a preliminar de incompetência do CARF suscitada de ofício pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres para julgamento de recursos relativos à anistia fiscal. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Joel Miyazaki e Marcos Aurélio Pereira Valadão; e II) acolher a preliminar de incompetência da 3ª Turma da CSRF, também suscitada de ofício pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, declinando a competência de julgamento em favor da 1ª Seção de Julgamento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente substituto.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1989 a 31/10/1991 Ementa: FINSOCIAL ANISTIA COMPETÊNCIA. O inciso VII do Artigo 2º do RICARF ao disciplinar a inclusão de tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Sessões, forneceu competência a Primeira Sessão para julgar anistia tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: I) em rejeitar a preliminar de incompetência do CARF suscitada de ofício pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres para julgamento de recursos relativos à anistia fiscal. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Joel Miyazaki e Marcos Aurélio Pereira Valadão; e II) acolher a preliminar de incompetência da 3ª Turma da CSRF, também suscitada de ofício pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, declinando a competência de julgamento em favor da 1ª Seção de Julgamento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Marcos Aurélio Pereira Valadão. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 87 51 /2 00 2- 10 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Relatório Em Recurso Especial de fls. 122/127 admitido pelo Despacho nº 302.158 de fls. 153/155, insurgese a Fazenda Nacional contra o acórdão nº 30239.055 (fls. 110/118) nos seguintes termos: “FINSOCIAL. ANISTIA. O inciso III, do § 1º, do art. 17 da Lei 9.779/99 e alterações posteriores é claro ao dispor que o contribuinte poderá efetuar o pagamento do tributo, sem o acréscimo da multa e dos juros, com relação aos fatos que forem objeto dos processos judiciais ajuizados até a data prevista para sua concessão, não havendo qualquer menção do legislador sobre a necessidade de existência de processo judicial em curso. Estando o recorrente albergado naquelas disposições legais, deve ser aplicada a anistia prevista. Recurso voluntário provido.” Como visto tratam os autos de pedido da anistia prevista no inciso III, do § 1º, do art. 17 da Lei nº 9.779/99 com redação dada pela MP nº 38/2002, objetivando alcançar a contribuição para o Finsocial decorrente de fatos geradores ocorridos a partir do mês de junho de 1989, tudo contido no processo nº 89.00.028693, que tramitou na 10 Vara Federal da Seção Judiciária de Curitiba. Voto Mesmo sendo tempestivo, entendo que este recurso interposto pela Fazenda Nacional não deve ser conhecido pelos fundamentos a seguir expendidos. A matéria diz respeito ao reconhecimento ou não da anistia concedida pelo art. 11 da Medida Provisória nº 38/2002. Entendo que existe competência da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para o exame da matéria. Este meu entendimento está também louvado em posição adotada sobre a questão pelo Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, que inclinouse pelo inciso VII do Artigo 2º do RICARF que disciplina a inclusão no âmbito da competência da Primeira Seção Fl. 209DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.008751/200210 Acórdão n.º 9303002.751 CSRFT3 Fl. 176 3 de tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Isto porque, exclusivamente, a Primeira Seção detém delegação para julgamento referente a tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata, como responsabilidade residual na perspectiva de abranger a totalidade do universo tributário federal. Vêse também no art. 15 da Lei nº 10.637/2002 que trata de norma de caráter exonerativo, a impulsão ao Decreto nº 70.235/72 quando estabelece que a impugnação terá tratamento por ele estabelecido. De todo o exposto, voto no sentido de não conhecer deste Recurso e de admitir a competência residual da Primeira Seção de Julgamento do CARF para o enfrentamento da matéria articulada. Sala das Sessões, 21 de janeiro de 2014. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA – Relator. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10660.900084/2009-18
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidiu a turma converter o julgamento em diligência para que sejam apensados aos autos os outros processos da interessada sobre a matéria.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Acompanhamento, pela recorrente, adv. Lívia Marques Melo. OAB/DF 333.534.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidiu a turma converter o julgamento em diligência para que sejam apensados aos autos os outros processos da interessada sobre a matéria. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Acompanhamento, pela recorrente, adv. Lívia Marques Melo. OAB/DF 333.534. RELATÓRIO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidiu a turma converter o julgamento em diligência para que sejam apensados aos autos os outros processos da interessada sobre a matéria. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Acompanhamento, pela recorrente, adv. Lívia Marques Melo. OAB/DF 333.534. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .9 00 08 4/ 20 09 -1 8 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.900084/200918 Resolução nº 3802000.270 S3TE02 Fl. 305 2 Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – DCOMP nº 42032.08671.090106.1.3.043130, transmitida em 09/01/2006, fls. 128 a 132, cujo objeto é a compensação de débito de Confins, período de apuração 12/2005, no valor total de R$ 34.226,90, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de Cofins (código 5856), PA 31/05/2005, no valor de R$ 98.466,85. O valor total do crédito original utilizado nesta DCOMP é de R$ 31.135,18. A DRF/Varginha/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, à fl. 133, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de inexistência do crédito, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. A empresa apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 01 a 11), na qual alega, em síntese: que vendeu peças automotivas denominadas “chicote” à empresa International Indústria Automotiva da América do Sul Ltda, a qual obteve da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, por meio do ADE 52, de 29/12/2004, o reconhecimento de que fazia juz à aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem com suspensão da incidência do PIS/Pasep e da Cofins; que, nos termos do artigo 40 da Lei nº 10.865/2004, as receitas auferidas pelo interessado pelas vendas efetuadas ao cliente acima mencionado não integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e da Cofins; que declarou e recolheu a Cofins, PA 05/2005, considerando equivocadamente em sua base de cálculo o valor de R$ 457.497,59 oriundo de operações amparadas pela suspensão da contribuição, tendo recolhido um valor a maior de R$ 34.769,82 (correspondente a 7,6% da receita); que já retificou a DCTF relativa ao 2º Trimestre de 2005 e o DACON informando o efetivo valor devido a título de Cofins; que, além disso, o débito objeto da compensação (Cofins – PA 12/2005) é inexistente; que o pedido de compensação apresentado deve ser considerado com simples pedido de restituição; É o relatório. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA no 0938.164, de 08/12/2011, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/05/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO INEXISTENTE. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.900084/200918 Resolução nº 3802000.270 S3TE02 Fl. 306 3 CANCELAMENTO DA COBRANÇA. Comprovada a inexistência do débito compensado, é de se cancelar a exigência a ele relativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INOBSERVÂNCIA DAS DISPOSIÇÕES NORMATIVAS. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o Pedido de Restituição efetuado em desacordo com as disposições normativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2005 PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Segundo os arts. 15 e 18 do Decreto n.º 70.235/72, é na fase impugnatória o momento processual próprio para que o sujeito passivo apresente as provas que respaldam seus argumentos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade no sentido de indeferir a restituição em razão da ausência do respectivo Pedido Eletrônico de RessarcimentoPER e cancelar a exigência do débito da Dcomp nº. 42032.08671.090106.1.3.043130. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer em sede de preliminar, a necessidade de apensamento e julgamento com os processos de restituição, pois o que é tratado neste processo (compensação) está sendo tratado de forma reflexa nos pedidos de restituição de n°s: 13653.000170/201031, 13653.000171201086, 13653.000172201021, 13653.000173/201075, 13653.000167/2010 62, 13653.000168/201062, 13653.000169/201015, os quais se encontram (`pelo menos, à época do pedido) na Delegacia de Varginha/MG. O pedido tem como fundamento o art. 1° da Portaria RFB n° 666/2008, com alteração pela Portaria RFB n° 2.324, de 03/12/2010, que dispõe: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); b) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, que não sejam decorrentes do IRPJ; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.900084/200918 Resolução nº 3802000.270 S3TE02 Fl. 307 4 c) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins devidas na importação de bens ou serviços; d) ao IRPJ e à CSLL; ou e) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). e) às Contribuições Previdenciárias da empresa, dos segurados e para outras entidades e fundos; ou (Redação dada pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º da P RFB nº 2.324/2010) f) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); (Incluída pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º daP RFB nº 2.324/2010) II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a nãohomologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; (grifos não são do original) O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Inicialmente, observei que num trecho do voto da primeira instância dispõe: Dessa forma, o simples pedido na manifestação de inconformidade de converter a declaração de compensação em pedido de restituição não encontra respaldo legal e não tem o condão de substituir o Pedido de Restituição. Assim, nos termos do art. 28 do Decreto nº 70.235/72, deixo de analisar o mérito relativo ao reconhecimento do crédito, por ser incompatível com a preliminar acima. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.900084/200918 Resolução nº 3802000.270 S3TE02 Fl. 308 5 Como o pleito da recorrente é pelo apensamento e julgamento com os processos de restituição, nos termos da Portaria aludida. Dessa forma, entendo, mas levo a plenário para análise, que antes de qualquer apreciação, prudente é o apensamento dos processos de n°s: 13653.000170/201031, 13653.000171201086, 13653.000172201021, 13653.000173/201075, 13653.000167/2010 62, 13653.000168/201062, 13653.000169/201015 a este para julgamento em conjunto, pois se referem ao mesmo crédito e ao mesmo período, como alega a recorrente. Em assim sendo, após providência realizada, retornem os autos a esta Turma para prosseguimento no julgamento. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726664/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
DENÚNCIA PENAL NÃO RECEBIDA. INDEPENDÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA
O não acolhimento de denúncia penal não vincula nem obsta o prosseguimento do processo administrativo, porquanto esferas desvinculadas, nem afasta o ônus da prova do contribuinte, quando a lei tributária assim prevê.
ACRÉSCIMO PATROMONIAL A DESCOBERTO.
Não tendo o contribuinte comprovado a origem de recursos que justifique acréscimo patrimonial devidamente apurado e demonstrado pela fiscalização, resta caracterizado o acréscimo patrimonial a descoberto. Precedentes.
DOAÇÃO. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. Havendo dúvidas quanto à veracidade de operações de doação informadas em declaração de ajuste anual de IRPF, podem ser exigidos documentos que comprovem o efetivo ingresso do numerário no patrimônio do beneficiário, sob pena de descaraterização das operações. Precedentes.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SONEGAÇÃO. ERRO NA TIPIFICAÇÃO.
Não pode ser mantida a multa qualificada, quando a autoridade fiscal narra conduta condizente a ocorrência de fraude, mas tipifica a conduta como sonegação. O erro na tipificação implica na impossibilidade de manutenção da multa.
Numero da decisão: 2202-002.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada) e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) que negavam provimento ao recurso
(Assinado Digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 03/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008 DENÚNCIA PENAL NÃO RECEBIDA. INDEPENDÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA O não acolhimento de denúncia penal não vincula nem obsta o prosseguimento do processo administrativo, porquanto esferas desvinculadas, nem afasta o ônus da prova do contribuinte, quando a lei tributária assim prevê. ACRÉSCIMO PATROMONIAL A DESCOBERTO. Não tendo o contribuinte comprovado a origem de recursos que justifique acréscimo patrimonial devidamente apurado e demonstrado pela fiscalização, resta caracterizado o acréscimo patrimonial a descoberto. Precedentes. DOAÇÃO. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. Havendo dúvidas quanto à veracidade de operações de doação informadas em declaração de ajuste anual de IRPF, podem ser exigidos documentos que comprovem o efetivo ingresso do numerário no patrimônio do beneficiário, sob pena de descaraterização das operações. Precedentes. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SONEGAÇÃO. ERRO NA TIPIFICAÇÃO. Não pode ser mantida a multa qualificada, quando a autoridade fiscal narra conduta condizente a ocorrência de fraude, mas tipifica a conduta como sonegação. O erro na tipificação implica na impossibilidade de manutenção da multa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2052; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 21 1 20 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.726664/201241 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.727 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de agosto de 2012 Matéria IRPF Recorrente ELISA EVANGELISTA DE OLIVEIRA CARVALHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008 DENÚNCIA PENAL NÃO RECEBIDA. INDEPENDÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA O não acolhimento de denúncia penal não vincula nem obsta o prosseguimento do processo administrativo, porquanto esferas desvinculadas, nem afasta o ônus da prova do contribuinte, quando a lei tributária assim prevê. ACRÉSCIMO PATROMONIAL A DESCOBERTO. Não tendo o contribuinte comprovado a origem de recursos que justifique acréscimo patrimonial devidamente apurado e demonstrado pela fiscalização, resta caracterizado o acréscimo patrimonial a descoberto. Precedentes. DOAÇÃO. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. Havendo dúvidas quanto à veracidade de operações de doação informadas em declaração de ajuste anual de IRPF, podem ser exigidos documentos que comprovem o efetivo ingresso do numerário no patrimônio do beneficiário, sob pena de descaraterização das operações. Precedentes. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SONEGAÇÃO. ERRO NA TIPIFICAÇÃO. Não pode ser mantida a multa qualificada, quando a autoridade fiscal narra conduta condizente a ocorrência de fraude, mas tipifica a conduta como sonegação. O erro na tipificação implica na impossibilidade de manutenção da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 66 64 /2 01 2- 41 Fl. 779DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%.Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada) e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) que negavam provimento ao recurso (Assinado Digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. (Assinado Digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 03/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Fl. 780DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726664/201241 Acórdão n.º 2202002.727 S2C2T2 Fl. 22 3 Relatório Tratase de auto de infração (fl. 03/12), no qual foi averiguado o Imposto de renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2007 e 2008, constituído em razão de acréscimo patrimonial a descoberto, exigindo o crédito tributário no valor de R$ 849.718,19, já incluídos juros de mora e multa qualificada de 150%. O procedimento fiscal movido em face da Recorrente, decorreu do procedimento fiscal referente a apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto do contribuinte João Carlos de Carvalho, porquanto, no período objeto da investigação, os dois contribuintes encontravamse casados, sob o Regime de Comunhão Parcial de Bens (fls. 13). Já o procedimento de fiscalização operado em face de João Carlos de Carvalho foi impulsionado em decorrência de informações levantadas durante o curso da Operação JoãodeBarro, conduzida pela Polícia Federal e que objetivou identificar o desvio de verbas públicas, supostamente comandado pelo Deputado Federal João Magalhães, envolvendo emendas parlamentares que destinavam verbas federais para obras de infraestrutura nos Municípios Mineiros. Segundo a DIRPF 2009 apresentada pelo contribuinte João Carlos de Carvalho, para o exercício de 2009, declarou ter auferido Rendimentos Tributáveis recebidos de Pessoa Física no valor R$ 19.200,00, e Rendimentos Isentos Não Tributáveis na monta de R$ 2.970.000,00, dentre os quais, R$ 1.840.000,00 referemse a lucros e dividendos recebidos da empresa Projeto Engenharia e Logística Ltda. Já Elisa Evangelista, declarou não ter auferido rendimentos tributáveis naquele ano calendário, declarando, todavia, a importância de R$ 1.060.000,00, de rendimentos isentos não tributáveis, referentes à distribuição de dividendos, no valor de R$ 460.000,00 e contrato de doação realizado entre ela e seu esposo, Sr. João Carlos Carvalho, no valor de R$ 600.000,00. Ainda, na declaração de bens e direitos, da Contribuinte houve uma mutação patrimonial de R$ 10.000,00 em 31/12/2007 para R$ 533.500,94 em 31/12/2008. Da mesma forma, aponta o Termo de Verificação Fiscal (fl.15) que em 31/12/2007, a contribuinte possuía R$ 10.000,00 a título de 20% do capital social da empresa Projeto Engenharia e Logística Ltda, sendo que nos anos anteriores, nada havia de bens declarados, tampouco de rendimentos recebidos. . A ação fiscal, contra a Contribuinte, iniciouse com o Termo de Início de Fiscalização e Intimação Fiscal nº 054/2012 em 05/03/2012 (fls. 50/54) e concentrouse nos documentos reiteradamente solicitados, nos quais se buscou esclarecer questões referentes aos lucros recebidos pelo Sr. João Carlos de Carvalho e Elisa Evangelista pela Projeto Engenharia e Logística, na doação recebida pela contribuinte de seu marido João Carlos de Carvalho, nas aquisições de imóveis e bens móveis do casal, nos comprovantes de rendimentos de toda natureza e nas despesas tributáveis. Após os esclarecimentos e documentos apresentados, a autoridade lançadora concluiu que foram omitidos, nos anoscalendário de 2007 e 2008, rendimentos tributáveis correspondentes a acréscimos patrimoniais em decorrência da aquisição de Fl. 781DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 bens e direitos não justificados pelos rendimentos comprovados pela contribuinte e seu cônjuge. Como forma de verificar a ocorrência da omissão de rendimentos tributáveis em decorrência de acréscimos patrimoniais a descoberto, configurada pelo excesso de aplicações de recursos sobre as origens de recursos comprovadas pela contribuinte e seu cônjuge, a Fiscalização procedeu com a determinação das origens e aplicações, cujos dados foram consolidados nas planilhas intituladas “Demonstrativo de Variação Patrimonial – Fluxo de Caixa Mensal – Anocalendário 2007” e “Demonstrativo de Variação Patrimonial – Fluxo de Caixa Mensal – Anocalendário 2008” (fls. 45/46) e “Demonstrativo do Pagamento de Despesas (fls. 47/48), procedendo a apuração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto, distribuindoo de maneira igualitária entre os cônjuges. Da análise da documentação apresentada pelo Sr. João Carlos de Carvalho, ficou comprovado o casamento pelo regime de comunhão parcial (fl. 105.), que os bens analisados foram adquiridos na constância da sociedade conjugal e que os cônjuges apresentaram declarações de ajuste em separado. Disso, foram computadas no fluxo de caixa, todas as origens e aplicações de recursos do contribuinte e de sua esposa, culminando na tributação do acréscimo patrimonial a descoberto na proporção de 50% para cada um deles, sendo lavrados autos de infração em separado. Por essa razão, e pelo fato de que o procedimento fiscalizatório foi o mesmo para ambos, a análise dos fatos e argumentos alegados serão analisados em conjunto. De se salientar que, em que pese, o procedimento fiscal tenha computado no fluxo de caixa, todas as origens e aplicações de recursos do contribuinte e de sua esposa, O auto de infração de João Carlos de Carvalho possui um crédito um pouco maior (R$ 855.158,76) do que o crédito constituído contra Elisa Evangelista (R$ 849.718,19), porquanto sobre a base do acréscimo patrimonial foi acrescido R$ 19.200,00 decorrente de Rendimentos Tributáveis Declarados, na forma como descrito no Auto de Infração, fl. 8. Dada a evidente conexão entre os processos, foram juntados ao processo de Elisa Evangelista o termo de verificação fiscal e o procedimento fiscalizatório referente ao contribuinte João Carlos de Carvalho (707/751). Origem dos Recursos Segundo o relato fiscal, na DIRPF 2008 não constou a informação de quaisquer rendimentos auferidos pelo casal em 2007, quer tributáveis, isentos e não tributáveis, ou sujeitos a tributação exclusiva. O contribuinte João Carlos declarou na DIRPF 2009 rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física no valor de R$ 19.200,00, os quais foram devidamente considerados como origem de recursos. Também foram considerados os rendimentos de R$338,20 recebidos a título de prólabore em jan/2008, registrados nos livros contábeis e confirmados no sistema GFIPWEB da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Neste ano, sua cônjuge, Elisa Evangelista, não declarou rendimentos tributáveis. Ainda na DIRPF 2009, João Carlos declarou rendimentos isentos e não tributáveis no total de R$ 2.970.000,00. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726664/201241 Acórdão n.º 2202002.727 S2C2T2 Fl. 23 5 Já a contribuinte Elisa Evangelista declarou a importância de R$1.060.000,00, mas tais valores não foram acatados como origem de recursos, em razão da falta de comprovação. a) Distribuição de Dividendos Sobre os lucros e dividendos declarados no montante de R$1.840.000,00 na DIRPF 2009, o contribuinte João Carlos Cardoso, em resposta ao Termo de Início de Fiscalização apresentada em 30/5/2011 (fls.60/61), informou, em seu item 2, que na realidade o valor correto distribuído pela Projeto Engenharia foi de R$1.520.000,00 no anocalendário 2007 e não em 2008. Foram apresentados diversos recibos firmados pelo próprio recebedor, Sr. João Carlos, na condição de sócio administrador daquela empresa, nas seguintes datas e valores (fls. 80/86): DATA VALOR (R$) 26/3/2007 50.000,00 22/10/2007 100.000,00 27/11/2007 230.000,00 5/12/2007 170.000,00 14/12/2007 230.000,00 20/12/2007 150.000,00 31/12/2007 590.000,00 TOTAL 1.520.000,00 Quando da referida resposta, juntou, além de recibos da empresa Projeto Engenharia (fls. 146/147), cópia do Livro Diário da empresa, onde constaram os lançamentos discriminando a distribuição e pagamento de lucro ao sócio no período (fls. 166/181). Sob os mesmos fundamentos, Elisa Evangelista apresentou recibo da Projeto Engenharia dando conta do recebimento de R$ 460.000,00 (fls.408). Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 351/2011 (fl. 287/288), o contribuinte protocolou informações, em 09/11/2011 (fls. 287), conforme item 1.15 do TVF (fl.21), apresentando uma lista de valores diferentes dos relacionados acima. Nesta oportunidade, o total informado de lucros distribuídos foi de R$930.000,00 (fl. 294). Fl. 783DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 A Projeto Engenharia, intimada, apresentou resposta assinada pelo próprio Sr. João Carlos, tendo juntado os mesmos recibos colacionados pelo contribuinte em 30/5/2011, num total de R$1.520.000,00, apresentando ainda cópias de partes dos livros Diário e Razão (fls. 438/440). Novamente intimada, através do Termo de Intimação Fiscal nº 067/2011 (fls. 463), e Reintimada (fls.467/469), a Projeto Engenharia encaminhou os livros denominados “Diário nº 01/Razão – 2007 e Diário nº 02/Razão – 2008” (fls. 470/494). Como destacou a autoridade fiscal, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 32), os livros diários apresentados pelo contribuinte não apresentam qualquer tipo de registro, averbação ou autenticação nas cópias dos termos de abertura e encerramento apresentados em 30/5/2011 (fls.75). Já nas cópias apresentadas pela empresa, em 24/2/2012 e nos livros originais apresentados em 18/4/2012 os termos de abertura (fls. 44 e ss) e de encerramento, não conferem, com aqueles trazidos pelo Contribuinte, pois exibem autenticação nº 99206349 efetuada na JUCEMG em 7/6/2011. Quanto à escrituração dos lucros distribuídos, verificase no Livro diário o lançamento em 31/12/2007, do valor de R$1.520.000,00 em favor de João Carlos de Carvalho e de R$380.000,00 para Elisa Evangelista. Sendo digno de registro que os lucros distribuídos foram lançados em único registro no dia 31/12/2007, sem obediência a qualquer ordem cronológica, individual, ou referência aos recibos juntados pelo sócio a título de recebimento de dividendos. Ainda, refere a autoridade fiscal (fl. 32/33), para que o livro Diário pudesse fazer prova em favor da contribuinte, necessário seria que estivesse revestido das formalidades que assegurassem a sua exatidão, nos termos da legislação fiscal e comercial vigente. Sendo assim, deveria conter termos de abertura e encerramento, e ser submetido à autenticação no órgão competente do Registro de Comércio ou, no caso de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Títulos e Documentos. Prossegue a autoridade afirmando que a autenticação do livro Diário de forma tardia é admitida, desde que o Registro e a autenticação tenham sido promovidos até a data da entrega tempestiva da declaração, correspondente ao respectivo período, não podendo ser aceita como legítima uma escrituração cuja autenticação foi efeituada 3 anos após o período previsto e, após o início do procedimento fiscal, com intimação específica da fiscalização para sua apresentação. Não foi aceita como legítima a escrituração para fins de comprovação da origem dos rendimentos. Na resposta ao Termo de Início de Fiscalização nº 094/2011 (fls. 146/147), o contribuinte afirma que o lançamento do valor de R$ 1.840.000,00 a título de distribuição de lucros foi declarado equivocadamente e que após a análise dos períodos e do valor declarado foi identificado que o valor recebido de fato foi de R$ 1.520.000,00, no período de 2007 e não de R$ de 1.840.000,00, no período de 2008. Na fl 33 do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal, contesta a afirmação do contribuinte, alegando que na DIPJ de 2009 entregue pela empresa (fls 542/557) consta a distribuição de lucros de R$ 1.840.000,00 a João Carlos e R$ 460.000,00 a Elisa Evangelista em 2008 (fls. 554). Acrescenta que tal distribuição de resultados declarada pela empresa é absurda porquanto a única receita declarada pela Projeto Engenharia no ano calendário de 2008, totalizou R$53.720,00 no 1º trimestre (fl. 556), sendo que nos demais não houve receita, além de não constar saldos em caixa, bancos, aplicações financeiras, estoques, contas a receber, inclusive no ano anterior. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726664/201241 Acórdão n.º 2202002.727 S2C2T2 Fl. 24 7 Já na DIPJ 2008 (fls. 528/540) apresentada em 17/6/2008 foram declaradas receitas auferidas em 2007: R$0,00 no 1º trimestre, R$827.551,50, R$631.500,00 e R$860.281,00 nos trimestres seguintes, com distribuição de lucros de R$1.520.000,00 e R$380.000,00 a João Carlos e Elisa, respectivamente. Observa a autoridade fiscal que em 2004 a empresa constava nos registros da SRFB como inativa, em 2005 apresentou DIPJLucro Presumido sem faturamento, em 2006 faturou R$83.940,00 e em 2007, surpreendentemente faturou R$ 2.319.332,50, tendo distribuído R$1.900.000,00 aos sócios João Carlos de Carvalho e Elisa Evangelista. Em 2008 declarou faturamento de R$53.720,00 e distribuiu lucros de R$2.300.000,00. Conclui a autoridade, no ponto, que os contribuintes buscaram adequar as informações prestadas, na condição de pessoa física, ou responsável pela pessoa jurídica, à sua necessidade momentânea de comprovar rendimentos, para encobrir variação patrimonial a descoberto. Dessa forma, procedia, ora informando na DIRPF 2009 e DIPJ 2009 que os lucros foram distribuídos e os bens adquiridos em 2008, ora informando nas respostas às intimações, na DIPJ 2008 e nos livros contábeis que os rendimentos foram recebidos em 2007, para justificar vultosos dispêndios na aquisição de imóveis. Arremata dizendo que meras alegações de recebimento de lucros são provas ineficazes a comprovar a procedência do numerário, quando desacompanhadas de documentos idôneos, objetivos e precisos em relação a datas e valores. b) Doações Não foi aceito como origem de recursos, o valor de R$ 600.000,00 recebido por Elisa Evangelista de João Carlos a título de doação. Instado a apresentar provas do negócio jurídico, a contribuinte apresentou contração de doação, datado de 11/02/2008 (fl. 96) sem registro, no Cartório de Títulos e Documentos, nem assinado por testemunhas. De igual forma, a contribuinte limitouse dizer que os valores do contrato foram recebidos em espécie (fls. 53). Antes disto, a fiscalização já havia consignado no TVF que o contrato de doação não apresentou qualquer formalidade legal como registro no Cartório de Títulos e Documentos, tendo sido apenas assinado pelas duas partes e sem testemunhas, Ainda consignado o Termo de verificação fiscal que, ainda que comprovada a doação, seu registro não acarretaria mutação no acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela fiscalização, já que, por um lado, entraria no fluxo de caixa mensal como origem dos Recursos do Casal (rendimento auferido pela Sr. Elisa, por outro lado entraria como aplicação de recursos do casal (fl. 38). Aplicação dos Recursos a) Bens Imóveis Conforme relatado no item 1.3 do Termo de Verificação Fiscal (fl.696), o Sr. João Carlos declarou na DIRPF 2009 a aquisição dos seguintes imóveis em 2008: apartamento 1302, Rua das Estrelas, em Nova Lima/MG, apartamento 1201, Rua Sebastião Fabiano e apartamento 504, Rua Desembargador Jorge Fontana, ambos em Belo Horizonte. Entretanto, a Fl. 785DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 fiscalização verificou que tais imóveis na realidade foram adquiridos em 2007, com eventos de pagamentos ao longo de 2007 e 2008. Especificamente em relação ao apartamento 504 da Rua Desembargador Fontana, diante das várias versões apresentadas pelo Sr. João Carlos e os vendedores, conforme relatado nos itens 1.8, 1.17 e 1.27 (fls. 18, 21 e 28) e que o contrato de compra e venda mencionado na intimação foi desconsiderado, a fiscalização optou por lançar no fluxo de caixa a data e o valor constante da Escritura Pública de Compra e Venda do 2º Tabelionato de Notas, em consonância com o artigo 215 do Código Civil. Diante da confirmação de que o valor de R$ 490.000,00 declarado por Elisa Evangelista, na aquisição das casas nº 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10 e 12 do Condomínio Mar da Pitinga, em Porto Seguro/BA foi confirmado pela empresa RSM Incorporadora Imobiliária, com a apresentação de documentos, tal montante também foi incluído como aplicação de recursos no fluxo de caixa. b) Despesas Incorridas Também foram consideradas como aplicação de recursos pelo casal, diversas despesas dedutíveis ou não na declaração de ajuste, como pagamentos à Cemig, Telemar, Net BH, condomínio, faturas de cartão de crédito, ITBI e despesas com instrução de dependente. c) Outras Situações Em virtude de na DIRPF 2008 apresentada por Elisa, não constar a existência de rendimentos auferidos, a qualquer título, no ano de 2007, mas ter sido informada a aquisição, em 2007, de 20% do Capital Social da empresa Projeto Engenharia e Logística Ltda., no valor de R$ 10.000,00, a Sra. Elisa foi intimada a informar a origem e natureza dos recursos utilizados nessa aquisição. Na resposta apresentada em 29/03/12, a Sr. Elisa informou: “Segue anexo, cópia dos recibos de entrega das declarações do período de 2004 a 2006, comunico que havia acumulado valores de recebimentos anteriores, no qual tive condições de integralizar o capital social da empresa Projeto Engenharia e Logística Ltda., em 2007”. Todavia, conforme relato fiscal, fl. 40, os documentos apresentados, tratavamse de meros recibos de entrega de declarações de ajuste por Elisa Evangelista, para o período de 2004 a 2006 com rendimentos brutos informados de R$12.600,00, R$15.000,00 e R$4.050,00, não constituindo elemento de prova suficiente para justificar o acúmulo de recebimentos em exercícios anteriores e muito menos que tais valores foram utilizados na aquisição de 20% do Capital Social da Projeto Engenharia em 2007 no valor de R$10.000,00. A autoridade fiscal contesta a afirmação de Elisa Evangelista, porquanto na primeira alteração contratual da empresa Jesa Perfurações (que no mesmo ato sofreu alteração de denominação social para Projeto Engenharia e Logística Ltda.) registrada na JUCEMG em 25/11/2002, já constava a Sra. Elisa como proprietária de cotas sociais no valor de R$ 10.000,00 (fl. 40/41). Ainda no tocante ao procedimento fiscal que buscou elucidar a aplicação de recursos que vistas a mensurar o acréscimo patrimonial do casal, entendeu, no tocante à informação da DIRPF dos veículos Fiat Strada, placa GWQ2534 e Audi A3, placa GWM 1070, Elisa Evangelista os adquiriu em 2004, em que pese tenha vindo a informar tais tal aquisição à Receita somente em 2009 (fl. 41). Fl. 786DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726664/201241 Acórdão n.º 2202002.727 S2C2T2 Fl. 25 9 Aplicação da Multa Qualificada Foi aplicada multa qualificada, sob a justificativa de que os contribuintes, tanto nas declarações entregues à Receita Federal, quanto nas informações prestadas no curso do procedimento fiscal, prestaram informações falsas à Fazenda Nacional, evidenciando consciente intuito de ocultar o conhecimento da existência de rendimentos aplicados na aquisição de bens móveis e imóveis, o que gerou acréscimo patrimonial a descoberto. Aduziu a autoridade fiscal que os pretensos rendimentos “isentos e não tributáveis” informados por João Carlos Carvalho no valor R$ 2.970.000,00, e por Elisa Evangelista no valor de R$ 1.060.000,0, nas DIRPF apresentadas à Receita Federal foram comprovados, concluindo que eles de fato nunca existiram. Referiu que a inclusão da informação pelos fiscalizados em suas DIRPF teve o claro objetivo de ocultar, da Receita Federal, a percepção de rendimentos tributáveis de outra origem, já que, se até o ano de 2007, o único patrimônio conhecido dos fiscalizados era referente a participação no Capital Social da Empresa Projeto Engenharia e Logística Ltda, no valor de R$ 40.000,00 para João Carlos e de R$ 10.000,00 para Elisa, no período sob ação fiscal houve a aquisição de bens móveis e imóveis que, juntos, somam mais de R$ 2.217.000,00 e a efetivação de despesas em montante superior a R$ 45.000,00. Aplicou a multa qualificada no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, em razão da ocorrência de sonegação fiscal prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1946. Impugnação Notificado do lançamento fiscal em 04/09/2012 (fl. 559), a contribuinte apresentou impugnação (fls. 565/572), aduzindo em síntese: a) Refere que o procedimento fiscal desenvolveuse em decorrência de falsas acusações atribuídas pela Polícia Federal na ocasião da operação “JoãodeBarro”. Argumento que com o não recebimento da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, os fatos narrados pela autoridade fiscal não podem prosperar. b) Quanto aos lucros, alega que a pessoa jurídica pode distribuílos a seus sócios mesmo antes do encerramento do exercício fiscal. Cita o artigo 48 da Instrução Normativa SRF nº 93/1997 para afirmar que os valores pagos a este título são isentos de tributação, independentemente de apuração contábil. Relata que mesmo sendo optante pelo lucro presumido, a empresa Projeto Engenharia mantinha os livros diário e razão que foram devidamente encaminhados à fiscalização. c) Acrescenta nos termos do artigo 32 da Lei 4357/64, que se a empresa parcela seus débitos, estes ficam com a exigibilidade suspensa, não sendo aplicada qualquer penalidade. d) Os lucros recebidos foram comprovados mediante a apresentação dos livros fiscais e recibos. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 e) A Contribuinte Elisa argumentou em relação aos R$600.000,00 recebidos a título de doação do marido estão de acordo com o artigo 538 do Código Civil, não devendo ser tributada nos termos do artigo 39, XV do Decreto 3000/99, Regulamento do Imposto de Renda.. Refere que o ato previsto no Código Civil consiste em liberalidade de transferência de patrimônio ou vantagens a outra pessoa, bastando apenas a lavratura de instrumento particular, contrato sem nenhum outro tipo de requisito de validade. Entende que restou comprovada a doação, pela apresentação do contrato e pela inserção da informação na declaração de ajuste, ficou claramente demonstrada a aplicação os recursos, juntamente com os lucros recebidos, na aquisição de imóveis e outros bens. Ressalta que, embora não tenha recolhido o ITCMD, por desconhecer a legislação, não pode ser penalizado pelo órgão federal, sob pena de ocorrer bitributação. Decisão da DRJ A 9ª Turma da DRJBHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência fiscal (fls.752/764). O referido vem bem elucidado na ementa que segue: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, devidamente comprovados. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. ORIGEM DE RECURSOS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. DOAÇÃO. EMPRÉSTIMO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO RECEBIMENTO. Consideramse insuficientes o simples registro contábil da distribuição de lucros, os recibos emitidos pelo próprio contribuinte na condição de sócio e os contratos particulares de doação e de empréstimo sem registro em cartório, desacompanhados da correspondente comprovação do ingresso efetivo de numerário no patrimônio do contribuinte para dar suporte aos gastos realizados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos Fl. 788DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726664/201241 Acórdão n.º 2202002.727 S2C2T2 Fl. 26 11 que caracterizam, em tese, os crimes tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Em seus argumentos, expõe em síntese: a) A rejeição da denúncia penal não impede a abertura de ação fiscal, pois os efeitos tributários não ficam prejudicados. b) Variação patrimonial a descoberto. Origem dos Recursos. Entendeu a autoridade julgadora que a documentação e argumentos trazidos pela contribuinte não eram aptos para afastar a imputação. Argumenta que os registros contábeis da Projeto Engenharia não acompanham as normas legais, havendo registro do Livro Diário somente três anos após o exercício, já durante a fiscalização, o que teria ocorrido tão somente para dar suporte às alegações produzidas na defesa. Entende inadmissível que os valores constantes de comprovantes de recebimentos de lucros em diversos meses do ano sejam computados em único lançamento no dia 31/12. c) Aponta a inconsistência do faturamento da empresa como incapaz de sustentar a distribuição de lucros indicada. Para tanto refere que “as declarações apresentadas pela Projeto Engenharia que constava no ano de 2004 como inativa, em 2005 apresentou DIPJ sem faturamento, em 2006 declarou faturamento de R$83.940,00, em 2007 declarou ter faturado R$2.319.332,50 e em 2008 R$53.720,00. Diante da discrepância de faturamento no decorrer desses anos, aliado ao fato de, em 2007, a empresa ter distribuído quase a totalidade do que faturou, ou seja, R$1.900.000,00 e em 2008 ter distribuído R$2.300.000,00 contra R$53.720,00 de faturamento, correto o procedimento fiscal com vistas a apurar areal transferência de recursos da empresa para o contribuinte.” d) No tocante à doação de R$ 600.000,00 realizada pelo Sr. João Carlos de Carvalho à contribuinte, a teve como não comprovada, pois a contribuinte além de afirmar que os recursos foram movimentados em espécie, registrou na peça de defesa que o contrato de doação, instrumento particular, não requer qualquer outro requisito de validade que não a assinatura do doador e do donatário, invocando o art. 221 do Código Civil. No mesmo sentido da inexistência fática da doação, aponta a não apresentação do recolhimento do ITCMD. e) Em relação ao contrato de mútuo, entendeu que igualmente carecia de formalidades para que pudesse ser oponível a terceiros, citando novamente o art. 221 do Código Civil, agora cumulado ao art. 368 do Código de Processo Civil. f) No tocante à aplicação de recursos afirma que “Não foi aceito o valor de R$10.000,00 lançado pela Sra. Elisa como integralização de 20% do capital social da empresa Projeto Engenharia, porque devidamente demonstrado nos autos que tal valor já havia sido registrado na JUCEMG na data de 25/11/2002. Também permanece inalterado o procedimento fiscal em relação à aquisição de veículos Fiat Strada e Audi pela Sra. Elisa, já que a compra ocorreu no ano de 2004. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 g) No tocante à multa de 150%, entendeu pela sua exigência, uma vez que “tanto o contribuinte quanto sua esposa prestaram informações inverídicas nas declarações de ajuste de 2008 e 2009 e durante o curso da ação fiscal. Prova disso é que as diversas informações relativas a rendimentos isentos e não tributáveis vieram desacompanhadas da comprovação de transferência de numerário, sempre justificadas pela suposta existência de pagamentos em espécie, mesmo para trânsito de quantias muito elevadas. Também deve ser registrado que o contribuinte, de maneira totalmente dissociada da legislação tributária, buscou adequar as inconsistências apresentadas nas declarações de ajuste com registros irreais na contabilidade da empresa da qual são sócios.” Recurso Voluntário O recorrente foi notificado do resultado do julgamento de sua impugnação em 26/02/2013, tendo interposto recurso voluntário em 26/03/2013 (fls. 772/784), repisando os argumentos anteriormente esgrimados. É o relatório. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726664/201241 Acórdão n.º 2202002.727 S2C2T2 Fl. 27 13 Voto Conselheiro FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator Analisando o Recurso Voluntário interposto, insurgese a contribuinte quanto aos seguintes pontos: a) Não recebimento da denúncia na ação penal configura presunção de inocência, e afasta a máfé da contribuinte. b) A origem dos rendimentos restou comprovada, dandose através da distribuição de lucros da empresa Projeto Engenharia e Logística; de doação recebida em 2008; c) Inaplicabilidade da multa de 150% por não ter ocorrido a situação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64. É o que se passa a analisar. Não recebimento da Denúncia – Presunção de inocência. A presente ação fiscal originouse da Operação João de Barro pela Polícia Federal, que objetivou identificar o desvio de verbas públicas, supostamente comandado pelo Deputado Federal João Magalhães, envolvendo emendas parlamentares que destinavam verbas federais para obras de infraestrutura nos Municípios Mineiros. Conforme documentação que trouxe quando da impugnação (fls. 623/684 ), a denúncia penal não foi recebida em relação Elisa Evangelista, em razão de não ter sido “devidamente exposta e individualizada, na denúncia oferecida em 05/05/2010, a forma como os acusados teriam contribuído para a prática dos crimes a eles imputados” (fls. 629).Cumpre salientar, todavia, que segundo a própria manifestação da Procuradora da República (fls.682/683), o não recebimento da denúncia não formou coisa julgada, não sendo referido nos autos a superveniência de outra denúncia. Dito isso entendo que o não recebimento da denúncia não traz qualquer influência ao presente julgamento. Isso porque se trata de objeto diverso da autuação. Consoante narra nas folhas 624/625, Elisa Evangelista de Oliveira Carvalho e outros denunciados supostamente “associaramse em quadrilha ou bando, para o fim de solicitar e obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função, sendo que parte da vantagem se destinava ao próprio servidor público; para fornecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determinálo a praticar ato de ofício em desacordo com seu dever legal; para frustrar ou fraudar, mediante ajuste, o caráter competitivo do procedimento licitatório, com o intuito de obter para si ou para outrem, vantagem decorrente da adjudicação do objeto da licitação”. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Resta evidente que a conduta narrada em nada se refere à infração tributária imputada a ora recorrente. Acréscimo Patrimonial a Descoberto – Comprovação da origem dos Recursos A questão ventilada no Recurso Voluntário cingese a: Dividendos Doações Entendo não haver sido devidamente comprovada a origem dos Recursos pela contribuinte. Todavia, para a compreensão da controvérsia, necessário fazer uma análise em conjunto dos argumentos e das provas trazidas por João Carlos de Carvalho. Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização (fls. 148/277), João Carlos de Carvalho traz recibos de distribuição de Lucros recebidos da Projeto Engenharia e Logística Ltda (fls 166/172) na qual atesta o recebimento das seguintes quantias: DATA VALOR (R$) 26/3/2007 50.000,00 22/10/2007 100.000,00 27/11/2007 230.000,00 5/12/2007 170.000,00 14/12/2007 230.000,00 20/12/2007 150.000,00 31/12/2007 590.000,00 TOTAL 1.520.000,00 Na mesma resposta, o contribuinte traz cópia do Livro Diário da Empresa referente ao ano de 2007, sem qualquer comprovação de inscrição e registro no órgão competente (fls. 174/177); bem como o Balanço Patrimonial do mesmo período (fls. 178/180). Ali consta a distribuição de lucros para o Sr. João Carlos na monta de R$ 1.520.000,00, e para a Sra. Elisa Evangelista no valor de R$ 380.000,00, em 31/12/2007. A empresa, intimada a se manifestar acerca do pagamento de dividendos aos sócios, de acordo com o Termo de Intimação nº 023/2012 (fls. 442), traz os mesmos recibos Fl. 792DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726664/201241 Acórdão n.º 2202002.727 S2C2T2 Fl. 28 15 trazidos por seu sócio, e nas fls. 443/455 traz na íntegra os Livros Diário dos anos de 2007 e 2008, ambos registrados na Junta Comercial em 7/6/2011, sob autenticação nº 99206349. Nesse ponto, agiu corretamente a fiscalização ao buscar outros meios para comprovar a distribuição de lucros que não só somente a apresentação de recibos e o livro diário apresentado. Preceitua o RIR/99 que a empresa é obrigada não só a escriturar os fatos contábeis, mas também manter os documentos hábeis e idôneos que comprovem os fatos nela registrados, nos termos do art. 923: Art.923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. No tocante ao Livro Diário, a obrigatoriedade de seu registro está prevista no Código Civil em seu artigo 1.180 que determina que “Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica” e ser artigo 1.181, que refere que “salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis.” Vale lembrar que a Resolução CFC nº 1.330/11, que regula a escrituração contábil define em seus itens 26 e 27 que a “Documentação contábil é aquela que comprova os fatos que originam lançamentos na escrituração da entidade e compreende todos os documentos, livros, papéis, registros e outras peças, de origem interna ou externa, que apoiam ou componham a escrituração”, sendo considerada hábil “quando revestida das características intrínsecas ou extrínsecas essenciais, definidas na legislação, na técnica contábil ou aceitas pelos “usos e costumes”. O registro extemporâneo do Livro Diário, posteriormente ao início da fiscalização e decorridos mais 3 anos dos fatos que originaram a situação nele registrada, não tem o condão de, a priori, constituílo como documentação hábil para o fim proposto pelo Recorrente. Assim, considerando que os autuados Sr. João Carlos Carvalho e Elisa Evangelista são os dois únicos sócios da empresa Projeto Engenharia e Logística Ltda (fls. 247), e dada a ausência de registro do Livro Diário em Registro Público na época da fiscalização, necessário que se vislumbrasse outros indícios comprobatórios da distribuição de lucros alegada. Igualmente, aqui não andou bem na comprovação a contribuinte, como bem lançado pela decisão a quo: “No caso dos lucros distribuídos, os elementos apresentados pela autoridade fiscal são mais que plausíveis quando da solicitação da comprovação da transferência de recursos da fonte pagadora para o contribuinte. Isto porque, os registros contábeis da Projeto Engenharia não acompanham as normas legais e os princípios de contabilidade. Referida empresa, da qual o contribuinte é o principal sócio, preocupouse em registrar a contabilidade no órgão competente mais de três anos após o prazo previsto na legislação e já no curso do procedimento fiscal. Situação puramente casuística que ocorreu apenas para tentar dar suporte às simples alegações produzidas na peça de defesa. A boa técnica contábil exige que os lançamentos sejam registrados nos livros em ordem cronológica à medida que forem ocorrendo. Não se pode admitir que valores constantes de comprovantes Fl. 793DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 de recebimentos de lucros em diversos meses do ano sejam computados em único lançamento no dia 31/12. Não bastasse a ausência de clareza até aqui exposta, a fiscalização ainda cuidou de analisar as declarações apresentadas pela Projeto Engenharia que constava no ano de 2004 como inativa, em 2005 apresentou DIPJ sem faturamento, em 2006 declarou faturamento de R$83.940,00, em 2007 declarou ter faturado R$2.319.332,50 e em 2008 R$53.720,00. Diante da discrepância de faturamento no decorrer desses anos, aliado ao fato de, em 2007, a empresa ter distribuído quase a totalidade do que faturou, ou seja, R$1.900.000,00 e em 2008 ter distribuído R$2.300.000,00 contra R$53.720,00 de faturamento, correto o procedimento fiscal com vistas a apurar a real transferência de recursos da empresa para o contribuinte. Diante disso, não pode ser acatada como origem de recurso a distribuição de lucros alegada pela contribuinte. No mesmo sentido, já se posicionou este Tribunal: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LUCROS DISTRIBUÍDOS. COMPROVAÇÃO. Os rendimentos isentos e não tributáveis recebidos pelo contribuinte a título de distribuição de lucros de pessoa jurídica, do qual o contribuinte é sócio, podem ser considerados na análise da evolução patrimonial somente quando comprovados por documentação hábil e idônea. PRESUNÇÕES LEGAIS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A lei somente autoriza a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatível com os recursos tributados, isentos e não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Recurso Negado (Relator(a) ALICE GRECCHI Nº Acórdão 2102002.959, Sessão de 16 de abril de 2014) Na DAA 2009 igualmente verificase que a contribuinte Elisa Evangelista declarou rendimentos isentos e não tributáveis no valor de R$ 600.000,00, a título de demais rendimentos isentos e não tributáveis (fl. 513). Sobre esses valores refere em suas razões serem decorrentes de doação recebida de seu marido, em moeda corrente nacional. De igual forma, não pode ser conhecida como comprovação de origem dos rendimentos a doação no valor doação de R$ 600.000,00 recebida do seu marido. Em outras situações, posicioneime que as doações ocorridas de parentes de 1º Grau operamse sob o pálio da informalidade aceitável, sendo muitas vezes inexigível qualquer espécie de contrato escrito para a formalização do negócio jurídico. Nesse sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2007 VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÃO DE NUMERÁRIO ENTRE PARENTES DE 1° GRAU. INFORMALIDADE ACEITÁVEL. COMPROVAÇÃO. Tratandose de doações de mãe para filho, na qual impera a informalidade, e Fl. 794DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726664/201241 Acórdão n.º 2202002.727 S2C2T2 Fl. 29 17 verificando que as operações foram consignadas nas declarações de rendimentos da doadora e do donatário, bem como a primeira possuía suporte financeiro para tanto, pela venda comprovada de imóvel, consideramse comprovadas documentalmente as doações informadas. Precedentes. Quanto ao crédito a receber, houve a comprovação do mesmo, por documentos hábeis e idôneos, quais sejam Instrumento Particular de Confissão de Dívida e Nota Promissória devidamente registrada no Registro de Títulos e Documentos, indicando a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. (Relator(a) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Nº Acórdão: 2202 002.497) Todavia, no presente caso, entendo não ser cabível o mesmo entendimento. Isso porque, além do contrato de doação, onde, registrese, não consta registro público, nem testemunha (fl. 61) e da Declaração de Imposto de Renda do beneficiário (fls. 514), não foi feita qualquer outra prova de que os valores sejam decorrentes de uma doação. Não foi trazido aos autos comprovação de existência de depósitos ou transferência de valores que vinculem a operação ao doador. Mesmo considerando que a doação de R$ 600.000,00 tenha se dado em moeda corrente, poderia ter sido feita prova do saque de tal valor por parte do doador, esposo da contribuinte, ou, ainda, juntada a DAA do pai. Vale destacar que a exigência de comprovação do ITCD, ao contrario do alegado pelo Recorrente, não tem qualquer caráter de bis in idem. Tratase de mera tentativa de comprovar a ocorrência da doação alegada, no que não logrou êxito o recorrente. Nesse sentido, precedente deste Tribunal: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 (...) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NUMERÁRIO EM CAIXA. Havendo questionamento por parte da autoridade fiscalizadora acerca dos valores informados na declaração de bens e direitos, da declaração de ajuste anual de IRPF, a título de “numerário em caixa”, para que tais quantias possam ser consideradas na apuração da variação patrimonial, é necessário que o contribuinte apresente elementos de prova aptos a permitirem a convicção de que o dado declarado corresponde à realidade. DOAÇÃO. MÚTUO. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. Havendo dúvidas quanto à veracidade das operações de mútuo e doação, informadas na declaração de ajuste anual de IRPF, podem ser exigidos documentos que comprovem que o numerário efetivamente ingressou no patrimônio do beneficiário. Na ausência de tais elementos, legítima a descaraterização dessas operações. OPERAÇÕES DESCRITAS EM DOCUMENTO PARTICULAR. VALIDADE. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário, não sendo válidas contra terceiros. (...) (Relator(a) WALTER REINALDO FALCAO LIMA; nº Acórdão: 2801002.715) Todavia, mesmo que diverso o entendimento, e comprovada a doação, seu registro não acarretaria mutação no acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela fiscalização, já que, por um lado, entraria no fluxo de caixa mensal como origem dos Recursos do Casal (rendimento auferido pela Sr. Elisa), por outro lado entraria como aplicação de recursos do casal (fl. 38). Assim sendo, não havendo a devida comprovação por parte da contribuinte quanto às suas alegações de defesa, entendo necessária a manutenção do crédito tributário. Multa Qualificada Insurgese o Recorrente quanto à aplicação da multa qualificada no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, em razão da ocorrência de sonegação fiscal prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1946. A aplicação da multa qualificada é justificável somente quando o contribuinte tenha procedido em uma das três condutas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 1964, quais sejam, sonegação, fraude ou conluio. Tais condutas, podem ser assim definidas: Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Conluio, por sua vez, é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. No caso, acusase a contribuinte Elisa Evangelista de ter prestado declarações falsas, tanto nas Declarações entregues à Receita Federal, exercícios de 2008 e 2009, como nas informações prestadas no curso do procedimento fiscal, listadas no item 2, do Termo de Verificação Fiscal (fls. 30/42). Refere a fiscalização que tal conduta evidencia consciente intuito de ocultar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da existência de rendimentos, aplicados na aquisição de bens móveis e imóveis, o que gerou acréscimo patrimonial a descoberto (fls. 42). Em suma, a Fiscalização acusou a contribuinte dos seguintes atos: 1) Ter se utilizado da contabilidade da empresa Projeto Engenharia e Logística Ltda, com o intuito de justificar seu acréscimo patrimonial a descoberto, criando uma distribuição de lucros inexistente (fls. 42). A Fl. 796DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726664/201241 Acórdão n.º 2202002.727 S2C2T2 Fl. 30 19 contribuinte declarou na DIRPF 2009 ter auferido Rendimentos Isentos Não Tributáveis no valor R$ 460.000,00 referentes a lucros e dividendos recebidos da empresa Projeto Engenharia e Logística Ltda. Relata o termo de intimação fiscal que, como prova da ocorrência da distribuição de lucros, a contribuinte apresentou em 29/03/12, recibo de Distribuição de Lucros na importância de R$ 460.000,00, relativo ao período 2007, observando que tal recibo foi firmado pela própria Sra. Elisa, no dia 29/03/2012, mesma data da resposta encaminhada (fl. 37). Refere que no Livro Diário apresentado consta, no lançamento de 31/1/2/07, o valor de R$ 380.000,00 e não R$ 460.000,00, como informado pela contribuinte. Em resumo, vêse que a acusação é de que o contribuinte alterava a contabilidade e as declarações próprias e da empresa como forma de justificar a distribuição de rendimentos isentos e não tributáveis para a sua pessoa física. 2) Ter forjado contrato de doação no valor de R$ 600.000,00, efetuada pelo Sr. João Carlos de Carvalho, esposo da contribuinte. Afirma o Termo de Verificação Fiscal (fls. 37) que a comprovação da doação realizada restringiase a uma declaração assinada pelo Sr. João Carlos e pela contribuinte, sem qualquer outra formalidade. Em suma, entendeu que a contribuinte forjou um contrato de doação com seu pai como forma de justificar o recebimento de rendimentos isentos e não tributáveis na sua DAA. 3) No tocante à aquisição de bens imóveis, refere que a Contribuinte declarou a aquisição de imóveis como ocorridas em 2008, quando na fiscalização verificouse que ocorridas na verdade em 2007 (fl. 39). 4) Refere que a contribuinte prestou declaração inexata na sua DAA, uma vez que afirmou não ter recebido quaisquer rendimentos no ano de 2007 e naquele período ter declarada a aquisição de participação societária na Projeto Engenharia e Logística Ltda. Acrescenta que a fiscalização ficou estarrecida ao verificar que a contribuinte já constava no corpo societária da referida empresa desde 2002. 5) No tocante à aquisição de bens móveis, a fiscalização, acusa a contribuinte de ter prestado declaração inexata, porquanto declarou a aquisição somente no exercício de 2009 acerca de do Veículo Fiat/Strada Trekking, placa GWK2534 e Audi A3, placa GWM1070que foram adquiridos em 2004.. A todas essas condutas, a autoridade fiscal imputou aos contribuintes (José Carlos Carvalho e Elisa Evangelista) a conduta de sonegação. Na sua fl. 43, acrescenta a conduta descrita como crime de sonegação fiscal, prevista no 1º, inciso I, da Lei nº 4.729/65, segundo o qual constitui crime de sonegação fiscal prestar declaração falsa ou omitir, total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno, com a intenção de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por lei; e também a Lei 8.137/90, que regula os crimes contra a ordem tributária, segundo o qual constitui crime de sonegação fiscal omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; Fl. 797DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 Ocorre que para fins de aplicação da multa qualificada, por referência expressa do art. 44, § 1º, da Lei nº 4.502/64, deverá ser adequadamente enquadrado em uma das condutas expressas nos arts. 71 a 72 da Lei nº 4.502/64. Dito isso, analisando as condutas elencadas nos itens 1 a 3, percebese nitidamente a tipificação de um conluio, isto é, a união de duas pessoas que agem em conjunto e dolosamente para a consecução de um dos fins previstos nos art. 71 ou 72. Vale aqui dizer que o conluio não é o crime de sonegação e fraude em coautoria, mas a prática de uma preparação dolosa visando um dos fins previstos nos outros dois tipos. No item 1, por exemplo, a acusação é de que teria havido a união da autuada com a Pessoa Júridica para inserir informação de distribuição de lucros na contabilidade, e assim gerar rendimentos isentos não tributáveis. De igual forma, o arranjo com terceiros para fins de forjar um contrato de doação. Seja nos casos 1 ou 2, retro, seja nas condutas descritas nos itens 3 a 5, retro, acusase a contribuinte de forjar documentos e informações FALSAS com o intuito de impedir a ocorrência do fato gerador ou excluir suas características essenciais. Exatamente o tipo legal do art. 72, ou seja, FRAUDE. Em nenhum dos casos, acusouse o contribuinte de impedir meramente o CONHECIMENTO dos fatos. Pelo contrário, o contribuinte: 1) Apresentou a DIPJ da empresa onde constava a distribuição dos lucros, bem como lançou no livro Diário/Razão os valores referentes à distribuição, tendo ambos os sócios feito constar a distribuição nas suas respectivas declarações. Ainda, foram apresentados os recibos referentes à distribuição dos dividendos. Sendo assim, os contribuintes sempre prestaram as informações solicitadas e trouxeram os documentos que entenderam pertinentes para os esclarecimentos do feito. Fica claro que, em nenhum momento, o contribuinte buscou impedir o conhecimento dos fatos pela autoridade fiscal; 2) De igual forma, no caso da declaração de doação, o contribuinte deu a conhecer o contrato de doação, bem como o declarou na sua respectiva Declaração; 3) No caso das declarações inexatas prestadas na aquisição de bens móveis e imóveis, igualmente o contribuinte apresentou e noticiou sua aquisição nas respectivas declarações. Igualmente não houve qualquer tentativa de impedir o fiscal de ter conhecimento dos fatos relatados. 4) No que toca à declaração de aquisição de participação societária, prestou informações na DAA, bem como foram apresentados os contratos sociais quando solicitados. Percebese que, em todos os casos, o contribuinte NÃO BUSCOU OCULTAR os fatos geradores, não operou sobre o conhecimento da autoridade fiscal. O que ele fez foi buscar IMPEDIR A OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES OU, MESMO, EXCLUIR OU MODIFICAR SUAS CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS, mediante contratos falsos (de doação), adulteração de contabilidade para prever uma distribuição de lucros inexistente e na aposição de informações falsas em sua DAA. Com isso, tinha o intuito claro de suprimir característica essencial ao fato gerador. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726664/201241 Acórdão n.º 2202002.727 S2C2T2 Fl. 31 21 A fraude fiscal é aquela em que o agente busca dolosamente, através de subterfúgios, impedir total ou parcialmente a tributação. Assim, criase dolosamente um artifício enganoso que seja capaz de IMPEDIR A OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES OU EXCLUIR SUAS CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS. A fraude atua, portanto, na própria materialidade do tributo. No caso dos autos, configurase a fraude pelo fato de criar uma distribuição de dividendos artificial, mediante escrituração, contabilização e declaração de lucros, quando na verdade nada ocorreu. Ou ainda, manipular a declaração do imposto de renda inserindo informações nas declarações extemporaneamente como forma de aproveitarse do fluxo de rendimento no período. Com a sonegação já ocorre diferente. Tratandose de ato doloso que busca impedir o conhecimento da autoridade fiscal, tratase de situação onde não há a criação de realidade artificiosa, mas somente a ocultação da conduta, como forma de não permitir que autoridade tome conhecimento de sua ocorrência. Verificase que nenhuma das hipóteses descritas no Termo de Verificação Fiscal, se coaduna a tal descrição. Seja a prática de manipular a contabilidade da empresa, seja no ato de criar um negócio jurídico que não ocorreu de fato, ou ainda prestar declarações inexatas, o contribuinte não está negando o conhecimento à autoridade fiscal, mas dando a ele o conhecimento de um artifício, uma realidade criada com o intuito de impedir a ocorrência do fato gerador. Sendo assim, tratase, claramente, de condutas diversas daquela de que trata o art. 71 (sonegação), e que é exatamente aquela em que a fiscalização buscou enquadrálo, consoante se lê das fls.42/44. Isso posto, voto pela PARCIAL PROCEDÊNCIA do recurso voluntário, tão somente, para reduzir ao patamar de 75% a multa de ofício aplicada, desqualificandoa (Assinado Digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator Fl. 799DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 03/10/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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