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Numero do processo: 15504.723782/2012-05
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO PARA PREVINIR DECADÊNCIA. PREVISÃO. CONCOMITÂNCIA DE INSTÃNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. MULTA DE OFÍCIO E JUROS NÃO CABÍVEIS SOBRE CRÉDITOS SUSPENSOS EM RAZÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL. INTELIGÊNCIA DAS SÚMULAS Nºs 17 e 5 DO CARF.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura do auto de infração.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante no processo judicial.
Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.371
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, devendo ser excluídos do lançamento, a multa de ofício e juros moratórios aplicados ao caso.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO PARA PREVINIR DECADÊNCIA. PREVISÃO. CONCOMITÂNCIA DE INSTÃNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. MULTA DE OFÍCIO E JUROS NÃO CABÍVEIS SOBRE CRÉDITOS SUSPENSOS EM RAZÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL. INTELIGÊNCIA DAS SÚMULAS Nºs 17 e 5 DO CARF. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura do auto de infração. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante no processo judicial. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Provido em Parte
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO PARA PREVINIR DECADÊNCIA. PREVISÃO. CONCOMITÂNCIA DE INSTÃNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. MULTA DE OFÍCIO E JUROS NÃO CABÍVEIS SOBRE CRÉDITOS SUSPENSOS EM RAZÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL. INTELIGÊNCIA DAS SÚMULAS Nºs 17 e 5 DO CARF. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura do auto de infração. 2. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante no processo judicial. 3. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. 4. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 37 82 /2 01 2- 05 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.723782/201205 Acórdão n.º 2803003.371 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, devendo ser excluídos do lançamento, a multa de ofício e juros moratórios aplicados ao caso. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.723782/201205 Acórdão n.º 2803003.371 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte patronal, incidentes sobre pagamentos efetuados ao Diretor Ricardo Gelbaum a título de distribuição de lucros e resultados, lançado na folha de pagamento e não incluídos nas GFIP da filia 61.186.680/000336, na competência 08/2008. Referidas contribuições foram depositadas em juízo, processo 2008.61000.108340. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 23 de maio de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO MONTANTE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIADE. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o ato de lançamento, inclusive com a aplicação de multa e juros moratórios. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. O crédito deve ser constituído para prevenir a decadência em todos os casos em que não haja decisão judicial proibindo o lançamento. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A matéria questionada na esfera judicial não é apreciada em sede administrativa. MULTA DE MORA. LIMITE. A limitação de multa de mora a 20% (vinte por cento) se aplica somente ao adimplemento espontâneo pelo sujeito passivo, não incluído em lançamento fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Conforme anteriormente documentado nos presentes autos, em 07/05/2008 o Recorrente impetrou o MS nº 2008.61.00.0108340, com o objetivo de garantir o seu direito líquido e certo de não recolher as contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR aos seus Diretores Estatutários. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.723782/201205 Acórdão n.º 2803003.371 S2TE03 Fl. 5 4 Visando a suspender a exigibilidade do crédito tributário, o Recorrente depositou judicialmente a contribuição previdenciária supostamente incidente sobre os valores pagos aos seus diretores a título de PLR. Neste ponto, cumpre ressaltar que o MS em questão foi impetrado preventivamente, ou seja, antes de qualquer procedimento fazendário no sentido de constituir ou simplesmente lançar o crédito tributário discutido. De igual maneira, os depósitos judiciais foram efetuados à época do vencimento das obrigações, ou, quando depositados após o vencimento, acrescidos dos respectivos encargos moratórios. No entanto, em 29/06/2012, o Recorrente foi cientificado do presente lançamento fiscal, por meio do qual lhe são exigidas exatamente as contribuições sociais previdenciárias relativas à parcela patronal, nas competências 08/2008 – período posterior ao MS em referência, acrescidas de juros e multas, decorrentes do suposto não cumprimento da obrigação principal. Tendo em vista que o suposto crédito tributário está com a exigibilidade suspensa em virtude dos depósitos judiciais efetuados nos autos do MS referido (art. 151, II, do CTN), o ora Recorrente impugnou o AI, demonstrando i) a impossibilidade da cobrança de juros e multas sobre o suposto débito, posto que seu valor foi integralmente depositado; ii) a inexigibilidade das contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação nos lucros aos diretores estatutários; iii) subsidiariamente, aplicação da multa máxima de 20% sobre o valor principal, em atenção ao art. 106 do CTN. Existindo depósito judicial do valor supostamente devido é impossível a cobrança do débito, bem como de juros e multa. Fazse necessária a retificação do auto de Infração DEBCAD nº 37.372.8514 para excluir os juros e multa, que, conforme demonstrado, não devem subsistir, haja vista que os valores depositados são corrigidos monetariamente pela SELIC e inexiste a mora por parte do contribuinte, o qual, muito pelo contrário, antecipouse à ação do Fisco e efetuou o depósito das quantias controversas. Por todo o exposto, requerse a reforma da Decisão nº 0244.777DRJ/BHE, para cancelar a exigência de juros e multa, tendo em vista que os valores encontramse devidamente depositados judicialmente, não tendo ocorrido qualquer atraso por parte do contribuinte que justifique a cobrança de tais consectários. No mais, após a retificação da autuação, o processo deve permanecer suspenso, até julgamento final do MS nº 2008.61.00.0108340. Por fim, requerse que o presente Recurso Voluntário seja julgado de forma concomitante aos recursos administrativos apresentados nos autos dos PAFs nºs 15504.724095/201207, 15504.723781/201252 e 15504.724094/201254, tendo em vista a conexão entre o objeto do presente processo e dos correlatos. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.723782/201205 Acórdão n.º 2803003.371 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Discutese nestes autos o lançamento relativamente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte patronal, incidentes sobre pagamento de verba de PLR, lançada em folha de pagamento e não incluídos nas GFIPS de filial da empresa. De início, o contribuinte informa que em 07/05/2008 impetrou o MS nº 2008.61.00.0108340, objetivando garantir seu direito líquido e certo de NÃO recolher as contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR aos seus Diretores Estatutários. Contudo, o fato de a matéria estar também em discussão perante o Poder Judiciário, não afasta a possibilidade de o Fisco efetuar o lançamento, notadamente para prevenir a decadência. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura do auto de infração, conforme dispõe o Enunciado nº 03 do CARF. Assim, nesse ponto, não se acolhe o Recurso Voluntário. In casu, restou mais do que evidenciado que o contribuinte, antes mesmo do lançamento, buscou o Poder Judiciário para garantir, segundo seus argumentos, direito líquido e certo de não recolher contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR aos seus Diretores Estatutários. Tal providência, entretanto, implica na denominada concomitância de instância, de que trata a Súmula CARF nº 1, in verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante no processo judicial. Destarte, no que se refere à PLR, tendo em vista a evidente configuração de concomitância de instância, este colegiado está impedido de analisar a matéria. Entretanto, no concernente à discussão da possibilidade de lançamento em relação à multa e juros, não sendo tais matérias objetos da demanda judicial, devem ser apreciadas. Quanto à alegação de impossibilidade de lançamento dos créditos em razão da suspensão da exigibilidade, tal pretensão não merece acolhida. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.723782/201205 Acórdão n.º 2803003.371 S2TE03 Fl. 7 6 O depósito judicial do valor integral crédito tributário apenas elide a incidência de juros e multas, bem como evita a cobrança de tais créditos (art. 151, IV, c/c art. 206, do Código Tributário NacionalCTN), mas não impede a sua constituição para fins de interromper os prazos decadenciais. Quanto o lançamento da multa e juros, os mesmo não são cabíveis, pois, como se pode verificar dos autos, o contribuinte comprova o depósito judicial integral dos créditos tributários, antes mesmo do lançamento fiscal. Ou seja, a suspensão de exigibilidade na forma do art. 151, IV, do CTN, já operava em sua total amplitude, estando a possível dívida garantida. Assim, como acima fundamentado, o depósito judicial dos valores integrais do crédito, inclusive com acessórios moratórios (apenas pelo atraso), elidem a aplicação de juros e multas posteriores. Tal entendimento também está sumulado pelo CARF. No que tange a multa aplicase a Súmula CARF nº 17: Súmula CARF nº 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. No que se refere aos juros, o entendimento deve ser extraído da Súmula CARF nº 5, que apenas admite os juros de mora aplicados sobre os créditos que não foram integralmente pagos, mesmo que com exigibilidade suspensa, mas veda a sua aplicação quando há depósito do montante integral, in verbis: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. No caso em tela, houve o depósito integral dos valores discutidos, antes mesmo do lançamento. Dessa forma, neste ponto, a contribuinte tem razão, devendo ser excluídos do lançamento, a multa de ofício e juros moratórios aplicados ao caso. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. Devem ser excluídos do lançamento, a multa de ofício e juros moratórios aplicados ao caso. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.723782/201205 Acórdão n.º 2803003.371 S2TE03 Fl. 8 7 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902533/2012-70
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/06/2007
INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/06/2007 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 33 /2 01 2- 70 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902533/201270 Acórdão n.º 3801003.529 S3TE01 Fl. 140 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902533/201270 Acórdão n.º 3801003.529 S3TE01 Fl. 141 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor original na data de transmissão de R$21.712,19. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em sede preliminar, a invalidade do ato administrativo por não ter preenchido o requisito com relação à Forma, perdendo o Despacho Decisório o seu objeto; No mérito aduz que a compensação originouse de sobra de valor de COFINS pago a maior e não retificado em DCTF, sendo certo que, persistindo a não homologação do PER/DCOMP apresentado, estará sendo o contribuinte obrigado a pagar tributos duplamente, em flagrante desrespeito à legislação vigente; Tece considerações acerca da ilegalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários e sua inaplicabilidade como índice de atualização de débitos fiscais, fazendo menção a jurisprudência do Judiciário, devendo ser aplicado o percentual de 1% ao mês e sem capitalização, previsto no CTN; Da ilegalidade da multa proposta, fazendo menção a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, para enfatizar o efeito confiscatório da multa exigida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2007 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de invalidade do ato administrativo, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902533/201270 Acórdão n.º 3801003.529 S3TE01 Fl. 142 4 Data do fato gerador: 30/06/2007 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à invalidade do ato administrativo, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação dos valores. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902533/201270 Acórdão n.º 3801003.529 S3TE01 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 2172, cujo período de apuração se deu em 30/06/2007 e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de invalidade do ato administrativo entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, Código de Receita 2172, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902533/201270 Acórdão n.º 3801003.529 S3TE01 Fl. 144 6 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN RFB 900/2008, vigente à época, assim como as alterações posteriores, que disciplinava o procedimento de compensação, previa no seu art. 38 que o tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902533/201270 Acórdão n.º 3801003.529 S3TE01 Fl. 145 7 Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A alegação de que essa multa possui caráter confiscatório não pode ser analisada por este Conselho já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, o que é vedado, conforme entendimento consolidado por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004418/2003-75
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS.
Não tendo o sujeito passivo logrado afastar a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas apurada pela fiscalização, deve ser mantido o correspondente lançamento.
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis.
MULTA OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2801-003.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que davam provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Não tendo o sujeito passivo logrado afastar a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas apurada pela fiscalização, deve ser mantido o correspondente lançamento. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. MULTA OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que davam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2101; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 176 1 175 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004418/200375 Recurso nº 174.647 Voluntário Acórdão nº 2801003.501 – 1ª Turma Especial Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria IRPF Recorrente ISABEL BERTOLINI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Não tendo o sujeito passivo logrado afastar a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas apurada pela fiscalização, deve ser mantido o correspondente lançamento. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. MULTA OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõese a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 44 18 /2 00 3- 75 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19515.004418/200375 Acórdão n.º 2801003.501 S2TE01 Fl. 177 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que davam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 14.193,62, referente ao exercício de 1999, a título de imposto (R$ 5.540,92), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 4.155,69), além de juros de mora (R$ 4.497,01). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício. Em sua impugnação, a contribuinte, em síntese, contesta: a aplicação retroativa da Lei Complementar nº 105/2001; a tributação baseada em movimentação bancária; a cobrança de multa de ofício no percentual de 75%; e a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic. A 6ª Turma da DRJ/São Paulo II/SP, conforme Acórdão de fls. 117/119, julgou procedente o lançamento sob os fundamentos consubstanciados nas seguintes ementas: PRELIMINAR, LANÇAMENTO LASTREADO EM INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA (BASE DE DADOS DA CPMF). IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N° 10.174/2.001. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19515.004418/200375 Acórdão n.º 2801003.501 S2TE01 Fl. 178 3 A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, ou na conta de interposta pessoa. MAJORAÇÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Mantida a majoração no montante de rendimentos tributáveis, nos valores constatados pela fiscalização, correspondentes à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de trabalho com vínculo empregatício e de aposentadoria paga pelo INSS. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. Mantémse a multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o imposto calculado, lançada em estrita consonância com os ditames legais, descabendo à Autoridade Julgadora, no âmbito da instância administrativa, analisar, à luz da Constituição, a alegação da contribuinte no sentido de que a multa de oficio aplicada teria natureza confiscatória. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Havendo previsão legal da aplicação da taxa SELIC, não cabe à autoridade julgadora exonerar a correção. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 23/04/2008 (fl. 130), a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 133/134, em 21/05/2008, apresentando as seguintes razões de defesa: · O auto de infração deve ser cancelado e/ou anulado, isto porque foram prestadas todas as informações justificando as movimentações bancárias realizadas e, por outro lado, não restou provado que referidas movimentações dizem respeito a renda recebida; · A Lei Complementar nº 105/2001 não pode ter efeitos sobre eventos ocorridos em 1998; · O simples depósito de dinheiro em conta não pode servir como prova de renda auferida; · São indevidas as cobranças de multa de ofício de 75% e juros de mora com base na taxa Selic. É o relatório. Voto Fl. 179DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19515.004418/200375 Acórdão n.º 2801003.501 S2TE01 Fl. 179 4 Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, importa esclarecer que, no presente caso, não foi apurada omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, mas apenas omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas que foi identificada nas justificavas prestadas pela contribuinte para comprovar a origem, questionada pela fiscalização, dos depósitos bancários realizados em contas mantidas em instituições bancárias. Em sede de recurso, assim como na fase impugnatória, a interessada nada trouxe a respeito da omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas que lhe foi imputada. Isto é, a recorrente não apresentou qualquer argumento ou elemento de prova no sentido de rechaçar a conclusão da autoridade fiscal no que se refere a esse aspecto. No que tange à tese de que a Lei Complementar nº 105/2001 não pode ter efeitos sobre eventos ocorridos em 1998, impende registrar que o julgamento de recurso especial (Resp n° 1.134.665SP), tramitado sob o procedimento dos recursos repetitivos, decidiu no seguinte sentido: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se Fl. 180DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19515.004418/200375 Acórdão n.º 2801003.501 S2TE01 Fl. 180 5 aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último Fl. 181DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19515.004418/200375 Acórdão n.º 2801003.501 S2TE01 Fl. 181 6 caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: Fl. 182DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19515.004418/200375 Acórdão n.º 2801003.501 S2TE01 Fl. 182 7 "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum , configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. De acordo com o entendimento do STJ, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. Ou seja, a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte anteriores a 10/01/2001, como preconiza a Lei Complementar nº 105/01, sem o crivo do Judiciário, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, porquanto a Lei Complementar nº 105/01, como a Lei nº 10.174/01, não instituem ou majoram tributos, mas apenas dotaram a Administração Tributária de instrumentos legais aptos a promover a agilização e o aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19515.004418/200375 Acórdão n.º 2801003.501 S2TE01 Fl. 183 8 Considerando que a decisão do STJ, acima mencionada, se deu na sistemática prevista no artigo 543C do CPC, devese aplicar o mesmo entendimento ao presente processo administrativo, por força do disposto no caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho. Ademais, deve ser mantida a multa de oficio de 75%, aplicada nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, visto que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração. Isto é, havendo lançamento de ofício, essa multa é devida. A cobrança dos juros de mora, da mesma forma, está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 30 da Lei 9.430 de 1996), portanto, considerase acertada a sua cobrança.. No que tange à aplicação dos juros Selic, cabe trazer à colação a Súmula CARF n° 4, que assim dispõe: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ainda, é oportuno citar a Súmula CARF nº 2, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 184DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 16327.721770/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto e Relatório que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente momentaneamente a Conselheira Nanci Gama.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto e Relatório que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 17/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente momentaneamente a Conselheira Nanci Gama.
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Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto e Relatório que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 17/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente momentaneamente a Conselheira Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foram lavrados, em 13/12/2011, contra a contribuinte Liderprime Administradora de Cartões de Crédito Ltda, atual denominação de Liderprime Empreendimentos Imobiliários Ltda, anteriormente denominada Panamericano Administradora de Cartões de Crédito S/C L: a) o Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$36.524.382,78 (sendo R$ 16.589.249,19 a título da contribuição, R$ 7.493.210,74, a título de juros de mora calculados até 30/11/2011 e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 77 0/ 20 11 -1 6 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.721770/201116 Resolução nº 3102000.313 S3C1T2 Fl. 3 2 R$ 12.441.930,85, a título de multa de ofício 75%), referente aos fatos geradores ocorridos no período entre 31/12/2006 a 31/12/2007 (fls. 122 a 125). A exigência está fundamentada. no art. 1º da Lei nº 9.701, de 1998, nos arts. 2º inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02; art. 18 da Lei nº 10.684, de 30/05/2003; b) o Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$7.929.635,66 (sendo R$ 3.601.611,59 a título da contribuição, R$1.626.815,44, a título de juros de mora calculados até 30/11/2011 e R$2.701.208,63, a título de multa de ofício 75%), referente aos fatos geradores ocorridos no período entre 31/12/2006 a 31/12/2007 (fls. 107 a 110). A exigência está fundamentada no art. 1º e 3º da Lei Complementar nº 07/70; art. 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 26 e 51 do Decreto nº 4.524/02. 1.1.A ciência da autuação ocorreu em 13/12/2011, conforme informa o aviso de Recebimento às fls. 128/129. 1.2. De acordo com o disposto nas folhas de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 124 e 109), a infração apurada referese a “FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO” das contribuições para o PIS e COFINS sob a modalidade não cumulativa. 2.Nos Termos de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 168/173 e 184/190, o auditor fiscal autuante, ao descrever os fatos, informa que: Para fins de apuração da base de calculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS/Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, relativamente aos meses de dezembro de 2006 a dezembro de 2007, o fiscalizado, com base no quanto disposto no artigo 3º da Lei n° 10.637/2002, creditouse de valores referentes a custos e despesas com serviços diversos de Pessoas Jurídicas, utilizados como insumos na prestação de serviços inerentes à sua atividade operacional, que se resume, em suma : (1) na atividade empresarial de administração de cartões de crédito, cujo serviço de intermediação permite aos consumidores adquirir bens e serviços em estabelecimentos comerciais e (2)em efetuar a administração de cartões de créditos de terceiros e outras atividades relacionadas à prestação de serviços voltada ao mercado financeiro; Em resposta a intimação lavrada, após reiteradas solicitações de prorrogações de prazo para prestar os devidos esclarecimentos, apresentou a composição dos valores que foram utilizados para fins de tomar o crédito da COFINS na forma da legislação de regência; Dos exames realizados na documentação apresentada, foi verificado que a composição dos valores relativos aos "Serviços Diversos Pessoa Jurídica" utilizados como insumos para fins dos referidos créditos de COFINS/PIS, estão representados em rubricas contábeis do grupo de encargos administrativos, em sua maioria por valores com a informação "Ajustes manuais" que representam de 85% a 92% do valor total utilizado como base de cálculo de tais créditos; Sob a ótica tributária, são contribuintes da COFINS na modalidade não cumulativa, nos termos da Lei n° 10.637/2002, todas a pessoas jurídicas de direito privado tributadas pelo Imposto de Renda Pessoa Jurídica com base no lucro; Fl. 369DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.721770/201116 Resolução nº 3102000.313 S3C1T2 Fl. 4 3 Em relação à sistemática de apuração do correspondente crédito, estabelece, em síntese, o §3º do artigo 3º da Lei n° 10.637/2002, que a empresa enquadrada no Lucro Real, na modalidade nãocumulativa, poderá descontar créditos da COFINS/PIS de bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (artigo 3º da Lei n° 10.637 de 2003); Entendese como insumos, aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, ou seja as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, sendo os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na prestação de serviço, produção ou fabricação do produto; Sob a égide da legislação tributária, somente podem ser considerados insumos, para fins de utilização de crédito da COFINS, os bens ou os serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, isto é, quando aplicados ou consumidos diretamente nesta, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas, mas tão somente os que efetivamente se relacionem com a atividade fim da empresa, e a sua natureza será um componente (fator) essencial na consecução do objeto, devendo nele ser diretamente empregado; Do cotejo destas disposições com a composição dos valores relativos ás despesas com "Serviços Diversos Pessoa Jurídica" utilizados como insumos, restou verificado que esses valores correspondem a encargos não vinculados diretamente à prestação de serviços; no caso dos créditos constituídos sobre os valores informados sob a rubrica de "Ajustes manuais", o contribuinte não logrou êxito em demonstrar a composição dos mesmos; concluise que os créditos da COFINS constituídos na modalidade não cumulativa, calculados sobre os valores relativos a despesas com "Serviços Diversos Pessoa Juridica" utilizados como insumos, não se encontram revestidos das formalidades exigidas pela legislação tributária contidas no § 3o do artigo 3o da Lei n° 10.637 de 2003, razão pela qual são considerados indedutiveis da base de cálculo dessa exação, conforme demonstrado nos Anexos I e II ao presente (fls. 115/117 e fls. 100/102). 3.Irresignada com o lançamento, a interessada, por intermédio de seus advogados e procuradores (docs. às fls. 152/153), apresentou, em 12/01/2012, a impugnação de fls. 131 a 148, acompanhada dos documentos de fls. 150 a 268. 3.1.Ao descrever os fatos, a impugnante alega que, embora estejam diretamente vinculadas à prestação eficiente dos serviços e à geração de receita da impugnante, entendeu a fiscalização, com base em acusação genérica, que a totalidade dos "serviços utilizados como insumos" declarados em DACON não poderia ser considerada como.insumos e, também que, as razões aduzidas pela fiscalização (...) não merecem prosperar (...) pelo fato de estarem em descompasso com a legislação de regência. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.721770/201116 Resolução nº 3102000.313 S3C1T2 Fl. 5 4 3.2.Após arguir a tempestividade da apresentação da peça de defesa, a contribuinte alega cerceamento do direito de defesa em face da glosa integral dos insumos, nesse sentido argumenta que: a acusação do aproveitamento indevido da totalidade dos créditos é genérica, porquanto não há no TVF a discriminação dos “serviços que justificariam a glosa integral dos insumos na apuração das contribuições sociais. A simples definição do conceito de insumos não tem o condão de validar a glosa arbitrária e infundada; ao proceder à glosa dos totais dos insumos “creditados” a fiscalização estaria a considerar que a impugnante não incorre em custos no exercício de sua atividade, o que seria um absurdo, porquanto é inerente à atividade de emissão e administração de cartões de crédito, a contratação de serviços diversos, visando tanto a captação de novos negócios como a cobrança de débitos decorrente do uso dos cartões de crédito; a fiscalização sequer chegou a analisar ou mencionar quais serviços estariam, ou não incluídos na definição de insumos trazida no TVF e, nesse sentido, a autoridade fiscal estaria infirmando a escrituração contábil da contribuinte, na medida em que desconsidera as contas de resultado que denotam de forma clara a existência de custos necessários à manutenção da fonte produtora, como se depreende da rápida leitura do Balancete Analítico Mensal de dezembro de 2006, cujas contas apresentou, por amostragem, à fl. 135 e abaixo se transcreve: estaria a autuação maculada por vícios de nulidade porquanto o lançamento careceria dos requisitos necessários de liquidez e certeza, reportandose a ementa do acórdão 10708.308; o ônus da prova do fato gerador tributário cabe ao Fisco, devendo no caso de créditos de PIS e COFINS discriminar quais serviços tomados pela impugnante não seriam passíveis de creditamento; resta patente a nulidade da presente autuação, em face do flagrante cerceamento de^ defesa decorrente da glosa integral, dos serviços utilizados como insumos na prestação dos serviços de administração de cartões de crédito. 3.3.Passa então a impugnante à discorrer a respeito do Princípio da não cumulatividade da Contribuição para o PIS e da COFINS, a partir do advento das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Com base nos artigos 155, § 2º, e 153, § 3º, inciso II, da Constituição Federal, registra que a não cumulatividade é o princípio constitucional que garante ao contribuinte o direito de compensar em cada operação, o montante de IPI e ICMS relativo às operações anteriores, o que significa a desoneração Fl. 371DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.721770/201116 Resolução nº 3102000.313 S3C1T2 Fl. 6 5 do efeito cascata na circulação de mercadorias e industrialização de produtos, razão pela qual tais impostos incidem apenas sobre o valor agregado às mercadorias e produtos. 3.3.1. A desoneração (palavra chave do conceito de não cumulatividade) deve também ser empregada à sistemática de apuração das contribuições para o PIS e COFINS e teria por escopo desonerar o faturamento dos contribuinte, aí entendido como a totalidade das receitas auferidas. Entende que havendo o enquadramento de um contribuinte no regime não cumulativo, ele (o regime não cumulativo) deve ser pleno, sem quaisquer restrições à \ tomada de créditos. E conclui a impugnante que: Considerando que as bases de crédito das contribuições devem ser aquelas que, “contribuem à formação da materialidade tributável pela Contribuição ao PIS e pela COFINS, ...”, não há como se negar que deve ser reconhecido o direito ao aproveitamento integral de créditos de PIS e COFINS sobre os valores gastos com serviços. 3.4.Quanto ao direito de descontar créditos de insumos da apuração da Contribuição para o PIS e da COFINS, a impugnante argumenta que: segundo as alterações de contrato social em anexo, no período autuado, a impugnante tinha como objeto social a administração de cartões de crédito de terceiros (emissão de cartões, fixação de limites de crédito, emissão de faturas, realização de consultas, ...); com o intuito de aumentar o volume de suas operações, bem como melhorar a efetividade de suas atividades, a impugnante contrata serviços necessários para a manutenção de sua fonte produtora, tais como serviços de captação de proposta de créditos, por meio do pagamento de comissões, e serviços de cobrança; diante desse cenário, tendo em vista o grande volume das operações abrangidas pela presente autuação, a contribuinte protesta pela posterior juntada de documentos adicionais comprobatórios dos insumos utilizados no desenvolvimento de suas atividades; o direito a créditos decorrentes dos insumos é muito mais abrangente do que exposto pela autoridade fiscal no TVF pela autoridade fiscal, a teor do que dispõe o art. 3º, inciso II, das Leis nºs 10637, de 2002 e 10833, de 2003; a doutrina ressalta que o conceito de insumo trazido na legislação do IPI e ICMS não se aplica para a sistemática da não cumulatividade das contribuições sociais, sendo que todo e qualquer bem e serviço utilizado na fabricação ou na prestação de serviços deve ser considerado insumo para efeito de crédito de PIS e COFINS, reportandose a ensinamentos de Pedro Aran Jr e Ricardo Mariz de Oliveira; o conceito de insumo deve ser entendido como toda e qualquer despesa necesária ao desenvolvimento da atividade da empresa, reportandose a impugnante a trecho de voto e ementas de julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF; o conceito de insumo, contemplado na sistemática não cumulativa da COFINS está relacionado ao fato de determinado bem ou serviço ter sido utilizado, ainda que de forma indireta, na atividade de fabricação do produto ou com a finalidade de prestar um determinado serviço; os serviços adquiridos pela requerente se ajustam perfeitamente a esse conceito de insumo uma vez que se trata de um dispêndio indispensável à atividade da Fl. 372DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.721770/201116 Resolução nº 3102000.313 S3C1T2 Fl. 7 6 Impugnante reportandose ai significado de insumo dado por Natanael Martins (“Assim sendo, a toda evidência 'o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria, contábil, visto que necessário aox processo fabril ou'de prestação de serviços como um todo. É dizer, 'bens e serviços utilizados como.insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços', na acepção da ' lei, referese a todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo'fabril ou de prestação,de serviços, ou seja; insumos seriam aqueles \' bèns e serviços contabilizados como custo de produção, nos termos do art. 290 do Regulamento do Imposto de .Renda”); a própria Receita Federal do Brasil já se pronunciou, por meio da Solução de Consulta.n° 335/2008, da 9a Região Fiscal, a respeito da matéria, concluindo expressamente que os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos locado a terceiros, são, considerados insumos, para fins de creditamento da COFINS na sistemática não cumulativa; da leitura do r. Acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da Quarta Região, cuja ementa encontrase transcrita às fls. 144 a 146, é possível depreender que: Não há paralelo entre o regime nãocumulativo de IPI/ICMS e o de PIS/COFINS, de forma que o conceito de insumo aplicado aos impostos mencionados não se assemelha ao das Contribuições; As hipóteses de crédito para efeito de dedução dos valores das bases.de cálculo do PIS e da COFINS prevêem o aproveitamento de bens e serviços utilizados como insumo na produção ou na fabricação de bens: ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços; Todo insumo deve gerar direito ao crédito integral de PIS e COFINS; Serviços, para efeito de insumo no tocante ao PIS e a COFINS, são considerados aqueles que se destinam à produção, à fabricação de bens ou produtos ou à execução de outros serviços; notícia divulgada pelo periódico “Valor Econômico” dá conta de que a questão já chegou ao Superior tribunal de Justiça tendo 3 (três) Ministros da 2a Turma manifestado entendimento favorável ao aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS decorrentes da aquisição de materiais por se mostrarem essenciais ao processo produtivo; considerando que: (i) todo insumo deve ser considerado na apuração do crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS; (ii) os serviços contratados pela Impugnante são verdadeiro insumo, (iii) o direito ao crédito é pleno e integral, conforme preceitua o princípio da não cumulatividade, concluise que as presentes autuações merecem ser. integralmente canceladas, porquanto inequivocamente comprovada a existência e legitimidade do crédito tributário. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2006, 2007 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Fl. 373DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.721770/201116 Resolução nº 3102000.313 S3C1T2 Fl. 8 7 O Cerceamento de direito de defesa somente ocorre quando o sujeito passivo teve prejudicado seu acesso ao processo fiscal, no qual encontramse as informações que norteiam o lançamento a ser contestado. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. PROVA. A escrituração, mantida com observância da legislação comercial e fiscal, acompanhada da documentação que lhe deu suporte, faz prova a favor do contribuinte. A falta da apresentação da documentação que ampara o registro contábil e que estaria a comprovar a natureza do gasto, da despesa, dá razão à autoridade fiscal para rejeitar o crédito oriundo de alegado insumo. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS COM SERVIÇOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE INSUMOS. GLOSA. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. In casu, sequer ficou provado que as despesas lançadas a título de “Serviços Diversos PJ” referemse a insumos, razão pela qual não podem tais despesas ser admitidas como geradoras de créditos de COFINS. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2006, 2007 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O Cerceamento de direito de defesa somente ocorre quando o sujeito passivo teve prejudicado seu acesso ao processo fiscal, no qual encontramse as informações que norteiam o lançamento a ser contestado. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. PROVA. A escrituração, mantida com observância da legislação comercial e fiscal, acompanhada da documentação que lhe deu suporte, faz prova a favor do contribuinte. A falta da apresentação da documentação que ampara o registro contábil e que estaria a comprovar a natureza do gasto, da despesa, dá razão à autoridade fiscal para rejeitar o crédito oriundo de alegado insumo. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS COM SERVIÇOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE INSUMOS. GLOSA. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. In casu, sequer ficou provado que as despesas lançadas a título de “Serviços Diversos PJ” referemse a insumos, razão pela qual não podem tais despesas ser admitidas como geradoras de créditos de Contribuição para o PIS. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.721770/201116 Resolução nº 3102000.313 S3C1T2 Fl. 9 8 Reitera pedido de nulidade do Auto de Infração por preterição ao direito de defesa. Argumenta que Fiscalização Federal sequer analisou ou mencionou quais custos não estariam incluídos no conceito de insumo, e, ao proceder à glosa pura e simples dos totais dos insumos creditados, terminou por considerar que a empresa não incorre em custos no exercício de suas atividades. Segundo procura demonstrar com balancete analítico mensal de dezembro de 2006, reproduzido no corpo do Recurso Voluntário, incorre em gastos essenciais para o desenvolvimento de sua atividade de cartões de crédito. Cita e transcreve jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais favorável a seu entendimento. Finalmente, que cabe ao Fisco o ônus de comprovar os fatos alegados. No mérito, inicia por tecer considerações gerais sobre o Sistema da Não Cumulatividade das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Traz à discussão fundamentação e princípios que norteiam a incumulatividade, para, na comparação com os critérios e particularidades próprias do ICMS e do IPI, concluir, Assim sendo, se o objeto de tributação da contribuição ao PIS e da COFINS é a totalidade das receitas, evidentemente que a base de créditos para desconto das contribuições deve ser (i) a totalidade dos gastos que contribuem à formação desta materialidade tributável, ou (ii) ao menos a integralidade dos gastos listados nos artigos 3o das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Explica que tinha como objeto social, à época dos fatos, a administração de cartões de crédito de terceiros, compreendendo a emissão dos cartões, fixação de limites de créditos, emissão de faturas, realização de consultas, dentre outras, mediante uma remuneração, denominada tarifa ou taxa de administração, e que, para tanto, contratava serviços necessários para a manutenção de sua fonte produtora, tais como serviços de captação de proposta de créditos, por meio do pagamento de comissões, e serviços de cobrança. Embora tais gastos vinculemse aos serviços prestados, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, observando as disposições normativas veiculadas nas Instruções Normativas 247/02 e 404/04, glosou os créditos correspondentes. Abordando essa questão, cita e transcreve doutrina e jurisprudência administrativa e judicial para demonstrar a impropriedade na equiparação dos critérios de apuração do ICMS e do IPI aos critérios de apuração das Contribuições, especificamente no que diz respeito à amplitude da base de quantificação de créditos do contribuinte. Dentre eles, cita Natanel Martins1. Assim sendo, a toda evidência, o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto que necessário ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo. É dizer, 'bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços', na acepção da lei, referese a todos os 1 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. In PEIXOTO, Marcelo Magalhães (coord.). PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. 832 p. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.721770/201116 Resolução nº 3102000.313 S3C1T2 Fl. 10 9 dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril ou de prestação de serviços, ou seja, insumos seriam aqueles bens e serviços contabilizados como custo de produção, nos termos do art. 2905, do Regulamento do Imposto de Renda. Por fim, contesta a decisão da Delegacia que considerou precluso o direito de apresentação de provas adicionais com vistas à melhor instrução do Processo. Cumpre também atentar que, mesmo precluso o direito na esfera administrativa, o administrado ainda pode se socorrer do Poder Judiciário. Nesse sentido, de nada valeria levar às últimas consequências os efeitos da preclusão, se tudo quanto colacionado aos autos, ainda que posteriormente à Impugnação, demonstrar a inocorrência do fato gerador/da infração tributária, sob pena de ofensa a outros princípios processuais, tais quais a busca pela verdade dos fatos, celeridade e economia processual. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Segundo entendo, há duas grandes questões a serem enfrentadas. Uma diz respeito á instrução probatória do Processo e está diretamente vinculada à preliminar de nulidade alegada. A outra, adentra ao conceito de insumo no Sistema de Apuração Não Cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, diz respeito ao mérito do litígio; mas, ao final, como se verá, tanto quanto a outra, termina, também ela, por influenciar a decisão sobre o ônus da prova. Inicio pela preliminar de preterição ao direito de defesa. Nulidade do Auto de Infração. Preterição do direito defesa. Primeiro, creio que seja necessário esclarecer que, segundo entendimento desse Relator, não se sustenta a afirmação feita em caráter genérico de que “cabe ao Fisco comprovar os fatos alegados”. A comprovação do fato, com se sabe, é ônus de quem alega. A Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa nestes termos a responsabilidade pela instrução probatória. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado; no entanto, não se amolda tão bem a essa máxima, pelo menos não para o efeito que, por vezes, parece que se lhe pretende atribuir. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.721770/201116 Resolução nº 3102000.313 S3C1T2 Fl. 11 10 No campo do direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar consigo os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos que se pretende provar. A guarda não constitui obrigação do Erário e não integra a natureza das relações fiscocontribuinte. De fato, nem mesmo se pode falar em constituição formal do fato constitutivo do direito. A comprovação do fato jurídico tributário, por isso, depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação contábil e fiscal o obriga a produzir e manter ou declare sua ocorrência em declaração prestada à autoridade fazendária. Ainda mais, não nos esqueçamos de que, aqui, discutese o reconhecimento de um direito do contribuinte, por ele pleiteado, e não uma pretensão da Administração Federal. A Recorrente assevera não ter a Fiscalização Federal sequer analisado ou mesmo mencionado quais custos não estariam incluídos no conceito de insumo, glosando a integralidade dos créditos, conduta da qual restou implícita a conclusão de que a empresa não incorre em custos no exercício de suas atividades. Mais uma vez, peço vênia para discordar, liminarmente, da lógica empregada pela Parte e da conclusão final que dela decorre. A glosa de todas as despesas incorridas não está relacionada ao entendimento, nem pela via direta nem indireta, de que a empresa não incorre em custos para o desempenho de suas atividades, mas à falta de demonstração da natureza dos gastos incorridos. Com efeito, os documentos carreados aos autos noticiam ocorrências que podem ser resumidas nos eventos a seguir descritos. Em 12 de janeiro de 2010, a empresa tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização, no qual foilhe solicitado, dentre outros, (folha 6) balancetes mensais em CD/DVD dos anos calendários 2005 a 2007, acompanhados das demonstrações financeiras. Em 22 de setembro de 2011, a empresa foi intimada a apresentar a composição dos elementos especificados nas tabelas elaboradas pela Fiscalização (folha 8 e seguintes). Ditos elementos, nada mais são do que os gastos descritos como “Serviços Diversos PJ”, identificados nos demonstrativos apresentados pelo contribuinte e por ele utilizados na composição da base de cálculo dos créditos contabilizados na apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Em 26 de setembro de 2011, a empresa requereu prorrogação de trinta dias e, em 27 de outubro de 2011, de mais dez dias. Em 08 de novembro de 2011, apresentou a composição dos elementos de gasto para o ano de 2006 e 2007. Os nominados “Serviços Diversos PJ”, as vezes apresentados em um número maior de desdobramentos, as vezes em número menor, estão, de um modo geral, especificados nas seguintes unidades de gastos, conforme documentos apresentados pela Recorrente à Fiscalização Federal2. 100002 8.1.7.57 – Serviços Diversos PJ 817570044850() Estacionamento Avulso/Guarda Veíc. 817570044869() Serviços de mãodeobra temporária 817570044893() Encadernações 2 Essa composição referese ao mês de junho de 2007. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.721770/201116 Resolução nº 3102000.313 S3C1T2 Fl. 12 11 817570044815() Despesas CNAB 817570044823() Serviços Gráficos 817570044840() Serv. Fotográficos (Filme/Ver/Cópia) 817570044858() Serv. Prest. de CréditoPromotoras 817570044882() Serviços Diversos Pessoas Jurídicas 817570045210() Comissão Franquia/Promotora Ajuste Manual A Fiscalização Federal entendeu que esses gastos não estavam diretamente vinculados aos serviços prestados pela empresa, já que, como afirma no Termo de Verificação Fiscal, tratamse de dispêndios representados em rubricas contábeis do grupo de encargos administrativos. Mas não foi só esse o problema identificado. Chamou a atenção o fato de que o valor lançado sob o inesperado título de “Ajuste Manual” representava, sempre, a maior fração dos gastos contabilizados na rubrica Serviços Diversos PJ e era flagrantemente desproporcional aos demais. Vejase o caso exposto junho de 2007. De um total de R$ 16.769.186,58 contabilizados na rubrica (8.1.7.57), R$ 14.929.685,75 o foram sob o título “Ajuste Manual”. Oitenta e nove, vírgula zero três por cento 89,03%. É fato que não percebi nas ações do Fisco um maior empenho com vistas à perfeita identificação destas e de todas as demais despesas/custos contabilizados pelo contribuinte e utilizados na constituição do crédito do qual se apropriou; contudo, como é cediço, a defesa dispunha, até o momento da impugnação ao lançamento, de toda a condição necessária para a apresentação das provas de seu direito. Não o fez. Aliás, quanto a isso, já enfrentado o último argumento expendido em sede de preliminar, percebo que a defesa, estranhamente, insiste em lançar mão de dados que teriam sido extraídos do balancete analítico de dezembro de 2006. Refirome à estranheza, porque o assunto já foi objeto de consideração em primeira instância de julgamento. Reproduzo o que disse o Relator do Processo no Voto que conduziu à decisão objetada. 7.13.Posteriormente, na impugnação, veio a contribuinte, a título exemplificativo, explicitar (“por amostragem”) a composição dos “Servs. Diversos PJ” do mês de dezembro de 2006 (fls. 135). 7.14.Para uma melhor análise, apresentarseá. a seguir, uma planilha comparativa entre a informação prestada pela contribuinte à autoridade fiscal (fls. 18 e 30) e a informação adicional trazida na impugnação (fl. 135) relativamente à composição dos “Servs. Diversos PJ” do mês de dezembro de 2006, no valor de R$ 18.616.007,90 (fl. 18). Denominação da Informação prestada à Imformação trazida Fl. 378DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.721770/201116 Resolução nº 3102000.313 S3C1T2 Fl. 13 12 Despesa Fiscalização (fl. 30) na Impugnação (fl. 135) Estacionamento Avulso/Guarda de Veíc. 5,00 Serviços de Mão de Obra Temporária 671.712,85 1.177.733,43 Encadernações 34,40 Despesas CNAB 81.227,86 Servs. Fotográficos (Filme/Revel/Cópia) 309,10 Serviços Diversos Pessoas Jurídicas 30.127,59 2.286.369,92 Comissão Franquia /Promotora 1.942.597,60 1.949.280,10 Ajuste Manual 15.950.248,68 Despesa de Manutenção e Conservação de Bens 413.883,05 Despesa de promoções e relações públicas 192.856,55 Serviços de cobrança externa 225.661,69 Total = "8.1.7.57 Serviços Diversos PJ" 18.676.263,08 6.245.784,74 7.15.Como se vê, da comparação dos dados apresentados pela própria impugnante, não se encontra sequer coerência dos dados ora trazidos com aqueles anteriormente apresentados à fiscalização. Neste cenário, posso até admitir que seria viável ao Fisco mais algum questionamento adicional a respeito da vinculação entre determinados gastos e os serviços prestados, mas não vejo como se possa falar em preterição ao direito de defesa. A Recorrente não demonstrou, em nenhum momento processual, a menor intenção de esclarecer as dúvidas que sobre si fizeram recair a exigência neste controvertida. Fez pior. Em lugar disso, apresentou dados inconfiáveis, ao mesmo tempo em que se eximiu da obrigação de esclarecer questões que, a toda evidência, lançam sérias dúvidas sobre a lisura dos registros contábeis apresentado (por exemplo, a origem e o significado dos tais gastos lançados sob a denominação “Ajuste Manual”, que representam a quase totalidade dos gastos gerais escriturados como Serviços Diversos PJ). Passo ao mérito. A questão do que deva ser entendido como insumo, na acepção da palavra empregada pelo legislador na regulamentação do Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, não é assunto novo. A Secretaria da Receita Federal, com ninguém desconhece, baixou Atos Normativos interpretando de forma notadamente restritiva o termo insumo identificado nas Leis que regulamentam os critérios de apuração das Contribuições. As Instruções Normativas n.º 247/02 e alterações posteriores e 404/04, definem que, em se tratando de empresas dedicadas à fabricação de bens para venda, insumo é, somente, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e aos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. No caso de empresas prestadoras de serviços, insumo, segundo os Atos Normativos supra, são os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.721770/201116 Resolução nº 3102000.313 S3C1T2 Fl. 14 13 É entendimento majoritário na jurisprudência que vem se formando em segunda instância administrativa de julgamento, que o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições situase em posição intermediária, nem tão restritivo quanto o determinado pelo Fisco, nem tão amplo quanto aquele frequentemente defendido pelos contribuintes. Tem sido admitido o aproveitamento do crédito calculado com base nos gastos incorridos pela empresa com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como pretendem limitar os Atos Normativos supra citados, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Noutro vértice, não têm sido aceitas as despesas associadas à manutenção da atividade empresarial como um todo, sem qualquer vínculo especial com o processo produtivo propriamente dito. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, premissa por detrás das normas editadas pela Receita Federal do Brasil; tanto quanto parece não haver respaldo legal para inclusão de tudo o quanto admite o sistema de apuração do Imposto de Renda, como frequentemente defendem os contribuintes. Esse balizamento, digase, está respaldado, de um lado, nas particularidades do método de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins e, de outro, na interpretação das disposições legais que autorizam a apropriação do crédito. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em conta que a incumulatividade tributária traz em si a ideia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema próprio das Constribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo, terminologia derivada da expressão input, denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em Fl. 380DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.721770/201116 Resolução nº 3102000.313 S3C1T2 Fl. 15 14 detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. É claro que essa interpretação não pode prevalecer. Insumo, tal como definido e para os fins a que se propõe o inciso II do artigo 3º, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente empregado na produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Feito tais necessárias considerações preliminares, passo ao exame do caso concreto. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente defende que a base de formação para cálculo dos créditos na apuração das Contribuições deve ser “(i) a totalidade dos gastos que contribuem à formação desta materialidade tributável, ou (ii) ao menos a integralidade dos gastos listados nos artigos 3o das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Não é difícil concluir, com base em tudo o que até aqui foi exposto, que a primeira hipótese não pode ser aceita. Ainda que se lhe reconheça certo fundamento teórico, não há respaldo para seu acolhimento. Essa conclusão, além de ter influência substantiva na decisão de mérito da lide, significa também que a omissão na instrução do Processo recai mais sobre o contribuinte do que sobre a Fiscalização Federal. Explico. Se de fato todos ou quase todos os gastos do contribuinte gerassem créditos, caberia aos AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento o dever de identificar de forma detalhada e criteriosa quais gastos não estavam compreendidos nessa regra geral. Em sentido contrário, se apenas os gastos diretamente vinculados aos serviços prestados podem gerar crédito, cabe ao contribuinte demonstrar que eles atendem a essa condição. Isto posto, penso que à segunda hipótese deva ser dado especial atenção. Embora a linha de argumentação do contribuinte se tenha, por vezes, inclinado na direção do reconhecimento amplo, geral e irrestrito do direito ao crédito, em diversas ocasiões é reclamado apenas o direito à integralidade dos gastos listados nos artigos 3o das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, sob o argumento de que os dispêndios glosados vinculamse aos serviços prestados e que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento apenas manteve a glosa por força das disposições normativas veiculadas nas Instruções Normativas 247/02 e 404/04, Fl. 381DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.721770/201116 Resolução nº 3102000.313 S3C1T2 Fl. 16 15 expedientes que, como já disse, impõe restrição que não tem sido integralmente observada nas decisões proferidas neste Colegiado. No juízo que tento fazer a esse respeito, embora me sinta confiante em manter a glosa dos valores lançados sob o estranho título “ajuste manual”, não posso dizer o mesmo a respeito das demais rubricas nas quais se desdobram os gastos nominados Serviços Diversos Pessoa Jurídica. Pela própria seqüência de procedimentos antes descritos3, tenho a sensação que uma etapa foi pulada. Data máxima vênia, pareceme que faltou a busca de esclarecimento sobre as demais despesas que integram os Serviços Diversos PJ. Por exemplo, não me sinto seguro em dizer por que razão os Serviços de Mãode Obra Temporária, as Encadernações ou os Serviços Gráficos não foram considerados como diretamente vinculados aos serviços prestados pela empresa. Apenas duas intimações foram feitas. Uma em 12/01/10, solicitando, dentre outros, os balancetes mensais em CD/DVD, acompanhados das demonstrações financeiras. Outra em 22/09/11, solicitando a composição dos gastos descritos pelo contribuinte como “Serviços Diversos PJ”. Como depreendo da cronologia dos fatos, o contribuinte apresentou o que entendia ser a composição destes gastos, como acima descrevi. Sem muita explicação eles foram desconsiderados. Também não obtive êxito em compreender por que a Fiscalização considerou que esses gastos tratamse de dispêndios representados em rubricas contábeis do grupo de encargos administrativos. VOTO por rejeitar a preliminar de preterição ao direito de defesa e pela conversão do julgamento em diligência para que a Fiscalização Federal intime o contribuinte a expor, de forma clara e objetiva, as razões por que considera que os gastos listados na “Serviços Diversos PJ” são dispêndios diretamente vinculados à prestação dos serviços, apresentando documentação probante. Com base nisso, a Fiscalização deverá decidir, de forma fundamentada, sobre cada uma das rubricas representativa dos gastos. Isso feito, abrase prazo de trinta dias para manifestação do contribuinte. Retorne, após, para decisão final. Sala de Sessões, 28 de maio de 2014. 3 Em 12 de janeiro de 2010, a empresa tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização, no qual foilhe solicitado, dentre outros, (folha 6) balancetes mensais em CD/DVD dos anos calendários 2005 a 2007, acompanhados das demonstrações financeiras. Em 22 de setembro de 2011, a empresa foi intimada a apresentar a composição dos elementos especificados nas tabelas elaboradas pela Fiscalização (folha 8 e seguintes). Ditos elementos, nada mais são do que os gastos descritos como “Serviços Diversos PJ”, identificados nos demonstrativos apresentados pelo contribuinte e por ele utilizados na composição da base de cálculo dos créditos contabilizados na apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.721770/201116 Resolução nº 3102000.313 S3C1T2 Fl. 17 16 (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 383DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10073.902046/2009-10
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
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Numero da decisão: 3802-003.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 46 /2 00 9- 10 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902046/200910 Acórdão n.º 3802003.104 S3TE02 Fl. 125 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902046/200910 Acórdão n.º 3802003.104 S3TE02 Fl. 126 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10073.902531/2012-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/08/2007
INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 31 /2 01 2- 81 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902531/201281 Acórdão n.º 3801003.527 S3TE01 Fl. 145 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902531/201281 Acórdão n.º 3801003.527 S3TE01 Fl. 146 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor original na data de transmissão de R$ 17.891,43. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em sede preliminar, a invalidade do ato administrativo por não ter preenchido o requisito com relação à Forma, perdendo o Despacho Decisório o seu objeto; No mérito aduz que a compensação originouse de sobra de valor de COFINS pago a maior e não retificado em DCTF, sendo certo que, persistindo a não homologação do PER/DCOMP apresentado, estará sendo o contribuinte obrigado a pagar tributos duplamente, em flagrante desrespeito à legislação vigente; Tece considerações acerca da ilegalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários e sua inaplicabilidade como índice de atualização de débitos fiscais, fazendo menção a jurisprudência do Judiciário, devendo ser aplicado o percentual de 1% ao mês e sem capitalização, previsto no CTN; Da ilegalidade da multa proposta, fazendo menção a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, para enfatizar o efeito confiscatório da multa exigida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2007 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de invalidade do ato administrativo, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902531/201281 Acórdão n.º 3801003.527 S3TE01 Fl. 147 4 Data do fato gerador: 31/08/2007 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à invalidade do ato administrativo, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação dos valores. É o Relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902531/201281 Acórdão n.º 3801003.527 S3TE01 Fl. 148 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 2172, cujo período de apuração se deu em 31/08/2007 e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de invalidade do ato administrativo entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, Código de Receita 2172, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902531/201281 Acórdão n.º 3801003.527 S3TE01 Fl. 149 6 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN RFB 900/2008, vigente à época, assim como as alterações posteriores, que disciplinava o procedimento de compensação, previa no seu art. 38 que o tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902531/201281 Acórdão n.º 3801003.527 S3TE01 Fl. 150 7 Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A alegação de que essa multa possui caráter confiscatório não pode ser analisada por este Conselho já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, o que é vedado, conforme entendimento consolidado por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 18471.001786/2005-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
PESSOA FÍSICA. CONDIÇÃO DE NÃO-RESIDENTE NO PAÍS.
Não tendo sido apresentada a declaração de saída definitiva do país, a aquisição da condição de não-residente depende da comprovação pelo contribuinte de sua ausência, por mais de doze meses consecutivos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2202-001.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausentes justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano e, momentaneamente, o conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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CONDIÇÃO DE NÃORESIDENTE NO PAÍS. Não tendo sido apresentada a declaração de saída definitiva do país, a aquisição da condição de nãoresidente depende da comprovação pelo contribuinte de sua ausência, por mais de doze meses consecutivos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausentes justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano e, momentaneamente, o conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 17 86 /2 00 5- 14 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Por bem descrever os fatos e os procedimentos que integram os presentes autos, abaixo se transcreve o relatório extraído do Acórdão nº 220201020, proferido pela 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “Tratam os presentes autos de Auto de Infração (fl. 167) relativo à Imposto de Renda Pessoa Física, lavrado em desfavor do ora Recorrente, no montante total de R$ 1.259.063,19 (um milhão, duzentos e cinqüenta e nove mil, sessenta e três reais e dezenove centavos), referente aos anoscalendário de 1999 e 2000 (exercícios 2000 e 2001, respectivamente). No curso da ação fiscal levada a efeito pela Autoridade Administrativa em desfavor de Norberto Rodrigues Duarte, ficou caracterizada movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados pelo referido contribuinte, relativos aos anoscalendário de 1999 e 2000. Cumpre mencionar que, relativo à base de 1999 o contribuinte omitiuse de efetuar a declaração pertinente, valendose ainda, relativamente à base de 2000, de declaração online, autorizada para os contribuintes com rendimento tributáveis até o limite de R$8.000,00. Instado em 16/06/2005 (AR fl. 08) a apresentar os extratos bancários relativos às contas mantidas nas instituições financeiras HSBC e Bradesco o contribuinte apresentou em 29/06/2005 simples declaração (fl. 09) afirmando que não mais residia no país e que em vista disso seria impossível a apresentação dos extratos no prazo estipulado. Informou ainda o contribuinte que já havia providenciado a solicitação dos documentos pendentes à referida instituição financeira, requerendo dilação temporal para o cumprimento de tal exigência. Juntou ao documento apresentado os extratos relativos à instituição financeira HSBC (a qual a movimentação financeira era, segundo termo de constatação fiscal às fls. 153, módica em relação ao outro banco), não comprovando, todavia, sua condição de residente no exterior. Inerte, em 08/08/2005 (AR de fl. 15) o contribuinte foi reintimado a apresentar os extratos bancários relativos à instituição financeira Bradesco, bem como informado de que sem a comprovação de que era nãoresidente no país, para efeitos fiscais, à ele se aplicaria a legislação como se residente fosse. Em atenção à referida intimação o contribuinte, por seu procurador constituído, conforme instrumento de mandato à fl. 17, apresentou à fiscalização (fls. 16 a 38) cópia do passaporte, do cartão de residência permanente (Green Card), bem como da correspondência dirigida ao Banco Bradesco S.A, onde reitera a solicitação dos extratos de suas contas para entrega a fiscalização. Diante de seguidas postergações por parte da fiscalização, para entrega dos extratos, foi expedida diretamente à Instituição Financeira mencionada, Requisição de Movimentações Financeiras (RMF) (fl. 39), a qual, encontrase anexada às fls. 41 a 107. Diante da análise dos referidos extratos, foi novamente intimado o contribuinte à comprovar a origem dos depósitos bancários existentes nas mencionadas contascorrentes, bem como deveria o mesmo identificar os respectivos cotitulares das mesmas. Ficando ainda intimado a apresentar a Declaração de Saída Definitiva do País, tendo em vista que não se caracterizava a condição de nãoresidente do mesmo. Em 14/11/2005 (fl. 111) o contribuinte informou oficialmente que não apresentou Declaração de Saída do País, bem como de que não havia conseguido reunir a documentação comprobatória da origem dos depósitos, informando ainda Fl. 399DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 2802002.914 S2TE02 Fl. 308 3 que solicitara junto ao banco, a informação acerca dos cotitulares das contas correntes. Em 23/11/2005 (fl. 135) e 02/12/2005 (fl. 136) o contribuinte foi reintimado a apontar qual das contas analisadas era conjunta com terceiros, bem como a identificação dos mesmos, não obtendo resposta conclusiva acerca dos fatos. Assim, em 13/12/2005 foi lavrada a autuação anteriormente mencionada, sob a alegação de que o lançamento decorreu da apuração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (vide descrição dos fatos, fls. 168 a 169), aplicandolhe multa de 75%. DA IMPUGNAÇÃO Ato contínuo, em 13/12/2005 (fls. 167), ficou o contribuinte ciente da lavratura do Auto de Infração, ao qual, tempestivamente foi apresentada Impugnação Administrativa (fls. 192 a 201), que restou, resumidamente, assim consignada: É decadente autuação em relação ao anocalendário de 1999 (exercício 2000), tendo em vista que a ausência de declaração é irrelevante para a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150, §4º do CTN, forte a jurisprudência dominante do Primeiro Conselho de Contribuintes; É decadente o lançamento à luz do art. 42 da Lei 9.430/96, em relação ao ano calendário de 2000, uma vez que os fatos que deram origem à pretensão fiscal (depósitos bancários) foram efetuados mês a mês e somados ao final do referido anocalendário, sendo que a interpretação deste dispositivo da legislação (específico para depósitos bancários) elegeu a tributação mensal e definitiva de IRPF; É nula de pleno direito a autuação fiscal combatida face ao fato de que a contacorrente fiscalizada é conjunta, e, portanto, imprescindível a intimação do co titular; O requerente é domiciliado no exterior, de modo que ostenta condição de não residente para efeitos tributários. Ao final, requer o cancelamento total da exigência contra si lavrada, seja pelo acolhimento das preliminares, seja pelas questões de mérito expostas. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A 1ª Turma da DRJ/RJOII, decidiu pela manutenção parcial do lançamento, proferindo Acórdão n° 1317.417 (fls. 232 a 243), de 10 de outubro de 2007, que consignouse assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173,I) PESSOA FÍSICA. CONDIÇÃO DE NÃORESIDENTE NO PAÍS. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Não tendo havido apresentação de declaração de saída definitiva do país, cabe ao contribuinte comprovar a ausência, por mais de doze meses consecutivos, para aquisição da condição de nãoresidente. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. No caso de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e a infração de omissão de rendimentos deverá, necessariamente, ser imputada, em proporções iguais, entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. Lançamento Procedente em Parte. A 1ª Turma da DRJ/RJO II(RJ), entendeu resumidamente que a decadência alegada pelo contribuinte não merece procedência em face da aplicação, ao caso, do art. 173, I do CTN, bem como que o mesmo não comprovou cabalmente que não reside nos país, merecendose sua tratativa fiscal ser aplicada como se residente fosse, e, ainda, afastou a presunção de omissão de rendimentos quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada relativos à contacorrente conjunta nº. 1.850/3 (agência 2.757/0), em face da ausência de intimação do cotitular da referida conta. DO RECURSO De ofício: Em atenção ao regulamentado pela Portaria nº. 3, de 03 de janeiro de 2008, em seu artigo 1º, combinada com as precisões do Decreto 70.235/72, o Presidente da 1ª Turma da DRJ/RJOII, recorreu de ofício da decisão prolatada, nos seguintes termos: ‘Quanto ao crédito tributário exonerado neste acórdão, submetase à apreciação do Egrégio 1° Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações introduzidas pela Lei n° 8.748, de 1993 e Portaria MF 375, de 2001, por força de recurso necessário. A exoneração só será definitiva após o julgamento em segunda instância.’ Voluntário: Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, em 09/04/2008 (AR de fl. 248), o contribuinte apresentou tempestivamente, em 08/05/2008, o recurso de fls. 248 a 253, repisando, em síntese, seus argumentos quanto à decadência da autuação no que tange ao anocalendário de 1999 (exercício 2000) em face da aplicação direta do art. 150, §4º do CTN, bem como frisando ser residente no exterior, mais precisamente nos Estados Unidos da América, acostando aos autos novos documentos que afirma comprovar sua condição de nãoresidente, quais sejam: Declaração emitida em nome de “Celebration School” dando conta de que: Érika Santos Duarte, Leonardo Santos Duarte e Vinícius Santos Duarte freqüentaram tal escola no período de AGO/1998 a MAI/2000 (fl.255); Cópia de Seguro Social Norte Americano do período de 1997 a 2000, emitido em nome de Norberto Rodrigues Duarte (fls. 256 – 258); Comprovante de residência, contrato de leasing de imóvel em nome de Norbeto Rodrigues Duarte do período de 1996 e 1997 (fls. 259 – 267); Fl. 401DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 2802002.914 S2TE02 Fl. 309 5 Ao fim, pugna pelo provimento de seu recurso, requerendo seja negado provimento ao recurso de ofício, cancelandose integralmente a exigência também em relação ao anocalendário de 1999.” De acordo com o dispositivo do Acórdão nº 220201020, fls. 328 a 338, 2º Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção do CARF entendeu por não conhecer do Recurso de Ofício, tendo em vista o limite de alçada. Quanto ao Recurso Voluntário acolheu a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente, declarando extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. Referido Acórdão encontrase assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. Não se conhece de recurso de ofício quando o crédito tributário exonerado for inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), nos termos do art. 1º, da Portaria MF nº 3, de 03 de Janeiro de 2008. Recurso de ofício não conhecido. IRPF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. Tratandose o IRPF de tributo sujeito ao lançamento por homologação, cujo fato gerador é da modalidade complexiva, que se consuma em 31.12 de cada ano calendário, temse que na hipótese de inexistência de antecipação de pagamento do tributo, a contagem do prazo decadencial obedece a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional, cujo dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, iniciando sua contagem em 01.01 após o fato gerador, de modo que para fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1999, tem o início da contagem em 01.01.2000, estando colhidos pela decadência lançamentos tributários posteriores a 01.01.2005. Recurso voluntário provido. Diante dos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, fls. 343 a 345, os membros do Colegiado em referência novamente se reuniram para discutir os argumentos de contradição expostos pelo representante da Fazenda Nacional e, em sessão realizada dia 08 de fevereiro de 2012, para proferir o Acórdão nº 220201.632, do qual se extrai o seguinte dispositivo: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos Declaratórios apresentados para, retificando o Acórdão n.º 220201.020, de 14/03/2011, sanando a contradição apontada, atribuir efeitos infringentes para rejeitar a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente e Fl. 402DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 determinar o sobrestamento do julgamento, nos termos do voto do Relator. Após a formalização do Acórdão o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. A ementa do Acórdão de embargos de declaração encontrase descrita nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Verificada a existência de contradição no julgado, é de se acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional. DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHOS DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. A tributação das pessoas físicas fica sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do anocalendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação, o mesmo se aplica aos ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador, que no caso do imposto de renda pessoa física ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário questionado e que, nos casos de ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte, ocorre no mês da alienação do bem e/ou direito ou pagamento do rendimento. Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS Fl. 403DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 2802002.914 S2TE02 Fl. 310 7 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. JULGAMENTO DA REPERCUSSÃO GERAL PENDENTE. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o Supremo Tribunal Federal também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do artigo 543B do CPC (artigo 62A, § 1º, do RICARF. Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse (artigo 543B, § 3º, do CPC). Argüição de decadência não acolhida. Aguardando nova decisão. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do RICARF, o presente processo foi redistribuído, por sorteio, em 19/03/2014, a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Conforme observou o relator do voto do Acórdão nº 220201.632, proferido em face da interposição de Embargos de Declaração por parte da Fazenda Nacional, após a decisão de primeira instância, o litígio instaurando nos presentes autos se restringia à discussão da decadência e da suposta situação de nãoresidência no Brasil, alegada pelo contribuinte. Na medida em que a primeira discussão ficou superada em razão do afastamento da tese de decadência pela decisão proferida em sede de embargos de declaração, o exame do recurso voluntário ficará restrito à verificação da comprovação do cumprimento da condição de não residente no Brasil. Para se eximir da tributação imposta em razão da constatação de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos/créditos em contas correntes bancárias sem a comprovação da origem dos respectivos recursos, pretende o recorrente que lhe seja reconhecida a condição de nãoresidente no Brasil. O conceito de nãoresidente no País foi definido Instrução Normativa SRF n° 073, de 23 de Julho de 1998, vigente à época da ocorrência do fato gerador, nos seguintes termos: Fl. 404DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Art. 2° Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, considerase: I – residente no Pais, qualquer pessoa física: (...); II – nãoresidente no Pais, qualquer pessoa física: a) que não resida em caráter permanente no Brasil; b) que ingresse no Brasil com visto temporário, até o dia anterior à data da obtenção do visto permanente, se esta ocorrer durante os primeiros doze meses de permanência; c) que ingresse no Brasil com visto temporário, durante os primeiros doze meses de permanência; d) que ingresse no Brasil para prestar serviços como funcionária de órgãos de governo estrangeiro, situados no Pais; e) que houver saído do Brasil em caráter temporário, a partir da data da obtenção do visto permanente em outro pais, se esta ocorrer durante os primeiros doze meses de ausência; t) que houver saído do Brasil em caráter temporário, a partir do primeiro dia subseqüente aquele em que se completarem os doze primeiros meses de ausência, contados da data de sua saída. (...)” A leitura do trecho em destaque revela que se a pessoa física ausentarse do País, em caráter temporário, pelo período de 12 meses, será considerada nãoresidente a partir do primeiro dia seguinte ao referido lapso temporal. Como prova de sua ausência do Brasil o contribuinte apresentou à autoridade fiscalizadora cópia do seu passaporte. Nesse contexto, destaquese que, examinando os vistos que lhe foram concedidos em caráter temporário, a autoridade fiscal elaborou o demonstrativo denominado REGISTROS DE SAÍDA DO TERRITÓRIO NACIONAL, fls. 137/138 (fls. 143/144 processo digital), do qual se observa que desde a primeira entrada conhecida no território norte americano (30/12/1994) até a aquisição do visto permanente pelo contribuinte (em 26/07/2000) ocorreram 31 (trinta e um) registros de entrada nos Estados Unidos da América, praticamente nas cidades de Miami e Orlando. Em outras palavras, isso significa dizer que, em média, o contribuinte desembarcou naquele país a cada dois meses e cinco dias. Diante de tantos deslocamentos destinados ao território norteamericano fica prejudicada a tentativa do contribuinte em demonstrar que, apesar de não haver requerido a certidão negativa para saída definitiva do País, estaria sujeito às regras de tributação previstas para as pessoas físicas nãoresidentes no Brasil a partir do décimo terceiro mês de sua ausência. Não se trata, pois, de simples presunção, conforme pretende o recorrente direcionar a discussão do fato constatado pela autoridade fiscal a partir dos vistos apostos no passaporte examinado. Outros documentos também foram apresentados pelo contribuinte, quer à época das verificações fiscais, quer após a instauração do litígio administrativo fiscal, com a intenção de comprovar a sua condição de nãoresidente no Brasil. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 2802002.914 S2TE02 Fl. 311 9 Em que pese tais documentos indicarem as relações jurídicas mantidas pelo contribuinte durante sua permanência no país estrangeiro, à vista dos diversos deslocamentos por ele realizados àquele país, conforme se destacou anteriormente, esses documentos não conseguem certificar a ausência do Brasil pelo período de tempo de doze meses, condição legal imperativa. Portanto, uma vez constatada a não apresentação de declaração de saída definitiva do País, correta a conclusão da decisão recorrida no sentido de que cabe ao contribuinte comprovar a ausência, por mais de doze meses consecutivos, para aquisição da condição de nãoresidente, prova esta não realizada nos autos. Voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 406DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10920.911126/2012-25
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 26 /2 01 2- 25 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911126/201225 Acórdão n.º 3801003.323 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911126/201225 Acórdão n.º 3801003.323 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911126/201225 Acórdão n.º 3801003.323 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911126/201225 Acórdão n.º 3801003.323 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911126/201225 Acórdão n.º 3801003.323 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911126/201225 Acórdão n.º 3801003.323 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911126/201225 Acórdão n.º 3801003.323 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911126/201225 Acórdão n.º 3801003.323 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10660.905883/2011-97
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 83 /2 01 1- 97 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905883/201197 Acórdão n.º 3803006.045 S3TE03 Fl. 163 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 176.600,36. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 7 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 5 de dezembro do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905883/201197 Acórdão n.º 3803006.045 S3TE03 Fl. 164 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905883/201197 Acórdão n.º 3803006.045 S3TE03 Fl. 165 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905883/201197 Acórdão n.º 3803006.045 S3TE03 Fl. 166 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 19515.720671/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se ao lançamento reflexo o quanto decidido sobre o lançamento que lhe deu origem, por terem suporte fático comum.
INCORPORAÇÃO REVERSA. INOPONIBILIDADE AO FISCO. GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS.
As operações estruturadas entre partes relacionadas, visando um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto, indicam também uma causa jurídica única e devem ser examinadas em conjunto. Para se aferir o limite às operações de planejamento tributário, é preciso indagar se existe motivo para a realização do ato ou negócio jurídico, se o motivo é extra-tributário e se o motivo seria suficiente para a realização do negócio nos moldes que foi feito. Na incorporação reversa, se a mudança no ramo de atividade da empresa evidencia que o objeto social predominante após a incorporação é o da empresa incorporada e não o da incorporadora, devem ser afastadas as razões negociais alegadas como suporte à incorporação da controladora pela controlada. Inexiste propósito negocial apto a justificar a incorporação de uma controladora superavitária por uma controlada deficitária, quando o único efeito prático verificado com a incorporação reversa foi o aproveitamento imediato do prejuízo fiscal acumulado, o qual deve ser glosado.
MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO.
A sucessão dos atos, a proximidade temporal entre eles e, especialmente, o retorno ao status quo ante revelam a falta de intenção real de incorporar, de fato, a empresa superavitária, evidenciando que o conjunto de operações realizadas foi articulado, dolosamente, entre pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico com o único propósito de reduzir a tributação sobre os lucros do grupo.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.
Numero da decisão: 1202-001.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância, vencido o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao principal e quanto à multa de ofício qualificada, vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos a relatora e o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo. Designado o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima para redigir o voto vencedor nessa parte. Após proclamado o resultado do julgamento, foi levantada, pelo patrono do contribuinte, questão de ordem quanto à aplicabilidade do art. 112 do CTN ao caso, que foi negada.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Gilberto Baptista e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se ao lançamento reflexo o quanto decidido sobre o lançamento que lhe deu origem, por terem suporte fático comum. INCORPORAÇÃO REVERSA. INOPONIBILIDADE AO FISCO. GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS. As operações estruturadas entre partes relacionadas, visando um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto, indicam também uma causa jurídica única e devem ser examinadas em conjunto. Para se aferir o limite às operações de planejamento tributário, é preciso indagar se existe motivo para a realização do ato ou negócio jurídico, se o motivo é extra-tributário e se o motivo seria suficiente para a realização do negócio nos moldes que foi feito. Na incorporação reversa, se a mudança no ramo de atividade da empresa evidencia que o objeto social predominante após a incorporação é o da empresa incorporada e não o da incorporadora, devem ser afastadas as razões negociais alegadas como suporte à incorporação da controladora pela controlada. Inexiste propósito negocial apto a justificar a incorporação de uma controladora superavitária por uma controlada deficitária, quando o único efeito prático verificado com a incorporação reversa foi o aproveitamento imediato do prejuízo fiscal acumulado, o qual deve ser glosado. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. A sucessão dos atos, a proximidade temporal entre eles e, especialmente, o retorno ao status quo ante revelam a falta de intenção real de incorporar, de fato, a empresa superavitária, evidenciando que o conjunto de operações realizadas foi articulado, dolosamente, entre pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico com o único propósito de reduzir a tributação sobre os lucros do grupo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância, vencido o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao principal e quanto à multa de ofício qualificada, vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos a relatora e o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo. Designado o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima para redigir o voto vencedor nessa parte. Após proclamado o resultado do julgamento, foi levantada, pelo patrono do contribuinte, questão de ordem quanto à aplicabilidade do art. 112 do CTN ao caso, que foi negada. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Gilberto Baptista e Orlando José Gonçalves Bueno.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. Inexiste alteração dos critérios jurídicos ou fáticos do lançamento, ou cerceamento de defesa, quando a decisão recorrida se limita a justificar o não acolhimento dos argumentos trazidos pelo contribuinte em sua defesa, sem aperfeiçoar o lançamento. INCORPORAÇÃO REVERSA. INOPONIBILIDADE AO FISCO. GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS. As operações estruturadas entre partes relacionadas, visando um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto, indicam também uma causa jurídica única e devem ser examinadas em conjunto. Para se aferir o limite às operações de planejamento tributário, é preciso indagar se existe motivo para a realização do ato ou negócio jurídico, se o motivo é extra tributário e se o motivo seria suficiente para a realização do negócio nos moldes que foi feito. Na incorporação reversa, se a mudança no ramo de atividade da empresa evidencia que o objeto social predominante após a incorporação é o da empresa incorporada e não o da incorporadora, devem ser afastadas as razões negociais alegadas como suporte à incorporação da controladora pela controlada. Inexiste propósito negocial apto a justificar a incorporação de uma controladora superavitária por uma controlada deficitária, quando o único efeito prático verificado com a incorporação reversa foi o aproveitamento imediato do prejuízo fiscal acumulado, o qual deve ser glosado. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. A sucessão dos atos, a proximidade temporal entre eles e, especialmente, o retorno ao status quo ante revelam a falta de intenção real de incorporar, de fato, a empresa superavitária, evidenciando que o conjunto de operações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 71 /2 01 1- 80 Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 3 2 realizadas foi articulado, dolosamente, entre pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico com o único propósito de reduzir a tributação sobre os lucros do grupo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento reflexo o quanto decidido sobre o lançamento que lhe deu origem, por terem suporte fático comum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância, vencido o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao principal e quanto à multa de ofício qualificada, vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos a relatora e o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo. Designado o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima para redigir o voto vencedor nessa parte. Após proclamado o resultado do julgamento, foi levantada, pelo patrono do contribuinte, questão de ordem quanto à aplicabilidade do art. 112 do CTN ao caso, que foi negada. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Gilberto Baptista e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase voluntário do contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente o lançamento de IRPJ e CSLL, com multas de ofício de 150%. Por economia processual e com a vênia do colegiado, transcrevese o relatório da decisão recorrida. O interessado foi autuado, em 28/07/2011, por falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL decorrente de compensação indevida de prejuízo fiscal e de base negativa no anocalendário de 2007, em razão de os respectivos saldos apurados até 30/04/2006 terem sido glosados pela fiscalização, que constatou que a cisão parcial de sua excontroladora e respectiva versão da parte cindida ao interessado (incorporação às avessas) foram simuladas, tendo sido exigido um crédito tributário total de R$ 13.237.241,22, incluindo imposto, contribuição, multas qualificadas de 150% e juros de mora calculados até 30/06/2011 (fls. 1 a 270). Os Termos de Verificação n.ºs 1 e 4 (TVS) apontam (fls. 245 a 258): “(...) INCORPORAÇÃO REVERSA OU ÀS AVESSAS GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS. (...) b) Incorporação pela fiscalizada da parte cindida da empresa ALSTOM BRASIL LTDA., CNPJ n° 44.682.318/000175: A análise da documentação apresentada pela empresa mostrou que a mesma procedeu, no período base sob fiscalização, à incorporação de parte cindida da empresa ALSTOM BRASIL LTDA., CNPJ n° 44.682.318/000175, obrigando a verificação da regularidade dessa operação, sendo solicitada a documentação do evento de cisão parcial/incorporação, conforme Termo de Intimação .... A verificação dos balancetes, com os valores das operações da empresa sob fiscalização mostrou que, na data de 30/04/2006, esta incorporou o patrimônio resultante da cisão parcial feita pela empresa ALSTOM BRASIL LTDA., CNPJ n° 44.682.318/000175, a qual prosseguiu suas atividades com a parcela da citada cisão que não foi incorporada pela fiscalizada. A citada incorporação foi feita com base em "PROTOCOLO E JUSTIFICAÇÃO DE CISÃO PARCIAL DA ALSTOM BRASIL LTDA. E INCORPORAÇÃO DE ACERVO LÍQUIDO CONTÁBIL POR ALSTOM BRASIL ENERGIA E TRANSPORTE LTDA." e "LAUDO DE AVALIAÇÃO" emitido pela empresa GSRA Consultoria Empresarial S/C Ltda., assinado pelo Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 5 4 contador Sr. Alexandre Tróia Menezes da Silva, CRC/SP 1SP180606, datado de 01/05/2006, com registro na JUCESP em 25/05/2006 (fls. ). A incorporada apresentou ... DIPJ do evento Cisão Parcial, retificadora, na data de 17/04/2008 ... do período de 01/01/2006 a 30/04/2006 (fls. — ). ... constatado que a empresa considerada incorporada no processo é a detentora da totalidade de todas as cotas patrimoniais menos uma da empresa considerada incorporadora sendo, portanto, controladora da mesma, valendo R$ 53.873.319,11 o seu investimento na controlada na data do evento, como pode ser comprovado na página dois do Laudo de Avaliação (fls. —). A controladora fez, no período sob fiscalização, aporte de capital na controlada, no valor de R$ 22.900.000,00, conforme 5ª Alteração do Contrato Social, datada de 28/03/2006, formalmente registrada na JUCESP Protocolo 277513/066, aumentando o capital social de R$ 57.100.000,00 para R$ 80.000.000,00 (fls.). Portanto a controlada apresentava redução patrimonial de R$ 26.126.680,89, na data do evento, configurandose como empresa deficitária, considerando a equivalência patrimonial na controladora. Na outra mão, a controladora mostrou na DIPJ do evento de 30/04/2006 Lucro Real de R$28.920.196,45, com Lucros Acumulados e/ou Saldo à Disposição da Assembléia de R$67.062.871,06, nessa data, conforme fichas 09 A, linha 49 e 37 A, linha 36 (fls. — ). No entanto a empresa incorporadora nessa operação é a controlada e deficitária, que trazia na data de 31/12/2005 um total de Prejuízos Acumulados na sua contabilidade no valor de R$54.618.673,05, convertendose esse resultado contábil em Lucros Acumulados e/ou Saldo à Disposição da Assembléia no valor de R$ 22.388.033,12 no Balanço Patrimonial de 31/12/2006, conforme ficha 37 A, linha 36 da DIPJ/2007 .... Confirmandose, por meio dessa demonstração, o fato da transformação da fiscalizada, chamada de incorporadora, de empresa deficitária em empresa lucrativa, com futuros lucros compensáveis com prejuízos de períodos anteriores. c) Da simulação operada no evento e dos seus efeitos: Em resumo, a incorporadora nesse evento é uma empresa deficitária carregada de Prejuízos Fiscais, em teoria compensáveis com futuros lucros apurados após a incorporação, com a permissão do Art. 514 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000/99 (RIR/99), sendo controlada pela incorporada, empresa lucrativa, cuja anexação Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 6 5 certamente trará lucros, que serão compensados com os prejuízos oriundos da incorporadora. O resultado é evidente simulação chamandose a controlada de incorporadora, quando de fato é a incorporada e a controladora de incorporada, quando de fato é a incorporadora, com o objetivo de conseguir mediante esse artifício o aproveitamento dos prejuízos fiscais da incorporada de fato, vedados não fosse essa simulação. A relação sucedida/sucessora foi alterada e invertida mediante artifício ardiloso cujo resultado é o pretenso enquadramento da operação em beneficio da ... fiscalizada, de fato incorporada e sucedida e não incorporadora e sucessora, tendo seus prejuízos impedimento legal para a compensação. A existência de contrato, protocolo e outros documentos, que supostamente dariam direito a essa inversão, não podem ter seus efeitos levados em consideração, porque são produtos de contratação entre pessoas jurídicas estritamente ligadas, sendo uma controladora quase total da outra, com mesma atividade e até mesmo nome nas razões sociais. Havendo ainda que considerar o fato da inexistência de motivação plausível do ponto de vista negocial para a efetivação da cisão/incorporação, promovida pela fiscalizada e sua controladora, restando apenas como motivação o ganho tributário que seria obtido por meio dessa engenharia tributária, sendo a forma utilizada simulação, cujo único objetivo é a obtenção de ganho tributário e o conteúdo dessa operação todo motivado pelo referido ganho. Enquadrandose a operação como infração prevista no Art. 514 do ... RIR/99 ...: Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei n° 2.341, de 1987, art. 33). Dessa forma, cumpre desconstituir, com fundamento no § único do Art. 116 da Lei 5172/66 (CTN), a nomenclatura e a ordem incorporativa do evento, atribuídas em seu benefício pelo contribuinte, considerando para efeitos fiscais que a íncorporadora é, de fato e de direito, a incorporada e vice versa, efetuando a glosa do saldo de Prejuízos Fiscais e Base Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da fiscalizada, ficando a mesma desautorizada a compensálos. [omissis] e) Da simulação e seus efeitos legais e tributários: [omissis] A simulação operada pela autuada irá gerar no futuro as condições previstas nos Arts. 71 a 73 da Lei 4502/64, de sonegação, fraude e conluio, definidos nesses dispositivos legais, Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 7 6 ao aproveitarse de saldos de Prejuízos Fiscais e Bases Negativas da CSLL, com infração a essa legislação, além da legislação tributária. f) Glosa dos Prejuízos Fiscais e Base Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL: Em face do exposto e do fato que a empresa apresentou Prejuízo Fiscal e Base Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no período compreendido entre 01/01/2006 e 30/04/2006, esses valores serão somados aos saldos existentes em 31/12/2005, sendo as somas resultantes objeto de glosa, reduzindose seus saldos a zero, pela impossibilidade, legalmente declarada pelo citado Art. 514 do RIR/99, de compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo da CSLL da empresa incorporada, no caso a fiscalizada. g) Intimação: Fica o contribuinte intimado a proceder à glosa do total dos saldos de Prejuízos Fiscais e Base Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL registrados respectivamente nos seus livros de Apuração do Lucro Real LALUR e de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido LACOS, ZERANDO o saldo dos mesmos, na data de 30/04/2006, em face da impossibilidade legal da sua compensação com lucros futuros. (...) ADOS FATOS: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO. (...) e) Compensação indevida de Prejuízos Fiscais e Base Negativa da CSLL efetuada em 2007 pela empresa fiscalizada: O exame da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, apresentada pela fiscalizada para o ano calendário de 2007, mostrou que houve compensação de R$19.337.961,51 de Prejuízos Fiscais de Períodos Base Anteriores e R$19.346.477,75 de Base Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, também de períodos base anteriores. Ocasionando redução indevida da base tributável dos dois tributos, em face de haverem tais valores sido obtidos pela aplicação de 30% sobre os valores do Lucro Real e da Base de cálculo da CSLL apuradas na DIPJ/2008, ano base 2007, ou seja, R$ 64.459.871,71 e R$ 64.488.259,12, conforme a legislação tributária, se existissem Prejuízos Fiscais e Bases Negativas da CSLL para serem compensados. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 8 7 Os valores compensados pelo contribuinte não levaram em consideração os efeitos das glosas dos Prejuízos Fiscais e Bases Negativas da CSLL e foram lançados considerando a possibilidade legal de compensar até 30% do Lucro Real e da Base da CSLL com Prejuízos de períodos anteriores. Pelo exposto acima encontramse ZERADOS os prejuízos e bases negativas da CSLL anteriores à data de 30/04/2006 do evento irregular de incorporação e ZERADO o prejuízo e a base negativa da CSLL do período de 2006 pela autuação fiscal anteriormente mencionada. f) Exigência dos tributos não recolhidos em face das compensações indevidas, com aplicação da multa de oficio majorada: Os valores das compensações indevidas, retirados das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, deverão ser submetidos à tributação desses tributos, sendo desse modo exigidos, pela lavratura de Auto de Infração, com os acréscimos dos juros legais e da multa de oficio majorada pela ocorrência, em tese, de Crime contra a Ordem Tributária, previsto no Art. 2º, I, da Lei 8137/90. A citada majoração da multa de oficio fundamentase no fato de ter o contribuinte se exonerado do pagamento de tributo com base em alteração societária elaborada com simulação, denominandose de incorporadora a empresa de fato incorporada e viceversa, pretendendo fazer valer para compensação com futuros lucros os Prejuízos Fiscais e as Bases Negativas da CSLL da empresa que chamou de incorporadora, a qual os fatos mostraram ser a incorporada, sendo em face disso vedada a compensação desses valores, com base na legislação citada no item b, acima. (...)”Os TVS apontam, também, que foram infringidos os dispositivos a seguir: arts. 514, 246 a 250, 251 a 274, 275, 276, 509 a 512, 541 a 543, 808 a 826, 835, 840 e 841, 844 e 845, 905 e 906, 910 a 926, 927 e 928, 957, inciso II, 985 a 987 e 992, todos do RIR/99, § único do art. 116 do CTN, e arts. 71, 72 e 73 da Lei 4502/64. Os autos de infração constam as fls. 259 a 270. Os formulários FAPLI e FACS constam às fls. 275 a 280. Os extratos de compensação de prejuízo fiscal e base negativa do SAPLI constam às fls. 281 a 288. O interessado apresentou impugnação, em 29/08/2011 (fls. 290 a 331), por meio de seus advogados (fls. 331 a 358), acompanhada de cópias de elementos (fls. 359 a 799). Relaciona seus setores de atividades (produção de equipamentos e prestação de serviços), a saber: 1 "Power", geração de energia elétrica; Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 9 8 2 "Transport", metroferroviários; 3 "T&D", transmissão e distribuição de energia elétrica; 4 "Marine", navios de cruzeiro e carga; e 5 Power Conversion", equipamentos elétricos industriais. Descreve os seguintes fatos relacionados ao grupo francês Alstom, de 2001 em diante: 1 a partir de fins de 2001, a recessão e os atentados de 11 de setembro afetaram o mercado de infraestrutura e turismo; além disso, surgiram dificuldades financeiras decorrentes de alguns negócios malsucedidos do grupo Alstom (falência da Renaissance Cruises, que resultou na devolução de 8 navios de cruzeiro por conta de um financiamento do tipo vendor's financing; problemas de performance em turbinas a gás de alto rendimento GT24/26, cuja tecnologia foi adquirida na consolidação do Setor "Power"; e problemas na manutenção de trens no Reino Unido), que levaramno a vender ativos, por volta de 2003; 2 o governo francês ofereceu um “pacote” de ajuda que, conforme a legislação da União Européia, deveria ser aprovado pela Comissão Européia, o que se deu em julho de 2004, por meio da decisão da Comissão de 07/07/2004 (processo 2005/418/EC Doc. 3), condicionada ao cumprimento de certas exigências: venda de ativos; formação de uma jointventure (50%/50%) para os negócios "Hydro" do setor "Power" (geração de energia hidroelétrica). A esse respeito, lêse na decisão da Comissão Européia (em tradução livre): "(97) A França também se compromete quanto à constituição uma jointventure com um sócio, em que a Alstom deterá controle conjunto, e será titular de no máximo 50% do capital, que cobrirá as atividades da Alstom "Hydro Power" (...)"; 3 o grupo Alstom, em seu relatório de 2004, noticiou essa decisão, com destaque para a criação da jointventure para as atividades "Hydro" (Doc. 4), em tradução livre: "Aprovação de compromissos pela Comissão Européia O regular procedimento iniciado pela Comissão Européia em Setembro de 2003 e concluído em 07 de Julho de 2004 com a aprovação pela Comissão Européia de nossos pacotes econômicos. Como parte da aprovação, nós nos comprometemos a não fazer aquisições no Setor de Transportes dentro da Área Econômica Européia nos próximos 4 anos, e de dispor de negócios, cujo montante é de aproximadamente 1,5 bilhões de Euros em vendas. Metade do compromisso de alienação será completado pela venda das seguintes atividades: Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 10 9 • Nossas atividades de frete de locomotiva em Valência, Espanha (alienação completada em 31 de Março de 2005) • Nosso Setor de Atividades de Transporte na Austrália e Nova Zelândia (acordo vinculativo assinado em 02 de Junho de 2005) e; • Nossos empreendimentos em caldeiras industriais, que é parte de nosso Power TurboSystems/Setor de Energia Ambiental (disposição em andamento) Os negócios remanescentes para concretização de nosso Compromisso, que representam 800 milhões de euros em vendas anuais oriundas de atividades nãoespecificadas do exercício fiscal de 2002/03 está parcialmente coberto pela venda de nosso setor de TI e Produtos Industriais na Austrália (representando 103 milhões em vendas no ano fiscal de 2002/03) e pela alienação da FlowSystems activities (representando 131 milhões de euros em vendas em 2002/03) Além disso, iniciamos a alienação de nossas atividades de Conversão de Energia com vendas de 592 milhões de euros no ano fiscal de 2002/03 (incluindo transações entre companhias). A realização de todas as alienações completadas, ou em andamento deve ser suficiente para cumprir a o Compromisso firmado perante a Comissão Européia, cujo escopo era a disposição de algumas atividades industriais. Também concordamos em entrar em uma '5050 joint venture', em nossas Atividades Hídricas. Por fim, nos comprometemos a concluir as parcerias industriais dentro de um período de 4 anos com relação a uma significativa parte de nossas atividades, para garantir nosso desenvolvimento futuro'. 4 a aprovação desse “pacote” foi noticiada por órgãos da imprensa internacional, como a rede britânica BBC (Doc. 5). A impugnante alega, em resumo, que: 1 não há qualquer prova, seja da simulação, seja da dissimulação, havendo apenas a alegação de que seria deficitária enquanto sua controladora seria superavitária, à época dos eventos societários; ou seja: há, apenas, presunção de simulação; 2 não há, no direito brasileiro, qualquer norma que permita presumirse que incorporação de controladora superavitária por controlada deficitária constitua simulação; a jurisprudência administrativa proclama não ser vedado esse tipo de operação; em resumo: é possível, em tese, que uma incorporação "às avessas" seja simulada, mas tal operação não autoriza presumir que houve simulação, pois esse tipo de operação não é proibido por qualquer norma; portanto, a simulação exige sua clara demonstração, pela fiscalização; Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 11 10 3 a manutenção da exação, em casos de simulação, só foi possível diante de ações fiscais aprofundadas, que buscaram indícios numerosos e convergentes; a total carência de provas deste caso é evidenciada pelo seu cotejo com aqueles, como por exemplo, o RE 946.707RS e o Acórdão CSRF/0102.107; 4 havia propósito negocial para a reorganização societária em tela pois, para formar a jointventure seria necessário segregar as atividades Hydro" das demais; assim, foram as exigências da União Européia que levaram à operação ora questionada, internamente denominada "Projeto Harmony"; 5 antes de o Projeto Harmony ser acionado no Brasil, a Alstom Brasil desempenhava todas as atividades do setor "Power", isto é, atividades "Hydro", de energia hidroelétrica, e "NonHydro", de geração de energia por outros meios, como termoelétrica, além de outros setores, como "Transport" (20ª alteração do contrato social Doc. 6); 6 o projeto Harmony resultou na cisão parcial da Alstom Brasil, para a formação da jointventure com a empresa francesa Bouygues, ocorrida em setembro de 2006 (Doc. 8), de modo que a cisão da Alstom Brasil (uma das operações consideradas simuladas) tinha por único objetivo separar as atividades "Hydro" das atividades "NonHydro", conforme o Protocolo de Justificação, de maio de 2006 (Doc. 7): “4. A presente proposta de cisão parcial da HYDRO [Alstom Brasil], com versão de parcela do seu patrimônio para a ABR [Impugnante], decorre de reestruturação societária e operacional conduzida pelo grupo em nível mundial, com o propósito de segregar determinadas linhas de negócios em pessoas jurídicas distintas”. 7 em conseqüência da cisão, o objeto social da Alstom Brasil foi alterado, a fim de abranger apenas as atividades "Hydro", conforme item III da 20ª alteração do seu contrato social (Doc. 6): "Em decorrência da aprovação da cisão parcial desta Sociedade, foi deliberada a alteração do objeto social da Sociedade de forma a excluir do mesmo as atividades relacionadas às áreas transferidas a ABr, quais sejam, os setores Transport, dedicado à produção de bens e serviços relacionados ao mercado de transporte metroferroviário, e Power Service, dedicado a prestação de serviços e fornecimento de equipamentos para a operação, manutenção, assistência técnica e melhora de desempenho de centrais de geração de energia e parcela não Hydro do Setor Power Turbo System/Power Environment, dedicado à produção de bens e prestação de serviços relativos à geração de energia elétrica, exceto equipamentos e serviços ligados à geração de energia hidrelétrica, [Businesses ERP (Caldeiras); ECS (Controle Ambiental) e Turbo, dedicados a produção e fornecimento de equipamentos e serviços de relativos a caldeiras, sistemas de controle ambiental e geração de energia Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 12 11 termoelétrica]. Assim, tornase necessária a alteração da cláusula 2ª do Contrato Social que tinha a seguinte redação:" 8 no mesmo ato, a Alstom Brasil alterou sua denominação social para Alstom Hydro Energia Brasil Ltda. e sua sede para Av. Carlos Schneider, s/n, Taubaté, São Paulo; 9 a versão do acervo cindido foi decorrência natural desse processo, vez que esta era a única empresa do grupo no Brasil que tinha condições de levar adiante as atividades "NonHydro", antes desempenhadas pela Alstom Brasil, sendo que até a versão do acervo cindido tinha razões negociais, pois: existe há cerca de 40 anos (Doc. 9), faz parte do grupo desde 2001 (Doc. 10), e estava regularmente inscrita no CNPJ e no CREA, o que tornava descabida a constituição de uma nova empresa; e apresentava, à época, saúde financeira que a permitia assumir as atividades cindidas, e inclusive participar de licitações, conforme seu balanço (Doc. 11); denominavase, até março de 2006, Alstom ELEC Equipamentos Elétricos Ltda., passando a Alstom Brasil Energia e Transporte Ltda., conforme a 5ª alteração do contrato social (Doc. 12); “Como preparativo para a reorganização que ocorreria dois meses depois ... teve seu contrato social alterado, a fim de que pudesse acolher as novas atividades "Hydro"” (sic); 10 tinha o seguinte objeto social original: "CLÁUSULA 2ª OBJETO A Sociedade tem por objeto: i) projetar, reparar, recondicionar e montar manufaturados, estruturas metálicas, máquinas hidráulicas, térmicas, elétricas, bem como peças de reposição e acessórios, fabricar aparelhos em geral, maquinários, complementos e acessórios elétricos conexos à produção de energia elétrica, podendo, ainda, comercializar, representar ou exportar no ramos das atividades supra mencionadas; ii) participação em quaisquer outras sociedades como sócio, quotista ou acionista". 11 por meio da 5ª alteração de contrato social, foram acrescidas diversas atividades ao seu objeto social, sem supressão ou substituição de suas atividades pelas atividades da Alstom Brasil; eis a redação da cláusula 2ª do seu contrato social, com destaque para suas atividades originais, que foram mantidas (um absurdo, caso se tratasse de uma incorporação simulada!), conforme a 5ª alteração do seu contrato social (Doc. 12): "CLÁUSULA 2ª OBJETO A Sociedade tem por objeto: i) projetar, fabricar, reparar, recondicionar. modernizar, montar. comissionar equipamentos e sistemas de transporte metro ferroviários; estruturas metálicas, máquinas hidráulicas, térmicas, elétricas, bem como peças de reposição Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 13 12 e acessórios, aparelhos em geral, maquinários. complementos e acessórios elétricos conexos à produção de energia elétrica, equipamentos e sistemas de tratamento de ar, gases e líquidos para controle ambiental em indústrias, irrigação e saneamento básico, estações de bombeamento, secagem industrial, tratamento de superfície e transporte pneumático, locomotivas, motores elétricos, pontes rolantes e outros equipamentos de levantamento, equipamentos e máquinas em geral, principalmente os ligados direta e indiretamente a transportes terrestres, sistemas elétricos de propulsão para veículos rodoviários (trólebus) e ferroviários (metrô e trens de subúrbio), equipamentos e sistemas destinados à geração, medição e controle de processos de energia e suas aplicações, produtos eletrônicos, mecânicos e de caldeiraria, equipamento e peças mecânicas para a utilização em usinas geradoras de energia e indústrias em geral, equipamentos elétricos destinados aos mercados de saneamento, irrigação, indústria, peças, partes e sobressalentes para serem usados nos equipamentos e sistemas mencionados anteriormente; ii) Serviços afins à operação industrial da Sociedade, em especial, mas sem se limitar a esses, os de projeto, montagem, supervisão de montagem, comissionamento e gerenciamento de projetos relacionados à infraestrutura de energia e transporte metroferroviário, consultoria e assistência técnica, econômica e administrativa ligadas aos produtos e serviços elencados; iii) Comercialização, revenda, consignação, distribuição, importação e exportação, de produtos e serviços relacionados com o campo de energia e transporte metro ferroviário. Estes serviços poderão ser prestados diretamente pela Sociedade, ou através de terceiros; iv) Representação comercial, intermediação e agência de produtos nacionais e estrangeiros, por conta própria ou de terceiros, relativas aos produtos e serviços elencados acima; v) participação em quaisquer outras sociedades como sócio, quotista ou acionista, bem como a administração, por conta própria ou de terceiros, de bens e valores mobiliários e imobiliários; vi) pesquisas, estudos de viabilidade técnica e econômico, projetos, supervisão de projetos; vii) Outros serviços, inclusive com emprego de explosivos, relacionados ao seu campo industrial e operacional; viii) obras civis; ix) locação de bens móveis. (...)"; 12 não alterou sua sede e não passou a ser administrada pelos mesmos administradores da exAlstom Brasil (atual Alstom Hydro Energia Brasil Ltda.), conforme 6ª alteração do seu Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 14 13 contrato social (Doc. 13) e 20ª alteração do contrato social da Alstom Brasil (Doc. 6); embora com membros em comum, pois continuavam a integrar o mesmo grupo, os conjuntos de administradores não eram os mesmos; 13 por fim, pouco tempo depois, nem mesmo seu controle societário era o mesmo que o da exAlstom Brasil, pois enquanto continuou controlada pela Alstom Espana IB, SL (Doc. 14), o setor "Hydro" passou ser detido pela já mencionada joint venture, de modo que a Alstom Hydro Energia Brasil Ltda. tornouse controlada da Alstom Hydro Holding (jointventure com 50% do Grupo Alstom, e 50% da Bouygues); 14 assim, existiam razões negociais para justificar as operações societárias de 2006; portanto, o fato de ter surgido alguma "vantagem tributária" por conta dos atos praticados perde importância, não passando de efeito colateral positivo, mas que não foi a causa desses atos; afinal, nenhum grupo empresarial do mundo desejaria entrar em crise, quase falir, implorar por ajuda do governo francês, apenas para aproveitar prejuízos fiscais acumulados no Brasil; 15 nem a teoria do “business purpose” obriga o contribuinte a "jogar fora" benefícios fiscais; o que não se admite, segundo essa teoria, é que o contribuinte adote condutas com o único objetivo de obter vantagens fiscais que, do contrário, não lhe tocariam; neste caso, não há dúvidas de que todos os fatos ocorridos em 2006, envolvendo o grupo, possuem origem em circunstâncias empresariais, econômicas, não relacionadas à busca ardilosa de benefícios fiscais ilegítimos; 16 na verdade, é até duvidosa a afirmação de que a "manutenção" dos seus prejuízos fiscais seria uma vantagem tributária, passível de ser buscada mediante planejamento tributário, pois tais prejuízos poderiam vir a ser compensados, independentemente da reorganização societária; notese: no caso de empresa já desativada, sem qualquer possibilidade de voltar a operar, podese vislumbrar a adoção de medidas tendentes à "comercialização" de prejuízos fiscais (como parece ter ocorrido no caso objeto do acórdão CSRF/0102.107); em resumo: não é razoável supor que uma empresa de um grande grupo desenvolva esforços apenas para ter vantagem fiscal ilegítima; 17 assim, ainda que se adote a teoria do “business purpose”, a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL próprios, em 2007, não pode ser condenada, pois não foi a causa dos eventos societários em tela, de modo que descabe a acusação de simulação; 18 eis os quadros de resumo: Business Purpose? Sim Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 15 14 I crise do grupo Alstom no início dos anos 2000; II plano de socorro aprovado pelo governo francês/Comissão Européia; III condição: jointventure para atividades "Hydro"; IV reflexo no Brasil: necessidade de cisão da Alstom Brasil; V versão do acervo cindido para a impugnante: empresa existente há 40 anos, devidamente habilitada para assumir as atividades "NonHydro", com balanço saudável para participar de licitações; Impugnante Assumiu o Nome da Alstom Brasil? Não Nome da Impugnante Nome da Alstom Brasil Alstom Brasil Energia e Transporte Ltda. Alstom Hydro Energia Brasil Ltda. Impugnante Assumiu a Sede da Alstom Brasil? Não Sede da Impugnante Sede da Alstom Brasil Al. Campinas, 463, 14° and., SP, SP Av. Carlos Schneider, s/n, Taubaté, SP Impugnante Abandonou Seu Objeto Social, Passando a Explorar apenas o Objeto Social da Alstom Brasil? Não I não houve supressão das atividades originais da impugnante; II houve, apenas, a adição de novas atividades; III após reestruturação do grupo, inexiste identidade entre os objetos sociais da impugnante e da Alstom Brasil; Identidade entre as Administrações da Impugnante e da Alstom Brasil? Não Administração da Impugnante Administração da Alstom Brasil: Isidro Quinonero Carlos Alberto Cardoso de Almeida Carlos Vera Y Domingues Carlos Vera Y Domingues José Antônio Fernandes Michel Boccaccio Bernard Franchel Bernard Franchel Carlos Capistrano César Guimarães Luiz Eduardo Leite Luiz Eduardo Leite Stephane Ferey Identidade entre os Controladores da Impugnante e da Alstom Brasil? Não Controlador da Impugnante Controlador da Alstom Brasil Alstom Espana IB, SL Alstom Hydro Holding Simulação? Não, quer se adote os precedentes jurisprudenciais, quer se adote a teoria do “business purpose” 19 diferentemente do que ocorre em casos de incorporação às avessas simulada, não perdeu sua identidade empresarial, "transformandose" na incorporada; o absurdo dessa suposição, neste caso, reside no fato de que a cindida continuou tendo vida própria, distinta da sua, embora ambas do mesmo grupo; “Tentese vislumbrar na Impugnante, após a versão do acervo cindido, a própria empresa cindida, e nenhuma coincidência será constatada.” (sic); 20 a Câmara Superior de Recurso Fiscais já reconheceu que um dos objetivos de operação societária pode ser a manutenção dos prejuízos fiscais acumulados; Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 16 15 21 portanto, a cisão da Alstom Brasil, bem como a versão do acervo cindido à Impugnante foi real, razão pela qual deve ser cancelada a autuação, não só porque a fiscalização nada provou, mas também porque, embora não incumbisse a si o ônus probandi, demonstrou que não houve simulação e que, ao contrário do que afirmado, há, sim, propósito negocial; 22 não cabe a multa de 150%, pois assim como não foi comprovada a simulação, tampouco o foi o "evidente intuito de fraude", não tendo sido esclarecida a conduta, dentre as dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/62, e tampouco há descrição da infração subjetiva que teria sido cometida, para caracterizar o evidente intuito de fraude; os tipos legais em tela requerem o dolo, que não pode ser presumido; ou seja: ainda que tivesse errado ao entender que poderia compensar os seus próprios prejuízos fiscais, não esteve imbuída do dolo específico de prejudicar o Fisco, sem o qual não se pode majorar a penalidade; quando foi analisado caso semelhante e se decidiu pela existência de simulação, foi afastada a penalidade agravada, diante da ausência do evidente intuito de fraude, conforme o acórdão n° 103.21.046, do Primeiro Conselho de Contribuintes; 23 há que se excluir, por ser ilegal, a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, conforme argumentos de praxe; É o relatório. A DRJ julgou improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 ILEGALIDADE. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Tal cobrança não faz parte do presente litígio, visto que não consta da autuação, razão pela qual não será examinada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. REORGANIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. Os elementos evidenciam que as operações societárias foram simuladas e que não possuíam qualquer propósito negocial. MULTA DE 150%. O cuidadoso planejamento das operações simuladas e sua dispersão no tempo evidenciam o intuito de fraude. COMPENSAÇÃO. PREJUÍZOS FISCAIS. PERÍODOS ANTERIORES. Não cabe a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, seja por ter havido simulação, seja pela mudança no seu controle societário concomitante à alteração de seu objeto social. AUTO REFLEXO. CSLL. Aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração estabelecidas para o IRPJ. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 17 16 Inconformado, o contribuinte, cientificado em 19/01/2012 (fl.832) apresentou recurso voluntário ao CARF em 16/02/2012 (fls.833 e ss.) em que, basicamente, repisa as razões da impugnação, alegando, em síntese, preliminarmente, a nulidade da decisão por cerceamento da defesa, por ter implementado inovação fática e jurídica à autuação. No mérito, (i) aponta a improcedência da acusação de simulação em razão de suas próprias fragilidades; (ii) subsidiariamente, sustenta o propósito negocial da reorganização societária em que se envolveu a recorrente; (iii) aduz a inaplicabilidade do art. 513 do RIR/99, pela interpretação teleológica do termo “cumulativamente”; (iv) alega o descabimento da multa agravada de 150%; (v) ao final, questiona a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Em contrarrazões, a PGFN sustenta, em síntese, inicialmente, que não houve inovação promovida pelo julgador de piso, senão a confirmação da simulação que fundamentou o auto de infração desde o início, tendo sido mantidos os fundamentos fáticos ou jurídicos do lançamento, que continuaram sendo a ausência de propósito negocial nas operações de cisão e incorporação, notadamente pelo caráter reverso desta última, com o objetivo único de manter aproveitáveis os prejuízos e bases negativas, ao arrepio da legislação. Sustenta estar correta a conclusão da DRJ no sentido de que o cuidadoso planejamento, inclusive quanto à dispersão, no tempo, de todas essas operações societárias, evidenciam o intuito de fraude, de modo que está correta a multa de 150%. Acrescenta que, no caso concreto, a compensação levada a efeito ainda encontra óbice no art. 513 do RIR/99. Rechaça o argumento da recorrente de que o ramo de atividade da empresa sempre foi o mesmo, qual seja, o setor de infraestrutura. Considerar que a atividade de fabricar, projetar, reparar, recondicionar e montar equipamentos elétricos e/ou hidráulicos, ainda que estes venham a ser usados em obras de infraestrutura, não se confunde com atividades do setor de infraestrutura propriamente ditas, as quais somente passaram a fazer parte do objeto social a partir de 2006. Ademais, a alteração do controle societário (que não foi contestado), e a proibição prevista no art. 513 do RIR/99, representa mais um fator impeditivo da compensação dos prejuízos acumulados pela Alstom Elec Equipamentos Elétricos Ltda (antigo nome da recorrente) até 28/03/2006. Por fim, afirma que é legal e válida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Após incluído o processo na pauta da sessão de outubro de 2013, a recorrente peticionou pela retirada de pauta, alegando que a 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, ao verificar a existência de conexão, convertera em diligência o julgamento de outro processo da mesma empresa, para que a unidade de origem anexasse o presente processo àquele, para que fossem julgados conjuntamente. Instada, pelo Presidente da Turma, a se manifestar sobre o pedido de retirada de pauta, esta relatora verificou que a DRJ, naquele caso, vinculou expressamente os processos, confirmando a dependência em relação a este processo, deixando claro que este é o principal e aquele, o decorrente, consoante se vê a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. PREJUÍZOS FISCAIS. PERÍODOS ANTERIORES. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 18 17 Não cabe a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, pois não há certeza desse direito, que depende da decisão definitiva do processo de n.º 19515.720671/201180, no qual foi “zerado” o saldo de prejuízos fiscais acumulados até 30/04/2006. Diante disso, concluiuse que, muito embora exista a conexão, não cabe falar em redistribuição, nos termos do art. 49, §7º do RICARF (“§ 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc.”), visto que o processo principal já fora distribuído através de sorteio e incluído em pauta de julgamento. Nesse caso, o julgamento do processo decorrente é que dependerá da decisão definitiva deste processo principal, inexistindo razão para a retirada de pauta. É o relatório. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 19 18 Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. PRELIMINAR Da nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa A recorrente alega que a DRJ implementou inovação fática e jurídica à autuação, o que lhe teria cerceado o exercício do direito de defesa, ao indicar a contradição nos argumentos utilizados pela então impugnante para justificar o propósito negocial de suas operações societárias. Verificase que a DRJ destacou a inexistência de propósito negocial, a qual, na verdade, constou como fundamento indireto da autuação, decorrente da análise dos casos de planejamento tributário diuturnamente fiscalizados. Essa constatação pela autoridade julgadora em nada inovou na acusação fiscal, representando apenas mais um argumento para mantêla. Inexiste alteração dos critérios jurídicos ou fáticos do lançamento, nem em cerceamento de defesa, quando a decisão recorrida se limita a justificar o não acolhimento dos argumentos trazidos pelo contribuinte em sua defesa, sem aperfeiçoar o lançamento. Ademais, a qualidade da defesa apresentada atesta a inexistência de prejuízo à defesa, afastando a incidência do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Diante disso, rejeitase a preliminar de nulidade. MÉRITO Conforme relatado, o procedimento fiscal pretendeu verificar a regularidade da operação de incorporação, pela recorrente, de uma parte cindida da empresa ALSTOM BRASIL LTDA., CNPJ n° 44.682.318/000175, em 30/04/2006. Constatouse que a recorrente Alstom Elec Equipamentos Elétricos Ltda (controlada, deficitária) incorporou parte da ALSTOM BRASIL LTDA. (controladora, superavitária). Ao final da análise, a autoridade fiscal concluiu pela “inexistência de motivação plausível do ponto de vista negocial para a efetivação da cisão/incorporação, promovida pela fiscalizada e sua controladora, restando apenas como motivação o ganho tributário que seria obtido por meio dessa engenharia tributária, sendo a forma utilizada simulação, cujo único objetivo é a obtenção de ganho tributário e o conteúdo dessa operação todo motivado pelo referido ganho”. Em razão, disso, glosou os saldos de prejuízo fiscal e base negativa a compensar, apurados até 30/04/2006, pois a cisão parcial e a versão da parte cindida à recorrente (incorporação às avessas) eram operações societárias simuladas, sem propósito negocial. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 20 19 Sobre a compensação de prejuízos fiscais na incorporação às avessas, cumpre referir que o art. 33 do DecretoLei nº 2.341/87 e o art. 514 do RIR/99 prevêem que a “pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida”. Assim, com base na leitura destes artigos, uma empresa lucrativa que incorpore uma empresa deficitária, não pode compensar prejuízo desta. Diante desta proibição, muitas empresas passaram então a realizar a “incorporação às avessas”, denominação dada à operação em que uma empresa deficitária incorpora uma empresa lucrativa e compensa seu prejuízo com o lucro apurado pela incorporada, sob a alegação de omissão da lei sobre o assunto. A resolução do presente litígio impende verificar se a incorporação realmente ocorreu tal como formalizada (com a empresa deficitária incorporando a superavitária) ou se ocorreu mera simulação (encobrindo o verdadeiro negócio, em que a empresa superavitária incorporava a deficitária) para o fim exclusivo de compensação dos prejuízos fiscais. Para isso, cumpre analisar o modelo de planejamento tributário adotado no caso. Marco Aurélio Greco, reconhecido como uma das maiores autoridades no assunto, em sua obra Planejamento Tributário (São Paulo, Dialética, 2004), que se tornou referência nacional, aduz que, em planejamento tributário “ [...] ao invés de analisar cada fotografia (etapa) é importante analisar o filme (conjunto delas). Mais do que um evento (etapa) é importante interpretar a estória (conjunto)." Na referida obra, o doutrinador apresenta um conjunto de situações ou operações que, segundo ele, merecem uma atenção particular do intérprete, antes que se possa considerálas como procedimentos autênticos de planejamento tributário, dentre elas: (a) Operações estruturadas em seqüência; (b) Operações invertidas; (c) Operações entre partes relacionadas; (d) Uso de sociedadesveículo; (e) Deslocamento da base tributável; (f) Substituições jurídicas; (g) Neutralização de efeitos indesejáveis; (h) Ingresso de sócio seguido de cisão seletiva; (i) Ágio de si mesmo; (j) Empréstimo ao invés de investimento; (k) Operações interestaduais de ICMS sem trânsito; (1) Criação de distribuidoras e base de cálculo do IPI; (m) Autonomização de operações; (n) Outras (ato normal de gestão, negócios indiretos ou fiduciários, redesenhos societários sucessivos, operações recíprocas). No caso concreto, os fatos foram bem resumidos pela decisão recorrida, cujo trecho do voto se reproduz abaixo: A então controladora da impugnante efetuou, em 2006, uma cisão parcial, vertendo à impugnante parte de seu patrimônio. Ocorre que a impugnante possuía expressivos saldos de prejuízo fiscal e base negativa a compensar, que foram utilizados, já em 2007. A fiscalização entendeu que tais saldos, apurados até 30/04/2006, deviam ser glosados, pois a cisão parcial e a versão da parte cindida ao interessado (incorporação às avessas) eram operações societárias simuladas, sem propósito negocial. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 21 20 A impugnante, por seu turno, admite que os saldos de prejuízo fiscal e base negativa a compensar influenciaram suas decisões, mas nega: 1 que isso seja vedado; 2 existir simulação, da qual não haveria prova; 3 a inexistência de motivação negocial, para a: cisão da ex controladora, que decorreria da necessidade de separar as atividades do setor de geração de energia hidroelétrica (dito “Hidro”), em vista de acordos, no âmbito do governo da França e da Comunidade Européia, que obrigariam o grupo Alstom a, dentre outras providências, criar uma “jointventure” nesse setor, com participação paritária com outra empresa (no caso, a francesa Bouygues); em conseqüência, as atividades do setor “Hidro” foram mantidas na excontroladora; e, para a incorporação das atividades do setor “NonHidro” pela impugnante, pois não faria sentido criar uma nova empresa se já havia outra empresa do grupo, no Brasil, apta a absorvêlas. Como relatado, a recorrente sustenta que as operações engendradas se justificam diante da necessidade de formação de uma joint venture para gerir os negócios de energia hidrelétrica, conforme imposição da Comissão Européia. Segundo ela, a cisão da Alstom Brasil teria sido produzida a fim de segregar as atividades Hydro da demais atividades da empresa, passando o controle da parte da empresa responsável pelos negócios Hydro à joint venture formada entre o grupo Alstom e a Bouygues, sendo a parte restante da Alstom Brasil incorporada pela recorrente. Essa incorporação final representou um fato atípico: a incorporação de empresa superavitária (controladora) por empresa deficitária, por ela controlada. Uma operação estruturada como a que está sendo examinada indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto, indicando, também, uma causa jurídica única. Nesta hipótese, cumpre examinar se há motivos autônomos ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. No caso examinado, nenhum motivo autônomo se apresenta nos autos que venha a justificar a realização de cada uma das etapas da operação. Isto é, não existia uma finalidade diferente para cada etapa das operações. A finalidade era uma única e somente seria obtida ao término de todas as etapas. Tais circunstâncias exigem que a operação seja apreciada como um todo sem que se perca de vista, no entanto, as peculiaridades de cada etapa que integra a operação global. As operações entre partes relacionadas, como estas, segundo o magistério de Marco Aurélio Greco, merecem cuidadosa análise, tendo em vista a real possibilidade de que a causa da operação vise unicamente obter algum efeito tributário intragrupo e não uma razão econômica efetiva de mercado, pois quando se está analisando operações entre pessoas jurídicas de um mesmo grupo societário, não se pode ignorar que esta simples circunstância faz com que existam interesses comuns no relacionamento entre seus membros. Neste sentido, o reconhecido doutrinador alerta que merece atenção a ocorrência de alterações formais de titularidade patrimonial ou de atribuição de direitos e Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 22 21 deveres, mas que, em última análise, por ser o mesmo grupo não causam alterações substanciais. Isto é, operações mediante as quais jurídica e patrimonialmente o grupo permanece inalterado; a única consequência relevante é que o Fisco deixa de receber determinado tributo. Assim, o foco da análise deve ser a eficácia do negócio jurídico perante o Fisco, ou seja, sua oponibilidade ou inoponibilidade ao Fisco. Na atual fase do debate sobre planejamento tributário, passase a dar maior relevância às formas lícitas dos negócios jurídicos, buscandose levantar o conteúdo, motivo e finalidade destes. A princípio, qualquer motivo extratributário, não somente aqueles de ordem negocial, mas também de ordem familiar, econômica, política etc., pode ser alegado para justificar determinado negócio realizado. Tratando do tema, o mesmo Greco (2008, p. 115) cita justamente o exemplo da incorporação às avessas, considerando que, enquanto a incorporação é instituto lícito expressamente previsto no ordenamento, a forma da sua utilização, uma incorporação às avessas — em que uma empresa deficitária incorpora uma empresa superavitária para fins de compensação de prejuízos fiscais — pode trazer dúvidas quanto a estar ou não dentro do perfil “normal” do instituto, para fins de oponibilidade ao Fisco. Sobre a questão dos motivos, ainda consoante a lição de Greco, devese perguntar se o motivo: a) é existente (se existia de verdade), b) é pertinente (se tinha a ver com o ato praticado e a alternativa menos onerosa), c) é suficiente (para fundamentar o modo e o momento em que o ato foi praticado), d) é congruente (para atingir o objetivo adequado diante daquele quadro). Em outras palavras, para se aferir o limite às operações de planejamento tributário, é preciso responder às seguintes questões: 1) existe motivo para a realização do ato ou negócio jurídico? 2) o motivo é extratributário? 3) o motivo seria suficiente para a realização do negócio nos moldes que foi feito? Neste ponto, é de se concordar com a conclusão da DRJ, segundo a qual: Há de se destacar, ainda, que os documentos trazidos aos autos – notadamente a decisão da Comissão Européia (doc. 3), repleta de reticências (vide parágrafo 97 e article 2.4, do dispositivo da decisão) – não deixam claras as circunstâncias e condições em que se determinou a necessidade de segregação das atividades Hydro e formação da joint venture. O que emerge cristalino dos documentos constantes dos autos é que a segregação das atividades Hydro teve vida curta (característica própria dos planejamentos abusivos, como visto acima), diante das alterações societárias e estatutárias que em pouco tempo levaram tudo ao status quo ante: o grupo Alstom mantendo o controle sobre todas as atividades de infraestrutura relevantes Hydro e nonHydro, concentradas em uma única empresa no Brasil. .................. A recorrente alega que não havia sentido em incorporar uma empresa que fazia parte do grupo Alstom desde 2001, inscrita regularmente no CNPJ e no CREA, com saúde financeira que lhe Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 23 22 permitia assumir as atividades cindidas e participar de licitações. No entanto, tais características também eram encontradas na empresa cindida – que, aliás, contava com melhor saúde financeira do que a autuada –, de modo que a constituição de uma sociedade a partir do patrimônio cindido manteria tais características, incorporasse ela a autuada ou não. ........... Como já mencionado, no caso em apreço, não se verifica o propósito negocial que justifique a inversão praticada no ato de concentração, com a controlada deficitária incorporando a controladora superavitária. Somese a isso: i) o fato de que algum tempo depois, o objeto social da autuada passou a contemplar o exercício das atividades Hydro; ii) o fato de que o controle acionário das duas partes da empresa cindida (da Alstom Hydro e da parte incorporada à autuada) voltaram a ser exclusivamente do Grupo Alstom, por intermédio da Alstom Espana e da Alstom Hydro Holding, apenas poucos anos depois da cisão (o grupo Bouygues deixou a Holding em troca de ações do Grupo Alstom). Estes fatos põem em cheque os fundamentos da própria cisão, e não apenas da incorporação inversa. ........... O único efeito prático verificado foi o aproveitamento imediato do prejuízo fiscal acumulado na Alstom Elec Equipamentos Elétricos Ltda (que posteriormente teve a denominação alterada para Alstom Brasil Energia e Transporte – a autuada), mediante incorporação, por ela, da parte cindida da Alstom Brasil, cheia de lucros que podiam ser compensados. Nesta seara, não procede o argumento da recorrente no sentido de que não teria havido alteração do ramo de atividade por ela exercido. Dos autos se extrai que, de fato, ocorreu uma relevante alteração no ramo de atividade exercido pela recorrente (antes denominada Alstom Elec Equipamentos Elétricos Ltda), sendo que, até a 5ª alteração contratual, ocorrida em 28/03/2006, tinha como objeto social: i) projetar, reparar, recondicionar e montar manufaturados, estruturas metálicas, máquinas hidráulicas, térmicas, elétricas, bem como peças de reposição e acessórios, fabricar aparelhos em geral, maquinários, complementos e acessórios elétricos conexos à produção de energia elétrica, podendo, ainda, comercializar, representar ou exportar no ramos das atividades supra mencionadas; ii) participação em quaisquer outras sociedades como sócio, quotista ou acionista". Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 24 23 Após a referida alteração, a recorrente passou a ser denominada Alstom Brasil Energia e Transporte ltda., e ter o seguinte objeto social: i) projetar, fabricar, reparar, recondicionar. modernizar, montar, comissionar equipamentos e sistemas de transporte metro ferroviários; estruturas metálicas, máquinas hidráulicas, térmicas, elétricas, bem como peças de reposição e acessórios, aparelhos em geral, maquinários. complementos e acessórios elétricos conexos à produção de energia elétrica, equipamentos e sistemas de tratamento de ar, gases e líquidos para controle ambiental em indústrias, irrigação e saneamento básico, estações de bombeamento, secagem industrial, tratamento de superfície e transporte pneumático, locomotivas, motores elétricos, pontes rolantes e outros equipamentos de levantamento, equipamentos e máquinas em geral, principalmente os ligados direta e indiretamente a transportes terrestres, sistemas elétricos de propulsão para veículos rodoviários (trólebus) e ferroviários (metrô e trens de subúrbio), equipamentos e sistemas destinados à geração, medição e controle de processos de energia e suas aplicações, produtos eletrônicos, mecânicos e de caldeiraria, equipamento e peças mecânicas para a utilização em usinas geradoras de energia e indústrias em geral, equipamentos elétricos destinados aos mercados de saneamento, irrigação, indústria, peças, partes e sobressalentes para serem usados nos equipamentos e sistemas mencionados anteriormente; ii) Serviços afins à operação industrial da Sociedade, em especial, mas sem se limitar a esses, os de projeto, montagem, supervisão de montagem, comissionamento e gerenciamento de projetos relacionados à infraestrutura de energia e transporte metroferroviário, consultoria e assistência técnica, econômica e administrativa ligadas aos produtos e serviços elencados; iii) Comercialização, revenda, consignação, distribuição, importação e exportação, de produtos e serviços relacionados com o campo de energia e transporte metro ferroviário. Estes serviços poderão ser prestados diretamente pela Sociedade, ou através de terceiros; iv) Representação comercial, intermediação e agência de produtos nacionais e estrangeiros, por conta própria ou de terceiros, relativas aos produtos e serviços elencados acima; v) participação em quaisquer outras sociedades como sócio, quotista ou acionista, bem como a administração, por conta própria ou de terceiros, de bens e valores mobiliários e imobiliários; vi) pesquisas, estudos de viabilidade técnica e econômico, projetos, supervisão de projetos; vii) Outros serviços, inclusive com emprego de explosivos, relacionados ao seu campo industrial e operacional; viii) obras civis; Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 25 24 ix) locação de bens móveis. Muito embora a recorrente argumente que o ramo de atividade da empresa permaneceu o mesmo: o setor de infraestrutura, verificase que as antigas atividades de fabricar, projetar, reparar, recondicionar e montar equipamentos elétricos e/ou hidráulicos, ainda que estes venham a ser usados em obras de infraestrutura, não se confundem com atividades do setor de infraestrutura propriamente ditas, as quais somente passaram a fazer parte do objeto social a partir de 2006, destacandose os seguintes exemplos: “comissionar equipamentos e sistemas de transporte metro ferroviários, (...) sistemas de tratamento de ar gases e líquidos para controle ambiental em industrias, irrigação e saneamento (...), equipamentos e sistemas destinados à geração (...) de energia, (...) gerenciamento de projetos de infraestrutura de energia e transporte metroferroviário, (...) obras civis”. Como se vê, o ramo de atividade da empresa passou de manufatura e manutenção de equipamentos elétricos para realização de obras e projetos de infraestrutura urbana. Tal alteração evidencia que o objeto social predominante após a incorporação é o da empresa incorporada (com a agregação das atividades relativas ao ramo de infraestrutura urbana, de equipamentos para meios de transportes, de gerenciamento de projetos, entres outros) e não o da incorporadora (recorrente). Com isso, são afastadas as razões negociais alegadas como suporte à incorporação da controladora pela controlada. Ademais, é fato incontroverso que a recorrente passou a ser controlada, logo após a cisão, pela ALSTOM ESPANA IB, SL. Assim, diante da alteração do controle societário da recorrente e do seu objeto social, conforme a comparação retro entre a 4ª (23/12/2005, às fls. 7 a 18) e a 5ª alteração do contrato social (23/12/2005, às fls. 19 a 55), a compensação levada a efeito ainda encontra óbice no art. 513 do RIR/99, que dispõe expressamente sobre a vedação: Art. 513. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade (DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987, art. 32). Diante disso, o filme mostra que a incorporação reversa, ou seja, da empresa superavitária pela deficitária não possuía outro propósito senão o imediato aproveitamento dos prejuízos acumulados na recorrente para reduzir a carga tributária sobre os expressivos lucros da parcela cindida da Alstom Brasil. Como se extrai dos autos, não se verifica propósito negocial apto a justificar a incorporação de uma controladora superavitária por uma controlada deficitária, quando o único efeito prático verificado com a incorporação reversa foi o aproveitamento imediato do prejuízo fiscal acumulado na Alstom Elec Equipamentos Elétricos Ltda (atual Alstom Brasil Energia e Transporte, ora recorrente). Assim, deve ser mantida a autuação. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 26 25 Da multa agravada No caso dos autos, foi aplicada a multa de 150%, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação vigente para os anoscalendário a que se referem as infrações, cujos excerto de interesse transcrevese a seguir: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Como visto, nos termos inc. II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, somente se admite a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502/64, ou seja, Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 27 26 a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. Sobre o tema, assim se manifestou a DRJ: A impugnante alega que não há prova da simulação, mas isso não é verdade, como se verá a seguir. O exame da 13ª alteração do Contrato Social da impugnante (Doc. 01, de fls. 338 a 358) mostra que a ALSTOM ESPANA IB, SL e a ALSTOM HYDRO HOLDING eram as únicas sócias da impugnante em 18 de abril de 2011, que tinha como objeto social: “i) Projetar, fabricar, reparar, recondicionar, modernizar, montar, comissionar equipamentos e sistemas de transporte metroferroviários, equipamentos para geração de energia hidroelétrica, equipamentos hidromecânicos, estruturas ....... Ou seja: em algum momento entre o registro na JUCESP da 7ª alteração do contrato social (20/08/2007, às fls. 57 a 82) e a data de elaboração da 13ª alteração do contrato social (18/04/2011, às fls. 338 a 358) da impugnante, as atividades conexas à fabricação de equipamentos para geração de energia hidroelétrica (ditas “Hidro”) foram incluídas entre as atividades da impugnante. Além disso, a ALSTOM HYDRO HOLDING foi a empresa que: 1 passou a deter, logo após a cisão, o controle direto da ex controladora da impugnante, e que, conforme a tese da defesa e o Doc. 08 (fls. 464 a 601), deveria ter seu controle compartilhado com o grupo Bouygues, nas atividades do setor dito “Hidro”; e, 2 em algum momento entre a 7ª e a 13ª alteração do contrato social, passou a deter mais de 40% de participação societária na impugnante, conforme fl. 344. Assim, algum tempo após as operações societárias em tela, foram incluídas no objeto social da impugnante as atividades ditas “Hidro” e a ALSTOM HYDRO HOLDING, que deveria, em tese, cuidar apenas dessas atividades, passou a deter expressiva participação societária na impugnante. Com isso fica claro que a cisão/incorporação tinha por único objetivo aproveitar os saldos de prejuízo fiscal e de base negativa e que a tese de segregação das atividades “Hidro” e “NonHidro” não possui respaldo fático. O tempo e os fatos demonstraram que não havia propósito negocial nas operações de cisão/incorporação e que estas foram simuladas. Assim, no caso concreto, temos: Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 28 27 1 o motivo sério e importante para a simulação é a posssibilidade de compensar rapidamente saldos expressivos de prejuízo fiscal e base negativa; 2 a falta de execução material do contrato é evidenciada pela inclusão, pouco tempo após as operações societárias, das atividades do setor “Hidro” no objeto social da impugnante; 3 a conduta das partes mostra que a empresa que deveria concentrar a gestão de empresas voltadas para as atividades do setor “Hidro” (em parceria com a Bouygues), pouco tempo após as operações societárias, detinha expressiva participação societária na impugnante; 4 o objeto dos negócios diverge absolutamente, pois o negócio que deveria ter sido efetuado por meio das operações societárias (segregação das atividades do setor “Hidro”) na realidade não ocorreu, tendo apenas existido “próforma”. O cuidadoso planejamento, inclusive quanto à dispersão, no tempo, de todas essas operações societárias, evidenciam o intuito de fraude, de modo que está correta a multa de 150%. A doutrina distingue a elisão da evasão. Consoante lição de Ricardo Mariz de Oliveira (in "Questões Relevantes, Atualidades e Planejamento com Imposto Sobre a Renda", Anais do 13° Simpósio IOB de Direito Tributário, IOB, 2004), a elisão deve decorrer de atos ou omissões que não contrariem a lei, e de atos ou omissões efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal, nos seguintes termos: A elisão fiscal lícita, buscada pelo planejamento tributário, diferenciase da evasão fiscal ilícita por três e apenas três elementos: (I) decorrer de atos ou omissões da pessoa (que não é contribuinte) anteriores à ocorrência do fato gerador da obrigação que ela quer elidir, (2) decorrer de atos ou omissões confirmes à lei, e (3) decorrer de atos ou omissões reais e não simulados. Nessa toada, o referido doutrinador, na mesma obra, considera os indicativos de um ato simulado: A simulação, que vicia o ato jurídico e invalida a economia tributária pretendida [...] se prova pela densidade de indícios e circunstâncias, que a jurisprudência administrativa vem aplicando com bastante sabedoria, tais como: a proximidade temporal de atos; a disparidade infundada de valores entre eles; o desfazimento dos efeitos do ato simulado; a prática de certos atos entre partes ligadas, por exemplo, ao final do períodobase de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre uma pessoa jurídica lucrativa para outra deficitária; a existência ou inexistência de outra causa econômica além da economia fiscal; a exagerada arrumação dos fatos. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 29 28 No caso concreto, a sucessão dos atos, a proximidade temporal entre eles e, especialmente, o retorno ao status quo ante revelam que nunca houve a intenção real de incorporar, de fato, a empresa superavitária. Assim, é evidente que o conjunto de operações descritas no presente processo foi articulado, dolosamente, pela recorrente em conjunto com outras pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico, com o único propósito de criar, formalmente, uma situação que reduzisse a tributação sobre os lucros do grupo. A existência de simulação em casos como este já foi reconhecida no âmbito administrativo, podendo ser referido o seguinte julgado do antigo Conselho de Contribuintes: SIMULAÇÃO — CONJUNTO PROBATÓRIO — Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados (reorganização societária) divergiam da real intenção subjacente (compra e venda), caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA— O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA— O princípio da liberdade de autoorganização, mitigado que foi pelos princípios constitucionais da isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de planejamento tributário. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA— SIMULAÇÃO — MULTA QUALIFICADA — Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada (art.44 II, da Lei n°.9.430, de 1996). (Acórdão n°.: 10421.675, sessão de junho de 2006) Ademais, em caso similar ao presente, o E. Superior Tribunal de Justiça manteve o entendimento do tribunal a quo que entendeu presente a simulação no negócio jurídico, confirmando o procedimento fiscal de glosa dos prejuízos fiscais da "incorporadora" com lucros da "incorporada", consoante o julgado abaixo colacionado: STJ RECURSO ESPECIAL 2007/00926564 25/08/2009 Superior Tribunal de Justiça STJ T2 SEGUNDA TURMA (Data da Decisão: 25/08/2009 Data de Publicação: 31/08/2009) Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 25/08/2009 Data da Publicação/Fonte : DJe 31/08/2009 Ementa : PROCESSUAL CIVIL. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. MULTA DO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INAPLICABILIDADE. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 30 29 INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS. REDUÇÃO DA CSSL DEVIDA. SIMULAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. INAPLICABILIDADE. SÚMULA 98/STJ.1. Hipótese em que se discute compensação de prejuízos para fins de redução da Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSSL devida pela contribuinte. 2. A empresa [Comercial Ltda]. formalmente incorporou [S/A] (posteriormente incorporada pela recorrente). Aquela acumulava prejuízos (era deficitária, segundo o TRF), enquanto esta era empresa financeiramente saudável. 3. O Tribunal de origem entendeu que houve simulação, pois, em realidade, foi a [S/A] que incorporou a [Comercial Ltda]. A distinção é relevante, pois, neste caso (incorporação da Comercial Ltda pela S/A), seria impossível a compensação de prejuízos realizada,nos termos do art. 33 do DL 2.341/1987.4. A solução integral da lide, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 5. Não há controvérsia quanto à legislação federal. 6. A contribuinte concorda que a incorporadora não pode compensar prejuízos acumulados pela incorporada, para reduzir a base de cálculo da CSSL, nos termos do art. 33 do DL 2.341/1987. Defende que a empresa com prejuízos acumulados ([Comercial Ltda]) é, efetivamente, a incorporadora. 7. O Tribunal de origem, por seu turno, não afasta a possibilidade, em tese, de uma empresa deficitária incorporar entidade financeiramente sólida. Apenas, ao apreciar as peculiaridades do caso concreto, entendeu que isso não ocorreu. 8. Tampouco se discute que, em caso de simulação, "é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma" (art. 167, caput, do CC). 9. A regularidade formal da incorporação também é reconhecida pelo TRF. 10. A controvérsia é estritamente fática: a recorrente defende que houve, efetivamente, a incorporação da [S/A] (empresa financeiramente sólida) pela [Comercial Ltda](empresa deficitária); o TRF, entretanto, entendeu que houve simulação, pois, de fato, foi a [S/A] que incorporou a [Comercial Ltda]. 11. Para chegar à conclusão de que houve simulação, o Tribunal de origem apreciou cuidadosa e aprofundadamente os balanços e demonstrativos de [Comercial Ltda]e [S/A], a configuração societária superveniente, a composição do conselho de administração e as operações comerciais realizadas pela empresa resultante da incorporação. Concluiu, peremptoriamente, pela inviabilidade econômica da operação simulada. 12. Rever esse entendimento exigiria a análise de todo o arcabouço fático apreciado pelo Tribunal de origem e adotado no acórdão recorrido, o que é inviável em Recurso Especial, nos termos da Súmula 7/STJ.13. Aclaratórios opostos com o expresso intuito de prequestionamento não dão ensejo à aplicação da multa prevista no art. 538, parágrafo único, do CPC, que deve ser afastada (Súmula 98/STJ). 14. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. Da mesma forma, na situação dos autos, como exposto, verificase a presença de motivos para a qualificação da multa de ofício, a qual deve ser mantida no patamar de 150%. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 31 30 Dos juros sobre a multa de ofício A recorrente ainda se insurge, subsidiariamente, sobre a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, alegando a falta de previsão legal. Ocorre que a matéria tem sido objeto de julgamento reiterado em sentido oposto a essa tese, podendo ser referidos os acórdãos abaixo: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. (Acórdão 120200.138, de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155, de 28/01/2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). Deste colegiado, pode ser referido o Acórdão nº 120200756, de 12/04/2012, cujo voto vencedor foi prolatado por esta relatora no seguinte sentido: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Igualmente, aqui, cabe utilizar os mesmos fundamentos registrados por esta relatora no voto vencedor do acórdão nº 9101.00539, de 11/03/2010, em que a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve a incidência dos juros de mora, devidos à taxa Selic, sobre a multa de ofício. Os fundamentos podem ser sintetizados assim: (i) uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício; (ii) todavia, uma norma não deve ser interpretada isoladamente dentro do sistema tributário nacional, já que interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito.” (Juarez Freitas, 2002, p.70); (iii) interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema; Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 32 31 (iv) no sistema tributário nacional, há de ser uniforme a definição de crédito tributário, considerado como “o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).” (Hugo de Brito Machado, 2009, p.172); (v) o conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária; (vi) a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. (vii) a multa de ofício, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, é exigida “juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago” (§1º). (viii) no momento do lançamento, a multa de ofício agregase ao tributo, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal; (ix) a obrigação principal referente à multa de ofício convertese em crédito tributário a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN; (x) a penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado; (xi) os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União; (xii) o art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o “crédito” não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento; (xiii) o art. 61 da Lei n° 9.430/96, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente, o que contribui para afastar eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos juros e multa; (xiv) a partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário, que pode ser constituído, como se viu, pelo tributo mais a multa de ofício, passa a ser acrescido dos juros de mora, devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União, consoante a Súmula CARF nº 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” (xv) a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065/95, na cobrança do crédito tributário, entendimento esse vinculante desde a edição da Súmula CARF n° 4 (“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 33 32 débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”). Adotando a linha de raciocínio acima exposta, do ilustre Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias prolatou o voto vencedor no Acórdão nº 910101.191, da sessão de 17 de outubro de 2011 da mesma 1ª Turma da CSRF. Mais recentemente, a 1ª Turma da CSRF manifestouse no mesmo sentido, como se extrai do Acórdão nº 9101001.474, de 14 de agosto de 2012: Assunto: Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício. O redator designado, o ilustre conselheiro Alberto Pinto Júnior, ao elaborar o voto vencedor naquele caso, acrescentou os seguintes argumentos: Assim, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ......................................................................................................." Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador nos §§ 1° e 3° do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Tal cuidado Por sua vez, não procede a alegação da contribuinte de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Daí porque toda a argumentação do contribuinte está correta, mas apenas no que tange à multa de mora. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 34 33 sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora. Assim sendo, em caso de vazio normativo, incidirá, por força do § 1° do art.161, juros de mora à taxa de 1% a.m.. Cabe, então, agora, verificarmos se a matéria foi realmente disciplinada no art. 30 da Lei n° 10.522/02, para tanto, trago à colação tanto o art. 30 como o dispositivo a que ele se remete, in verbis: "Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. ......................................................................................................... Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1 de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Surge de plano uma questão a ser dirimida, qual seja, se a remissão feita, pelo caput do art. 30, aos débitos referidos no art. 29, limitase ou não aos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994. Ora, a remissão é técnica legislativa que visa abreviar o texto legal, evitando repetições desnecessárias. Todavia, há que ser cuidadosamente analisada, pois não pode levar a uma intepretação desarrazoada, resultante da absorção puramente mecânica e literal de uma norma pela outra. Desarrazoado é aquilo em que não se observa a lógica, a razão, é o despropósito. Logo, concordo com as colocações da Fazenda Nacional quando afirma que fere a lógica concluir que apenas as multas de oficio anteriores a 1995 sofreriam a incidência da taxa SEL1C, enquanto que as multas posteriores sofreriam a incidência de outra taxa de juros. Assim, entendo que a melhor exegese levanos a concluir que a remissão feita pelo caput do art. 30 alcança apenas a expressão "débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União", razão pela qual, no presente caso, concluo que incidem juros de mora à taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 35 34 Vêse que todos os argumentos retro mencionados convergem para a conclusão de que é perfeitamente legal e válida a cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada, aplicandose a taxa de juros Selic. DISPOSITIVO Em razão do exposto, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 36 35 Voto Vencedor Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Redator designado Trata o presente voto apenas do julgamento de juros sobre a multa de ofício, objeto de impugnação específica. Entendo necessária para o deslinde da controvérsia sobre a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício uma breve abordagem sobre a natureza jurídica destes institutos no direito tributário. Sobre a multa de ofício, valhome da seguinte lição do Professor Luciano Amaro (in Direito Tributário Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 19ª ed., p. 458): Aí é que se põe a noção de infração, traduzida numa conduta (omissiva ou comissiva) contrária ao direito. (...) No direito tributário, a infração pode acarretar diferentes conseqüências. Se ela implica falta de pagamento de tributo, o sujeito ativo (credor) geralmente tem, a par do direito de exigir coercitivamente o pagamento do valor devido, o direito de impor uma sanção (que há de ser prevista em lei, por força do princípio da legalidade), geralmente traduzida num valor monetário proporcional ao montante do tributo que deixou de ser recolhido. Se se trata de mero descumprimento de obrigação formal (“obrigação acessória”, na linguagem do CTN), a conseqüência é, em geral, a aplicação de uma sanção ao infrator (também em regra configurada por uma prestação em pecúnia). Tratase das multas ou penalidades pecuniárias, encontradiças não apenas no direito tributário, mas também no direito administrativo em geral, bem como no direito privado. Portanto, a multa de ofício representa a sanção pelo descumprimento do dever legal de pagar o tributo. Por sua vez, os juros moratórios decorrem da demora por parte do devedor em adimplir a obrigação. Sobre o tema, leciona o Dr. Glauber Moreno Talavera (in Aspectos jurídicos controversos dos juros e da comissão de permanência, São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 128): Em síntese apertada, os juros moratórios consistem no montante previamente fixado ou apurado mediante aplicação de um percentual sobre o valor do principal, estipulado contratualmente ou decorrente da lei, devido pelo contraente que não adimpliu as obrigações assumidas no ato da celebração da avença. (...) Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 37 36 Por conseguinte, na hipótese de incidirem juros moratórios sobre a multa de ofício, estes necessitam de expressa previsão legal, uma vez que fazem aumentar o valor da multa e esse aumento há de possuir amparo legal em obediência ao inciso XXXIX, do art. 5°, da Constituição de 1988. O STJ tem o seguinte entendimento sobre esse tema: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR (2012/01537730) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.(g.n.o) 2. Agravo regimental não provido. Na mesma linha de raciocínio, esta Turma já se pronunciou sobre a controvérsia, por meio do Acórdão n° 1202000.972, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SELIC. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.(g.n.o) Pela clareza dos fundamentos deste Acórdão, peço vênia para transcrevêlos: Voto Vencido Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator (...) Por fim, acerca da incidência dos juros sobre o valor exigido a título de multa de ofício, merece ser acolhida a alegação da Recorrente, consoante entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos: “RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 38 37 valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 910100.722, data: 08.11.2010)(g.n.o) Neste mesmo sentido, são vários os acórdãos deste E. Conselho. Vejamos: [...] JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A Lei 9,430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1 ª, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora. [...] (CARF 1ª Seção / 3a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 110300.193 em 18/05/2010 / Publicado no DOU em: 14.03.2011)(g.n.o) [...] INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.(1º Conselho de Contribuintes / 1ª Câmara / ACÓRDÃO 10196.523 em 23.01.2008 / Publicado no DOU em: 11.12.2008)(g.n.o) [...] JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. (CARF 1ª Seção / 2ª Turma Especial / ACÓRDÃO 180200.599 em 03/08/2010 / Publicado no DOU em: 28.03.2011)(g.n.o) Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner, Redatora designada A discordância do voto do ilustre relator limitase à questão da incidência dos juros de mora sobre a multa do ofício, na qual Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 39 38 restou vencido, em que pese os argumentos expendidos e a clareza do seu raciocínio. Ocorre que a matéria tem sido objeto de julgamento reiterado neste e em outros colegiados, em sentido oposto, podendo ser referidos os acórdãos abaixo: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. (Acórdão 120200.138, de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155, de 28/01/2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). Deste colegiado, pode ser referido o Acórdão nº 120200756, de 12/04/2012, cujo voto vencedor foi prolatado por esta relatora no seguinte sentido: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Igualmente, aqui, cabe utilizar os mesmos fundamentos registrados por esta relatora no voto vencedor do acórdão nº 9101.00539, de 11/03/2010, em que a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve a incidência dos juros de mora, devidos à taxa Selic, sobre a multa de ofício. Os fundamentos podem ser sintetizados assim: (i) uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício; (ii) todavia, uma norma não deve ser interpretada isoladamente dentro do sistema tributário nacional, já que interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 40 39 direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito.” (Juarez Freitas, 2002, p.70); (iii) interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema; (iv) no sistema tributário nacional, há de ser uniforme a definição de crédito tributário, considerado como “o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).” (Hugo de Brito Machado, 2009, p.172); (v) o conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária; (vi) a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. (vii) a multa de ofício, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, é exigida “juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago” (§1º). (viii) no momento do lançamento, a multa de ofício agregase ao tributo, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal; (ix) a obrigação principal referente à multa de ofício convertese em crédito tributário a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN; (x) a penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado; (xi) os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União; (xii) o art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o “crédito” não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento; (xiii) o art. 61 da Lei n° 9.430/96, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente, o que contribui para afastar eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos juros e multa; Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 41 40 (xiv) a partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário, que pode ser constituído, como se viu, pelo tributo mais a multa de ofício, passa a ser acrescido dos juros de mora, devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União, consoante a Súmula CARF nº 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” (xv) a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065/95, na cobrança do crédito tributário, entendimento esse vinculante desde a edição da Súmula CARF n° 5 (“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”). Adotando a linha de raciocínio acima exposta, do ilustre Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias prolatou o voto vencedor no Acórdão nº 910101.191, da sessão de 17 de outubro de 2011 da mesma 1ª Turma da CSRF. Mais recentemente, a 1ª Turma da CSRF manifestouse no mesmo sentido, como se extrai do Acórdão nº 9101001.474, de 14 de agosto de 2012: Assunto: Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício. O redator designado, o ilustre conselheiro Alberto Pinto Júnior, ao elaborar o voto vencedor naquele caso, acrescentou os seguintes argumentos: Assim, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ......................................................................................................." Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 42 41 nos §§ 1° e 3° do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Tal cuidado Por sua vez, não procede a alegação da contribuinte de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Daí porque toda a argumentação do contribuinte está correta, mas apenas no que tange à multa de mora. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por conseqüência, sofre a incidência dos juros de mora.(...) Destarte, entendem o STJ e o voto vencedor da decisão administrativa que a multa de ofício faz parte do termo “crédito” constante do art. 161, caput, do CTN, e do termo “débito” no art. 61, caput e §3º, da Lei n° 9.430, de 1996, e que, por isso, sofre incidência dos juros moratórios. Em que pesem os fundamentos dessa interpretação, ouso destes discordar. Nesse ponto, cabe, mais uma vez, transcrever os artigos naquilo que interessa à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício: CTN TÍTULO III Crédito Tributário CAPÍTULO IV Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO II Pagamento Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.(g.n.o) (...) § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 43 42 Lei n° 9.430, de 1996. Capítulo IV PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Capítulo V DISPOSIÇÕES GERAIS Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Observase, da leitura do art. 161, caput, do CTN, que, ao termo “crédito” deve ser qualificado o adjetivo “tributário”, uma vez que este artigo encontrase inserto no Título III do CTN CRÉDITO TRIBUTÁRIO, vedandose, por conseguinte, a incidência de Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 44 43 juros moratórios sobre a multa de ofício, a qual não faz parte do crédito tributário antes do vencimento. Este pensamento consta das lições do Professor Luciano Amaro, transcritas a seguir: (...) sem prejuízo da imposição de penalidades e da aplicação de medidas de garantia. Embora o dispositivo se reporte a “crédito tributário”, ele é aplicável também às situações em que não tenha havido lançamento (...) (op. cit p.418) O Código Tributário Nacional dedicou três artigos à responsabilidade por infrações tributárias (...), reportandose, ainda, à matéria, de modo fragmentário, noutras disposições: (...)m) art. 161 (cabimento de penalidades pelo inadimplemento do dever de recolher tributo)(g.n.o)(op. cit. p. 467). A partir desta determinação da Lei de Normas Gerais Tributárias, Lei Complementar, a expressão Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal no art. 61, caput e §3º, da Lei n° 9.430, de 1996, Lei de rito ordinário, não inclui a multa de ofício para fins de incidência dos juros moratórios,o que guarda coerência com a hierarquia das Leis e com a interpretação dos referidos artigos à Luz dos Direitos e Garantias Fundamentais e do Sistema Tributário Nacional referidos na Constituição de 1988. Por fim, esclarecenos o Professor Mauro Luis Rocha Lopes (in Direito Tributário, 4. ed. Rio de Janeiro: Impetus, p. 266): O cálculo dos juros em cima da multa, à evidência, agrava indevidamente a penalidade no tempo e a descaracteriza, transformandoa em instrumento de arrecadação estatal. Mutatis mutandis, é como se o condenado em processo criminal tivesse de se sujeitar ao agravamento de sua pena apenas em função da demora em se recolher ao cárcere, o que não faz o menor sentido. Estabelece a norma geral tributária do art. 161, caput, do CTN que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, como a evidenciar que o crédito original, representado exclusivamente pelo montante do tributo não pago, figura, isoladamente, tanto como base para a contagem dos juros como para o cálculo da multa (...) Por conseguinte, pelas razões expostas, DOU provimento parcial ao presente recurso para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 45 44 Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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