Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,437)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,532)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,725)
- Terceira Câmara (68,203)
- Segunda Câmara (57,034)
- Primeira Câmara (21,275)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,959)
- Segunda Seção de Julgamen (115,716)
- Primeira Seção de Julgame (77,508)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,472)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,654)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,655)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,010)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10660.720001/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 28/11/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO INCOMPLETO E DESMONTADO. REGRA APLICÁVEL.
O produto importado desmontado e incompleto, mas que, no estado em que se encontra, apresenta as características essenciais do artigo completo e acabado, deve ser classificado no código tarifário específico, e não de acordo com as peças que o compõe, por força da Regra 2.a do sistema de Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI/SH.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 28/11/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO INCOMPLETO E DESMONTADO. REGRA APLICÁVEL. O produto importado desmontado e incompleto, mas que, no estado em que se encontra, apresenta as características essenciais do artigo completo e acabado, deve ser classificado no código tarifário específico, e não de acordo com as peças que o compõe, por força da Regra 2.a do sistema de Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI/SH. Recurso voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10660.720001/2008-10
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851527
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.423
nome_arquivo_s : Decisao_10660720001200810.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 10660720001200810_5851527.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7201182
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011649966080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1467; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.720001/200810 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.423 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2018 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente COLEÇÃO IND. COM. INFORMÁTICA E ELETRÔNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/11/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO INCOMPLETO E DESMONTADO. REGRA APLICÁVEL. O produto importado desmontado e incompleto, mas que, no estado em que se encontra, apresenta as características essenciais do artigo completo e acabado, deve ser classificado no código tarifário específico, e não de acordo com as peças que o compõe, por força da Regra 2.a do sistema de Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 00 01 /2 00 8- 10Fl. 140DF CARF MF 2 convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase de auto de infração que promove a reclassificação fiscal de 70.560 unidades de mouse desmontados, importados através da DI 07/16515606, classificados originalmente segundo as peças individualmente consideradas, com exigência das diferenças de tributos, acrescidos de juros de mora, multa de ofício e multa por erro de classificação fiscal. Em impugnação o contribuinte defendeu a classificação fiscal adotada destacando que, de fato, as peças destinavamse à produção de 70.560 mouses, contudo havia, também, peças de reposição e outras partes destinadas à produção de teclados. Questionou ainda a constitucionalidade das multas aplicadas. A DRJ Florianópolis/SC deu parcial provimento à impugnação para limitar a autuação às peças necessárias à montagem dos mouses, excluindo as pretensas peças de reposição: “INSUMOS IMPORTADOS DESMONTADOS E INACABADOS. Conforme as Regras Gerais do Sistema Harmonizado (SH), a classificação fiscal de um produto incompleto ou inacabado, desmontado ou por montar, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado, se dará no código desse artigo completo e acabado. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editado.” O recurso voluntário sustentou equívoco na interpretação das regras gerais de classificação fiscal, por parte da decisão recorrida; que o produto (mouse) não estaria pronto, por faltarlhe a peça principal – placa integrada de circuitos –; e, que houve afronta ao princípio da legalidade, ao não aplicar adequadamente a Regra 2.a) VII NESH. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Nos termos do art. 94, parágrafo único, do Decreto nº 4.543/2002, que aprovou o Regulamento Aduaneiro, vigente por ocasião dos fatos geradores, relativamente à classificação das mercadorias, a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10660.720001/200810 Acórdão n.º 3401004.423 S3C4T1 Fl. 11 3 Nomenclatura Comum do Mercosul será feita com observância das Regras Gerais para Interpretação, das Regras Gerais Complementares e das Notas Complementares e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da Organização Mundial das Alfândegas (Decretolei no 1.154, de 1o de março de 1971, art. 3o). As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, utilizadas prioritariamente para classificação fiscal, são as seguintes: “1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. Fl. 142DF CARF MF 4 b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classifica se na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4. As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. 5. Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário.” A regra aplicável ao caso vertente, segundo a autuação e a decisão reclamada é a “2.a”. O próprio contribuinte reconhece, em sede impugnatória, que as peças importadas destinavamse à montagem de 70.560 (setenta mil, quinhentos e sessenta) mouses: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10660.720001/200810 Acórdão n.º 3401004.423 S3C4T1 Fl. 12 5 “Como é cediço, em se tratando de uma empresa do porte da impugnante, que produz e comercializa peças e equipamentos para diversos países, as importações são constantes, sempre no intuito de suprir os estoques da produção, como de matérias primas, peças e equipamentos, além de adquirir os demais suprimentos indispensáveis ao prosseguimento de sua atividade. E de forma a suprir seus estoques para a consecução do seu objetivo (produzir e comercializar acessórios de informática), a impugnante importou através da Declaração de Importação n°07/16515606, matérias primas e peças para a produção de 70.560 (setenta mil quinhentos e sessenta) mouses e outros equipamentos, (...)” (destacado) Indiscutível, portanto, a aplicação da citada RGI/SH 2.a, consoante a qual qualquer referência a um artigo em determinada posição alcança o produto, ainda que incompleto ou inacabado, mas que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado, abrangendo ainda, nos termos precedentes, aquele que se apresente desmontado ou por montar. Então, uma vez identificado que as peças declaradas e classificadas isoladamente compunham 70.560 mouses desmontados, mesmo inacabados/incompletos, correta a reclassificação para o código correspondente ao produto acabado. O fato de faltarlhe peças essenciais, como as placas de circuito interno, ou mesmo a necessidade de outros processos para sua finalização, não operam em favor do recorrente, porquanto, pela mencionada regra, a classificação como produto final se estendem às partes desmontadas ou por montar, ainda que incompletos, mas desde que identificáveis como tais. Na situação dos autos, é inequívoco que as partes importadas permitem identificar que se tratam de mouses desmontados. Também não procede o raciocínio que, para receberem a caracterização de “produtos desmontados ou por montar”, as mercadorias importadas não poderiam sofrer qualquer trabalho adicional para complementação de produto, a partir das disposições das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, o que, no entendimento do recorrente, exigiria que o produto deveria ser completo, ainda que desmontado, para se enquadrar na regra indicada. A leitura proposta, se acatada, iria de encontro às próprias disposições da referida Regra 2.a, porquanto é clara em estabelecer que o produto, incompleto ou inacabado, desmontado ou por montar, deve seguir a classificação do produto pronto, desde que, no estado em que se encontre, apresente as características essenciais daquele, o que sucede no caso sub examine. Nesse sentido, não vislumbro qualquer afronta ao princípio da legalidade a justificar a improcedência do lançamento. Fl. 144DF CARF MF 6 Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005279/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2006
PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído com relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período.
PRLIMINAR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD RETENÇÃO DE 11% EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL OBRIGAÇÃO DE EFETIVAR A RETENÇÃO
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal.
Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada.
O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98.
RETENÇÃO DE 11% NATUREZA TRIBUTÁRIA RECOLHIMENTOS NAS PRESTADORAS APRESENTAÇÃO DE CND NÃO ELIDE A OBRIGAÇÃO DE RETER
O fato das empresas prestadoras possuírem recolhimentos ou mesmo CND não desobriga a empresa tomadora de efetuar a retenção, conforme descrito acima, nem tão pouco refuta o presente lançamento, ou seja, o desconto sempre se resume feito regularmente e é obrigação da tomadora de serviços.
Numero da decisão: 2401-005.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído com relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. PRLIMINAR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD RETENÇÃO DE 11% EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL OBRIGAÇÃO DE EFETIVAR A RETENÇÃO Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98. RETENÇÃO DE 11% NATUREZA TRIBUTÁRIA RECOLHIMENTOS NAS PRESTADORAS APRESENTAÇÃO DE CND NÃO ELIDE A OBRIGAÇÃO DE RETER O fato das empresas prestadoras possuírem recolhimentos ou mesmo CND não desobriga a empresa tomadora de efetuar a retenção, conforme descrito acima, nem tão pouco refuta o presente lançamento, ou seja, o desconto sempre se resume feito regularmente e é obrigação da tomadora de serviços.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10120.005279/2007-90
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851416
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.338
nome_arquivo_s : Decisao_10120005279200790.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10120005279200790_5851416.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7199810
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011661500416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2076; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.005279/200790 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.338 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MAIA E BORBA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído com relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. PRLIMINAR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD RETENÇÃO DE 11% EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL OBRIGAÇÃO DE EFETIVAR A RETENÇÃO Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: “A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 52 79 /2 00 7- 90 Fl. 2869DF CARF MF 2 em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98.” RETENÇÃO DE 11% NATUREZA TRIBUTÁRIA RECOLHIMENTOS NAS PRESTADORAS APRESENTAÇÃO DE CND NÃO ELIDE A OBRIGAÇÃO DE RETER O fato das empresas prestadoras possuírem recolhimentos ou mesmo CND não desobriga a empresa tomadora de efetuar a retenção, conforme descrito acima, nem tão pouco refuta o presente lançamento, ou seja, o desconto sempre se resume feito regularmente e é obrigação da tomadora de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório MAIA E BORBA S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0330.655/2009, às efls. 2.351/2.365, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, referente à retenção de 11% sobre o valor bruto dos serviços realizados mediante cessão de mãodeobra contida em notas fiscais de serviços prestado a recorrente, em relação ao período de 01/2000 a 09/2006, conforme Relatório Fiscal, às fls. 212/216 e demais documentos que instruem o processo. Conforme relatado pela autoridade lançadora, a empresa atua no ramo de construção civil e também explora concomitantemente outras atividades empresariais, tais como: concessão para exploração de terminais rodoviários e gerenciamento e administração de shoppings centers. Na atividade de construção civil a empresa executou muitas obras por administração, por empreitada total e por incorporação. Prestou também serviços, realizando empreitadas parciais e executando pequenas obras. No transcurso da ação fiscal, a notificada foi intimada a apresentar os documentos necessários para realização do procedimento de auditoria, entre eles: as notas fiscais emitidas pelas empresas prestadoras de serviços e os respectivos recolhimentos da retenção dos 11%, bem como os contratos de prestação de serviços, contudo, as notas fiscais foram apresentadas parcialmente, entre outras omissões, razão pela qual foi aplicado à empresa o auto de infração debcad n° 37.055.3381. A presente notificação referese apenas às notas fiscais apresentadas parcialmente pela empresa. Da análise desses documentos a fiscalização identificou a existência de notas fiscais emitidas pelos prestadores e sujeitas à retenção sem o'“devido recolhimento ou com recolhimento parcial, conforme discriminado na planilha às fls. 217/235. Acrescenta o relatório fiscal que, embora a legislação previdenciária determine percentuais minimos de incidência nos casos de fornecimento de materiais e equipamentos, tanto o prestador (ao elaborar o destaque) quanto o contratante (na retenção e no recolhimento), não obedeceram às previsões legais, além disso não foram apresentados os contratos firmados entre a empresa contratante (notificada) e as prestadoras. O lançamento consolidado em 22/06/2007 importa em R$ 463.819,59 (Quatrocentos e sessenta e três mil, oitocentos e dezenove reais e cinqüenta e nove centavos) incluindo multa e juros de mora. O débito abrange o período de 01/2000 a 09/2006. A notificada apresentou impugnação, fls. 236/245, anexando documentos fls. 246/751, requerendo, em síntese, a declaração de invalidade do lançamento tributário ou sua retificação, tendo em vista os erros materiais apontados, bem como o descumprimento do princípio da ampla defesa, ausência de relatório com descrição clara e precisa dos fatos ou a retificação da notificação à vista de erro material de cálculo pela não dedução dos valores relativos à mãodeobra terceirizada. Fl. 2871DF CARF MF 4 Em 20/09/2007, os autos do processo foram baixados em diligência, fls. 754/756, com o objetivo de a autoridade lançadora manifestarse, de forma conclusiva, acerca das alegações proferidas pela empresa, especificamente em relação à descrição dos procedimentos/metodologia utilizados para obtenção da base de cálculo das contribuições no que concerne ao percentual aplicado nas notas fiscais a título de retenção. Também foi solicitado relatório complementar com a identificação dos dispositivos regulamentares que embasaram a definição dos percentuais de retenção, considerando o tipo de serviço prestado, bem como análise das notas fiscais anexadas aos autos. Além disso, foi solicitada informação acerca das razões de terem sido consideradas as notas fiscais de concreto usinado. Às fls. 2273/2276, a autoridade fiscal apresentou informação em resposta à diligência determinada. (vide fls.). Concluindo a diligência, foi elaborada planilha, fls. 2277/2292, sugerindo a retificação do lançamento, alterando o valor originário de R$ 260.220,41 para R$ 159.403,23, tendo sido elaborada planilha informando quais valores devem ser excluídos da notificação, fls. 2307/2315. Em obediência ao princípio da ampla defesa, foi reaberto o prazo para que a notificada exercesse seu direito ao contraditório, conforme correspondência enviada à empresa à fl. 2316. Às fls. 2318/2321 a notificada apresentou sua manifestação referente à resposta de diligência efetuada pela autoridade fiscal. O processo, em seguida, foi encaminhado ao órgão julgador para prosseguimento do feito. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 2.402/2.413, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela decretação da decadência da competência junho/2002, uma vez que o fisco só completou o lançamento em 12/07/2007, com a intimação da recorrente (Ofício n° 95/2007/SEFIS/DRF/GOI). Ainda preliminarmente, insurgese quanto ao excesso de exação, pois o método adotado pelo fisco, de aplicar a retenção sobre a diferença valores das notas fiscais apresentadas em contas do razão e as apresentadas fisicamente, fere os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Destaca que a avaliação do custo da construção civil para fins da apuração da remuneração dos segurados despendida em uma obra, por aferição indireta, com base na area construída e no padrão da obra, observa o Custo Global da Obra CGO (art. 442, da IN 03/05), e a Remuneração da Mão de Obra Total RMT despendida na obra (art. 443, da IN 03/05). Além disso, os artigos 448 e 474 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, determinam a dedução de eventuais valores contidos em notificações, bem como a mãode obra de terceiros, e os prestadores contratados. Prossegue afirmando que os atos normativos (OS, IN) desde que não sejam ilegais ou manifestamente ilegais, devem ser obedecidos pelos agentes do fisco, pois asseguram tratamento uniforme aos contribuintes. Contudo, o inciso HI do art. 447 Instrução Normativa no 3, é ilegal, razão pela qual, inferese, não deve ser aplicado. Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 4 5 Acrescenta que diversos atos normativos que normatizaram a matéria no espaço de tempo abrangido pelo lançamento fiscal deixaram de ser citados pelos fiscais (Ordens de Serviço INSS/DAF no 165, de 11/07/97; Instrução Normativa n° 18, de 11 de Maio de 2000; Instrução Normativa n° 69, de 10 de Maio de 2002; Instrução Normativa n° 100, de 18 de Maio de 2003; Instrução Normativa n° 3, de 14 de Junho de 2005. Manifesta que a aferição indireta não é carta branca para o fisco descumprir normas do próprio fisco. Dessa forma o método de aferição utilizado pelos fiscais (aplicação de 11% não sobre o valor da nota fiscal, mas sobre a diferença entre o arquivo apresentado e as notas fiscais fornecidas item 11 do relatório fiscal), além de cercear a defesa, impede não só que as normas do fisco previdencidrio sejam aplicadas, mas também que o valor apurado seja o mais próximo possível da realidade (principio da verdade material). Pondera que nas notas fiscais deveriam ter sido observados os percentuais aplicáveis sobre o valor da nota nas diversas situações de fornecimento de material ou equipamento, serviços de limpeza, pavimentação asfáltica, terraplenagem etc., nos quais a própria norma do fisco (IN 3) prevê a aplicação do percentual sobre valores inferiores ao valor bruto foram ignorados, além do fato de que Notas fiscais não sujeitas A retenção: serviço em estrutura metálica, serviço prestado por empresa optante pelo SIMPLES etc, fazem parte da apuração. Aduz que não foram deduzidas, na apuração do crédito tributário, a mão de obra de terceiros contida nas notas fiscais com retenção acompanhadas de guias de recolhimento. Não se pode exigir, sob pretexto algum, que a recorrente pague a contribuição sobre mão de obra cuja contribuição já foi retida e recolhida por ela como contratante, conforme determina o art. 31, da Lei n° 8.212/91, o que se comprovou, pela exibição das notas fiscais e GPS aos agentes do fisco, e cujos valores eles não relacionaram no anexo II e também não consideraram para efeito de dedução no valor da contribuição indevidamente lançada, e se comprova agora anexando os referidos documentos, conforme planilha também anexa. Não deduzir o valor das contribuições incidentes sobre a mão de obra contida nas notas fiscais relacionadas na planilha, cujas contribuições já foram recolhidas, conforme notas fiscais e guias de recolhimento anexas, significa cobrar duas vezes o mesmo tributo (bis in idem). Afirma que, mesmo quando se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justifiquem o crédito lançado, com observância de garantir o devido processo legal. Acrescenta que o fato de o fisco desconsiderar a contabilidade sem razões relevantes e lavrar 44 NFLD pelos mais diversos motivos (guardados em segredo absoluto), não desobriga as autoridades lançadoras de cumprirem as instruções normativas, pois estas, antes e acima de tudo são expedidas para que eles, agentes do fisco cumpram. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência e nulidade do lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 2873DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. PRELIMINARES DAS INCONSTITUCIONALIDADES Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. NULIDADE DO LANÇAMENTO O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social referentes à retenção de onze por cento, como substituta tributária, incidentes sobre o valor de mão de obra incluído nas notas fiscais emitidas pelas empresas prestadoras de serviços contratadas pela notificada e não recolhidas nos respectivos vencimentos, previstas no art. 31 da Lei n°8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n°9.711, de 1998. Conforme descrito no relatório, os procedimentos contábeis adotados pela empresa, bem como a não entrega dos documentos requisitados pela autoridade fiscal, prejudicaram o andamento da ação fiscal. Além disso, a notificada não fez prova do recolhimento das referidas contribuições diferenças. Por tais razões, conforme consta do relatório, e com base no § 3° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, a presente notificação foi lavrada pela autoridade fiscal com arbitramento da base de cálculo das contribuições devidas, Fl. 2874DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 5 7 tendo sido utilizado como critério de aferição a mesma relação que foi entregue pela empresa, deduzindo os valores das notas fiscais apresentadas parcialmente. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRF, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: a) Instruções para o Contribuinte — IPC fornece ao sujeito passivo orientações, dentre outros assuntos de seu interesse, sobre as providências para regularização de sua situação perante a Previdência Social, por meio de recolhimento, parcelamento ou apresentação de defesa ou recurso, quando for o caso; b) Discriminativo Analítico do Débito — DAD discrimina, por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo sujeito passivo, as aliquotas utilizadas, os valores já recolhidos, anteriortriente confessados ou objeto de notificação, as deduções legalmente permitidas e as diferenças existentes; c) Discriminativo Sintético do Débito — DSD discrimina sinteticamente, por estabelecimento, competência e levantamento, as contribuições objeto da apuração, atualização monetária, multa e juros devidos pelo sujeito passivo; Fl. 2875DF CARF MF 8 d) Relatório de Lançamentos — RL relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental; e) Fundamentos Legais do Débito — FLD informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente A época de ocorrência dos fatos geradores; f) Relatório Fiscal — REFISC se destina A narrativa dos fatos verificados em procedimento fiscal. Registrese, ainda, que foram elaboradas diversas planilhas descritivas dos levantamentos, bem como aproveitados os eventuais recolhimentos que puderam ter sido vinculados aos fatos abrangidos pela notificação, inclusive os documentos apresentados após o prazo legal limite, que é a impugnação, tendo sido entregues todas as informações ao contribuinte. Além disso, o relatório fiscal é claro e exaustivo, informando todas as circunstâncias que levaram a autoridade lançadora a promover o arbitramento. Desde as falhas na contabilidade até a omissão para entrega das informações necessárias ao bom andamento do procedimento fiscal, todos os eventos foram relatados com imparcialidade e sobriedade sem, em nenhum momento, insinuar qualquer juizo de valor em relação às razões determinantes para as faltas cometidas pela empresa notificada. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se Fl. 2876DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 6 9 referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA A recorrente alega que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente, portanto devese decretar a sua nulidade. Não obstante o entendimento da Recorrente, não há como aderir a tal porque a AuditoriaFiscal não está vinculada a posicionamento de outra AuditoriaFiscal que tenha realizado procedimento de fiscalização anterior no contribuinte. Ademais, o art. 6o , I, a da na Lei 10.593/2002 dispõe acerca das atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre as quais constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Além do mais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes, mormente quando já encontrou motivos suficientes e relevantes para fundamentar a decisão. Portanto, afasto a preliminar. MÉRITO RETENÇÃO 11% Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. Fl. 2877DF CARF MF 10 O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98 Pelas informações trazidas no relatório fiscal, bem como pelo que restou demonstrado na informação fiscal, não foram efetuados os devidos destaques na notas, nem tão pouco cumpriu a recorrente a obrigação de reter e recolher as contribuições previdenciárias correspondentes. Desse modo, a recorrente deveria ter retido o valor de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura, observados os limites de deduções e recolher a importância até o dia dois do mês subseqüente à emissão da respectiva nota fiscal/fatura. De acordo com o previsto no art. 33, § 5º da Lei n° 8.212/1991, o desconto sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa, sendo a responsabilidade direta de quem tinha o dever de realizálo. Art. 33 (...). §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. No caso da retenção de 11% não há que se falar em solidariedade, tampouco em benefício de ordem, pois o comando legal impôs a responsabilidade à tomadora de serviços, assim como o fez em relação ao desconto dos segurados empregados. Essa é uma presunção legal absoluta que milita em favor da fiscalização previdenciária. Ao contrário dos argumentos trazidos pelo recorrente, entendo que no caso de retenção há duas obrigações: a primeira, acessória, que é o desconto dos 11%; a segunda é a principal, que é o recolhimento das contribuições retidas. Uma vez que as contribuições previdenciárias são tributos, o objeto da retenção dos 11% também possui natureza tributária, haja vista ser uma antecipação das contribuições, possuindo natureza de substituição tributária. Com o intuito de regulamentar a lei, as autoridades tributárias, no exercício de suas competências, elaboraram e publicaram a Instrução Normativa SRP n° 03, de 2005, estabelecendo procedimentos relacionados à atividade de construção civil, especificamente os casos de regularização de obra cuja base de cálculo tenha sido arbitrada por meio de aferição indireta, arts. 430 a 471. A acuidade e precisão no tocante à normatização dos procedimentos relacionados às obras de construção civil, devese ao fato de que, historicamente, este setor sempre apresentou inúmeras dificuldades no que tange à fiscalização, seja pela quantidade de trabalhadores seja pelo volume de informações. Fl. 2878DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 7 11 Nesse sentido, nos casos em que determinada obra submetase ao regime de aferição indireta, o cálculo da remuneração da mão de obra e, por conseqüência das contribuições devidas, ocorre a partir do enquadramento da obra, de acordo com os procedimentos descritos nos artigos 436 e 441 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 2005, (número de pavimentos, tipo de edificação, etc.) Em seguida, a remuneração é calculada de acordo com a aplicação de percentuais específicos conforme a metragem da obra para, então, aplicarse o custo unitário básico da construção civil vigente na competência em que o recolhimento deva ser efetuado, ou no caso presente, constituído o lançamento, conforme arts. 443 e 446 da Instrução Normativa. Ato continuo, são apropriados os eventuais recolhimentos relacionados A mão de obra própria contratada pela empresa, isto é, seus empregados, valores estes que serão convertidos em área regularizada, conforme arts. 445 e 446. Também é possível que a empresa tenha contratado empreiteiros e subempreiteiras para prestarem serviços específicos durante a construção. Nesses casos, isto é, nas situações em que há mão de obra terceirizada e, portanto, o contratante, é responsável tributária pelo recolhimento da retenção no CNPJ da empresa prestadora, a Instrução Normativa estabelece critérios específicos para que ocorra o aproveitamento desses recolhimentos. Especificamente, em relação às notificações cujo lançamento se deu por aferição indireta com base na área construída, 34 obras, e, reflexamente, na presente notificação, os incisos II e III do art. 447 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, no período de 02/1999 a 09/2002, determinam que a remuneração relativa A mão de obra terceirizada (empreiteiras, subempreiteiras e cooperativas), inclusive o décimo terceiro salário, somente será convertida em área regularizada, ou seja, deduzida do arbitramento, caso os recolhimentos possam ser inequivocamente vinculados á obra em evidência. II a partir de fevereiro de 1999 até setembro de 2002: a) a remuneração declarada em GFIP referente a obra, identificada com a matricula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", com comprovante de entrega, emitida por empreiteira contratada diretamente pelo responsável pela obra, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira; b) a remuneração declarada em GFIP referente it obra, identificada com a matricula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", emitida pela subempreiteira contratada, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos pelo contratante com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira; c) o valor retido com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira contratada, quando não tenha sido apresentada a GFIP da contratada, conforme previsto nas a líneas "a" e "b" deste inciso, observado o disposto no §2° e no art. 239; Fl. 2879DF CARF MF 12 III a partir de outubro de 2002, somente serão convertidas em área regularizada as remunerações declaradas em GFIP referente ti obra, com comprovante de entrega, emitidas pelo empreiteiro ou pelo subempreiteiro, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos correspondentes. Conforme pode ser observado na legislação aplicável, no período de 02/1999 a 09/2002, os critérios para que os valores eventualmente recolhidos a titulo de retenção pudessem ser aproveitados e deduzidos no arbitramento da obra são: remuneração paga pelo prestador declarada em GFIP, devendo ser identificada com a matricula CEI respectiva, no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", bem como apresentado o comprovante de entrega, recolhimento dos valores retidos com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira, devem ser comprovados. De igual modo, em relação As subempreiteiras, exigese o mesmo procedimento No período a partir de outubro de 2002, a conversão em área regularizada, conforme exigia o inciso III do art. 447 da Instrução Normativa n° 3, somente ocorreria nos casos em que as remunerações declaradas em GFIP referente A obra, com comprovante de entrega, emitidas pelo empreiteiro ou pelo subempreiteiro, mediante comprovação o recolhimento dos valores retidos correspondentes. Por essa razão, o artigo 425 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, estabelece como obrigação da empresa contratante que esta mantenha em arquivo, por empresa contratada, em ordem cronológica, pelo prazo decadencial, as notas fiscais, as faturas ou os recibos de prestação de serviços e as correspondentes GFIP's. De igual modo, o parágrafo único do mesmo artigo, autoriza que o tomador dos serviços exija as cópias das GFIP's das empresas contratadas, com informações especificas para a obra, identificando todos os segurados que executaram serviços e suas respectivas remunerações. Durante a ação fiscal e, principalmente, no decorrer do julgamento dos processos, especialmente nas várias vezes em que os mesmos foram baixados em diligencias, a empresa apresentou grande quantidade de documentos, que por sua vez, foram analisados individualmente pelas autoridades fiscalizadoras. Dessa forma, em relação à presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) 37.096.6554, cuja cobrança referese aos 11% que a notificada, na qualidade de contratante, deveria ter retido e recolhido, e que teve a base de calculo aferida indiretamente a partir da relação fornecida pela própria empresa, todas as notas fiscais, e quaisquer documentos apresentados com a impugnação e nos diversos aditamentos, que puderam ser vinculados a quaisquer das obras analisadas durante o procedimento fiscal, foram deduzidas deste lançamento, conforme informação prestada pela autoridade fiscal. Contudo, o exemplo indicado pela recorrente em relação às notas fiscais emitidas pela empresa do Sr. Carlos José Moreira da Silva, cujos serviços foram prestados nas obras RENOV e NOVOB, fica prejudicado, pois o aproveitamento destes valores, de acordo com a legislação previdenciária, incisos II e III do art. 447 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, somente é possível mediante apresentação da GFIP do prestador, razão pela qual não foram considerados para efeito de retificação do lançamento. Nesse sentido, a alegação de que a junta fiscal resiste em retificar o presente crédito tributário quanto às remunerações cobradas nas notificações das obras é improcedente, tendo em vista que os eventuais recolhimentos e créditos em favor do sujeito passivo, foram devidamente aproveitados, inexistindo qualquer razão no tocante à assertiva de que ha tributação em duplicidade, isto é, sobre os mesmos fatos geradores. Fl. 2880DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 8 13 Pelo que se observa, é a notificada que resiste em cumprir os atos normativos da previdência social, em especial o art. 425, já mencionado, e os incisos II e III do art. 447, ambos da Instrução Normativa n° 3, de 2005, taxandoos de ilegais. O primeiro relacionado à obrigação de arquivar os documentos (entre eles as GFIP's das prestadoras) para apresentação oportuna à autoridade fiscal, o que não ocorreu, razão pela qual a empresa teve contra si a lavratura de auto de infração. O segundo relacionado à forma de aproveitamento dos recolhimentos às obras arbitradas. Em relação aos percentuais aplicados às notas fiscais, cumpre lembrar que a empresa deixou de apresentar os contratos que permitiriam a verificação quanto à necessidade de os serviços serem prestados mediante fornecimento de material e/ou equipamentos, circunstância que influencia, diretamente, o procedimento fiscal. Portanto, nego provimento quanto aos aspectos encimados. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Explicita que, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. Registrese que não há dúvidas de que a legislação previdenciária, no caso sob análise, dadas as condições fáticas ocorridas durante o procedimento fiscal, autoriza a fiscalização a promover o arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme previsão, inclusive do artigo 148 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim, a conseqüência jurídica disso, portanto, nos termos dos parágrafos 3°, 4° e 6° do art. 33, é a imediata e consequente inversão do ônus da prova. Tal circunstância determina que a simples manifestação de contrariedade do impugnante não tem o condão de afastar o ato administrativo dotado de presunção de legitimidade, legalidade e veracidade. Em que pese a contribuinte ter apresentado inúmeras cópias de guias de recolhimento e notas fiscais, observase, conforme manifestado pela autoridade lançadora, fls., muitos documentos foram repetidos e outros em nada se relacionam com a notificação sob análise. No tocante ao eventual aproveitamento dos valores lançados na presente notificação em relação As demais notificações relacionadas às obras, lançadas por arbitramento com base na área construída, impende observar que tal aproveitamento, à luz do que determina os incisos do art. 447 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, somente podem ser efetuados a partir da vinculação inequívoca da nota fiscal à obra reivindicada. Além disso, necessário se Fl. 2881DF CARF MF 14 faz a apresentação das GFIP's preparadas separadamente por cada prestador, sendo certo que tais procedimentos são essenciais para acolhimento da tese da defendente, tendo em vista a inversão do ônus da prova, justificada pelo descumprimento das obrigações acessórias já informadas anteriormente. No tocante à conta "Serviços de Terceiros", para a qual a notificada alega que foram contabilizadas as notas fiscais excluídas do regime de retenção e que, por essa razão, deveriam ser excluídas do lançamento, importante destacar que a mera alegação de tal fato não é suficiente para exclusão destes valores da notificação, tendo em vista a inversão do ônus da prova comentada há pouco. É dizer, para que tais valores pudessem ser excluídos, a empresa deveria apresentar todas as notas fiscais relacionadas presentes na relação que serviu como critério de aferição do arbitramento para que a fiscalização pudesse verificar se, de fato, estariam, ou não, excluídas do regime da retenção. Pelo exposto, não acolho o pleito da recorrente. BIS IN IDEM, BITRIBUTAÇÃO, IMPARCIALIDADE E NOTAS FISCAIS Insurgese, sob a complacência da DRJ/BSB, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. Tal argumentação da recorrente se circunscreve a valoração de prova fática, posto devese verificar se houve ou não o lançamento duplicado de contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD. Ante o exposto, quanto a alegação de que houve bi tributação e bis in idem, expressões utilizadas pela defendente durante as manifestações nos autos do processo, importante destacar que em matéria tributária as diferenças entre esses termos são nítidas. Roque Antonio Carrazza descreve de modo simples que "...em matéria tributária, dáse o bis in idem quando o mesmo fato jurídico é tributado duas ou mais vezes, pela mesma pessoa política. Já, bitributação é o fenômeno pelo qual o mesmo fato jurídico vem a ser tributado por duas ou mais pessoas políticas". No caso sob análise, não ocorreu o bis in idem, pois todas as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra objeto do presente lançamento, conforme determina a Instrução Normativa SRP n" 03, de 2005, foram consideradas para efeito de redução do lançamento, con forme atestado pela autoridade fiscal e verificado por este órgão julgador. Dessa forma, não se verifica a bitributação nem tão pouco qualquer ausência de prejuízo em desfavor da recorrente no sentido de não ter sido efetuado algum credito eventual de alguma retenção. Em verdade, todas as notas fiscais e respectivas guias de recolhimento da previdência social que puderam ser vinculadas a cada uma das obras para aproveitadas pela autoridade lançadora. Observase que não houve afronta ao princípio da imparcialidade, bem como não houve bis in idem, uma vez que fora observado os requisitos legais. Fl. 2882DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 9 15 Assim, não prospera a argumentação da contribuinte. DECADÊNCIA COMPETÊNCIAS ATÉ JUNHO/2002 Aduz está decadente as competência até junho de 2002. Nesse aspecto não assiste razão ao recorrente, pois, o fato de ter sido reaberto o prazo pela substituição dos documentos, não implica em nova notificação, sendo certo que a data inicial a ser considerada para efeito da contagem do período decadencial é a da primeira notificação regular ao sujeito passivo, uma vez que o lançamento foi ali perfectibilizado Nesse sentido, a .simples substituição dos relatórios não determina a irregularidade do lançamento. Assim, a notificação feita no dia 22/06/2007 foi o último ato do procedimento de constituição formal do crédito tributário, tomandoo oponível a contribuinte, razão pela qual as competências abrangidas pela decadência referemse ao prazo indicado pela DRJ, ou seja, os meses decadentes e excluídos da notificação referemse ao período abrangido pelas competências 01/2000 a 05/2002, devendo ser mantidas a competência 06/2002, haja vista a substituição dos relatórios ter tido apenas o efeito de dilatar o prazo da impugnação, subsistindo a validade da notificação efetuada no dia 22/06/2007. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para rejeitar as preliminares, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 2883DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905200/2009-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM.
A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399-BA.
Numero da decisão: 9101-003.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.904183/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399-BA.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13888.905200/2009-19
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5840388
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.332
nome_arquivo_s : Decisao_13888905200200919.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ADRIANA GOMES REGO
nome_arquivo_pdf_s : 13888905200200919_5840388.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.904183/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7166783
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011667791872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1591; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13888.905200/200919 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.332 – 1ª Turma Sessão de 17 de janeiro de 2018 Matéria SERVIÇO HOSPITALAR LUCRO PRESUMIDO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado C. P. A. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RADIOLÓGICOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399BA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.904183/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 52 00 /2 00 9- 19 Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que foi decidido sobre o coeficiente para cálculo do lucro presumido no caso de empresa que presta serviços por imagem. A recorrente insurgese contra Acórdão que reconhece que a prestação de serviço médico por imagem estava submetido ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente, relativamente à matéria acima mencionada, da que tem sido dada em outros processos. Sustenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1116399 não menciona os serviços por imagem, equiparandoos a serviços hospitalares. Tal julgado tão somente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei nº 9.429/95. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente de Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho fundamentado deu seguimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O presente processo trata de IRPJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.319, de 17.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.904183/200994. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.319): Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 4 3 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 5 4 ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 6 5 julgamento do RESP 951.251PR, conforme o destaque feito na transcrição acima. Também é interessante transcrever a ementa dessa decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 7 6 O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 8 7 realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. (grifos acrescidos) Retomando o conteúdo destes autos, vêse que a atividade da contribuinte não consiste em simples prestação de consultas médicas. Em seu recurso, a PGFN argumenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.116.399 não menciona os serviços de radiologia, equiparandoos a serviços hospitalares; que tal julgado tãosomente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, deixando claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento. De fato, a referida decisão do STJ não tratou especificamente de serviços de radiologia, mas tudo o que foi dito naquela decisão sobre a questão em torno da tributação dos serviços hospitalares deve ser aplicado para as várias atividades ligadas à promoção da saúde. Com efeito, o STJ, ao proferir a citada decisão na sistemática dos recursos repetitivos, não restringiu sua análise aos serviços médicos laboratoriais (situação específica daquele REsp). Por outro lado, embora a PGFN reconheça que o STJ deixou claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento no coeficiente de 8%, ela acabou buscando fundamento nas antigas instruções normativas da Receita Federal que defendiam justamente essa linha de interpretação. As decisões invocadas pela PGFN, tanto do antigo Conselho de Contribuintes, quanto do STJ (2006), realmente trazem um entendimento superado, alterado em 2009 pelo próprio STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, conforme já mencionado. Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionou em outras oportunidades sobre situações semelhantes à destes autos, reconhecendo a aplicação do coeficiente de 8% para entidades que também não são hospitais, mas que se encaixam na referida interpretação do STJ manifestada em sede de recursos repetitivos, e que foi considerada pela CSRF como de observância obrigatória, em razão do art. 62A do RICARFAnexo II: Acórdão nº 9101001.870 Sessão de 30 de janeiro de 2014 Recorrente: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS DE SOROCABA LTDA Interessado: FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:1999,2000,2001,2002 Ementa: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. SERVIÇOS HOSPITALARES. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N° 11.727/08. COEFICIENTES DISTINTOS PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 9 8 As empresas laboratoriais de análises clínicas que optaram pelo Lucro Presumido, antes da vigência da Lei n° 11.727/08, devem utilizar o coeficiente de 8% para determinar o referido lucro. Aplicação do entendimento exarado no RESp nº 1.116.399BA, conforme art. 62A do RICARFAnexo II. [...] Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão O recurso preenche os pressupostos e dele conheço. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese ao enquadramento de prestadora de serviços de análises clinicas na mesma categoria das atividades de serviços hospitalares, para efeito de tributação pelo lucro presumido. Os outros temas levantados no especial do Contribuinte não foram admitidos. O recurso especial foi apresentado pelo Contribuinte em 30 de junho de 2009 (fls. 366), ocorre que em 08/11/2010, transitou em julgado o RESp nº 1.116.399BA, Primeira Seção, Rel. Min. Benedito Gonçalves (decidido em 28 de outubro de 2009), objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo regime instituído no art. 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), em que foi negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Isto posto, conheço do recurso especial. O RESp nº 1.116.399BA tem a seguinte ementa: [...] A ementa do julgado evidencia que estão excluídas do conceito tributário de atividades hospitalares as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. E, decidindo especificamente a matéria tratada nestes autos, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que o coeficiente de presunção de lucros estabelecido na Lei nº 9.249/95 deve ser de 8%, para fins de apuração do IRPJ, e de 12%, para fins de apuração da CSLL, relativamente à parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, naquele caso também empresa prestadora de serviços médicos laboratoriais, atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas. Vejase que o julgado afastou qualquer aplicação retroativa da Lei nº 11.727/2008, e fixou a interpretação em referência para os fatos geradores anteriores à sua edição, ou seja, anteriormente ao anocalendário 2008 (caso dos presentes autos). Assim, há que se aplicar ao caso o art. 62A do RICARFAnexo II, devendo se observada mandatoriamente a decisão do STJ acima mencionada. Neste sentido, há que se dar provimento parcial ao recurso especial (que pede a nulidade do auto de infração), apenas para submeter a receita bruta ao coeficiente de 8% para o cálculo do IRPJ, e não para afastar integralmente a exigência. Isto porque as receitas não operacionais devem ser adicionadas ao lucro presumido e não se Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 10 9 submetem à aplicação do coeficiente de presunção, como fez o Contribuinte. Em conclusão, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso especial do Contribuinte. Acórdão nº 9101001.559 Sessão de 23 de janeiro de 2013 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado: CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEMMEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). [...] Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. [...] Quanto ao mérito, a discussão gravita em torno do percentual aplicado na apuração do lucro presumido às sociedades prestadoras de serviços médicos na área de medicina nuclear nos anos calendários de 1998, 1999 e 2000, dependendo do conceito de serviços hospitalares. Sobre a legislação aplicável ao assunto, diz a Lei n° 9.249/95, em sua redação original: [...] Com o advento da Lei n° 11.277/2008, não restam dúvidas, que, a partir de janeiro de 2009, os serviços prestados pela interessada enquadramse no conceito de serviços hospitalares, desde que cumpridos os requisitos a seguir dispostos: [...] Antes da vigência da Lei n° 11.727/2008, em caso semelhante, a 1ª Turma da CSRF, entendera que serviços médicos e ambulatoriais enquadramse na categoria de serviços gerais em acórdão assim ementado: [...] Porém, em 28/10/2009, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 1.116.399 – BA, relator Ministro Benedito Gonçalves, Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 11 10 proferiu decisão na mesma linha de raciocínio da decisão do acórdão ora recorrido: [...] Referido julgado enquadrouse na sistemática dos recursos especiais repetitivos a que se refere o art. 543–C do Código de Processo Civil (CPC). Devese, em decorrência, aplicar a Portaria MF n° 586, de 22 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com a seguinte redação: [...] Portanto, devemse considerar os serviços específicos prestados pela interessada como enquadrados no conceito de serviços hospitalares, cuja receita bruta auferida recebe o percentual de 8% na apuração do IRPJ pelo lucro presumido. No presente processo, cabe adotar o mesmo posicionamento das referidas decisões desta 1ª Turma da CSRF (acima transcritas). Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, em negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000023/2007-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 24/07/2001, 23/08/2001
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do anterior Código de Processo Civil, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF.
ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK. ANULAÇÃO. COMPETÊNCIA.
A atribuição para emitir, modificar ou anular ato concessório de Drawback é da Secretaria de Comércio Exterior - SECEX, não cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil julgar a legalidade de atos praticados no âmbito da Secretaria de Comércio Exterior.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-005.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 24/07/2001, 23/08/2001 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do anterior Código de Processo Civil, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK. ANULAÇÃO. COMPETÊNCIA. A atribuição para emitir, modificar ou anular ato concessório de Drawback é da Secretaria de Comércio Exterior - SECEX, não cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil julgar a legalidade de atos praticados no âmbito da Secretaria de Comércio Exterior. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10074.000023/2007-99
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851437
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.373
nome_arquivo_s : Decisao_10074000023200799.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10074000023200799_5851437.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7200483
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011671986176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1685; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 312 1 311 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10074.000023/200799 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.373 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de março de 2018 Matéria Drawbacksuspensão Recorrente INEPAR EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/07/2001, 23/08/2001 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário regese pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do anterior Código de Processo Civil, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK. ANULAÇÃO. COMPETÊNCIA. A atribuição para emitir, modificar ou anular ato concessório de Drawback é da Secretaria de Comércio Exterior SECEX, não cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil julgar a legalidade de atos praticados no âmbito da Secretaria de Comércio Exterior. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 00 23 /2 00 7- 99 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 313 2 Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese o relatório do acórdão recorrido: "Contra INEPAR EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A foi lavrado auto de infração, no qual é cobrado Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados Vinculado à Importação, além de multa de ofício, totalizando um montante de R$ 5.180.321,81. Segundo relatado, a autoridade fiscal fora informada acerca da declaração de nulidade do Ato Concessório de Drawback n° 161600/299, de interesse do sujeito passivo, com base no MEMO n° 0759/2006, de 05 de setembro de 2006, da COANA/DIFIA, o qual fez referência ao Oficio n° 280/DECEX 32006, de 16 de agosto de 2006, que encaminhou cópia da Decisão n° 436/DECEX2006, de 15/08/2006, referente ao Processo n ° 52500.017726/200567, de 22/09/2005, daquele Órgão. Promovida pesquisa no sistema DW Aduaneiro, constatouse a existência de importações efetivadas nas Declarações de Importação (DI) 01/07339530, 01/07339654 e 01/08431872, com a utilização do beneficio de Drawback, concedido com base no ato que foi posteriormente anulado. Intimada a empresa (Termo de Intimação n° 190/2006, de 30/10/2006) a comprovar o eventual pagamento dos tributos suspensos compareceu perante a autoridade fiscal o procurador da empresa, apresentando requerimento no qual solicitava a dilatação de prazo para atendimento da citada intimação. Não tendo mais se manifestado a empresa após o novo prazo concedido efetuouse o lançamento de oficio, por falta de pagamento, com a multa de 75% calculada sobre a totalidade do II e do IPI devidos, nos termos do artigo 44 e seu § 1°, inciso I e 45 da Lei n° 9.430/1996. Cientificada pessoalmente a contribuinte em 28 de dezembro de 2006 (cópia à fl. 71), lavrouse, em 05 de fevereiro de 2007, Termo de Revelia (cópia à fl 80). No entanto, à fl. 218, declara se a nulidade do citado Termo de Revelia, vez que em 29 de janeiro havia sido protocolizada impugnação na DRF/Joinville SC, posteriormente encaminhada a IRF/RJO. A impugnante inicia seu arrazoado discorrendo sobre os fatos que antecederam a anulação do Ato Concessório de Drawback Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 314 3 n° 161600/299 pela Secretaria de Comércio Exterior, os quais sintetizaremos a seguir: Em 12 de janeiro de 2000, a Impugnante requerera junto ao Decex Ato Concessório de Drawback para fornecimento no mercado interno; Em 28 de fevereiro de 2000 fora expedido o aludido Ato Concessório, encaminhado cópia à impugnante por fax, advindo da Secex, assinado pelo Sr. Eduardo Coelho Fernandes; Posteriormente, foi instaurado processo administrativo no 5200.040714/200115, do Decex, para apuração de irregularidades em documentos internos relacionados ao citado ato concessório, e a outros três, emitidos em favor das empresas LEMFÔRDER DO BRASIL S/A e NEC DO BRASIL S/A. O fiscal responsável alegadamente não teria reconhecido sua assinatura, tendo sido apontadas falhas relacionadas à ordem de numeração dos atos. Em 22.11.2003, a Consultoria Jurídica do MDIC, apresentou parecer PARECER/MEDIC/CONJUR/CRS no 4675.3/2003, determinando a instauração de procedimento administrativo objetivando a anulação dos atos concessórios irregularmente emitidos, a instauração de sindicância administrativa, visando à apuração e punição dos agentes responsáveis pelas irregularidades cometidas, a comunicação dos fatos à Secretaria da Receita Federal, para adoção das providências pertinentes, e, ainda, a comunicação à Polícia Federal para apuração de crime eventualmente praticado. Em 04 de outubro de 2005, a impugnante tomara ciência do processo administrativo n. 52500.017726/200567, que tinha por objeto a anulação do Ato Concessório de Drawback n. 1616 00/0000299. Em 30 de outubro de 2005, a impugnante apresentara sua defesa naquela esfera, alegando que recebera cópia do ato deferido diretamente de linha telefônica da Secex. Não poderia a Administração unilateralmente anular tal ato, sem que a apuração dos responsáveis pelas irregularidades estivesse concluída. O processo de apuração dos fatos, assim como o parecer da Consultoria Jurídica da Secex, deixaram de mencionar a impugnante, cerceando seu direito de defesa. A ordem da maioria dos processos do Decex seria realizada manualmente, à caneta, o que poderia resultar em equívocos de numeração e arquivamento. A impugnante praticara seus atos de boafé, baseada em documento expedido pela Administração Pública. Em 15 de agosto de 2006, foi proferida a Decisão n. 436/DECEX 2006, no referido processo, declarando a nulidade do Ato Concessório de Drawback n. 161600/0000299. Em 28 de dezembro de 2006, a impugnante recebeu o Auto de infração ora guerreado. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 315 4 No tocante ao lançamento, alega preliminarmente a impugnante que decaíra o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário. Defende que tratase de tributos cujos lançamentos darseiam por homologação, os quais seriam perfectibilizados através da declaração de importação, não importando se teria sido feito ou não o pagamento antecipado do tributo, posto que a ausência de pagamento antecipado é parte do referido benefício, o que não descaracterizaria o lançamento por homologação. Sustenta ainda que a contagem do prazo decadencial seguiria a regra insculpida no art. 150, § 4o do CTN, sendo que o "dever de antecipar o pagamento" não se faz essencial para o inicio da contagem do prazo prescricional. O que autorizaria o início do prazo prescricional seria a ocorrência do fato gerador e não o pagamento antecipado. Acrescenta que a autoridade fiscal não necessitaria aguardar o término do adimplemento dos requisitos contidos no ato concessório, posto que, se tomar ciência de alguma irregularidade deverá lançar o tributo. Sustenta ainda que, nas hipóteses em que há suspensão da obrigação, a contagem do prazo decadencial iniciaria com a lavratura do Termo de Responsabilidade. Por outro lado, defende a impugnante que haveria erro de capitulação legal no lançamento, posto que o auto de infração teria sido fundamentado em diversos dispositivos legais do Decreto 2.637/98, decreto que aprovou e instituiu o Imposto de Renda (sic), o qual teria sido expressamente revogado do ordenamento jurídico pátrio através do art. 524 do Decreto 4.544, de 27/12/2002. No mérito, sustenta que o Gerente em Exercício do DECEX, teria cassado sumariamente o Ato Concessório de Drawback conferido à Impugnante, pelos seguintes argumentos: i) não reconhecimento de sua assinatura no Ato Concessório; ii) falta de lembrança de ter emitido o referido Ato; e iii) que os documentos de contraprova ao Ato não se encontrariam nos arquivos do Decex. Alega que anulação unilateral do Ato Concessório, sem o devido processo legal e o contraditório, e sem o resultado conclusivo acerca da prática de irregularidades e respectivos responsáveis seria ilegal. Sustenta que sem a conclusão da apuração do ilícito pelo Decex não se poderia cobrar os tributos objeto de exigência. Ressaltando ainda que a anulação do Ato Concessório produzira efeito sobre terceiro de boafé, observa que não caberia à impugnante o ônus de fiscalizar os fatos ocorridos no Decex. Defende que deveria prevalecer a presunção de legitimidade para a impugnante, posto que não teria praticado qualquer ato ilícito, sendo que a concessão do regime teria lhe parecido legítima. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 316 5 Ao cobrar juros e multa, estaria a Administração penalizando a impugnante por uma operação que a própria Administração lhe havia autorizado a efetuar. Assim sendo, não estariam presentes os requisitos para imposição da multa, descumprimento espontâneo e culpa, tendo restado caracterizada a boafé da impugnante. Por fim, requer: i) A suspensão desse processo administrativo, até que se apure definitivamente os ilícitos e respectivos responsáveis, no âmbito do Processo Administrativo n. 52500.0017726/200567, que tramita perante o SECEX/RJ; ii) O reconhecimento da decadência do direito de constituir o crédito tributário litigioso; iii) Uma vez julgado o Processo Administrativo n. 52500.0017726/200567, requer: iii.i) caso a decisão reconheça a validade do ato concessório anulado, requer o restabelecimento dos seus efeitos, afastando se o lançamento; iii.ii) caso a decisão mantenha a anulação, o reconhecimento da boafé da impugnante, reconhecendose seu direito de pagar os tributos devidos sem a incidência de multa. Apreciando a defesa da empresa, a Sexta Turma da DRJ em Recife julgou improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/07/2001, 23/08/2001 Drawback Suspensão. Prazo decadencial. Enquanto não concluído o prazo outorgado para cumprimento do compromisso de exportar, inerente ao regime, não tem início a fluência do prazo decadencial do direito de o Fisco promover o lançamento decorrente do eventual descumprimento daquele compromisso. Findo tal prazo, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte o quinquênio em que tal lançamento deve ser levado a efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/07/2001, 23/08/2001 Responsabilidade por Infração. Alegação de boa fé do agente. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 317 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/07/2001, 23/08/2001 Anulação de Ato Concessório de Drawback pela Secex. Reflexos Tributários. Não cabe à Secretaria da Receita Federal julgar a legalidade de atos praticados no âmbito da Secretaria de Comércio Exterior. No que se refere ao Regime de Drawback, a repartição de competência entre os dois órgãos é clara, cabendo exclusivamente à Secex a concessão do benefício, por meio de Ato Concessório. Uma vez anulado o Ato Concessório pela própria Secex, perde efeito a suspensão dos tributos, competindo à Receita Federal promover o seu lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzias em impugnação, a seguir resumidas: 1. A ocorrência de decadência; 2. Vício no enquadramento legal; 3. Vícios formais acerca dos procedimentos adotados em relação à anulação do ato concessório do regime de Drawbacksuspensão; 4. Arbitrariedade quanto à anulação unilateral e cobrança de multas e juros da recorrente, que agiu de boafé; 5. A impossibilidade de produção de prova negativa no sentido de provar que o Ato Concessório era válido, sendo inadmissível a transferência da responsabilidade à recorrente; 6. O afastamento da imposição de multa de ofício, tendo em vista que a recorrente agiu de boafé. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Em prejudicial de mérito, a recorrente alegou decadência para constituição do crédito tributário de Imposto de Importação II e Imposto sobre Produtos Industrializados Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 318 7 IPI, em decorrência da anulação do AC 161600/299, pela Decisão nº 436/DECEX2006, de 15/8/2006 no processo nº 52500.017726/200567. A recorrente pugnou pela aplicação da norma prevista no artigo 150, §4º do CTN. Inicialmente, esclareçase que matéria relativa à aplicação dos prazos decadenciais para constituição de crédito tributário encontrase pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do antigo CPC (recursos repetitivos), cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62 do Anexo II do RICARF. Transcrevese a ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 319 8 a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento antecipado (lançamento por homologação) regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo passa a ser regido pelo art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. No caso, não houve pagamentos de II ou de IPIvinculado à importação no momento de registro das DIs, nem posterior à ciência da decisão de nulidade do ato concessório e anteriormente à ciência do auto de infração, razão pela qual a norma a ser aplicada é a do artigo 173, inciso I, do CTN. O prazo decadencial para cobrança dos tributos suspensos em regime de drawback é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação, nos termos do §3º do Decreto nº 6.759/2009 (disposição de natureza interpretativa) e conforme Acórdãos da CSRF nº 9303 003.850 e 9303003.465, cuja ementa transcrevese: DRAWBACK. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. No regime do Drawback Suspensão o início do prazo para o lançamento é o primeiro dia do exercício seguinte ao trigésimo dia após o término do regime concessivo, constante no respectivo ato concessório. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO Transcrevese também o dispositivo normativo: Decreto nº 6.759/2009: Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 320 9 Art. 752. O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 138, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 4o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, caput): I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado; ou II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. § 1o O direito a que se refere o caput extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, parágrafo único). § 2o Tratandose de exigência de diferença de tributo, o prazo a que se refere o caput será contado da data do pagamento efetuado (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 138, parágrafo único, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 4o). § 3o No regime de drawback, o termo inicial para contagem a que se refere o caput é, na modalidade de: I suspensão, o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação; e II isenção, o primeiro dia do exercício seguinte à data do registro da declaração de importação na qual se solicitou a isenção. (grifos não originais) O ato concessório anulado foi emitido em 1º/03/2000, conforme doc. de efl. 125/126, pelo prazo de dois anos. Assim, a validade do ato extinguirseia em 1º/03/2002 e, consequentemente, o termo inicial para contagem do prazo decadencial seria 1º/01/2003, dispondo a Administração Tributária/Aduaneira até 31/12/2007 para efetuar o lançamento. Como o Auto de Infração foi cientificado em 28/12/2006, afastase a prejudicial de decadência arguida. Ainda sobre a matéria, a recorrente alega que o termo inicial do prazo decadencial se iniciaria na assinatura dos termos de responsabilidade, parecendo querer alegar se tratar de ato a constituir o crédito tributário e, consequetemente, ser passível de execução. A respeito da possibilidade de execução do termo de responsabilidade, verificase que, apesar do disposto no artigo 72 do Decretolei nº 37/1966, o termo de responsabilidade não comporta a cobrança de multas de ofício nem acréscimos legais decorrentes do descumprimento do compromisso de exportação, conforme artigo 674, §2º do Decreto nº 4.543/2002 (RA/2002) e, para constituir o crédito tributário relativo a tais parcelas, é necessária a lavratura de Auto de Infração, nos termos do artigo 682 do referido decreto; Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 321 10 Art. 674. O termo de responsabilidade é o documento no qual são constituídas obrigações fiscais cujo adimplemento fica suspenso pela aplicação dos regimes aduaneiros especiais (Decretolei no 37, de 1966, art. 72, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 1o Serão ainda constituídas em termo de responsabilidade as obrigações tributárias relativas a mercadorias desembaraçadas na forma do § 4o do art. 120. § 2o As multas por eventual descumprimento do compromisso assumido no termo de responsabilidade, bem assim os acréscimos legais cabíveis, não integram o crédito tributário nele constituído [...]Art. 682. A exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto de infração, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal, observado o disposto no Decreto no 70.235, de 1972. Além disso, a cobrança do termo de responsabilidade não comporta o rito do PAF, de modo a garantir o contraditório e a ampla defesa. Neste sentido, transcrevese posicionamento da Coana, expresso no Manual de Drawback, exposto na Nota Técnica Cosit nº 6/2015: "O Termo de Responsabilidade é tratado nos arts. 758 e 760 do Decreto nº 6.759/09 RA/09 e a execução administrativa deste, na IN SRF nº 117/01. Não obstante os dispositivos legais supracitados, a execução do termo de responsabilidade apresenta diversas restrições legais e práticas. Há que se considerar, inicialmente, o previsto na Constituição de 1988: Art. 5o ............................ LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. (grifo nosso) Zessa forma, a execução do termo de responsabilidade não possibilitaria ao contribuinte o direito de defesa e muito menos o recurso a ela inerente (princípio do duplo grau de jurisdição). Além disso, há ainda que se levar em consideração o seguinte: A partir de 1997, as DI passaram a ser efetuadas em meio eletrônico (SISCOMEX). Logo, o Termo de Responsabilidade deixou de ser um documento impresso. O que pode ser feito é imprimir as observações da ficha “Informações Complementares” da DI, na qual normalmente consta o Termo de Responsabilidade, mas sem a assinatura do contribuinte; Não há um modelopadrão de termo de responsabilidade para o caso do drawback suspensão, possibilitando a existência de diversos tipos, nem sempre com todos os dados necessários para a cobrança dos tributos suspensos; Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 322 11 As DI parametrizadas para o canal verde não sofrem nenhum controle da Receita. Logo, nesses casos, a confecção do Termo fica dependente, única e exclusivamente, da decisão da beneficiária. Não há nenhuma segurança de que o Termo seja feito e de que este reflita o valor real dos tributos suspensos; Inadimplementos parciais do Ato Concessório implicam cálculo dos tributos, gerando valores diferentes (menores) do que os constantes do Termo. Pode ser objeto de questionamento a forma desses cálculos, bem como a base de cálculo utilizada; Em muitos inadimplementos totais, há divergências entre a beneficiária e a Secex, não sendo pacíficos, portanto, tais inadimplementos. No caso de Auto de Infração, há a possibilidade de o contribuinte apresentar seus argumentos. Os Termos de Responsabilidade não abrangem o valor dos acréscimos legais (multa + juros) que seriam devidos no caso de descumprimento dos compromissos assumidos. Isto, aliado à complexidade e às constantes mudanças na legislação, torna inviável, além de descabida, a recusa em julgar eventuais impugnações na esfera administrativa; A “execução administrativa”, a rigor, não se constitui em execução propriamente dita, pois somente na esfera judicial há previsão para tal. Tratase, na realidade, de uma simples cobrança, que, como qualquer outra, pode sempre ser contestada; Há inclusive entendimento consolidado, na esfera judicial, de que a prolatada execução administrativa poderia ser normalmente contestada na forma prevista no PAF, razão pela qual recomendase neste Manual que o lançamento dos tributos suspensos e devidos acréscimos legais seja feito através de Auto de Infração e não seja feita a execução administrativa do Termo de Responsabilidade. Nesse sentido, dispõe o art. 766 do RA/09, in verbis: Art. 766. A exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto de infração, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, observado o disposto no Decreto no 70.235, de 1972." Ainda em preliminar, a recorrente alegou vício de capitulação legal da autuação, informando que a autuação fora capitulada em dispositivos legais do Decreto nº 2.637/1998, relativo ao imposto de renda. A recorrente se insurgiu contra a aplicação do Decreto nº 2.637/1998 (RIPI/1998), que se refere ao Regulamento de IPI e não de imposto de renda, como afirmara equivocadamente. Quanto ao fato de o RIPI/1998 ter sido revogado pelo Decreto nº 4.544/2002 não altera sua propagação de efeitos aos fatos geradores regidos por ele em sua vigência. É o que depreendese do artigo 144 do CTN: Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 323 12 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. O fato gerador do IPI na importação é o desembaraço aduaneiro, nos termos do artigo 32, inciso I do Decreto nº 2.637/1998, cuja matriz legal é a Lei nº 4.502/1964. No caso, o lançamento reportou aos fatos ocorridos em 24/07/2001 e 23/08/2001, durante a vigência do Decreto nº 2.637/1998, que fora revogado apenas em 27/12/2002. Ademais, é bom salientar que os decretos regulamentares presidenciais se destinam a disciplinar o cumprimento das leis e, normalmente, seus artigos referenciam a matriz legal que os originou. Assim, tivesse alguma dúvida, bastaria à recorrente verificar ao final de cada artigo citado, a matriz legal correspondente. Porém, verificase que a recorrente não demonstrou possuir alguma dúvida sobre o conteúdo da capitulação legal do auto de infração. Destarte, afastase a preliminar arguida. No mérito, a recorrente alegou vícios formais nos procedimentos adotados pela DECEX no processo de anulação do ato concessório, questionando aspectos procedimentais e materiais relativos à decisão proferida pela DECEX no processo 52500.017726/200567, como a aplicação do princípio da autotutela e acusando de ter havido arbitrariedade no processo. Porém, como já decidido em primeira instância, o contraditório e a ampla defesa relativa ao processo de anulação do ato concessório 161600/299, já foram realizados no processo nº 52500.017726/200567. É que falece à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para autorizar ou anular o ato de concessão do regime de drawback, inserido na competência do DECEX. De fato, a concessão do Regime Especial Aduaneiro de Drawback era regulado pela Consolidação das Normas do Regime de Drawback (CND) disposta no Comunicado DECEX nº 21/1997. Tal comunicado fora expedido no âmbito da competência prevista no inciso II do artigo 17 do Anexo I do Decreto nº 1.757/1995 (aprovava a estrutura regimental do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo) e da Portaria SECEX nº 4/1997, cujos dispositivos dispunham: Decreto nº 1.757/1995: Art. 1° Ficam aprovados a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e Funções Gratificadas do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, na forma dos Anexos I e II, a este Decreto. [...] ANEXO I ESTRUTURA REGIMENTAL MINISTÉRIO DA INDÚSTRIA, DO COMÉRCIO E DO TURISMO Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 324 13 [...] CAPÍTULO III DA COMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS [...] Art. 17. Ao Departamento de Operações de Comércio Exterior compete: I coletar, analisar, sistematizar e disseminar dados e informações estatísticas de comércio exterior; II autorizar operações de importação e exportação e emitir documentos especiais quando exigidos por acordos bilaterais e multilaterais assinados pelo Brasil; III elaborar, acompanhar e avaliar estudos sobre a evolução da comercialização de produtos e mercados estratégicos para o comércio exterior brasileiro, com base nos parâmetros de competitividade setorial e disponibilidades mundiais. Portaria SECEX nº 4/1997: O Secretário de Comércio Exterior, no uso de suas atribuições legais, tendo em vista o disposto no art. 16, inciso I do Decreto nº 1.757, de 22 de dezembro de 1995, resolve: I – DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 1º A concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, nas modalidades de suspensão e isenção de tributos, conforme o disposto nos artigos 314 a 334 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, com alterações, seguirá o disposto nesta Portaria. Art. 2º Constitui atribuição do Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX) a concessão do Regime de Drawback, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Esclareçase que a separação das competências da RFB e da SECEX (DECEX) quanto ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback foi objeto da Súmula CARF nº 1001, cujo paradigma nº 930301.248, bem delineou as competências de cada órgão. A respeito, transcrevese excerto do voto condutor do paradigma, proferido pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: "Em relação ao conflito aparente de atribuições entre a administração tributária e a Secex, que emitira o ato concessório do drawback, entendo não haver tal desarmonia, pois o órgão 1 Súmula CARF nº 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 325 14 fazendário e o do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior exercem atribuições distintas, mas que se complementam: um aprova o plano de exportação, confere a documentação apresentada pelo exportador e emite o ato concessário da importação vinculada; o outro fiscaliza a consecução do plano para verificar se o importador atendeu as condições do incentivo fiscal que lhe foi concedido. Se por um lado Administração Tributária não é dada competência para emitir, modificar ou anular ato concessório de drawback, cabe a ela, exclusivamente a ela, verificar o cumprimento das obrigações tributárias decorrentes de importações, ainda que essas tenham sido amparadas por regimes aduaneiros especiais que suspendam ou isentem o pagamento do tributo, corno o drawback. (grifos não originais). Em outro giro, não é razoável pretenderse que a legislação tenha conferido atribuição para o Fisco auditar as importações realizadas ao amparo de drawback, c, uma vez procedida a auditoria e constatadas irregularidades na execução do regime aduaneiro especial — irregularidades essas que evidenciem o descumprimento das condições do incentivo á exportação e justifiquem a perda do direito ao favor fiscal —, seja vedado aos agentes do Fisco cumprirem o dever de oficio de lançar o crédito tributário devido. Ora, o ato concessório não pode se sobrepor ao CTN, que exige da autoridade administrativa o lançamento do crédito tributário devido. Também não parece razoável atribuir á. Fiscalização o papel de mero coadjuvante da Secex, pois se atribuísse à autoridade fazendária o dever de examinar as importações vinculadas aos atos concessórios, mas sem qualquer atribuição para reprimir, por meio de autuação, as irregularidades de natureza fiscal, estarseia reduzindo a Receita Federal a mero auxiliar da Secex, e os seus agentes a simples auxiliares de conferentes de notas fiscais e de faturas comerciais." A matéria já foi abordada em outros julgados nesta turma, como o proferido no voto condutor do Acórdão nº 3302003.519, de lavra do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, cujo excerto transcrevese abaixo: "Em relação ao regime drawback suspensão, a competência do Decex e da fiscalização do RFB são distintas e complementares, conforme claramente explicitado nos preceitos normativos da Portaria MEFP 594/1992 e da Portaria Secex 25/2008. De acordo com os referidos atos normativos, a atividade do Decex limitase à concessão do regime e ao acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, conforme expressamente estabelecido no art. 512 da Portaria Secex 25/2008. A atividade de verificação do compromisso de exportar é feita com base nas informações eletrônicas prestadas pelo próprio beneficiário do regime no módulo específico de 2 Art. 51. Compete ao DECEX a concessão do regime de drawback, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 326 15 drawback no Siscomex (“Módulo Drawback Suspensão Web”). Porém, ao assim proceder, o beneficiário do regime fica dispensado da apresentação de documentos impressos, tanto na fase de habilitação, quanto na fase de comprovação das operações amparadas pelo regime. Porém, tais documentos deverão ser mantidos em poder do beneficiário do regime, para eventual verificação por parte do Docex (art. 125 da Portaria Secex 25/2008). E se as quantidades e os valores de importação e exportação compromissados forem idênticos aos valores das importações e exportações efetivamente realizadas dentro do prazo de validade do regime, automaticamente, o sistema emite a comprovação do adimplemento do respectivo ato concessório. Dessa forma, fica demonstrado que a atividade do Decex limita se a concessão do regime e, posteriormente, a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, com base nas informações eletrônicas prestadas pelo próprio beneficiário do regime no Siscomex. Em razão da precariedade desse controle, que se limita a mera confrontação de informações prestadas pelo próprio beneficiário do regime, há no parágrafo único do art. 152 do da Portaria Secex 25/2008, expressa ressalva que, por estar sujeita a verificação posterior por parte da fiscalização da RFB, o Decex não fornece atestado de adimplemento do regime. Nesse sentido, confira a redação do citado preceito normativo, que segue transcrito: [...] De acordo com o citado comando normativo, é da RFB a competência para fiscalizar o regular cumprimento dos requisitos e condições do regime drawback suspensão, com a finalidade de verificar o adimplemento das obrigações assumidas no ato de concessão do regime, em especial, o compromisso de exportação, bem como o cumprimento das demais condições e requisitos estabelecidos na legislação, especialmente, o requisito da vinculação física entre insumo importado e produto exportado. Em suma, com base no teor dos citados atos normativos, infere se que a atuação dos dois órgãos ocorre em momentos distintos e de forma complementar. À Secex compete a concessão, acompanhamento e verificação do compromisso de exportação. Logo, ela atua na fase anterior, durante e após a vigência do regime. Enquanto que à RFB compete a aplicação e a fiscalização do cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos no ato concessório e na legislação. Portanto, ela atua durante o regime (na fase de despacho aduaneiro, ao reconhecer a suspensão dos tributos) e após o término do regime (normalmente, após o Decex pronunciarse sobre o adimplemento total ou parcial do compromisso de exportação), quando procede a fiscalização do cumprimento dos compromissos de importações e exportações vinculadas ao regime, quando, se confirmado o integral cumprimento, a suspensão dos tributos convertese em isenção; Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 327 16 de outra parte, se comprovado o inadimplemento total ou parcial do regime, o procedese o lançamento dos tributos devidos, com os acréscimos legais devidos." Ressaltase que a recorrente pode exercer o contraditório e a ampla defesa no processo nº 52500.017726/200567, que culminou na decisão DECEX nº 436/2006, a qual declarou a nulidade do Ato Concessório de Drawback nº 161600/0000299, com efeito retroativo à data de validade inicial, conforme efls. 22/23, e que, aparentemente, é decisão definitiva no âmbito administrativo, uma vez que foi proferida em 15/08/2006, e, passados quase nove anos, a recorrente nada informou em sua peça recursal (protocolada em 02/04/2015) acerca de eventual decisão que lhe tenha sido favorável no referido processo. Assim, não tomo conhecimento das alegações desenvolvidas nos tópicos a) Dos vícios formais acerca dos procedimentos adotados; b) Das arbitrariedades e seus efeitos contra terceiros e c) Da impossibilidade de produção de prova negativa. Por fim, a recorrente pugnou pela exclusão da multa de ofício aplicada, pois agira de boafé e não tivera intenção de lesar o fisco. Neste ponto, a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme artigo 136 do CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A multa foi aplicada no percentual de 75% de acordo com o artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/1996 e artigo 80, inciso I, da Lei nº 4.502/1964. Diante do exposto voto para conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923125/2012-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 19/09/2008
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.836
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 19/09/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.923125/2012-47
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830835
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-004.836
nome_arquivo_s : Decisao_10880923125201247.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10880923125201247_5830835.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
id : 7125379
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011680374784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.923125/201247 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.836 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 19/09/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 25 /2 01 2- 47 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.923125/201247 Acórdão n.º 3302004.836 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.300. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.923125/201247 Acórdão n.º 3302004.836 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.923125/201247 Acórdão n.º 3302004.836 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.923125/201247 Acórdão n.º 3302004.836 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.923125/201247 Acórdão n.º 3302004.836 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.901862/2011-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.076
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10950.901862/2011-37
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5838833
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.076
nome_arquivo_s : Decisao_10950901862201137.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10950901862201137_5838833.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7153187
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011724414976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1358; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.901862/201137 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.076 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria DCOMP. PIS/COFINS Recorrente FERMENTOS BRASIL ESPANHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 18 62 /2 01 1- 37 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10950.901862/201137 Acórdão n.º 3302005.076 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o PIS/Pasep. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que, após profícuo e extenuante estudo, constatou que desde o advento da Lei 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja visto que a peticionária comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código este contemplado pela referida lei através do seu Art º com alíquota 0 para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Afirma ainda que após ser cientificada do DD, tentou retificar a DCTF sem êxito, haja vista o prazo já ter expirado. O contribuinte apresentou Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias e notas fiscais (amostragem), requerendo a reavaliação do Despacho Decisório. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 02052.048. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa, após ser cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.066, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10950.900108/201180, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.066): "PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10950.901862/201137 Acórdão n.º 3302005.076 S3C3T2 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou o recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do particular e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca o recorrente que desde o advento da Lei nº 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja vista que comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código contemplado pela referida lei com alíquota zero para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10950.901862/201137 Acórdão n.º 3302005.076 S3C3T2 Fl. 5 4 Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Nesse sentido, o recorrente teve a oportunidade processual, visto que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, pela minudência da fundamentação, reproduzo parcialmente excertos da decisão de piso: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.(grifei). Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10950.901862/201137 Acórdão n.º 3302005.076 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso concreto, o contribuinte declarou em DIPJ e confessou em DCTF o tributo recolhido por meio do Darf apresentado como crédito para a compensação. Transmitiu o PerDcomp (...), mas não efetuou a retificação de suas declarações. Ressaltese que (...) retificou as DCTF (....) contudo sem alterar os valores em discussão. A Solução de Consulta de classificação serve para amparar a classificação da mercadoria ali descrita. As notas fiscais apresentadas, de acordo com o contribuinte, por amostragem comprovam a venda da mercadoria indicada na Solução de Consulta. Entretanto, o valor pleiteado como crédito é igual a 96% do Darf. Significa dizer que o contribuinte , praticamente, só comercializa o produto objeto da Solução de Consulta, informação que não foi prestada nem comprovada na manifestação. As provas apresentadas por amostragem são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado.(grifei). Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar os fatos relatados e conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000268/87-45
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 1991
Ementa: IPI - Base de cálculo. Despesas de promoção pagas por distribuidoras - adquirentes sob a forma de rateio , ainda que estabelecidas em percentual sobre o valor do preço de venda no varejo das mercadorias adquiridas. Não se configuram como despesas acessórias por caracterizado no caso tratar de despesas de interesse das adquirentes e necessárias ao desenvolvimento de seus negócios.
Recurso a que se dá provimento.
Numero da decisão: 202-04.230
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso; foram vencidos os Conselheiros: ELIO ROTHE, ANTONIO CARLOS DE MORAES e JEFERSON RIBEIRO SALAZAR. Foi o conselheiro JOSÉ CABRAL GAROFANO designado para redigir o Acórdão. Fez sustentação oral o Dr. NELSON DE AZEVEDO BRANCO - OAB/RJ - Insc. nº 14. Ausente o Conselheiro ALDE DA COSTA SANTOS JÚNIOR.
Nome do relator: Elio Rothe
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199105
ementa_s : IPI - Base de cálculo. Despesas de promoção pagas por distribuidoras - adquirentes sob a forma de rateio , ainda que estabelecidas em percentual sobre o valor do preço de venda no varejo das mercadorias adquiridas. Não se configuram como despesas acessórias por caracterizado no caso tratar de despesas de interesse das adquirentes e necessárias ao desenvolvimento de seus negócios. Recurso a que se dá provimento.
turma_s : Segunda Câmara
numero_processo_s : 11020.000268/87-45
conteudo_id_s : 5854152
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 202-04.230
nome_arquivo_s : Decisao_110200002688745.pdf
nome_relator_s : Elio Rothe
nome_arquivo_pdf_s : 110200002688745_5854152.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso; foram vencidos os Conselheiros: ELIO ROTHE, ANTONIO CARLOS DE MORAES e JEFERSON RIBEIRO SALAZAR. Foi o conselheiro JOSÉ CABRAL GAROFANO designado para redigir o Acórdão. Fez sustentação oral o Dr. NELSON DE AZEVEDO BRANCO - OAB/RJ - Insc. nº 14. Ausente o Conselheiro ALDE DA COSTA SANTOS JÚNIOR.
dt_sessao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 1991
id : 7234089
ano_sessao_s : 1991
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011732803584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 20204230_110200002688745_199105; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-08-14T13:44:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 20204230_110200002688745_199105; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 20204230_110200002688745_199105; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-08-14T13:44:28Z; created: 2017-08-14T13:44:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2017-08-14T13:44:28Z; pdf:charsPerPage: 1304; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-08-14T13:44:28Z | Conteúdo => RECORRI DESTA DECISÁõi 2°RECURSO N.~~_~JJf.J . C" Em4Z..de_ .. ~. __ 199 1 C . aCio;;;j---=J MINISTÉRIO DA FAZENdA' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINT S Processo N."11.'020.000.268/87-45 FCLB S.ssão d•...J5...g.ê...mg.i.Q. d. 19 .~J. ACORDA0N.".?º ..?::.º.~~..?3O Recurso n." Recorrente Recorrid a 79.026 INDÚSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA - POLAR S/A. DRF EM CAXIAS DO SUL - RS. IPI - Base de cálculo. Despesas de promoção pagas por distribuidoras - adquirentes sob a forma de rateio , ainda que estabelecidas em percentual so bre o valor do preço de venda no varejo das merca dorias adquiridas. Não se configuram como despe = sas acessórias por caracterizado no caso tratar~ de despesas de interesse das adquirentes e neces- sárias oo,desenvolvimento de seus negócios. Recur- so a que se dá provimento. Vistos relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por INDÚSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA -.PO - LAR S/A. ACORDAM os Membros da Segunda Cãmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provi - mento ao recurso~ foram vencidos os Conselheiros: ELIO ROTHE , ANTONIO CARLOS DE MORAES e JEFERSON RIBEIRO SALAZAR. Foi o con selheiro JOst CABRAL GAROFANO designado para redigir o Acórdão~ Fez sustentação oral o Dr. NELSON DE AZEVE ' BRANCO - OAB/RJ - Insc. nº 14. Ausente o Conselheiro ALDE D fi OSTA SANTOS JÚNIOR. /.Sala em 15 de 1991. SIDENTE - DESIGNADO P~RErnESENTANTE DA FAZENDA NACIONAL t 4 JUN 1991 Participaram, ainda, do presente julgamente, os Conselheiros OSCAR LUIS DE MORAIS e SEBASTIÃO BORGES TAQUARY. -I6J- R e c u r s o n 0. Acordõo nO. Recorrente: MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N." 11.020-000.268/87-45 79.026 202-04.230 INDOSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA - POLAR S/A. RELATORIO -02- INDOSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA - POLAR S/A recor re para este Conselho de Contribuintes da decisão de fls. 161/ 167 do Delegado Substituto da Receita Federal em Caxias do Sul, que julgou procedente o Auto de Infração de fls. 131. Em conformidade com. o referido Auto de Infração, Termos, Demonstrativos e documentos que o acompanham, a ora recor rente foi intimada ao recolhimento da importãncia de CZ$7.648.192,16, a título de Imposto sobre Produtos Industrializados, tendo em vista que no período de junho de 1983 a dezembro de 1986, o con- tribuinte efetuou vendas de produtos de sua fabricação (cerveja), deixando de inclui~ na base de cálculo do imposto, valores cobra dos re'seus clientes a título de co-participação em despesas de propaganda, promoções e publicidade, com base em contratos parti culares e pagamentos contra recibos, sendo que tais valores con~ tituem despesas acessórias que por exigência legal devem ser in- c1uídos no preço das operações de venda, compondo a base de cál culo do IPI. Exigidos ,também, correção monetária, juros de mora e multa,sendo dados como infringidos os artigos -..,54 ,,-!;!; 19 -segue- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo nº 11.020-000.268/87-45 Acórdão nº 202-04.230 -03- e 2º, 55,inciso I, alinea "b", e 11, alinea "c", e seu pari~rafo único, e 63, inciso 11, e ~ 1º do RIPI aprovado pelo Decreto nº 87.981/82, sujeitando-se a multa prevista no artigo 364 inciso TI do mesmo regulamento. Impugnando o feito expoe a autuada, em resumo: a) que" a autuação tem por despesas acessórias tributiveis a participação no custo da propaganda, promoção e publicidade realizadas sob a orientação da suplicante, em proveito próprio e dos distribui dores de seus produtos, especifica e independente- mente contratada e que nada tem a ver comb o pre- ço dos produtos que a eles vende"; b) que por contrato de distribuição de bebidas in - cumbe as distribuidoras a retirada dos produtos a£ quiridos diretamente na fibrica da proqutora, con- tra pagamento à vista, segundo tabela estabelecida pelo CIP; c) que, no intuito de conserv~ção da clientela, bem como de sua ampliação, foi avençada a criaç?~ e di vulgação de propaganda, publicidade e promoçao de vendas dos produtos Antarctica, em ãmbito nacional, havendo, portanto, interesse comum das distr~úidarcB na realização desse programa, oq.:e:rs=levou";," a es- tabelecer uma co-participação nas despesas para is e- SER','iÇO PÚBliCO f£DERAl Processo nº Acórdão . nº -04- 11.020.000.268/87-45 202.04.230 so, necessãrias, em contrato-tipo que celebraram "à base de 2% sobre o preço da tabela vareJ1s- ta de suas compras de cervejas e choop - exclui das as parcelas de frete e carlEto'calculada se gundo a tabela própria, pagável mrrarento e se= gundo o valor das retiradas de produtos que for efetuando, contra recibo" d)que a cargo da Antarctica ficou a responsabili dade de manter contabilização e arquivamento re -, todos os comprovantes de tais despesas, como prrNade aplicação dos valores correspondentes à participação da distribuidora e mais os da prQ pria Antarctica; e) que, conquanto a propaganda tenha por objeto a promoção da marca Antarctica, é de peculiar i~ teresse das distribuidoras essa promoçao, com vistas ao consumo dos produtos, sendo, portanto, inegãvel a mutualidade de interesses; f) que provado está que as distribuidoras, com o contrato de co-participação,têm à obrigação de custeio de parte dos gastos com a propaganda , promoçao e publicidade feitas pela produtora g) que a licitude dessa contratação foi reconhe SEilVIÇO PU6UCO rEDEiUl Processo Acórdão nº 11.020.000.268/87-45 nº 202.04.230 (67 -05- cida tanto pela 3ª Cãmara do lº Conselho de Con tribuintes como pelo Juízo da lª Vara da Justi- ça Federal em são Paulo, como refere; h) que nao há porque confundir-se a participação das distribuidoras nas d=:re,?afeEl'qay"lli,flllto;ãfepu- blicidade com as despesas acessórias a que alu- de o art. 63, 11, :;;lº,do RIPI; que o referido texto é incisivo acestabelecer que o preço da operação compreende dois tipos de despesas, a principal, que é o preço do produto, e as aces- sórias, assim entendidos outros gastos necessa- rios à realização da operaçao, que as despesas acessórias debitadas ao comprador são apenas aquelas relativas à própria operaçao,por isso nao integram o valor tributável do IPI ; que esse é o entendimento posto rrB Pareceres Normativos CST 253/70 e 32/84 e, ao afirmar que somente sac tributáveis despesas acessórios "relativas a fl? pria operação", que, portanto, as despesas de propaganda em causa não podem ser equiparadas ffi despesas acessórias passíveis de tributação pe- lo IPI; i) que os preços dos produtos fabricados pela su- -segue-: S~RVIÇO PÚBLICO FEDER.AL Processo nQ Acórdão nQ 11.020.000.268/87-45 202.04.230 -06- .suplicante sao estabelecidos, de forma detalha- da, com discriminação de todas as parcelas que os informam, por órgão federal de controle de preços, o CIP, sendo o IPI fixado pelo próprio Governo, como exemplifica; que se tratando de produto cujo preço é administ~ado pelo Governo, incompatível com isso ter-se a contribuição dm distribuidoras no custo da propaganda como de~ pesas acessórias nos termos da legislação tri- butária, nada tendo a ver com o preço do prod~ to,base tributável do IPI, constituindo antes dispêndios das distribuidoras; j) que o fato de ter sido contratadoque a partic~ paçao das distribuidoras nas despesas de prop~ ganda tem por base a receita obtida com os pr~ dutos, não pode caracterizar tais dispêndios~ mo despesas acessórias, para os efeitos do IPI, simplesmente porque o valor tomado serve apenas como parâmetro para mensurar a co-participação de cada distribuidora; l)..que nâo há cOITO'atribuir-se ã participação das distribuidoras desses produtos na sua propaga~ -'da o cara ter de acessoriedade para os efeitos do IPI, tanto porque a propaganda é em.tratadacom "" .• -segue- S:pv:ÇO PÚBLICO rmER.!L -07- Processo Acórdão' 'riº 11.020.000.268/87-45 nº 202.04.230 terceiros, como por serem alheias ao preço do produto na forma em que e estabelecida CIP. Pede a insubsistência da autuação fiscal. pelo A decisão recorrida julgou procedente o lançame~ to com fundamento no artigo 63,inciso I~ e ~ lº,tendo em vista que a despesa em tela é despesa acessória integrante do valor tri butãvel do IPI, e, ainda, o entendimento expresso nos Pareceres Normativos CST 370/71 e 32/84 em suas partes pertinentes. Tempestivamente, a autuada apresentou recurso a este Conselho pelo qual, em substância, reproduz suas razões de im pugnaçao, para concluir que a co-participação nas despesas de propaganda não constitui despesa acessória passível de tributa çao pelo IPI ,porque inteiramente desvinculada da operaçao de com pra e venda da mercadoria e do preço do produto, na forma estabe lecida pelo CIP, pedindo a reforma da decisão recorrida. t; o relatório. -segue- 5ERVlÇO PUBLICO FEDERAL Processo nº Acórdão nº L7-1 -08- JI1.J020.,O O0,.2 68I8;7 -4:5 202-04.230 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ELIO ROTHE (VENCIDO) como A questão'€SI:ánóm.'sal:erse as despesas de propaganda, I promoçao e publicidade compõem o valor tributãvel do IPI, quer a autuação, ou se do mesmo devem ser excluídas como entende a recorrente. O artigo 63, inciso 11 do RIPI/82 dispõe que, p~ .ra os produtos nacionais, o valor tributável é o preço da opera- ça~ de que decorrer o fato gerador do imposto, fato gerador esse que se verifica pela saida do produto do estabelecimento indus - trial ou equiparado (art. 29, 11). Ainda, o ~ lº do mencionado artigo 63 estabelece que no preço da operaçao serão incluídas as despesas acessórias debitadas ao comprador, salvo as de transporte e seguro nas con- dicões que estipula. Portanto, para que as despesas de propaganda,prQ moçao e publicidade sejam alcançadas pelo imposto e necessário que estejam compreendidas no preço da operaçao ou que se consti- tuam em despesas acessórias debitadas ao comprador. Com efeito~ na formação do preço do produto,para fins de vendas, que passa pela aferição dos custos primários,in- dustrial ou de produção e comercial, as despesas com propaganda se constituem Effi1despesas comerciais que são apropriadas ao custo comercial, portanto, afinal, compondo o preço do produto. -segue- ;... SERViÇO PUBLICO fEDERAL Processo ll"Q Acórdão nº 11.~LO~~~b.L~~#Bif=4~ 202-04. :230 -09- Não se trata de nenhuma inovação na determinação do preço dos produtos, a qual se verifica a p!l,rtirdos respecti- vos custos, o que pode ser constatado em qualquer literatura a respeito, como em "Contabilidade Industrial" de armando Aloe e Francisco Valle, Editora Atlas ~, 2ª, edição, páginas 60 a 62 , item 2.7 - Fases dos Custos, .e, também, em "Introdução à Contabi lidade" de Milton Augusto Walter, Editora Saraiva, Vqlume 2,pági nas 86 a 88. De conseguinte, as despesas de propaganda inte - d d f "- .grando o preço o pro uto, orçosamente, como consequencl-a, est~ rão compondo,incluidas, o preço da operação relativamente aos P'Q dutos vendidos e, desse modo, constituindo valor tributável pelo IPI. No caso concreto, a recorrente, por sua conveniên cia, dada a contratação levada a efeito com os distribuidores de seus produtos para a co-participação em tais despesas, adotou o sistema de cobrar as despesas com propaganda separadamente, medi ante recibo, excluindo-a do preço da operação constante das notas fiscais. Como vimos, no artigo 63,inciso II e ~ lº do ~! - ' .-82, o valor tributavel do IPI é o preço da operação IDnclul-dasas despesas acessórias debitadas ao comprador. Essa determinação de serem incluídas as despesas acessórias ao valor tributável existe justamente para alcançar casos comoo presente, em que, por qualquer ciramstãncia, despe - -segue- SERViÇO PÚBLICO fEDERAL Processo nº Acórdão nº 11~020.000.268/87-45 202-04.230 -10- .. sas-custos fossem desmembradas do preço do produto ( e do preço da operação) para serem cobradas em separado, porém, sem pre - ju{zo do valor tributável. Não fosse essa providência da lei estaria aber- to o caminho para que qualquer parcela do preço de venda, e con seqnentemente do preço da operação, fosse destacada do preço e cobrada em separado do comprador,desse modo excluindo-a do valor tributável e do imposto. Por conseguinte, no'~aso, como o contribuinte pr~ feriu receber eID1separadoas suas despesas de propaganda, mediaQ te recibo, a sua inclusão no valor tribufável se faz como des - pesas acessórias. Por outro lado,os~receomenüJs dessas importãncias, calculadas pelo percentual de 2% sobre os seus produto~ vendi - dos ê saídos do estabelecimento industrial ou equiparado para distribuidores, apesar de recebidas para cobertura de futuros pagamentos com despesas de propaganda, constituem autênticas re- ceitas porque provenientes das atividades quê constituem seu ob jeto social - produção e venda de bebidas - portanto decorrentes das vendas de seus produtos, nao havendo qualquer di~positivo legal que exclua tais valores da incidência do imposto. t de se ressaltar que o contrato de co-partici- çao das despesas de propaganda não apresenta nenhum inconvenien -segue- SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo nº 11.020~OOO.268/87-45 Acórdão nº 202-04.230 -11- te legal quanto à legislação do IPI,devendo, porem, suas parce- las compor o valor tributável, como visto. o Acórdão nº l03-06.267,da Terceira Cãmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo como recorrente Sampaio e Barreto Ltda~ empresa distribuidora da recorrente, em nada a beneficia, eis que se trata de despesas-de propaganda pagas e <nl tabilizadas por aquela empresa, enquanto que neste processo se cuida de recebimentos (receitas) da recorrente. Quanto à sen~a em anexo, ela diz respeito a dedução de despesas de propaganda com vista à exigência de Im - posto de Renda, o que não é o caso em pauta. No que respeita aos pareceres normativos ~ CST/ SIPE, invocados pela recorrente, o entendimento aqú~ expostoreo discrepa dos mesmos, eis que tais despesas de propagand~ c~ ., -o preço de venda e,consequentemente,o preço da operaçao,portan- to, sendo despesas relativas às próprias operações. Também,quanto ao fato~é~ bebidas terem seus preços determinados pelo CIP, nenhuma interferência tem quanto ao valor tributável do IPI que é objeto de determinação legal , sendo certo que esse órgão não foi informado quanto à existên- cia de tais despesas, como se verifica dos elementos formadores do preço, apresentados pela recorrente,que não elenca despesas -segue- [. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL I 7-~- -12- Processo Acórdão nºnQ" 11.020~000.268/87-45202-04.2:3-0í de propaganda, nem pode ser considerada incluída no "liquido" I porqlle cobrada 8mseparado, mediante recibo. Por fim,deve ser destacado que o próprio RIPI/ 82, em seu artigo 64, ~ único, inciso 11, dispõe que o valor tributável deve ser composto, entre outros, do custo de publ! cidade, dispositivo esse aplicável na hipótese de arbitramento do valor tributável por impossibilidade de apuração dos preços ( art. 69,~ 2º,do RIPI/82) b~,como em casos do artigo 64,inci so 11, e do artigo 68,~ 6º, do mesmo RIPI. Assim,o RIPI-X82, no referido dispositivo, vem confirmar que as despesas (custos) de propaganda (publicidade) compoem o valor tributável do IPI, eis que o valor tributável arbitrado pelo somatório dos elementos nele discriminados, vi- sa justamente obter o valor tributável-preço da operaçao. Pelo exposto, deve ser mantida a decisão recor rida e nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sesseos, em 15 de maio de 1991. cl;il;,~ ELIO ROT~E,,\/7 . trb 13- S~RVIÇO PÚBLICO fEDERAL Processo nº 11.020.000.268/87-45 Acórdão nº 202-04.230 VOTO DO CONSELHEIRO JOS~ CABRAL GAROFANO, DESIGNADO PARA REDIGIR O AC6RDÃo De plano, nao há como deixar de reconhecer que todo o esforço publicitário - quando em ámbito nacional - cen trado ..em uma empresa coordenadora do planejamento e acompa-. nhamento, decidindo um ou mais tipos de mj;dia: imprensa, cin~ ma, rádio, televisão, etc., dirigida ao suporte de seus prod~ tos, tende a reduzir os custos, padronizar as matérias veicu- ladas, proporcionar maior eficiência, enfim, toda uma estratégia de marketing do produto. Neste caso sob exame, a empresa operaéionalizar coordenadora da publicidade é a mesma detentora da marca universal dos pr~ dutos ANTARCTICA. As empresas distribuidoras do chopp e cerve ja produzidos pela fabricante estão espalhados por todo o ter ritório nacional; pelo que se entende, a dificuldade encontra- da - respeitando as diferenças regionais - se cada uma destas •empresas-mebros do grupo, com venda exclusiva da marca ANTARC TICA, decidisse e contratasse sua própria publicidade. Assim/pode-se aceitar serem as despesas de propaganda sob discussão normais, necessárias e usuais a todos os participantes envolvidos na comercialização dos produtos, inclusive, a própria coordenadora que se beneficia vendo sua marca fortalecida pela publicidade. segue- 17-1- .. -14- SERViÇO PÚBLICO rEDERAl Processo nº 11.020.000.268/87-45 Acórdão nº 202-04.230 Muito embora se reconheça a autonomia dos Conse- lhos de Contribuintes, a distinção dos tributos e suas legislações, não se pode olvidar que esta matéria tenha reflexos, tanto no Pri- meiro como no Segundo Conselho. É oportuno trazer à colação trecho do voto condutor do Acórdão nº 103-08.605, do Primeiro Conselho de Contribuintes provido por unanimidade - que apreciando a matéria sob a legisla- ção do Imposto de Renda, concluiu o Ilustre Conlheiro Sebastião Rodrigues Cabral: "Aqui as empresas contribuem para a formação de um montante cuja destinação é financiàmento de campa- nha publicitária institucional; a Antárctica, tam- bém participante direta no somatório dos recurso e beneficiária do resultado, funciona como coordenado ra e planejadora da campanha publicitária; a quita= ção é dada aos participantes mediante recibos; a contabilização é feita de forma destacada, com emis sao de mapas demonstrativos da alocaçao dos recur - sos, de sua distribuição e rateio; a documentação comprobatória dos gastos encontra-se arquivada na sede da coordenadora, disponível para todos os par- ticipantes. Em razão de diligência promovida por esta, Càmara, restou comprovado que a verba apl~cada pela empresa coordenadora da campanha publicitária foi superior ao montante arrecadado das distribuidoras. Também está evidenciado que o volume de recursos. aplicados na propaganda que, teoricamente, beneficiaria a região onde está localizada a recorrente, supera aquele resultante das empresas distribuidoras ali sediadas." .o ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• .o •••••••••••••••••• "O essencial, para solução da controvérsia, é o fato de os gastos poderem ser caracterizados como despe- sas operacionais, o que requer a satisfaçao dos requisitos fixados na legislação de regência; que a empresa coordenadora da publlcldade, mantenha escrl turaçao destacada de todos os atos dlretamente rela cionados com a movimentação dos recursos; que sejam elaborados mapas e demonstrativos, lastreados em segue- /ovrs/ SERViÇO PUBLICO FEDERAL Processo nº ll.D20.000.268/87-45 Acórdão nº 202-04.230 15- { 1- Y documentação hábil e idônea, dos recursos arrecada- aos, aplicados e rateados entre as partes; que os serv~ços seJam efetivamemB~prestados; que a quita- çao obedeça aos requisitos impostos pela legislação própria; que cada um dos participantes, desde que solicitado por quem de direito, comprove a satisfa- ção das condiçôes retro mencionadas." (grifos na transcrição) • Assim, nao restou dúvida que as despesas de propa- ganda pagas pelos distribuidores (na legislação do Imposto de Ren da) foram reconhecidas e aceitas como usuais, normais e necessa- rias. O reembolso das cotas-parte pagas pelos co-participantes - -demonstrado em contabilidade individuada e à disposição da fisca- lização - recebidos pela efupresa coordenadora não constitui outra renda, tampouco, estão caracterizadas como despesas debitadas ao comprador ou destinatário. acessórias É consabido que a recorrente nao explora atividade de agência publicitária, nem tem como objeto social a intermedia- ção de serviços de propaganda, logo, também, nao se constitui como prestadora de serviços. Sua atividade é a produção e de bebidas. venda Há vários precedentes na Primeira Cãmara deste Con- selho - cópias dos Acórdãos colacionados nos autos - que tiveram o entendimento unãnime de tais recursos recebidos pela coordenadQ ra da propaganda serem de ressarcimento das dêspesas, comprovadas por mapas e demonstrativos, relativas à cota-parte de cada um dos :'beneficiados. Cabe aqui reproduzir parte das razoes de decidir do Ilustre Conselheiro Lino de Azevedo Mesquita, que, com singu- segue- /ovrs/ SERViÇO PUBLICO fEDERAL Processo nº 11.020. 000.268/87-45 Acórdão nº 202-04.230 16- singular propriedade, assim entendeu a matéria no voto do Acórdão nº 201-64.573: condutor "Desconheço norma legal que diga que as despesas de publicidade e promoção são somente de respon- sabilidade do fabricante do produto. De certo que o aumento das vendas proporciona lucro do fabricante, mas sem dúvida também dele se beneficia o distribuidor." ................................................ -Em assim sendo, as despesas de publicidade e promoção de que tratamos autos são inerentes, quer às atividades do fabricante, quer às do re- vendedor-distribuidor, como o decidiu à unanimi- dade de seus membros o Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes que reconheceu que as despesas de publicidade e promoção feita de forma institu cional e rateadas proporcionalmente entre fabri= cantes e distribuidor, a parte paga pelo distri- buidor-revendedor são despesas operacionais des- te. Vale dizer o Primeiro Conselho de Contribuin tes, reconheceu que essas despesas nao sao aces- sórias de venda, por proprias do revendedor e necessãrias à atividade dessas empresas." (grifos na transcrição) e, mais a frente, concluiu o Ilustre Conselheiro: "E não se diga que para efeito do Imposto de Ren- da, considerar-se essas despesas como àcessórias à venda ou como operacionais, o resultado final seria o mesmo. Essa afirmativa não tem apoio na lei do referido tributo. Fossem elas considera- das não operacionais a publicidade paga pelo dis tribuidor-revendedor seria glosada, vez que ela- seria de responsabilidade do fabricante e o paga mento pelo revendedor uma liberalidade, além do que que este ainda teria o custo de seus esto- ques (influenciados do lucro tributãvel) acresci do, por integrarem essas despesas, se considera- dos não operacionais, integrantes dos custos das mercadorias adquiridas. Do processo resta provado que a publicidade em tela fora paga tanto pela recorrente, como pelas distribuidoras adquirentes das mercadorias, não ficando evidenciado, ainda que por indícios, que essas despesas se constituíram em fatos simula- dos da operação." segue- /ovrs/ SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo nQ 11.020.000.268/87-45 Acórdão nQ 202-04.230 17':' { eo De duas uma, ou se aceita as despesas serem dos distribuidores dos produtos e por isso podem ser lançadas como custos operacionais dos mesmos e, em 'contrapa~tida,é.reembolso de despesas de propaganda na contabilidade da recorrente, ou, então, se aceita não serem normais, usuais e necessárias dos distribuidores, devendo serem glosadas pela legislação do Impo~ to de Renda e, por conseqüéncia, são receitas de venda, compro- vadamente, da recorrente e integrantes. da base de cálculo do IPI. Dáí não há como sair. Também nao tenho notícia de dispositivo legal que proíba duas ou mais empresas participarem, sob a coordena- çao de uma, de esforço publicitário, quando as mesmas tenham objetivos e metas convergentes a um só resultado. A forma como que se apresenta o caso sob exame, a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, a Doutrina e a Lei, me levam a aceitar aquela primeira hipótese, visto a mesma encerrar em si mesma uma decisão jurídica que acolhe o entendimento no deslinde da questão. melhor Por fim, entendo serem tais ingressos, na conta- bilidade da recorrente, oriundos de reembolsos de despesas de propaganda do interesse de cada qual dos distribuidores e nao se constituem como suas despesas acessórias de que trata o arti go 63, inciso 11 e ~ lQ, do RIPI/82. O dispositivo apontado di~ ciplina as despesas acessórias do produtor, as quais devem int~ grar o valor tributável e, no caso sob exame, as mesmas são, re segue- --------------------------------------------~,' SERViÇO PÚBLICO fEDERAL Processo nº 11.020.000.268/87-45 Acórdão nº 202-04.230 18- reconhecidamente, despesas de publicidade dos distribuidores dos produtos da recorrente. ao recurso. são estas razoes que me levam a dar provimento Sala das Sessões, em 15 de maio de 1991. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018
score : 1.0
Numero do processo: 10315.721058/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
DESPACHO DECISÓRIO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE
Em ação fiscal, foram analisados livros contábeis e fiscais e notas fiscais dos anos de 2006 a 2009, com o objetivo de validar créditos de IPI escriturados pelo contribuinte.
Contudo, os créditos de IPI objetos dos Pedidos de Ressarcimento e de Compensação que originaram a contenda, expressamente mencionados no Despacho Decisório, são do 4° trimestre de 2010.
Assim, com fulcro no art. 50 da Lei n° 9.784/99, o Despacho Decisório deve ser anulado, por conter vício material.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-004.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri (Relator) e Luiz Augusto do Couto Chagas.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Redator do voto vencedor
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen..
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 DESPACHO DECISÓRIO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE Em ação fiscal, foram analisados livros contábeis e fiscais e notas fiscais dos anos de 2006 a 2009, com o objetivo de validar créditos de IPI escriturados pelo contribuinte. Contudo, os créditos de IPI objetos dos Pedidos de Ressarcimento e de Compensação que originaram a contenda, expressamente mencionados no Despacho Decisório, são do 4° trimestre de 2010. Assim, com fulcro no art. 50 da Lei n° 9.784/99, o Despacho Decisório deve ser anulado, por conter vício material. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10315.721058/2011-61
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5852812
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.121
nome_arquivo_s : Decisao_10315721058201161.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 10315721058201161_5852812.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri (Relator) e Luiz Augusto do Couto Chagas. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Relator (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Redator do voto vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen..
dt_sessao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
id : 7209822
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011738046464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1120; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 444 1 443 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10315.721058/201161 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.121 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria IPI Crédito produto "NT" Recorrente SÃO GERALDO ÁGUAS MINERAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 DESPACHO DECISÓRIO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE Em ação fiscal, foram analisados livros contábeis e fiscais e notas fiscais dos anos de 2006 a 2009, com o objetivo de validar créditos de IPI escriturados pelo contribuinte. Contudo, os créditos de IPI objetos dos Pedidos de Ressarcimento e de Compensação que originaram a contenda, expressamente mencionados no Despacho Decisório, são do 4° trimestre de 2010. Assim, com fulcro no art. 50 da Lei n° 9.784/99, o Despacho Decisório deve ser anulado, por conter vício material. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 10 58 /2 01 1- 61 Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10315.721058/201161 Acórdão n.º 3301004.121 S3C3T1 Fl. 445 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por maioria de votos, deuse provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri (Relator) e Luiz Augusto do Couto Chagas. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator do voto vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10315.721058/201161 Acórdão n.º 3301004.121 S3C3T1 Fl. 446 3 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, para ser utilizado na compensação dos débitos declarados. A autoridade competente, por meio de Despacho Decisório, indeferiu o pedido em razão de o produto que a empresa produz e comercializa ser água mineral natural (sem gás) classificada como NT (nãotributado) na TIPI, não podendo portanto creditarse do IPI referente a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem empregados na produção de tal produto. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou, em síntese, que tem direito ao ressarcimento por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§3º, II, da Constituição Federal e que o direito pleiteado encontra amparo na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, conforme doutrina e julgados que cita. A DRJ em Ribeirão Preto/SP, em primeira Decisão, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Ao apreciar Recurso Voluntário, o Colegiado do Carf, em primeira assentada, deliberou por anular a decisão de primeiro grau, nos seguintes termos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada. O processo retornou à primeira instância. A manifestação de inconformidade foi reapreciada e novamente julgada improcedente, como segue: RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10315.721058/201161 Acórdão n.º 3301004.121 S3C3T1 Fl. 447 4 Direito Creditório Não Reconhecido" Novo recurso voluntário foi interposto, contendo, resumidamente, o seguinte: i) o direito ao crédito está fundado na princípio constitucional da não cumulatividade, não podendo ser limitado por normas infraconsitucionais, tais como a Lei n° 9.779/99 e a IN n° 31/99, que a regulamentou; ii) o texto constitucional restringiu os créditos de ICMS, não admitindo o aproveitamento, quando a operação subsequente for beneficiada por isenção ou não incidência, o que não ocorreu com o IPI; e iii) a Lei n° 9.779/99 não prevê qualquer ressalva ao direito à manutenção dos créditos, em razão de saídas de produtos não tributados, e, ao contrário do que aduziu a decisão da DRJ, não instituiu crédito presumido em favor de industriais, porém disciplinou a utilização do saldo credor do IPI, inclusive em casos de produtos isentos ou alíquota zero. É o relatório, na essência do que interessa ao julgamento. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10315.721058/201161 Acórdão n.º 3301004.121 S3C3T1 Fl. 448 5 Voto Vencido Conselheiro José Henrique Mauri Relator. O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A contenda resumese à pretenso direito aos créditos previstos na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, pelas entradas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (MP, PI e ME), utilizados na produção de mercadorias nãotributadas (NT) pelo IPI. 1 Do Crédito de IPI Produto NT Assim dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, resultante da conversão da Medida Provisória nº 1.788, de 30 de dezembro de 1998: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Em atenção à prerrogativa disposta no final do art. 11, suso transcrito, a RFB, então SRF, publicou a IN SRF nº 33, de 1999, disciplinando a apuração e a utilização de créditos do IPI, na espécie. Posteriormente o Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) consolidou e ratificou o entendimento constante da IN/SRF nº 33/99, no sentido de que, a partir de 01/01/1999, os estabelecimentos industriais passaram a ter direito ao crédito do IPI relativo às MP, PI e ME empregados na industrialização de produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, excetuandose somente os produtos nãotributados. E mais, o mesmo RIPI de 2002, art. 164, inciso I, replicado no Decreto nº 7212/2010 (RIPI/2010), art. 226, inciso I, estabeleceu duas condições para o creditamento do IPI, relativamente a MP, PI e ME: (i) deter a natureza de estabelecimento industrial ou equiparado e (ii) o produto resultante da industrialização deve ser tributado: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse: I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10315.721058/201161 Acórdão n.º 3301004.121 S3C3T1 Fl. 449 6 [...] Do trabalho fiscal realizado, consubstanciado em informações colhidas relativas aos anos de 2006 a 2009, restou concluso que a atividade da empresa é a produção exclusivamente de água mineral, sem gás, classificada na TIPI como "NT". Isso é incontroverso. A própria recorrente declarou que os produtos de sua fabricação limitamse a quatro itens, todos referentes a água mineral natural, sem gás: (i) Garrafão de 20 L. (ii) Garrafão de 10 L, (iii) Garrafas de 500 ML e (iv) Garrafas de 1.500 ML. Ademais, à exceção dos Garrafões (10L e 20L) que são incorporados ao Ativo Permanente da empresa, os demais produtos adquiridos com incidência de IPI são utilizados como insumos na fabricação de água mineral natural. Do suso exposto, resta concluso que a recorrente não atende às condições necessárias para o creditamento, posto que os "insumos" adquiridos são integralmente destinados à fabricação de produtos "NT". Portanto, se a recorrente sequer realiza operação com tributação do IPI não há que se apurar creditamento do imposto, por óbvio. Não por outra razão, dispõe o Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), art. 251, § 1º, repetindo o texto constante do Decreto nº 4.544/2002, art. 190, § 1º: Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: [...]. § 1o Não deverão ser escriturados créditos relativos a matéria prima, produto intermediário e material de embalagem que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados compreendidos aqueles com notação “NT” na TIPI, os imunes, e os que resultem de operação excluída do conceito de industrialização ou saídos com suspensão, cujo estorno seja determinado por disposição legal. [...] Por derradeiro, pondo uma pá de cal na celeuma, o Carf publicou a Súmula CARF n° 20, nos seguintes termos: "Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT." Por oportuno, em face de questionamentos emergidos no transcorrer do presente julgamento relativamente à eventual erro material no presente lançamento, posto que fora subsidiado em documentos fiscais relativos a períodos diversos daquele de que cuida o presente processo, tenho que tal vício não prospera. Conforme explicitado, tratase de empresa não contribuinte de IPI, em face de fabricar exclusivamente produto "NT". Seu objeto social evidencia essa natureza contributiva, razão pelo qual mantémse hígidas as constatações iniciais identificadas pela fiscalização, ainda que realizadas com base nas informações e registros contábeis de 2006 a Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10315.721058/201161 Acórdão n.º 3301004.121 S3C3T1 Fl. 450 7 2009, refletindoas nos períodos de apuração posteriores, alcançando inclusive o período de que cuida o presente processo, posto que aquelas circunstâncias apresentamse inalteradas, no tempo e espaço. 2 Constitucionalidade de Lei Sustenta a recorrente, em exaustivas divagações, que o indeferimento de seu direito aos créditos de IPI, além de fundamentarse em Decreto que entende inconstitucional, afronta aos princípios constitucionais da não cumulatividade, seletividade e isonomia. Já pacificado em nossa jurisprudência, as alegações e os pedidos alternativos com base na ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da legalidade, da razoabilidade e do não confisco, não podem ser analisadas no julgamento do processo administrativo fiscal. Nessa sede não se julgam argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação. Tratase, na verdade, de entendimento há tempo consagrado no âmbito dos tribunais administrativos, já sumulada nesse conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais o Regimento Interno do Carf, art. 62, veda ao conselheiro afastar a aplicação de Lei ou Decreto, conforme tenta impingir o recorrente. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No mais, o Acórdão recorrido deve ser integralmente preservado, sejam pelos fundamentos suso expostos ou por seus próprios fundamentos, nos termos da Portaria MF nº 343, de 2015 (Ricarf), art. 27, § 3º, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário É como voto. Conselheiro José Henrique Mauri Relator. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10315.721058/201161 Acórdão n.º 3301004.121 S3C3T1 Fl. 451 8 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator designado A contenda seria de simples deslinde, posto que gravita em torno do tema objeto da Súmula CARF n° 20: possibilidade de registro de créditos de IPI, derivados de compras de insumos para fabricação de produtos não tributados pelo IPI classificação fiscal "NT". Assim dispôs esse Conselho: "Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT." Entretanto, o presente processo não pode ser concluído com base nessa Súmula. O contribuinte transmitiu Pedido de Ressarcimento PER n° 26363.73030.170211.1.1.013960, relativo a créditos de IPI do quarto trimestre de 2010, no montante de R$ 83.571,51 (Anexo III da Representação Fiscal, fl. 70). Por meio do Despacho Decisório n° 157/2011 (fls. 257), o PER foi indeferido e não homologadas as vinculadas Declarações de Compensação (DCOMP) n° 01458.20542.090511.1.3.011046, 13965.64391.130411.1.3.011145 e 35010.15035.170211.1.3.017237. Ocorre que, conforme consta no referido despacho decisório, a decisão foi baseada na ação fiscal desenvolvida em cumprimento do MPF n° 03.1.02.002011003620, cujo escopo foi a revisão dos créditos de IPI registrados no quarto trimestre de 2006 e nos anos de 2007 a 2009. Concluise, portanto, que o Despacho Decisório n° 157/2011 (fl. 257) contém vício material e deve ser anulado, com base no art. 50 da Lei n° 9.784/99, pois foi lastreado em documentação não atinente ao quarto trimestre de 2010, período em que foram registrados os créditos de IPI objeto dos Pedidos de Ressarcimento PER n° 26363.73030.170211.1.1.01 3960 e que suporta os Pedidos de Compensação DCOMP n° 01458.20542.090511.1.3.01 1046, 13965.64391.130411.1.3.011145 e 35010.15035.170211.1.3.017237. Desta forma, voto por declarar nulo o despacho decisório, por conter vício material. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 451DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36266.007521/2006-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1996
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Tratando-se de Recurso Especial por Contrariedade à Lei ou à Evidência de Prova, não se conhece de matéria cuja decisão prolatada no acórdão recorrido foi unânime.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ATOS PROCESSUAIS HÍGIDOS. APROVEITAMENTO.
A nulidade que inquina um determinado fato gerador não impede o aproveitamento dos demais fatos geradores objeto do lançamento, sobre os quais não paira qualquer vício.
Numero da decisão: 9202-006.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, conforme item 6 do Despacho de Agravo (fls. 950) e, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, determinando o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Tratando-se de Recurso Especial por Contrariedade à Lei ou à Evidência de Prova, não se conhece de matéria cuja decisão prolatada no acórdão recorrido foi unânime. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ATOS PROCESSUAIS HÍGIDOS. APROVEITAMENTO. A nulidade que inquina um determinado fato gerador não impede o aproveitamento dos demais fatos geradores objeto do lançamento, sobre os quais não paira qualquer vício.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 36266.007521/2006-18
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5854099
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.662
nome_arquivo_s : Decisao_36266007521200618.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 36266007521200618_5854099.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, conforme item 6 do Despacho de Agravo (fls. 950) e, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, determinando o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7232957
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011740143616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1676; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 991 1 990 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 36266.007521/200618 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.662 – 2ª Turma Sessão de 22 de março de 2018 Matéria PAF NULIDADE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CELULAR MÃO DE OBRA PARA CONSTRUÇÃO CIVIL LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Tratandose de Recurso Especial por Contrariedade à Lei ou à Evidência de Prova, não se conhece de matéria cuja decisão prolatada no acórdão recorrido foi unânime. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ATOS PROCESSUAIS HÍGIDOS. APROVEITAMENTO. A nulidade que inquina um determinado fato gerador não impede o aproveitamento dos demais fatos geradores objeto do lançamento, sobre os quais não paira qualquer vício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, conforme item 6 do Despacho de Agravo (fls. 950) e, na parte conhecida, por maioria de votos, em darlhe provimento, determinando o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 26 6. 00 75 21 /2 00 6- 18 Fl. 991DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório No presente processo, encontrase em julgamento o Debcad 32.219.2609, relativo às Contribuições Previdenciárias dos segurados empregados, contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre importâncias pagas a empregados a título de salários e ordenados, horas extras, saldo de salários, férias, 1/3 de férias e 13º salário, conforme Relatório Fiscal de fls. 675 a 677. Em sessão plenária de 05/08/2008, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2050.1046 (fls. 920 a 927), assim ementado: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1996 Ementa: LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DEFINIÇÃO CLARA E PRECISA DA BASE DE CÁLCULO. A ausência de definição clara e precisa da base de cálculo é vício formal insanável que torna nulo o lançamento. Processo Anulado." A decisão foi assim resumida: "ACORDAM os membros da quinta câmara do segundo conselho de contribuintes, Por maioria de votos, em anular o auto de infração/lançamento. Vencido os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Marco André Ramos Vieira que votaram pelo provimento parcial reconhecendo vício de nulidade apenas em relação ao levantamento das parcelas rescisórias. Ausência justificada da Conselheira Renata Souza Rocha." O processo foi recebido na PGFN em 11/02/2009 (carimbo aposto à Relação de Movimentação de fls. 929) e, em 26/02/2009, foi interposto o Recurso Especial de fls. 931 a 936 (Relação de Movimentação de fls. 930), na modalidade "por Contrariedade à Lei ou à Evidência da Prova", com fundamento no art. 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, visando rediscutir a inexistência de nulidade no lançamento. Ao Recurso Especial foi negado seguimento, conforme o Despacho nº 2301 132, de 07/04/2009 (fls. 938 a 941), que vazou o entendimento de que teria sido apresentado também Recurso de Divergência. Nesse passo, foi negado seguimento ao Recurso por Contrariedade à Lei ou à Evidência da Prova, por não haver sido demonstrada tal Fl. 992DF CARF MF Processo nº 36266.007521/200618 Acórdão n.º 9202006.662 CSRFT2 Fl. 992 3 contrariedade; e ao suposto Recurso de Divergência, por falta de demonstração de dissídio interpretativo. O processo foi novamente encaminhado à PGFN em 12/05/2009 (carimbo aposto à Relação de Movimentação de fls. 943) e, em 13/05/2009, a Procuradora da Fazenda Nacional se deu por intimada (Termo de Intimação de fls. 942). Em 14/05/2009, foi apresentado o Agravo de fls. 945 a 949 (Relação de Movimentação de fls. 944), com fundamento no art. 17, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do qual a Fazenda Nacional esclarece que não interpôs Recurso Especial de Divergência e sim apenas Recurso Especial por Contrariedade à Lei ou à Evidência de Prova, pedindo o seguimento do apelo. O Agravo foi analisado como Reexame, dandose seguimento ao Recurso Especial, esclarecendose que o apelo não abrangia a parte do acórdão que restara decidida por unanimidade nulidade sobre o levantamento de parcelas rescisórias (Despacho de Reexame nº 2401158/2009, de 25/08/2009, fls. 950 a 952). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega: conforme os arts. 59 c/c 60 do Decreto n.° 70.235, de 1972, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; na hipótese dos autos, o voto condutor do acórdão guerreado decidiu por anular a Notificação de Lançamento sob o argumento de que não há descrição clara das rescisões que ensejaram os lançamentos; sucede que da leitura detida da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, bem como do Relatório Fiscal de Notificação e dos demais termos que acompanham o procedimento fiscal, concluise, indubitavelmente, que tudo está em plena conformidade com o que estabelece o Decreto nº 70.235, de 1972, e a Lei nº 8.212, de 1991: a origem do crédito constituído, o período compreendido, os elementos que serviram de base para a apuração, os valores lançados, bem assim a fundamentação legal que dá sustento ao crédito previdenciário lançado encontramse presentes; de tudo, vêse que os termos do procedimento fiscal contêm os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972; o exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado à contribuinte, que, inclusive, apresenta longo e detalhado arrazoado, por meio do qual insurge se contra o procedimento de apuração adotado pela fiscalização, dentre outros argumentos; a jurisprudência desta Câmara Superior tem firmado o entendimento que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; Fl. 993DF CARF MF 4 não se vislumbra a ocorrência de prejuízo à defesa da contribuinte neste processo, pelo que a decretação de nulidade representa a desnecessária movimentação da máquina pública, com dispêndio de recursos do erário, para a repetição de atos administrativos válidos, perfeitos e eficazes. Ao final, a Fazenda Nacional requer o conhecimento e o provimento do recurso, afastandose a nulidade do lançamento ou, caso assim não se entenda, declararandose a ocorrência de vício formal. Cientificada, a Contribuinte quedouse silente (fls. 965 e 968). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Tratase de Recurso Especial por Contrariedade à Lei ou à Evidência da Prova, interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, que assim estabelecia: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e (...) § 1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo." Ao Recurso Especial foi negado seguimento, com ciência à Fazenda Nacional em 13/05/2009, que apresentou Requerimento de Agravo, conforme previa o art. 17, do mesmo Regimento acima, que ainda era vigente: Art. 17. Cabe agravo do despacho que negar seguimento ao recurso especial. § 1º O reexame de admissibilidade de recurso especial será requerido em petição dirigida ao Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de cinco dias contado da ciência do despacho que lhe negou seguimento. (...) § 5º O Presidente distribuirá os autos a um dos membros da Turma que, em despacho fundamentado, acolherá ou rejeitará o pedido de reexame. § 6º Será definitivo o despacho do relator, após aprovado pelo Presidente e se este discordar, a admissibilidade do recurso será apreciada pelo colegiado, que decidirá como matéria de expediente, não sujeita à prévia publicação. Fl. 994DF CARF MF Processo nº 36266.007521/200618 Acórdão n.º 9202006.662 CSRFT2 Fl. 993 5 § 7º Se, no despacho de que trata o § 5º ou na decisão a que se refere o § 6º forem declarados atendidos os pressupostos de admissibilidade, os autos terão a tramitação normal, como se o recurso tivesse sido admitido pelo Presidente da Câmara recorrida, vedado o reexame de admissibilidade, intimandose o sujeito passivo ou o Procurador da Fazenda Nacional, este pessoalmente, para apresentar contrarazões no prazo de quinze dias. Quando analisado o Requerimento de Agravo da Fazenda Nacional, em 25/08/2009, os antigos Conselhos de Contribuintes já haviam se transformado no CARF, e já se encontrava em vigor um novo Regimento, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 23/06/2009. Este não mais previa o Requerimento de Agravo e sim o Reexame de ofício, pelo Presidente do CARF. Entretanto, esse novo RICARF estabeleceu uma regra de transição, garantindo direitos, qual seja: Art. 5º As negativas de admissibilidade dos recursos especiais exaradas até a data de publicação desta Portaria observarão o rito estabelecido no art. 17 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007. Assim, uma vez que a Portaria MF nº 256, de 2009, foi publicada em 23/06/2009, e a negativa de seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional ocorrera em 13/05/2009, ao apelo ficou garantido o rito do Agravo, estabelecido no art. 17 da Portaria MF nº 147, de 2007. Entretanto, quando da análise do Recurso Especial da Fazenda Nacional, ao invés de seguirse a regra de transição, acima colacionada, aplicouse uma espécie de rito misto, mesclandose o Agravo com o Reexame, previsto no novo RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Nesse passo, embora na prática tenham sido satisfeitos os §§ 5º e 7º, do art. 17, da Portaria MF nº 147, de 2007 exame do Recurso Especial por um outro membro da CSRF e, dandose seguimento, ciência à parte contrária para Contrarrazões os autos foram sorteados para relato em sessão pública, suprimindose a etapa prévia de análise, pelo Colegiado, em sede de matéria de expediente, não sujeita a publicação, o que contrariaria o § 6º. Nesse contexto, é entendimento desta Conselheira que já não há mais qualquer possibilidade de decidirse acerca do conhecimento de Recurso Especial em sessão privada, a menos que se tratasse de matéria sigilosa, assim declarada pelo Poder Judiciário. Não sendo o caso, entende esta Conselheira que o Colegiado, nesta sessão pública, deve decidir acerca da admissibilidade do Recurso Especial e, se ao apelo for dado seguimento, que se decida o seu mérito. Passase, assim, à análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, na modalidade "Contrariedade à Lei ou à Evidência da Prova". Tratase do Debcad 32.219.2609, relativo às Contribuições Previdenciárias dos segurados empregados, contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre importâncias pagas a empregados a título de Fl. 995DF CARF MF 6 salários e ordenados, horas extras, saldo de salários, férias, 1/3 de férias e 13º salário, conforme Relatório Fiscal de fls. 675 a 677. No primeiro despacho de admissibilidade do Recurso Especial, negouse seguimento ao apelo, e no segundo despacho, a ele foi dado seguimento, com a ressalva de que a matéria unânime não estaria contemplada. Confirase: "6. Inicialmente, há de se salientar que a parte do acórdão que se submete ao presente recurso especial é aquele que decorre da decisão não unânime; portanto, a nulidade incidente sobre as parcelas rescisórias, decorrente de decisão unânime, não é objeto do presente recurso." (grifei) Com efeito, no acórdão recorrido, a decisão foi assim registrada: "ACORDAM os membros da quinta câmara do segundo conselho de contribuintes, Por maioria de votos, em anular o auto de infração/lançamento. Vencido os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Marco André Ramos Vieira que votaram pelo provimento parcial reconhecendo vício de nulidade apenas em relação ao levantamento das parcelas rescisórias. Ausência justificada da Conselheira Renata Souza Rocha." (grifei) Assim, constatase que efetivamente, no que tange ao levantamento das parcelas rescisórias, a decisão foi unânime, portanto somente caberia a interposição de Recurso Especial de Divergência, o que a Fazenda Nacional expressamente descartou em seu Recurso de Agravo. Por outro lado, o seu pedido é no sentido do afastamento total da nulidade da NFLD, o que obviamente inclui a parte considerada nula à unanimidade, qual seja, a parte do levantamento das parcelas rescisórias. Confirase o pedido do recurso: "Em face do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer o conhecimento e o provimento do recurso para afastar a nulidade da NFLD e determinar o retorno dos autos à Câmara a quo para que esta prossiga no julgamento do feito." Diante do exposto, concordo com os argumentos do Despacho de Agravo (chamado de Despacho de Reexame) e conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à nulidade que inquinou os demais fatos geradores, que não o levantamento das parcelas rescisórias. Adentrando ao mérito do Recurso Especial, a leitura do voto vencedor do acórdão recorrido e da declaração de voto de um dos Conselheiros que restou vencido, permite concluir que a nulidade foi expressamente declarada, à unanimidade, em relação ao levantamento das parcelas rescisórias, sendo que a divergência de entendimentos assim se esclarece: para o Relator e para quem o acompanhou, a nulidade do levantamento das parcelas rescisórias nulificou todo o lançamento, que conteria outros fatos geradores; para o Conselheiro que divergiu e apresentou declaração de voto, a nulidade de apenas um levantamento não lograria nulificar a autuação em relação aos demais fatos geradores, que não padeceram de vício. Confirase: Voto Vencedor "Ao analisar os autos do recurso, verifiquei, de pronto, a existência de mácula que, a propósito, foi apontada pela representante da Recorrente ao longo do processo administrativo. Fl. 996DF CARF MF Processo nº 36266.007521/200618 Acórdão n.º 9202006.662 CSRFT2 Fl. 994 7 Ora, verifico que a documentação carreada aos autos pelo AFPS notificante não supriu as indeterminações insistentemente apontadas pela 2ª CAJ nos julgamentos anteriores. Deveras, as informações contidas nas CNIS apresentadas às fls. 858/860, conquanto corroborem a existência de rescisões de contratos de trabalho não escrituradas, não discriminam com a suficiência necessária quais as basesdecálculo utilizadas para formalizar o lançamento. Não é possível, ademais, contrariar as determinações pretéritas da CAJ, vez que as decisões deste Conselho, como autoridade administrativa que é, deverão guardar observância com a teoria dos motivos determinantes. Nesse sentido, imprescindível concluir que houve cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, pois o lançamento não apontou de forma clara e precisa as rescisões que ensejaram os lançamentos amiúde contestados. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito." (grifei) Declaração de Voto "No presente caso, foi o que aconteceu. De fato, para os fatos geradores ocorridos por ocasião das rescisões de contratos de emprego não houve discriminação precisa das rubricas salariais que constituem as bases de cálculo das contribuições incidentes. Mas, em relação aos demais fatos geradores o lançamento não merece retoques. Assim, entendo que os mesmos devem ser mantidos no lançamento." Assim, filiome ao posicionamento adotado na Declaração de Voto acima citada, que ora adoto como minhas razões de decidir, prestigiando o princípio do máximo aproveitamento dos atos processuais, e assim considerando nulos apenas os fatos geradores eivados de vício (e sobre estes reiterase que a decisão foi unânime, portanto estão fora do âmbito do presente recurso). Por outro lado, no que tange aos fatos geradores sobre os quais não paira a pecha de qualquer vício, não há fundamento legal para anulálos. Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, apenas no que tange aos demais fatos geradores, excluídos aqueles relativos ao levantamento das parcelas rescisórias (item 6 do Despacho de Agravo) e, na parte conhecida, doulhe provimento, afastando a nulidade e determinando o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 997DF CARF MF 8 Fl. 998DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679801/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 13/04/2006
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.853
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Data do fato gerador: 13/04/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.679801/2009-34
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5836100
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-004.853
nome_arquivo_s : Decisao_10880679801200934.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880679801200934_5836100.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7141585
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011744337920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.679801/200934 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402004.853 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria CIDE PER/DCOMP Recorrente TIM CELULAR S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 13/04/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 01 /2 00 9- 34 Fl. 84DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP, que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte reconhece que deixou de retificar as DCTFs relativas aos períodos que entende ter havido recolhimento a maior. Sustenta, contudo, que mero equívoco no preenchimento destas declarações não pode gerar débitos fiscais. Alega ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, discorre sobre o princípio da verdade material e assevera que o equívoco é evidente e não justifica a glosa havida. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº Acórdão 1627.098, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 13/04/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.679801/200934 Acórdão n.º 3402004.853 S3C4T2 Fl. 3 3 efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais Fl. 86DF CARF MF 4 créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.849, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.679805/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.849): 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.679801/200934 Acórdão n.º 3402004.853 S3C4T2 Fl. 4 5 O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa Fl. 88DF CARF MF 6 (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.679801/200934 Acórdão n.º 3402004.853 S3C4T2 Fl. 5 7 enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. Fl. 90DF CARF MF 8 No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.679801/200934 Acórdão n.º 3402004.853 S3C4T2 Fl. 6 9 com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer Fl. 92DF CARF MF 10 DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.679801/200934 Acórdão n.º 3402004.853 S3C4T2 Fl. 7 11 devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de Fl. 94DF CARF MF 12 documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios da estrita legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.679801/200934 Acórdão n.º 3402004.853 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
