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Numero do processo: 11516.003410/2010-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
IRPF. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES DE POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindo-se da intervenção do Poder Judiciário.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009).
MULTA QUALIFICADA. DOLO E FRAUDE. MANUTENÇÃO.
A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, inclusive de simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se escapar, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizando-se de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária.
MULTA. AUMENTO. 112,5%. APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA.
É farta a jurisprudência do CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obsculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para a apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reduzir os percentuais das multas incidentes sobre as infrações imputadas ao contribuinte de 112,5% e 225% para 75% e 150%, respectivamente. Vencido o conselheiro João Bellini Júnior, que negava provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente Substituto.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, João Bellini Junior, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Livia Vilas Boas e Silva.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009 IRPF. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES DE POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindo-se da intervenção do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). MULTA QUALIFICADA. DOLO E FRAUDE. MANUTENÇÃO. A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, inclusive de simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se escapar, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizando-se de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. MULTA. AUMENTO. 112,5%. APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. É farta a jurisprudência do CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obsculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para a apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. Recurso Provido em Parte
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SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES DE POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). MULTA QUALIFICADA. DOLO E FRAUDE. MANUTENÇÃO. A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, inclusive de simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se escapar, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. MULTA. AUMENTO. 112,5%. APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 34 10 /2 01 0- 07 Fl. 881DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 É farta a jurisprudência do CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obsculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para a apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reduzir os percentuais das multas incidentes sobre as infrações imputadas ao contribuinte de 112,5% e 225% para 75% e 150%, respectivamente. Vencido o conselheiro João Bellini Júnior, que negava provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, João Bellini Junior, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Livia Vilas Boas e Silva. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela DRJ/FNS, nº 0725.404, constante em fls. 845/854: Mediante auto de infração de folhas 789 a 799, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 1.660.903,64 de Imposto de Renda Suplementar, acrescido de multa proporcional e de juros de mora, relativo aos anoscalendários de 2008 e 2009. Conforme consta do referido auto de infração, os fatos que deram origem ao lançamento tributário foi a constatação de: 1) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica por determinação da Justiça Federal, no valor de R$ 1.517.631,85, em 2008, e R$ 3.594.349,55, em 2009; e 2) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no importe de R$ 1.368.236,38, em 2009. Do procedimento fiscal: Conforme Termo de verificação fiscal, o contribuinte encontravase omisso na entrega da Declaração de Ajuste Anual de 2009, no entanto apresentava alta movimentação financeira nos anoscalendários de 2008 e Fl. 882DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.003410/201007 Acórdão n.º 2102003.295 S2C1T2 Fl. 882 3 2009, recebendo, em 2008, da Caixa Econômica Federal (CEF), por determinação da Justiça Federal, honorários advocaticios de R$ 820.384,52, com retenção na fonte de 3%, conforme DIRFs entregues pela instituição financeira citada. Considerandose que os rendimentos não foram informados em declaração de ajuste anual, em 09/12/2009, foi instaurado procedimento fiscal de fiscalização, relativo ao anocalendário de 2008, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização N° 0920100 2009 01369 4. Em 11/12/2009 foi emitido o Termo de Inicio de Fiscalização e Intimação Fiscal (fls. 474 e 475), solicitando, dentre outros documentos, cópia dos comprovantes de rendimentos, cópia de todos os recibos emitidos referentes a serviços prestados para pessoas físicas, extratos bancários das contas correntes e de investimento/poupança e os comprovantes da origem dos recursos depositados nas contas bancárias, todos referentes ao período de 01/01/2008 a 31/12/2008. Contudo, o contribuinte não atendeu a este Termo. Em virtude disso, em 21/12/2009, foi encaminhada à CEF a Intimação N° 764/09 (fls. 477), solicitando que fossem informados, mensalmente, todos os pagamentos efetuados para Antonio Pinheiro Júnior, correspondentes ao período em exame, especificando a que se referiam estes pagamentos; que apresentasse cópia dos comprovantes anuais de rendimentos referentes aos pagamentos efetuados ao autuado, relativos ao mesmo período. Em resposta, a Caixa Econômica Federal apresentou os documentos das folhas 479 e 480. Na documentação apresentada, verificouse que o contribuinte havia recebido da citada empresa em 2008 um valor ainda maior: R$ 1.517.631,82 (fls, 480). No entanto, para parte do valor recebido (R$ 697.427,30) não houve qualquer retenção na fonte, tampouco constava das DIRFs entregues à Receita Federal. Em face do exposto, encaminhouse à Caixa Econômica Federal a Intimação Fiscal N° 007/10 (fls. 481 e 482), solicitando que informasse a que titulo foram realizados os pagamentos efetuados ao Sr. Antônio Pinheiro Junior e justificasse o motivo de ter sido considerado parte deles como não tributáveis. Em atendimento à solicitação da fiscalização, a CEF, apresentou os documentos de folhas 484 a 511, nos quais constam que os pagamentos foram efetuados por ordem da Justiça Federal (fls. 484); o número do processo judicial e o valor levantado por Antonio Pinheiro Júnior relativo a cada processo (fls. 485 a 501); que, para os processos para os quais não houve qualquer retenção na fonte, o Sr. Antônio havia apresentado documento intitulado "Declaração para Não Incidência de IRRF". Em 25/01/2010, reintimouse o contribuinte a apresentar os documentos já solicitados em 11/12/2009. Inobstante a insistência da autoridade fiscal, o interessado também não atendeu a este Termo. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Considerandose que o contribuinte era omisso na entrega da Declaração de Ajuste Anual de 2009 (fls. 773 e 774), que apresentou alta movimentação financeira em 2008 (fls. 02 e 03) e que não atendeu ao Termo de Inicio de Fiscalização e Intimação Fiscal e ao Termo de Intimação Fiscal N° 012/10, encaminhouse a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF N° 0920100 2010 00042 8 à Caixa Econômica Federal (fls. 515) e a RMF n° 0920100 2010 00043 6 ao Banco do Brasil (fls. 563), solicitando, entre outros documentos, os extratos bancários referentes à movimentação financeira do contribuinte em 2008. Em 09/04/2010, remeteuse ao contribuinte o Termo de Intimação Fiscal N° 186/10 (fls. 576 e 577), solicitando documentos comprobatórios das operações realizadas, cópia da declaração de rendimentos, bem como as justificativas para a não Incidência de IRRF apresentadas A. Caixa Econômica Federal. 0 fiscalizado não respondeu ao pedido feito pelo fiscal. Considerandose que, até 30 de abril de 2010, o contribuinte também não havia apresentado a declaração concernente ao anocalendário de 2009, este ano foi incluído no período de abrangência da fiscalização. Em 04/05/2010, encaminhouse o Termo de Intimação Fiscal N° 224/10 (fls. 579 e 580), solicitando documentos relativos ao anobase de 2008 e 2009, notadamente os extratos bancários referentes ao ano e 2009, comprovando a origem dos recursos depositados em conta de sua titularidade, o qual não foi atendido. Também em 04/05/2010, encaminhouse à CEF a Intimação Fiscal N° 225/10 (fls. 583 e 584), solicitando que informasse, mensalmente, todos os pagamentos efetuados para o Sr. Antonio Pinheiro Júnior, no período de 01/01/2009 a 31/12/2009 Na documentação apresentada pela Caixa Econômica Federal constam as mesmas considerações feitas em relação ao anocalendário de 2008, além de identificar os pagamentos feitos ao fiscalizado. Considerandose que o contribuinte era omisso na entrega da Declaração de Ajuste Anual de 2010, que apresentou alta movimentação financeira em 2009 (fls. 04) e que não atendeu ao Termo de Intimação Fiscal N° 224/10, encaminhouse a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF N° 0920100 2010 00061 4 à Caixa Econômica Federal (fls. 631), solicitando entre outros documentos, os extratos bancários referentes 6. movimentação financeira do contribuinte em 2009. Em 25/06/2010, remeteuse ao contribuinte o Termo de Intimação Fiscal N° 325/10 (fls. 733 e 734), reintimandoo a apresentar documentos comprobatórios. Ressaltese que o contribuinte não se manifestou acerca da solicitação. Em consulta ao sitio do Tribunal Regional Federal da 4ª Região na internet, por amostragem, o fiscal constatou que os valores pagos em decorrência de alguns dos processos informados por Caixa Econômica Federal (fls. 722 a 732), referemse a honorários contratuais devidos ao advogado, independentemente de ter havido retenção na fonte ou não. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.003410/201007 Acórdão n.º 2102003.295 S2C1T2 Fl. 883 5 Em 13/07/2010, enviouse a clientes que informaram ter efetuado pagamentos ao Sr. Antonio Pinheiro Júnior as intimações a seguir especificadas. INTIMAÇÃO Nº INTIMADO FLS. 374/10 Ari Daniel de Souza 736 375/10 Vilson dos Santos Padilha 739 376/10 Maria dos Santos 745 377/10 Lorentino Antonio de Oliveira 750 378/10 Jorge Jose Luciano 756 379/10 Bionor Jose Marceno 761 Em resposta a estas intimações: a) Ari Daniel de Souza não foi localizado no endereço constante do Cadastro de Pessoas Físicas. A correspondência retornou com a informação de que o intimado é falecido (fls. 738); b) Vilson dos Santos Padilha apresentou os comprovantes das folhas 741 a 744, em que aduz que recebeu diferenças no valor de R$ 13.470,06 e foram descontados R$ 3.454,57 em favor do advogado Antonio Pinheiro Júnior; c) Maria dos Santos apresentou os comprovantes de fls. 747 a 749, em que afirma que recebeu diferenças no valor de R$ 9.972,53 e foram descontados R$ 2.902,71 em favor do advogado Antonio Pinheiro Júnior. d) Lorentino Antonio de Oliveira apresentou os comprovantes das folhas 752 a 755, em que declara que recebeu diferenças no valor de R$ 17.104,84 e foram descontados R$ 3.420,95 em favor do advogado Antonio Pinheiro Júnior. e) Jorge Jose Luciano apresentou os comprovantes das folhas 758 a 760, em que confirma que recebeu diferenças no valor de R$ 19.944,70 e foram descontados R$ 3.998,93 em favor do advogado Antonio Pinheiro Júnior. f) Bionor Jose Marceno apresentou os comprovantes das folhas 763 a 767, em que garante que recebeu diferenças no valor de R$ 17.104,84 e foram descontados R$ 3.420,95 em favor do advogado Antonio Pinheiro Júnior. Assim, concluiu o agente fiscal que, pelas respostas apresentadas pelos intimados, ficou comprovado que os valores informados pela CEF referemse a honorários advocaticios recebidos por Antonio Pinheiro Killion Em Fl. 885DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 16/08/2010, expediuse o Termo de Intimação Fiscal N° 415/10 (fls. 768 a 771), solicitando documentos e a comprovação da origem dos recursos creditados em contacorrente, atinente a 2009, listados pelo fiscal. 0 contribuinte, da mesma forma como ocorreu com as demais intimações feitas, não a respondeu. Após estes procedimentos realizados, a fiscalização resolveu lavar o auto de infração sob exame. Inconformado com a lavratura do auto de infração, o contribuinte apresentou instrumento de impugnação, por meio do qual apresenta, em síntese, as seguintes razões. Da Inviolabilidade dos Dados e do Sigilo Bancário Argumenta que o processo de fiscalização encontrase notadamente viciado, pois fere claramente o dispositivo constitucional constante no artigo 5 º, Inciso X e XII da CF/88, regulamentada pela Lei n° 9.296, de 1996. Assim, são conceitos intimamente ligados ao direito à intimidade e ao sigilo de correspondência, que garante ao indivíduo o direito de não ver seu banco de dados seja virtual, digital ou documental violado sem devida ordem judicial expressa. Além disso, os bancos estão obrigados por lei a fornecer a seus clientes, e, por consequência, é um direito do particular, de não ver suas contas bancárias e demais investimentos desnudados por outrem, sem devida ordem judicial, o que não foi observado pelo agente fiscalizador. Da Inconstitucionalidade da Taxa Selic Considera a incidência da taxa SELIC sobre os créditos apurados ilegal e inconstitucional. Sustenta que a Taxa SELIC não foi criada por lei, mas por Resolução do Conselho Monetário Nacional e possui natureza remuneratória. Acentua que uma lei tributária não pode valerse de circulares ou resoluções que alteram as regras sobre a correção monetária e juros, principalmente se estas circulares ou resoluções foram baixadas para outro fim que não o tributário. Invoca o artigo 161, § 1 0, do CTN, que preconiza que os juros serão de 1% se a lei não dispuser de modo contrário. Nesse contexto, entende que a taxa SELIC deveria ser criada por lei, o que não ocorreu. Com base nas afirmativas descritas, conclui que a taxa SELIC visa a remunerar títulos, não havendo discriminação qualitativa e quantitativa dos componentes integrantes; a taxa SELIC, por ferir os princípios, é inaplicável em matéria tributária; não se pode exigir cobrança de juros e correção com base numa taxa não clarificada e definida, pelo menos, para fins tributários; se todo o tributo deve ser definido por lei, não há esquecer que sua quantificação monetária ou mera readaptação de seu valor, bem como os juros, deverá ser também previstos por lei. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.003410/201007 Acórdão n.º 2102003.295 S2C1T2 Fl. 884 7 Sustenta a aplicabilidade do juros de mora previstos no art. 2° da Decreto Lei n° 2.323, de 27/02/1987: 1 um por cento ao mês. Cita a limitação contida no art. 192, § 3 0, da Constituição Federal, que impede a cobrança de juros acima de 12% ao ano. Ainda no que tange A. multa, invoca o artigo 10 do DecretoLei n° 2.049/83, que trata da redução ou cancelamento de multas ou penalidades, desde que satisfeitos os quesitos elencados. Da Inaplicabilidade da Multa Sustenta que a penalidade de 112,5% ou 225% do valor decorrente da obrigação tributária principal é nitidamente confiscatória. Segundo o impugnante, o confisco atenta contra o direito da propriedade e da segurança jurídica, princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988. Assim, há de ser. reconhecida a incompatibilidade da norma sancionatória invocada pela pessoa política, uma vez que conflita com o principio constitucional tributário que veda o confisco, expresso no art. 150, IV, da CF/88. Pleiteia a cominação da multa de 20%, assim como preceituado no art. 74 da Lei n° 7.799/89, que estabelece multa de mora de 20%, e no art. 87 da Lei n° 6.374/89. Verificase que no item da Impugnação "II.IV DAS PONDERAÇÕES FINAIS" o contribuinte trata de assunto estranho ao presente litígio, uma vez que tal tópico não guarda qualquer relação com a infração apurada neste processo. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008,2009 SIGILO BANCÁRIO. OBTENÇÃO DE DADOS PELA FISCALIZAÇÃO. autorizada, nos termos da lei, a obtenção pela Fiscalização da movimentação financeira do contribuinte junto As instituições financeiras, com vistas a demonstrar a ocorrência de infração à legislação tributária. JUROS SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros morat6rios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à. taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. VINCULAÇÃO DO JULGADOR AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Não compete A. autoridade lançadora perquirir acerca da validade das normas jurídicas, restandolhe tão somente aplicar a lei então vigente, em obediência ao principio da legalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0725.404 da 6ª Turma da DRJ/FNS em 20/10/2011. Sobreveio Recurso Voluntário em 16/11/2011, no qual, o contribuinte ratificou na íntegra as razões da impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tratamse os presentes Autos de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica por determinação da Justiça Federal e, Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada. Preliminarmente, alega o recorrente nulidade do lançamento fiscal em decorrência do meio pelo qual a autoridade fiscal autuante obteve as informações relativas a movimentação financeira do autuado (sem autorização judicial). Com efeito, cabe tecer algumas considerações sobre a controvérsia relativa a quebra do sigilo bancário do contribuinte por meio de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. A possibilidade de requisição de movimentação financeira pela Autoridade Administrativa encontrase prevista no art. 197, II, do Código Tributário Nacional (CTN), vindo a Lei Complementar nº 102/2001 autorizar a referida disposição expressamente: "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;" Fl. 888DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.003410/201007 Acórdão n.º 2102003.295 S2C1T2 Fl. 885 9 Assim, a Autoridade Tributária pode, com base no art. 6º da LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas, informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. Confirase: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." Neste contexto, havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Diante do exposto, a obtenção dos extratos bancários pelo Auditor Fiscal no presente procedimento foi procedida dentro dos parâmetros legais, sendo improcedente a alegação de prova obtida por meio ilícito, haja vista que o art. 6º da LC nº 105/2001, encontra se vigente e eficaz. Cabe apenas destacar que atualmente a matéria está no Supremo Tribunal Federal (STF) no RE 601.314/SP, Min. Ricardo Lewandowski, pendente de julgamento, não havendo o STF suspendido os efeitos da norma. Ademais, tanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto o presente Egrégio Conselho Administrativo já se manifestaram quanto à legalidade da utilização do dispositivo supracitado. Logo, rejeito esta preliminar. Quanto à insurgência do recorrente em relação à taxa Selic, a matéria resta pacificada neste E. Conselho, conforme Súmula nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que cristaliza o entendimento da legitimidade de sua aplicação: “Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Logo, correta a aplicação da taxa Selic. No que tange à qualificação da multa de ofício, prevista no art. 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, nos casos em que, não houve retenção do imposto de renda na fonte, entendo que a mesma deve ser mantida, conforme razões que seguem. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Com efeito, dá análise da documentação levada à Caixa Econômica Federal, qual seja, "Declaração para Não Incidência de IRRF", verificase que o evidente intuito do contribuinte ao apresentar tais declarações fora no sentido de impedir o conhecimento pela Receita Federal dos recursos recebidos por determinação da Justiça Federal, por conseguinte, retardando o recolhimento do imposto devido sobre a receita auferida e omitida, evidenciado se dessa forma, a conduta dolosa do contribuinte de fraudar o Fisco. A Lei nº 4.502, art. 72, conceituou fraude como: "toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento". Já por dolo ou conduta dolosa entendese: "[...] a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivo do tipo injusto doloso [...] é saber e querer a realização do tipo objetivo de um delito. O dolo é, de certo modo, a imagem reflexa subjetiva do tipo objetivo da situação fática representada normativamente. A conduta dolosa é ais perigosa e deve ser punida mais gravamente do que a culposa." (PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro, 6 ed. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 2006, p.113, Apud PAULSEN, Leando. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2023, p. 1062). Vejase o Acórdão 9202003.128 CSRF, 2ª turma, que trata especificamente da matéria: A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. [...] A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. (Acórdão 9202003.128, CSRF, 2ª Turma, de 27 de março de 2014) No caso dos autos, o dolo está demonstrado na vontade do agente em impedir ou retardar o recolhimento do imposto, através das Declarações para Não Incidência de IRRF. Portanto, correta a aplicação da multa no percentual de 150%, conforme previsto na legislação de regência. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.003410/201007 Acórdão n.º 2102003.295 S2C1T2 Fl. 886 11 Por fim, passo a análise da multa de ofício, agravada e aplicada no percentual de 112,5%. É farta a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e também deste CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obstaculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Vejamos: AGRAVAMENTO O agravamento da multa de ofício pelo atraso ou não atendimento de intimações e pedidos de esclarecimentos só tem aplicação quanto efetivamente demonstrada a recusa ou efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. 1º CC. / 3ª Câmara / ACÓRDÃO 10323.566 em 17.09.2008. Publicado no DOU: 20.01.2009. IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO A impossibilidade material do contribuinte em cumprir a intimação da fiscalização para apresentar docume ntos não autoriza o agravamento da multa de ofício. 1º CC. / 1ª Câmara / ACÓRDÃO 10196.675 em 17.04.2008. Publicado no DOU em: 06.11.2008. MULTA AGRAVADA Não deve ser aplicada a multa agravada de 112,5% se não fica demonstrada ação ou omissão do contribuinte com o objetivo de retardar ou impedir a atividade de fiscalização. CARF 1ª Seção 2ª Turma da 3ª Câmara / ACÓRDÃO 130200.302 em 21.05.2010. Publicado no DOU em: 24.01.2011 MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. Recurso Voluntário Provido em Parte. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 1ª Seção 1ª Turma da 3ª Câmara / ACÓRDÃO 130100.270 em 29.01.2010. Neste caso, verificase que a omissão de rendimentos quanto à primeira infração, tratase de rendimentos recebidos de pessoa jurídica por determinação da Justiça Federal, a qual fora facilmente apurada, através das Intimações nº 764/09 (fls. 477), n° 007/10 (fls. 481 e 482), encaminhadas à Caixa Econômica Federal, e esta apresentou os documentos de fls. 479/480 e 484 a 511, que embasaram o lançamento. Quanto à segunda infração apurada, qual seja, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificase que a fiscalização obteve facilmente os extratos bancários por meio da Requisição de Informações sobre Movimentações Financeiras – RMF, n° 0920100 2010 00042 8, RMF n° 0920100 2010 00043, encaminhadas respectivamente à Caixa Econômica Federal (fls. 515) e a ao Banco do Brasil (fls. 563). Assim, entendo não cabível no caso o agravamento da multa. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a Preliminar de Nulidade do Lançamento e no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para desagravar a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 892DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 15956.000364/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008
COMPENSAÇÃO. GLOSA.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à compensação e por unanimidade de votos em dar provimento para determinar a exclusão das empresas GBA METALÚRGICA S.A e ATIVA - IND. COM IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA, identificadas como Grupo Econômico.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator.
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à compensação e por unanimidade de votos em dar provimento para determinar a exclusão das empresas GBA METALÚRGICA S.A e ATIVA - IND. COM IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA, identificadas como Grupo Econômico. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente. Marcelo Magalhães Peixoto - Relator. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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GLOSA. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à compensação e por unanimidade de votos em dar provimento para determinar a exclusão das empresas GBA METALÚRGICA S.A e ATIVA IND. COM IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA, identificadas como Grupo Econômico. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Marcelo Magalhães Peixoto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 03 64 /2 00 9- 14 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000364/200914 Acórdão n.º 2403002.975 S2C4T3 Fl. 231 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1233.306 – 10ª Turma da DRJ/RJ1, fls. 161/173, que julgou totalmente improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.230.0049, referente ao período de 01/06/2007 a 31/12/2008, no valor de R$ 5.056.246,41 (cinco milhões, cinqüenta e seis mil, duzentos e quarenta e seis reais e quarenta e um centavos). A atuação trata de Glosa de Compensação, por não atendimento ao disposto no art. 89 da Lei 8.212/91, bem como não ter observado o limite de trinta por cento das contribuições devidas à Previdência Social para as compensação informadas em GFIPs entregues até 03/12/2008. A recorrente é parte autora de duas ações judiciais: Ação Declaratória de inexistência de Relação Jurídica, cominada com pedido de compensação de valores, assim como um Mandado de Segurança Preventivo com pedido de liminar, versando sobre indébito de PIS e COFINS sobre ICMS debitado, não tendo sido localizada em nenhum dos processos, qualquer determinação judicial autorizando compensações com contribuições previdenciárias, estando ambos os processos suspensos aguardando conclusão da Ação Declaratória de Constitucionalidade ADC 18 perante o STF. Portanto, tratase de glosa de compensação de supostos créditos de PIS e COFINS que foram compensados com débitos PREVIDENCIÁRIOS, decorrentes de processos judiciais que não transitaram em julgado. Os fatos foram relatados no Relatório Fiscal, fls. 37/52, cujos trechos pertinentes encontramse colacionados abaixo: 1.1 Valendose do ICMS apurado sobre contribuições do PIS e CONFINS que entendeu possuir a seu crédito, ajuizou ações neste sentido e imediatamente a partir da competência 06/2007, passou a utilizar aqueles valores, atualizados através da SELIC, como compensação mensal das contribuições previdenciárias, informandoos em GFIP, o que reduziu o valor das contribuições mensais a recolher. 1.2 Nos esclarecimentos dos motivos das compensações e constando das planilhas de cálculos, foi observada a citação de dois processos que estariam amparando o procedimento: 1.2.1. Processo 2007.61.02.0084129 da 2ª Vara Federal de Ribeirão Preto, protocolo de 29/06/2009 com Ação Declaratória de inexistência de Relação Jurídica Tributária c.c., Pedido de Compensação de Valores e Tutela Antecipatória. Houve Agravo de Instrumento ao TRF 3º em 27/07/2007 contra decisão que negou a tutela antecipatória, do qual se extrai no item "Razões do Agravo": Fl. 232DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 "Da responsabilidade da empresa perante Fisco Inicialmente há que se destacar que uma eventual concessão liminar de compensação, ante a nova tendência jurisdicional de se reconhecer a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, viabiliza a redução ainda que momentânea da elevada carga tributária que pesa sobre as empresas nacionais, tão essencial à sua sobrevivência e concorrência, principalmente no ramo têxtil, face as aberturas desse mercado à China, em fato social que não pode passar desapercebido pelas instâncias julgadoras. Mesma via, a título de argumentação, caso futuramente a presente ação não seja julgada procedente, a responsabilidade perante o órgão tributante é exclusivamente da empresa agravante, ficando a mesma responsável pelas consequências de improcedência de seu pedido, em nada podendo onerar o Poder judiciário." (...) 1.2.3. Não foi localizada, nos processos referidos, nenhuma determinação judicial autorizando compensações com contribuições previdenciárias. Além disso, os dois processos estão suspensos aguardando conclusão da ADC/18 Ação Declaratória de Constitucionalidade. (...) 2.1. Os valores totais contabilizados na conta "210402001INSS a Recolher" durante o ano de 2007 e 2008 são os informados nas planilhas extraída da contabilidade: (...) Observase que no ano de 2007 os valores lançados na coluna "Tot Crédito" até a competência de maio, guardam proporcionalidade em sua ordem de grandeza com a coluna "Tot Débitos". A natureza dos créditos nesta conta corresponde ao valor das contribuições previdenciárias devidas, enquanto os débitos aos pagamentos efetuados. A partir da competência de junho de 2007, enquanto os créditos permanecem em valores próximos, os débitos são registrados por valores menores, pelo fato da empresa ter efetuado os recolhimentos utilizandose de mecanismo de compensação de valores. Em dezembro de 2007 no total a débito está incluído o valor de R$ 1.039.490,43 lançado em contrapartida da conta "220401001 Processos Diversos", do grupo de contas "220400000IMP/CONTRIB C/ COMPENSAÇÃO EM ANDAMENTO", com o histórico "RECLASSIFICAÇÃO DE LONGO PRAZO". O mesmo lançamento e contrapartida ocorreu em 30/06/2008 pelo valor de R$ 164.653,34, com o histórico "LANÇTO REF ATUALIZAÇÃO SALDO PROCESSOS DIVERSOS" Fl. 233DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000364/200914 Acórdão n.º 2403002.975 S2C4T3 Fl. 232 5 A sequencia mensal dos registros dos créditos no ano de 2008 evidenciam queda no volume da atividade. A coluna dos recolhimentos, "Tot Débito", apresentou comportamento irregular até setembro de 2008 estabilizandose a partir de outubro. A conclusão que se chega após estas análises é que a empresa não formou convicção da condição de regularidade ou segurança do procedimento compensatório efetuado, a ponto de não reconhecêlos contabilmente. Caso isso tivesse ocorrido, uma vez que houve regularidade dos recolhimentos após a compensação, o saldo da conta de INSS a recolher não poderia ter aumentado no período em que ocorreram as compensações. Houve também a caracterização de grupo econômico, liderado pela GBA Caldeiraria e Montagens Industriais LTDA, com as empresas Ativa Ind. Com. Import. Export. Mont. Loc. Máq. Equi. LTDA, e GBA Metalúrgica S.A. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa GBA Caldeiraria e Montagens Industrias LTDA contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 83/104. A responsável solidária GBA Metalúrgica S/A apresentou Impugnação, fls. 111/120, bem como a empresa Ativa Ind. Com. Imp. Exp. Mont. Loca. Maquinas e Equipamentos LTDA, fls. 136/140. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos dos então impugnantes, a 10ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, DRJ/RJ1, prolatou o Acórdão nº 1233.306, fls. 161/173, a qual julgou improcedente as impugnações ofertadas para manter incólume o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. A propositura pelo sujeito passivo da ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração de contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei 8.212/1991 (artigo 30, inciso IX). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, GBA CALDEIRARIA E MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 188/195, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1) A suspensão do presente processo até a Decisão Final a ser proferida pelo STF sobre a constitucionalidade ou não da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, eis que os valores compensados são objeto direto do AI em recurso; 2) Que seja declarada indevida a glosa mantida pelo Acórdão recorrido, face o débito inerente da recorrente compensar seus créditos com seus débitos tributários, como garantia constitucional, extinguindose os créditos tributários em favor da Fazenda Nacional; 3) A inexistência de grupo econômico. A empresa ATIVA. IND. COM. IMP. EXP. MONT. LOC. MAQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA apresentou Recurso Voluntário, fls. 203/207, afirmando que não há existência de grupo econômico entre esta e a GBA Caldeiraria e Montagens Industriais LTDA. A empresa GBA METALÚRGICA S/A apresentou Recurso Voluntário, fls. 208/216, requerendo o afastar o conhecimento de grupo econômico entre as empresas citadas, e de solidariedade não prevista em lei, nem tampouco entre as partes. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000364/200914 Acórdão n.º 2403002.975 S2C4T3 Fl. 233 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl. 219 temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. DA COMPENSAÇÃO A presente autuação trata de suposto direito a compensação valendose do ICMS apurado sobre contribuições do PIS e COFINS que a empresa entendeu possuir a seu favor, tendo ajuizado ações neste sentido e imediatamente passando a utilizar aqueles valores como compensação mensal nas contribuições previdenciárias. Ocorre que este supostos créditos estão sob discussão em processos judiciais propostos pelo contribuinte, o que atrai, de pronto, as disposições do art. 170A do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Ademais, a compensação dos créditos pleiteados com débitos previdenciários encontra óbice no art. 66, parágrafo 1º da Lei 8.383/91, in verbis: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. O PIS e a COFINS são espécies do gênero contribuições, no entanto, são contribuições sociais e não contribuições previdenciárias, o que é, na legislação vigente, vedado, nos termos do artigo acima transcrito. DO GRUPO ECONÔMICO Alega a autoridade fiscal que estaria configurado Grupo Econômico entre a principal autuada e as empresas GBA METALÚRGICA S.A e ATIVA IND. COM. IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA.Trás para tanto os seguintes motivos: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 i. Os únicos sócios da GBA Caldeiraria (José Augusto Marconato e Wania Maria Beutler Marconato) são os pais dos únicos sócios da empresa ATIVA; ii. Os únicos acionistas da GBA Metalúrgica são os srs. José Augusto Marconato e Wania Maria Beutler Marconato, apesar de a empresa ser administratada por uma diretoria eleita; iii. Há instrumento público de procuração outorgada em 2008, pela empresa ATIVA aos duas pessoas que também são os diretores da GBA Metalúrgica, com poderes para praticar atos de operações financeiras, comerciais, contratação e rescisão de contrato de trabalho, dentre outras; iv. Há notícias em jornais que evidenciam que as empresas integram um grupo econômico; v. Há na contabilidade operações internas típicas de grupos econômicos, tais como empréstimos e doações entre as empresas; vi. Relatórios de Revisão Contábil elaborados por empresa de auditoria externa, realizado para cada uma das empresas também evidencia a necessidade de ajustes e formalização de operações entre elas, tratandoas como "empresas do grupo"; Não obstante estes fundamentos expostos verifico que em momento algum houve a devida tipificação legal para exigibilidade das contribuições das empresas que integram um suposto grupo econômico (art. 124, I do CTN). O relatório de Fundamentação Legal de Débito – FLD, fls. 11/12 é omisso quanto a este fato, o que é caracterizador de nulidade por vício material, neste ponto, uma vez que afeta o disposto no art. 142 do CTN, por ausência de determinação do sujeito passivo, ante o exposto, devem estas empresas serem excluídas do polo passivo da presente autuação. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do Recurso Voluntário negar provimento quanto à compensação. Dar provimento para determinar a exclusão das empresas GBA METALÚRGICA S.A e ATIVA IND. COM. IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA, identificadas como Grupo Econômico. Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 237DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 36266.012835/2006-32
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - NFLD. CONTRIBUIÇÕES. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. COTA PATRONAL. SAT/RAT E TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DESCUMPRIDA. CONSEQUENCIAS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. FISCALIZAÇÃO. REGRAS CUMPRIDAS. ARTIGOS 33 E 37 DA LEI Nº 8.212, DE 1991.
A discussão em questão diz respeito a contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas em épocas próprias relativamente à parte da empresa, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, na forma prevista nos incisos I e II do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, e também as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Relatório Fiscal fls. 24).
A lei de custeio e a Constituição estabeleceram a obrigatoriedade de pagamento das verbas ora discutidas, a fiscalização cumpriu sua missão de constituir o crédito e o contribuinte não fez a sua parte. Assim, não há que se falar em nulidade por falta de apontamento dos valores devidos.
Ademais, na constituição do crédito tributário a autoridade administrativa respeitou as regras contidas nos artigos 33 e 37 da Lei nº 8.212, de 1991, não havendo, portanto, qualquer vício de legalidade no seu trabalho.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.071
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. CONTRIBUIÇÕES. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. COTA PATRONAL. SAT/RAT E TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DESCUMPRIDA. CONSEQUENCIAS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. FISCALIZAÇÃO. REGRAS CUMPRIDAS. ARTIGOS 33 E 37 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. 1. A discussão em questão diz respeito a contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas em épocas próprias relativamente à parte da empresa, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, na forma prevista nos incisos I e II do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, e também as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Relatório Fiscal fls. 24). 2. A lei de custeio e a Constituição estabeleceram a obrigatoriedade de pagamento das verbas ora discutidas, a fiscalização cumpriu sua missão de constituir o crédito e o contribuinte não fez a sua parte. Assim, não há que se falar em nulidade por falta de apontamento dos valores devidos. 3. Ademais, na constituição do crédito tributário a autoridade administrativa respeitou as regras contidas nos artigos 33 e 37 da Lei nº 8.212, de 1991, não havendo, portanto, qualquer vício de legalidade no seu trabalho. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 26 6. 01 28 35 /2 00 6- 32 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 36266.012835/200632 Acórdão n.º 2803004.071 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 36266.012835/200632 Acórdão n.º 2803004.071 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, não recolhidas em épocas próprias, no que diz respeito à parte da empresa, bem como aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, na forma prevista pelo art. 22, I e II, da Lei nº 8.212/91, como também as contribuições destinadas a outras entidades. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 12 de abril de 2007 e ementada nos seguintes termos: INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. JUROS. TAXA SELIC. MULTA. SAT. TERCEIROS. SEBRE. INCRA. Compete exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal decidir sobre matéria relativa a constitucionalidade de lei. Art. 97 e 102, I, “” da C.F. A Administração Pública está sujeita ao princípio da legalidade, à obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Art. 37 da CF. Sobre as contribuições sociais em atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, e multa de mora, que não podem ser relevado. (art. 34 e 35, da Lei nº 8212/91). A contribuição do SAT é prevista pelo art. 22, II, da Lei nº 8.212/91, o qual define suas alíquotas. As contribuições destinadas a Entidades e Fundos, para os quais, por força de convênio, o INSS se incumbe de arrecadar e repassar estão previstas na legislação conforme art. 94 da Lei nº 8.212/91 e Decreto nº 3.048/99. LANÇAMENTO PROCEDENTE Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Tratase de NFLD lavrada contra a Recorrente, apontando suposta infração consubstanciada na falta de recolhimento da contribuição da empresa sobre a remuneração de empregados; contribuição ao SAT; ao INCRA; ao SENAI. Ao SESI e ao SEBRAE, no período de 04/2005 a 06/2006, nos termos do artigo 22, inciso I, e seguintes, da Lei 8212/91, declaradas em GFIP pela Recorrente. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 36266.012835/200632 Acórdão n.º 2803004.071 S2TE03 Fl. 5 4 Em face de tal lançamento foi apresentada defesa administrativa, demonstrando a nulidade do lançamento, em razão da falta de comprovação dos valores devidos; da ilegalidade da cobrança das Contribuições ao SEBRAE, SAT, INCRA, assim como da abusividade da multa aplicada, e por fim, da ilegalidade da aplicação da taxa SELIC como juros moratórios. A NFLD deve ser anulada pela falta de comprovação dos valores apontados como devidos. É ilegal a cobrança das contribuições ao SEBRAE, SAT, INCRA, A multa aplicada tem efeito confiscatório. É inconstitucional a utilização da taxa SELIC como juros moratórios. De todo o exposto, a Recorrente requer seja dado provimento ao presente recurso administrativo, reformandose a r. decisão recorrida, para o fim de se declarar nula a NFLD nº 35.055.1842, em razão da falta de fundamentação probatória apta a demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições cobradas; ou, caso assim não entendam V. Sas., para o fim de que, no mérito, seja julgada improcedente a NFLD, excluindose do montante exigido as parcelas relativas às contribuições ao SAT, ao SEBRAE e ao INCRA, bem como dos percentuais discriminados no lançamento a título de penalidade tributárias, aplicandose o percentual de 20% (vinte por cento) consoante as disposições da Lei nº 9.430/96, e por fim, o expurgo do índice da taxa SELIC como critério de juros moratórios, para aplicação dos juros moratórios de 1% (um por cento) previstos no art. 161, § 1º, do CTN. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 36266.012835/200632 Acórdão n.º 2803004.071 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A discussão em questão diz respeito a contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas em épocas próprias relativamente à parte da empresa, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, na forma prevista nos incisos I e II do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, e também as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Relatório Fiscal fls. 24). O contribuinte vem requerendo desde a impugnação a nulidade do lançamento, em razão da falta de comprovação dos valores apontados como devidos, que é ilegal a cobrança das contribuições ao SEBRAE, SAT, INCRA, que a multa aplicada tem efeito confiscatório e que é inconstitucional a utilização da taxa SELIC como juros moratórios. Dos argumentos contidos no recurso notase que o contribuinte preferiu cuidar de generalidades, considerando que o fato gerador das contribuições ficou bem evidenciado no trabalho realizado pela fiscalização. O ponto nodal deste lançamento, como já referido, diz respeito a obrigação legalmente exigida e não cumprida pela empresa, ou seja, o pagamento das contribuições estabelecidas nos incisos I e II do artigo 22 da lei nº 8.212, de 1991, bem como as contribuições devidas aos denominados Terceiros, na forma do artigo 94 do mesmo diploma legal. Vêse, portanto, que não existe qualquer motivo para a anulação da NFLD, notadamente por suposta falta de comprovação dos valores apontados como devidos, como pretende o contribuinte. A lei de custeio e a Constituição estabeleceram a obrigatoriedade de pagamento das verbas ora discutidas, a fiscalização cumpriu sua missão de constituir o crédito e o contribuinte não fez a sua parte. Assim, não há que se falar em nulidade por falta de apontamento dos valores devidos. Ademais, na constituição do crédito tributário a autoridade administrativa respeitou as regras contidas nos artigos 33 e 37 da Lei nº 8.212, de 1991, não havendo, portanto, qualquer vício de legalidade no seu trabalho. De outra parte, não há que se falar também em inconstitucionalidade da taxa Selic, tendo em vista que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). De acordo com o artigo 72 do RICARF, as súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 36266.012835/200632 Acórdão n.º 2803004.071 S2TE03 Fl. 7 6 O lançamento e a decisão recorrida, como se pode observar, estão em perfeita harmonia com a legislação que rege o processo administrativo fiscal, motivo pelo qual os mantenho pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10882.908339/2009-78
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 83 39 /2 00 9- 78 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/200978 Acórdão n.º 1802002.511 S1TE02 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratam os autos da declaração de compensação nº 23389.44314.310107.1.3.040825, transmitida eletronicamente em 31/01/2007, com base em créditos relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/12/2001 CÓDIGO DE RECEITA : 2089 VALOR TOTAL DO DARF : 24.238,89 DATA DE ARRECADAÇÃO: 28/03/2002 A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado parcialmente, de modo que foi reconhecido direito creditório no montante de R$ 3.710,22, insuficiente para compensar integralmente os débitos declarados. Assim, em 07/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 2), cuja decisão homologou parcialmente a declaração de compensação por insuficiência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 11.185,48. Cientificado dessa decisão em 19/10/2009, o sujeito passivo apresentou em 18/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 23 e 24, acrescida de documentação anexa. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/200978 Acórdão n.º 1802002.511 S1TE02 Fl. 4 3 Em síntese, a contribuinte esclarece que teria recolhido indevidamente três parcelas de IRPJ referentes ao período em análise. Uma vez constatado o recolhimento indevido, retificou suas declarações. Apresenta quadro demonstrativo e anexa aos autos cópias das declarações. Ao final, solicita a homologação da compensação requerida por meio do PER/DCOMP em análise, cancelandose o débito fiscal dela decorrente. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Brasília/DF) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0356.222, de 17 de outubro de 2013, cientificado ao interessado em 20/12/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2002 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil/fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 17/01/2014. A Recorrente alega que: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/200978 Acórdão n.º 1802002.511 S1TE02 Fl. 5 4 há equívoco na decisão recorrida ao sustentar que a pessoa jurídica deveria, em sua manifestação de inconformidade, provar, através dos seus assentamentos contábeis/fiscais embasando sua escrituração com a apresentação de documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, fundamentando seus lançamentos contábeis com o comprovante de retençãoemitido em seu nome pela fonte pagadora; tal entendimento é totalmente descabido na análise do presente contencioso administrativo fiscal posto que a Recorrente em sua impugnação item "d" deixou claro que o todo alegado poderia ser devidamente comprovado através da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ/2002 fl.47 dos autos, entregue e encaminhada à Secretaria da Receita Federal do Brasil; é cediço que a Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ é a reprodução integral dos assentamentos contábeis/fiscais do sujeito passivo e, os dados nela contidos, estão permanentemente à disposição de autoridade fiscal para apreciação, análise e contestações que se fizerem necessárias; o crédito tributário que deu origem ao pedido de compensação não homologado pela Autoridade Administrativo preparadora, não tem sua origem em imposto de renda retido na fonte como sugerido pela ilustre JulgadoraRelatora fls. 71 dos autos, mas sim da diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor devido constante da Declaração de Informações EconômicoFiscais, pertinente ao 4o Trimestre do AnoCalendário de 2001; conforme informado pela Recorrente o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ código da receita 2089, referente ao 4o Trimestre de 2001, apurado e informado na DIPJ somou a quantia de R$ 8.906,39 (oito mil, novecentos e seis reais e trinta e nove centavos), e o valor recolhido, conforme atestado através dos DARF's anexados aos autos somou a quantia de R$ 64.593,56 (sessenta e quatro mil, quinhentos e noventa e três reais e cinquenta e seis centavos); havendo receitas decorrentes de prestação de serviços e estando dentro dos limites previstos pela legislação tributária, a fonte pagadora deve proceder à devida retenção do imposto/contribuições devidos o qual, por sua vez, será deduzido do imposto ou contribuição a pagar/recolher; no Ano Calendário de 2001, submeteuse ao regime de tributação com base no Lucro Presumido e, no 4o Trimestre do período de apuração encerrado em 31 de dezembro de 2001, recolheu o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no montante de R$ 64.593,56 (sessenta e quatro mil, quinhentos e noventa e três reais e cinquenta e seis centavos), dividido em três parcelas, conforme a seguir demonstrado, que foram devidamente informados em DCTF: IRPJ 3° Trimestre — PA 31/12/2001 Data vencimento/recolhimento Valor Recolhido em R$ I a Parcela 31/01/2002 20.076,97 2a Parcela 28/02/2002 20.277,70 3a Parcela 28/03/2002 24.238,89 TOTAL 64.593,56 após a entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais do Exercício de 2002 Ano Calendário de 2001 constatou que o valor efetivamente devido no 4o Trimestre de 2001, era de R$ 8.906,39 (oito mil, novecentos e seis reais e trinta e nove centavos), fato este verificado em Fl. 130DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/200978 Acórdão n.º 1802002.511 S1TE02 Fl. 6 5 tempo posterior através de auditoria interna a fim de analisar os procedimentos de natureza contábil/fiscal adotados pela Recorrente; ao determinar a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicou sobre a receita auferida no 4° Trimestre de 2001, a alíquota de 32% (trinta e dois por cento), quando a alíquota efetiva a ser aplicada era de 8% (oito por cento), em face de suas atividades operacionais. Daí a origem do seu direito creditório. Ipso fato procedeu à retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ/2002 Retificadora, em 29/12/2006, fls. 42/48 dos autos, e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF Retificadora, fls.49/53 dos autos, em 29/12/2006, do 4º Trimestre de 2001. diante da constatação das inconsistências acima apontadas a Recorrente concluiu que no 4o Trimestre de 2001, recolheu o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, em valores acima do efetivamente devido no montante de R$ 55.687,17 (cinquenta e cinco mil, seiscentos e oitenta e sete reais e dezessete centavos), abaixo demonstrado: IRPJ 4o Trimestre PA 31/12/2001 Data venct0/recolhimento Valor Recolhido em R$ Valor Devido em R$ Valor Recolhido a Maior I a Parcela 31/01/2002 20.076,97 8.906,39 11.170,58 2a Parcela 28/02/2002 20.277,70 20.277,70 3a Parcela 28/03/2002 24.238,89 24.238,89 TOTAL 64.593,56 8.906,39 55.687,17 o crédito reclamado através deste PER/DCOMP referese ao pagamento das quotas recolhidas no curso do 1º trimestre de 2002, o qual está devidamente comprovado através das declarações e documentos apresentadas em sua impugnação; os valores informados na DCTFRetificadora, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. fls.49/53 dos autos estão sobejamente comprovados através dos dados extraídos da Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do Exercício de 2002 AnoCalendário de 2001, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 42/48 dos autos e dos DARF's anexados aos autos do presente contencioso administrativo fiscal fls. 54/56. Finalmente requer provimento do recurso voluntário e protesta pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 23389.44314.310107.1.3.040825 (fls.06/08), transmitido em 31/01/2007, em que a Fl. 131DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/200978 Acórdão n.º 1802002.511 S1TE02 Fl. 7 6 contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ e CSLL relativos ao 4º Trimestre de 2006 no total de R$ 17.956,62 com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, código – 2089, relativo ao DARF: Período de Apuração: 31/12/2001; Data de Arrecadação: 28/03/2002, no valor de R$ 24.238,89. Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 20/04/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos, foi localizado o pagamento no valor de R$ 24.238,89, mas utilizado para quitação de débitos do contribuinte, o valor de R$ 20.528,67, restando o saldo disponível no valor R$ 3.710,22 para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Desse modo foi reconhecido, parcialmente, o direito creditório no montante de R$ 3.710,22, porém insuficiente para compensar integralmente os débitos declarados. A decisão de primeira instância manteve o despacho decisório. A Recorrente afirma que o crédito reclamado através deste PER/DCOMP referese ao pagamento das quotas recolhidas no curso do 1º trimestre de 2002, relativo ao 4º Trimestre de 2001, o qual está devidamente comprovado através das declarações (DCTF e DIPJ) e DARFs apresentados em sua impugnação. De inicio, cabe registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. A Recorrente, no essencial, alega que o crédito está sobejamente comprovado por meio dos valores informados na DCTFRetificadora, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. fls.49/53 através dos dados extraídos da Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do Exercício de 2002 AnoCalendário de 2001, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 42/48 e dos DARF's anexados aos autos do presente contencioso administrativo fiscal fls. 54/56. Como se vê, o contribuinte informa o crédito a compensar no PER/DCOMP nº 23389.44314.310107.1.3.040825 (fls.06/08), transmitido em 31/01/2007, porque em 29/12/2006 procedeu a retificação da DCTF relativa ao 4º trimestre de 2001 e DIPJ/2002. No entendimento da decisão recorrida não basta a retificação da DCTF e da DIPJ/2002 para comprovar o direito creditório, pois, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil/fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Recorrente alega que, ao determinar a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicou sobre a receita auferida no 4° Trimestre de 2001, a alíquota de 32% (trinta e dois por cento), quando a alíquota efetiva a ser aplicada era de 8% (oito por cento), em face de suas atividades operacionais. Daí a origem do seu direito creditório. Diz que, ipso fato procedeu à retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF como explicitado acima. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/200978 Acórdão n.º 1802002.511 S1TE02 Fl. 8 7 De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz, além das declarações retificadoras, qualquer elemento que comprove suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC Art. 333. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito ... A Recorrente, genericamente, protesta pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2002 e DCTF. E, demonstrar cabalmente suas atividades operacionais mediante notas fiscais para os fins de apuração do lucro presumido, a se verificar qual o percentual de aplicação se 8% (retificadora) ou 32% como apurado nas declarações originais. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como registrado acima e, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente o contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Como bem esclarecido na decisão recorrida, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/200978 Acórdão n.º 1802002.511 S1TE02 Fl. 9 8 Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PER/DCOMP foi transmitido pela pessoa jurídica em 31/07/2007, tomou ciência do despacho decisório expedido em 07/10/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 18/11/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.908339/200978 Acórdão n.º 1802002.511 S1TE02 Fl. 10 9 Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 10935.004992/2006-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1803-000.048
Decisão: Por maioria de votos, sobrestaram o julgamento nos termos do § 1°, do art. 62A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: Não se aplica
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Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .0 04 99 2/ 20 06 -5 1 Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 111 ___________ Relatório. Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, PIS, COFINS e CSLL e reflexos, relativos aos anos calendários 2001 a 2004. Após a impugnação do sujeito passivo, a DJR julgou a questão ementando da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 NULIDADE. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. Ê infundada a argüição de nulidade dos lançamentos se os dispositivos legais que os fundamentaram encontramse descritos no Auto de Infração, e a peça impugnatória é apresentada com desenvoltura suficiente para contradizer o suposto cerceamento do direito de defesa. NULIDADE. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO FORA DAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. Em atenção ao principio da instrumentalidade das formas, não cabe declarar nulidade sem que parte demonstre o efetivo prejuízo sofrido, sendo, portanto, insubsistente o pleito de nulidade do auto de infração pela mera circunstância de haver sido lavrado na repartição da Delegacia da SRF. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. RECEBIMENTO. IRRELEVÃNCIA DA QUALIFICAÇÃO DO RECEBEDOR. Ê improcedente a argüição de nulidade das intimações fiscais enviadas por via postal, sob a alegação de recebimento por pessoa estranha ao quadro societário da empresa, eis que é irrelevante a qualificação do recebedor da correspondência, bastando o correto endereçamento. PROVA ILÍCITA. SIGILO BANCÁRIO. MATÉRIA NÃO SUJEITA A RESERVA DE JURISDIÇÃO. É improcedente o pedido de nulidade do auto de infração, por suposta utilização de prova ilícita, consistente na violação do sigilo bancário da empresa, eis que o ato de levantamento do sigilo bancário não se insere nas matérias sujeitas A reserva de jurisdição, podendo ser efetivada diretamente pelo fisco, conforme previsão legal. DECADÊNCIA. IRPJ. TERMO INICIAL A inexistência de pagamento de tributo, em relação A receita omitida, que deveria ter sido lançado por homologação enseja a prática do lançamento de oficio ou revisão de oficio, previsto no artigo 149 do CTN, cujo termo de inicio do prazo decadencial deslocase para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CSLL. Com a edição da súmula vinculante n° 8, editada pelo STF, as contribuições sociais para a Seguridade Social submetemse As regras de prescrição e decadência gerais ditadas pelo CTN. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de oficio, exigíveis em lançamento de oficio, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo nº 10935.004992/200651 Resolução nº 1803000.048 S1TE03 Fl. 112 3 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CUMULATIVIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Na aplicação da taxa Selic não ocorre a cumulação, ou seja, incidência de juros sobre juros, uma vez que se aplicam somente sobre o principal. SUSTENTAÇÃO ORAL. OITIVA DE TESTEMUNHAS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. PEDIDO DE PERÍCIA. PEDIDO GENÉRICO NÃO FORMULADO. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Nos termos da legislação do PAF, não há previsão para produção de prova oral nem oitiva de testemunhas, os pedidos de perícia sem indicação de perito e quesitos são considerados como não formulados, e toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas. Inconformado com a decisão, a empresa autuada interpôs Recurso Voluntário se insurgindo contra todos os itens do aludido julgado, requerendo, ao final, a sua reforma. É o sintético relatório. Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman O §1°, do art. 62ª do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, assim dispõe: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Uma das matérias discutidas no presente recurso é a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa. Tal matéria está sendo objeto de análise pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B, no RE n° 601.314, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski. A seguir, transcrevemos trecho do despacho do Ministro LEWANDOWSKI em recurso extraordinário com questão idêntica à do RE n° 601.314, publicado em 22/10/2010. Nele o recurso não é sobrestado, mas devolvido para ser sobrestado pelo Tribunal de origem, in verbis: Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo nº 10935.004992/200651 Resolução nº 1803000.048 S1TE03 Fl. 113 4 "Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP." No meu entendimento, tal despacho demonstra que o Supremo Tribunal Federal está processando os recursos extraordinários que discutem a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa, nos termos do art. 543B, e está sobrestando os recursos extraordinários que versam sobre a matéria, nos termos do art. 328 de seu regimento interno. No CARF, por disposição regimental, os recursos que versarem sobre a mesma matéria dos recursos extraordinários submetidos à sistemática do art. 543B, também devem ser sobrestados até que seja proferida a decisão da Suprema Corte. Diante do exposto, sobresto o julgamento do presente recurso voluntário, nos termos dos §§ 1° e 2°, do art. 62A do Regimento Interno do CARF. VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Conselheiro Relator (assinatura digital) Victor Humberto da Silva Maizman Relator Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 18/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001466/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2008
RECURSO INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2008 RECURSO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 14 66 /2 00 9- 14 Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT). O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 03/2004 a 10/2008. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 15/07/2009 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 802/809), alegando, em síntese, que: 1. Argui que a fiscalização compreendeu período distinto daquele constante do Termo de Inicio de Ação Fiscal (TIAF) n° 0610300.2008.00448, datado de 19/09/2008. O citado Termo informa o período de 03/2006 a 08/2008 e a fiscalização ocorreu em relação aos anos de 2004, 2005, 2006, 2007 até 10/2008, sem que qualquer comunicação acerca de tal mudança lhe fosse feita; 2. No mérito salienta que de todos os autos de infração resultantes da ação fiscal constam relatórios e anexos com valores os mais diversos, ora pelo descumprimento de obrigações principais ora pelo de obrigações acessórias. Afirma que supriu a fiscalização em suas exigências na preparação da folha de pagamento e na entrega de documentos e relatórios complementares, embora todos já constassem de lançamento em sua contabilidade. Também procedeu correção de GFIP, incluindo ali todos os segurados encontrados em sua contabilidade; 3. Alega que a fiscalização não considerou os valores retidos e destacados em suas notas fiscais, e quando o fez, ao invés de apropriálos na obra correta, lançouos em seu CNPJ, o que aumentou o crédito no CNPJ em detrimento dos débitos apurados nos respectivos CEI/Obras. Informa a juntada de cópias de notas fiscais e de GFIP que, juntamente com as folhas de pagamento, permitirão a correta apuração das contribuições em cada um dos CEI e também no CNPJ; 4. Elabora planilha, denominada Anexo I, contemplando os débitos e créditos que entende devidos, inclusive com as retenções sofridas, e conclui que o valor ainda devido Seguridade Social é o de R$10.841,51, importância esta que deveria ser a base para as penalidades legais aplicadas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0231.389 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 1228/1236) – Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001466/200914 Acórdão n.º 2402004.566 S2C4T2 Fl. 3 3 considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que não havia justificativa nem amparo legal para prosperar a pretensão da Impugnante no sentido de considerar o procedimento fiscal passível de nulidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Governador Valadares/MG informa que o recurso interposto é intempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 25/03/2011, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos. Por sua vez, a Recorrente interpôs recurso voluntário, apresentando as mesmas alegações postuladas na sua peça de impugnação, não se manifestou à respeito da tempestividade do recurso. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que a Recorrente interpôs o recurso voluntário em 28/04/2011, nos termos da papeleta do recurso voluntário, devidamente carimbada pelo Fisco da Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares/MG, papeleta inicial do recurso. O art. 5º, parágrafo único, do Decreto 70.235/1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito dos tributos arrecadados e administrados pela União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso, transcrito abaixo: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) A Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância – proferida por meio do Acórdão 0231.389 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 1228/1236) – em 25/03/2011 (sextafeira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do artigo 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 28/03/2011 (segundafeira). O trigésimo dia ocorreu em 26/04/2011 (terçafeira). Entretanto o recurso só teria sido postado ao Fisco em 28/04/2011, quintafeira (papeleta inicial do recurso voluntário). Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001466/200914 Acórdão n.º 2402004.566 S2C4T2 Fl. 4 5 Com o mesmo entendimento, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a peça recursal deverá ser apresentada no local do órgão preparador de circunscrição do sujeito passivo. Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g.n.) A regra na contagem dos prazos processuais é a continuidade, ou seja, os prazos não se suspendem nem se interrompem, com exceção das hipóteses de força maior ou de caso fortuito, como greves ou outros fatos que impeçam o funcionamento dos órgãos da Administração. Essas hipóteses devem ser devidamente comprovadas nos autos e, no momento, não as encontramos presentes neste processo. Nesse sentido, resta claro que a autuada não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso interposto em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.728584/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DECADÊNCIA. CONDUTA DOLOSA. ART. 173, I, CTN.
O prazo de decadência, nos tributos sujeito a lançamento por homologação, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos de dolo, fraude ou simulação.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não merece reparo o lançamento tributário que, com fiel observância da lei, adota, para fins de cômputo da receita omitida, o regime de apuração utilizado pelo contribuinte fiscalizado na determinação do resultado fiscal. No mais, restando infundadas as exclusões pretendidas, há de se manter as exigências nos
termos em que foram formalizadas.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR.
Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. (Súmula CARF nº 2).
TAXA SELIC.
A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4).
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1301-001.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa qualificada lançada sobre a infração de omissão de receitas identificada a partir da presunção legal de depósitos bancários de origem não comprovada, por aplicação da Súmula CARF 25 e, em conseqüência, reconhecer a decadência parcial para esta infração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 DECADÊNCIA. CONDUTA DOLOSA. ART. 173, I, CTN. O prazo de decadência, nos tributos sujeito a lançamento por homologação, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos de dolo, fraude ou simulação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não merece reparo o lançamento tributário que, com fiel observância da lei, adota, para fins de cômputo da receita omitida, o regime de apuração utilizado pelo contribuinte fiscalizado na determinação do resultado fiscal. No mais, restando infundadas as exclusões pretendidas, há de se manter as exigências nos termos em que foram formalizadas. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. (Súmula CARF nº 2). TAXA SELIC. A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa qualificada lançada sobre a infração de omissão de receitas identificada a partir da presunção legal de depósitos bancários de origem não comprovada, por aplicação da Súmula CARF 25 e, em conseqüência, reconhecer a decadência parcial para esta infração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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CONDUTA DOLOSA. ART. 173, I, CTN. O prazo de decadência, nos tributos sujeito a lançamento por homologação, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos de dolo, fraude ou simulação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não merece reparo o lançamento tributário que, com fiel observância da lei, adota, para fins de cômputo da receita omitida, o regime de apuração utilizado pelo contribuinte fiscalizado na determinação do resultado fiscal. No mais, restando infundadas as exclusões pretendidas, há de se manter as exigências nos termos em que foram formalizadas. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. (Súmula CARF nº 2). TAXA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 85 84 /2 01 2- 19 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 2 A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa qualificada lançada sobre a infração de omissão de receitas identificada a partir da presunção legal de depósitos bancários de origem não comprovada, por aplicação da Súmula CARF 25 e, em conseqüência, reconhecer a decadência parcial para esta infração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/201219 Acórdão n.º 1301001.825 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 349.963,06, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 180.614,75, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 502.418,59, Contribuição para o PIS no valor de R$ 108.857,42, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, perfazendo o crédito tributário de R$ 3.455.471,79 em virtude da constatação de omissão de receitas (vendas de produtos de fabricação própria) escriturada com recolhimentos a menor e, depósitos bancários de origem não comprovada. O Termo de Verificação de fls. 449/456, por sua vez, assim descreve as infrações apuradas no anocalendário de 2007: 01 OMISSÃO DE RECEITA RECEITA DA ATIVIDADE ESCRITURADA E NÃO DECLARADA Em 05/04/2011, o contribuinte tomou ciência pessoal, do Termo de Início do Procedimento Fiscal e do Termo de Intimação Arquivos Digitais, onde foram solicitados Livros, documentos de escrituração, extratos bancários de contas correntes e de aplicações financeiras e arquivos magnéticos, conforme IN86/2001 e ADECOFIS n° 15/2001. Em 20/04/2011, o contribuinte disponibilizou os Livros e documentos intimados e solicitou prazo adicional de 30 dias para a apresentação dos extratos bancários e arquivos digitais contábeis e fiscais, no que foi atendido, por intermédio dos Termos de Prorrogação de Prazo n° 0001 e do Termo de Prorrogação de Prazo n° 0002. Em 26/05/2011, o sujeito passivo formalizou novo pedido de suplementação de prazo para a entrega dos arquivos magnéticos, cujo deferimento deuse conforme Termo de Prorrogação de Prazo n° 003, de 02/06/2011. Somente em 16/06/2011, a empresa completou o atendimento às intimações iniciais e, dessa forma, em 21/07/2011, procedemos a retenção dos Livros Diário, Razão, Registro de Apuração de IPI e Arquivos Digitais, conforme Termo de Retenção n° 0001, de 21/07/2011. Da análise dos documentos e informações prestadas pelo sujeito passivo até então, pudemos constatar uma significativa diferença nos valores de faturamento escriturados na Conta Razão: 1.1.2.01.0001 Clientes, visàvis aqueles efetivamente declarados em DIPJ e DACON (valores não declarados no montante de R$ 14.042.083,70). Dessa forma, os valores devidos de IPI escriturados e não declarados em DCTF, foram lançados de ofício, mediante Auto de Infração, Processo 10880728.594/2012 19, e, nos termos do art. 841, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1.999, RIR/99, formalizouse no presente Auto de Infração a exigência dos valores devidos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 4 02 OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Considerando a receita escriturada da ordem de R$ 19.715.958,96 e os créditos em contas bancárias no valor de R$ 27.261.487,00, apurado conforme relações WP01.2, WP02.2 e WP03.2, elaboradas a partir dos extratos bancários fornecidos pela empresa, em 04/08/2011, o sujeito passivo foi intimado para comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos depósitos em suas contas correntes no Banco do Real; Banco Safra e Banco do Brasil, conforme Termo de Intimação Fiscal N° 0001. Em 16/08/2011, a empresa solicitou prorrogação de prazo para atendimento da intimação, no que foi atendida mediante a lavratura do Termo de Prorrogação de Prazo n° 0004, de 01/09/2011. Não tendo se manifestado tempestivamente foi reintimada, conforme Termo de Reintimação Fiscal, de 29/09/2011, e finalmente, em 24/10/2011, o sujeito passivo pretendendo atender ao que se intimou, apenas, apresentou planilhas com indicações das origens dos créditos bancários verificados. Assim, da análise dos extratos bancários e das informações prestadas pelo contribuinte nas planilhas apresentadas, a fiscalização elaborou o quadro demonstrativo de fls. 451 no qual relacionou os totais de créditos bancários por instituição financeira, no montante de R$ 27.261.487,00, dos quais foram excluídos as transferências de mesma titularidade (R$ 2.274.500,00), os créditos contratados (R$ 3.069.606,34) e outros (R$ 16.687,45), apurando, assim, um total de R$ 21.900.693,21 de créditos bancários de origem não comprovada. Tendo verificado que a receita apurada pelos extratos bancários no montante de R$ 21.900.693,21, conforme Planilha Análise de Dados, é superior ao faturamento contabilizado, de R$ 19.715.958,96, concluiu a fiscalização que estaria caracterizada a omissão de receita por depósito bancário de origem não comprovada, nos termos do artigo 849 do RIR/99. A seguir, o autor do procedimento fiscal elaborou os demonstrativos de fls. 452/453 de apuração da Receita Bruta e dos demais valores utilizados na constituição do lançamento de ofício das infrações relativas ao IPJ, CSLL, PIS e COFINS. A diferença apurada, mês a mês, entre as receitas brutas declaradas em DIPJ e na DACON no montante de R$ 5.673.875,26 e as receitas escrituradas no total de R$ 19.715.958,96, foram levadas à tributação como omissão de receita da atividade (receita escriturada e não declarada). A diferença apurada, mês a mês, entre os créditos bancários de origem não comprovada (R$ 21.900.693,21) e a receita bruta escriturada (19.715.958,96) foi levada à tributação como omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada a multa qualificada de 150% com fulcro nos termos do art. 44, § 1º , da Lei 9.430/96, por entender a fiscalização que a conduta do contribuinte se enquadraria nos arts 71 , I, e 72 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1.964, combinados com o art. 1º, I e II , da Lei n° 8.137/90, uma vez que teria ficado amplamente demonstrado que o sujeito passivo no ano calendário de 2007 informou em DCTF/DACON e DIPJ, reiteradamente por 12 meses, valores muito inferiores àqueles que escriturou em seus livros contábeis e fiscais, cuja conduta foi a de impedir ou retardar o Fl. 763DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/201219 Acórdão n.º 1301001.825 S1C3T1 Fl. 13 5 conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, por quase 5 (cinco) anos. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária por responsabilidade pessoal de seus sócios administradores à época dos fatos: Sr. Walter Carmona, CPF 041.941.57850, e Márcia Menezes Kufel Carmona, CPF 126.378.00836, segundo o ordenamento jurídico previsto no Art. 135, III , do Código Tributário Nacional, (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966). Inconformada, a empresa ingressou com impugnação alegando, em síntese, que: o processo administrativo deixou de observar os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório e eficiência. tomou ciência do lançamento em 02/10/2012 quando já estava decaído o direito de proceder o lançamento desde 30/09/2012, nos termos do art. 173 do CTN. prestou todas as informações requeridas pelo Auditor Fiscal e não pode assim ser punido, uma vez que agiu com boafé, sem pretender ludibriar o Fisco, nem lhe ter abrandado o tratamento quando o rigor da norma se mostrar inafastável. os valores apurados pela fiscalização são incoerentes e absurdos e que não devem prevalecer, além de que os créditos em conta corrente não podem servir de base para apuração de tributo. a multa de ofício é confiscatória, bem assim os juros de mora em patamares superiores a SELIC. A DRJ/RIBEIRÃO PRETO (SP) decidiu a matéria consubstanciada no Acórdão 1443.017, de 28/06/2013, julgando improcedente a impugnação apresentada, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 LANÇAMENTO. NULIDADE. Descritos os fatos que fundamentam a exigência fiscal e estando juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal, não houve ofensa aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, não se caracterizando o cerceamento do direito de defesa da contribuinte. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial, para efeito de exigência de tributo sujeito ao regime de homologação, em lançamento "ex officio", quando na ausência de pagamento ou quando constatado fraude, simulação ou dolo, é regido pelo artigo 173, I, do CTN. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 6 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL Correta a tributação da omissão de receita apurada mediante o confronto entre os valores dos tributos declarados em DCTFs e aqueles efetivamente devidos, apurados na escrituração. A prática sistemática de tal procedimento caracteriza a intenção do contribuinte em eximirse do pagamento dos tributos pelos quais é responsável. MULTA QUALIFICADA DE 150%. A deliberada intenção da contribuinte em impedir o conhecimento, por parte da SRF, da ocorrência do real fato gerador, mediante a subtração de receitas da base de cálculo de tributação, impõe a aplicação de multa qualificada de 150%, na forma do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. CARÁTER ABUSIVO DA MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE DA TAXAS SELIC. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Alegações contra suposto caráter abusivo da multa de ofício instituída em lei, bem assim contra suposta ilegitimidade do uso da Taxa SELIC no cômputo dos juros de mora, não podem ser apreciadas pelas autoridades julgadoras administrativas. A estas cabe apenas examinar a conformidade do ato de lançamento em face das normas fiscais de regência, já que lhes carecem poderes para apreciar pretensos vícios de leis, prerrogativa esta exclusiva do Poder Judiciário. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. COFINS. PIS. Por decorrerem dos mesmos motivos de fato e de direito, que levaram à exigência do IRPJ, igual destino deverão ter os lançamentos reflexos. É o relatório Fl. 765DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/201219 Acórdão n.º 1301001.825 S1C3T1 Fl. 14 7 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário interposta pela pessoa jurídica CARMONA ASSESSORIA E CONSULTORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Ressaltese que não encontro nos autos do presente processo recursos voluntários com relação aos responsáveis solidários Walter Carmona e Márcia Menezes Kufel Carmona. A peça recursal resume sua insatisfação em três questões básicas: 1) DECADÊNCIA; 2) DA OMISSÃO DE RECEITA E CRÉDITO/DEPÓSITOS NÃO COMPROVADOS e 3) DA MULTA E JUROS DE MORA. Com relação a decadência a contribuinte recorrente entende que o lançamento de ofício se consumou em 30/09/2012, tendo como base os fatos geradores (mensais) de janeiro a dezembro do ano calendário de 2007. Em confusa argumentação reproduz a Súmula Vinculante 8 do STJ e Portaria da PGFN 294, de 2010. Neste ponto, a recorrente confundese na contagem do prazo decadencial, pois, em direito tributário, o dies a quo será ou o dia do fato gerador (art. 150, § 4º, CTN) ou o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia ter feito o lançamento (art. 173, I, CTN). Sobre a definição do dies a quo do prazo decadencial, vale trazer a lume o seguinte excerto da ementa do REsp 973733/SC, in verbis: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 766DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 8 ........................................................................................................................... Ora, notese que os tributos federais em tela são submetidos, pela respectiva legislação de regência, a lançamento por homologação. Assim, para sabermos, in casu, qual o dies a quo do prazo decadencial, há que se perquirir, antes de mais nada, se estamos diante de uma conduta dolosa, fraudulenta ou simulada, pois, nessa hipótese, afastase a aplicação do art. 150, § 4º, e aplicase o art. 173, I, ambos do CTN. Compulsando os elementos dos autos constatase um robusto conjunto probatório demonstrando a conduta dolosa da contribuinte, primeiro por informar em DCTF, DACON e DIPJ nos doze meses do ano calendário de 2007 valores muito inferiores àqueles escriturados e, ainda pela utilização de interposta pessoa na movimentação de suas contas bancárias, com o intuito deliberado para sonegar tributos. Ou seja, não fosse a intervenção fiscal, por certo as quantias ora autuadas estariam definitivamente contempladas pelo instituto da decadência, assim entendido como toda conduta voltada para retardar ou impedir o conhecimento, pelo Fisco, das condições pessoais dos recorrentes, verdadeiros sujeitos passivos das obrigações em tela, logo há que se manter a multa qualificada nos termos dos arts, 71, I e 72 da Lei 4.502, de 1964 e 44, da Lei 9.430, de 1996, com relação ao item 001 do auto de infração (Omissão de Receita da Atividade Escriturada e não declarada). Em conseqüência, neste caso, devese aplicar a regra decadencial do art. 173, I, do CTN. No caso do presente processo, a ciência aos autos de infração deuse em 02/10/2012, logo, aplicando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, (para os casos com dolo, fraude ou simulação) e, tomando por base o AC/2007, (Lucro Presumido/trimestral), para os fatos geradores ocorridos no 1º , 2º e 3º trimestres de 2007 poderiam ser lançados dentro do próprio ano calendário, sendo o termo inicial do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte (01/01/2008), repito, de acordo com a regra estampada no inciso I do art. 173 do CTN. E, relativamente a estes períodos de apuração (1º, 2º e 3º trimestres de 2007), o prazo final para a ocorrência da decadência somente se operaria em 31/12/2012. Assim, tendo em vista que o lançamento foi notificado à interessada em 02/10/2012, nesta data não havia transcorrido o prazo decadencial do IRPJ e CSLL, nos termos acima relatados. De igual forma não há que se falar em decadência do PIS e COFINS em relação a esta infração (fato gerador mensal). Já para o item 002 do auto de infração: Omissão de Receita por Presunção Legal Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada, que superaram mês a mês a receita escriturada (item 001), aplicase, in casu, a Súmula CARF 25, que diz: "A presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64." Desqualificada a multa de ofício para o patamar de 75%, em conseqüência devese aplicar a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN (termo inicial: a contar da ocorrência do fato gerador). Neste passo, relativamente ao item 002 do auto de infração (omissão por presunção legal), há de se reconhecer a decadência para o IRPJ e a CSLL com relação aos fatos geradores ocorridos nos 1º, 2º e 3º trimestres de 2007 e, para o PIS e COFINS para os fatos geradores relativos aos meses de janeiro a setembro do ano calendário de 2007. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/201219 Acórdão n.º 1301001.825 S1C3T1 Fl. 15 9 DA OMISSÃO DE RECEITA E CRÉDITO/DEPÓSITOS NÃO COMPROVADOS. Como bem salientado no voto condutor do relatório fiscal constatase que a exigência decorreu das seguintes irregularidades em relação ao anocalendário de 2007: (1) omissão de receita da atividade escriturada e não declarada e (2) omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Da omissão de receita da atividade escriturada e não declarada. A fiscalização, mediante análise dos documentos e informações prestadas pelo sujeito passivo, constatou uma significativa diferença nos valores de faturamento escriturados na Conta Razão: 1.1.2.01.0001 Clientes, e aqueles efetivamente declarados em DIPJ e DACON. Assim, a diferença apurada, mês a mês, entre as receitas escrituradas no total de R$ 19.715.958,96 e as receitas brutas declaradas em DIPJ e na DACON no montante de R$ 5.673.875,26 foram levadas à tributação como omissão de receita da atividade (receita escriturada e não declarada). Em relação a essa infração a contribuinte não apresentou qualquer contestação, mesmo porque não haveria como contestar, visto que a apuração se deu com base nas próprias informações da contribuinte. Da tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada. Neste tópico insurgese a recorrente alegando: " A demonstração de Créditos de Origem Não Comprovada (W04.02) e o Créditos Justificados (WP04.1) não condizem com a verdade pelo seguinte fato: 1. Os Créditos Justificados (W 04.1) foram todos àqueles adquiridos pelo Contribuinte por Empréstimos nas Instituições Financeiras e os demais tidos como não comprovado; 2. O agente fiscalizador no WB 04.2 descreve como Créditos de Origem não comprovada: TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS, LIQ. COBRANÇA GARANTIDA, PAGAMENTO DE FORNECEDORES, ETC. Dessa forma, todo o WB 04.2 está prejudicado na sua Formalidade e Materialidade no sentido de que há incontroversa nas próprias alegações do AGENTE FISCALIZADOR, na página 02 e 08 e na página 03 de 8 quando descreve: "Considerando a receita escriturada da ordem de R$ 19.715.958,96 e os créditos em contas bancárias no valor de R$ 27.261.487,00, apurado conforme relações WP01.2, WP02.2 e WP03.2, elaboradas a partir dos extratos bancários fornecidos pela empresa em 04/08/2011." Tendo em vista a incontroversa do próprio auditor fiscal, que crédito em conta corrente não é base para apuração de imposto, tendo em vista que o tributo é prestação instituída por meio de lei, sendo, portanto, obrigação ex lege. Seu nascimento se dá pela simples realização do fato descrito na hipótese de incidência Fl. 768DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 10 tributária prevista em lei, sendo a vontade das partes como um todo irrelevante, consoante ao artigo 150, I, da Constituição Federal c/c artigo 97.1e II do CTN." Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, créditos em conta corrente bancária cujas origens não sejam comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos são considerados, por presunção da lei, omissão de receitas. E mais, tratandose de presunção estabelecida pela lei, o ônus probatório é invertido, isto é, à autoridade fiscal cabe, apenas, demonstrar a ocorrência do fato indiciário (crédito bancário de origem não comprovada), sendo ônus do fiscalizado fazer prova de que o fato presumido (omissão de receitas) não ocorreu. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/201219 Acórdão n.º 1301001.825 S1C3T1 Fl. 16 11 Pois bem, neste item, como visto acima, a contribuinte recorrente limitouse a alegar que os valores apurados pela fiscalização são incoerentes e absurdos e que não devem prevalecer, além de que os créditos em conta corrente não podem ser de base para apuração de tributo. No que diz respeito à alegação de que houve erro na apuração das bases tributáveis acolho, por entender que não são merecedoras de reparo, as considerações trazidas no voto condutor da decisão de primeiro grau, cujos fragmentos reproduzo a seguir. "E, como dos autos se pode inferir, fez a autoridade lançadora exatamente o que a lei lhe atribuiu como responsabilidade: constatada a existência de movimentação bancária superior a receita escriturada, intimou a fiscalizada a comprovar a origem dos recursos depositados nas contas correntes de titularidade da empresa. Não tendo a contribuinte apresentado provas da origem do numerário depositado, agiu corretamente a fiscalização tributando os depósitos de origem não comprovada como receita omitida, com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, após excluir os valores relativos às transferências de mesma titularidade (R$ 2.274.500,00), os créditos contratados (R$ 3.069.606,34) e outros valores que não representavam receita tributável (R$ 16.687,45), apurando, dessa forma, um total de R$ 21.900.693,21 de créditos bancários de origem não comprovada. No entanto, foram levados à tributação sob esse título (créditos bancários de origem não comprovada) apenas a parcela que superou, em cada mês, a receita escriturada. Portanto, correto o procedimento fiscal, pois em perfeita consonância com a legislação de regência. Ao contrário do que foi alegado, não há qualquer incoerência no trabalho fiscal e nem absurdos são os valores apurados, pois foram obtidos diretamente dos extratos bancários, excluindose do montante dos depósitos a receita escriturada e os valores que não representavam receita nova tributável." Não merece guarida, portanto, a alegação da Recorrente de que os créditos apurados pela Fiscalização não poderiam servir de suporte para os lançamentos tributários. DA MULTA E JUROS DE MORA Por fim, com relação a multa de ofício (150%) e juros de mora, em síntese, aduz a ora recorrente: "A Multa aplicada ao contribuinte de 150% tem a natureza de CONFISCATORIA. Impende registrar que a Doutrina Majoritária tem se manifestado favoravelmente à aplicação do postulado tributário às multas exarcebadas. Afirmase, em resumo, que tanto a multa moratória quanto a multa punitiva podem ser CONFISCATORIAS e extrapolarem os limites adequado, do proporcional, do razoável e do necessário, colocando em xeque as suas precípuas finalidades, com a ofensa ao artigo 150, IV e ao artigo 5o. XXII, ambos da Carta Magna. (...) Logo, pelo princípio da razoabilidade vislumbrase a arbitrariedade da conduta adotada pela administração pública, sem qualquer bom senso. Diante da ofensa à razoabilidade, o ato que constitui a autuação não pode ser inconveniente, mas sim ilegal e ilegítimo estabelecendo patamares superiores a SELIC, de forma CONFISCATÓRIA." Fl. 770DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 12 Notase, neste tópico final, que a Recorrente opõese à aplicação da multa de ofício (150%), alegando seu caráter confiscatório.(valor excessivo). Destarte, a falta ou insuficiência de recolhimento dos tributos não declarados enseja o lançamento de oficio, com a aplicação da multa de ofício sobre a totalidade dos tributos mantidos lançados de ofício, em consonância com o disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Portanto, a cobrança dos tributos tem como supedâneo o mandamento legal conforme acima mencionado que não pode ser afastado por ato discricionário da autoridade administrativa. Ademais, cediço que, no âmbito do julgamento administrativo, não possui o julgador competência para deixar de aplicar lei sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, conforme entendimento que inclusive já foi objeto de súmula específica editada pelo CARF, com o seguinte teor: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Enfim, quanto a esta matéria, constatase alhures que a multa qualificada no patamar de 150% foi reduzida para 75% relativamente ao item 002 do auto de infração Presunção Legal (Omissão de Receita/Depósitos Bancários não Comprovados), por aplicação da Súmula CARF 25 acima transcrita. TAXA SELIC Por ultimo, com relação a utilização da Selic para a quantificação dos juros de mora está prevista em lei regularmente inserida no sistema jurídico, não podendo este Colegiado negarlhe aplicação. A matéria é objeto da Simula CARF n° 4, com o seguinte enunciado: "A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas da CSLL, PIS e COFINS. Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa qualificada lançada sobre a infração de omissão de receitas identificada a partir da presunção legal de depósitos bancários de origem não comprovada, por aplicação da Súmula CARF 25 e, em conseqüência, reconhecer a decadência parcial, para o IRPJ e a CSLL com relação aos fatos geradores ocorridos nos 1º, 2º e 3º trimestres de 2007 e, para o PIS e COFINS para os fatos geradores relativos aos meses de janeiro a setembro do ano calendário de 2007. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 771DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10880.728584/201219 Acórdão n.º 1301001.825 S1C3T1 Fl. 17 13 Fl. 772DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 11968.000213/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 13/09/2006
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE.
O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972).
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3301-002.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 13/09/2006 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972). Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 02 13 /2 00 7- 12 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000213/200712 Acórdão n.º 3301002.632 S3C3T1 Fl. 145 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da DRJ de Florianópolis assim expresso: Tratase de auto de infração lavrado contra o impugnante já qualificado nos autos, do qual resultou a exigência fiscal de R$ 40.000,00, relativa i multa por descumprimento de obrigação acessória referente i prestação de informações sobre veiculo ou carga nele transportada. Descreve a autoridade fiscal que o sujeito passivo é representante no Brasil da CMA CUM S/A, a qual atua no transporte internacional de cargas, e informara em prazo superior ao admitido pela legislação os dados de embarque relativos is Declarações de Despacho de Exportação (DDE) n's 2061050828/8, 2061046381/0, 2061042678/8, 2061038819/3, 2061038950/5, 2061052118/7, 2061038162/8, 2061048251/3 (fls. 15/47). Anota a autoridade fiscal que intimou, por meio do Termo de Intimação Saope n° 04/07 (fls. 50), o terminal alfandegado Tecon Suape, responsável pela operação do navio Aliança Maufi, a apresentar a relação das unidades de carga embarcadas neste navio, com destino ao exterior. Após confrontação dos dados de embarque prestados pelo sujeito passivo no Siscomex com os dados fornecidos pelo operador portuário Tecon is fls. 51/63 confirmouse defasagem superior a sete dias entre o efetivo embarque dos contéineres e a prestação da informação no Siscomex. Tal conduta, segundo a autoridade fiscal, configuraria descumprimento de obrigação acessória, sujeitando o infrator, para cada Declaração para Despacho de Exportação— DDE, que não teve o registro dos dados de embarque no prazo legal de sete dias, A. multa de R$ 5.000, 00 (cinco mil reais), prevista no art. 107, inciso IV, alínea e, do DL n° 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/03. Observa ainda a autoridade fiscal que foram registrados com atraso os dados de embarque relativos a oito declarações para despacho de exportação. Registrese que, expressamente, afastou a autoridade fiscal a capitulação da infração prevista na alínea "c" do mesmo dispositivo (embaraço à fiscalização), por entender que a tipificação da alínea "e" (prestação de informações sobre veiculo ou carga nele transportada, fora do prazo previsto pela RFB) seria mais especifica. Devidamente cientificado, comparece o sujeito passivo ao processo para impugnar o lançamento, alegando, em síntese, Fl. 145DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000213/200712 Acórdão n.º 3301002.632 S3C3T1 Fl. 146 3 que não cometera infração capitulada na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do DL 37/66 (embaraço à fiscalização), posto que não teria omitido, embaraçado, dificultado ou tentado impedir a fiscalização aduaneira, pelo fato de ter efetuado o registro, fora do prazo de sete dias, no Siscomex, dos dados de embarque marítimo dos despachos de exportação por ele realizado. Por fim, requer seja desonerado do pagamento da multa regulamentar pretendida pelo Auto de Infração. A DRJ de Florianópolis julgou improcedente a impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/09/2006 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. INTEMPESTIVIDADE. No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu depois de decorrido o prazo de 7 (sete) dias, tornase aplicável a multa regulamentar. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Apresenta a Recorrente Recurso Voluntário alegando que a fiscalização incorreu em grave erro ao, indiretamente, enquadrar, a interessada como transportadora, o que acarreta a nulidade do auto de infração. Informa que desempenha apenas as atividades de agenciamento marítimo, sendo mera mandatária da empresa transportadora e parte ilegítima para figurar no pólo passivo da presente autuação, pois esta penalidade somente pode ser aplicada ao transportador marítimo ou agente de carga (NVOCC). Finaliza argüindo que o afastamento da multa é medida que se impõe em observância aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como o disposto no art. 20 da Lei n° 9.784/99, especialmente porque não se está diante de fraude, máfé ou tentativa de burlar ou causar qualquer embaraço à fiscalização, uma vez que todos os registros dos dados de embarque foram realizados. Aponta a ocorrência de denúncia espontânea ao caso, conforme novel redação do artigo 102, § 2º, do DecretoLei n.° 37/1966. Requer, preliminarmente, seja reconhecida a nulidade do auto de infração e, no mérito, seja julgado improcedente o lançamento. É o que importa relatar. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000213/200712 Acórdão n.º 3301002.632 S3C3T1 Fl. 147 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Preliminarmente é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. O artigo 56 da Lei n.° 9.784/1999 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Dai, concluise, que o sujeito passivo possui o direito de recorrer das decisões administrativas, proferidas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois, somente assim, estará assegurado o seu direito à ampla defesa, consagrado pela Constituição Federal e pelas normas infraconstitucionais. Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do artigo 33, do Decreto n.° 70.235/1972. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento, ou se apresentálo o mesmo não pode ser conhecido por estar precluso. A Recorrente foi intimada do acórdão da DRJ em 09 de abril de 2012, tendo se esvaído o prazo para manifestarse em 09 de maio do mesmo ano, entretanto, apresentou recurso somente em 10 de maio de 2012 quanto o prazo já havia se precluído, de modo que esse Conselho não mais pode conhecêlo. Nesse sentido, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 147DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 16643.000027/2011-38
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA INEXISTENTE. CONEXÃO PROCESSUAL. REVERSÃO DA BASE NEGATIVA EM OUTRO PROCESSO. QUESTÃO JÁ DECIDIDA PELO CARF.
Se a decisão proferida pelo CARF no processo nº 16643.000421/2010-95 confirmou o lançamento de CSLL nos anos anteriores a 2009, e manteve a reversão da base de cálculo negativa que havia sido apurada nesses períodos, não cabe outra decisão, no âmbito dos presentes autos, senão manter a exigência de CSLL em 2009 em razão de compensação de base negativa que se mostrou inexistente.
COBRANÇA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO LANÇADA JUNTAMENTE COM TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO. NÃO CABIMENTO
Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de ofício lançada juntamente com tributo ou contribuição, uma vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratando-se de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente.
Numero da decisão: 1802-002.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar os juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o conselheiro Nelso Kichel, que dava provimento parcial para calcular os juros na forma do §1º do art. 161 do CTN, e a conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA INEXISTENTE. CONEXÃO PROCESSUAL. REVERSÃO DA BASE NEGATIVA EM OUTRO PROCESSO. QUESTÃO JÁ DECIDIDA PELO CARF. Se a decisão proferida pelo CARF no processo nº 16643.000421/201095 confirmou o lançamento de CSLL nos anos anteriores a 2009, e manteve a reversão da base de cálculo negativa que havia sido apurada nesses períodos, não cabe outra decisão, no âmbito dos presentes autos, senão manter a exigência de CSLL em 2009 em razão de compensação de base negativa que se mostrou inexistente. COBRANÇA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO LANÇADA JUNTAMENTE COM TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO. NÃO CABIMENTO Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de ofício lançada juntamente com tributo ou contribuição, uma vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 27 /2 01 1- 38 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar os juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o conselheiro Nelso Kichel, que dava provimento parcial para calcular os juros na forma do §1º do art. 161 do CTN, e a conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, que manteve o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, conforme autos de infração de efls. 6 a 16, no valor de R$ 101.434,92, incluindose nesse montante a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. Os fatos que antecederam o presente recurso estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1639.435, às efls. 285 a 292: Trata o presente processo de lançamento de ofício de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL –, relativa ao anocalendário de 2009, no valor total de R$101.434,92, composto de R$55.362,37 de Contribuição, R$41.521,77 a título de multa de mora de 75% sobre o principal, mais R$4.550,78 de juros de mora, calculados até 31/01/2011. O Auto de Infração, de fls. 06/16, foi lavrado em razão de compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL, tendo em vista a reversão dos valores da CSLL, após lançamento de ofício relativo aos períodosbase de 2005 a 2009, formalizada no processo nº 16643.000421/201095. O enquadramento legal apontado foi o seguinte: Art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; Art. 58 da Lei nº 8.981/95 e art. 16 da Lei nº 9.065/95; art. 37 da Lei nº 10.637/02. A Interessada tomou ciência da impugnação em 07/02/2011, conforme aviso de recebimento – AR – juntada à fl. 146, apresentou impugnação, dirigida contra a presente autuação e a do processo nº 16643.000028/201182 (que tratou da glosa do saldo de prejuízo fiscal, em decorrência da reversão de prejuízo fiscal, levada a cabo no processo nº 16643.000421/201095), protocolada em 152 e 155/161, trazendo os seguintes argumentos de defesa, em síntese: PRELIMINARMENTE DEPENDÊNCIA PROCESSO REFLEXO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO IRPJ E CSLL PROCESSO N° 16643.000421/201095. Deve ser sobrestado o exame de mérito desses autos até o julgamento final do processo nº 16643.000421/201095, referente aos autos que versam sobre a mesma matéria fática, conforme atestado pela própria autoridade autuante. Ademais, em razão do disposto no art. 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, e pelo princípio da economia processual, caso o julgamento do processo em comento não seja sobrestado até o julgamento final dos autos de infração de IRPJ e CSLL, formalizados naquele processo, o que se admite apenas para efeito de argumentação, os autos devem ser reunidos em um só Fl. 317DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 5 4 processo para julgamento em conjunto, tendo em vista que a matéria fática discutida é idêntica e os autos de infração ora impugnados reflexos das infrações constatadas naquele processo administrativo. MATÉRIA JÁ CONTESTADAS PELA IMPUGNANTE E AQUI REITERADAS Tendo em vista que a matéria fática discutida nestes autos, por ser idêntica àquela travada nos autos do processo administrativo nº 16643.000421/201095, a Impugnante reitera todos os argumentos expendidos na impugnação já apresentada em 25/01/2011 e, para tanto, anexa à presente cópia integral da referida impugnação anexa. Vale ressaltar que se não houver o sobrestamento do julgamento ou se os autos não forem reunidos, necessário que essa i. Turma Julgadora adentre ao mérito discutido naquele processo, que tem reflexo direto nas autuações ora contestadas, que tratam da reversão da compensação de prejuízos e base negativas da CSLL em virtude das infrações constatadas naquele processo. Nesse contexto, reiteramse aqui os argumentos expendidos, especialmente (i) a imprestabilidade do auto de infração da CSLL, vez que ausente o MPF para a Fiscalização da CSLL; (ii) a inadequação do enquadramento legal registrado nos autos de infração, (iii) a legitimidade das operações praticadas pela Impugnante e a possibilidade de avaliação do investimento a valor de mercado, (iv) a legalidade da decomposição do valor do investimento com o destaque do ágio e (v) a dedutibilidade das despesas de amortização do ágio asseguradas pela legislação (art. art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97), nos exatos termos da impugnação ora anexada. EQUÍVOCO NA DEMONSTRAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS SALDO DE PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL DESCONSIDERADO Além das matérias reflexas já demonstradas, há, ainda, um ponto a ser analisado na autuação ora questionada e diz respeito ao equívoco cometido pela d. Autoridade autuante no demonstrativo de compensação dos prejuízos fiscais que sustenta a indevida exigência do IRPJ. Analisando o demonstrativo de compensação dos prejuízos fiscais elaborado pelo fiscal no anocalendário 2005, na parte em que há o destaque do "Saldo de Prejuízo Fiscal a Compensar com Lucro real” relativo aos anos calendário anteriores, consta saldo de prejuízos nos seguintes montantes: Saldo de Prejuízo não operacional R$ 2.164,43 Saldo de Prejuízo de anobase anterior R$ 15.077.568,67 TOTAL R$ 15.079.733,10 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 6 5 Todavia, nos anoscalendário subseqüentes o d. auditor fiscal utilizou na compensação somente parte desse saldo de prejuízos (R$ 15.077.568,67), desprezando o valor de R$ 2.164,43. Esse equívoco revela a fragilidade do demonstrativo de apuração dos prejuízos fiscais, que não pode servir para fundamentar a autuação ora impugnada. Vale dizer, se ainda havia saldo de prejuízos a compensar pela Impugnante no anocalendário de 2009, no valor de R$ 2.164,43, relativo a períodos anteriores, deveria ter sido utilizado para compensar os “lucros” apurados naquele ano calendário, o que não foi feito pela autoridade autuante. Sendo assim, os prejuízos compensados pela Impugnante, no montante de R$ 615.137,55, não podem ser glosados integralmente, como fez o d. auditor fiscal no auto de infração do IRPJ. Nem se alegue que o art. 31 da Lei 9.249/95 dispõe que os prejuízos não operacionais somente poderão ser compensados nos períodos subseqüentes com lucros da mesma espécie, pois a desconsideração do ágio (feita no processo 16643.000421/2010 95), que gerou o lucro apurado pela fiscalização nos períodos subseqüentes, tem a ver com aquisição de "investimento” (Ativo Permanente, na época), posteriormente baixado pela incorporação das empresas. Portanto, não há razão para a não utilização do saldo de prejuízos de períodos anteriores no montante de R$2.164,43. Sendo patente o equívoco na elaboração do demonstrativo de apuração dos prejuízos fiscais, o auto de infração do IRPJ deve ser prontamente cancelado pela ausência de certeza e liquidez da exigência fiscal. SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO IMPOSSIBILIDADE Na remota hipótese de ser mantido o lançamento, o que se admite apenas a título de argumentação, protesta a Impugnante pela não incidência de acréscimos moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que a pretensão não encontra qualquer respaldo no ordenamento jurídico. Aqui, pretende a Impugnante manifestar sua repulsa contra a prática de aplicação da taxa SELIC sobre a multa lançada de ofício, procedimento este que, muito embora não encontre qualquer respaldo no ordenamento jurídico, vem sendo reiteradamente adotado pelas autoridades administrativas. Isto porque, ao estabelecer a incidência de juros de mora sobre os débitos de que trata o caput do artigo 61, que devem ser calculados à taxa Selic, o legislador tributário previu remuneração ante a demora no recebimento de receita pública esperada pelo sujeito ativo e, portanto, ali pertinente. Não é o caso da multa de ofício, que tem caráter penal, cujo ingresso não é esperado pela Fazenda Pública, pelo contrário, é regra que se pretende nunca ser aplicada. Por essa razão, não é pertinente a incidência de juro remuneratório sobre a multa de ofício, que Fl. 319DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 7 6 sequer é mencionada no referido dispositivo, assim como também não é devido o juro sobre a multa de mora, que permanece fixa até a liquidação do principal, a despeito dos longos anos transcorridos. Deveras, o débito mencionado no caput da norma em questão referese tão somente ao valor do tributo devido (principal), que não pode em momento algum ser confundido com o termo “crédito tributário”, pois tal interpretação traria enorme contradição na aplicação da norma. Com efeito, se adotada tal interpretação, seriam também admissíveis juros de mora (calculado com base na taxa Selic) inclusive sobre a multa de mora, calculada à taxa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, que também faz parte do “crédito tributário”, algo absolutamente inadmissível e não praticado pela administração tributária! Logo, da mesma forma que não incidem juros de mora sobre a multa de mora, não devem incidir os mesmos juros sobre a multa de ofício, por absoluta ausência de previsão legal, pois a expressão "débitos”, a que faz referência a lei, só pode referirse a tributo e não à multa, como se comprova pela não incidência sobre a multa de mora que também compõe o crédito tributário. DO PEDIDO FINAL Do exposto, requer a Impugnante o sobrestamento do feito até julgamento final do processo administrativo n° 16643.000421/201095 ou que os autos sejam reunidos para apreciação/julgamento em conjunto, tendo em vista a identidade fática das matérias tratadas nos dois processos. Por fim, requer a improcedência dos autos de infração com o conseqüente cancelamento dos questionados lançamentos de ofício IRPJ e CSLL, pelos motivos de fato e de direito aqui registrados. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP manteve integralmente a exigência fiscal, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE SALDO. LANÇAMENTO ANTERIOR. GLOSA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVO. DEPENDÊNCIA. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO. FALTA DE PREVISÃO. NOVA ANÁLISE DE MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se analisar novamente o mérito de autuação tratada em processo diverso que gerou, por via de conseqüência, lançamento posterior, sob análise nos autos. A medida Fl. 320DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 8 7 processual cabível é aplicar o decidido por ocasião do seu julgamento, ao caso em discussão, mesmo que haja recurso pendente de análise por instância superior, dada a ausência de previsão legal de sobrestamento de julgamento no âmbito do processo administrativo tributário federal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual seria considerada cientificada em 10/08/2012, a Contribuinte apresentou em 06/07/2012 o recurso voluntário de efls. 294 a 304, onde reitera a mesma linha de argumentação de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 9 8 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento para exigência de débito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL relativamente ao anocalendário de 2009. A autuação foi motivada por compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL, uma vez que houve reversão dessa base negativa no processo nº 16643.000421/201095, que tratou de lançamento de CSLL nos anos anteriores. As questões suscitadas pela Contribuinte relativamente ao encaminhamento do presente processo administrativo, em razão da conexão processual acima referida, foram corretamente analisadas pela Delegacia de Julgamento, nos seguintes termos: O presente lançamento referese a compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores, posto que em autuação constante do processo nº 16643.000421/201095, atualmente no CARF (consulta ao sítio do CARF em 23/05/2012, à fl. 284), houve reversão dos valores da CSLL, não havendo saldo remanescente de base de cálculo negativa para ser utilizada no anocalendário de 2009. A Impugnante, inicialmente, pede o sobrestamento do julgamento do presente processo por haver dependência do lançamento de ofício daquele processo. De fato, se for decidido que aquela autuação não deve prevalecer, esse resultado afetará a presente autuação. Entretanto, apesar dessa relação de causa e efeito existente, não é previsto o sobrestamento de julgamento no ordenamento do Processo Administrativo Fiscal Federal, não sendo possível atender a solicitação da Impugnante de aguardar o desfecho do processo nº 16643.000421/201095. Deve ser aplicado à presente autuação a situação juridicamente vigente. Uma vez que na ocasião a impugnação foi considerada improcedente pela DRJ e mantevese integramente o crédito tributário, permaneceu a situação de inexistência de saldo de base negativa de CSLL para o anocalendário de 2009. O processo hoje se encontra pendente de julgamento no CARF. Do que decorre que, para todos os efeitos, persiste a reversão da CSLL, mantida pela 4ª Turma de Julgamento, por meio do Acórdão nº 1631.831– 4ª Turma da DRJ/SP1 , de 01 de junho de Fl. 322DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 10 9 2011 (cópia às fls. 219/282), do qual a empresa tomou ciência pessoal em 07/06/2011 (fls. 283). E, por fim, não há que se falar, conforme argumentado, em se adentrar no mérito discutido naquele processo, no presente Voto. A solução processual nesse caso é aplicar o decidido no âmbito dessa Delegacia de Julgamento, sobre aquela autuação, conforme julgamento acima citado (Acórdão nº 1631.831– 4ª Turma da DRJ/SP1 , de 01 de junho de 2011). De outro modo, haveria mais de um julgamento pela Delegacia de Julgamento sobre uma única autuação o que é um absurdo processual, somado ao fato de que é naquele processo que estão sendo tratados os autos de infração que acabaram por gerar a que está sob julgamento. A Impugnante apresentou, ainda, alegações específicas à autuação de IRPJ. Lembrando que a defesa procurou contemplar as duas autuações (processo nº 16643.000028/2011 82 e o presente), deixase de se analisar esse item de impugnação nesse Voto, que trata do auto de infração de CSLL. Realmente, não há possibilidade de atender ao pedido de sobrestamento do processo sob exame. No caso do processo administrativo fiscal, a conexão processual é solucionada estendendo, num mesmo nível de instância, a decisão do processo principal (que trata da questão prejudicial) para os processos dependentes, e foi exatamente isso o que ocorreu nos presentes autos. Nesse mesmo contexto, devo registrar que já houve decisão do CARF para o processo nº 16643.000421/201095, em que foi revertida a base negativa utilizada em 2009, conforme acórdão nº 1101000.913, exarado em 09/07/2013 pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, Foi negado provimento ao recurso voluntário interposto naquele processo, e confirmado integralmente o lançamento relativamente aos anos anteriores a 2009. Em conseqüência disso, também foi mantida a reversão da base negativa que a Contribuinte havia compensado em 2009, o que motivou a autuação objeto destes autos. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 11 10 Após a ciência da referida decisão do CARF naquele outro processo, a Contribuinte apresentou embargos de declaração, que foram rejeitados por meio do Despacho nº 1100 000.395, de 15/12/2014, assim finalizado: [...] As alegações da embargante, portanto, não suscitam qualquer retificação ou complementação do acórdão aqui proferido, nem demandam, como expresso em seu pedido, a realização de novo julgamento por Colegiado composto na totalidade por Conselheiros independentes e aptos para a atividade de julgamento. Por tais razões, proponho que sejam rejeitados os embargos de declaração aqui opostos pela contribuinte. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Conselheira De acordo. Rejeito os embargos em comento. Encaminhese ao órgão jurisdicionante da contribuinte, para ciência e demais providências. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF Desse modo, uma vez proferida pelo CARF decisão que confirma o lançamento de CSLL nos anos anteriores a 2009, e mantém a reversão da base negativa que havia sido apurada nesses períodos, não cabe outra decisão, no âmbito dos presentes autos, senão manter a exigência de CSLL em 2009 em razão de compensação de base negativa que se mostrou inexistente. Portanto, em relação à rubrica principal, a decisão recorrida não merece nenhum reparo. Contudo, não compartilho do entendimento manifestado pela Delegacia de Julgamento quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Essa questão é bastante polêmica, e a controvérsia vem de longa data. Esse, a meu ver, já é um primeiro ponto que fragiliza a tese em favor da incidência de juros sobre a multa de ofício, posto que, tratandose de aplicação de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal deixar margem para tantas dúvidas e polêmicas. Para os que entendem que a “multa de ofício” está incluída na expressão “crédito não integralmente pago no vencimento”, contida no art. 161 do CTN, cabe indagar quais seriam então as “penalidades cabíveis” referidas mais adiante no mesmo dispositivo? Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 324DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 12 11 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifos acrescidos) Mas esse não é o único problema. A lei 8.383/1991, que instituiu a UFIR, deixava bastante claro que os juros de mora não incidiam sobre a rubrica relativa à multa de ofício: Art. 54. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, vencidos até 31 de dezembro de 1991 e não pagos até 2 de janeiro de 1992, serão atualizados monetariamente com base na legislação aplicável e convertidos, nessa data, em quantidade de Ufir diária. § 1° Os juros de mora calculados até 2 de janeiro de 1992 serão, também, convertidos em quantidade de Ufir, na mesma data. § 2° Sobre a parcela correspondente ao tributo ou contribuição, convertida em quantidade de Ufir, incidirão juros moratórios à razão de um por cento, por mêscalendário ou fração, a partir de fevereiro de 1992, inclusive, além da multa de mora ou de ofício. (grifos acrescidos) Vêse que a multa de ofício era indiretamente atualizada pela UFIR, porque incidia sobre uma base atualizada por esse índice, mas ela própria (a multa de ofício) não sofria a incidência dos juros de mora. Com a estabilização econômica, tivemos a extinção das regras de atualização monetária e a instituição da taxa de juros Selic, mas não houve a introdução de uma regra expressa determinando que os juros passariam a incidir sobre a multa de ofício. Aliás, o texto da Lei nº 8.981/1995 indicava que os juros continuavam a incidir apenas sobre a rubrica principal dos débitos: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (grifos acrescidos) Com a introdução da Lei nº 9.430/1996, as regras relativas à multa de mora e aos juros de mora tiveram nova redação: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 13 12 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos acrescidos) O texto acima, igualmente ao do CTN, veio novamente suscitar dúvidas, na medida em que não identifica claramente quais rubricas estão abrangidas na expressão “débitos para com a União”. Ocorre que se esses “débitos” abrangessem a multa de ofício, haveríamos de concluir também pela incidência da multa de mora sobre a multa de ofício (caput do art 61), incidência essa que não poderia ser afastada pelo § 3º do art. 950 do RIR/1999 (Decreto nº 3.000/1999): Art.950.Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). §1º (...) §2º (...) §3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. Com efeito, o decreto não poderia derrogar a Lei. Nesse contexto, a interpretação mais adequada, a meu ver, é que a multa de ofício já não estava incluída no caput do art. 61 da Lei 9.430/1996 (de onde concluo que o decreto não incorre em ilegalidade, e não que o decreto exonerou onde a Lei não exonerava). Por outro lado, com a ampliação do alcance da expressão “débitos para com a União”, contida no referido art. 61 da Lei 9.430/1996, os juros de mora deveriam também incidir sobre a multa de mora, e isso todos sabemos que não ocorre. Para afastar esse problema, normalmente se argumenta que os juros devem incidir apenas sobre obrigações com prazo de vencimento, como se apenas a multa de ofício o tivesse, e a multa de mora configurasse uma obrigação sem vencimento, o que a tornaria semelhante às chamadas obrigações naturais em Direito Civil (não exigíveis). Mas a multa de mora, como acontece com a multa de ofício, tem vencimento. Ele apenas é imediato, concomitante à mora (inadimplência), tanto o é que a multa de mora é perfeitamente exigível desde então, configurando, portanto, obrigação vencida. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 14 13 Assim, o argumento em relação ao vencimento não serve para solucionar o problema da incidência dos juros de mora sobre a multa de mora, como também não serviria para afastar a incidência dos juros de mora sobre os próprios juros de mora, ou da multa de mora sobre a multa mora, etc., e não é razoável entender que a lei deixaria em aberto tantas possibilidades de combinação, principalmente quando se trata das conseqüências em relação à aplicação de norma punitiva. A regra contida no parágrafo único do art. 43 da Lei 9.430/1996 poderia solucionar todas essas questões, mas a incidência de juros lá prevista está restrita às multas isoladas. Finalmente, registro que há manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que não deve haver incidência de juros de mora sobre a multa de ofício que acompanha o tributo, conforme Acórdão CSRF/0203.133, de 06/05/2008, nos seguintes termos: 1) Por maioria de votos, NÃO CONHECER da preliminar de perda de objeto do recurso em face do trânsito em julgado da decisão judicial quanto ao mérito, suscitada pela Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez Lopez e Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado); 2) Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência até os fatos geradores do mês de outubro de 1999, vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Júlio César Vieira Gomes e Elias Sampaio Freire que não acolhiam; 3) por maioria de votos CONHECER do recurso quanto a incidência sobre a multa de ofício dos juros à taxa SELIC, vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Leonardo Siade Manzan, e por maioria de votos DAR provimento nessa parte, vencidos os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Antonio Praga, que mantinham essa incidência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez. Como um último argumento, observo que no âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não verifico em relação à questão ora debatida. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio não paga no vencimento, que foi lançada juntamente com a contribuição. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 327DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16643.000027/201138 Acórdão n.º 1802002.550 S1TE02 Fl. 15 14 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 19515.002471/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2007
Ementa:
IRPF. GANHOS DE CAPITAL. NOTA PROMISSÓRIA. PRO SOLUTO.
Na alienação de bem imóvel efetuada com emissão de nota promissória desvinculada do contrato pela cláusula pro soluto, fato gerador é a data da alienação reputando-se, assim, ocorrido o ganho de capital no momento da operação.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OBRAS DE ARTE.
Não havendo comprovação de transferência de numerário, a alegada venda de obra de arte não pode ser computada como origem de recursos.
ACORDO. HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
É tributável o montante recebido em decorrência de acordo, mormente se inexistir prova de que o rendimento está alcançado pela isenção ou não incidência do imposto de renda.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ-LEÃO. LEGALIDADE.
Não tendo o contribuinte efetuado o recolhimento mensal obrigatório de carnê-leão, correta a imposição da multa isolada, sobre os rendimentos que não foram objeto de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2201-002.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para admitir a compensação do valor de R$ 8.220,63 com o imposto apurado na infração referente ao Ganho de Capital, excluindo-se a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocada) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que excluíram da exigência os itens 01, 02 e 03 do Auto de Infração. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Paschoal Raucci, OAB/SP 215.520.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 20/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2007 Ementa: IRPF. GANHOS DE CAPITAL. NOTA PROMISSÓRIA. PRO SOLUTO. Na alienação de bem imóvel efetuada com emissão de nota promissória desvinculada do contrato pela cláusula pro soluto, fato gerador é a data da alienação reputando-se, assim, ocorrido o ganho de capital no momento da operação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OBRAS DE ARTE. Não havendo comprovação de transferência de numerário, a alegada venda de obra de arte não pode ser computada como origem de recursos. ACORDO. HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. É tributável o montante recebido em decorrência de acordo, mormente se inexistir prova de que o rendimento está alcançado pela isenção ou não incidência do imposto de renda. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ-LEÃO. LEGALIDADE. Não tendo o contribuinte efetuado o recolhimento mensal obrigatório de carnê-leão, correta a imposição da multa isolada, sobre os rendimentos que não foram objeto de lançamento de ofício.
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GANHOS DE CAPITAL. NOTA PROMISSÓRIA. PRO SOLUTO. Na alienação de bem imóvel efetuada com emissão de nota promissória desvinculada do contrato pela cláusula “pro soluto”, fato gerador é a data da alienação reputandose, assim, ocorrido o ganho de capital no momento da operação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OBRAS DE ARTE. Não havendo comprovação de transferência de numerário, a alegada venda de obra de arte não pode ser computada como origem de recursos. ACORDO. HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. É tributável o montante recebido em decorrência de acordo, mormente se inexistir prova de que o rendimento está alcançado pela isenção ou não incidência do imposto de renda. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊLEÃO. LEGALIDADE. Não tendo o contribuinte efetuado o recolhimento mensal obrigatório de carnêleão, correta a imposição da multa isolada, sobre os rendimentos que não foram objeto de lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 71 /2 00 9- 27 Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para admitir a compensação do valor de R$ 8.220,63 com o imposto apurado na infração referente ao Ganho de Capital, excluindose a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocada) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que excluíram da exigência os itens 01, 02 e 03 do Auto de Infração. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Paschoal Raucci, OAB/SP 215.520. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 20/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2004 e 2006, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 737/766, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.914.692,28, calculado até 29/05/2009. A fiscalização apurou omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto; omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos; classificação indevida na Declaração de Ajuste de rendimentos tributáveis como rendimentos isentos; e multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: I – DAS PRELIMINARES I.1 DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO RELATIVO AO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FATOS GERADORES 31/05/04 E 31/07/04. 3.1 desde o advento da Lei n° 7713/1.988, o Imposto de Renda das Pessoas FÍsicas é devido mensalmente, na medida em que os rendimentos forem percebidos, tal como consta no Auto de Infração, cujos fatos geradores estão especificados mês a mês e, quando não ficar demonstrado o evidente intuito de fraude Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 3 3 praticado pelo contribuinte, o termo inicial para fins de contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário é aquele disposto no art. 150, "caput" e seu § 4º, do Código Tributário Nacional (reproduz o citado dispositivo legal); 3.2 nos lançamentos por homologação, é o fato gerador do tributo que determina o termo inicial do prazo decadencial, sendo esse o marco inicial que habilita o sujeito ativo a proceder ao lançamento, motivo pelo qual o parágrafo 4º do art. 150 do CTN dispõe expressamente que o crédito correspondente ao lançamento por homologação é considerado definitivamente extinto após o decurso de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador (reproduz Jurisprudência); 3.3 em relação aos acréscimos patrimoniais a descoberto cujos fatos geradores ocorreram em 31/05/2.004 e 31/07/2.004, cabe declarar, em preliminar, a insubsistência do lançamento recorrido, uma vez que os créditos tributários já estavam definitivamente extintos, nos termos do direito aplicável, pois já atingidos pela decadência na data em que formalizada a autuação, ocorrida somente em agosto de 2.009; I.2 DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO DA MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊLEÃO. FATOS GERADORES OCORRIDOS NO PERÍODO DE 31/01/2.004 A 31/07/2.004 3.4 aplicandose para o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão as regras atinentes ao lançamento por homologação de que tratam o art. 150, "caput" e seu § 4º, do Código Tributário Nacional, acima já mencionado, ou seja, a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos a partir da data da ocorrência do fato gerador, requerse seja declarada a insubsistência das penalidades aplicadas em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 31/01/2.004 a 31/07/2.004, pois já atingido pela decadência na data em que formalizada a autuação, em agosto de 2.009; IIDO MÉRITO II.1 DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO 3.5 pela legislação do Imposto de Renda aplicável às pessoas físicas, os bens e direitos (Ativo) e obrigações (Passivo) são declarados anualmente, nas declarações de ajuste que devem ser apresentadas até 30 de abril, considerada a situação em 31 de dezembro do anobase e do ano anterior e, como o patrimônio declarado em 31 de dezembro de um ano corresponde ao patrimônio em 1º de janeiro do ano seguinte (inicial), a única forma de se apurar o acréscimo patrimonial, havido em determinado anocalendário é pelo cotejo entre o patrimônio inicial e o final desse anocalendário, ou seja, comparandose o patrimônio em 31 de dezembro desse ano, com o patrimônio em 31 de dezembro do ano anterior, sendo que isso não foi feito na autuação e, mesmo que fosse adotada tal metodologia, ela não Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 propiciaria a apuração de acréscimos patrimoniais mensais, restringindose a um ciclo anual; 3.6 pelo exposto, verificase que o levantamento fiscal constante dos autos não se presta à apuração de acréscimos patrimoniais a descoberto com periodicidade mensal, sendo inábil para tributação do Imposto de Renda da Pessoa Física, com fatos geradores mensais; II.1.1 DAS FALHAS NA ELABORAÇÃO DOS DEMONSTRATIVOS DE FLUXOS FINANCEIROS MENSAIS (“CASH FLOW”) 3.7 o trabalho fiscal, pela forma como foi realizado, não se presta a servir de base para fins de lançamento tributário, tanto que as movimentações bancárias havidas em todos os meses dos anoscalendário 2.004 e 2.006 não foram computadas, em desacordo com as próprias planilhas elaboradas pela fiscalização; 3.8 efetivamente, os Quadros Demonstrativos, na parte "A) RECURSOS/ORIGENS", contêm o item "4 — SALDO BANCÁRIO C/C INÌCIO MÊS, e na parte"B — DISPÊNDIOS/APLICAÇÕES", contém o item "6 — SALDO BANCÁRIO C/C FINAL MÊS", constando apenas um saldo em janeiro e outro em dezembro, restando não preenchidos os saldos dos meses de fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro e, se esses campos constam dos Quadros Demonstrativos elaborados pela Receita Federal, é óbvio que os saldos bancários mensais (iniciais e finais) necessariamente deveriam ser computados nos fluxos financeiros mensais, elaborados para efeito de apuração de excessos de dispêndios/aplicações num mês sobre os recursos/origens desse mesmo mês; 3.9 embora não tenha sido registrado no Termo de Verificação Fiscal, idêntico procedimento foi adotado nos Quadros Demonstrativos referentes aos fluxos financeiros mensais do anocalendário de 2.006, como se verifica pela leitura dos dados referentes aos itens 4 (Recursos/Origens) e 6 (Dispêndios/Aplicações); 3.10 portanto, sendo imprescindível o cômputo das movimentações bancárias mensais, o que não foi feito na autuação, os levantamentos fiscais dos fluxos financeiros, com periodicidade mensal, base dos lançamentos mensais efetuados sob o título de "acréscimos patrimoniais a descoberto", estão eivados de erro essencial, que vicia frontalmente as bases de cálculo da imposição tributária, determinando o seu cancelamento, por manifesta contrariedade ao disposto no artigo 142 e seu parágrafo único, do CTN (reproduz os citados dispositivos legais); II.1.2 DA ILEGAL PRESUNÇÃO DE RENDA CONSUMIDA AO FINAL DO MÊS 3.11 no fluxo de caixa mensal, não obstante o pseudoacréscimo patrimonial a descoberto apurado pela confrontação inconsistente entre recursos e aplicações, num dado mês, tivesse Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 4 5 sido considerado rendimento omitido e, por isso, submetido à tributação nesse determinado mês, os rendimentos tributados correspondentes a esse "acréscimo a descoberto" não foram considerados no fluxo de caixa do mês seguinte, distorcendo os resultados seqüenciais, que, assim, se tornam inadequados para a determinação da base de cálculo, sobre a qual haverá a incidência do IRPF (reproduz Jurisprudência); 3.12 nos aumentos patrimoniais não justificados por recursos, tributáveis ou não, no interregno de um período anual, válida é a presunção de que a renda omitida seja considerada consumida, isto porque estará ela incluída entre os bens e direitos constantes do patrimônio declarado no final do anocalendário, salvo prova em contrário; todavia, nos casos em que "acréscimos patrimoniais a descoberto" são apurados mensalmente, pela verificação da simples movimentação financeira, padece de amparo legal a presunção de que a renda omitida e submetida à tributação no final de um mês seja considerada renda consumida ao final desse mesmo mês, para deixar de computála na análise da movimentação financeira dos meses seguintes, dentro do mesmo anocalendário (reproduz Jurisprudência); 3.13 os acréscimos patrimoniais a descoberto, em 2.004, apurados nos meses de maio (R$ 39.678,18), julho (R$ 95.945,92) e agosto (R$ 214.855,76), foram tratados como omissão de rendimentos, totalizando a quantia de R$ 350.479,86, submetida à tributação do Imposto de Renda; entretanto, esses mesmos valores, considerados como rendimentos omitidos, e, por isso, tributados, não foram levados em conta na apuração das variações dos meses subseqüentes, nos quais também foram apurados aumentos patrimoniais a descoberto, sendo R$ 43.879,07 em setembro, R$ 53.810,95, em novembro e R$ 267.952,64, em dezembro, perfazendo, os valores desses três meses, o montante de R$ 365.642,66 e, assim sendo, se computados fossem os rendimentos omitidos correspondentes aos três primeiros meses (R$ 350.479,86), o acréscimo patrimonial dos três últimos meses limitarseia, apenas, a R$ 15.162,80 (R$ 365.642,66 R$ 350.479,86); II.1.3 DA INDEVIDA TRIBUTAÇÃO DO SOMATÓRIO DOS “ESTOUROS DE CAIXA” 3.14 os valores resultantes dos excedentes de Dispêndios/Aplicações sobre os Recursos/Origens correspondem, na terminologia contábil, aos denominados "estouros de caixa", ou seja, quando as saídas financeiras suplantam as disponibilidades existentes naquela data ou período (saldo inicial + ingressos), sendo óbvio que, nas hipóteses dos "estouros de caixa", não se tributam todos os "saldos negativos" identificados em diferentes dias dos diferentes meses do anocalendário, pois um é parte integrante na apuração do outro ou dos outros, aplicandose igual raciocínio para a periodicidade mensal, sendo pacifico o entendimento que deva se tributar apenas o maior saldo credor de caixa ("estouro"), e não todos eles ou o somatório de todos eles, ou, Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 ainda, se um for tributado, deverá ele ser excluído do seguinte, e assim sucessivamente; II.1.4 DA VENDA FEITA POR CLÁUDIO COHN LEILOEIRO OFICIAL 3.15 por mais de uma década, o impugnante é conhecido como colecionador de obras de arte, fazendo constar nas suas DIRPF's as variações havidas, tal como ocorrido na declaração do exercício de 2.005, anocalendário 2004, como reportado pela fiscalização às fls. 6 e 7 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 742 e 743 dos autos, com trechos reproduzidos pelo impugnante); 3.16 a fiscalização não questionou o decréscimo patrimonial havido na declaração de bens sob o título "objetos de arte, jóias e imagens barrocas" que, em 31/12/2.003, acusava o valor de R$ 1.130.523,00, reduzido para R$ 490.523,00, em 31/12/2.004, nem a compra de R$ 770.500,00, no ano anterior e, assim sendo, e por não admitir o cômputo dos recursos obtidos com a alienação de objeto de arte, como informado no curso da ação fiscal, presumiu a fiscalização, sem nenhum elemento seguro de prova, que as baixas patrimoniais deramse a título gratuito, o que a fez presumir que as transferências patrimoniais (a venda feita por Cláudio Cohn e as devoluções à Sra. Mércia Maria de Souza) não tiveram contrapartida, ou seja, teriam sido resultado de doações; 3.17 o Sr. Cláudio Cohn é leiloeiro oficial e o objeto de arte por ele vendido rendeu ao impugnante recursos no valor de R$ 280.000,00, como informado à fiscalização, tendo sido tal circunstância esclarecida e constado de um documento, entregue à fiscalização em 03/02/2.009, denominado "acerto de contas", datado de 13/07/2.004, firmado pelo contribuinte e pelo referido leiloeiro oficial, referente à venda de obra de arte, arrematada em leilão publico realizado em 26/05/2.004; 3.18 por julgar que o documento não comprovava a operação realizada com o Sr. Cláudio Cohn, a fiscalização entendeu não ser “possível sequer determinar se o Sr. Renato de Almeida Whitaker participou de tal leilão como alienante ou adquirente ou ambos" e, partindo desse pressuposto, não considerou qualquer valor no fluxo de caixa que elaborou, ou seja, não considerou o recebimento referente à venda (R$ 280.000,00) no mês em que realizado o leilão (maio/2.004) e nem o recebimento parcelado, em quantias de R$ 40.000,00, declaradas como recebidas nos meses de janeiro a julho de 2.004; 3.19 assim, sem nenhum elemento seguro de prova (sequer foi ouvido o leiloeiro em questão, conhecido no mercado de obras de arte, pois é leiloeiro público oficial), considerou não recebido um único centavo da venda feita por Cláudio Cohn, contrariando o que expressamente constou da declaração de imposto de renda, referente ao ano calendário 2.004, como se não tivesse sido feita nenhuma venda; 3.20 para afastar quaisquer dúvidas, anexa à presente impugnação documentação fornecida pelo Sr. Cláudio Cohn, que demonstra e prova, de forma cabal, o pagamento a ele, Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 5 7 impugnante, da quantia de R$ 280.000,00, proveniente da venda que fez de uma obra de arte (Quadro de Portinari), que lhe pertencia, documentação essa a saber: a) contrato de consignação para venda em leilão Público (doc. 11); b) Catálogo distribuído no leilão de 26/05/2004 (doc. 12) e c) Declaração do leiloeiro oficial, Sr. Cláudio Cohn, contendo detalhes da obra de arte vendida e o repasse de R$ 280.000,00 (doc. 13); 3.21 ante o exposto, mister se faz que na planilha de movimentação financeira elaborada pela fiscalização sejam incluídos os R$ 280.000,00, fazendose os ajustes necessários, o que alterará as variações patrimoniais apuradas; II.1.5 DA DEVOLUÇÃO DE IMAGENS À SRA. MÉRCIA DE SOUZA 3.22 a Sra.. Mércia Maria de Souza fez venda de antiguidades ao impugnante, o qual, por exigência da vendedora, fez os pagamentos em espécie, como, aliás, é frequente nesses casos, já que na compra e venda de antiguidades as operações comumente são feitas em dinheiro, sob pena, não raro, de ser obstada a transação; 3.23 ocorre que, nos autos de inventário dos espólios de Leonilda Bocchese Mendes e de Arthur Valle Mendes, foi noticiado que "parte dos bens (móveis e antiguidades) foi desviada, vendida, permutada com terceiros, sem autorização judicial", fato que levou a Sra. Mércia Maria de Souza, companheira do falecido Arthur Valle Mendes, a solicitar devolução das peças. que estariam sendo questionadas judicialmente, algumas das quais por ela vendidas ao impugnante; 3.24 diante dos fatos, e considerando a "Ação Cautelar de Exibição Combinada com Produção Antecipada de Provas", na qual, tanto o impugnante, quanto a Sra. Mércia, são réus, o autuado viuse na contingência de atender ao pedido da Sra. Mércia, procedendo à devolução das obras a ela em janeiro de 2.004, mediante o recebimento, em espécie, do preço que lhe fora pago, ou seja, R$ 360.000,00, tendo constado na declaração de imposto de renda do impugnante, referente ao exercício de 2.005, anocalendário 2004, tanto a devolução das peças adquiridas da Sra. Mércia Maria de Souza, no valor de R$ 360.000,00, quanto a venda de obra de arte por Cláudio Cohn; 3.25 a devolução informada na DlRPF/2.005 está documentada no recibo datado de 12/01/2.004, pelo qual o impugnante relaciona as peças devolvidas à Sra. Mércia e declara dela ter recebido a quantia de R$ 360.000,00, uma vez que a alienação feita pela Sra. Mércia, de acordo com o MPF, teria sido realizada sem autorização judicial, conforme noticiado nos autos de inventário dos Espólios de Arthur Valle Mendes e Leonilda Bocchesi Mendes e, por decisão. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 judicial, várias peças foram postas em indisponibilidade; II.1.6 DOS REQUISITOS PARA DESCONSIDERAÇÃO DOS ESCLARECIMENTOS PRESTADOS PELO CONTRIBUINTE 3.26 o regramento determinado no parágrafo primeiro do art. 845 do RIR/99 (reproduz o citado parágrafo) é de caráter imperativo e fixa, de forma peremptória e exaustiva, as hipóteses em que é deferida às autoridades lançadoras a competência para impugnar os esclarecimentos prestados, quais sejam, elemento seguro de prova e indício veemente de falsidade ou inexatidão, não tendo a autoridade lançadora se valido de nenhum desses elementos para desconsiderar os esclarecimentos ou a documentação apresentada; 3.27 conseqüentemente, o lançamento fiscal pautouse em simples presunção para excluir dos recursos auferidos os valores de R$ 280.000,00 e R$ 360.000,00, provocando distorção no levantamento fiscal, que acusou resultados que divergem da verdade material, não tendo sido, outrossim, invocado ou sequer mencionado, pela autoridade lançadora, que o desprezo da documentação apresentada e dos esclarecimentos prestados deu se em virtude de "indicio veemente de falsidade ou inexatidão", como determina a lei vigente (§ 1º do art. 845 do RIR/99); 3.28 um dos documentos não considerados, além de assinado pelo contribuinte, está assinado também por Cláudio Cohn, que é leiloeiro oficial e vendeu em leilão público obra de arte pertencente ao impugnante, como antes e por mais de uma vez mencionado, não havendo nos autos nenhuma notícia de documentos falsos ou falsidade quanto a assinaturas, ou quanto aos fatos neles descritos, não tendo havido, sequer, qualquer iniciativa do Fisco para carrear aos autos "elemento seguro de prova" ou "indício veemente de falsidade ou inexatidão", requisitos estabelecidos em lei para impugnar os esclarecimentos prestados pelo contribuinte; 3.29 conseqüentemente, no que respeita aos impropriamente denominados "acréscimos patrimoniais a descoberto", constata se que os resultados apurados nas planilhas elaboradas pela fiscalização defluem diretamente,da nãoinclusão dos recursos auferidos pelo contribuinte, devidamente informados por esclarecimentos prestados a fiscalização e, em face de tal procedimento estar desconforme aos ditames do § 1° do artigo 845 do RIR/99, concluise que, também nesse particular, o lançamento decorre de entendimento subjetivo do autuante ("praesumptio hominis"), não se prestando a amparar a exação fiscal, conforme doutrina dominante e reiterada e maciça jurisprudências administrativa e judicial, impondose a declaração de insubsistência do lançamento ora impugnado (reproduz Jurisprudência); II.1.7 DO ERRO MATERIAL NO FLUXO DE CAIXA DE JANEIRO/2.006 3.30 no mês de janeiro de 2.006, os RECURSOS/ORIGENS (A) totalizaram R$ 318.764,36, enquanto os DISPÊNDIOS/APLICAÇÕES (B) somaram R$ 168.449,41, o que determina um resultado positivo de R$ 150.314,95 (AB), Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 6 9 representativo do "Saldo disponível para o mês seguinte" (item 1 do Quadro C — RESULTADO DA ANÁLISE); contudo, por lapso, no demonstrativo elaborado pela fiscalização, no mês de janeiro de 2006, no item 1 do Quadro C (AB), em lugar de ser registrado o saldo de R$ 150.314,95, ficou registrado R$ 0,00; 3.31 procedida a devida correção, observase que o suposto acréscimo patrimonial de fevereiro de 2.006, no valor de R$ 8.344,57, deixaria de existir, e a variação a descoberto em dezembro, no importe de R$ 143.112,17, ficaria reduzida a apenas R$ 1.141,79 e, em se tratando de erro material, mister se faz sua correção; II.2 DA OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL II.2.1 DA TRIBUTAÇÃO DOS GANHOS DE CAPITAL REGIME DE CAIXA 3.32 em 20/09/2.004, o impugnante vendeu um imóvel de sua propriedade pelo preço de R$ 158.000,00, para recebimento futuro mediante emissão, pelo adquirente, de nota promissória de igual valor, conforme consta da escritura pública lavrada pelo 12° Tabelião de Notas da Capital., observandose que, nos termos da legislação vigente e em nome do princípio da capacidade contributiva, constitucionalmente previsto, o imposto sobre o ganho de capital na alienação de bens e direitos é devido quando do recebimento do preço, ou proporcionalmente, quando o recebimento é parcelado; 3.33 uma vez que no ano de 2.004, em que foi realizada a venda do imóvel, o impugnante não realizou financeiramente o ganho de capital auferido na alienação, pois nada recebeu nesse ano calendário, o imposto sobre o ganho de capital não foi recolhido nesse ano, ao amparo da legislação aludida, como expressamente previsto no “caput” do artigo 140 e seu § 1º, do vigente Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1.999 (reproduz o citado artigo e seu § 1º, bem como Jurisprudência); 3.34 considerar uma nota promissória com vencimento futuro, como venda a vista, e admitila como aquisição de disponibilidade para fins de recolhimento de tributo em dinheiro, implica atribuir ao sujeito passivo uma capacidade contributiva que ele ainda não tem, valendo dizer que a lei de regência adotou o regime financeiro ou de caixa para operar a tributação, isto é, quando da realização do ganho capital em dinheiro, circunstância que não ocorreu nos presentes autos; 3.35 ademais, no caso dos autos, como se demonstrará no subitem seguinte, o contribuinte promoveu o recolhimento do imposto sobre ganhos de capital, objeto da autuação, quando recebeu o valor da nota promissória, em 2.006; II.2.2 “BIS IN IDEM” IRPF SOBRE GANHOS DE CAPITAL Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 3.36 o ganho de capital, ora tributado, decorrente da alienação de bem imóvel, realizouse com o recebimento da nota promissória de R$ 158.000,00 em 25/03/2.006, quando foi baixada do patrimônio do contribuinte, tal como consta na declaração de bens do exercício de 2.007, anocalendário 2.006 (doc. 17) e, com o recebimento do preço, em março de 2.006, o impugnante apurou um ganho de capital no valor de R$ 88.601,92, que, após as deduções previstas em lei, reduziuse a R$ 54.804,25, sobre o qual incidiu o imposto de 15%, chegando se ao imposto devido, no importe de R$ 8.220,63 (doc. 18), recolhido conforme DARF anexo (doc. 19); 3.37 destarte, mesmo que prevaleça a posição do autuante, no sentido de que o imposto sobre o ganho de capital seria devido por ocasião do negócio jurídico de alienação, e não quando do efetivo recebimento do preço, o que se admite apenas "ad argumentandum tantum", configurarseia hipótese de postergação, consubstanciada no artigo 273 do vigente Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (reproduz o citado artigo); 3.38 nos termos do dispositivo supratranscrito, verificase que a inexatidão quanto ao período de competência, só constitui fundamento para lançamento do imposto e acréscimos legais, quando dela resultar redução ou postergação do pagamento do tributo, portanto, quando for apurada uma conseqüência prejudicial ao Erário e, desta forma, caso o contribuinte já tenha efetuado, espontaneamente, em período posterior, o pagamento dos valores do imposto postergado, tal fato deve ser considerado no momento do lançamento de oficio, devendo a autoridade fiscal proceder na conformidade do que dispõe o Parecer Normativo COSIT nº 2/1.996; 3.39 restou demonstrado e provado que o recolhimento do tributo referente ao ganho de capital ocorreu em 2.006, quando do efetivo recebimento do preço do bem imóvel alienado e, ainda que pudesse prevalecer a ótica fiscal, da qual o impugnante discorda, teria ocorrido hipótese de postergação, sendo indevido o procedimento fiscal, por caracterizar "bis in idem"; II.3 DA RECLASSIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS ANO CALENDÁRIO 2.006 II.3.1 DA PRESUNÇÃO FISCAL SEM AMPARO LEGAL (“PRAESUMPTIO HOMINIS”) 3.40 no ano calendário 2006, o autuado informou o valor de R$ 2.500.000,00 como rendimento não tributável (indenização), no campo próprio de sua declaração de imposto de renda, no item especifico destinado a esse fim, que engloba "rendimentos isentos e não tributáveis", sendo que a documentação entregue à fiscalização, homologada por decisão judicial, expressamente se refere a indenização, não tributável; 3.41 sem demonstrar, por qualquer forma, que a verba recebida por determinação judicial não se tratava de indenização, a fiscalização passou a considerála como rendimento não contemplado por isenção, reportandose a dispositivos da Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 7 11 Constituição Federal e do Código Tributário Nacional, que exigem norma legal para outorga de isenção; II.3.2 DA INDENIZAÇÃO. DA NÃOOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA 3.42 os esclarecimentos prestados e os documentos fornecidos à fiscalização pelo impugnante, no curso da ação fiscal, revelam ter ele sofrido perdas patrimoniais significativas, na qualidade de fiador e/ou sócio cotista de empresas que obtiveram financiamento bancário (o impugnante reproduz quesitos e respectivas respostas que constam do laudo elaborado pelo perito judicial, referente ao processo n° 000.99.9361589, que corria na 15ª Vara Cível da Comarca de São Paulo doc. 20); 3.43 ao final, resolveram as partes fazer uma composição, para por um paradeiro nas diversas ações judiciais que estavam em curso, como se verifica da documentação anteriormente apresentada e ora complementada, processandose essa composição por documento intitulado "Instrumento Particular de Transação e Outras Avenças", firmado entre as partes em 06/02/2.006, por meio do qual ficou estabelecido que o impugnante recebesse uma indenização destinada ao ressarcimento de parte das quantias desfalcadas de seu patrimônio, indenização essa devidamente homologada na via judicial.; 3.44 não se trata de documento feito à margem do processo judicial, mas sim, de documento elaborado e firmado unicamente com propósitos judiciais, por isso juntado aos autos da Ação da Ação Monitória n° 583.00.1998.7175154, na qual foi devidamente homologado por sentença de mérito terminativa do feito, nos termos do Código de Processo Civil, pelo MM. Juiz de Direito Dr. Alexandre Augusto P. M. Marcondes, titular da 12ª Vara Cível Central — Comarca de São Paulo (doc. 21); 3.45 esse Termo de Transação (Acordo), foi anexado às diversas ações que estavam em curso, e também foi devidamente homologado pelos MM. Magistrados por onde corriam os respectivos feitos, pondo fim a todos esses processos, a saber: Ação de Cobrança Processo n° 00.557.8000; Ação Monitória — Processo n° 98.717.5154; Ação de Execução — Processo n° 97.647.5609; Ação Ordinária Declaratória — Processo n° 00.641.9267; Embargos de Terceiros — Processo n° 99.936.1589; 3.46 de outra parte, o impugnante precisou vender a casa onde morava com sua família, e os recursos obtidos destinaramse ao pagamento parcial das pendências referentes às ações judiciais em andamento, concluindose que o impugnante teve desfalcado o seu patrimônio pessoal de diversos bens, de valores elevados, que foram computados para efeito de se determinar o valor da indenização a que fazia jus, fato reconhecido pelas partes e que mereceu homologação, por sentença judicial terminativa, como antes esclarecido; Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 12 3.47 o impugnante não recebeu qualquer quantia representativa de acréscimo a seu patrimônio, de vez que se tratava de reposição parcial de valores anteriormente dele subtraídos, portanto de natureza nitidamente indenizatória; 3.48 noutros termos, a ordem judicial teve em mira um retorno do patrimônio do impugnante ao "status quo ante", não tendo ocorrido o acréscimo de riqueza, fato gerador do imposto de renda, descrito no artigo 43 do CTN (reproduz o mencionado artigo, bem como Doutrina e Jurisprudência); II.4 DA MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊLEÃO. ANOCALENDÁRIO 2.004. DESCABIMENTO DA PENALIDADE 3.49 a ação fiscal objeto dos autos foi instaurada em 15/10/2.008, data do recebimento, pelo impugnante, do Termo de Inicio de Ação Fiscal, e os rendimentos recebidos de pessoas físicas, que ensejaram a aplicação de penalidade, já haviam sido declarados como tributáveis na DIRPF do exercício de 2.005, anocalendário 2.004, apresentada em 26/04/2.005, dentro do prazo legal e muito antes de ter início o procedimento fiscal, restando caracterizada, em conseqüência, a denúncia espontânea, hipótese em que fica excluída a responsabilidade do sujeito passivo, descabendo cominação de multa, nos termos do artigo 138 do CTN; 3.50 a aplicação da penalidade somente seria cabível se o oferecimento à tributação tivesse ocorrido "após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização", a teor do parágrafo único do artigo 138 do CTN, mas o contribuinte, como ficou demonstrado, já agira anos antes de qualquer iniciativa do Fisco; III DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS 3.51 como amplamente exposto, as supostas irregularidades descritas no Auto de Infração em foco não reúnem condição de prosperar, pelas razões apresentadas e a seguir sintetizadas: ANOCALENDÁRIO 2.004 Acréscimos Patrimoniais a Descoberto 3.52preliminarmente, cabe declarar a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em maio e julho de 2.004, posto que a autuação somente formalizouse em 03/08/2.009, com a ciência do contribuinte, após o decurso de cinco anos (CTN art 150, § 4°); 3.53 os aumentos patrimoniais somente são apuráveis pela comparação da situação patrimonial no início e final de um determinado ano, em face da declaração de bens ser anual e, portanto, as planilhas elaboradas pela fiscalização, com apurações mensais, não se prestam à apuração de acréscimos patrimoniais mês a mês; 3.54 os demonstrativos elaborados pelo Fisco contêm a movimentação financeira por períodos mensais, mas não foram Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 8 13 preenchidos os campos destinados à movimentação bancária havida em cada mês, tornando imprestável o procedimento para apuração de fatos geradores mensais; 3.55 os pseudos excessos de aplicações sobre os recursos, em cada mês, foram considerados rendimentos omitidos e submetidos a tributação ao final do mês; contudo, essa renda apurada não foi transportada para o mês subseqüente, sendo considerada "renda consumida", sem que tal presunção seja amparada em lei; 3.56 outrossim, por representar pseudos "estouros de caixa" mensais, inadmissível conjeturarse de tributar cada um deles individualmente, sem considerar a repercussão havida em períodos subseqüentes, podendo cogitarse, quando muito,o maior deles, mas não todos, fato que a doutrina e a jurisprudência reconhecem unanimemente; 3.57 ficou provada, de forma cabal, a venda de obra de arte pertencente ao impugnante, em leilão público, realizado por Cláudio Cohn, leiloeiro oficial, devendo ser computado no fluxo financeiro o ingresso de R$ 280.000,00, não considerados no "cash flow"; 3.58 ficou amplamente demonstrado que diversas obras de arte vendidas pela Sra. Mércia Maria de Souza (companheira de Arthur Valle Mendes) ao impugnante em 2.003 (aquisições devidamente declaradas na DIRPF/2.004), tiveram que ser devolvidas em 2.004, pois teriam sido vendidas sem a autorização do juízo por onde corriam processos de inventário dos espólios de Leonilda Bocchese Mendes e de Arthur Valle Mendes, onde estariam inventariadas; 3.59 o impugnante recebeu a quantia de R$ 360.000,00, pela devolução das obras descritas no recibo passado pelo impugnante, sendo que todos os fatos que deram causa à devolução das aludidas obras, estão respaldados em peças de processo instaurado pelos Ministérios Públicos Federal e do Estado de Minas Gerais, impondose seja computada, dentre os recursos recebidos, a importância de R$ 360.000,00, desconsiderada no levantamento fiscal; 3.60 em face do quanto se expôs, ficam elididos os pseudos acréscimos patrimoniais, tornando descabida a exigência fiscal feita a esse titulo; Omissão de Ganho de Capital na Alienação de Bem Imóvel 3.61 ficou demonstrado e provado que o imóvel vendido em 2.004 teve o seu preço recebido em dinheiro somente em 2.006, quando recebido o valor da nota promissória emitida pelo adquirente e, como o imposto sobre o ganho de capital somente é devido quando realizado em dinheiro, conferindo capacidade contributiva ao sujeito passivo, não procede a exação fiscal, observandose, ademais, que o ganho de capital, realizado em 2.006, nesse ano foi declarado e recolhido no próprio mês o Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 14 imposto devido, ocorrendo, quando muito, hipótese de postergação, sendo incabível a cobrança de tributo já pago, por configurar "bis in idem”; Multa Isolada — NãoRecolhimento de CarnêLeão 3.62 em preliminar deve ser declarada a decadência da penalidade aplicada referente aos meses de janeiro a julho de 2.004, posto que a ciência da autuação somente ocorreu em 03/08/2.009; 3.63 no que tange â. penalidade, deve ser ela declarada improcedente, pois o contribuinte submeteu os rendimentos à tributação na DIRPF/2005, muito antes de qualquer procedimento de fiscalização, tendo aplicação o artigo 138 do CTN, que estatui a exclusão de responsabilidade nos casos de espontaneidade; ANO CALENDÁRIO 2.006 Reclassificacão de Rendimentos 3.64 indenização recebida pelo impugnante, por sentença judicial, para recomposição de perda patrimonial sofrida como devedor solidário, foi considerada como rendimento desabrigado por norma isencional e indevidamente submetido à tributação;provado ficou que o impugnante teve seu patrimônio pessoal reduzido por força de execução judicial, no qual figurara no pólo passivo em razão de avais que prestara em contrato de financiamento, junto a instituição financeira, e que a quantia de R$ 2.500.000,00 teve finalidade reparatória, de natureza indenizatória, reconhecida por decisão judicial e, como as indenizações destinadas à recomposição de patrimônio não implicam acréscimo patrimonial, objetivando ao retorno do "status quo ante", não há fato gerador do imposto de renda, caracterizando hipótese de nãoincidência; Acréscimos Patrimoniais a Descoberto 3.65em 2.006, o fluxo financeiro elaborado pela Fiscalização não considerou a movimentação bancária havida em cada mês, por isso que inapto para apuração de fatos geradores mensais o levantamento efetuado; 3.66 foram apurados pseudos excedentes de aplicações sobre recursos nos meses de fevereiro e dezembro, e ambos submetidos à tributação, quando deveria ser tributado apenas o maior (dezembro); entretanto, houve lapso material na elaboração do fluxo financeiro pela fiscalização, que deixou de transportar o saldo disponível de R$ 150.314,95, existente em janeiro de 2.006, para o mês seguinte e, com a correção do lapso praticado, o suposto acréscimo patrimonial de fevereiro de 2.006, no valor de R$ 8.344,57, deixaria de existir, e a variação a descoberto de R$ 143.112,17, em dezembro, ficaria reduzida a apenas R$ 1.141,79; 3.67 ante o exposto, demonstrado e provado ficou, nas razões de defesa, que o Auto de Infração ora questionado não atende Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 9 15 aos requisitos legais para prosperar, devendo ser declarada sua insubsistência. A 17ª Turma da DRJ em São Paulo/SPI julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURADA COM BASE EM ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. FATOS GERADORES 31/05/2.004 E 31/07/2.004. Uma vez que o contribuinte não apurou saldo de imposto a pagar na declaração do IRPF/2.005 (anocalendário 2.004) apresentada, e inexistindo, outrossim, retenção de imposto de renda na fonte sobre rendimentos oferecidos à tributação, nem, tampouco, antecipação de imposto, fica prejudicada a caracterização do lançamento por homologação, devendo ser aplicadas as regras atinentes ao lançamento de ofício, observandose que, no caso de apuração de omissão de rendimentos, o fato gerador do imposto de renda é complexivo, de período anual. Preliminar rejeitada. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊLEÃO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. FATOS GERADORES DE 31/01/2.004 A 31/07/2.004. Não constando dos autos informação no sentido da existência de pagamentos de multa isolada por falta de recolhimento de carnê leão, que pudessem ser objetos de homologação, aplicase ao lançamento dessas multas o comando legal que trata do lançamento de ofício, frisandose que essa infração possui fato gerador mensal e é autônoma, não se submetendo ao ajuste na declaração de rendimentos anual. Preliminar rejeitada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO MENSAL. Em estrita observância a disposição legal, para fins de determinação de omissão de rendimentos com base em variação patrimonial não justificada, os demonstrativos que cotejam as origens/recursos e os dispêndios/aplicações devem, a partir do anocalendário de 1.989, ser levantados mensalmente, não podendo, destarte, subsistir a alegação de impossibilidade de apuração mensal de acréscimo patrimonial a descoberto. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AUSÊNCIA DE CÔMPUTO DAS MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS MENSAIS. ALEGAÇÃO DE VÍCIO DO LANÇAMENTO. Na medida em que o lançamento de ofício deve ser efetuado arbitrandose os rendimentos mediante os elementos de que se dispuser, nos casos de falta de declaração, e que a fiscalização, ao elaborar as planilhas de Evolução Patrimonial Mensal, não estava de posse dos valores referentes às movimentações bancárias mensais do contribuinte, não pode prosperar a alegação de vício do lançamento, que computou somente os Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 16 saldos bancários existentes no início do mês de janeiro e no final do mês de dezembro. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL PARA APROVEITAMENTO NO MÊS SUBSEQÜENTE. O acréscimo patrimonial a descoberto apurado num determinado mês corresponde aos recursos/rendimentos omitidos pelo contribuinte, necessários, tão somente, para cobrir/igualar os dispêndios/aplicações realizados naquele mês, não representando, portanto, saldo de origens/recursos disponível para aproveitamento no demonstrativo de evolução patrimonial do mês subseqüente. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DA INDEVIDA TRIBUTAÇÃO DO SOMATÓRIO DOS “ESTOUROS DE CAIXA”. O acréscimo patrimonial a descoberto apurado num determinado mês resulta da verificação de excesso de dispêndios/aplicações em comparação com os recursos/origens, todos daquele mês, não se comunicando/transferindo para o mês seguinte esse acréscimo patrimonial não justificado, que deve ser tributado de forma anual, de acordo com a legislação vigente. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESCONSIDERAÇÃO DO PRODUTO DA VENDA DE OBRA DE ARTE FEITA POR LEILOEIRO OFICIAL. Uma vez não constar dos autos comprovação de transferência de numerário ao contribuinte, referente à venda de obra de arte por ele informada, e não tendo, outrossim, valor probatório, declaração firmada de próprio punho, discriminando as parcelas que teriam sido recebidas em função da citada venda, fica prejudicado o cômputo da quantia correspondente a essa venda, como origens/recursos, na planilha de evolução patrimonial dos meses referentes ao anocalendário 2.004. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DA DEVOLUÇÃO DE OBRAS DE ARTE. Não havendo comprovação de pagamento, ao contribuinte, decorrente de devolução de obras de arte por ele adquiridas, não pode ser computada como recursos a correspondente quantia, não tendo valor probatório recibo emitido pelo próprio contribuinte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DA DESCONSIDERAÇÃO DOS ESCLARECIMENTOS PRESTADOS PELO CONTRIBUINTE. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 10 17 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DO ERRO MATERIAL NO FLUXO DE CAIXA DE JANEIRO/2.006. Constatado que, no Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial e Financeira Exercício 2.007/Anocalendário 2.006, a fiscalização deixou de considerar, como "Saldo disponível para o mês seguinte", no mês de janeiro de 2.006, a diferença positiva entre recursos/origens e dispêndios/aplicações, deve ser efetuada a correspondente retificação, o que implica a exclusão da variação patrimonial a descoberto no mês de fevereiro de 2.006, e sua redução no mês de dezembro de 2.006. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. Tendo sido a alienação de bem imóvel efetuada com emissão de nota promissória desvinculada do contrato pela cláusula “pro soluto”, o ganho de capital apurado sujeitase à incidência do Imposto de Renda no momento da operação, reputandose, assim, ocorrido o fato gerador em 20/09/2.004, data da alienação do bem imóvel por parte do contribuinte, fato que impõe a manutenção do ganho de capital lançado. RENDIMENTOS INDEVIDAMENTE CLASSIFICADOS NA DIRPF COMO NÃOTRIBUTÁVEIS. Impõese a interpretação literal da legislação tributária que dispõe sobre outorga de isenção, não havendo nos autos elementos suficientes para caracterizar o valor informado pelo contribuinte na declaração de ajuste anual do IRPF/2.007 (ano calendário 2.006) como rendimento isento e nãotributável, na medida em que a documentação por ele acostada ao processo noticia, tão somente, o recebimento de quantia a título genérico de “indenização”, sem especificar, de forma cabal e inequívoca, qual a origem/natureza dessa indenização. Desta forma, deve ser mantida a tributação de valor declarado pelo contribuinte como nãotributável. MULTA ISOLADA PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊLEÃO. AUSÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA O fato do contribuinte ter oferecido à tributação na declaração de ajuste anual os rendimentos recebidos de pessoas físicas não o exime do pagamento da multa isolada de 50% (cinqüenta por cento), posto que essa apresenta como fato gerador a falta de recolhimento de carnêleão, não tendo o contribuinte efetuado recolhimentos dessa natureza que pudessem ensejar a exclusão da aplicação das correspondentes multas isoladas. Lançamento Procedente em Parte (grifei) O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 09/11/2012 (fl. 957) e, em 06/12/2012, interpôs o recurso de fls. 958/998, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação, exceto a preliminar de decadência. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 18 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos tendo em vista o acréscimo patrimonial a descoberto; omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos; classificação indevida na Declaração de Ajuste de rendimentos tributáveis como rendimentos isentos; e multa isolada devida pela falta de recolhimento do IRPF a título de carnêleão. Como questão preliminar, alega o suplicante que a planilha que apurou o Acréscimo Patrimonial a Descoberto contém diversos vícios, o que acabou por prejudicar a exata apuração da base de cálculo do imposto. De pronto, verifico que a preliminar se confunde com o mérito e com ele será analisada. Acréscimo Patrimonial a Descoberto Quanto ao mérito, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, os arts. 1º, 2o e 3o da Lei no 7.713/1988 (fl. 215): Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2o O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3o O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9o a 14 desta Lei. § 1o Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidas em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] § 4o A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (grifei) Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 11 19 Da leitura dos dispositivos legais acima mencionados, depreendese que se devem confrontar, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para se apurar a evolução patrimonial do contribuinte. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), pois demonstrada pelo fisco a existência de acréscimos patrimoniais a descoberto presumese a ocorrência de omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte justificar a origem de tais acréscimos com rendimentos já tributados, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva. Permanecendo injustificados tais acréscimos, prevalece a presunção relativa de que provêm de fonte ou atividade não declaradas, com o objetivo de subtraílas à tributação devida. Portanto, diferentemente do que alega o recorrente, devem ser tributadas todas as variações patrimoniais apuradas mensalmente. Quanto à alegação de que na apuração do fluxo financeiro foi computado somente os saldos bancários existentes no início do mês de janeiro e no final do mês de dezembro, compulsandose o Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial e Financeira, fls. 723/736, não constatei qualquer prejuízo ao recorrente ou que tal procedimento houvesse agravado a exigência. Com efeito, para que se declare imprestável a apuração efetuada pela autoridade fiscal deveria o suplicante ter comprovado o prejuízo. No que diz respeito à possibilidade de transferência da variação patrimonial a descoberto no mês, como origens de recursos no demonstrativo de acréscimo patrimonial a descoberto do mês subseqüente, cabe esclarecer que a evolução patrimonial apurada corresponde aos rendimentos omitidos pelo contribuinte em determinado mês e, consequentemente, serve apenas para suprir e/ou neutralizar os dispêndios/aplicações realizados naquele mês. Assim sendo, o acréscimo patrimonial mensal não justificado não representa saldo de recursos disponível, não sendo possível seu aproveitamento como origens/recursos no demonstrativo de evolução patrimonial do mês subseqüente. Em outra passagem, alega o recorrente que a planilha de movimentação financeira, referente ao anocalendário 2004, deixou de computar como origem de recursos o valor de R$ 280.000,00, relativo à venda do quadro de Portinari pelo leiloeiro oficial Sr. Cláudio Cohn, conforme faz prova os seguintes documentos juntados: contrato de consignação para venda em leilão Público (doc. 11 fls. 858 e 859); Catálogo distribuído no leilão de 26/05/2004 (doc. 12 fls. 860 a 862) e declaração do leiloeiro oficial, Sr. Cláudio Cohn, contendo detalhes da obra de arte vendida e o repasse de R$ 280.000,00 (doc. 13 fl. 863). De pronto, cumpre registrar que não identifiquei nos autos a comprovação da efetiva transferência de numerário ao recorrente, referente à venda por ele informada. Com efeito, como se trata de apuração de fluxo mensal de acréscimo patrimonial a descoberto é imprescindível a comprovação da data em que o valor foi aportado em seu movimento financeiro. Assim, a declaração firmada pelo próprio contribuinte, bem como a informação prestada pelo leiloeiro, informando que a quantia de R$ 280.000,00 teria sido recebida em sete parcelas de R$ 40.000,00 cada (fl. 721), por si só, não podem ser considerada como prova de que de fato os valores foram recebidos nas datas informadas. Sobre a alegação de que recebeu a quantia de R$ 360.000,00, relativa à devolução de parte dos bens (móveis e antiguidades) vendida ao recorrente pela Sra. Mércia Maria de Souza, companheira do falecido Arthur Valle Mendes, conforme peças de processo instaurado pelos Ministérios Públicos Federal e do Estado de Minas Gerais, penso que a Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 20 documentação de fls. 864/867, além recibo preenchido pelo próprio recorrente, fls. 722, não comprovam o recebimento do referido valor. Omissão de Ganhos de Capital Quanto à alegação de que vendeu um imóvel de sua propriedade pelo preço de R$ 158.000,00, com emissão, pelo adquirente, de nota promissória de igual valor, conforme consta da escritura pública lavrada pelo 12° Tabelião de Notas da Capital, recebendo a citada quantia somente em 25/03/2006, conforme declaração de bens do exercício de 2007, constata se que a Escritura de Compra e Venda lavrada no Cartório do 12º Tabelião de Notas, fls. 181 a 183, dispõe que a nota promissória emitida foi em caráter “pro soluto”. Transcrevese trecho da Escritura de Compra e Venda (fl. 182): ...confessa e declara haver recebido, representado pela nota promissória emitida nesta data, em caráter “pro soluto” com vencimento para o dia 25 de setembro de 2005, e de cujo preço total dá a mais ampla, geral, rasa e irrevogável quitação à compradora.... (grifei) Pelo que se vê, a nota promissória foi emitida desvinculada do contrato e, consequentemente, esse contrato está perfeito e acabado, caracterizando a disponibilidade jurídica, independentemente de ser o título quitado em momento posterior. Na verdade, como o recorrente não carreou aos autos prova de que o recebimento não ocorreu da forma descrita na escritura, não há como considerar a data do recebimento em 25/03/2006. Em que pese entenda pela regularidade da exigência, em relação ao pedido alternativo, qual seja, compensação do valor recolhido na data de pagamento da nota promissória, penso que deve ser deferido. De fato, verificase que o recorrente efetuou o pagamento do ganho de capital, relativamente ao imóvel em apreço, em 28/04/2006, fl. 872, conforme DARF no valor de R$ 8.220,63 (código 4600). Portanto, o valor de R$ 8.220,63 deve ser compensado com o imposto apurado no procedimento fiscal. Consequentemente, em razão do art. 138 do CTN, devese excluir da exigência a multa de ofício de 75%, já que a exigência foi apurada após o efetivo recolhimento do DARF pelo sujeito passivo. Classificação Indevida na Declaração de Ajuste de Rendimentos Tributáveis como Rendimentos Isentos Em relação à alegação de que o valor de R$ 2.500.000,00, recebido a título de indenização, foi indevidamente reclassificado pela autoridade fiscal como rendimento tributário, verificase da análise da cláusula 13 do "Instrumento Particular de Transação e Outras Avenças", firmado entre as partes em 06/02/2006, fls. 138 e 139, que os valores recebidos pelo contribuinte seriam de caráter indenizatório, já que decorre da quitação da Ação de Execução n ° 97.647.5609. Contudo, penso que o termo de acordo, mesmo que chancelado pelo judiciário, não tem o condão de definir a natureza tributária de um rendimento. A simples denominação de indenização nos acordos homologados pela justiça não gera direito à isenção do imposto de renda, pois é a lei que define se uma verba está ou não alcançada pela isenção, consoante se observa da leitura do § 6º do art. 150 da CF: Art. 150... § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002471/200927 Acórdão n.º 2201002.617 S2C2T1 Fl. 12 21 correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no Art. 155, § 2.º, XII, g. (grifei) As motivações para a celebração do acordo, ainda que judicial, podem ser puramente subjetivas, dependendo das avaliações convergentes das partes quanto aos possíveis riscos no curso posterior da ação, envolvendo, necessariamente, uma negociação onde cada parte cede uma pouco para obter o máximo com menor risco. A transação particular homologada pelo juiz não pode ser oposta contra terceiros, neste caso, contra a Fazenda Pública, quando visa eximirse a verba da incidência do imposto de renda. Portanto, penso que a natureza do rendimento recebido é tributável e, consequentemente, sujeito à incidência do imposto. Multa Isolada Falta de Recolhimento do CarnêLeão Por fim, no que tange à multa isolada imposta pela falta de recolhimento do carnêleão, relativamente ao anocalendário de 2004, entendo que a exigência deve ser mantida, já que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (carnê leão), sobre rendimentos que não foram objeto de lançamento de ofício. Transcrevese alínea “a” do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996: Lei nº 9.430/1.996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (grifei) Pelo que se vê, é devida a multa isolada quando o contribuinte deixar de recolher o carnêleão, sobre o rendimento oferecido à tributação na Declaração de Ajuste Anual. Logo, não merece acolhimento a alegação de que em razão da denúncia espontânea, estaria excluída a responsabilidade do sujeito passivo, já que a denúncia espontânea não exime o contribuinte do pagamento da multa isolada aplicada ao carnêleão, em razão da falta de recolhimento sobre rendimento informado pelo próprio recorrente em sua DIRPF/2005. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 22 Ante a todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para admitir a compensação do valor de R$ 8.220,63 com o imposto apurado na infração referente ao Ganho de Capital, excluindose a multa de ofício Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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