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Numero do processo: 11020.723736/2013-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
NULIDADE.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS.
Face aos elementos constantes dos autos, é de se manter a majoração dos rendimentos tributáveis incluídos no lançamento, correspondente a rendimentos recebidos de pessoa jurídica.
RENDIMENTOS PROVENIENTES DA ATIVIDADE RURAL.
Tributam-se os rendimentos provenientes da atividade rural omitidos na declaração de rendimentos, apurados pelo Fisco, com base nos documentos apresentados e não escriturados no Livro Caixa.
DESPESAS DE CUSTEIO E INVESTIMENTOS. ATIVIDADE RURAL.
As despesas que se autoriza excluir das receitas para apuração do resultado tributável, além de necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devem estar devidamente comprovadas por meio de documentação hábil e idônea.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE.
A multa de 75%, prescrita no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, que consiste em penalidade pecuniária aplicada em decorrência da infração cometida, é aplicável no presente lançamento de ofício.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte, a fim de reduzir indevidamente os tributos devidos.
Numero da decisão: 2402-005.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Face aos elementos constantes dos autos, é de se manter a majoração dos rendimentos tributáveis incluídos no lançamento, correspondente a rendimentos recebidos de pessoa jurídica. RENDIMENTOS PROVENIENTES DA ATIVIDADE RURAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 37 36 /2 01 3- 61 Fl. 5472DF CARF MF 2 Tributamse os rendimentos provenientes da atividade rural omitidos na declaração de rendimentos, apurados pelo Fisco, com base nos documentos apresentados e não escriturados no Livro Caixa. DESPESAS DE CUSTEIO E INVESTIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. As despesas que se autoriza excluir das receitas para apuração do resultado tributável, além de necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devem estar devidamente comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de 75%, prescrita no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, que consiste em penalidade pecuniária aplicada em decorrência da infração cometida, é aplicável no presente lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte, a fim de reduzir indevidamente os tributos devidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 5473DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.473 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (Fls. 5433 a 5468) interposto contra decisão proferida no Acórdão 1658.581 18ª Turma da DRJ/SPO (Fls. 5404 a 5427) onde, por unanimidade de votos, julgou a Impugnação (fls. 5336 a 5367) improcedente, mantendose a integralidade do crédito tributário relativo a apuração de IRPF, Juros e Multa, no montante de R$ 4.926.379,57 incidente sobre rendimentos omitidos. Em suma, a Auditora Fiscal constatou haver movimentação financeira 10 vezes superior ao valor declarado pelo Recorrente nas DIRPF dos anos calendários 2008 e 2009. Em decorrência de tal constatação o Recorrente foi regularmente intimado por diversas vezes à apresentar documentos bancários referentes e justificar discrepâncias tendo tido ampla participação na apuração dos possíveis fatos geradores. O Recorrente, ainda na fase fiscalizatória, apresentou justificativas das operações conforme Fls 3385 a 3393. Considerando tais justificativas e as análises documentais, a Auditora Fiscal entendeu por presente os elementos necessários a realização dos lançamentos: 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS 0002 OMISSÃO DE RESULTADO TRIBUTÁVEL DA ATIVIDADE RURAL 003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Os fundamentos de tais lançamentos pode ser verificados no relatório fiscal de Fls 5307 a 5328. Inconformado, o Recorrente apresentou impugnação com os seguintes tópicos: Em preliminar requer: Reconhecimento de nulidade do Auto de Infração, tendo em vista que o mesmo foi decorrência de presunção não tendo o fisco comprovado que tais operações seriam rendimentos omitidos; No mérito alegou: Inocorrência de omissão ou composição indevida da base de calculo do IRPF, sendo indevidas a desconsideração de provas juntadas, a transferência do ônus da prova e a presunção adotada pelo fisco. Alega a impossibilidade de revisão de lançamento tributário com base em indícios, por afrontar o Art. 149 do CTN. Fl. 5474DF CARF MF 4 Disserta quanto ao caráter confiscatório da Multa aplicada, que não estaria em consonância com a moderna jurisprudência do STJ. Em conclusão, pede o reconhecimento da nulidade, o afastamento dos lançamentos realizados e multas aplicadas, e, alternativamente, a redução das multas ao percentual de 25% com base em entendimento jurisprudencial quanto aos limites confiscatório. O acórdão, por unanimidade não acolheu as razões impugnatórias por entender não estarem comprovadas a natureza das operações e não oponíveis os fundamentos doutrinários e jurisprudenciais apresentados pelo contribuinte, decidindo por manter a integralidade do crédito tributário e respectivas sanções. Seguindo na lide, em seu recurso, apenas reitera os argumentos utilizados na Impugnação. Em complementação a narrativas de fatos e fundamentos registrados neste relatório até o momento, transcreveremos parte do relatório da decisão recorrida: "Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 5291/5306, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 4.926.379,57, sendo que R$ 2.263.067,76 a título de imposto, R$ 883.161,11 a título de juros de mora, calculados até 11/2013, e R$ 1.780.150,70 a título de multa proporcional. A presente Ação Fiscal teve início com o termo do Mandado de Procedimento Fiscal nº 10.1.06.002012000755, decorrente de procedimento fiscal referente às DAA Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda em nome do contribuinte, relativos aos exercícios 2009 e 2010, anoscalendário 2008 e 2009. Comparando as Declarações de Ajuste Anual apresentadas com as informações oriundas do banco de dados da Receita Federal do Brasil, constatouse que, nos anoscalendário sob ação fiscal, a movimentação financeira do contribuinte foi, aproximadamente, dez vezes maior do que os rendimentos por ele declarados. Foi emitido Termo de Início de Procedimento Fiscal, em 10/02/2012, no qual o contribuinte foi intimado a apresentar extratos bancários mensais das movimentações bancárias mantidas junto a todos os bancos nos quais possuísse conta como titular ou cotitular (Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Carlos Barbosa, do Banco do Brasil S/A, da Caixa Econômica Federal, do Banco Real S/A, do Bradesco S/A e do Banco Santander S/A), do período de 01/01/2008 a 31/12/2009. Solicitouse também os informes de rendimentos anuais fornecidos pelas instituições financeiras e informação sobre a existência de outros titulares nas contas bancárias de sua titularidade. Posteriormente, foram emitidos Termos Fiscais nos quais o contribuinte foi intimado a complementar documentação e comprovar, individualmente, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias de sua titularidade, mantidas junto ao Banco do Brasil S/A Fl. 5475DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.474 5 – agência 04863, conta corrente 13.5674; Banco Bradesco S/A – agência 1775 conta 39.9132; Banco Real S/A – agência 0095 conta corrente 6.7359897, conforme planilhas anexas ao Termo de Intimação Fiscal nº 004 (fls. 635/654), elaboradas com base nos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte em cumprimento de Intimação Fiscal. Após intimações realizadas diretamente a algumas instituições financeiras, autorizadas pelo próprio contribuinte, e análise de todos os argumentos, esclarecimentos e elementos de prova apresentados e colhidos durante o procedimento fiscal, foi lavrado o presente auto de infração, com as seguintes infrações e os seguintes valores, conforme constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração de fls. 5291/5306: a) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Fato Gerador Valor Apurado Multa (%) 31/05/2008 34.053,64 75,00 30/06/2008 29.000,00 75,00 31/07/2008 15.742,30 75,00 31/08/2008 14.000,00 75,00 30/09/2008 21.000,00 75,00 31/10/2008 23.984,00 75,00 30/11/2008 6.000,00 75,00 31/01/2009 11.000,00 75,00 31/03/2009 29.436,00 75,00 30/04/2009 16.900,00 75,00 31/05/2009 34.248,64 75,00 30/06/2009 7.000,00 75,00 31/07/2009 28.200,00 75,00 31/08/2009 37.500,00 75,00 30/09/2009 35.696,00 75,00 31/10/2009 66.782,02 75,00 30/11/2009 87.019,25 75,00 Fl. 5476DF CARF MF 6 31/12/2009 51.250,00 75,00 Enquadramento Legal: Arts. 37, 38, 45 e 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do RIR/1999; Art. 1º, inciso II e parágrafo único da Lei nº 11.482, de 31 de maio de 2007, com redação dada pela Lei nº 11.945/2009 para os fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 a 31/12/2009. b) Omissão de Resultado Tributável da Atividade Rural Fato Gerador Valor Apurado Multa (%) 31/12/2008 246.754,14 150,00 31/12/2009 154.942,18 150,00 Enquadramento Legal: Arts. 57 a 62, 71 e 83 do RIR/1999; Arts. 1º a 8º e 13 a 22 da Lei nº 8.023/1990; Arts. 9, 17 e 18 da Lei nº 9.250/1995; Art. 59 da Lei nº 9.430/1996; Art. 1º, inciso II e parágrafo único da Lei nº 11.482, de 31/05/2007, com redação dada pela Lei nº 11.945/2009 para os fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 a 31/12/2009. c) Omissão de Rendimentos Caracterizados por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Fato Gerador Valor Apurado Multa (%) 31/01/2008 215.358,04 75,00 28/02/2008 356.940,86 75,00 31/03/2008 334.412,09 75,00 30/04/2008 313.823,07 75,00 31/05/2008 344.239,63 75,00 30/06/2008 580.615,36 75,00 31/07/2008 409.211,33 75,00 31/08/2008 539.133,88 75,00 30/09/2008 427.237,46 75,00 31/10/2008 635.187,15 75,00 30/11/2008 394.376,42 75,00 31/12/2008 618.064,20 75,00 31/01/2009 477.676,80 75,00 Fl. 5477DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.475 7 28/02/2009 473.749,98 75,00 31/03/2009 399.706,87 75,00 30/04/2009 283.597,50 75,00 31/05/2009 5.000,00 75,00 30/06/2009 9.136,75 75,00 31/07/2009 77.557,35 75,00 31/08/2009 53.069,00 75,00 30/09/2009 140.811,64 75,00 31/10/2009 13.298,00 75,00 30/11/2009 80.978,65 75,00 31/12/2009 95.647,10 75,00 Enquadramento Legal: Arts. 37, 38, 83 e 849 do RIR/1999 e art. 58 da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172/66 e art. 42 da Lei nº 9.430/96; Art. 1º, inciso II e parágrafo único da Lei nº 11.482, de 31/05/2007, com redação dada pela Lei nº 11.945/2009 para os fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 a 31/12/2009. Quanto às multas aplicadas, para os depósitos bancários de origem não comprovada e a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica representados pelas transferências bancárias da empresa Monte Castelo Participações Empresariais Ltda. foi aplicada a multa de ofício de 75% com base no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Para a omissão de resultado tributável da atividade rural foi qualificada a multa de ofício, aplicandose o percentual de 150%, conforme determina o §1º do art. 44, acima citado, tendo em vista, em tese, prática de sonegação, prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1964. Foi elaborada, ainda, representação fiscal para fins penais (processo nº 11020.723742/201318), por dever de ofício e cumprindo o que determina o art. 1º da Portaria RFB nº 665, de 24/04/2008. Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 5307/5328. Fl. 5478DF CARF MF 8 Cientificado do lançamento em foco em 12/11/2013, conforme fl. 5.332, o interessado apresentou impugnação de fls. 5336/5367, em 09/12/2013, aduzindo, em síntese, o que se segue: 1) RAZÕES PRELIMINARES Da Nulidade: O Fisco presumiu que todos os valores provenientes do desconto de títulos pela Monte Castelo representaram omissão de rendimento recebido pelo Impugnante de pessoa jurídica. Entretanto, o Fisco deveria apontar, de forma discriminada, quais os rendimentos foram dirigidos ao Impugnante, e determinar quais os seus valores, a fim de apurar a real base de cálculo, pois a tributação deve ocorrer de forma objetiva, não sendo crível presumir que toda e qualquer movimentação bancária do Impugnante referese a rendimentos recebidos da Monte Castelo. É esse o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF. 2) O mesmo foi feito em relação à apuração do resultado tributável da atividade rural. O ônus da prova cabe integralmente ao Fisco e sob tais condições o auto de infração padece de vício de origem, pelo que o mesmo não pode subsistir, com sua nulidade sendo reconhecida a partir do julgamento da impugnação. 3) Aplicandose o artigo 53 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, o artigo 145, III, do Código Civil de 1916, o artigo 166, IV do Código Civil de 2002 e a Súmula nº 473 do Supremo Tribunal Federal, devese determinar a anulação e o arquivamento do auto de infração, eis que restou demonstrada a ilegalidade e inconstitucionalidade do mesmo. A manutenção da pretensão fiscal afronta ainda o Princípio da Legalidade Tributária, previsto no artigo 150, I, da Constituição Federal de 1988 e confirmado pelo artigo 9º, I, do Código Tributário Nacional. 4) RAZÕES DE MÉRITO: A autoridade fiscal não produziu prova capaz de desqualificar a documentação apresentada pelo Impugnante durante o longo procedimento fiscal. O Impugnante só não comprovou documentalmente a origem das receitas quando tal prova lhe era impossível e, nesses casos, o Fisco não diligenciou no sentido de obter tais provas. 5) Atendendo a fiscalização, apresentou um grande volume de documentos, que demonstram que inocorreu a omissão alegada, inclusive com a comprovação, via notas fiscais, da origem devidamente comprovada. As operações junto a empresas de fomento, que nada de ilegal possuem, foram devidamente comprovadas por documentos fornecidos, inclusive pelas próprias empresas, de modo que tais receitas têm origens devidamente comprovadas. 6) O Fisco desconsiderou documentos apresentados como comprobatórios de despesas da atividade rural – tais como, por exemplo, os extratos fornecidos pela CEF que comprovam o Fl. 5479DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.476 9 pagamento do FGTS dos empregados e as constas de serviços de comunicação, que são despesas necessárias à atividade, pois correspondem ao serviço de rastreamento de caminhões que transportam os produtos rurais. 7) Faltou, no proceder do Fisco, a comprovação não só dos próprios indícios, mas também do nexo de casualidade entre os indícios e os fatos por ele presumidos, que teriam dado origem ao suposto débito tributário. Todo trabalho fiscal está baseado em presunção simples. 8) Trazendo a previsão legal de hipótese de incidência do Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza apresentada no art. 43 do CTN, para o caso dos autos, fica evidente a ausência de qualquer fundamento em caracterizar como omissão de receitas por parte do impugnante. 9) É necessário considerar o quanto dispõe a teoria da Carga Dinâmica da Prova (ou Distribuição Dinâmica dos Ônus Probatórios), esmiuçada por Antônio Janyr Dall’Agnol Junior, na qual caberia ao Fisco buscar os documentos necessários, a fim de verificar as informações prestadas pelo Impugnante, pois tem em mãos melhores condições e ferramentas para a realização da prova. 10) Meras alegações, ou mesmo a vontade pessoal da autoridade tributária não servem para desconstituir a prova documental apresentada pelo Impugnante, lançando alegado crédito sem qualquer lastro, baseado somente em presunções simples que não substituem as provas. 11) O impugnante não apresentou meras alegações, apresentou documentos que comprovaram tais alegações, mas que foram, injustificadamente, ignoradas pelo Fisco, em prol de uma tributação sem fundamento fático e legal. 12) Deve ser afastada a pretensão fiscal de descaracterizar os documentos apresentados pelo Impugnante como capazes de comprovar a origem das receitas e das despesas de custeio. 13) Foi a ocorrência, no entendimento do Fisco, de simulação e fraude com intuito de sonegação (inciso VII do art. 149 do CTN) que levaram o Fisco a revisar de ofício o lançamento do IRPF do Impugnante. Não há em todo o processo administrativo qualquer prova de que o Impugnante tenha agido de forma espúria, simulando fatos com intuito de fraudar. 14) Do caráter confiscatório da multa aplicada conforme o moderno entendimento que se desenha no Supremo Tribunal Federal e a interpretação mais benéfica ao contribuinte: O impugnante não cometeu qualquer ato afrontoso à legislação tributária e não está sujeito a qualquer sanção. Entretanto, além de Fl. 5480DF CARF MF 10 impor ao impugnante tributação indevida, ainda o fez impondo concomitantemente, multas de 75% e 150%. 15) Se houvesse ilícito a punir, haveria de ser respeitado, pelo menos, um mínimo de proporcionalidade entre o montante do fato e da multa. Verificase a aplicação de multa em percentual elevadíssimo e desproporcional, sabendo que há previsão no ordenamento jurídico de multa no patamar de 20%. O art. 112 do CTN apresenta de forma expressa o princípio do in dúbio contra fiscum, ou, em outras palavras, determina a utilização de uma interpretação mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida no julgamento. Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal recentemente decidiu que a sanção no percentual de 25% já tem característica de confisco." É o relatório. Fl. 5481DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.477 11 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. Admissibilidade Cientificando da decisão da DRJ em 27/06/14 (Fl 5431), o Recorrente interpôs tempestivamente seu Recurso Voluntário em 24/07/14 (Fl. 5433), estando presentes as demais condições de admissibilidade entendemos que o recurso merece ser conhecido. 2. PRELIMINAR DE NULIDADE O Recorrente alega nulidade do lançamento alegando que o mesmo é decorrência de presunção, não tendo o fisco comprovado que tais operações seriam rendimentos omitidos. A nulidade, no âmbito do processo administrativo fiscal está regida pelo Art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Medida Provisória nº 367, de 1993)" Como é possível perceber, a nulidade alegada não encontra acolhimento claro na legislação de referência, não sendo tal alegação um caso de nulificação do auto de modo preliminar. De tal feita, votamos pelo não acolhimento da preliminar. Fl. 5482DF CARF MF 12 3. MÉRITO 3.1. QUANTO A ALEGAÇÃO DE INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO OU COMPOSIÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CALCULO E DE IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE LANÇAMENTO COM BASE EM INDÍCIOS, POR AFRONTAR O ART. 149 DO CTN. O recorrente resiste a perfectibilização dos seguintes lançamentos: 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS 0002 OMISSÃO DE RESULTADO TRIBUTÁVEL DA ATIVIDADE RURAL 003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Ocorre que a metodologia de apuração adotada é aquela de trata o Art. 42 da Lei 9.430/96. Nesse sentido, o Recorrente alega ter comprovado com documentação hábil e idônea as operações tomadas como base para os lançamentos combatidos, sendo indevida a desconsideração de provas juntadas, a transferência do ônus da prova e a presunção adotada pelo fisco. Do ponto de vista da legalidade do regime de apuração em questão nos posicionamos pela legalidade do mesmo. No que tange a prova de omissão de rendimentos tributáveis a Lei 9.430/96 Art. 421, atribuí ao contribuinte o ônus de demonstrar, mediante documentação hábil, idônea e 1 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 5483DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.478 13 de forma individualizada, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento registrada em seu nome e mantida em instituição financeira. Após o contribuinte ser intimado à comprovar à origem das operações, a conseqüência normativa da não demonstração de tal origem é a presunção juris tantum de que tais recursos representam receitas ou rendimentos omitidos pelo mesmo, devendo ser oferecidos à tributação. Conforme dispositivo citado, tal comprovação deve ser realizada por meio de documentos hábeis e idôneos, de modo detalhado e individualizado, permitindo a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. A caracterização de disponibilidade de renda, nestes casos, reside na conjunção da verificação de existência de depósitos em conta corrente ou de investimento2, notificação ao contribuinte para prestar esclarecimentos, contendo individualização dos depósitos a serem comprovados e ausência de comprovação com documentação hábil e idônea. Uma vez presente tais elementos, será estabelecida a presunção de renda, ficando o fisco dispensado de comprovar o consumo da renda, conforme Súmula CARF nº 26: "Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada." Quanto a legalidade do procedimento previsto no Art. 42 da Lei nº 9.430/96 o STJ tem se manifestado quanto a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242) e se posicionado no sentido da licitude do citado dispositivo: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). 2 O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 61. Fl. 5484DF CARF MF 14 [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015)" Quanto ao argumento de que tal expediente fere o disposto no Art. 149 do Código Tributário Nacional, entendemos que este dispositivos justifica o procedimento adotado pela autoridade fiscal e não o contrário. Senão, vejamos o que dispõe o citado normativo: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; (...) Como se percebe o dispositivo prevê uma série situações jurídicas aptas a permitir a realização ou revisão de lançamento mesmo quando o contribuinte já tenha prestado declaração. No caso em análise, a revisão é pressuposto do lançamento, pois, tratase lançamento por homologação e, conforme Art. 150 do mesmo normativo oposto pelo Recorrente, sujeito a revisão de oficio. "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa." Portanto, não há que se falar em qualquer afronta a lei capaz de macular o lançamento combatido. Em sede de recurso o Recorrente não tratou de indicações de fato e detalhamentos individualizados das operações, entretanto, alegou ter comprovado a origem das operações. Fl. 5485DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.479 15 Desta feita, afastados os argumentos meramente jurídicos, cabe a analisar a questão do ponto de vista fático verificando se os documentos acostados aos autos seriam hábeis e idôneos para comprovar as operações em questão. Analisaremos os documentos em função das respectivas autuações a que deram causa. 3.2. 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Para efetuar parte dos lançamentos, a autoridade fiscal, considerou as transferências bancárias efetuadas da conta corrente 38.9102, junto ao Banco Bradesco S.A, em nome da empresa Monte Castelo Participações Empresariais Ltda e diversos descontos de cheques da citada empresa. Conforme planilhas de fls. 5058/5060, foram efetuadas em beneficio do contribuinte, nas contascorrentes nº 13.5674, agência 04863, do Banco do Brasil, conta 39.9132, agência 1775, do Banco Bradesco S/A, e conta corrente 6.7359897, agência 0095, Banco Real S/A. O Recorrente alega que tais movimentações referemse a descontos de cheques que tomava “emprestado” da empresa Monte Castelo Participações Ltda – CNPJ 08.626.843/000100, da qual era sócio na época, o mesmo ocorrendo com cheques da nora (Marinei) e um sócio antigo (Ari Bueno). Revisamos os documentos relativos as essas operações e apuramos que os Livros Diário e Razão (fls 3586 a 4009) da empresa Monte Castelo Participações Empresariais Ltda, e confirmamos que, nos exercícios 2008 e 2009, não constam registros dos citados empréstimos. Também não constam registros de tais empréstimos em seu LivroCaixa de Produtor Rural (3401 a 33.585). Não foram juntados contratos de empréstimos, suas declarações de imposto de renda Pessoa Física não registram tais dividas, tão pouco foram apresentados outros documentos hábeis e idôneos capazes de firmar a veracidade das alegações do Recorrente quanto a natureza de empréstimo atribuída a tais operações. Quanto as transferências bancárias, o Recorrente alegou (fls 2245, item 6º) que: “Existiam transferências entre a conta da pessoa jurídica Monte Castelo Participações e a conta do SR. Vasco. Estas eram efetuadas após o depósito de cheques do Sr. Vasco na conta da empresa, unicamente com o intuito de gerar caixa” e mais uma vez a contabilidade não da suporte a alegação. Quanto a alegação de que a empresa citada, da qual era administrador, realizava operações de descontos de títulos e no mesmo dia ou dia seguinte os transferia para a conta do Recorrente, não identificamos registros contábeis de tal ressarcimento ou mesmo de créditos lançados contra o Recorrente, o que seriam um indicativo de que haveria a intenção de ressarcimento dos créditos. Portanto, também não é possível considerar tais alegações válidas. Diante de tais elementos, não são os documentos acostados, hábeis e idôneos ao suporte das alegações do Recorrente, razão pela qual votamos no sentido de manter a Fl. 5486DF CARF MF 16 integralidade do lançamento decorrente de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas. 3.3. 0002 OMISSÃO DE RESULTADO TRIBUTÁVEL DA ATIVIDADE RURAL No que se refere às operações decorrentes de Atividade Rural tidas por omitidas, revisamos toda a documentação referente e, de fato, não foi possível identificar em suas declarações de livrocaixa as notas fiscais de fls 5194 a 5199, o que altera a composição de sua renda decorrente da atividade rural. Quanto as operações glosadas, de fato existem operações que não seriam típicas da Atividade Rural. Citamos, apenas como exemplo, a Nota Fiscal de Fls 5094 referente a bens de uso doméstico como colher de arroz e saladeira. Revisitado os documentos que deram base a este lançamento, verificamos serem procedentes a indicação de existência de lançamentos duplicados, a maior, notas diversas do declarado e despesas não dedutíveis como juros de descontos de cheques, IOF e valores de consórcios não contemplados. Apenas para exemplificar tomemos as parcelas de consórcio e lances registrados como despesas dedutíveis no livrocaixa. Verificase que, apesar de existir na folha nº 4427 nota fiscal de veículo compatível com o descrito na ficha de consórcio juntada nas folhas 4424 a 4426, a data da respectiva nota está ilegível e não existe comprovação de que o mesmo tenha utilização na atividade rural, portanto, não sendo possível considerar tais documentos como hábeis e idôneos a comprovação da operação glosada. O registro de tal operação como despesa somente poderia acontecer nos termos do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/1999, art. 62, §§ 5º e 6º, ou seja, somente após o recebimento do bem e desde que o uso do veiculo seja dedicado a atividade rural. Enquanto não contemplado, os pagamentos devem ser registrados na ficha de Bens da Atividade Rural, não servindo a composição de resultados. Diante do exposto, votamos por rejeitar os argumentos autorais e manter a integralidade do lançamento neste ponto. 003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O Recorrente foi intimado a comprovar a origem de créditos/depósitos efetuados em suas contascorrentes ou de investimento nos anoscalendário de 2008 e 2009, sendo o único titular de tais contas. O mesmo alegou que tais operações tem origem na venda produtos rurais, tendo o agente fiscal realizados diligências e comprovado parte das alegações, restando ainda outras operações sem comprovação, conforme folhas 5037 a 5056. Entretanto, apesar das alegações de que as operações descritas na tabela existente na folha 5057 estarem comprovadas por notas fiscais, não foi possível traçar um paralelo entre tais notas e os depósitos, não havendo identidade datas e valores, razão pela qual não será possível acolher tais alegações. 004 CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Fl. 5487DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.480 17 O recorrente, por fim, disserta quanto ao caráter confiscatório da Multa aplicada, alegando que não estaria em consonância com a moderna jurisprudência do STJ, entendendo que o percentual adequado seria de 25% com base em entendimento jurisprudencial quanto aos limites confiscatório. A invocação de princípios como a proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco conduzem a questão a uma análise de natureza constitucional, portanto, fora dos limites de competência deste colegiado conforme Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, à exceção do disposto em seu § 6º, vedou expressamente aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se enquadrando o caso em exame em nas hipóteses excepcionadas, aplicase a Súmula CARF nº 2: "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Ante ao exposto, votamos no sentido de não acolher este argumento Conclusão Ante o exposto, VOTO por rejeitar as preliminares e no Mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 5488DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720202/2015-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.018
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter em diligência para que a unidade local vincule este processo ao de nº 19311.720203/2015-25, de modo que ambos sejam encaminhados à Primeira Seção, competente para o julgamento dos mesmos nos termos § 4º do artigo 6º do RICARF.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Relatório
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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(Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Autos de Infração para cobrança de valores devidos a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), bem como juros de mora e multa de ofício. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do relatório do acórdão recorrido in verbis: (...) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .7 20 20 2/ 20 15 -8 1 Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 334 2 2. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, parte integrante do Auto de Infração em foco, a autoridade fiscal descreveu a infração praticada segundo abaixo: 2.1 O Termo de Verificação Fiscal (fls. 11971226) detalhou e contexto da ação fiscal em análise: Do lançamento do IPI 2.1.1. O procedimento fiscal foi instaurado para apurar a regularidade fiscal relativa ao IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IPI, nos anoscalendários 2011 e 2012. 2.1.2. De acordo com o contrato social, a pessoa jurídica autuada tem como objeto a fabricação de equipamentos industriais e industrialização par a terceiros. O quadro societário é formado pelos Srs. José Ailton Macedo Dias e Paulo Ricardo Torres, os quais detêm, respectivamente, 99% e 1% das cotas. 2.1.3. No que atine ao IPI, foi constatado que a escrituração contábil apresentava valores compatíveis com os valores escriturados nos Livros Fiscais de Registro de Saídas e Livro de Apuração do IPI, apresentados pelo sujeito passivo. A partir de tais informações foi elaborado para o período autuado demonstrativo detalhando as vendas de produtos e de serviços e o total mensal. 2.1.4. Confrontando os dados do Livro de Apuração do IPI, referente aos anos calendários 2011 e 2012, com as informações prestadas na DCTF (Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais), a Fiscalização constatou que apesar de escriturar e apurar o IPI, o sujeito passivo deixou de declarar e recolher o referido tributo, situação que deu motivo ao lançamento de ofício. (...) Da responsabilidade solidária 2.1.5. A autoridade autuante vinculou, como responsáveis solidários pelo crédito tributário, o sócio e representante legal Sr. José Ailton Macedo Dias e as pessoas jurídicas Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda), nos termos do artigo 124, inciso I combinado com o artigo 135, inciso III da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), pelas seguintes justificativas: (i) A REMEC teria deixado de declarar e recolher tributos, nos anos calendários 20112012, de forma contínua e reiterada, como por exemplo, em relação ao IPI, para o qual não houve declaração ou recolhimento para nenhum período de apuração. (ii) Intimado a apresentar extratos bancários, entre outros documentos, o sujeito passivo (REMEC) apresentou, inicialmente, apenas extratos referentes à movimentação bancária mantida no Banco Itaú S/A, sendo Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 335 3 que os valores movimentados em tal conta corrente estariam compatíveis com o faturamento da empresa. (iii) Após diversas outras intimações para apresentar os extratos bancários das demais contas correntes, o sujeito passivo apresentou extratos referentes à contacorrente mantida junto ao Banco Bradesco S/A, a qual não estava registrada na sua contabilidade. (iv) Diligências Fiscais realizadas junto aos Cartórios de Registro de Documentos em Jundiaí SP confirmaram a existência de procurações outorgando poderes para que terceiros pudessem movimentar contas bancárias da REMEC, conforme trechos transcritos a seguir: “Procuração lavrada em 14/01/2010 no Cartório do 1º Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Títulos de Várzea Paulista SP, registrada sob o protocolo n° 00013005, Livro 0402, Folha 030, constando como OUTORGANTE o Sujeito Passivo, representado pelo sócioproprietário Sr. José Ailton Macedo Dias CPF 675.064.29853 e como OUTORGADOS as pessoas jurídicas Máximum Fomento Mercantil Ltda CNPJ 07.045.654/000180 e Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda CNPJ 07.721.591/000135, nos seguintes termos: ... a quem confere os mais amplos, gerais e ilimitados poderes para o fim especial de, em conjunto ou isoladamente, representála perante o Banco Bradesco S/A, [...]. Procuração lavrada em 22/12/2010 no Cartório do 1º Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Títulos de Várzea Paulista SP, registrada sob o protocolo n° 00013748, Livro 0412, Folha 018), constando como OUTORGANTE o Sujeito Passivo, representado pelo sócioproprietário Sr. José Ailton Macedo Dias CPF 675.064.298 53, nomeando e constituindo como Procuradores: Grupo A: Maximum Fomento Mercantil Ltda CNPJ 07.045.654/000180; Agamenone Callegari Júnior CPF 127.546.35840; Hélio Nilson Pornoi CPF 667.498.91853; Marcos Roberto Giacomelli CPF 085.504.72832 e Marco Aurélio Zago CPF 047.247.49873. Grupo B: Aparecido Antônio de Lima CPF 774.477.78834; Zilda de Souza Gaspar CPF 061.402.34832. Pelo presente instrumento a OUTORGANTE nomeia e constitui os OUTORGADOS, como seus bastantes procuradores, com poderes para, sempre em conjunto de 02 (dois), sendo obrigatoriamente um procurador do Grupo A, juntamente com um procurador do Grupo B, epresentála perante todas as instituições financeiras,[...].” (destaques incluídos)." (v) Instada a esclarecer a falta de escrituração contábil da conta corrente mantida no Bradesco, a comprovar a origem dos valores movimentados e o vínculo existente com a Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e a Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda), a REMEC informou que: (a) Firmou, inicialmente, acordo para realização de serviços de factoring (desconto de título de sua emissão) com a pessoa jurídica SILVERADO, a qual, posteriormente, passou a fazer parte da sua gestão financeira. (b) Não tinha acesso à conta corrente mantida no Banco Bradesco S/A, que não tinha conhecimento a que se referia tal movimentação e que desconhecia onde eram aplicados os volumosos recursos movimentados. (c) O objetivo inicial da conta corrente no Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 336 4 Banco Bradesco S/A era para que a empresa de factoring utilizasse esta conta para receber o pagamento dos títulos descontados pela REMEC. (vi) A análise dos extratos bancários constata que os históricos dos lançamentos de créditos e débitos efetivamente não são usuais para uma empresa industrial e comercial, que é o caso da REMEC. Aparentemente são lançamentos referentes a fundos de investimento. Além disso, também seriam atípicos os valores individuais dos lançamentos, haja vista que as escriturações contábil e fiscal da REMEC demonstram que as operações comerciais individuais desta empresa são em montante muito inferiores que os representados pelos mencionados lançamentos. (vii) Com base nestas informações, a autoridade fiscal concluiu que: (a) Os recursos movimentados no Banco Bradesco S/A pertenceriam, efetivamente, às empresas Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda). A REMEC figuraria como interposta pessoa. (b) Existe uma confusão patrimonial, na qual duas empresas, Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda) mantiveram volumosos recursos em conta corrente bancária de uma terceira empresa, no caso a REMEC. (c) As empresas Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda) tinham interesse comum nas operações e funcionamento da empresa Remec Equipamentos Industriais, pois, caso contrário não movimentariam volumosos recursos em sua conta corrente bancária. 2.1.6. Ao constatar que o crédito tributário consolidado de responsabilidade do sujeito passivo ultrapassou 30% do patrimônio declarado e é superior a R$ 2.000.000,00, a autoridade fiscal procedeu ao Arrolamento de Bens e Direitos no patrimônio do sujeito passivo e dos responsáveis solidários. 3. Do lançamento, a autuada tomou ciência em 20/10/2015, data em que também foram cientificados o sócio José Ailton Macedo Dias e as pessoas jurídicas Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda). Da impugnação da REMEC e do sócio José Ailton Macedo Dias 4. A pessoa jurídica REMEC apresentou a sua impugnação em 18/11/2015, conjuntamente com o sócio Sr. José Ailton Macedo Dias (instrumentos de mandado às fls. 13261353), alegando em apertada síntese: Da alegação de ilegitimidade do sócio José Ailton Macedo Dias 4.1. Em sede preliminar, suscitou ilegitimidade de figurar como responsável solidário da exigência tributária, visto que não teria dado causa à infração. Asseverou que a responsabilidade prevista no art. Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 337 5 135, inc. III, do CTN, impõe comprovação da prática de atos infracionais, recaindo no Fisco o ônus da prova, o que não restou atendido no caso em apreço. 4.2. Sustentou que o lançamento se baseou no suposto não recolhimento de IPI e quanto a tal situação, a Súmula 430 do STJ é cristalina em dispor que: "O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente." 4.3. Indagou qual teria sido a prática de excesso de poder tomada pelo sócio proprietário e não explicitada pelo Fisco? 4.4. Alegou ter agido de boafé, vez que outorgou poderes a terceiros para movimentarem sua conta corrente visando, unicamente, ao pagamento dos títulos descontados, e não para movimentar vultosas somas de dinheiro, movimentações estas referentes a lançamentos de fundos de investimentos, o que teria colocado ambos impugnantes (REMEC e JOSÉ AILTON) à mercê das diretrizes e desmandos das empresas SILVERADO e ITAIPU, fato que adveio dos Instrumentos de Confissão de Dívida que mantinham a REMEC sob o poder da gestão financeira das mencionadas pessoas jurídicas, as quais devem ser responsabilizadas pela satisfação do débito fiscal exigido. Do arrolamento de bens 4.6. Requereu o cancelamento do arrolamento de bens, pois o mesmo se ampara na Lei nº 9.532, de 1997, que é inconstitucional, tanto do ponto de vista formal, quanto do material, vez que tal procedimento fere as garantias fundamentais do devido processo legal, da ampla defesa e do direito de propriedade. Da interposição da REMEC 4.7. Disse que, em 2009, ao firmar acordo comercial de factoring com as empresas SILVERADO e ITAIPU, para possibilitar a manutenção de seu capital de giro, teria havido a exigência da abertura da contacorrente no Banco Bradesco, para o desconto de seus títulos. Contudo, neste mesmo ano, observando a dificuldade financeira enfrentada pela REMEC, as citadas pessoas jurídicas obrigaram o sócio José Ailton firmar Instrumento Particular de Confissão de Dívida e Constituição de Penhor Industrial e Veicular para a liberação dos valores relativos ao desconto de títulos. Posteriormente, já em 2010, as empresas SILVERADO e ITAIPU teriam condicionado a liberação de recursos proveniente das operações de factoring à outorga de plenos poderes para a movimentação da conta do Banco Bradesco. 4.8. Asseverou que, com a manutenção do quadro de prejuízos e dívidas, paulatinamente as pessoas jurídicas SILVERADO e ITAIPU passaram a praticar atos de gestão na REMEC, situação que teria tomado proporções gigantescas, até o ponto do sócio proprietário José Ailton ser proibido de praticar diversos atos de gestão, sem autorização daquelas empresas, tais como: compra de insumos e matériaprima, pagamento dos salários dos empregados, exercer a gerência e administração financeira de suas entradas e respectivas destinações de valores, efetuar o pagamento de encargos sociais e fiscais. Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 338 6 4.9. Sustentou que as empresas SILVERADO e ITAIPU devem ser responsabilizadas das exigências tributárias, uma vez que agiram de máfé execrando princípios fundamentais do direito, utilizandose de poderes mandatários públicos, para praticarem toda sorte de procedimentos financeiros e administrativos contra a empresa REMEC. 4.10. Justificou que nesses casos de fraude, em que a pessoa jurídica funciona apenas como escudo de proteção para ocultar o verdadeiro realizador do fato imponível, a solução é direcionar o lançamento contra o administrador oculto que também é sujeito passivo. Nestes termos, requereu o arrolamento de bens em nome dos administradores das empresas SILVERADO e ITAIPU. 4.11. Disse que é imprescindível, também, que ocorra o exaurimento da via administrativa contra as empresas beneficiárias da fraude, devendo estas serem mantidas no procedimento administrativo fiscal sob pena de se alegar, posteriormente, que jamais integraram a relação jurídico tributária, não figurando como devedor de qualquer tributo. Daí porque imprescindível a sua manutenção na autuação. Da exigência do IPI 4.12. Acerca da exigência do IPI lançada, alegou equívoco na definição dos sujeitos passivos, visto que dentro do fato gerador compreendido entre 30/01/2011 a 31/12/2012, as empresas SILVERADO e ITAIPU eram as mandatárias legais das movimentações bancárias realizadas na agência 3.3952, contacorrente 17.1786, do Banco Bradesco, onde aplicavam, sem a autorização expressa da REMEC volumosos recursos em Fundos de Investimento. 4.13. Justificou que, por agirem com excesso de poderes, tais empresas arredaram a administração e o gerenciamento da REMEC, tendo apresentado farta documentação probatória (confissões de Dividas, cópia do Inquérito Policial, emails que demonstram as reportadas ingerências). Da defesa da Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda) 5. As pessoas jurídicas Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda) apresentaram, conjuntamente, impugnação em 19/11/2015 (instrumentos de mandado às fls. 15981624), alegando em apertada síntese: 5.1. Argüiu a nulidade do procedimento fiscal, haja vista que o Fisco não teria intimado previamente as defendentes para prestar esclarecimentos, em observância aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. 5.2. Justificou que nunca tiveram nenhum interesse na REMEC; nunca administraram nenhum bem ou interesse da REMEC; nunca praticaram um ato sequer (um mínimo ato que fosse) de ingerência na REMEC. Carece de sustentação atribuir às peticionárias a responsabilidade por dívidas tributárias da REMEC, pois a outorga de Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 339 7 uma única procuração, visando a movimentação de uma única conta bancária, não é e não pode ser suficiente para tanto. 5.3. Disse que a impugnante ITAIPU realizou operações de fomento mercantil, contudo, desde 2010, limitase à cobrança de créditos, seja decorrentes de operações de fomento antigas, seja de créditos não liquidados e comprados para cobrança. A impugnante SILVERADO é prestadora de serviço de consultoria a fundos de investimento. 5.4. Asseverou que a empresa ITAIPU, assim como o fundo assessorado pela impugnante SILVERADO, compraram créditos vendidos pela REMEC, exercendo assim seu objeto social. Descobriram, depois, que ambas haviam sido enganadas porque a REMEC teria inventado “pedidos de compra” que nunca foram feitos para, então, “criar” créditos que nunca existiram para depois vendê los a ambas impugnantes. 5.5. Aduziu que, para viabilizar o recebimento dos créditos, foi estipulado como condição negocial, que as impugnantes pudessem movimentar conta bancária em nome da REMEC, procedimento comum no mercado, denominado “Trava Bancária”. 5.6. Argumentou que a movimentação identificada na conta corrente em valor superior ao contabilizado pela REMEC devese ao fato de que a não liquidação dos créditos por terceiros devedores (na maioria das vezes porque os créditos não existiam, eram inventados fraudulentamente pela REMEC) fazia com que a própria REMEC os substituíssem mediante venda de novos créditos. 5.7. Além disso, informou que o dinheiro por vezes era retirado da conta ao final do expediente bancário e depois devolvido. E isso era feito por duas razões: (i) receio de que o dinheiro fosse bloqueado em razão de dívida da REMEC (dinheiro que obviamente não era de propriedade dela) e (ii) receio de que o próprio representante legal da REMEC comparecesse ao Banco Bradesco e revogasse as procurações para movimentar a conta e efetuasse saque de um dinheiro que não era (nem nunca foi) seu. 5.8. Mencionou que, num determinado momento, parou de comprar créditos novos e exigiu que a dívida da REMEC fosse consolidada. A REMEC, então, assinou confissões de dívida, reconhecendo tudo aquilo que devia, as quais estão sendo executados judicialmente. 5.9. Argumentou que não há o menor fundamento na aplicação do artigo 135, inc. III, do CTN, tendo em vista que ambas impugnantes não são administradoras, não são sócias, não são diretoras, gerentes ou representantes da REMEC. 5.10. Negou a prática de atos de gestão na REMEC, além de afirmar ser insustentável a conclusão de confusão patrimonial e a interposição fraudulenta, pois não há a menor ligação com a REMEC (senão de procuração específica para a única e exclusiva finalidade de movimentação de conta, e de crédito, já explicadas). 5.11. Sustentou que a autoridade fiscal considerou que as impugnantes seriam sócias de fato da REMEC, por um dia terem recebido uma Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 340 8 procuração para movimentação de uma conta bancária originalmente pertencente a esta empresa e que, por este único e exclusivo motivo, seriam responsáveis solidárias pelas obrigações desta empresa. 5.12. Comentou que a lei pode atribuir a terceiro que não praticou o fato gerador a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação do contribuinte, nos termos do art. 124, parágrafo único, inc. II, do CTN. Entretanto, o terceiro responsável deve guardar algum tipo de vínculo com o mesmo fato, ou seja, deve ter um interesse comum. Neste sentido, indaga qual vínculo as impugnantes possuem com a industrialização dos produtos da REMEC? 5.13. Apontou que na linha de raciocínio adotada pela autoridade fiscal, o interesse das peticionárias nos débitos tributários da REMEC pareceria residir na existência de sociedade de fato entre estas duas empresas. Afirmou, porém, que tal sociedade jamais poderia se configurar pelo simples fato da outorga da procuração pela REMEC às impugnantes. 5.15. Destacou que a aplicação do inc. III do art. 135 do CTN, também utilizado pela autoridade fiscal para a inclusão das impugnantes no pólo passivo da autuação, é condicionada aos seguintes pressupostos: (i) o agente da infração ser diretor, gerente ou representante de pessoas; e (ii) o inadimplemento da obrigação tributária decorrer de ato praticado com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. E, no caso, defendeu que nunca foram diretoras, gerentes ou representantes da REMEC, além de ja mais terem praticado atos com excesso de poderes, pois a procuração nunca deu poderes para o exercício de qualquer outra atividade em nome da REMEC, limitandose a lhe autorizar a movimentar a referida conta no Banco Bradesco. 5.16. No que atine à acusação de confusão patrimonial justifica que a movimentação de uma única conta bancária da REMEC se dá porque adquiriram créditos desta empresa. Alega que não participaram, nem tiveram acesso a qualquer outra informação sobre a vida administrativa, financeira ou gerencial desta empresa. 5.17. Relativamente à interposição fraudulenta, disse que embora não exista um conceito unívoco acerca deste instituto na legislação brasileira, este definese sempre, em cada caso concreto, em virtude da comprovação acerca da existência de operação destinada a simular determinada operação ou situação com a finalidade dissimular a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Afirmou, entretanto, que em nenhum momento se falou de dissimulação do fato gerador, ou mesmo de simulação de determinada situação com a finalidade de redução da carga tributária e, isto, nem mesmo no decorrer do trabalho fiscal que culminou na autuação. (grifei) A DRJ de Porto Alegre julgou a impugnação apresentada pelo Contribuinte em 26/04/2016, concluindo pela parcial improcedência da autuação fiscal, como se depreende da ementa abaixo colacionada: Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 341 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 Ementa: INFRAÇÃO À LEI. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA DO REPRESENTANTE. CABIMENTO. A não declaração e falta de pagamento do tributo, de forma reiterada e contínua, caracteriza infração à lei, impondo a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica, na forma do inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional. FALTA DE INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DESCABIMENTO. A solidariedade prevista no inc. I do art. 124 do CTN pressupõe que todos os devedores tenham um interesse jurídico focado na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Deve ser afastada a solidariedade tributária quando os fatos atribuídos a pessoa imputada não tem capacidade de gerar a exigência dotributo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 Ementa: ARROLAMENTO DE BENS. QUESTIONAMENTO. INCOMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para analisar questionamentos a respeito de arrolamento de bens. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÕES PRÉVIAS. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. A ausência de intimações na fase preparatória do lançamento não invalida a ação fiscal, pois somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o Fisco e o contribuinte, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Recife (PE),, em síntese: (a) em relação aos impugnantes REMEC e do sócio José Ailton Macedo Dias: (a.1) não tomar conhecimento das alegações relacionadas com o arrolamento de bens. (a.2) manter a responsabilidade solidária do sócio José Ailton Macedo Dias, em razão de infração à lei, pela prática reiterada e contínua de não declaração e falta de pagamento de tributo (inc. III do art. 135 do CTN). (a.3) considerar não impugnado o mérito da exigência. (b) em relação aos impugnantes Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda): Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 342 10 (b.1) não acatar a preliminar de cerceamento do direito de defesa (b.2) julgar procedente o afastamento da responsabilidade solidária Cientificados do resultado do julgamento em 17/06/2016 (conforme AR de fls 2005), na data de 14/07/2016 foi interposto recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”) conjuntamente pela empresa Recorrente (REMEC) e pelo sócio José Ailton Macedo Dias. As razões expostas na peça dirigida a este Conselho são essencialmente as mesmas daquelas apresentadas na impugnação, com relação (i) inconstitucionalidade do arrolamento de bens; (ii) a ilegitimidade passiva ad causam do sócio José Ailton Macedo Dias; (iii) da responsabilidade solidária das empresas Itaipu e Silverado pelo crédito tributário. Porém, não consta mais da defesa das Recorrentes a contestação do mérito da exigência fiscal (IPI). Ademais, com relação ao item (ii) mencionado no parágrafo precedente, os Recorrentes chamam a atenção para a declaração de voto apresentada pelo julgador Emanuel Carlos Dantas de Assis no Acórdão recorrido, a qual deixou consignado que: "se o inadimplemento e a omissão, na DCTF, de determinado tributo à administração tributária constituíssem motivos suficientes para responsabilizar o sócio gerente, praticamente todos os autos de infração contra a pessoa jurídica também haveriam de responsabilizar a pessoa física. E como é cediço, assim não acontece, pois o comum é se atribuir a responsabilidade aos administradores apenas quando a infração é dolosa. Pelo exposto, voto por cancelar o lançamento também em relação à pessoa física José Ailton Macedo Dias, acompanhando o voto do Relator nas demais questões." Os Recorrentes também alegam trazer documentos aos autos. Afirmam que tais documentos constituiriam prova nova a respeito da atuação gerencial (financeira, fiscal e administrativa) que as empresas Taipu e Silverado efetivaram na REMEC, a qual acarretou na falta de recolhimento de tributo imputada pelo presente auto de infração. Tratarseia de notícia de jornal sobre as atividades fraudulentas de tais empresas, bem como depoimentos prestados junto ao Inquérito Policial n. 93/2015 instaurado na Delegacia de Polícia da Comarca de Várzea Paulista. Contudo, não foi possível localizar tais documentos nos presentes autos. É o relatório. Resolução Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O Recurso Voluntário é tempestivo, o patrono encontrase regularmente constituído nos autos, assim dele tomo conhecimento. Compulsando as informações trazidas aos autos especialmente o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls 1197 a 1226 , constato que a Autoridade Administrativa, levantando que haveria por parte da REMEC a falta de recolhimento de tributos federais, em 26 de novembro de 2013 lavrou dois autos de infração contra a Empresa, dando origem aos processos administrativos n. 19311.720203/201525 e 19311.720202/201581. No primeiro, promoveu a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, enquanto no segundo, ora em julgamento, lançou o IPI entendido como devido. Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 343 11 Tratase de processos reflexos, com base no que dispõe o artigo 6º, §1º, inciso III do Registro que o Regimento Interno do CARF (“RICARF”). Com efeito, o mandado de procedimento fiscal (08124.00.2014.004910) foi o mesmo, bem como os elementos de prova levantados pela fiscalização a respeito da omissão de receitas, falta de declarações à Receita Federal, bem como a ausência da respectiva tributação. Na realidade, o próprio Termo de Verificação Fiscal é um só, que foi aproveitado em ambos os autos de infração. Inclusive, para a cobrança de todos os tributos (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI) está imputada a conduta dolosa por parte do sócio José Ailton Macedo Dias) e das duas pessoas jurídicas relacionadas à REMEC (Itaipu e Silverado), culminando na sua responsabilização solidária pelo crédito tributário. Tal responsabilização, registro, é o que resta em julgamento no CARF, uma vez que a REMEC não apresentou defesa a respeito do mérito (cobrança de IPI). No que tange à competência para julgamento de processos reflexos, o RICARF sofreu reforma com o advento da Portaria n. 343, de 09 de junho de 2015, de modo que passou à 3ª Seção do Conselho a competência para julgamento dos processos que versam sobre o IPI, mesmo se reflexos de processos principais de competência da 1ª Seção, quando o lançamento tributário não constasse do mesmo processo fiscal que o lançamento do tributo principal (artigo 2º, inciso IV). 1 Contudo, a Portaria n. 152, de 3 de maio de 2016, novamente alterou o RICARF, trazendo a seguinte redação ao artigo 2º: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: .................................................................................................. IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; Pela leitura do texto do artigo 2º, inciso IV em vigor, constatase que o nosso Regimento Interno novamente prevê a competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF para a solução do caso da Recorrente, uma vez que se trata de processo sobre IPI, reflexo ao IRPJ. Tal norma tem por escopo evitar decisões conflitantes a respeito dos mesmos fatos ou pedidos, tratados em processos administrativos fiscais distintos. Por essa razão, é de suma importância a sua observância, sob pena de ferir um dos maiores objetivos deste Tribunal, uma vez que o Novo Código de Processo Civil (NCPC), cuja aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal agora é expressa (artigo 15),2 determina em seu artigo 926 que “os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente.” Ainda, ressalto que a distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF consiste em repartição jurisdicional em razão de matéria (competência 1 Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; 2 Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 344 12 absoluta), com vistas ao atendimento do interesse público. Como tal, não é passível de modificação, devendo ser conhecida de ofício eventual incompetência, como salientam os Professores Cândido Rangel Dinamarco, Ada Pellegrini Grinover e Antonio Carlos de Araújo Cintra: 3 Nos casos de competência determinada segundo o interesse público (competência de jurisdição, hierárquica, de juízo, interna), em princípio o sistema jurídicoprocessual não tolera modificações nos critérios estabelecidos, e muito menos em virtude da vontade das partes. Tratase aí de competência absoluta, isto é, competência que não pode jamais ser modificada. Iniciado o processo perante o juiz incompetente, este pronunciará a incompetência ainda que nada aleguem as partes (CPC, art 113; CPP art. 109), enviando os autos ao juiz competente (...) Por fim, cumpre registrar que a distribuição de competências efetuada pelo RICARF, via ato administrativo infralegal, deve ser observada da mesma forma que as normas cogentes de qualquer outra superior hierarquia legal (Constituição, leis em sentido estrito, etc), como adverte Cássio Scarpinella Bueno4 ao comentar o artigo 44 do NCPC. 5 Tendo em vista que o Processo Principal ainda não se encontra no CARF, é o caso de aplicação do §4º do artigo 6º do RICARF: § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. Desse modo, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora efetue a vinculação deste autos ao Processo Principal de n. 19311.720203/201525, para julgamento de ambos pela 1ª Seção do CARF, nos termos do artigo 6º, §4º do RICARF. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 3 Teoria Geral do Processo. São Paulo: Malheiros, 2007, 23ª ed, p. 257. 4 Novo Código de Processo Civil Anotado. São Paulo: Saraiva, 2016, 2ª ed, p. 88. 5 Art. 44. Obedecidos os limites estabelecidos pela Constituição Federal, a competência é determinada pelas normas previstas neste Código ou em legislação especial, pelas normas de organização judiciária e, ainda, no que couber, pelas constituições dos Estados. Fl. 2046DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.723934/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES NO ACÓRDÃO. DISPOSITIVO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Restando comprovadas as omissões no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, retificando a decisão levada a efeito por ocasião do primeiro julgamento em relação ao mérito da demanda.
In casu, deve-se fazer constar no dispositivo do Acórdão o resultado debatido, questionado e votado na oportunidade da Sessão.
Numero da decisão: 2401-004.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer dos embargos declaratórios, e acolhê-los, sem efeitos infringentes, para, sanando a omissão apontada, alterar a redação do dispositivo analítico do acórdão.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES NO ACÓRDÃO. DISPOSITIVO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovadas as omissões no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, retificando a decisão levada a efeito por ocasião do primeiro julgamento em relação ao mérito da demanda. In casu, devese fazer constar no dispositivo do Acórdão o resultado debatido, questionado e votado na oportunidade da Sessão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 39 34 /2 01 3- 15 Fl. 51176DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer dos embargos declaratórios, e acolhêlos, sem efeitos infringentes, para, sanando a omissão apontada, alterar a redação do dispositivo analítico do acórdão. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 51177DF CARF MF Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.807 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lançado Crédito Previdenciário correspondentes à parte da empresa, dos segurados e ao financiamento dos benefícios da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além da aplicação de multa por descumprimento de obrigações acessórias, em relação ao período de 01/2009 a 31/12/2009. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2ª Seção de Julgamento do CARF, contra decisão de primeira instância, a egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em 16/08/2016, achou por bem conhecer do Recurso de Ofício e NEGARLHE PROVIMENTO, e, conhecer o Recurso da contribuinte e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2401004.471, com sua ementa abaixo transcrita: " ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória do verba denominada Aviso Prévio Indenizado, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludida rubrica, impondo seja rechaçada a tributação imputada. SALÁRIO INDIRETO. BÔNUS ANUAL, AUXÍLIO EXCEPCIONAL E REEMBOLSO EDUCACIONAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Desincumbindose o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente as verbas intituladas Bônus Anual, Auxílio Excepcional e Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. Fl. 51178DF CARF MF 4 NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E DEMONSTRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 4o, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por arbitramento somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples constatação de pequenos equívocos na escrituração contábil ou mesmo mínimas divergências nos valores informados em GFIP e folhas de pagamento, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento, mormente quando a documentação ofertada pela autuada no decorrer do procedimento fiscal ou nos documentos de arrecadação seriam suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou motivos de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a improcedência da autuação. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Fl. 51179DF CARF MF Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.807 S2C4T1 Fl. 4 5 Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. CORESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA E DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A indicação dos sócios da empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP ou Relatório de Vínculos não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, referidos anexos têm natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subseqüente ao do vencimento. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte." O dispositivo do acórdão encimado, recebeu a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, exceto quanto ao questionamento sobre a incidência de juros sobre a multa, que restou vencida a conselheira Maria Cleci Coti Martins. Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade quanto ao levantamento "FP Folha de Pagamento não Declarada em GFIP", vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares. Quanto ao mérito do recurso voluntário: (i) por maioria de votos, dar provimento para excluir o levantamento relativo ao aviso prévio indenizado, vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini; (ii) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto aos juros de mora sobre a multa, vencidos o relator e os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira Barbosa; e (iii) por unanimidade de votos, negar provimento quanto às demais questões. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini." Fl. 51180DF CARF MF 6 No momento da formalização da minuta, depareime, quando da realização dessa incumbência, com a verificação da existência de omissão no dispositivo acerca de ponto sobre o qual a Turma se pronunciou, a saber, o resultado do Recurso de Ofício. Diante do exposto, proponho os presentes embargos, a fim de que o processo administrativo seja novamente pautado para saneamento da omissão por parte deste Colegiado, por ter o dispositivo do Acórdão nº 2402005.473 omitido ponto sobre o qual a Turma manifestou seu entendimento, conforme despacho, às efls 51.172/51.175, com o devido "de acordo" da Presidente desta Turma. É o relatório. Fl. 51181DF CARF MF Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.807 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Os embargos de declaração foram opostos por iniciativa deste membro do Colegiado, com fulcro no art. 65, § 1°, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. Como já devidamente lançado no Despacho que propôs os presentes Embargos, constatase que, de fato, deixou de constar no dispositivo do Acórdão e da Ata de Julgamento, qual teria sido o resultado quanto ao Recurso de Ofício. Para uma melhor explicitação, transcrevo a Ementa, o resultado analítico, a parte do relatório e o voto que trataram do Recurso de Ofício, senão vejamos: A Ementa assim dispôs: "[...] NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E DEMONSTRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 4o, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por arbitramento somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples constatação de pequenos equívocos na escrituração contábil ou mesmo mínimas divergências nos valores informados em GFIP e folhas de pagamento, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento, mormente quando a documentação ofertada pela autuada no decorrer do procedimento fiscal ou nos documentos de arrecadação seriam suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta.[...] O Resultado analítico elenca: "[...] Recurso de Ofício Negado Fl. 51182DF CARF MF 8 Recurso Voluntário Provido em Parte." Já o relatório é claro quanto a existência: "[...] Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal [...]". E por último, o voto enfrentou: "RECURSO DE OFÍCIO Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise da matéria posta nos autos. Após apresentação da impugnação da autuada, o lançamento fora julgado procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 04034.373/ 2013, às efls.1.551/1.589, da 4a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, acima ementado, razão pela qual a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício daquele decisum, com arrimo no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008. [...] Em vista do exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o decisum recorrido, nesse ponto, em sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas.[...]" De fato, consta do voto deste Relator o posicionamento quanto ao Recurso de Ofício. Tal aspecto da decisão, destaquese, foi objeto de debate, questionamentos e julgamento pelo Colegiado, não havendo sido, adicionado ao dispositivo lançado em Ata. Conforme se depreende dos trechos transcritos acima, resta claro que o Recurso de Ofício constava do voto deste Relator, sendo devidamente debatido, questionado e julgado por esta Colenda Turma. Para enterrar de vez qualquer dúvida acerca do julgamento do recurso em epígrafe, na mesma sessão em qual foi proferido o Decisão Guerreada, também foi proferido o Acórdão n° 10166.723933/201362, da mesma Contribuinte, mesmo período, mesmo fato gerador, e, naquela oportunidade constou no dispositivo e na ata o resultado do Recurso de Ofício, da seguinte forma: " Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício e, no mérito, por maioria, negar Fl. 51183DF CARF MF Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.807 S2C4T1 Fl. 6 9 provimento, vencidas as conselheiras Maria Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini.[...]" O dispositivo encimado, deve constar na demanda em questão, por terem sidas analisadas em conjunto, e, tendo sido proferido o mesmo resultado. Por todo o exposto VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS, para corrigir e acrescentar a parte dispositiva do acórdão, a seguinte transcrição: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício e, no mérito, por maioria, negar provimento, vencidas as conselheiras Maria Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 51184DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.000583/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não configura cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório o indeferimento de apresentação extemporânea de documentos, bem assim de realização de perícia ou de diligência em conformidade com o estabelecido nos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972 que tratam da matéria.
A comprovação da origem dos depósitos tidos por não identificados pela autoridade fiscalizadora é encargo do sujeito passivo, não se constituindo em cerceamento de defesa a negativa da autoridade autuante em substituir o contribuinte em tal incumbência.
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL.
Constatada a antecipação de pagamento, ainda que parcial, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial será definido de acordo com art. 150, § 4°, do CTN, e sua contagem se iniciará com a ocorrência do fato imponível. Decadência reconhecida em relação aos fatos geradores ocorrido no ano-calendário 2002.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. LANÇAMENTO PROCEDENTE
Os valores recebidos de pessoa jurídica a título de honorários advocatícios constituem-se em base de incidência do IRPF. § 4° do artigo 3° da Lei n.° 7.713/1988.
A denominação dada aos valores percebidos pelo contribuinte não tem o condão de elidir a incidência do imposto.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29.
No caso de lançamento de omissão de rendimentos apurada com base em depósitos de origem não comprovada, cumpre excluir do montante de créditos os que estão vinculados a contas-corrente conjuntas, quando não intimados todos os respectivos co-titulares, tendo em vista o disposto no enunciado da Súmula CARF nº 29: "Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento".
ART. 42, § 3º, II DA LEI Nº 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO-CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61.
Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61: "Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física".
Numero da decisão: 2402-005.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; não conhecer de razões aditivas apresentas após o recurso; reconhecer a decadência para os valores relativos ao ano-calendário de 2002 e, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial no sentido afastar do lançamento a apuração relativa aos depósitos bancários. Vencidos Mário Pereira de Pinho Filho (Relator) e Túlio Teotônio de Melo Pereira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira De Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório o indeferimento de apresentação extemporânea de documentos, bem assim de realização de perícia ou de diligência em conformidade com o estabelecido nos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972 que tratam da matéria. A comprovação da origem dos depósitos tidos por não identificados pela autoridade fiscalizadora é encargo do sujeito passivo, não se constituindo em cerceamento de defesa a negativa da autoridade autuante em substituir o contribuinte em tal incumbência. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. Constatada a antecipação de pagamento, ainda que parcial, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial será definido de acordo com art. 150, § 4°, do CTN, e sua contagem se iniciará com a ocorrência do fato imponível. Decadência reconhecida em relação aos fatos geradores ocorrido no anocalendário 2002. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. LANÇAMENTO PROCEDENTE Os valores recebidos de pessoa jurídica a título de honorários advocatícios constituemse em base de incidência do IRPF. § 4° do artigo 3° da Lei n.° 7.713/1988. A denominação dada aos valores percebidos pelo contribuinte não tem o condão de elidir a incidência do imposto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 05 83 /2 00 8- 87 Fl. 1098DF CARF MF 2 No caso de lançamento de omissão de rendimentos apurada com base em depósitos de origem não comprovada, cumpre excluir do montante de créditos os que estão vinculados a contascorrente conjuntas, quando não intimados todos os respectivos cotitulares, tendo em vista o disposto no enunciado da Súmula CARF nº 29: "Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento". ART. 42, § 3º, II DA LEI Nº 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61. Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61: "Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; não conhecer de razões aditivas apresentas após o recurso; reconhecer a decadência para os valores relativos ao ano calendário de 2002 e, no mérito, por maioria de votos, darlhe provimento parcial no sentido afastar do lançamento a apuração relativa aos depósitos bancários. Vencidos Mário Pereira de Pinho Filho (Relator) e Túlio Teotônio de Melo Pereira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira De Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1100DF CARF MF 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II – DRJ/SPII (fls. 859/887), que julgou improcedente impugnação apresentada em face de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, relativo ao anoscalendário 2002, 2003, 2004, 2005 / exercícios 2003, 2004, 2005 e 2006, o qual resultou na exigência de crédito tributário no valor de R$ 85.832,61, sendo R$ 41.514,54 de imposto; R$ 31.135,90 de multa proporcional e R$ 13.182,17 de juros de mora calculados até 31/10/2008. Consta do Auto de Infração (fls. 263/307) que o procedimento fiscal teve como escopo a apuração de omissão de rendimentos i) do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoa jurídica; ii) decorrentes de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte por meio de documentos hábeis e idôneos. Impugnação Por bem retratar as alegações trazidas pelo contribuinte na peça impugnatória, reproduzemse os trechos correspondente do Acórdão nº 1731.919, da 8ª Turma da DRJ/SPOII: Da Impugnação Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 165/195, cujo teor, em suma foi o seguinte: • Não obstante o dever de averiguar todos os meios de prova, o agente público negouse a proceder à análise dos documentos localizados no escritório profissional do lmpugnante, o que impediu o contribuinte de plenamente exercer sua defesa, através da juntada de provas de suas alegações, o que gera a nulidade do auto de infração; • O impugnante patrocinou os interesses de diversos empregados da antiga Companhia Brasileira de Tratores – CBT, que constituíram uma cooperativa com a finalidade de facilitar o recebimento de seus créditos. Assim, na condição de credor de alguns ex funcionários da CBT, passou à condição de cooperado, como forma de receber seu crédito, portanto, os valores por ele recebidos, advindo das quotas da cooperativa, possuem esta natureza e não a de honorários advocatícios, como asseverado pela autoridade autuante; • Operou se a decadência do direito do Fisco de proceder ao lançamento em relação aos valores recebidos em 2002 correspondentes à dação de pagamento aos serviços advocatícios prestados a alguns empregados da CBT, devendo ser excluída a multa de R$ 897,08; • No ano de 2005 foi autuado pela omissão de receita no importe de R$ 163.806,07. Conforme comprovam os documentos anexados na impugnação, 89% desse valor não constitui renda Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 4 5 do impugnante, o que demonstra excessos no arbitramento da autoridade fiscalizadora; • Houve a transferência de, ao menos, R$ 24.385,00, devendo tal valor ser excluído da tributação. Também houve entradas destinadas a pagamentos de acordos judiciais, que foram repassados a clientes, no valor aproximado de R$ 29.541,88, sem que tenham se constituído em renda ao impugnante; • Do total das entradas nas contas do impugnante, aproximadamente R$ 8.584,38 foram depositados por clientes para o pagamento de custas e despesas processuais destes; • Em 21/06/2005, houve um DOC no valor de R$ 920,12, que foi computado em duplicidade pelo banco, sendo que, ao invés de auferir R$ 1.840,22, auferiu apenas R$ 920,12; • Em 01/12/2005, houve a devolução de um cheque no importe de R$ 3.000,00, que fora depositado na conta n° 010020134, na agência 0708, do banco 151, que não chegou a constituir renda ao impugnante, devendo ser desconsiderado para fins de tributação; • O somatório dos valores acima, que constituem ingressos na conta do impugnante não chegaram a constituir renda auferida por este, resulta no valor de, no mínimo, R$ 66.431,38, que deve ser desconsiderado para fins de tributação; • Ademais, deve ser excluído da tributação o valor declarado pelo impugnante na Declaração de Imposto de Renda do exercício de 2005, no valor de R$ 44.680,00, devendo ser excluído da tributação, apesar da autoridade fiscalizante não tê lo feito; • Das entradas nas contas do impugnante, cerca de R$ 28.524,50 referemse a gastos que teve com o escritório de advocacia, que deverão ser excluídos da tributação, a teor do art. 75, III, do Regulamento do Imposto de Renda; • Com a dedução de todos os valores acima apontados temse que devem ser excluídos da tributação cerca de R$ 145.616,38, resultando sem comprovação o valor de R$ 18.189,69, que não geraram renda ao impugnante. Tal montante não pode ser considerado para fins de omissão de receita, uma vez que a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, § 3º, com a redação dada pela Lei n° 9.481/97, determina que não serão considerados para fins de receita omitida os créditos bancários, individualmente considerados, no importe igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório total não ultrapasse R$ 80.000,00 no exercício em análise. Nesse sentido transcreve decisões do Conselho de Contribuintes; • Em razão do principio da verdade material, requer a consideração dos recibos ora apresentados para a comprovação dos valores despendidos com a atividade profissional do impugnante, apesar de não possuir Livro Caixa. • Requer a juntada de novos documentos, oitiva ,de testemunhas, bem como produção de prova pericial e a concessão do prazo de Fl. 1102DF CARF MF 6 30 dias para a juntada de laudo definitivo, com valores exatos, no qual as alegações restarão amplamente demonstradas. As fls. 408/410, o impugnante requer ajuntada do laudo e da planilha, anexados As fls. 411/426, para efeito de exclusão da tributação e penalidade que lhe foram impostas. Acórdão da DRJ A DRJ/SPII, por seu turno, julgou a impugnação improcedente em razão dos entendimentos expostos a seguir: Preliminares a) nulidades: · todos os elementos essenciais do procedimento fiscal constam do auto, dos quais foi regularmente cientificado o contribuinte de modo a lhe permitir conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado; · não é dever da autoridade autuante produzir provas documentais de responsabilidade do contribuinte relativamente à omissão de rendimentos evidenciada por depósitos em conta bancária sem comprovação de origem, pois tratase de presunção legal em favor do fisco, que transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante comprovação da origem de todos os recursos depositados, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa; b) omissão de rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas: · ficou comprovado por meio de diligência realizada na pessoa jurídica Cooperativa dos ExFuncionários da CBT, M.P.L. Motores e Mário Pereira Lopes Empreendimentos (CNPJ: 01.396.542/000198) que os rendimentos pagos a Luiz Fernando Freitas Fauvel e outros são oriundos de honorários advocatícios e/ou peritagem, e em assim sendo, tributáveis; · acordo entre particulares que altere a sujeição passiva do imposto de renda e proventos de qualquer natureza não tem qualquer aplicação perante a Fazenda Pública; c) decadência: · sujeitamse às normas aplicáveis ao pagamento por homologação os créditos tributários já satisfeitos, ainda que parcialmente, por via do pagamento; · não havendo pagamento a ser homologado pela autoridade, o prazo decadencial passa a ser regido pelas disposições do art. 173 do Código Tributário Nacional; · pela regra do art. 173, I, do CTN, aplicável por se tratar de lançamento de oficio, o prazo decadencial somente começou a fluir a Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 5 7 partir de 01/01/2004, extinguidose o direito de a Fazenda Pública realizar o lançamento em 31/12/2008, não tendo se operado a decadência em relação ao tributo apurado; Mérito d) depósitos bancários: · o impugnante foi intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos bancários relacionados no Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 003/118/2008 (fls. 96/106) 1, no entanto, deixou de fazêlo. Agora, juntou à impugnação comprovantes de repasses de acordos, que diz, foram depositados em sua conta corrente e valores destinados a pagamento de custas judiciais que não constam do extrato bancário; · os repasses efetuados pelo contribuinte em favor de outrem e as guias de pagamento de custas judiciais em nada modificam o lançamento, pois não está em pauta esta questão; · a base sobre a qual se funda o presente lançamento é a existência de recursos em favor do autuado cuja origem não foi comprovada; · no tocante ao laudo contábil de fls. 4112, verificase que este aponta como transferências de valores entre C/C do próprio autuado, a importância de R$ 24.385,00, valor este inferior de R$ 24.935,00, apurado e desconsiderado para fins de tributação pelo Auditor Fiscal, conforme Tabela 02, constante do acima referido Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 003/118/2008. Portanto, nada resta a providenciar quanto às transferências interbancárias das contas de titularidade do contribuinte; · com referência aos depósitos justificados na planilha anexa ao laudo contábil (fls. 412/421) 3, como sendo Acordos Processos Judiciais e custas processuais, o contribuinte não anexou aos autos quaisquer documentos que comprovassem essas afirmações, portanto não há como considerálas; · não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente; · é incumbência do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas 1 Fls. 196 a 212 do Processo Digital. 2 Fl. 825 do Processo Digital. 3 Fls. 826 a 853 do Processo Digital. Fl. 1104DF CARF MF 8 verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte; · também não restou comprovada a alegação de que em 21/06/2005, houve um DOC no valor de R$ 920,12, que foi computado em duplicidade pelo banco; · sobre o pleito de desconsideração do cheque no importe de R$ 3.000,00, que fora depositado na conta n° 010020134, na agência 0708, do banco 151, que não chegou a constituir renda ao impugnante, observese que tal valor sequer integrou este levantamento, conforme se verifica à fl. 1584; · no que tange ao pedido de exclusão da tributação do valor de R$ 44.680,00, da mesma forma, não foram trazidos aos autos documentos que comprovassem que tal valor está contido no valor tributável de R$ 163.806,07, apurado pela fiscalização; · não tendo o impugnante trazido aos autos quaisquer elementos que pudessem infirmar o valor acima referido de R$ 163.806,07, permanece incólume o presente lançamento e prejudicado o argumento apresentado quanto ao limite do valor dos depósitos estabelecido na Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, § 3°, com a redação dada pela Lei no 9.481/97; e) inclusão de despesas: · a pretensão manifesta não merece acolhida, uma vez que se constituiria numa retificação de sua declaração em momento posterior ao de formalização do lançamento, o que contraria os termos do art. 147, § 1º, do CTN; f) pedido de produção de provas, realização de perícias e diligências: · em referência ao pleito de produção de provas, ressaltese que não há amparo legal que dê apoio a esta pretensão, uma vez que o § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser produzidas por ocasião da impugnação, precluindo o direito de apresentação após transcorrido o prazo para tal; · apesar de ser facultado ao contribuinte o direito de pleitear a realização de diligencias ou perícias, em conformidade com o art. 16, inciso IV do Decreto n° 70.235/1972, compete à autoridade julgadora decidir sobre a sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto n° 70.235/1972); · a realização de diligência e/ou perícia destinase, principalmente, a esclarecer ponto controvertido ou questão técnica levantada no processo fiscal, esclarecimento este que necessita ser dado por 4 Fls. 314 e 315 do Processo Digital. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 6 9 especialista, detentor de reconhecido saber, habilidade e experiência, sendo imprescindível que o pedido de perícia seja motivado e acompanhado de evidências referentes aos aspectos cuja apreciação se requer no exame pericial; · o impugnante não anexou aos autos nenhum elemento novo que justificasse a emissão de parecer técnico, deixando de atender ao inciso IV do art. 16 do PAF. Ademais, a prova do fato no presente caso, claramente, não depende de conhecimento especifico de técnico especialista para ser produzida; · é inadmissível que a perícia possa ser utilizada para suprir a ausência de provas que a parte poderia ter juntado à impugnação; · os esclarecimentos adicionais e/ou elementos de prova a favor do impugnante, no caso em análise, poderiam ter sido por ele produzidos com a juntada de documentos que sustentassem seus argumentos. Recurso Voluntário Em seu recurso voluntário (fls. 899/969) o sujeito passivo repisa as questões trazidas na impugnação e acrescenta , em síntese, o que segue: Preliminares a) nulidade por cerceamento do direito de defesa em razão de a autoridade julgadora a quo ter indeferido pedido de juntada de novos documentos e de realização de perícia; b) é totalmente possível a juntada de documentos após a impugnação, uma vez que o processo administrativo fiscal visa a busca pela verdade material, que autoriza a juntada de documentos a qualquer tempo. Cita doutrina a esse respeito; c) a Lei 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito Federal, determina, em seu art. 39, III, ser direito do administrado “formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente”. Cita excerto de decisão do antigo Conselho de Contribuintes que diz amparar sua tese; d) ao rejeitar a produção de tal meio probante, a autoridade julgadora asseverou não haver questões técnicas que envolvessem a produção de referidas provas; e) tal entendimento acaba também por afrontar os princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que isso o teria impedido de comprovar suas alegações; f) o art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972 permite a produção de prova pericial, sendo que tal artigo deve ser interpretado luz do principio da ampla defesa, ou seja, a prova pericial deve ser deferida sempre que se consistir em elemento para comprovar alegações do litigante, uma vez que o principio constitucional garante à parte a defesa ampla, por todos os meios, não limitada pela livre discricionariedade da Administração; Fl. 1106DF CARF MF 10 g) a autoridade fiscalizadora negouse a averiguar documentos localizados no escritório profissional do recorrente, que seriam fundamentais para a verificação da ocorrência ou não do fato gerador tributário; h) a decisão recorrida equivocouse a analisar o fato de a fiscalização ter negadose a examinar os documentos do contribuinte; i) a presunção de omissão de renda em favor do Fisco não gera qualquer ilogicidade com a obrigatoriedade da Administração em averiguar provas indicadas pelo contribuinte como elisivas da presunção em razão do principio da verdade real, mas somente permitelhe exigir o tributo decorrente de omissão de renda presumida, caso o contribuinte não demonstre a origem dos rendimentos; j) para demonstrar que não houve a omissão de rendas, o contribuinte poderá juntar os documentos que entender pertinentes, além de indicar aqueles que esclareçam ao fisco se houve ou não a hipótese de incidência. Tais documentos devem ser considerados pela Administração, à luz do princípio da verdade material. Faz outras considerações acerca do principio da verdade material e reproduz excertos doutrinários e trechos decisões administrativas a esse respeito; k) faz referência à Lei nº 9.784/1999 no que trata da produção de provas; l) informa que no processo administrativo vigora, ao lado do principio da verdade real, e como corolário deste, e do principio da legalidade, o principio do informalismo, que impõe ao órgão processante o desapego ao formalismo exacerbado. Cita doutrina; m) anota que o Principio da ampla defesa implica no direito de produzir as provas necessárias à demonstração das alegações da parte junto à autoridade julgadora, como forma de valoração dos argumentos de defesa, sob pena de flagrante cerceamento do direito de se defender; n) a alegação da decisão recorrida, no sentido de haver ilogicidade jurídica na realização de diligência no escritório profissional do recorrente, ante a presunção que milita em favor do fisco, não se sustenta, uma vez que, ao mesmo tempo em que há tal presunção, é dever da Administração, ante os princípios da verdade material e da ampla defesa, averiguar todos os meios de prova indicados pelo contribuinte, como forma de se chegar à certeza a respeito da ocorrência ou não da hipótese de incidência; o) a autoridade fiscalizadora, quando do indeferimento da diligência requerida, no sentido de comparecer ao escritório profissional do recorrente, deveria têlo intimado para conceder prazo para a apresentação dos documentos; p) requer, com base em tais alegações, a reforma da decisão recorrida, para decretar a nulidade do auto de infração, por cerceamento defesa; Mérito r) natureza dos valores recebidos da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT: defende que a decisão recorrida mostrase equivocada; repisa todos os argumentos suscitados na impugnação; s) decadência: frisar que em momento algum alegou que o prazo decadencial deveria ser contado tendo por base o art. 150, § 4° do CTN e que sempre alegou que tal lapso temporal deveria seguir o disposto no art. 173, I do Código, Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 7 11 ou seja, “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”; defende que a decisão recorrida mostrase equivocada ao firmar que “o fato gerador se aperfeiçoa no momento em que se completa o período de apuração em 31 de dezembro de cada ano. Logo, a Fazenda Pública só poderia constituir eventual credito tributário decorrente da infração apurada na declaração de ajuste anual do anocalendário. de 2002 durante o ano de 2003 e, ainda assim, após o prazo estabelecido para a entrega da declaração”, o que levaria o prazo decadencial a fluir apenas a partir de 01.01.2004; repisa ipsis literis os argumentos suscitados na impugnação; acrescenta que a declaração de rendimentos referente ao ano de 2002 foi prestada em 2003, sendo que, no mesmo ano, foi apresentada a declaração de IRPJ da Cooperativa dos Exfuncionarios da CBT, o que permitiria ao Fisco apurar eventuais erros em sua declaração; as questões burocráticas, como o prazo estabelecido para a entrega da declaração, não podem ser opostas aos particulares, uma vez que estes não podem ser penalizados por questões internas da Administração, inerentes ao seu funcionamento; da data de entrega da declaração, a Receita teve prazo de sete meses para analisar qualquer equivoco ou irregularidade no seu preenchimento, se não o fez no prazo decadencial, operouse, por razões de segurança e estabilidade das relações jurídicas, a decadência, não sendo licito à Fazenda dilatar tal prazo por questões burocráticas; operouse a decadência em relação ao crédito oriundo da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT apurado em 2002; t) com relação aos lançamentos decorrentes de depósitos bancários que devem ser excluídos da tributação, requer aplicação do art. 4º da Lei 9.481/1997, e apresenta e alega que: apesar de não possuir Livro Caixa, possui todos os comprovantes de despesas, que devem ser considerados para tal fim, uma vez que comprovam as despesas efetuadas em nome da sociedade; os recibos apresentados na impugnação demonstram cabalmente a origem da grande maioria das entradas em suas contas, o que faz cair por terra o limitado e repetitivo argumento da decisão recorrida, no sentido de que não há provas das origens dos valores; não pode ser considerado o argumento da decisão atacada, no sentido de que as despesas feitas pelo recorrente em sua atividade profissional devem ser deduzidas da tributação, a teor do art. 75, III, do RIR, pois tal procedimento implicaria em retificação de declaração após o lançamento. Não se trataria assim de retificação da declaração, mas sim de esclarecimento a respeito de valores que sequer integraram a declaração de renda do exercício de 2005, ora em questão; o art. 147, § 1º do CTN aplicase às hipóteses nas quais houve a declaração de determinado valor e esta é retificada, mas, no presente caso, os valores gastos para o custeio de atividade profissional não foram objeto de declaração, tendose incluído apenas na impugnação, o que Fl. 1108DF CARF MF 12 demonstra não se tratar de retificação, mas sim de esclarecimentos, que devem ser levados em conta para efeitos de determinação do eventual tributo a ser recolhido; u) requer a anulação da decisão recorrida por cerceamento de defesa e, subsidiariamente, pleiteia sua reforma com base nas alegações apresentadas. Defesa Aditiva Em 20/05/2013 foi protocolado pelo contribuinte novo documento de defesa com razões aditivas ao recurso voluntário (fls. 981/989). Conversão do Julgamento em Diligência Por meio da Resolução nº 2101000.195 (fls. 992/995) o julgamento foi convertido em diligência para que a Fiscalização juntasse aos autos cópia dos livros Diário e Razão citados no auto de infração, bem como apresentasse os documentos de constituição da referida cooperativa e todas as atas de assembléias em que o contribuinte figurou como cooperado. Resultado da Diligência Concluída a diligência, o órgão preparador emitiu o Relatório Fiscal de Diligência (1.031/1.035) no qual: faz um relato acerca da CBT. Companhia Brasileira de Tratores, M.P.L. Motores e Mário Pereira Lopes Empreendimentos, abordando o fato de referida empresa, após passar por crise financeira na década de 1980, ter deixado de adimplir direitos trabalhistas de seus milhares de funcionários; tratou de aspectos relativos a inúmeros advogados que patrocinaram ações trabalhistas em favor dos exfuncionários da empresa e ao fato de que, por não receberem os valores decorrentes de suas ações trabalhistas, também não tiveram como honrar seu compromissos com os advogados; faz referência à instituição da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT, MPL Motores e MPL Empreendimentos cujo objetivo foi disputar o patrimônio do GRUPO MPL com os bancos credores da empresa; Segundo o Relatório Fiscal de Diligência, Estatuto Social (da cooperativa) admitiu como cooperado não só os exfuncionários das empresas do GRUPO MPL, mas também todos os advogados que patrocinaram as ações trabalhistas (art. 6º do Estatuto Social)em favor dos empregados.Por conta dessa previsão estatutária, tanto os exfuncionários quanto os advogados subscreveram cotas na formação do capital social da Cooperativa, proporcionalmente aos créditos que cada um julgava possuir É obvio que os exfuncionários possuíam créditos trabalhistas junto às reclamadas (Empresas do Grupo MPL), enquanto os advogados possuíam créditos de honorários advocatícios junto aos exfuncionários (seus clientes). Todavia, no momento em que as cotas do capital foram subscritas, todos (exfuncionários e advogados) passaram a ser credores da Cooperativa e, consequentemente, cooperados. [...] Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 8 13 [...] à medida em que a Cooperativa efetuava os pagamentos de créditos trabalhistas aos exfuncionários, pagava simultaneamente os honorários dos advogados que patrocinaram as causas trabalhistas, proporcionalmente a quantidade de cotas que cada um subscreveu. Com relação aos documentos solicitados pelo órgão julgador, resta consignado no Relatório Fiscal de Diligência: Em resposta protocolizada em 11/06/2014,posteriormente complementada em 26/06/2015, a Cooperativa apresentou as declarações (fls. 1002/1005) e os documentos (fls. 1019/1030) reproduzidos abaixo: Ø Balancete relativo ao anocalendário de 2002; Ø Livros Diários dos anoscalendário de 2003 e 2004; Ø Livro Razão de 1998; Ø Ficha de Subscrição do Capital Social; Ø Declaração afirmando que o ato que tornou o advogado Luiz Fernando Freitas Fauvel cooperado é a subscrição de seus honorário transformados em cotas, resultando da subtração do percentual do cálculo trabalhista homologado, acordado no processo de cada cliente. A aceitação do advogado como cooperado foi para solucionar a questão de pagamentos de honorários, ou seja, nesse formato, o advogado teria seus honorários garantidos e sendo pagos no mesmo período de rateio aos demais cooperados; Ø Declaração informando que não existe contrato de dação em pagamento que comprova a transferência das quotas da Cooperativa para o Advogado, pois o Advogado do ex funcionário subscreveu seus honorários como cotas da Cooperativa, lançadas e assinada no Termo de Subscrição. Os valores das fichas de subscrição de todos os Cooperados são lançados em planilhas por ocasião de rateios para se apurar o recebimento e creditado na conta bancária de cada cooperado. Os rateios posteriores são realizados da mesma forma com os saldos apurados anteriormente;(Grifos do original). Segundo o órgão preparador, as declarações e a escrituração contábil de 1988 da Cooperativa comprovariam que os valores recebidos pelo recorrente tratamse de honorários advocatícios. Faz referência a processos semelhantes em que o órgão julgador de segunda instância exarou decisões favoráveis à Fazenda Nacional. Manifestação do Contribuinte a Respeito do Relatório de Diligência Fiscal Em vista do Relatório de Diligência, o contribuinte apresentou manifestação (fls. 1045/1055) na qual expõe que Ainda que outros Autos de Infração, versando sobre a matéria tributária, tenham sido julgados procedentes pelo CARF, como Fl. 1110DF CARF MF 14 mencionado acima pela autoridade fiscal, o fato é que as decisões prolatadas naqueles processos fiscais não encerram a discussão sobre a natureza dos pagamentos feitos pela Cooperativa ao contribuinte. [...] [...] o contribuinte passou a condição de cooperado, mediante a subscrição de 70.904,98 cotas do capital social da Cooperativa, de acordo com o Termo de Subscrição (fls. 1019/1020); A conclusão da autoridade fiscal foi a de que os valores recebidos pelo contribuinte em 2002, 2003 e 2004, são honorários advocatícios por ter patrocinado as ações trabalhistas de cinco exfuncionários, nos processos judiciais 1435/94, 1436/94, 1437/94 e 1438/94. [...] Ocorre que os pagamentos feitos pela Cooperativa ao Contribuinte não devem ser enquadrados como honorários advocatícios, posto que a partir da subscrição do capital social, deixou de existir a figura do contribuinte como patrono das causas, passando a ser considerado tão somente integrante do quadro social da Cooperativa como cooperado. Assim, não há que se falar mais em honorários advocatícios, mas em cotas do capital social da Cooperativa porque todo o capital aportado pelo associado é um instrumento patrimonial e como tal deve ser contabilizado como patrimônio líquido. O mesmo ocorre com as verbas trabalhistas deferidas em sentenças judiciais transitadas em julgado e subscritas como quotas na Cooperativa. Mutatis mutandis, pelo raciocínio da fiscalização, também caberia averiguação do Fisco sobre os valores creditados aos exfuncionários da CBT, pois haveria de se indagar a natureza dos valores que compõem cada pagamento efetuado a esses cooperados, a fim de definir a incidência da respectiva tributação, bem como das contribuições que então sobre elas incidiriam. Mas isso não ocorre porque, no momento em que transformado em quotas da Cooperativa, a natureza trabalhista do crédito se divorcia da relação original e transmudase para cotas do capital social da Cooperativa, passando a ter o tratamento legal correspondente. [...] Assim, a matéria tributária não pode ser discutida à margem da Lei n9 5.764, de 16/12/1971, que define a Política Nacional de Cooperativismo, institui o regime jurídico das sociedades cooperativas e dá outras providências. O recorrente transcreve disposições da Lei nº 5.764/1971 e destaca aspectos relacionados à apuração dos resultados de cooperativas. Aduz que o Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), dar o tratamento de não incidência para os casos em que a cooperativa exerce suas atividades segundo a legislação específica. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 9 15 Com base no disposto no RIR/1999, infere que as cotasparte que lhe foram pagas com as sobras apuradas pela Cooperativa não estão sujeitas à tributação e, por essa razão, não teria havido retenção em relação aos valores recebidos nos anos de 2002, 2003 e 2004. Por se tratar de recebimento de devolução de capital social subscrito pelo Contribuinte, a situação seria de isenção do imposto de renda, de acordo com o disposto no art. 182 do RIR/1999. Além de outras considerações sobre tributação de cooperados, inclusive aqueles vinculados a cooperativas de trabalho, alega o sujeito passivo que: Conclusivamente, podese dizer que, com a subscrição do capital social da Cooperativa, o Contribuinte celebrou uma espécie de "contrato jurídico", abandonando sua natureza jurídica anterior (advogado), passando a fazer parte desta sociedade cooperativa como cooperado (tão somente), com direito a devolução das cotas integralizadas. Os valores recebidos da Cooperativa a título de restituição de parte do capital social subscrito não estão sujeitos à tributação do imposto de renda, como demonstrado acima. Portanto, não se trata de omissão de rendimentos, referentes a honorários advocatícios, devendo o lançamento de ofício do IRPF, anoscalendário 2002, 2003 e 2004, ser julgado improcedente. Faz considerações a respeito de decadência, alegando que, em razão de antecipação de pagamento e, em face do disposto no art. 150, § 4º do CTN, estariam decadentes os valores relacionados ao ano calendário 2002. Reproduz súmula nº 29 do CARF que trata de depósitos bancários em conta conjunta, informa que em 2005 possuía três contas conjuntas com seu cônjuge e que o lançamento foi efetuado sem a oitiva deste para informar a origem dos recursos depositados nessas contas, padecendo o lançamento de vício, pelo que deve ser declarado improcedente. Destaca que, em relação a uma das contas, a autoridade lançadora considerou a integralidade (100%) dos valores depositados, enquanto que em face das outras duas contas, considerou 50% dos valores tidos como sem origem conhecida, a despeito de não ter intimado a segunda titular de tais contas. Requer o acolhimento de sua manifestação sobre as conclusões da Diligência requerida pela Resolução nº 2101000.195 l5, assim como, com relação às matérias de ordem pública e de natureza da verdade material, para ao final, julgar improcedente o lançamento do IRPF, anoscalendário 2002, 2003, 2004, nos termos da legislação tributária enfatizada nas razões de defesa. É o relatório. Fl. 1112DF CARF MF 16 Voto Vencido Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. PRELIMINARES Cerceamento do Direito de Defesa Aduz o recorrente que teve seu direito a ampla defesa e ao contraditório atingido em razão da negativa contida na decisão recorrida quanto a produção de provas, após transcorrido o prazo para impugnação, e a realização de perícia e de diligência. No mesmo sentido, a ampla defesa também teria restado prejudicada pelo fato de a fiscalização ter se negado a averiguar documentos localizados no escritório do sujeito passivo, os quais seriam fundamentais para a verificação da ocorrência ou não do fato gerador tributário. Primeiramente, impende reproduzir o art. 69 da Lei 9.784/1999: Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. O Processo Administrativo Fiscal – PAF, em âmbito federal, é regido pelo Decreto nº 70.235/1999, norma recepcionada com força de lei pela ordem constitucional vigente. Assim, considerandose que questões relacionadas a apresentação de defesa, prazos processuais, produção de provas e realização de perícias ou diligências estão exaustivamente tratadas na norma processual específica, é o regramento contido nessa norma que deve ser observado no se refere a tais aspectos, não lhes sendo aplicável as disposições contidas na Lei nº 9.784/1999. Convém esclarecer que, a teor do art. 15 do Decreto nº 70.235/1972: “A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência”. Já o inciso III e o § 4º do art. 16 e o art. 17 do referido Decreto, estabelecem que as razões de fato e de direito e os pontos de discordância devem ser mencionados na impugnação, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Do mesmo modo, as provas que o contribuinte possuir devem ser apresentadas conjuntamente com a peça impugnatória. Passada essa fase, somente serão Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 10 17 admitidas novas provas caso fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refiramse a fato ou a direito superveniente ou destinem se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, o que não é o caso. De se ressalvar, de início, que o princípio do informalismo ou do formalismo moderado, que orienta o Processo Administrativo, tem como finalidade a facilitação do acesso do cidadão à Administração, mas isso não significa que tal princípio autorize o administrado a agir a revelia da lei ou obrigue a Administração a flexibilizar as exigências legalmente estabelecidas. Com relação aos pedidos de perícia ou diligência, o inciso IV e o § 1º do supracitado art. 16 estabelecem como requisitos, os quais devem ser expostos ainda na impugnação: i) a apresentação dos motivos que os justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados; e i) no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito indicado pelo impugnante. Reputamse não formulados, nos termos da norma legal, os pedidos que deixarem de atender aos citados requisitos. Além disso, a autoridade julgadora de primeira instância indeferirá os pedidos apresentados, quando considerálos prescindíveis ou impraticáveis, de conformidade com art. 18 do lei processual tributária. À luz do exposto, vêse que a autoridade julgadora de primeira instância, ao indeferir os requerimentos do contribuinte relativamente a produção de provas, realização de perícia ou diligência, agiu em estrita observância ao regramento estabelecido na norma disciplinadora do PAF, não se verificando na decisão vergastada qualquer evidência de cerceamento do direito à ampla defesa ou ao contraditório, ao revés do que sugere o recorrente. Sobre os documentos que o recorrente informa ter disponibilizado em seu escritório e que a fiscalização teria se negado a examinar, consta do documento intitulado “Esclarecimentos e Solicitações” (fls. 216/218) apresentado por ele à autoridade autuante: 3) Tendo em vista que no prazo concedido é impossível levantar documentos que demonstrem o ora alegado, solicito seja diligenciado em meus arquivos, ainda que por amostragem, a constatação dos valores destinados a diversos pagamentos ligados a processos judiciais, motivo pelo qual estou franqueando todo meu arquivo a esta fiscalização para comprovação "in loco" do alegado. Em relação a essa solicitação, restou consignado no Auto de Infração, mais especificamente na fl. 279: A verificação "in loco" dos documentos se mostrou inviável devido ao fato de a legislação dispor que compete ao contribuinte a comprovação da origem dos recursos, e não à fiscalização. Apenas o contribuinte seria capaz de identificar, com base em suas atividades, movimentação financeira e em seus controles, a origem de cada deposito. Assiste razão à fiscalização. Fl. 1114DF CARF MF 18 O art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que será analisado mais detidamente quando do exame das questões de mérito, é claro quanto à incumbência do contribuinte em fazer prova da origem dos depósitos tidos por não identificados pela autoridade lançadora. Não é minimamente razoável querer transferir tal encargo para a fiscalização sob o argumento de não ter tido tempo hábil levantar tais documentos. Ademais, diferentemente do que se afirma no recurso voluntário, não foram disponibilizados documentos no escritório do sujeito passivo para a análise da autoridade autuante, o que se requereu foi que a fiscalização procedesse a uma diligência nos arquivos do reclamante para localizar documentos aptos a identificar a origem de valores movimentados em suas contas bancárias, o que é completamente descabido. De mais a mais, se esses documentos eram tão determinantes para comprovar a origem dos depósitos e infirmar o lançamento do crédito tributário, porque não foram exibidos na impugnação? Em razão disso, afasto a preliminar de cerceamento de direito de defesa, pois não se verificaram quaisquer das circunstâncias alegadas pelo contribuinte quanto ao malferimento de princípios constitucionais como o da ampla defesa ou do contraditório. Defesa Aditiva e Manifestações Acerca de Matéria Estranha ao Objeto de Diligência No mesmo sentido, não cabe a análise de razões aditivas trazidas aos autos após decorrido o prazo para apresentação de recurso voluntário ou manifestações decorrentes de relatório de diligência, quanto a matérias alheias a seu escopo, a menos quando se trate de questão de ordem pública, com relação a qual o exame pela autoridade julgadora independe de manifestação do contribuinte. MÉRITO Decadência Não obstante tenha admitido no recurso voluntário que o prazo decadencial deveria obedecer aos ditames do art. 173, I do CTN, quando da manifestação apresentada por ocasião da realização de diligência requerida por este Conselho, segundo o contribuinte: [...]ao Fisco decaiu do direito de lançar os valores relativos ao anocalendário de 2002, face ao prazo decadencial de cinco anos previsto no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN) Lei n9 5.172, de 25/10/1966, uma vez que houve antecipação do imposto de renda, de acordo com sua Declaração de Ajuste Anual 2003 Apesar de ter suscitado esse assunto (decadência com base no art. 150, § 4º do CTN) somente nas contrarrazões apresentadas em face de Relatório Fiscal de Diligência que não abordava a presente matéria, ou seja, após o prazo previsto para apresentação do recurso voluntário, por se tratar de questão de ordem pública, tornase imperioso proceder a análise do tema, o que seria feito independentemente de manifestação da parte recorrente. Observese que consta da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2003 (fls. 54/57), linha 16, imposto devido no valor de R$ 461,41. Na linha 17, temse imposto retido na fonte de R$ 17,34 e na linha 25, saldo de imposto a pagar de R$ 444,07: Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 11 19 No Demonstrativo de Apuração do anobase 2002 (fl. 299), há referência a imposto pago de R$ 461,41: Fl. 1116DF CARF MF 20 Os documentos acima colacionados evidenciam que assiste razão ao recorrente quando esse afirma ter adiantado parte do pagamento do imposto relativo ao ano calendário 2002. Assim, há que se reconhecer que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o dispositivo a ser considerado para o exame dessa matéria é o art. 150, § 4º do CTN. Para os casos analisados no feito fiscal, o fato gerador do IRPF ocorreu em 31/12 do anocalendário. Assim, em relação a 2002, o lançamento poderia ter sido efetuado até 31/12/2007. Entretanto, o contribuinte somente foi notificado do Auto de Infração em 17/11/2008, por conseguinte, os fatos geradores relativos ao referido anocalendário foram alcançados pela decadência, devendo ser excluídos do lançamento. Natureza dos Valores Recebidos da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT Com relação a esse assunto, temse que a decisão de primeira instância considerou os valores recebidos da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT, M.P.L. Motores e Mário Pereira Lopes Empreendimentos pelo contribuinte como honorários advocatícios e, desse modo, tributáveis. O recorrente, por sua vez, pugna para que esses pagamentos sejam considerados quotas apuradas como sobras da Cooperativa e, portanto, isentos do IRPF. Conforme se extrai do Relatório Fiscal de Diligência, a CBT e MPL Empreendimentos, entrou em crise financeira no final dos anos 1980 e veio ficar inadimplente com seus funcionários tanto na questão salarial como social a partir de 1989, dispensandoos paulatinamente até encerrar completamente suas atividades em 1994. Com isso, a exemplo do recorrente, inúmeros advogados vieram a patrocinar causas trabalhistas contra essa empresa. Encerrados os processos, a CBT e MPL Empreendimentos não conseguiu pagar os valores determinados pela Justiça em razão do caos financeiro em que estava mergulhada. Por não terem recebido os valores decorrentes das ações judiciais, os exfuncionários não honraram os compromissos assumidos com os advogados. Nesse contexto, foi criada a Cooperativa dos ExFuncionários da CBT e MPL Empreendimentos, com o objetivo exclusivo de administrar os bens recebidos em decorrência de crédito trabalhista que os exfuncionários possuíam com o GRUPO MPL. Nessa Cooperativa, além dos exfuncionários, foram admitidos também os advogados que patrocinaram as ações trabalhistas desses. Em vista do Estatuto da Entidade, exfuncionários e advogados subscreveram cotas na formação do capital social da entidade, proporcionalmente aos créditos que cada um julgavam possuir. Assim, o recorrente tornouse credor da Cooperativa, na condição de advogado de exfuncionários, fazendo jus ao recebimento de valor equivalente ao de seus honorários. Na medida em que a Cooperativa recebia os valores decorrentes das ações trabalhistas e efetuava os pagamentos dos créditos correspondentes aos exfuncionários, pagava simultaneamente os honorários aos advogados que patrocinaram as causas, proporcionalmente a quantidade de cotas subscritas. O trecho do Relatório Fiscal de Diligência denominado “A Origem dos Honorários Advocatícios”, é elucidativo quanto à situação acima descrita, especificamente em relação ao sujeito passivo: Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 12 21 A ORIGEM DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS O TERMO DE SUBSCRIÇÃO (fls. 1019/1020) comprova que Luiz Fernando Freitas Fauvel, na condição de advogado trabalhista, subscreveu 70.904,98 cotas do capital social da Cooperativa, no dia 10/02/1996, dando origem ao direito de recebimento de honorários advocatícios no valor de R$ 70.904,98. Esses honorários advocatícios são provenientes de ações trabalhistas patrocinadas em favor dos exfuncionários, conforme demonstrado no quadro abaixo: ExFuncionário (reclamante) Processo Judicial Crédito Trabalhista Honorários Advocatícios % honorários Angelo Carnelosi 1437/94 72.419,81 14.483,96 20% Antonio Carlos Zeferino Souza 1436/94 97.865,70 19.573,14 20% Antonio Carlos Zeferino Souza 1435/94 27.028,47 5.405,69 20% Claudionor Roberto Vansim 1437/94 79.817,39 15.963,48 20% Jurandir Rodrigues dos Santos 1438/94 77.393,53 15.478,71 20% Total 354.524,90 70.904,98 É muito importante observar que os honorários advocatícios a que teria direito o Recorrente representam exatamente 20% (vinte por cento) do valor das causas trabalhistas patrocinadas em favor de cada exfuncionário, conforme, aliás, devidamente contabilizado no Diário/Razão de 1998 (fls. 1021/1025). Notase que a conta 2401010001 – 1748 é muito clara ao registrar os valores acima como honorários advocatícios (fls. 1025). Nos anos de 2002, 2003 e 2004, com a alienação dos primeiros imóveis pela Cooperativa, o Recorrente começou a receber seus honorários, proporcionalmente às cotas que subscreveu, conforme discriminado no quadro abaixo, cujos valores foram extraídos do Balancete e dos Diários (fls.1026/1030). ANOCALENDÁRIO HONORÁRIO RECEBIDO FONTE 2002 R$ 5.980,55 Balancete 2002 R$ 3.355,85 Diário 2003 R$ 440,91 Diário 2003 R$ 2.802,31 Diário 2004 R$ 3.350,39 Diário Importa destacar que os reclamantes (exfuncionários) não receberam os seus créditos trabalhistas integralmente, nem os advogados receberam os honorários em sua totalidade. Todos os valores recebidos pela Cooperativa foram rateados entre os cooperados (exfuncionários e advogados) proporcionalmente ao capital subscrito. Esclarece a fiscalização, por meio do Relatório Fiscal de Diligência, que não houve retenção de imposto sobre os valores recebidos pelo sujeito passivo. Tais valores também não foram declarados ou oferecidos a tributação nas declarações de rendimentos respectivas. Fl. 1118DF CARF MF 22 Cumpre salientar, desde já, que a denominação dada aos valores percebidos pelo contribuinte não tem o condão de elidir a incidência do IRPF, nesse sentido, dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. [...] Assim, embora o contribuinte assegure que os valores por ele recebidos tratamse de cotas do capital social da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT e MPL, o fato é que tais valores decorreram de serviços prestados por ele na condição de advogado, ou seja, referidos valores têm natureza de honorários advocatícios e, como tal, devem ser tributados. Apercebase que ao subscrever o capital equivalente a seus honorários, o contribuinte não providenciou sua integralização, o que foi diferido para a ocasião da entrada de valores resultantes da alienação de bens havidos pela entidade. Entretanto, quando da venda de imóveis pela Cooperativa ou do repasse dos valores correspondentes aos honorários ao sujeito passivo nada foi oferecido à tributação. Teria razão o recorrente se houvesse, quando da alienação de referidos bens, e antes da “integralização” de suas quotas, recolhido os valores correspondentes ao imposto de renda sobre os honorários, mas isso não ocorreu. Dessa forma, não há que se falar em ato cooperativo ou que a discussão acerca da matéria tenha que se dar à luz da Lei nº 5.764/1971, tampouco que as parcelas recebidas pelo recorrente estejam isentas de tributação com base no art. 182 do Regulamento do Imposto de Renda. Sobre o argumento de que os valores recebidos da Cooperativa pelos ex funcionários da CBT tiveram tratamento distinto ao que fora dispensado às verbas recebidas pelo recorrente, cabe esclarecer que, por não se tratar de questão atinente ao presente processo, não há como se emitir juízo a esse respeito. Vale lembrar, consoante esclareceu a fiscalização no Relatório Fiscal de Diligência, que a matéria tratada neste tópico já fora objeto de outras decisões no âmbito deste Conselho e que os lançamentos vêm sendo mantidos em vista de os pagamentos efetuados pela Cooperativa dos ExFuncionários da CBT e MPL a advogados terem também sido considerados honorários advocatícios. Tal constatação pode ser conferida a partir do exame, dentre outros, do Acórdão 210100292, de 23/09/2009 (processo 13857.000532/200611), Acórdão 220100.608, de 21/01/2011 (processo 13857.000079/200724) e Acórdão 2102 002.371, de 02/04/2013 (processo 13857.000573/200616). Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 13 23 Pelas razões acima elencadas entendo que, nessa parte, deve ser mantido o lançamento, consoante consignado na decisão a quo. Depósitos Bancários De outra parte, em sede de normas gerais, o art. 43 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estabelece como fato gerador do imposto de renda a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) ou de proventos de qualquer natureza (acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda). Vejamos: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. No mesmo sentido, o § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, dispõe: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] De se observar que, além dos valores compreendidos no conceito de renda, o imposto alcança ainda os acréscimos patrimoniais não correspondentes a rendimentos declarados, ou seja, é perfeitamente válida a incidência do tributo sobre rendimentos não declarados procedentes de depósitos bancários. No caso sob análise, têmse que a Fiscalização constatou a ocorrência de acréscimos patrimoniais em virtude de depósitos bancários de origem não comprovada. Com relação essa modalidade de depósitos, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prescreve: Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizam se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 1120DF CARF MF 24 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter se ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratando se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Quanto ao inciso I do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1997, os valores ali definidos foram atualizados pela Medida Provisória n° 1.563, de 1997, convertida na Lei nº 9.481, de 1997, para, respectivamente, R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00. Notese que o citado art. 42 da Lei nº 9.430/1996 estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Referida presunção impõe o lançamento do imposto correspondente quando o titular de conta bancária não comprove, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos que lhe tenham sido creditados. Na hipótese referida no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o ônus probatório decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos revertese em desfavor do contribuinte, o qual necessita comprovar a origem jurídica dos valores transitados por sua conta bancária para se elidir da tributação. Trata se, pois, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo sua produção. Esclarece a fiscalização (Auto de Infração – fl. 271) que das três contas bancárias onde foi constatada a existência de depósitos sem origem identificada, duas delas são Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 14 25 em conjunto com o cônjuge do autuado. Tal informação mostrase relevante, pois, a depender forma com que a ação fiscal foi conduzida, esse fato pode atrair a aplicação da Súmula CARF nº 29. Referida Súmula estabelece: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Por certo, para se saber o verdadeiro alcance da citada Súmula, faz necessário analisar as decisões que deram suporte a sua edição. Nesse sentido, impõese reproduzir excertos de algumas dessas decisões: Acórdão n° 10617.009, de 6 de agosto de 2008 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA. Nos termos do artigo 42, caput e seu § 6°, da Lei n° 9.430/96, é necessária a intimação do titular (se a conta for individual) ou dos titulares das contas de depósito ou de investimento (se a conta for conjunta) para que comprovem a origem dos depósitos bancários identificados. Feito isso e na hipótese de as declarações de rendimentos terem sido apresentadas em separado, é que o valor dos rendimentos omitidos será dividido pelo número de cotitulares da conta bancária. A ausência de intimação de um dos cotitulares da conta conjunta toma insubsistente o lançamento com relação aos depósitos bancários sem origem comprovada identificados junto a ela. (Grifos Nossos) Acórdão n° 10248.460, de 26 de abril de 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA Em caso de conta conjunta em que os titulares não sejam dependentes entre si e apresentam em separado a declaração do imposto de renda, é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Impossibilidade de atribuir, de oficio, os valores como sendo rendimentos exclusivos de um dos correntistas. Ao atribuir a integralidade dos depósitos a um único correntista, sem que o outro tenha sido intimado, o auto de infração adotou base de cálculo diferente daquela estabelecida pela regramatriz do § 6°, do artigo 42, da Lei n°. 9.430, de 1996, razão pela qual, neste ponto, deve ser cancelado. (Grifos Nossos) Acórdão n° 10248.163, de 26 de janeiro de 2007 CONTA CONJUNTA Em se tratando de conta conjunta, é necessário intimar todos os cotitulares da conta para que informem sobre a origem dos recursos. A divisão do total de Fl. 1122DF CARF MF 26 rendimentos ou receitas pela quantidade de cotitulares somente é cabível, quando, intimados os titulares da conta não se obtenha êxito quanto à prova da titularidade dos recursos. Não pode a fiscalização, sem a intimação do cotitular da conta, cuja declaração de rendimentos tenha sido apresentada em separado, presumir que a metade das receitas pertence a um dos correntistas e o saldo remanescente ao outro contribuinte. (inteligência art. 42, § 6°, da Lei n°9.430, de 1996). (Grifos Nossos) De se notar que as decisões reproduzidas, e todas as outras que fundamentaram a edição da Súmula CARF nº 29, têm como supedâneo o § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 e, por conseguinte, referemse a situações envolvendo contas conjuntas em que os cotitulares apresentam declaração de rendimento em separado. Diferentemente disso, no caso em questão o cônjuge do recorrente figura em suas Declarações de Ajuste Anual – DAA na condição de dependente (fls. 54/79), ou seja, como não houve a apresentação de DAA em separado, inaplicável ao caso referida Súmula. Com o intuito de infirmar o lançamento relativo aos depósitos bancários, alega o recorrente que 89% dos R$ 163.806,07 desse valor não se constitui em renda por ele auferida. Sobre essa questão, convém asseverar que o inciso I do § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 expressamente dispõe que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua gênese comprovada de forma individual, com a apresentação de documentos que demonstrem a sua origem e a indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova, como já mencionado, recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando a esse indicar uma fonte genérica para comprovar um ou mais créditos havidos em seu movimento bancário. A esse respeito, reputo acertada a análise contida na decisão de primeira instância que concluiu que os documentos apresentados pelo sujeito passivo (fls. 400/855) não se mostraram hábeis a comprovar a origem dos recursos que transitaram por suas contas bancárias. No caso dos R$ 24.385,00 que, segundo o recorrente, seriam valores correspondentes a transferências de conta de mesma titularidade, percebese que a “Tabela 02 – Valores Desconsiderados”, constante do Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fl. 194), demonstra que referida quantia foi desconsiderada pela fiscalização quando da lavratura do Auto de Infração. Aliás, os valores desconsiderados pela fiscalização (R$ 24.935,00) são, inclusive, superiores aos apontados no laudo e nas planilhas de fls. 825, referidos na peça recursal. Com relação aos demais valores cuja origem o sujeito passivo insiste ter comprovado, entendo não haver o que acrescentar ao exame empreendido na decisão vergastada, segundo a qual: Com referência aos depósitos justificados na planilha anexa ao laudo contábil (fls. 412/421), como sendo Acordos Processos Judiciais e custas processuais, o contribuinte não anexou aos autos quaisquer documentos que comprovassem essas afirmações, portanto não há como considerálas. [...] Também não restou comprovada a alegação de que em 21/06/2005, houve um DOC no valor de R$ 920,12, que foi computado em duplicidade pelo banco. Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 15 27 Quanto ao pleito de desconsideração do cheque no importe de R$ 3.000,00, que fora depositado na conta n° 010020134, na agência 0708, do banco 151, que não chegou a constituir renda ao lmpugnante, observese que tal valor sequer integrou este levantamento, conforme se verifica às fls.158. No que tange ao pedido de exclusão da tributação o valor de R$ 44.680,00, da mesma forma, não foram trazidos aos autos documentos que comprovassem que tal valor está contido no valor tributável de R$ 163.806,07, apurado pela fiscalização. Frisese que, não tendo sido comprovada a origem de quaisquer dos valores creditados nas contas bancárias do recorrente, não há que se falar na aplicação do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 ao caso como forma de afastar o lançamento, visto que a soma dos valores abrangidos na autuação equivalem a 163.806,09 e os créditos bancários inferiores a R$ 12.000,00, somam quantia que ultrapassa os R$ 80.000,00 previstos no dispositivo suscitado (vide Termo de Constatação e Intimação Fiscal – Fls. 192/212). Por fim, a respeito da dedução das despesas com o escritório, que o recorrente requer sejam deduzidas do lançamento, além representar retificação indevida da declaração, o que contraria o § 1º do art. 147 do CTN, não há como vincular tais despesas ao custeio das atividades que levaram o contribuinte a auferir os rendimentos omitidos da tributação. Por todas essas razões, entendo que não se devam acolher os argumentos apresentados na peça recursal acerca dessa matéria. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário de modo a excluir do lançamento os valores relativos ao anocalendário 2002, por terem esses sido alcançados pela decadência. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1124DF CARF MF 28 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Em que pese as bem colocadas razões do D. Relator, tenho entendimento diverso no que toca à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Na realidade, considero ser aplicável à espécie a Súmula CARF nº 29, dantes transcrita. Recordando, temse que duas das três contas bancárias cujo exame deu azo à infração as contas mantidas nos bancos Nossa Caixa e Real são incontestavelmente contas de titularidade conjunta com o cônjuge do recorrente, que consta como sua dependente nas DIRPFs dos anoscalendário examinados (fls. 54 e ss). Observese, também, que não se trata aqui de declaração conjunta, ou melhor, declaração de rendimentos conjunta, pois a dependente não ofereceu quaisquer rendimentos à tributação nessas DIRPFs. Então, deve ser reconhecido que o simples fato do cônjuge do contribuinte constar como dependente na sua DIRPF não consubstancia suporte suficiente para o entendimento segundo o qual, em decorrência, estaria o autuado a par de todas as das movimentações bancárias que foram realizadas nas contas bancárias de titularidade conjunta dessas pessoas físicas, de modo a poder comprovar sua origem nos termos demandados pela fiscalização. Decerto a dependente poderia nelas ter efetuado saques, depósitos, transferências, etc., sem que necessariamente o autuado soubesse dessas movimentações. Nessa toada, era necessário que todos os titulares das contas em apreço fossem intimados a justificar a origem dos depósitos, para a correta apreensão da materialidade do fato gerador do imposto de renda pessoa física na situação, forte no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o que não ocorreu no caso. Por conseguinte, impõese a aplicação da Súmula CARF nº 29, em observância do disposto no art. 72 do Anexo II do RICARF. Mais: com a exclusão desses depósitos, temse que os créditos remanescentes objeto de justificação, atinentes à conta nº 704253 do Banco do Brasil S/A., são todos inferiores a R$ 12.000,00 e não atingem a cifra total de R$ 80.000,00, como evidencia o demonstrativo de fl. 309, integrante do lançamento fiscal. Tal fato atrai a incidência da Súmula CARF nº 61, aprovada pela Segunda Turma da CSRF em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 16 29 R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. De rigor, portanto, aplicar as referidas Súmulas ao caso concreto, cancelando se a infração em comento. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; não conhecer de razões aditivas apresentas após o recurso; reconhecer a decadência para os valores relativos ao anocalendário de 2002 e, no mérito, darlhe provimento parcial no sentido afastar do lançamento a apuração relativa aos depósitos bancários. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1126DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.015001/2001-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997
AUTO DE INFRAÇÃO - PROCESSO JUDICIAL - COMPROVAÇÃO
Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial, e o sujeito passivo demonstra a existência desta ação, bem como que figura no polo ativo, deve-se reconhecer a improcedência do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento.
Numero da decisão: 9303-004.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 50 01 /2 00 1- 12 Fl. 361DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3803002.296, de 24 de janeiro de 2012 (fls. 254 a 258 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o auto de infração, conforme acórdão assim ementado in verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 NORMAS PROCESSUAIS. O lançamento decorrente de auditoria interna na DCTF cuja motivação da autuação tenha sido processo judicial não comprovado, ocorrendo sua comprovação, não há que ser mantido sob outra alegação. O processo em exame versa sobre lançamento eletrônico originado de auditoria interna de DCTF, realizada pela DEFIC/SPO, em que foi apurada falta de recolhimento dos débitos de PIS de janeiro a junho de 1997, conforme auto de infração de fls. 28/30. Em impugnação ao lançamento, às fls. 1/12, o Contribuinte alegou: a) que a autuação é nula de pleno direito, vez que não foi cientificada do lançamento, como se observa no campo 8 do auto de infração, que não apresenta a assinatura de seu representante legal; b) que assinalou ter havido infringência do princípio constitucional da publicidade dos atos administrativos, com consequente violação do direito ao contraditório e à ampla defesa, assegurado pelo art. 5° da CR/88; Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13807.015001/200112 Acórdão n.º 9303004.994 CSRFT3 Fl. 362 3 c) quanto ao mérito, haver compensado os débitos lançados com créditos do próprio PIS amparada pela Medida Cautelar n.° 95.00430240, cuja petição inicial anexou aos autos, fls. 35/49,concluindo daí que, estando os débitos extintos por compensação, não há que se falar em falta de recolhimento; d) o nãocabimento, no caso, da multa imposta, uma vez que não houve prestação de informações inexatas às autoridades fiscais, mas tão somente erro de fato no preenchimento da DCTF. No julgamento da lide, a DRJ/SPO I consignou ser infundada a alegação de nulidade suscitada pelo Contribuinte. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, e o colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Do relatório da decisão recorrida extraio: No curso dessa atividade, a citada delegacia levantou as compensações realizadas pela contribuinte, em que contrapôs seus créditos à exigência do PIS do anocalendário 1998 em outro auto de infração decorrente de auditoria de DCTF, que constituiu o processo administrativo nº 19679.005330/200306. O resultado foi consubstanciado no Parecer DRF/TSR/SACAT n°: 0498/2006, constante às fls. 74 /75, do qual se extrai o excerto abaixo: Passamos à análise propriamente dita: 1. as ações judiciais tiveram o seguinte andamento: • liminar deferida na Medida Cautelar 95.00430240 para que a impetrante compensasse os valores recolhidos a maior (com base nos Decretos Leis n° 2.445/88 e 2.449/88) a titulo de PIS, com parcelas vincendas do próprio PIS, calculado nos termos da Lei Complementar n° 7/70 e com parcelas vincendas do COFINS (fls.17 a 19); • a sentença proferida na Ação Ordinária 95.00480581 declarou ser inexigível o recolhimento do PIS com as alterações introduzidas pelos DecretosLeis n° 2445/88 e 2449/88, subsistindo nos termos da Lei Fl. 363DF CARF MF 4 Complementar n° 7/70 e reconheceu o direito à compensação do PIS próprio PIS, observada a prescrição quinquenal (fls.38 a 46); • a Apelação da União foi recebida nos efeitos suspensivo e devolutivo (fls.70); • o Acórdão negou provimento à Apelação por unanimidade e deu parcial provimento à remessa oficial para fixar a correção monetária conforme os índicesoficiais do Fisco (fls.56 a 65 9 71). Inobstante o órgão julgador externar o que fora consignado no dito parecer, ignorou a constatação da autoridade preparadora quanto à existência de liminar na medida cautelar n° 95.00430240, ação judicial que escudou o procedimento compensatório da contribuinte, informado na DCTF alvo da auditoria. O auto de infração foi motivado por “declaração inexata”, que teria sido prestada pela contribuinte em sua DCTF com a indicação da compensação dos débitos que declarou autorizada pelo processo judicial n° 95.00430240. Tal motivo está claramente marcado pela ocorrência “Proc Jud não Comprovad”, constante do Demonstrativo de Débito integrante da peça de exigência fiscal. Visto assim, ante os elementos constantes dos autos, que o motivo é falso, do que, podese afirmar de outra forma ser inexistente o motivo que respalda o lançamento. Desta maneira, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 262 a 276) em face do acordão recorrido, a divergência suscitada da Fazenda Nacional está fundada no fato de que o acórdão paradigma decidiu por não conhecer do recurso no que trata do direito aos créditos, e, consequentemente, para que se procedesse à compensação com base na ação judicial; no que conheceu, cancelou a multa de ofício aplicada. Para comprovar a divergência foi apresentado, como paradigma, o acórdão n.º 20312.427, proferido pela antiga Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, conforme cópia juntada às fls. 277 a 293. "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep ., Período de Apuração: 31/08/1997 a 31/12/1997 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13807.015001/200112 Acórdão n.º 9303004.994 CSRFT3 Fl. 363 5 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. O contribuinte que busca a tutela jurisdicional abdica da esfera administrativa, na parte que trata do mesmo objeto. COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PERÍODOS DE APURAÇÃO 08/1997 A 12/1997. VALOR DECLARADO EM DCTF COM COMPENSAÇÃO. SALDO A PAGAR REDUZIDO. CONFISSÃO DE DÍVIDA NÃ0 CARACTERIZADA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. LEI Nº 11.051/2004, ART. 25. EXONERAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. No período em que a DCTF considera confissão de dívida apenas os saldos a pagar, os valores declarados como compensados devem ser lançados, sendo as multas de ofício respectivas exoneradas em virtude da aplicação retroativa do art. 25 da Lei na 11.051/2004, que alterou a redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 de modo a determinar o lançamento da multa isolada apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Recurso provido em parte." Do voto condutor do acórdão apresentado como paradigma evidenciase que, naquele processo, o lançamento decorrera de o processo judicial não estar comprovado ("proc. jud. não comprovad") e ter sido apresentado quando da impugnação. No processo judicial discutiase a mesma matéria do caso ora sob análise (exigência do PIS com base nos decretos leis inconstitucionais), mas na DCTF informarase a realização de compensação com os créditos dele decorrentes. No voto vencedor afirmouse que a mera comprovação da existência do processo não bastaria se nele não restasse provada a suficiência dos créditos alegados para a compensação informada na DCTF, o que ficou constatado após a impugnação apresentada, e do que resulta a falta de recolhimento de tributo, motivo, em última análise, do lançamento, nas palavras do redator designado. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 294 a 296, sob o argumento que foi apresentada decisão em sentido diverso do acórdão Fl. 365DF CARF MF 6 recorrido, considerando que o pressuposto fático do lançamento é, no fundo, a inexistência dos créditos alegados com base na ação judicial informada na DCTF, e não simplesmente a inexistência do processo judicial referido, assim ficando comprovada a divergência jurisprudencial. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 301 a 317, em que manifestou pelo não provimento do recurso interposto pela Fazenda Nacional e manter o v.acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso Especial da Fazenda atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Constatase que o fundamento para o provimento do Recurso Voluntário ora combatido diz respeito à motivação inadequada do Auto de Infração. Entendeu o julgador a quo que o Auto de Infração seria nulo porque se fundamentou na suposta inexistência de medida judicial que amparasse a compensação, conforme DCTF apresentada. Tal fato foi apreciado pela DRJ, mas inobstante o órgão julgador externar o que fora consignado no parecer da DRF/TSR/SACAT n°: 0498/2006, constante às fls. 74 /75, ignorou a constatação da autoridade preparadora quanto à existência de liminar na medida cautelar nº 95.00430240, ação judicial que escudou o procedimento compensatório da contribuinte, informado na DCTF alvo da auditoria. Desta maneira, manteve o lançamento por motivação diversa (AUDITORIA INTERNA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO REGISTROS CONTÁBEIS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS.). Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13807.015001/200112 Acórdão n.º 9303004.994 CSRFT3 Fl. 364 7 Entendo, que nenhuma ressalva há que ser feita no acórdão recorrido. O auto de infração indicou como único motivo a ausência de medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário (“proc. jud. não comprova”), que posteriormente revelouse improcedente pela constatação da existência do processo judicial. Desta maneira, incontroverso o fato de que houve erro na descrição dos fatos que ensejou o lançamento. O processo judicial informado na DCTF, ao contrário do informado no auto de infração existia e assegurava o direito à realização das compensações efetuadas. O lançamento decorre da suposta inexistência de processo judicial informado como justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos quitados por compensação autorizada em sede de tutela antecipada. A descrição incorreta do fato motivador do lançamento ofendeu o art. 10ª, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, in verbis: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: III a descrição do fato; " (destaquei) Ao não descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se consubstanciaria o motivo do lançamento. A descrição correta dos fatos formam a motivação do lançamento, que significa a descrição dos motivos que ensejam o lançamento, que é responsável pela materialização da obrigação tributária, tornandose possível identificar os sujeitos da obrigação e quantificar o crédito. Com efeito, a motivação é um requisito formal do ato administrativo, que é o lançamento. Um vício de motivação não poderá ser sanado no decorrer do processo Fl. 367DF CARF MF 8 administrativo tributário, não restando outra alternativa, senão a nulidade do ato (auto de infração). A lei processual tributária (Dec. 70.235/72 e Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011) é bem clara ao trazer como requisito do lançamento a descrição dos fatos. Esta 3ª Turma da CSRF vem decidindo, por unanimidade de votos, no sentido de se considerar improcedente o lançamento eletrônico que teve por fundamentação “proc. Jud. Não comprova”, quando comprovada a existência do processo judicial, e que nele houve decisão suspendendo a exigibilidade do crédito, informada na DCTF. Transcrevo excerto do voto condutor do Acórdão nº 9303003.400, de 25 de janeiro de 2016, da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, que foi acompanhado por unanimidade pelos demais membros do colegiado: “A teor do relatado, o Auto de Infração foi lavrado em decorrência de revisão interna de DCTF, relativo ao PIS, em razão da não confirmação da existência do processo judicial indicado para fins de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, conforme se vê do "Anexo I — Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados", da coluna "ocorrência", que consigna "proc.jud. não comprovado".. De outro lado, como bem consignouse no acórdão recorrido, houve erro na motivação do lançamento, posto que o processo judicial informado nas DCTF pela empresa, ao contrário do que informado no auto de infração, existia e, de fato, assegurava a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão. O Processo Administrativo Fiscal exige uma série de requisitos para a formalização do crédito tributário por meio de lançamento de ofício, dentre os quais destacase o da correta fundamentação da acusação fiscal. Isso porque, no estado democrático de direito, a todos os administrados é assegurado, diante de uma acusação, seja administrativa ou judicial, saber os fatos que lhes foram imputados e os fundamentos que justificaram tal acusação. Isso em decorrência de princípios basilares assentados nas constituições democráticas modernas. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13807.015001/200112 Acórdão n.º 9303004.994 CSRFT3 Fl. 365 9 No nosso ordenamento jurídico, os acusados defendemse dos fatos que lhes foram imputados, inconsistentes esses, inconsistente também será a acusação. No caso dos autos, a autuação deuse sob a premissa da inexistência de processo judicial informado como justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto de depósito judicial do montante integral, depósitos esses autorizados em sede de sentença transitada em julgado. Ora, se essa era a acusação, proc jud não comprova, e se o sujeito passivo comprovou a existência tanto da ação quanto da suspensão da exigibilidade do crédito, não resta dúvida de que a acusação fiscal é insubsistente.” No mesmo sentido, os acórdãos 9303003.400 9303003.362, 9303003.307 e 9303003.306, proferidos por este colegiado. Por se tratar de matéria idêntica, a partir dos mesmos fundamentos acima expostos, como no caso dos autos a autuação deuse sob a premissa da inexistência de processo judicial informado, e o sujeito passivo comprovou a existência da ação judicial, não resta dúvida de que a acusação fiscal é insubsistente, por erro em sua motivação, ocasionando a nulidade do lançamento. Desta maneira, corretíssima, pois, a decisão recorrida. Assim, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 369DF CARF MF 10 Fl. 370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907902/2012-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.810
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.809, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 02 /2 01 2- 85 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10875.907902/201285 Acórdão n.º 9303004.810 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10875.907902/201285 Acórdão n.º 9303004.810 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10875.907902/201285 Acórdão n.º 9303004.810 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.905954/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luis Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luis Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira.
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EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 59 54 /2 00 8- 54 Fl. 57DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luis Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF jurisdicionante relativo à Cofins, em virtude de exame de declaração de compensação no qual não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando sua nulidade em sede de preliminar. Entende que teria havido ausência de fundamentação do Despacho Decisório, o qual também considera que desviou de sua finalidade, pois objetivaria apenas a interrupção do prazo decadencial para a homologação das compensações declaradas. Ao final, reitera suas alegações quanto ã nulidade do despacho decisório e pede o reconhecimento de seu direito creditório com a consequente homologação das compensações realizadas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela manutenção do despacho decisório, por entender que as alegações e os documentos trazidos pela Recorrente não comprovariam o pagamento a maior da Cofins. A decisão da DRJ foi assim ementada: "Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Cofins Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 Ementa: RESTITUIÇAOCOMPENSAÇAO. Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando o pleito pela nulidade do despacho decisório e não apresenta nenhuma alegação contra o mérito do despacho decisório. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11020.905954/200854 Acórdão n.º 3201002.763 S3C2T1 Fl. 58 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente alega a nulidade do despacho decisório por não atender as exigências de motivação e finalidade. Entendo não assistir razão ao recurso, A Recorrente foi cientificada do despacho decisório e apresentou sua manifestação de inconformidade alegando questões preliminares sem adentrar a devida comprovação do crédito pleiteado. O julgamento da primeira instância foi claro ao decidir pela manutenção do despacho diante da ausência de comprovação documental dos créditos pleiteados pela Recorrente. Cientificada da decisão da primeira instância, apresentou seu recurso voluntário trazendo em linhas gerais, as mesmas alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade e não trouxe nenhuma informações ou documentos que pudessem levantar qualquer dúvida quanto as conclusões do trabalho fiscal. Não apresentando nenhuma contestação objetiva sobre a comprovação do créditos, tampouco indicou a origem dos supostos créditos pleiteados no pedido de compensação. Novamente se resumiu a questões preliminares e quanto ao mérito, reafirma que a obrigação é da Receita Federal em buscar a verdade material e apurar os créditos alegados pela Recorrente. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de informações não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação, necessitando de prova clara e inconteste do direito creditório. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar indicação clara das provas a comprovar as suas alegações. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 59DF CARF MF 4 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.721018/2013-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
RECURSO DE OFICIO. NÃO CONHECIMENTO - Valor exonerado, na data do julgamento, inferior ao disposto no Artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008 aplivabilidade da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
ATIVIDADE RURAL - DEDICAÇÃO EXCLUSIVA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - TRIBUTAÇÃO - Devem ser oferecidos à tributação os rendimentos da atividade rural, sob o regime de caixa, nos termos dos arts. 17 a 21 da Lei nº 9.250/95, c/c o art. 2º da Lei nº 7.713/88. Havendo omissão deve ser considerado lícito o lançamento realizado com base no Art. 42 da Lei nº 9.430/96.
MULTA DE OFICIO. QUALIDICADORA. EXCLUSÃO - Excluida a qulificadora da multa nos termos da Súmula CARF nº 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo."
Numero da decisão: 2402-005.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso de ofício e conhecer do recurso voluntário, para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial no sentido de excluir a qualificação da multa. Vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator) que dava provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. Votaram pelas conclusões quanto ao mérito os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros:Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Tulio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009 RECURSO DE OFICIO. NÃO CONHECIMENTO - Valor exonerado, na data do julgamento, inferior ao disposto no Artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008 aplivabilidade da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. ATIVIDADE RURAL - DEDICAÇÃO EXCLUSIVA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - TRIBUTAÇÃO - Devem ser oferecidos à tributação os rendimentos da atividade rural, sob o regime de caixa, nos termos dos arts. 17 a 21 da Lei nº 9.250/95, c/c o art. 2º da Lei nº 7.713/88. Havendo omissão deve ser considerado lícito o lançamento realizado com base no Art. 42 da Lei nº 9.430/96. MULTA DE OFICIO. QUALIDICADORA. EXCLUSÃO - Excluida a qulificadora da multa nos termos da Súmula CARF nº 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo."
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso de ofício e conhecer do recurso voluntário, para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial no sentido de excluir a qualificação da multa. Vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator) que dava provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. Votaram pelas conclusões quanto ao mérito os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros:Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Tulio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
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NÃO CONHECIMENTO Valor exonerado, na data do julgamento, inferior ao disposto no Artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008 aplivabilidade da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. ATIVIDADE RURAL DEDICAÇÃO EXCLUSIVA DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTAÇÃO Devem ser oferecidos à tributação os rendimentos da atividade rural, sob o regime de caixa, nos termos dos arts. 17 a 21 da Lei nº 9.250/95, c/c o art. 2º da Lei nº 7.713/88. Havendo omissão deve ser considerado lícito o lançamento realizado com base no Art. 42 da Lei nº 9.430/96. MULTA DE OFICIO. QUALIDICADORA. EXCLUSÃO Excluida a qulificadora da multa nos termos da Súmula CARF nº 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 10 18 /2 01 3- 50 Fl. 3013DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso de ofício e conhecer do recurso voluntário, para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, darlhe provimento parcial no sentido de excluir a qualificação da multa. Vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator) que dava provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. Votaram pelas conclusões quanto ao mérito os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros:Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Tulio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 3014DF CARF MF Processo nº 11020.721018/201350 Acórdão n.º 2402005.830 S2C4T2 Fl. 3.013 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (Fls. 2982 a 3002) interposto contra decisão proferida no 1046.149 4ª Turma da DRJ/POA (Fls. 2951 a 2970) onde, por unanimidade de votos, os membros da 4ª Turma de Julgamento, acordaram em indeferir as preliminares por entender incabíveis, indeferindo o pedido de perícia por acreditar ser prescindível e, no mérito, julgar procedente em parte a impugnação excluindo parte dos créditos lançados, caracterizados por depósitos bancários com origem não comprovada. Em suma, verificase que o Recurso foi articulado com o objetivo de obter Acordam de nulificação integral do lançamento, fundamentando sua pretensão em alegado prejuízo ao contraditório e ampla defesa em razão de erros e omissão na identificação das contas bancárias onde foram processadas as operações tomadas por base para o lançamento, bem como pelo fato de, conforme tese recursal, ser impossível fundamentar o auto com base apenas em extratos bancários. Subsidiariamente, busca nulificação do auto de infração em razão da negativa de perícia que entende essencial para evitar o "bisinidem" sobre as receitas de atividade rural. Pedindo que seja excluída a da receita omitida o valor de R$ 42.030,00 pago pela empresa Agropecuária Schio Ltda alegando ter sido regularmente oferecida à tributação. E por último, que sejam excluídas as operações devidamente comprovadas pelo contribuinte conforme documentação juntada e perícia a ser realizada, conforme já requerido. Por derradeiro, requer o afastamento da multa aplicada por ausência de fraude. Em complementação ao presente relatório adotaremos as narrativas de fatos e fundamentos do Acórdão recorrido: "O contribuinte supraidentificado foi autuado e intimado a recolher imposto no valor de R$2.018.785,41 ou impugnar o lançamento que lhe deu origem. O crédito tributário tem como origem: a) omissão de rendimentos tributáveis decorrentes da atividade rural nos anos de 2008 e 2009, conforme descrição e enquadramento legal da folha 1613. Enquadramento Legal: Arts. 1º a 8º, e 13 a 22 da Lei nº 8.023/90; arts. 9º, 17 e 18 da Lei nº 9.250/95; art. 59 da Lei nº 9.430/96; art. 57 a 64, 71 e 83 do RIR/99; art. 1º, inciso II, III e parágrafo único da Lei nº 11.482/07, antes e posterior a redação dada pela Lei nº 11.945/09. b) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Enquadramento Legal: Art. 37, 38, 83 e 849 do RIR/99 e art. 58 da Lei nº 10.637/02 c/c o art. 106, inciso I da Lei nº 5.172/66 e art. 42 da Lei nº 9.430/96; art. 1º inciso II, III e parágrafo único da Lei nº 11.482/07, antes e posterior a redação dada pela Lei nº 11.945/09. O Termo de Verificação Fiscal – TVF das folhas 1626 a 1642 descreve o procedimento fiscal e a motivação para o lançamento. Fl. 3015DF CARF MF 4 O contribuinte apresentou impugnação em 02/05/2013 alegando o que segue: a) preliminarmente, requer a nulidade do lançamento argumentando que é impossível qualquer defesa sem identificar os depósitos considerados como de origem não comprovada se os mesmos não forem especificados individualmente, conforme folha 2897; b) que é nulo o lançamento por ter como base os extratos bancários e a inversão do ônus da prova contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 em flagrante contrariedade ao inciso LV do art. 5º da Constituição Federal – CF; c) que os rendimentos apontados pela fiscalização como auferidos pelo contribuinte através do exame dos depósitos bancários, somente podem ter origem na atividade rural, única do contribuinte e, portanto, sujeita a tributação de 20% da Receita Bruta; d) que a fiscalização reconheceu que os rendimentos seriam da atividade rural por não têlos tributado mensalmente como no caso de rendimentos auferidos por pessoa física, fazendo o, equivocadamente, na DAA sem considerar que os rendimentos da atividade rural estão limitados a 20% da receita bruta; e) que os rendimentos apontados pela fiscalização como omitidos tiveram origem na atividade rural e, nesta condição, já haviam sido tributados. Aduz, ainda, que os depósitos cuja origem foi aceita pela fiscalização, dizem respeito a transferências entre contas de mesma titularidade; f) que a fiscalização promoveu um verdadeiro bis in idem, a partir dos extratos bancários do contribuinte, não deduzindo os valores tributados na atividade rural e contabilizados no seu Livro Caixa, acobertados por Notas Fiscais de Produtor – NFP; g) que o lançamento requer a realização de prova pericial para qual indica o sr. Marco Aurélio Trindade da Rosa, inscrito no CRC/RS sob nº 56.806/02, com endereço profissional na Av. Ipiranga nº 607, sala 402, POA/RS, conforme previsão no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72; h) que em relação a receita da atividade rural no valor de R$42.030,00 recebido em 04/01/2008 através de depósito bancário realizado pela Agropecuária Schio Ltda., CNPJ nº 91.501.783/000819, informa que tal rendimento foi registrado com base na NFP nº 315739, emitida em 17/12/2007 e reconhecida na DAA do ano de 2007; i) que a omissão da receita de R$27.000,00 fruto do depósito realizado por Gelson Antônio Meotti – EPP, CNPJ nº 05.513.380/000181, em 24/06/2009, decorre da NFP nº 504266, emitida em 25/06/2009, cujo valor líquido da receita é de R$26.379,00 e registrado no Livro Caixa de 2009, logo, não há como considerálo omitido nos depósitos de origem não comprovada; j) que a fiscalização considerou os lançamentos efetuados a título de Funrural como integrante da receita bruta da atividade com o que não concorda o impugnante sob o argumento de que os lançamentos são exatamente equivalentes em termos de resultado tributário e que o erro foi cometido pela fiscalização quando aponta de um lado a omissão de receita e não promove o reconhecimento da respectiva despesa e, nem aplica o limitador de 20% da receita; k) que não admite a aplicação da multa qualificada de 150% em razão da conduta anterior que se mostra neutra em termos tributários; l) que a receita da atividade rural aumentada pelas glosas das despesas somadas aos depósitos de origem não comprovada não podem ultrapassar o limite de 20% da Fl. 3016DF CARF MF Processo nº 11020.721018/201350 Acórdão n.º 2402005.830 S2C4T2 Fl. 3.014 5 receita bruta, conforme determina o parágrafo único do art. 5º da Lei nº 8.023/90. O contribuinte requer que, devido a glosa de despesas, o resultado tributável da atividade rural utilizado como base de incidência do IRPF não pode ser superior a 20% da receita bruta obtida na atividade; m) que não concorda com a glosa de despesas com telefone utilizado para concretizar negócios decorrentes da atividade rural; n) que devem ser considerados os documentos anexados a impugnação referentes a despesas glosadas por falta de documentos e que os juros dos financiamentos também devem ser considerados como despesas da atividade; o) que os valores indicados no item II.7 (fl. 2909) foram lançados indevidamente conforme descrição; p) que não é procedente a qualificação da multa visto que não está comprovado o intuito de fraude e que, juntamente com a multa de ofício assume caráter confiscatório; q) que é inadmissível a aplicação da taxa SELIC por ser remuneratória de títulos e inaplicável aos créditos tributários. Pelo exposto, requer a nulidade do lançamento por prejuízo ao contraditório, decorrente de erros e omissões, pela impossibilidade de fundamentar o auto a partir apenas de extratos. Subsidiariamente, requer que os depósitos e rendimentos sejam limitados a 20%, que seja afastado o bis in idem lançados como depósitos bancários mas informados como receita da atividade rural e reconhecida pelo contribuinte visto a emissão de NFP e escrituração no Livro Caixa. Requer, ainda a exclusão das receitas da atividade rural identificadas pelo contribuinte e já tributadas e a exclusão do Funrural como receita, visto que deduzidas nas notas fiscais de venda, exclusão das glosas de despesas comprovadas e exclusão de depósitos com origem comprovada, além de afastar as multas aplicadas e a taxa SELIC." Em seu recurso, repisa dos argumentos da impugnação. É o Relatório. Fl. 3017DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Consta dos autos Recurso de Oficio, entretanto, considerando que o valor objeto redução quando da prolação da decisão de primeira instancia é inferior ao valor de alçada para interposição do recurso em questão, voto por dele nao conhecer. O Recurso Vonluntário encontrase apto ao julgamento, eis que é tempestivo e preenche às demais condições de admissibilidade previstas na legislação referente. A peça recursal foi articulada visando a nulificação do lançamento e, alternativamente, a exclusão de créditos com base em documentos juntados, além da redução da multa por ausência de fraude. Como primeiro ponto de sua tese, o Recorrente alega ausência de identificação plena das contas bancárias que continham o registro das operações em relação as quais o contribuinte não logrou comprovar a origem, pois, as planilhas analíticas de referência (fls 15751594) continham erro no cabeçalho. É preciso registrar que o tema foi suscitado na primeira instância, recebendo análise detida por parte do relator em seu voto, tendo manifestadose nos seguintes termos: "O contribuinte alega cerceamento do direito de defesa pelas razões expostas no item II.1 (fls. 2897 e 2898) da peça impugnatória. Alega que há duas planilhas com a mesma conta do Banco do Brasil S.A., Agência 01708, c/c nº 10.173X com valores distintos. De fato, o cabeçalho da planilha analítica com os valores não comprovados do Banco Santander, c/c nº 10010166 foi impressa equivocadamente com a conta do Banco do Brasil S/A e folha 1587 referente ao Banco Bradesco S/A, c/c 00181536, Agência 1393, todavia, consolidada de forma correta no demonstrativo da folha 1595 e, facilmente identificado o equivoco visto que reproduz a planilha do Termo de Fiscal nº 06/2012 das folhas 1023 a 1041 onde consta a mesma planilha com indicação do Banco Santander. O mesmo argumento explica o fato do contribuinte alegar a falta de demonstrativo analítico dos depósitos não comprovados na planilha da folha 1595. Quanto a ocorrência de duas contascorrentes na Agência nº 440, o mesmo nº 39.024897.00 e com valores distintos, cabe observar as planilhas analíticas das folhas 1585 e 1586 que informam que uma das contas referese a variação poupança com o mesmo número. Portanto, plenamente identificados os depósitos de forma individualizada e consolidados nas planilhas que acompanham o lançamento permitindo que o contribuinte exerça plenamente seu direito de contraditório e ampla defesa." Refizemos o iter indicado pelo Recorrente e pelo Relator e, confrontando as informações apresentadas e os documentos acostados aos autos, nossa conclusão foi a mesma Fl. 3018DF CARF MF Processo nº 11020.721018/201350 Acórdão n.º 2402005.830 S2C4T2 Fl. 3.015 7 do Relator da DRJ. Em nosso sentir, não são procedentes as alegações de nulidade, pois não verificamos qualquer prejuízo à defesa, pois, a mesma planilha pode ser verificada com as indicações corretas nas folhas 1023 a 1041. Quanto as demais questões relativas as planilhas não verificamos existência de erro algum, conforme já esclarecido no voto preferido em primeira instância. Seguindo em nossa análise da peça recursal verificamos a reprise do argumento de que não é possível realizar lançamento tributário com base apenas em extratos bancários. Quanto ao tema, recorrente neste colegiado, nosso entendimento firmase no sentido da legalidade. Tratase de expediente previsto na Lei 9.430/1996 que, em seu Art. 421, atribuí ao contribuinte o ônus de demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. A conseqüência normativa da não demonstração da origem destes recursos é a presunção júris tantum de que tais recursos representam receitas ou rendimentos omitidos. Tal comprovação deve ser realizada por meio de documentos hábeis e idôneos, de modo detalhado e individualizado, permitindo a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. A caracterização de disponibilidade de renda omitida, em casos como esses, reside não só na verificação de existência de depósitos em conta corrente ou de investimento2 não declarados, mas, na impossibilidade do contribuinte, após regularmente notificado, prestar 1 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) 2 O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 61. Fl. 3019DF CARF MF 8 esclarecimentos de tais operações de modo individualizado, juntando documentos hábeis e idôneos, capazes de demonstrar a origem e natureza de cada operação e ainda suportar sua desclassificação como renda tributável. Verificadas as condições definidas em lei para gerar a presunção de ocorrência renda omitida fica também o fisco dispensado de comprovar o seu consumo. Trata se de entendimento já consolidado no âmbito desta instituição, conforme Súmula CARF nº 26: "Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada." Esse entendimento é reforçado pela jurisprudência do STJ Superior Tribunal de Justiça que já se manifestou pela inaplicabilidade da Súmula 182/TRF que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242) e se posicionado no sentido da licitude do citado dispositivo: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015)" Noutras palavras, o procedimento de apuração de rendimentos omitidos em questão não toma por base apenas nos extratos, mas na ausência de comprovação da origem dos rendimentos auditados, ou seja, é procedimento que exige a participação do contribuinte no processo de apuração, o que ocorreu no presente caso, sendo os documentos acostados insatisfatórios para fins de comprovação de origem de rendimentos. Por esta razão, este argumento não deve prosperar. O recorrente sustenta que seus rendimentos têm origem em Atividade Rural e por conseqüência deveriam ser tributados sob base de cálculo presumida em 20%. A decisão recorrida não acolheu o a tese por entender que "não comprovando a origem dos rendimentos, o fisco os considera como rendimentos não decorrentes da atividade rural, visto que os Fl. 3020DF CARF MF Processo nº 11020.721018/201350 Acórdão n.º 2402005.830 S2C4T2 Fl. 3.016 9 depósitos desta atividade foram considerados de origem comprovada, conforme apontado no Relatório Fiscal (fls. 1632)." Contudo, analisando as declarações de Imposto de Renda do Recorrente (Fls 12 a 22) verificamos que toda sua estrutura patrimonial é voltada ao exercício de Atividade Rural com diversas glebas e maquinário suficiente para gerar movimentação compatível com as operações em discussão e que o mesmo juntou diversas Notas Fiscais de Produtor Rural e ainda diversos títulos de Propriedades Rurais. No processo em questão, não há qualquer indicativo da existência de rendimentos proveniente de atividade diversa da Rural. Não há dentre os bens e direitos declarados pelo Recorrente qualquer participação em empresas, investimentos em ações, imóveis não rurais ou aplicações financeiras de grande volume, tão pouco o agente fiscal indiciou qualquer possibilidade de renda diversa da Rural, o que corrobora a declaração recursal de que sua renda é proveniente, exclusivamente, desta fonte. Com esteio nesse fato, qualquer omissão do Recorrente deveria ser tributada nos termos da Lei n.° 8.023, 1990, uma vez que a própria Lei n.° 7.713, 1988, art. 49, exclui os rendimentos da atividade rural de seu âmbito de aplicação. Cabe registrar que na atividade Rural, devido as suas características próprias, a apuração de omissão de rendimentos deve ser de forma anual. Ou seja, não se deve esperar, por exemplo, que as NFPR sejam claramente vinculadas aos valores recebidos eis que, não raro, os pagamentos ocorrem em prazos posteriores e muitas vezes na medida e proporção em que os produtos entregues são vendidos revendidos pelo adquirente. Esta é a metodologia mais adequada para apuração dos rendimentos, não sendo razoável desconsiderar as Notas Fiscal de Produtor Rural juntadas pelo simples fato de não serem idênticas em valor e competências diversas aos respectivos depósitos, tão pouco aceitável confundir forma de apuração com regime de apuração. O regime especial de tributação dos produtores rurais pessoas físicas, com rendimentos exclusivos dessa atividade, segue o disposto na Lei n° 8.023/90, devendo a apuração de rendimentos ainda que com base em depósitos bancários na forma do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 obedecer àquele regime especial, de maneira a manter a autuação, limitando, porém, a base de calculo a 20 % (vinte por cento) da omissão apontada. O entendimento ora manifestado por este relator encontra acolhimento na Jurisprudência desta casa como se constata dos Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas: "ATIVIDADE RURAL DEDICAÇÃO EXCLUSIVA DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTAÇÃO Identificada a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, via presunção legal, o contribuinte que se dedica exclusivamente à atividade rural fica submetido ao regime de tributação definido na Lei n. 8.023, de 1990, que limita a base de cálculo da incidência em 20% (vinte por cento) da omissão apurada. Recurso especial parcialmente provido." (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais — Recurso n°106135,060 — Acórdão ir CSRF/0400.468, Sessão de 13/12/2006) Fl. 3021DF CARF MF 10 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPFExercício: 1998, 1999, 2000 DEPOSITOS BANCÁMOS RECURSOS PROVENIENTES DA ATIVIDADE RURAL OMITIDA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Demonstrado, pelos meios de provas existentes nos autos, que a movimentação financeira do sujeito passivo decorre do exercício de atividade rural cuja tributação foi omitida, ainda que parcialmente, a exigência do crédito tributário, por força do disposto no artigo 42, § 2°, da Lei n°9.430) de 1996, deve se dar em conformidade com o artigo 5° da Lei n° 8.023, de 1990. Recurso especial negado." (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais — Recurso n° 104142.038 — Acórdão n° CSRF/04 00.801, Sessão de 03/03/2008) "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPFExercício: 2000, 2001, 2002 EMBARGOS INOMINADOS LAPSO MANIFESTO Verificada no julgado a existência de incorreções devidas a lapso manifesto, é de se acolher os Embargos Inominados. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM ATIVIDADE RURAL O lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, com fundamento no art. nº 42, da Lei n°. 9.430, de 1996, é incompatível com o reconhecimento, por parte da fiscalização, de que ditos depósitos tiveram origem no exercício da atividade rural. Nessa hipótese, eventuais diferenças não tributadas devem ser exigidas com base na legislação especifica da atividade rural. Embargos acolhidos. Acórdão retificado. Recurso provido." (4" Câmara do 1° Conselho — Recurso nº 153.295 Acórdão n 10423.376, Sessão de 07/08/2008) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRODUTOR RURAL. EXCLUSIVA ATIVIDADE RURAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL/ESPECIFICO. Os contribuintes que, comprovadamente, exercem exclusivamente atividades rurais, estão submetidos à regime de tributação especial/especifico, contemplado pela Lei nº 8.023/1990, impondo a compatibilização desta norma com o disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, a propósito da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada limitandose, assim, a base de cálculo a 20% (vinte por cento) da omissão apurada, nos precisos termos do artigo 50 da lei especifica retro mencionada. Recurso especial negado. Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF – 2ª Turma da 2ª Câmara/ACÓRDÃO 920200.762 em 13.04.2010." Importante ressaltar que estamos nos posicionando quanto ao regime adequado de tributação aplicável à parcela de rendimentos não declarados, pois, o fato de não utilizar corretamente o livro caixa não o retira do regime tributário em questão, mas apenas altera a forma de apuração, pois, ainda que a forma de apuração tenha sido aquela prevista no Art. 42 da Lei 9.430/96, considerando não haver qualquer indício de que tais rendimentos tiveram origem em atividades não rurais, salvo as que excepcionamos neste voto, deve ser mantido o regime tributário próprio da atividade e arbitrado o tributo com a base de cálculo prevista em lei especifica do setor. Fl. 3022DF CARF MF Processo nº 11020.721018/201350 Acórdão n.º 2402005.830 S2C4T2 Fl. 3.017 11 Sendo assim, o lançamento merece ser revisado para que seja aplicado o disposto na Lei 8.023/90, reduzindose a base de calculo à 20% dos rendimentos apurados com base em depósitos sem origem comprovada. Ficam excepcionados os valores declarados pelo próprio Recorrente como sendo ingressos decorrentes de empréstimos tomados pelo contribuinte, porém sem documentos que suporte a operação: Data Documento Valor Folha Obs 13/05/2008 3315089 R$ 18.000,00 1576 Empréstimo tomando junto a Raul Tochedo 13/05/2008 3314956 R$ 34.000,00 1576 Empréstimo tomando junto a Pedro Tochedo 29/09/2008 440 R$ 30.000,00 1584 BNO TR VALOR Com relação a realização de perícia, o pedido visava demonstrar que as operações tinham origem em atividade rural, considerando o entendimento exarado, entendemos por totalmente dispensável, eis que o Art. 42 da Lei 9.430/96 admite a presunção da ocorrência de omissão de rendimentos, mas não a presunção de descaracterização das receitas como exclusivamente rurais, cabendo ao fisco demonstrar, nestes casos, que a origem dos ingressos é decorre de fonte diversa da rural. Por fim, quanto a penalidade agravada, Com relação à multa de ofício aplicada, o percentual é exatamente aquele previsto para a espécie no art. 44, inciso I, da Lei no 9.430/1996, na redação vigente na época dos fatos geradores. Conclusão Pelos fatos e fundamentos expostos voto no sentido de conhecer do recurso para no mérito darlhe parcial provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 3023DF CARF MF 12 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Compulsando os autos, verificase que o recurso de ofício foi interposto visto que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de crédito tributário, entre principal e multas, superior a R$ 1.000.000,00, limite então estabelecido pelo art. 1º da Portaria MF nº 03/2008, com amparo no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. Sem embargo, tal limite foi majorado pela Portaria MF nº 63, de 10/2/2017, que revogou a Portaria MF nº 03/2008: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Tratandose de norma de ínsito caráter processual, deve ser ela aplicada de imediato aos julgamentos em curso, nos termos da Súmula nº 103 do CARF: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Assim, totalizando a exoneração promovida pela vergastada R$ 1.121.145,54 (ver fl. 2972), montante inferior ao valor de alçada fixado pela Portaria MF nº 63/17, não deve ser conhecido o recurso de ofício. Por outro lado, dissinto, com a devida vênia, das razões constantes no voto do D. Relator, de um modo geral. Primeiramente, cabe notar que as considerações ali tecidas cingemse à infração de omissão de rendimentos apurada com base em depósitos de origem não comprovada. Passando a esse ponto, e concordandose com o relator quanto à inexistência de nulidade na espécie, deve ser de início refutado o pedido de perícia, visto que, ainda que se aponte o nome do profissional a realizála, tal feito não basta para a fundamentar. Noto que o contribuinte alega a ocorrência de bis in idem por terem sido considerados depósitos sem origem comprovada lançamentos que estariam documentados por notas fiscais, mas não traz exemplo sequer de situação em que isso tivesse ocorrido, além das que já foram devidamente analisadas pela instância recorrida. No caso dos autos, não se vislumbra a necessidade de conhecimentos técnicos especializados para a formação de convicção acerca dos fatos, podendo os pares deste Colegiado realizarem perfeitamente a análise dos documentos colacionados, sem a realização da perícia cogitada. Destarte, deve ser rejeitado tal pedido. Fl. 3024DF CARF MF Processo nº 11020.721018/201350 Acórdão n.º 2402005.830 S2C4T2 Fl. 3.018 13 Noutro giro, não há como acatar o argumento do relator no sentido de que não havendo "qualquer indício de que tais rendimentos tiveram origem em atividades não rurais, salvo as que excepcionamos neste voto, deve ser mantido o regime tributário próprio da atividade e arbitrado o tributo com a base de cálculo prevista em lei especifica do setor". Destaquese que no caso em comento restou sem comprovação montante considerável de depósitos bancários, sendo que a mera ausência de evidência de que o contribuinte tenha atividades outras que a rural não é suficiente para inverter o ônus de prova a ele atribuído por força do art. 42 da Lei nº 9.430/96, à míngua de qualquer permissivo normativo nesse sentido. Anotese que as receitas comprovadamente associadas à atividade rural, e que haviam sido omitidas do conhecimento do Fisco foram devidamente objeto de lançamento, sob outro embasamento legal. O relator alega que as peculiaridades da atividade rural são empecilho para a vinculação clara de notas fiscais de produtor aos depósitos bancários. Não comungo com tal percepção dos fatos. Ainda que se admita o que não me parece inconteste, tratandose mais de conjectura que tal proceder possa ser mais dificultoso para os produtores rurais do que para os demais contribuintes, poderia perfeitamente o autuado fazer correspondências bastante satisfatórias entre as operações de venda e os créditos em suas contascorrente, mesmo que não se ajustassem à perfeição desejada. O que minimamente se requer é que, ainda que não haja coincidência exata de datas e valores, sejam apresentadas justificativas plausíveis e que esclareçam a origem, de maneira individualizada, dos depósitos sujeitos à comprovação. A análise da movimentação financeira deve ser efetuada por operação, oportunizandose ao contribuinte a identificação, caso a caso, da natureza e origem dos respectivos valores, por meio de documentação hábil e idônea, procedimento esse que foi escorreitamente observado pela fiscalização no caso em tela. A realidade é que foi devidamente propiciada oportunidade ao recorrente de comprovar a origem dos depósitos, via sucessivas intimações da fiscalização tributária, e que não logrou ele desempenhar a contento esse ônus o qual, por força de lei, repitase, é seu. De sua parte, além das arguições genéricas já relatadas, temse que o contribuinte busca reconhecer como comprovados determinados depósitos, a saber, feitos no Banco do Brasil nas cifras de R$ 34.000,00 e R$ 18.000,00, ocorridos em 13/5/2008, e de R$ 30.000,00 realizado em 29/9/2008 na sua conta mantida no Banco Banrisul, porém, nesse aspecto específico, partilho das conclusões do relator quanto a não restar a origem deles comprovada. Nessa toada, entendo deva ser mantida a decisão de piso quanto a essa infração. Por outra via, temse que parte da autuação referese à infração de omissão de rendimentos de atividade rural. Fl. 3025DF CARF MF 14 Quanto a esta, o recurso voluntário primeiramente defende que determinada receita de atividade rural, no valor de R$ 42.030,00, percebida em 4/1/2008, já havia sido reconhecida no anocalendário 2007, do que conclui deveria ser ela excluída do lançamento. Entretanto, não há reparos a fazer na autuação no particular pois, devendo ser oferecidos à tributação os rendimentos da atividade rural, sob o regime de caixa, nos termos dos arts. 17 a 21 da Lei nº 9.250/95, c/c o art. 2º da Lei nº 7.713/88, em decorrência houve a omissão de rendimentos naquele montante no anocalendário de 2008, como corretamente apurado pela autoridade lançadora. Por fim, quanto à qualificação da multa de ofício, tem procedência o pleito do contribuinte. Com efeito, ainda que soe pouco verossimilhante considerar que a omissão de rendimentos de atividade rural tenha se dado de modo não intencional, o fato é que não foram reunidos elementos probatórios suficientes para que a aferição da realização de conduta dolosa por parte do contribuinte reste induvidosa. Tratase, é necessário admitir, de constatação de omissão da percepção de rendimentos de atividade rural, em um determinado anocalendário, a qual está desacompanhada de evidências adicionais a respaldar a aplicação da multa de ofício qualificada. A glosa de despesas deduzidas não se deu, a seu turno, sobre dispêndios artificialmente elevados, a autorizar conclusão mais sólida em prol da intenção dolosa. A rigor, incide na espécie a Súmula CARF nº 14, de observância obrigatória no presente julgamento por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Ante o exposto, voto no sentido de, acompanhando o relator no tocante à rejeição da nulidade suscitada, dar parcial provimento ao recurso para fins de excluir do lançamento a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 3026DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001193/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUSÊNCIA DE RELAÇÃO NOMINAL DE BENEFICIÁRIOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO A DEFESA.
A ausência de relação nominal dos segurados empregados beneficiários do pagamento não é causa de nulidade do lançamento que alcança todos os segurados empregados a serviço da empresa. Não há prejuízo a defesa quando empresa tem conhecimento dos beneficiários através de suas próprias folhas de pagamento referente aos meses de apuração do tributo.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
A Lei nº 10.101/2000 faculta às empresas anteciparem no mês mesmo exercício de apuração parcela da PLR, desde que ulteriormente compensadas e que não sejam pagas em periodicidade inferior a um semestre civil, ou pagas mais de duas vezes no mesmo ano civil.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-005.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, para dar-lhe parcial provimento excluindo os valores de PLR referente antecipação do ano de 2004 , nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo, que negava provimento ao Recurso Voluntário.
Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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AUSÊNCIA DE PREJUÍZO A DEFESA. A ausência de relação nominal dos segurados empregados beneficiários do pagamento não é causa de nulidade do lançamento que alcança todos os segurados empregados a serviço da empresa. Não há prejuízo a defesa quando empresa tem conhecimento dos beneficiários através de suas próprias folhas de pagamento referente aos meses de apuração do tributo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. A Lei nº 10.101/2000 faculta às empresas anteciparem no mês mesmo exercício de apuração parcela da PLR, desde que ulteriormente compensadas e que não sejam pagas em periodicidade inferior a um semestre civil, ou pagas mais de duas vezes no mesmo ano civil. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 93 /2 00 9- 91 Fl. 297DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, para darlhe parcial provimento excluindo os valores de PLR referente antecipação do ano de 2004 , nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo, que negava provimento ao Recurso Voluntário. Andrea Brose Adolfo PresidenteSubstituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 19515.001193/200991 Acórdão n.º 2301005.023 S2C3T1 Fl. 296 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 08/04/2009 para constituição da contribuição previdenciária patronal sobre a participação nos lucros ou resultados da recorrente. Segue transcrição de trecho da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa:DIREITO PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Integra o saláriodecontribuição a parcela recebida pelo segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. ACORDOS COLETIVOS. INCAPACIDADE DE ALTERAR OBRIGAÇÕES DEFINIDAS EM LEI. Os Acordos Coletivos comprometem empregadores e empregados, não possuindo capacidade de alterar as normas legais que obrigam terceiros, ou de isentar o Contribuinte de suas obrigações definidas por Lei. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A apresentação de provas no contencioso administrativo deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Relatório Fiscal e os Anexos do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇÃO. Pertence à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT jurisdicionante do Fl. 299DF CARF MF 4 contribuinte a competência para intimação de acórdão emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme descrito no relatório fiscal, o fato gerador das contribuições lançadas foi o pagamento aos empregados de "Participação nos Lucros ou Resultados da Empresa PLRE" sem atender a todos os requisitos exigidos pela legislação, o que impossibilitou afastar tais pagamentos da base de incidência das contribuições previdenciárias, em virtude do disposto no §9°, "j", do artigo 28 da Lei 8.212/91. A empresa paga PLR aos empregados, da seguinte forma, fls. 62 e s.: a) Estabelecimento CNPJ 01.651.102/000130 Para os empregados da sua Matriz, a empresa não estabeleceu Acordo de PLR específico para o ano de 2003 e, sendo assim, apresentou a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria celebrada entre o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas, Plásticas e Similares de São Paulo e Região e o Sindicato Patronal da Indústria de Abrasivos do Estado de São Paulo para amparar os pagamentos efetuados a esse título no decorrer do ano de 2004. Tal Convenção foi assinada em 18/11/2003 e previa o pagamento de um valor fixo total de R$ 380,00 em 02 parcelas, sendo a primeira já em 01/2004 e a segunda parcela seis meses após. Ocorre que tal valor fixo que deveria ser pago não foi atrelado a qualquer meta ou objetivo a ser atingido pelo empregado ou pela empresa, contrariando assim o que estabelece a Lei 10.101/2000 para que um pagamento possa ser enquadrado como Participação nos Lucros ou Resultados — PLR e receber os benefícios devidos. A empresa ora fiscalizada ainda realizou pagamentos aos seus empregados a título de "PLR" nos meses de 01/2004 e 04/2004 em valores muito superiores ao citado valor fixo estabelecido em Convenção Coletiva, conforme planilha nominal elaborada em meio magnético por essa fiscalização e anexada a esse Auto de Infração. b) Estabelecimento CNPJ 01.651.102/000210 Para os empregados de sua filial de CNPJ 01.651.102/000210 a empresa também não estabeleceu Acordo de PLR específico para o ano de 2003 e, sendo assim, apresentou o Acordo Coletivo de Trabalho da empresa celebrado entre o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem de Poços de Caldas e a própria empresa parar os pagamentos efetuados a esse título no decorrer do ano de 2004 Tal Acordo foi assinado em 12/11/2003 e não previa em nenhuma de suas cláusulas o pagamento de qualquer quantia a título de "PLR" aos empregados da empresa. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 19515.001193/200991 Acórdão n.º 2301005.023 S2C3T1 Fl. 297 5 Mesmo assim a empresa pagou aos seus empregados valores a título de "PLR" nas competências de 01/2004 e 04/2004, principalmente, sem estar amparada por Acordo específico ou Convenção Coletiva, sendo, então, mera liberalidade da empresa. Apenas a título de comparação, os valores pagos aos empregados da filial de CNPJ final 0002 ainda são bem maiores do que o valor fixo de R$ 380,00, estabelecido na já citada Convenção Coletiva da matriz da empresa. Apuramos também nessa ação fiscal o pagamento realizado por essa filial da empresa, aos seus empregados, ocorrido em 07/2004 a título de "Antecipação de PLR". Tal pagamento se refere a uma antecipação de valor a ser pago a título de PLR em 01/2005, em relação ao ano de 2004 e também está em desacordo com a legislação, que não permite antecipação de PLR. Para amarar tal pagamento de antecipação a empresa apresentou Acordo de PLR próprio celebrado entre uma comissão de empregados da filial e os representantes da empresa, amparados pelo já citado Sindicato da categoria, cuja cópia também anexamos a esse Auto de Infração. Tal Acordo teve vigência entre 01/2004 e 12/2004 e foi assinado em 11/02/2004. Nesse Acordo apresentado foram estabelecidas metas individuais e institucionais, que seriam acompanhadas durante todo o ano de 2004. Caso fossem atingidas, a empresa pagaria aos empregados um valor também estipulado nesse Acordo em sua Cláusula 4a. Estabelece ainda sua Cláusula 5ª que o pagamento do PLR "será realizado em 15/01/2005", após, portanto, da verificação do cumprimento e atingimento das metas institucionais e individuais acordadas. Ocorre que, nessa mesma Cláusula 5ª em seu item 5.1, tal Acordo prevê que a empresa "fará pagamento equivalente a 40% dos valores relacionados no Item 4.1, no dia 15/07/2004", a título de antecipação, o que não é permitido pela Lei 10.101/2000 que rege a matéria examinada. Tal parcela paga a título de "antecipação de PLR" foi também considerada em desacordo com a Lei 10.101/2000, e, portanto, uma liberalidade da empresa, podendo ser enquadrado como prêmio, bônus ou gratificação, e, portanto, base de cálculo da contribuição previdenciária. c) Estabelecimento CNPJ 01.651.102/000300 Para os empregados de sua filial de CNPJ 01.651.102/000300 a empresa também não estabeleceu Acordo de PLR específico para o ano de 2003 e, sendo assim, apresentou a Convenção Coletiva de Trabalho da empresa celebrado entre o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Produtos Químicos para Fins Fl. 301DF CARF MF 6 Industriais de Preparação de Óleos Vegetais e Animais e de Sabão e Velas no estado de Pernambuco e o Sindicato Patronal das Indústrias de Produtos Químicos para Fins Industriais, Resinas Sintéticas, Tintas e Vernizes do Estado de, Pernambuco para amparar os pagamentos efetuados a esse título no decorrer do ano de 2004. Tal Convenção foi assinada em 20/01/2004 e previa em sua Cláusula 7°, para empresas com mais de 40 empregados, o pagamento de um valor fixo de R$ 672,34, a título de "Participação nos Lucros ou Resultados — PLR" a ser realizado junto com o pagamento da folha do mês de janeiro de 2004. Ocorre que tal valor fixo que deveria ser pago não foi atrelado a qualquer meta ou objetivo a ser atingido pelo empregado ou pela empresa, contrariando assim o que estabelece a Lei 10.101/2000 para que um pagamento possa ser enquadrado como Participação nos Lucros ou Resultados — PLR e receber os benefícios devidos. A empresa ora fiscalizada ainda realizou pagamentos aos seus empregados a título de "PLR" nos meses de 01/2004, 04/2004 e 05/2004 em valores muito superiores ao citado valor fixo de R$ 672,34, estabelecido em sua Convenção Coletiva, conforme pode ser verificado na planilha nominal em meio magnético elaborada por essa fiscalização e anexada a esse Auto de Infração. Apurarmos também nessa ação fiscal o pagamento realizado por essa filial da empresa, aos seus empregados, ocorrido em 07/2004 a título de "Antecipação de PLR". Tal pagamento se refere a uma antecipação do valor que foi pago a título de PLR em 01/2005, em relação ao ano de 2004 e também está em desacordo com a legislação. Para amparar tal pagamento de antecipação a empresa apresentou Acordo de PLR próprio celebrado entre uma comissão de empregados da filial e os representantes da empresa, amparados pelo já citado Sindicato da categoria. Tal Acordo teve vigência entre 01/2004 e 12/2004 a foi assinado apenas em 12/07/2004. Nesse Acordo apresentado foram estabelecidas metas individuais e institucionais, que sejam acompanhadas durante todo o ano de 2004. Caso fossem atingidas, a empresa pagaria aos empregados um valor também estipulado nesse Acordo em sua Cláusula 4ª. As metas a serem atingidas pela empresa foram estabelecidas por essa mesma cláusula 4ª . Como tal Acordo foi assinado somente em 12/07/2004 e sua vigência foi para todo o ano de 2004, não consideramos tais metas previamente pactuadas como determina a já citada legislação que ampara a matéria. Estabelece ainda sua Cláusula 5ª que o pagamento do PLR "será realizado em 15/01/2005", após, portanto, da verificação do cumprimento e atingimento das metas institucionais e individuais acordadas. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 19515.001193/200991 Acórdão n.º 2301005.023 S2C3T1 Fl. 298 7 Da mesma forma, estabelece ainda sua Cláusula 7ª que a empresa pagará em 16/07/2004 a "título de adiantamento" importância equivalente a 50% da participação nos resultados fixada no Acordo. Notese que tal Acordo foi assinado em 12/07/2004 e estabeleceu o pagamento do "adiantamento de PLR" para o dia 16/07/2004, sem nenhum tipo de verificação de cumprimento de metas. É vedado o pagamento de qualquer tipo de antecipação a título de PLR pela Lei 10.101/2000 que rege a matéria examinada. A segunda parcela do pagamento de "PLR" baseada nesse Acordo foi efetuada pela empresa em janeiro de 2005, competência não abrangida por essa ação fiscal. Tal parcela paga a título de "antecipação de PLR foi também considerada em desacordo com a Ler 10.101/2000, e, portanto, uma liberalidade da empresa, podendo ser enquadrado como prêmio, bônus ou gratificação, e, portanto, base de cálculo da previdenciária. Não conformada com a autuação a recorrente interpôs recurso voluntário alegando em síntese que: PRELIMINARES DE DIREITO Apresentamse uma preliminar de direito e um protesto: a) houve cerceamento de defesa na medida em que se constata a ausência de um Discriminativo do Débito escrito em que apresenta os beneficiados pelos pagamentos e os valores mensais de cada um deles, o que configura um constrangimento ao direito constitucional de ampla defesa (CF, art. 5 0, LV). b) protesta pela juntada de documentos, provas, perícias e pareceres favoráveis ao procedimento da defendente e também, quando for o caso, pela apresentação das GPS relativas a contribuições recolhidas como devidas pelo contribuinte. DO DIREITO Após breve relato sobre a autuação a Impugnante alega, em síntese, que: A afirmação da fiscalização não corresponde à realidade dos fatos, conforme se vê do Termo do Programa de Participação nos Resultados — PPR 2004. A negociação referida na Lei n° 10.101/00 existiu e agora se comprova o acordo coletivo juntado celebrado pela RhodiaSter Fibras e Resinas Ltda., antiga razão social da defendente. 1 Equivocase a fiscalização quando afirma que o pagamento se refere a uma antecipação de valor a ser pago a título de PLR em 01/05... . Não se trata de antecipação, mas do pagamento a cada seis meses autorizado pela Lei n° 10.101/00. Fl. 303DF CARF MF 8 Diante da respeitável extensão e não sistematização do sinteticamente, temse: "I — Falta de acordo específico; II — Falta de cláusula; III — Valor mínimo; IV—De modo geral, descumprimento da Lei nº 10. 101/00. a) O art. 2º da Lei nº 10.101/00 diz que: "A participação nos lucros ou resultados será objeto ide negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos documentos a seguir 1 escritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo (grifo nossos)." b) Nos acordos ou convenções celebrados sempre comparece a cláusula relativa ao PLR. c) Há disposição específica nas negociações celebradas sobre a possibilidade de ser pago um valor distinto dos R$ 380, 00. d) Não houve descumprimento da Lei nº 10.101/00, cujos princípios são: a) voluntariedade da empresa; b) negociação com os trabalhadores; c) vínculo da atividade com o lucro ou resultado "com mecanismos de aferição das informações pertinente ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo" (art. 2º, §1º). RAZÕES DO PROCEDIMENTO DA DEFENDENTE Do ponto de vista da filosofia do Direito Previdenciário, o art. 7% XI, da Constituição Federal de 1988 trata da distribuição de lucros e participação nos resultados e dispôs que o valor do PLR auferido não se integraria no saláriodecontribuição. Assunto tão complexo não poderia ter sido regulamentado numa norma tão singela quanto a Lei no I 10.101/00, não regulando o PLR propriamente dito, mas o seu ajuste, basicamente ela diz que o instituto técnico tem de ser negociado entre a empresa e os trabalhadores, indiretamente informando os procedimentos a serem aplicados. Não deveria ter se utilizado das expressões "regras claras e objetivas", sem explicitálas convenientemente nem delegálas para regulamentação administrativa. Não poderia ter sido genérica, aplicável a todo o espectro das atividades. Após citar Amauri Mascaro Nascimento, Sérgio Pinto Martins e João Ernesto Aragonés Viana, acrescenta que a Carta Magna, determinou que o pagamento correspondente não possuísse natureza remuneratória. Destarte, diante desse preceito dispositivo o desembolso resta sem essa natureza jurídica, para isso bastando cumprir as normas regulamentadoras. Sendo assim, resta, pois, excluída a "participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica (art. 28, § 9º j, do PCSS). Fl. 304DF CARF MF Processo nº 19515.001193/200991 Acórdão n.º 2301005.023 S2C3T1 Fl. 299 9 Quando a empresa observa os preceitos legais exigidos pela Carta Magna para que o montante não detenha natureza salarial, temse que o quantum pago é exatamente aquele previsto no art. 28, § 9°, j do PCSS, ou seja, uma Participação nos Lucros ou Resultados. Após discorrer fartamente sobre a Lei no 10.101/00, acrescenta que o PLR deve ser sugerido, discutido, negociado e convencionado com os trabalhadores, num ou noutro momento sem que tivesse havido prejuízo para a compreensão do nexo técnico que deve subsistir entre o sobréesforço pessoal dos "bancários" e a consumação dos lucros e do atingimento das metas antes previamente estabelecidas. A despeito de sua natureza complexa, em face da especificidade da atividade desenvolvida e sem embargo de que determinações legais exigindo clareza e objetividade são subjetivas, aprova que 'se terra de que as regras contidas nas cláusulas foram claras e objetivas é que jamais foram contestadas não só pelos seus empregados como também pelos sindicatos da categoria. "Acrescese, ad nauseam, o princípio: o escopo maior da Constituição Federal é uma aproximação real ido trabalho ao capital aconteceu e ela deve acontecer sem prejuízo do respeito os requisitos da Lei n° 10.101/00." A defendente teve a preocupação de convocar os trabalhadores indicados pelo Sindicato da Categoria para que participassem da construção de um instituto técnico destinado a unir o capital ao trabalho e, assim, ambos alcançarem o desiderato desejado, que é socializa legalmente o lucro. Menciona o RESP n° 637.905/RS, de 21/09/05, da 2' Turma do TFR da 4" Região, no AC no 2002.7100317070/RS, in DJU de23/11/05, que trata de PLR para a tributação sobre a folha de salários, citando a conclusão confirmada pela juíza Lilian Roiriz da 2' Turma do TFR da 2" Região, nos seguintes termos: ( ... ): "Cercar o instituto com excessos de exigências desvirtuala e desincentiva as empresas a fazêlo, o que fere a norma constitucional " (in DJU de 28.07.03). "O legislador pensando numa superior performance dos trabalhadores e das empresas, que poderia er alcançada com um estímulo da retribuição e ajuizando com a união desses dois polos da relação laboral, diminuindo os riscos dos conflitos trabalhistas e promovendo a atração da melhor mãodeobra para o quadro de pessoal de que instituísse o PLR, suprimiulhe a natureza remuneratória do pagamento." É o Relatório. Fl. 305DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 306DF CARF MF Processo nº 19515.001193/200991 Acórdão n.º 2301005.023 S2C3T1 Fl. 300 11 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Quanto a preliminar de nulidade do lançamento quanto a ausência de relação nominal dos segurados empregados beneficiários do pagamento, entendo que no presente caso Fl. 307DF CARF MF 12 a motivação apresentada no lançamento é suficiente para o pleno conhecimento por parte da recorrente desses beneficiários, bastando para tanto examinar suas próprias folhas de pagamento referente aos meses de apuração do tributo. Não há prejuízo à defesa quando o lançamento alcança todos os segurados empregados a serviço da empresa. Ainda assim, está consignado no relatório fiscal que o recorrente recebeu em meio magnético uma planilha nominal. Ressaltase, também, que vícios de nulidade na decisão, em regra, não contaminam os atos processuais anteriores, como dispõe o artigo 59, §1º do Decreto nº 70.235/72, acima transcrito. No mérito Participação nos lucros e resultados A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Com todas as conquistas: saláriomínimo, limitação da jornada de trabalho, proteção contra a demissão sem justa causa, férias, descanso semanal remunerado, apenas para mencionar algumas, ainda assim capital e trabalho se opunham, um ao outro, como realidades inconciliáveis. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. No artigo 7º, Inciso XI, junto com outros direitos sociais do trabalhador está a participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração; portanto, tratase imunidade tributária: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Entretanto, apenas com a Medida Provisória nº 794, de 22/12/94, convertida na Lei nº 10.101, de 19/12/2000, a matéria foi regulamentada: Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. a) Finalidades: integração entre capital e trabalho; e ganho de produtividade. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 19515.001193/200991 Acórdão n.º 2301005.023 S2C3T1 Fl. 301 13 §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. b) Negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores. No instrumento de negociação devem constar, com clareza e objetividade, as condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direitos substantivos). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Vêse que no instrumento de negociação deve constar o que dispõe o artigo 2°, §1° e, no caso dos critérios para se fazer jus ao benefício, o legislador cuidou apenas de exemplificá los. Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Nesse sentido, o artigo 2º, §1º, I da lei possibilita inclusive que a condição para a participação nos lucros ou resultados seja apenas o aumento da lucratividade da empresa. Comprovandose no Demonstrativo de Resultados do Exercício Financeiro que foi alcançada esta meta, que existe acordo coletivo ou comissão de trabalhadores e que a distribuição não é inferior a um semestre civil a participação nos lucros é regular. Não há nenhuma restrição na lei para que assim proceda a empresa. E nem poderia a autoridade fiscal criálas no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, “caput” da Constituição Federal. Quanto aos mecanismos de aferição das informações para fins de comprovação do cumprimento dos critérios para a participação, não há qualquer previsão na lei no sentido de se exigir metas individualizadas para os trabalhadores. E nem poderia. Caso adote o aumento da lucratividade da empresa ou o alcance de outras metas organizacionais, critérios esses exemplificados na lei, não vejo como se exigir a aferição da contribuição de cada trabalhador para o cumprimento dessas metas. Como se poderia aferir a parcela do lucro Fl. 309DF CARF MF 14 de uma empresa de grande porte atribuída individualmente a um trabalhador da linha de produção? E mais. A exigência por parte da fiscalização de metas individualizadas vai de encontro ao que se procurou evitar na regulamentação da participação nos resultados e lucros – PLR, que é afastálo do conceito de salário. Em razão de tudo aqui exposto, vêse que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, preocupouse o legislador com essa possibilidade de se desvirtuar a finalidade da lei e se utilizar a participação nos lucros e resultados da empresa para a sonegação de contribuições sociais: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. No caso, as características do PLR são diferentes para cada um de seus estabelecimentos, quais sejam: a) Estabelecimento CNPJ 01.651.102/000130 Instrumento: Convenção Coletiva de Trabalho Período de apuração: 2003 Assinatura: 18/11/2003 Pagamentos: um valor fixo total de R$ 380,00 em 02 parcelas, sendo a primeira em 01/2004 e a segunda parcela seis meses após. Sendo que os valores efetivamente pagos foram superiores ao citado valor fixo estabelecido em Convenção Coletiva Metas: ausência de metas ou objetivos a serem atingidos pelo empregado ou pela empresa b) Estabelecimento CNPJ 01.651.102/000210 Pagamentos: para o período de apuração 2003, embora não houvesse instrumento de PLR, mesmo assim a empresa pagou aos seus empregados valores nas competências de 01/2004 e 04/2004, e ainda maiores do que o valor fixo de R$ 380,00, estabelecido na já citada Convenção Coletiva da matriz da empresa. Pagamento antecipado em 07/2004 referente ao período de apuração 2004, com previsão através de acordo de PLR próprio celebrado entre uma comissão de empregados Fl. 310DF CARF MF Processo nº 19515.001193/200991 Acórdão n.º 2301005.023 S2C3T1 Fl. 302 15 da filial e os representantes da empresa, amparados pelo já citado sindicato da categoria, assinado em 11/02/2004. Nesse Acordo apresentado foram estabelecidas metas individuais e institucionais, que seriam acompanhadas durante todo o ano de 2004. Caso fossem atingidas, a empresa pagaria aos empregados um valor também estipulado nesse Acordo em sua Cláusula 4ª. a) Estabelecimento CNPJ 01.651.102/000300 Período de apuração 2003, assinatura em 20/01/2004, Convenção Coletiva de Trabalho sem previsão de metas ou objetivos a serem atingidos pelo empregado ou pela empresa Pagamentos: valor fixo de R$ 672,34, a título de "Participação nos Lucros ou Resultados — PLR" a ser realizado junto com o pagamento da folha do mês de janeiro de 2004; porém, a empresa realizou pagamentos nos meses de 01/2004, 04/2004 e 05/2004 em valores muito superiores ao citado valor fixo de R$ 672,34. Período de apuração 2004, pagamento antecipado em 07/2004 com previsão através de acordo de PLR próprio celebrado entre uma comissão de empregados da filial e os representantes da empresa, amparados pelo já citado sindicato da categoria, assinado em 12/07/2004. Nesse Acordo apresentado foram estabelecidas metas individuais e institucionais, que seriam acompanhadas durante todo o ano de 2004. Caso fossem atingidas, a empresa pagaria aos empregados um valor também estipulado nesse Acordo em sua Cláusula 4ª. Passo ao exame. Em relação ao estabelecimento CNPJ 01.651.102/000130, matriz, a ausência de metas viola frontalmente o artigo 2º, §1º da Lei nº 10.101/2000 e, portanto, os valores pagos não podem ser considerados PLR: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Em relação ao estabelecimento CNPJ 01.651.102/000210, para os valores referente ao período de apuração 2003, sequer havia instrumento instituindo PLR, o que viola frontalmente o artigo 2º da Lei nº 10.101/2000, acima transcrito, e, portanto, os valores pagos não podem ser considerados PLR. Fl. 311DF CARF MF 16 Ainda em relação ao mesmo estabelecimento, houve antecipação de pagamento para o período de apuração 2004. A primeira parcela foi paga em 07/2004. A assinatura do instrumento de negociação ocorreu no início do período de apuração, em 11/02/2004. A fiscalização entendeu que a Lei nº 10.101/2000 veda qualquer tipo de antecipação. Assim não entendo. Ao contrário, a lei prevê essa possibilidade em seu artigo 3º. O que era vedado à época seria o pagamento, seja a título de antecipação ou parcela definitiva, em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Assim, considerando que os demais requisitos foram cumpridos, já que a fiscalização não se pronunciou sobre o desconto da antecipação quando do pagamento definitivo em 01/2005, assiste razão ao recorrente quanto à antecipação paga em 07/2004, referente ao período de apuração 2004. Em relação ao estabelecimento CNPJ 01.651.102/000300, a ausência de metas para o período de apuração 2003 viola frontalmente o artigo 2º, §1º da Lei nº 10.101/2000 e, portanto, os valores pagos não podem ser considerados PLR. O fundamento é mesmo para o estabelecimento matriz. Ainda em relação ao mesmo estabelecimento, houve antecipação de pagamento para o período de apuração 2004. A primeira parcela foi paga em 07/2004. A assinatura do instrumento de negociação ocorreu no decorrer do período de apuração, em 12/07/2004. A fiscalização entendeu que a Lei nº 10.101/2000 veda qualquer tipo de antecipação. Assim não entendo. Ao contrário, a lei prevê essa possibilidade em seu artigo 3º, já transcrito. O que era vedado à época seria o pagamento, seja a título de antecipação ou parcela definitiva, em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Assim, considerando que os demais requisitos foram cumpridos, assiste razão ao recorrente quanto à antecipação paga em 07/2004, referente ao período de apuração 2004. A assinatura no decorrer do ano de apuração não afasta o requisito de conhecimento e engajamento no efetivo cumprimento de metas regularmente prevista. A formalização propriamente dita do acordo como condição sine qua non para a demonstração de conhecimento prévio das metas se afasta do princípio da verdade material. As negociação não começam e terminam no mesmo dia, tratase de um acordo com reuniões sucessivas, quando propostas são rejeitadas e outras tantas aceitas. Essa é a natureza e características dos acordos trabalhistas de modo geral, amplamente discutidos e negociados entre as partes. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 19515.001193/200991 Acórdão n.º 2301005.023 S2C3T1 Fl. 303 17 Em razão dos fundamentos que adoto, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores pagos em 07/2004 a título de antecipação de PLR para os estabelecimentos CNPJ 01.651.102/000210 e CNPJ 01.651.102/000300. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 313DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.012531/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Jorge Freire - Presidente em exercício.
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Pedro Sousa Bispo, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Jorge Freire Presidente em exercício. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Pedro Sousa Bispo, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso em comento, adoto como meu o relatório desenvolvido pela DRJ Florianópolis, quando da lavratura do acórdão n. 0735.840 (fls. 244/258), o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata a presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 108.585,11 referente a multa por importação de mercadoria desamparada de licença de importação e multa por importação de mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. A descrição dos fatos do auto de infração foi disposta nos seguintes termos: RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .0 12 53 1/ 20 07 -4 0 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10314.012531/200740 Resolução nº 3402001.023 S3C4T2 Fl. 3 2 “001 IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE O importador, devidamente qualificado, por meio das declarações de importação abaixo relacionadas, submeteu a despacho aduaneiro na importação as mercadorias descritas como "CORANTE A CUBA ÍNDIGO BLUE SOLUÇÃO 40% DYSTAR", classificandoas no código 320415.10 da Tarifa Externa Comum(TEC) . Em ato de revisão aduaneira das referidas declarações, efetuada na forma como dispõe o artigo 570 do Decreto n.°4543/02 foi constatado que as posições tarifárias adotadas pelo importador são indevidas. A mercadoria importada tratase de um produto conhecido como "Corante Índigo Blue Reduzido", originário da Alemanha, produzido por DYSTAR TEXTILFARBEN GMBH. Pela definição extraída do sitio da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) na Internet, http: //www.sbiquim.org.br/ corantes/ cor__fabricantes.asp(fis.22), corantes orgânicos são substâncias intensamente coloridas que, quando aplicados a um material lhe conferem cor, através de processos de adsorção, solução, retenção mecânica cru por ligações químicas iônicas ou covalentes. Esses produtos são classificados na posição tarifária 3204, que engloba as matérias corantes sintéticas(fls. 27). O Corante índigo Blue ê um produto utilizado pela indústria têxtil para dar tingimento aos fios de algodão na fabricação de denim, que é o tecido utilizado na confecção de artigos em jeans (calças, jaquetas, etc). A DyStar Textilfarben GmbH(exportadora), fusão entre a Bayer e a Hoechst em corantes e pigmentos, incorporando também a Basf, é uma empresa líder de mercado no fornecimento de produtos de tingimento na indústria têxtil. Acessandose a página da internet da referida empresa (fIs. 31), verificamos que a mesma faz menção a quatro tipos de produtos Índigo para tingimento de tecidos na cor azul, a saber: DyStar Brillant índigo 43; DyStar Índigo Vat 40% sol.; DyStar Índigo Vat 60% gran; e Dystar Índigo gran. Desses quatro, o principal produto oferecido pela DyStar é sem dúvida o índigo Vat 40% Sol (Solution), por tratarse de um produto tecnologicamente mais moderno. Ele é considerado inovador, por apresentar inúmeras vantagens a seus usuários, tais como, uma eficiente logística no .manuseio do corante, qualidade uniforme no processo de tingimento do denim, menor consumo de insumos químicos durante o tingimento, produzindo um ganho econômico, e menor geração de efluentes liquides, reduzindo o impacto no meio ambiente. De acordo com informações extraídas de uma apresentação realizada pela DyStar no evento "DyStar Denim Day 2004 in Brazil"(fls. 32 a 73), realizado em 02/08/2004 em São Paulo, dedicado à Indústria Têxtil, a introdução no mercado em 2000 do produto índigo em solução Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10314.012531/200740 Resolução nº 3402001.023 S3C4T2 Fl. 4 3 a 40% foi considerada um marco nos índigos sintéticos, representando uma evolução com relação aos corantes microgranulados introduzidos no mercado em 1984 pela Basf (fls.37). Os produtos oferecidos pela DyStar ao mercado consumidor são o índigo Vat 40% Solution e o índigo Gran., sendo o produto Brillant índigo 4B classificado na categoria de "produtos especiais"(fls.53). À fls. 148 a 162, a DyStar dedica especial atenção ao índigo vat 40% Solution, demonstrando as qualidades desse produto, inclusive suas vantagens em comparação ao corante na forma de grânulos(fls.60), representando mais de 65% de suas vendas estimadas de corante índigo para o ano de 2004, com um potencial de vendas em ascensão(fls.72). A própria DyStar classifica os seus clientes usuários do produto índigo Vat 40% Sol. numa categoria superior Cat.2 aos usuários do corante na forma granular Cat.3(fls.42). A Regra n° 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado{RGI/SH), em sua primeira parte, informa que, para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capitulo, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas. Mais ainda, a RGI n° 6 dispõe que a classificação de mercadorias nas subposições de uma dada posição ê determinada, para efeitos legais, pelos textos destas subposições. Já a regra Geral Complementar n° 1 de SH/TEC/NCM dispõe que as Regras Gerais de Interpretação são aplicadas para itens e subitens. Segundo dados extraídos do anteriormente mencionado site da Associação Brasileira da Indústria Química(Abiquim). a complexidade da composição dos corantes, pigmentos e branqueadores faz com que, muitas vezes, seja impossível traduzilos por uma fórmula química, pois alguns deles são misturas de vários compostos e outros não possuem constituição química definida, preferindose identificálos através dos nomes como são comercializados. Para identificação de um corante comercializado com diferentes nomes, utilizase o Colour Index(CI), uma publicação da American Association of Textiles and Colorists e da British Society of Dyers and Colorists, que contém uma lista organizada de nomes e números para designar os diversos tipos de produtos(fls.23). A leitura da Ficha de Dados de Segurança elaborada pela DyStar para o produto índigo Vat 40% Solution, anexada à fls. 80 a 86, identificao em seu subitem 2 composição e informações sobre os ingredientes, como um corante C.I. Reduced Vat Blue 1(fls.80). Examinandose a publicação Colour Index The Society of Dyers and Colorists England Third Edition Volume 4 1971, páginas 4.595 e 4.596 (fls.82 e 83), observamos que o corante C.I. Vat Blue 1 é identificado como "Colour Index 73000", enquanto que o corante C.I. Reduced Vat Blue 1 é identificado como "Colour Index 73001". Esse fato demonstra que o produto Indigo Vat 40% Solution produzido pela DyStar Textilfarben GmbH não pode ser classificado na NCM 3204.15.10, uma vez que este código tarifário é específico para os corantes Indigo Blue que possuam o Colour Index 73000. Pelo estudo das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, a classificação tarifária correta para esse produto seria no código 3204. 15.90 – “outros corantes à cuba e preparações a base desses corantes". Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10314.012531/200740 Resolução nº 3402001.023 S3C4T2 Fl. 5 4 Convém salientar que o C.I. Vat Blue 1 Colour Index 73000 e o e o C.T. Reduced Vat Blue 1 Colour Index 73001 são produtos completamente distintos. Enquanto que o primeiro apresentase normalmente em grânulos da cor azul, o segundo apresentase em solução, como um líquido de cor parda, que se torna azul em contato com o ar. Os produtos tem estrutura química diferenciada, conforme demonstrado nas páginas 4.595 e 4.596 do Colour Index{fls.82 e 83). Outra característica importante extraída do subitem 7 manuseio e armazenagem, da Ficha de Dados de Segurança do índigo Vat 40% Solution, é a de que ele deve ser mantido com gás inerte, conservado e manuseado sob nitrogênio(fls.76). 0 índigo Blue de Colour Index 73000 não necessita ser mantido inertizado. Segundo consta na publicação “Iíndigo: tecnologias processos tingimento acabamento, de Fernando Lima e Paulo Ferreira, à fls.85 e 86), a DyStar é detentora da patente do índigo préreduzido, comercializado sob a marca Indigo Vat 40% Solution, que é transportado em contêineres direto da Alemanha. Essa mesma publicação afirma que o índigo préreduzido, por suas características, é fornecido em contêineres pressurizados em nitrogênio para evitar sua oxidação. Essa metodologia de transporte em contêineres tanques também é ilustrada na apresentação da Dystar no evento DyStar Day Denim à fls.61 a 63. Além disso, tal fato encontrase exemplificado à fls.87 a 94 nas Declarações de Importação nas quais foi verificado que os contêineres indicados nos "dados complementares" era um contêineres tanque, como provam as cópias dos respectivos conhecimentos marítimos e manifestos de carga. Muito embora as alíquotas vigentes para os tributos e contribuições devidos na importação de mercadorias das classificações 3204.15.10 e 3204.15.90 sejam idênticas, observase que os produtos tarifários enquadrados no código tarifário NCM 3204.15.90 importados pra fins não alimentícios estão sujeitos ao regime de licenciamento não automático, com vigência a partir de 24/05/2007. Já os produtos classificados no código tarifário 3204.15.10 importados para esse mesmo fim não estão sujeitos a esse regime. A imposição do regime de licenciamento prévio para a NCM 3204.15.90 devese ao fato de existir um processo de investigação autorizado pela Circular n° 08, de 28/02/2007, da Secretaria de Comércio Exterior, para averiguar a existência de dumping e dano à indústria nacional de Indico Blue reduzido, classificado nesse código tarifário, nas exportações desse corante da Alemanha para o Brasil (fls. 28 e 29}. O uso de um enquadramento tarifário indevido nas importações desse corante faz com que os importadores não sejam submetidos aos controles pertinentes praticados pelo Departamento de Comércio Exterior(Decex), responsável pela emissão de licenças de importação, representando uma burla ao controle administrativo. (..) 002 – MERCADORIA CLASSIFICADA INCORRETAMENTE NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL” (..)” Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10314.012531/200740 Resolução nº 3402001.023 S3C4T2 Fl. 6 5 Cientificada da autuação a interessada apresentou impugnação, na qual alega, em síntese que: Realizou importações do produto “Índigo Vat 40% solution”, produzido na Alemanha pela Dystar Textilfarben GMBH, classificandoo no código 3204.15.10 da Tarifa externa Comum (TEC). O produto foi reclassificado pela fiscalização para o código 3204.15.90 (outros corantes à cuba e preparações desses corantes) por entender que houve burla ao controle administrativo, pois o código 3204.15.90 está sujeito ao regime de licenciamento prévio a partir de 24/05/2007, em razão de processo de antidumping. Durante 4 (quatro) anos importou o produto sem qualquer questionamento por parte das repartições fiscais da Receita Federal, havendo a emissão de vários laudos oficiais por laboratórios oficiais e assistentes técnicos oficiais, cujas copias anexa, que corroboram o acerto da classificação tarifária adotada: TEC/NCM 3204.15.10. Por meio da Resolução Camex nº 49/2007 foi aplicado “Direito Anti Dumping Provisório”, por seis meses, às importações brasileiras de “índigo Blue Reduzido”, originário da Alemanha. Ainda que o processo de antidumping tenha sido realizado o”Índigo Blue Reduzido (Colour Index 73001) classificado no código TEC/NCM 3204.15.90, por ocasião da edição da Resolução nº 49/2007, a Camex/Midic alegou que o encargo também se aplicava ao produto “Índigo Blue Reduzido (Colour Index 73001) classificado no Còdigo TEC/NCM 3204.15.10, que é o enquadramento tarifário adotado pela ora impugnante. A Camex informou à Coana/SRF que os direitos antidumping também seriam aplicáveis às importações de “Índigo Blue Reduzido Colour Index 73001” classificadas no Còdigo TEC/NCM 3204.15.10, todavia até a presente data o destaque para recolhimento do direito antidumping consta apenas do Código TEC/NCM 3204.15.90. A Camex alegou, sem respaldo em laudo técnico, que a correta classificação tarifária seria no Código TEC/NCM 3204.15.90. A própria empresa denunciante procede ao enquadramento tarifário na TIPI 3204.15.10. Vários laudos técnicos oficiais emitidos no período de 2004 a 2007, anexados, ratificam o entendimento de que o produto classificase mais adequadamento no Código TEC/NCM 3204.15.10, como declarado. A Camex/MIDIC não detém competência para definir o correto enquadramento tarifário de produtos importados na TEC/NCM, mas sim a Secretaria da Receita Federal, conforme previsão legal de seu Regimento Interno. Julgados do Conselho de Contribuintes corroboram o entendimento de que a alteração da classificação tarifária de produtos importados sem respaldo em laudo técnico oficial é ilegal. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10314.012531/200740 Resolução nº 3402001.023 S3C4T2 Fl. 7 6 Em ambos os códigos de classificação tarifária, as alíquotas de Imposto de Importação e Impostos sobre produtos Industrializados são iguais (II – 14% e IPI – 0%) Em razão das dúvidas suscitadas a ABIT Associação Brasileira da Indústria Têxtil protocolizou consulta para obter um pronunciamento oficial da Receita Federal a respeito da correta classificação fiscal do produto em tela, “Dystar Índigo Vat 40% Sol. – Índigo Blue Reduzido Colour Index 73001”. O mérito da autuação presentemente impugnada está umbilicalmente ligado à Consulta formulada em 04/12/2007 pela ABIT, logo deve aguardar sua solução. Como se vê pelas informações técnicas, corroboradas pelos laudos de análise técnica, e pela regras de classificação fiscal de produtos importados, o produto em questão é classificado no Código TEC/NCM 3204.15.10 e não no código 3204.15.90, que não possui embasamento legal. Tratase de fato inquestionável que o produto é “Corante à cuba ìndigo Blue Reduzido Colour Index 73001”. Caso entenda necessário podem ser realizadas novas análises laboratoriais com amostras de produtos disponibilizadas pela impugnante. A impugnante agiu na mais boafé, pois realizou importações por quase 4 (quatro) anos, classificando o produto no Código TEC/NCM 3204.15.10, sem ser nunca questionada a respeito. Há que se atentar para os princípios da boafé e da legalidade, invocandose o princípio da proporcionalidade para a solução do conflito. É inteiramente aplicável ao caso o disposto no art. 539 do Regulamento Aduaneiro, aplicandose a equidade. Requer seja julgada improcedente a autuação fiscal ou, em caso contrário, seja aplicada a relevação de pena prevista no art. 539 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 91030/85). (...). 2. Uma vez processada, a impugnação do contribuinte foi julgada improcedente (acórdão n. 0735.840 fls. 244/258), conforme se observa da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2007 Ementa: ÍNDIGO BLUE SOLUÇÃO 40%, REDUZIDO, COLOUR INDEX 73001. NCM 3204.15.90. O produto descrito como “CORANTE À CUBA ÍNDIGO BLUE SOLUÇÃO 40% DYSTAR" ou “Índigo VAT 40% SOL. ÍNDIGO BLUE REDUZIDO COLOUR INDEX 73001”, pela aplicação das RGI 1, RGI 6 e RGC 1, do Sistema Harmonizado, se classifica no código NCM 3204.15.90 “Outros”. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10314.012531/200740 Resolução nº 3402001.023 S3C4T2 Fl. 8 7 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2007 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. Não constitui a infração administrativa ao controle das importações, disposta como importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente, a declaração de importação de mercadoria com classificação fiscal errônea, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate intuito doloso ou máfé por parte do declarante. INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. A subsunção dos fatos à norma legal que prevê a infração determina sua caracterização com conseqüente aplicação da penalidade prevista. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO Não constitui mudança de critério jurídico a alteração de ofício procedida pela autoridade fiscal, em ato de revisão aduaneira, no código NCM declarado pela importadora, com base na descrição da mercadoria constante de documentos técnicos. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Intimado da referida decisão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 265/328, oportunidade em que repisou as alegações tratadas em Impugnação. 4. É o relatório. Voto 5. Conforme se observa dos autos, a presente discussão gravita em torno da classificação fiscal atribuída ao produto importado pela Recorrente e objeto de revisão fiscal. 6. Segundo alega o contribuinte, o produto em questão enquadravase na posição 3204.15.10 da TECIPI, vigente à época dos fatos e assim descrita: 3204 Matérias corantes orgânicas sintéticas, mesmo de constituição química definida; preparações indicadas na Nota 3 do presente Capítulo, à base de matérias corantes orgânicas sintéticas; produtos orgânicos Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10314.012531/200740 Resolução nº 3402001.023 S3C4T2 Fl. 9 8 sintéticos do tipo utilizado com agentes de avivamento fluorescentes ou como luminóforos, mesmo de constituição química definida. 3204.15 Corantes de cuba (incluindo os utilizáveis, no estado em que se apresentam, como pigmentos) e preparações à base desses corantes. 3204.15.10 Indigo blue segundo Colour Index 73.000 7. Por sua vez, a fiscalização alega que referido produto deveria ter sido enquadrado na posição 3204.15.90 da TECIPI vigência á época e que era assim descrita: 3204.15.90 Outros corantes à cuba e preparações a base desses corantes. 8. Importante registrar que essa diferença de classificação não redundou em exigência de tributos, uma vez que ambas classificações apresentavam as mesmas alíquotas para fins de IPIimportação e Imposto de Importação. Em verdade, tal distinção implicou apenas a exigência de (i) multa por importação de mercadoria desamparada de licença de importação e (ii) multa por importação de mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul; 9. Não obstante, segundo consta dos autos e exposto no relatório alhures desenvolvido, a exigência fiscal não se pautou em um laudo técnico, mas sim em informações técnicas obtidas junto ao sítio eletrônico da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), bem como de uma material apresentado pela empresa exportadora (Dystar) em um evento do setor (fls. 06/08, 24/28 e 32/88). Segundo a fiscalização tais informações seriam suficientes para a reclassificação do produto importado. 10. O contribuinte, entretanto, traz com sua impugnação laudos técnicos elaborados pelo Laboratório Falcão Bauer (fls. 232/235) a pedido da Receita Federal em outros processos administrativos de outros contribuintes nos quais, aparentemente, se debate a mesma questão aqui tratada: a classificação fiscal da mercadoria importada pela recorrente. Em tais laudos, a mercadoria importada pela recorrente é qualificada como "preparação à base de Índigo Blue, segundo Colour Index 73000". 11. Diante deste quadro, é possível perceber que há uma dúvida real quanto à correta classificação do produto tratado no caso decidendo. 12. Não obstante, outra questão que aqui se discute é que, para parte do período fiscalizado, compreendido entre abril de 2004 e março de 2007, não havia a exigência de licenciamento prévio para a importação das mercadorias em tela, o que teria sido imposto por intermédio da circular SECEX n. 08/2007, publicado em 02/03/2007, decorrente de investigação para apuração de eventual prática de dumping danosa à indústria nacional e relacionada à mercadoria importada pela recorrente. 13. Assim, para a devida análise da demanda por parte deste Tribunal Administrativo tornase essencial a realização das seguintes diligências: Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10314.012531/200740 Resolução nº 3402001.023 S3C4T2 Fl. 10 9 I. Apresentação, por parte da unidade preparadora, de documentos do sistema da RFB que ateste que, à época dos fatos, já existia normativa no sentido de submeter os produtos aqui tratados ao licenciamento prévio para fins de controle; e II. Elaboração de perícia técnica para providenciar o que segue: (i) identificar a composição química do "Indigo blue segundo Colour Index 73.000" e dos corantes importados pela recorrente no presente caso, discriminando, analiticamente, eventuais diferenças entre tais produtos; (ii) responder se eventuais diferenças entre tais bens são suficientes para impedir a classificação das mercadorias importadas como "Indigo blue segundo Colour Index 73.000" 13. Antes, todavia, da realização da perícia, deverá o contribuinte ser intimado para, querendo, apresentar quesitos e indicar assistente técnico. Na hipótese de indicação de assistente técnico este deverá, com antecedência mínima de 10 (dez) dias, ser intimado da data e local da perícia para que possa acompanhála. 14. Concluída a perícia, bem como apresentada a manifestação da unidade preparadora em relação ao item "I" da diligência aqui tratada, o contribuinte deverá ser intimado para, querendo, manifestarse a respeito das duas providências em até 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 15. Ato contínuo, este processo deverá retornar para este Tribunal e, antes de movimentação para este Relator, deverá ser dada oportunidade para que a Procuradoria da Fazenda Nacional também se manifeste a respeito do laudo produzido. 16. Tomadas todas as providências acima indicadas, o processo deverá ser movimentado para este Relator ou quem lhe fizer as vezes para fins de julgamento. 17. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 344DF CARF MF
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