Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,437)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,532)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,725)
- Terceira Câmara (68,203)
- Segunda Câmara (57,034)
- Primeira Câmara (21,275)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,959)
- Segunda Seção de Julgamen (115,716)
- Primeira Seção de Julgame (77,508)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,472)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,654)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,655)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,010)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10120.720148/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.777
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10120.720148/2011-12
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5721990
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-003.777
nome_arquivo_s : Decisao_10120720148201112.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10120720148201112_5721990.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6755161
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211075821568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.720148/201112 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.777 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 48 /2 01 1- 12 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10120.720148/201112 Acórdão n.º 3302003.777 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.292. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10120.720148/201112 Acórdão n.º 3302003.777 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10120.720148/201112 Acórdão n.º 3302003.777 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10120.720148/201112 Acórdão n.º 3302003.777 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10120.720148/201112 Acórdão n.º 3302003.777 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720197/2012-23
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
Numero da decisão: 9101-002.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16561.720197/2012-23
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5741263
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.836
nome_arquivo_s : Decisao_16561720197201223.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDRE MENDES DE MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 16561720197201223_5741263.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6850013
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211083161600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1587; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 3.354 1 3.353 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16561.720197/201223 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.836 – 1ª Turma Sessão de 12 de maio de 2017 Matéria IRPJ PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA ILEGALIDADE DA IN SRF 243/02 Recorrente BAYER S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 97 /2 01 2- 23 Fl. 3354DF CARF MF Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 9101002.836 CSRFT1 Fl. 3.355 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto por BAYER S.A. (efls. 3191 e segs) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402002.132 (efls. 3159/3181), pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 02/03/2016, no qual foi negado provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Resumo das matérias A autuação fiscal (efls. 2824/2858) tratou de verificar os cálculos efetuados pelo Contribuinte, no anocalendário de 2007, de preços de transferência, conforme previsto nos arts. 18 a 24 da Lei n° 9.430, de 1996, com a alteração da Lei n° 9.959, de 27 de janeiro de 2000 e pela IN SRF n° 243, 2002. A Fiscalização efetuou ajustes na apuração relativa a operações de importação realizada pelos métodos PIC e PRL. Foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL. A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 2864/2892) que foi julgada improcedente (efls. 3057/3071)pela primeira instância (DRJ). Foi interposto pela contribuinte recurso voluntário (efls. 3080/3108). Foi negado provimento ao recurso pela turma ordinária do CARF (efls. 3159/3181). A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 3191/3206) em relação à matéria ilegalidade da IN SRF 243, de 2002, que foi admitido por despacho de exame de admissibilidade (efls. 3309/3317). A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 3319/3345). A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa A contribuinte apresentou impugnação (efls. 2864 e segs), que foi julgada improcedente pela 5ª Turma da DRJ/São Paulo I, nos termos do Acórdão nº 1647.476 (efls. 3057/3071), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Fl. 3355DF CARF MF Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 9101002.836 CSRFT1 Fl. 3.356 3 MÉTODO PRL60. PREÇOS PARÂMETRO.ILEGALIDADE / INCONSTITUCIONALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização (nem aos órgãos julgadores). Indeferese, dessa forma, pedido de diligência para que a exigência fiscal seja recalculada por outro método. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Foi interposto recurso voluntário (efls. 3080 e segs) pela Contribuinte. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 02/03/2016, decidiu negar provimento ao recurso, no Acórdão nº 1402002.132 (efls. 3159/3181), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há ilegalidade na IN SRF n° 243/2002, cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (efls. 3191 e segs.), protestando sobre a ilegalidade da metodologia para apuração de ajustes de preços de transferência introduzida pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002, discorrendo sobre a inexistência de fundamento de validade dos cálculos proporcionais da instrução normativa antes da Lei nº 12.715, de 2012 e da importância do valor agregado no país. Requer pela reforma do acórdão recorrido e pelo cancelamento integral da exigência fiscal. Fl. 3356DF CARF MF Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 9101002.836 CSRFT1 Fl. 3.357 4 O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 3309/3317 deu seguimento ao recurso. Foram apresentadas contrarrazões pela PGFN (efls. 3319/3345), no qual discorre que a sistemática do PRL 60 definida pela IN SRF nº 243/02 concretiza devidamente o objetivo do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, e requer pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 3309/3317, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer o recurso da Contribuinte. Foi devolvida para apreciação do Colegiado a matéria ilegalidade da metodologia para apuração de ajustes de preços de transferência introduzida pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002. Sobre o assunto, a ilegalidade de IN SRF nº 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, tratase de matéria já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 3357DF CARF MF Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 9101002.836 CSRFT1 Fl. 3.358 5 vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries 2. No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; 2 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 3358DF CARF MF Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 9101002.836 CSRFT1 Fl. 3.359 6 d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN 3, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri 4 : 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96 5 Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759 5 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Fl. 3359DF CARF MF Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 9101002.836 CSRFT1 Fl. 3.360 7 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que Fl. 3360DF CARF MF Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 9101002.836 CSRFT1 Fl. 3.361 8 não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...) 6. Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir 6 GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 3361DF CARF MF Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 9101002.836 CSRFT1 Fl. 3.362 9 com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total7. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart 7 Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 3362DF CARF MF Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 9101002.836 CSRFT1 Fl. 3.363 10 Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: CII PPart = CTBP ou, ainda, por: CII PPart = CII + valor agregado onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: Fl. 3363DF CARF MF Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 9101002.836 CSRFT1 Fl. 3.364 11 CII PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries 8, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. 8 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http:www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 3364DF CARF MF Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 9101002.836 CSRFT1 Fl. 3.365 12 Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Fl. 3365DF CARF MF Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 9101002.836 CSRFT1 Fl. 3.366 13 Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial, como, por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. Fl. 3366DF CARF MF Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 9101002.836 CSRFT1 Fl. 3.367 14 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da Fl. 3367DF CARF MF Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 9101002.836 CSRFT1 Fl. 3.368 15 regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Fl. 3368DF CARF MF Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 9101002.836 CSRFT1 Fl. 3.369 16 CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Quanto ao argumento de que a Lei nº 12.715, de 2012 (convertida pela MP nº 563, de 2012), ao reproduzir dispositivos da IN SRF nº 243, de 2002 confirmaria a ilegalidade da instrução normativa, não resiste a uma análise mais precisa da exposição de motivos da medida provisória: 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: a) substituição dos atuais métodos do Preço de Revenda menos Lucro PRL20 e PRL60, aplicáveis, respectivamente, a hipóteses nas quais os bens importados sejam exclusivamente revendidos ou sejam submetidos a processos produtivos no Brasil, a um único método de cálculo de preço parâmetro, o que fará com que os controles em questão não mais sejam relevantes na tomada de decisões quanto à forma de atuação das entidades sujeitas aos controles de preços de transferência no Brasil, bem como eliminará inúmeros litígios concernentes à conceituação do que venha a ser “submissão a processo produtivo no País”, fator este de enorme insegurança jurídica no que toca à matéria; b) aplicação, para fins de cálculo do PRL, de margens de lucro diferenciadas por setores da atividade econômica;(grifei) c) não consideração de montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais Fl. 3369DF CARF MF Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 9101002.836 CSRFT1 Fl. 3.370 17 privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira; No que concerne ao PRL 20 e PRL 60, deixa clara a exposição de motivos que o cerne da alteração em relação à lei anterior é o estabelecimento de um único método de cálculo de preço parâmetro, entendendo ser uma melhoria em relação à situação pretérita, no qual havia diferença de tratamento entre (i) os bens importados exclusivamente revendidos e (ii) aqueles submetidos a processos produtivos no Brasil. Discorre, de maneira expressa, sobre a preocupação com litígio que provocava a "conceituação" da expressão “submissão a processo produtivo no País”, o que, de acordo com o legislador, tratavase de "fator este de enorme insegurança jurídica". Ora, não se fala, em nenhum momento, em se dissipar qualquer eventual dúvida sobre a legalidade do art. 18 da IN SRF nº 243, de 2002. Tanto que, na sequência, discorre a exposição de motivos sobre a aplicação de margens de lucro diferenciadas por setores de atividade econômica, e sobre nova sistemática na apuração do preço de transferência para os valores a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação. Observase que a exposição de motivos expressamente se manifestou quando entendeu que a lei alterou a norma tributária relativa aos preços de transferência, ou seja, na adoção de um único método de cálculo de preço parâmetro para o PRL, na definição de margens de lucro diferenciadas por setores de atividade econômica e na sistemática para a inclusão de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação no preço praticado. Por outro lado, na medida em que não discorreu sobre o método adotado pelo 18 da IN SRF nº 243, de 2002, confirmou a interpretação dada pela norma complementar, tanto que positivou o entendimento na nova redação da lei. E se o legislador aproveitou a oportunidade para positivar, em texto legal, interpretação dada pela IN SRF nº 243, de 2002, tratase de procedimento que em nada altera a norma tributária em análise (método de cálculo do preço parâmetro pelo PRL 60), sob uma perspectiva substancial (material). A alteração é apenas no campo formal, tomandose como referência a data de vigência da Lei nº 12.715, de 2012: antes, a norma tinha previsão em lei e em norma complementar (instrução normativa autorizada pelo art. 100 do CTN 9); após, a previsão apenas em lei. Portanto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura 9 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Fl. 3370DF CARF MF Processo nº 16561.720197/201223 Acórdão n.º 9101002.836 CSRFT1 Fl. 3.371 18 Fl. 3371DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000034/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.967
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12585.000034/2011-11
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5722976
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-003.967
nome_arquivo_s : Decisao_12585000034201111.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 12585000034201111_5722976.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6757196
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211090501632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1743; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.000034/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.967 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GRAND MOTORS COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 34 /2 01 1- 11 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 12585.000034/201111 Acórdão n.º 3302003.967 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.471. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 119DF CARF MF Processo nº 12585.000034/201111 Acórdão n.º 3302003.967 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 12585.000034/201111 Acórdão n.º 3302003.967 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 121DF CARF MF Processo nº 12585.000034/201111 Acórdão n.º 3302003.967 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 122DF CARF MF Processo nº 12585.000034/201111 Acórdão n.º 3302003.967 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902765/2011-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.347
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10120.902765/2011-34
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5722044
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.347
nome_arquivo_s : Decisao_10120902765201134.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10120902765201134_5722044.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6755215
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211103084544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1829; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.902765/201134 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.347 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria COFINS/PIS. TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente COTRIL MOTORS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 65 /2 01 1- 34 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10120.902765/201134 Acórdão n.º 3301003.347 S3C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS NãoCumulativa – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de COFINS nãocumulativa, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.386. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10120.902765/201134 Acórdão n.º 3301003.347 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10120.902765/201134 Acórdão n.º 3301003.347 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10120.902765/201134 Acórdão n.º 3301003.347 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10120.902765/201134 Acórdão n.º 3301003.347 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.903346/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.987
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13839.903346/2011-11
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5722228
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-003.987
nome_arquivo_s : Decisao_13839903346201111.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 13839903346201111_5722228.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6755399
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211107278848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1725; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.903346/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.987 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 46 /2 01 1- 11 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.903346/201111 Acórdão n.º 3302003.987 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.514. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.903346/201111 Acórdão n.º 3302003.987 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13839.903346/201111 Acórdão n.º 3302003.987 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.903346/201111 Acórdão n.º 3302003.987 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13839.903346/201111 Acórdão n.º 3302003.987 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723861/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006
SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE.
O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. Constatação de que os serviços foram prestados com exclusividade pelos sócios gerentes das pessoas jurídicas. Prevalência da verdade na relação contratual e aplicação do art. 12, I, a, da Lei 8.212/91.
MULTA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 2301-004.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à incidência do tributo sobre as contribuições previdenciárias relacionadas à desconsideração da personalidade jurídica (pejotização); vencidos na questão os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior que davam provimento ao recurso voluntário; (b) quanto à multa previdenciária, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; pela tese "b" Andrea Brose Adolfo, Marcela Brasil de Araújo Nogueira e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes e Amílcar Barca Teixeira Júnior; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, por maioria de votos, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; com isso, as multas restaram mantidas como constam no lançamento; designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araujo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006 SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. Constatação de que os serviços foram prestados com exclusividade pelos sócios gerentes das pessoas jurídicas. Prevalência da verdade na relação contratual e aplicação do art. 12, I, a, da Lei 8.212/91. MULTA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11080.723861/2010-13
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5721952
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-004.733
nome_arquivo_s : Decisao_11080723861201013.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES
nome_arquivo_pdf_s : 11080723861201013_5721952.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à incidência do tributo sobre as contribuições previdenciárias relacionadas à desconsideração da personalidade jurídica (pejotização); vencidos na questão os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior que davam provimento ao recurso voluntário; (b) quanto à multa previdenciária, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; pela tese "b" Andrea Brose Adolfo, Marcela Brasil de Araújo Nogueira e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes e Amílcar Barca Teixeira Júnior; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, por maioria de votos, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; com isso, as multas restaram mantidas como constam no lançamento; designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araujo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6755123
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211127201792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2552; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.723861/201013 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.733 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de junho de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SPORT CLUB INTERNACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006 SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. Constatação de que os serviços foram prestados com exclusividade pelos sócios gerentes das pessoas jurídicas. Prevalência da verdade na relação contratual e aplicação do art. 12, I, “a”, da Lei 8.212/91. MULTA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35A, da Lei nº 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à incidência do tributo sobre as contribuições previdenciárias relacionadas à desconsideração da personalidade jurídica (pejotização); vencidos na questão os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior que davam provimento ao recurso voluntário; (b) quanto à multa previdenciária, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 38 61 /2 01 0- 13 Fl. 568DF CARF MF 2 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; pela tese "b" Andrea Brose Adolfo, Marcela Brasil de Araújo Nogueira e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes e Amílcar Barca Teixeira Júnior; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, por maioria de votos, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; com isso, as multas restaram mantidas como constam no lançamento; designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araujo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior. Relatório Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves, relatora original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Cuida o recurso voluntário aviado à fls. 498 a 511 em que o RECORRENTE insurgese em face de decisão oriunda da DRJ(RS) de fls. 471 a 483. A discussão tem origem por conta de fato relatado no auto de infração de fls. 02 em que ficou constatado que o RECORRENTE, de forma irregular estaria creditando pagamentos correspondentes a remunerações de seus jogadores, técnico de futebol, dentre outros através de pessoas jurídicas interpostas de gerencia e titularidade dos próprios trabalhadores. Diante deste expediente o RECORRENTE excluiu as remunerações da folha de pagamento, omitindo dados à GFIP descumprindo a obrigação acessória de informação bem como a obrigação e recolhimento dos percentuais em favor do Fisco. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 11080.723861/201013 Acórdão n.º 2301004.733 S2C3T1 Fl. 3 3 O RECORRENTE foi devidamente cientificada recebendo arquivos referentes ao Auto de Infração conforme se verifica à fls. 33. A impugnação veio à fls. 308 a 325, oportunidade em que o RECORRENTE questionou suposta nulidade da peça fiscal por ausência de descrição do fato. Sustentou ainda a improcedência da impugnação porquanto os pagamentos se deram de forma legal a pessoas jurídicas. Consta à fls. 471 a 483 decisão emanada da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) evidenciando que houve infringência aos arts. 33 “caput”, da Lei 8.212/91 c/c art. 229 § 2º do Regulamento Geral da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99, dispositivos legais que contemplam a possibilidade de o auditor fiscal desconsiderar o vinculo pactuado e proceder o enquadramento como segurado nos moldes legais anteriormente citados, que ora transcrevemos: "Da análise da impugnação apresentada, depreendese que o cerne da controvérsia reside na determinação da natureza jurídica desses valores, pois, no entendimento da empresa, tais verbas possuem natureza civil, enquanto que para Fiscalização, por suas características peculiares e, principalmente, pela forma específica como foram pagas, elas caracterizam se como remuneração. De plano, cumpre destacar que, por disposição legal, tanto o jogador profissional como o técnico são empregados do clube de futebol, sujeitos à legislação previdenciária de onde se busca o conceito de remuneração enquanto fato gerador de contribuição previdenciária, como todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a forma de utilidades habituais em relação ao empregado, conforme dispõe o inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/91. É prática bastante comum dos clubes de futebol a vinculação dos pagamentos relativos a exploração da imagem do atleta/técnico aos que decorrem do contrato de trabalho, isto é, da prestação de serviços. Conforme demonstrado no relatório fiscal, a impugnante utiliza os “contratos de cessão de uso de imagem” para pagar salário de forma indireta aos atletas e técnicos, buscando se elidir da incidência contributiva. Esta prática fica mais evidente quando se compara a remuneração tida como salarial com os valores recebidos a título de cessão de imagem, pois conforme demonstrado no item 5.2.2 do relatório fiscal o maior ganho dos atletas e técnicos advém da rubrica “Direito de Imagem”. Ainda, é de salientar que os pagamentos dos supostos “contratos de imagem” são efetuados através de uma empresa interposta, cujos titulares ou sócios são os próprios atletas e técnicos que são empregados do clube, recebendo por folha de pagamento parte do salário e o restante pelas notas fiscais de serviços prestados emitidas contra o clube, seu empregador. Apesar da inconformidade da defendente quanto ao direito de imagem fazer parte da remuneração do atleta, temos que integram o salário de contribuição do atleta e do técnico de clube de futebol profissional, as importâncias recebidas ou creditadas a qualquer titulo, inclusive os ganhos habituais fornecidos pelo clube. A fiscalização observou ainda, pagamentos efetuados por intermédio de pessoas jurídicas decorrentes do contrato de trabalho e da prestação pessoal de serviços do atleta e técnico, tais como “gratificações, premiações, Fl. 570DF CARF MF 4 bonificações, bicho”, os quais são direitos inerentes à prática desportiva e não decorrentes de uso de imagem destinada a fins comerciais. A legislação previdenciária, conforme já mencionado, inclui no ganho do empregado, para efeito de salário de contribuição, a remuneração efetivamente recebida ou creditada a qualquer título durante o mês. Como prêmio condicionado ao êxito do clube (vitória, empate, classificação, título obtido, etc.), as verbas pagas a título de“gratificações, premiações, bonificações, bicho” integram a remuneração do atleta profissional ou técnico para todos os fins tributários e previdenciários. A natureza salarial das verbas ora em discussão, com base no conceito contido no artigo 28 , inciso I, da lei 8.212/91, se constituem em uma vantagem econômica ao beneficiário, auferida como retribuição ao trabalho prestado ao clube."(grifamos) A aludida decisão ainda destaca a natureza salarial das verbas. Em Recurso Voluntário de fls. 498 a 511 o RECORRENTE sustenta sua ilegitimidade passiva ao argumento que a obrigação das contribuições previdenciárias citadas seria do empregado e não do empregador. Sustenta ainda a não incidência das contribuições previdenciárias sobre pagamentos realizados a pessoas jurídicas, especialmente ao direito de imagem, e pugna pela aplicação da penalidade menos severa nos termos das reduções previstas na lei 11.941/2009. É o relatório. O processo foi distribuído para este redator ad hoc em 15/02/2017, em face de a conselheira relatora, Gisa Barbosa Gambogi Neves, ter renunciado ao seu mandato antes da formalização do acórdão. Voto Vencido Conselheiro João Bellini Júnior, redator ad hoc na data da formalização do acórdão. Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves, relatora, ter renunciado ao seu mandato no CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Conheço do recurso por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 11080.723861/201013 Acórdão n.º 2301004.733 S2C3T1 Fl. 4 5 Não se sustenta o argumento de ilegitimidade passiva em que o RECORRENTE alega que o recolhimento de contribuição previdenciária seria encargo dos empregados. Tal argumento “data venia” cai por terra diante dos dispositivos legais pertinentes à espécie, notadamente arts 32 e 32A da Lei 8.212/91 e Instrução Normativa RFB 925/2009. Não se sustenta o argumento de que o débito fiscal seria de responsabilidade das empresas NAD – Assessoria de Esporte S/C LTDA; CANF – Assessoria de Esporte S/C LTDA e P.P. Araújo Esportes LTDA as quais teriam prestado serviços ao RECORRENTE e teriam obrigação de recolher contribuições previdenciárias de seus colaboradores. A prova carreada aos autos não deixa dúvidas que a prestação e serviços ao RECORRENTE deuse unicamente pelos sócios gerentes das referidas empresas de forma pessoal em período integral estando presente também o elemento subordinação. Desta forma não pode o fisco considerar tão somente o aspecto formal da relação entabulada entre o RECORRENTE e as empresas que supostamente lhe prestariam serviços. Ao contrário deve ser levada em conta a realidade, ou seja, os serviços eram prestados pelos sócios gerentes das referidas empresas restando caracterizada relação empregatícia incidentes, portanto, no caso vertente os arts. 12, I “a”; 30, I “a”, 20 e 28 todos da Lei 8.212/91. Ficou evidenciado, portanto que os Senhores Newton Albuquerque Drumond (NAD – Assessoria de Esporte S/C LTDA); Carlos Alberto Negreiros Fraga (CANF – Assessoria de Esporte S/C LTDA) e Pedro Paulo César Paixão de Araújo (P.P. Araújo Esportes LTDA), prestaram serviços ao RECORRENTE de forma exclusiva, saltando aos olhos de maneira cristalina que a obrigação tributária objeto dos presentes autos é válida e exigível. Face a todo o exposto DAR parcial provimento ao recurso do Recurso Voluntário, somente no que diz respeito para limitar a multa em 20%. É o voto ASSIM VOTOU A CONSELHEIRA NA SESSÃO DE JULGAMENTO. João Bellini Júnior Redator ad hoc na data da formalização do acórdão. Voto Vencedor Conselheira Andrea Brose Adolfo Redatora Retroatividade Benigna. Fl. 572DF CARF MF 6 Peço vênia para discordar do posicionamento adotado pela conselheira relatora, no que tange ao critério de aplicação da retroatividade benigna em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, na Lei nº 8.212, de 1991. De acordo com o relatório fiscal, o presente processo trata de lançamento de contribuições previdenciárias referente ao período de 09/2005 a 12/2006 sendo que, no momento da aplicação da multa (autuação), já foi observado o princípio da retroatividade benigna, conforme os seguintes excertos: 10. A multa incidente sobre as contribuições devidas à Previdência Social acrescida àquelas por descumprimento de obrigações acessórias referentes às informações prestadas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social GFIP, de acordo com o contido na alínea 'c' do Inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN, foram devidamente comparadas, por competência, entre a legislação vigente à época dos fatos geradores, conforme o art. 35 da Lei 8212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei 11941, de 2009, e a calculada na forma do art. 35A da Lei 8212, de 1991, acrescido pela Lei 11941, de 2009, aplicandose a penalidade mais benéfica. Vide quadro demonstrativo abaixo denominado "Planilha Comparativo de Multa" Multa de Ofício 75% Atual Art. 35A da Lei 8212/91, acrescido pela Lei 11941/2009, aplicada sobre as contribuições devidas à Previdência Social, apuradas no DD Discriminativo do Débito Multa de mora de 24% Anterior Art. 35 da Lei 8212/91, anterior à redação dada pela Lei 11941/2009 vigente à época do fato gerador, aplicada sobre as contribuições devidas à Previdência Social, apuradas no DD Discriminativo do Débito AIOA 68 Auto de Infração de Obrigações Acessórias, Código de Fundamentação Legal CFL 68 correspondente a 100% do valor da contribuição previdenciária devida relativa à contribuição não declarada em GFIP, apurada por competência, observado o limite mensal previsto no § 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, que considera o número total de segurados da empresa. Revogado a partir das alterações implementadas através Medida Provisória 449 de 03 de dezembro de 2008, transformada na Lei 11941 de 27 de maio de 2009. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 11080.723861/201013 Acórdão n.º 2301004.733 S2C3T1 Fl. 5 7 O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Assim, após a edição da MP, a multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação entre o valor resultante do cálculo vigente à época dos fatos geradores e o valor resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de Fl. 574DF CARF MF 8 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) Notase que o auditorfiscal, no momento da autuação já elaborou quadro comparativo das multas (efls. 25/26) no qual é apresentado o valor utilizado na determinação da multa aplicável em cada competência. Destacandose que a multa prevista na legislação atual (multa de ofício de 75%), foi considerada a mais benéfica ao contribuinte nas competências do presente lançamento. Portanto, entendo que a multa mais benéfica já foi calculada no momento da autuação, de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB nº 971/2009, acima transcrito, e nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Assim, não há que se falar em aplicação do princípio da retroatividade benigna, consoante o disposto no artigo 106, II, c, do CTN, uma vez que tal procedimento já foi realizado pela fiscalização no momento da lavratura do auto de infração. É como voto. Fl. 575DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722536/2014-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto.
Tatiana Josefovicz Belisário Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11516.722536/2014-08
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739592
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-000.899
nome_arquivo_s : Decisao_11516722536201408.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
nome_arquivo_pdf_s : 11516722536201408_5739592.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6845740
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211134541824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 829 1 828 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.722536/201408 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.899 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de maio de 2017 Assunto IPI Recorrente MACROBOATS INDUSTRIA, COMERCIO E SERVICOS NAUTICOS EIRELI ME e OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte principal MACROBOATS INDÚSTRIA COMÉRCIO E SERVIÇOS NÁUTICOS EIRELI; e contribuintes solidários FIBRAS BIGUAÇU FABRICAÇÃO E COMÉRCIO DE EMBARCAÇÕES LTDA.; ALMIRO DE SOUZA THIBURCIO NETO e LUIZ CELSO ZACARELLI ANDRADE Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1055.839, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de Auto de Infração (AI) de fls. 2 a 14, cuja motivação está assim descrita: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 22 53 6/ 20 14 -0 8 Fl. 829DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 830 2 “0001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI CARACTERIZAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO Falta de lançamento de imposto na(s) saída(s) de produto(s) tributado(s) do estabelecimento, por não considerar sua atividade como de industrialização, conforme detalhado no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal do IPI, que faz parte integrante deste Auto de Infração. ... 0002 IPI LANÇADO FALTA DE DECLARAÇÃO/ RECOLHIMENTO DO SALDO DEVEDOR DO IPI ESCRITURADO (TOTAL OU PARCIAL) O estabelecimento industrial não efetuou o recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e nem declarou o tributo nas DCTFs, nos prazos estabelecidos pela legislação, conforme detalhado no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal do IPI, que faz parte integrante deste Auto de Infração.” Também faz parte do AI o Demonstrativo de Responsáveis Tributários (fls. 5 e 6). O termo de verificação fiscal do IPI e de sujeição passiva solidária, que acompanha o AI e detalha os procedimentos e razões que levaram à autuação encontrase às fls. 15 a 30. A ação fiscal foi estabelecida face ao contribuinte MACROBOATS IND. COM. E SERVICOS NAUTICOS EIRELI – ME, que realiza a construção e montagem de embarcações de esporte e lazer. Tais produtos são classificados, na TIPI, no código 8903.99.00, e tributadas à alíquota de 10%. Transcrevese, aqui, alguns excertos do relatório: “2) Em 06/02/2014, foi lavrado o Termo de Início de Procedimento Fiscal (MPF Diligência 09.2.01.002014000821), com o intuito de verificar o cumprimento das obrigações principal e acessórias do IPI, no período de janeiro a dezembro de 2012, através do qual o estabelecimento foi intimado a apresentar os Livros de Registro do IPI, ações judiciais, consultas sobre classificação fiscal de mercadorias e arquivos digitais das notas fiscais de entradas e saídas. (DOC Termo de Início). Em resposta a empresa informa que não possui ações judiciais e nem formulou consulta sobre a legislação do IPI 3) Foram lavrados os Termos de Intimação Nº 01, solicitando a relação de bens que compõe o Patrimônio da empresa; termo nº 02, solicitando a autenticação dos Livros de Apuração do IPI 01 e 02, cópia da identidade dos sócios administradores e descrição do processo produtivo; Termo nº 03, solicitando a confirmação das notas fiscais de saída sem destaque do IPI; Termo nº 04, solicitando a cópia do contrato social e alterações e Termo de Intimação Nº 05, solicitando o Livro de Registro de Inventário 2012, a destinação dada aos conjuntos de formas FS YACHTS, cópia do contrato de aluguel vigente no ano de 2012 e justificar o endereço da MACROBOATS, o qual consta notas Fl. 830DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 831 3 fiscais dos fornecedores como sendo o mesmo que o da empresa FIBRAS BIGUACU FABRIC. E COMÉRCIO DE EMBARCAÇÕES LTDA, a partir de então denominada simplesmente de FIBRAS BIGUAÇU. As respostas aos referidos Termos encontramse na sequência às intimações, no eProcesso Administrativo Fiscal. 4) Da análise dos arquivos digitais das notas fiscais de entradas e saídas, dos livros e documentos fiscais, Declarações entregues à Receita Federal e demais sistemas de consulta, constatei as seguintes irregularidades: 4.1) IPI APURADO E NÃO DECLARADO EM DCTF E NEM PAGO. Da auditoria realizada nas notas fiscais de entradas e saídas, arquivos digitais, Livros de Registro de Apuração do IPI e Declarações entregues à Receita Federal (DCTF) foi identificado que a empresa apurou saldo devedor de IPI escriturado no Livro de Registro de Apuração do IPI e não DECLAROU os débitos do IPI à Secretaria da Receita Federal, na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e nem efetuou o pagamento até o início deste procedimento de fiscalização. Nos períodos de abril, maio e junho de 2012, o contribuinte omitiu nas DCTFs a existência dos débitos de IPI apurados e registrados no Livro de Registro de Apuração do IPI Nº 01, conforme documento “Extrato de Débitos da DCTF”. ... Assim, considerando que, não houve o pagamento e a devida comunicação à Receita Federal do Brasil, através da DCTF, esta fiscalização efetuará o lançamento de ofício, com base no artigo 186, do RIPI/2010, através de AUTO DE INFRAÇÃO, por infringência ao disposto nos artigos 181, 183 e 184, inciso III, do RIPI/2010. ... 4.1.1) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Nos períodos de abril, maio e junho de 2012, o contribuinte omitiu nas DCTFs a existência dos débitos de IPI apurados e registrados no Livro de Registro de Apuração do IPI, conforme documento Extrato de Débitos da DCTF. A conduta, dolosa, de omitir os DÉBITOS DO IPI, nas DCTFs, nos períodos em quem estão sendo fiscalizados, com o deliberado intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária, configura sonegação fiscal e enseja a aplicação de multa qualificada de 150% do IPI não recolhido, com base nos seguintes artigos do RIPI/2010, abaixo transcritos, que equivalem aos artigos 488, inciso II e 480 do RIPI/2002: ... 4.2) IPI NÃO DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS DE SAÍDAS. Da análise das notas fiscais de saídas e arquivos digitais foi identificado que no período de janeiro a maio de 2012 o contribuinte deixou de destacar o IPI nas notas fiscais de saída das embarcações de Fl. 831DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 832 4 recreio ou esporte, as quais classificamse na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), no código 8903.99.00, tributadas à alíquota de 10%. Conforme descrição do processo produtivo, documento Resposta ao Termo de Intimação Nº 02, a empresa industrializa os cascos das embarcações e após faz a instalação dos componentes hidráulicos, elétricos, ferragens, estofamento e eventualmente motores e acessórios, quando destinados aos clientes finais. Nas notas fiscais apresentadas pela empresa ocorre a discriminação separada por KITS (EMBARCAÇÃO FS, KIT MOTOR, KIT ACESSORIOS, KIT OPCIONAIS, KIT INOX, etc), mas tratase de embarcações completas ou incompletas, onde o conjunto casco, kit motor ou acessórios e opcionais classificamse na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), no código 8903.99.00, tributadas à alíquota de 10%. O Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10) assim estabelece em seu artigo 3º: “Art. 3o Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária.” Assim, mesmo nas embarcações incompletas (sem motor), que apresentam as características essenciais de embarcação de recreio ou de esporte completa, aplicase, para fins de classificação fiscal a Regra Geral Interpretativa nº 2, letra “a” (RGI2a) do Sistema Harmonizado (SH), abaixo transcrita: Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. Assim, com base nos arquivos digitais das notas fiscais de saídas apresentados pelo contribuinte, esta fiscalização elaborou o “DEMONSTRATIVO DE SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IPI, onde constam as notas fiscais que não foram tributadas, detalhando por Período, NF número da nota fiscal, CFOP – código fiscal de operações, data de saída, data de emissão, número de série, item da nota fiscal, NCM adotada pelo contribuinte, Descrição da mercadoria, CPF/CNPJ do cliente, base de cálculo do IPI na nota fiscal, Alíquota devida de 10%, no código 8903.99.00 e IPI Devido Receita Federal. ... Considerando que a empresa não lançou o IPI a qual estava sujeita no ano calendário de 2012, esta fiscalização está lançando de ofício através de AUTO DE INFRAÇÃO, com base no artigo 186, do RIPI/2010, por infringência ao disposto nos artigos 181, 182, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 183 e 184, inciso III e artigos 15, 16, 17, 35, inciso II, 189, 190, inciso II, 259, 260, inciso IV, 262, inciso III, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10) e com base nas Regras Gerais para Interpretação do SH (RGI) 1 (texto da posição 8903), ), 2 “a” e 6 (texto da sub posição 8903.99), e subsídios NESH. Fl. 832DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 833 5 Os créditos apurados pelo contribuinte no Livro de Registro de Entradas e ainda não deduzidos dos débitos por saídas foram concedidos e abatidos dos débitos apurados por esta fiscalização, a fim de apurar as diferenças a cobrar do IPI.” Foi também realizada a representação fiscal para fins penais, tendo em vista a identificação de situação que, em tese, pode configurar crime contra a ordem tributária. A sujeição passiva solidária foi assim justificada: “Os fatos abaixo descritos demonstram que a fiscalizada e a FIBRAS BIGUACU, sob o mesmo comando e o nome fantasia Estaleiro FS Yachts, realizaram conjuntamente as situações configuradoras do fato gerador, o que enseja a inclusão desta no pólo passivo da obrigação tributária, com fundamento no art. 124, I, do Código Tributário Nacional (CTN), e também, os administradores da fiscalizada e da FIBRAS BIGUACU, onde a responsabilidade solidária decorre da aplicação do disposto no art. 135, III, do CTN. ... a.3) Dos contratos sociais e alterações das empresas MACROBOATS e FIBRAS BIGUACU constatase que as empresas estavam sob o comando de uma família: Luiz Celso Zacarelli Andrade, é filho de Luiz Celso Neves Andrade e Ana Maria Zacarelli Andrade e Almiro de Souza Thiburcio Neto, é filho de José Thiburcio Neto e Ana Maria Zacarelli Andrade, PORTANTO, IRMÃOS POR PARTE DE MÃE. b) A marca das embarcações fabricadas pela MACROBOATS e pela FIBRAS BIGUACU é a mesma: “FS YACHTS” c) Os conjuntos de formas FS YACHTS FS 230, Sirena e Scappare pertencentes a empresa MACROBOATS foram “vendidos”, e/ou transferidos para a empresa FIBRAS BIGUACU. Conforme resposta da FIBRAS BIGUAÇU ao Termo de Intimação nº 06, os referidos modelos foram reestilizados, passando a não mais utilizar os moldes adquiridos da MACROBOATS. Na mesma resposta, em relação aos moldes ou projetos da lancha FS 305 Elite a empresa FIBRAS BIGUAÇU apresenta cópia da minuta do Contrato YR54 para desenvolvimento de uma lancha de 30 pés, datado de 22/11/2011, no entanto, a referida não tem validade jurídica, pois não está assinada por nenhuma das partes. Os meios de produção dos barcos foram sendo passados da MACROBOATS para a FIBRAS BIGUAÇU. Todos os elementos levam à conclusão de que, ao longo do ano de 2012, ambas realizavam as operações de industrialização e comercialização dos barcos FS YACHTS. Exemplo disso foi a alienação das formas (moldes) dos modelos FS 230, Sirena e Scappare e a transferência de 43 funcionários (já que a atividade é intensiva em mão de obra), como veremos abaixo. d) Em resposta ao Termo de Intimação nº 03 a empresa fiscalizada apresentou diversas notas de fornecedores, no período de janeiro a novembro de 2012, as quais estavam preenchidas com o endereço da Fl. 833DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 834 6 MACROBOATS, como sendo na Rua Cecília Maria José Azevedo, nº 210, em Biguaçu ou na BR 101, KM 199, em Biguaçu, ou seja o mesmo endereço da empresa FIBRAS BIGUAÇU. Assim, a empresa foi intimada a confirmar por escrito se no ano calendário de 2012 a MACROBOATS e a FIBRAS BIGUAÇU estavam estabelecidas no mesmo endereço. Apesar das evidências constantes nas notas fiscais dos fornecedores, a empresa fiscalizada, nega que tenha ocupado no ano de 2012 o mesmo endereço que a empresa FIBRAS BIGUAÇU. A fiscalizada, também não logrou êxito em comprovar o endereço em que desenvolviam as atividades industrias, uma vez que não possuía sede própria e também não apresentou contrato de aluguel, conforme resposta ao item 3, do Termo de Intimação Fiscal nº 05, datado de 30/09/2014. Ora, tratase de uma indústria de barcos, cuja atividade exige espaço e equipamentos adequados, instalados em região industrial, que possibilitem o manejo dos materiais e das embarcações em estoque, sem falar na atividade comercial com clientes e fornecedores. Diante desse quadro, em que o contribuinte não consegue comprovar que estivesse sediado em local diverso daquele registrado nas notas fiscais apreendidas, forçoso concluir que era neste endereço que exercia suas atividades, ou seja, no mesmo local da FIBRAS BIGUAÇU. e) Através das informações constantes na GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), foi identificada a transferência de 43 funcionários, no mês de novembro de 2011 da empresa MACROBOATS, com o código N2, para a empresa FIBRAS BIGUAÇU, código N3, conforme consta no (DEMONSTRATIVO GFIP doc. do processo), dos Trabalhadores MACROBOATS (07976926) e FIBRAS BIGUAÇU (14162300), destacado em negrito. O código N2 referese a transferência de empregado para outra empresa que tenha assumido os encargos trabalhistas, sem que tenha havido rescisão do contrato de trabalho. No DEMONSTRATIVO GFIP, observando as colunas “Dia da Demissão” e “Código da Movimentação” fica claramente demonstrado que ao final do mês de dezembro de 2011 a empresa MACROBOATS praticamente não tinha mais funcionários registrados, ou haviam sido transferidos para a empresa FIBRAS BIGUAÇU, ou haviam sido demitidos em data anterior e alguns ainda estavam afastados por acidente de trabalho, códigos O1 e O2, como é o caso de VAGNER ROGERIO DOS SANTOS e VALTER JOSE CAMPAGNA, cujo afastamento perdurou por todo ano de 2011 e 2012. Os funcionários PAULO CEZAR AMANDIO (demitido em 22/11/2012) e CRISTINA AUXILIADORA SENE (demitida em 23/11/2012), são os 2 únicos funcionários informados na GFIP que permaneceram na empresa MACROBOATS, no ano de 2012. Em síntese, as duas empresas funcionaram ao longo de 2012 no mesmo endereço, sob o mesmo comando, com a mesma marca, com os mesmos meios de produção e com os mesmos funcionários. Além disso, funcionavam sob o mesmo nome de fantasia de Estaleiro FS YACHTS, conforme se constata a seguir. Fl. 834DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 835 7 f) O site da empresa no endereço http://www.fsyachts.com.br/#!historiaestaleirofs yachts/c1enr , demonstra que ao longo destes 16 anos de existência da FS YACHTS, há uma continuidade das operações empresariais: “2014 é símbolo de um aniversário especial: são 16 anos de embarcações FS Yachts. Poucos estaleiros no mundo alcançaram um marco tão expressivo e uma história baseada na mais pura qualidade e satisfação de seus consumidores. No ano de 1998, ganhou corpo a primeira lancha FS: o modelo FS185, fabricado em um pequeno galpão no Rio Grande do Sul. O sucesso foi instantâneo, dando asas à criação de mais dois modelos de embarcações: FS 210 Open, FS 210 Cabin, e FS 220, nos anos posteriores. Em 2004, o estaleiro passa a exportar suas embarcações para o Canadá, Eslovênia, Rússia, Angola e Suécia. No ano de 2005 a linha FS passa a ser fabricada no litoral catarinense em um processo totalmente artesanal. Ao primar pela qualidade e bomgosto sem medir esforços, as embarcações FS Yachts criaram uma personalidade inconfundível. Com o lançamento das embarcações FS180, FS205, FS215, FS230 Sirena, FS230 Scappare, FS275 Concept e FS305 Elite, o estaleiro FS Yachts passa a colaborar com a criação de novas tendências de design no mercado náutico mundial. A precisão de sua produção limitada, o poder da alta tecnologia e a força do acabamento artesanal fazem do estaleiro FS um verdadeiro estúdio de arte, e de suas lanchas, verdadeiras obrasprimas. ESTALEIRO FS YACHTS. 15 anos de inovações. Entre em contato com o estaleiro FS YACHTS” (Acesso em 05/11/2014) Em resumo ficou evidenciado que as empresas MACROBOATS E FIBRAS BIGUAÇU são, administradas pelos irmãos Luiz Celso Zacarelli Andrade e Almiro de Souza Thiburcio Neto. A marca das lanchas de esporte e lazer fabricadas pelos estabelecimentos é a mesma, FS YACHTS e o site com o endereço http://www.fsyachts.com.br/#!historiaestaleirofsyachts/c1enr, com o histórico acima detalhado, demonstra que ao longo destes 16 anos de existência da FS YACHTS, há uma continuidade das operações empresariais lideradas pelo mesmo grupo familiar. O endereço das empresas MACROBOATS e FIBRAS BIGUAÇU foi o mesmo no ano calendário de 2012, conforme demonstrado através das notas fiscais dos fornecedores e pela falta de comprovação da fiscalizada, em reposta ao item 3 do Termo de Intimação nº 05, onde informa: “que para o período de 2012, não foi firmado contrato de locação com o locador, não havendo documento a ser apresentado”. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 836 8 E por fim, os 43 funcionários que foram transferidos com assunção dos encargos trabalhistas, sem que tenha havido rescisão do contrato de trabalho demonstra, inequivocamente, que as empresas do mesmo grupo familiar realizaram conjuntamente as situações configuradoras do fato gerador. ... Como se observa, houve um esvaziamento da capacidade operacional da empresa MACROBOATS, com a transferência para a empresa FIBRAS BIGUAÇU, da quase totalidade dos funcionários (43), no código N2, com assunção dos encargos trabalhistas, sem que tenha havido rescisão do contrato de trabalho, restando em atividade apenas 2 funcionários na fiscalizada, número insuficiente para a fabricação de todas as lanchas de esporte e lazer que geraram uma Receita de Vendas declarada de R$ 7.230.842,98, no 1º, 2º e 3º trimestres de 2012 pela empresa MACROBOATS. É, pois, inegável e patente que, ao presente caso, aplicamse, sem qualquer hesitação, as disposições do Código Tributário Nacional concernentes à responsabilização solidária da empresa FIBRAS BIGUAÇU ao crédito tributário apurado por esta fiscalização, dada a sua estrita vinculação com a fiscalizada, realizando conjuntamente o fato gerador da obrigação tributária. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; No que diz respeito aos ADMINISTRADORES da fiscalizada e da FIBRAS BIGUAÇU, a responsabilidade solidária decorre da aplicação do disposto no art. 135, III, do CTN, c/c art. 50 e 1.016 do Código Civil. De acordo com o Código Civil de 2002 (Art. 45 c/c 985), as sociedades adquirem personalidade jurídica com a inscrição, no registro próprio e na forma da lei, dos seus atos constitutivos e têm, como atributo da personalidade jurídica, capacidade civil para ser titular de direitos e obrigações e patrimônio próprio. Vige, no Direito brasileiro, o princípio da autonomia patrimonial da pessoa jurídica e, de acordo com o Código Civil de 2002 (art. 1.052), nas sociedades limitadas, em regra, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas. Contudo, tal regra geral de limitação da responsabilidade dos sócios não é absoluta, pois o próprio Código Civil, assim como o Código Tributário Nacional, trazem exceções a esta regra. A primeira exceção que trazemos ao lume é a prevista no art. 50 do CC/2002, verbis: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas Fl. 836DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 837 9 relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. (grifamos) Os fatos descritos anteriormente demonstram claramente o abuso da personalidade jurídica. Os administradores das empresas de forma ardilosa tentam ludibriar a fiscalização, com a divisão do faturamento em dois CNPJs para aproveitar a possibilidade de tributação pelos Simples Nacional, em uma delas e dificultar a cobrança do crédito tributário, com o esvaziamento de sua receita e patrimônio. ... Outra exceção que se aplica ao caso concreto é trazida pelo art. 1.016 do Código Civil, verbis: Art. 1.016. Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. A culpa na gestão da fiscalizada, com evidentes prejuízos para a Fazenda Pública fica evidente quando se percebe o esvaziamento de sua receita e patrimônio, transferindo para outro CNPJ com outro sócio, mas do mesmo grupo familiar, no presente caso IRMÃOS, com o nítido intuito de não ser alcançado com a cobrança do crédito tributário. No que diz respeito ao Código Tributário Nacional, a responsabilidade do sócio administrador por atos com infração à lei está determinada no art. 135, verbis: Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifamos) No caso sob análise, os atos com infração à lei sobejam, conforme amplamente demonstrado. A conduta dolosa é cristalina não apenas em relação aos ilícitos tributários objeto dos autos de infração, como, também, nas diversas operações societárias que tiveram como mote obscurecer a unidade da atividade empresarial – dividindoa em duas empresas distintas, mas que realizavam as mesmas operações industriais e comerciais – e, principalmente, dificultar a cobrança de créditos de terceiros, em especial o Fisco.” Finalizou dando ciência do AI e do relatório à autuada e, na condição de sujeitos passivos solidários pelos créditos tributários constituídos de ofício, aos contribuintes FIBRAS BIGUAÇU FABRIC. E COMÉRCIO DE EMBARCAÇÕES LTDA, LUIZ CELSO ZACARELLI ANDRADE e ALMIRO DE SOUZA THIBURCIO NETO. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 838 10 A ciência foi dada, pessoalmente, em 12 de novembro de 2014 (fls. 251 a 261), ao procurador dos sujeitos passivos, original e solidários. Impugnações Face ao referido AI e termo que o acompanha foram protocolizadas quatro impugnações (fls. 350 a 387, 441 a 478, 482 a 519, 526 a 563 e, repetindo a primeira, 567 a 604), referentes a cada um dos sujeitos passivos, inclusive solidários, todas na mesma data (12 de dezembro de 2014) e por meio do mesmo representante legal. Da mesma forma, o conteúdo de todas é o mesmo (tratase da mesma peça, modificandose apenas o impugnante), inclusive com assuntos não aplicáveis a todos (ex.: responsabilidade solidária, também questionada na impugnação da Macroboats). Solidariedade A peça impugnatória inicia questionando o arrolamento, como devedores solidários, da empresa Fibras Biguaçu e das pessoas físicas Luiz Celso Zacarelli Andrade e Almiro de Souza Thiburcio Neto, por ocorrência da hipótese prevista no art. 135, III do CTN. Alega haver ilegalidade cometida pela fiscalização ao estabelecer responsabilidade dos sócios com base nesse dispositivo, primeiramente porque não houve processo administrativo para apurar responsabilidade pessoal dos impugnantes e porque o dispositivo legal utilizado para imputação da responsabilidade requer comprovação das condutas lesivas e não autoriza responsabilização solidária. Quanto à outra empresa responsabilizada, afirma que não possui atividade relacionada com a empresa Macroboats. Sobre o crédito do imposto, alega que não poderia ser realizado, pois a atividade da impugnante é diferente da imputada pela fiscalização e não é causadora de fato gerador do imposto. No detalhamento da impugnação, inicia afirmando não existir fundamentação legal para responsabilização solidária. Acrescenta que no AI a fundamentação legal citada (art. 135, III, do CTN, c/c art. 50 e 1.016 do Código Civil) serve para atribuir responsabilidade solidária apenas às pessoas físicas, administradores da Macroboats e Fibras Biguaçu, mas não para a empresa Fibras Biguaçu. Entende que o dispositivo legal necessário para incluir a Fibras Biguaçu como solidária seria o art. 124 do CTN, o que, segundo a defesa, não foi feito. Ainda assim, deveria ser demonstrado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Afirma também que os artigos do Código Civil citados não são aplicáveis ao caso: “13. Quanto ao art. 50 do CC, tratase, na verdade, de artigo procedimental, que não atribui especificamente responsabilidade solidária a qualquer pessoa. Referido dispositivo, inclusive, referese a processo judicial, que não possui relação alguma com o auto de infração imputado”. Fl. 838DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 839 11 14. No que se refere ao art. 1016 do CC, este também não pode ser aplicado ao caso, pois referese somente à sociedade simples, que estão previstas no capítulo I do referido código. No caso em exame, nenhuma da Impugnante são instituídas pelo regime previsto da sociedade simples, portanto. Inócuo o dispositivo mencionado pela fiscalização.” Solidariedade das pessoas físicas Também argui que, pela inexistência de processo próprio para atribuir responsabilidade solidária às pessoas físicas, estas não podem ser imputadas. Afirma, com base em jurisprudência, que os requisitos para imputação de responsabilidade objetiva nesses casos são de natureza objetiva e subjetiva. Objetivo seria o reconhecimento da insuficiência patrimonial do devedor, enquanto subjetivo seria o desvio de finalidade ou a confusão patrimonial. Afirma que a ausência de processo autônomo de apuração de responsabilidade, nem intimação das pessoas físicas para exercerem seu direito ao contraditório sobre uma possível desconsideração de personalidade jurídica são razões de ilegalidade do processo. Segue afirmando que um processo administrativo próprio é requisito para atribuição de responsabilidade a terceiros, onde se assegure o direito ao contraditório e ampla defesa, e, sem o qual, deve ser anulado o lançamento. Defende também não terem sido comprovadas as condutas previstas no art. 135, III, do CTN. Afirma que os requisitos do dispositivo legal – ação com excesso de poderes, infringência da lei ou ação de forma contrária ao contrato social – não foram comprovados ou sequer declarados. Acrescenta que, para tais situações, é ônus da autoridade administrativa provar a prática dos atos previstos no dispositivo citado. Finaliza tal segmento defendendo que, não havendo prova, mesmo no bojo do processo do AI, de ocorrência de uma das condutas previstas no art. 135, III, do CTN, deve ser cancelada a notificação fiscal, por ilegalidade. Solidariedade da Fibras Biguaçu Defende que não houve comprovação de possível responsabilização da empresa. Afirma que sequer houve demonstração da relação entre as empresas. Repetiu os argumentos relativos aos art. 50 e 1.016 do Código Civil, quanto à sua inaplicabilidade ao caso. Defende também que, mesmo sob a premissa de ambas as empresas formarem um grupo econômico, isto somente não seria causa para a responsabilidade solidária. Apresenta o argumento da sucessão de empresas como hipótese ao fato, com o que defende que a responsabilidade subsidiária, mas não solidária. Fl. 839DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 840 12 Finalizando o ponto, argumenta que, além de não haver fundamentação para a atribuição de responsabilidade para a Fibras Biguaçu, o CTN não permite tal atribuição por “formação de grupo econômico” e nem por “sucessão empresarial”. Exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) Sobre a questão, argumenta contrariamente à exigência do IPI não declarado em DCTF e não pago, bem como do IPI não destacado nas notas fiscais (NF). Afirmou que o objeto da empresa consiste de serviços de montagem de embarcações, instalação de equipamentos em embarcações, manutenção e operação de embarcações para esporte e lazer, entre outros, conforme previsto no seu contrato social. Em complemento, apresentou a seguinte explicação: “60. Dentro dessas atividades, a mais recorrente e que será analisada na presente demanda, é aquela na qual a Requerente é contratada para a produção de uma embarcação onde o cliente escolhe um modelo de casco, os acessórios e a motorização que será acoplada. Essa motorização poderá ser adquirida pelo contratante ou pela Requerente junto ao fabricante, tudo de acordo com o que for contratado. 61. Especificamente, há a escolha de um modelo de casco e, tanto os acessórios, como a motorização acoplada, será escolhida através de um Kit, que pode ser um "kit motor; kit acessórios, kit opcionais", conforme documentação já apresentada nos autos. 62. Sucede que nessas espécies de operações a Autoridade Administrativa entendeu que o cálculo do IPI deve observar o valor total da nota fiscal emitida, de modo a incluir na base do imposto tanto o valor do barco produzido pela Requerente quanto o valor do motor (ou do Kit escolhido), produzido por outro fabricante. 63. A Requerente entende que o procedimento exigido pela Autoridade Administrativa é equivocado. Isto porque, o cálculo do IPI deve considerar apenas o valor da embarcação sem o motor ou Kit, uma vez que este é adquirido de terceira empresa e apenas acoplado na embarcação, sem que se verifique um novo processo de industrialização sujeito ao imposto. 64. Referida diferença de critérios gera uma exigência a maior de IPI porque, mesmo que o motor seja repassado pelo custo de aquisição (sem ganho/lucro), a alíquota incidente na venda do barco é de 10%, como mencionado no auto de infração. Ocorre que a alíquota do motor é de 5%, o que gera, na prática, um recolhimento de IPI na razão de 5% sobre o valor de cada motor instalado pela Requerente. 65. O que a Impugnante querem demonstrar é que o motor ou Kit não faz parte do processo de produção da embarcação. Neste caso, a não incidência do IPI sobre o motor tem por efeito, excluílo da base de cálculo tributável”. Traz as hipóteses de incidência, fato gerador, os conceitos de industrialização constantes das normas aplicáveis (Constituição Fl. 840DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 841 13 Federal, CTN, Lei nº 4.502/64 e Decreto nº 7.212/2010) para defender que o acoplamento de motor à embarcação não consiste em industrialização, por não se constituir em novo produto, bem como por não modificar a natureza, funcionamento, a apresentação ou finalidade do produto. Acrescenta, ainda, que deve ser considerado que os motores não fazem parte da atividade social da empresa, que não os produz ou altera. Completa o raciocínio, afirmando que as saídas dos motores se dão separadamente da embarcação, sob a denominação de “kit”. Por esta razão, defende que não deve incidir a alíquota de 10% do IPI nas embarcações incompletas (sem motor). Trouxe jurisprudência alinhada com sua tese. Alega também que não foi clara a fiscalização ao elaborar o cálculo do imposto devido, que resultou no AI. Acrescenta que, por esta falta de clareza, foi cerceado o direito de defesa da impugnante, tornando nulo o AI, também nesta parte. Finaliza requerendo o cancelamento do lançamento, tendo em vista seus argumentos de que a montagem do motor ao casco não se caracteriza como industrialização, razão pela qual não há IPI devido. Multas de 75% e 150% Alega inicialmente que não houve procedimento administrativo instaurado demonstrando qual infração foi cometida que caracterize a sonegação. Acrescenta que, para a caracterização da sonegação alegada pela fiscalização, não basta “a simples existência de supostos erros nas declarações e nos registros contábeis das empresas” para configurar a sonegação. Assim, complementa, a multa de 150% somente pode ser aplicada quando restar comprovado que o contribuinte agiu de forma dolosa, objetivando impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária do fato gerador da obrigação tributária. Aponta que não há, em qualquer momento, qualquer procedimento administrativo que comprove ter havido, por parte da fiscalizada, ação com intuito de atrapalhar ou impedir o conhecimento da autoridade fazendária do fato gerador. Complementa que a prova do alegado é que cumpriu com todas as intimações realizadas, inclusive com a apresentação dos livros contábeis à autoridade. Entende, portanto, não estarem configuradas as condições para a aplicação da multa de 150%. Complementando sua defesa, alega também que a multa de 150% afronta os princípios do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade, trazendo jurisprudência e doutrina alinhada com sua defesa. Ao final, requer o provimento da impugnação “para cancelar as cobranças efetuadas”. Após exame das impugnações apresentadas pelos Contribuintes, MACROBOATS INDÚSTRIA COMÉRCIO E SERVIÇOS NÁUTICOS EIRELI; FIBRAS Fl. 841DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 842 14 BIGUAÇU FABRICAÇÃO E COMÉRCIO DE EMBARCAÇÕES LTDA.; ALMIRO DE SOUZA THIBURCIO NETO e LUIZ CELSO ZACARELLI ANDRADE, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 30/06/2012 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. SOLIDARIEDADE. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. EMBARCAÇÕES. MOTORES. MONTAGEM. INDUSTRIALIZAÇÃO. Constitui industrialização a montagem de uma embarcação, assim entendidas todas as etapas de sua fabricação, desde a fabricação do casco nu, até a montagem de mobiliário, equipamentos, acessórios e motores. MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. ARGUIÇÃO. Não compete à autoridade administrativa julgar, em relação a lei ou norma vigente, argüição de afronta ao princípio constitucional da vedação ao confisco. É competência exclusiva do Poder Judiciário a análise de teses sobre inconstitucionalidade de normas legais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de ofício qualificada, de 150%, quando apurado que o sujeito passivo valeuse de artifício doloso, visando sonegação fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformados, os Contribuintes apresentaram Recursos Voluntários a este CARF, reiterando a existência da integralidade do crédito tributário postulado. Os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Resolução Inicialmente, há que se esclarecer a existência de diversos Recursos Voluntários Fls. 658/696 MACROBOATS INDÚSTRIA COMÉRCIO E SERVIÇOS NÁUTICOS EIRELI Fls. 701/739 FIBRAS BIGUAÇU FABRICAÇÃO E COMÉRCIO DE EMBARCAÇÕES LTDA. Fls. 744/781 ALMIRO DE SOUZA THIBURCIO NETO Fl. 842DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 843 15 Fls. 786/824 LUIZ CELSO ZACARELLI ANDRADE Há questão prejudicial a ser analisada no presente feito no que diz respeito à tempestividade dos referidos Recursos. No que tange aos Recursos apresentados pelas Pessoas Físicas Almiro de Souza Thiburcio Neto e Luiz Celso Zacarelli Andrade, consta a seguinte observação da Auditoria Fiscal à fl. 828 eprocesso: Tendo em vista os Recursos Voluntários apresentados pelo contribuinte acima identificado, bem como pelos sujeitos passivos solidários Fibras Biguaçu Fabricação e Comércio de Embarcações Eireli, CNPJ 14.162.300/000181, Almiro de Souza Thiburcio Neto, CPF 077.517.97959, e Luiz Celso Zacarelli Andrade, CPF 309.670.18811, todos protocolados em 14/01/2016, proponho o encaminhamento do processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/MF/DF para apreciação. Cabe ressaltar, relativamente aos sujeitos passivos solidários Almiro de Souza Thiburcio Neto e Luiz Celso Zacarelli Andrade, que o prazo legal para a interposição de recurso voluntário encerrouse em 13/01/2016, visto que os mesmos foram cientificados da decisão de Primeira Instância Administrativa em 14/12/2015 (fls. 652 e 653). Com efeito, constam nos autos os seguintes Avisos de Recebimento: fls. 650 MACROBOATS INDÚSTRIA COMÉRCIO E SERVIÇOS NÁUTICOS EIRELI Sem data de recebimento fls. 652 ALMIRO DE SOUZA THIBURCIO NETO Recebido em 14/12/2015 fls. 653 LUIZ CELSO ZACARELLI ANDRADE Recebido em 14/12/2015 fls. 655 FIBRAS BIGUAÇU Recebido em 15/12/2015 fls. 656 LUIZ HENRIQUE ROSA Recebido em 04/01/2016 (Esse AR corresponde a evidente erro cometido na Delegacia de origem. Luiz Henrique Rosa é o nome da Rua onde residem os sujeitos passivos Pessoas Físicas. Não há qualquer sujeito passivo com esse nome.) Assim, no que se refere aos Recursos de ALMIRO DE SOUZA THIBURCIO NETO e LUIZ CELSO ZACARELLI ANDRADE, de fato, mostramse intempestivos. Contudo, no que tange ao Recurso da devedora principal MACROBOATS INDÚSTRIA COMÉRCIO E SERVIÇOS NÁUTICOS EIRELI, esta julgadora não possui meios de aferir a tempestividade, uma vez que não consta nos autos qualquer informação acerca da data de recebimento da intimação. Diante do exposto, tendo em vista a impossibilidade de se aferir a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte MACROBOATS INDÚSTRIA COMÉRCIO E SERVIÇOS NÁUTICOS EIRELI, voto pela CONVERSÃO DO Fl. 843DF CARF MF Processo nº 11516.722536/201408 Resolução nº 3201000.899 S3C2T1 Fl. 844 16 FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora informe e comprove a data da efetiva intimação do referido contribuinte. Após, retornem os autos para julgamento. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 844DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000187/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há nulidade do Auto de Infração quando revestido de todas as formalidades legais, e quando todas as infrações apontadas são fundamentadas juridicamente e os cálculos detalhados são cientificados ao contribuinte, oportunizando o contraditório e a ampla defesa.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE.
O ICMS incidente sobre serviços de transporte intermunicipal e interestadual integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão.
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ISS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE.
O ISS incidente sobre serviços de transporte integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão.
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS DESPESAS DE PEDÁGIO.
As despesas de pedágio assumidas pelas empresas de transporte, que não se confundam com o vale-pedágio, e não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições não-cumulativas, por falta de previsão legal.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
Na legislação do Pis e da Cofins não-cumulativos, os insumos que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE.
O ICMS incidente sobre serviços de transporte intermunicipal e interestadual integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão.
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ISS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE.
O ISS incidente sobre serviços de transporte integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão.
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS DESPESAS DE PEDÁGIO.
As despesas de pedágio assumidas pelas empresas de transporte, que não se confundam com o vale-pedágio, não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições não-cumulativas, por falta de previsão legal.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
Na legislação do Pis e da Cofins não-cumulativos, os insumos que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3301-003.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: quanto à preliminar de nulidade, por unanimidade de votos, negou-se provimento; no mérito, (I) por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário do contribuinte, mantendo as glosas quanto às seguintes contas e fundamentos: 3015 (descontos concedidos), 4025 (pedágio como exclusão da base de cálculo), exclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS, 4034 (serviços prestados por terceiros pessoa física, grupo contábil 4.1.15, 4051 (indenizações por avarias), 4047 (indenizações por faltas), 4199 (indenizações por atraso), 4200 (indenizações por sinistro), 4062 (carga e descarga pessoa física), grupo contábil 4.2.13 serviços de terceiros ADM, grupo contábil 4.2.14 despesas com materiais ADM, conta 4106 condomínio, conta 4114 correio eletrônico email, conta 4115 correios e selos postais, grupo contábil 4.2.18 despesas gerais administrativas, com exceção da conta 4116 energia elétrica. (II) por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário do contribuinte, afastando a glosa quanto às seguintes contas: 4026 pedágio despesa, 4027 estacionamentos, conta 4058 serviço de monitoramento, conta 4059 serviço de escolta, grupo contábil 4.1.21 despesas do armazém, com exceção às contas 4062 carga e descarga pessoa física, conta 4067 conservação de bens, 4116 energia elétrica, conta 4038 despesas diversas. (III) por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso, para afastamento da glosa sobre a conta 4039 recarga de extintores, vencidos o Relator, e os Conselheiros José Henrique Mauri e Liziani Angelotti Meira. Designado o Conselheiro Valcir Gassen para redigir o voto vencedor nesta parte; (IV) por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso do contribuinte, mantendo a glosa relativa à: exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, vencidos os Conselheiros Marcelo Cost Marques d´Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro, conta 4052 seguros de mercadorias, conta 4054 seguro de veículos, conta 4055 seguro contra incêncdio/roubo, conta 4056 seguro de equipamentos, conta 4057 seguros diversos, vencidas as Conselheiras Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro, conta 4067 conservação de bens, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro; (V) por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso do contribuinte, afastando a glosa quanto às seguintes contas: 4048 despesas de viagens e 4049 lanches e refeições, vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques d´Oliveira, conta 4113 telefones e rádios, vencido o Conselheiro José Henrique Mauri.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira Relator
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há nulidade do Auto de Infração quando revestido de todas as formalidades legais, e quando todas as infrações apontadas são fundamentadas juridicamente e os cálculos detalhados são cientificados ao contribuinte, oportunizando o contraditório e a ampla defesa. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE. O ICMS incidente sobre serviços de transporte intermunicipal e interestadual integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ISS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE. O ISS incidente sobre serviços de transporte integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS DESPESAS DE PEDÁGIO. As despesas de pedágio assumidas pelas empresas de transporte, que não se confundam com o vale-pedágio, e não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições não-cumulativas, por falta de previsão legal. NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Na legislação do Pis e da Cofins não-cumulativos, os insumos que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE. O ICMS incidente sobre serviços de transporte intermunicipal e interestadual integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ISS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE. O ISS incidente sobre serviços de transporte integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS DESPESAS DE PEDÁGIO. As despesas de pedágio assumidas pelas empresas de transporte, que não se confundam com o vale-pedágio, não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições não-cumulativas, por falta de previsão legal. NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Na legislação do Pis e da Cofins não-cumulativos, os insumos que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.000187/2011-31
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739282
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.464
nome_arquivo_s : Decisao_19515000187201131.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCELO GIOVANI VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515000187201131_5739282.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: quanto à preliminar de nulidade, por unanimidade de votos, negou-se provimento; no mérito, (I) por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário do contribuinte, mantendo as glosas quanto às seguintes contas e fundamentos: 3015 (descontos concedidos), 4025 (pedágio como exclusão da base de cálculo), exclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS, 4034 (serviços prestados por terceiros pessoa física, grupo contábil 4.1.15, 4051 (indenizações por avarias), 4047 (indenizações por faltas), 4199 (indenizações por atraso), 4200 (indenizações por sinistro), 4062 (carga e descarga pessoa física), grupo contábil 4.2.13 serviços de terceiros ADM, grupo contábil 4.2.14 despesas com materiais ADM, conta 4106 condomínio, conta 4114 correio eletrônico email, conta 4115 correios e selos postais, grupo contábil 4.2.18 despesas gerais administrativas, com exceção da conta 4116 energia elétrica. (II) por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário do contribuinte, afastando a glosa quanto às seguintes contas: 4026 pedágio despesa, 4027 estacionamentos, conta 4058 serviço de monitoramento, conta 4059 serviço de escolta, grupo contábil 4.1.21 despesas do armazém, com exceção às contas 4062 carga e descarga pessoa física, conta 4067 conservação de bens, 4116 energia elétrica, conta 4038 despesas diversas. (III) por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso, para afastamento da glosa sobre a conta 4039 recarga de extintores, vencidos o Relator, e os Conselheiros José Henrique Mauri e Liziani Angelotti Meira. Designado o Conselheiro Valcir Gassen para redigir o voto vencedor nesta parte; (IV) por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso do contribuinte, mantendo a glosa relativa à: exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, vencidos os Conselheiros Marcelo Cost Marques d´Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro, conta 4052 seguros de mercadorias, conta 4054 seguro de veículos, conta 4055 seguro contra incêncdio/roubo, conta 4056 seguro de equipamentos, conta 4057 seguros diversos, vencidas as Conselheiras Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro, conta 4067 conservação de bens, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro; (V) por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso do contribuinte, afastando a glosa quanto às seguintes contas: 4048 despesas de viagens e 4049 lanches e refeições, vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques d´Oliveira, conta 4113 telefones e rádios, vencido o Conselheiro José Henrique Mauri. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator (assinado digitalmente) Valcir Gassen Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6843480
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211143979008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1940; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.352 1 1.351 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000187/201131 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.464 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2017 Matéria PIS E COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente MIRA OTM TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há nulidade do Auto de Infração quando revestido de todas as formalidades legais, e quando todas as infrações apontadas são fundamentadas juridicamente e os cálculos detalhados são cientificados ao contribuinte, oportunizando o contraditório e a ampla defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE. O ICMS incidente sobre serviços de transporte intermunicipal e interestadual integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais nãocumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ISS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE. O ISS incidente sobre serviços de transporte integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais nãocumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS DESPESAS DE PEDÁGIO. As despesas de pedágio assumidas pelas empresas de transporte, que não se confundam com o valepedágio, e não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições nãocumulativas, por falta de previsão legal. NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 01 87 /2 01 1- 31 Fl. 1352DF CARF MF 2 Na legislação do Pis e da Cofins nãocumulativos, os insumos que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE. O ICMS incidente sobre serviços de transporte intermunicipal e interestadual integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais nãocumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ISS INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS TRANSPORTE. O ISS incidente sobre serviços de transporte integra legalmente o conceito de receita bruta, e portanto, integra a base de cálculo das contribuições sociais nãocumulativas, não havendo previsão legal para sua exclusão. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS DESPESAS DE PEDÁGIO. As despesas de pedágio assumidas pelas empresas de transporte, que não se confundam com o valepedágio, não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições nãocumulativas, por falta de previsão legal. NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Na legislação do Pis e da Cofins nãocumulativos, os insumos que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: quanto à preliminar de nulidade, por unanimidade de votos, negouse provimento; no mérito, (I) por unanimidade de votos, negou se provimento ao recurso voluntário do contribuinte, mantendo as glosas quanto às seguintes contas e fundamentos: 3015 (descontos concedidos), 4025 (pedágio como exclusão da base de cálculo), exclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS, 4034 (serviços prestados por terceiros pessoa física, grupo contábil 4.1.15, 4051 (indenizações por avarias), 4047 (indenizações por faltas), 4199 (indenizações por atraso), 4200 (indenizações por sinistro), 4062 (carga e descarga pessoa física), grupo contábil 4.2.13 – serviços de terceiros ADM, grupo contábil 4.2.14 – despesas com materiais ADM, conta 4106 – condomínio, conta 4114 correio eletrônico email, conta 4115 correios e selos postais, grupo contábil 4.2.18 despesas gerais administrativas, com exceção da conta 4116 energia elétrica. (II) por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso voluntário do contribuinte, afastando a glosa quanto às seguintes contas: 4026 pedágio despesa, 4027 estacionamentos, conta 4058 serviço de monitoramento, conta 4059 serviço de escolta, grupo contábil 4.1.21 despesas do armazém, Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.353 3 com exceção às contas 4062 carga e descarga pessoa física, conta 4067 conservação de bens, 4116 energia elétrica, conta 4038 despesas diversas. (III) por maioria de votos, deuse provimento ao recurso, para afastamento da glosa sobre a conta 4039 recarga de extintores, vencidos o Relator, e os Conselheiros José Henrique Mauri e Liziani Angelotti Meira. Designado o Conselheiro Valcir Gassen para redigir o voto vencedor nesta parte; (IV) por maioria de votos, negouse provimento ao recurso do contribuinte, mantendo a glosa relativa à: exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, vencidos os Conselheiros Marcelo Cost Marques d´Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro, conta 4052 seguros de mercadorias, conta 4054 seguro de veículos, conta 4055 seguro contra incêncdio/roubo, conta 4056 seguro de equipamentos, conta 4057 seguros diversos, vencidas as Conselheiras Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro, conta 4067 conservação de bens, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro; (V) por maioria de votos, deuse provimento ao recurso do contribuinte, afastando a glosa quanto às seguintes contas: 4048 despesas de viagens e 4049 lanches e refeições, vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques d´Oliveira, conta 4113 telefones e rádios, vencido o Conselheiro José Henrique Mauri. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira – Relator (assinado digitalmente) Valcir Gassen – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen. Relatório Transcrevo o relatório da DRJ/SP1: “Em 31/01/2011 (fl 378), a empresa foi intimada de autos de infração de falta/insuficiência de recolhimento das contribuições nãocumulativas acima [Pis e Cofins do período de apuração de 01/01/2006 a 31/12/2007]. Fl. 1354DF CARF MF 4 O auditor coteja os darf’s, a escrituração, a DIPJ e os débitos confessados em DCTF, e ao final recompõe cada base de cálculo mensal, que apresenta sob a forma de planilhas integradas ao auto de infração, contendo os grupos/contas que admite como formadores da base de cálculo. O auditorfiscal constata apropriação de crédito sem permissão legal para integrar, como insumo, o custo do serviço prestado. A autoridade diz que os dispêndios glosados não são contemplados pela legislação para fins de crédito do PIS e da COFINS, por não integrar diretamente o custo dos serviços prestados, não sendo considerados insumos, conforme disposto no artigo 3º, da Lei n° 10.637/02 e Lei n° 10.833/03. Os fundamentos legais apontados foram: a) artigos 1º, 3º e 4º da Lei 10.637/02 (Pis); b) artigos 1º, 3º e 5º da Lei 10.833/03 (Cofins). Em 01/03/2011 (fl 380 a 392) a empresa impugnou, dizendo que o faz contra todos os valores lançados e não os está discutindo judicialmente. Em suma, a irresignada arguiu: a) tempestividade; b) nulidade em razão dos fundamentos legais apontados, que não lhe permitem saber os motivos e as regras aplicadas pela fiscalização para cobrar as diferenças, e ferem: a ampla defesa; o devido processo legal e saber qual o recurso; c) questiona o desenquadramento de valores utilizados na prestação de serviços: pedágios; estacionamentos; terceiros; despesas diretas e indiretas com a frota; agenciamento e gerenciamento; administrativos inerentes; recargas de extintores; viagens; seguros; despesas com armazenagem; comunicação; d) seus créditos são mais amplos que uma empresa simples de transporte; e) como amostragens, junta documentos e contratos de clientes; f) todos os valores glosados são insumos da prestação de serviços; g) as contas dos grupos 4.1.13 a 4.1.9 e 4.1.21 são insumos descontáveis; h) a aparente inclusão das contas contábeis 3011 e 3014 de pagamentos de ISS e ICMS na base de cálculo (fl 390) é indevida por inconstitucionalidade e falta de amparo legal; i) a aparente inclusão de vale pedágio é indevida pois amparada na Lei 10.209/01; Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.354 5 j) o desconto incondicional da conta 3015 não compõe a base de cálculo, pois decorre de emissão de conhecimento de cargas por erro e não houve recebimento efetivo nem cobrança dos clientes; k) diz juntar novo demonstrativo mais didático de atividades e pede retificação de valores; l) requer diligência para conferência de registros e de conduta; m) alternativamente, requer perícia e nomeia como assistente seu contador, tendo como quesito a descrição das operações, a identificação de seus insumos, e a conferência contábil dos registros correlatos; n) requer recebimento, processamento, e julgamento pela improcedência da autuação. A partir da fl 393 a defesa anexa documentos da representação, contratos de prestação de serviços e/ou carta/tabela/cronograma (fl 400408, 409415, 416422 e 423, 424430, 431,432 a 450, 451458), normas operacionais de gerenciamento de risco em operações elaborada por Rodobens de 19/9/2005 (459552), normas operacionais de gerenciamento de risco da Petrobrás (fl 553 a 572), cópia do auto de infração e apensos (fl 573 a 700). Para melhor entendimento resumiremos os documentos anteriores à defesa. Nos balancetes fls 21 a 275 figuram os grupos contábeis e suas respectivas contas. Nas planilhas fls 276 a 289 constam as contas/grupos que compuseram as bases de cálculo mensais a partir de janeiro de 2006 e os valores a pagar informados pela empresa à fiscalização. Na folha 302 consta o resumo das diferenças mensais apuradas/lançadas de Pis em relação às confessadas em DCTF. Das planilhas fls 303 e seguintes constam as contas/grupos que compuseram as bases de cálculo de PIS a partir de janeiro de 2006. Na folha 328 consta o resumo das diferenças mensais apuradas/lançadas de Cofins em relação às confessadas em DCTF. Das planilhas fls 329 a 353 constam as contas/grupos que compuseram as bases de cálculo da COFINS a partir de janeiro de 2006. Das fls 354 a 377 constam os Autos de Infração.” A DRJ/SP1, por meio do Acórdão 1633.878, deu parcial provimento à impugnação, conforme ementa que se transcreve: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1356DF CARF MF 6 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 NULIDADE. DESCABIMENTO. Quando o ato administrativo de lançamento obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEIS. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País não podendo negarlhe execução e sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, haja vista que tais matérias estão adstritas ao âmbito judicial. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A diligência objetiva subsidiar a convicção do julgador e se restringe à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, mas não se justifica quando o fato possa ser demonstrado pela juntada de documentos. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NÃO FORMULAÇÃO. Indefere se o pleito, vez que os elementos processuais dão o necessário subsídio à decisão. Pedido de perícia deve citar quesitos referentes aos exames desejados, nome, endereço e qualificação profissional do perito, sob pena de ser considerado não formulado (art. 16, Decreto 70.235/72). PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INSUMO. CRÉDITOS DEDUTÍVEIS E INDEDUTÍVEIS. Não participa da formação do cálculo o valor para o qual não haja previsão legal. Insumo utilizado na prestação de serviço é o bem não incluído no ativo imobilizado, aplicado ou consumido na prestação de serviço, e o serviço prestado por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, aplicado ou consumido na prestação de serviço. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INSUMO. CRÉDITOS DEDUTÍVEIS E INDEDUTÍVEIS. Não participa da formação do cálculo o valor para o qual não haja previsão legal. Insumo utilizado na prestação de serviço é o bem não incluído no ativo imobilizado, aplicado ou consumido na prestação de serviço, e o serviço prestado por pessoa jurídica Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.355 7 domiciliada no Brasil, aplicado ou consumido na prestação de serviço. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificada do Acórdão 1633.878, da DRJ/SP1, em 04/04/2012 (folha 747), a contribuinte apresenta Recurso Voluntário, em 03/05/2012 (folha 748), com as mesmas sustentações havidas na impugnação, sendo acrescentados os seguintes argumentos: Não seria papel do julgador eleger a matéria tributável, tarefa que, segundo entende, a fiscalização não teria executado com precisão; Que a nãocumulatividade das contribuições não teria nenhuma vinculação histórica com o ICMS e o IPI, sendo que o único conceito jurídico pertinente para viabilizar a nãocumulatividade das contribuições seria com base nos custos e despesas conforme a legislação do Imposto de Renda, em função da utilização comum dos conceitos de receita e faturamento; Que os serviços prestados pela recorrente ultrapassam o conceito simples de transporte, abrangendo as operações multimodais e a logística, que demandariam diversos serviços variados, como planejar roteiros, transbordos, manter agentes de escolta, comunicação e outros, vinculados a regras específicas de segurança. O processo foi a julgamento na sessão de 20 de agosto de 2013, na 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, que decidiu, por meio da Resolução nº 3202000.131, baixar o processo em diligência, nos seguintes termos: “ 1. Em relação ao primeiro ponto, esclarecer e demonstrar se o lançamento foi efetuado também para inserir na base de cálculo das contribuições os valores referentes ao ICMS e ao ISS (discussão acerca da inclusão do ICMS e do ISS na base de cálculo do PIS/Cofins). 2. Quanto ao segundo ponto, a unidade preparadora deverá: 2.1. Intimar a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição, consignando o que segue: a) Descrever detalhadamente a atividade empresarial da Recorrente, notadamente em relação à prestação de serviços em discussão nestes autos, apontando, discriminadamente, qual a utilização dos insumos ora glosados na prestação de seus serviços; b) Indicar se tais insumos são de aplicação direta ou indireta na prestação dos serviços; e c) Informar se tais insumos possuem natureza essencial à prestação dos serviços, ou seja, se a sua exclusão importaria na impossibilidade da prestação dos serviços. 2.2. Após a juntada do laudo, efetuar diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial acerca da Fl. 1358DF CARF MF 8 utilização efetiva, ou não, dos insumos ora glosadas, em relação à prestação dos serviços da Recorrente. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da Defis – São Paulo deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os fatos.” Retorna o processo com a diligência fiscal efetuada. Às folhas 888 a 1.226 foram juntadas planilhas de apuração do Pis e Cofins, balancetes mensais, e, por amostragem, Livro de Registro de Saídas, Livro de Apuração de ICMS, Livro Razão, e alguns Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Carga – CTRC. Às folhas 1.227 a 1.326, juntou se manifestação da contribuinte, reiterando suas alegações de direito, e detalhando a utilização de cada grupo contábil glosado. Às folhas 1.327 a 1.334, juntouse Relatório Fiscal de Diligência, onde se relata visita à empresa e a constatação de que todos os insumos glosados são necessários à sua atividade. À folha 1.335 a contribuinte dispensa manifestação em relação ao Relatório Fiscal de Diligência. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e veicula matéria de competência desta Turma, de modo que deve ser conhecido. Preliminarmente, a contribuinte requer a nulidade do Auto de Infração, sob o argumento de falta de precisão na descrição das infrações de que é acusada. Não assiste razão à contribuinte nesse requerimento. O Relatório Fiscal relaciona especificamente as rubricas glosadas, e consigna o fundamento legal da glosa (folha 300): “O Contribuinte apresentou os mapas demonstrativos da base de cálculo, valor creditado a titulo de insumos e valor devido do PIS e da COFINS do período de Janeiro de 2006 a Dezembro de 2007, entrementes, foi aplicada a glosa nos dispêndios abaixo relacionados, haja vista que a legislação vigente não permite o seu crédito. GLOSA: conta 4026 Pedágio, 4027 Estacionamento, cont 4034 – Serviços prestados por terceiros pessoa fisica, 4038 despesas diversas, 4039 recarga de extintores, 4106 condominios, 4.1.16 despesas de viagens, 4.1.17 – despesas indiretas da frota, 4.1.18 seguros, 4.1.19 serviços de gerenciamento, 4.1.21 despesas de armazenagem, 4.1.3 serviços administrativos, 4.2.14 despesas de materiais administrativos, 4.2.17 despesas de comunicações, 4.2.18 4116 despesas gerais administrativas e 3015 descontos concedidos, conforme planilhas anexas ao Termo de Verificação Fiscal. Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.356 9 Os dispêndios acima glosados, não são contemplados pela legislação para fins de crédito do PIS e da COFINS por não integrar diretamente o custo dos serviços prestados, não sendo considerados insumos, conforme disposto no artigo 3o da Lei n° 10.637/02 e Lei n° 10.833/03. A diferença a tributar está devidamente demonstrada nos quadros anexos ao presente Termo de Verificação Fiscal.” Efetivamente, às folhas 303 e seguintes verificase a base de cálculo usada pelo auditorfiscal, com detalhamento completo das rubricas glosados ou aproveitadas, e demais cálculos pertinentes. Ademais, a contribuinte defendese, em todo o processo, da conceituação de insumos com direito a crédito albergada pelo auditorfiscal, mostrando compreender bem o cerne do lançamento, no regime da nãocumulatividade das contribuições sociais. Portanto, estando bem detalhado o auto de infração, e não havendo prejuízos para a defesa, nem ausência dos requisitos formais, não prospera a alegação de nulidade. Desse modo, rejeito a preliminar suscitada. Mérito Quanto aos aspectos fáticos, importa realçar que o Relatório Fiscal de Diligência asseverou que todos os insumos glosados são necessários à operação da empresa (folha 1.333, parágrafo 7). Realço também que a empresa, em resposta à intimação fiscal resultante do pedido de diligência, traz relatório onde detalha a utilização dos insumos glosados, embora não apresente, conforme solicitado na Resolução nº 3202000.131, “laudo de instituição renomada”. Antes de analisar cada insumo ou reajuste de base de cálculo efetuada pelo auditorfiscal, cumpre assentar as bases hermenêuticas para a apreciação de cada divergência. A base legal para a compreensão dessa questão são os artigos 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Lei 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) Fl. 1360DF CARF MF 10 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.357 11 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. § 5o (VETADO) § 6o (VETADO) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o anocalendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. §§ 10 e 11. (Revogados pela Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 1362DF CARF MF 12 § 12. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o do art. 2o desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 1% (um por cento) e, na situação de que trata a alínea b do inciso II do § 4o do art. 2o desta Lei, mediante a aplicação da alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006) § 13. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 14. (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008). § 15. O disposto no § 12 deste artigo também se aplica na hipótese de aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida nas Áreas de Livre Comércio de que tratam as Leis nos 7.965, de 22 de dezembro de 1989, 8.210, de 19 de julho de 1991, e 8.256, de 25 de novembro de 1991, o art. 11 da Lei no 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e a Lei no 8.857, de 8 de março de 1994. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeitos). § 16. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o do art. 2o desta Lei, na hipótese de aquisição de mercadoria revendida por pessoa jurídica comercial estabelecida nas Áreas de Livre Comércio referidas no § 15, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento).(Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). § 17. ao § 21. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) no § 1ºdo art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; ( Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008 ) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.358 13 de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005 ) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.198, de 8 de janeiro de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014) (Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput , adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput , incorridos no mês; Fl. 1364DF CARF MF 14 III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014) (Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput , devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. § 5º (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 6º (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7ºe àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.359 15 § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. § 11. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 12. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 13. Deverá ser estornado o crédito da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 15. O crédito, na hipótese de aquisição, para revenda, de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal, quando destinado à impressão de periódicos, será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no § 2ºdo art. 2º desta Lei (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 16. Opcionalmente, o sujeito passivo poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de embalagens de vidro retornáveis classificadas no código 7010.90.21 da TIPI, destinadas ao ativo imobilizado, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no prazo de 12 (doze) meses, à razão de 1/12 (um doze avos). (redação dada pela Lei 13.097/2015) redação anterior: Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de embalagens de vidro retornáveis, classificadas no código 7010.90.21 da Tipi, destinadas ao ativo imobilizado, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal do Brasil: ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) I no prazo de 12 (doze) meses, à razão de 1/12 (um doze avos); ou ( Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) Fl. 1366DF CARF MF 16 II na hipótese de opção pelo regime especial instituído pelo art. 58J desta Lei, no prazo de 6 (seis) meses, à razão de 1/6 (um sexto) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, ficando o Poder Executivo autorizado a alterar o prazo e a razão estabelecidos para o cálculo dos referidos créditos. ( Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) § 17. Ressalvado o disposto no § 2º deste artigo e nos §§ 1º a 3º do art. 2º desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota: (Redação dada pela Lei 12.507, de 11 de outubro de 2011) I de 5,60% (cinco inteiros e sessenta centésimos por cento), nas operações com os bens referidos no inciso VI do art. 28 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005; (Incluído pela Lei 12.507, de 11 de outubro de 2011) II de 7,60% (sete inteiros e sessenta centésimos por cento), na situação de que trata a alínea "b" do inciso II do § 5º do art. 2º desta Lei; e (Incluído pela Lei 12.507, de 11 de outubro de 2011) III de 4,60% (quatro inteiros e sessenta centésimos por cento), nos demais casos. (Incluído pela Lei 12.507, de 11 de outubro de 2011) § 18. No caso de devolução de vendas efetuadas em períodos anteriores, o crédito calculado mediante a aplicação da alíquota incidente na venda será apropriado no mês do recebimento da devolução. ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2º desta Lei. ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 21. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.360 17 os incisos do § 2 º deste artigo. ( Incluído pela Lei n º 11.196, de 21/11/2005 ) § 22.( Vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008 ) § 23. O disposto no § 17 deste artigo também se aplica na hipótese de aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida nas Áreas de Livre Comércio de que tratam as Leis nos 7.965, de 22 de dezembro de 1989, 8.210, de 19 de julho de 1991, e 8.256, de 25 de novembro de 1991, o art. 11 da Lei no 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e a Lei no 8.857, de 8 de março de 1994. ( Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009 ) § 24. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o do art. 2o desta Lei, na hipótese de aquisição de mercadoria revendida por pessoa jurídica comercial estabelecida nas Áreas de Livre Comércio referidas no § 23 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 3% (três por cento). ( Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009 ) § 25. No cálculo do crédito de que tratam os incisos do caput, poderão ser considerados os valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso III do caputdo art. 184 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 26. O disposto nos incisos VI e VII do caput não se aplica no caso de bem objeto de arrendamento mercantil, na pessoa jurídica arrendatária. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 27. Para fins do disposto nos incisos VI e VII do caput, fica vedado o desconto de quaisquer créditos calculados em relação a: (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) I encargos associados a empréstimos registrados como custo na forma da alínea "b" do § 1o do art. 17 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) II custos estimados de desmontagem e remoção do imobilizado e de restauração do local em que estiver situado. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 28. No cálculo dos créditos a que se referem os incisos VI e VII do caput, não serão computados os ganhos e perdas decorrentes de avaliação de ativo com base no valor justo. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) Fl. 1368DF CARF MF 18 § 29. Na execução de contratos de concessão de serviços públicos, os créditos gerados pelos serviços de construção, recuperação, reforma, ampliação ou melhoramento de infraestrutura, quando a receita correspondente tiver contrapartida em ativo intangível, representativo de direito de exploração, ou em ativo financeiro, somente poderão ser aproveitados, no caso do ativo intangível, à medida que este for amortizado e, no caso do ativo financeiro, na proporção de seu recebimento, excetuado, para ambos os casos, o crédito previsto no inciso VI do caput. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 30. O disposto no inciso XI do caput não se aplica ao ativo intangível referido no § 29. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) O inciso II do caput do artigo 3º dessas Leis utiliza o termo “insumos” para caracterizar o direito ao crédito, tanto na produção de bens, quanto na prestação de serviços. Todavia, o legislador não se ocupou de definir a amplitude ou abrangência do termo, para distinguir os diferentes significados em que pode ser tomado. Cabe ao intérprete da lei executar a tarefa de alcançar a mens legis, o norte interpretativo que possa cuidar de cada caso em concreto, observando o fim a que a lei busca (art. 5º da Lei de Introdução do Código Civil). Uma primeira possível interpretação trata de equivaler o termo “insumo” aos dispêndios gerais da empresa, à semelhança dos custos e despesas da legislação do Imposto de Renda. Todavia, a enumeração exaustiva e específica de rubricas nos incisos III a XI do caput do artigo 3º, acima mencionados, afasta tal entendimento, posto que seriam inúteis se tal interpretação fosse abrigada. Outra tentativa trata de igualar o significado do termo às matériasprimas e produtos intermediários na legislação do IPI, restringindoo àquele insumo que tem contato direto com o produto fabricado. Essa vertente foi adotada pela Receita Federal, conforme Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004. Mas a legislação de Pis e da Cofins não faz nenhuma referência à legislação do IPI para esse fim, e abrange realidades econômicas diversas das indústrias. Verificase, na verdade, que o Parecer CST nº 65/79, que historicamente se tornou o normativo base para a interpretação dos créditos de IPI, desenvolve sua argumentação para distinguir o termo “insumos”, dos produtos intermediários que possam gerar crédito de IPI. Portanto, o próprio conjunto normativo do IPI assenta que o termo insumos é mais abrangente que o de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem.Ora, a legislação de Pis e Cofins trata de insumos. Portanto, a aproximação dessas duas legislações para caracterização dos respectivos direitos de crédito é imprópria. Alguns utilizam o critério da essencialidade para fins de caracterização do insumo como gerador de crédito. Não posso concordar, pois, a rigor, todos os gastos de uma empresa são, em alguma medida, necessários ao seu funcionamento com qualidade. Não é esse o critério da Lei, posto que, no limite, poderia ensejar o aproveitamento de todos os dispêndios. Na exposição de motivos da MP 135/2003, que foi convertida na Lei 10.833/2003, consta que foi adotado “o método indireto subtrativo”... “em que o contribuinte poderá descontar, do valor da contribuição devida, créditos apurados em relação aos bens e serviço adquiridos, custos, despesas e encargos que menciona”. Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.361 19 Em consonância com a exposição de motivos (custos, despesas e encargos), a construção do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 levanos a crer que os incisos I e II somente se referem a custos. Inciso I – custo de empresas comerciais; Inciso II – custo de empresas industriais e de serviços; Incisos III a XI – despesas e encargos específicos. Nesse contexto, e considerando equanimidade entre empresas comerciais e empresas industriais ou de serviços, o custo do produto ou dos serviços equivaleria a todos os gastos intrinsecamente ligados ao produto ou serviço, alcançando o produto pronto em estoque, ou serviço concluído. Exemplificativamente, nenhum gasto com marketing, contabilidade, sistemas, pesquisa de viabilidade, qualificação, gastos ativáveis, nenhum desses é permitido para empresas comerciais, e portanto, não o serão também para empresas industriais e de serviços, no que se refere ao inciso II do art. 3º da Lei, isto é, sob o conceito de insumos. Por outro lado, despesas com manutenção de equipamentos de produção, despesas ambientais e semelhantes, que são necessários, em ambiente de produção ou prestação de serviços, para o alcance do produto acabado em estoque, ou para conclusão do serviço, geram direito a crédito. Com esse norte conceitual, passo à análise das divergências na base de cálculo e glosas de créditos do presente caso concreto. 1 – Ajustes da Base de Cálculo a) Conta 3015 – Descontos Concedidos À folha 300 o auditorfiscal informa a glosa de descontos incondicionais. À folhas 303 a 353, temos as planilhas de apuração do auditorfiscal, onde se constata que a base de cálculo utilizada pelo auditor foi a receita de bens e serviços do grupo contábil 3.1.11, sem que se deduzam os descontos incondicionais ou vendas canceladas. A contribuinte alega que a conta 3015 registraria, na verdade, “erro operacional nas emissões” de CTRC. Seriam, portanto, vendas canceladas. Conforme art. 1º, §3º, inciso V, alínea “a”, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, tanto os descontos incondicionais quanto as vendas canceladas não se incluem na base de cálculo das contribuições nãocumulativas: “§ 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) V referentes a: vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos;” Fl. 1370DF CARF MF 20 Entretanto, a conta na verdade é nomeada “Descontos Concedidos”, o que não se confunde com descontos incondicionais concedidos. Os incondicionais são aqueles consignados no documento fiscal, enquanto os outros são dependentes de condições posteriores à emissão do documento fiscal. Da forma como está contabilizada, a conta não pode ser deduzida da base de cálculo das contribuições, e, não tendo a contribuinte provado a natureza diversa da conta, sendo seu o ônus, não cabe acatar suas alegações. Os registros contábeis fazem prova contra o contribuinte, nos termos do art. 226 do Código Civil: “Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos.” Além do mais, conforme se verifica nas planilhas de apuração às folhas 897 a 944, a contribuinte não deduziu tais valores da base de cálculo, mas calculou créditos sobre eles, procedimento que não guarda nenhum fundamento legal. Pelo exposto, voto pelo desprovimento neste ponto. b) Conta 4026 – Pedágio A contribuinte deduziu da base de cálculo das contribuições os lançamentos desta conta, a título de pedágio. A Lei 10.209/2001 trata de valepedágio, valor recebido pelo transportador: “Art. 1º Fica instituído o ValePedágio obrigatório, para utilização efetiva em despesas de deslocamento de carga por meio de transporte rodoviário, nas rodovias brasileiras. § 1º O pagamento de pedágio, por veículos de carga, passa a ser de responsabilidade do embarcador. § 2º Para efeito do disposto no § 1º, considerase embarcador o proprietário originário da carga, contratante do serviço de transporte rodoviário de carga. (...) Art. 2º O valor do ValePedágio não integra o valor do frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias.” Todavia, não houve reajuste da base de cálculo relacionado ao valepedágio. Conforme se verifica nos balancetes mensais, os valores deduzidos da base de cálculo pelo contribuinte se referem a despesas de pedágio, do grupo contábil 4.1.13, de Despesas Diretas Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.362 21 da Frota. Nesse sentido, registra os pagamentos de pedágios, como despesas, conforme a própria contribuinte esclarece no âmbito da diligência fiscal (folha 1.297). Não se trata, pois, de receitas de valepedágio dedutíveis da base de cálculo. Portanto, o ajuste da base de cálculo, para desconsiderar tal dedução se mostra totalmente correta. c) Inclusão do ICMS e do ISS na Base de Cálculo das Contribuições A recorrente sustenta que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições nãocumulativas, apresentando jurisprudência a respeito. A base de cálculo do Pis e da Cofins, nos termos da legislação, é a totalidade das receitas auferidas pela empresa (art. 1º, §§ 1º e 2º, das Leis 10.637 e 10.833/2003), excluídas as parcelas expressamente permitidas (§3º dos mesmos artigos): Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. § 2o A base de cálculo da Cofins é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § 1o. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II de que trata o inciso IV do caput do art. 187 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, decorrentes da venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do Fl. 1372DF CARF MF 22 patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita; VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. VII financeiras decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, referentes a receitas excluídas da base de cálculo da Cofins; VIII relativas aos ganhos decorrentes de avaliação do ativo e passivo com base no valor justo; IX de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; X reconhecidas pela construção, recuperação, reforma, ampliação ou melhoramento da infraestrutura, cuja contrapartida seja ativo intangível representativo de direito de exploração, no caso de contratos de concessão de serviços públicos; XI relativas ao valor do imposto que deixar de ser pago em virtude das isenções e reduções de que tratam as alíneas “a”, “b”, “c” e “e” do § 1o do art. 19 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) XII relativas ao prêmio na emissão de debêntures. Não há previsão legal para exclusão do ICMS, exceto o ICMS por substituição, o que não é o caso presente. A receita bruta, conforme prevista no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, é assim definida: Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.363 23 IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A exclusão dos tributos incidentes somente se faz para encontrar o valor da receita líquida, conforme §1º do mesmo artigo: § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 2º O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. § 3º Provada, por indícios da escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor de recursos de caixa fornecidos à sociedade por administradores, sócios da sociedade de pessoas, ou pela acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas. § 3º Provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas.(Redação dada pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos Fl. 1374DF CARF MF 24 serviços na condição de mero depositário. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Desse modo, a base de cálculo do Pis e da Cofins nãocumulativos abrange os tributos incidentes sobre a receita bruta ou faturamento, tais como o ICMS e o ISS. O Carf não pode afastar a aplicação da Lei sob considerações de inconstitucionalidade, de acordo com a Súmula 2 e artigo 26A do Decreto 70.235/72: Súmula 2: O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do PAF: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. As exceções do §6º não estão caracterizadas. Também não se verificam as exceções tratadas no §1º do artigo 62 do Regimento Interno do Carf – RICARF. Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as base de cálculo do Pis e da Cofins. Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.364 25 O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante, nos termos do §2º do art. 621 do Ricarf. No caso do ISS, também há repetitivo do STJ, Resp 1330737/SP, que inclui o ISS na base de cálculo das contribuições. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. 2 – Glosa de Insumos que Não Geram Direito a Crédito Conta 4026 Pedágio A contribuinte, além de ter deduzido da base de cálculo as despesas de pedágio, também creditouse de Pis e Cofins sobre os valores desta conta. Considerando a conceituação de insumos passíveis de geração de crédito, e que as despesas de pedágio suportadas pela recorrente, conforme seus esclarecimentos à folha 1.297, compõem a materialidade da prestação de serviços de transporte, deve ser afastada a glosa, e dado provimento nesta matéria. Conta 4027 – Estacionamentos Em casos de viagens mais longas, é possível aventar a necessidade de despesas com estacionamento para os veículos. Nesse contexto, são despesas inerentes à atividade, passíveis de gerar créditos. Embora possam existir outras despesas de estacionamento não vinculadas propriamente aos veículos transportadores, tal detalhamento não foi objeto do trabalho fiscal, devendose considerar indevida a glosa nesta matéria. Conta 4038 – Despesas Diversas e Conta 4039 – Recarga de extintores Estas contas pertencem ao grupo contábil 4.1.14 – Despesas de Manutenção da Frota. Como tais, estão vinculadas à preservação do Ativo Imobilizado, e, portanto, não estão vinculadas à atividade operacional da prestação de serviços. Tratase de despesas gerais ou administrativas, necessárias à empresa, mas não pertencentes, como insumos, à operação da prestação de serviços. Portanto, mantenho a glosa relativa a esta despesa. Conta 4034 – Serviços Prestados por Terceiros P.F. De mesmo modo que as contas anteriores, pertence ao grupo contábil 4.1.14 – Despesas de Manutenção da Frota, e portanto, registra despesas com a preservação do Ativo Imobilizado, não podendo gerar diretamente créditos de Pis e Cofins. Adicionalmente, o §2º, art 3º, da Lei 10.637/2002 e § 2º art 3º, da Lei 10.833/2003 vedam o crédito sobre pagamentos a pessoas físicas. Grupo Contábil 4.1.15 1 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 1376DF CARF MF 26 Nesse grupo, conforme se verifica nas planilhas de cálculo (folhas 303 a 333), as contas relativas a serviços de transporte prestados por pessoas físicas (contas 4041, 4043 e 4045) tiveram os créditos recalculados para corresponder ao crédito presumido, nos termos dos §§ 19 e 20 do art. 3º, e art. 15, II, da Lei 10.833/2003. Portanto, não há correções a fazer. Contas 4048 – Despesas de Viagens e 4049 – Lanches e Refeições Tais contas pertencem ao grupo contábil 4.1.16 – Despesas de Viagens Operacionais. Como tais, inseremse no contexto e revelamse necessárias à consecução da prestação de serviços, razão pela qual afasto a glosa procedida. Contas 4051 – Indenizações p/ Avarias, conta 4047 – Indenizações p/ faltas, conta 4199 – Indenizações p/ atraso, conta 4200 – Indenizações p/ Sinistro Tais contas pertencem ao grupo contábil 4.1.17 – Despesas Indiretas de Transportes. Como bem esclarece o próprio nome da conta, tratase de despesas administrativas, e não se revelam como insumos gastos na prestação dos serviços, ainda que necessárias ao funcionamento da empresa como um todo. Nesta matéria, mantenho a glosa. Conta 4052 – Seguros de Mercadorias, conta 4054 – Seguro de Veículos, conta 4055 – Seguro contra Incêncio/Roubo, conta 4056 – Seguro de Equipamentos, conta 4057 – Seguros Diversos Pertencentes ao grupo contábel 4.1.18, Seguros. Embora imprescindíveis à atividade da empresa, tais contas registram despesas administrativas, que não pertencem à operação mesma de proceder ao transporte de mercadorias. Revelamse como despesas assecuratórias do capital investido, e como tais, não geram direito a crédito de Pis e Cofins. Mantenho a glosa referente a esta matéria. Conta 4058 Serviço de Monitoramento e conta 4059 – Serviço de Escolta Pertencentes ao grupo contábil 4.1.19, Serviços de Gerenciamento. Tais serviços se fazem presentes na própria operação de transporte, e portanto, conforme conceituação adotada, permitem o creditamento pretendido. Afasto a glosa referente a esta matéria. Grupo contábil 4.1.21 – Despesas do Armazém Eventualmente o serviço de transporte multimodal necessita de local para armazenamento e transbordo, vinculandose, desse modo, à operação própria de transporte. Podem existir despesas do armazém desvinculadas da operação de transporte, porém não há no trabalho fiscal detalhamento suficiente para tal distinção, razão pela qual a glosa deve ser afastada. Excetuo dessas considerações relativas às despesas do armazém as seguintes contas: Conta 4062 – Carga e Descarga P. Física, em razão do §2º, art 3º, da Lei 10.637/2002 e § 2º art 3º, da Lei 10.833/2003, que vedam o crédito sobre pagamentos a pessoas físicas; Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.365 27 Conta 4067 – Conservação de Bens, por vincularse à preservação do imobilizado, conforme já fundamento acima; Para estas contas, a glosa deve ser mantida. j) Grupo contábil 4.2.13 Serviços de Terceiros ADM Abrange contas relativas a diversos serviços administrativos, tais como contábeis, advocatícios, vigilâncias, assistências técnica, coleta de lixo, consultoria, informática, despachantes. Tratase, tipicamente, de despesas administrativas, que não podem gerar crédito, conforme já visto. Adicionalmente, serviços pagos a pessoa física têm vedação expressa, §2º, art 3º, da Lei 10.637/2002 e § 2º art 3º, da Lei 10.833/2003. Mantenho a glosa para esta matéria. Grupo contábil 4.2.14 – Despesas com Materiais ADM Abrange diversas contas de materiais de escritório, informática e semelhantes. Conforme conceituação vista, não geram crédito de Pis e Cofins. Mantenho a glosa. Conta 4106 Condomínios A legislação prevê o cálculo de créditos sobre aluguéis, porém não há nenhuma previsão expressa para as despesas de condomínio. Portanto, considerando que as permissões legais são exaustivas, não há como permitir tal crédito. Mantenho a glosa. Conta 4113 – Telefones e Rádios Pertence ao grupo contábil 4.2.17, Despesas com Comunicações. Tal conta registra valores que podem se referir a comunicação necessária com os motoristas, em contexto de viagem, e desse modo, permitindo o crédito. Não existindo no processo diferenciação quanto a outras utilizações, a glosa deve ser afastada. n) Conta 4114 – Correio Eletrônico – email; Conta 4115 – Correios e Selos Postais Pertencem ao grupo contábil 4.2.17, Despesas com Comunicações. São despesas administrativas, que não se inserem no contexto do transporte propriamente dito. Mantenho a glosa. Grupo Contábil 4.2.18 – Despesas Gerais Administrativas São despesas gerais administrativas diversas. Exemplifico com o balancete de janeiro/2006: Fl. 1378DF CARF MF 28 Com exceção da conta 4116 – Energia Elétrica, que expressamente foi prevista na legislação como insumo gerador de créditos (art. 3º, inciso III, da Lei 10.833/2003 e art. 3º, inciso IX da Lei 10.637/2002), e que foi admitida pelo auditorfiscal, as demais contas são todas relativas a despesas administrativas e não encontram previsão legal expressa para geração de créditos. Mantenho a glosa. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Voluntário. Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 19515.000187/201131 Acórdão n.º 3301003.464 S3C3T1 Fl. 1.366 29 Voto Vencedor Conselheiro Valcir Gassen – Redator designado Salientase que o presente voto vencedor tem por objeto unicamente a Conta 4039 – Recarga de extintores, visto que nos demais itens e contas referentes o voto do Relator fora mantido na decisão colegiada. O Conselheiro Relator negou provimento ao Recurso Voluntário, portanto, mantendo a glosa, por entender que as despesas de manutenção da frota, incluído nestas a recarga de extintores, não estariam vinculadas à atividade operacional de prestação de serviços. Assim ficou consignado no voto do Relator: Conta 4038 – Despesas Diversas e Conta 4039 – Recarga de extintores Estas contas pertencem ao grupo contábil 4.1.14 – Despesas de Manutenção da Frota. Como tais, estão vinculadas à preservação do Ativo Imobilizado, e, portanto, não estão vinculadas à atividade operacional da prestação de serviços. Tratase de despesas gerais ou administrativas, necessárias à empresa, mas não pertencentes, como insumos, à operação da prestação de serviços. Portanto, mantenho a glosa relativa a esta despesa. Em que pese a posição interpretativa da legislação, formulada de forma bem fundamentada pelo Relator, é necessário divergir no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto específico das despesas de recarga de extintores. A questão central aqui em análise diz respeito aos bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços com a consequente aplicação dos artigos 3o. das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Citase aqui a Lei n. 10.637/2002 para melhor elucidar: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; A dificuldade da questão reside no alcance do termo “insumo” para que se possa caracterizar o direito ao crédito, visto que o legislador não estabeleceu maiores limites interpretativos ao termo. Cabe, portanto, ao intérprete, em cada caso em concreto, observar se os bens e serviços podem ser ou não considerados insumos. Como é sabido, a posição interpretativa de insumos nas contribuições não cumulativas tem ocupado muitas vezes uma posição intermediária entre o que se entende por matériasprimas e produtos intermediários na legislação do IPI em que se exige, via de regra, contato direto com o produto fabricado, e a legislação do IRPJ em que se considera os dispêndios gerais da empresa. Fl. 1380DF CARF MF 30 No presente processo entendese que a recarga de extintores está necessariamente vinculada como insumo necessário para atender as atividades do Contribuinte, visto que a atividade principal é o serviço de transporte. Para o exercício dessa atividade exige se, pela legislação no que concerne à segurança, a utilização de extintores, bem como a sua manutenção. Apenas para reforçar o argumento notese que a decisão colegiada contemplou também como insumo, a título de exemplo, desta forma afastando as glosas, quanto a conta 4026 pedágio despesa, 4027 estacionamentos, conta 4058 serviço de monitoramento, e, conta 4059 serviço de escolta. Por entender que a Conta 4039 – Recarga de extintores incluise no conceito de insumos passíveis de geração de crédito nas contribuições não cumulativas, pelo fato da necessidade de cumprir com exigência legal do porte de extintores nos veículos, bem como, por serem despesas inerentes à atividade do Contribuinte, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Conselheiro Valcir Gassen – Redator designado Fl. 1381DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720679/2012-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. OPERAÇÕES SWAP. HEDGE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS DISPENSADAS.
Os contratos constantes dos autos (fls. 180/384) referentes: às operações de financiamento para compra e venda de produtos alimentícios; às respectivas garantias; assim como aos contratos de swap - demonstram que as instituições financeiras brasileiras - Banco ABN AMRO Real S.A., Banco Votorantim S.A. e Banco Santander S.A. - atuaram, plenamente, como titulares nos contratos de câmbio e swap, estando dispensadas da retenção na fonte sobre o rendimento.
Numero da decisão: 2401-004.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício, e, no mérito, negar-lhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. OPERAÇÕES SWAP. HEDGE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS DISPENSADAS. Os contratos constantes dos autos (fls. 180/384) referentes: às operações de financiamento para compra e venda de produtos alimentícios; às respectivas garantias; assim como aos contratos de swap - demonstram que as instituições financeiras brasileiras - Banco ABN AMRO Real S.A., Banco Votorantim S.A. e Banco Santander S.A. - atuaram, plenamente, como titulares nos contratos de câmbio e swap, estando dispensadas da retenção na fonte sobre o rendimento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.720679/2012-27
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5734244
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.686
nome_arquivo_s : Decisao_19515720679201227.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 19515720679201227_5734244.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício, e, no mérito, negar-lhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
id : 6807800
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211169144832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1199; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720679/201227 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2401004.686 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. OPERAÇÕES SWAP. HEDGE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS DISPENSADAS. Os contratos constantes dos autos (fls. 180/384) referentes: às operações de financiamento para compra e venda de produtos alimentícios; às respectivas garantias; assim como aos contratos de “swap” demonstram que as instituições financeiras brasileiras Banco ABN AMRO Real S.A., Banco Votorantim S.A. e Banco Santander S.A. atuaram, plenamente, como titulares nos contratos de câmbio e “swap”, estando dispensadas da retenção na fonte sobre o rendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 79 /2 01 2- 27 Fl. 1081DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício, e, no mérito, negarlhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201227 Acórdão n.º 2401004.686 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 2007 e 2009 Tratase de crédito tributário, lançado através de Auto De Infração por descumprimento de obrigação acessória, lavrado em 26/03/2012, referende à Imposto de Renda retido na fonte, anos calendários 2007 a 2009, no valor total de R$ 25.900. 489,31 (vinte cinco milhões, novecentos mil, quatrocentos e oitenta nove reais e trinta um centavos). Segundo o Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 745/751), observase que o contribuinte firmou contratos relativos às operações de "swap" e de "hedge" com as seguintes instituições financiadoras: ABN AMRO Bank N.V.;; BANCO SANTANDER CENTRAL HISPANO S.A. LONDON BRANCH; SANTANDER OVERSEAS BANK, INC, cujas operações foram intermediadas e realizadas pelas seguintes instituições: Banco ABN AMRO Real S.A.; Banco Votorantim S.A. e Banco Santander S.A. Registrese ainda que, conforme informação da autoridade lançadora, as operações de "swap" ocasionaram perdas à empresa fiscalizada – COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO e expressivos ganhos às instituições financeiras que participaram de tais operações (Banco ABN AMRO Real S.A.; Banco Votorantim S.A. e Banco Santander S.A.), sendo que assim, a titularidade de tais contratos é da empresa fiscalizada, não podendo ser atribuída às instituições financeiras que participaram das operações a estrita interpretação do inciso I do artigo 56 da IN RFB nº 1022/10, que dispensa a retenção na fonte ou o pagamento em separado do imposto sobre a renda sobre os rendimentos ou ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa, etc Afirma ainda, que as operações de "swap" efetuadas pela empresa estavam parcialmente lastreadas na triangulação de exportações de "commodities" (a empresa se comprometia a exportar as "commodities" a serem adquiridas de terceiras empresas: CARGILL AGRÍCOLA S/A e COMÉRCIO E INDÚSTRIAS BRASILEIRAS COINBRA S/A), não guardando estrita relação com as atividades operacionais da empresa, a qual se dedica ao comércio varejista. Assim conclui que a empresa fiscalizada que se dedica ao comércio varejista, deveria reter e recolher o IRRF, no vencimento legal, quanto às perdas incorridas nas operações de “swap” que empreendeu, mesmo se tratando, eventualmente, de operação de “hedge”. Por se tratar de Imposto de Renda Retido na Fonte, a retenção e o recolhimento são de responsabilidade da fonte pagadora, no caso, da empresa fiscalizada (IRRF sobre as operações de "swap": art. 756 do RIR/99 e art. 40 da Instrução Normativa RFB n° 1.022, de 5 de abril de 2010, alterada pela Instrução Normativa RFB n° 1.043, de 15 de junho de 2010 e pela Instrução Normativa RFB n° 1.236, de 11 de janeiro de 2012). Nesse descortino, a Autoridade Fiscal ainda procedeu o lançamento, inclusive : a)de Multa Isolada por falta de retenção ou recolhimento do IRRF enquadramento legal: art. 9° da Lei n° 10.426/2002, com redação dada pelo Fl. 1083DF CARF MF 4 art. 16 da Lei 11.488/2007; art. 957 do RIR/99 e Parecer Normativo N° 1, de 24 de setembro de 2002. b)Juros Isolados devidos pela falta/atraso na retenção ou recolhimento do IRRF enquadramento legal: art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96. Irresignada, a contribuinte apresentou Impugnação de fls. 793/849, acompanhada dos documentos de fls. 850/986, aduzindo, que não reteve o Imposto de Renda na Fonte ("IR Fonte"), porque considerou que: "em se tratando de rendimentos auferidos em operações de renda variável por instituição financeira estabelecida no Brasil, não é devida a retenção do imposto." Alega ainda, não ter sido apresentado o fundamento legal ou infralegal pelo qual a estaria obrigada a efetuar referida retenção; que celebrou, exclusivamente com instituições financeiras nacionais, contratos de swap cambial (também denominados contratos de troca de posições financeiras), justamente para proteger a exposição de seu patrimônio em relação a possível e eventual valorização da moeda estrangeira perante a moeda nacional, uma vez que isto resultaria em majoração de seu passivo. Continuamente, afirma que referido contrato de swap teve o objetivo de proteger o patrimônio da Impugnante contra a valorização do dólar norteamericano perante o real, tendo em vista o contrato de PréPagamento de Exportação, em moeda estrangeira, firmado pela Impugnante com o Banco Santander Central Hispano, S.A. London Branch em 8 de julho de 2004. Questiona, que o Termo de verificação Fiscal não efetua a demonstração do cálculo previsto nos fundamentos legais para a aplicação da Multa Isolada, bem como dos Juros Isolados, configurando cerceamento de defesa. No tocante as alegações de que as operações de swap eram especulativas (fls. 749/750) não existe comprovação. Todos os contratos de swap que se tornaram objeto do presente Auto de Infração foram celebrados com instituição financeira estabelecida no Brasil e tiveram a finalidade de hedge, na acepção do parágrafo l do artigo 77 da Lei n° 8.981/95. Relata que a regra de incidência do IRRF prevista no art. 32 da IN SRF n° 25/01 está sujeita a diversas exceções, tal como a do artigo 35 da referida IN. Que os incisos I e II do artigo 35, produziu efeitos no período compreendido entre 6/3/2001 e 7/4/2010, dispensava da sujeição ao IR Fonte, os rendimentos auferidos por instituições financeiras em operações de renda variável realizadas em bolsa ou no mercado de balcão organizado, autorizado pelo órgão competente. Quanto ao raciocínio apresentado pelos AuditoresFiscais no Item 17 do Termo de Verificação Fiscal, fica sem sentido porque a obrigação da fonte pagadora (Impugnante) de fazer a retenção do Imposto de Renda, sobre os rendimentos auferidos por instituições financeiras nas operações de renda variável, está dispensada nos termos do artigo 35, incisos I e II, da IN SRF n° 25/01. Afirma ainda que os contratos de swap, sobre cujos pagamentos a Impugnante não fez a retenção e recolhimento de IR Fonte, foram firmados com instituições financeiras nacionais. Basta a leitura dos mencionados contratos, anexados pelas Autoridades Fiscais às fls. 189/190, 372/373, 203/205, 200/202 e 317. Por fim, relata que os pagamentos efetuados pela Impugnante às instituições financeiras estabelecidas no Brasil, contraparte em contratos de "swap" cambial, a título de Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201227 Acórdão n.º 2401004.686 S2C4T1 Fl. 4 5 perdas em operações de renda variável, estão dispensados da retenção do IR Fonte, seja por força: (i) do artigo 5°, parágrafo único, da Lei n° 9.779/99; (ii) do artigo 35 da IN SRF n° 25/01; (iii) do artigo 56 da IN RFB n° 1.022/10; ou, ainda, por força (iv) do artigo 774 do RIR/99. E requer o cancelamento integral do presente Auto de Infração. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP),converteu o processo em diligência, nos termos da decisão de fls. 995/999, para: “a) levar em consideração os argumentos, dados e documentos trazidos aos autos pela Impugnante (fls. 793/986) e indicar os que foram e os que não foram apreciados durante a auditoria fiscal; b) levar em consideração a alegação da Impugnante de que estavam dispensados da sujeição ao IR Fonte, os rendimentos auferidos por instituições financeiras em operações de renda variável cursadas em bolsa ou no mercado de balcão organizado, autorizado pelo órgão competente, para a carteira própria das entidades citadas no inciso I (IN SRF nº 25/01, incisos I e II do artigo 35) e esclarecer se, no presente caso, tratouse de operação de carteira própria de titularidade das instituições financeiras; c) elaborar planilha demonstrativa, por competência, da base de cálculo e das alíquotas aplicadas para apuração do valor a ser retido e recolhido, bem como da respectiva apuração da multa isolada e dos juros isolados de mora; d) elaborar relatório conclusivo, apresentando, caso seja necessário, os motivos de fato e de direito que justifiquem as alterações no lançamento; e) cientificar a Impugnante do resultado da diligência, bem como do presente despacho, com abertura do prazo de 30 dias para manifestação, nos termos da artigo 35 parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011 e posterior remessa dos autos a esta Turma de Julgamento.” O resultado encontrase às fls. 1020/1025. A Autoridade Lançadora afirma, em síntese, que a Impugnação não trouxe nenhum documento novo que ainda não tivesse sido apresentado no curso da ação fiscal. Todos os documentos foram apreciados pela fiscalização. Ressalta que não existem elementos nos autos que comprovem ou demonstrem que os rendimentos auferidos pelos referidos bancos são fruto de operações de renda variável para a carteira própria dessas instituições financeiras, visto que, pelo exposto, não fica eliminada a hipótese dos recursos não se destinarem à carteira de títulos e valores Fl. 1085DF CARF MF 6 mobiliários registrados em tesouraria da instituição. Não é possível admitir ser unívoca a relação "ganhos líquidos auferidos pela instituição" com "e para a carteira própria das instituições financeiras", pois se assim fosse, o legislador estaria enxertando elementos inócuos ou redundantes no mandamento legal. Portanto somos pela proposta de manutenção irreparável do lançamento. Junta, às fls. 1025, Planilha Demonstrativa do cálculo do IRRF, multa e juros. Em 10/10/2014, a Impugnante manifestouse acerca do Relatório de Diligência Fiscal afirmando, em síntese, que: Os contratos de swap, celebrados com instituições financeiras (Banco ABN AMRO S/A, Banco Votorantim S/A e Banco Santander S/A), devidamente registrados na CETIP/BM&F foram juntados, que referidos documentos afastam qualquer dúvida acerca do atendimento às condições previstas no art. 77 da Lei nº 8.981/95, razão pela qual a Impugnante estava dispensada da obrigação de proceder à retenção do IRRF. Frisa que, tanto o Auto de Infração quanto o "Termo de Encerramento de Diligência" não fazem qualquer menção ao fundamento legal para aplicação de juros isolados, o que evidencia a improcedência de tal exigência. Os dispositivos legais apontados no lançamento e pelo D. Fiscal Diligente não são suficientes para lastrear o Auto de Infração, haja vista que nenhum deles foi infringido pela Impugnante. Além disso, em relação à aplicação de Juros Isolados, não houve sequer indicação do fundamento legal para sua exigência, nem no Auto de Infração nem na Diligência ora encerrada. Assim, ao deixar de apontar o dispositivo legal em que se enquadrariam os fatos narrados (segundo a sua ótica), a D. Fiscalização cerceou o direito de ampla defesa assegurado constitucionalmente aos litigantes no âmbito administrativo de julgamento. Com efeito, afirma que, diante da preterição do direito de defesa, em razão da ausência de especificação precisa e completa do enquadramento legal, deve ser declarada a nulidade do lançamento impugnando. Ressalta ainda, que a diligência não pode "consertar" os equívocos do lançamento, tampouco trazer novas acusações nem novos fundamentos não mencionados de modo expresso no Auto de Infração. Assim, a intenção do D. Fiscal Diligente de incluir novas razões para a manutenção da exigência, como se observa, por exemplo, em relação ao disposto no art. 111 do CTN, devem ser afastadas de plano por esse órgão de julgamento, declarandose a nulidade do feito, pelos motivos expostos acima, em face da vedação à correção de vícios insanáveis do lançamento. Nesse sentido, repete dos argumentos da Impugnação e afirma que não se pode perder de vista que os contratos de swap caracterizamse como instrumentos derivativos, sendo certo que tais operações tiveram como finalidade a proteção patrimonial da Impugnante (hedge), tendo em vista a exposição desta em operações atreladas ao dólar. Não resta dúvida de que se trata de operação que se enquadra plenamente na dispensa de retenção prevista no art. 77, inciso III, da Lei nº 8.981/95. Por fim, conclui que: Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201227 Acórdão n.º 2401004.686 S2C4T1 Fl. 5 7 a) A Diligência pretende corrigir vícios insanáveis do lançamento, que deixou de corretamente explicitar de forma clara e precisa os fundamentos legais da exigência. b) Apesar de ter indicado as supostas capitulações legais das infrações das quais é acusada a Impugnante, no que tange à exigência de multa isolada, o D. Fiscal Diligente não apontou qual o fundamento legal para exigência de juros isolados. c) Resta inequívoco que o lançamento deixou de demonstrar o cálculo dos valores exigidos, tendo sido necessária diligência para elaboração de tal demonstrativo. d) Tais fatos cercearam o direito de defesa da Impugnante, devendo ensejar a nulidade do lançamento. e) Diante da diligência realizada, com base nos documentos constantes dos autos, resta incontroverso que todos os contratos de swap objeto do presente processo foram firmados com instituições financeiras brasileiras, foram efetivamente realizados e registrados na BM&F e/ou CETIP, pelo que se caracterizam como instrumentos financeiros transacionados em mercado de balcão organizado. f) Desse modo, deve ser reconhecida a aplicação do art. 77, inciso III, da Lei nº 8.981/95, e a consequente improcedência da exigência, diante da dispensa de retenção na fonte do IRRF. g) A dispensa de retenção na fonte, no presente caso, está explicitamente prevista no art. 59, parágrafo único, da Lei nº 9.779/99. 45. Deste modo, reitera o seu pedido de acolhimento integral das razões apontadas na Impugnação e na presente manifestação à diligência, para o fim de ser cancelada a exigência fiscal na sua totalidade, na forma e para os fins de direito. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1663.849 4ª Turma da DRJ/SPO, às fls. 1.043/1.055, julgando improcedente o lançamento e excluindo o crédito tributário em sua integralidade, por entender que a Impugnante está contemplada pela isenção prevista nos art. 32 e 35 da IN SRF n° 25/01, estando dispensada do IRRF em face do artigo 77 da Lei nº 8.981/95; do artigo 59, parágrafo único, da Lei nº 9.779/99 e do artigo 774 do RIR/99. Recordese: “OPERAÇÕES SWAP. HEDGE. DISPENSA DE RETENÇÃO E PAGAMENTO. Fl. 1087DF CARF MF 8 As instituições financeiras estão dispensadas de retenção na fonte sobre os rendimentos de “swap” auferidos em operações de renda variável de carteira própria.” O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 07/01/2015, conforme termo de ciência às fls. 1.507. O processo foi submetido à apreciação desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme determina a legislação que rege a matéria, por força de recurso necessário. É o relatório. Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201227 Acórdão n.º 2401004.686 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso de Ofício foi submetido à apreciação desse E. Colegiado, conforme determina a legislação que rege a matéria, por força de recurso necessário, já que na ocasião do julgamento pela DRJ, o valor do débito exonerado era superior a R$ 1 milhão. Todavia, em face à edição da Portaria nº 63/2017, o Ministério da Fazenda aumentou o valor limite de alçada para R$ 2,5 milhões, esse novo teto já pode ser aplicado no juízo de admissibilidade de Recurso de Ofício perante o CARF, em face à aplicação da Súmula nº 103 que estabelece como critério para o conhecimento do recurso de ofício, o valor de alçada vigente na data da análise pela segunda instância. Assim, tendo em vista que o valor exonerado pela instância a quo ultrapassa o limite de alçada, conforme se depreende do extrato do processo de fls., conheço do recurso de ofício, já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. MÉRITO Inicialmente impende salientar o arcabouço legislativo que a Fiscalização entendeu regular as obrigações referentes à incidência do IRRF sobre as operações de “swap”, no caso concreto, a saber: art. 756 do RIR/99; art. 40 e 56 da Instrução Normativa RFB nº 1.022/2010 e respectivas alterações; bem como o art. 29 da Lei nº 8.981/95 e art. 15 da Lei nº 9.249/95. Menciona ainda que o próprio art. 756 do RIR/99 faz referência expressa ao art. 74 da Lei nº 8.981/95 e ao art. 36 da Lei nº 9.532/97. Assim, objetivando uma análise minudente da questão material que envolve o lançamento em debate, é importante fixar a legislação que estava em vigor à época dos fatos geradores que integram o presente lançamento. Em que pese a Fiscalização fundamentar o lançamento no artigo 56 da Instrução Normativa RFB nº 1.022/2010, cabe observar que, à época dos fatos geradores – 2007; 2008 e 2009 estava em vigor a Instrução Normativa SRF nº 25 de 6 de março de 2001, que também regulamentou, de forma extensiva, a incidência do IRRF sobre tais operações de “swap”, bem como as hipóteses de dispensa de retenção ou de pagamento, in verbis: Art. 32. Estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, à alíquota de vinte por cento, os rendimentos auferidos em operações de swap. ......................................................................................................... § 2º O imposto será retido pela pessoa jurídica que efetuar o pagamento do rendimento, na data da liquidação ou da cessão do respectivo contrato. (grifos nossos) ......................................................................................................... Fl. 1089DF CARF MF 10 Art. 35. Estão dispensados a retenção na fonte ou o pagamento em separado do imposto de renda sobre os rendimentos ou ganhos líquidos auferidos: I em aplicações financeiras de renda fixa de titularidade de instituição financeira, sociedade de seguro, de previdência privada aberta e de capitalização, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários ou sociedade de arrendamento mercantil; II nas operações de renda variável realizadas em bolsa, no mercado de balcão organizado, autorizado pelo órgão competente, ou por meio de fundos de investimento, para a carteira própria das entidades citadas no inciso I; (grifos nossos) ......................................................................................................... § 3º Os rendimentos auferidos nas operações de cobertura (hedge), realizadas através de operações de swap por pessoa jurídica não relacionada no inciso I do caput, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, à alíquota de vinte por cento. (grifos nossos) ................................................................................................ Frisese que a Autoridade Fiscal, no lançamento guerreado, entendeu que as operações descritas no artigo 35, incisos I e II da referida IN SRF nº 25/2001, são atividades próprias de instituições financeiras e, portanto, somente elas estariam dispensadas das obrigações tributárias do IRRF. Referido entendimento não pode prosperar, conforme decidido à unanimidade pela instância a quo, nos termos esclarecidos a seguir. No caso sub examine, a fiscalização não carreou prova apta a demonstrar que as operações da empresa Companhia Brasileira de Distribuição possuíam caráter especulativo triangulação de exportação de “commodities” – nem tampouco que referidas operações não guardavam estrita relação com as atividades normais de comércio da empresa autuada. Também não juntou aos autos elementos cabais capazes de comprovar que tais recursos não se destinaram à carteira de títulos e valores mobiliários registrados em tesouraria da instituição (carteira própria). Assim, não logrouse comprovar que tais operações não possuíram o caráter de “hedge”. Em sentido contrário, por sua vez, a empresa demonstrou que a comercialização de soja, açúcar, café, laranja e outros produtos, tanto na forma de exportação, como na de importação, é atividade operacional do contribuinte, conforme disposto no art. 2º do Estatuto Social da Companhia, a saber: Art. 2º O objeto social da Sociedade é a comercialização de produtos manufaturados, semimanufaturados ou “in natura”, nacionais ou estrangeiros, de todo e qualquer gênero e espécie, natureza ou qualidade, desde que não vedada por lei. Parágrafo 1º A Sociedade poderá também praticar as seguintes atividades: Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201227 Acórdão n.º 2401004.686 S2C4T1 Fl. 7 11 a) a industrialização, processamento, manipulação, transformação, exportação, importação e representação de produtos, alimentícios ou não alimentícios, por conta própria ou de terceiros; b) o comércio internacional, inclusive de café; (...) Nesse mesmo diapasão, restou inequivocamente demonstrado pelo Contribuinte que os contratos de swap, sobre cujos pagamentos a Recorrida não fez a retenção de recolhimento de IR Fonte, foram firmados com instituições financeiras nacionais, e não com instituições estrangeiras como inferese da informação apresentada pela autoridade fiscal. Tudo a teor do que se observa dos contratos juntados às fls. 189/190, 200/202, 203/205, 317, 372/ 373, 380, referentes às operações de financiamento para compra e venda de produtos alimentícios; às respectivas garantias; assim como aos contratos de “swap” onde demonstram que as instituições financeiras brasileiras Banco ABN AMRO Real S.A., Banco Votorantim S.A. e Banco Santander S.A. atuaram, plenamente, como titulares nos contratos de câmbio e “swap”. Noutro giro, ad argumentandum tantum, mesmo que se admitisse que nos contratos de "swap" os rendimentos tivessem sido auferidos por residentes ou domiciliados no exterior (instituições financeiras estrangeiras), ainda assim a alíquota do IRRF seria zero, em decorrência da previsão constante no artigo 1°, inciso IV da Lei n° 9.481/97, in verbis: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei no 9.532, de 1997 ): ......................................................................................................... IV valores correspondentes a operações de cobertura de riscos de variações, no mercado internacional, de taxas de juros, de paridade entre moedas e de preços de mercadorias (hedge); § 1º Nos casos dos incisos II, III, IV, VIII, X, XI e XII do caput deste artigo, deverão ser observadas as condições, as formas e os prazos estabelecidos pelo Poder Executivo. (Renumerado com nova redação pela Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014 ) (Vide art 113, inc II da Lei nº 13.043/2014) Fl. 1091DF CARF MF 12 Pelo exposto, não merece reparo o venerando acórdão recorrido, pois o contribuinte, no caso em comento, encontrase contemplado pela isenção prevista nos art. 32 e 35 da IN SRF n° 25/01, estando dispensado do IRRF em face do artigo 77 da Lei nº 8.981/95; do artigo 59, parágrafo único, da Lei nº 9.779/99 e do artigo 774 do RIR/99. Assim, não merece provimento o Recurso de Ofício. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos CONHEÇO do Recurso de Ofício, para no mérito NERGALHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1092DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36392.000165/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Não havendo no acórdão embargado obscuridade, omissão ou contradição, devem ser desacolhidos os declaratórios.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2202-003.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar os Embargos de Declaração, vencidos os Conselheiros Cecília Dutra Pillar, que acolheu os embargos, com efeitos infringentes, para considerar preclusa a matéria da retroatividade benigna da multa, e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que acolheu os embargos, para, sanando o vício apontado no acórdão embargado, manter a decisão original.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Não havendo no acórdão embargado obscuridade, omissão ou contradição, devem ser desacolhidos os declaratórios. Embargos Rejeitados
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 36392.000165/2007-47
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5725500
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.763
nome_arquivo_s : Decisao_36392000165200747.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARTIN DA SILVA GESTO
nome_arquivo_pdf_s : 36392000165200747_5725500.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar os Embargos de Declaração, vencidos os Conselheiros Cecília Dutra Pillar, que acolheu os embargos, com efeitos infringentes, para considerar preclusa a matéria da retroatividade benigna da multa, e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que acolheu os embargos, para, sanando o vício apontado no acórdão embargado, manter a decisão original. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
id : 6765595
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211176484864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1573; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 6.604 1 6.603 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36392.000165/200747 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2202003.763 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de abril de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado IBM BRASIL INDUSTRIA MAQUINAS E SERVIÇOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Não havendo no acórdão embargado obscuridade, omissão ou contradição, devem ser desacolhidos os declaratórios. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar os Embargos de Declaração, vencidos os Conselheiros Cecília Dutra Pillar, que acolheu os embargos, com efeitos infringentes, para considerar preclusa a matéria da retroatividade benigna da multa, e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que acolheu os embargos, para, sanando o vício apontado no acórdão embargado, manter a decisão original. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 39 2. 00 01 65 /2 00 7- 47 Fl. 6604DF CARF MF Processo nº 36392.000165/200747 Acórdão n.º 2202003.763 S2C2T2 Fl. 6.605 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2202003.445, da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 6.580 a 6.593), julgado na sessão plenária de 14 de junho de 2016, cuja ementa abaixo se transcreve: "CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. Nos termos da Súmula CARF nº 99, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUICAO PREVIDENCIARIA DA EMPRESA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Devida contribuição a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços à empresa. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO DO CARF. No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, o STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação conferida pela Lei nº 9.876, de 1999, que previa a Fl. 6605DF CARF MF Processo nº 36392.000165/200747 Acórdão n.º 2202003.763 S2C2T2 Fl. 6.606 3 contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Aplicação aos julgamentos do CARF, conforme artigo 62, § 2º, do RICARF. COMPENSAÇÃO. A compensação é procedimento de iniciativa do sujeito passivo, que deve registrar a operação nos seus registros contábeis e declarála em GFIP. LEI NOVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106 DO CTN. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449/08. MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), art. 106, II, "c", a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, quanto ao Recurso de Ofício: por unanimidade de votos, negar provimento. Quanto ao Recurso Voluntário: a) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho; b) pelo voto de qualidade, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35A, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Dílson Jatahy Fonseca Neto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que reduziram a multa de mora para trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20%. Foi designada a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada) para redigir o voto vencedor na parte em que o Relator foi vencido." Os autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 06/09/2016 (Despacho de Encaminhamento de fl. 6.594). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre no prazo de trinta dias da remessa do processo à PFN. Em 06/10/2016, foram opostos os Embargos de Declaração de fls. 6.595 a 6.599 (Despacho de Encaminhamento de fl. 6.600), tempestivamente. A Fazenda Nacional alega que o acórdão embargado foi omisso, pois a matéria relativa à retroatividade da regra inserida pela Medida Provisória nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/2009, não fora tratada na impugnação nem no acórdão da DRJ e a decisão embargada não se manifestou sobre a preclusão. Aduz que, diante da preclusão, a PGFN sequer se viu motivada a contraarrazoar quanto ao mérito da aplicação da multa, já que acreditava não estar a matéria em debate. Fl. 6606DF CARF MF Processo nº 36392.000165/200747 Acórdão n.º 2202003.763 S2C2T2 Fl. 6.607 4 O despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente desta Turma às fls. 6602 e 6603 foi no seguinte sentido: "Entendo caber razão à Embargante. De fato, a decisão que consta do voto e do dispositivo do Acórdão abordou a questão da retroatividade da multa mais benéfica, sem ter exposto as razões que levaram o colegiado a conhecer da matéria e determinar o seu recálculo, mesmo sem o Contribuinte ter impugnado nem a DRJ ter se manifestado sobre essa matéria. Assim, tendo em vista a falta de fundamentação do voto do Relator e do voto vencedor quanto à preclusão administrativa relativa à retroatividade da multa mais benéfica, fazse necessário que tal vício seja sanado mediante a prolação de um novo acórdão. Ante o exposto, acolho os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, para que seja sanada a omissão do Acórdão nº 2202003.445, quanto à apreciação da questão do recálculo da multa. Ao Conselheiro Relator, para inclusão em pauta de julgamento." É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os embargos foram apresentados dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme o relatório do acórdão embargado, o presente caso "tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização, NFLD DEBCAD 37.065.2568, consolidado em 27/12/2006, contra o contribuinte acima identificado, relativo às contribuições sociais devidas e não recolhidas à Seguridade Social, referentes à parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, à parte patronal inclusive ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho ~ RAT, aquelas relativas aos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho assim como as destinadas a Terceiros (INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), no valor consolidado de R$ 17.677.860,84 (dezessete milhões e seiscentos e setenta e sete mil e oitocentos e sessenta reais e oitenta e quatro centavos) no período não contínuo de 10/1999 a 12/2005" (grifouse). Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a NFLD, apresentando impugnação às fls. 897/915 dos autos, sendo esta protocolizada em 15/01/2007. Fl. 6607DF CARF MF Processo nº 36392.000165/200747 Acórdão n.º 2202003.763 S2C2T2 Fl. 6.608 5 Diante disso, foram os autos remetidos à DRJ para julgamento da impugnação da contribuinte. A 11ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), na sessão de 16 de maio de 2011, proferiu o acórdão nº 1237.258. Deste acórdão foram interpostos dois recursos: um voluntário e outro de ofício. O recurso voluntário, apresentado em 05.08.2011, em sua página 25 em diante (fls. 6.568 e seguintes dos autos), trata da aplicação do art. 106, II, alínea "C" do CTN ao caso concreto e o afastamento da multa de mora incluída no auto: Fl. 6608DF CARF MF Processo nº 36392.000165/200747 Acórdão n.º 2202003.763 S2C2T2 Fl. 6.609 6 Novamente, equivocase a embargante ao sustentar que não se faria presente nos autos a referida matéria, alegando um possível cerceamento de defesa, pois não teria sido motivada a contraarrazoar o recurso voluntário, vejamos: "Cabe asseverar que diante da preclusão, a PGFN sequer se viu motivada a contraarrazoar quanto ao mérito a aplicação da multa, já que acreditava não estar a matéria em debate. Sem essa oportunidade, podemos até mesmo falar em violação aos direitos do contraditório e da ampla defesa, em ofensa ao devido processo legal." Carece de razão a embargante, pois a matéria apreciada no acórdão embargado foi objeto de recurso voluntário, consoante demonstrado. Logo, teve a contribuinte a oportunidade de O voto vencedor do acórdão embargado determinou o recálculo da multa de acordo com o disposto no art. 35A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. A Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, entrou em vigor na data de sua publicação (conforme art. 80 da própria lei). Portanto, quando do lançamento da NFLD DEBCAD 37.065.2568, em 27/12/2006, a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 ainda não existia. Quando da apresentação da impugnação, em 15/01/2007, a referida lei igualmente não havia sido publicada. Salientase que a Embargante equivocase quanto a data da protocolo da impugnação, vejamos: "A matéria está preclusa, pois a impugnação fora apresentada em 04/03/2011, data na qual a nova multa de ofício incidente sobre lançamento de contribuições previdenciárias já estava em vigor. Ou seja, tratase de matéria que já poderia, à época, ser aventada." (grifouse) Quando do julgamento da DRJ, em 16/05/2011, a a Lei nº 11.941/2009 já estava publicada e em vigor, não tendo, contudo, manifestado a DRJ em sua aplicação de ofício. O contribuinte, por sua vez, ao interpor recurso voluntário, em 05/08/2011, teceu argumentos requerendo a aplicação da Lei 11.941/09, por força do art. 106, II, alínea "c" do CTN (retroatividade benigna de lei mais benéfica). Deste modo, verificase, inclusive, que o contribuinte requereu na primeira oportunidade possível a aplicação da retroatividade benigna de lei mais benéfica. Assim, não seria possível que o contribuinte apresentasse tal pedido em impugnação, pois a lei sequer existia na referida data, conforme demonstrado. A DRJ poderia, no entanto, têla aplicado de ofício, por força da Portaria Conjunta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e a Receita Federal do Brasil PGFN/RFB nº 14 de 04.12.2009. Portanto, não há preclusão administrativa do pedido do contribuinte, realizado em recurso voluntário para que seja aplicável multa mais benéfica, em razão da retroatividade de lei mais benigna (art. 106, II, "c" do CTN), pois a legislação mais benéfica é Fl. 6609DF CARF MF Processo nº 36392.000165/200747 Acórdão n.º 2202003.763 S2C2T2 Fl. 6.610 7 de 24/05/2009, logo, posterior a data da ciência do lançamento (27/12/2006) e da apresentação de impugnação (15/01/2007). Saliento, por fim, que o análise do matéria "aplicação de multa mais benéfica" se deu por esta alegação constar entre as razões de recurso voluntário. Portanto, ser ou não a referida matéria de ordem pública é irrelevante para o caso em análise. Ante o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 6610DF CARF MF
score : 1.0
