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Numero do processo: 18336.001539/2005-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 26/10/2000
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA
EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM.
A preferência tarifária deve ser aplicada ainda quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional, desde que haja comprovação que a mercadoria objeto seja proveniente de país signatário do Acordo Internacional.
No caso vertente, constatou-se que os documentos emitidos demonstraram a correspondência, mantendo a rastreabilidade das operações, permitindo, de per si, identificar a origem da mercadoria. O que resta considerar como atendidas todas as condições estabelecidas pela legislação vigente e, por efeito, aplicar a preferência tarifária.
Numero da decisão: 9303-005.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. A preferência tarifária deve ser aplicada ainda quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional, desde que haja comprovação que a mercadoria objeto seja proveniente de país signatário do Acordo Internacional. No caso vertente, constatouse que os documentos emitidos demonstraram a correspondência, mantendo a rastreabilidade das operações, permitindo, de per si, identificar a origem da mercadoria. O que resta considerar como atendidas todas as condições estabelecidas pela legislação vigente e, por efeito, aplicar a preferência tarifária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 15 39 /2 00 5- 72 Fl. 323DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3201002.054, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 26/10/2000 ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no âmbito do Acordo da ALADI. Constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Recurso a que se dá provimento.” Fl. 324DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 317 3 Insatisfeita com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que: · Embora o Certificado de Origem traga explicitamente indicado como País exportador a Venezuela, fazendo referência expressa à fatura comercial de nºs 1214230, que teria sido emitida naquele país, ressalta o autuante que a fatura que de fato instruiu a DI, foi a Pfico PIFSB 1189/00, emitida pela empresa PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY Pifco, localizada nas Ilhas Cayman, estando referida empresa qualificada na declaração de importação em apreço como exportadora; · Independentemente de qualquer apreciação quanto à legalidade da operação realizada pela contribuinte, para efeito de fruição da redução tarifária prevista no Acordo da ALADI, constatase que há uma divergência documental relevante, uma vez que o certificado de origem traz informação discrepante com relação à fatura comercial apresentada e, por conseguinte, quanto ao país exportador da mercadoria, declarado na DI. · Com efeito, a certificação da origem é feita em função da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria, objeto de tratamento Tributário diferenciado por força de acordo internacional. Tanto assim, que o formuláriopadrão adotado para formalizar a mencionada certificação possui um campo próprio destinado a informação expressa do número da fatura a que se relaciona. Assim, o Certificado de Origem apresentado ampara exclusivamente a quantidade de mercadoria coberta pela fatura comercial nele indicada. · Cabe destacar que a finalidade única do Certificado de Origem é a de assegurar, por meio de uma declaração padrão, que as mercadorias objeto de intercâmbio, beneficiadas com os tratamentos preferenciais negociados, são efetivamente originárias e procedentes do país declarante, e que cumprem, obrigatoriamente, com os requisitos fixados entre as partes; Fl. 325DF CARF MF 4 · Assim, para fruição do tratamento tarifário previsto é necessário que tal declaração acompanhe a documentação de exportação, quando de sua apreciação para fins de desembaraço aduaneiro. Em Despacho às fls. 253 a 255, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo que, trouxe, entre outros: · Que não há divergência necessária à admissibilidade do recurso especial, eis que a concessão ou não do benefício nos autos dos pretensos acórdãos indicados como paradigmas foi essencialmente influenciada pela insuficiência de provas; · A triangulação comercial é prática internacional comum adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; · No ordenamento jurídico brasileiro, o Certificado de Origem é documento suficiente para a comprovação da origem da mercadoria importada de país integrante da ALADI – para fins de tratamento tributário favorecido; · Restou incontroverso que a mercadoria importada foi expedida diretamente da Venezuela para o Brasil. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que o recurso não deva ser conhecido, vez que não foi demonstrada a divergência jurisprudencial nos termos do art. 67 do RICARF/2015. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 318 5 Ora, no acórdão recorrido foi consignada a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 26/10/2000 ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no âmbito do Acordo da ALADI. Constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Recurso a que se dá provimento.” Ademais, consta do voto desse acórdão (Grifos meus): “[...] Registrese que o Certificado de Origem (efl. 21) indica como País exportador a Venezuela, fazendo referência expressa à mercadoria acobertada (querosene de aviação) pela fatura comercial de nº 1214230, que teria sido emitida naquele país. A fatura apresentada pelo importador, como documento de instrução da DI, foi a Pifco – fatura nº PIFSB1189/2000, anexada à efl. 22 emitida pela empresa PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY PIFCO, localizada nas Ilhas Cayman, país não signatário do ACE 39, estando referida empresa qualificada na respectiva DI como exportadora. Constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. No caso concreto, verificase que a Recorrente justificou, em sua defesa, a operação de triangulação comercial, na qual interpõe Fl. 327DF CARF MF 6 entre si e a PDVSA Petroleo y Gás, S.A. (PDVSA), a Petrobrás International Finance Company (Pifco), sendo essa a razão pela qual as invoices mencionadas no certificado de origem eram emitida pela PDVSA contra a Pifco, e não contra a Recorrente. A Pifco figurava como agente pagador da Recorrente, mas o destino das mercadorias sempre foi o Brasil, uma vez que a recorrente era a destinatária do querosene de aviação adquirido na Venezuela. Argumenta a recorrente que essa triangulação comercial é uma operação realizada rotineiramente por vários atores do comércio internacional, não havendo qualquer ilegalidade na referida prática. A questão que se põe, é se deve se sobrepor a verdade material quanto à origem da mercadoria importada, uma vez que esta não foi questionada, tendo sido negado o benefício da preferência tarifária, tendo em vista que o número da fatura comercial (1214230) indicado no campo reservado à declaração de origem diverge da fatura comercial que instruiu a DI, logo, às alegações fáticas da recorrente, e sendo o único fundamento para o lançamento a constatação de erros formais em certificado de origem decorrente da triangulação comercial por ela realizada, ou seja, divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo no âmbito da ALADI;dessa maneira, não há como prosperar o lançamento ora combatido.” Em síntese, vêse que resta claro que, no presente caso, prevaleceu a busca pela verdade material em relação ao apontamento da divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, eis que foi considerado pelo Colegiado que a indicação dessa divergência não prejudicou a verificação da certificação de origem e a procedência da mercadoria. O que conclui aquele Colegiado pela manutenção do regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo no âmbito da ALADI. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 319 7 No acórdão indicado como paradigma – 9303003.102, temse que O Colegiado afastou a preferência tarifária, conforme voto do relator: “[...] As importações efetuadas ao abrigo do benefício de redução tarifária entre os países membros da Aladi para gozarem do favor fiscal devem preencher todos os requisitos estabelecidos no respectivo acordo firmado pelos membros dessa Associação. Dentre esses requisitos apresentase como essencial a comprovação da origem da mercadoria, que, nas importações realizadas no âmbito da Aladi, a comprovação dessa origem dáse, exclusivamente, por meio do certificado de origem. Por conseguinte, O Fisco só pode reconhecer o direito ao favor fiscal quando a importação for realizada ao amparo de toda a documentação exigida. Sendo que o ônus probatório da regularização documental compete ao importador. Assim, a apresentação da documentação exigida, dentre esta o certificado de origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador. [...] Todavia as disposições acima não se aplicam à espécie dos autos, posto que, da documentação carreada aos autos, não se verifica a participação de um operador, nos moldes previstos na Resolução acima transcrita. A uma porque a falta de vinculação entre o certificado de origem e a fatura comercial ilide a prova da intermediação de um operador de terceiro país. A única evidência extraída da documentação juntada pela autuada é de que houve participação de sociedade empresária situada nas Ilhas Cayman, que fatura e exporta para o Brasil mercadoria, para a qual se pretende aplicar preferências tarifárias pactuadas entre este e a Venezuela, com base nos acordos firmados no âmbito da ALADI. A duas porque a alegada operação triangular não foi respaldada Fl. 329DF CARF MF 8 pelo certificado de origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação.” Sendo assim, nesse caso, vêse claro que não há divergência entre os arestos, eis que se entendeu o Colegiado do acórdão paradigma que: · A apresentação da documentação exigida, dentre esta, o certificado de origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador; · A operação triangular não foi respaldada pelo Certificado de Origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação Ou seja, da mesma forma que o acórdão recorrido que entendeu que os documentos comprobatórios atestando a origem da mercadoria é essencial, tanto que após análise dos documentos comprobatórios, considerou a aplicação da redução tarifária. Em vista de todo o exposto, por considerar que se tratam de entendimentos consonantes, entendo que não há que se conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Caso essa conselheira seja vencida quanto ao não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda, passo a analisar o cerne da discussão – – qual seja, se, no caso vertente, devese ou não aplicar a preferência tarifária percentual. Contrarrazões devem ser consideradas, vez que tempestivas. Vêse que tal discussão se resume se a preferência tarifária deve ou não ser aplicada quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional ou se, independentemente da r. interveniência, deve ser adotada se a mercadoria for remetida diretamente do país produtor – Venezuela, no presente caso para o Brasil. Em relação à essa discussão e depreendendose da análise dos documentos comprobatórios acostados nos autos desse processo, entendo que assiste Fl. 330DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 320 9 razão ao sujeito passivo. O que, por conseguinte, devese manter a decisão do acórdão recorrido. Ora, a preferência tarifária é dada pelo Acordo Internacional firmado entre os países signatários – permitindo a fruição da preferência a atos comerciais quando as mercadorias objeto da comercialização forem originárias dos países signatários. Tal Acordo, inclusive, permite a intermediação, desde que seja preservada a integridade da mercadoria. Tanto é assim que foi efetivamente prevista hipóteses de exceções no art. 4º, da Resolução ALADI/CR 78 – Regime Geral de Origem (RGO), aprovada pelo Decreto 98.836/90, in verbis: “CUARTO.Para que las mercancias originarias se beneficien de los tratamientos preferenciales, las mismas deben haber sido expedidas directamente del país exportador al país importador. Para tales efectos, se considera como expedición directa: a) Las mercancias transportadas sin pasar por el território de algún país no participante del acuerdo. b) Las mercancias transportadas en tránsito por uno o más países no participantes, com o sin transbordo o almacenamiento temporal, bajo la vigilancia de la autoridade aduanera competente em tales países, siempre que: i) el tránsito esté justificado por razones geográficas o por consideraciones relativas a requerimientos del transporte; ii) no estén destinadas al comercio, uso o empleo en el país de tránsito; y iii) no sufran, durante su transporte y depósito, ninguna operación distinta a la carga y descarga o manipuleo para mantenerlas en buenas condiciones o assegurar su conservación.” (Art. 40, “b”, (ii) da Resolução ALADI nº 78 – Regime Geral de Origem da Aladi) “Quarto – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter Fl. 331DF CARF MF 10 sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes com ou sem transbordo ou armanezamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: (i) o Trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos de transporte; (ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e (iii) não sofram durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação.” Tal dispositivo traz que se deve manter a preferência tarifária, quando preservada a origem da mercadoria importada, ou, quando menos, seja possível comprovar tal preservação de origem. Ademais, cabe trazer que pelos documentos analisados, embora tivesse ocorrido a triangulação comercial, as mercadorias foram transportadas diretamente da Venezuela para o Brasil. E a mercadoria foi originada da Venezuela, conforme atesta o Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria juntamente com a fatura emitida no país interveniente, conhecimento de embarque, acostados aos autos. O que, por conseguinte, não resta dúvida de que as mercadorias eram, procedentes da Venezuela e que, por óbvio, foram atendidos os requisitos para que a importadora se beneficiasse do tratamento preferencial. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 321 11 Vêse que, no que tange à aceitação dos documentos comprobatórios apresentados pelo sujeito passivo, a própria Receita Federal do Brasil traz orientação em seu site http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despachode importacao/topicos1/despachodeimportacao/documentosinstrutivosdo despacho/outrosdocumentos (Grifos meus): “Na importação de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, sua comprovação será feita por qualquer meio julgado idôneo, em conformidade com o estabelecido no correspondente acordo internacional (art. 563 do Regulamento Aduaneiro). Assim, quando solicitada aplicação de preferência tarifária, os despachos de mercadorias originárias de países signatários destes acordos devem ser instruídos com Certificados de Origem, emitidos por entidade competente.” Ou seja, de que a comprovação da origem da mercadoria deve ser feita por qualquer documento idôneo. O que é o caso, haja vista que a própria autoridade fazendária não contesta sua não veracidade/oficialidade. Essa orientação está em consonância com o art. 434 do Regulamento Aduaneiro aplicável à época (Decreto 91.030/85), in verbis: “Art. 434. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo. Parágrafo único – Tratandose de mercadoria importada de País Membro da Associação LatinoAmericana de Integração – ALADI, quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação.” Fl. 333DF CARF MF 12 O que, por conseguinte, é de se entender que não se deve descaracterizar as operações realizadas sob o pálio do tratamento tributário favorecido. E forçoso entender, assim, que as operações não atenderam ao disposto no art. 4º, letra “a”, da Resolução nº 78. Cabe, assim, concluir que os documentos emitidos e devidamente apresentados demonstram a correspondência da mercadoria e mantêm a rastreabilidade, permitindo identificar sem qualquer dúvida a origem da mercadoria. Pressuposto essencial para a aplicação da preferência tarifária. O fato de os produtos terem sido faturados em país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país membro efetivo da ALADI Venezuela. E a carga veio diretamente para o país. Não tendo sido registrada a primeira compra e a revenda somente porque o sistema SISCOMEX impede tais registros. No que tange à operação triangular, vêse ainda que a Resolução 232, promulgada pelo Decreto 2.865/98, passou expressamente a admitila. E a Resolução 252 manteve o mesmo regramento explícito em seu art. 9º, in verbis: “Nono – Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, Fl. 334DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 322 13 pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação.” Em vista de todo o exposto, considerando que todas as condições estabelecidas na legislação vigente foram observadas pelo sujeito passivo, visto a comprovação da origem das mercadorias. É fato incontroverso que Certificado de Origem indica como País exportador a Venezuela, fazendo referência expressa à mercadoria acobertada (querosene de aviação) pela fatura comercial de nº 1214230, que teria sido emitida naquele país. A fatura apresentada pelo importador, como documento de instrução da DI, foi a Pifco – fatura nº PIFSB1189/2000, anexada à emitida pela empresa PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY PIFCO, localizada nas Ilhas Cayman, país não signatário do ACE 39, estando referida empresa qualificada na respectiva DI como exportadora. É de se trazer que constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. E, no que tange à descrição, cabe insurgir com o art. 1º do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI (Grifos meus): “Primeiro – A descrição dos produtos incluídos na Declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições em vigor deverá coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI, e com a constante na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro.” Tal dispositivo é claro ao trazer que a descrição dos produtos deverá coincidir com o produto negociado e com a fatura comercial que acompanha os documentos apresentados – o que é o caso. Fl. 335DF CARF MF 14 Proveitoso ainda mencionar que tal entendimento está consoante às decisões judiciais emanadas sobre o assunto. Frisese a jurisprudência exarada pelo TRF 1 (Grifos meus): PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – AGRAVO REGIMENTAL – LIMINAR/TUTELA ANTECIPADA – IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – REDUÇÃO DA TARIFA EM RAZÃO DE ACORDO ENTRE PAÍSES MEMBROS DA ALADI – BENS COM ORIGEM E DESTINADOS A PAÍSES INTEGRANTES DA ALADI – TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO – BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO – PRECEDENTES. 1. In casu, é perfeitamente aplicável o disposto no art. 557, § 1ºA, do CPC, em face da manifesta sintonia da decisão agravada com a jurisprudência dominante neste eg. Tribunal e no colendo Superior Tribunal de Justiça. 2. Nessa perspectiva, "O art. 557, § 1ºA, do CPC, conferindo ao relator competência para dar provimento monocraticamente ao agravo, sem que isso signifique afronta ao princípio do contraditório, da ampla defesa, e/ou violação de normas legais, porque atende à agilidade da prestação jurisdicional, não se limita aos casos de prévia jurisprudência dominante ou súmulas das Cortes Superiores". (AGTAG 006897242.2009.4.01.0000/DF; Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma, Decisao de 23/02/2010, Publicado no eDJF1 de 12/03/2010, p. 465). 3. No caso vertente, o Juiz oficiante, ao justificar sua decisão, esclareceu que: "(...) encontramse nos autos cópias dos Conhecimentos de Transporte (Bills of Lading), que comprovam que os produtos foram embarcados da Venezuela e transportados diretamente para o Brasil." Com efeito, "Havendo"Certificado de Origen","Bill of Landing"e"Invoice"provando que o combustível importado é de origem venezuelana (país integrante da ALADI), despachado desse país diretamente para o Brasil (também integrante da ALADI), autorizase, em princípio, a redução da tarifa do Imposto sobre Importação , nos termos do Acordo de Fl. 336DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 323 15 Complementação Econômica n.º 39 (ratificado pelo Decreto 3.138, de 16 AGO 1999)". (AG 006762940.2011.4.01.0000 / PA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.1087 de 21/09/2012).” E, nesse sentido, a jurisprudência exarada pelo TRF5 (Grifos meus): “EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTACAO. APRESENTAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM. DOCUMENTO TIDO COMO INDISPENSÁVEL PELA NORMA FISCAL PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. RECONHECIMENTO DO TRATAMENTO DIFERENCIADO PELO DESPACHO ADUANEIRO. REVISÃO DO LANÇAMENTO POSTERIOR CALCADA EM FORMALIDADE EXARCEBADA SEM PREVISÃO EM LEI. IMPOSSIBILIDADE. 1. Embargos à execução visando afastar a cobrança de débito fiscal constituído por auto de infração lavrado com base no indeferimento da redução da alíquota do Imposto de Importação em 28% (vinte e oito por cento), incidente sobre produto originário da Colômbia em razão de benefício previsto nas regras inerentes à Associação LatinoAmericana de Integração ALADI. A Alfândega, num primeiro momento, examinou a documentação apresentada na Declaração de Importação, considerandoa hábil ao desembaraço aduaneiro com a redução da alíquota pretendida, o que resultou na liberação da mercadoria sem nenhuma questinamento. Depois, a Autoridade Fiscal procedeu à revisão do lançamento, com fundamento no art. 149, IV, do Código Tributário Nacional, considerando que o despacho de importação não se encontrava instruído com documento necessário, na espécie o original do Certificado de Origem. Fl. 337DF CARF MF 16 2. O Certificado de Origem é documento essencial à obtenção de tratamento fiscal diferenciado na importação, nos termos pretendido pelo ora apelante. 3. O art. 434 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, o qual vigia a época da importação, estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". O Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossível e nem indica qualquer vício que possa afastar a indoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. 4. Não é razoável a exigência feita pela Autoridade Fiscal para conceder o tratamento tributário diferenciado, uma vez que não há nenhuma cogitação de que o bem importado não adveio de país membro da ALADI, nem que o documento é inidôneo ou ainda que não se adequa ao modelo aprovado pela própria Associação. 5. A Alfândega já havia examinado a documentação apresentada na Declaração de Importação, concluindo, na ocasião, que havia preenchido os requisitos para concessão da redução da alíquota do imposto de importacao por ter a mercadoria origem de país membro da ALADI. 6. Se é verdade que o ato a revisão do lançamento goza de presunção relativa de legitimidade e veracidade, também é verdade que o primeiro ato da administração, que, ao proceder ao desembaraço aduaneiro, considerou correta a documentação apresentada, também o goza da mesma presunção. Desse modo, como não é questionado nos autos o fato de a mercadoria ter sido mesmo proveniente de país intergrante da ALADI (Colômbia), o contribuinte não pode ser prejudicado no caso em questão. 7. A Fazenda Nacional poderira ter trazido aos autos elementos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor (art. 333, II, do CPC), mas não o fez. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 324 17 8. Inversão do ônus da sucumbência. Honorários de sucumbência arbitrados em R$ 2.000,00, nos termos do art. 20, § 4º, do CPC. 9. Apelação provida. Tal decisão caminha junto com o meu entendimento – qual seja, de que o Regulamento Aduaneiro estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". E ainda traz que o Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossível e nem indica qualquer vício que possa afastar a idoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. É de se conferir ainda precedente do STJ (Grifos meus): “RECURSO ESPECIAL Nº 1.331.366 CE (2012/01334579) RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS ADVOGADO : CANDIDO FERREIRA DA CUNHA LOBO E OUTRO(S) DECISÃO Tratase de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO. 1 A PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ajuizou a presente ação de rito ordinário contra a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), objetivando a repetição de valores supostamente Fl. 339DF CARF MF 18 recolhidos a maior a título de Imposto de Importação, relativamente a operações de importação de produtos derivados do petróleo de origem venezuelana. Segundo afirma, a antiga SRC Secretaria da Receita Federal desconsiderou a existência do Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica n 027 (Decreto n. 1381, de 30/01/1995), celebrado entre o Brasil e a Venezuela, ao amparo do disposto no Tratado de Montevidéu 1980 e da Resolução 2 do Conselho de Ministros da Associação Latino Americana de Integração (ALADI), e o Acordo de Preferências Tarifárias Regional n' 04 (PTR04), assinado pelos países membros da ALADI, que reduziram a alíquota do Imposto de Importação para 12% (doze por cento). II O Acordo n 91 do Comitê de Representantes, em sua redação originária, assim como a Resolução n. 78, esta em relação à Venezuela, não vedava a compra de produto de país signatário com interveniência de terceiros, com a finalidade de se fazer a alavancarem financeira da operação de importação, e sem o trânsito efetivo da mercadoria por esse terceiro país. No caso dos autos, os produtos foram comprados pela PETROBRAS na Venezuela, revendidos a empresas subsidiárias (Petrobrás Intemational Finance Company PIFCO e Braspetro Oil Services Co. BRASOIL), localizadas em terceiro pais não integrante da ALADI, no caso Ilhas Cayman, sem que, entretanto, tenha sido efetivamente transitado por este país. III O fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRAS nas Ilhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da ALADI. IV Apelação provida. Repetição do indébito garantida, com atualização pela SELIC. Honorários advocatíciosfixados em R$ 2.000, 00 (dois mil reais). Os Embargos de Declaração foram parcialmente acolhidos, rejeitandose a alegação de prescrição. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 9303005.000 CSRFT3 Fl. 325 19 A recorrente sustenta, em Recurso Especial, violação do art. 535 do CPC, com base na não apreciação da matéria ventilada nos Embargos de Declaração. Aduz ofensa aos arts. 23, II e §§ 2º, II, e 4º, I, do Decreto 70.235/72 e 195 do DecretoLei 5.884/43. Memorial apresentado pelo recorrido. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 11.10.2014. A irresignação não merece prosperar. O Tribunal de origem, ao decidir a questão, consignou (fls. 636/STJ): No que tange à alegação de prescrição do direito de pleitear a nulidade do lançamento, assim como de requerer a repetição do indébito tributário, verificase que, de fato, o acórdão foi omisso, por se tratar de matéria sobre a qual deveria ter havido manifestação de oficio. A FAZENDA NACIONAL defende que, a PETROBRAS teria sido notificada do lançamento em 12/07/1999, razão pela qual somente poderia ter, ajuizado a ação pleiteando a nulidade do lançamento até 12/07/2004. Sem embargo, a cópia do AR Aviso de Recebimento (fi. 243), ao meu sentir, não é suficiente para comprovar a data da comunicação do lançamento do tributo, porquanto se encontra firmado por recebedor não identificado. Rejeito, pois, a alegação de prescrição da pretensão de anular o ato de lançamento. (Grifei). Extraise do excerto acima transcrito e dos termos do Recurso Especial que o acolhimento da pretensão recursal é obstado pelo disposto na Súmula 7/STJ, porquanto implica reexame dos elementos probatórios de regularidade da notificação. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 1º de abril de 2014. Fl. 341DF CARF MF 20 MINISTRO HERMAN BENJAMIN Relator” Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado Discordamos da il. Relatora. Entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido decidiu que, no caso examinado, a divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial não prejudicou a verificação da certificação de origem – daí entendeu aplicável o favor fiscal –, o acórdão recorrido, analisando idêntica operação de triangulação praticada pela mesma contribuinte, chegou a uma conclusão oposta, ou seja, que não era de se aplicar o benefício fiscal. A divergência, portanto, é patente. Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 342DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.720161/2008-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO.DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-005.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO.DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 61 /2 00 8- 76 Fl. 331DF CARF MF 2 Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial, fls. 302/311, interposto pela Fazenda Nacional, em face do acórdão nº, 2101002.549 julgado na sessão do dia 6 de março de 2015, pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, o qual deu provimento em parte ao recurso, para restabelecer a exclusão da tributação sobre a área de Reserva Legal averbada." A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 RESERVA LEGAL CONSTITUÍDA. TERMO DE RESPONSABILIDADE DE AVERBAÇÃO DE RESERVA LEGAL. Reconhecimento de Reserva Legal que tenha sido constituída e averbada com a participação do órgão ambiental na definição/aprovação das áreas. SIPT. PROVA CONTRÁRIA. O direito de prova do VTN informado na DITR é do contribuinte. Caso não exerça esse direito, aplicase o arbitramento, conforme o art.14 da lei Lei nº 9.393/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Na origem, trata o presente processo de Auto de Infração relativo a ITR, exercício 2005. por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$27.003,37, dos quais R$10.981,00 correspondem a imposto, R$8.235,75 a multa de ofício, e R$7.786,62, a juros de mora calculados até 31/10/2006. juros de mora calculados até 31/10/2006. Diante de tal lançamento, a Contribuinte apresentou impugnação de efls. 40/48, alegando a insubsistência do Auto de Infração. A 1ª Turma da DRJ de Brasília/DF, conforme acórdão nº 0322.385, de efls. 91/100, julgou procedente o lançamento. Intimado de tal decisão, houve a interposição de Recurso Voluntário, efls. 108/117, que foi julgado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, na sessão do dia 27 de outubro de 2011, sendo dado parcial provimento ao recurso voluntário Após a decisão que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de efls. 134/150, requerendo a reforma do acórdão recorrido para que seja restabelecida a decisão de 1ª instância. Acórdãos ns. 30130.475:e 30236.585, utilizados como paradigmas, apresentam as seguintes ementas: "ÁREA DE RESERVA LEGAL. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10120.720161/200876 Acórdão n.º 9202005.351 CSRFT2 Fl. 332 3 A Área do imóvel definida como de reserva legal so poderá ser considerada isenta se a averbação tiver ocorrido na data da ocorrência do fato gerador do ITR/97, e não em data posterior. Negado provimento por unanimidade". (Acórdão referente ao processo nº 10920.000964/0094) "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL TTR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada ha margem da inscrição de matricula do referido imóvel , junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior ã da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente. Nos casos de ''posse", o Termo de Compromisso de Averbação e Preservação de Florestas, celebrado com órgão ambiental estadual, substitui a averbação daquela Area, nos termos supraindicados, sujeitandose, contudo, ao mesmo limite temporal da referida averbação. JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA SELIC. O cálculo dos juros e mora com base na taxa SELIC está expressamente previsto no parágrafo 3Q, do artigo 61, da Lei n 9 9.430, de 1996, sendo que os mesmos incidem sobre todos os créditos tributários vencidos e não pagos. MULTA DE OFÍCIO. 0 art. 44, da Lei n9.430, de 1996, prevê a aplicação de multa de oficio nos casos em que o contribuinte não cumpre a obrigação tributária espontaneamente, tendo a mesma função punitiva. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO PELO VOTO DE QUALIDADE". Conforme despacho de efls. 154/157, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido, para que seja rediscutida a necessidade de prévia averbação no registro de imóveis e de apresentação tempestiva do ADA, para comprovação da área de Reserva Legal. O Contribuinte tomou ciência do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade do Recurso Especial, conforme o AR de folhas 165 não apresentou contrarrazões de folhas 167/171 requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 333DF CARF MF 4 Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual o conheço. Conforme Exame de admissibilidade de efls. 154/157, O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional pretende a rediscussão de uma matéria: (i) a necessidade de prévia averbação no registro de imóveis e de apresentação tempestiva do ADA, para comprovação da área de Reserva Legal. O contribuinte anexou aos autos documentos de processo junto ao IBAMA, datado de 10/05/2002 (anterior ao fato gerador), que trata de AVERBAÇÃO DE RESERVA LEGAL da propriedade Fazenda Bom Jardim, com área de 13.515,00ha Ao analisar o presente caso, a DRJ alegou que: " A área declarada de utilização limitada/reserva legal, integralmente glosada pela autoridade fiscal, além de estar averbada à época do respectivo fato gerador, deveria ter o requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental ADA, para fins de exclusão do ITR." Neste mesmo sentido, essa E. CSRF já se manifestou no acórdão 9202 005.124, razão pela qual adoto o posicionamento ali expresso. A questão controvertida diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: (...) Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. A Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro, prevê a obrigatoriedade de averbação da área de Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10120.720161/200876 Acórdão n.º 9202005.351 CSRFT2 Fl. 333 5 reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: (...) Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da necessidade de prévia averbação da reserva legal para fins de nãoincidência do Imposto Territorial Rural ITR. Bem como existência de ADA para reconhecimento da área como de preservação permanente. O argumento principal da Fazenda Nacional reside no fato de que para fins de isenção de ITR, a partir do exercício 2001, inclusive este, o ADA deve ser protocolizado no IBAMA no prazo de seis meses, contado do termo final para a entrega da respectiva DITR. Saliento que a partir de 2001, para fins de redução do ITR, a previsão expressa é a de que haja comprovação de que houve a comunicação tempestiva ao órgão de fiscalização ambiental, e que isso ocorra por meio de documentação hábil. Entendo aqui que a documentação hábil engloba um conjunto de documentos possíveis e não apenas o protocolo de ADA. A meu ver não é necessário que a averbação da reserva legal seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é o que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso considero equivocado o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis, posto que a averbação na matrícula do imóvel não é ato constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que tal área recebe. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Do mesmo modo, que no tocante a comprovação da existência da área de utilização limitada para fins de APP, a meu ver não é necessária única e exclusivamente por meio de ADA, pois adoto o entendimento de que existem outros documentos hábeis a esta comprovação. Isso é quanto ao direito. Passo agora a análise das provas. No caso dos autos, observo que o contribuinte apresenta ADA datado de 20.12.2005 e Laudo Técnico de dezembro de 2005, os Fl. 335DF CARF MF 6 quais considero como documento hábil para comprovação legal exigida em lei, mesmo para o exercício de 2002. Quanto a APP, saliento que no meu entendimento pessoal para configuração da área de preservação ambiental não é obrigatório que a comprovação da natureza da área se dê por meio da exibição de ADA, podendo esta ser feita por qualquer meio de prova. Contudo saliento aqui que a maioria do colegiado entende diferente, devendo para comprovação de APP o ADA ser anterior ao inicio da ação fiscal 26.05.2006 e para comprovação da área de reserva legal, que a averbação da área antes da data do fato gerador supre a inexistência do ADA. Assim entendo deva ser mantido o acórdão recorrido, pois a averbação da área de reserva legal antes do fato gerador supre a ausência de ADA para área de reserva legal, quanto a APP o ADA anterior ao inicio da ação fiscal pode ser aceito como documento hábil, servindo como comunicação a autoridade florestal ou ambiental. Diante de todo exposto nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 336DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.902739/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 39 /2 01 0- 95 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 16327.902739/201095 Acórdão n.º 1301002.304 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 16327.902739/201095 Acórdão n.º 1301002.304 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 232DF CARF MF Processo nº 16327.902739/201095 Acórdão n.º 1301002.304 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 16327.902739/201095 Acórdão n.º 1301002.304 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.902739/201095 Acórdão n.º 1301002.304 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.902739/201095 Acórdão n.º 1301002.304 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.902739/201095 Acórdão n.º 1301002.304 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 237DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.902761/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.343
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente COTRIL MOTORS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 61 /2 01 1- 56 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10120.902761/201156 Acórdão n.º 3301003.343 S3C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS NãoCumulativa – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de COFINS nãocumulativa, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.382. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10120.902761/201156 Acórdão n.º 3301003.343 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10120.902761/201156 Acórdão n.º 3301003.343 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10120.902761/201156 Acórdão n.º 3301003.343 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10120.902761/201156 Acórdão n.º 3301003.343 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 122DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721155/2014-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
USUFRUTUÁRIOS. TITULARES DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS PELA NUA-PROPRIETÁRIA DAS AÇÕES.
Em virtude da reserva de usufruto dos direitos econômicos, a titularidade dos rendimentos provenientes dos JCP é dos usufrutuários das ações, razão pela qual não há que se falar no reconhecimento de receitas dos JCP pela nua-proprietária.
USUFRUTO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
No caso dos rendimentos pagos ou creditados a título de juros sobre capital próprio, o legislador tributário deixou de atribuir ao instituto do usufruto efeitos tributários específicos, o que implica remeter o intérprete aos efeitos típicos decorrentes do direito privado.
Numero da decisão: 1402-002.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que votou por negar provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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TITULARES DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS PELA NUA PROPRIETÁRIA DAS AÇÕES. Em virtude da reserva de usufruto dos direitos econômicos, a titularidade dos rendimentos provenientes dos JCP é dos usufrutuários das ações, razão pela qual não há que se falar no reconhecimento de receitas dos JCP pela nua proprietária. USUFRUTO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. No caso dos rendimentos pagos ou creditados a título de juros sobre capital próprio, o legislador tributário deixou de atribuir ao instituto do usufruto efeitos tributários específicos, o que implica remeter o intérprete aos efeitos típicos decorrentes do direito privado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que votou por negar provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 55 /2 01 4- 44 Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.019 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (presidente). Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.020 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 1ª Turma da DRJ/POA em sessão de 28 de outubro de 2015 (fls. 918/935)1, que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve os lançamentos perpetrados pelo Fisco. Os autos de infração de IRPJ e CSLL estão assim lavrados (fls. 461/483): a) IRPJ b) CSLL DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo o TV (fls. 443/460), são estas as irregularidades apontadas pelo Fisco, conforme bem resumido no relatório da decisão recorrida, aqui adotado: 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.021 4 “O presente processo trata do pagamento de juros a título de remuneração do capital próprio. O interessado, acionista controlador do Itaú Unibanco Holding S/A., não registrou como receitas suas parte dos juros sobre o capital próprio pagos pela sociedade investida relativamente à totalidade das ações de propriedade do investidor. O interessado alega que os frutos de parte do investimento não lhe pertencem, uma vez constituído o usufruto em favor de terceiros. Relativamente às ações sobre as quais constituído o usufruto, somente restaria ao interessado a nuapropriedade. Por tal motivo, seria incabível o registro reclamado pelo fisco. Para os agentes do Estado, os juros sobre o capital próprio constituem receita do acionista. Essa, em apertada síntese, a questão ventilada nos autos. O trabalho fiscal apontou ser o interessado uma sociedade holding pura, porquanto seu objeto social exclusivo é “a titularidade e o exercício do controle acionário da sociedade denominada Itaú Unibanco Banco Múltiplo S.A. (“ITAÚ UNIBANCO”) a qual está inscrita no CNPJ sob o nº 60.872.504/000123, devendo manter, de forma direta e em caráter permanente, a propriedade de ações representativas de, pelo menos, 51% das ações com direito a voto de emissão do ITAÚ UNIBANCO.” (fl. 450). Assim, por sua natureza de holding pura, as receitas que poderiam ser auferidas pelo interessado são aquelas que remuneram o investidor, quais sejam a equivalência patrimonial, os dividendos e os juros sobre o capital próprio. No caso sob exame, o acionista/interessado não registrou parte das receitas a ele devidas em função de juros sobre o capital próprio pagos por investida (Itaú Unibanco Holding S/A.). Isso se deu em razão de pacto firmado com terceiros (usufruto), gerando uma situação denominada pela fiscalização como inusitada, porquanto a referida receita é intrínseca às atividades de uma holding pura (fl. 451). Os agentes do fisco indicaram afronta aos termos do art. 123 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN). Confirase o texto da lei: “Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.” O usufruto, uma convenção particular, não seria oponível à Fazenda Pública para fins de modificar a definição legal do sujeito passivo. Essa acusação toma por premissa a fixação do beneficiário dos juros sobre o capital próprio por via do art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, nos seguintes termos: “Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP.” Se o beneficiário dos juros sobre o capital próprio é o acionista, no caso das sociedades por ações, caberia ao acionista reconhecer essa receita e Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.022 5 tributála. Não seria possível, tendo em vista os termos do art. 123 do CTN, a transferência da receita para terceiro (usufrutuário) por meio de convenção particular, porquanto restaria modificado o sujeito passivo da obrigação tributária fixada em lei. Verifiquese os precisos termos do trabalho fiscal (fls. 451 e 457): “Fica claro que, para fins tributários, os contribuintes dos rendimentos advindos dos JCP pagos são os titulares, sócios ou acionistas da pessoa jurídica que efetua o pagamento. E não poderia ser diferente, afinal, como o próprio nome já diz, tratase de remuneração do valor investido pelos titulares, sócios ou acionistas.” “Portanto, para fins tributários, os contribuintes dos rendimentos advindos dos JCP pagos são os titulares, sócios ou acionistas da pessoa jurídica que efetua o pagamento, pois se trata de remuneração do valor investido pelos titulares, sócios ou acionistas. A lei atribui a sujeição passiva dos tributos incidentes sobre as receitas de JCP aos titulares, sócios e acionistas da pessoa jurídica pagante. Apesar da fiscalizada ter apenas a nua propriedade das ações gravadas conferida por meio de instrumento particular, era ela a acionista da pessoa jurídica que efetuou o pagamento e não as pessoas físicas e jurídicas usufrutuárias de direitos econômicos em razão de gravame. Portanto, no presente caso, o sujeito passivo dos tributos lançados é a fiscalizada, nos termos da lei, Desta maneira, as receitas dos Juros sobre o Capital Próprio deveriam ter sido registradas em sua contabilidade e oferecidas à tributação.” Diante desse cenário, a fiscalização requereu ao interessado o cálculo dos juros sobre o capital próprio passíveis de pagamento por ele, tendo em vista os limites fixados em lei (fl. 438). A resposta apresentada consta das folhas 439 a 442. Esses dados podem assim ser resumidos (fl. 448): Constam dos autos, também, os juros sobre o capital próprio deduzidos pelo interessado do seu resultado. Confirase: Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.023 6 Após isso, efetuou o cálculo do efeito tributário da omissão da receita atinente aos juros sobre o capital próprio repassados diretamente aos usufrutuários, levando em consideração os repasses informados pelo interessado à folha 164 dos autos. Confirase (fl. 459): Os excessos acima indicados configuraram os fatos geradores do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ fl. 462) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL fl. 475). Frente a esses fatos, houve a exigência de R$ 154.106.358,65 a título de IRPJ (fl. 461) e R$ 55.503.663,13 a título de CSLL (fl. 474). Tais valores, acrescidos de juros de mora e multa de ofício (75%), atingiram o total de R$ 423.031.862,78”. DA IMPUGNAÇÃO (fls. 649/665) Ainda lançando mão do relatório da decisão contestada, reproduzo a síntese da impugnação apresentada junto à Turma Julgadora de 1º Piso: “Inicialmente, o requerente relata a estruturação societária adotada pelo conglomerado financeira em função da unificação dos grupos Itaú e Unibanco. Confirase (fls. 650 e 651): “A estruturação da IUPAR – ITAÚ UNIBANCO PARTICIPAÇÕES S.A., ora impugnante, decorreu da associação entre os antigos controladores do Itaú (GRUPO ITAÚ) e os antigos controladores do Unibanco (GRUPO MOREIRA SALLES), em razão da qual houve: a) a unificação das atividades dos dois conglomerados financeiros, sob o controle indireto do ITAÚ UNIBANCO HOLDING S.A. (ITAÚ UNIBANCO HOLDING) e b) a unificação, nessa holding, de todo o quadro acionário das antigas instituições financeiras.” “Para essa finalidade é que foi estruturada a IUPAR – ITAÚ UNIBANCO PARTICIPAÇÕES S.A., ora impugnante, na qual os dois grupos aportaram ações votantes, de emissão do ITAÚ Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.024 7 UNIBANCO HOLDING, que totalizaram 51% do seu capital votante, sendo que o controle da IUPAR, Impugnante, foi partilhado entre os dois grupos, passando cada um a deter 50% do capital votante dessa companhia. Tendo em vista que a Impugnante se destinou apenas ao exercício do controle compartilhado do ITAÚ UNIBANCO HOLDING, sendo esse seu objeto exclusivo, suas acionistas integralizaram seu capital mediante aporte tãosomente da nuapropriedade e dos direitos de voto de parte das ações conferidas à Impugnante. Os direitos patrimoniais (ou seja, o direito ao recebimento de dividendos e juros sobre capital próprio) sobre essa parcela de ações do ITAÚ UNIBANCO HOLDING não foram transferidos para a impugnante, dada a reserva de usufruto feita pelas acionistas da Impugnante. Em resumo: a) a conferência de parte das ações ao capital social da impugnante contemplou apenas a nuapropriedade e o direito de voto, e não os referidos direitos patrimoniais; b) outra parcela de ações foi conferida sem a instituição do usufruto. Assim sendo, apenas em relação a essa segunda parcela, a Impugnante adquiriu a titularidade tanto dos direitos políticos quanto dos direitos patrimoniais.” Segundo o impugnante, a transferência exclusiva do direito de voto acima referida ocorreu em função do propósito do requerente, que é o controle político da sociedade Itaú Unibanco Holding S.A.. Parte dos acionistas do impugnante não transferiu o direito aos frutos das ações, mas somente a nuapropriedade dos títulos. Dessa forma, restou assegurado ao impugnante o exercício dos direitos políticos decorrentes da titularidade das ações, direito fundamental para o exercício do controle. O usufruto teria sido devidamente averbado nos termos do art. 40 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Como os frutos das ações pertencem aos acionistas do impugnante, incabível o registro dos juros sobre o capital próprio como receitas do requerente. Discorre, então, sobre os direitos daquele que é proprietário pleno de ações: dispor, votar e fruir. Trata do usufruto e aponta a possibilidade legalmente prevista da instituição do usufruto sobre ações. Diante disso, conclui (fls. 653 e 654): “23. Ou seja, o proprietáriopleno das ações pode (como ocorreu no caso concreto) aportar na companhia a propriedadenua das ações mais o direito de voto, reservando para si a propriedade fruto (traduzida no usufruto dos direitos patrimoniais: dividendos e juros sobre o capital próprio). 24. A companhia, ao distribuir lucros relativos às ações gravadas com o usufruto patrimonial, deve pagar os dividendos ou os juros sobre o capital próprio para os usufrutuários e não para os nu proprietários.” Alegou, também, a existência de razão econômica para a remessa apenas da nuapropriedade de parte das ações que forma o acervo de ações da sociedade Itaú Unibanco Holding S.A. em poder do impugnante: a Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.025 8 inexistência da necessidade de recursos financeiros elevados para a sua manutenção. Por se tratar de holding pura, não se faz necessário o desempenho de atividades estranhas a esse mister, que é, por natureza, pouco custoso. Destaca, nesse passo, que a operação engendrada pelos acionistas não foi questionada sob o ângulo da validade formal. Confirase (fl. 655): “32. Notese que, em nenhum momento, a Fiscalização questionou a validade formal ou jurídica da instituição do usufruto e tampouco cogitou de abuso, ou seja, não constituiu motivo da autuação a alegação de abuso de forma ou abuso de direito. 33. Embora seja sabido que não cabe à DRJ apreciar, in casu, tais aspectos, por não poder o órgão julgador inovar o lançamento, alterando o motivo da autuação, a Impugnante registra que a normalidade da forma e a regularidade do exercício do direito estão alinhados e em harmonia com a razão jurídica e econômica da instituição do usufruto.” Quanto à aplicação do art. 123 do CTN, o impugnante indica o conteúdo e o alcance da norma, colimando demonstrar que não se aplica ao caso dos autos. A norma estaria dirigida às convenções “que tenham por objeto a definição de quem será o responsável por pagar tal ou qual tributo” (fl. 655). O fisco não resta obrigado por essas convenções. Exige o tributo daquele que figura no pólo passivo da obrigação tributária consoante a lei. A convenção só pode ser válida entre as partes. As normas que fixam a responsabilidade pelo pagamento dos tributos são imperativas, não sendo viável o contorno da norma pela vontade dos particulares. O requerente, então, conclui seu raciocínio da seguinte forma (fls. 656 e 657): “46. Resulta evidente que o discutido art. 123 do CTN nada tem a ver com a criação do direito real de usufruto, como nada tem a ver com a transferência da propriedade de mercadorias, entre outros tantos negócios jurídicos mediante os quais se transferem ou se instituem direitos reais. 47. A aplicação do art. 123 do CTN não pode darse com abstração da titularidade dos bens, direitos ou frutos que componham a hipótese legal de incidência. 48. Obrigação tributária só nasce se e quando ocorrer fato gerador relativo ao bem ou direito ou frutos a eles pertinentes e será sujeito passivo quem mantiver com a situação concreta um dos vínculos previstos no art. 121 do CTN. Identificado esse sujeito passivo, é ele que não poderá ser substituído por outra pessoa, em razão de convenções particulares.” Como a legislação tributária não fixa o nuproprietário como sendo o sujeito passivo da obrigação tributária decorrente da incidência do IRPJ e da CSLL sobre o pagamento de juros sobre o capital próprio pagos ao usufrutuário de ações, não teria havido qualquer substituição no pólo passivo da eventual obrigação tributária por via de convenção Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.026 9 particular. Aquilo que não existe, não pode ser modificado. Verifiquese o raciocínio do impugnante (fl. 657): “Se o usufrutuário é a pessoa que realiza o fato gerador (recebimento de frutos do bem), a definição legal de sujeito passivo enlaça o usufrutuário e o art. 123 poderia repelir eventual convenção para transferir do usufrutuário para outra pessoa a condição de sujeito passivo da obrigação.” Sob o ângulo temporal, o requerente informa que jamais foi titular do direito sobre os frutos das ações, uma vez que as ações foram por ele recebidas já com o gravame do usufruto. Dessa forma, não se pode acusála de ter aberto a mão de rendimentos, porquanto jamais os teve. Assim, não se sustenta a tese de omissão de receita. Argumenta que o aporte de ações na impugnante fez aumentar a arrecadação, uma vez que parte das ações foi conferida com a propriedade plena. Esses tributos antes não existiam. No entender do requerente, a fiscalização agrediu a materialidade do fato gerador, porquanto lhe atribuiu receitas que pertenceriam a terceiros (usufrutuários). Apresenta, então, a seguinte conclusão (fl. 660): “70. Em suma, descabe fundamento à pretensão fiscal, dado que: a) os juros sobre o capital próprio nunca pertenceram à nua proprietária das ações; b) por isso mesmo, a impugnante, nua proprietária, não abriu mão de nenhuma receita que a ela pertencesse; c) sendo responsabilidade inerente as usufrutuárias, não cabe a aplicação do art. 123 do CTN (a não ser na hipótese – que não é a dos autos – de as usufrutuárias transferirem para outrem o ônus fiscal).” No que diz respeito aos termos do art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, refuta a acusação fiscal que indica o dever da companhia de pagar os juros sobre o capital próprio ao nuproprietário, uma vez que esse seria o acionista. A tese seria esdrúxula, porquanto o titular do direito de receber os juros seria o usufrutuário. Compara com outra situação para mostrar o equívoco: o inquilino que paga o aluguel para o usufrutuáriolocador, e não para o nuproprietário. Alega não haver sentido em eventual pagamento de aluguel ao nuproprietário. Efetivado o registro cabível do usufruto, a companhia deve efetuar o pagamento dos frutos (dividendos e juros sobre o capital próprio) ao titular do direito (usufrutuário). O registro foi provado durante a fiscalização e jamais restou questionado. E arremata (fl. 661): “78. Nem o art. 123 do CTN nem o art. 9º da Lei 9.249/95 permitem ignorar a realidade concreta, que foi a transferência (apenas) da nuapropriedade das ações para a IUPAR, com o direito de voto, e a permanência do direito patrimonial sobre essas ações com os acionistas da IUPAR.” Refere decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas a respeito do tema (Acórdão nº 2.765 da 2ª Turma), que reconhece os efeitos tributários do usufruto de ações. Confirase ementa: Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.027 10 (...) Cita também, em seu favor, o Parecer Normativo CST nº 16, de 14 de janeiro de 1972. A consulta objeto do ato trata de situação fática na qual dois doadores reservaram para si o usufruto de terras destinadas à exploração agrícola. Advindo a morte de um dos doadores, restou aplicada regra contratual segundo a qual a guarda e a administração dos bens ficaria a cargo do doador sobrevivente. Esse administrador assumiria o ônus tributário decorrente da exploração agrícola. Caberia ao doador sobrevivente repassar aos nusproprietários 50% dos rendimentos líquidos auferidos com a exploração agrícola. A administração tributária determinou que a receita auferida por cada um dos beneficiários (usufrutuário e donatários) fosse reconhecida nas respectivas declarações de rendimentos, bem como não ser oponível ao fisco a regra atinente ao ônus tributário, tendo em vista os termos do art. 123 do CTN. Confirase a parte final do ato administrativo: (...) Reclama, subsidiariamente, de erro no cálculo da exigência fiscal. O primeiro aspecto a considerar no cálculo seria a exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) formulada com base nos mesmo fatos que deram ensejo à presente autuação. Tais valores deveriam ter sido deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSL. O segundo aspecto a considerar diz respeito ao cálculo dos limites previstos no art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995. O contribuinte, em sua impugnação (fls. 665 e 666), reclama de equívoco fiscal na apuração desses limites. Requer a aplicação do disposto no art. 73 da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014. Apresenta o cálculo dos limites que entende corretos (fls. 739, 741, 743 e 745) em contraposição com aqueles informados no curso da fiscalização e utilizados na apuração dos tributos devidos (fls. 442, 441, 440 e 439). Solicita, em suma, a utilização de dados contábeis em consonância com a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, em especial após as alterações implementadas por via da Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Por fim, questiona a incidência de juros sobre a multa de ofício. Alega que a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prevê que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de multa de mora e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora, e não sobre o valor da multa de mora. Assim, se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, não cabe aplicar tais juros sobre a multa de ofício. Sustenta que o artigo 164 do CTN, ao tratar de crédito tributário, separa claramente tributo, juros de mora e penalidades. Igual distinção ocorre no artigo 161, caput, do CTN. Assim, não seriam aplicáveis à multa de ofício os juros de mora previstos no artigo 161 do CTN.” DA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA (fls. 764/766) Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.028 11 A Unidade Julgadora de 1º Piso determinou a realização de diligência com o fito de trazer maiores informações, em resolução assim resumida pela decisão recorrida: “O contribuinte, em sua impugnação (fls. 665 e 666), reclama de equívoco fiscal na apuração dos limites previstos no art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1976. Requer a aplicação do disposto no art. 73 da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014. Apresenta o cálculo dos limites que entende corretos (fls. 739, 741, 743 e 745) em contraposição com aqueles informados no curso da fiscalização e utilizados na apuração dos tributos devidos (fls. 442, 441, 440 e 439). Requer, em suma, a utilização de dados contábeis em consonância com a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, em especial após as alterações implementadas por via da Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Diante das alegações apresentadas, solicitase à unidade preparadora que, observado o disposto no art. 73 da Lei nº 12.973 de 2014, bem como no art. 59 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, identifique os limites previstos no art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995, e apure os efeitos desses limites sobre a exigência fiscal constante dos autos.” Determinação que foi atendida e cujo resultado encontrase assim resumido: “2. Esclareçase preliminarmente que o limite para os Juros sobre Capital Próprio utilizado nos lançamentos tributários constantes do referido processo foi fornecido pelo próprio contribuinte e auditado pelo AFRFB responsável pelos lançamentos, a partir dos dados contábeis disponíveis. 3. Estabelece o art. 73 da Lei n° 12.973 de 2014: Art. 73. Para os anoscalendário de 2008 a 2014, para fins do cálculo do limite previsto no art. 9° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a pessoa jurídica poderá utilizar as contas do patrimônio líquido mensurado de acordo com as disposições da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976. § 1º No cálculo da parcela a deduzir prevista no caput, não serão considerados os valores relativos a ajustes de avaliação patrimonial a que se refere o § 3° do art. 182 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976. § 2º No anocalendário de 2014, a opção ficará restrita aos não optantes das disposições contidas nos arts. 1º e 2º e 4º a 70 desta Lei. Conforme se constata, na redação do caput consta que "a pessoa jurídica poderá utilizar" (sublinhamos) e não que "deverá utilizar", ou seja, se a pessoa jurídica optou por não utilizar nos cálculos apresentados quando da fiscalização as contas de PL como disposto no caput, não caberia à fiscalização fazêlo. 11. Com base no PLIFRS, aplicando a TJLP e os "Ajustes de Valor Patrimonial", a empresa chegou aos seguintes valores de "Despesa Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.029 12 Máxima Dedutível de Juros sobre o Capital Próprio" (vide doe. 03, anexo ao doc. CRTUAF219/2015): 2009: 723.398.823,91 2010: 812.406.450,83 2011: 926.098.944,36 2012: 1.030.137.111,73 12. A aplicação dos limites acima à planilha constante do Termo de Verificação n° 02/2013.006570 resulta nos seguintes "excessos de dedução", que correspondem às bases de cálculo dos lançamentos tributários de IRPJ e CSLL, cabendo aos Srs. Julgadores a decisão sobre sua aplicação concreta ao caso em pauta:” Cientificada do resultado da diligência, a autuada não se manifestou. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 918/935) Analisando o litígio, a 1ª Turma da DRJ/POA considerou procedentes os lançamentos, mantendo a autuação, em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 Juros sobre o capital próprio. A lei é clara quanto ao destinatário do pagamento dos juros sobre o capital próprio, que é o titular, sócio ou acionista da pessoa jurídica pagadora. No caso de uma sociedade por ações, o pagamento deve ser feito ao acionista. O usufruto das ações não retira do nuproprietário a condição de acionista. O nuproprietário é o beneficiário dos juros sobre o capital próprio. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Não havendo, no lançamento objurgado, a incidência de juros sobre a multa de ofício, não se conhece do recurso quanto à matéria por falta de competência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO A recorrente foi cientificada do R. decisum em 04/11/2015 (fls. 940), e apresentou Recurso Voluntário em 27/11/2015 (fls. 942/962), reprisando em grande parte os Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.030 13 argumentos expostos na impugnação inicial, discorrendo longamente acerca do instituto do usufruto e sua aplicação ao caso concreto e, sequencialmente, rebatendo ponto a ponto a decisão recorrida, reafirmando a correção do seu procedimento e o equívoco do Fisco ao perpetrar os lançamentos. Combate a possível incidência de juros sobre a multa de ofício e conclui requerendo o provimento do recurso voluntário. DAS CONTRARRAZÕES DA PGFN A Fazenda Pública comparece aos autos (fls. 996/1013) pugnando pela correção do procedimento fiscal e da decisão recorrida, afastando, de forma pontual, todos os argumentos expressos pela recorrente no recurso voluntário. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Vencido Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.031 14 O Recurso Voluntário é tempestivo e a recorrente está corretamente representada (fls. 965/967), sendo dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Não há preliminares. Passo ao mérito. A discussão tem quatro tomos: i) o principal, que cuida de fixar se os JCP devem ser pagos/creditados aos proprietários das ações ou aos usufrutuários delas; ii) subsidiariamente, se os valores lançados (em outro processo) a título de PIS e COFINS deveriam ter sido deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL aqui apreciados; iii) ainda subsidiariamente, se o cálculo dos limites previstos no art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995 teria sido corretamente observado pelo Fisco na consecução dos lançamentos; e, iv) por fim, se incidiriam juros sobre a multa de ofício. Principio pelo ponto central da lide, ou seja, a quem devem ser pagos/creditados os JCP no caso de ações gravadas com cláusula de usufruto. A simples análise do tema já mostra o conflito de entendimento existente entre a recorrente e o Fisco, mais ainda porque a matéria não tem sido frequente neste Colegiado Administrativo, talvez pelo fato de poucos contribuintes terem lançado mão de procedimento semelhante ao que aqui se vê. Neste cenário, a última decisão disponibilizada a que se pôde ter acesso é datada de 21/10/2014, Acórdão nº 1103001.123, da 3ª Turma da 1º Câmara da 1º Sejul, ainda com a composição de seis Conselheiros, processo decidido favoravelmente ao sujeito passivo, por maioria de votos. Para melhor compreensão do tema, impende rever a evolução histórica dos JCP, ainda que de forma resumida. Já antecipadamente à sua entrada no mundo jurídico, ocorrida pela Lei nº 9.249, de 26/12/1995, art. 9º, autores de contabilidade faziam referência a uma forma de remuneração do capital, ressaltando, todavia (certamente tolhidos pela legislação tributária que, à época, interferia de forma desmedida na ciência contábil), sua não aceitação como “despesa”, esta entendida para fins fiscais. Nesse contexto, pouco antes da promulgação da mencionada Lei, A. Lopes de Sá e A. M. Lopes de Sá2, escreviam (destaques não são do original): “JUROS SOBRE CAPITAL – Valor que deve apresentar o interesse ou compensação do capital aplicado em uma empresa, e que, segundo 2 in “CUSTO” – Dicionário de Contabilidade – 9ª Ed. – São Paulo – Atlas, 1995 – pgs. 273/274) Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.032 15 algumas teorias, deverá ser incluído no custo de um produto (teoria de economistas e de raríssimos contabilistas); despesa figurativa que representa o valor que renderia um capital aplicado. A inclusão do valor dos juros sobre o capital como fator de custeio é bastante discutida ainda, por efeito de confusões que se estabelecem em nossa doutrina. Os juros sobre o capital não devem ser incluídos como fator de custo de operação, mas, apenas, extraordinariamente, para efeito de estudos de rentabilidade do capital e não de sua reditibilidade”. De se ver que o tema era quase um tabu, sendo entendido mais como um assunto afeto aos economistas que aos contabilistas, muito provavelmente pelo engessamento que a legislação tributária, mormente do IR, exercia sobre a Contabilidade e os profissionais da área. Muito a propósito: “A imputação dos juros sobre o capital próprio ao custo é matéria discutida em Contabilidade e a maior parte de nossos melhores autores concorda em não admitir tal como custo, pois julga que isto é mais um problema de Economia que de Contabilidade”.3 Nesse caminhar, foi necessária a devida permissão legislativa para que o assunto mudasse de cenário, ganhando a forma e a dimensão de hoje, o que se fez pela Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 9º, cuja redação atual é a seguinte: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, 3 ibidem – pg. 120 – destaque acrescido pela Relatoria Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.033 16 de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) § 9º. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 10. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 11. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) Importante verificar que o artigo 35 dispôs que referida Lei entraria em vigor a partir de 1º de janeiro de 1.996, oportunidade em que também passou a viger outro dispositivo (art. 10)4 que excluiu da tributação do IR, os lucros e dividendos calculados com base nos resultados das pessoas jurídicas, em quaisquer de suas formas de apuração (Lucros Real, Presumido ou Arbitrado). A conjugação destes dois dispositivos (arts. 9º e 10) mostra que a intenção do legislador foi a de permitir que os empreendedores e investidores nos capitais das empresas mantivessem tais investimentos nas próprias pessoas jurídicas de que participassem recebendo, em contrapartida, remuneração por tal aplicação, ao invés de buscarem tais frutos no mercado financeiro. Em outras palavras, os JCP nada mais são e representam, que a compensação do capital investido por alguém, pessoa física ou jurídica, em uma empresa. Nesta trilha, não só se isentaram os “lucros” da tributação, como se permitiu que sobre o Capital e outras contas do Patrimônio Líquido se calculassem e pagassem JCP aos detentores de ações, quotas ou participações societárias (ou mesmo empreendedores individuais) permitindo, ainda, a reaplicação de tais montantes ao próprio Capital, aumentando a base de cálculo dos Juros. 4 Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.034 17 Tudo isso sem olvidar que a lei trouxe uma tributação extremamente favorecida no caso de beneficiárias pessoas físicas (15% de IRRF, ao invés de 27,5% na Declaração de ajuste anual) e o fato de as pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Real poderem deduzir tais montantes das bases imponíveis de IRPJ e CSLL (geralmente 34%). Neste hiato, imprescindível lembrar o contexto existente no Brasil quando a Lei nº 9.249/1995 foi promulgada. Até 1995 existia no País a Correção Monetária dos Balanços (CMB), sistema pelo qual os saldos credores ou devedores da CMB (confronto entre contas do Ativo Permanente e Patrimônio Líquido), resultavam em, i) lucro inflacionário, sobre o qual o tributo devido poderia ser diferido para pagamento quando de sua realização, ou, ii) despesas, dedutíveis in actu. Extinta a Correção Monetária com o advento do Plano Real, a CMB foi também expurgada do sistema contábil e fiscal. Com isso, dado que às obrigações junto a terceiros, assim como às aplicações financeiras continuaram sendo imputados juros, com evidente desequilíbrio patrimonial e reflexos tributários caso as contas do Patrimônio Líquido não seguissem sendo igualmente atualizadas pelo mesmo critério, o legislador acenou com o surgimento da figura aqui analisada, ou seja, a dos Juros sobre o Capital Próprio, calculados com base na variação pro rata dia da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e sobre contas previamente definidas, permitindo a remuneração, a título de “juros”, ao sócio, acionista ou empreendedor individual. Surge daí a condição legal para seu pagamento, condicionada à existência de lucros antes da dedução dos próprios juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados, pagamento que a lei determina seja feito a titular, sócios ou acionistas (art. 9º, caput)5. Para melhor compreensão dos pressupostos ensejadores do nascimento dos Juros sobre o Capital Próprio no ordenamento jurídico, fundamental que se perscrute a exposição de motivos do Projeto de Lei nº 913/1995, origem do artigo 9º da Lei 9.249/1995 (atrás reproduzido), quando se perceberá que a intenção de permitir a dedução dos JCP do imposto de renda da pessoa jurídica que realiza o pagamento ou crédito dos Juros sobre o Capital Próprio foi baseada no princípio da isonomia, isto porque, antes da referida alteração legislativa, as pessoas jurídicas que possuíam capital financiado de terceiros, podiam deduzir os juros desse tipo de empréstimo da base de cálculo do imposto de renda, não havendo, entretanto, previsão legal para a mesma dedução no caso de investimento com capital próprio. Vejase o que diz a exposição de motivos do Projeto de Lei nº 913/1995 (depois Lei nº 9.249/1995) em relação ao artigo 9º: 5 Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.035 18 “A permissão da dedução de juros pagos ao acionista até o limite proposto [variação da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP], em especial, deverá provocar um incremento das aplicações produtivas nas empresas brasileiras, capacitandoas a elevar o nível de investimentos, sem endividamento, com evidentes vantagens no que se refere à geração de empregos e ao crescimento sustentado da economia. Objetivo a ser atingido mediante a adoção de política tributária moderna e compatível com aquela praticada pelos demais países emergentes, que competem com o Brasil na captação de recursos internacionais para investimentos”. O deputado Antonio Kandir, relator do PL nº 913/1995, destacou seu entendimento a respeito do que viria a ser o artigo 9º, da Lei: “A medida visa a estimular o autofinanciamento das empresas, pela redução da diferença de tratamento que a atual legislação confere ao capital próprio e ao capital de terceiros. Como se sabe, os juros sobre empréstimos (capital de terceiros) são dedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto de renda, enquanto os encargos implícitos sobre a parcela do capital próprio não podem ser deduzidos. Com isso, a empresa que se financia de formas preponderante com empréstimos de terceiros tem a vantagem comparativa com outra empresa do mesmo porte, que opera no mesmo setor, mas que prefira financiarse com capital próprio, pois que a primeira deverá pagar menos imposto de renda do que a segunda. (...) Os encargos implícitos sobre o capital próprio consistem no seu custo de oportunidade, vale dizer, no custo equivalente ao quanto renderia se aplicado no mercado financeiro”. O que o legislador buscou, portanto, foi criar um ambiente propício para que se aumentasse o autofinanciamento das empresas, gerando aumento em sua liquidez, sem endividamento, mediante a formação de capitais próprios, de seus acionistas ou sócios, em detrimento do uso dos empréstimos. Situação que se sintetiza na brilhante lição de Marco Aurélio Greco6 “Neste contexto é que aparece a figura das opções fiscais, que serão figuras criadas pelo ordenamento, propositalmente formuladas e colocadas à disposição do contribuinte para que delas se utilize, conforme a sua conveniência”. Postas estas premissas, podese afirmar que no Brasil o legislador optou por permitir uma forma mista de remuneração do capital para os investidores, a saber: i) dividendos; e, ii) juros sobre capital próprio, destacandose, TODAVIA, que essa divisão não é meramente acadêmica ou didática, pois dela resultam efeitos tributários diferentes, conforme se verá adiante. Esclareçase: ainda que tenham por fim remunerar o capital dos investidores, lucros e JCP têm contornos legais e tributários opostos, bem ao revés do entendimento de alguns de que os JCP possuem natureza de dividendos. Sobre os efeitos tributários antagônicos dos JCP e dos dividendos, a definição da Procuradora Federal Tarsila Ribeiro Marques Fernandes em artigo apresentado na rede mundial de computadores no dia 05/06/20137 é extremamente pertinente: 6 Planejamento Fiscal e Interpretação da Lei tributária – Dialética – 1998 – São Paulo. 7 Tarsila Ribeiro Marques Fernandes – Procuradora Federal Graduada em Direito pela UFPE – PósGraduada em Direito Público – artigo disponível no site www.conteudojuridico.com.br Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.036 19 “Os dividendos são uma parte dos lucros de uma empresa que é dividida entre os acionistas. Nesse sentido, pessoas, físicas ou jurídicas, que possuem ações, títulos ou fundos mútuos, podem receber dividendos de tais investimentos. Cabe esclarecer que tanto os dividendos quanto os juros sobre capital próprio são formas de remuneração do investidor, com uma grande diferença tributária, uma vez que o pagamento dos dividendos não confere à pessoa jurídica o direito à dedução do imposto de renda, uma vez que há isenção do imposto de renda para o beneficiário. (...) Quaisquer valores pagos a título de dividendos como forma de remunerar os acionistas não são tributados, razão pela qual os investidores recebem integralmente os valores distribuídos (...) diferentemente do que acontece no Brasil em relação aos juros sobre capital próprio, que é considerado, como visto anteriormente, um custo dedutível da apuração do seu lucro real para fins de tributação do imposto de renda”. Dizendo de modo mais claro, lucros e dividendos estão fora da tributação do IR quando distribuídos, os JCP submetemse a toda uma sistemática de imposição tributária (na fonte, de forma exclusiva, quando os recebedores forem pessoas físicas), como antecipação, se beneficiários pessoas jurídicas, além de seu caráter de dedutibilidade na fonte pagadora (PJ com regime de tributação pelo Lucro Real). Resumidamente podese afirmar com segurança que: i) lucros e dividendos significam a participação do sócio/acionista/empreendedor individual no resultado positivo da atividade empresarial; e, ii) JCP revestemse de nítidos e indiscutíveis contornos de “remuneração do capital investido dos acionistas/sócios”, ou, no dizer do deputado Antonio Kandir, relator do Projeto que se transformou na Lei nº 9.249/1995: “os encargos implícitos sobre o capital próprio consistem no seu custo de oportunidade, vale dizer, no custo equivalente ao quanto renderia se aplicado no mercado financeiro”. Nesta linha é que o Código Civil de 2002, por seu artigo 1.0078 ÚNICA E TÃO SOMENTE cuidou de permitir que os lucros pudessem ser distribuídos de forma desigual às participações dos sócios/acionistas no capital, NÃO FAZENDO QUALQUER REFERÊNCIA EM RELAÇÃO AOS JCP (sempre lembrando que, quando da promulgação da Lei nº 10.406/2002, os JCP já existiam no ordenamento legal há sete anos, de modo que, se fosse intenção do legislador equiparar ambos institutos, o teria feito naquela oportunidade). 8 Art. 1.007. Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.037 20 Contextualmente, enquanto o Código Civil permite distribuição desproporcional dos lucros, os Juros sobre o Capital Próprio, por sua nítida natureza compensatória do investimento realizado e seu claro caráter de “custo de oportunidade”, só podem ser calculados sobre o Capital e na EXATA PROPORÇÃO da participação dos investidores no referido capital, sob pena de completo desvirtuamento do instituto. Mal comparando, mas bem comparando, imaginese uma sociedade de dois sócios, “A” e “B”, na qual o primeiro detenha 20% do capital e o segundo os restantes 80%. Se ambos deliberarem que os JCP serão pagos meio a meio, ou seja, 50% para cada um, como é que “A” (que só tem 20%) poderá habilitarse a receber 50% de juros sobre o capital próprio se o capital próprio que possui é apenas 20%? Como poderá receber juros sobre um capital que não detém?! Um verdadeiro absurdo sob o ângulo da própria lógica jurídica e cotidiana. Pois bem, feitas estas digressões, vejamos como se comportariam tais premissas no caso de o beneficiário do pagamento ou crédito dos JCP não ser o proprietário das ações, mas o usufrutuário delas. Que o usufruto é matéria afeta ao Direito Civil e frequenta nosso ordenamento jurídico há mais de uma centena de anos (cf. Código de 1916), é absolutamente pacífico. Que, como largamente assentado pela recorrente, o usufruto se constitui em direito real (Código Civil de 2002, artigo 1.225, IV), também induvidoso. Como é induvidoso que o usufruto pode recair sobre bens móveis ou imóveis, de um patrimônio inteiro ou parte dele9, que se estende aos acessórios da coisa e seus acrescidos10 e que sua transferência não se pode dar por alienação, sendo lícito cederse seu exercício por título gratuito ou oneroso11. Certo ainda que o usufrutuário tem direito à posse, uso, administração e percepção dos frutos (CC/2002, artigo 1394) e, em caso de título de crédito com usufruto, o detentor do usufruto terá direito a perceber os frutos e a cobrar as respectivas dívidas (ibidem, artigo 1395). Com este cenário estampado parece ter razão a recorrente quando pugna, exaustivamente, que os beneficiários dos JCP pagos/creditados seriam os usufrutuários e não os proprietários das ações, de modo que os lançamentos exigindo o reconhecimento da receita na contribuinte autuada não fariam sentido e, por isso, deveriam ser cancelados. 9 Código Civil – Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Art. 1.390. O usufruto pode recair em um ou mais bens, móveis ou imóveis, em um patrimônio inteiro, ou parte deste, abrangendolhe, no todo ou em parte, os frutos e utilidades. 10 Art. 1.392. Salvo disposição em contrário, o usufruto estendese aos acessórios da coisa e seus acrescidos. (ibidem) 11 Art. 1.393. Não se pode transferir o usufruto por alienação; mas o seu exercício pode ceder se por título gratuito ou oneroso. (ibidem) Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.038 21 Em que pese a sempre brilhante argumentação do patrono da recorrente em todas as peças que produz, ouso dela discordar. É certo, como dito antes, que ao usufruto e aos usufrutuários aplicamse as normas expressas na legislação civil. Também é certo que, na forma dos artigos 109 e 110 do CTN12, os princípios gerais de direito privado podem ser utilizados no âmbito do direito para pesquisa de definição, conteúdo e alcance dos seus institutos, conceitos e formas, “mas não para definição dos respectivos efeitos tributários” e que a legislação tributária “não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado” e, desta forma, “definir ou limitar competências tributárias”. Todavia, e aí me parece residir a grande divergência de raciocínio entre as partes em combate, não houve por parte do Fisco, como quer fazer entender a recorrente, uma interpretação equivocada da legislação tributária, ao contrário, a Autoridade Fiscal única e tão somente assumiu legislação própria e específica da seara tributária (e não de natureza civil), aplicandoa ao caso concreto. Ou seja, não desvirtuou nem modificou nem alterou conceitos e formas de direito privado para imputar obrigações tributárias. Exatamente ao inverso. Os conceitos eram fechadamente de matéria fiscal, expressos na Lei nº 9.249, de 1996, de modo que impensável supor que a lei civil (direito privado), por um de seus institutos, “usufruto” possa ser fundamento para afastar regra de natureza específica e voltada ao Direito Tributário (ramo de direito público). Isso porque, como antes já relatado, os JCP surgiram no Brasil com cunho estritamente fiscal, tanto que sequer dele cuida a lei societária (Lei nº 6.404/1976), sempre lembrando que a lei nº 9.249/1996 (JCP) foi editada 20 anos após a dita Lei das S/A que, diga se, já sofreu inúmeras alterações, ampliações e revogações, sem que JAMAIS este tópico tenha sido a ela incorporado pelo legislador. Em síntese, como bem apontado pela Procuradoria Fazendária em suas contrarrazões, “os JCP não estão previstos em normas de direito privado, mas em norma específica tributária” (fls. 1009), de forma que se está diante de um instituto com faceta exclusiva do Direito Tributário, impondo concluir que, regidos os JCP unicamente pelo art. 9º da Lei nº 9.249, de 1996, encontramse a salvo de que um instituto privado possa vir a lhes modificar o regime jurídico tributário. Mais a mais, o fato de a Lei nº 6.404/1976 fazer referência ao usufruto e permitir pagamento de dividendos aos usufrutuários de ações em nada modifica o quadro aqui estampado, muito ao contrário o reforça, isto porque na referida lei só se tratou de dividendos, em nenhum momento de “juros sobre capital próprio”. 12 Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.039 22 Enfaticamente, “os juros sobre o capital não ostentam o mesmo caráter jurídico dos dividendos” (Edmar Oliveira Andrade Filho). Ainda nas palavras do renomado autor, “aqueles remuneram os investidores em razão da indisponibilidade dos recursos enquanto os dividendos os remuneram pelo sucesso do empreendimento”.13 (negritouse). Fábio Konder Comparato14 leciona: “Os juros calculamse sobre quantia fixa (principal), em função do tempo decorrido. Os dividendos, embora calculados sobre quantia fixa, só podem ser pagos com os resultados positivos obtidos na exploração empresarial, resultados esses cuja variação não está ligada à fluência do tempo”. Para Umberto Navarrini e G. Fagella (in “Das Sociedades Comerciais – v.2 – Rio de Janeiro – José Konfino – 1950 – fls. 532 – citado por Edmar Oliveira Andrade Filho obra citada – fls. 448): “A oposição entre dividendos e juros é aqui marcada de maneira decidida: os primeiros representam o lucro da sociedade, os outros deveriam representar a compensação pelos riscos que os sócios correm”. Ou seja, SEMPRE E SEMPRE, os juros remuneram o capital investido pelos acionistas, sócios ou empreendedor individual. Os dividendos são parte do lucro obtido. Para que estes existam é necessário que o resultado seja positivo. Para que aqueles sejam pagos/creditados, basta a existência de valores positivos no Patrimônio Líquido da sociedade sobre o qual serão calculados. Se os dividendos têm previsão na norma societária (por exemplo, artigos 26, 42, 111, 118, da Lei nº 6.404/1976) e o usufruto e usufrutuário são destacados no mesmo diploma legal (artigos 40, 114) e, mais especificamente ainda, o artigo 205 prevê pagamento de dividendos a usufrutuários15, na legislação que cuida dos JCP (Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995) não se vê UMA ÚNICA CITAÇÃO, por mínima que seja, de que os juros possam ser pagos a “usufrutuários”. Muito diversamente, a redação do artigo 9º é claríssima no sentido de determinar a remuneração do investidor que aportou recursos na pessoa jurídica, ou seja, aquele que retirou recursos próprios e, acreditando no empreendimento do qual participa, deixou de aplicálo em outros investimentos e carreouos à própria empresa. Vejase (destacado): Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, 13 Edmar Oliveira Andrade Filho – in Imposto de Rendas das Empresas – 10ª Ed. Atlas – SP – 2013 – fls. 447/448 14 Direito Empresarial – São Paulo – Saraiva – 1990 fls. 164165) 15 Art. 205. A companhia pagará o dividendo de ações nominativas à pessoa que, na data do ato de declaração do dividendo, estiver inscrita como proprietária ou usufrutuária da ação. Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.040 23 sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. Na trilha da jurisprudência deste Colegiado (Ac. n° 10196.692) IRPJ — JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO — Os juros sobre capital próprio investido pela sociedade em outra empresa não têm natureza de lucro ou dividendo, mas de receita financeira. Regime jurídico tributário diferenciado. Os juros recebidos em decorrência de aplicação capital próprio em outra pessoa jurídica compõem a base de cálculo do IRPJ. (grifamos) Foi vista antes, a exposição de motivos que compôs o PL nº 913/1995, posteriormente Lei nº 9.249/1995. Vejase abaixo a exposição de motivos quando da conversão do PL na própria Lei: 10. Com vistas a equiparar a tributação dos diversos tipos de rendimentos do capital, o Projeto introduz a possibilidade de remuneração do capital próprio investido na atividade produtiva, permitindo a dedução dos juros pagos aos acionistas, até o limite da variação da Taxa de Juros de Longo prazo TJLP; compatibiliza as alíquotas aplicáveis aos rendimentos provenientes de capital de risco àquelas pela qual são tributados os rendimentos do mercado financeiro; desonera os dividendos; caminha na direção da equalização do tratamento tributário do capital nacional e estrangeiro; e revoga antiga isenção do imposto de renda incidente sobre a remessa de juros para o exterior, prevista no Decreto Lei nº 1.215, de 1972 (arts. 9º a 12, § 2º do art. 13, art. 28, e inciso I do art. 32), a fim de que não ocorra qualquer desarmonia no tratamento tributário que se pretende atingir. Igualandose, para esse fim, o aplicador nacional e estrangeiro. 11. A permissão de dedução de juros pagos ao acionista, até o limite proposto, em especial, deverá provocar um incremente das aplicações produtivas nas empresas brasileiras capacitandoas a elevar nível de investimentos, sem endividamento, com evidentes vantagens no que se refere à geração de empregos e ao crescimento sustentado da economia. Objetivo a ser atingido mediante a adoção de política tributária moderna e compatível com aquela praticada pelos demais países emergentes, que competem com o Brasil na capacitação de recursos internacionais para investimento. O Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar o Recurso Especial nº 1.169.202 – SP, que tratou do direito de voto relativamente a ações objeto de usufruto vidual (usufruto em função de herança), adotou posição que não destoa da acima esposada. Confirase excerto do voto da Ministra Nancy Andrighi: “(...) Acrescentese a isso o fato de que o nuproprietário permanece acionista, inobstante o usufruto, e sofre os efeitos das decisões tomadas nas assembléias em que o direito de voto é exercido”. (grifouse) Em resumo, pela literal definição do artigo 9º, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, os JCP devem se pagos ao acionista. Mesmo que constituído o usufruto sobre as ações, o nuproprietário permanece sendo o acionista. É a ele, então, que devem ser pagos os juros, tendo em vista a relação jurídica travada no âmbito tributário. Não ao usufrutuário. Neste momento, permitome voltar aos dizeres dos artigos 109 e 110 do CTN, olhandoos agora sob novo enfoque. Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.041 24 Se não é permitido subverter as normas, conteúdo e alcance dos institutos de direito privado (Direito Civil) para definir os respectivos efeitos tributários e se a legislação tributária “não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado” para “definir ou limitar competências tributárias”, a mão inversa sofre a mesma ou até maior restrição, digase, não é possível, como quer a recorrente, ampararse em conceitos e definições de caráter privado (usufruto e usufrutuários) para obter um benefício que a lei fiscal, ou seja, lei tributária, NÃO CONCEDEU. Ora, como exaustivamente visto, os JCP não fazem parte do arcabouço de normas de direito privado, mas, sim, norma de específica vigência na área tributária, ou seja, a celeuma envolve instituto exclusivo da esfera do direito tributário, de tal forma que regidos exclusivamente pelo que foi disposto no art. 9º da Lei nº 9.249, de 1996, não se permite que instituto de natureza privada possa modificar seu regime jurídico. Por todos estes pontos, plenamente relevantes e pertinentes a remessa ao artigo 123 do CTN (ratificada pela decisão recorrida), posto que aplicável tal dispositivo ao caso sob análise, valendo registrar os argumentos expressos pelo voto condutor do acórdão recorrido acerca da matéria: “Sobre a aplicação da norma constante do art. 123 do CTN ao caso dos autos, o impugnante a entende equivocada. Defende que os juros sobre o capital próprio consistem em direito do usufrutuário. Os juros a ele pertenceriam desde o pagamento ou crédito inicial. Dito de outra forma, não teria havido a transferência do encargo fiscal. Consoante já demonstrado à saciedade, a lei tributária determina o contrário, ou seja, que o pagamento ou crédito dos juros se dá em favor do acionista, que é o nuproprietário. Dessa forma, a operação engendrada pelo impugnante redundou na transferência do encargo fiscal do sujeito passivo legalmente eleito (acionista/nuproprietário) para terceiro (usufrutuário). Passo seguinte é a interpretação da regra insculpida no art. 123 do CTN.Seria a regra circunscrita às convenções que tenham por objeto a definição de quem será o responsável pelo pagamento do tributo? Ou também seria aplicável às convenções que não tivessem esse objeto de forma explícita, mas que atingissem o efeito da transferência do encargo fiscal? Entendo que a segunda hipótese é aquela que consta da regra. Repriso a norma: “Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.” A meu juízo, a expressão “relativas à responsabilidade” deve ser entendida como “relacionadas com a responsabilidade”. O fim colimado pela norma é vedar que ajustes privados alterem a definição legal do sujeito passivo. No caso do autos, a convenção particular (usufruto) não possui por objeto específico a responsabilidade pelo pagamento, mas imprime alteração na sujeição passiva, segundo o entendimento do impugnante (os juros sobre o capital próprio pertencem ao usufrutuário Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.042 25 desde o seu pagamento ou crédito inicial). Sob esse ângulo, a aplicação do art. 123 do CTN ao caso dos autos se apresenta correta”. Resumindo, é impensável que uma norma cogente e de observância compulsória, advinda do Poder Público, possa ter seus contornos e responsabilidades alteradas meramente por uma convenção entre partes privadas e assim modificar o sujeito passivo previamente fixado por lei. No caso concreto, a se aceitar tal tese estarseia modificando o sujeito passivo eleito pela lei fiscal (Lei nº 9.249/1995), ou seja, o ACIONISTA, proprietário das ações, substituindoo pelo “usufrutuário”, figura jurídica advinda do direito privado e não citada na norma legal em momento algum. Em síntese, nenhuma convenção ou negócio entre particulares pode servir como fundamento para alterar o que foi definido na legislação tributária. O entendimento dado pela recorrente à matéria levaria à substituição da sujeição passiva tributária, em clara violação ao que dispõe o art. 123 do CTN e art. 9º da Lei nº 9.249, de 1996. Seria o mesmo que aceitar, por exemplo, que um acordo de natureza privada pudesse determinar ao Poder Público Municipal que lançasse o IPTU de um imóvel contra o “inquilino” deste imóvel e não contra o “proprietário”, só porque no contrato de locação estaria definido que o ônus financeiro deste tributo correria por conta do citado inquilino. Claro que este tipo de contrato existe e é bem comum (o inquilino arcar com o ônus do IPTU do imóvel alugado), mas ele só tem valor entre as partes, ou seja, o morador geralmente reembolsa o montante do imposto ao proprietário que faz o pagamento do tributo ao município, na qualidade de contribuinte que é. Ou seja, o IPTU é lançado contra o proprietário e não em desfavor do inquilino, não sendo possível alterarse o sujeito passivo eleito pela lei, posto que inadmissível opor acordo de cunho privado aos ditames da legislação tributária, conforme literal disposição do artigo 123 do CTN. Por fim, entendo carecer razão à recorrente quanto às alegações de que o Fisco teria questionado a criação da empresa IUPAR ou que o usufruto sobre as ações tenha sido feito irregularmente. Na verdade, o que o Fisco questionou foi a interpretação das normas tributárias pela autuada, com a consequente apuração dos tributos que a contribuinte estava obrigada a recolher aos cofres públicos, tidos como feitos de modo irregular, jamais interferir em procedimentos de natureza privada e privativa do sujeito passivo. Em linguajar diverso, o que a Autoridade Fiscal suscitou foram os efeitos tributários que a contribuinte pretendeu conferir às receitas provenientes de JCP. Neste eito, absolutamente irrelevante a afirmação da recorrente de que “se os acionistas não tivessem aportado ações na Recorrente, os tributos que o Fisco perceberia seriam menores” (RV – fls. 955 – destaque no original). Não se trata de que os tributos devidos e recolhidos sejam “maiores” ou “menores”. Tratase, sim, da correta aplicação da norma jurídica. Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.043 26 Neste panorama, por tudo o que se viu até agora, é possível chegarse à inevitável pergunta: “Os usufrutuários das ações, acionistas da recorrente, estariam impedidos, de receber os benefícios dos JCP?” Ou, mudando os dizeres do questionamento, “pode o Fisco intrometerse em contratos de natureza estritamente privadas e celebrados por particulares, desqualificandoos?” Em ambos os casos a resposta, certamente, é NÃO! O que o Fisco pode, sim, é exigir, à vista da estrita obediência aos regramentos legais que permeiam a legislação tributária, que tais pagamentos de JCP – exclusivamente sob o ângulo do direito fiscal, sejam à referida legislação subordinados. Só isso. Não se trata de invasão indevida a atos praticados por particulares e contratos de natureza privada, mas de submeter tais acordos aos perímetros da lei. Concretamente, nada, mas nada mesmo! poderia impedir que os acionistas da IUPAR fossem remunerados pelo pagamento de JCP, mas não na categoria de “usufrutuários” como pretendido, recebendo pagamentos feitos pela empresa da qual a IUPAR é a acionista (e não eles, usufrutuários), no caso, Itaú Unibanco Holding S/A, mas, sim, recebendo os benefícios dos juros quando pagos pela recorrente, IUPAR, na qualidade de acionistas que são desta sociedade e não daquela (Itaú Unibanco Holding S/A) . Neste cenário, a recorrente receberia, como acionista que é da Itaú Unibanco Holding S/A, os JCP pagos pela sua investida e, subsequentemente, se entendesse viável, calcularia e pagaria juros sobre o capital próprio para seus acionistas (no caso, as pessoas físicas/jurídicas) que compõem sua estrutura societária, e aí não mais como USUFRUTUÁRIOS, mas como ACIONISTAS. Esquematicamente: 1. Itaú Unibanco Holding S/A pagaria JCP à sua acionista IUPAR 2. IUPAR pagaria JCP a seus acionistas pessoas físicas/jurídicas Neste fotograma simbólico, o Fisco não poderia impedir, criar obstáculos ou impor óbices ao procedimento. Com este singelo e elementar procedimento estariam atendidas as legislações fiscais e societárias e o questionamento do Fisco inexistiria. Assumindo postura diferente, ainda que por razões de manter o controle das decisões na empresa investida (o que é bastante lógico sob o ponto de vista societário), tenha sido engendrada toda a engenharia que estampa sua estrutura social, a verdade é que acabou por atrair para si o ônus de enfrentar a legislação fiscal, visto ter esta outra dimensão além das que se relacionam com o direito privado, exatamente por envolver o interesse público. Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.044 27 Neste patamar, reforcese, ainda que sob o enfoque civil, comercial e societário não haja o que opor ao acordado e decidido pela recorrente em sua vida social privada, debaixo da ótica fiscal o regramento tem outra configuração, tanto que permitiu à Autoridade Fiscal perpetrar os lançamentos ora analisados. Voltando um pouco atrás, tivesse a recorrente procedido como assentado neste voto, digase, tivesse ela tivesse recebido os JCP da investida (Itaú Unibanco Holding S/A) e posteriormente pago os JCP a seus acionistas (agora não mais como usufrutuários) e nada seria questionado. Ocorre que, na verdade, este modus operandi traz um “problema”: aumento da carga tributária, nem sempre – ou quase nunca! – interessante para os contribuintes. Realidade observada com perspicácia por Hiromi Higuchi et alli16: “A vantagem fiscal do pagamento de juros sobre o capital próprio desaparece quando a beneficiária é pessoa jurídica, por vários motivos. A pessoa jurídica, na redistribuição de juros sobre o capital próprio, terá que observar as condições de dedutibilidade, nem sempre possíveis de serem cumpridas. A redução para zero das alíquotas de PIS e COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, de que trata o Decreto nº 5.164, de 2004, substituído pelo Decreto nº 5.442, de 2005, excluiu do benefício os juros sobre o capital próprio. Com isso, as empresas tributadas pelo lucro real pagam PIS e COFINS de 9,25% sobre a receita recebida. Se a beneficiária dos juros sobre o capital próprio for tributada pelo lucro presumido, além de pagar o PIS e a COFINS de 3,65%, os juros recebidos entram na base de cálculo de IRPJ e CSLL a título de outros rendimentos, sem aplicação dos percentuais de presunção do lucro, ou seja, 15% mais 9% sem a incidência do adicional. Em alguns grupos empresariais, entre a pessoa jurídica produtiva e a pessoa física investidora encontramse duas ou três pessoas jurídicas meramente investidoras. Nesta hipótese, o aumento de ônus tributário de 9,25% ocorre em cada pagamento na cadeia de participação societária porque a pessoa jurídica que paga os juros, a despesa financeira não gera nenhum crédito de PIS e COFINS”. (destacouse). Concluindo, o beneficiário dos JCP pagos/creditados é o acionista que detém a nuapropriedade das ações, ainda que gravadas com cláusula de usufruto e não os usufrutuários, sendo inaplicável perfilar institutos jurídicos diferentes (dividendos e juros sobre capital próprio) como se fossem simétricos, primeiro porque um é destacado do lucro e exige resultado positivo para que possa ser distribuído e o outro é remuneração de recursos próprios do investimento feito pelo acionista; depois porque suas bases legais são diferentes, os dividendos e os eventuais usufrutos gravados sobre ações sustentandose na Lei nº 6.404/1976 e os JCP com fulcro em Lei Fiscal de caráter específico que não se refere, em momento algum, à possibilidade de os pagamentos serem feitos a “usufrutuários”. 16 Hiromi Higuchi, Fabio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyoki Higuchi – Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e Prática – 35ª Ed. – IR Publicações Ltda. – São Paulo – 2010 – fls. 119/120 Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.045 28 De outro lado, acordos entre partes não podem ser opostos ao Fisco para modificar a definição legal do sujeito passivo relativamente às obrigações tributárias correspondentes (CTN, art. 123) sendo tais acordos, como o próprio nome diz, nada mais que res inter alios17 e como tal devem ser tratados. Assim, não reconhecida pela recorrente a receita dos JCP pagos/creditados pela Itaú Unibanco Holding S/A, correta a imputação feita pela Fiscalização, exigindo o IRPJ e a CSLL devidos. Em relação aos aspectos invocados subsidiariamente, i) se os valores lançados (em outro processo) a título de PIS e COFINS deveriam ter sido deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL aqui apreciados, e, ii) se o cálculo dos limites previstos no art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995 teria sido corretamente observado pelo Fisco na consecução dos lançamentos, adoto a posição da decisão recorrida por bem exprimir o contexto e com ela concordar, sem ressalvas: “No que diz respeito à consideração das exigências da Cofins e do PIS para fins da apuração das exigências do IRPJ e da CSLL, entendo que a dedução seja contrária aos termos da lei. Segundo o art. 41 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, os tributos são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ segundo o regime de competência, excetuada a hipótese na qual a exigibilidade do tributo a ser deduzido estiver com a exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 do CTN. Dentre as hipóteses de suspensão referidas na norma, encontram se “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo” (inciso III). As exigências da Cofins e do PIS cuja dedução é reclamada foram objeto do processo administrativo nº 16327.720751/201415. Em 10 de março de 2015, a 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém manteve o lançamento da Cofins e do PIS. Em 14 de abril de 2015, o contribuinte apresentou recurso voluntário dirigido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Assim, diante dos termos da lei, incabível a dedução reclamada”. (*) O art. 73 da Lei nº 12.973, de 2014, facultou ao contribuinte a utilização de dados contábeis em consonância com a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, em especial após as alterações implementadas por via da Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, para fins de cálculo dos limites previstos no art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995. A norma que outorgou a faculdade foi editada no dia 13 de maio de 2014. O contribuinte foi instado a apresentar os valores das contas do patrimônio líquido e o conseqüente cálculo dos limites de dedução dos juros sobre o capital próprio em 16 de outubro de 2014 (fl. 436). Em função dessa solicitação fiscal, o contribuinte apresentou seus cálculos em 12 de novembro de 2014 (fl. 437). Indicou cálculos realizados em 4 de novembro de 2014 (fls. 439, 440 e 441). Concluise, assim, que o contribuinte não havia exercido a opção a ele disponibilizada desde 13 de maio de 2014. Por tal motivo, incabível a alteração do lançamento em função da possibilidade prevista no art. 73 da Lei nº 12.973, de 2014”. 17 Coisa entre terceiros Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.046 29 (*) Posição que permanecia inalterada quando do julgamento deste processo em março/2017. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Rebelase a recorrente contra a possibilidade da imposição de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada no lançamento. Embora ressalve, de plano, que a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a Multa de Ofício, é questão superveniente ao presente lançamento, é se apreciar a matéria, já que, inexoravelmente, tal acréscimo virá integrar o crédito tributário objeto de discussão. Consoante dizer do art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, entendida esta como decorrente de obrigação tributária principal. E se referido crédito tributário (penalidade) não for pago integralmente no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, aplicandose a taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º, do CTN): “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(negrejouse e grifouse) Assim, a cobrança de juros de mora sobre a penalidade pecuniária cabível encontra fundamento de validade no próprio CTN. Por outro lado, só é plausível se falar na incidência de juros de mora pelo atraso no recolhimento quando o crédito tributário inadimplido sujeitase a prazo de vencimento, o que ocorre com relação ao tributo, à contribuição e à multa de ofício, e não com a multa de mora, a menos que esta última seja exigida isoladamente, mediante lançamento de ofício. Valendose da exceção legal contida no art. 161, § 1º, do CTN, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, dispôs que, a partir de 1º de abril de 1995, sobre os tributos e contribuições sociais não recolhidos no prazo de vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic (art. 13): Lei nº 9.065, de 1995: Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.047 30 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...).” Seguindoa, a Lei nº 9.430, de 1996, foi mais genérica, dispondo que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): “Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.048 31 até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Consistindo a multa de lançamento de ofício em débito para com a União, de natureza de obrigação tributária principal, correta a interpretação de que, sobre referida penalidade incidem juros à taxa Selic, a partir do seu vencimento. Corroboram, ainda, a conclusão acima, as razões abaixo dispostas. De fato, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, reportandose especificamente à multa de mora inadimplida, dispôs que sobre ela incidem juros de mora à taxa Selic, quando exigida de ofício, isolada ou conjuntamente (art. 43): “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Com efeito, como já ressaltado anteriormente, sobre a multa de mora não há de se cogitar na incidência de juros, pois referida penalidade pecuniária é desprovida de vencimento, exceto quando exigida mediante lançamento de ofício, como regula o dispositivo supra, momento o qual se impõe um prazo legal para o seu adimplemento. Da mesma forma ocorre com relação aos juros. Estes não têm vencimento legal para o seu cumprimento, a menos que exigidos por meio de lançamento de ofício. Resta claro, pelo dispositivo acima transcrito, que sobre a penalidade exigida de ofício incidem juros de mora à taxa Selic. No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão, já legitimou a incidência dos juros sobre a totalidade do crédito tributário, aí incluída a multa de ofício. Vejase: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.049 32 Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012 DJe 10/12/2012 Acresçase que a matéria já está amplamente consolidada nesta Corte no âmbito das três turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Assim, neste item, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício lançada. Concluindo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo integralmente a decisão recorrida. É como voto. Brasília (DF), em 10 de abril de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.050 33 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Redator Designado. Em quem pesem os excelentes argumentos do i. Conselheiro Relator, ouso discordar de seu entendimento. Conforme relatado, as acionistas da Recorrente subscreveram parcela de seu capital mediante aporte de ações do ITAÚ UNIBANCO HOLDING, com reserva de usufruto dos direitos patrimoniais. Desse modo, a Recorrente tornouse titular somente da nua propriedade e do direito de voto dessas ações. No entender da Recorrente, os usufrutuários se mantiveram na titularidade do direito aos dividendos e aos juros sobre capital – JCP atribuído àquelas ações. Para o Fisco, os rendimentos de JCP deveriam ser atribuídos ao sócio ou acionista da fonte pagadora (nuaproprietária – a Recorrente), não havendo que se falar no pagamento desses juros em favor dos usufrutuários. Compulsando os autos, concluise que é fato inconteste que a Recorrente, nuaproprietária, não recebeu juros sobre capital próprio pagos por ITAÚ UNIBANCO HOLDING. Também é incontroverso que os beneficiários dos referidos JCP foram os acionistas da fonte pagadora. Na lavratura do auto de infração, em momento algum, imputouse qualquer ato simulado, como, por exemplo, o fato de os JCP terem sido pagos diretamente aos acionistas da Recorrente (usufrutuários), mas repassados ardilosa e dolosamente para a Recorrente (nua proprietária). Nessa linha de raciocínio, a Recorrente estaria sendo tributada por não ter recebido uma renda que, no entender do Fisco, deveria ter recebido? A meu ver, sim. Com a devida vênia aos que entendem de modo contrário, entendo estarmos diante de hipótese em que se desejou tributar quem efetivamente não auferiu renda. Conforme salientado, se a acusação fosse de simulação, no sentido de que o fato realmente ocorrido teria sido o pagamento de JCP à Recorrente, camuflado por supostos pagamentos a seus acionistas, poderseia discutir se realmente há fato tributável a imporse à Recorrente. No caso concreto, com o perdão da redundância, o lançamento impõe “tributação sobre a renda” de quem não auferiu renda. Em sentido semelhante, assim decidiu em CARF em lançamento envolvendo a matéria sob exame: [...] USUFRUTUÁRIOS SÃO EFETIVOS TITULARES DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS PELA AUTUADA, NUAPROPRIETÁRIA DAS AÇÕES. Em virtude da reserva de usufruto dos direitos econômicos, a titularidade dos rendimentos provenientes dos JCP foi corretamente interpretada pela autuada como sendo dos seus sócios, usufrutuários das ações do Banco Daycoval, razão Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.051 34 pela qual não há que se falar no reconhecimento de receitas dos JCP pela autuada e, por óbvio, na sua omissão. [...] (Acórdão 1103001.123) Partindose da premissa adotada pela autoridade fiscal autuante de que o JCP somente poderia ter sido pago aos acionistas da fonte pagadora, o lançamento poderia ter atacado outras frentes: cobrar eventual diferença de imposto dos reais beneficiários dos rendimentos em questão (no caso, os acionistas da Recorrente), bem como glosar na fonte pagadora (ITAÚ UNIBANCO HOLDING) os valores contabilizados como JCP, pois, se os valores foram efetivamente pagos a quem não faria jus ao JCP, os valores pagos não seriam dedutíveis. Nesse mesmo sentido este colegiado já decidiu no acórdão 1402002.119, de minha lavra. Vejase a parte de ementa de tal julgado que interessa ao caso concreto: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PAGAMENTO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL Os juros sobre capital próprio que são dedutíveis na apuração do resultado tributável são somente os que são pagos ou creditados individualizadamente a cada titular, sócio ou acionista a título de remuneração do capital. Não se enquadram como tal e são indedutíveis os juros pagos ou creditados que excederem ao que beneficiário teria direito de acordo com sua participação no capital social da empresa. Conforme bem delineado em tal precedente, como os JCP não são despesas incorridas ao natural, entendo que, para sua dedutibilidade, fazse necessário o preenchimento de todos os requisitos legais exigidos para tanto. Por conseguinte, os valores pagos em descompasso com a legislação não poderiam ser considerados despesas com juros sobre capital próprio. Logo, tornamse despesas indedutíveis. Mas não foi esse o procedimento adotado pelo Fisco. Simplesmente por essas razões, entendo que o recurso voluntário já poderia ser provido, eis que consta no polo passivo da obrigação sujeito que não pode ser considerado contribuinte ou responsável pelo crédito tributário em questão. Mas há razões adicionais e independentes para tanto. Ao contrário do afirmado pela autoridade fiscal e confirmado pela DRJ, entendo que os usufrutuários fazem sim direito aos JCP. A matéria em litígio diz respeito à interpretação da legislação tributária atinente ao pagamento de JCP diretamente ao usufrutuário em decorrência de rendimentos produzidos pelas participações societárias que foram objeto de usufruto. Cumprese então analisar o conteúdo das normas jurídicas que se extrai do art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Para tanto, fazse necessário destacar o disposto no art. 109 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.052 35 institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Visto sob esse prisma, há de se levar em consideração que o conceito a ser aplicado ao usufruto deve ser extraído a partir do conjunto normativo do direito privado, uma vez que tal instituto é inteiramente regulado pelo Código Civil. É importante ressaltar que, se por um lado, é lícito ao legislador conferir efeitos tributários próprios a tal instituto, tal liberdade não é dada ao intérprete. Contudo, no âmbito tributário, o legislador não atribuiu ao instituto do usufruto efeitos tributários específicos. Nesse contexto, mesmo para fins tributários devemse interpretar as operações envolvendo usufruto de acordo com os efeitos típicos decorrentes do direito privado, e, tratandose de usufruto de ações, necessário se faz lançar mão das normas de direito societário. De acordo com o art. 1.228 do Código Civil, o proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Já os artigos 1.390 a 1.394 do Código Civil tratam do usufruto, o qual, em apertada síntese, pode ser tratado como uma cisão das faculdades inerentes ao direito de propriedade, hipótese em que o direito real de obtenção dos frutos e das utilidades é conferido a outrem. Enquanto o usufrutuário passa a deter a posse direta da coisa (com direito real de uso e gozo do bem), inclusive mediante exploração econômica do bem (direito a rendimentos e acessórios), o nuproprietário permanece com a faculdade de dispor do bem. Para que não pairem dúvidas a respeito da possibilidade de usufruto em caso de ações, a Lei nº 6.404, 15 de dezembro de 1976 Lei das S/A dispõe em diversos artigos sobre tal instituto, a saber: Outros Direitos e Ônus Art. 40. O usufruto, o fideicomisso, a alienação fiduciária em garantia e quaisquer cláusulas ou ônus que gravarem a ação deverão ser averbados: [...] Voto das Ações Gravadas com Usufruto Art. 114. O direito de voto da ação gravada com usufruto, se não for regulado no ato de constituição do gravame, somente poderá ser exercido mediante prévio acordo entre o proprietário e o usufrutuário. [...] Direito de Preferência Art. 171. Na proporção do número de ações que possuírem, os acionistas terão preferência para a subscrição do aumento de capital. [...] Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.053 36 § 5º No usufruto e no fideicomisso, o direito de preferência, quando não exercido pelo acionista até 10 (dez) dias antes do vencimento do prazo, poderá sêlo pelo usufrutuário ou fideicomissário. [...] Pagamento de Dividendos Art. 205. A companhia pagará o dividendo de ações nominativas à pessoa que, na data do ato de declaração do dividendo, estiver inscrita como proprietária ou usufrutuária da ação. [...] Vêse que em total sintonia com o Código Civil, o art. 205 da Lei das S/A é claro ao determinar que os dividendos serão pagos ao usufrutuário da ação. Embora eu não tenha dúvidas de que JCP e dividendos não se confundem, também não o tenho de que o JCP deve ser atribuído ao usufrutuário, e não ao nuproprietário. Vejamos o que dispõe o art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. [...] § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. [grifo nosso] Partindose do disposto no § 7º desse dispositivo legal, se prevalecer o raciocínio do ilustre Conselheiro Relator de que os JCP devem ser pagos aos acionistas (nu proprietário) e não aos usufrutuários, como seria possível a aplicação do § 7º do art. 9º da Lei nº 9.249/95 que possibilita à pessoa jurídica imputar aos dividendos obrigatórios (art. 202 da Lei das S/A) o valor pago a título de JCP, se esses mesmos dividendos devem ser pagos aos usufrutuários? Se o art. 205 da Lei das S/A determina que o pagamento dos dividendos seja feito ao proprietário da ação (acionista) ou ao usufrutuário da ação e o § 7º do art. 9º da Lei nº 9.249/95 possibilita que os JCP sejam pagos sejam imputados aos dividendos obrigatórios, o que ocorreria se determinada sociedade anônima resolvesse distribuir somente dividendos obrigatórios aos usufrutuários, imputando a esses os valores de JCP? Ora, se o legislador tributário quisesse impossibilitar que o JCP fosse pago ao usufrutuário não teria editado o § 7º do art. 9º da Lei nº 9.249/95, citando, inclusive, o art. 202 da Lei das S/A, inserto no capítulo destinado aos dividendos. A interpretação dada pelo Fisco impossibilitaria que determinada pessoa jurídica pudesse imputar os JCP a dividendos obrigatórios a serem pagos a usufrutuários de Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 16327.721155/201444 Acórdão n.º 1402002.445 S1C4T2 Fl. 1.054 37 suas ações, rasgando o disposto no § 7º do art. 9º da Lei nº 9.249/95. Tal interpretação, portanto, não se mostra adequada. Nesse mesmo sentido decidiuse no Acórdão 2401004.568: [...] Em linha de aderência com o retratado neste voto, nenhum efeito tributário específico atribuiu o legislador ao usufruto. Embora o regime jurídico esteja regulado pela Lei nº 9.249, de 1995, o legislador não impôs limitações ao recebimento pelo usufrutuário de valores a título de juros sobre capital próprio, que, em razão da instituição do usufruto, a ele pertencem. Configurase restritiva a interpretação de que a expressão "acionista", tal como inserida na "cabeça" do art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995, diga respeito somente ao beneficiário que detém a participação acionária direta na pessoa jurídica, na condição de proprietário pleno ou mesmo de possuidor da nua propriedade dos ativos, com exclusão das pessoas físicas usufrutuárias dos direitos econômicos. O legislador não adotou esse tipo de restrição, mesmo porque a instituição do usufruto não altera a natureza jurídica dos frutos percebidos pelo usufrutuário. É da essência do usufruto o aproveitamento dos rendimentos pelo usufrutuário, em harmonia com as disciplinas previstas nas leis civil e societária, que abrange, entre outros, os juros sobre capital próprio. A condição de usufrutuário implica considerálo acionista, para fins de percepção dos juros sobre capital próprio. De fato, como dito, o usufrutuário detém a titularidade secundária das participações acionárias. [...] E por essas razões, estribadas nas normas do Código Civil e da Lei das S/A, não há que se falar em convenção particular oposta à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes (art. 123 do CTN). Tratase de efeitos advindos de normas de direito privado e, e não de convenção particular, e que, portanto, não possuem o condão de alterar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária. No caso concreto, a obrigação tributária jamais nasceu perante a Recorrente (nuaproprietária), uma vez que não auferiu rendimentos de JCP pagos por ITAÚ UNIBANCO HOLDING. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 1054DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.724284/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/07/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO
Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão.
Inexistente, no caso, o vício de omissão apontado pela Embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3402-004.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração em razão da inexistência da omissão apontada, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de participar do julgamento.
Efetuou sustentação oral pela Recorrente durante o julgamento, o Dr. Celso Costa, OAB nº 148.255 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração em razão da inexistência da omissão apontada, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de participar do julgamento. Efetuou sustentação oral pela Recorrente durante o julgamento, o Dr. Celso Costa, OAB nº 148.255 (SP).
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OMISSÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão. Inexistente, no caso, o vício de omissão apontado pela Embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração em razão da inexistência da omissão apontada, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido de participar do julgamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 42 84 /2 01 2- 55 Fl. 1623DF CARF MF 2 Efetuou sustentação oral pela Recorrente durante o julgamento, o Dr. Celso Costa, OAB nº 148.255 (SP). Relatório Tratase de embargos de declaração, com fulcro nos artigos 65 e seguintes do RICARF, opostos em tempo hábil pela UNIÃO (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional) às fls. 1.585/1.586), em razão da alegada existência de omissão no Acórdão nº 3402003.199, de 23/08/2016 (fls. 1.554/1.583). O Acórdão embargado, possui a ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO IE Data do fato gerador: 13/07/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR NA EXPORTAÇÃO. FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO A empresa autuada efetuou várias exportações de ferronióbio, através das Declarações de Exportação DE’s registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. O autuado alegou que a sua metodologia de aferição da composição química de ligas de ferronióbio utilizadas pela empresa possui margem de erro menor que aquela utilizada pelo Laboratório de Análises credenciado pela Receita Federal do Brasil. LAUDOS TÉCNICOS. CONFRONTAÇÕES. FRAUDE NÃO COMPROVADA Foi realizada perícia por técnica credenciada junto à Receita Federal do Brasil para a aferição da metodologia tanto da empresa autuada quanto Laboratório de Análises credenciado junto à Receita. O resultado da perícia apontou que a metodologia de aferição de ferronióbio empregada pela empresa autuada possui menor margem de erro devido sua consideração quanto às impurezas para teor de até 60% de nióbio. Ficou demonstrado no laudo de assistência técnica e confirmado pelo Laboratório Falcão Bauer que é factível um desvio reiterado, a que o Relatório de Procedimento Fiscal denomina de FRAUDE, por motivos atinentes à metodologia aplicada. Não se pode atribuir esse desvio reiterado a um esquema fraudulento. Por esse motivo, afastase a incidência da multa regulamentar da exportação Recurso de Ofício Negado. A embargante (PGFN) alega em seu recurso que "verificando o inteiro teor da decisão, constatase a existência de omissão na sua fundamentação, pois a e. Turma não justificou o afastamento do art. 718, §1º do Regulamento Aduaneiro". A seguir, transcreve a redação do referido dispositivo: Art. 718. Aplicamse ao exportador as seguintes multas, calculadas em função do valor das mercadorias: Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402004.190 S3C4T2 Fl. 1.624 3 § 1º Não constituirá infração a variação, para mais ou para menos, não superior a dez por cento quanto ao preço e a cinco por cento quanto à quantidade da mercadoria, desde que não ocorram concomitantemente (Lei nº 5.025, de 1966, art. 75). (Destaquei) A Fazenda Nacional alega que o acórdão recorrido discutiu sobre a diferença em torno do preço praticado pela contribuinte, mas silenciou sobre a variação na quantidade da mercadoria. Portanto, como o acórdão recorrido teria tratado apenas sobre o preço, requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que esta Turma julgadora, sanando a omissão, apresente manifestação sobre a variação na quantidade da mercadoria, conforme determina o art. 718, §1º do RA. A empresa ANGLO AMERICAN NIÓBIO BRASIL LTDA, tomou conhecimento dos Embargos declaratórios opostos pela PFN, através do eprocesso e apresentou suas contrarazões às fls. 1.590/1.594. Os declaratórios foram, então, admitidos pelo Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara/3ª Seção do CARF, consoante Despacho de fls. 1.598/1.599. É relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. Admitidos os Embargos, por tempestivos, entendo que eles devem ser rejeitados, eis que, inexistente a omissão no Acórdão quanto ao argumento trazido pela Fazenda Nacional. É cediço que o objeto dos embargos tem como fulcro permitir que a decisão seja a mais hígida possível, de modo a permitir sua execução, sem margem à dúvida, quer quanto ao seu teor quer quanto à sua liquidação. O presente processo versa sobre Auto de Infração lavrado em 31/07/2012, em face de infração na atividade da empresa ANGLO AMERICAN NIOBIO BRASIL LTDA, atual denominação social da MINERAÇÃO CATALÃO DE GOIÁS LTDA, formalizando a exigência de multa de exportação no valor de R$ 11.386.618,52. De acordo com o Fisco, a embargante efetuou diversas operações de exportações do produto "ferronióbio" (liga de ferro e magnésio), durante os anos de 2011 e 2012, alegando que continha teor de nióbio superior ao informado pela empresa através das Declarações de Exportação DE’s registradas no SISCOMEX. A referida conclusão estava embasada em análises efetuadas pelo Laboratório Falcão Bauer ("LFB") em amostras extraídas do material exportado pela Embargante. Os autos tiveram sua apreciação pela DRJ em São Paulo I, que julgou improcedente por unanimidade, com cancelamento integral do crédito tributário exigido. A Fl. 1625DF CARF MF 4 referida decisão foi objeto de Recurso de Ofício, julgado por esse Colegiado, que manteve a decisão da instância a quo em sua integralidade. Da alegada OMISSÃO De acordo com a PGFN, constatase a existência de omissão na fundamentação do Acórdão nº 3402003.199. Vejase: "(...) Verificando o inteiro teor da decisão, constatase a existência de omissão na sua fundamentação, pois a e. Turma não justificou o afastamento do art. 718, $1° do Regulamento Aduaneiro. (...) O acórdão recorrido discutiu sobre a diferença em torno do preço praticado pela contribuinte, mas silenciou sobre a variação na quantidade da mercadoria. A Fiscalização questionou o preço e quantidade de nióbio indicada pela contribuinte. (...) Portanto, como o acórdão recorrido tratou apenas sobre o preço, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que esta e. Câmara, sanando a omissão, apresente manifestação sobre a variação na quantidade da mercadoria, conforme determina o art. 718, §1º do RA". Entendo não haver razão à Embargante. Explico. Como pode ser verificado na extensa análise efetuada nestes autos, o principal ponto de discussão foi justamente a existência de divergências (variações) no teor de nióbio da liga exportada pela Embargante. Tanto é assim que ambos os acórdãos (DRJ e do CARF), contêm a reprodução dos quadros elaborados pela perita para cotejo das metodologias de aferição do teor de nióbio e diversas transcrições de suas conclusões. Há que se destacar que, conforme exposto pela empresa em seus recursos e ainda em suas contrarazões (fls. 579/811 e 1.590/1.594), os contratos celebrados pela ANGLO AMERICAN com seus clientes (partes nãorelacionadas) dispõem que o preço do produto será baseado na quantidade de nióbio na liga de ferronióbio exportada. Nesse contexto, verificase que a análise da quantidade do nióbio exportado não está dissociada da análise do preço do material exportado. Ao contrário, o preço da liga exportada é decorrência direta da quantidade de nióbio nela existente. Para melhor evidenciar isso, vide o excerto abaixo, extraído do Parecer técnico emitido pela perita designada nos autos, que consta das fls. 1.109/1.170 e reproduzido às fls. 1.571/1.572 do Acórdão embargado: "(...) A metodologia utilizada no Laboratório Falcão Bauer tende a apresentar resultados superiores aos esperados nas amostras referência. Em média os resultados do Laboratório Falcão Bauer apresentaram valores 6,3% maiores do que os conhecidos nas referências. Não pode ser observada tendência de variação dos resultados provenientes da metodologia utilizada pelo Laboratório da Mineradora Catalão, nas diferentes faixas de percentual de Nióbio das amostras. Em média os resultados do laboratório da Mineradora Catalão apresentaram valores 1,6% menores do que os conhecidos nas referências; Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402004.190 S3C4T2 Fl. 1.625 5 No entanto, a metodologia aplicada pelo Laboratório da Mineradora Catalão tende a apresentar desvios menores (+0,55%) em relação a resultados esperados, quando as análises são efetuadas na faixa de trabalho próximo e abaixo de 65% de teor de Nióbio nominal." Ressaltese também que às fls. 1.579 e 1.581 (Acórdão embargado), foram reproduzidos e analisados gráficos e tabelas contendo comparativo entre os resultados das análises efetuadas pela Embargante e pelo laboratório LFB a fim de aferir o percentual bruto de nióbio existente nas amostras preparadas pela perita. Desta forma, quedouse demonstrado que as divergências na quantidade e preço de nióbio que ensejaram a lavratura do presente auto de infração decorriam de divergências entre a metodologia aplicada de aferição dos elementos da liga exportada adotada pela Embargante e a metodologia adotada pelo LFB. E, foi exatamente nesse sentido que concluiu o Acórdão embargado. Vejase trecho abaixo reproduzido (fl. 1.582). "(...) O fato a ser analisado é que a Perícia realizada demonstrou que havia motivos técnicos para que resultados obtidos pelo Laboratório Falcão Bauer tendem a se mostrarem superiores aos da MINERAÇÃO CATALÃO DE GOIÁS LTDA. Portanto, ainda que a amostra referente ao do laudo de assistência técnica n° 1954/2011 revele um teor de nióbio de 71.692%, foi demonstrado no Parecer da Perita Credenciada Maria Lúcia Peres Gomes da Silva e confirmado pelo Laboratório Falcão Bauer que é factível esse desvio reiterado, a que o Relatório de Procedimento Fiscal denomina de FRAUDE, por motivos atinentes à metodologia aplicada". Em resumo, o principal ponto de discussão desses autos, foram justamente as variações existentes na quantidade de nióbio (revelado pelo teor de nióbio) exportado pela ANGLO AMERICAN. Posto isto, entendo que por ter enfrentado os argumentos da Fazenda Nacional, ainda que de forma sintética, o acórdão recorrido não possui o vício de omissão apontado pela Embargante na forma do art. 65 do RICARF. Diante do exposto, conheço dos Embargos de Declaração opostos, por serem tempestivos, mas REJEITOOS por não vislumbrar o vício de omissão apontado. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 1627DF CARF MF 6 Fl. 1628DF CARF MF
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Numero do processo: 10508.720556/2013-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10508.720556/201391, em face do acórdão nº 1274.065 julgado pela 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 08 .7 20 55 6/ 20 13 -9 1 Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10508.720556/201391 Resolução nº 2202000.757 S2C2T2 Fl. 547 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração às fls. 02/09, lavrado em 07/11/2013, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física do anocalendário 2010, no valor total de R$ 8.331.790,16, assim composto: Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) às fls. 04 e ss, o crédito tributário decorre da apuração da seguinte infração: 1. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA O procedimento fiscal encontrase detalhado no Termo de Verificação de Infração, às fls. 10/11 do qual se extrai que: 1. Foram solicitados os Extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas pelo contribuinte junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao ano calendário de 2010. 2. Após a negativa da apresentação da documentação bancária, foi solicitada RMF por não restar outra alternativa, dando continuidade à ação fiscal. 3. Foram enviadas às instituições financeiras CAIXA ECONÔMICA FEDERAL e SICOOB Cooperativa de Credito Livre Admissão Associação de Teixeira de Freitas LTDA, Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira (RMF), com base no art.3° do Decreto 3724/2001, solicitando os extratos de movimentação de conta corrente do contribuinte no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2010, além de informações cadastrais e procurações dando poderes a terceiros para movimentar a conta corrente. 4. De posse dos extratos de movimentação bancária foi intimado novamente o contribuinte através da via postal, ciência em 02/09/2013, para que comprovasse, no prazo de 10 dias, a origem dos valores creditados/depositados em sua conta corrente, no período abrangido pela ação fiscal, justificando e comprovando a sua não tributação. 5. Em 04/09/2013, o contribuinte compareceu ao SIANA/IRF/ILH, e fez um relato dos fatos acontecidos em 2010 com relação aos seus negócios mas não apresentou nenhuma documentação comprobatória naquele momento. 6. O contribuinte foi orientado a elaborar um demonstrativo detalhado juntando documentação pertinente a fim de comprovar os valores creditados em suas contas correntes, além de justificar a não tributação. Foi prorrogado o prazo para atendimento da Intimação 01 em quinze dias a partir do dia do comparecimento. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10508.720556/201391 Resolução nº 2202000.757 S2C2T2 Fl. 548 3 7. Na resposta à intimação, datada de 17 de setembro de 2013, o contribuinte informa diversos acontecimentos destacando os seguintes: 7.1. que agricultores da região lhe solicitavam que descontasse cheques em sua conta bancária por não possuírem uma. Dessa forma, estaria o contribuinte apenas ajudando os agricultores mas não mencionou qualquer tipo de intermediação de produtos agrícolas; 7.2. que obteve diversos empréstimos junto ao Banco SICOOB LTDA em particular um empréstimo de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) feito através da conta de sua esposa; 7.3. que fez transferências da conta de sua esposa para sua conta corrente, assim como de um Caixa Lotérico "CAIXA AQUI", também pertencente a sua esposa a fim de cobrir despesas pessoais de seus negócios na sua conta corrente; 7.4. que movimentou recursos das empresas de sua esposa e filho em suas contas correntes. 8. Quanto a ter descontado diversos cheques de produtores rurais em suas conta correntes não apresentou qualquer documentação comprobatória como os cheques depositados, recibos ou contratos, nem demonstrou forma, valores e enumeração/indicação dos depósitos. 9. Quanto aos empréstimos, feitos por sua esposa não houve comprovação de que os mesmos transitaram por sua conta corrente. Sendo assim, não é possível identificálos. 10. Quanto às transferências feitas por sua esposa, o contribuinte as identificou em extrato de sua conta corrente, por ele apresentado, a débito de sua conta para a dela. 11. Quanto aos recursos das empresas de sua esposa e filho e de Caixas Lotéricos e Eletrônicos, também não apresentou nenhuma comprovação/identificação dos depósitos em sua conta, de forma que ficasse demonstrado que o dinheiro não era rendimento seu ou que teria apenas transitado temporariamente por sua conta bancária. 12. Verificouse que a conta mantida pelo contribuinte na Caixa Econômica Federal tratase de conta conjunta com a Sra. Nelice Silva de Almeida. Dessa forma, de acordo com art. 42 da Lei 9430/96, foi considerado apenas 50% dos valores creditados nessa conta corrente. 13. Tendo em vista os fatos descritos acima, que o contribuinte não apresentou nenhuma documentação comprobatória da movimentação financeira, os créditos efetuados na conta bancária da mesma caracterizam a omissão de rendimentos no valor de R$ 15.313.223,07 para o ano calendário de 2010, conforme planilha de créditos em conta corrente anexa. Cientificado, conforme fl. 187, em 12/12/2013, o interessado apresentou impugnação (fls. 189/206), recepcionada na unidade local da RFB em 06/01/2014 na qual, após uma breve síntese dos fatos, alega: 1. A nulidade do Auto de Infração – DA QUEBRA DO SIGILO FISCAL DO CONTRIBUINTE SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO VIOLAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 2. A inconstitucionalidade do art. 42 da Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10508.720556/201391 Resolução nº 2202000.757 S2C2T2 Fl. 549 4 Lei 9.430/96. Que há uma violação dos princípios constitucionais da legalidade, segurança jurídica e da razoabilidade e sua compatibilidade com o uso das presunções legais no direito tributário. 3. Que estando um conflito entre o fisco e o contribuinte, não é a autoridade fiscal que vai dizer se os documentos bancários sigilosos são ou não indispensáveis. Um terceiro imparcial, é quem pode solucionar o conflito ocorrente entre o interesse do Fisco e o direito de privacidade do indivíduo. Este terceiro é o Juiz. 4. Que é o contribuinte um Pequeno Produtor Rural que participou do Pólo Maracujá, no Município de Alcobaça/BA, projeto desenvolvido pela Prefeitura daquele Município em convênio com a Suzano Papel e Celulose, e um dos poucos que mantinha conta corrente em banco. 5. Que, nessa condição, dezenas de outros produtores rurais se utilizaram da boa vontade do Autuado para TROCAR (compensar) os cheques que eles recebiam de compradores de frutas de São Paulo e de outras Regiões do país, assim como cedeu a cota para que pagamentos fossem realizados por esses compradores, e em seguida repassados ao legítimos credores. (lista os produtores) 6. Que nos idos de 2010 o Banco SICOOB liberava o crédito antes mesmo da compensação dos cheques, sendo que destes, MUITOS DOS CHEQUES FORAM POSTERIORMENTE DEVOLVIDOS SEM FUNDOS, conforme demonstram os extratos anexos, razão pela qual, não se pode simplesmente considerar o que ingressou como crédito na conta, como fez a fiscalização, mas também o que foi realizado de débito pagamentos, devolução de cheques, etc. para que na confrontação crédito débito, se possa apurar o que, em tese, seria receita. 7. Que a Fiscalização também deveria ter solicitado a relação de cheques depositados e devolvidos sem a provisão de fundos, assim como a microfilmagem de todos os cheques que foram compensados na referida conta, para somente então concluir que o Autuado teve movimentação superior a R$15 milhões. 8. Que nem o contribuinte nem sua família adquiriu bens móveis ou imóveis desde os idos de 2003/2004, que uma pequena propriedade está hipotecada em favor de SICOOB e, portanto, a afirmação da fiscalização foge do princípio da razoabilidade; Que há uma exclusão do princípio da presunção da inocência. Que deveria ser concedido prazo razoável para obtenção das cópias, já solicitadas, dos cheques depositados. Que há diversas Inconstitucionalidades do art. 42 da Lei 9.430/96 9. Que a Fiscalização não considerou o que fora lançado a débito, pois se o fizesse, facilmente constataria que muitos cheques foram lançados na conta, mas FORAM POSTERIORMENTE DEVOLVIDOS SEM FUNDOS, portanto jamais poderia se constituir em receita tributável, como quer fazer crer a fiscalização. Como prova disso, anexa à presente os Extratos Mensais da conta do Banco SICOOB, relativos a movimentação financeira do ano de 2010, para que se possa confrontar CRÉDITO com DÉBITOS, e os repasses aos produtores, para se constatar que seria impossível ao Autuado, um pequeno produtor rural, de baixa formação cultural, ter movimentado mais de 15 milhões de Reais. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10508.720556/201391 Resolução nº 2202000.757 S2C2T2 Fl. 550 5 10. Que não houve dolo ou fraude, por parte do autuado; 11. Requer a intimação do SICOOB para que sejam fornecidas todas as cópias de cheques depositados, especialmente os que foram devolvidos. E a realização de perícia contábil, além da produção de outros meios de prova. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 358/372, reiterando as alegações expostas em impugnação. Ainda, anexou ao recurso documentos de fls. 373/543. Prevaleceu o entendimento no acórdão recorrido de que a alegação do contribuinte de que a movimentação por si só não poderia servir para lavratura de auto de infração não poderia ser aceita, considerando que a tributação com base na presunção estaria definida em lei. De igual forma, a 19ª Turma da DRJ/RJO entendeu que por ser ausente a comprovação de origem dos depósitos efetuados a título de produção rural, devendo ser mantida a tributação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, necessário referir a necessidade de diligência, pois o processo não é possível ser julgado na forma como se encontra. Ocorre que, consoante relatado, verificou a fiscalização que a conta mantida pelo contribuinte na Caixa Econômica Federal (conta nº 1131.001.000073702) tratase de conta conjunta com a Sra. Nelice Silva de Almeida. Dessa forma, foi considerado apenas 50% dos valores creditados nessa conta corrente. Todavia, não consta nos autos se foi intimada a Sra. Nelice Silva de Almeida. Entendo por imprescindível constar nos autos a intimação do cotitular para que igualmente comprove a origem de seus depósitos. Este Conselho tem entendido, cujo entendimento encontrase pacificado por meio de súmula, de que em se tratando de conta conjunta deve ser também intimado o co titular para a comprovação da origem dos depósitos realizados. Neste sentido, há a Súmula CARF nº 29, que assim dispõe: "Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento." Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10508.720556/201391 Resolução nº 2202000.757 S2C2T2 Fl. 551 6 Contudo, não consta nos autos intimação, ou indícios de sua existência, do co titular da conta bancária para justificar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, a autoridade preparadora informar se houve a intimação da cotitular da conta bancária conjunta, para comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos, e faça juntada de documentos hábeis a comprovar tal intimação. Ao final, com vistas a garantir o contraditório e o amplo direito de defesa, cientificar o contribuinte acerca desta diligência e dos resultados dela decorrentes, assegurandolhe prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação. Tomadas as providências acima, os autos devem retornar a este Colegiado para apreciação. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 551DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.002455/2001-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto..
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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(assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.. RELATÓRIO Tratamse de pedidos de restituição, com declarações de compensação que visam o reconhecimento do direito creditório oriundo de saldos negativos de IRPJ apurados nos anoscalendário de 2000 e 2001, e débitos de PIS e COFINS referentes a períodos de apuração de meses dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002. Apenso aos autos, encontrase o processo n° 10120.002455/200146, objeto das compensações de saldo negativo de IRPJ e CSLL, apurados na DIPJ, referentes aos exercícios de 2001 e 2002, sendo reconhecido parcialmente o direito creditório ao referido período, conforme despacho decisório às fls. 03/51 dos autos apensados. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 02 45 5/ 20 01 -4 6 Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Resolução nº 1301000.411 S1C3T1 Fl. 2.027 2 Nos termos do Despacho Decisório de fls. 1796/1797, o pedido de restituição foi parcialmente deferido, reconhecendo a favor da Recorrente o montante de R$ 1.819.647,95, referentes aos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados nas DIPJs apresentadas, conforme disposição a seguir: Após o reconhecimento parcial, foram homologadas as compensações efetuadas pela contribuinte até o limite do crédito acima. dos valor de R$ 3.558.713,17 pleiteados Contra essa decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada parcialmente procedente pela 4° Turma da DRJ/BSB, para reconhecer a homologação tácita da compensação efetuada pela contribuinte, referente aos período de apuração de 01/2001 a 08/2001, mantendose a cobrança dos débitos de PIS e COFINS referentes aos períodos da apuração de 10/2002 a 11/2002, conforme despacho de fls. 1938/1939, itens 09 e 10. Em sede de Recurso de Voluntário, a Recorrente alega em síntese que: (a) os saldos negativos de IRPJ e CSLL foram apurados a partir de 1993, originados de: (i) quitação de estimativas mensais dos referidos tributos em montantes superiores aos devidos no encerramento do anocalendário; e (ii) por deduções de valores retidos de IRRF sobre aplicações financeiras. Dessa maneira a redução das estimativas mensais pelo agente fiscal do anocalendário 1993 acabou por impactar nos anoscalendário Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Resolução nº 1301000.411 S1C3T1 Fl. 2.028 3 subseqüentes. Assim, os PER/DCOMPs apresentados pela Recorrente nos anos de 2001 e 2002, deveriam ser alçados pelo decadência. (b) a glosa referente as retenções é descabida, pois o procedimento fiscal adotado foi equivocado quanto a verificação dos valores das estimativas mensais IRPJ e CSLL declarados, obtendo um número inferior ao do contribuinte. Nesse ponto, a Recorrente aponta que juntou aos autos 5 guias de recolhimento de estimativas referente ao anocalendário de 1993, que confrontadas com os valores informados na DIPJ (fl.s 1381) resulta no mesmo valor declarado. Requer, ao final, que este Colegiado homologue as compensações declaradas pela Recorrente. Eis a síntese do necessário. VOTO Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, conheço. Cuidase de pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ e CSLL, apurados em DIPJ, nos anoscalendário de 2001 e 2002 seguido de Declaração de Compensações (DCOMP) a serem compensadas com débitos de PIS/COFINS períodos de apuração de meses dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002. Como visto, a decisão reconheceu parte das DCOMPs no tocante aos débitos tacitamente homologados, no período de janeiro a agosto de 2001, bem como manteve a cobrança de PIS e COFINS do período de outubro e novembro de 2002, sob o argumento de insuficiência do saldo e pela inocorrência da homologação tácita. Passamos as razões de decidir. Da decadência quanto à retificação de saldos apurados em períodos já homologados tacitamente. A Recorrente alega que o agente fiscal apontou que os saldos utilizados teriam se originado de apurações efetuadas desde o anocalendário de 1993, pois antes desse período só havia saldo devedor de IRPJ e CSLL. Isso porque no anocalendário de 1993 foi verificada uma inconsistência na quitação das estimativas mensais, resultando em uma redução nos valores declarados na respectiva DIPJ, o que ocasionou em sucessivas reduções do saldos de IRPJ e CSLL apurados nos anoscalendário de 1993 a 2001. Assim alega que o ajuste realizado pelo agente fiscal de 260.349,49 para 54.107,84 UFIRs (tabela abaixo) foi materialmente incorreto, tendo em vista a comprovação do valor recolhido a titulo das estimativas de IRPJ e CSLL em montante maior que o reconhecido no Despacho Decisório. Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Resolução nº 1301000.411 S1C3T1 Fl. 2.029 4 Ademais, afirma que se os pedidos de restituição/compensação foram protocolizados em 2001 e 2002 , o que faz crer que se remetem à créditos apurados nos últimos 5 anos, embora os saldos de IRPJ e CSLL terem sido parcialmente influenciados por créditos de períodos anteriores. Dessa maneira, conclui que o fisco deveria ter considerado tacitamente homologados os créditos adotados até 1997, pois estes já estariam alcançados pela decadência. A decisão da DRJ entendeu que a homologação tácita da compensação declarada ocorre após o decurso de 5 anos da data de entrega da DCOMP. No entanto, ressalva que a Administração Pública tem cinco anos para rever seus atos, nos termos do art. 54 da Lei 9.784/1999. Nesse ponto, argumenta que as retenções na fonte que compuseram os saldos negativos pleiteados (fls. 1800/1830) foram parcialmente reconhecidas, isto é, as retenções não validadas não estavam respaldadas por comprovante de retenção emitido em nome da Recorrente como fonte pagadora, conforme excerto a seguir: (1) os confirmados pelo sistema SIEFDirf, nos casos em que o valor confirmado pelo sistema é inferior ao informado no PER, já que a contribuinte não conseguiu comprovar este último valor por meio de comprovantes hábeis de retenção solicitados; (2) os informados na Dcomp, nos casos em que o valor deste é inferior ao confirmado pelo SiefDIRF, já que foi escolha da contribuinte solicitar este valor no PER, mesmo que pudesse pedir valor maior de retenção na fonte. Nesse sentido, ressaltou que o procedimento adotado pelo agente fiscal no Despacho Decisório foi amparado pela legislação, in verbis: Decreto 3000/1999 Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Resolução nº 1301000.411 S1C3T1 Fl. 2.030 5 Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). Dessa maneira, concluiu que apenas o valores retidos comprovados e aprovados pela Receita Federal do Brasil poderiam ser compensados e sujeitos a decadência. É importante esclarecer que esse entendimento está em consonância com a jurisprudência desta Turma: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação (...) (ACÓRDÃO 1301001.300) (...) SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL, a serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo, quando objeto de declaração de compensação ou compensação direta (DCTF), devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito.(ACÓRDÃO 1301001.703) Por tais razões, entendo ser irretocável a decisão da DRJ no que tange à decadência dos saldos apurados até 1997. Da comprovação do crédito Conforme Despacho Decisório, verificase que foi levantado retenções em valores superiores aos informados, conforme sistema de controle da Receita Federal (fls. 1600/1608), totalizando um valor de R$ 346.514,26. Nesse sentido, sinaliza que o valor declarado à título de "imposto pago incidente sobre ganhos no mercado de renda variável" foi de R$ 181.632,89, no entanto, a Recorrente teria informado que a compensação de IRRF sobre operações financeiras havia sido de RS 161.682,33. Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Resolução nº 1301000.411 S1C3T1 Fl. 2.031 6 Assim, a fiscalização acabou por considerar como crédito compensável apenas o menor valor. A Recorrente entende que a conduta do agente fiscal é condenável, pois ainda que não fosse apresentada a documentação que suporta o crédito, o agente fiscal teria que levar em consideração quando do levantamento do crédito. Com efeito, afirma que o direito ao crédito decorre do recolhimento antecipado do tributo, embora seja feito pelo responsável, quem efetivamente suporta o tributo é o contribuinte de fato, e não o cumprimento da obrigação acessória. Adiante, ressalta que a exigência ainda persistiria, caso o Fisco não tivesse condições de verificar a efetividade das retenções. Ainda assim, informa que todos os dados constam no sistema interno do Fisco, conduzidas pela DIRF. Conclui, que houve uma presunção do Fisco, sem ter ao menos aprofundado a ação fiscal para apurar se as informações prestadas estariam incorretas ou até mesmo realizando qualquer diligência a respeito. Informa que a Recorrente apensou 05 guias de recolhimento de estimativas, relativamente ao anocalendário de 1993, podendo ser confrontados com os informados na corresponde DIPJ, conforme fl. 1381 dos autos. Desse modo, a Recorrente requer seja reconhecidas as estimativas, com base na documentação carreada aos autos. Neste ponto, impende destacar que a autoridade fiscal cumpriu o que determina a lei quanto à utilização do imposto retido na fonte como antecipação do devido na declaração, ou seja, a empresa deve possuir e apresentar comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras em seu nome, in verbis: Decreto 3000/1999 Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (Decreto Lei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Resolução nº 1301000.411 S1C3T1 Fl. 2.032 7 pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). (Grifos) Destarte, da leitura dos dispositivos acima se verifica que somente os valores informados pelas fontes pagadoras ou comprovados serão considerados como imposto retido na fonte. Dessa forma, entendo que não restou comprovada nos autos a efetividade das retenções informadas na DIRF para comprovação do direito creditório aqui pleiteado. Assim, no sentido de se buscar a verdade material e se certificar que de fato o contribuinte obteve rendimentos de retenção na fonte do IRRF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que estes autos retornem à Delegacia de origem para análise da certeza e liquidez do direito creditório, bem como se manifeste sobre o que se segue: 1) apurar o valor do crédito compensável declarado à título de retenções na fonte informados pelas fontes pagadoras, a ser confirmado no SIEFDirf; 2) confirmar a validade e a existência dos créditos de IRRF informado na DIPJ R$ 252.198,31 para o anocalendário de 1997 e R$ 208.144, 97 para o anocalendário de 1998; 3) analisar as guias apensadas pela Recorrente 05 guias de recolhimento de estimativas, relativamente ao anocalendário de 1993, podendo ser confrontadas com os valores informados na corresponde DIPJ, conforme fl. 1381 dos autos; 4) caso se entenda que os documentos acostados pela Recorrente não sejam suficientes para a elaboração do relatório conclusivo, que seja intimada a Recorrente para comprovar o valor pleiteado no tocante as retenções efetuadas. Concluída a diligência, deve ser dada ciência à Recorrente, sobre o relatório conclusivo, concedendolhe prazo para se manifestar nos autos, caso assim deseje. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 2032DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000895/2005-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 01/08/2002, 02/11/2002, 01/02/2003
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA PELA ENTREGA DA DIF-PAPEL IMUNE EM ATRASO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo (DIF Papel Imune),pela pessoa jurídica obrigada,sujeita o infrator à multa regulamentar prevista no inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009, por ser mais benéfica daquela originalmente lançada. Aplicação do artigo 106 do Código Tributário Nacional
Numero da decisão: 3201-002.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko Dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo De Andrade.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko Dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo De Andrade.
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MULTA PELA ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE EM ATRASO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo (DIF Papel Imune),pela pessoa jurídica obrigada,sujeita o infrator à multa regulamentar prevista no inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009, por ser mais benéfica daquela originalmente lançada. Aplicação do artigo 106 do Código Tributário Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko Dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo De Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 95 /2 00 5- 23 Fl. 198DF CARF MF 2 Relatório Referese o presente processo administrativo a auto de infração para a cobrança de multas por falta de entrega da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo (DIF Papel Imune). Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 70/73, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar (código de arrecadação:3199), aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). O crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente aos fatos geradores relativos ao período compreendido entre o 1° trimestre de 2002 e o 4° trimestre de 2002, atingiu o montante de R$ 595.000,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei n° 9.779/1999; art. 57, inc. I e parágrafo único da Medida Provisória (MP) n° 2.15835/2001; art. 344 do Decreto n° 2.637/98 c/c arts. 212, 368 e 505 do Decreto n°4.544/2002 (RIPI/02); arts. e 10 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 71/2001. A ação fiscal foi realizada conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08.1.90.002004 028065 (fl. 01), tendo a fiscalizada sido inicialmente intimada a regularizar sua situação fiscal em relação às entregas das DIFs — Papel Imune ou apresentar os comprovantes de entrega das declarações relativas ao período acima mencionado (fl. 03). Em atenção à intimação fiscal, a intimada apresentou cópia de decisão liminar exarada nos autos de Mandado de Segurança Coletivo, impetrado pela Câmara Brasileira do Livro (fls. 60/62). Foi, então, intimada "a apresentar Certidão de Objeto e Pé original, ou cópia autenticada da sentença definitiva, referente ao Mandado de Segurança Coletivo cujo número não está mencionado nas cópias das peças entregues à fiscalização" (fl.63). Em atenção a esta intimação, a fiscalizada solicitou, em 10/02/2005, mais 30 dias para atendimento, "independentemente de nova notificação". Transcorrido in albis o prazo solicitado, como a fiscalizada não comprovou a entrega das declarações, a autoridade fiscal lançou as multas pela falta de entrega, computadas por mês de atraso, até o mês de lavratura do auto de infração, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 67/68). Fl. 199DF CARF MF Processo nº 19515.000895/200523 Acórdão n.º 3201002.860 S3C2T1 Fl. 94 3 O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 28/03/2005, por meio de correspondência encaminhada com Aviso de Recebimento (fl. 75), tendo protocolado sua impugnação em 20/04/2005, conforme peça de fls. 77/85 (firmada por procurador regularmente estabelecido, fls. 86/91), e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese, que: a) em dezembro de 2001 a Câmara Brasileira do Livro, "legítima representante do Centro de Estudos e de outras editoras por todo o território nacional", impetrou Mandado de Segurança Coletivo, visando impedir qualquer obstáculo à fruição da imunidade tributária incidente sobre operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Isto porque a IN SRF n° 71/2001 "trouxe exigências arbitrárias e coercitivas de ordem pessoal para aqueles que operam com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos", padecendo de flagrante inconstitucionalidade; b) a alteração da IN SRF n° 71/2001, pela IN SRF n° 101/2001, especialmente em relação ao art. 4°, não invalidou o pedido ajuizado pela citada ação mandamental, conforme entendimento esposado pelo Ministério Público Federal, em sua manifestação naquele processo. Segundo o parecer do MPF, o Decretolei n° 1.593/77 foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com status de Lei Complementar, "qualquer alteração somente poderia se proceder mediante edição de lei complementar superveniente"; c) foi deferido pedido liminar na referida ação "para que o Secretário da Receita Federal se abstivesse de praticar qualquer ato da Instrução Normativa SRF n° 71/2001, que pudesse embaraçar ou impedir a livre fruição da imunidade tributária aos associados da Câmara Brasileira do Livro". E esta decisão vigorou até setembro de 2002, quando a sentença cassou a liminar anteriormente concedida; d) contra referida decisão foi impetrado recurso de apelação que visou afastar a necessidade de inscrição no Registro Especial, "além da abstenção de apresentar a Declaração Especial de Informação Relativa ao Controle de Papel Imune — DIF Papel Imune". E a sentença não apreciou os pedidos formulados pela Câmara Brasileira do Livro; e) "como houve a cassação da liminar e a interposição do Recurso de Apelação, a matéria em questão — as condicionantes e os obstáculos à livre fruição da imunidade tributária — estão sob a guarda e apreciação do Poder Judiciário". Assim sendo, "deve ser imediatamente suspensa a cobrança desta multa, visto que o principal fundamento e embasamento da cobrança reside em Instrução Normativa cuja legalidade e exigibilidade estão sendo objeto de discussão no Poder Judiciário"; f) a falta de cumprimento do prazo para justificar a não entrega das declarações não pode fundamentar a exigência da multa. "Isto porque, como já dito anteriormente, o objeto e fundamento Fl. 200DF CARF MF 4 de tal cobrança está sendo questionado no Poder Judiciário, e que ainda não houve uma decisão final acerca destes conflitos". E, pela mesma razão, também não deve prosperar o argumento de que "nos documentos apresentados não houve a concessão expressa do efeito suspensivo"; "as cobranças de débitos fiscais se sujeitam a legislação própria, e a Receita Federal se torna incompetente para dispor sobre novas formas e espécies de cobrança, principalmente embasadas em dispositivos que agridem direitos constitucionalmente garantidos, como as imunidades tributárias"; h) a multa aplicada é desproporcional quando comparada ao ato não praticado. Isto porque não houve sonegação de impostos, em razão da imunidade tributária. Assim sendo, "a lei que determina tal cobrança deveria ser revista para que os parâmetros de aplicação das multas sejam condizentes com a gravidade do ato praticado"; i) caso seja mantida "a constitucionalidade e legalidade" da norma combatida, "tenham seus prazos iniciados à partir do trânsito em julgado da ação judicial, pois neste momento teremos uma definição acerca dos conflitos levantados e qual regra deverá ser seguida". Conclui a impugnante requerendo "a suspensão da multa e sua respectiva cobrança até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança Coletivo, e na eventualidade de se confirmar a legalidade e constitucionalidade das Instruções Normativas e leis que regram o assunto, que sejam restabelecidos os prazos determinados para o cumprimento das normas estabelecidas para inscrição no Registro Especial e a entrega das Declarações de Papel Imune —DIF — Papel Imune". A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NÃO COINCIDÊNCIA DE OBJETOS. Verificado que o objeto da ação judicial em verdade não coincide com a matéria impugnada, há que se tomar conhecimento da impugnação apresentada, prosseguindose o julgamento administrativo. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003 DIFPAPEL IMUNE. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. MEDIDA JUDICIAL. ALCANCE. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 19515.000895/200523 Acórdão n.º 3201002.860 S3C2T1 Fl. 95 5 Constatado que não há provimento judicial assegurando a dispensa de entrega das declarações, procede o lançamento da multa em face da falta de entrega. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. Não havendo expresso provimento judicial que se preste a obstaculizar a exigência do crédito tributário, sua exigibilidade só deve restar suspensa em face da pendência do julgamento administrativo, nos termos do art. 151, inc. III, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Às instâncias administrativas não compete apreciar argüições de ilegalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. Lançamento Procedente Sobre a prejudicialidade da ação judicial sobre o lançamento de ofício em tela, entendeu a Delegacia de Julgamento que: Considerandose que não foi negado o fato gerador da multa, qual seja, a falta de entrega das DIFs, foi mantido o lançamento, sendo os demais argumentos, como o de inconstitucionalidade da penalidade, igualmente rechaçados, por força dos limites da competência administrativa. Fl. 202DF CARF MF 6 Em sede de recurso voluntário, foram reiterados os argumentos de impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. Conforme o relatório, o primeiro ponto a ser abordado é sobre a concomitância entre o presente processo administrativo e o mandado de segurança coletivo n. 2002.34.00.0000718, impetrado pela Câmara Brasileira de Livros, que, segundo a recorrente, teria como um dos pedidos, a ilegitimidade da exigência da DIF papel imune. O referido mandado de segurança teve medida liminar concedida, sentença de extinção sem resolução do mérito e, em pesquisa sobre o seu andamento processual, verificou se que o Tribunal Regional da 1a Região, julgou procedente o recurso de apelação, sendo a decisão objeto de recurso especial e extraordinário, ainda pendentes de julgamento. Na exordial do mandado de segurança juntado aos autos, temse como pedidos (fls.119): A IN n. 71/2001, em seus arts. 4o, inciso III e art. 1o, tinha a seguinte redação: art.1 Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e Fl. 203DF CARF MF Processo nº 19515.000895/200523 Acórdão n.º 3201002.860 S3C2T1 Fl. 96 7 periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1º do Decretolei Nº 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. § 1º A concessão do registro especial darseá por estabelecimento, de acordo com a atividade desenvolvida, e será específico para: I fabricante de papel (FP); II usuário empresa jornalística ou editora que explore a indústria de livro, jornal ou periódicos (UP); III importador (IP); IV distribuidor (DP); e V gráfica impressor de livros, jornais e periódicos, que recebe papel adquirido com imunidade tributária (GP). § 2º Na hipótese da pessoa jurídica exercer mais de uma atividade prevista no parágrafo anterior será atribuído registro especial a cada atividade. § 3º Não goza de imunidade o papel destinado à impressão de livros, jornais ou periódicos, que contenham, exclusivamente, matéria de propaganda comercial. Art. 4 A unidade da SRF referida no caput do art. 2º instruirá o processo indicando: [...] III a existência de débitos referentes a tributos e contribuições administrados pela SRF, em relação às pessoas físicas e jurídicas mencionadas nos incisos I e II; e A referida instrução normativa, cujo texto foi alterado posteriormente, dispõe sobre registro especial para estabelecimentos que realizem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, e institui a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). Os dispositivos mencionados no pedido do mandado de segurança referemse ao registro especial, que não se confunde com a obrigação acessória em comento, cuja previsão está no art.10 do mesmo diploma, in verbis: Art. 10. Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune), cuja apresentação é obrigatória para as pessoas jurídicas de que trata o art. 1º. Fl. 204DF CARF MF 8 Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. Embora em sede de recurso de apelação, como bem apontado pela decisão recorrida, tenha sido modificado o pedido para que expressamente constasse a extensão do pedido para a DIF papel imune, é certo que a medida liminar foi concedida, nos estritos termos do pedido, para afastar a aplicação do art.1o da IN, sem que a recorrente tivesse embargado a decisão, à época. Confirase o dispositivo medida liminar: Por essas razões, entendese que não há concomitância entre o mandado de segurança e o presente processo, razão pela qual, deve ser julgado procedente o lançamento, porque, ademais, de acordo com a Súmula CARF 2, o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, não sobrando outros argumentos da recorrente, sobre a improcedência do lançamento. Entendendose pelo cabimento da penalidade, uma outra questão emerge: verificase que a penalidade foi aplicada com base no art. 57, inciso I, da MP 2.158 34/01, que apresentava, à época, a seguinte redação: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 19515.000895/200523 Acórdão n.º 3201002.860 S3C2T1 Fl. 97 9 A Lei nº 11.945/ 2009 tratou especificamente sobre a falta de apresentação da DIF papel imune, sendo mais favorável ao contribuinte, como se verifica: Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2o O disposto no § 1o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2o do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2o do art. 2o e no § 15 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei no10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Fl. 206DF CARF MF 10 § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. Destarte, verificase que o dispositivo grifado modifica a penalidade, passando de cinco mil reais por mêscalendário para cinco mil reais por declaração não apresentada. Por conseguinte, é de ser aplicado o art. 106, II, “c” do CTN, tratando se de norma que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, deve a mesma ser aplicada ao ato não definitivamente julgado, como aliás, já decidiu essa turma, em acórdão de relatoria do Conselheiro Carlos Alberto Nascimento Pinto, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003,31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30 /07/2004 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA PELA ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE EM ATRASO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo (DIF Papel Imune), pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista no inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009, por ser mais benéfica daquela originalmente lançada. Aplicação do artigo 106 do Código Tributário Nacional. (Acórdão nº 3201002.086 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2016 ) Assim, em face do exposto, deve ser aplicado o inciso II, do §4º, do art. 1º da Lei nº 11.945/09, mantendo a penalidade no valor de R$ 5.000,00 por DIF não apresentada, julgandose parcialmente procedente o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 207DF CARF MF Processo nº 19515.000895/200523 Acórdão n.º 3201002.860 S3C2T1 Fl. 98 11 Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900349/2014-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/04/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 25/04/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 49 /2 01 4- 61 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900349/201461 Acórdão n.º 3401003.721 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/04/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900349/201461 Acórdão n.º 3401003.721 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900349/201461 Acórdão n.º 3401003.721 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
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