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Numero do processo: 11065.910849/2009-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/07/2001
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.859
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/07/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/07/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 49 /2 00 9- 00 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11065.910849/200900 Acórdão n.º 9303004.859 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.153, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/07/2001 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/07/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11065.910849/200900 Acórdão n.º 9303004.859 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11065.910849/200900 Acórdão n.º 9303004.859 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11065.910849/200900 Acórdão n.º 9303004.859 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.910095/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2007
COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2007 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2007 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da nãocumulatividade. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 00 95 /2 01 2- 00 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11020.910095/201200 Acórdão n.º 3402004.034 S3C4T2 Fl. 115 2 Relatório Versam os autos pedido de reconhecimento de direito creditício de COFINS relativo ao período de maio/2007, cujo valor foi parcialmente compensado (PER/DCOMP) com outro tributo administrado pela RFB. No Despacho Decisório, a autoridade local da RFB indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, após ter "efetuado revisão completa retroativa de suas últimas bases de cálculo de COFINS", possuir créditos oriundos de suas seguintes contas, discorrendo acerca da legislação que em tese respaldaria os mesmos: A DRJ/RPO, nos termos do Acórdão 1446.808, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, no qual, em suma, restringese a afirmar que o "processo já dispõe dos documentos comprobatórios dos créditos apurados", e nada mais! É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Alega o contribuinte, de forma genérica, ter créditos para fins de apuração da COFINS a pagar no sistema nãocumulativo. Tais créditos seriam oriundos de valores constantes nas contas especificadas no relatório. Feita essa apuração, a posteriori, sem qualquer liquidez e certeza já saiu a se compensar com débitos de tributos administrados pela RFB. Ou seja, não há prova específica a respaldar os alegados créditos. Acostou cópia do livro razão onde constam tais contas contábeis, sem qualquer documento fiscal e referência a seu processo produtivo em que se pudesse constatar de quais insumos se tratam e, mais, se efetivamente são utilizados na produção das mercadorias que produz. Demais disso, em tese, em análise superficial, valores referente à manutenção e reparos, fretes com vendas (nas quais não se sabe quem arcou com os valores), despesas diversas (que não se sabe do que se tratam), e mão de obra de terceiros (que em tese podem ser feitas por pessoas física, o que afastaria qualquer direito a crédito) não dão direito a crédito. Assim, sendo firme a jurisprudência desse Colegiado no sentido de que recai sobre o contribuinte o onus probandi dos créditos que alega ter, mormente em relação a valores Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11020.910095/201200 Acórdão n.º 3402004.034 S3C4T2 Fl. 116 3 que já se compensou, que pressupõe sua certeza e liquidez, constatase que ele não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados. CONCLUSÃO Portanto, ante a falta de prova dos declarados créditos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Jorge Olmiro Lock Freire relator. Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.724992/2011-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9303-000.105
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para cientificar o contribuinte do resultado do acórdão de recurso voluntário, com posterior retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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(assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3302001.916, de 29 de janeiro de 2013 (fls. 6263 a 6315 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que pelo voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso voluntário, conforme acórdão assim ementado in verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 24 99 2/ 20 11 -9 7 Fl. 6482DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Resolução nº 9303000.105 CSRFT3 Fl. 6.483 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ALEGAÇÕES. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. É ônus da interessada a comprovação das alegações, em especial o erro de preenchimento de declaração alegado em seu favor, de modo a revisar o auto de infração devidamente fundamentado em divergência entre escrituração fiscal e créditos constantes do Dacon. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que são direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Do valor do PIS ou da Cofins, apurados segundo o regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos listados na legislação de regência. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, não mais se poderá apurar créditos relativos à Cofins decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero, utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. CRÉDITO. SERVIÇOS DE ESGOTO. POSSIBILIDADE. Como é relativa a serviço utilizado indiretamente no processo produtivo, a taxa de esgoto gera direito de crédito. CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS PRONTOS. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins não cumulativa sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, não clienteS. CRÉDITO. DAÇÃO EM PAGAMENTO. Ainda que pagas por meio de dação em pagamento, as aquisições tributadas pelas contribuição que se enquadrem no conceito de insumo utilizado na produção geram direito a crédito. CRÉDITO. SERVIÇOS RELACIONADOS A IMPORTAÇÃO. Não se tratando de insumos utilizados na produção, nem de valores que componham a base de cálculo das aquisições do exterior que,prevista em lei, gera crédito, não se reconhece o direito em relação a serviços de importação. CRÉDITO. EMBALAGENS. AQUISIÇÕES NÃO COMPROVADAS. A falta de comprovação da aquisição impede o creditamento relativo a aquisições de embalagens. CRÉDITO. FRETE NA EXPORTAÇÃO. Os serviços contratados de agenciamento, logística e intermediação de exportação ou frete não são passíveis de creditamento, o que não abrange o Fl. 6483DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Resolução nº 9303000.105 CSRFT3 Fl. 6.484 3 frete contratado de empresa brasileira que tenha subcontratado empresa estrangeira. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. ALÍQUOTA APLICÁVEL EM RELAÇÃO AO INSUMO ADQUIRIDO. As pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de nãocumulatividade da Cofins e da Contribuição ao PIS que produzirem mercadorias relacionadas no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir crédito presumido, na forma disposta nesse artigo e respectivos parágrafos, calculado sobre o valor dos bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § 1º do mencionado artigo, sendo a alíquota definida pela natureza do insumo adquirido. Recurso Voluntário Provido em Parte Tratamse de autos de infração lavrados para fim de constituir valores a título de Cofins e PIS referentes ao sistema não cumulativo, nos meses de janeiro a dezembro de 2007. A fiscalização da Receita Federal apurou irregularidade nos créditos no período acima citado, tendo constatado que nos meses em questão resultaria valores a pagar das contribuições. De acordo com o Relatório de Ação Fiscal (fls. 6025 a 6062), cito apenas a seguinte irregularidade constatada, objeto do presente Recurso: (4) Crédito indevido para pagamento de serviços de esgoto; O contribuinte apresentou impugnação parcial (fls. 6065 a 6169). Genericamente, insurge contra o conceito de insumo adotado pela RFB e pelo auditor fiscal autuante, que seria aplicável somente ao IPI. Após analisar as razões de impugnação trazidas pelo contribuinte, a 2ª Turma da Delegacia de Julgamento de Porto Alegre – DRJ/POA julgouas improcedentes, mantendo o crédito tributário. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 6318 a 6321), sendo que este foi admitido no sentido de retificar erro material na redação do acórdão, entendendo não haver necessidade de reedição do acórdão embargado. Fl. 6484DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Resolução nº 9303000.105 CSRFT3 Fl. 6.485 4 A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 6328 a 6344) em face do acórdão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, a divergência suscitada foi quanto ao reconhecimento do direito aos créditos sobre serviços de esgoto, que não foram utilizados diretamente na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Para comprovar a divergência foi apresentado, como paradigma, o acórdão de nº 203 12.448 (foi constatado um erro na numeração, mas a parte de interesse confere com o disposto no sítio do CARF), cuja ementa foi transcrita no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 6438 a 6442, sob o argumento que o acórdão recorrido decidiu que no Sistema Não Cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, consideramse insumos os bens e serviços utilizados na fabricação de produtos e na prestação de serviços da empresa. Por sua vez, o acórdão paradigma decidiu que o aproveitamento dos créditos da Contribuição para o PIS no regime da não cumulatividade deve obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF nº 247, de 2002, com as alterações da IN SRF nº 358, de 2003. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 6448 a 6479, manifestando para que seja negado provimento ao recurso especial e mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso interposto pelo sujeito passivo. Fl. 6485DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Resolução nº 9303000.105 CSRFT3 Fl. 6.486 5 No entanto, analisando os autos verifico que o Contribuinte não foi intimado do resultado do acórdão de Recurso Voluntário. Diante deste fato, sugiro converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para cientificar o Contribuinte do resultado do acórdão de Recurso Voluntário, com posterior retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. É como voto. ( assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 6486DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000026/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/01/2005 a 30/06/2005
IPI. CRÉDITO BÁSICO DECORRENTE DE PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE.
Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
CRÉDITO. APROVEITAMENTO. OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL E FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado o aproveitamento de crédito do IPI relativamente a aquisições de empresas optantes do Simples, nas modalidades Simples Federal e Simples Nacional.
Numero da decisão: 3302-005.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/01/2005 a 30/06/2005 IPI. CRÉDITO BÁSICO DECORRENTE DE PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL E FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o aproveitamento de crédito do IPI relativamente a aquisições de empresas optantes do Simples, nas modalidades Simples Federal e Simples Nacional.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2005 a 30/06/2005 IPI. CRÉDITO BÁSICO DECORRENTE DE PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL E FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o aproveitamento de crédito do IPI relativamente a aquisições de empresas optantes do Simples, nas modalidades “Simples Federal” e “Simples Nacional”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente Substituto (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 00 26 /2 01 0- 08 Fl. 2342DF CARF MF Processo nº 16024.000026/201008 Acórdão n.º 3302005.771 S3C3T2 Fl. 2.343 2 Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Tratase de Auto de Infração de fls. 79/87, em razão da fiscalização ter glosados créditos do IPI calculados e escriturados sobre aquisições de insumos não tributados pelo imposto e adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES, conforme relatório de fls. 54/78. Destaque aqui trecho do relatório que resume a presente autuação: d) que as empresas elencadas no ANEXO 1 são empresas optantes do SIMPLES. Os créditos de IPI referentes às notas fiscais emitidas por elas, foram glosados, nos termos da Lei n° 9.317/96, art. 5°, § 5, totalizando R$ 49.994,53 (primeiro trimestre de 2005) e R$ 87.855,67 (segundo trimestre de 2005). e) que as empresas elencadas no ANEXO 2, consideradas “comerciais” não contribuintes do IPI, forneceram à contribuinte sucata e/ou resíduos de alumínio. Tal produto, com classificação fiscal 7602.00.00, é considerado NÃO TRIBUTADO. Conseqüentemente, refeita a escrita fiscal, saldos que eram credores passaram a ser devedores e, de oficio, foi lançado o IPI, com os devidos acréscimos legais, constituindo um crédito tributário montante em R$ 280.414,62. Tempestivamente, o sujeito passivo impugnou o lançamento argumentando, em síntese, que o princípio constitucional da nãocumulatividade ampara a escrituração reutilização de tais créditos e que, especificamente, quanto às aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES, agiu de boa fé, sendo que a documentação do fornecedor não informava que era optante e destacava regularmente o IPI, portanto, tais operações foram regulares e não poderia ser punido, mormente por caber ao Estado exercer a ação fiscalizatória sobre o fornecedor. A impugnação foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADO IPI Período de apuração: 31/01/2005 a 30/06/2005 « DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES. DA BOAFÉ DO ADQUIRENTE. DESCABIMENTO. Inexistindo a cautela inerente à atividade comercial, ainda que o adquirente tenha agido de boa fé, esta não confere legitimidade a notas fiscais irregulares com direito ao crédito do imposto. Fl. 2343DF CARF MF Processo nº 16024.000026/201008 Acórdão n.º 3302005.771 S3C3T2 Fl. 2.344 3 Intimada da decisão em 24.01.2011 (fls. 2.303), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 18.02.2011 (fls.2.3042.323), reproduzindo os argumentos apresentados em sede impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 24.01.2011 (fls. 2.303) e protocolou Recurso Voluntário em 18.02.2011 (fls.2.3042.323), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito Conforme exposto anteriormente, o cerne do litígio visa auferir o direito do contribuinte apropriar de crédito de IPI escriturados sobre aquisições de insumos não tributados pelo imposto e adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES. Em relação as aquisições de insumos não tributados pelo imposto, com classificação fiscal 7602.00.00, considerado NÃO TRIBUTADO, aplico a Súmula CARF nº 20 para afastar o direito do contribuinte, a saber: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Já em relação ao segundo ponto trazido à este Conselho, entendo que melhor sorte não resta à Recorrente. Isto porque, a vedação ao creditamento em relação a aquisições de empresas optantes do Simples está prevista não só na Lei n° 9.317, de 1996, como também no Regulamento do IPI. Com efeito, os estabelecimentos optantes do Simples não podem efetuar a transferência de créditos relativos ao imposto, o que inclui o seu destaque em nota fiscal, para aproveitamento do adquirente contribuinte do IPI. Nestes termos, concordo com os fundamentos utilizados pela n. julgadora "a quo", o qual adoto como razão de decidir, senão vejamos: Quanto aos fornecedores que recolhem seus tributos pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições Simples, que é forma beneficiada e simplificada de tributação, lembramos que é de livre escolha do contribuinte. No entanto, quando feita a opção, deve este se sujeitar a todas as normas, restrições e 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 2344DF CARF MF Processo nº 16024.000026/201008 Acórdão n.º 3302005.771 S3C3T2 Fl. 2.345 4 obrigações impostas por lei. Neste sistema, a tributação do IPI também é diferenciada, não se seguindo as alíquotas dispostas na TIPI e sim, um acréscimo de percentual na alíquota aplicada sobre a receita bruta. Sendo assim, a tributação já é favorecida e não há que se falar em sistemas de débitos e créditos, que só é aplicada na forma normal de tributação. Portanto, não há que se aplicar ao caso em análise o princípio da nãocumulatividade, pois a tributação do IPI se faz por outra forma. Assim dispõe a Lei n° 9.317, de 1996: Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I (...) § 1 ° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada até o próprio mês. § 2° No caso de pessoa juridica contribuinte do IPI, os percentuais referidos neste artigo serão acrescidos de 0,5 (meio) ponto percentual. § 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a titulo de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI e ao ICMS. § 6 ” O disposto no parágrafo anterior não se aplica relativamente ao ICMS caso a Unidade Federada em que esteja localizada a microempresa ou empresa de pequeno porte não tenha aderido ao SIMPLES, nos termos do art. 4º”. (g. n). Pela leitura do texto legal acima citado, depreendese que, ao optar pelo Simples, a contribuinte fica sujeita à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI. Por fim, relativamente ao argumento de boa fé, cabe ponderar que o caso em comento, referese a uma relação negocial envolvendo de um lado empresa comercial que adquire insumos e de outro, suposta, empresa fornecedora, o que, de plano, exigese um dever mínimo de cautela entre as partes envolvidas, ou seja o dever acautelatório necessário às boas práticas comerciais No caso, uma empresa optante do SIMPLES emite um documento com destaque do IPI, como se fosse um contribuinte ordinário, o que resulta que esse fornecedor ao emitir um documento inválido lesou o adquirente que não tomou as cautelas necessárias. Admitir que um documento inidôneo confere direito ao crédito do IPI resultaria em repassar ao Estado um ônus que não lhe é devido, pois, inerente ao risco da atividade mercantilista, ou mesmo, de qualquer negócio. Por outro lado, nada impede que a pessoa lesada busque no Poder Judiciário o ressarcimento das perdas e danos que o(s) vendedor(s) possa(m) ter causado. Ressaltase, por oportuno, que a Recorrente em nenhum momento contestou o enquadramento das empresas listadas no relatório, anuindo, ao mer ver, tratarse de empresas optantes pelo Simples, sendo, assim, vedado o aproveitamento de crédito de IPI. Fl. 2345DF CARF MF Processo nº 16024.000026/201008 Acórdão n.º 3302005.771 S3C3T2 Fl. 2.346 5 Por fim, deixo de acolher o pedido de julgamento conjunto com os processos 10855.913274/200918 e 10855.913275/200954, que tratam de pedido de ressarcimento, posto que estão na unidade de origem aguardando, por determinação deste Conselho, decisão definitiva destes autos, conforme consulta realizada no sítio www.carf.fazenda.gov.br (vide resoluções nºs 3101.000.214 e 3101.000.215. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 2346DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.938361/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-005.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 83 61 /2 01 1- 59 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10980.938361/201159 Acórdão n.º 3401005.271 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o COFINS, solicitado através do PER/DCOMP. O Interessado foi cientificado de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde sustenta que o Despacho Decisório deixou de analisar a questão principal do Pedido de Restituição apresentado, qual seja, a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição para o COFINSem face da inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98, uma vez que a referida contribuição incidiu sobre Receitas Financeiras e Outras Receitas. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, constatando que não houve omissão do Despacho Decisório quanto ao mérito da demanda, uma vez que a fundamentação para o indeferimento do Pedido de Restituição indica que o Darf foi utilizado integralmente para fazer face a débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Informa também que, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Porém, na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de COFINSdo período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa toda a argumentação já exposta na sua Manifestação de Inconformidade sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins. No entanto, desta feita requer a juntada de demonstrativos e documentos contábeis, os quais alega fazerem prova do pagamento indevido ou a maior de tributo, pedindo sua apreciação em respeito ao Princípio da Verdade Material. Em anexo, apresentou duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10980.938361/201159 Acórdão n.º 3401005.271 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.257, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.938340/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.257): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conheci mento. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor de R$ 568,44, objeto de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS/Pasep, solicitado através de PER/DCOMP. A DRJ/BHE julgou sua Manisfestação de Inconformidade improcedente, pois o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de PIS/Pasep do período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. No seu Recurso Voluntário, o contribuinte busca corrigir esta deficiência probatória, anexando duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. Contudo, entendo que ainda sim não restou comprovado o alegado pagamento a maior. Isto porque o Recorrente não fez prova do valor que deveria ter sido recolhido, no período, a título de contribuição para o PIS/Pasep. Com efeito, a indicação de rubricas contábeis com receitas financeiras e outras receitas, as quais, no entendimento do Recorrente, deveriam estar excluídas da base de cálculo das contribuições, não significa que tais valores foram efetivamente computados no cálculo inicial. Nos pedidos de restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, é necessário que o contribuinte Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10980.938361/201159 Acórdão n.º 3401005.271 S3C4T1 Fl. 5 4 apresente toda sua escrituração fiscal referente ao período para que nova apuração seja realizada, a fim de ser cotejada com a apuração inicial e assim verificar eventuais excessos ou déficits. Com os documentos apresentados, não é possível sequer comprovar que as receitas elencadas na planilha foram realmente incluídas no cálculo inicial (que resultou na apuração de R$ 15.058,00). Apesar de ter anexado uma planilha com a memória de cálculo das contribuições, o Recorrente não apresentou as rubricas contábeis, constantes do Livro Razão, que pudessem comprovar o valor total das receitas sobre as devem incidir as alíquotas das contribuições. Ao invés, anexou apenas as folhas do Razão com as receitas financeiras que deveriam ser excluídas do cálculo. Observese que até mesmo as receitas de exportação, que foram originalmente excluídas, também deveriam ser conferidas através dos registros contábeis. Em suma, deveria ser feita uma nova apuração das contribuições, o que restou inviabilizado pela ausência da documentação contábil necessária. O art. 170 da Lei nº 5.172/66 (CTN) determina a necessidade de liquidez e certeza do crédito. Apesar de se referir literalmente à compensação, obviamente aplicase também à restituição: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nos pedidos de compensação ou de restituição, o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado permanece a cargo do contribuinte, conforme art. 373 do Código de Processo Civil de 2015: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Além disso, pelo quanto exposto no Despacho Decisório, verifico que a alocação integral do DARF para quitação de débito do contribuinte indica que, ao tempo da sua emissão, a DCTF que continha este débito não havia sido retificada. O Recorrente não apresentou qualquer prova de que, mesmo a destempo, tenha feito tal retificação. Nos termos do Parecer COSIT nº 02, de 2015, a retificação da DCTF é imprescindível para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10980.938361/201159 Acórdão n.º 3401005.271 S3C4T1 Fl. 6 5 Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.720397/2015-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 17/07/2013
ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. FALSIDADE DE FATURA. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO DE MERCADORIAS.
Constatada a falsidade de documento instrutivo de despacho aduaneiro, da qual conste preço de mercadorias inferior ao real, resta configurada a fraude e a sonegação na operação de importação, o que autoriza o arbitramento do preço das mercadorias importadas. Cabível na espécie a aplicação da multa substitutiva do perdimento das mercadorias sobre o valor arbitrado.
Numero da decisão: 3401-005.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ROSALVO TREVISAN - Presidente
(assinado digitalmente)
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 17/07/2013 ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. FALSIDADE DE FATURA. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO DE MERCADORIAS. Constatada a falsidade de documento instrutivo de despacho aduaneiro, da qual conste preço de mercadorias inferior ao real, resta configurada a fraude e a sonegação na operação de importação, o que autoriza o arbitramento do preço das mercadorias importadas. Cabível na espécie a aplicação da multa substitutiva do perdimento das mercadorias sobre o valor arbitrado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 17/07/2013 ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. FALSIDADE DE FATURA. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO DE MERCADORIAS. Constatada a falsidade de documento instrutivo de despacho aduaneiro, da qual conste preço de mercadorias inferior ao real, resta configurada a fraude e a sonegação na operação de importação, o que autoriza o arbitramento do preço das mercadorias importadas. Cabível na espécie a aplicação da multa substitutiva do perdimento das mercadorias sobre o valor arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALVO TREVISAN Presidente (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 03 97 /2 01 5- 74 Fl. 619DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 579 e seguintes), contra acórdão de Impugnação proferido pela 2ª Turma da DRJ/Fortaleza, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra auto de infração relativo ao Imposto de Importação, PISImportação e ConfinsImportação. Do Auto de Infração O lançamento decorreu do exame da Declaração de Importação nº 13/13764908 (fls. 1720) registrada pela RECORRENTE, mediante a qual foram submetidos a despacho aduaneiro 7.497 roupões de banho, de uso masculino, ao preço unitário de US$ 5,00 (FOB), do exportador/fabricante estrangeiro ANHUI LIGHT INDUSTRIES INTERNACIONAL CO. LTD. Naquela oportunidade, foi verificado que · Que foi observada notável discrepância do preço declarado na operação, em US$/KG, em relação aos preços médios de mercadorias semelhantes, mesma classificação fiscal, oriundas da China. No Siscomex, foi identificado o registro de DI de mercadorias classificadas na mesma NCM, oriundas da China e embarcadas em maio/2013, no montante de 69.534,820 kg, cujo preço médio declarado foi de US$/kg 7,89 (FOB) 1. Diante disso, constatase que o preço declarado pelo interessado representa aproximadamente 80% do praticado, em média, em outras operações com características similares. · Que em pesquisa no sistema ALICEWEB2 (fl. 280) foi constatada a existência de importações provenientes da China para a NCM 6107.99.10, no período de 05/2013 e 06/2013, no total de 90.364kg e valor FOB de US$ 708.447,00, o que representa um preço médio FOB US$/KG de 7,84. · Que a comparação com a média de preços não é conclusiva ou definitiva, pois se os preços são médios é sinal de que há ocorrências acima e abaixo da média. Por outro lado, é de se esperar que abaixo da média se encontrem produtos de qualidade inferior. Ocorre que este não é o caso, afinal se trata de vestuário de marca própria, vendido em grandes redes nacionais de varejo. Conforme anuncia o importador em sua página na internet <http://cozyhome.com.br>, "São produtos de altíssima qualidade e durabilidade que proporcionam um toque macio e suave" (fl. 284). Logo, os preços Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10909.720397/201574 Acórdão n.º 3401005.163 S3C4T1 Fl. 620 3 declarados, abaixo da média para produtos de altíssima qualidade devem indicar ou que os preços declarados estão afetados por alguma condição não informada, ou que simplesmente não condizem com os efetivamente praticados, ou seja, há falsa declaração quanto às características da operação. · Que presentes fundados indícios de que a fatura comercial apresentada para instruir o despacho aduaneiro se tratava de documento forjado, em 26/08/2013, o importador foi cientificado do Termo de Início de Procedimento Especial (fls. 2531), mediante o qual foi intimado a apresentar, no prazo máximo de 20 (vinte) dias da ciência, documentos e esclarecimentos referentes à operação. · Que, em 13/09/2013, o importador apresentou resposta parcial (fls. 3258) não tendo se manifestado sobre a maioria dos pontos da exigência fiscal. A despreocupação em atender aos termos da intimação claramente se deveu ao fato do importador ter ingressado, dois dias antes, com o Mandado de Segurança n° 5007450 10.2013.404.7208 junto a 2a Vara da Justiça Federal de Itajaí pleiteando o desembaraço da mercadoria. No dia 13/09/2013, o Juiz Federal responsável deferiu a liminar para determinar o prosseguimento do despacho aduaneiro das mercadorias, mediante prestação de garantia na forma do art. 7° da IN SRF 228/02, com base nos arts. 68, parágrafo único e 80, II da MP nº 215835/2001. · Que após o importador ter prestado a garantia com base no valor total da mercadoria, conforme decisão de 10/10/2013, inclusive, com depósito complementar, a mercadoria foi desembaraçada em 21/10/2013, em cumprimento ao provimento judicial. · Que, em 02/10/2013, findo o prazo para atendimento da intimação, o interessado apresentou outros documentos (fls. 63186), limitados às cópias de dois contratos de câmbio e a extratos bancários, porém silenciando sobre os demais itens da intimação. · Que em 04/10/2013 o importador foi reintimado a prestar as informações, mediante o Termo de Intimação Fiscal n° 280/2013 SAFIA/ALF/ITJ (fls. 5962), no qual foram ressaltadas as diversas solicitações que o importador deixou de atender imotivadamente, com destaque para os itens 1, 2, 3, 4, 6, 7, 8, 9 e 11, ou seja, a quase totalidade dos itens requeridos foi ignorada, total ou parcialmente, tendo sido alertado das consequências legais pelo não atendimento das exigências. Em suma, que diante das evidências de que o preço declarado não condizia com o efetivamente praticado e que, portanto, haveria falsidade da fatura comercial, a Recorrente não atendera a contento os sucessivos pedidos de informação por parte da Aduana, tendo a Recorrente somente apresentado trocas de emails com os supostos fornecedores não havendo a possibilidade de averiguação da sua veracidade, além dos contratos de câmbio e extratos bancários que pouco acrescentaram à elucidação da operação.. Fl. 621DF CARF MF 4 Ainda, com relação às faturas apresentadas pela Recorrente quando da solicitação de esclarecimento pela Receita Federal, concluiuse que há indícios fortes de fraude, uma vez: · Que o número do contrato de venda 13AM32MM082 consta inclusive na fatura comercial de 13/05/2013. A única conclusão possível, já afastada a hipótese de erro de datação, é a de que a versão apresentada foi montada para tentar refletir a operação. Entretanto, o contrato de venda em questão NÃO REPRESENTA a operação comercial em questão, pois foi emitido quase UM ANO ANTES da negociação ter se iniciado. · Que não é apenas a data que diverge. Consta no referido contrato que a carga teria por porto de destino SÃO FRANCISCO DO SUL, mas o porto de destino é ITAJAÍ. Em 2012 ocorreram efetivamente DOIS EMBARQUES PARA SÃO FRANCISCO DO SUL de cargas deste exportador, relativas às DIs nº. 12/18079802, de 27/09/2012, também relativa aos roupões de banho, cujos embarques ocorreram em 20/08/2012 e em 26/05/2012. Os embarques posteriores foram todos pra ITAJAÍ. Acrescentouse, no termo de constatação, que, na prática, o valor pago ao fornecedor domiciliado no exterior (exportador) foi superior ao que serviu para o preenchimento da declaração de importação, dado que: · O valor declarado nos documentos instrutivos do despacho aduaneiro e na documentação representativa da operação comercial apresentada diz respeito ao fato de que o importador PAGOU AO EXPORTADOR VALOR MAIOR QUE O DECLARADO. Na DI, registrada em 17/07/2013, o importador não informou ter ocorrido qualquer pagamento anterior, omitindo a ocorrência de pagamento antecipado parcial. · De fato, enquanto o valor total pago pela Recorrente teria sido de US$ 39.360,00, o contrato de venda informa que foram negociados 7.500 roupões a US$ 5,00 cada, no valor total FOB de US$ 37.500,00. 20% desse valor corresponde a US$ 7.500,00, que equivale ao primeiro câmbio contratado. · Como foram embarcadas 3 (três) unidades a menos, ou seja, 7.497 (sete mil quatrocentos e noventa e sete) unidades, motivo pelo qual o valor total da fatura comercial é de US$ 37.485,00. Na data do pagamento do saldo, o importador já possuía a fatura, emitida dois meses antes e cujo número está mencionado no contrato. Logo, o valor do saldo a ser pago deveria ser US$ 29.985,00 (37.485,00 7500,00). NÃO FOI O QUE OCORREU, pois, o importador remeteu ao exportador US$ 31.860,00. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10909.720397/201574 Acórdão n.º 3401005.163 S3C4T1 Fl. 621 5 · O excesso de US$ 1.875,00, corresponde, considerando a quantidade encomendada (7.500), exatamente a um adicional de US$ 0,25 por unidade. Tal fato não significa que o preço efetivamente contratado foi de US$ 5,25, apenas demonstra que a fatura comercial instrutiva do despacho, bem como os documentos representativos da operação comercial (mensagens de correio eletrônico e contrato de venda) são documentos forjados a fim de dissimular a operação verdadeiramente ocorrida e que permaneceria oculta. Acrescentouse a todos esses fatos alguns indícios de documentos forjados para ludibriar o real valor da operação: · Que, o importador foi intimado a apresentar via consularizada da fatura comercial, subscrita pela mesma pessoa que assinou o documento apresentado no despacho aduaneiro, com reconhecimento público da firma aposta através de notário público, acompanhado de confirmação do serviço consular brasileiro no país do exportador. Exigiase, assim, que o importador demonstrasse que, mesmo face às indicações de falsidade documental, tratavase de documento autêntico. Também foi requerida a Lista Oficial de preços para exportação emitida pelo exportador, com firma reconhecida, e cópias das faturas proforma. · Que, na resposta apresentada em 13/09/2013 o importador ignorou a solicitação para apresentação da fatura com firma reconhecida. Em contrapartida, apresentou três documentos: lista de preços, contrato de venda e declaração de preço de venda. · Que na declaração de preço de venda (fls. 3639) o exportador teria afirmado que “Pela presente declaramos que o preço de nosso roupão de banho, que é feito de microfibra com 280g/m2, na fatura AP1332035721, é de US$ 5,00. E este preço é o mesmo para todos os clientes do mundo” (conforme tradução às fls. 35). Tal declaração estaria assinada pelo Presidente da empresa exportadora ANHUI LIGHT. O conteúdo dessa declaração é SURPREENDENTE. O exportador apresentou transcrições de supostas mensagens eletrônicas que demonstrariam que o preço de US$ 5,00 só foi oferecido após intensa negociação. O preço da mercadoria, conforme mensagens variaria entre US$ 5,50 e US$ 5,30, de acordo com o tipo de gola. O exportador teria informado que venderia pelo preço requerido por se tratar do primeiro pedido do ano. Em contrapartida, o importador comprometeuse a comprar um contêiner a cada 45 dias. “Então, como é possível que o presidente da empresa exportadora afirme que US$ 5,00 é o preço para TODOS OS CLIENTES DO MUNDO? Quem mente, o presidente do exportador? Ou tal declaração sequer Fl. 623DF CARF MF 6 foi assinada por ele, sendo materialmente falsa? Seriam forjadas as transcrições da negociação comercial? ” · Que a declaração apresentada foi acompanhada de certificado elaborado pelo China Council for the Promotion of International Trade China Chamber of International Commerce (Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional Câmara de Comércio Internacional da China) fl. 36 e respectiva tradução (fl. 34). O referido certificado contém, no verso, duas etiquetas assinadas. Uma, em língua chinesa, cujo conteúdo em vernáculo não consta na tradução apresentada, e outra com o reconhecimento da assinatura de HE JIANWEI, pelo consulado brasileiro. Entretanto, não foi HE JIANWEI quem assinou o certificado, eis que nele consta o nome LIJING, de forma que o reconhecimento só pode dizer respeito ao da etiqueta em língua chinesa no verso do certificado, cujo conteúdo em português é desconhecido4. · Que as figuras dos carimbos dessa Declaração às fls. 416 (Figuras 6, 7 e 8) mostram que o certificado atesta é que O CARIMBO da ANHUI LIGHT na declaração anexada é genuíno5. Em primeiro lugar, carimbos são objetos que contém uma estampa ou gravura, em relevo, que é reproduzida por pressão do instrumento sobre, no caso, papel. Podem ser produzidas tantas cópias de um carimbo quanto necessárias, na China, no Brasil ou no Haiti. A única conclusão possível é a de que o carimbo aposto na cópia da fatura submetida à Câmara é igual ou similar a algum modelo padrão apresentado ao órgão. Carimbos não são passíveis de perícia grafotécnica. Seria como se, no Brasil, se procedesse ao reconhecimento da autenticidade do velho “carimbo de CGC” (hoje, CNPJ), do qual há um exemplo entre os documentos juntados pelo importador (fls. 188, 204205). Paradoxalmente, a declaração em questão possui, aparentemente, uma assinatura a punho, que não foi reconhecida. Por fim, o conteúdo da declaração desmente os termos das mensagens eletrônicas representativas da operação comercial, ou é desmentido por elas. · Que nessa mesma linha, foi juntada uma Lista de Preços (Price List) – fls. 3944 e respectiva tradução. Lista de Preços é um documento onde um vendedor relaciona as mercadorias disponíveis e os respectivos preços referenciais ofertados para qualquer interessado. Obviamente, os preços de lista podem ser objeto de negociação, de modo que o preço final seja diferente do listado. É com uma lista de preços que qualquer consumidor se depara ao solicitar uma relação de preços praticados em um estabelecimento comercial. Pois bem, a Lista de Preços apresentada traz exatamente a quantidade efetivamente embarcada. Tratase, pois, de uma mera transcrição da fatura comercial, tanto que leva o mesmo número e data desta. Não se trata de uma Lista de Preços que corresponda ou contenha o que um documento similar deveria conter, sendo totalmente imprestável como documento representativo da negociação. A lista foi apresentada também acompanhada de certificado elaborado pelo Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional Câmara de Comércio Internacional da China. Tal certificado é semelhante ao anterior, tendo os mesmos dizeres e conteúdo, limitandose a reconhecer o Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10909.720397/201574 Acórdão n.º 3401005.163 S3C4T1 Fl. 622 7 CARIMBO, igual ao antes citado, e omitindose quanto à assinatura à punho. · Que o terceiro documento apresentado foi o contrato de venda “SALES CONTRACT (S/C)” nº 13AM32MM082 (fls. 4551) e respectiva tradução, cujo conteúdo já foi detalhado, sendo constatado que NÃO SE REFERE à presente operação. O documento também está acompanhado de certificado elaborado pela Câmara de Comércio Internacional da China, com os mesmos dizeres e conteúdo, limitandose a reconhecer o CARIMBO. Entretanto, há aqui duas novidades: não há assinatura à punho e o carimbo atribuído ao exportador é DIFERENTE dos demais carimbos antes citados. · Que embora demandado a apresentar a fatura com assinatura reconhecida, o importador desprezou o pedido, tendo se limitado a apresentar os três documentos antes citados e sem se manifestar quanto aos demais. · Que a fatura instrutiva do despacho leva uma terceira versão do carimbo ou “selo” do exportador, o que bem demonstra que sequer existe um padrão de carimbo determinado que possa garantir a autenticidade de qualquer documento, conforme reproduzido às fls. 418 (Figura 9 às fls. 418). · Que diante da omissão do importador em apresentar fatura com firma reconhecida, foi formalizada nova intimação (fls. 5962) onde, entre outros pontos, foi novamente demandado a apresentar via consularizada da fatura comercial, ASSINADA pela mesma pessoa que assinou a fatura comercial apresentada no despacho aduaneiro como instrutiva da DI, com reconhecimento público da ASSINATURA aposta na mesma, através de notário público, acompanhado de confirmação do serviço consular brasileiro no país do exportador. · Que, em resposta de 24/10/2013, o importador informou apresentar “Commercial Invoice original, devidamente consularizada conforme solicitado”, mas a fatura apresentada não contém RECONHECIMENTO DA ASSINATURA, sendo tal requisito novamente ignorado. Tratase do padrão adotado pela TRISOFT ao atender às intimações fiscais. Pois, embora, nessas intimações conste observação explícita para que “Caso o contribuinte não apresente quaisquer dos documentos relacionados acima, deverá apresentar justificativa por escrito, com assinatura do interessado”, o contribuinte não apresenta o requerido e, ou não se manifesta a respeito, esperando que o assunto seja esquecido, ou afirma apresentar documentos com determinadas características que não contém. · Que, além disso, o documento apresentado (fls. 211212), embora de conteúdo similar à fatura instrutiva do despacho, recebeu número diferente, deixando claro que se trata de outro documento ou versão. Fl. 625DF CARF MF 8 A fatura instrutiva tem o nº AP133203572 (fl. 21) e a posteriormente apresentada leva o nº AP1332035721. · Que no documento há também uma assinatura, não reconhecida e sem identificação do signatário. Além disso, contém mais dois carimbos, ambos do Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional de Anhui “China Council for the Promotion of International Trade (An Hui)”. Um é um carimbo institucional da entidade e o outro se encontra reproduzido na figura 13 (fls. 420). Em tradução livre consta no carimbo que “este documento é apresentado ao Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional de Anhui para o único propósito de endosso”. O documento não foi reconhecido, nem teve sua autenticidade confirmada em relação ao conteúdo ou signatário. A assinatura no documento não foi reconhecida. O endosso ou visto em questão apenas certifica que o documento foi apresentado ao Conselho, mas nada afirma sobre o documento em si, tendo efeito semelhante ao da consularização, ou seja, confere a certeza de que o documento esteve fisicamente no país onde foi endossado, conferindolhe a presunção de que foi também nele emitido. Por outro lado, nada afirma que a fatura submetida (com número diferente da instrutiva do despacho, aliás) seja materialmente verdadeira ou que o signatário é representante legal do exportador. · Que no verso do documento encontramse ainda duas etiquetas assinadas, similares às duas citadas no início deste tópico. Uma, em língua chinesa, cujo conteúdo em português é desconhecido, e outra com o reconhecimento da assinatura de HE JIANWEI, pelo consulado brasileiro6. · Que o endosso desse documento ocorreu em 30/07/2013. O procedimento especial só foi iniciado quase trinta dias depois e, em 13/09/2013, o importador apresentou a primeira resposta incompleta e evasiva, mas tal documento endossado não foi apresentado. Somente depois de ser reintimado apresentou o documento, em 24/10/2013, quase noventa dias após o endosso ter sido efetuado na China. · Que em casos similares ocorridos com outros importadores, esta fiscalização percebeu um certo padrão de conduta. O interessado é intimado a reconhecer as assinaturas nos documentos instrutivos do despacho, mas não o faz, apresentado, em contrapartida, reconhecimento de carimbos. Posteriormente, por ocasião da defesa administrativa ou judicial, alega que não é possível reconhecer as assinaturas na China e que o padrão lá adotado é o reconhecimento dos carimbos somente. Por tal motivo, defendem que a exigência fiscal é abusiva e ilegal que fere o princípio da razoabilidade, pelo que propugnam pela anulação da autuação. · Que em pesquisa em páginas oficiais do governo nacional chinês na internet é possível encontrar elementos que desmentem tais alegações. O site oficial do CONGRESSO NACIONAL DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA (The National People´s Congress of the People´s Republic of China)7 traz um link para a base de dados de leis e regulamentos (Laws & Regulations Database) onde está Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10909.720397/201574 Acórdão n.º 3401005.163 S3C4T1 Fl. 623 9 disponível a LEI NOTARIAL DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA (Notarization Law of the People's Republic of China) · Que, nos termos do artigo 11 da precitada lei, as instituições notariais, atendendo a solicitação dos interessados, devem notarizar conforme item (10) do artigo, ASSINATURA, selo e data9. Entretanto, o nome HE JIANWEI não é identificável no documento. O reconhecimento dessa assinatura pelo Consulado Brasileiro consta também nos certificados emitidos por outras entidades chinesas, de modo que só pode se referir à assinatura na etiqueta em língua chinesa cujo conteúdo em português é desconhecido e que também está presente nos outros documentos consularizados. · Que, concluise, portanto, que a única razão para que não tenha sido apresentada a fatura comercial com a firma reconhecida do presidente da empresa exportadora, a quem o importador imputa a autoria da assinatura, é a impossibilidade de reconhecer a assinatura em documento MATERIALMENTE FALSO. · Que a fatura comercial é um documento particular exigido pela legislação aduaneira para fins de desembaraço aduaneiro representativo da operação comercial. Nos termos do art. 219 do Código Civil as declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários, mas as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. No presente caso, a autuada apresentou à fiscalização aduaneira uma fatura comercial a qual sequer demonstra ter sido efetivamente emitida por quem de direito; não foi comprovada a legitimidade ou mesmo identificado de modo incontestável o signatário; o valor efetivamente pago ao exportador foi superior ao declarado no documento. Além disso, os documentos representativos da transação comercial apresentados são contraditórios entre si, não dizem respeito à operação em questão e/ou não tem autenticidade comprovada ou comprovável. Diante dos fatos acima narrados, a D. Fiscalização, nos termos da MP 2.158 35, artigo 88, buscou apurar o valor aduaneiro baseado em outros elementos (externos). Usando dessa prerrogativa legal, chegouse ao valor de US$ 8,50 por unidade (fls. 553). Da Impugnação Irresignada, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 437 e seguintes), afirmando em suma que: Fl. 627DF CARF MF 10 1 — Requer, em preliminar, a nulidade do lançamento em face de que: · Que apesar de ter sido declarada a nulidade, por vício formal do lançamento objeto do auto de Infração n° 0927800/00809/13 (fl. 398), o fiscal autor tanto deste Auto de Infração quanto do anterior, aparentemente não se deu por convencido da decisão da 2ª Turma da DRJ/FOR e abriu novo procedimento utilizandose dos mesmos vícios anteriormente verificados, o que mostra insubordinação. · Que o fiscal não poderia ter se utilizado das mesmas provas comprovadamente ilícitas. · Que não há uma existência autônoma no novo Auto. · Que não se pode admitir duplicidade de acusações em relação a fato aparentemente ilícito, uma vez que a vedação ao bis in idem estanca a vicissitude de que um mesmo fato venha a ser julgado como objeto de diferentes juízos estatais de censura. 2 — No mérito, requer a improcedência dos autos de infração em razão: · Que o fisco insiste em utilizarse de laudo de pesquisa de preço já descartados por decisão do Auto de Infração anterior, mesmo o contribuinte tendo apresentado todos os emails comprobatórios de seu acordo de preços com o exportador, prova que foi levada em consideração pelos julgadores em sua decisão favorável ao contribuinte (fl. 404 e 405). · Que o próprio autuante fala que a comparação com a média de preços não é conclusiva ou definitiva pelo fato de que as médias são apenas medidas de tendências centrais, o que quer dizer que os valores podem variar tanto para cima quanto para baixo (fl. 405). · Que o autuante afirma não ter encontrado mercadorias idênticas em outras operações e utilizouse de mercadorias similares que contêm componente diferente da utilizada pelo fornecedor do contribuinte em sua produção, o que obviamente pode alterar o preço dos produtos (fl. 424 e 425). · Que “ao contrário do que diz o fiscal foi apresentada fatura comercial original e após intimação foi emitida outra via com identificador ‘1’ ao final do mesmo número da original, foi assinado e certificado, depois de encaminhado para SRF quando da apresentação de esclarecimentos ao processo administrativo, e já consta nos autos”. · Que o fiscal se quiser, pode inclusive ir até o endereço físico do exportador na China e certificarse deste dado, já que insiste em desacreditar tudo que lhe é franqueado. · Que não há falsidade de valor, em primeiro lugar pela negociação narrada pelo próprio fiscal, em segundo como demonstrado no tópico próprio, na mesma NCM 6107.99.10. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10909.720397/201574 Acórdão n.º 3401005.163 S3C4T1 Fl. 624 11 · Que o documento está nos autos, embora o fiscal insista em desqualificar o que parece ser por absoluto desconhecimento da legislação. Caso os julgadores entendam necessário, a contribuinte pode providenciar declaração, dentro de parâmetros previamente informados pela SRF, de modo a evitar novas desconsiderações de documentos idôneos. · Que houve ao que parece erro na indicação da data do contrato, pela utilização de modelo com data de outra operação da contribuinte, mas tal equívoco somente está na data do canto do cabeçalho, em mais nenhum outro lugar. · Que o relatório aponta que o preço por quilograma líquido representa 80% do praticado em média, considerando a mesma classificação fiscal, oriundas também da China e embarcadas no mesmo período. · Que o fiscal baseado no site da empresa, onde consta informação de que as mercadorias são de excelente qualidade, quer fazer crer que deveriam ter preço da média para cima. · Que o fiscal desconsidera diversos fatores que justificam a diferença. Primeiro o tipo de embalagem, em caixas individualizadas, em plástico, apenas amarradas no pallet, ou ainda, sem qualquer outro elemento somente a mercadoria, isso pode mudar 50% do preço. · Que nada obstante o anúncio de qualidade, bordados, desenhos, recortes, capuz e outros elementos, dentro da mesma composição de poliéster fazem variar enormemente o preço. · Que consoante as notas explicativas da NCM, ela comporta fibras 100% poliéster e combinadas com outros elementos, o tamanho de cada fibra, se é circular, ou de urdume, tudo isso influi no preço. · Que se as operações utilizadas como parâmetro para o arbitramento do preço das mercadorias não levaram em consideração real aferição do tipo de mercadoria, a prova é totalmente imprestável por fazer comparação entre elementos similares. · Que a negociação influi no preço. · Que foi de péssimo hábito criticar o depósito do importador no mandado de segurança, pois vai de encontro à pretensão da fiscalização. Se o problema apontado é de 20% sobre o preço médio, requerer caução integral é evidente confisco, e configura crime de excesso de exação, assim requer seja noticiado ao Ministério Público Federal para apurar o fato (fls. 343 do auto de infração). (Grifos do original). · Que o software DW extrai dados do Siscomex com as tabulações devidas, permitindo amplos dados de elementos comparativos. Fl. 629DF CARF MF 12 Apresentar apenas uma ou duas operações é totalmente descabido, e revela quebra de imparcialidade e da boa fé do julgador, suas razões ficam ao todo desacreditadas, ainda mais quando quer fazer crer que o ônus probatório é do importador. · Que é certo que uma compra com 20% abaixo do padrão médio do período jamais pode ser tida por fraudulenta, inúmeros são os fatores que poderiam justificar a diferença de preço, negociação com o fornecedor, volume, histórico, fornecedor específico, acondicionamento, bordados, dentre outros já especificados. · Que os valores são reais e refletem a negociação ocorrida e que dentro da mesma NCM é possível vislumbrar diversos produtos com preços muito discrepantes entre si, oportunamente será enviada amostras de produtos para avaliação dos julgadores. Menciona sites da internet com domínio no Brasil referentes a produtos com a mesma NCM e preços discrepantes. · Que a autoridade faz longa ilação sobre irregularidade nos pagamentos, mas não se deu ao trabalho de verificar outras operações da importadoracontribuinte, onde houve compensação das diferenças, conforme emails que retratam o caso. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 08037341, através do qual as Impugnações foram tratadas como improcedentes, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/07/2013 AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA LEGAL. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA. A constituição de crédito tributário fundado em fatos de autuação anulada por vício formal decorre de mandamento legal, artigo 173, inciso II do CTN, e do mister exegético do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, autoridade de estado que detém, com exclusividade, o múnus público no tocante à sua realização no âmbito dos tributos administrados pela RFB. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. OPORTUNIDADE. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente, ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas, nos termos do parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto nº. 70.235/1972. INDÍCIOS CONVERGENTES. PROVA INDIRETA. INOCORRÊNCIA DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. É pacifica a aceitação pela jurisprudência administrativa da utilização da prova indireta na demonstração do fato jurídico Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10909.720397/201574 Acórdão n.º 3401005.163 S3C4T1 Fl. 625 13 tributário, desde que derivada da reunião de elementos indiciários coerentes, harmoniosos e convergentes. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer o fato revelado mediante robusto conjunto probante, não contrariado com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 17/07/2013 ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. FALSIDADE DE FATURA. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO DE MERCADORIAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA. Constatada a falsidade de documento instrutivo de despacho aduaneiro, da qual conste preço de mercadorias inferior aos real, resta configurada a fraude e a sonegação na operação de importação, o que autoriza o arbitramento do preço das mercadorias importadas. Cabível na espécie a aplicação da multa substitutiva do perdimento das mercadorias sobre o valor arbitrado e a exigência da diferença dos tributos não recolhidos, acompanhados da aplicação da multa de ofício agravada de 150% sobre a diferença apurada de tributos.Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: Devese destacar as seguintes conclusões do voto do relator: (a) Sobre as preliminares: (...) Cumpre ainda realçar que, a meu juízo, não há hierarquia funcional entre DRJ e autoridade lançadora, portanto, a constituição de novo lançamento, nos termos dos artigos 142 e 173, inciso II do CTN, é decorrência de dever legal e não ato de insubordinação como propugna a impugnante. O lançamento anterior foi anulado por decisão da maioria dos julgadores que compunham esta 2ª Turma de Julgamento à época, de que teria configurado cerceamento do direito de defesa, a não oportunização ao importador de presenciar os procedimentos de verificação física e de retirada de amostras das mercadorias importadas para fins de realização de laudo técnico. Pois bem, na presente autuação, afirma a autoridade fiscal que foi excluída qualquer menção ao mencionado laudo técnico em sua fundamentação. O que de fato se deu. Assim sendo, não vislumbro qualquer desajuste da autuação em análise em relação à decisão que anulou o lançamento anterior e nem hipótese de bitributação no novo lançamento, realizado, como já disse anteriormente, no regular exercício de atividade vinculada à lei da autoridade autuante. (b) Quanto ao mérito: A impugnante não apresentou nada de concreto que invalide as considerações feitas pela Fiscalização a respeito do comparativo de preços, apenas afirmações genéricas de que as médias são medidas de tendências centrais e que podem existir diferenças na composição ou detalhes (golas, bordados) dos produtos que afetam os Fl. 631DF CARF MF 14 preços e a indicação de sites da internet no Brasil que supostamente mostram a discrepância de preços. (...) Os emails de negociação apresentados dão conta que exportador depois de várias propostas teria aceitado vender com prejuízo ou substancial redução da margem de lucro (preço unitário do roupão de US$ 5,00), já que os custos de produção teriam aumentado, sob determinadas condições especiais, por se tratar do primeiro pedido do ano e mediante compromisso do comprador de adquirir um contêiner de mercadoria a cada 45 dias (fls. 409/411). (...) Em relação à acusação de falta de reconhecimento e de identificação do signatário da fatura comercial, a impugnante afirma que apresentou a via original desse documento e em atendimento à intimação apresentou uma outra via com identificador ‘1’ ao final do número, assinada e certificada, sugerindo ainda como possibilidade de verificação da autenticidade do documento a ida da autoridade fiscal à sede do fornecedor à China ou a apresentação de nova declaração de autenticidade dentro de parâmetros previamente informados. (...) As justificativas apresentadas pela impugnante para tais evidências não logram êxito, posto que são proposições impertinentes de providências a serem implementadas pela autoridade fiscal que se mostram redundantes, desproporcionais e desnecessárias: a proposição de ida do fiscal à China para realizar diligência na sede da empresa exportadora, é obviamente impertinente e desnecessária; a apresentação de nova declaração com parâmetros definidos pela RFB, se mostra redundante. As exigências para reconhecimento da assinatura aposta na fatura foram definidas nas intimações feitas pela Fiscalização: “via consularizada da fatura comercial, ASSINADA pela mesma pessoa que assinou a fatura comercial apresentada no despacho aduaneiro como instrutiva da DI, com reconhecimento público da ASSINATURA aposta na mesma, através de notário público, acompanhado de confirmação do serviço consular brasileiro no país do exportador” (fls. 418/419). (...) Para as evidências de falsidade nas vias dos contratos 13AM32MM082 (fls. 45/51, 213, 412/413 e 416/417), na Declaração de preço de venda (fls. 32/38 e 415/146) e na Lista de Preços (fls. 39/44 e 417) a impugnante apenas tenta justificar a do contrato, alegando equívoco na data e no porto de destino, em decorrência do uso de operação anterior como modelo do contrato em tela (fls. 440). Entretanto, essa justificativa isolada não elimina as outras evidências de falsidade apontadas pela fiscalização nesses documentos: divergências entre carimbos apostos nos documentos, inconsistência de lista de preço contendo apenas os preços dos produtos negociados, nenhum deles possui assinatura reconhecida, além das inconsistências entre eles e a via da fatura instrutiva, tais como termos de pagamento. Desse modo, julgo que os elementos trazidos pela Fiscalização são suficientes, para caracterizar a infração de falsidade ideológica e material da fatura comercial, sancionada com a multa de 100% do valor aduaneiro da mercadoria em substituição ao perdimento da mercadoria, pela impossibilidade de apreensão das mesmas, nos termos do art. 23, inciso IV, e § 3º , do DecretoLei n° 1.455, de 07/04/1976, artigos 673, 675, inciso IV, 689, inciso VI e §§ 1º e 3ºB do Decreto nº Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10909.720397/201574 Acórdão n.º 3401005.163 S3C4T1 Fl. 626 15 6.759/09 e art. 73, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, tendo em vista que a impugnante não apresentou justificação plausível às provas, a existência de pagamento em montante superior ao valor da fatura comercial instrutiva do desembaraço aduaneiro das mercadorias e a não apresentação de documento oficial de reconhecimento da assinatura nela aposta. (...) No tocante ao arbitramento, a impugnante o contesta indiretamente ao alegar que a apresentação de apenas duas operações de mercadorias semelhantes para fins de comparação, quando o software DW consegue extrair inúmeras tabulações do Sistema Siscomex, torna desacreditado todo o arbitramento. Ocorre que, a despeito da argumentação trazida pela defendente, tenho por correto o procedimento feito pela Fiscalização, trouxe aos autos apenas as operações relativas às mercadorias nas quais vislumbrou semelhança com as mercadorias em análise, tendo escolhido como parâmetro o menor preço. Ou seja, nos termos do critério legal aplicado, encontrou o preço de exportação para o país de mercadoria similar. (...) Por fim, por restar demonstrada a utilização de documentação falsa na instrução da DI, mediante artifícios fraudulentos, inclusive no tocante ao preço da mercadoria, tenho por fundamentado o arbitramento do preço das mercadorias, com o consequente aumento do valor aduaneiro das mercadorias em relação ao declarado, em conformidade com o regramento normativo vigente a aplicação da multa substitutiva do perdimento, com fulcro no art. 23, incisos IV, §§ 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976 e a exigência do II, do IPIImportação, das contribuições sociais para o PISImportação e CofinsImportação, acompanhados dos juros e da multa de ofício agravada de 150%, em decorrência da fraude evidenciada, consoante o artigo 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430/1996, c/c o artigo 72 da Lei nº 4.502/1964. Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 579 e seguintes), vindo a reprisar os argumentos apresentados na sua peça impugnatória. Além disso, veio a informar que há sentença judicial transitada em julgado quanto declarando a nulidade ao procedimento fiscal que culminou no lançamento de ofício ora impugnado, no que tange à possibilidade de aplicação de pena de perdimento. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Fl. 633DF CARF MF 16 Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Da Preliminar de Nulidade do Lançamento A alegação de nulidade levantada pela Recorrente foi calcada no argumento de que a fiscalização não poderia lavrar novo auto de infração referente a eventos que já foram objeto de lançamento anterior que vieram a ser anulados por vício formal, por incorrer em bis in idemRec Não há razão à Recorrente nesse particular. Isso porque a própria Recorrente já traz a razão para tanto: considerando que o lançamento anterior fora anulado por existência de vício formal, nada obstaria, desde que observados os limites decadenciais previstos no artigo 173, do CTN, a Receita Federal do Brasil de efetuar novo lançamento de modo a cumprir o seu dever funcional. Ao contrário, caso o agente da RFB deixasse de proceder a novo exame e lançamento, esse incorreria em falta funcional, nos termos do artigo 142, do CTN; como bem frisado no acórdão recorrido. Do Mérito (a) Incidência de Multa Administrativa de 100% sobre o valor imputado às mercadorias importadas com subfaturamento Conforme se verifica de todo o arrazoado sumarizado no Relatório, a autoridade aduaneira junta amplo espectro probatório a respeito do que seria evidências fortes de subfaturamento e, com base nesses elementos, firmou sua convicção nesse sentido. De fato, pareceme claro que a Fiscalização juntou elementos suficientes para concluir que, em obediência à verdade material houve subfaturamento nas transações entre seus fornecedores estrangeiros. Vejamos: 1. O comparativo entre o preço declarado da mercadoria importada e as médias de operações semelhantes, mesma NCM e mesmo país de origem, e do sistema ALICEWEB revelou que o preço declarado estava muito aquém (diferenças acima de 20%) do que as operações semelhantes; 2. As faturas comerciais fornecidas pela Recorrente apresentavam falta de identificação do signatário da assinatura aposta na fatura comercial, e do não reconhecimento oficial dessa assinatura; Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10909.720397/201574 Acórdão n.º 3401005.163 S3C4T1 Fl. 627 17 3. Foram assinaladas indícios de falsidade nos contratos apresentados (fls. 45/51, 213, 412/413 e 416/417), na Declaração de preço de venda (fls. 32/38 e 415/146) e na Lista de Preços (fls. 39/44 e 417); 4. Não foram identificados os intermediários na negociação por parte do exportador; 5. Foram identificados pagamentos referentes às respectivas DI´s, por meio de contratos de câmbio, em montante superior ao valor total consignado nas faturas que instruíram tais declarações de importação. De maneira contrária, a Recorrente parece ter se limitado a desconstituir os elementos trazidos pela RFB sem, no entanto, trazer documentação e provas no sentido contrário, vide as conclusões trazidas pela delegacia de julgamento às fls. 563 a 565. Na realidade, as poucas provas por ela anexadas aos autos são, a meu sentir, insubsistentes porque não se constituem de documentos oficiais e tratam de alegações genéricas de “erro” e emails cuja veracidade é difícil de atesta sem outros elementos de prova. Diante disso, entendo que a decisão não merece ser reformada no que tange à infração de falsidade ideológica e material da fatura comercial, sancionada com a multa de 100% do valor aduaneiro da mercadoria em substituição ao perdimento da mercadoria, pela impossibilidade de apreensão das mesmas, nos termos do art. 23, inciso IV, e § 3º , do Decreto Lei n° 1.455, de 07/04/1976, artigos 673, 675, inciso IV, 689, inciso VI e §§ 1º e 3ºB do Decreto nº 6.759/09 e art. 73, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03. (b) Arbitramento do Valor Aduaneiro Sendo certo que houvera subfaturamento, nos termos do item anterior, cabe avaliar se a metodologia aplicada para o arbitramento do preço real das mercadorias subfaturadas pela autoridade aduaneira obedeceu aos ditames legais. Assim dispõe o Regulamento Aduaneiro: Art. 86. A base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria nas seguintes hipóteses: I fraude, sonegação ou conluio, quando não for possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88, caput); e II descumprimento de obrigação referida no caput do art. 18, se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras, quando existir dúvida sobre o preço efetivamente praticado (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “a”). Parágrafo único. O arbitramento de que trata o caput será realizado com base em um dos seguintes critérios, observada a ordem sequencial: Fl. 635DF CARF MF 18 I Preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; ou II Preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) mediante método substitutivo ao do valor de transação, observado ainda o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. No presente lançamento, o auditorfiscal utilizouse de preço baseado no inciso I, do parágrafo único acima destacado, extraído da base de dados do SISCOMEX, considerando NCM, origem e destino idênticos ao das operações sob análise. Em protesto, a Recorrente alegara que “a apresentação de apenas duas operações de mercadorias semelhantes para fins de comparação, quando o software DW consegue extrair inúmeras tabulações do Sistema Siscomex, torna desacreditado todo o arbitramento”. Porém, mais uma vez, não logra êxito em demonstrar qual seria o preço “parâmetro” para o arbitramento. Diante disso, mantenho a decisão recorrida no que tange à aceitação dos valores arbitrados no lançamento de ofício. Por todo exposto, tomo conhecimento da peça recursal, porém negolhe provimento na sua integralidade. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Fl. 636DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001050/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/03/2008 a 31/03/2008
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. BASE LEGAL. EXISTÊNCIA.
A multa aplicada à recorrente está amparada sim em dispositivo de lei, mais especificamente no art. 30, inc. I, alínea a, da Lei 8212/91, segundo o qual a empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores a seu serviço, estando claramente definido nos arts. 92 e 102, respectivamente, os valores variáveis das multas e o seu reajustamento de acordo com os benefícios de prestação continuada da Previdência Social.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. APLICAÇÃO. RICARF.
1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo.
2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental.
3. No PAF principal, e no que toca ao mérito do recurso (a legalidade da PLR), este Conselho, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, resultado este a ser replicado no presente julgamento.
Numero da decisão: 2402-006.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 31/03/2008 a 31/03/2008 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. BASE LEGAL. EXISTÊNCIA. A multa aplicada à recorrente está amparada sim em dispositivo de lei, mais especificamente no art. 30, inc. I, alínea a, da Lei 8212/91, segundo o qual a empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores a seu serviço, estando claramente definido nos arts. 92 e 102, respectivamente, os valores variáveis das multas e o seu reajustamento de acordo com os benefícios de prestação continuada da Previdência Social. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. APLICAÇÃO. RICARF. 1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. 2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. 3. No PAF principal, e no que toca ao mérito do recurso (a legalidade da PLR), este Conselho, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, resultado este a ser replicado no presente julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 50 /2 00 8- 06 Fl. 182DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A DRJ/SP1 fez um relato preciso do lançamento e da impugnação, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: 1. Trata o presente do Auto de Infração n° 37.130.8631, de 31/03/2008, lavrado por infração ao disposto no art.. 30, inc. I, alínea “a” da Lei n° 8.212/91 e art. 4°, caput da Lei n° 10.666/03, combinado com o art. 216, inc. I, alínea “a” do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, vez que a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto, a contribuição incidente sobre pagamentos efetuados a título de Participação nos Lucros ou Resultados da Empresa, conforme Relatório Fiscal da Infração, [...]: [...] 1.2. A empresa apresentou acordos para os anos de 2001 a 2005 (pagamentos de 2002 a 2006) com os títulos PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DAS EMPRESAS DOW. Referidos acordos especificam que o valor da participação do empregado é definido como sendo um percentual aplicado sobre o valor anualizado do salário. Este percentual é composto, dentre outros, por dois fatores básicos, comuns a todos os acordos: a) LUCRO ECONÔMICO GLOBAL DA DOW QUÍMICA: alcançado pela empresa em nível global, mediante critérios de apuração previamente definidos. Para que o trabalhador faça jus ao recebimento da parcela do PLR referente a este item (lucro global) é preciso que a empresa na qual ele trabalhe tenha contribuído com este lucro, levando em consideração o volume de vendas líquidas, conforme metas específicas para Fl. 183DF CARF MF Processo nº 19515.001050/200806 Acórdão n.º 2402006.517 S2C4T2 Fl. 3 3 cada empresa. As metas do Volume de Vendas Líquidas a serem alcançadas pelas empresas individualmente não estão especificadas nos acordos; b) DESEMPENHO INDIVIDUAL OU DA EQUIPE: as cláusulas referentes a este item determinam que para que os empregados recebam qualquer participação em função do desempenho individual, ou da equipe, é necessário que o seu supervisor compare as metas individuais com o resultado obtido pelo empregado. A empresa também não demonstrou de que forma os trabalhadores eram formalmente informados ou comunicados de quais são as metas individuais que os mesmos devem atingir para fazer jus a esta parcela do PLR; 1.3. para que a empresa tivesse a oportunidade de esclarecer estes dois pontos foi emitido um TIAD (Termo e Intimação para Apresentação de Documentos), anexo a este relatório, solicitando esclarecimentos. Os esclarecimentos feitos por escrito não demonstraram como os empregados tomavam conhecimento das metas; 1.4. os fatos expostos impossibilitam afastar tais pagamentos da base de incidência da contribuição previdenciária, em virtude do disposto no §9°, alínea “j”, do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, que diz não integrar o salário de contribuição exclusivamente a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; 1.5. para que os valores a título de PLR não integrassem o salário de contribuição dos empregados, deveriam ter sido cumpridas rigorosamente todas as exigências previstas na Medida Provisória n° 794/94 e suas reedições, e na Lei n° 10.101/00, dentre as quais destacase as do §1° do art. 2°; 1.6. como os valores pagos a título de PLR integram o salário de contribuição, deveriam ter sido arrecadadas, mediante desconto dos valores pagos como PLR, as contribuições dos segurados empregados, conforme previsto na Lei n° 8.212/91, art. 30, inciso I, alínea “a”, e alterações posteriores, e no art. 216, inciso I, alínea “a” do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. 2. De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 3) e planilhas, de fls. 31/43, foi aplicada multa no montante de R$ 3.764,67 (três mil, setecentos e sessenta e quatro Reais e sessenta e sete centavos), prevista no art. 92 e 102 da Lei n° 8.212/91; art. 283, inc. I, alínea “g” e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Ainda, de acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa: 2.1. após consultar os sistemas informatizados (fls. 29/30) foi constatada a existência de Auto de Infração CFL 59, emitido em 04/09/2000, com decisão administrativa transitada em julgado em 03/10/2000; Fl. 184DF CARF MF 4 2.2 como a primeira competência em que esta nova infração foi cometida é 03/2003, ocorreu então reincidência específica (mesmo CFL código de fundamento legal 59), o que eleva o valor da multa em três vezes, conforme previsto no inc. IV, do art. 292 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Não ocorreram outras circunstâncias agravantes; 2.3. o valor mínimo da multa corresponde a R$ 1.254,89, em valor atualizado pelo inc. V, do art. 8° da Portaria MPS/MF n° 77, de 11 de março de 2008, que multiplicado por três (reincidência específica), perfaz a multa aplicada no montante de RS 3.764,67. 3. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 01/04/2008 (fls. 1), interpondo aos 30/04/2008, a defesa, de fls. 48/53, acompanhada de cópia de peças do presente Auto de Infração, instrumento de Procuração, Ata de Reunião do Conselho de Administração, Ata de Assembléia, e cópia do Relatório Fiscal da NFLD n° 37.130.864O (fls. 54/78). Em resumo, alega a defesa: 3.1. preliminarmente, argumenta a Impugnante que multa a e sua atualização é desprovida de instrumento legal hábil que a suporte, padecendo de ilegalidade; 3.2. a Impugnante contesta a multa do art. 30, inc. I, alínea “a” da Lei n° 8.212/91, que remete ao art. 92 da mesma lei, diante dos preceitos do art. 5°, incisos II, XXXIX e XLVI da Constituição Federal, vez que é necessária e imperiosa a prévia cominação legal; 3.3. a exigência da multa é ilegal também a vista do Decreto n° 3.048/99 e da Portaria MPS/MF n° 77/08: a uma, porque não se tratando de leis, não são instrumentos legislativos hábeis para estabelecer uma obrigação, mais especificamente a de pagar multa; a duas, porque decreto e portaria não sendo lei não podem impor penalidade não expressamente cominada em lei; a três, porque não têm o condão de estabelecer a pena de multa nem alterarlhe o valor; 3.4. no mérito, ainda que as preliminares não sejam acatadas, esclarece que foi autuada através da NFLD n° 37.130.8640 por ter supostamente deixado de recolher contribuições referentes a pagamento de participação nos lucros ou resultados da empresa, sendo referida notificação defendida pela Impugnante nos autos do processo 19515.001048/200829. No mérito tal notificação não deverá prosperar, pois os pagamentos a título de PLR estão de acordo com a Lei n° 10.101/00; 3.5. tendo em vista que a notificação ora impugnada é reflexiva e decorrente da NFLD n° 37.130.8640, processo 19515.001048/200829, a decisão exarada no processo principal surtirá efeitos junto a estes autos, conforme a jurisprudência, razão pela qual pede a Impugnante que a decisão naquele processo tenha repercussão neste; 3.6 pelo exposto, a Impugnante pede o total acolhimento das preliminares, cancelandose a multa imposta, bem como seja Fl. 185DF CARF MF Processo nº 19515.001050/200806 Acórdão n.º 2402006.517 S2C4T2 Fl. 4 5 reconhecida sua defesa principal, com a declaração de total improcedência da presente NFLD. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ/SP1, conforme decisão assim ementada: OBR1GAÇÃO ACESSÓRIA. REMUNERAÇÃO. DESCONTO DA CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária dos segurados empregados a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, sob pena de infração ao artigo 30, inciso I, alínea “a” da Lei n° 8.212/91, sujeitandose a aplicação da multa correspondente. MULTA. VALOR. ATUALIZAÇÃO. ARTIGO 92 DA LEI N° 8.212/91. LEGALIDADE. O artigo 92 da Lei n° 8.212/91 é norma de encerramento e cumpre o princípio da reserva legal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM DESACORDO COM LEI ESPECIFICA. Integram o salário de contribuição para os fins da Lei n° 8.212/91 a participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada em desacordo com a Lei n° 10.101/2000. A contribuinte foi intimada da decisão em 20/09/2010, através de aviso de recebimento (fl. 101) e interpôs recurso voluntário em 19/10/2010 (fls. 102 e seguintes), no qual reafirmou os argumentos da impugnação relativos à (i) ausência de suporte legal para a aplicação da multa e (ii) acerca da lançamento havido no PAF principal. Sem manifestação ou contrarrazões pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da ausência de suporte legal para a aplicação da multa Reafirmando os fundamentos de sua impugnação, a recorrente assevera que a multa, sua gradação e sua atualização estariam desprovidas de suporte legal. Fl. 186DF CARF MF 6 Todavia, e conforme consta do próprio relatório fiscal, a multa aplicada à recorrente está amparada sim em dispositivo de lei, mais especificamente no art. 30, inc. I, alínea a, da Lei 8212/91, segundo o qual a empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores a seu serviço, estando claramente definido nos arts. 92 e 102, respectivamente, os valores variáveis das multas e o seu reajustamento de acordo com os benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Vejase: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; ......................................................................................................... Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. ......................................................................................................... Art.102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Logo, rejeitase a preliminar aventada pelo sujeito passivo, cabendo, pois, analisar o mérito recursal. 3 No mérito do resultado do PAF principal Conforme relatado, este lançamento decorre do descumprimento de obrigação acessória vinculada ao descumprimento de obrigação tributária principal (o pagamento de PLR em desacordo com lei específica). Expressandose de outra forma, caso fossem insubsistentes as contribuições lançadas, seria igualmente insubsistente a multa aplicada neste Auto de Infração, cujo fato gerador é exatamente a falta de desconto e arrecadação das contribuições dos segurados, incidentes sobre a PLR, que foi tida por ilegal. Pois bem. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o RICARF preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. Entre os processos reflexos incluemse os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies (vide § 8º do art. 6º do Regimento), como é o caso sob apreço. Muito embora o PAF principal já tenha sido julgado (vide fls. 147 e seguintes), e conquanto tal julgamento tenha sido levado a cabo por um colegiado com uma Fl. 187DF CARF MF Processo nº 19515.001050/200806 Acórdão n.º 2402006.517 S2C4T2 Fl. 5 7 composição totalmente diferente, deve ser prestigiado o espírito condutor da norma do art. 6º encimado e o próprio princípio da segurança jurídica, devendo ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do PAF principal, no qual houve o lançamento das contribuições. Deve ser assinalado, aliás, que a única matéria distinta deste PAF (a violação ao princípio da reserva legal) foi julgada no tópico anterior. No PAF principal, e no que toca ao mérito do recurso (a legalidade da PLR), este Conselho, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, fazendoo nos seguintes termos: ACORDAM os membros do Colegiado, nas Preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência das competências até 03/2003, com base no S 4°, do artigo 150, do CTN. No mérito, por maioria de votos em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mess Stringari. Como o PAF principal não está em apenso, cabe transcrever o voto condutor do acórdão: DO MÉRITO DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR A Recorrente foi autuada por não ter incluído na base de cálculo das Contribuições Previdenciárias os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR, aos funcionários (referentes a cota pratronal de 20%, RAT 3% e Terceiros SESI, SENAI, SEBRAE, INCRA 3,3%), nos termos do art. 28, § 9°, "j" da Lei n. 8.112/91, que assim dispõe, verbis: [...] Da supracitada transcrição, constatase que o legislador visou a proteção não só do trabalhador, como também da Previdência Social, para que sejam excluídas da base de cálculo da Contribuição Previdenciária aqueles valores que de fato constituam Participação nos Lucros e Resultados PLR, pagos aos empregados a estimular o trabalho desenvolvido. A solução do litígio se resume em verificar se os pagamentos feitos pela Recorrente, a título de PLR, atenderam ou não às supracitadas normas, bem como à luz da hodierna jurisprudência. O STJ trouxe, de forma didática, os critérios a serem observados para aplicação da referida isenção, verbis: [...] Da análise da supracitada legislação, cumulada com as lições extraídas dos referidos julgados, abstraise que, no âmbito Judicial, para as verbas pagas a título de PLR serem excluídas da base de cálculo da Contribuição Previdenciária, deve atender, simultaneamente, ao que segue: Fl. 188DF CARF MF 8 a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. No âmbito Administrativo, analisando caso análogo ao discutido nos autos, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 09 de março de 2010, julgando o Proc. n. 10680.009628/200705, prolatou o Acórdão n. 920200.503, de Relataria do Dr. Elias Sampaio Freire. Desse julgamento, mister se faz destacar as lições que embasaram o voto do Conselheiro Relator, verbis: "Assim, para a PLR ser paga de acordo com a legislação específica deve, cumulativamente: a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também,por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regas claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos e quanto a fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; f) Por fim, a legislação determina formas de resolução de impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas finais." (grifo nosso) Conforme esclarecimento prestado pela fiscalização na fl. 215, especificamente no item "3", subitens "10.1" e "10.2", respectivamente, constatase a presença das supracitadas letra "a" e "b". Da análise das fls. 04/19, verificase que não houve mais de dois pagamentos num mesmo ano, logo, presente a letra "e". Como a letra "f" trata sobre a resolução de litígio, a mesma se faz presente quando o mesmo ocorrer. Conforme fls. 36/37, cumulada com as fls. 165/200 dos autos, verificase a presença de regras claras e objetivas, além da Fl. 189DF CARF MF Processo nº 19515.001050/200806 Acórdão n.º 2402006.517 S2C4T2 Fl. 6 9 ausência de complementação à remuneração, presente, portanto, as letras "b" e "d". Nesse aspecto, mister se faz destacar trechos do "ACORDO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DAS EMPRESAS DOW PARA O EXERCÍCIO DE 2003", constante na página 4, verbis: "A meta de participação fica baseada nos seguintes percentuais: • Lucro Econômico corresponderá a 50% da meta de participação, • Redução Global de Despesas Controláveis corresponderá a 25% da meta de participação e • Desempenho individual ou da equipe corresponderá a 25% da meta de participação. " Ademais, na mesma página 4 há todas as definições e conceitos relacionados ao PLR que a Recorrente paga aos seus funcionários. A fiscalização e DRJ entenderam que a Convenção Coletiva de Trabalho não trouxe regras claras e objetivas em relação às metas, razão pela qual, no que tange à letra "b", mister se faz trazer à baila os pontos de convencimento deste Julgador: Conforme destacado alhures, especificamente nas fls. 36/37, o próprio Relatório Fiscal destacou que consta na CCT, como critérios os seguintes: LUCRO ECONÔMICO GLOBAL DA DOW QUÍMICA x DESEMPENHO INDIVIDUAL OU DA EQUIPE. Este Julgador não constata nenhum problema em utilizar como parâmetro o "Lucro Global" da empresa, até porque, como destacou a Recorrente, por se tratar de uma multinacional, evita a disparidade entre os lucros recebidos pelos funcionários nos diversos países. A Recorrente sustenta e comprova que as metas eram traçadas pela equipe, juntamente com o supervisor. Sendo esse o ponto principal do caso em tela, tendo em vista que a DRJ entendeu haver um aspecto subjetivo, bem como ausência de regras claras e objetivas, razão pela qual manteve o lançamento. Da análise do supracitado Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, o mesmo transcreve trecho da CCT, que traz a mesma situação acima, conforme se extrai abaixo, verbis: [...] Logo, diante do exposto, verificase que o caso em tela é análogo ao ensejador da jurisprudência oriunda da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, que tem o condão de uniformizar a Jurisprudência Administrativa. Fl. 190DF CARF MF 10 Portanto, comprovado que os pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados estão em consonância com os critérios estabelecidos na legislação, não deve incidir Contribuição Previdenciária. Desta forma, este mesmo resultado deve ser replicado ao presente julgamento. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720152/2011-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSTÂNCIA ESPECIAL. PRELIMINAR ARGUIDA DA TRIBUNA. CONHECIMENTO.
Não se conhece de preliminar arguida em sede de memorial ou sustentação oral, cujo conteúdo não tem pertinência com o objeto do Recurso Especial, tampouco é aplicável ao Processo Administrativo Fiscal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. PARADIGMA. VOTO VENCIDO E VOTO VENCEDOR. DENOMINAÇÃO. IRRELEVÂNCIA.
Atendidos os pressupostos regimentais, o Recurso Especial deve ser conhecido. No contexto dos acórdãos do CARF, o voto vencedor retrata a tese vencedora apenas quanto às matérias em que o relator originário restou vencido. No presente caso, a relatora originária do acórdão paradigma restou vencida apenas quanto à qualificação da multa, portanto o seu voto, ainda que denominado de vencido, retrata o posicionamento do Colegiado relativamente à matéria principal, objeto do Recurso Especial.
FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA.
Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste.
Numero da decisão: 9202-007.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da preliminar de aplicação da Lei nº 13.655, de 25/04/2018, ao presente julgamento, suscitada da tribuna, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que a conheceram. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Entretanto, findo o prazo regimental, os Conselheiros não apresentaram as Declarações de Voto, que devem ser tidas como não formuladas, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSTÂNCIA ESPECIAL. PRELIMINAR ARGUIDA DA TRIBUNA. CONHECIMENTO. Não se conhece de preliminar arguida em sede de memorial ou sustentação oral, cujo conteúdo não tem pertinência com o objeto do Recurso Especial, tampouco é aplicável ao Processo Administrativo Fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. PARADIGMA. VOTO VENCIDO E VOTO VENCEDOR. DENOMINAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Atendidos os pressupostos regimentais, o Recurso Especial deve ser conhecido. No contexto dos acórdãos do CARF, o voto vencedor retrata a tese vencedora apenas quanto às matérias em que o relator originário restou vencido. No presente caso, a relatora originária do acórdão paradigma restou vencida apenas quanto à qualificação da multa, portanto o seu voto, ainda que denominado de vencido, retrata o posicionamento do Colegiado relativamente à matéria principal, objeto do Recurso Especial. FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste.
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INSTÂNCIA ESPECIAL. PRELIMINAR ARGUIDA DA TRIBUNA. CONHECIMENTO. Não se conhece de preliminar arguida em sede de memorial ou sustentação oral, cujo conteúdo não tem pertinência com o objeto do Recurso Especial, tampouco é aplicável ao Processo Administrativo Fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. PARADIGMA. VOTO VENCIDO E VOTO VENCEDOR. DENOMINAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Atendidos os pressupostos regimentais, o Recurso Especial deve ser conhecido. No contexto dos acórdãos do CARF, o voto vencedor retrata a tese vencedora apenas quanto às matérias em que o relator originário restou vencido. No presente caso, a relatora originária do acórdão paradigma restou vencida apenas quanto à qualificação da multa, portanto o seu voto, ainda que denominado de vencido, retrata o posicionamento do Colegiado relativamente à matéria principal, objeto do Recurso Especial. FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 01 52 /2 01 1- 00 Fl. 927DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da preliminar de aplicação da Lei nº 13.655, de 25/04/2018, ao presente julgamento, suscitada da tribuna, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que a conheceram. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Entretanto, findo o prazo regimental, os Conselheiros não apresentaram as Declarações de Voto, que devem ser tidas como não formuladas, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de exigência de multa isolada por falta de retenção e recolhimento de Imposto de Renda na Fonte IRF, exigida com base no art. 9º, da Lei nº. 10.426, de 2002, incidente sobre valores distribuídos pela autuada a título de juros sobre o capital próprio, para a empresa Neoenergia S/A, nos anos calendário de 2005 a 2008. Em sessão plenária de 28/01/2016, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401004.071, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. ALTERAÇÃO PROMIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007. A multa isolada prevista no art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, com redação dada pela Lei nº. 11.488/2007, deixou de aplicar a multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 aos casos de ausência de retenção de IRRF com posterior pagamento do tributo, por fazer menção expressa ao inciso I deste artigo, que trata somente da multa aplicada ao lançamento de ofício realizado nos casos de ausência de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 928 3 AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. FATOS GERADORES ANTERIORES À ALTERAÇÃO PROMIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106, II, a, DO CTN. Para os fatos geradores ocorridos anteriormente a alteração da redação do art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, promovida pela Lei nº. 11.488/2007, aplicase a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, ante o fato de a referida alteração ter deixado de prever a aplicação da multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA. Conforme Súmula CARF n. 02, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei. DECADÊNCIA. No caso de lançamento sujeito a homologação, a não antecipação do imposto devido importa no prazo decadencial conforme o art. 173, I do CTN. Recurso Voluntário Provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos na votação os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini. Redação do voto vencedor a cargo do conselheiro Carlos Alexandre Tortato." O processo foi encaminhado à PGFN em 02/05/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 832) e, em 02/06/2016, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 833 a 845 (Despacho de Encaminhamento de fls. 877), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir a aplicação da multa por falta de retenção e recolhimento de Imposto de Renda na Fonte IRF, exigida com base no art. 9º, da Lei nº. 10.426, de 2002. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 26/08/2016 (fls. 879 a 885). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: a imposição da multa isolada a ser aplicada à fonte pagadora pela falta de retenção e recolhimento do imposto de renda está prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, que assim dispõe: “Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 929DF CARF MF 4 a redação original do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mencionava apenas os incisos I e II do caput do art. 44 que, à época, referiamse às multas de ofício de 75% e de 150%, enquanto que as hipóteses de multas isoladas previstas no artigo 44 encontravamse descritas no §1º, incisos II a IV (o inciso V já havia sido revogado), ou seja, o mencionado artigo 9º criou novas hipóteses de incidência para a multa isolada, fazendo menção ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tão somente para fixar os percentuais a serem aplicados (75%, no caso geral, e 150%, nos casos de evidente intuito de fraude); a alteração introduzida pela Lei nº 11.488, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deslocando as multas de ofício de 75% e 150%, dos incisos I e II do caput, para o inciso I e § 1º, foi acompanhada da alteração promovida no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, cuja redação passou de "Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, [...]." para "Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu §1º, quando for o caso,[...]"; importa ressaltar que a parte final do artigo em comento foi alterada, apenas, para excluir a multa isolada devida pelo recolhimento em atraso de tributo ou contribuição a título de antecipação, sem o acréscimo da multa moratória, de forma semelhante à alteração feita no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a exclusão da multa isolada prevista originalmente no inciso II, do § 1º, do referido artigo; a partir da leitura do citado dispositivo legal extraise que mera falta de retenção já é expressamente caracterizada como o tipo legal ensejador da multa, sendo irrelevante, dado o caráter de obrigatoriedade e estrita vinculação do lançamento previsto no art. 142 do CTN, que a beneficiária do pagamento tenha ou não oferecido os rendimentos à tributação; a multa exigida isoladamente no presente lançamento, em razão da falta de retenção do IRRF, tem como fundamento legal o art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, c/c o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996; impende salientar, por oportuno, que encontrase pacificado neste Conselho o entendimento de que, quando existe previsão de tributação na fonte, a título de antecipação do imposto devido pelo beneficiário dos rendimentos, e a ação fiscal for instaurada após o encerramento do anocalendário ou do período de apuração do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário por meio de lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos; em suma, nesse caso, o rendimento deveria ser tributado pelo beneficiário, exigindose da fonte pagadora a multa de ofício de forma isolada, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002; na situação em cotejo, estamos verificando multa contra a fonte pagadora por não ter realizado a obrigação de reter na fonte os valores prescritos na lei, portanto não há que se mencionar que essa multa perde fundamento com o oferecimento à tributação do beneficiário ou mesmo com o mero encerramento do anocalendário (quando o imposto não é mais exigível da fonte pagadora); as obrigações são distintas, uma de declaração e pagamento do tributo e outra de necessidade de retenção, e no caso concreto está se imputando à recorrente a multa por não ter retido, e não pela ausência de declaração/pagamento; Fl. 930DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 929 5 por oportuno, cabe destacar que a matéria foi objeto de pronunciamentos administrativos, que interpretaram e normatizaram a aplicação da multa, sendo o mais relevante, pela profundidade da abordagem, o Parecer Normativo nº 1/2002, da Receita Federal, cujos excertos ora se transcreve: “IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação.” convém lembrar que não cabe ao julgador relevar penalidades ou conceder qualquer redução nas multas de ofício lançadas, sem que haja previsão legal para tanto; o Código Tributário Nacional prevê, em seu art. 97, que somente a lei pode determinar hipóteses de dispensa ou redução de penalidade: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.” sob essa ótica, não se pode criar hipótese de dispensa da multa isolada não prevista na legislação; considerandose que a criação de nova hipótese de dispensa de multa não configura integração ou interpretação extensiva da norma, mas, evidentemente, uma novidade no ordenamento jurídico, tal procedimento, quando efetuado pelo aplicador da lei, decorre de um juízo de equidade, inadmitido pelo ordenamento para criar situações de dispensa do pagamento do crédito tributário devido; é certo que na esfera administrativa não cabe a apreciação das alegações de inconstitucionalidade das leis ou a determinação de que estas deixem de ser aplicadas a um caso concreto, sob alegação de que ferem princípios da razoabilidade, proporcionalidade ou Fl. 931DF CARF MF 6 vedação ao confisco, tendo em vista o já mencionado caráter vinculado do lançamento previsto no art. 142, do CTN; diante do exposto, considerando que o sujeito passivo, na qualidade de fonte pagadora, deixou de reter o IRRF a que estava obrigado, afigurase correta a exigência de multa de ofício isolada, nos termos do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido e restabelecendose integralmente o lançamento. Cientificada em 14/02/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 889), a Contribuinte ofereceu, em 01/03/2017 (comprovante de postagem de fls. 897/898), as Contrarrazões de fls. 899 a 923, contendo os seguintes argumentos: preliminarmente, não foram preenchidos os requisitos de admissibilidade e conhecimento do Recurso Especial, no que tange ao paradigma representado pelo Acórdão nº 210200.465; conforme relatado pela Recorrente, o voto da Relatora, que restou vencida no julgamento, é no sentido de que as alterações na Lei 9.430, de 1996, mantiveram a exigência da multa isolada quando não houver retenção na fonte; no entanto, ao contrário do que alega a Recorrente, o voto vencedor não abordou a questão sob a ótica da extinção da multa isolada, conforme decidido no acórdão recorrido; a partir da leitura dos votos vencedor e vencido, inferese que a divergência instaurada se concentrou quanto à qualificação ou não da multa, todavia em nenhum momento o voto vencedor reconhece ou sequer anui o entendimento de que as alterações legislativas perpetradas na Lei n. 9.430, de 1996, não teriam revogado a exigência da multa na sua forma isolada; nos termos do voto vencedor e da própria ementa do julgado paradigma, a Turma entendeu pela manutenção da multa, assim entendida como multa de ofício; confirase a ementa do julgado e o trecho do voto que deixam claro que tanto a ementa como o voto vencedor não tratam da revogação da multa isolada: Ementa "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 IRRF FALTA DE RETENÇÃO MULTA EXIGIDA DA FONTE PAGADORA Havendo previsão legal expressa para sua exigência, nos termos do art. 9o da Lei n" 10.426/2002, deve ser mantido o lançamento que exige da fonte pagadora a multa incidente sobre a falta de retenção e recolhimento do IRRF. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. EMPRESA DE MARKETING DE INCENTIVO. MANOBRA PARA OCULTAR A Fl. 932DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 930 7 OCORRÊNCIA DO FA O GERADOR. SONEGAÇÃO. HIGIDEZ DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA LANÇADA. Os pagamentos feitos por intermédio do cartão de incentivo, com a utilização de empresa de marketing como intermediária, são, na verdade, uma grosseira manobra diversionista com o fito de ocultar do fisco a tributação que deveria incidir sobre tais pagamentos. Higida a qualificação da multa de oficio, já que se demonstrou à sociedade a manobra perpetrada pelo fiscalizado para simular situações não existentes, ocultando da fiscalização o conhecimento da ocorrência do fato gerador, que é o conhecido legalmente como sonegação (art. 71 da Lei n°4.502/64). Recurso voluntário negado." (grifos nossos) Voto vencedor "Com a devida vênia a nobre relatora, a quem tenho elevado respeito por seus ponderados posicionamentos jurídicos em votos prolatados no âmbito desta Turma de julgamento, ouso discordar da desqualificação da multa de oficio, como proposto no voto vencido, já que considero a conduta perpetrada pelo contribuinte EMERSON SISTEMAS DE ENERGIA LTDA de extrema gravidade." ora, não se nega que a Lei nº 9.430, de 1996, manteve a exigência da multa de ofício para casos de não retenção na fonte, entretanto, o que restou consignado no acórdão ora recorrido é que a multa aplicada em desfavor da Recorrente, na sua modalidade isolada, é ilegal e insubsistente, uma vez que a nova redação do art. 44, da Lei 9.430, de 1996, revogou a multa na sua modalidade isolada; assim sendo, resta evidente que o acórdão recorrido e o acórdão paradigma tratam de situações fáticas distintas e, em especial, de premissas diferentes; ademais, se a razão da utilização de acórdão/voto paradigma é justamente demonstrar a divergência de entendimento em turmas julgadoras, valerse de voto vencido para embasar a interposição de Recurso Especial é subverter toda a ordem lógica dos ditames processuais; isto posto, considerando que a Recorrente valeuse do voto vencido para promover o cotejo analítico entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido, e tendo em vista que o voto vencedor utilizouse de premissas fáticas distintas daquelas utilizadas no acórdão recorrido, resta claro que a Recorrente não cumpriu o requisito processual, sendo imperioso o não conhecimento do Recurso Especial; quanto à revogação da hipótese de lançamento de multa isolada pelo não recolhimento do IRRF, nas razões do seu Recurso Especial a Recorrente defende "a imposição da multa isolada a ser aplicada na fonte pagadora pela falta de retenção e recolhimento do imposto de renda está prevista no art. 9º da Lei nº 10.426/2002"; no entanto, a Recorrente limitouse a pugnar pela manutenção da multa, sem, contudo, impugnar o efetivo argumento de mérito utilizado pela turma julgadora para prover o Recurso Voluntário da ora Recorrida: a revogação da multa de 75% na sua modalidade isolada para casos de não retenção na fonte; Fl. 933DF CARF MF 8 conforme amplamente exposto nos autos e expressamente consignado no acórdão recorrido, a aplicação da multa isolada sobre a falta de recolhimento do IRRF deixou de existir, nos termos do artigo 14 da Medida Provisória n° 351, de 2007, não podendo, portanto, ser exigida na presente hipótese; com efeito, a Medida Provisória n° 351, de 2007, publicada em 22/01/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007), alterou a redação do artigo 44, § 1º, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, alterando a sistemática de aplicação das multas de ofício e das multas isoladas; de fato, com base na nova formatação do artigo 44, a multa somente pode ser exigida de forma isolada, e à razão de 50%, nas hipóteses previstas no inciso II, alíneas "a" e "b" (ausência de recolhimento por estimativa/carnêleão); da mesma forma, a MP nº 351 alterou a redação do artigo 9º da Lei nº 10.426, de 2002; verificase que a nova redação do artigo 9º passou a fazer referência apenas ao inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (multa de ofício pelo nãorecolhimento) e não ao inciso II, que prevê a cobrança de multa isolada; como consequência, o artigo 9º da Lei nº 10.426, de 2002, somente pode ser aplicado com a imposição da multa de ofício, quando verificada a falta de recolhimento do IRRF, quando deverá ser exigida a multa de ofício, juntamente com o principal e juros moratórios; todavia, essa hipótese (exigência do principal, multa de ofício e juros da fonte pagadora) somente se aplica quando apurado o nãorecolhimento do IRRF sujeito à (i) tributação definitiva, ou (ii) antes de encerrado o período de apuração do beneficiário dos rendimentos, no caso de IRRF considerado como antecipação do imposto por ele devido; portanto, não existe mais a hipótese da aplicação da multa de ofício isolada nos casos de não retenção ou não recolhimento do IRRF, previsto no artigo 9º da Lei nº 10.426, e nesse sentido, confirase decisão do E. Conselho: "MULTA ISOLADA REVOGAÇÃO A nova redação do artigo 44 da Lei n° 9.430 de 1.966, dada pela Medida Provisória 351 de 2.007, convertida na Lei 11.488 de 2.007, revogou a aplicação da multa de ofício isolada na hipótese de falta de retenção de IRRF pela fonte pagadora quando o lançamento é praticado após o termo de entrega da Declaração de Ajuste Anual do beneficiário dos rendimentos pagos". (Ac. 10248.531 g.n.) desta forma, conforme amplamente demonstrado acima e confirmado pelo entendimento da jurisprudência do E. Conselho, não se aplica à hipótese dos autos a multa de ofício prevista no artigo 9º da Lei nº 10.426, de 2002, pois no presente caso o beneficiário do rendimento ofereceuo à tributação, no momento do pagamento/creditamento, e a Contribuinte efetuou o recolhimento da multa moratória; ademais, ainda que assim não se entenda, o que se admite apenas a título de argumentação, na remota hipótese de se considerar devida a multa ora impugnada, cumpre ressaltar que a exigência em questão padece de vício, eis que inexistente, no presente caso, base de cálculo a sustentar a sua cobrança; Fl. 934DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 931 9 isto porque, nos termos do parágrafo único do artigo 9º da Lei nº 10.426, de 2002, a multa de que trata o referido artigo será calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado; contudo, conforme se observa do caso em questão, os valores pagos a título de JCP pela Contribuinte já foram oferecidos à tributação pela beneficiária na data de seu vencimento, não havendo, portanto, base de cálculo para apuração da multa supostamente devida; ademais, como se não bastasse a revogação da hipótese de cobrança de multa isolada ao caso em espécie, fato é que as multas isoladas, após a Lei nº 11.488, de 2007, somente podem ser cobradas à razão de 50% do valor do imposto, no caso de recolhimento mensal (estimativa) e não 75%, em caso que não se confunde com o recolhimento mensal, como aplicou o Sr. Auditor Fiscal, o que apenas reforça a improcedência da exigência em questão; em conclusão, temse que: i) do pagamento do principal, houve a efetiva comprovação de que o beneficiário do JCP ofereceu a receita à tributação: do simples exame do Livro Razão (doc. 03), verificase que a Neoenergia S/A ofereceu à tributação, oportunamente e portanto antes da lavratura do lançamento ora combatido, o valor creditado/recebido a título de Juros Sobre o Capital Próprio JCP, inexistindo, portanto, a figura do não recolhimento da obrigação principal; ii) do recolhimento da multa de mora, previamente a qualquer procedimento, a Contribuinte a recolheu, fato que a exonera da imputação de qualquer modalidade de penalidade, inclusive a imputação de multa isolada: em face da não retenção do imposto de renda na modalidade Fonte quando do seu creditamento/pagamento, a Contribuinte, antes da instauração de qualquer procedimento, espontaneamente recolheu a multa de mora devida em face da não retenção, fato que, agregado ao oferecimento da receita à tributação pela Neoenergia, a exonera da imputação de qualquer penalidade ou modalidade de multa, nos termos e para os efeitos do artigo 138 do CTN; iii) a CoordenaçãoGeral de Tributação afirma que extinguese a responsabilidade pela retenção no momento em que o benficiário do pagamento oferece os rendimentos à tributação: nos termos do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação nº 1/2002, quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do tributo se extingue no momento em que o beneficiário do pagamento oferece os rendimentos à tributação; portanto, não cabendo a imputação de responsabilidade em face da obrigação principal, não há como subsistir a imputação de obrigação acessória ou de multa decorrente do descumprimento desta; iv) o artigo 9º da Lei nº 10.425, de 2002, previa a hipótese de aplicação da multa isolada apenas nos casos em que o pagamento a destempo estivesse desacompanhado do recolhimento da multa de mora: inaplicável o lançamento da multa com base no artigo 9º da Lei nº 10.425, de 2002, na medida em que a hipótese prevista na norma reclama a coexistência de duas condições: a não retenção/recolhimento; e, concomitantemente, o não recolhimento de multa de mora; no caso, inexistiu a retenção, contudo houve o oferecimento à tributação e o recolhimento da multa de mora, fato que afasta a ocorrência da segunda condição ausência do Fl. 935DF CARF MF 10 recolhimento da multa de mora necessária à aplicação do artigo 9º da Lei nº 10.425, de 2002; v) a aplicação da multa isolada foi revogada com a nova redação do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996: com a publicação da Medida Provisória nº 351, de 2007, que deu nova redação ao artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a multa de oficio em questão, lançada de maneira isolada, restou claramente revogada em face da sumária supressão do seguimento de linguagem "recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa moratória"; com efeito, a nova redação introduzida em 2007, por força da MP 351, de 2007, restringe a aplicação da multa de ofício apenas aos casos de não pagamento ou recolhimento, da falta de declaração ou de declaração inexata (casos de ausência de cumprimento da obrigação principal), fato que exclui a imputação de multa em casos como o presente, em que a receita foi oferecida a tributação e regularmente declarada pela empresa beneficiaria anteriormente a qualquer procedimento do Fisco; quanto à aplicação do Parecer Normativo CST nº 01/02, após sustentar a manutenção da multa em virtude do disposto no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, alega a Recorrente que a aplicação da multa para casos de não retenção na fonte já foi objeto de diversos pronunciamentos administrativos, que interpretaram e normatizaram a matéria, em especial, referido parecer; inicialmente, cumpre repisar que as normas internas da Receita Federal não têm o status de lei, e limitamse a regulamentar hipóteses típicas instituídas por lei, logo, a existência de Parecer Normativo, por si só, não vincula a conduta dos Contribuintes; ainda que o disposto no referido parecer fosse contrário ao procedimento adotado pela Contribuinte, fato é que tal ato normativo foi editado em 24/09/2002, ou seja, antes da vigência da Lei nº 11.488, de 2007, que revogou a imposição de multa isolada, no caso de não retenção na fonte do Imposto de Renda; no entanto, fato é que o disposto no Parecer Normativo n° 1/2002 se coaduna com o procedimento praticado pela Contribuinte, já que, conforme o parecer, quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo Contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual; com efeito, nos anoscalendário de 2004 a 2007, a Contribuinte efetuou o pagamento de Juros sobre o Capital Próprio JCP à sua empresa controladora Neoenergia S/A, sem reter e recolher o IRF incidente sobre tal valor; ocorre que, conforme amplamente demonstrado, apesar de a Contribuinte não ter procedido à retenção e o recolhimento do IRF, em razão do pagamento dos JCP distribuídos, a empresa Neoenergia S/A ofereceu tais rendimentos à tributação oportunamente e, portanto, antes da lavratura do lançamento ora combatido, inexistindo, portanto, a figura do não recolhimento da obrigação principal; além desses valores terem sido oferecidos à tributação pela beneficiária Neoenergia S/A, vale ressaltar, por oportuno, que a Contribuinte efetuou o recolhimento da multa de mora devida em razão da falta de retenção e recolhimento do IRF; visto isso, cumpre destacar que, consoante se verifica da leitura do Parecer Normativo CST nº 1, de 2004, a responsabilidade da Contribuinte pelo recolhimento do tributo Fl. 936DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 932 11 extinguese após o encerramento do período de apuração em que o beneficiário do pagamento ofereceu tais importâncias à tributação; confirase: "PARECER NORMATIVO N° 1, DE 24 DE SETEMBRO DE 2002 (...) IRRF. RETENÇÃO EXCLUSIVA. RESPONSABILIDADE. No caso de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese. no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega d declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a muita de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica: exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação. IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Fl. 937DF CARF MF 12 (...) 16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9o da Lei nº 10.426, de 2002, constatandose que o contribuinte: a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; b)submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora." (g. n.) assim, tendo em vista que os valores recebidos pela beneficiária Neoenergia S/A, no presente caso, a título de Juros Sobre Capital Próprio foram oferecidos à tributação, concluise que o procedimento praticado pela Contribuinte encontrase em consonância com o Parecer Normativo CST n° 1, de 24/09/2002 e, portanto que a responsabilidade da Contribuinte pela retenção e recolhimento do imposto extinguiuse na data do encerramento do período de apuração em que o rendimento foi tributado; citese, neste sentido, o entendimento do Conselho de Contribuintes: IRF ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO APURADO APÓS A DATA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO Se a previsão da tributação na fonte dáse por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual de rendimentos, e se a ação fiscal ocorrer após a data de entrega desta declaração anual, descabe a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, deverá ser efetuado em nome do beneficiário do rendimento. Recurso provido" (Ac n° 10417516 g. n.) ainda, no que concerne à possibilidade de exigência de eventuais encargos legais da Fonte, o Parecer Normativo n° CST n° 1/2002, de fato, determina que caso o beneficiário do rendimento o tenha submetido à tributação, poderão ser exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora. ocorre que o mencionado parecer deve ser analisado à luz da nova legislação que rege a matéria (Lei n° 11.488, de 2007); com efeito, não há mais como se exigir a multa de ofício da fonte pagadora dos rendimentos, após o recolhimento do tributo pelo beneficiário; e isto porque a imposição da multa pretendida (multa de ofício da ordem de 75%) só seria aplicável nos casos em que não houve recolhimento do imposto pelo beneficiário do rendimento, que o recolhimento tenha sido feito extemporaneamente ou, ainda, que a fonte Fl. 938DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 933 13 pagadora ainda não tenha recolhido a multa de mora, antes da ação fiscal (como é o caso dos autos); nesse sentido, confirase decisão do CARF: "IRRF FALTA DE RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA Lançamento praticado após o termo de entrega da Declaração de Ajuste Anual do beneficiário dos rendimentos. Responsabilidade pelo pagamento do tributo atribuída ao beneficiário dos rendimentos. Parecer Cosit n° 1 de 2002." (Ac. 10248531 g.n.) como corolário de todas as assertivas, cumpre destacar outro trecho do voto do Relator Geraldo Valentim no Acórdão nº 1202000.601: SOBRE O PARECER CGT n° 01/02 (Acórdão 1202000.601) "Dessa forma, e ainda nos termos do referido Parecer CGT n° 01/02, se somente "após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, for constatado que não houve retenção do imposto, o destinatário da exigênda passa a ser o contribuinte. Com efeito, se a lei exige que o contribuinte submeta os rendimentos à tributação, apure o imposto efetivo, considerando todos os rendimentos, a partir das datas referidas não se pode mais exigir da fonte pagadora o imposto." (grifos nossos) este também é o posicionamento do CARF, conforme se verifica nos acórdãos a seguir transcritos: "IRRF FALTA DE RETENÇÃO DA FONTE PAGADORA SUPRIDA PELO OFERECIMENTO A TRIBUTAÇÃO PELO RECEBEDOR O PN CST 01/2002 determina que nos casos de incidência na fonte, cuja natureza seja de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado." (Acórdão n° 110200.229 proferido pela 1a Seção de Julgamento, 1a Câmara, 2a Turma Ordinária, em 5/7/2010) (grifos nossos) "IMPOSTO DE RENDA NA FONTE ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO FALTA DE RETENÇÃO AÇÃO FISCAL APÓS A DATA PREVISTA PARA O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO Quando a incidência na fonte tiver natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, na data do encerramento do anocalendário em que o rendimento deveria ser tributado. Assim, se a ação fiscal Fl. 939DF CARF MF 14 ocorrer após o anobase da ocorrência do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, beneficiário do rendimento. Recurso provido." (Acórdão 10421.332, publicado no DOU em 31.10.2008) (grifos nossos) ante o exposto, sem prejuízo de todos os argumentos anteriormente apresentados, concluise que o disposto no Parecer Normativo CST nº 1/2002 não tem o condão de justificar a aplicação da multa isolada em desfavor da Contribuinte; por fim, a Recorrente assevera que não cabe ao julgador administrativo apreciar alegações de inconstitucionalidade de leis, no entanto, conforme se infere do acórdão recorrido, não houve qualquer declaração de inconstitucionalidade de norma, mas apenas o reconhecimento da revogação do dispositivo que embasa a aplicação da multa isolada no caso em análise; na verdade, pugna a Contribuinte tão somente pela aplicação e preservação dos princípios constitucionais, o que deve ser observado por qualquer órgão julgador, até mesmo o administrativo; nesse sentido, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou acerca do assunto, determinando que os princípios constitucionais devem ser aplicados pelos membros dos órgãos administrativos de julgamento, conforme se denota do trecho extraído do acórdão CSRF/01066, cujo relator foi o Sr. Conselheiro Antonio da Silva Cabral: "Acrescenta a recorrente que não é da competência dos Conselhos de Contribuintes a declaração de inconstitucionalidade de Decretoslei ou quaisquer outros atos legislativos. De fato, só o Poder Judiciário é que pode, por via direta ou indireta, declarar tal inconstitucionalidade'. Também aqui se equivoca a Fazenda Nacional. Em primeiro lugar, a Câmara recorrida em momento algum declarou a inconstitucionalidade do art. 21 do DL n° 2.065/83. Detevese apenas na análise do caso concreto, entendendo que esse artigo se aplica a partir da vigência da lei. É comum, nos meios fazendários, confundirse declaração jurisdicional de inconstitucionalidade de lei, que é apanágio do Poder Judiciário, com aplicação de princípio constitucional, que nada mais é do que aplicação do princípio da legalidade ao caso concreto. No caso em julgamento, a Câmara recorrida simplesmente aplicou o art. 21 do DL 2.065/83 em consonância com o princípio constitucional da irretroatividade da Lei, que consta no artigo 153, parágrafo 3o, da Carta Magna. Se a missão do Conselho de Contribuintes, consoante consta o art. 8o do Regimento Interno ao qual está submetida a Câmara recorrida, é aplicar a lei tributária, o Colegiado se portou dentro do que lhe manda o Regimento, já que sendo a Constituição a lei das leis deverá ser 'aplicada' em primeiro lugar. No caso, teve razão a Câmara recorrida, pois a Administração vinha ferindo o ato jurídico perfeito, mediante a aplicação equivocada do DL n° 2.065/83." (g.n.) Fl. 940DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 934 15 comentando o mencionado voto, Ricardo Mariz de Oliveira e João Francisco Bianco explicam que resta claro que o controle da constitucionalidade das leis é de competência do Poder Judiciário, contudo, isto não impede que o Poder Executivo retire a eficácia da aplicação de uma determinada lei, em virtude desta confrontar com dispositivo constitucional: "Parece evidente que o Conselho tem bem claro que o controle da constitucionalidade da lei ou dos atos normativos é da competência exclusiva do Poder Judiciário (ADIN 2210). Tanto que em nenhuma decisão o Conselho pretendeu usurpar o monopólio do Poder Judiciário de controle jurisdicional, assegurado pelo art. 5o, inciso XXXV, da Constituição. Isso porque o Conselho jamais declarou a inconstitucionalidade de lei, que é função específica e exclusiva da maioria absoluta dos membros dos tribunais judiciais (art. 97 da CF). Mas em alguns casos, o Conselho reconheceu que, em determinada situação concreta, a norma que deveria reger o nascimento da obrigação tributária estava eivada de algum vício que lhe retirava a eficácia, frente ao que dispõe o Sistema Constitucional Tributário. E, em função disso, o Conselho no caso concreto retiroulhe a eficácia ou limitou a sua eficácia no tempo." (in "Processo Administrativo Fiscal", 2o Volume, Ed. Dialética, p. 127) neste esteio, tendo inexistido qualquer declaração de inconstitucionalidade de dispositivo legal, mostrase absolutamente infundada a alegação da Recorrente. Ao final, a Contribuinte pede, inicialmente, o não conhecimento do Recurso Especial, uma vez que o acórdão utilizado como paradigma conteria premissas fáticas distintas das do acórdão recorrido, e a argumentação utilizada pela Recorrente para o cotejo analítico é pautada no voto vencido. Se assim não for, pede o não provimento do apelo. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir sobre o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de exigência de multa isolada por falta de retenção e recolhimento de Imposto de Renda na Fonte IRF, exigida com base no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, incidente sobre valores distribuídos pela autuada a título de juros sobre o capital próprio, para a empresa Neoenergia S/A, nos anos calendário de 2005 a 2008. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando que o paradigma representado pelo Acórdão nº 210200.465 não lograria demonstrar a divergência arguida, já que a argumentação utilizada pela Recorrente para o cotejo analítico estaria pautada no voto vencido, que conteria premissas fáticas distintas das do acórdão recorrido. Fl. 941DF CARF MF 16 De plano, esclareçase que a sistemática de registro e elaboração de acórdãos do CARF é no sentido de designar como vencedor o voto que aborde qualquer matéria cuja tese do relator originário reste vencida. Nesse sentido, qualquer matéria, ainda que seja preliminar ou acessória, se vencido o relator, o voto proferido pelo designado, naquela matéria, leva a denominação de vencedor, independentemente das matérias abordadas no voto denominado de vencido, que na verdade estampa as teses vencedoras nas demais matérias. Assim, no caso desse paradigma, a Relatora, Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, restou vencida, juntamente com os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto (Suplente Convocado) e Marcelo Magalhães Peixoto (Suplente Convocado), unicamente na parte do voto em que desqualificouse a multa de ofício. Nesse passo, o Conselheiro que foi designado como redator do voto vencedor elaborou tal peça abordando apenas a questão da desqualificação da multa, já que, no que tange às demais matérias, a votação foi unânime. Confirase a parte dispositiva do acórdão: "ACORDAM os Membros do Colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (Relatora), Rogério de Lellis Pinto (Suplente Convocado) e Marcelo Magalhães Peixoto (Suplente Convocado), que davam parcial provimento para desqualificar a multa de oficio. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos." Destarte, a sistemática de registro e elaboração de acórdãos do CARF requer que os votos vencedor e vencido sempre sejam analisados em conjunto, exceto quando o relator resta vencido em todas as matérias, o que não ocorreu no caso desse paradigma. Com efeito, no voto denominado de vencido, em que examinouse exatamente a matéria em tela exigência de multa isolada por falta de retenção e recolhimento de Imposto de Renda na Fonte IRF, exigida com base no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002 a conclusão é clara: "Tratase de lançamento para exigência de multa e juros isolados em razão da falta de retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre pagamentos efetuados a pessoas físicas. A multa isolada foi exigida no percentual de 150%, nos termos do art. 44, II da Lei n° 9.430/96. O lançamento está fundamentado no art. 9° da Lei n° 10.426/02. Sustenta a Recorrente que esta multa não lhe poderia mais ser exigida, uma vez que o referido art. 44 da Lei n° 9.430/96 fora alterado por meio da Lei nº 11.488/07 (MP 351/2007), tendo sido revogada a exigência isolada da multa. (...) Como se vê, a legislação suscitada pela Recorrente não só alterou o art. 44 da Lei nº 9.430/96, como também alterou a legislação que dá suporte a este lançamento, mantendo a exigência da multa referida no art. 44 nas hipóteses em que a fonte pagadora deixar de reter o tributo devido quando dos pagamentos por ela efetuados. Sendo assim, não há que se falar, aqui, na aplicação retroativa do art. 44 da Lei n° 9.430/96, pois existe uma norma específica que prevê a aplicação da multa em comento." Por outro lado, o voto denominado de vencedor não deixa dúvidas acerca de seu escopo, nos exatos termos da designação especificada na parte dispositiva do acórdão, qual Fl. 942DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 935 17 seja, apenas a questão da qualificação da multa, sendo que a tese de não aplicação da penalidade, em si, bem como da retroatividade benigna, repitase que foram rechaçadas à unanimidade. Confirase os respectivos trechos do voto vencedor: "Com a devida vênia a nobre relatora, a quem tenho elevado respeito por seus ponderados posicionamentos jurídicos em votos prolatados no âmbito desta Turma de julgamento, ouso discordar da desqualificação da multa de oficio, como proposto no voto vencido, já que considero a conduta perpetrada pelo contribuinte EMERSON SISTEMAS DE ENERGIA LTDA de extrema gravidade. (...) Sem maiores considerações do que aquelas acima transcritas, por suficientes, entendo que a multa de ofício qualificada deve ser mantida, razão que me leva a NEGAR provimento ao recurso de voluntário." Destarte, constatase que, se acolhida a tese da Contribuinte interpretação literal dos termos "voto vencedor" e "voto vencido" teríamos a insólita situação de um voto vencedor que decidiu pela manutenção da qualificação da penalidade, sem que a própria aplicação da penalidade, em si, tenha sido examinada, discutida, julgada e referendada por meio de voto válido, o que de forma alguma se sustenta. Assim, o paradigma ora analisado é plenamente apto a demonstrar a alegada divergência. Ainda que assim não fosse o que se admite apenas para argumentar a Fazenda Nacional indicou também como paradigma o Acórdão nº 9202003.834, sobre o qual não foi apresentado qualquer óbice. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a examinarlhe o mérito. Tratase de exigência de multa aplicada à fonte pagadora, Termopernambuco S/A, com fundamento no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pelo artigo 16, da Lei nº 11.488, de 2007. No acórdão recorrido, dita penalidade foi afastada, inclusive mediante a aplicação de suposta retroatividade benigna (art. 106, inciso II, “a”, do CTN), considerandose que ela teria sido extinta pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007. Entretanto, a multa em tela nunca foi extinta, conforme será demonstrado. Primeiramente, esclareçase que não está sendo exigido o Imposto de Renda devido pela beneficiária dos rendimentos, que é a empresa Neoenergia S/A. Tampouco está sendo cobrada multa pelo recolhimento do IRRF fora do prazo sem aplicação de multa de mora. O que está sendo cobrado, no presente caso, é unicamente a multa pelo não cumprimento, por parte da fonte pagadora – Termopernambuco – da obrigação de efetuar a retenção e o recolhimento do IRRF, a título de antecipação. Fl. 943DF CARF MF 18 A penalidade em tela foi instituída pela Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, convertida na Lei nº 10.426, de 2002, que assim estabelecia, em sua redação original: “Art.9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” O dispositivo acima não deixa a menor brecha para que se entenda que a penalidade nele prevista poderia ser exigida de outra forma, que não a isolada. Com efeito, a penalidade está sendo aplicada à fonte pagadora, que não é a beneficiária dos rendimentos, portanto resta descartada qualquer possibilidade de cobrança desta multa juntamente com o imposto, cujo ônus, repitase, não é da fonte pagadora, e sim do beneficiário. Confirmando esse entendimento, o parágrafo único especifica a base de cálculo da multa, que nada mais é que o tributo que deixou de ser retido ou recolhido. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, tinha a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda Fl. 944DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 936 19 que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V. isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (...)” Como se pode constatar, o art. 44, acima, não trata de multas incidentes sobre imposto cobrado por meio de responsabilidade tributária de fonte pagadora, e sim de penalidades que recaem diretamente sobre o imposto exigido do sujeito passivo, na qualidade de contribuinte, que relativamente ao Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos. Nesse passo, nenhuma das modalidades de exigência elencadas no § 1º se amolda à exigência estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, portanto não há que se falar que este último dispositivo tenha se referido ao art 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para tomar de empréstimo algo além dos percentuais nele estabelecidos – 75% e 150%. Isso porque a problemática que envolve as modalidades de exigência das penalidades constantes do § 1º do art. 44 – vinculadas ao imposto ou exigidas isoladamente – não se coaduna com a multa por falta de retenção na fonte. Esta, quando exigida, obviamente será isolada, eis que o principal, ou seja, o imposto, será cobrado não da fonte pagadora, mas sim, repitase, do beneficiário dos rendimentos. Com estas considerações, constatase que a referência feita pelo art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, aos incisos I e II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, está focada nos incisos I e II do caput, e não nos incisos I e II do § 1º, do contrário estarseia atribuindo à fonte pagadora o papel de sujeito passivo contribuinte do tributo, e não o de mera intermediária entre este e o Fisco, responsabilidade esta conferida por lei. Ora, se os incisos I e II do caput do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de penalidades aplicáveis ao sujeito passivo na qualidade de contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos, e o art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, trata exclusivamente de multa por descumprimento da obrigação de reter e recolher o tributo, aplicável à fonte pagadora na qualidade de responsável, o único elemento passível de empréstimo, do art. 44 para o art. 9º, diz respeito efetivamente aos percentuais de 75% ou 150%. Com efeito, não existe qualquer outro liame entre os dois dispositivos legais. Corroborando este entendimento, a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, que foi convertida na Lei nº 10.426, de 2002, encaminhada ao Congresso Nacional, assim esclarece: “Os arts. 7º a 9º ajustam as penalidades aplicáveis a diversas hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reduzindoas ou, no caso do art. 9º, instituindo nova hipótese de incidência, preenchendo lacuna da legislação anterior.” (grifei) O texto acima não deixa dúvidas, no sentido de que o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, trata unicamente de multa por descumprimento de obrigação acessória pela fonte pagadora, portanto descartase a sua exigência juntamente com o respectivo imposto, cujo ônus é do beneficiário dos rendimentos. Ademais, fica patente que se trata de nova Fl. 945DF CARF MF 20 hipótese de incidência, o que também a desvincula definitivamente das hipóteses de incidência elencadas no § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, eis que estas já existiam no ordenamento jurídico muito antes do advento da Medida Provisória nº 16, de 2001. Com a edição da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, foi alterado o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, dentre outras finalidades, para extinguir a multa de ofício incidente sobre o pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo, desacompanhado de multa de mora. Dito dispositivo legal passou a ter a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I. de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II. de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)” Assim, o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, foi reformulado, mantendose a aplicação das multas de ofício vinculadas ao tributo, nos percentuais de 75% e 150%, a primeira mantida no inciso I, do caput, e a segunda não mais abrigada no inciso II, do caput, mas sim no inciso I, do §1º. O inciso II, do caput, que anteriormente continha a multa no percentual de 150%, passou a prever a multa isolada, no percentual de 50%, nos casos de falta de pagamento do carnêleão e de falta de pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos por estimativa (alíneas “a” e “b”). Quanto à multa isolada pelo pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo sem o acréscimo de multa de mora, esta foi extinta. Observese que a extinção da multa isolada acima destacada, levada a cabo pela nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007, não tem qualquer reflexo nas multas do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, eis que, conforme já patenteado no presente voto, os dois dispositivos legais tratam de penalidades distintas, o primeiro disciplinando as exigências em face do sujeito passivo contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o beneficiário dos rendimentos, e o segundo regulamentando a incidência pelo descumprimento de obrigação de retenção e recolhimento do tributo pela fonte pagadora, Fl. 946DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 937 21 na qualidade de responsável. Como ficou assentado, a conexão entre os dois dispositivos diz respeito unicamente aos percentuais de 75% e 150%. Tanto é assim que o art. 9º teve de sofrer também um ajuste, em função da realocação da multa de 150% (do caput para o § 1º). Ademais, também havia neste dispositivo a previsão de aplicação de multa de ofício à fonte pagadora, pelo recolhimento em atraso do Imposto de Renda Retido na Fonte, sem o acréscimo da multa de mora. Assim, na mesma linha da exclusão levada a cabo na nova redação do art. 44, esta penalidade teria de ser excluída do art 9º, já que não haveria sentido em permanecer no ordenamento jurídico apenas para apenar a fonte pagadora. Confirase a alteração do art. 9º, promovida pela mesma Lei nº 11.488, de 2007: “Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” Ora, se a multa pela falta de retenção e recolhimento na fonte houvesse sido efetivamente extinta, não haveria qualquer razão para que se alterasse o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, como foi feito acima. A alteração visa claramente adaptar esse dispositivo à nova topografia do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, o que de forma alguma sinaliza que dita penalidade teria sido extinta. Além disso, repitase que a nova redação visou excluir a exigência de multa de ofício pelo recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF fora do prazo sem multa de mora, tal como ocorrera com penalidade semelhante, que antes também era imposta ao beneficiário do rendimento, relativamente ao recolhimento do principal. Assim, igualouse a exoneração desta penalidade, tanto em face do sujeito passivo contribuinte da obrigação principal, como perante a fonte pagadora, na qualidade de responsável pela obrigação de reter e recolher o tributo. As conclusões acima ficam evidenciadas no quadro comparativo a seguir: Redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 Redação do art. 44, dada pela MP nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1o As multas de que trata este artigo serão exigidas: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I. de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II. de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social Fl. 947DF CARF MF 22 I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Redação original do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002 Redação do art. 9º, dada pela MP nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007 Art. 9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade u diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Além de todas as razões que conduzem à conclusão de que não ocorreu a alegada extinção da multa de ofício pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF, destacase o fato de que a adoção de tal tese equivaleria a admitirse a instituição de uma obrigação – retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora – sem o estabelecimento de sanção, o que seria inusitado no Sistema Tributário Nacional. Ademais, ninguém põe em dúvida a manutenção da multa pela falta de recolhimento do carnêleão, que pressupõe relação entre pessoas físicas, que nem sempre possuem estrutura para cumprir com a obrigação, sendo que quem recolhe a antecipação, nesse caso, é o próprio contribuinte que arca com o encargo financeiro do tributo, descartada a possibilidade de apropriação indébita. Nesse passo, causa ainda maior perplexidade a conclusão de que a multa pela falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora teria sido extinta, já que as fontes pagadoras, na sua maciça maioria, são pessoas jurídicas, que dispõem de meios adequados ao cumprimento da obrigação. Acrescentese que a retenção na fonte sem o respectivo recolhimento caracteriza apropriação indébita, portanto terseia ainda a possibilidade do cometimento de crime, sem qualquer previsão de sanção na esfera tributária, o que também seria inédito no Sistema Tributário Nacional. Quanto à suposta denúncia espontânea, mediante a aplicação do art. 138 do CTN, esclareçase que tal matéria sequer foi tratada no acórdão recorrido, portanto não houve o necessário prequestionamento, o que inibe a discussão em sede de Recurso Especial. Ainda que assim não fosse o que se admite apenas para argumentar no entender desta Conselheira, há que se diferenciar o imposto devido, cuja obrigação principal é do beneficiário do rendimento, da multa pela falta de retenção/recolhimento do IRRF, cuja obrigação é da fonte pagadora, na qualidade de responsável. Fl. 948DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 938 23 Assim, após a data prevista para o encerramento do período de apuração, o que cessa é a responsabilidade da fonte pagadora sobre o recolhimento do tributo – cuja obrigação passa a ser do beneficiário. Entretanto, a falta de responsabilidade sobre o recolhimento do tributo não exime a fonte pagadora do pagamento da multa pelo descumprimento da obrigação de reter e recolher o imposto, e é exatamente esta a exigência que ora se analisa. Com efeito, ainda que fosse possível discutir matéria não prequestionada o que mais uma vez se admite apenas por amor ao debate não haveria como acolherse a pretensão do contribuinte autuado, que é a fonte pagadora, de eximirse da multa por descumprimento de sua obrigação de reter e recolher o imposto, invocando a denúncia espontânea, ao argumento de que os rendimentos foram oferecidos à tributação, obrigação esta que não é sua, mas sim do respectivo beneficiário. Nesse passo, assim estabelece o item 16 do Parecer Normativo COSIT nº 1, de 2002, invocado pela própria Contribuinte às fls. 17 das Contrarrazões: “16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, constatandose que o contribuinte: a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora.” (grifei) Destarte, ainda que os rendimentos tenham sido oferecidos à tributação, remanesce a aplicação da penalidade pela falta de retenção e recolhimento por parte da fonte pagadora. Destarte, não há que se falar em denúncia espontânea, quando a obrigação tributária do denunciante não foi por ele cumprida. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte cita diversos acórdãos do CARF, como sendo representativos da tese por ela defendida: 10417.516; 10421.332; 10809.354; 10422.538; 9303001.862; 9303002.332; 10248.531; 220101.349; 220201.710; 1201 00.689; 220201.842, 1202000.601; e 110200.229. Ditos julgados serão analisados na sequência. Acórdão nº 10417.516, de 12/07/2000 "IRF ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO APURADO APÓS A DATA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO Se a previsão da tributação na fonte dáse por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual de rendimentos, e se a ação fiscal ocorrer após a data de entrega desta declaração anual, descabe a constituição de crédito tributário através do lançamento de Fl. 949DF CARF MF 24 imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, deverá ser efetuado em nome do beneficiário do rendimento. Recurso provido." De plano, esclareçase que esse julgado foi proferido no processo nº 10830.000490/9894, portanto trata de autuação efetuada em 1998, sobre fatos geradores ocorridos em 1994 e 1995, portanto muito antes da edição da legislação tratada no acórdão recorrido e ora analisada. Ademais, nesse julgado a autuação visava a cobrança, da fonte pagadora, do próprio Imposto de Renda, e não de multa isolada por falta de retenção na fonte, até porque, repitase, os dispositivos aplicados no caso do acórdão recorrido sequer existiam a essa época. Destarte, longe de corroborar a tese defendida pela Contribuinte, esse julgado com ele se harmoniza, já que também não admite a cobrança do próprio imposto, em face da fonte pagadora. Acórdão nº 10421.332, de 26/01/2006 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO FALTA DE RETENÇÃO AÇÃO FISCAL APÓS A DATA PREVISTA PARA O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO Quando a incidência na fonte tiver natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, na data do encerramento do anocalendário em que o rendimento deveria ser tributado. Assim, se a ação fiscal ocorrer após o anobase da ocorrência do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, beneficiário do rendimento. Recurso provido. Da mesma forma que o julgado anterior, esse acórdão, proferido no processo nº 13805.006963/9772, trata de autuação efetuada em 1997, sobre fatos geradores ocorridos em 1995, portanto muito antes da edição da legislação tratada no acórdão recorrido e ora analisada. Ademais, nesse julgado a autuação também visava a cobrança, da fonte pagadora, do próprio Imposto de Renda, e não de multa isolada por falta de retenção na fonte, até porque, repitase, os dispositivos aplicados no caso do acórdão recorrido sequer existiam a essa época. Destarte, longe de corroborar a tese defendida pela Contribuinte, esse julgado também com ele se harmoniza, não admitindo a exigência do próprio imposto, em face da fonte pagadora. Acórdão nº 10809.354, de 25/05/2007 EMENTAS — MULTA ISOLADA — REVOGAÇÃO A nova redação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, dada pela Medida Provisória n° 351, posteriormente convertida na Lei n° 11.488/07, revogou a aplicação da multa de oficio isolada quando em pagamento de tributo vencido sem o acréscimo da multa moratória. Essa revogação da infração torna improcedente o lançamento, devendo, nos termos do artigo 106, Fl. 950DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 939 25 II, "c", do CTN, ser aplicada essa nova redação ao presente caso, por estabelecer penalidade menos gravosa. Relatório (...) O contribuinte havia recolhido a estimativa de dezembro de 1999 em atraso, sem a multa de mora, tendo comunicado o fato para efeitos de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. A simples leitura da ementa e do início do relatório permite verificar que esse julgado também não trata de multa por falta de retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora e sim de multa pelo recolhimento de estimativa extemporaneamente, sem multa de mora, penalidade esta que, repitase, foi efetivamente extinta, conforme consta do presente voto. Acórdão nº 10422.538, de 14/06/2007 MULTA ISOLADA LEI 9.430, DE 1996 ARTIGO 44, § 1°, II REVOGAÇÃO PELA MP N° 351, DE 2007 Em se tratando de norma tributária de caráter punitivo, o art. 106, II, "a" do CTN autoriza a retroação da lei mais recente que beneficia o contribuinte, ensejando a revogação da penalidade aplicada com fulcro na lei anterior. Compulsandose o inteiro teor desse julgado, constatase que, tal como o acórdão anterior, ele não trata de multa pela falta de retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora, como é o caso do acórdão recorrido, e sim de multa pelo recolhimento de IRRF a destempo, sem os acréscimos legais devidos, penalidade esta que efetivamente foi extinta, conforme consta do presente voto. Confirase : "Relatório Tratase o presente de recurso voluntário contra decisão da autoridade julgadora de primeira instância que julgou procedente em parte o auto de infração referente ao pagamento a destempo de tributos sem os acréscimos moratórios. O auto de infração foi lavrado devido ao fato do contribuinte recolher a destempo o IRRF apurado no terceiro e quarto trimestre do ano de 1997, sem acréscimo o devido acréscimo da multa de mora e dos juros, sendo exigida a multa isolada prevista em Lei." (grifei) Acórdão nº 9303001.862, de 19/06/2012 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/07/1996 MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Com a publicação da Medida Provisória nº. 303/2006, convertida na Lei nº.11.488/2007, houve a revogação expressa Fl. 951DF CARF MF 26 da hipótese de incidência para aplicação da multa isolada nos casos de tributos pagos em atraso sem o recolhimento de multa de mora (art. 44, inciso I e § 1º, inciso II, da Lei 9.430/96). Por aplicação do art. 106, alínea “a”, do Código Tributário Nacional, a penalidade de ofício deve ser excluída. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO A ementa acima já demonstra que, tal como no caso dos acórdãos anteriores, esse julgado não trata de multa pela falta de retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora, como é o caso do acórdão recorrido, e sim de multa pelo recolhimento de tributos em atraso, sem multa de mora, penalidade esta que efetivamente foi extinta, conforme consta do presente voto. Compulsandose o relatório desse julgado, verificase que ele sequer trata de IRRF e sim de tributos incidentes sobre as importações. Confirase o relatório: O Recurso Voluntário foi interposto contra decisão de primeira instância que manteve o lançamento da multa isolada aplicada com base no art. 44, inciso I e § 1º e inciso II, da Lei 9.430/1996, em face do recolhimento extemporâneo dos tributos incidentes nas importações sem a penalidade de mora. (grifei) Acórdão nº 9303002.332, de 20/06/2013 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1997 a 30/09/1997 LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA EM RAZÃO DO NÃO PAGAMENTO OU RECOLHIMENTO DE TRIBUTO LANÇADO. ARTIGO 44, § 1º, INCISO V, DA LEI Nº 9.430/96. REVOGAÇÃO PELA LEI Nº 11.488/2007. A Lei nº 9.716/98 revogou expressamente o dispositivo da Lei nº 9.430/96 que determinava o lançamento da multa isolada quando o tributo era lançado, mas não pago ou recolhido. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106 DO CTN. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, nos exatos termos da alínea “c” do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Recurso Especial do Contribuinte Provido A simples leitura da ementa acima permite concluir que não se trata de multa por falta de retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora e sim de multa pelo não pagamento de tributo lançado. Ressaltese que esse julgado versa sobre exigência relativa a PIS/Pasep, portanto sequer trata da legislação analisada no acórdão recorrido. Destarte, nenhum dos seis julgados acima analisados reflete a tese defendida pela Contribuinte em suas Contrarrazões. Quanto aos outros sete julgados citados pela Contribuinte em suas Contrarrazões Acórdãos nºs 10248.531, de 23/05/2007; 110200.229, de 05/07/2010; 1202 000.601, de 18/10/2011; 220101.349, de 27/10/2011; 220201.710, de 17/04/2012; 1201 Fl. 952DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 940 27 00.689, de 08/05/2012; e 220201.842, de 19/06/2012 estes efetivamente refletem a tese por ele defendida. Outrossim, há inúmeros outros julgados em sentido contrário ao entendimento da Contribuinte, que ratificam o posicionamento esposado no presente voto, corroborado pela CSRF: Acórdão nº 210200.465, de 02/02/2010 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 IRRF FALTA DE RETENÇÃO MULTA EXIGIDA DA FONTE PAGADORA Havendo previsão legal expressa para sua exigência, nos termos do art. 9º da Lei nº 10.426/2002, deve ser mantido o lançamento que exige da fonte pagadora a multa incidente sobre a falta de retenção e recolhimento do IRRF. (...) Recurso voluntário negado." (Relatora Conselheira Roberta de Azeredo Pagetti) Acórdão nº 2802001.177, de 27/10/2011 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 (...) IRRF. FALTA DE RETENÇÃO. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. Nos lançamentos efetuados após o término do exercício, a multa isolada aplicável à fonte pagadora em decorrência da falta de retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte somente é aplicável a partir de 27 de dezembro de 2001. Recurso provido em parte." (Relator Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso) Acórdão nº 210201.800, de 09/02/2012 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO SOBRE PAGAMENTOS EFETUADOS A PESSOAS FÍSICAS. MULTA E JUROS ISOLADOS. Fl. 953DF CARF MF 28 Quanto efetuado após o término do prazo para a entrega da Declaração de Ajuste Anual das pessoas físicas, está correto o lançamento em face da fonte pagadora, pessoa jurídica para exigência de multa e juros de forma isolada, em razão da falta de retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre os pagamentos efetuados às pessoas físicas que eram seus empregados. (Relatora Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti) Acórdão nº 1803001.220, de 14/03/2012 " IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 (...) MULTA ISOLADA. FONTE PAGADORA. Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento. A nova redação do artigo 44 da Lei n° 9.430 de 1.966, dada pela Medida Provisória 351 de 2.007, convertida na Lei 11.4488 de 2.007, não revogou a aplicação da multa de oficio isolada na hipótese de falta de retenção de IRRF pela fonte pagadora." (Relatora Conselheira Selene Ferreira de Moraes) Acórdão nº 2202001.950, de 14/08/2012 "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 (...) FALTA DE RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE PELA FONTE PAGADORA IMPOSTO POR ANTECIPAÇÃO VERIFICAÇÃO DA FALTA OCORRE APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO MULTA EXIGIDA DE FORMA ISOLADA PREVISÃO LEGAL Com a edição da Lei nº 10.426, de 2002, passou a existir previsão legal para a cobrança de multa isolada da fonte pagadora pela falta de retenção ou recolhimento de imposto de renda sob a sua responsabilidade, quando a constatação da falta ocorre após o encerramento do período de apuração no qual o beneficiário deveria oferecer os rendimentos à tributação. (...)." (Redator Conselheiro Nelson Mallmann) Acórdão nº 2202002.172, de 19/02/2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF incidente em pagamento de juros sobre capital próprio enseja a aplicação da Fl. 954DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 941 29 multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Relator Conselheiro Antonio Lopo Martinez) Acórdão nº 2202002.200, de 12/03/2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008 Ementa: IRRF. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF após o prazo fixado enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Relator Conselheiro Antonio Lopo Martinez) Acórdão nº 2202002.214, de 12/03/2013 "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2001 MULTA ISOLADA. FALTA DE RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA DE IMPOSTO DE RENDA DEVIDO TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO.Com a edição da Medida Provisória no 16, de 27/12/2001, convertida na Lei no 10.426, de 2002, passou a existir previsão legal para a cobrança de multa isolada da fonte pagadora pela falta de retenção de imposto de renda sob a sua responsabilidade, quando a constatação da falta ocorre após o encerramento do período de apuração no qual o beneficiário deveria oferecer os rendimentos à tributação (art. 9o).A Lei no 11.488, de 2007, não revogou o art. 9º da Lei no 10.426, de 2002, ao contrário, ajustou sua redação à alteração feita no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, excluindo apenas a multa isolada devida pelo recolhimento em atraso de tributo ou contribuição a título de antecipação, sem o acréscimo da multa moratória. (...)" (Redatora Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga) Acórdão nº 2202002.519, de 19/11/2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2005 Ementa: IRRF. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF incidente em pagamentos diversos enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Relator Conselheiro Antonio Lopo Martinez) Acórdão nº 2202002.545, de 20/11/2013 Fl. 955DF CARF MF 30 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 IRRF. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF incidente em pagamentos diversos enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Relator Conselheiro Antonio Lopo Martinez) Acórdão nº 1101001.026, de 04/12/2013 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 (...) MULTA ISOLADA. FALTA DE RETENÇÃO.Configurada a falta de retenção do imposto sobre a renda na fonte em data posterior ao prazo fixado para a entrega da DIRPF, é cabível a aplicação da multa isolada, pelo cumprimento da referida obrigação, com percentual de 75%, não prosperando a qualificação da multa." (Relatora Conselheira Monica Sionara Schpallir Calijuri) Acórdão nº 1301001.438, de 12/03/2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 IRRF MULTA ISOLADA POR FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. A falta de retenção e recolhimento sujeita a fonte pagadora à multa de ofício prevista no art. art. 9º da Lei n.º 10.426, de 2002. (Relator Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior) Acórdão nº 2201002.343, de 18/03/2014 "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2003 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO.Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais contradições verificadas no acórdão.IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.A falta de retenção/recolhimento do IRRF enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996." (Relator Conselheiro Eduardo Tadeu Farah) Acórdão nº 2201002.442, de 16/07/2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2009, 2010 Fl. 956DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 942 31 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. (Relator Conselheiro Eduardo Tadeu Farah) Acórdão nº 2201002.676, de 11/02/2015 “IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2007 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa isolada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida, conforme dispõe o art. 9º da Lei n.° 10.426/2002. (...) (Relator Conselheiro Eduardo Tadeu Farah) Acórdão nº 2201002.685, de 11/02/2015 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2009 (...) FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida, conforme dispõe o art. 9º da Lei n.° 10.426/2002, com a redação dada pelo artigo 16 da Lei nº 11.488/2007.(...) (Relator Conselheiro Eduardo Tadeu Farah) Acórdão nº 2201002.763, de 26/01/2016 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2007, 2008, 2009 (...) FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. MULTA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida, conforme dispõe o art. 9º da Lei n.° 10.426/2002.(...)(Relator Conselheiro Eduardo Tadeu Farah) Acórdão nº 2301004.668, de 10/05/2016 Fl. 957DF CARF MF 32 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2007, 2008 IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. (...) Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual." (Relator Conselheiro João Bellini Júnior) Acórdão nº 2402005.339, de 15/06/2016 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008, 2009, 2010 (...) FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Encerrado o prazo para entrega da declaração de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, tendo ou não os rendimentos sido submetidos à tributação no ajuste. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte." (Redator Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo) Acórdão nº 2202003.605, de 18/01/2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010, 2011 (...) FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA ISOLADA. LEGALIDADE. PROCEDÊNCIA. A falta de retenção/recolhimento do IRRF a título de antecipação incidente sobre pagamentos efetuados, quando o imposto deve ser retido e antecipado pela pessoa jurídica, fonte pagadora do rendimento, enseja sanção no percentual de 75%, Fl. 958DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 943 33 na forma do artigo 9º da Lei 10.426, de 2002 que aponta para o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (...) (Redator Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada) Acórdão nº 2401004.593, de 07/02/2017 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. JUROS DE MORA EXIGIDOS ISOLADAMENTE. ART. 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). No caso da aplicação de multa isolada, à fonte pagadora, pela falta de retenção ou recolhimento do imposto que estava obrigada a reter, e da cobrança de juros de mora lançados isoladamente, não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Para fins de contagem do prazo decadencial, aplicase ao lançamento do crédito tributário a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN. (...) Recursos de Oficio Negado e Voluntário Provido em Parte." (Redator Conselheiro Cleberson Alex Friess) E haveria ainda muitos outros julgados mantendo a multa ora debatida. Quanto aos julgados citados em Contrarrazões como sendo relativos ao pagamento de Juros sobre o Capital Próprio à empresa Neoenergia 220101.349, de 27/10/2011; 220201.710, de 17/04/2012; 120100.689, de 08/05/2012; e 220201.842, de 19/06/2012 todos eles foram reformados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, a saber: Acórdãos nºs 220201.842, 220101.349 e 220201.710, reformados pelos Acórdãos nºs 9202003.580, 9202003.581 e 9202003.582, respectivamente, todos de 03/03/2015, com a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF (...) FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Fl. 959DF CARF MF 34 O oferecimento dos rendimentos à tributação pelo beneficiário, combinado com o recolhimento de multa de mora pela fonte pagadora, não caracteriza denúncia espontânea, relativamente à obrigação desta última, de reter e recolher o imposto. Recurso Especial do Procurador Provido" (Redatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo) Acórdão nº 120100.689, reformado pelo Acórdão nº 9101002.186, de 20/01/2016, que declinou da competência para a Segunda Seção de Julgamento, conforme a seguinte ementa: MULTA ISOLADA PELA FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE IR PELA FONTE PAGADORA, REFERENTE A PAGAMENTO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO (JCP). COMPETÊNCIA REGIMENTAL. NULIDADE DA DECISÃO QUANTO A ESSA MATÉRIA. APARTAÇÃO DOS AUTOS. Conforme o Regimento Interno do CARF, a competência da 1ª Seção de Julgamento, relativamente ao IRRF, estava limitada (na época do julgamento do recorrido) aos casos em que esse tributo era conexo/decorrente/reflexo do IRPJ, referente às exigências lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, ou era antecipação do IRPJ. Se a exigência da multa pela falta de retenção e recolhimento do IR pela fonte pagadora não guarda nenhuma relação com o lançamento de IRPJ contido nos presentes autos, nem utiliza os mesmos fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, e nem tampouco trata de antecipação do IRPJ, a competência para examinar a matéria é da 2ª Seção de Julgamento do CARF. As decisões para outros períodos autuados, referentes à mesma contribuinte, confirmam a competência da 2ª Seção de Julgamento. O acórdão recorrido, exarado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, padece de vício de nulidade por não observar as regras de divisão de competência estabelecidas no Regimento Interno do CARF. Os autos devem ser apartados, para que a multa isolada por falta de retenção e recolhimento do IR pela fonte pagadora seja julgada por colegiado da 2ª Seção do CARF. A Contribuinte cita ainda o Acórdão nº 110200.229, também reformado pelo Acórdão nº 9101002.956, de 03/07/2017, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. MULTA EXIGIDA DA FONTE PAGADORA. CABIMENTO. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, mas a fonte pagadora continua responsável pela multa relativa à falta de sua Fl. 960DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 944 35 retenção/recolhimento, prevista no art. 9º da Lei nº 10.426/2002 e mantida pela Lei nº 11.488/2007. A cobrança da multa persiste mesmo diante da submissão dos rendimentos pagos à tributação e do pagamento de multa de mora relativa ao atraso do recolhimento. Não há que se falar, neste contexto, em denúncia espontânea ou em aplicação retroativa de norma mais benigna. Quanto à jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, podem ser citados ainda: Acórdão nº 9202003.583, de 03/03/2015 "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2007 FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Encerrado o prazo para entrega da declaração de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, tendo ou não os rendimentos sido submetidos à tributação no ajuste. Recurso Especial do Procurador Provido" Acórdão nº 9202003.834, de 09/03/2016 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. RELAÇÃO JURÍDICA CLASSIFICAÇÃO IDENTIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. A determinação da natureza dos atos praticados e dos negócios celebrados, para fins de incidência da norma tributária, é realizada com base nos elementos essenciais das relações jurídicas estabelecidas, que se revelam com a identificação dos efetivos direitos exercidos e obrigações contraídas pelos interessados, independentemente do nome dado aos instrumentos contratuais formalizados ou dos procedimentos realizados. Fl. 961DF CARF MF 36 O pagamento realizado diretamente pelo cliente ao corretor de imóveis não tem o condão de afastar o fato de que o corretor prestou à imobiliária o serviço de intermediação junto a terceiros. Comprovandose a ocorrência de prestação de serviço deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas correspondentes obrigações tributárias. Recurso especial negado." Finalmente, cabe enfrentar a preliminar de aplicação da Lei nº 13.655, de 25/04/2018, ao presente julgamento, suscitada da tribuna pelo Representante da Contribuinte, por ocasião do julgamento do Recurso Especial. Conforme tenho me manifestado em outras oportunidades, tratase de diploma legal que promoveu alterações na atuação dos órgãos de controle da Administração Publica, principalmente do Tribunal de Contas da União (TCU), de sorte que não se vislumbra qual seria a aplicação de dita lei a julgamento levado a cabo na Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF. A lei em tela tratou da inclusão, no DecretoLei nº 4.657, de 1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro LINDB), dos artigos 20 a 30, tendentes a conferir segurança jurídica à área administrativa do Estado Brasileiro, com ênfase nos controles externo e interno. A natureza dessa nova lei está clara na Justificativa que acompanhou o Projeto de Lei, que a seguir se transcreve: "JUSTIFICATIVA Como fruto da consolidação da democracia e da crescente institucionalização do Poder Público, o Brasil desenvolveu, com o passar dos anos, ampla legislação administrativa que regula o funcionamento, a atuação dos mais diversos órgãos do Estado, bem como viabiliza o controle externo e interno do seu desempenho. Ocorre que, quanto mais se avança na produção dessa legislação, mais se retrocede em termos de segurança jurídica. O aumento de regras sobre processos e controle da administração têm provocado aumento da incerteza e da imprevisibilidade e esse efeito deletério pode colocar em risco os ganhos de estabilidade institucional. Em razão disso, os professores Carlos Ari Sundfeld e Floriano de Azevedo Marques Neto elaboraram projeto de lei, que ora é acolhido, fruto de projetos de pesquisa mais amplos desenvolvidos por pesquisadores da Sociedade Brasileira de Direito Público em parceria com a Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. O resultado desse trabalho foi publicado na obra “Contratações Públicas e Seu Controle”, pela Editora Malheiros, ano 2013." Não resta dúvida acerca dos destinatários desses dispositivos, que são os administradores públicos e os órgãos de controle da Administração Pública, inclusive do Judiciário. Com efeito, em nenhum momento a lei em tela sinaliza que seria dirigida à atividade judicante administrativa, como é o caso do CARF. Quando muito, a aplicação desta lei no CARF restringirseia às atividades essencialmente administrativas, afetas à sua SecretariaExecutiva, quanto a eventuais contratos, convênios e atos congêneres, inerentes ao próprio funcionamento do Órgão. Fl. 962DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 945 37 Registrese que o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), com força de Lei Complementar, específica para a matéria tributária, há décadas já estabelece as regras do lançamento dos tributos e contribuições, bem como fixa as possibilidades de revisão, definindo inclusive o que deve ser considerado como legislação tributária. Destarte, seja pela absoluta inaplicabilidade da Lei nº 13.655, de 2018, à atividade judicante do CARF, seja pela fase em que se encontra o julgamento do presente Recurso Especial, não há como sequer conhecer da preliminar. Diante do exposto, não conheço da preliminar suscitada da tribuna pelo Representante da Contribuinte, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 963DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.720865/2010-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2010
MULTA REGULAMENTAR. MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. CUMULAÇÃO. VALIDADE
É válida a cumulação da multa regulamentar com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma corresponde a uma infração distinta e autônoma, e diversos são os bens jurídicos tutelados.
Numero da decisão: 3401-005.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, e na parte conhecida, em negar provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 180 1 179 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.720865/201078 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.208 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IPI Recorrente METALURGICA VENANCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2010 MULTA REGULAMENTAR. MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. CUMULAÇÃO. VALIDADE É válida a cumulação da multa regulamentar com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma corresponde a uma infração distinta e autônoma, e diversos são os bens jurídicos tutelados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, e na parte conhecida, em negar provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 08 65 /2 01 0- 78 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.208 S3C4T1 Fl. 181 2 Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 1. Adoto, por fidedigno, o relatório da decisão recorrida: "Tratase de auto de infração, fls. 3/11, lavrado contra a empresa acima identificada, em que foi constituído crédito no valor total de R$ 150.303,82, referente a multa isolada prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64, sendo que a fiscalização deixou de lançar o IPI em virtude do contribuinte possuir saldo de crédito superior a este valor no período. E auto de infração, fls. 74/78, em que foi constituído crédito no valor total de R$ 100.202,57, referente a multa isolada por indeferimento de crédito, objeto de pedido de ressarcimento, prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Segundo a Unidade (Relatório de Ação Fiscal de fls. 33/41), foi detectado erro na classificação fiscal e determinação da alíquota de IPI nas notas fiscais de saída do produto “resfriador de água”, cuja função é de resfriar a água utilizada na produção de massa de pão em padarias e confeitarias, tendo a empresa utilizado o código 8438.10.00, com alíquota zero, entendendo a fiscalização estar correta a classificação 8418.69.31, com alíquota de quinze por cento. Cientificada em 29 de novembro de 2010, AR fl. 125, a interessada apresentou, tempestivamente, em 23 de dezembro de 2010, impugnação, fls. 126/130, na qual apresenta os seguintes argumentos: a) Requer o julgamento conjunto com os processos 13005.000457/201004 e 13005.000907/201051, onde se discute o saldo credor de IPI do primeiro e segundo trimestre de 2010; b) Entende que: “a autoridade federal efetuou o lançamento de duas multas idênticas, percentuais distintos e sobre a mesma base de cálculo de IPI (R$ 200.405,14); c) “as sanções fiscais sob o manto da responsabilidade objetiva devem ser aplicadas com atenuações, na hipótese de acumulação de penas, como elemento subjetivo introduzido pela legislação ordinária”; d) “não há mafé do contribuinte em entender que não cabia lançamento do IPI”; e) “duas faltas cometidas em um mesmo lançamento, exige atenuação na aplicação das penas regida pelo parágrafo único do art. 564 do Decreto n. 7.212/10 (regulamento do IPI) f) “para anular o arbítrio fiscal deve ser aplicada só a multa mais grave (75%), com base no parágrafo único do art. 564 do Decreto n. 7.212/2010”; g) Ao final, requer: a) Em preliminar, seja feito o julgamento, em conjunto no órgão administrativo (DRJ), pelas matérias serem vinculadas às matérias dos processos 13005.000457/201004 e 13005.000907/201051; b) No mérito, após o julgamento dos processos citados, se for o caso, considerar o elemento subjetivo Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.208 S3C4T1 Fl. 182 3 para a atenuação das penalidades, aplicando o parágrafo único do art. 564 do Decreto 7212/2010 (RIPI 2010), seja dado provimento integral a impugnação para dispensar a multa de 50% e aplicar, somente, a multa mais grave (75%), conforme fundamentação anterior. A Unidade de origem, entendendo como parte não impugnada, o Auto de Infração em que foi constituído crédito tributário no valor total de R$ 150.303,82, referente a multa isolada prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64, efetuou a apartação no processo 13005720.100/ 201119 para cobrança imediata. A impugnante impetrou o Mandado de Segurança nº 500017748.2011.404.7111, para que a Unidade reconhecesse o litígio administrativo e foi concedida a segurança nos seguintes termos: “declarar a nulidade da fase de cobrança amigável da multa de 75% relativa à carta cobrança do processo administrativo n° 3005.720100/201119, em razão da existência de litígio administrativo" (seleção e grifos nossos). 2. Em 11/06/2013, a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0126.457, situado às fls. 149 a 153 de relatoria do AuditorFiscal Nelson Klautau Guerreiro da Silva, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar parcialmente procedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2010 MULTA REGULAMENTAR. MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. CUMULAÇÃO. VALIDADE É válida a cumulação da multa regulamentar com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma delas corresponde a uma infração distinta e autônoma. MULTA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO INDEFERIDO. A multa regulamentar de 50% sobre o valor de crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, aplicase somente aos pedidos transmitidos após a publicação da lei que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. A contribuinte foi intimada via postal em 06/06/2014, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 165 e, em 03/07/2014, em conformidade com carimbo de protocolo aposto pela unidade local, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 167 a 172, no qual reiterou as razões de sua impugnação. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.208 S3C4T1 Fl. 183 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 5. Transcrevese, abaixo, trecho da decisão recorrida quanto às demais matérias devolvidas à cognição deste Conselho: "(...) Cabe esclarecer que a lide restringese ao Auto de Infração, fls. 74/78, em que foi constituído crédito tributário no valor total de R$ 100.202,57 referente à multa isolada por indeferimento de crédito, objeto de pedido de ressarcimento de IPI, prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96. O Auto de Infração, fls. 3/11, em que foi constituído crédito no valor total de R$ 150.303,82, referente à multa isolada prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64, será analisado no processo 13005720.100/ 201119 nesta mesma sessão de julgamento. Estão ainda sendo apreciados os processos 13005.000457/201004 e 13005.000907/201051 referentes o Pedido de Ressarcimento de IPI do primeiro e segundo trimestre de 2010, respectivamente. Multa regulamentar Os pedidos de ressarcimento de IPI 38247.18322.080410.1.1.01614 e 14996.47949.070710.1.1.010737 foram considerados indevidos, despachos decisórios DRF/SCS 551 e 552/2010, respectivamente, configurandose a hipótese prevista no §15, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 2010, abaixo transcrito, segundo o qual a multa isolada de 50% será aplicada sobre o valor do crédito objeto do pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.208 S3C4T1 Fl. 184 5 por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) (...) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d)” A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, verificandose no caso concreto a violação ao §15, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, é dever da autoridade fiscal proceder ao lançamento. Entendese que a multa imposta pela Lei n° 12.249/2010 não visa apenar somente os contribuintes que agem com máfé. Na infração prevista no §15, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, não há necessidade alguma de demonstração de máfé ou ilicitude, bastando o indeferimento do pedido de ressarcimento. Todavia, a autuação não merece prosperar com relação ao Pedido de Ressarcimento 38247.18322.080410.1.1.01614, transmitido em 08/04/2010. A publicação da Lei nº 12.249, base legal do lançamento de multa, no Diário Oficial da União somente ocorreu em 14 de junho de 2010. Tratase, portanto, de norma editada posteriormente aos fatos que ensejaram sua aplicação, devendose considerar que o art. 106 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) prevê que a lei tributária que comina penalidades retroage apenas para beneficiar o infrator. Já a autuação em relação ao Pedido de Ressarcimento 14996.47949.070710.1.1.010737, transmitido em 07 de julho de 2010, após a edição da norma legal, deve ser mantido. Cumulação de penas Inexiste bis in idem e a cumulação da precitada penalidade com a multa de ofício é cabível. As penalidades colheram infrações que, embora se referindo ao mesmo tributo e ao mesmo período, são autônomas. As penas têm causas eficientes distintas: a multa de ofício, prevista no art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, com as alterações das Leis nº 11.488, de 2007, proporcional ao montante do tributo Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.208 S3C4T1 Fl. 185 6 devido, é a penalidade pecuniária pespegada pelo não pagamento do tributo vinculado ao fato gerador ocorrido, ao passo que a multa regulamentar, diz respeito ao indeferimento de Pedido de Ressarcimento. A cumulação de multa de ofício com multa regulamentar é totalmente legal, tendo previsão no RIPI/2010: “Art.564 Apurandose, num mesmo processo, a prática de mais de uma infração por uma mesma pessoa, natural ou jurídica, aplicarseão cumulativamente as penas a elas cominadas (Lei nº 4.502, de 1964, art. 74)”. Conclusão Diante do exposto, votase pela procedência em parte da impugnação devendo ser cancelado o crédito tributário no valor de R$ 62.109,63 referente ao PA 30/04/2010". 6. Não tendo as partes apresentado novos argumentos ou razões de defesa perante esta segunda instância administrativa, propõese a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a alteração da Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, que acrescentou o § 3º ao art. 57 da norma regimental. 7. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer parcialmente e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 185DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.722128/2017-31
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFORMAÇÃO EM DIRF.
Inexistindo comprovação inequívoca nos autos da infração de omissão de rendimentos imputada pela autoridade fiscal ao contribuinte, o lançamento fundamentado nessa infração deve ser cancelado.
Numero da decisão: 2002-000.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFORMAÇÃO EM DIRF. Inexistindo comprovação inequívoca nos autos da infração de omissão de rendimentos imputada pela autoridade fiscal ao contribuinte, o lançamento fundamentado nessa infração deve ser cancelado.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente FRANCISCO DE VASCONCELOS SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2014 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFORMAÇÃO EM DIRF. Inexistindo comprovação inequívoca nos autos da infração de omissão de rendimentos imputada pela autoridade fiscal ao contribuinte, o lançamento fundamentado nessa infração deve ser cancelado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 21 28 /2 01 7- 31 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10469.722128/201731 Acórdão n.º 2002000.337 S2C0T2 Fl. 109 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 33/36), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2015. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$6.394,47 para saldo de imposto a pagar de R$15.010,83. A notificação consigna omissão de rendimentos no valor de R$34.534,80 (IRRF correspondente de R$880,71), conforme fl.34. Impugnação Consta que a ciência ao contribuinte se deu por meio do Edital às fls.40/54, com vencimento em 7/8/2017. Não obstante, antes disso, em 22/5/2017, a NL foi objeto de impugnação (fls. 2/36), na qual o contribuinte alegou que não recebeu o valor tido por omitido. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/POA que, por unanimidade, julgoua improcedente (fls. 59/60). Consigna a decisão que a informação prestada em DIRF, datada de 7/4/2015, deve prevalecer, haja vista ter sido prestada em data posterior à emissão do comprovante de rendimentos Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 19/1/2018 (fl. 103), o contribuinte, em 15/2/2018 (fl. 63), apresentou recurso voluntário, às fls. 65/74 e 77/102, no qual alega, em apertado resumo, que: solicitou seu desligamento do quadro de funcionários do Município de São Bento do Trairi em 1/4/2014. declarou seus rendimentos conforme comprovante de rendimentos emitido pelo referido município, que consigna o montante de R$34.969,20. entendeu que a apresentação do comprovante seria suficiente para que a autoridade julgadora acatasse sua impugnação, em observância aos princípios da proteção à boafé e à confiança do administrado. argumenta que não foi cientificado da DIRF retificadora apresentada pela fonte pagadora e que ela não pode prevalecer sobre a realidade concreta e comprovada. Acrescenta que a DIRF foi apresentada quando já estava expirado o prazo para entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física. indica a juntada de seus extratos bancários de forma a comprovar os valores efetivamente recebidos do Município de São Bento do Trairi. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10469.722128/201731 Acórdão n.º 2002000.337 S2C0T2 Fl. 110 3 alega que as informações registradas em DIRF não condizem com a realidade, sendo certo que não recebeu pagamentos nos meses de março, julho e dezembro, juntando correspondência da fonte pagadora (fl.91). questiona a aplicação da multa, visto que não concorreu para a divergência e nem foi cientificado da retificação das informações pela fonte pagadora. Colaciona jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.105). Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10469.722128/201731 Acórdão n.º 2002000.337 S2C0T2 Fl. 111 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre uma omissão de rendimentos atribuída ao recorrente com base em DIRF apresentada pela fonte pagadora. Por seu turno, em sua defesa, o sujeito passivo juntou comprovante de rendimentos de fl.8, consignando o valor por ele declarado. Anexou também extratos bancários, assinalando quais seriam os pagamentos recebidos da Prefeitura Municipal de São Bento do Trairi e que estariam em consonância com o valor por ele declarado. A decisão de piso manteve a autuação, apontando que a informação da DIRF deveria prevalecer visto que é posterior à data do comprovante. De início cabe destacar que não consta dos autos nenhuma das DIRF apresentadas, nem original, nem retificadora, de forma a demonstrar que houve alteração das informações no tocante ao recorrente de uma DIRF para outra. De qualquer forma, não acompanho o entendimento do colegiado de primeira instância, no sentido de que a informação em DIRF é suficiente para respaldar a exigência fiscal, mormente quando o sujeito passivo nega o auferimento da renda indicada e apresenta comprovante de rendimentos, o qual corrobora o valor por ele declarado. A informação em DIRF tratase de um indício de omissão de rendimentos, ao qual não foi adicionado nenhum outro elemento, ainda que indiciário também, pela Fiscalização. Acrescentese que, assim procedendo, está a se exigir do recorrente uma prova negativa, a comprovação de que ele não recebeu os valores indicados em DIRF, a chamada probatio diabolica (prova diabólica), pela extrema dificuldade ou impossibilidade em obtêla. Assim, à vista do comprovante de rendimento de fl. 30, o qual corrobora o valor declarado (fl.34), e diante da falta de outro elemento de prova além da DIRF levantado pela Fiscalização junto à fonte pagadora, concluise que não resta definitivamente demonstrada pela Fiscalização a omissão de rendimentos no valor de R$34.534,80, devendo ser cancelada. Conclusão Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10469.722128/201731 Acórdão n.º 2002000.337 S2C0T2 Fl. 112 5 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, cancelando a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 112DF CARF MF
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