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Numero do processo: 13609.000066/2006-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
Nulidade. MPF.
O MPF é um mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais. A competência do AFRFB, pelo fato de decorrer de lei, não poderia sofrer limitações por um ato infralegal, tanto mais porque a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ao contrário do alegado pela recorrente, a assinatura da autoridade fazendária, no caso, do Delegado da Receita Substituto da DRF/SETE LAGOAS/MG encontra-se aposta no Mandado de Procedimento Fiscal.
Preliminar de nulidade. Perícia.
Rejeita-se a preliminar de nulidade invocada pela defesa, quando não houve cerceamento do direito de defesa do autuado, uma vez que a perícia não foi formulada na impugnação nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Decadência.
No lançamento por homologação, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador.
Exclusão do lucro real.
Na determinação do lucro real, somente podem ser excluídos do lucro liquido do período de apuração, os valores cuja dedução seja autorizada por lei que não tenham sido computadas na apuração do mesmo lucro liquido.
Postergação do lucro.
A pessoa jurídica que presta serviços a entidades governamentais, seja por contratos de longo ou curto prazo, por empreitada ou de fornecimento, a preço pré-determinado, de bens ou serviços a serem produzidos, poderá diferir a tributação do lucro relativamente à parcela da receita não recebida. Os resultados devem ser levantados com base na legislação comercial ou fiscal, observado o regime de competência na apropriação das receitas. A parcela do lucro da empreitada ou fornecimento, correspondente receita não recebida, pode ser excluída do lucro liquido, para efeito de determinar o lucro real, devendo ser adicionada no resultado do período-base em que a receita for recebida.
O lucro diferido deve ser controlado, por meio de ajustes contábeis ou mesmo extra-contábeis. 0 diferimento previsto no art. 409, do RIR/1999, será procedido no LALUR.
O contribuinte deve provar, inequivocamente, por meio de esclarecimentos e documentos hábeis, que a tributação do lucro correspondente a receita reconhecida contabilmente, pode ser postergada, a luz da legislação fiscal vigente.
CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estende-se aos reflexos.
Numero da decisão: 1201-001.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 Nulidade. MPF. O MPF é um mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais. A competência do AFRFB, pelo fato de decorrer de lei, não poderia sofrer limitações por um ato infralegal, tanto mais porque a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ao contrário do alegado pela recorrente, a assinatura da autoridade fazendária, no caso, do Delegado da Receita Substituto da DRF/SETE LAGOAS/MG encontrase aposta no Mandado de Procedimento Fiscal. Preliminar de nulidade. Perícia. Rejeitase a preliminar de nulidade invocada pela defesa, quando não houve cerceamento do direito de defesa do autuado, uma vez que a perícia não foi formulada na impugnação nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Decadência. No lançamento por homologação, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Exclusão do lucro real. Na determinação do lucro real, somente podem ser excluídos do lucro liquido do período de apuração, os valores cuja dedução seja autorizada por lei que não tenham sido computadas na apuração do mesmo lucro liquido. Postergação do lucro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 00 66 /2 00 6- 04 Fl. 3752DF CARF MF 2 A pessoa jurídica que presta serviços a entidades governamentais, seja por contratos de longo ou curto prazo, por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, poderá diferir a tributação do lucro relativamente à parcela da receita não recebida. Os resultados devem ser levantados com base na legislação comercial ou fiscal, observado o regime de competência na apropriação das receitas. A parcela do lucro da empreitada ou fornecimento, correspondente receita não recebida, pode ser excluída do lucro liquido, para efeito de determinar o lucro real, devendo ser adicionada no resultado do períodobase em que a receita for recebida. O lucro diferido deve ser controlado, por meio de ajustes contábeis ou mesmo extracontábeis. 0 diferimento previsto no art. 409, do RIR/1999, será procedido no LALUR. O contribuinte deve provar, inequivocamente, por meio de esclarecimentos e documentos hábeis, que a tributação do lucro correspondente a receita reconhecida contabilmente, pode ser postergada, a luz da legislação fiscal vigente. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Considerando que estes autos já foram apreciados em momento anterior pela extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, transcrevo o relatório elaborado pelo ilustre Relator do Acórdão nº 1202001.013, na sessão de 07 de agosto de 2013 (fl. 3.708 e seguintes): "Por bem retratar os fatos ocorridos transcrevo, em parte, o Relatório do Acórdão nº 227.143 da DRJ/Belo Horizonte, de fls. 1462 e seguintes, o qual também passo a adotar: Fl. 3753DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.753 3 “Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 271/276, o qual exige o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de R$ 11.331.732,68, cumulado com multa de oficio, no percentual de 75%, e juros de mora pertinentes, calculados até 30/01/2006. Em decorrência desse procedimento principal, foi também formalizado o lançamento reflexo, a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL (fls.279/282), no valor de R$ 4.151.377,23, cumulada com multa de oficio, no percentual de 75%, e juros de mora pertinentes, calculados ate 30/01/2006. Do Auto de Infração do IRPJ. Lançamento principal. Na descrição dos fatos, consta que: "001 —ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL CUSTO/DESPESA INDEDUTIVEL Ausência de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real, do valor de R$ 1.291.429,77, correspondente a despesas com provisões não dedutíveis, conforme demonstrado no Termo de Verificação, em anexo, o qual é parte deste Auto de Infra cão. (...) "002 —ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL MULTAS INDEDUTIVEIS Ausência de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real, de despesas com multas indedutíveis, conforme a legislação de regência, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, em anexo, o qual é parte integrante deste Auto de Infração. (...) 003 EXCLUSÕES/ COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS Redução indevida do Lucro Real, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação do imposto de renda, de valores do lucro liquido do exercício, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, em anexo, o qual é parte integrante deste Auto de Infração". [...] Da impugnação. Tendo sido dele notificado, em 13/02/2006, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 15/03/2006 (data da postagem, conforme consta das fls. 293), mediante o instrumento de fls. 294 a 322 e 325 a 343. Adiante compendiam se as razões de defesa tanto contra o lançamento do IRPJ como da CSLL. Fl. 3754DF CARF MF 4 Em preliminar, o Contribuinte postula pela nulidade do lançamento, argumentando que o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, não foi assinado pela autoridade fazendária, como determina o art. 7°, VII, do Decreto n° 3.969, de 2001. DA DECADÊNCIA. Inicialmente, com base no art. 173, I, do CTN, foi alegada a decadência do direito de o Fisco lançar, alegandose que o auto de infração restou formalizado em 13/02/2006, cujos valores levados à tributação referemse aos anos de 1997 a 2001. Portanto, retroagindo cinco anos desta data, chegase ao ano de 2000. Sustenta, pois, que ocorreu a decadência relativa ao crédito tributário correspondente aos anos de 1997 a 2000. DA DEFINIÇÃO LEGAL DA RENDA TRIBUTÁVEL. Noutras alegações, o Impugnante, substancialmente, aduz que não houve renda tributável, à luz do art. 43, do CTN, uma vez que escriturou créditos a receber de órgãos públicos e que ensejaram o ajuizamento de medida judicial especifica. O Impugnante citou, ainda, o art. 409, do RIR/1999, aduzindo: "verificase no caso presente que o contribuinte não excluiu da tributação o valor principal dos créditos a receber do órgão Público, diferiu a tributação do imposto de renda sobre as variações monetárias, cuja cobrança encontrase em fase de processo judicial regularmente ajuizado, face ao não reconhecimento, pelo órgão público, dos valores cobrados". Alega que a tributação de um não acréscimo patrimonial configura confisco, o que não é permitido pela Constituição Federal de 1988. Foram citadas ementas de acórdãos do Conselho de Contribuinte e da Solução de Consulta SRRF 7a Região Fiscal n° 626, de 27 de dezembro de 2004. DA DEDUÇÃO DE ENCARGOS DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DOS TRIBUTOS EM ATRASO. Alega que o Fisco não tem razão. Primeiro o art. 13, I, da Lei n° 9.249, de 1996, não se aplica ao caso presente, pois não se trata de nenhuma provisão. Cita o art. 344, do RIR/1999 ("Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência"); e as Instruções Normativas SRF nºs 11, de 1996, e 390, de 2004. Diz, outra questão surge com relação ao débito estar executado, com penhora e ajuizamento de embargos. DAS MULTAS DOS CONTRATOS DE LEASING. Contrariamente ao que o Fisco alegou, no sentido de que as multas não se enquadram na condição elencada no art. 299, do RIR/1999, cita ementa do Acórdão n° 257, de 2002, prolatado pela primeira Turma da DRJ/BELÉM. Fl. 3755DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.754 5 DA ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA TAXA SELIC. Substancialmente, combate a aplicação da Taxa Selic, como juros de mora. Defende que deve ser observado o art. 161, do CTN. DA MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA. Alega que o percentual de multa cobrado, de 75%, esta exorbitante e inconstitucional, ferindo de morte o art. 150, IV, da Constituição Federal. Ao final, requer prazo de 15 dias para juntada dos documentos comprobatórios de que o Fisco tributou valores não recebidos de órgãos públicos. E postula pela improcedência total do lançamento. Da Conversão do Julgamento em Diligência. Por meio da Resolução DRJ/BHE n° 663, de 13 de julho de 2006 (documentos de fls. 350/356), o julgamento da presente lide fiscal foi convertido em diligência. Em atendimento à solicitação supra, a Fiscalização procedeu às diligências que entendeu necessárias, efetuando intimações regulares ao Contribuinte (vide documentos de fls. 361/659). O "TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL" (documentos de fls. 660/663) esclarece os procedimentos adotados nas diligências efetuadas. Da Conversão do Julgamento em Diligência. Novamente, por meio da Resolução DRJ/BHE n° 770, de 10 de abril de 2007 (documentos de fls. 680/686), o julgamento da presente lide fiscal foi convertido em diligência. Em atendimento à solicitação supra, a Fiscalização procedeu às diligências que entendeu necessárias, efetuando intimações regulares ao Contribuinte (vide documentos de fls. 688/1.445). O "TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL" (documentos de fls. 1.446/1.452) esclarece os procedimentos adotados nas diligências efetuadas. Da Ciência dos Relatórios de Diligências. Por meio do Despacho n° 23, de 10 de março de 2010, da 2a Turma DRJ/BHE (vide documento de fls. 1.454), o processo retornou à DRF de origem, para que fosse dada ciência ao contribuinte do conteúdo dos relatórios de diligência fiscal, documentos de fls. 660/663 e 1.446/1.452. A Fiscalização, então, cumprindo a solicitação acima, enviou os referidos relatórios ao contribuinte, para que ele se manifestasse Fl. 3756DF CARF MF 6 a respeito das considerações neles contidas, no prazo de 30 (trinta) dias (vide Termo de Ciência, de fls. 1.455). Após devidamente cientificado, em 22/03/2010 (11s. 1.456), o contribuinte requereu, em 22/04/2010, mais 30 (trinta) dias de prazo para se manifestar. Justificando tal pedido, alega a complexidade da matéria (vide documento de fls. Em seguida, o processo foi enviado a DRJ/BHE, para julgamento (vide despacho de fls. 1.458). Às fls. 1.459/1.461, foram anexados documentos enviados pelo contribuinte, em 19/05/2010, a DRF, de origem, contendo requerimento solicitando prorrogação do prazo para manifestação. É o relatório.” Na seqüência, foi emitido o Acórdão nº 0227.143 da DRJ/Belo Horizonte, de fls. 1462 e seguintes, julgando procedente em parte a impugnação, com o seguinte ementário: Nulidade. MPF. O MPF é um mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais. A competência do AFRFB, pelo fato de decorrer de lei, não poderia sofrer limitações por um ato infralegal, tanto mais porque a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Preliminar de nulidade. Rejeitase a preliminar de nulidade invocada pela defesa, quando não houve cerceamento do direito de defesa do autuado, tendo sido obedecidos na consecução do lançamento todos os requisitos legais inerentes a tal atividade. Pedido. Prorrogação de Prazo para Manifestação. 0 prazo de 30 (trinta) estabelecido no Decreto n° 70.235, de 1972, para manifestação do sujeito passivo contra a exigência ou mesmo quaisquer considerações da Fiscalização que a corroborem, é improrrogável, independentemente do grau de complexidade da matéria lançada, objeto do auto de infração que se lhe exige. Decadência. No lançamento por homologação, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Despesas com tributos e contribuições. Dedutibilidade. Como regra geral, as despesas com tributos e contribuições são dedutíveis na apuração do lucro real pelo regime de competência. Todavia, nas hipóteses legais de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, como o parcelamento e o Fl. 3757DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.755 7 depósito judicial, prevaleceu o regime de caixa para dedutibilidade das despesas de tributos e contribuições. Gasto necessário. O gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. Exclusão do lucro real. Na determinação do lucro real, somente podem ser excluídos do lucro liquido do período de apuração, os valores cuja dedução seja autorizada por lei que não tenham sido computadas na apuração do mesmo lucro liquido. Postergação do lucro. A pessoa jurídica que presta serviços a entidades governamentais, seja por contratos de longo ou curto prazo, por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, poderá diferir a tributação do lucro relativamente à parcela da receita não recebida. Os resultados devem ser levantados com base na legislação comercial ou fiscal, observado o regime de competência na apropriação das receitas. A parcela do lucro da empreitada ou fornecimento, correspondente receita não recebida, pode ser excluída do lucro liquido, para efeito de determinar o lucro real, devendo ser adicionada no resultado do períodobase em que a receita for recebida. O lucro diferido deve ser controlado, por meio de ajustes contábeis ou mesmo extracontábeis. 0 diferimento previsto no art. 409, do RIR/1999, será procedido no LALUR. O contribuinte deve provar, inequivocamente, por meio de esclarecimentos e documentos hábeis, que a tributação do lucro correspondente a receita reconhecida contabilmente, pode ser postergada, a luz da legislação fiscal vigente. CSL. Tributação reflexa. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. Juros de Mora. Taxa Selic É legitima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Multa de Oficio. Fl. 3758DF CARF MF 8 Nos casos de lançamento de oficio, será aplicada a multa de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, no caso de falta de declaração e nos de declaração inexata. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Contra essa decisão, o contribuinte impetrou recurso voluntário, de fls. 3629 a 3654, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. É o Relatório." O voto condutor do Acórdão proferido pela extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento foi no sentido de que o recurso voluntário ter sido apresentado após o prazo previsto legalmente e por conseguinte não se deve tomar conhecimento do presente recurso, por intempestivo, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72, combinado com o art. 63, inciso I, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999. O sujeito passivo, por meio do documento de fls. 3.722 e seguintes opôs embargo de declaração com fulcro no artigo 535, inciso II do Código de Processo Civil por obscuridade, mediante as razões lá explicitadas. Por sua vez, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais conheceu dos embargos opostos, por meio da Resolução nº 1202000.237, de 11 de março de 2014, da extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento (doc de fls. 3.731 e seguintes), para converter o julgamento dos embargos em diligência. A Unidade de Origem cumprindo a diligência solicitada pelo CARF produziu o documento intitulado "Despacho de Diligência" (fls. 3.737/3.738), o qual trago à colação: "Tratase de questionamento acerca da data de protocolo de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima qualificado em sede de embargos declaratórios (fls. 3.716 a 3.730) apostos perante decisão exarada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A referida decisão, consubstanciada no Acórdão nº 1202 001.013 de 07/08/2013 (fls. 3.708 a 3.715), declarou a intempestividade do recurso apresentado, tendo por base para tal, o Despacho de fl. 3.707. Este despacho, por sua vez, tomou como base, para alegar a intempestividade do recurso, a data de protocolo atestada na 1º folha da peça apresentada pelo contribuinte (fl. 3.672), que é a data de 07/12/2010, 1 (um) dia após a data ad quo, de 30 dias após a ciência da decisão de 1º instância, cujo prazo final para interpor recurso tempestivamente deu em 06/12/2010 (conforme AR à fl. 3.671). Ultrapassado o prazo, o referido recurso foi encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em obediência ao art. 35 do Decreto 70.235/72 para que este julgasse a perempção. Ciente do supra citado Acórdão, o contribuinte protocolou os já citados embargos declaratórios, apresentando como prova de tempestividade do recurso voluntário interposto o comprovante Fl. 3759DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.756 9 de postagem (fl., 3.729). Tal prova demonstra que a data de protocolo do recurso voluntário seria 06/12/2010 conforme carimbo aposto pela Empresa de Correios e Telégrafos no “AR” apresentado quando da postagem efetuada pelo contribuinte. Assim sendo, na impossibilidade de ter acesso ao envelope de postagem ou mesmo de outros meios para determinar a real data de protocolo , entendemos que são verossímeis os dados constantes do documento apresentado quanto à data de interposição do recurso voluntário, cabendo, pois, razão ao contribuinte na alegação da tempestividade de interposição da peça recursal. Dado que o carimbo aposto pelos CORREIOS informa a data de 06/12/2010, esta é a data a ser considerada para que seja validada sua tempestividade, devendo, dessa forma, ser desconsiderada a data de recebimento pelo órgão preparador postada no carimbo aposto à fl. 3.672. Insta ainda informar que, cópia deste despacho será enviado ao contribuinte acima qualificado para ciência de seu inteiro teor, determinandose prazo de 30 dias contados de seu recebimento (da data do AR) para eventual manifestação, em respeito ao determinando pela Resolução nº 1202000.237 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 11/03/2014 (fls. 3.731 a 3.735)." Após a ciência do "Despacho de Diligência", sem qualquer manifestação do sujeito passivo, os autos foram remetidos novamente a este Colegiado para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, com base nos argumentos expostos no "Despacho de Diligência" exarado pela Unidade de Origem, transcritos no relatório deste Acórdão e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade Falta de apreciação do pedido de perícia Alega a recorrente que a decisão "a quo" não apreciou o pedido de perícia constante de sua impugnação e requer a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa. No entanto, o sujeito passivo não transcreve os trechos de sua impugnação em que peticiona pela necessidade da prova pericial para encontrar a verdade material e, ao compulsar as impugnações apresentadas pelo sujeito passivo (fls. 297 a 325 e 328 a 343) verifico que não há menção ao pedido de perícia como alega em seu recurso. Fl. 3760DF CARF MF 10 Portanto, não há o cerceamento do direito de defesa pela ausência da apreciação do pedido de perícia na impugnação como afirma a recorrente, uma vez que a perícia não foi formulada nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Exposto assim, declaro válida a decisão de primeira instância. Nulidade do MPF Falta de assinatura da autoridade fazendária Afirma a interessada que a exigência da assinatura da autoridade fazendária no MPF decorre do artigo 7º, VII do Decreto nº 3.969/01 vigente à época da lavratura do MPF, razão pela qual não há se falar nas disposições atuais da legislação, tendo em vista que a Lei Tributária não retroage, mormente para prejudicar o contribuinte. No entanto, ao contrário do que afirma a recorrente, a assinatura da autoridade fazendária, no caso, do Delegado da Receita Substituto da DRF/SETE LAGOAS/MG encontrase aposta no Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº 06.1.13.00.2005.001154, cuja cópia encontrase anexa nos autos às fls. 02. Assim, também não procede o pedido de nulidade do MPF por falta de assinatura da autoridade fazendária. Decadência dos valores lançados referentes aos exercícios de 1997 a 2000 Alega a recorrente que, ao contrário do sustentado na r. decisão recorrida, in casu, o prazo decadencial não é contado da data do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. Segundo entendimento pacificado do STJ, "somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN)". Mais uma vez equivocase a recorrente ao pedir a decadência dos valores lançados referentes aos exercícios de 1997 a 2000, uma vez que o lançamento aqui constituído se refere a fatos geradores de 31/12/2003. Nesse caso, o termo final seria o dia 31/12/2008 obedecendo a regra prevista no artigo 150, § 4º do CTN. A ciência da contribuinte dos autos de infração ocorreu em 13 de fevereiro de 2006, portanto, dentro do prazo legal de 5 (cinco) anos. Portanto, rejeitase a preliminar de decadência. Mérito Sustenta o sujeito passivo que a vinculação das ações judiciais mencionadas com as receitas objeto da autuação é evidente, diante das cópias das ações juntadas aos autos (processos n° 0024.04.4254910 e 0024.97.1068093). Sendo assim, tendo sido reconhecido que a recorrente não recebeu os valores repassados à Câmara de Compensação Tarifária (CCT), não há se falar em manutenção da autuação de IRPJ e CSLL. Ressalta ainda que, conforme seu Livro Razão, todos os lançamentos estão perfeitamente identificados como sendo de provisão de rateio da Câmara de Compensação Tarifária, cujo devedor é o DER/MG, que figura como réu nas ações ajuizadas pela recorrente, nas quais não se obteve êxito, todas já transitadas em julgado. Prossegue afirmando que ao tributar um não acréscimo patrimonial, estamos diante de um confisco, o que não e permitido, tanto pelo Artigo 150, IV como pelo artigo 50, LIV da Constituição Federal. Aduz, finalmente, que não excluiu da tributação o valor principal dos créditos a receber do órgão Público, diferiu a tributação do imposto de renda sobre as variações Fl. 3761DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.757 11 monetárias, cuja cobrança encontrase em fase de processo judicial regularmente ajuizado, face ao não reconhecimento, pelo órgão público, dos valores cobrados. Esse assunto já foi exaustivamente examinado pela Fiscalização e pela decisão de primeira instância sem que a recorrente trouxesse aos autos nesta fase processual qualquer elemento novo que pudesse infirmar o lançamento. Assim, mantenho o entendimento exarado no Acórdão da DRJ que considerou correto o procedimento fiscal de efetuar o lançamento de ofício do IRPJ, em razão de exclusão do lucro real não permitida pela legislação fiscal. Abaixo reproduzo trecho do voto condutor da decisão "a quo": ITEM 003 — EXCLUSÕES INDEVIDAS. Conforme relata o Fisco, tratase do lançamento do IRPJ e da CSLL, em razão de dedução indevida feita pelo contribuinte na apuração do lucro liquido, do valor de R$ 25.821.755,18, registrado como exclusão relativa à "Atualização Monetária do Rateio/CCT", na parte "A" do LALUR (fls. 211), como ajuste do lucro liquido do exercício de 2004, anocalendário de 2003. (...) No caso vertente, o contribuinte registrou contabilmente um direito creditório (conta devedora, 1.21.01.02.002 — "Rateio DER/MG; fls. 204); cuja correspondente contrapartida foi uma conta de resultado (conta credora, 4.20.01.01.026 — "Atualização Monetária Rateio/CCT; fls. 205). No histórico do referido registro contábil consta: "Vr. Ref Atualização monetária RATEIO/CCTDER conf planilha, R$ 9.863.335,32" "Vr. Ref Atualização monetária RATEIO/CCTDER DE 1991 a 1994 conf Planilha, R$ 15.958.419,86" Devidamente intimado a justificar a referida exclusão, no lucro real, dessa receita, reconhecida contabilmente no valor total de R$ 25.821.755,18, o contribuinte, respondeu que (fls. 189): " Exclusão do valor de R$ 25.821.755,18, atualização monetária do Rateio/CCT, com base no art. 406 do Regulamento do Imposto de Renda e art. 25" e 34" da IN n°247 de 21/12/2002. Entendemos que se o principal pode ser excluído da base de cálculo, a sua atualização também deve ser excluída, por tratar se de valores não recebidos de órgão ". A Fiscalização, então, efetuou o lançamento de oficio, por dedução indevida, no lucro real, do valor de R$ 25.821.755,18, registrado contabilmente como receita de atualização monetária, relativamente ao rateio da CCT, considerando que os dispositivos legais mencionados pelo contribuinte não se aplicam ao caso concreto; e não foi apresentado nenhum instrumento legal que lhe outorgasse, pelo Estado, tal concessão Fl. 3762DF CARF MF 12 ou permissão, assim como, nenhum contrato firmado com órgãos públicos para concessão de serviços de transporte urbano. Por sua vez, na defesa apresentada, o Impugnante defendeu que não houve renda tributável, A. luz do art. 43, do CTN, uma vez que escriturou créditos a receber de órgãos públicos e que ensejaram o ajuizamento de medida judicial especifica. Disse ainda, que: "verificase no caso presente que o contribuinte não excluiu da tributação o valor principal dos créditos a receber do órgão Público, diferiu a tributação do imposto de renda sobre as variações monetárias, cuja cobrança encontrase em fase de processo judicial regularmente ajuizado, face ao não reconhecimento, pelo órgão público, dos valores cobrados". Feitas as diligências solicitadas por este órgão julgador, conforme acima transcrito, passase ´`a analise das ações judiciais mencionadas pelo contribuinte, cujo objeto seria, supostamente, a receita contabilmente reconhecida, mas excluída do lucro real. AÇÕES JUDICIAIS. RECEITA RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETO. Não se pode olvidar que a disponibilidade de renda, econômica ou jurídica, inocorre se o seu valor, por razões fáticas ou jurídicas, não estiver em condições hábeis de integração ao patrimônio do contribuinte. Nesse caso, o que existe é uma potencial disponibilidade, irrelevante para suscitar a incidência do tributo. Sendo assim, se a aludida receita de atualização monetária fosse objeto de discussão judicial, essa somente vai beneficiar a interessada quando proferida a decisão judicial com transito em julgado, se favorável ao seu pleito, tendo em vista que, uma vez adquirida a disponibilidade jurídica de renda, esta se torna sujeita ao imposto em homenagem ao regime de competência 0 contribuinte apresentou esclarecimentos no que tange aos valores contabilizados, em 31/12/2003, a titulo de atualização monetária do Rateio da CCT, conforme documento de fls. 693, acompanhado das planilhas: de fls. 696/700 denominadas "Rateio da Camara de Compensação Tarifária Nota de Débito/Crédito (denominadas, Gerenciador: DER), correspondentes aos períodos de 1991 a 1994, que resultou na atualização monetária de R$ 15.958.419,86; e de fls. 701/706 (denominadas "Planilha de Credito Junto à Câmara de Compensação Tarifária'), períodos de 1997 a 2001, resultando na atualização monetária de R$ 10.398.936,87. Por outro lado, no que tange à suposta discussão judicial dos referidos valores, contabilizados como atualização monetária, conforme acima especificado, o contribuinte os vinculou a duas ações judiciais distintas. A primeira relativa ao processo n° 0024971068093, distribuída em 24/10/1997 (documentos de fls. 375/390 e 653/659; e • planilhas de fls. 1.031/1.034); a segunda, Fl. 3763DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.758 13 processo n° 0024044254910, distribuída em 19/08/2004 (documentos de fls. 367/374 e 649/652; e planilhas de fls. 1.035/1.039). Como se vê na petição inicial do primeiro processo (fls. 375/390), a autora afirma ser permissionária de linhas de linhas municipais e intermunicipais na Regido Metropolitana de Belo Horizonte, conforme termo de permissão de 17/06/1986, firmado com a METROBEL, complementado por ajustes feitos com a TRANSMETRO. Resumidamente, verificase da exordial que a autora reclama de déficits impostos pelo sistema da Câmara de Compensação Tarifária, que a conduziu ao sucateamento da sua frota, diante da impossibilidade de dispor de recursos para proceder a indispensável renovação da sua frota. Esse sistema deficitário causoulhe vultuosos prejuízos que se acumularam no período de abril de 1990 a junho de 1995, cujo montante seria facilmente apurado através de perícia. Abaixo transcrevese o pedido dessa ação (fls. 389). Abaixo transcrevese o pedido dessa ação (fls. 389). "V PEDIDO A vista do exposto, requer a Autora sejam condenados, por sentença, os réus, a indenizar todos os prejuízos acarretados ás promoventes no período de abril de 1990 a junho de 1995, pelo valor que se apurar pericialmente no curso da demanda, além das perdas e danos correspondentes à depreciação da empresa (valor também a ser definido por perícia), acrescido, em qualquer hipótese, de correção monetária e juros legais desde a consuma00 dos prejuízos, além dos encargos de sucumbência, na forma da lei." (Grifos acrescentados). Portanto, tratase de ação de indenização por prejuízos causados pelos órgãos permissionários (Estado), do serviço prestado pelo contribuinte (transporte municipal e intermunicipal), em razão da política imposta na CCT, no período de abril de 1990 a junho de 1995, cuja apuração da indenização seria através de perícia. Todavia, nos autos, o contribuinte nada disse acerca das perícias postuladas no citado processo (n° 024971068093, distribuído em 24/10/1997). 0 que apresentou foram as planilhas de fls. 1.031/1.034, denominadas "RATEIO DA CÂMARA DE COMPENSAÇÃO TARIFARIA — NOTA DE DÉBITO/CRÉDITO óRGÃO GERENCIADOR: DER, REFERENTE AOS CRÉDITOS INCLUSOS NA PLANILHA DE ATUALIZAÇÃO E PROCESSO: 024971068093", onde constam cálculos relativamente ao período de junho a dezembro de 1991 e janeiro de 1992 a julho de 1994. Tendo em vista as denominações feitas, essas planilhas, supostamente, estariam vinculadas com as de fls. 696/700. No entanto, as informações prestadas pelo contribuinte, nos autos, não provam a vinculação defendida. Ou seja, não se pode Fl. 3764DF CARF MF 14 dizer que o valor do saldo relativo à atualização monetária do período de 1991 a 1994, contabilizado pelo contribuinte, em 31/12/2003, de R$ 15.958.419,86, conforme especificado no documento de fls. 693, acompanhado das planilhas de fls. 696/700, guarde identidade ou decorra do objeto da ação judicial constante do processo no 024971068093, distribuído em 24/10/1997. Ademais, vale lembrar que essa ação, proposta em 24/10/1997, já foi decidida na primeira instância, no TJMG e no STJ (vide documentos de fls. 665/678). Pelo que se vê, essas decisões foram desfavoráveis A autora, isto e, o seu pleito está sendo negado. No STJ, o processo foi recebido em 26/08/2003, e a Segunda Turma, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso da Postulante, ora Impugnante, constando da ementa: "INEXISTÊNCIA DE DIREITO A INDENIZAÇÃO". Nas planilhas (fls. 1.031/1.034) apresentadas pelo contribuinte como vinculadas a esse processo, períodos entre junho de 1991 a julho de 1994, conforme ressaltou o Fisco, a coluna Rateio é obtida pela diferença entre o Custo admitido sem rateio (custo real mais produtividade) e o Custo admitido com rateio (custo admitido sem rateio, aplicandose um redutor percentual). Feita a conversão dos valores, indicados em moeda da época, para reais, o Fisco obteve a importância de R$ 199.849,03 (vide quadro As fls. 1.451). No entanto, na petição inicial e no pedido final, não são mencionados valores, tendo sido indicada a forma de apuração tanto da indenização como das perdas e danos por perícia, acerca das quais, nos autos, nada foi esclarecido. Logo, não há como associar a planilha de fls. 1.031/1.034 com a de fls. 696/700. Desse modo, não restou provada, nos autos, a vinculação entre a receita reconhecida pelo contribuinte, (vide registro contábil constante as fls. 204/205, cujo histórico menciona, "Vr. Ref Atualização monetária RATE10/CCT DER DE 1991 A 1994 conf Planilha, R$ 15.958.419,86"), no montante de R$ 15.958.419,86, em 31/12/2003, com o objeto da ação judicial, correspondente ao processo n°024971068093, distribuído em 24/10/1997. De outro lado, o segundo processo n° 0024044254910, distribuído em 19/08/2004, referese à Ação de Cobrança. Como se vê da inicial, a postulante explica que a sua remuneração, como permissionária, não se dava em função da tarifa cobrada do usuário, porque vigorava a chamada CCT — Câmara de Compensação Tarifária, cujo objetivo estabelecido em Portaria, é o de: "assegurar o equilíbrio econômico financeiro do serviço regular de transporte público por ônibus na Regido Metropolitana de Belo Horizonte, proporcionando a aplicação de preços de passagens unificados por áreas, corredor ou tipo de serviço e a racionalização do uso do transporte". Então, se a arrecadação da permissionária fosse superior ao seu custo, ela deveria repassar o valor excedente à CCT, que emitiria assim a "nota de débito". Caso contrário, a CCT emitiria a "nota de crédito". Nesse sentido, salientou a postulante que o DER/MG emitiu "notas de crédito" a seu favor, Fl. 3765DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.759 15 atestando que a sua remuneração foi feita de forma incompleta. A postulante, ainda, discorreu acerca do seu direito à remuneração equilibrada. Verificase que o contribuinte ingressou com ação judicial para recebimento das suas "notas de crédito", devidamente corrigidas e acrescidas de juros, bem como de uma remuneração justa. Abaixo transcrevese o pedido dessa ação (fls. 373/374). "40. Pede, afinal, seja julgada procedente a ação, condenando se o réu: a) no pagamento dos valores constantes das "notas de crédito" em anexo, totalizando, em valores históricos, R$ 3.680.712,31, relativo ao período de janeiro a outubro de 2000 e fevereiro a dezembro de 2001 (conforme planilhas anexas); b) no pagamento dos valores apurados em liquidação no curso da ação ou em processo de liquidação, referentes a recomposição do equilíbrio económicofinanceiro do sistema de transportes, desde 1996 (período reconhecido pelo réu, em 1999); c) sucessivamente (art. 289, CPC) — acaso, por absurdo, considerarse descabido o pagamento dos valores contratados — no pagamento de indenização, afim de evitar locupletamento ilícito do réu, pelos serviços prestados desde janeiro de 1996 até a presente data, indenização esta correspondente ao custo total realizado (apurado consoante critérios postos na Portaria 1.215/95), deduzidos os valores eventualmente já recebidos pela autora, conforme se apurar em perícia contábil, incidindo ainda, em qualquer caso (letras a, b, ou c), correção monetária e juros moratórios e compensatórios." (Grifos acrescentados) Resumindo, tratase, pois, de ação de cobrança relativamente às (a) "notas de crédito", (b) à "recomposição do equilíbrio econômicofinanceiro do sistema de transportes, desde 1996 (período reconhecido pelo réu, em 1999)" e (c), sucessivamente, "indenização correspondente ao custo total realizado, deduzidos os valores eventualmente já recebidos". 0 contribuinte apresentou as planilhas de fls. 1.035/1.039, denominadas "PLANILHA DE CRÉDITO JUNTO A CÂMARA DE COMPENSAÇÃO TARIFÁRIA, REFERENTE CRÉDITOS INCLUSOS NA PLANILHA DE ATUALIZAÇÃO E PROC : 0024.04.425.4910", onde constam cálculos relativamente ao período janeiro de 1997 a fevereiro de 2002. Tendo em vista as denominações feitas, essas planilhas, supostamente, estariam vinculadas com as de fls. 701/706. No entanto, as informações prestadas pelo contribuinte, nos autos, não provam a vinculação defendida. Ou seja, não se pode dizer que o valor da atualização monetária contabilizado pelo contribuinte, em 31/12/2003, de R$ 9.863.335,32, conforme" especificado no documento de fls. 693, acompanhado das planilhas de fls. 701/706, guarde identidade ou decorra do Fl. 3766DF CARF MF 16 objeto da ação judicial constante do processo ri° 002404425491 0, distribuído em 19/08/2004. Nas planilhas (fls. 1.035/1.039), apresentadas pelo contribuinte como vinculadas a esse processo, período janeiro de 1997 a fevereiro de 2002, como ressaltou o Fisco, a Coluna Rateio é obtida pela diferença entre a Receita a Receber e a Receita Recebida, constando como total dessa coluna o valor de R$ 6.624,945,36. Todavia, conforme pedido inicial (fls. 373/374), os supostos créditos são relativos aos períodos entre janeiro a outubro de 2000 e fevereiro a dezembro de 2001, no montante de R$ 3.680.712,31, e a partir de 1996, com valores apurados em liquidação no curso da ação ou em processo de liquidação. Acerca disso, nos autos, nada foi esclarecido. Mais obscuro, ainda, o fato que a receita foi reconhecida em 31/12/2003; e a ação, proposta em 19/08/2004. Em suma, não há como associar a planilha de fls. 1.035/1.039 com a de fls. 701/706. Desse modo, não restou provada, nos autos, nenhuma a vinculação entre a receita reconhecida pelo contribuinte, (vide registro contábil constante às fls. 204/205, cujo histórico menciona, "Vr. Ref Atualização monetária RATEIO/CCT DER conf planilha, R$ 9.863.335,32"), no montante de R$ 9.863.335,32, em 31/12/2003, com o objeto da ação judicial, correspondente ao processo n° 0024.04.425.4910, distribuído em 19/08/2004. Finalmente, cumpre destacar o conteúdo da resposta dada pelo contribuinte na intimação fiscal que lhe solicitava esclarecimentos acerca dos lançamentos contábeis de reconhecimento da receita de "atualização monetária rateio CCT", feitos em 31/12/2003 (vide documento de fls. 691); foi dito que: "os lançamentos ocorreram nas datas apontadas no Livro Diário, em obediência ao principio contábil da oportunidade". (Grifos acrescentados). 0 Principio Contábil da Oportunidade está definido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), no art. 6° da Resolução CFC n° 750/1993, que assim dispõe: "Art. 6" O Principio da Oportunidade referese, simultaneamente, a tempestividade e a integridade do registro do patrimônio e das suas mutações, determinando que este seja feito de imediato e com a extensão correta, independentemente das causas que as originaram. Parágrafo único Como resultado da observância do Principio da Oportunidade: I desde que devidamente estimável, o registro das variações patrimoniais deve ser feito mesmo na hipótese de somente existir razoável certeza de sua ocorrência; II o registro compreende os elementos quantitativos e qualitativos, contemplando os aspectos físicos e monetários; Fl. 3767DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.760 17 III o registro deve ensejar o reconhecimento universal das variações ocorridas no patrimônio da Entidade em um período de tempo determinado, base necessária para gerar informações úteis ao processo decisório da gestão." (Grifos acrescentados) Como principio contábil, a oportunidade compreende tanto as condições adequadas para reportar determinada informação quanto o momento em que essa informação é divulgada. Ou seja, constituise o seu objetivo na completeza das variações patrimoniais, bem como no seu oportuno reconhecimento. Para ser oportuna, a informação deve estar cercada de elementos que lhe dêem sustentação quanto à sua veracidade e chegar as mãos de quem dela necessita em tempo hábil para que seja possível tomar alguma decisão em relação aos fatos informados. Nesse sentido, a informação deve, simultaneamente, ser ágil e integra, de maneira que represente, fiel e imediatamente, as mutações do patrimônio da entidade em determinado período de tempo Portanto, se os aludidos registros contábeis efetuados pelo contribuinte, em 31/12/2003, reconhecendo as receitas de "atualização monetária rateio CCT", o foram em obediência ao "Principio Contábil da Oportunidade", é porque, existindo razoável certeza da ocorrência dessas receitas, esses registros, na data efetivada, não representaram senão uma mutação no patrimônio da empresa. POSSIBILIDADE POSTERGAÇÃO DO LUCRO. ART. 409, DO RIR/1999. Como já se viu, o Impugnante justificou a exclusão da aludida receita relativa à. atualização monetária do rateio CCT/DER/MG, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em razão do que prescreve o art. 409, do RIR/1999. Abaixo transcrevese a legislação citada pelo contribuinte: "REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA — RIR/1999 Produção em Longo Prazo Art.407. Na apuração do resultado de contratos, com prazo de execução superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, serão computados em cada período de apuração (DecretoLei n2 1.598, de 1977, art. 10): I o custo de construção ou de produção dos bens ou serviços incorridos durante o período de apuração; II parte do preço total da empreitada, ou dos bens ou s erviços a serem fornecidos, determinada mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato ou da produção executada no período de apuração. Fl. 3768DF CARF MF 18 §1º. A percentagem do contrato ou da produção executada durante o período de apuração poderá ser determinada (DecretoLei 112 1.598, de 1977, art. 10, §12,): I com base na relação entre os custos incorridos no periodo de apuração e o custo total estimado da execução da empreitada ou da produção; ou II com base em laudo técnico de profissional habilitado, segundo a natureza da empreitada ou dos bens ou serviços, que eelgigue a percentagem executada em função do progresso fisico da empreitada ou produção. §2º. Na apuração dos resultados de ,contratos de longo prazo, devem ser observados na escrituração comercial os procedimentos estabelecidos nesta Seção, exceto quanto ao diferimento previsto no art. 409, que será procedido apenas no LALUR. Produção em Curto Prazo Art. 408. 0 disposto no artigo anterior não se aplica as construções ou fornecimentos contratados com base em preço unitário de quantidades de bens ou serviços produzidos em prazo inferior a um ano, cujo resultado devera ser reconhecido à medida da execução (DecretoLei n 2 1.598, de 1977, art. 10, §2º). Contratos com Entidades Governamentais Art. 409. No caso de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 ou 408, com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, o contribuinte poderá diferir a tributação do lucro até sua realização, observadas as seguintes normas (DecretoLei n 2 1.598, de 1977, art. 10, §32, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 12, inciso I): I poderá ser excluída do lucro liquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, parcela do lucro da empreitada ou fornecimento computado no resultado do período de apuração, proporcional it receita dessas operações consideradas nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período de apuração; II a parcela excluída nos termos do inciso I deverá ser computada na determinação do lucro real do período de apuração em que a receita for recebida. §1º: Se o contribuinte subcontratar parte da empreitada ou fornecimento, o direito ao diferimento de que trata este artigo caberá a ambos, na proporção da sua participação na receita a receber (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10, §4º). §2º. Considerase como subsidiária da sociedade de economia mista a empresa cujo capital com direito a voto pertença, em sua maioria, direta ou indiretamente, a uma única sociedade de economia mista e com esta tenha atividade integrada ou complementar. Fl. 3769DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.761 19 §3º. A pessoa jurídica, cujos créditos com pessoa jurídica de direito público ou com empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, decorrentes de construção por empreitada, de fornecimento de bens ou de prestação de serviços, forem quitados pelo Poder Público com títulos de sua emissão, inclusive com Certificados de Securitização, emitidos especificamente para essa finalidade, poderá computar a parcela do lucro, correspondente a esses créditos, que houver sido diferida na forma deste artigo, na determinação do lucro real do período de apuração do resgate do s títulos ou de sua alienação sob qualquer forma (Medida Provisória n2 1.74937, de 1999, art. 12)". (Grifos acrescentados) Como se vê da legislação acima transcrita, a pessoa jurídica que presta serviços a entidades governamentais, seja por contratos de longo ou curto prazo, por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, poderá diferir a tributação do lucro relativamente à parcela da receita não recebida. Para tanto, deve levantar os resultados com base na legislação comercial ou fiscal, observado o regime de competência na apropriação das receitas. No entanto, a parcela do lucro da empreitada ou fornecimento, correspondente 6. receita não recebida, pode ser excluída do lucro liquido, para efeito de determinar o lucro real, devendo ser adicionada no resultado do períodobase em que a receita for recebida. Demais disso, observandose a regra que o acessório segue o principal, também a variação monetária ativa e juros calculados sobre créditos a receber, em razão de contratos com entidades governamentais, ainda que vencidos, deve ser adicionada A. receita de serviços para cálculo do lucro diferido, em face do comando legal acima transcrito. Desse modo, obedecidas as determinações legais, nos contratos pactuados com entidades governamentais, o contribuinte está autorizado a diferir a tributação do lucro, devendo, para tanto, efetuar ajustes contabilmente ou mesmo ou extra contábil, no sentido de determinar no período qual a parte do lucro será diferida para período futuro, tendo em vista que parcela proporcional da receita não foi recebida. Frisese que, no IRI'J e na CSLL, o que se difere é o lucro, e não a receita. 0 controle do diferimento do lucro, no caso do art. 409, do RIR11999, deve ser efetuado no LALUR, na parte "B". 0 que, todavia, não foi feito pelo contribuinte. No caso vertente, o contribuinte, conforme exposto nas petições iniciais das demandas judiciais já mencionadas nos autos, é uma empresa premissionária do transporte público na Região Metropolitana de Belo Horizonte, sujeito ao sistema de compensação tarifária da chamada CCT. Nesse sentido, a fim de assegurar o equilíbrio econômico financeiro do serviço regular de transporte, se a arrecadação do contribuinte, a qual ocorre principalmente pelo recebimento Fl. 3770DF CARF MF 20 direto do usuário do serviços de transporte, for superior ao seu custo, ele deve repassar o excedente a CCT, que emitiria assim uma "nota de débito". Ao revés, se a sua arrecadação direta for inferior, o órgão público (no caso, o DER/MG) emite uma "nota de crédito" a seu favor. Ocorre que a principal fonte de arrecadação do contribuinte advém diretamente do usuário do serviço de transporte, que paga normalmente em moeda corrente. Nesse caso, portanto, não cabe diferir a tributação do lucro, pois, mesmo na condição de permissionário, ele recebe não do órgão público, mas do usuário do serviço. Não há que se falar, assim, em parcela de receita não recebida do órgão público, condição essencial para que ocorra o diferimento previsto no art. 409, do RIR/1999. Como já amplamente abordado,o contribuinte reconheceu uma receita de denominada "Atualização Monetária Rateio CCT", em 31/12/2003, que foi excluída na apuração do lucro real, com base no art. 409, do RIR/1999. Todavia, ainda que, em tese, a variação monetária ativa e os juros calculados sobre créditos a receber, em razão de contratos com entidades governamentais, pactuados nas condições previstas na lei, possa ser adicionada à receita de serviços para cálculo do lucro diferido, tãosomente mencionar dispositivos legais não lhe dá guarida para adotar o procedimento em questão. 0 contribuinte deve provar, inequivocamente, por meio de esclarecimentos e documentos hábeis, que a tributação do lucro, apurado contabilmente, pode se dar pelo regime de caixa, à luz dos arts. 409, do RIR/1999. Ocorre que nenhum outro esclarecimento substancial acerca do reconhecido da referida receita foi prestado. Nem mesmo a alegação que fosse a receita objeto de peleja judicial restou provada, nos autos. Mais ainda, não se pode olvidar que o que a lei permite é diferir o lucro, e não a receita. Nesse sentido, é preciso que se efetuem controles contábeis ou mesmo extra contábeis, demonstrando qual é o lucro a ser diferido, que, em suma, pode ser traduzido pela seguinte expressão aritmética: receita não recebida menos despesas vinculadas à percepção dessa receita. Todavia, o contribuinte assim não procedeu, uma vez que realizou integralmente a exclusão da receita, sem demonstrar (controles contábeis ou extracontábeis) que o custo ou despesa correspondente seriam zero (única possibilidade aritmética que igual a numericamente receita e lucro). Enfim, foi correto o procedimento fiscal de efetuar o lançamento de oficio do IRPJ, em razão de exclusão do lucro real não permitida pela legislação fiscal. Lançamento reflexo. CSLL E, por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal do IRPJ estendese ao reflexo da CSLL. Fl. 3771DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.762 21 Conclusão Ante o exposto CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, voto por negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Fl. 3772DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000427/2007-83
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECOLHIMENTO DE DIFERENÇA NÃO
DECLARADA. CABIMENTO.
A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente (STJ Recurso Repetitivo).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA.
A sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte (STJ Recurso Repetitivo).
Numero da decisão: 1803-000.844
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECOLHIMENTO DE DIFERENÇA NÃO DECLARADA. CABIMENTO. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente (STJ Recurso Repetitivo). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. A sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte (STJ Recurso Repetitivo). Fl. 104DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000427/200783 Acórdão n.º 180300.844 S1TE03 Fl. 101 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 105DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000427/200783 Acórdão n.º 180300.844 S1TE03 Fl. 102 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 65verso e 66): Tratase do Auto de Infração nº 0001528 (fls. 52/53), lavrado em 05/03/2007, relativo ao anocalendário de 2003, que pretende a cobrança de um crédito tributário no montante de R$ 91.137,04 (noventa e um mil cento e trinta e sete reais e quatro centavos), referente a multa de mora paga a menor. De acordo com a descrição dos fatos, o lançamento originouse da realização de Auditoria Interna na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), relativa aos 1º, 2º e 4º trimestres de 2003, tendo sido constatadas irregularidades nos créditos vinculados informados na DCTF, conforme indicado no Demonstrativo de Pagamentos Efetuados após o Vencimento (Anexo IIb, fl. 54 a 56) e no Demonstrativo de Multa e Juros a Pagar — Não Pagos ou Pagos a Menor (Anexo IV, fl. 57). Informa que o contribuinte efetuou pagamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ, após o vencimento, com insuficiência dos acréscimos moratórios devidos. O contribuinte tomou ciência do lançamento, via correio, em 12/04/2007 (fl. 61), e, em 14/05/2007 [segundafeira], apresentou a impugnação de fls. 01 a 19, alegando, em síntese: • apurou o tributo devido, bem como o declarou e recolheu tempestivamente, tendo, porém, constatado, posteriormente, um equívoco no procedimento da apuração, motivo pelo qual efetuou o pagamento da diferença com os acréscimos correspondentes, encaminhando retificadora das DCTF, todo este trâmite tendo sido realizado antes de qualquer procedimento administrativo, tendo o pagamento sido efetuado como denúncia espontânea, de acordo com o art. 138 do CTN, devendo ser afastada veementemente a multa moratória; • com relação a janeiro de 2003, inicialmente encaminhou DCTF em que informou que não apurara crédito de IRPJ na competência de 2003 (fl. 28). Posteriormente, após procedimento de auditoria interna, verificou que cometera um equívoco na apuração, sendo que o montante de IRPJ apurado foi de R$ 280.661,62, pelo que encaminhou, em 13/01/2005, DCTF retificadora (fl. 30), sendo que antes, em 27/12/2004, recolheu a diferença apurada, o equivalente a R$ 370.529,47, acrescida de juros (fl. 33); • com relação a abril de 2003, inicialmente encaminhou DCTF em que indicou, como débito de IRPJ, o montante de R$ 179.978,81 (fl. 35 a 37). Posteriormente, após procedimento de auditoria interna, verificou que cometera um equívoco na apuração, sendo que o montante de IRPJ apurado representava, em realidade, R$ 295.711,92, pelo que encaminhou, em 14/01/2005, DCTF retificadora (fl. 39/40), sendo que antes, em 27/12/2004, recolheu a diferença apurada, o equivalente a R$ 146.286,65, acrescida de juros (fl. 42); • com relação a outubro de 2003, inicialmente encaminhou DCTF em que indicou como débito de IRPJ o montante de R$ 20.190,95 (fl. 44 a 46). Posteriormente, após procedimento de auditoria interna, verificou que cometera um Fl. 106DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000427/200783 Acórdão n.º 180300.844 S1TE03 Fl. 103 4 equívoco na apuração, sendo que o montante de IRPJ apurado representava, em realidade, R$ 79.481,48, pelo que encaminhou, em 25/01/2005, DCTF retificadora (fl. 48/49), sendo que antes, em 27/12/2004, recolheu a diferença apurada, o equivalente a R$ 68.794,80, acrescida de juros (fl. 51). Discorre o contribuinte sobre a exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração, citando, na sua exposição, trechos de doutrina e julgados que entende embasar o seu entendimento sobre a não aplicação da multa de mora no caso em tela, e requer, ao final, que seja conhecido e dado provimento à presente impugnação, de forma a cancelar o auto de infração, tendo em vista o pagamento dos tributos com os benefícios da denúncia espontânea, afastando, por consequência, a exigência da multa ora exigida. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 65): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Lançamento Procedente. 3. Cientificada da referida decisão em 13/05/2009 (fls. 70), a tempo, em 02/06/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 71 a 87, instruído com os documentos de fls. 88 a 97, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000427/200783 Acórdão n.º 180300.844 S1TE03 Fl. 104 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Conforme sintetiza a Recorrente, o que sucedeu no presente processo foi o seguinte (fls. 78): No caso em análise, a empresa apurou o tributo devido, declarou e recolheu tempestivamente. Posteriormente, verificou em sua escrita fiscal equívocos e realizou o pagamento da diferença apurada, antes da constituição do crédito tributário, e antes de enviar a DCTF retificadora. 5. Melhor explicitando (fls. 27 a 51): DATA DO PAGAMENTO DATA DA DCTF DATA DO PAGAMENTO DATA DA DCTF ORIGINAL ORIGINAL COMPLEMENTAR RETIFICADORA 15/5/2003 27/12/2004 13/1/2005 30/5/2003 18/8/2003 27/12/2004 14/1/2005 28/11/2003 13/2/2004 27/12/2004 25/1/2005 6. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICarf), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 7. Relativamente à questão do recolhimento de diferenças não declaradas, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000427/200783 Acórdão n.º 180300.844 S1TE03 Fl. 105 6 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que “a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte” (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): “No caso dos autos, a impetrante, em 1996, apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995, e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que, agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional.” 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades Fl. 109DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000427/200783 Acórdão n.º 180300.844 S1TE03 Fl. 106 7 pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.149.022 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) 8. Por conseguinte, correta a ementa adotada pelo acórdão recorrido, porém, inaplicável ao presente caso (fls. 65): O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 110DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13411.000205/2006-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 31/03/2001
IRPJ. CSLL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve pagamento antecipado por parte do contribuinte.
Numero da decisão: 1201-001.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para a) confirmar a decadência do lançamento de CSLL de 30/09/2000; b) manter os lançamentos de ofício de CSLL 31/12/2000, CSLL31/01/2001 e IRPJ 31/03/2001, não atingidos pela decadência.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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CSLL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve pagamento antecipado por parte do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para a) confirmar a decadência do lançamento de CSLL de 30/09/2000; b) manter os lançamentos de ofício de CSLL 31/12/2000, CSLL31/01/2001 e IRPJ 31/03/2001, não atingidos pela decadência. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (documento assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 00 02 05 /2 00 6- 07 Fl. 716DF CARF MF Processo nº 13411.000205/200607 Acórdão n.º 1201001.612 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela União (Fazenda Nacional) em face do Acórdão nº 120100.363, proferido na 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF que decidiu nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em INDEFERIR o pedido de diligência, ACOLHER a preliminar de decadência para os fatos geradores de 31/03/2001 (IRPJ), 30/09/2000 (CSLL), 31/12/2000 (CSLL), 31/03/2001 (CSLL),e, quanto ao mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. 2. É o seguinte o teor dos Embargos, em síntese: (...), os julgadores decidiram declarar a decadência em relação aos fatos geradores de 31/03/2001 (IRPJ), 30/09/2000 (CSLL), 31/12/2000 (CSLL), 31/03/2001 (CSLL), com amparo do art. 150, § 4º, do CTN, aplicado ao caso sob o argumento da existência de recolhimentos antecipados, em consonância com a tese firmada no STJ. Contudo, segundo se depreende da análise das planilhas fiscais de fls. 154, 155, 158, 166 (numeração eprocesso), não há registro de pagamento em relação aos fatos geradores de 31/03/2001 (IRPJ), 30/09/2000 (CSLL), 31/12/2000 (CSLL), 31/03/2001 (CSLL). Logo, ao aplicar o art. 150, § 4º, do CTN para fatos geradores em relação aos quais inexiste recolhimento antecipado, o acórdão se revela obscuro, diante da tese nele firmada de que a citada regra se aplica no caso de pagamento. 3. Os Embargos Declaratórios foram apresentados tempestivamente e admitidos. 4. Verificase que as planilhas evidenciam: · págs. 154/155, que CSLL 30/09/200, 31/12/2000, não foram declaradas em DCTF e tampouco pagas; · pág. 161, CSLL 31/01/2001, tampouco; · pág. 166, IRPJ 31/03/2001, tampouco. 5. Por sua vez, o Acórdão CARF embargado assim se pronunciou, referenciandose ao REsp 1033444/PE, Min. Relator Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, Dje de 24/08/2010): Quanto à decadência, acolho os fundamentos do Recurso Voluntário, haja vista a edição da Súmula n.° 8 do STF, que reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n.° 8.212/91. Assim, cumpre analisar os períodos base que foram extintos pela decadência nos termos do artigo 156, inciso V, do CTN. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 13411.000205/200607 Acórdão n.º 1201001.612 S1C2T1 Fl. 4 3 Considerando que os lançamentos fiscais somente ocorreram em 05/04/2006,considerando que os tributos cobrados nestes autos são classificados como tributos sujeitos a homologação, considerando que as imputações fiscais são de pagamento a menor de tributo, não temos dúvida da aplicabilidade do disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, levando em consideração não s6 o disposto no enunciado normativo como também a jurisprudência atual do E. Superior Tribunal de Justiça (...) Voto Conselheira Eva Maria Los 6. Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de admissibilidade, passo à análise da contradição apontada. 7. O Acórdão embargado entendeu que ocorreu a decadência dos citados lançamentos, porque o IRPJ e a CSLL se submetem ao lançamento por homologação, regendose a decadência pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, caso tenha ocorrido o pagamento; e pelo art. 173, I do CTN, em caso contrário. 8. Contudo, as planilhas fiscais descritas evidenciam que não houveram pagamentos, impondose a revisão da verificação da decadência daqueles lançamentos de ofício, à luz do art. 173, I do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. · págs. 154/155, CSLL 30/09/2000 o lançamento poderia ser efetuado a partir de 01/10/2000 e a contagem se inicia em 01/01/2001, encerrandose o prazo quinquenal em 31/12/2005 portanto, confirmase a decadência · págs. 154/155, CSLL 31/12/2000 o lançamento poderia ser efetuado a partir de 01/01/2001 e a contagem se inicia em 01/01/2002, encerrandose o prazo quinquenal em 31/12/2006 portanto, NÃO foi atingido pela decadência. · pág. 161, CSLL 31/01/2001 o lançamento poderia ser efetuado a partir de 01/02/2001 e a contagem se inicia em 01/01/2002, encerrandose o prazo quinquenal em 31/12/2006 portanto, NÃO foi atingido pela decadência. · pág. 166, IRPJ 31/03/2001 o lançamento poderia ser efetuado a partir de 01/04/2001 e a contagem se inicia em 01/01/2002, encerrandose o prazo quinquenal em 31/12/2006 portanto, NÃO foi atingido pela decadência. Conclusão Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13411.000205/200607 Acórdão n.º 1201001.612 S1C2T1 Fl. 5 4 Diante do exposto, ACOLHO os Embargos de Declaração apresentados para: a) confirmar a decadência do lançamento de CSLL de 30/09/2000; b) manter os lançamentos de ofício de CSLL 31/12/2000, CSLL31/01/2001 e IRPJ 31/03/2001, não atingidos pela decadência, (documento assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator Fl. 719DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.906759/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO.
Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que propunha a conversão em diligência para que a unidade local da RFB analisasse o direito de crédito com base nos arquivos magnéticos disponibilizados após a manifestação de inconformidade.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO. Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que propunha a conversão em diligência para que a unidade local da RFB analisasse o direito de crédito com base nos arquivos magnéticos disponibilizados após a manifestação de inconformidade. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1528; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.906759/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.486 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2017 Matéria PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO Recorrente ADLIN PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO. Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que propunha a conversão em diligência para que a unidade local da RFB analisasse o direito de crédito com base nos arquivos magnéticos disponibilizados após a manifestação de inconformidade. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 67 59 /2 01 2- 11Fl. 69DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuida o presente processo de compensação não homologada, cujo crédito, relativo ao PIS/Pasep não cumulativo, 2º Trimestre/2008, não foi reconhecido em razão do desatendimento à intimação para apresentação dos arquivos digitais, com lastro nas disposições da IN SRF 86/01, art. 65 da IN RFB 900/2008 e art. 74 da Lei nº 9.430/96. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou que seu direito creditório é legítimo; que a indisponibilidade se deveu à necessidade de adequação dos sistemas às exigências da RFB; que, a teor do art. 149 do CTN e art. 65 da Lei nº 9.784/99, a apresentação extemporânea dos arquivos digitais deveria ser relevada, mormente pela superveniência do ADE Corec nº 03/2012, que estendeu o prazo de 20 (vinte) dias, previsto na IN SRF 86/2001, para 110 (cento e dez) dias. A DRJ Florianópolis/SC julgou improcedente a reclamação ao argumento de descumprimento de obrigação prevista na legislação. Em recurso voluntário o contribuinte defendeu que a inobservância de obrigação acessória não poderia redundar no indeferimento de seu direito de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Consoante IN SRF 86/2001, lastreada no art. 11 da Lei nº 8.218/91, as pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, são obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, devendo entregálos, quando intimadas, no prazo de 20 (vinte) dias. No caso vertente, o contribuinte foi intimado a transmitir os arquivos digitais em 12/04/2012, porém, só o fez em 03/10/2012, sob alegação de necessidade de ajustes às determinações da RFB. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10920.906759/201211 Acórdão n.º 3401003.486 S3C4T1 Fl. 11 3 O Despacho Decisório de efl. 25, datado de 04/09/2012, vincula a não homologação da compensação à impossibilidade de aferir o crédito indicado na declaração de compensação. Portanto, há uma sutileza na situação sub examine, pois o ponto fulcral da discussão não reside na ausência de crédito, como parece entender o recorrente, mas sim na impossibilidade de sua verificação ante o descumprimento de obrigação acessória. Nesse passo, temse que o art. 65 da IN SRF 900/2008 impunha essa conseqüência para situações como a dos autos, verbis: “Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas § 1º Na hipótese de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS Nº 15, de 23 de outubro de 2001. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 2º O arquivo digital de que trata o § 1º deverá ser transmitido por estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível para download no sítio da RFB na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, e com utilização de certificado digital válido. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 3º Na apreciação de pedidos de ressarcimento e de declarações de compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de janeiro de 2010, a autoridade da RFB de que trata o caput poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e 3º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) Fl. 71DF CARF MF 4 § 5º Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do crédito, esteja obrigado à Escrituração Fiscal Digital (EFD). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009)” (destacado) A atribuição da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB de disciplinar o procedimento de restituição, compensação e ressarcimento, por seu turno, vem prevista no art. 74, § 14, da Lei nº 9.430/96. A inobservância da obrigação acessória de apresentar os arquivos digitais, tal como estatuído no dispositivo reproduzido, além das penalidades previstas no art. 12 da Lei nº 8.218/91, também resulta no indeferimento do pedido de ressarcimento ou não homologação da compensação respectiva. Aliás, a previsão de indeferimento/não homologação constou expressa e destacadamente do termo de intimação para transmissão dos arquivos digitais (efl. 37). Como dito, não se discute aqui o direito ao crédito pleiteado, propriamente dito, mas o seu indeferimento decorrente da inadimplência da obrigação acessória, que efetivamente ocorreu, sendo causa suficiente para o desprovimento do pedido. Outrossim, não aproveita ao recorrente a extensão do prazo, de 20 (vinte) dias para 110 (cento e dez) dias, promovida pelo ADE Corec nº 03/2012, porque, mesmo que levada em consideração, a extemporaneidade persistiria, tomadas as datas de intimação (12/04/2012) e a data de entrega (03/10/2012). Mais uma vez, o debate ora travado cingese exclusivamente ao (in)deferimento dos pedidos formulados pela inobservância de obrigações acessórias impostas pela legislação de regência, como condição necessária à finalidade desejada, sendo desimportante, neste momento, a legitimidade do direito creditório. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 13984.001237/2007-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 12 37 /2 00 7- 16 Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 369DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000038/2007-30
Data da sessão: Mon Apr 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/05/1996
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 -INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 2402-000.775
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, pois foi reconhecida a decadência do direito de exigibilidade da totalidade das contribuições apuradas nos termos do voto da relatora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1996 a 31/05/1996 DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 -INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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Numero do processo: 10510.721046/2015-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. PENSÃO ESPECIAL DE EX-COMBATENTE DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA (FEB). VIGÊNCIA DO ARTIGO 30 DA LEI N.º 4.242, DE 17 DE JULHO DE 1963.
Os valores referentes a pensões recebidas em decorrência de reforma ou falecimento de ex-combatente da (FEB) são isentos do imposto de renda quando concedidos nos termos da legislação específica (art. 39, inciso XXXV, do Decreto 3.000/99).
Numero da decisão: 2201-003.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 01/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. PENSÃO ESPECIAL DE EX-COMBATENTE DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA (FEB). VIGÊNCIA DO ARTIGO 30 DA LEI N.º 4.242, DE 17 DE JULHO DE 1963. Os valores referentes a pensões recebidas em decorrência de reforma ou falecimento de ex-combatente da (FEB) são isentos do imposto de renda quando concedidos nos termos da legislação específica (art. 39, inciso XXXV, do Decreto 3.000/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 01/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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PENSÃO ESPECIAL DE EX COMBATENTE DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA (FEB). VIGÊNCIA DO ARTIGO 30 DA LEI N.º 4.242, DE 17 DE JULHO DE 1963. Os valores referentes a pensões recebidas em decorrência de reforma ou falecimento de excombatente da (FEB) são isentos do imposto de renda quando concedidos nos termos da legislação específica (art. 39, inciso XXXV, do Decreto 3.000/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 01/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 10 46 /2 01 5- 54 Fl. 78DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física, acostado às fls. 14/17, relativo ao Exercício de 2013, ano calendário 2012, de imposto suplementar de R$ 57.502,39, a serem acrescidos de multa de ofício e juros de mora. 2. O lançamento decorreu em face da apuração da seguinte infração: a) Omissão de rendimentos de Pessoa Jurídica (R$ 247.702,60), Decorrentes de Ação da Justiça Federal O sujeito passivo omitiu os rendimentos recebidos da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL provenientes de ação da Justiça Federal. O valor total recebido foi de R$ 353.860,85. Deste montante foram deduzidos R$ 106.158,25 a titulo de honorários advocatícios. Assim sendo o valor tributável a ser considerado é de R$ 247.702,60, assim discriminado: (R$ 353.860,85 () R$ 106.158,25). Ajuste efetuado de acordo com DIRF e comprovante de levantamento judicial apresentados pelo próprio declarante. 3. Cientificado da Notificação de Lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02/09 , em que aduz, em resumo: “(...) o rendimento percebido pela IMPUGNANTE tratase de pensão da FEB, não deve ser incluído no cômputo do Imposto de Renda da Pessoa Física do ano calendário de 2013, como não o foi. A isenção ora pleiteada, encontra respaldo legal no artigo 39, inciso XXXV do RIR/ 99: (...) Por força do aludido dispositivo, exigese da IMPUGNANTE o montante histórico de R$ 43.126,79 a título de multa, acrescido de R$ 10.356,18 a titulo de juros de mora, conforme se verifica da Notificação de Lançamento, valores estes que se mostram exorbitantes quando comparado ao valor principal do IRPF supostamente devido (R$ 57.502,39). Nesse sentido, além de não ser devida qualquer multa por parte da IMPUGNANTE, já que esta não cometeu qualquer infração, a verdade é que a mesma está sendo severamente e desproporcionalmente penalizada, com multa que equivale a quase 100% do suposto imposto devido, em face de infração que não cometeu, de maneira que a graduação da penalidade e sua Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10510.721046/201554 Acórdão n.º 2201003.444 S2C2T1 Fl. 3 3 aplicação mostrase excessivamente ilegal, não razoável, injusta e abusiva. Ademais, ainda que se considere que a IMPUGNANTE tivesse cometido alguma ilegalidade, ainda assim, a aplicação de uma multa pelo descumprimento de preceito legal, não pode ultrapassar o limite do razoável, sob pena de configurar confisco ao seu patrimônio, o que é veementemente vedado pela Constituição Federal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 EMENTA São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como pensões, civis ou militares, de qualquer natureza, meiossoldos e quaisquer outros proventos recebidos de antigo empregador, de institutos, caixas de aposentadoria ou de entidades governamentais, em virtude de empregos, cargos ou funções exercidos no passado Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese: a) a impossibilidade de tributação do rendimento auferido, em decorrência de expressa vedação legal; b) que a isenção ora pleiteada encontra respaldo legal no artigo 39, inciso XXXV do RIR/99, portanto, a inclusão do rendimento ora discutido na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física não pode subsistir; c) a impossibilidade de efeito confiscatório da multa de ofício. É o relatório. Voto Fl. 80DF CARF MF 4 Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, a notificação de lançamento em análise tem como objeto a omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica (R$ 247.702,60) decorrentes de ação transitada na Justiça Federal. Aduz a recorrente, em síntese, a impossibilidade da inclusão do rendimento ora discutido na base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física, pois a legislação tributária isenta, indubitavelmente, tal rendimento de tributação. Sobre a matéria, a decisão recorrida considerou essencialmente o seguinte: Nos documentos anexados não há qualquer indicação que a pensão devida ao militar referido e seus dependentes tivesse como base as leis citadas (DecretoLei nº 8.794 e o DecretoLei nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, e Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, art. 30, e Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990, art. 17). Destaquese que Sr Manuel Ramos Brasil detinha a patente de tenente coronel, conforme assentamento de fl. 40, patente que levou para a reserva remunerada em 20/08/1973 (fl. 40). O art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, dispunha sobre pensão aos excombatentes da Segunda Guerra Mundial, da FEB, da FAB e da Marinha, que participaram ativamente das operações de guerra e se encontram incapacitados, sem poder prover os próprios meios de subsistência e não percebiam qualquer importância dos cofres públicos, bem como a seus herdeiros. Assim, observase que o julgador de primeira instância afastou a isenção pleiteada, mas considerou a comprovação da reserva remunerada do militar em 20/08/1973 e, mesmo tratando do dispositivo aplicável ao caso (Lei n.º 4.242, de julho de 1963, que foi revogado pela Lei n.º 8.059, de 1990), concluiu que a pensão recebida em vida pelo ex combatente não teria natureza de rendimento isento e não tributável. Portanto, a controvérsia existente nos autos referese unicamente ao direito à isenção de pensão devida a militar e seus dependentes com base nas leis ensejadoras do benefício (DecretoLei nº 8.794 e o DecretoLei nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, e Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, art. 30, e Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990, art. 17). Nesse contexto, com a devida vênia, discordo do entendimento consignado no Acórdão da Delegacia de origem, tendo em vista que a documentação apresentada pela contribuinte demonstra claramente a data da transferência do militar excombatente José Luiz Braga Castello Branco (que integrou o contingente da FEB nos campos da Itália) para à reserva remunerada, sendo a legislação vigente à época, certamente, a aplicável ao caso. Em consulta à legislação acerca da pensão militar do excombatente, verifica se que, como salientado na decisão recorrida, o art. 30 da Lei n.º 4.242, de 17 de julho de 1963, expressamente dispõe sobre a referida pensão. Tal dispositivo foi posteriormente revogado em 1990, pela Lei 8.059). Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10510.721046/201554 Acórdão n.º 2201003.444 S2C2T1 Fl. 4 5 Desse modo, em que pesem os fundamentos da decisão recorrida, a legislação vigente à época da transferência do oficial para a reserva remunerada consta do rol do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000, de 1999 RIR/99), que assim dispõe: Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXV as pensões e os proventos concedidos de acordo com o DecretoLei nº 8.794 e o DecretoLei nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, e Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, art. 30, e Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990, art. 17, em decorrência de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XII); (...) Sobre o tema, corroborando os fundamentos expostos, cabe mencionar a decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, conforme ementa abaixo transcrita: ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. PENSÃO ESPECIAL DE EX COMBATENTE DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA (FEB). AGRAVO LEGAL IMPROVIDO. 1. No presente caso, a autora comprovou ser beneficiária da pensão especial de excombatente da Força Expedicionária Brasileira FEB, concedida com base no Decreto n.º 49.096, de 10/10 de 1960 e Portaria 04 Ass/DGP, de 29 de janeiro de 1974, artigo 15, da Lei n.º 3.765/60 e de acordo com o art. 30 da Lei n.º 4.242/63 devendo, desse modo, ser reconhecida a isenção do imposto de renda sobre seu benefício. 2. Agravo legal improvido. Tribunal Regional Federal da 3ª Região TRF3 SEXTA TURMA. Decisão. AC APELAÇÃO CÍVEL 1795794 PROCESSO N.º 00093606420094036000. Data da decisão: 12/09/2013. Data de publicação: 20/09/2013. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 82DF CARF MF 6 Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.002203/2007-21
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa: LUCRO INFLACIONÁRIO-REALIZAÇÃO MÍNIMA
A partir do ano calendário de 1996, a realização mínima obrigatória do lucro inflacionário resulta da aplicação de determinado percentual, conforme a periodicidade da apuração, sobre um mesmo valor, que é o saldo do lucro inflacionário a realizar em 31/12/95, no qual está computado do saldo credor
da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNE.
Verificadas, pelas evidências das declarações prestadas pelo contribuinte ao fisco de forma reiterada, que o lucro inflacionário não foi oferecido à tributação, quer seja de forma imediata ou diferida, nos anos calendários pertinentes, deve a autoridade fiscal realizar o referido lançamento tributário
observando os artigos 449 e 450 do RIR/99.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA MORATÓRIA
O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que nenhuma infração tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte. A denúncia espontânea não foi prevista para que favoreça o atraso do pagamento do tributo.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 1803-001.150
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Luiz Bezerra Presta
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: LUCRO INFLACIONÁRIO-REALIZAÇÃO MÍNIMA A partir do ano calendário de 1996, a realização mínima obrigatória do lucro inflacionário resulta da aplicação de determinado percentual, conforme a periodicidade da apuração, sobre um mesmo valor, que é o saldo do lucro inflacionário a realizar em 31/12/95, no qual está computado do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNE. Verificadas, pelas evidências das declarações prestadas pelo contribuinte ao fisco de forma reiterada, que o lucro inflacionário não foi oferecido à tributação, quer seja de forma imediata ou diferida, nos anos calendários pertinentes, deve a autoridade fiscal realizar o referido lançamento tributário observando os artigos 449 e 450 do RIR/99. DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA MORATÓRIA O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que nenhuma infração tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte. A denúncia espontânea não foi prevista para que favoreça o atraso do pagamento do tributo. Recurso Negado.
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Verificadas, pelas evidências das declarações prestadas pelo contribuinte ao fisco de forma reiterada, que o lucro inflacionário não foi oferecido à tributação, quer seja de forma imediata ou diferida, nos anoscalendários pertinentes, deve a autoridade fiscal realizar o referido lançamento tributário observando os artigos 449 e 450 do RIR/99. DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA MORATÓRIA O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que nenhuma infração tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte. A denúncia espontânea não foi prevista para que favoreça o atraso do pagamento do tributo. Recurso Negado. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002203/200721 Acórdão n.º 1803001.150 S1TE03 Fl. 374 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0722.865 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis SC, constante das fls. 329 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Por meio do Auto de Infração, às folhas 256 a 263, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 137.726,32 a titulo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, acrescida de juros de mora e multa de oficio de 75%. A exigência referese ao anocalendário de 2003. Para os anoscalendário de 2002, 2004 e 2005, foi apurada redução do prejuízo fiscal. Em consulta ao "Termo de Verificação Fiscal" (f. 265 a 269), verificase que a autuação originouse da apuração de que a contribuinte teria deixado de levar tributação a parcela mínima de realização do lucro inflacionário, prevista na legislação. Inconformada, a autuada apresentou a impugnação de f. 275 a 288, na qual aduz, em síntese, os seguintes argumentos: Em conformidade com o CTN, o crédito tributário lançado contra si é indevido, posto que, nos casos de denúncia espontânea, a exoneração da responsabilidade pela infração e da consequente sanção, tendo presente que o arrependimento oportuno e formal faz cessar o motivo de punir; Vejase que a contribuinte levou o lucro inflacionário antes do inicio da presente autuação. Destarte, não poderia ser punida. Por conseguinte, inválido se apresenta a presente obrigação sancionatória oriunda do suposto ato de se levar o lucro inflacionário tributação extemporaneamente; Salientese que a obrigação tributária que originou o presente auto de infração é oriunda da nãoadição do lucro inflacionário à apuração do lucro real. Nada obstante, verificase inexistente tal obrigação tributária, posto que o lucro inflacionário não representa renda, nos termos do art. 43 do CTN; Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002203/200721 Acórdão n.º 1803001.150 S1TE03 Fl. 375 3 O lucro inflacionário não representa acréscimo patrimonial, mas somente uma ficção contábil à defasagem da moeda. E premissa básica do sistema constitucional, a imposição deverá sempre recair sobre o que importe riqueza, o que, indubitavelmente, não se verifica no caso do lucro inflacionário; A contribuinte encerrou suas atividades produtivas no ano de 1992, sendo dissolvida por decisão de assembleia geral dos acionistas, conforme Ata da Assembleia Geral Extraordinária realizada em 28 de março de 1994 (doc. j); Mesmo antes de sua dissolução, vinha e vem apresentando sucessivos prejuízos fiscais no decorrer de cada exercício. Devido a esses prejuízos nos exercícios anuais, tem o direito de realizar 100% (cem por cento) do lucro inflacionário sobre o lucro real (prejuízo fiscal) e não 10% (dez por cento) como foi lançado no auto de infração; Apresentamos demonstrativos dos cálculos elaborados pelo Senhor Auditor Fiscal, senão vejamos: Ocorre, entretanto, que a contribuinte vem apresentando sucessivos prejuízos em cada exercício anual. Em vista disso, tem direito de realizar o lucro inflacionário até o montante dos prejuízos anuais, ou seja, de 100% conforme tabela demonstrativa abaixo: Observe que nos exercícios dos anos 2002, 2004 e 2005, foi realizado 100% (cem por cento) do lucro inflacionário sobre o lucro real, é um direito que assiste à contribuinte, reiterase, por ela apresentar prejuízos, cujo procedimento deve ser reconhecido por esse órgão julgador; No exercício do ano de 2003, o valor do lucro real foi inferior ao valor da realização mínima, neste caso, aplicase o mínimo de 10% (dez por cento), conforme determina a legislação; Outro fato relevante a destacar é que já está tramitando junto a essa Delegacia da Receita Federal, o processo administrativo n° 11516.002859/200230. Dito processo encontrase em Brasília — DF, no Primeiro Conselho de Contribuintes, onde está sendo realizado o lucro inflacionário existente nos exercícios dos anos de 1998, 1999 e 2000; Como a contribuinte tem o direito de realizar 100% (cem por cento) do lucro inflacionário sobre o lucro real (prejuízo fiscal), obviamente no exercício do ano de Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002203/200721 Acórdão n.º 1803001.150 S1TE03 Fl. 376 4 2002 não teria mais saldo de lucro inflacionário, em face da compensação integral (100%) do prejuízo fiscal dos exercícios dos anos de 1998, 1999 e 2000; Por conseguinte, tornase inválido o auto de infração ora atacado, primeiro porque não foi julgado o processo n° 11516.002859/200230 em trâmite nessa Delegacia da Receita Federal; segundo, porque, no exercício do ano de 2002, não existe saldo de lucro inflacionário, em face da compensação integral (100%) do prejuízo fiscal dos exercícios dos anos de 1998, 1999 e 2000, naqueles autos;”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis SC, na sessão de 28/01/2011, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0722.865 entendendo “por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, nos termos do relatório e voto do relator”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO. SALDO DE 1995. REALIZAÇÃO MÍNIMA. A partir de 12 de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda ou dois e meio por cento no caso de apuração trimestral. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Cientificada da decisão de primeira instância em 15/02/2011 (Certidão de entrega fls. 338), a INDÚSTRIA CARBOQUIMICA CATARINENSE SA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0722.865, recorre em 16/03/2011 (339 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. Em síntese, é o relatório. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002203/200721 Acórdão n.º 1803001.150 S1TE03 Fl. 377 5 Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. DA DENÚNCIA ESPONTANEA Antes de adentrar ao mérito da questão, observo que a Recorrente traz a tona uma questão sobre a denúncia espontânea, as fls. 340 e seguintes dos autos a seguir transcrita: “II — DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA — VALIDADE DO PROCEDIMENTO REALIZADO PELA IMPUGNANTE — INAPLICABILIDADE DA MULTA DE MORA. O Senhor Auditor Fiscal da Delegacia da Receita Federal ao lavrar o auto de infração, laborou em lamentável e injustificável erro ao entender ser inaplicável o beneplácito da denúncia espontânea, uma vez que realizado a destempo. Isso porque supostamente iniciado procedimento de oficio. Contudo, para verificarse a insubsistência do presente auto de infração, uma vez que firmado sobre interpretação equivocada, necessário se faz a análise do instituto da denúncia espontânea. Ocorre que tendo a multa de mora como hipótese de incidência o pagamento tardio do tributo, conforme reconhecimento do próprio Supremo Tribunal Federal, a mesma, nestas condições, tem natureza punitiva, destinandose a sancionar o contribuinte que recolheu o tributo depois do seu vencimento. Assim, o descumprimento da obrigação de pagar o tributo no prazo legal sujeita o infrator inadimplente a esta penalidade fiscal. Entretanto, o artigo 138 do Código Tributário Nacional expresso no sentido de que a responsabilidade por infração quanto ao prazo de recolhimento do tributo é excluída pela denúncia espontânea, quando devidamente acompanhada do pagamento do tributo: (...) No presente caso, o cerne da questão não é somente o pagamento tardio, mas sim a declaração supostamente realizada a destempo por parte da contribuinte. Assim, em conformidade com o CTN, o crédito tributário lançado contra si é indevido, posto que, nos casos de denúncia espontânea, a exoneração da responsabilidade pela infração e da consequente sanção. Tendo presente que o arrependimento oportuno e formal faz cessar o motivo de punir. Importantíssimo destacar que a denúncia espontânea está muito distante de um favor fiscal à discricionalidade do ente tributante. Representa um direito subjetivo, de natureza imperativa, tal como impõe o ordenamento jurídico, sem que o mesmo Fl. 377DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002203/200721 Acórdão n.º 1803001.150 S1TE03 Fl. 378 6 possa oporse a tal exercido. Por conseguinte, a resistência que e Fisco oferece ao direito do contribuinte realizar a denúncia espontânea da infração não encontra respaldo legal. A utilização deste beneplácito LEGAL desonera o contribuinte das consequências emergentes da situação de infrator, ao passo que, ao realizar a denúncia espontaneamente, a infração praticada acaba extinta. Dessa forma, a condição de infrator do contribuinte deixa de sujeitarse à sanção consistente no pagamento de penalidade, tal como no presente caso.(...)”. O assunto da denuncia espontânea e exclusão da multa moratória é por demais conhecido e várias vezes já foi decidido no âmbito desta 3ª Turma Especial que considera que o recolhimento de diferenças não declaradas é o balizador do benefício contido no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, já colocado na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC), que a seguir transcrevo: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificada (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da 1ª Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que “a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte” (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito Fl. 378DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002203/200721 Acórdão n.º 1803001.150 S1TE03 Fl. 379 7 tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): “No caso dos autos, a impetrante, em 1996, apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano base 1995, e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que, agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional.” 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.149.022 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Diante da posição do STJ e desta 3ª Turma Especial, fazse necessário buscar nos autos a comprovação do recolhimento das diferenças antes de qualquer ação do fisco. Porém, não encontrei nos autos qualquer comprovação do pagamento antes da declaração e do inicio do procedimento fiscal. Além do mais essa comprovação caberia a Recorrente. Desta forma, como não pode ser comprovada a cronologia dos fatos, entendo que a Recorrente não conseguiu comprovar que encontrase sob a égide do benefício contido no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Por conseguinte e diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter a multa moratória. Já em relação à questão principal dos autos, ou seja, o pagamento da parcela mínima do lucro inflacionário, dever ser ressaltada notícia trazida no relatório formulado pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis – SC: “Outro fato relevante a destacar é que já está tramitando junto a essa Delegacia da Receita Federal, o processo administrativo n° 11516.002859/200230. Dito processo encontrase em Brasília — DF, no Primeiro Conselho de Contribuintes, onde está sendo realizado o lucro inflacionário existente nos exercícios dos anos de 1998, 1999 e 2000”. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002203/200721 Acórdão n.º 1803001.150 S1TE03 Fl. 380 8 O referido processo foi julgado pela 7ª Turma Especial do antigo 1º Conselho de Contribuintes na sessão de 16/09/2009, que contava com a presença da Ilustre Conselheira Selene Ferreira de Moraes, Presidente desta 3ª Turma Especial e que proferiu o Acórdão nº 19700023 entendendo “negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.”, em decisão assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999 Ementa: AS EMPRESAS EM FASE DE LIQUIDAÇÃO ESTÃO SUBMETIDAS AO IRPJ — A Lei não exclui essas empresas da obrigação de pagar IRPJ e no presente caso a recorrente submeteuse ao regime ordinário de tributação do IRPJ pelo lucro real em todos os anoscalendários objeto de tributação. TRIBUTAÇÃO DE LUCRO INFLACIONÁRIO, NÃO DECLARADA À AUTORIDADE FISCAL — LANÇAMENTO VÁLIDO — Verificadas, pelas evidências das declarações prestadas pelo contribuinte ao fisco de forma reiterada, que o lucro inflacionário não foi oferecido à tributação, quer seja de forma imediata ou diferida, nos anoscalendários pertinentes, deve a autoridade fiscal realizar o referido lançamento tributário observando os artigos 449 e 450 do RIR/99. AS MATÉRIAS NÃO ALEGADAS EM FASE DE IMPUGNAÇÃO RESTAM PRECLUSAS — O contribuinte deve alegar todas as matérias que deseja discutir no processo na fase de impugnação, sob pena de preclusão desse direito.” O assunto da decisão proferida 7ª Turma Especial do antigo 1º Conselho de Contribuintes na sessão de 16/09/2009 determinou que “nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999, restaram tributadas as parcelas de R$ 2.992.606,25 em cada ano, a titulo de lucro inflacionário, conforme extrato do Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL — Sapli (f. 326), sistema este mantido pela Receita Federal, com base nas informações prestadas pelos contribuintes por meio das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ. Neste extrato, verificase que ao final do ano calendário de 2000, ainda havia saldo de lucro inflacionário a realizar de R$ 12.109.577,52, saldo este utilizado pela fiscalização para determinar as realizações mínimas ora analisadas”. Essa hipótese é exatamente igual ao dos presentes autos e demonstra que a Recorrente manteve a mesma linha de conduta em relação a não oferecer o saldo de lucro inflacionário à tributação agora para os anos calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. Isso porque, com o advento do art. 4° da Lei n° 9.249/95, que revogou a sistemática de correção monetária das demonstrações financeiras, deixou de existir a figura do lucro inflacionário. Porém, o art. 7° do referido diploma legal determinou expressamente a realização do saldo do lucro inflacionário acumulado, remanescente em 31 de dezembro de 1995, corrigido monetariamente até essa data, de acordo com as regras da legislação então Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002203/200721 Acórdão n.º 1803001.150 S1TE03 Fl. 381 9 vigente. Ou seja, o valor representado pelo saldo do lucro inflacionário acumulado e pelo saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF existente em 31/12/1995 deveria ser tributado, a partir de 01/01/96, em no mínimo 1/120 ao mês ou 10% ao ano, ou ainda, a partir do ano calendário de 1997, em 2,5% ao trimestre. Com isso temse que a realização mínima, a partir do anocalendário de 1996, resulta da aplicação de determinado percentual, conforme a periodicidade da apuração, sobre um mesmo valor, que é o saldo do lucro inflacionário a realizar em 31/12/95 e que não foi observada pela Recorrente nos anos calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, objeto da autuação. Diante do exposto, observando tudo que consta nos autos (principalmente da falta de comprovação do pagamento do saldo mínimo de lucro inflacionário), voto no sentindo de negar provimento ao Recurso para manter a imposição tributária. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES
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Numero do processo: 10680.010359/2005-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
COFINS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Recurso a que nega provimento.
Numero da decisão: 3201-002.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, o Advogado Ravi Caie de Medeiros Nolasco, OAB nº 46025/DF.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA -Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Recurso a que nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, o Advogado Ravi Caie de Medeiros Nolasco, OAB nº 46025/DF. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 03 59 /2 00 5- 50 Fl. 980DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 981 2 Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: A contribuinte aqui qualificada apresentou pedido de ressarcimento de crédito de Cofins nãocumulativa no montante de R$212.086,49, relativos ao 3o trimestre de 2004, e utilizado para compensar os débitos da declaração de compensação à fl. 22. Segundo informação fiscal de fls. 148/157, procedida à verificação dos créditos informados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon, em face dos livros fiscais e da contabilidade da empresa, foram apontadas as seguintes alterações efetuadas que ensejaram a glosa dos respectivos créditos: saldo de crédito declarado a maior na Dcomp em face da não dedução de parcela utilizada no Dacon: a empresa deixou de relacionar, no quadro “Detalhamento do Crédito” de sua Declaração de Compensação (fl. 23), os valores de R$32.291,45 e R$44.656,70 que foram consignados na linha 30 da Ficha 06 do Dacon, nos meses de ago/04 e set/04 (fl. 122v). Assim, o valor do crédito da referida Declaração de Compensação (fl. 23) teve a glosa de R$76.948,15 (R$32.291,45 + R$44.656,70); utilização indevida de créditos vedados até 08/08/2004 (no montante de R$6.488,32, conforme fl. 152): verificouse que a contribuinte também aufere receitas provenientes da venda de ovos in natura sujeitas à alíquota zero, excluídas, portanto, da base de cálculo da contribuição, em face do disposto no art. 28, III, da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Contudo, da análise do Dacon e dos livros de registro de entrada de mercadorias, observouse que a empresa apurou e utilizou indevidamente os créditos vinculados a essas receitas sujeitas à alíquota zero até 08/08/2004, uma vez que, conforme MP nº 206/04, art. 17, inciso III e Lei nº 11.116/05, art. 16, parágrafo único, somente a partir de 09/08/2004 estaria autorizada a manutenção dos créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero; créditos sobre aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições: após vigência dos arts. 37 e 21 da Lei nº 10.865/2004, foi vedada a utilização do crédito calculado sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, em face da seguinte redação dada ao § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 981DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 982 3 (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – (,,,) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Grifo acrescentado) Do exame da escrituração da contribuinte verificouse que as aquisições de ovos, sujeitas à alíquota zero (classificados na posição 04.07 da Tipi – Lei nº 10.865/2004, art. 28, III) são escrituradas na rubrica contábil de código 16261 – “Ovos de Terceiros”, cujos valores integram a apuração do custo de produção de ovos pasteurizados (conta de código 26028). Por sua vez, os valores assim contabilizados são provenientes das notas fiscais escrituradas nos livros de Registro de Entradas de Mercadorias e de Registro de Apuração do ICMS, da unidade denominada pela empresa fiscalizada como sendo “Indústria – 1053”, cujo CNPJ é 17.425.646/001608, sob os códigos 1.101 (COMPRA P/ INDUSTRIALIZAÇÃO/PROD. RUR), 2.101 (COMPRA P/ INDUSTRIALIZAÇÃO OU PROD. RUR) e 2.120 (COMPRA P/ INDUSTRIALIZAÇÃO, VENDA A O). Em seguida, a autoridade fiscal detalha os créditos em referência por mês e relacionaos as Notas Fiscais do Livro Registro de Entradas, e conclui pela glosa dos créditos sobre as aquisições dos ovos in natura, sujeitos à alíquota zero, nos valores de R$3.788,87 (ago/2004) e R$2.696,45 (set/2004). Ao final, demonstra o valor do crédito declarado (R$212.086,49), o valor do crédito indeferido (R$89.921,79) e o valor do crédito deferido (R$122.164,70), para o 3º trimestre/2004. Com base no parecer da autoridade fiscal de fls. 148/157, decidiu a autoridade jurisdicionante pela homologação total da Dcomp de fl. 01 e parcial da Dcomp de fl. 03, e ainda, considerar não admitida a Dcomp retificadora de fl. 22 por ferir o art. 58 da IN 460/2004 (incluiu novo débito). Cientificada da decisão, a contribuinte manifestou sua inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que (fls. 178/188): a) saldo de crédito declarado a maior na Dcomp em face da não dedução de parcela utilizada no Dacon. A fiscalização glosou parte do crédito de Cofins nãocumulativa apurada pela empresa no 3º trimestre/2004, por entender que não foram deduzidos os valores devidos a título da contribuição apurados mensalmente, lançados na linha 30 da ficha 06 do Dacon, no montante de R$76.948,15. Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 983 4 Entretanto, conforme se verifica nos Dacons, nos meses de julho, agosto e setembro de 2004 a empresa apurou créditos de Cofins no total de R$308.973,52 e ainda possuía saldo de meses anteriores no montante de R$207.314,17 (conforme Dacon). Notese, portanto, que os créditos glosados pela fiscalização nos valores de R$32.291,45 e R$44.656,70 foram devidamente abatidos, no Dacon, do total de créditos disponíveis em cada mês, em vista do preconizado no art. 3º, § 4º, da Lei 10.833/02 (“o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”). Caso a glosa dos créditos seja mantida pela fiscalização, a contribuinte entende que deverá ser feita a recomposição dos créditos de períodos anteriores que foram utilizados para dedução dos valores devidos a título de Cofins no período de agosto a setembro de 2004. b) utilização indevida de créditos vedados até 08/08/2004. A fiscalização glosou o valor de R$6.488,32, correspondente a crédito de Cofins sobre a aquisição de insumos vinculados à venda de produtos sujeitos à alíquota zero, no período compreendido entre 01/08/2004 e 08/08/2004, sob o entendimento de que a manutenção desses créditos só teria sido permitida pela legislação a partir de 09/08/2004. Todavia, esses insumos se enquadram na hipótese do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925 de 26.07.2004. Nesse caso, a fiscalização poderia ter glosado apenas a diferença de eventual crédito apropriado indevidamente e não a totalidade do crédito utilizado. Cita a previsão contida no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03, concluindo que, diante disso, verificase que as aquisições de insumos que integraram o custo da produção de ovos in natura para industrialização, classificados no capítulo 4 da TIPI durante o período compreendido entre 01/08/2004 e 08/08/2004, dá direito aos créditos presumidos em relação às suas aquisições. c) créditos sobre aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. A fiscalização glosou os créditos calculados sobre as aquisições de ovos in natura (subitem 04.07 da TIPI), os quais são sujeitos à alíquota zero da Cofins. Esses valores glosados correspondem a aquisições que se enquadram na hipótese do crédito presumido do art. 8º da Lei 10.925/04. O enquadramento da Requerente como pessoa jurídica que goza do direito ao crédito presumido da Cofins sobre aquisições de insumos utilizados no processo produtivo foi reconhecida no Parecer Sefis nº 24/2009 em relação às aquisições de sorgos em grãos. Com efeito, as aquisições de ovos in natura para industrialização classificados no capítulo 4 da TIPI (NCM 04.07), conforme estabelecido no Fl. 983DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 984 5 art. 8º da Lei 10.925/04, dá direito à Requerente aos créditos presumidos em relação às suas aquisições destes mesmos ovos. Desse modo, a fiscalização deveria ter glosado somente a diferença entre os créditos tomados em relação aos ovos in natura e o crédito presumido referente às aquisições destes mesmos ovos. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BHE no 0224.809, de 09/12/2009, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de não reconhecer o valor do crédito pleiteado. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que a decisão recorrida omitiu sobre a alegação da Recorrente no sentido de que a fiscalização apenas poderia ter glosado parte do crédito, o que consubstanciaria razão suficiente para anulação do acórdão, conforme o art. 31 , do Decreto n° 70.235/72. Em ato seguinte, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em sessão de 25 de abril de 2012, decidiu pela conversão do julgamento em diligência, que foi efetuada pela unidade de origem. A recorrente, intimada do resultado da diligência, apresentou suas razões. Da mesma forma, processo foi convertido em nova diligência e consta o seguinte resultado: Portanto, as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, SOMENTE PODERÃO DEDUZIR DA COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido decorrente da aquisição de produtos Fl. 984DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 985 6 agropecuários, na forma do art. 8o e 15 da Lei n° 10.925/2004, com produção de efeitos a partir de 01/08/2004: Uma vez que os créditos presumidos não podiam ser utilizados antes de 01/08/2004, o valor do crédito apurado para o mês de julho de 2004 deveria contemplar somente aqueles créditos básicos, relacionados a insumos que possuíam alíquota normal da COFINS e o crédito presumido relativo ao estoque de abertura. Concluímos que não pode ser aceito o pedido do contribuinte para que o crédito apurado em julho de 2004 seja deduzido dos débitos da COFINS de agosto e setembro de 2004 porque o legislador IMPEDIU A APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS ANTERIORES A 08/08/2004 (em relação a produtos com alíquota zero), como determina o art. 16 da Lei n° 11.116/2005 e o art. 17 da Lei n° 11.033/2004, de 21 de dezembro de 2004. Também não pode ser aceito o pedido do contribuinte para que o crédito presumido apurado sobre a aquisição de produtos agropecuários em julho de 2004 seja considerado na compensação POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL, uma vez que esses créditos somente podiam ser utilizados para deduzir da COFINS a partir de 01/08/2004, como determina o art. 17 da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004 (Diário Oficial de 26/07/2004). A recorrente, intimada do resultado da nova diligência, apresentou suas razões. O processo digitalizado foi a mim distribuído, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa pedido de ressarcimento de crédito de COFINS nãocumulativa no montante de R$ 212.086,49, inicialmente, relativo ao 3o trimestre de 2004, e utilizado para compensar os débitos da declaração de compensação. Como relatado, a autoridade fiscal demonstra sobre o valor do crédito declarado (R$ 212.086,49), o valor do crédito indeferido (R$ 89.921,79) e o valor do crédito deferido (R$ 122.164,70), para o 3º trimestre/2004. Inicialmente, a recorrente requer a nulidade da decisão recorrida, devido a omissão em apreciar todos os argumentos expendidos por esta em sua manifestação de Fl. 985DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 986 7 inconformidade, qual seja a alegação de que a fiscalização poderia ter glosado apenas a diferença de eventual crédito apropriado indevidamente e não a totalidade do crédito utilizado. Pois bem, em análise do acórdão recorrido, verificase que o órgão a quo motivou sua decisão com base nas mesmas conclusões expostas pela fiscalização no parecer que embasa o despacho decisório. Importa ressaltar, ainda, que a decisão recorrida enfrentou as questões em lide. Esclarecese que a autoridade julgadora não é obrigada a se manifestar sobre todas as alegações da defesa, nem a responder, um a um, os argumentos expendidos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Sobre esse tema convém trazer à lume as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, STJ, nos REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006; e REsp 876271/SP, julgado em 13/02/2007, que apresentam as seguintes ementas: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARTIGO 535 DO CPC. [...] 1. Não há violação do artigo 535 do CPC quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados. (REsp 874793/CE, relator Ministro Castro Meira). TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC NÃO OCORRÊNCIA [...] 1. A questão não foi decidida conforme objetivava a embargante, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. (Resp 876271/SP, relator Ministro Humberto Martins). (Grifo nosso). O recorrente não pode esperar, tampouco exigir, que sejam abordados no voto condutor do acórdão recorrido, cada uma das alegações articuladas na defesa, e sim que as questões e matérias em litígio sejam devidamente apreciadas, cumprindose a determinação do art. 31 do Decreto 70.235 de 1972, com redação dada pela Lei 8.748 de 1993. Em assim sendo, inexiste no caso a alegada omissão. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 987 8 Em relação ao mérito, salientase que o presente processo tem por objeto declarações de compensação homologadas apenas parcialmente pela autoridade fiscal, referentes à Contribuição para o COFINS apuradas no regime da não cumulatividade e correspondentes ao terceiro trimestre de 2004. O crédito glosado corresponde ao crédito presumido da agroindústria, previsto nos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004, abaixo transcritos: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [...] Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [...] Contatase, de pronto, que a Lei nº 10.925/2004, ao instituir os citados créditos presumidos relacionados à atividade agroindustrial, estabeleceu de forma explícita a forma de seu aproveitamento, qual seja, por meio da dedução da Contribuição para COFINS devida no período de apuração. Observase, ainda, que o artigo 16, parágrafo único, da Lei nº 11.116/05, utilizado pela recorrente como fundamento legal de seu pleito repetitório, não abarca o crédito presumido previsto nos artigos 8º e 15 da pela Lei nº 10.925/2004: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: Fl. 987DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 988 9 I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Pelo visto, por absoluta impossibilidade jurídica do pedido, decorrente de sua falta de fundamentação legal, deve ser mantida a negativa da compensação pleiteada pela recorrente. Em sendo assim, logo, concluise como correta a glosa pela Fiscalização, ratificada pela Resoluçãosolicitada, como se observa, nos termos da conclusão da mesma: Concluímos que não pode ser aceito o pedido do contribuinte para que o crédito apurado em julho de 2004 seja deduzido dos débitos da COFINS de agosto e setembro de 2004 porque o legislador IMPEDIU A APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS ANTERIORES A 08/08/2004 (em relação a produtos com alíquota zero), como determina o art. 16 da Lei n° 11.116/2005 e o art. 17 da Lei n° 11.033/2004, de 21 de dezembro de 2004. Também não pode ser aceito o pedido do contribuinte para que o crédito presumido apurado sobre a aquisição de produtos agropecuários em julho de 2004 seja considerado na compensação POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL, uma vez que esses créditos somente podiam ser utilizados para deduzir da COFINS a partir de 01/08/2004, como determina o art. 17 da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004 (Diário Oficial de 26/07/2004). E, por fim, transcrevo alguns trechos da decisão a quo, para deixar bem claro, os fatos deste processo: 1) Em relação ao saldo de crédito declarado a maior na Dcomp em face da não dedução de parcela utilizada no Dacon. Em seu Dacon de fl. 122v, a interessada informou na linha 23 (crédito total apurado no mês) os valores de R$78.656,23 para o mês de agosto/2004 e de R$133.430,26 para o mês de setembro/2004, relativos à Receita Mercado Interno. Informou, ainda, na linha 30 do Dacon (créditos descontados da Cofins apurada no mês) os valores R$32.291,45 para o mês de agosto/2004 e de R$44.656,70 para setembro. No entanto, ao preencher o formulário “Crédito da Cofins Mercado Interno” (fl. 23), não informou tais valores na linha “B) Parcela do Crédito da linha ‘A’ utilizada para deduzir da Cofins”, o que motivou o acerto feito pela autoridade fiscal descontando o Fl. 988DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 989 10 montante de R$76.948,15 (R$32.291,45 + R$44.656,70) do valor do crédito informado. O argumento da interessada é de que possuía saldo de meses anteriores no montante de R$207.314,17, informado na linha 29 do Dacon – “total de créditos disponíveis no mês”, relativo ao mês de julho/04 (fl. 122v), que daria suporte ao crédito solicitado. Afirma que os créditos glosados pela fiscalização nos valores de R$32.291,45 e R$44.656,70 foram devidamente abatidos, no Dacon, do total de créditos disponíveis em cada mês, em vista do preconizado no art. 3º, § 4º, da Lei 10.833/02 (“o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”). Tal argumento não procede. Inicialmente, o preenchimento do formulário “Crédito da Cofins Mercado Interno” (fl. 23), detalhando o crédito informado na Dcomp, não foi feito corretamente, omitindose os valores de R$32.291,45 e R$44.656,70 que foram descontados no Dacon. Além disso, o precitado formulário pede em sua linha “A) Crédito da Cofins Apurado no Trimestre (art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005)” (grifei) e não o saldo acumulado de meses anteriores. Observada a legislação específica, a pessoa jurídica está autorizada a compensar saldo credor de Cofins e contribuição para o PIS/Pasep com débitos próprios de tributos e contribuições administrados pela RFB se atender ao prescrito pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005: (legislação já apontada acima) O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, autoriza a manutenção de créditos de Cofins e contribuição para o PIS/Pasep vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, e alíquota zero: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. No caso tratado neste processo, verificase que o saldo credor alegado pela interessada não poderia ser utilizado, mesmo com o preenchimento de vários formulários a cada trimestre, dada a restrição imposta pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, em seu parágrafo único, qual seja, a existência de saldo credor acumulado somente a partir de 9 de agosto de 2004. Registrese que a alegação quanto ao saldo credor vai de encontro ao fato de não haver preenchido a coluna referente ao mês de julho/2004 do precitado formulário. Quanto a alegação final de que “caso a glosa dos créditos seja mantida pela fiscalização, ... a contribuinte entende que deverá ser feita a recomposição dos créditos de períodos anteriores que foram utilizados para dedução dos valores devidos a título de Cofins no período de agosto a setembro de 2004”, a própria autoridade fiscal assevera à fl. 150 (Parecer Sefis): Fl. 989DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 990 11 “O resultado desse trabalho foi a comparação e reconstituição dos Dacon apresentados pelo contribuinte à RFB, cujas divergências em relação à legislação de regência da matéria encontramse demonstradas em quadro adiante intitulado ‘Créditos de Cofins Passíveis de Compensação’, elaborados para o trimestre.” (quadro de fl. 156). 2)Quanto a utilização indevida de créditos vedados até 08/08/2004. A glosa aqui se refere à utilização indevida de créditos vinculados a receitas sujeitas à alíquota zero até 08/08/2004, uma vez que, conforme MP nº 206/04, art. 17, inciso III e Lei nº 11.116/05, art. 16, parágrafo único, somente a partir de 09/08/2004 estaria autorizada a manutenção dos créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero. A empresa argumenta que, entretanto, esses insumos se enquadram na hipótese do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925 de 26.07.2004 e, nesse caso, a fiscalização poderia ter glosado apenas a diferença de eventual crédito apropriado indevidamente e não a totalidade do crédito utilizado. Cita a previsão contida no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03, concluindo que, diante disso, verificase que as aquisições de insumos que integraram o custo da produção de ovos in natura para industrialização, classificados no capítulo 4 da TIPI durante o período compreendido entre 01/08/2004 e 08/08/2004, dá direito aos créditos presumidos em relação às suas aquisições. Inicialmente deve ser dito que a interessada não discorda de que somente a partir de 09/08/2004 estaria autorizada a manutenção dos créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero em razão da legislação precitada (MP nº 206/04, art. 17, inciso III e Lei nº 11.116/05, art. 16, parágrafo único). Alega, todavia, que a aquisição de insumos vinculados à venda de produtos sujeitos à alíquota zero, no período compreendido entre 01/08/2004 e 08/08/2004, se enquadraria na hipótese do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925 de 26.07.2004. No entanto, ao preencher seu Dacon (fl. 122v), Ficha 06 – Apuração dos Créditos da Cofins, Linha 18 – Crédito Presumido Atividades Agroindustriais, não informou qualquer valor. ....... 3) Quanto aos créditos sobre aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. A fiscalização glosou os créditos calculados sobre as aquisições de ovos in natura (subitem 04.07 da TIPI), os quais são sujeitos à alíquota zero da Cofins. O argumento da interessada é de que esses valores glosados correspondem a aquisições (ovos in natura) que se enquadram Fl. 990DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 991 12 na hipótese do crédito presumido do art. 8º da Lei 10.925/04. Aduz que o seu enquadramento como pessoa jurídica que goza do direito ao crédito presumido da Cofins sobre aquisições de insumos utilizados no processo produtivo foi reconhecida no Parecer Sefis nº 24/2009 em relação às aquisições de sorgos em grãos. Aqui se coloca a mesma discussão feita no item anterior. Os créditos glosados compunham indevidamente os créditos objetos do pedido de compensação, e foram glosados em face do disposto no § 2º da art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003: ...... Observado que parte dos créditos objeto dos pedidos de compensação anexados ao presente processo se refere à aquisição de produtos tributados com alíquota zero, se deve fazer referência, novamente, ao AD Interpretativo nº 15, de 2005, que dispõe que somente o crédito básico pode ser utilizado para dedução, compensação ou ressarcimento, na forma já vista, de débitos de PIS e de COFINS apurados no regime de incidência nãocumulativa, sendo que o valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Resta, portanto, concluir como correta a glosa pela Fiscalização, ratificada pela Resolução, como já comentado. Neste mesmo sentido, coleciono ementa do acórdão nº 3402001.602, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção deste Carf, de relatoria do conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho, que se refere a pleito repetitório do mesmo contribuinte, referente à Contribuição para o PIS/Pasep apurada no 4ª Trimestre de 2004: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ementa: PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, arts. 3º e 5º, § 1º, inciso II, e § 2º; Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15; Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005; Lei nº 11.116/2005, art. 16 e art. 21, caput da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido conselheiro João Carlos Cassuli Junior que reconhecia o direito ao ressarcimento e a Fl. 991DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 992 13 compensação com outros tributos. O conselheiro João Carlos Cassuli Junior apresentará declaração de voto. Da mesma forma, o processo de n°10680.010360/200584, de relatoria de Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, da mesma empresa, julgado por esta turma, conforme ementa reproduzida abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Recurso Voluntário Negado. Bem como, o processo de n° 10680.012087/200522, de relatoria de PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA (voto vencido) e com voto vencedor da lavra de WINDERLEY MORAIS PEREIRA, da mesma empresa, julgado por esta turma, conforme ementa reproduzida abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Recurso Voluntário Negado Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 993 14 Fl. 993DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.900007/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA.
Nos casos em que a existência do indébito, incluído em declaração de compensação, está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, deve ocorrer prova inequívoca por parte do contribuinte.
Numero da decisão: 3302-003.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Na votação realizada no mês de janeiro, por unanimidade de votos, foi rejeitada a alegação de impedimento dos conselheiros fazendários e a preliminar de nulidade do crédito tributário.
Por maioria de votos, na Reunião de março de 2017, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa prado, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA. Nos casos em que a existência do indébito, incluído em declaração de compensação, está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, deve ocorrer prova inequívoca por parte do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Na votação realizada no mês de janeiro, por unanimidade de votos, foi rejeitada a alegação de impedimento dos conselheiros fazendários e a preliminar de nulidade do crédito tributário. Por maioria de votos, na Reunião de março de 2017, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa prado, que convertiam o julgamento em diligência. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 00 07 /2 00 8- 26 Fl. 425DF CARF MF 2 Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de processo, advindo de manifestação de inconformidade, cujo relatório é transcrito partir do relatório da Resolução nº 3802000.364, Relator Solon Sehn, fls. 166/167: Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita (fls.138): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITOS PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O acórdão recorrido reconheceu que houve retificação da Dctf após o despacho decisório. Todavia, entendeu que a retificação não teria o condão de fundamentar o direito de crédito, razão pela qual indeferiu o pedido. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 155 e ss., alega a existência de crédito capaz de fundamentar a compensação conforme Dcomp nº 01972.98999.141103.1.3.040400. Pleiteia o reconhecimento de um crédito original passível de compensação no valor de R$ 99.830,46 (fls. 47), relativo ao Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10983.900007/200826 Acórdão n.º 3302003.727 S3C3T2 Fl. 3 3 suposto pagamento a maior na competência março de 2002, cujo valor atualizado quando da transmissão seria de R$ 113.676,94 (fls. 05). É o Relatório Ainda no que concerne às razões recursais, a Recorrente expôs o seguinte, fls. 155/161: i) A partir do advento da Circular Bacen n° 3.068/2001, as instituições financeiras obrigaramse na atualização dos Títulos e Valores Mobiliários de que fossem proprietárias, ajustados conforme a cotação de mercado (marcação a mercado); ii) No período acima citado, a Recorrente promoveu o oferecimento das receitas decorrentes dos ajustes positivos da marcação a mercado nas bases de cálculo do PASEP e da COFINS, rubrica 7.1.5.90.109, inseridas na receita bruta da empresa; iii) Ocorre que, posteriormente, observouse que o procedimento estaria em desconformidade com o art. 35 da Lei n° 10.637/2002, o qual previa considerar os ajustes da marcação a mercado somente quando da alienação dos títulos; iv) Assim, a Recorrente readequou a base de cálculo destas contribuições, efetuandose a exclusão dos ajustes positivos a valor de mercado, conforme planilhas de apuração dos valores devidos, que foram acostadas à impugnação; v) O erro foi identificado e reprocessadas as bases de cálculo das referidas contribuições sociais, mas a empresa não retificou as declarações acessórias correspondentes (DIPJ e DCTF), evidenciandose incorretamente os débitos e créditos envolvidos. Apesar de não ter retificado a empresa transmitiu a DCOMP, objeto do processo administrativo em baila; vi) Em fevereiro/2008, a empresa foi cientificada a respeito do despacho decisório relativo à compensação declarada, no qual não foi reconhecida a suficiência do crédito a suportar o integral pagamento dos débitos declarados. Em decorrência, na manifestação de inconformidade da empresa, reconheceuse o equívoco consubstanciado na não retificação da DIPJ e DCTF respectivas, ao passo que foram comprovadas a correta apuração e contabilização dos tributos, juntandose, para tanto, planilhas de apuração e controle dos tributos, planilhas demonstrativas e atualização do crédito de pagamento a maior, razão contábil da conta 7.1.5.90.109; vii) Alega que o princípio da verdade material rege o processo administrativo e pleiteia pela nulidade da decisão de primeira instância, pois declarou a necessidade de retificação e o referido pedido foi ignorado pela DRJ/Florianópolis; viii) Colaciona uma série de precedentes, que demonstram que mesmo sem a retificação, se o contribuinte faz jus ao crédito, este deve ser deferido. O feito foi convertido em diligência nos seguintes termos, fls. 168: Devido às particularidades do caso concreto, sobretudo em razão do volume da escrituração fiscal e contábil de uma instituição bancária, entendese que o julgamento deve ser Fl. 427DF CARF MF 4 convertido em diligência, para que a unidade de origem informar, intimando o contribuinte se entender necessário: a) a diferença entre o valor recolhido aplicandose o regime de competência e o efetivamente devido quando da alienação do título (momento da ocorrência do fato gerador), na forma do art. 35 da Lei n° 10.637/2002; b) se houve pagamento de crédito tributário por ocasião da efetiva alienação dos títulos e valores mobiliários, instrumentos financeiros, derivativos e itens objeto de “hedge”, informando a data, valor e base de cálculo. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Preliminar 2.1. Princípio da verdade material e do pedido de nulidade da primeira instância A Recorrente alega que deve ser observado o princípio da verdade material, onde a realidade dos fatos deve prevalecer sobre a verdade formal. Ela alega que houve supressão de instância no julgamento por parte da DRJ/Florianópolis, uma vez que os documentos não foram analisados e que ficou afastado também o princípio do livre convencimento motivado do julgador. A decisão da DRJ/Florianópolis caminhou no sentido da impossibilidade de considerar a homologação da DCOMP, pois, no caso em análise, a retificação da DCTF ocorreu após o despacho decisório. Ora, tal foi o posicionamento do julgador, justamente, pela observância do princípio do livre convencimento motivado. Vide trecho da decisão abaixo, fls. 141: De se ressaltar, por fim, que não se discorda aqui de que, em regra, erros no preenchimento de declarações não podem se sobrepor à realidade dos fatos. Ocorre, porém, que é preciso diferenciar aquelas declarações que meramente “informam” algo à Administração Tributária, daquelas – como a DCTF – que para além do caráter informativo servem à conformação de situações jurídicas. Como acima se viu, os valores devidos declarados em DCTF têm o vigor de confissão de dívida, razão pela qual só se pode admitir sua retificação por parte do próprio contribuinte nas condições e prazos legalmente postos, não sendo lícito à autoridade fiscal produzir alterações de ofício no que foi declarado. Assim, mesmo concordandose com a posição de que erros formais não devem prevalecer sobre a verdade dos Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10983.900007/200826 Acórdão n.º 3302003.727 S3C3T2 Fl. 4 5 fatos, certo é que, do ponto de vista estrito da legislação tributária, a confissão de dívida, materializada pela declaração de débitos na DCTF, não pode ser tida como uma questão meramente formal. Não há, portanto, como acatar aqui as razões postas pela contribuinte. Em face da demonstrada impossibilidade de validar a compensação efetuada antes da retificação da DCTF, deixase de apreciar aqui as razões trazidas pela contribuinte com o fim de demonstrar a existência integral de seu crédito contra a Fazenda Nacional. É que independentemente da existência ou não desse crédito, ele não foi utilizado de forma regular no procedimento que aqui se discute (o que não significa que tal eventual crédito possa ser utilizado em outro procedimento compensatório, posterior à retificação da DCTF, formalizado dentro do prazo legal de repetição). Nula seria a decisão, caso ela não tivesse enfrentando os argumentos, opostos pela contribuinte, o que não foi o caso. Portanto, improcedente o argumento de nulidade da decisão. 3. Mérito No mérito, o cerne da controvérsia cingese a duas questões. A primeira, diz respeito à impossibilidade de validar/homologar a compensação antes da retificação DCTF. A segunda, referese à falta de comprovação da parcela do crédito não reconhecido e utilizada na compensação não homologada. 3.1. Da impossibilidade da compensação Segundo o voto condutor do julgado recorrido, o motivo apresentado pela Turma de julgamento a quo, para manter a não homologação parcial da compensação em apreço, foi a “impossibilidade de validar a compensação efetuada antes da retificação da DCTF”, baseada nos seguintes argumentos, in verbis, fls. 140: No caso concreto que aqui se tem, a contribuinte, na data de apresentação da DCOMP, não havia retificado a DCTF, documento no qual, como é sabido, são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. Assim, não se pode dizer que, naquele momento, tivesse existência jurídica o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pela contribuinte, motivo pelo qual a não homologação promovida pela DRF/Joinville/SC foi correta. O fato de a contribuinte vir a, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, retificar formalmente a DCTF, não tem o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois, como se viu, a existência do indébito só teria se aperfeiçoado bem depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), Fl. 429DF CARF MF 6 ela só pode ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional); ora, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez, quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF. (grifos não constam no original) Os argumentos apresentados pela Recorrente não procedem, pois, embora a compensação tenha sido efetivada antes da entrega da DCTF retificadora, ocorrida no dia 11/8/2004, ao contrário do asseverado pelo nobre Relator do voto condutor do julgado recorrido, a dita DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório, que ocorreu no dia 28/2/2008, e o titular da unidade Receita Federal de origem reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou parcialmente a compensação declarada com base nos dados da referida DCTF retificadora, o que se constata mediante a comparação dos dados apresentados no Despacho Decisório de fls. 134/135 e com os dos dados apresentados nos extratos de fls. 360/362. Ora, se própria autoridade fiscal acatou a DCTF retificadora e com base nos dados nela apresentados procedeu a homologação parcial da compensação declarada, inequivocamente, este não foi o motivo da não homologação do parcial da compensação declarada. Da simples leitura do questionado Despacho Decisório, verificase que o real motivo da não homologação parcial da compensação foi a falta de comprovação da correspondente parcela do valor do crédito utilizado. Dessa forma, por também entender que o motivo da denegação parcial da compensação foi a falta de comprovação de parcela do direito creditório, afastase a alegada impossibilidade e passase a analisar os elementos as provas carreadas aos autos. 3.2. Do resultado da diligência A partir da análise da manifestação à informação fiscal por parte da Recorrente, verificase, a partir do resultado, que não há direito ao crédito, por ela pleiteado. Ela afirma que foi incluído a mais na base de cálculo referente à apuração dos ajustes positivos ao valor de mercado a quantia de R$ 3.327.681,87 fevereiro/2003. Posteriormente, afirma que foi apurado o valor de R$ 784.646,90 referente à COFINS, sendo que quando houve a correção pela exclusão do ajuste positivo, o valor devido seria de R$ 684.816,44, o que lhe renderia um crédito de R$ 99.830,46. A Recorrente somente juntou cópia dos balancetes, mas, em momento algum, fez, efetivamente, prova cabal da base de cálculo em questão, sendo que o ônus da prova lhe compete1. Diferente, portanto, é o contido no relatório de informação fiscal nº 780/2015/DIORT/DRF/BSB, fls. 369/370: 7. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal (fls. 360/362), confirmouse, em primeiro lugar, o pagamento 1 Lei nº 13.105 Código de Processo Civil Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10983.900007/200826 Acórdão n.º 3302003.727 S3C3T2 Fl. 5 7 no valor de R$ 453.267,11, tendo sido alocados R$ 403.077,32, restando R$ 50.189,79, sendo este valor vinculado à Dcomp sob análise, tudo isso em conformidade com o despacho decisório de nº de rastreamento 745558615, emitido em 14/02/2008 (fls. 134). 8. Ademais, notase a existência de duas DCTF para o período em análise (1º trimestre/2003): a original, entregue em 12/05/2003; e a retificadora, entregue em 11/08/2004, após, portanto, a apresentação da presente Dcomp. Não obstante, o que importa observar acerca do crédito pleiteado é que o valor do débito confessado na DCTF retificadora não coincide com o valor apurado pela Interessada, conforme parágrafo 6, razão pela qual a compensação foi homologada parcialmente, dentro do limite do débito confessado. 9. Com o objetivo de subsidiar os trabalhos, de modo a confirmar ou refutar as alegações descritas no parágrafo 6 desta Informação, a Contribuinte foi intimada em 29/07/2015, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 531/2015 (fls. 170/171), a apresentar documentos e informações nos termos requeridos pelo Carf. 10. Ocorre que em sua resposta (fls. 176/353) a Interessada limitouse a apresentar documentos e informações já juntados aos autos por ocasião da manifestação de inconformidade, com exceção do balancete geral analítico (fls. 302/316) que mostra apenas a conta, com valor respectivo, em que foi registrado o ajuste positivo ao valor de mercado. Cabe notar que os supostos balancetes de fls. 318/330 nada revelam, pois, não há identificação do período a que se referem. 11. No que diz respeito ao solicitado no item “b” do parágrafo 4 desta Informação, a Interessada apresentou a planilha de fls. 178, informando que houve alienação de títulos nos meses de maio, junho, julho e agosto, todos de 2003. Entretanto, tratase de simples informação, sem que esteja acompanhada de elementos de prova. 12. Assim sendo, tendo em vista que não foram devidamente comprovados os valores referidos no parágrafo 6, em especial a base de cálculo da Cofins efetivamente devida em fevereiro/2003, por meio de apresentação de documentação contábil idônea, nada se pode firmar acerca da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (grifos não constam no original) Portanto, não há nos autos, nem posteriormente à diligência, tendo em vista que não foram devidamente comprovados os valores referidos no parágrafo 6, em especial a base de cálculo da Cofins efetivamente devida em fevereiro/2003. Diante da falta de prova, mantémse a decisão que indeferiu o pleito da Recorrente. 4. Conclusão Fl. 431DF CARF MF 8 Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, rejeitando a preliminar arguida e, no mérito, indefiro o provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 432DF CARF MF
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