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Numero do processo: 11618.003438/2007-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/05/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: Relator
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 34 38 /2 00 7- 92 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11618.003438/200792 Acórdão n.º 9202004.902 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11618.003438/200792 Acórdão n.º 9202004.902 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11618.003438/200792 Acórdão n.º 9202004.902 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11618.003438/200792 Acórdão n.º 9202004.902 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11618.003438/200792 Acórdão n.º 9202004.902 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11618.003438/200792 Acórdão n.º 9202004.902 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11618.003438/200792 Acórdão n.º 9202004.902 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11618.003438/200792 Acórdão n.º 9202004.902 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11618.003438/200792 Acórdão n.º 9202004.902 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 192DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.908140/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 12/11/2003
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS
Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 12/11/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS.
O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como pára-brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classifica-se na posição 7007 da TIPI.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/11/2003
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA
Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.191
Decisão:
ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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COMPENSAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Recorrente VITROTEC VIDROS DE SEGURANÇA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 12/11/2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 12/11/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como párabrisas e nas janelas dos veículos automóveis, classificase na posição 7007 da TIPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/11/2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 81 40 /2 00 9- 63 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13839.908140/200963 Acórdão n.º 3301003.191 S3C3T1 Fl. 3 2 ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1429.654, exarado pela 2ª Turma da DRJ/RPO em face de Despacho Decisório que denegou restituição pleiteada e, conseqüentemente, não homologou as compensações declaradas. A recorrente formalizou PER/DComp objetivando a compensação de pretensa diferença recolhida a maior relativa ao IPI. A fiscalização, a partir das características do DARF discriminado no PER/DComp, constatou que o crédito alegado como indevidamente pago foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. O interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, onde alegou, em sede preliminar, que a fundamentação legal genérica do Despacho Decisório implicou cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, sustentou que o direito à restituição decorre de recolhimento a maior de IPI face a erro de classificação de seus produtos (vidros não emoldurados destinados exclusivamente para serem utilizados no párabrisas e nas janelas dos veículos automotores das posições 8701 a 8705). Os mesmos foram classificados na posição 7007 (Vidros de Segurança), com alíquota de 15% de IPI, quando o correto, segundo motivos, julgados e princípio da seletividade, deveria ser na posição 8708 da TIPI (partes e acessórios dos veículos automóveis das posições 8701 a 8705), com alíquota de 5%. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a DRJ/RPO julgoua IMPROCEDENTE, nos termos do Acórdão 1429.654, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 12/11/2003 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. Somente são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com comprovada preterição do direito de defesa. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13839.908140/200963 Acórdão n.º 3301003.191 S3C3T1 Fl. 4 3 RESTITUIÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. Inexiste erro de classificação fiscal se contribuinte lançou nos documentos fiscais e recolheu com a respectiva alíquota os vidros, utilizados como pára brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classificados na posição 7007 da TIPI. Conseqüentemente, inexiste recolhimento indevido ou maior que o devido que se enquadre como crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário replicando as alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório, em sua essência. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.171, de 20 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 13839.904308/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.171): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. As indicações de folhas no presente voto, não havendo informação contrária, referemse à numeração constante no eprocesso. 1 Da Preliminar de Nulidade A recorrente alega que houve preterição do direito de defesa, ensejando a nulidade do despacho Decisório, por indicação inespecífica de dispositivo legal, nos seguintes termos: No despacho decisório que não homologou a compensação em tela constam como enquadramento legal: "Artigo 165 e 170, da Lei n°5.172 (CTN); Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. " Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13839.908140/200963 Acórdão n.º 3301003.191 S3C3T1 Fl. 5 4 Ocorre que os artigos contém parágrafos e incisos QUE NÃO FORAM DEVIDAMENTE ESPECIFICADOS, o que resultou na impossibilidade de a recorrente identificar qual deles fundamenta a decisão não homologatória da compensação, ou seja, EVIDENCIASE INDICAÇÃO INESPECÍFICA QUE CARACTERIZA FORMALIZAÇÃO INCORRETA, em flagrante contrariedade ao que dispõe a legislação que rege a matéria e que prevê a indicação clara e precisa dos dispositivos legais supostamente infringidos , o que não ocorreu no caso. Tal fato resulta em flagrante prejuízo à defesa do contribuinte, resultando em vício insanável que enseja a nulidade do despacho decisório". Não vislumbro nos autos qualquer preterição do direito de defesa. O Acórdão recorrido não merece reparos, nesse pormenor. O despacho Decisório encontrase suficientemente fundamentado e o enquadramento legal está adequado aos fatos apurados. Não há, na espécie, motivo para que a autoridade fiscal indicasse os incisos ou alíneas em que se subdividiam os artigos elencados. Andou bem o julgador de primeira instância, vejamos parte dos fundamentos de seu voto que: [...] "Contudo, o que constato é que, para um pedido genérico lastreado num DARF, regularmente utilizado, para a integral quitação de débitos, mormente por inexistir qualquer retificação do DARF e da DCTF, nenhuma outra capitulação legal seria possível, aliás, creio que foi até exaustiva no caso, pois, bastaria citar o artigo 171 do CTN, ou seja, que a compensação só se faz com créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional." [...] O excerto acima transcrito é suficientemente didático. Não há coerência lógica nos argumentos trazidos pela recorrente, senão o intuito de dar sobrevida ao litígio. Com o exposto, não se verifica qualquer cerceamento do direito de defesa, tampouco algum ato ou fato que ampare, ainda que de longe, a nulidade do Despacho Decisório. 2 Do Mérito O cerne do litígio está centrado da [in]existência do crédito disponível para restituição, submetido à PER/DComp, i.é., [in]existência de pagamento a maior de IPI por parte do contribuinte. A fiscalização, em procedimento de análise de PER/DComp, detectou que o crédito alegado como indevidamente pago fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. O recorrente, por sua vez, alega que efetuou recolhimento de IPI a maior em face de equívoco na classificação fiscal de vidros não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores das posições 8701 a 8705 da Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13839.908140/200963 Acórdão n.º 3301003.191 S3C3T1 Fl. 6 5 TIPI. Originariamente efetuou os recolhimento do IPI com base na posição da TIPI 7007, alíquota de 15%, conquanto, no seu entender, deveria ter recolhido com base na posição 8708, alíquota de 5%. Sustenta que tem o direito de classificar os vidros não emoldurados nas subposições 8708.29.19 ou 8708.29.99 da TIPI. Tece comentários sobre a metodologia do sistema de classificação fiscal e procura demonstrar a correção da classificação utilizada. Adentra em comentários acerca do princípio da seletividade do IPI sustentando que os princípios constitucionais devem ser considerados prioritariamente para fim de classificar um produto na TIPI, em detrimento às regras do Sistema harmonizado. Em resumo temos que o recorrente sustenta que cometeu erro na classificação de vidros não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores, de sua fabricação e, como conseqüência, recolheu IPI a maior. É nessa matéria, classificação fiscal, que se limita a peça recursal. Outrossim, a exigência fiscal emerge da constatação por parte da fiscalização de que o crédito alegado como indevidamente pago fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Essa é a matéria posta originariamente pela fiscalização. Sobre ela nada falou o recorrente. Apressome a afirmar: ainda que o recorrente tenha êxito quanto a classificação por ele pretendida, fazse necessária a comprovação de que eventual pagamento a maior do IPI fora devidamente escriturado, bem assim que as obrigações acessórias tenham sido alteradas para contemplar os valores efetivamente devido do tributo, tornadoo liquido e certo. Portanto temos dois pontos a serem apreciados: (i) a liquidez e certeza do crédito alegadamente pago a maior e (ii) a correta classificação do produto. 2.1 A LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ALEGADAMENTE PAGO A MAIOR É notoriamente sabido que, nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. Essa é a dicção do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Disso não se desincumbiu o contribuinte. Do compulsar dos autos não se vislumbra nenhum elemento apresentado pela recorrente que tenha o condão de afastar as alegações da fiscalização que alicerçaram a negativa relativa ao pedido de restituição. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13839.908140/200963 Acórdão n.º 3301003.191 S3C3T1 Fl. 7 6 Noutra esteira, a fiscalização demonstrou que, relativamente ao crédito que se pretende ser indevido, há débitos a ele originariamente vinculados, portanto não disponíveis para restituição e, conseqüentemente, não servindo para custear compensação. Dessarte, depreendese que os valores de IPI que o recorrente pretende considerar indevidamente recolhidos para fins de fruição de restituição não se encontram devidamente comprovados, portanto não revestidos de certeza e liquidez. 2.2 A CORRETA CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO Passo a apreciar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte para o produto vidro não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores. Ressaltese que a classificação fiscal, no caso concreto, não influenciará diretamente na decisão quanto ao direito à restituição, posto que, isoladamente, eventual erro na classificação não é suficiente para dotar de liquidez e certeza o crédito pago a maior,. O recorrente sustenta que tem o direito de classificar os vidros não emoldurados nas subposições 8708.29.19 ou 8708.29.99 da TIPI. Tece comentários sobre a metodologia do sistema de classificação fiscal e procura demonstrar a correção da classificação utilizada. Adentra em comentários acerca do princípio da seletividade do IPI sustentando que os princípios constitucionais devem ser considerados prioritariamente para fim de classificar um produto na TIPI, em detrimento às regras do Sistema harmonizado. O Julgador a quo, em seu voto, constante do Acórdão recorrido, fundamenta exaustivamente as razões para descaracterizar a pretensa classificação dos vidros na posição 8708 e a necessária e correta classificação na posição 7007. vejamos excerto do voto: [...] Quanto ao mérito, nenhuma razão assiste ao interessado, sendo que a classificação fiscal do produto em questão já é pacificada na Receita Federal do Brasil desde 1998, quando, mediante o DEC SRRF 8ª RF nº 155/98, publicado no DOU em 06/08/98, classificou na posição 7007 da TIPI os vidros a serem utilizados como párabrisas e nas janelas dos veículos automóveis. [...] Não vislumbro razão para o aprofundamento da análise da presente matéria, a uma, pelo brilhante voto constante do Acórdão recorrido, não merecendo reparos, a duas, em face da publicação da Solução de Consulta do Centro de Classificação de Mercadorias da RFB, SC 56/2014, 1ª Turma, com a qual concordo e a utilizo como fundamento de minha decisão. Sua ementa é suficientemente esclarecedora: 7007.21.00 Vidro de segurança não emoldurado, formado por folhas contracoladas (vidro laminado), de espessuras que variam de 1 mm até mais de 6,5 mm, acompanhado de guarnição de borracha para vedação, destinado a uso como parabrisa de automóveis SC 296/2015 1ª Turma Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13839.908140/200963 Acórdão n.º 3301003.191 S3C3T1 Fl. 8 7 Como se vê o produto denominado vidro de segurança não emoldurado, destinado a uso como parabrisa de automóveis tem definida e consolidada sua classificação fiscal na posição 7007. Dispositivo Ante o exposto, considerando que (i) os créditos de IPI que se pretende considerar indevidamente recolhidos para fins de fruição de restituição, não se encontram devidamente comprovados, portanto não revestidos de certeza e liquidez e que (ii) o produto denominado vidro de segurança não emoldurado, destinado a uso como parabrisa de automóveis deve ser classificado fiscal na posição 7007, da TIPI, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 36624.010781/2005-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não há cerceamento do direito de defesa se a notificação de lançamento não apresenta quaisquer falhas ou inconsistências, sendo análoga às que são julgadas ordinariamente por este Colegiado, apresentado todos os requisitos determinados pelo art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972 e pelo art. 142 do CTN. A apresentação de minuciosa defesa, abordando todos os tópicos do lançamento, é prova inconteste de que a recorrente bem compreendeu a matéria tributada e pôde apresentar sua defesa pelos meios inerentes ao processo administrativo fiscal.
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Havendo pagamentos relativos aos fatos geradores em discussão, é de ser aplicada a regra do art. 150, § 4º.
LANÇAMENTO. CRITÉRIO MATERIAL.
Não sendo comprovados erros de cálculo no lançamento, mantém-se os valores presentes na NLFD.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
As contribuições devidas à Seguridade Social, como também as decorrentes de SAT e as destinadas a terceiros incidem sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais.
EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4.)
Numero da decisão: 2302-003.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do lançamento os fatos geradores ocorridos até a competência 09/2000, inclusive, pela homologação tácita do crédito, de acordo com o artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.]
João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão.
EDITADO EM: 25/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Não há cerceamento do direito de defesa se a notificação de lançamento não apresenta quaisquer falhas ou inconsistências, sendo análoga às que são julgadas ordinariamente por este Colegiado, apresentado todos os requisitos determinados pelo art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972 e pelo art. 142 do CTN. A apresentação de minuciosa defesa, abordando todos os tópicos do lançamento, é prova inconteste de que a recorrente bem compreendeu a matéria tributada e pôde apresentar sua defesa pelos meios inerentes ao processo administrativo fiscal. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Havendo pagamentos relativos aos fatos geradores em discussão, é de ser aplicada a regra do art. 150, § 4º. LANÇAMENTO. CRITÉRIO MATERIAL. Não sendo comprovados erros de cálculo no lançamento, mantémse os valores presentes na NLFD. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 01 07 81 /2 00 5- 73 Fl. 1189DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. As contribuições devidas à Seguridade Social, como também as decorrentes de SAT e as destinadas a terceiros incidem sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4.) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do lançamento os fatos geradores ocorridos até a competência 09/2000, inclusive, pela homologação tácita do crédito, de acordo com o artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.] João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. EDITADO EM: 25/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, relator original, ter deixado os quadros do CARF antes da formalização do acórdão, estou procedendo à formalização na condição de redator ad hoc. Esclareço que em virtude de não ter sido localizada a minuta de voto do conselheiro originário, utilizo como base o registro da ata, a Resolução 230100.068 e votos do mesmo conselheiro em processos similares, como nos Acórdãos 2301002.669 e 230101.808. Feito o registro. Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 36624.010781/200573 Acórdão n.º 2302003.712 S2C3T2 Fl. 3 3 Tratase de recurso voluntário que ataca a DecisãoNotificação N° 21.003.0/0100/2006, de 09/03/2006, referente às contribuições previdenciárias e destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT e as destinadas a Terceiros (INCRA 11/99 a 12/03; SEBRAE 11/99 a 12/99; SESC/SENAC 11/99 a 05/00). De acordo com o Relatório Fiscal de ris. 233/245, a ação fiscal que originou a NFLD tratase de refiscalização para o período compreendido entre 11/1999 a 09/2000, em atendimento ao determinado no processo n° 35366.001462/200331, da Corregedoria Regional do INSS, e de fiscalização para o período compreendido entre 10/2000 a 12/2003. Inconformada, a ora Recorrente apresentou Defesa tempestiva de fls. 484/519, e, em seguida, peticionou às fls. 1017/1038. juntando os demonstrativos dos cálculos apontados em sua defesa, tendo a DecisãoNotificação de fls. 1039/1053, julgado procedente o lançamento. Irresignada interpôs Recurso Voluntário tempestivo de fls. 1062/1110, alegando, em síntese: a) encontrase suspensa a exigibilidade do crédito tributário, uma vez que ajuizou bem antes de tal lançamento, ação ordinária com pedido de tutela antecipada, com o objetivo de reconhecer a inconstitucionalidade da cobrança de determinadas contribuições, restituindose dos valores pagos via compensação, razão pela qual deixou de recolher as contribuições relativas as rubricas lançadas nessa NFLD, por força de suas compensações efetivadas sob autorização judicial previamente declarada; b) a ação judicial que corre em paralelo tem relação indireta com a NFLD combatida, pois a ação judicial discute a constitucionalidade da exação fiscal, enquanto que na esfera administrativa enfocase a ilegitimidade da existência de uma lavratura dessa natureza. Assim, o objeto de uma lide difere do da outra, razão pela qual não há que se falar em renúncia ao processo administrativo; c) não há razão que justifique a lavratura da NFLD, uma vez que as ações judiciais em que se pautou a empresa para realizar compensações de contribuições previdenciárias, ainda permanecem no aguardo de manifestação judicial diante do TRF 3ª Região e, portanto, sem ocorrência do trânsito em julgado, não se justifica o lançamento em fustigo; d) a impossibilidade de determinação dos valores lançados, pois a apresentação das planilhas pela autoridade fiscal não auxiliam o contribuinte a entender tais valores; e) o lançamento de débitos fiscais considerados e reconhecidos pela própria fiscalização como "sobrestados", sob o pretexto de se evitar a decadência do direito de constituição desses débitos é ato que afronta a natureza jurídica do lançamento tributário; f) devem ser excluídos da NFLD os valores objeto das outras NFLD que restaram sobrestadas, por estarem sendo cobrados em duplicidade, no montante de R$1.119,927,80; Fl. 1191DF CARF MF 4 g) a inconstitucionalidade da taxa SELIC; h) a ilegitimidade e inconstitucionalidade da cobrança de contribuições devidas a Terceiros e ao INCRA; i) a ilegitimidade da cobrança de contribuições sociais devidas ao SAT; j) a desnecessidade do depósito prévio recursal. Requereu a nulidade do lançamento, excluindose da cobrança os valores já inseridos nas NFLDs 35.842.4348, 35.842.4330, 35.842.4321 e 35.842.4313, no valor total de R$ 1.119.927,80 e também os valores relativos ao período compreendido entre setembro de 1999 e dezembro de 2002 cobrados indevidamente a título de SESC/SENAC, sendo que o valor remanescente deverá resultar em NFLD a ser desmembrada e que deverá ficar sobrestada até o final julgamento a medida judicial em trâmite perante o Poder Judiciário. Por fim, fora apresentada Contrarrazões às fls. 1124/1141, em que aduz a desnecessidade de reforma da Decisão, posto que o Recurso interposto não trouxe qualquer elemento ou fato novo que modifique as razões do lançamento. Em 10/06/2010 foi determinada diligência, por meio da Resolução 2301 00.068, nos seguintes termos (efls. 1151 a 1157): Em seu Recurso Voluntário de fls. 1062/1110, a Recorrente apontou diversas inconsistências nos cálculos apresentados pela fiscalização, bem como apresenta planilha de cálculo feita por perito contábil particular, aduzindo que do cotejo das planilhas e cálculos efetuados pela autoridade fiscal, com as guias de recolhimento apresentadas pela empresa, o que se verifica é que os valores recolhidos e compensados não foram apurados corretamente pela fiscalização. Aduz ainda, no tocante as contribuições devidas a terceiros, que a fiscalização apurou que foram recolhidos valores a maior do que eram efetivamente devidos, não computando, todavia, no total a compensar. Pois bem. Analisando os autos e tendo em vista a busca do principio da verdade material, tenho para mim ser imprescindível ao deslinde da controvérsia, a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal se manifeste expressamente sobre as alegações da Recorrente no tocante à apuração dos valores recolhidos e compensados, informando se há algum valor a ser deduzido do presente lançamento, bem como refutando expressamente as alegações do Contribuinte nesse aspecto. Ressalto, que em sede de contrarrazões, a r. autoridade fiscal limitouse a reproduzir integralmente as razões trazidas na DecisãoNotificação de fls. 1039/1053, não refutando os novos argumentos e planilhas do contribuinte trazidos no Recurso Voluntário. Ante as razões acima expostas, converto o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização verifique se os cálculos apresentados pela perícia particular da ora Recorrente guarda Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 36624.010781/200573 Acórdão n.º 2302003.712 S2C3T2 Fl. 4 5 pertinência com a presente NFLD, para, se for o caso, sejam tais valores excluídos do lançamento. Em resposta, a unidade preparadora aduziu que (efls. 1164 a 1171): 3. Quanto aos valores recolhidos e compensados segue a análise abaixo. 3.1. Do Salário Educação, os valores não foram incluídos na presente NFLD, basta ver a alíquota considerada em cada competência no Discriminativo Analítico do Débito DAD (fls.14 a 59). A alíquota total de terceiros seria 5,8% discriminada conforme quadro abaixo: (...) 3.1.1. Assim podemos perceber que não existe duplicidade nesse levantamento quanto aos valores levantados nas outras NFLDs que ficaram sobrestadas em virtude de ações judiciais, nem tão pouco aqui, cabe a análise do cálculo do valor do Salário Educação recolhido e compensado. 3.2. Já quanto aos valores das contribuições recolhidas e compensadas, sobre as remunerações dos administradores e autônomos foram feitas as análises abaixo. 3.2.1. Não existe duplicidade de lançamento desses valores, pois os mesmos foram deduzidos do valor devido nas respectivas competências, conforme se verifica no DAD. 3.2.2. Ressaltamos que a competência onde houve a compensação referese à competência anterior (ex: compensação efetuada em 10/2000 referese à competência de 09/2000) e também existem competências com salário família, cujo valor foi somado à compensação no campo "deduções". No Relatório de Lançamentos RL (fls.89 a 136), é possível verificar esses valores separadamente. 3.2.3. Entretanto, verificando as planilhas de compensações elaboradas pela fiscalização (fls. 473 a 477), observase que a fiscal notifícante corrigiu os valores conforme os índices determinados na liminar, porém deixou de aplicar a taxa SELIC a partir de 01/1996. Elaboramos novas planilhas, através do nosso sistema "Compensa" com os mesmos índices e aplicando a taxa SELIC a partir de 01/1996 (ver fls. 1152 A 1156), gerando um valor maior a ser deduzido do presente lançamento, conforme os quadros abaixo. Intimada a recorrente asseverou (efls. 1176 a 1181): (...) A autoridade fiscalizadora simplesmente negou a duplicidade, mas não demonstrou que esta não ocorreu, conforme determinou aquela resolução. Fl. 1193DF CARF MF 6 Com efeito, com relação às contribuições devidas a terceiros, a autoridade fiscal apurou que foram recolhidos a maior do que eram efetivamente devidos, mas não computou no total a compensar, conforme demonstrou a planilha demonstrativa anexada a petição de 02/12/2005 documento 04. Assim, deveria ser totalmente refeito o cálculo dos valores apurados, uma vez que se encontram totalmente equivocados. Devem ser computados todos os valores recolhidos indevidamente aos terceiros, conforme apurado na planilha em anexo (doe. 04), e não apenas parcialmente, como fez a fiscalização. Entretanto, a fiscalização sequer se manifestou a este respeito, simplesmente alegando que não teria havido duplicidade. Com relação aos valores das contribuições recolhidas e compensadas, sobre o que deveria se manifestar expressamente, levando em consideração os argumentos lançados em sua defesa e recurso voluntário, bem como em sua petição onde foram apresentados os cálculos demonstrativos, nada disse, apenas alegando que "não existe duplicidade de lançamento desses valores". Ora, Exa., em nenhum momento foi alegado duplicidade de valores! O que foi alegado é que os valores recolhidos e compensados não foram apurados corretamente. (...) (...) A autoridade fiscalizadora deveria ter apresentado quadro demonstrativo na forma do DAD, demonstrando o valor que entende devido e o valor compensado que será descontado, para que a recorrente pudesse verificar a exatidão destes valores. Da forma como foi apresentado, novamente, é impossível a recorrente verificar a exatidão dos valores. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, relator original, ter deixado os quadros do CARF antes da formalização do acórdão, estou procedendo à formalização na condição de redator ad hoc. Esclareço que em virtude de não ter sido localizada a minuta de voto do conselheiro originário, utilizo como base o registro da ata, a Resolução 230100.068 e Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 36624.010781/200573 Acórdão n.º 2302003.712 S2C3T2 Fl. 5 7 votos do mesmo conselheiro em processos similares, como nos Acórdãos 2301002.669 e 230101.808. Feito o registro. DA PRELIMINAR DA INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO À DEFESA Não prospera a alegação de que o relatório fiscal é apresentado de forma confusa e sem nexo, a dificultar a apresentação da defesa. Os anexos elaborados pela fiscalização, os demonstrativos analítico e sintético e o Relatório Fiscal retratam que a ação fiscal atendeu às normas da Lei 8.212, de 1991 e adotou os procedimentos previstos e regulamentados, devidamente especificados no relatório de fundamentos legais do débito. A NFLD não apresenta quaisquer falhas ou inconsistências, sendo análoga às que são julgadas ordinariamente por este Colegiado, apresentado todos os requisitos determinados pelo art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972 e pelo art. 142 do CTN. Ademais, a minuciosa defesa apresentada pela autuada é prova inconteste de que ela bem compreendeu a matéria tributada e pôde apresentar sua defesa pelos meios inerentes ao processo administrativo fiscal. DA DECADÊNCIA Com relação à decadência, verificase que, no caso em apreço, o lançamento foi realizado enquanto vigorava os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, segundo os quais os prazos decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias seriam de 10 anos. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Fl. 1195DF CARF MF 8 Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A da Constituição Federal O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Lei n° 11.417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. Ocorre que este Código prevê a aplicação de duas regras, aparentemente conflitantes, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 36624.010781/200573 Acórdão n.º 2302003.712 S2C3T2 Fl. 6 9 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça, no REsp 973.733/SC esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, "quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias". A comprovação da presença de tais circunstâncias seria imprescindível para o afastamento do art. 150, § 4º do CTN e aplicação do seu art. 173, I, o que não se vislumbra em qualquer momento da autuação. Verificase na análise do Rada – Relatório de Apropriação de Documentos Apropriados que houve a apresentação de GPS referentes aos períodos de 11/1999 a 09/2000 (efls. 155 a 158); assim, comprovase que a Recorrente efetuou o pagamento parcial das contribuições devidas à Seguridade Social, o que afasta, de início, um dos pressupostos para aplicação do art. 173 do CTN. Outrossim, não tendo sido comprovado que sua conduta tenha sido eivada de dolo, fraude ou simulação, restando configurado, portanto, o pressuposto fático ensejador da aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, fica definitivamente afastada a incidência do disposto no artigo 173, I do mesmo Fl. 1197DF CARF MF 10 dispositivo legal. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 25/10/2005, as competências anteriores a 10/2000 estão atingidas pela decadência quinquenal. DA INEXISTÊNCIA DE VALORES LANÇADOS EM DUPLICIDADE Primeiramente, em sede de recurso voluntário, a recorrente arguiu a duplicidade dos valores lançados nos seguintes termos: “Pelo reconhecimento de ofício da situação sub judice que deve ser observada no presente e nas outras NFLDs lavradas contra a recorrente, COM BASE NAS MESMAS CONTRIBUIÇÕES. OU SEJA. EM DUPLICIDADE” (efl. 1071) e “De início, devem ser sumariamente excluídos desta NFLD os seguintes valores, que estão sendo cobrados em duplicidade (...)” (efl. 1082) (Grifos no original.) Porém, em sua manifestação em decorrência da diligência, se retratou, aceitando não ter havido qualquer duplicidade, afirmando mesmo que “Ora, Exa., em nenhum momento foi alegado duplicidade de valores!” (efl. 1178) (Grifos no original.) Em face desta retratação por parte da recorrente, considero não controversa a questão da inexistência de valores lançados em duplicidade. Mesmo que assim não fosse, os créditos tributários em discussão não se confundem com os lançados nas NFLD DEBCAB 35.842.4348, 35.842.4330, 35.842.4321 e 35.842.4313, não existindo qualquer duplicidade no presente lançamento. Transcrevo, por pertinentes, as razões do acórdão recorrido, que assumos como minhas, mutatis mutandis: 5.2.2 Improcedente, também, o equivocado entendimento de que os valores envolvidos estariam em duplicidade, face as outras Notificações emitidas.Na verdade, conforme já esclarecido e claramente consignado no Relatório Fiscal, esta ação fiscal redundou na lavratura das seguintes Notificações (inscrições Debcad): n° 35.842.4305 (a presente Notificação, onde foram levantadas as divergências entre as contribuições apuradas como devidas tendo por base de cálculo as remunerações pagas pela empresa aos seus empregado, e as efetivamente recolhidas, observadas integralmente as demandas judiciais movidas pela empresa, como se favoráveis lhe fossem); n° 35.842.4313 (que lança os valores devidos ao SalárioEducação, com o intuito de prevenir a decadência, no caso de a solução da lide ser desfavorável à empresa); n° 35.432.4321 (que lança os valores devidos ao SEBRAE, com o intuito de prevenir a decadência e caso a solução da lide seja desfavorável à empresa); n° 35.432.4330 (onde são constituídos os créditos relativos ao SESC/SENAC, com o intuito de prevenir a decadência e para o caso de a solução da lide ser desfavorável à empresa); n° 35.842.4348 (onde se encontram lançados os créditos concedidos a título de compensação da contribuição devida pelos administradores e autônomos, também constituída com o fito da prevenção da decadência e também na hipótese de solução da lide desfavorável à empresa impetrante). E, finalmente, da ação fiscal redundou também o Auto de Infração n° 35.435.5147, lavrado pela infração à obrigação acessória de Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 36624.010781/200573 Acórdão n.º 2302003.712 S2C3T2 Fl. 7 11 prestar todas as informações e esclarecimentos necessários à fiscalização, obrigação esta prevista no inciso III, do art. 32 da Lei n° 8.212/91. Portanto, de maneira nenhuma se vislumbra a hipótese de duplicidade, aventada na impugnação. DA INEXISTÊNCIA DE AFRONTA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE É alegada afronto ao princípio da legalidade na lavratura da NFLD para prevenir a decadência. Não lhe assiste razão. A autuada possui quatro ações judiciais, não transitadas em julgado, nas quais demanda: a) a declaração de inconstitucionalidade da contribuição ao "Salário Educação", bem como a compensação das importâncias pagas a este título com parcelas vincendas da mesma contribuição (Processo n° 97.00019179); b) a compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição previdenciária a cargo do empregador, incidente sobre as remunerações efetuadas aos administradores, autônomos e avulsos, sem as limitações de 25% e 30% impostas pelas Leis n° 9.032/95 e 9.129/95 (Processo n° 2000.61.00.0365167); c) a suspensão, em relação ao período base do ano de 2000 e subseqüentes, da exigibilidade da contribuição para o Sebrae, sem pedido de compensação (Processo n° 2000.61.00.0291482); e d) a suspensão da contribuição destinada ao Sesc/Senac, também sem pedido de compensação. Tais demandas judiciais, no que tange a NFLD em discussão, foram integralmente respeitadas como se favoráveis fossem à contribuinte, muito embora, no momento da autuação, estivessem com decisões desfavoráveis a essa. Assim, os créditos tributários foram lançados: a) sem os valores devidos ao "salárioeducação", o que equivale a conceder lhe o crédito correspondente; b) com as deduções das compensações relativas à contribuição incidente sobre a remuneração dos administradores e autônomos, corrigidas pelos índices determinados na liminar obtida, aplicada a Selic, e limitadas a 30% do valor a ser recolhido, nos exatos limites determinados em sentença; c) sem as contribuições devidas ao Sebrae a partir do período base de 2000, conforme pedido na liminar; d) sem as contribuições devidas ao Sesc/Senac a partir da competência 06/2000, conforme obtido em liminar. Fl. 1199DF CARF MF 12 Decorrentemente, a presente Notificação se compõe apenas da parte incontroversa, resultante dos valores apurados a partir da base de cálculo que se constitui das remunerações pagas aos segurados empregados, discriminadas nas folhas de pagamento, excetuadas todas as situações em que há demanda judicial. Com o intuito de prevenir a decadência, tais créditos foram constituídos à parte, objeto de outras Notificações Fiscais, essas sim permanecendo sobrestadas quanto aos atos executórios, que somente terão seqüência no deslinde dos processos judiciais, se desfavoráveis à autuada e serão submetidas à eficácia das decisões judiciais que transitarem em julgado. DA RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA A recorrente alega que as ações judiciais têm relação indireta com a NFLD combatida, pois discute judicialmente a constitucionalidade da exação fiscal, enquanto que na esfera administrativa enfocase a ilegitimidade da existência de uma lavratura dessa natureza. Assim, o objeto de uma lide difere do da outra, razão pela qual não há que se falar em renúncia ao processo administrativo. A renúncia à esfera administrativa necessariamente deve coincidir com o objeto das ações judiciais, ou seja, só há renúncia em relação às seguintes matérias: (a) a declaração de inconstitucionalidade da contribuição ao "Salário Educação", bem como a compensação das importâncias pagas a este título com parcelas vincendas da mesma contribuição (Processo n° 97.00019179); b) a compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição previdenciária a cargo do empregador, incidente sobre as remunerações efetuadas aos administradores, autônomos e avulsos, sem as limitações de 25% e 30% impostas pelas Leis n° 9.032/95 e 9.129/95 (Processo n° 2000.61.00.0365167); c) a suspensão, em relação ao período base do ano de 2000 e subseqüentes, da exigibilidade da contribuição para o Sebrae, sem pedido de compensação (Processo n° 2000.61.00.0291482); e d) a suspensão da contribuição destinada ao Sesc/Senac, também sem pedido de compensação. Como relatado, a autuação trata de matérias distintas, pelo que não se configura a renúncia à esfera administrativa no caso concreto. DAS AÇÕES JUDICIAIS A litigante afirma que se deve aguardar o julgamento das ações de reconhecimento do direito de compensar; a impossibilidade de se apurar o montante devido e a ofensa ao artigo 142 do CTN. Assevera que efetivou compensações de valores referentes às contribuições sociais por força de ordem judicial expressa nos autos das ações competentes que se encontram em trâmite na Justiça Federal, abatendose dos valores devidos ao INSS os montantes dos quais apontaramse expressos das aludidas decisões judiciais. Contudo, o trabalho fiscal considerou os valores compensados pela peticionária por força da ordem judicial como se devidos fossem em sua totalidade, Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 36624.010781/200573 Acórdão n.º 2302003.712 S2C3T2 Fl. 8 13 desprezando a situação "subjudice. Não poderia a autarquia previdenciária simplesmente ignorar o mandado de segurança e as compensações efetuadas com base nas decisões proferidas em seu bojo e lançar débitos fiscais em desfavor da empresa requerente. Questiona como pode existir a constituição do crédito tributário através do lançamento de um valor que não se sabe ao certo se deve ser considerado devido ou não e, ainda, mesmo com a constituição do crédito fiscal, sua exigibilidade está reconhecidamente suspensa? Tal situação é inviável diante do artigo 142 do CTN, especificamente na parte "calcular o montante devido". Como já tratado, o objeto desta NFLD não coincide com os das ações judiciais, razão pela qual não há nem renúncia à discussão administrativa nem óbice ao lançamento ao à exigibilidade do crédito tributário. Quanto aos alegados erros de cálculo, entendo que não restou comprovada a existência de erro de cálculo e tenho como corretos os cálculos efetivados por ocasião do lançamento. Por pertinente, transcrevo as razões do acórdão recorrido, que assumo como minhas, mutatis mutandis: Das compensações efetuadas 5.2 Improcedente a alegação de que as compensações autorizadas por força de ordem judicial não foram respeitadas, pois na verdade o foram, conforme se observa do relato fiscal e dos anexos que compõem a presente Notificação. Senão vejamos: a empresa solicita a compensação em dois processos judiciais, um relativo ao SalárioEducação, outro relativo aos pagamentos efetuados aos administradores e autônomos. Pois bem, informa o item 7.2 "a", do Relatório Fiscal, fls. 232, que "a contribuição social ao Salário Educação não foi incluídas nesta NFLD, pois a empresa obteve a autorização judicial para efetuar a compensação das contribuições relativas ao salário educação de 05/89 a 10/96, com a mesma contribuição, a partir de 11/99", o que, na prática revertese num crédito de 2,5% (alíquota do SE), por competência constituída. Elabora, ainda, a planilha com as bases de cálculo e a contribuição de 2,5% devida ao SE, constituindose no anexo VI, de fls. 434/438. 5.2.1 Por outro lado, as compensações relativas às contribuições dos \ administradores e autônomos são tratadas, no Relatório Fiscal, no item 7.2."e", nos seguintes termos: "As compensações relativas à contribuição incidente sobre a remuneração dos administradores e autônomos do período 01/90 a 12/95 foram corrigidas pelos índices determinados na liminar, com a aplicação da SELIC a partir de 01/96, e limitadas a 30% do valor a ser recolhido, conforme sentença, e encontramse lançadas como dedução, código de levantamento F03, constando no Discriminativo Analítico do Débito DA D, e do Relatório de Lançamentos RL, com a especificação no campo observação do RL, conforme abaixo:..." De fato, tais créditos são prontamente identificáveis nos citados anexos DAD e RL. Não obstante, o trabalho fiscal elabora ainda o anexo V, de fls. 422/433, onde demonstra as contribuições originárias, passíveis Fl. 1201DF CARF MF 14 de compensação, com os respectivos acréscimos legais proporcionais, recolhidos à época, tendo por base as guias de recolhimento apresentadas e outras constantes do banco de dados da Previdência, e o anexo VII, de fls. 439/477, onde se encontra a planilha de cálculo das compensações efetuadas. DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS – SESC, SENAC / INCRA O reconhecimento da decadência do lançamento em relação às competências anteriores a 10/2000 atinge a totalidade das contribuições destinadas ao Sesc e ao Senac, que foram lançadas para o período de 11/99 a 05/2000 por terem sua exigibilidade suspensa a partir de 06/2000. A recorrente afirma serlhe inexigível a contribuição ao Incra , uma vez que não está entre os contribuintes do tributo. Não lhe assiste razão, pois a referida contribuição é devida pelas empresas em geral. A Lei 2.613, de 1955 criou o Serviço Social Rural (SSR), instituindo a cobrança da contribuição incidente sobre a folha de salários das empresas, destinada à formação profissional no âmbito rural. Com a extinção do SSR, foram criadas duas novas entidades, quais sejam, o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (Ibra) e o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (Inda). Nos termos do artigo 35, § 2.°, da lei 4.863, de 1965, o adicional que era destinado ao SSR passou para o Inda. Com o advento do DecretoLei n.° 1.110, de 1970, foi criado o Incra e extintos o Ibra e o Inda, sendo o referido adicional destinado ao Incra pelo DecretoLei n.° 1.146, de 1970. Em 1971, criouse o Programa de Assistência ao Trabalhador Rural (Prorural), ficando sua gestão a cargo do Funrural, mediante financiamento advindo, dentre outras, da contribuição de que trata o Decretolei n° 1.146, de 1970, sendo a alíquota elevada para 2,6%, cabendo 2,4% ao Funrural, e 0,2% ao Incra. Tendo em vista que o Prorural foi criado com o objetivo específico de proporcionar aos rurícolas os benefícios que lhes eram pertinentes, a partir de sua criação, o Incra passou a ser responsável somente pelas ações ligadas à realização da Reforma Agrária. Levandose em consideração que o objetivo do Incra passou a ser a justa distribuição ou redistribuição de terras, é induvidoso que a contribuição que lhe era destinada ficou totalmente desvinculada da previdência rural ou da assistência social no âmbito rural. Com o advento da Constituição Federal de 1988, houve uniformização das previdências urbana e rural, sendo estabelecida a equivalência e uniformidade entre os benefícios concedidos às populações urbana e rural. Desse modo, o Prorural foi extinto pela lei 7.787, de 1989 e, por conseqüência, a contribuição ao Funrural também se extinguiu, subsistindo, entretanto, a contribuição destinada ao Incra, visto estar totalmente desvinculada do Prorural. Do exposto, chegase à conclusão de que inexiste correlação entre a contribuição destinada ao Incra e a devida ao Funrural até a edição da Lei 7.787, de 1989, motivo pelo qual, embora esta esteja extinta, aquela continua a subsistir. Com efeito, o fundamento da contribuição ao Incra é o parágrafo 4.° do artigo 6.° da Lei 2.613, de 1955, o Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 36624.010781/200573 Acórdão n.º 2302003.712 S2C3T2 Fl. 9 15 qual estabelece obrigação para todos os empregadores de contribuir com o adicional fixado sobre a totalidade da folha de salários, independentemente da atividade que exerçam. A conclusão a que se chega é a de que a contribuição destinada ao Incra financia atividades de profundas repercussões sociais, que interessa ao Estado incentivar e desenvolver, inexistindo, pois, identidade com seus fatos geradores. Destarte, se tal contribuição está vinculada a atividades essencialmente sociais, cujo beneficiário é, em última análise, a coletividade como um todo, não se concebe que a obrigação de pagálas pressuponha qualquer tipo de contraprestação direta ou indireta. Sob o aspecto de sua constitucionalidade, o Supremo Tribunal Federal dirimiu todas as dúvidas ao manifestarse no RE n° 263.2082, relatado pelo Ministro Néri da Silveira, cujo inteiro teor repousa no DJU de 10 de maio de 2000, p. 38. Por sua vez, o STJ revisou a jurisprudência de suas Turmas de Direito Público a partir do julgamento do EResp nº 770451/SC e passou a reconhecer na exação instituída pelo art. 15, II, da Lei Complementar nº 11, de 1971, a natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico, e não mais de contribuição social, de modo que sua imposição estaria mantida mesmo após a vigência da Lei nº 8.212, de 1991. Admitiuse, dessa forma, que a arrecadação promovida em nome do Incra não seria destinada ao financiamento de benefícios e de serviços previdenciários destinados ao trabalhador rural, mas ao custeio das atividades institucionais cometidas constitucionalmente ao Incra para a realização da reforma agrária. Induvidosa, portanto, a recepção da exação em comento pela Constituição Federal de 1988, devendo, nos moldes de sua instituição, ser paga por todos os empregadores, independentemente da atividade exercida. Assim, com fundamento no art. 94 da Lei 8.212, de 1991, que autoriza o INSS a arrecadar e fiscalizar a contribuição devida por lei a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, verifica se ser correto o levantamento dos valores devidos ao INCRA. LEGITIMIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DEVIDAS AO SEGURO ACIDENTE DE TRABALHO SAT A recorrente afirma que a utilização de decreto para estabelecer a base de cálculo macula a pretensão. Não lhe assiste razão. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, in verbis: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) Fl. 1203DF CARF MF 16 II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Ademais, o dispositivo acima transcrito é regulamentado pelo art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, com alterações posteriores, in verbis: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99) que, regulamentando a contribuição ao RAT, estabeleceram os conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave", repelese a possível argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento apenas a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei, pois o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Esta foi a posição do STF ao apreciar Recurso Extraordinário em que se questionava a constitucionalidade do SAT: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 36624.010781/200573 Acórdão n.º 2302003.712 S2C3T2 Fl. 10 17 da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 343.446/SC, Rel. Min. Carlos Velloso, julgado em 20.3.2003, DJ 04.04.2003, p. 40). Ademais, imperioso ressaltar que, no ponto de vista pessoal desse Relator, o SAT deve ser cobrado por estabelecimento conforme farta orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, ao contrário do entendimento adotado por esta Câmara. Ocorre que, no caso em apreço, tendo em vista que apenas há um único estabelecimento objeto da autuação, tal discussão não traz qualquer mudança. Afasto, portanto, as alegações da recorrente de inaplicabilidade do SAT ao presente lançamento. DA TAXA SELIC A recorrente alega ser inaplicável a utilização da taxa Selic. Não está com a razão. A incidência da taxa Selic é reconhecida pela Súmula CARF nº 4, de vinculação obrigatória aos membros deste CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do lançamento os fatos geradores ocorridos até a competência 09/2000, inclusive, pela Fl. 1205DF CARF MF 18 homologação tácita do crédito, de acordo com o artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Redator ad hoc Fl. 1206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722977/2013-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES DE DEVOLUÇÃO E CANCELAMENTO DE VENDAS OU DE SERVIÇOS REGISTRADOS NA CONTABILIDADE SEM DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA A LHES DAR LASTRO.
Caracterizam-se como prova direta da omissão de receitas, os valores escriturados pelo sujeito passivo em sua contabilidade a título de devoluções, cancelamento ou redução de vendas e/ou serviços sem que tenham sido apresentados à Autoridade Fiscal os necessários e correspondentes documentos que comprovem tais operações, mormente quando a fiscalizada não atende às intimações para sua apresentação.
ANTECIPAÇÕES E RETENÇÕES NA FONTE. UTILIZAÇÃO.
Quando for constatada omissão de receitas não cabe a dedução dos valores antecipados ou retidos na fonte que se encontrem escriturados e que tenham sido utilizados pelo sujeito passivo na apuração de suas bases de cálculo.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONSEQUÊNCIAS.
Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
LIVROS CONTÁBEIS. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS.
A escrituração só faz prova a favor do contribuinte se suportada por documentos hábeis, idôneos e contemporâneos aos fatos e registrada em livros revestidos das formalidades intrínsecas e extrínsecas impostas por lei.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
Nos termos da Súmula 103 do CARF, não se conhece de recurso de ofício que suplante o limite de alçada vigente à data de sua apreciação em segunda instância.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício em função do limite de alçada. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votou por dar provimento. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Paulo Mateus Ciccone - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei.
Numero da decisão: 1402-002.399
Decisão:
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES DE DEVOLUÇÃO E CANCELAMENTO DE VENDAS OU DE SERVIÇOS REGISTRADOS NA CONTABILIDADE SEM DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA A LHES DAR LASTRO. Caracterizam-se como prova direta da omissão de receitas, os valores escriturados pelo sujeito passivo em sua contabilidade a título de devoluções, cancelamento ou redução de vendas e/ou serviços sem que tenham sido apresentados à Autoridade Fiscal os necessários e correspondentes documentos que comprovem tais operações, mormente quando a fiscalizada não atende às intimações para sua apresentação. ANTECIPAÇÕES E RETENÇÕES NA FONTE. UTILIZAÇÃO. Quando for constatada omissão de receitas não cabe a dedução dos valores antecipados ou retidos na fonte que se encontrem escriturados e que tenham sido utilizados pelo sujeito passivo na apuração de suas bases de cálculo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONSEQUÊNCIAS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO LIVROS CONTÁBEIS. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. A escrituração só faz prova a favor do contribuinte se suportada por documentos hábeis, idôneos e contemporâneos aos fatos e registrada em livros revestidos das formalidades intrínsecas e extrínsecas impostas por lei. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 Nos termos da Súmula 103 do CARF, não se conhece de recurso de ofício que suplante o limite de alçada vigente à data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício em função do limite de alçada. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votou por dar provimento. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor. Leonardo de Andrade Couto - Presidente. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Paulo Mateus Ciccone - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei.
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VALORES DE DEVOLUÇÃO E CANCELAMENTO DE VENDAS OU DE SERVIÇOS REGISTRADOS NA CONTABILIDADE SEM DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA A LHES DAR LASTRO. Caracterizamse como prova direta da omissão de receitas, os valores escriturados pelo sujeito passivo em sua contabilidade a título de devoluções, cancelamento ou redução de vendas e/ou serviços sem que tenham sido apresentados à Autoridade Fiscal os necessários e correspondentes documentos que comprovem tais operações, mormente quando a fiscalizada não atende às intimações para sua apresentação. ANTECIPAÇÕES E RETENÇÕES NA FONTE. UTILIZAÇÃO. Quando for constatada omissão de receitas não cabe a dedução dos valores antecipados ou retidos na fonte que se encontrem escriturados e que tenham sido utilizados pelo sujeito passivo na apuração de suas bases de cálculo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONSEQUÊNCIAS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO LIVROS CONTÁBEIS. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. A escrituração só faz prova a favor do contribuinte se suportada por documentos hábeis, idôneos e contemporâneos aos fatos e registrada em livros revestidos das formalidades intrínsecas e extrínsecas impostas por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 29 77 /2 01 3- 32 Fl. 3806DF CARF MF 2 Nos termos da Súmula 103 do CARF, não se conhece de recurso de ofício que suplante o limite de alçada vigente à data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício em função do limite de alçada. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votou por dar provimento. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor. Leonardo de Andrade Couto Presidente. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Paulo Mateus Ciccone Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei. Relatório Diante do objetivo relato empreendido pela DRJ de Porto Alegre quando do julgamento da impugnação adotoo como em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário. "Trata o processo de autos de infração de IRPJ (fls. 3564/3571); de CSLL (fls. 3572/3578); de COFINS (fls. 3580/3587) e de PIS/PASEP (fls. 3588/3596), exigindo um crédito tributário total de R$ 11.404.063,69. De acordo com o Termo de Constatação de folhas 3553 a 3563, o contribuinte foi intimado, em 23/03/2012 e 13/03/2012, a comprovar Fl. 3807DF CARF MF Processo nº 19515.722977/201332 Acórdão n.º 1402002.399 S1C4T2 Fl. 3.807 3 com documentos hábeis e idôneos os registros contábeis efetuados em contas de cancelamentos de revendas de produtos, mercadorias e de prestações de serviços. Depois de diversas solicitações de prorrogação de prazos deferidas, o contribuinte apresentou cópias de notas fiscais de venda, notas fiscais de entrada e notas fiscais de devoluções, deixando, entretanto, de comprovar uma série de lançamentos, conforme relação às folhas 3554 a 3557, que totalizaram R$ 1.750.398,48; R$ 4.192.542,95; R$ 5.234.004,31 e R$ 4.391.075,08, no primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2008, respectivamente. Em conseqüência, os referidos valores foram considerados como omissão de receitas para fins de constituição do crédito tributário. O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 3600 a 3630, alegando que a fiscalização efetuou o lançamento baseandose em presunções não previstas em lei e sem mesmo provar o fato indiciário. Não provou que houve auferimento de rendas ou de receitas, em evidente inobservância do art. 142 do CTN, visto que o autuante não logrou êxito em verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, nem mesmo a matéria tributável. Alega erro nas apurações do IRPJ e da CSLL, pois o autuante não recompôs a sua apuração, deixando de considerar todas as antecipações pagas e retenções sofridas durante todo o anocalendário da autuação, que implicariam no lançamento a menor de R$ 1.311.114,09 de IRPJ e R$ 372.708,56 de CSLL. Desse modo, identificado erro no pressuposto de direito, ferese a substância da exigência e surge a necessidade do cancelamento dos autos de infração, conforme a própria CoordenaçãoGeral de Tributação – COSIT – determina na Solução de Consulta Interna nº 23, de 21 de dezembro de 2006, e Ato Declaratório Normativo nº 58 de 7 de outubro de 1994. Alega ter ocorrido a decadência em relação aos fatos geradores do PIS/Pasep e Cofins dos meses de janeiro a novembro de 2008, tendo em vista o disposto no art. 150, § 4º do CTN. O mesmo acontece se a decadência for analisada sob a ótica do art. 173, I, do referido Código." Diante dos argumentos expendidos a DRJ de Porto Alegre entendeu que assistia razão ao contribuinte apenas no que respeita ao último argumento considerando que "em havendo pagamento o termo inicial da prescrição é a data da ocorrência do fato gerador", portanto, decaído o direito de lançamento de PIS/COFINS de janeiro a novembro de 2008. A decisão restou, ao final, assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ/CSLL/PIS/COFINS. DEVOLUÇÃO/CANCELAMENTO DE VENDAS. COMPROVAÇÃO. Os valores contabilizados a título devolução ou cancelamento de vendas devem estar lastreados em documentos hábeis, cuja prova é encargo do sujeito passivo. Fl. 3808DF CARF MF 4 IRPJ/CSLL/PIS/COFINS. DEVOLUÇÃO/CANCELAMENTO DE VENDAS. A falta de comprovação de devoluções de vendas de mercadorias, produtos ou serviços caracterizase como omissão de receitas por reduzir as bases tributáveis dos tributos e contribuições. IRPJ/CSLL/PIS/COFINS. ANTECIPAÇÕES E RETENÇÕES NA FONTE. Quando for constatada omissão de receitas não cabe a dedução dos valores antecipados ou retidos na fonte que encontramse escriturados e que foram utilizados pelo sujeito passivo na apuração de suas bases de cálculo. PIS/PASEP/COFINS. DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em função do cancelamento parcial do auto de infração ante a constatação pela DRJ da ocorrência da decadência do direito de lançar PIS/COFINS referente ao período de janeironovembro de 2008 houve a interposição de Recurso de Ofício que merece ser enfrentado nos termos do RICARF. Mantido o crédito tributário de IRPJ e CSLL em função da omissão de receitas ante a ausência de comprovação das devoluções de vendas e notas fiscais canceladas a contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário por meio do qual argumenta basicamente a "inexistência de presunção legal de omissão de receita em cancelamento de Nota Fiscal ou devolução de vendas" (item II1) e que, no julgamento pela DRJ, houve alteração do critério jurídico na medida em que para "salvar" o lançamento empreendido a autoridade julgadora (fls.4 acórdão) alterou o critério de presunção de omissão de receita para redução indevida de base de cálculo de IRPJ e CSLL. Subsidiariamente, alega ainda a recorrente que esta presente vício de apuração de IRPJ/CSLL na medida em que a autoridade fiscal ao proceder o lançamento tributário tomando em conta as devoluções de vendas e notas fiscais canceladas ante a caracterização de omissão de receitas ignorou a existência de saldo negativo na medida em que sustenta ter ocorrido o pagamento com base em estimativas mensais. É o relatório. Fl. 3809DF CARF MF Processo nº 19515.722977/201332 Acórdão n.º 1402002.399 S1C4T2 Fl. 3.808 5 Voto Vencido Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. ADMISSIBILIDADE: O recurso é tempestivo e foi interposto por signatária devidamente legitimada, motivo pelo qual dele conheço. 2. NO MÉRITO: 2.1. Presunções legais de omissão de receitas: É regra basilar no direito que toda presunção implica em uma inversão do ônus da prova. Constatada determinada omissão de receitas em quaisquer das situações acima indicadas temse, automaticamente, uma inversão do ônus da prova incumbindo ao contribuinte demonstrar que não omitiu determinada receita ou rendimento do fisco na medida em que a atuação fisco limitarse a evidenciar meros indícios de que determinado fato implica situação suficiente e necessária para incidência tributária. As presunções de omissão de receita são classificadas pela doutrina como espécies de provas indiretas. A doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jure et de jure) e relativas (juris tantum). As presunções absolutas não admitem prova em contrário ao fato presumido, já as relativas admitem prova contrária, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. Temse, dessa forma, como ensina Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001), uma prova indireta condutora da mesma ‘probabilidade fática’ da prova direta, in verbis: “Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não Fl. 3810DF CARF MF 6 expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” Em seu trabalho ‘Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação’ (in Revista Dialética de Direito Tributário n.º 67, Dialética, São Paulo), a mesma autora acrescenta: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa.” Assim, concretizada a hipótese abstrata prevista na lei, a Fiscalização pode lançar mão da figura da presunção legal, como nos casos de omissão de receitas, oportunidade em que resta provocada, como dito, a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito (Código de Processo Civil, art. 373, II). O artigo 281, do RIR, prevê situações nas quais presente “presunção legal” que impõe ao contribuinte o ônus de provar a correção de seu procedimento sob pena de ver aquilo que era “presumido”, se tornar real e definitivo, caso não contrapostas provas robustas que infirmem tal presunção. Tais situações são verificadas, por exemplo, nos casos de omissão de receita no caso: (i) de depósitos bancários de origem não comprovada (art.42, Lei n.9430/1996; (ii) passivo fictício (art.40, da Lei n.9.430/1996 e (iii) saldo credor de caixa (art.12, p. 2º, DL1598/1977). Temse, ainda, que a presunção legal veiculada no art. 281 é relativa na medida em que comporta a possibilidade de a acusada elidir o trabalho do Fisco de perpetrar os lançamentos calcados na hipótese prevista no referido dispositivo, desde que carreie aos autos documentos, livros e comprovantes que destruam a pretensão da Autoridade Fiscal, visto que, como dito, a presunção tem cunho de relatividade. No caso ora em exame a autuação foi lavrada em função da Fiscalização presumir inadvertidamente que a recorrente auferiu receitas ou rendimentos decorrentes de notas fiscais canceladas. A autoridade fiscal partiu da presunção de que deixando a recorrente de apresentar a cópia física das notas fiscais devidamente escrituradas esta teria percebido receita tributável. Fl. 3811DF CARF MF Processo nº 19515.722977/201332 Acórdão n.º 1402002.399 S1C4T2 Fl. 3.809 7 Basicamente a autoridade fiscal tributou a partir do mero fato da recorrente não ter demonstrado as cópias físicas das notas fiscais canceladas, enquanto, ausente tal presunção legal a estabelecer tal ônus probatório. Considerando que inexistente previsão legal, ausente qualquer inversão do ônus da prova, logo, à autoridade fiscal incumbia demonstrar que aquelas notas fiscais não foram canceladas não sendo lícito imputar ao contribuinte realizar prova negativa. A legislação tributária federal prescreve expressamente que a exigência do crédito tributário federal, a partir do lançamento tributário, demanda a demonstração mediantes elementos de prova bastantes a ocorrência do fato gerador, nos termos do art.142 do CTN, que instrumentalizase, a partir do prescrito no art.9º, caput, do Decreto n.70.235/72: " A exigência do crédito tributário, a retificação do prejuízo fiscal e a aplicação da penalidade isolada serão formalizadas em auto de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." Pois bem, a análise dos documentos que compõem todo o presente processo administrativo, desde os Termos e Intimações emitidos pela Fiscalização, passando pelas respostas da contribuinte, os autos de infração, o Relatório Fiscal, o Termo de Encerramento de Ação Fiscal, as diversas impugnações e os documentos juntados por ambas as partes, até se chegar a esta fase do julgamento, verificase que, ante a ausência de previsão legal a estabelecer inversão do ônus da prova, a Fiscalização não emprenhouse em demonstrar a ausência do cancelamento das notas fiscais, portanto, ausente qualquer rendimento a permitir a incidência de IRPJ e CSLL. Na doutrina brasileira Fabiana Del Padre Tomé é peremptória ao afirmar que "tendo em vista o caráter vinculado do lançamento e do ato de aplicação de penalidade tributária, é dever da autoridade administrativa certificarse da ocorrência ou não do fato jurídico desencadeador do liame obrigacional , o que só é possível mediante linguagem de provas" ( A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2006, p.292.) A Autoridade Fiscal ao adotar a falsa premissa de que se estaria diante de uma presunção legal a estabelecer uma inversão do ônus da prova deixou de demonstrar que de fato houve a percepção de receitas não se desincumbindo do dever da prova que havia ao que o auto de infração lavrado merece ser cancelado. Porventura fosse subsistente o auto de infração lavrado a recorrente argüiu que houve alteração do critério jurídico do lançamento pela DRJ de presunção de omissão de receita para redução indevida de base de cálculo na tentativa de "salvar" o auto lavrado; o que representaria ofensa ao art.146 do CTN. Fl. 3812DF CARF MF 8 Considerando que a fiscalização não diligenciou com seu dever de demonstração da inocorrência das vendas devolvidas o auto de infração merece ser cancelado de modo que o argumento subsidiário sustentado pela recorrente resta prejudicado. Recurso de Ofício: Por ocasião da impugnação do auto de infração lavrado a contribuinte sustentou a ocorrência da decadência das contribuições do PIS e COFINS de janeiro a novembro de 2008 sendo o crédito tributário mantido apenas em parte. Ante os valores que não foram mantidos a configurar a sucumbência parcial submetese a presente matéria a Recurso de Ofício ora posto em julgamento. A decisão proferida pela DRJ restou nessa parte assim ementada: PIS/PASEP/COFINS. DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador. A controvérsia gira em torno do marco inicial para contagem do prazo decadencial no lançamento por homologação que tais contribuições se encontram sujeitas: data da ocorrência do fato gerador ou data em que o tributo deveria ter sido recolhido. Para o contribuinte, nos termos em que lançado na peça impugnatória, "não é a circunstância de haver pagamento (ou não) que define o tipo do lançamento" (p.25); o que corroborou para fixação do entendimento pela DRJ que "havendo pagamento o termo inicial é a data da ocorrência do fato gerador". O entendimento fixado pela DRJ se encontra em consonância com a jurisprudência deste Eg. CARF ao que a decisão deve ser mantida nos exatos termos em que lavrada, vejamos: Fl. 3813DF CARF MF Processo nº 19515.722977/201332 Acórdão n.º 1402002.399 S1C4T2 Fl. 3.810 9 3. CONCLUSÃO: De todo o exposto voto por dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pela contribuinte cancelando, assim, o auto de infração lavrado na medida em que ausente previsão legal para inversão do ônus da prova não tendo a Fiscalização cumprido com o dever de demonstrar que as vendas não foram devolvidas. Da análise da matéria do Recurso de Ofício voto por manter o entendimento da DRJ pela decadência do PIS/COFINS de janeiro a novembro de 2008 julgandoo, assim, improcedente, logo, crédito tributário cancelado. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 3814DF CARF MF 10 Voto Vencedor Em que pese o bem concatenado voto do ilustre relator, dele divirjo por fazer outra leitura dos autos, especialmente acerca da omissão de receita detectada pelo Fisco. As alegações da contribuinte, acatadas pelo voto vencido, foram no sentido de que os lançamentos de “omissão de receitas” perpetrados teriam se lastreado em “presunção”, o que imporia o dever da Autoridade Fiscal de “ao adotar a falsa premissa de que se estaria diante de uma presunção legal a estabelecer uma inversão do ônus da prova”, teria deixado de demonstrar que, “de fato houve a percepção de receitas não se desincumbindo do dever da prova que havia ao que o auto de infração lavrado merece ser cancelado”. Na mesma linha a manifestação de que a decisão a quo teria alterado o critério jurídico na intenção de “salvar” o lançamento, não mais tratando o tema como “presunção”, mas “redução indevida da base de calculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS”. (RV – fls. 3755). Data vênia, não é o que está estampado nos autos, bastando ver pela simples leitura dos artigos utilizados pela autoridade autuante para tipificar a infração que, em nenhum momento, o Fisco fez referência a “omissão de receita por presunção legal”. Veja se a reprodução do AI naquilo que interessa (fls. 3566): E, a seguir, a reprodução dos citados dispositivos regulamentares (com sua base legal): Conceito de Lucro Real Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou Fl. 3815DF CARF MF Processo nº 19515.722977/201332 Acórdão n.º 1402002.399 S1C4T2 Fl. 3.811 11 autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). § 2º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 4º). § 3º Os valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º). Seção III Conceito de Lucro Líquido Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). Seção IV Ajustes do Lucro Líquido Adições Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): (...) II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas Fl. 3816DF CARF MF 12 atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11). Parágrafo único. A escrituração do contribuinte, cujas atividades compreendam a venda de bens ou serviços, deve discriminar o lucro bruto, as despesas operacionais e os demais resultados operacionais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, § 1º). Seção II Lucro Bruto Art. 278. Será classificado como lucro bruto o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, § 2º). Parágrafo único. O lucro bruto corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços (art. 280) e o custo dos bens e serviços vendidos Subseção III (Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, inciso II). Subseção I Disposições Gerais sobre Receitas Receita Bruta Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Receita Líquida Art. 280. A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 1º). Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Sem necessidade de maiores digressões, não tratam estes dispositivos do RIR/1999 de “presunções”, estando estas literalmente definidas nos artigos 281 (Omissão de Fl. 3817DF CARF MF Processo nº 19515.722977/201332 Acórdão n.º 1402002.399 S1C4T2 Fl. 3.812 13 Receita por existência de Saldo Credor de Caixa, Falta de Escrituração de Pagamento, Manutenção no Passivo de Obrigações Pagas e Falta de Comprovação do Passivo), 282 (Suprimentos de Caixa) e 287 (Depósitos Bancários – artigo 42, da Lei nº 9.430/1996). O que os autos tratam, na verdade, é de ‘omissão de receitas” POR PROVA DIRETA, ou seja, o Fisco detectou a existência de inúmeros lançamentos contábeis de “devolução ou cancelamento de vendas” e intimou – diversas vezes – a recorrente a esclarecer o motivo destes “estornos de vendas” – que no fundo reduzem as bases imponíveis dos tributos objeto dos lançamentos aqui tratados e comprovar com documentação hábil e idônea as operações, procedimento absolutamente corriqueiro e consentâneo com os mais elementares princípios de auditoria e fiscalização. Nessa linha, como sabido, a escrituração só tem validade e faz prova a favor do sujeito passivo quando feita de acordo com as normas legais e preceitos contábeis vigentes e quando suportada por documentação correspondente, hábil, idônea e contemporânea aos fatos. Posta a matéria em seus devidos limites, é evidente que a contabilidade deve registrar TODOS os fatos contábeis que afetam a azienda, sejam relativos a contas patrimoniais ou de resultado, sob pena de não cumprir os fins a que se destina, sejam eles de natureza societária, empresarial, fiscal, tributária, etc, e que tais lançamentos devem possuir os necessários documentos que os comprovem, sob pena de serem vazios e sem nenhum propósito. A respeito, a legislação e normatização da matéria: Resolução CFC (Conselho Federal de Contabilidade nº 563/83, de 28/10/1983, que aprovou a NBC T 2 “Da Escrituração Contábil” – NBC T 2.1 “Das Formalidades da Escrituração Contábil”: 1 2.1.1 – A Entidade deve manter um sistema de escrituração uniforme dos seus atos e fatos administrativos, através de processo manual, mecanizado ou eletrônico. 2.1.2 – A escrituração será executada: a) em idioma e moeda corrente nacionais; b) em forma contábil; c) em ordem cronológica de dia, mês e ano; d) com ausência de espaços em branco, entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as margens; e) com base em documentos de origem externa ou interna ou, na sua falta, em elementos que comprovem ou evidenciem fatos e a prática de atos administrativos. 2.1.2.1 – A terminologia utilizada deve expressar o verdadeiro significado das transações. 1 Referida Resolução, vigente à época dos fatos, foi revogada pela Resolução CFC nº 1.300/2011, de 18/03/2011, que aprovou a ITG 2000 Escrituração Contábil, sendo mantidas, na nova norma, essencialmente, as mesmas determinações do texto revogado, com as adaptações e ajustes resultantes das evoluções legislativa e administrativa ocorridas. Fl. 3818DF CARF MF 14 2.1.2.2 – Admitese o uso de códigos e/ou abreviaturas nos históricos dos lançamentos, desde que permanentes e uniformes, devendo constar, em elenco identificador, no "Diário" ou em registro especial revestido das formalidades extrínsecas. 2.1.3 – A escrituração contábil e a emissão de relatórios, peças, análises e mapas demonstrativos e demonstrações contábeis são de atribuição e responsabilidade exclusivas de Contabilista legalmente habilitado. 2.1.4 – O Balanço e demais Demonstrações Contábeis de encerramento de exercício serão transcritos no "Diário", completandose com as assinaturas do Contabilista e do titular ou representante legal da Entidade. Igual procedimento será adotado quanto às Demonstrações Contábeis elaboradas por força de disposições legais, contratuais ou estatutárias. 2.1.5 – O "Diário" e o "Razão" constituem os registros permanentes da Entidade. Os registros auxiliares, quando adotados, devem obedecer aos preceitos gerais da escrituração contábil, observadas as peculiaridades da sua função. No "Diário" serão lançadas, em ordem cronológica, com individuação, clareza e referência ao documento probante, todas as operações ocorridas, incluídas as de natureza aleatória, e quaisquer outros fatos que provoquem variações patrimoniais. 2.1.5.1 – Observado o disposto no "caput", admitese: a) a escrituração do "Diário" por meio de partidas mensais; b) a escrituração resumida ou sintética do "Diário", com valores totais que não excedam a operações de um mês, desde que haja escrituração analítica lançada em registros auxiliares. 2.1.5.2 – Quando o "Diário" e o "Razão" forem feitos por processo que utilize fichas ou folhas soltas, deverá ser adotado o registro "Balancetes Diários e Balanços". 2.1.5.3 – No caso de a Entidade adotar para sua escrituração contábil o processo eletrônico, os formulários contínuos, numerados mecânica ou tipograficamente, serão destacados e encadernados em forma de livro. 2.1.5.4 – O Livro Diário será registrado no Registro Público competente, de acordo com a legislação vigente. Adicionalmente (mas não menos relevantes), outros textos legislativos cuidam do tema: 1) √ RIR/1999 (Decreto nº 3.000): Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos Fl. 3819DF CARF MF Processo nº 19515.722977/201332 Acórdão n.º 1402002.399 S1C4T2 Fl. 3.813 15 de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º). §1º A escri turação mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis , segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Da Prova Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). 2) √ Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. Assim, inconcebível possa qualquer empresa manter registros contábeis sem apresentar comprovantes que os validem, de modo que ao Fisco, após os procedimentos de auditoria realizados e nos quais foi dada à recorrente toda a oportunidade de apresentar os documentos requisitados – que quedou infrutífera , ou seja, basicamente as simples “notas de devolução” que, por óbvio deveria possuir, não caberia outra medida que não a de perpetrar os lançamentos ora apreciados. Vejase (Termo de Constatação – fls. 3554): E aí se listam diversas devoluções, de valores expressivos, que resultaram nos valores imputados (TC – fls. 3558): Fl. 3820DF CARF MF 16 Não se olvide, ainda, que a ação fiscal foi finalizada em 2013 e este julgamento ocorre em 2017, ou seja, além do período sob fiscalização em que poderia ter comprovado as devoluções que teriam ocorrido, a recorrente ainda dispôs de mais de três anos para carrear aos autos os documentos questionados. Não o fez. Ora, existem normas e preceitos de observância direta pelas pessoas jurídicas estabelecidas, pelos profissionais responsáveis pela escrituração e por seus administradores e sócios, não se olvidando que a escrituração só faz prova a favor da pessoa jurídica quando revestida e dotada de todos os requisitos intrínsecos e extrínsecos que compõe sua estrutura e suportada por documentação idônea e contemporânea aos fatos. A respeito do tema: √ Decretolei nº 486, de 3 de março de 1969: Art. 8º Os livros e fichas de escrituração mercantil somente provam a favor do comerciante quando mantidos com observância das formalidades legais. √ Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002): Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Também a linha jurisprudencial: ASSUNTO: ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE. A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem comprovados por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (Acórdão CARF nº 1402000.290 – 09/11/2010 – Relator Antonio José Praga de Souza) Portanto, não tendo a recorrente conseguido apresentar os documentos probatórios que dariam substância aos lançamentos de estorno de vendas que consignou em sua Fl. 3821DF CARF MF Processo nº 19515.722977/201332 Acórdão n.º 1402002.399 S1C4T2 Fl. 3.814 17 escrituração (contas abaixo), o trabalho fiscal se robusteceu e as imputações foram feitas corretamente. Contas de redução de vendas da recorrente (cf. TC – fls. 3554): Quanto às arguições de que não teria a Fiscalização considerado as antecipações pagas e as eventuais retenções sofridas no anocalendário das autuações, como bem observado pela decisão recorrida (aqui adotada neste aspecto), tratamse de “valores escriturados e que já foram utilizados pelo contribuinte na apuração de suas bases de cálculos” (Ac. DRJ – fls. 3724) e acerca de uma possível desconsideração de prejuízos e base de cálculo negativa por ocasião dos lançamentos, basta verse os autos de infração de IRPJ e de CSLL para se comprovar a inocorrência deste fato. Confirase (AI – fls. 3567): Pelo exposto, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida naquilo que restou sob julgamento. É como voto. Brasília (DF), em 15 de fevereiro de 2017. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Redator designado Fl. 3822DF CARF MF 18 Fl. 3823DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.002164/2007-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 21 64 /2 00 7- 50 Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10510.002164/200750 Acórdão n.º 9202004.816 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10510.002164/200750 Acórdão n.º 9202004.816 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10510.002164/200750 Acórdão n.º 9202004.816 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10510.002164/200750 Acórdão n.º 9202004.816 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10510.002164/200750 Acórdão n.º 9202004.816 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10510.002164/200750 Acórdão n.º 9202004.816 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10510.002164/200750 Acórdão n.º 9202004.816 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10510.002164/200750 Acórdão n.º 9202004.816 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10510.002164/200750 Acórdão n.º 9202004.816 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 489DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11050.000719/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 09/04/2004 a 29/09/2004
PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA. INFRAÇÃO CARACTERIZADA.
A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-Lei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003.
ATIPICIDADE DA CONDUTA. INOCORRÊNCIA.
A infração cometida no caso concreto está prevista nos artigos 37 e 107, IV, "e", ambos do Decreto-Lei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/04 c/c art. 44 da IN/SRF 28/94, com a redação dada pela IN/SRF 510/05.
AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. LEGITIMIDADE PASSIVA.
Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática.
FALTA DE ELEMENTO ESSENCIAL. INOCORRÊNCIA.
A ausência de informações ou informações prestadas a destempo prejudicam o controle aduaneiro, e de modo finalístico, o Erário, nos termos do artigo 237 da Constituição Federal de 1988, de modo que no caso concreto não há violação ao artigo 113, § 2o do CTN.
Numero da decisão: 3401-003.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos (relator), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Hélcio Lafetá Reis e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Após votação inicial, restaram três teses em debate: (a) a encampada pelo relator; (b) a divergência aberta pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, acompanhado pelos Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Rosaldo Trevisan; e (c) a divergência aberta pelo Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, acompanhado pelos Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, no sentido de cancelar a autuação por ter sido fundamentada em norma que não se encontrava vigente ao momento dos fatos. Apreciadas pelo colegiado, na forma regimental, as duas teses menos votadas, prevaleceu o posicionamento do Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, acompanhado por todos os demais conselheiros, exceto o relator. Confrontada a tese do Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, à qual aderiu o relator, com a do Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, prevaleceu esta, pela negativa de provimento. Processo julgado em 30/03/2017.
ROSALDO TREVISAN Presidente.
ANDRÉ HENRIQUE LEMOS - Relator.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Hélcio Lafetá Reis (suplente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator), Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 09/04/2004 a 29/09/2004 PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA. INFRAÇÃO CARACTERIZADA. A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-Lei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003. ATIPICIDADE DA CONDUTA. INOCORRÊNCIA. A infração cometida no caso concreto está prevista nos artigos 37 e 107, IV, "e", ambos do Decreto-Lei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/04 c/c art. 44 da IN/SRF 28/94, com a redação dada pela IN/SRF 510/05. AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. LEGITIMIDADE PASSIVA. Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática. FALTA DE ELEMENTO ESSENCIAL. INOCORRÊNCIA. A ausência de informações ou informações prestadas a destempo prejudicam o controle aduaneiro, e de modo finalístico, o Erário, nos termos do artigo 237 da Constituição Federal de 1988, de modo que no caso concreto não há violação ao artigo 113, § 2o do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos (relator), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Hélcio Lafetá Reis e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Após votação inicial, restaram três teses em debate: (a) a encampada pelo relator; (b) a divergência aberta pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, acompanhado pelos Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Rosaldo Trevisan; e (c) a divergência aberta pelo Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, acompanhado pelos Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, no sentido de cancelar a autuação por ter sido fundamentada em norma que não se encontrava vigente ao momento dos fatos. Apreciadas pelo colegiado, na forma regimental, as duas teses menos votadas, prevaleceu o posicionamento do Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, acompanhado por todos os demais conselheiros, exceto o relator. Confrontada a tese do Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, à qual aderiu o relator, com a do Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, prevaleceu esta, pela negativa de provimento. Processo julgado em 30/03/2017. ROSALDO TREVISAN Presidente. ANDRÉ HENRIQUE LEMOS - Relator. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Hélcio Lafetá Reis (suplente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator), Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 09/04/2004 a 29/09/2004 PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA. INFRAÇÃO CARACTERIZADA. A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003. ATIPICIDADE DA CONDUTA. INOCORRÊNCIA. A infração cometida no caso concreto está prevista nos artigos 37 e 107, IV, "e", ambos do DecretoLei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/04 c/c art. 44 da IN/SRF 28/94, com a redação dada pela IN/SRF 510/05. AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. LEGITIMIDADE PASSIVA. Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática. FALTA DE ELEMENTO ESSENCIAL. INOCORRÊNCIA. A ausência de informações ou informações prestadas a destempo prejudicam o controle aduaneiro, e de modo finalístico, o Erário, nos termos do artigo 237 da Constituição Federal de 1988, de modo que no caso concreto não há violação ao artigo 113, § 2o do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 07 19 /2 00 9- 18 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 3401003.465 S3C4T1 Fl. 165 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negouse provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos (relator), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Hélcio Lafetá Reis e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Após votação inicial, restaram três teses em debate: (a) a encampada pelo relator; (b) a divergência aberta pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, acompanhado pelos Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Rosaldo Trevisan; e (c) a divergência aberta pelo Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, acompanhado pelos Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, no sentido de cancelar a autuação por ter sido fundamentada em norma que não se encontrava vigente ao momento dos fatos. Apreciadas pelo colegiado, na forma regimental, as duas teses menos votadas, prevaleceu o posicionamento do Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, acompanhado por todos os demais conselheiros, exceto o relator. Confrontada a tese do Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, à qual aderiu o relator, com a do Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, prevaleceu esta, pela negativa de provimento. Processo julgado em 30/03/2017. ROSALDO TREVISAN – Presidente. ANDRÉ HENRIQUE LEMOS Relator. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Hélcio Lafetá Reis (suplente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator), Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário, cujo nascedouro se deu por meio de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. No caso concreto, foi impingida a referida multa, referente a apuração de 19 (dezenove) atracações de navios com registros intempestivos dos dados de embarque, ou seja, informadas após 7 (sete) dias da data de embarque, conforme noticia o Auto de Infração, fl. 09, do presente PAF e a lista das várias Declarações de Despachos de Exportações DDE's (fl. 04 06), as quais correspondem aos fatos geradores de 09/04/2004 a 29/09/2004 (fl. 09). Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 3401003.465 S3C4T1 Fl. 166 3 Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação, tecendo os seguintes argumentos: a) ausência de tipicidade, vez que não deixou de prestar informações, bem como não é uma empresa de transporte internacional, tampouco um agente de carga, não havendo hipótese para seu enquadramento e não se prestando o art. 107, IV, "e" do DL 37/66 para este desiderato. b) ilegitimidade passiva, não podendo figurar no pólo passivo da autuação, posto que é mera agência de navegação marítima, age em nome do Armador e com este não se confunde, logo, não pode responder pessoalmente por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos com base no DL 37/66. Colacionou jurisprudência do E. STF (RE 87.138, de 1979); Súmula 192, do extinto TFR e também precedentes do STJ (AGREsp. 2003/01586385/PE, de 2004, REsp. 223836/RS, de 2005, REsp. 148683/SP, de 1998, REsp. 132.624/SP, de 2000, REsp. 724.295/PE, de 2005, REsp. 170997/SP, de 2005 e REsp. 640.895/PR, de 2004). c) desconstituição do auto de infração, pois é nítido que o método em que a Receita Federal agiu, dá ensejo, sem dúvidas, a declaração de nulidade. d) desobediência aos princípios da legalidade e da motivação, contrariando o art. 37, da CF/88, já que a Administração só respeitou o princípio da legalidade no atinente à impossibilidade de observância de disposição legal por parte da recorrente, mas no respeitante é (sic) sua conduta comissiva, quando devia ficar inerte foi ignorada. E ai (sic) reside a prova de que o fato que gerou o auto de infração não trouxe prejuízo algum, bem como qualquer dificuldade para os tramites (sic) normais da movimentação de carga no navio e, portanto, a multa é desnecessária e até abusiva. e) denúncia espontânea, sendo descabida a multa, pois as informações foram prestadas antes que o procedimento fiscal fosse instaurado, e por corolário, incidindo o art. 138 do CTN c/c art. 102 do DL 37/66. A DRJ/FLN apreciando todos os argumentos da contribuinte, manteve em parte a autuação, mantendose apenas a parte do crédito tributário referente ao fato gerador de 29/04/2004. Irresignada com a referida decisão, interpôs a contribuinte, recurso voluntário, basicamente repisando os argumentos asseverados em sua impugnação. Julgando o feito, a E. Turma deu provimento ao recurso voluntário, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional interpôs recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 3401003.465 S3C4T1 Fl. 167 4 A matéria submetida à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF restringiuse, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Em sede do recurso excepcional, aplicouse a sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos), dandose provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, por voto de qualidade, para considerar inaplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea ao caso concreto (art. 138 do CTN e art. 102 do DL 37/66), pois este não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento do dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à Administração. Citou o voto do relatorpresidente, precedente da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 3a Seção, acórdão 310200.988, bem como o proferido no acórdão 3802002.314, e ainda, nos autos da AC 500599981.2012.404.7208/SC, da 2a Turma do TRF da 4a Região. Ato contínuo, decidiu que a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impedindo o julgamento das demais questões, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação da E. CSRF. Em razão disso, deuse ciência da decisão ao contribuinte, e após, ascenderam os autos para manifestação do Colegiado desta 3a Seção quanto aos demais argumentos expendidos pelo contribuinte em seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Henrique Lemos, relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão se restringe na autuação fiscal, por ter a Recorrente, supostamente, infringido o art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010, ou seja, tivera a Recorrente prestado informações no Siscomex, referente ao embarque no prazo superior a 7 (sete) dias como exige o ordenamento. Como se viu, o argumento da denúncia espontânea foi enfrentado e julgado em desfavor do contribuinterecorrente por decisão da E. CSRF, restando a análise dos demais temas, quais sejam: 1) Ilegitimidade passiva (já relatado). 2) Do não enquadramento da multa prevista na alínea "e", IV, art. 107, do DL 37/66 (ausência de tipicidade), também já relatado. 3) falta de elemento essencial para a validade da autuação disse o Recorrente que não há no caso concreto um fim específico e próprio que justificasse a Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 3401003.465 S3C4T1 Fl. 168 5 penalidade, a teor do art. 113, § 2° do CTN, sendo faltante o elemento essencial da finalidade "no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos", não restando qualquer prejuízo arrecadatário ou fiscalizatório. O recurso voluntário merece prosperar em parte, somente no tocante à aplicação da multa no tempo, respeitando a vigência da Instrução Normativa 510, de 15/02/2005, como se perceberá a seguir. Quanto à legitimidade, entendo que os artigos 95, I do DL 37/66 c/c o artigo 135, II, do CTN, resolvem a questão, respectivamente: "Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie;(...)" "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados;(...)" Deste modo, na condição de agência marítima e mandatário do transportador estrangeiro, a Recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex, e assim não procedendo, cometeu a infração contida na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do DL 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, respondendo, pessoalmente pela infração em comento. A Recorrente cita a Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos: "O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei nº 37, de 1966." Esta Súmula restou superada ao longo do tempo, mormente pela redação do artigo 32, I do DL 37/66, dada pelo DL 2.472/1988 e do inciso II, do parágrafo único do mesmo artigo, dada pela MP 215835/2001: "Art . 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 3401003.465 S3C4T1 Fl. 169 6 Parágrafo único. É responsável solidário: .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001)" Demais disso, a solidariedade tributária passiva está contida nos artigos 121, parágrafo único, II, 124, I e II e 128, todos do CTN, respectivamente, a saber: "Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação." (grifei). A referida Súmula 192 do TFR também restou superada pela decisão do REsp 1.129.430/SP, relator ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJE de 14/12/2010, julgado em sede de recurso repetitivo, o qual assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei nº 2.472/88 (que alterou o art. 32, do DecretoLei nº 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porque inexistente previsão legal para tanto. Todavia, a partir da vigência do DecretoLei nº 2.2472/88 já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. Ademais, para os 2 (dois) primeiros argumentos tecidos pela Recorrente em seu voluntário, este E. Tribunal em inúmeros precedentes idênticos ao caso concreto já teve a oportunidade de se manifestar, mantendo as autuações, dentre outros, os acórdãos 3302 002.733, 3802003.962, 3403003.252, 3802001.127 e 3302002.732. Por economia, cito apenas a ementa do acórdão 3301002.972 (17/06/2016): "Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 3401003.465 S3C4T1 Fl. 170 7 legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para o transporte marítimo, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. Recurso de Ofício negado e Recurso Voluntário negado." Demais disso, impende consignar que a Recorrente, sendo parte em outros Processos Administrativos Fiscais PAF em casos de prestação de informações referente aos embarques, portanto, idênticos ao contido no presente feito , já obteve manifestação deste E. Tribunal, como são os processos resultantes dos acórdãos 3102002.072, 3102002.073, 3102 002.075 e 3102002.077, cuja ementa abaixo se refere ao primeiro acórdão (sendo as demais no mesmo sentido): "Assunto: Obrigações Acessória. Data do fato gerador: 11/06/2008. Multa pela Prestação de Informações em Desacordo com a Legislação. Agente Marítimo. Responsabilidade. Agente Marítimo que, em nome próprio, presta informações relativas ao embarque da mercadoria em desacordo com o estabelecido na legislação de regência, responde pela multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Denúncia Espontânea. Obrigações Acessórias. Descabimento. As penalidades decorrentes do descumprimento de obrigação acessória não se beneficiam da excludente de responsabilidade fixada no art. 138 do CTN. Cobrança de Multa Isolada. Legalidade. A incidência de multa isolada, escora (sic) Insurgese (sic) ainda a recorrente contra a aplicabilidade, em abstrato, das multas que formam a exigência fiscal. Recurso Voluntário Negado." Portanto, no tocante às arguições de ilegitimidade passiva e atipicidade da conduta não tem razão a Recorrente. O terceiro argumento articulado pela Recorrente diz respeito a falta de elemento essencial, defendendo que o descumprimento do prazo não representaria qualquer prejuízo à arrecadação ou fiscalização dos tributos. O artigo 237 da Constituição Federal de 1988, dispõe: "Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda." Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 3401003.465 S3C4T1 Fl. 171 8 Vêse que a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior são essenciais à defesa dos interesses do Erário nacional, portanto, este os bens jurídicos tutelados, não podendo o descumprimento da obrigação acessória, nesta hipótese, se sobrepor àqueles. Neste particular fora o voto proferido no acórdão 3102002.073. Por estas razões, não há violação ao artigo 113, § 2o do CTN, como afirma a Recorrente. Por fim, entendo que a autuação deve ser cancelada com relação aos fatos geradores até o dia 15/02/2005, dia em que entrou em vigor a Instrução Normativa SRF 510/2005, vez que até esta data não existia no ordenamento ato regulamentar fixando prazo para prestar informações acerca dos embargos, ou seja, dar eficácia ao at. 37 do DL 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/2003. O artigo 37 da IN/SRF 28, de 27/04/1994 (DOU de 28/04/1994, seção 1, pág. 6167), não precisava o prazo para prestar as informações: "Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos." (grifei). A precisão sobreveio com a alteração do mencionado texto normativo por meio da redação do artigo 1º da IN/SRF nº 510, de 14/02/2005 (Diário Oficial da União, Seção 1, 15/02/2005. p. 21): "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque." Vêse, portanto, que somente a partir de 15/02/2005 é que se fixou prazo para prestar as informações, logo, até esta data não se deve penalizar o contribuinte. Neste sentido são os votoscondutores dos acórdãos 3202.000.341 e 3102 002.073, este tendo como parte a própria Recorrente, a qual teve seu recurso voluntário provido em parte para afastar a exigência aos embarques anteriores a 15/02/2005, cuja ementa possui o seguinte teor: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/11/2009 Multa pela Prestação de Informações em Desacordo com a Legislação. Agente Marítimo. Responsabilidade. Agente Marítimo que, em nome próprio, presta informações relativas ao embarque da mercadoria em desacordo com o estabelecido na legislação de regência, responde pela multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 3401003.465 S3C4T1 Fl. 172 9 Denúncia Espontânea. Obrigações Acessórias. Descabimento As penalidades decorrentes do descumprimento de obrigação acessória não se beneficiam da excludente de responsabilidade fixada no art. 138 do CTN. Cobrança de Multa Isolada. Legalidade A incidência de multa isolada, decorrente do descumprimento de obrigação acessória, encontrase plenamente amparada pela legislação que disciplina o Controle Aduaneiro. Registro Extemporâneo dos Dados de Embarque na Exportação. Multa do Art. 107, IV, “e” do DL 37/1966 (INsSrf 28/1994 e 510/2005). Vigência e Aplicabilidade. A expressão “imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro do prazo de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido em Parte." À mão de ilustrar, atualmente o prazo é de 7 (sete) dias para se prestar as informações pertinentes ao embarque, a teor da IN/SRF 1.096/2010, que deu nova redação ao multicitado art. 37. No caso concreto os fatos geradores são de 29/04/2004, logo, deve ser totalmente cancelado o presente auto de infração. Com essas considerações, dou provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a multa referente aos fatos geradores (embarques) anteriores a 15/02/2005 que, no caso concreto abrange todos os fatos geradores da autuação. André Henrique Lemos Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 3401003.465 S3C4T1 Fl. 173 10 Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, redator designado Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido da exclusão do auto de infração dos fatos geradores anteriores à IN/SRF nº 510, de 15/02/2005. Entendeu o Relator que a autuação deve ser cancelada com relação aos fatos geradores até o dia 15/02/2005, posto que, antes desta data, não existia regra fixadora de prazo para se implementar a eficácia do art. 37, do DL nº 37/66, na redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03. Argúi a relatoria que o art. 37, da IN/SRF no 28, de 27/04/1994, ao estabelecer que as informações deveriam ser prestadas: "Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria..", não precisava o prazo para prestar as informações e que a precisão somente sobreveio com a alteração do mencionado texto normativo por meio da redação do art. 1o, da IN/SRF no 510, de 14/02/2005. Com essas razões, propôs ao Colegiado fosse dado provimento parcial ao recurso voluntário. Entretanto, foi correta a fiscalização ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, considerando intempestivos os registros dos dados informadas após 7 (sete) dias da data de embarque. O caput do art. 37, da IN/SRF no 28, de 27/04/1994 determina que "imediatamente" após realizado o embarque da mercadoria, o transportador deve registrar os dados pertinentes, no Sistema Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos. Por sua vez, a Noticia Siscomex no 105, de 27/07/1994, esclareceu que o termo "imediatamente" deveria ser interpretado como em até 24 (vinte e quatro) horas. Posteriormente, de acordo com a Noticia Siscomex no 2, de 07/01/2005, o prazo passou a ser de 7(sete) dias para embarques por via marítima. Entendeu a divergência não ser adequado o entendimento de que antes da IN/SRF no 510, de 15/02/2005, não existia regra fixadora de prazo para se implementar a eficácia do art. 37, do DL no 37/66. A norma do art. 37, do DL no 37/66, possui plena eficácia para determinar a imediata prestação de informações. Ocorreu que, as Notícias Siscomex supracitadas, apenas, permitiram que os dados exigidos fossem fornecidos com menor antecedência, nos casos, 48 (quarenta e oito) horas [Noticia Siscomex no 105/94] e 7 (sete) dias [Noticia Siscomex no 2/05], após realizados os embarques, portanto, interpretando a lei tributária que define infrações de maneira mais favorável ao acusado, na linha do que determina o art. 112, do CTN. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 3401003.465 S3C4T1 Fl. 174 11 Tendo em vista que a Recorrente não forneceu as informações imediatamente após realizados os embarques, tampouco, com a menor antecedência permitida, nos casos, 48 (quarenta e oito) horas [Noticia Siscomex no 105/94] e 7 (sete) dias [Noticia Siscomex no 2/05], não houve respeito aos prazos de antecedência previstos na legislação de regência em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, não há como afastar a multa aplicada, pois, decorre de lei específica, na forma do art. 37, do DL no 37/66, na redação dada pelo art. 77, da Lei no 10.833/03, não havendo motivos, no caso, para afastar a aplicação ou deixar de observar lei válida. Assim, penso que a presente exigência fiscal, cujo objetivo é desestimular o descumprimento das obrigações aduaneiras, resulta de adequada subsunção dos fatos às normas que regem a matéria, de modo que não vislumbro argumentos capazes de invalidar o presente auto de infração. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal. Fenelon Moscoso de Almeida Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.721302/2013-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. INTEMPESTIVIDADE. NULIDADE DO ACÓRDÃO.
Constatado equívoco no acórdão recorrido quanto à contagem do prazo recursal, acolhem-se os embargos declaratórios para reconhecer a nulidade do julgado, devido à existência de erro material.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Deixa-se de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2401-004.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração, e, no mérito, acolhê-los, com efeitos infringentes, para: a) sanando a contradição apontada, declarar nulo o Acórdão 2401-004.383; e b) não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. INTEMPESTIVIDADE. NULIDADE DO ACÓRDÃO. Constatado equívoco no acórdão recorrido quanto à contagem do prazo recursal, acolhem-se os embargos declaratórios para reconhecer a nulidade do julgado, devido à existência de erro material. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Deixa-se de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Embargos Acolhidos.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado MARIA LÚCIA REGNIER GUIMARÃES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. INTEMPESTIVIDADE. NULIDADE DO ACÓRDÃO. Constatado equívoco no acórdão recorrido quanto à contagem do prazo recursal, acolhemse os embargos declaratórios para reconhecer a nulidade do julgado, devido à existência de erro material. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Deixase de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 13 02 /2 01 3- 30 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.610 S2C4T1 Fl. 76 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração, e, no mérito, acolhêlos, com efeitos infringentes, para: a) sanando a contradição apontada, declarar nulo o Acórdão 2401004.383; e b) não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.610 S2C4T1 Fl. 77 3 Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, às fls. 66/69, contra o Acórdão nº 2401004.383, de minha relatoria, o qual está juntado conforme fls. 57/64. 2. Alega a embargante a existência de omissão no v. acórdão, dado que o recurso voluntário foi apresentado extemporaneamente. 2.1 Segundo a Fazenda Nacional, a contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância em 14/3/2014 (fls. 48), porém interpôs o recurso voluntário somente em 17/4/2014 (fls. 50), ou seja, após transcorrido o lapso temporal de 30 (trinta) dias previsto em lei para sua apresentação. 3. Os autos digitais foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 11/8/2016, conforme fls. 65, que interpôs os embargos de declaração em 25/8/2016 (fls. 70). 4. Os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do presidente da Turma, Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, cujo processo foi devolvido para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 72/73). É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.610 S2C4T1 Fl. 78 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess – Relator 5. Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo ao exame de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 1 6. Quanto à análise da tempestividade do recurso voluntário protocolado pela contribuinte, o votocondutor do acórdão recorrido posicionouse pelo atendimento do requisito de admissibilidade recursal, adotando o dia 17/3/2014 como data da ciência da decisão de primeira instância (item 4, fls. 59). 7. Acontece que o aviso de recebimento de fls. 48, relacionado à ciência do acórdão de primeira instância, contém 2 (duas) datas de entrega: (i) uma, em 14/3/2014, escrita pelo recebedor do objeto, constando ainda uma informação de insucesso de entrega em relação a essa mesma data, com a observação de "s/doc" (1ª tentativa); e (ii) outra, em 17/3/2014, constante do carimbo aposto pelos Correios. 8. Em visto disso, o voto deveria ter examinado as circunstâncias fáticas acima, ainda que após a deliberação do colegiado a Turma mantivesse a tempestividade do recurso voluntário. 9. Contudo, existe uma questão prejudicial à análise das ponderações da Fazenda Nacional. É que houve equívoco do relator na própria contagem do prazo de interposição do recurso voluntário protocolado pela contribuinte. 10. Como sabido, a análise dos requisitos de admissibilidade recursal configura matéria de ordem pública, não havendo óbice que a correção de erro material relativa à contagem do prazo recursal possa ser determinada em sede de embargos declaratórios, atribuindolhe, inclusive, efeitos infringentes. 1 Tempestividade, conforme §§ 3º, 5º e 6º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.610 S2C4T1 Fl. 79 5 11. Pois bem. Das decisões de primeira instância, cabe recurso voluntário dentro de trinta dias, contados da ciência do acórdão. Nesse sentido, prescreve o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, "in verbis": Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 12. Segundo registrou o acórdão embargado, intimada em 17/3/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 47/48, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 17/4/2014 (fls. 50/51). 13. Vale dizer, ao se adotar a ciência da decisão de primeira instância em 17/3/2014, segundafeira, por via postal, seria conferido à contribuinte prazo de trinta dias para interposição de recurso. Com isso, o termo do prazo recursal iniciaria em 18/3, terçafeira, e finalizaria no dia 16/4/2014, quartafeira. 14. Nada obstante, o recorrente protocolou seu recurso somente no dia 17/4/2014, ou seja, depois de transcorrido o lapso temporal previsto em lei para sua apresentação. 15. Esclareço que não identifiquei a existência de feriado, tampouco há informação nos autos de que a repartição não teve seu funcionamento normal nos dias de início e/ou término da contagem do prazo. 16. Destarte, mesmo nessa hipótese mais benéfica para a contribuinte no que se refere à fixação do termo inicial do prazo recursal, no dia 18/3, o recurso foi interposto a destempo. Caso adotada a ciência do acórdão de primeira instância em 14/3, como defende a Fazenda Nacional, a intempestividade é ainda mais evidente. 17. É de se reconhecer, portanto, a existência de erro material com a consequente nulidade do Acórdão nº 2401004.383, acostado às fls. 57/64. 18. Nula a decisão anterior, o recurso voluntário não deve ser conhecido, por intempestivo. A decisão "a quo" tornouse definitiva, nos termos do inciso I do art. 42 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, ACOLHER OS DECLARATÓRIOS, com efeitos infringentes, para: (i) declarar nulo o Acórdão nº 2401004.383, juntado às fls. 57/64, pela existência de erro material; e Fl. 79DF CARF MF Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.610 S2C4T1 Fl. 80 6 (ii) não conhecer do recurso voluntário protocolado pela contribuinte, acostado às fls. 50/51, por intempestivo. É como voto (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003100/2006-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL - DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO.
A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de área de preservação permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Enquanto que para área de reserva legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo.
Numero da decisão: 9202-005.124
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL - DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de área de preservação permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Enquanto que para área de reserva legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo.
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ÁREA TRIBUTÁVEL. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de área de preservação permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Enquanto que para área de reserva legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 31 00 /2 00 6- 11 Fl. 378DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 220100.796, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração de fls. 127/132, para exigir crédito tributário sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2002, no montante de R$ 29.217,98, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2002 da qual foram glosados os valores declarados a título de área de preservação permanente (71,9ha) e área de utilização limitada (458,2ha) e foi alterado o VTN de R$ 1.700.000,00 para R$ 1.750.000,00, conforme descrição dos fatos constante do Termo de Verificação Fiscal de fls. 125/126. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 135/159, na qual argumentou que a manutenção de áreas ambientais é uma exigência da Constituição e que limita a utilização do imóvel e que não é justo que ainda tenha que pagar imposto sobre estas áreas; que a lei não impõe qualquer condição acessória para o gozo da isenção sobre as áreas ambientais, referindose especificamente à obrigatoriedade da entrega do ADA. A DRJBRASILIA/DF julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que não foi cumprido um dos requisitos essenciais para a exclusão das áreas ambientais, qual seja, a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA com a indicação das áreas. Registrou a decisão de primeira instância que o ADA foi apresentado, porém após o prazo fixado na legislação. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 179/190, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 249/255, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, resultando sua decisão assim ementada: Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10675.003100/200611 Acórdão n.º 9202005.124 CSRFT2 Fl. 10 3 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2o e 16 da Lei n° 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. Recurso provido. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial, fls. 309/320, arguindo a exigência da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para reconhecimento da isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente – APPs. Em sede de Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 352/356, DEU SEGUIMENTO ao Recurso Especial, admitindo a divergência em relação à necessidade de apresentação tempestiva do ADA, para comprovação da área de preservação permanente e de utilização limitada. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 361/372, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração de fls. 127/132, para exigir crédito tributário sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2002, no montante de R$ 29.217,98, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à necessidade de apresentação tempestiva do ADA, para comprovação da área de preservação permanente e de utilização limitada. A questão controvertida diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido Fl. 380DF CARF MF 4 pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. A Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro, prevê a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10675.003100/200611 Acórdão n.º 9202005.124 CSRFT2 Fl. 11 5 Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989). Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região CentroOeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803, de 18.7.1989) Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da necessidade de prévia averbação da reserva legal para fins de nãoincidência do Imposto Territorial Rural ITR. Bem como existência de ADA para reconhecimento da área como de preservação permanente. O acórdão recorrido assim dispôs: Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 170, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. Assim, em conclusão, penso que o art. 170 da Lei n° 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. A entrega intempestiva do ADA, portanto, não justifica a glosa das áreas ambientais declaradas. O argumento principal da Fazenda Nacional reside no fato de que para fins de isenção de ITR, a partir do exercício 2001, inclusive este, o ADA deve ser protocolizado no IBAMA no prazo de seis meses, contado do termo final para a entrega da respectiva DITR. Saliento que a partir de 2001, para fins de redução do ITR, a previsão expressa é a de que haja comprovação de que houve a comunicação tempestiva ao órgão de fiscalização ambiental, e que isso ocorra por meio de documentação hábil. Entendo aqui Fl. 382DF CARF MF 6 que a documentação hábil engloba um conjunto de documentos possíveis e não apenas o protocolo de ADA. A meu ver não é necessário que a averbação da reserva legal seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é o que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso considero equivocado o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis, posto que a averbação na matrícula do imóvel não é ato constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que tal área recebe. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Do mesmo modo, que no tocante a comprovação da existência da área de utilização limitada para fins de APP, a meu ver não é necessária única e exclusivamente por meio de ADA, pois adoto o entendimento de que existem outros documentos hábeis a esta comprovação. Isso é quanto ao direito. Passo agora a análise das provas. No caso dos autos, observo que o contribuinte apresenta ADA datado de 20.12.2005 e Laudo Técnico de dezembro de 2005, os quais considero como documento hábil para comprovação legal exigida em lei, mesmo para o exercício de 2002. Quanto a APP, saliento que no meu entendimento pessoal para configuração da área de preservação ambiental não é obrigatório que a comprovação da natureza da área se dê por meio da exibição de ADA, podendo esta ser feita por qualquer meio de prova. Contudo saliento aqui que a maioria do colegiado entende diferente, devendo para comprovação de APP o ADA ser anterior ao inicio da ação fiscal 26.05.2006 e para comprovação da área de reserva legal, que a averbação da área antes da data do fato gerador supre a inexistência do ADA. Assim entendo deva ser mantido o acórdão recorrido, pois a averbação da área de reserva legal antes do fato gerador supre a ausência de ADA para área de reserva legal, quanto a APP o ADA anterior ao inicio da ação fiscal pode ser aceito como documento hábil, servindo como comunicação a autoridade florestal ou ambiental. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10675.003100/200611 Acórdão n.º 9202005.124 CSRFT2 Fl. 12 7 Fl. 384DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.722798/2013-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
BEM COMUM DO CASAL. RENDIMENTOS DE ALUGUEL TRIBUTADOS PELO CÔNJUGE.
Evidenciado que os rendimentos de aluguel de bem comum de casal já foram devidamente tributados na Declaração de Ajuste do cônjuge, não persiste a infração de omissão de rendimentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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RENDIMENTOS DE ALUGUEL TRIBUTADOS PELO CÔNJUGE. Evidenciado que os rendimentos de aluguel de bem comum de casal já foram devidamente tributados na Declaração de Ajuste do cônjuge, não persiste a infração de omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 27 98 /2 01 3- 39 Fl. 128DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10840.722798/201339 Acórdão n.º 2402005.571 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no montante de R$ 22.506,48, relativamente ao anocalendário 2010, tendo em vista o confronto dos rendimentos declarados como recebidos de pessoa física com total dos rendimentos dos aluguéis informados por administradoras de imóveis em Dimob, bem como constatação de compensação indevida (fls. 4/9). Em sua impugnação (fls. 2/64), o contribuinte concordou com a infração de compensação e afirmou os rendimentos de aluguel produzidos por bem comum foram oferecidos à tributação na declaração da cônjuge. A DRJ/RJ1 manteve, por maioria de votos, a exigência (fls. 89/93), motivo pelo qual foi interposto o recurso voluntário em 8/5/2014 (fls. 98/107), reiterando as razões da impugnação e juntando documentos. Em 12/5/2016, mediante a Resolução nº 2402000.554, esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem intimasse a Expandi Imóveis Ltda, administradora de imóveis, para que confirmasse o valor, discriminado por imóvel e total, dos aluguéis pagos e respectiva comissão, nos quais tivesse o contribuinte em epígrafe constado como locador. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, portanto, passo ao seu exame. À ocasião da prolação da Resolução nº 2402000.554, este relator trouxe as seguintes razões, que reproduzse de modo a que passem a fazer parte do corpo da presente fundamentação: Muito embora o notificado assevere que todos os rendimentos de aluguéis foram oferecidos à tributação na DIRPF/2011 de sua esposa Antônia Lavezzo Norberto, CPF nº 315.326.55851 (fls. 56/60), as Dimob enviadas pelas administradoras de imóveis informam, aparentemente, que tanto o contribuinte quanto o cônjuge virago receberam, cada um, um total de R$ 37.467,08 (fls. 86/88). Necessário, então, examinar os contratos de aluguel acostados aos autos, fls. 21/54, para checar sua compatibilidade com os dados da Dimob. No contrato intermediado pela Dinardi Imóveis Ltda., CNPJ nº 55.108.914/00162, com início em 1º/5/2009 (fls. 21/31), o valor do aluguel inicial mensal é de R$ 700,00, similar ao informado nas Dimob de cada um dos cônjuges, R$ 8.540,00 brutos no anocalendário 2010, levandose em conta os reajustes contratuais. Ou seja, o mesmo montante foi informado para ambos os cônjuges,traduzindose em duplicidade de informações. Se já tributado na DIRPF da esposa, não cabe ser o rendimento tributado novamente na declaração do cônjuge varão. Da mesma forma, no contrato de aluguel firmado através da Phercon Imóveis Ltda., CNPJ nº 05.448.780/000150, com início em 6/9/2007 e término em 5/3/2010, anocalendário sob exame, o valor de aluguel inicial é de 1.666,77, também compatível com o rendimento informado em cada uma das Dimob. Já para os aluguéis intermediados por meio da Expandi Imóveis Ltda., CNPJ nº 64.922.214/200106, a situação não resta clara, não sendo possível associar os valores informados na Dimob com os contratos apresentados, até mesmo porque um deles, em particular, é bastante antigo, iniciado em 25/10/1995 e não tendo sido colacionados documentos explicitando os termos de seus posteriores reajustes. Desse modo, se considerados os documentos relativos às administradoras Dinardi Imóveis Ltda e Phercon Imóveis Ltda a versão dos fatos tal como narrada pelo contribuinte se revela deveras factível, o mesmo não se pode dizer, com um mínimo de confiabilidade, no tocante aos rendimentos percebidos através da Expandi Imóveis Ltda Proponho então, a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para fins de que a unidade de origem intime a Expandi Imóveis Ltda, acima qualificada, para que confirme o valor, discriminado por imóvel e total, dos aluguéis pagos e respectiva comissão, nos quais tenha o contribuinte em epígrafe constado como locador. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10840.722798/201339 Acórdão n.º 2402005.571 S2C4T2 Fl. 103 5 Como consequência da diligência acima solicitada, sobreveio a seguinte resposta da empresa em questão: EXPANDI IMÓVEIS LTDA., inscrita no CNPJ/MF sob nº 64.922.214/0001 06, localizada na Rua Barão do Rio Branco, nº 1611, centro, na cidade de SertãozinhoSP, informamos que o contribuinte Sr. JOEL NORBERTO, CPF nº 622.543.83868 no anocalendário de 2010 não teve rendimentos de aluguéis intermediados e administrados pela imobiliária. Tal informação confirma a versão do contribuinte no sentido de que não recebeu rendimentos de aluguel dessa administradora no anocalendário 2010, a qual, segundo se conclui da leitura conjunta dos documentos acostados aos autos às fls. 103/104 e da DIRPF/2011 acostada às fls. 56/60, verteu os aluguéis recebidos à esposa do notificado. Por conseguinte, não subsistindo a omissão de rendimentos apontada pela fiscalização, deve ser cancelado o lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 132DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.725709/2010-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. CABIMENTO.
Comprovado o descumprimento de obrigação acessória é dever da Autoridade Fiscal a aplicação da penalidade prevista em Lei, sob pena de descumprimento de dever funcional.
Numero da decisão: 2201-003.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que davam provimento ao recurso.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
EDITADO EM: 29/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. CABIMENTO. Comprovado o descumprimento de obrigação acessória é dever da Autoridade Fiscal a aplicação da penalidade prevista em Lei, sob pena de descumprimento de dever funcional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que davam provimento ao recurso. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. EDITADO EM: 29/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 57 09 /2 01 0- 69 Fl. 478DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 5ª Turma da DRJ Curitiba que manteve o lançamento tributário realizado em desfavor do Recorrente, relativo à multa pele empresa ter deixado de arrecadar, mediante desconto, contribuição devida pelos segurados empregados e contribuintes individuais, devidas sobre a remuneração percebida. Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (folhas 2 do processo digitalizado), devidamente explicitado no Relatório Fiscal (folhas 340), pelo qual foi apurado o crédito tributário de R$ 1.431,79, calculado 16 de dezembro de 2010. Na mesma ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: O contribuinte foi cientificado do lançamento tributário mencionado, por via postal, em 22 de dezembro de 2010, como se comprova pela cópia do AR anexado às folhas 342. A decisão da 6ª Turma da Curitiba restou assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São listadas no Relatório de Vínculo todas as pessoas físicas e jurídicas de interesse da administração, em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente, não implicando automaticamente em responsabilidade solidária. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A análise da cobrança de juros sobre a multa de ofício extrapola a presente jurisdição, uma vez que a exigência não está consubstanciada no ato jurídico do lançamento tributário e se reportaria a evento futuro de cobrança. JUROS SOBRE MULTA LEGALIDADE. Correta a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, haja vista esta compor o crédito tributário, conforme legislação vigente. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. DEVER DO AGENTE FISCAL. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 2201003.485 S2C2T1 Fl. 479 3 O agente fiscal tem, por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei 3.688 de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o dever de formalizar Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de crime de ação penal pública incondicionada ou contravenção penal. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêloem outro momento processual. Impugnação Improcedente" Cientificado da decisão que contrariou seus interesses, o Contribuinte interpôs em 03 de fevereiro de 2012 o presente recurso voluntário, conforme se verifica às folhas 395. Tal recurso foi apreciado em sessão da 1ª Turma da 3ª Câmara desta Segunda Seção do dia 16 de setembro de 2012. O recurso, a decisão de primeiro grau e a imputação fiscal constam do Relatório do acórdão 2301003.046. Vejamos: 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa TRANSVALTER LIMITADA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito referente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2008. 2. Em conformidade com o relatório fiscal, o presente lançamento referese ao fato de a empresa ter deixado de “arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais e empregado que receberam remuneração” (f. 338). 3. Ainda de acordo com a peça introdutória, a empresa teria infringido o artigo 30, inciso I, alínea a, da Lei 8.212/91, razão pela qual foi aplicada a multa cabível, “nos termos da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea ‘g’ e art. 373, combinado com a Portaria MPS/MF nr. 333, de 29/06/2010” (f. 339). 4. A decisão do colegiado de primeira instância restou ementada nos termos que seguem: (...) 5. Buscando reverter o lançamento, o contribuinte apresentou suas razões aduzindo, em síntese: a) preliminarmente, a tempestividade do recurso apresentado, sendo inexigível depósito ou arrolamento de bens para o seguimento do processo; Fl. 480DF CARF MF 4 b) pugna pela anulação do lançamento devido à falta de clareza na fundamentação da infração, o que viola o princípio da ampla defesa e do contraditório; c) no mérito, aduz que é uma empresa que possui por objeto social a exploração do ramo de transporte rodoviário de cargas secas e granel em âmbito nacional, e subcontrata, eventualmente empresas do ramo para melhor cumprir com suas atividades regulares; d) tais subcontratações se dão diretamente mediante o deslocamento de funcionários das subcontratadas até as dependências da empresa para repasse dos dados necessários ao transporte, bem como a realização de contratos de transporte rodoviário, mediante a apresentação do documento de veículo que será utilizado para a realização do seguro de carga; e) afirma ainda que “como a recorrente tem ciência que está subcontratando outras empresas de transportes, entendese por consequência lógica que os representantes encaminhados pelas mesmas são funcionários destas, e que (...) referidas transportadoras realizam a retenção das parcelas referentes à contribuição previdenciária, não havendo que se falar em falta de arrecadação das contribuições dos segurados contribuintes individuais”; f) a impossibilidade da cobrança de juros (com aplicação da taxa SELIC) sobre a multa de ofício." A decisão da 1ª TO da 3ª Câmara, representada pelo Acórdão 2301003.046 (fls. 426), restou assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Os transportadores autônomos se enquadram na categoria de contribuintes individuais, regida pelo art. 22, III, da Lei 8.212, de 1991. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte." Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 2201003.485 S2C2T1 Fl. 480 5 Ciente da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional protocolizou, tempestivamente, recurso especial no dia 26/11/2013(fls. 435), que restou admitido, por despacho proferido em 20 de dezembro de 2013 (fls 447). Devidamente cientificado do Acórdão de Recurso Voluntário e do Especial proposto pela Fazenda, o contribuinte optou por não apresentar contrarrazões consoante despacho de folhas 380. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 17 de fevereiro de 2016, analisando o especial da Fazenda Nacional, por meio do Acórdão 9202003.789, decidiu que (fls 457): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ESPECÍFICA. DEIXAR DE ARRECADAR. O art. 30, inc. I, a), da Lei n° 8.212/1991 estabelece a obrigação de a empresa arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, ficando sujeita à penalidade quando não cumpre essa norma, conduta distinta da ausência de recolhimento do tributo ou de ausência de declarações ao fisco. RETROATIVIDADE DA NORMA PENAL MAIS BENIGNA. Não há nova norma mais benigna relativamente à aplicação da penalidade isolada prevista no art. 92 da Lei n° 8.212/1991, com a regulamentação dada pelo art. 283 do Decreto n° 3.048/1999. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. O conhecimento do recurso especial de divergência depende de o acórdão recorrido e os paradigmas trazidos pelo recorrente versem sobre a mesma situação tratada no auto de infração, não tendo sido essa a situação apreciada em nenhum deles, aguarda se nova decisão da instância recorrida no tocante à penalidade aplicada. Recurso especial provido em parte." Por força da decisão proferida, o Conselheiro Relator, Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos, ao final do voto condutor da decisão adotada por unanimidade, determinou: No caso concreto, a obrigação descumprida foi a de arrecadar as contribuições dos empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço. Pelo descumprimento dessa obrigação de arrecadar houve a sanção penal tributária com base em artigo distinto daquele que foi apontado tanto no acórdão recorrido quanto no próprio Recurso Especial. Observese que nem a antiga “multa de mora” do art. 35 nem as multas por falhas nas declarações Fl. 482DF CARF MF 6 dos §§ 4°, 5° e 6° do art. 32 estão dispostas na base legal do lançamento. Poderseia até buscar discutir se seria justo aplicar penalidade isolada por falta de arrecadação, cuja base legal não foi revogada, assim como acabou existindo a discussão sobre as penalidades acessórias incluídas nos §§ 4°, 5° e 6° do art. 32 (que foram revogadas. Assim, como essa questão não foi decidida pelo colegiado a quo, para evitar a supressão de instâncias, concluo pelo conhecimento do recurso especial de divergência, e a ele dou provimento parcial para reformar o acórdão recorrido, com retorno ao colegiado a quo, para apreciação do recurso voluntário quanto à multa específica aplicada, da forma estabelecida no auto de infração." (destaques do último parágrafo transcrito não constam do original) Foi dada ciência da decisão da CSRF por meio de comunicado endereçado ao domicílio tributário eletrônico. O contribuinte acessou seu endereço eletrônico em 20 de dezembro de 2016, às 10:50:26hs. Tal recurso foi distribuído por sorteio eletrônico para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Tratase de determinação da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais para que este colegiado se pronuncie sobre recurso voluntário interposto pelo Contribuinte. Como relatado, a CSRF determinou que: "Assim, como essa questão não foi decidida pelo colegiado a quo, para evitar a supressão de instâncias, concluo pelo conhecimento do recurso especial de divergência, e a ele dou provimento parcial para reformar o acórdão recorrido, com retorno ao colegiado a quo, para apreciação do recurso voluntário quanto à multa específica aplicada, da forma estabelecida no auto de infração." Recordo que a multa mencionada foi aplicada em razão do descumprimento, pelo contribuinte, do dever de reter e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, tudo nos termos do artigo 30, inciso I, "a" da Lei nº 8.212/91 e do art. 4º da Lei nº 10.666/03. Para cumprir o disposto no Acórdão de Recurso Especial, passo a apreciar a apelação do contribuinte, em seu voluntário, na ordem da apresentação de suas alegações. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 2201003.485 S2C2T1 Fl. 481 7 DA FALTA DE CLAREZA NA FUNDAMENTAÇÃO DA INFRAÇÃO VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA Alega o Recorrente que não há clareza na fundamentação do auto de infração o que impede sua defesa. São seus argumentos (fls. 398): "Em relação à presente infração, a Recorrente persiste quanto a falta de clareza na fundamentação dos fatos que ensejaram a autuação, o que dificulta sua defesa, uma vez que não há suficiente fundamentação legal à suposta violação apontada. Com efeito, importante reconhecer que a Autuação é a exposição da norma individual e concreta formulada por autoridade competente no exercício do poder de fiscalização (poder de polícia), que verificando irregularidade ou afronta à norma quando da apuração, do pagamento ou mesmo do cumprimento dos deveres instrumentais tributários (obrigações acessórias), aplica sanção. O ato administrativo de autuação ocorre no momento em que a autoridade apura o quantum debeatur supostamente devida pelo contribuinte, formulando documento (ato norma) em razão de ofensa à legislação tributária, caracterizandose infração por ato ilícito. É essencial que neste momento o aplicador da norma (agente fiscal) faça prova daquilo que alega estar ocorrendo de forma concreta, clara e inquestionável, pois autuar o contribuinte implica na busca pela verdade lógica do fato alegado, o que só se consegue com demonstração da realidade ocorrida. Não se pode admitir que mera indicação de dispositivos de lei leve a fiscalização a uma imposição sancionatória sem respaldo fático. Neste sentido, cabe lembrar que a autoridade administrativa, ao efetuar a autuação, exerce atividade vinculada, nos termos do art. 142 do CTN, sendo que não poderá deixar de fazer a prova da materialidade identificada, o que não se verifica no caso em tela" Não se pode dar razão ao Recorrente. Não verifico a obscuridade apontada. Ao reverso, constato que o Auditor Fiscal soube, por meio de seu relatório, explicitar a conduta omissiva do contribuinte e identificar o comando legal infringido por tal inércia. Comprovase do seguinte excerto (fls 340) "Nesta Auditoria Fiscal constatamos que a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais e empregado que receberam remuneração, de acordo com o Auto de Infração debcad 37.221.7591. O presente auto de infração segue apensado ao Auto de Infração Debcad n.° 37.221.7591 onde constam os elementos de prova da infração. E, os nomes e as remunerações pagas aos contribuintes individuais estão discriminados no Auto de Infração Debcad n.D37.221.7591, conforme demonstrados nos ANEXOS 01, 02, 03 e 04 do citado Auto de Infração Debcad n.° 37.221.7591. Fl. 484DF CARF MF 8 Desta forma, o dispositivo legal infringido foi: Lei nr. 8.212, de 24/07/1991, art. 30, I, "a", e alterações posteriores, e Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 4o, "caput" e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 216, I, "a", motivo pelo qual lavramos o presente Auto de Infração aplicandolhe a penalidade pecuniária correspondente." Claríssima a imputação fiscal e os motivos que a ensejaram. Deixou o contribuinte de reter e recolher parcela referente a contribuição dos segurados da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Tal obrigação surge em função de expressa determinação das Leis nº 8.212/91 e 10.666/03. Não há falta de clareza. Recurso voluntário negado nesta parte. DO NÃO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Nesse tópico, alega a recorrente às folhas 403: "Cumpre destacar que o Agente Fiscal impôs a referida infração sob o argumento de que a Recorrente não teria apresentado recibos ou notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas que prestaram o serviço de transporte, somente recibos assinados por pessoas físicas." Não se observa, nem no Relatório Fiscal, nem no próprio Auto de Infração, qualquer menção a questão apontada pelo Apelante. A imputação fiscal é clara em asseverar que não houve o desconto nem o devido recolhimento da contribuição devida pelos segurados incidente sobre a remuneração por eles recebida do Recorrente. Não há nenhuma menção neste auto de infração à falta de apresentação de recibos ou notas fiscais de pessoas jurídicas que prestaram serviços de transporte à Apelante. Logo, não se pode considerar tais argumentos. Provimento ao recurso voluntário negado nessa parte. DO AFASTAMENTO DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Se insurge a Recorrente contra a incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício. Argumenta que (fls 404): "Sabese que após o prazo legal para apresentação da Impugnação, a SRFB passa a aplicar a taxa de juros Selic inclusive sobre a multa de ofício. Diante disto, a Recorrente insurgese contra tal aplicação, tendo em vista que penalidades, tanto multa de ofício como taxa de juros Selic, embora previstas em lei, não são autorizadas a incidirem uma sobre a outra. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 2201003.485 S2C2T1 Fl. 482 9 Corroborando esse entendimento, assim dispõe o parágrafo único do art. 43 da Lei 9.430/96: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora. calculados à taxa a que se refere o § 30 do art. 5o, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Dessa forma, a previsão legal da incidência dos juros de mora é apenas sobre tributos e contribuições, não havendo competência para autorizar a incidência sobre qualquer outra espécie que não possua a mesma natureza jurídica." A incidência dos juros nos créditos tributários inadimplidos decorre de Lei. Não obstante, tal tema se encontra devidamente pacificado no âmbito deste colegiado. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Como bem assentado pelo Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes no voto condutor da decisão, proferida pela 1ª TO da 3ª Câmara no presente processo e objeto do Recurso Especial da Procuradoria (fls 431): "Ocorre que, no caso concreto, houve a aplicação de uma multa de ofício em decorrência do não recolhimento de contribuição previdenciária, assim, a multa de ofício constitui, ao lado do tributo propriamente devido, a obrigação tributária principal, conforme dispõe o artigo 113, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” (g.n.) 14. Dessa forma, verificase que a obrigação principal é formada tanto pelo tributo cobrado quanto pela penalidade pecuniária aplicada (multa). Portanto, o crédito tributário, o qual decorre da obrigação tributária, é composto pelo tributo a ser recolhido e pela correspondente multa de ofício, sendo que ambos estão sujeitos à incidência de juros de mora quando não pagos no vencimento estipulado pela lei, conforme assevera o art. 161, do CTN: Fl. 486DF CARF MF 10 “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” Corroborando tal entendimento, a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no voto condutor do Acórdão 9202002003.765, de 16/02/16, explicitou: "Ao contrário do que entende o recorrente, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Nesse sentido, já se manifestou esta Câmara, em outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 2201003.485 S2C2T1 Fl. 483 11 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Fl. 488DF CARF MF 12 Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG)." Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário também nesta parte. CONCLUSÃO Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 2201003.485 S2C2T1 Fl. 484 13 Não tendo o contribuinte atacado a essência da multa aplicada, e considerando que constato que houve por parte do Fisco a comprovação da conduta omissiva do sujeito passivo, além da exata determinação da disposição legal infringida e da correta mensuração da sanção cabível multa prevista no artigo 283, I ,'g', do RPS voto por conhecer do recurso e negarlhe provimento. assinado digitalmente CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator Fl. 490DF CARF MF
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