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Numero do processo: 10680.919493/2012-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.919481/2012-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.919481/2012-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 19 49 3/ 20 12 -4 7 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10680.919493/201247 Resolução nº 3301000.933 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que a constituição do crédito tributário é feita pela apresentação da DCTF e que não existe vedação à retificação da declaração. Discorre sobre o direito à retificação da DCTF sempre que os valores apurados não tenham sido encaminhados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa e não houver alteração da periodicidade da declaração anteriormente apresentada. Em relação aos fatos, informa que foi realizado pagamento em relação ao período de apuração em análise e que o despacho decisório determinou o não reconhecimento do direito creditório da Manifestante em virtude de suposta utilização dos pagamentos encontrados para o Darf. Defende que ao débito apurado para o mesmo período de apuração do Darf não foi vinculado nenhum crédito, assim o pagamento efetuado mediante Darf está totalmente disponível. Pede a reforma do despacho decisório com a homologação integral da compensação e o cancelamento da cobrança dos débitos remanescentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10680.919493/201247 Resolução nº 3301000.933 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.925, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.925): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de homologação parcial de compensação de créditos da COFINS com débitos tributários federais. A DRF de origem alegou que não havia crédito suficiente. Do Despacho Decisório (fl. 73) e PER/DCOMP auditada (fls. 66 a 71) e das cópias anexadas às peças de defesa de DCTF (retificadora), DACON (original e retificadora) e guia de pagamento (fls. 2 a 64 e 88 a 136), extraio o seguinte: 1) Em setembro de 2007, foi pago o montante de R$ 225.172,22 (fl. 51), a título de COFINS do período de apuração (PA) agosto de 2007. O valor devido foi declarado no DACON original (fls. 129). Não há cópia da respectiva DCTF. 2) Em 26/03/11, foi transmitida a DCTF retificadora do mês de agosto de 2007, por meio da qual alterou o valor da COFINS devida, que passou a R$ 172.020,11 (fl. 55). o DACON também foi retificado (fl. 137). Na DCTF retificadora o débito de R$ 172.020,11 figura como se estivesse em aberto, isto é, sem crédito (pagamento ou compensação) vinculado. Em seu recurso, informou que adotou tal procedimento, pois desejava incluir o débito de R$ 172.020,11 em parcelamento. 3) Em 26/03/11, foi entregue o PER/DCOMP auditado (fls. 66 a 71), utilizando a totalidade dos R$ 225.172,02 para liquidar outros débitos tributários federais. 4) O Despacho Decisório (fl. 73) confirma o pagamento de R$ 225.172,22 e o novo valor devido da COFINS de agosto de 2007 de 172.020,11. Contudo, ao contrário do que consta na cópia da DCTF retificadora (fl. 55), vincula parte do pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11. Em síntese, as questões que este colegiado são as seguintes: a) Pode o contribuinte retificar a DCTF para, concomitantemente, reduzir o valor devido e desvinculálo do pagamento originariamente efetuado? b) Teria a RFB poderes para, a despeito do que foi consignado pelo contribuinte na DCTF retificadora, vincular o pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11? Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10680.919493/201247 Resolução nº 3301000.933 S3C3T1 Fl. 5 4 Ao meu ver, a resposta à primeira pergunta é sim. É possível retificar, para alterar a vinculação de créditos. Senão vejamos (IN RFB n° 1.110/10 em vigor na data da retificação da DCTF): "Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. (. . .)" Por outro lado, à segunda, entendo que é não. Quando muito, identificado um crédito derivado de tributo pago a maior, poderia o Fisco realizar uma compensação de ofício. Contudo, o contribuinte teria de ser previamente consultado e, inclusive, dela poderia discordar (art. 49 da IN RFB 900/08, em vigor na data do Despacho Decisório). Contudo, não há notícia nos autos de que houve compensação de ofício. Estaria pronto para votar pelo provimento do recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório de R$ 225.172,02, caso não tivesse identificado duas informações contraditórias: no Despacho Decisório (fl. 73), consta que os R$ 225.172,02 teriam sido vinculados ao débito de R$ 172.020,11, enquanto que na cópia da DCTF retificadora, anexa à manifestação de inconformidade (fl. 55), não consta vinculação alguma. Assim sendo, proponho que o julgamento seja convertido em diligência, para que a unidade de origem verifique na DCTF "ativa" de agosto de 2007 se o crédito de R$ 225.172,02 foi ou não vinculado ao débito de R$ 172.020,11. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. É como voto." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem verifique na DCTF "ativa" do respectivo período de apuração se o crédito informado no PER/DCOMP foi ou não vinculado ao débito constante no Despacho Decisório. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10680.919493/201247 Resolução nº 3301000.933 S3C3T1 Fl. 6 5 Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.925312/2016-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2015
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.937
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 53 12 /2 01 6- 45 Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10680.925312/201645 Acórdão n.º 3301004.937 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.518. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10680.925312/201645 Acórdão n.º 3301004.937 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10680.925312/201645 Acórdão n.º 3301004.937 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10680.925312/201645 Acórdão n.º 3301004.937 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10680.925312/201645 Acórdão n.º 3301004.937 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.901246/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO-CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84.
Súmula CARF 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Restando comprovado na DCTF que o crédito tributário foi constituído em valor menor do que o valor recolhido, é de se considerar suficiente a documentação apresentada como comprobatória do indébito. Cabe às autoridades fiscais efetuar o devido lançamento como pressuposto para a cobrança de qualquer diferença de tributo.
Numero da decisão: 1401-002.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, homologando-se a compensação pleiteada.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO-CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. Súmula CARF 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Restando comprovado na DCTF que o crédito tributário foi constituído em valor menor do que o valor recolhido, é de se considerar suficiente a documentação apresentada como comprobatória do indébito. Cabe às autoridades fiscais efetuar o devido lançamento como pressuposto para a cobrança de qualquer diferença de tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, homologando-se a compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. Súmula CARF 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Restando comprovado na DCTF que o crédito tributário foi constituído em valor menor do que o valor recolhido, é de se considerar suficiente a documentação apresentada como comprobatória do indébito. Cabe às autoridades fiscais efetuar o devido lançamento como pressuposto para a cobrança de qualquer diferença de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, homologandose a compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 12 46 /2 00 9- 78 Fl. 81DF CARF MF 2 Relatório Tratase de pedido de compensação por meio do qual a contribuinte pretendeu compensar débito de IRPJ com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo. O despacho decisório não reconheceu o direito creditório ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado, por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente. Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário. Recebi o processo em distribuição realizada em 25 de julho de 2018. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.916, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13851.900928/2009 63, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.916): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. O despacho decisório, assim como a decisão recorrida, entenderam que os recolhimentos mensais por estimativa a maior efetuados durante o anocalendário não são pagamentos passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos. Ocorre que este CARF tem entendimento diverso, consolidado no enunciado da Súmula CARF nº 84, de seguinte teor: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, a compensação não pode ser negada sob tal fundamento, devendo ser analisado se de fato houve pagamento indevido no mês em questão. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13851.901246/200978 Acórdão n.º 1401002.930 S1C4T1 Fl. 3 3 Pois bem. Sustenta a Recorrente que o crédito originouse de um pagamento indevido ou a maior de tributo referente a um mês específico, conforme constou de sua DCTF. Isso porque o tributo efetivamente devido no mês foi inferior, daí resultando o crédito da diferença. A Recorrente aponta, ademais, que é certo que o valor do crédito não foi utilizado na composição do saldo negativo do anocalendário, já que ela não apurou saldo negativo de IRPJ, conforme demonstra a sua DIPJ. Analisando as informações constantes dos autos, percebo que o valor do recolhimento realizado é superior ao montante de tributo autolançado no mês em questão. Em um cenário como este, não vejo razão para que se pretenda investigar se a base de cálculo do mês em questão está correta, já que mesmo que estivesse equivocada caberia às autoridades fiscais efetuar o devido lançamento como pressuposto para a cobrança de qualquer diferença de tributo. Assim, considero que as informações constantes dos autos são suficientes para concluir que resta devidamente comprovado o pagamento a maior, devendo ser homologada a compensação em questão. Dispositivo Ante o exposto, oriento meu voto para julgar procedente o recurso voluntário, homologandose a compensação pleiteada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, homologandose a compensação pleiteada, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001767/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Não há omissão do acórdão, ocasionando a rejeição dos Embargos de Declaração.
IRPJ. INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. EXCESSO DE DESTINAÇÃO. REGULARIDADE FISCAL.
O excesso de destinação ao incentivo fiscal regional foi constituído pela inexistência de regularidade fiscal da contribuinte, demonstrada durante o processo administrativo, conforme admitido pela Súmula nº 37 deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 1201-002.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada). Ausente, justificadamente, Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Não há omissão do acórdão, ocasionando a rejeição dos Embargos de Declaração. IRPJ. INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. EXCESSO DE DESTINAÇÃO. REGULARIDADE FISCAL. O excesso de destinação ao incentivo fiscal regional foi constituído pela inexistência de regularidade fiscal da contribuinte, demonstrada durante o processo administrativo, conforme admitido pela Súmula nº 37 deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
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OMISSÃO. Não há omissão do acórdão, ocasionando a rejeição dos Embargos de Declaração. IRPJ. INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. EXCESSO DE DESTINAÇÃO. REGULARIDADE FISCAL. O excesso de destinação ao incentivo fiscal regional foi constituído pela inexistência de regularidade fiscal da contribuinte, demonstrada durante o processo administrativo, conforme admitido pela Súmula nº 37 deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Presidente em exercício. (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada). Ausente, justificadamente, Ester Marques Lins de Sousa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 67 /2 00 7- 98 Fl. 620DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, argumentando a Fazenda Nacional, ora Embargante, uma omissão no acórdão nº 110100.663, a seguir ementado: IRPJ — INCENTIVOS FISCAIS — PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL — Sendo o único óbice apontado pela autoridade administrativa para o indeferimento a existência de débito inscrito na PFN, afastado o óbice mediante apresentação de certidão positiva com efeito de negativa, impõe se o deferimento do PERC. SÚMULA CARF n° 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72. (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foi DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. A Embargante afirma que o acórdão embargado foi omisso quanto à regularidade indispensável para o deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), conforme a seguinte exposição (efl. 595): A União (Fazenda Nacional), por sua procuradora, com amparo no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, vem apresentar EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, pelos motivos a seguir aduzidos: Pela análise do Acórdão 110100.663, verificase que a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao Recurso Voluntário fundamentando sua conclusão na tese de que o momento em que deve ser comprovada a regularidade pelo sujeito passivo, com vistas ao deferimento do PERC é a data da apresentação da DIRPJ. A citada Turma considerou que o contribuinte comprovou sua regularidade fiscal com a juntada da certidão de fls. 554. No entanto, somente esse documento não atesta que na data da apresentação da DIRPJ, havia a regularidade indispensável para o deferimento do PERC, já que haveria a necessidade também da juntada do Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal (art. 27 da Lei nº 8.036/90) e da Certidão Negativa emitida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (art. 18, parágrafo único da Norma de Execução SRF/COSAR/n° 06, de 30/04/98). Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que haja pronunciamento sobre a necessidade dos referidos documentos para demonstrar a regularidade fiscal. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 16327.001767/200798 Acórdão n.º 1201002.292 S1C2T1 Fl. 605 3 Em despacho da presidência da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, existiu a admissibilidade dos Embargos de Declaração, identificando o pressuposto da omissão no acórdão recorrido (efls. 601 a 603): A situação de omissão está apontada objetivamente. Verificase que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir, qual seja, para se comprovar av regularidade fiscal indispensável para o deferimento do PERC há necessidade da juntada do Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal (art. 27 da Lei nº 8.036, de 1990) e da Certidão Negativa emitida pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (art. 18, parágrafo único da Norma de Execução SRF/COSAR n° 06, de 30.04.1998). Considerando a extinção da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, mediante novo sorteio, fui designado relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. Os Embargos de Declaração são tempestivos, com admissibilidade reconhecida, portanto, deles tomo conhecimento. Em acórdão embargado, restringiuse a controvérsia sobre o indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) do contribuinte pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras de São Paulo, mediante o respectivo Despacho Decisório: A irregularidade fiscal, mencionada no Despacho Decisório, foi saneada nos termos da Súmula nº 37 deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, resultando no provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte: Fl. 622DF CARF MF 4 Todavia, a Embargante diverge da regularidade fiscal constatada no acórdão embargado, "já que haveria a necessidade também da juntada do Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal (art. 27 da Lei nº 8.036/90) e da Certidão Negativa emitida pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (art. 18, parágrafo único da Norma de Execução SRF/COSAR/n° 06, de 30/04/98)". Primeiramente, notase que a regularidade perante à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, ratificada pela Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União (efl. 586). Adicionalmente, embora não indicada no Despacho Decisório como impedimento para concessão do incentivo pretendido e, assim, não integrante da presente lide, identificase a Certidão de Regularidade do FGTS nos autos (efl. 537). Logo, concluise pela inexistência da omissão, suscitada pela Embargante. Isto posto, REJEITO os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 623DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.720666/2010-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Conhece-se do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedou-se preclusa.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSA DE ESTÁGIO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não integra o salário de contribuição os valores pagos em razão de estágio de estudantes, atendidos os critérios legais.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA. DECRETO Nº 3.048, de 1999.
Para fatos geradores anteriores ao Decreto nº 6.727, de 2009, o aviso prévio indenizado não integra o salário de contribuição, em razão do que constava do Decreto nº 3.048, de 1999.
Numero da decisão: 2301-005.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer das questões atinentes: (a.1) à impossibilidade de aplicação da aferição indireta em face de divergências entre DIPJ e Gfip e (a.2) à concomitância entre a multa isolada, por descumprimento de obrigação acessória, e a multa vinculada ao crédito tributário lançado; (b) no mérito, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para excluir, da base de cálculo utilizada, os valores comprovados de bolsas de estágio e de aviso-prévio indenizado.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conhecese do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedouse preclusa. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSA DE ESTÁGIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não integra o salário de contribuição os valores pagos em razão de estágio de estudantes, atendidos os critérios legais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA. DECRETO Nº 3.048, de 1999. Para fatos geradores anteriores ao Decreto nº 6.727, de 2009, o aviso prévio indenizado não integra o salário de contribuição, em razão do que constava do Decreto nº 3.048, de 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer das questões atinentes: (a.1) à impossibilidade de aplicação da aferição indireta em face de divergências entre DIPJ e Gfip e (a.2) à concomitância entre a multa isolada, por descumprimento de obrigação acessória, e a multa vinculada ao crédito tributário lançado; (b) no mérito, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para excluir, da base de cálculo utilizada, os valores comprovados de bolsas de estágio e de avisoprévio indenizado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 06 66 /2 01 0- 66 Fl. 627DF CARF MF 2 João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Relatório Tratase de auto infração, lavrado em 23/04/2010 (efl. 145), Debcad nº 37.242.0419, para exigência de multa por não declarar, em Gfip, integral ou corretamente, as informações relativas às contribuições previdenciárias devidas. Em 23/12/2009, com a ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (efls. 2 a 4), deuse início à ação fiscal em face da Recorrente que resultaria no lançamento de contribuições previdenciárias e consectários. Por bem descrever o que consta dos autos, reproduzo parte do relatório que acompanha o acórdão recorrido, Acórdão nº12 60.618 (efls. 453 a 459): 2.2. A empresa foi intimada a justificar a origem da divergência de valores encontrados entre as remunerações dos segurados empregados declaradas em GFIP e as informadas na DIPJ. Todavia não o fez, justificandose, desta forma, ter a fiscalização concluído pela omissão das remunerações. 2.3. Dessa forma, a fiscalização usou o procedimento de aferição indireta para apurar a base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas pelo sujeito passivo, utilizandose, para tanto, dos valores declarados como ordenados, salários, gratificações e outras remunerações aos empregados, nas fichas 05 A Despesas Operacionais nas Declarações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ dos anosbase 2006 e 2007, exercícios 2007 e 2008. 2.4. Constatado ter a autuada deixado de informar na GFIP parte da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, apurada através do confronto de valores informados nas DIPJ, anos calendário 2006 e 2007, exercícios 2007 e 2008, inseridas nas fichas 05ADespesas Operacionais – Atividades em Geral – Ordenados, salários, gratificações, e os valores declarados nas GFIP dos exercícios 2006 e 2007, conforme demonstrativos de fls. 18 a 19. 3. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa de fls. 21 a 28 aduz, em síntese, o seguinte: 3.1. A multa a ser aplicada em decorrência da infração, descrita no Relatório Fiscal da Infração encontrase prevista no art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/91 e art. 284, inciso II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99, atualizada pela Portaria Interministerial MF nº 350, Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10480.720666/201066 Acórdão n.º 2301005.504 S2C3T1 Fl. 628 3 de 30/12/2009, publicada no DOU em 31/12/2009, correspondente a R$ 148.132,95. 3.2. O cálculo da multa é feito por ocorrência. Entendese por ocorrência cada competência em que se deu a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 3.3. A multa corresponde a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada a um multiplicador sobre o valor mínimo estabelecido, em função do número de segurados da empresa. 3.4. A partir de 31/12/2009, o valor mínimo da multa por infração à legislação previdenciária é de R$ 1.410,79, de acordo com o art. 8º, iinciso V, da Portaria Interministerial nº 350, de 31/12/2009. Para os exercícios de 2006 e 2007, o número de segurados da empresa esteve situado entre 1001 a 5000, o que conduz a um enquadramento correspondente a 35 vezes o valor mínimo, ou seja, R$ 49.377,65. 3.5. O número de segurados empregados por competência foi extraído das GFIP, quantitativo este utilizado inclusive para valoração da multa. 3.6. As bases de cálculo apuradas nos meses de 04/2007 a 06/2007 foram obtidas do confronto entre os valores constantes da DIPJ, ano calendário 2007, exercício 2008 e dos declarados nas GFIP, conforme quadro de fls. 22. 3.7. Foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, conforme quadro de fls. 24 a 26. 3.8. Logo, apesar da infração objeto deste Auto ter sido observada em todas as competências fiscalizadas (01/2006 a 12/2007), o presente Auto só se refere às competências 04/2007 a 06/2007, pois as penalidades existentes à época da entrega das GFIP com omissões é mais benéfica ao contribuinte em relação às novas penalidades introduzidas pela MP 449/2008. Na impugnação, essencialmente a empresa alegou que os valores informados nas DIPJ corresponderam aos que constam da Contabilidade e, uma vez excluídas as parcelas que não comporiam a base de cálculo de contribuições previdenciárias e confrontando o resultado com o que foi declarado em Gfip, constatariase que a empresa efetuou recolhimentos para a Seguridade Slocial em valor superior ao que efetivamente deveria ter recolhido (efl. 157, in fine). A impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário, por conseguinte, foi mantido sob os seguintes fundamentos: 14. Tendo dado azo à aferição indireta, é ônus da Impugnante fazer prova em contrário, significa dizer que deve demonstrar que o lançamento está equivocado, assim, além da planilha, deve relacionar cada valor indicado ao documento que o comprova, não basta a mera juntada. No caso em tela, a Impugnante Fl. 629DF CARF MF 4 preparou uma planilha, mas negligenciou a demonstrar a sua procedência. 15. Sequer foram juntados os documentos indicados pela fiscalização como motivadores da aferição indireta. A Impugnante juntou documentos sintéticos, mas não os analíticos, que permitiriam à fiscalização ou ao órgão de julgamento verificar a procedência de suas alegações. Sendo assim, restou mantido o lançamento efetuado através do levantamento AF e AF1, dos AI n° 37.242.0451 e 37.242.0460. DA PENALIDADE APLICADA 16. Considerando que foram julgadas devidas as contribuições apuradas nos AI n° 37.242.0451 e 37.242.0460, as mesmas deveriam ter sido declaradas em GFIP, mas não foram, de maneira que é procedente a aplicação da penalidade pela sua omissão no instrumento declaratório, somente das competências 04 a 06/2007, por ter resultado mais benéfica ao contribuinte, conforme explicitado no item 7 do relatório fiscal. A Recorrente, então, apresentou recurso voluntário (efls. 466 a 623) em que alegou, em síntese, que a aferição indireta não poderia subsistir porquanto não teria havido negativa de atendimento às intimações fiscais. Alegou, também, que a) o arbitramento não poderia se dar com base nas informações da DIPJ, pois ali há valores que não comporiam a base de cálculo da contribuição previdenciária; b) que é permitida a apresentação de documentos mesmo na fase recursal, e c) que não incidiria multa por descumprimento de obrigação acessória quando já se exige a penalidade pela ausência de recolhimento da obrigação principal (bis in idem). É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. O recurso é tempestivo. Sobre a utilização da aferição indireta, a matéria não restou questionada na impugnação. A então Impugnante limitouse a informar que dos valores usados pela autoridade fiscal para o arbitramento, provenientes da DIPJ, deveriam ser excluídas as parcelas que não integrariam a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Porém, aquele colegiado entendeu que não foram apresentadas provas de que os valores utilizados estariam incorretos. Portanto, a utilização do critério de arbitramento não foi objeto de contestação. O mesmo ocorre em relação à questão relativa à concomitância da multa isolada, por descumprimento de obrigação acessória, e a multa vinculada ao crédito tributário lançado. Tratase de matéria que não foi objeto de impugnação e, portanto, não compõe a lide. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10480.720666/201066 Acórdão n.º 2301005.504 S2C3T1 Fl. 629 5 Como já se manifestou esta turma, unanimemente, no Acórdão nº 2301 005.165, não se conhece de matéria não impugnada: Não é possível conhecer da matéria porque não foi questionada pela recorrente na impugnação e, consoante o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. É a impugnação, ao instaurar a fase litigiosa, que delimita a lide. Não suscitada a matéria na fase própria, precluso estará o direito de fazêlo em outro momento processual. Nesse sentido, há vários precedentes no Carf (por exemplo, os acórdãos nºs 3302004.356, 3402004.318, 2402 005.903, 2402005.808 e 9101002.719). Portanto, não conheço do recurso em relação à impossibilidade de aplicação da aferição indireta em face de divergências entre DIPJ e GFIP e, também, em relação à concomitância das multas. Registrese que não houve questionamento, na impugnação ou no recurso voluntário, do método de cálculo da multa aplicada, tampouco quanto à retroação benigna da legislação, nos termos do lançamento. Cingese, a controvérsia, pois, aos valores de base de cálculo utilizada no lançamento, única matéria que se admite neste recurso. A Recorrente alegou que nos valores utilizados para arbitramento da base de cálculo, provenientes da DIPJ, conteriam parcelas isentas ou não incidentes. Pugnou pelo seguinte: Reformar a decisão de primeira instância para se julgar improcedente a penalidade lançada, consagrando o Princípio da Verdade Material para se reconhecer que a integralidade dos valores declarados em DIPJ não compõe a base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas nos anos de 2006 e 2007, de forma que as GFIP foram apresentadas de forma correta, não devendo ser aplicada penalidade porque não houve descumprimento de qualquer obrigação. (Sem grifo no original.) Observese que o critério de apuração, com base na aferição indireta, deve ser mantido, porquanto amparado na lei, mas pode, entretanto, ser ajustado a vista de eventuais provas em contrário aduzidas após o lançamento. Com efeito, a Recorrente alega que os valores constantes das DIPJ incluem parcelas sobre as quais não incidiam contribuição previdenciária e, portanto, em relação a essas parcelas, a base de cálculo deverá ser recomposta. A Recorrente alegou, no recurso voluntário, que, nos valores constantes do Quadro 05A/02 Ordenados, Salários, Gratificações e Outras Remunerações a Empregados das DIPJ, utilizado como base de cálculo, constariam as seguintes parcelas que não deveriam compor a base de lançamento: a) vale refeição, multas trabalhistas, 13º salário indenizado, férias indenizadas, exame admissional e valetransporte; b) desconto salarial por faltas; Fl. 631DF CARF MF 6 c) parcelas de 2005 referentes a 13º salário, férias, gratificação, horasextras e salários; d) aviso prévio, indenizações, assistência educacional e bolsaestágio. Antes de discorrer sobre a incidência ou não de contribuição previdenciária sobre cada uma das verbas alegadas pela Recorrente, devese, preliminarmente, verificar se tais verbas estavam contidas na base de cálculo utilizada pela Autoridade Lançadora. De pronto, constatase que, ao consultar as orientações para o preenchimento do Quadro 05A da DIPJ, algumas verbas informadas pela Recorrente não estão contidas na linha 02, que foi utilizada para a aferição indireta, e, portanto, sequer fizeram parte do lançamento: a) a alimentação do trabalhador, como valesrefeição, é informada na Linha 05A/10 Alimentação do Trabalhador; b) as multas trabalhistas são informadas na Linha 05A/19 Multas; c) o 13º salário, assim como as férias, devem ser devidamente provisionados e informados na Linha 05A/22 Provisões para Férias e 13º Salário de Empregados; d) as despesas com saúde, inclusive exames admissionais, bem como as despesas correspondentes a salários, ordenados, gratificações e outras remunerações referentes à área de saúde, tais como assistência médica, odontológica e farmacêutica, são informadas na Linha 05A/28 Assistência Médica, Odontológica e Farmacêutica a Empregados, e e) o valetransporte é informado na Linha 05A/31 Outras Despesas Operacionais. Portanto, não há que se excluir, da base de cálculo, os valores de vale refeição, multas trabalhistas, 13º salário indenizado, férias indenizadas, exame admissional e valetransporte porque eles não constam do montante indicado no Quadro 05A/02 Ordenados, Salários, Gratificações e Outras Remunerações a Empregados das DIPJ. Sobre os descontos salariais por faltas, há que se considerar que os balancetes apresentados (efls. 241 a 329) são demasiadamente sintéticos e não se prestam a comprovar a composição das contas ali dispostas. Por exemplo, a conta 5.2.4.9901 Ordenados deve registrar o saldo dos valores de salários, já descontadas as deduções por faltas porque não correspondem a salários devidos ou pagos. Deste modo, aquela conta seria composta por, pelos menos, uma conta analítica indicativa dos valores brutos de salários, de saldo devedor, e uma respectiva conta redutora analítica, de saldo credor, a corrigir o saldo da conta devedora, contendo as parcelas de salário não devidas em razão de eventuais ausências dos empregados. Se o balancete houvesse sido apresentado na forma mais analítica permitida pelo plano de contas da empresa, e presumindo que a empresa faz sua escrituração com observância das normas e princípios contábeis, deveria seguir a seguinte disposição: 5.2.4.9901 Ordenados 5.2.4.9901XX Salários Brutos 5.2.4.9901YY () Desconto por faltas Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10480.720666/201066 Acórdão n.º 2301005.504 S2C3T1 Fl. 630 7 A Recorrente, em sua impugnação, bem demonstrou que os valores declarados no Quadro 05A/02 Ordenados, Salários, Gratificações e Outras Remunerações a Empregados das DIPJ contêm o saldo da conta 5.2.4.9901 Ordenados. Deste modo, os valores informados na DIPJ, sem prova em contrário, devem ser entendidos como já deduzidos das faltas dos empregados e, portanto, não integraram a base de cálculo. Quanto às verbas que a Recorrente alega serem referentes a 2005, mas que estariam contidas na base de cálculo utilizada pelo Fisco, não assiste razão à Recorrente, pois na DIPJ, como se sabe, as informações obedecem ao regime de competência, e não ao regime de caixa. Portanto, os dados do Quadro 05A/02 Ordenados, Salários, Gratificações e Outras Remunerações a Empregados das DIPJ relativos ao primeiro trimestre de 2006 não podem se referir a fatos contábeis ocorridos em 2005. Ora, considerando que o art. 431 da Lei nº 8.212, de 1991, não deixa dúvidas de que as contribuições previdenciárias também obedecem ao regime de competência, na medida em têm como fato gerador a prestação do serviço, e não o seu pagamento, não subsiste a alegação de que as parcelas de 12/2005 e 13/2005 estariam contidas na referida informação da DIPJ do anocalendário de 2006, pois comporiam, isso sim, os valores declarados no 4º trimestre da DIPJ relativa ao anocalendário de 2005. Excluídas, pois, as verbas que, ao contrário do afirmado pela Recorrente, não compuseram a base de cálculo, verificase que os valores provenientes das DIPJ poderiam conter montantes relativos a indenizações, assistência educacional bolsaestágio e aviso prévio. Portanto, é necessário verificar, em cada um dos casos, se os requisitos para a exclusão da base de cálculo estão presentes. Quanto às indenizações, a Recorrente não logrou juntar provas suficientes de que se tratavam de parcelas inalcançadas pela contribuição previdenciária, limitandose a alegar, apontar valores e apresentar as folhas de pagamento do período e balancetes, sem que comprovasse, individualmente, a que tipo de indenização se referiam os valores informados. É certo que nem todas as parcelas indenizatórias estão imunes ou isentas da contribuição para a previdência social, o que torna imprescindível que fossem analisadas cada uma das indenizações para verificar a incidência. Não havendo prova suficiente em contrário, há que se manter o lançamento inalterado neste ponto. Quanto à assistência educacional, para que não integre o salário de contribuição, é preciso que sejam cumpridos os requisitos da alínea t e seus itens 1 e 2, do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Porém, a Recorrente não juntou qualquer elemento a comprovar a natureza dessa parcela e sua adequação aos requisitos legais. Por essa razão, deve se manter o lançamento por ausência de prova contestatória hábil a afastálo. A respeito das bolsasestágio, a alínea i do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991 determina são isentas desde que o pagamento seja feito nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977 (revogada pela Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008). As informações sobre pagamento de bolsa estágio contidas nas folhas de pagamento e balancetes juntados não coadunam com os termos de compromisso apresentados. A mera informação contábil ou o registro em folha não são suficientes para se constatar a aderência do estágio aos requisitos da lei, que assim estabelece: 1 Art. 43. ............................................................... § 2o Considerase ocorrido o fato gerador das contribuições sociais na data da prestação do serviço. Fl. 633DF CARF MF 8 Art. 3o O estágio, tanto na hipótese do § 1o do art. 2o desta Lei quanto na prevista no § 2o do mesmo dispositivo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, observados os seguintes requisitos: I – matrícula e freqüência regular do educando em curso de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino; II – celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino; III – compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso. § 1o O estágio, como ato educativo escolar supervisionado, deverá ter acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, comprovado por vistos nos relatórios referidos no inciso IV do caput do art. 7o desta Lei e por menção de aprovação final. § 2o O descumprimento de qualquer dos incisos deste artigo ou de qualquer obrigação contida no termo de compromisso caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária.. (Sem grifo no original.) Portanto, não se pode admitir como exclusão da base de cálculo as bolsas para as quais não se comprovou a adequação as exigências legais. Entretanto, a Recorrente juntou uma relação de estagiários contratados (efl. 587) e alguns termos de compromisso de estágio (efls. 556 a 586). Para os casos em que há o termo de estágio ou o aditivo, entendo que assiste razão à Recorrente e os respectivos valores devem ser excluídos da base de cálculo utilizada na aferição indireta e calculados os reflexo no valor da multa lançada. Apesar de estarem listados na relação, não consta dos autos termos de compromisso para os estagiários Ana, Cynara, Édson, Eduardo, Ilda e Rebbeka. Para a estagiária Flávia, embora não haja o termo de compromisso juntado, há um termo aditivo de prorrogação do estágio. Dos termos de estágio acostados, deriva o seguinte: Tabela 1 Relação dos estagiários com termo de compromisso nos autos Estagiário Bolsa Início do estágio Fim do estágio Thyago R$ 550,00 01/12/2005 01/06/2006 Denevaldo R$ 550,00 09/12/2005 09/06/2006 Emilia R$ 550,00 23/12/2005 23/12/2006 Sylvia R$ 550,00 23/12/2005 23/06/2006 Joyce R$ 275,00 01/02/2006 01/02/2007 Ludmila R$ 275,00 13/03/2006 13/09/2006 Bruna R$ 550,00 10/04/2006 10/04/2007 Flávia R$ 550,00 24/06/2006 24/06/2007 Pedro R$ 275,00 01/03/2007 01/09/2007 Bruno R$ 1.411,67 16/07/2007 16/07/2008 Karine R$ 250,00 18/07/2007 18/07/2008 Sammara R$ 380,00 03/09/2007 03/09/2008 Andreia R$ 550,00 10/09/2007 10/09/2008 Cleythianne R$ 550,00 10/09/2007 10/09/2008 Diloa R$ 380,00 19/11/2007 19/11/2008 Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10480.720666/201066 Acórdão n.º 2301005.504 S2C3T1 Fl. 631 9 Fazendo os cálculos pro rata dos períodos de cada estagiário, a partir dos dados constantes nos termos de compromisso, temse os valores a serem deduzidos da base de cálculo nos períodos a que se referem o presente lançamento: Tabela 2 Cálculos das bolsas de estágio Bolsas de estágio comprovadas Mês 2006 2007 abr R$ 3.135,00 R$ 1.008,33 mai R$ 3.300,00 R$ 825,00 jun R$ 2.768,33 R$ 715,00 Acerca do aviso prévio indenizado, a redação do Decreto nº 3.048, de 1999, vigente à época dos fatos geradores das contribuições sob análise, anos de 2006 e 2007, estabelecia, claramente, que não integravam o saláriodecontribuição as importâncias recebidas àquele título: Art. 214. .......................................................................................... §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: V as importâncias recebidas a título de: f) aviso prévio indenizado; A disposição regulamentar somente veio a ser revogada com o advento do Decreto nº 6.727, de 2009, ocasião em que aqueles valores passaram a compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Portanto, neste ponto assiste razão à Recorrente e os valores correspondentes devem ser excluídos da base de cálculo utilizada para a aferição indireta e calculados os reflexo no valor da multa lançada. Das provas trazidas aos autos, concluise que a base de cálculo deverá ser corrigida deduzindose os seguintes valores, a título de avisoprévio indenizado: Tabela 3 Cálculos dos avisos prévios indenizados Aviso Prévio Indenizado Mês 2006 2007 abr R$ 467,42 R$ 9.075,08 mai R$ 6.768,27 R$ 14.715,62 jun R$ 3.592,13 R$ 27.482,66 Destaquese que, mesmo que se exclua, das bases de cálculo mensais, os valores das tabelas 1 e 2, nenhum reflexo haverá sobre o valor lançado, porquanto, refazendo se os cálculos, permanece mais benéfico à Recorrente, nos períodos de abril, maio e junho de 2007, a aplicação do critério de multas adotado pela Autoridade Lançadora (cesta de multas) e que resultou no presente lançamento. No caso, a exação foi limitada ao valor de R$ 49.377,65 por mês, em razão da quantidade de segurados, e as modificações nas bases de cálculo não reduzem as multas a patamares menores do que esse teto, como facilmente se observa na tabela constante do relatório fiscal (efl. 22). Conclusões Voto no sentido de não conhecer, por ausência de prequestionamento, da matéria acerca da impossibilidade de aplicação da aferição indireta em face de divergências entre DIPJ e GFIP e da questão relativa à concomitância da multa isolada, por descumprimento Fl. 635DF CARF MF 10 de obrigação acessória, e a multa vinculada ao crédito tributário lançado. No mérito, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para que se exclua, das bases de cálculo, os valores relativos a bolsa de estágio e aviso prévio indenizado. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Fl. 636DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.906243/2012-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38.
É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999.
COMPENSAÇÃO.
Ultrapassa-se o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação.
Numero da decisão: 1301-003.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. COMPENSAÇÃO. Ultrapassase o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 62 43 /2 01 2- 22 Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, considerá la improcedente, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada. Tratase de Dcomp que visou a compensar crédito decorrente de pagamento indevido/maior de IRPJ, no período especificado. Referida compensação não foi homologada, via Despacho Decisório eletrônico, à razão de que, dadas as características do Darf discriminado naquela Dcomp, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação do débito nela declarado. Na manifestação de inconformidade, é aduzido, em síntese, que constituiu e pagou PIS e COFINS que não eram devidos, com amparo em legislação que reduziu a zero as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da execução de industrialização por encomenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal; quando percebeu o erro, já havia pago as contribuições, surgindose crédito de pagamento indevido/a maior; e, que aproveitou o crédito em Dcomp, porém olvidou a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, ratificando a decisão recorrida, vez que o contribuinte não trouxe aos autos argumentos para defender a existência do crédito pleiteado. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, acompanhado de documentos, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.306, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.906236/2012 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.306): "O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Juntada de Novos Documentos em sede de Recurso Voluntário Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram juntados quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Em que pese existir entendimento pela não admissão destes documentos com fulcro no dispositivo citado, penso que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas em sua defesa, sob pena de ferir o princípio da verdade material, princípio da formalidade moderada, entre outros, e por isso, deve estes princípios prevalecerem sobre a aplicação do dispositivo contido no 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, pois podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do direito creditório pleiteado. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 6 5 Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 7 6 independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça regra atribuindo o efeito de preclusão a respeito de prova documental, enfatizando que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, além da própria disposição contida no artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, que o julgador conheça e analise novos documentos apresentados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados pelo recorrente em sede de recurso devem ser admitidos e apreciados. Da Análise do Recurso Voluntário Inferese dos autos que a discussão se reporta a direito creditório proveniente de suposto recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, efetuado no anocalendário de 2010, via DARF, apresentado através de Dcomp. Em suas razões de recurso, discorre o contribuinte que não se trata de crédito oriundo de pagamento indevido de PIS e COFINS e sim de recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, tal como declarado em sua Dcomp. Pontua que promoveu o pagamento do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo, antes de realizar a opção pelo lucro real quando do pagamento do imposto de renda e da contribuição social, situação essa que lhe causou dúvida sobre o acerto de sua opção. Em face disso, apresentou Consulta Administrativa ao órgão competente, solucionada, nos termos a seguir transcritos: a) a entrega espontânea da DCTF onde informa que o regime de apuração é pelo lucro presumido, combinado com as informações referentes às contribuições ao Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 8 7 Pis/Pasep e a Cofins bem como seus respectivos pagamentos pelo regime cumulativo, também informados na Dacon, constituem opção pelo lucro presumido sendo tal opção definitiva para todo o ano calendário. b) Eventuais diferenças dos tributos e contribuições recolhidos no regime de lucro real, caso sejam estes (IRPJ, CSLL, Pis/Pasep e Cofins) inferiores aos valores apurados pelo lucro presumido, poderão ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, de acordo com art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02 de maio de 2007. Ou seja, entendeu a RFB, através de Solução de Consulta (documento se encontra nos autos e apresentado juntamente com o recurso voluntário) que o contribuinte fez a opção pelo lucro presumido, quando da entrega da DCTF e quando realizou os pagamentos das contribuições ao PIS e a COFINS pelo regime cumulativo, sendo esta opção definitiva para todo o anocalendário, dizendo ainda que eventuais diferenças deveriam ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da referida Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, nos termos da legislação vigente. Porém, de acordo com o contribuinte, não havia pagamento a menor e sim, pagamento a maior por ter efetuado o recolhimento erroneamente na forma de tributação pelo lucro real quando deveria ter sido apurado na forma presumida, o que lhe daria o direito de pleitear a compensação desse montante. Apresentada a Dcomp, a mesma foi indeferida, sob a alegação de que o recolhimento encontravase inteiramente alocado, não havendo saldo para compensação. O motivo para que o cotejo de dados não tenha resultado em favor do contribuinte, pelo que se vê, é que não houve a retificação dos valores informados como devidos ao fisco na declaração do imposto de renda do período. Como se sabe, descabe a retificação da declaração de rendimentos apresentada para tributação com base do lucro real, para substituíla por declaração optando pelo lucro presumido. Nada podendo apresentar a declaração retificadora porque o sistema eletrônico da Secretaria da Receita Federal não permite, devese, ao meu ver, ultrapassar esse obstáculo, permitindo ao contribuinte provar a existência do alegado direito creditório, através de documentos hábeis e idôneos, para análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso do contribuinte, para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda em razão do que decidido na Solução de Consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 9 8 processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 345DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000696/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Exercício: 2004, 2005.
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO. INÉPCIA.
Se a peça de defesa não abriga contestação às razões de decidir do ato tido como recorrido, descabe conhecê-la.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 1302-000.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário pela inexistência de litígio. Ausente momentaneamente a conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira
Junqueira.
Nome do relator: Guilherme Pollastri Gomes da Silva
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Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. INÉPCIA. Se a peça de defesa não abriga contestação às razões de decidir do ato tido como recorrido, descabe conhecêla. Recurso Voluntário Não Conhecido Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário pela inexistência de litígio. Ausente momentaneamente a conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. (assinado digitalmente) Marcos Rodrigues Mello Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues Mello. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO Processo nº 15563000696/200831 Acórdão n.º 1302000.773 S1C3T2 Fl. 2 2 Relatório O presente processo teve origem no auto de infração de fls. 103/106, que alterou a Base de Cálculo do IRPJ, reduzindo o prejuízo apurado pela interessada nos AC 2003 e 2004, respectivamente, de R$ 105.954,83 e R$ 16.383,70, para R$ 89.651,67 e R$ 80,54. Segundo a descrição dos fatos o ajuste decorreu da falta de realização mínima do lucro Inflacionário acumulado naquele período, equivalentes à 12/120 ou 10% do saldo de Lucro Inflacionário Acumulado existente constante do Demonstrativo de Lucro Inflacionário (SAPLI). O lançamento teve como enquadramento legal os artigos 249, inciso I e 419 do RIR/1999. Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou impugnação, tempestiva, juntando os documentos de fls. 118/237, afirmando que nos anos calendários de 2003 e 2004 apurou resultados negativos, tornando indevido o IRPJ uma vez que houve prejuízos fiscais naqueles anos. Junta seu Lalur ajustado com a realização do Lucro Inflacionário, protestando que a falta da realização do lucro configuraria no máximo irregularidade formal, sendo inaplicável, qualquer infração ou penalidade com base no art. 957, inciso I, do RIR/99. Encerra pedindo a extinção do crédito tributário exigido em cada período, tanto a titulo de infração, como de penalidade. A 5ª Turma da DRJ/RJ negou provimento a impugnação alegando em síntese em síntese o seguinte: que a impugnação da interessada se restringe a protestar contra a exigência de crédito tributário de IRPJ e multa de oficio no percentual de 75%, por ter a interessada em tais períodosbase apurado prejuízos fiscais, cabendo, desta forma, no máximo a retificação de tais prejuízos, no seu Lalur, reduzindo os prejuízos apurados nos mesmos valores das realizações mínimas de lucro inflacionário. que foi exatamente com fulcro no § 10 do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 77/98 que o auto de infração foi lavrado, para mera exigência de ajuste nos prejuízos apurados pela interessada nos períodosbase autuados. conclui inexistir qualquer pleito da interessada a ser apreciado, e nega provimento à impugnação e mantém o ajuste na base de cálculo do IRPJ reduzindo os prejuízos fiscais da interessada para os valores de R$ 89.651,67 e R$ 80,54, respectivamente nos anos calendário de 2004 e 2003. Intimado da decisão em 15/12/2010 a interessada apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, em 06/01/2011 alegando basicamente o seguinte: que o ajustamento efetuado na base de cálculo do IRPJ da Recorrente está assentado em premissa totalmente inconsistente, motivo por que o lançamento em questão é de todo insubsistente. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO Processo nº 15563000696/200831 Acórdão n.º 1302000.773 S1C3T2 Fl. 3 3 que a decisão ora guerreada encontrase carente da devida fundamentação, o que aliás, enseja sua nulidade. Isto porque, a autoridade fiscal não demonstrou de maneira detalhada quais foram os parâmetros adotados para se chegar a este valor e esta informação é vital para o exercício do direito de defesa da Recorrente. que nos referidos períodos a Recorrente apurou resultados negativos, de R$ 281.696,51 em 2003 e R$ 309.559,60 em 2004. dessa sorte, a ausência de realização mínima do lucro inflacionário não afeta em nada o IR que, no caso, é indevido, diante dos prejuízos acumulados nos 02 (dois) períodos fiscalizados. que por isso inexistia razão para a lavratura do discutido auto de infração, uma vez que sabido que o montante daqueles é mais do que suficiente para absorver as parcelas do lucro inflacionário sem afetar o crédito do imposto. que juntou ainda com a Impugnação cópia da retificação do LALUR relativo aos 02 (dois) períodos fiscalizados, demonstrando que mesmo com a redução não foi reduzido nem afetado qualquer imposto à pagar. pela mesma razão, inaplicável ao caso qualquer penalidade. Este é o relatório. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO Processo nº 15563000696/200831 Acórdão n.º 1302000.773 S1C3T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, razão porque dele conheço. No que diz respeito às acusações que pairam sobre o acórdão vergastado, tenhoas por totalmente despropositadas. A recorrente adjetiva o acórdão de uma decisão sem fundamentação e sem a menor legitimidade. Porém o que se vê nos autos é que em nenhum momento a turma julgadora age como mera chanceladora do lançamento fiscal, enfrenta as razões de defesa da recorrente com fundamentação pertinente, embora decida em seu desfavor. O enfrentamento das questões nas peças de defesa, denotam perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício e a decisão guerreada. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A interessada em seu recurso se restringir à protestar contra a exigência do ajuste do prejuízo em períodos posteriores em razão da não realização mínima do lucro inflacionário e da multa de oficio de 75%, por ter a interessada em tais períodos apurado prejuízo, desta forma, cabendo no máximo à retificação no seu Lalur. Ocorre que foi com fulcro no § 1º do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 77/98 que o auto de infração, objeto do presente processo foi lavrado, para exigência, não de crédito tributário, quão menos.da multa de oficio, mas sim, do ajuste nos prejuízos apurados pela interessada nos períodosbase autuados, ajustes estes que a mesma assente, conforme expressamente transcrito em seu arrazoado e cópias do seu Lalur. IN 77/98: “Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. (Redação dada pela IN SRF nº 14/00, de 14/02/2000) § 1° Quando da alteração dos dados informados nas declarações das pessoas físicas ou jurídicas e do ITR, ou na DCTF, resultar apenas a redução do imposto a compensar ou a restituir ou de prejuízo fiscal, as irregularidades serão objeto de auto de infração, sem o acréscimo de multa. “ Portanto, agiu corretamente a fiscalização procedendo, de oficio, a recomposição do saldo negativo, com a realização da parcela mínima de 10% do saldo de lucro Fl. 282DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO Processo nº 15563000696/200831 Acórdão n.º 1302000.773 S1C3T2 Fl. 5 5 inflacionário, fazendo o ajuste na base de cálculo do IRPJ reduzindo os prejuízos fiscais da interessada para os valores de R$ 89.651,67 e R$ 80,54, respectivamente nos anos calendário de 2004 e 2003. Consoante explicitado no relatório do aresto combatido, as infrações tributárias verificadas na revisão de malha fiscal, são simples. Parcela mínima do saldo do lucro inflacionário não realizada nos anoscalendários de 2003 e 2004 A Recorrente diz que apresentou documentos retificadores que cessariam a infração. Sobre o aspecto temporal da possibilidade jurídica da retificação de declarações , o Código Tributário Nacional (CTN) prevê: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Por seu turno o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, ordena: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 33, que é de adoção obrigatória e determina que “A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”. A entrega de documento retificador depois do início da ação fiscal não ilide o lançamento de ofício face à perda da espontaneidade pelo sujeito passivo. Por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso por inexistência de litígio. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 283DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO Processo nº 15563000696/200831 Acórdão n.º 1302000.773 S1C3T2 Fl. 6 6 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO
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Numero do processo: 10166.731500/2014-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
BASE DE CÁLCULO. BÔNUS PAGOS POR FORNECEDOR.
Os bônus e incentivos de vendas, concedidos pelas montadoras de automóveis aos seus concessionários, em função de vendas realizadas sob determinadas condições, caracterizam-se como receitas destes últimos e, como tais, estão sujeitos à incidências das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, devendo compor sua base de cálculo.
MULTA DE OFÍCIO APLICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO.
Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei, uma vez que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência.
PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS.
A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÃO AO PIS.
Sendo o lançamento de Contribuição ao PIS decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento de COFINS, adota-se igual orientação decisória.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 BASE DE CÁLCULO. BÔNUS PAGOS POR FORNECEDOR. Os bônus e incentivos de vendas, concedidos pelas montadoras de automóveis aos seus concessionários, em função de vendas realizadas sob determinadas condições, caracterizam-se como receitas destes últimos e, como tais, estão sujeitos à incidências das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, devendo compor sua base de cálculo. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei, uma vez que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO AO PIS. Sendo o lançamento de Contribuição ao PIS decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento de COFINS, adota-se igual orientação decisória. Recurso Voluntário Negado
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BÔNUS PAGOS POR FORNECEDOR. Os bônus e incentivos de vendas, concedidos pelas montadoras de automóveis aos seus concessionários, em função de vendas realizadas sob determinadas condições, caracterizamse como receitas destes últimos e, como tais, estão sujeitos à incidências das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, devendo compor sua base de cálculo. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei, uma vez que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO AO PIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 15 00 /2 01 4- 61 Fl. 932DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 922 2 Sendo o lançamento de Contribuição ao PIS decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento de COFINS, adotase igual orientação decisória. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 878 a 913) interposto pelo Contribuinte, em 20 de dezembro de 2016, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1057.475 (fls. 849 a 865), de 29 de setembro de 2016, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação (fls. 364 a 396), mantendo a totalidade do crédito tributário lançado. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão (fls. 850 a 857): Tratase de impugnação de lançamentos de créditos tributários lavrados através de Autos de Infração (fls. 333 a 359) contra o contribuinte em epígrafe, referentes a PIS e COFINS, nos valores de, respectivamente, R$ 223.849,50 e R$ 1.031.063,97, incluídos principal, multa de ofício e juros de mora, em decorrência de insuficiência de recolhimento desses tributos no período de 01/2011 a 12/2012. A ação fiscal teve início em 18/12/2013, por meio do Termo de Início de Fiscalização (fls. 02/04), com propósito de verificar o cumprimento das obrigações tributarias de PIS e COFINS, relativos aos anoscalendários de 2011 e2012. Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 923 3 No procedimento de fiscalização levado a efeito no contribuinte, a fiscalização verificou registros contábeis escriturados na contabilidade referentes a bônus recebidos de montadoras de veículos. Esses registros aparecem no ativo circulante, em valores a receber da fábrica, nas contas (1.1.3.1.04.002) bônus de veículos, (1.1.3.1.04.003) chave de ouro e (1.1.3.1.04.004) bônus de peças. Juntamente às contas de custo, aparecem algumas contas de bônus, como recuperação de despesas de diversas fábricas, subcontas da conta (4.1.1.3) redução de custos fábrica. Dessa conta, em 2011 e 2012, respectivamente 3.906.926,94 e 2.761.889,38 foram levados ao resultado no encerramento do exercício. O contribuinte foi intimado (fl. 10) para explicar a movimentação contábil da conta 4.1.1.3 Redução de Custos Fábrica, apresentando a seguinte justificativa: Os valores lançados no grupo de contas 4.1.1.3.01, referese ao realinhamento de preço junto a fabricante (montadora), como os veículos já saem de fábrica com um preço de venda definido, conhecido com preço público, onde todos os impostos são calculado em cima desse preço definido (por substituição tributária), e o fabricante (montadora) durante o decorrer do mês, pode alinhar estes preços para melhorar as vendas de acordo com o mercado, este alinhamento pode ocorrer variações no decorrer de meses. Onde a fabricante faz uma composição, compensando mês a mês a diferença, se existente, até abater os valores recolhidos acima do preço inicialmente definido, conforme faz prova a documentação acostada à presente por amostragem. O Termo de Verificação Fiscal assim relatou: Na relação comercial descrita, o incentivo de venda auferido pela concessionária possui natureza jurídica de receita, denominado bônus ou bonificações, pois se trata de entrada de recurso financeiro definitivo no patrimônio da pessoa jurídica, sendo irrelevante o fato de que seu pagamento visa corrigir o custo de aquisição do veículo. Além do mais, decorre, diretamente, da atividade fim da empresa (revenda de automóveis), consistindo em receita operacional. Esse bônus ou incentivo de venda não é desconto incondicional e, portanto, não pode ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse incentivo não foi dado diretamente na nota fiscal de fábrica, como desconto incondicional, mas sim como um incentivo dado após a entrada das mercadorias em estoque. Cabe lembrar que, nos termos dos artigos 1 o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, as contribuições para o financiamento do PIS e da Seguridade Social incidem sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Ademais, nos termos do art. 97 do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão de créditos tributários, o que inocorre no presente caso, já que a legislação específica atinente à matéria (Leis 9.718/98, 10.833/03 e Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 924 4 10.637/02) elenca as receitas que devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, rol taxativo este que não inclui a situação pretendida pelas empresas autoras. Especificamente sobre a matéria tratada, julgados no Tribunal Regional Federal da 4 a Região ditam que não se podem deduzir da base de cálculo do PIS/COFINS as despesas referentes às receitas de incentivos sobre venda: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. BÔNUS SOBRE VENDAS. 'HOLD BACK'. Estão previstas nas Leis 10.637/02 e 10.833/2003, no seu art. 1.°, as hipóteses de receitas que não integram a base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS, não estando incluídos em tais dispositivos legais os bônus sobre vendas e Hold Back, não se admitindo a extensão a essas verbas em razão da determinação de interpretação restritiva e literal prevista no art. 111, I, do CTN. Mantida a sentença no que considera que os incentivos sobre vendas e os hold backs são receitas que integram a base de cálculo da COFINS e da contribuição para o PIS. (TRF da 4 a Região, Apelação Cível 501484514.2012.404.7200/SC, 1 a Turma, Julgado em 23.10.2013). TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PIS E COFINS. BÔNUS SOBRE VENDAS. FATURAMENTO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. 1. Conforme já decidiu o egrégio STF, por ocasião do julgamento do RE n° 566.621/RS, para as ações ajuizadas após o término da vacatio legis da Lei Complementar n° 118/05, ou seja, após 08 062005, o prazo para repetição do indébito é quinquenal. Assim, tendo o mandamus sido ajuizado em 12092012, encontrase fulminada a pretensão da impetrante de discutir os recolhimentos efetuados antes de 12092007. 2. Os valores creditados pelos fabricantes de veículos em favor dos comerciantes varejistas a título de bônus ou incentivo de vendas constituem receita operacional, a qual integra a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS. (TRF4, APELAÇÃO CÍVEL N° 5008213 48.2012.404.7110, 2a. Turma, Des. Federal OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, POR UNANIMIDADE, JUNTADO AOS AUTOS EM 06/06/2013) Concluise, portanto, que os valores referentes aos incentivos de venda compõem a receita bruta, razão pela qual afigurase plenamente legal e legítima a incidência do PIS/COFINS sobre tais parcelas. Assim, após exame da escrituração contábil, em 2011 e 2012, das contas 4.1.1.3.01 Redução de Custos Veículos Novos GMB, 4.1.1.3.06 Redução de Custos Peças e Outros, com a devida exclusão dos estornos registrados nessas contas e sem o cômputo de ajustes de inventário e créditos de Icms, os valores a pagar do PIS/PASEP e COFINS foram objeto do presente lançamento de ofício, conforme Tabelas 1 e 2. (fls. 20/315). A ciência do lançamento foi dada, via postal, em 11/02/2015 (fls. 360/361). Na data de 12/03/2015, o sujeito passivo apresentou impugnação. Após breve relato dos fatos, em síntese, a impugnante faz as seguintes alegações: DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 925 5 Alega que a autoridade fiscal, de forma equivocada ilegal e arbitrária, considerou as bonificações recebidas pela impugnante da fabricante como receita, determinando a incidência de PIS/PASEP e COFINS sobre tais rubricas. Para melhor aclarar a matéria, a impugnante pretende explicar a origem da bonificação concedida pela montadora, afirmando que as concessionárias de veículos novos nem sempre vendem os estoques pelo valor sugerido pela montadora, conhecido como preço público, por adversidades diversas de mercado, tais como: concorrência entre uma concessionária e outra, flutuação de mercado, tempo de mercadoria em estoque etc. Que, dessa maneira, visando a não paralisação de mercadorias em estoque, a montadora concede à concessionária incentivos de venda que visam reduzir o valor do veículo para aquisição do consumidor final. Que esses incentivos, distintamente do desconto incondicional vinculado à nota fiscal, são denominados de bônus ou bonificações. Que, entretanto, ainda assim esses bônus possuem caráter de desconto, ou seja, nada mais são do que um desconto a posteriori à emissão da nota fiscal de fábrica. Que esses descontos, apesar de não serem incondicionais, são redutores do preço final. Que não se trata de recurso financeiro definitivo entrando no patrimônio da concessionária. Que os valores respectivos aos bônus, dados pela montadora em cada venda, são abatidos em uma conta corrente vinculada à montadora, em que são lançados os débitos e créditos de cada revendedor da marca. Que esses valores lançados na conta corrente não são restituídos ao concessionário, ficando depositados para serem utilizados em compra de peças, pagamento de publicidades feitas pela montadora, repasse de contribuição à ABRAC (Associação Brasileira de Concessionárias Chevrolet), entre outros lançamentos. Que os valores presentes nas contas correntes junto à montadora nunca poderão ser utilizados para compra de outros veículos, que deverão ser adquiridos pela concessionária através de pagamento monetário. Que a montadora e a concessionária mantêm esse sistema de bonificação em razão de se afigurar impossível o cancelamento da nota fiscal emitida no momento da saída do veículo dos pátios da fábrica. Que os veículos que entram no estoque da concessionária não são vendidos de imediato, sendo assim, alguns modelos, ficam mais tempo em estoque do que outros, o que não é vantajoso nem para concessionária nem para montadora, pois a mercadoria não circula no mercado. Em razão disso, a montadora bonifica determinados veículos, reduzindo o seu valor final para que a concessionária possa vendêlos em menor tempo. Após a venda do veículo pelo varejista, este tem até três dias para pagar o valor do carro à montadora, sendo levado em consideração o valor da nota fiscal emitida na saída do veículo da fábrica, ou seja, o preço público (preço cheio). Que na venda do veículo por valor aquém do habitual, a concessionária sairia prejudicada nessa operação, caso pagasse o preço público, pois não estaria obtendo lucro e, portanto, sua atividade comercial seria prejudicada. Que nesse momento, do pagamento da nota fiscal pela concessionária, a montadora abate do preço cheio do veículo o bônus concedido à venda, ou seja, recebe valor inferior ao que foi impresso na nota fiscal, porém o valor sobressalente, valor Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 926 6 respectivo ao bônus, continua sobre a detenção da montadora e então é transferido para conta corrente junto à concessionária. Que, assim, os valores recebidos pela concessionária em razão dos incentivos de venda são retidos pela montadora, gerando um crédito dentro de uma conta corrente a fim de abater/compensar valores entre o varejista e a montadora, tendo natureza jurídica de receita operacional. Cita jurisprudência dministrativa que lhe entende favorável. Afirma que, no entender da Fiscalização, para que as bonificações possam ser excluídas da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, há de serem caracterizadas como os descontos incondicionais concedidos e assim definidos na IN SRF n° 51, de 1978, isto é, atenderem a duas condições: a primeira, de que constem da nota fiscal de venda dos bens; e. a segunda, de que não dependam de evento posterior à emissão desse documento. Alega que desses entendimentos acima citados, podemse atingir as seguintes conclusões: a. Bonificações podem se caracterizar por concessões de vantagens dadas pelo vendedor ao comprador mediante diminuição do preço da coisa vendida ou entrega de quantidade maior de produtos que aquela estipulada. Ou seja, pode darse em abatimento de preço (a), em moeda enquanto "rebaixe de preço" (b), ou em mercadorias (c); b, Se a concessão da vantagem comercial do vendedor ao comprador estiver consignada no documento fiscal no próprio ato da venda, e não depender de evento futuro e incerto, estarseá diante de "desconto incondicional"; c. Se a concessão da vantagem comercial do vendedor ao comprador não estiver consignada no documento fiscal no próprio ato da venda, estarseá diante de desconto condicional"; d. Se a concessão da vantagem comercial do vendedor ao comprador, estando ou não consignado no documento fiscal no próprio ato da venda, mas depender de evento futuro ou incerto, estarse á diante de "desconto condicional". A única ressalva que a impugnante faz quanto às conclusões acima, é que se houver documento fiscal relativo apenas à bonificação, como exigem alguns Estados da Federação ou ainda por ajuste entre as partes, mas esta bonificação estiver vinculada/atrelada à uma venda específica, se poderá estar diante de um "desconto incondicional", ainda que em documentos distintos. Cita decisão do CARF nesse sentido. De todo modo, afirma que as bonificações, sejam elas veiculadas mediante abatimento de preço, em moeda com objetivo de "rebaixe de preço" ou em mercadoria, serão sempre descontos condicionais ou incondicionais. Ou seja, têm sempre natureza jurídica de desconto, e como tal deve ser tratada pelo Direito, seja Privado seja Tributário. A impugnante passa, então, a aprofundar a investigação do conceito, conteúdo e alcance do que venha a ser bonificação ou desconto, e os correspondentes tratamentos determinados pelo ordenamento pátrio, para se aquilatar os efeitos tributários que deles devam emanar. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 927 7 Cita pronunciamentos técnicos contábeis, aprovados pela Comissão de Valores Mobiliários, que lhes entende favoráveis, sobre como devem ser registradas as bonificações e os descontos comerciais por parte dos compradores. Cita também doutrina sobre o tema. A impugnante alega, baseada em tais regras contábeis, restar claro que as bonificações e descontos comerciais obtidos têm tratamento contábil de redução de custos e não podem ser reconhecidas como receita pelo vendedor, assim como não são custos pelo comprador. Cita doutrina com referência ao conceito de receita para fins tributários, concluindo a partir disse que o conteúdo e o alcance do instituto “receita”, que tipicamente é uma grandeza de natureza “econômica”, amplamente utilizada na contabilidade para organizar as demonstrações contábeis, deve ser interpretada segundo as regras que lhe são próprias, não podendo ser alteradas em sua essência para atender aos fins únicos da incidência tributária. E afirma que compete ao Direito Privado dar a definição do que venha a ser “receita” das empresas, estas quais servirão a diversos fins (societários, de crédito e também tributários). Alega que a leitura do preceito legal contido no art. 177, da Lei nº 6.404/76 permite concluir que o Direito Privado (legislação comercial ou societária), expressamente se utilizou dos “Princípios Contábeis Geralmente Aceitos” para interpretação e delineamento dos elementos das demonstrações financeiras que decorrem da “escrituração societária”. Sustenta que, na esteira dos arts. 109 e 110, do CTN, e considerando as Deliberações da CVM, as bonificações e/ou os descontos comerciais obtidos pela entidade não compõem a receita da pessoa jurídica, mas antes devem ser dela deduzidas, para fins de composição de suas demonstrações financeiras. Que, no entanto, para fins de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, as legislações que regulam as suas bases de cálculo, elegeram a “totalidade das receitas” da pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil. (Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003). Afirmam que a menção contida nos arts. 1º, das Leis no 10.637/02 e 10.833/03, que a incidência se dará sobre a receita, independentemente da “denominação ou classificação contábil” quer inibir ou coibir fraudes que pudessem ser praticadas pelos contribuintes, mas não podem permitir que haja incidência sobre uma grandeza que efetivamente não seja definida pela Lei Comercial como algo que não efetivamente “receita”. Que não se poderiam classificar como receita todos os registros contábeis lançados a crédito no resultado do exercício, como, por exemplo, as recuperações de despesa ou custo que nada mais são do que lançamentos que não representam ingresso de recursos novos para a sociedade, mas mera recomposição patrimonial. Que o importante é a análise jurídica de cada lançamento, de sorte a verificar se a mesma é ou não receita. Alega que a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF vem enfrentando o tema, e que embora seja uma questão que esteja longe de estar pacificada, cita decisão que lhe entende favorável. Afirma que, embora os precedentes citados se tratem de “bonificação em mercadorias”, o regime jurídico das bonificações e a dos descontos comerciais são rigorosamente os mesmos. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 928 8 Questiona ainda, para que não haja a menor hipótese de eventualmente se interpretar que tais “descontos obtidos” seriam receitas o que destoaria da legislação comercial, e, consequentemente, tributária, se os descontos compreenderiam, para fins tributários, as receitas financeiras, e, como tal, estariam sujeitas à alíquota zero das contribuições ao PIS e à COFINS. Cita os termos do que preceitua o art. 373 do RIR/99 e o art. 9o da Lei no 9.718/98, para assim concluir o que não só os juros, mas também os descontos são considerados como sendo “receitas financeiras”, de modo que, para aqueles que entendam que os “descontos obtidos” sejam “receitas” se deveria qualificar tais abatimentos recebidos como sendo “receitas financeiras”, e, como tal, efetivamente sujeitos à alíquota zero das contribuições, por força do Decreto n° 5.146/2004. Neste sentido, cita jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do Tribunal Regional da Primeira Região. Alega ainda que, de acordo com a Lei Complementar no 70, de 30.12.1991, que instituiu a COFINS e de acordo com a Lei Complementar no 07/70, que instituiu o PIS, as bonificações não entram no conceito de receita bruta e nem de faturamento, posto se cuidar de ingresso de mercadoria no estoque e não representar fato gerador das contribuições em análise. Que o fato gerador do PIS e da Cofins é a receita bruta da empresa, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Dessa maneira, os valores recebidos pela concessionária, ora impugnante, em caráter de incentivos concedidos pela montadora, não configuram receita auferida pelo varejista. Que o que ocorre é apenas a transferência desse valor para uso em outras finalidades, sendo um crédito para com a montadora, não podendo o valor ser sacado ou transferido pela concessionária. Que os incentivos concedidos pela montadora não geram receita à concessionária, dessa forma, não há faturamento pelo varejista, não havendo, pois, a ocorrência do fato gerador do PIS/CONFIS. Finaliza afirmando que, ausente o fato gerador da obrigação tributária, impõese o afastamento da exação questionada, razão pela qual o auto de infração deverá ser anulado, com a consequente desconstituição do respectivo crédito tributário e as multas dele decorrentes. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO A impugnante alega que merece ser afastada, ou ao menos reduzida, a multa de ofício aplicada à empresa. Que ausente o fato gerador das contribuições PIS/PASEP e COFINS, afigurandose ilegal a multa de oficio no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) do tributo a pagar. Que não se pode coadunar com a aplicação de multa cujo percentual é manifestamente excessivo e desproporcional. Cita doutrina. Que a multa não pode ter caráter confiscatório, sendo perfeitamente cabível a sua redução quando verificado seu valor excessivo como ocorre no caso ora em exame sob pena de violação ao princípio da vedação do confisco (art. 150, IV, da CF) também aplicável às infrações bem como aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Cita decisões judiciais. Fl. 939DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 929 9 Requer o afastamento da multa de oficio, em razão de seu caráter manifestamente confiscatório, ou, ao menos, a sua redução para o percentual de 20% (vinte por cento), nos termos dos precedentes jurisprudenciais colacionados. Requer, ao final, seja julgado improcedente o lançamento em todos os seus termos, desconstituindose o crédito dele originado, afastandose ou reduzindose a multa de ofício excessivamente aplicada, bem como afastandose as penalidades decorrentes dos autos de infração lavrados por alegado descumprimento de obrigação acessória, por ser da mais inteira Justiça. Por fim, em homenagem ao princípio da verdade material, requerem, desde já, a juntada posterior de documentos que comprovem os fatos ora alegados. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão e declarado improcedente o Auto de Infração, afastando a multa aplicada ou, se isso não for possível, fixala no seu patamar mínimo. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1057.475, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 BASE DE CÁLCULO. BÔNUS PAGOS POR FORNECEDOR. Os bônus e incentivos de vendas, concedidos pelas montadoras de automóveis aos seus concessionários, em função de vendas realizadas sob determinadas condições, caracterizamse como receitas destes últimos e, como tais, estão sujeitos à incidências das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, devendo compor sua base de cálculo. COFINS. RECEITA. CONCEITO. O conceito de receita, tanto no direito privado, como no direito público, é o de totalidade dos recebimentos, não importando a que título foram contabilizados, estando a universalidade deste conceito confirmada em legislação própria, fundamento para a determinação da base de cálculo da contribuição. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 930 10 Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei, uma vez que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO AO PIS. Sendo o lançamento de Contribuição ao PIS decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento de COFINS, adotase igual orientação decisória. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu Recurso Voluntário o Contribuinte repisa os argumentos já expostos quando da Impugnação. Reforça que as bonificações ou incentivos de vendas recebidas dos fabricantes de automóveis não podem integrar a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, visto que esses valores não configurariam receita, afastandose assim a multa de ofício de 75%, ou subsidiariamente, que a multa seja reduzida a 20%, pois, no seu entender, a multa de ofício nesse percentual tem caráter confiscatório e violaria os princípios da vedação de confisco, razoabilidade e da proporcionalidade. Requer ainda que, em nome da verdade material, seja possibilitado a juntada de documentos após a apresentação da Impugnação. Por sua vez a autoridade fazendária entende que essas bonificações ou incentivos de vendas recebidas dos fabricantes de automóveis não são descontos incondicionais, portanto, integrariam a base de cálculo das contribuições, sendo que a aplicação da multa de ofício está prevista na legislação e que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. Entende ainda que a prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação precluindo o direito de fazêlo em momento processual posterior. Para enfrentar a questão principal acerca se essas bonificações ou incentivos incluemse ou não na base de cálculo das contribuições, se são descontos condicionais ou incondicionais, se faz necessário por primeiro verificar a legislação pertinente à matéria. Neste sentido a Lei n° 9.718 de 27 de novembro de 1998 estabelece: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 941DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 931 11 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014). (grifouse). Já a Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002 estabelece em relação a cobrança nãocumulativa do PIS/PASEP no que tange às receitas e os descontos incondicionados: Art. 1o A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 2o A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § 1o. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; (grifou se). Por sua vez a Lei n° 10.833 de dezembro de 2003 trata da cobrança não cumulativa da COFINS nestes termos sobre receita e descontos incondicionados: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 2o A base de cálculo da Cofins é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § 1o. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) Fl. 942DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 932 12 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; (grifouse). Por segundo há que se entender que as discussões acerca da base de cálculo do PIS e COFINS nãocumulativo envolve necessariamente o conceito de receitas, pois da leitura da legislação percebese claramente que a base de cálculo é o total das receitas auferidas pelo Contribuinte de direito. É um acordo semântico bastante controvertido em relação ao que se entende por receita, mas como denominador comum, a receita pode ser considerada uma entrada ou ingresso efetivo e que passa a pertencer ao sujeito da atividade econômica no sentido de uma variação positiva do seu patrimônio. Com o advento da Lei nº 11.638/2007, o Brasil passou a adotar como padrão normativo contábil as normas internacionais conhecidas como International Financial Reporting Standarts – IFRS que estabeleceu uma nova norma global para receita de aplicação obrigatória para as sociedades anônimas de empresas de grande porte. Assim “Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários”1 A questão é de se saber se os descontos ou incentivos obtidos dos fabricantes de automóveis implicam ou não em um ingresso efetivo e variação positiva de seu patrimônio, e, neste contexto, se os descontos podem ou não ser considerados “descontos incondicionais concedidos” e, portanto, que estes valores integrem ou não a base de cálculo do PIS e COFINS. Se for considerado que esses descontos são incondicionais poderá o Contribuinte subtrair esses valores da base de cálculo, caso contrário, no entendimento que não são incondicionais, integrarão esses valores a base de cálculo. A Instrução Normativa n° 51, de 3 de novembro de 1978, disciplinando os procedimentos para apuração da receita de vendas e serviços para tributação das pessoas jurídicas estabeleceu o seguinte em relação aos descontos incondicionados: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) (...), (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) (...) 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. (grifouse). Entendese que para que se possa caracterizar que essas bonificações são descontos incondicionais é necessário que se atenda as duas condições. A primeira é que constem da nota fiscal de venda dos bens, e, a segunda, que não dependam de evento posterior à emissão da nota fiscal. O próprio Contribuinte admite que (fls. 883): 1Disponível em: http://www.cpc.org.br/CPC/DocumentosEmitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=61. Acesso: 22/01/2016. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 933 13 Esses incentivos, distintamente do desconto incondicional vinculado à nota fiscal, são denominados de bônus ou bonificações. Entretanto, ainda assim, esses bônus possuem carácter de desconto, ou seja, nada mais são do que um desconto a posteriori a emissão da nota fiscal de fábrica. Como os descontos incondicionais são redutores do preço das mercadorias e se realizam no momento da emissão da nota fiscal (e não em momento posterior), qualquer desconto concedido pelos fornecedores de bens após a realização da operação de compra e venda significa uma despesa para o fornecedor e uma receita para o adquirente, sendo assim não podem ser consideradas no conceito de descontos incondicionais. Percebese que no caso em exame do PIS e da COFINS não cumulativos a base de cálculo é o valor da receita de venda do bem constante na nota fiscal feita pelo fornecedor do bem e adquirida pelo Contribuinte (de direito). Sobre o valor deste bem constante na nota fiscal, o Contribuinte adquirente apura os créditos do PIS e da COFINS não cumulativos, assim o contribuinte adquirente se credita do PIS e da COFINS suportado a montante, por ele considerado, “descontos incondicionais”. Assim, em síntese: se os descontos objeto da autuação fossem de fato considerados descontos incondicionais, a mesma não se creditaria visto que sobre esses descontos não incidiria o PIS e a COFINS. Portanto, como nesses descontos não incidiu essas contribuições e o Contribuinte adquirente se creditou não há que se falar que esses descontos são incondicionais. Com isso, os descontos que não deveriam integrar a receita passível de incidência do PIS e da COFINS não cumulativos, inclusive e de acordo com o conceito posto por IFRS, devem compor a receita pelo fato de que esses descontos foram objeto de creditamento por parte do Contribuinte. Com esse creditamento temse de forma contundente que é receita, pois ocorreu o ingresso de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias do Contribuinte de direito que resultaram no aumento do seu patrimônio líquido. Para reforçar os argumentos, cito trechos do voto ora recorrido que colaboram para as razões de decidir (fls. 861 e 862) (...) Como se vê, a bonificação, desde que vinculada a uma operação de venda e registrada na respectiva nota fiscal, corresponde a um desconto incondicional fornecido pelo vendedor ao comprador. No entanto, não é essa a situação trazida à colação nesse processo. Os chamados bônus são, na verdade, valores pagos pela montadora à concessionária, em virtude do atingimento de certas metas de vendas, definidas previamente pela fabricante dos veículos, de acordo com sua política comercial. Os documentos constantes nos autos (fls. 21/316) comprovam que todos esses “bônus” consistem, na realidade, de valores repassados às concessionárias, em razão do atingimento de metas de comercialização de certos tipos e modelos, em período determinado de tempo. Por conseguinte, tais valores não se traduzem como redução de custos, mas, na verdade, são estímulos dados pelas montadoras para que as concessionárias efetuem vendas aos consumidores finais, de forma mais rápida. Além disso, não cabe falar em redução de custos, ou mesmo descontos, porquanto a concessão dos citados bônus ocorre em momento posterior à operação de venda entre concessionária e montadora. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 934 14 Em resumo, tais abatimentos não se confundem com descontos incondicionais, pois estes são concedidos no momento da venda e constam dos documentos fiscais. Salientese que, na sistemática nãocumulativa, as compras, notas fiscais, servem de base para a apuração de créditos a serem descontados do valor da contribuição apurado com base na receita bruta. (...) Diante disso, no presente caso, as bonificações ou incentivos obtidos pelo Contribuinte juntos aos fabricantes de automóveis, devem ser considerados receitas, e, portanto, integrar a base de cálculo para a incidência do PIS e COFINS. Visto que não são descontos incondicionais de acordo com a legislação vigente. Sendo assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Requer também o Contribuinte que se afaste a multa de ofício de 75%, ou subsidiariamente, que a multa seja reduzida a 20%, pois, no seu entender, a multa de ofício nesse percentual tem caráter confiscatório e violaria os princípios da vedação de confisco, razoabilidade e da proporcionalidade (fls. 910). O lançamento da multa de ofício se deu de acordo com o previsto na legislação, no caso a Lei nº 9.430/1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007), que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Acerca deste ponto já se manifestou o Acórdão ora recorrido da DRJ/POA no seguinte trecho que cito como razões para decidir (fls. 862 e 863): A multa de lançamento de ofício, que tem caráter punitivo e não meramente moratório, aplicada sobre o valor das contribuições cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto, não se podendo, no âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios puramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. Observado o caráter vinculado da atividade fiscal, considerações sobre a gradação da penalidade não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei. Nesse sentido, quaisquer pedidos ou alegações que ultrapassem a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes somente podem ser reconhecidos pela via competente: o Poder Judiciário. Esclareça se, também, que os princípios constitucionais têm por destinatário o legislador ordinário, que os deve considerar quando da elaboração das disposições normativas, e não o mero aplicador da lei, que a ela deve obediência. Nesse sentido, a multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada em função da infração cometida, não estando amparada pelo inciso XXII do art. 5º e inciso IV do art. 150 da CF, que ao tratar das limitações ao poder de tributar, proibiram o legislador de utilizar tributo com efeito confiscatório. Desse modo, em se tratando de lançamento de oficio, deve ser mantida a multa de igual natureza, de 75%, que tem previsão expressa e especifica na legislação tributária, não podendo o julgador administrativo vinculado à lei vigente e às normas regulamentares, deixar de aplicála sob alegação de ofensa a quaisquer princípios jurídicos (vedação constitucional ao confisco, razoabilidade, etc) Fl. 945DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 935 15 Assim sendo, voto por negar provimento no tocante ao afastamento da multa ou a sua redução, mantendo a multa de ofício. Requer por fim, em nome da verdade material, seja possibilitado a juntada de documentos que comprovem o alegado após a apresentação da Impugnação. A legislação que regula a juntada de material comprobatório esta definida no Decreto nº 70.235 de 1972, e estabelece que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Impugnação e caso não seja o direito acaba precluso. Há exceções a esta regra, mas nenhuma delas se enquadra nos fatos ocorridos neste processo. Cabe transcrever abaixo os artigos do Decreto nº 70.235/1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifouse). No entender da maioria dos Conselheiros da presente Turma existe a possibilidade, de forma excepcional, de juntada de documentos probatórios, inclusive, na fase da interposição do Recurso Voluntário, desde que se demonstre de forma contundente algum motivo relacionado a legislação acima citada. No presente processo não se verifica motivação suficiente, portanto, voto por negar provimento no presente ponto. Portanto, de acordo com a legislação aplicável ao caso e os autos do processo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte, mantendo o entendimento da decisão ora recorrida. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 946DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 936 16 Fl. 947DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.954025/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Cuida o presente processo de Pedido de Compensação referente a Pagamento Indevido ou a Maior de Cofins, solicitado através do PER/DCOMP. 2. O Interessado foi cientificado, através de Despacho Decisório de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 54 02 5/ 20 09 -0 9 Fl. 435DF CARF MF Processo nº 15374.954025/200909 Resolução nº 3401001.455 S3C4T1 Fl. 3 2 3. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde afirma que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo. A nova sistemática havia sido adotada pois os contratos geradores da receita operacional da empresa foram firmados antes de outubro de 2003. Feita a opção pela "cumulatividade" a empresa apurou créditos, pois ao examinar sua documentação contábil e fiscal constatou recolhimentos efetuados a maior que o devido. 4. Alega que efetuou pagamento a maior, mas que deixou de fazer, em data oportuna, a devida retificação da DCTF, o que resultou na emissão do Despacho Decisório em discussão negando o crédito. Posteriormente, no entanto, efetuou a retificação dessa DCTF, alterando, entre outros, o valor devido. Esse procedimento originou um crédito solicitado, que corresponde ao pagamento efetuado a maior que a contribuição efetivamente devida. 5. Nenhuma demonstrativo/documentação contábil foi anexada à Manifestação de Inconformidade. 6. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, entendendo que a DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. 7. Em sua decisão, afirma que no presente caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Apenas informa que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo, sem contudo apresentar nenhum documento contábil ou fiscal que comprove as suas afirmações. 8. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual esclarece ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. 9. Esclarece ainda que, muito embora seja obrigatoriamente contribuinte da COFINS nãocumulativa, uma vez que recolhe o imposto de renda com base no lucro real, na ocasião da compensação todas as suas receitas, que eram decorrentes do contrato de concessão de transmissão de energia elétrica, eram tributadas no regime cumulativo previsto na Lei n° 9.718/98, por força do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003. 10. Informa que, muito embora o regime cumulativo fosse a regra aplicável à tributação das suas receitas, por um longo tempo (até novembro de 2005), dúvidas existiam acerca do que exatamente contemplaria a expressão "preço predeterminado", uma das condições estabelecida no citado artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, principalmente por conta do art. 2º da Instrução Normativa n° 468, de 08/11/2004, que regulamentava a questão. 11. Frente à insegurança jurídica estabelecida pela norma executiva RFB, a Recorrente se viu compelida a apurar e recolher a COFINS nãocumulativa, calculada sobre Fl. 436DF CARF MF Processo nº 15374.954025/200909 Resolução nº 3401001.455 S3C4T1 Fl. 4 3 suas receitas negociais, por um longo tempo (de 2004 até 2006). No entanto, após a edição da Lei n° 11.196/2005, foi instituído que, para efeitos do disposto nas alíneas b e c, do inciso XI, do art. 10, da Lei n° 10.833/2003, o mero reajuste de preços não descaracteriza a condição de predeterminação do preço. 12. Afirma que a RFB, em 06/07/2006, publicou a Instrução Normativa SRF n° 658/2006, a qual manteve o entendimento de "preço predeterminado", conforme a regra estabelecida no artigo 109, da Lei n° 11.196/2005. Tal ato normativo retroagiu os seus efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004, conforme dispõe o seu inciso I, do artigo 7º. Vale dizer, para os contratos que atendem todas as condições insertas nas alineas "b" e "c", do inciso XI, do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, o regime de apuração da COFINS seria o cumulativo. 13. Portanto, somente depois de restabelecida a segurança jurídica, assegurada pela Lei n° 11.196/2005 e pela Instrução Normativa SRF n° 658/2006, foi que a Recorrente recompôs a base imponível da COFINS, calculada com base no regime cumulativo. 14. Apresentou documentação que alega confirmar seu pleito. 15. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.440, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 15374.948190/200913, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.440): "A questão de fato conforme relatado, tem repercussão na dupla forma de apuração, declaração e recolhimento das Contribuições Sociais PIS/PASEP e COFINS, para o período em referência. A regra geral para a Recorrente é a do regime não cumulativo, porém, possuía contratos sujeitos ao regime cumulativo por força da Lei 9.718/98 e art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Essa realidade demonstrada pela interessada com a juntada de contratos para os quais a incidência das contribuições se daria no regime cumulativo, não deixou dúvida para o fisco. Dessa forma, a revisão dos valores apurados e declarados fora do regime não apropriado, passou a ser imprescindível, devendo ser corrigido de acordo com o permissivo legal. E foi isso que a Contribuinte fez, retificou a DCTF e o DACON, anexandoos nos autos. O DACON Retificador fez constar em suas fichas de apuração das contribuições, que a totalidade de sua receita para o período de referência se submetia à incidência cumulativa, portanto, passou a ser “zero” o valor para o regime não cumulativo. Juntou, também, no processo, planilha demonstrando as diferenças apuradas das Fl. 437DF CARF MF Processo nº 15374.954025/200909 Resolução nº 3401001.455 S3C4T1 Fl. 5 4 contribuições para o PIS e a COFINS, com impacto no mês de dezembro de 2005, mês de referencia do crédito indicado no PER/DCOMP. Por outro lado, a decisão de piso firmou entendimento na ausência de provas, que o contribuinte não provou o erro em suas declarações, que só a mudança no critério de apuração das contribuições não seria suficiente, necessitaria da juntada de documentos contábeis e fiscais como prova de suas afirmações. Diante dessa posição externada pela DRJ a Recorrente juntou contratos e esclareceu ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. O ponto central da controversa fisco/contribuinte está no fato de ter sido transmitida DACON e DCTF Retificadora em data posterior ao de ciência do Despacho Decisório, o que teria acarretado a perda da espontaneidade. Dessa forma, só a apresentação de DCTF retificadora não seria mais suficiente para atestar a liquidez e certeza do crédito, necessitava o interessado trazer elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF originalmente transmitida. Entendo que a documentação carreada aos autos demonstra ser suficiente para comprovar o cometimento de erro na informação do valor devido de COFINS para o mês de dezembro/2005, saneado através da transmissão de declarações retificadoras do DACON e DCTF. Dessa forma, não cabe ao CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação. Assim estabelecem os artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Fl. 438DF CARF MF Processo nº 15374.954025/200909 Resolução nº 3401001.455 S3C4T1 Fl. 6 5 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 15374.954025/200909 Resolução nº 3401001.455 S3C4T1 Fl. 7 6 Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, voto em converter o julgamento em diligência para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 440DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.002239/2007-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório de fls 1744/1750, que indeferiu pedido de restituição formulado à fl 2 e, por conseguinte, não homologou as compensações declaradas nos PER/DCOMPs nº 08386.30620.281008.1.3.044849 e 35381.07171.220409.1.3.040160. 2. O direito creditório pleiteado, no montante de R$ 98.040,12, referese à alegada não incidência do PIS/Pasep retido no período de fevereiro de 2004 a dezembro RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 02 23 9/ 20 07 -2 5 Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 10380.002239/200725 Resolução nº 3301000.792 S3C3T1 Fl. 2.062 2 de 2006 sobre as receitas de exportação de serviços de praticagem prestados pelo requerente a transportador estrangeiro ou a representante deste no Brasil, cujo pagamento representou ingresso de divisas para o País (art. 6° da Lei no 10.833, de 2003, com redação da Lei n° 10.865, de 2004). 3. O despacho decisório não reconheceu a existência do alegado indébito, à luz dos fundamentos sintetizados nos seguintes excertos: 9. [Dos textos legais], depreendese que o reconhecimento da não incidência da Contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins, em quaisquer de suas formas de apuração (cumulativa ou não cumulativa), imprescinde da existência de contrato de prestação de serviços com pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, da comprovação da efetiva prestação desses serviços e do pagamento mediante ingresso de divisas no País. 10. No caso em tela, portanto, há de se verificar se a situação fática do contribuinte atende aos requisitos impostos pela legislação aplicável. 11. Tal questionamento, suscitado pelo próprio contribuinte no processo de consulta de n° 10380.014028/200735, assim foi esclarecido pela Divisão de Tributação desta Região Fiscal — SRRF/3ªRF/Disit, nos termos do Despacho Decisório n° 18, de 12/06/2008 (fls. 1695/1702): 18. Assim, não tendo a consulente suscitado dúvida quanto aos requisitos necessários para que a operação de prestação de serviços enquadrase na hipótese de não incidência das contribuições, definida de forma literal nos atos legais, e restando clara sua pretensão de ampliar o citado beneficio invocando uma interpretação sistemática e teleológica de norma que, por disposição legal, deve ser interpretada literalmente, considerase ineficaz a consulta formulada. 19. Cumpre observar que nas operações de prestação de serviços em que figurarem como contratantes a consulente e o transportador estrangeiro, participando o representante no Brasil do transportador estrangeiro na condição de mero mandatário, de posse de instrumento de procuração que atenda aos preceitos legais, persiste incólume a relação jurídica entre a interessada e o transportador estrangeiro, caracterizando, desde que comprovada a efetiva prestação de serviços, o primeiro requisito para a fruição do aludido beneficio fiscal. 20. Registrese, ainda, que as únicas formas de comprovação do ingresso de divisas aceitas, para fins de aproveitamento do beneficio da não incidência previsto no art. 5º, inciso II, da Lei n° 10.637, de 2002, e no art. 6°, inciso II, da Lei n° 10.833, de 2003, são as relacionadas no item 5 da Seção 2, do RMCCI. Não se considera válida qualquer outra forma de pagamento recebido por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, em razão de serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, que não se enquadre entre as hipóteses listadas na referida norma do Banco Central do Brasil. (...) 19. Da análise dos documentos de fls. 02/1694 constatase que a requerente, de fato, tem por objeto social a prestação dos Serviços de Praticagem no Estado do Ceará — conforme Contrato Social (fl. 11). Os comprovantes de retenção de CSLL, Cofins e Pis/Pasep (fls. 21/48) e as notas fiscais apresentadas (fls. 49/1694) caracterizam a prestação dos serviços profissionais de praticagem pela interessada, pessoa jurídica de direito privado, a empresas nacionais (identificadas como sacadas nas notas fiscais) Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 10380.002239/200725 Resolução nº 3301000.792 S3C3T1 Fl. 2.063 3 que, por sua vez, efetuaram, em nome próprio, a retenção de tais contribuições em atendimento ao disposto no art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, (...) 20. Ainda acerca das referidas notas fiscais, não há quaisquer evidências de que as empresas nacionais (sacadas) estivessem contratando os serviços prestados pelo requerente em nome de tomadores estrangeiros. Tampouco há nos autos comprovação de que os pagamentos por estes serviços tenham origem em divisas oriundas do exterior, internadas no País sob o controle do BACEN. 4. Cientificado do Despacho Decisório em 26.10.2009 (fl 1751), o requerente apresentou Manifestação de Inconformidade em 23.11.2009 (fls 1752/1764), solicitando a restituição do PIS/Pasep retido, bem como a homologação das compensações declaradas. Para tanto, aduz as seguintes razões: Os serviços contratados pelos armadores estrangeiros são intermediados pelos representantes no Brasil. Todavia, essa intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços (armador), por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, uma vez que toda atividade por ela exercida é desenvolvida exclusivamente e favor de empresa não domiciliada no País. Estando, portanto, atendida condição legal imposta. Vale ressaltar que, embora os pagamentos sejam feitos pelos representantes dos armadores, são esses últimos que arcam com os encargos, enviando, previamente ao Brasil divisas suficientes para sua quitação. Os representantes em questão atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis brasileiras, que prescrevem a utilização desse elo para a remessa dos fretes contratados. Assim, quando o pagamento é efetuado pela empresa estrangeira, por meio de seus agentes ou representantes no país ou mediante dedução das receitas auferidas pelos armadores estrangeiros no país, reputase ocorrido o ingresso de divisas. Assim, o nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. Embora realizados pelos representantes, tais pagamentos são suportados pelos armadores, que, como exige a legislação brasileira, remetem previamente ao País divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios pelos Portos nacionais. (...) Por todo o exposto acima, restou exaustivamente demonstrado que a existência de terceira pessoa na relação negocial entre pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e prestadora de serviços nacional não afeta a relação jurídica exigível para fins de reconhecimento da nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, respectivamente, desde que a terceira pessoa aja em condições de mero mandatário, ou seja, por conta do mandante, no caso o armador estrangeiro). 5. Juntou, com a inconformidade, cópia de contratos firmados entre a requerente e o Centro Nacional de Navegação Transatlântica CNNT (associação que representa as empresas de navegação no Brasil para o desenvolvimento do setor marítimo e o comércio exterior brasileiro), a fim de comprovar a prestação de serviços para armadores estrangeiros (fls 1766/1880). 6. É o relatório." Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 10380.002239/200725 Resolução nº 3301000.792 S3C3T1 Fl. 2.064 4 A DRJ em Fortaleza (CE) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0825.240, de 11 de abril de 2013, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006 DIREITO CREDITÓRIO. RECEITAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DO INGRESSO DE DIVISAS. PROVA. A imunidade das contribuições do PIS/Pasep e da Cofins, prevista no art. 5º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 6º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços pressupõe o atendimento de dois requisitos: os serviços devem ser prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e o correspondente pagamento deve representar efetivo ingresso de divisas. A falha na comprovação do cumprimento de qualquer um desses requisitos afasta a liquidez e certeza do direito de crédito e impede a homologação de compensação que dele tenha se aproveitado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que apresenta, em síntese, as seguintes alegações: i) As notas fiscais de serviços, emitidas contra os agentes de navegação, representantes dos armadores, com indicação do nome oficial da embarcação, são suficientes para comprovar que o serviço foi prestado para pessoa jurídica domiciliada no exterior e, por conseguinte, que goza da não incidência do PIS e da COFINS. Carreou documentos comprobatórios. ii) A fiscalização fez as seguintes exigências, para fins de comprovação: a) contrato direto com o armador ou procuração do agente, outorgada pelo armador; b) comprovante de pagamento, de acordo com o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais. Contudo, não são impostas por lei, além de destoar da realidade do comércio marítimo. iii) Colaciona sentença do STJ, transitada em julgado, reconhecendo que o negócio em tela (serviço de praticagem) goza da não incidência das contribuições, posto que é prestado para pessoa jurídica não residente e, ainda que indiretamente, há ingresso de divisas. Após a interposição do recurso, a recorrente trouxe ao conhecimento deste relator, por intermédio de memorial, que o STJ proferiu sentença em seu favor, já transitada em julgado, declarando que teria comprovado nos autos que presta serviço de praticagem para pessoas domiciliadas no exterior e recebe pagamento caracterizado como ingresso de divisas, enquadrandose, portanto, nas regras de não incidência do PIS e da COFINS. É o relatório. Voto Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 10380.002239/200725 Resolução nº 3301000.792 S3C3T1 Fl. 2.065 5 Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recuso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento de Pedido de Restituição (PER) de PIS do período de fevereiro de 2004 a dezembro de 2006 e consequente não homologação das vinculadas Declarações de Compensação (DCOMP). A recorrente pleiteou créditos do PIS concernentes a valores retidos de receitas de serviços de praticagem prestados para pessoas não residentes no País, com ingresso de divisas. Esta receita não estaria sujeita à incidência da PIS, de acordo com o art. 6° da Lei n° 10.637/02, a saber: "Art. 6º. A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)" Os PER foram indeferidos, em suma, por falta de comprovação do direito creditório. No curso da fiscalização, a recorrente proveu a fiscalização de notas fiscais de serviços, alterações contratuais, PER, DCOMP, entre outros, porém não determinadas informações requeridas por meio do "Termo de Intimação Fiscal n° 806/2009" (fl. 1.716): "(. . .) 1. Cópias autenticadas do Contrato Social e das Alterações Contratuais posteriores registrados na junta comercial do Estado do Ceará; 2. Demonstrativo do crédito pleiteado nos aludidos Pedidos de Restituição (planilha), com firma reconhecida do contribuinte ou de seu representante legal, relacionando: o n° da nota fiscal do serviço prestado, a data de emissão da nota fiscal, o valor do serviço, o valor da retenção da Contribuição para o Pis/Pasep, o valor da retenção da Cofins, a empresa nacional intermediária do serviço (nome empresarial e CNPJ do agente marítimo), o armador estrangeiro contratante do serviço (nome empresarial e domicilio no exterior), a data da efetiva prestação do serviço discriminado na nota fiscal, o local da prestação desse serviço (ex: Porto do Mucuripe, Porto do Pecém), o nome, a bandeira e a origem da embarcação. Esta planilha também deverá ser fornecida em meio eletrônico (CD ou DVD); 3. Cópias autenticadas dos contratos de prestação dos serviços de praticagem (e seus anexos, se existentes) firmados entre o requerente e os armadores estrangeiros ou entre o requerente e as empresas nacionais (agentes marítimos) na condição de representantes (mandatárias) dos armadores estrangeiros; e 4. Cópias das procurações de representação emitidas pelos armadores estrangeiros As empresas nacionais mandatárias (agentes marítimos), intermediárias na contratação dos serviços de praticagem prestados pelo contribuinte. (. . .)" (g.n.) Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 10380.002239/200725 Resolução nº 3301000.792 S3C3T1 Fl. 2.066 6 Tal fato acarretou o indeferimento do PER e não homologação das DCOMP, a saber (trecho da "Informação Fiscal", fls. 1.729 a 1.734): (. . .)" 19. Da análise dos documentos de fls. 02/1690 constatase que a requerente, de fato, tem por objeto social a prestação dos Serviços de Praticagem no Estado do Ceará — conforme Contrato Social (fl. 10). Os comprovantes de retenção de CSLL, Cofins e Pis/Pasep (fls. 21/48) e as notas fiscais apresentadas (fls. 49/1690) caracterizam a prestação dos serviços profissionais de praticagem pela interessada, pessoa jurídica de direito privado, a empresas nacionais (identificadas como sacadas nas notas fiscais) que, por sua vez, efetuaram, em nome próprio, a retenção de tais contribuições em atendimento ao disposto no art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, a saber: (. . .) 20. Ainda acerca das referidas notas fiscais, não há quaisquer evidências de que as empresas nacionais (sacadas) estivessem contratando os serviços prestados pelo requerente em nome de tomadores estrangeiros. Tampouco há nos autos comprovação de que os pagamentos por estes serviços tenham origem em divisas oriundas do exterior, internadas no Pais sob o controle do BACEN. 21. Ante a fundamentação exposta, não atendidas as condições necessárias ao reconhecimento do beneficio fiscal pretendido, PROPONHO: 21.1. O indeferimento do Pedido de Restituição de fl. 01, no valor de R$ 98.040,12 (noventa e oito mil e quarenta reais e doze centavos); e, consequentemente 21.2. A nãohomologação das DCOMP's de n° (. . .), bem como de outras DCOMP's que porventura venham a ser transmitidas, vinculadas ao crédito tratado no presente processo, ora indeferido. (. . .)" (g.n.) Verificase que o indeferimento do crédito deuse em razão de a recorrente não ter apresentado evidência documental de que os serviços foram contratados por armadores estrangeiros e o pagamento representou ingresso de divisas. O posicionamento foi ratificado pela DRJ. Não obstante, importante destacar que restou incontroverso que o serviço de praticagem prestado para pessoa não residente no País, ainda que sendo contratado por intermédio de agente de navegação, configura exportação de serviço, para fins de não incidência do PIS e da COFINS. Para confirmar esta afirmação, reproduzo trecho do voto condutor da decisão da DRJ (fl. 1.898): "(. . .) 13. Nestes termos, como já antes se disse, não merece aqui discordância a afirmação do manifestante de que uma operação de prestação de serviços envolvendo um prestador residente e domiciliado no país e um tomador residente e domiciliado no exterior (transportador internacional), perca a condição de “operação de exportação”, pelo simples e mero fato de ter sido formalizada por meio de um representante da pessoa jurídica estrangeira residente e domiciliado no país. Com efeito, tal entendimento já está expresso em vários atos administrativos da Receita Federal. 14. O litígio se instala mesmo é no terreno das provas. Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 10380.002239/200725 Resolução nº 3301000.792 S3C3T1 Fl. 2.067 7 (. . . )" (g.n.)(g.a.) Em síntese, a recorrente alega que: i) As notas fiscais de serviços carreadas aos autos, emitidas contra os agentes de navegação, representantes dos armadores, com indicação do nome oficial da embarcação, são suficientes para comprovar que o serviço foi prestado para pessoa jurídica domiciliada no exterior e, por conseguinte, que goza da não incidência do PIS e da COFINS. ii) As exigências de a) contrato direto com o armador ou procuração do agente, outorgada pelo armador e b) comprovante de pagamento, de acordo com o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais não são impostas por lei, além de destoar da realidade do comércio marítimo. iii) Colaciona precedente do STJ, reconhecendo que o negócio em tela (serviço de praticagem) goza da não incidência das contribuições, posto que é prestado para pessoa jurídica não residente e, ainda que indiretamente, há ingresso de divisas. Adicionalmente, a recorrente encaminhou memorial, por meio do qual noticiou FATO NOVO, ocorrido após a interposição do recurso voluntário: nos autos do processo n° 080178578.2013.4.05.8100, foi proferida sentença em seu favor, já transitada em julgado, reconhecendo que a receita derivada da aludida operação goza da não incidência do PIS e da COFINS, a partir de comprovação carreada aos autos deste processo. Com efeito, não reproduzo trechos da decisão, pois não foi possível acessar informações sobre o processo, no sítio virtual do TRF da 5° Região. Conclui a recorrente, requerendo que este colegiado aplique a decisão judicial e dê provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório. Diante do acima exposto, reputo que devemos converter este julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a carrear aos autos cópia integral do citado processo judicial, mediante as quais i) certificarnosemos de que não há concomitância entre o presente processo administrativo e o processo judicial e ii) verificaremos qual comprovação foi apresentada e considerada pelo Poder Judiciário como suficiente para que a operação em tela enquadrase no dispositivo legal que dispõe sobre não incidência do PIS. Após a juntada das cópias do processo, que seja dada ciência à PGFN. Em seguida, os autos devem retornar para o CARF, para conclusão do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2067DF CARF MF
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