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Numero do processo: 10675.000678/2003-64
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
CREDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 4º do art. 39 da Lei n° 9.250/1995 determina a aplicação da taxa SEL1C somente
sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou
compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.090
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: MARIA CRISTINA ROZADA COSTA
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' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10675.000678/2003-64 Recurso n° 141.048 Voluntário Acórdão n° 2101-00.090 — V Câmara! l g Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2009 Matéria IPI CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente PRODUTOS ERLAN LTDA Recorrida DRJ em Juiz de Fora - MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CREDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 40 do art. 39 da Lei n° 9.250/1995 determina a aplicação da taxa SEL1C somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da P câmara / P turma ordinária da segunda seção de julgame . o, i ir unanimidade de votos, em ne . .r provimento ao recurso. .-- íe 0. 4." Ai - • 'O MARCOS CÂNQI 0 O P esidente C ARIA CRISTINA ROZ5. DIA OS Aii Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. 1 • • Processo e 10675.000678/2003-64 S2-CITI Acórdão n.• 2101-00.090 A. 218 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3' Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora, MG. Por bem descrever os fatos e por economia processual reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida: "Em julgamento o pedido de ressarcimento de fl. 01, relativo ao 4" trimestre de 2001, no valor total de RS ri, fundado nos termos da Lei n" 9.363/96 e da Portaria MF n" 38/97 (crédito presumido). Nesse total, está embutida uma parcela referente à atualização pela taxa SEL1C, tendo em vista que o crédito foi extemporaneamente apurado pela empresa. No processo 10675.001101/2003-70, em apenso, encontra-se a compensação vinculada ao pleito de ressarcimento. (*excluído]. Os resultados da verificação da legitimidade dos créditos solicitados em ressarcimento estão consolidados na informação fiscal de fls. 122/126. A autoridade fiscal, a partir dos livros, documentos fiscais e informações obtidas junto à empresa, procedeu à apuração do crédito presumido, estando o resultado consolidado no demonstrativo de fls.124/125. O indeferimento parcial do pedido compreende; a) um montante relativo à atualização pela taxa Selic que a empresa fez incidir sobre o valor original do beneficio (apurado extemporaneamente - fl. 49); b) um montante relativo a diferenças na apuração efetuada pelo auditor (em valores originais), sendo as principais delas decorrentes dos cálculos da receita de exportação e do custo de produção (os valores apurados pela fiscalização são inferiores aos computados pela empresa). Por intermédio do despacho decisório de fls. 132/134 a autoridade competente da DRF/Uberlândia ratificou o procedimento da fiscalização, indeferindo parcialmente o ressarcimento pleiteado e não homologando a compensação declarada no montante que excedeu ao crédito então reconhecido. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 141/149, por intermédio da qual insurge-se tão-somente, contra o indeferimento proveniente da glosa da 'atualização' pela taxa Selic. Solicita, de forma bastante sucinta: "(..) requer a ora Reclamante seja a presente Reclamação conhecida e, ao final, integralmente provida, para efeitos de restar reconhecida a impropriedade e ilegalidade da glosa efetuada pela Autoridade Tributária sob o vetusto fundamento de que não seria devida a 'atualização monetária ou acréscimo de juros compensatórios sobre o crédito presumido, haja vista a inexistência de previsão legal', eis que como o ressarcimento é C/A 2 Processo n°10675.000678/2003 .44 S2-CITI Acórdão o.' 2101-00.090 Fl. 219 uma espécie do gênero restituição, C..), nele incide sim a Taxa Selic prevista no artigo 39, $ 4°, da Lei n"9.250/95 (...)". Apreciando as razões de inconformidade apresentadas, a Turma Julgadora proferiu decisão escorçada na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO EXTEMPORÂNEA. TAXA SELIC Não existe previsão legal a autorizar a incidência da taxa Selic sobre valor original de crédito presumido apurado extemporaneamente." Cientificada da decisão em 08/06/2007 a empresa apresentou em 10/07/2007 recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes com as mesmas razões de dissentir postas na manifestação de inconformidade, agregando decisões dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos quais está expresso entendimento no sentido de reconhecer o direito à atualização pela taxa selic, mesmo nos casos de requerimento extemporâneo. Requer a reforma da decisão e a manutenção da integralidade do ressarcimento pretendido com atualização dos créditos desde a época de sua constituição (fato gerador), ou, eventualmente, desde a data do protocolo. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições legais, necessárias à sua admissibilidade e conhecimento. A matéria da lide é, exclusivamente, a atualização pela taxa Selic que a empresa fez incidir sobre o valor original do beneficio, que foi apurado com extemporaneidade. O período de apuração está compreendido entre outubro e dezembro de 2001 e foi protocolado em 13/03/2003. Não cabem reparos à decisão recorrida. Seus fundamentos se mantêm por -eles mesmos, no sentido de que a apuração do beneficio muito tempo depois do permitido pela norma se deu por absoluta decisão da recorrente, sem que para isso contribuísse o Fisco. E que as decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, quando reconhecem o direito à atualização do crédito presumido de IPI, o faz a partir da data do protocolo do pedido e não desde as aquisições dos insumos. Acresça-se, quanto a essa matéria, que também entendo incabível a atualização pelos índices estabelecidos para a taxa Selic, do valor a ser ressarcido, por absoluta ausência de previsão legal. O § 4° do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa Cit" 3 Processo n° 10675.000678/2003-64 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.090 Fl. 220 SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal. A improcedência do pedido de atualizar os valores a partir da data em que poderiam ter sido escriturados é flagrante. A recorrente pretende transferir para o Tesouro Nacional a mora no exercício de seu direito de requerer os ressarcimentos. A decisão recorrida esclarece bem quanto às decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, no sentido de que a atualização, quando admitida, é a partir da data do pedido e não a partir da data da aquisição que deu direito ao pedido de ressarcimento. As decisões trazidas pela recorrente não formam a jurisprudência dominante que é no sentido de não reconhecer a atualização monetária de beneficios fiscais em geral. Em que pese o ressarcimento seja direito da recorrente estabelecido em lei, o mesmo não ocorre com a atualização do valor a ressarcir pela taxa Selic ou qualquer outro índice. O princípio da indisponibilidade da coisa pública toma imperativa a existência de previsão legal para transferência da coisa pública para o domínio privado. Antes do advento do citado art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95 a incidência da atualização monetária dos valores a restituir, segundo o parágrafo único do art. 167 do Código Tributário Nacional, só ocorria "a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva" que determinasse a sua restituição, sendo, inclusive, este o teor do Enunciado n° 188 da Súmula da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Fez-se necessário a edição da referida norma legal para que os indébitos tivessem o mesmo tratamento econômico dado aos tributos recolhidos com atraso. E o texto legal é restritivo pois não alcança todo e qualquer valor a ser entregue ao particular pelo Tesouro Nacional. A atualização monetária está limitada somente à restituição de tributo recolhido a maior ou indevidamente, nos termos do artigo 165 do CTN, ou seja, ao indébito. O direito legal ao ressarcimento do beneficio fiscal está estabelecido na Lei n° 9.363/96, porém a referida norma restringe o quantum a ressarcir dos tributos calculados de forma presumida, delimitando a base de cálculo. E não entendo como afronta ao princípio da moralidade administrativa ou da isonomia o fato de não ressarcir o beneficio fiscal com incidência da taxa Selic. Trata-se, meramente, de ausência de previsão legal. Atribuir taxa Selic ao ressarcimento do crédito presumido do IPI corresponde '- a legislar positivamente uma vez que a referida taxa, consoante decisões dos tribunais superiores, possui natureza híbrida — juros de mora e correção monetária —, e também o fato de a correção monetária ter sido extinta pela Lei n° 9.249/95, por seu art. 36, II. O fato de a legislação tributária prever a incidência da taxa Selic sobre os créditos tributários recolhidos indevidamente não autoriza a analogia com o ressarcimento do crédito presumido do IPI. A primeira situação tem permissão legal — parágrafo único do art. 4 .- - Processo n° 10675.000678/2003-64 S2-C1T1 • Acerdào n.° 2101-00.090 Fl. 221 .. 161 do CTN conjugado com art. 61, § 30 da Lei n°9.430/96. Para a segunda inexiste previsão t'' ou permissão legal. O próprio Supremo Tribunal Federal decidiu pela incompetência para assim proceder, menos ainda poderá fazê-lo o julgador administrativo. Com essas considerações voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2009. aí4À- ez4±4--- Ã 1 ARIA CRISTINA RO4DI STA 5 Page 1 _0052000.PDF Page 1 _0052100.PDF Page 1 _0052200.PDF Page 1 _0052300.PDF Page 1
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Numero do processo: 13558.721484/2016-45
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 72 14 84 /2 01 6- 45 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13558.721484/201645 Acórdão n.º 2002000.775 S2C0T2 Fl. 136 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 68/73) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2014 (efls. 58/64), onde se apurou: Dedução Indevida de Despesas Médicas de R$ 32.373,68. A contribuinte apresentou Impugnação (efls. 02/11), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 107): Cientificado do lançamento em 02/09/2016 (fls. 74), o contribuinte apresentou em 03/10/2016 a impugnação de fls. 02/11, acompanhada dos documentos de fls. 12/55, discorrendo sobre as causas que implicaram acompanhamentos psicológico e fisioterápicos de si próprio e de seu dependente e anexando os recibos médicos exigidos pela legislação, argumentando não haver base legal para a exigência da comprovação do efetivo desembolso ou do serviço prestado. Ressalta que junta declarações dos prestadores de serviços confirmando o recebimento dos valores em litígio. Com relação à despesa com a Cassi alega ser relativa a plano de saúde, portanto dedutível. A Impugnação foi julgada improcedente pela 6ª Turma da DRJ/JFA (efls. 106/111). Cientificada do acórdão de primeira instância em 28/12/2017 (efls. 113), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 24/01/2018 (efls. 114/123) com os argumentos a seguir sintetizados. Expõe que a turma julgadora de piso entendeu que cabe a Administração Pública fiscalizadora arguir inidoneidade de documentos, ferindo o princípio da boafé, bem como extrapolando o que a lei determina para a administração pública, que deve se limitar puramente aos contornos da lei. Alega que não há dispositivo legal que permita que a autoridade tributária não acate simples recibos como provas suficientes para evidenciar as efetivas realizações de tais gastos. Assevera que a afirmação constante da decisão recorrida de que aquela turma de julgamento considera saques compatíveis com as despesas aqueles realizados em até três dias anteriores às datas dos recibos fere o princípio da legalidade. Entende que a exigência de prova do pagamento além dos recibos apresentados não encontra amparo na lei. Insurgese contra a interpretação equivocada dos artigos 368, 219 e 221 do Código Civil constante do acórdão recorrido. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13558.721484/201645 Acórdão n.º 2002000.775 S2C0T2 Fl. 137 3 Concorda com a glosa da despesa com a Cassi. Voto O Recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio a ser analisado recai somente sobre a Dedução Indevida de Despesas Médicas referente aos profissionais Alberto Bezerra, Leonardo Rodrigues e Paula Macedo. Extraise da Notificação de Lançamento que a glosa das referidas despesas foi efetuada por não ter a contribuinte, devidamente intimada, comprovado o efetivo pagamento das despesas e a efetiva prestação dos serviços (efls. 70/71). Importa transcrever o seguinte excerto da descrição dos fatos elaborada pelo auditor: Quanto ao pagamento das despesas médicas declaradas, a contribuinte reúne uma explicação complexa. Relaciona os extratos bancários do ano inteiro, não faz a devida correlação entre as datas dos recibos de pagamento e as datas do saques, transferências e compensação de cheques, além de confundir transferências credoras com devedoras nos seus argumentos, alegando pagamento de despesas onde tem entrada de numerário em sua conta bancária. Adicionase a isso o fato de que, ao relacionar pagamentos com transferências bancárias e cheques, devese, respectivamente, exibir comprovante com o nome e conta do beneficiário e apresentar cópia microfilmada do cheque, com a indicação nominal do seu favorecido. Entretanto, nada disso foi apresentado. Ainda, há uma desproporcionalidade patente entre os rendimentos declarados da contribuinte e seus gastos médicos, o que, por si só, justifica a evidenciação dos desembolsos. Em relação à efetividade da prestação dos serviços, a contribuinte não apresentou qualquer prova, a exemplo de laudos de exames, relatórios médicos, documentação relativa ao tratamento, dentre outros. Observase que a contribuinte teve durante anos seguidos gastos com psicólogos e fisioterapeutas, o que justificaria a existência de documentos atinentes aos problemas médicos enfrentados. Sobre o assunto, cumpre esclarecer, inicialmente, que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13558.721484/201645 Acórdão n.º 2002000.775 S2C0T2 Fl. 138 4 As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13558.721484/201645 Acórdão n.º 2002000.775 S2C0T2 Fl. 139 5 uma forma em detrimento de outra. Não obstante, ao optar por pagamento em dinheiro, o contribuinte abre mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a sua comprovação. No caso concreto verificase que, apesar da extensa motivação apresentada pela autoridade lançadora para a exigência da comprovação do efetivo pagamento das despesas, o contribuinte não juntou à Impugnação ou ao Recurso Voluntário nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência de datas e valores entre saques, transferências ou cheques compensados em sua conta corrente e os recibos por ele acostados. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 139DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.720066/2012-22
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento parcial para afastar a glosa da despesas médicas com Tatiana Costa Cyrino no valor de R$8.500,00 e com Leandro Mostaro Marcelino no importe de R$8.000,00. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento parcial para afastar a glosa da despesas médicas com Tatiana Costa Cyrino no valor de R$8.500,00 e com Leandro Mostaro Marcelino no importe de R$8.000,00. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e redatora designada (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 00 66 /2 01 2- 22 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10166.720066/201222 Acórdão n.º 2002000.721 S2C0T2 Fl. 92 2 Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 40 a 45), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 7.246,11, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 39 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: O sujeito passivo teve ciência do lançamento em 20/12/11, conforme documento de fl. 55 e, em 04/01/12, apresentou impugnação acostada às fls.0309, em que alega, resumidamente, o que se segue: que apresentou todos os recibos à fiscalização com os requisitos legais (nome, CPF/CNPJ e endereço); que foi intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas; que apresentou uma manifestação de inconformidade para alegar que os recibos apresentam todas as informações necessárias e que são dotados de boafé objetiva; que o decurso de tempo da data das despesas médicas e a data da intimação, ou seja, quatro anos, torna irrazoável a solicitação da fiscalização; que a dificuldade agravase pelo fato de que nos anos de 2007 e 2008 ter tido como ganhos, em sua maioria, pagamentos provenientes de participação nos lucros na administração de empresas da qual é sócio, a CIC – Construção com sede em Brasília e JPL Construções, com sede em Juiz de Fora, local onde foram realizadas as despesas médicas e onde mantém imóvel residencial; que exigir a comprovação do efetivo pagamento feito há tanto tempo ofende o princípio da razoabilidade; Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10166.720066/201222 Acórdão n.º 2002000.721 S2C0T2 Fl. 93 3 que o inciso III, do § 1º do art. 80 do RIR/99 e o “Perguntas e Respostas” – IRPF 2007 asseveram que a comprovação das despesas médicas é realizada por meio de documento que conste o nome, endereço e CPF/CNPJ de quem os recebeu; Traz à colação jurisprudência administrativa a seu favor. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 15/12/2014, no acórdão 0365.349 às efls. 59 a 65, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 77 a 86, alegando, em síntese, que todos os recibos colacionados aos autos em sede de impugnação são totalmente hábeis a comprovar as despesas médicas, reiterando as razões apresentadas em sede de impugnação. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que a contribuinte foi intimada do teor do acórdão da DRJ em 20/02/2015, efls. 74, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 16/03/2015, efls. 77, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: · Afinidade Consultoria R$8.511,92; · Mylliano de Carvalho Salomão R$9.100,00; · Tatiana Costa Cyrino R$8.500,00; · Leandro Mostaro Marcelino R$8.000,00; Primeiramente, para fins de delimitação da lide, o contribuinte não apresenta impugnação quanto a glosa da despesa com o Afinidade Consultoria, conforme decisão da DRJ: Inicialmente, cumpre observar que não foi objeto de contestação a infração relativa a despesas médicas (Afinidade Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10166.720066/201222 Acórdão n.º 2002000.721 S2C0T2 Fl. 94 4 Consultoria e Benefícios Ltda). Tal infração será considerada matéria não impugnada nos termos do art. 58 do Decreto 7.574, de 2011. A DRJ manteve a autuação sob fundamento de que o contribuinte não colacionou aos autos prova do efetivo pagamento das despesas médicas, como se vê: Desta feita, caberia a contribuinte trazer aos autos a comprovação da efetividade dos pagamentos das despesas médicas através das cópias de cheques ou extratos bancários que atestassem a coincidência das datas e valores com as despesas supostamente incorridas, conforme já mencionado na Notificação de Lançamento. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10166.720066/201222 Acórdão n.º 2002000.721 S2C0T2 Fl. 95 5 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10166.720066/201222 Acórdão n.º 2002000.721 S2C0T2 Fl. 96 6 O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10166.720066/201222 Acórdão n.º 2002000.721 S2C0T2 Fl. 97 7 documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10166.720066/201222 Acórdão n.º 2002000.721 S2C0T2 Fl. 98 8 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Às efls. 13 a 19 há os recibos emitidos pelo profissional Mylliano de Carvalho Salomão. Contudo, tais recibos não preenchem todos os requisitos legais, vide que não possuem o carimbo do profissional . Já às efls. 20 e 21 há recibos dos profissionais Tatiana Costa Cyrino e Leandro Mostaro Marcelino, respectivamente nos valores de R$8.500,00 e R$8.000,00 e que cumprem os requisitos elencados na legislação. Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento, afastando a glosa da despesas médicas com Tatiana Costa Cyrino no valor de R$8.500,00 e com Leandro Mostaro Marcelino no importe de R$8.000,00. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Voto Vencedor Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Divirjo do i. relator quanto à possibilidade de restabelecimento das despesas médicas somente à vista dos recibos e declarações emitidas pelo profissional, visto que foi exigida da recorrente a comprovação quanto ao efetivo pagamento da despesa médica glosada. Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10166.720066/201222 Acórdão n.º 2002000.721 S2C0T2 Fl. 99 9 número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10166.720066/201222 Acórdão n.º 2002000.721 S2C0T2 Fl. 100 10 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Portanto, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. Na verdade, é não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. A legislação tributária reproduzida outorga essa competência ao agente fiscal. Negar tal permissão significa avançar indevidamente sobre a condução da ação fiscalizadora estatal, restringindo o dever legal de investigação dos fatos, devidamente autorizado pela norma regulamentar. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Cabe ressaltar que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter menos informações que o recibo, é aceito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado, visto que o uso de deduções em sua declaração de ajuste reduz a base de cálculo do IR. Assim, descabido seu pleito nesses autos para investigação da profissional, visto que discutese aqui a utilização da dedução pela recorrente e o ônus da prova é seu. Esclareçase que a exigência da comprovação da efetividade do pagamento não conflita com a presunção de boafé da contribuinte, porquanto não se cogita, naquele Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10166.720066/201222 Acórdão n.º 2002000.721 S2C0T2 Fl. 101 11 momento, da existência de máfé na conduta do fiscalizado, mediante a prática de atos de falsidade, que levaria à aplicação de penalidade majorada. Por fim, quanto ao momento da intimação, esclareçase que, enquanto não decaído o direito de o Fisco efetuar o lançamento, os contribuintes devem manter em boa guarda todos os documentos que respaldam as informações constantes de sua declaração de ajuste anual. Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso, sendo de se manter as glosas das despesas médicas em litígio. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.723692/2016-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do Auto de Infraçãoacórd, configura renúncia às instâncias administrativas no tocante à mesma matéria.
Numero da decisão: 3301-005.726
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso, em razão da concomitância e na parte conhecida negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do Auto de Infraçãoacórd, configura renúncia às instâncias administrativas no tocante à mesma matéria. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso, em razão da concomitância e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 36 92 /2 01 6- 40 Fl. 3337DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.338 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão no. 1544.231 4ª Turma da DRJ/SDR (fls. 3061/3090): A Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC opõe às folhas 3011/3020 embargos ao Acórdão DRJ/SDR nº 1543.211, de 25 de agosto de 2017, sob o argumento de ser necessária a correção de inexatidão material, visto inexistir identidade entre a matéria discutida nas vias judicial e administrativa, tal como entendimento adotado no Acórdão objeto dos embargos. Incabível, assim, a renúncia à esfera administrativa, devendose apreciar integralmente a impugnação apresentada. Por clareza, transcrevese a seguir o relatório do voto que integra o Acórdão DRJ/SDR nº 1543.211, de 25 de agosto de 2017: 1. Cuida o presente processo da lavratura de Auto de Infração contra o Interessado em epígrafe, tendo sido constituído crédito tributário relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI no valor de R$ 21.395.189,77, referente ao Período de Apuração de 01/01/2013 a 31/12/2013. 2. Acostado aos autos encontrase o Relatório Fiscal, parte integrante e indissociável do referido Auto de Infração. Nele, registrou a Autoridade Tributária os fatos apurados, bem como as irregularidades encontradas, no exercício de sua competência legal, conferida pelo disposto na alínea “a” do inciso I do art. 6º da Lei n.º 10.593/2002. Eis o que consta, em síntese, no Termo de Verificação Fiscal: 2. DESCRIÇÃO DOS FATOS VERIFICADOS E DAS INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA FEDERAL APURADAS PELA FISCALIZAÇÃO (...) 2.2 FATOS VERIFICADOS PELA FISCALIZAÇÃO RELACIONADOS AO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAL E ACESSÓRIAS DO IPI 2.2.1 Ações Judiciais Ordinárias (Procedimento Comum) IPI Justiça Federal em SC 2.2.2 Entrada de Produto Tributável no Estabelecimento Equiparado à Industrial 2.2.3 Saída de Produto Tributável do Estabelecimento Equiparado à Industrial Fl. 3338DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.339 3 2.2.4 Escrituração Fiscal do IPI (RAIPI) Apuração e Recolhimento do Imposto 2.2.5 DCTF Declaração dos Débitos do IPI com Exigibilidade Suspensa INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA FEDERAL APURADAS PELA FISCALIZAÇÃO Saída de Produto de Estabelecimento Equiparado à Industrial Lastreado em Nota Fiscal Eletrônica de Saída Sem o Lançamento do IPI com Exigibilidade Suspensa Valores (Créditos por Entradas x Débitos por Saídas) Referentes à Apuração do IPI com Exigibilidade Suspensa Não Registrados no Livro de Registro de Apuração do IPI (RAIPI) Falta de Declaração do IPI Com Exigibilidade Suspensa Correspondente aos Saldos Devedores Apurados pela FISCALIZAÇÃO através da Reconstituição da Escrita Fiscal Falta de Recolhimento do IPI Correspondente aos Saldos Devedores Apurados pela FISCALIZAÇÃO através da Reconstituição da Escrita Fiscal 2.2.1 Ações Judiciais Ordinárias (Procedimento Comum) IPI Justiça Federal em SC Processo nº: 500889330.2012.4.04.7208 Justiça Federal em Itajaí (SC) Autor: KW FITNESS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA Processo nº: 500021229.2011.4.04.7201 Justiça Federal em Joinville (SC) Autores: AC COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA E ASCENSUS COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA Nos exames e verificações fiscais realizados ao amparo da AÇÃO FISCAL, a FISCALIZAÇÃO verificou que os fatos relacionados ao descumprimento das obrigações tributárias principal e acessórias estabelecidas na legislação do IPI, por parte da FISCALIZADA, resultaram dos efeitos provocados por duas ações judiciais ordinárias: uma proposta pela própria FISCALIZADA, através do seu Estabelecimento Matriz, e, a outra, pelas empresas AC COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA e ASCENSUS COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA. Por esta razão, a FISCALIZAÇÃO entendeu ser necessário tecer alguns comentários relacionados aos fatos verificados, a respeito da controvérsia jurídica sobre a tributação do IPI por estabelecimentos equiparados a industrial, incidente nas saídas de produtos importados, em etapa (operação) posterior e subsequente ao desembaraço aduaneiro de produtos oriundos do Fl. 3339DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.340 4 Exterior, importados por conta e ordem de terceiros ou sob encomenda, através de empresa (pessoa jurídica) importadora. No dia 06/07/2011, a então empresa AC COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA e a empresa ASCENSUS COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA, propuseram na Justiça Federal em Joinville (SC), Ação Ordinária com pedido antecipado de tutela (DOC.018), objetivando "um provimento jurisdicional que declarasse o direito de recolherem o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI exclusivamente na ocasião do desembaraço aduaneiro, afastando a aplicação do artigo 46, II, do CTN e do art. 9º, I, do Decreto n. 7.212/2010 (...)". (...) Portanto, as empresas AC COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA E ASCENSUS COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA, adquiriram em juízo e de forma definitiva, o direito de não recolherem o IPI incidente sobre a saída de seus estabelecimentos, de produtos industrializados importados para comercialização por conta própria, por encomenda, ou, por conta e ordem de terceiros. No dia 28/09/2012, a FISCALIZADA através de seu Estabelecimento Matriz, propôs na Justiça Federal em Itajaí (SC), Ação Ordinária com pedido antecipado de tutela (DOC.019), objetivando "afastar a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) por ocasião da revenda de produtos importados no mercado interno". (...) Desse modo, fundamentada em entendimento do Tribunal a respeito da impossibilidade de conhecer "qualquer irresignação que tenha por objeto matéria já pacificada em recurso julgado pelo procedimento previsto (...) ou afetada para julgamento segundo esse rito deve ser devolvida aos tribunais locais", a Ministra Relatora entendeu que não seria possível ter conhecido do Recurso Especial interposto pela FISCALIZADA e do Agravo Regimental interposto pela União Federal, e assim decidiu novamente: "(...) Ante o exposto, torno sem efeito a decisão de fls. 249/253e, julgo prejudicado o presente Agravo Regimental e determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a devida baixa nesta Corte, para que após a publicação do acórdão a ser proferido nos Embargos de Divergência 1.403.532/SC, o presente Recurso Especial tenha o seguimento negado, caso o acórdão recorrido esteja em conformidade com a orientação firmada pelo STJ, ou para que ele seja provido, conforme o caso, se o acórdão recorrido divergir do entendimento nesta Corte Superior de Justiça (...)". Portanto, a FISCALIZADA perdeu direito que havia lhe sido conferido através da tutela antecipada obtida judicialmente em Fl. 3340DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.341 5 1º grau de jurisdição, de não recolher o IPI incidente sobre a saída de seus estabelecimentos, de produtos industrializados de procedência estrangeira, adquiridos através de operações de importação por encomenda ou por sua conta e ordem, realizadas por intermédio de empresas (pessoas jurídicas) importadoras. Ressaltase que as empresas AC COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA E ASCENSUS COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA estavam equiparadas a estabelecimento industrial, na condição de estabelecimento importador de produtos de procedência estrangeira que dão saída destes mesmos produtos (RIPI/2010, Art. 9º, inciso I), ao passo que a FISCALIZADA estava equiparada a estabelecimento industrial, na condição de estabelecimento atacadista que adquire produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de empresas (pessoas jurídicas) importadoras (RIPI/2010, Art. 9º, inciso IX). (...) 2.2.2 Entradas de Produto Tributável no Estabelecimento Equiparado a Industrial Valores do IPI Não Lançados/Destacados nas Notas Fiscais Eletrônicas de Entradas Valores do IPI Não Registrados no Livro de Registro de Entradas do ICMS Nos exames fiscais realizados nas Notas Fiscais Eletrônicas (NFE) de emissão própria e de emissão de terceiro (NFe de Saída utilizada como NFe de Entrada) que foram registradas pela FISCALIZADA no seu Livro de Registro de Entradas do ICMS do ano de 2013 (DOC.007), a FISCALIZAÇÃO verificou que a emissão e o registro de tais documentos, tratouse de entradas de produtos de origem estrangeira, decorrentes de operações de aquisição de produtos para revenda, de operações de transferências de seu Estabelecimento Matriz, e operações de devoluções de vendas, conforme operações demonstradas detalhadamente no RF ANEXO 004, e seus valores estão totalizados por mês e período de apuração na tabela abaixo, pelos seus respectivos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP). (...) A FISCALIZAÇÃO verificou que tanto nas NFE de emissão própria como nas de terceiro, no campo próprio destinado ao destaque do IPI, não foram lançados/destacados quaisquer valores do imposto devido, como também, que todas as operações de aquisição de produtos para a revenda, foram realizadas com a empresa AC COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA, CNPJ nº 07.635.245/000134, cuja denominação e razão social foram alteradas, posteriormente, para ASCENSUS TRANDING & LOGÍSTICA LTDA. Fl. 3341DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.342 6 (...) As Notas Fiscais Eletrônicas de Saídas (NFE de Saída) requisitadas ao Sistema SPED e examinadas pela FISCALIZAÇÃO, referentes às operações de importação por encomenda e por conta e ordem de terceiros realizadas pela empresa ASCENSUS TRANDING & LOGÍSTICA LTDA para a FISCALIZADA, estão demonstradas detalhadamente no RF ANEXO 002, e seus valores estão totalizados por mês e período de apuração na tabela abaixo, pelos seus respectivos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP). (...) A FISCALIZAÇÃO verificou que nestas NFE de Saída, a empresa ASCENSUS TRANDING & LOGÍSTICA LTDA não destacou no campo próprio, o valor do IPI que incidiria sobre as operações de saídas do seu estabelecimento dos produtos industrializados de procedência estrangeira, que importou por encomenda e por conta e ordem da FISCALIZADA. Todavia, no Quadro Dados Adicionais, Campo Informações Complementares, destacou, dentre outras, as seguintes informações: "(...) NÃO DESTACADO IPI COM BASE NA AÇÃO 5000212.29.2011.404.7201 COM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO JUNTO A JUSTIÇA FEDERAL SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE JOINVILLE EM SANTA CATARINA (...)." (...) A FISCALIZAÇÃO verificou ainda, que algumas das NFE tiveram seus respectivos valores registrados com diferenças no Livro de Registro de Entradas do ICMS do ano de 2013 (DOC. 007), conforme demonstrado na tabela abaixo. Para fins de apuração dos créditos do IPI que a FISCALIZADA tinha direito, a FISCALIZAÇÃO utilizouse dos valores constantes das NFE de Saída. (...) 2.2.3 Saídas de Produto Tributável no Estabelecimento Equiparado a Industrial Valores do IPI Não Lançados/Destacados nas Notas Fiscais Eletrônicas de Saídas Valores do IPI Não Registrados no Livro de Registro de Saídas do ICMS Nos exames fiscais realizados nas Notas Fiscais Eletrônicas de Saída (NFE de Saída) que foram registradas pela FISCALIZADA no seu Livro de Registro de Saídas do ICMS do ano de 2013 (DOC.008), a FISCALIZAÇÃO verificou que a emissão e o registro de tais documentos, tratouse de saídas de produtos de origem estrangeira, decorrentes de operações revenda, de operações de transferências para seu Estabelecimento Matriz, e Fl. 3342DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.343 7 operações de remessa de bonificações ou brindes, conforme operações demonstradas detalhadamente no RF ANEXO 005, cujos valores estão totalizados por mês e período de apuração na tabela abaixo, pelos seus respectivos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP). (...) A FISCALIZAÇÃO verificou que em todas as NFE de Saída, no campo próprio destinado ao destaque do IPI, não foram lançados/destacados quaisquer valores do imposto devido, como também, no Quadro Dados Adicionais, Campo Informações Complementares, não foram feitas quaisquer referência a suspensão do imposto devido em decorrência dos efeitos da tutela antecipada, obtida via judicial conforme já descrito detalhadamente neste RF SUBITEM 2.2.1. A falta de lançamento/destaque do IPI devido nas NFE de Saída, emitidas nas operações de saída de produtos industrializados do estabelecimento equiparado a industrial, como é o caso da FISCALIZADA, se constituiu em não cumprimento de obrigação tributária acessória relacionada diretamente ao cumprimento da obrigação tributária principal, prevista no RIPI/2010, Art. 182, inciso I, letra "c", inciso II, letra "c"; Art. 429; Art. 569 caput e § 8º. Isto porque, à época dos fatos verificados, a FISCALIZADA estava amparada pelos efeitos da tutela antecipada obtida junto à Justiça Federal (RF SUBITEM 2.2.1), somente no sentido de "determinar a ré que se abstenha de cobrar o IPI nas operações de comercialização de produtos importados realizadas pela autora, nos moldes do artigo 46, II, do CTN", ou seja, de não estaria obrigada ao recolhimento do IPI incidente sobre as referidas operações de saídas; quanto ao descumprimento das obrigações tributárias acessórias decorrentes da obrigação principal, a referida ordem judicial não se pronunciou sobre a dispensa da exigência. O Código Tributário Nacional (CTN), cujos artigos pertinentes aos fatos verificados foram a seguir transcritos, é taxativo quanto à obrigatoriedade por parte dos contribuintes em cumprirem com suas obrigações tributárias acessórias decorrentes da obrigação principal, que tenha sua exigibilidade sido suspensa pela concessão de medida liminar ou tutela antecipada obtidas judicialmente em ações judiciais de procedimento ordinário ou comum. (...) Art.151. Suspende a exigibilidade do crédito tributário: V a concessão de medida liminar ou tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da Fl. 3343DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.344 8 obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela consequentes. (...) 2.2.4 Escrituração Fiscal do IPI Apuração e Recolhimento do Imposto Falta de Escrituração e de Apuração dos Saldos Devedores/Credores do IPI Falta de Recolhimento dos Saldos Devedores do IPI Apurados pela FISCALIZAÇÃO através da Reconstituição da Escrita Fiscal Falta de Escrituração do Livro de Registro de Inventário Nos exames e verificações fiscais realizados no Livro de Registro de Apuração do IPI RAIPI do ano de 2013 (DOC.006), a FISCALIZAÇÃO verificou que a FISCALIZADA registrou apenas o valor de R$ 310.799,66, correspondente ao "VALOR DO SALDO CREDOR DO IPI DE PERÍODO ANTERIOR", tendo mantido este mesmo valor registrado por todos os períodos de apuração mensais compreendidos no anocalendário de 2013. Os demais valores que deveriam ter sido registrados no Livro RAIPI para fins de apuração do "VALOR DEVEDOR DE IPI A RECOLHER" foram todos registrados com seus "valores zerados", conforme demonstrado detalhadamente no RF ANEXO 006 e na tabela abaixo. (...) Assim, com base no valor do Saldo Credor Inicial de IPI registrado no RAIPI/2013, nos valores e nas informações constantes das NFE registradas no LRE/ICMS/2013, das NFE de Saídas registradas no LRS/ICMS/2013, e das Declarações DI, a FISCALIZAÇÃO procedeu à reconstituição da Escrituração Fiscal do IPI da FISCALIZADA, relativa aos períodos de apuração compreendidos no anocalendário de 2013, mediante um levantamento detalhado dos valores dos débitos, dos créditos e dos saldos devedores do IPI a recolher em cada período de apuração. De acordo com o disposto no RIPI/2010, os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditarse, dentre outros valores, do valor do IPI pago no desembaraço aduaneiro (Art. 226, Inciso V) e do valor do IPI dos produtos tributados saídos do estabelecimento e recebidos em devolução (Art. 229). A primeira questão enfrentada pela FISCALIZAÇÃO na aplicação da legislação tributária federal, cuja interpretação resultou favorável à FISCALIZADA (CTN, Art. 112, Inciso II) em razão das circunstâncias materiais que envolveram os fatos verificados, relacionados ao descumprimento das obrigações tributárias do IPI, foi no sentido de que o direito ao crédito do Fl. 3344DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.345 9 valor do IPI pago no desembaraço aduaneiro é conferido ao importador (RIPI/2010, Art.9º, Inciso II; Art. 226, Inciso V), e não ao adquirente dos produtos industrializados importados por sua encomenda ou por sua conta e ordem, o qual, tem o direito a creditarse do valor do IPI destacado na Nota Fiscal de Saída emitida pelo importador contratado (RIPI/2010, Art. 9º, Inciso IX; Art. 226, Inciso VIII). (...) Considerando o exposto, restou claro para a FISCALIZAÇÃO que a empresa ASCENSUS TRADING & LOGÍSTICA LTDA não aproveitou (ou não poderia ter aproveitado) como crédito de IPI a compensar ou a restituir, os valores referentes ao IPI pago no desembaraço aduaneiro das operações de importações por encomenda e por conta e ordem que realizou para a FISCALIZADA. Considerando, ainda, que foi a FISCALIZADA quem arcou de fato com o ônus tributário não somente do IPI, mas dos demais tributos e contribuições sociais incidentes e cobrados naquelas operações, a FISCALIZAÇÃO entendeu que caberia à FISCALIZADA o direito de creditarse na sua Escrituração Fiscal do IPI RAIPI do ano de 2013, dos valores do IPI pagos no desembaraço aduaneiro, conforme operações e valores demonstrados detalhadamente no RF ANEXO 004. Quanto às operações de devolução dos produtos industrializados de procedência estrangeira, que foram revendidos pela FISCALIZADA durante os períodos de apuração compreendidos no anocalendário de 2013 e em anoscalendário anteriores, a FISCALIZAÇÃO procedeu ao levantamento das NFE de Saídas (DOC.037) emitidas pela FISCALIZADA, referentes às operações de revendas que deram origem às operações de devoluções. (...) Quanto aos valores dos débitos de IPI referentes as saídas de produtos industrializados do estabelecimento da FISCALIZADA, decorrentes das operações de revenda, de transferências para o seu Estabelecimento Matriz, e de remessas de bônus ou brindes, a FISCALIZAÇÃO procedeu de acordo com o disposto no RIPI/2010 (Art. 189; Art. 190, Inciso II, letra "b", §§ 1º e 3º), para os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, tomando como base de cálculo (valor tributável) do IPI devido, o valor total de cada NFE de Saída emitida pela FISCALIZADA correspondentes às referidas operações, conforme demonstrado detalhadamente no RF ANEXO 005. Por fim, a FISCALIZAÇÃO procedeu em cada período de apuração, ao confronto dos valores dos débitos totais do IPI com os valores dos créditos totais do IPI, apurados conforme descrito nos parágrafos anteriores, e obteve os valores do Saldos Devedores de IPI que não foram declarados e nem recolhidos/pagos pela FISCALIZADA, conforme determina o Fl. 3345DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.346 10 RIPI/2010 (Art. 183, Parágrafo único, Inciso I; Art. 259; Art. 260, Inciso IV; Art. 261). A reconstituição da Escrituração Fiscal do IPI (RAIPI) do 2013, efetuada pela FISCALIZAÇÃO, está demonstrada detalhadamente no RF ANEXO 006, e transcritos na Tabela abaixo. (...) Portanto, restaram demonstradas e comprovadas as infrações à legislação tributária federal de falta de recolhimento do Saldo Devedor de IPI apurado pela FISCALIZAÇÃO, e de saída de produto industrializado tributável de estabelecimento equiparado a industrial, lastreado em NFE de Saída, sem o destaque/lançamento do imposto devido. 3. Cientificado do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte apresentou Impugnação nos seguintes termos: Ocorre que, diferente do apontado pelo Fiscal no Auto de Infração, a Impugnante não está obrigada ao recolhimento do IPI por ocasião da saída de produtos importados do seu estabelecimento. Consoante será melhor aprofundado adiante, a presente autuação demonstrase improcedente, pois: 1. As importações foram realizadas por intermédio da empresa Ascensus Trading & Logística Ltda, a qual ingressou em juízo com ação declaratória (Processo n. 500021229.2011.4.04.7201 – Justiça Federal de Joinville – SC), e obteve provimento jurisdicional reconhecendo a incidência do IPI exclusivamente no desembaraço aduaneiro, razão pela qual não houve o destaque de IPI para a Impugnante; 2. A Impugnante encontrase amparada pela ação coletiva proposta pelo Sindicato das empresas de comércio exterior do Estado de Santa Catarina, o qual também ingressou com ação judicial (Processo n. 501147248.2012.404.7208 – 2ª Vara Federal de Itajaí/SC), obtendo êxito para reconhecer a incidência do imposto exclusivamente no desembaraço aduaneiro, afastando a equiparação prevista no RIPI/2010; 3. A sujeição passiva na obrigação tributária é matéria reservada à lei complementar, de modo que somente por esse instrumento poderia ter sido o adquirente/encomendante equiparado a estabelecimento industrial para fins de recolhimento do IPI; 4. A equiparação do adquirente, encomendante de mercadorias importadas a estabelecimento importador decorre de uma ficção jurídica ilegal, violando expressamente o art. 110 do CTN; 5. O cálculo do tributo devido apresenta inconsistências decorrentes da utilização de um crédito menor que o devido no Fl. 3346DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.347 11 refazimento das apurações da Impugnante, bem como da utilização do valor total das notas fiscais de saída como base de cálculo do imposto a recolher; 6. Não se admite a cumulação da multa isolada com a multa de ofício, tratandose de uma única infração; Dessa forma, consoante fundamentos a seguir delineados demonstrarseá a improcedência do Auto de Infração, requerendose, ao final, o seu cancelamento. II – PRELIMINARMENTE DO ALCANCE DA DECISÃO PROFERIDA NA AÇÃO Nº 500021229.2011.4.04.7201 – PRODUTOS IMPORTADOS PELA EMPRESA ASCENSUS TRADING & LOGÍSTICA LTDA (...) Como se vê, a decisão proferida nos autos da ação ordinária nº 500021229.2011.4.04.7201 ao reconhecer que o IPI, nos casos de produtos importados prontos para comercialização, deve incidir somente no desembaraço aduaneiro, afastou também a exigibilidade do imposto nas etapas posteriores que estejam vinculadas a este mesmo produto importado pelo estabelecimento da empresa Ascensus. A partir do momento que foi afastada com relação à Ascensus a aplicação do art. 46, inciso II, do CTN, também se afastou com relação aos adquirentes (como no caso da Impugnante) a eficácia do parágrafo único do artigo 51, segundo o qual, seriam considerados como “contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante”. (...) Ademais, devese ressaltar que a Impugnante recebeu as mercadorias sem o destaque do IPI da empresa Ascensus Trading, de modo que se realizasse a apuração e pagamento do imposto na saída do seu estabelecimento, não teria qualquer crédito a lançar na sua escrita fiscal, recolhendo imposto sobre imposto, pois, como visto, já houve o recolhimento do IPI no desembaraço aduaneiro. Sendo o IPI tributo caracterizado pela nãocumulatividade (princípio constitucional específico desta modalidade impositiva), a descaracterização de sua natureza jurídica na saída dos estabelecimentos da Ascensus afasta também a incidência do tributo nas aquisições e vendas seguintes, ante a negativa de sua relevância tributária reconhecida judicialmente. Assim, resta demonstrado que a decisão proferida nos autos da ação ordinária n. 500021229.2011.4.04.7201, alcança não somente a etapa de saída dos produtos importados do estabelecimento da empresa Ascensus Trading, mas também da Fl. 3347DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.348 12 Impugnante, que importou os referidos produtos por intermédio daquela empresa. DA AÇÃO COLETIVA PROPOSTA PELA SINDITRADE – RECONHECIMENTO DA INEXIGIBILIDADE DO IPI NA ETAPA DE CIRCULAÇÃO DO PRODUTO IMPORTADO Consta do Auto de Infração que a Impugnante ingressou em setembro de 2012 com ação judicial na Subseção Judiciária de Itajaí (Processo n. 5008893 30.2012.4.04.7208), com o objetivo de ver afastada a incidência do IPI nas operações de revenda de produtos importados no mercado interno. Que, entretanto, não há liminar em vigor na referida ação, suspendendo a exigibilidade do tributo. De fato, no momento da lavratura do Auto de Infração, não existia liminar em vigor nos autos da ação proposta pela Impugnante. Ocorre que, recentemente, a Impugnante tomou conhecimento por meio do Sindicato das Empresas de Comércio Exterior do Estado de Santa Catarina – SINDITRADE – (CNPJ n. 09.398.814/000109), localizado em Itajaí, da existência de ação judicial, ajuizada por este, na qual se discute a inexigibilidade do IPI na etapa de comercialização de produtos importados. A ação ajuizada pela SINDITRADE, que ampara toda a categoria, qual seja, empresas de comércio exterior do estado de Santa Catarina, tramitou sob o n. 5011472 48.2012.404.7208, na 2ª Vara Federal de Itajaí/SC, e transitou em julgado em 15.04.2015 no Superior Tribunal de Justiça (decisões em anexo). A decisão transitada em julgado no Superior Tribunal de Justiça reconhece a inexigibilidade do IPI nas operações de revenda de mercadoria importada. Observese: (...) Ante o exposto, com fulcro no art. 557, § 1ºA, do CPC, dou provimento ao recurso especial, para declarar devida a incidência do IPI unicamente no desembaraço aduaneiro do produto importado, habilitando a restituição/compensação do indébito, corrigido monetariamente, conforme a sistemática estabelecida neste decisum. (RESP 1427246 / SC, Relator Ministro Og Fernandes, DJE 16/12/2014) Diante da existência da decisão acima citada, que ampara as empresas de comércio exterior cujos estabelecimentos estão localizados em Santa Catarina, foi reconhecida a perda superveniente do objeto na ação 500889330.2012.404.7208, reconhecendose que a decisão proferida na ação coletiva supracitada estendese à Impugnante. EMENTA: PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. AÇÃO COLETIVA PROPOSTA POR SINDICATO. COISA JULGADA. EXTENSÃO A TODOS DA CATEGORIA, INDEPENDENTEMENTE DE FILIAÇÃO A REFERIDO SINDICATO. CATEGORIA ABRANGIDA. PERDA DO OBJETO Fl. 3348DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.349 13 DO PEDIDO. AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL CONFIGURADA. ART. 485, VI, CPC/15. Hipótese em que após o ajuizamento do presente feito a autora teve conhecimento da existência de ação ajuizada por este, na qual se discutiu a mesma matéria, e que já estava, inclusive, transitada em julgado. Reconhecida a ausência de interesse processual na presente ação, uma vez que a autora estava albergada pela decisão proferida em favor do Sindicato, uma vez que, conforme jurisprudência consolidada no STJ, a decisão proferida a favor do sindicato ampara toda a categoria, independente de estar filiado ou associado à entidade. Extinto o processo por falta de interesse processual, art. 485, VI, CPC/15. (TRF4 5008893 30.2012.404.7208, PRIMEIRA TURMA, Relatora MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE, juntado aos autos em 15/02/2017) grifo nosso A decisão judicial acima colacionada dá conta de que a Impugnante encontrase albergada pela decisão proferida em favor do Sindicato, na ação n. 5011472 48.2012.404.7208, a qual já transitou em julgado em 15.04.2015, e afastou em definitivo a obrigação de recolhimento do imposto por ocasião da revenda de produtos importados, mantendose a exigência do IPI exclusivamente no desembaraço aduaneiro. Nesse contexto, não mais importa a existência ou não de uma liminar em favor da Impugnante, suspendendo a exigibilidade do tributo. A ação proposta por ela foi extinta sem resolução do mérito, por ausência de interesse processual, uma vez que o direito ao não pagamento do IPI nas operações de revenda de mercadoria importada já foi reconhecido em ação coletiva proposta pelo Sindicato cuja categoria representada abrange a empresa Impugnante. A existência de um direito reconhecido judicialmente (transitado em julgado) relativamente à matéria que foi objeto de lançamento tributário implica na extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, inciso X, do Código Tributário Nacional. É o que se requer desde já. II – NO MÉRITO DA ILEGALIDADE DA EQUIPARAÇÃO DO ADQUIRENTE / ENCOMENDANTE AO INDUSTRIAL – MATÉRIA RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR (...) DA VIOLAÇÃO AO ART. 110 DO CTN E AO PACTO FEDERATIVO (...) DO CÁLCULO DO TRIBUTO DEVIDO Crédito do Imposto apropriado a menor – Vício Formal Fl. 3349DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.350 14 Ao tratar do cálculo do imposto devido na presente autuação, sustentou a Fiscalização que procedeu à reconstituição da Escrituração Fiscal do IPI da FISCALIZADA, relativa aos períodos de apuração compreendidos no anocalendário de 2013, mediante um levantamento detalhado dos valores dos débitos, dos créditos e dos saldos devedores do IPI a recolher em cada período de apuração. Sustentou ainda que foi a FISCALIZADA quem arcou de fato com o ônus tributário não somente do IPI, mas dos demais tributos e contribuições sociais incidentes e cobrados naquelas operações, a FISCALIZAÇÃO entendeu que caberia à FISCALIZADA o direito de creditarse na sua Escrituração Fiscal do IPI – RAIPI dos ano de 2013, dos valores do IPI pagos no desembaraço aduaneiro, conforme operações e valores demonstrados detalhadamente no RF –ANEXO 004. Grifo nosso. Nesse ponto, demonstrase equivocado o entendimento do Fisco de considerar o crédito do IPI do desembaraço, quando na verdade a legislação assegura o direito a creditarse do valor do IPI destacado na nota fiscal de saída emitida pelo importador contratado. (...) Aliás, se a Fiscalização reconstituiu totalmente a Escrituração Fiscal do IPI da Impugnante, deveria ter considerado o crédito do IPI com base nos valores constantes da nota fiscal de saída do estabelecimento Importador. (...) A Receita Federal já se manifestou sobre o assunto, por meio da Solução de Consulta n. 30 – COSIT, de 29 de janeiro de 2014, confirmando o entendimento aqui defendido: IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. INCIDÊNCIA DO IPI NA SAÍDA DO IMPORTADOR POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. BASE DE CÁLCULO COMO O VALOR DA OPERAÇÃO. NÃO INCLUSÃO DO IPI VINCULADO NA BASE DE CÁLCULO. Na importação por conta e ordem de terceiros, incide o IPI no desembaraço aduaneiro e na saída da mercadoria do estabelecimento importador por conta e ordem de terceiros. O valor do IPI a ser recolhido deverá ser recalculado para corresponder ao valor da operação de saída do estabelecimento importador por conta e ordem de terceiros, compreendendo o preço do produto, o frete, as demais despesas acessórias, o valor do serviço cobrado do adquirente pelo importador por conta e ordem de terceiros e o valor dos tributos incidentes na importação, exceto o IPI vinculado. Este poderá ser descontado como crédito na determinação do IPI a pagar. (grifo nosso) (...) Fl. 3350DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.351 15 Da base de cálculo do IPI na saída do estabelecimento adquirente utilizado para formar o valor devido no auto de infração – Vício formal Observase do demonstrativo anexado ao Auto de Infração (Relatório Fiscal Anexo 005) que para o cálculo do IPI nas operações de saída de mercadoria importada do estabelecimento da Impugnante, o Fiscal utilizou o Livro de Registros de Saída (LRS) da Fiscalizada e das notas fiscais ali registradas, aplicando sobre o valor total de cada nota fiscal de saída a alíquota do IPI (20%). Ocorre que, no valor total da nota fiscal de saída emitida pela Impugnante, em que pese não tenha destaque ou pagamento, está embutido o valor do IPI. (...) Em havendo incidência do IPI na operação, conforme exige a Fiscalização, o valor total da nota fiscal não pode ser considerado para fins de base de cálculo do imposto, em razão de que o IPI é tributo calculado por fora e, que, portanto, não integra o valor da operação. Frisese, a base de cálculo do IPI na saída do estabelecimento da Impugnante não coincide com o valor total da nota fiscal de saída. (...) DA CUMULAÇÃO INDEVIDA DE PENALIDADES Verificase no Auto de Infração a imposição de diferentes penalidades administrativas sobre um mesmo fato, quais sejam, a multa por não destaque e não recolhimento do imposto, com fulcro no art. 80, da Lei n. 4.502/64 (75% do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido) e multa de ofício (75% sobre o imposto e contribuição não recolhido). Ou seja, sobre o valor não destacado e não recolhido pela Impugnante, a Fiscalização aplicou por duas vezes a multa de 75%. Ocorre que o não destaque do imposto, que culminou no não pagamento, tratase de uma única conduta. E, consoante sedimentado na jurisprudência do CARF, não se admite a cobrança cumulativa da multa isolada com a multa de ofício: (...) MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Fl. 3351DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.352 16 (...) III – DAS PROVAS A impugnante protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas e essenciais para constatação da veracidade dos fatos, em especial a documental e a pericial. (...) Dos motivos que justificam a necessidade de perícia (...) Ocorre que, conforme já apontado em tópicos anteriores, há inconsistências no cálculo da Fiscalização, decorrentes da utilização do crédito do IPI pago no desembaraço, bem como na utilização de alíquota diversa daquela prevista na legislação para o produto. Nesse contexto, é notória a necessidade da realização de uma perícia contábil a fim de que seja refeita a apuração do tributo, considerandose a base correta para o crédito e a alíquota prevista na legislação para o produto. Posteriormente, às folhas 3025/3042 foram anexados documentos relativos à Ação Rescisória nº 6015 ajuizada pela União, cujo processamento foi determinado por decisão exarada pelo STJ em 19/02/2018; e às fls. 3045 à 3058, Contrarrazões apresentadas pelo Contribuinte. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento exarou o Acórdão no. 15 44.231 4ª Turma da DRJ/SDR Revisa Acórdão nº 1543.211, de 25 de agosto de 2017 . Vejamos a ementa daquele (fl. 3043): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 COISA JULGADA. LIMITES SUBJETIVOS. A sentença judicial faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não alcançando terceiros em situação juridicamente meramente similar. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 Fl. 3352DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.353 17 IPI. APURAÇÃO DOS SALDOS. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO. Na apuração do saldo devedor/credor de IPI, só pode ser deduzido/compensado o que for devido em cada operação com o montante do tributo efetivamente cobrado nas anteriores. IPI. VALOR TRIBUTÁVEL. DÉBITOS. No caso dos produtos de procedência estrangeira, constitui valor tributável o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento equiparado a industrial. MULTA DE OFÍCIO. CUMULAÇÃO DE PENALIDADES. Cabível a aplicação da multa de ofício prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64 conjuntamente com aquela prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, no mesmo Auto de Infração, uma vez que, apesar de serem decorrentes de uma única conduta, se aplicam a bases de cálculo totalmente distintas. Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 3135/3175), cujos argumentos serão objeto de análise no voto que segue. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Colacionamos trecho da decisão do STJ relativa à ação coletiva: Ante o exposto, com fulcro no art. 557, § 1ºA, do CPC, dou provimento ao recurso especial, para declarar devida a incidência do IPI unicamente no desembaraço aduaneiro do produto importado, habilitando a restituição/compensação do indébito, corrigido monetariamente, conforme a sistemática estabelecida neste decisum. A litispendência foi reconhecida expressamente pela Justiça. Ou seja, o pedido de extinção foi acolhido, sendo reconhecida a perda superveniente do objeto, tendo em vista a existência de decisão proferida na ação coletiva n. 501147248.2012.404.7208/SC, reconhecendo o mesmo direito postulado na ação individual, e cujos efeitos se estendem à Recorrente: EMENTA: PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. AÇÃO COLETIVA PROPOSTA POR SINDICATO. COISA JULGADA. EXTENSÃO A TODOS DA CATEGORIA, INDEPENDENTEMENTE DE FILIAÇÃO A REFERIDO SINDICATO. CATEGORIA ABRANGIDA. PERDA DO Fl. 3353DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.354 18 OBJETO DO PEDIDO. AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL CONFIGURADA. ART. 485, VI, CPC/15. Hipótese em que após o ajuizamento do presente feito a autora teve conhecimento da existência de ação ajuizada por este, na qual se discutiu a mesma matéria, e que já estava, inclusive, transitada em julgado. Reconhecida a ausência de interesse processual na presente ação, uma vez que a autora estava albergada pela decisão proferida em favor do Sindicato, uma vez que, conforme jurisprudência consolidada no STJ, a decisão proferida a favor do sindicato ampara toda a categoria, independente de estar filiado ou associado à entidade. Extinto o processo por falta de interesse processual, art. 485, VI, CPC/15. (TRF4 500889330.2012.404.7208, PRIMEIRA TURMA, Relatora MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE, juntado aos autos em 15/02/2017) Diante dessas circunstâncias, entendo que a primeira decisão proferida pela Delegacia de Julgamento, por meio do Acórdão no. 15043.211 4ª Turma da DRJ/SDR, está correta, reproduzo seu voto: Voto 4. A impugnação apresentada é tempestiva, possuindo os demais requisitos formais de admissibilidade dispostos no Decreto n.º 70.235/72; assim sendo, dela tomase conhecimento, instaurando o litígio. I DO ALCANCE DA DECISÃO PROFERIDA NA AÇÃO Nº 500021229.2011.4.04.7201 – PRODUTOS IMPORTADOS PELA EMPRESA ASCENSUS TRADING & LOGÍSTICA LTDA 5. Sustenta o Impugnante que a decisão proferida nos autos da ação ordinária nº 500021229.2011.4.04.7201, movida pelo contribuinte Ascensus Trading & Logística Ltda, ao reconhecer que o IPI, nos casos de produtos importados prontos para comercialização, deve incidir somente no desembaraço aduaneiro, afastou também a exigibilidade do imposto nas etapas posteriores que estejam vinculadas a estes mesmos produtos importados. 6. Em seu entendimento, tal decisão alcança não somente a etapa de saída dos produtos importados do estabelecimento da empresa Ascensus Trading, mas também da Impugnante, que importou os referidos produtos por intermédio desta empresa. 7. Entretanto, tal argumento não pode ser julgado procedente. Com efeito, o art. 506 do Código de Processo Civil (CPC) determina os limites subjetivos da coisa julgada nos seguintes termos: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Fl. 3354DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.355 19 8. A coisa julgada até pode beneficiar terceiros, em hipótese em que incidam os princípios pertinentes ao litisconsórcio unitário (ou, ao menos, a solução de unitariedade em relação a uma determinada questão); nos casos de substituição processual; nos caso de credores solidários; ou, ainda, em ações coletivas. Nenhuma destas situações, entretanto, se configuram no presente caso. A coisa julgada não beneficia terceiro que esteja em situação jurídica apenas similar à outra. II DA ILEGALIDADE DA EQUIPARAÇÃO DO ADQUIRENTE / ENCOMENDANTE AO INDUSTRIAL – MATÉRIA RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR 9. Inicialmente, antes de adentrar no mérito do argumento de defesa levantado pelo Impugnante no presente tópico, deve ser destacado que o contribuinte informou, em sua Impugnação, estar amparado por sentença proferida nos autos da ação judicial nº 5011472 48.2012.404.7208, que tramita na 2ª Vara Federal de Itajaí/SC, transitada em julgado em 15/04/2015 no Superior Tribunal de Justiça. 10. A ação foi ajuizada pelo Sindicato das Empresas de Comércio Exterior do Estado de Santa Catarina – SINDITRADE – (CNPJ n. 09.398.814/000109). Tendo em vista a decisão acima citada, que ampara as empresas de comércio exterior cujos estabelecimentos estão localizados em Santa Catarina, foi reconhecida a perda superveniente do objeto na ação judicial nº 500889330.2012.404.7208 (ajuizada pelo Impugnante), reconhecendose que a decisão proferida na ação coletiva supracitada estendese ao Impugnante: 11. Vejase o Extrato de Ata da Sessão de 15/02/2017: Fl. 3355DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.356 20 12. O processo judicial discute a mesma matéria de direito alegada neste tópico. A coexistência de processos nas esferas administrativa e judicial impossibilita a discussão simultânea de uma mesma matéria nestes dois âmbitos, pois a propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas, tal como previsto no parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e no art. 26 da Portaria MF nº 341, de 12/07/2011: Lei nº 6.830/80 Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Portaria MF nº 341/2011 Art. 26. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do processo. 13. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em consonância com o que aqui explicitado, sumulou a questão, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão Fl. 3356DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.357 21 de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 14. O Parecer Normativo COSIT nº 7, de 22 de agosto de 2014, por sua vez, determina o seguinte: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável. A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do artigo 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A renúncia às instâncias administrativas, decorrente de concomitância entre processo administrativo fiscal e processo judicial, torna definitivo o Despacho Decisório eventualmente proferido, cabendo recurso ao CARF. 15. Portanto, em relação à matéria de defesa alegada neste tópico, ocorreu a renúncia, por parte do Impugnante, às instâncias administrativas, tendo em vista a existência de ação judicial contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal. III DO CÁLCULO DO TRIBUTO DEVIDO Crédito do Imposto apropriado a menor – Vício Formal 16. Afirma o Impugnante que mostrase equivocado o entendimento do AuditorFiscal de considerar, na apuração do tributo devido, o crédito do IPI do desembaraço, quando na verdade a legislação assegura o direito ao contribuinte de creditarse do valor do IPI destacado na nota fiscal de saída emitida pelo importador contratado. Fl. 3357DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.358 22 17. Analisando a legislação que rege a matéria, verificase que não assiste razão ao Impugnante. Com efeito, assim dispõe a Constituição Federal sobre a nãocumulatividade do IPI: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; 18. O Regulamento do IPI (Decreto nº 7.212, de 15/06/2010), por sua vez, estabelece o seguinte: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; II do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, quando remetidos a terceiros para industrialização sob encomenda, sem transitar pelo estabelecimento adquirente; III do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, recebidos de terceiros para industrialização de produtos por encomenda, quando estiver destacado ou indicado na nota fiscal; IV do imposto destacado em nota fiscal relativa a produtos industrializados por encomenda, recebidos do estabelecimento que os industrializou, em operação que dê direito ao crédito; V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; VI do imposto mencionado na nota fiscal que acompanhar produtos de procedência estrangeira, diretamente da repartição que os liberou, para estabelecimento, mesmo exclusivamente varejista, do próprio importador; VII do imposto relativo a bens de produção recebidos por comerciantes equiparados a industrial; Fl. 3358DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.359 23 VIII do imposto relativo aos produtos recebidos pelos estabelecimentos equiparados a industrial que, na saída destes, estejam sujeitos ao imposto, nos demais casos não compreendidos nos incisos V a VII; IX do imposto pago sobre produtos adquiridos com imunidade, isenção ou suspensão quando descumprida a condição, em operação que dê direito ao crédito; e X do imposto destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou transferências simbólicas do produto, permitidas neste Regulamento. 19. Da leitura destes dispositivos concluise que não é verdade que a legislação assegura o direito ao contribuinte de creditarse do valor do IPI não destacado na nota fiscal de saída emitida pelo importador contratado. 20. A possibilidade do referido creditamento decorre do disposto no art. 226, inciso V, do RIPI, c/c o art. 153, §3º, inciso II, da Constituição Federal. Como o valor do IPI pago no desembaraço aduaneiro compõe o valor da mercadoria adquirida pelo Impugnante, legítimo o seu creditamento. Quanto ao pedido de creditamento de IPI sobre outra base de cálculo, não há previsão legal de creditamento de IPI que não tenha sido efetivamente pago ou destacado na etapa anterior. IV Da base de cálculo do IPI na saída do estabelecimento adquirente utilizado para formar o valor devido no auto de infração – Vício formal 21. Afirma o Impugnante, ainda, que para o cálculo do IPI nas suas operações de saída o Fiscal aplicou sobre o valor total de cada nota fiscal de saída a alíquota do IPI no percentual de 20%. Entretanto, no valor total destas notas fiscais de saída por ela emitidas, em que pese não tenha destaque ou pagamento, já está embutido o valor do IPI. Logo, a base de cálculo do IPI na saída do estabelecimento da Impugnante não coincidiria com o valor total da nota fiscal de saída. 22. A alegação do Impugnante, no entanto, é desprovida de qualquer razoabilidade. Se entende que não há incidência do tributo nas suas saídas de mercadorias importadas, não haveria sentido em incluílo no valor da nota fiscal. E se fez tal inclusão, teria que destacar o IPI e realizar a apuração para verificar a eventual existência de saldo devedor a ser recolhido ao Fisco Federal, mas não o fez. 23. A apuração foi realizada pelo AuditorFiscal estritamente de acordo com a legislação de regência, consolidada no Regulamento do IPI: CAPÍTULO X DO CÁLCULO DO IMPOSTO Seção I Fl. 3359DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.360 24 Das Disposições Preliminares Art. 189. O imposto será calculado mediante aplicação das alíquotas, constantes da TIPI, sobre o valor tributável dos produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 13). Parágrafo único. O disposto no caput não exclui outra modalidade de cálculo do imposto estabelecida em legislação específica. Seção II Da Base de Cálculo Valor Tributável Art. 190. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: I dos produtos de procedência estrangeira: a) o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo dos tributos aduaneiros, por ocasião do despacho de importação, acrescido do montante desses tributos e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, inciso I, alínea “b”); e b) o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento equiparado a industrial (Lei nº 4.502, de 1964, art. 18); 24. Portanto, conforme disposto no art. 189, caput, c/c o art. 190, I, b, a alíquota do IPI referente ao produto deve ser aplicada sobre o valor total da operação de saída, exatamente como procedeu o AuditorFiscal responsável pela apuração do tributo, não havendo reparos a serem feitos em seus cálculos. V DA CUMULAÇÃO INDEVIDA DE PENALIDADES 25. Sustenta o Impugnante que ocorreu no Auto de Infração a imposição de diferentes penalidades administrativas sobre um mesmo fato, quais sejam, a multa por não destaque e não recolhimento do imposto, com fulcro no art. 80, da Lei n. 4.502/64 (75% do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido) e multa de ofício (75% sobre o imposto não recolhido). Ou seja, sobre o valor não destacado e não recolhido pela Impugnante, a Fiscalização aplicou por duas vezes a multa de 75%. 26. Ao contrário do que afirma o Impugnante, não houve a aplicação de dupla penalidade sobre um mesmo fato. Foram aplicadas, sim, duas espécies de multa, porém sobre bases de cálculo diferentes: a) a multa de ofício do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, incidiu sobre os saldos devedores mensais, ou seja, sobre os débitos apurados Fl. 3360DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.361 25 de ofício mensalmente, após dedução dos respectivos créditos de IPI; b) a multa de ofício do art. 80, da Lei nº 4.502/64, incidiu sobre o valor do IPI que, indevidamente, não foi destacado nas notas fiscais de saída do Impugnante mas que não pode ser lançado porque o AuditorFiscal considerou créditos para deduzir destes débitos. 27. Em nenhum momento houve a incidência simultânea de duas multas sobre a mesma base de cálculo. A Autoridade Tributária, ao identificar a infração da falta de lançamento (destaque) do valor, total ou parcial, do IPI na respectiva nota fiscal, deve fazer incidir a multa de ofício de 75% sobre o total não lançado. Ocorre que, devido à cobertura de parte deste valor pelos créditos que o infrator eventualmente possua, pode até mesmo não haver saldo devedor de IPI a ser lançado via Auto de Infração. 28. A infração, entretanto, não pode deixar de ser devidamente punida. Nestes casos, deve ser feito o lançamento com base na multa de ofício do art. 80, da Lei nº 4.502/64, que incide apenas sobre o IPI que não foi lançado via Auto de Infração. 29. Esse cálculo é perfeitamente visualizado na tabela constante no Auto de Infração, à fl. 10 do processo eletrônico. Na coluna “Valor Não Lançado”, o AuditorFiscal identificou os valores do IPI que, indevidamente, não foram lançados (destacados) pelo Impugnante nas suas notas fiscais de saída, no total de R$ 14.570.877,36. 30. Na coluna “I. Lançar s/ Cobertura”, ou “Imposto a Lançar sem Cobertura”, como identificado no campo “Outras Informações”, o AuditorFiscal identificou os valores do IPI apurados nos demonstrativos de débitos e diferenças a cobrar, que será exigido pelo Auto de Infração, no montante de R$ 7.418.412,33 (ver “DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO”, à fl. 02 deste processo eletrônico). 31. Na coluna “Não Lançado c/ Cobertura”, ou “Valor Não Lançado com Cobertura”, como identificado no campo “Outras Informações”, o AuditorFiscal identificou os valores do IPI apurados nos Demonstrativos de Apuração e que não serão exigidos pelo presente Auto de Infração em virtude da Cobertura de Crédito de IPI (dedução de créditos) existente, no montante total de R$ 7.152.465,03 (R$ 14.570.877,36 R$ 7.418.412,33). Foi apenas sobre este valor que incidiu a multa de ofício prevista no art. 80, da Lei nº 4.502/64. VI DAS PROVAS Dos motivos que justificam a necessidade de perícia 32. Sustenta o Impugnante a necessidade de realização de uma perícia, pois afirma que há inconsistências no cálculo da Fiscalização, sendo preciso que seja refeita a apuração do tributo, considerandose a base correta para o crédito e a alíquota prevista na legislação para o produto. Fl. 3361DF CARF MF Processo nº 11516.723692/201640 Acórdão n.º 3301005.726 S3C3T1 Fl. 3.362 26 33. No entanto, conforme já exposto nos itens anteriores, não há qualquer inconsistência nos cálculos realizados pela Autoridade Tributária. Sendo assim, completamente desnecessária a realização de qualquer perícia. VII CONCLUSÃO: 34. Isto posto, voto por JULGAR IMPROCEDENTE a Impugnação, mantendo integralmente o lançamento tributário no valor de R$ 21.395.189,77. 35. Caberá aos órgãos encarregados da cobrança observar os limites e efeitos do que for decidido no curso do Processo Judicial nº 501147248.2012.4.04.7208, bem como no Processo Judicial nº 500889330.2012.4.04.7208, ambos tramitando na Justiça Federal do Estado de Santa Catarina, Subseção Judiciária de Itajaí. Diante do exposto, adoto a decisão constante do Acórdão no. 15043.211 4ª Turma da DRJ/SDR, pelo que faço dela minha razão de decidir, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/98 e § 3° da Portaria MF n° 343/15 (RICARF). Dessarte, proponho conhecer em parte o recurso, em razão da concomitância e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 3362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907925/2016-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.932
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 92 5/ 20 16 -6 3 Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13896.907925/201663 Resolução nº 3201001.932 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13896.907925/201663 Resolução nº 3201001.932 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13896.907925/201663 Resolução nº 3201001.932 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13896.907925/201663 Resolução nº 3201001.932 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 432DF CARF MF Processo nº 13896.907925/201663 Resolução nº 3201001.932 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 433DF CARF MF Processo nº 13896.907925/201663 Resolução nº 3201001.932 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 434DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000364/2007-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. RECURSOS REMETIDOS AO EXTERIOR. PROVAS DE TITULARIDADE OBTIDAS LEGALMENTE. POSSIBILIDADE.
Constitui prova suficiente da titularidade de remessas de recursos ao exterior os laudos emitidos e com base em mídia eletrônica enviada pelo Ministério Público.
Numero da decisão: 9202-007.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício)
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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RECURSOS REMETIDOS AO EXTERIOR. PROVAS DE TITULARIDADE OBTIDAS LEGALMENTE. POSSIBILIDADE. Constitui prova suficiente da titularidade de remessas de recursos ao exterior os laudos emitidos e com base em mídia eletrônica enviada pelo Ministério Público. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 64 /2 00 7- 01 Fl. 403DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional efls. 370/379, contra o acórdão nº 2202002.336, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, na sessão do dia 19 de junho de 2013, que por unanimidade de votos deu provimento ao recurso voluntário, conforme ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002, 2003 AUSÊNCIAS DE PROVAS DA ACUSAÇÃO FISCAL O auto de infração que não traz a certeza e liquidez "quantum" devido em razão da ausência de provas da acusação fiscal, não pode prosperar. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Intimada, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso Especial efls. 370/379, requerendo a reforma do acórdão ora recorrido, apresentando como paradigmas os acórdãos: Acórdão nº 280100.245 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A incidência do IRPF sobre o acréscimo patrimonial a descoberto tem fundamento em lei, especificamente no § P, do artigo 3° da Lei 7.713/88. DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS INSTRUÇÃO OPÇÃO PELA DECLARAÇÃO EM SEPARADO Somente são dedutíveis na Declaração de Rendimentos as despesas médicas e de instrução realizadas com o próprio contribuinte ou seus dependentes. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula n° 14, do Primeiro Conselho de Contribuintes). Recurso parcialmente provido. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 19515.000364/200701 Acórdão n.º 9202007.634 CSRFT2 Fl. 404 3 Acórdão nº 340200.111 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física fft.PF Exercício: 2002, 2003 Ementa: DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Sendo a tributação das pessoas fisicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4•0 do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL Desde 1° de janeiro de 1997, caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. DIRPF RETIFICAÇÃO EFEITOS. A Declaração retificadora, independentemente de prévia autorização por parte da Autoridade Administrativa e nas hipóteses em que admitida, substitui a originalmente apresentada para todos os efeitos, inclusive para fins de revisão. Sendo assim, qualquer procedimento de revisão e conseqüente lançamento devem tomar por base a última declaração retificadora regularmente apresentada. EMENTA VOTO VENCEDOR BEACON HILL. MULTA QUALIFICADA. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A fraude, sonegação ou conluio deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. JUROS DE MORA TAXA SELIC. INCIDÊNCIA A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devid , no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n°4). Rejeitada a preliminar. Conforme despacho de admissibilidade de efls. 380/384, o Recurso Especial foi admitido, conforme trecho transcrito abaixo: O cotejo do acórdão recorrido, com os trechos dos dois paradigmas colacionados pela Recorrente, permite concluir que os três julgados são referentes a autuações no contexto da CPI do Banestado, relativas a contribuintes que movimentaram recursos no exterior pela empresa “Beacon Hills Service Corporation” e que, a despeito da similitude fática verificada entre os conjuntos probatórios, as soluções adotadas foram Fl. 405DF CARF MF 4 diversas: no caso do paradigma, considerouse que o conjunto probatório não seria suficiente a comprovar a titularidade dos recursos movimentados no exterior, enquanto que nos paradigmas tal vinculação foi mantida. Diante do exposto, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, proponho que seja DADO SEGUIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja rediscutida a força probante dos documentos que sustentam o lançamento. O Contribuinte apresentou contrarrazões de efls. 389/395, requerendo o não conhecimento do Recurso Especial e, caso conhecido, que seja negado provimento. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. A matéria em discussão é a força probante dos documentos que sustentam o lançamento Operação Beacon Hill. No tocante aos documentos que fundamento a autuação destaco os seguintes trechos: Tais argumentos, entretanto, não merecem acolhida. Para demonstrálo, é oportuno tecer um relato histórico dos fatos que levaram ao procedimento fiscal e à exigência imputada à contribuinte, já que foi identificada, juntamente com sua mãe Marlene Oliveira Contaldi e sua irmã Carla Contaldi como responsáveis pela subconta 310085 Tafeca S/A, intermediada por Beacon Hill Service Corporation e mantida no .IP Morgan Chase Bank, Decorre o procedimento de uma operação mais abrangente desencadeada por autoridades públicas nacionais, no combate à transferência ilícita de recursos ao e do exterior, e aos crimes correlacionados, destacandose o crime de lavagem de dinheiro. Tratase da denominada CPI do Banestado. que foi amplamente divulgada pela mídia nacional, e que envolveu trabalhos da Receita Federal, do BACEN e da COAF, com estreita colaboração de autoridades estrangeiras. A investigação conduzida pelo Departamento da Polícia Federal verificou que empresas sediadas em Nova Iorque, Estados Unidos da América, representavam "doleiros" brasileiros e/ou empresas "off shore" com participação dc brasileiros e atuavam como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas ou jurídicas, dentre as quais encontraramse diversos contribuintes brasileiros que Fl. 406DF CARF MF Processo nº 19515.000364/200701 Acórdão n.º 9202007.634 CSRFT2 Fl. 405 5 enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior à revelia do sistema financeiro nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras. No curso das investigações houve o afastamento do sigilo bancário da empresa Beacon Hill Service Corporation (BHSC) que atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas ou jurídicas e ulilizavase de contas/subcontas mantidas no JP Morgan Chase Bank. A Promotoria do Distrito de Nova Iorque apresentou as mídias eletrônicas e documentos contendo dados financeiros da empresa BHSC. De posse dessa documentação, o Departamento de Polícia Federal emitiu Laudos Periciais, a fim de trazer elementos de provas necessários a subsidiar os esclarecimentos dos fatos relativos às movimentações financeiras. Tais informações e documentos foram trazidos ao Brasil pela autoridade policial e, posteriormente, houve a transferência dos dados à Secretaria da Receita Federal, obedecendo à decisão da 2a Vara Criminal Federal de Curiliba/PR. Em relação à subconta Tafeca n° 310085. mantida no .IP Morgan Chase Bank NY, foi elaborado o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 1,294/04lNC (tis. 63/74), do qual consta que a íntegra das informações existentes nas ordens de pagamento encontradas no material disponibilizado pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque, constaram do ANEXO II e ANEXO III, do Laudo, por meio de relatório analítico, no qual se descreveu cada uma dessas ordens, a fim de permitir à Autoridade solicitante conhecimento amplo e irrestrito da referida base dc dados. Os dados de tais anexos foram gravados em um meio digital de armazenamento denominado CDR (Compact Disc Recordable), tipo de mídia óptica que permite a gravação permanente de informações sem a possibilidade dc alterações posteriores, e, para garantir a integridade das informações armazenadas no CDR(...) Assim, em relação aos documentos que foram utilizados como provas para a autuação destaco: (i) documentos enviados pela JF e (ii) Laudos de Exame EconômicoFinanceiro. Casos evolvendo a Operação Beacon Hill já foram objeto de análise de colegiado, destaco o acórdão nº 9202007.098, de relatoria da Ilma. Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que na oportunidade acompanhei pelas conclusões, porém, entendo que cabe a aplicação no presente caso: Conforme consta do Auto de Infração, em decorrência das investigações promovidas a partir da CPI do Banestado, verificouse que a empresa Beacon Hill Service Corporation BHSC foi identificada como uma das maiores beneficiárias de recursos oriundos daquele banco brasileiro, configurando um verdadeiro sistema financeiro paralelo globalizado. Fl. 407DF CARF MF 6 No curso do inquérito instaurado pelo Departamento de Polícia Federal, ficou evidenciado que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, utilizandose de contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation", a qual representava "doleiros" brasileiros e/ou empresas offshore com participação de brasileiros. Passando às questões pontuais de mérito, temse, conforme consta dos relatórios fiscais, que nos casos ora apreciados do exame dessa relação, elaborada pela Equipe Especial de Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, constatase que, de fato, no campo em que o referido laudo pericial explica ser representativo do “cliente que determinou a ordem de pagamento (não constitui, necessariamente o remetente original)”– está registrado como ordenante o sujeito passivo. Constatase também, que no campo “Debit Name (Nome debitado)” está registrada a conta “New York, NY 10036”. Logo, os recursos foram debitados, isto é, sacados dessa conta corrente para serem creditados, isto é, depositados na conta corrente indicada no campo “Credit Name (nome creditado)”, no caso, “226 E 54TH STREET SUITE 701 NEW YORK NY 100223703”. De acordo com o relatório fiscal, da descrição dos fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração, com a finalidade de identificar o titular da conta registrada nas ordens de pagamento, a fiscalização utilizouse como instrumento de pesquisa os dados cadastrais do CPF, que alimentam os bancos de dados sistematizados da RFB Pois bem, embora alegue o recorrente: que nunca teve recursos no exterior; nunca enviou nem recebeu valores ao exterior; não têm qualquer relação com a empresa e as contas relacionadas nos anexos; que as supostas movimentações financeiras de Nova York para Nova York (anexo 12), nas quais aparece como ordenante, não devem ser acatadas posto que inexiste assinatura ou qualquer outra informação que possa gerar credibilidade, não vejo como dar guarida a suas alegações, frente a análise do caso concreto. Não se pode perder de vista que, quando não está presente no processo prova objetiva da ocorrência de determinada situação, a autoridade julgadora formará sua livre convicção, na forma do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (...) Assim, no que tange à alegação de que não efetuou qualquer remessa de recurso ao exterior, verificase que a fiscalização, por meio das informações repassadas pela Polícia Federal, por ordem do juiz Sérgio Fernando Moro, da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba (PR), identificou que o autuado remeteu ao exterior, por intermédio da Beacon Hill Service Corporation Fl. 408DF CARF MF Processo nº 19515.000364/200701 Acórdão n.º 9202007.634 CSRFT2 Fl. 406 7 BHSC, valores, consoante se extrai do documento intitulado “Operações da Representação Fiscal constantes dos autos Conforme muito bem delimitado no voto vencedor do acórdão 9202002.455 de 08/11/2012 uma operação com a empresa Beacon Hill Service Corporation — BHSC e similares possui os seguintes intervenientes: • Remetente/ordenante • Intermediador financeiro • Beacon Hill Service Corporation – BHSC • Banco JP Morgan Chase/NY/Outros Bancos • Beneficiário Remetente: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia como responsável pela remessa das divisas ao exterior. Confundese, em várias situações, com a figura do ordenante, abaixo descrita; Ordenante: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia, como responsável pela ordem/determinação de movimentação de recursos no exterior. Em geral, pode ser encontrado nas colunas "order Customer" e/ou "details of payment", antecedido da sigla B.0.(By order); Beneficiário: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia, como destinatário final das divisas ordenadas/remetidas. Em geral, pode ser encontrado nas colunas "ACC Party" e/ou "Ult.Benef', podendo estar antecedido da sigla FFC ("for further credit"); Intermediário: Pessoa física ou jurídica, responsável pela intermediação de compra e venda de moeda estrangeira, à margem do Sistema Financeiro, atuando nas operações de remessa/repatriação de recursos para/do exterior ou na movimentação de recursos no exterior. Em algumas transações, o beneficiário figura, simultaneamente, como ordenante/remetente dos recursos. Em que pese procure o recorrente, digase, sem sucesso, desqualificar as provas dos autos, penso que o tipo de operação praticada objetivava ocultar das autoridades fiscais brasileiras recursos no exterior e, dessa feita, a prova produzida pela fiscalização dificilmente seria obtida por meio de registros contábeis do contribuinte ou em documento por ele assinado. Ademais, a maioria dessas transações financeiras era efetuada por ordens verbais ou eletrônicas, portanto o convencimento probatório é formado por um conjunto de elementos que convergem no sentido de revelar a ocorrência de determinados fatos envolvendo certos agentes. Fl. 409DF CARF MF 8 Os documentos e/ou informações obtidas pela Polícia Federal, com os quais embasou o Laudo Pericial, foram fornecidas por instituições financeiras, a princípio, idôneas, de sorte que tais informações, se não contrapostas, valem como verdadeiras, surtindo, pois, os efeitos jurídicos pretendidos no feito fiscal em apreço. Assim, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 410DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13963.000566/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
REGIME NÃO-CUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS.
Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos sólidos, monitoramento do ar e outros serviços necessários a recuperação do meio ambiente, conferem direito a créditos de Cofins porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na legislação de regência.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Também devem ser considerada insumo a depreciação dos bens do ativo imobilizado.
Numero da decisão: 3301-005.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer direito ao creditamento em relação a todas as despesas com preservação com o meio ambiente e também em relação aos bens do ativo imobilizado em razão da depreciação.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005 REGIME NÃO-CUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos sólidos, monitoramento do ar e outros serviços necessários a recuperação do meio ambiente, conferem direito a créditos de Cofins porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na legislação de regência. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Também devem ser considerada insumo a depreciação dos bens do ativo imobilizado.
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UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos sólidos, monitoramento do ar e outros serviços necessários a recuperação do meio ambiente, conferem direito a créditos de Cofins porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na legislação de regência. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Também devem ser considerada insumo a depreciação dos bens do ativo imobilizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer direito ao creditamento em relação a todas as despesas com preservação com o meio ambiente e também em relação aos bens do ativo imobilizado em razão da depreciação. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 05 66 /2 00 5- 18 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13963.000566/200518 Acórdão n.º 3301005.606 S3C3T1 Fl. 223 2 (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão no. 0725.814 4a Turma da DRJ/FNS (fls. 148/160): Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para Programa de Integração Social — PIS, nãocumulativa, decorrentes de operações no mercado interno não tributadas, que remanesceram do mês de junho de 2005, após a dedução do valor da contribuição a recolher. Termo de Verificação Fiscal e Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento, na apuração de créditos, de vários produtos e serviços que entende não se enquadrarem no conceito de insumos, conforme definido no art. 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, arrolados na planilha juntada As fls. 75 a 77 dos autos. A Autoridade Fiscal destaca que os valores não considerados na apuração do crédito reconhecido referemse "a produtos e serviços que não estão ligados diretamente A produção (cartuchos para impressora, conservação e limpeza, semente de plantas, meio ambiente, vigilância, etc) e a produtos que não tem ligação alguma com a atividade da empresa (consultoria, impressão gráfica e encadernações, etc)". Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a contribuinte insurgese, inicialmente, contra o entendimento firmado pela Autoridade Fiscal de que os atos administrativos editados pela Receita Federal do Brasil teriam legalidade assegurada pelo disposto no artigo 100, I do CTN e defende que os atos previstos em tal dispositivo somente podem complementar e assim ratificar os dispositivos e conteúdo das leis, sendo este principio da estrita legalidade garantia fundamental do cidadão brasileiro e contribuintes. Assevera, ainda, que a atividade fiscal por ser vinculada à. lei, a teor do artigo 142 e parágrafo único do CTN, deve a Fiscalização, de forma obrigatória, obedecer os estritos ditames legais. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13963.000566/200518 Acórdão n.º 3301005.606 S3C3T1 Fl. 224 3 Aduz que para fins de determinação e apuração dos créditos da Cofins nãocumulatividade são cogentes exclusivamente as normas e disposições contidas na Lei 10.833/2003, razão pela qual seria ilegal qualquer restrição ou ressalva ao conceito de insumo introduzida pela IN SRF 247/2002, nesta lei não prevista. Partindo deste pressuposto, defende, então, que geram crédito todas as aquisições de bens e serviços aplicados na "produção de carvão mineral", "indispensáveis e obrigatórios" para "manter a mina em pleno funcionamento e operação", listando todos os gastos glosados que entende serem geradores de crédito, como segue. 1. Gastos decorrentes de imposições postas por órgãos reguladores da atividade de mineração – gastos listados nos itens 11 e 18 da manifestação de inconformidade Inicialmente, a interessada aponta os vários itens a serem "observados e realizados tanto no interior como no exterior das respectivas minas", de "presença obrigatória para se produzir carvão mineral de forma regular e em estrita e perfeita observância as normas impositivas que se aplicam a este tipo de exploração econômica", os quais, ante as exigências de conservação e recuperação ambiental, devem "ser obrigatoriamente custeados e efetivamente realizados pela empresa mineradora, junto e concomitantemente à mineração do carvão propriamente dita, inclusive para que os órgãos estatais permitam que as minas permaneçam "abertas" e em funcionamento/operação". 2. Despesas decorrentes da aquisição e depreciação de bens do ativo imobilizado listadas no item 23 Em relação aos bens do ativo imobilizado, a interessada alega que muitos consistem, em verdade, de bens de reposição constante ao longo de um ano, devido à sua "duração efêmera nesta atividade de altíssima intensidade de utilização inerente à mineração de carvão", pelo que sustenta o "regular creditamento integral quando de sua aquisição ou construção". Indica como tal os seguintes bens: correias transportadoras, cabos elétricos e mangueiras utilizados no interior das minas na movimentação e o trânsito dos materiais e pessoas; a iluminação/energização e a ligação com as máquinas e equipamentos, o suprimento da água em alta pressão para funcionamento do maquinário que a utiliza na escavação inerente ao progresso/expansão da mina. Ainda em relação a esses bens, a contribuinte reclama que a Autoridade Fiscal não podia simplesmente glosar a integralidade dos créditos correspondentes, e sim ter apurado os créditos decorrentes da depreciação ou amortização, considerandoos no calculo do crédito reconhecido; assevera ser "obrigação inarreddvel dos agentes fiscais a recomposição dos créditos dai decorrentes da maneira e no valor que então consideraram corretos, face a expressa disposição do artigo 142 do CTN, que os obriga a apurar e a determinar, na sua integralidade, a matéria tributável". Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13963.000566/200518 Acórdão n.º 3301005.606 S3C3T1 Fl. 225 4 3. Gastos com mãodeobra – itens 29 e 30 Em relação As despesas com mãodeobra, aduz que o que se encontra vedado em lei é exclusivamente a remuneração paga a pessoa física em contrapartida ao serviço prestado, não, havendo, portanto, vedação em relação a todo e qualquer outro custo pago a pessoas jurídicas, contribuintes do PIS, que esteja obrigada a fazer para manter esta mãodeobra trabalhando regularmente e assim produzindo. Nesse sentido, argumenta como segue: 29. Silo itens assim obrigatórios, no que não restrito apenas remuneração/salário dos empregados (doc 03): transporte gratuito, controle e prevenção de pneumoconiose, equipamento de proteção individual, mudas de roupa, água potável e leite, exames médicos e laboratoriais, fornecimento de lanche/marmitas, assistência ao trabalhador acidentado, vale alimentação, etc 30. 0 assim impositivo e completo transporte dos empregados com ônibus e trajetos definidos em contratos específicos, além dos vales transporte (doc. 04). (...) 4. Gastos com serviços tomados de pessoas jurídicas Defende o direito de creditarse de gastos com serviços os quais alega serem indispensáveis à manutenção de sua atividade produtiva, quais sejam: de retifica de motores e de conservação e manutenção de equipamentos, notadamente ocorridos periodicamente e com frequência devido ao "desgaste permanente e constante na atividade de mineração"; de "meros consertos de bombas hidráulicas, empilhadeiras, reformas de materiais rodantes, etc."; de "manutenção e conservação dos estabelecimentos das minas da empresa contribuinte"; de portaria e vigilância nas minas. Além destes, lista (no item 34 de sua manifestação) uma série de outros serviços destinados a cumprir exigências de controle e manutenção ambiental postas por órgão reguladores, tais como: estudos hidrológicos e hidrogeológicos; certificações e avaliações de qualidade exigidas pelos órgãos públicos atinentes; coleta e transporte de resíduos; diagnósticos ambientais; aterros e terraplenagem segundo exigências ambientais de recuperação do solo; tratamento de efluentes; monitoramentos de qualidade do ar; engenharia ambiental e obrigatória recuperação de passivos ambientais; auditorias ambientais em recursos hídricos, efluentes bombeados, piezõmetros, monitoramento permanente, etc. (doc. 16). Lista, ainda, outros tantos serviços exigidos legalmente e necessários para manter a segurança das minas, tais como: cálculos estruturais para muro e suporte de rampa; recarga de extintores; projeto e reavaliações constantes de pilares de sustentação; auditorias de certificação de qualidade e de procedimentos como as ISO; serviços técnicos de geologia da Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13963.000566/200518 Acórdão n.º 3301005.606 S3C3T1 Fl. 226 5 mineração; reposição frequente e reiterada de pino e bucha do britador; consertos no maquinário; soldas permanentes em escoramentos no interior da mina. Em relação aos serviços prestados pela empresa GR Terraplanagem Ltda., defende que estes consistem de insumos indispensáveis à produção (que diz tratarse de "uma espécie de mineração de superfície") dos rejeitos carbonosos finos depositados nas bacias de decantação (depósitos de carvão mineral já na superfície depositados, portanto, já anteriormente minerados e ali deixados), as quais adquiriu da Companhia Siderúrgica Nacional CSN, para adequada entrega e fornecimento à sua cliente Tractebel. E explica: 41. 0 carvão recuperado/retirado desta área com depósitos já de superfície, como é de conhecimento notório, sendo, após sua exploração e recuperação das respectivas bacias de decantação, também comercializado pela empresa contribuinte aqui Recorrente com a própria Tractebel, misturado ao carvão oriundo e produzido em suas minas no entorno de Criciúma/SC. Tratase, pois, de carvão coletado e produzido a partir destas respectivas bacias de decantação, com somatório destes custos de produção inerentes a esta sua recuperação e processamento/beneficiamento já na superfície e não advindo do subsolo neste preciso momento. 42. Neste preciso contexto, os serviços prestados pela GR Terraplenagem Ltda., empresa contratada e responsável pela recuperação/exploração, manuseio e transporte na produção e comercialização deste carvão de rejeitos carbonosos finos pela empresa aqui Recorrente it Tractebel: vide respectivo contrato de prestação de serviços acostado it presente (doe. 09) neste figurando as duas empresas contratantes e parceiras nesta aquisição e exploração (doe. 08 A). 43. Nestes serviços, destacamse escavações, carga, transporte, empilhamento, blendagem dos rejeitos carbonosos lá existentes, com ainda final transporte e entrega à Tractebel (respectiva cláusula quinta doc. 09), pelo que todos estes evidentes custos inerentes à produção e et recuperação dessas mesmas quantidades de carvão Id existentes (uma espécie de mineração de superfície). Na sequência, alega ainda que geram créditos os demais custos relacionados e indissociáveis à prestação deste serviço, no caso: os custos dos "serviços e os insumos de e para obrigatória recuperação ambiental assumida"; custos de pessoal, materiais, vigilância, etc. desta GR Terraplenagem Ltda. como integrantes do prep de venda dos serviços cobrados por essa mesma empresa contratada. Ainda no item 34, a interessada traz alguns materiais cujos custos de aquisição entende darem direito a crédito, quais sejam: caixas de papelão e sacos BIG BAG são embalagens exigidas para acondicionamento, transporte e assim comercialização do Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13963.000566/200518 Acórdão n.º 3301005.606 S3C3T1 Fl. 227 6 carvão produzido; como não ensejadores de créditos da contribuição em questão?; "ETIQUETAS" são exigência da legislação correspondente, em especial no transporte de produtos 'perigosos", para assim obrigatória identificação do carvão, respectivo tipo e propriedades; mensalmente são adquiridos metros e metros das correias de transporte, de assim constante reposição no desenvolvimento e na exploração da mina, custo de produção absolutamente indispensável e sempre reiterado; copos plásticos são exigência obrigatória da e na convenção coletiva de trabalho no fornecimento de água, leite e alimentação aos trabalhadores; gastos com explosivos e cursos técnicos relativos ri opera cão dos mesmos constituem custos de produção indispensáveis it regular e produtiva operação da mina, inclusive consoante normas de segurança de obrigatória obediência; Ante as razões expendidas, a contribuinte pugna pelo acolhimento de sua Manifestação de Inconformidade, reconhecimento dos créditos pretendidos e homologação integral da compensação. A impugnação foi julgada pelo Acórdão no. 0725.795 4ª Turma da DRJ/FNS (fl. 809): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP ANOCALENDÁRIO: 2005 NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime nãocumulativo de apuração da contribuição, somente geram créditos passíveis de utilização pelo contribuinte aqueles custos, despesas e encargos expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas à sua obrigatoriedade ou à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13963.000566/200518 Acórdão n.º 3301005.606 S3C3T1 Fl. 228 7 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade da contribuição, para fins de creditamento de valores, somente são considerados como insumos: as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na produção ou fabricação do produto destinado à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Esta turma do CARF, por meio da Resolução no. 3301000.383 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária(fl 345/348 do Processo no. 11516.000919/200956), determinou diligência para que a unidade de origem intimasse a contribuinte a juntar laudo técnico e outras informações. A Recorrente apresentou informações às fls. 353/520 do 11516.000919/2009 56. Por sua vez, a Resolução no. 3301000.289– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária determinou a juntada dos Processos no. 11516.000919/200956, 13963000564200529, 13963000565200573 e 13963000566200518, razão de conexão. (fl. 917 do Processo 11516.000919/200956). Nesta sessão de julgamento serão julgados todos esses processos conexos e também o Processo no. 13963.000567/200562. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Cumpre consignar inicialmente que se trata de contenda nos mesmos termos da constante do Processo nº 11516.000935/200949, cuja decisão de seu por meio do Acórdão no. 3803004.509– 3ª Turma Especial. A lide no presente processo administrativo gira em torno do conceito de insumo em relação aquisições de produtos e serviços em função da produção de carvão mineral. Conforme se extrai da decisão da DRJ, foram homologados parcialmente os créditos pleiteados, sob o argumento de que o contribuinte desrespeitou a redação da IN da SRF n.º 247/2002, razão pela qual as aquisições de vários produtos e serviços, relacionados na planilha anexa, já citada no relatório, foram glosadas pela fiscalização. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13963.000566/200518 Acórdão n.º 3301005.606 S3C3T1 Fl. 229 8 Controvérsia em Relação à Extensão da Glosa O agente fazendário informou em seu relatório que a glosa recaiu apenas em relação aos produtos e serviços que “não” estavam vinculados diretamente ao processo produtivo e cita especificamente: aquisições de cartuchos para impressora, serviços de conservação e limpeza, sementes, serviços relacionados a preservação do meio ambiente, serviços de vigilância e consultoria, impressão gráfica, encadernações, transporte de trabalhadores, etc, conforme planilha já citada. Já o contribuinte insiste que a glosa teve por objeto não apenas os produtos e serviços descritos na planilha citada pelo agente fiscal, mas também a aquisição de outros serviços e produtos, conforme menciona no Recurso Voluntário, ou seja, despesas com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, controle e prevenção de pneumoconiose, equipamento de proteção individual, mudas de roupa, exames médicos e laboratoriais, assistência ao trabalhador acidentado, vale alimentação, aquisição de caixas de papelão, embalagens BIG BAG, etiquetas e explosivos e cursos em relação aos explosivos, manutenção de motores, empilhadeira e bombas hidráulicas. Conforme dito em relatório, os julgadores de primeiro grau já haviam identificado que o contribuinte pleiteou créditos em relação aos produtos e serviços, citados no parágrafo anterior, que não estavam indicados na planilha apresentada pela fiscalização. Assim, no tocante a esses serviços e produtos, a DRJ conclui que o contribuinte não apresentou prova de que os mesmos estavam relacionados com o processo produtivo e por isso negou também o creditamento. Das Provas Produzidas pelo Contribuinte e da Análise do PAF 13963.000565/200573 No PAF n.º 13963.000565/200573, o contribuinte trouxe várias provas de seu direito e que merecem ser analisadas com atenção. Cumpre informar inclusive que a própria DRF à fl. 874 PAF 13963.000565/200573, comenta que as provas juntadas serão úteis para todos os processos administrativos do contribuinte em que se pleiteiam os créditos de PIS/PASEP e COFINS. Assim, deve ser afastado qualquer argumento no sentido de que o Recorrente deveria ter trazido as provas específicas para o presente processo. Em relação às provas de interesse do contribuinte, vale citar as seguintes: Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13963.000566/200518 Acórdão n.º 3301005.606 S3C3T1 Fl. 230 9 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13963.000566/200518 Acórdão n.º 3301005.606 S3C3T1 Fl. 231 10 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13963.000566/200518 Acórdão n.º 3301005.606 S3C3T1 Fl. 232 11 Das Aquisições de Bens e Serviços que Geram Créditos Assim, considerando a planilha anexa aos autos em que estão relacionados os serviços e produtos glosados pela fiscalização, ou seja, excluídos do creditamento da contribuição, reconheço do pleito do contribuinte em relação todas as despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FÁTMA. Assim, partindo da planilha elaborada pelo agente fazendário, concedo créditos em relação às aquisições de serviços e produtos mencionados na tabela abaixo, por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público: Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13963.000566/200518 Acórdão n.º 3301005.606 S3C3T1 Fl. 233 12 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13963.000566/200518 Acórdão n.º 3301005.606 S3C3T1 Fl. 234 13 Questão semelhante já foi analisada pelo CARF no PAF n.º 13053.000112/200518 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740, julgado em 09.11.2011 – 3ª Turma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Conforme se extrai do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional. Evidentemente que no caso em tela não se está tratando de insumos aplicados na produção alimentícia, conforme o julgado administrativo colacionado, todavia, por outro lado, as despesas com a proteção do meio ambiente são geradas em função de uma imposição do Poder Público e neste caso é inexigível conduta diversa por parte do contribuinte. Além do que, é verdade que sem cumprir ao rígido controle ambiental, por certo que a empresa não estaria autorizada a extrair o carvão mineral, ou seja, estaria impossibilitada de realizar o seu processo produtivo. Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja: risco ambiental, recuperação ambiental, auditorias ambiental, terraplanagem para recuperação ambiental, prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia, prestação de serviços de monitoramento do ar na área de influência das minas, serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental, serviços de estudos hidrológicos, locação de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental, de ensaio técnico, serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA), prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas, prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina, prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas, prestação de serviços planialtimétricos, anteprojeto de recuperação de área ambiental e drenagem, serviços de coleta de resíduos sólidos. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13963.000566/200518 Acórdão n.º 3301005.606 S3C3T1 Fl. 235 14 Ainda assiste razão ao contribuinte quando requer os créditos em relação a depreciação dos bens do ativo imobilizado, principalmente quando o fiscal nada comenta a respeito, bem mesmo o julgador de primeiro grau, uma vez que os contribuintes sujeitos a incidência nãocumulativa do PIS/COFINS, em relação aos bens adquiridos, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação, nos termos da legislação aplicável. Assim, podem gerar direito a estes créditos as depreciações das empilhadeiras, bombas hidráulicas, motores etc, desde que registrados no ativo imobilizado. Das Aquisições de Bens e Serviços que Não Geram Créditos Por outro giro, observo que o contribuinte deseja ver aplicado ao conceito de insumo a legislação do IRPJ para efeito de credimento da COFINS e PIS/PASEP. Todavia, penso que não lhe assiste razão, pois caso o legislador desejasse, teria permitido aos contribuintes a dedução das despesas operacionais. Assim, seguindo esse raciocínio, não é possível reconhecer o direito creditório em relação às despesas com o transporte de funcionários, fornecimento de água, leite, pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, refeição, vigilância, limpeza, encadernação, controle e prevenção de pneumoconiose, fornecer equipamento de proteção individual etc, pois estas despesas não podem ser consideradas insumo para efeito de creditamento, ainda que o Acordo Coletivo de Trabalho tenha obrigado a empresa a fornecer, equipamento de proteção aos funcionários, aquisição de caixas de papelão, bem como o fornecimento de água e leite aos seus funcionários. Por certo que estes dois últimos produtos, dentre outros, não apresentam nenhuma relação com o processo produtivo de uma mina de extração de carvão mineral e por isso agiu bem a fiscalização em glosálos. Neste sentido, cito Apelação Cível n.º 00054351120104036102 – TRF 3ª Região, DJF de 03.08.2012, Desembargadora Cecília Marcondes: APELAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. REFEIÇÕES, CONVÊNIO MÉDICO, VALETRANSPORTE, UNIFORME E SEGURO DE VIDA. IMPOSSIBILIDADE. 1. As Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS) disciplinam a nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS, dispondo sobre os limites objetivos e subjetivos para a implementação dessa técnica de tributação. (...) 7. Resta claro que as despesas com refeições, convênio médico, valetransporte, uniforme e seguro de vida não se qualificam como insumos, pois não são bens ou serviços utilizados diretamente no processo de fabricação/produção dos produtos comercializados pela impetrante.(...) Apelação Improvida. A mesma sorte ocorre em relação às despesas resultantes das aquisições com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão e aquisição de caixas de papelão, pois penso que aqui falhou a interessada ao não ter demonstrado se estes produtos foram efetivamente aplicados na atividade de extração mineral. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13963.000566/200518 Acórdão n.º 3301005.606 S3C3T1 Fl. 236 15 Ainda não deve ser concedido crédito em relação as despesas com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, uma vez que as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, não provam que estes serviços tenham sido realizados em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Cumpre ainda observar que embora a empresa tenha juntado aos autos as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, por outro lado não há provas de que estes serviços tenham sido realizado em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Quanto às despesas com aquisições de explosivos e cursos em relação aos mesmos, penso que estas despesas estão relacionadas com o processo produtivo. Entretanto, o contribuinte não instruiu os autos com notas fiscais de aquisição e nem mesmo contratos de prestação de serviços em relação aos cursos de operacionalização destes explosivos, razão pela qual não demonstrando o seu direito não há fundamento para o reconhecimento dos créditos neste particular. O mesmo digase em relação às despesas com embalagens e etiquetas. Da Elaboração do Conceito de Insumo É preciso ter em mente que a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da Cofins é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo não cumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para aquele imposto (IPI). Seus créditos possuem natureza financeira. Outra constatação não menos importante é a de que a hipótese de incidência dessas contribuições adota o faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil o que significa que os tributos não têm sua materialidade restrita apenas aos bens produzidos, mas sim à aferição de receitas. Deve ainda ser fixada a premissa de que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto, conforme no IPI. Neste sentido são os ensinados de Marco Aurélio Grego em Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS, Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan.2003, Belo Horizonte. Com foco nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, as IN da SRF ns. 247/02 e 404/04 não têm condições de trazer para a COFINS e PIS o conceito de insumo aplicado ao IPI, sob pena de ir de encontro com a vontade do legislador no que se refere ao princípio da nãocumulatividade. Disso tudo se conclui que a definição de “insumos” para efeito do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 (PIS) e mesmo artigo da Lei n. 10.833/2003 (COFINS) exige que: a) não Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13963.000566/200518 Acórdão n.º 3301005.606 S3C3T1 Fl. 237 16 é preciso que ocorra o consumo do bem ou que a prestação do serviço esteja em contato direto com o produto, logo é possível admitir apenas o emprego indireto no processo produtivo; b) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos, conseqüentemente aqui se mostra importante a pertinência ao processo produtivo e por fim que a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição e aqui chama à atenção a essencialidade ao processo produtivo. A essencialidade do bem ou serviço é fundamental para que estes sejam considerados insumo. É importante que o processo produtivo dependa da aquisição do bem ou serviço e do seu emprego direito e inclusive o emprego indireto também. Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e lhe dou parcial provimento para reconhecer direito ao creditamento em relação a todas as despesas com preservação com o meio ambiente e também em relação aos bens do ativo imobilizado em razão da depreciação, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.908060/2009-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. PREVALÊNCIA.
Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão equivocadas, pois prestadas erroneamente, deve-se prestigiar os Princípios da Verdade Material e da Moralidade Administrativa, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado nas referidas informações equivocadas.
Ou seja, o mero erro formal do contribuinte, consubstanciando erro nas informações prestadas em declarações obrigatórias não prevalece, quando comprovada a verdade dos fatos.
Numero da decisão: 9303-008.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão equivocadas, pois prestadas erroneamente, devese prestigiar os Princípios da Verdade Material e da Moralidade Administrativa, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado nas referidas informações equivocadas. Ou seja, o mero erro formal do contribuinte, consubstanciando erro nas informações prestadas em declarações obrigatórias não prevalece, quando comprovada a verdade dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 60 /2 00 9- 80 Fl. 85DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 3302002.384, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que: · O interessado limitouse a reiterar as razões da manifestação de inconformidade e a tecer considerações sobre a verdade material, não colacionando documentos para comprovar o invocado direito creditório; · Não obstante o contribuinte ter retificado as DCTFs somente após proferido o DespachoDecisório que negou seu pleito e não haver se desincumbindo do ônus de comprovar o erro que deu ensejo a retificação das DCTFs, o acórdão recorrido deu provimento ao Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10166.908060/200980 Acórdão n.º 9303008.110 CSRFT3 Fl. 84 3 recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório alegado em PER/DCOMP. Em Despacho às fls. 75 a 77, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Dado ciência ao contribuinte, Contrarrazões não foram apresentadas. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade constante do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho às fls. 75 a 77. Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide trazida em Recurso – qual seja, se há no caso vertente a necessidade de comprovação por meio de documentação contábil a ocorrência do erro na DCTF, inclusive para fins de se provar a existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Em relação à essa questão, adoto as razões de decidir do acórdão recorrido – o que peço licença para transcrever parte: "[...] Da análise dos autos verificase que a DIPJ e a DCTF indicam a existência de saldo credor de contribuições de Pis e Cofins. Informa a Recorrente não ter realizado, à época devida, a exclusão das respectivas bases de cálculo dos valores referentes aos produtos monofásicos. Fl. 87DF CARF MF 4 Vale notar que em momento algum do processo a autoridade fiscal questionou as informações da Recorrente. A abordagem da DRJ foi estritamente no sentido de que a simples retificação de DCTF não seria suficiente para a constituição do crédito tributário. Ou seja, não questionou o fato de a Recorrente deduzir da base de cálculo os valores referentes aos produtos monofásicos. Pois bem, muito embora tenha razão a DRJ ao afirmar que a simples retificação de DCTF e DIPJ não é suficiente para comprovar a existência do crédito tributário, fato é que se o contribuinte comprova que há um erro na DCTF e procede à retificação das informações, constitui outro valor como devido, o que não pode ser desconsiderado. Vale dizer, o processo administrativo tributário, regido pelo princípio da verdade material, não permite análise rasas de documentos, tampouco a prevalência de declarações equivocadas, uma vez que se constate que os fatos se deram de forma distinta daquilo que foi declarado. Assim, mero erro formal do contribuinte, consubstanciando erro nas informações prestadas em declarações obrigatórias não prevalece, quando comprovada a verdade dos fatos. A jurisprudência deste Tribunal corrobora este entendimento, tendo cancelado diversos lançamentos quando comprovada a ocorrência de mero erro formal, por equivoco do contribuinte na prestação de informações em suas declarações. Destaco: “AUDITORIA DE DCTF. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. No caso de lançamento decorrente de auditoria interna de DCTF, estando demonstrado nos autos que o valor recolhido pelo sujeito passivo a título de IRPJ corresponde ao informado na DIPJ, é de se admitir como incorreto o valor divergente informado pelo contribuinte na DCTF.(...)” (CARF 1ª Seção, 2ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 140200.189) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10166.908060/200980 Acórdão n.º 9303008.110 CSRFT3 Fl. 85 5 detrimento de formalidade dispensável diante das circunstâncias.(...)” (CARF 3ª Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das circunstâncias. (...)” (CARF – 3ª Seção – 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Recurso provido.” (1º Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Acórdão 10808.689) “(...)VALOR DA TERRA NUA. DITR ERRO NO PREENCHIMENTO Constatado erro no preenchimento da DITR, a autoridade administrativa deve rever o lançamento, para adequálo aos elementos fáticos reais. Havendo erro no Valor da Terra Nua declarado e inexistindo nos autos elementos que permitam a manutenção da base de cálculo do tributo, adota se o valor fixado na IN pertinente. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos.Recurso especial da Fazenda Nacional negado.” (CSRF, 3ª Turma, Acórdão CSRF/0304.471) As decisões acima apresentadas fundamentamse no princípio da verdade material, que impede que o formalismo se sobreponha à matéria e à verdade dos fatos. O processo administrativo fiscal tem por fim a busca da verdade material justamente por permitir, nesta instância, a análise irrestrita e profunda dos fatos, visando justamente estabelecer como se deram de modo que a tributação não ultrapasse seus limites. Fl. 89DF CARF MF 6 Em observância a tais princípios, uma vez constatado que houve erro nas informações prestadas pelo contribuinte, de se considerar a verdade dos fatos, ainda que elas sejam diversas das informações em que se baseou o Fisco na execução de seus atos – seja na lavratura de um auto de infração, ou, como no presente caso, na não homologação de uma compensação. Ressaltase, contudo, que esta decisão não significa a homologação da compensação pleiteada, uma vez que o crédito tem de ser avaliado pela autoridade administrativa competente. A questão é que não há impedimento legal para que a retificação seja realizada posteriormente, sendo permitido o procedimento adotado pela Recorrente. Ante o exposto, conheço do presente para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário da Recorrente, para reconhecer o direito ao procedimento de compensação, ficando ressalvado à fiscalização a apuração do crédito tributário pleiteado." Sendo o voto irretocável, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.921909/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PIS/COFINS. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL.
Nos termos do art. 3º, I, "b" e do art. 2º, §1º, II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, é vedado o creditamento das contribuições de PIS/Cofins dos bens adquiridos para revenda no caso de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal especificados no inciso I do art. 1º da Lei no 10.147/2000.
O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis. Tal dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação, ou seja, previsto na legislação para determinado bem naquela situação fática específica, mas que foi aplicado em produto cuja receita de venda não é tributada (suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência).
PIS/COFINS. STJ. CONCEITO ABSTRATO. INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO.
O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito abstrato de insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002) deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa.
PIS/COFINS. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS. COMERCIALIZAÇÃO. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O transporte de bens destinados a venda entre os estabelecimentos da recorrente, sem vinculação com o processo produtivo em si, que não se refere também ao deslocamento do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra nas hipóteses permissivas de creditamento de frete na operação de venda (arts. 3o, inciso IX e 15 da Lei 10.833/2003) ou de serviço utilizado como insumo no processo produtivo (incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002).
Os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo em si, do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço prestado a terceiros. Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam o creditamento sobre bens ou de serviços utilizados na atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente sobre os insumos utilizados na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens.
PIS/COFINS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE.
A possibilidade de creditamento com base nos incisos VI e §1º, III dos artigos 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 está restrita aos encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado destinados para locação a terceiros, produção de bens destinados à venda ou prestação de serviços; não sendo cabível na hipótese de máquinas ou equipamentos utilizados na atividade comercial da empresa.
DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS.
Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72).
Não é tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do direito creditório da contribuinte mencionada na decisão recorrida quando a própria recorrente sequer contestou os fundamentos dessa decisão nesta parte.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRODUÇÃO DE PROVAS.
O processo administrativo tem um rito diferenciado do procedimento adotado no âmbito do Código de Processo Civil, o qual, no seu art. 1046, §2º expressamente preservou a vigência das disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis, aos quais se aplica as normas do CPC apenas em caráter supletivo.
Em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a manifestação de inconformidade/impugnação, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, no processo administrativo fiscal não há qualquer previsão de autorização para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador.
Recurso Voluntário negado
Direito Creditório não reconhecido
Numero da decisão: 3402-006.229
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL. Nos termos do art. 3º, I, "b" e do art. 2º, §1º, II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, é vedado o creditamento das contribuições de PIS/Cofins dos bens adquiridos para revenda no caso de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal especificados no inciso I do art. 1º da Lei no 10.147/2000. O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis. Tal dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação, ou seja, previsto na legislação para determinado bem naquela situação fática específica, mas que foi aplicado em produto cuja receita de venda não é tributada (suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência). PIS/COFINS. STJ. CONCEITO ABSTRATO. INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito abstrato de insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002) deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. PIS/COFINS. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS. COMERCIALIZAÇÃO. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 19 09 /2 01 2- 31 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 2 O transporte de bens destinados a venda entre os estabelecimentos da recorrente, sem vinculação com o processo produtivo em si, que não se refere também ao deslocamento do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra nas hipóteses permissivas de creditamento de frete na operação de venda (arts. 3o, inciso IX e 15 da Lei 10.833/2003) ou de serviço utilizado como insumo no processo produtivo (incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002). Os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo em si, do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço prestado a terceiros. Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam o creditamento sobre bens ou de serviços utilizados na atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente sobre os insumos utilizados na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens. PIS/COFINS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. A possibilidade de creditamento com base nos incisos VI e §1º, III dos artigos 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 está restrita aos encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado destinados para locação a terceiros, produção de bens destinados à venda ou prestação de serviços; não sendo cabível na hipótese de máquinas ou equipamentos utilizados na atividade comercial da empresa. DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). Não é tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do direito creditório da contribuinte mencionada na decisão recorrida quando a própria recorrente sequer contestou os fundamentos dessa decisão nesta parte. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRODUÇÃO DE PROVAS. O processo administrativo tem um rito diferenciado do procedimento adotado no âmbito do Código de Processo Civil, o qual, no seu art. 1046, §2º expressamente preservou a vigência das disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis, aos quais se aplica as normas do CPC apenas em caráter supletivo. Em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a manifestação de inconformidade/impugnação, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, no processo administrativo fiscal não há qualquer previsão de autorização para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador. Recurso Voluntário negado Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 3 Direito Creditório não reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre pedido de ressarcimento/compensação de valores credores de contribuição não cumulativa vinculados à receita do mercado interno. A fiscalização concluiu pela inexistência dos créditos pleiteados, razão pela qual foi emitido Despacho Decisório pela autoridade administrativa, indeferindo o pedido de ressarcimento apresentado. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando a legitimidade dos créditos pleiteados, objeto das seguintes rubricas: a) Mercadorias sujeitas à incidência monofásica adquiridas para revenda ou relacionadas à devolução de vendas; b) Despesas de aluguel de bem imóvel pago à pessoa jurídica; c) Despesas com fretes nas transferências de mercadorias entre estabelecimento da empresa; d) Depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado; e e) Outras operações com direito a crédito. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 10052.457. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, sustentando o seu direito creditório sob os seguintes tópicos: a) Creditamento do PIS e da COFINS com relação às mercadorias sujeitas à incidência monofásica adquiridas para revenda ou relacionadas à devolução de vendas b) Despesas incorridas com frete nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da empresa c) Creditamento de PIS e COFINS referente à depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 4 d) Comprovação das despesas de aluguel de bem imóvel pago à pessoa jurídica e) Créditos rubricados como "outras operações com direito a crédito" É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.223, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.921905/201252, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.223): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. a) Creditamento do PIS e da Cofins com relação às mercadorias sujeitas à incidência monofásica adquiridas para revenda ou relacionadas à devolução de vendas Como consta na Informação Fiscal que fundamentou o Despacho Decisório, em relação aos bens para revenda, foram glosados os créditos relativos às aquisições dos seguintes produtos: 1) produtos farmacêuticos classificados nos seguintes códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto ne 4.542, de 26 de dezembro de 2002: a) 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56; b) 30.04, exceto no código 3004.90.46; c) 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.30.1, 3006.30.2 e 3006.60.00; 2) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, da Tipi; Tais créditos foram glosados em face da vedação contida no art. 3º, I, "b" e no art. 2º, §1º, II da Lei nº 10.637/2002 (disposição idêntica na Lei nº 10.833/2003) c/c o inciso I do art. 1o da Lei no 10.147/2000, abaixo transcritos: Lei nº 10.637/2002: Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). Produção de efeito (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) II no inciso I do art. 1o da Lei no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal nele relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei no 10.147/2000: Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições (...) serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.548, de 2002) I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: ((Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 6 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Como se vê, a matéria não oferece maiores dificuldades, tratandose de vedação expressa em lei ao creditamento das contribuições sob a rubrica bens para revenda para os produtos específicos adquiridos pela ora recorrente. De outra parte entende a recorrente que tem direito a esses créditos com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que assim dispõe: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. No entanto, o dispositivo acima não tem o alcance pretendido pela recorrente, possibilitando a manutenção apenas do crédito da contribuição já existente para aquela operação, ou seja, previsto na legislação para determinado bem na situação fática específica, mas que foi aplicado em produto cuja receita de venda não é tributada (suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência). Há que se salientar também que, no caso específico, a fundamentação para a glosa sobre as aquisições de bens para revenda não foi o fato de as receitas de vendas não serem tributadas, mas a existência de vedação legal ao creditamento nas aquisições dos determinados produtos. No mais, mesmo que se adotasse uma interpretação extensiva do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o que esta Relatora entende não ser cabível, a norma genérica, que permitiria a manutenção dos créditos nas vendas com alíquota zero, não poderia derrogar a norma específica que veda expressamente o crédito nas aquisições dos produtos sob análise, em consonância com o disposto no art. 2º, §2º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. (Vide Lei nº 3.991, de 1961) (Vide Lei nº 5.144, de 1966) Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 7 § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. (...) No que concerne às alegações da recorrente relativas a Medida Provisória nº 413/2008 e sua conversão na Lei nº 11.727/2008, é de se esclarecer que também não se discute aqui a possibilidade, em tese, de aplicação do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 em relação aos custos, despesas e encargos dos distribuidores, comerciantes ou varejistas de produtos farmacêuticos, mas, obviamente, que somente haverá o efetivo direito ao creditamento quando este esteja previsto em relação a operação concretizada. Dessa forma, em face da vedação legal acima descrita, não há possibilidade de reverter a glosa relativa aos bens adquiridos para revenda. Relativamente às devoluções de venda, as glosas foram assim justificadas pela fiscalização: De acordo com o inciso VIII, art. 3° das leis 10.637/2002 e 10.833/20031, só são passiveis de desconto de créditos os "bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado o faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei" (g.n.). Na listagem apresentada pelo contribuinte, segregada por matriz e filiais, foram constatadas notas fiscais de devolução de produtos TRIBUTADOS A ALIQUOTA ZERO (mercadorias do inciso I, art. 1° da Lei n° 10.147, de 2000). Essas notas foram excluídas da apuração dos créditos, assim como as devoluções em que não foram apresentados os NCM dos produtos. Como se denota, tratase também de vedação expressa em lei de creditamento sobre a operação de devolução correspondente à venda cuja receita não foi anteriormente tributada. Da mesma forma, a norma genérica veiculada pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004 não poderia revogar a norma 1 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; (...) Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 8 específica que veda expressamente o crédito nas devoluções de vendas cujas receitas não foram anteriormente tributadas. Assim, a decisão recorrida há de ser mantida nesta parte. b) Despesas incorridas com frete nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da empresa Sustenta a recorrente a legitimidade de seu crédito sobre as despesas de fretes incorridas na transferência de produtos entre seus estabelecimentos com base nos arts. 3o, inciso IX e 15 da Lei 10.833/2003. Alega que "promove a transferência de mercadorias entre suas filiais por razões logísticas, a fim de facilitar a destinação à futura operação de venda, otimizando o tempo e os custos com o transporte nessas operações". Entende também que as despesas com frete interno estariam abrangidas pelo conceito de insumo, o qual deveria ser considerado de forma ampla, de modo a contemplar a totalidade dos dispêndios essenciais para a operação da empresa, do qual resulta a geração de sua receita e faturamento. Por fim, acrescenta a recorrente que: 36. Nesse sentido, os custos de frete interno devem ser entendidos como parte integrante do frete de venda, cujo desconto de créditos é permitido, uma vez que os custos com a saída dos bens entre os estabelecimentos da Recorrente, para futura comercialização pelo vendedor, correspondem, na realidade, a uma parcela dos custos totais que a empresa incorre para que os produtos vendidos sejam entregues aos clientes, sendo que o envio para as empresas da Recorrente tem o intuito tão somente de facilitar, do ponto de vista logístico e comercial, tal deslocamento. 37. Ademais, foi ignorado pelo V. Acórdão recorrido que as despesas com o frete interno são indispensáveis para a comercialização dos bens, já que sem a transferência dos produtos entre os estabelecimentos da Recorrente, a venda aos clientes restaria comercialmente dificultada em razão, entre outros, do aumento de custos e do tempo da chegada dos produtos até o cliente. 38. Assim, verificase que existe uma inerência entre as despesas com frete interno incorridas pela Recorrente e a venda futura das mercadorias, o que gerará a receita tributável pelo PIS/COFINS. Portanto, não há como se negar o direito ao desconto de créditos de PIS/COFINS sobre tais despesas com fretes. No que concerne ao serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 9 10.833/2003; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3º, IX e 15, II da Lei n° 10.833/2003. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com iii) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. No caso específico do presente processo, interessa analisar a possibilidade de enquadramento nas hipóteses ii) frete na operação de venda ou iii) frete como insumo. Ao que se deduz do relato da recorrente, os fretes contestados não se caracterizam como frete na operação de venda entre o estabelecimento do vendedor e o do comprador, mas de frete transferência de produtos entre as suas filiais. Conforme disposto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, a empresa pode descontar créditos calculados em relação a "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor". De forma que não encontra amparo nesse dispositivo legal a pretensão de creditamento sobre as despesas que não são de "frete na operação de venda", mas de deslocamento de produtos destinados a venda, por razões logísticas, entre seus próprios estabelecimentos. Melhor sorte não assiste à recorrente quanto à possibilidade de enquadramento no conceito de insumo das despesas de frete de transferência de produtos entre suas filiais. Adotase aqui o entendimento delineado pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, pelo rito dos Recursos Repetitivos, no sentido de que o conceito abstrato de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. Não obstante o conceito mais amplo de insumo do STJ no REsp nº 1.221.170/PR, no que interessa aos autos, conforme declarações da recorrente, resta evidente que os fretes de transferência entre os estabelecimentos da recorrente dãose no interesse da comercialização dos produtos, e não do processo produtivo em si, assim considerado aquele que origina o produto final ou concernente à execução do serviço, o que afasta a possibilidade de creditamento de tais despesas como insumos. Este Colegiado decidiu recentemente, no Acórdão nº 3402006.026, de 12 de dezembro de 2018, sob relatoria desta Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 10 Conselheira (Voto abaixo transcrito), no sentido de que os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam a atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente a prestação de serviços e a produção ou fabricação de bens, de forma que o conceito de insumo deve ser aferido somente em relação a estas duas atividades, ou seja, os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço: Atividade de comercialização de mercadorias versus conceito de insumos Ao que se observa da leitura dos incisos I e II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/20022, em relação à "revenda" de mercadorias, só há o direito ao desconto de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os próprios "bens adquiridos" para revenda (inciso I), enquanto que "na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda", há direito ao aproveitamento de créditos sobre todos os "bens e serviços, utilizados como insumo" nessas atividades (inciso II), sendo que aqui o conceito de insumo deve ser buscado no REsp nº 1.221.170/PR. Como se denota da redação dos incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002, a preposição "na" que sucede a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo" e que antecede os termos "prestação de serviços" 2 Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 11 e "produção ou fabricação" delineia o entendimento de que os bens e serviços que serão objeto de creditamento são aqueles utilizados como "insumo" nessas duas atividades, seja lá qual for o conceito de insumo a ser adotado pelo intérprete. De outra parte, nesse dispositivo legal (incisos II), a referência a "bens ou produtos destinados a venda" na segunda atividade geradora de crédito ("produção ou fabricação") está a dizer que o creditamento diz respeito ao processo produtivo do bem ou produto "destinado a venda", ou seja, ao processo produtivo do qual resultarão os bens ou produtos a serem vendidos, e não à atividade posterior de vendas. Contudo, considerando os critérios definidos pela Ministra Regina Helena Costa em seu voto no REsp nº 1.221.170/PR, em especial, o da relevância mais abrangente do que o critério da pertinência , não se pode descartar por completo a hipótese excepcional de uma despesa posterior ao processo produtivo vir a ser também considerada insumo: Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. Ainda que caiba, dentro do conceito de insumos, a discussão casuística acerca de algumas despesas posteriores ao processo produtivo, na mera comercialização de mercadorias que não foram produzidas ou fabricadas pela contribuinte, atividade preponderante da ora recorrente, somente há o direito ao creditamento sobre os próprios bens adquiridos para revenda, com base nos incisos I dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002, mas não com base nos incisos II desses artigos, pois ausente o processo produtivo de prestação de Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 12 serviços ou de produção ou fabricação de bens requerido neste inciso. Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam a atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente a prestação de serviços e a produção ou fabricação de bens. Tratase da prerrogativa do legislador ordinário de conferir tratamento privilegiado a determinados segmentos que seriam merecedores dentro do contexto econômico e social do País. Não se deve olvidar que cabe ao agente administrativo aplicar a lei tal como promulgada, sem estender seus efeitos para hipóteses nela não previstas. Nesse sentido já decidiu este CARF em face da própria contribuinte no Acórdão nº 3403003.306, de 14 de outubro de 2014, mediante voto vencedor do Conselheiro Rosaldo Trevisan, proferido nos seguintes termos: (...) Em face da Súmula CARF nº 2, não pode se distanciar o julgador dos comandos legais que disciplinam a matéria, os artigos 3º, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que permitem créditos em relação a: "II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)" (grifo nosso) A mera leitura do dispositivo [artigos 3º, II das Leis nº 10.637/2002 e nº10.833/2003] torna inequívoco que só bens e serviços podem ser insumos, e que tais “bens e serviços” para serem considerados insumos, devem ser utilizados: (a) na prestação de serviços; ou (b) na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços. Trabalha, assim, o texto legal, indubitavelmente, com duas categorias: “produção/fabricação” e “prestação de serviços”. Assim, não se pode conceber o alargamento vislumbrado no excerto transcrito do voto do relator, que acrescenta a estas outras categorias, carentes de previsão legal. E sustentar que a lei restringiu indevidamente a não cumulatividade constitucionalmente assegurada no § 12 do artigo 195 é atentar contra o próprio teor de tal dispositivo constitucional, que remete a disciplina à “lei”. Ademais, esbarrase novamente no teor da já citada Súmula CARF nº 2, que impede seja um texto legal vigente considerado inconstitucional por este tribunal administrativo. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 13 Acrescentese que o fato de as mesmas Leis nº 10.637/2002 e no 10.833/2003 contemplarem a revenda em inciso diverso (art. 3º, I) não permite concluir que também no inciso II se estaria a tratar da atividade de revenda, considerandoa ao lado ou até dentro da “produção/fabricação” ou “prestação de serviços”. Seria novamente um alargamento carente de fundamento legal. Não se pode generalizar a conclusão de que as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 permitem créditos apenas ao setor industrial ou de prestação de serviços (créditos estes que deveriam ser estendidos aos demais setores por isonomia ou analogia, independente da existência de lei que o autorizasse). Ambas as leis (no 10.637/2002 e no 10.833/2003) tratam de créditos também a outros setores. Mas não o fazem especificamente nos incisos II dos arts. 3º, que, como aqui já detalhado, versam restritivamente sobre “produção/fabricação” e “prestação de serviços”. (...) Passase agora a analisar cada glosa especificamente contestada dentro do conceito de insumo delimitado no REsp nº 1.221.170/PR. (...) (b) Despesas com frete, incluindo as despesas com combustível e manutenção da frota (código 10103 e 10113 do SPEDContribuições) (...) Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 14 Embora haja construção jurisprudencial no CARF3 no sentido de admitir o desconto de créditos relativos ao frete em algumas hipóteses específicas, na situação retratada pela recorrente, de frete ou gastos de transporte de produtos para revenda, fora do contexto da prestação de serviços ou da produção de bens, não se cogita de creditamento a título de insumo. Também não socorrem a recorrente os arts. 3o, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03, eis que não comprovado, que se trataria de legítima hipótese de frete na operação de venda ou revenda entre o estabelecimento da recorrente e da adquirente. O transporte de produtos entre os estabelecimentos da recorrente ou até determinado ponto para posterior revenda, que não se refere ao próprio transporte do produto revendido para o estabelecimento adquirente, não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas de creditamento. Nesse sentido, já foi decidido no Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012. Eventuais despesas com transporte ou frete anteriores ao frete na operação de revenda, que o viabiliza, podem ser caracterizadas como despesas com vendas, para as quais não há previsão legal de creditamento. 3 Acórdão nº 3402002.662– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Em se tratando de serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento tomado sobre o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3°, e no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, cfe. inc. IX. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, isso em razão de o valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo. Há ainda uma quarta hipótese, defendida na jurisprudência deste Colegiado, decorrente do conceito de insumo que se adota, no caso de fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. O transporte de produto acabado isso é, depois de concluído o processo produtivo – não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas. Se do ponto de vista logístico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda, juridicamente, não. Esse entendimento está plasmado, por exemplo, no voto condutor do Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012: “Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3°, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3°, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3°. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido.” Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 15 Com relação às despesas com combustível e manutenção da frota, como já mencionado, também não há possibilidade de creditamento das contribuições como insumos na atividade comercial varejista. Assim, devem ser mantidas as glosas de despesas de transporte (frete, combustível e manutenção) deste tópico. Dessa forma, o transporte de bens destinados a venda entre os estabelecimentos da recorrente, sem vinculação com o processo produtivo em si, que não se refere também ao deslocamento do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra nas hipóteses permissivas de creditamento de frete na operação de venda ou de serviço utilizado como insumo no processo produtivo. A decisão recorrida deve ser mantida também neste tópico. c) Creditamento de PIS e Cofins referente à depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado Com relação aos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, argumenta a recorrente que: 46. Contudo, o V. Acórdão recorrido novamente baseou se em critérios restritivos do direito ao creditamento de PIS e COFINS pelos contribuintes,deixando de analisar a natureza da atividade da Recorrente, desenvolvida mediante a utilização dos equipamentos tratados no referido despacho decisório,o que a legitima, portanto, a apropriação de créditos de PIS e COFINS sobre os encargos de depreciação relativos a estes equipamentos. 47. Nesse sentido, em que pesem as atividades da Recorrente sejam classificadas como comerciais, há que se reconhecer, contudo, que a utilização dos equipamentos em análise implica diretamente na elaboração das operações da Recorrente, o que não foi reconhecido pelo V. Acórdão recorrido. Como se sabe, os encargos de depreciação não são passíveis de creditamento como insumo (incisos II dos arts. 3º das referidas Leis), eis que o correspondente crédito é previsto em outro inciso. Não assiste razão à recorrente quanto à possibilidade de creditamento com base nos incisos VI e §1º, III dos artigos 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, os quais preveem o desconto de créditos para os encargos de depreciação somente para as "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" [grifei], mas não para a atividade comercial da recorrente. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 16 Assim, descabe reverter a glosa dos encargos de depreciação. d) Comprovação das despesas de aluguel de bem imóvel pago à pessoa jurídica Relativamente às despesas de aluguel, assim decidiu o julgador a quo: Por sua vez a contribuinte registrou ter apresentado os comprovantes de pagamento do valor da locação do imóvel que ensejou a apuração dos créditos de PIS/COFINS nãocumulativos, mas que não havia localizado cópia do contrato de locação. Disse ter localizado em seus arquivos remotos o contrato de locação em referência, entendendo que tal comprova seu direito aos créditos. Entretanto, afirmou a Fiscalização que a empresa apresentou comprovantes de pagamento apenas para o período março a dezembro de 2007, atentandose que o presente processo se refere ao 2º trimestre de 2006, para o qual não houve comprovação do pagamento da despesa em questão. Observese, ainda, que na planilha de fl. 81 a Fiscalização nada apurou a título de despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, o que não foi questionado, de forma direta e objetiva, pela contribuinte. Disso decorre que a contribuinte não tem razão quanto ao presente item, devendo ser mantido o entendimento constante da informação produzida pela Fiscalização, nada devendo ser alterado no Despacho Decisório. O documento acostado à Manifestação de Inconformidade (doc. 06) tratase de Contrato de Locação com a empresa NEWSERV ADM. COM. E SERVIÇOS LTDA. cujo prazo é "03 (três) anos, com início a 01 de Agosto de 2005 e a terminar em 31 de Julho de 2008". Assim, ocorreu que, no procedimento fiscal foram apresentados apenas comprovantes de pagamento para o período março a dezembro de 2007, tendo sido acusada, na Informação Fiscal, a falta de comprovação de utilização do imóvel nas atividades da empresa e do contrato de locação, o qual veio a ser apresentado na Manifestação de Inconformidade. Com efeito, para o período específico sob análise no presente processo (01/04/2006 a 30/06/2006), faltaria ainda apresentar a comprovação dos pagamentos dos alugueis e da utilização do imóvel nas atividades da empresa. No recurso voluntário (parágrafos 56. a 59.), a recorrente apenas repisa os exatos termos da Manifestação de Inconformidade (parágrafos 20. a 23), nada argumentando acerca da decisão recorrida. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 17 Como se sabe, incumbiria à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destinasse a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). Do julgador do CARF é esperado que ele decida motivadamente em consonância com os argumentos e provas apresentados pela recorrente, cotejandoos com os demais elementos dos autos. Certamente que não seria tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do direito creditório da contribuinte mencionada na decisão recorrida quando a própria recorrente não se deu ao trabalho de sequer contestar os fundamentos dessa decisão nesta parte. Dessa forma, diante da ausência no recurso voluntário de elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida quanto à glosa de despesas de aluguel no período de apuração do presente processo, ela há de ser mantida. e) Créditos rubricados como "outras operações com direito a crédito" Relativamente a esta rubrica, assim consta na Informação Fiscal: 7) OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CREDITO A partir de janeiro/2007 o contribuinte passa a apurar créditos em relação a rubrica "outras operações com direito a crédito". Foi então intimado, a partir do Termo de Intimação Fiscal n 1, item 5, a informar a origem dos valores apresentados na referida rubrica, sendo que não foram apresentados quaisquer esclarecimentos quanto aos valores pleiteados. Sendo assim, esses valores foram integralmente excluídos da apuração dos créditos de PIS e Cofins nãocumulativo: (...) No recurso voluntário, a recorrente apenas repisa os argumentos da Manifestação de Inconformidade no sentido de que ainda não teria localizado a documentação que comprovaria a ocorrência desses dispêndios, requerendo o direito à futura produção de prova sobre este item. No entanto, como se sabe, o processo administrativo tem um rito diferenciado do procedimento adotado no âmbito do Código de Processo Civil, o qual, no seu art. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 18 1046, §2º4, expressamente preservou a vigência das disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis. Conforme se denota na leitura do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 abaixo, em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a impugnação ou a manifestação de inconformidade, não há qualquer previsão de autorização para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador nas situações cabíveis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em 4 Art. 1.046. Ao entrar em vigor este Código, suas disposições se aplicarão desde logo aos processos pendentes, ficando revogada a Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. (...) § 2º Permanecem em vigor as disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis, aos quais se aplicará supletivamente este Código. (...) Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10880.921909/201231 Acórdão n.º 3402006.229 S3C4T2 Fl. 0 19 que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Ademais, no período específico deste processo, a contribuinte não apurou créditos em relação à rubrica "outras operações com direito a crédito", o que passou a ser feito no Dacon somente a partir de janeiro/2007. Dessa forma, não cabe reforma também nesta parte da decisão recorrida e indeferese o pedido da recorrente de futura produção de prova, considerandose também o pedido de perícia não formulado, nos termos do art. 16, §1º do Decreto nº 70.235/72, por deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV desse artigo. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 201DF CARF MF
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Numero do processo: 16024.000647/2007-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-007.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 06 47 /2 00 7- 88 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 16024.000647/200788 Acórdão n.º 2402007.018 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/2010 41, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava, à época da prolação da Decisão de Primeira Instância Administrativa, o valor limite de alçada estipulado na legislação então vigente. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento nesta Corte, tão somente, o Recurso de Oficio ora em debate. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/201041, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo ilustre Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019: Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso de Ofício interposto pela DRJ tem amparo no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e Fl. 366DF CARF MF Processo nº 16024.000647/200788 Acórdão n.º 2402007.018 S2C4T2 Fl. 4 3 decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...](grifei) Insta salientar que a autoridade julgadora de primeira instância observou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício fixado na legislação vigente na ocasião do julgamento da Impugnação Administrativa em face do vertente lançamento. Ocorre que, em conformidade com o Enunciado nº 103 de Súmula CARF, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Destarte, impõese aplicar, no caso em apreço, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que estabelece o limite para interposição de recurso de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00, bem assim quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário, nos termos do seu art. 1°, §§ 1° e 2°, verbis: Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. [...](grifei) Na espécie, resta comprovado nos autos que a decisão de piso exonerou o sujeito passivo de crédito tributário em montante inferior ao piso estabelecido na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, do que decorre o não conhecimento do Recurso de Ofício em apreço. Ante o exposto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 16024.000647/200788 Acórdão n.º 2402007.018 S2C4T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 368DF CARF MF
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