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Numero do processo: 10680.904739/2014-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 3301-006.590
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 47 39 /2 01 4- 48 Fl. 75DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.590 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.904739/2014-48 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação encaminhada por meio do programa PER/DCOMP, na qual pleiteia-se o reconhecimento do direito creditório relativo à Cofins Cumulativa, bem como a compensação do(s) débito(s) discriminado(s). A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito da empresa, não restando saldo creditório disponível. Devidamente cientificado, e irresignada com o indeferimento do seu pedido, a contribuinte apresentou, manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que a DCTF não tinha sido retificada informando o verdadeiro valor devido, mas já foi alterada, conforme cópia em anexo. Pede a homologação do crédito, a desconsideração da cobrança e que seja intimada a prestar esclarecimentos caso haja alguma pendência que impossibilite o deferimento do seu pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.577, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do processo 10680.900403/2015-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.577): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 02- 73.342 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/12/2010 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 76DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.590 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.904739/2014-48 A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Trata-se de Per/DComp que tem por escopo compensar débito declarado com crédito oriundo de pagamento a maior de COFINS cumulativa referente a fato gerador de 31/12/2010. Assim ficou consignado na decisão ora recorrida: A não homologação da compensação pleiteada, pela DRF de origem, foi motivada pelo fato de o pagamento mencionado no Per/Dcomp ter sido utilizado integralmente na quitação de débito de Cofins cumulativa relativo a 31/12/2010, não restando saldo creditório disponível para compensação. Verifica-se que na DCTF retificadora ativa, referente ao período de apuração de 31/12/2010, o contribuinte declara o débito no valor de R$ 10.448,30 e, consequentemente, o valor de R$ 10.448,30 fica vinculado ao Darf recolhido no valor principal de R$ 33.547,23, discriminado no Per/Dcomp, restando o saldo de crédito pleiteado. A DCTF retificadora ativa foi transmitida em 31/03/2015, ou seja, após a ciência do despacho decisório e dentro do prazo legal, levando-se em conta o disposto no art. 150, §4o, do Código Tributário Nacional (CTN). O valor de Cofins cumulativa declarado no Dacon enviado em 04/02/2011 corresponde ao informado na DCTF original (R$ 33.547,23) e, portanto, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. Não houve entrega de Dacon retificador para o período em questão após 04/02/2011. Diante da negativa da autoridade administrativa fiscal, confirmada pela DRJ, o Contribuinte interpôs recurso em que sucintamente (fls. 214) informa que fez a DACON retificadora e requer: Considerando que cabe ao contribuinte sujeito passivo a demonstração efetiva existência do indébito, coube ao mesmo fazer a retificação da DACON 12/2010, no dia 29/06/2017, conforme recibo (anexo) informando a apuração correta. Acobertado pelo direito a interposição de recurso voluntário previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, requer a requerente que seja aceito a DACON retificadora, sendo homologado o direito do crédito e a desconsideração do termo de intimação. Salienta-se que a DACON retificadora (fls. 215) foi feita na mesma data da interposição do Recurso Voluntário. É notório que em pedidos de restituição/compensação de créditos tributários cabe ao requerente a demonstração de forma inconteste da existência do indébito, o que, com a simples apresentação de recibo de entrega da DACON não é suficiente para se comprovar a existência do crédito pleiteado e sua devida certeza e liquidez. Neste sentido cito trecho da decisão ora recorrida que bem pontua esse entendimento e serve como reforço às razões para decidir: Quando a DRF nega o pedido de compensação com base em declaração apresentada (DCTF) que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. À obviedade, Fl. 77DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.590 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.904739/2014-48 documentos comprobatórios são documentos que atestem, de forma inequívoca, o valor, a origem e a natureza do crédito, visto que, sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Assim, não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer prova que demonstre a existência do direito creditório e nem mesmo a explicação sobre a origem do crédito, não se pode considerar, por si só, a DCTF retificadora como sendo instrumento hábil, capaz de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. Desta forma, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.000611/2005-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 30/09/1997 a 31/12/1997, 31/01/1999 a 31/12/1999, 31/05/2000 a 30/06/2000, 31/08/2000 a 30/09/2000
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA. TERMO INCIAL. REGRA GERAL.
No caso de tributos cujo lançamento é por homologação do pagamento antecipado, a extinção do crédito sob condição resolutória depende da efetiva antecipação do pagamento, sem o qual o próprio lançamento não opera-se, restando a decadência do direito da Fazenda constituir o crédito regulada pelas disposições contidas no artigo 173 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.255
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/09/1997 a 31/12/1997, 31/01/1999 a 31/12/1999, 31/05/2000 a 30/06/2000, 31/08/2000 a 30/09/2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA. TERMO INCIAL. REGRA GERAL. No caso de tributos cujo lançamento é por homologação do pagamento antecipado, a extinção do crédito sob condição resolutória depende da efetiva antecipação do pagamento, sem o qual o próprio lançamento não operase, restando a decadência do direito da Fazenda constituir o crédito regulada pelas disposições contidas no artigo 173 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 23/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Fl. 192DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.10492.DF1W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. O feito, referente aos períodos de apuração de 30/09/1997 a 31/12/1997, 31/01/1999 a 31/12/1999, 31/05/2000 a 30/06/2000, e 31/08/2000 a 30/09/2000, constituiu crédito tributário no total de R$ 319.662,78, somados o principal, multa de ofício e juros de mora incorridos até o mês anterior ao da lavratura. A fiscalização assim relata, no Auto de Infração, fls. 112/121, os fatos que levaram à autuação: O contribuinte impetrou Mandado de Segurança com pedido de liminar, processo nº 96.04031953, junto à 2ª Vara Federal de São José dos Campos, objetivando a compensação de crédito do Finsocial (recolhimentos com alíquota superior a 0,5%) com as contribuições da mesma espécie, nos termos do art. 66, 80 e 85 da Lei nº 8383/91. A liminar foi deferida autorizando a impetrante a realizar a compensação com parcelas vincendas da COFINS, e a decisão de primeira instância confirmou a liminar, podendo ser feita a compensação com a atualização dos indébitos pelos mesmos índices aplicados na correção dos créditos tributários. A decisão final que transitou em julgado no Tribunal Federal Regional da 3ª Região confirmou a decisão de primeira instância. Como as decisões acima citadas facultam ao fisco proceder aos levantamentos nas escritas da impetrante visando fiscalizar o fiel cumprimento das normas relativas à compensação, foram elaborados demonstrativos de apuração de crédito de Finsocial compensados com a COFINS não recolhida ou recolhida a menor de 07/96 a 09/2000, tendo sido apurados débitos da COFINS em 03/97, 09/97 a 12/99, e 05 060809/2000. E, para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional estamos constituindo”exofficio” os débitos da COFINS de 09/97 a 12/97, 01 a 12/99 e 05 060809/2000 apurados em nossos demonstrativos de cálculo. Deixamos de lançar os períodos de apuração de 03/97 e 01 a 12/98 por terem sido declarados pelo contribuinte e já estarem inscritos em Dívida Ativa da União. A contribuinte foi intimada pessoalmente do feito fiscal em 13/09/2005, fl. 113, tendo apresentado impugnação, fls. 131133, em 13/10/2005. Na peça impugnatória a contribuinte limitase a alegar preliminar de decadência, a ser computada em conformidade com a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, afirmando, além de citar acórdãos do Conselho de Contribuintes, em exatos termos: A confirmação do lançamento por homologação se comprova pela entrega espontânea das DIPJs, dos períodos fiscalizados, as quais foram utilizadas pelo Fisco na constituição do Crédito Tributário. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 30/09/1997 a 31/12/1997, 31/01/1999 a 31/12/1999, 31/05/2000 a 30/06/2000, 31/08/2000 a 30/09/2000 Fl. 193DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.10492.DF1W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10860.000611/200502 Acórdão n.º 310201.255 S3C1T2 Fl. 2 3 Crédito Tributário. Prazo Decadencial. Lançamento De Ofício. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário. Na hipótese em que o recolhimento não ocorre ou ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, procedese ao lançamento de ofício, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia ser realizado. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Depreendese do Recurso Voluntário o pedido de reconhecimento da decadência do direito de constituir o crédito tributário em relação aos períodos 31/12/1999, 31/05/2000 e 30/06/2000. Embora focado em questão substancialmente distinta da tratada nos autos, o Recurso Especial nº 973.733, do Superior Tribunal de Justiça, tece importantes considerações sobre a questão atinente à caducidade do direito da Fazenda constituir o crédito tributário nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, mas não pagos pelo contribuinte. RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em Fl. 194DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.10492.DF1W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (grifos meus) 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. De fato, conforme preceitua o Código Tributário Nacional, o direito de constituir o crédito tributário expira no prazo de cinco anos contados, em regra geral, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal providência já poderia ter sido tomada. Nos casos de tributos cujo lançamento operase por homologação, o dia de início da contagem do prazo é antecipado, nos termos do artigo 150 do Código. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Fl. 195DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.10492.DF1W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10860.000611/200502 Acórdão n.º 310201.255 S3C1T2 Fl. 3 5 § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Embora o disposto no Código dê ensejo a diferentes interpretações, tendo por base a possível finalidade pretendida pelo legislador, qual fosse a de antecipar a contagem do prazo sempre que notório o conhecimento da autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador do imposto, não há como escapar à condição especificada no § 1º, indicando o pagamento antecipado pelo obrigado como ação necessária à extinção do crédito sob condição resolutória, sem o qual o próprio lançamento por homologação não operase, restando o mesmo regulado pelas disposições contidas no artigo 173, conforme a seguir transcrito. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Uma vez que o crédito foi constituído em 13 de setembro de 2005, não há que se falar em decadência em relação aos fatos geradores ocorridos durante o ano de 2000, tampouco do crédito vencido em 31/12/1999, somente passível se ser lançado no ano seguinte, razão pela qual VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 10 de novembro de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 196DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.10492.DF1W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por RICARDO PAULO ROSA em 23/11/2011 11:06:02. Documento autenticado digitalmente por RICARDO PAULO ROSA em 23/11/2011. Documento assinado digitalmente por: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO em 02/03/2012 e RICARDO PAULO ROSA em 23/11/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por HIULY RIBEIRO TIMBO em 29/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP29.1019.10492.DF1W Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: CAE36C1F803587D3346CDBB84CD2D6A4FF16794E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10860.000611/2005-02. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10935.900231/2008-93
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
DCOMP NÃO HOMOLOGADA. AUSÊNCIA DE CRÉDITO A COMPENSAR.
Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito.
ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE.
Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito.
Numero da decisão: 3003-000.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Presidente
(documento assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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AUSÊNCIA DE CRÉDITO A COMPENSAR. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 02 31 /2 00 8- 93 Fl. 111DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.533 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.900231/2008-93 Relatório Trata os autos de pedido de compensação transmitido via DCOMP por suposto recolhimento a maior de COFINS no PA setembro/2003, conforme PER/DCOMP de fls. 26/30. Por meio de despacho decisório a unidade preparadora apurou inexistência de crédito a compensar, razão que ensejou manifestação de inconformidade. Por bem retratar os fatos, adoto o relatório elaborado pelo acórdão recorrido: Trata o processo de Despacho Decisório (Rastreamento n" 757765844), emitido em 24/04/2008, pela DRF em Cascavel/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp n° 37151.22457.120204.1.3.04-0401, transmitido em 12/02/2004, devido à inexistência do crédito de R$ 742,25, uma vez que o referido pagamento foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos da contribuinte. Cientificada em 05/05/2008, a interessada apresentou, em 28/05/2008, a Manifestação de Inconformidade de fls. 01/11, argumentando, em síntese, que não houve a exposição dos motivos e fundamentos que embasaram a não homologação pretendida. Diz, contudo, que o tributo foi devidamente recolhido, logo não há como se alegar que a compensação realizada não teve eficácia. Discorre sobre o instituto da Compensação; sobre a violação ao Princípio ela Legalidade - por não possuir, a seu ver, fato justificador da não homologação; e sobre a Violação ao Princípio da Segurança Jurídica — por se submeter ao puro alvitre do Estado, sem resguardo de Lei para se defender, e pela surpreendente não-aceitação do seu pedido de compensação, sem fundamento legal. A 3ª Turma da DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade por apurar que inexistiam créditos para fins de compensação, bem como afastou as alegações de violação aos princípios da legalidade e segurança jurídica. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário alegando, ipsi literis, a matéria alvitrada na Manifestação de Inconformidade. O processo foi recebido neste Conselho e distribuído a minha relatoria, que o faço nos termos a seguir. São os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO Ao constatar que não há em sede de razões recursais qualquer matéria que não tenha sido apreciada pela Instância de Piso, valho-me do artigo 57, §3º do RICARF para adotar como razões de decidir o acórdão da DRJ/CTA, pois comungo do entendimento esboçado pelos julgadores de primeira instância. Fl. 112DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.533 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.900231/2008-93 Inicialmente, cabe ressaltar que, ao contrário do aduzido pela interessada, a motivação da não homologação da compensação pleiteada está perfeitamente mencionada no Despacho Decisório, qual seja: "A partir das características elo DARF discriminado no Per/Dcomp acima identificado., foram localizados um ou arais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.". Também foi citada a fundamentação legal utilizada pela autoridade administrativa: os arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), e o art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por fim, restou informado o prazo para pagamento do débito indevidamente compensado, oportunizando-lhe, em igual prazo, a apresentação de manifestação de inconformidade, nos termos dos §§ 7" e 9" do art. 74 da mesma Lei e 9.430, de 1996, que está sendo utilizado pela interessada para a apresentação de sua contestação. Portanto, não se vislumbra ofensa a qualquer dos princípios constitucionais citados, tendo sido realizada a apreciação da compensação pretendida pela autoridade de origem de acordo com a legislação vigente que trata da compensação de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal. No mérito, a alegação da interessada é de que o tributo foi devidamente recolhido, portanto, a compensação declarada teve eficácia e que só seria admissível a não aceitação da homologação se estivessem sidos descumpridos os requisitos exigidos na legislação. A respeito, não há qualquer negativa no despacho decisório quanto ao pagamento efetuado em DARF no valor de R$ 742,25, ocorrido em 28/10/2003, sob o código de receita 2172 (Cotins), do período de apuração (PA) de 30/09;200, que se pretendeu utilizar como crédito para extinção do débito do mesmo valor (R$ 711,72 de principal e R$ 30,53 de multa de mora) de Cofins, do PA de 31/10120(13, conforme declarado em seu Per/Dcomp (fls. 26/30). O que foi demonstrado e consignado pela autoridade administrativa é que referido pagamento já teria sido utilizado para quitação de outro débito da contribuinte, ou seja, para quitação do débito de R$ 742,25 de Cofins (código 2172), do PA 3010912003. Cabe lembrar, por oportuno, que o art. 74 da Lei ri" 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002, possibilita a compensação pelo sujeito passivo de crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, levando-se em conta que para a efetivação da compensação o crédito contra a Fazenda Pública deve ser dotado de liquidez e certeza. conforme exigéncia contida no capita do art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. No caso, observa-se que, de fato, o crédito no valor de R$ 742,25 (R$ 711,72 de principal e R$ 30,53 de multa de mora), pretendido para compensação da Cofins Fl. 113DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.533 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.900231/2008-93 PA 10/2003, declarado pela interessada na Per/Dcomp n° 37151.22457.1202(14.1.3.04-0401, ora analisada, já foi utilizado para quitação da Cofins do PA 09/2003, conforme por ela informado na DCTF do 3º trimestre /2003 (fls. 35/36), abaixo reproduzido: A fundamentação acima transcrita enfrentou os argumentos trazidos pela Recorrente e, ainda, está em consonância com o entendimento que tem sido adotado por esta turma. Cumpre ainda destacar que, tratando-se de requerimento de direito creditório o ônus probatório incubem a quem dele se aproveita, in casu, a Recorrente. Tenho por entendimento que, se o contribuinte consegue apurar em sua contabilidade recolhimento a maior, certamente poderá demonstrar documentalmente o suposto erro no preenchimento da DCTF e, por via de consequência, convencer os julgadores de que, de fato, o recolhimento indevido existiu. Contudo, mesmo com as oportunidades dadas à Recorrente no contencioso administrativo, não trouxe aos autos a certeza e liquidez exigidas tanto pelo CTN quanto pela Lei 9.430/1996. Portanto, visível que a Recorrente optou, deliberadamente, por trazer apenas documentos sem força probante para sustentar seus argumentos, razão pela qual não há reparos a serem feitos no acórdão recorrido. Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para no mérito negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Fl. 114DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.533 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.900231/2008-93 Fl. 115DF CARF MF
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Numero do processo: 13051.000121/99-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 16 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 202-00.638
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: Nayra Bastos Manatta
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DRJ em Porto Alegre - RS RESOLUÇÃO N° 202-00.638 • • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: COOPERATIVA DOS SUINOCULTORES DE ENCANTADO LTDA. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. Sala das Sessões, em 16 de fevereiro de 2004 /L_.,~~ 4-4~~....,. 'fRêllnque Pmhéiio Torre?'U""7' Presidente ~?f1\l\;L~~kNayra. astos . anatta Relat ra cVopr 1 Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13051.000121/99-48 123.187 ~bJ 2 .' • Recorrente transcrever: COOPERATIVA DOS SUINOCULTORES DE ENCANTADO LTDA. RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido, que passo a "O interessado solicitou ressarcimento de crédito presumido de IPL instituído pela Medida Provisória nº948, de 23 de março de 1995, posteriormente convertida na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, referente ao 2ºtrimestre de 1997, conforme pedido de fi. 1, no valor de R$ 170.915,32. 2. O pedido foi parcialmente deferido pelo Delegado da Receita Federal em Santa Cruz do Sul (fls. 356/357), após a realização de auditoria, onde foram feitos os seguintes ajustes no cálculo do beneficio: - exclusão de exportações de produtos que apresentavam a indicação "NT" (Não-tributados) na Tabela de Incidência do IPL antes de 17/04/1997, data em que foi editada a Medida Providória nº 1.508-16 que incluiu alguns produtos dos capítulos 2 e 3 da TIPI no campo de incidência do IPI; - exclusão de compras de insumos feitas a pessoas fisicas e cooperativas; - exclusão dos estoques existentes em 31/12/1996. 3. O interessado contestou tempestivamente o deferimento parcial (fls. 360 a 383), por seu representante (procuração a fi. 4), alegando, em síntese: a) a requerente é empresa agro-industrial, dedicada à produção, comercialização e exportação de produtos alimentícios derivados de suínos e de farelo de soja, tendo direito ao crédito pleiteado, de acordo com a Lei nº 9.363, de 1996 e Medidas Provisórias que a antecederam; b) que adquire no mercado interno insumos em cujos preços estão embutidos os valores da Cofins e da Contribuição para o PIS repassados pelos fornecedores; c) o beneficio é para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, não tendo a lei feito restrição quanto ao tipo de produto exportado (industrializado ou ~ • Processo n°Recurso nO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13051.000121/99-48 123.187 ~bd • não, tributado ou não) nem com relação à sua classificação na Tabela de Incidência do IPI; d) a fiscalização desloca o beneficio para o produto, quando a lei determina que o mesmo é concedido à empresa, não sendo lícito às autoridades fazendárias conferir à Lei interpretação restritiva, que esta não comporta. Ademais não há disposição legal prevendo a exclusão dos produtos não tributados; e) a orientação administrativa, em beneficio análogo previsto na legislação anterior (crédito-prêmio) seria no sentido de admitir o incentivo mesmo para os produtos não tributados, como é o caso dos Acórdãos do Conselho de Contribuinte, que cita, além da jurisprudência do extinto Tribunal Federal de Recursos, também elencada; j) embora seja intitulado de crédito presumido de IPL o beneficio visa ressarcir as contribuições para o PIS e Cofins, o que pressupõe, tão-somente, a incidência destas contribuições sobre as aquisições de insumos; g) quanto à glosa de aquisições de cooperativas e pessoas fisicas, ressalta que o objetivo da lei é desonerar as exportações do ônus das referidas contribuições, e por isso mesmo não faz restrições quanto à origem dos insumos para fins de inclusão na base de cálculo do crédito presumido, no pressuposto de que trazem embutidas nos seus preços as contribuições incidentes nas fases anteriores de comercialização, daí a fixação do percentual de 5,37%; h) cita Acórdãos do 2° Conselho de Contribuintes que amparam o seu entendimento; i) quanto aos estoques existentes em 31/12/1996, argumenta que teria procedido à sua exclusão na apuração relativa ao ano-calendário de 1996, no valor de R$ 2.320.432,51, conforme planilha que integrou o pedido de ressarcimento respectivo, que anexa. Portanto, estaria correta a inclusão dos estoques no cálculo relativo ao ano de 1997." A 33 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre - RS não acatou as argumentações da interessada, ratificando a posição adotada pela DRF - Santa Cruz do Sul/RS, ou seja, pelo indeferimento~Jarcial do pleito de ressarcimento formulado, ementando sua decisão nos seguintes termos: ~ 3 Processo nO Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13051.000121/99-48 123.187 "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI 1 2 'CGMF IFI. • • Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Produtos não Tributados. Base de Cálculo. A fabricação e a exportação de produtos dos Capítulos 2 e 3 da TIPI/1996, não tributados pelo IPI (NT), só passou a gerar direito ao crédito presumido a partir da vigência da Medida Provisória n° 1.508/16, de 17/04/1997. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. Excluem-se da base de cálculo do crédito presumido os valores das aquisições de insumos de cooperativas, e pessoas físicas produtores rurais, não-contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, por falta de previsão legal que autorize a inclusão. Solicitação Deferida em Parte". Inconformada, a interessada interpõe recurso voluntário a este Segundo Conselho, no qual, aqui tratando o tema em apertada síntese, repisa as argumentações da impugnação ao indeferimento a seu pleito de ressarcimento. É o relatÓrio.1 4 " .' Processo n°Recurso nO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13051.000121/99-48 123.187 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA NAYRA BASTOS MANATTA I ~C~MF IFI. • O recurso obedece aos requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O objeto da controvérsia tratada neste processo são pedidos de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, originado por créditos presumidos deste imposto, referentes à contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, incidentes sobre as aquisições no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo, no segundo trimestre de 1997. Da análise dos autos, verifica-se a necessidade de maiores esclarecimentos sobre quais os insumos considerados no cálculo do crédito presumido e qual o seu real emprego no processo de industrialização dos produtos exportados pela recorrente. A discriminação precisa destes insumos e a sua forma de utilização são de crucial importância para o julgamento, na hipótese de o Colegiado admitir, como o fez em decisões recentes, a inclusão dos produtos adquiridos de não contribuintes no cálculo do crédito presumido. Tal informação sobre a discriminação precisa destes insumos e a sua efetiva utilização toma-se ainda mais relevante quando se sabe que boa parte do produto final exportado refere-se a derivados de suínos e a farelo de soja, que têm processo produtivo peculiar. Assim sendo, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora intime a recorrente a esclarecer, detalhadamente: Ui. quais os insumos que efetivamente integram o demonstrativo das aquisições; ii. como são eles efetivamente utilizados no processo produtivo da recorrente;e iii. se eles integram fisicamente o produto final e, em caso negativo, como são consumidos na elaboração do produto acabado. " Após receber as respostas dos quesitos acima, em prazo hábil que deverá ser concedido à interessada, deve a Fiscalização elaborar relatório de diligência consignando eventuais discrepâncias entre as informações prestadas pela recorrente e o efetivamente verificado no processo produtivo da empresa, sem prejuízo dos esclarecimentos que entender útil ao deslinde da presente contenda. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de fevereiro de 2004 f ~~\t~~k- NAYfA BÃ"SrOS MANATTA 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000054/2009-63
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO.
O termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN na hipótese de pagamento antecipado do tributo e ausência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. Caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-001.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas de R$ 3.946,06.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN na hipótese de pagamento antecipado do tributo e ausência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. Caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas de R$ 3.946,06. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN na hipótese de pagamento antecipado do tributo e ausência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. Caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas de R$ 3.946,06. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 00 54 /2 00 9- 63 Fl. 102DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.517 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.000054/2009-63 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento (e-fls. 07/10) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2004 (e-fls. 33/36), onde se apurou a Dedução Indevida de Despesas Médicas de R$ 46.956,18. O contribuinte apresentou Impugnação (e-fls. 02/03), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (e-fls. 55/60): Alega que no ano calendário 2003 passou por grandes problemas de saúde, tanto física, como mentalmente, tendo que manter em sua residência sob sua responsabilidade sua sogra Nair Demoro Souza, nascida em 07/07/1921, portadora de uma moléstia irreversível, acamada, sem condições de locomover-se. Esclarece que precisou de assistência psicológica, tanto para si, como para sua esposa, precisando de psicoterapia pessoal e familiar. Informa que junta recibos para comprovar as despesas e pede o cancelamento da Notificação de Lançamento. Consta ainda do referido relatório: O julgamento foi convertido em diligência através do despacho de fls. 43/44 no qual foi solicitada a comprovação do efetivo pagamento das despesas glosadas. Cientificado deste despacho em 25/04/2012, o contribuinte não se manifestou. A Impugnação foi julgada procedente em parte pela 9ª Turma da DRJ/BHE em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2003 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO PARCIAL. A dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, e somente são dedutíveis as despesas efetuadas com o próprio contribuinte e seus dependentes legais. Cientificado do acórdão de primeira instância em 13/09/2012 (e-fls. 65), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 27/09/2012 (e-fls. 67/72) com os argumentos a seguir sintetizados. - Alega que a multa e os juros de mora constantes do DARF encaminhado para pagamento não estão em conformidade com a lei que rege a espécie, qual seja, o Decreto-Lei nº 1.736/79. - Entende que o débito está prescrito, tomando-se por base que o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetivado. Expõe que o prazo decadencial começou em 1º de janeiro de 2005 e que o crédito tributário só foi definitivamente constituído em 2012, tendo expirado o prazo de 5 anos para a cobrança. Acrescenta que a Lei Complementar n° 118 de 2005 mudou o momento de suspensão da Fl. 103DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.517 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.000054/2009-63 prescrição, passando a ser regida com a inscrição em dívida ativa. Afirma que é essa a posição do STJ. - Aduz que a não valoração das provas carreadas leva à inferência de que o contribuinte agiu com dolo, simulação ou fraude, o que não é o caso. - Assevera que, nos termos do art 333 do CPC, o recorrente provou o fato constitutivo do seu direito e que, alegando fato extíntivo desse direito, cabe ao Fisco prová-lo pela inversão do ônus da prova. - Defende que o §2º, III, do artigo 8º da Lei n° 9.250 de 1995 preceitua que a dedução fica condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi feito o pagamento. Sustenta que os recibos foram emitidos conforme o previsto. - Insurge-se contra a glosa do valor referente ao plano de saúde de sua sogra Nair de Moro Souza. Expõe que sua esposa, Eny de Sousa de Andrade Silva, era isenta da declaração por não auferir rendimentos de qualquer espécie, como provam os documentos anexos. - Alega isenção por idade e por doença grave. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Ainda que se trate de questão não ventilada na Impugnação, cabe a este Colegiado apreciar a arguição de decadência apontada no Recurso Voluntário por se tratar de matéria de ordem pública. Adentrando ao exame da questão, impõe-se observar, inicialmente, que a constituição do crédito tributário se dá com a ciência do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, conforme disposto no art.142 do Código Tributário Nacional - CTN. Nos lançamentos por homologação, como é o caso do IRPF, o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário extingue-se em 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, desde que tenha sido efetuado pagamento antecipado de parte do imposto e que não tenha sido comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Nas hipóteses de ausência de pagamento ou nos casos de dolo, fraude e simulação, a contagem do prazo quinquenal inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsto no art. 173, I, do CTN. É nesse sentido a decisão proferida no REsp nº 973.733/SC, julgado na sistemática prevista no art. 543-C do Código de Processo Civil - CPC, cuja emenda encontra-se parcialmente reproduzida a seguir: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. Fl. 104DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.517 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.000054/2009-63 ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). No caso em tela, em que se examina o ano calendário 2003 e a ciência da Notificação de Lançamento foi realizada em 08/12/2008 (e-fls. 32), não há que se falar em decadência seja com base no art. 150 ou com base no art. 173, I, do CTN. Também não merece ser acolhida a prescrição suscitada pelo recorrente. De acordo com o art. 174, caput, do CTN, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos contados da data de sua constituição definitiva, ou seja, do momento em que a Fazenda Pública passa a ter o direito de exigir judicialmente do contribuinte a prestação tributária. Isto se dá quando esgotado o prazo para pagamento ou apresentação de Recurso Administrativo sem que eles tenham ocorrido ou, ainda, com a decisão do último Recurso Administrativo interposto. As Impugnações e Recursos na instância administrativa suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151 do CTN, não correndo, neste período, o prazo de prescrição. No que tange à prescrição intercorrente, deve ser observado o disposto na Súmula CARF nº 11, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal, nos termos da Portaria MF nº 277 de 07/06/2018: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Superadas as questões preliminares, passa-se à análise das razões de mérito do Recurso Voluntário. Extrai-se dos autos que a autoridade lançadora glosou integralmente as despesas médicas informadas na declaração em exame por não ter o contribuinte atendido à Intimação para prestar esclarecimentos (e-fls. 08, 35). Anteriormente ao julgamento de primeira instância, a 9ª Turma da DRJ/BHE encaminhou o processo à Delegacia da Receita Federal de origem para que o sujeito passivo fosse intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas por meio de cópias de cheques ou de extratos bancários que indicassem saques de valores em datas compatíveis com as consignadas nos recibos (e-fls. 43/44). Cientificado, o interessado não se manifestou dentro do prazo concedido (e-fls. 54). A decisão de piso restabeleceu apenas a despesa de R$ 5.520,12 com o plano de saúde Unimed referente ao próprio contribuinte (e-fls. 29), mantendo as demais glosas efetuadas no lançamento. O relator a quo entendeu que a despesa de R$ 3.946,06 com o plano de saúde de Nair de Moro Souza (e-fls. 30) não era dedutível por se referir a pessoa relacionada indevidamente como dependente na declaração em exame (e-fls. 58/59): Fl. 105DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.517 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.000054/2009-63 Inicialmente observa-se que as despesas tidas com a sogra não podem ser deduzidas posto que não há atendimento aos requisitos legais para que ela seja incluída como dependente do contribuinte. De acordo com a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 35, os pais podem ser considerados dependentes na declaração dos filhos, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual. O sogro ou a sogra não podem ser dependentes, salvo se seu filho ou filha estiver declarando em conjunto com o genro ou a nora, e desde que o sogro ou a sogra não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual, nem estejam declarando em separado. Somente é considerado declarante em conjunto o cônjuge, companheiro ou dependente cujos rendimentos sujeitos ao ajuste anual estejam sendo oferecidos à tributação na declaração apresentada pelo contribuinte titular. A DIRPF apresentada pelo contribuinte não é em conjunto pois não foram declarados rendimentos do cônjuge sujeitos ao ajuste anual. Em que pese a irregularidade no tocante a dedução com dependente, não cabe neste momento processual proceder a sua glosa sob pena de agravamento da exigência em julgamento. Assim, o informe de rendimentos do plano de saúde tendo como beneficiária Nair de Moro Souza não será admitido para fins de dedução. Será restabelecido apenas as o valor de R$5.520,12 referente ao informe de rendimentos encaminhados pelo plano de saúde ao contribuinte. Ocorre, contudo, que a dependente em comento não foi glosada no presente lançamento, como exposto no próprio acórdão recorrido, não cabendo à DRJ manter a glosa de suas despesas médicas por entender que ela não se enquadrava nas hipóteses de dependência previstas na legislação de regência. Assim, considerando o disposto no art. 80, §1º, II, do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, vigente à época, deve ser restabelecida a dedução de R$ 3.946,06 com o plano de saúde de Nair de Moro Souza. No que concerne às demais despesas em litígio, verifica-se que a glosa foi mantida devido à ausência de comprovação de seu efetivo pagamento (e-fls. 57): Em relação as demais despesas declaradas, o contribuinte não acostou além de recibos, documentos ou provas adicionais que demonstrassem o efetivo pagamento das despesas glosadas pela Fiscalização, não cabendo, pois o restabelecimento das deduções. Com efeito, extrai-se dos autos que o interessado não apresentou nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência entre suas movimentações financeiras e os recibos por ele acostados. Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do RIR/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é lícito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comprová-las de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressalte-se que tal exigência não está relacionada à constatação de fraude ou de inidoneidade dos recibos examinados, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. Fl. 106DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.517 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.000054/2009-63 As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202-005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202-005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401-004.122, de 16/2/2016) O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Sendo a dedução de despesas médicas um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, para comprová-los caberia a ele trazer aos autos documentos bancários que atestassem a coincidência de datas e valores entre os saques efetuados em suas contas e as despesas supostamente realizadas, o que não ocorreu no presente caso. No que tange à alegação do recorrente de que a multa e os juros de mora constantes do DARF encaminhado para pagamento não estão em conformidade com o Decreto- Lei nº 1.736/79, verifica-se que este não especificou o que estaria incorreto, tratando-se de argumento genérico que não pode ser acolhido por este Colegiado. Vale lembrar que, uma vez constatada a infração à legislação tributária em procedimento fiscal, o crédito deve ser apurado com os encargos do lançamento de ofício, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96. No presente caso a multa de ofício aplicada foi a de 75% prevista no inciso I do referido artigo, utilizada nos Fl. 107DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2002-001.517 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.000054/2009-63 casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e de declaração inexata, ou seja, de equívoco do contribuinte, independentemente da sua intenção de fraudar o Fisco. Quanto aos juros de mora, aplica-se a taxa SELIC, conforme disposto na Súmula CARF n° 4, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal, nos termos da Portaria MF nº 277 de 07/06/2018: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018) Impõe-se observar, por fim, que as alegações acerca da isenção por idade e por moléstia grave não foram suscitadas em sede de Impugnação, não cabendo sua apreciação por este Colegiado. De acordo com o art. 16 do Decreto 70.235/72, a Impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Além disso, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, que se refira a fato ou direito superveniente ou que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, cabendo a ele demonstrar a presença de uma dessas condições, o que não se vislumbra no presente caso. Ressalte-se, ainda, que a competência deste Colegiado situa-se dentro dos estritos limites da matéria litigiosa, não cabendo a ele efetuar alterações em valores que não compõem a lide. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial Recurso Voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas de R$ 3.946,06 referente ao plano de saúde Unimed da dependente Nair de Moro Souza. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003250/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
FALTA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência da COFINS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais principais ou não, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral.
BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS USADOS. CUMULATIVIDADE. DEMAIS RECEITAS. NÃO CUMULATIVIDADE.
As pessoas jurídicas que tenham como objeto social a compra e venda de veículos automotores usados, sujeitam essas receitas ao regime cumulativo de apuração do Pis e da Cofins, cuja base de cálculo será a diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição do veículo.
Numero da decisão: 3402-006.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório nos termos da diligência. As Conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz acompanharam o relator pelas conclusões quanto às bonificações por partirem de conceito de receita diferente do trazido pelo relator, mas face a falta de provas que demonstrem a natureza das parcelas. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula que negava provimento ao recurso em face da ausência da competência do CARF para retificar de ofício o débito confessado em PER/DCOMP de outro processo.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes (presidente), Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Maria Aparecida Martins de Paula, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 FALTA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência da COFINS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais principais ou não, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS USADOS. CUMULATIVIDADE. DEMAIS RECEITAS. NÃO CUMULATIVIDADE. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social a compra e venda de veículos automotores usados, sujeitam essas receitas ao regime cumulativo de apuração do Pis e da Cofins, cuja base de cálculo será a diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição do veículo.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-10-25T00:06:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-10-25T00:06:49Z; Last-Modified: 2019-10-25T00:06:49Z; dcterms:modified: 2019-10-25T00:06:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-10-25T00:06:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-10-25T00:06:49Z; meta:save-date: 2019-10-25T00:06:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-10-25T00:06:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-10-25T00:06:49Z; created: 2019-10-25T00:06:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2019-10-25T00:06:49Z; pdf:charsPerPage: 2326; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-10-25T00:06:49Z | Conteúdo => S3-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10850.003250/2007-29 Recurso Voluntário Acórdão nº 3402-006.846 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2019 Recorrente DM MOTORS DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 FALTA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência da COFINS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais principais ou não, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS USADOS. CUMULATIVIDADE. DEMAIS RECEITAS. NÃO CUMULATIVIDADE. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social a compra e venda de veículos automotores usados, sujeitam essas receitas ao regime cumulativo de apuração do Pis e da Cofins, cuja base de cálculo será a diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição do veículo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório nos termos da diligência. As Conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz acompanharam o relator pelas conclusões quanto às bonificações por partirem de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 32 50 /2 00 7- 29 Fl. 2199DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.003250/2007-29 conceito de receita diferente do trazido pelo relator, mas face a falta de provas que demonstrem a natureza das parcelas. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula que negava provimento ao recurso em face da ausência da competência do CARF para retificar de ofício o débito confessado em PER/DCOMP de outro processo. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes (presidente), Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Maria Aparecida Martins de Paula, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautar-se-ão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fl. 077/078, em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Restituição em papel e não numerado (fls. 003), protocolado em 26/12/2007, por meio do qual a contribuinte pretende ter restituído o valor total de R$ 2.125,01. A solicitante esclarece em seu pedido que se utilizou do formulário em papel devido à impossibilidade de se utilizar do programa PER/DCOMP (art. 3º, §1º, da IN SRF nº 600/2005), por este não possuir os campos adequados. Conforme informado pela contribuinte em seu pedido, o valor a ser restituído seria correspondente à compensação a maior de valor de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins por meio da Declaração de Compensação original (fls. 005/012) entregue em 14/03/2003 utilizando crédito oriundo de restituição solicitada no processo nº 13804.000950/2001-10, que teria sido indevidamente apurado a maior sob o fundamento de inconstitucionalidade da parcela da receita que não se enquadra no conceito de faturamento incluída na base de cálculo. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 15/04/2009, emitiu Despacho Decisório em papel (fls. 059/065), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base nos seguintes fundamentos: não confirmação da existência do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior e impossibilidade de considerar exclusão da base de cálculo além das expressamente previstas nas normas aplicáveis, apenas em face de inconstitucionalidade não ampliável à contribuinte. Fl. 2200DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.003250/2007-29 Cientificada do Despacho Decisório, em 30/04/2009 (fl. 066), a contribuinte ingressou, em 01/06/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 067/076 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Preliminarmente pede a suspensão do presente processo até o julgamento do processo administrativo nº 13804.000950/2001-10, cujo objeto é a compensação que daria causa à presente restituição. Esclarece que aquele processo já teve o indeferimento proferido em Despacho Decisório, e que tal indeferimento foi parcialmente revertido em resultado de manifestação de inconformidade julgada por DRJ e atualmente encontra-se pendente de julgamento de recurso apresentado ao CARF. Em face dessa pendência de decisão definitiva em relação àquele processo, cuja matéria seria prejudicial em relação à presente, é que a contribuinte solicita a suspensão do presente processo, com fundamento no art. 265, inciso IV, alínea a, do Código de Processo Civil. Acrescenta ainda que não poderia aguardar o desfecho daquele processo para apresentar novo pedido de restituição, em virtude do prazo decadencial para apresentação desse novo pedido, estabelecido pela Lei Complementar nº 118, que seria de cinco anos a partir da extinção do crédito tributário. 2. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, refere-se à jurisprudência do STF, citando julgados, e à posição da 2ª instância administrativa, trazendo exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição do STF nos recursos extraordinários deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, o débito total de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins apurado no período de fevereiro de 2003, no valor de R$ 5.637,61, conforme cópia da DCTF do 1ºT/2003 anexada aos autos, seria indevido o valor de R$ 2.125,01, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas financeiras, conforme comprovado por cópias do balancete, do Livro Razão e de planilha de cálculos, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. Ato contínuo, a DRJ-RIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Fl. 2201DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.003250/2007-29 PAF. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento do processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO ESSENCIAL. A pré-existência inequívoca de quitação líquida e certa é pressuposto essencial à restituição do valor eventualmente quitado indevidamente ou a maior e a ausência ou incerteza dessa quitação torna improcedente o pedido nela fundado. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na manifestação de inconformidade. Este Colegiado, em sessão realizada no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos quanto a natureza das receitas auferidas pela empresa, bem como que fosse informado quais delas deveriam ser excluídas da base de cálculo das contribuições por força do RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral. Novamente, este Colegiado, em sessão realizada no 30 de janeiro de 2019, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava que a unidade de origem analisasse se a documentação contábil juntada aos autos seria suficiente para comprovar os custos na aquisição de veículos usados revendidos, de acordo com os §§ 4º e 5º do art.10, da IN SRF nº247/02. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim devolvido para ser incluído em sessão de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Fl. 2202DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.003250/2007-29 A matéria aqui discutida é recorrente aqui neste Colegiado, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. Visando comprovar o seu direito creditório, o contribuinte juntou ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam, supostamente, a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais. Inicialmente, para melhor compreensão das matérias em debate, oportuno a delimitação da lide. Para tanto, com as vênias habituais, utilizo-me de trecho do acordão recorrido: Delimitação da lide e de seu objeto De início, é importante identificar com clareza o objeto do presente processo administrativo. Esse objeto é o pedido de restituição de valor de contribuição que a contribuinte entende ter sido quitada a maior por meio de compensação anteriormente efetuada. Em virtude da sua relação com pedidos anteriores, esse é um pedido complexo cujos elementos devem ser devidamente identificados para que a análise se proceda de forma adequada, o que será feito ao longo do presente voto. Por seu turno, a referida compensação foi pleiteada em processo distinto, o processo administrativo nº 13804.000950/2001-10, a partir da associação entre valor de crédito decorrente de pedido de restituição de saldo negativo de CSLL e o débito da referida contribuição originalmente calculado. Inicialmente, a análise efetuada pela unidade administrativa competente para apreciação dos pedidos resultou no indeferimento da restituição, não tendo sido reconhecido o crédito pleiteado, e na conseqüente não homologação da compensação. Posteriormente, a contribuinte questionou administrativamente aquela decisão por meio dos instrumentos cabíveis e atualmente o processo encontra-se pendente de decisão definitiva, conforme constatado por esta instância julgadora em consulta aos sistemas da RFB (e-Processo) em 21/06/2013. A análise da situação permite identificar diversos elementos e solicitações associados ao caso concreto. Os dois elementos essenciais são o crédito original que a contribuinte pretende utilizar para compensar tributo devido e eventual excedente que ela pretende ter restituído e o próprio tributo a ser compensado. A esses dois elementos devem ser associados os atributos de certeza e liquidez para que possam ser posteriormente tratados. A certeza e liquidez do crédito original lhe é atribuída ou negada pela decisão administrativa definitiva acerca do primeiro Pedido de Restituição, enquanto que a certeza e liquidez do débito da contribuinte decorre imediatamente da sua confissão em Declaração de Compensação, mas pode ser objeto de revisão tempestivamente requerida. Assegurada a certeza e liquidez daqueles elementos, os mesmos podem ser exigidos pelo sujeito ativo da correspondente obrigação: o débito pode ser cobrado pelo Fisco e o crédito da contribuinte pode ser utilizado para quitação de tributo via compensação ou pode ser pedido em restituição. Conforme mencionado, tempestivamente identificado erro no montante do débito confessado, esse valor é passível de revisão e o valor excedente da quitação original pode ser requerido, tudo isso por meio de novo Pedido de Restituição, como efetivamente ocorreu no presente caso. De tudo isso, observa-se que o Pedido de Restituição sob apreciação é composto por três pedidos distintos e bem determinados: um pedido de revisão do valor do Fl. 2203DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-006.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.003250/2007-29 débito confessado, um pedido de reconhecimento de quitação a maior desse débito e um pedido de restituição do valor quitado a maior. O presente voto irá analisar cada um desses elementos no âmbito dos argumentos apresentados pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade para, em seguida. consolidar a análise conjunta dos mesmo em um único resultado. Por oportuno, apresenta-se um breve histórico sobre o andamento do processo de compensação nº13804.000950/2001-10: i) diante da não homologação da restituição e compensações por decadência, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade que foi totalmente indeferida pela DRJ; ii) irresignada, a empresa apresentou Recurso |Voluntário que levou a anulação da decisão de primeira instância, posto que a turma do CARF afastou a aludida decadência; iii) a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial que não foi provido e iv) a unidade de origem analisou, então, o mérito do pedido de restituição e compensações, homologando-as parcialmente; e v) o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi considerado improcedente, com decisão definitiva. Feitas essas considerações iniciais, passa-se à análise das rubricas consideradas no faturamento em seus argumentos de preliminares e mérito. Preliminarmente, a Recorrente solicita o sobrestamento do presente processo administrativo até a decisão definitiva do processo administrativo da compensação associada à presente restituição. No entanto, fica prejudicado o pedido, pois o deslinde do julgamento do processo de compensação nº13804.000950/2001-10 já ocorreu, conforme acima informado, com a homologação parcial das compensações. Inicialmente, cabe esclarecer que, não obstante a Recorrente não ter retificado a DCTF relativamente ao débito que originaria o alegado pagamento indevido, as turmas colegiadas do CARF têm expressado o seguinte entendimento sobre essa questão, ao qual concordo: Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado (Acórdão nº 3301-005.595, de 13 de dezembro de 2018, Rel. Salvador Cândido Brandão Junior). Em sede de diligência, a DRF de origem analisou detalhadamente cada rubrica contábil reivindicada pela Recorrente que supostamente não comporia a base de cálculo das contribuições por força da declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98. Em suma, concluiu que dentre todas as rubricas analisadas passíveis de compor o faturamento, as referentes as contas contábeis 37201.00002 – ENTRADA DE PEÇAS P/ ESTOQUE, 37201.00003 – VENDA INTERNA, 36201-00014 – REMUNERAÇÃO S/ CONSÓRCIO, 37201.00006 – RECEITAS DE INVEST. EM CONSÓRCIO e 37201.00007 – OUTRAS RECEITAS deveriam ser incluídas para efeito de incidência das contribuições. Em seguida, foram refeitos os cálculos do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis que lhes foram apresentados, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo as receitas financeiras, estranhas ao conceito de faturamento, onde apurou-se Cofins a pagar do período de apuração de fevereiro/03 no valor de R$ 3.853,34, fls. 2.160. Por fim, concluiu que houve compensação a maior, fls.2.160 a 2.163, na comparação entre a Cofins a pagar apurada na diligência com a compensação apontada como pagamento a maior, havendo a restituir ao contribuinte o valor de R$ 1.784,27. A Recorrente se insurge contra a inclusão das rubricas contábeis 37201.00002 – ENTRADA DE PEÇAS P/ ESTOQUE, 37201.00003 – VENDA INTERNA na base de cálculo Fl. 2204DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-006.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.003250/2007-29 das contribuições ao PIS e à COFINS, pois, no seu entender, tais receitas são estranhas ao conceito de faturamento, não estando de acordo com o julgado do STF no RE 585.235/MG. Ressalta que, no referido Recurso Extraordinário, o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecido como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, conclui ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, notadamente os valores registrados nas contas contábeis: 37201.00002 – ENTRADA DE PEÇAS P/ ESTOQUE, 37201.00003 – VENDA INTERNA.. Tem-se o alcance do termo faturamento ou receita bruta como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, consoante assentado no RE nº 585.235-1/MG, no qual reconheceu-se a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e reafirmou-se a jurisprudência consolidada pela Corte Suprema nos leading cases. Transcreve-se a ementa: "EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade, em resolver questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, 10 de setembro de 2008 - Ministro Cezar Peluso, Relator" No voto, o Ministro Cezar Peluso deixou consignado que: “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais....” (negrito nosso) Nesse passo, cabe a este Colegiado decidir se as rubricas contábeis citadas guardam identidade com o conceito de faturamento, entendido este como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, em sintonia com o assentado no RE nº 585.235-1/MG. Fl. 2205DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-006.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.003250/2007-29 No tocante à conta “37201.00002-Entrada de Peças Para Estoque”, explica a Recorrente que trata-se de peças excedentes recebidas pela empresa da montadora de veículos no exterior, a título de bonificação, Assim, visando a regularização do estoque de peças, realizava- se a emissão da nota fiscal de entrada da peça. Para fundamentar a sua tese, apresentou a Solução de Consulta nº130 de 03.05.2012, da 8ª Região Fiscal, na qual afirma tratar de situação semelhante a do presente caso. Nesse contexto, afirma que os valores registrados na conta “372012.00002- Entrada de Peças Para Estoque” não podem ser incluídos nas base de cálculo das contribuições em foco, não podendo prevalecer o entendimento manifestado pela Fiscalização. Como se percebe, a Recorrente trouxe aos autos a informação de que a rubrica em questão trata-se de bonificações em mercadorias (peças excedentes) recebidas das montadoras, sem qualquer outra informação adicional, ou indicação da motivação para a sua obtenção. Entendo que as bonificações em mercadorias podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, mas apenas quando se caracterizem como descontos incondicionais, desde que constem na nota fiscal e não dependam de evento posterior e condicional. A popular “dúzia de treze” exemplifica bem essa modalidade de desconto incondicional. No caso ora analisado, não há elementos capazes de se inferir que a operação se inclui na modalidade de desconto incondicional. Nesse passo, afastando a possibilidade de ser desconto incondicional e tendo em vista que a Recorrente não indica qualquer motivação para entrega dessas mercadorias, a única conclusão a chegar é que a operação se deu a título de doação. Assim, entendo que as mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação a operação de venda são conceitualmente receitas 1 para a empresa recebedora dos produtos (donatária) e tem relação direta com a atividade de revenda e manutenção de veículos constante no seu contrato social, devendo incidir as contribuições sobre o valor das mercadorias recebidas. Por fim, cabe ressaltar que a situação indicada pela Recorrente na Solução de Consulta nº130 trata justamente da situação da outra parte na operação, referente a empresa que fornece as mercadorias a título gratuito (doadora) que, por não ter obtido qualquer acréscimo econômico na operação, não deve considerá-la como receita. Por sua vez, no que diz respeito à conta “37201.00003-Venda Interna, explica a Recorrente tratar-se de reembolsos recebidos pela empresa, em razão da realização de manutenção de veículos em garantia. À época dos fatos, a empresa realizava a manutenção de veículos em garantia, por conta e ordem da montadora, efetuando a troca das peças necessárias. Posteriormente, a montadora reembolsava a requerente, pelas despesas incorridas com a manutenção. Por terem natureza de reembolso, esses valores não configuram receita da empresa. Para sustentar a sua afirmação, apresenta a posição da doutrina e jurisprudência acerca da extensão do conceito de receita. Inicialmente, oportuno fazer algumas considerações sobre a natureza jurídica das recuperações/reembolsos de despesas/custos, pois a Recorrente argui que essas rubricas contábeis sequer possuem natureza de receitas. 1 Conceito mais adequado para receita é como o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Fl. 2206DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-006.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.003250/2007-29 Entendo que o conceito mais adequado para receita é como o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Nesse sentido, diversamente ao argumentado pela Recorrente, entendo que as recuperações de custos/despesas são conceitualmente receitas, devendo compor o faturamento ou receita bruta, e sua exclusão da base de cálculo da base de cálculo das contribuições deveria ser veiculada em lei, o que não se identifica na legislação vigente. Confirmando esta natureza, transcrevo o artigo 44 da Lei nº 4.506/1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I - O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II - O resultado auferido nas operações de conta alheia; III - As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV - As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. (negrito nosso) Dessa forma, no caso ora analisado, o fato da Recorrente aduzir que algumas das rubricas contábeis consideradas pela Fiscalização têm natureza de redução de custos/despesa, isso não afasta a sua natureza de receita, conforme expressamente dispõe o inciso III do artigo 44 da Lei nº 4.506/1964. Nesse mesmo sentido, há decisão do CARF caracterizando como receita a recuperação/reembolso de despesas/custo, a teor do Acórdão nº 3302-003.653, cuja ementa transcreve-se a seguir: BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. As receitas decorrentes de recuperação de despesas não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, por falta de previsão legal. (Acórdão nº 3302-003.653 de 22 de fevereiro de 2017 da Terceira Câmara, Segunda Turma, da Terceira Seção) Dessa forma, as recuperações de custo/despesa ora analisadas possuem a natureza de receitas, compondo o faturamento, e, por isso, devem ser tributadas. Todavia, para aqueles que entendem, em tese, que recuperação de custos/despesas não têm natureza jurídica de receita, oportuno aqui esclarecer que nos autos não restou comprovada esta natureza dos valores ora discutidos. O Contribuinte não demonstrou, por meio de documentos, a existência de correspondência direta entre os custos de manutenção de veículos e os reembolsos recebidos pela montadora. As argumentações teóricas sobre o tema expostas pela Recorrente não vieram lastreadas por quaisquer documentos comprobatórios, tais como contratos e planilhas de custos/despesas incorridos em correspondência com os valores recebidos. Como se sabe, o momento adequado para apresentação da prova documental pela empresa é na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos em caso de impossibilidade de apresentação por motivo de força maior, ou se refira a direito ou fato superveniente, ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente Fl. 2207DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-006.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.003250/2007-29 trazidas aos autos (§4° do art. 16 do Decreto n.° 70.235/72, inserido pela Lei n.° 9.532/97) , situações que não foram identificadas no presente processo. Conclui-se que, mesmo que se afaste o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, julgado inconstitucional na sistemática dos repetitivos no RE nº 585.235-1/MG, ainda assim, os valores registrados nas rubricas contábeis aqui discutidas integram o faturamento da empresa, entendido este como "a soma das receitas provenientes das atividades empresariais". No que diz respeito a exclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS do custo de aquisição dos veículos usados pleiteada pela Recorrente, deve ser acolhida, uma vez que a determinação da receita tributável na venda de veículos usados adquiridos para revenda se dá pela diferença entre o valor de venda e o valor de aquisição, de acordo com os §§ 4º e 5º do art.10, da IN SRF nº247/02, in verbis: Art.10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. (negritos nossos) Nesse contexto, em sede de diligência, a DRF realizou todas as análises solicitadas, referentes as rubricas que compõem o faturamento e apuração dos custos de aquisição de veículos usados, e , por fim, chegou à seguinte conclusão, após o batimento entre o valor do débito reapurado e o valor compensado reconhecido no outro processo (nº13804.000950/2001-10) apurando-se o valor de excesso de compensação a ser restituído (fls.2.160 a 2.163): 2. Refazendo a apuração da Cofins do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis apresentados, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo as receitas financeiras, estranhas ao conceito de faturamento, apuramos Cofins a pagar no período de apuração de FEV/03 no valor de R$ 3.853,34. Demonstrativo anexo. 3. Comparando a Cofins a pagar apurada na diligência com a compensação apontada como pagamento a maior, concluímos que houve uma compensação a maior no valor de R$ 1.784,27. Demonstrativo anexo. (negritos nossos) Pelos motivos anteriormente expostos, as conclusões da diligência fiscal acima indicada são acolhidas integralmente no presente voto. Fl. 2208DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-006.846 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.003250/2007-29 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório nos termos da diligência fiscal. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo-Relator Fl. 2209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13707.002956/00-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/1988 a 31/12/1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. JURISPRUDÊNCIA STJ E STF.
Consoante jurisprudência vinculante firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa de seus preceitos, tratando-se de pedido de restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso, a contribuição para o PIS/Pasep, formulado anteriormente à vigência do mencionado diploma legal, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador.
Tendo a contribuinte pleiteado a repetição do indébito, em 10/10/2000, de valores referentes a fatos geradores ocorridos entre outubro de 1988 e dezembro de 2005, estava transcorrido o prazo legal para pleitear a devolução do tributo referente aos períodos de apuração anteriores a 10/10/1990.
SÚMULA CARF N° 91:
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador..
Numero da decisão: 9303-009.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada em substituição ao conselheiro Demes Brito), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. JURISPRUDÊNCIA STJ E STF. Consoante jurisprudência vinculante firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa de seus preceitos, tratando-se de pedido de restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso, a contribuição para o PIS/Pasep, formulado anteriormente à vigência do mencionado diploma legal, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Tendo a contribuinte pleiteado a repetição do indébito, em 10/10/2000, de valores referentes a fatos geradores ocorridos entre outubro de 1988 e dezembro de 2005, estava transcorrido o prazo legal para pleitear a devolução do tributo referente aos períodos de apuração anteriores a 10/10/1990. SÚMULA CARF N° 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 29 56 /0 0- 69 Fl. 1890DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.572 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13707.002956/00-69 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada em substituição ao conselheiro Demes Brito), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Originalmente, a contribuinte apresentou, em 10/10/2000, pedido de restituição de PIS/Pasep referente aos períodos de apuração de outubro de 1988 a dezembro de 1995, alegando ter realizado recolhimento indevido, em face da inconstitucionalidade dos Decretos-lei n° 2445, de 1988, e 2449, de 1988. A decisão consubstanciada no acórdão n° 204-02.355, integrada pelo acórdão em embargos n° 204.003.309, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para: - reconhecer a possibilidade de repetição dos valores de PIS/Pasep que não estivessem submetidos à substituição tributária e - entender tempestivo o pedido de repetição de indébito, por aplicar-lhe o prazo de 5 anos contados da data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49/1995, que suspendeu a execução da norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e cuja publicação se deu em 10 de outubro de 1995. Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, para discussão do prazo para repetição de indébito. Para comprovação da divergência jurisprudencial, a recorrente apontou, como paradigmas os acórdãos n° 1103-00.588 e 2803-002.058 e, solicitou que fosse reconhecida a DECADÊNCIA PARCIAL do direito de pleitear a restituição do PIS/Pasep relativo às competências anteriores a 10/10/1990. Em despacho de análise de admissibilidade, o presidente da câmara deu seguimento ao recurso especial. Não encontrei nos autos a apresentação, pela contribuinte, de contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator. Conhecimento O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, conforme consta do respectivo despacho do presidente da câmara recorrida, com o qual concordo e cujos fundamentos adoto neste voto. Portanto, conheço do recurso. Mérito Fl. 1891DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.572 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13707.002956/00-69 Como visto, a recorrente postulou, em 10/10/2000, a restituição do PIS/Pasep pago entre outubro de 1988 e dezembro de 1995, sob a alegação de pagamento indevido, em face da inconstitucionalidade dos Decretos-lei n° 2445, de 1988, e 2449, de 1988. A respeito dessa matéria, houve pronunciamento do STF em sede de repercussão geral no RE n° 566.621 (j. 4/8/2011), e do STJ sob o rito de recurso repetitivo nos REsp n° 1.002.932/SP (j. 25/11/2009) e n° 1.269.570/MG (j. 23/5/2012), julgados os quais deve este Colegiado observar, tendo em vista o disposto no art. 62 Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015. O entendimento exarado por esses tribunais superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, para os pedidos protocolizados antes da vigência da Lei Complementar n° 118/05, ou seja, antes de 9/6/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4° do CTN, somado ao prazo de cinco anos previsto no artigo 168, I desse Código. Em outros termos, os contribuintes têm nessas situações o prazo total de dez anos, a partir do fato gerador, para pleitear restituição do tributo indevidamente recolhido. Nesse rumo, diversas decisões da CSRF já se pronunciaram, como por exemplo os Acórdãos nos 9900-000.382 (j. 28/8/2012), 9202-003176 (j. 6/5/2014) e 9202-004.021 (j. 12/5/2016). Foi editada, inclusive, súmula nesse sentido pelo Pleno em sessão de 9/12/2013: Súmula CARF n° 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. De sua parte, a Procuradoria, em interpretação do RE n° 566.621, aprovou o Parecer PGFN/CRJ/N° 1247/2014, no qual concluiu que: (...) os já mencionados precedentes posteriores, bem como o atual contexto, recomendam a adoção de orientação mais flexível, entendendo, sob a ótica da ratio decidendi do julgado em repercussão geral (Tema n° 04), que, em se tratando de pleito administrativo anterior à vigência da LC n° 118/2005 ou de demanda judicial que, embora posterior, seja a este (anterior) relativa (art. 169 do CTN), deve ser observada a sistemática da "tese dos cinco mais cinco". Traçado esse sintético panorama do tema, tem-se no caso concreto que o contribuinte protocolizou pedido de restituição em 10/10/2000, relativamente ao PIS/Pasep das competências de outubro de 1988 a dezembro de 1995. Pela aplicação do critério acima, verifica-se que estão alcançados pelo prazo fatal, para repetição do indébito, os valores referentes às competências anteriores a 10/10/1990. Ora, foi justamente esse o pedido da Fazenda Nacional, que fosse reconhecida a DECADÊNCIA PARCIAL do direito de pleitear a restituição do PIS/Pasep relativo às competências anteriores a 10/10/1990. Conclusão Em vista do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reconhecer o transcurso do prazo fatal para repetição de indébito do PIS/Pasep referente às competências anteriores a 10/10/1990. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1892DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.572 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13707.002956/00-69 Fl. 1893DF CARF MF
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Numero do processo: 11543.003471/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2009
IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPROVAÇÃO.
Deve ser mantida a glosa do IRRF informado na declaração de rendimentos quando não restar comprovada a efetiva retenção do imposto de renda por parte da fonte pagadora.
Numero da decisão: 2201-005.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
Débora Fófano dos Santos - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a glosa do IRRF informado na declaração de rendimentos quando não restar comprovada a efetiva retenção do imposto de renda por parte da fonte pagadora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a glosa do IRRF informado na declaração de rendimentos quando não restar comprovada a efetiva retenção do imposto de renda por parte da fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 66/90) interposto contra decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) de fls. 51/55, a qual julgou a impugnação improcedente e, consequentemente, manteve o crédito tributário formalizado na notificação de lançamento - Imposto de Renda de Pessoa Física de fls. 39/43, lavrado em 22/11/2010, em decorrência da revisão da declaração de ajuste anual do exercício de 2009, ano-calendário de 2008 (fls. 42/47). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo, no montante de R$ 249.421,80, já inclusos juros de mora (calculados até 30/11/2010), multa de ofício no percentual de 75% (passível de redução) e multa de mora no percentual de 20% (não passível de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 34 71 /2 01 0- 39 Fl. 269DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.610 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.003471/2010-39 dedução), refere-se às infrações de dedução indevida de livro caixa no valor de R$ 131.111,29 e de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 179.729,20. Na notificação de lançamento consta a seguinte descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 40/41): Dedução Indevida de Livro-Caixa Glosa do valor de R$ *******131.111,29, indevidamente deduzido a título de Livro Caixa, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Somente pode deduzir despesas escrituradas em Livro-caixa, o contribuinte que comprovar ter recebido rendimentos do trabalho não-assalariado. Enquadramento Legal: Art. 6º da Lei nº 8.134/90; art. 8º, inciso II, alínea 'g', da Lei nº 9.250/95; art. 51 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001, arts. 73, 75 e 83 inciso II do Decreto nº 3.000/99 - RIR/99. Compensação Indevida de Imposto de renda retido na Fonte. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federar constatou-se a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ ********179.729,20 referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas. Contribuinte não comprovou o Imposto de Renda Retido na Fonte declarado. Fonte Pagadora CPF Beneficiário IRRF Retido IRRF Declarado IRRF Glosado 28.132.959/0001-08 – RIBEIRO BRANDÃO COMÉRCIO LTDA (ATIVA) 451.839.107-15 0,00 179.729,20 179.729,20 TOTAL 0,00 179.729,20 179.729,20 Enquadramento Legal: Arts. 12, inciso V, da Lei n° 9.250/95, arts. 7.°,§§1.° e 2.° e 87, inciso IV, § 2.° do Decreto n.° 3.000/99 — RIR/99. Da Impugnação Devidamente cientificado do lançamento em 30/11/2010 (fl. 44), o contribuinte apresentou impugnação em 17/12/2010 (fls. 2/8), instruída com documentos de fls. 9/37, alegando em síntese, conforme resumo constante no acórdão recorrido (fl. 53): 1) Recebeu a intimação e apresentou resposta, mas foi surpreendido com a Notificação de Lançamento, tendo sido cerceado no seu direito de defesa.; 2) É advogado autônomo, tendo atuado como tal na causa impetrada por Ribeiro Brandão Comercio Ltda, CNPJ 28.132.959/000108 contra o Banco Bilbao Vizcaya S/A. O cheque emitido pela Ribeiro Brandão, em maio de 2004, para pagamento dos honorários, no valor de R$ 270.000,00, foi sustado, não havendo recebido o valor a que tinha direito. Assim, protocolizou ação de execução do cheque (processo número 024.04.018253-4), que, corrigido na época, perfazia o valor de R$ 334.000,00, e que somente em 2008 recebeu o valor de R$ 655.556,44, novamente corrigido, com IRRF, no valor de R$ 179.729,20; 3) Para desempenho de suas funções, cuja ação foi iniciada em 1998 (Ribeiro Brandão x Banco Bilbao Vizcaya), processo número 024.900.000.928, teve despesas no valor de R$ 131.111,29 (20% do valor recebido). Ainda, “como a maioria das despesas foram Fl. 270DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.610 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.003471/2010-39 realizadas durante uma década, foi calculada a estimativa de despesas para todo o período”; e, 4) Que não pode ser responsabilizado pela omissão de entrega da Dirf por parte da fonte pagadora. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação da defesa, a DRJ em Juiz de Fora/MG, em sessão de 21 de novembro de 2013, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa do acórdão proferido, a seguir reproduzida (fl. 51): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 LANÇAMENTO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. DESNECESSIDADE. O lançamento efetuado em revisão de declaração prescinde de intimação prévia, tendo sido oportunizado o amplo direito de defesa ao interessado, mediante impugnação, de contestar a exigência com as justificativas e comprovações que possuir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES DE DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. Somente o contribuinte que receber rendimentos de trabalho não assalariado pode deduzir despesas escrituradas em livro caixa que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. DESPESAS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CUSTAS JUDICIAIS. Poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento de rendimentos recebidos acumuladamente, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, desde que comprovadas com documentos hábeis e idôneos. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Dever ser mantida a glosa do IRRF, quando não restar comprovado na fase impugnatória sua retenção em virtude de ação trabalhista impetrada pelo contribuinte. GUARDA DE DOCUMENTOS. O contribuinte é obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, toda a documentação que embasou o preenchimento de sua declaração de rendimentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Intimado da decisão da DRJ em 26/3/2014, conforme AR de fl. 61, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 22/4/2014 (fls. 66/90), acompanhado de documentos (fls. 91/266), alegando em síntese: 1. DA LEGITIMIDADE DA RENDA AUFERIDA 1.1 Honorários de Sucumbência e Contratuais. - O Recorrente atuou como advogado na ação de cobrança de aluguéis em face do BANCO ECONÔMICO (BILBAO VISCAYA S/A), promovida por RIBEIRO BRANDÃO COMERCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA, que tramita desde a década de 1980 na 1ª Vara Cível de Vitória. Fl. 271DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.610 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.003471/2010-39 - Iniciou sua atuação no ano de 1998 e em 5/5/2004 por meio de acordo o banco realizou pagamento dos aluguéis. - A empresa RIBEIRO BRANDÃO auferiu renda total de R$ 2.420.000,00. A título de honorários de sucumbência foi realizado o pagamento de R$ 484.000,00 ao advogado. - A título de honorários contratuais a empresa se comprometeu a pagar em maio de 2004, R$ 372.413,79, equivalente a 15,38% do total recebido, sendo que conforme recibo de pagamento, o valor líquido recebido foi de R$ 270.000,00, tendo em vista a retenção do imposto de renda realizada pela fonte pagadora, conforme documento apresentado (fl. 12). - A RIBEIRO BRANDÃO LTDA sustou o cheque para se furtar do pagamento (fls. 13 e 20). Tendo sido ajuizada ação de execução (Processo nº 024040182534), cujo objeto eram os honorários advocatícios de R4 270 mil já descontado o imposto de renda, retido pela fonte pagadora, fundão no cheque nº 734. O valor efetivamente apurado e recebido em 2008/2009, já descontado o imposto de renda, foi de R$ 475.827,24. A fonte pagadora RIBEIRO BRANDÃO fica responsável no pagamento do imposto de renda (27,5%) apurado em R$ 179.729,20. 2. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS 2.1 Imposto de Renda Retido na Fonte. Efetiva Retenção mas Ausência de Recolhimento. Responsabilidade Exclusiva da Fonte Pagadora. - O advogado agiu de boa-fé, certo da licitude do procedimento e declarou exatamente o que foi recebido, considerando, inclusive, a efetiva retenção pela fonte pagadora. - Havendo a retenção a responsabilidade é exclusiva da fonte pagadora. - Colaciona jurisprudência do CARF, dos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça. - Faz menção ao parecer Normativo COSIT nº 1 de 2002. 2.2 Vedação ao Bis In Idem no Direito Tributário. Princípio do Non Bis In Idem. - A título de argumentação, não se pode responsabilizar o pagamento do IRRF ao beneficiário da renda. O contribuinte nunca teve a disponibilidade financeira deste numerário. - O contribuinte seria penalizado duplamente (bis in idem) caso sofresse a redução do seu rendimento por duas vezes: 1º com a retenção na fonte e 2º com o recolhimento exigido pelo fisco. 2.3 DA BOA-FÉ DO CONTRIBUINTE IMPUGNANTE - Alega ter recebido a quantia de R4 484.000,00 referente 20% a título de honorários de sucumbência da ação judicial, sem a retenção de imposto de renda. De acordo com a legalidade e boa-fé objetiva, realizou a declaração de imposto de renda do ano-base 2004/5, ano do efetivo recebimento, recolhendo o respectivo imposto de renda integralmente, demonstrando de maneira clara e evidente a sua não-intenção em fraudar o fisco. - Diante da boa-fé objetiva demonstrada no presente processo, requer a anulação do lançamento realizado contra sua pessoa, reconhecendo o imposto retido pela fonte pagadora e sua responsabilidade exclusiva pelo recolhimento do tributo. 3. DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS - Nestes autos, resta cabalmente comprovado: 1. Que o advogado, ora impugnante, atuou com advogado a favor da Ribeiro Brandão; 2. Que o advogado alcançou êxito, depois de década de trabalho; 3. Que a Ribeiro Brandão recebeu R$2,42 milhões de reais em decorrência do trabalho do advogado; Fl. 272DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.610 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.003471/2010-39 4. Que na mesma data acertou os honorários do advogado em 15,3% do valor recebido pela empresa (maio/2004); 5. Que a empresa realizou a retenção (em maio/2004) de R$102.413,79, referente ao imposto de renda do impugnante; 6. Que o advogado recebeu o valor líquido de R$270.000,00 (duzentos e setenta mil reais) da Ribeiro Brandão; 7. No processo de execução da cobrança dos honorários, representados no cheque (R$270mil), foi realizada a penhora exatamente de parte do valor de R$2,42milhões recebidos pela Ribeiro Brandão (conforme provas anexas); 8. Que em decorrência da mora no pagamento, o valor líquido ajustado e efetivamente recebido (em novembro/2008) foi de R$475.827,24. 9. Que o valor bruto (líquido + retido) foi de R$655.556,44; 10. Que o impugnante declarou seus rendimentos adequadamente à Receita Federal, na data do efetivo recebimento (em novembro/2008). DOS PEDIDOS 1. Requer seja conhecido o presente recurso, para que, após o devido trâmite, obedecido o devido processo legal administrativo, oportunizando a oitiva das partes, requer seu julgamento, dando-se provimento nos termos a seguir propostos. 2. Em conclusão, merece acolhida a presente impugnação, com o seu provimento, anulando o lançamento realizado contra o contribuinte-impugnante, LUIZ ROBERTO TEIXEIRA DE SIQUEIRA, em razão da comprovação de prestação dos serviços advocatícios realizados, da boa-fé objetiva demonstrada nas declarações de imposto de renda de 2004/5 e 2008/9, da vedação à dupla incidência de cobrança sobre o contribuinte (non bis in idem), bem como em face da comprovação de efetiva retenção do imposto de renda pela empresa Ribeiro Brandão Comércio e Representações Ltda, que tem/teve a disponibilidade financeira e econômica do numerário devido ao fisco. 3. Pugna pelo recebimento dos documentos em anexo, de natureza complementar. O presente recurso compôs lote sorteado para esta relatora em sessão pública. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Observa-se que o recurso apresentado diz respeito apenas à infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 179.729,20. Logo, a matéria relativa à dedução indevida de Livro-Caixa no valor de R$ 131.111,29 não expressamente impugnada não integrará o contencioso, conforme disposição expressa no artigo 17 do Decreto nº 70.235 de 19721. O Recorrente apresentou cópias dos seguintes documentos, relacionados na fl. 90 do recurso: 1 Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 273DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.610 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.003471/2010-39 • Andamento integral do Processo de Execução da Ribeiro Brandão x Banco Bilbao (Econômico). Processos n° 0981984-81.1998.8.08.0024. (TJES). (fls. 97/106) • Andamento integral do Processo Execução dos Honorários Luiz Roberto x Ribeiro Brandão. Processo n° 0018253-29.2004.8.08.0024. (TJES). (fls. 91/96) • Cópia de peças processuais (atos do advogado e do juízo) nos processos acima referenciados. (fls. 123/265) • Cópia de íntegra de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.(fls. 111/122) Além dos documentos acima referidos, apresentou ainda a cópia do Parecer Normativo nº 1 de 24 de setembro de 2002 (fls. 107/110). Em relação à ação de execução contra devedor solvente movida em face de Ribeiro Brandão Comércio e Representações Ltda, foram apresentadas apenas cópias dos seguintes documentos: - petição inicial datada de 9/9/2004 (fls. 201/204); - cópia do cheque nº 734 (fl. 206); - recibo no valor de R$ 270.000,00 emitido em 5/5/2004 (fl. 208); - demonstrativo de atualização do valor de R$ 270.000,00 (fls. 213 e 232); - mandado de citação e penhora de 14/9/2004 (fl. 219); - certidão de cumprimento do mandado (fl. 220); - petição datada de 6/12/2004 (fls. 221/222); - pedido de apreciação de arresto de dinheiro formalizado em 10/2/2005 (fl. 223); - mandado de citação e penhora de 23/2/2005 (fls. 225/228); - impugnação de bens à penhora (fls. 229/231); - agravo de instrumento de 28/4/2005 (fls. 233/245); - petição datada de 11/5/2005 requerendo juntada de ofício deferindo efeito ativo ao agravo de instrumento interposto para determinar penhora de dinheiro como requerido (fl. 246); - decisão agravo de instrumento (fls. 247/250 e 252/254); - ofício nº 197/2005 Tribunal de Justiça – 1ª Câmara datado de 13/5/2005 (fl. 251); - pedido de juntada de demonstrativo atualizado do débito datado de 31/5/2005 (fls. 255/256); - mandado de penhora de valores em conta corrente da executada Brandão Comércio e Representações Ltda, até o montante de R$ 334.289,31, emitido em 14/6/2005 (fls. 257 e 259); - certidão e auto de penhora, bloqueio e depósito emitido em 14/7/2005 (fls. 258, 261/262); e - apelação com pedido de tutela antecipada datada de 3/12/2008 (fls. 263/265); Fl. 274DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.610 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.003471/2010-39 Os documentos apresentados se resumem basicamente em petições do próprio contribuinte. Não foram apresentadas as decisões judiciais, demonstrativo dos cálculos periciais, homologação de cálculos, alvará(s)/guia(s) de levantamento dos valores deferidos pela justiça em decorrência da ação proposta. Também não foi apresentado o contrato de prestação de serviços firmado com a empresa Brandão Comércio e Representações Ltda, no qual foi estabelecido o valor dos honorários contratuais. Assim, em que pesem as alegações do Recorrente, os documentos apresentados são insuficientes uma vez que não comprovam o valor efetivamente recebido nem a retenção do imposto de renda. Os artigos 43, 44 e 45 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (CTN)2, estabelecem o fato gerador, a base de cálculo e quem são os contribuintes do imposto de renda, ou seja, “o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis”. No caso concreto o Recorrente alega já ter sofrido a retenção do imposto de renda sobre o valor recebido em cumprimento de decisão judicial. Todavia, não houve tal comprovação, pois não são aceitáveis como prova recibos firmados pelo próprio interessado (fl. 12). Também não houve a comprovação, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, do montante dos rendimentos tributáveis recebidos em cumprimento de decisão judicial e do valor do imposto de renda retido na fonte. Apenas afirmou ter recebido o valor líquido de R$ 475.827,24 e ser o valor do imposto de renda retido na fonte o valor de R$ 179.729,20, efetuando o reajustamento da base de cálculo, nos termos do disposto no artigo 725 do RIR/99, acrescentando ao valor líquido que afirma ter recebido, a importância de R$ 179.729,20, o que totalizou o montante do rendimento bruto de R$ 655.556,44, informado na declaração de ajuste anual entregue (fl. 30). Em suma, nos documentos apresentados pelo contribuinte não houve a comprovação de que houve a retenção e o recolhimento do imposto de renda. Registre-se que, nos termos do disposto no artigo 12, V da Lei nº 9.250 de 26 de dezembro de 1995, a seguir reproduzido, o contribuinte pode deduzir na declaração de ajuste anual o valor do imposto de renda retido na fonte ou o pago correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo: Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: 2 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Fl. 275DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.610 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.003471/2010-39 (...) V - o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; (...) Pertinente também a transcrição do artigo 87 do Decreto nº 3.000 de 1999 (vigente durante o ano calendário em análise, revogado pelo Decreto nº 9.580 de 2018), nos seguintes termos: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (...); IV - o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; (...) § 2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§ 1º e 2º, e 8º, § 1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Da leitura dos dispositivos legais acima, a compensação do IRRF está condicionada à comprovação dos seguintes fatos: i) recebimento dos rendimentos, bem como da retenção do IRRF a eles correspondente; ii) oferecimento de tais rendimentos à tributação na declaração de ajuste anual; e iii) que a mencionada retenção se deu em função dos rendimentos individualmente recebidos em nome do suposto pleiteante. Assim sendo, tendo sido constado após a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual que não houve retenção do imposto, o destinatário da exigência passa a ser o contribuinte, exigindo a lei que ele submeta os rendimentos à tributação, apure o imposto efetivo, considerando todos os rendimentos. Deste modo, a partir da data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual não se pode mais exigir da fonte pagadora o imposto, conforme estabelecido no Parecer Normativo Cosit nº 1 de 24 de setembro de 2002, a seguir reproduzido: IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista Fl. 276DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art12 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art12 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3000.htm#rt7%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3000.htm#art8%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3000.htm#art8%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7450.htm#art55 Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.610 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.003471/2010-39 para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindo-se do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação. (...) Responsabilidade tributária na hipótese de não-retenção do imposto 12. Como o dever do contribuinte de oferecer os rendimentos à tributação surge tão- somente na declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, ao se atribuir à fonte pagadora a responsabilidade tributária por imposto não retido, é importante que se fixe o momento em que foi verificada a falta de retenção do imposto: se antes ou após os prazos fixados, referidos acima. 13. Assim, se o fisco constatar, antes do prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, que a fonte pagadora não procedeu à retenção do imposto de renda na fonte, o imposto deve ser dela exigido, pois não terá surgido ainda para o contribuinte o dever de oferecer tais rendimentos à tributação. Nesse sentido, dispõe o art. 722 do RIR/1999, verbis: Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 103). 13.1. Nesse caso, a fonte pagadora deve arcar com o ônus do imposto, reajustando a base de cálculo, conforme determina o art. 725 do RIR/1999, a seguir transcrito. " Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei nº 4.154, de 1962, art. 5º. e Lei nº 8.981, de 1995, art. 63, § 2º)." 14. Por outro lado, se somente após a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, for constatado que não houve retenção do imposto, o destinatário da exigência passa a ser o contribuinte. Com efeito, se a lei exige que o contribuinte submeta os rendimentos à tributação, apure o imposto efetivo, considerando todos os rendimentos, a partir das datas referidas não se pode mais exigir da fonte pagadora o imposto. (grifos nossos). (...) Logo, tem-se que o contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório nos termos do disposto no artigo 373 da Lei nº 13.105 de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), não assistindo razão aos argumentos apresentados, de modo que não merece reparo o acórdão recorrido. Conclusão Diante do exposto, vota-se em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto em epígrafe. Débora Fófano dos Santos Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.005649/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR.
Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
LIVRO CAIXA. DESPESAS NECESSÁRIAS A PERCEPÇÃO DOS RENDIMENTOS E A MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA.
O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não-assalariado poderá deduzir todas as despesas previstas na legislação como necessárias A percepção da receita e A manutenção da fonte produtora, desde que devidamente comprovadas.
LIVRO CAIXA. RECEITAS. DESPESAS. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas em Livro Caixa, mediante documentação hábil e idônea.
DECADÊNCIA. IRPF.
O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, devido no ajuste anual, decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-base, momento em que se verifica o termo final do período, se não for constatado dolo, fraude ou simulação.
PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE DILIGÊNCIA NA APURAÇÃO DAS INFRAÇÕES. INEXISTÊNCIA.
Inexiste falta de diligência por parte da autoridade fiscal na apuração das infrações quando, ao longo do procedimento fiscal, esta cuidou de conceder ao fiscalizado a oportunidade de esclarecer pontos obscuros e conflitantes e manifestar-se quanto as conclusões obtidas a partir do confronto das informações de que dispunha a partir dos sistemas informatizados da Receita Federal - DIRF e DIRPF - e as informações fornecidas pelo próprio contribuinte e por terceiros, quando intimados, além dos registros do Livro Caixa.
ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
INFRAÇÃO. RELATÓRIO FISCAL. OBSCURIDADE INEXISTENTE.
Inexiste obscuridade no relatório fiscal quando a autoridade fiscal não só relata minuciosamente todo os atos e fatos ocorridos durante a ação fiscal como também demonstra e fundamenta claramente as infrações cometidas pelo contribuinte.
CARNÊ-LEÃO. MULTA ISOLADA.
Incabível a aplicação de multa isolada pelo não recolhimento de carnê-leão concomitantemente com a penalidade de ofício, quando a autuação se refere a períodos de apuração anteriores a 2006, inclusive. SÚMULA 147 DO CARF.
JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL.
A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.
Numero da decisão: 2201-005.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a exigência correspondente à multa isolada por falta de recolhimento do carnê-leão.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. LIVRO CAIXA. DESPESAS NECESSÁRIAS A PERCEPÇÃO DOS RENDIMENTOS E A MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não-assalariado poderá deduzir todas as despesas previstas na legislação como necessárias A percepção da receita e A manutenção da fonte produtora, desde que devidamente comprovadas. LIVRO CAIXA. RECEITAS. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas em Livro Caixa, mediante documentação hábil e idônea. DECADÊNCIA. IRPF. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, devido no ajuste anual, decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-base, momento em que se verifica o termo final do período, se não for constatado dolo, fraude ou simulação. PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE DILIGÊNCIA NA APURAÇÃO DAS INFRAÇÕES. INEXISTÊNCIA. Inexiste falta de diligência por parte da autoridade fiscal na apuração das infrações quando, ao longo do procedimento fiscal, esta cuidou de conceder ao fiscalizado a oportunidade de esclarecer pontos obscuros e conflitantes e manifestar-se quanto as conclusões obtidas a partir do confronto das informações de que dispunha a partir dos sistemas informatizados da Receita Federal - DIRF e DIRPF - e as informações fornecidas pelo próprio contribuinte e por terceiros, quando intimados, além dos registros do Livro Caixa. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. INFRAÇÃO. RELATÓRIO FISCAL. OBSCURIDADE INEXISTENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 56 49 /2 00 7- 21 Fl. 1351DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.492 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.005649/2007-21 Inexiste obscuridade no relatório fiscal quando a autoridade fiscal não só relata minuciosamente todo os atos e fatos ocorridos durante a ação fiscal como também demonstra e fundamenta claramente as infrações cometidas pelo contribuinte. CARNÊ-LEÃO. MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação de multa isolada pelo não recolhimento de carnê-leão concomitantemente com a penalidade de ofício, quando a autuação se refere a períodos de apuração anteriores a 2006, inclusive. SÚMULA 147 DO CARF. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a exigência correspondente à multa isolada por falta de recolhimento do carnê-leão. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório 01- Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (e- fls. 1.318/1.327) por sua precisão e as folhas dos documentos indicados no presente são referentes ao e-fls (documentos digitalizados): Por meio do Auto de Infração as folhas 1241 a 1248, foi exigida do contribuinte acima qualificado a importância de R$ 38.292,92 a titulo de Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF, referente a fatos geradores ocorridos nos anos-calendário de 2003, 2004 e 2005, acrescida de multa de oficio de 75% e encargos legais devidos A época do pagamento, e a importância de R$ 16.838,49 a titulo de multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnê-leão. Em consulta A "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)", As folhas 1242 a 1247, verifica-se que autuação se deu em razão de: 001 — omissão de rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas; Fl. 1352DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.492 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.005649/2007-21 002 - omissão de rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas físicas; 003 — dedução indevida de despesas de livro caixa; 004 — falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carne-ledo. Intimado da autuação fiscal, o contribuinte, apresentou sua defesa onde contesta o lançamento com base nos argumentos que seguem. Preliminarmente alega a decadência dos valores referentes ao ano calendário 2003. Argumenta, tomando por base acórdãos do Conselho de Contribuinte, que o prazo decadencial para os fatos geradores ocorridos em 2003 iniciou-se em 01 de janeiro deste ano e que o termo final ocorreu em 01 de janeiro de 2007, pelo que na data do lançamento, em 10/12/2007, os créditos tributários referentes a este ano já se encontravam extintos pela decadência. A titulo de mérito, inicialmente contesta o lançamento em relação a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas alegando que a infração imputada é improcedente pois: ...o I auditor fiscal também não apurou com as pessoas jurídicas com um mandado de procedimentos fiscal extensivo, sobre os recebimentos das pessoas jurídicas. O contribuinte jamais recebeu qualquer comprovante de renda das pessoas jurídicas relatando as suas receitas. O contribuinte não pode ser onerado se outro contribuinte, neste caso, pessoa jurídica, não fornecer o pretenso documento. Defende, ainda, que a pretensão fiscal não tem respaldo legal e fático e alega que o auditor: em seu relatório traz uma descrição confusa dos reais fatos; "deveria proceder todos (sic) os atos administrativos para o desempenho correto, e a apuração real das operações comerciais do contribuinte"; agiu com arbitrariedade pois "mesmo sabendo de sua falha e lacuna, ora cometida, sequer aplicou as devidas ferramentas para apuração, se existir, o real valor devido do contribuinte"; deveria ter diligenciado para "efetuar e entender o correto procedimento da atividade do contribuinte". Em relação a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas o impugnante inicialmente afirma que o auditor fiscal não relatou os fatos que ocorreram mas "simplesmente teve o intuito de demonstrar um débito que é totalmente improcedente" e segue alegando: Senão verificamos que do TVF o I. auditor fiscal, fls. 39 a 51, descreve os recibos, ora emitido, nas fls. 51 a 52, verificou a diferença dos valores apurados e recebido emitido. (sic) Ardilosamente o I. auditor fiscal não demonstrou os meses que os valores declarados foram bem mais superiores (sic), conforme demonstrado abaixo: Além do I. auditor fiscal tentar explicar detalhadamente no TVF, apenas efetuou um relato sem conseguirmos identificar as propensas infrações do contribuinte. (sic) Aduz ainda que tanto é absurdo o relato de omissão de receitas recebidas de pessoas físicas que a autoridade fiscal não caracterizou tal conduta como fraude e não aplicou a multa no percentual de 150% por sonegação de tributos. Conclui então que, neste caso, a autoridade fiscal cometeu o crime de "excesso de exação, pois, mesmo entendendo Fl. 1353DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.492 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.005649/2007-21 que não houve omissão de receita efetuou a tributação do contribuinte sem qualquer fundamentação legal. Por fim, informa que não foram considerados no cálculo do imposto despesas dedutíveis pagas a titulo de encargos trabalhistas e sociais e que não foram incluídas no Livro Caixa; defende que o auditor fiscal, enquanto servidor da Receita Federal do Brasil, poderia ter apurado tais despesas "pelo sistema GFIP". Em relação a multa isolada transcrevo na integra os argumentos de defesa: O impugnante lamenta a atitude do I auditor fiscal, haja visto, não se pode autuada, pois o mesmo não verificou sequer todas as exigências legais para o levantamento do débito. (sic) O contribuinte está com todas as suas receitas declaradas e também não sendo deduzido todas as despesas trabalhistas e encargos sociais. (sic) No mais traz argumentos de variada ordem no intuito de demonstrar a ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da Taxa Selic no cálculo dos créditos tributários. Ante tais argumentos, o impugnante requer o cancelamento do auto de infração, a produção e juntada de novas provas, inclusive a realização de diligência em seu estabelecimento, e alternativamente a exclusão da taxa Selic. 02- A impugnação do contribuinte foi julgada improcedente de acordo com decisão da DRJ abaixo ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 LIVRO CAIXA. DESPESAS NECESSÁRIAS A PERCEPÇÃO DOS RENDIMENTOS E A MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não-assalariado poderá deduzir todas as despesas previstas na legislação como necessárias A percepção da receita e A manutenção da fonte produtora, desde que devidamente comprovadas. LIVRO CAIXA. RECEITAS. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas em Livro Caixa, mediante documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 DECADÊNCIA. IRPF. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, devido no ajuste anual, decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-base, momento em que se verifica o termo final do período, se não for constatado dolo, fraude ou simulação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 Fl. 1354DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.492 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.005649/2007-21 PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE DILIGÊNCIA NA APURAÇÃO DAS INFRAÇÕES. INEXISTÊNCIA. Inexiste falta de diligência por parte da autoridade fiscal na apuração das infrações quando, ao longo do procedimento fiscal, esta cuidou de conceder ao fiscalizado a oportunidade de esclarecer pontos obscuros e conflitantes e manifestar-se quanto as conclusões obtidas a partir do confronto das informações de que dispunha a partir dos sistemas informatizados da Receita Federal - DIRF e DIRPF - e as informações fornecidas pelo próprio contribuinte e por terceiros, quando intimados, além dos registros do Livro Caixa. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. INFRAÇÃO. RELATÓRIO FISCAL. OBSCURIDADE INEXISTENTE. Inexiste obscuridade no relatório fiscal quando a autoridade fiscal não só relata minuciosamente todo os atos e fatos ocorridos durante a ação fiscal como também demonstra e fundamenta claramente as infrações cometidas pelo contribuinte. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Lançamento procedente. 03 - Houve a interposição de recurso voluntário pelo contribuinte às fls. 1.334/1.348, refutando os termos da decisão de piso. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator. 04 – Conheço do recurso por estarem presentes as condições de admissibilidade. 05 – Verifico que após detida análise dos autos e dos argumentos do recorrente entendo que é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, constitui-se em repetições dos argumentos utilizados em sede de impugnação e, em verdade, acabam por repetir e reafirmar a tese sustentada pelo contribuinte, as quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Fl. 1355DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.492 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.005649/2007-21 06- Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3ºdo Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III - relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). 07 - Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. 08 - Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, com exceção a questão da multa isolada que será tratada posteriormente, adoto como razões de decidir, considerando-se como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida, verbis. 1. Decadência O impugnante alega que o crédito tributário na parte referente a fatos geradores ocorridos em 2003 já se encontra a extinto pela decadência na data do lançamento, em 10/12/2007. Nesse sentido argumenta que o prazo decadencial para os fatos geradores ocorridos em 2003 iniciou-se em 01 de janeiro deste ano e que o termo final ocorreu em 01 de janeiro de 2007. Antes de analisar o argumento de defesa, há que se colocar que o Imposto de Renda Pessoa Física é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, conforme definição contida no caput do art. 150 do CTN, e como tal tem sua decadência regrada pelo § 40 do mesmo artigo (cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador) - exceto nos casos em que reste "comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação", e que neste caso cabe o disposto no inciso I do artigo 173 do mesmo CTN. Já em relação ao momento da ocorrência do fato gerador, em se tratando de imposto apurado no ajuste anual, é de se ter presente que o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, visto que sua base de cálculo abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o ano- calendário. Fl. 1356DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.492 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.005649/2007-21 Mencione-se que, não obstante equivocar-se em seus cálculos, o impugnante demonstra ter conhecimento de tais regras haja vista estarem expressamente consignadas nas ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes por ele trazidas para fundamentar seus argumentos. Assim, é que para IRPF relativo ao ano-calendário 2003, diferente do que alega o impugnante, o prazo decadencial começou a fluir em 31 de dezembro de 2003 e expirou em 31 de dezembro de 2008. Portanto, A data da ciência do lançamento ao contribuinte, em 13/12/2007 (fl. 1265) ainda não havia expirado o prazo para o fisco lançar o crédito tributário apurado para o ano de 2003. 2. Omissão de rendimentos - Procedimento fiscal Analisando os argumentos de defesa no que concernem as omissões de rendimentos lançadas, verifica-se que o contribuinte labora no sentido de demonstrar que a autoridade fiscal não teria sido suficientemente diligente na apuração das infrações, além de não relatar de forma clara e precisa os fatos. Todavia, de pronto há que se dizer que tais argumentos de defesa não passam de meras alegações, totalmente desprovidas de fundamento, até por que do pouco que o impugnante aponta contra a autuação da autoridade fiscal o faz de forma confusa e pouco especifica. Assim vejamos. Em análise aos autos, verifica-se que ao longo do procedimento fiscal, a autoridade fiscal teve o cuidado de, em mais de uma ocasião, conceder ao fiscalizado a oportunidade de esclarecer pontos obscuros e conflitantes e a manifestar-se quanto As conclusões obtidas a partir do confronto das informações de que dispunha a partir dos sistemas informatizados da Receita Federal — no caso, as DIRF das pessoas jurídicas e DIRPF das pessoas físicas das quais o contribuinte, enquanto dentista, recebeu rendimentos tributáveis — e as informações fornecidas pelo próprio contribuinte e por terceiros, quando intimados, além dos registros do Livro Caixa. De outro turno, no Relatório de Fiscalização, As folhas 1171 a 1240, a autoridade fiscal não só relatou minuciosamente todo os atos e fatos ocorridos durante a ação fiscal, mas também demonstrou e fundamentou claramente as infrações cometidas pelo contribuinte. 2.1. Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas Em relação a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas o impugnante reclama que a autoridade fiscal não relatou os fatos que ocorreram mas "simplesmente teve o intuito de demonstrar um débito que é totalmente improcedente" e segue alegando: "Senão verificamos que do TVF o I. auditor fiscal, fls. 39 a 51, descreve os recibos, ora emitido, nas fls. 51 a 52, verificou a diferença dos valores apurados e recebidos". Ocorre, porém, que nas folhas 39 a 51 do relatório fiscal (fls. 1211 a 1223 dos autos), a autoridade fiscal não descreve os recibos, ora emitido, nas fls. 51 a 52, mas traz uma planilha (tabela 007) onde relaciona todos os rendimentos recebidos de pessoa física pelo contribuinte nos anos 2003 a 2005, que conforme explica: Desta forma, esclarecida a questão das incongruências (nomes repetidos, sobrenome iguais, dependência, etc.) da relação geral dos rendimentos recebidos de pessoas físicas (DIRPF e Livro Caixa) constante no termo de intimação 004, concluímos, com base, na análise das respostas e dos documentos recebidos dos contribuintes intimados, bem como, das informações prestadas pelo fiscalizado, o Fl. 1357DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.492 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.005649/2007-21 Sr. Abelardo Nunes Lunardeli, recebeu rendimentos de pessoas físicas, vide tabela 007 abaixo. Já nas folhas nas fls. 51 a 52 do relatório fiscal, o auditor traz uma tabela onde relaciona os meses em que se verificou a omissão de rendimentos, conforme explica: De posse dos valores mensais da tabela acima (tabela 007), passamos a confrontá- la com as receitas declaradas na DIRPF pelo contribuinte, consequentemente, apurada diferença a maior (valor mensal da tabela acima maior, maior que o valor da DIRE), esta deverá ser tributada... Quanto a afirmação "Ardilosamente o I. auditor fiscal não demonstrou os meses que os valores declarados foram bem mais superiores, conforme demonstrado abaixo:", esta é inadmissível vez que o impugnante não lhe deu continuidade ao não trazer nenhuma demonstração de valores. No mais, mostra-se totalmente equivocado o entendimento do impugnante de que não houve omissão de rendimento uma vez que a autoridade fiscal não caracterizou tal conduta como fraude e não aplicou a multa no percentual de 150% por sonegação de tributos. A esse respeito, somente cabe informar o contribuinte que a multa cabível pelo cometimento da infração foi devidamente aplicada, no caso, no percentual de 75% do imposto apurado (inciso I do art. 957 do RIR199), e somente se a autoridade fiscal tivesse entendido estar presente o dolo, ou seja a evidente intenção do contribuinte em omitir os rendimentos, é que tal multa seria agravada para 150%, nos termos do inciso II do art. 957 do RIR/99. Por fim, o impugnante informa que não foram considerados no cálculo do imposto despesas dedutíveis pagas a titulo de encargos trabalhistas e sociais, não incluidas no Livro Caixa. Defende que o auditor fiscal, enquanto servidor da Receita Federal do Brasil, poderia ter apurado tais despesas "pelo sistema GFIP". Novamente não merecem ser acolhidos os argumentos de defesa. O impugnante expressamente admite que não regist ou no Livro Caixa as despesas alegadas, mas mesmo assim defende que o auditor fiscal deve ter buscado conhecê-las e então deduzi- las da base de cálculo do imposto apurado. Destarte, é fato que o contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não-assalariado pode deduzir todas as despesas previstas na legislação como necessárias percepção da receita e A manutenção da fonte produtora, todavia, desde que devidamente comprovadas pelo contribuinte. de se ter presente, portanto, que cabe ao contribuinte, e não A fiscalização, informar e comprovar todas as deduções a que este tem direito; à fiscalização cabe investigar, apurar e comprovar os rendimentos auferidos pelo contribuinte e aceitar as deduções por este declaradas e comprovadas no cálculo do imposto devido. Saliente-se que o contribuinte teve um prazo mais que suficiente para trazer ao conhecimento da fiscalização e comprovar as despesas alegadas (considerando que a ação fiscal iniciou-se em 31/01/2007 com termo final em 10/12/2007) porém somente em sede de defesa trouxe a listagem juntada As folhas 1283 a 1288. No entanto, tal listagem, por si só, apesar de conter informações sobre GFIP (código 115, próprio para pagamento de FGTS), não consiste de meio hábil para provar as alegadas despesas haja vista não consistir de um documento capaz de atestar que de fato o contribuinte tenha efetuado os recolhimentos dos valores la consignados. Por todo o exposto, há que se dizer que a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física é procedente, haja vista encontrar-se perfeita e claramente demonstrada Fl. 1358DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.492 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.005649/2007-21 nos autos, não trazendo o impugnante nada capaz de afastar a validade do lançamento ou infirmar o que dos autos consta. 2.2. Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídica O mesmo há que se dizer em relação a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. Também em relação a esta infração o impugnante baseia sua impugnação na contestação contra o procedimento da autoridade fiscal; em suma alega que esta não realizou todos os atos administrativos necessários a correta apuração da infração e relatou os fatos de forma confusa. No mais defende que não recebeu qualquer comprovante de renda das pessoas jurídicas relatando as suas receitas, pelo que não pode ser onerado. Neste caso também, da mesma forma, não se vislumbra aqui qualquer vicio ou impropriedade no procedimento fiscal. Relata a autoridade fiscal, fls. 1194/1195: Especificamente com relação aos rendimentos pagos por pessoas jurídicas, intimamos o fiscalizado no termo de inicio de fiscalização em 21/01/2007 a apresentar comprovante de rendimentos recebidos de pessoa jurídica referente ao período fiscalizado (2003 a 2005), sendo, novamente intimado no termo de intimação 004. Passado mais de 10 meses da intimação fiscal inicial e até a presente data, o fiscalizado nada apresentou, nem esclareceu sobre os rendimentos de pessoa jurídica. Em consulta ao sistema da RFB, encontramos declarações do imposto de renda retido na fonte — DIRF, onde consta "IRRF — REND TRAB SEM VINC EMPREGATÍCIO", os rendimentos declarados pela Uniodonto de Santa Catarina Cooperativa de Trabalho Odontológico(CNPJ n°75342295000183), Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás (CNPJ n° 33000167000101) e pela Superintendência do Porto do Itajai (CNPJ n°006620910001200), conforme tabela abaixo: .... Na DIRPF no ano de 2003, o fiscalizado declarou corretamente os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, porém em 2004, declarou somente os rendimentos da Uniodonto de Santa Catarina Cooperativa de Trabalho Odontológico, e com relação ao ano de 2005 nada declarou. Assim, demonstramos na tabela abaixo, os valores declarados em DIRF que não consta da DIRPF do fiscalizado. É importante mencionar que o impugnante em momento algum do procedimento fiscal negou ter auferido os rendimentos informados pelas pessoas jurídicas em DIRF, limitando-se, em sede de defesa, a negar ter recebido os comprovantes de pagamentos solicitados pela fiscalização. De se ver que através do termo de intimação fiscal 004, entre outros esclarecimentos, foi novamente solicitado ao fiscalizado os comprovantes de rendimentos de pessoa jurídica referente ao ano calendário de 2005, em especial: a. Superintendência do Porto do Itajai - CNPJ n° 00.662.091/0001-20; b. Petróleo Brasileiro S/A - CNPJ n° 33.000.167/0001-01; c. Coop Econ C Méd Prof Saúde Rio Itajai — CNPJ n° 74.114.042/0001-90; Fl. 1359DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.492 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.005649/2007-21 d. Uniodonto de Santa Catarina Cooperativa de Trabalho Odontológico – CNPJ n° 75.342.295/0001-83 O fiscalizado por seu turno, trouxe os esclarecimentos que julgou pertinentes em relação aos outros itens, porém em relação a este simplesmente não se manifestou: não trouxe os comprovantes, não negou possui-los e não negou ter recebido quaisquer rendimentos de tais empresas. Ora, se um contribuinte que se encontra sob fiscalização é instado a apresentar comprovantes de pagamentos que este efetivamente não recebeu, sob pena de, em caso contrário, conforme consta da intimação 004 mencionada, "o lançamento ser feito com as informações de que se dispuser (art. 845 do RIR199)", é evidente que o contribuinte no mínimo se insurgiria contra essa exigência negando o recebimento dos pagamentos alegados. No presente caso, o fiscalizado ao omitir-se diante da situação em que se encontrava, admitiu-a. Ao silenciar-se não deu azo a uma intimação junto as pessoas jurídicas, sendo suficiente 'a fiscalização as informações de que dispunha, no caso as DIRF das pessoas jurídicas. De outro turno a simples alegação do impugnante de que não teria recebido os comprovantes de pagamento recebidos, não o desobriga de declará-los ao fisco. Esclareça-se que o contribuinte não está sendo onerado por não apresentar os comprovantes solicitados, mas por ter omitido rendimentos tributáveis. Mencione-se, por oportuno, que a dedução do imposto de renda retido na fonte está condicionada a apresentação de comprovante de retenção da fonte pagadora em nome do contribuinte, nos termos do art. 87 do RIR/99 abaixo transcrito, assim, é certo que a fonte pagadora, pessoa jurídica, deve fornecer à pessoa física beneficiada o documento comprobatório com indicação da natureza e imposto retido no ano calendário. Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei n° 9.250, de 1995, art. 12): [...] IV - o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a titulo de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; § 2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§1º e 2º, e 8º, 1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). (grifos nossos) Ante todo o exposto, é forçoso concluir que se falta de diligência houve foi por parte do contribuinte ao não manter em sua guarda os comprovantes de rendimentos, ao não solicitar tais comprovantes das pessoas jurídicas, se de fato estes não lhe foram entregues, e ao deixar de atender a intimação fiscal, nem que fosse para comunicar que não se encontrava em posse de tais documentos ou negar o recebimento de pagamentos das pessoas jurídicas indicadas pela fiscalização. Assim, a meu ver, a autoridade fiscal agiu corretamente na apuração dos rendimentos omitidos e relatou de forma clara e precisa os fatos, não trazendo o impugnante nada capaz de afastar a validade do lançamento ou infirmar o que dos autos consta. (....) omissis 4. Taxa Selic Fl. 1360DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.492 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.005649/2007-21 Os acréscimos legais cabíveis ao caso estão regularmente previstos em lei vigente à época dos fatos, no caso o §3° do art. 61, ambos da lei n° 9.430/96. Portanto, as alegações de defesa não podem ser aqui acolhidas quando objetivam o reconhecimento ou a declaração de ilegalidade ou de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que amparam o lançamento. Destarte as autoridades administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não dispõem de competência para apreciar questões relacionadas constitucionalidade/legalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional, razão por que tornam-se descabidas quaisquer manifestações deste juízo. 5. Apresentação de provas Por fim, o contribuinte solicita a produção e juntada de novas provas, inclusive a realização de diligência em seu estabelecimento. No que se refere à reserva do direito de produção de provas, só se pode aqui dizer que a inserção de novos elementos de prova no processo depois de transcorrido o prazo de impugnação, só pode ser deferido no caso de estarem presentes alguma(s) das circunstâncias previstas no parágrafo 4. ° do artigo 16 do Decreto n. ° 70.235/72 (impossibilidade de apresentação durante o prazo de impugnação, por conta de "força maior", "fato ou direito superveniente" etc.). Assim, apenas na oportunidade da apresentação concreta das novas provas é que a autoridade competente para falar naquele momento processual poderá aferir a presença ou não daquelas circunstâncias; não há como acatar um pedido em tese. 09 – Portanto, nesses pontos acima indicados, nego provimento ao recurso. 10 – Em relação ao questionamento da multa isolada, entendo que deve ser dado provimento ao recurso voluntário para afastá-la, explico. 11 - Nessa matéria o período de apuração são do Ano -Calendário 2003, 2004 e 2005 e foi aplicado multa isolada relativa ao não recolhimento do imposto devido no carnê-leão. 12 - No caso, essa turma tem entendimento que a multa isolada aplicável em anos anteriores a 2006 em conjunto com a de ofício deve ser afastada. Vide Ac. 2201003.931 da lavra do Ilustre Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo j. 14/07/2017, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 CARNÊ LEÃO. MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação de multa isolada pelo não recolhimento de carnê leão concomitantemente com a penalidade de ofício, quando a autuação se refere a períodos de apuração anteriores a 2006, inclusive. Fl. 1361DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-005.492 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.005649/2007-21 13 – Adoto como razões de decidir os seguintes trechos da decisão a qual filio do I. Conselheiro a respeito desse tema quando do julgamento por essa Turma para afastar a aplicação da multa isolada nesse caso, verbis: "Contudo, a despeito dos argumentos acima expostos, que guardam relação com a legislação atualmente em vigor e que serviu lastro para redução da penalidade no julgamento de 1ª instância, o fato é que o caso sobre o qual estamos debruçados remonta aos anos de 2001 e 2002, sendo, portanto, necessário rememorar os preceitos então vigentes da mesma lei 9.430/96, os quais foram utilizados na fundamentação da exigência de fl. 12. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê leão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. Como se vê, a matéria sofreu profunda alteração em 2007, em particular com a edição da MP 351/2007 e da Lei 11.488/2007. No texto anterior, não havia duas penalidades. Apenas uma. Portanto, à época da ocorrência dos fatos geradores em discussão, 2003, a concomitância das penalidades isoladas e de ofício não encontrava lastro no texto então vigente do art. 44 da lei 9430/96, em razão de sua clara previsão de que as multas previstas no artigo seriam exigidas, no caso de não recolhimento do carnê leão, isoladamente. Assim, temos as seguintes situações: 1) no caso de lançamento exclusivamente de multa isolada pelo não recolhimento do carnê leão, independentemente do período a que se refere, deve-se aplicar a penalidade nova (50%), em homenagem à retroatividade benigna de que trata alínea "c", inciso II do art. 106 da lei 5172/66 (CTN); 2) no caso de lançamento de multa isolada pelo não recolhimento do carnê leão concomitantemente com a exigência de ofício incidente sobre a diferença apurada de IRPF, deve-se excluir a penalidade isolada se o lançamento se refere a períodos de apuração até 2006, mantendo-se a exigência de ofício. Caso se refiram a períodos de apuração de 2007 e posteriores, é devida a manutenção concomitante das penalidades isoladas e de ofício." Fl. 1362DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-005.492 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.005649/2007-21 14 – Vale mencionar que esse tema também foi objeto da 34ª proposta de enunciado de Súmula desse E. Sodalício aprovada em sessão do dia 03/09/2019 e publicada no DOU do dia 10/11/2019 cuja proposta recebeu a numeração sequencial de 147 assim indicando: SÚMULA 147 Somente com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75%). 15 – Portanto, nesse ponto dou provimento parcial ao recurso voluntário para excluir na forma da fundamentação acima a multa isolada aplicada. Conclusão 16 - Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa isolada aplicada, nos termos da fundamentação. (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 1363DF CARF MF
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Numero do processo: 11131.720935/2016-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 06/01/2012, 24/01/2012, 24/04/2012
NULIDADE DA AÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. PRETERIÇÃO DE DIREITO DE DEFESA.
É nula ação fiscal que pretere o direito de defesa do acusado, ferindo o disposto no Inciso II do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. FALTA DE OFERECIMENTO AO ACUSADO DO CONJUNTO ACUSATÓRIO EM TEMPO HÁBIL PARA DEFESA.
Não sendo oferecido, em prazo hábil para defesa, o conjunto acusatório, resta ferido o direito de defesa.
Numero da decisão: 3301-006.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/01/2012, 24/01/2012, 24/04/2012 NULIDADE DA AÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. PRETERIÇÃO DE DIREITO DE DEFESA. É nula ação fiscal que pretere o direito de defesa do acusado, ferindo o disposto no Inciso II do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. FALTA DE OFERECIMENTO AO ACUSADO DO CONJUNTO ACUSATÓRIO EM TEMPO HÁBIL PARA DEFESA. Não sendo oferecido, em prazo hábil para defesa, o conjunto acusatório, resta ferido o direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 72 09 35 /2 01 6- 11 Fl. 331DF CARF MF 2 Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Adoto, por economia processual, o relatório que acompanha o Acórdão 08 39.216, exarado pela 2ª Turma da DRJ/FORTALEZA : Trata o presente processo de exigência formalizada em autos de infração (fls. 2/34) referentes ao Imposto de Importação (II) e às contribuições sociais CofinsImportação e PIS Importação, acrescidos de juros de mora e da multa de ofício de 75%, e à multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria prevista no inciso I, do art. 84, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835/2001, combinado com os §§ 1° e 2º, do art. 69, da Lei n° 10.833/2003, totalizando o montante de R$ 27.780.910,24, pela adoção de código tarifário da NCM1 em desconformidade com as regras do Sistema Harmonizado de Mercadorias (SH), e por enquadramento em extarifário. Da Autuação De acordo com a Descrição dos Fatos dos Autos de Infração (fls. 2/35), o importador RAIZEN PARAGUAÇU LTDA submeteu a despacho aduaneiro mercadorias denominadas comercialmente como “ÁLCOOL ETÍLICO ANIDRO CARBURANTE”, classificandoas no código tarifário da NCM/TEC 2207.20.11, mediante as DIs (Declaração de Importação) nº 12/07470700/001, 12/07436692/001, 12/01474258/001, 12/01474150/001, 12/01474100/001, 12/00415738/001, 12/00415487/001 e 12/00415320/001 e 12/07436684/001. Entretanto, conforme o Laudo de Análise Laboratorial 1434/20121.0 e as Regras de Classificação do SH, tais mercadorias se classificam no código tarifário da NCM/TEC 2207.20.19 e se enquadram no Extarifário – EX01. No relatório fiscal (fls. 36/46), a autoridade fiscal, explicita, em síntese: • Que a ação fiscal se originou da verificação do conteúdo do Laudo de Análise n° 1434/20121.0, elaborado nos moldes do artigo 48, parágrafo 4o, da IN/SRF n° 680/2006, relativo à adição 001, item 01, da DI n° 12/07436684, registrada pela empresa RAIZEN TARUMA LTDA, CNPJ n° 62.092.739/003739, que segundo base de dados da RFB, foi incorporada pela empresa RAIZEN PARAGUAÇU LTDA, CNPJ MATRIZ: 52.189.420/000161. • Que foi solicitado pela ALFSantos, pedido de exame laboratorial (LAB 683/2012) para as mercadorias importadas ao amparo da Adição 001, item 01, da DI nº 12/07436684, com os seguintes quesitos: 01. Identificar a composição química do produto, comparanrdoa com a descrição detalhada da mercadoria informada na declaração de importação? 02. Tratase de álcool etílico anidro desnaturado ou não desnaturado? Fl. 332DF CARF MF Processo nº 11131.720935/201611 Acórdão n.º 3301006.852 S3C3T1 Fl. 332 3 03. Tratase de álcool etílico não desnaturado com teor alcoólico em volume igual ou superior a 80% vol.? 4. Tratase de álcool com teor de água igual ou inferior a 1 % vol.? 5.Tratase de álcool etílico para fins carburantes? 6. Tratase de álcool etílico para fins carburantes, com as especificações determinadas pela ANP, conforme resolução ANP n° 7/2011 e seu anexo regulamento técnico ANP n° 3/2011? 7. Tratase de álcool neutro (retificado)? 8. Demais considerações julgadas pertinentes. • Que, em resposta, foi apresentado o Laudo de Análise n° 1434/20121.0, que diz: "Tratase de Álcool Etílico Anidro, desnaturado, com teor alcoólico de 98,5%vol." "01 Não se trata de Álcool Etílico Anidro, desnaturado, com um teor de água igual ou inferior a 1 %. Tratase de Álcool Etílico Anidro, desnaturado, com teor alcoólico de 98,5%vol, Outro Álcool Etílico com teor alcoólico em volume superior a 80%. De acordo com análises realizadas o teor de Água encontrado é de 1,4%. 2Tratase de Álcool Etílico Anidro, desnaturado, com teor alcoólico de 98,5%vol. 1 NCM Nomenclatura Comum de Mercadorias. 3Não se trata de Álcool Etílico não desnaturado. Tratase de Álcool Etílico Anidro, desnaturado, com teor alcoólico de 98,5%vol, um Álcool Etílico com teor alcoólico em volume superior a 80%. 4Não. De acordo com análises realizadas, o teor de água encontrado é de 1,4%. 5Segundo Referências Bibliográficas, a mercadoria é utilizada para fins carburantes. 6Tratase de Álcool Etílico Anidro, desnaturado, com teor alcoólico de 98,5%vol, Outro Álcool Etílico com teor alcoólico em volume superior a 80%. 7Segundo Referência Bibliográfica, o Álcool Retificado é o produto da purificação e concentração dos flegmas ou de álcool bruto (segunda), com um teor alcoólico, variando de 95 à 97 G.L., enquanto o Álcool Neutro é obtido através de um processo de ratificação mais apurado de flegmas, álcoois retificados e álcool bruto (segunda), contendo apenas traços de algumas impurezas, apresentando o Grau alcoólico de 96°GL (mínimo). 8Não há considerações adicionais." • Que o código NCM utilizado pelo importador foi NCM 2207.20.11 e o que a fiscalização entende ser correto o NCM 2207.20.19. • Que as normas vigentes à época dos registros das DI em análise, que disciplinavam a Nomenclatura Comum do Mercosul NCM e Tarifa Externa Comum TEC, são: Resolução CAMEX N° 94/2011, aplicável às DI's registradas a partir de 12/12/2011 e Fl. 333DF CARF MF 4 Resolução CAMEX N° 43/2006, aplicável às DI's registradas anteriormente. • Que ambas estabeleciam: 2207 ÁLCOOL ETÍLICO NÃO DESNATURADO, COM UM TEOR ALCOÓLICO, EM VOLUME, IGUAL OU SUPERIOR A 80% VOL; ÁLCOOL ETÍLICO E AGUARDENTES, DESNATURADOS, COM QUALQUER TEOR ALCOÓLICO. 2207.20 Álcool etílico e aguardentes, desnaturados, com qualquer teor alcoólico. 2207.20.1 Álcool etílico 2207.20.11 Com um teor de água igual ou inferior a 1% vol" 2207.20.19Outros 2207.20.19 Ex 01 Para fins carburantes, com as especificações determinadas pela ANP • Que com base nas informações do Laudo de Análise 1434/20121.0, o produto "ÁLCOOL ETÍLICO ANIDRO CARBURANTE" tratase de Álcool Etílico Anidro, desnaturado, com teor alcoólico de 98,5%vol. Outro Álcool Etílico com teor alcoólico em volume superior a 80%, utilizado para fins carburantes", correta é a utilização da posição NCM 2207 adotada pelo importador, uma vez que esta posição aponta para Álcool etílico desnaturado de qualquer teor alcoólico, conforme o texto da posição 2207 e as NESH dessa posição. • Que no âmbito dessa posição encontrase compreendido na subposição específica para álcool etílico desnaturado com qualquer teor alcoólico, 2207.20, e no item da NCM 2207.20.1 Álcool etílico, ambos pela literalidade apresentada. • Que no âmbito do subitem, é que o contribuinte errou ao classificar no subitem 2207.20.11, pois conforme Laudo de Análise 1434/20121.0, a classificação correta, em nível de subitem NCM, seria 2207.20.19 (EX 01). • Que consta no Laudo de Análise n° 1434/20121.0, que o teor de água encontrado é de 1.4% e que segundo Referências Bibliográficas, a mercadoria é utilizada para fins carburantes. Portanto incorreta a classificação na NCM 2207.20.11, pois para tal classificação, necessitaria que o Álcool tivesse 1% ou menos de teor de água. O Produto em questão tem, conforme Laudo n° 1434/20121.0, 1,4 % de teor de água. No âmbito de item/subitem da NCM, neste nível temos os seguintes desdobramentos: 2207.20 Álcool etílico e aguardentes, desnaturados, com qualquer teor alcoólico. 2207.20.1 Álcool etílico 2207.20.11 Com um teor de água igual ou inferior a 1% vol. 2207.20.19Outros • Que, sendo assim, a classificação correta NCM é 2207.20.19, por ser o desdobramento residual. • Que, considerando o índice de permissão de 1% de teor de água para que o Álcool Etílico Anidro Carburante seja classificado na NCM 2207.20.11, observase que conforme Laudo, há um teor de água de 40% (1,4 para 1,0) a mais que o permitido para Fl. 334DF CARF MF Processo nº 11131.720935/201611 Acórdão n.º 3301006.852 S3C3T1 Fl. 333 5 que o determinado Álcool fosse classificado na NCM informada pelo importador. • Que, como o produto é para fins carburantes tendo em vista que o contribuinte informa nas DI (campo de informações complementares) que a mercadoria se encontra de acordo com a resolução ANP n° 7/2011 e Regulamento Técnico ANP n° 3/2011, conforme certificado de análises 2012DRPK003772036, sendo, portanto, sujeita ao Extarifário EX 01, da NCM 2207.20.19. • Que, portanto, o produto deve ser classificado, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) 1 (texto da posição 2207) e 6 (texto da subposição 2207.20), bem como na Regra Geral Complementar RGC1 (textos do item 2207.20.1 e do subitem 2207.20.19), todas da TEC, do Mercosul, com os esclarecimentos das NESH (Decreto n° 435/92 e IN SRF n.° 157/02), no código 2207.20.19 (EX 01) da mesma TEC (Decreto n° 2.376/97 Anexos Resolução Camex n° 94/2011). • Que nos termos do caput do artigo 68 da Lei n° 10.833/2003 são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro, as mercadorias descritas de forma semelhante em diferentes declarações aduaneiras do mesmo contribuinte, salvo prova em contrário. Dessa forma, foi efetuado o levantamento das demais DI registradas pelo sujeito passivo, que atendessem a tais critérios. • Que a partir desse levantamento, foram selecionadas às seguintes DI e adições: 1207470700.001; 1207436692.001; 1207436684.001; 1201474258.001; 1201474150.001; 1201474100.001; 1200415738.001; 1200415487.001; 1200415410.001; 1200415320.001, constantes em Termo de Intimação Fiscal N° 001, de 01.09.2016, relativo ao TDPF n° 03176002016001963, para Conclusão de Despacho quanto à correta Classificação Fiscal de Mercadorias, com questionamentos/pedidos de documentos. • Que, em 03.10.2016, o importador respondeu aos quesitos e apresentou cópias do Conhecimento de Embarque ("Bill of Landing") e da Fatura ("Invoice"). • Que o produto em questão se caracteriza como Álcool Etílico Anidro, desnaturado, com teor alcoólico de 98,5% vol, com classificação fiscal no código NCM 2207.20.19, sendo aplicável o ex tarifário EX 01, conforme resultado do Laudo de Análise n° 1434/20121.0 e RGIs 1.a e 6 (Textos da posição 2207 e da subposição 2207.20), c/c RGC1 (textos item e subitem), todas da TEC, do Mercosul, com os esclarecimentos das NESH (Decreto n° 435/92 e IN SRF 157/2002), no código 2207.20.19 da mesma TEC (Decreto n° 2.376/97). Fl. 335DF CARF MF 6 • Que a correta Classificação Fiscal implica em tributação maior do que a utilizada pelo importador por ocasião do registro das mencionadas DI. Enquanto que a NCM 2207.20.11, Ex 01, possuía alíquotas, vigentes à época dos registros das DI, de 0% de II e não sendo tributável no IPI, a NCM .2207.20.19, EX 01, considerada correta pela fiscalização, possuía alíquotas de 20% para o II e também não tributável pelo IPI. • Que foram efetuados o lançamento das diferenças dos tributos (II, PIS, COFINS) e multas devidas, no que se aplica, e, da multa por erro de classificação fiscal, conforme preceitua o inciso I, art.711 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/2009). • Que a Classificação Fiscal pôde ser corretamente feita com as informações trazidas pelo Laudo de Análise Técnica 1434/20121.0, que por sua vez baseouse em referências bibliográficas e nos resultados de análise laboratorial. • Que, no Anexo I do Relatório Fiscal são apresentados dados de interesse das Dls/adições autuada; No Anexo II, constam as DIs/Adições/itens em que o contribuinte classificou o produto "ÁLCOOL ETÍLICO ANIDRO CARBURANTE" indevidamente no NCM 2207.20.11; Do Anexo III, constam os documentos referentes ao procedimento fiscal (Termo de intimação, resposta do contribuinte etc.). Da impugnação Cientificada dos autos de infração em 20/10/2016 (fls. 102), a interessada apresentou em 21/11/2016 (fls. 105 e 230) sua impugnação (fls. 121 e 229) e documentos anexos (fls.317/339), arguindo, em síntese: DA TEMPESTIVIDADE • Que tendo se iniciado no dia 21/10/2016 o prazo de 30 (trinta) dias para interposição de Impugnação, o termo final darseia em 19/11/2016, que, por ser um sábado, resta automaticamente prorrogado para o primeiro dia útil subsequente, 21/11/2016, segundafeira. Portanto, tempestiva a presente Impugnação. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA PRESUNÇÃO CONTIDA NO ARTIGO 68, DA LEI Nº 10.833/03 AO CASO CONCRETO, E OS LAUDOS TÉCNICOS LAVRADOS NO MOMENTO DO EMBARQUE DAS MERCADORIAS • Que, conforme se extrai do Relatório Fiscal contido no Auto de Infração ora impugnado, a DD. Autoridade Fiscal presumiu, com fundamento no artigo 68 da Lei n° 10.833/03, que as mercadorias importadas por meio das 09 (nove) "DI's" objeto do Auto de Infração n°s 12/00415320, 12/00415410, 12/00415487, 12/00415738, 12/01474100, 12/01474150, 12/01474258, 12/07436692 e 12/07470700 – estariam eivadas do mesmo "defeito" constatado na mercadoria importada por meio da "DI" n° 12/07436684, em composição química, isto é, haveria uma quantidade superior a 1% de água na composição do álcool etílico anidro carburante. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 11131.720935/201611 Acórdão n.º 3301006.852 S3C3T1 Fl. 334 7 • Que, segundo as razões da autuação, aquele único lote representado pela "DI" n° 12/07436684, objeto de laudo laboratorial providenciado pela D. Fiscalização alfandegária que constatou que o teor de água contido na composição do produto seria de 1,4%, justificaria, ao seu entender, a retificação da classificação do "NCM" sobre todos produtos importados anteriormente, em momentos distintos e cargas distintas. • Que, conforme se verifica a partir da leitura das razões do Auto de Infração, a DD. Autoridade Fiscal partiu de duas premissas: (i) foi verificado em laudo que a mercadoria contida em 01 (uma) "DI" possuía na sua composição química 1,4% de teor de água, o que determinaria sua reclassificação; e (ii) também foi importado álcool etílico anidro carburante em outras ocasiões 09 (nove) "DIs" em períodos próximos em meses distintos e navios distintos. • Que, entretanto, ao conferir ao artigo 68 da Lei n° 10.833/03 uma interpretação apartada da realidade, determinou que as mercadorias descritas nas 09 (nove) "Dis" objeto deste Auto de Infração ora impugnado, também possuiriam a mesma composição química observada no laudo utilizado pela D. Fiscalização. Nada mais incorreto. • Que quando se trata de discussão acerca da composição química do produto importado, não é possível presumir que as mercadorias importadas em momentos distintos sejam idênticas, na medida em que se um determinado lote de mercadoria é recebido fora das especificações encomendadas (Doc. n° 02), isto não significa que todos os demais lotes terão o mesmo problema. • Que o etanol anidro é utilizado para ser misturado à gasolina; já o etanol hidratado é utilizado para abastecimento dos carros denominados "flex". Portanto, o álcool anidro importado possui uma finalidade especifica – ser adicionado à gasolina e passa por um processo industrial de desnaturação para que atinja as características necessárias à sua finalidade. De modo que ao considerar que todas as demais importações possuiriam a mesma composição química, seria o mesmo que admitir que a IMPUGNANTE estaria aceitando mercadorias sempre fora das especificações solicitadas. • Que, ademais, partindose daquela presunção, estarseia impedindo que a IMPUGNANTE viesse a importar, em qualquer momento futuro, sem o custo adicional de laudo técnico, álcool etílico anidro carburante, sob a presunção de que as mercadorias classificadas sob a NCM 2207.20.11, na realidade, corresponderiam à importação de mercadoria cujo correto enquadramento seria a NCM 2207.20.19. • Que a questão em discussão, portanto, caso o laudo em que se fundou a Fiscalização fosse válido (no tópico subsequente restará evidenciada a nulidade do laudo), diz respeito à qualidade da mercadoria e, neste aspecto, em relação às importações vinculadas as DI's: 12/00415320, 12/0041541 0, 12/00415487, 12/00415738, 12/01474100, 12/0147415 0, 12/01474258, há laudo emitido nos Estados Unidos da América atestando que a quantidade de água é inferior a 1%, Fl. 337DF CARF MF 8 fazendo prova em contrário à presunção adotada pela D. Fiscalização (Docs. n°s 03 e 04). • Que o Laudo Laboratorial providenciado pela D. Fiscalização alfandegária relatou que o teor de água no produto seria apenas 0,4% além do teto estabelecido para que seja classificado com a NCM 2207.20.11 (máximo de 1%), o que demonstra, indubitavelmente, tratarse de um possível "defeito" na forma de coleta da mercadoria ou até mesmo no lote adquirido pela IMPUGNANTE, mas jamais seria possível concluir pela importação mercadoria diversa daquela especificada na DI. • Que a IMPUGNANTE, em nenhum momento, nega a espécie de mercadoria que importou álcool anidro carburante, cujo percentual de água é inferior a 1%. No entanto, o fato de se tratar da mesma espécie de mercadoria não conduz, de forma automática, à conclusão de que todos os lotes importados pela IMPUGNANTE possuiriam o mesmo defeito verificado no lote objeto de análise. • Que não é possível PRESUMIR que a inconsistência na composição química de um produto tão volátil, em apenas um dos lotes importados (diferença de 0,4% no teor de água), estaria presente nos demais produtos elencados nas outras 09 (nove) "DIs". • Que prova do quanto alegado até este momento são os laudos "Quality Certificate" emitidos pela empresa "Intertek" nos Estados Unidos da América, sobre as mercadorias remetidas nos navios "MT Calypso" e "Sakhara Lotus", objeto das "DI's" n°s 12/00415320, 12/00415410, 12/00415487, 12/00415738, 12/01474100, 12/01474150, 12/01474258, onde está atestado que o teor de água, em ambos os casos, é de 0,4%, ou seja, inferior a 1% (um por cento) (Docs. n°s 03 e 04). • Que ainda que se admita a hipótese de que o procedimento adotado pela D. Fiscalização seria correto ao presumir que as mercadorias importadas anteriormente também possuiriam teor de água superior a 1% (um por cento), em vista do artigo 68, da Lei n° 10.833/03, aquela presunção é desconstituída pela prova irrefutável quanto à composição química das mercadorias importadas pela IMPUGNANTE. • Que o CARF, em recente decisão, consignou que a D. Fiscalização não pode estender a outras mercadorias o tratamento outorgado a uma delas, sem comprovar que as mesmas possuiriam o alegado "defeito" que justifiquem tratamento diverso anteriormente estabelecido (Acórdão n° 3401003.260, Processo Administrativo n° 12448.720227/201417, 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF). • Que viola os princípios da ampla defesa e da busca da verdade material a adoção de presunção de que mercadorias importadas anteriormente, e cujos laudos técnicos emitidos no momento do embarque com destino ao Brasil declaram que a quantidade de água é inferior a 1%, fossem submetidas a um tratamento diverso. Até porque, sobretudo neste momento, 04 anos após as importações, seria impossível produzir qualquer outra prova para desconstituir uma presunção que retroagiu a fatos pretéritos ao próprio laudo técnico requerido pela DD. Secretaria da Receita Federal do Brasil. • Que salta aos olhos a fragilidade dos fundamentos que embasam o Auto de Infração combatido. Seja pelas condições Fl. 338DF CARF MF Processo nº 11131.720935/201611 Acórdão n.º 3301006.852 S3C3T1 Fl. 335 9 fáticas que diferenciam as importações objeto de presunção, pela impropriedade da utilização do artigo 68 da Lei n° 10.833/2003, bem como pela ausência de tomada de providências necessárias em fase fiscalizatória, de modo que a autuação deve ser cancelada por esta D. Delegacia de Julgamento com relação aos créditos tributários lançados sobre as 09 (nove) "DI's" abarcadas pela incorreta aplicação do referido dispositivo legal, conforme exposto acima. DA INOBSERVÂNCIA AO ARTIGO 31, PARÁGRAFO 4°, DA IN RFB N2 1020/10 E ARTIGO 82, INCISO I, DA IN RFB N° 1.063/10 NECESSIDADE DE CANCELAMENTO INTEGRAL DO AUTO DE INFRAÇÃO • Que a IN RFB n° 1.020/10, estabelece, dentre outros assuntos, acerca dos laudos técnicos para identificação e quantificação de mercadorias importadas, que podem ser solicitados pela fiscalização e pelo contribuinte, nos termos do art. 15, incisos I e II. Dessa forma, as disposições relacionadas à forma e prazos são igualmente aplicáveis sem distinção onde a norma não distingue, não cabe ao interprete fazêlo. • Que o prazo estabelecido pelo parágrafo 5°, do artigo 31, deve ser observado tanto pelo auditor fiscal, quanto pelo contribuinte. • Que sendo o prazo para apresentação do laudo 05 (cinco) dias úteis, contados da desatracação ou desfundeio, e tendo ocorrido a descarga relacionada à mercadoria objeto de debate nestes autos no dia 27/04/2012, é claramente intempestiva a apresentação de laudo somente no dia 25/09/2012, sem justificativa para o atraso. • Que o Auto de Infração está fundamentado exclusivamente no referido laudo pericial para determinar a reclassificação da mercadoria, e não tendo sido observados os prazos peremptórios da própria DD. Secretaria da Receita Federal do Brasil para sua apresentação, o Auto de Infração deverá ser integralmente desconstituído. • Que não foi facultado à ora IMPUGNANTE contestar o teor do laudo formulado a pedido da Alfândega de Santos. Somente com o Termo de Intimação Fiscal, recebido pela IMPUGNANTE em 02/09/2016, é que o conteúdo do laudo, emitido em 25/09/2012, foi por ela conhecido. Isto é, somente 04 anos após a emissão do laudo técnico é que houve ciência de seu conteúdo, fato este que, evidentemente, impede a produção de contraprova, cerceando o direito de defesa constitucionalmente garantido. • Que o artigo 4°, parágrafo 5°, da IN RFB n° 1.063/10, estabelece o prazo de 90 dias para pedido de contraprova, contados da data da ciência do laudo. Após quase 05 anos da data da coleta das amostras utilizadas no laudo técnico, a contraprova é impossível, especialmente pelo impacto no produto causado pelas condições climáticas. DO PEDIDO (i) que seja dado integral provimento à Impugnação, cancelandose os créditos tributários lançados quanto às 09 (nove) "DI's" n°s 12/00415320, 12/00415410, 12/0041548 7, 12/00415738, 12/01474100, 12/01474150, 12/0147425 Fl. 339DF CARF MF 10 8, 12/07436692 e 12/07470700, tendo em vista a inaplicabilidade da presunção descrita no artigo 68, da Lei n° 10.833/03 ao caso concreto. (ii)Independentemente do acolhimento do pedido anterior, deve ser reconhecido que, em relação às "DIs" n°s 12/00415320, 12/00415410, 12/00415487, 12/00415738, 12/01474100, 12/01474150, 12/01474258, há a prova, expressamente admitida nos termos do artigo 68 da Lei n° 10.833/03, que refuta a presunção adotada pela fiscalização, de modo que, uma vez evidenciado que as mercadorias importadas pela IMPUGNANTE não continham teor de água superior a 1% (um por cento), jamais poderia ocorrer a reclassificação objeto da acusação, devendo ser afastados os créditos tributários em relação àquelas mercadorias, relativos à cobrança do Imposto de Importação, do "PISImportação", da "COFINSImportação", e da respectiva multa sobre reclassificação fiscal. Ainda que assim não se entenda, deverá ser reconhecida a invalidade do laudo técnico que suporta a acusação fiscal, na medida em que (i) descumprido o prazo para sua elaboração, e (ii) que a ciência à IMPUGNANTE somente se deu 04 (quatro) anos após sua elaboração, impedindo a possibilidade de contraprova e restringindo seu direito de defesa constitucionalmente garantido, devendo ser integralmente cancelado o Auto de Infração combatido. Dessa forma, nenhum dos lançamentos inclusive relacionado à DI n° 12/07436684 podem ser mantidos, na medida em que as normas relacionadas aos prazos para apresentação de laudo foram descumpridas, sem quaisquer justificativas. É o relatório. 2. Em julgamento das razões de defesa, a DRJ decidiu por exonerar parte do lançamento, com fundamento no artigo 68 da Lei nº 10.833/2003, como se lê no trecho reproduzido do voto vencedor : Art. 68. As mercadorias descritas de forma semelhante em diferentes declarações aduaneiras do mesmo contribuinte, salvo prova em contrário, são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro. Parágrafo único. Para efeito do disposto no caput, a identificação das mercadorias poderá ser realizada no curso do despacho aduaneiro ou em outro momento, com base em informações coligidas em documentos, obtidos inclusive junto a clientes ou a fornecedores, ou no processo produtivo em que tenham sido ou venham a ser utilizadas. Como se vê, não paira qualquer dúvida quanto ao fato de que no caso tratado em concreto fezse uso da presunção legal relativa estabelecida no art. 68 da Lei nº 10.833/03, pois o parágrafo único do citado artigo permite que se afaste a presunção legal ali estabelecida quando o interessado, “com base em informações coligidas em documentos,obtidos inclusive junto a clientes ou a fornecedores”, traga provas em contrário. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 11131.720935/201611 Acórdão n.º 3301006.852 S3C3T1 Fl. 336 11 Oportuno destacar que o parágrafo único do art. 68 da Lei nº 10.833/03 autoriza que se apresente como prova em contrário da presunção quaisquer documentos, não havendo qualquer imposição legal no sentido de que os mesmos tenham que atender às exigências formais impostas pelo Decreto nº 70235/72, havendo necessidade somente de que a prova seja lícita, tanto ao que se refere ao seu conteúdo, quanto à forma de obtenção. Pois bem, in casu, inconformado a exigência fiscal, o autuado apresentou os documentos vistos às fls. 209 e 220, nos quais constam o percentual de água na composição das mercadorias por ele importadas, de forma a enquadrálas na classificação fiscal adotada nas importações nas quais foram utilizados, como meio de transporte, os navios Sakhara Lotus e Calypso Face ao cenário acima descrito, se por um lado temos a presunção legal estampada no art. 68 da Lei nº 10833/03, por outro, os documentos trazidos pelo impugnante apontam para a conclusão de que a classificação fiscal adotada pelo importador confere com a mercadoria declarada nas Dis. Sendo assim, não constando dos autos nenhuma prova suficiente para desconsiderar os documentos trazidos pelo importador para caracterizar a mercadoria importada, de forma a fazer com que tais documentos não se revistam de força probatória, entendo que restou afastada a presunção legal prevista no art. 68 da Lei nº 10.833/03, referente a mercadoria importada pelo autuado com utilização dos navios Sakhara Lotus e Calypso, uma vez que a acusação fiscal, nesses casos, lastrouse somente na citada presunção legal. Logo, voto no sentido de: (…) a) EXONERAR a parte do lançamento decorrente da mercadoria importada pelo autuado com utilização dos navios Sakhara Lotus e Calypso, no montante de R$ 5.639.305,27, e seus respectivos acréscimos legais, cujos os fatos geradores ocorreram em 06/01/2012 e 24/01/2012; b) MANTER a parte do lançamento decorrente da mercadoria importada pelo autuado que não com utilizou os navios Sakhara Lotus e Calypso, no montante de R$ 7.138.511,27, e seus respectivos acréscimos legais, cujos os fatos geradores ocorreram em 24/04/2012; 3. Diante de tal exoneração, a DRJ/FORTALEZA recorreu de ofício a este CARF, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite previsto no art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 9.532/1997, c/c art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 63, de 10 de fevereiro de 2017. 4. A DRJ/FOR assim ementou o Acórdão aqui combatido : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 341DF CARF MF 12 Data do fato gerador: 06/01/2012, 24/01/2012, 24/04/2012 NULIDADE DA AÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. Inexistente ofensa às disposições contidas nos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se falar em nulidade formal do lançamento, do auto de infração ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. Estando o procedimento fiscal realizado em estrita observância às suas normas de regência, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 06/01/2012, 24/01/2012, 24/04/2012 IMPORTAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE IDENTIDADE ENTRE MERCADORIAS DESCRITAS DA MESMA FORMA EM DIFERENTES DI REGISTRADAS PELO MESMO IMPORTADOR. ART. 68 DA LEI 10.833/2003. PROVA EM CONTRÁRIO Apresentados documentos que comprovam que a mercadoria registrada em outras declarações de importação do mesmo importador não foi a mesma mercadoria identificada mediante laudo técnico em DI diversa, afastase a aplicação da presunção legal prevista no art. 68 da Lei nº 10.833/2003. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 5. Ainda inconformada, a impugnante apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese : I – TEMPESTIVIDADE II – SÍNTESE DOS FATOS – A IMPUGNAÇÃO E O V. ACÓRDÃO RECORRIDO Tratase, na origem, de Auto de Infração por meio do qual são exigidos supostos créditos tributários referentes a Imposto de Importação ("II"), "PISImportação" e "COFINSImportação", bem como multa de 1% (um por cento) decorrente de suposto erro de classificação fiscal das mercadorias importadas, totalizando, originalmente, o valor de R$ 27.780.910,24 (vinte e sete milhões setecentos e oitenta mil novecentos e dez reais e vinte e quatro centavos) — entre principal, multas e juros, atualizado para a competência de outubro de 2016. O auto de infração teve origem no Mandado de Procedimento Fiscal ("MPF") n2 0317600/00196/16, inaugurado no dia 12 de setembro de 2016, com o objetivo de: (i) verificar se os produtos importados pela ora RECORRENTE entre os meses de janeiro e maio de 2012, representados por 09 (nove) Declarações de Importação ("Dls") n25 12/00415320, 12/00415410, 12/00415487, 12/00415738, 12/01474100, 12/01474150, 12/01474258, 12/07436692 e 12/07470700 — seriamos mesmos produtos importados anteriormente e descritos na "Dl" n2 12/07436684; e (ii) averiguar se houve pleito da ora RECORRENTE para reclassificação fiscal daquelas mercadorias indicadas nas DI's acima ou consulta formal perante a Fl. 342DF CARF MF Processo nº 11131.720935/201611 Acórdão n.º 3301006.852 S3C3T1 Fl. 337 13 "RFB", identificada como objeto das referidas declarações, bem como requerendo a apresentação dos respectivos documentos aduaneiros e eventuais números de processos administrativos relativos a tais "Dls" perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em resposta ao termo de intimação, foram prestadas informações solicitadas pela fiscalização, bem como apresentou os documentos requeridos pela "ALF PORTO DE FORTALEZA", esclarecendo que (i) os produtos importados, descritos nas 09 (nove) "DI's" questionadas, eram equivalentes àquele objeto da "Dl" n2 12/07436684, qual seja Álcool etílico anidro carburante ("ÁLCOOL ANIDRO") com teor água 5 1% vol.; e (ii) que não fora requerida a retificação da classificação fiscal ou feita consulta formal com relação às mercadorias objeto das mencionadas "DI's", isto porque, conforme adiante restará evidenciado, a classificação adotada pela ora RECORRENTE está correta. Após a apresentação de todas as informações e documentos à D. Fiscalização, e para a surpresa da RECORRENTE, foi lavrado O Auto de Infração. Conforme relatado pela D. Autoridade Fiscal no Termo de Verificação Fiscal, a Alfândega do Porto de Santos teria procedido, à época das importações, com a realização de teste laboratorial sobre amostra do produto relacionado apenas na "Dl" n2 12/07436684, por meio do Laudo de Análise n2 1434/20121.0. O referido laudo teria constatado que o teor de água contido no álcool etílico anidro carburante importado pela IMPUGNANTE, objeto daquela única "Dl" seria de 1,4% (maior que 1%), e, portanto, a correta classificação fiscal da mercadoria seria a NCM 2207.20.19, e não a NCM 2207.20.11 (identificada nas "Dls"). Nestes termos, a D. Autoridade Fiscal, a partir do laudo pericial que analisou somente a mercadoria importada por meio da "Dl" n2 12/07436684 e com fundamento no artigo 68 da Lei n2 10.833/2003, presumiu que estariam incorretas as classificações fiscais de todas as demais importações do produto classificado na NCM 2207.20.11, independente de se tratar de importações em momentos distintos e cargas distintas, transportadas por diferentes navios, acondicionadas em diferentes armazéns no Porto de Santos/SP, com diferentes datas de desembarque e registro das declarações, em período de cinco meses no ano de 2012. Ocorre que, conforme apontado na observação (*) do quadro acima, a ora RECORRENTE apresentou, em sua Impugnação, laudos técnicos produzidos sobre os lotes de mercadorias importadas nos navios "Calypso" e "Sakhara Lotus" (fls. 209 e 220), representando a prova em contrário admitida pelo art. 68 da Lei n2 10.833/20032, tendo sido canceladas as cobranças sobre aqueles lotes de álcool, por constarem a quantidade de água a 0,4% (inferior ao 1% da NCM), nos termos da decisão proferida em primeira instância administrativa. Fl. 343DF CARF MF 14 Além dessa prova que evidencia o correto enquadramento fiscal pela RECORRENTE, foi amplamente demonstrado, ao longo da impugnação, os seguintes pontos preliminares — que acarretam na nulidade da autuação — e de mérito: (i) Preliminarmente, a nulidade do laudo produzido pela D. Fiscalização, pois não foi cumprido o prazo de apresentação estabelecido no parágrafo 52 do artigo 31 da IN RFB n2 1.020/103, bem como a RECORRENTE só foi cientificada de seu resultado após 04 (quatro) anos, impedindo completamente a realização da contraprova disposta no parágrafo 52 do artigo 42 da IN RFB n2 1.063/10, a qual seria absolutamente imprescindível no presente caso devido à volatilidade do álcool; (ii) O Auto de Infração viola frontalmente os direitos constitucionalmente garantidos à ampla defesa e ao contraditório, tendo em vista a completa impossibilidade da produção de prova contrária para apresentação no processo administrativo federal, considerando que as importações de álcool objeto do auto de infração se deram há 05 (cinco) anos, de modo que a integralidade da mercadoria já foi vendida; e (iii) No mérito a inaplicabilidade da prova produzida pela D. Fiscalização para fins de cobrança dos tributos, tendo em vista que não foi demonstrado pelo laudo se tratar de uma mercadoria diversa (outro NCM), mas sim, demonstrou a natural variação da composição química do álcool (alta volatilidade), conforme reconhecido pela própria ANP, pois a variação da quantidade de água nesse tipo de mercadoria — para cima ou para baixo — é perfeitamente comum durante o seu transporte e manuseio, inclusive depende diretamente das condições climáticas e dos cuidados de acondicionamento no momento da coleta e teste dos produtos (e até mesmo a própria coleta e procedimentos de teste realizados). No voto vencedor do v. Acórdão, foram adotadas as razões contidas no voto vencido para afastamento das preliminares de nulidade da autuação (fls. 242/243). No mérito, o voto vencedor cancelou parcialmente o Auto de Infração no que se refere àqueles dois lotes, mantendo as exigências fiscais sobre as mercadorias importadas no navio "Bow Elm", em relação às quais a RECORRENTE não apresentou provas, sendo que o laudo pericial (fls. 247/251). O entendimento manifestado pela D. Turma da "DRJ" no v. Acórdão recorrido pode ser sintetizado da seguinte forma: (i) Fls. 241/242: para afastar os argumentos preliminares quanto à nulidade do laudo, restou decidido que o parágrafo 52 do artigo 31 da IN RFB n2 1.020/10 estabeleceria apenas o prazo para apresentação de laudo ou certificação destinados à quantificação de mercadorias, mas não para laudos de identificação de mercadorias, como é o caso dos autos; (ii) Fls. 242/243: para afastar os argumentos preliminares quanto à impossibilidade de contraprova, consignou o aresto que como a RECORRENTE teria retirado as amostras, poderia ter realizado a contraprova porque o produto possui prazo de validade indeterminado, bem como que o termo de retirada nada menciona sobre a validade das amostras; e (iii) Fls. 247/251: no mérito, foram acatados os laudos técnicos apresentados sobre as mercadorias dos navios "Sakhara Fl. 344DF CARF MF Processo nº 11131.720935/201611 Acórdão n.º 3301006.852 S3C3T1 Fl. 338 15 Lotus" e "Calypso" como a prova contrária contida no artigo 68 da Lei n2 10.833/03 para cancelamento dos créditos tributários lançados sobre aquelas mercadorias; contudo, foram mantidas as exigências sobre o lote de álcool transportado no navio "Bow Elm". Contudo, o v. Acórdão merece ser reformado em parte para, no mérito, ser parcialmente reformado, cancelandose os créditos tributários remanescentes exigidos sobre o lote de álcool importado no navio "Bow Elm", devendo ser mantido o v. aresto na parcela em que cancelou os demais créditos tributários, conforme se demonstrará. III – PRELIMINARMENTE 111.1 DA NULIDADE DO LAUDO TÉCNICO INOBSERVÂNCIA AO PRAZO DE APRESENTAÇÃO CONTIDO NO PARÁGRAFO 52 DO ARTIGO 31 DA IN 1.020/10 A RECORRENTE suscitou em sua impugnação a nulidade formal do lançamento, pois a perícia não observou o prazo determinado para a apresentação do laudo de identificação de mercadorias. As determinações acerca da prestação de serviço de perícia para identificação e quantificação de mercadoria importada e a exportar, assim como o regulamento do processo de credenciamento de órgãos, entidades e dos próprios peritos, encontramse fundadas na Instrução Normativa RFB n2 1020/10. O v. Acórdão recorrido, entretanto, entendeu que o prazo estabelecido pelo parágrafo 52 somente seria aplicável aos laudos de quantificação de mercadoria importada, mas não para a sua qualificação. Ocorre que a C. Turma julgadora, com a devida vênia, não interpretou corretamente a sistemática daquela IN, como se verá a seguir. Como visto, o caput do artigo 31 da IN RFB n2 1.020/10 trata das especificações dos laudos periciais destinados a identificar e quantificar mercadoria importada ou a exportar. O caput do mencionado artigo claramente destinase a estabelecer as regras aplicáveis a ambos os tipos de laudos: de identificação e de qualificação. Uma vez que a descarga relacionada à mercadoria ocorreu no dia 27 de abril de 2012, é claramente intempestiva a apresentação do laudo somente no dia 25 de setembro de 2012, devendo, assim, ser desconsiderado o laudo pericial apresentado pela D. Fiscalização e, em consequência, deve ser provido o presente recurso voluntário. 111.2 DA VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO IMPOSSIBILIDADE DE PRODUÇÃO DA CONTRAPROVA INÉRCIA INJUSTIFICADA DA D. AUTORIDADE FISCAL POR 04 ANOS VIOLAÇÃO À IN 1.063/10 A Instrução Normativa RFB n2 1.063/10 regula os procedimentos a serem adotados na coleta, prazo de guarda, destinação de amostras e emissão de laudo técnico resultante de exame laboratorial de mercadoria importada ou a exportar, no âmbito da fiscalização. Em seu artigo 82, a Instrução Normativa prevê a obrigatoriedade da ciência ao importador do resultado laboratorial, assim como o dever de lançamento Fl. 345DF CARF MF 16 tributário em caso de divergência entre os dados informados, seguindo o preceito do art. 142 do Código Tributário Nacional. Sobre este mesmo tema, o parágrafo 52 do artigo 42 da mesma IN esclarece acerca do prazo de solicitação de pedido de contraprova, o qual deve ocorrer em até 90 (noventa) dias da data da ciência do laudo. Como sabido, somente com Termo de Intimação Fiscal, recebido pela RECORRENTE em 02 de setembro de 2016 (fl. 98), é que o laudo, emitido em 25 de setembro de 2012 (fls. 96/97), foi por ela conhecido A D. Secretaria da Receita Federal do Brasil obteve o laudo no longínquo ano de 2012 porém apenas intimou a RECORRENTE sobre o seu conteúdo em 02.09.2016 no início da fiscalização que originou o presente Auto de Infração, data em que começou a correr o prazo de 90 (noventa) dias disposto no parágrafo 52 do artigo 42 da IN RFB n2 1.063/10. Evidenciase o impedimento de produção de contraprova, e consequentemente o cerceamento do direito de defesa da RECORRENTE. O v. Acórdão, com a devida vênia, não logrou êxito em infirmar esses fatos, muito pelo contrário: justificou aduzindo que como a RECORRENTE havia retirado uma via das amostras coletadas (em abril de 2012 — fl. 93/94), teria condições de ter pedido e produzido a contraprova porque o produto possui prazo de validade indefinido Independentemente de o produto ter prazo de validade indeterminado, a contraprova depois de anos é inviável, pois como sabido, o produto pode sofrer alterações, inclusive por situações climáticas, acondicionamento, armazenagem, etc. Devese destacar que, evidentemente, todo o álcool objeto daquelas importações já há muito foi comercializado pela RECORRENTE no mercado; bem como, inexiste razoabilidade em que as amostras sejam guardadas por mais de 4 anos, quando o laudo tem prazo de 05 (cinco) dias para ser apresentado. Dessa forma, é razoável que o prazo dessa armazenagem seja regido conforme a interpretação sistemática do procedimento definido pelas normas da D. Secretaria da Receita Federal do Brasil aplicável à matéria: IN 1.063/10, e IN n2 1.020/10, tomando como norte os princípios da ampla defesa e do contraditório. No presente caso, conforme indicado, a retirada das amostras se deu em 27.04.2012 e o laudo foi emitido em 25 de setembro de 2012, e certamente a D. Autoridade Fiscal responsável prontamente tomou ciência de seu resultado, de modo que deveria ter procedido conforme determina o supratranscrito inciso I do art. 82 da IN n2 1.063/10, para possibilitar o cumprimento do parágrafo 52 do art. 42 da mesma IN, que trata do prazo para apresentação de pedido de contraprova. Naquele período, seria totalmente razoável concluir que a RECORRENTE estava em poder das amostras coletadas, para proceder com a realização de contraprova no procedimento regido pela IN 1.063/10, caso a fiscalização retornasse com laudo que infirmasse a classificação fiscal de suas mercadorias. Porém, como se vê, não houve a intimação da ora RECORRENTE quanto ao laudo na data de sua emissão (25 de setembro de 2012), tendo a D. Autoridade Fiscal intimado a RECORRENTE sobre seu resultado apenas em 02 de setembro de 2016. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 11131.720935/201611 Acórdão n.º 3301006.852 S3C3T1 Fl. 339 17 Outro ponto que não pode ser descartado é que o laudo produzido pela fiscalização acusou teor de água de APENAS 0,4% (fl. 96) acima do regulamentado pela NCM (1% → 1,4%), em amostra coletada dentro de um tanqueterra com capacidade para armazenamento de 5.009.200 m3 (= 5.009.200.000 litros), acarretando na dúvida razoável de que essa diferença tenha se dado pelo clima, condições de temperatura, acondicionamento ou outros fatores externos que podem influenciar na composição do álcool, enquanto produto extremamente volátil Em conclusão às matérias preliminares de nulidade, evidenciouse que: (i) o laudo pericial é nulo pelo descumprimento do prazo para sua apresentação, (ii) o Auto de infração, desde sua lavratura, impede a consagração do princípio da busca pela verdade material, e (iii) os direitos constitucionais de ampla defesa e de contraditório foram tolhidos da RECORRENTE porque a amostra lhe foi entregue em 27.04.2012 (fl. 93/94), mas ela apenas poderia servir para produzir contraprova em 02.09.2016 (fl. 98), apesar de o laudo ter sido emitido em 25.09.2012 (fls. 96/97), o que também impossibilitou o cumprimento da IN RFB n2 1.063/10. Caso não seja anulado o Auto de Infração originário, o que realmente não se espera, deve ser reformado o v. Acórdão na parcela em que não cancelou os créditos tributários, conforme se demonstra a seguir. IVDo MÉRITO IV.1 BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A MERCADORIA IMPORTADA FINALIDADE DO ÁLCOOL ANIDRO CONFORME REGULAÇÃO DA ANP: ADIÇÃO À GASOLINA TIPO A PARA FORMULAÇÃO DA GASOLINA TIPO C (DISTRIBUIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS) Esse fornecimento se dá porque as distribuidoras de combustíveis devem misturar o álcool anidro à gasolina A, a fim de se obter a gasolina C, que é a gasolina comum distribuída e disponibilizada aos consumidores nos postos de combustíveis, bem como destinada aos grandes consumidores que possuem licença para abastecer frota em seus estabelecimentos. Dessa forma, enquanto agente que, além da produção de açúcar, opera no setor de combustíveis do Brasil, a RECORRENTE fornece álcool anidro (insumo) utilizado na produção da gasolina C pelas distribuidoras do grupo. O produto importado objeto da autuação, como demonstrado, foi justamente o álcool anidro. Esse tipo de álcool, no Brasil, é unicamente destinado à mistura com a gasolina do tipo A para se obter a gasolina tipo C. Portanto, o álcool anidro importado possui uma finalidade especifica: ser adicionado à gasolina — passando por uma espécie de processo industrial (transformação') para que atinja as características necessárias à sua finalidade. De modo que ao considerar que todas as demais importações possuiriam a mesma composição química, seria o mesmo que admitir que a IMPUGNANTE estaria Fl. 347DF CARF MF 18 aceitando mercadorias sempre fora das especificações solicitadas Assim, conforme demonstrado: (i) o álcool anidro é o produto destinado a ser adicionado à gasolina A para ser obtida a gasolina C: combustível comercializado pelas distribuidoras aos postos de combustíveis e grandes consumidores; e (ii) o produto importado pela RECORRENTE que foi objeto da autuação originária é o álcool anidro, conforme conclui o próprio laudo pericial acostado aos autos pela fiscalização. IV.2 IMPOSSIBILIDADE DE SE CONCLUIR PELA IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA DIVERSA QUE NÃO O ÁLCOOL ANIDRO O ÁLCOOL ENQUANTO PRODUTO EXTREMAMENTE VOLÁTIL Tomando como premissa que a única destinação possível do álcool anidro é a composição da gasolina C, passarseá a demonstrar a impossibilidade de as mercadorias importadas objeto da autuação serem outras, que não o próprio álcool anidro, de modo que o laudo laboratorial providenciado pela fiscalização apenas mostra uma volatilidade natural do álcool. O laudo pericial relatou que o teor de água no produto seria apenas 0,4% além do teto estabelecido para que sela classificado com a NCM 2207.20.11 (máximo de 1%). A RECORRENTE, em nenhum momento, nega qual a espécie de mercadoria que importou — álcool anidro carburante, cujo percentual de água é igual ou inferior a 1% (um por cento). Como se verifica da relação de NCM's, o código 2207.20.11 (classificado pela RECORRENTE é O álcool etílico com teor de água igual ou menor que 1%), enquanto o código 2207.20.19 é destinado a "OUTROS ÁLCOOIS ETÍLICOS DESNATURADOS COM QUALQUER TEOR ALCCILICO. Como se verifica, existe uma enorme diferença entre as especificações dos produtos entre uma classificação para a outra, também sendo diferenciadas as finalidades de cada tipo de álcool. Enquanto o código 2207.20.11 se destina aos álcoois etílicos com teor de água igual ou menor de 1%, a classificação 2207.20.19 trata de todos os outros álcoois etílicos com qualquer teor alcóolico. Isso demonstra, indubitavelmente, tratarse de um possível "defeito" na forma de coleta da mercadoria ou até mesmo no lote adquirido pela RECORRENTE, mas jamais seria possível concluir pela importação mercadoria diversa daquela especificada na Dl (álcool anidro). No presente caso, a variação de água se deu em 0,4% acima do indicado na NCM, porém, isso não faz com que a mercadoria tenha que ser enquadrada em outro código NCM, mas apenas reflete uma variação absolutamente comum considerando a própria volatilidade do álcool, sobretudo o anidro que possui o grado alcoólico mais elevado entre os álcoois (99%). IV.3 DA INVERSÃO DA PRESUNÇÃO PROBATÓRIA E A CONTRADIÇÃO INCORRIDA PELA AUTUAÇÃO ORIGINÁRIA COM A APRESENTAÇÃO DAS PROVAS CABAIS DAS MERCADORIAS DOS NAVIOS "SHAKARA LOTUS" E "CALYPSO" Independente do acolhimento das razões anteriores, as quais por si só infirmam a validade do restante ainda Fl. 348DF CARF MF Processo nº 11131.720935/201611 Acórdão n.º 3301006.852 S3C3T1 Fl. 340 19 não cancelado da autuação, cumpre demonstrar a necessidade de cancelamento das cobranças sobre o lote do navio "Bow Elm" pelo aproveitamento dos laudos apresentados pelos navios "Shakara Lotus" e "Calypso" àquelas mercadorias, tomando como base os próprios fundamentos da autuação originária, sob pena dela incorrer em contradição. Conforme demonstrado na síntese dos fatos, a fiscalização sobre a RECORRENTE se originou porque a D. Autoridade Fiscal colheu amostra da mercadoria do álcool importado em um navio ("Bow Elm" — objeto de 03 DI's) no período de 2012. Verificase que no item 01 a D. Autoridade Fiscal indaga se os produtos importados com o nome "ÁLCOOL ETÍLICO ANIDRO CABURANTE" nas outras 09 DI's do período, seriam idênticos àquele importado por meio da Dl n2 12/07436684 (objeto do laudo pericial providenciado pela fiscalização), para fins de determinação do tratamento tributário e aduaneiro. Em resposta ao questionamento, a RECORRENTE afirmou que sim, os produtos importados nas outras DI's foram os mesmos (fl. 99) Isso porque, conforme visto, todos os produtos importados se trataram de álcool anidro, utilizado no Brasil, conforme disposição regulatória da "ANP", para compor a mistura com a gasolina A, a fim de se obter a gasolina C. Ato contínuo, a D. Autoridade Fiscal lavrou o Auto de Infração presumindo que todas as outras mercadorias importadas nos demais lotes e DI's conteriam 1,4% de teor de água na composição do álcool, não podendo ser enquadradas na NCM 2207.20.11, mas sim na NCM 2207.20.19. Se a D. Autoridade Fiscal acatou a resposta trazida em sede de fiscalização, aplicando a— incorreta — presunção de que todos os lotes de álcool anidro importados possuiriam 1,4% de água, a partir do momento que se comprova que dois dos três lotes não possuíam aquele grado aquático, e tendo a RECORRENTE afirmado que todas as mercadorias são idênticas para o fim de tratamento tributário e aduaneiro, os laudos periciais dos navios "Shakara Lotus" e "Calvpso" aproveitam ao navio "Bow Elm". Negar essa afirmação faz a autuação cair por terra em contradição lógica pelos seus fundamentos originais. V DOS PEDIDOS Ante o exposto, a RECORRENTE requer a Vossas Senhorias, preliminarmente, a reforma do v. Acórdão para ser integralmente anulado Auto de Infração, devido a intempestividade da apresentação do laudo pericial pela fiscalização, o qual embasa toda a autuação, pois o prazo definido no § 52 do art. 31 da IN RFB n2 2.010/10 é de até 5 (cinco) dias úteis, contados da desatracação ou desfundeio da embarcação, e tendo sido realizada a descarga da mercadoria importada no dia 27.04.2012, é intempestiva a apresentação do laudo somente no dia Fl. 349DF CARF MF 20 25.09.2012 (SEÇÃO 111.1 DO RECURSO VOLUNTÁRIO). Caso não se entenda pela preliminar anterior, requer seja reformado o v. Acórdão para anular a autuação pelo evidente cerceamento do direito de ampla defesa e de contraditório constitucionalmente garantidos à RECORRENTE, pelo fato de que a RECORRENTE recebeu a amostra coletada em 27.04.2012 (fl. 93/94), mas ela apenas poderia servir para produzir contraprova mais de 04 (quatro) anos depois, quando foi intimada do resultado da perícia em 02.09.2016 (fl. 98), apesar de o laudo da fiscalização ter sido emitido em 25.09.2012 (fls. 96/97), evidenciando a inércia injustificada por parte da D. Autoridade Fiscal ao ter sequer cientificado a RECORRENTE sobre o resultado para possibilitar a contraprova, em infringência aos ditames da IN RFB n2 1.063/10 e à busca pela verdade material (SEÇÃO 111.2 DO RECURSO VOLUNTÁRIO). No mérito caso não seja anulado o Auto de Infração, o que realmente não se espera, requerse a reforma parcial do v. Acórdão para que sejam cancelados os supostos créditos tributários sobre todo o lote de álcool importado no navio "Bow Elm" (DI's n25 12/07436684, 12/07436692 e 12/07470700), tendo em vista estar devidamente comprovado no presente Recurso Voluntário que: (i) o álcool anidro — produto importado conforme conclusão do próprio laudo pericial providenciado pela fiscalização —,deve ser obrigatoriamente destinado à mistura com a gasolina A com a gasolina C, de modo que não poderia ter outra finalidade na comercialização pela RECORRENTE que não essa e em corretas especificações técnicas, conforme regulação da "ANP"; e (ii) o laudo pericial da fiscalização, mesmo que seja admitido, apenas demonstra uma mera variação de composição absolutamente natural para o álcool (diferença de 0,4% de água), enquanto produto extremamente volátil e sensível a mudanças de composição dependendo do clima, acondicionamento, condições de transporte, dentre diversos outros fatores, sendo ínfima a variação, não podendo ser considerada sobre todo o quadro geral que envolve as operações econômicas da RECORRENTE enquanto agente atuante na cadeia de distribuição de combustíveis (SEÇÕES IV.1 E IV.2 DO RECURSO VOLUNTÁRIO). Ainda, deve ser parcialmente reformado o v. Acórdão para serem cancelados os créditos tributários lançados sobre o álcool contido no lote do navio "Bow Elm", tendo em vista a demonstração da inversão da presunção aplicada originariamente pela D. Autoridade Fiscal, verificada no ponto em que os laudos técnicos carreados para o navio "Shakara Lotus" e "Calypso" devem aproveitar o navio "Bow Elm", pois a própria autuação originária levou em conta uma universalidade dos lotes como premissa para lançar os créditos tributários, mediante a aplicação da presunção a partir da afirmação da RECORRENTE de se tratarem produtos idênticos: álcool anidro (SEÇÃO IV.3 DO RECURSO VOLUNTÁRIO). 6. Assim me vieram os autos distribuídos. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 11131.720935/201611 Acórdão n.º 3301006.852 S3C3T1 Fl. 341 21 É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini 7. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. PRELIMINARES 8. Em peliminar, a recorrente alega cerceamento de defesa diante da inércia da Fiscalização em lhedar ciência do laudo pericial e permitirlhe a apresentação de contraprova. 9. Entendo assistir razão á recorrente. 10. A Carta Magna, estabelecendo direitos e garantias individuais, determinou, em seu artigo 5º, inciso LV : Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (…) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 11. Esta é uma verdadeira instituição em defesa dos direitos individuais, ninguém pode ser privado de exercer sua ampla defesa, sendo que o vocábulo “ampla” assuma a característica de todas as formas possíveis, sem nenhuma restrição á liberdade de defesa. 12. No presente caso, verificase ás fls. 91/97 dos autos digitais os seguintes fatos : Termo de Intimação Fiscal nº 001 – alcool etílico, datado de 01/09/2016, onde se verifica o seguinte trecho de interesse (fls. 91) : No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na forma do disposto no art. 6° da Lei 10.593/2002, e com base nos art. 195 da Lei 5.172/1966 (CTN), art. 34 da Lei 9.430/1996, art. 26 e 41 da Lei 9.784/1999, art. 70 da Lei n° 2.354/1954, art. 70, 8°, 23 do Decreto 70.235/1972 e art. 18 e 24 do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), fica o Sujeito Passivo supracitado, com relação às seguintes declarações de importação / adições / itens da adição: 1207470700.001; 1207436692.001; 1207436684.001; 1201474258.001; 1201474150.001; Fl. 351DF CARF MF 22 1201474100.001; 1200415738.001; 1200415487.001; 1200415410.001; 1200415320.001, INTIMADO a informar/apresentar a esta fiscalização os elementos abaixo especificados, no prazo de 20 (vinte) dias a contar do recebimento deste Termo: I Os produtos importados ao amparo das Declarações de Importação e respectivas adições supracitadas, de nome comercial "ALCOOL ETILICO ANIDRO CARBURANTE" são todos idênticos àquele importado ao amparo da 1)12/07436684, adição 001 item 01, de 24.04.2012 (objeto do Pedido de Exame Laboratorial(LAB) n° 683/12 e respectivo laudo de Análise n° 1434/20121.0, cujas cópias encaminhamos ao contribuinte juntamente com esta Intimação) para fins de determinação do tratamento tributário/aduaneiro. Em caso negativo apresentar a devida comprovação documental, assinada pelo responsável legal pela empresa e também pelo responsável pela área técnica com cargo e indicação no respectivo Conselho; (grifos nossos) Solicitação de Exame Laboratorial SEQ 0678/12 LAB 683/12 referente á DI 12/07436684, com data de 27/04/2012 (fls. 92) Termo de Coleta de Amostras anexa a mesma Solicitação de Exame Laboratorial, atestando que a coleta foi realizada em 27/04/2012. (fls. 93) Laudo de Análise nº 1434/20121.0 – PED EXAME LAB 683/EQGRAN, referente á DI 12/07436684, com data de entrada 27/04/2012, datado de 25/09/2012. (fls. 95/96) Aviso de Recebimento dos Correios, atestando que a recorrente recebeu os documentos citados em 09/09/2016. 13. Portanto, concluíse que, diante de tal conjunto probatório, a Fiscalização promoveu aretirada de amostras da mercadoria importada, solicitou exame laboratorial e obteve o resultado da correta composição do produto químico entrante no território nacional, nas datas de 27/04/2012 e 25/09/2012. 14. Desta forma, em 25/09/2012, a Fiscalização já possuía elementos para exigir da recorrente a retificação da Declaração de Importação, para corrigir a informação constante desta, diante do resultado da análise laboratorial. 15. Munido destes elementos, a Fiscalização deveria cientificar o importador, para que este tivesse a oportunidade de corrigir a informação, ou apresentar elementos que contrapusessem tal informação. 16. A própria Secretaria da Receita Federal, em razão do Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa já mencionado, criou regras normatizadas a respeito de tal procedimento, ao editar a Instrução Normativa RFB nº 1063, de 10/08/2010, assim determinando em seu artigo 8º : Dispõe sobre procedimentos a serem adotados na coleta, prazo de guarda, destinação de amostras e emissão de laudo Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11131.720935/201611 Acórdão n.º 3301006.852 S3C3T1 Fl. 342 23 técnico resultante de exame laboratorial de mercadoria importada ou a exportar. Art. 8º Após a análise laboratorial e emissão do laudo técnico respectivo, o AFRFB responsável pelo procedimento deverá adotar as seguintes providências: I dar ciência ao importador, exportador ou seu representante legal do resultado do exame laboratorial; e II efetuar o respectivo lançamento tributário, na hipótese de divergência entre os dados informados pelo importador ou exportador e os do laudo. 17. Verificase que, á data da retirada das amostras e do laudo laboratorial, esta norma já vigorava. 18. Entretanto, a recorrente apenas recebeu tais informações em 09/09/2016, muito tempo depois das amostras terem sido coletadas e de ser obtido o resultado da análise laboratorial, o que inviabilizou a sua defesa e a sua produção de contraprova, por constituirse o produto de material altamente volátil e, depois de decorrido tal espaço temporal, com certeza já havia sido consumido, diante de sua utilização. 19. Assim, diante de tais fatos, entendemos que foi ferido o direito de defesa da recorrente, maculando o procedimento fiscal de nulidade, diante do contido no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972 : Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 20. Diante do exposto, considero que o procedimento fiscal foi nulo por ter preterido o direito de defesa da recorrente, com fulcro no inciso II do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. DO RECURSO DE OFÍCIO 21. O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. 22. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de oficio. Fl. 353DF CARF MF 24 Conclusão 21. Por todo o exposto, voto pela nulidade da autuação, por ter ocorrido preterição do direito de defesa, com fulcro no inciso II do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício e DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário.. É como voto. Assinado digitalmente Ari Vendramini Fl. 354DF CARF MF
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