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Numero do processo: 10380.006414/2007-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 64 14 /2 00 7- 53 Fl. 70DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10380.006414/200753 Acórdão n.º 2202004.174 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679837/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 13/12/2005
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.124
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 13/12/2005 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/12/2005 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 37 /2 00 9- 18 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.679837/200918 Acórdão n.º 3401004.124 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de despacho decisório eletrônico, emitido pela Delegacia de Administração Tributária que não homologou as compensações declaradas em virtude de não ter havido apuração de pagamento indevido, uma vez que o pagamento foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. 2. Intimada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese: (i) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP; (ii) alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros 147 Despachos Decisórios, todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte; (iii) reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; (iv) alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; (v) discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese; (vi) alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado; (vii) discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" (sic); (viii) alega que qualquer agente fiscal que "(...) analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tão somente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa" em apreço; (ix) ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; (x) a necessidade da observância aos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e doutrina; (xi) exigüidade do prazo para apresentar 148 defesas em apenas trinta dias e informa que "(...) já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito"; (xii) a necessidade de suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP; (xiii) a nulidade do despacho decisório; e (xiv) a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.679837/200918 Acórdão n.º 3401004.124 S3C4T1 Fl. 4 3 3. A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) proferiu o Acórdão DRJ nº 16030.219, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PIS Data do fato gerador: 13/12/2005 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÔS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL — NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Creditório Não Reconhecido 4. A contribuinte, intimada, interpôs, recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.679837/200918 Acórdão n.º 3401004.124 S3C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.105, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.679797/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.105): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: "A manifestação de inconformidade apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dela tomase conhecimento. Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. Realmente, o caso presente se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 01, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. A contribuinte alega falta de fundamentação para a não homologação mas deveria ser obvio até mesmo para contribuinte que ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito , em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior, estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório e a contribuinte pode se defender amplamente como o fez. Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.679837/200918 Acórdão n.º 3401004.124 S3C4T1 Fl. 6 5 Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER?DCOMP , observase que a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCOMP retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. A retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e de compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais , tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório. Ora, como a própria manifestante reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Somente na manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência que agora a contribuinte entende ter havido erro no preenchimento das DCTF. Cabe lembra à douta reclamante que a conduta Fisco Federal é pautada em documentos formais e oficiais e, se a contribuinte resta inerte e não promove a tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Não e demais ressaltar que a RFB não está à disposição de particulares para satisfazer interesses privados e a comprovação que qualquer direito creditório alegado, é tarefa exclusiva dos contribuintes, não sendo tarefa do Fisco promover alterações em declarações fiscais para reconhecer suposto direito creditório que a contribuinte julga possuir. Aliás a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equívoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Ao final da manifestação de inconformidade, a requerente protesta pela produção de todos os meios de prova, apresentação Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.679837/200918 Acórdão n.º 3401004.124 S3C4T1 Fl. 7 6 de documentos, inclusive diligencias, para corroborar sua argumentação. O processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/1972 que em seu art. 16, I1I assim dispõe, in verbis: Conforme expressamente previsto no Decreto n° 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4% somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Como se vê do dispositivo transcrito, a ocasião para apresentação de provas, visando a comprovar o equívoco cometido no preenchimento da DCTF, é no ato de apresentação da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Cabe ressaltar que, até a presente data, dez meses após a apresentação da manifestação de inconformidade , nenhuma documentação foi apresentada nela contribuinte, que se limitou a apresentar DCTF retificadora , não embasada por qualquer documentação comprobatória. Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: (...). (...) No caso presente, sendo obrigação da contribuinte apresentar provas do que alega , preferindo não fazêlo, a Receita Federal não promove qualquer ação a respeito, limitando a julgar o processo com os documentos constantes no processo. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, considerandose que essa DCTF retificadora foi apresentada após o despacho decisório, que apreciou as compensações declaradas. Em face do exposto, e para concluir, VOTO por considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo qualquer direito creditório e não homologando a PER/DCOMP" (seleção e grifos nossos). 7. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.679837/200918 Acórdão n.º 3401004.124 S3C4T1 Fl. 8 7 disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 8. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 9. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 10. Tal, no entanto, não ocorreu, tendo a contribuinte realizado defesa genérica com fundamento de que teria tido de se defender de um grande número de despachos decisórios em um exíguo espaço de tempo. Contudo, reservouse a ora recorrente a repetir os mesmos argumentos em suas razões de recurso voluntário, demorandose longamente em questões doutrinais ou de constitucionalidade, o que inviabiliza, de todo, até mesmo a proposta de eventual conversão do feito em diligência para que se verifique a procedência de suas alegações, uma vez que não há de se realizar questionamento genérico em tal momento processual. 11. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.679837/200918 Acórdão n.º 3401004.124 S3C4T1 Fl. 9 8 12. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 13. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 131DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.101506/2005-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Os paradigmas, para aplicar o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, deram ênfase ao fato de o lançamento não envolver falta (ou insuficiência) de recolhimento, mas típico descumprimento de obrigação acessória (irregularidade na entrega da GFIP). Os paradigmas não generalizaram a ideia de que a aplicação de multa isolada enseja sempre a contagem da decadência pelo art. 173, I, do CTN, independentemente do tipo de obrigação que foi descumprida. Ao contrário, os paradigmas especificaram bem o contexto que, segundo eles, justificava a aplicação do referido prazo, e esse contexto não está presente na situação tratada pelo acórdão recorrido. Não há paralelo entre os paradigmas e o acórdão recorrido, que permita a caracterização de divergência a ser sanada mediante processamento de recurso especial. O contexto específico que justificou as decisões paradigmas não está presente na situação tratada pelo acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-003.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Os paradigmas, para aplicar o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, deram ênfase ao fato de o lançamento não envolver falta (ou insuficiência) de recolhimento, mas típico descumprimento de obrigação acessória (irregularidade na entrega da GFIP). Os paradigmas não generalizaram a ideia de que a aplicação de multa isolada enseja sempre a contagem da decadência pelo art. 173, I, do CTN, independentemente do tipo de obrigação que foi descumprida. Ao contrário, os paradigmas especificaram bem o contexto que, segundo eles, justificava a aplicação do referido prazo, e esse contexto não está presente na situação tratada pelo acórdão recorrido. Não há paralelo entre os paradigmas e o acórdão recorrido, que permita a caracterização de divergência a ser sanada mediante processamento de recurso especial. O contexto específico que justificou as decisões paradigmas não está presente na situação tratada pelo acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 10 15 06 /2 00 5- 30 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 3 2 Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à contagem de prazo decadencial para o lançamento da multa isolada que era prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996 (pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória). A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1102000.493, de 03/08/2011, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, negou provimento a recurso de ofício contra a decisão de primeira instância administrativa, para fins de manter a decadência contada pelo prazo do art. 150, §4º, do CTN. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO ARTIGO 150, § 4º DO CTN. A contagem do prazo decadencial nos casos de lançamento por homologação, com o recolhimento do tributo, é o constante na regra especial contida no § 4º do artigo 150 do CTN, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973733 / SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil, nos termos do que determina o “caput” do artigo 62A do Regimento Interno deste E. Conselho Administrativo Fiscal. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, quanto à matéria acima referida. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL para satisfazer a exigência de comprovação de dissídio jurisprudencial, invocamse precedentes que, no caso de auto de infração (multa), aplicam como termo inicial o disposto no art. 173 do CTN. Vejamos as ementas dos acórdãos paradigmas na forma do art. 67, §9° do RICARF: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 4 3 Acórdão n° 20601.735 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32,1V, § 5° E ARTIGO 41 DA LEI N.° 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.° 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei no 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n° 8, "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Tratandose de auto de infração, mesmo que decorrente da falta de informação do documento GFIP, aplicável o art. 173 do CTN. [...] Acórdão n° 240200.182 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/08/2006 GFIP. DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações ã Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário provido em parte. no tocante ao último paradigma, para que fique caracterizada a divergência, segue transcrição de parte do voto do Relator: "(...) Como não se trata de lançamento por homologação, pois não há recolhimentos há homologar, aplicase a regra do lançamento de oficio, já que por ser autuação e não lançamento sua natureza será sempre de oficio. Portanto: o direito de constituir o crédito extinguese em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento." [...] Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 5 4 existe, portanto, identidade fática entre o acórdão recorrido e os citados paradigmas. Enquanto a e. Câmara a quo aplicou, para efeito de contagem do prazo decadencial do auto de infração, o Código Tributário Nacional — CTN, na forma do seu art. 150, §4°, a então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes e Segunda Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF manifestaram posição contrária, fazendo incidir, em hipótese semelhante, a norma do art. 173, I do CTN; dessa forma, estando demonstrada a divergência entre o aresto recorrido e as decisões paradigmas, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO R. ACÓRDÃO no presente feito, impende destacar que não houve pagamento antecipado, mesmo porque se trata de auto de infração (penalidade), cujo lançamento será sempre de oficio, não por homologação; por conta disso, aplicase como termo inicial da decadência o disposto no art. 173, inciso I do CTN; tratandose de lançamento de multa, por meio de auto de infração, cujo lançamento será sempre de oficio, e não por homologação, não existe dispositivo legal que autorize deslocar o termo inicial da decadência para o fato gerador, devendo ser aplicada a regra geral do artigo 173, I do CTN; assim, aplicando a regra do artigo 173, I, do CTN, concluise que não ocorreu decadência; DO PEDIDO em face do exposto, a Unido (Fazenda Nacional) requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja aplicado o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 18/03/2016, deu seguimento ao recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Para melhor analisar o dissenso proclamado pela recorrente, impõese ver excertos dos votos condutores dos Acórdãos antepostos, com eventuais destaques acrescidos nesta propositura. No Acórdão recorrido, no qual a decadência foi aplicada pela Câmara a quo, pontuou o voto condutor: [...] Já o primeiro paradigma fixou: [...] Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 6 5 E, consoante voto condutor do 2º estalão paradigma: [...] Acrescentese, ainda, que o primeiro paradigma subiu à apreciação da CSRF que, por sua 2ª Turma, em sessão de 27/06/2012, proclamou o Acórdão nº 9202002.193, com o seguinte entendimento do voto vencedor em relação ao tema “decadência”: [...] Sem se aprofundar na discussão do tema, posto que inapropriado tal aprofundamento nesta análise cognitiva sumária, na qual só se visa aferir a existência de dissenso interpretativo da matéria, é de se concluir que a distensão invocada pela recorrente se fez presente, seja pela leitura das ementas dos arestos confrontados, seja, mais ainda, pelos pensamentos expostos nas razões de decidir de cada um deles, quando se visualiza a divergência de posições sobre a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou, 173, I, ambos do CTN. Pois bem, como o escopo do Recurso Especial é a uniformização da jurisprudência administrativa, e estando constatada a divergência suscitada, entendo cumpridos os preceitos estampados no artigo 67, do Anexo II, do vigente RICARF. Assim, satisfeitos os requisitos de sua admissibilidade em relação à mencionada matéria, proponho seja DADO SEGUIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional Em 11/04/2016, a contribuinte foi intimada do despacho que deu seguimento ao recurso especial da PGFN, e, tempestivamente, em 26/04/2016, ela apresentou as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: BREVE HISTÓRICO DOS FATOS trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigir da recorrida multa de ofício de 75% do valor do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica ("IRPJ") relativo ao 4º trimestre de 1999; conforme já demonstrado no curso do processo, a recorrida procedeu ao recolhimento do referido IRPJ em atraso e com o acréscimo de juros de mora, tendo comunicado tal ato à Receita Federal por meio de denúncia espontânea protocolada na Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro em 24/11/2004 (processo administrativo nº 10070.002178/200457); segundo a fiscalização, a denúncia espontânea não teria o condão de excluir a incidência da multa de mora e a falta do seu recolhimento imporia a aplicação da multa de ofício prevista nos artigos 43 e 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme redação vigente à época da lavratura do AUTO; a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro ("DRJ/RJ"), por unanimidade de votos, julgou o AUTO totalmente improcedente. De acordo com a DRJ/RJ: (i) o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para a exigência de eventual diferença entre os valores recolhidos pela recorrida e aqueles considerados devidos Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 7 6 pelas autoridades fazendárias teria se iniciado em 31/12/1999 (data do fato gerador) e terminado em 31/12/2004, conforme artigo 150, § 4º, do CTN3; e (ii) a recorrida somente teria sido intimada do AUTO em 07/10/2005; em face do referido acórdão, o Ilmo. Sr. Presidente da 2ª Turma da DRJ/RJ recorreu de ofício, tendo a 1ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, mantido a decisão de 1ª instância, nos seguintes termos (Acórdão nº 1102000.493, proferido em 03/08/2011): [...]; em 15/02/2013, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial sustentando, em síntese, que: (i) não houve pagamento antecipado, mesmo porque o processo trata de exigência de penalidade, cujo lançamento será sempre de ofício e não por homologação; e (ii) tratandose de lançamento de ofício (e não por homologação), deveria ser aplicada a regra geral de decadência prevista no artigo 173, inciso I, do CTN (e não aquela estabelecida pelo 150, § 4º, do CTN); DA NÃO OCORRÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL ESPECÍFICA AO PRESENTE CASO ERRO COMETIDO PELA PROCURADORIA NA INDICAÇÃO DO DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL os paradigmas analisaram autos de infração lavrados para exigir o recolhimento de multa isolada por apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados insuficientes ou incorretos. Em outras palavras, trataram de lançamentos efetuados por conta de suposto descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer); nada que equivalha à situação fática tratada no presente processo; como já informado, a recorrida recolheu IRPJ relativo ao 4º trimestre de 1999 após o transcurso do prazo legal e sem considerar a incidência de multa de mora. A fiscalização entendeu que os valores recolhidos seriam insuficientes porque a denúncia espontânea efetuada pela recorrida não teria o condão de excluir a referida multa de mora; ora, é fácil perceber que a situação fática tratada pelo acórdão recorrido tem por fundamento o recolhimento a menor de valores devidos ao Fisco, isto é, referese a suposto descumprimento de uma obrigação de dar (pagar) e não de uma obrigação de fazer (acessória), como aquela analisada pelos paradigmas. O não recolhimento de multa de mora em razão de pagamento de tributo em atraso jamais poderia configurar descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer); não se pode confundir a multa aplicada por mero descumprimento de obrigação relativa à entrega de GFIP (obrigação acessória) com aquela em que a penalidade foi aplicada porque, após a análise dos valores apurados ("lançados") e recolhidos pelo contribuinte, o Fisco entendeu que eles não seriam suficientes; notese, aliás, que os próprios votos proferidos pelos Conselheiros Relatores dos paradigmas são claros no sentido de que: (i) as multas analisadas não decorreriam do recolhimento a menor de valores, mas de descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer); e (ii) por não haver análise (homologação) dos valores recolhidos pelo contribuinte (obrigação de dar), deveria ser aplicada a regra geral de decadência prevista no artigo 173, inciso I, do CTN (e não aquela estabelecida pelo 150, § 4º, do CTN, aplicável aos casos em que Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 8 7 há análise dos valores recolhidos pelo contribuinte). Vale transcrever os seguintes trechos dos votos proferidos pelos Relatores dos PARADIGMAS: [...]; em vista do acima exposto, resta claro que os paradigmas não guardam relação com a situação fática tratada no presente processo e, portanto, não podem ser utilizados para fundamentar a divergência arguida pela recorrente em seu recurso especial; assim, a recorrida requer, desde já, que seja reformada a decisão proferida pelo Ilmo. Sr. Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF com a consequente inadmissão do Recurso Especial interposto pela recorrente; DA DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO ainda que o recurso especial interposto pela recorrente venha a ser admitido, o que se faz apenas para argumentar, o acórdão recorrido deverá ser mantido por suas próprias razões; como já relatado, a recorrida efetuou o pagamento em atraso dos valores devidos a título de IRPJ/1999 (principal e juros de mora), deixando, todavia, de recolher qualquer valor a título de multa moratória por entender que dela estaria eximida em razão de sua denúncia espontânea (artigo 138 do CTN); o IRPJ é tributo sujeito a lançamento por homologação, isto é, no qual o sujeito passivo deve apurar e recolher antecipadamente os montantes que entenda devidos sob condição resolutória de ulterior homologação pelas autoridades fiscais; a recorrente alega que: (i) "não houve pagamento antecipado, mesmo porque se trata de auto de infração (penalidade), cujo lançamento será sempre de ofício, não por homologação"; e (ii) "por conta disso, aplicase como termo inicial da decadência o disposto no art. 173, inciso I do CTN" (e não o estabelecido pelo artigo 150, § 4º, do CTN); nada mais equivocado. Como exaustivamente demonstrado, a recorrida efetuou o pagamento do valor do tributo que entendia devido, acrescido dos correspondentes juros de mora. Não houve falta de pagamento ou de declaração por parte da recorrida; a multa exigida pelo AUTO foi aplicada porque, após a análise dos valores apurados e recolhidos pela recorrida, as autoridades fazendárias entenderam que eles não seriam suficientes. Tratase de típico processo de revisão de lançamento por homologação e, portanto, de aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º, do CTN. Repitase, a multa exigida pelo AUTO decorre de suposto recolhimento a menor de valores devidos pelo contribuinte; a recorrente tenta sugerir que a exigência de multa de ofício decorreria de descumprimento de obrigação acessória, como nos casos colacionados como paradigmas para admissibilidade de seu Recurso Especial; não é demais repisar o que já se disse no capítulo anterior. É fácil perceber que a situação tratada no presente processo difere completamente da hipótese relativa à aplicação de multa por entrega de documentos com dados insuficientes ou incorretos. Em tais situações, não há nenhum procedimento de verificação dos valores apurados e recolhidos antecipadamente pelo contribuinte; Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 9 8 não se pode confundir a multa aplicada por mero descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer) com aquela em que a penalidade foi aplicada porque houve suposto recolhimento a menor de valores apurados e devidos pelo contribuinte (obrigação de dar); notese, aliás, que o § 1º do artigo 113 do CTN é expresso ao afirmar que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto não só o pagamento do tributo, mas também de penalidade pecuniária; a multa de mora integra a obrigação principal, não podendo ser dela destacada. Uma vez que a multa de mora é um dos componentes (parcelas) da obrigação principal e esta foi declarada e paga espontaneamente pelo contribuinte, deve ser aplicado o prazo de decadência previsto no art. 150, § 4º, do CTN; o Superior Tribunal de Justiça ("STJ"), ao julgar o Recurso Especial nº 973.733/SC sob a sistemática dos recursos repetitivos de que trata o artigo 543C do antigo Código de Processo Civil ("CPC"), entendeu que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, havendo pagamento pelo contribuinte, a contagem do prazo decadencial para lançamento de eventual diferença deve o seguir o que dispõe o artigo 150, § 4º, do CTN; importante ressaltar que, de acordo com o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas proferidas pelo STJ na sistemática prevista no artigo 543C do CPC deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF; assim, temse que o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para a exigência de eventual diferença entre os valores recolhidos pela recorrida e aqueles considerados devidos pelas autoridades fazendárias teve início em 31/12/1999 (data do fato gerador), encerrandose em 31/12/2004. Em razão de a recorrida somente ter sido intimada do AUTO em 07/10/2005, não há dúvida de que operouse a decadência do direito do Fisco de em efetuar o lançamento em exame, razão pela qual deve ser mantido o acórdão recorrido; CONSIDERAÇÕES FINAIS. MÉRITO. não obstante os argumentos acima expostos (Capítulos III e IV) e apenas para se resguardar da eventual possibilidade de este Colegiado aventar pronunciarse acerca da questão de mérito sustentada em sua impugnação (que não foi apreciada pela DRJ/RJ nem pelo CARF), a recorrida não se furtará de sintetizar a seguir a total improcedência da multa que lhe foi exigida; o artigo 138 do CTN é expresso ao determinar que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, desde que acompanhada, se for o caso, pelo pagamento do tributo devido e dos correspondentes juros de mora; o referido artigo 138 do CTN não faz qualquer distinção entre a multa moratória e a de ofício. Além disso, é importantíssimo ressaltar que tanto a multa moratória como a de ofício têm a mesma finalidade, qual seja, a de punir o contribuinte faltoso. Ambas representam uma penalidade por descumprimento de obrigação tributária e, portanto, estão igualmente excluídas quando o contribuinte espontaneamente denuncia a sua infração; Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 10 9 esse é o entendimento pacífico do STJ. Vale transcrever, exemplificativamente, o seguinte trecho do voto proferido pelo Exmo. Ministro Herman Benjamin no julgamento do AgRg no AREsp nº 687.689RJ, ocorrido em 09/06/2015: [...]; no mesmo sentido é a Súmula CARF nº 31: "Descabe a cobrança de multa de ofício isolada exigida sobre os valores de tributos recolhidos extemporaneamente, sem o acréscimo da multa de mora, antes do início do procedimento fiscal"; notese, ainda, que o dispositivo legal que fundamentou o AUTO veio a ser posteriormente alterado para excluir a possibilidade de aplicação de multa de ofício no caso de o contribuinte efetuar o recolhimento de tributo após o vencimento do prazo e sem acréscimo de multa moratória; com efeito, eis a redação do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, vigente à época da lavratura do AUTO: [...]; o supra transcrito dispositivo legal foi expressamente alterado pela Lei nº 11.488, de 15/06/2007, passando a ter a seguinte redação: [...]; como se percebe, a Lei nº 11.488/2007 excluiu a possibilidade de imposição de multa de ofício pelo não pagamento da multa de mora no recolhimento extemporâneo de tributo; não obstante tal alteração legislativa ter ocorrido após a lavratura do AUTO, deve ser aplicado ao caso o princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106 do CTN: [...]; a jurisprudência do CARF já teve oportunidade de se manifestar nesse sentido, conforme se verifica da leitura do Acórdão nº 10616.761, cuja ementa é abaixo reproduzida: [...]; esse entendimento foi reiterado em diversos julgamentos posteriores, o que levou o CARF a editar a Súmula CARF nº 74: "Aplicase retroativamente o art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que revogou a multa de oficio isolada por falta de acréscimo da multa de mora ao pagamento de tributo em atraso, antes prevista no art. 44, § 1º, II, da Lei nº 9.430/96"; DO PEDIDO por todo o exposto, pede e espera a recorrida: (i) seja reformada a decisão proferida pelo Ilmo. Sr. Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, negandose seguimento ao Recurso Especial interposto pela recorrente ou; (ii) caso assim não se entenda, o que se faz apenas para argumentar, seja o referido recurso julgado improcedente e definitivamente cancelado o AUTO lavrado contra a recorrida. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Não há condições para conhecer do recurso especial da PGFN. É procedente a preliminar de não conhecimento que a contribuinte apresentou em sede de contrarrazões. No caso dos autos, a contribuinte efetuou recolhimento extemporâneo do IRPJ relativo ao 4º trimestre de 1999, sem o acréscimo da multa de mora. O presente processo abrange lançamento da multa isolada que era prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996 (pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória). Quanto à referida preliminar, a contribuinte alega: que a fiscalização entendeu que os valores recolhidos seriam insuficientes porque a denúncia espontânea efetuada pela recorrida não teria o condão de excluir a referida multa de mora; que a situação fática tratada pelo acórdão recorrido tem por fundamento o recolhimento a menor de valores devidos ao Fisco, isto é, referese a suposto descumprimento de uma obrigação de dar (pagar) e não de uma obrigação de fazer (acessória), como aquela analisada pelos paradigmas; que o não recolhimento de multa de mora em razão de pagamento de tributo em atraso jamais poderia configurar descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer); que não se pode confundir a multa aplicada por mero descumprimento de obrigação relativa à entrega de GFIP (obrigação acessória) com aquela em que a penalidade foi aplicada porque, após a análise dos valores apurados ("lançados") e recolhidos pelo contribuinte, o Fisco entendeu que eles não seriam suficientes; e que os votos proferidos pelos Conselheiros Relatores dos paradigmas são claros no sentido de que: (i) as multas analisadas não decorreriam do recolhimento a menor de valores, mas de descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer); e (ii) por não haver análise (homologação) dos valores recolhidos pelo contribuinte (obrigação de dar), deveria ser aplicada a regra geral de decadência prevista no artigo 173, inciso I, do CTN (e não aquela estabelecida pelo 150, § 4º, do CTN, aplicável aos casos em que há análise dos valores recolhidos pelo contribuinte). Ao dar seguimento ao recurso especial, o despacho monocrático considerou como aspecto comum das decisões cotejadas, o fato de elas tratarem de aplicação de multa Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 12 11 isolada. O recorrido teria aplicado o prazo do art. 150, §4º, do CTN, enquanto os paradigmas teriam aplicado o prazo do art. 173, I, também do CTN. Ocorre que os paradigmas, para aplicar o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN deram ênfase ao fato de o lançamento não envolver falta (ou insuficiência) de recolhimento, mas típico descumprimento de obrigação acessória (irregularidade na entrega da GFIP), senão vejamos: Acórdão paradigma nº 20601.735 [...] No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4°. Porém no Auto de Infração em questão, estamos falando de aplicação de decadência qüinqüenal em lançamento que não envolve em princípio recolhimento, mas cumprimento de obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, qual seja entregar o documento GFIP. Portanto, nos casos de lavratura de auto de infração não entendo cabível a aplicação do art 150 § 4°, nem mesmo análise de existir ou não recolhimento, visto que os mesmos não se confundem, consistindo o recolhimento em obrigação principal e a elaboração e entrega do documento cumprimento de obrigação acessória, neste casos, há de ser aplicada a tese do art. 173 do CTN. Acórdão paradigma n° 240200.182 [...] Como não se trata de lançamento por homologação, pois não há recolhimentos há homologar, aplicase a regra do lançamento de oficio, já que por ser autuação e não lançamento sua natureza sempre será de ofício. Portanto: o direito de constituir o crédito extinguese em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. Os paradigmas não generalizaram a ideia de que a aplicação de multa isolada enseja sempre a contagem da decadência pelo art. 173, I, do CTN, independentemente do tipo de obrigação que foi descumprida. Ao contrário, os paradigmas especificaram bem o contexto que, segundo eles, justificava a aplicação do referido prazo, e esse contexto não está presente na situação tratada pelo acórdão recorrido. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10768.101506/200530 Acórdão n.º 9101003.229 CSRFT1 Fl. 13 12 No caso do acórdão recorrido, a multa isolada era tão associada à constatação de pagamento insuficiente, que hoje em dia, após as alterações implementadas pela Lei 11.488/2007, este tipo de lançamento se dá pela imputação proporcional do pagamento, e não mais pela aplicação da referida multa isolada. Aliás, se fosse o caso de conhecer do recurso, a multa isolada em questão não subsistiria, porque a lei a extinguiu. O CARF, inclusive, já editou duas súmulas a respeito disso: Súmula CARF nº 31 e Súmula CARF nº 74. Mas em relação ao não conhecimento, o que precisa ser destacado é que não há paralelo entre os paradigmas e o acórdão recorrido, que permita a caracterização de divergência a ser sanada mediante processamento de recurso especial. O contexto específico que justificou as decisões paradigmas não está presente na situação tratada pelo acórdão recorrido. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 122DF CARF MF
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Numero do processo: 10945.001924/2008-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS.
Inserem-se no conceito de insumos, para fins de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, os bens consumidos diretamente no processo produtivo do produto destinado a venda, nos termos dos art. 3º, inc. II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 9303-005.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Sousa, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Sousa, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Inseremse no conceito de insumos, para fins de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, os bens consumidos diretamente no processo produtivo do produto destinado a venda, nos termos dos art. 3º, inc. II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Sousa, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 19 24 /2 00 8- 82 Fl. 6549DF CARF MF Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 9303005.656 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67 do antigo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3102002.043, de 25/09/2013, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE. Sob o regime de incidência não cumulativa e para fins de dedução de créditos, para verificar se determinado bem ou serviço pode ser qualificado como insumo, é necessário analisar seu grau de inerência (um tem a ver com o outro) com a produção ou o produto, e o grau de relevância desta inerência (em que medida um é efetivamente importante para o outro ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências). NÃO CUMULATIVIDADE. CUSTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS. ATENDIMENTO AO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Por força do que prescreve o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, dão direito ao crédito os custos com frete no transporte, realizado entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte, de matériasprimas aplicadas no processo de produção. DESPESA COM FRETE REFERENTE AO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE O ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL E O ESTABELECIMENTO DISTRIBUIDOR. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, as despesas com frete realizadas no transporte de produtos acabados entre o estabelecimento industrial e distribuidor da mesma pessoa jurídica não integra a base de cálculo para cálculo de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 6550DF CARF MF Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 9303005.656 CSRFT3 Fl. 4 3 Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento de créditos do PIS/Pasep, apurados no regime de incidência não cumulativa exportação, relativos ao ano calendário de 2007, que foram cumulados com pedidos de compensação. A Fazenda Nacional pede o provimento do seu recurso especial em relação aos seguintes itens: (1) direito creditório relativo a bens indicados no CFOP 1.556 e 2.556, relativos às exigências da vigilância sanitária, quais sejam, produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos, (2) relativos à manutenção de máquinas e equipamentos e lubrificantes; (3) gás liquefeito de petróleo GLP utilizados na queima do pêlo suíno para abate. O recurso especial foi admitido nos termos do Despacho de Exame de Admissibilidade, efls. 6536/6543, exarado pelo então Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte foi cientificado do acórdão recorrido, bem como do recurso especial e do despacho de admissibilidade e não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS/Pasep no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto, no Acórdão recorrido adotou como critério o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido tenha uma relação de pertinência entre os bens e serviços adquiridos e a atividade desenvolvida pela pessoa jurídica. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Fl. 6551DF CARF MF Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 9303005.656 CSRFT3 Fl. 5 4 Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. Fl. 6552DF CARF MF Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 9303005.656 CSRFT3 Fl. 6 5 IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. Passamos então a analisar os itens objeto do recurso da Fazenda Nacional: Fl. 6553DF CARF MF Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 9303005.656 CSRFT3 Fl. 7 6 (1) direito creditório relativo a bens indicados no CFOP 1.556 e 2.556, relativos às exigências da vigilância sanitária, quais sejam, produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos. Quanto a esse item, importante transcrever abaixo trecho do voto constante do Acórdão da DRJ para deixar claro que a insurgência do contribuinte não é total quanto aos itens glosados, veja a seguir: (...) A interessada comentou o entendimento do fisco, de que os bens classificados no CFOP 1.556/2.556, não se enquadrariam no conceito de insumo e que representariam bens de uso e consumo, glosando, da base de cálculo de créditos, o montante de R$ 6.763.448,36 (representado por 8.803 notas fiscais, relacionadas As fls. 4722/4983); a contribuinte concorda com tal glosa até o montante de R$ 4.240.897,69, dizendo que, por outro lado, o valor remanescente (R$ 2.522.550,67) seria referente a bens utilizados no processo industrial, tais como matériasprimas, insumos de produção e embalagem, o que lhe conferiria direito ao correspondente crédito, anexando, às fls. 6255/6325, lista de tais bens. (...) Quanto a esses itens, o Acórdão recorrido concedeu o direito ao crédito em relação aos seguintes itens, destacados no trecho abaixo transcrito do voto da relatora: (...) Feito este esclarecimento e tendo em vista que a Recorrente se dedica à produção de carne e leite para consumo humano, por óbvio que se devem incluir no conceito de insumo os produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos. (...) Quero registrar que a própria Receita Federal já afastou a necessidade de que para ser insumo e ter direito ao crédito, haja necessidade do desgaste do bem consumido, pelo contato físico com o bem em produção. Tal fato pode ser constatado pelo que foi disposto na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23/08/2016. Abaixo transcrevo a sua ementa em relação ao PIS que é idêntica da Cofins: Fl. 6554DF CARF MF Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 9303005.656 CSRFT3 Fl. 8 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; Fl. 6555DF CARF MF Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 9303005.656 CSRFT3 Fl. 9 8 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. (...) Penso que esta interpretação está mais coerente, sobretudo com o disposto no inc. II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, na medida em que se exige que o bem ou serviço seja aplicado e consumido diretamente no processo produtivo do bem destinado a venda. Entendo que não há espaço para estender para outros bens ou serviços utilizados na etapa préindustrial ou em período posterior ao encerramento do processo produtivo. Fl. 6556DF CARF MF Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 9303005.656 CSRFT3 Fl. 10 9 Neste sentido pelo que foi exposto no voto do Acórdão recorrido, pareceme que os produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos, atende ao conceito de insumos erigidos pela Lei, na medida em que são utilizados e consumidos no processo produtivo propriamente dito do produto destinado a venda. Compreendo que a utilização destes produtos têm o mesmo alcance dos itens 3a e 3c da Solução de Divergência acima transcrita. (2) relativos à manutenção de máquinas e equipamentos e lubrificantes Nesta mesma linha de entendimento, o acórdão recorrido reconheceu a legitimidade dos créditos relativos à manutenção de máquinas e equipamentos e lubrificantes utilizados também no processo produtivo. Ante a falta de evidência de que não se destinam ao uso e consumo dentro do processo produtivo, penso que não há como não acatar referidos créditos, pelas mesmas razões já expostas no item anterior. (3) gás liquefeito de petróleo GLP utilizados na queima do pêlo suíno para abate. Compreendo que se trata de insumo utilizado diretamente no processo industrial do contribuinte. Assim, por se tratar de bens utilizados e consumidos dentro do processo produtivo do produto destinado a venda, nego provimento ao RE da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 6557DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.723523/2009-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALUGUEL DE CLUBE DE FUTEBOL. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS.
Não pode prosperar o lançamento de contribuições previdenciárias sobre o lançamento contábil "aluguel de campo de futebol" quando a fiscalização não se desincumbe de identificar quais os beneficiários da utilidade, nem mesmo pela solicitação de informações durante o procedimento fiscal.
Numero da decisão: 9202-005.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator) e Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe deram provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora-Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALUGUEL DE CLUBE DE FUTEBOL. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS. Não pode prosperar o lançamento de contribuições previdenciárias sobre o lançamento contábil "aluguel de campo de futebol" quando a fiscalização não se desincumbe de identificar quais os beneficiários da utilidade, nem mesmo pela solicitação de informações durante o procedimento fiscal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1908; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.091 1 1.090 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.723523/200944 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.999 – 2ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria 67.636.4010 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PENALIDADE/RETROATIVIDADE BENIGNA AIOP/AIOA: FATOS GERADORES ANTERIORES À MP Nº 449, DE 2008. 67.643.9999 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SALÁRIO INDIRETO OUTROS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CARDIO PULMONAR DA BAHIA S.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALUGUEL DE CLUBE DE FUTEBOL. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS. Não pode prosperar o lançamento de contribuições previdenciárias sobre o lançamento contábil "aluguel de campo de futebol" quando a fiscalização não se desincumbe de identificar quais os beneficiários da utilidade, nem mesmo pela solicitação de informações durante o procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 35 23 /2 00 9- 44 Fl. 1091DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator) e Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe deram provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – RedatoraDesignada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de auto de infração de obrigação principal DEBCAD nº 37.169.6429, à efl. 02, cientificado à empresa contribuinte em 14/07/2009, com relatório fiscal da infração às efls. 27 a 52. De acordo com o relatório fiscal o auto de infração visou à exigência de contribuições sociais devidas pelo contribuinte às entidades e fundos denominados Terceiros foram lançadas em observação ao disposto no art. 94, bem como no art. 30, inciso I, alínea b, todos da Lei nº 8.212, de 24/07/1991. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 18.233,06, consolidado em 07/07/2009, referindose a ao período de apuração de 01/2005 a 12/2006. O lançamento foi impugnado, às efls. 641 a 660, em 12/08/2009. Já a 5ª Turma da DRJ/SDR, no acórdão nº 1527.861, prolatado em 27/07/2011, às efls. 992 a 1011, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada com o resultado, em 10/07/2012, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 1014 a 1023, argumentando em apertado resumo: · fornecimento de alimentação in natura, independentemente de inscrição no PAT não se sujeita à incidência de contribuição previdenciária; · valores pagos por aluguel de campo de futebol para os empregados não são remuneração pelo trabalho, mas lazer para eles e suas famílias, pois nem mesmo existiria Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10580.723523/200944 Acórdão n.º 9202005.999 CSRFT2 Fl. 1.092 3 nexo causal entre o pagamento disso e os serviços prestados; · ressarcimento de despesas de táxi de seus colaboradores não tem caráter remuneratório, mas de indenização; · pela regra da retroatividade benigna ao caso concreto, a multa aplicável seria a do art. 32A da Lei nº 8.212/1991. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 16/04/2013, resultando no acórdão 2403001.993, às efls. 1044 a 1055, que tem as seguintes ementas: OBRIGAÇÃO. EMPRESA. CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES. RECOLHER. A empresa está obrigada a recolher as contribuições devidas às outras entidades incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. ALIMENTAÇÃO Sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. ALUGUEL DE CAMPO DE FUTEBOL. Aluguel do campo de futebol, disponibilizado para lazer dos funcionários, pago mensalmente a uma pessoa jurídica, não representa remuneração pelo trabalho nem se caracteriza como salário de contribuição. RESSARCIMENTO DE DESPESAS COM TÁXI. Não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária em relação às verbas pagas a título de reembolso de despesas realizadas por colaboradores que se utilizaram de táxi. MULTA. RECÁLCULO. Tratandose de crédito não definitivamente julgado, aplicase o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso para: 1) Por unanimidade de votos, determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos à alimentação. 2) Por maioria de votos, em determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos, ao aluguel do campo de futebol, vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. 3) Por maioria, excluir o levantamento TAXTransportadores Autônomos. Vencidos Paulo Maurício Monteiro Pinheiro e Carlos Mees Stringari (relator) Designado para redigir o voto o Fl. 1093DF CARF MF 4 conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto 4) Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir a multa de ofício e recalcular a multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei 1.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari (relator). Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. RE da Fazenda Nacional A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em 14/10/2013, interpôs recurso especial de divergência (efls. 1056 a 1076) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmados no CARF no tocante a duas matérias: a) Despesa de aluguel de campo de futebol: com base nos acórdãos paradigmas nº 20600.006 e nº 20500.727, enquanto a decisão recorrida afastou a incidência tributária com respaldo na alegação de que a referida despesa não constitui retribuição pelo trabalho do empregado, os acórdãos paradigmas entendem que toda e qualquer verba paga ao funcionário decorre da relação de emprego, apenas podendo excluída do salário de contribuição nas hipóteses expressamente previstas na legislação, sendo os demais formas de salário indireto; e b) Multa, em face da retroatividade benigna: tomando como paradigmas os acórdãos nº 230100.283 e nº 240100.120, explicitando a divergência, assim se manifestou o Procurador: Ao examinar a matéria pertinente à multa aplicada, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. (...)Para os órgãos prolatores dos paradigmas, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Nos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa. Ao final pleiteia que seja conhecido do seu recurso especial e que lhe seja dado provimento para que: (1) seja mantido o crédito tributário relativo ao aluguel de campo de futebol e (2) seja adotada a tese esposada do acórdão paradigma, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica, se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, § 5º, da norma revogada) ou a do art. 35 A da MP 449/2008. Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10580.723523/200944 Acórdão n.º 9202005.999 CSRFT2 Fl. 1.093 5 O recurso especial de divergência da Procuradora foi apreciado pela Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de efls. 1077 a 1082, datado de 11/11/2015, entendendo por lhe dar seguimento, relativamente às duas matérias propostas, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte Intimada (efl. 1085) do acórdão nº 2403001.993, do recurso especial da Fazenda, e do seu despacho de admissibilidade em 02/05/2016 (efl. 1087), a contribuinte não apresentou contrarrazões no prazo regimental. É o relatório. Fl. 1095DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Despesa com campo de futebol Para avaliar a pertinência da inclusão do pagamento de aluguel de campo de futebol para funcionários como ganho habitual, no campo das remunerações sobre as quais incidiriam contribuições previdenciárias, penso que se deva iniciar pelo conceito de saláriode contribuição posto no art. 28 da Lei nº 8.212/1991, que dispõe: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Negritei.) Tratandose de ganho habitual, tomo por base lição1 do Professor Sergio Pinto Martins Professor Titular de Direito do Trabalho da Faculdade de Direito da USP , na qual se busca o conceito, com a seguinte exposição: Dispõe o parágrafo 11.º do artigo 201 da Constituição que "os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão nos benefícios, nos casos e na forma da lei". Da última expressão do dispositivo constitucional verificase que tal preceito não tem aplicabilidade imediata, pois fica dependente de complementação pela legislação ordinária. O inciso I do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91 utiliza outra expressão, afirmando que entendese por saláriode contribuição "os ganhos habituais sob a forma de utilidades". Necessário se faz, portanto, verificar o que vem a ser ganho habitual e como a lei define a incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba. 1 In: http://www.cartaforense.com.br/conteudo/colunas/ganhoshabituais/6731 acessado em 28/08/2017. Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10580.723523/200944 Acórdão n.º 9202005.999 CSRFT2 Fl. 1.094 7 Será considerado ganho habitual qualquer pagamento feito ao empregado que seja repetido no tempo, tendo, portanto, habitualidade. Pagamentos eventuais serão, portanto, excluídos. (...) Os ganhos habituais deverão ter, portanto, certa frequência ou periodicidade para serem considerados como tal. Assim, um pagamento feito a cada cinco anos não será incluído no conceito de ganho habitual. Tanto são ganhos habituais os pagamentos diretos feitos ao empregado, como os indiretos. Devem ser, contudo, pagamentos provenientes do contrato de trabalho. Se o pagamento não for feito em virtude do contrato de trabalho, não terá natureza de ganho habitual, mas será um pagamento feito em função de outra relação jurídica entre as partes, como de prestação de serviços de trabalhador autônomo, empresário etc. Os ganhos habituais serão prestações que o empregado recebe, porém não tem que despender numerário para adquirir, fazendo com isso uma economia, sendo, assim, considerados ganhos. A Lei Maior faz menção a ganhos habituais a qualquer título, isto é, com qualquer nome que seja utilizado. Isso quer dizer que se trata de pagamento que tanto pode ser contratado diretamente pela prestação dos serviços ou indiretamente. Não haverá necessidade de se convencionar expressamente o ganho habitual, podendo, portanto, ser tácito o pacto, pois o contrato de trabalho é ajustado expressa ou tacitamente (art. 442 da CLT). (...) O artigo 458 da CLT mostra que o salário in natura compreende alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações que a empresa por força do contrato, ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Assim, pagamentos que forem feitos com habitualidade a título de transporte (não confundir com valetransporte), higiene, saúde, habitação, vestuário, alimentação ou outros serão enquadrados como ganhos habituais. (...) Outras verbas que forem pagas ao empregado habitualmente também serão consideradas ganhos habituais, como conta de água e luz, pois o empregado está tendo um ganho ao não precisar pagar tais valores. O mesmo podese dizer quanto ao pagamento feito pelo empregador ao empregado a título de despesas de cartão de crédito, mensalidade de clube ou escolar, passagens aéreas, consórcio, etc. (Negritei.) Por isso, com a devida vênia do relator do acórdão a quo, não vejo com deixar de realizar um paralelo entre pagamentos realizados a um clube, cujos Fl. 1097DF CARF MF 8 serviços/benefícios são disponibilizados aos empregados da empresa, justamente por terem eles vínculo trabalhista com essa empresa, e qualquer outro ganho em utilidade, que os empregados recebam em razão de seu vínculo trabalhista. Ora, o aluguel de espaço para prática de esporte, colocado à disposição dos empregados, é uma utilidade, destinada ao lazer, a eles disponibilizada pelo empregador. Se eles vão ou não utilizála não descaracteriza o benefício oferecido. Observese que se um terceiro, não empregado, desejasse utilizar esse espaço para prática esportiva, teria que pagar por ele, pois não teria o vínculo com a empresa que garantisse tal disponibilidade. Para que algum ganho habitual decorrente do vínculo trabalhista com a empresa não fizesse parte da remuneração, deveria ele ter natureza indenizatória ou ser excepcionado por lei, tal como se observa no § 9º do art. 28, anteriormente citado. Dessa forma, concluo que os pagamentos de aluguel de campo de futebol realizados pela empresa para usufruto de seus funcionários se enquadra no conceito de remuneração e por isso sujeitase à tributação por contribuição previdenciária, na moldura da Lei nº 8.212/1991. Isso posto, voto pelo provimento do recurso especial de divergência da Fazenda nessa matéria. Multas, aplicação da retroatividade benigna. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10580.723523/200944 Acórdão n.º 9202005.999 CSRFT2 Fl. 1.095 9 RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela Fl. 1099DF CARF MF 10 decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10580.723523/200944 Acórdão n.º 9202005.999 CSRFT2 Fl. 1.096 11 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 1101DF CARF MF 12 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10580.723523/200944 Acórdão n.º 9202005.999 CSRFT2 Fl. 1.097 13 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as Fl. 1103DF CARF MF 14 penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Dessarte, voto pelo provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Pelo exposto, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, dou provimento ao recurso para que seja mantido o crédito tributário relativo ao aluguel de campo de futebol e para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10580.723523/200944 Acórdão n.º 9202005.999 CSRFT2 Fl. 1.098 15 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – RedatoraDesignada. Peço licença ao ilustre conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos para divergir do seu entendimento quanto ao provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional em relação ao lançamento sobre aluguel de campo de futebol. ALUGUEL DE CAMPO DE FUTEBOL Quanto a considerar o pagamento de aluguel de campo de futebol como salário de contribuição para efeitos previdenciários, entendo que não assiste razão a recorrente, pelos motivos abaixo expostos. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado, entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Embora não esteja encaminhando pelo provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional no presente caso, não estou descartando a possibilidade de considerar como salário indireto (dentro do conceito de salário de contribuição), benefícios de clubes, ou mesmo outras utilidades que beneficiem diretamente o empregado como a ora lançada. Contudo, para que possamos enquadrar a utilidade como salário indireto em relação ao segurado empregado ou contribuinte individual, devese estabelecer a correlação entre o beneficio ofertado e os beneficiários. A legislação previdenciária, quando define o conceito de salário de contribuição, destaca para o segurado empregado "a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades". Sabemos, que a contribuição previdenciária não é um mero tributo sem vinculação a determinado segurado, Fl. 1105DF CARF MF 16 pelo contrário, o que se busca é arrecadar a contribuição sobre os ganhos diretos ou indiretos destinados a determinado empregado ou contribuinte individual, sendo que o valor recolhido/ cobrado/lançado irá compor a sua vida de contribuições, para um dia servir de base de cálculo para pagamento dos benefícios previdenciários. Dessa forma, antes mesmo de efetivar o lançamento, deve a fiscalização identificar a verba passível de ser considerada utilidade e solicitar ao sujeito passivo (empregador) os benefíciários da referida utilidade, para só então promover a lavratura do correspondente auto de infração de obrigação principal. Alías, vale lembrar que o lançamento de contribuições previdenciárias sobre determinada utilidade enseja, inclusive, a lavratura de auto de infração pela ausência de informação em GFIP com a indicação do salário de contribuição omitido. Agora, vejamos o relato fiscal, fls. 27 a 52, quanto a connfiguração da verba intitulada "FUT Aluguel de campo de futebol" como salário de contribuição: Observase que o auditor não fez qualquer esforço para vincular quem seriam os beneficiários da utilidade lançada, nem mesmo identificase no Termos de Solicitação de Documentos (TIAF), pedidos de informações adicionais acerca dos trabalhadores beneficiários, fls. 53 a 62, o que impede que o lançamento prospere, não pelos fundamentos trazidos no acórdão recorrido, mas pela impossibilidade de vincular a verba paga pela empresa, ao segurado para efeitos de definição do conceito de salário de contribuição. Da mesma forma, peço vênia, ao relator dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos, para discordar do seu posicionamento quanto ao encaminhamento do voto. Não discordo que o aluguel de espaço para prática de esporte, colocado à disposição dos empregados, é uma utilidade, mas, quem são os benefíciários? No mínimo, deve a fiscalização identificar os destinatários. Como descrito acima, o auditor não trouxe ou solicitou qualquer informação que pudesse dar lastro ao lançamento. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10580.723523/200944 Acórdão n.º 9202005.999 CSRFT2 Fl. 1.099 17 Aliás a própria doutrina trazida pelo relator, demonstra a necessária vinculação de beneficiários, ou no mínimo a necessária solicitação à empresa para que os identifique, já que assim descreve: "os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão nos benefícios" . Senão vejamos: Dispõe o parágrafo 11.º do artigo 201 da Constituição que "os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão nos benefícios, nos casos e na forma da lei". Da última expressão do dispositivo constitucional verificase que tal preceito não tem aplicabilidade imediata, pois fica dependente de complementação pela legislação ordinária. Dessa forma, entendo que da forma como descrito na autuação, não merece prosperar o lançamento pela ausência de identificação do salário de contribuição em relação aos seus beneficiários. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial Fazenda Nacional, em relação a verba aluguel de clube de Futebol. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.012174/2008-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE.
INCLUSÃO RETROATIVA.
A Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ.
Numero da decisão: 1001-000.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. A Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 21 74 /2 00 8- 48 Fl. 38DF CARF MF 2 Tratase de pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional. A empresa obteve o registro no CNPJ em 03/12/2007, mas obteve alvará junto à Prefeitura Municipal de Quatro Barras somente em 28/07/2008. Após esta data solicitou a inclusão no Simples Nacional, porém o mesmo foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR (Despacho Decisório de fl. 16), pelo motivo da empresa possuir CNPJ emitido com mais de 180 dias. Após tomar ciência do contido no Despacho Decisório a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. O relatório (efl. 28) da decisão recorrida bem descreve os argumentos do recurso: A requerente tem como data de abertura no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, o dia 03/12/2007, porém o processo de Inscrição Municipal, por inúmeras exigências do fisco municipal, só foi concluído no dia 28/07/2008, com a emissão do Alvará de Licença e Localização pela Prefeitura Municipal de Quatro Barras, Paraná, conforme cópia em anexo. Como a Inscrição Municipal foi obtida depois de decorrido o prazo de 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, o que ocorreu em 03/12/2007, a requerente ficou impedida de efetuar a opção pelo Simples Nacional retroativa a data de abertura no CNPJ. Porém a Requerente entende que teria o prazo de 30 (trinta) dias, após o deferimento da última inscrição, seja municipal ou estadual, para fazer a opção pelo Simples Nacional, com efeitos retroativos ao primeiro dia do anocalendário. A vista do exposto, requer seja acolhida a presente manifestação de Inconformidade, com o deferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, com data retroativa a 01/01/2008. Aquela decisão de primeira instância (efls. 27/30) julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/05/2013 (AR efl. 33 c/c art 23, § 2° II do Decreto 70.235/72) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em de 22/05/2013 (efl. 35), em que repete os argumentos da manifestação de Inconformidade citada. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Tratase de indeferimento de pedido de inclusão no Simples Nacional retroativa à data de início de atividade, pedido indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR (Despacho Decisório de fl. 16) e pela decisão recorrida, pelo motivo da empresa possuir CNPJ emitido com mais de 180 dias, visto que o registro no CNPJ deuse em 03/12/2007, mas o alvará junto à Prefeitura Municipal de Quatro Barras somente foi obtido em 28/07/2008. O § 3º do art. 7° da Resolução CGSN nº 4/2007 permite a inclusão retroativa da empresa em início de atividade no Simples Nacional: § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10980.012174/200848 Acórdão n.º 1001000.144 S1C0T1 Fl. 39 3 I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional Mas o § 6° do mesmo artigo impõe um limite de 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, para aquele opção retroativa ao início das atividades. "§ 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo." Ou seja, passados os 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ resta a empresa optar ao Simples Nacional segundo a regra geral, inscrita no caput do art. 7° já citado: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. Desta forma, ultrapassado o prazo regulamentar restava ao contribuinte optar pelo Simples Nacional a partir do ano posterior (2009), seguindo a regra geral do art. 7°, o que foi feito (efl. 18). Observo que não houve opção pelo Simples Nacional para viger a partir de 01/01/2008, razão pela qual não se justifica o pleito do contribuinte aposto no recurso voluntário. Tal opção também não é prevista na Resolução CGSN nº 4/2007, editada segundo o prescrito no § 7º do art. 2º da LC 123/2006, razão pela qual não há respaldo legal para o seu deferimento, mesmo que se constatasse que a demora pela emissão do Alvará de Licença e Localização se devesse a culpa da Prefeitura Municipal de Quatro Barras, Paraná, o que entendo que não restou comprovado. art. 2º (...) § 7º Ao Comitê de que trata o inciso III do caput deste artigo compete, na forma da lei, regulamentar a inscrição, cadastro, abertura, alvará, arquivamento, licenças, permissão, autorização, registros e demais itens relativos à abertura, legalização e funcionamento de empresários e de pessoas jurídicas de qualquer porte, atividade econômica ou composição societária. Desta forma, voto por conhecer e indeferir o recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 40DF CARF MF 4 Fl. 41DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.720038/2015-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2015
IPI. ISENÇÃO. TÁXI. MOTORISTA PROFISSIONAL. REQUISITOS PARA HABILITAÇÃO AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE.
O direito à isenção do IPI, destina-se àquele que comprova possuir disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo a ser adquirido, demonstra que sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) conste a informação de que exerce atividade remunerada ao veículo que adquirirá e possui declaração fornecida pelo órgão do poder público concedente, comprobatória de que exerce a atividade de condutor autônomo de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), vinculada ao veículo de sua propriedade, que pretende adquirir exclusivamente para o exercício desta profissão (motorista profissional).
Numero da decisão: 3001-000.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado.
assinado digitalmente
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vice-presidente) e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2015 IPI. ISENÇÃO. TÁXI. MOTORISTA PROFISSIONAL. REQUISITOS PARA HABILITAÇÃO AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. O direito à isenção do IPI, destina-se àquele que comprova possuir disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo a ser adquirido, demonstra que sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) conste a informação de que exerce atividade remunerada ao veículo que adquirirá e possui declaração fornecida pelo órgão do poder público concedente, comprobatória de que exerce a atividade de condutor autônomo de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), vinculada ao veículo de sua propriedade, que pretende adquirir exclusivamente para o exercício desta profissão (motorista profissional).
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ISENÇÃO. TÁXI. MOTORISTA PROFISSIONAL. REQUISITOS PARA HABILITAÇÃO AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. O direito à isenção do IPI, destinase àquele que comprova possuir disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo a ser adquirido, demonstra que sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) conste a informação de que exerce atividade remunerada ao veículo que adquirirá e possui declaração fornecida pelo órgão do poder público concedente, comprobatória de que exerce a atividade de condutor autônomo de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), vinculada ao veículo de sua propriedade, que pretende adquirir exclusivamente para o exercício desta profissão (motorista profissional). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vicepresidente) e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 72 00 38 /2 01 5- 98 Fl. 62DF CARF MF 2 Cuidase de recurso voluntário (fls. 41/42) contra o Acórdão nº 1458.885, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ RPO), da sessão de 18.06.2015 (fls. 36/38), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente (fls. 24/28), que, na ocasião, não reconheceu o direito ao benefício à aquisição de veículo com isenção de IPI, para uso no transporte de passageiros, na categoria de aluguel (táxi). Do Pedido de Isenção À época, o requerente efetuou, à vista da documentação apresentada, pedido de reconhecimento à fruição da isenção do imposto sobre produtos industrializados (IPI), na aquisição de automóvel destinado ao transporte autônomo de passageiros (táxi), por entender que preenchia os requisitos exigidos pela Lei nº 8.989 de 24.02.1995 e pela Instrução Normativa RFB nº de 22.12.2009. Do Despacho Decisório Em face da análise do referido requerimento, foi exarado o respectivo despacho decisório, que assim concluiu: DESPACHO DECISÓRIO Nº 0280, de 20/03/2015 PROCESSO Nº 13854.720038/201598 (...) Em análise ao processo, de Isenção de IPI (TAXI) supra, para aquisição de veículo na categoria aluguel, em face do disposto na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, e na Instrução Normativa RFB nº 987, de 22 de dezembro de 2009, alterada pela IN RFB nº 1.368/2013 foram feitas as seguintes verificações: Quesitos a cumprir Regular Folhas e ou Descrição do fato D Cópia da CNH do requerente em que conste a informação de que exerce atividade remunerada (art. 147 da Lei nº 9.503, de 1997 e art. 4º, § 1°, inciso II, da IN RFB 987, de 2009). NÃO 4 CNH do requerente, desatualizada, sem o indicativo “Exerce atividade remunerada” no campo de observações. J Verificação da existência de um único veículo de passageiro utilizado como táxi no sistema RENAVAM HOD e Sítio do ESTADO (art. 2º, § 3º, da IN RFB 987, de 2009). NÃO INDEFERIDO Requerente não possui veículo na categoria ALUGUEL, o que contraria o Art. 1, I da Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. (...) AII). ( X ) INDEFIRO o requerimento de isenção de IPI, para a aquisição de veículo na categoria Taxi, face ao não cumprimento dos quesitos, não eventuais, supra assinalados Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13854.720038/201598 Acórdão n.º 3001000.018 S3C0T1 Fl. 52 3 como “NÃO Regular”, sendo facultado ao interessado(a) a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados à partir da ciência deste despacho. Da Manifestação de Inconformidade Diante do não reconhecimento da isenção pleiteada, o recorrente apresentou manifestação de inconformidade à época. Que reproduzo (sic): ASSUNTO: REQUERIMENTO DE ISENÇÃO DE IPI Eu, Levino de Jesus Santana, CPF: 203.182.94915, venho através deste apresentar os documentos comprobatórios. I Carteira Nacional de Habilitação nº de registro 01459397872, com validade até o dia 24 de março de 2020, categoria "AD", expedida no dia 26/03/2015, onde citase no campo de observação a seguinte informação "EXERCE ATIVIDADE REMUNERADA". II Possuia automovel, VW/Parati 1.6 comfort. ano FAB/MOD: 1006/2006 de Placa: DBM1070, BebedouroSP, Categoria "ALUGUEL", que foi vendido no dia 05 de Dezembro de 2014, para compra de um veiculo 0 KM, do qual estou solicitando a isenção de IPI, de veiculo na categoria Taxi. OBS: Segue anexo as copias da CNH e Recibo de venda do veiculo. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão contida no Acórdão nº 1458.885, da 3ª Turma da DRJ/RPO, da sessão de 18 de junho de 2015, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2015 ISENÇÃO. TÁXI. EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. PROPRIEDADE DE VEÍCULO. O direito à aquisição de veículo para uso no transporte de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), destinase apenas ao motorista profissional que comprovadamente exerce a atividade em veículo de sua propriedade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: Voto Fl. 64DF CARF MF 4 Em sua manifestação de inconformidade, veio a interessada alegar que possui CNH com a citação "exerce atividade remunerada" no campo de observações e que possuía veículo na categoria aluguel, o qual foi vendido para a compra de um novo. O requisito quanto à CNH foi superado com o documento de fl. 25. (...) O art. 3º desta mesma lei determina que “a isenção será reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos nesta lei”. A Receita Federal normatizou estes requisitos com a edição de instruções normativas. Atualmente encontrase em vigor a Instrução Normativa (IN) RFB nº 987, de 2009, que considera como destinatário da isenção “o motorista profissional que exerça, comprovadamente, em veículo de sua propriedade, a atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público” (art. 2º, I, “a”). E mais, o § 4º do mesmo dispositivo acrescenta que a propriedade será caracterizada na data do requerimento do benefício pelo interessado. Portanto, à vista dos comandos normativos citados, e tendo em vista que a requerente reconhece ter vendido o veículo antes do requerimento, não logrando comprovar a superação do entrave que motivou o indeferimento combatido (a falta de comprovação do exercício da atividade em veículo de sua propriedade), não há como esta autoridade julgadora reconhecerlhe o direito pleiteado. Do Recurso Voluntário Irresignado, o requerente interpôs recurso voluntário, nos seguintes termos (sic): Eu, Levino de Jesus Santana, RG: 25.260.4763, CPF: 203.182.49915, protocolei na Receita Federal do Brasil, na cidade de Bebedouro, o pedido para isenção de IPI, para ter desconto na compra de um carro para categoria de taxi. Conforme foi solicitado no processo 13854.720038/201598, no despacho decisivo do acordão nº 1458.885 de 18/06/2015, que foi indeferido por: I Conforme cita o veiculo em sua propriedade, tenho ciencia que o veiculo estava em minha propriedade portanto foi vendido para compra de outro veiculo. II A compra de outro veiculo não foi realizada, porque estou requerendo a equipe de insenção de IPI, para que eu possa comprar outro que não foi adquirido até a presente data. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13854.720038/201598 Acórdão n.º 3001000.018 S3C0T1 Fl. 53 5 III E a venda do veiculo que era taxi foi efetuada porque tenho ciencia que não pode ter mais de um veiculo no meu nome, por isso que houve a venda. Certo do deferimento do processo, e da minha necessidade de trabalhar, agradeço. É o relatório. Voto Orlando Rutigliani Berri, Relator Da Admissibilidade O recurso voluntário, conforme depreendese do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (fl. 43), foi protocolado, via eprocesso, em 15.07.2015 (quartafeira). A ciência ao interessado da decisão de 1º (primeiro) grau, conforme Comunicado nº 01110/2015 (fl. 39), entregue por meio de Aviso de Recebimento "AR" dos Correios (fl. 45), ocorreu em 13.07.2015 (segundafeira). Portanto, nos termos do artigo 73 do Decreto nº 7.574 de 29.09.2011, combinado com o artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 06.03.1972, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da peça recursal. Do Mérito A questão dos autos diz respeito à isenção de IPI para aquisição de táxi. Em face da manutenção parcial dos fundamentos do Despacho Decisório nº 0280, exarado em 20.03.2015, por AFRFB integrante da Equipe de Isenção de IPI e IOF, da Superintendência Regional da RFB 8ª Região Fiscal (fl. 20), conforme decidido pela DRJ RPO, a questão posta à esta Turma de Julgamento cingese em definir se o fato de o interessado haver vendido veículo (táxi), até então de sua propriedade, antes do requerimento que deu origem ao presente processo, justifica subtrairlhe o direito de pleitear a referida isenção tributária, quando da aquisição de outro veículo para a mesma finalidade daquele anteriormente alienado. Dispõe a Lei nº 8.989, de 24.02.1995, em seus artigo 1º, incisos I e II, 2º, caput e 7º: Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (Vide art 5º da Lei nº 10.690, de 16.6.2003) I motoristas profissionais que exerçam, comprovadamente, em veículo de sua propriedade atividade de condutor autônomo de Fl. 66DF CARF MF 6 passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público e que destinam o automóvel à utilização na categoria de aluguel (táxi); (Redação dada pela Lei nº 9.317, de 5.12.1996) II motoristas profissionais autônomos titulares de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi), impedidos de continuar exercendo essa atividade em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo, desde que destinem o veículo adquirido à utilização na categoria de aluguel (táxi); (...) Art. 2o A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata o art. 1o desta Lei somente poderá ser utilizada uma vez, salvo se o veículo tiver sido adquirido há mais de 2 (dois) anos. (...) Art. 7o No caso de falecimento ou incapacitação do motorista profissional alcançado pelos incisos I e II do art. 1º desta lei, sem que tenha efetivamente adquirido veículo profissional, o direito será transferido ao cônjuge, ou ao herdeiro designado por esse ou pelo juízo, desde que seja motorista profissional habilitado e destine o veículo ao serviço de táxi. (...) Dispõe a Instrução Normativa RFB nº 987, de 22.12.2009 (vigente à época): Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a aquisição de veículos destinados ao serviço de transporte individual autônomo de passageiros (táxi), com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de que trata a Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. Parágrafo único. Os procedimentos de que tratam esta Instrução Normativa serão conduzidos por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) com o auxílio de servidores da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). CAPÍTULO I Dos Destinatários da Isenção Art. 2º Poderão adquirir, com isenção do IPI, para utilização na atividade de transporte individual de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), automóvel de passageiros, incluído o veículo de uso misto, de fabricação nacional, equipado com motor de cilindrada não superior a 2.000cm3 (dois mil centímetros cúbicos), de no mínimo 4 (quatro) portas, inclusive a de acesso ao bagageiro, movido a combustível de origem renovável, ou sistema reversível de combustão, classificado na posição 87.03 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi): I o motorista profissional que: Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13854.720038/201598 Acórdão n.º 3001000.018 S3C0T1 Fl. 54 7 a) exerça, comprovadamente, em veículo de sua propriedade, a atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público; ou b) seja titular de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi) e esteja impedido de continuar exercendo essa atividade em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo; e (...) § 1º O direito à aquisição com o benefício da isenção de que trata o caput poderá ser exercido apenas uma vez a cada 2 (dois) anos, sem limite do número de aquisições, observada a vigência da Lei nº 8.989, de 1995. § 2º Em qualquer hipótese, o prazo de 2 (dois) anos: I para uma nova aquisição de veículo com isenção do IPI deverá ser obedecido, ainda que tenha ocorrido, nesse prazo, destruição completa, furto ou roubo do veículo; e II terá como termo inicial a data de emissão da Nota Fiscal da aquisição anterior com isenção do IPI. § 3º Para efeito de reconhecimento da isenção entendese como condutor autônomo de passageiros o motorista que seja proprietário de apenas um automóvel utilizado como táxi, admitida a propriedade de outros veículos, mesmo que para aluguel, desde que não utilizados como táxi. § 4º A propriedade referida no § 3º será caracterizada na data do requerimento do benefício pelo interessado. Art. 3º Em caso de falecimento ou incapacitação do motorista profissional depois de concedida a autorização sem, entretanto, ter adquirido o veículo com isenção, poderá o direito ao benefício ser transferido ao cônjuge, ao companheiro ou ao herdeiro designado por estes ou pelo juízo, desde que o beneficiário da transferência atenda as condições estabelecidas nesta Instrução Normativa. (...) CAPÍTULO II DOS REQUISITOS PARA HABILITAÇÃO AO BENEFÍCIO Art. 4º Para habilitarse à fruição da isenção, o interessado deverá apresentar à unidade da RFB, da jurisdição do local onde o taxista exerce essa atividade, formulário de requerimento, em 2 (duas) vias, conforme modelo constante do Anexo III, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat). Fl. 68DF CARF MF 8 § 1º O motorista profissional autônomo deverá apresentar, na data do requerimento: I Declaração de Disponibilidade Financeira ou Patrimonial, na forma do Anexo II, compatível com o valor do veículo a ser adquirido; e II cópia da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em que conste a informação de que exerce atividade remunerada ao veículo (art. 147 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro); III declaração fornecida pelo órgão do poder público concedente (art. 135 da Lei nº 9.503, de 1997), comprobatória de que: a) exerce, em veículo de sua propriedade, a atividade de condutor autônomo de passageiros, na categoria de aluguel (táxi); ou b) é titular de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi), não estando no exercício da atividade em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo. (...) Verificase, pois, que a exigência da lei e da sua norma regulamentadora, para o benefício de isenção do IPI, diferentemente do manifestado na decisão recorrida, que fundamentou a improcedência da manifestação de inconformidade no fato de o requerente haver reconhecido que alienou o veículo (táxi) antes de formular o referido pleito isencional e, por conseguinte, não logrou êxito em "comprovar a superação do entrave que motivou o indeferimento combatido (a falta de comprovação do exercício da atividade em veículo de sua propriedade)", é no sentido do comprovado exercício de atividade de transporte individual de passageiros, com a devida autorização prévia do Poder Público. Vejamos, pois, os documentos acostados, notadamente a (1) declaração prestada nos moldes do Anexo II da Instrução Normativa RFB nº 1368, de 26.06.2013, cujo texto préimpresso dispõe: "DECLARA, sob as penas da lei, que possui disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do(s) veículo(s) a ser(em) adquirido(s), com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a que se refere o art. 1º da Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995 com a redação dada pela Lei nº 10.690, de 16 de junho de 2003", o (2) declaração prestada, pela Secretaria Municipal de Defesa Social do município de BebedouroSP, "exercia desde 19/08/1999, e continua exercendo a atividade de condutor autônomo de passageiros (taxi), em veículo de sua propriedade, tendo o atual, as seguintes características: Veículo Marca: Volkswagen Modelo: Parati 1.6 Comf. Ano de fabricação: 2006 Placa: DBM1070", a (3) Nota Fiscal de Saída nº 114.293, emitida em 05.07.2006, por COMERI Comercial de Automóveis Ltda., dando conta que na mencionada data o pleiteante adquiriu o Volkswagen, modelo Parati 1.6 Confortline, novo, código Renavan 116665 10, fabricação/Modelo 2006 2006, adquirido de Volkswagen do Brasil Ltda., com a seguinte observação: "Venda sem reserva de domínio e sem alienação fiduciária. Usuário taxista não poderá alienar este veículo nos próximos dois anos sem autorização do Fisco", a (4) "Autorização para Transferência de Veículo" do "Certificado de Registro de Veículo" referente ao veículo VW/Parati 1.6, ano 2006, de placa DBM1070, dando conta o que automóvel foi alienado pelo requerente em 05.12.2014, por R$ 26.000,00 e a (5) "Carteira Nacional de Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13854.720038/201598 Acórdão n.º 3001000.018 S3C0T1 Fl. 55 9 Habilitação", emitida em 26.03.2015, dando conta, no campo "Observações", que o requerente (detentor do documento) "Exerce Atividade Remunerada". Da exegese da norma relativa a necessidade de requerimento prévio se extrai que o objetivo do legislador foi de evitar que seja dado ao bem destino outro que não aquele previsto em lei. Portanto, temse que o motorista profissional, pretendendo adquirir automóvel com a finalidade de usálo como táxi, deve apresentar previamente a documentação necessária ao órgão fazendário que defere, preenchidos os demais requisitos, a isenção do tributo. Em consequência, o veículo já é expedido pela montadora sem a cobrança do IPI. Logo, temse que a interpretação constante do Despacho Decisório nº 0280, corroborada pelo Acórdão nº 1458.885, além de desvirtuar a norma de regência, antes reproduzida em parte, ultrapassa os requisitos nela previstos para habilitação ao benefício, pois ao pretendente à aquisição de veículo com as características previstas no artigo 1º da Lei nº 8.989, de 24.02.1995, é exigida demonstração prévia de ser motorista profissional que exerça, comprovadamente, em veículo de sua propriedade, a atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público, e posterior, que o utilize na atividade de transporte individual de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), bem como não tenha exercido o direito à aquisição de veículo com o benefício da isenção do IPI, num prazo inferior a 2 (dois) anos, não havendo limite do número de aquisições, nada mais. Dito isto, analisandose os documentos juntados aos autos, verificase que a parte interessada preencheu todos os requisitos exigidos quando da formulação do requerimento à autoridade administrativa, para a compra do veículo. De se ver, nesse caso, a legislação foi interpretada de forma incorreta. Realmente, a mens legis , ao conceder a isenção, visa facilitar a aquisição do automóvel por parte daqueles que sobrevivem dos ganhos obtidos no transporte de passageiros. Não olvidando que os termos da lei isentiva devem ser interpretados de forma restrita (art. 111, II, do CTN). E, na legislação em apreço, há requisito expresso de que beneficiário preencha previamente o pedido junto a autoridade administrativa, tal como o fez o recursante. Assim, deve ser reformada a decisão de primeira instância, para julgar procedente o pedido de isenção de IPI, nos termos da Lei nº 8.986, de 1995. Da Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e por lhe dar provimento. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri Fl. 70DF CARF MF 10 Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910658/2011-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 29/01/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.536
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 29/01/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.910658/201140 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.536 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 29/01/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 58 /2 01 1- 40 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910658/201140 Acórdão n.º 3402004.536 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.031, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 29/01/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910658/201140 Acórdão n.º 3402004.536 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910658/201140 Acórdão n.º 3402004.536 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910658/201140 Acórdão n.º 3402004.536 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.903022/2009-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.957
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. AÇÃO JUDICIAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO TRIÂNGULO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Procurador Provido. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 30 22 /2 00 9- 91 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10675.903022/200991 Acórdão n.º 9303005.957 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67, do anexo II, do antigo regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3402001.717, de 24/04/2012, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Para melhor contextualizar os fatos ocorridos, transcrevo parte do voto da decisão recorrida: "Notese que o deslinde do litígio instaurado neste processo requer tãosomente a interpretação da decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782, cujo teor transcrevese: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf RE n° 346 084PR Rel orig Min ILMAR GALVÃO; RE n° 357 950RS, RE n° 358.273RS e RE n° 390.840MG, Rel. MM. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n° 408, p. 1).(grifo aqui) Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.Custas ex lege. Publiquese" Na decisão recorrida a Turma não incluiu as receitas financeiras decorrentes das operações bancárias na base de cálculo da contribuição. O provimento foi parcial apenas "devido à necessidade de a unidade preparadora destes autos aferir os cálculos para apuração do valor do indébito tributário (...)". A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, recurso especial apontando paradigma e demonstrando a divergência quanto à base de cálculo das contribuições Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10675.903022/200991 Acórdão n.º 9303005.957 CSRFT3 Fl. 4 3 das instituições financeiras. Em apertada síntese, defendeu o entendimento no sentido de que para as instituições financeiras as receitas decorrentes de prestação de serviços abrangem tanto as advindas da cobrança de taxas e tarifas quanto aquelas de intermediação financeira. Aduz que não pode se depreender da declaração de inconstitucionalidade do STF que o conceito de faturamento é restrito. Isso porque a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência das contribuições como as receitas decorrentes das atividades empresariais típicas, e não somente a venda de mercadorias ou de serviços do contribuinte. Assim, por perfilar desse entendimento, afirma inexistir violação à coisa julgada formada nos autos da ação judicial proposta pelo contribuinte. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões, pedindo que seja negado provimento ao recurso. Em resumo, defende que a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP deve se dar sobre o faturamento, assim entendido a receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviço, com a consequente exclusão das receitas financeiras decorrentes das operações bancárias. Assim, no seu entender, a receita de prestação de serviços, que configura o faturamento das instituições financeiras e seguradoras, englobaria apenas as taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições, sendo que as receitas da atividade financeira propriamente dita estariam fora do conceito de faturamento fixado pelo STF. Assevera ainda que adotar outro entendimento resultaria em ofensa direta à coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782, que, na sua compreensão, teria determinado que a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP fosse calculada com base no faturamento, entendido como a receita da venda de mercadorias e a prestação de serviços. Ressaltese que, em suas contrarrazçoes, o contribuinte não contestou aspectos relativos ao conhecimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.944, de 28/11/2017, proferido no julgamento do processo 10675.720831/201001, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.944): Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10675.903022/200991 Acórdão n.º 9303005.957 CSRFT3 Fl. 5 4 "(...) No mérito, discutese entendimento sobre o que vem a ser “receita” para as instituições do mercado financeiro. Como relatado, a Recorrente obteve decisão judicial (Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782,) para calcular o PIS utilizando o conceito de faturamento, cujo significado corresponde a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esse entendimento ficou claro na fundamentação do voto constante da decisão judicial, conforme trechos acima transcritos no Relatório. Portanto, como se vê, a questão referese ao sentido a ser atribuído à expressão “o faturamento, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”, especificamente para a compreensão do que se entende por “receita de serviços” para as instituições financeiras. Pois bem. No meu entender, a referida decisão judicial efetivamente não adentrou no mérito da discussão sobre o que deve ser entendido por receita de serviços para as instituições financeiras. Logo, não há que se falar em desrespeito a coisa julgada: a decisão judicial apenas afastou a aplicação do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, na esteira do que já restara assentado no Supremo Tribunal Federal, e definiu que a base de cálculo da contribuição deve ser o faturamento, “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. E mais nada! Contudo, resta ainda a discussão sobre a conceito de “faturamento” para fins de incidência do PIS e da Cofins para as instituições financeiras, ou seja, sobre o que deve ser entendido por “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” em relação às instituições financeiras. Como muito bem destacado no voto condutor do Acórdão CSRF nº 9303002940, julgado em 03/06/2014, que tratou especificamente sobre a mesma matéria deste litígio, a controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar a matéria decidiu, em sistemática de Repercussão Geral, nos seguintes termos: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10675.903022/200991 Acórdão n.º 9303005.957 CSRFT3 Fl. 6 5 Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Portanto, tanto a decisão judicial obtida pelo contribuinte quanto o julgado do STF que reconheceu a repercussão geral para a matéria, apenas afastou a aplicação do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, mas não adentrou no alcance das receitas financeiras, nem tampouco ventilou a possibilidade de exclusão da receita bruta operacional do faturamento. Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal já fixou o conceito de receita bruta como sendo não somente aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também à soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais. Nesse sentido, vejamos o leading case RE 390.840/MG, onde o Ministro Cezar Peluzo delimita o conceito de faturamento nos seguintes termos: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação”. (negritei) No mesmo sentido, vejamos os trechos dos pronunciamentos dos Ministros Marco Aurélio, Carlos Brito, Cezar Peluzo e Sepúlveda Pertence sobre a matéria, trazidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, na ocasião do julgamento do Pleno do STF dos Recursos Extraordinários nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR (leading cases): Min. Marco Aurélio (relator): Presidente, na condição de relator, permitame aos colegas escancarar a questão versada neste processo. Houve a edição da Lei 9.718/98, sob a égide da Carta da redação anterior a Emenda Constitucional nº. 20. O artigo 3º, cabeça, dessa lei preceituou algo que se mostrou consentâneo com o Diploma Maior: “art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde a receita bruta da pessoa jurídica.” O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na ADC nº 11/DF – receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. O SR. MINISTRO CARLOS BRITO – Receita operacional. O SR. MINISTRO MARCO AURELIO (RELATOR) – Operacional. (...)” Min. Carlos Brito: Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo DecretoLei 2397, de 1987, art. 22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Min. Veloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10675.903022/200991 Acórdão n.º 9303005.957 CSRFT3 Fl. 7 6 “a) a receita bruta das vendas de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda; Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente aqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional. Min. Cezar Peluso: “Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgado proferido no RE 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que , a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Min. Sepúlveda Pertence: “(...) Lamentando não poder nada mais acrescentar a tudo que aqui foi dito hoje, acompanho o voto do Min. Cezar Peluso e, nos outros casos, o do Ministro Marco Aurélio.” Destarte, resta claro que o entendimento assentado no STF é de que faturamento não se restringe unicamente à venda de mercadorias e serviços, mas também às receitas decorrentes de outras atividades empresariais desempenhadas pelo sujeito passivo, como delimita objetivamente o Ministro Cezar Peluzo no RE 444.601ED: “O conceito de receita bruta sujeita à incidência da COFINS envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais." Em conclusão, no meu entender, em consonância com a jurisprudência do STF, o faturamento das instituições financeiras deve compreender não apenas as receitas de prestação de serviços (taxas e tarifas), mas também as demais receitas decorrentes de outras atividades empresariais da recorrente. Pois bem. E quais são as atividades empresariais típicas de um banco? A clara delimitação de quais são as atividades empresariais da Recorrente pode ser extraída do seu próprio Estatuto Social (efls. 79/ss), onde consta: Artigo 2º O objeto social do BANCO TRIÂNGULO S.A. é a prática de operações ativas, passivas e acessórias, inerentes à carteira comercial, à carteira de crédito, financiamento e investimento e à carteira de investimentos, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor. Percebese, portanto, que o rol de atividades indicadas no objeto social da Recorrente (operações ativas e passivas inerentes às carteiras comercial, de crédito, financiamento e investimento) envolve necessariamente, de forma ampla, todas as receitas decorrentes e/ou provenientes da prestação de serviços de intermediação financeira, dentre as quais podemos citar os “spreads bancários”, prêmios, ágios/deságios na venda de moedas estrangeiras (receitas cambiais), juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamento bancário, negociação de títulos e valores mobiliários, etc..., em suma, todas as receitas ordinárias, típicas, provenientes da prestação de serviços geradas pelos bancos. A meu ver, não há como fazer uma interpretação restritiva para abarcar no conceito de receita bruta apenas aquelas decorrentes das receitas com “taxas e tarifas” cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários, como pretende a Recorrente. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10675.903022/200991 Acórdão n.º 9303005.957 CSRFT3 Fl. 8 7 Categoricamente, todos sabem, o negócio principal de um banco não se restringe apenas em cobrar taxas ou tarifas pela prestação de serviços bancários (sobre a abertura ou manutenção de contascorrentes, pela emissão de talonário de cheques, pelo fornecimento de extratos bancários, etc...), até mesmo porque em muitos casos, após um determinado volume de movimentação financeira de seus clientes, estas taxas e tarifas são até mesmo isentadas. Estas últimas representam, a bem da verdade, atividades acessórias àquela principal. A essência da atividade bancária reside justamente na prática de operações ativas e passivas inerente à sua carteira comercial (desconto de duplicatas, com um percentual de deságio, p. ex.), carteira de crédito (os valores depositados por determinados clientes na instituição são oferecidos a outros clientes, por meio de empréstimos, cheques especiais, etc... devidamente remunerados pelos juros cobrados), etc... Aliás, são justamente essas atividades que constam como objeto social no Estatuto Social da Recorrente. Destarte, é de concluirse que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Por conseguinte, as receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, aqui incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeira, compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições. Por fim, registrese que a jurisprudência desta Câmara Superior tem decidido no mesmo sentido defendido neste voto (Acórdãos nº 9303002.962; 9303002.960, 9303 002.957, dentre outros). Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial. " No presente processo o recurso especial foi interposto pela Fazenda Nacional, de sorte que o resultado do julgamento deve ser pelo seu provimento, dado que o resultado do paradigma, no qual o recurso especial foi do contribuinte, foi por negar provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 293DF CARF MF
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Numero do processo: 16020.000021/2011-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62-A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99).
Numero da decisão: 9202-006.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada ), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 0. 00 00 21 /2 01 1- 98 Fl. 217DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada ), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratavase do processo nº 13876.000336/200708, do Debcad 37.323.8460, em que se discutia Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD referente às Contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, relativa aos valores pagos a título de "Participação nos Lucros" aos segurados contribuintes individuais e empregados, nas competências de 07/1996 a 12/2005. A ciência do lançamento ocorreu em 04/12/2006. Em sessão plenária de 07/10/2008, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 20601.351 (fls. 45 a 71), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SALÁRIO INDIRETO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DA LEI CORESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. A parcela intitulada "participação nos resultados" quando paga em desacordo com a lei específica possui natureza remuneratória. A fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. DECADÊNCIA. 05 ANOS. Na esteira da jurisprudência do STJ, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e da própria sumula nº 8 do Egrégio STF, as contribuições sociais obedecem aos prazos decadenciais previstos no CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte” A decisão foi assim registrada: Fl. 218DF CARF MF Processo nº 16020.000021/201198 Acórdão n.º 9202006.204 CSRFT2 Fl. 218 3 “ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por unanimidade de votos em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000. II) por voto de qualidade em declarar, também, a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidos os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Relatora), Bernadete de Oliveira Barros, Lourenço Ferreira do Prado e Ana Maria Bandeira, que votaram por declarar a decadência somente até a competência 11/2000. III) por maioria de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por dar provimento parcial ao recurso. O Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, em primeira votação, votou por dar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência, o(a) Conselheiro(a) Rogério de Lellis Pinto. Apresentará Declaração de Voto o(a) Conselheiro(a) Lourenço Ferreira do Prado.” Conforme o despacho de fls. 81/82, o processo foi recepcionado na PGFN em 23/06/2009 (RM Relação de Movimentação nº 10.817; às fls. 261 do processo original, nº 13876.000336/200708) e, em 09/07/2009, foi interposto o Recurso Especial de fls. 72 a 80 (RM nº 12.008, às fls. 262 do processo original). O Recurso Especial está fundamentado no art. 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, c/c art. 4º, da Portaria nº 256, de 2009 (contrariedade à lei), visando rediscutir a decadência até a competência 11/2001. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 244/2009, de 21/08/2009 (fls. 81/82). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: é consenso na doutrina e jurisprudência pátrias que, em sede de tributo sujeito a lançamento por homologação, a aplicação do artigo 150, § 4º, somente é possível quando o contribuinte, reconhecendo a ocorrência do fato gerador de determinado tributo, efetua o pagamento, ainda que parcial, possibilitando ao Fisco a conferência posterior dos valores recolhidos, contrapondoos com os efetivamente devidos, efetuando o lançamento de oficio de eventuais diferenças; partindo dessa premissa e pousando a vista sobre o caso dos autos, verifica se, ao contrário do que foi reconhecido pela Câmara a quo, que o contribuinte não efetuou qualquer antecipação de pagamento das contribuições lançadas, razão pela qual a regra a ser utilizada para a contagem do prazo decadencial é a constante do artigo 173, I, do CTN, e não a do artigo 150, § 4º, do mesmo diploma legal; tendo em conta que na decisão recorrida inverteuse a aplicação dos referidos dispositivos legais, afigurase inafastável a conclusão de que houve patente vulneração dos comandos neles encartados; Fl. 219DF CARF MF 4 no voto condutor do acórdão vergastado foi sufragada a concepção de que as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados devem ser analisadas como um todo, de modo que qualquer adimplemento de exação incidente sobre tal base de cálculo é bastante para configurar o pagamento parcial, ensejando, assim, a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN; todavia, o aludido raciocínio não pode prevalecer, sob pena de fulminar com as normas legais de regência e abrir ensanchas para injustiças e inauditas lesões ao Erário; para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase óbvia a necessidade de verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos; o raciocínio exposto apresentase irretocável, pois a simples circunstância de integrarem a base de cálculo (remuneração) da contribuição previdenciária não tem o condão de conferir a fatos diversos e autônomos a mesma natureza jurídica; na rota desse pensamento, cumpre averbar que se determinado fato relevante ao direito tributário gera contribuição previdenciária a cargo da empresa, nos termos da lei, o pagamento parcial antecipado estaria configurado tão somente se houvesse recolhimento de valores atinentes àquele específico fato, caso contrário, se o pagamento refere se a outras situações fáticas também previstas em lei como geradoras do tributo, temse hipótese diversa e não há como se sustentar a existência de antecipação de pagamento; no caso em apreço, os valores inseridos no lançamento fiscal não foram reconhecidos pelo contribuinte, tampouco adimplidos parcialmente, sendo forçoso concluir que inexiste pagamento antecipado quanto às contribuições previdenciárias exigidas; decorre dessa inferência que deve ser aplicado na espécie, para fins de contagem da decadência, a regra encartada no art. 173, I, do CTN; além dos fundamentos até aqui expendidos, é preciso ter em mente que a indevida aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, em detrimento da regra encartada no art. 173, I, daquele diploma legal, tem normalmente como efeito imediato a liberação de exações relativas a diversas competências, já que a decadência vai corroer créditos da União em interstícios nos quais não deveria operar nenhum efeito; além de permitir a extinção de créditos que, a princípio, são inteiramente legítimos, a decisão hostilizada confere ao contribuinte o poder de beneficiarse da sua própria torpeza, já que ao deixar intencionalmente de recolher determinadas exações referentes a fatos que lhes geram a incidência, com o fim de burlar o Fisco, o entendimento aqui hostilizado ainda brinda o inadimplente com a benesse da contagem prevista no art. 150, § 4º, do CTN, cedendo passo a extinção de créditos relativos a diversas competências; por todas essas razões, considerando que o contribuinte sequer reconheceu os valores cobrados como salários de contribuição, ou seja, não reconheceu a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias lançadas na espécie, e com isso não efetuou qualquer antecipação de pagamento, ainda que parcial, é imperativa a aplicação do art. 173, I, do CTN ao caso dos autos, para a contagem da decadência. Ao final, a Fazenda Nacional requer o provimento do Recurso Especial, a fim de que a decadência seja contada na forma prevista no art. 173, I, do CTN. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 16020.000021/201198 Acórdão n.º 9202006.204 CSRFT2 Fl. 219 5 Cientificada do Acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 09/10/2009 (fls. 83), a Contribuinte ofereceu, em 20/10/2009, as Contrarrazões de fls. 108 a 119, e Interpôs o Recurso Especial de fls. 84 a 107, ao qual foi negado seguimento, conforme despacho de 20/12/2010 (fls. 120 a 122), o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame de fls. 123. Nas Contrarrazões, a Contribuinte argumenta, em síntese: Preliminarmente, ausência dos requisitos de admissibilidade o Recurso Especial foi interposto com fundamento no artigo 7°, incisos I e II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais; no entanto, para que referido recurso seja conhecido é necessário que as decisões apresentadas como paradigmas sejam relativas a casos idênticos ao presente, o que, no caso concreto, não se verifica; para fundamentar sua irresignação, a Fazenda Nacional citou como paradigma acórdão que teve por base a inexistência de antecipação do pagamento, fundamentada em prova preexistente; de fato, no acórdão paradigma colacionado (Acórdão nº 20501.257) verificase que se trata de hipótese em que não havia pagamento do tributo; assim, é indubitável que o paradigma apresentado não se presta ao cumprimento do art. 7º, II, do Regimento Interno da CSRF, visto que enquanto, in casu, é indubitável a existência de pagamento do tributo (tido por parcial), no acórdão adotado como paradigma da divergência, havia constatação na decisão recorrida de total inexistência de qualquer pagamento; além disso, o julgamento do recurso interposto pela Fazenda Nacional pressupõe o reexame de provas, na medida em que deve ser verificada a existência ou não de pagamentos pela Contribuinte, o que em sede de Recurso Especial não é cabível; pelo exposto, é imperioso o não conhecimento do Recurso Especial, seja porque os paradigmas apresentados não obedecem às determinações do art. 7°, II, do Regimento Interno da CSRF (ausência de similitude fática), seja porque o seu julgamento implica, necessariamente, na análise de provas (existência de pagamento parcial), o que não é permitido por essa via processual. Do direito e dos motivos para manutenção da decisão recorrida argumenta a Fazenda Nacional que, no caso concreto, devese aplicar a norma do artigo 173, I, do CTN, uma vez que não houve pagamento parcial das contribuições por parte da Contribuinte; esse entendimento é equivocado e deve ser rejeitado, especialmente em face da existência de pagamentos efetuados pela Contribunte, o que foi reconhecido, inclusive, pela Câmara a quo, o que justifica a aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN, como será detalhado a seguir; Fl. 221DF CARF MF 6 o lançamento decorrente da NFLD ora impugnada se refere a supostos fatos geradores ocorridos entre 07/1996 e 12/2005, e foi definitivamente constituído com a notificação da Contribuinte em 04/12/2006; ocorre que, na data da lavratura da NFLD, os fatos geradores referentes a períodos anteriores a 12/2001 não mais poderiam ser objeto de análise para fins de lançamento, tendo em vista o incontestável transcurso do prazo decadencial; assim, nos termos do artigo 150, § 4º , do CTN, é inconteste a ocorrência da decadência dos fatos apurados entre 07/1996 e 11/2001, visto que, por inércia, não foi realizado o lançamento no lapso temporal de cinco anos; contrariamente ao entendimento adotado no recurso impugnado, houve sim pagamento parcial das contribuições pela Contribuinte; de fato, não há como se alegar ausência de pagamento, pois se trata apenas de majoração da base de cálculo da contribuição previdenciária apurada e recolhida pela Contribuinte no período autuado. Ao final, a Contribuinte requer, preliminarmente, o não conhecimento do Recurso Especial e, no mérito, o seu não provimento, com a manutenção do acórdão recorrido no que se refere à decadência. Às fls. 127, consta o Despacho Secat nº 0029/2011, informando que o processo original, nº 13876.000336/200708, foi desmembrado, conforme a seguir: o processo nº 13876.000336/200708, original, foi encaminhado para cobrança do crédito tributário relativo ao período posterior a 12/2001; quanto aos períodos anteriores, o respectivo crédito tributário foi transferido para o processo nº 16020.000021/201198. Distribuído o processo na Instância Especial, o julgamento foi convertido em diligência à Unidade de Origem, para levantamento da ocorrência de pagamentos antecipados nos períodos em litígio, conforme Resolução nº 9202000.035, de 27/09/2016 (efls. 136 a 140). Em cumprimento à Resolução, foram juntadas aos autos as Guias de Recolhimento de efls. 193 a 205 e a Informação Fiscal de efls. 212, com o seguinte teor: "Tratase de processo baixado em diligência para verificação da ocorrência de pagamento antecipado nas competências objeto da autuação referente ao débito de debcad 37.323.8460 desmembrado da Notificação Fiscal de Lançamento de débito – NFLD 35.906.5244 lavrada em 30/11/2006 cuja abertura do procedimento fiscal teve início em 31/05/2006. Em resposta a Intimação 126/2017 o interessado apresentou os pagamentos antecipados juntados em fls. 193/205 os quais se referem às competências contidas no débito de debcad nº 37.323.8460. Pagamentos antecipados apresentados foram confirmados no sistema, fls. 208/211, e tratase de pagamentos efetuados anteriormente à abertura do procedimento fiscal e à lavratura Fl. 222DF CARF MF Processo nº 16020.000021/201198 Acórdão n.º 9202006.204 CSRFT2 Fl. 220 7 do Auto de Infração e são pagamentos referentes às competências constantes no débito de debcad nº 37.323.8460." Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando que o paradigma, Acórdão nº 20501.257, não retrataria situação idêntica a do acórdão recorrido. Ademais, pondera que o recurso demandaria a análise de prova, o que não seria cabível nessa instância. Não obstante, esclareçase que não se trata de Recurso Especial de Divergência, mas sim de Recurso Especial por Contrariedade à Lei ou à Evidencia de Prova. Com efeito, o apelo está fundamentado no art. 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, que assim dispunha: Artigo 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo.(grifei) Assim, tratase de recurso de cognição ampla, reservado à Fazenda Nacional, cujos pressupostos processuais são: decisão não unânime e simples alegação de contrariedade à lei ou à evidência de prova. Vale ressaltar que referido apelo é uma modalidade residual de recurso, vigente no antigo Regimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais e garantida, por meio de regra de transição, aos acórdãos proferidos antes da vigência do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. A regra de transição constava do art. 4º da citada Portaria. Ademais, esta regra foi garantida pela Portaria MF nº 343, de 2015, que assim estabelece: Art. 3º Os recursos com base no inciso I do caput do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de Fl. 223DF CARF MF 8 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a analisarlhe o mérito. Tratase do Debcad 37.323.8460, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD referente às Contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, relativa aos valores pagos a título de "Participação nos Lucros" aos segurados contribuintes individuais e empregados, nas competências de 07/1996 a 12/2005. A ciência do lançamento ocorreu em 04/12/2006. A matéria em discussão é a decadência, sendo que o litígio envolve apenas o período de apuração de 12/2000 a 11/2001. Sobre o tema, a jurisprudência já foi pacificada, no que diz respeito ao prazo de cinco anos para efetivação do lançamento, inclusive no que tange às Contribuições Previdenciárias. Nesse sentido, por imposição do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, o Colegiado deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 224DF CARF MF Processo nº 16020.000021/201198 Acórdão n.º 9202006.204 CSRFT2 Fl. 221 9 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Destarte, o deslinde da questão passa necessariamente pela verificação da existência ou não de pagamento e, mais especificamente, que tipo de recolhimento poderia ser considerado. No presente caso, a autuação se referiu a verbas de Participação no Lucros pagas aos segurados contribuintes individuais e empregados, parcela da empresa, de sorte que é aplicável a Súmula CARF nº 99: "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na Fl. 225DF CARF MF 10 competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração)." Nesse passo, foi efetuada diligência à Unidade de Origem, que por meio da Informação Fiscal de efls. 212, confirmou a existência de pagamentos antecipados, relativos ao Debcad em questão, nos períodos em tela: "Em resposta a Intimação 126/2017 o interessado apresentou os pagamentos antecipados juntados em fls. 193/205 os quais se referem às competências contidas no débito de debcad nº 37.323.8460 . Pagamentos antecipados apresentados foram confirmados no sistema, fls. 208/211, e tratase de pagamentos efetuados anteriormente à abertura do procedimento fiscal e à lavratura do Auto de Infração e são pagamentos referentes às competências constantes no débito de debcad nº 37.323.8460." Assim, deve ser aplicado o art. 150, § 4º, do CTN. Como a ciência ao sujeito passivo foi levada a cabo em 04/12/2006 (fls. 02) e os fatos geradores em litígio abrangem as competências de 12/2000 a 11/2001, constatase a ocorrência da decadência até a competência de 11/2001, inclusive. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 226DF CARF MF
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