Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10909.003515/2008-57
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
DECADÊNCIA-TERMO INICIAL Para
os tributos sujeitos a
lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem
do prazo de decadência, é a data da ocorrência do fato gerador,
salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
Esse termo não se altera se o sujeito passivo, ao exercer a
atividade de apuração, não encontrar tributo a pagar.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
Omissão de Receita. Depósitos Bancários. Presunção Legal. Os
valores creditados em conta de depósito junto à instituição
financeira, em relação aos quais o titular, regularmente
intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea,
a origem dos recursos utilizados, caracterizam-se como omissão
de receita.
Lucro Arbitrado. Se o contribuinte sujeito à tributação pelo
lucro real opta indevidamente pelo lucro presumido, e não
mantém a escrituração segundo as leis comerciais e fiscais, o
imposto deve ser apurado com base no lucro arbitrado.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
Lançamentos Decorrentes. PIS, Contribuição Social sobre o
Lucro Liquido CSLL e COFINS.
No mérito, tratando-se da mesma matéria fática, aplica-se
aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento
principal (IRPJ).
Juros de Mora. Taxa Selic. A partir de 1º de abril de 1995, os
juros moratórios incidentes sobre débitos tributários
administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos,
no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema
Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais
(Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 1301-000.479
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acolher a decadência para o 1º e 2º trimestres de 2003, em relação ao IRPJ e CSLL; e para os meses de janeiro a julho de 2003, em relação ao PIS e à COFINS.
Nome do relator: Valmir Sandri
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201101
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA-TERMO INICIAL Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência, é a data da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Esse termo não se altera se o sujeito passivo, ao exercer a atividade de apuração, não encontrar tributo a pagar. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Omissão de Receita. Depósitos Bancários. Presunção Legal. Os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados, caracterizam-se como omissão de receita. Lucro Arbitrado. Se o contribuinte sujeito à tributação pelo lucro real opta indevidamente pelo lucro presumido, e não mantém a escrituração segundo as leis comerciais e fiscais, o imposto deve ser apurado com base no lucro arbitrado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Lançamentos Decorrentes. PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL e COFINS. No mérito, tratando-se da mesma matéria fática, aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Juros de Mora. Taxa Selic. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10909.003515/2008-57
conteudo_id_s : 5883216
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.479
nome_arquivo_s : Decisao_10909003515200857.pdf
nome_relator_s : Valmir Sandri
nome_arquivo_pdf_s : 10909003515200857_5883216.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acolher a decadência para o 1º e 2º trimestres de 2003, em relação ao IRPJ e CSLL; e para os meses de janeiro a julho de 2003, em relação ao PIS e à COFINS.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
id : 7370597
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050584903319552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1894; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1‐C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.003515/200857 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.479 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2011 Matéria IRPJ e outros Recorrente Protector Assessoria Empresarial e Participações S.A. Recorrida 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA TERMO INICIAL Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência, é a data da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Esse termo não se altera se o sujeito passivo, ao exercer a atividade de apuração, não encontrar tributo a pagar. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Omissão de Receita. Depósitos Bancários. Presunção Legal. Os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados, caracterizamse como omissão de receita. Lucro Arbitrado. Se o contribuinte sujeito à tributação pelo lucro real opta indevidamente pelo lucro presumido, e não mantém a escrituração segundo as leis comerciais e fiscais, o imposto deve ser apurado com base no lucro arbitrado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Lançamentos Decorrentes. PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL e COFINS. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI 2 No mérito, tratandose da mesma matéria fática, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Juros de Mora. Taxa Selic. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acolher a decadência para o 1º e 2º trimestres de 2003, em relação ao IRPJ e CSLL; e para os meses de janeiro a julho de 2003, em relação ao PIS e à COFINS. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) VALMIR SANDRI Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Ricardo Luiz Leal de Melo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório O presente litígio instaurouse em relação a autos de infração lavrados em 05 de agosto de 2008, relativos ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), todos com base na mesma infração e referentes a fatos geradores corridos nos anoscalendário de 2003 a 2006. O sujeito passivo é acusado de ter omitido receitas à tributação, cuja apuração encontrase descrita pela autoridade fiscal no relatório de fls. 2146 a 2200. Após relatar os termos fiscais, elementos e esclarecimentos escritos prestados pela interessada, descreve a autoridade fiscal: 3. DESCRIÇÕES DOS FATOS E INFRAÇÕES APURADAS Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI 3 3.1 Arbitramento do Lucro (...) Os esclarecimentos prestados pela Fiscalizada, através da descrição detalhada das suas próprias atividades e operações comerciais, revelaram que a Fiscalizada nos anos de 2003, 2004, 2005 e 2006, exerceu cumulativa e efetivamente, todas as atividades elencadas no RIR/99, art.246, inciso VI obrigandoa, desse modo, a tributação com base no lucro real para todos os períodos de apuração compreendidos naqueles anoscalendário. (..._ Por fim, nos últimos esclarecimentos escritos (fls.952/955) que apresentou e entregou à Fiscalização, a Fiscalizada reconheceu a necessidade do arbitramento do lucro referente aos períodos de apuração compreendidos nos anoscalendário de 2003, 2004. 2005 e 2006, nestes termos: "Entendemos que, se o fiscal confirmar a receita acima descrita, a empresa opta pela forma de tributação do Lucro Arbitrado, por ser o mais justo em relação Contribuinte X Receita Federal". (fls.954). A tributação com base no lucro arbitrado não se constitui em uma faculdade para o Fisco ou para o contribuinte, mas sim, uma imposição legal quando presentes os requisitos previstos em lei, que justifiquem a aplicação deste regime de tributação, igualmente previsto em lei (RIR/99, art.219, c/c art.530, caput). Assim o arbitramento do lucro da Fiscalizada se dá pelos seguintes motivos: Anoscalendário de 2003 e 2004: manutenção de sua escrituração comercial em desacordo com os preceitos estabelecidos nas leis comerciais e fiscais. Pela não escrituração dos livros Razão através de lançamentos contábeis efetuados com partidas diárias e de forma individualizada (RIR/99, art.530, inciso VI). Anoscalendário de 2005 e 2006: manutenção de sua escrituração comercial em desacordo com os preceitos estabelecidos nas leis comerciais e fiscais. Pela não escrituração dos livros Razão através de lançamentos contábeis efetuados com partidas diárias e de forma individualizada. e, também, por ter optado indevidamente pelo lucro presumido (RIR/99, art.530, incisos IV e VI). [...]o grifo é do original. 3.2 Omissão de Receita da Atividade — Receita Operacional No decorrer da ação fiscal a Fiscalizada reconheceu, por escrito, que em todos os meses compreendidos nos anos de 2003, 2004, 2005 e 2006 (fls.952/955), auferiu receitas decorrentes de sua atividade econômica, cujos valores foram por ela detalhados mês a mês. Entretanto, durante os exames fiscais realizados nos livros Diário e Razão da Fiscalizada e nas declarações por ela apresentadas à SRF, verificouse que nem todas as receitas reconhecidas pela Fiscalizada, foram devidamente contabilizadas e declaradas à SRF, mas, tão somente, as receitas Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI 4 auferidas nos meses de junho e julho de 2005 e nos meses de janeiro a dezembro de 2006. Assim, ficou caracterizada a infração de omissão de receita da atividade por parte da Fiscalizada, em relação as receitas da atividade por ela reconhecidas, as quais não foram contabilizadas e nem declaradas à SRF, conforme demonstrado neste Relatório de Fiscalização — Anexo H. Os fatos apurados nesta infração se configuram, portanto, também, em infração sujeita a legislação tributária das contribuições sociais CSLL, COFINS e PIS, e, portanto, de forma reflexa, sujeitaramse à incidência e à tributação destas mesmas contribuições sociais. 3.3 Omissão de Receita Decorrente de Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada De acordo com os extratos bancários apresentados e entregues pela Fiscalizada, verificouse que a mesma realizou movimentação financeira expressiva através das seguintes contas de depósito bancário: (...) Os valores movimentados através destas contas de depósito bancário, discriminados nos extratos bancários, não puderam ser identificados através dos registros contábeis efetuados nos livros Diário e Razão apresentados e entregues pela Fiscalizada, em decorrência dos lançamentos terem sido efetuados através de partidas mensais e de forma não individualizada. Por outro lado, em que pese ter sempre procurado colaborar com o andamento dos trabalhos fiscais, a Fiscalizada não logrou colocar à disposição da Fiscalização e tampouco apresentou e entregou, conforme lhe foi exigido através do TIF n° 001 (sub item 2.2), os documentos contábeis que sustentaram os lançamentos efetuados nos seus livros comerciais dos anos de 2003, 2004, 2005 e 2006; assim, restou à Fiscalização efetuar, em primeiro plano, a análise dos valores movimentados nas contas de depósito bancário somente com base nos elementos disponíveis, ou seja, os extratos bancários das respectivas contas de depósito. Através de uma análise minuciosa e detalhada dos extratos bancários das contas de depósito, a Fiscalização conseguiu identificar a origem dos créditos decorrentes: (...) Após a análise, restaram diversos valores creditados nas respectivas contas de depósito bancário, cujas origens não puderam ter suas origens identificadas pelos extratos bancários; por este motivo, a Fiscalizada foi intimada através dos TIF n° 002 (subitem 2.3) e do TIF n° 003 (subitem 2.4), a comprovar a origem dos créditos não identificados, mediante apresentação e entrega de documentos hábeis e idôneos. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI 5 No dia 08/02/2008, a Fiscalizada apresentou e entregou esclarecimentos escritos já descritos detalhadamente no subitem 3.1, a respeito das suas atividades e operações comerciais (fis. 612/616); juntamente com tais esclarecimentos, a Fiscalizada apresentou e entregou, a título de comprovação dos valores discriminados no Anexo A, do TIF n°002, os seguintes documentos: (...)_ No dia 28/02/2008, a Fiscalizada apresentou e entregou diversas cópias de documentos referentes a títulos de créditos negociados com a empresa III, Sulbusiness Fomento Mercantil Ltda., mantidos em carteira, sendo que alguns destes títulos negociados tinham os vencimentos previstos para o ano de 2007 (fls.779/804); cópias de diversos contratos de prestação de serviços de assessoria empresarial (fis. 805/825); e ainda outros esclarecimentos escritos (lis. 775/778): (...) No dia 16/07/2008, a Fiscalizada apresentou e entregou em atenção às exigências contidas no TIF n°003 e Anexos, outros esclarecimentos escritos (fls. 952/955), a saber: (...) Estes esclarecimentos escritos prestados pela Fiscalizada vieram acompanhados dos seguintes documentos (/ls.956/1821): (...) Os documentos e esclarecimentos escritos apresentados e entregues pela Fiscalizada foram analisados detalhadamente pela Fiscalização, a saber: a) Em relação aos valores a comprovar que a Fiscalizada comprovou mediante apresentação e entrega de documentos, cujas origens foram as transferências efetuadas pela empresa SULBUSINESS FOMENTO MERCANTIL LTDA. e os títulos adquiridos e negociados pela Fiscalizada com a SULBUSINESS em empresas em dificuldades financeiras. (...) b) Em relação aos valores que a Fiscalizada logrou comprovar mediante apresentação e entrega de documentos, cujas comprovações não foram acatadas pela Fiscalizacão: (...) Por fim, resta esclarecer que a Fiscalizada não comprovou mediante documentos, a origem de todos os valores a comprovar que foram discriminados nos Anexos A e B do TIF n° 003; as justificativas apresentadas não foram acatadas pela Fiscalização, uma vez que anteriormente à ciência do TIF n° 003, foramlhes concedidos prazos para a colocação em ordem dos documentos contábeis e fiscais. (...) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI 6 3.5 Recolhimentos Efetuados pela Fiscalizada e Valores Compensados de Ofício pela Fiscalização A Fiscalizada recolheu diversos valores a título de IRPJ e CSLL (fls.2044/2068), conforme demonstrados neste Relatório de Fiscalização Anexo 1, os quais foram compensados de oficio pela Fiscalização, com os valores do IRPJ e a CSLL apurados nas infrações apuradas na ação fiscal. A fiscalização arbitrou o lucro da interessada com base na receita bruta conhecida, representada pela receita operacional declarada e a não declarada e a receita omitida apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. Em 13 de agosto de 2008 foi encerrada a ação fiscal, com ciência do contribuinte (fl 2292), e em 08 de setembro foi apresentada impugnação (fls. 2293 a 2348). Em 09 de julho de 2009, a DRJ restituiu o processo à fiscalização para lavratura de auto complementar, por entender ter havido equívoco na determinação da matéria tributável, nos seguintes termos: No ANEXO 'G' às fls.2.283 a 2.284 consta que os valores indicados na coluna OMISSÃO RECEITA DEPÓSITO BANCÁRIO provêm daqueles créditos/depósitos que permaneceram sem comprovação e que constam dos ANEXOS ‘A' e 'B'. Entretanto, conforme RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO ANEXO ‘D', acostado às fls.2.255 a 2.271, percebese a existência de créditos bancários na coluna VALORES NÃO COMPROVADOS FISCALIZADA (fl.2.260, 2.261, 2.262, 2.270 e fl.2.271), que constavam no rol de valores objeto do Termo de Intimação Fiscal n° 003, item 4, à fl.826. Comparandose os valores considerados no ANEXO 'G', coluna OMISSÃO RECEITA DEPÓSITO BANCÁRIO com os valores tributáveis no item 002 do Auto de Infração do IRPJ às fls.2.073/2.075, percebese que aqueles valores apontados no ANEXO D (supra) não foram incluídos pela autoridade fiscal autuante no Demonstrativo de Apuração do IRPJ — Lucro Arbitrado e nos demais lançamentos. Portanto, com fulcro no art.18, §3° do Decreto 70235/72, retornese os autos à Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC, para a feitura de Auto de Infração Complementar, do IRPJ e dos lançamentos decorrentes. Após, conceder a devida ciência à Interessada dos autos de infração complementares, reabrindolhe o prazo legal de impugnação no concernente à matéria incluída. Em 05 de agosto de 2009, foi lavrado termo de início para fiscalização para complementação da ação fiscal, ao abrigo do MPF nº 0920600/2009/005264. Nessa mesma data foram lavrados autos de infração complementares para incluir, na base de cálculo apurada a título de depósitos de origem não comprovada, três valores, sendo dois para março de 2006 e um para junho de 2006. Nessa mesma data o contribuinte tomou ciência. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI 7 Inconformada, a interessada apresentou impugnação tempestiva, julgada pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis, que teve por procedentes em parte os lançamentos, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003 Lançamento por homologação. Decadência. Art.173 do CTN. IRPJ. CSLL.. PIS.COFINS. Pagamentos inexistentes no período de apuração (01/01/2003 a 30/06/2003). Nos casos em que comprovada a inexistência de pagamento dos tributos/contribuições nos períodos de apuração, o prazo decadencial deslocase daquele previsto no art. 150 para as regras estabelecidas no art.173 (ambos do CTN), onde ficou constatado que não ocorreu a decadência para os fatos geradores supra indicados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Depósitos Bancários. Origens. Presunção Legal. Omissão de Receita. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Presunções Legais Relativas. Distribuição do ônus da Prova. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. De se excluir como caracterização de receita omitida, aqueles créditos bancários de origem identificada que representavam transferências entre empresas. Lucro Arbitrado. O imposto devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido. Atividade Econômica. Receita Omitida. Base de Cálculo. Se o depósito (crédito) bancário permanece sem comprovação de sua origem, tributase integralmente seu valor como receita omitida, aí não importando a natureza da atividade econômica da pessoa jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI 8 Lançamentos Decorrentes. PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL e COFINS. No mérito, tratandose da mesma matéria fática, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Juros de Mora. Aplicabilidade da Taxa Selic. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. Impugnação Procedente em Parte Ciente da decisão em 05 de outubro de 2009, a interessada ingressou com recurso em 28 do mesmo mês. Preliminarmente, suscita irregularidades relacionadas com o Auto de Infração Complementar. Diz que no Termo de Início o auditor menciona que o procedimento tem como base os fatos e infrações tributárias apuradas na Ação Fiscal nº 0920600/2009/002632, instaurada o dia 24/20/2007 e encerrada no dia 08/08/2009, enquanto o Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização, instaurado para fins de efetivação do lançamento complementar ora guerreado é o de número 0920600/2009/005264. Comenta ser por demais antagônico um MPF datado do ano de 2009, possuir termo de início e encerramento no ano de 2007. Alega, ainda, que os valores que integram o Auto de Infração complementar, representando os respectivos fatos geradores, efetivamente não restaram identificados, e assim, não possui a segurança jurídica necessária e obrigatória no sentido de conhecer detalhadamente o que lhe é imputado, bem como, o seu exato quantum. Ainda em preliminar, suscitou a decadência e impossibilidade de autuação com base em presunção. No mérito, alegou, em síntese: (a) que prestou todos os esclarecimentos que comprovam que sua contabilidade abrange todas as operações financeiras e justificam a origem dos valores depositados em suas contas bancárias; (b) que o arbitramento dos lucros foi arbitrário, e que a sistemática foi por ele aventada; (c) que a acusação de omissão de receitas é improcedente, e que o fisco jamais cuidou de apurar e demonstrar, com segurança, eventual falha na escrituração, preferindo lançar mão da presunção legal; (d) que o lançamento carece de fundamentação material, por ter o contribuinte logrado demonstrar a origem de todos os valores movimentados em suas contascorrentes, o que pode ser aferido pelos esclarecimentos por ele prestados; (e) que não podem prevalecer lançamentos baseados apenas em depósitos bancários; (f) que devem ser excluídas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores de PIS e COFINS lançados de ofício; (g) que a autoridade não observou o mandamento legal que manda desconsiderar os depósitos de valor inferior a R$ 12.000,00; (h) que foram desconsideradas transferências entre contas de mesma titularidade e depósitos originados de saques de contas de mesma titularidade; (i) que é ilegal a cobrança de juros com base na taxa Selic. É o relatório. . Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI 9 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele, portanto, tomo conhecimento. Em preliminar o contribuinte suscita irregularidades relacionadas com o auto de infração complementar (MPFs), bem como a impossibilidade de autuação com base em presunção e a ocorrência de decadência. Quanto aos MPF(s), entendo não ter ocorrido qualquer irregularidade. A ação fiscal foi instaurada ao amparo do MPF nº 09.2.06.002007002632 (fl. 01), emitido em 22/10/2007, nº esse informado no Termo de Início de fl. 05, datado de 23/10/2007. O encerramento ocorreu em 08/08/2008 (fls. 2.290), obviamente, ao amparo do mesmo MPF, que está mencionado ao alto e à direita do termo de encerramento. O segundo MPF mencionado foi emitido para dar cobertura ao auto de infração complementar, resultante de solicitação do julgador, que observou não inclusão, na matéria tributável, de alguns valores identificados pela fiscalização e constantes do relatório fiscal. A questão a decidir é se esse auto complementar é válido. A jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais tem indicado a impossibilidade de a autoridade fiscal alterar o lançamento originalmente feito, após ser ele impugnado e antes de decidido, para corrigir o lançamento anterior. Podem ser mencionados os seguintes julgados: Acórdão nº 10194.586 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL A atuação da fiscalização, que se inicia com o procedimento de ofício fiscalizatório, se encerra com a lavratura do auto de infração. Na fase processual de fluência do prazo impugnatório, o processo não pode sofrer alterações quanto ao valor, quanto à capitulação legal, nem quanto à descrição dos fatos por iniciativa da autoridade fiscal, somente cabendo ao contribuinte qualquer manifestação. NULIDADE É nulo o segundo auto de infração lavrado, que tem por objeto exigência já formalizada em auto anterior.” Acórdão nº 10195.470 IRPJ – PRELIMINAR DE NULIDADE DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO – Nada obsta a que se possa, posteriormente, proceder a novo lançamento sobre o mesmo fato jurídico tributário. Entretanto, é necessário que o lançamento original tenha sido submetido ao controle administrativo, em fase contenciosa ou em revisão de ofício, com a definitividade da decisão no âmbito administrativo. Preliminar Acolhida Acórdão CSRF/0106.212 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI 10 IRPJ PRELIMINAR DE NULIDADE DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO Nada obsta a que se possa, posteriormente, proceder a novo lançamento sobre o mesmo fato jurídico tributário. Entretanto, é necessário que o lançamento original tenha sido submetido ao controle administrativo, em fase contenciosa ou em revisão de oficio, com a definitividade da decisão no âmbito administrativo. Recurso especial negado. Acórdão CSRF/0105.390 "IRPJ — PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. INAUGURAÇÃO DO LITÍGIO. IMPOSSIBILIDADE DE NOVO LANÇAMENTO SEM QUE TENHA HAVIDO DECISÃO SOBRE A MATÉRIA LITIGADA. NULIDADE. Descabe a lavratura de novo lançamento. Auto de Infração tendo por base a mesma matéria tributária quando, inaugurada a fase litigiosa do procedimento, deixa a autoridade competente de proferir decisão sobre lançamento anteriormente efetuado. A superveniente formalização da exigência, por ineficaz, não produz qualquer efeito, devolvendo se os autos para que sejam observadas as disposições contidas no Decreto n°70.235, de 1972. Recurso especial do contribuinte conhecido com preliminar de nulidade acolhida." Percebo, todavia, que esses julgados referemse a casos em que o lançamento, embora por vezes apelidado de “complementar”, constituiu, na realidade, lançamento substitutivo, para alterar lançamento anterior, e não para verdadeiramente complementálo. Vejase que a complementação da exigência (ou seja, hipótese em que a exigência anterior permanece, e a ela se soma nova exigência, ou se altera ou inova a fundamentação legal) está expressamente prevista no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, que assim dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (...) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. E foi isso exatamente o que ocorreu no presente caso. No relatório de fiscalização a autoridade relacionou, individualizandoos, todos os depósitos bancários Fl. 10DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI 11 efetuados em contacorrente de titularidade da Recorrente, separandoos em anexos de A a F, um para cada conta, e indicando os valores não comprovados, e transferindoos para o anexo G, onde foi apurada a omissão de receitas com base em depósitos não comprovados. Por um lapso, porém, deixou de computar no referido Anexo G os valores não comprovados depositados no HSBC (Anexo D), o que foi percebido pelo julgador, que converteu o julgamento em diligência para que fosse lavrado o lançamento complementar e reaberto prazo para impugnação. Assim, não vejo vício nos autos complementares. A alegação de os que os valores que integram o auto de infração não restaram identificados e impossibilitaram o conhecimento detalhado da acusação é desprovida de qualquer fundamento fático. O Relatório Fiscal de fls. 2146 a 2.289, descreve minuciosamente todo o desenrolar da ação fiscal, cada intimação, cada prestação de esclarecimento, cada valor não explicado, indicando data e histórico. A alegação de erro quanto ao período de imputação da omissão de receitas de R$ 445.658,46 também não procede. Não obstante se refira a depósitos efetuados no mês de fevereiro, o período de apuração do IRPJ e da CSLL é trimestral, e por isso a omissão foi computada em março (primeiro trimestre). Todavia, para fins de PIS e de COFINS, a omissão foi corretamente computada no mês de fevereiro. Impertinente a alegação de impossibilidade de lançamento com base em presunção simples. O lançamento foi feito com base em valores de receita reconhecidos pelo contribuinte ou com base em presunção legal, não padecendo de vícios. O contribuinte suscitou, ainda, a decadência parcial. A decisão de primeira instância rejeitoua, por entender que o termo inicial previsto no art. 150, §4º, do CTN (ocorrência do fato gerador) não tem aplicação se não houve pagamento. Entendo equivocada a interpretação no sentido postulado pelo julgador a quo. No caso, estamos falando de lançamento de ofício para a hipótese prevista no inciso V do art. 149 do CTN, verbis: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; Por sua vez, o art. 150 do referido Código define: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI 12 § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nos termos definidos no art. 150 do CTN, lançamento por homologação é o tipo de lançamento de todos aqueles tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo a obrigação de, ocorrido o fato gerador, identificar a matéria tributável, apurar o imposto devido e efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade. A natureza do lançamento não se altera se, ao praticar essa atividade, o sujeito passivo não apura imposto a pagar. O que define se o lançamento é por declaração ou homologação é a legislação do tributo, e não a circunstância de ter ou não havido pagamento. O lançamento de ofício, no caso, ocorre quando a autoridade administrativa apura omissão ou inexatidão do sujeito passivo na atividade de identificação da matéria tributável, apuração do imposto e pagamento, se for o caso (art. 149, inc. V). Nos termos do §4º do art. 150, a autoridade administrativa tem o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para exercer a atividade fiscalizatória, verificar a correção da atividade exercida pelo sujeito passivo e, dela discordando, praticar o lançamento de ofício. Findo esse prazo, nada mais pode fazer, pois ocorrerá a homologação tácita e estará extinto o crédito tributário. Os fatos geradores do IRPJ e da CSLL são trimestrais e os de PIS e COFINS são mensais. Assim, em agosto de 2008 estavam alcançados pela decadência os fatos geradores de IRPJ e CSLL ocorridos em março e junho de 2003, e os fatos geradores de PIS e COFINS ocorridos até julho de 2003. Quanto ao mérito, defende o recorrente: (i) ter havido arbitrariedade no procedimento fiscal e no lançamento; (ii) ser improcedente a acusação de omissão de receitas; (iii) imprestabilidade de depósito bancário como fundamento de lançamento; (iv) inexatidão da base de cálculo do IRPJ; (v) ilegalidade da utilização da taxa Selic para os juros de mora. O contribuinte qualifica como arbitrários o procedimento de fiscalização e o lançamento, alegando que não poupou esforços no sentido de atender todas as solicitações do Fisco, até porque é do seu precípuo interesse a comprovação da totalidade da origem dos recursos havidos em suas contas correntes. Ora, é dever do contribuinte colaborar com a fiscalização que, inclusive, reconhece que isso de fato ocorreu e disso faz menção expressa no relatório de fiscalização. Ocorre que o lançamento é atividade vinculada e, uma vez identificados fatos que caracterizem infração à legislação, não pode a autoridade administrativa deixar de praticálo. No presente caso, não se vislumbra qualquer arbitrariedade, mas apenas o cumprimento, pelo auditor, de seu dever de ofício. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI 13 Por seu turno, o arbitramento dos lucros se impôs. A interessada, em razão das atividades exercidas, estava obrigada a apresentar declarações com base no lucro real. Contudo, apresentou declaração de inatividade em 2003 e 2004 e optou pelo lucro presumido em 2005 e 2006. Como sujeita à tributação pelo lucro real, estava obrigada a manter sua escrituração comercial de acordo com as disposições da legislação comercial e fiscal, o que não restou atendido, pois a escrituração dos livros Diário e Razão foi feita em partidas mensais, de forma não individualizada, contrariando o mandamento legal que obriga lançamentos diários e individualizados, quando não houver livros auxiliares com lançamentos de forma individualizados. O arbitramento foi feito rigorosamente e de acordo com a lei, com base na receita bruta, compreendendo a declarada pelo contribuinte, e a omitida, apurada pela fiscalização através dos depósitos de origem não comprovada. Alega a Recorrente que a exigência sobre omissão de receitas não pode prosperar, quer por ter se cumulado com o arbitramento, quer porque a Fiscalização sequer considerou que na atividade exercida a receita bruta obtida é representada por uma ínfima parcela dos créditos objetos de questionamento (diz que o mesmo numerário reiteradamente entra e sai), quer por não se pode cogitar de omissão de receita no valor total dos depósitos bancários ditos de origem não comprovada. A lei determina que, sendo apurada omissão de receita, o montante omitido seja computado para determinação da base de cálculo do imposto, segundo o regime de tributação a que esteja sujeito o contribuinte (Lei nº 9.249/95, art. 24). Portanto, correta a atitude da autoridade fiscal em computar a receita omitida para fins de determinação do lucro arbitrado. A alegação de que a receita, na atividade exercida pela Recorrente, representa uma parcela mínima dos créditos objeto de questionamento, não se podendo cogitar de omissão pelo valor total dos depósitos, não é suficiente pata influenciar o lançamento. A presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, estabelece que os depósitos para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem, caracterizam receita omitida. Como com muita propriedade registrou a decisão recorrida, trata se de presunção legal relativa, passível de prova em contrário, a ser produzida pelo contribuinte. A ocorrência do fato gerador não se dá pela mera constatação do depósito, considerada isoladamente, mas pelo não esclarecimento da origem do numerário. Descabe, assim, falar em falta de fundamentação material para o lançamento ou imprestabilidade do depósito como fundamento da exigência. Tratase de presunção legal, bastando que tenha ocorrido o fato descrito na lei (créditos em conta de titularidade do contribuinte que, regularmente intimado, não comprova a origem dos recursos) para que o montante seja considerado omissão de receitas. Se o valor creditado não correspondia a receita, caberia ao contribuinte comproválo. Tratandose de presunção de omissão de receita definida em lei, a atividade exercida pelo sujeito passivo não tem qualquer influência na sua apuração. A lei também não atribui ao fisco fazer a correlação dos valores depositados com possíveis operações que gerem receita. Procedente, pois, a imputação à Recorrente de omissão de receita, com influência na apuração do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI 14 Postula a recorrente que, caso venha a remanescer algum valor a ser exigido, devem ser excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores correspondentes às contribuições para o PIS e COFINS lançadas de ofício no mesmo procedimento fiscal. Todavia, quando se trata de lançamentos com base no lucro arbitrado, descabe considerar qualquer dedução como custo ou despesa, eis que apenas as receitas influenciam a base de cálculo. Menciona, ainda, que o autuante deixou de observar o disposto no art. 42, § 3º, incisos I e II da Lei nº 9.430/96. Contudo, esses dispositivos não se aplicam a pessoas jurídicas, sendo impertinente a referência. Alude, ainda, à desconsideração de valores de transferências ocorridas entre contas de titularidade da recorrente e de coligada e a depósitos feitos com saques realizados em data anterior, com cheques da coligada, discriminandoos para melhor visualização. Todos os créditos relacionados pela Recorrente já haviam sido objeto de contestação na impugnação e foram submetidos a minuciosa análise por parte da decisão recorrida, que identificou individualmente como foram eles considerados pela fiscalização, entendendo procedente a reclamação da interessada apenas quanto ao crédito de R$ 9.000,00, constante do Anexo A (fls. 2202). No recurso, o contribuinte limitase a repetir o já dito na impugnação, nada trazendo para desconstituir a análise feita pela decisão de primeira instância. Finalmente, o contribuinte se insurge em relação aos juros de mora com base na taxa Selic. Tratase de matéria objeto de súmula deste Conselho, de observância obrigatória, e que enuncia: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso para cancelar as exigências do IRPJ e da CSLL dos dois primeiros trimestres de 2003, e de PIS e COFINS relativas aos fatos geradores ocorridos até o mês de julho de 2003, porque alcançadas pela decadência. Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 2011 (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 14DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10805.002438/2001-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/1998
Ementa: SENTENÇA EM MANDADO DE SEGURANÇA – APLICAÇÃO Não
cabe ao julgador administrativo interpretar extensivamente a decisão judicial, mas cumpri-la no seu estrito termos. Qualquer extensão só pode ser dada pelo Poder Judiciário.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL
Data do fato gerador 31/12/1998
Ementa: APURAÇÃO EX-OFFÍCIO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA – CONSIDERAÇÃO DAS ESTIMATIVAS DEVIDAS Tendo em vista que as estimativas pagas transformaram-se em saldo negativo a ser compensado com a contribuição a ser paga a partir do mês de abril do ano subseqüente, ou a ser restituído após a entrega da declaração de rendimentos, sua dedução do montante lançado depende de prova da não utilização do saldo negativo apurado na declaração.
Numero da decisão: 1301-000.515
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Valmir Sandri
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/1998 Ementa: SENTENÇA EM MANDADO DE SEGURANÇA – APLICAÇÃO Não cabe ao julgador administrativo interpretar extensivamente a decisão judicial, mas cumpri-la no seu estrito termos. Qualquer extensão só pode ser dada pelo Poder Judiciário. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Data do fato gerador 31/12/1998 Ementa: APURAÇÃO EX-OFFÍCIO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA – CONSIDERAÇÃO DAS ESTIMATIVAS DEVIDAS Tendo em vista que as estimativas pagas transformaram-se em saldo negativo a ser compensado com a contribuição a ser paga a partir do mês de abril do ano subseqüente, ou a ser restituído após a entrega da declaração de rendimentos, sua dedução do montante lançado depende de prova da não utilização do saldo negativo apurado na declaração.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10805.002438/2001-18
conteudo_id_s : 5883552
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 06 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 1301-000.515
nome_arquivo_s : Decisao_10805002438200118.pdf
nome_relator_s : Valmir Sandri
nome_arquivo_pdf_s : 10805002438200118_5883552.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
id : 7370603
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585015517184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1694; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.002438/200118 Recurso nº 146.292 Voluntário Acórdão nº 1301000.515 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2011; Matéria CSLL Recorrente Indústria Agro Química Braido Ltda;. Recorrida 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Campínas Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/1998 Ementa: SENTENÇA EM MANDADO DE SEGURANÇA – APLICAÇÃO Não cabe ao julgador administrativo interpretar extensivamente a decisão judicial, mas cumprila no seu estrito termos. Qualquer extensão só pode ser dada pelo Poder Judiciário. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Data do fato gerador 31/12/1998 Ementa: APURAÇÃO EXOFFÍCIO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA – CONSIDERAÇÃO DAS ESTIMATIVAS DEVIDAS Tendo em vista que as estimativas pagas transformaramse em saldo negativo a ser compensado com a contribuição a ser paga a partir do mês de abril do ano subseqüente, ou a ser restituído após a entrega da declaração de rendimentos, sua dedução do montante lançado depende de prova da não utilização do saldo negativo apurado na declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI 2 LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Ricardo Luiz Leal de Melo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI 3 Relatório O presente processo foi submetido à Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão de 21 de junho de 2006, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte e cancelou a exigência, conforme Acórdão 101 95.584, cuja ementa é a seguinte: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – DIFERENÇA IPC/BTNF DECRETO 332/91 A determinação constante do § 22 do art. 41 do Decreto 332/91, ao vedar a aplicação do disposto no art. 32 da Lei 8.290/91, relativamente à Contribuição Social sobre o Lucro no que pertine ao diferencial IPC/BTNF não tem suporte na legislação ordinária, impondose, portanto, o pronto restabelecimento da dedução efetuada. Ocorre que a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, que foi provido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do Acórdão CSRF nº 9101 00.014, de 09 de março de 2009, que determinou o retorno dos autos para apreciação das demais matérias, nos termos do voto do relator, dentre as quais foi destacada a existência de tutela jurisdicional e consequente ilegitimidade da multa de ofício. Repito o relato dos fatos feito na ocasião precedente, exceto no que se relaciona à matéria já julgada, a relativa à diferença IPC/BTNF. Conforme consta no Auto de Infração (fls. 93/96) e do Termo de Verificação Fiscal (f Is. 05/06), foram verificadas as seguintes irregularidades: "O contribuinte obteve concessão de medida liminar, através do processo nº 97.00532526 MS que lhe assegura o direito de dedução integral para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro, no ano calendário de 1997, da diferença IPC apurada em confronto com o BTNF, relativamente à correção monetária devedora do balanço de 1990, bem como das parcelas dos encargos de depreciação, exaustão, ou de custo dos bens baixados a qualquer titulo que corresponderem à diferença de correção monetária refletida pelo IPC. A medida liminar, da 21° Vara Cível Federal de São Paulo, se efetivou em 25 de novembro de 1997. A sentença de mérito de 06 de abril de 2000 concedeu a segurança, sendo que o recurso de apelação encontrase pendente de julgamento no TRF3° Região. Intimado em 24/08/2001, o contribuinte comprovou não ter utilizado no ano calendário 1997, o direito de dedução da base de cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, da diferença do IPC/BTNF do ano de 1990, que a justiça lhe concedera. Entretanto, no ano calendário de 1998, no cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, a empresa efetuou indevidamente a exclusão da base de cálculo, sob o titulo de Efeito IPC/90, o importe de R$ 6.134.537,00." Na impugnação apresentada, além de se insurgir contra a glosa da dedução da diferença IPC/BTNF da base de cálculo da CSLL, a interessada alegara o seguinte: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI 4 (i) que ingressou com mandado de segurança em 1997 visando discutir o direito à dedução da base de cálculo da CSLL, da diferença do IPC/BTNF do ano de 1990, tendo obtido liminar, que foi confirmada por sentença, estando à autoridade autuante impedida de adotar qualquer medida constritiva contra a impugnante. (ii) que, quando muito, o Fisco poderia ter autuado a impugnante para evitar a decadência do crédito tributário com a suspensão de sua exigibilidade; (iii) que os efeitos declaratórios da sentença proferida em mandado de segurança preventivo resguardam o contribuinte de uma autuação fiscal, pouco importando quando será adotado o provimento pleiteado junto ao Poder Judiciário; (iv) que além de não considerar a dedução do IPC/BTNF, a autoridade autuante não levou em conta no cálculo da CSLL devida, a dedução do recolhimento dos valores pagos antecipadamente por estimativa mensal, no montante total de R$ 406.431,58. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas SP, por unanimidade de votos (fls. 169/177), julgou procedente o lançamento. Salientou a Turma Julgadora que a decisão judicial por ela obtida aplicase somente para o ano calendário de 1997, nos exatos termos, tanto da medida liminar concedida, quanto da sentença prolatada. Quanto ao ano calendário de 1998, por não estar amparada por qualquer decisão judicial, ou pelas demais hipóteses constantes do art. 151 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em constituição do crédito tributário com a suspensão de sua exigibilidade, configurandose correto o procedimento da fiscalização quanto à lavratura do auto de infração, bem como pela respectiva aplicação da multa de ofício. O órgão julgador entendeu ainda, quanto às estimativas recolhidas no ano calendário, que estas não têm o condão de afastar a presente exigência fiscal. Esclareceu que a contribuinte, ao apresentar a DIPJ/1999, declarou não ter Contribuição Social sobre o Lucro a pagar. Em face da declaração apresentada, as estimativas recolhidas, por se tratarem de antecipações da contribuição devida, converteramse em indébitos tributários no encerramento do período de apuração. Estes valores podem ser compensados com os valores constituídos de ofício (principal e multa) a critério da Impugnante, nos termos da legislação em vigor. Assim o recolhimento de estimativas não seria suficiente para afastar as infrações apuradas pela fiscalização, que devem ser exigidas acompanhadas da respectiva multa de ofício. Analisando a necessidade de perícia para formar sua convicção, julgaram pela sua prescindibilidade. E, mesmo se assim não fosse, entenderam que a recorrente deixou de formular os quesitos referentes ao exame desejado e o seu pedido de perícia teria que ser considerado como não formulado, conforme previsto no art. 16, parágrafos 1 e 2 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação que lhe foi dada pela Lei 8.748, de 09 de dezembro de 1993. Em face do exposto na fundamentação e com base nos critérios legais enunciados, votaram no sentido de conhecer da impugnação por tempestiva, e julgar procedente a exigência relativa à CSLL. No recurso voluntário, a interessada repete os argumentos relacionados com a impossibilidade de lançamento, a não ser para evitar a decadência, e sem imposição da multa de ofício. Afirma que não há que se admitir a ineficácia da decisão judicial por conta de mera temporalidade dos fatos, uma vez que a decisão relativa à autorização para efetuar referida decisão somente foi publicada em 1998, sendo este o mesmo ano que a dedução foi Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI 5 efetuada. Assim, admitir o contrário seria o mesmo que afirmar que o Poder Judiciário concedeu à liminar, contudo, negou seus efeitos. Reafirma seu entendimento de que não praticou qualquer ilicitude, e mesmo que se entenda que a constituição do crédito tributário ocorreu para prevenir a decadência, a imposição de multa de ofício seria incabível. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI 6 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Conforme se depreende do relatório, duas são as matérias abordados no recurso e que não foram objeto de apreciação pelo Colegiado, quando decidiu na forma do Acórdão 10195.584, reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, quais sejam, a eficácia do provimento judicial para fins de considerar que o lançamento em litígio destinase exclusivamente a prevenir a decadência, afastando a multa de ofício, e a não consideração, na determinação da exigência, das estimativas pagas. Quanto à caracterização do lançamento como com exigibilidade suspensa e consequente afastamento da multa, a questão gira em torno dos termos em que foi concedido o provimento judicial. É que, tal como postulado, tanto a liminar como a sentença asseguram o direito dos efeitos da diferença IPC/BTNf sobre a base de cálculo da CSLL do anocalendário de 1997. O contribuinte, não se sabe por que razão, embora detentor do provimento em novembro de 1997, não utilizou o direito à dedução naquele ano, mas o fez em 1998. Diz a Recorrente que, embora pretendesse utilizar a exclusão em 1997, não pôde fazêlo, porque só tomou ciência da liminar em 1998. Porém, conforme certificado no processo (fls. 270), as partes forma intimadas pelo Diário Oficial da Justiça de São Paulo do dia 05 de fevereiro de 1998, em tempo hábil para utilizar a dedução na declaração, cujo prazo de apresentação é no final de abril. Argumenta a Recorrente que se tivesse utilizado a exclusão em 1997 teria gerado uma base negativa, compensável em 1998. Porém não cabe ao julgador administrativo interpretar extensivamente a decisão judicial, mas cumprila nos seus exatos termos. Qualquer extensão só pode ser dada pelo Poder Judiciário. Também não tem razão a Recorrente quando reclama de a fiscalização não ter considerado, no lançamento, as estimativas pagas. Em sua DIPJ, tendo excluído os efeitos da diferença IPC/BTNF no montante de R$ 6.644.635,20, o contribuinte apurou saldo negativo de CSLL no valor de R$ 406.431,61. Como, nos termos do art. 6º, §1º., inciso II, combinado com art. 28 da Lei 9.430/96, o valor da contribuição apurada em 31 de dezembro, se negativo, será compensada com a contribuição a ser paga a partir do mês de abril do ano subseqüente, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Assim, só seria possível a redução do montante lançado se o contribuinte comprovasse não ter utilizado o saldo negativo apurado na declaração (R$ 406.431,61), o que não feito em nenhum momento do processo. Por todo o exposto, NEGO provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2011; (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LE ONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 15771.727118/2014-39
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/11/2014
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. ENTIDADE DE CLASSE. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. EXAME ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE.
A impetração de ação ordinária por entidade de classe -substituto processual- não impede que o contribuinte, a esta associado, pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que referida medida judicial não induz litispendência e não produz coisa julgada em seu desfavor, ainda que os efeitos jurídicos da decisão alcance seus representados, haja vista que não há identidade entre os sujeitos dos processos judicial e administrativo, razão pela qual a existência de pleito judicial de natureza coletiva não importa em renúncia do direito do representado em demandar perante o âmbito administrativo, impondo-se portanto o exame da sua manifestação de vontade.
Numero da decisão: 3001-000.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para rejeitar, por inexistência, a nulidade por cerceamento do direito de defesa, aduzida em preliminar, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/11/2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. ENTIDADE DE CLASSE. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. EXAME ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE. A impetração de ação ordinária por entidade de classe -substituto processual- não impede que o contribuinte, a esta associado, pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que referida medida judicial não induz litispendência e não produz coisa julgada em seu desfavor, ainda que os efeitos jurídicos da decisão alcance seus representados, haja vista que não há identidade entre os sujeitos dos processos judicial e administrativo, razão pela qual a existência de pleito judicial de natureza coletiva não importa em renúncia do direito do representado em demandar perante o âmbito administrativo, impondo-se portanto o exame da sua manifestação de vontade.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15771.727118/2014-39
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874584
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.389
nome_arquivo_s : Decisao_15771727118201439.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
nome_arquivo_pdf_s : 15771727118201439_5874584.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para rejeitar, por inexistência, a nulidade por cerceamento do direito de defesa, aduzida em preliminar, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7352108
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585027051520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1940; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 237 1 236 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15771.727118/201439 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.389 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria PENALIDADES OUTRAS COMÉRCIO EXTERIOR Recorrente MAERSK BRASIL BRASMAR LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/11/2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. ENTIDADE DE CLASSE. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. EXAME ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE. A impetração de ação ordinária por entidade de classe substituto processual não impede que o contribuinte, a esta associado, pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que referida medida judicial não induz litispendência e não produz coisa julgada em seu desfavor, ainda que os efeitos jurídicos da decisão alcance seus representados, haja vista que não há identidade entre os sujeitos dos processos judicial e administrativo, razão pela qual a existência de pleito judicial de natureza coletiva não importa em renúncia do direito do representado em demandar perante o âmbito administrativo, impondose portanto o exame da sua manifestação de vontade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para rejeitar, por inexistência, a nulidade por cerceamento do direito de defesa, aduzida em preliminar, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 71 18 /2 01 4- 39 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 15771.727118/201439 Acórdão n.º 3001000.389 S3C0T1 Fl. 238 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1666.103 da 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo / SP DRJ/SPO, que, em sessão de julgamento realizada no dia 24.02.2014, não conheceu da impugnação, por considerar que ocorreu a concomitância entre os processos administrativo e judicial. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, adotase o relatório encartado no acórdão recorrido (efls. 104 a 107), que segue transcrito: Relatório Trata o presente sobre exigência de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, formalizado em 18/11/2014, a título de multa regulamentar ela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar; relata a fiscalização que a agência MAESRK BRASIL (BRASMAR) Ltda., inscrita no CNPJ sob nº 30.259.220/000367 deixou de prestar informação sobre carga transportada, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, no conhecimento de embarque 603551011; vinculado ao CEMERCANTE 151 405 209 723 906; na data de operação de 06/10/2014, para o qual deixou de prestar informação sobre carga transportada, quanto à inclusão da NCM 2106 no sistema SISCOMEX CARGA, após a atracação do navio. Regularmente intimada, em 18/12/2014 (fls. 37), a autuada apresentou impugnação de fls. 42/71, em 12/01/2014 (fl. 40/41), alegando, em preliminar, que a autuação não atendeu os requisitos legais acarretando nulidade; aduz que a autoridade fiscal tem conhecimento que a pena se aplicável devese a ato de responsabilidade do transportador marítimo internacional (MAERSK LINE), filiada ao Centronave que em virtude da ação ordinária nº 6591474.2013.401.3400, promovida pela Centronave a exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa; citando legislação, argumenta ser parte ilegítima porque a responsabilidade de prestar informações cabe ao transportador, e que a descrição dos fatos é vaga, não atendendo as condições do art. 10 do Decreto 70.235/72, além da não caracterização da infração do art. 107, IV, “e”, do Decretolei nº 37/66, porque se ocorreu alguma alteração posterior ou se há equívoco na NCM indicada, a correção se deu por solicitação do destinatário da carga, sendo a carta de correção procedimento regular no meio marítimo; admitindo tenha ocorrido infração requer o efeito da denúncia espontânea pelo registro de dados no Siscomex, mesmo fora de prazo, anterior à lavratura do auto de infração, nos termos do art. 138, do CTN. É o relatório. Da ementa da decisão de primeira instância Fl. 239DF CARF MF Processo nº 15771.727118/201439 Acórdão n.º 3001000.389 S3C0T1 Fl. 239 3 A 23ª Turma da DRJ/SPO, ao não conhecer da impugnação, exarou o já citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/11/2014 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Exigência de multa regulamentar. Tutela antecipada concedida em Ação Ordinária, promovida por entidade representativa à qual está filiada a interessada, afastando a aplicação da penalidade. Renúncia às instâncias administrativa. Não se conhece da da(sic) impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs, às e fls. 114 a 148, recurso voluntário para repisar os argumentos de defesa da impugnação, quais sejam: (i) preliminar de ilegitimidade passiva; (ii) preliminar de nulidade do auto de infração, por vício formal; (iii) vício formal na decisão, devido a não desistência da discussão em âmbito administrativo; (iv) violação aos princípios da ampla defesa e contraditório; (v) da não caracterização da infração imposta e (vi) denúncia espontânea. Diante do exposto, requer "seja o presente recurso recebido para fins de que lhe seja dado provimento para que o despacho decisório ora guerreado seja anulado em face da preliminar aventada e das razões de mérito expostas". Da nova petição Não se resignando ainda com a decisão recorrida, o requerente, em 10.11.2016, registra a solicitação de juntada ao presente processo, dentre outros documentos, da petição de efls. 192 a 197, é o que depreendese do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 237). Apresenta esta nova petição para requer a aplicação da orientação interpretativa constante na Solução de Consulta Interna da CoordenaçãoGeral de Tributação COSIT 2 de 04.02.2016, que definiu que as alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes, nas operações de comércio exterior, não configuram prestação de informação fora do prazo, para afastar a penalidade aplicada, pois a teor do disposto no artigo 9º da IN RFB 1.396 de 16.09.2013, referida consulta tem efeito vinculante perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 15771.727118/201439 Acórdão n.º 3001000.389 S3C0T1 Fl. 240 4 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O contribuinte em 30.11.2015, por meio do "Termo de Ciência por Abertura de Mensagem" (efl. 111), foi intimado do Acórdão de Impugnação (efls. 104 a 107), em conformidade com o disposto na alínea 'b' do inciso III do § 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 1972. Irresignado com a decisão assentada no referido acórdão, em 29.12.2015, conforme depreendese do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 172), registra a juntada dos documentos de efls. 113 a 171, aí incluído o recurso voluntário apresentado. Cotejando as datas acima mencionadas, constatase que o recurso voluntário foi interposto no interstício legal de 30 (trinta) dias, portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Da decisão recorrida Voto Em face do relatado na ação fiscal, vislumbrase no presente a ocorrência de concomitância entre os processos administrativo e judicial. Com efeito, o pleito levado ao Poder Judiciário pela entidade representativa à qual está filiada a impugnante busca afastar penalidades com base em atos normativos, além do exercício do direito à denuncia espontânea, relativamente ao preceito contido no art 45 da IN SRF 800/2007, que estabelece obrigações de impossível cumprimento no prazo (fls. 87/89); os argumentos da impugnação, além de refutar a caracterização da infração relativa às obrigações de que trata o referido ato normativo, requer, alternativamente, a aplicação da denúncia espontânea,s nos termos da nova redação do § 2º do art. 102, do Decretolei nº 37/66. No nosso ordenamento jurídico, em virtude de comando constitucional, prevalece o princípio da unidade de jurisdição, segundo o qual não se exclui da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão ou ameaça a direito; ou seja, o Poder Judiciário detém o monopólio da atividade jurisdicional art. 5º, inciso XXXV, da CF/1988). Em decorrência, o processo administrativo fica sujeito a restrições, no sentido de que as decisões na esfera administrativa não tem caráter de definitividade, de modo que, em última instância, seu cumprimento depende de provimento judicial. Dessa forma, tendo sido formulado pedido em ação judicial, contraditando a exigência fiscal, não há de se dar seguimento à Fl. 241DF CARF MF Processo nº 15771.727118/201439 Acórdão n.º 3001000.389 S3C0T1 Fl. 241 5 impugnação, porque a opção do sujeito passivo, nessa situação, significa renúncia ao seu direito à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa; assim é porque não teria sentido discutirse a mesma matéria, concomitantemente, em duas instâncias, uma vez que, sempre prevalecerá a decisão da instância judicial. Para efeito de uniformizar procedimento em situações que tais, a SRF, através de Ato Declaratório Normativo COSIT nº 03, de 14/02/1996, baixou a seguinte orientação: “Tratamento a ser dispensado ao processo fiscal que esteja tramitando na fase administrativa quando o contribuinte opta pela via judicial. O CoordenadorGeral do Sistema de Tributação, no uso da atribuição que lhe confere o art. 147, item III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o Parecer COSIT nº 27/96, Declara, em caráter normativo, às Superintendência Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto;” No mesmo sentido, a Súmula nº 1/99 do Conselho de Recursos Fiscais: “Súmula CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Pelo exposto, votase por não se conhecer da impugnação, com manutenção do crédito tributário lançado. Da ação judicial Compulsando os autos, emerge, sem espaço para dúvida, que tanto o contribuinte autuado quanto a autoridade aduaneira autuante concordam que o objeto do presente auto de infração e os decorrentes argumentos de defesa administrativa encontramse também veiculados na ação ordinária 6591474.2013.401.3400, promovida pela Centronave, entidade representativa à qual está filiado o impugnante. Logo, quanto à coincidência de objeto de ambos processos (judicial e administrativo) não há litígio, tanto que foi justamente esta constatação que conduziu o colegiado a quo a decidir pelo não conhecimento da impugnação, ao fundamento de a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal, Fl. 242DF CARF MF Processo nº 15771.727118/201439 Acórdão n.º 3001000.389 S3C0T1 Fl. 242 6 implica na renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, em atenção inclusive ao enunciado da Súmula CARF 1. Somente para ilustrar, colaciono a tela a seguir reproduzida, extraída do sítio do TRF1, cujo endereço eletrônico junto à rede mundial de computadores é o seguinte: https://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?proc=00659147420134013400& secao=DF&pg=1&enviar=Pesquisar. PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL Processo Nº 006591474.2013.4.01.3400 22ª VARA FEDERAL Nº de registro eCVD 00336.2016.00223400.1.00274/00032 PROCESSO Nº : 006591474.2013.4.01.3400 AÇÃO ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA AUTOR: CENTRO NACIONAL DE NAVEGACAO TRANSATLANTICA CNNT (CENTRONAVE) RÉ: UNIAO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) Da inexistência da litispendência A controvérsia posta no presente recurso voluntário cingese em aferir a ocorrência, ou não, de concomitância entre a matéria aqui discutida e aquela submetida à apreciação do Poder Judiciário nos autos da Ação Ordinária 6591474.2013.401.3400, ajuizada pela Centronave, objetivando seja reconhecida a impossibilidade de aplicação de penalidades aos agentes de carga e afins associados da parteautora pelo descumprimento de obrigações acessórias, em razão de ser parte ilegítima porque a responsabilidade de prestar informações cabe ao transportador, da não caracterização da infração prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/66, porque respectiva correção se deu por solicitação do destinatário da carga, sendo a carta de correção procedimento regular no meio marítimo, bem como os efeitos da denúncia espontânea, pois o registro de dados no Siscomex, mesmo fora de prazo, ocorreu antes da lavratura do auto de infração, nos termos do artigo 138 do CTN. Portanto, o que cabe aqui verificar é se há concomitância entre as esferas administrativa e judicial que justifique a renúncia à esfera administrativa. Conforme exposto alhures, pela análise dos autos, concluise que os pedidos são o mesmo tanto na demanda judicial, quanto nos pleitos administrativos (impugnação e recurso voluntário), razão pela qual a decisão a quo não conheceu da impugnação no tocante à matéria objeto da referida ação judicial. Como assentado, a autora da ação ordinária Centronave é a entidade a qual o recorrente é associado. Assim, resta evidente que não é o autuado, mas sim a Centronave a qual está vinculado. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 15771.727118/201439 Acórdão n.º 3001000.389 S3C0T1 Fl. 243 7 É irrefutável que as decisões que decorram do referido processo judicial irradiem seus efeitos aos associados da autora. Outrossim, o fato da existência do referido processo judicial não pode servir de óbice o ora recorrente que, por iniciativa própria, decida discutir a referida matéria em sede administrativa. Isto porque nos termos do artigo 301 do CPC vigente à época dos fatos tidos por infracionários, ocorre a litispendência quando duas causas são idênticas quanto às partes, pedido e causa de pedir, ou seja, quando se ajuíza uma nova ação que repita outra anteriormente ajuizada, com total identidade entre partes, conteúdo e pedido formulado. Vejamos o conceito de litispendência trazido no referido preceito processual legal: Código de Processo Civil CPC Lei 5.869 de 11.01.1973 (...) Art. 301. Competelhe, porém, antes de discutir o mérito, alegar: (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) I inexistência ou nulidade da citação; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) II incompetência absoluta; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) III inépcia da petição inicial; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) IV perempção; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) V litispendência; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) VI coisa julgada; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) VII conexão; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) VIII incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) IX compromisso arbitral; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) IX convenção de arbitragem; (Redação dada pela Lei nº 9.307, de 23.9.1996) X carência de ação; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) XI falta de caução ou de outra prestação, que a lei exige como preliminar. (Incluído pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) Fl. 244DF CARF MF Processo nº 15771.727118/201439 Acórdão n.º 3001000.389 S3C0T1 Fl. 244 8 § 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) § 3º Há litispendência, quando se repete ação, que está em curso; há coisa julgada, quando se repete ação que já foi decidida por sentença, de que não caiba recurso. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) § 4º Com exceção do compromisso arbitral, o juiz conhecerá de ofício da matéria enumerada neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) (...) (grifos não pertencem ao original) Por seu turno, o Código de Defesa do Consumidor CDC tutelou os direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos, estabelecendo novas regras para as demandas que envolvem interesses da coletividade. Desse modo, o CDC é considerado como a disciplina comum das ações coletivas no Brasil, também chamado pela doutrina de “Código Brasileiro dos Processos Coletivos”. Senão vejamos: (...) Art. 103 Nas ações coletivas de que trata este Código, a sentença fará coisa julgada: I erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação, com idêntico fundamento, valendo se de nova prova, na hipótese do inciso I do parágrafo único do artigo 81; II ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improcedência por insuficiência de provas, nos termos do inciso anterior, quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do artigo 81; III erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para beneficiar todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do inciso III do parágrafo único do artigo 81. § 1º Os efeitos da coisa julgada previstos nos incisos I e II não prejudicarão interesses e direitos individuais dos integrantes da coletividade, do grupo, categoria ou classe. § 2º Na hipótese prevista no inciso III, em caso de improcedência do pedido, os interessados que não tiverem intervindo no processo como litisconsortes poderão propor ação de indenização a título individual. Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I e II e do parágrafo único do art. 81, não induzem litispendência para as Fl. 245DF CARF MF Processo nº 15771.727118/201439 Acórdão n.º 3001000.389 S3C0T1 Fl. 245 9 ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva. Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo. Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: I interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; II interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base; III interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum. (...) (grifos não pertencem ao original) Conforme observase nos casos de ações coletivas que buscam a defesa de direitos individuais homogêneos, a coisa julgada formada apenas produzirá efeitos na esfera individual se o resultado da ação for favorável ou na hipótese de haver intervenção do indivíduo no processo como litisconsorte. Desse modo, os efeitos dessas ações coletivas apenas afetariam seu plano individual na hipótese de o resultado da ação lhe ser favorável, jamais quando julgado improcedente o pedido. Por conseguinte, no caso de improcedência do pedido, os interessados que não intervieram no processo como litisconsortes, estão aptos a pleitear os seus direitos a titulo individual, exercendo individualmente a plenitude de seu direito de defesa, já que a renúncia, prevista no artigo 38 da Lei 6.830 de 22.09.1980, jamais poderá ser presumida, na medida que os interessados ainda não ingressaram com sua própria ação. Assim, neste contexto, assiste razão o recorrente em buscar decisão favorável já na esfera administrativa, vez que a decisão judicial na Ação Ordinária 65914 74.2013.401.3400, por ser coletiva, não será conflitante com uma eventual procedência de seu pleito administrativo, vez que se for improcedente o pleito judicial coletivo ainda existiria o direito individual do contribuinte. Demais disso, não parece ser razoável obstar a esfera administrativa por conta da existência de demanda judicial em que o recorrente não tenha tido a oportunidade de influenciar no resultado, o que configuraria flagrante ofensa às garantias constitucionais da ampla defesa e do devido processo legal. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 15771.727118/201439 Acórdão n.º 3001000.389 S3C0T1 Fl. 246 10 Nestes termos, comungo do entendimento segundo o qual existindo a manifestação expressa do autuado em sentido de apresentar suas peças impugnatória e recursal no presente caso, está clara a sua intenção de discutir diretamente a demanda no presente processo administrativo fiscal, defendendo o seu direito individual, razão pela qual não vejo como adotarse o entendimento da renúncia à esfera administrativa, pois renúncia de direitos deve ser exercida de forma direta, não sendo admissível a renúncia à discussão do débito tributário imposto por meio de autuação fiscal na esfera administrativa senão por força do ajuizamento de ação judicial pelo próprio renunciante, na medida que o ajuizamento de ação coletiva por parte de substituto processual não tem o condão de produzir tal efeito. Assim, a renúncia não se verifica quando, ainda que coincidentes pedidos e causa de pedir, não tenha sido a medida judicial proposta pelo mesmo contribuinte vinculado ao processo administrativo, pois ausente o requisito de identidade de partes, cumulativamente exigido no § 2º do artigo 301 do CPC, antes referido. Da conclusão Com tudo o que foi exposto, entendo que não houve renúncia à esfera administrativa, razão pela qual voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a concomitância com o processo judicial e determinar retorno dos presentes autos à DRJ/SPO, para a devida apreciação da impugnação ofertada pelo autuado, ora recorrente. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.973287/2012-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.973287/2012-26
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878575
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.439
nome_arquivo_s : Decisao_10880973287201226.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10880973287201226_5878575.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7359986
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585030197248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1394; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.973287/201226 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.439 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 16 de maio de 2018 Assunto IRPJ Recorrente TECBENS EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 73 28 7/ 20 12 -2 6 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.973287/201226 Resolução nº 1201000.439 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “1. Trata o presente processo de Despacho Decisório (DD) de nº [...], emanado pela Autoridade Administrativa que analisou a DCOMP nº [...] e não deferiu a compensação declarada, em razão da localização de um ou mais pagamentos integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando, quanto ao DARF apresentado, crédito disponível a ser aproveitado na presente DCOMP. O referido DARF, conforme os sistemas da Receita Federal do Brasil RFB possui: período de apuração – 30/06/2010; data de arrecadação – 30/08/2010; código de receita – 2089 (IRPJ LUCRO PRESUMIDO) e valor original utilizado R$ 65.172,76. 1.1. A transmissão da DCOMP ocorreu em 29/07/2011. 2. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, [...] alegando, em síntese, que: (...) I DOS FATOS A empresa tem sua tributação baseada na sistemática do lucro presumido. No segundo e terceiro trimestres do ano civil de 2010, apurou receitas em duas modalidades: prestação de serviços e venda de imóveis. Na apuração do imposto de renda (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) dos referidos trimestres, foram consideradas as duas modalidades de receita como sendo somente de prestação de serviço. Isto posto, as receitas de vendas de imóveis tiveram suas bases de redução calculadas à alíquota de 32% ao invés de 8% para fins de IRPJ, e no caso da CSLL à alíquota de 32% ao invés de 12%. (...) Em razão desses créditos fiscais, a partir de maio de 2011 foram solicitados pedidos de compensações, através de PER/DCOMPs para quitação de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL vincendos a partir daquela data que estão sendo objetos de questionamento de Despachos Decisórios. Lamentavelmente, quando da elaboração e apresentação da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), não foram configurados os referidos créditos fiscais na ficha 14A linha 07 e 18A linha 03, correspondente à apuração do IRPJ e da Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.973287/201226 Resolução nº 1201000.439 S1C2T1 Fl. 4 3 CSLL do segundo e terceiro trimestres de 2010, uma vez que as cifras ficaram apresentadas na linha 07 da ficha 14A (IRPJ) receita bruta sujeita ao percentual de 32% e linha 03 ficha 18A (CSLL) receita bruta sujeita ao percentual de 32%, ao invés da segregação entre as receitas sujeitas ao percentual de 32% e aquelas sujeitas ao percentual de 8%, para fins de IRPJ, e sujeitas ao percentual de 12% para fins de CSLL. Com isto, os saldos a pagar de IRPJ, bem como o da CSLL, ficaram idênticos aos valores recolhidos através de DARF não configurando a demonstração do crédito, pois se os valores apresentados na DIPJ como saldos a pagar fossem efetivamente menores do que os recolhidos, ficaria evidente o direito de crédito por recolhimento a maior. II – DO DIREITO (...) II. 2 DO MÉRITO Conforme explicado anteriormente, a empresa agiu de boa fé, utilizando os preceitos e fundamentos legais para denunciar o seu crédito e a respectiva utilização através dos instrumentos de compensação, e, em sendo assim, a empresa não pode ter o seu direito cerceado pelo equívoco que cometeu no preenchimento da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), e dessa forma não ter a homologação através de Despacho Decisório de seus créditos fiscais legítimos por recolhimento a maior. III DOCUMENTOS ANEXADOS Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (...) 8. Razão contábil do segundo e terceiro trimestres de 2010 das receitas de vendas de imóveis (Contas contábeis 3.1.02.01.0004 abril/2010 e 310301001 de maio a setembro de 2010). (...) 11. Controle de utilização dos créditos fiscais. IV DO PEDIDO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do Despacho Decisório, espera e requer a impugnante que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade para revisão da decisão e consequente cancelamento do Despacho Decisório rastreamento n° [...], consideração da existência do crédito fiscal e a homologação para compensação/quitação do débito no valor de [...]." 2. Em sessão de 26 de agosto de 2014, a 4ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade pela ausência dos elementos de prova capazes de atestar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação, conforme Acórdão nº 1660.822, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.973287/201226 Resolução nº 1201000.439 S1C2T1 Fl. 5 4 Anocalendário: 2010 DCOMP. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” 3. A DRJ/SPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Embora a Recorrente tenha juntado cópias do razão contábil e planilha própria de utilização dos créditos fiscais, ambas referentes aos segundo e terceiro trimestres de 2010, constatou que a) as cópias do Livro Razão não estão acompanhadas dos respectivos documentos de respaldo (contrato de venda e compra do imóvel; comprovante de recebimento da respectiva receita, etc); b) também não estão acompanhadas de cópias dos lançamentos correspondentes no Livro Diário, devidamente registrado na Junta Comercial. Portanto, o direito creditório pleiteado não pode ser considerado líquido e certo. 3.2. Sustenta que, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, sob pena de precluir o direito da Recorrente fazêlo em outro momento processual. 4 Cientificada da decisão em 01/12/2015 , a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/12/2015, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que a prova documental produzida nos autos já seria suficiente para comprovar seu direito creditório, mas, para que não pairem dúvidas, juntou a seguinte documentação complementar: (i) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02); (ii) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03); (iii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04); (iv) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05); e (v) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06). 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de receber os documentos complementares anexos e converter o julgamento em diligência baixando os autos para que a autoridade preparadora examine os documentos novos juntados que complementam a prova do crédito da Recorrente utilizado nessa DCOMP, ou dignese acolher o recurso para o fim de homologar a presente declaração de compensação. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.973287/201226 Resolução nº 1201000.439 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.425, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658130/201273, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.425): " 6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Em primeiro lugar, há de se ressaltar a plausibilidade jurídica do pleito da Recorrente acerca da juntada de documentação complementar em sede de Recurso Voluntário. 8. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 9. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 10. No mais, de acordo com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, é possível a juntada de provas complementares para contrapor às 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.973287/201226 Resolução nº 1201000.439 S1C2T1 Fl. 7 6 razões do julgamento de primeira instância à luz dos princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório efetivo, verbis: " (...) PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual.Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1a instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos.E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo. (...)" (Processo nº 16327.001040/200891, Acórdão nº 1102000.940, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 08.10.2013, Relator: José Evande Carvalho Araujo) 11. Notese que, cabe a autoridade julgadora verificar a necessidade e a utilidade do recebimento da prova de forma a harmonizar valores e princípios constitucionais e processuais, verbis: " PRINCÍPIOS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. OFICIALIDADE. VERDADE MATERIAL. APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. CONSIDERAÇÃO. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (...)" (Processo nº 10880.008207/200611), Acórdão nº 2801003.682, 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento, Sessão de 09.09.2014, Relator: Carlos César Quadros Pierre) 12. Portanto, acolho o pedido da Recorrente no sentido de admitir as provas acostadas em sede de Recurso Voluntário por considerálas úteis e necessárias para devida apreciação do processo. 13. No mais, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.973287/201226 Resolução nº 1201000.439 S1C2T1 Fl. 8 7 14. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 15. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto)(grifos nossos) 16. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 17. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 18. Tendo essas premissas em mente, passamos à análise do caso concreto. 19. A Recorrente exerce a atividade de compra e venda de imóveis próprios, bem como a locação de imóveis próprios. 20. Como é sabido, na venda de imóveis próprios a alíquota de presunção do lucro é de 8% (IRPJ) e 12% de CSLL, sendo que na locação, esta alíquota é de 32% 21. Entre abril de 2010 e setembro de 2010 a Recorrente vendeu um imóvel próprio e apurou IRPJ e a CSLL como locação. Portanto, tributou à alíquota de 32% ao invés de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL), daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ e CSLL no segundo e terceiro trimestres do anocalendário de 2010. 22. No presente caso, não há controvérsia acerca do preenchimento dos requisitos (i) e (ii) constantes do item 16, mas do (iii). A DRJ [...] considerou que as provas apresentadas em sede de Manifestação de Inconformidade [...] não foram suficientes para que o crédito pleiteado fosse considerado líquido e certo. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.973287/201226 Resolução nº 1201000.439 S1C2T1 Fl. 9 8 23. Ocorre que, a ora Recorrente tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto, complementarmente, em seu Recurso Voluntário [...], apresentou vasta documentação probatória hábil a demonstrar a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo, tais como: (i) doze DARFs de recolhimento de IRPJ e da CSLL referente ao segundo e terceiro trimestre de 2010 [...]); (ii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Original [...]; (iii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Retificadora transmitida em 21/11/2012 e seu recibo [...]; (iv) razão contábil do segundo e terceiro trimestre de 2010 das receitas de vendas de imóveis (contas contábeis 3.1.02.01.0004 abril/2010 e 310301001 de maio a setembro de 2010,[...]); (v) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02, [...]); (vi) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03, [...]); (vii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04, [...]); (viii) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05, [...]); e (ix) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06, [...]). 24. A priori, a documentação fiscal e contábil trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 25.Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 26. Em face do exposto, diante de toda a documentação acostada aos autos, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo aos períodos sob apreciação; (ii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ e CSLL, anocalendário 2010, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 27. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 28. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.973287/201226 Resolução nº 1201000.439 S1C2T1 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.902577/2011-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Deve ser reconhecida a contradição no julgado que contém na parte do acórdão conclusão diversa da assinalada no seu dispositivo.
Numero da decisão: 2201-004.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos formalizados pelo Conselheiro para, sanando o vício identificado no Acórdão 2201004.450, de 04 de abril de 2018, alterar sua parte dispositiva analítica, fazendo constar no acórdão que o colegiado decidiu, por unanimidade, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
((Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Deve ser reconhecida a contradição no julgado que contém na parte do acórdão conclusão diversa da assinalada no seu dispositivo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10530.902577/2011-84
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888326
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.608
nome_arquivo_s : Decisao_10530902577201184.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10530902577201184_5888326.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos formalizados pelo Conselheiro para, sanando o vício identificado no Acórdão 2201004.450, de 04 de abril de 2018, alterar sua parte dispositiva analítica, fazendo constar no acórdão que o colegiado decidiu, por unanimidade, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. ((Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7382697
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585033342976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 123 1 122 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.902577/201184 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2201004.608 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Embargante CONSELHEIRO DANIEL MELO MENDES BEZERRA Interessado TERMOBAHIA S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Deve ser reconhecida a contradição no julgado que contém na parte do acórdão conclusão diversa da assinalada no seu dispositivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos formalizados pelo Conselheiro para, sanando o vício identificado no Acórdão 2201 004.450, de 04 de abril de 2018, alterar sua parte dispositiva analítica, fazendo constar no acórdão que o colegiado decidiu, por unanimidade, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. ((Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 25 77 /2 01 1- 84 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10530.902577/201184 Acórdão n.º 2201004.608 S2C2T1 Fl. 124 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração em face do Acórdão n° 2201004.450, da 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (efls. 109 e ss), cuja ementa e dispositivo abaixo se transcrevem: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2002 MERA ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO E DE RETIFICAÇÃO DO DOCUMENTO DECLARATÓRIO. A alegação de que houve erro material no preenchimento da DCTF, e que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de prova cabal e inconteste do alegado erro material, bem como a retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário Imediatamente após a formalização do Acórdão em tela, o Conselheiro Relator, Daniel Melo Mendes Bezerra, formalizou os Embargos ora sob avaliação de admissibilidade, amparado no seguinte argumento: A ementa, a fundamentação e a parte dispositiva da decisão embargada convergem para negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. No mesmo sentido, todo o debate que norteou o julgamento desta E. Turma em sessão de julgamento público foi conduzido para, à unanimidade, negar provimento ao apelo recursal. Todavia, constou na parte do acórdão propriamente dita, em que se veicula o posicionamento dos integrantes do Colegiado, que a decisão foi por rejeitar as preliminares arguidas e dar provimento ao recurso voluntário.A ata da sessão foi publicada nesses termos. Compulsandose detidamente a decisão recorrida, inferese que estamos diante de um manifesto lapso, que redundou em contradição entre as partes integrantes do acórdão, resultando, também, em equívoco na formalização da ata de julgamento. O despacho de admissibilidade foi exarado nos termos seguintes: Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10530.902577/201184 Acórdão n.º 2201004.608 S2C2T1 Fl. 125 3 A análise superficial das considerações do Conselheiro embargante, cotejandoas com os termos expressos no voto condutor do Acórdão guerreado, é suficiente para atestar que, de fato, houve o vício apontado, que se restringe ao dispositivo registrado na Ata de Julgamento. Sendo certo que, embora tal registro tenha dado o provimento do recurso, a conclusão expressa pelo relator foi pela negativa de provimento do pleito. Assim, por tudo que conta nos autos, bem assim nas razões expressas no presente Despacho, no uso das competências a mim conferidas pelo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, admito os Embargos de Declaração propostos pelo Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, a quem, em razão de sua condição de Relator do Acórdão embargado, deve ser distribuído o presente para relatoria e nova inclusão em julgamento. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Por preencherem os requisitos de admissibilidade, conheço dos embargos de declaração opostos e passo a sua análise. A ementa, a fundamentação e a parte dispositiva da decisão embargada convergem para negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. No mesmo sentido, todo o debate que norteou o julgamento desta E. Turma em sessão de julgamento público foi conduzido para, à unanimidade, negar provimento ao apelo recursal. Todavia, constou na parte do acórdão propriamente dita, em que se veicula o posicionamento dos integrantes do Colegiado, que a decisão foi por rejeitar as preliminares arguidas e dar provimento ao recurso voluntário. A ata da sessão foi publicada nesses termos. Compulsandose detidamente a decisão recorrida, inferese que estamos diante de um manifesto lapso, que redundou em contradição entre as partes integrantes do acórdão, resultando, também, em equívoco na formalização da ata de julgamento. Conclusão Ante o exposto, voto em conhecer e acolher os embargos de declaração, alterando a parte dispositiva analítica, fazendo constar no acórdão que o colegiado decidiu, por unanimidade, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10530.902577/201184 Acórdão n.º 2201004.608 S2C2T1 Fl. 126 4 Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.725513/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/02/2012
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.979
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/02/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13811.725513/2012-76
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5882524
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.979
nome_arquivo_s : Decisao_13811725513201276.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13811725513201276_5882524.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7368499
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585034391552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1483; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13811.725513/201276 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.979 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria DACON MULTA POR ATRASO OU FALTA DE ENTREGA Recorrente MANPOWER PROFESSIONAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/02/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 55 13 /2 01 2- 76 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13811.725513/201276 Acórdão n.º 3201003.979 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 09 045.452, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13811.725513/201276 Acórdão n.º 3201003.979 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13811.725513/201276 Acórdão n.º 3201003.979 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13811.725513/201276 Acórdão n.º 3201003.979 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.725505/2012-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2012
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.974
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/04/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13811.725505/2012-20
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5882518
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.974
nome_arquivo_s : Decisao_13811725505201220.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13811725505201220_5882518.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7368487
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585036488704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1478; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13811.725505/201220 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.974 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria DACON MULTA POR ATRASO OU FALTA DE ENTREGA Recorrente MANPOWER STAFFING LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/04/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 55 05 /2 01 2- 20 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13811.725505/201220 Acórdão n.º 3201003.974 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 09 045.447, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13811.725505/201220 Acórdão n.º 3201003.974 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13811.725505/201220 Acórdão n.º 3201003.974 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13811.725505/201220 Acórdão n.º 3201003.974 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001465/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada.
IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS.
Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício, e havendo demonstração da atividade imputável ao fato gerador, cabível a exigência de IPI, nos termos legais aplicáveis e na relação de causa e efeito decorrente.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de Io de abril de 1995, juros de mora equivalentes à taxa SELIC.
INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco.
Numero da decisão: 1402-003.216
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e, no mérito, negar provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício, e havendo demonstração da atividade imputável ao fato gerador, cabível a exigência de IPI, nos termos legais aplicáveis e na relação de causa e efeito decorrente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de Io de abril de 1995, juros de mora equivalentes à taxa SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18471.001465/2007-81
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879855
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.216
nome_arquivo_s : Decisao_18471001465200781.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCO ROGERIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 18471001465200781_5879855.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e, no mérito, negar provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Leonardo Luis Pagano Gonçalves. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7362592
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585038585856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.503 1 1.502 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001465/200781 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.216 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Recorrente GAMIBEL DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício, e havendo demonstração da atividade imputável ao fato gerador, cabível a exigência de IPI, nos termos legais aplicáveis e na relação de causa e efeito decorrente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de Io de abril de 1995, juros de mora equivalentes à taxa SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 14 65 /2 00 7- 81 Fl. 1503DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e, no mérito, negar provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Leonardo Luis Pagano Gonçalves. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 18471.001465/200781 Acórdão n.º 1402003.216 S1C4T2 Fl. 1.504 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ, que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação do contribuinte acima mencionado, ora recorrente. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração dos impostos referentes ao Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Federal, que trata a lei nº 9.317/1996, , referente a fatos geradores corridos nos anoscalendário de 2004, acrescidas de multa de ofício agravada (112,5%) e mais os encargos moratórios de atualização. As autuações fiscais envolvem o montante de R$ 4.504.113,06, entre principal, multa e juros corrigidos até outubro/2007. Em essência, decorreram de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, o que ensejou o lançamento fiscal, mantido o recorrente na condição de optante do Simples Federal no período autuado. Abaixo, por bem retratar, transcrevo da decisão a quo, os detalhes que fundamentarem a autuação fiscal: 4. No termo de verificação e constatação fiscal de fls. 626/628 a fiscalização esclarece o seguinte: 4.1. Que a ação fiscal foi motivada pela constatação de incompatibilidade entre os valores das movimentações financeiras e a receita bruta anual declarada na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples do exercício de 2005, ano calendário de 2004 (PJSI 2005 Simples); 4.2. Que após reiteradas intimações para apresentar os Livros e demais documentos fiscais, bem como extratos bancários, sem que houvesse resposta por parte da interessada, foram expedidas Requisições de Movimentações Financeiras RMF destinadas às instituições financeiras Banco Bradesco S/A, Banco do Brasil S/A e Banco Safra S/A, as quais forneceram os dados das movimentações financeiras requisitadas; 4.3. Que foi expedido Ofício à Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro solicitando cópia do inteiro teor dos Atos Constitutivos da interessada e alterações posteriores; 4.4. Que não se procedeu ao arrolamento de bens de que trata o art. 65 da Lei n° 9.532/97, haja vista que após serem expedidos Ofícios ao 5o e 6o Distribuidor e ao Detran/RJ, se constatou não haverem bens em nome da interessada; 4.5. Que em 24/08/2007 a interessada foi novamente intimada a apresentar Livros e demais documentos contábeis e fiscais, assim como comprovar a origem Fl. 1505DF CARF MF 4 dos recursos utilizados nas operações detalhadas no anexo ao termo de intimação, que se referem aos créditos nas contas correntes mantidas junto às instituições financeiras. Sem haver respostas da interessada, foi lavrado Termo de Reintimação, cuja ciência se deu em 20/09/2007; 4.6. Que ficou caracterizado como receitas omitidas, na forma do art. 42, § Io, da Lei n° 9.430/96, os valores dos diversos depósitos efetuados nas contas correntes da interessada que não foram objeto de quaisquer esclarecimentos por parte da mesma de modo a comprovar as origens dos recursos utilizados nessas operações; 4.7. Que procedeu à Representação Fiscal para exclusão da interessada do Simples a partir do exercício de 2006, anocalendário de 2005, em virtude de a mesma ter ultrapassado, no anocalendário de 2004, o limite legal de receita bruta para permanência no sistema. 5. Os lançamentos foram assim fundamentados: 5.1. IRPJ: art. 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2o, § 2o, 3o, § 1o, alínea "a", 5o, 7o, § 1o, e 18 da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96; art. 3o da Lei n° 9.732/98; e arts. 186, 188 e 199 do regulamento do imposto de renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99). 5.2. IPI: arts. 2o, § 2o, 3o, § Io, alínea "e", 5o, § 2o, 7o, § 1o, e 18 da Lei n° 9.317/96; art. 3o da Lei n° 9.732/98; artigos 2o, 3o, 34, 35, 122 e 127 do RIPI/02; 5.3. PIS: art. 3o, alínea "b", da Lei Complementar n° 7/1970, c/c art. 1o, parágrafo único da Lei Complementar n° 17/73; arts. 2o, inc. I, 3o e 9o da Medida Provisória n° 1.249/95 e suas reedições; arts. 2o, § 2o, 3o, § 1o, alínea "b", 5o, 7o, § 1o, e 18 da Lei n° 9.317/96; art. 3o da Lei n° 9.732/98. 5.4. CSLL: art. 1o da Lei n° 7.689/88; arts. 2o, § 2o, 3o, § 1o, alínea "c", 5o, 7o, § 1o, e 18 da Lei n° 9.317/96; art. 3o da Lei n° 9.732/98. 5.5. Cofins : arts. 1o e 2o da Lei Complementar n° 70/91; arts. 2o, § 2o, 3o, § 1o, alínea "d", 5o, 7o, § 1o, e 18 da Lei n° 9.317/96; art. 3o da Lei n° 9.732/98. 5.6. Contribuição D/ o INSS: arts. 2o, § 2o, 3o, § 1o, alínea "f', 5o, 7o, § 1o, e 18 da Lei n° 9.317/96; art. 3o da Lei n° 9.732/98. 6. Sobre as diferenças de imposto e contribuições apuradas se fez incidir a multa de ofício no percentual de 112,50%, conforme determina o § 2o do art. 44 da Lei n° 9.430/96, c/c art. 19 da Lei n° 9.317/96, já que no decorrer do procedimento fiscal ficou caracterizada a falta de atendimento às intimações por parte da interessada. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: 7. Inconformada com a exigência, a interessada impugnou os lançamento interpondo as petições de fls. 699/732 (IRPJ), 818/853 (IPI), 937/970 (PIS), 1.056/1.089 (CSLL), 1.173/1.208 (Cofins) e 1.292/1.325 (INSS), nas quais alega, em síntese, o seguinte: Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 18471.001465/200781 Acórdão n.º 1402003.216 S1C4T2 Fl. 1.505 5 7.1. Que é tempestiva a impugnação; 7.2. Que é ilegítimo o lançamento com base exclusivamente em informações bancárias, uma vez que afronta a legislação de regência, assim como a jurisprudência administrativa e judicial que há décadas vem consagrando o entendimento de que depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador de tributos que possuem o faturamento como base imponível. Alega que caberia à Administração demonstrar que os depósitos bancários constituem rendimentos tributáveis, como exige o princípio da verdade material, e não simplesmente presumir que o eram; 7.3. Que é indevida a inclusão do imposto sobre os serviços ISS na base de cálculo do Simples, devendo os lançamentos serem revistos, de modo a excluir o ônus fiscal do ISS do cômputo da base de cálculo (receita bruta); 7.4. Que o art. 44 da Lei n° 9.430/96 foi alterado pela Lei n° 10.488/07, revogando a parte que determinava a aplicação da multa no percentual de 112,5%, devendo ser aplicada a nova legislação de forma retroativa, de acordo com o que determina a alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN. Além disso, argumenta que a multa aplicada é confiscatória, afrontando os princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, motivo pelo qual a mesma deve ser reduzida ao percentual de 50%, uma vez que as informações solicitadas foram obtidas junta às instituições financeiras; 7.5. Que a taxa Selic é imprópria para a cobrança de juros moratórios, devendo ser utilizada como indexador para atualização monetária o IPCA/IBGE. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, entendeu negar provimento integral à impugnação do contribuinte, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada. SIMPLES. BASE DE CÁLCULO. ISS. INCLUSÃO. O recurso advindo da prestação de serviços é receita bruta da pessoa jurídica, não tendo qualquer relevância, em termos jurídicos, se parte vai ser destinada ao pagamento de tributos. Conseqüentemente, os valores devidos à conta de ISS integram a base de cálculo do Simples. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. 112,5%. Fl. 1507DF CARF MF 6 Cabível a multa de 112,5% sobre a diferença ou totalidade dos tributos apurados de ofício, se comprovado que o contribuinte deixou de responder às intimações para prestar esclarecimentos no curso da ação fiscal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de Io de abril de 1995, juros de mora equivalentes à taxa SELIC. Lançamento Procedente Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: a omissão de receitas com base em depósitos bancários está tipificada no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, e caracteriza uma inversão do ônus da prova, envolvendo uma presunção legal. Nos autos, fica demonstrado terem sido cumpridos todos os requisitos legais para tanto, e a recorrente não apresentou nenhuma resposta até o final do procedimento fiscal; o valor correspondente ao ISS deve se somar na base de cálculo do Simples, pois o ISS vai integrar o valor do serviço e compor seu preço, não havendo nenhuma previsão legal para sua exclusão; a multa de ofício aplicada foi a agravada, ou seja, 112,5%, e está correta, pois ficou caracterizada a falta de atendimento às intimações no transcorrer do procedimento fiscal. Argumentos de que a multa é confiscatória e inconstitucional não é da competência dos julgadores administrativos; a alegação de que a taxa Selic é imprópria para a cobrança de juros moratórios não prospera, pois houve a aplicação dos ditames legais aplicáveis. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 06/05/2009, a recorrente apresentou recurso voluntário em 02/06/2009. Na sua peça recursal, praticamente repisa os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: nulidade do lançamento promovido exclusivamente em face de extratos bancários, pois a inversão do ônus da prova traz manifesto prejuízo à sua defesa. Ademais, o lançamento com base em extratos bancários afronta a legislação de regência, bem como a jurisprudência administrativa e judicial; não há a obrigação de obrigação tributária quanto ao recolhimento do IPI, pois não é contribuinte deste imposto, e há vício formal, pois não houve a individualização dos produtos. Tal alegação não apreciada na decisão a quo; é ilegal a inclusão do ISSQN no cômputo da base de cálculo da Cofins/Pis, pois ofenderia o art. 195,I da Constituição; Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 18471.001465/200781 Acórdão n.º 1402003.216 S1C4T2 Fl. 1.506 7 a multa seria aviltante e haveria a necessidade da sua redução, afrontando os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; inaplicável a taxa de juros Selic como correção monetária do juros de mora; do seu pedido: VII DO REQUERIMENTO Por todo o exposto, a Recorrente requer o provimento do presente Recurso Voluntário para que seja julgado improcedente o lançamento, reconhecendose a nulidade do lançamento. Caso não seja possível o provimento do presente recurso para acolher a nulidade do lançamento, que ao menos seja reconhecida a ilegalidade na inclusão do ISSQN no cômputo da base de cálculo da COFINS/PIS; diminuição da multa de ofício para 50% e substituição da Taxa Selic pelo IPCA/IBGE. É o relatório. Fl. 1509DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O recurso voluntário, apresentado foi tempestivo, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço, ressalvando a matéria de inconstitucionalidade alegada, conforme abaixo descrito. Da síntese dos fatos: O presente processo versa sobre autos de infração de receitas omitidas, decorrentes de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2004. Aplicouse a multa de ofício agravada, pois a recorrente não respondeu a nenhuma intimação fiscal. Exclusão do Simples a partir do ano seguinte. A autuação fiscal versa sobre IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, INSS e IPI como reflexos. IPI por conta da atividade constatada no contrato social e na PJSI2005, apesar da recorrente se dizer não contribuinte de IPI nesta declaração. Na sua peça impugnatória, a recorrente se insurge, que é ilegítimo o lançamento com base exclusivamente em extratos bancários. Seria indevida a inclusão do ISS sobre a base do Simples. A recorrente não é contribuinte de IPI, pois não fabrica nada. A multa de 112,5% aplicada está revogada e seria confiscatória. A taxa selic é imprópria para a cobrança de juros moratórios. Na decisão a quo houve o entendimento que a omissão de receitas com base em depósitos bancários está tipificada no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, e foram todos os requisitos do ordenamento, não merecendo reforma a autuação. O valor do ISS integra o valor do serviço e respectivo preço, não havendo previsão legal para sua exclusão da base de cálculo do Simples. A multa de ofício agravada está correta, pois está caracterizada a falta de atendimento às intimações fiscais no transcorrer do procedimento fiscal. A taxa selic aplicada é apenas respeito aos ditames legais pertinentes. Silenciou no acórdão recorrido quanto a matéria do IPI constituído e impugnado. Na sua peça recursal repisa praticamente as mesmas alegações da sua peça impugnatória, nada diferente agregando. Das questões suscitadas na peça recursal Preliminar alegação de nulidade por conta de lançamento com base em extratos bancários Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 18471.001465/200781 Acórdão n.º 1402003.216 S1C4T2 Fl. 1.507 9 Alega a recorrente nulidade do lançamento promovido exclusivamente em face de extratos bancários, pois a inversão do ônus da prova traria manifesto prejuízo à sua defesa. Ademais, o lançamento com base em extratos bancários afronta a legislação de regência, bem como a jurisprudência administrativa e judicial No mérito, não coaduno com tal alegação, pois a natureza dos valores autuados é de receita omitida, decorrente de depósitos bancários não comprovados a sua origem, e sua aplicação está regrada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996, com a alteração da feita da Lei nº 9.481/1993, em que versa já no caput e § 1º, o seguinte: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Ou seja analisandose a autuação, foi aplicado pela Autoridade Fiscal uma presunção prevista em lei para apuração dos valores omitidos. Esta presunção acarreta na situação da inversão do ônus probatório, devendo o contribuinte demonstrar que os valores creditados não são receitas omitidas. Por conseguinte, REJEITO A PRELIMINAR SUSCITADA. No mérito quanto a alegação de que não é contribuinte do IPI Imposto sobre Produtos Industrializados Alega a recorrente que não há a obrigação tributária quanto ao recolhimento do IPI, pois não é contribuinte deste imposto, e há vício formal, pois não houve a individualização dos produtos. E que tal alegação não foi apreciada na decisão a quo. Compulsando os autos, confirmase que tal matéria não foi apreciada na instância administrativa a quo. Talvez se explique, pela situação processual ocorrida: a recorrente apresentou, então, impugnação para cada um dos autos de infração (referente a cada tributos constituído dentro do SimplesFederal IRPJ, IPI, PIS, CSLL, Cofins, CSLL), ou seja, 6 (seis) peças impugnatórias. Todas as impugnações estavam idênticas, com exceção da de IPI, que alegava tal questão pertinente. Provavelmente, o relator condutor do acórdão recorrido e respectiva turma não vislumbraram tal situação e se limitaram a analisar a impugnação, provavelmente, de IRPJ apenas. A motivação para inclusão do IPI na autuação fiscal não está descrita explicitamente no termo de constatação (descrição dos fatos anexo ao auto de infração) elaborado pela autoridade fiscal autuadora. Nos autos de infração há menção ao enquadramento legal aplicável. Fl. 1511DF CARF MF 10 Verifico que a motivação decorra da atividade que consta na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica PJSI 2005 Simples entregue pela recorrente, em que coloca como sua atividade para o anocalendário de 2004 o código de atividade econômica CNAE Fiscal 24.732/00 Fabricação de artigos de perfumaria e cosméticos. Contudo, observo nesta mesma declaração, em outro campo, que a recorrente se identifica como não sendo contribuinte do IPI. Na sua peça impugnatória referente ao IPI constituído (efls. 830 a 865), a agora recorrente se insurge quanto tal lançamento, alegando que no anocalendário de 2004 seu objeto social era de "conserto de máquinas e aparelhos eletrodomésticos", e que tais atividades não tem nenhum fato imponível do IPI. Tenta demonstrar tal situação anexando cópia de uma alteração contratual datada de 01/06/2006, e registrada na Junta Comercial em 30/08/2006, da ocorrência da alteração da atividade da sociedade para "distribuição e comércio atacadista de perfumaria, cosméticos e produtos de higiene pessoal; importação e exportação de produtos de perfumaria, cosméticos e de higiene pessoal", contudo, não há as alterações anteriores, e nem menção de qual sua atividade anterior a esta. Na sua peça recursal, informa que tal matéria passou alheia na instância administrativa de primeiro grau, e reforça seus argumentos no seguinte sentido: 3. Sendo assim, em que pese a Recorrente está inscrita no regime de tributação pelo SIMPLES, e a que a origem da glosa foi justamente a suposta "omissão de receita", situação estranha ao fato gerador do IPI, parece lícito concluir pela ilegalidade do ato administrativo lançamento que incluiu esse tributo no rol daqueles insertos no SIMPLES. 4. Ademais, vejase que um fato passou alheio a E. Turma Julgadora do Rio de Janeiro. Tratase da ausência do procedimento formal de fiscalização desse imposto, onde o Sr. Auditor Fiscal autuante deveria elencar produto a produto, eis que, sem essa postura estaria prejudicando a defesa do contribuinte. 5. Por outro lado, e não obstante o "enquadramento legal" esteja alicerçado no artigo 5o, §2° da Lei 9.317/969, certo é que pelas razões alhures justificadas a Recorrente não é e nunca foi contribuinte do IPI! Aqui cabe uma análise mais detida da situação encontrada nos autos, primeiramente para definirmos se a recorrente, no anocalendário de 2004, tinha atividade com base imponível para fato gerador do IPI. Posteriormente, se houver entendimento que há esta situação, verificar o enquadramento legal aplicável. Destarte, cabe salientar que a recorrente não respondeu nenhuma intimação fiscal durante o procedimento fiscal, ficando totalmente silente até apresentar sua impugnação. Durante o procedimento fiscal, a autoridade fiscal intimou as instituições financeiras que a recorrente detinha conta bancária, pedindo além dos extratos bancários, os dados constantes da ficha cadastral. São três instituições financeiras: banco Safra S/A, banco Bradesco S/A e banco do Brasil S/A. Nos elementos retornados destas instituições financeiras, constante dos autos, podese depreender as seguintes informações pertinentes ao tema de qual atividade da recorrente exercida no anocalendário de 2004: Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 18471.001465/200781 Acórdão n.º 1402003.216 S1C4T2 Fl. 1.508 11 no banco Safra S/A, consta como atividade da recorrente "fabricação de cosméticos". Consta também os principais fornecedores, às quais inclui aparentemente, pelo nome da pessoa jurídica, indústrias de plástico, química, embalagens. Está datado de 19/05/2004 (efls. 35 e 36); no banco do Brasil S/A consta como atividade "comércio atacadista". Esta informação está datada como alterada em 18/07/2006 (efls. 60 a 61); no banco Bradesco S/A consta como "com. at. prod. perfumaria, higiene pessoal", como data a última alteração dos dados em 10/02/2005 (efl. 211); Igualmente, durante o procedimento fiscal, houve solicitação à Junta Comercial do Estado do RJ, em que enviasse cópia de inteiro teor dos atos constitutivos e alterações posteriores da recorrente (efl. 68). Na sua resposta (efl. 70), retornou apenas com o último ato de 2006. Ou seja, não retornou com todos atos desde a constituição da recorrente. Não vislumbrei nos autos nenhum outro elemento referente ao tema de qual a atividade da recorrente. Por conseguinte, há indicativos que para o anocalendário de 2004, a recorrente tinha alguma atividade inerente a fabricação de artigos de perfumaria e cosméticos, conforme consta na sua própria PJSI 2005 entregue. Há indícios que em 2005/2006 mudou de atividade para comércio atacadista de produtos de perfumaria e cosméticos. Até poderiam ambas atividades coexistir, mas não há condições de precisar tal informação. Contudo, como já exposto acima, há elementos para darem suporte ao posicionamento da autoridade fiscal autuadora, e constituição do auto de infração de IPI decorrente da omissão de receitas. A recorrente não logrou demonstrar o contrário, se valendo basicamente de uma alteração contratual datada em 2006 e de alegações genéricas sobre o tema. Por isso, entendo que há indícios o bastante que a atividade exercida pela recorrente no anocalendário de 2004 é passível de incidência do IPI, que no caso, será sob a sistemática de recolhimento do Simples Federal. Sobre a alegação da recorrente que o fato de estar inscrita no Simples, e omissão de receita seria situação estranha ao fato gerador do IPI, e que deveria ter sido elencado produto a produto para tal imputação, entendo que não procede. O fato de estar inscrita no Simples Federal poderia ensejar sim ser contribuinte também do IPI, tanto que haveria adicional de 0,5 (meio) ponto percentual da alíquota aplicável nos termos da Lei nº 9.317/1996, seu art. 5º, §2º, legislação de regência para o anocalendário de 2004. Definida, como explicitado acima, que a atividade do recorrente é de fabricação de produtos de perfumaria e cosméticos, plausível presumir que suas receitas sejam decorrente da venda destes itens fabricados, que deram saída do seu estabelecimento, no caso industrial ou equiparado. No caso, a recorrente não respondeu nenhuma intimação, não trazendo ao conhecimento da autoridade fiscal, e nem da autoridade julgadora, os livros contábeis e fiscais Fl. 1513DF CARF MF 12 pertinentes, há presunção que a receita omitida não foi contabilizada, e os depósitos bancários refletiriam estes valores. Como a recorrente é optante do Simples Federal no anocalendário de 2004, condição que só foi excluída a partir do anocalendário de 2005, e a legislação de regência (Lei nº 9.317/1996) estabelece uma alíquota fixa (0,5 ponto percentual adicionada à alíquota decorrente do seu montante de receitas) para os casos que o contribuinte queira simplificar sua sistemática de apuração e recolhimento de tributos e contribuições federais, mais que justificável que, se apurada omissão de receitas, cabível a exigência em foco. Ademais, o art. 448 do Decreto nº 4.544/2002, RIPI/2002, vigente à época dos fatos, estabelece que estaria em sintonia à apuração de IPI com base em receitas omitidas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada: Elementos Subsidiários Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matérias primas, produtos intermediários e embalagens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). § 1º Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigirseá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) § 2º Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no § 1º. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) Destarte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. quanto a alegação de que não se aplica a selic como correção monetária dos juros de mora No que tange à alegada ilegalidade da taxa SELIC adotada, cabe aqui destacar que esta discussão já teve sua conclusão sedimentada no CARF, que emitiu a seguinte e de claro teor Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 18471.001465/200781 Acórdão n.º 1402003.216 S1C4T2 Fl. 1.509 13 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O mesmo entendimento foi professado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.073.846/SP, de 25/09/2009, de relatoria do Exmo. Min. Luiz Fux, sob a dinâmica do art. 543C do Código de Processo Civil vigente à época. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, quanto a este item. quanto a alegação que seria ilegal a inclusão do ISSQN na base de cálculo do PIS/Cofins,e de que a multa seria aviltante e inconstitucional Na sua peça recursal, alega a recorrente que é ilegal a inclusão do ISSQN no cômputo da base de cálculo da Cofins/Pis, pois ofenderia o art. 195,I da Constituição. Suas alegações quanto a esta matéria foram de cunho de (in)constitucionalidade de tal posicionamento, e a decisão a quo as negou por falta de previsão legal de exclusão da base de cálculo do Simples. Igualmente, na sua peça recursal, alega que a multa seria aviltante e haveria a necessidade da sua redução, afrontando os princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade. Nestas linhas de defesa, exclusivamente adotadas na sua peça recursal, compreendo que se afasta das possibilidades de manifestação deste colegiado. Em verdade, há vedação expressa no art. 26A do Decreto 70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da do processo administrativo fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, NÃO CONHEÇO destas matérias do recurso voluntário. Conclusão: Voto por conhecer parcialmente o recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e no mérito NEGAR PROVIMENTO integral ao recurso voluntário. Fl. 1515DF CARF MF 14 (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 1516DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905744/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE.
Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
Numero da decisão: 3402-005.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.905744/2008-45
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5880582
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.364
nome_arquivo_s : Decisao_10980905744200845.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO DINIZ RIBEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10980905744200845_5880582.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7363907
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585042780160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1433; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 477 1 476 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.905744/200845 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.364 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria COFINS Recorrente Garagem Moderna Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 44 /2 00 8- 45 Fl. 477DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000446 (fls. 154/156), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10980.905744/200845 Acórdão n.º 3402005.364 S3C4T2 Fl. 478 3 3. Referida diligência foi cumprida, gerando o relatório fiscal, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Do crédito compensado 6. Em suma, o contribuinte apresentou pedido de compensação (DCOMP) alegando que recolheu valores que não eram devidos a título de PIS, ao fundamento que na operação perpetrada haveria incidência monofásica da tributação, nos termos da lei n. 10.485/02. 7. Em sede de diligência fiscal, assim apurou a unidade preparadora: (...). 6. A planilha elaborada por esta fiscalização levou em conta que: 6.1 – A tabela apresentada pelo contribuinte relacionando os produtos que vende, e respectiva classificação TIPI, não abrange todos os produtos que vende, conforme acima já se referiu e exemplificou. 6.2 Há produtos listados pelo contribuinte com cuja classificação TIPI não se concorda, mas que, ainda assim, se enquadram em classificação da TIPI cujo código também se encontra entre os que são beneficiados com a alíquota zero. Outros (pneus e câmaras de ar) que, não relacionados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, ainda assim fazem jus à alíquota zero do PIS, conforme previsto no parágrafo único, art. 5°, daquela mesma Lei. 6.3 Levouse em conta, também, que o contribuinte, tal como consta na trigésima alteração de seu Contrato Social (fls. 134 a 138), Cláusula Terceira, tem por objeto social a exploração do ramo de comércio de peças e acessórios, serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos auto motores, locação de automóveis sem condutor (49.3.02/0100), transporte de pessoal e pequenos volumes, e estacionamento para veículos e congêneres. 6.3.1 Ou seja, usando de bomsenso, considerouse que, se o contribuinte faturou uma mercadoria com o nome “borracha”, e esta designação, pura e simples, seja insuficiente para saber do que exatamente se trata, que, ainda assim, deve tratarse de Fl. 479DF CARF MF 4 produto para aplicação em um carro, ou seja, que não se trata de “borracha escolar”, por exemplo, embora também a possa vender. 6.4 O fato de se ter chegado à conclusão que determinado produto não se enquadra entre os listados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, a isso se limita. Não se considerou necessário determinar em que código da TIPI tal produto se enquadra. A decisão se deu por exclusão – se o produto não se enquadra entre os previstos nos referidos Anexos, não é relevante determinar em qual se enquadra. Cabe ao contribuinte, isso sim, em não concordando com tal conclusão, indicar em que código da TIPI, previsto naqueles Anexos I e II, se enquadraria o produto, fazendo sua exata descrição, não se admitindo descrição como, por exemplo, sikaflex (NF n° 10349 – Proc. 10 980.905727/200816), que outra coisa não é que não uma marca de produto, embora por ele se presuma tratarse de produto da linha “selantes e correlatos”, que não é peça para automóvel, e, portanto, também não faz jus à alíquota zero do PIS. 6.5 A planilha abrange todas, e tão somente, as notas fiscais em face das quais o contribuinte identificou produtos contemplados com a alíquota zero, por ele demonstradas na relação, de fls. 140 a 147. Não se faz qualquer observação em relação àquelas sobre as quais não se observou divergência de entendimento quanto ao valor beneficiado pela alíquota zero ou não, só o fazendo em relação àquelas cujo valor não beneficiado com a alíquota zero fosse maior que o encontrado pelo contribuinte, neste caso referindo, na coluna “produtos não beneficiados c/ alíq. 0”, o nome dos produtos cuja classificação TIPI não corresponde a nenhuma daquelas constantes nos Anexos I e II da Lei 10.485/2002, para que o contribuinte, querendo, possa refutar o entendimento desta fiscalização, porém, identificando o produto com a correta nomenclatura, o código TIPI em que o considera enquadrado, bem como a defesa/esclarecimento de assim considerar, tal como já alertado no subitem precedente. 7. Dado o acima exposto, confirmase que o crédito utilizado na compensação em causa neste processo está restrito ao valor de R$ 3.738,38 (item 5 e seus subitens, acima). (...) (grifos nosso). 8. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da análise perpetrada pela unidade preparadora, o contribuinte possuía algum crédito de PIS em razão de um indevido pagamento em operações ora sujeitas à monofasia ora subordinadas à alíquota zero, o que redundou em parte do crédito utilizado na presente compensação e glosado pela fiscalização. 9. Logo, há que se reconhecer como válido parte do crédito tomado pelo contribuinte, nos exatos termos em que constatado no sobredito relatório fiscal. Dispositivo Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10980.905744/200845 Acórdão n.º 3402005.364 S3C4T2 Fl. 479 5 10. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte no montante de R$ 3.738,38, nos exatos termos do relatório fiscal produzido pela unidade preparadora. 11. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 481DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914323/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999
TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.496
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.914323/2010-58
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5880016
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.496
nome_arquivo_s : Decisao_10880914323201058.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10880914323201058_5880016.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7363580
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585044877312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.914323/201058 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.496 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria PERDCOMP. PRESCRIÇÃO. Recorrente AUTO PECAS PORTO EIXO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 43 23 /2 01 0- 58 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.914323/201058 Acórdão n.º 3302005.496 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que, analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF nele discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: · Em preliminar, a falta de eficácia da intimação e sua validade, acarretando nulidade da notificação do despacho decisório; · No mérito, a Inconstitucionalidade das disposições da Lei n 9.718/98, sobre a COFINS e dos DecretosLei 2.445/98 e 2.449/98 quanto ao PIS; · Sobre a prescrição, o prazo prescricional para repetição do indébito tributário é de 5 (cinco) anos da homologação e como normalmente esta ocorre tacitamente somada mais com 5 (cinco) anos, a manifestante tem 10 (dez) anos do pagamento para restituir o que foi pago indevidamente; · Requer a reforma do Despacho Decisório, e que se mantenha vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei 10833/03, em seu Art. 17º § 11 (sic), e deste modo, os valores compensados estarão suspensos. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16034.846. Após ciência ao acórdão de primeira instância, apresentou recurso voluntário , em essência, reprisando a manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.914323/201058 Acórdão n.º 3302005.496 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.493, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.493): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase Declaração de Compensação DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 01/05), transmitida, em 27/09/2006, para a compensação de débitos de IRPJ lucro presumido (PA 06/2006) com créditos tributários (PA 04/1999) relativos à COFINS cumulativa, de que trata a Lei nº 9.718/98. PRELIMINAR Reitera a ora recorrente que a intimação para instaurar processo administrativo foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber qualquer correspondência da empresa manifestante e sendo seu sócio gerente seu representante legal, somente ele poderia ter recebido a correspondência. Direito ao ponto, pela perfeita subsunção dos fatos alegados ao enunciado da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não há de se falar em retroação dos efeitos do supracitado enunciado, visto, simplesmente consolidar jurisprudência1, antiga e pacífica, nos antigos Conselhos de Contribuintes e no atual CARF, baseadas na legalidade, especificamente do art. 23, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, justificada que a ênfase dada pelo caput a que a intimação seja provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, não tem o rigor que suponha necessária a pessoalidade do ato, sendo que a maioria das notificações e das intimações administrativas são promovidas por via postal, com prova de recebimento (AR) e que a entrega da intimação no domicílio 1 Acórdãos nºs 20168026, de 20/05/1992; 20209572, de 14/10/1997; 20171773, de 02/06/1998; 20306545, de 09/05/2000; 10707076, de 20/03/2003; 20208457, de 21/05/2003; 10807562, de 16/10/2003; 10614266, de 21/10/2003; 10246574, de 01/12/2004; 10420408, de 26/01/2005. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.914323/201058 Acórdão n.º 3302005.496 S3C3T2 Fl. 5 4 fiscal eleito pelo sujeito passivo é o quanto basta para que a relação processual se tenha completado, sendo irrelevante se o recibo foi assinado por quem não era representante legal do contribuinte. Tida como válida a ciência, por conveniente, refuto, também, a alegação de ter sido rasgada as regras dos princípios constitucionais e administrativos, como sugere o recorrente, haja vista a definição das normas impostas pelo Decreto nº 70.235/72, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazê lo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343 de 09/06/15RICARF/15), no mesmo sentido do enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face de todo o exposto, voto por não acatar as preliminares argüidas. MÉRITO A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, em razão das ilegalidade e inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota, de 2% à 3%, da COFINS, pela Lei nº 9.718/98. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar prescrito o direito de pleitear a repetição do indébito; e por entender não socorrer o interessado eventuais efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Quanto ao fundamento do indébito estar em possíveis inconstitucionalidades da Lei nº 9.718/98, entendo não ser papel dos órgão julgadores administrativos discorrer sobre direitos em tese, visto não existir nos autos uma única prova sequer da natureza do indébito, limitandose a ora recorrente a protestar pela posterior juntada de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado, desnecessários pelos efeitos da patente questão prejudicial de mérito (prescrição) que segue. Quanto à prescrição, o crédito tributário pleiteado via DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 02/05), transmitida em 27/09/2006, diz respeito à COFINS cumulativa do Período de Apuração PA 04/1999. Notase, nas informações constantes da DCOMP, que o interessado informou data de arrecadação em 30/04/2002 (fls. 02), porém, conforme consta no DARF (fl. 40), o recolhimento foi efetuado em 10/05/1999. Sobre a repetição de indébito tributário, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.914323/201058 Acórdão n.º 3302005.496 S3C3T2 Fl. 6 5 ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3º da LCp nº 118, de 2005) Sobre o prazo para repetição de indébito tributário, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 566.621/RS, com fundamento na sistemática da repercussão geral, do art. 543B, do CPC, firmou o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.914323/201058 Acórdão n.º 3302005.496 S3C3T2 Fl. 7 6 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tratandose de DCOMP transmitida em 27/09/2006 e inexistindo medida judicial, prévia à 09/06/2005, individualizando a garantia do direito ao interessado, aplicase o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos, fixado pela LC nº 118/2005, prescrevendo o direito de pleitear administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente, em 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme inciso I, do artigo 165, do CTN, e entendimentos firmados pelo RE 566.621/RS e pelo enunciado da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10(dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, conforme consta no DARF (fl. 40), ao recolhimento efetuado em 10/05/1999, encontravase prescrito o direito à repetição do alegado indébito, pedido via DCOMP transmitida em 27/09/2006, por força do inciso I, do artigo 165, do CTN, do RE 566.621/RS e da Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
