Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,988)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,536)
- Primeira Turma Ordinária (13,108)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,534)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,777)
- Terceira Câmara (68,236)
- Segunda Câmara (57,099)
- Primeira Câmara (21,379)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,096)
- Segunda Seção de Julgamen (115,765)
- Primeira Seção de Julgame (77,654)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,458)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,581)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,683)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,662)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,340)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10980.914277/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.907
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.914277/2012-21
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879991
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.907
nome_arquivo_s : Decisao_10980914277201221.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10980914277201221_5879991.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7363231
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585023905792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1759; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.914277/201221 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.907 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 77 /2 01 2- 21 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.914277/201221 Acórdão n.º 3201003.907 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.432, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.914277/201221 Acórdão n.º 3201003.907 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.914277/201221 Acórdão n.º 3201003.907 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.914277/201221 Acórdão n.º 3201003.907 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000045/2010-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COFINS NÃO-CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE.
A legislação da COFINS não-cumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.
"Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico.
AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS.
À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da COFINS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação.
No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória).
Numero da decisão: 3401-005.027
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 COFINS NÃO-CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação da COFINS não-cumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. "Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS. À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da COFINS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação. No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10925.000045/2010-96
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887844
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.027
nome_arquivo_s : Decisao_10925000045201096.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10925000045201096_5887844.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
dt_sessao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7375790
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585031245824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.000045/201096 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.027 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COFINS Recorrente AGRICOLA FRAIBURGO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 COFINS NÃOCUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação da COFINS nãocumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. "Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS nãocumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS. À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da COFINS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 45 /2 01 0- 96 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 2 exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação. No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, decorrentes de operações no mercado interno. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento dos créditos de valores referentes a itens não considerados como insumos pela fiscalização, de despesas de arrendamento mercantil e de encargos de depreciação. Além das glosas de créditos citadas, a autoridade fiscal também procedeu ao recálculo do rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. Embalagens Sustenta que, na realidade, as embalagens utilizadas, tanto internas (guardanapos, bandejas, etc) como externas, além da proteção à integridade de seu conteúdo (no caso específico a maçã), ainda tem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada pela requerente, o que conseqüentemente vem a valorizar o produto, elevam os insumos na elaboração dos produtos, motivam a compra do produto, inclusive pela marca apresentada, e, caracterizando inclusive embalagem de apresentação, conforme se infere nas fotos anexos. Alega, também, que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Faz expressa remissão aos artigos 3° e 5° da Lei n° 10.637/2002, ao artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002 e ao artigo 8° da Instrução Normativa SRF n° 404/2004, para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Menciona a contribuinte, ainda, disposições de outros tributos (IPI e ICMS) e de outra figura jurídicotributária (o crédito presumido do IPI) que, a seu juízo, também autorizariam uma acepção ampla para o conceito de insumo. E faz referência a manifestações administrativas que estariam a respaldar seu entendimento. Combustíveis e lubrificantes No que concerne aos combustíveis e/ou lubrificantes, contesta o entendimento fiscal de que os itens cujos valores de aquisição foram glosados não fariam parte do processo produtivo. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 4 Afirma que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 quanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Cita, ainda, os termos da alínea "b" do inciso I do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, que reproduz a autorização legal posta naquelas Leis. A partir destes atos legais, argumenta que o Despacho Decisório o auditor fiscal impôs restrições não legalmente postas. Reafirma seu direito aos créditos, "mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário à preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda". Serviços utilizados como insumo Na seqüência, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos relativos à aquisição de serviços de transportes. Contesta a glosa defendendo, inicialmente, que “todos os bens e serviços utilizados como insumos, na fabricação de bens e produtos destinados à venda, são autorizados a escrituração de créditos, tendo o contribuinte/requerente agido de acordo com os ditames legais”. Afirma que em relação aos serviços em geral utilizados como insumos, que englobam os serviços de transportes utilizados para o transporte das compras dos insumos, o direito de crédito está expressamente garantido pelo inciso II do artigo 3° e pelo artigo 5° da Lei n° 10.637/2002 e pelos incisos II e IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003. Com fundamento no inciso IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, alega: que quando ao vendedor couber o ônus do frete, por ocasião da venda de seus produtos, também poderá apropriar crédito, sendo esta mais uma opção de crédito, e não uma restrição em relação aos serviços utilizados como insumos; que, assim, se para aquisição de determinado insumo for necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito; que, da mesma forma, se para a fabricação/produção do produto, for necessário à utilização de serviços de fretes com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã, fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros, esse também está amparado pelo direito ao crédito. Explica que “Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado à venda”. Ao final deste item de sua manifestação de inconformidade, alega a contribuinte que seu entendimento está corroborado não apenas por soluções de consulta prolatadas por algumas SRRF (transcritas no texto), mas também pelos próprios termos das instruções de preenchimento da DACON e da alínea “b” do inciso I do parágrafo 5.° do artigo 66 da Instrução Nonnativa SRF n° 247/2002, que orientam no sentido de que os serviços prestados por pessoa juridica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, são tidos como insumos para fins de direito a crédito. Arrendamento mercantil Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 5 Em relação ao crédito decorrente das contraprestações de operações de arrendamento mercantil, a contribuinte traz os dispositivos que fundamenta seu direito inciso V do art. 3° das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e alega que nestes não há a restrição imposta pelo auditor fiscal. Já em relação ao contrato da operação, afirma “Conforme podemos verificar em contrato anexo, o mesmo e' contrato de arrendamento mercantil, independentemente da forma que está disposto o valor residual no mesmo”. Bens do ativo imobilizado A contribuinte contesta a glosa dos encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos em razão de não serem considerados como integrantes do processo produtivo da empresa. A contribuinte defende o direito ao crédito mencionando, exemplificativamente, alguns dos itens listados no anexo I do despacho decisório em questão. Assim se expressa: Conforme consta no anexo IV do despacho decisório em questão, segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtiva, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras ƒrigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda). Contesta a glosa dos encargos com depreciação dos pomares (macieiras) alegando ser equivocado o entendimento fiscal de que as macieiras não sofrem depreciação, mas exaustão. Explica que na cultura da maçã não ocorre a extração da árvore, a não ser ao término de sua vida útil, e por isso ocorre a depreciação do bem (macieira) pelo seu uso. Acrescenta que a exaustão se caracteriza pela extração da árvore e que, portanto, as florestas é que são sujeitas a exaustão, e não as macieiras, a teor do art. 334 do Decreto n° 3.000/1997. Entende a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002 quanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a “encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês”. Cita, ainda, os termos do artigo 4° do Ato Declaratório SRF n° 02/2003, no qual está expresso que “a apuração dos créditos decorrentes de depreciação e de amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de aquisição desses bens”. Alega, assim, que a legislação apresentada não faz as restrições apontadas pela análise fiscal, motivo pelo qual defende ser legítimo o direito ao crédito. Rateio Proporcional Por fim, em relação ao rateio proporcional dos custos comuns entre as receitas de mercado interno e externo a contribuinte assim se manifesta: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 6 Tendo em vista que a contribuinte efetuou o cálculo de acordo com o preenchimento da Dacon, através da versão 2.0, disponibilizada pela Receita Federal, e tendo em vista essa manifestação, requer o contribuinte que seja mantido o cálculo original, elaborado pelo contribuinte, de acordo com as orientações de preenchimento da DACON e de acordo com a legislação. Por unanimidade de votos, a DRJ/FNS, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do Acórdão nº 0727.608. Irresignada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade, mas também que não transferiu para o julgador o ônus da prova. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.018, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.000006/201099, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.018): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 16/05/2012, interpondo seu voluntário em 11/06/2012, portanto, dele tomo conhecimento. O presente contencioso cingese no reconhecimento de créditos da COFINS nãocumulativas, no ramo da agroindústria (atividade principal de cultivo de maçã), decorrentes dos chamados insumos (embalagens; aquisições de serviços de transportes; aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes; material de construção; limpeza de desinfecção; partes e peças de automóvel; fretes); despesas com arrendamento mercantil; encargos com a depreciação com recursos florestais; encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado e rateio proporcional de despesas. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 7 Consta da Intimação SAORT, na qual se requereu a apresentação de arquivos digitais de notas fiscais dos Livros Registros de Entradas e Saídas; folhas do Livro de Apuração do IPI e/ou do ICMS; relação de notas fiscais; relação de despesas com armazenamento e frete; memória de cálculo dos dados informados no DACON; relatório das notas fiscais de aquisição de insumos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não alcançadas pela incidência do PIS/COFINS; fluxograma detalhado do processo produtivo da Recorrente; memória de cálculo dos rateios; relação dos maiores fornecedores limitados a 20 que correspondessem a 80% do crédito pleiteado; relação das unidades (matriz e filiais); relação das exportações diretas e vendas à comercial exportadora; memorandos de exportação e arquivos digitais. Após, sobreveio a Intimação SAORT, a fim de que a Recorrente apresentasse cópias das notas fiscais de aquisição de bens/serviços utilizados como insumos, referentes ao 2° trimestre de 2006. Consta do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal TVEF: a) apresentou a documentação requerida nas Intimações acima; b) tem direito de crédito das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, vez que é produtora de maçã, nos termos do inciso III, artigo 28 da Lei 10.865/2004, beneficiandose dos saldos credores apurados para fins de ressarcimento ou compensação; c) o aproveitamento de créditos de bens e serviços utilizados como insumos deve seguir os termos da IN 404/2004, sendo efetuadas conferências físicas por amostragem de notas fiscais de entrada, de acordo com critérios definidos pelo Auditor Fiscal da RFB, onde foram levados em conta o valor das notas fiscais, os fornecedores. a descrição do produto constante na nota, a respectiva classificação CFOP e a sua relação com o processo produtivo. Também foram efetuadas consultas aos sistemas informatizados desta Secretaria, elaboradas planilhas para se verificar o correto enquadramento dos Códigos Fiscais de Operação (CFOP's) nas respectivas linhas do Dacon e realizadas conferências por amostragem dos totais declarados nos livros do contribuinte, com o objetivo de detectar possíveis erros e/ou omissões; c.1) foram identificadas inconsistências e/ou ajustes necessários: I) inclusão de bens e serviços que não encontram enquadramento no inciso II, do artigo 3°, da Lei 10.833/2003, tratandose, na verdade, de despesas gerais necessárias às operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial, sem direito a crédito das contribuições relativas ao PIS e à COFINS. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 8 E listou os itens glosados que não se enquadram como insumos: a) Material para embalamento e etiquetas: tampa de exportação branca linda fruta 20 kg, tampa festiva mark colada, tampa papelão, fundo exportação 20 kg, fundo papelão, lâmina de plástico com bolha, traypack (bandeja azul para acondicionar as maçãs), cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra (para impressão nas etiquetas), entre outros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que os materiais como cola e fita adesiva são utilizados na montagem das caixas. As notas fiscais dos fornecedores descrevem que as tampas e os fundos das caixas são de papelão ondulado (fls. 116, 118, 120, 127 a 130, e 133 do processo fiscal n° 10925.000021/2010 37ExportaçãoCOFINS). Nessa diligência do dia 22/07/2010, confirmouse que as tampas e os fundos das caixas são realmente feitos de papelão ondulado. E verificouse que essas caixas, o plástico bolha e o traypack têm o objetivo principal de proteger as maças durante seu transporte. b) Material para montagem de embalagem de transporte (bins): grampo, tábua pinus, ripa de madeira de pinus e prego. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificou se que bins são grandes caixas de madeira utilizados para transportar maçãs a granel, geralmente com pallet integrado, para facilitar o carregamento dessas caixas por empilhadeiras; c) Material de preparação para transporte da mercadoria: cantoneira eucatex e de eucalipto, cola branca, saco plástico para cantoneira, flta polyester e selo de aço para fita polyester; d) Produtos para movimentação de cargas pallet, carga de gás P5, gás a granel GLP. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o gás é utilizado como combustível para as empilhadeiras; e) Material de Construção: tinta Óleo, verniz, secante, diluente, thinner, telha, solvente, cimento etc; f) Limpeza e desinfecção: Formol. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o formol é utilizado para desinfecção dos locais de armazenagem; g) Partes e peças de automóveis: pneu e câmara de ar; h) Combustíveis: gasolina comum e Óleo díesel; i) Outros itens: saco plástico. Disse que somente são enquadrados como insumos, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, e/ou serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ressalvando ainda: Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 9 Neste sentido, como a Agrícola Fraiburgo se dedica à produção de maçãs, obtémse que dão direito a crédito os bens e serviços utilizados como insumos no plantio, na limpeza da fruta e na classificação. As instruções normativas mencionadas definem como insumos os “bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado". Os itens relacionados acima não se agregam aos produtos produzidos ou a nenhum serviço que pudesse ser vendido pela empresa, não se configuram como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação dos produtos (ação direta sobre o mesmo). Representam, na verdade, gastos normais inerentes ou não à atividade, não sendo, todavia, computados como insumos, razão pela qual não geram direito ao crédito da contribuição para o PIS/COFINS não cumulativo. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que as embalagens apresentadas como tampa e fundo de caixas, lâmina de plástico com bolha, traypack, cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra, entre outras são utilizadas exclusivamente para o transportes das mercadorias. Não compõem o processo de industrialização as embalagens que se destinam precipuamente ao transporte dos produtos elaborados. São assim entendidos os acondicionamentos feitos em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional, bem assim o acondicionamento feito em embalagem de capacidade superior àquela em que o produto é comumente vendido (Decreto n° 4.544/2002, art. 4°, IV, e art. 6°). Prova de que as caixas são utilizadas precipuamente (principalmente) para transporte está no seu tamanho (para acondicionamento de 18 ou 20 quilos de maçã) e no seu reforço (papelão ondulado). Mesmo que as caixas contenham alguma indicação ou pintura para identificar o tipo de maçã acondicionado, em função das características supracitadas, percebese que o objetivo principal das caixas é realmente o transporte. Ripas e tábuas de pinus, pregos, cantoneiras, fitas de polyester, entres outros também são utilizados para acondicionamento do produto, com o objetivo de transportálo. Em relação aos itens constantes na Linha 03 (Serviços utilizados como insumos), Anexo II, verificamos que foram computados valores referente aos fretes de materiais Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 10 diversos, fretes de trator e fretes de bins entre estabelecimentos da empresa Agrícola Fraiburgo (frete entre pomar e local de armazenagem e embalagem). Em relação ao frete entre estabelecimentos da empresa, temos as seguintes cópias, conforme fls. 122, 123 e 124 do processo fiscal n° 10925.000021/201037Exportação COFINS. Os referidos fretes não geram direito ao crédito PIS/COFINS naocumulativo por falta de expressa previsão legal; tratamse na verdade de despesas operacionais. A memória de cálculo apresentada pela empresa (Anexo II do processo fiscal n° 10925.000021/201037 Exportação~COFINS) classifica os fretes como frete de compra, sendo que conforme o parágrafo acima existem vários fretes que não podem ser classificados como insumos que geram crédito. Neste sentido, os fretes constantes na memória de cálculo foram glosados. II) despesas de contraprestação de arrendamento mercantil os contratos juntados, na essência, são contratos de financiamento. Ao invés de arrendar (alugar), na verdade, a empresa está comprando os equipamentos, dizendo: Prova disso, são os Valores Residuais Garantidos (campo 15) dos contratos apresentados. Esses valores são parcelados pelo mesmo período do contrato, mostrando claramente que a empresa já está efetivamente comprando os equipamentos e financiando o valor residual. III) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado a Recorrente creditouse de encargos de recursos florestais, porém os ativos como “implantação de maçã", “maçã” (Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 HA, 7.04 Ha etc.) e "pomar" (Gala e macieira) estão sujeitos aos encargos de exaustão. Além disso, os bens do ativo imobilizado não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico, a produção de maçãs e mencionou: Seguem alguns bens glosados: colchão de espuma, beliche, caldeira completa, carretão com rolete, casa de madeira, ônibus, condicionador de ar, implantação pinus, impressora laser, pinus reflorestamento, refeitório, retífica motor, revisão caixa/câmbio e carros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que a caldeira não é utilizada na área produtiva e que a capela de exaustão de gases é utilizada no laboratório para a realização de experimentos. IV) o contribuinte efetuou o rateio entre mercado interno não tributado e mercado externo (receitas de exportação) com base nos créditos do DACON. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 11 Como se vê, a questão de prova é bastante debatida, e aliás, não poderia ser diferente. Assim, impende destacar do corpo do voto da relatora da DRJ/FNS: 1. Considerações iniciais ônus da prova: (...), a contribuinte se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a confirmação da efetiva ocorrência da operação alegada e/ou a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. 2. Hipóteses legais de direito a crédito no âmbito do regime nãocumulativo da contribuição ao PIS e da COFINS Tece considerações sobre a previsão legal atinente ao direito ao crédito no regime nãocumulativo do PIS e da COFINS (artigos 3°, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), IN/SRF 247/2002 (artigo 66) e 404/2004 (artigo 8°), asseverando: Vêse, então, que só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviço ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Já em relação aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, a legislação igualmente condiciona o direito à utilização do bem na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Em se tratando de serviço de frete, que não consista de insumo, a previsão legal expressa de direito a crédito é em relação àquele serviço vinculado a uma operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Portanto, não é procedente a alegação da contribuinte de que a legislação utilizada pelo auditor fiscal, como fundamento das glosas procedidas, não traz as restrições ao direito ao crédito por ele apontadas. Vêse contradição entre o TVEF e o voto/acórdão da DRJ/FNS e este consigo mesmo, por quê? Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 12 Em primeiro, o TVEF diz que a Recorrente entregou/comprovou todos os documentos que o SAORT lhe requereu. O TVEF negou direito ao crédito, dizendo, em síntese, que o que a Recorrente pleiteava não era permitido pela legislação, mas não por falta de prova. Em segundo, de um lado, o voto/acórdão diz que a Recorrente se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos. Por outro, adentra no mérito dos aproveitamentos. Percebese que houve um intenso trabalho da Delegacia de origem, coleta de prova e sua análise, chegandose na vírgula sobre o direito ao crédito, aliás, também o fez a DRJ/FNS. Deste modo, entendese suficiente a dilação probatória, tendo a Recorrente atendido as intimações da unidade de origem na busca pela origem dos crédito. Vencida esta etapa, adentrase no mérito, principiandose pelas 3 (três) correntes formadas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos, para depois, quais seriam os insumos no caso concreto e seus demais creditamento objeto da glosa. Dos insumos para fins de aproveitamento de crédito do PIS/COFINS À mão de se dar mais objetividade ao julgamento partese diretamente às 3 (três) correntes surgidas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos para fins de tomada de crédito do PIS/COFINS, no regime da nãocumulatividade das Leis 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. A primeira, tida como mais restritiva na utilização dos créditos, conceituando insumos que estivesse ligados diretamente à industrialização dos produtos, aproximandose, portanto, da conceituação dada pelo IPI, dentre outras, Solução de Divergência 12/07, COSIT; Solução de Divergência 14/07, COSIT; Solução de Consulta 7/2008, 10a Região Fiscal; Solução de Consulta 136/09, 8a Região Fiscal; Solução de Consulta 39/2010, 7a Região Fiscal; Solução de Divergência 10/2011, DOU 10/05/2011; Solução de Divergência 9/2011, DOU 10/05/2011. A segunda, mais ampliativa, conceituando insumos, advindos da legislação do IRPJ (artigos 289 a 291 e 299, todos do Decreto 3.000/99), assim entendido como todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. A terceira, conhecida como intermediária, entende que há de se ter uma relação entre o bem ou serviço, a fim de nascer o direito à tomada de crédito. Noutras palavras, construiuse um Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 13 critério próprio, nem advindo do IPI, tampouco do IRPJ, mas sim da "essencialidade"1, "necessidade", "pertinência", "inerência" deste bem ou serviço para a atividadefim do contribuinte, ou seja, que tais bens ou serviços sejam úteis e necessários ao processo produtivo e à prestação de serviços e que participem da universalidade das receitas tributáveis. Este tem sido o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (Acórdão nº 930301.740, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). *** CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ.CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja 1 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário. Edidora Fórum. N. 34. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 14 destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado.No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. (Acórdão nº 9303 003.069, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). Neste norte também navega a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART.535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. (...) 2. (...) 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 15 "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1.246.317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015). (grifouse). E mais recentemente, o Recurso Especial 1.221.170/PR, afetado à sistemática dos "recursos repetitivos", sendo vencedora a tese defendida pelo contribuinte, por 5 (cinco) votos a 3 (três), prevalecendo assim, a corrente chamada "intermediária", cabendo gizar, leva em consideração os critérios de essencialidade, relevância e inerência, o que se adota por este Relator, cuja ementa se transcreve: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 16 DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Ao que se vê, a interpretação dada às Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 é de que a "lista" de créditos nelas contidas é apenas exemplificativa. Este parece ser o conceito mais adequado e que vai ao encontro do disposto nas referidas Leis, e mais, alinhase à materialidade e a universalidade das receitas destas duas Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 17 contribuições2 que, diferentemente da materialidade do IPI a qual afeta os produtos industrializados, "algo fisicamente apreensível"3 , aqui, alcança todo o universo de receitas auferidas pela pessoa jurídica que tenha grau de relevância ("em que medida um é efetivamente importante para o outro, ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências"), inerência ("um tem a ver com o outro"4), pertinência, enfim, relação de vínculo de elementos. Da análise das glosas Insumos. Embalagens A análise fiscal entendeu como insumos somente as embalagens destinadas ao transporte dos produtos. Já a Recorrente defendeu que as embalagens utilizadas para proteger os produtos (maçãs), e além disso, para efeitos promocionais da marca, elevando suas despesas, não havendo restrições da legislação neste particular, tampouco, pela normatização, a qual entende que material de embalagem é insumo (artigo 66, I, b, § 5°, I, a, da IN 247/2002), além do processo de consulta 45/2003, da SRRF 2ª Região Fiscal. Acerca do assunto, já se pronunciou este CARF, por meio do acórdão 3402004.880, o qual, por unânime de votos, decidiu por meio da ementa abaixo transcrita: INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto 2 "Não se pode olvidar que estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a "receita", protanto, a não cumulatividade em questão existe e deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita. Esta afirmação, até certo ponto óbvia, traz em si o reconhecimento de que o referencial das regras legais que disciplinam a nãocumulatividade de PIS e COFINS são eventos que dizem respeito ao processo formativo que culmina com a receita, e não apenas eventos que digam respeito ao processo formativo de um determinado produto. Realmente, enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de um receita aponta na direção de todos os elementos (físicos e funcionais) relevantes para a sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela nãocumulatividade de PIS e COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI (...)." GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Nãocumulatividade de PIS/PASEP e da COFINS. São Paulo : IOB Thompson. Porto Alegre : Instituto de Estudos Tributários. 2004, p. 101122. 3 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à luz da legislação do PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário RFDT. Belo Horizonte, ano 6, n. 34, jul/ago. 2008. Biblioteca Digital Fórum de Direito Público cópia da versão digital. 4 GRECO, Marco Aurélio. Ibidem. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 18 final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF deste E. Tribunal também se manifestou sobre assunto correlato, por intermédio do acórdão 9303006.068, à maioria de votos, negouse provimento ao Recurso Especial da Procuradoria, de acordo com a seguinte ementa: PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matérias primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. Deste modo, deve ser reconhecido o direito creditório referente aos materiais de embalamento (nos termos da alínea "a", do item 2.2.1 do TVEF); materiais para montagem de embalagem de transporte (bins), de acordo com a alínea "b", do item 2.2.1 do TVEF; materiais de preparação para transporte da mercadoria, conforme Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 19 alínea "c", do item 2.2.1 do TVEF; produtos para movimentação de cargas, referente alínea "d", do item 2.2.1 do TVEF, e por conseguinte, revertendose as glosas relativas a estes itens, únicos impugnados/recorridos pela Recorrente. Insumos. Serviços de transporte Entendeu o agente fiscal que apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, não aceitando os fretes pagos quando da aquisição de insumos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e também de transferência de insumos entre um e outro estabelecimento. Sobre o tema, decidiu o acórdão 3402004.931, por maioria de votos, reconhecer o direito creditório referente às despesas de frete. Vejase a ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrada a não apropriação em períodos anteriores, o crédito apurado em face da não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes. GASTOS COM FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. É cabível a apropriação de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo desse serviço, suportado pela adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou destinado, mas somente quando não há restrição ao aproveitamento do crédito da contribuição na aquisição do bem transportado. A pessoa jurídica pode descontar créditos calculados em relação a bens ou a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Não se vislumbra a hipótese de o frete anterior ao processo produtivo ser considerado como um "serviço utilizado como insumo" na "produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". O creditamento relativo ao custo do frete na aquisição de bens utilizados como insumo ou destinados a revenda não está expressamente previsto na lei, sendo possível somente em decorrência de uma interpretação quanto ao valor da base de cálculo do crédito relativamente ao referido bem, no qual se incluiria o valor das referidas despesas de transporte, de forma que só há o direito ao creditamento Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 20 relativo ao valor do frete quando também há esse direito para o bem transportado. Como as aquisições de bens de pessoas físicas não geram direito ao crédito da Cofins em face da restrição disposta no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, também não há possibilidade de aproveitamento relativo ao valor do frete nesta aquisição. Neste sentido, seguindose a ordem da glosa e da defesa, ratificase o voto quanto ao tópico precedente, devendo ser integralmente revertidas a glosa referente aos itens 2.2.1., alíneas "b", "c" e "d" do TVEF. Registrese que os serviços descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito ficam mantidos na glosa feita pela autoridade fiscal. Insumos. Aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes Temse que a aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes, a teor do artigo 3°, II da Lei 10.833/2003, tornase possível a tomada de créditos, sendo o tema, objeto de manifestação deste E. Tribunal, por meio do acórdão 3201003.455, o qual, à maioria de votos, decidiu: (...) EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS (sic) E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. (...). Diante disso, deve ser revertida a glosa em relação a combustíveis e lubrificantes, reconhecendose o crédito (no caso Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 21 de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Despesas de contraprestação de arrendamento mercantil A previsão de aproveitamento de crédito referente a valores de contraprestações de arrendamento mercantil está no art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.833/03. A jurisprudência desta Corte (Ac. 3301002.411, voto de qualidade), entende cabível a tomada de crédito a este título: (...) CRÉDITO. EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. (...) CRÉDITO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. APROVEITAMENTO. Admitese o creditamento das despesas comprovadas de arrendamento mercantil, por disposição expressa da lei. Por outro lado, resta saber se os contratos de arrendamento juntados pela Recorrente, realmente assim se revelam. Entendeu o voto vencedor da DRJ que se trata de uma operação de arrendamento mercantil em tudo e por tudo equiparada a uma operação de compra e venda, sendo mantida a glosa em questão. Neste sentido já decidiu este Tribunal: (...) DESPESAS FINANCEIRAS. CONTRAPRESTAÇÃO ARRENDAMENTO MERCANTIL. INDEDUTIBILIDADE DE VALOR RESIDUAL GARANTIDO VRG. Não há como se considerar, para fins de redução da base de cálculo de tributos, o Valor Residual Garantido de contrato de arrendamento mercantil (leasing) operacional, porquanto tal valor corresponde, em verdade, a adiantamento para futura aquisição do bem, objeto do contrato. (Ac. 1302 001.587, v. u.). O voto do aludido precedente elucida a questão: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 22 Primeiramente, a partir da análise do instituto do arrendamento mercantil, chegase à conclusão que o Valor Residual Garantido tem natureza de pagamento que garante a opção de compra ao término do contrato, ou seja, é pagamento efetuado pelo arrendatário para que, em momento futuro, possa optar por adquirir o objeto do contrato de leasing que celebrou. Na hipótese, foram celebrados contratos de leasing financeiro, ou seja, modalidade de arrendamento mercantil em que ocorre o pagamento do Valor Residual Garantido, diferenciandose do chamado leasing operacional neste particular, vez que nesta última modalidade não existe a obrigatoriedade de pagamento Valor Residual Garantido. Para melhor diferenciar tais modalidades de leasing, aqui se reproduzem os arts. 5º e 6º da Resolução BACEN n.º 2.309/96: Art. 5º Considerase arrendamento mercantil financeiro a modalidade em que: I as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato, devidos pela arrendatária, sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e, adicionalmente, obtenha um retorno sobre os recursos investidos; II as despesas de manutenção, assistência técnica e serviços correlatos à operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendatária; III o preço para o exercício da opção de compra seja livremente pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado. Art. 6º Considerase arrendamento mercantil operacional a modalidade em que: I as contraprestações a serem pagas pela arrendatária contemplem o custo de arrendamento do bem e os serviços inerentes a sua colocação à disposição da arrendatária, não podendo o valor presente dos pagamentos ultrapassar 90% (noventa por cento) do "custo do bem;" II o prazo contratual seja inferior a 75% (setenta e cinco por cento) do prazo de vida útil econômica do bem; III o preço para o exercício da opção de compra seja o valor de mercado do bem arrendado; IV não haja previsão de pagamento de valor residual garantido. (...) (grifos não originais) Assim, por se tratarem de contratos de leasing financeiro, com a devida previsão de pagamento de Valor Residual Garantido, temse que tal importância consiste em verdadeira antecipação, pelo arrendatário, do valor do bem Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 23 objeto do contrato, independentemente de exercitar, ou não, sua opção de compra ao final. Portanto, ao término do contrato, poderá o arrendatário optar por adquirir o bem arrendado, depositando o valor residual para sua compra, ou não fazêlo, tendo, então, direito à restituição do VRG depositado. Assim, importante trazer a previsão dos arts. 3º, 11 a 15, todos da Lei n.º 6.099/74, os quais apresentam como deve ser contabilmente tratadas as despesas oriundas deste tipo de contrato, senão vejamos: Art 3º Serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil. (...) Art 11. Serão consideradas como custo ou despesa operacional da pessoa jurídica arrendatária as contraprestações pagas ou creditadas por força do contrato de arrendamento mercantil. (...) Art 12. Serão admitidas como custos das pessoas jurídicas arrendadoras as cotas de depreciação do preço de aquisição de bem arrendado, calculadas de acordo com a vida útil do bem. (...) Art 13. Nos casos de operações de vendas de bens que tenham sido objeto de arrendamento mercantil, o saldo não depreciado será admitido como custo para efeito de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda. Art 14. Não será dedutível, para fins de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda, a diferença a menor entre o valor contábil residual do bem arrendado e o seu preço de venda, quando do exercício da opção de compra. Art 15. Exercida a opção de compra pelo arrendatário, o bem integrará o ativo fixo do adquirente pelo seu custo de aquisição. Parágrafo único. Entendese como custo de aquisição para os fins deste artigo, o preço pago pelo arrendatário ao arrendador pelo exercício da opção de compra. (grifos não originais) Portanto, temse que o bem arrendado pertencerá ao ativo imobilizado do arrendador, e não do arrendatário, pelo que, o bem arrendado apenas passará a integrar o ativo imobilizado do arrendatário a partir do exercício da opção de compra. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 24 Sabendo que os bens arrendados não integram o ativo imobilizado da arrendatária, e tendo em mente que Valor Residual Garantido não tem natureza de contraprestação do contrato de leasing, mas de pagamento pela aquisição do bem, não há como considerar contabilmente tais valores como despesas financeiras. Apenas serão despesas financeiras, nestes casos, as contraprestações previstas no art. 5º, I, da Resolução BACEN n.º 2.309/96, já acima reproduzido. Assim sendo, incabíveis as alegações da recorrente em sentido contrário, devendo ser mantido o Acórdão impugnado neste particular. Por tais razões, mantémse a glosa integralmente. Encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado O agente fiscal subtraiu tais créditos por entender que não fazem parte do maquinário do processo produtivo da Recorrente (linha 7/9, da ficha 7 da DACON). De modo diverso, entende a Recorrente, vez que carretão com rolete, transporta maçãs; registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas) são indispensáveis à formação da venda, de acordo com o artigo 3°, VI e VII, §§ 1° e 14 (1/48), da Lei 10.833/03. Também foram glosadas as depreciações os pomares (macieiras), entendendose que não sofrem depreciação, mas sim exaustão (linha 10 da ficha 16A do DACON ativos como "implantação de maçã", "maçã Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 Ha e 7.04 Ha e "pomar" Gala e macieira. A DRJ reconheceu a depreciação dos pomares, não havendo interesse de agir por parte da Recorrente neste particular, razão bastante para manter a decisão da DRJ. A Recorrente defende que pomares não são florestas, e por tal razão não estão submetidas à exaustão, e ainda, que o Decreto 3.000/99, em seu artigo 334, remete à exaustão à hipótese de extração de árvore, o que não acontece na cultura da maçã, exceto ao término da vida útil de sua árvore, quando é erradicada. Diz que a depreciação se caracteriza pelo uso do bem, no caso, a macieira é usada para produção da maçã. Já a exaustão se caracteriza pela extração da árvore no caso de florestas , o que não ocorre com as macieiras. Sobre o aproveitamento de encargos de depreciação, citase o Ac. 3301002.411, o qual, por meio de voto de qualidade, assim decidiu: Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 25 (...) CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. APROVEITAMENTO. Os encargos de depreciação de bens utilizados no processo produtivo (exaustores, ventiladores de transporte, filtros de manga; e ciclones) geram créditos da contribuição. Razão assiste à Recorrente, mas no tocante ao que esta trouxe no seu recurso, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura, vez que ligados diretamente ao processo produtivo. Receitas de vendas rateio proporcional A contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon, a contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon. O inciso II do § 8° do artigo 3.”, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, trata da apropriação proporcional dos custos, despesas e encargos no cálculo dos créditos associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, para fins de cálculo de créditos de COFINS, passíveis de desconto, compensação ou ressarcimento: Art. 3.". [...] § 8°. Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7° e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional. aplicandose aos custos. despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. auferidos em cada mês.(g.n.) Com acerto, o voto da relatora da DRJ/FNS (efl. 188): Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 26 Como se percebe, o rateio proporcional previsto no dispositivo legal destinase ao cálculo dos percentuais de créditos vinculados a custos, despesas e encargos "comuns", a serem associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, classificadas de acordo com seu tratamento tributário. Deste modo, em se tratando de custos, despesas e encargos comuns ou seja, para os quais não existe, via contabilidade de custos, vinculação individualizada com cada receita , há que se utilizar o rateio proporcional para fins de apurar quais os percentuais dos créditos devem ser associados às receitas submetidas ao regime não cumulativo, no caso, qual percentual deve estar associado: às receitas tributadas no mercado interno, às não tributadas no mercado interno e às receitas de exportação. Ou seja, a proporção adotada na apropriação dos custos, despesas e encargos comuns na apuração dos créditos vinculados a cada uma das operações da empresa (ficha 06A e 16A) deve seguir a mesma relação percentual existente entre a receita decorrente de cad uma dessas operações e a receita bruta total sujeita à incidência nãocumulativa, auferidas em cada mês (ficha 07A). Pelo exposto, mantémse integralmente a glosa neste particular. Dispositivo Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para: Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10925.000045/201096 Acórdão n.º 3401005.027 S3C4T1 Fl. 0 27 (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10976.720035/2016-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.384
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para esclarecimentos técnicos, vencidos os conselheiros Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes e Cássio Schappo que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares e Cássio Schappo.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10976.720035/2016-61
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5885632
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-001.384
nome_arquivo_s : Decisao_10976720035201661.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDRE HENRIQUE LEMOS
nome_arquivo_pdf_s : 10976720035201661_5885632.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para esclarecimentos técnicos, vencidos os conselheiros Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes e Cássio Schappo que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7372853
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585041731584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.104 1 1.103 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10976.720035/201661 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.384 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de maio de 2018 Assunto IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Recorrente LONAX INDÚSTRIA BRASILEIRA DE LONAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para esclarecimentos técnicos, vencidos os conselheiros Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes e Cássio Schappo que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares e Cássio Schappo. Tratase de auto de infração referente ao IPI, atinente as saídas de lonas plásticas (material termoplástico reciclado) no período de 2012 e 2013, por hipotético erro na classificação fiscal, entendendo a fiscalização que a classificação correta é no NCM 3920.10.90, sob a alíquota de 15%, ao invés da classificação feita pela Recorrente, NCM 3920.20.19, sob a alíquota de 0%. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 76 .7 20 03 5/ 20 16 -6 1 Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10976.720035/201661 Resolução nº 3401001.384 S3C4T1 Fl. 1.105 2 A Recorrente apresentou impugnação (efl. 872 e ss.). À efl. 982 sobreveio decisão unânime da DRJ/JFA, julgando improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário exigido, por meio da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 PERÍCIA TÉCNICA. DESNECESSIDADE. É de se indeferir o pedido de perícia quando contemplam os autos todos os elementos de prova necessários para a formação da convicção das Autoridades Julgadoras. Desnecessidade com fulcro no artigo 18 do Decreto 70.235/72. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EXTARIFÁRIO INDEVIDAMENTE UTILIZADO. As lonas plásticas para uso geral comprovadamente produzidas a partir do emprego de polietileno de baixa densidadePEBD devem ser classificadas na posição 3920.10, mostrandose descabida classificação 3920.20 e notadamente a utilização do extarifário Ex 01, atrelado à posição 3920.20.19. PENALIZAÇÃO POR FALTA DE DESTAQUE DO IMPOSTO NA NOTA FISCAL. MULTA APLICADA. LEGITIMIDADE. Constatada a falta de destaque do IPI na nota fiscal de saída, é de se aplicar a multa prevista no artigo 80 da Lei nº 4.502/64. A multa será com cobertura ou sem cobertura a depender do volume de créditos escriturais considerados legítimos pela Autoridade Fiscal. A Recorrente foi cientificada em 21/03/2017 (AR, efl. 1.010) e interpôs recurso voluntário em 20/04/2017 (efl. 1.011), invocando: 1. Preliminar do indeferimento da prova pericial laudo técnico se torna imprescindível, pois não é possível a mera análise dos documentos fiscais de entrada de mercadoria, como fez crer o relator. 2. Nos autos do processo 10976000023/201021, envolvendo o mesmo assunto e mesmas partes, decidiuse pela conversão do julgamento em diligência, objetivando a identificação da matéria empregada nas lonas plásticas, por meio de laudo técnico a partir das amostras coletadas no estabelecimento da Recorrente. 3. Nulidade do lançamento por ausência de laudo técnico contemporâneo ao período fiscalizado tendo em vista que a matéria prima utilizada é essencialmente material reciclado, sua composição é de difícil definição, variando de uma amostra para outra, portanto, a prova produzida posteriormente ao período fiscalizado é imprestável. Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10976.720035/201661 Resolução nº 3401001.384 S3C4T1 Fl. 1.106 3 4. Imprecisão do laudo pericial em relação à composição das lonas plásticas o laudo pericial concluiu que a matéria prima básica utilizada na fabricação das lonas é o polietileno reciclado, porém, em nenhum momento explicitou o que se entende por polietileno reciclado. Não explica que tipo de análise química foi feita. Diz que a Recorrente não faz reciclagem, apenas utilizase de material reciclados. No processo 10976000023/201021, foi produzido um laudo pericial, pela Recorrente, em situação idêntica, evidenciando que a matéria prima utilizada é material reciclado (polietileno reciclado que corresponde a aparas de polietileno, polipropileno, PVC, PET e demais plásticos/polímeros, em percentuais variados, oriundos do lixo e de resíduos), impossível se determinar um único elemento. 5. Nulidade por vício do construção do lançamento. A fiscalização, após análise das notas fiscais de entrada e de saída, concluiu que a matéria prima dos produtos fabricados em 2012 e 2013 – lonas plásticas – é polietileno, de forma que deveria ter sido adotada pela Recorrente o NCM 3920.10.99, cuja alíquota é de 15%, e em seguida, procedeu a fiscalização à apuração dos valores de IPI e, em seguida, à Reconstituição da Escrita Fiscal, considerando a existência de saldos credores no Livro de Registro de Apuração do IPI. Diz à efl. 1.031 que Fiscalização na planilha “multa de IPI não lançado com cobertura de crédito”, fl.10, aplicou a multa isolada no período de 31/05/2013 a 31/12/2013, período objeto de lançamento de crédito tributário de IPI e, ainda utilizouse como base de cálculo da multa valores distintos dos saldos credores de IPI daqueles períodos informado na planilha de “reconstituição de escritura”, fls. 19 e 20. E cola a planilha feita pela fiscalização: Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 10976.720035/201661 Resolução nº 3401001.384 S3C4T1 Fl. 1.107 4 Diz que os cálculos apresentados para fins de apuração da multa a ser exigida isoladamente, não condizem com as legendas expostas e sequer com dados constantes dos demais demonstrativos do auto de infração, tornando incompreensível o real objeto da autuação fiscal. 6. No mérito, diz que a Recorrente possui precedente favorável nos autos do processo 13603.00.01081/200611, em caso idêntico. 7. Houve equívoco do perito na escolha do método para definição da composição das lonas plásticas. A autuação fiscal teve por sustentáculo o laudo pericial produzido nos autos do processo administrativo fiscal nº 10976.000023/201021, utilizado como prova emprestada nesses autos. Este laudo, de 27/11/2014, utilizou por metodologia básica a Espectrometria de Absorção no Infravermelho/ATR – Ref ASTM D2621 e D2702, tendo como referência comparativa a obra FDM ATR/Polymers. Defende que este teste não é útil para a diferenciação e quantificação de polímeros. Fez testes relatados às fls. 1.044/1.045, enfatizando que o método adotado não foi capaz de distinguir o polipropileno do polietileno. 8. Há equívoco da autoridade fiscal na classificação fiscal. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10976.720035/201661 Resolução nº 3401001.384 S3C4T1 Fl. 1.108 5 Fontes da matériaprima são diversas: lixo industrial, sacolas plásticas, embalagens de alimentos, lixos domésticos. O termo "polietileno" constante nas notas fiscais de entrada, apenas é utilizado de forma usual no mercado para designar todo o um conjunto de material plástico reciclado. 9. Os produtos fabricados pela Recorrente não possuem na TIPI na posição 39.20 uma NCM que se amolda perfeitamente, por tanto, a classificação do produto deve ser feita na posição que mais se assemelha, que então seria a NCM 39.15.90.00, cuja alíquota do IPI é 0%, como foi praticado, logo, não há outro destino ao combatido auto de infração senão o cancelamento. 10. Que a multa de 75%, foi baseada na parte final do artigo 80 da Lei 4.502/64 (falta de recolhimento do imposto lançado), e a multa isolada, fundamentada na parte inicial do mesmo dispositivo (falta de lançamento do imposto). Entende que lançou/destacou o imposto, à alíquota zero. 11. Impossibilidade de cumular multa isolada e multa de ofício. 12. A multa de 75% é confiscatória e deve ser reduzida para 20%. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, logo, dele, tomo conhecimento. O cerne do litígio versa em torno da classificação fiscal, atribuída pela Recorrente, e aquela pela fiscalização. A Recorrente entende que seu produto está classificado no código NCM 3920.20.19, Ex 01 Substrato de polipropileno biaxialmente orientado, recoberto em ambas as faces da folha por camadas de tinta opacificante que propiciam receber as impressões ofsete seco, calcográfica, tipográfica e vernizes de proteção com cura ultravioleta que possui alíquota 0, e que seriam os polímeros de propileno; já a fiscalização entende que o certo seria o código NCM 3920.10.90, que seriam os polímeros de etileno, com alíquota no percentual de 15%. A divergência, portanto, ocorre entre o tipo de polímero, se de propileno ou de etileno. A Recorrente afirma que o seu material é composto de aparas de polietileno, polipropileno, PVC, PET e demais plásticos, sendo que a utilização do polietileno (polímero de etileno) virgem é ínfima. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 10976.720035/201661 Resolução nº 3401001.384 S3C4T1 Fl. 1.109 6 Cita decisão do acórdão 320100.264 em caso similar, onde obteve julgamento procedente por unanimidade no CARF, e diz que não pode prevalecer a decisão da DRJ/Juiz de Fora. Afirma que para a elaboração do seu produto lona plástica de material reciclado , tem como matériaprima fontes diversas: lixo industrial, sacolas plásticas, embalagens de alimentos, lixos domésticos, ou seja, uma diversidade de lixo plástico. Diz que ante tanta diversidade, existe material de toda a origem como polietileno de alta, baixa e média densidade, linear, industrial, polipropileno, poliestireno e outros polímeros flexíveis, chamados de resinas termoplásticas, não sendo possível depois de reciclado, a identificação desta mistura. De modo diverso, entende a fiscalização que o produto se trata de polímero de etileno. O caso dos autos se amolda exatamente com o dos autos 10976.000023/2010 21. No referido processo houve laudo técnico, o qual se utilizou da metodologia Espectrometria de absorção no "Infravermelho/ATRRef ASTM D e D2702, tendo como referência comparativa a obra FDM ATR/Polymers". Sobre este laudo técnico, a Recorrente apresentou manifestação contra o trabalho e a referida metodologia, vez que (a) testes realizados por amostragem, a partir da coleta de materiais reciclados em um único dia; (b) a perícia foi realizada em período superior a data dos fatos geradores, o que seria suficiente para afastar as conclusões periciais, considerando a diferença de material colido em épocas totalmente distantes; (c) não é teste útil para diferenciação e quantificação de polímeros, ou seja, não se presta para dirimir as questões controvertidas sobre a real composição do produto, corroborado por testes laboratoriais por empresa contratada pela RFB (Solutech Análises Químicas) e do Prof. Dr. Hélio Wiebeck, titular da USP. Ainda nestes autos 10976.000023/201021, em 26/02/2018, por meio da Resolução 3302000.679, decidiuse, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para emissão de parecer técnico, a fim de avaliar qual a metodologia mais indicada para aferir a correta composição do produto fabricado pela Recorrente. No estágio em que se encontra o processo, especialmente suas provas técnicas, temse que não está maduro para o julgamento, vez que a formação da composição do produto fabricado pela Recorrente é algo não resolvido, e mais, ao sentir deste relator, determinado para o deslinde do caso, sendo prudente e razoável adotar o que fora tomado na Resolução 3302000.679. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja feita a nomeação de um profissional, escolhido à critério da unidade de origem, para emissão de Parecer Técnico com a finalidade de informar qual metodologia é a mais indicada para auferir a correta composição do produto fabricado pela Recorrente. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10976.720035/201661 Resolução nº 3401001.384 S3C4T1 Fl. 1.110 7 Antes, porém, intimese as partes para, querendo, apresentar quesitos à serem respondidos pelo profissional que será nomeado para elaboração do Parecer Técnico. André Henrique Lemos Relator Fl. 1118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.940310/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.940310/2011-97
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878636
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-000.673
nome_arquivo_s : Decisao_10980940310201197.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10980940310201197_5878636.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7360047
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585044877312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 962; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.940310/201197 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.673 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de maio de 2018 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente SOCIEDADE PARANAENSE DE ENSINO E INFORMÁTICA SPEI Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 31 0/ 20 11 -9 7 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.940310/201197 Resolução nº 3301000.673 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório de Cofins por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da Cofins. Argumenta que tal dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da Cofins.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de Cofins prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/ 01”. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10980.940310/201197 Resolução nº 3301000.673 S3C3T1 Fl. 4 3 No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a restituição e homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.653, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934785/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.653): "A teor do relatado, a discussão no presente processo trata da isenção a ser aplicada as instituições de educação e sem fins lucrativos, previsto no art. 14, X da MP 2.15835/2001. Consultando os autos não é possível identificar quais são as receitas que a Recorrente considerou como isentas para justificar o seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.15835/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. " Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10980.940310/201197 Resolução nº 3301000.673 S3C3T1 Fl. 5 4 Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.158 35/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905750/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE.
Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
Numero da decisão: 3402-005.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.905750/2008-01
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5880588
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.370
nome_arquivo_s : Decisao_10980905750200801.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO DINIZ RIBEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10980905750200801_5880588.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7363919
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585045925888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1430; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 586 1 585 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.905750/200801 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.370 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria PIS Recorrente Garagem Moderna Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 50 /2 00 8- 01 Fl. 586DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000452 (fls. 155/157), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10980.905750/200801 Acórdão n.º 3402005.370 S3C4T2 Fl. 587 3 3. Referida diligência foi cumprida, gerando o relatório fiscal, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Do crédito compensado 6. Em suma, o contribuinte apresentou pedido de compensação (DCOMP) alegando que recolheu valores que não eram devidos a título de PIS, ao fundamento que na operação perpetrada haveria incidência monofásica da tributação, nos termos da lei n. 10.485/02. 7. Em sede de diligência fiscal, assim apurou a unidade preparadora: (...). 6. A planilha elaborada por esta fiscalização levou em conta que: 6.1 – A tabela apresentada pelo contribuinte relacionando os produtos que vende, e respectiva classificação TIPI, não abrange todos os produtos que vende, conforme acima já se referiu e exemplificou. 6.2 Há produtos listados pelo contribuinte com cuja classificação TIPI não se concorda, mas que, ainda assim, se enquadram em classificação da TIPI cujo código também se encontra entre os que são beneficiados com a alíquota zero. Outros (pneus e câmaras de ar) que, não relacionados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, ainda assim fazem jus à alíquota zero do PIS, conforme previsto no parágrafo único, art. 5°, daquela mesma Lei. 6.3 Levouse em conta, também, que o contribuinte, tal como consta na trigésima alteração de seu Contrato Social (fls. 134 a 138), Cláusula Terceira, tem por objeto social a exploração do ramo de comércio de peças e acessórios, serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos auto motores, locação de automóveis sem condutor (49.3.02/0100), transporte de pessoal e pequenos volumes, e estacionamento para veículos e congêneres. 6.3.1 Ou seja, usando de bomsenso, considerouse que, se o contribuinte faturou uma mercadoria com o nome “borracha”, e esta designação, pura e simples, seja insuficiente para saber do que exatamente se trata, que, ainda assim, deve tratarse de Fl. 588DF CARF MF 4 produto para aplicação em um carro, ou seja, que não se trata de “borracha escolar”, por exemplo, embora também a possa vender. 6.4 O fato de se ter chegado à conclusão que determinado produto não se enquadra entre os listados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, a isso se limita. Não se considerou necessário determinar em que código da TIPI tal produto se enquadra. A decisão se deu por exclusão – se o produto não se enquadra entre os previstos nos referidos Anexos, não é relevante determinar em qual se enquadra. Cabe ao contribuinte, isso sim, em não concordando com tal conclusão, indicar em que código da TIPI, previsto naqueles Anexos I e II, se enquadraria o produto, fazendo sua exata descrição, não se admitindo descrição como, por exemplo, sikaflex (NF n° 10349 – Proc. 10 980.905727/200816), que outra coisa não é que não uma marca de produto, embora por ele se presuma tratarse de produto da linha “selantes e correlatos”, que não é peça para automóvel, e, portanto, também não faz jus à alíquota zero do PIS. 6.5 A planilha abrange todas, e tão somente, as notas fiscais em face das quais o contribuinte identificou produtos contemplados com a alíquota zero, por ele demonstradas na relação, de fls. 141 a 148. Não se faz qualquer observação em relação àquelas sobre as quais não se observou divergência de entendimento quanto ao valor beneficiado pela alíquota zero ou não, só o fazendo em relação àquelas cujo valor não beneficiado com a alíquota zero fosse maior que o encontrado pelo contribuinte, neste caso referindo, na coluna “produtos não beneficiados c/ alíq. 0”, o nome dos produtos cuja classificação TIPI não corresponde a nenhuma daquelas constantes nos Anexos I e II da Lei 10.485/2002, para que o contribuinte, querendo, possa refutar o entendimento desta fiscalização, porém, identificando o produto com a correta nomenclatura, o código TIPI em que o considera enquadrado, bem como a defesa/esclarecimento de assim considerar, tal como já alertado no subitem precedente. 7. Dado o acima exposto, confirmase que o crédito utilizado na compensação em causa neste processo está restrito ao valor de R$ 1.921,88 (item 5 e seus subitens, acima). (...) (grifos nosso). 8. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da análise perpetrada pela unidade preparadora, o contribuinte possuía algum crédito de PIS em razão de um indevido pagamento em operações ora sujeitas à monofasia ora subordinadas à alíquota zero, o que redundou em parte do crédito utilizado na presente compensação e glosado pela fiscalização. 9. Logo, há que se reconhecer como válido parte do crédito tomado pelo contribuinte, nos exatos termos em que constatado no sobredito relatório fiscal. Dispositivo Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10980.905750/200801 Acórdão n.º 3402005.370 S3C4T2 Fl. 588 5 10. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte no montante de R$ 1.921,88, nos exatos termos do relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora. 11. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 590DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13732.000679/2008-80
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
DEPENDENTES. DEDUÇÃO.
Poderão configurar como dependentes para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte os que se enquadrarem nas hipóteses previstas no art. 77, §1º, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, desde que comprovada esta condição através de documentação hábil e idônea.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA.
Não merece prevalecer a omissão de rendimentos apurada no lançamento quando os documentos trazidos aos autos corroborarem os valores informados na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte.
Numero da decisão: 2001-000.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento e a conselheira Fernanda Melo Leal (Relatora), que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
Fernanda Melo Leal - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. DEPENDENTES. DEDUÇÃO. Poderão configurar como dependentes para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte os que se enquadrarem nas hipóteses previstas no art. 77, §1º, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, desde que comprovada esta condição através de documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA. Não merece prevalecer a omissão de rendimentos apurada no lançamento quando os documentos trazidos aos autos corroborarem os valores informados na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13732.000679/2008-80
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874950
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.193
nome_arquivo_s : Decisao_13732000679200880.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDA MELO LEAL
nome_arquivo_pdf_s : 13732000679200880_5874950.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento e a conselheira Fernanda Melo Leal (Relatora), que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente Fernanda Melo Leal - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
id : 7352705
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585067945984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1968; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13732.000679/200880 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.193 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 14 de dezembro de 2017 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente ARTUR JOSE BARRETO DE AZEVEDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. DEPENDENTES. DEDUÇÃO. Poderão configurar como dependentes para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte os que se enquadrarem nas hipóteses previstas no art. 77, §1º, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, desde que comprovada esta condição através de documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA. Não merece prevalecer a omissão de rendimentos apurada no lançamento quando os documentos trazidos aos autos corroborarem os valores informados na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento e a conselheira Fernanda Melo Leal (Relatora), que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 2. 00 06 79 /2 00 8- 80 Fl. 138DF CARF MF 2 Jorge Henrique Backes Presidente Fernanda Melo Leal Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento (fls.12 a 19), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2005, anocalendário de 2004, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 49.022,09 , por falta de comprovação de pagamento, bem como dedução supostamente indevida de dependentes no valor de R$ 3.816,00, dedução indevida de despesas com instrução no valor de R$ 3.996,00 e omissão de rendimentos do trabalho recebidos do INSS no valor de R$ 3.255,00. Gerou, desta forma, um crédito tributário de imposto de renda suplementar, mais juros e multa de oficio de R$38.442,59. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação, juntando diversos documentos para evidenciar as despesas deduzidas e alega, em síntese, que as despesas médicas informadas em sua declaração ocorreram de fato, insurgese contra a omissão de rendimentos apurada alegando que os valores consignados em sua declaração são os mesmos constantes do comprovante de rendimentos emitido pelo INSS, conforme cópia anexada à defesa, sustenta que todas as despesas com instrução elencadas em sua Declaração de Ajuste estão explicitamente demonstradas junto com os documentos comprobatórios acostados. Quanto aos dependentes, afirma que todos podem ser verificados como seus filhos através das certidões de nascimento juntadas aos autos. Acrescenta que tinham menos de 24 anos e estavam cursando nível superior, não cabendo, assim, nenhum questionamento por parte da Receita Federal do Brasil. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas, exceto as despesas referentes ao profissional José Carlos Leonardo Pereira, pois os recibos apresentados (fls. 49/54) preenchem todos os requisitos legais previstos na legislação de regência e confirmam o pagamento de R$ 12.550,00 informado na declaração em exame, devendo ser restabelecida. Desconsidera a dedução com dependentes por entender que não atendem os requisitos legais, exceto a dedução em relação ao menor Arthur. Em relação às despesas com instrução, entende a Delegacia por manter o lançamento também por não estar em consonância com o quanto estabelecido na legislação vigente. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse as glosas efetuadas pela autoridade fiscal posto que entende ter dado provas ratificadoras, capazes elidir quaisquer dúvidas quanto as despesas deduzidas. Cita base legal e jurisprudência para corroborar o seu entendimento. Repisa os mesmos argumentos ventilados na impugnação acerca da dedutibilidade das despesas pleiteadas. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13732.000679/200880 Acórdão n.º 2001000.193 S2C0T1 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. Mérito Dedução com dependentes e instrução No que se refere à dedução de dependentes, merece trazer a baila o art. 77 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Vejamos: Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; Fl. 140DF CARF MF 4 § 2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º).(...) Salientese, analisando o caso concreto, que no ano calendário 2004 o limite anual previsto no dispositivo acima transcrito era de R$ 1.272,00 por dependente, nos termos da Lei 10.451/2002. No caso em tela, a glosa foi efetuada por entender a autoridade fiscal que o contribuinte não comprovou a relação de dependência de Érika N. de Azevedo, Leandro N. de Azevedo e Artur N. de Azevedo, informados como seus filhos na Declaração de Ajuste Anual objeto do lançamento (fls. 68). Ocorre que através do exame das Certidões de Nascimento que acompanham a defesa (fls.64/66), verificase que Érika, Leandro e Artur são, de fato, filhos do impugnante. Apesar do fato de Leandro e Érika possuírem 24 e 23 anos, respectivamente, em 2004, entendo que foi devidamente comprovado que ambos cursavam estabelecimento de ensino superior e escola técnica de segundo grau, exatamente nos termos do art. 77, § 2º, do RIR/99 acima reproduzido pois apresentou os boletos emitidos em nome de Leandro pelo Curso Pro–R Ltda (fls. 35/42) e boletos emitidos em nome de Érika pela Sociedade Universitária Gama Filho (fls. 43/44). Entendo que tais documentos são perfeitamente hábeis para a finalidade pretendida. Assim, concluo por manter a dedução dos 3 dependentes, Érika, Leandro e Artur. No que concerne à dedução de despesas com instrução, aplicase o disposto no art. 81 do RIR/99: Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré escolar,de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). § 1º O limite previsto neste artigo corresponderá ao valor de um mil e setecentos reais, multiplicado pelo número de pessoas com quem foram efetivamente realizadas as despesas, vedada a Mérito Glosa de despesas médicas ,.transferência do excesso individual para outra pessoa (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b").(...) Cumpre salientar que no ano calendário 2004 o limite anual previsto no dispositivo acima transcrito era de R$ 1.998,00, nos termos da Lei 10.451/2002. No caso concreto, verificase que os pagamentos declarados pelo impugnante foram efetuados ao Curso ProR Ltda e à Sociedade Universitária Gama Filho em nome de seus filhos Leandro N. de Azevedo e Érika N. de Azevedo, considerados por esta julgadora como dependentes e passíveis de dedução nos limites legais. Isso posto, entendo por considerar como devida e de dedutível a despesa com instrução de R$ 3.996,00. Mérito Glosa de despesas médicas Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13732.000679/200880 Acórdão n.º 2001000.193 S2C0T1 Fl. 4 5 Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do çuimposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação xndo cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os recibos dos pagamentos relativos aos tratamentos de odontologia e fisioterapia, com determinados elementos faltantes, como, por exemplo, detalhamento do beneficiário e endereço do prestador. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, exceto em relação ao profissional José Carlos Leonardo Pereira, , nos seguintes termos: “[...] A autoridade fiscal procedeu à glosa de todas as despesas médicas declaradas pelo contribuinte por este não ter apresentado os respectivos comprovantes. Quanto ao profissional José Carlos Leonardo Pereira, verificase que os recibos apresentados (fls. 49/54) preenchem todos os requisitos legais previstos na legislação de regência e confirmam o pagamento de R$ 12.550,00 informado na declaração em Fl. 142DF CARF MF 6 exame, devendo ser restabelecida, portanto, a dedução correspondente. Por outro lado, não podem ser considerados hábeis para fins de dedução os recibos emitidos por Marcele Resende (fls. 46/48), Sheila Ribeiro (fls. 55/58), Paulo Guaraná (fls. 59), Jackeline Rangel (fls. 60), Thaise Cunha (fls. 61/63) e pela Clínica de Cirurgia Crânio Maxilo Facial (fls. 45), uma vez que não possuem o endereço dos profissionais/estabelecimentos. É importante salientar que a dedução de despesas médicas é uma faculdade oferecida ao contribuinte e só pode ser utilizada se forem atendidos os requisitos previstos na legislação pertinente. Notese que o art. 80, §1º, III, do RIR/99 exige a comprovação dos pagamentos efetuados através de documento com a indicação do nome, endereço e CPF de quem os recebeu ou, na falta deste, através de cheque nominativo pelo qual o pagamento foi efetuado. Cumpre ressaltar, por fim, que o impugnante não juntou aos autos qualquer comprovante do pagamento de R$ 8.272,00 declarado para a Unimed Norte, devendo ser mantida, por conseguinte, a glosa dessa despesa. Vale lembrar que as alegações desprovidas de prova não podem ser acatadas por esta instância julgadora em respeito ao princípio da verdade material. O ônus de comprovar o que alega é do próprio sujeito passivo, nos termos do art. 36 da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que os recibos emitidos pelos prestadores dos serviços não foram suficientes para comprovar as despesas.. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13732.000679/200880 Acórdão n.º 2001000.193 S2C0T1 Fl. 5 7 análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação do lançamento no sentido de que os documentos não foram suficientes, entendo que deve ser mantida a glosa das despesas médicas, exceto aquela acatada pela autoridade julgadora, qual seja a que se refere ao profissional José Carlos Leonardo Pereira, cujos recibos apresentados (fls. 49/54) preenchem todos os requisitos legais previstos na legislação de regência e confirmam o pagamento de R$ 12.550,00 informado na declaração em exame, devendo ser restabelecida, portanto, a dedução correspondente.. Sendo assim, em resumo, as despesas com dependentes e com instrução devem ser considerados como dedutíveis, as despesas médicas permanecem glosadas conforme entendimento da autoridade julgadora, exceto a acima mencionada, e no que se refere a suposta omissão de rendimento, já foi devidamente esclarecida pela DRJ este ponto da lide, ou seja no que tange aos rendimentos recebidos do INSS, verificase que os valores informados pelo notificado (fls. 67) estão em consonância com o Comprovante de Rendimentos Pagos emitido pela fonte pagadora (fls. 29), não merecendo prosperar a omissão de rendimentos apurada pela autoridade fiscal. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para acatar a dedução das despesas com dependente, com instrução e parte das médicas próprias glosadas, conforme acima detalhado. Fl. 144DF CARF MF 8 Fernanda Melo Leal Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas mantidas em seu voto. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13732.000679/200880 Acórdão n.º 2001000.193 S2C0T1 Fl. 6 9 mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.721277/2011-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
ABONO DE ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA EM FÉRIAS.
O abono de assiduidade, pagos na incidência das férias, tem caráter indenizatório.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço.
Numero da decisão: 2002-000.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para expungir da condenação os valores pagos a título de abono de assiduidade, incidente nas férias, no mais mantendo a r. decisão revisanda.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 ABONO DE ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA EM FÉRIAS. O abono de assiduidade, pagos na incidência das férias, tem caráter indenizatório. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10855.721277/2011-33
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892634
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.248
nome_arquivo_s : Decisao_10855721277201133.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : VIRGILIO CANSINO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 10855721277201133_5892634.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para expungir da condenação os valores pagos a título de abono de assiduidade, incidente nas férias, no mais mantendo a r. decisão revisanda. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7394212
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585074237440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1337; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.721277/201133 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.248 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria IRPF Recorrente VANDER MORAES GALVAO PACHECO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 ABONO DE ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA EM FÉRIAS. O abono de assiduidade, pagos na incidência das férias, tem caráter indenizatório. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para expungir da condenação os valores pagos a título de abono de assiduidade, incidente nas férias, no mais mantendo a r. decisão revisanda. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 12 77 /2 01 1- 33 Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10855.721277/201133 Acórdão n.º 2002000.248 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl.149/167) contra decisão de primeira instância (fls.123/133), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 108/114), referente ao exercício 2007, ano calendário 2006. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar 9.046,29 (Sujeito à Multa de Ofício) Multa de Ofício (passível de redução) 6.784,71 Juros de Mora (calculado até 29/04/2011) 3.765,06 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de 0,00 Mora) Multa de Mora (não passível de redução) 0,00 Juros e Mora (calculado até 29/04/2011) 0,00 Total do Crédito Tributário 19.596,06 O lançamento acima foi decorrente das seguintes infrações: Omissão de Rendimentos do Trabalho com/sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Jurídica – omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes do trabalho com/sem vínculo empregatício, relativos ao exercício 2007, anocalendário 2006. Valor total: R$ 4.920,57 Fonte Pagadora: Schimar Propaganda e Publicidade Ltda. (CNPJ: 01.026.909/000181). Valor: R$ 405,69. IRRF: 0,00. Fonte Pagadora: Primo Schincariol Ind de Cerv e Refrig do Nordeste S/A (CNPJ: 01 do 01.278.018/000112). Valor: R$ 1.999,44. IRRF: 0,00 Fonte Pagadora: Primo Schincariol Ind de Cerv e Refrig do Nordeste (CNPJ: 04.430.717/000124). Valor: R$ 407,92. IRRF: 0,00 Fonte Pagadora: Companhia de Bebidas Primo rimo Schincariol (CNPJ: 02.864.417/000128). Valor: R$ 780,09. IRRF: 0,00 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10855.721277/201133 Acórdão n.º 2002000.248 S2C0T2 Fl. 4 3 Fonte Pagadora: G E F Concentrados da Amazonia Ltda (CNPJ: 04.984.442/000170). Valor: R$ 394,48. IRRF: 0,00 Fonte Pagadora: Primo Schincariol Ind de Cerv e Refrig S/A (CNPJ: 50.221.019/000136). Valor: R$ 932,95. IRRF: 0,00 Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pela contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007. Valor: R$ 27.975,00. Motivo da glosa: Não restou comprovado o efetivo pagamento aos profissionais Noeli Lobo Costa Marcolino, Anselmo Jose Escodoro Amstalden, Marisa Viviane Rodrigues e Solange de Fatima Sonsin Navarro Xavier da Silveira A ciência do lançamento ocorreu em 12/04/2011 (fls. 115) e, em 10/05/2011, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 62/84, acompanhada de documentos, alegando que os rendimentos considerados omitidos não estão sujeitos à incidência do imposto de renda. Ressalta que o valor de R$ 4.920,578 corresponde ao montante recebido no ano de 2006 a titulo de abono de férias e do adicional de 1/3 sobre o abono de férias. Entende que o abono assiduidade pago sobre o abono de férias e sobre o abono de férias 1/3 tem a mesma natureza que os referidos abonos. Afirma que os valores pagos decorrentes das férias não usufruídas e seus receptivos acréscimos tem natureza indenizatória, não se encaixando na base de cálculo do imposto de renda, assim definida no art. 43 do CTN. Transcreve artigo e decisões do STj sobre o tema, bem como sumula do STJ nº 125. Cita ato interpretativo publicado pela Receita Federal (nº 05/2005) sobre a revisão do credito tributário relativo ao imposto sobre a renda incidente sobre os valores em pecúnia pagos a titulo de férias não gozadas por necessidade de serviço , bem como a Instrução Normativa RFB 936/2009. Quanto à glosa de despesas médica, transcreve o art. 8, inciso II, aliena a, da lei 9250/1995, afirmando que tem direito de deduzir da base de calculo do IRPF os valores correspondentes ao pagamento das despesas médicas. Transcreve doutrina sobre o tema. Discorre que a própria Lei nº 9.250 dispõe sobre os elementos de prova exigíveis do contribuinte para constituir o fato jurídico da despesa médica. Entende que enquanto o art. 73 do RIR estabelece a obrigação de prova, o inciso III, do § 2 do art. 8 da Lei 9.250/96 estabelece o meio de fazer a prova. Alega que apresentou a Autoridade Fiscal os elementos exigidos pela legislação (Comprovante indicando nome, endereço e CPF dos beneficiários dos pagamento) para dedução das despesa médica. Afira que a Autoridade Fiscal não cumpriu com o ônus da prova que lhe cabe, uma vez que tendo apresando documentos que atendem aos requisitos exigidos pela legislação a Autoridade fiscal deveria apresentar algum elemento de prova apto a afastar o valor da prova produzida pelo contribuinte. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10855.721277/201133 Acórdão n.º 2002000.248 S2C0T2 Fl. 5 4 Entende que, constituído regularmente o fato jurídico das despesas médica com estrita observação do art. 8 da lei 9.250/96, a sua desconstituição compete a Autoridade Fiscal incumbindolhe ônus da prova do fato desconstitutivo. Cita decisão do, à época Conselho de Contribuinte. Aduz que não há qualquer mínimo elemento de prova trazido aos autos que ponha em dúvida idoneidade dos comprovantes apresentados pelo impugnante. Requer o cancelamento do débito fiscal reclamado e que seja intimado em seu endereço. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: ABONO PECUNIÁRIO DE FÉRIAS. NÃOINCIDÊNCIA. Os valores recebidos a título de abono pecuniário de férias de que trata o art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT e respectivo adicional de um terço previsto no art. 7º, inciso XVII, da Constituição de 1988, correspondente à parcela das férias convertidas em pecúnia, não estão sujeitos à incidência de imposto de renda. RENDIMENTO BRUTO. TRIBUTAÇÃO. Todos os rendimentos, abstraindose sua denominação, acordos ou qualquer outra circunstância, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, desde que não englobados no rol das isenções de que tratam os incisos que compõem o art. 6º, da Lei n.º 7.713/88 c/c com o art. 39 do RIR/99. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES. Na fase do contencioso administrativo, as intimações são feitas no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10855.721277/201133 Acórdão n.º 2002000.248 S2C0T2 Fl. 6 5 Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 23/04/2014 (fl.138); Recurso Voluntário protocolado em 22/05/2014 (fl.148), assinado por procurador legalmente constituído (fls.142/143 e fls.168/169). Diz o recorrente que: "Como é de conhecimento, os prêmios pagos mensalmente, configuram habitualidade, motivo pelo qual refletem nas férias, conforme entendimento do TST", diz o referido acórdão: "A gratificação de assiduidade paga mensalmente de modo habitual, pela incorrência de ausências ao serviço tem natureza salarial, e assim integra a remuneração do trabalhador..." (grifo nosso) Reconhece a r. decisão primeira, que "portanto devese afastar também a tributação sobre os valores recebidos a título de abonoassiduidade". Porém diz a r. decisão que no presente caso o contribuinte não traz aos autos provas de que os valores recebidos sobre a rubrica prêmios referemse a abono assiduidade pagos sobre o abono férias e o respectivo adicional, também não comprovando estarem os valores elencados entre as exclusões dos incisos que compõem o art. 6º da Lei 7713/88 c/c com o art. 39 do Decreto 3000/99. Entende este relator, que assiste razão ao recorrente, eis que os documentos juntados aos autos às fls.178/286, provam que o recorrente recebia o prêmio praticamente todos os meses, e que as verbas denominadas prêmio s/abono de férias e prêmio s/abono de férias 1/3, se referem à incorporação de prêmio assiduidade, que por possuir natureza indenizatória não está no campo da incidência do Imposto de Renda. Para melhor esclarecer o prêmio assiduidade tem natureza salarial, quando pago sob o título de férias, ou seja 1/3, tem natureza indenizatória. No que pertine a glosa de despesas médicas, o recorrente foi intimado a apresentar os comprovantes de despesas médicas declaradas em sua DIRF. Pois bem, dos documentos apresentados, verificouse que uma das profissionais de quem o recorrente juntou recibo, foi submetida a procedimento de fiscalização, que declarou inidôneos para todos os efeitos tributários os recibos por ela emitidos, do qual o recorrente também utilizou. Neste sentido, o contribuinte foi novamente notificado a apresentar documentação comprobatória do efetivo pagamento, não só desta profissional como os demais, no entanto o recorrente declarou que fez os pagamentos em dinheiro. Em sede de recurso o recorrente juntou novamente os recibos e uma jurisprudência, não aplicável ao caso ora analisado. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento parcial para expungir da condenação os valores pagos a título de abono de assiduidade, incidente nas férias, no mais mantenho a r. decisão revisanda. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10855.721277/201133 Acórdão n.º 2002000.248 S2C0T2 Fl. 7 6 Fl. 359DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.000082/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº.1.
Consoante a Súmula CARF n.º 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-005.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
(assinado digitalmente).
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº.1. Consoante a Súmula CARF n.º 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13884.000082/2009-82
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5886246
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.254
nome_arquivo_s : Decisao_13884000082200982.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WESLEY ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 13884000082200982_5886246.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. (assinado digitalmente). João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7374164
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585077383168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1609; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 163 1 162 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.000082/200982 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.254 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de abril de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente LUIZ AUGUSTO DE SALLES VIEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº.1. Consoante a Súmula CARF n.º 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. (assinado digitalmente). João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 00 82 /2 00 9- 82 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13884.000082/200982 Acórdão n.º 2301005.254 S2C3T1 Fl. 164 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por LUIZ AUGUSTO DE SALLES VIEIRA, contra o acórdão de julgamento n.º 1751.021, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (11ª Turma da DRJ/SP2), no qual os membros daquele colegiado julgaram parcialmente a impugnação apresentada, referente à Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, relativa ao ano calendário 2006, exercício 2007, no valor de R$ 39.979.77, com os acréscimos legais, em razão do contribuinte ter realizado deduções indevidas, ocorrendo a glosa dos seguintes valores: Segundo a DRJ de origem o Contribuinte obrou comprovar somente a glosa na quantia de R$6.978,92 , a títulos de despesas médicas. Mais especificamente referente aos custos de despesas médicas da ex companheira. As demais glosas foram mantidas. Reconheceu a recorrente parte das glosas médicas, nos quais totalizam a quantia de R$290,00. Em seu recurso, alega em suma a recorrente que a excompanheira do recorrente é enquadrada como sua dependente, pois há decisão judicial que a ampare a referida determinação. Alega também que seus três filhos seriam dependentes pelo simples fato de constar na separação consensual que eles receberiam pensão. Pede por fim a redução da multa aplicada. O recorrente ingressou com ação judicial para ver declarado nulo o crédito fiscal lançado, sendo que foi julgado improcedente seu pedido (fls. 148/156). É o breve relato. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo. Entretanto, não possui condições formais para seu conhecimento. Senão vejamos. DA AÇÃO JUDICIAL AJUIZADA E DA RENÚNCIA AO DIREITO Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13884.000082/200982 Acórdão n.º 2301005.254 S2C3T1 Fl. 165 3 O contribuinte ajuizou ação judicial para discutir o débito fiscal aqui lançado, sendo que essa já transitou em julgado, chancelada sob n.º 00039157620114036103, que tramitou perante a Justiça Federal, 3ª subseção judiciária do Estado de São Paulo, 1ª Vara de São José dos Campos, ajuizado pelo Recorrente em desfavor da União. A presente ação foi julgada improcedente, impondo a subsistência do crédito fiscal, conforme decisão juntada nas fls. 148/156. Assim, houve expressa renúncia ao contencioso administrativo pelo recorrente, conforme prescreve o art. 87 do Decreto n.º 7.574, de 2011, que regula o processo administrativo fiscal: "Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada." Por sua vez, o CARF uniformizou esse entendimento, sumulando a matéria, nos termos da Súmula CARF nº 1: "Súmula CARF nº. 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Ao ajuizar ação judicial o recorrente renuncia ao seu direito na esfera administrativa, e isso porque a verdade judicial se sobrepõe à verdade administrativa, cabendo a esse conselho tão somente a cumprir a decisão seja ela favorável ou contrária ao interessado. Assim, este Conselho não possui mais legitimidade para analisar o caso do recorrente. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, tendo em vista a decisão judicial transitada em julgada que manteve a exigência do crédito fiscal e julgou o mérito do crédito lançado, devendo os autos serem baixados para as providências de estilo e rotineiras. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13884.000082/200982 Acórdão n.º 2301005.254 S2C3T1 Fl. 166 4 Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.009931/2004-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF 105
A teor do regido pela Súmula CARF nº 105, até o período 2006 não cabem os lançamentos de multa isolada quando concomitantemente tenha sido imputada multa de ofício. Lançamentos que se cancelam.
Numero da decisão: 1402-003.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF 105 A teor do regido pela Súmula CARF nº 105, até o período 2006 não cabem os lançamentos de multa isolada quando concomitantemente tenha sido imputada multa de ofício. Lançamentos que se cancelam.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.009931/2004-31
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893599
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.258
nome_arquivo_s : Decisao_10380009931200431.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 10380009931200431_5893599.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7398326
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585080528896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1445; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.170 1 1.169 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.009931/200431 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.258 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria MULTA ISOLADA IRPJ Recorrente M. DIAS BRANCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF 105 A teor do regido pela Súmula CARF nº 105, até o período 2006 não cabem os lançamentos de multa isolada quando concomitantemente tenha sido imputada multa de ofício. Lançamentos que se cancelam. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 99 31 /2 00 4- 31 Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 1402003.258 S1C4T2 Fl. 1.171 2 Relatório Tratase de retorno dos autos em face de decisão exarada pela E. CSRF em 21/01/2015 (Ac. 9101002.085) que MANTEVE A DECISÃO a quo, inclusive a prolatada em sede de embargos de declaração, denegando provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, em acórdão assim ementado (fls. 1018/1035): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 IRPJ. BENEFÍCIO FISCAL. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS: OPERAÇÕES DE MÚTUO. FINANCIAMENTO DE PARTE DO ICMS DEVIDO. REDUÇÃO DO VALOR DA DIVIDA. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Ceará e do Rio Grande do Norte, dentre eles a realização de operações de mútuo em condições favorecidas, notadamente quando presentes: i) a intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público em transferir capital para a iniciativa privada; e ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos em seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. As subvenções para investimentos devem ser registradas diretamente em conta de reserva de capital, não transitando pela conta de resultados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Por seu turno, o Acórdão da Turma a quo, em sede de embargos de declaração interpostos pela contribuinte (fls. 981/1005), definiu: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. NÃO EXAME DE PROVA ESSENCIAL. VERDADE MATERIAL Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 1402003.258 S1C4T2 Fl. 1.172 3 Restando comprovada a omissão, por não haver tido exame de prova essencial ao deslinde da controvérsia, e em razão do princípio verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, devese conhecer dos Embargos de Declaração, e proceder ao exame das provas omitidas. ATOS CONCESSÓRIOS. VIGÊNCIA. DECLARAÇÃO DO ÓRGÃO CONCESSOR. A declaração do órgão concessor sobre a vigência dos atos concessórios dirime a dúvida sobre os incentivos de isenção do Imposto de Renda reconhecidos através das Portarias DAI/ITE 474/93 e DAI/FIE 0332/97 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos Embargos de Declaração e DARLHE PROVIMENTO Anteriormente, a então 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que originalmente julgou a lide, apontou (fls. 806/856): “ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER dos documentos apresentados após o inicio do julgamento e rejeitar a preliminar de decadência; no mérito: 1) Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso quanto a matéria subvenção, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator) e Antonio José Praga de Souza; 2) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso quanto a matéria "projeto de modernização"; 3) Por unanimidade de votos, DAR provimento quanto a exclusão da CSL no lucro da exploração; 4) Por unanimidade de votos, apartar a exigência da multa de oficio isolada para que seja julgada em conjunto com o Processo nº. 10380.008521/200413. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Caio Marcos Cândido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado”. Em suma, após todas estas decisões e trâmites procedimentais, a DRF/Fortaleza, depois de analisar os julgados, resumiu o montante ainda sob julgamento em informações acostadas aos autos (fls. 1085 e 1088/1091) e que podem assim ser sintetizadas: a) a título de CSLL – R$ 3.415.095,92; b) como multa isolada de IRPJ – R$ 107.300,96. Intimada, a recorrente reagiu assentando (fls. 1113/1127) não restar qualquer débito a ser satisfeito. No seu concluir (fls. 1127): “Com base no exposto, é a presente para requerer o cancelamento da cobrança objeto da Informação Fiscal em referência, no montante de R$ 3.415.095,92, bem como da parte relativa à multa isolada no valor de R$ 107.300,96”. Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 1402003.258 S1C4T2 Fl. 1.173 4 Os autos foram redistribuídos a este Relator em razão da extinção das anteriores Turmas Julgadoras (fls. 1169), versando os autos TÃO SOMENTE sobre os valores residuais dos lançamentos de “multas isoladas” (despacho fls. 1168). É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 1402003.258 S1C4T2 Fl. 1.174 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator Já foi atestada a tempestividade do Recurso Voluntário e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. Não há preliminares. Como relatado, tratase de retorno dos autos da CSRF para que seja apreciado unicamente o valor residual dos lançamentos de multas isoladas de IRPJ, originalmente importando em R$ 4.086.407,43 (AI – fls. 10) e reduzidos a R$ 107.300,96, por força das exonerações procedidas nas decisões antecedentes. A limitação do julgamento está definida no despacho abaixo (fls. 1168): De seu lado, a “representação” a que se refere o despacho retro dispõe (fls. 1161): Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 1402003.258 S1C4T2 Fl. 1.175 6 E a apuração do valor litigioso encontrase na informação fiscal (fls. 1091): Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 1402003.258 S1C4T2 Fl. 1.176 7 De sua parte, a recorrente aduziu (fls. 1113/1127): “Em que pese a Informação Fiscal em referência (i) afirmar que “a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu, por unanimidade de votos, apartar a exigência da multa isolada lançada para o AC 2013 para que seja julgada em conjunto com o processo nº 10380.008521/200473”, (ii) ter reduzido o valor da multa isolada de R$ 4.086.407,43 para R$ 107.300,96 e (ii) não ter cobrado tais valores nesse momento, é imprescindível destacar que A MULTA ISOLADA FOI CANCELADA quando do julgamento dos Embargos de Declaração opostos pela Requerente (Acórdão nº 1101000.974). (...) Ao que tudo indica, a Informação Fiscal em referência se baseou apenas na afirmação contida na ementa do acórdão que julgou o recurso voluntário no sentido de “apartar a exigência da multa isolada lançada para o AC 2013 para que seja julgada em conjunto com o processo nº 10380.008521/200473”. Contudo, sobre esse ponto, a Requerente opôs Embargos de Declaração, cuja análise dos argumentos foi realizada por meio do Acórdão nº 1101000.974 nos seguintes termos: Ou seja, a fundamentação do acórdão que julgou o Recurso Voluntário foi no sentido de exonerar as multas isoladas, mas o teor da ementa foi no sentido de apartar o julgamento dessa matéria para o 10380.008521/2004 73. Diante de tal contradição, o acórdão1101000.974 que julgou os Embargos de Declaração opostos pela Requerente aduziu que: “duas ocorrências podem ser cogitadas: que o Conselheiro Relator tenha alterado seu entendimento na sessão de julgamento, mas sem adequação ao formalizar o acórdão, ou que a Câmara tenha deliberado em sentido diverso do que constou no acórdão, em regra correspondente ao que constou na Ata de Julgamento. Como não é possível identificar em que momento o erro se verificou, necessário se faz apreciar novamente a matéria”. Ato contínuo, ao julgar novamente a matéria relativa à multa isolada, o acórdão 1101000.974 deu PROVIMENTO “ao recurso voluntário para cancelar as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ”. Por fim, o Recurso Especial da Fazenda Nacional não foi conhecido quanto à multa isolada: (...) Logo, não há que se falar na reapuração da multa isolada, tendo em vista que tal parcela foi INTEGRALMENTE CANCELADA por meio do o acórdão 1101000.974 que julgou os Embargos de Declaração opostos pela Requerente, o qual já transitou em julgado na esfera administrativa”. Delimitada a lide, passase à apreciação da matéria. Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 1402003.258 S1C4T2 Fl. 1.177 8 Na verdade, ainda que possam existir controvérsias de entendimento entre a recorrente e a autoridade preparadora, a primeira entendendo ter havido exoneração completa dos lançamentos de multa isolada e a segunda pontuando ainda existir montante residual em discussão, fato é que tal peleja deixou de ter relevância, após a edição da Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Sem necessidade de maiores digressões, com a vigência da referida Súmula, até o período 2006 não cabem os lançamentos de multa isolada quando concomitantemente tenha sido imputada multa de ofício. Ora, sendo os lançamentos de multa isolada aqui tratados pertinentes a períodos anteriores a 31/12/2006, mais especificamente ao anocalendário de 2003, imperioso o cancelamento dos mesmos. Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar a exigência imputada de multa isolada de IRPJ relativa a 2003, conforme consta do AI (fls. 5 e 10). É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.720131/2015-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
TERCEIRO NÃO SOLIDÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não havendo imputação de responsabilidade solidária, falece interesse ao terceiro para apresentar impugnação ou recurso em nome próprio questionando responsabilização por Termo de Sujeição Passiva Solidária inexistente.
PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO.
Não tendo a impugnante apresentado prova capaz de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõe-se a improcedência da impugnação.
INCONSTITUCIONALIDADE. DECLARAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
As Turmas de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para, sponte propria, declarar a inconstitucionalidade de lei. GRATIFICAÇÃO ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA.
A gratificação enquanto prêmio vinculado à assiduidade no desempenho da atividade laboral do empregado caracteriza-se como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho com pontualidade. O fato de só ser percebida se restar configurada a assiduidade não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado.
FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA.
Sobre as férias gozadas há incidência de contribuição para terceiros, sendo que apenas as férias indenizadas e o respectivo adicional constitucional não integram a base de cálculo das contribuições da empresa sobre folha de pagamento devidas a outras entidades ou fundos.
HORAS EXTRAS. INCIDÊNCIA Os valores pagos a título de horas extras integram a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, constituindo-se em base de cálculo das contribuições da empresa sobre folha de pagamento devidas a outras entidades ou fundos.
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BASE DE CÁLCULO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A remuneração paga a contribuinte individual não integra a base de cálculo das contribuições da empresa devidas a outras entidades ou fundos.
Numero da decisão: 2201-004.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. TERCEIRO NÃO SOLIDÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não havendo imputação de responsabilidade solidária, falece interesse ao terceiro para apresentar impugnação ou recurso em nome próprio questionando responsabilização por Termo de Sujeição Passiva Solidária inexistente. PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a impugnante apresentado prova capaz de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõe-se a improcedência da impugnação. INCONSTITUCIONALIDADE. DECLARAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. As Turmas de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para, sponte propria, declarar a inconstitucionalidade de lei. GRATIFICAÇÃO ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA. A gratificação enquanto prêmio vinculado à assiduidade no desempenho da atividade laboral do empregado caracteriza-se como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho com pontualidade. O fato de só ser percebida se restar configurada a assiduidade não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado. FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA. Sobre as férias gozadas há incidência de contribuição para terceiros, sendo que apenas as férias indenizadas e o respectivo adicional constitucional não integram a base de cálculo das contribuições da empresa sobre folha de pagamento devidas a outras entidades ou fundos. HORAS EXTRAS. INCIDÊNCIA Os valores pagos a título de horas extras integram a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, constituindo-se em base de cálculo das contribuições da empresa sobre folha de pagamento devidas a outras entidades ou fundos. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BASE DE CÁLCULO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A remuneração paga a contribuinte individual não integra a base de cálculo das contribuições da empresa devidas a outras entidades ou fundos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13884.720131/2015-45
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897512
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.589
nome_arquivo_s : Decisao_13884720131201545.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 13884720131201545_5897512.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7409268
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585108840448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 63; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1962; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 10.559 1 10.558 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.720131/201545 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.589 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente ITALICA SAÚDE LTDA MASSA FALIDA E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. TERCEIRO NÃO SOLIDÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não havendo imputação de responsabilidade solidária, falece interesse ao terceiro para apresentar impugnação ou recurso em nome próprio questionando responsabilização por Termo de Sujeição Passiva Solidária inexistente. PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a impugnante apresentado prova capaz de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõese a improcedência da impugnação. INCONSTITUCIONALIDADE. DECLARAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. As Turmas de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para, sponte propria, declarar a inconstitucionalidade de lei. GRATIFICAÇÃO ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA. A gratificação enquanto prêmio vinculado à assiduidade no desempenho da atividade laboral do empregado caracterizase como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho com pontualidade. O fato de só ser percebida se restar configurada a assiduidade não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado. FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 01 31 /2 01 5- 45 Fl. 10559DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.560 2 Sobre as férias gozadas há incidência de contribuição para terceiros, sendo que apenas as férias indenizadas e o respectivo adicional constitucional não integram a base de cálculo das contribuições da empresa sobre folha de pagamento devidas a outras entidades ou fundos. HORAS EXTRAS. INCIDÊNCIA Os valores pagos a título de horas extras integram a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, constituindose em base de cálculo das contribuições da empresa sobre folha de pagamento devidas a outras entidades ou fundos. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BASE DE CÁLCULO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A remuneração paga a contribuinte individual não integra a base de cálculo das contribuições da empresa devidas a outras entidades ou fundos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão da DRJ/CTA de e fls. 10.099/10.147, por bem relatar os fatos ora questionados. Relatório 1. O presente processo n° 13884.720131/201545 tem por objeto impugnações ao Auto de Infração n° 51.067.5255, fls. 03, referente às contribuições da empresa devida a outras entidades ou fundos (Terceiros), incidentes sobre remunerações pagas a Fl. 10560DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.561 3 segurados empregados, não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). 2. As contribuições foram apuradas a partir dos levantamentos CL – PGTO CONTRIB INDIV PJ (01/2010 a 12/2011), CM – EMPREGADOS POR MEIO DE COOP (01/2010 a 12/2012), CP – PAGTOS DIRETOS A COOP (01/2010 a 12/2011), e PJ – PAGTOS EMPREGADOS PJ (05/2010 a 12/2011), tendo o crédito lançado o valor total de R$ 2.919.468,13, consolidado em 27/01/2015, incluídos os respectivos juros e multa de ofício agravada e qualificada. 3. O procedimento fiscal, as apurações e os lançamentos efetuados estão explicitados no Relatório Fiscal (fls. 23/103), nos anexos do Auto de Infração (fls. 04/22, 104/589) e documentos carreados aos autos pela fiscalização (fls. 590/9496). Do Relatório Fiscal, destacase: a) Introdução. Itálica Saúde Ltda era peça central de um grupo de empresas e pessoas físicas, cujo mentor era o médico Carlos Martin Lora Garcia, a operar de modo a favorecer a sonegação de impostos e contribuições previdenciárias e desviar recursos em benefício dos envolvidos, assim como ocultar ativos, dificultando a cobrança de dívidas, inclusive trabalhistas e previdenciárias. Envolveramse no esquema diversas pessoas físicas, a maior parte no papel de "laranja", sendo A intervenção da ANS Agência Nacional de Saúde Suplementar na Itálica Saúde Ltda, com a instalação de Direção Fiscal na Operadora em 01/09/2011 (Resolução Operacional n° 1073) até, posteriormente, a decretação da liquidação extrajudicial, em 09/09/2013 (Resolução Operacional n°1514) obrigou os envolvidos a abandonar este sistema. Foi nomeada como liquidante Edna Maria Tonolli, CPF 642.165.438 04, que em 14/05/2014 foi substituída por José Carlos Marani, CPF 387.508.56804. Em fiscalização previdenciária anterior, encerrada em 30/11/2010, já se constatara que durante o ano de 2006 a quase totalidade dos trabalhadores era contratada, fraudulentamente, por meio de cooperativas de trabalho, incluindo as pessoas que atendiam à fiscalização (o diretor financeiro. Orlando Márcio M. Campos Jr. e o contador Fábio Moeckel da Luz), além de muitos outros em funções administrativas que implicam necessariamente na prestação de serviço contínua e não eventual e na subordinação, como auxiliares administrativos, auxiliares de escritório, analistas contábeis, atendentes de cobrança, operadores de telemarketing, recepcionistas, dentre outras, conforme contrato celebrado entre a Itálica e a COOPERATIVA DE SERVIÇOS TÉCNICOS E EMPRESARIAIS COOPSEM de 24/02/2006. Conforme o Relatório Fiscal de lançamento efetuado na referida fiscalização, havia ainda a ocorrência de pagamento de verbas como "prêmio", "ajuda de custo" e "vale Fl. 10561DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.562 4 transporte" diretamente pela Itálica aos "cooperados" e que um mesmo trabalhador podia ter sido associado, em períodos sucessivos, a mais de uma das cooperativas com quem a Itálica manteve contrato de prestação de serviços. b) Fiscalização. A ação fiscal teve início em 19/03/2013, conforme ciência pessoal em Termo de Início de Procedimento Fiscal –TIPF, sendo o procedimento fiscal foi instaurado para o período de 01/2010 a 12/2010 e posteriormente ampliado para abranger 01/2010 a 12/2012. As intimações anteriores à data da decretação da liquidação extrajudicial (10/09/2013) não tiveram resposta. Posteriormente a esta data, as intimações foram recebidas pelos liquidantes nomeados pela ANS. No entanto, estes também não apresentaram a documentação solicitada (com exceção dos relatórios de auditoria e a relação de bens da operadora), tendo justificado o fato pela falta de acesso aos livros e documentos da empresa. Serviram de base para a fiscalização as informações contábeis transmitidas ao SPED Sistema Público de Escrituração Digital e as informações constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, em especial o sistema GFIPWEB. Também foram utilizadas informações obtidas em diligências fiscais realizadas junto às cooperativas MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE, CNPJ 05.585.853/000156 e MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE INFRAESTRUTURA EMPRESARIAL, CNPJ 05.590.035/0001 41. c) Administração da sociedade. Diante das experiências profissionais, dos bens e do modo de vida das sócias Guilhermina Éster Baya (99% das cotas) e Sofia Cristiane Baya Schaetzer (1% das cotas), são diversos os indícios de sua falta de capacidade econômica, assim como da falta de capacidade empresarial para dirigir uma empresa que movimenta cerca de cem milhões de reais anualmente. As duas sócias foram intimadas, em 28/02/2013 e novamente em 12/11/2013, a comparecer pessoalmente à DRF Barueri para prestar esclarecimentos relativos à Itálica Saúde, mas não o fizeram, nem justificaram a falta de atendimento à intimação. No "Relatório Preliminar de 60 dias" da Direção Fiscal da ANS, datado de 06/11/2011 (Processo 33902.649944/201136), a Diretora Fiscal relata as sócias desde o início dos trabalhos não apareceram na Operadora e não participaram de nenhum ato da empresa. O mesmo processo da ANS por diversas vezes traz o testemunho sobre a identidade do real administrador da Itálica Saúde, ou seja, o Sr. Carlos Martin Lora Garcia. Pelo relato da Diretora Fiscal, quem se apresenta publicamente como gestor da Itálica é Carlos Lora, inclusive designando o outro procurador, Orlando Márcio, para atender à ANS, evidenciando uma clara relação de subordinação de um em relação ao outro. Carlos Fl. 10562DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.563 5 Lora ainda se apresenta publicamente como gestor da Itálica Saúde em eventos de divulgação da Operadora, noticiados pela imprensa. Tanto Orlando Márcio de Melo Campos Junior quanto Carlos Martin Lora Garcia receberam poderes de administração da sociedade conferidos pelas sócias por meio de procurações. Foram lavradas diversas procurações conferindo amplos poderes de administração da Itálica a Orlando Campos, agindo isoladamente, todas com prazo de validade de um ano. Orlando Campos reconhece que trabalhou para a Itálica em dois períodos: de dezembro de 1999 a janeiro/2005, como Gerente de Informática, contratado primeiramente pelo regime da CLT e posteriormente por cooperativa de trabalho; e que voltou a trabalhar na Itálica Saúde de março/2009 a janeiro/2013, sendo que até outubro/2009 não tinha uma função definida e, a partir daí, como Diretor Financeiro. As GFIPS da cooperativa Maxicoop Coop Trab Prof Infraestrutura entre 03/2010 e 04/2012 corroboram a informação. As procurações lavradas no Cartório de Pedro de Toledo/SP em 25/05/2010 por Sofia Cristiane (Livro 22 fls 177) e por Guilhermina Baya (livro 22 fls 179), além de conferir poderes semelhantes àqueles confiados a Orlando Campos, outorgam a Carlos Lora poderes especiais para: "representála perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, podendo alterar o contrato social da referida empresa, transferir suas cotas, em parte ou na totalidade; e, transferir a quem de direito, pelas condições que lhe convier; receber, passar recibos e dar quitação; concordar com cláusulas e suas alterações". d) ITALTAC. Em resumo, a ITALTAC TECNOLOGIA NA ÁREA DE COBRANÇAS LTDA EPP (CNPJ 04.674.217/0001 38) tinha um papel importante na operação do grupo, porque recebia os valores provenientes dos clientes da Itálica e utilizava estes recursos para fazer pagamentos de fornecedores da Itálica e dos hospitais integrantes do grupo econômico, realizar transferências para outras contas de sua titularidade ou de outras empresas do grupo e fazer aplicações financeiras. A ITALTAC foi aberta em 15/08/2001, e, conforme o contrato de prestação de serviços entre a Itálica Saúde e a Italtac, esta realizava a administração financeira da Operadora: “Cláusula 1ª O presente contrato tem por objeto a Prestação de Serviços de Cobrança, Recebimento, e Pagamento de títulos ou similares pela CONTRATADA para a CONTRATANTE, quais sejam: cobranças extrajudiciais e judiciais; pagamento de faturas, duplicatas e contas médicohospitalares; recebimento de duplicatas e boletos de cobrança bancária e, administração financeira”. De acordo com o Contrato Social, as sócias da Italtac são Roseli Aparecida de Brito (desde 0/12/2006) e sua mãe, Romilda Fl. 10563DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.564 6 Ardilia de Brito (desde 29/06/2009). A primeira, Roseli Aparecida de Brito, conforme as informações registradas nos sistemas CNIS e GFIPWEB, trabalhou para a Itálica Saúde Ltda até 12/2007 por meio da cooperativa Ettica Coop. Serv. de Apoio Adm. Operacional (CNPJ 08.194.377/000130), tendo como último saláriodecontribuição R$ 1.085,10 em 12/2007, ou seja, quando já era sócia da Italtac. A segunda, Romilda Ardilia de Brito, nascida em 01/11/1942, de acordo com a Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física de 2007, referente a 2006, não teve nenhum rendimento durante o exercício, mas tornouse sócia da Rentalcap LOCAÇÃO DE BENS MOVEIS LTDA (ver item 60 e seguintes do Relatório), com participação societária de R$7.200,00 a integralizar, o que teria acontecido no ano seguinte, com a utilização de valores de remuneração recebidos da própria Rentalcap. Romilda Brito não declarou a participação societária na Italtac nas DIRPF. As informações bancárias da ITALTAC foram solicitadas diretamente às instituições bancárias, em 12/07/2013, em função da inaptidão da empresa, conforme o Ato Declaratório Executivo n° 27, de 5 de julho de 2013/ DRF Barueri, com efeito a partir de 08/03/2013. A Itálica era a única cliente da Italtac, uma vez que, dentre todas as Notas Fiscais emitidas em 2010, do número 41 ao número 55, nenhuma teve outro destinatário. Também não foi localizado na contabilidade apresentada pela Italtac nenhum lançamento de receita oriunda de outra fonte, assim como não consta da DIPJ 2011 da Italtac informação sobre outra fonte de receita que não a Itálica Saúde. Os cheques para pagamentos a fornecedores da Itálica Saúde eram assinados conjuntamente por Roseli Aparecida de Brito, pela Italtac e por Orlando Campos Jr, pela Itálica. Após a assinatura, os cheques eram enviados para a aprovação de Carlos Lora, conforme descrito às fls. 205 do processo 33902.649944/201136 da ANS. Fica clara a subordinação de Orlando e Roseli, que apenas assinavam os cheques, a Carlos Lora, que era quem tomava as decisões sobre quais pagamentos seriam feitos. Os valores referentes às notas fiscais emitidas pela Italtac eram apropriados mensalmente na conta 462119403 Serviços de cobrança pela Itálica. Em 2010, o valor total das Notas Fiscais emitidas pela Italtac foi igual a R$ 9.122.028,20. Os valores dos pagamentos, que eram registrados na conta 1261196221 Adiantamento para Fornecedores ITALTAC foi de R$ 2.886.016,85, pagos por meio de cheques (emitidos de contas de titularidade da própria Italtac). A Italtac não possuía uma conta separada para receber as receitas da sua própria atividade. Foi verificado que, em 25/08/2010, foi lavrada no 69° Cartório de Notas de São Paulo, no Livro 3413, fls.193 a 196, uma escritura de quitação de uma dívida de R$8.500.000,00 da Italtac em relação à Itálica, cuja fiadora era a Mar Jull Empreendimentos Fl. 10564DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.565 7 Imobiliários Ltda, que teria dado diversos imóveis em garantia do débito. e) Hospitais. A escrituração digital da Itálica Saúde de 2010 e 2011 revela a existência, dentro do grupo de contas 1261196 Adiantamentos, contas de adiantamentos específicas para algumas empresas. Os adiantamentos para os hospitais São Carlos (Ital), Santo Expedito (Somel) e Jardins eram feitos diariamente, no valor necessário para cobrir as despesas diárias. Mensalmente, cada hospital emitia uma Nota Fiscal de valor igual aos adiantamentos feitos naquele mês. A fiscalizada foi intimada a apresentar a descrição dos serviços incluídos em cada Nota Fiscal, com a indicação do nome do paciente atendido e a especificação do atendimento médico prestado, mas não houve resposta. Os três hospitais também foram intimados a apresentar os contratos de prestação de serviços com a Itálica e as Notas Fiscais relativas aos serviços prestados a esta, acompanhadas da relação detalhada dos serviços incluídos em cada Nota Fiscal. Os hospitais também foram intimados a apresentar os Livros "Diário" e "Razão" de 2010. Apenas a Somel respondeu, mas o fez de forma inadequada: apresentou os livros contábeis em arquivo "pdf" e não em formato aceito pela RFB. Quanto à relação dos serviços incluídos em cada Nota Fiscal, apresentou somente os "resumos de serviços prestados", onde constava apenas o número de atendimentos ambulatoriais e de internações. Reintimado a apresentar a documentação, não respondeu. Relatório da Direção Fiscal, além de descrever a maneira como eram feitos os adiantamentos aos hospitais (fls 353), prossegue descrevendo, em relação às outras empresas ligadas, um procedimento idêntico: “Os Hospitais da Rede Aberta acima, assim como os fornecedores de serviços: Italtac Tecnologia na Área de Cobrança Ltda., Rentalcap Locação de Bens Móveis Ltda., Aweti Com. Serv. e Treinamento, Consultec Consultoria em Saúde Ltda., recebem adiantamentos durante o mês e no final do mês é feito encontro de conta e emitida Nota Fiscal de serviços no valor total dos adiantamentos feita, em desacordo com art. 21 da Lei n°. 9656, de 1998.1 Consta também do processo da ANS (fls. 208) a informação de que a administração da Itálica e dos hospitais era conjunta: Todos os dias eu vejo o Sr. Orlando assinando cheques em conjunto com a Rosely da Italtac referentes aos pagamentos: da Operadora Itálica, do Hospital Jardins, Santo Expedito e São Carlos. E às fls.210: “Destaco que a empresa Italtac Tecnologia na Área de Cobrança faz também a gestão financeira dos Hospitais Maternidade Jardins, Santo Expedito e São Carlos e utilizam os mesmos bancos, ou seja, Santander e Bradesco”. f) Empresas Ligadas. Além da ITALTAC e dos hospitais, faziam parte do grupo empresarial as empresas RENTALCAP (aluguel de móveis e equipamentos), MAR JULL (aluguéis de imóveis), CONSULTEC (serviços de consultoria) e AWETI (ATUAL Fl. 10565DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.566 8 EFRA) (serviços de informática), que mantinham contratos com a Itálica Saúde. Das empresas HOSPITAL E MATERNIDADE JARDINS LTDA, ITAL SAÚDE SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS LTDA, SOMELSOCIEDADE PARA MEDICINA LESTE LTDA, ITALTAC TECNOLOGIA NA área DE COBRANÇAS LTDA EPP, MAR JULL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, EFRA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, CONTABILIDADE E AUDITORIA, RENTALCAPLOCAÇÃO DE BENS MOVEIS LTDA. ME e CONSULTEC CONSULTORIA EM SAÚDE LTDA que a receita obtida junto à Itálica representa, de acordo com as informações declaradas em DIPJ, a única receita das empresas associadas na maior parte dos casos. Apenas a Somel e o Hospital Jardins declararam receitas obtidas de clientes externos (23% e 5% respectivamente). Italtac, Consultec e a Rentalcap alugaram uma "pasta" da Businesslike para a sede da empresa. O endereço da Aweti/Efra, na rua Barata Ribeiro, corresponde a um serviço de flats. Quanto ao endereço da Mar Jull, duas intimações enviadas para lá retornaram à DRF Barueri com o carimbo de "desconhecido". Foi então enviada uma intimação para a sócia Leda Mariam Naked Tannus Fonseca, para atualizar o endereço cadastral da empresa. Ela respondeu, afirmando ser este o endereço correto. Foi então realizada diligência ao local, à Rua Arthur de Azevedo, 1701, Pinheiros, São Paulo, em 10/12/2013, quando foi constatado tratarse de uma casa, cujas salas são utilizadas como consultórios do Hospital e Maternidade Jardins. Nenhum dos funcionários do Hospital Jardins que trabalhavam no local na hora da diligência conhecia a Mar Jull e informaram à fiscalização que todo o imóvel era ocupado pelo Hospital Jardins. Por fim, a Italtac não foi encontrada no endereço informado no cadastro do CNPJ. Todas essas empresas foram intimadas a apresentar os contratos de prestação de serviços com a Itálica, as Notas Fiscais emitidas e o Livro Diário/Razão ou Livro Caixa. Apenas a Somel e a Mar Jull responderam, embora de forma insatisfatória. g) Pessoas ligadas. A composição do quadro societário das empresas ITÁLICA, ITALTAC, CONSULTEC, RENTALCAP, MAR JULL, AWETI, HOSPITAL JARDINS, SOMEL e ITAL SAÚDE revela que diversas pessoas fazem ou fizeram parte do quadro societário de mais de uma empresa. Além de Roseli e Orlando, outras pessoas que figuram como sócios de empresas ligadas à Itálica trabalharam como cooperados para a empresa. Também existem laços de parentesco entre algumas pessoas. Ressaltese que todas as pessoas que fazem ou fizeram parte do quadro societário da Mar Jull, a empresa patrimonial do grupo Itálica, têm (ou aparentam ter) laços de parentesco com Carlos Lora. Diversas procurações foram localizadas nos cartórios de São Paulo referentes às empresas em questão. Quatro pessoas Fl. 10566DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.567 9 receberam procurações dos sócios das empresas: Carlos Lora, Orlando Campos, Roseli Brito e José Miguel Omonte Rossi. Os três últimos têm procurações que conferem poderes de administração da Itálica e de parte das demais empresas do grupo, com prazo determinado e sempre assinando em conjunto com outro procurador ou sócio. Somente as procurações de Carlos Lora são por prazo indeterminado, permitem agir isoladamente e conferem, além de amplos poderes de administração, poderes especiais para transferência de cotas sociais. h) Confusão patrimonial. Quando do início do procedimento fiscal, Itálica Saúde Ltda não se encontrava mais em operação. Além disso, esta não apresentou nenhum documento à fiscalização ou aos liquidantes nomeados pela ANS. Sendo assim, a fiscalização baseouse em grande parte, além dos registros contábeis, nos relatórios fiscais da fiscalização comandada pelo MPF 08128002010000324 e nos autos do processo administrativo da Direção Fiscal da ANS 33902.649944/201136, tendo em vista que, tanto a fiscalização anterior quanto a Direção Fiscal da ANS, ocorreram simultaneamente aos fatos descritos no Relatório. Com base nestas informações, foi possível concluir que a operação da Itálica não se dissociava da operação das outras empresas ligadas: elas funcionavam como se fossem uma só, com a administração centralizada em um mesmo local (Alameda Santos, 2209 3e andar), sob os mesmos comandos e utilizando se dos mesmos recursos. Cito novamente o processo da ANS (fls 208): "Todos os dias eu vejo o Sr. Orlando assinando cheques em conjunto com a Rosely da Italtac referentes aos pagamentos: da Operadora Itálica, do Hospital Jardins, Santo Expedito e São Carlos”. Os adiantamentos e o faturamento dos hospitais Santo Expedito, São Carlos e Jardins independiam dos serviços hospitalares e ambulatoriais efetivamente prestados à Operadora. Desta forma, a Itálica pagava as despesas dos hospitais, independentemente dos serviços prestados, em uma situação de absoluta confusão patrimonial e desrespeito ao princípio contábil da Entidade. Os cheques cujo pagamento não era autorizado por Carlos Lora não faziam parte do controle de contas a pagar, e consequentemente não figuravam no passivo da empresa, em desrespeito ao princípio contábil da Competência. A transferência de valores da Itálica para os hospitais faziase exclusivamente entre contas de titularidade da Italtac, o que acentuava a confusão patrimonial. i) MAR JULL. A Mar Jull era a empresa patrimonial do grupo, em cujo nome estavam registrados diversos móveis ocupados por empresas do grupo, como aqueles ocupados pelo Hospital Jardins, à rua Artur Azevedo, em São Paulo (números 1659/1663/1667/1669/1697/1701/1715). Um destes imóveis, o de 1701, o mesmo que hoje a Mar Jull declara ser sua sede e que é ocupado de fato pelo Hospital Jardins, teria sido também alugado para a Itálica, entre 2004 e 2010, juntamente com um Fl. 10567DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.568 10 depósito em São Mateus (Rua Frei Antonio Ventura, 128). Os aluguéis, de acordo com a justificativa dada pela empresa, nunca teriam sido pagos, até 2010, coincidentemente o ano fiscalizado, quando os valores atrasados estariam sendo pagos. O histórico dos lançamentos deixa claro que o ambulatório é usado pelo Hospital Jardins. O valor do aluguel do galpão em São Mateus seria de R$15.000,00, mas a visão da rua na altura do número 128 (obtida pelos serviços do google maps) evidencia a inverossimilhança do valor atribuído ao aluguel. Todas as evidências relatadas apontam para a ocorrência de simulação nos contratos de aluguel apresentados pela Mar Jull. j) Real beneficiário. A Ficha Cadastral de Abertura da Conta 1497960, na agência 0138 do Bradesco, de 26/11/2002, em nome da Italtac, mostra a assinatura de Carlos Lora. A assinatura conjunta de Orlando Campos e Roseli Brito aparece nos cheques e autorizações de transferências de todas as contas da Italtac, com exceção da conta mantida junto ao Bradesco, agência 1381, conta 161201. Em relação a esta conta somente foram identificados documentos que traziam a assinatura isolada de Carlos Lora. Os lançamentos nesta conta compunhamse principalmente de retiradas em espécie e de transferência de valores para planos de previdência privada (Bradesco Vida e Previdência diversos tipos de contrato). A conta 161201 movimentou em 2010 cerca de R$8.500.000,00. Os recursos movimentados nesta conta provinham principalmente da conta 1497960, agência 1381, de titularidade da Italtac. As autorizações das transferências entre estas duas contas eram assinadas por Carlos Lora. A beneficiária dos vários contratos de previdência privada que recebiam recursos provenientes da Itálica Saúde era Silvia Helena de Carvalho Lora. A Ficha Cadastral de Carlos Lora no Banco Bradesco, relativa à conta 149.796/0 informa que Silvia Helena de Carvalho Lora era sua cônjuge à época do cadastramento. Carlos Lora, embora fosse identificado publicamente como dono da Itálica Saúde, uma empresa com movimento anual de cerca de R$100.000.000,00, não tem contas bancárias, nem imóveis ou automóveis em seu nome. Declara como endereço um dos imóveis ocupados pelo Hospital Jardins (Rua Artur Azevedo, 1659). Foi apurado que, em compras de material de construção, feitas durante o ano de 2014, no Estado de São Paulo, forneceu outro endereço ao vendedor das mercadorias, à Rua Tomé Portes, 941, no bairro do Brooklin, em São Paulo. A imagem do imóvel, obtida pelo "Google maps" (data da imagem: maio de 2014), mostrada abaixo, corresponde a uma casa ampla, localizada em bairro nobre, junto a outras residências de alto padrão. Silvia Helena de Carvalho Lora informou o endereço da Rua Tomé Portes , 941, na Nota Fiscal 237641, emitida em 07/08/2014 pela empresa Lustres Yamamura Ltda. A única empresa em seu nome é a Consultec, mas em sua DIRPF de 2011 e 2012 declarou ter obtido sua renda junto a pessoas físicas (em 2010, R$ 56.700,00). Por outro lado, tinha procurações para Fl. 10568DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.569 11 agir em nome de todas as empresas do grupo e era a pessoa que comandava, não somente a Itálica Saúde, mas todas elas. k) Patrimônio. Mar Jull, à época dos fatos geradores descritos, era a empresa patrimonial do grupo. Diversos imóveis utilizados pelas empresas ligadas à Itálica Saúde estavam registrados em seu nome até meados de 2012, na mesma época em que, tendo sido recusado pela ANS o Plano de Recuperação apresentado pela Operadora e emitido o Parecer 185/2012/PFE ANS/PGF/AGU de 23 de maio de 2012, que recomendou a alienação compulsória da carteira de beneficiários, que veio a acontecer em 17/10/2012, e a decretação da liquidação extrajudicial, ocorrida em 09/09/2013. A partir de maio de 2012, diversos imóveis que eram de propriedade da Mar Jull foram passados a outras pessoas físicas e jurídicas, quase todas relacionadas de alguma forma à Itálica Saúde, em evidente operação de ocultação de bens. Dos onze imóveis que sofreram transferências de titularidade, sete tiveram como adquirente final a empresa R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 07.034.932/000102, de capital social igual a R$1.000,00. As transferência de propriedade dos imóveis da Mar Jull para a R&D ocorrem alguns dias depois das alterações efetuadas na sociedade, o que sugere que a empresa foi "montada" para suceder a Mar Jull como empresa patrimonial da Itálica. José Carlos dos Santos é médico e responsável técnico do Hospital e Maternidade Jardins, tendo recebido alguns pagamentos da Itálica em 2011, conforme a contabilidade, com o histórico de "plantões". Além disso, José Carlos dos Santos é também o representante no Brasil da Crossville Overseas, empresa sediada no Panamá, com participação societária de 99% no capital da R&D Empreendimentos, além de ter "adquirido" da Mar Jull em 03/1/2013 o imóvel onde está sediado o Hospital Santos Dumont, à Rua Natal, 61 (imóvel n° 11 na tabela do item 97), não tendo entregue nenhuma Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física entre 2012 e 2014 e de não ter tido nenhum vínculo de emprego ou recolhimento como contribuinte individual posteriormente a 02/2005, conforme os registros do CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais). A movimentação financeira de José Carlos também não reflete a venda dos mesmos imóveis à R&D Empreendimentos em janeiro de 2013, pelos mesmos preços pelos quais teriam sido comprados. Não foram localizados outros bens em seu nome. Excetuados dois imóveis, todos os demais foram comprados por pessoas físicas e jurídicas com algum tipo de relação com a Itálica (Ana Maria Noronha Gruber Franchini, José Carlos dos Santos, Bruno Sérgio Damasceno e R&D Empreendimentos). Além disso, tendo em vista a ausência de patrimônio pessoal visível e a experiência profissional, Adriana de Lima de Oliveira {excooperada da Maxicoop, assistente de atendimento com salário de R$ 1.000,00}, Robson Mascarenhas de Souza {ex porteiro e coletor de lixo, já sócio da R&D}, Bruno Damasceno {sobrinho de Roseli Aparecida de Brito “sócia” testadeferro na Fl. 10569DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.570 12 Italtac} e José Carlos dos Santos não demonstram possuir capacidade financeira e gerencial para a atividade empresarial. Mais ainda, não foi encontrada comprovação, na análise da movimentação bancária, da DIRPF das pessoas físicas envolvidas e da DIPJ da R&D Empreendimentos, de que as operações de venda tenham sido efetivamente realizadas. l) Fatos geradores. Cooperativas de Trabalho. Embora a Itálica Saúde já não se encontrasse em atividade na data de início do procedimento fiscal, foi possível constatar, pela consulta ao sistema GFIPWEB, que a empresa teve apenas três empregadas registradas entre 01/2010 e 12/2012, todas vinculadas à matriz da empresa (duas auxiliares administrativas e uma advogada). Os trabalhadores que prestaram serviços à operadora durante o período fiscalizado estavam vinculados às cooperativas de trabalho MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE, CNPJ 05.585.853/000156 e MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE INFRAESTRUTURA EMPRESARIAL, CNPJ 05.590.035/000141, sendo relevante constante do "Contrato de Transferência de Atividades" assinado em 26/03/2008 pela Itálica Saúde e a Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial. O contrato entre a Itálica Saúde e a Maxicoop Cooperativa De Trabalho Dos Profissionais De Saúde, assinado em 27/2/2009, é semelhante ao contrato com a Maxicoop Coop Trab dos Profiss de Infr. Empres., diferindo, no entanto, em relação ao tipo de serviço prestado (neste caso, serviços médicos) e o horário em que "as dependências da contratante estarão à disposição dos associados da contratada" (0 às 24 horas). A relação dos trabalhadores ligados à MAXICOOP Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde e à MAXICOOP Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial que trabalharam para a Itálica no período fiscalizado, por cooperativa e por competência, elaborada com base nos dados informados nas GFIP's, compõe o Anexo I ao Relatório Fiscal. Estiveram vinculados à MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE saúde sete trabalhadores, nas seguintes funções: 2 enfermeiras, 4 técnicos de enfermagem e 1 técnico em próteses ortopédicas. Estiveram vinculados à MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE INFRAESTRUTURA EMPRESARIAL 488 trabalhadores, em diversas funções administrativas, como: 201 operadores de telemarketing, 129 auxiliares administrativos, 26 trabalhadores em limpeza, 16 supervisores administrativos, 21 operadores de equipamentos de entrada e transmissão de dados, 21 recepcionistas, 6 supervisores de atendimento. Foram identificados diversos trabalhadores que aparecem nos anexos do Relatório Fiscal da fiscalização efetuada em 2006 como vinculados à Coopsem e que também aparecem nas GFIP's da Maxicoop Cooperativa De Trabalho Dos Profissionais De Fl. 10570DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.571 13 Infraestrutura Empresarial vinculados à Itálica Alguns empregados da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial constam da Tabela 1 (item 8), ou seja, foram vinculados a outras cooperativas em períodos anteriores a 2006. Processos Trabalhistas. Existem diversos processos cadastrados na Justiça do Trabalho de excooperados das cooperativas Maxicoop, requisitando o reconhecimento de vínculo empregatício pela Itálica Saúde. Relatórios ANS. Os relatórios emitidos durante a vigência do regime de direção fiscal na Itálica revelam que tanto a admissão como a demissão de um novo cooperado era comandada pelos gerentes de área da Itálica e que os "prestadores de serviços" cumprem a jornada de trabalho de Segunda a Sextafeira, das 8h às 18h com intervalo para alimentação e repouso de lh30, cumpridos de igual forma pelos empregados registrados e também são supervisionados e coordenados por outros empregados, portanto os cooperados estão sujeitos ao poder disciplinar da empresa. O complemento do Relatório Final da direção Fiscal da ANS, de 04/05/2012, informa ainda que diversos gerentes ou administradores da Itálica foram cooperados durante o período fiscalizado: Orlando Márcio de Melo Campos Jr (gerente de atendimento), Fabio Moeckel da Luz (contador), Marcelo Carlos Marques (gerente financeiro) e Simone Alves da Cruz (coordenadora de atendimento) foram, todos, ligados à Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial. Consta ainda do processo 33902.649944/201136 da ANS, às fls. 821, um fragmento da "Folha de Pagamento" de setembro de 2011 da Itálica Saúde, mostrando a função, o setor, a data de "associação", o número de horas de trabalho no mês (sempre igual ou superior a 189 horas, o que equivale aproximadamente a uma jornada de trabalho semanal de 44 horas, exceto no caso de Diego dos Santos Coelho, "associado" em 21/09) e o valor da remuneração. Examinando os valores da remuneração de cada trabalhador conforme as GFIP's mensais da MAXICOOP Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial, entre 01/2010 e 04/2012, é possível Verifica r que cada trabalhador recebe valores mensais aproximadamente constantes durante o período em que presta serviços à Itálica Saúde. Este fato, juntamente com a constatação de que, dentre os 373 trabalhadores vinculados a esta cooperativa e que prestaram serviços à Itálica, apenas sete trabalharam para outros tomadores de serviços, e nos casos em que isso ocorreu, o tomador era um dos hospitais vinculados à Itálica ou a empresa Manager Network Intermediações de Negócios Ltda, ligada à fiscalizada. Todos os pagamentos feitos a trabalhadores por meio de cooperativas foram considerados como remuneração de empregados e integram a base de cálculo dos Autos de Infração lavrados durante o presente procedimento fiscal. Para a apuração da base de cálculo das contribuições foram utilizados Fl. 10571DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.572 14 os valores incluídos na Notas Fiscais das cooperativas, excluindose o valor destacado da taxa administrativa. O Anexo V do Relatório fiscal relaciona as Notas Fiscais utilizadas para o cálculo da contribuição previdenciária. Pagamentos diretos a cooperados. A contabilidade da fiscalizada mostra que, além dos pagamentos feitos por meio das cooperativas, eram feitos muitos pagamentos diretos aos trabalhadores supostamente "cooperados". Alguns desses pagamentos eram informados no histórico do lançamento contábil como "férias", "compl. salarial" ou "horas extras", como, por exemplo, pagamentos a Antonio Benedito de Oliveira Mendes, Davi Belzunces do Amaral, Marcelo Carlos Marques, Aline Vicente Avelino ou Carina Tancredi Mussolin. A relação completa dos pagamentos feitos diretamente a "cooperados" em 20l0 e 20ll consta do Anexo II do Relatório Fiscal. Todos os pagamentos feitos diretamente a "cooperados" foram considerados como remuneração de empregados e integram a base declculo dos Autos de Infração lavrados durante o presente procedimento fiscal. Manager Network. Conforme informado pela Diretora Fiscal nomeada pela ANS em seu Relatório de 27/04/2012, às fls 1615 do Processo 33902.649944/201136, a Itálica, naquele período, estava alterando suas operações relacionadas à de mãodeobra mediante a contratação da empresa "Manager Network Intermed. De Neg. S/C Ltda, CNPJ 08.148.059/000133, com sede na Rua Barão de Itapetininga, 88 conj. 908 São Paulo, cujo sócio é José Roberto Sousa, para se responsabilizar pela gestão de pessoas, porém a fonte dos recursos humanos seria realizada pela "Cooperativa de Serviços "Cooproserv Cooperativa de Trabalho de Profissionais em Prestação de Serviços", a ser repassado para a Operadora através da empresa Manager Network Intermed. De Neg. S/C Ltda. No mesmo processo citado no item anterior, constam, às fls. 1662/1663 a Ficha de Registro de Simone Alves da Cruz na Cooproserv e a "Requisição de Serviços ao Cooperado" tendo como tomador de serviços a Manager Network Intermediações de Negócios S/C Ltda, ambas datadas de 13/04/2012. Este último documento especifica a função ("coordenadora de atendimento"), o horário de trabalho das 8 às 18 horas, além de convênio médico e ajuda de custo mensal de R$198, 80, o que evidencia a existência de vínculo empregatício, uma vez que a imposição do horário de trabalho, a função de coordenação e o recebimento de benefícios pessoais não são características do trabalho autônomo. Além disso, essas são as mesmas condições de trabalho que a trabalhadora recebia quando trabalhava na condição de cooperada da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial. Não foi possível verificar se a "ajuda de custo" foi paga diretamente pela Itálica Fl. 10572DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.573 15 depois da mudança de cooperativa, uma vez que não houve apresentação da contabilidade de 2012. A relação de trabalhadores com a remuneração mensal por cooperativa corresponde ao Anexo III deste Relatório Fiscal.Para a apuração da base de cálculo das contribuições foram utilizados os valores das remunerações informadas em GFIP e relacionadas no Anexo III. Tanto a Cooproserv quanto a Manager Network foram intimadas em a apresentar Notas Fiscais e contratos de Prestação de Serviços referentes a 20l2, mas nos dois casos a correspondência retornou à Delegacia da RFB de Barueri, porque os destinatários não foram encontrados no endereço que consta do cadastro do CNPJ. Contribuintes Individuais – sócias e prestadores de serviços. Apurações pertinentes ao processo 13896.720130/201509. Foram identificados na contabilidade pagamentos às sócias Guilhermina Ester Baya e Sofia Cristiane Baya Shaetzer, não declaradosem GFIP. Além desses valores, foram considerados como base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nos Autos de Infração os lançados na conta 1261196221 Adiantamentos Fornecedores Terceiros, uma vez que não foram localizados registros de crédito em conta de despesas correspondentes aos valores que teriam sido adiantados. Foram identificados na contabilidade diversos pagamentos a pessoas físicas sem vínculos empregatícios e não cooperados. Os históricos dos lançamentos, registrados em diversas contas de despesas, trazem descrições como "serviços prestados", "consultas médicas", "apropriação RPS autônomo" ou "pagamento de comissões". Todos os valores incluídos na relação que compõe o Anexo IV Pagamentos a pessoas físicas foram considerados como base de cálculo da contribuição previdenciária (contribuinte individual) e foram lançados nos Autos de Infração emitidos nesta data. Em alguns casos não foi possível identificar o beneficiário do pagamento. Nesses casos, o valor lançado na contabilidade foi considerado como remuneração de contribuintes individuais. Pagamentos por meio de PJ. Foram identificados na contabilidade diversos pagamentos para as empresas AWETI Com e Serv e Treinamento Ltda, CONSULTEC Consultoria em Saúde Ltda e Moeckel's Consultoria e Assessoria Contábil Ltda (CNPJ 17.331.824/000147) cujos sócios administradores são, respectivamente Orlando Marcio de Melo Campos Jr, Carlos Martin Lora Garcia e Fábio Moeckel da Luz. Estas empresas, conforme as informações dos sistemas GFIPWEB e CNISA, não tiveram empregados no período fiscalizado e seus sócios administradores trabalhavam para a Itálica Saúde Ltda. Intimados, apenas Orlando Márcio compareceu, tendo afirmado em seu depoimento que recebia sua remuneração pelos serviços prestados à fiscalizada "por meio de cooperativa de trabalho e por meio da empresa Aweti Comércio, Serviços e Treinamento Ltda, em dinheiro, cheques ou transferências bancárias". O Relatório de 30 dias da Direção Fiscal na ANS relata que em 2011 foi implantado o Setor Contábil nas dependências da Operadora, ele é formado por 04 profissionais cooperados pela Fl. 10573DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.574 16 Maxicoop, sendo que o cooperado Sr. Fábio Moeckel da Luz, contabilista, foi admitido em 01 de setembro de 2010 pela Maxicoop, para o cargo de gerente o setor de Contabilidade, e além de ser contratado pela Cooperativa Maxicoop, firmou contrato com a Operadora entre a sua empresa Moeckel Consultoria e a Operadora Itálica. A contabilidade da Itálica registra ainda diversos pagamentos diretos de "horas extras", a caracterizar inequivocamente vínculo empregatício. Orlando Marcio de Melo Campos Jr trabalhou para a Itálica também como cooperado e a contabilidade de 2010 também registra o pagamento de "serviços extraordinários"confirmando a existência de vínculo empregatício. Carlos Lora é o real beneficiário das riquezas geradas pela atividade da empresa e administrava a empresa com amplos poderes. Por estes motivos, os valores pagos a ele, por intermédio da Consultec, foram considerados como pagamentos a contribuinte individual. m) Agravamento da multa. A falta de apresentação da documentação solicitada pelas intimações fiscais e de qualquer esclarecimento sobre a razão do não atendimento, motivou o agravamento da multa em 50%, conforme § 29, incisos I e II, do artigo 44 da Lei 9.430/96. n) Qualificação da multa. Os fatos descritos, em conjunto, demonstram a intenção clara do contribuinte em retardar e dificultar a apuração dos fatos geradores relacionados às contribuições previdenciárias e caracterizam, em tese, a prática de sonegação, nos termos do art. 71 da Lei 4.502/64. Cabe, portanto, aplicar multa qualificada sobre os créditos lançados em decorrência dos fatos descritos neste Relatório Fiscal, conforme previsão do §1° do art. 44 da Lei 9.430/96, em relação ao período posterior à publicação da MP 449/2008. 3.1. O presente processo foi apensado ao processo n° 13884.720130/2015 09, por força do Termo de fls. 9.514. 4. Itálica Saúde Ltda em Liquidação Extrajudicial foi cientificada pessoalmente do AI n° 51.067.5255 em 28/01/2015 (fls. 03). Não foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária. 4.1. Sofia Cristiane Baya Schaetzer e Guilhermina Ester Baya subscrevem impugnação em nome próprio e em nome de Itálica Saúde Ltda (fls. 9.516/9.551), acompanhada dos documentos de fls. 9.552/9.582, protocolada em 27/02/2015 (fls. 9.516) e acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fls. 10.980 do principal processo n° 13884.720130/201509), alegando em síntese: a) Tempestividade. Itálica Saúde Ltda, Sofia Cristiane Baya Schaetzer, e Guilhermina Ester Baya, na qualidade de co responsáveis solidários pelo crédito tributário objeto do processo em epígrafe apresentam impugnação conjunta visando ao cancelamento integral da exigência. A defesa é tempestiva, já que a notificação do lançamento fiscal se deu em 28/01/2015 e o Fl. 10574DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.575 17 prazo de trinta dias para protocolo se esgotou apenas em 28/02/2015. b) Realidade. A Impugnante é empresa operadora de planos de saúde, tendo iniciado suas atividades em 1996. No ano de 2009, adquiriu parte da carteira então comercializada pela AVIMED AVICCENA ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA., em liquidação extrajudicial. Apesar de inicialmente possuir capacidade econômicofinanceira, a Impugnante acabou efetivamente se responsabilizando por grande parte do passivo da AVIMED, o que a levou a sérias dificuldades financeiras e operacionais, cujos resultados e desdobramentos, ao final, foi a instauração do regime de direção fiscal pela ANS em 2011 e determinação da alienação compulsória da sua carteira em 2012. Em resumo, o que houve foi um empreendimento malsucedido, mero e infeliz insucesso do negocio, nada mais! c) Terceirização. Validade. A terceirização das atividades principais não é prática imoral, antiética ou criminosa, ou seja, não visa à supressão de tributos ou/e de direitos trabalhistas dos colaboradores da empresa. Tal prática se enquadra perfeitamente na liberdade de contratação prevista no art. 5°, II, da Constituição Federal, não sendo cabível a desconsideração dos contratos celebrados e nem da personalidade jurídica das pessoas jurídicas envolvidas. O Tribunal Superior do Trabalho editou a Súmula n°. 331, fixando limites abstratos à possibilidade de terceirizar ao diferenciar atividadefim e atividademeio. Essa diferenciação é discutida no Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 713211, que teve repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual do Supremo Tribunal Federal. Embora aguarde julgamento, o Supremo Tribunal Federal está inclinado a reconhecer a ampla possibilidade de terceirização das atividades de uma empresa, inclusive dos "serviços para o atingimento do exercíciofim da empresa", em desacordo com a premissa maior do lançamento fiscal em foco. Os contratos de terceirização de mão de obra firmados pela Impugnante com as cooperativas e demais pessoas jurídicas, todas regularmente constituídas, revestemse de todas as formalidades legais e visaram, unicamente, buscar maior produtividade com redução de custos, bem como atribuir maior competitividade aos serviços por ela comercializados. O fato de as sociedades limitadas que prestaram serviços à Impugnante serem administradas por seus antigos colaboradores não atribui substrato jurídico ao lançamento da contribuição previdenciária sobre os pagamentos feitos a tais sociedades, não se podendo presumir intuito de fraude à previdência. d) Incompetência. A fiscalização presumiu a existência de vínculo empregatício entre a Impugnante e centenas de associados de cooperativas que lhe prestaram serviços, bem com desconsiderou a personalidade jurídica de empresas regularmente constituídas. A declaração de nulidade dos Fl. 10575DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.576 18 contratos firmados, o reconhecimento de vínculo empregatício e o preenchimento do art. 12 e seguintes da Lei 8.212/91 é competência da Justiça do Trabalho, a ser acionada pelo trabalhador em reclamação trabalhista. e) Nulidade. Base de cálculo. Com fundamento em quatro sentenças trabalhistas, presumiuse a existência de vínculo empregatício entre a Impugnante e centenas de cooperados, tributandose, inclusive, as verbas recebidas por via das reclamações trabalhistas, as quais são executadas pela própria Justiça do Trabalho, conforme Súmula n° 368 do Tribunal Superior do Trabalho. Tal fato, per si, já demonstra a total nulidade do auto de infração, já que não se fez qualquer referência às contribuições que foram ou serão recolhidas em razão do recebimento de verbas trabalhistas por meio das ações judiciais citadas. Não comprovação do vínculo de emprego. Apesar de não existe vínculo empregatício entre os cooperados e a respectiva cooperativa, tampouco entre os cooperados e o tomador de serviço daquela (Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, art. 442, parágrafo único), com fundamento em apenas quatro sentenças proferidas em ações trabalhistas, das quais três foram ajuizadas por cooperados da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial e uma ajuizada por cooperado da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, bem como num relatório produzido pela Agência Nacional de Saúde (processo n° 33902.649944/201136), a fiscalização pretende comprovar a nulidade de contratos, reconhecer vínculos de emprego e demonstrar o preenchimento do art. 12 e seguintes da Lei n° 8.212, de 1991. No presente caso, em se tratando de empresa fechada e em liquidação extrajudicial, a fiscalização não dispunha de nenhum elemento para averiguar a subordinação entre os cooperados e a Impugnante. As quatro sentenças não autorizam o reconhecimento da subordinação à Impugnante de centenas de cooperados e nem a constatação do vínculo empregatício, de modo a fundamentar o lançamento da contribuição previdenciária sobre folha de salários. Isto porque, tal afirmação encontraria óbice nos limites objetivos e subjetivos da coisa julgada (CPC, art.s 468, 469 e 472). Conforme corrobora o relatório fiscal e o "Contrato de Transferência de Atividades", as funções de direção e controle dos trabalhadores cooperados eram atribuições exclusivamente exercidas pela Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial, a qual possuía, no local da prestação dos serviços, um gestor responsável pela comunicação entre as contratantes, para a solicitação de quaisquer providências necessárias junto à cooperativa, inclusive no que se refere à admissão e afastamento dos cooperados. Igualmente prescreveu o "Contrato de Fl. 10576DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.577 19 Transferência de Atividades" firmado entre a Impugnante e a Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, diferindo com relação aos serviços que seriam prestados – serviços médicos e quanto ao período temporal em que as dependências da contratante ficariam à disposição dos cooperados, em razão da especialidade do serviço de saúde. A fiscalização colacionou trechos de relatório produzido pela Agência Nacional de Saúde (ANS), o qual cita que "o gerente de cada área é responsável de aceitação de admissão de um novo cooperado como a demissão. (...) Ressalto que os "prestadores de serviços" cumprem jornada de trabalho de Segunda a Sexta feira, das 8h às 18h com intervalo para alimentação e repouso de 1h30, cumpridos de igual forma pelos empregados registrados e também são supervisionados e coordenados por outros empregados, portanto os cooperados estão sujeitos ao poder disciplinar da empresa." Notese que o relato fiscal é incoerente, pois, no item 112, asseverou que a Impugnante possuía apenas três empregados registrados no período autuado e, no item 120, sustenta que a Impugnante possuía funcionários em número suficiente à coordenação e gerência de centenas de cooperados. Três funcionários não são suficientes ao gerenciamento das atividades de centenas de cooperados. Não comprovado, de maneira inequívoca e particularizada, o vínculo empregatício de cada cooperado cuja remuneração foi levada à tributação, resta caracterizada a nulidade material do auto de infração, conforme assevera a jurisprudência. Prova emprestada. Mesmo que se admitida a utilização de meros indícios como fundamento para a caracterização do vínculo empregatício e correlata constituição do crédito tributário, ainda assim, a autuação em comento é carecedora de validade, em vista da nulidade da prova emprestada do processo n° 33902.361472/201010, eis que o processo da ANS (parte diversa) é inquisitivo (sem oportunidade de defesa da impugnante) e visa apurar "anormalidades econômico financeiras e administrativas" (não a existência de quaisquer obrigações trabalhistas ou tributárias). Fundamentação. Mesmo nas hipóteses em que há previsão autorizando a utilização da presunção (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42), é imprescindível que o ato do lançamento esteja devidamente fundamentado. Não havendo comprovação inequívoca e particularizada do suposto vínculo empregatício de cada cooperado cuja remuneração foi levada à tributação, há nulidade material do lançamento. Portanto, diante (1) da falta de consideração dos valores da contribuição previdenciária que serão executados nos autos das reclamações trabalhistas mencionadas pela fiscalização, (2) da ausência de comprovação do vínculo empregatício entre os cooperados e à Impugnante, mormente no que se refere à existência de subordinação, (3) da nulidade da prova Fl. 10577DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.578 20 emprestada do processo n° 33902.361472/201010 (relatório ANS) e (4) da não comprovação inequívoca e particularizada do suposto vínculo empregatício de cada cooperado; é de rigor o pronto cancelamento do auto de infração impugnado. f) Vicio na sujeição passiva. Ainda que, apenas para argumentar, se admitisse algum vínculo empregatício com os cooperados da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, este vínculo seria com a empresa Hospital e Maternidade Jardins Ltda. O Hospital e Maternidade Jardins Ltda. era empresa autônoma e com geração de receitas próprias oriundas de consultas particulares e de pagamentos recebidos de diversos convênios médicos, dentre eles o administrado pela Impugnante, conforme inclusas notas fiscais (doc. 06) e quadro do item 61 do relatório fiscal. Ou seja, restou averiguado pela fiscalização que as receitas do Hospital e Maternidade Jardins Ltda. não eram provenientes, exclusivamente, de pagamentos efetuados pela Impugnante. Conforme o próprio relatório fiscal (item 115.1): "Estiveram vinculados à MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE sete trabalhadores, nas seguintes funções: 2 enfermeiras, 4 técnicos de enfermagem e 1 técnico em próteses ortopédicas." Ou seja, vinculados à Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, haviam apenas cooperados especializados em serviços de saúde, que nunca prestaram serviços à Impugnante, mas sim ao Hospital e Maternidade Jardins Ltda. Até porque, ainda conforme o relatório fiscal, "devese observar que a Itálica Saúde era uma operadora de planos de saúde e não um hospital ou clínica médica, sendo, portanto, sua atividade principal ligada ao comércio e à gestão dos referidos planos e não a prestação direta de serviços médicos". Sendo assim, fica claro o vício de sujeição passiva no lançamento fiscal impugnado e a violação do art. 142 do CTN, em relação às contribuições calculadas sobre os pagamentos creditados aos cooperados da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, devendo o lançamento ser anulado por vício material. g) Parcelas indenizatórias ou não habituais. Conforme se infere de seu anexo II, o auto de infração também tributou pagamentos efetuados pela Impugnante a título de gratificações (de assiduidade), férias (gozadas) e horas extras, diretamente a alguns cooperados. Ocorre que tais verbas não se sujeitam à incidência da contribuição previdenciária sobre folha de salários, seja por terem natureza indenizatória e não salariais ou por não serem pagas com habitualidade. Os precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça que afirmam a não incidência da contribuição previdenciária sobre tais verbas devem ser observados e respeitados em âmbito Fl. 10578DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.579 21 administrativo, conforme dicção do art. 62A do Regimento Interno do CARF. h) Autônomos e sócias. O conceito de remuneração, dentro das normas que regem a contribuição de terceiros, é atribuído apenas aos pagamentos recebidos por quem possui vínculo empregatício com a pessoa jurídica. Sócios da sociedade limitada e trabalhadores autônomos não possuem vínculo empregatício e em nenhum momento o relatório fiscal alega ou comprova a existência de vínculo empregatício com os autônomos e os sócios, a fim de validar a incidência da contribuição de terceiros sobre tais pagamentos. Nos referidos tópicos, a fiscalização chegou ainda a tributar despesas com viagens reembolsadas às sócias, as quais são expressamente excluídas do campo de incidência art. 214, § 90, inc. VIII, do Decreto n°. 3.048/99. Por tais razões, auto de infração deverá ser julgado improcedente ou convertido em diligência para que a fiscalização exclua tais verbas não tributáveis da base de cálculo da contribuição de terceiros. i) Multa. Com relação à multa de ofício aplicada, houve erro na qualificação e o indevido agravamento, considerando que não restou caracterizada recusa na apresentação de documentos e de esclarecimentos à fiscalização, tampouco houve intenção de "retardar e dificultar a apuração dos fatos geradores relacionados às contribuições previdenciárias", visto que, em síntese, além de não ocorridos os fatos imponíveis da obrigação tributária, a Impugnante estava em liquidação extrajudicial durante o período fiscalizado e atendeu a fiscalização com todos os meios que dispunha para tanto. Para que seja caracterizada a sonegação e, consequentemente, para que possa ser aplicada uma multa qualificada, nos termos do inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, conjugado com o artigo 71 da Lei n° 4.502/64, impreterível a prova de que o ato praticado pelo contribuinte revestiuse de intenção dolosa, o que definitivamente não consta dos autos. A Impugnante fez o atendimento da fiscalização, ainda que imperfeito, com todos os meios que dispunha. Não há interesse do liquidante nomeado pela ANS e dos antigos administradores em agir dolosamente para retardar ou impedir a apuração de fatos geradores de tributos por parte da Receita Federal. Não restando comprovado o elemento subjetivo do dolo e, muito menos, a sonegação já que, definitivamente, esta não ocorreu no caso em tela é ilegal a aplicação da multa qualificada, conforme jurisprudência. Além disso, a multa é confiscatória, posto que em montante exorbitante e desproporcional (constitui aproximadamente 62% do crédito tributário apurado). j) Solidariedade. É ônus da fiscalização comprovar a presença dos requisitos do art. 135 do CTN para fundamentar a responsabilização dos sócios pelos débitos da pessoa jurídica Fl. 10579DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.580 22 autuada, e não somente mencionar os dispositivos legais que prescrevem a responsabilização dos sócios sob determinadas condições, o que demonstra a ilegalidade da responsabilização levada a efeito. k) Pede o cancelamento integral da exigência fiscal impugnada, nos termos do art. 156, IX, e, subsidiariamente, a exclusão das vergas de natureza indenizatória ou não salarial da base de cálculo, bem como a insubsistência da responsabilização das sócias, ante a ausência dos requisitos do art. 135 do CTN. Por fim, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do CTN. 4.2. Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP, Hospital e Maternidade Jardins Ltda., Italtac Tecnologia na área de Cobranças Ltda. EPP, Rentalcap Locação de bens móveis Ltda. ME, EFRA Tecnologia da Informação Contabilidade e Auditoria, Orlando Márcio de Melo Campos Jr e Roseli Aparecida de Brito apresentam impugnação conjunta (fls. 9.656/9.669), acompanhada dos documentos de fls. 9.670/9.804, em 27/02/2015 (fls. 9.656), acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fls. 10.980 do principal processo n° 13884.720130/201509), com a ressalva de o impugnante não constar como sujeito passivo ou sujeito passivo solidário do AI n° 51.067.5255 (fls. 9.805), alegando em síntese: a) Empresas. Autonomia. Os impugnantes são empresas legalmente constituídas e em plena atividade e regularidade fiscal, exercendo objetos sociais variados, mas todos ligados à prestação de serviços relacionados à saúde. Neste sentido, esclareçase que as Impugnantes ITAL SAÚDE SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS LTDA. EPP "ITAL" e HOSPITAL E MATERNIDADE JARDINS LTDA. "HMJ", fundados respectivamente em 2000 e 1992, têm por objeto social a prestação de serviços de consultas médicas e hospitalares, ou seja: são hospitais em plena e regular atividade, que atendem a diversos planos de saúde e a particulares. Por seu turno, verifiquese que as demais Impugnantes ITALTAC TECNOLOGIA NA ÁREA DE COBRANÇAS LTDA. EPP "ITALTAC" e sua sócia e ROSELI APARECIDA DE BRITO, RENTALCAP LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS LTDA. ME "RENTALCAP", EFRA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO CONTABILIDADE E AUDITORIA "EFRA", e seu sócio ORLANDO MÁRCIO DE MELO CAMPOS JR., são igualmente legítimas, independentes e ativas, destinadas à prestação de serviços de cobrança, locação de equipamentos médicos e prestação de serviços de informática e contabilidade,respectivamente, possuindo receitas, despesas e faturamentos independentes entre si. De fato, tais empresas possuem em comum alguns de seus sócios e clientes, sendo certo, inclusive, que foram por eles criadas à medida que os supra referidos hospitais demandavam maior Fl. 10580DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.581 23 especialidade de seus prestadores de serviço, o que não encontravam em nível satisfatório no mercado. Assim, de modo a suprir as necessidades dos hospitais "HMJ", constituído em 1992 e da "ITAL", constituída em 2000, criaram se as empresas "ITALTAC", em 2001, "EFRA", em 2005, e "RENTALCAP", em 2006, as quais, entretanto, nunca se limitaram a prestar serviços apenas aos referidos hospitais, sendo empresas ativas e tendo por clientes outras pessoas jurídicas, inclusive. A devedora principal era mera cliente das Impugnantes, tendo contratos de prestações de serviços hospitalares com "HMJ" e "ITAL" e de serviços de locação, contabilidade e informática com as demais. Os argumentos da fiscalização são absurdos e inaptos. Por exemplo: Falaciosa e desprovida de comprovação é a afirmação de a "ITALTAC" ser subordinada de "Carlos Lora", que aprovaria previamente os pagamentos que tal Impugnante faria por conta e ordem da Itálica. Essa afirmação se baseia em indício lastreado em O fundamento para isso consiste mera transcrição de trecho de um suposto relatório produzido unilateralmente pela ANS, do qual as Impugnantes não são partes e não tomaram conhecimento e tampouco tiveram a chance de confrontar e, ainda assim, pretende lhes impor, como se verdade fosse. Responsabilidade tributária não é passível de presunção, sendo matéria regulada constitucionalmente e pelo CTN, e que impõe a observância de requisitos legais para que seja configurada. Não é crime a "ITALTAC" funcionar em escritório virtual. Os escritórios virtuais existem, são regulados, constando, inclusive, na lista de serviços tributados pelo ISSQN, ou seja: é atividade lícita, não gerando qualquer presunção de irregularidade por quem a toma. Os serviços prestados pela "ITALTAC", de cobranças e contablidade, não necessitam de espaço físico, até porque na maior parte das vezes seus sócios, para tanto, têm que ficar alocados nas empresas contratantes, o que demonstra que também esse "indício" de grupo econômico é insustentável. O único indício de "fraude"/formação de grupo econômico em relação às Impugnante "HMJ" e "ITAL" é frágil por se fundar exclusivamente no estranhamento do fato de os pagamentos a elas feitos por sua cliente Itálica em contraprestação ao atendimento de seus beneficiários o eram em forma de antecipações ao longo no mês, e não apenas ao seu final. Pela atuação junto à população menos favorecida, faziamse necessários adiantamentos ao longo do mês para viabilizar a manutenção das atividades, muitas vezes, o que não quer dizer que ao final do mês tais Impugnantes não prestavam contas dos serviços prestados. Fl. 10581DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.582 24 A fiscalização não apurou tal informação, tendo novamente limitadose a reproduzir, como se isto constituísse prova hábil e idônea para fins de lançamento tributário, trecho da narrativa feita por uma Diretora designada pela ANS, o que não se pode admitir. Assim, sem nenhuma prova efetiva, apenas com base em uma declaração de alguém que não guarda relações com os hospitais "HMJ" e "ITAL", pretendeuse configurar a existência de grupo econômico. Por fim, quanto às Impugnantes "EFRA" e "RENTALCAP", o único suposto indício de irregularidade reside no fato de tais empresas funcionarem em escritório virtual o que, como já discorremos, não é crime e, no mais, é completamente compatível com as atividades das Impugnantes, demonstrando que também em relação a estas é insustentável a acusação de pertencerem a grupo econômico. b) Pessoas físicas. Autonomia. Quanto às pessoas físicas Impugnantes, da mesma forma, não merece prosperar a imputação de responsabilidade, haja vista que meramente exerciam as atividades para as quais as empresas das quais eram sócias foram contratadas, não possuindo qualquer gerenciamento quanto aos pagamentos que faziam por conta e ordem de sua cliente, a empresa Itálica, não podendo, portanto, serem responsabilizados sob qualquer argumento de má gestão. c) Grupo. Não há razões e muito menos provas suficientes para considerar as Impugnantes como pertencentes a grupo econômico com a empresa Itálica Saúde Ltda., posto que não possuíam qualquer subordinação de suas atividades própria em relação a tal empresa, respeitando suas vontades apenas quanto à forma de execução de seus contratos de prestação de serviço, como ocorre em qualquer relação comercial. No mais, as supostas provas trazidas pela r. fiscal não são capazes de comprovar qualquer tipo de fraude, confusão patrimonial, influência dominante ou outro requisito necessário à configuração de grupo econômico e, consequentemente, à responsabilidade tributária das Impugnantes, na medida em que esta não se presume, como assevera nossos tribunais e a seguir ficará demonstrado. d) Ônus da prova. O ônus de comprovar a configuração do grupo econômico e da influência dominante é da fiscalização, não se podendo presumir a responsabilidade tributária. e) Inconstitucionalidade e Ilegalidade. Em relação às contribuições devidas a terceiros, é inaplicável a responsabilização pretendida, a teor do art. 178, § 2°, da IN MPS/SRP n° 03, de 2005. O art. 30, IX, da Lei n° 8.212/91 é inconstitucional, pois conforme art. 146, III, da CF só a lei complementar pode tratar de responsabilidade tributária, o que nos leva a concluir que ainda que configurado grupo econômico, impossível a responsabilização tributária das empresas que o Fl. 10582DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.583 25 compõem com base apenas neste artigo. Além disso, é ilegal por não observar as regras gerais do art. 128 do CTN. f) Procuradores. Os Impugnantes ORLANDO MÁRCIO DE MELO CAMPOS JR. e ROSELI APARECIDA DE BRITO não eram sócios ou diretores da empresa Itálica Saúde Ltda., mas sim prestadores de serviços sem qualquer poder de gerência em relação ao desempenho das atividades de sua contratante, sendo, portanto, impensável pretender atribuirlhes a responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN. Além disso, primeiro, não eram procuradores, como alegado, e segundo porque mesmo que procuradores fossem, necessária seria a comprovação de que agiram com dolo ou culpa na situação que ensejou o respectivo fato gerador, provas estas, inexistentes. g) Pedido. Requerem o cancelamento da responsabilidade tributária que lhes foi outorgada. 4.3. Biovida Saúde Ltda., atual denominação de SOMEL Sociedade para Medicina Leste Ltda. apresenta impugnação (fls. 9.807/9.836), acompanhada dos documentos de fls. 9.837/9.960, em 27/02/2015 (fls. 9.807), acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fls. 10.980 do principal processo n° 13884.720130/201509), com a ressalva de o impugnante não constar como sujeito passivo ou sujeito passivo solidário do AI n° 51.067.525 5 (fls. 9.961), alegando em síntese: a) Dos fatos. A Impugnante foi constituída em 08/12/2000 sob a denominação Somel Sociedade de Medicina Leste Ltda. para prestar serviços médico hospitalares, girando sob o nome fantasia Hospital Santo Expedito. Até 2005, funcionou apenas como hospital, prontosocorro e maternidade. No ano de 2006, passou a atuar como operadora de planos de saúde, competindo justamente com a "Itálica". A relação com a empresa Itálica Saúde Ltda. iniciouse ainda quando funcionava apenas como hospital, tendo firmado contrato de prestação de serviços médico hospitalares aos credenciados daquela, não possuindo qualquer exclusividade com a "Itálica", tendo a fiscalização reconhecido que aproximadamente 1/4 das receitas da Impugnante advinha de prestações de serviços a terceiros. Não há como negar que a maior parte de seu faturamento, de fato, advinha do atendimento aos clientes da Itálica, situação compatível com o fato de ser hospital voltado ao público de baixa renda e a Itálica ser a maior operadora de planos de saúde de tal segmento. Não há problema de seu maior cliente, que possui histórico de médias mensais de atendimentos e pagamentos realizados à Impugnante, optar por fazer adiantamentos dos importes que sabe serão devidos. Em razão dos problemas da Itálica com a ANS, passou a captar os clientes da Itálica e com a alienação compulsória Fl. 10583DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.584 26 determinada pela ANS firmou com cerca de 50.000 clientes da Itálica, de uma carteira de quase 130.000 contratos. Portanto, a Impugnante é empresa em atividade no ramo hospitalar desde 2000 e que atua como operadora de planos de saúde autorizada pela ANS desde 2006, sendo certo que o fato de ter tido como cliente a então operadora de saúde "Itálica" não a torna responsável por qualquer de suas obrigações, já que eram empresas autônomas, embora parceiras. Não se pode falar em sucessão, apesar de não ser essa a fundamentação do lançamento, posto que a Impugnante não adquiriu, incorporou ou assumiu qualquer parte da Itálica ou da sua carteira de clientes, tendo apenas formalizado contratos novos com os exclientes da Itálica. b) Inexistência de grupo. A Impugnante é empresa saudável, idônea, autônoma e cumpridora de suas obrigações fiscais, possuindo sócios e dirigentes independentes e não guardando qualquer relação gerencial com a devedora original, Itálica, que foi mera parceira de negócios. Anexa Notas Fiscais de prestação de serviços a diversos outros planos de saúde e declarações de imposto de renda da empresa –DIPJs. Logo, não há fundamento para a imputação de compor Grupo Econômico com a Itálica, inexistindo "influência dominante", que é a subordinação em relação a uma delas. Além disso, não se aplica na esfera tributária a conceituação trabalhista de grupo econômico, conforme jurisprudência. c) Presunção e indício. Inviabilidade. Não há como se atribuir responsabilidade tributária, eis que a responsabilidade não se presume, demandando a comprovação da participação da impugnante na situação configuradora do fato gerador, o que não ocorreu. Diante da imputação de responsabilidade lastreada apenas em contratos de prestação de serviços entre a devedora original e a Impugnante, a acusação se funda exclusiva e meramente em indício, ao arrepio dos princípios que regem a administração pública, não tendo sido realizado qualquer procedimento de apuração da real participação da Impugnante na administração da situação configuradora dos fatos geradores, quanto menos apresentada qualquer prova visando demonstrar a necessária relação entre tais fatos geradores e a Impugnante. A mera prestação de serviços hospitalares para a devedora principal não configura influência dominante, controle ou muito menos grupo econômico, de modo a autorizar, por si só, a atribuição de responsabilidade solidária nos termos do artigo 124, II c/c artigo 30, IX, da Lei n° 8.212/91. Também não comprova, sequer indiciariamente, a relação da Impugnante com os supostos fatos geradores das contribuições previdenciárias autuadas. Não há indício válido, tendo a fiscalização abusado de suas prerrogativas ao imputar a responsabilidade solidária à impugnante com base em mera suposição. Conforme pacífica jurisprudência do CARF e de nossos Tribunais, responsabilidade Fl. 10584DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.585 27 tributária não se presume, mesmo nas hipóteses em que configurado grupo econômico de fato ou de direito. Não existindo nos autos documentos que comprovem a necessária relação entre a Impugnante e a situação que deu ensejo ao fato gerador, verificase que a imputação de responsabilidade trazida no presente lançamento é carecedora de motivação e afrontam o princípio da moralidade, requisitos imprescindíveis para a validade dos atos da administração pública. Assim, ainda na hipótese de entenderse que a Impugnante formava com a "Itálica" grupo econômico, o que não se espera, impossível atribuir à Impugnante a responsabilidade tributária pretendida, posto que esta não se presume, devendo ser comprovada a efetiva participação do terceiro na situação ensejadora do respectivo fato gerador, o que, no caso, não ocorreu. d) Inconstitucionalidade e ilegalidade. Os elementos apontados pela fiscalização, quando muito, demonstram a relação negocial de parceria entre as empresas em questão. Logo, houve mera presunção do preenchimento do suporte fático do art. 124, II, do CTN combinado com o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, sendo este artigo inconstitucional, pois apenas a lei complementar pode dispor sobre responsabilidade tributária. Além disso, o preceito do art. 124, II, no sentido de que são solidariamente obrigadas "as pessoas expressamente designadas por lei", não autoriza o legislador a criar novos casos de responsabilidade tributária sem a observância dos requisitos exigidos pelo art. 128 do CTN, tampouco a desconsiderar as regras matrizes de responsabilidade de terceiros estabelecidas em caráter geral pelos arts. 134 e 135 do mesmo diploma. No caso concreto, pelo simples fato de supostamente fazer parte de grupo econômico com a devedora principal, independentemente de sua relação com o respectivo fato gerador. Logo, a matéria é similar a que já foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral, em relação ao art. 13 da Lei n° 8.620, de 1993. A jurisprudência do Carf reconhece a aplicação da mesma razão de decidir. Além disso, a jurisprudência administrativa é clara no sentido de não se admitir responsabilização por solidariedade das contribuições devidas a terceiros. e) Pedido. Requer o afastamento da responsabilização solidária. 4.4. Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda apresenta impugnação (fls. 9.965/9.983), acompanhada dos documentos de fls. 9.984/10.038, em 27/02/2015 (fls. 9.965), acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fls. 10.980 do principal processo n° 13884.720130/201509), com a ressalva de o impugnante não constar como sujeito passivo ou sujeito passivo solidário do AI n° 51.067.5255 (fls. 10.039), alegando em síntese: a) Responsabilidade solidária. A Impugnante é empresa constituída em 24/09/2004, então sob a denominação Franz Jull Fl. 10585DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.586 28 Empreendimentos Imobiliários, que tem por objeto social a administração e locação de bens próprios e, inclusive para permitir a plena realização de suas atividades, sempre esteve em dia para com suas obrigações fiscais. Não há subsídio fático e nem jurídico para a pretensão de responsabilização com base em grupo de fato e nem com base em fraude patrimonial que porventura pudesse levar à desconsideração das personalidades jurídicas das empresas. A Impugnante manteve relações comerciais com a Itálica Saúde Ltda, sua locatária, mas isso não permite concluir pela configuração de grupo econômico. Além disso, não haveria vantagem fiscal na estrutura empresarial imputada, mas apenas desvantagens: custo com manutenção de duas pessoas jurídicas, elaboração de contratos, etc. e dupla tributação da mesma renda (a primeira na Itálica Saúde Ltda. e a segunda na Impugnante, que recebe os alugueres). A fiscalização imputa fraude patrimonial, mas não traz a fundamentação e nem as provas pertinentes à desconsideração da personalidade jurídica (Código Civil, art. 50). Os "indícios" invocados para provar que a Impugnante se confundiria com a empresa Itálica Saúde Ltda são suficientes a, quando muito, caracterizar relação comercial entre as empresas. O "indício” relativo ao fato de o endereço da Impugnante ser o de um dos imóveis locados a terceiros não significa absolutamente nada, sendo, portanto, incapaz de gerar qualquer presunção quanto a grupo ou fraude patrimonial. Como empresa sem empregados e que tem por objeto a exclusiva administração e locação de imóveis próprios, a Impugnante não necessita de espaço físico, escritório e afins. Seus sócios a gerem diretamente de suas casas, trabalhos ou até mesmo de seus smartphones, sendo irrelevante o fato de usar, formalmente, o endereço de um dos imóveis locados como se o da empresa fosse. O “indício” de as informações constantes da contabilidade da Itálica Saúde Ltda e da Impugnante não serem compatíveis quando tratam do pagamento/recebimento de alugueres demonstra, no máximo, erro na contabilidade de uma destas empresas, não sendo apto a gerar qualquer presunção de fraude ou confusão patrimonial a ponto de se pretender desconsiderar a personalidade jurídica da Impugnante ou caracterizar grupo econômico. Pelo contrário, a divergência entre as contabilidades demonstra a absoluta falta de sintonia e ingerência. A fiscalização atribuiu a caracterização de grupo econômico com a Itálica Saúde Ltda. não só à Impugnante, mas a outra meia dúzia de empresas e, levantando pequenas irregularidades de uma e de outra, aqui e ali, que por si só seriam insuficientes a caracterizar cada uma das empresas como grupo econômico, em Fl. 10586DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.587 29 atitude ardilosa tratou de considerar mencionadas irregularidades de forma conjunta, como se se tratassem de indícios extraídos de uma única fiscalizada, visando com isso dar corpo à sua frágil presunção. A documentação acostada aos autos comprova que a Impugnante é empresa de administração de imóveis próprios com a mesma composição societária desde sua fundação em 2004, estando regularmente em atividade, a negociar imóveis não só com as empresas do suposto grupo econômico, tendo sido uma das duas únicas empresas fiscalizadas que se dignou a atender à fiscalização, prestandolhe esclarecimentos e abrindo sua contabilidade. A impugnante não integra o grupo econômico imputado, já que não se sujeita a qualquer influência ou dominação, requisito essencial à caracterização da figura do grupo econômico (intitulado, pela doutrina, "influência dominante" = administração e gerenciamento comum, mesma diretriz comercial). Os sócios nunca fizeram parte da composição societária de quaisquer outras empresas do suposto grupo econômico, não atuando no ramo da saúde e não havendo relação de subordinação gerencial com nenhuma delas. A independência é absoluta, tanto que suas contabilidades sequer batiam. Além disso, para fins da legislação trabalhista e previdenciária, a caracterização de grupos econômicos exige a utilização da mão de obra comum ou outras situações que indiquem o aproveitamento direto ou indireto por uma empresa da mão de obra contratada por outra, o que é impossível no caso da Impugnante, que sequer empregados têm. Mesmo que pertencesse ao suposto grupo econômico, a impugnante só poderia ser responsabilizada mediante a comprovação de sua efetiva participação na situação motivadora daqueles fatos geradores, conforme jurisprudência. O fisco não se desincumbiu do ônus de comprovar tal participação, logo não se pode presumir a responsabilidade tributária. E no caso vertente não há qualquer prova da participação da Impugnante, que sequer empregados possui, na gestão de empregados e recolhimento de contribuições previdenciárias pertinentes da empresa Itálica Saúde Ltda., tornando, consequentemente, insubsistente a responsabilidade tributária atribuída à Impugnante. b) Inconstitucionalidade e Ilegalidade. O art. 124, II do CTN não arrola qualquer caso específico de responsabilidade e o art. 30, IX da Lei n° 8.212/91 não se aplica em matéria tributária, pois conforme art. 146, III, da CF só a lei complementar pode tratar do assunto. Além disto, o inciso IX do art. 30 em tela é também inaplicável em razão de sua ilegalidade, já que o art. 128 do CTN, que traz regras gerais sobre o tema, determina que só podem ser considerados responsáveis aqueles que possuam relação direta com o fato gerador, o que não foi observado. O Fl. 10587DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.588 30 STF já declarou a inconstitucionalidade de dispositivo de lei ordinária que, em caso semelhante, atribuía a terceiro, independentemente de sua vinculação com o fato gerador, responsabilidade tributária (RR 562.276/PR). No mesmo sentido, é a jurisprudência em relação às contribuições para terceiros, em especial diante do disposto no art. 178, § 2°, da IN MPS/SRP n° 03, de 2005. c) Pedido. Requer o acolhimento e provimento da defesa. 4.5. R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda apresenta impugnação (fls. 9.585/9.594), acompanhada dos documentos de fls. 9.595/9.653, em 27/02/2015 (fls. 9.585), acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fls. 10.980 do principal processo n° 13884.720130/201509), com a ressalva de o impugnante não constar como sujeito passivo ou sujeito passivo solidário do AI n° 51.067.5255 (fls. 9.654), alegando em síntese: a) Dos fatos. Tratase de auto de infração para cobrança de crédito tributário consistente de contribuições destinadas a outras entidades e fundos, tendo sido a impugnante considerada como responsável solidária, conforme Relatório Fiscal. Com fundamento nos arts. 124, I e II, e art. 135, III, do CTN, além do art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, pessoas jurídicas e físicas, foram acusadas de coresponsáveis pela obrigação tributária, eis que todas teriam “interesse comum na ocultação dos fatos geradores da contribuição previdenciária” e, por conseguinte, da contribuição destinada a outras entidades e fundos. b) Autonomia. A Impugnante é empresa saudável, idônea, autônoma e cumpridora de suas obrigações fiscais, possuindo sócios e dirigentes independentes e que não guardam qualquer relação gerencial com Itálica Saúde Ltda. ou com quaisquer outras empresas supostamente participantes do dito grupo econômico, tendo por objeto social a "exploração das atividades imobiliárias de imóveis próprios, compreendendo a compra, venda e aluguel de bens imóveis próprios, residenciais e não residenciais, inclusive edifícios, casas, terrenos e galpões industriais e comerciais". A Impugnante adquiriu diversos imóveis como forma de investimento, haja vista que muitos são ofertados à Impugnante por valores abaixo do verificado no mercado e encontramse já locados, ou seja, com contrato de aluguel em vigor, na medida em que a Impugnante tem condições de recuperar o valor investido na aquisição do bem num curto espaço de tempo. Dentre os imóveis adquiridos, diversos não guardam relação alguma com qualquer das pessoas mencionadas nos autos. c) Ausência de responsabilidade solidária. Os dispositivos legais invocados não se aplicam materialmente ao terceiro de boa fé, além do que a alegação, ou melhor, "sugestão", de que a Impugnante foi "montada" para suceder a Mar Jull enquanto empresa patrimonial da Itálica deve ser traduzida como "suspeita" ou mero "indício", nas próprias palavras do relatório Fl. 10588DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.589 31 fiscal, ou seja, insuficiente e vazio para fundamentar a responsabilidade solidária em relação ao crédito tributário imputado à Impugnante. De plano, o art. 178, § 2°, da IN MPS/SRP n° 3, de 2005, exclui a responsabilidade solidária nas contribuições para terceiros, inclusive para as pessoas que tenham interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação previdenciária principal e as expressamente designadas por lei como tal. Além disso, afastase a aplicabilidade material dos artigos 124, inciso I, combinado com o artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, para a hipótese em discussão, eis que a responsabilidade solidária foi atribuída à pessoa jurídica e não aos seus representantes ou administradores. De outra ponta, o art. 124, inciso II, do Código Tributário Nacional, não deve ser analisado isoladamente, ou ainda, combinado com o art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/91, tendo em vista que a atribuição de responsabilidade tributária deve preencher requisitos, dentre os quais sito o artigo 128 do Código Tributário Nacional (vinculação ao fato gerador) e artigo 146, inciso III, alínea "b", da Carta Magna (reserva de lei complementar). Mesmo que integrasse um suposto grupo econômico, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já pacificou entendimento de que tal situação, por si só, não enseja em solidariedade passiva. A Impugnante é terceira adquirente de boafé de alguns imóveis (o próprio auto reconhece que a Impugnante não adquiriu outros imóveis ditos do conglomerado) que, um dia, pertenceram à Mar Jull, sendo que, por isso, foilhe imputada a responsabilidade solidária em relação ao crédito tributário em causa, sem qualquer amparo em lei ou prova material. Nesse sentido, com base em "indícios" ou "suspeitas" de que a Impugnante teria sido constituída para substituir a Mar Jull enquanto empresa patrimonial do suposto conglomerado de empresas. A presunção baseada em acusação sem prova não é meio lícito para exigência de tributos, pois o lançamento com base em presunções "hominis" ou indícios, sempre que ocorrer incerteza quanto aos fatos, não se compatibiliza com o princípio da legalidade. Os fatos geradores do tributo em discussão na demanda são de janeiro de 2010 a dezembro de 2012, muito antes da própria "existência" da Impugnante como sociedade empresária com o objeto social supramencionado, ou mesmo de quando da aquisição dos imóveis. Quando muito, com fulcro no art. 133 do CTN, a Impugnante poderia ter sido considerada talvez mera sucessora da aludida empresa patrimonial do grupo econômico, até o limite do valor dos imóveis pertencentes ao conglomerado. Mas para isso, sequer existe fundamentação legal no auto de infração nesse sentido. Fl. 10589DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.590 32 Portanto, absolutamente infundada a suposição de que a Impugnante comporia grupo econômico com a Itálica Saúde Ltda. ou com a Mar Jull, e mesmo que compusesse, tal situação não configuraria responsabilidade passiva solidária pelos seus débitos como almeja. d) Pedido. Requer o conhecimento e regular processamento da presente Impugnação, para determinar sua exclusão enquanto responsável solidária pelo débito tributário. 5. Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda apresentou a petição de fls. 10.041 acompanhada de documentos (fls. 10.042/10.049), sustentando a regularização da representação. 5.1. Incitada a regularizar a representação, a administradora judicial da Itálica apresentou, as petições de fls. 10.082 e 10.093/10094, acompanhadas de documentos (fls. 10.083/10.088 e 10.095/10.097). 6. Considerandose: (1) que o Relatório Fiscal narra a situação fática de as empresas Ital saúde Serviços Médicos Especializados Ltda – EPP, Biovida Saúde Ltda (ExSomel), Hospital E Maternidade Jardins Ltda, Italtac – Tecnologia na Área de Cobranças Ltda – EPP, R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda, Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda, Efra Tecnologia Da Informação Contabilidade e Auditoria Empresarial Ltda (exAWETI), Rentalcap – Locação De Bens Moveis Ltda e Consultec Consultoria Em saúde Ltda Me formarem grupo econômico irregular, configurado com o escopo de fraudar a legislação tributária e previdenciária, constituindo se, em última análise, empresa única (funcionavam como uma só) e para a qual concorriam as pessoas físicas Guilhermina Ester Baya, Sofia Cristiane Baya Schaetzer, Roseli Aparecida de Brito, Orlando Marcio de Melo Campos Junior, Carlos Martin Lora Garcia e Silvia Helena de Carvalho Lora, (2) que, após descrever tais fatos, a fiscalização não imputou qualquer responsabilidade solidária e não lavrou Termos de Sujeição Passiva Solidária, tendo emitido o auto de infração pertinente às contribuições para terceiros tãosomente em face da empresa Itálica Saúde Ltda em Liquidação Extrajudicial; (3) e que, demonstrando conhecimento da situação fática descrita pela fiscalização, empresas e pessoas físicas apresentaram em nome próprio as já referidas impugnações contra o AI n° 51.067.525 5, alegando o não preenchimento do suporte fático e/ou a inconstitucionalidade/ilegalidade da imputação da responsabilidade solidária prevista não apenas do art. 124, II, da Lei n° 5.172, de 1966, combinado com o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, mas também dos arts. 124, I, e 135, III, da Lei n° 5.172, de 1966; comandouse diligência (fls. 10.051/10.053) para que a autoridade lançadora, se entendesse cabível, no exercício de sua competência originária, observado o prazo decadencial, exercesse seu poder dever de imputar responsabilidade solidária e lavrar Termo de Sujeição Passiva Solidária, concedendo prazo de trinta dias para a apresentação de impugnação por aqueles que forem formalmente imputados Fl. 10590DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.591 33 como responsáveis solidários no AI n° 51.067.5255. Nos termos do Relatório de Diligência Fiscal de fls. 10.069/10.072, a autoridade lançadora concluiu pelo não cabimento da imputação de responsabilidade solidária. 2 – A impugnação foi julgada improcedente por decisão da DRJ assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 TERCEIRO NÃO SOLIDÁRIO. IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não havendo imputação de responsabilidade solidária, falece interesse ao terceiro para apresentar impugnação em nome próprio questionando responsabilização por Termo de Sujeição Passiva Solidária inexistente. PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a impugnante apresentado prova capaz de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõese a improcedência da impugnação. INCONSTITUCIONALIDADE. DECLARAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. As Turmas de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para, sponte propria, declarar a inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 GRATIFICAÇÃO ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA. A gratificação enquanto prêmio vinculado à assiduidade no desempenho da atividade laboral do empregado caracterizase como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho com pontualidade. O fato de só ser percebida se restar configurada a assiduidade não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado. FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA. Sobre as férias gozadas há incidência de contribuição para terceiros, sendo que apenas as férias indenizadas e o respectivo adicional constitucional não integram a base de cálculo das contribuições da empresa sobre folha de pagamento devidas a outras entidades ou fundos. HORAS EXTRAS. INCIDÊNCIA Os valores pagos a título de horas extras integram a remuneração paga, devida ou creditada Fl. 10591DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.592 34 aos segurados empregados, constituindose em base de cálculo das contribuições da empresa sobre folha de pagamento devidas a outras entidades ou fundos. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BASE DE CÁLCULO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A remuneração paga a contribuinte individual não integra a base de cálculo das contribuições da empresa devidas a outras entidades ou fundos. 3 Às fls. 10.474/10.515 Recurso Voluntário em nome de Sofia Baya, Guilhermina Baya e Itálica Saúde e às fls. 10.523/10.527 (Recurso Voluntário da Massa Falida através de sua administradora judicial). Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 Não conheço do recurso em nome de Guilhermina Baya e Sofia Baya, pelas mesmas razões da decisão de piso uma vez que não há autuação nesse caso de solidariedade em relação à contribuição de terceiros. Portanto não os conheço. 5 Em relação ao Recurso Voluntário do sujeito passivo principal por ser tempestivo e preencher os demais requisitos de admissibilidade o conheço. 6 Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório,debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao Fl. 10592DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.593 35 início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). 7 Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. 8 Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida: 8. Impugnação de fls. 9.656/9.669. Demonstrando conhecimento do Auto de Infração n° 51.067.5255, Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP, Hospital e Maternidade Jardins Ltda., Italtac Tecnologia na área de Cobranças Ltda. EPP, Rentalcap Locação de bens móveis Ltda. ME, EFRA Tecnologia da Informação Contabilidade e Auditoria, Orlando Márcio de Melo Campos Jr e Roseli Aparecida de Brito apresentam impugnação conjunta, consubstanciada na petição de fls. 9.656/9.669, alegando o não preenchimento do suporte fático e/ou a inconstitucionalidade/ilegalidade da imputação da responsabilidade solidária prevista não apenas do art. 124, II, da Lei n° 5.172, de 1966, combinado com o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, mas também dos arts. 124, I, e 135, III, da Lei n° 5.172, de 1966. 8.1. Apesar de narrar fatos que, em tese, configuram o suporte fático dos arts. 124, I, do CTN e art. 135, III, do CTN, este em relação apenas às pessoas físicas, a fiscalização não imputou responsabilidade solidária e não formalizou Termo de Sujeição Passiva Solidária em face de solidários, efetivando o lançamento tãosomente contra a empresa Itálica. Os Termos de Sujeição Passiva Solidária carreados com a impugnação de fls. 9.656/9.669 não são pertinentes ao presente processo, mas ao processo n° 13884.720130/2015 09 (fls. 9.730/9.735). Fl. 10593DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.594 36 8.2. Tendose por premissa que, desde a revogação do parágrafo único do art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, a decisão de primeira instância administrativa não pode agravar a exigência inicial, converteuse o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora fosse instada a exercer sua competência privativa de efetuar o lançamento por solidariedade. A autoridade lançadora, contudo, considerou não ser cabível tal lançamento, eis que, no seu entender, não haveria responsabilidade solidária em relação às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos: (1) em face do disposto no art. 151, caput e inciso I do § 2°, da IN RFB n° 971, de 2009; (2) em razão de tais contribuições não serem abarcadas na redação do art. 30, IX da Lei n° 8.212, de 1991 (limita a solidariedade às contribuições da própria Lei n° 8.212, de 1991); e (3) por supostamente não serem tributos, mas contribuições privadas compulsórias, de natureza sui generis. Diante dessa situação, impõese o reconhecimento da existência de lide apenas em relação à empresa Itálica. 8.3. Logo, por falta de objeto, legitimidade e interesse (Lei n° 5.869, de 1973, art. 267, VI), voto por não conhecer da impugnação conjunta apresentada por Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP, Hospital e Maternidade Jardins Ltda., Italtac Tecnologia na área de Cobranças Ltda. EPP, Rentalcap Locação de bens móveis Ltda. ME, EFRA Tecnologia da Informação Contabilidade e Auditoria, Orlando Márcio de Melo Campos Jr e Roseli Aparecida de Brito. 9. Impugnação de fls. 9.807/9.836. Demonstrando conhecimento do Auto de Infração n° 51.067.5255, Biovida Saúde Ltda., atual denominação de SOMEL Sociedade para Medicina Leste Ltda. apresenta impugnação, consubstanciada na petição de fls. 9.807/9.836, alegando, em apertada síntese, o não preenchimento do suporte fático e/ou a inconstitucionalidade/ilegalidade da imputação da responsabilidade solidária prevista não apenas do art. 124, II, da Lei n° 5.172, de 1966, combinado com o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, bem como não ser admissível a responsabilização por solidariedade das contribuições devidas a terceiros. 9.1. Apesar de narrar fatos que, em tese, configuram o suporte fático do art. 124, I, do CTN, a fiscalização não imputou responsabilidade solidária e não formalizou Termo de Sujeição Passiva Solidária em face de solidários, efetivando o lançamento tão somente contra a empresa Itálica. O Termo de Sujeição Passiva Solidária carreado com a impugnação de fls. 9.656/9.669 não é pertinente ao presente processo, mas ao processo n° 13884.720130/201509 (fls. 9.867/9.868). 9.2. Tendose por premissa que, desde a revogação do parágrafo único do art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, a decisão de primeira instância administrativa não pode agravar a exigência inicial, converteuse o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora fosse instada a exercer sua competência Fl. 10594DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.595 37 privativa de efetuar o lançamento por solidariedade. A autoridade lançadora, contudo, considerou não ser cabível tal lançamento, eis que, no seu entender, não haveria responsabilidade solidária em relação às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos: (1) em face do disposto no art. 151, caput e inciso I do § 2°, da IN RFB n° 971, de 2009; (2) em razão de tais contribuições não serem abarcadas na redação do art. 30, IX da Lei n° 8.212, de 1991 (limita a solidariedade às contribuições da própria Lei n° 8.212, de 1991); e (3) por supostamente não serem tributos, mas contribuições privadas compulsórias, de natureza sui generis. Diante dessa situação, impõese o reconhecimento da existência de lide apenas em relação à empresa Itálica. 9.3. Logo, por falta de objeto, legitimidade e interesse (Lei n° 5.869, de 1973, art. 267, VI), voto por não conhecer da impugnação apresentada por Biovida Saúde Ltda. 10. . Impugnação de fls. 9.965/9.983. Demonstrando conhecimento do Auto de Infração n° 51.067.5255, Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda. apresenta impugnação, consubstanciada na petição de fls. 9.965/9.983, alegando, em apertada síntese, o não preenchimento do suporte fático e/ou a inconstitucionalidade/ilegalidade da imputação da responsabilidade solidária prevista não apenas do art. 124, II, da Lei n° 5.172, de 1966, combinado com o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, bem como não ser admissível a responsabilização por solidariedade das contribuições devidas a terceiros, nos termos do art. 178, § 2°, da IN MPS/SRP n° 03, de 2005. 10.1. Apesar de narrar fatos que, em tese, configuram o suporte fático do art. 124, I, do CTN, a fiscalização não imputou responsabilidade solidária e não formalizou Termo de Sujeição Passiva Solidária em face de solidários, efetivando o lançamento tão somente contra a empresa Itálica. O Termo de Sujeição Passiva Solidária carreado com a impugnação de fls. 9.965/9.983 não é pertinente ao presente processo, mas ao processo n° 13884.720130/201509 (fls. 9.993/9.994). 10.2. Tendose por premissa que, desde a revogação do parágrafo único do art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, a decisão de primeira instância administrativa não pode agravar a exigência inicial, converteuse o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora fosse instada a exercer sua competência privativa de efetuar o lançamento por solidariedade. A autoridade lançadora, contudo, considerou não ser cabível tal lançamento, eis que, no seu entender, não haveria responsabilidade solidária em relação às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos: (1) em face do disposto no art. 151, caput e inciso I do § 2°, da IN RFB n° 971, de 2009; (2) em razão de tais contribuições não serem abarcadas na redação do art. 30, IX da Lei n° 8.212, de 1991 (limita a solidariedade às contribuições da própria Lei n° 8.212, de 1991); e (3) por supostamente não serem tributos, mas Fl. 10595DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.596 38 contribuições privadas compulsórias, de natureza sui generis. Diante dessa situação, impõese o reconhecimento da existência de lide apenas em relação à empresa Itálica. 10.3. Logo, por falta de objeto, legitimidade e interesse (Lei n° 5.869, de 1973, art. 267, VI), voto por não conhecer da impugnação apresentada por Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda. 11. Impugnação de fls. fls. 9.585/9.594. Demonstrando conhecimento do Auto de Infração n° 51.067.5255, R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. apresenta impugnação, consubstanciada na petição de fls. 9.585/9.594, alegando, em apertada síntese, o não preenchimento do suporte fático e/ou a inconstitucionalidade/ilegalidade da imputação da responsabilidade solidária prevista não apenas do art. 124, II, da Lei n° 5.172, de 1966, combinado com o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, bem como não ser admissível a responsabilização por solidariedade das contribuições devidas a terceiros, nos termos do art. 178, § 2°, da IN MPS/SRP n° 03, de 2005. 11.1. Apesar de narrar fatos que, em tese, configuram o suporte fático do art. 124, I, do CTN, a fiscalização não imputou responsabilidade solidária e não formalizou Termo de Sujeição Passiva Solidária em face de solidários, efetivando o lançamento tão somente contra a empresa Itálica. 11.2. Tendose por premissa que, desde a revogação do parágrafo único do art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, a decisão de primeira instância administrativa não pode agravar a exigência inicial, converteuse o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora fosse instada a exercer sua competência privativa de efetuar o lançamento por solidariedade. A autoridade lançadora, contudo, considerou não ser cabível tal lançamento, eis que, no seu entender, não haveria responsabilidade solidária em relação às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos: (1) em face do disposto no art. 151, caput e inciso I do § 2°, da IN RFB n° 971, de 2009; (2) em razão de tais contribuições não serem abarcadas na redação do art. 30, IX da Lei n° 8.212, de 1991 (limita a solidariedade às contribuições da própria Lei n° 8.212, de 1991); e (3) por supostamente não serem tributos, mas contribuições privadas compulsórias, de natureza sui generis. Diante dessa situação, impõese o reconhecimento da existência de lide apenas em relação à empresa Itálica. 11.3. Logo, por falta de objeto, legitimidade e interesse (Lei n° 5.869, de 1973, art. 267, VI), voto por não conhecer da impugnação apresentada por R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. 12. Impugnação de fls. 9.516/9.551 sócias. Demonstrando conhecimento do Auto de Infração n° 51.067.5255, Sofia Cristiane Baya Schaetzer e Guilhermina Ester Baya apresentaram impugnação conjunta, consubstanciada na petição Fl. 10596DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.597 39 de fls. 9.516/9.551, alegando, em apertada síntese, o não preenchimento do suporte fático e/ou a o não preenchimento do suporte fático e/ou a inconstitucionalidade/ilegalidade da imputação da responsabilidade solidária prevista não apenas do art. 124, II, da Lei n° 5.172, de 1966, combinado com o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, mas também dos arts. 124, I, e 135, III, da Lei n° 5.172, de 1966. 12.1. Apesar de narrar fatos que, em tese, configuram o suporte fático dos arts. 124, I, do CTN e art. 135, III, do CTN, a fiscalização não imputou responsabilidade solidária e não formalizou Termo de Sujeição Passiva Solidária em face de solidários, efetivando o lançamento tãosomente contra a empresa Itálica. O Termo de Sujeição Passiva Solidária carreado com a impugnação de fls. 9.516/9.551 não é pertinente ao presente processo, mas ao processo n° 13884.720130/2015 09 (fls. 9.562/9.563). 12.2. Tendose por premissa que, desde a revogação do parágrafo único do art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, a decisão de primeira instância administrativa não pode agravar a exigência inicial, converteuse o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora fosse instada a exercer sua competência privativa de efetuar o lançamento por solidariedade. A autoridade lançadora, contudo, considerou não ser cabível tal lançamento, eis que, no seu entender, não haveria responsabilidade solidária em relação às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos: (1) em face do disposto no art. 151, caput e inciso I do § 2°, da IN RFB n° 971, de 2009; (2) em razão de tais contribuições não serem abarcadas na redação do art. 30, IX da Lei n° 8.212, de 1991 (limita a solidariedade às contribuições da própria Lei n° 8.212, de 1991); e (3) por supostamente não serem tributos, mas contribuições privadas compulsórias, de natureza sui generis. Diante dessa situação, impõese o reconhecimento da existência de lide apenas em relação à empresa Itálica. 12.3. Logo, por falta de objeto, legitimidade e interesse (Lei n° 5.869, de 1973, art. 267, VI), voto por não conhecer da impugnação apresentada por Sofia Cristiane Baya Schaetzer e Guilhermina Ester Baya. 13. Impugnação de fls. 9.516/9.551 empresa. Sofia Cristiane Baya Schaetzer e Guilhermina Ester Baya apresentaram conjuntamente defesa em nome próprio e em nome da empresa Itálica (fls. 9.516/9.551). A impugnação apresentada em nome da empresa é tempestiva, considerandose o protocolo em 27/02/2015 (fls. 9.516) e a cientificação em 28/01/2015 (fls. 03). Acrescentese que, apesar de as sócias Sofia Cristiane Baya Schaetzer e Guilhermina Ester Baya não presentarem a empresa ao tempo da impugnação (Lei n° 9.656, de 1998, art. 24D; Lei n° 6.024, de 1974, art. 50; e Resolução Normativa ANS n° 316, de 2012, arts. 20, II, e 26), a defesa foi ratificada pela administradora judicial da massa falida (fls. 10082/10088 e 10093/10097), nos termos do art. 662, parágrafo único, do Fl. 10597DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.598 40 Código Civil. Logo, tomo conhecimento da impugnação da empresa, veiculada na petição de fls. 9.516/9.551, estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário por força do art. 151, III, do CTN. 14. Competência. A defesa alega que apenas a Justiça do Trabalho é competente para afastar as personalidades jurídicas das empresas envolvidas e os negócios jurídicos formalmente celebrados, bem como para reconhecer relação de emprego e segurado empregado. 14.1. A argumentação não prospera, eis que a própria jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho é pacífica no sentido de não ser Justiça do Trabalho a única competente para reconhecer a relação de emprego, sendo o AuditorFiscal do Trabalho competente para não somente constatar violações aos direitos trabalhistas, como inclusive para verificar a própria existência da relação de emprego, como podemos observar: RECURSO DE EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA. INTERPOSIÇÃO SOB A ÉGIDE DA LEI 11.496/2007. AÇÃO ANULATÓRIA DE AUTO DE INFRAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO ILÍCITA. VÍNCULO DE EMPREGO. INOBSERVÂNCIA DAS DISPOSIÇÕES CONTIDAS NO ART. 41 DA CLT. RECONHECIMENTO PELO FISCAL DO TRABALHO. INVASÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. INOCORRÊNCIA. 1. O Colegiado Turmário deu provimento ao recurso de revista da União, para "reconhecer a atribuição do fiscal do trabalho para declarar a existência de vínculo de emprego". Consignou que "não invade a esfera da competência da Justiça do Trabalho a declaração de existência de vínculo de emprego feita pelo auditor fiscal do trabalho, por ser sua atribuição verificar o cumprimento das normas trabalhistas, tendo essa declaração eficácia somente quanto ao empregador, não transcendendo os seu efeitos subjetivos para aproveitar, sob o ponto de vista processual, ao trabalhador. Assim, verificado pelo fiscal de trabalho que há relação de emprego entre a empresa tomadora de serviço e o trabalhador, não há óbice na cobrança do FGTS pela União, em razão de tal atribuição estar prevista no art. 23 da Lei 8.036/90". 2. Decisão embargada em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, firme no sentido de que o reconhecimento de eventual terceirização ilícita e da decorrente formação de vínculo de emprego com o tomador de serviços , para fins de lavratura de auto de infração em decorrência da inobservância das disposições contidas no art. 41 da CLT, é atribuição do Auditor Fiscal do Trabalho, nos moldes dos arts. 626 e 628 da CLT e 11 da Lei 10.592/2002, não havendo falar em invasão da competência da Justiça do Trabalho. Recurso de embargos conhecido e não provido. ( EEDRR 13114048.2005.5.03.0011 , Relator Ministro: Hugo Carlos Scheuermann, Data de Julgamento: 19/02/2015, Fl. 10598DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.599 41 Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Data de Publicação: DEJT 27/02/2015) RECURSO DE REVISTA. AÇÃO ANULATÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RECONHECIMENTO DE VÍNCULO DE EMPREGO POR AUDITOR FISCAL DO TRABALHO. APLICAÇÃO DE MULTA. INVASÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A Constituição Federal, em seu art. 21, XXIV, disciplina que compete à União, organizar, manter e executar a inspeção do trabalho, e o art. 14, XIX, c, da Lei n° 9.649/1998 determina que compete ao Ministério do Trabalho e Emprego a fiscalização do trabalho, bem como a aplicação das sanções previstas em normas legais ou coletivas. Por outro lado, conforme disciplinado pela Lei nº 10.593/2002, cabe ao auditor fiscal do trabalho assegurar a aplicação de dispositivos legais e regulamentares de natureza trabalhista. Por conseguinte, concluise que o agente de fiscalização é competente para identificar a existência de relação de emprego irregular e, constatandoa, aplicar as sanções legalmente cabíveis. Recurso de revista conhecido e provido. ( RR 16180098.2008.5.11.0010 , Relatora Ministra: Dora Maria da Costa, Data de Julgamento: 05/11/2014, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 07/11/2014) 14.2. Nos termos do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, na redação da Lei nº 11.941, de 2009, compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil o planejamento, a execução, o acompanhamento e a avaliação das atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições previdenciárias: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. 14.3. Incumbe à Receita Federal, portanto, a execução da atividade de fiscalização das contribuições em tela. Tal atividade envolve o dever de efetuar a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, conforme disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 10599DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.600 42 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 14.3.1. A competência funcional para efetuar o lançamento é do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, por força da Lei n° 10.593, de 2002, in verbis: Art. 6° São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) 14.4. Evidentemente, quando o legislador estabeleceu o dever de a autoridade fiscal efetuar o lançamento, teve como objetivo a identificação do verdadeiro fato gerador, a fim de determinar a real matéria tributável, prevalecendo a essência sobre a forma. Dessa forma, sempre que possível, a autoridade deve buscar a verdade material, em detrimento dos aspectos formais dos negócios e atos jurídicos praticados. 14.4.1. Nesse sentido, dispõe o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. 14.4.2. Tanto é assim que a ocorrência de simulação está prevista como uma das hipóteses que ensejam o lançamento de ofício, conforme previsto no art. 149, VII, do Código Tributário Nacional CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; 14.5. Diante desses dispositivos, aflora que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é autoridade competente para lançar as contribuições sobre folha de pagamento e pertinentes multas por descumprimento de obrigação acessória, sob o fundamento Fl. 10600DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.601 43 de a prova colhida, no seu entender, ser suficiente para o exercício do poderdever de desconsiderar os vínculos formalmente pactuados em prol da efetiva relação jurídica consubstanciada no plano fático, podendo inclusive caracterizar a figura do segurado empregado. 14.6. No caso concreto, segundo a fiscalização, a prestação de serviços não se processou efetivamente entre pessoas jurídicas, agindo a pessoa física prestadora dos serviços como empregado da pessoa jurídica tomadora dos serviços, a caracterizar a relação de emprego e a figura do segurado empregado. 14.7. Portanto, colhendo provas da prestação de serviços por segurados empregados, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil exerceu o poderdever de efetuar o lançamento das contribuições que reputou devidas. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais respalda esse procedimento, como podemos observar: CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERPOSTA EMPRESA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO. O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado. SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI N. 11.196/2005. POSSIBILIDADE. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível ao fisco, desde que consiga comprovar a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas. (Processo n° 10680.722064/201178, Acórdão n° 2401003.146, de 13 agosto de 2013, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária – 2ª Seção de Julgamento) NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. Constatandose a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § Fl. 10601DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.602 44 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. AFASTAMENTO DA NORMA PREVISTA NO ART. 129 DA LEI N° 11.196/2005. Tendo o fisco demonstrado a existência dos pressupostos da relação empregatícia entre sócio da empresa prestadora e a contratante, afastase a aplicação do art. 129 da Lei n° 11.196/2005, posto que esse dispositivo é destinado a regular a relação de prestação de serviço entre pessoas jurídicas. (Processo n° 12259.003336/200928, Acórdão n° 2401002.924, de 12 de março de 2013, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária – 2ª Seção de Julgamento) CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO AUDITORIA FISCAL – COMPETÊNCIA. É atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados, se constatar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego. (Processo n° 10680.723239/201164, Acórdão n° 2402003.353, de 19 de fevereiro de 2013, 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária – 2ª Seção de Julgamento) 14.8. A jurisprudência não trabalhista também é pacífica no sentido de reconhecer a competência da fiscalização previdenciária, atualmente exercida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, para caracterizar trabalhador como segurado empregado, como podemos constatar: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA. CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. I Não prospera a tese de suposta afronta ao art. 535 do CPC, eis que o Tribunal a quo ao apreciar a demanda manifestouse sobre todas as questões pertinentes à litis contestatio, fundamentando seu proceder de acordo com os fatos apresentados e com a interpretação dos regramentos legais que entendeu aplicáveis, demonstrando as razões de seu convencimento. II O INSS, "ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte, possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços. Caso constate que a empresa Fl. 10602DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.603 45 erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação" (REsp nº 515.821/RJ, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 25.04.2005). III Destaquese que remanesce hígida a competência da Justiça do Trabalho na chancela da existência ou não do aludido vínculo empregatício, na medida em que: "O juízo de valor do fiscal da previdência acerca de possível relação trabalhista omitida pela empresa, a bem da verdade, não é definitivo e poderá ser contestado, seja administrativamente, seja judicialmente" (REsp nº 575.086/PR, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 30.03.2006). IV Recurso especial provido. (REsp 859.956/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/10/2006, DJ 26/10/2006, p. 266) COMPETÊNCIA FISCALIZATÓRIA DO INSS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. RECONHECIMENTO. FIM TRIBUTÁRIO E NÃO TRABALHISTA. 1A jurisprudência consolidou o entendimento que, cumprindo as atribuições que lhe foram outorgadas pela lei, o INSS possui competência para, diante das situações fáticas encontradas pela fiscalização, caracterizar como empregatícias as relações mantidas entre a empresa e seus trabalhadores, para os fins de recolhimento de contribuições previdenciárias. Vide os seguintes julgados: RESP 200602188458, Humberto Martins, STJ Segunda Turma, 13/10/2008; AGRESP 200602279329, Francisco Falcão, STJ Primeira Turma, 12/04/2007; REsp 515821/RJ, Rel. Ministro Franciulli Neto, Segunda Turma, julgado em 14.12.2004, DJ 25.04.2005 p. 278). 2 (...). 7 Apelação improvida. (AC 201050010134130, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, EDJF2R Data::02/09/2013.) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALEGADA NULIDADE DA NFLD. ENQUADRAMENTO DOS EMPREGADOS. ATRIBUIÇÃO. 1. Compete à autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato gerador e efetuar o lançamento, conforme art142, do CTN66. 2. O fiscal previdenciário pode, diante dos fatos, considerar como " empregados " os trabalhadores que a empresa tratava como " autônomos ", não cabendo a alegação de invasão de competência da Justiça do Trabalho, a quem compete julgar dissídios entre empregadores e empregados ( art114, CF88 ). Fl. 10603DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.604 46 3. Apelação improvida. (TRF4, AMS 97.04.398891, Primeira Turma, Relator Fernando Quadros da Silva, publicado em 27/01/1999) 14.9. Afastase, destarte, a preliminar de incompetência do AuditorFiscal da Receita Federal para efetuar os lançamentos veiculados no Auto de Infração constante do presente processo. 15. Nulidade. A defesa sustenta a integral nulidade do auto de infração em razão de a fiscalização a partir de quatro ações trabalhistas ter presumido a existência de vínculo de emprego para centenas de cooperados e de não se ter excluído da base de cálculo valores abrangidos nas reclamatórias trabalhistas. 15.1. A fiscalização aponta que as cooperativas de trabalho Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde e Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial teriam sido utilizadas para intermediar mão de obra em realidade a serviço da Itálica mediante triangulação, bem como a intermediação de mão de obra via Manager Network Intermediações de Negócios Ltda e mediante quadrangulação com a Cooproserv Cooperativa de Trabalho de Profissionais em Prestação de Serviços. 15.2. As reclamatórias trabalhistas invocadas pela fiscalização são pertinentes a apenas três trabalhadores intermediados via Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial e a um intermediado via Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde. Contudo, tais reclamatórias evidenciam que as cooperativas caracterizavamse como intermediadoras ilícitas de mão de obra, sendo empregadas como artifício para ocultar a vinculação direta dos trabalhadores com a Itálica. Diante desse fato e dos demais elementos probatórios apresentados pela fiscalização, uma vez evidenciado que as cooperativas e a Manager Network eram meras intermediadoras de mão de obra, correta a conclusão de que todos os cooperados alocados na Itálica eram segurados empregados desta. 15.3. Não prospera o argumento de a fiscalização ter incluído na base de cálculo valores pertinentes às reclamatórias trabalhistas de cooperados, eis que a apuração se lastreou em valores pagos aos cooperados via cooperativa (Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial e Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde) e segundo Notas Fiscais (sem taxa de administração) ou aos valores pagos segundo GFIPs (Cooproserv Cooperativa de Trabalho de Profissionais em Prestação de Serviços via Manager Network Intermed. De Neg. S/C Ltda.). Os valores posteriormente pagos por força de reclamatória trabalhista devem ser executados na esfera da própria Justiça do Trabalho e, em tese, não devem envolver contribuições para terceiros (Constituição da República, art. 114). Além disso, a prova de Fl. 10604DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.605 47 fato impeditivo ao lançamento compete à impugnante (Código de Processo Civil, art. 333, II) e tal prova não foi apresentada. 16. Prova emprestada, fundamentação, caracterização do segurado empregado e sujeição passiva. Segundo a defesa, estando a empresa fechada, não mais seria possível a averiguação do elemento subordinação. 16.1. Em razão de a empresa Itálica não estar em operação durante o procedimento fiscal e de não exibir os documentos solicitados, a apuração dos fatos baseouse, conforme relata a fiscalização, em grande parte, além dos registros contábeis constantes do SPED, nos relatórios fiscais da fiscalização comandada pelo MPF 08128002010000324 e nos autos do processo administrativo da Direção Fiscal da ANS 33902.649944/201136, tendo em vista que, tanto a fiscalização anterior quanto a Direção Fiscal da ANS, ocorreram simultaneamente aos fatos descritos no Relatório. Além disso, as empresas terceirizadas foram intimadas a apresentar os contratos de prestação de serviços com a Itálica, as Notas Fiscais emitidas e o Livro Diário/Razão ou Livro Caixa, mas, como destaca a fiscalização, apenas a Somel e a Mar Jull responderam e de forma insatisfatória. 16.2. Nesse contexto fático de violação do dever de colaboração para com a fiscalização, não há como se questionar a validade e eficácia da utilização dos referidos documentos. Portanto, cabe ao impugnante contraditar a prova apresentada pela fiscalização com contraprova robusta e não apenas sustentar a inviabilidade da invocação da mesma por ofensa ao contraditório, eis que se assegura o contraditório e o pleno e amplo exercício do direito de defesa no presente processo administrativo fiscal. 16.3. A prova apresentada pela fiscalização evidencia que a prática executiva não correspondeu ao formalmente pactuado, devendo prevalecer a realidade provada por qualquer meio admitido em direito. 16.4. Portanto, o fato de a empresa não estar desenvolvendo suas atividades em razão da liquidação extrajudicial ou da falência não impede a produção de toda e qualquer prova em direito admitida tendente a caracterizar o vínculo direto de emprego em competência pretéritas. 16.5. As impugnantes argumentam que prova emprestada de processo da ANS, inquisitivo e de finalidade diversa, não teria validade e que as decisões nas reclamatórias trabalhistas se aplicariam apenas em relação aos trabalhadores envolvidos. Contudo, as provas apresentadas tendentes a demonstração do vínculo direto da mão de obra para com a Itálica não violam o contraditório e à ampla defesa e nem os limites objetivos e subjetivos da coisa julgada. 16.5.1. A prova extraída do processo da ANS é reveladora da situação fática encontrada pela Diretora Fiscal, sendo o Fl. 10605DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.606 48 contraditório e a ampla defesa assegurados no presente processo administrativo fiscal, a possibilitar que as impugnantes ataquem os elementos fáticos colhidos dos Relatórios da Direção Fiscal da ANS. 16.5.2. A fiscalização não invoca a norma jurídica individual resultante do julgamento das reclamatórias trabalhistas (sujeita a limites objetivos e subjetivos), mas os elementos fáticos apurados na instrução probatória das mesmas e revelados nos atos decisórios transcritos, cabendo às impugnantes apresentar contraprova tendente a demonstrar não ser a prática empresarial a utilização indiscriminada das cooperativas como meras intermediadoras ilegais de mão de obra. 16.6. O parágrafo único do art. 442 da CLT não se aplica, eis que pressupõe a atuação regular de uma sociedade cooperativa, o que não se verificou diante da prova colhida, não tendo a defesa produzido prova em sentido contrário. 16.7. A impugnação sustenta haver contradição entre o fato de a Itálica ter tido não mais de três empregados registrados e o gerenciamento de centenas de cooperados. No item 112, o Relatório Fiscal especifica os poucos trabalhadores registrados. No item 120, destacase do Relato da Diretora Fiscal da ANS que os cooperados eram gerenciados e supervisionados por outros cooperados ou cooperado/procurador/sócio de Pessoa Jurídica subcontratada, os quais decidiam quais seriam admitidos como cooperados ou excluídos dos quadros da cooperativa conforme as necessidades da Itálica, circunstância incompatível com uma sociedade cooperativa regular. 16.8. Como destaca a própria defesa, o relato da Diretora Fiscal descreve o cumprimento de jornada de trabalho rígida com intervalos para alimentação e repouso. Além disso, a fiscalização analisou a remuneração mensal dos trabalhadores intermediados via Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial e constatou remuneração em valores aproximadamente constantes e que dos 373 trabalhadores a serviço da Itálica apenas sete trabalhariam para outros tomadores de serviço, sendo que nestes casos o tomador era um dos Hospitais integrantes da empresa única (Itálica e demais empresas ligadas) ou a empresa Manager Network Intermediações de Negócios Ltda, também intermediadora de mão de obra para a empresa única. 16.9. Conforme explicita o Relatório Fiscal, o contrato firmado com a cooperativa Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial revela a terceirização de atividade fim da autuada e os Relatórios da ANS evidenciam de forma inequívoca o exercício de poder diretivo por parte da autuada, poder este inerente à relação de emprego, a caracterizar a figura do segurado empregado. Os demais elementos caracterizadores do segurado empregado também foram evidenciados pela fiscalização, não tendo a impugnação apresentado qualquer prova em sentido contrário. Fl. 10606DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.607 49 16.10. Em relação à Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, poderia se considerar que a prestação de trabalho não envolveria atividade meio e que, em última análise, seria prestada ao Hospital e Maternidade Jardins Ltda. Contudo, a imputação de se tratar de uma empresa única a englobar todas as empresas apontadas como empresas ligadas enseja a constatação desse contrato também envolver atividade fim e de inexistir vício de sujeição passiva ou violação ao art. 142 do CTN. 16.10.1. A impugnação não apresenta prova para afastar a constatação da Direção Fiscal da ANS de que o Sr. Carlos Martin Lora Garcia administrava efetivamente as empresas, inclusive comandando a atuação cotidiana de Orlando Márcio de Melo Campos Júnior e de Roseli Aparecida de Brito. A fiscalização demonstrou ainda que houve a formalização desse poder de administração por força das procurações de fls. 4914/4921 (Itálica), fls. 4929/4936 (Biovida ou Somel), fls. 4906/4913 (Italtac), fls. 4922/4928 (Rentalcap), fls. 4937/4946 (Ital), fls. 4958/4960 (Mar Jull), fls. 4950/4953 (Efra ou Aweti), fls. 4970/4972 (Consultec), fls. 5024/5025 (Hospital Jardins). Apenas em relação à empresa R&D não se localizou procuração para o Sr. Carlos Martin Lora Garcia. Em relação às empresas Biovida ou Somel, Italtac, Rentalcap, Ital, Efra ou Aweti e Consultec, os sócios que subscreviam essas procurações também outorgavam o poder de alterar o contrato social, inclusive transferindo cotas e recebendo quitação. Em relação à empresa Itálica, o poder de ceder e transferir pelo preço e condições que convencionar todas as quotas sociais, podendo assinar instrumento de alteração contratual e/ou distrato, receber preços e dar quitação foi outorgado de forma irrevogável e irretratável, nos termos do art. 1317, do Código Civil de 19162. 16.10.2. Acrescentese que Orlando Márcio de Melo Campos Júnior, formalmente cooperado e sócio da Efra ou Aweti outorgou procuração pertinente a essa empresa para o Sr. Carlos Martin Lora Garcia e recebeu procurações para atos de administração em conjunto com sócio administrador das empresas Itálica (fls. 5000/5002 e 5026/5028), Italtac (empresa de Roseli Aparecida de Brito; fls. 4973/4975 e 5003/5003), Rentalcap (fls. 4947/4949), Ital (fls. 4994/4999), Consultec (fls. 4964/4969) e substabelecimento em relação ao Hospital Jardins (fls. 5024/5025). Somese ainda que Roseli Aparecida de Brito sócia administradora da Italtac outorgou procurações pertinentes a essa empresa para Carlos Martin Lora Garcia e Orlando Márcio de Melo Campos Júnior e recebeu procurações para atos de administração em conjunto com outro procurador das empresas Ital (fls. 4994/4999), Consultec (fls. 4964/4969) e substabelecimento em relação ao Hospital Jardins (fls. 5024/5025). Portanto, aflora como inequívoca a unidade de comando dessas empresas, com o protagonismo do Sr. Carlos Martin Lora Garcia. 16.10.3. A Nota Fiscal apresentada não têm o condão de descaracterizar a constatação fiscal, efetivada a partir dos Fl. 10607DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.608 50 Relatórios da ANS, de fiscalização anterior e da contabilidade, de que as pessoas jurídicas em questão mantinham uma existência artificial e em simbiose forçada e confusão patrimonial (não se constituíam em empreendimentos autônomos, mas em facetas de uma única empresa), a fraudar, impedir e dificultar a aplicação da legislação tributária e previdenciária. 16.10.4. Portanto, diante dos elementos apresentados pela fiscalização e que se acolhe como representativas dos fatos efetivamente ocorridos, resta a constatação fiscal de que existiu apenas uma única empresa enquanto centro de organização dos fatores de produção. 16.11. Exemplificando a partir de Simone Alves da Cruz, a fiscalização evidenciou que 165 trabalhadores da Maxicoop foram transferidos para a Cooproserv e intermediados via Manager, permanecendo a trabalhar em condições inerentes a de emprego. A fraude é evidente, em especial quando se registra na contabilidade os pagamentos para Manager Network na conta “Honorários de Consultoria”, eis que formalmente não se trata de consultoria e muito menos no plano dos fatos efetivamente ocorridos, como bem demonstrou a fiscalização. 16.12. Não houve presunção. No contexto dos autos, é irrelevante a não apresentação pela fiscalização de provas da caracterização do vínculo de emprego direto trabalhador a trabalhador, eis que os fundamentos e as provas apresentadas têm o condão de abarcar o conjunto da mão de obra intermediada e o lançamento não versa sobre contribuições dos segurados empregados, mas sobre a contribuição da empresa, cuja base de cálculo consiste no total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. De qualquer forma, a fiscalização especificou os trabalhadores envolvidos nas planilhas Anexas, tendo indicado a fonte documental no Relatório Fiscal. 16.13. Não se configurou um mero empreendimento fracassado, como já demonstrado. O fator de produção trabalho foi quase que integralmente terceirizado ou quarteirizado, eis que a empresa no período do débito teve apenas três empregadas: Cleuza Maria Lima (auxiliar administrativa, de 05/2009 a 02/2013), Tatiana Forster Figueira (auxiliar administrativa, de 05/2009 a 10/2010) e Carolina Couceiro Alves Bassola (advogada, de 11/2010 a 05/2011). Assim, prosseguindo em prática empresarial ilegal já detectada na fiscalização anterior, a empresa continuou a se utilizar de mão de obra irregularmente intermediada via cooperativas de trabalho (terceirização) ou irregularmente intermediada via empresa intermediadora de cooperativa de trabalho (quarteirização). 16.13.1. Ponderese que o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não se pronunciou quanto à delimitação das hipóteses de terceirização diante do que se compreende por atividadefim, tema ainda a ser discutido no Recurso Extraordinário com Fl. 10608DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.609 51 Agravo (ARE) 713211, com repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual do STF. De qualquer forma, a jurisprudência cristalizada na Súmula n° 331 do TST não afronta a Constituição da República, estando lastreada nos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana (Constituição da República, art. 1°, III) e da valorização social do trabalho (Constituição da República, art. 1°, IV, e 170, caput) e no primeiro princípio da Declaração de Filadélfia (Constituição da Organização Internacional do Trabalho), ratificada conforme Decreto de Promulgação n° 25.696, de 20 de outubro de 1948 (Constituição da República, art. 5°, § 2°). 16.14. A prova carreada aos autos pela fiscalização é suficiente para comprovar a subordinação jurídica, havendo nítida subordinação estrutural ou integrativa, como destaca a doutrina e assevera a jurisprudência: De acordo com Maurício Godinho “estrutural é, pois, a subordinação que se manifesta pela inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de seus serviços, independentemente de receber (ou não) suas ordens diretas, mas acolhendo, estruturalmente, sua dinâmica de organização e funcionamento.” Em outras palavras, toda vez que o empregado executar serviços essenciais à atividadefim da empresa, isto é, que se inserem na sua atividade econômica, ele terá uma subordinação estrutural ou integrativa, já que integra o processo produtivo e a dinâmica estrutural de funcionamento da empresa ou do tomador e serviços. Esse argumento tem sido utilizado para afastar o óbice imposto pela parte final da Súmula n° 331, III, do TST e, consequentemente impedir as terceirizações ilícitas ou irregulares, deixando o liame empregatício se formar com o tomador dos serviços. (Direito do Trabalho. Vólia Bomfim Cassar. 7ª ed. rev. e atual. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2012. p. 252) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. (...). Logo, não configurada negativa de prestação jurisdicional. Agravo de instrumento desprovido. 2. JULGAMENTO EXTRA PETITA. (...). 3. VÍNCULO DE EMPREGO. SUBORDINAÇÃO ESTRUTURAL. A hipótese é de terceirização ilícita, nos moldes do item I da Súmula nº 331, situação na qual, em face da presença da chamada subordinação estrutural, reconhecese o vínculo de emprego com o tomador dos serviços. Pacífico, aliás, esse entendimento no âmbito desta Corte. Violação ao art. 3º da CLT não configurada. 4. MULTA DO ART. 477 DA CLT. (...). Agravo de instrumento desprovido. (AIRR 15820076.2011.5.21.0013 , Relator Ministro: Arnaldo Boson Paes, Data de Julgamento: 24/09/2014, 7ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, Data de Publicação: DEJT 26/09/2014) Fl. 10609DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.610 52 I AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROVIMENTO. TERCEIRIZAÇÃO ILÍCITA. TRABALHO EM ATIVIDADEFIM. SUBORDINAÇÃO ESTRUTURAL. VÍNCULO DE EMPREGO. CONFIGURAÇÃO. Diante de potencial contrariedade à Súmula 331, I, do TST, merece processamento o recurso de revista. Agravo de instrumento conhecido e provido. II RECURSO DE REVISTA. TERCEIRIZAÇÃO ILÍCITA. TRABALHO EM ATIVIDADEFIM. SUBORDINAÇÃO ESTRUTURAL. VÍNCULO DE EMPREGO. CONFIGURAÇÃO. 1. Resultado de bemvinda evolução jurisprudencial, o Tribunal Superior do Trabalho editou a Súmula 331, que veda a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, ressalvados os casos de trabalho temporário, vigilância, conservação e limpeza, bem como de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta (itens I e III). 2. O verbete delimita, exaustivamente, os casos em que se tolera terceirização em atividadefim. 3. A vida contemporânea já não aceita o conceito monolítico de subordinação jurídica, calcado na submissão do empregado à direta influência do poder diretivo patronal. Com efeito, aderem ao instituto a visão objetiva, caracterizada pelo atrelamento do trabalhador ao escopo empresarial, e a dimensão estrutural, pela qual há a inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de serviços (Mauricio Godinho Delgado). 4. O Regional revela que as tarefas desenvolvidas pela autora se enquadram na atividadefim do tomador de serviços. 5. Impositiva a incidência da compreensão da Súmula 331, I, do TST. Recurso de revista conhecido e provido. (RR 17390052.2007.5.02.0081 , Relator Ministro: Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, Data de Julgamento: 24/09/2014, 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, Data de Publicação: DEJT 26/09/2014) 16.14.1. A defesa não apresentou qualquer prova para demonstrar que a prática executiva da prestação de serviços se deu de forma autônoma. Logo, deve prevalecer a realidade dos fatos provada pela fiscalização. 16.15. Os valores a serem executados na Justiça do Trabalho em razão de reclamatórias trabalhistas não devem ser considerados na apuração dos valores lançados, logo não se pode imputar a falta de consideração de tais valores no lançamento. Além disso, a Justiça do Trabalho é incompetente para executar contribuições para terceiros, previstas no art. 149 da Constituição (Constituição da República, art. 114). De qualquer forma, a defesa não demonstrou que os mesmos tenham sido indevidamente incluídos no lançamento. 16.16. Aflora, destarte, a execução pela mão de obra de atividadefim da Itálica e em condições incompatíveis com o trabalho a ser exercido por um cooperado e como a própria Fl. 10610DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.611 53 definição de cooperado, a atrair a caracterização do trabalho assalariado, sendo cabível, no caso concreto, a conclusão de que a prática da empresa era de se utilizar das cooperativas e da Manager Network como meros intermediadoras de mão de obra e num contexto de fraude generalizada, ou seja, que não se limitava apenas às relações laborais e previdenciárias, como bem demonstrou a prova apresentada pela fiscalização. 17. Parcelas indenizatórias ou não habituais. Em relação aos pagamentos efetuados diretamente aos cooperados (Anexo II), a defesa questiona a inclusão na base de cálculo de valores pagos a título de gratificação de assiduidade, férias gozadas e horas extras por terem natureza indenizatória ou por não serem pagas com habitualidade. 17.1. A gratificação enquanto prêmio vinculado à assiduidade no desempenho da atividade laboral do empregado caracterizase como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho com pontualidade. O fato de só ser percebida se restar configurada a assiduidade não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado. 17.2. Sobre as férias gozadas há incidência de contribuição, eis que se constituem em verbas de natureza salarial, devidas durante hipóteses de interrupção remunerada do contrato de emprego, por força do disposto no art. 4° da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. 17.2.1. Segundo essa norma, considerase como de serviço efetivo o período à disposição, aguardando ou executando ordens. Mas, além disso, também deve ser considerado como serviço efetivo, a atrair a contrapartida da retribuição característica ao trabalho assalariado, o período para o qual houver disposição especial expressamente consignada em dispositivo legal ou contratual (constante em contrato individual ou convenção ou acordo coletivo) ou, ainda, por disposição constante de sentença normativa. 17.2.2. Destarte, o art. 4° da CLT explicita a teoria do salário como contraprestação do trabalho e do tempo à disposição, mas temperada pela teoria da contraprestação do contrato, daí a previsão de exceções em que situações equivalentes são consideradas como serviço efetivo desde que expressamente consignadas em disposição especial de norma heterônoma (lei ou sentença normativa) ou norma autônoma (contrato individual de trabalho, convenção ou acordo coletivo). 17.2.3. O fato de o empregado estar afastado não retira a natureza salarial do pagamento efetuado em razão do contrato de emprego, não o exclui da folha de salários, eis que a natureza salarial não está vinculada diretamente à prestação de serviços, mas ao conjunto de obrigações assumidas na relação jurídica de emprego, quando houver disposição expressa no contrato, na lei, na sentença normativa ou em norma coletiva. Fl. 10611DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.612 54 17.2.4. Diante da natureza salarial atribuída a essa verba no direito trabalhista, a legislação previdenciária e a legislação pertinente às contribuições para terceiros (cuja base de cálculo é a mesma das contribuições previdenciárias) reconhecem a natureza tributável dessa verba. 17.3. Os valores pagos a título de horas extras integram a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, sendo esta a dicção expressa do art. 7°, XVI, da Constituição da República. A integração na base de cálculo das contribuições sobre folha de pagamento está explicitada na Solução de Consulta Vinculante: Solução de Consulta Cosit n° 103, de 07/04/20143 (Publicado(a) no DOU de 22/04/2014, seção 1, pág. 23) ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias. EMENTA: BASE DE CÁLCULO. HORAS EXTRAS. INCIDÊNCIA. A remuneração de horas extras integra a base de cálculo da contribuição social previdenciária. DISPOSITIVOS LEGAIS: Constituição da República de 1988, art. 7º, XVI; e Lei nº 8.212, de 1991, arts. 20, 22, inc. I e § 2º, e 28, inc. I e § 9º. 17.4. O Regimento Interno do CARF não se aplica à primeira instância administrativa e, em especial, o art. 62A, eis que a jurisprudência do STF ou do STJ para vincular o presente colegiado deve estar amparada por ato da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos termos do § 5° do art. 19 da Lei n° 10.522, de 2002, na redação da Lei n° 12.844, de 2013; não sendo esse o caso dos autos. 17.5. Diante do exposto, impõese o reconhecimento de que as verbas em tela integram a base de cálculo das contribuições lançadas. 18. Autônomos e sócios. A defesa sustenta não ser cabível a constituição de contribuições para terceiros a partir de valores pagos a contribuintes individuais. No Relatório Fiscal, especificase que o Auto de Infração n° 51.067.5255 envolve apenas três levantamentos: 18.1. O Discriminativo do Débito, contudo, revela que o crédito constituído decorre de quatro levantamentos: CL – PGTO CONTRIB INDIV PJ (01/2010 a 12/2011), CM – Fl. 10612DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.613 55 EMPREGADOS POR MEIO DE COOP (01/2010 a 12/2012), CP – PAGTOS DIRETOS A COOP (01/2010 a 12/2011), e PJ – PAGTOS EMPREGADOS PJ (05/2010 a 12/2011). 18.2. Os levantamentos CM, CP e PJ versam sobre valores considerados pela fiscalização como pagamentos a segurados empregados. O levantamento CL, contudo, envolve valores considerados pela fiscalização como pagamentos efetivados ao Sr. Carlos Martin Lora Garcia enquanto contribuinte individual, conforme podemos observar: Fl. 10613DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.614 56 Fl. 10614DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.615 57 Relatório Fiscal, fls. 98/99 153. Os valores pagos por meio das pessoas jurídicas estão relacionados abaixo e foram considerados como base de cálculo da contribuição previdenciária da forma especificada para cada caso: Fl. 10615DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.616 58 18.3. Diante disso, impõese o reconhecimento da inclusão na base de cálculo de valores não pertinentes às contribuições destinadas ao FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, em face da legislação especificada nos Fundamentos Legais do Débito, fls. 19/20. 18.4. Em relação à alegação de tributação de despesas de viagens reembolsadas às sócias Guilhermina Éster Baya e Sofia Cristiane Baya Shaetzer, especificadas no item 139 do Relatório Fiscal (fls. 92/95), devemos ponderar que tal base de cálculo não integra o presente AI n° 51.067.5255 (processo 13896.720131/201545), sendo pertinente ao processo 13896.720130/201509 (Levantamento SO PGTOS A SÓCIOS {01/2010 a 12/2011} do AI n° 51.064.7120), conforme ressalva do próprio título do tópico “E) Contribuintes Individuais prestadores de serviços (13896.720130/201509)” do Relatório Fiscal, fls. 92. 16.5. Indeferese o pedido de diligência, eis que os elementos constantes dos autos são suficientes para se efetivar a retificação do lançamento mediante a exclusão dos valores pertinentes ao contribuinte individual Carlos Martin Lora Garcia (Levantamento CL – PGTO CONTRIB INDIV PJ 01/2010 a 12/2011), a seguir especificados: Fl. 10616DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.617 59 19. Multa. Antes da liquidação extrajudicial, a empresa fora intimada e reintimada a apresentar documentos e esclarecimentos (fls. 599 e seguintes). Contudo, não foram apresentados. Quando da liquidação, a liquidante também não pode cumprir as intimações, tendo descrito a seguinte situação na empresa (fls. 727/748): 3 Pois bem. Em que pese o requisitado no Termo de Intimação Fiscal, a Liquidante, em representação à exOperadora, informa que, por ocasião alheia à sua vontade não tem meios suficientes para cumprir o exarado na Intimação. 4 Isso porque, a Liquidante assumiu a função para a qual foi designada em 10 de setembro de 2013, com a publicação no Diário Oficial da União DOU. Na ocasião, a exOperadora encontravase em desmobilização operacional, em que todas as suas filiais estavam com as atividades encerradas e não havia em sua sede quaisquer documentos, livros ou outros apontamentos que pudessem ser usados como subsídios para prestar as informações solicitadas pela Receita Federal do Brasil RFB. 5 Como é possível verificar pelo Termo de Arrecadação de Bens, datado de 11 de setembro de 2013 (anexo), os objetos encontrados na sede e na filial localizada na Rua Barão de Itapetininga, n° 151, 5o andar, conjunto 52/53, Praça de República, São PauloSP, CEP 06404000 são em número limitado e se restringem a bens tangíveis, assim, diante mão, informase que eles não têm o condão para que se possam extrair as informações pedidas. 19.1. Portanto, não há como se negar a presença de dolo e nem a caracterização da sonegação em face da fraude empreendida pelo conjunto das empresas ligadas, estando corretos o agravamento e a qualificação da multa de ofício. 19.2. Por fim, o regramento legal pertinente às multas foi aplicado, não podendo ser afastado sob a alegação de ofensa ao Fl. 10617DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.618 60 princípio constitucional do não confisco, eis que a presente Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba é incompetente para, sponte propria, declarar a inconstitucionalidade de lei (Decreto n° 70.235, de 1972, art 26 A). 20. Solidariedade. Segundo a defesa, não teriam sido comprovados os requisitos do art. 135, III, do CTN para fundamentar a imputação da responsabilidade solidária às sócias Guilhermina Éster Baya e Sofia Cristiane Baya Shaetzer. Afastase, de plano, a suposta inconsistência do lançamento, eis que a fiscalização não imputou qualquer responsabilidade solidária. 21. Isso posto, voto por conhecer apenas a impugnação da empresa Itálica Saúde Ltda, atualmente Massa Falida, e por julgála procedente em parte, cancelando o crédito tributário de R$ 265.274,53, incluído nesse montante os respectivos juros e multas, consolidado em 27/01/2015, pertinente ao levantamento CL – PGTO CONTRIB INDIV PJ 01/2010 a 12/2011), mantendose integralmente o crédito tributário relativo aos demais levantamentos constantes do AI n° 51.067.5255. Conclusão 09 Assim, face a tudo o quanto exposto nego provimento ao Recurso Voluntário, bem como nos termos do faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF, proponho que a decisão recorrida seja mantida pelos seus próprios fundamentos. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Declaração de Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 23/102, mediante a Resolução Operacional nº 1.073, publicada em 05/09/2011, a ANS instaurou o Regime de Direção Fiscal na RECORRENTE (uma certa intervenção em suas operações), em razão das “anormalidades econômicofinanceiras e administrativas graves” verificadas em procedimento administrativo próprio. Ante a persistência de tal situação, em 12/09/2012 a ANS determinou que a Fl. 10618DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.619 61 RECORRENTE promovesse a alienação de sua carteira e suspendeu a comercialização de seus planos e produtos (Resolução Operacional nº 1.265). Finalmente, a liquidação extrajudicial da RECORRENTE foi decretada através da Resolução Operacional nº 1.514 da ANS, publicada em 10/09/2013, tendo sido nomeada como liquidante a Sra. Edna Maria Tonolli, substituída em 14/05/2014 pelo Sr. José Carlos Marani. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, o procedimento fiscal instaurado em face da RECORRENTE decorre do MPF nº 0812800.2013.00013, emitido em 05/02/2013. Sendo que, ante a constatação da liquidação extrajudicial, a partir de 10/09/2013 as intimações foram dirigidas ao liquidante nomeado pela ANS. Consta à do Relatório Fiscal (fl. 100) a motivação do agravamento da multa: XVII. DO AGRAVAMENTO DA MULTA 159. A falta de apresentação da documentação solicitada pelas intimações fiscais e de qualquer esclarecimento sobre a razão do não atendimento, motivou o agravamento da multa em 50%, conforme §2º, incisos I e II, do artigo 44 da Lei 9.430/96. Transcrevo abaixo o mencionado dispositivo legal que trata da multa agravada: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;” Em quadro constante no item V do Relatório Fiscal (fls. 29/31), a autoridade lançadora expõe todas as intimações e solicitações de documentos enviados à RECORRENTE. Notase que boa parte das intimações foi encaminhada em data anterior à decretação da liquidação extrajudicial. Sendo que as intimações anteriores a 10/09/2013 (data da liquidação extrajudicial) não tiveram resposta. As posteriores, em sua maioria não foram cumpridas pelos liquidantes nomeados pela ANS, sob a alegação de falta de acesso aos livros e documentos da empresa, conforme resposta dada, em duas ocasiões distintas, uma pela liquidante Edna Maria Tonolli, em 21/02/2014 e outra em 30/10/2014 pelo liquidante José Carlos Marani (trechos das alegações dos liquidantes à fl. 32). Sendo assim, no que diz respeito às intimações posteriores à decretação da liquidação extrajudicial, entendo que a alegação prestada pelos liquidantes, de que não tiveram acesso aos documentos, é um reflexo da situação de “anormalidades econômicofinanceiras e Fl. 10619DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.620 62 administrativas graves” relatadas pela ANS e que culminaram na intervenção e posterior liquidação extrajudicial na RECORRENTE, não podendo lhes ser atribuída a obrigação de apresentar o que não dispõe, não se caracterizando tal fato como embaraço à fiscalização. Por outro lado, quanto às intimações anteriores à data da liquidação extrajudicial, a autoridade fiscal relata que o Termo de Início de Procedimento Fiscal foi enviado em 21/02/2013 para o endereço da RECORRENTE, tendo o envelope retornado sem que a contribuinte fosse localizada. Somente mediante o Termo de Intimação para Comparecimento das sócias da RECORRENTE é que o Sr. Orlando Marcio de Melo Campos Junior (procurador das sócias) compareceu à DRF em Barueri e tomou ciência da emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal para apresentação dos livros contábeis e outros documentos em 20 dias. O procurador informou, também, que o endereço da RECORRENTE foi alterado, eis que foi orientado para atualizar o endereço no cadastro do CNPJ. Contudo, passado o prazo, não foi atendida a intimação para apresentação de livros contábeis e demais documentos solicitados, além de não ter sido alterado o endereço da RECORRENTE no sistema da RFB. Em razão da não localização da contribuinte em seu endereço, a mesma foi declarada INAPTA por meio do Ato Declaratório Executivo nº 17/DRF Barueri, de 13/05/2013, tendo retornada à situação de ATIVA em 27/06/2013 depois de alterar o endereço (mesmo fornecido pelo Procurador das sócias em 19/03/2013). Mesmo assim, a autoridade fiscal relatou que as intimações enviadas ao novo endereço foram devolvidas pelos Correios, ora com a informação no AR de “desconhecido”, ora com a constatação de que a contribuinte “mudouse”. Sendo assim, entendo correta a manutenção do agravamento da multa em 50%, uma vez que o procurador das sócias da RECORRENTE foi pessoalmente intimado do Termo de Início de Procedimento Fiscal para apresentação dos livros contábeis e outros documentos, sendo que deixou de cumprir tal solicitação. Ademais, o mesmo procurador informou, pessoalmente, que o endereço da RECORRENTE teria sido alterado, porém não atendeu à orientação da autoridade fiscal para atualizar o endereço no cadastro do CNPJ. Somente meses depois é que o endereço da RECORRENTE foi alterado no sistema da RFB, no entanto este novo endereço (que foi o mesmo fornecido pessoalmente pelo procurador das sócias) também não se mostrou o correto na medida que as intimações para ele enviadas foram devolvidas pelos Correios. O acima exposto pode ser enquadrado como embaraço à fiscalização, ensejando oi agravamento da multa nos termos do art. 44, §2º, da Lei n 9.430/96. Numa análise superficial, este Conselheiro acreditou que toda a documentação teria sido solicitada após a decretação da liquidação extrajudicial, em 10/09/2013, momento em que a RECORRENTE estava sob o controle de liquidante nomeado pela ANS e que, portanto, s.m.j, não deveria incidir a multa agravada do art. 44, §2º, pelo simples fato de que não teria sido a empresa (ou seus dirigentes diretamente interessados) que deixou de atender à intimação da fiscalização. Até porque o CTN prevê a responsabilidade pessoal dos os administradores de bens de terceiros pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, conforme art. 134, III, c/c o art. 135, I: “Art. 134. (...) Fl. 10620DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.621 63 III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior;” Por tal motivo, foi solicitada vistas dos autos. Contudo, conforme exposto, este não é o caso dos autos, uma vez que antes da decretação da liquidação extrajudicial, a contribuinte já havia causado embaraço à fiscalização, pois não apresentou os documentos solicitados inicialmente, não promoveu à mudança de seu endereço no cadastro do CNPJ e, quando o fez, informou endereço para o qual as correspondências enviadas eram devolvidas pelos Correios. Portanto, correto o agravamento da multa. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 10621DF CARF MF
score : 1.0
