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Numero do processo: 13894.721172/2017-00
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE DE PESSOA JURÍDICA EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL.
Os rendimentos recebidos acumuladamente, após a edição da Lei nº 12.350/10, são tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual. Alternativamente, mediante opção irretratável do contribuinte, os rendimentos poderão integrar a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual do ano calendário do recebimento. Na ausência de opção pelo contribuinte, aplica-se a regra geral de tributação exclusiva na fonte.
Numero da decisão: 2001-000.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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Os rendimentos recebidos acumuladamente, após a edição da Lei nº 12.350/10, são tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual. Alternativamente, mediante opção irretratável do contribuinte, os rendimentos poderão integrar a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual do ano calendário do recebimento. Na ausência de opção pelo contribuinte, aplicase a regra geral de tributação exclusiva na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 4. 72 11 72 /2 01 7- 00 Fl. 118DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, referente a rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica em decorrência de ação judicial. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 16.748,41, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2012. O fundamento da autuação, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de motivação da lavratura do lançamento o fato de que o Recorrente não comprovou que os rendimentos se referiam a parcelas mensais recebidas acumuladamente. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação de serem parcelas de rendimentos que deveriam ter sido recebidos mensalmente, razão da ação judicial bem sucedida, que resultou no pagamento realizado de forma acumuladamente conforme apontado na DAA, como segue: A contribuinte, em sua Declaração de Ajuste Anual, informou o recebimento de R$ 63.654,36 que teria sido pago pelo Departamento de Água e Energia Elétrica em 04/09/2012, referente a rendimentos acumulados relativos a 115 meses. Para comprovar o seu direito, junta somente um recibo de quitação de pagamento de fl. 15, que teria sido confeccionado por Ovídio Collesi – Advogados Associados, no qual encontrase consignado que foi pago à contribuinte o valor liquido de R$ 44.099,74 referente ao processo nº 2073/1988 movido na 27ª Vara do Trabalho de São Paulo contra o Departamento de Águas e Energia Elétrica, sendo o valor bruto R$ 63.654,36, honorários R$15.913,59, perícia R$ 3.182,72, despesas R$ 458,31 e período de apuração 115 meses. Esclareçase que o recibo por si só não tem o condão de comprovar o período de apuração. Caberia a apresentação de outros documentos, como a petição inicial e/ou planilha de cálculo referente à contribuinte, o que não foi feito, para respaldar a informação contida no citado recibo a respeito do número de meses. Assim sendo, não há como considerar comprovado nos autos o número de meses a que se referem os rendimentos. Por outro lado, da análise do recibo apresentado, cabe alterar o valor de rendimentos recebidos acumuladamente para R$ 44.558,05 (R$ 63.654,36 – R$ 15.913,59 – R$3.182,72), já que são dedutíveis os gastos efetuados com advogados e com a perícia. Refazendo os cálculos, apurase imposto a pagar no valor de R$ 11.496,92. (...) Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13894.721172/201700 Acórdão n.º 2001000.822 S2C0T1 Fl. 119 3 Ante o exposto, voto por julgar procedente em parte a impugnação, para apurar saldo de imposto a pagar no valor de R$ 11.496,92, a ser acrescido de juros e multa de oficio. Assim, conclui o acórdão vergastado pela procedência parcial da impugnação para manter a infração apurada pela autoridade lançadora no valor de R$ 11.496,92. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Na impugnação apresentamos recibo R$ 44.099,74, da Ovidio Collesi – Advogados Associados, onde consta o valor apurado (R$ 63.654,36), despesas, bem como o período de apuração (115 meses), objeto do presente lançamento. Foi consignado também que o período de apuração consta claramente no recibo, porém, caso a Receita Federal julgue necessário cópia do processo judicial, poderia ser providenciado. Tal valor foi apurado no Processo 2073/1988 (0207300 89.1988.5.02.0027), da 27ª Vara do Trabalho/SP, movido contra departamento de Águas e Energia Elétrica – DAEE, referente ao pagamento parcial do Precatório TRT/SP 20032001430, sendo que um dos beneficiários foi o Sr. Luiz Carlos Miya, CPF 675.760.87820, falecido em 04/08/2011, do qual a Sra. Simako é viúva meeira, conforme certidão de óbito em anexo. Ressaltese também que o inventário foi lavrado em 19/10/2011, conforme declaração final de espólio apresentada. No Acórdão de primeira instância, não foi aceito esse recibo como prova, uma vez que consta: ”Esclareçase que o recibo por sí só não tem a condição de provar o período de apuração. Caberia a apresentação de outros documentos, como a petição inicial e/ou planilha de cálculo referente à contribuinte, o que não foi feito, para respaldar a informação contida no citado recibo a respeito do número de meses. Assim sendo, não há como considerar comprovado nos autos o número de meses a que se referem os rendimentos.” O Acórdão, porém, alterou o valor dos rendimentos recebidos, de R$ 63.654,35 para R$ 44.558,05, uma vez que deduziu valores dedutíveis constantes do Recibo. (...) Consta na petição inicial que tratase de ação trabalhista, cujo objeto foi “gatilhos – URP instituído pelo DecretoLei nº 2.302/86, contra o Departamento de Águas e Energia Elétrica – DAEE, onde o Sr. Luiz Carlos Miya era empregado. A sentença de 28/04/1989 concluiu o seguinte: ... “c) aplicação dos índices de reajustes pela URP (art. 3º do DecretoLei nº 2335/87, a Fl. 120DF CARF MF 4 partir de setembro de 1987, e consequentes pagamentos das diferenças havidas, vendas e vincendas...;” O cálculo pericial, de 20/02/1998 apresentou, em volumes anexos, demonstrativos e cálculos individuais do Sr. Luiz Carlos, mês a mês, e atualizados até 01/02/1996. O Relatório de Assessoria Econômica, em anexo ao OF. SAJEP nº 9625/2012. Uma das planilhas apresenta o INSS a descontar, a BASE do IR, o Nº MESES e a SITUAÇÃO IR (calculados com base na Instrução Normativa RFB nº 1.145, de 05/04/2011). No item 49, tendo como reclamante Luiz Carlos Miya, consta o número de meses 85, bem como o imposto de renda a ser retido como zero. Finalmente, os alvarás apresentados, de nº 1081/2012 e 1082/2012, datados em 13/08/2012, conferem com os valores constates no recibo (10.791,90 (+) 52.148,66 = 62.940,56). Isto posto, tendo em vista que as planilhas do Relatório Assessoria Econômica foram elaboradas pela própria Justiça do Trabalho e atualizadas até 01/04/2012, portanto, data mais próxima do precatório (13/8/2012), entendo que valor a ser considerado correto como período de apuração é de 85 meses, e não 115 e tampouco 1. Simulamos então essa situação no programa de imposto de renda do Ex. 2013, ficha Rendimentos Recebidos Acumuladamente, cópia das telas em anexo, tanto tendo como rendimento o valor de R$ 63.654,36, como R$ 44.558,05 (conforme alterado pela Decisão de Primeira Instância), e número de meses 85. Observase que, nos dois casos, restou imposto devido RRA igual a zero. Considerandose o período de apuração de 85 meses, o qual acarretou imposto de renda RRA igual a zero, fica demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal. Dessa forma, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. MÉRITO Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13894.721172/201700 Acórdão n.º 2001000.822 S2C0T1 Fl. 120 5 O Recorrente alega em sua manifestação recursal que os rendimentos objeto do lançamento são oriundos de complementação remuneratória fruto de ação judicial bem sucedida que resultou no recebimento de valor realizado acumuladamente, razão de seu cálculo e informação na DAA apresentada oportunamente. Por sua vez, a Autoridade Autuante afirma não ter ficado comprovado que o valor se referia a parcelas mensais visto que na informação disponibilizada constava parcela única. Neste sentido, o Autuante diz não ter sido satisfeita a exigência da comprovação de que os rendimentos recebidos por meio de ação judicial seriam referentes a partes mensais de complementação remuneratória. Assim que a lide se restringe a questão probatória documental complementar a qual deve ter seu acolhimento durante o processo administrativo fiscal visando o aclaramento da verdade material, o direito do contraditório e da ampla defesa para o atingimento de justa decisão da causa. O requisito de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão dos rendimentos recebidos acumuladamente – RRA, especialmente o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 12.350, de 2010, assim estabelece: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anos calendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. § 1º O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. § 2º Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. § 3º A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 122DF CARF MF 6 § 4º Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1º e 3º. § 5º O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2º, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. § 6º Na hipótese do § 5º, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. (...) § 9º A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo. Na observância do dispositivo acima, concluise que tais rendimentos passaram a ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento. Porém o § 5º, por sua vez, autoriza ao Contribuinte, de forma irretratável, a optar por levar tais rendimentos ao ajuste anual na DAA. Quanto ao IRRF cabe aqui observar que ele deve ser calculado de modo diferenciado, em conformidade com o já reproduzido § 1º do art. 12A, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Assim sendo, cabe analisar o que dispõe a IN RFB nº 1.127/11, que veio disciplinar o art. 12A da Lei no 7.713/88, conforme previsto no § 9º, da seguinte forma: Art. 7ºA Na hipótese em que a pessoa responsável pela retenção de que trata o caput do art. 3º não tenha feito a retenção em conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa ou que tenha promovido retenção indevida ou a maior, a pessoa física beneficiária poderá efetuar ajuste específico na apuração do imposto relativo aos RRA na DAA referente ao anocalendário correspondente, do seguinte modo: I a apuração do imposto será efetuada: a) em ficha própria; b) separadamente por fonte pagadora e para cada mêscalendário, com exceção da hipótese em que a mesma fonte pagadora tenha realizado mais de um pagamento referente aos rendimentos de um mesmo anocalendário, sendo, neste caso, o cálculo realizado de modo unificado; e II o imposto resultante da apuração de que trata o inciso I será adicionado ao imposto apurado na DAA, sujeitandose aos mesmos prazos de pagamento e condições deste. § 1º Aplicase o disposto no caput à hipótese de que trata o § 3º do art. 13A. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13894.721172/201700 Acórdão n.º 2001000.822 S2C0T1 Fl. 121 7 § 2º A faculdade prevista no caput será exercida na DAA relativa ao anocalendário de recebimento dos RRA, e deverá abranger a totalidade destes no respectivo anocalendário. Da análise do caput desse dispositivo constatase que o beneficiário do rendimento pode efetuar um ajuste específico na apuração do imposto relativo ao RRA, por meio de ficha própria na declaração de ajuste, ao preencher a ficha dos Rendimentos Tributáveis de Pessoa Jurídica Recebidos Acumuladamente pelo Titular, com os valores dos rendimentos, do IRRF, e do nº de meses a que se referem os valores. Assim que, a Contribuinte efetuou sua declaração do Imposto de Renda considerando os rendimentos na forma que a legislação lhe permite. O exame do caso aponta de maneira fulcral para a questão da prova de que o cálculo se referia a remunerações correspondentes a períodos mensais, conforme requerido pela Autoridade Autuante. Foi juntada aos autos, certidão de óbito da Recorrente, petição inicial da demanda judicial na Junta de Conciliação e Julgamento de São Paulo e a sentença, conforme requerido pelo Fisco, fls. 58 a 68, além de documento pericial de cálculo, fls. 69 a 91, documentos que deixam claro que os rendimentos se referem a parcelas complementares de remunerações mensais, conforme afirmado pela Contribuinte. Assim que, pelo exame do material probatório constatase que pelos elementos trazidos aos autos pela Recorrente lhe deve ser assegurado o êxito na comprovação fática do alegado desde a fase de impugnação, em atendimento ao requerido pelo Agente Autuante, de que o pagamento se referia a 115 parcelas de remunerações mensais ao longo do tempo do período abrangido pela demanda. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, razão pela qual se faz imperioso o cancelamento do lançado na sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.726785/2015-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário frente ao Acórdão nº 1677.631, proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 3.254 a 3.299), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010, 2011 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 26 78 5/ 20 15 -6 5 Fl. 3513DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.514 2 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO SEM CAUSA. NÃO CONFIRMAÇÃO DA CAUSA INFORMADA NA CONTABILIDADE. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado, ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITÓRIOS. AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS EM DESCUMPRIMENTO AO REGULAMENTO DO FUNDO. AQUISIÇÃO DE CRÉDITO INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE CAUSA PARA A OPERAÇÃO. Considerase sem causa o pagamento realizado como contrapartida à cessão de crédito inexistente ou sem conformidade ao regulamento do fundo de investimento em direito creditório. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. OPERAÇÕES EM RENDA FIXA. DESVIO PARA FUNDOS DE INVESTIMENTO. AUSÊNCIA DE CONSENTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO SEM CAUSA. Considerase pagamento sem causa a entrega a fundo de investimento de recursos captados junto a investidores como investimento de renda fixa, quando não houver o consentimento de tais investidores, e em desacordo com a legislação e regulação vigentes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento questionado. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública proceder novo lançamento ou lançamento suplementar decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos de tributo não sujeito à homologação. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as Fl. 3514DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.515 3 provas que o reclamante julgar relevantes. Descabe atendimento a pedido de apresentação posterior de prova que destoa das hipóteses excepcionais previstas no § 4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72, sobretudo quando a natureza do pedido é genérica. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A diligência é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 PERSONALIDADE JURÍDICA. FUNDO DE INVESTIMENTO. CONDOMÍNIO. INEXISTÊNCIA. Os fundos de investimento regulados pela Comissão de Valores Imobiliários são organizados como condomínios abertos ou fechados, não adquirindo personalidade jurídica por falta de previsão legal. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Tratandose de situação de fato, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos, podendo ser desconsiderados atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 116 do Código Tributário Nacional CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os mandatários de fato da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a autuada, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) quando caracterizado a ocorrência de ação dolosa tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal de modo a evitar o seu pagamento. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010, 2011 CNPJ. CADASTRO NACIONAL DE PESSOAS JURÍDICAS. PERSONALIDADE JURÍDICA. RECONHECIMENTO. INOCORRÊNCIA. A inscrição de entidade no CNPJ não implica reconhecimento de sua personalidade jurídica." Os presentes autos tratam de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), relativo aos anoscalendários de 2010 e 2011, conforme Auto de Fl. 3515DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.516 4 Infração de fls. 2 a 30, no valor de R$ 80.024.160,05 (juros de mora calculados até 09/2015) e Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades de fls. 47 a 85. A decisão de primeira instância assim descreve o procedimento fiscal: "Nota inicial Para buscar maior simplicidade notacional, as principais empresas e fundos envolvidos neste processo serão aqui referidos da seguinte forma: · Oboé Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S. A. será referida como Oboé DTVM; · Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S. A. será referida como Oboé Card; · Oboé Crédito Financeiro e Investimento S. A. será referida como Oboé CFI; · Cia. de Investimento Oboé será referida como Oboé CI; · Clássico Fundo de Investimento em Direitos Creditórios será referido como Fundo Clássico; · Erudito Fundo de Investimento em Cotas será referido como Fundo Erudito; · Oboé Multicred Fundo de Investimento em Direitos Creditórios será referido como Fundo Multicred; · a massa falida formada a partir da decisão judicial de 21/05/2013 que decretou a falência da Oboé Crédito, Financiamento e Investimento S.A, Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S.A, Oboé Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, e Companhia de Investimento Oboé, com a extensão dos efeitos a Advisor Gestão de Ativos S.A, Oboé Holding Financeira S.A e José Newton Lopes de Freitas; e que posteriormente passou a incluir também, pela decisão judicial de 16/04/2014 que estendeu os efeitos da falência a Magazines Brasileiros Ltda e Clarinete Promotora de Vendas e Serviços Financeiros Ltda, será referida como Massa Falida. Descrição do processo Este processo referese à autuação da MASSA FALIDA DA OBOÉ DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S/A, CNPJ 01.581.238/000175, constituindo crédito tributário referente a IRRF – Imposto de Renda Retido na Fonte, incidente sobre pagamento sem comprovação da operação ou de sua causa. Os montantes lançados, objeto deste processo, correspondem ao descrito a seguir: Fl. 3516DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.517 5 Também foram autuados, como responsáveis tributários as seguintes pessoas (indicadas com o correspondente fundamento legal de imputação de responsabilidade tributária): · JOSÉ NEWTON LOPES DE FREITAS, CPF 013.398.18353, enquadrado no art. 135 da Lei nº 5.172/66; · ESPÓLIO DE ELIZIÁRIO PEREIRA DA GRAÇA JUNIOR, CPF 118.220.90334, enquadrado no art. 135 da Lei nº 5.172/66; · JOEB BARBOSA GUIMARÃES DE VASCONCELOS, 614.686.143 04, enquadrado no art. 135 da Lei nº 5.172/66; · MASSA FALIDA DA OBOÉ CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S/A, CNPJ 01.432.688/000141, enquadrada no art. 124, inciso I, da Lei nº 5.172/66; e · MASSA FALIDA DA OBOÉ TECNOLOGIA E SERVIÇOS FINANCEIROS S/A, CNPJ 35.222.090/000140, enquadrada no art. 124, inciso I, da Lei nº 5.172/66. Procedimento Fiscal e autuação Inquérito do Banco Central, Falência, Denúncia Criminal e Ação Fiscal –Linha do Tempo De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a Oboé DTVM era empresa cuja atividade correspondia à instituição, organização e administração de fundos de investimento. Essa empresa é parte do conglomerado financeiro Oboé, formado pelas empresas Oboé DTVM e Oboé CFI (arrolada como responsável tributária no lançamento). O conglomerado financeiro Oboé, por sua vez, está inserido no Grupo Oboé que, além das empresas financeiras, concentra outras não financeiras, como a Oboé CI, a Oboé Card, a Oboé Holding Financeira S/A, a Advisor Gestão de Ativos S/A, entre outras empresas, com objetos sociais diversos, e fundos de investimento. As empresas do GRUPO OBOÉ, entre elas a OBOÉ DTVM (autuada neste processo), sofreram intervenção do Banco Central do Brasil BACEN sob fundamento de comprometimento patrimonial e financeiro da sociedade e da existência de "graves violações às normas legais e estatutárias". O regime especial de intervenção foi posteriormente convertido em liquidação extrajudicial, tendo as empresas do GRUPO OBOÉ sido investigadas em inquéritos administrativos instaurados pelo BACEN, que apontaram diversas irregularidades com consequências no âmbito administrativo, penal e tributário. Destaca a Autoridade Fiscal que os inquéritos do Bacen apontaram patrimônio líquido negativo na Oboé CFI (R$ 175.833.000,00) na Oboé DTVM (R$ 19.155.000,00) e na Oboé Card(R$ 36.800.000,00). Fl. 3517DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.518 6 As três empresas tiveram regime de intervenção decretado pelo Bacen em 15/09/2011, que posteriormente, foi convertido pelo Bacen em regime especial de liquidação extrajudicial, em 09/02/2012. Em 21/05/2013, foi decretada pela 2ª Vara de Recuperação de Empresas e Falências da Comarca de Fortaleza a falência das empresas Oboé Card, Oboé CI, Oboé DTVM, e Oboé CFI, com a extensão dos efeitos da falência à Oboé Holding Financeira S.A., Advisor Gestão de Ativos S.A., e à pessoa física de José Newton Lopes de Freitas. Foi nomeada como administradora judicial da massa falida Valéria Previtera da Silva. Em 10/12/2013, decisão de desembargador do Tribunal de Justiça do Ceará, em Agravo de Instrumento, suspendeu o regime falimentar; em 11/12/2013, o Bacen restabeleceu o regime de liquidação extrajudicial. Em 31/01/2014, decisão de desembargadora do Tribunal de Justiça, em Mandado de Segurança, restabeleceu a decisão que decretou o regime falimentar. Em 05/02/2014, foi determinada a continuidade do regime falimentar pela 2ª Vara de Recuperação de Empresas e Falências da Comarca de Fortaleza. Em 31/03/2014, o MPF apresentou Denúncia Criminal, junto à 11ª Vara da Seção Judiciária do Estado do Ceará da Justiça Federal, contra diretores e gerentes, contador e analista de sistemas de empresas do grupo, por crimes contra o sistema financeiro e associação criminosa. Em 16/04/2014, o Juiz da 2ª Vara de Recuperação de Empresas e Falências da Comarca de Fortaleza decretou a extensão dos efeitos da falência às empresas Magazines Brasileiros Ltda. e Clarinete Promotora de Vendas e Serviços Financeiros Ltda, atendendo a pedido da Administradora Judicial da massa falida. Em 05/05/2015 e em 26/08/2015, motivado por demanda do Ministério Público Federal, o Juiz Federal Titular da 32ª Vara Federal , autorizou o compartilhamento com a Receita Federal dos dados relacionados à Denúncia Criminal citada acima, envolvendo as empresas integrantes do GRUPO OBOÉ, bem como de informações das investigações em inquéritos administrativos instaurados pelo Banco Central do Brasil. Em especial, o Juízo autorizou expressamente o compartilhamento de informações de quaisquer contribuintes, cabendo à Receita Federal o juízo fundamentado sobre a pertinência de eventuais lançamentos tributários decorrentes dos dados presentes nos autos. A ação fiscal teve início em 15/06/2015, com a ciência dada pela administradora judicial da massa falida. O auto de infração foi lavrado em 03/09/2015, com ciência da Massa Falida na data de 10/09/2015, e dos responsáveis tributários em 16/09/2015 (Joeb Barbosa Guimarães de Vasconcelos e espólio de Eliziário Pereira da Graça Júnior) e 17/09/2015 (José Newton Lopes de Freitas). Fl. 3518DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.519 7 Fatos geradores Dessa forma, a Autoridade Fiscalizadora efetuou o lançamento a partir da constatação de pagamentos efetuados ou de recursos entregues a terceiros sem comprovação da operação ou de sua causa, que estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), conforme previsto no caput e § 10 do art. 61 da Lei 8.981/95, c/c caput e § 10 do art. 674 do Decreto 3.000/99. Os fatos geradores são os seguintes: · Pagamentos efetuados ou recursos entregues pela Oboé DTVM à Oboé Card, pela cessão de direitos sobre faturas de cartão de crédito inexistentes ou em flagrante situação de inadimplência; e · Desvio de recursos aplicados por investidores por meio de Certificados de Aplicação, para fundos de investimento (CLÁSSICO, ERUDITO e MULTICRED), sem o seu consentimento. O AuditorFiscal informa, ainda que anexou ao Termo de Verificação Fiscal: · o Relatório da Comissão de Inquérito do Banco Central do Brasil referente à Oboé DTVM , · os atos constitutivos da empresa e alterações posteriores, · as defesas prévias, apresentadas no processo penal de apuração de crimes contra o sistema financeiro e associação criminosa, de José Newton Lopes de Freitas, de Joeb Barbosa Guimarães de Vasconcelos e de Eliziário Pereira da Graça Júnior. A seguir, serão apresentadas as considerações informadas pela Fiscalização, que levaram à formação da convicção a respeito da ocorrência dos fatos geradores. Pagamentos efetuados ou recursos entregues pela Oboé DTVM à Oboé Card, pela cessão de direitos sobre faturas de cartão de crédito inexistentes ou em flagrante situação de inadimplência Em resposta a intimação para apresentação de informações e documentos, a Massa Falida a apresentou à Fiscalização os Termos de Cessão de Direitos Creditórios. Com base nos mesmos, e em controle obtido junto à tesouraria da Oboé Card, e que se encontrava em anexo ao Relatório Final da Comissão de Inquérito do Bacen, referente à Oboé DTVM, foi elaborada a planilha “Pagamentos efetuados pela Oboé DTVM à Oboé Card pela cessão de direitos sobre faturas de cartão de crédito inexistentes ou em flagrante situação de inadimplência”, que consta como anexo do termo de verificação fiscal. Nessa planilha estão listados os pagamentos que serviram de base para o lançamento efetuado, referentes à aquisição de direitos creditórios inexistentes ou em flagrante situação de inadimplência. Foram realizadas 63 cessões de direitos sobre faturas de cartão de crédito, entre 02/09/2010 e 15/09/2011. Fl. 3519DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.520 8 A Fiscalização também obteve da Massa Falida os comprovantes de transferência bancária (TED) correspondentes às referidas cessões. Dos anexos do Relatório da Comissão de Inquérito do Bacen, também foi obtido o modelo do contrato de promessa de cessão de direitos creditórios, com as condições gerais de todas as cessões entre a Oboé Card e o Fundo Clássico, administrado pela Oboé DTVM. A Massa Falida não apresentou contrato de promessa de cessão de direitos creditórios, apenas os termos de cessão de direitos creditórios. De acordo com a Fiscalização, a comissão de inquérito do Bacen apurou que, nas transações em questão, a empresa Oboé Card cedia direitos derivados de faturas de cartão de crédito ao Fundo Clássico, administrado pela Oboé DTVM, sem qualquer informação quanto á inadimplência ou mesmo inexistentes. Citando o relatório: "A essência da fraude envolveu a cessão de faturas relativas a clientes inadimplentes, com atraso significativo. Como característica inerente ao seu negócio, mensalmente, a OBOÉ CARD gerava faturas para todos os titulares de cartões por ela emitidos que tivessem algum tipo de débito, seja de compras, de saque (saque mais) ou de juros e outros encargos. Com isso, ainda que o cliente não efetuasse nenhum pagamento do saldo devedor de uma fatura, no mês seguinte era emitida nova fatura somando ao saldo devedor de uma fatura anterior os juros e encargos referentes ao mês. Com isso, em cartões inadimplentes a períodos mais longos, os valores das faturas são significativamente maiores do que o valor do principal (ou seja, as compras e saques efetivamente feitos pelos titulares dos cartões). O aspecto da multiplicidade consistiu na cessão de 2 ou até 3 faturas relativas a um mesmo cartão. Dado o processo já descrito, a emissão de uma fatura anula a anterior já que os débitos da fatura anterior, se a mesma não foi totalmente paga, são incluídos na nova fatura. Assim, a cessão de mais de uma fatura por cartão se constitui fraude, pois representa a cessão de um direito creditório inexistente." Tais cessões estariam violando o Regulamento do Fundo Clássico, em particular o art. 10, incisos I e II: "Art. 10. Para que possam ser adquiridos para a carteira do FUNDO, os direitos creditórios deverão atender os seguintes critérios adicionais de elegibilidade: I — os direitos creditórios deverão recair sobre débitos a vencer, vedada a aquisição de dívida vencida; II — os direitos creditórios deverão ter no pólo passivo devedores adimplentes, vedada a aquisição de dívida de devedor inadimplente ou com restrições cadastrais (contaencerrada, protesto, execução, etc.); III — a aquisição de direitos creditórios poderá ser contratada sem a coobrigação do cedente, mas o cedente sempre será responsável pela legitimidade e pela formalização dos direitos creditórios." A partir de julho de 2011 até a intervenção do Banco Central, os valores das cessões de direitos creditórios passaram a ser arbitrados Fl. 3520DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.521 9 aleatoriamente por números de CPF de clientes cadastrados nos bancos de dados, sem nenhuma correspondência com operações e faturas de cartões de crédito reais, ainda que inadimplentes. Ficou constatado pela Comissão de Inquérito do Banco Central que, de acordo com posição de 14/09/2011, data da intervenção, 62% dos valores cedidos ao Fundo Clássico eram de direitos creditórios de cartões de crédito inadimplentes e 14% relativos a faturas duplicadas, em que foi utilizada a mesma fatura, relativa ao mesmo titular, para ser cedida mais de uma vez. A carteira do Fundo Clássico teria estado comprometida pelo menos em 76% por conta dessas cessões. Foram detectados casos em que os direitos creditórios relativos a um mesmo cartão foram cedidos duas (11.264 cartões) ou três vezes (2 cartões), chegandose em 14/09/2011 (data da intervenção) a um total de títulos podres cedidos para o Fundo Clássico equivalente a R$ 38 milhões. Também foi constatado que houve cessão anterior de tais direitos creditórios em 23/04/2010 ao Banco Daycoval como garantia de empréstimos contraídos. Mesmo conhecendo tais fatos, os administradores da Oboé DTVM (administradora do Fundo Clássico), aceitaram como boas as cessões de títulos já cedidos a outra instituição. A Oboé DTVM chegou a admitir, no curso da Ação Fiscal, a irregularidade. Em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, ao apresentar os Termos de Cessão de Direitos Creditórios, informou à Autoridade Lançadora: "Tais faturas eram reais, embora emitidas para titulares de cartão Oboé há muito tempo inadimplentes. Apenas pouco mais de 10% do total dessas faturas foram duplicadas, portanto irreais." O lançamento foi efetuado tendo como sujeito passivo a Oboé DTVM, que administrava o Fundo Clássico, já que foi ela quem efetivamente efetuou os pagamentos à Oboé Card. Os recursos dos investidores eram primeiramente depositados na conta da Oboé DTVM e posteriormente repassados para a conta do Fundo Clássico. A partir daí eram efetuadas cessões de faturas de cartão de crédito da Oboé CARD para o Fundo Clássico de acordo com as necessidades de caixa da Oboé Card e Oboé CFI. O pagamento era efetuado pela Oboé DTVM à Oboé Card por meio da conta bancária do Fundo Clássico. O Fundo Clássico, portanto, teria sido usado como veículo para as transferências. Continua o AuditorFiscal observando que o Ministério Público informa, na Denúncia, que as cessões de crédito para o Fundo Clássico eram feitas de acordo com as necessidades de caixa da Oboé Card, que efetuava o repasse dos recursos à Oboé CFI, necessários para liquidar operações relacionadas ao “Convênio Unique” (que, de acordo com um dos depoentes, seria dívida da Oboé Card junto à Oboé CFI). Os recursos da Oboé DTVM, portanto, eram depositados na conta do Fundo Clássico, que realizava as transferências para a Oboé Card, Fl. 3521DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.522 10 contra cessões de crédito irregulares (em desacordo com a lei e o regulamento do Fundo Clássico). Os recursos eram posteriormente repassados à Oboé CFI. Com as transações correspondentes a pagamento sem causa, que entendeu a Fiscalização subsumiremse ao previsto no art. 61 da Lei 8.981/95 e art .674 do Decreto 3.000/99. Nessa hipótese, está sujeito o pagamento à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. Conforme o previsto na legislação, e demonstrado na planilha anexa ao auto de infração, a base de cálculo para aplicação do percentual de 35% foi obtida dividindose os valores referentes aos pagamentos sem causa por 65%. Por fim, com relação a essas infrações, a Autoridade Autuante informa que houve a qualificação da multa nos termos do art. 44, inciso I e § 10 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007, c/c art. 73 da Lei 4.502/64, uma vez que houve fraude e conluio, que tinham por objetivo dar um aspecto de normalidade e legalidade às movimentações de recursos financeiros, ocultando sua verdadeira natureza, a de desvio de recursos dos investidores com a respectiva ocultação dos fatos geradores e supressão dos tributos lançados. Recursos captados mediante a emissão de certificados de aplicação e desviados para fundos de investimento sem a autorização dos investidores Em resposta a intimação para apresentação de informações e documentos, a Massa Falida a apresentou à Fiscalização os Certificados de Aplicação emitidos pela Oboé DTVM. Com base nos mesmos, e em declarações dos investidores que tiveram seus recursos desviados, conforme o Relatório Final da Comissão de Inquérito do Bacen, referente à Oboé DTVM, foi elaborada a planilha “Pagamentos efetuados pela Oboé DTVM à Oboé Card pela cessão de direitos sobre faturas de cartão de crédito inexistentes ou em flagrante situação de inadimplência” , que consta como anexo do termo de verificação fiscal. Nessa planilha estão listados os recursos captados pela Oboé DTVM junto a investidores, por meio da emissão de Certificados de Aplicação, e posteriormente desviados, sem o consentimento de tais investidores, para os fundos de investimento Erudito, Clássico e Multicred. Como suporte probatório, a Fiscalização anexou ao termo de verificação fiscal os extratos da conta corrente da OBOÉ DTVM junto ao Bic Banco e os comprovantes das transferências bancárias (TED's) da conta corrente da OBOÉ DTVM para as contas correntes dos fundos de investimento, fornecidos pela Massa Falida, bem como o Razão Contábil da conta corrente da OBOÉ DTVM junto ao Bic Banco. De acordo com o Ministério Público, os Certificados de Aplicação eram emitidos pela Oboé DTVM como forma de captar recursos que eram posteriormente desviados para fundos de investimento administrados pela Oboé DTVM (Fundos Erudito, Clássico e Multicred), à revelia dos aplicadores. Ainda segundo o MP, baseado no inquérito do Bacen, os Certificados de Aplicação subtraídos da contabilidade oficial corresponderam a R$11.840.000,00 em títulos emitidos pela Oboé DTVM. Fl. 3522DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.523 11 Além disso, também a Oboé CFI emitia RDBs, que eram omitidos da contabilidade oficial. As operações eram registradas no sistema de informação denominado “Sistema CFI”, que não alimentavam, no entanto, outro sistema, o “Sistema Finance”, do qual eram extraídas as informações para os clientes, e para a contabilidade apresentada para os órgãos oficiais. Os recursos dos RDBs emitidos pela Oboé CFI e dos Certificados de Aplicação, emitidos pela Oboé DTVM, eram desviados para os fundos administrados pela última. Tais transferências eram feitas à revelia dos aplicadores. Os clientes que haviam aplicado em RDB, na Oboé CFI, acreditavam que suas aplicações continuavam registradas como RDBs emitidos pela Oboé CFI, ao passo que os investidores que adquiriam Certificados de Aplicação da Oboé DTVM eram levados a crer que seus recursos eram títulos de renda fixa com garantia do Fundo Garantidor de Crédito. De acordo com a denúncia do Ministério Público, a fraude, embasada nos depoimentos dados por Ana Carolina Barbosa Paz, Jean Carlo Brasileiro, e Otávio Lins Lima, anexados ao processo, a fraude foi criada por José Newton Lopes de Freitas, em conjunto com os administradores da Oboé DTVM, Eliziário Pereira da Graça Júnior e Joeb Barbosa Guimarães de Vasconcelos. As diretrizes dos procedimentos eram traçadas por José Newton e Eliziário, ao passo que Joeb efetivava as transferências à revelia dos clientes. O objetivo seria alavancar as carteiras de aplicações em fundos de investimentos administrados pela Oboé DTVM. Os fundos eram, assim, usados como meio para as fraudes. Inicialmente, eram desviados os valores aplicados por clientes, em RDBs, junto à Oboé CFI. A partir do final de 2010, teriase iniciado a transferência, à revelia, de aplicações de RDB da Oboé CFI para os fundos de investimento administrados pela Oboé DTVM (Clássico, Erudito e Multicred). Posteriormente, também foram desviados os recursos dos Certificados de Aplicação emitidos pela Oboé DTVM para os fundos. Entende, portanto, a Autoridade Fiscal que o desvio fraudulento de recursos captados de investidores para fundos de investimento sem o seu consentimento materializa a entrega de recursos a terceiros sem a comprovação de causa, conforme previsto no § 10 do art. 61 da Lei 8.981/95 e § 10 do art. 674 do Decreto 3.000/99. No lançamento em discussão, foram considerados apenas os valores desviados referentes aos Certificados de Aplicação emitidos pela Oboé DTVM, não tendo sido considerados os valores desviados referentes aos RDBs emitidos pela Oboé CFI. Com as transações correspondentes a pagamento sem causa, que entendeu a Fiscalização subsumiremse ao previsto no art. 61 da Lei 8.981/95 e art. 674 do Decreto 3.000/99. Nessa hipótese, está sujeito o pagamento à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. Conforme o previsto na legislação, e demonstrado Fl. 3523DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.524 12 na planilha anexa ao auto de infração, a base de cálculo para aplicação do percentual de 35% foi obtida dividindose os valores referentes aos pagamentos sem causa por 65%. Por fim, com relação a essas infrações, a Autoridade Autuante informa que houve a qualificação da multa nos termos do art. 44, inciso I e § 10 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007, c/c art. 73 da Lei 4.502/64, uma vez que houve fraude e conluio, que tinham por objetivo dar um aspecto de normalidade e legalidade às movimentações de recursos financeiros, ocultando sua verdadeira natureza, a de desvio de recursos dos investidores com a respectiva ocultação dos fatos geradores e supressão dos tributos lançados." Cientificados do lançamento, o sujeito passivo principal e os demais responsáveis apresentaram Impugnações. A Oboé Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., a Oboé Crédito, Financiamento e Investimento S.A. a Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S.A. e José Newton Lopes de Freitas apresentaram, em 06/10/2015, Impugnação conjunta, por meio da qual alegam: (i) violação ao princípio da presunção da inocência, uma vez que a autoridade fiscal teria acolhido, sem críticas, as conclusões do relatório da Comissão de Inquérito do Banco Central do Brasil (Bacen); (ii) que os fatos geradores apontados constituiriam "falso pretexto" de pagamento sem causa ou operação não comprovada; (iii) que José Newton Lopes de Freitas, Eliziário Pereira da Graça Júnior, Joeb Barbosa Guimarães de Vasconcelos, Massa Falida de Oboé Crédito, Financiamento e Investimento S.A. e Massa Falida de Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S.A., não poderiam ser considerados responsáveis tributários, posto que as três pessoas físicas citadas não seriam acionistas da Oboé DTVM nem da Oboé CFI e Oboé Card; (iv) a decadência dos fatos geradores anteriores a setembro de 2010; (v) a ilegitimidade da Oboé DTVM para figurar no pólo passivo da autuação, posto que os fundos por ela administrados possuem personalidade jurídica própria; (vi) a regularidade das cessões de crédito realizadas pela Oboé Card, a autuação da Oboé DTVM apenas como administradora, não tendo suportado os desembolsos em favor daquela, e a ausência de comprovação dos saldos devedores inexistentes ou devedores inadimplentes, de modo a caracterizar o pagamento sem causa; (vii) que a Oboé DTVM funcionou apenas como intermediária na colocação de cotas de emissão de fundos de investimentos, e que não houve desvio de recursos sem o consentimento dos investidores; (viii) que "a responsabilização de sócio só cabe na hipótese de sóciogerente e, mesmo assim, quando houver comprovação de abuso do poder ou infringência à lei, ou ao contrato social, ou estatuto" (ix) que há questões do auto de infração já submetidas à apreciação judicial; Fl. 3524DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.525 13 Efetuaram, ainda, pedido de realização de diligência junto à Citibank DTVM (que teria atuado como "custodiante, controladora e escrituradora") e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Foi apresentada, em 09/10/2015, Impugnação, ainda, em nome da Massa Falida de Oboé Crédito, Financiamento e Investimento S.A, da Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S.A, da Oboé Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, da Companhia de Investimento Oboé, da Advisor Gestão de Ativos S.A, da Oboé Holding Financeira S.A, de José Newton Lopes de Freitas, da Magazines Brasileiros Ltda e da Clarinete Promotora de Vendas e Serviços Financeiros Ltda, na qual sustentam: (i) a contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, §4º, do CTN, posto que a fraude capaz de afastar tal norma seria a fraude tributária, prevista nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, não possuindo tal condão a fraude cível, como nos autos; (ii) a ilegitimidade da Oboé DTVM para figurar no pólo passivo da autuação, quando o lançamento deveria ser efetuado em relação ao Fundo Clássico; (iii) que "jamais se poderá confundir a falta de comprovação da causa da operação com a eventual ilegalidade do negócio jurídico identificado e efetivamente ocorrido"; (iv) "bis in idem" em relação aos pagamentos efetuados pelo Fundo Clássico que geraram receitas e teriam sido regularmente tributadas na Oboé Card; (v) que a causa para destinação dos recursos de investidores entregues pela Oboé DTVM aos Fundos estaria caracterizada, não podendo haver a incidência do IRRF; (vi) que não poderia ter havido a aplicação da multa qualificada, posto que inexistente o enquadramento nas situações previstas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Finalmente, o responsável Joeb Barbosa Guimarães Vasconcelos apresentou Impugnação, por meio da qual, argui: (i) a inexistência de responsabilidade sua quanto à Oboé DTVM; (ii) a ausência de distinção do trabalho fiscal em relação às movimentações financeiras da oboé DTVM e dos Fundos de Investimentos por ela administrados, bem como dos clientes dos referidos Fundos; (iii) a desconsideração pela autoridade fiscal do trabalho da auditoria independente. A decisão de primeira instância (fls. 3.254 a 3.299) não conheceu da Impugnação apresentada em 06/10/2015, em relação a Oboé DTVM, Oboé CFI e Oboé Card, por vício de representação, uma vez que foi assinada por José Newton Lopes de Freitas, quando deveria ter sido assinada pelo administrador judicial da massa falida. Não conheceu ainda da Impugnação apresentada por Joeb Barbosa Guimarães de Vasconcelos, por intempestividade. Ao rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração por suposta violação ao princípio da presunção de inocência, posto não se tratar de causa de nulidade prevista na Fl. 3525DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.526 14 legislação, afastou, ainda, a alegação de que a autoridade fiscal teria embasado o auto de infração diretamente nas imputações da Comissão de Inquérito do Bacen. O Acórdão recorrido não acolheu a alegação de decadência do direito de constituição do crédito tributário, por entender que, no caso de "pagamentos a beneficiários não identificados ou de pagamentos sem causa não se sustenta a aplicação do prazo decadencial do §4º do art. 150 do CTN, visto que a lei não atribuiu ao sujeito passivo o dever de apurar e pagar o IRRF devido, antes de qualquer procedimento de ofício". Ademais, no caso de fraude, teria aplicação a contagem do prazo decadencial na forma do art. 173, inciso I, do CTN. A decisão também não acatou a tese de que a constituição do crédito tributário não deveria ter sido realizada na Oboé DTVM, mas no Fundo Clássico. Para o julgador a quo, "a inscrição no CNPJ não confere personalidade jurídica à entidade, ou a reconhece", permanecendo o referido Fundo na condição de condomínio. A par disso, a acusação fiscal é de que a Oboé DTVM se utilizou do Fundo Clássico como meio para realização da transferência dos recursos dela provenientes. Em relação às cessões e transferências de créditos, concluiu que se trata de aplicação de recursos em créditos "que não podem ser exigidos, o que torna seu valor efetivamente inexistente". Além disso, a correção da escrituração das cotas, autorizada pelo Bacen, apenas transferiu parte das cotas para a Oboé CFI (e não para a Oboé Card, executora dos pagamentos) e não teria o condão de afastar a constatação de pagamentos embasados em justificativa inadequada. Quanto às teses de que a causa das operações era conhecida, apenas irregular, e de que as receitas foram tributadas na Oboé Card, o julgador as rejeitou, por considerar que "a irregularidade nos negócios observados é que deixa clara a ausência de causa para os pagamentos", e que, ocorrendo a hipótese do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, deve haver a incidência do IRRF, não havendo condicionantes relacionadas com a destinação dos recursos pela pessoa que os receber. Pontuou, ainda, a ausência de caracterização de bis in idem, pois não houve fato tributado duas vezes. No que diz respeito à qualificação da multa, considerou existente "uma série de condutas, de descritas pela Fiscalização, praticadas pelos autuados, dolosas, com o objetivo de impedir o conhecimento de fatos geradores". Entendeu cabível a responsabilização solidária, com base no art. 124, inciso I, do CTN, da Oboé Card (pela participação nos pagamentos relacionados à cessão de faturas de cartão de crédito irregulares) e à Oboé CFI (pelo interesse no recebimento dos repasses para pagamento de convênio). Em relação às pessoas físicas, também considerou pertinente a atribuição de responsabilidade, com base no art. 135, inciso III, do CTN, posto que detinham posição de diretoria e agiram em violação ao regulamento do Fundo Clássico e à regulação do Banco Central. Por fim, considerou não formulado o pedido de diligência e produção de provas, por haver sido formulado em termos genéricos, não atendendo aos requisitos do art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 3526DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.527 15 Após a ciência da citada decisão, a Massa falida de Oboé Crédito, Financiamento e Investimento S.A., Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S.A., Oboé Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., Companhia de Investimento Oboé, Advisor Gestão de Ativos S.A., Oboé Holding Financeira S.A., José Newton Lopes de Freitas, Magazines Brasileiros Ltda e Clarinete Promotora de Vendas e Serviços Financeiros Ltda os sujeitos passivos apresentaram Recurso Voluntário conjunto (fls. 3.350 a 3.374), no qual se limitam a repetir os termos da Impugnação apresentada. Às fls. 3.392 a 3.458, a Oboé Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, a Oboé Crédito, Financiamento e Investimento S.A., a Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S.A e o Sr. José Newton Lopes de Freitas apresentaram Recurso Voluntário conjunto, no qual sustentam: (i) que a decisão recorrida confundem as pessoas jurídicas falidas com a massa falida, sendo que as pessoas jurídicas recorrentes, em falência, são representadas pelos seus administradores, conforme o art. 81, §2º, da Lei nº 11.101, de 2005, enquanto a massa falida é representada pelo administrador judicial, na forma do art. 22, inciso III, alínea "n", da mesma Norma. Assim, as referidas pessoas jurídicas são partes legítimas no presente processo e podem ser representadas por seu representante legal; (ii) a nulidade processual, uma vez que a falida não foi intimada para apresentar Impugnação e o Acórdão recorrido não reconheceu a capacidade processual das falidas; (iii) a nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa e violação aos princípios do devido processo legal, legalidade, moralidade e eficiência, tendo em vista a denegação do pedido de realização de diligências e acesso integral ao processo; (iv) a nulidade do Acórdão recorrido, por não haver examinado adequadamente as questões de fato e de direito; (v) violações a princípios no curso no processo de intervenção por parte do Banco Central e liquidação extrajudicial; (vi) mesmas alegações trazidas na Impugnação, no que diz respeito à decadência, responsabilidade solidária e personalidade jurídica dos fundos de investimento; (vii) novas alegações relacionadas com as apurações realizadas pelo Banco Central, com cessão anterior de créditos ao Banco Daycoval S.A., com bis in idem em relação ao processo nº 10380.730501/201535, com suposta inversão do ônus da prova e com a redução da multa de ofício. Joeb Barbosa Guimarães de Vasconcelos, por sua vez, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 3.484 a 3.494, em que pleiteia: (i) que todas as comunicações de atos processuais sejam realizadas, exclusivamente, em nome de advogado; (ii) que o prazo para apresentação da Impugnação seja contado em dobro, uma vez que os autuados possuem procuradores distintos, conforme art. 191 do CPC/73, de aplicação subsidiária e supletiva ao processo administrativo; Fl. 3527DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.528 16 (iii) o reconhecimento da ilegitimidade passiva e inexistência de sua responsabilidade solidária, uma vez que decisão judicial, com trânsito em julgado, no processo nº 000202641.2011.5.07.009, da 9ª Vara do Trabalho de Fortaleza, teria reconhecido a sua condição de empregado, sem amplos poderes de direção. Além disso, não teria assinado nenhum cheque, nem autorizado nenhuma das transferências, e nem sequer detinha poderes para tal; (iv) a improcedência do lançamento, posto que estaria embasado em "interpretação distorcida do arcabouço regulamentar" do Conselho Monetário Nacional e da Comissão de Valores Mobiliários, não teria diferenciado as movimentações financeiras da Oboé DTVM das realizadas pelos Fundos de Investimentos por ela administrados, e teria ignorado a análise dos auditores independentes; (v) o cancelamento do lançamento, ainda, pela ausência de análise acerca da destinação final dos recursos, e pelos fatos de que os impostos devidos pelos fundos de investimento foram recolhidos, e de que os investidores, que inicialmente haviam se declarado não cientes da transferência dos recursos, reconheceram a ciência, conforme processo nº 000400857.2015.4.03.6181, em trâmite na Justiça Federal. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I. DA ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS Os sujeitos passivos foram cientificados da decisão de primeira instância, conforme detalhado no quadro a seguir: SUJEITO PASSIVO DATA DA CIÊNCIA OBOÉ DTVM (MASSA FALIDA) 23/05/2017 (fl. 3.307) JOSÉ NEWTON LOPES DE FREITAS 06/07/2017 (fl. 3.465) OBOÉ CRÉDITO, FINAN. E INVEST. S.A. (MASSA FALIDA) 06/07/2017 (fl. 3.501) JOEB BARBOSA GUIMARÃES DE VASCONCELOS 06/07/2017 (fl. 3.504) ELIZIÁRIO PEREIRA DA GRAÇA JÚNIOR (ESPÓLIO) 07/07/2017 (fl. 3.498) O espólio de Eliziário Pereira da Graça Júnior não apresentou Recurso Voluntário. I.1 Do Recurso da massa falida A Massa falida de Oboé Crédito, Financiamento e Investimento S.A., Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S.A., Oboé Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., Companhia de Investimento Oboé, Advisor Gestão de Ativos S.A., Oboé Holding Financeira S.A., José Newton Lopes de Freitas, Magazines Brasileiros Ltda e Clarinete Promotora de Vendas e Serviços Financeiros Ltda apresentou o Recurso Voluntário em 22/06/2017 (fl. 3.348), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 3528DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.529 17 O Recurso é assinado por procuradores, devidamente constituídos às fls. 3.111 e 3.153, pela administradora judicial da referida massa falida. Frisese que não há nos autos a comprovação de intimação da Massa Falida da OBOÉ TECNOLOGIA E SERVIÇOS FINANCEIROS S/A. Não obstante, considerando que o Termo de Intimação de fls. 3.341 a 3.347 foi assinado digitalmente em 13/06/2017 e, como dito, o Recurso Voluntário foi apresentado pela Massa Falida em 22/06/2017, há que se concluir pela inexistência de prejuízos à parte e pela tempestividade do mencionado Recurso. Não há, ainda, a comprovação da intimação da administradora judicial da massa falida, já que as comunicações foram dirigidas aos endereços dos falidos. Tal falha, contudo, foi suprida com a apresentação tempestiva do Recurso, de modo que plenamente aplicável o princípio da inexistência de nulidade sem prejuízo para a parte (pas de nullité sans grief). I.2 Do Recurso dos falidos A Oboé Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, a Oboé Crédito, Financiamento e Investimento S.A., a Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S.A e o Sr. José Newton Lopes de Freitas apresentaram Recurso Voluntário, em 10/07/2017 (fl. 3.392), em peça subscrita por este último, em nome próprio e como procurador, constituído por ele mesmo, na condição de representante legal das pessoas jurídicas (fl. 3.081). Cabe repetir, neste ponto, a análise realizada no Acórdão Recorrido, quanto à capacidade processual e representação das referidas pessoas jurídicas falidas e do Sr. José Newton Lopes de Freitas: "Com a decretação da falência, o falido e seu representante não mais dispõe dos poderes de representação, administração e gerência, sendo os atos relacionados exercidos, a partir de então, pelo administrador judicial da massa falida nomeado pela sentença de decretação da falência nos termos do art. 99, IX, da lei 11.101/2005. No dito do art.103 da mesma lei: Art. 103. Desde a decretação da falência ou do seqüestro, o devedor perde o direito de administrar os seus bens ou deles dispor. Parágrafo único. O falido poderá, contudo, fiscalizar a administração da falência, requerer as providências necessárias para a conservação de seus direitos ou dos bens arrecadados e intervir nos processos em que a massa falida seja parte ou interessada, requerendo o que for de direito e interpondo os recursos cabíveis. Portanto, a impugnação citada não pode ser conhecida, com relação às empresas Oboé DTVM, Oboé CFI e Oboé Card, por vício de representação. Passase a analisar a possibilidade de conhecimento da mesma com relação à pessoa de José Newton Lopes de Freitas. Dentre os atos relacionados à administração patrimonial estão a defesa, em litígios administrativos ou judiciais, dos bens e direitos sob seu domínio. Com a falência, passa a caber apenas ao administrador judicial (que, indiretamente, representa os interesses da coletividade dos credores) realizar tais atos. Fl. 3529DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.530 18 A decretação da falência não retira a capacidade jurídica por completo do falido, mas a limita. Mesmo a capacidade processual ainda não se extingue por completo, como o § único do art. 103 da lei 11.101/2005 já prevê. O falido poderia, inclusive, ingressar com ação visando a reforma da sentença que decretou sua falência. O STJ já se pronunciou sobre o assunto: RECURSO ESPECIAL. AÇÃO RESCISÓRIA CONTRA O DECRETO FALIMENTAR. PROPOSITURA PELA SOCIEDADE EMPRESÁRIA COM FALÊNCIA DECRETADA. CAPACIDADE PROCESSUAL RECONHECIDA. AFASTAMENTO DA EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. 1. A decretação da falência acarreta ao falido uma capitis diminutio referente aos direitos patrimoniais envolvidos na falência, mas não o torna incapaz, de sorte que mantém a legitimidade para a propositura de ações pessoais. 2. Recurso especial conhecido e provido. (Superior Tribunal de Justiça, 3ª Turma, RECURSO ESPECIAL Nº 1.126.521 MT (2009/00420840, Rel.r Ricardo Villas Bôas Cueva, Sessão de 24/02/2015) No julgado citado, o Min. João Otávio de Noronha do STJ observa que a ação que pede pela nulidade da sentença falimentar tem caráter pessoal, e por isso não poderia ser negada a sua possibilidade ao falido, dado que não se está discutindo arrecadação ou administração dos bens. Não podemos tomar aqui o que a lei diz, que ele é afastado da administração dos seus bens. Lógico que não pode tomar a iniciativa das ações com relação a bens da massa, mas essa capitis diminutio não o torna incapaz. A capitis diminutio restringese à administração dos bens; no mais, ele tem todos os poderes processuais e todos os poderes como sujeito de direito para reverter essa situação, e o único interessado é ele. Tratase aqui de uma ação de status pessoal. Ele é falido e quer reverter a situação. Ele quer dizer: eu não devo ou não mereço ser falido, pois houve uma violação. A rigor, só ele pode fazer isso; ele não está defendendo os bens da massa, os bens da sociedade, ele está defendendo o próprio nome. O status dele é que sofreu uma alteração com a quebra. Assim, o entendimento é que, se por um lado o falido ainda mantém os poderes processuais para defender sua situação pessoal, por outro ele perde a capacidade processual para ações de natureza patrimonial. No entanto, a impugnação de auto de infração tem repercussão não apenas na esfera patrimonial, mas também pode ter efeitos extra patrimoniais, especialmente no caso em que a constituição do crédito leve à denúncia por crime contra a ordem tributária. Nessa situação, poderia ser levada ao âmbito penal. A constituição definitiva do crédito é, inclusive, condição necessária para a propositura da denúncia criminal, conforme o previsto na Súmula Vinculante 24 do STF: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária,previsto no art. 1º,incisos Ia IV,da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo” No caso em discussão, a Autoridade Fiscal entendeu haver Fl. 3530DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.531 19 elementos suficientes para a formulação de representação fiscal para fins penais, que consta do processo apenso 10380.728155/201525. Assim, por ser tempestiva, e posto que pode produzir efeitos na esfera pessoal, a impugnação deve ser conhecida com relação a José Newton Lopes de Freitas." A decisão adotada em relação à Impugnação deve ser, igualmente, aplicada ao Recurso Voluntário apresentado. E não se está, como alegado no preâmbulo da peça recursal, confundindo os falidos com a massa falida. As pessoas jurídicas que buscavam apresentar Recurso Voluntário, as falidas, não são parte no presente processo administrativo fiscal. Lembrese que os autos de infração foram lavrados na massa falida representada por seus bens, posto que, à data, já havia sido decretada a falência. Além disso, ainda, que as falidas resguardem uma capacidade processual diminuída, para autuarem em defesa própria, como reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça na decisão acima transcrita, tal fato não lhe confere capacidade processual para atuarem em relação aos interesses da massa. À mesma conclusão chegou, recentemente, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF: "RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. MASSA FALIDA. IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Decretada a falência, o falido fica sem o poder de representação em face dos interesses da massa, passando a legitimidade a ser ostentada pelo síndico ou administrador judicial." (Acórdão nº 3201004.123, sessão de 25 de julho de 2018, Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade) Neste sentido, não deve ser conhecido o Recurso apresentado, em relação às pessoas jurídicas falidas. De outra parte, o referido Recurso deve ser conhecido quanto ao Sr. José Newton Lopes de Freitas, pelas razões já expostas. Contudo, são trazidas na peça recursal diversas novas matérias não veiculadas na Impugnação. Ora, nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria Fl. 3531DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.532 20 não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Deste modo, não deve ser reconhecido o Recurso em relação às seguintes matérias: a) a ausência de contratos fictícios; b) a cessão prévia de direitos ao Banco Daycoval S.A.; c) bis in idem em relação ao processo administrativo nº 10380.730501/201535; d) suposta inversão do ônus da prova; e) redução da multa de ofício. O Recurso inova também em relação a outras matérias (como nulidades e violações a princípios constitucionais) que, por constituírem matéria de ordem pública escapam à preclusão processual. I.3 Recurso do responsável solidário Joeb Por fim, Joeb Barbosa Guimarães de Vasconcelos apresentou o seu Recurso Voluntário em 04/08/2017 (fl. 3.484). O referido sujeito passivo havia apresentado petição intempestiva, à guisa de Impugnação, que não foi conhecida pela autoridade julgadora a quo. No Recurso apresentado, o sujeito passivo sustenta a tempestividade da Impugnação, já que o prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, deveria, in casu, ser contado em dobro, ante a existência de partes com procuradores distintos, conforme previsão do art. 191 do Código de Processo Civil de 1973, vigente à época da apresentação da Impugnação. O disposto no art. 56 do Decreto nº 7.574, de 2011, é suficiente para justificar o nãoconhecimento do Recurso em questão: "Art.56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) §2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Fl. 3532DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.533 21 §3oNo caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. §4oNa hipótese do § 3o, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que cada um deles tiver sido cientificado do lançamento." (Destacouse) O dispositivo legal é cristalino quanto ao prazo recursal, inclusive para o caso de pluralidade de sujeitos passivos, e quanto à condição imposta para que a petição intempestiva possa ser recebida como Impugnação e proporcione todos os seus efeitos. Como o sujeito passivo não sustentou perante a autoridade julgadora de primeira instância a tempestividade, não houve a instauração da fase litigiosa do procedimento, de modo que, em relação ao Sr. Joeb Barbosa, o crédito tributário está definitivamente constituído. A matéria objeto dos Recursos está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, conheço apenas dos Recursos apresentados pela massa falida e pelo Sr. José Newton Lopes de Freitas (à exceção das matérias acima ressalvadas). II. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE II.1 Legitimidade dos falidos O responsável José Newton Lopes de Freitas suscita a nulidade do auto de infração e do Acórdão recorrido, posto que a autoridade autuante não intimou os falidos para a apresentação de Impugnação, e o relator e a Turma Julgadora de primeira instância não reconheceram a capacidade processual das pessoas jurídicas falidas. Tal questão já foi devidamente esclarecida, quando do juízo de admissibilidade relativo ao recurso apresentado pelos falidos. Tendo em vista que o auto de infração foi lavrado, em 03/09/2015, portanto, após a decretação da falência (sentença de 21/05/2013, suspensa em 10/12/2013, e restabelecida em 31/01/2014), encontrase correto o procedimento de lavratura em nome da massa falida e ciência na pessoa da administradora judicial, conforme competência prevista no art. 22, inciso III, alíneas "d", "i", "l", "n" e "o" da Lei nº 11.101 de 2005. Nenhuma nulidade, portanto, no fato de os falidos não haverem sido intimados para a apresentação de Impugnação, posto que, como já tratado, estavam destituídos do direito de administração e disposição dos seus bens (art. 103 de referida Norma). Cabe citar precedente do CARF, na referida linha: "LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. EMPRESA FALIDA. REPRESENTAÇÃO. Decretada a falência, os sóciosadministradores afastamse dos negócios da empresa falida, cabendo ao administrador judicial Fl. 3533DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.534 22 designado representar a massa falida com vistas a prestar as informações requeridas pelo Fisco, nos termos dos art. 21 e 22 da Lei nº11.101/2005. O administrador judicial deve ser intimado dos atos processuais, sob pena de nulidade do processo, nos termos do art. 76 da Lei nº 11.101/2005." (Acórdão nº 1301001.631 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, sessão de 28 de agosto de 2014, Relator Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado) Em adição, a questão da incompetência processual das pessoas jurídicas falidas também já foi explicitada no tópico anterior. Deste modo, rejeito a referida preliminar. II.2 Cerceamento do direito de defesa O mesmo responsável sustenta, ainda, a nulidade do Acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, tendo em vista o indeferimento do pedido de diligência formulado na Impugnação. O art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, coloca o atendimento ao requerimento de diligências ou perícias sob a análise da autoridade julgadora. In verbis: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine." (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No mesmo sentido, o art. 29 do citado Decreto dispõe que "Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias". Tratando do tema, James Marins (Direito Processual Tributário Brasileiro, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 10. ed. rev. atual. e ampl., 2017, fls. 289/290), leciona: "Como o impulso do processo compete à Administração (princípio da impulsão oficial, em conformidade com o art. 19 da LGPAF), cumprirá à autoridade julgadora de primeira instância apreciar os requerimentos de produção de provas, apreciar sua pertinência e determinar a realização daquelas que seja em virtude de terem sido requeridas ou por deliberação ex officio da autoridade de primeira instância sejam necessárias para que a instrução se complete. O juízo de pertinência probatória será feito principalmente com base nos critérios de imprescindibilidade e praticabilidade." O Acórdão recorrido rejeitou o pedido formulado pelo sujeito passivo, por entender que o processo já se encontravam "instruído com as informações e documentos necessários para sua solução". Além disso, apontou que o pedido formulado pelo Impugnante se deu de modo genérico, sem obediência às disposições do art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972. Não se vislumbra, portanto, qualquer ato da autoridade julgadora que macule a decisão proferida. Fl. 3534DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.535 23 Os documentos que o Recorrente reputa importantes poderiam, e deveriam, ter sido juntados por ele próprio juntamente com a Impugnação ou, na impossibilidade de obtêlos, haver justificado adequadamente o pedido formulado, explicitando os requisitos demandados pelo referido inciso IV do art. 16. O Recorrente pleiteia, ainda, a decretação da nulidade, sob o mesmo fundamento de cerceamento do direito de defesa, desta vez por lhe ter sido negado o acesso à integra do processo, por meio de sistema informatizado, e o envio eletrônico de documentos digitais para juntada aos autos. A questão da legitimidade da administradora judicial para representar a massa falida autuada é questão já repisada. A esta, portanto, compete o acesso e o peticionamento eletrônico nos autos, na forma da normatização da Receita Federal do Brasil. O Recorrente, como responsável solidário, tem garantido acesso a cópia integral dos autos e ao peticionamento em papel, não tendo sido apresentada qualquer prova de que tais fatos não lhe foram permitidos. Rejeito, deste modo, mais essa preliminar. II.3 Da violação a princípios O Sr. José Newton Lopes de Freitas pugna pela anulação do lançamento por suposta violação ao devido processo legal e aos princípios constitucionais da legalidade, moralidade e eficiência. A referida alegação está embasada no já tratado indeferimento do pedido de diligência e em suposta inversão do ônus da prova. Para ele, "a fiscalização formalizou auto deinfração de caráter presuntivo, sem nexo causal, totalmente discricionário, com a pretensão de forçar os recorrentes a assumirem o ônus da prova". Não se observa a nulidade apontada. A questão do indeferimento do pedido de diligência já foi abordado no item anterior. De outra parte, a leitura do Termo de Verificação Fiscal de fls. 47 a 85 revela que a autoridade fiscal descreveu com clareza todos os fatos e provas que embasaram a autuação, e realizou a subsunção dos fatos à norma legal. O acerto, ou não, da autuação é matéria de mérito que será analisada. Patente, porém, a inexistência de qualquer presunção ilegal ou inversão do ônus da prova, como alegado pelo Recorrente. Voto pela rejeição, portanto, da nulidade invocada. II.4 Da ausência de fundamentação e exame Finalmente, o citado Recorrente, alega a nulidade da decisão recorrida por falta de fundamentação e de adequado exame das questões de fato e de direito. Afirma que, "os pontos relevantes ou os aspectos primordiais ao seu deslindo, o sr. relator não os enfrentou de forma motivada". Aduz, ainda, que "o sr. relator também não observou a proporcionalidade, a razoabilidade e a legalidade, na forma prescrita no art. 8º do CPC/2015". Fl. 3535DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.536 24 A alegação é formulada de forma genérica, sem qualquer detalhamento acerca dos supostos vícios, pelo que deve ser sumariamente afastada, mormente quanto a leitura do Acórdão combatido revela que o julgador se desincumbiu com esmero da análise de todas as teses postas e fundamentou adequadamente a sua decisão. Inexiste, desta forma, qualquer nulidade a ser reconhecida. II.5 Da ilegitimidade da Oboé DTVM Tanto a massa falida quanto o responsável José Newton Lopes de Freitas defendem a ilegitimidade da Oboé DTVM, administradora do Fundo Clássico, para figurar no pólo passivo da exação. Para a massa falida, tratandose o referido Fundo de um condomínio, quem responderia, na forma do art. 1.319 do Código Civil e do art. 13 da Instrução CVM nº 409/2004, por eventuais danos por ele causado seriam os seus condôminos, na proporção de suas cotas. Para o citado Recorrente, por outro lado, o Fundo Clássico teria personalidade jurídica própria, uma vez que estaria registrado no Registro de Títulos e Documentos e inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). As alegações foram repelidas pela decisão recorrida, nos seguintes termos: "Com relação à eleição da Oboé DTVM no polo passivo da autuação, ao invés do Fundo Clássico, cabe observar inicialmente o equívoco do impugnante ao observar que “após o competente registro no Registro de Títulos e Documentos, a RFB reconhece a pessoa jurídica com a inscrição no CNPJ”. A inscrição no CNPJ não confere personalidade jurídica à entidade, ou a reconhece. Entidades sem personalidade jurídica também são inscritas no CNPJ conforme as Instruções Normativas da RFB que disciplinam a inscrição no cadastro. A personalidade jurídica somente é adquirida – e, portanto, reconhecida – nos casos previstos na legislação. Não corresponde, nesse caso, o fundo de investimento que é tratado pela própria regulação da CVM como condomínio, que nada mais é que uma coletividade de proprietários de um bem em comum. (...) Além disso, com relação à distinção do papel e da responsabilidade da administradora (no caso, Oboé DTVM), com relação às posições jurídicas assumidas pelo fundo (no caso, Fundo Clássico), estar limitada a representação legal do fundo, a Fiscalização foi enfática ao descrever, no Termo de Verificação Fiscal, o entendimento de que a Oboé DTVM utilizouse do Fundo Clássico como meio para a realização do negócio efetivamente tributado: O FUNDO CLÁSSICO, que era um condomínio de investidores conforme Termo de Constituição e Regulamento (ambos em anexo), apesar de ser o formal cessionário dos referidos créditos, era na Fl. 3536DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.537 25 verdade apenas mais um meio ardil utilizado pela OBOÉ DTVM para o cometimento de desvios e fraudes, materializando assim a entrega de recursos a terceiros sem a comprovação de causa conforme previsto no § 1° do art. 61 da Lei 8.981/95 e § 10 do art. 674 do Decreto 3.000/99. Conforme evidenciado pelo Ministério Público Federal, no quadro de fls. 39 da Denúncia (item 2.2.2), as cessões de crédito para o FUNDO CLÁSSICO eram feitas de acordo com as necessidades de caixa da OBOÉ CARD, que efetuava o repasse dos recursos à OBOÉ CFI, necessários para liquidar operações relacionadas ao "Convênio Unique". No referido quadro foram transcritas as observações da planilha de controle do "Convênio Unique", obtida junto à tesouraria da OBOÉ CARD. Os recursos para as referidas liquidações provinham da OBOÉ DTVM, que transferia recursos para o FUNDO CLÁSSICO, por ela administrado. Havia inclusive o desvio de recursos de investidores, à sua revelia, para o referido Fundo, como será visto no próximo tópico. Os pagamentos correspondentes às cessões era feito pela OBOÉ DTVM, por meio do FUNDO CLÁSSICO, para a OBOÉ CARD sendo os recursos posteriormente repassados à OBOÉ CFI. No caso, a Fiscalização apontou que os recursos desviados provinham da Oboé DTVM, que usava o Fundo Clássico como meio para efetuar a transferência." Com razão o julgador. Apesar de inscrito no CNPJ, por força de ato normativo da RFB, os Fundos de Investimentos não detém personalidade jurídica própria, dado que não se incluem naquelas entidades listadas no art. 44 do Código Civil: "Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011)" A natureza do Fundo, como bem apontado pela Recorrente, pela autoridade fiscal e pelo julgador de primeira instância é de Condomínio. Tal fato também é reconhecido pela Comissão de Valores Mobiliários, conforme art. 2º da Resolução CVM nº 409, de 2004 (vigente à época do lançamento). O Fundo de Investimento é constituído por um administrador, pessoa jurídica autorizada pela CVM (art. 3º, parágrafo único, da citada Resolução), a quem compete praticar Fl. 3537DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.538 26 todos os atos necessários ao seu funcionamento (art. 58, da citada Resolução) e que "responde por prejuízos decorrentes de atos e omissões próprios a que der causa, sempre que agir de forma contrária à lei, ao regulamento e aos atos normativos expedidos pela CVM" (art. 57, §3º, da citada Resolução). É indubitável, portanto, que a exigência fiscal deve ser oposta ao referido administrador, e não ao ente despersonalizado. Tal fato é explicitado no art. 740 do RIR/99, em relação à responsabilidade do Administrador do Fundo de Investimento pela retenção e recolhimento do IRRF sobre rendimentos das respectivas aplicações: Art.740. O imposto de que trata este Capítulo será retido pelo administrador do fundo de investimento na data da ocorrência do fato gerador, e recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 32). Inexiste, assim, qualquer erro de sujeição passiva. E nenhuma nulidade. III. DA DECADÊNCIA Tanto a massa falida quanto o responsável José Newton Lopes de Freitas defendem a decadência dos fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos do lançamento. Aquela, porque o IRRF seria tributo sujeito a lançamento por homologação, porque inexistiria qualquer fraude tributária a justificar a alteração da contagem do prazo decadencial, e porque haveria declaração e pagamento antecipado do citado tributo, de modo que deve ser aplicado o art. 150, §4º, do CTN. Já o citado recorrente apenas lança o argumento, sem qualquer fundamentação: "125. Mesmo admitido o enquadramento dos fatos geradores às hipóteses de incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, a ação fiscal só poderia alcançar os fatos geradores a partir de setembro de 2010, em razão da decadência quinquenal." A decisão recorrida afastou a decadência, sob o argumento de que o IRRF incidente sobre a apuração de pagamentos se causa ou a beneficiário não identificado não seria um tributo sujeito ao chamado lançamento por homologação. Além disso, existindo dolo, fraude ou simulação, o prazo deve ser contado na forma do art. 173, inciso I, do CTN. Neste ponto, cabe apenas invocar a recente Súmula CARF nº 114: "O Imposto de Renda incidente na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, ou sem comprovação da operação ou da causa, submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN." Não reconheço, portanto, a decadência suscitada. IV. DO MÉRITO IV.1 Dos pagamentos pela cessão de direitos Fl. 3538DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.539 27 Parte do lançamento decorre da constatação, pela autoridade fiscal, de pagamentos realizados a título de aquisição de direitos creditórios sobre faturas de cartões de créditos. Segundo o TVF, a pessoa jurídica OBOÉ CARD cedia direitos derivados de faturas de cartões de crédito inexistentes ou em flagrante situação de inadimplência ao FUNDO CLÁSSICO, administrado pela OBOÉ DTVM. A Recorrente sustenta, em primeiro lugar, a impossibilidade de aplicação da regra destinada à tributação de pagamentos sem causa, pois, no caso, a causa seria conhecida e "jamais se poderá confundir a falta de comprovação da causa da operação com a eventual ilegalidade do negócio jurídico identificado e efetivamente ocorrido". Segundo ele, "45. No caso em epígrafe, cabia ao CITIBANK realizar o papel de “custodiante” do FUNDO CLÁSSICO, devendo, como visto, atestar a validade dos direitos creditórios adquiridos pelo fundo e sua conformidade com o regulamento do fundo. 46. Ocorre que, conforme apurado na Comissão de Inquérito do Banco Central do Brasil, parte dos direitos creditórios adquiridos pelo fundo não atendiam aos critérios estipulados pelo regulamento do fundo (inadimplência), baseavamse em faturas inexistentes, emitidas em duplicidade ou já teriam sido cedidos em garantia ao Banco Daycoval. 47. Como se vê, algumas operações de aquisição de direito creditório pelo FUNDO CLÁSSICO foram realizadas com erros perpetrados pela administração e pela instituição custodiante, fato que justificaria a propositura de ação de indenização pelos eventuais lesados. 48. Nesse contexto, cabe ressaltar que a recorrente inclusive já persegue indenização junto à instituição financeira que realizava a custódia do fundo através da ação de reparação de danos no. 1081305 58.2015.8.26.0100, atualmente em trâmite perante a 10a. Vara Cível de São Paulo/SP. 49. Ocorre que foi também com base nesses mesmos erros que o fisco entendeu por desconsiderar a natureza e julgar pela inexistência de causa dos pagamentos realizados pelo FUNDO CLÁSSICO para OBOÉ CARD. 50. Entretanto, os erros apontados não podem repercutir de qualquer maneira na esfera tributária, pois, como amplamente exposto pela própria fiscalização, não há dúvidas quanto à natureza dos pagamentos efetuados pelo FUNDO CLÁSSICO à OBOÉ CARD, qual seja a de pagamento pela aquisição de direitos creditórios." Afirma, ainda, que os pagamentos em tela geraram receitas, que foram regularmente tributadas na OBOÉ CARD, de modo que a cobrança do IRRF constituiria bis in idem. A decisão de primeira instância considerou que, essencialmente, todos os pagamentos realizados pela Oboé DTVM à Oboé CARD, por meio do Fundo Clássico, Fl. 3539DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.540 28 trataram de aplicação de recursos em créditos inexigíveis (seja por "serem cedidos múltiplas vezes ou simplesmente, já cedidos ao Banco Daycoval como garantia em cessão fudiciária, ou de clientes inadimplentes"). Além disso, consignou que a incidência do IRRF sobre o pagamento sem causa independeria da destinação ou uso dos recursos dado pela pessoa que os receber. Antes de adentrar à análise, entendo indispensável a discriminação da situação em que se enquadra cada um dos créditos cedidos ao Fundo Clássico: se totalmente inexistentes, se em duplicidade, se já cedidos anteriormente ou se referentes a clientes inadimplentes. As operações de cessão estão listadas na Planilha 1 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 71 e 72) e no Controle de fls. 705 e 706, porém não é possível se verificar, nos referidos documentos, a discriminação citada. Segundo o Relatório da Comissão de Inquérito do Banco Central do Brasil (fls. 258 a 310), 61% do saldo do Fundo Clássico, na data da Intervenção sofrida, correspondia a faturas de clientes atrasados a mais de 60 dias. Não consegui, contudo, localizar o detalhamento de tal informação nos autos. Por outro lado, conforme a Recorrente Massa Falida "tais faturas eram reais, embora emitidas para titulares de cartão Oboé há muito inadimplentes. Apenas pouco mais de 10% do total dessas faturas foram duplicadas, portanto irreais.". Desta forma, considero imprescindível à decisão quanto à aplicação da tributação na forma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, que se conheça os valores das cessões que se enquadram em cada uma das situações acima. V. Conclusão Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Fortaleza), para que: a) seja discriminado, para cada um dos créditos cedidos ao Fundo Clássico, a razão pela qual foi considerado inexistente (se totalmente inexistentes, se em duplicidade, se já cedidos anteriormente ou se referentes a clientes inadimplentes); b) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado aos sujeitos passivos, inclusive a Massa Falida, e concedendolhes prazo para, querendo, manifestaremse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 3540DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720346/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2007
LANÇAMENTO. CRITÉRIOS NECESSÁRIOS DA REGRA-MATRIZ DE INCIDÊNCIA.
A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto.
Faltando os critérios materiais e quantitativo da regra-matriz de incidência, por conta da ausência de cômputo de custos e despesas na apuração do lucro real, sabendo que o contribuinte declarou tais despesas em DIPJ retificadora, implica na nulidade insanável do lançamento.
Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.923
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o relator, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rafael Correia Fuso.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007 LANÇAMENTO. CRITÉRIOS NECESSÁRIOS DA REGRA-MATRIZ DE INCIDÊNCIA. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. Faltando os critérios materiais e quantitativo da regra-matriz de incidência, por conta da ausência de cômputo de custos e despesas na apuração do lucro real, sabendo que o contribuinte declarou tais despesas em DIPJ retificadora, implica na nulidade insanável do lançamento. Recurso conhecido e não provido.
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Numero do processo: 10909.002703/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/07/2004
LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA
O art. 63 da Lei 9.430/96 permite e determina o lançamento para prevenção de decadência, assim como a Súmula 48 do Carf.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 16/07/2004
INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA NO LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. O depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito até o valor por ele coberto, e afasta a imposição da multa de ofício e dos juros de mora sobre a parcela alcançada. A incidência de juros de mora sobre a parcela não depositada é cabível, nos termos da Súmula Carf nº 5.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3201-004.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário, por concomitância de matéria na esfera judicial, e, na parte conhecida, em dar-lhe parcial provimento, para afastar a incidência de juros de mora sobre a parcela depositada judicialmente.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 16/07/2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA O art. 63 da Lei 9.430/96 permite e determina o lançamento para prevenção de decadência, assim como a Súmula 48 do Carf. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 16/07/2004 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA NO LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. O depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito até o valor por ele coberto, e afasta a imposição da multa de ofício e dos juros de mora sobre a parcela alcançada. A incidência de juros de mora sobre a parcela não depositada é cabível, nos termos da Súmula Carf nº 5. Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Parcialmente Provido.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/07/2004 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA NO LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. O depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito até o valor por ele coberto, e afasta a imposição da multa de ofício e dos juros de mora sobre a parcela alcançada. A incidência de juros de mora sobre a parcela não depositada é cabível, nos termos da Súmula Carf nº 5. Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário, por concomitância de matéria na esfera judicial, e, na parte conhecida, em darlhe parcial provimento, para afastar a incidência de juros de mora sobre a parcela depositada judicialmente. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 27 03 /2 00 9- 49 Fl. 272DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: O presente processo referese aos autos de infração de fls. 01/19, lavrados para a exigência das diferenças das contribuições PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, não recolhidas por ocasião do registro da DI n.º 04/06946587, tendo em vista a existência do mandado de segurança n.º 2004.72.08.0036510, com depósito judicial, e sentença no sentido da não exigência de tais contribuições por parte da autoridade fiscal sobre o valor aduaneiro com os acréscimos estabelecidos no art. 7.º da Lei n.º 10.865/04. Consta a informação nos autos de infração de que a exigência do crédito tributário encontrase suspensa. O total do crédito, que corresponde tributos e juros de mora, importa em R$200.000,93. Petição inicial judicial às fls. 29/66. Sentença que concedeu parcialmente a segurança às fls. 116/123. DI’s às fls. 20/25. Devidamente cientificada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 139/159 alegando, em síntese: 1 O tema do processo mandamental encontrase sub judice, aguardando decisão pelo órgão máximo do Poder Judiciário, para dirimir a questão dos autos do MS. Observese que, como declarado por sentença e confirmado em sede de apelo, assim como, ante a ausência de efeitos suspensivos dos recursos excepcionais, não há o que se exigir da Impugnante de modo diverso do quanto decidido. Aliás, havendo depósito judicial, a exigibilidade dos tributos em questão encontrase suspensa, não havendo, vale repetir, o quê se exigir da Impugnante. 2 Expõe os argumentos levados a juízo trazendoos na impugnação e que implicam no êxito que decorre do Mandado de Segurança impetrado, restando reconhecidos pelo Judiciário vícios nas exigências do PIS/Pasepimportação e Cofins importação. A lavratura dos autos de infração consubstanciam desobediência à ordem judicial proferida que suspende a exigibilidade do crédito. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10909.002703/200949 Acórdão n.º 3201004.265 S3C2T1 Fl. 3 3 4 Ao final requer o cancelamento dos autos de infração indevidamente emitidos. A DRJ/Florianópolis/SC – 1ª Turma, por meio do Acórdão 0730.908, de 20/03/2013, decidiu pela improcedência da Impugnação. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/07/2004 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL. O Depósito judicial, ainda que seja uma medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, não afasta a constituição do mesmo através de auto de infração ou lançamento, tendo em vista a prevenção da decadência. ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas, cabendo à autoridade onde se encontra o processo de determinação e exigência do crédito tributário não conhecer da petição e declarar a definitividade da exigência na esfera administrativa. A empresa então apresentou o Recurso Voluntário, onde reforça os argumentos da Impugnação. Afirma a existência de depósitos judiciais. Em memorial apresentado após o Recurso Voluntário, noticia o julgamento do RE 565.886, em repercussão geral, tratando da base de cálculos das contribuições incidentes na importação, e pede seu cumprimento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo. Delimitação do litígio A discussão da constitucionalidade da incidência de Pis e Cofins na importação, e sua base de cálculo, foi submetida ao Poder Judiciário, o que a recorrente não contesta. Nesse caso, o Carf não deve se pronunciar, aplicando a Súmula nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação Fl. 274DF CARF MF 4 judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial A Receita Federal é que tratará de cumprir as determinações judiciais, sem que o Carf tenha qualquer papel de intermediador na relação Justiça/Receita Federal. Não obstante, resta ainda apreciar o cabimento de lançamento para prevenção de decadência, mesmo quando presentes condições de suspensão de exigibilidade, e a incidência de juros moratórios, mantida pela primeira instância de julgamento. Mérito Quanto ao cabimento do lançamento de ofício, na vigência de medida judicial suspensiva, tal matéria já se encontra sumulada no Carf: Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. A incidência de juros de mora nessa circunstância também já foi sumulada: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. A súmulas do Carf são vinculantes para esse colegiado, por força do art. 72 do regimento interno. No presente caso, conforme se verifica às fls. 112/113 (guias de depósitos judiciais), os depósitos não foram no montante total exigido pelo Fisco (fl. 135). Sobre a parcela não depositada, incidem os juros de mora, conforme a Súmula Carf nº 5, já transcrita. Sobre a parcela depositada, não incidem os jurosm, porque em eventual conversão dos depósitos em renda da União, o valor será atualizado com juros. Vejase, para bem esclarecer, que, em extinguindose parcela de principal, por cumprimento de determinação judicial, tarefa que será efetivada pela Receita Federal, os juros também serão exonerados, acompanhando a exoneração do principal. Aqui se julga apenas a tese do cabimento da incidência de juros sobre o principal lançado para prevenção de decadência. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer somente das matérias relativas ao cabimento do lançamento de ofício para prevenção de decadência, e incidência de juros de mora no lançamento de ofício para prevenção de decadência, e da parte conhecida, dar parcial provimento para afastar a incidência de juros de mora sobre a parcela depositada judicialmente. (assinado digitalmente) Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10909.002703/200949 Acórdão n.º 3201004.265 S3C2T1 Fl. 4 5 Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002303/2005-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE LANÇADORA. IMPOSSIBILIDADE DE MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS PELA DRJ.
O lançamento é de competência privativa da autoridade administrativa (art. 142 do CTN) e o órgão de julgamento não tem competência para alterá-lo mediante a utilização de novos critérios jurídicos.
IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO.
Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda, ou no inc. XIV do art. 6º da Lei 7713/88, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Numero da decisão: 2402-006.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Maurício Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE LANÇADORA. IMPOSSIBILIDADE DE MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS PELA DRJ. O lançamento é de competência privativa da autoridade administrativa (art. 142 do CTN) e o órgão de julgamento não tem competência para alterá-lo mediante a utilização de novos critérios jurídicos. IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda, ou no inc. XIV do art. 6º da Lei 7713/88, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Maurício Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente GERALDO LAZARO DE BARROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE LANÇADORA. IMPOSSIBILIDADE DE MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS PELA DRJ. O lançamento é de competência privativa da autoridade administrativa (art. 142 do CTN) e o órgão de julgamento não tem competência para alterálo mediante a utilização de novos critérios jurídicos. IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda, ou no inc. XIV do art. 6º da Lei 7713/88, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Maurício Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 23 03 /2 00 5- 82 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10855.002303/200582 Acórdão n.º 2402006.726 S2C4T2 Fl. 100 2 (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório O contribuinte foi autuado sob a acusação de ter declarado, indevidamente, rendimentos tributáveis como rendimentos isentos. No entender do agente autuante: Inconformado, o sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva, na qual basicamente alegou que houve recolhimento de impostos e que ainda padece de doença grave. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, reconhecendo a existência da moléstia grave, mas entendendo que os rendimentos recebidos do BANESPA seriam provenientes de salário. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 19/05/2009 e interpôs recurso voluntário em 18/06/2009, no qual basicamente alegou que os rendimentos do BANESPA seriam sim provenientes de aposentadoria, tendo anexado documentos ao recurso. Sem contrarrazões ou manifestação da Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10855.002303/200582 Acórdão n.º 2402006.726 S2C4T2 Fl. 101 3 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, uma vez que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da moléstia grave Conforme relatado, a única controvérsia a ser dirimida neste colegiado é relativa à natureza dos rendimentos recebidos pelo contribuinte, da fonte pagadora BANESPA. É que a DRJ reconheceu a existência da moléstia grave e, portanto, não subsiste qualquer controvérsia nesse tocante. Vejase, nesse sentido, os seguintes trechos da fundamentação do voto condutor do acórdão (com destaques não presentes no original): Como se vê, o reconhecimento de que o contribuinte é portador de moléstia grave (neoplasia maligna) elencada no art. 6°, XIV, da Lei n° 7.713/1988 e alterações posteriores, está devidamente comprovado por meio dos documentos emitidos por serviço médico oficial (fls. 05 a 07), de conformidade com o disposto no art. 30 da Lei n° 9.250/1995 acima transcrito. Também restou comprovada a outra condição, qual seja a de que os rendimentos percebidos do Instituto Nacional do Seguro Social, CNPJ 29.979.036/000140, no anocalendário de 2000, no valor de R$13.970,04, com respectiva retenção na fonte de R$151,44 (fl. 42), são, de fato, relativos a rendimentos recebidos a título de proventos de aposentadoria, conforme documentos de fls. 39/40, que comprovam a concessão de aposentadoria, com data de início em 03.07.1989. Relativamente aos rendimentos recebidos do Banco do Estado de São Paulo SA, CNPJ 61.411.633/000187, no valor de R$45.536,64, com retenção do imposto na fonte de R$7.291,33, no anocalendário de 2.000, verificase do exame do Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção na Fonte (fl. 48), que ditos recebimentos têm natureza de rendimento assalariado. Ocorre que o Auto de Infração não questionou, em nenhum momento, a natureza dos rendimentos recebidos e declarados pelo recorrente. O que se discutiu no lançamento foi a existência da moléstia grave, como já demonstrado no relatório desta decisão e como se vê no Auto de fls. 30/33 do PDF. A DRJ, por vias diretas, introduziu um novo fundamento na autuação, o que é defeso pelo ordenamento jurídico brasileiro. E mais, esse novo fundamento sequer ocorreu em função da defesa apresentada pelo contribuinte, tratandose, evidentemente, de inovação que não pode ser admitida. O lançamento é de competência privativa da autoridade administrativa (art. 142 do CTN) e o órgão de julgamento não tem competência para alterálo mediante a utilização de novos critérios jurídicos. E mesmo a eventual modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10855.002303/200582 Acórdão n.º 2402006.726 S2C4T2 Fl. 102 4 autoridade administrativa no exercício do lançamento, somente poderia ser efetivada, em relação ao contribuinte, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução, na dicção do art. 146 do CTN. Há uma clara dissonância entre a fundamentação do Auto de Infração e a fundamentação do acórdão de impugnação. Enquanto que a autoridade lançadora havia questionado a existência da moléstia grave (como único fundamento para autuar), a DRJ reconheceu a existência da doença, mas questionou a natureza de parte dos rendimentos percebidos pelo sujeito passivo. Como a fiscalização sequer havia questionado a natureza dos rendimentos, a defesa centrou sua análise apenas na existência da moléstia, de forma que o acórdão de impugnação introduziu um novo fundamento, o que implica inovação a ser afastada por este Conselho, para dar provimento ao recurso voluntário, na medida em que a única acusação fiscal foi afastada pela DRJ. De toda forma, cabe acrescentar que os comprovantes de fls. 85 e seguintes, do BANESPA, demonstram que o recorrente recebeu os pagamentos na condição de aposentado e que não houve créditos de natureza salarial no anocalendário sob julgamento, mas sim proventos denominados "abonoaposentadoria", ainda que na DIRF a fonte pagadora tenha declarado os rendimentos como provenientes de salários (fl. 49). A CTPS do recorrente ainda demonstra que ele fora desligado do banco em 1989 e a carta de fl. 80 do PDF dá conta de que ele entrara "em gozo de aposentadoria", para receber, "a contar da data do seu desligamento", "o 'AbonoAposentadoria'". Logo, o recurso voluntário deve ser provido. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o Auto de Infração. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.900539/2008-76
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001
DÉBITOS QUITADOS POR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
No caso de pagamento a destempo, mas anterior ao início de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização relacionado com a infração, é possível beneficiar-se da denúncia espontânea se efetuado o pagamento integral do tributo devido e dos juros de mora, nos termos do art. 138 do CTN.
A quitação do débito por compensação e pagamento não atende às condições previstas para fins de aplicação da denúncia espontânea.
Numero da decisão: 3002-000.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) e Alan Tavora Nem, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 DÉBITOS QUITADOS POR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. No caso de pagamento a destempo, mas anterior ao início de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização relacionado com a infração, é possível beneficiarse da denúncia espontânea se efetuado o pagamento integral do tributo devido e dos juros de mora, nos termos do art. 138 do CTN. A quitação do débito por compensação e pagamento não atende às condições previstas para fins de aplicação da denúncia espontânea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) e Alan Tavora Nem, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 05 39 /2 00 8- 76 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11040.900539/200876 Acórdão n.º 3002000.369 S3C0T2 Fl. 138 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 96 dos autos: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB Pelotas relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, na qual não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. Na manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada, alega a interessada que efetuou o recolhimento em atraso de valor devido a título de Cofins com acréscimo de multa moratória, antes de qualquer notificação por parte do Fisco. Entende que a multa não seria devida, uma vez que o pagamento equivaleria a uma denúncia espontânea. Pleiteia que seja reconhecido o efeito suspensivo ao crédito tributário declarado na DCOMP apresentada, tendo em vista a apresentação da presente manifestação de inconformidade. Por meio da sua manifestação de inconformidade (fl. 21 e seguintes), o contribuinte alegou ter pago R$ 4.000,60 em razão dos débitos tributários constituídos, e que, deste valor, a quantia de R$ 649,34 correspondia à multa de mora. Afirmou ser indevida a multa, visto que o pagamento fora realizado por meio de denúncia espontânea. Por isso, apresentou pedido de compensação do valor da multa, que teria sido pago indevidamente. Juntou os seguintes documentos: (i) recibo de entrega da DCTF (fl. 51); (ii) despacho decisório (fl. 53); (iii) PERDCOMP (fls. 55/65); (iv) DARF (fl. 67); iii) documentos de constituição da empresa (fls. 69/83). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, à unanimidade de votos, por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF PAGAMENTO A DESTEMPO IMPROCEDËNCIA Pacífico o entendimento tanto no âmbito do Poder Judiciário como na esfera administrativa de que não constitui denúncia espontânea o pagamento de valores declarados em DCTF, sendo devida multa de mora pelo pagamento em atraso. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE TEMPESTIVA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS DECLARADOS EM DCOMP A apresentação tempestiva de manifestação de inconformidade contra a não homologação de Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11040.900539/200876 Acórdão n.º 3002000.369 S3C0T2 Fl. 139 3 compensação suspende a exigibilidade dos débitos declarados na DCOMP. Solicitação indeferida. Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 95/97) consignou que valores declarados em DCTF e recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea, pois tais débitos já eram de conhecimento do Fisco. Assim, entendeu inexistir direito creditório passível de compensação. O acórdão consignou, ainda, que a apresentação de manifestação de inconformidade suspende o crédito tributário, e que a DCOMP constitui confissão de dívida, dispensando a lavratura de auto de infração. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 16/09/08 (vide AR à fl. 103 dos autos, no qual, embora tenha sido aposta como data da ciência o dia 16/09/06, verifica se que houve claro erro, visto que a correspondência fora enviada no ano de 2008). E, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 07/10/08, Recurso Voluntário (fl. 105 e seguintes). Em seu recurso, o contribuinte se insurgiu contra o acórdão, alegando que o entendimento nele consignado estaria em dissonância o entendimento deste Conselho sobre o assunto. Afirmou que a inclusão do valor da multa ofendeu o artigo 138 do CTN. Arguiu não ter realizado o pagamento de modo parcelado, mas ter quitado integralmente seu valor, impossibilitando aplicação de multa sancionatória, a qual não poderia incidir nos casos de denúncia espontânea. Por fim, pediu a reforma da decisão para que seja declarada indevida a multa paga e, consequentemente, deferida a compensação pretendida. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões – Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como se denota do exposto acima, a controvérsia posta na presente demanda gira em torno da configuração ou não da denúncia espontânea no caso vertente. Em sua manifestação de inconformidade, defendeu o contribuinte que "o fato da interessada ter efetuado o pagamento livremente, independentemente de qualquer notificação fiscal, equivale à denúncia espontânea, e, como tal, não cabe a incidência de multa". Ao analisar o caso, a DRJ entendeu que não assistia razão ao contribuinte, com fulcro no seguinte fundamento: "Pacífico é o entendimento, tanto no contencioso administrativo como no Poder Judiciário, de que valores declarados em DCTF e recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea, uma vez que tais débitos já eram de conhecimento Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11040.900539/200876 Acórdão n.º 3002000.369 S3C0T2 Fl. 140 4 do Fisco". Verificase, contudo, que apesar de ter afirmado que a denúncia espontânea não poderia ser considerada nos casos de recolhimentos em atraso, não trouxe em sua decisão qualquer elemento fático que levasse à compreensão de que esta era a hipótese dos autos. Em seu Recurso Voluntário, então, o contribuinte volta a defender a configuração da denúncia espontânea no seu caso concreto. Feitas essas considerações iniciais, passo à análise do caso. Como é cediço, acerca da denúncia espontânea, o art. 138 do Código Tributário Nacional expressamente dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Da análise de dito dispositivo legal extraise que há duas condições para que a denúncia espontânea seja reconhecida: (i) que esta seja acompanhada do pagamento do tributo; (ii) que ela se dê antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Sobre o assunto, assim se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, em decisão submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, de observância obrigatória por parte deste Conselho por força do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II, do RICARF: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11040.900539/200876 Acórdão n.º 3002000.369 S3C0T2 Fl. 141 5 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) (Grifos apostos). Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11040.900539/200876 Acórdão n.º 3002000.369 S3C0T2 Fl. 142 6 Ou seja, para que se possa verificar a configuração ou não da denúncia espontânea no caso concreto sob análise, apresentase imprescindível saber a data em que a DCTF foi transmitida pelo contribuinte e a data em que o pagamento foi efetuado. Caso o pagamento tenha se dado anteriormente ao início de qualquer procedimento fiscal e ao envio da DCTF, ou concomitante a esta, resta configurada a denúncia espontânea. De outro norte, caso o pagamento tenha sido realizado após o envio da DCTF ou do início de qualquer procedimento de fiscalização, não há que se falar em denúncia espontânea. Nesse sentido, tem se pronunciado este Conselho, a exemplo da decisão a seguir colacionada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora. Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros. (Acórdão nº 1201002.230, de 11/06/2018). No caso dos presentes autos, verificase que o crédito alegado pelo contribuinte decorre do pagamento de multa que entende indevida, realizado em 15/05/2001 (vide DARF à fl. 67 dos autos), o qual indicava expressamente como valor do principal o importe de R$ 3.279,44, conforme declarado em DCTF (vide fl. 91 dos autos), e como valor da multa o montante de R$ 649,34. Verificase, ainda, que a DCTF fora transmitida neste mesmo dia 15/05/2001 (vide recibo de entrega à fl. 51 dos autos). Ou seja, embora o recolhimento tenha sido realizado com atraso em relação à data do seu vencimento originário (período de apuração de 28/02/2001, vencimento em 15/03/2001 e pagamento realizado em 14/05/2001), foi efetuado na mesma data em que o contribuinte, espontaneamente, declarou o valor como devido em DCTF. Nesse contexto, temse que o pagamento foi realizado concomitantemente à entrega da DCTF. Configurada, portanto, a denúncia espontânea, nos moldes do RESP 1149022/SP. A DRJ, em que pese ter adotado em sua decisão fundamento no sentido de que "valores declarados em DCTF e recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea", não esclareceu porque estava considerando que o recolhimento realizado in casu teria sido realizado em atraso, não tendo mencionado as datas consideradas na sua análise. De outro norte, verificase que o fundamento apresentado no sentido de que a denúncia espontânea não estaria configurada "uma vez que tais débitos já eram de conhecimento do Fisco" não se coaduna com o caso concreto aqui analisado, em que o pagamento se deu na mesma data da transmissão da declaração. Da mesma forma, a decisão Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11040.900539/200876 Acórdão n.º 3002000.369 S3C0T2 Fl. 143 7 colacionada no julgado (AgRg no EREsp 804785/PR) tampouco se aplica ao presente caso, visto que trata de caso em que a DCTF havia sido transmitida previamente ao pagamento. Por fim, não é demais destacar que, ainda que parte do débito da competência em questão tenha sido quitada por meio de compensação, tal fato não afasta a configuração da denúncia espontânea. Sobre este tema, a Câmara Superior de Recursos Fiscais da 1ª Seção de Julgamento, em recente decisão proferida em 07/08/2018 no Acórdão nº 9101003.689, assim se manifestou: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário. Nesse contexto, entendo que a decisão recorrida deverá ser reformada, para fins de se reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, face à configuração da denúncia espontânea. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, para fins reconhecer o direito creditório relacionado ao pagamento indevido da multa no importe de R$ 649,34 (DARF de fl. 67 dos autos), determinandose que seja homologada a compensação apresentada até o limite do direito creditório reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Voto Vencedor Conselheira Larissa Nunes Girard – Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo da conselheira relatora em relação à possibilidade de aplicação da denúncia espontânea no caso presente. Ao contrário do que se afirma, por meio da DCTF juntada aos autos pela DRJ para fundamentar sua decisão denegatória (fl. 91), vemos que o Darf pago em atraso abrangia apenas uma parte dos débitos de Cofins do mês em questão. Consta da Declaração que, no período de apuração de fevereiro/2001, foi apurado débito de Cofins no total de R$ 12.648,00, quitados R$ 3.279,44 por meio de pagamento com Darf e R$ 9.368,56 por meio de compensação. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11040.900539/200876 Acórdão n.º 3002000.369 S3C0T2 Fl. 144 8 Dessa forma, temos que parte da quitação dos débitos se deu por meio de compensação, o que não configura o atendimento às condições previstas no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN) para a aplicação da denúncia espontânea. Se não, vejamos: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifado) Há de se ter em mente que o CTN foi preciso ao elencar quais modalidades de extinção do crédito tributário, dentre as diversas previstas em seu art. 156, estão aptas a serem consideradas para fins de aplicação do instituto da denúncia espontânea: pagamento ou depósito administrativo. Somente. De fato, para ser mais precisa, o mero depósito não extingue o crédito, mas sim a sua conversão em renda, donde é possível concluir que apenas as situações em que o montante em dinheiro está disponível para a Administração Tributária foram consideradas como suficientes para a aplicação do Instituto. Corroborando esse entendimento, observese que nem a consignação judicial do pagamento, situação em que a Fazenda não detém a tutela do depósito, consta do artigo que trata da denúncia espontânea, devendo ser consideradas como modalidades igualmente inaptas a compensação, a remissão, etc. Cabe frisar que não estamos diante de lacuna legal que nos permita nos socorrermos da analogia ou de interpretação extensiva, motivo pelo qual considero que não se encontra na competência de um julgador incluir outras formas de extinção para além daquelas que a lei instituiu. Assim, entendo que ao procedimento saneador adotado pelo contribuinte não cabe a aplicação de denúncia espontânea, pois ele se utilizou de compensação e de pagamento. A jurisprudência que vincula este Colegiado, transcrita no voto vencido, estabelece claramente que é necessário o pagamento integral. Uma vez que a compensação de parte dos débitos se deu em atraso e os valores já estavam declarados em DCTF, está correto o acréscimo da multa de mora, não podendo esse valor ser utilizado como crédito para outras compensações. De se ressaltar que o entendimento que se adota tem prevalecido nos julgamentos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a ver os seguintes decisos: Acórdão nº 9303006.011 conselheiro Rodrigo Possas ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2007 a 31032/2007 MULTA DE MORA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO, MAS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO, POIS AFASTADA Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11040.900539/200876 Acórdão n.º 3002000.369 S3C0T2 Fl. 145 9 SOMENTE EM CASO DE PAGAMENTO DE VALOR NÃO PREVIAMENTE CONFESSADO. A compensação é forma distinta da extinção do crédito tributário pelo pagamento, cuja não homologação somente pode atingir a parcela que deixou de ser paga (art. 150, § 6º, do CTN), enquanto, na primeira, a extinção se dá sob condição resolutória de homologação do valor compensado. Como o instituto da denúncia espontânea do art. 138 do CTN e a jurisprudência vinculante do STJ demandam o pagamento, stricto sensu – ainda anterior ou concomitantemente à confissão da dívida (condição imposta somente por força de decisão judicial) , cabe a cobrança da multa de mora sobre o valor compensado em atraso. (grifado) Acórdão nº 9303006.010 conselheiro Demes Brito ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Por se tratar de matéria sumulada (Súmula nº 208/TRF), no presente caso, a Contribuinte deveria ter recolhido em pecúnia os valores guerreados, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, a jurisprudência do STJ está pacificada no sentido de que os valores devem ser recolhidos integralmente, caso contrário, será exigido o valor integral do crédito tributário acrescido de juros e multas punitivas. Precedentes STJ. (grifado) Pelos motivos expostos, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910622/2015-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/07/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/07/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 22 /2 01 5- 84 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910622/201584 Acórdão n.º 3301005.287 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.427. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910622/201584 Acórdão n.º 3301005.287 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910622/201584 Acórdão n.º 3301005.287 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910622/201584 Acórdão n.º 3301005.287 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.910622/201584 Acórdão n.º 3301005.287 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10680.910622/201584 Acórdão n.º 3301005.287 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13308.000194/2001-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
A manutenção e utilização do crédito de IPI relativo à aquisição de insumos, nos termos do art. 5º do Decreto-lei nº 491/69 e do art. 1º, II da Lei nº 8.402/92, requer a comprovação de que esses foram efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados.
Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela fiscalização implica encerramento da discussão correspondente.
A ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito acarreta o indeferimento do pleito de ressarcimento do saldo credor de IPI.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. A manutenção e utilização do crédito de IPI relativo à aquisição de insumos, nos termos do art. 5º do Decreto-lei nº 491/69 e do art. 1º, II da Lei nº 8.402/92, requer a comprovação de que esses foram efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela fiscalização implica encerramento da discussão correspondente. A ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito acarreta o indeferimento do pleito de ressarcimento do saldo credor de IPI. Recurso Voluntário negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. A manutenção e utilização do crédito de IPI relativo à aquisição de insumos, nos termos do art. 5º do Decretolei nº 491/69 e do art. 1º, II da Lei nº 8.402/92, requer a comprovação de que esses foram efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela fiscalização implica encerramento da discussão correspondente. A ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito acarreta o indeferimento do pleito de ressarcimento do saldo credor de IPI. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 8. 00 01 94 /2 00 1- 20 Fl. 849DF CARF MF 2 Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Belém que indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre pedidos de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes de insumos utilizados na fabricação de produtos exportados, nos termos do art. 5º do Decretolei nº 491/69 e art. 1º, II da Lei nº 8.402/92, no valor de R$8.943,96, relativos ao período de apuração de janeiro de 1997. O pedido foi indeferido pela DRF em Fortaleza em face da ausência de comprovação do direito creditório, em especial, falta de informações relativas às industrializações, inexistência de controle de produção e estoque e impossibilidade de cálculo dos valores de créditos pleiteados nos documentos e livros fiscais em razão dos procedimentos de emissão e registro adotados pelo estabelecimento industrial. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando a legitimidade de seus créditos e solicitando a realização de perícia para se constatar a veracidade dos documentos e cálculos relativos às aquisições de insumos e a devida escrituração fiscal e contábil. A Delegacia de Julgamento não acolheu os argumentos da manifestante, sob os seguintes fundamentos: A diligência fiscal realizada apontou incongruências insuperáveis na documentação exibida pela requerente como comprobatória do direito invocado. As exigências efetuadas pela fiscalização revelamse necessárias à efetiva comprovação do direito alegado pelo sujeito passivo, havendose de reconhecer que o atendimento das mesmas somente se faria impossível no caso da ausência de qualquer controle do processo produtivo, conclusão a que chegou a diligência fiscal. O interessado, limitandose a argumentar, deixou de instrumentalizar sua manifestação de inconformidade com qualquer prova segura da efetiva utilização em seu processo produtivo das MP, PI e ME cujo crédito de IPI invoca. Fazse imprescindível que reste demonstrado, por elementos mínimos de prova, que os insumos foram, de fato, destinados ao processo produtivo da interessada (próprio ou por sua conta e ordem), ou seja, que não sofreram destinação diversa. Não havendo sido carreada aos autos prova em contrário, resta a conclusão de que a interessada deixou de manter efetivo controle de entrada e saída de mercadorias, bem como não manteve escrituração, fiscal e contábil, controle de estoque e emissão de notas fiscais revestidas de adequado grau de coerência e confiabilidade, indispensáveis à apuração de eventual crédito de IPI. Cientificada, sem que tenha retornado o Aviso de Recebimento relativo à correspondência, a contribuinte interpôs o recurso voluntário em 08/02/2008, alegando e requerendo, em síntese: Fl. 850DF CARF MF Processo nº 13308.000194/200120 Acórdão n.º 3402005.978 S3C4T2 Fl. 850 3 a) As alegações, por parte da DRJBelém, da inexistência dos atributos de liquidez e certeza, para justificar a manutenção do indeferimento do pedido, foram baseadas em fatos e documentos de outros períodos que não o do Pedido de Ressarcimento. b) Não há qualquer dúvida de que a fiscalização estava de posse de todos os elementos necessários à avaliação dos diversos pedidos da Recorrente, não cabendo o indeferimento total desses pedidos. Mas, mesmo assim, ratificase, para o bem da verdade material, o pedido de realização de uma diligência para esclarecer os quesitos apontados. c) Requer que o ressarcimento do Crédito Presumido de IPI seja realizado, devidamente atualizado pelo índice obtido pela variação da Taxa Selic, entre a data do protocolo deste Processo e a data do efetivo ressarcimento. Mediante a Resolução n° 340200.026 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 10 de julho de 2009, converteuse o julgamento em diligência para que fosse calculada a base de cálculo do crédito presumido. Na diligência a fiscalização concluiu pela impossibilidade de verificar os cálculos para a fruição dos créditos pleiteados diante do não atendimento da intimação pela recorrente e da insuficiência e inconsistência nas poucas informações apresentadas. Retornando os autos ao CARF, entendeu o Colegiado que a diligência anteriormente solicitada não se prestava a comprovar as alegações contidas nos autos, vez que o pedido da interessada não era relativo ao ressarcimento de créditos presumidos de IPI, mas de créditos do imposto sobre insumos utilizados nos produtos exportados. Assim, pela Resolução n° 3402000.458, de 25 de setembro de 2012, determinou o Colegiado a realização de nova diligência para a Unidade de Origem: a) aferir se os Livros Registros de Apuração do IPI estariam respaldados em escrituração empresarial e fiscal coerente, ou seja, se coincidem com os registros que devem existir nos Livros Registro de Entradas de Mercadorias, Movimentação de Estoque e de Saída de Mercadorias; b) verificar se as cópias juntadas coincidem com as versões originais dos Livros, inclusive com termos de abertura e encerramento e, se o caso, com registro perante o Órgão de Registro competente; e c) verificar se as Notas Fiscais escrituradas nos citados Livros tem efetivamente o destaque do IPI, se efetivamente diziam respeito a aquisições de MP, PI e ME para utilização no processo produtivo da Recorrente, e, por fim, se o produto final fora por ela exportado, através da verificação da autenticidade de seus memorandos e demais documentos de exportação. No Relatório de Diligência Fiscal, foi informado o que se segue: Foi enviado Termo de Início de Diligência Fiscal, através do Domicílio Tributário Eletrônico – DTE, em 16/03/2018, cuja ciência foi na mesma data. Nesse Termo foram relacionados Livros, documentos e informações a serem entregues à fiscalização, com prazo de 30 dias, para atender a referida Resolução. Findou o prazo de 30 dias em 19/04/2018 e até hoje 23/04, nenhum documento ou informação foi juntado aos autos ou entregue pelo contribuinte. Não houve sequer, por parte da empresa, solicitação de dilação do prazo para atendimento da intimação. Diante do acima exposto, em face da ausência das informações e documentos solicitados, não apresentados pelo interessado, a fiscalização fica impossibilitada de atender esta Resolução nº 3402000.458 antes referida. Fl. 851DF CARF MF 4 Intimada a se manifestar em face desse Relatório, a recorrente também nada trouxe aos autos, os quais retornaram a este CARF e foram redistribuídos por sorteio a esta Relatora em 24/07/2018. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Nos termos do art. 23, II e §2º, II do Decreto nº 70.235/72, no caso de intimação pela via postal, a ciência é considerada como a data do recebimento, a qual consta no AR (Aviso de Recebimento). No caso, relativamente à correspondência expedida para intimação da decisão recorrida, o AR não retornou à repartição. Contudo, em conformidade como o disposto no art. 26, §5º da Lei nº 9.784/99, a falta de intimação ou sua irregularidade é considerada suprida pelo comparecimento do administrado. Diante da impossibilidade de verificação, considerase tempestivo o recurso voluntário, o qual, atendidos aos demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Alega a recorrente que a DRJBelém teria se baseado em fatos e documentos de outros períodos, diversos do objetos de ressarcimento, o que teria, a seu ver, restringido o seu direito de defesa. Ocorre que o procedimento fiscal que originou o indeferimento do presente pedido de ressarcimento tratou também da análise de outros pedidos, contudo, conforme constou do Termo de Verificação Fiscal, a partir da sua página 27 (fl. 247), houve o tratamento em caráter específico do pedido do presente processo, nos seguintes termos: A seguir, tratamos especificamente do Processo 13.308.000194/200120: Diz a Legislação vigente acerca do assunto: (...) Como já vimos, na Fiscalização iniciada em 22.02.2001 e encerrada em 22.10.2002 MPF N°: 200100.0345, que examinou Pedidos de Ressarcimento de Crédito Presumido (Lei 9.363/96 e Portaria MF 38/97) e Pedidos de Ressarcimento de IPI (art. 11 Lei 9.779/99 e IN/SRF 033/99), verificamos procedimentos de emissão e registro de documentos e livros fiscais, pelo estabelecimento industrial, que impossibilitam a aplicação das legislações do Crédito Presumido IPI (Lei 9.363/96 e Portaria MF 38/97) e do Ressarcimento IPI Como já vimos, na Fiscalização iniciada em 22.02.2001 e encerrada em 22.10.2002 MPF N°: 2001 00.0345, que examinou Pedidos de Ressarcimento de Crédito Presumido (Lei 9.363/96 e Portaria MF 38/97) e Pedidos de Ressarcimento de IPI (art. 11 Lei 9.779/99 e IN/SRF 033/99), verificamos procedimentos de emissão e registro de documentos e livros fiscais, pelo estabelecimento industrial, que impossibilitam a aplicação das legislações do Crédito Presumido IPI (Lei 9.363/96 e Portaria MF 38/97) e do Ressarcimento IPI previsto no art. 11 da Lei 9.779/99 e IN/SRF 033/99, o cálculo dos valores de créditos pleiteados; em 27 de novembro de 2003, nesta Ação Fiscal, como também já vimos, solicitamos que o Interessado "confirmasse, ou não, nos seus aspectos qualitativo e quantitativo, se, até setembro/2002, mantiveramse, total ou parcialmente, inalterados os procedimentos, emissão e registro de documentos e livros fiscais do estabelecimento industrial, verificados pela fiscalização, o que foi confirmado em resposta ao Termo de Início Fl. 852DF CARF MF Processo nº 13308.000194/200120 Acórdão n.º 3402005.978 S3C4T2 Fl. 851 5 de Fiscalização, recebido em 27.11.2003. A impossibilidade de aplicação das legislações do Crédito Presumido IPI e do Ressarcimento IPI, como acabamos de constatar, tem origem no fato de que o Interessado não vem sendo capaz de apresentar os documentos hábeis comprobatórios do processo industrial a que teriam sido submetidos os insumos, que teriam, segundo alega, dado origem a produtos finais saídos de seu estabelecimento industrial e, segundo ainda alega, exportados, ora, de acordo com a legislação acima citada, haja vista o fato exposto, concluímos que, pelos mesmos motivos, permanece também impossibilitada, no Interessado, a aplicação do Decretolei n° 491, artigo 5º , de 5 de março de 1969, e da Lei 8.402/92, artigo 1º , inciso II. CONCLUSÃO Desta forma, haja vista o Interessado não haver comprovado absolutamente o alegado direito aos créditos pleiteados, e este estar sujeito à prova, através de documentos hábeis, comprobatórios da origem dos valores efetivamente utilizados no cálculo do benefício previsto na legislação, propomos o INDEFERIMENTO TOTAL dos pedidos. Como visto acima, a interessada, após regularmente intimada, confirmou que, para os demais períodos, adotava o mesmo procedimento de emissão e registro de documentos e livros fiscais do estabelecimento industrial que havia levado a fiscalização a concluir pela inabilidade dos seus documentos para comprovar a utilização dos insumos no processo industrial e o consequente indeferimentos dos pleitos anteriores. Dessa forma, o mesmo entendimento foi aplicado na análise do presente pedido de ressarcimento pela autoridade fiscal, o qual envolvia a mesma questão de comprovação de aplicação dos insumos no processo industrial, mas relativamente aos produtos exportados. Assim, a DRJBelém nada mais fez do que considerar o método já adotado na análise do presente pleito pela fiscalização para a apreciação da defesa contida na manifestação de inconformidade. De outra parte, a interessada, na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, não logrou êxito em demonstrar que eventualmente os seus documentos e livros fiscais seriam emitidos ou registrados de forma diversa, que possibilitaria a análise de aplicação dos insumos no processo industrial, ainda que em sentido diverso à declaração prestada anteriormente à autoridade fiscal. Assim, não houve cerceamento do direito de defesa da contribuinte, mas a ausência de apresentação de elementos modificativos ou extintivos dos fatos e fundamentos expedidos no despacho decisório, o que, aliás, tratase de questão de mérito. Quanto ao pedido de perícia, a DRJ fundamentou, de forma legítima, seu indeferimento por considerála prescindível à demonstração que interessava ao julgamento, qual seja, o "efetivo emprego, no processo produtivo da recorrente, das MP, PI e ME respectivas, ou seja, que esses elementos originários não ganharam destinação diversa". Dessa maneira descabe qualquer reforma na decisão recorrida nesta parte. Quanto ao pedido subsidiário de diligência, essa foi deferida por este Colegiado, não obstante a interessada não tenha colaborado para as verificações solicitadas. O Colegiado, não obstante entendesse pela insuficiência da documentação constante nos autos para comprovar o direito creditório pleiteado, oportunizou à recorrente essa demonstração por intermédio da diligência, na qual as verificações a serem efetuadas pela Fl. 853DF CARF MF 6 fiscalização dependiam do fornecimento pela recorrente dos esclarecimentos e documentos apontados no Termo de Intimação. Como relatado, a interessada não atendeu à intimação efetuada em face da última diligência, nem tampouco manifestouse acerca do Relatório de Diligência Fiscal que concluiu pela impossibilidade de atender às solicitações contidas na Resolução n° 3402 000.458. Sobre a questão de não atendimento à intimação, dispõe o art. 40 da Lei nº 9.784/99 que: "Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo". Dessa forma, tendo em vista que as informações e documentos solicitados à recorrente no Termo de Início de Diligência Fiscal eram essenciais à análise de seu pleito de ressarcimento e esse não foi atendido por ela, descabe a reforma pleiteada na decisão recorrida. Não havendo qualquer elemento consistente nos autos em sentido contrário, deve ser mantida a decisão recorrida na qual se concluiu que não restou demonstrado que os insumos teriam sido efetivamente destinados à industrialização dos produtos exportados. Diante da impossibilidade de reconhecer o direito creditório pleiteado, resta prejudicado o pedido da recorrente de correção monetária dos valores correspondentes. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 854DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11539.720067/2011-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007
MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE.
Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-005.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10830.725904/2013-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente AGF ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007 MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE. Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10830.725904/201355, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 53 9. 72 00 67 /2 01 1- 73 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11539.720067/201173 Acórdão n.º 3302005.913 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Processo Administrativo por meio do qual discutese a incidência de multa por atraso na entrega da DACON, prevista no art. 7º, da lei nº 10.426/2002, com redação dada pela Lei n. 11.051 de 2004. No caso concreto não há qualquer controvérsia acerca da ocorrência, no mundo fenomênico, do fato jurídico consistente no atraso da referida DACON. A Recorrente insurgese tão somente em relação ao montante exigido que, segundo ela seria excessivo e, por tal motivo violaria o postulado normativo da razoabilidade e da proporcionalidade, infringindo a norma constitucional que veda o confisco. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 0539.902. A Recorrente insurgiuse por meio de Recurso Voluntário no qual reitera os argumentos contidos na sua impugnação, merecendo destaque a razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco, trazendo relevantes julgados e doutrinas que embasam o seus argumentos. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.906, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.725904/201355, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.906): "O Recurso Voluntário é tempestivo e revestese dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A Recorrente reconhece que descumpriu a legislação que estabelece o prazo para entrega da DACON de que trata o Auto de Infração, limitandose a discutir a razoabilidade, proporcionalidade e confiscatoriedade da norma que estabelece a multa que lhe foi aplicada. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11539.720067/201173 Acórdão n.º 3302005.913 S3C3T2 Fl. 4 3 Os argumentos trazido pela Recorrente remontam à discussão suscitada por Daniel Webster durante o julgamento do caso McCulloch v. Maryland, perante a Suprema Corte NorteAmericana no já distante ano de 1819, e que foi a razão de decidir de ninguém menos que o seu Presidente John Marshall, que praticamente duzentos anos atrás afirmou que o poder de tributar envolve o poder de destruir e que até hoje ecoa no Supremo Tribunal Brasileiro, como bem ilustram interessantes julgados trazidos pela própria Recorrente. Contudo, por força da Súmula CARF n. 02, este Colegiado não é o foro específico para a discussão acerca de eventual inconstitucionalidade de legislação em vigor, merecendo destaque o fato de que a referida Súmula é de observância obrigatória, o que veda a análise da matéria no âmbito do CARF. Por tal motivo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13054.720613/2013-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. Fisco não poderá inscrever em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal de crédito que esteja com sua exigibilidade suspensa, mas poderá efetuar o lançamento, exercendo o seu direito potestativo, nos termos do artigo 142 do CTN
Numero da decisão: 2001-000.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. Fisco não poderá inscrever em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal de crédito que esteja com sua exigibilidade suspensa, mas poderá efetuar o lançamento, exercendo o seu direito potestativo, nos termos do artigo 142 do CTN
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. Fisco não poderá inscrever em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal de crédito que esteja com sua exigibilidade suspensa, mas poderá efetuar o lançamento, exercendo o seu direito potestativo, nos termos do artigo 142 do CTN Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 72 06 13 /2 01 3- 14 Fl. 95DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2009, anocalendário de 2008, por meio da qual foi constatada omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, decorrentes de ação judicial, no valor de R$ 28.908,36. Foi considerada, para efeito do lançamento fiscal, a informação constante da DIRF apresentada pela Caixa Econômica. Contra o contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 7 a 12, relativa ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2008, para cobrança do crédito tributário de R$ 24.927,02 (fl. 7). O lançamento é decorrente da omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica decorrentes de Ação da Justiça Federal de R$ 49.285,32 tendo sido compensado o imposto de renda retido na fonte de R$ 1.972,96 (fls. 8 e 9). O enquadramento legal encontrase à fl. 08, bem assim, a Complementação da Descrição de Fatos às fls. 8 e 9. Na cobrança do crédito tributário devido (fls. 7 e 10), foi lançada a multa de ofício e juros de mora calculados até 30/09/2013. Inconformado, o procurador da inventariante do espólio da contribuinte (procuração de fl. 12) ingressou com a impugnação de fls. 1 a 5, argumentando em síntese que recebeu rendimentos de ação judicial, por meio de precatório, e que o pagamento do imposto devido ficou determinado para após o trânsito em julgado da decisão condenatória. Aduz que atualmente o processo encontrase sobrestado aguardando pronunciamento do STF do Recurso Extraordinário impetrado no qual foi reconhecida a repercussão geral da matéria. Por essa razão entende que a notificação de lançamento não pode prosperar devendo ser anulada para que se aguarde a decisão definitiva da ação judicial. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da impugnação, entendeu que não há que se falar em nulidade do lançamento fiscal, eis que não encontrase eivado de nenhum vício formal ou material, e que a impugnação não deveria ser conhecida, eis que discutese judicialmente o mesmo objeto. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte alega que deveria a impugnação ter sido conhecida e analisado o seu mérito, que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário deve ser reconhecida e que o seu pleito deve ser provido para que seja declarada nula a ação fiscal. É o relatório. Voto Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13054.720613/201314 Acórdão n.º 2001000.707 S2C0T1 Fl. 3 3 Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Lançamento de Crédito para evitar decadência Conforme mencionado no relatório acima, o lançamento foi efetuado com base na omissão de rendimentos recebidos acumuladamente,oriundos de ação judicial, para que seja evitada a decadência do direito do fisco de lançar o crédito tributário decorrente. Nesta senda, fulcral trazer a baila o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, que esclarece que o lançamento deve ser efetuado, visando a prevenir decadência, mesmo diante de uma causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Exatamente a hipótese em apreço. Esse posicionamento do STJ decorre do fato de que as hipóteses do artigo 151 do CTN não suspendem o prazo decadencial, para efetivação do lançamento, mas tão somente o prazo prescricional, para a cobrança judicial. Vale dizer, o Fisco não poderá inscrever em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal de crédito que esteja com sua exigibilidade suspensa, mas poderá efetuar o lançamento, exercendo o seu direito potestativo, nos termos do artigo 142 do CTN. Vejamos o precedente do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA: “RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ART. 151 DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE O FISCO REALIZAR ATOS TENDENTES À SUA COBRANÇA, MAS NÃO DE PROMOVER O SEU LANÇAMENTO. ERESP 572.603/PR. RECURSO DESPROVIDO. 1. O Art. 151, IV, do CTN determina que o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa havendo a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Assim, o Fisco fica impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança, tais como inscrevêlo em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. 2. A primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, dirimindo a divergência existente entre as duas Turmas de Direito Público, manifestouse no sentido da possibilidade de a Fazenda Pública realizar o lançamento do crédito tributário, mesmo quando verificada uma das hipóteses previstas no citado art. 151 do CTN. Na ocasião do julgamento dos ERESP 572.603/PR, entendeuse que a “ suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar” (Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.09.05). 3. Recurso especial desprovido Fl. 97DF CARF MF 4 (grifos nossos). (RESP 736040/RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 11/06/2007) Notese que a questão está pacificada no STJ, face o julgamento dos Embargos de Divergência no RESP 572.603/PR, DJ 05/09/05. Do voto do Relator, destacase o seguinte trecho: “ (...) No que se refere à segunda questão, o entendimento segundo o qual a Fazenda está impedida de efetivar o lançamento do tributo, cuja exigibilidade encontrase suspensa em decorrência de ordem judicial, implica admitirse a interrupção do prazo decadencial, o que não se coaduna com a natureza do instituto. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar.”1 (gn) Verificase, pois, diante do quanto colacionado que mesmo que haja suspensão da exigibilidade do crédito por força de decisão judicial, sem que tenha sido efetivado anterior lançamento do crédito tributário objeto da lide, deverá ser feito lançamento de ofício para prevenir a decadência nos termos do art. 149 do CTN. Merece repetir que o contribuinte não tem qualquer prejuízo com a efetivação do lançamento, pois poderá obter certidões positivas com efeitos de negativa, nos exatos termos do art. 206 do CTN. As hipóteses do art. 151 do CTN dão ensejo ao fornecimento desse tipo de certidão, que possui os mesmos efeitos da certidão negativa de débito. Ademais, vale repetir que o único veículo que pode ser utilizado pela Fazenda para a efetivação do lançamento a fim de evitar a decadência é Notificação de Lançamento ou Auto de Infração. Assim sendo, resta claro e repetido que as causas que suspendem a exigibilidade do crédito tributário (artigo 151 do CTN) não suspendem o prazo decadencial para efetivação do lançamento. Portanto, deve o fisco efetuar o lançamento para prevenir a decadência, salvo nos casos em que a decisão judicial expressamente impedir a constituição do crédito tributário através da realização do lançamento. O único caso em que o STJ dispensa a efetivação do ato formal do lançamento ocorre, em relação aos tributos lançados por homologação, quando o depósito for do montante integral do débito questionado (art. 151, II, do CTN). Nessa hipótese, o depósito integral corresponderia ao pagamento antecipado. Como se sabe, o prazo para efetivação do lançamento de ofício é de cinco anos. Nos tributos lançados por homologação (caso do ISS e do ICMS), se foi efetuado pagamento do tributo, ainda que a menor, o prazo começa a contar da ocorrência do fato gerador (art. 150, parágrafo quarto do CTN). Se o pagamento não foi efetuado/antecipado, ou se ele foi feito com dolo, simulação ou fraude (art. 150, parágrafo quarto, in fine, do CTN), o termo a quo do prazo é o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, o exercício seguinte à ocorrência do fato gerador (art. 173, I, do CTN). Segundo a jurisprudência atual do STJ, não se somam mais os prazos dos dois artigos. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13054.720613/201314 Acórdão n.º 2001000.707 S2C0T1 Fl. 4 5 O lançamento para prevenir decadência não incluirá os acréscimos moratórios se a decisão judicial que determinar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (ex. liminar ou antecipação de tutela) for anterior ao vencimento da obrigação tributária. Se ela for posterior, deverão ser incluídas no lançamento, além do principal devidamente corrigido monetariamente, o valor referente aos juros de mora e à multa moratória de caráter indenizatório, ressarcitório ou compensatório, excluindose as sanções decorrentes de infrações à legislação tributária, que têm nítido caráter punitivo. Nesta senda, verificando falta absoluta de razão para excluir o lançamento fiscal, eis que feito para prevenir a decadência do crédito tributário, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário e mantido o lançamento fiscal. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
