Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 17609.720259/2016-08
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que decorram do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e possam ser documentalmente comprovados.
Numero da decisão: 2002-000.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a pensão judicial no valor de R$9.606,96.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que decorram do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e possam ser documentalmente comprovados.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 17609.720259/2016-08
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892642
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.215
nome_arquivo_s : Decisao_17609720259201608.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 17609720259201608_5892642.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a pensão judicial no valor de R$9.606,96. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7394228
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586831650816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1338; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 108 1 107 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17609.720259/201608 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.215 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria IRPF. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Recorrente JOSE CELSO COPOLA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que decorram do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e possam ser documentalmente comprovados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento parcial, para restabelecer a pensão judicial no valor de R$9.606,96. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 60 9. 72 02 59 /2 01 6- 08 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 17609.720259/201608 Acórdão n.º 2002000.215 S2C0T2 Fl. 109 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 56 a 60), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2014. A autuação levou à alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$1.759,10 para saldo de imposto a pagar de R$8.917,05. Tal notificação decorreu da não apresentação pelo contribuinte de decisões judiciais ou acordos homologados judicialmente das pensões declaradas resultando na apuração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor de R$26.028,90. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 22/9/2016, a NL foi objeto de impugnação, em 17/10/2016, à fl. 2 a 41 dos autos, na qual o representante do contribuinte afirmou que faria jus a deduzir o valor declarado, indicando a juntada de documentação comprobatória. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que, por unanimidade, deulhe parcial provimento, mantendo parte da glosa por deficiência da comprovação apresentada. A decisão foi assim ementada (fls. 65 a 67): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. A documentação colacionada pelo contribuinte, em face de seus termos, permite comprovar de forma parcial a dedução a título de pensão alimentícia judicial. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 12/4/2017 (fl. 71), o contribuinte, em 11/5/2017 (fl. 74), apresentou recurso voluntário, às fls. 74 a 105, no qual afirma estar juntando documentação complementar hábil a confirmar a dedutibilidade da pensão informada com a senhora Lucia Paulo de Oliveira. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.69). Fl. 109DF CARF MF Processo nº 17609.720259/201608 Acórdão n.º 2002000.215 S2C0T2 Fl. 110 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Quanto a pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, a regra é que eles podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que sejam decorrentes do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e que sejam comprovados com documentação hábil, como dispõe o caput do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR 99. No caso, o litígio recai sobre a pensão judicial informada com Lucia Paulo de Oliveira, no valor de R$10.082,34 (fl.47). A decisão de piso manteve a glosa dessa dedução, consignando: ... Em sequência, há de se salientar que no exame dos elementos trazidos para comprovar a pensão alimentícia destinada à Lúcia Paulo de Oliveira, às fls. 39/41, não restou possível estabelecer o quantum corresponderia a obrigação do contribuinte em relação à suposta alimentanda. Vale frisar que a documentação é parcial e referese à separação ocorrida em 1998, quando o casal ainda possuía filhos menores. Dessa forma, permanece ausente a falha apontada pela Fiscalização em relação à essa parcela da pensão alimentícia judicial, porquanto não se definiu se o valor de R$ 10.082,34 registrado como pago à indigita alimentanda efetivamente atende aos requisitos para se considerar como dedutível à luz do art. 78 do RIR/1999. (destaques acrescidos) Agora em seu recurso, em complemento às fls. 39/41, o recorrente junta fls. 90/105. O Ofício de fl.104, do Juízo de Direito da 2ª Vara de Família, de Ponta Grossa, Estado do Paraná, direcionado à fonte pagadora do contribuinte, veicula determinação para desconto de 35% dos rendimentos do contribuinte, na proporção ali posta, sendo 8,75% em favor da senhora Lucia Paulo de Oliveira. Do exame dos contracheques do recorrente (fls. 7/18), constatase o registro de três rubricas relativas a pensão judicial: INSS P.A. PAGA FORA DO CONVENIO, PENSÃO ALIMENTICIA S/ PREVI E PENSÃO ALIMENTÍCIA 5 S/PREVI. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 17609.720259/201608 Acórdão n.º 2002000.215 S2C0T2 Fl. 111 4 O somatório da rubrica PENSÃO ALIMENTÍCIA 5 S/PREVI perfaz R$15.946,56, correspondendo a pensão declarada com Guilherme Carvalho Copola (fl.47), já acatada pela decisão de piso. O somatório das outras duas rubricas, INSS P.A. PAGA FORA DO CONVENIO, PENSÃO ALIMENTICIA S/ PREVI, perfaz R$9.606,96 e mostrase compatível com a decisão judicial de pagamento em benefício da senhora Lucia de 8,75% dos rendimentos do recorrente. Cabe registrar que o contribuinte declarou ter pago a senhora Lucia o montante de R$10.082,34. Entretanto, como já apontado, os contracheques juntados consignam o pagamento de R$9.606,96, como abaixo especificado. Assim, resta sem comprovação a diferença de R$475,38, cuja glosa deve ser mantida: Mês INSS PA PA Previ Jan 245,09 537,63 Fev 245,20 537,63 Mar 245,20 537,63 Abr 245,20 537,63 Mai 245,20 615,02 Jun 245,20 567,33 Jul 245,20 555,30 Ago 245,20 555,30 Set 245,20 555,30 Out 245,20 555,30 Nov 245,20 555,30 Dez 245,20 555,30 Total 2.942,29 6.664,67 PA INSS+PREVI 9.606,96 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe parcial provimento, para restabelecer a pensão judicial no valor de R$9.606,96. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914251/2012-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.871
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.914251/2012-82
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879889
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.871
nome_arquivo_s : Decisao_10980914251201282.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10980914251201282_5879889.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7363019
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586833747968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1759; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.914251/201282 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.871 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 51 /2 01 2- 82 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.914251/201282 Acórdão n.º 3201003.871 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 078.439, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.914251/201282 Acórdão n.º 3201003.871 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.914251/201282 Acórdão n.º 3201003.871 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.914251/201282 Acórdão n.º 3201003.871 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000193/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-004.716
Decisão:
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10074.000193/2008-54
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893608
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.716
nome_arquivo_s : Decisao_10074000193200854.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 10074000193200854_5893608.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt :
dt_sessao_tdt : Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7398365
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586855768064
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-08-06T16:12:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-08-06T16:12:23Z; Last-Modified: 2018-08-06T16:12:23Z; dcterms:modified: 2018-08-06T16:12:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:66144c70-525b-4b60-8947-e4f58de1a81b; Last-Save-Date: 2018-08-06T16:12:23Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-08-06T16:12:23Z; meta:save-date: 2018-08-06T16:12:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-08-06T16:12:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-08-06T16:12:23Z; created: 2018-08-06T16:12:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2018-08-06T16:12:23Z; pdf:charsPerPage: 1476; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-08-06T16:12:23Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 411 1 410 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10074.000193/200854 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.682 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de maio de 2018 Assunto RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA IMPORTADA Recorrente YIN'S BRASIL COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente sobre Auto de Infração, lavrado contra a interessada, em 07/002/20087, para exigência de crédito tributário no valor total de R$ 269.023,73, a título de imposto de importação e contribuições, acrescidos de juros de mora e multas proporcionais, multa do controle administrativo das importações e multa regulamentar por erro de classificação fiscal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 74 .0 00 19 3/ 20 08 -5 4 Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10074.000193/200854 Resolução nº 3301000.682 S3C3T1 Fl. 412 2 Conforme Relatório de Fiscalização anexo ao Auto de Infração (fls. 46/67), procedeuse à revisão aduaneira das declarações de importação da empresa YIN’S BRASIL COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA., para verificação da regularidade da classificação fiscal de suas importações, especificamente sobre os produtos constantes da relação de fls. 68/69, designados como “ENFEITES PARA DECORAÇÃO”, “ENFEITE DECORATIVO DE RESINA”, “COÇADOR PARA COSTAS”, etc.; intimada a empresa a apresentar documentos relativos às importações dos mesmos, classificados no subitem 9602.00.90, com alíquotas de 19,50% de II e 0% de IPI; com base nas informações e amostras obtidas que, submetidas à análise técnica (fls. 189/208), constatou a fiscalização que se tratavam de mercadorias diversas das declaradas, especialmente pelo seu processo de fabricação e do material utilizado na sua composição, resultando na reclassificação tarifária das mesmas para a posição NCM 3926.40.00, com alíquotas de 19,50% de II e 20% de IPI, efetuando o lançamento para a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados, diferença das contribuições, juros de mora e multa proporcional, alem das multas por erro de classificação fiscal da mercadoria e por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente. Regularmente intimada, em 13/02/2008 (fl.3), apresentou impugnação de fls. 228/245, alegando o que se segue: 1) apresentando quadro sinótico contendo as declarações de importação, objeto da ação fiscal, com as respectivas mercadorias, argumenta que as mercadorias não são as mesmas, com descrições diferentes, especificações diversas, provenientes de cinco fabricantes diferentes; 2) alega impossibilidade de se aproveitar o laudo técnico, posto que apresentou elementos que ainda dispunha em seu estoque – amostras de referência CA5540, CA53927, CA54846, CA53917 (DI nºs 07/03925355/001 e 07/04128068/001, e que o resultado da análise (que a fiscalização tomou como base) informando que se trata de poliéster do tipo poli(pfalato – maleato de propileno) (PPPM) estirenizado) se refere à amostra CA 54846, não é esclarecido; 3) argumenta que sendo o produto em foco composto de poliresinas é necessário a aplicação da Regra Geral para Interpretação do sistema Harmonizado 2b que remete à RGI nº 3c que aponta a classificação fiscal na posição mais elevada na tabela e que o título das seções, capítulos e subcapítulos tem apenas valor indicativo; assim equivocada a fiscalização, estando a classificação adotada pela impugnante; 4) não se pode estender o resultado de apenas um produto para todas as importações efetuadas nos últimos cinco anos da contribuinte 5) citando o disposto no §3º do art. 30 do Dec. 70.235/72, a extensão se dá desde que se trate de produtos de mesmo fabricante, com iguais denominação, marca e especificação, mencionando jurisprudências a respeito; 6) refuta a multa por infração administrativa ao controle das importações, alegando que para incorrer na penalidade é necessário que se importe mercadoria sujeita a LI, o que não é o caso dos autos; 7) não cabe, ainda, a multa pela classificação porque os produtos estão adequadamente descritos com base em julgado do Conselho de Contribuintes e que a lei tributária que define infrações ou comina penalidades deve interpretarse de maneira mais favorável ao acusado; 8) reafirma que não houve falha na descrição das mercadorias, apontando o que a fiscalização afirmou às fls.4647 (fls 44/45), quando considerou “produtos descritos de forma semelhante” por outros importadores que utilizaram a classificação 3926.40.00; 9) por fim, aduzindo impossibilidade de alteração do critério jurídico, a teor do art. 149 do CTN, rejeita o lançamento por ilegalidade. A impugnação da empresa foi julgada parcialmente procedente em primeira instância, nos seguintes termos: “Reclassificação fiscal de mercadoria importada. Diferença de tributos. Multa proporcional e multa regulamentar. Cabimento. Descrição da mercadoria sem incorreção. Multa do controle administrativo das importações. Inexigível.” Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10074.000193/200854 Resolução nº 3301000.682 S3C3T1 Fl. 413 3 A 23ª Turma da DRJ/SPO deu procedência em parte à impugnação, para exonerar a multa do controle administrativo das importações. Regularmente cientificada do Acórdão proferido, em recurso voluntário, a Recorrente aduz que restou demonstrado o claro erro de direito na interpretação dos fatos, bem como a impertinência de todas as imputações, portanto, requer a improcedência do auto de infração, exonerando o valor restante de R$ 167.8118,18, pois a autoridade autuante não se desincumbiu do ônus de comprovar o suposto erro de classificação fiscal. Ademais, sucessivamente, requer que seja mantido o crédito tributário apenas em relação aos produtos que foram importados de QUANZHOU KUISHENG CRAFT CO., LTD e que possuam descrição semelhante com a mercadoria objeto da referência de nº CA54846 (efl. 207), pois foi a única submetida à análise pericial. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de controvérsia sobre a correta classificação fiscal de produtos importados da China (ENFEITES DECORATIVOS DE RESINA) pela autuada nos anos calendário de 2003 a 2007. Segundo a fiscalização, nas Declarações de Importação – DI autuadas os produtos foram classificados no código (NCM) 9602.00.90, cuja alíquota do IPI é de 0%, quando o correto seria a classificação no código (NCM) 3926.40.00, cuja alíquota do IPI é de 20%: Adotada pela FISCALIZAÇÃO: 3926 – OUTRAS OBRAS DE PLÁSTICOS E OBRAS DE OUTRAS MATÉRIAS DAS POSIÇÕES 39.01 A 39.14. 3926.40.00 – ESTATUETAS E OUTROS OBJETOS DE ORNAMENTAÇÃO. Adotada pela empresa: 9602 – MATERIAIS VEGETAIS OU MINERAIS DE ENTALHAR, TRABALHADAS, E SUAS OBRAS; OBRAS MOLDADAS OU ENTALHADAS DE CERA, PARAFINA, ESTEARINA, GOMAS OU RESINAS NATURAIS, DE PASTAS DE MODELAR, E OUTRAS OBRAS MOLDADAS OU ENTALHADAS NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS NOUTRAS POSIÇÕES; GELATINA NÃO ENDURECIDA, TRABALHADA, EXCETO A DA POSIÇÃO 35.03, E OBRAS DE GELATINA NÃO ENDURECIDA. 9602.00.90 – OUTRAS. Informou a autoridade fiscal que: Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10074.000193/200854 Resolução nº 3301000.682 S3C3T1 Fl. 414 4 De posse dos exemplares dos produtos importados objeto da presente ação fiscal, foi realizada, então, em 13.11.2007, a formalização da coleta das amostras, de acordo com Termo de fls.182/183, tendo sido, no mesmo momento, efetuada a entrega dos exemplares ao perito credenciado pela RFB, na presença do representante da fiscalizada, para fins de análise técnica destinada à determinação da composição dos bens importados. Após a realização da análise técnica, foram emitidos os Laudos Técnicos de fls. 189208, segundo os quais foi constatado que os produtos analisados são feitos de um tipo de plástico, cuja composição é denominada "polímero do tipo poli(ftalato maleato de propileno) (PPPM) estirenizado". Consta do Termo de Coleta de Amostras: TERMO DE COLETA DE AMOSTRAS No exercício do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal, dando prosseguimento ação fiscal respaldada pelo MPF 0715400.2007.009214, coletei amostras para análise dos produtos a seguir relacionados, na presença do representante da pessoa jurídica. Importante consignar que o representante da pessoa jurídica acompanhou a entrega dos itens ao perito credenciado pela Receita Federal. Produtos dos quais foram retiradas amostras para análise: CA 52324; 54846;55408; 53927; 53917 E, para constar e produzir efeitos legais, lavro o presente termo, que vai assinado por mim, Auditor Fiscal da Receita Federal, e pelo representante da pessoa jurídica fiscalizada. O laudo de efls. 194 e seguintes tratou das amostras 52324; 54846; 55408; 53927 e 53917. Contra o argumento do contribuinte de que as mercadorias analisadas no laudo não correspondem a todas as mercadorias importadas, a DRJ assim se manifestou: As mercadorias, cuja classificação se discute, tal como afirma a impugnante de que não são as mesmas, embora verdadeira quando considera a diversidade de produtos que as compõem, na verdade, para o efeito da presente demanda são irrelevantes porque todas elas, conforme consignadas nas declarações de importação, são designadas como “Enfeites para decoração” (descritas pela própria impugnante), tendo em conta seu material constitutivo, forma de fabricação, mesmo produzidos por diversos fabricantes, o que permite estabelecer um denominador comum e permitir igual enquadramento tarifário na NCM; de rejeitar, pois, o argumento da impugnante, porque os produtos analisados, conforme mostrados no anexo I do laudo técnico (fls. 198), tem a mesma natureza dos produtos constantes da Amostra CA54846, na medida em que igualmente designados como “OUTS MATERIAIS VEGET/MINER DE ENTALHAR, TRABALHAR OBRAS, ETC”, constituídos de enfeites para decoração, referido produtos guardam perfeita relação com as demais amostras, porque todos os produtos tem em comum a aplicação e funcionalidade denominados ENFEITE PARA DECORAÇÃO; é o mesmo procedimento adotado Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10074.000193/200854 Resolução nº 3301000.682 S3C3T1 Fl. 415 5 pela autuada ao pretender a classificação tarifária indicada nas declarações de importação 9602.00.90; diferentemente, a fiscalização, tendo em conta a descrição da própria autuada e aplicando as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, obedecidas as notas de capítulo e seção, procedeu ao correto enquadramento tarifário na posição NCM 3926.40.00; com efeito, as importações questionadas referemse aos produtos apontados na planilha de fls. 68/69, relativos às declarações de importação relacionadas no auto de inflação (fl. 5), destacandose o material constitutivo dos mesmos, tendo a mesma designação “Enfeites para decoração”; dessa forma, o laudo pericial, ao contrário do que afirma a impugnante, é esclarecedor nesse sentido quando confirma a natureza do material constitutivo das produtos importados; o laudo pericial, em resposta ao quesito 1, diz que não se tratam de esculturas entalhadas; foram conformadas por meio de processo industrial; o material utilizado é um tipo de plástico, composição denominada por “polímero do tipo poli (ftalato – maleato de propileno (PPPM) estirenizado” e, em resposta ao quesito 2, que o tipo de resina plástica que é utilizada nos produtos, resultando no “polímero do tipo poli(ftalato – maleato de propileno) (PPPM) estirenizado” (fl. 197); Ocorre que o quadro de efls. 367372 do Recurso Voluntário, aponta que as declarações de importação têm mercadorias e fabricantes diferentes, o que implicaria no fato de que a perícia teria sido parcial. Diante do exposto, entendo há dúvidas quanto à prova produzida e sua eficácia. Dessa forma, proponho a conversão do julgamento em diligência, para solicitar à unidade de origem: 1) A segregação das mercadorias objeto das 8 DIs, informando quais delas efetivamente foram objeto de análise técnica. Elaborar quadro demonstrativo por DI, exportador e tipos de mercadorias. 2) Quanto à mercadoria já periciada, deve ser dada a oportunidade da contraprova requerida pelo contribuinte. Ressalto que a contraprova deve ser realizada apenas nas amostras já coletadas. 3) Após, manifestese a autoridade fiscal sobre o novo laudo; 4) Em seguida, dêse vista ao contribuinte para manifestação; 5) Por fim, retorne os autos ao CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 415DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.001928/2005-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000
NULIDADE MPF - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL
Não se comprova nos autos qualquer irregularidade na emissão dos mandados de procedimento fiscal ou desconformidade de seu conteúdo com o objeto da autuação. De toda sorte, o MPF é ato de controle administrativo de natureza discricionária. Seus eventuais vícios, incompatibilidades entre seu objeto e o do lançamento, ou mesmo a sua própria ausência, não maculam o procedimento de lançar, pois é vinculado.
MULTA AGRAVADA. DECADÊNCIA. FRAUDE
Devidamente comprovado o intuito de fraude, não há que se falar em inaplicabilidade de multa de 150%. Conforme Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
INCONSTITUCIONALIDADE DE MULTA E INAPLICABILIDADE DA SELIC
A Súmula 2 desse Conselho afasta a apreciação de inconstitucionalidade de lei tributária. A selic é aplicável aos débitos tributários, conforme Súmula 4.
Numero da decisão: 1401-002.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, afastar a alegação de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano (vice-presidente), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999, 2000 NULIDADE MPF - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Não se comprova nos autos qualquer irregularidade na emissão dos mandados de procedimento fiscal ou desconformidade de seu conteúdo com o objeto da autuação. De toda sorte, o MPF é ato de controle administrativo de natureza discricionária. Seus eventuais vícios, incompatibilidades entre seu objeto e o do lançamento, ou mesmo a sua própria ausência, não maculam o procedimento de lançar, pois é vinculado. MULTA AGRAVADA. DECADÊNCIA. FRAUDE Devidamente comprovado o intuito de fraude, não há que se falar em inaplicabilidade de multa de 150%. Conforme Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE DE MULTA E INAPLICABILIDADE DA SELIC A Súmula 2 desse Conselho afasta a apreciação de inconstitucionalidade de lei tributária. A selic é aplicável aos débitos tributários, conforme Súmula 4.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10930.001928/2005-87
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5881577
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.516
nome_arquivo_s : Decisao_10930001928200587.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
nome_arquivo_pdf_s : 10930001928200587_5881577.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, afastar a alegação de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano (vice-presidente), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7366651
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586898759680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1744; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 739 1 738 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.001928/200587 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.516 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria SIMPLES Recorrente NBS COMÉRCIO DE COMPUTADORES LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000 NULIDADE MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Não se comprova nos autos qualquer irregularidade na emissão dos mandados de procedimento fiscal ou desconformidade de seu conteúdo com o objeto da autuação. De toda sorte, o MPF é ato de controle administrativo de natureza discricionária. Seus eventuais vícios, incompatibilidades entre seu objeto e o do lançamento, ou mesmo a sua própria ausência, não maculam o procedimento de lançar, pois é vinculado. MULTA AGRAVADA. DECADÊNCIA. FRAUDE Devidamente comprovado o intuito de fraude, não há que se falar em inaplicabilidade de multa de 150%. Conforme Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE DE MULTA E INAPLICABILIDADE DA SELIC A Súmula 2 desse Conselho afasta a apreciação de inconstitucionalidade de lei tributária. A selic é aplicável aos débitos tributários, conforme Súmula 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, afastar a alegação de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 19 28 /2 00 5- 87 Fl. 739DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano (vicepresidente), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementandoo a seguir: Em 08/07/2004, Mauro Borsalli, CPF 280.481.56920, procurador da empresa NBS Comércio de Computadores Ltda., CNPJ 03.428.864/000105, foi formalmente cientificado do Mandado de Procedimento Fiscal n° 09.1 .02.002004002270 (fl. 01), emitido em 29 de junho de 2004, com validade até 27 de outubro de 2004, que dava poderes à autoridade fiscal proceder ao exame dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1999 a dezembro de 2000. Na mesma data, lhe foi dado ciência do Termo de Inicio de Fiscalização, fl.05. Não houve resposta e, nas datas de 01/09/2004, 13/10/2004, 08/12/2004 e 03/02/2005 foram emitidos os Termos de Intimação de fls. 06/07, 09/10, 12/13, 16/17, respectivamente, todos devidamente recepcionados, sem que a autoridade lançadora tenha recebido qualquer resposta. Em 10/01/2005, a autoridade fiscal requisitou, diretamente à instituição financeira, as informações sobre movimentação financeira do sujeito passivo (fls. 44/46), e foram encaminhados os documentos de fls. 48 a 65. De posse dos documentos fornecidos pelo banco, a autoridade fiscal emitiu mais dois Temos de Intimação (fls. 20/24 e 27/31) onde, além de reiterar as solicitações feitas nos Termos anteriores (ver item 2 acima), pediu que fosse comprovada a origem dos recursos depositados/creditados na conta corrente n" 18.6806 do Banco Itaú SA, agência 1555. Às folhas 67/ 172, cópias de documentos referentes ao processo n° 2001.70.01.0088496 da Justiça Federal, Seção Judiciária do Paraná. Ante o silêncio da autuada, a autoridade a quo, estendeu o procedimento fiscal a outras pessoas jurídicas que mantiveram relações mercantis com a interessada (fls. 174/175, 195/196 e 332/333). Da análise de todos os documentos obtidos junto à instituição financeira e aqueles apresentados pelos envolvidos na atividade mercantil da contribuinte, o autuante constatou ter havido a escrituração das notas fiscais no Livro de Registro de saídas em valores diferentes daquele constante do respectivo documento fiscal de venda de bens e serviços, acarretando diferença a menor da base de cálculo do imposto nos meses de 05/2000, 06/2000, 07/2000 e 08/2000 conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 378/381, acompanhado pelos demonstrativos de fls. 376/377. Houve, ainda, insuficiência de recolhimentos dos tributos, relativamente aos períodos de apuração de junho de 2000 a dezembro do mesmo ano. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10930.001928/200587 Acórdão n.º 1401002.516 S1C4T1 Fl. 740 3 Em razão disso, em 22/06/2005, foram lavrados os autos de infração de fls. 390 a 421, para exigir: a) R$ 949,56 a titulo de Imposto de Renda Pessoa JurídicaSimples (fl.393), R$ 949,56 a titulo de Contribuição ao Programa de Integração SocialSimples (fl.399), R$ 3.743,05 a título de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoSimples (fl. 407), R$ 7.561,52 a titulo de Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialSimples (fl.413) e, R$ 8.558,97 titulo de Contribuição para Seguridade SocialINSSSimples (fl.419). Está, ainda, sendo exigida multa de 150% sobre o imposto decorrente da diferença da base de cálculo e de 75% em relação à insuficiência de recolhimentos, além de juros moratórios. O enquadramento legal das exigências é: a) para o IRPJ, o art. 2°, §2°, 3°, §1°, “a”,5° e 7° §1° da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, combinado com o art. 3° da Lei n° 9.732, de ll de dezembro de 1998 e, arts. 186 e 188 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999; b) para o PIS, o art. 3°, “b” da Lei Complementar n° 07, de 07 de julho de 1970, combinado com o art. 1°, parágrafo único da Lei Complementar n” 17, de 12 de dezembro de 1973, arts. 2°, I, 3° e 9° da Medida Provisória n° 1.249, de 1995 e suas reedições, e art. 5°, 7°, §1° da Lei n° 9.317, de 1996; c) para a Contribuição Social, o art. 1° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 2°, §2°, 3°, §1°, “c”, 5°, 7°, §l° da Lei n° 9.317, de 1996 e art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998; d) para a Cofins, o art. 1° da Lei Complementar n° 70, de 1991; art. 2°, §2°, 3°, §l°, “d”, 5°, e 7°, §1° da Lei n° 9.317, de 1996 e art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998 e; e) para a Contribuição ao INSS, os arts. 2°, §2°, 3°, §l°, “t”, 5° e 7°, §1°, da Lei n° 9.317, de 1996 e art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998. A multa de oficio, para todas as exigências, está amparada no art. 44, incisos I e II, conforme a infração, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 combinado com o art. 19 da Lei n° 9.317, de 1996. Conforme fls. 422/423 e 424/425, houve a lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária, onde foram identificados como responsáveis solidários Mauro Borsalli, CPF 280.481.56920 e Ulisses Amarildo Januzzi, CPF 531.428.70997. Às fls. 433/434, foi formalizado o Termo de Recusa de Ciência do Termo de Responsabilidade Solidária, tendo como titular Mauro Borsalli. Os autos de infração foram encaminhados por via postal para: i) O endereço do sujeito passivo (fl.426); ii) para a pessoa física Ulisses Amarildo Januzzi (fl.427) e; iii) para a pessoa fisica Mauro Borsalli (fl.432). A pessoa jurídica NBS e a pessoa física Ulisses, recepcionaram o auto de infração em 23/06/2005 e, em 24/06/2005, respectivamente, enquanto que a correspondência enviada ao domicílio de Mauro, foi devolvida com a informação desconhecido. Todas as pessoas apresentaram impugnação tempestiva aos autos de infração. Em 21/07/2005, Ulisses Amarildo Januzzi apresentou sua impugnação, de fls. 447 a 455, onde, em preliminar, contesta sua nomeação como devedor solidário; aventa ter ocorrido a Fl. 741DF CARF MF 4 decadência sobre a maioria dos valores objeto do lançamento; rechaça a aplicação da multa por entender que no presente caso, sua exigência é ilegal e; ao final pede que seja declarado nulo o auto de infração em relação à sua pessoa. Em 25/07/2005, Mauro Borsalli apresentou impugnação, em seu próprio nome, onde impugna exclusivamente o fato de haver sido nomeado devedor solidário, razão pela qual entende que o auto de infração deve ser considerado nulo, por ausência de fundamentação legal, para a atitude do autuante. Por fim, às fls. 485 a 501, está a impugnação apresentada pela pessoa jurídica. Inicialmente, alega não ter sido notificado acerca do Mandado de Procedimento Fiscal e que com isso, ficou impossibilitada de beneficiarse do instituto da denúncia espontânea. Defende a tese de que o MPF constitui requisito de validade e eficácia do procedimento e dos atos administrativos de lançamento e imposição de multa, conforme manifestações do Conselho de Contribuintes transcritos na seqüência e que a sua ausência ou sua ciência a pessoas que não detenham poder de representála, tomam nulo o lançamento. Noutro item, afirma que não poderia ter sofrido o lançamento com base na legislação que rege a sistemática do Simples, haja vista que os fatos que lhe estão sendo imputados deveriam acarretar sua exclusão àquela forma de tributação e, somente depois, poderia ser celebrado o lançamento, tendo por base a legislação aplicável às demais pessoas jurídicas. Mais adiante, aventa ter ocorrido a decadência pois entende que as empresas regidas pela sistemática do Simples estão submetidas à regra do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Na seqüência, com base na tese por ela defendida, promove o reajuste dos valores devidos, excluindo os valore que estariam decaídos e ajustando os percentuais a serem aplicados, em face dos novos valores de receita encontrados. Ataca a exigência da multa ao percentual de 150% pois em seu entender, houve erro em sua escrituração, decorrente de negligência e não o intuito de fraude fiscal, mesmo porque a autoridade lançadora não revelou ter ocorrido fraude. Também nesse ponto, faz uso de jurisprudência e doutrina sobre o assunto. Por fim, alega a inconstitucionalidade e conseqüente ilegalidade da utilização da taxa Selic no cálculo dos juros e pede que seja reconhecida a nulidade do lançamento, bem como requer a juntada de documentos, perícia e diligências. A decisão da DRJ, proferida em 08/12/2005, restou assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000 Ementa: DRJ. COMPETÊNCIA. Nos casos de impugnação a auto de infração, as DRJ são competentes para julgar tudo aquilo que for relativo à matéria atinente às infrações apuradas Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10930.001928/200587 Acórdão n.º 1401002.516 S1C4T1 Fl. 741 5 Qualquer manifestação sobre sujeição passiva solidária deverá ser descortinada perante o órgão responsável pela execução da divida, quando e se cabível for. DECADÊNCIA. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa Tratandose de lançamento de oficio o prazo de 5 anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Cobrase através de lançamento de oficio as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior a efetivamente aplicável. ARGUIÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DE ATOS LEGAIS. Não cabe a autoridade administrativa apreciar argüições sobre constitucionalidade ou legalidade da legislação aplicável. Esta é uma prerrogativa reservada ao Poder Judiciário por designação Constitucional. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA Os juros de mora são devidos em todos os casos de recolhimentos extemporâneos, sejam estes motivados por ato voluntário do contribuinte ou por imposição de ato de oficio da autoridade ñsca1.JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. Uma vez que o contribuinte, tanto na fase de autuação, quanto na fase impugnatória, teve ampla oportunidade de carrear aos autos elementos ou esclarecimentos que pudessem elidir a apuração de omissão de rendimentos, e sendo prerrogativa da Autoridade Julgadora de 1ª instância indeferir a realização de diligências ou perícias, quando considerálas prescindíveis ou impraticáveis, é de se indeferir o pedido de produção de provas formulado no desfecho da peça impugnatória. Pois bem, contra essa decisão, foram apresentados recursos, tanto pelas Pessoa Jurídica quanto pelas Pessoas Físicas arguindo em síntese: I Do Recurso interposto por NBS Comércio de Computadores: lrresignada com o referido Acórdão, a empresa ofereceu, Recurso tempestivamente, o Voluntário de fls. 527 a 543, reprisando os argumentos trazidos na peça impugnatória: 1) ausência de notificação do Mandado de Procedimento Fiscal, argüição sequer analisada no Acórdão recorrido, o que fulmina o lançamento fiscal já que impossibilita Fl. 743DF CARF MF 6 a empresa de realizar a denúncia espontânea; cita acórdãos administrativos e alega que os comprovantes de recebimento de MPF Complementares por pessoas que não são os representantes legais da empresa. 2) se o fiscal estava convicto de que a recorrente propositadamente escriturou valores a menor das Notas Fiscais nos livros contábeis, esse procedimento constitui prática reiterada de infração à legislação tributária e, portanto, o Auto de Infração não poderia ter sido lavrado pela sistemática do Simples, estando eivado de vicio, e sim deveria ter sido excluída dessa sistemática de apuração e sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas; 3) os tributos lançados de oficio recolhidos na forma unificada do Simples se submetem ao artigo 150 do Código Tributário Nacional CTN e são pertinentes a fatos geradores ocorridos entre fevereiro e agosto de 2000, por conseguinte a autuação realizada em 23/06/2005, está alcançada pela decadência. 4) decadente o lançamento em razão das Notas Fiscais emitidas no período acima, os valores reais das Notas devem ser desconsiderados e assim alteramse os valores das alíquotas incidentes sobre a receita bruta acumulada, conseqüentemente, os valores de multas e juros; 5) inaplicável a multa de oficio de 150% por não ter sido comprovada a fraude, mas sim ter ocorrido negligência na transferência dos valores das Notas Fiscais para os livros contábeis; não há nos autos comprovação da fraude; as Notas Fiscais entregues pelos adquirentes dos produtos não estão fraudadas, o que milita em favor da contribuinte, emitidas em valor inferior à transação; cita jurisprudência administrativa nesse sentido; 6) propugna pela inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa Selic. II Do Recurso interposto por Ulisses Amarildo Januzzi: O sr. Ulisses A. Januzzi ofereceu recurso às fls. 346 a 360, tempestivamente; atacando a decisão proferida pela DRJ Curitiba, preliminarmente, por absterse de apreciar a questão da sua responsabilização pelo crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração, argumentando que a legislação invocada para definir competências das DRJ, no acórdão, não estava mais em vigor, que o artigo 142 do CTN impõe a identificação do sujeito passivo na constituição do credito tributário e que a negativa da prestação de julgamento dessa matéria representa supressão de instância administrativa. Passa no tópico seguinte a contestar a sujeição passiva estabelecida com a sua pessoa, com fulcro no artigo 124 do CTN e na doutrina ensinada por Aliomar Baleeiro e Misabel Derzi, transcrevendose, resumidamente, a conclusão do recorrente: Como se pode constatar a solidariedade prevista no artigo 124 do CTN há que estar prevista em Lei e que os devedores solidários tenham interesse comum o qual só pode ser fixado em lei. Não é o caso presente e mesmo que o recorrente fosse considerado sócio da autuada, por interposta pessoa, o fisco teria de provar contra o contrato de trabalho assentado na Carteira de Trabalho (doc. 02). Com efeito, aos depoimentos do pai do senhor Mauro Borsalli e do outro sócio senhor Leonardo Tedeshi Sapia nenhum valor Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10930.001928/200587 Acórdão n.º 1401002.516 S1C4T1 Fl. 742 7 pode ser atribuído uma vez que ambos são interessados diretos na transferência de responsabilidades principalmente ao recorrente. Por essas razões, requer seja desacreditada as provas testemunhais e reafirma o seu papel, na empresa autuada, de mero funcionário. Em tópico posterior, caso a responsabilidade não seja afastada, propugna pela decadência do lançamento tributário e pela impossibilidade de se cominar à multa à sua pessoa, já que não é infrator. invoca o artigo 134 do CTN e alega que o dolo inerente à cominação de penalidade não foi provado nos autos, com relação à sua pessoa, diferentemente do que ocorre com Mauro Borssali que era procurador com amplos e ilimitados poderes dos sócios tidos pela fiscalização como interpostas pessoas. Invoca ainda os artigos l12 (interpretação mais benigna, na dúvida, em favor do acusado) e 137 (sobre responsabilidade pessoal do agente), ambos do CTN, concluindo que nos autos não há comprovação exaustiva que indique a sua autoria nos fatos apurados pelo fisco, por conseqüência, incabível a cominação da multa qualificada contra si. III Do Recurso interposto por Mauro Borsalli: Às fls. 363 a 378, o sr. Mauro Borsalli vem interpor o Recurso Voluntário. De igual forma ao sr. Ulisses, essa pessoa se insurge contra a abstenção da DRJ em abordar a matéria sujeição passiva solidária por intrinsecamente vinculada ao crédito tributário. Discorre amplamente sobre esse vinculo, defendendo ser indissociável o crédito dos sujeitos da obrigação tributária, seja ativo ou passivo. Propugna pela nulidade da decisão da DRJ. em vista da omissão praticada no julgamento realizado na instância a quo, colacionando dois acórdãos administrativos (n°s 301 31756 e 20309260), por ofender os princípios da ampla defesa, do contraditório e do duplo grau de jurisdição. Ainda, requer a nulidade do julgamento por não ter sido devidamente motivado o acórdão exarado, que por ser ato administrativo, condicionase a esse principio. Argumenta, por derradeiro, que, mesmo que o Decreto nº 70.235/72, o qual regulamenta o processo administrativo fiscal, não houvesse tratado dessa matéria, prevendo a competência das DRJ para apreciar a responsabilização solidária, aquele órgão não pode extraí la do julgamento administrativo pois a Constituição Federal salvaguarda os princípios constitucionais retro citados na esfera administrativa (an. 5°, inc. LV, CF), devendo, nessa situação valerse, subsidiariamente da Lei n° 9.784/99 que versa sobre os processos administrativos, em geral. Julgado o recurso por esse Conselho em 21/10/2008, restou a decisão assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000 Fl. 745DF CARF MF 8 Ementa: RESPONSÁVEL, SOLIDÁRIO. APRECIAÇÃO DE CONTESTAÇÃO. MATÉRIA DE APRECIAÇÃO DE ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. Os órgãos administrativos de julgamento devem apreciar a impugnação/recurso voluntário por pessoa incluída no rol dos responsáveis solidários com visto. à discussão de aspectos não somente do crédito tributário em si, mas, também em relação à responsabilização que a cada um foi atribuída no lançamento de ofício, por constituir a identificação correta do sujeito passivo da obrigação tributária matéria inerente ao lançamento tributário. (art. 142 do CTN). Sobre a decisão acima, foram interpostos aclaratórios pela Fazenda visando esclarecer se as demais matérias deveriam ser devolvidas posteriormente ao julgamento da responsabilidade das pessoas físicas pela primeira instância. Os embargos foram rejeitados e os julgadores repetiram trecho do acórdão justificando a sua rejeição, no seguinte sentido: a Turma Julgadora não apreciou qualquer outra matéria, sobrestando o julgamento destas, fossem de natureza preliminar ou de mérito, até que a Turma Julgadora de Primeira Instância manifestese a respeito da solidariedade passiva inerente aos autos, bem como aprecie as impugnações interpostas pelos sujeitos passivos solidários. Assim, tendo em vista a decisão acima, retornaram esses autos a instância primeva, tãosomente para que fosse apreciada a matéria de responsabilidade atribuída às pessoas físicas. A DRJ proferiu nova decisão com relação a essa matéria, restando decidido o que segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA OU ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. Não cabe alegar nulidade por cerceamento do direito de defesa, sob alegação de falta ou erro no enquadramento legal, já que o contribuinte não se defende do enquadramento legal mas sim dos fatos a ele imputados, desde que estes estejam descritos no TVF com clareza suficiente para a compreensão da acusação. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124 DO CTN. INTERESSE COMUM. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. OMISSÃO DE RECEITAS. O sócio de fato, único e verdadeiro dono do empreendimento, que promove interposição de pessoas no quadro societário, responde solidariamente pelos tributos constituídos, decorrentes de omissão de receitas praticada de forma reiterada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124 DO CTN. INTERESSE COMUM. SÓCIO DE FATO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10930.001928/200587 Acórdão n.º 1401002.516 S1C4T1 Fl. 743 9 Não procede a atribuição de responsabilidade solidária sob a justificativa de ser sócio de fato, quando não há provas de poder de gerência no negócio e a pessoa figura como empregado da empresa, sendo subordinado ao sócio de fato. Impugnação Procedente em Parte Outros Valores Controlados Com a nova decisão da Delegacia, foi excluído Ulisses Amarildo Januzzi e mantido Mauro Borsalli. Todos foram cientificados da decisão e não houve qualquer nova manifestação. Vieram assim novamente os autos a esse Conselho para decidir sobre os recursos interpostos. Esse é o relatório do essencial. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora Com relação à responsabilidade tributária de Ulísses Amarildo Januzzi, tendo em vista quer o crédito tributário tem valor é inferior a R$2.500.000,00 não há que se falar em recurso de ofício. Para a delimitação do objeto do presente recurso, tendo em vista o novo julgamento pela DRJ, em relação aos recursos interpostos pelos solidários e a nova decisão proferida e devidamente cientificados tanto os solidários como a empresa do resultado de julgamento e não tendo sido reiterada as razões dos recursos anteriormente interpostos, ou ainda, interposto novo recurso, o julgamento deverá apenas abordar as matérias constantes do recurso interposto pela empresa. I Do Recurso interposto por NBS Comércio de Computadores: Preliminarmente, arguise a nulidade do Auto de Infração por falta de intimação da recorrida do Mandado de Procedimento Fiscal. Contudo, o MPF é ato de controle administrativo de natureza discricionária, sendo que a sua ausência não macula o procedimento fiscal. Esse é o entendimento desse Conselho, no seguinte sentido: NULIDADE MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Não se comprova nos autos qualquer irregularidade na emissão dos mandados de procedimento fiscal ou desconformidade de seu conteúdo com o objeto da autuação. De toda sorte, o MPF é ato de controle administrativo de natureza discricionária. Seus eventuais vícios, incompatibilidades entre seu objeto e o do lançamento, ou mesmo a sua própria ausência, não maculam o procedimento de lançar, pois é vinculado. Fl. 747DF CARF MF 10 Processo nº 13982.720792/201309 Recurso Voluntário Acórdão nº 1401001.513 4ª Câmara 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2016. Relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Argumenta ainda a NBS que deveria ter sido a empresa excluída do simples para a tributação dos valores. Contudo, carece de qualquer lógica o pleito da recorrente, pois foi a própria recorrente quem escolheu seu regime tributário. Ademais, conforme decisão da DRJ, o regime do Simples é mais benéfico à pessoa jurídica, conforme exposto abaixo: Causa surpresa a alegação levantada pela interessada. A sistemática do Simples constitui um regime que visa beneficiar as pessoas jurídicas que, além de preencher os requisitos previstos na lei, se enquadrem nos limites de faturamento previsto para as microempresas e para as empresas de pequeno porte. Assim, muito embora a contribuinte tenha praticado atos lesivos ao fisco em vários meses do anocalendário de 2000, a autoridade fiscal optou por não proceder ao seu desenquadramento já que a receita bruta anual, decorrente da soma dos valores autuados no presente processo, com os que estão sendo exigidos no Processo n° 10930003551/200509 (em julgamento nessa DRJ) não ter atingiu o limite previsto na legislação para a sua exclusão de oficio. 53. É difícil crer que uma pessoa jurídica que tenha sido autuada com base em legislação mais favorável (Sistemática do Simples) venha pleitear sua exclusão ao beneficio e conseqüente tributação com base na legislação aplicável às demais pessoas jurídicas que, por alguma razão não podem usufruir desse beneplácito. 54. Como não foi possível entender as razões que levaram a contribuinte a fazer tal solicitação e, tendo em vista que a autuação, da forma como foi realizada, lhe é mais benéfica, concluo por entender que a colocação feita na impugnação tem caráter meramente protelatório ou, talvez , tenha origem no absoluto desconhecimento dos resultados que isso pudesse gerar. Nesse sentido, conduzo meu voto para negar provimento do recurso quanto à pleiteada exclusão do SIMPLES. Da decadência e da multa agravada Com relação a esse tópico, entendo que ambos devem caminhar juntos, pois a multa agravada é a conseqüência lógica quando se está presente o intuito de fraudar a fiscalização. E, ainda, aplicada a multa agravada, a decadência operase pelo art. 173 do CTN e não mais pelo 150 do mesmo Código. Nesse sentido, recorrome à decisão de primeira instância que assim fundamentou a multa aplicada: Uma análise detalhada do Demonstrativo da Apuração da Diferença a Tributar, fls. 376/377, afasta qualquer alegação de que teria ocorrido apenas negligência na hora da escrituração. É contrária à norma do bom senso considerar ledo engano o registro de R$ 10,00 para um documento fiscal cujo valor real foi de RS 26.680,00 (Nota Fiscal n° 527 à fl. 185). Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10930.001928/200587 Acórdão n.º 1401002.516 S1C4T1 Fl. 744 11 Assim, houve tanto a intenção de fraudar a fiscalização, justificando a multa agravada, quanto o prazo decadencial a ser aplicado deve ser o do art. 173 do CTN. Portanto, mantenho a multa agravada, por seus próprios fundamentos e, ainda, afasto a decadência, tendo em vista a aplicação do art. 173 do CTN. Nesse sentido é a jurisprudência desse Conselho, conforme súmula 72: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Há ainda uma argumentação sobre a falta de capitulação da multa agravada pelo auditor fiscal, contudo, verificase do Auto de Infração que a multa agravada foi devidamente qualificada nos artigos 44, inciso II da Lei 9.430/96 c/c art. 19 da Lei 9.317/96. Assim, resta afastada a argumentação da Contribuinte, ora recorrente, em relação à decadência e multa agravada. Quanto à inconstitucionalidade da multa nos termos da Súmula 2 desse Conselho o CARF não é competente para apreciar essa matéria. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação a inaplicabilidade da selic, também a Súmula 4 desse Conselho não permite qualquer dúvidas sobre a sua aplicabilidade: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Nesse sentido, conduzo meu voto para negar provimento ao Recurso Voluntário da empresa e manter a totalidade da autuação. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 749DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11762.720103/2014-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 21/01/2011, 14/02/2011, 28/02/2011, 03/03/2011, 14/03/2011, 15/03/2011, 17/03/2011, 21/03/2011, 23/03/2011
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. PENALIDADES. PERDIMENTO.CONVERSÃO EM MULTA
A ocultação do real adquirente (ocultação de qualquer das partes envolvidas na operação de comércio exterior - sujeito passivo, real vendedor, comprador ou responsável pela operação) e a interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, são consideradas dano ao Erário, punível com a pena de perdimento. Em sua impossibilidade, aplica-se multa no valor aduaneiro da mercadoria importada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do Recurso Voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 21/01/2011, 14/02/2011, 28/02/2011, 03/03/2011, 14/03/2011, 15/03/2011, 17/03/2011, 21/03/2011, 23/03/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. PENALIDADES. PERDIMENTO.CONVERSÃO EM MULTA A ocultação do real adquirente (ocultação de qualquer das partes envolvidas na operação de comércio exterior - sujeito passivo, real vendedor, comprador ou responsável pela operação) e a interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, são consideradas dano ao Erário, punível com a pena de perdimento. Em sua impossibilidade, aplica-se multa no valor aduaneiro da mercadoria importada. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11762.720103/2014-06
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891727
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.467
nome_arquivo_s : Decisao_11762720103201406.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 11762720103201406_5891727.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do Recurso Voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7390878
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586949091328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1786; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 817 1 816 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11762.720103/201406 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.467 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO II Recorrente WKM INDÚSTRIA DE PRODUTOS DE INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/01/2011, 14/02/2011, 28/02/2011, 03/03/2011, 14/03/2011, 15/03/2011, 17/03/2011, 21/03/2011, 23/03/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. PENALIDADES. PERDIMENTO.CONVERSÃO EM MULTA A ocultação do real adquirente (ocultação de qualquer das partes envolvidas na operação de comércio exterior sujeito passivo, real vendedor, comprador ou responsável pela operação) e a interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, são consideradas dano ao Erário, punível com a pena de perdimento. Em sua impossibilidade, aplicase multa no valor aduaneiro da mercadoria importada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 01 03 /2 01 4- 06 Fl. 817DF CARF MF 2 Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa WKM INDÚSTRIA DE PRODUTOS DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 11.970.836/000135 (doravante denominada de WKM), para exigir a multa equivalente a 100% do valor aduaneiro da mercadoria importada, em face das mercadorias estarem sujeita a perdimento, em decorrência da prática de interposição fraudulenta em operação de importação, com fulcro no art. 23, V, §§ 1º, 2º e 3º do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976 e art. 689, XXII, § 1º, do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 (Regulamento Aduaneiro), e as mesmas não terem sido localizadas para apreensão. A pena de perdimento foi convertido em multa, no valor de R$ 1.330.415,60 (valor das mercadorias). Resta constatado no Relatório de Fiscalização (fls. 9/48) que a WKM, teria adquirido, mediante interposição fraudulenta, a integralidade das mercadorias importadas por BRASALES COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. (doravante BRASALES), através das Declarações de Importação (DI), registradas no ano de 2011, relacionadas na tabela de fl. 23 do Relatório de Fiscalização (anexo ao Auto de Infração), nºs 11/01300908, 11/02841015, 11/03696256, 11/04061939, 11/04497656, 11/04613354, 11/04829128, 11/05080155, 11/05249648, 11/05249630, 11/05282637. A fiscalização analisando as DIs, verificou nas informações complementares, a referência dessa forma: ora como “CLIENTE”, ora “NOSSA REFERENCIA”, ora “SUA REFERENCIA” todas elas, em última análise, vinculativas da DI ao adquirente e seu respectivo pedido, comprovando que, na data de registro da DI, o adquirente já era conhecido pela BRASALES, e, como tal, deveria ter constado no campo próprio da DI. Verificase à fl. 12, consignado que "No caso de WKM, sempre surge a abreviação 'TEL' (do nome fantasia da empresa TELSEC) nas anotações constantes das DIs em tela, como parte de “nossa referência” (aquela DI na sequência de BRASALES) e “sua referência” (a mesma DI, para controle de WKM, vide DIs anexadas aos autos e Planilha 04 fl. 23), o que indica que este adquirente era determinado previamente ao registro da DI, um dos vértices da demonstração de que a BRASALES praticava a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias. Acresçase a este conhecimento prévio a destinação integral e imediata das mercadorias importadas". A Recorrente apresentou sua impugnação aduzindo que, no presente processo administrativo, não se comprovou, que a BRASALES tenha efetuado operações de comércio exterior, em nome próprio, com recursos da Impugnante, ocultandoa e “caracterizando assim a típica interposição fraudulenta de pessoas” (fl. 637), sequer por presunção. Em um primeiro momento a impugnação foi considerada intempestiva, tendo, inclusive, sido interposta uma peça complementar defendendo a tempestividade da defesa e uma ação ordinária junto à Justiça Federal. A questão foi dirimida no despacho de fl. 754. No entanto, por meio do Acórdão nº 0738.222, de 26 de abril de 2016, a 2ª Turma da DRJ Florianópolis (SC), julgou a impugnação improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa (fl. 756): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 21/01/2011, 14/02/2011, 28/02/2011, 03/03/2011, 14/03/2011, 15/03/2011, 17/03/2011, 21/03/2011, 23/03/2011 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO Fl. 818DF CARF MF Processo nº 11762.720103/201406 Acórdão n.º 3402005.467 S3C4T2 Fl. 818 3 ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A ocultação do real adquirente e a interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, são consideradas dano ao Erário, punível com a pena de perdimento. Em sua impossibilidade, aplicase multa no valor aduaneiro da mercadoria importada. A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior quando a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente (WKM) foi cientificada da decisão que negou provimento à sua Impugnação em 16/05/2016 (via DTE, eCAC, fl. 775) e, em 15/06/2016 (fl. 776), apresentou Recurso Voluntário tempestivo e com representação válida (fls. 777/794). Em seu recurso voluntário, a Recorrente apresenta, em resumo, as seguintes razões: salienta a Recorrente que, no presente processo administrativo, não se comprovou, que a BRASALES tenha efetuado operações de comércio exterior, em nome próprio, com recursos da Recorrente, ocultandoa e “caracterizando assim a típica interposição fraudulenta de pessoas”; que no Anexo 6 do processo administrativo nº 11762.720055/201448 (Auto de Infração da empresa BRASALIS), a Fiscalização elaborou tabela correlacionando Declarações de Importação e contratos de câmbio. Na referida tabela, encontrase bem claro que os câmbios das DIs ora em foco foram fechados entre um e três meses antes das importações. E mais: tabela constante do presente auto de infração comprova que os pagamentos feitos pela Recorrente à Brasales, foram bastante posteriores aos câmbios, aos desembaraços e às vendas pela Brasales. (fl. 10 deste Auto de Infração) O mero cotejo dos levantamentos feitos pelos AFRFB é suficiente para afastar qualquer possibilidade de subsunção ao fato típico da interposição fraudulenta de terceiros; coloca em foco a DI 11/0300908, para se evitar prolixidade, mas cujas constatações se estendem às demais. Constatase que: a) O câmbio foi fechado em 25 de outubro de 2010; b) A DI foi registrada em 21 de janeiro de 2011; c) O pagamento feito pela Recorrente ocorreu em 31.12.2011. Notese que, havendo sido o câmbio fechado em outubro de 2010, tornase evidente que o importador negociou estas mercadorias antes disto. Da mesma forma, havendo sido a DI registrada em janeiro, seu embarque ocorreu cerca de um mês antes da chegada ao Brasil; nesse passo, então, é importante lembrar que a interposição fraudulenta praticada mediante o uso de recursos de terceiros (ou mediante cessão de nome), prevista na Lei 11.488/2007, artigo 33, caput, demanda a comprovação da transferência de recursos financeiros do verdadeiro adquirente da mercadoria para a interposta pessoa (o importador ostensivo). Requisito este não provado neste lançamento. Muito pelo contrário, a prova é toda Fl. 819DF CARF MF 4 de inexistência de tal antecipação. O próprio valor das vendas para a Recorrente também é bastante distante daquele constante das DIs da Brasales. Essa discrepância só vem corroborar que a Brasales não se prestou a ser interposta pessoa para a WKM; as mercadorias foram revendidas no mercado interno para a Recorrente, com larga margem de lucro, variável entre 28,95% a 69,87%; o que firma uma forte presunção de verdade em favor da Contribuinte, demonstrando a normalidade e justeza das operações comerciais estabelecidas entre credor e devedor em uma relação obrigacional; que no caso presente, como sobejamente demonstrado, não há prova de fraude ou simulação; pelo contrário, toda a aquisição de mercadorias se deu de forma absolutamente transparente e, sem qualquer adiantamento de recursos para a BRASALES; tampouco se verifica a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos, prevista no art. 23, V, § 2° do Decretolei n° 1.455/76. Repitase, a Recorrente não adiantou recursos à Empresa BRASALES; cita Julgados pelo CARF. é inconsistente a confusa alusão feita a códigos constantes nas Declarações de Importação e notasfiscais que, ao sentir da fiscalização seriam provas cabais da infração aduaneira. A Recorrente não tinha e nunca teve qualquer modo concatenado de organizar DI’s de quem quer que seja e, mais uma vez, a Auditora se limita a fazer mera afirmação, como se verdade fosse e que, sendo verdade, seria prova essencial de seu lançamento. Assim, demonstrada está a inconsistência e improcedência deste auto de infração sendo certo que: “A pena de perdimento não pode estenderse à conduta daqueles que não ostentem elementos que atestem sua malícia, pela utilização de meios insidiosos, visto que tão somente provas inequívocas e inobjetáveis são aptas a elidirem a presunção de boafé”. Em vista do acima exposto, a Recorrente requerer que seja julgada PROCEDENTE sua peça de defesa, desconstituindose o auto de infração ora combatido e exonerada a totalidade do crédito lançado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade dos Recursos O recurso voluntário interposto preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. 2. Do Auto de Infração Primeiramente, cabe destacar a título de informação que no seu Relatório a Fiscalização afirma que no procedimento fiscal levado a efeito sobre a Empresa BRASALES, que gerou o PAF nº 11762.720054/201401 (cópia apensada às fls. 49 e ss), teria ficado demonstrado “que aquela empresa efetuou operações de comércio exterior em nome próprio, com recursos de terceiros, ocultando estes ao Fisco Federal, caracterizando assim a típica interposição fraudulenta de pessoas”. Processo este que encontrase com situação pendente de julgamento no Processo Judicial nº 005104509.2013.4.01.3400, no TRF 1ª Região. Fl. 820DF CARF MF Processo nº 11762.720103/201406 Acórdão n.º 3402005.467 S3C4T2 Fl. 819 5 Frisese que para se investigar a possível ocultação dos reais adquirentes de bens importados, o procedimento fiscal foi conduzido com base nas disposições da Instrução Normativa SRF nº 228/2002, baseada na Lei n.º 9.430/1996, alterada pela Lei n.º 10.637/2002. Ressaltase que a indicação incorreta do real beneficiário de uma importação (ou exportação) é infração à legislação, sujeita a sanções previstas na legislação tributária e aduaneira. A fiscalização relata que considerando que as Declarações de Importação (DI), registradas no ano de 2011, relacionadas na tabela de fl. 23 do Relatório de Fiscalização (anexo ao Auto de Infração), sob os nºs 11/01300908, 11/02841015, 11/03696256, 11/04061939, 11/04497656, 11/04613354, 11/04829128, 11/05080155, 11/05249648, 11/05249630, 11/05282637, foram registradas em nome da empresa BRASALES, tão somente para ocultar operações determinadas pela Recorrente WKM, conforme restou exaustivamente caracterizado nos itens 2.1, 3 e 4 do Relatório de Fiscalização (fls. 09/48). No referido Relatório, o Fisco conclui que as mercadorias declaradas nas referidas DI's, somente foram adquiridas da BRASALES pela WKM e que foram repassadas na sua totalidade à WKM, não tendo a BRASALES comercializado tais bens com nenhum outro de seus clientes. E, que, "considerando as anotações sequenciais apostas nas DIs e notas fiscais (“Nossa referência”, “sua referência” e “PROCESSO”), a revelar que WKM e BRASALES tinham um modo concatenado de organizar as citadas DIs, pela qual esta importava mercadorias conforme pedidos daquela, e considerando que não foram obedecidas as normas de controle do comércio exterior, ocultandose o real adquirente das mercadorias importadas, qual seja, WKM". Por outro lado a Recorrente alega em seu recurso que "(...) Pelo contrário, no Anexo 6 do processo administrativo nº 11762.720055/201448, a Fiscalização elaborou tabela correlacionando Declarações de Importação e contratos de câmbio. Na referida tabela, encontrase bem claro que os câmbios das DIs ora em foco foram fechados entre um e três meses antes das importações. E mais: tabela constante do presente auto de infração comprova que os pagamentos feitos pela Recorrente à Brasales foram bastante posteriores aos câmbios, aos desembaraços e às vendas pela Brasales. (fl. 10 deste auto de infração). O mero cotejo dos levantamentos feitos pelos AFRFB é suficiente para afastar qualquer possibilidade de subsunção ao fato típico da interposição fraudulenta de terceiros". Demonstra tais argumentos apresentando a Tabela de fls. 780/781. A Recorrente apresenta em seu recurso, a título de exemplo, a DI nº 11/0300908 (alegando que as constatações se estendem às demais DI), demonstrando que: "(...) a) O câmbio foi fechado em 25 de outubro de 2010; b) A DI foi registrada em 21 de janeiro de 2011;c) O pagamento feito pela Recorrente ocorreu em 31.12.2011". Alerta que, havendo sido o câmbio fechado em outubro de 2010, tornase evidente que o importador negociou estas mercadorias antes disto. Da mesma forma, havendo sido a DI registrada em janeiro, seu embarque ocorreu cerca de um mês antes da chegada ao Brasil. Ressalta também que as mercadorias foram revendidas no mercado interno para a Recorrente, com larga margem de lucro, variável entre 28,95% a 69,87%; o que firma uma forte presunção de verdade em favor da Contribuinte, demonstrando a normalidade e Fl. 821DF CARF MF 6 justeza das operações comerciais estabelecidas entre credor e devedor em uma relação obrigacional. Conclui reverbando que "(...) no caso presente, como sobejamente demonstrado, não há prova de fraude ou simulação; pelo contrário, toda a aquisição de mercadorias pela Recorrente se deu de forma absolutamente transparente e, sem qualquer adiantamento de recursos para a Brasales. Tampouco se verifica a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos, prevista no art. 23, V, § 2° do Decreto lei n° 1.455/76. Repitase, a Recorrente não adiantou recursos à Empresa Brasales". Como visto, a Recorrente nega a interposição fraudulenta, por entender que os documentos apresentados comprovam a origem dos recursos utilizados nas operações e que não procede a exigência do Acórdão recorrido, no sentido de que a comercialização das mercadorias importadas foi comprovada nos autos, atestando sua capacidade econômica e financeira da empresa. No entanto, o Fisco acusa que a WKM teria adquirido, mediante interposição fraudulenta, a integralidade das mercadorias importadas por BRASALES nas DIs referenciadas nestes autos. E, para comprovar tal afirmação, a fiscalização informa que às fls. 369/376 estão acostadas imagens de telas da página da Internet da BRASALES, nas quais a empresa se apresenta como prestadora de serviços e não como uma empresa atacadista (fl. 368): "Esses atributos fazem a diferença quando sua empresa precisa escolher uma assessoria confiável para os negócios de importação e exportação. Por esta razão, Brasales é a parceira ideal para apoiálo em todas as atividades desta área. A capacidade e a flexibilidade dos serviços da Brasales, se transformam em uma ferramenta poderosa com que o seu departamento de comércio exterior pode contar. A excelência dos serviços que a Brasales oferece, se traduz em redução de custos e agilidade no processo de importação ou exportação". Como se vê, há que se destacar que a empresa BRASALES se apresenta, em seu sítio da rede mundial de computadores, como prestadora de serviços relativos à importação e à exportação, não oferecendo, em nenhum momento, qualquer mercadoria para venda. Outro elemento de prova a ser considerado neste caso, diz respeito ao modus operandi que foi implementado. Vejase: É de se assinalar que a WKM apresentase ao mercado por seu nome de fantasia de TELSEC TECNOLOGIAS EMERGENTES (fl. 525 e 529). No Acórdão recorrido, restou consignado que foi extraído do caderno probatório, mediante confronto entre as tabelas resultantes de extração de fls. 20 e 21, que a WKM recebeu a integralidade das mercadorias objeto das DI's ora sob análise e que a BRASALIS, no período, não negociou com nenhuma outra empresa aquele tipo de mercadoria. Ou seja, BRASALES somente repassou estes produtos para WKM, e esta somente os adquiriu de BRASALES, de nenhum outro fornecedor, como restou demonstrado nos autos à fl. 22. E continua analisando que o que mais evidencia que a Recorrente era a real adquirente das mercadorias, é o que consta consignado no seguinte trecho do Relatório de Fiscalização (fl. 12): "(...) Analisando as DIs, verificase, nas informações complementares, referência ora a “CLIENTE”, ora “NOSSA REFERENCIA”, ora “SUA REFERENCIA” todas Fl. 822DF CARF MF Processo nº 11762.720103/201406 Acórdão n.º 3402005.467 S3C4T2 Fl. 820 7 elas, em última análise, vinculativas da DI ao adquirente e seu pedido, comprovando que, na data de registro da DI, o adquirente já era conhecido pela BRASALES, e, como tal, deveria ter constado no campo próprio da DI. No caso de WKM, sempre surge a abreviação 'TEL' (do nome fantasia TELSEC) nas anotações constantes das DIs em tela, como parte de “nossa referência” (aquela DI na sequência de BRASALES) e “sua referência” (a mesma DI, para controle de WKM, vide DIs anexadas aos autos e planilha 4, abaixo), o que indica que este adquirente era determinado previamente ao registro da DI, um dos vértices da demonstração de que a BRASALES praticava a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias. Acresçase a este conhecimento prévio a destinação integral e imediata das mercadorias importadas". (Grifei) Objetivando melhor esclarecer essa questão, foi apresentado o seguinte exemplo. Nas fls. 456/459, está acostada o extrato da DI nº 11/01300908. Na fl. 457, no campo "Dados Complementares" está a seguinte menção: Fl. 823DF CARF MF 8 E para fechar o presente raciocínio, a idéia de conhecimento prévio e transferência integral das mercadorias é reforçada pelo conteúdo das notas fiscais (NF) de saída da BRASALES para aempresa WKM. Observase no campo "Informações Complementares" que vem consignado o número da DI correspondente àquelas mercadorias e o número do processo (sua referência). Relativo ao mesmo caso supra, na fl. 455 está a NF nº 612, cuja campo Informações Complementares segue: Por si só, já entendo estarem presentes elementos suficientes a confirmar a prática da interposição nas operações aduaneiras em tela e a configuração de um modus operandi característico. Entretanto, destaco, ainda, a impossibilidade de se aferir credibilidade às informações fornecidas pela WKM acerca dos pagamentos, o que poderia, se necessário fosse, ensejar a adoção de presunção legalmente prevista (art. 23, § 2º do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976). Em resposta à Intimação nº 436/2013, a empresa WKM apresentou a seguinte tabela (fls. 424/425): Fl. 824DF CARF MF Processo nº 11762.720103/201406 Acórdão n.º 3402005.467 S3C4T2 Fl. 821 9 Fl. 825DF CARF MF 10 Há que se observar na tabela acima, a referência na coluna "Forma de Pagamento" das mercadorias, indica a informação de que vários valores (os maiores), consta informado que o "Comprovante extraviado". Agrava o raciocínio o fato de os pagamentos não serem integrais e que parte deles, apesar de as compras serem do princípio do ano, terem sido saldados somente no dia 31 de dezembro, sem incidência de encargos financeiros e com alegação de que os comprovantes foram extraviados, conforme tabela anterior. A que se destacar ainda, no conteúdo das respostas ao Termo de Intimação nº 436/2013, em que a WKM, declara o seguinte (principais trechos destacados) fls. 412/420: "(...) 5) Caso as respostas precedentes sejam negativas, informar de forma circunstanciada a maneira como os produtos de origem estrangeira foram oferecidos à empresa intimada, destacando, para a devida comprovação do alegado, todos os dados e informações relevantes e essenciais para comprovar a oferta dos produtos em data anterior às compras efetivadas por meio do documentário fiscal antes referenciado; Resposta: os produtos foram conhecidos através do meio social que os sócios frequentam (fl. 413). 9) Caso as resposta precedentes sejam negativas, informar de forma circunstanciada a maneira como foram efetivados os pedidos de aquisição dos produtos de origem estrangeira fornecidos pela sociedade empresária BRASALES COM EXT LTDA, destacando, para a devida comprovação do alegado, todos os dados e informações relevantes e essenciais para comprovar a demanda das mercadorias em data anterior às compras efetivadas por meio do documentário fiscal antes referenciado; Resposta: os pedidos foram efetivados de forma presencial sem maiores formalidades (fl. 414). 12) Na hipótese de os pagamentos terem sido realizados a prazo, informar de maneira circunstanciada os juros e/ou acréscimos legais que incidiram nas operações de compra dos bens: Resposta: os pagamentos conforme constam dos documentos apresentados foram efetuados sem incidência de encargos financeiros (fl. 416). Ao meu sentir, quedouse caracterizado uma situação frágil de sustentar as alegações da Recorrente, considerando que as duas empresas (WKM e a BRASALIS), durante o ano de 2011, em um lapso temporal inferior a três meses, transacionem uma cifra milionária (R$ 1.330.415,60 de valor aduaneiro ou R$ 2.451.856,94 de valor de nota fiscal de compra) com ausência de qualquer espécie de instrumento contratual, sendo seus negócios comerciais realizados única e exclusivamente na base da confiança. Desta forma, frente as provas apresentadas pelo Fisco neste processo administrativo, se comprovou, que a BRASALIS efetuou operações de comércio exterior, em nome próprio, com recursos da Recorrente, ocultandoa e, portanto, “caracterizando a típica interposição fraudulenta de pessoas”. 3. Da penalidade aplicada Pelo artigo 59 da MP n.º 66/2002, a ocultação de qualquer das partes envolvidas na operação de comércio exterior (sujeito passivo, real vendedor, comprador ou responsável pela operação) passou a ser punida com a pena de perdimento dos bens Fl. 826DF CARF MF Processo nº 11762.720103/201406 Acórdão n.º 3402005.467 S3C4T2 Fl. 822 11 transacionados. A ocultação do real adquirente, ou seja, a não informação de que a operação corria por conta e ordem daquele passou a ser considerada dano ao Erário: “Art. 59. O art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art.23 Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. §1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no 'caput' deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. §2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)” (grifei). §4º (...). Há que ser observado que a caracterização da importação (por conta e ordem de terceiro ou por encomenda), não decorre apenas da obediência por parte do importador e do terceiro aos requisitos das Instruções Normativas SRF nº 225/2002 e 634/2006, que pode ser definida como caracterização formal, mas também da realidade material, qual seja, da presença de simulação, em que o importador declara ser também o real comprador ou responsável pela operação (adquirente), sem observância das normas estampadas nas Instruções Normativas 225/2002 ou 634/2006. No caso de a importação ser materialmente destinada a terceiro, fato ocultado à fiscalização aduaneira, mediante a prestação de informação falsa na declaração de importação (DI), configurase a infração punível com a pena de perdimento das mercadorias, com base no artigo 23, inciso V, §§ 1º, 2º e 3º do DecretoLei nº 1.455, de 1976. No caso de a mercadoria importada, passível de ser objeto da pena de perdimento prevista no Decretolei nº 1.455/1976, houver sido consumida ou revendida ou não for localizada, a pena de perdimento aplicável convertese em pena de multa. Noutras palavras, a pena aplicável em abstrato para as infrações capituladas no artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, deixa de ser o perdimento e passa a ser a multa. Pelo exposto acima, correto o lançamento do crédito tributário decorrente da aplicação da multa prevista no artigo 689, inciso XXII, parágrafo 1º, do Decreto n.º 6.759/09, que corresponde à conversão em multa do valor aduaneiro declarado das mercadorias importadas pelas DIs listadas à fl. 5 do Auto de Infração, as quais foram consumidas, conforme disposto no Decretolei n.º 1.455/76, artigo 23, inciso V, parágrafos 1º e 3º. Fl. 827DF CARF MF 12 4. Dispositivo Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 828DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001789/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE REPRODUZ LITERALMENTE A IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF.
OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP.
Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, comprovada através de impugnação em que demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados.
JUROS DE MORA. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ALTERAÇÃO NOS CÁLCULOS E LIMITES DA MULTA. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN).
Numero da decisão: 2201-004.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO QUE REPRODUZ LITERALMENTE A IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, comprovada através de impugnação em que demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. JUROS DE MORA. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ALTERAÇÃO NOS CÁLCULOS E LIMITES DA MULTA. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.001789/2009-91
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874934
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.511
nome_arquivo_s : Decisao_19515001789200991.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 19515001789200991_5874934.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Presidente. (assinado digitalmente) DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado)
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7352689
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586984742912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2134; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 95 1 94 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001789/200991 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.511 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente SÃO BENTO COMESTÍVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO QUE REPRODUZ LITERALMENTE A IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, comprovada através de impugnação em que demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. JUROS DE MORA. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ALTERAÇÃO NOS CÁLCULOS E LIMITES DA MULTA. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 89 /2 00 9- 91 Fl. 95DF CARF MF 2 aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Presidente. (assinado digitalmente) DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) Relatório O presente processo trata de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 16 26.138 13ª Turma da DRJ/SP1, fl. 65 a 77, que assim relatou a lide administrativa: 1. Trata o presente processo de Auto de Infração (AI DEBCAD n° 37.225.5019), consolidado em 26/05/2009 e com ciência do Sujeito Passivo em 01/06/2009, conforme Aviso de Recebimento (fls. 30), lavrado contra a empresa em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV e parágrafo 3 o da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, e regulamentada pelo RPS (Regulamento da Previdência Social) aprovado pelo Decreto 3.048/99, uma vez que, segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 7), não foram informados em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social, nas competências 01/2004 a 12/2004, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. 2. O citado relatório destaca ainda: 2.1. Embora não estivesse inscrita no PAT — Programa de Alimentação do Trabalhador, a empresa forneceu refeição a seus empregados, deixando de incluir referidos valores nas GFIP mensais. 2.2. Pelo fato do Contribuinte não ter apresentado os esclarecimentos solicitados, foram adotados os critérios estabelecidos no artigo 758 da Instrução Normativa 03, de Fl. 96DF CARF MF Processo nº 19515.001789/200991 Acórdão n.º 2201004.511 S2C2T1 Fl. 96 3 15/07/2005, o que resultou na aferição dos valores à base de 20% dos Salários mensais de cada empregado. A Planilha 1, contendo a apuração dos valores integrantes autuação, encontrase anexada ao Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEE n° 37.217.2261 (CD de fls. 37). 2.3. A inclusão destes valores nas Folhas de Pagamento por meio da ferramenta AUDIG possibilitou o recalculo dos limites salariais para fins de concessão do Salário Família. Deste fato resultou a glosa de valores pagos indevidamente, os quais foram considerados como Salário de Contribuição não declarados em GFIP. 2.4. Para melhor esclarecer o contribuinte, foram elaborados as seguintes Planilhas anexadas ao Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD n°37.217.2261 (CD de fls. 37): 2.4.1. Planilha 1 Valores Salariais, declarados e não declarados em GFIP, onde estão relacionados os totais mensais da folha de pagamento, acrescidos dos valores de refeições e glosa de salário família, os valores declarados em GFIP, e os não declarados, bem como o cálculo, na coluna P, das contribuições de segurados consideradas como se retidas fossem. 2.4.2. Planilha 2 Apuração dos valores das Refeições fornecidas onde estão relacionados, mês a mês, os salários dos segurados e os valores aferidos a título de refeição. 2.4.3. Planilha 3 Apuração da Glosa de Salário Família onde estão relacionados, mês a mês, os valores dos salários antes e após as inclusões efetuadas na ação fiscal (referentes a Refeições), o cálculo dos valores que excederam os limites legais e as respectivas glosas. 2.5. Os totais mensais das Contribuições Previdenciárias devidas e não declaradas em GFIP encontramse discriminados no Anexo I (fls. 9/14). 3. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 8) informa como foi calculada a multa autuada, nos termos do art. 32, § 5 o da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528/97, combinado com o art. 284, II do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99, equivalente a 100% do valor da contribuição previdenciária não declarada em GFIP, limitado pelo valor definido em função do número de segurados da empresa no § 4 o do art. 32 da Lei 8.212/91 e no inciso I do art. 284 do RPS. 3 . 1 . 0 valor mínimo da multa foi atualizado pela Portaria MPS/MF n° 48, de 12/02/2009, em obediência à previsão de reajuste encontrada nos arts. 92 e 102, ambos da Lei n° 8.212/91, e art. 373 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, e correspondia a R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). O valor limite da multa foi apurado, mensalmente, considerandose o número total de segurados vinculado à empresa e considerandose a tabela de Fl. 97DF CARF MF 4 multiplicadores prevista no § 4° do art. 32 da Lei 8.212/91 (incluído pela Lei 8.528/97), conforme planilha intitulada "Demonstrativo do Cálculo da Multa" (fls. 15). 3.2. Em obediência à legislação citada, o valor da multa aplicada e informada na Folha de Rosto do Auto de Infração (fls. 2) foi calculado em R$ 55.799,94 (cinquenta e cinco mil, setecentos c noventa e nove reais e noventa e quatro centavos), de acordo com os cálculos elaborados na planilha "Demonstrativo do Cálculo da Multa" (fls. 15). 3.3. O Contribuinte retificou as GFIP anteriormente entregue regularizado parte das omissões averiguadas no decorrer da ação fiscal. 3.4. A Empresa não possui antecedente, conforme Termo de Antecedentes (fls. 16), bem como não foram verificadas circunstâncias agravantes ou atenuantes. 3.5. O relatório fiscal da aplicação da multa informa, ainda, que o valor autuado será atualizado pela Taxa SELIC a partir da lavratura até seu pagamento, de acordo com o que dispõe a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 10/2008. 4. Como resultado da ação fiscal realizada no Contribuinte, foram lavrados os seguintes documentos: (a) Auto de Infração de Obrigação Principal AI n° 37.217.2261, referente ao não recolhimento de contribuição devida pela empresa (cota patronal e GIILRAT), AI n° 37.168.3181, referente ao não recolhimento de contribuição devida pelos segurados empregados e AI n° 37.168.3190, referente ao não recolhimento de contribuição destinada aos Terceiros; (b) Auto de Infração de Obrigação Acessória AI n° 37.225.5019 (CFL 68), AI n° 37.225.5027 (CFL 30), AI n° 37.225.5037 (CFL 59), AI n° 37.225.5043 (CFL 38) e AI n° 37.225.5051 (CFL 35). 5. Além dos relatórios e planilhas supracitados, integram o AI DEBCAD n° 37.225.5019 os seguintes documentos: MPF Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 1); IPC Instruções para o Contribuinte (fls. 3/4); REPLEG Relatório de Representantes Legais (fls. 5); VÍNCULOS Relação de Vínculos (fls. 6); Termo de Início de Procedimento Fiscal e Aviso de Recebimento (fls. 17/19); TIF — Termos de Intimação Fiscal n° 1, 2, 3 e 4 e respectivos Avisos de Recebimento (fls 20/27); solicitação de dilação de prazo para atendimento do TIF n° 004 e respectiva concessão (fls. 28/29) e TEPF Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (fls. 31/32). Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou impugnação, alegando em apertada síntese: Preliminarmente, requer a Impugnante o reconhecimento da nulidade do lançamento, haja vista que não menciona em seu corpo elementos básicos e fundamentais de sua constituição formal relativo à inexistência do dispositivo legal inerente à suposta infração cometida pela empresa defendente. Essa irregularidade formal limita e distorce a possibilidade de apresentação de defesa técnica hábil. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 19515.001789/200991 Acórdão n.º 2201004.511 S2C2T1 Fl. 97 5 No mérito alega, primeiramente, a improcedência da exigência, haja vista que se trata de equivoco administrativo praticado pelos agentes responsáveis ou, salvo melhor juízo, pretensão ao recebimento em duplicidade dos valores descritos, o que é vedado pela legislação em vigor, sendo que autorizado estaria à defendente reclamar o pagamento em dobro do que indevidamente esta sendo exigido. Afirma que, ainda que fosse a empresa defendente devedora, o Senhor Fiscal Fiscal não agiu com a imprescindível e necessária diligência eis que deveria proceder a efetiva conversão dos valores ditos originários para a moeda corrente, buscando, dessa forma, manter o equilíbrio entre as partes, credor e devedora. Outrossim, não indica quais os índices utilizados para correção do pretenso crédito tributário, bem como seu marco inicial para o cálculo. Alega não ter a Autoridade Fiscal aguardado o lapso temporal regularmente previsto a fim de que pudesse a defendente atender prontamente a solicitação empreendida. Ainda que possa existir alguma falha da empresa defendente, concernente a equívocos no efetuar o cálculo das contribuições devidas, certo é que o montante pretendido pela Autarquia não condiz com a realidade vez que tal valor é efetivamente indevido. Ressalta ainda que não há de se admitir o chamado "cálculo por dentro, utilizado pelo agente fiscalizador, que nada mais é do que de fazer com que a liquida da contribuição recaia em duplicidade, caracterizando bitributação atípica, ademais a forma de calcular os juros de mora, bem como não especifica quais os outros encargos previstos na lei que estão sendo exigidos". Alega que os referidos cálculos não acompanharam a exigência fiscal e que nos mencionados cálculos "o agente do Fiscalizador não estar seguro dos dados por ele manipulados". Foi proferido acórdão com os seguintes fundamentos: PRELIMINARES 7. Configuramse os requisitos de admissibilidade da defesa do sujeito passivo, tendo sido a Impugnação apresentada com a observância do prazo e requisitos estipulados nos art. 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. TIPIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO COMETIDA 8. O presente Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no "caput" do artigo 33 da Lei n.° 8.212/91, e os artigos 2 o e 3° da Lei n° 11.457/07, c/c o disposto no art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado Fl. 99DF CARF MF 6 pelo Decreto n° 3.048/99. Ressaltese, ainda, que foi integralmente obedecido o art. 10 do Decreto 70.235/72. Portanto, não há que se falar em improcedência do mesmo. 8.1. Importante ressaltar que a multa punitiva é aplicada sempre que verificado o descumprimento dc obrigação acessória, conforme definido pela legislação. A lavratura do Auto de Infração representa procedimento de natureza indeclinável, dado o caráter vinculado e obrigatório da atividade administrativa do lançamento, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional e, também, nos termos dos artigos 2o e 3 o da Lei n° 11.457/07, que dispõem sobre a competência de fiscalizar as contribuições sociais previdenciárias e as devidas a terceiros, não cabendo qualquer discricionariedade à autoridade administrativa. 9. Conforme relatado (itens 1, 2 e 3 acima), incorreu a autuada em infração ao disposto no art. 32, inciso IV e § 3 o da Lei 8.212/91, com as alterações trazidas pela Lei n° 9.528/97, penalizada através da multa prevista no art. 32, § 5o , do mesmo diploma legal. A referida obrigação acessória e a multa aplicada no caso de descumprimento encontramse também disciplinadas no art. 225, inciso IV e art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. 9.1. O Relatório Fiscal da Infração (fls. 7) destaca que os valores não declarados em GFIP pelo Contribuinte referemse a pagamentos das seguintes verbas salariais a seus empregados: valores salariais integrantes das Folhas de Pagamento, valores de refeições aferidas e glosa de Salário Família, os quais deixaram de integrar as GFIP do período 01/2004 a 12/2004. 9.2. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 8) informa como foi calculada a multa autuada, nos termos do art. 32, § 5 o da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, combinado com o art. 284, II do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99, equivalente a 100% do valor da contribuição previdenciária não declarada em GFIP, limitado pelo valor definido em função do número de segurados da empresa no § 4 o do art. 32 da Lei 8.212/91 e no inciso I do art. 284 do RPS. O valor mínimo da multa foi atualizado pela Portaria MPS/MF n°48, de 12/02/2009, em obediência à previsão de reajuste encontrada nos arts. 92 e 102, ambos da Lei n° 8.212/91, e art. 373 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. 9.3. Do exposto, constatase que o Auto de Infração está devidamente fundamentado, estando presentes a correta descrição das infrações verificadas pela Autoridade Fiscal. Foi aplicada multa no valor total de R$ 55.799,94 (cinquenta e ciiico mil, setecentos e noventa e nove reais e noventa e quatro centavos), em estrita obediência à legislação de regência. 9.4. Ressaltese que, sendo a presente autuação decorrente de falta averiguada nos documentos apresentados pelo próprio Contribuinte, não há que se falar em desrespeito a "lapso temporal regularmente previsto a fim de que pudesse a defendente atender prontamente a solicitação empreendida", como alegado na Impugnação. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 19515.001789/200991 Acórdão n.º 2201004.511 S2C2T1 Fl. 98 7 10. Ainda, em sede de preliminar, cumpre ressaltar que os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, declinando à Impugnante a iniciativa de apresentar os elementos capazes de demonstrar qualquer irregularidade no ato praticado. Nesses termos, as matérias não expressamente questionadas pela Impugnante presumemse legitimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 9.532/97, aplicável às contribuições previdenciárias a partir do dia 01 de abril de 2008, nos termos do artigo 25 da Lei n° 11.457/07. 10.1. Destaquese, ademais, que, nos termos do artigo 48 da Lei n° 11.457/07, fica mantida, enquanto não modificados, pela Secretaria dá Receita Federal do Brasil, a vigência dos atos normativos e administrativos editados pela Secretaria da Receita Previdenciária, pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS, relativos à administração das contribuições previdenciárias previstas nos artigos 2 o e 3 o da citada Lei. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA 11. Como visto, a Autoridade Notificante, por meio do Relatório Fiscal da Infração (fls. 7), narrou com clareza e coerência os fatos verificados durante a ação fiscal e sua subsunção às normas legais de regência. 11.1. Foram disponibilizadas cópias dos documentos integrantes da autuação à Impugnante, tendolhe sido conferido tempo hábil, após regularmente cientificada da autuação, para apresentar seus questionamentos, consubstanciados na Impugnação apresentada em 24/06/2009 (fls. 36/39). 11.2. Ademais, o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição de 1988, tem por escopo oferecer aos litigantes, seja em processo judicial ou administrativo, o direito à reação contra atos desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerce o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vista a demonstrar a sua razão no litígio. Dessa forma, quando a Administração, antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa, dá à parte contrária a oportunidade de impugnar da forma mais ampla que entender, não está infringindo, nem de longe, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. 11.3. Verificado que o contribuinte conhecia a origem das contribuições previdenciária lançadas, que tomou plena ciência dos relatórios integrantes da autuação, e que foi concedido o Fl. 101DF CARF MF 8 tempo hábil para apresentar sua impugnação, não há que se cogitar em cerceamento de seu direito de defesa. MÉRITO EXISTÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE COM AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL 12. Cabe considerar a existência de prejudicialidade entre o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) e os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 37.217.2261 (contribuição devida pela empresa) e 37.168.3181 (contribuição devida pelos segurados empregados), decorrentes da mesma ação fiscal, vez que para o julgamento desta autuação tornase necessária definição sobre a procedência dos lançamentos das contribuições previdenciárias devidas pela empresa e pelos segurados, incidente sobre a remuneração não declarada em GFIP, incluídas nos citados AIOP. 12.1. Com efeito, a 13a Turma de Julgamento da DRJ/SP I, em sessão realizada nesta data, julgou integralmente procedentes os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 37.217.2261 e n° 37.168.3181 por meio dos Acórdãos n° 16 26.135 e 1626.136, respectivamente. 12.2. Outrossim, as discussões de mérito suscitadas na Impugnação às fls. 35/39, especificamente referentes às supostas deficiências apontadas' no procedimento fiscal, foram analisadas e julgadas nas decisões proferidas nas citadas autuações pelo que deixarão de ser, novamente, apreciadas. 12.3. Por fim, reafirmase que, uma vez comprovada a necessidade de declaração nas GFIP mensais dos fatos geradores incluídos nos supracitados Autos de Infração de Obrigação Principal, bem como das correspondentes contribuições previdenciárias, resta, em consequência, confirmada a procedência da presente autuação. LEGALIDADE DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS (JUROS SELIC) 13. O Auto de Infração é, atualmente, o documento através do qual a Autoridade Fiscal lança o crédito decorrente da aplicação de multa punitiva pelo descumprimento de obrigação acessória verificada no decorrer de ação fiscalizadora realizada no Sujeito Passivo. 13.1. Nestes termos, ressaltase que a multa incluída na presente autuação não sofre incidência de correção monetária, ao contrário do que alega o Contribuinte: desde a publicação das Leis n° 8.981/94 e 9.069/95, as autuações efetivadas pelo INSS (atualmente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil) referentes a fatos geradores ocorridos a partir da competência 01/1995 são apuradas em Real e não são acrescidas de correção monetária. | 14. Sobre o tema especifico relacionado à taxa SELIC, temse que, a sua utilização como índice de juros (e não de atualização monetária) surgiu com o advento da Lei n° 9.065/95 (art. 13) Fl. 102DF CARF MF Processo nº 19515.001789/200991 Acórdão n.º 2201004.511 S2C2T1 Fl. 99 9 pela qual os juros de mora, a partir de abril de 1995, passaram a ser calculados de acordo com a taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia (SELIC), que embora diária, é acumulada dentro do mês, para a obtenção de uma taxa mensal utilizada nos recolhimentos efetuados com atraso. 14.1. Atualmente, a aplicação de juros SELIC à autuações referentes ao descumprimento de obrigações acessórias está fundamentada no art. 84, inciso I e § 8o , da Lei 8.981/95: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (Vide Lei n° 9.065, de 1995) (....) § 8° O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. (Incluído pela Lei n° 10.522, de 2002) (destaques não constam do original) 14.2. Com o advento da Lei 11.457/07, os débitos e seus acréscimos, legais relativos às contribuições previdenciárias e as destinadas aos Terceiros (outras entidades e fundos) passaram a constituir dívida ativa da União, de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, o que tornou aplicável os dispositivos legais transcritos aos Autos de Infração de Obrigações Acessórias referentes ao descumprimento da legislação previdenciária. 14.3. Este é o entendimento adotado, conjuntamente, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional por meio da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 10, de 14/11/2008, in verbis: 1º Os créditos constituídos a partir da publicação desta Portaria em decorrência de descumprimento de obrigação acessória relativa às contribuições previdenciárias estão sujeitos aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), a que se refere o art. 13 da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o seu valor. 14.4. Pelo exposto, não a assiste razão à Impugnante quanto ao pretendido neste ponto. ANÁLISE DA MULTA APLICADA: CONFRONTO ENTRE A LEGISLAÇÃO DA ÉPOCA DA INFRAÇÃO COM LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE 15. Considerando a edição da Medida Provisória n° 449/08, convertida na Lei 11.941/09, há que se analisar a questão sobre Fl. 103DF CARF MF 10 a égide da nova sistemática de aplicação das multas trazidas pela citada legislação, que modificou substancialmente a Lei 8.212/91 por meio da alteração de parte dos artigos 32 e 35 e do acréscimo dos artigos 32A e 35A, tendo em vista a hipótese de retroação benéfica de penalidades prevista no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. 16. Inicialmente, importa relembrar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. 16.1. A obrigação principal (art. 113, § I o , do CTN) consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. 16.2. A obrigação acessória (art. 113, § 2°, do CTN) surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). O atendimento às obrigações acessórias objetiva dar meios ao Fisco para investigar e controlar o recolhimento dos tributos (obrigação principal), tendo, desta sorte e conforme predito, caráter instrumental. 16.3. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) e, bem assim, o descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) impõem ao Fisco o poder/dever de lavrar o Auto de Infração. Contudo, no segundo caso, a penalidade pecuniária exigida convertese em obrigação principal, na forma do § 3 o do art. 113 do CTN. 16.4. Aliandose ao exposto, identificase no art. 115 do CTN a previsão do fato gerador da obrigação acessória: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. 17. A imposição de penalidade, para o caso específico de omissão de fatos geradores no documento de que trata o art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91 (GFIP), segundo a lei vigente à época dos fatos, é a prevista no parágrafo 5o , do art. 32, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 284, II, do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99. 17.1. Referida norma prescreve que, a cada competência em que se verifique a infração, a multa deve corresponder a 100% (cem por cento) da contribuição previdenciária não declarada na GFIP, limitada ao resultado do produto entre uma variável (multiplicador), determinada cm função do número de empregados da empresa, e o valor mínimo previsto no art. 92, da Lei 8.212/91, devidamente atualizado, nos termos do art. 102, da mesma lei. 17.2. Em consequência, a falta cometida pelo contribuinte seria penalizada por meio da aplicação de multa consubstanciada em Fl. 104DF CARF MF Processo nº 19515.001789/200991 Acórdão n.º 2201004.511 S2C2T1 Fl. 100 11 auto de infração por descumprimento de obrigação acessória (caso da presente autuação) com fundamento no artigo 32, IV e § 5o , da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei n° 9.528/97. 17.3. No entanto, verificase, atualmente, nova sistemática na aplicação da multa, em decorrência das alterações promovidas na Lei 8.212/91 proporcionadas pela MP n° 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09, em especial nos dispositivos concernentes ao cálculo e aplicação da multa para o fundamento legal da infração objeto desta autuação. 18. De acordo com a legislação atual, a conduta anteriormente descrita no § 5o do art. 32 da Lei 8.212/91, quando ocorrida isoladamente, encontrase contemplada no art. 32A e incisos da mesma lei, na redação que lhe atribuiu a Lei 11.941/09, que prevê a aplicação de multa no valor de R$ 20,00 para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas (inciso I do art. 32A), respeitado o limite mínimo para o valor da multa, por ocorrência, de R$ 500,00 (inciso II do § 3° do art. 32A): 18.1. Considerando exclusivamente o já exposto, apresentarse ia necessária a comparação entre as condutas descritas no § 5o do art. 32 Lei 8.212/91 (redação anterior) com o disposto no atual art. 32A e incisos da mesma lei (na redação da Lei 11.941/09), conforme requerido pelo contribuinte. Entretanto, a partir de uma leitura sistemática da legislação alterada, verificase que o disposto no caput do artigo 32A apresenta a conduta típica da infração, descrita em seu alcance geral, amplo. Assim, sua aplicação ao caso concreto dependerá de uma avaliação da inocorrência de circunstâncias específicas que modifiquem a forma com que a legislação penaliza a infração cometida. 18.2. O art. 35A, acrescentado à Lei 8.212/91 pela MP 449/08 (convertida na Lei n° 11.941/09), prescreve que esta mesma infração ficará sujeita à multa de ofício prevista no artigo 44, da Lei n" 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/07, nos casos em que o contribuinte, além de apresentar o documento (GFIP) de que trata o art. 32, VI, com omissões e incorreções, também deixar de efetuar o pagamento do tributo devido. Nessas situações, ficaria o contribuinte sujeito à aplicação da penalidade específica (multa de ofício) prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96 que visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata. 18.3. Consequentemente, nos casos específicos de falta de declaração concomitante à falta de recolhimento, para a verificação da multa mais benéfica em obediência ao art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, há que se comparar: (a) o valor obtido pela aplicação do § 5° do art. 32 da Lei 8.212/91 (legislação anterior), somado às multas incidentes sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas e incluídas em Autos de Infração de Obrigação Principal (contribuições dos Fl. 105DF CARF MF 12 segurados e da empresa) referentes ao período autuado, com (b) a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 introduzida pela Lei nova, devendo haver retroação dos efeitos legais nos casos em que o valor, segundo o novo dispositivo, seja menor. 18.4. Acrescentase que, com o intuito de regular a aplicação das inovações trazidas pela citada Lei n° 11.941/09, mormente quanto ao entendimento e comparação para fins da mencionada retroação benéfica, foi editada a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 04/12/09, que determina, em seu art. 3o : Art. 3o A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei n° 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4o e 5° do art. 32 da Lei n° 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei n° 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, acrescido pela Lei n" 11.941, de 2009. § Io Caso as multas previstas nos §§ 4o e 5o do art. 32 da Lei n° 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei n° 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n" 11.941, de 2009. (destaques não constam do original) 19. No caso cm análise, as contribuições previdenciárias incidentes sobre os fatos geradores não declarados cm GFIP nas competências 01/2004 a 12/2004 deixaram de ser recolhidas pelo contribuinte na época própria e foram incluídas nos Autos de Infração de Obrigações Principais AIOP n° 37.217.2261 (Empresa) e 37.168.3181 (Segurados), enquanto que a multa aplicada ao descumprimento da obrigação acessória de declarar a GFIP com as informações de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias foi incluída na presente autuação. 19.1. Assim, quanto às omissões relacionadas a fatos geradores para os quais o contribuinte deixou de efetuar o pagamento das contribuições respectivas, a legislação atual prevê, exclusivamente, a multa de ofício, nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 11.941/09, que remete à multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/97. 19.2. Como conclusão, para efeito da comparação das multas aplica acordo com a legislação da época dos fatos geradores com a multa aplicável de acordo legislação atual, será necessário um confronto entre: a) As multas incidentes sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas pelo contribuinte referente às competências 01/2004 a 12/2004, incluídas nos AIOP n° 37.217.2261 (Contribuição da empresa) e n° 37.168.3181 (Contribuição dos Fl. 106DF CARF MF Processo nº 19515.001789/200991 Acórdão n.º 2201004.511 S2C2T1 Fl. 101 13 segurados), somadas à multa aplicada na presente autuação AIOA n° 37.225.5019 (decorrente da entrega de GFIP com omissões ou incorreções), que refletem a multa aplicada nos termos da legislação da época dos fatos geradores; b) A multa prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, na redação da Lei n° 11.941/09, aplicada às contribuições previdenciárias incluídas nos citados AIOP (37.217.2261 e 37.168.3181) referentes às competências 01/2004 a 12/2004, que refletem a multa prevista na legislação atual. 20. Ocorre que, de acordo com a legislação anterior, a alíquota da multa moratória incidente sobre a contribuição previdenciária não recolhida e incluída em lançamento tributário referente à obrigação principal será definida conforme a fase processual do lançamento tributário cm que o pagamento é realizado. Nestes casos (especificamente relacionados à obrigação principal), o valor da multa está sujeita à data do cumprimento (recolhimento) da obrigação devida, de acordo com a graduação especificada no art. 35, incisos I, II e III, da Lei 8.212/91, vigentes à época dos fatos geradores. 20.1. Consequentemente, somente no momento do pagamento é que a multa mais benéfica pode ser quantificada. Durante a atual fase do contencioso administrativo, de primeira instância, não há como se determinar a multa mais benéfica a ser aplicada, haja vista que o pagamento ainda não foi efetivamente postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n° 11.941/09, que estabelece que as multas de mora são apuradas no momento do pagamento, impedindo que a comparação seja realizada antes desse fato. Neste sentido determina a Portaria Conjunta n° 14: Art. 2" No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966Código Tributário Nacional (CTN). 20.2. Nesses termos, considerando que a multa mais benéfica somente poderá ser efetivada quando da liquidação do crédito, todos os processos deverão ter prosseguimento normal até que a referida liquidação seja efetivada. Cientificado do acórdão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 84 a 87, praticamente repetindo os argumentos trazidos em sede de impugnação: No mérito alega, primeiramente, a improcedência da exigência, haja vista que se trata de equivoco administrativo praticado pelos agentes responsáveis ou, salvo melhor juízo, pretensão ao recebimento em duplicidade dos valores descritos, o que é vedado pela legislação em vigor, sendo que autorizado estaria à defendente reclamar o pagamento em dobro do que indevidamente esta sendo exigido. Fl. 107DF CARF MF 14 Afirma que, ainda que fosse a empresa defendente devedora, o Senhor Fiscal não agiu com a imprescindível e necessária diligência eis que deveria proceder a efetiva conversão dos valores ditos originários para a moeda corrente, buscando, dessa forma, manter o equilíbrio entre as partes, credor e devedora. Outrossim, não indica quais os índices utilizados para correção do pretenso crédito tributário, bem como seu marco inicial para o cálculo. Alega não ter a Autoridade Fiscal aguardado o lapso temporal regularmente previsto a fim de que pudesse a defendente atender prontamente a solicitação empreendida. Ainda que possa existir alguma falha da empresa defendente, concernente a equívocos no efetuar o cálculo das contribuições devidas, certo é que o montante pretendido pela Autarquia não condiz com a realidade vez que tal valor é efetivamente indevido. Ressalta ainda que não há de se admitir o chamado "cálculo por dentro, utilizado pelo agente fiscalizador, que nada mais é do que de fazer com que a liquida da contribuição recaia em duplicidade, caracterizando bitributação atípica, ademais a forma de calcular os juros de mora, bem como não especifica quais os outros encargos previstos na lei que estão sendo exigidos". Alega que os referidos cálculos não acompanharam a exigência fiscal e que nos mencionados cálculos "o agente do Fiscalizador não estar seguro dos dados por ele manipulados". É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama No caso em questão, o recurso voluntário repete os argumentos da defesa, de modo que, adoto os fundamentos da decisão proferida em sede de primeira instância, com os quais, concordo, com fundamento no artigo 57, § 3º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF): Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) Fl. 108DF CARF MF Processo nº 19515.001789/200991 Acórdão n.º 2201004.511 S2C2T1 Fl. 102 15 § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Sendo assim, adoto os fundamentos do voto proferido pela DRJ, com os quais concordo: PRELIMINARES Configuramse os requisitos de admissibilidade da defesa do sujeito passivo, tendo sido a Impugnação apresentada com a observância do prazo e requisitos estipulados nos art. 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. TIPIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO COMETIDA O presente Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no "caput" do artigo 33 da Lei n.° 8.212/91, e os artigos 2 o e 3° da Lei n° 11.457/07, c/c o disposto no art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Ressaltese, ainda, que foi integralmente obedecido o art. 10 do Decreto 70.235/72. Portanto, não há que se falar em improcedência do mesmo. Importante ressaltar que a multa punitiva é aplicada sempre que verificado o descumprimento dc obrigação acessória, conforme definido pela legislação. A lavratura do Auto de Infração representa procedimento de natureza indeclinável, dado o caráter vinculado e obrigatório da atividade administrativa do lançamento, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional e, também, nos termos dos artigos 2o e 3 o da Lei n° 11.457/07, que dispõem sobre a competência de fiscalizar as contribuições sociais previdenciárias e as devidas a terceiros, não cabendo qualquer discricionariedade à autoridade administrativa. Conforme relatado (itens 1, 2 e 3 acima), incorreu a autuada em infração ao disposto no art. 32, inciso IV e § 3 o da Lei 8.212/91, com as alterações trazidas pela Lei n° 9.528/97, penalizada através da multa prevista no art. 32, § 5o , do mesmo diploma legal. A referida obrigação acessória e a multa aplicada no caso de descumprimento encontramse também disciplinadas no art. 225, inciso IV e art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. O Relatório Fiscal da Infração (fls. 7) destaca que os valores não declarados em GFIP pelo Contribuinte referemse a pagamentos das seguintes verbas salariais a seus empregados: valores salariais integrantes das Folhas de Pagamento, valores de refeições aferidas e glosa de Salário Família, os quais deixaram de integrar as GFIP do período 01/2004 a 12/2004. Fl. 109DF CARF MF 16 O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 8) informa como foi calculada a multa autuada, nos termos do art. 32, § 5 o da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, combinado com o art. 284, II do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99, equivalente a 100% do valor da contribuição previdenciária não declarada em GFIP, limitado pelo valor definido em função do número de segurados da empresa no § 4 o do art. 32 da Lei 8.212/91 e no inciso I do art. 284 do RPS. O valor mínimo da multa foi atualizado pela Portaria MPS/MF n°48, de 12/02/2009, em obediência à previsão de reajuste encontrada nos arts. 92 e 102, ambos da Lei n° 8.212/91, e art. 373 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Do exposto, constatase que o Auto de Infração está devidamente fundamentado, estando presentes a correta descrição das infrações verificadas pela Autoridade Fiscal. Foi aplicada multa no valor total de R$ 55.799,94 (cinquenta e ciiico mil, setecentos e noventa e nove reais e noventa e quatro centavos), em estrita obediência à legislação de regência. Ressaltese que, sendo a presente autuação decorrente de falta averiguada nos documentos apresentados pelo próprio Contribuinte, não há que se falar em desrespeito a "lapso temporal regularmente previsto a fim de que pudesse a defendente atender prontamente a solicitação empreendida", como alegado na Impugnação. Ainda, em sede de preliminar, cumpre ressaltar que os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, declinando à Impugnante a iniciativa de apresentar os elementos capazes de demonstrar qualquer irregularidade no ato praticado. Nesses termos, as matérias não expressamente questionadas pela Impugnante presumemse legitimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 9.532/97, aplicável às contribuições previdenciárias a partir do dia 01 de abril de 2008, nos termos do artigo 25 da Lei n° 11.457/07. Destaquese, ademais, que, nos termos do artigo 48 da Lei n° 11.457/07, fica mantida, enquanto não modificados, pela Secretaria dá Receita Federal do Brasil, a vigência dos atos normativos e administrativos editados pela Secretaria da Receita Previdenciária, pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS, relativos à administração das contribuições previdenciárias previstas nos artigos 2 o e 3 o da citada Lei. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Como visto, a Autoridade Notificante, por meio do Relatório Fiscal da Infração (fls. 7), narrou com clareza e coerência os fatos verificados durante a ação fiscal e sua subsunção às normas legais de regência. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 19515.001789/200991 Acórdão n.º 2201004.511 S2C2T1 Fl. 103 17 Foram disponibilizadas cópias dos documentos integrantes da autuação à Impugnante, tendolhe sido conferido tempo hábil, após regularmente cientificada da autuação, para apresentar seus questionamentos, consubstanciados na Impugnação apresentada em 24/06/2009 (fls. 36/39). Ademais, o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição de 1988, tem por escopo oferecer aos litigantes, seja em processo judicial ou administrativo, o direito à reação contra atos desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerce o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vista a demonstrar a sua razão no litígio. Dessa forma, quando a Administração, antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa, dá à parte contrária a oportunidade de impugnar da forma mais ampla que entender, não está infringindo, nem de longe, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Verificado que o contribuinte conhecia a origem das contribuições previdenciária lançadas, que tomou plena ciência dos relatórios integrantes da autuação, e que foi concedido o tempo hábil para apresentar sua impugnação, não há que se cogitar em cerceamento de seu direito de defesa. MÉRITO EXISTÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE COM AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Cabe considerar a existência de prejudicialidade entre o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) e os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 37.217.2261 (contribuição devida pela empresa) e 37.168.3181 (contribuição devida pelos segurados empregados), decorrentes da mesma ação fiscal, vez que para o julgamento desta autuação tornase necessária definição sobre a procedência dos lançamentos das contribuições previdenciárias devidas pela empresa e pelos segurados, incidente sobre a remuneração não declarada em GFIP, incluídas nos citados AIOP. Com efeito, a 13a Turma de Julgamento da DRJ/SP I, em sessão realizada nesta data, julgou integralmente procedentes os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 37.217.2261 e n° 37.168.3181 por meio dos Acórdãos n° 16 26.135 e 1626.136, respectivamente. Outrossim, as discussões de mérito suscitadas na Impugnação às fls. 35/39, especificamente referentes às supostas deficiências apontadas' no procedimento fiscal, foram analisadas e julgadas nas decisões proferidas nas citadas autuações pelo que deixarão de ser, novamente, apreciadas. Fl. 111DF CARF MF 18 Por fim, reafirmase que, uma vez comprovada a necessidade de declaração nas GFIP mensais dos fatos geradores incluídos nos supracitados Autos de Infração de Obrigação Principal, bem como das correspondentes contribuições previdenciárias, resta, em consequência, confirmada a procedência da presente autuação. LEGALIDADE DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS (JUROS SELIC) Alega o contribuinte que a Jurisprudência vem reconhecendo a inaplicabilidade da taxa Selic aos créditos tributários, razão pela qual pugna pela correção do seu indébito não excedem a 1§, nos termos do art. 161, §1º do CTN. Vejamos o que diz a legislação sobre o tema o citado: Lei 5.172/66 (CTN) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Assim, temos que a taxa 1% ao mês é cabível quando a lei não dispuser de modo diverso. Contudo, assim dispõe a Lei 9.430/96: Lei nº 9.430/96: Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (...) “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Em relação à incidência dos juros de mora com base na Selic, a despeito do que já foi acima expresso, é tema que já foi objeto de Fl. 112DF CARF MF Processo nº 19515.001789/200991 Acórdão n.º 2201004.511 S2C2T1 Fl. 104 19 reiteradas e uniformes manifestações deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido emitida Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujos conteúdos transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta forma, não merecem acolhida os pleitos recursais. Sendo assim, não há como acolher as razões do Recorrente. Ressalva feita quanto à aplicabilidade da retroatividade benéfica do artigo 106, I do CTN quanto à multa que será analisada pela unidade preparadora. Conclusão Por todo o exposto, rejeito as preliminares arguídas e no mérito, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900797/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
INDÉBITO ILÍQUIDO
Para o reconhecimento de direito creditório, não basta a comprovação da certeza de ter havido indébito, é necessária também a sua quantificação, ou seja, a liquidez do valor. No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior.
Numero da decisão: 1401-002.426
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 INDÉBITO ILÍQUIDO Para o reconhecimento de direito creditório, não basta a comprovação da certeza de ter havido indébito, é necessária também a sua quantificação, ou seja, a liquidez do valor. No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10855.900797/2008-13
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5884745
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.426
nome_arquivo_s : Decisao_10855900797200813.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10855900797200813_5884745.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7372243
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587063386112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.900797/200813 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.426 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2018 Matéria IRPJ Recorrente CAMF ENGENHARIA E CONSTRUCOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 INDÉBITO ILÍQUIDO Para o reconhecimento de direito creditório, não basta a comprovação da certeza de ter havido indébito, é necessária também a sua quantificação, ou seja, a liquidez do valor. No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 07 97 /2 00 8- 13 Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10855.900797/200813 Acórdão n.º 1401002.426 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1429.087 da 5ª Turma da DRJ/RPO que negou provimento à manifestação de inconformidade apresenta pelo interessado. Com relação às peças iniciais do feito, tomo de empréstimo o relatório da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de CSLL (código de receita: 2372) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório [...], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que: a) a sociedade em questão tem como atividade principal a exploração da construção civil, destacandose a prestação de diversos serviços; b) em 23/01/2003, a contribuinte formulou consulta fiscal, processo administrativo n° 10855.000267/20031, requerendo solução acerca do percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando houver emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido; c) obteve como resposta o percentual de 8%; d) constatou que sempre apurou o lucro presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, conseqüentemente, sempre recolheu IRPJ a maior, pelo quádruplo do valor devido; e) a contribuinte procedeu a compensação do tributo pago a maior com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); f) a contribuinte deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior de imposto; g) embora não tenha havido a retificação da DCTF e da DIPJ para permitir que o sistema constatasse automaticamente o pagamento a maior do IRPJ e o seu decorrente crédito os documentos anexos comprovam Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10855.900797/200813 Acórdão n.º 1401002.426 S1C4T1 Fl. 4 3 claramente a sua existência, bem como a veracidade das informações prestadas; h) o contrato anexo comprova a natureza do serviço de construção civil e o emprego de materiais para execução da obra; i) as notas fiscais anexas comprovam os materiais utilizados na obra contratada; j) a nota fiscal emitida pela contribuinte discrimina o contrato a que corresponde e comprova a origem da receita; k) a nota fiscal emitida pela contribuinte e o DARF, se confrontados, comprovam que o lucro presumido foi apurado pelo percentual de 32% e que o IRPJ foi recolhido a maior que o quádruplo do valor; l) a não retificação do débito de IRPJ na DCTF e na DIPJ não decorreu de dolo da contribuinte e sim do entendimento equivocado de que as informações prestadas na Declaração de Compensação supririam a sua necessidade; m) para evitar decisões divergentes sobre fatos idênticos, requer o apensamento deste processo ao processo de crédito n 10855900739/200881. Ao final, requer que seja dado provimento a presente manifestação para homologar a compensação efetuada e anular o débito. DA DECISÃO RECORRIDA Em breve síntese, a decisão recorrida negou provimento à manifestação de inconformidade sob o fundamento de que o contribuinte a solução de consulta a que faz referência asseverou, de um lado, a alíquota de 8% para a construção civil com o emprego de materiais, mas também que as empresas que exercem atividades diversificadas devem aplicar a alíquota específica de cada atividade. No contrato social apresentado, a empresa exerce diversas atividades de serviços (nesse passo, o julgador elenca cada uma delas). Assim, os contratos por ela assinados podem abrigar mais de um tipo de atividade, o que exige a documentação fiscal cabível para a apuração da base de cálculo do IRPJ. O contribuinte apresentou Notas Fiscais Faturas de Serviços e demais documentos pertinentes. No entanto, o imposto não é apurado, nota a nota. Como o contribuinte não fez a nova apuração do imposto devido no trimestre, deixou de demonstrar o montante do indébito. Quanto a essa parte, vale transcrever o trecho original da decisão: Contudo, o direito à repetição do indébito não diz respeito a cada nota fiscal como pretendido pela contribuinte. Repetir o IRPJ atinente a cada nota fiscal emitida para a Cia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo e para a Prefeitura da Estância Turística de São Roque caracteriza flagrante impropriedade, vez que o que a contribuinte pleiteia como indébito, na PER/Dcomp [...], é o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 3º trimestre de 1999, e este não incide em cada nota fiscal em particular, mas sim sobre uma base de cálculo, determinada pela aplicação de um percentual sobre o montante da receita bruta, decorrente da venda de mercadorias e serviços, acrescido de outras receitas e ganho de capital, apurado trimestralmente na forma da lei. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10855.900797/200813 Acórdão n.º 1401002.426 S1C4T1 Fl. 5 4 Portanto, a contribuinte deveria trazer aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 3 trimestre de 1999 com aplicação, no caso de atividades diversificadas, do percentual correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, aí sim, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido. Foi essa a razão que orientou o voto para negar provimento à manifestação de inconformidade. RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte apresentou recurso voluntário além de documentos nas páginas seguintes. Desta vez, além das notas fiscais e contratos de prestação de serviços, carreou o diário do período (3º trimestre de 1999), com o balanço, a demonstração do resultado do exercício e o plano de contas. Na peça recursal, aduziu inicialmente as mesmas razões oferecidas na manifestação de inconformidade. Ademais, afirma que os documentos apresentados seriam suficientes para comprovar o indébito, pois, apesar de não ter juntado os livros fiscais, carreou toda a documentação que deu suporte à sua escrituração. De toda sorte, dada a exigência da autoridade julgadora de primeiro grau, juntou ao recurso todas as notas fiscais emitidas no trimestre, os contratos, as notas fiscais dos materiais empregados e a cópia do seu livro diário. É o relatório do essencial. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10855.900797/200813 Acórdão n.º 1401002.426 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.416, de 13/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.906076/2009 90, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma teve como origem o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 2001. No presente processo, o direito creditório pleiteado tem como origem o IRPJ pago com base no lucro presumido apurado no 3º trimestre de 1999. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.416): "Inicialmente, apesar de não discordar da conclusão do voto como explicarei posteriormente, devo dizer que a premissa adotada pela autoridade julgadora de primeiro grau foi muito rigorosa. Não é necessário, no meu ponto de vista, demonstrar novamente toda a apuração do trimestre para se verificar um valor de indébito a partir de algumas notas fiscais. Afinal, se o contribuinte adotou o percentual de 32% para toda a sua receita e, posteriormente, comprova que alguns dos valores registrados estão submetidos a percentual diverso, o montante do indébito corresponderá à diferença de percentual sobre a receita apontada. Esse raciocínio é o mesmo que permite à autoridade fiscal lançar o imposto de renda a partir da verificação de apenas alguns itens do resultado, sem que necessite recalcular toda a base de cálculo. Com os elementos apresentados pelo contribuinte, é possível aferir que houve serviços prestados com o emprego de materiais, mas não é possível aferir exatamente quais e nem identificar o seu montante. Podemos verificar que, no período, o contribuinte prestou serviços apenas para a SABESP, em razão da seqüência contínua de notas fiscais que vão da nº de 180, emitida em 01/10/2001 a 199, emitida em 17/12/2001. Ou seja, todas as suas receitas provieram da execução de contratos com essa empresa. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10855.900797/200813 Acórdão n.º 1401002.426 S1C4T1 Fl. 7 6 Nos referidos contratos, consta cláusula que impõe ao prestador o dever de empregar os materiais. Houve materiais adquiridos no período. Aliás, além do período (foram adquiridos no interregno entre a celebração dos contratos e das prestações de serviço), é possível identificar que tais materiais foram empregados nos serviços prestados à Sabesp em função de referências como "Material a ser utilizado na obra de Hortolândia/SP" (vide fl. 370), justamente o local de execução das prestações de serviço. No entanto, não é possível aferir (e nem sequer o contribuinte indica) quais notas se referem a serviços prestados com o fornecimento de materiais. Sabemos que uma parte dessas notas são relativas à prestação de serviço com fornecimento de material, mas elas não correspondem ao todo, uma vez que o contribuinte pleiteia indébito significativamente menor que a aplicação da diferença de percentual sobre o total da receita. Ademais, não sabemos quais são as notas dentre aquelas apresentadas e nem o seu montante, uma vez que, entre as notas de aquisição de materiais e as de prestação de serviço, inexiste vinculação, a qual nem sequer pode ser inferida pela proximidade de datas. Sem essa quantificação, não é possível aferir o valor do indébito, que para ser deferido exige a sua liquidez. Por essas razões, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.722837/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosy Adriane Silva Dias.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10660.722837/2012-35
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5885628
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.481
nome_arquivo_s : Decisao_10660722837201235.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 10660722837201235_5885628.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosy Adriane Silva Dias.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7372849
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587071774720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1393; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 66 1 65 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.722837/201235 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.481 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente MARIANNA DOS REIS TEIXEIRA TIBURCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosy Adriane Silva Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 28 37 /2 01 2- 35 Fl. 66DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos até a decisão de primeira instância, adoto do relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2010, por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/Varginha. Após a revisão da declaração, foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 5.678,75 acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento decorreu da constatação da seguinte infração: Dedução Indevida de Despesas Médicas A glosa do valor de R$ 20.650,00 corresponde à dedução indevida a título de despesas médicas. Glosas: Nathália Mendes Roda, R$ 9.000,00, e Antônio Fernando Monteiro Santiago, R$ 11.650,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento. Cientificada da exigência em 22/08/2012, fls. 32, a inventariante da contribuinte, conforme termo de fls. 16, apresentou, em 19/09/2012, impugnação acostada às fls. 02/10, em que alega: que a contribuinte faleceu em 18/06/2011; que seu espólio será representado por sua filha Gláucia Regina Teixeira Tibúrcio; que, intimada a comprovar o efetivo pagamento das despesas, apresentou declaração dos profissionais confirmando o recebimento das quantias mencionadas em seus recibos, bem como a efetiva prestação dos serviços; que, a título de amostragem do efetivo pagamento, juntou cópias de cheques que serviram para o pagamento de Liliane Maria dos Reis Silva; que juntar cópia dos demais cheques eventualmente utilizados para pagar as despesas ficaria demasiadamente oneroso; que o termo de intimação não apresentou justificativas para esse tipo de exigência; que as despesas declaradas eram compatíveis com as de uma senhora da idade da contribuinte e não apresentaram qualquer detalhe que pudesse ser considerado suspeito pela autoridade lançadora; Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10660.722837/201235 Acórdão n.º 2202004.481 S2C2T2 Fl. 67 3 que as despesas são compatíveis com os rendimentos declarados pela contribuinte; que o lançamento deve estar em consonância com as normas de regência; que a fiscalização deve demonstrar a razão de não ter acatado os recibos apresentados pela impugnante; que a fiscalização está presumindo a máfé da contribuinte. Requer seja acatada a impugnação e cancelado o débito fiscal. Solicita, por fim, seja lhe dada prioridade em razão do estatuto do idoso A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), negou provimento à Impugnação (fls. 38/44), em decisão cuja a ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DESPESA MÉDICA (PARCIAL) Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo. Cientificado (AR fls. 49), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 51/52), no qual reitera as razões já suscitadas na Impugnação. Requer também a revisão do erro material constante da ementa do Acórdão recorrido, uma vez que os valores glosados foram impugnados em sua integralidade. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora Fl. 68DF CARF MF 4 O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A dedução tributária dos gastos incorridos com despesas médicas é tratado pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos seguintes termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas,psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifamos) Nesse mesmo sentido, o previsto no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10660.722837/201235 Acórdão n.º 2202004.481 S2C2T2 Fl. 68 5 "Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; II limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifamos) A Recorrente trouxe juntamente com a impugnação das declarações dos profissionais cujas despesas não foram aceitas (fls. 19/20). Em tais declarações os profissionais atestam o recebimento dos valores declarados e detalham os procedimentos médicos a que a Recorrente foi submetida. Todavia, a decisão de primeira instância manteve a glosa por entender que a despesa médica só restaria comprovada se houvesse juntada de cheque nominal ou transferência bancária como se verifica pelo trecho abaixo transcrito: Como se depreende da legislação transcrita acima, a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora. O primeiro item a ser comprovado pelo contribuinte, segundo expressa disposição legal, é exatamente o pagamento das despesas médicas. Comumente é aceito, para comprovar o pagamento das despesas médicas, o recibo firmado pelo profissional da área médica, quando o serviço for prestado por pessoa física, ou a Nota Fiscal, se por pessoa jurídica. No entanto, é licito à autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. No presente caso, foi solicitado à contribuinte que comprovasse o efetivo pagamento das despesas médicas com Nathália Mendes Fl. 70DF CARF MF 6 Roda (R$ 9.000,00) e Antônio Fernando Monteiro Santiago (R$ 11.650,00). Em sua impugnação, a inventariante afirma que já tinham sido juntados os documentos comprobatórios dessas despesas, bem como declarações desses profissionais confirmando os valores dos recibos e a prestação dos serviços. A impugnação foi instruída com as declarações de fls. 19/20, emitidas pelos prestadores de serviço, que confirmam os valores das despesas declaradas pela contribuinte. Ocorre que, fundamentado o lançamento na falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, não basta ao contribuinte apresentar os recibos e as declarações dos profissionais, pois seria preciso comprovar a relação entre a prestação do serviço e o pagamento (desembolso) efetivamente realizado. Poderiam ter sido apresentados cópias de cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias e/ou extratos bancários, de forma a comprovar o desembolso por parte do interessado, porém isso não ocorreu para as despesas glosadas. Esclarecese que tal exigência é válida, pois o primeiro item a ser comprovado pelo contribuinte, segundo expressa disposição legal, caput do art. 80 do RIR/1999, é exatamente o pagamento das despesas médicas: Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais (...). (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a”). [Grifei] Acrescentase que é equivocado entenderse que o inciso II do art. 8º da Lei 9.250, de 1995, reproduzido no inciso III do art. 80 do RIR/1999, apenas exige que o recibo tenha o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Esta não é a correta interpretação do dispositivo. A indicação referese aos dados que devem constar na declaração de ajuste. Dados estes baseados na documentação. Entretanto, a tônica do dispositivo é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. Porém, mesmo o cheque pode estar sujeito à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois essa prestação é o substrato material a dar guarida à dedução. A Recorrente não fez a juntada, em grau de recursos, das comprovações dos pagamentos (saques, transferências bancárias e cheques) e nem mesmo dos recibos. Além disso, é importante registrar que a declarações dos profissionais não é suficiente para comprovar o pagamento, uma vez que, nos termos do artigo 408 do Código de Processo Civil abaixo transcrito o documento particular prova a ciência do fato, mas não o fato em si. Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10660.722837/201235 Acórdão n.º 2202004.481 S2C2T2 Fl. 69 7 Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721425/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. CONSULTA FORMULADA.
Não é nulo o auto de infração que exige crédito tributário relativo a matérias diversas daquelas tratadas em processo de consulta pendente de solução. Não é nulo o auto de infração efetuado depois dos 30 dias do prazo da ciência da consulta.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo.
MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, a ser utilizado na apuração de créditos da COFINS, relativo a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante da aplicação somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade.
As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançada pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da COFINS, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitam
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo.
MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, a ser utilizado na apuração de créditos da COFINS, relativo a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante da aplicação somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade.
As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançada pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da COFINS, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitam
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A contagem do prazo decadencial é regida pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo.
MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA.
Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício, reduzindo-se seu percentual.
Numero da decisão: 3401-005.099
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, André Henrique Lemos e Cássio Schappo. O voto do Conselheiro Robson José Bayerl em relação ao recurso voluntário foi coletado em maio de 2018, não tendo, portanto, participado de tal votação o Conselheiro Marcos Roberto da Silva, que substituiu, em junho de 2018, o Conselheiro Robson José Bayerl.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.721425/2011-06
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887185
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.099
nome_arquivo_s : Decisao_10830721425201106.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARA CRISTINA SIFUENTES
nome_arquivo_pdf_s : 10830721425201106_5887185.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, André Henrique Lemos e Cássio Schappo. O voto do Conselheiro Robson José Bayerl em relação ao recurso voluntário foi coletado em maio de 2018, não tendo, portanto, participado de tal votação o Conselheiro Marcos Roberto da Silva, que substituiu, em junho de 2018, o Conselheiro Robson José Bayerl. Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7375402
ano_sessao_s : 2018
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. CONSULTA FORMULADA. Não é nulo o auto de infração que exige crédito tributário relativo a matérias diversas daquelas tratadas em processo de consulta pendente de solução. Não é nulo o auto de infração efetuado depois dos 30 dias do prazo da ciência da consulta. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, a ser utilizado na apuração de créditos da COFINS, relativo a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante da aplicação somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançada pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da COFINS, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitam Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, a ser utilizado na apuração de créditos da COFINS, relativo a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante da aplicação somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançada pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da COFINS, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitam Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A contagem do prazo decadencial é regida pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo. MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício, reduzindo-se seu percentual.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587089600512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2028; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.012 1 1.011 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.721425/201106 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.099 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA PIS/PASEP E COFINS Recorrente SMALL DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO LTDA FAZENDA NACIONAL Recorrida SMALL DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. CONSULTA FORMULADA. Não é nulo o auto de infração que exige crédito tributário relativo a matérias diversas daquelas tratadas em processo de consulta pendente de solução. Não é nulo o auto de infração efetuado depois dos 30 dias do prazo da ciência da consulta. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, a ser utilizado na apuração de créditos da COFINS, relativo a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante da aplicação somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançada pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 14 25 /2 01 1- 06 Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.013 2 financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da COFINS, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitam ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, a ser utilizado na apuração de créditos da COFINS, relativo a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante da aplicação somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançada pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da COFINS, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitam ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A contagem do prazo decadencial é regida pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo. MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.014 3 Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afastase a qualificação da multa de ofício, reduzindose seu percentual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, André Henrique Lemos e Cássio Schappo. O voto do Conselheiro Robson José Bayerl em relação ao recurso voluntário foi coletado em maio de 2018, não tendo, portanto, participado de tal votação o Conselheiro Marcos Roberto da Silva, que substituiu, em junho de 2018, o Conselheiro Robson José Bayerl. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Reproduzo aqui, resumidamente, o relatório que consta no acórdão DRJ nº 0537.639, 3ª Turma da DRJ/CPS, que julgou procedente em parte a impugnação, por bem descrever os fatos: Tratase de exigência fiscal relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e à contribuição para o Programa de Integração Social – PIS formalizadas em autos de infração. O feito referese a fatos geradores ocorridos em 2006 e totalizou crédito tributário de R$ 6.545.411,83, somados principal, multa de ofício qualificada no percentual de 150% e juros de mora. Os motivos da autuação foram detalhados em Termo de Verificação Fiscal que compõe os autos. O termo esta dividido em duas partes. Na primeira delas a autoridade aponta diferenças de recolhimento das contribuições verificadas no período de maio a dezembro de 2006 tendo em vista o regime não cumulativo das contribuições e a tributação do álcool para fins carburante segundo o regime cumulativo. Em outra parte do termo, a fiscalização menciona que o auto de infração também Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.015 4 formaliza lançamento suplementar de diferenças relativas ao período de janeiro a abril de 2006, não constituídas em outros autos de infração. O referido Termo é iniciado com a informação acerca do objeto principal da contribuinte: O sujeito passivo em epígrafe tem por objeto social principal o comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo, comércio atacadista de lubrificantes comércio atacadista de gás liquefeito de petróleo (glp) e transporte rodoviário de produtos perigosos. Depois, anuncia o que se constatou após o exame da documentação examinada no curso da ação fiscal: Após análise da documentação apresentada, constante dos Termos e Intimações, a fiscalização constatou que o sujeito passivo incluiu a venda de álcool carburante (regime de apuração cumulativo) dentre as operações com direito a crédito da não cumulatividade, quando a legislação estabelece, para o período fiscalizado, que a receita auferida com a venda do álcool para fins carburantes encontrase no regime cumulativo de contribuição, e a pessoa jurídica não pode calcular créditos sobre quaisquer custos, despesas e encargos vinculados a essa receita (art. 10, inciso I da Lei nº 10.833/03). O sujeito passivo apresentou os dados contábeis e escrituração fiscal em meio digital, conforme Documentos anexos denominados Recibos de Entrega de Arquivos Digitais, devidamente validados no SVA Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme cópias anexadas ao processo administrativo, visto que uma via de cada recibo foi entregue ou encaminhada sob recibo pelo Correios ao contribuinte, com aviso de recebimento. As bases de cálculos, alíquotas aplicadas e contribuições devidas e não declaradas, relativamente à Receita auferida com a venda de álcool para fins carburantes são as seguintes: Constatouse ainda que o contribuinte não efetuou o rateio entre as receitas sujeitas ao regime da cumulatividade e da não cumulatividade, isto é, na hipótese da pessoa jurídica estar submetida ao regime nãocumulativo da contribuição (ou seja, for tributada pelo IRPJ com base no lucro real), havendo custos, despesas e encargos comuns ao auferimento de receitas sujeitas aos regimes cumulativo (tal como álcool para fins carburantes) e Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.016 5 nãocumulativo da contribuição, os créditos devem ser determinados pela pessoa jurídica de acordo com os métodos de rateio/apropriação dispostos nos artigos 21 a 28 da IN SRF 404/2004 ,de 12/03/2004, publicada no DOU em 15/03/2004. [...] O autor do feito passa, na sequência, a apresentar tabelas comparativas entre os valores declarados em DACON pela contribuinte e os apurados pela fiscalização, com base nos elementos da escrituração contábil e fiscal apresentados pelo sujeito passivo. Primeiramente, faz isso com relação ao PIS e à Cofins apurados: Depois, compara os créditos a descontar informados pelo contribuinte no DACON com os créditos a descontar calculados pelo Fisco: Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.017 6 Nos quadros seguintes, o Termo de Verificação Fiscal consolida as diferenças verificadas na apuração do PIS e da Cofins pelo regime da não cumulatividade e em razão da inclusão das receitas de vendas de álcool para fins carburantes no regime cumulativo. Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.018 7 A autoridade fiscal apresenta ainda planilha expondo o controle da apuração e utilização por desconto dos créditos da não cumulatividade. Na segunda parte do Termo de Verificação, a fiscalização referese à necessidade de formalização de diferenças não constituídas em lançamentos anteriores. Diz o autor do feito: Considerando que o contribuinte apresentou com deficiência, apesar de intimado e reintimado, os relatórios, planilhas, demonstrativos e documentação relativos aos bens para revenda, quanto à validade dos créditos a descontar em geral, no que se refere ao regime da não cumulatividade, e especialmente deixou de apresentar os documentos relativos aos aluguéis de imóveis e de locação de máquinas e equipamentos, ambos de pessoas jurídicas (comprovação da finalidade e validade do suposto crédito, recibos, notas fiscais, contratos, etc), conforme lançamentos no DACON, os valores de créditos a descontar preliminar e inicialmente aceitos, mediante rateio proporcional, estão sendo ora desconsiderados pelo Fisco e lançados a título de contribuições suplementares, em razão dos procedimentos finais de encerramento da ação fiscal e da falta de completa e necessária comprovação documental, conforme quadro abaixo: Considerando a grande complexidade da legislação e sua variação ao longo do tempo; as dificuldades geradas pelo Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.019 8 contribuinte durante a ação fiscal, pela morosidade e apresentação deficiente de elementos, justificativas e documentos, bem como pela grande discrepância entre os valores de contribuição apurados pelo Fisco e os declarados pelo sujeito passivo, efetuouse, para fins de encerramento do procedimento fiscal, uma revisão final dos documentos, informações e arquivos digitais em poder da Fiscalização, elaborandose, no período janeiro a abril de 2006, um novo quadro demonstrativo das receitas, com base nos dados contábeis do próprio sujeito passivo, e constantes do Anexo V, cujo resumo segue abaixo: Com base no quadro acima, e nos valores lançados anteriormente, foram apuradas as seguintes diferenças, relativas às receitas não cumulativas, no período de janeiro a abril de 2006: A tabela a seguir agrupa os valores lançados de janeiro a abril de 2006: A constatação do dolo e a imposição da multa qualificada foram tratados na sequência do relatório: CRÉDITOS ANTERIORES LANÇADOS NO DACON Os créditos anteriores a janeiro de 2006 foram desconsiderados pela fiscalização tendo em vista a constatação que o sujeito passivo está preenchendo incorretamente o DACON, gerando créditos considerados inexistentes pela Fiscalização, seja por não tributar o Álcool Carburante de forma cumulativa, como previsto pela legislação, seja por não ter justificado documentalmente os valores dos créditos a descontar informados Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.020 9 no DACON e nem efetuado corretamente o rateio proporcional, entre as receitas não cumulativas e as cumulativas e concentradas. Contribuinte não registrou nenhum valor em DCTF acerca das contribuições do PIS e COFINS. Como o DACON tem natureza jurídica apenas informativa e não gera direitos em relação à decadência, ou seja, o período anterior a 01/2006 foi atingido pela decadência, mesmo com erros em seu preenchimento, o mesmo argumento se aplica em relação aos créditos indevidos informados na DACON, ou seja, entende o AuditorFiscal Notificante que não há que se falar em direito adquirido a tais supostos créditos, visto que inexistentes e, em tese, manifestamente ilícitos, nos termos da legislação vigente, sem o que estarseia promovendo, em tese, o enriquecimento sem causa e ilícito do contribuinte. PROCESSO DE CONSULTA O Contribuinte apresentou, sob intimação, o Processo de Consulta 10835.000136/200735, de 07/02/2007, protocolizada no CAC/DRF Presidente Prudente (SP). Foi localizada internamente a Solução de Consulta nº 306 SRRF08/DISIT, de 26/08/2010, cujo entendimento final sobre o mérito é o mesmo observado por este Auditor Fiscal, ou seja, no período fiscalizado o Álcool carburante sofria incidência pelo sistema cumulativo, às alíquotas 1,46% (PIS) e 6,74% (COFINS). O sujeito passivo foi cientificado da consulta supra em 17/09/2010, conforme cópia (Anexo VII), através do Comunicado SEORT/DRF/CPS nº 1.615/2010, de 01/09/2010 e, após isso, apesar de intimado e reintimado, não tomou quaisquer das providências cabíveis para as retificações e respectivos recolhimentos cabíveis nos aplicativos da Receita Federal (DACON e DCTF). Entende o Notificante que o procedimento do sujeito passivo caracteriza, em tese, ilícito contra a ordem tributária, visto que: Omitiu fato gerador de contribuições para o PIS e para a COFINS, deixando de tributar o Álcool carburante no regime cumulativo de contribuição, durante todo o período fiscalizado, totalmente em desacordo com a legislação; Mesmo cientificado da irregularidade dos procedimentos realizados até então, não retificou as Declarações apresentadas (DCTF e DACON) e nem efetuou quaisquer recolhimentos pertinentes, no prazo legal de 30 (trinta) dias após a ciência da Solução de Consulta acima, e nem mesmo sob intimação e reintimação durante a presente fiscalização. Com tal procedimento, caracterizado, em tese, como doloso e lesivo ao Erário efetuado pelo contribuinte, especialmente após a ciência da consulta em questão, há que se observar o prazo decadencial mais favorável à União, previsto no Artigo 173, inciso I, combinado com o Artigo 150, parágrafo quarto, ambos do CTN Código Tributário Nacional; Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.021 10 • Declarou e não comprovou valores de créditos da não cumulatividade muito superiores aos apurados pela Fiscalização, conforme quadro demonstrativo específico deste Auto e, mesmo intimado e reintimado, não justificou, corrigiu ou apresentou elementos que justificassem os créditos declarados, considerados inexistentes pelo Fisco e também continuou deixando de declarar e tributar o álcool carburante no regime cumulativo; • Conforme demonstrado acima, o sujeito passivo não seguiu a orientação legal sobre o PIS e a COFINS, tanto na apuração dos débitos, quanto dos créditos, e mesmo ciente do procedimento correto que deveria adotar, através da Solução de Consulta que efetuou à RFB, e após intimação e reintimação durante o procedimento fiscal, e ainda sem comprovar ter qualquer amparo judicial preventivo para seu procedimento, não o retificou, mantendo os valores inferiores a título de débito e os créditos fictícios a maior gerados em seu favor, deixando, em conseqüência, de apurar e declarar corretamente os débitos e créditos, e deixando de recolher as contribuições devidas ora examinadas, assumindo o risco tributário e penal de sua conduta lesiva ao erário; • Observação importante: o fato deste AFRFB registrar que se trata de ilícito, em tese, não significa que o mesmo tenha dúvida sobre a ilicitude da conduta, mas tratase de mera precaução funcional e legal, diante do dever de oficio de representar perante o Ministério Público Federal, sob risco de penalidades administrativas e judiciais ao AFRFB. O julgamento do suposto ilícito é assunto de exclusiva competência do Poder Judiciário, e somente aquele Poder pode dizer se um fato aparentemente ilícito, realmente o é à luz do Direito. Assim, considerando o dever funcional deste AuditorFiscal e as competências legais do Judiciário, entende, justifica, esclarece e solicita este AFRFB aos Senhores Julgadores, tanto na esfera Administrativa como na Judicial, que apliquem o prazo decadencial mais favorável ao Erário e, diante dos fatos relatados, entende estar plenamente caracterizado e comprovado o DOLO; • A Representação Fiscal para Fins Penais será emitida ao final da ação fiscal, para as providências cabíveis no âmbito da Receita Federal e do Ministério Público Federal; • Em razão de todo o exposto foi aplicada a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), conforme fundamentos legais constante dos relatórios anexos. Notificada da exigência em 31/05/2011, em 24/06/2011 a contribuinte apresentou ... O acórdão da DRJ foi pela procedência em parte da impugnação, julgado por unanimidade de votos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.022 11 DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A contagem do prazo decadencial é regida pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃOCUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, a ser utilizado na apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da nãocumulatividade e da cumulatividade. As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançadas pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitamento de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afastase a qualificação da multa de ofício, reduzindose seu percentual. A empresa apresentou recurso voluntário onde alega: A auditoria refez os lançamentos anteriores, por isso está decaído o direito de lançar e ocorreu uma homologação tácita da parte não autuada; Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.023 12 a autuada tinha processo de consulta protocolado, por isso não podia retificar nada já que se encontrava sob fiscalização; os créditos anteriores a janeiro de 2006 foram desconsiderados sob o argumento de que o sujeito passivo estaria preenchendo incorretamente o Dacon, gerando créditos considerados inexistentes pela fiscalização; os créditos anteriores a janeiro de 2006 estariam decaídos; o aplicativo de computador Contágil, usado pela fiscalização, é ineficiente para identificar créditos; a planilha apresentada pela fiscalização não é clara e impossibilita a defesa; se nos processos anteriores foram efetuados lançamentos parciais porque a auditoria, nesse processo afirma estar refazendo todo o lançamento? Se considerar que a autuação é datada de 27/05/2006 então está decaído o período de janeiroabril de 2006, inclusive a multa; os documentos fiscais não foram devolvidos a empresa, impossibilitando a defesa; a fiscalização não identificou quais itens dão direito a credito e quais não dão, não diz quais operações foram desconsideradas; a fiscalização não considerou o rateio das despesas comuns aos regimes. A DRJ recorreu de ofício por ter exonerado parte do crédito tributário, relativo à quantificação da multa de ofício. Em 25/07/2013 o julgamento foi convertido em diligência Resolução nº 3401000.747, pela 1ªTO/4ªCAM/3ªSEJ, com composição diversa da atual, para conforme voto: CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS – Redator para a Resolução Dissentiu o colegiado da proposta da dra Ângela Sartori, que implicava, de imediato, o afastamento da exigência no tocante a receitas decorrentes da comercialização de combustível adquirido de outra distribuidora, matéria que teria sido objeto de consulta ainda não respondida quando do início do procedimento fiscal. No entanto, o colegiado houve por bem, primeiramente, ver esclarecido se o lançamento efetivamente alcança alguma receita obtida com a revenda de combustível adquirido de outra distribuidora. Assim, decidiu, por maioria, determinar a realização de diligência para que: a) a fiscalização afirme se em algum dos meses objeto do lançamento há na base de cálculo por ela adotada a inclusão de receitas que a contribuinte tenha obtido com a revenda de combustível adquirido de outras distribuidoras e, em caso Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.024 13 afirmativo, discrimine o valor dessas receitas e o montante de cada tributo sobre elas exigido neste processo; b) confirme se esse é o objeto da consulta formulada, se ela foi declarada ineficaz, e informe a data em que a empresa foi validamente comunicada de seu resultado; c) sendo a data acima posterior à de início da ação fiscal, aponte por que, ainda assim, entende cabível aquela inclusão. Das conclusões deve ser dada ciência à empresa para apresentação de manifestação no prazo de trinta dias. Em 21/07/2014 a Delegacia da RFB em Campinas por meio da informação fiscal afirma: que a consulta foi formulada à unidade da RFB que não a do domicílio tributário, contrariando o art. 47 do Decreto nº 70,235; o MPF foi genericamente dirigido às contribuições para o PIS e COFINS, período de janeiro a dezembro de 2006; A consulta foi respondida pela SRRF em São Paulo por meio da SC nº 306, de 26/08/2010, e o contribuinte foi cientificado do teor por meio do Comunicado Seort/DRF/CPS nº14615/010, de 01/09/2010, cuja ciência ocorreu em 17/09/2010, na sede do estabelecimento 001, em Paulínia (SP); o contribuinte não adotou providências de retificação das declarações e/ou recolhimentos após os 30 dias da ciência da consulta, nos termos do art. 48 do Decreto nº 70.235; quanto aos questionamentos apresentados por meio da Resolução Carf nº3401000.747, esclarece: a) sim, em relação ao álcool carburante, com tributação no regime cumulativo no período apurado de débito, conforme legislação vigente e da própria Solução de Consulta em questão, que o contribuinte deliberadamente houve por bem não acatar. Segue abaixo a discriminação da base de cálculo, alíquota e contribuição por tributo: Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.025 14 b) Não consta que a consulta foi declarada ineficaz, e sua ciência ocorreu em 17/09/2010, conforme AR anexado aos autos do processo. Ressaltese que o primeiro AI foi lavrado em 28/01/2011. Entende o notificante que no momento da lavratura não havia impedimento para a constituição do crédito tributário; c) segue resumo dos motivos pelos quais o notificante entende que a inclusão é pertinente e o débito deve ser mantido: o contribuinte exigiu protocolo da consulta em local diverso do previsto nas normas com isso a DRF Campinas não teve ciência da existência da consulta à época da emissão do MPF; a determinação da fiscalização foi baseada em indicativos e pesquisas internas da RFB e foram apuradas diversas outras irregularidades e créditos tributários não relacionados na consulta; é inverossímil a alegação do sujeito passivo que não teve ciência da consulta; e ele não adotou as providencias necessárias para corrigir os erros no prazo legal após a ciência da consulta; solicita o notificante aos senhores julgadores que seja revista a questão do dolo relativo à prática de sonegação das contribuições devidas; Em 21/07/2014 foi disponibilizada a informação fiscal e demais documentos na caixa postal do contribuinte, sendo a ciência por decurso de prazo considerada em 05/08/2014. Em 09/03/2018 as 16:10h o contribuinte acessou os documentos. Em sessão de 18/04/2018 o processo foi redistribuído a mim, por identificada a conexão com o processo PA 10830.001238/201102, conforme no art. 6º, §§ 1º, I, 2º e 3º, do RICARF/15 (Portaria MF 343/15). É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade pelo que dele tomo conhecimento. Do Recurso de Ofício. A DRJ cancelou a aplicação da multa qualificada por não ter identificado dolo na conduta da recorrente: Este relator entende que os fatos narrados pela fiscalização se mostram insuficientes para caracterizar a conduta dolosa da contribuinte. Vejase, para os casos em que a fiscalização verifique insuficiência de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata de tributos, a legislação estabeleceu uma penalidade cuja aplicação independe da verificação de qualquer Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.026 15 outro elemento adicional: 75% sobre o montante não pago ou não declarado. A qualificação da penalidade, ao contrário, está vinculada à configuração das hipóteses dos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. A multa foi aplicada com valor histórico para Cofins R$ 2.694.294,90 e para Pis R$ 584.625,31, no seguinte enquadramento legal: MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 150,00% Art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n°70/91 e art. 44, inciso II, da Lei n°9.430/96. Como a DRJ retirou a qualificação da multa, então restou configurada a multa de 75% nos valores históricos de Cofins R$ 1.347.147,45 e PIS R$ 292.312,65. Em juízo de admissibilidade da remessa necessária verifico, pelos elementos disponíveis nos autos, nos termos do art. 34, I do Decreto nº 70.235/72 e do art. 70, caput, do Decreto 7.574/2011, que o valor exonerado não atinge o limite de alçada estabelecido pela s Portaria MF nº 63/2017, fixado em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Conforme Súmula CARF nº 103 deve ser aplicado o valor de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância administrativa: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Sendo assim deixo de conhecer o Recurso de Ofício interposto. Preliminar: da consulta e seus efeitos. A recorrente protocolou em 07/02/2007 pedido de solução de consulta relativa às contribuições PIS e Cofins. Ela apresentou as seguintes informações e questionamentos: é empresa distribuidora de líquidos derivados de petróleo e álcool combustível; adquire álcool etílico hidratado carburante de distribuidores congêneres e revende a referida mercadoria para outras distribuidoras e rede varejista; a MP 1.99118/2000 e as Leis nº 9.900/200, 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004 tributam o álcool para fins carburantes com alíquotas de 1,46% PIS e 6,74% Cofins nas distribuidoras; na legislação não existe a hipótese de operação de compra e venda entre empresas congêneres, ou seja, a aquisição de outra distribuidora; Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.027 16 conclui com o questionamento se caberia a incidência ou não do PIS e Cofins quando uma distribuidora adquire o produto de outra distribuidora, e quais alíquotas seriam aplicadas. A DRF Campinas emitiu o MPF nº 08.01.04.002009010506 para verificar o cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte nos meses de janeiro a dezembro de 2006, relativas às contribuições do PIS e Cofins. A fiscalização teve início em 03/09/2009 com a lavratura do Termo de Início de fiscalização e intimação fiscal. Segundo o Decreto nº 70.235/1972: Art. 48 Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente a data da ciência: I – de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II – de decisão de segunda instância. Está claro que o Decreto nº 70.235/1972 proíbe a instauração de procedimento fiscal contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada. Como o procedimento fiscal foi aberto em sentido amplo, entendo, a princípio, que poderia ser abarcado pelo mesmo somente as obrigações tributárias relativas às contribuições do PIS e Cofins que não se enquadrassem no objeto da consulta que é a tributação do álcool etílico hidratado carburante, no regime monofásico, quando a compra ou venda ocorrerem entre distribuidoras. Quanto ao alegado na autuação sobre a ineficácia da consulta e sobre a não produção de efeitos pelo fato de a mesma ter sido protocolada em unidade diferente do domicilio fiscal do contribuinte, temos que o art. 48 da Lei nº 9430/96 estipulava, redação válida no período, que: Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. ... § 1º A competência para solucionar consulta ou declarar sua ineficácia será atribuída: I – a órgão central da SRF, nos casos de consultas formuladas por órgão central da administração pública federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional; II a órgão regional da SRF, nos demais casos. Logo, fica claro que quem poderia alegar a ineficácia da consulta seria a autoridade competente para efetuar a análise da consulta, e isso não foi efetuado já que a consulta foi solucionada conforme SC nº 306, de 26 de agosto de 2010, pela Divisão de Tributação/DISIT da SRRF08. Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.028 17 Quanto a não produção de efeitos pelo descumprimento do art. 47 do Decreto nº 70.235/1972 e aplicação do art. 52: Art. 47. A consulta deverá ser apresentada por escrito, no domicilio tributário do consulente, ao órgão local da entidade incumbida de administrar o tributo sobre que versa. (...) Art. 52. Não produzirá efeitos a consulta formulada: I – em desacordo com os artigos 46 e 47; (...) Divirjo do entendimento exarado pela fiscalização quanto a não produção de efeitos da consulta. De fato o Decreto nº 70.235/1972 estipula que a consulta deverá ser apresentada no domicilio tributário do consulente, e a IN nº 740/2007, vigente à época, estipulava que a consulta seria formulada pelo estabelecimento matriz e a solução aproveitada por todos os estabelecimentos. O domicílio fiscal do contribuinte é aquele que ele elege perante RFB, e é esse domicilio que esta apto a receber as intimações da RFB. Não é possível imaginar uma empresa como uma entidade fragmentada no exercício dos seus direitos e também não é possível imaginar a RFB como um órgão particionado. Ora a RFB é única e por isso qualquer unidade está apta a receber os pleitos dos contribuintes e encaminhálos a quem deve solucionálos conforme as prerrogativas e competências institucionais. Se a RFB reparte as atividades é por necessidades administrativas e melhoria de procedimentos, mas a partir do momento em que aceita receber e protocolar um pleito do contribuinte entendo que foram sanadas as falhas quanto ao protocolo na unidade de jurisdição do domicilio tributário, e mais, a partir do momento em que a consulta foi solucionada, e o julgador não encontrou óbices para a solução da consulta, não nos resta mais falar sobre a não produção de efeitos. Também discordo do entendimento da fiscalização de que o assunto está disciplinado em leis e normas publicadas antes da apresentação da consulta, pois se assim fosse a própria RFB declararia a ineficácia da consulta. O que não ocorreu. Ademais é o próprio entendimento da RFB em seu art. 14 da IN 740/207 que esclarece quanto a produção de efeitos da consulta: Art. 14 A consulta eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da solução de consulta. Ora se a consulta foi respondida pela RFB é porque ela foi considerada eficaz, já que no caso de ineficácia ela deveria ter sido declarada pela autoridade julgadora. Se ela é eficaz, ela produz efeitos. O recebimento da consulta pela unidade da RFB gerou no contribuinte expectativa de solução, e a resposta à consulta garantiu a certeza que as formalidades foram cumpridas ou sanadas. Não pode a administração pública acarretar insegurança jurídica ao contribuinte por não ser coerente em suas atividades. Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.029 18 Por todo o exposto entendo que a consulta foi eficaz e por isso produziu efeitos relativamente à matéria consultada até o trigésimo dia seguinte ao da ciência pelo consulente, e que o escopo da consulta, que estaria abrangido pelo art. 48 do Decreto nº 70.235/1972, seria as obrigações tributárias relativas às contribuições do PIS e Cofins que se enquadrassem na tributação do álcool etílico hidratado carburante, no regime monofásico, quando a compra ou venda ocorrerem entre distribuidoras. Da impossibilidade de retificação dos dados pela empresa. Outro ponto que merece ser discutido antes de entrarmos no mérito é sobre a possibilidade da empresa retificar suas informações após o resultado da consulta formulada. A consulta da contribuinte foi solucionada em 26/08/2010, SC nº 306, pela Divisão de Tributação/DISIT da SRRF08. E a contribuinte tomou ciência da Solução de consulta em 17/09/2010, conforme AR anexado aos autos. A empresa alega que a ciência é inválida já que foi realizada em domicílio tributário indevido do contribuinte e por pessoa não autorizada. O domicílio tributário da matriz do contribuinte é a DRF Campinas, e a consulta foi protocolada na DRF Presidente Prudente. Segundo a Informação Fiscal, resultado da diligência efetuada, o contribuinte foi cientificado do teor da consulta por meio do Comunicado Seort/DRF/CPS nº14615/010, de 01/09/2010, cuja ciência ocorreu em 17/09/2010, na sede do estabelecimento 0001, em Paulínia (SP), que pertence a jurisdição da DRF Campinas. Ora o protocolo em unidade diferente do estipulado pela IN SRF 740/2007 foi convalidado pela Superintendência da RFB com a emissão da solução da consulta, e por isso a ciência foi encaminhada à unidade do domicilio fiscal da matriz da empresa, então não prospera a argumentação da empresa sobre a invalidade do domicilio tributário. E qualquer falha no recebimento da ciência foi sanada a partir do momento que a própria contribuinte admite conhecer o teor da solução de consulta. Ou seja, o ato de ciência alcançou seu efeito. O sujeito passivo tinha espontaneidade para fazer as retificações em seus registros contábeis até 30 dias após a data da ciência, ou seja, até trinta dias após 17/09/2010, conforme art. 48 do Decreto nº 70.235/1972, entretanto essas alterações não foram efetuadas, pois o contribuinte alega que como estava sob procedimento fiscal não poderia fazer as retificações. Então razão parcial assiste a recorrente ao alegar que estava sob procedimento fiscal e não poderia fazer as retificações. De fato ao iniciar o procedimento fiscal a empresa perde a espontaneidade para fazer retificações, o que significa que ela não deixará de estar sujeita as multas aplicáveis. Entretanto isso não significa que ela não possa fazer as retificações. Ela poderá fazer, mas caso o procedimento esteja em andamento, a fiscalização constatando que a retificação foi efetuada depois caberá a aplicação das multas. Assim, a empresa poderia ter efetuado a retificação e não o fazendo incidiu nas sanções legais que foram aplicadas pela fiscalização. Sob a validade do auto de infração emitido após a data da solução da consulta. Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.030 19 Já é posicionamento dominante no CARF que eventuais omissões ou incorreções que afetem o MPF não contaminam a autuação, pois a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada para a autoridade fiscal, que não pode se eximir de fazer o lançamento, conforme art. 142 do CTN. PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal visa o controle administrativo das ações fiscais da RFB, não podendo afastar a vinculação da autoridade tributária à Lei, nos exatos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilização funcional. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento. Acórdão nº 9303.003.876, de 19/05/2016, do conselheiro Rodrigo da Costa Possas. A autuação ocorreu em 29/01/2011, após a produção de efeitos da consulta, no que tange ao objeto consultado, o que conforme o entendimento dominante expresso no acórdão citado, e com o qual concordo, seria plenamente cabível. Concluo que como o auto de infração foi emitido após 30 dias da ciência da solução de consulta ele é válido. DOS LANÇAMENTOS COMPLEMENTARES A recorrente alega que o processo 10830.721425/201106, não apenas efetuou ajustes no lançamento anterior, mas refez todo o lançamento dos processos: 10830.001238/201102, 10830.001756/201118 e 10830.720472/201124. Comparando as autuações temos que: PROCESSO PERÍODO LANÇADO SUPLEMENTAR DATA LANÇAMENTO SITUAÇÃO PROCESSO 10830.721425/201106 05 A 12/2006 01 A 04/2006 27/05/2011 Com relatora 10830.001238/201102 01 A 02/2006 28/01/2011 Com relatora 10830.001756/201118 01 A 02/2006 Julgado 10830.720472/201124 03 A 04/2006 29/03/2011 Com relatora In casu, o auto sob análise nesse processo referese ao valor apurado em relação ao que deveria ter sido recolhido para o PIS e a Cofins em relação ao álcool carburante nos meses de 01/2006 e 02/2006, parecendo haver relação entre os processos, visto que o período, demonstrativos, situações, todos insertos nos dois Autos de Infração, a primeira vista parecem serem idênticos. Isso nos leva a crer que se trata da mesma ocorrência. Mas não é possível precisar qual o escopo dessa terceira autuação sem adentrar na análise do mérito do processo 10830.721425/201106. Digo terceira autuação por que a recorrente cita em seu recurso que a autuação inicial foi objeto de complementação com lavratura de novo auto de infração, constante dos processos 10830.001756/201118 e 10830.720472/201124. Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.031 20 Seria descabida uma nova exigência relativa à situação anteriormente considerada, sob pena de se incorrer na figura esdrúxula do bis in idem, prática não aceita no Direito Tributário Brasileiro. Entretanto, é preciso verificar se o lançamento foi efetuado novamente, ocorrendo a anulação do presente lançamento, ou se ele foi complementado. O processo 10830.001756/201118 foi julgado em 25/07/2013, acórdão nº 3401002.339, onde deuse provimento ao recurso voluntário para considerar nulo o lançamento, conforme ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 REFISCALIZAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS ENSEJADORES DA REVISÃO DE LANÇAMENTO AO ART. 149 DO CTN. INEXISTÊNCIA. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A revisão do lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente comprovada a ocorrência de algumas das hipóteses permissivas, elencadas no artigo 149, e incisos, do CTN. Inexistindo subsunção dos fatos ensejadores da revisão de lançamento àquele dispositivo legal, cingese a autuação de vício material e consequente nulidade. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Segundo o voto da relatora: O termo de verificação fiscal colacionado aos autos informa que a presente Autuação referese a lançamento complementar ao Auto de Infração nº. 10830.0001238/201102, em razão da constatação de erro de digitação no aplicativo interno de auditoria SAFIRA, na qual foi colocado o valor da contribuição como base de cálculo, o que culminou num lançamento a menor no processo principal. Evidenciase, deste modo, que ao realizar lançamento complementar, a autoridade fiscal procedeu com a revisão de ofício do processo principal quando da apuração do equívoco dos valores alhures referidos. É o que se verá adiante. Inicialmente, cumpre destacar que a feitura do termo de verificação fiscal complementar se deu após a notificação do lançamento principal, conforme foi constatado pela DRJ quando do julgamento do processo principal acima indicado, na fl. 06 do Acórdão nº. 0537.646, in verbis: “Notificada da exigência em 29/01/2011, em 01/03/2011 a contribuinte postou impugnação argumentando, em síntese, o que segue. Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.032 21 (...) Destaca que foi intimada do lançamento em 29/01/2011 e que em 08/02/2011 recebeu Termo de Verificação Complementar para sanear R$ 50.642,25 de diferença lançada a menor, valor esse que será objeto de auto de infração específico.” Temse, assim, que no momento da ciência do lançamento principal ao sujeito passivo, operouse a constituição definitiva do crédito, ... Portanto, ao Fisco, se não houver provocação do sujeito passivo (incisos I e II), apenas será permitida a realização de revisão do lançamento nas hipóteses do art. 149, do CTN, in verbis: ... Logo, a retificação de ofício do Auto de Infração apenas será possível quando demonstrada a subsunção da situação fática descrita à norma, qual seja erro de digitação no sistema ensejador de equívoco na apuração da base de cálculo, com o consequente recolhimento a menor, a uma das hipóteses previstas no dispositivo acima transcrito. Contudo, uma perfunctória leitura do art. 149 do CTN permitirá reconhecer a ausência de enquadramento do fato analisado no presente processo administrativo, inexistindo, portanto, amparo legal que justifique o lançamento sob análise. ... Salientese que a nulidade em razão da indevida retificação de ofício é de natureza material, por atingir elemento essencial do lançamento, de modo a tolher qualquer pretensão arrecadatória. ... Destarte, não subsistem razões que permitam o prosseguimento da pretensão fazendária no que concerne aos valores discutidos na ação fiscal em epígrafe, uma vez que constatado vício de natureza material, enseja, assim, o reconhecimento da sua nulidade. Portanto o processo 10830.001756/201118, já se encontra julgado definitivamente no âmbito do CARF, não havendo propositura de Recurso Especial. Quanto ao presente processo, constam nos autos vários TVFs, e a fiscalização afirma que a fiscalização foi feita por parte, sendo emitidos termos complementares e lançamentos complementares, assim que foram constatadas diferenças nos lançamentos anteriores efetuados. A fiscalização informa também ter dado ciências parciais ao contribuinte. Consta no primeiro TVF, fls 59 e sgs., com data de 28/01/2011, relativo ao processo PA 10830.001238/201102 que: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao MPF n° 08.1.04.00200901050 Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.033 22 6, procedemos às verificações relativas ao cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado nos meses de Janeiro e fevereiro de 2006, relativas às contribuições do PIS e COFINS, resultando na lavratura do presente lançamento de ofício, com o objetivo de salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, prevenindo a decadência e tendo em vista que foi apurada a infração abaixo descrita, aos dispositivos legais mencionados. (PA 10830.001238/201102) Ás fls. 67 e sgs, apresenta o TVF complementar, com data de 07/02/2011, onde consta que: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil procedemos à emissão do presente TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL COMPLEMENTAR, com o objetivo de sanear o AUTO DE INFRAÇÃO, processo 10830.0001238/2011 02, emitido em 28/01/2011, nos termos do Artigo 60 do Decreto 70.235/72. ... I SANEAMENTO DO ITEM 11. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. DE 28/01/2011. COM ALTERAÇÃO SOMENTE NAS TABELAS ABAIXO. PERMANECENDO INALTERADAS AS DEMAIS: 3. Os valores declarados em DACON e os apurados pelo Fisco são os constantes das tabelas descritas abaixo: ... Observação Importante do Termo de Verificação Fiscal Complementar: Por erro de digitação dos dados no aplicativo interno de auditoria SAFIRA, na competência 02/2006, foi colocado o valor da contribuição como base de cálculo, ocorrendo uma diferença entre o valor apurado pelo Fisco e o valor lançado, na contribuição para a COFINS regime não cumulativo, a saber: R$.54.807,62 (valor apurado pelo Fisco) () R$.4.165,37 (valor efetivamente lançado no AI, decorrente da aplicação da alíquota de 7,6% sobre esse valor), totalizando R$.50.642,25 de diferença lançada a menor, valor esse que será objeto de Auto de Infração específico, a ser lavrado e encaminhado ao contribuinte, nos termos da legislação vigente sobre o tema. II SANEAMENTO REF. MULTA ISOLADA EXCLUSÃO DA INFORMAÇÃO NOS RELATÓRIOS DO SAFIRA 4. Fica o sujeito passivo cientificado que, por incorreção na geração e impressão dos relatórios do SAFIRA em meio papel, foi incluído, impresso e encaminhado indevidamente ao mesmo o texto relativo à multa isolada, no valor de R$.9.999,00 (nove mil, novecentos e noventa e nove reais), constante dos relatórios impressos do SAFIRA, na via encaminhada ao Autuado, todavia, tratase de exigência que deve ser desconsiderada, pois foi incluída por equívoco, não integrando de fato o Auto. O valor Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.034 23 em questão não consta do Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário no Processo enviado ao contribuinte e também não constou dos arquivos de integração aos sistemas da RFB., devendo ser desconsiderado para todos os fins legais. III SANEAMENTO ALTERAÇÃO DE REDAÇÃO DO ITEM 22 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL INICIAL. CONFORME ABAIXO 5. O procedimento fiscal está em andamento, sendo encerrado, parcialmente, o período de janeiro a fevereiro de 2006. Até o encerramento definitivo do procedimento fiscal serão emitidos os Autos, Representações e demais Termos cabíveis, inclusive e se for o caso, de forma complementar, no que for cabível relativamente às competências janeiro e fevereiro de 2006, que continuam sob exame. 6. Em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa, o Sujeito Passivo está sendo cientificado deste Termo, através do Correio, mediante A.R. Aviso de Recebimento, para nova impugnação, caso queira acrescentar as alegações que entender necessárias, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência do presente Termo de Verificação Fiscal Complementar. Às fls. 70 e sgs., consta novo TVF, com data de 11/02/2011, relativo à fiscalização do período de fevereiro de 2006 onde esta descrito que: Tratase de lançamento complementar ref. PIS e COFINS, referente ao regime não cumulativo, competência 02/2006, por erro de lançamento a menor no processo 10830.0001238/2011 02, de 28/01/2011. Os valores declarados em DACON, os apurados pelo Fisco no citado processo e as diferenças ora apuradas, relativamente à competência fevereiro de 2006, são os constantes das tabelas devidamente descritas abaixo: ... 9. Por erro de digitação dos dados no aplicativo interno de auditoria SAFIRA, relativamente ao processo 10830.001238/201102, de 28/01/20011, na competência 02/2006, foi colocado o valor da contribuição como base de cálculo, ocorrendo diferença entre o valor apurado pelo Fisco e o valor lançado, na contribuição para a COFINS regime não cumulativo, a saber: R$.54.807,62 (valor apurado pelo Fisco) () R$.4.165,37 (valor efetivamente lançado no AI, decorrente da aplicação indevida da alíquota de 7,6% sobre esse valor), totalizando R$.50.642,25, de diferença lançada a menor, que está sendo regularizada através do presente Auto de Infração; 10.Houve equívoco no processo 10830.001238/201102, de 28/01/20011, quanto ao cálculo dos créditos a descontar, relativamente ao regime não cumulativo, na competência 02/2006, em razão de não ter sido calculado corretamente o rateio proporcional entre as receitas da não cumulatividade e as demais receitas. As diferenças estão descritas e apuradas nos quadros demonstrativos acima e estão sendo incluídas no Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.035 24 presente lançamento, totalizando R$.3.601,43 a título de PIS e R$.67.230,66 a título de COFINS, totalizando os valores originais R$.70.832,09 (setenta mil, oitocentos e trinta e dois reais e nove centavos) Portanto resta claro que, para os meses de janeiro e fevereiro de 2006, o que consta nos presentes autos é a complementação do que foi lançado no processo 10830.001238/201102. Quanto aos meses de março e abril de 2006 também foi efetuado lançamento complementar, conforme TVF fls. 77 e sgs, lavrado em 29/03/2011, relativo ao PA 10830.720472/201124: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao MPF n° 08.1.04.00200901050 6, procedemos às verificações relativas ao cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, nos meses de março e abril de 2006, relativas às contribuições do PIS e da COFINS, resultando na lavratura do presente lançamento de ofício, com o objetivo de salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, prevenindo a eventual discussão sobre prazos decadenciais e tendo em vista que foi apurada a infração aos dispositivos legais adiante mencionados. Às Fls. 91 e sgs.. consta novo TVF, para os períodos de janeiro a dezembro de 2006, com data de lavratura em 27/05/2011: PARTE B LANÇAMENTOS REF. AJUSTES DOS OUTROS AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS NESTE PROCEDIMENTO FISCAL 12.Considerando que o contribuinte apresentou com deficiência, apesar de intimado e reintimado, os relatórios, planilhas, demonstrativos e documentação relativos aos bens para revenda, quanto à validade dos créditos a descontar em geral, no que se refere ao regime da não cumulatividade, e especialmente deixou de apresentar os documentos relativos aos aluguéis de imóveis e de locação de máquinas e equipamentos, ambos de pessoas jurídicas (comprovação da finalidade e validade do suposto crédito, recibos, notas fiscais, contratos, etc), conforme lançamentos no DACON, os valores de créditos a descontar preliminar e inicialmente aceitos, mediante rateio proporcional, estão sendo ora desconsiderados pelo Fisco e lançados a título de contribuições suplementares, em razão dos procedimentos finais de encerramento da ação fiscal e da falta de completa e necessária comprovação documental, conforme quadro abaixo: ... 13. Considerando a grande complexidade da legislação e sua variação ao longo do tempo; as dificuldades geradas pelo contribuinte durante a ação fiscal, pela morosidade e apresentação deficiente de elementos, justificativas e documentos, bem como pela grande discrepância entre os Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.036 25 valores de contribuição apurados pelo Fisco e os declarados pelo sujeito passivo, efetuouse, para fins de encerramento do procedimento fiscal, uma revisão final dos documentos, informações e arquivos digitais em poder da Fiscalização, elaborandose, no período janeiro a abril de 2006, um novo quadro demonstrativo das receitas, com base nos dados contábeis do próprio sujeito passivo, e constantes do Anexo V, cujo resumo segue abaixo: ... 14. Com base no quadro acima, e nos valores lançados anteriormente, foram apuradas as seguintes diferenças, relativas às receitas não cumulativas, no período de janeiro a abril de 2006: ... 15. Os valores consolidados da parte B, referente aos ajustes finais do período janeiro a abril de 2006 são os seguintes: Não resta dúvida, a partir da leitura dos excertos acima reproduzidos do TVF, que, para os meses de março e abril de 2006, o que consta nos presentes autos é a complementação do que foi lançado nos outros processos. Quanto a possível alegação que não caberia revisão de ofício nos moldes do art. 149 do CTN, discordo desse posicionamento. Entendo que a fiscalização efetuou a revisão do lançamento, dentro do prazo legal e ao amparo da legislação em vigor: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.037 26 VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Do não acesso ao Lalur (livro de apuração do lucro real) A recorrente alega que a auditoria estava em poder, de entre outros documentos, o livro de apuração do lucro real (LALUR) e que a decisão da DRJ foi que os documentos não devolvidos não seriam relevantes para a defesa. A DRJ assim se posicionou no acórdão recorrido: Ainda com relação ao trabalho fiscal, alega a contribuinte cerceamento de defesa já que ficou impedida de elaborar defesa técnica pela retenção do Livro de Apuração do Lucro Real pela auditoria. Inicialmente, é preciso destacar que a contribuinte construiu defesa bem argumentada, demonstrando ter conhecimento de todos os pontos que fundamentaram o lançamento fiscal, o que de pronto já afasta a possibilidade de ter sido tolhida em seu exercício do direito de defesa. Não obstante, eventual não devolução do LALUR não acarretaria nenhum prejuízo à construção da defesa da contribuinte. Isto porque, é preciso lembrar, o presente auto de infração referese a autuação do PIS e da Cofins, não tendo qualquer relação com esses tributos os registros levados ao Livro de Apuração do Lucro Real. Finalmente, é preciso acrescentar que os demais elementos da escrituração fiscal e contábil foram apresentados em cópias digitais, sendo certo que a contribuinte mantém os originais dos registros em seu poder. Segundo informações constantes no site da Receita Federal na internet: O Livro de Apuração do Lucro Real, também conhecido pela sigla Lalur, é um livro de escrituração de natureza eminentemente fiscal, criado pelo Decreto Lei nº 1.598, de 1977, conforme previsão do § 2º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 1976, e alterações posteriores, e destinado à apuração extra contábil do lucro real sujeito à tributação pelo imposto de renda em cada período de apuração, contendo, ainda, elementos que poderão afetar os resultados de períodos futuros,. Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.038 27 O Lalur, cujas folhas são numeradas tipograficamente, é composto de duas partes, com igual quantidade de folhas cada uma, reunidas em um só volume encadernado, a saber: a) Parte A, destinada aos lançamentos de ajuste do lucro líquido do período (adições, exclusões e compensações), tendo como fecho a transcrição da demonstração do lucro real; e b) Parte B, destinada exclusivamente ao controle dos valores que não constem da escrituração comercial, mas que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos futuros. Acompanho o posicionamento da DRJ para o qual não houve prejuízo para a recorrente, já que a autuação referese às contribuições de PIS/Pasep e Cofins, cujas informações podem ser obtidas em outros livros e documentos em poder do contribuinte, não sendo imprescindível o acesso ao Lalur para efetuar a defesa. Tanto não ficou prejudicada que a recorrente demonstra, trazendo provas e alegações em seu recurso voluntário, do inteiro teor da autuação e suas repercussões. DA DECADÊNCIA Acompanho o posicionamento da DRJ e assim reproduzo o teor do voto recorrido, conforme o §3º do art. 57 do RICARF e por a recorrente não ter apresentado novas razões de defesa: Sobre a alegação de decadência cumpre lembrar que o entendimento administrativo vinha se consolidando no sentido de ser de dez anos o prazo para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais, como é o caso do PIS e da Cofins, nos termos do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 24 de Julho de 1991. No entanto, em 20/06/2008 foi publicada no Diário Oficial da União, a Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal, com o seguinte teor: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Por seu turno, o art. 2º da Lei nº 11.417, de 19 de dezembro de 2006, define os efeitos da edição de súmula vinculante nos seguintes termos: ... O Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, aprovado por Despacho do Ministro da Fazenda em 18/08/2008, estabeleceu orientações a serem observadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em face da edição pelo Supremo Tribunal Federal da Súmula Vinculante nº 8, assim dispondo quanto à fixação do dies a quo dos prazos decadenciais das contribuições para a seguridade social, uma Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.039 28 vez afastadas do mundo jurídico as normas contidas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991: (...) Pesquisa realizada nos sistemas de pagamento da Receita Federal, vide telas a seguir, indica que a contribuinte não efetuou nenhum recolhimento referente a códigos de receita de PIS ou Cofins para o período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007. Os únicos pagamentos localizados referemse ao código de receita 8109 e correspondem a pagamento de parcelamento solicitado em 2004. ... Assim, ante a Súmula Vinculante nº 8 e Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, a ausência de pagamentos impede que se aplique a regra de decadência prevista no §4º, artigo 150, do CTN, independentemente da averiguação da ocorrência de fraude, dolo ou simulação. A ausência de recolhimentos relativa aos fatos geradores tratados no auto de infração leva à aplicação do prazo decadencial fixado de acordo com o art. 173, I do CTN, iniciandose no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Na medida em que o lançamento de ofício poderia ser efetuado depois de finalizado o fato gerador, o Fisco poderia agir já a partir das datas de efetivação das operações consideradas no Auto. Assim, para os fatos geradores ocorridos em 2006, o marco inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do ano 2007, encerrandose em 31/12/2011. Conseqüentemente, tendo o lançamento sido notificado ao sujeito passivo em 31/05/2011, não há, nos autos, nenhum fato gerador alcançado pela decadência. Mérito Vencidos os argumentos que poderiam prejudicar a análise do mérito passemos a analise das questões focais do processo. Os fatos que motivaram a autuação foram os seguintes: tributação das receitas auferidas com a venda de álcool carburante no regime não cumulativo. Para autuação as receitas são submetidas ao regime cumulativo e o contribuinte não poderia calcular créditos sobre custos, despesas ou encargos vinculados; falta de rateio proporcional das receitas submetidas ao regime não cumulativo com a consequente apropriação a maior de créditos; Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.040 29 crédito do regime não cumulativo calculados sobre aluguéis, máquinas e equipamentos devem ser desconsiderados, bem como os créditos anteriores a janeiro de 2006, pela decadência. Da desconsideração do saldo de crédito anterior a janeiro de 2006. A recorrente alega que a autoridade fiscal cometeu uma impropriedade ao desconsiderar os saldos de crédito acumulados até dezembro de 2005 para as contribuições, o que fez com base no argumento de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon estaria preenchido de maneira incorreta. Com isso desconsiderou créditos de Cofins e do PIS (quadro auxiliar “controle de utilização dos créditos – DACON x Fisco”, do Termo de Verificação). Carece de sustentação a alegação da recorrente. Entendo que agiu correto a fiscalização e acompanho o posicionamento da DRJ. Não cabe ao contribuinte usufruir de créditos que não tem direito e que não comprova o seu direito. Se não fosse efetuado conforme foi pela fiscalização o contribuinte poderia estar usufruindo de créditos que não possuía e enriquecendo às custas da administração, o que não é permitido. Com a constatação do preenchimento errado das Dacons apresentadas e não comprovado o crédito de outra forma, não há como a fiscalização considerar os créditos alegados pela recorrente. Da não discriminação dos itens que dão ou não direito ao crédito Quanto aos itens que dão ou não direito a crédito a recorrente apresenta a argumentação que a planilha anexada à intimação (modelo analítico dinâmico dos itens de notas fiscais de entrada) não permite nenhum tipo de identificação de quais bens foram tratados. Discordo novamente da argumentação da recorrente. Os créditos passíveis de aproveitamento foram apurados a partir das informações prestadas pelo contribuinte nas Dacons e a fiscalização intimou a contribuinte a apresentar arquivos digitais com suas operações comerciais. A fiscalização buscou o auxílio de aplicativo informatizado para submeter os arquivos apresentados à consistência das informações prestadas, tarefa que seria perto do impossível se não fosse o auxílio dessas ferramentas. Importante ressaltar, conforme podese verificar no Termo de Verificação, não houve crítica quanto a possibilidade de determinado item dar direito a crédito ou não, todos as compras apresentadas pela recorrente foram consideradas e de acordo com a classificação dos créditos efetuada pela empresa, o que o programa computacional efetuou foi somente totalizar as compras a partir das notas fiscais. Os créditos totalizados resultaram em valor menor que o calculado pela contribuinte o que resultou na autuação das diferenças apuradas. Como os dados utilizados foram os mesmos dados fornecidos pela empresa e utilizada a mesma classificação dos créditos por ela adotada não há que se falar em prejuízo à defesa pela não identificação de quais créditos foram tratados. Do Regime de apuração concentrado e incidência não cumulativa. Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.041 30 A fiscalização afirma que a contribuinte não efetuou o rateio entre as despesas sujeitas ao regime da cumulatividade e da não cumulatividade, e por haver custos e despesas comuns ao auferimento de receitas sujeitas a ambos os regimes os créditos devem ser determinados de acordo com os métodos de rateio/apropriação dos arts. 21 a 28 da IN SRF nº 404/2004. A recorrente alega que estaria sujeita a tributação concentrada e não à tributação cumulativa como faz crer a autuação. E que no caso da tributação concentrada ou monofásica não há vedação à utilização de outros créditos vinculados a essas vendas, apresenta as soluções de consulta nº 141/2007 e 139/2010 para embasar seu entendimento. Anexa também a ementa da SC nº 49, de 2 de abril de 2009, onde esta estipulado que no caso de produtor de álcool, os insumos utilizados na produção deste geram créditos calculados com base na alíquota prevista no caput do art. 2ºda Lei nº 10.833/2003 que é de 7,6% para a Cofins. Afirma a recorrente que a lei faz é estabelecer uma alíquota diferenciada para o recolhimento das contribuições, não excluindo nenhuma atividade do regime não cumulativo. A DRJ analisou a questão e apresenta a seguinte posição: A questão da apuração do crédito não cumulativo por rateio está vinculada às pessoas jurídicas que se sujeitam à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins apenas em relação a parte de suas receitas. Nesses casos, em relação aos custos, despesas e encargos comuns os créditos devem ser apurados na proporção das receitas não cumulativas na matriz da receita bruta. O procedimento está estabelecido no art. 3º, §§7º e 8º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. A matriz de receitas da contribuinte fiscalizada é formada por receitas submetidas aos regimes não cumulativo e cumulativo (caso do álcool para fins carburantes) o que implica a apuração dos créditos da não cumulatividade segundo o método do rateio proporcional. Isso não é discutido pela contribuinte. A discussão se instala em torno das receitas que devem ser levadas nesse cálculo. Mais especificamente, a disputa reside na interpretação do termo receita bruta sujeita à incidência não cumulativa utilizado no inciso II. Segundo a auditoria, o termo não compreenderia as receitas de vendas realizadas com isenção, não alcançadas pela contribuição ou com alíquota zero. Nessa última situação encontramse as receitas decorrentes dos produtos submetidos à tributação monofásica. A contribuinte, por sua vez, repele o cálculo da proporcionalidade elaborada pela fiscalização, arguindo que a auditoria confunde regime cumulativo com tributação concentrada e reivindica créditos calculados também em relação aos custos com comercialização de óleo diesel e gasolina submetidos ao regime de incidência concentrada, conforme tabelas juntadas às fls. 29/32 da peça de defesa. Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.042 31 Sobre a legislação que trata do regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS e da Cofins, verificase que os arts. 1º e arts 3º, § 8º, II, das Leis nº10.637 de 2002, e nº 10.833, de 2003, assim dispõem: Lei nº 10.637, de 2002 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II – (Vetado) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI – não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.043 32 § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: (...) II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (...) Lei nº 10.833, de 2003. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.044 33 investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: (...) II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (...) Os § 2º dos arts. 1º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003 estabelecem que a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins é o valor do faturamento conforme definido nos respectivos caput, ou seja, a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, os § 3º dos arts. 1º das mencionadas leis, estabelecem que não integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins, as receitas relacionadas nos respectivos incisos dos citados § 3º dos arts. 1º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Pode se concluir assim que o legislador ordinário ao estabelecer o método do rateio proporcional previsto nos incisos II dos § 8º dos arts. 3º, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, quis dizer que somente o montante da receita auferida que integrar a base de cálculo a ser submetida, efetivamente, a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS e da Cofins, respectivamente, nas alíquotas de 1,65% e de 7,6% é que deve ser considerado para efeito de cálculo da relação percentual existente para o rateio proporcional aos custos, despesas e encargos comuns, para fins de aproveitamento de créditos a serem descontados das mencionadas contribuições. Nessa medida, as receitas de vendas de produtos sujeitos à alíquota zero, caso dos produtos submetidos à tributação concentrada em fases anteriores da cadeia de produção, não integram o montante da base de cálculo a ser oferecido Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.045 34 mensalmente à incidência e recolhimento das aludidas contribuições no regime da nãocumulatividade. Portanto, o valor correspondente às referidas receitas não compõe nem montante da receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e nem o da receita bruta total, auferida em cada mês, para não distorcer o percentual a ser encontrado para a utilização do método do rateio proporcional aos custos, despesas e encargos comuns, para fins de aproveitamento de créditos a serem descontados das mencionadas contribuições. Logo, às receitas auferidas pela pessoa jurídica, em decorrência de vendas realizadas com isenção, não alcançadas pela incidência, com alíquota zero, por não integrarem a receita bruta mensal sujeita à incidência nãocumulativa, base de cálculo para a aplicação e recolhimento das respectivas alíquotas nãocumulativas, também não integram o montante da receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa utilizado na definição do percentual para o método do rateio proporcional, porque, de fato, sobre referidas receitas não há incidência e recolhimento, efetivo, da Contribuição para o PIS e da Cofins. Essas receitas também não integram o montante da receita bruta total, auferidas em cada mês, para efeito de estabelecimento do percentual existente entre ambas as receitas, a ser aplicado na apuração de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. Chegase assim, ao entendimento de que o montante da receita bruta total, auferida em cada mês, para efeito de determinação do percentual existente entre ambas as receitas, para fins de apuração de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele encontrado após o somatório dos valores das receitas que foram, efetivamente, oferecidos às incidências e recolhimentos das citadas contribuições, nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. Essa interpretação evita distorções no estabelecimento do percentual do rateio calculado sobre os custos, despesas e encargos comuns utilizado no método do rateio proporcional de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS e da Cofins, ou seja, o percentual encontrado decorre, exatamente, do somatório de receitas que foram, efetivamente, tributadas com as incidências e recolhimentos das mencionadas contribuições tanto no regime da não cumulatividade quanto no regime da cumulatividade. Nesse contexto, está correta a conclusão da auditoria acerca da incorreta apuração dos créditos não cumulativos pela contribuinte em razão da ausência de rateio proporcional. Considerando o §3º do art. 57 do RICARF e por a recorrente não ter apresentado novas razões de defesa, confirmo a decisão recorrida e a adota para fundamentar meu posicionamento. Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10830.721425/201106 Acórdão n.º 3401005.099 S3C4T1 Fl. 1.046 35 Por todo a exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício e por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento total. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes, Relatora Fl. 1046DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.722058/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos resolvem devolver o processo à Presidência da Turma para que aprecie alegação de nulidade da intimação do acórdão recorrido e, em consequência, da admissibilidade dos embargos da BIOPAR, com posterior ciência ao contribuinte e retorno a este relator para julgamento dos embargos que houverem sido admitidos.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercicio), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10540.722058/2012-04
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5876272
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.505
nome_arquivo_s : Decisao_10540722058201204.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10540722058201204_5876272.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos resolvem devolver o processo à Presidência da Turma para que aprecie alegação de nulidade da intimação do acórdão recorrido e, em consequência, da admissibilidade dos embargos da BIOPAR, com posterior ciência ao contribuinte e retorno a este relator para julgamento dos embargos que houverem sido admitidos. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercicio), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7354289
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587104280576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1347; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 5.533 1 5.532 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10540.722058/201204 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.505 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 14 de março de 2018 Assunto Embargos do Contribuinte e da Fazenda Recorrente BIOPAR S/A E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos resolvem devolver o processo à Presidência da Turma para que aprecie alegação de nulidade da intimação do acórdão recorrido e, em consequência, da admissibilidade dos embargos da BIOPAR, com posterior ciência ao contribuinte e retorno a este relator para julgamento dos embargos que houverem sido admitidos. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercicio), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 40 .7 22 05 8/ 20 12 -0 4 Fl. 5558DF CARF MF Processo nº 10540.722058/201204 Resolução nº 1401000.505 S1C4T1 Fl. 5.534 2 Relatório. Trata o presente processo de lançamento de auto de infração relativo a ganho de capital da alienação de imóvel. Após o julgamento do recurso voluntário apresentado pelo autuado e os responsáveis solidários foram apresentados embargos por parte do autuado e dos sujeitos passivos solidários. Da análise da admissibilidade dos embargos apresentados foram adotas as seguintes determinações: 1 Não se conheceu dos embargos apresentados pelo recorrente BIOPAR S/ por serem intempestivos; 2 Com relação aos embargos apresentados pelos sujeitos passivos solidários Eduardo Antônio Perera Sá, Agropecuária Seival Ltda. e Gado Bravo Administração e Participação Ltda, estes se referiam a petições idênticas, razão pela qual foram analisados em conjunto. Estes se referiam a uma alegação de contradição e duas de omissão, todos os argumentos foram rejeitados no despacho de admissibilidade por serem manifestamente improcedentes na forma do art. 65, § 3º, do Regimento Interno do CARF; 3 Finalmente, com relação aos embargos apresentados pelo responsável solidário Luís Carlos Echeverria Piva, este apresentou diversos pontos que considerava vício da decisão que se baseavam em contradições e omissões. Da análise destes pontos o despacho de admissibilidade considerou que: Bem como dito anteriormente, a contradição que autoriza o manejo de embargos declaratórios é aquela havida entre a decisão (parte dispositiva do acórdão) e os seus respectivos fundamentos. No caso, nenhuma das alegadas contradições apontadas pelo embargante se verificou entre a decisão e seus respectivos fundamentos, daí porque incabíveis embargos com vistas a sanálas (art. 65, § 3º). Quanto às omissões apontadas, é de se dizer que, com exceção da que cuida do pedido de perícia, todas as demais, ao contrário do que alega o embargante, foram sim objeto de apreciação por parte da Turma. Isso pode ser verificado, inclusive, no próprio texto dos embargos, onde o ora embargante, apesar de alegar omissão, descreve partes do acórdão onde as respectivas matérias foram tratadas pela Turma (art. 65, § 3º). O pedido de perícia, por sua vez, consta do item 6.5 do recurso voluntário do ora embargante (efl. 5169), mas realmente não foi objeto de apreciação por parte da Turma, daí porque entendo que restou demonstrada a omissão questionada. Tendo em vista todo o exposto, e nos termos do art. 65, §§ 1º e 3º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, ADMITO PARCIALMENTE os presentes embargos a fim de que: a) não se conheça dos embargos opostos pela contribuinte Biopar S/A, por intempestivos; Fl. 5559DF CARF MF Processo nº 10540.722058/201204 Resolução nº 1401000.505 S1C4T1 Fl. 5.535 3 b) seja submetida a apreciação da Turma a alegação de omissão quanto à apreciação do pedido de perícia feito pelo responsável tributário Luís Carlos Echeverria Piva; c) seja negado seguimento, em caráter definitivo, a todas as demais alegações de contradição e omissão suscitadas pelos responsáveis tributários. Assim, consoante o despacho de admissibilidade acima identificado, a análise dos presentes embargos prendese, unicamente, à alegação de omissão da turma julgadora quanto à apreciação do pedido de perícia. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Antes de iniciado o julgamento do presente processo, o patrono do contribuinte informou acerca da possibilidade de análise de petição apresentada pelo mesmo no sentido de que os embargos de declaração apresentados pela empresa, que inicialmente foram considerados intempestivos, sejam admitidos por este colegiado. Referida petição foi apresentada apenas uma semana antes deste julgamento, razão pela qual não havia sido analisada anteriormente. Verificando no Regimento Interno do CARF que a análise sobre a admissibilidade de embargos é de competência do Presidente da Turma, resolveu este colegiado que a este deve ser dirigido o processo para, antes de mais nada, se pronunciar sobre a petição apresentada pelo contribuinte. Neste sentido, resolvem os membros deste colegiado converte o presente julgamento em diligência a fim de que o processo seja encaminhado ao Presidente da 1a. Turma de Julgamento, da 4a. Câmara, desta 1a Seção de Julgamento deste CARF para, em razão de sua competência regimental, decidir acerca do recurso contra a declaração de intempestividade dos embargos apresentados pela empresa. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 5560DF CARF MF
score : 1.0
