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Numero do processo: 10380.904133/2011-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.547
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1508; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 193 1 192 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.904133/201144 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.547 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de novembro de 2018 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente NORSA REFRIGERANTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta pela empresa NORSA REFRIGERANTES LTDA, CNPJ nº 07.196.033/000106, em contrariedade ao Despacho Decisório de fl. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 04 13 3/ 20 11 -4 4 Fl. 4046DF CARF MF Processo nº 10380.904133/201144 Resolução nº 3201001.547 S3C2T1 Fl. 194 2 3446 a 3447, que não homologou o PER/DCOMP nº 33639.10143.210909.1.5.01.4193, relativo a crédito de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI do 3º Trimestre/2008. Tal Despacho Decisório é decorrente do MPF nº 0310100.2011.00310 0, o qual abrangeu os períodos a seguir relacionados, para os quais a manifestante solicita reunião dos processos. De acordo com o Despacho Decisório de fl. 3446 e 3447, o valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): a) saldo credor passível de ressarcimento inferior ao valor pleiteado. Por sua vez, a(s) glosa(s) decorreu(ram)da(s) situação(ões) a seguir: Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado; Ocorrência de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Esclareçase que o Despacho Decisório foi instruído com os demonstrativos de apuração e da Informação Fiscal de fls. 3493 a 3499. A base legal do lançamento encontrase nos autos. Em 18/05/2013 (fl. 3448), a interessada foi cientificada do Despacho Decisório e, em 13/06/2013, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 3449/3463), acompanhada dos documentos de fls. 3464/3968, na qual alega, em síntese, o quanto segue: ∙ Solicita a reunião para julgamento dos processos, abrangidos pelo MPF nº 0310100.2011.003100, relativos aos períodos 1º, 2º, 3º e 4º Trimestres/2007 e 1º, 2º e 3 Trimestres/2008; ∙ falta de fundamentação e detalhamento legal, bem como da descrição dos fatos , ausência do principio de motivação dos seus atos, motivos pelos os quais, solicita nulidade; ∙ a existência de saldo credor passível de ressarcimento, conforme RAIPI juntado aos autos, que a glosa decorreu em razão da fiscalização, ter erroneamente se utilizado de saldos incompreensíveis, requerendo todos os meios de prova, inclusive perícia e diligência; ∙ homologação tácita de compensações atreladas ao presente processo, em razão de decurso de prazo de 5 anos, do envio das DCOMPs originais; Fl. 4047DF CARF MF Processo nº 10380.904133/201144 Resolução nº 3201001.547 S3C2T1 Fl. 195 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP por intermédio da 8ª Turma, no Acórdão nº 1459.905, sessão de 06/04/2016, julgou improcedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não configura cerceamento do direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação encontraramse plenamente assegurados. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA POR DECURSO DE PRAZO As compensações vinculadas à PER/DCOMP original, de pleito de ressarcimento, tem como inicio da contagem prazo quinquenal a data da transmissão do PER/DECOMP do pleito de compensação, portanto, temos a inocorrência de da homologação tácita por decadência. IPI. RESSARCIMENTO. DESPACHO ELETRÔNICO. É de se manter intacto o montante deferido no despacho decisório quando a manifestação de inconformidade não logra êxito em demonstrar qualquer inconsistência no processamento eletrônico do PER DCOMP. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário reiterando as mesmas matérias versadas em manifestação de inconformidade para reforma da decisão recorrida no sentido de reconhecer a nulidade do despacho decisório e o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI no trimestre em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Fl. 4048DF CARF MF Processo nº 10380.904133/201144 Resolução nº 3201001.547 S3C2T1 Fl. 196 4 O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o valor reconhecido do crédito ressarcível de IPI no período de apuração, que fora inferior ao solicitado. A autoridade fiscal apontou dois fundamentos para a conclusão de que consta no despacho decisório: (i) a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao pleiteado na PER/DCOMP, e (ii) a constatação, em procedimento fiscal, de créditos considerados indevidos. Todavia, a recorrente suscita em preliminar a nulidade do despacho decisório em razão de não identificar (a) a origem do saldo credor inicial do 1º Trimestre de 2007 obtido pela fiscalização, transportado do trimestre anterior, e (b) o motivo e valores das glosas, assim exposto: A Recorrente suscitou e demonstrou minuciosamente na defesa inicial que, por mais esforço que tenha feito, não conseguiu descobrir o motivo de dois fatos que alteraram consideravelmente a apuração dos saldos credores em cheque: primeiro não conseguiu identificar como a fiscalização chegou no saldo credor inicial do 1º Trimestre de 2007 (transportado do 4º Trimestre de 2006); segundo não conseguiu identificar a razão das glosas, embora tenha feito diversas tentativas oportunamente demonstradas. Aduz que neste ponto é nula igualmente a decisão recorrida pois fundamentou a higidez do despacho decisório na ausência de incompetência da autoridade administrativa e de preterição do direito de defesa, pois lhe fora assegurado tal direito. Insiste a recorrente que o cerceamento do direito de defesa não é afastado tãosó pela possibilidade recursal, mas sim no conhecimento dos cálculos dos créditos glosados e dos exatos motivos que implicaram a negativa do pleito. A recorrente relata em seu recurso as "tentativas" em elucidar os motivos da glosa ao analisar as informações que constam dos Termo de Constatação nº 01 e Termo de Informação Fiscal nº 04 e Termo de Intimação nº 04. Conclui que as glosas realizadas não foram justificadas e o saldo credor do trimestre anterior transportado para o período auditado não fora esclarecido. Pois bem, vejamos se procedentes as alegações. O saldo credor inicial do trimestre, transportado do trimestre imediatamente anterior, está informado no "Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível" (demonstrativo de detalhamento do crédito anexo ao despacho decisório), coluna "b", cuja legenda esclarece que "Para o primeiro período de apuração, será igual ao Saldo Credor apurado ao final do trimestrecalendário anterior, ajustado pelos valores dos créditos reconhecidos em PERDCOMP de trimestres anteriores. Esse saldo (saldo credor inicial) não é passível de ressarcimento." Assim, o valor consignado é de R$ 2.820.233,94 que deveria corresponder aos ajustes do valor original do saldo credor no Livro de Apuração do IPI, de R$ 6.261.422,69. Fl. 4049DF CARF MF Processo nº 10380.904133/201144 Resolução nº 3201001.547 S3C2T1 Fl. 197 5 Ademais, afirma a contribuinte que no PAF 10380.903166/201177 foi reconhecido o pedido de ressarcimento de R$ 2.247.609,66 no 3º decêndio de janeiro/2007, devendo, assim, o estorno parcial ser considerado corretamente neste período. Não consta dos autos a ciência ao contribuinte de tais ajustes, bem como sua demonstração. Quanto ao desconhecimento dos motivos da glosa de créditos, a leitura do Termo de Constatação nº 01 (fls. 3.489/3.491) explicita apenas que a apuração dos créditos ressarcíveis foram obtidos das notas fiscais com código CFOP 1101 e 2101. Mais uma vez, permanece a dúvida quanto à ciência da contribuinte no tocante aos motivos e fundamentos das glosas. Por último, aduz ainda a contribuinte que em todos os trimestres havia saldo credor disponível e não houve utilização em período seguinte, o que levaria ao reconhecimento do crédito e homologação das compensações. Os pontos suscitados pela recorrente devem ser esclarecidos para a correta apreciação dos fatos à luz do direito creditório Desse modo, proponho a conversão do feito em diligência para que a Autoridade Preparadora, em face dos argumentos apresentados em sede de Recurso Voluntário, providencie o que se pede: 1. Demonstre a ciência da contribuinte no procedimento fiscal de apuração do saldo credor inicial do trimestre e das glosas de créditos efetuadas; 2. Apresente os demonstrativos de apuração do saldo credor do trimestre com os ajustes realizados; 3. Apresente os demonstrativos de glosa dos créditos no trimestre, com os motivos e seus fundamentos; 4. Houve saldo credor final de IPI apurado pelo Contribuinte no trimestre anterior? 5. Por fim, a partir das respostas anteriores e possíveis ajustes (saldo credor inicial do trimestre e/ou créditos glosados) decorrentes de acolhimento dos argumentos suscitados pela contribuinte, esclareça se no presente Processo Administrativo remanescem débitos não compensados por insuficiência de crédito. Se positivo, quais e em qual valor? A Autoridade Fiscal poderá intimar o contribuinte para apresentar documentos ou esclarecimentos que entenda necessários para o cumprimento da diligência. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao contribuinte para se manifestar quanto ao resultado da diligência. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento. Fl. 4050DF CARF MF Processo nº 10380.904133/201144 Resolução nº 3201001.547 S3C2T1 Fl. 198 6 (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 4051DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901128/2015-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
Numero da decisão: 1302-003.181
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.901127/2015-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.901127/2015-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente A.A.DE MELO & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.901127/201546, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 11 28 /2 01 5- 91 Fl. 126DF CARF MF 2 Trata de recurso voluntário apresentado em face ao Acórdão da decisão de primeira instância, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, com a seguinte ementa: DCOMP. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a liquidez e a certeza do crédito informado em declaração de compensação, não se homologam as compensações vinculadas. A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende compensar pagamento indevido/a maior de IRPJ. A declaração não foi homologada pela DRF/Piracicaba, pois o pagamento estava integralmente utilizado para quitação de débito da recorrente, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados na DCOMP. A decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pois não foram apresentados os motivos de fato e de direito, os pontos de discordância e sequer provas, de forma a demonstrar que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. Após ciência da decisão, foi apresentado recurso voluntário com as seguintes alegações: constataram erro na apuração dos impostos devidos em 2012, onde foram efetuados pagamentos a maior de IRPJ, sendo a diferença utilizada para compensar débitos de IRPJ e CSLL do ano de 2013. deixaram de apresentar as DCTF retificadoras, tendo como conseqüência que todos os pedidos foram indeferidos. afirma que possui o direito de compensar nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, aduzindo que as divergências foram corrigidas, motivo pelo qual requer o reconhecimento do direito creditório. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13888.901128/201591 Acórdão n.º 1302003.181 S1C3T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.180, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901127/2015 46, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.180): "O recurso é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. A recorrente reprisa suas alegações no recurso voluntário, afirmando que teria constatado erro no cálculo dos tributos devidos, mas que teria deixado de retificar as DCTF, fato que deu origem ao indeferimento do pedido. Para comprovar o seu direito creditório, apresentou planilha de cálculo e DCTF retificadora. Esta mesma defesa foi trazida na impugnação, analisada pela decisão recorrida, que não acatou as razões apresentadas pela ausência da demonstração do erro cometido, assim como falta de apresentação de provas. De fato, não basta alegar que pagou tributo a maior. Para comprovação do erro, seria necessário demonstrar como foi feita a primeira apuração, o que estaria incorreto, as retificações necessárias, com a nova apuração do tributo devido. A apresentação de DCTF retificadora, após a ciência da decisão negando o pedido, não se presta para comprovação do erro cometido e que teria efetuado recolhimento a maior. A recorrente chegou a elaborar planilha de cálculo onde informa a receita bruta, o tributo que seria devido, o valor pago e a diferença a maior. Mas a planilha, desacompanhada de qualquer elemento probatório que comprove os valores nela constantes, principalmente no que concerne à receita bruta, também não é suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, requisitos necessários previstos no artigo 170 do CTN. É importante salientar que a decisão recorrida apontou a insuficiência de provas trazidas aos autos, principalmente no que concerne os documentos contábeis e fiscais que respaldem a diferença existente entre o valor supostamente devido e do DARF recolhido." Fl. 128DF CARF MF 4 Pelo exposto, como não foi comprovada a certeza e liquidez do crédito que pleiteia, cujo ônus é da recorrente, voto por não dar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.904018/2013-42
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do crédito, atestando se, após a retificação e analisando a escrita contábil e fiscal do contribuinte, o DARF apontado como sendo a fonte do direito creditório, Período de Apuração 31/08/2010, Código de Receita 2484, Data de Arrecadação 30/09/2010, possui saldo disponível para fins da homologação do PER/DCOMP n.º 22259.29567.310111.1.3.04-1438.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do crédito, atestando se, após a retificação e analisando a escrita contábil e fiscal do contribuinte, o DARF apontado como sendo a fonte do direito creditório, Período de Apuração 31/08/2010, Código de Receita 2484, Data de Arrecadação 30/09/2010, possui saldo disponível para fins da homologação do PER/DCOMP n.º 22259.29567.310111.1.3.041438. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. RELATÓRIO Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 56/57) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 47/49), proferida em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 04 01 8/ 20 13 -4 2 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10983.904018/201342 Resolução nº 1002000.031 S1C0T2 Fl. 118 2 sessão de 17 de maio de 2017, consubstanciada no Acórdão n.º 1287.667, da 12.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ (DRJ/RJO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/03) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido 02/08/2013 (efl. 04), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 22259.29567.310111.1.3.041438 (efls. 05/10), transmitido em 31/01/2011, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito do crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o presente processo de PER/DCOMP n.º 22259.29587.310111.1.3.041438, na qual o contribuinte compensou o valor relativo a pagamento a maior no valor de R$ 15.968,64 do período de apuração de 31/08/2010, código de receita: 2484, valor total do DARF: R$ 27.434,86, recolhido em 30/09/2010, com débitos próprios. Segundo o despacho decisório (fl. 04) o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada, tendo em vista que o DARF havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. O contribuinte foi cientificado em 12/08/2013 (fl. 42) e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/03) em 10/09/2013, alegando em síntese que informou o valor do débito de CSLL a maior na DCTF e que o equívoco já foi corrigido. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 15.968,64, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do Data de Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10983.904018/201342 Resolução nº 1002000.031 S1C0T2 Fl. 119 3 DARF Arrecadação 31/08/2010 2484 R$ 27.434,86 30/09/2010 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 5139079502 R$ 27.434,86 DB: Cód. 2484 PA 31/08/2010 R$ 27.434,86 Valor Total R$ 27.434,86 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/08/2013 Principal: R$ 15.209,27 Multa: R$ 3.041,84 Juros: R$ 3.814,82 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose a decisão quanto a parte não reconhecida do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação até referido montante, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: A compensação pleiteada foi negada em virtude de o crédito estar vinculado ao débito do período segundo a DCTF apresentada pelo contribuinte. Após o despacho decisório de nãohomologação o contribuinte retificou a DCTF (fl. 13) reduzindo o valor do débito de CSLL para R$ 11.466,22, portanto, tornando disponível para restituição parte do valor do DARF recolhido fls. 45/46. É plausível que o contribuinte possa retificar a DCTF a qualquer tempo, observado o prazo de cinco anos e respeitadas as condições impostas pela legislação. A retificação da declaração, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, independente de autorização pela autoridade administrativa. Ocorre que a simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar o despacho decisório. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poderdever de confirmálas. No caso em questão o contribuinte não juntou nenhuma documentação que comprove o valor correto da CSLL, apenas retificou a DCTF. Por todo o acima exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade interposta, para não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações declaradas. No recurso voluntário, em outras palavras, o contribuinte se limitou a reiterar os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade e justificar a retificação da DCTF. Eis os argumentos de defesa nas palavras do contribuinte: Tratase de uma DCTF de agosto de 2010 que tinha sido entregue com o pagamento de R$ 27.434,86 de CSLL, código 2484, período de apuração 08/2010, sendo que estava todo alocado ao débito, o que é improcedente, pois o valor do débito de fato é R$ Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10983.904018/201342 Resolução nº 1002000.031 S1C0T2 Fl. 120 4 11.466,22, conforme DCTF retificada em 05/09/2013 e conforme DIPJ apresentada no anocalendário 2010 (pág. 3), assim o PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR de saldo a crédito a favor do contribuinte é de R$ 15.968,64, conforme PER/DCOMP que foi indeferida. Diante dos fatos aqui citados e por erro de preenchimento da DCTF pelo auxiliar contábil, a qual foi retificado e solucionado o problema, pedese que seja acatada a Per/Dcomp apresentada no período. O crédito de pagamento indevido a maior está aqui comprovado com as DCTF's, DIPJ, PER/DCOMP, BALANCETES DA CONTABILIDADE, LALUR, está aqui comprovado com documentos contábeis fidedignos e que comprovam o crédito tributário e é o que a contabilidade tem de material para comprovar o crédito tributário. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23 B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 15.968,64. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 01/06/2017, efls. 50/52, protocolo recursal em 30/06/2017, efls. 53/57 e Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10983.904018/201342 Resolução nº 1002000.031 S1C0T2 Fl. 121 5 encaminhamento da unidade preparadora efl. 115), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Diligência Pois bem. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem se, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, de toda sorte as partes tem o dever de cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva, de mais a mais, devese buscar a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior, bem como confessando débito próprio, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção da obrigação por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que o DARF que corroboraria o indébito estava completamente alocado, não restando saldo a ser aproveitado. O débito cujo DARF teria dado baixa, estando extinto, estaria lastreado e confessado em DCTF. O contribuinte, por sua vez, retificou a DCTF, reduzindo o débito, de modo a gerar, inclusive, crédito. Entretanto, sob o argumento de falta de comprovação do motivo da retificação, a DRJ não acolheu a tese de defesa, desconsiderando a retificação. No recurso voluntário, o contribuinte reforça a justificativa da retificação da DCTF e apresenta documentos (efls. 58/114), os quais dariam substância a retificação, justificandoa, o que daria ensejo a reforma da decisão de primeira instância. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10983.904018/201342 Resolução nº 1002000.031 S1C0T2 Fl. 122 6 Compulsando os autos, verifico que, juntamente com o recurso voluntário, o contribuinte efetivamente colacionou documentação apta a lastrear e justificar a retificação realizada na DCTF. Destarte, tais documentos e os demais elementos probatórios corroboram com a possibilidade de haver direito creditório em favor do contribuinte. De mais a mais, destaco a premissa em que se lastreou as razões de decidir do Acórdão n.º 9303005.065, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que "a noção de preclusão não pode ser levada às últimas consequências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material" (Acórdão n.º 9202001.634, citado como sendo o paradigma). Vejase a ementa que trago a colação, ipsis litteris: Acórdão n.º 9303005.065 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Data do fato gerador: 24/04/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. (...) PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte provido. Sendo assim, a fim de dar celeridade ao deslinde desta lide e por economia processual, resolvo baixar o processo em diligência, a fim de diligenciar junto a unidade de origem (DRF) para aferição da suficiência do crédito de modo a permitir, ou não, a homologação da compensação. Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do crédito, atestando se, após a retificação e analisando a escrita contábil e fiscal do contribuinte, o DARF apontado como sendo a fonte do direito creditório, Período de Apuração 31/08/2010, Código de Receita 2484, Data de Arrecadação 30/09/2010, possui saldo disponível para fins da homologação do PER/DCOMP n.º 22259.29567.310111.1.3.041438. Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. É como Voto. (Assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.902975/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Relatório
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 02 97 5/ 20 08 -0 2 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10875.902975/200802 Resolução nº 3301000.959 S3C3T1 Fl. 235 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Tratase de Manifestação de Inconformidade, proposta em razão da expedição de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação Eletrônica ("PER/DCOMP"), cujos dados são os seguintes: [...] O Despacho Decisório assim fundamentou a não homologação da compensação pretendida pelo Contribuinte: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, ..., mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado o Despacho Decisório, o Contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade, afirmando que seria detentor do crédito declarado, já que teria realizado recolhimento a maior e que teria, inclusive, retificado a respectiva DCTF, da qual apresenta cópia. Requer o acolhimento da Manifestação de Inconformidade, porque estaria"... demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2004 A 31/01/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO COMPENSADO Declaração de compensação, sem que o respectivo crédito esteja prévia e devidamente formalizado pelo Contribuinte, segundo os mecanismos institucionais e informatizados de controle da competente Autoridade Administrativa. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10875.902975/200802 Resolução nº 3301000.959 S3C3T1 Fl. 236 3 No âmbito do processo administrativo fiscal, é pressuposto indispensável efetivação da compensação a comprovação da existência e da demonstração do respectivo crédito. A mera alegação da sua existência, desacompanhada de provas, não basta para sua comprovação, por desatender às disposições do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, basicamente repisando os argumentos antes apresentados. Em síntese, alega que sobre os redutores de velocidade que fabrica estaria reduzida a zero a alíquota de Cofins e a impossibilidade de desconsideração da DCTF e da DACON retificadoras. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deste Seção de Julgamento emitiu a Resolução convertendo o julgamento em diligência, para "que a DRF competente verifique e confirme, à luz da DCTF retificadora apresentada, a existência ou não do crédito alegado pela Recorrente nestes autos ". Sobreveio então informação fiscal da Delegacia da Receita Federal em Campinas, sobre a qual não se manifestou a contribuinte. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10875.902975/200802 Resolução nº 3301000.959 S3C3T1 Fl. 237 4 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário foi dado por tempestivo na dita resolução1. A recorrente dá conta de que retificou DCTF e DACON após o despacho decisório que deu pela não homologação a compensação pretendida, o que, a seu ver, teria ocorrido única e exclusiva em virtude da ausência de retificação destas declarações. Um exame da conclusão do acórdão da DRJ aponta que esta só consideraria retificações anteriores ao despacho decisório (ainda que não tenha afirmado categoricamente o aceite ou não das retificações posteriores): Finalmente, e considerando os pressupostos (informações e documentos), sobre os quais se assenta o Despacho Decisório recorrido (cronologicamente: DCTF original e retificação anterior ao Despacho Decisório, respectivas DARF e PER/DCOMP); e, considerando os demais documentos e elementos constantes dos autos, impõese a inexorável constatação de que o Contribuinte, tendo deixado de atender as exigências legais do Decreto 70.235/1972, não logrou demonstrar a efetiva existência do crédito, do qual pretendia se compensar. Entendo que a retificação extemporrânea da DCTF não causa prejuízo ao direito alegado, desde que comprovado por outros meios. Na mesma linha apontou o Resolução citada. Sigo jurisprudência do CARF: RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10875.902975/200802 Resolução nº 3301000.959 S3C3T1 Fl. 238 5 (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/ 200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). Alega a recorrente o seu direito a crédito em função de que sobre os redutores de velocidade que fabrica estaria reduzida a zero a alíquota de Cofins, pelo art. 3º da Lei 10.485/04. Segue, em sua versão original: Art. 3º Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à receita bruta da venda: I dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei; II dos produtos referidos no art. 1o, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. De fato, como lá informa: Aduz ter equivocadamente aplicado a alíquota de 3% a tais produtos, apontando planilhas, tendo havido indevido pagamento a maior a justificar seu crédito: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10875.902975/200802 Resolução nº 3301000.959 S3C3T1 Fl. 239 6 [...] A informação fiscal decorrente da diligência determinada pela dita resolução concluiu que "pela ausência de provas que demonstrem a ocorrência do indébito tributário, tornase prejudicada a emissão de qualquer juízo de valor sobre o referido pagamento indevido ou a maior.". Reproduzo o trecho completo: Pois bem. Juntamente ao Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: Planilha de Saídas (fl. 195), Demonstrativo de apuração do PIS (fls. 197 a 199); Demonstrativo de vendas de redutores de velocidade (fls. 200 e 201); Demonstrativo de apuração de pagamentos indevidos ou a maior de PIS e COFINS do período de nov/2002 a jul/2004 (fls. 203 e 205 a 210) e Planilha com a relação dos débitos compensados por pagamentos indevidos ou a maior de PIS e COFINS (fl. 212). Analisando os documentos anexados aos autos, sejam os que foram juntados à Manifestação de Inconformidade ou ao Recurso Voluntário, nota se que em nenhuma dessas ocasiões o contribuinte faz prova, por meio da apresentação de notas fiscais, de que de fato realizou vendas (no mês de jan/2004) de redutores de velocidade, como também não comprova, a partir de registros contábeis, se essas eventuais vendas compuseram a base de cálculo do PIS inicialmente apurada a maior (que redundou num débito declarado de R$ 145.853,46), limitandose simplesmente a apresentar Demonstrativos e Cópia de Declarações com valor de débito calculado e declarado em montante inferior ao pagamento efetuado. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10875.902975/200802 Resolução nº 3301000.959 S3C3T1 Fl. 240 7 Assim, pela ausência de provas que demonstrem a ocorrência do indébito tributário, tornase prejudicada a emissão de qualquer juízo de valor sobre o referido pagamento indevido ou a maior. No entanto, este relator identificou que a contribuinte anexou aos autos, antes da resolução que determinou a diligência, "Recibos de Entrega de Arquivos Digitais" em CD/DVD (fls 213 a 246), com “Lançamentos contábeis”. Pelo exposto, considerando a busca pela verdade material e tendo em vista há nos autos referências a demonstrativos contábeis que podem comprovar os indébitos apontados, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que a Delegacia de Origem: 1) Verifique a liquidez e certeza dos créditos alegados, com base nos elementos constantes e mencionados dos autos; intimando a contribuinte a apresentar informações e documentos que entender necessários; e 2) Conceda prazo de trinta dias para a contribuinte se manifestar, finda a diligência, sobre o relatório dela decorrente, retornando os autos, em seguida, ao CARF para retomada do julgamento. Assim, por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.978901/2012-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/07/2004
MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologando-se as compensações até o limite do direito creditório reconhecido.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 20/07/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/07/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologandose as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 89 01 /2 01 2- 46 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.978901/201246 Acórdão n.º 3302005.955 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) formulado, em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que fazia jus à restituição pleiteada pelo fato de que o crédito informado era proveniente de recolhimento de multa de mora indevida, em razão da denúncia espontânea, tendo em vista o recolhimento espontâneo do tributo devido, nos termos do art. 138 do CTN. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14053.288, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o instituto da denúncia espontânea não exclui a multa de mora estipulada na legislação tributária, porquanto o seu pagamento é expressamente previsto para os casos em que o recolhimento do tributo ocorre espontaneamente após o vencimento da obrigação, sendo irrelevante à questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência. Ressaltou, ainda, o julgador de piso, que as autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reafirmou as razões de defesa suscitadas na Manifestação de Inconformidade, enfatizando o instituto da denúncia espontânea, especialmente o seu reconhecimento pelo CARF e pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.978901/201246 Acórdão n.º 3302005.955 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.954, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.978899/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.954): 1. Admissibilidade O presente Recurso Voluntário é tempestivo, eis que a Recorrente tomou ciência da decisão em 21.03.2016 (efls. 71) e apresentou o Recurso em 20.04.2016 (efls.72), portanto dentro do prazo de 30 dias de que trata o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72. A matéria é de competência deste Colegiado e o recurso revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. Mérito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se analisar o mérito recursal. 2.1. Denúncia Espontânea. Em relação ao instituto da denúncia espontânea e a sua atual disciplina no âmbito do Poder Judiciário e no CARF, tal entendimento encontra respaldo na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais que no processo 10980.004263/200730 foi proferido o Acórdão n. 9303005.874, na sessão de 18 de outubro de 2017, cuja ementa, de Relatoria do I. Conselheiro Rodrigo Pôssas é abaixo transcrita: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental.." Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.978901/201246 Acórdão n.º 3302005.955 S3C3T2 Fl. 5 4 Quando da prolação da referida decisão, em sede de Recurso Especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais salientou que em razão da existência de Recurso Especial em sistemática dos Recursos Repetitivos no STJ, a matéria sequer pode ser apreciada pelo CARF. "A matéria tratada no presente recurso referese somente ao cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de pagamento a destempo, mas feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual se confessou o respectivo débito, e antes do início de qualquer procedimento fiscal. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, sob a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Especial nº 1.149.022/SP, que trata da matéria, foi interposto pela autora, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que entendeu que não se configurava a denúncia espontânea o deliberado pagamento a destempo do tributo, não discutido judicialmente, cujo lançamento deve por ele ser efetuado." Tratandose de Recurso Repetitivo submetido à norma do artigo 543C do CPC, aplicase a Portaria MF n. 343/2015, art. 62 § 2º que determina a aplicação da decisão, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Quando da discussão da controvérsia no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no bojo do já mencionado Recurso Especial, o Ilmo. Conselheiro Rodrigo Pôssas salientou que o referido entendimento vincula as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, verbis: "Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA PGFN/CRJ/Nº 1114/2012 (...) (...) 5. ... em resposta à consulta da RFB, segue em lista anexa a esta Nota a delimitação dos julgados proferidos pelo STF e STJ, relacionados pela RFB, para efeitos de que aquele órgãoproceda ao cumprimento, no seu âmbito,do quanto disposto no Parecer PGFN 2025/2011. (...) 45 RESP 1.149.022/SP (...) Resumo: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.978901/201246 Acórdão n.º 3302005.955 S3C3T2 Fl. 6 5 lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente." No caso concreto a Recorrente realizou uma compensação tributária e, independente de qualquer atuação estatal, posteriormente identificou o erro, recolheu a diferença e emitiu nova DCTF (...) Imperioso destacar que pela análise da documentação trazida aos autos a nova DCTF foi apresentada APÓS o recolhimento da diferença do tributo, que se deu independente de qualquer atuação por parte da Administração Pública, razão pela qual a Recorrente entende não serem devidos juros moratórios. Efetivamente, é de se constatar que o caso ora submetido a análise deste Colegiado amoldase com perfeição à jurisprudência deste Colegiado, aliás de observância compulsória, razão mais que suficiente para que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, cabendo à unidade administrativa efetuar a compensação até o limite do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito pleiteado, cabendo à unidade administrativa efetuar a compensação até o limite do crédito. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.904422/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA.
No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
Numero da decisão: 1302-003.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10640.904413/2009-20, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E PJ 2000 APÓS DESPACHO DECISÓRIO Recorrente IRMÃOS ORNELLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10640.904413/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 44 22 /2 00 9- 11 Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10640.904422/200911 Acórdão n.º 1302003.141 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face de Acórdão da 2a. Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG) que, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente, empresa varejista de produtos alimentícios e outros, alega que pagou SIMPLES à alíquota de 4% (que correspondia ao percentual acumulado, relativo a 1998), quando deveria pagar 3%, devidos em 1999, em conformidade com as disposições do art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época. Para evidenciar esse pagamento indevido ou a maior e para compensálo, enviou a DCOMP e na sequência retificou a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica (DSPJ) originalmente transmitida. Anexou Recibo de Entrega da PJ 2000 Simples normal, retificadora e Darfs. A DRJ manteve o despacho decisório eletrônico e declarou não homologada a DCOMP. Entendeu que a recorrente não demonstrou que haveria pagamento indevido ou a maior. Desconsiderou a declaração simplificada retificadora de 2004. Não examinou a alegação da recorrente de que a alíquota correta do SIMPLES para 1999 seria de 3% e não de 4%. Não analisou os DARFs por meio dos quais a recorrente pretende demonstrar tal pagamento a maior. Concluiu que o valor contido na declaração simplificada da PJ corresponde ao valor pago e devido, pois considerou somente a PJ 2000 Simples original. Assim, concluiu que não haveria crédito disponível. Intimou a recorrente a pagar o principal, multa e juros. Diante do acórdão de manifestação de inconformidade, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reforçando que, ao analisar e confrontar com a Declaração Simplificada PJ, ano calendário 1999, a fiscalização deveria ter considerado os débitos declarados na segunda declaração retificadora PJ Simplificada entregue em 11/04/2004 (cancelada no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil) e não a primeira, entregue cerca de nove minutos antes, na mesma data. É o breve relatório. Voto Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10640.904422/200911 Acórdão n.º 1302003.141 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.132, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10640.904413/2009 20, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.132): "Conheço do recurso voluntário, à vista da interposição tempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. A recorrente atua no comércio varejista de gêneros alimentícios, perfumaria, papelaria, armarinho, louças e legumes (cláus. III, contrato social, fl. 3). Sustenta que dispunha do crédito pleiteado, pois ao detectar o erro, entregou PJ 2000 Simples retificadora em 11/04/2004, sob n° de controle 10.02.38.90.27. Embora a DCOMP tenha sido entregue antes da PJ retificadora, defende que a IN 210/2002 seria omissa quanto à retificação de declarações. Com esse entendimento, afirma que não poderia concordar com o não reconhecimento do crédito. Alega que a fiscalização deveria ter considerado a declaração retificadora, ainda que realizada posteriormente à avaliação de seu pedido (despacho decisório eletrônico). Ressalta que, a IN SRF nº 210/2002, vigente à época, não mencionava como condição para o deferimento que a retificação fosse em data anterior à entrega da DCOMP. Com base em tais fatos e fundamentos, a recorrente, em 10/12/2003, utilizouse da DCOMP n° 36194.68673.101203.1.3.047949 para compensar débito com os supostos créditos de pagamento a maior de SIMPLES (alíquota de 4%, em vez de 3%). Observase, portanto, que independentemente de ter havido a retificação da DSPJ somente após a transmissão da DCOMP, não se verificou se, de fato, houve ou não pagamento a maior ou indevido pela recorrente. Para essa análise, é necessário verificar se procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES para o ano calendário 1999 seria realmente de 3% e não de 4%. No link idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/.../capitulov simples2008.pdf, a Receita Federal do Brasil (RFB) orienta que, Para a determinação do percentual a ser utilizado pelas Micro Empresas (ME), é necessário identificar, primeiramente, a faixa de receita bruta acumulada em que se encontra a ME, com o auxílio da Tabela S1, abaixo transcrita. Nesse caso, a pessoa jurídica deverá verificar o total da receita bruta acumulada, Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10640.904422/200911 Acórdão n.º 1302003.141 S1C3T2 Fl. 5 4 dentro do ano calendário, até o próprio mês em que está fazendo a apuração. Já o valor devido mensalmente, a ser recolhido pela ME, será o resultante da aplicação sobre a receita bruta mensal auferida da alíquota correspondente. Tabela S1: Percentuais aplicáveis às ME (regra geral) Receita Bruta Acumulada (em R$) Alíquotas Até 60.000,00 3% De 60.000,01a 90.000,00 4% De 90.000,01 a 120.000,00 5% De 120.000,01 a 240.000,00 5,4% O Estatuto da Microempresa de 1999 Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999, estabeleceu que (art. 2º), para os efeitos desta Lei, ressalvado o disposto no art. 3º, considerase: I microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); (Vide Decreto nº 5.028, de 31.3.2004). Conforme Declaração Anual Simplificada (PJ 2000 SIMPLES), fl. 14, a razão social da recorrente é: Irmãos Ornellas Ltda. ME; natureza jurídica: sociedade por cotas de responsabilidade limitada empresa privada. Os valores declarados pela recorrente em 1999 são a seguir reproduzidos, demonstrando que realmente se enquadrava como Micro Empresa: Verificase, portanto, que procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES (cód. rec. 61060) que deveria pagar em 1999 era de 3% (art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época ) e não de 4%. Os dois DARFs anexados ao processo indicam pagamento à alíquota de 4%. Demonstrado, Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10640.904422/200911 Acórdão n.º 1302003.141 S1C3T2 Fl. 6 5 dessa forma, que houve pagamento a maior ou indevido, fazendo jus à compensação pleiteada. No caso, portanto, entendo que o fato de Declaração PJ 2000 Simples ter sido retificada após a utilização do valor pago a maior não pode retirar o direito creditório da recorrente, em cumprimento ao princípio da verdade material, pois comprovados a certeza, liquidez e disponibilidade do crédito utilizado na DCOMP em questão. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito pleiteado e homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.720016/2014-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS DE INSUMOS. ÓLEOS E GRAXAS UTILIZADOS NA ATIVIDADE. SERVIÇOS DA FASE AGRÍCOLA. AGROINDÚSTRIA. POSSIBILIDADE.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o crédito das contribuições sobre os bens - graxas e óleos e serviços agrícolas - gastos relacionados ao cultivo da cana-de-açúcar, quais sejam, serviços de aplicação aérea de inseticida, aplicação aérea de maturador, aplicação de herbicida tratorizado, desmanche/confecção de cerca/transporte de benfeitorias, dessecação tratorizada, mecânica agrícola diversa, transporte de cana-de-açúcar para moagem, transporte de cana para plantio e de análises, vez que, subtraindo tais itens, não seria possível o sujeito passivo produzir e vender o produto final.
CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. ÓLEOS E GRAXAS SEM VINCULAÇÃO À ATIVIDADE/PRODUÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há que se falar em se reconhecer o direito ao crédito das contribuições não cumulativas aos óleos e graxas vinculadas aos códigos 30701, 30702 e 30703 - Produção Agrícola Pecuária de Corte, Pecuária de Leite e Equinos, 40100 - Gestão - Gestão, 40300 - Gestão Recursos Humanos, 41000 - Gestão Área Administrativa, 41306 - Gestão Serviços Sociais Diversos, vez que tais itens são estranhos à atividade/produção do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9303-007.544
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luis Eduardo de Oliveira Santos, que lhe deram provimento parcial e Jorge Olmiro Lock Freire, que deu provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, quanto ao conhecimento do recurso da Fazenda Nacional
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olimiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS DE INSUMOS. ÓLEOS E GRAXAS UTILIZADOS NA ATIVIDADE. SERVIÇOS DA FASE AGRÍCOLA. AGROINDÚSTRIA. POSSIBILIDADE. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o crédito das contribuições sobre os bens - graxas e óleos e serviços agrícolas - gastos relacionados ao cultivo da cana-de-açúcar, quais sejam, serviços de aplicação aérea de inseticida, aplicação aérea de maturador, aplicação de herbicida tratorizado, desmanche/confecção de cerca/transporte de benfeitorias, dessecação tratorizada, mecânica agrícola diversa, transporte de cana-de-açúcar para moagem, transporte de cana para plantio e de análises, vez que, subtraindo tais itens, não seria possível o sujeito passivo produzir e vender o produto final. CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. ÓLEOS E GRAXAS SEM VINCULAÇÃO À ATIVIDADE/PRODUÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar em se reconhecer o direito ao crédito das contribuições não cumulativas aos óleos e graxas vinculadas aos códigos 30701, 30702 e 30703 - Produção Agrícola Pecuária de Corte, Pecuária de Leite e Equinos, 40100 - Gestão - Gestão, 40300 - Gestão Recursos Humanos, 41000 - Gestão Área Administrativa, 41306 - Gestão Serviços Sociais Diversos, vez que tais itens são estranhos à atividade/produção do sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luis Eduardo de Oliveira Santos, que lhe deram provimento parcial e Jorge Olmiro Lock Freire, que deu provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, quanto ao conhecimento do recurso da Fazenda Nacional (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olimiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS DE INSUMOS. ÓLEOS E GRAXAS UTILIZADOS NA ATIVIDADE. SERVIÇOS DA FASE AGRÍCOLA. AGROINDÚSTRIA. POSSIBILIDADE. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o crédito das contribuições sobre os bens graxas e óleos e serviços agrícolas gastos relacionados ao cultivo da canadeaçúcar, quais sejam, serviços de aplicação aérea de inseticida, aplicação aérea de maturador, aplicação de herbicida tratorizado, desmanche/confecção de cerca/transporte de benfeitorias, dessecação tratorizada, mecânica agrícola diversa, transporte de canade açúcar para moagem, transporte de cana para plantio e de análises, vez que, “subtraindo” tais itens, não seria possível o sujeito passivo produzir e vender o produto final. CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. ÓLEOS E GRAXAS SEM VINCULAÇÃO À ATIVIDADE/PRODUÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 00 16 /2 01 4- 87 Fl. 13593DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 3 2 Não há que se falar em se reconhecer o direito ao crédito das contribuições não cumulativas aos óleos e graxas vinculadas aos códigos 30701, 30702 e 30703 Produção Agrícola Pecuária de Corte, Pecuária de Leite e Equinos, 40100 Gestão Gestão, 40300 Gestão Recursos Humanos, 41000 Gestão Área Administrativa, 41306 Gestão Serviços Sociais Diversos, vez que tais itens são estranhos à atividade/produção do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luis Eduardo de Oliveira Santos, que lhe deram provimento parcial e Jorge Olmiro Lock Freire, que deu provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, quanto ao conhecimento do recurso da Fazenda Nacional (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olimiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Fl. 13594DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratamse de Recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra o acórdão 3402003.076, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que deu provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: (i) Pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto à questão da tributação dos valores baixados a título de IPI a pagar; (ii) Por maioria de votos, deuse provimento para reverter as glosas em relação aos insumos “óleos e graxas” e “serviços agrícolas” discriminados no voto. O Colegiado a quo, assim, consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Ementa: DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DIMINUIÇÃO DO PASSIVO. RECEITA. Constitui receita tributável na sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da Cofins o valor decorrente da extinção de obrigação no Passivo (IPI a pagar) em face da decadência do IPI, sem a correspondente diminuição no Ativo, pois representa um acréscimo patrimonial. As contas de tributos a pagar tratamse de obrigações legais de valor e prazo certos, que não são consideradas provisões, devendo ser registradas como obrigações no passivo pelo regime de competência. CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. AGROINDÚSTRIA. FASE AGRÍCOLA. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são Fl. 13595DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 5 4 pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. No caso das indústrias do setor sucroalcooleiro, admitese o creditamento não só dos gastos incorridos na produção direta de açúcar e álcool, mas também no cultivo da canadeaçúcar que lhes serve de insumo. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão na parte em que se reconheceu o direito aos créditos de PIS e Cofins para reverter as glosas dos seguintes insumos da fase agrícola: (1) óleos e graxas e (2) serviços agrícolas. Traz, entre outros, que: · Para que não suscite qualquer dúvida acerca da necessária relação como insumo dos bens empregados na produção ou fabricação, o que já afastaria deste conceito os “materiais auxiliares”, cabe ponderar que a IN 404/04, apenas aclarou a questão, sanando qualquer dúvida porventura existente com relação à interpretação da lei; · A referida IN – assim como a IN SRF 247/2002 o fez em relação ao PIS nãocumulativo, regulamentando dispositivo cuja redação é idêntica àquela do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/2003; · Apesar da diferenciação da técnica da nãocumulatividade entre IPI/ICMS e PIS/COFINS, diante da disposição do texto constitucional, para aqueles, e infraconstitucional para as contribuições, temos que o conceito de insumo advindo da legislação do IPI é sim aplicado ao PIS/PASEP e à COFINS, conforme devidamente previsto no Acórdão nº 20312.448. Em Despacho às fls. 12660 a 12665, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Insatisfeito, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração contra o r. acórdão, alegando omissões, contradições e obscuridades, por conseguinte, requerendo a reforma da decisão. Fl. 13596DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 6 5 Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo, que, trouxe, em síntese, que: · A Fazenda Nacional em seu recurso requereu a reforma da decisão recorrida apenas em relação à Cofins; · O recurso não deve ser conhecido por falta de similitude fática; · O PIS e a Cofins visam tributar a receita das pessoas jurídicas, nos termos do art. 195, inciso I, alínea “b”, da Constituição Federal de 1998, o IPI atingirá a saída do estabelecimento industrializados de um produto por ele industrializado, conforme art. 153, inciso IV, da r. Constituição; · Não se pode equiparar conceitos relacionados a tributos absolutamente distintos. Em Despacho às fls. 12802 a 12806, os embargos foram rejeitados em caráter definitivo. Inconformado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão na parte em que se negou provimento ao seu recurso voluntário, trazendo, entre outros, quanto: · À necessidade de exoneração do montante lançado a título de PIS/Cofins sobre a reversão da provisão do IPI – tributação em duplicidade da receita decorrente das vendas de açúcar, que: (i) demonstrou que tratarseia de provisão, e não de um débito de IPI, mormente porque sequer excluiu o IPI da receita bruta auferida na venda de açúcar, muito embora r. tributo não componha a base de cálculo do PIS e Cofins, como reconhecido no art. 23, inciso III, da IN 247/02; (ii) Recolheu o PIS e Cofins sobre o montante total auferido com a venda de açúcar, sem deduzir o IPI supostamente incidente, provisionandoo, para a eventualidade de vir a ser exigido pelo fisco; · À insubsistência do lançamento fiscal – equívoco na apuração da matéria tributável e demais requisitos do lançamento – aproveitamento do PIS e Cofins recolhido sobre a receita decorrente Fl. 13597DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 7 6 da venda de açúcar, que a autoridade Fiscal, além de alterar, de ofício, a natureza do registro contábil então realizado, fixou a base de cálculo do lançamento em questão sem levar em consideração que as receitas decorrentes da venda de açúcar mesma base sobre a qual foi contabilizada a provisão do IPI – já haviam sido integralmente tributadas pelo PIS e Cofins; · À alegada apropriação indevida de créditos de PIS e Cofins, aquisições de óleos e graxas de aplicação sob os códigos: 30701, 30702 e 30703 (Produção Agrícola – Pecuária de Corte, Pecuária de Leite e Equinos), 40100 (Gestão – Gestão), 40300 (Gestão – Recursos Humanos), 41000 (Gestão – Área Administrativa), 41306 (Gestão – Serviços Sociais Diversos), que não poderiam ter sido glosadas pela Fiscalização, uma vez que todos os dispêndios estão relacionados às operações desenvolvidas pelo sujeito passivo. Em Despacho, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Inconformado, o sujeito passivo interpôs agravo ao despacho que inadmitiu o recurso. Em Despacho às fls. 13490 a 13503, o agravo foi: · Rejeitado relativamente às matérias: (i) necessidade de exoneração do montante lançado a título de PIS e Cofins sobre a reversão da provisão do IPI – tributação em duplicidade da receita decorrente das vendas de açúcar; (ii) insubsistência do lançamento fiscal – equívoco na apuração da matéria tributável e demais requisitos do lançamento – aproveitamento do PIS e Cofins recolhido sobre a receita decorrente da venda de açúcar; (iii) inexistência de saldo a recolher de PIS e Cofins – observância aos princípios da verdade material e da legalidade; (iv) ausência de surgimento de nova receita tributável – impossibilidade de exigência de PIS e Cofins em razão de “perdão de Fl. 13598DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 8 7 dívida”; (v) indevida alteração do critério jurídico no acórdão recorrido – divergência de interpretação do art. 146 do CTN; · Acolhido relativamente à matéria alegada apropriação indevida de créditos de PIS e Cofins. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional na parte admitida em despacho, trazendo, entre outros, o conceito mais restrito de insumo. Consta dos autos doc. da Ação Anulatória com pedido de liminar proposta pelo sujeito passivo e, requerendo, entre outros, que: · Seja reconhecida a suspensão da exigibilidade do débito oriundo no lançamento ora atacado, correspondente a contribuição de PIS e COFINS sobre a reversão de dívidas de IPI, mediante comprovação do depósito judicial, nos termos do art. 151, II, do Código Tributário Nacional; · A citação da União Federal para que, em querendo, conteste a presente ação, nos termos do artigo 335 do Código de Processo Civil; · Que seja a presente ação anulatória julgada totalmente procedente, para os seguintes fins: ü Reconhecer a invalidade do voto de qualidade e aplicar o critério previsto no art. 112 do CTN, com o reconhecimento do provimento do recurso voluntário, na parte aqui discutida (incidência de PIS/COFINS sobre a receita decorrente da reversão de valor provisionada a título de IPI), nos limites dos votos dos Conselheiros (Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto) que, neste ponto, se pronunciaram favoravelmente à tese da Autora; ü Subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento, que seja julgada procedente para declarar a ilegalidade da autuação e da cobrança promovida pela Ré, por estar caracterizado o bis Fl. 13599DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 9 8 in idem, anulandose a parte do auto de infração nº 0810500.2012.00157 que é objeto desta ação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise, primeiramente, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não devo conhecêlo, eis que não atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Para melhor elucidar, importante trazer que o acórdão recorrido tratou de usina de álcool e decidiu, relativamente à discussão acerca de constituição de crédito das contribuições, que: · Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente; · E, no caso das indústrias do setor sucroalcooleiro, admitese o creditamento não só dos gastos incorridos na produção direta de açúcar e álcool, mas também no cultivo da canadeaçúcar que lhes serve de insumo. Fl. 13600DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 10 9 Enquanto os acórdãos indicados como paradigmas – o de nº: · 20312.448: ü Tratou de indústria de calçados, e não de usina de álcool que possui fases (agrícola e industrial) e etapas para a consecução do produto final; ü O acórdão indicado como paradigma apenas tratou de custos incorridos na industrialização do produto final, e não de fases préindustrial, tal como na recorrente. Eis a ementa do acórdão indicado como paradigma: “O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições especificas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial.” ü Vêse que os arestos trataram de casos tão diferentes que o acórdão indicado como paradigma nem chegou a discutir sobre créditos a serem constituídos sobre insumos de insumos, por conta da própria situação analisada. · 380100.487: ü Tratou de processo fabril e de indústria de minérios, e não de etapas e fases agrícolas de uma usina de álcool; ü Tanto é assim que consignou a seguinte ementa: “Não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos.” Fl. 13601DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 11 10 ü Vêse também nesse caso que os arestos trataram de casos tão diferentes que o acórdão indicado como paradigma nem chegou a discutir sobre créditos a serem constituídos sobre insumos de insumos, por conta da própria situação analisada. Em vista de todo o exposto, não conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, considerando os arestos tratarem de situações dissemelhantes. Quanto ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, na parte admitida em despacho – “Alegada apropriação indevida de créditos de PIS e Cofins”, especificamente à glosa dos créditos da nãocumulatividade apurados sobre dispêndios incorridos com a aquisição de graxas e óleos aplicados nos códigos 30701, 30702 e 30703 (Produção Agrícola Pecuária de Corte, Pecuária de Leite e Equinos), 40100 (Gestão Gestão), 40300 (Gestão Recursos Humanos), 41000 (Gestão Área Administrativa), 41306 (Gestão Serviços Sociais Diversos, entendo que devo conhecêlo. Recordo que o aresto recorrido traz os seguintes fundamentos para se glosar os créditos em discussão: “Diante da ausência de comprovação, a cargo da recorrente, de que seriam vinculadas e essenciais ao cultivo da canadeaçúcar, entendo que devem ser mantidas as seguintes glosas das aquisições de óleos e graxas de aplicação sob os códigos: 30701, 30702 e 30703 (Produção Agrícola Pecuária de Corte, Pecuária de Leite e Equinos), 40100 (Gestão Gestão), 40300 (Gestão Recursos Humanos), 41000 (Gestão Área Administrativa), 41306 (Gestão Serviços Sociais Diversos). As demais glosas de óleos e graxas listadas acima devem ser revertidas, eis que em conformidade com o conceito de insumo exposto neste Voto.” Ou seja, para tal glosa, foi considerado que o recorrente não trouxe comprovação de que tais itens seriam essenciais e vinculados ao cultivo de canadeaçúcar. Enquanto no acórdão indicado como paradigma, vêse que, independentemente da situação lá Fl. 13602DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 12 11 tratada, todo o custo ou despesa necessário (a) para a empresa operar foi considerado passível de constituição de crédito. Não há que se falar em comprovação nesse último caso. Sendo assim, entendo que devo conhecer o recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Ventiladas tais considerações, para a análise da matéria trazida em Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na discussão trazida pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, ao apreciar o REsp 1.221.170, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo sujeito passivo. Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o Fl. 13603DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 13 12 comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Definiu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que a descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas Fl. 13604DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 14 13 incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, era de se constatar que o entendimento predominante considerava o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Fl. 13605DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 15 14 Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao Fl. 13606DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 16 15 pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas Fl. 13607DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 17 16 contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Fl. 13608DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 18 17 Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): Fl. 13609DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 19 18 “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; Fl. 13610DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 20 19 d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Fl. 13611DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 21 20 · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. Fl. 13612DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 22 21 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Fl. 13613DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 23 22 Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, o STJ, que apreciou, em sede de repetitivo, o REsp1.221.170 –trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Fl. 13614DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 24 23 Em vista do exposto, em relação aos critérios a serem observados para fins de conceito de insumo, entendo que não assiste razão à Fazenda Nacional aplicar a IN 247/02 e a IN 404/02 – consideradas ilegais pelo STJ. Ultrapassando os critérios da essencialidade, pertinência e relevância que devem ser considerados para o enquadramento de itens ao conceito de insumos, passo a discorrer sobre os itens glosados – em atenção ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Depreendendose da análise dos autos, vêse que, os itens glosados, ainda que necessários à empresa, não devem ser considerados essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – por se tratarem de objeto estranho à atividade, bem como relacionados à atividademeio. Nessa linha, independentemente da ausência de comprovação da vinculação à atividade do sujeito passivo, temse que, pela nomenclatura dos itens 30701, 30702 e 30703 (Produção Agrícola Pecuária de Corte, Pecuária de Leite e Equinos), 40100 (Gestão Gestão), 40300 (Gestão Recursos Humanos), 41000 (Gestão Área Administrativa), 41306 (Gestão Serviços Sociais Diversos), é de se negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, vez serem estranhos à sua atividade. Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial do sujeito passivo. Em relação ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, considerando que, por voto de qualidade, o recurso foi conhecido, antecipo meu entendimento para negarlhe provimento. Para melhor elucidar meu direcionamento, além de ter desenvolvido o conceito de insumo anteriormente, importante ainda trazer que, recentemente, foi publicada a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: Fl. 13615DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 25 24 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." A Nota clarifica a definição do conceito de insumos na “visão” da Fazenda Nacional (Grifos meus): “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente Fl. 13616DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 26 25 essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal Nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Ou seja, a Fazenda Nacional esclareceu, entre outros, com tal manifestação que “insumos de insumos” geram crédito de PIS e Cofins não cumulativo. Ademais, tal ato ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se entender que determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: “15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” Fl. 13617DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 27 26 Sendo assim, afinandonos ao entendimento exposto pela Nota e aplicandose o “Teste de Subtração”, se retirarmos os itens reconhecidos no acórdão recorrido como insumo para fins de constituição de crédito das contribuições, quais sejam, os óleos e graxas (com exceção daqueles especificados no recurso especial do sujeito passivo) e serviços agrícolas (quais sejam, serviços de aplicação aérea de inseticida, aplicação aérea de maturador, aplicação de herbicida tratorizado, desmanche/confecção de cerca/transporte de benfeitorias, dessecação tratorizada, mecânica agrícola diversa, transporte de canadeaçúcar para moagem, transporte de cana para plantio e de análises), não seria possível o sujeito passivo produzir e vender o produto final. Sendo assim, resta negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Ex positis: · Nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo; · Nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 13618DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 28 27 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas divergi do seu entendimento no ponto em que entendeu pelo não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Sinteticamente, a relatora defende o não conhecimento por entender que não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos apresentados como paradigmas. De acordo com ela, no acórdão recorrido a discussão é referente aos gastos no cultivo da canade açúcar, ou seja possibilidade de apropriar créditos de insumos de insumos, e, por sua vez o paradigma, acórdão 20312448, tinha como contribuinte uma indústria de calçados e que nessa não existe a divisão de atividade entre fases agrícola e industrial, e o paradigma, acórdão 3801 00487, tinha como contribuinte uma indústria de minérios a qual não possui fase agrícola. As razões expostas pela ilustre relatora não são suficientes para o não conhecimento do recurso especial. A discussão travada, tanto no acórdão recorrido, quanto nos acórdãos paradigmas apresentados, referese ao alcance do termo insumos para apropriação de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins nos termos do inc. II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. No acórdão recorrido reconheceuse créditos decorrentes de bens e serviços utilizados na fase agrícola relativo ao plantio e manutenção da lavoura de canadeaçúcar. Como bem sabemos, esses bens e serviços são utilizados na fase agrícola ou préindustrial, ou seja, são insumos de insumos do produto industrializado destinado à venda, que são o açúcar e o álcool. Para decidir nesse sentido, o acórdão recorrido adotou um conceito mais elástico do termo insumos do que o previsto nas IN SRF nº 247/2002 e 358/2003. Estas instruções normativas adotaram um conceito restritivo do termo insumos, remetendoo ao conceito de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem definidos na legislação do IPI. Fl. 13619DF CARF MF Processo nº 10835.720016/201487 Acórdão n.º 9303007.544 CSRFT3 Fl. 29 28 Por sua vez os acórdãos paradigmas adotaram justamente o conceito constante das referidas instruções normativas, qual seja o conceito advindo da legislação do IPI. O seguinte trecho do paradigma 20312.448, já citado no voto da relatora, registra bem o entendimento adotado: “O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições especificas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial.” Pareceme evidente que se o colegiado paradigmático adotou o conceito de insumos das instruções normativas, o qual está vinculado ao conceito extraído da legislação do IPI, no presente processo os créditos dos insumos utilizados na fase préindustrial não seriam admitidos. Portanto, entendo que está configurada a divergência jurisprudencial apta ao conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 13620DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.722323/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008
Ementa:
SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE FATO.
Deve ser desconsiderada a pessoa jurídica inexistente de fato, atribuindo-se os fatos geradores às pessoas efetivamente tomadoras dos serviços dos segurados empregados.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MP 449/08. COMPARAÇÃO DE MULTAS.
A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto, por competência, entre a penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades calculadas com base na legislação vigente à época do fato gerador, isto é: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º a 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do inciso II do art. 35 dessa mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal.
Numero da decisão: 2202-004.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto, que deram provimento parcial ao recurso no que diz respeito à multa aplicada. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Redatora ad hoc.
(Assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez -Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 Ementa: SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE FATO. Deve ser desconsiderada a pessoa jurídica inexistente de fato, atribuindo-se os fatos geradores às pessoas efetivamente tomadoras dos serviços dos segurados empregados. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MP 449/08. COMPARAÇÃO DE MULTAS. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto, por competência, entre a penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades calculadas com base na legislação vigente à época do fato gerador, isto é: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º a 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do inciso II do art. 35 dessa mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal.
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DESCONSIDERAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE FATO. Deve ser desconsiderada a pessoa jurídica inexistente de fato, atribuindose os fatos geradores às pessoas efetivamente tomadoras dos serviços dos segurados empregados. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MP 449/08. COMPARAÇÃO DE MULTAS. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto, por competência, entre a penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades calculadas com base na legislação vigente à época do fato gerador, isto é: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º a 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do inciso II do art. 35 dessa mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto, que deram provimento parcial ao recurso no que diz respeito à multa aplicada. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 23 23 /2 01 1- 91 Fl. 987DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 988 2 (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Redatora ad hoc. (Assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente) Relatório Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de acórdão inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito tributário de Contribuições Sociais Previdenciárias. Intimada, a Contribuinte protocolou impugnação. A DRJ manteve integralmente o crédito tributário. Inconformada, interpôs recurso voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 28/10/2011 foram lavrados os autos de infração: · DEBCAD nº 37.326.4852, referente débito proveniente de contribuições devidas a terceiros (fl. 44/60); e · DEBCAD nº 37.326.4828, referente à CFL 68 (fl. 43). Conforme o relatório fiscal (fls. 18/42 e docs. anexos fls. 3/17 e 61/803), "DEBCAD 37.326.4828 Referese ao fato da empresa haver apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, com omissão de fatos geradores e em decorrência contribuições previdenciárias, deixando de incluir todos os segurados empregados e contribuintes individuais, cuja conduta se amolda nos seguintes dispositivos: Fl. 988DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 989 3 (...) Observação: Para aplicação dos valores de multa, foram observados os valores mínimos, estabelecidos na Portaria Interministerial MPS/MF Nº 407, de 14/07/2011, combinados com a multa mais benéfica a que se refere a MP (...) Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: a) As remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados, formalmente registrados na LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, CNPJ ..., constante de suas folhas de pagamentos, que efetivamente laboraram na ora autuada, caracterizados, por esta fiscalização, para fins previdenciários, como empregados da empresa da FÁBRICA DE MÁQUINAS LAMPE LTDA, CNJ ..., no período de 01/2007 a 12/2008, não declaradas em GFIP`s, cujos valores estão indicados no Discriminativo de Débito – DD, além de constar de planilha anexa. b) As remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados, formalmente registrados na LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, CNPJ ..., registradas na contabilidade e não lançadas em folhas de pagamentos, que efetivamente laboraram na ora autuada, caracterizados, por esta fiscalização, para fins previdenciários, como empregados da empresa da FÁBRICA DE MÁQUINAS LAMPE LTDA, CNJ ..., no período de 01/2007 a 12/2008, não declaradas em GFIP`s, cujos valores estão indicados no Discriminativo de Débito – DD, além de constar de planilha anexa." fls. 18/19; (...) "1. Foram alocadas simultaneamente diversas ações fiscais, para as empresas Lampe Comércio e Representações Ltda; Lampe Equipamentos Industriais Ltda e Fábrica de Máquinas Lampe Ltda., tendo em vista haver indícios caracterizadores em tese, da existência de grupo econômico entre as mesmas, além de empresas optantes do SIMPLES. As ciências aos diversos Mandados de Procedimentos Fiscais MPF, pelos sujeitos passivos ocorreram em 05/08/2011." fl. 20; (...) "III CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO ENTRE AS EMPRESAS: FÁBRICA DE MÁQUINAS LAMPE LTDA e LAMPE COMERCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA 7. Vejamos na seqüencia, se existem nas empresas sob ação fiscal, os elementos caracterizadores da existência de grupo econômico, como parentesco entre os sócios, administração comum das sociedades e interesses também comuns, com vistas a Fl. 989DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 990 4 determinas o grau de responsabilidade solidária entre as sociedades, conforme determina a legislação. 7.1. Foi constatado que os sócios de todas as empresas possuem certo grau de parentesco, quer seja por vínculo conjugal, consangüinidade ou afinidade, como adiante demonstrado:" fl. 23; (...) "7.2 Como se não bastasse o grau de parentesco entre os sócios, já demonstrando, portanto, o interesse comum nas empresas, a administração das sociedades se dá forma compartilhada, entre os sócios, Carlos Otto Lampe e Rene Lampe, (primos e netos do sócio fundador), conforme comprovado em informação do próprio site, mantido pelas empresas no endereço eletrônico: www.maquinaslampe.com.br. que relaciona as empresas FÁBRICA DE MÁQUINAS LAMPE LTDA e LAMPE COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. 7.3 Outro fato que ratifica a existência de grupo econômico até 23/05/2007, é o fato de que a empresa, COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LAMPE LTDA passou à condição de sócia da empresa FÁBRICA DE MÁQUINAS LAMPE LTDA a partir de 24/05/2007. 7.4 Desta forma restaram comprovados os elementos caracterizadores do instituto do grupo econômico (até 23/05/2007), acarretando por conseqüência a responsabilidade solidária quanto aos créditos tributários constituídos na ação fiscal entre as empresas FÁBRICA DE MÁQUINAS LAMPE e LAMPE COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES até a data de 23/05/2007, conforme determina o Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66 Art. 121 e 124 [ressalta o inciso I]) e a Legislação Previdenciária (Lei 8.212/91, Art. 30), nos seguintes termos:" fl. 24; (...) "IV INEXISTÊNCIA DE FATO DA EMPRESA LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA– CNPJ ... 8. Foi possível constatar que a empresa Lampe Equipamentos Industriais Ltda., não tem existência de fato, tendo sido mantida basicamente para diminuir custos da empresa Fábrica de Máquinas Lampe Ltda, e as razões inequívocas da referida tese, estão presentes em diversos momentos, senão vejamos: 8.1 A empresa Lampe Equipamentos Industriais Ltda, ocupa o mesmo prédio onde se situa a Fábrica, mediante suposta locação do imóvel de propriedade da Fábrica de Máquinas Lampe Ltda. 8.2 A comprovação de tais fatos ocorreu quando esta auditoria se dirigiu ao endereço onde estaria localizada a empresa Fábrica de Máquinas Lampe Ltda., constante da Rua Pedro Simões, número 60/70, para dar ciência aos empresários de Fl. 990DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 991 5 Termo de Intimação Fiscal (TIF) em 02/09/2011. Naquela ocasião foi possível constatar que a empresa Lampe Equipamentos Industriais Ltda., embora esteja cadastrada como localizada na Rua ..., encontrase no mesmo endereço da Fábrica de Máquinas Lampe Ltda, (Rua ...)." fls. 25/26; (...) "8.3 Ao ali chegar, dirigime à recepção, cuja atendente se identificou como sendo ..., que foi inclusive a mesma pessoa que assinou os avisos de recebimentos – AR, quando enviados os Termos de Início de Procedimentos Fiscais – TIPF´s, para todas as três empresas. 8.4 Em ato contínuo fui atendido pelos senhores Renê Lampe e Carlos Otto Lampe, que tomaram ciência dos Termos de Intimação Fiscal – TIF, alegando o Sr. Renê que representava as empresas Fábrica de Máquinas Lampe Ltda e Lampe Comércio e Representações Ltda; enquanto o Sr. Carlos disse representar a empresa Lampe Equipamentos Industriais Ltda. 8.5 Quando perguntados se possuíam algum outro endereço além daquele, informaram que todas as empresas funcionavam no mesmo endereço, traçando inclusive um perfil das empresas e seus respectivos sócios fundadores e empregados desde sua origem; afirmando literalmente que a empresa Lampe Equipamentos Industriais Ltda., “industrializava os produtos” enquanto a Fábrica de Máquinas Lampe Ltda. “realizava o faturamento”. 8.6 A contabilidade das empresas corrobora de forma indubitável a inexistência de fato da empresa Lampe Equipamentos Industriais Ltda., que sendo tributada pelo SIMPLES, sempre arcou com os gastos dos empregados, enquanto a Fábrica de Máquinas Lampe Ltda. (tributada pelo lucro real) cuidava do faturamento, tudo com vistas a pagar menos tributos e contribuições previdenciárias, aproveitandose de um suposto planejamento tributário. 8.7 Podese constatar, por exemplo, que enquanto a Fábrica de Máquinas Lampe Ltda possui apenas um empregado, e registra um faturamento superior a R$ 2,2 milhões de reais, a Lampe Equipamentos Industriais Ltda, possui em torno de 28 empregados enquanto seu faturamento atualmente é em torno de R$ 730 mil reais, conforme quadros a seguir: (...) 8.8 Vale ressaltar que do total do faturamento anual da empresa Lampe Equipamentos Industriais, mais da metade foi destinado à industrialização efetuada para própria empresa Fábrica de Máquinas Lampe, conforme quadro a seguir: Fl. 991DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 992 6 (...) 8.9 A Lampe Equipamentos Industriais Ltda, não possui nenhum valor de Ativo Imobilizado, capaz de justificar sua geração de receitas. Também não possui recursos em seu Ativo Circulante (Caixa e Bancos), capazes de fazer frente aos compromissos financeiros de seu Passivo Circulante, sendo todas as despesas pagas com recursos provenientes de empréstimos obtidos das empresas Fábrica de Máquinas Lampe Ltda. e Lampe Comércio e Representações Ltda., conforme quadro a seguir:" fls. 27/28; (...) 8.10 Também não se vislumbra na contabilidade da Lampe Equipamentos Industriais Ltda, nenhum pagamento a título de água ou energia elétrica, ou qualquer outra despesa que justifique de fato sua existência, sendo os mesmos suportados pela Fábrica de Máquinas Lampe Ltda. 9. Por todos os fatos descritos, não restam dúvidas de que a Lampe Equipamentos Industriais Ltda., é uma empresa inexistente de fato, que teria sido constituída de forma simulada, visando recolhimento de uma menor carga tributária em relação às operações da empresa Fábrica de Máquinas Lampe Ltda." fl. 29; (...) "11. Por todo o exposto, não resta dúvida de que o contribuinte ao assim proceder, eivou de vícios sua contabilidade, deixando de reconhecer contabilmente o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, contrariando dispositivo legal constante da Lei 8.212/91, artigo 33, parágrafo 6º, que assim estabelece: § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. 12. Considerado os fatos descritos em subsunção à legislação aplicável à espécie, serão considerados ocorridos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, relativamente aos empregados formalmente registrados na empresa inexistente de fato, LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, para o correto enquadramento junto à empresa para a qual os mesmos efetivamente laboraram, FÁBRICA DE MÁQUINAS LAMPE, CNPJ ...." fl. 30; (...) Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 993 7 23. Ao encontro deste propósito, na presente auditoria, foram identificados procedimentos em tese simulatórios, consistente em criar, empresas de direito, mas não de fato, qual seja LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, com a finalidade única e exclusiva de reduzir o montante de tributos devidos pela FÁBRICA DE MÁQUINAS LAMPE LTDA;" fls. 31/32; (...) "40. Assim, diante dos fatos descritos, vimos que a conduta da empresa no sentido de criar empresa inexistente de fato do SIMPLES, acima exposto, e independente das formas jurídicas simuladas empregadas, cabe à Fiscalização efetuar o devido enquadramento da situação fática encontrada, de forma a efetuar o correto lançamento das contribuições efetivamente devidas pelo contribuinte à Seguridade Social. 41. A legislação estampada na Lei 8.212/91, artigo 33, ao se referir a aferição indireta, estabelece: (...) 42. Neste sentido com base na Lei 8.212/91, artigo 33, parágrafo 6º, encontrase justificado o procedimento adotado por esta auditoria, no sentido de levantar os débitos previdências, relativos aos fatos geradores da empresa LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, (inexistente de fato), junto à empresa FÁBRICA DE MÁQUINAS LAMPE LTDA. 43. Considerado a existência de grupo econômico, os débitos ora levantados serão considerados com a correspondente sujeição passiva da empresa LAMPE COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA, que responde solidariamente pelos mesmos, por determinação do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66 Art. 121 e 124) e a Legislação Previdenciária (Lei 8.212/91, Art. 30)." fl. 35; (...) VI. ALTERAÇÃO NORMATIVA – MP Nº 449/2008 E LEI Nº 11.941/2009 (...) 46. Diante disto, para as competências anteriores à alteração legislativa foi verificado o enquadramento mais benéfico ao contribuinte (conforme previsão do artigo 106, inciso II, “c” do Código Tributário Nacional), mediante a comparação da soma das multas do artigo 32, § 5º, e do artigo 35, inciso II, item ”a”, ambos da Lei nº 8.212/1991, com as do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. 47. Por sua vez, as multas do artigo 44, Inciso I da Lei 9.430/1996, considerada inicialmente no percentual de Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 994 8 75% (setenta e cinco por cento), poderão ser duplicadas, quando considerados os efeitos da Lei 4.502, de 30/11/1964, em seus artigos 71, 72 e 73, que trata da sonegação, fraude e conluio" fl. 37; (...) "VII – ELEMENTOS FINAIS (...) 49. Além deste relatório, integram o processo os seguintes anexos: (...) e) Relatório de Documentos Apresentados – RDA, que relacionada por estabelecimento e competências, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos. f) Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, que demonstra como os recolhimentos efetuados foram apropriados pela fiscalização; (...) j) Planilha com Relação dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativos à folha de pagamento, com valores das bases de cálculos e valor de contribuições previdenciárias, denominada “RELAÇÃO DE SEGURADOS FORMALMENTE REGISTRADOS NA LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, CONSIDERADOS PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS, COMO SEGURADOS DA FÁBRICA DE MÁQUINAS LAMPE LTDA CNPJ 85.906.113/000103” k) Planilha com Relação dos segurados empregados e contribuintes individuais, cujos valores embora não constassem de folhas de pagamentos, foram registrados na contabilidade, denominada “RELAÇÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS LANÇADOS NA CONTABILIDADE”" fls. 38/39 Foi formalizado termo de sujeição passiva solidária em relação a Lampe Comércio e Representações Ltda. (fl. 804/808), que foi cientificada em 22/11/2011 (fl. 808). Intimada em 22/11/2011 (fls. 43 e 44), a Contribuinte protocolou impugnações individualizadas para cada DEBCAD em 22/12/2011 (fls. 840/858 e 871/890). Analisando a defesa, a DRJ proferiu o acórdão nº 1264.765, de 14/04/2014 (fls. 932/940), no qual manteve integralmente o crédito tributário e que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 995 9 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. PRESENTE. INEXISTÊNCIA DE FATO. PRESUNÇÃO SIMPLES. POSSIBILIDADE. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. O Fisco pode utilizarse de presunção a fim de demonstrar a ocorrência de fato tributariamente relevante, baseandose em regras de experiência acerca do que geralmente acontece no mundo fenomênico. A lei não pode prever todos os fatos indiciários a fim de positiválos como enunciado de presunção absoluta ou relativa. Caracterizase o grupo econômico quando, além do parentesco e do controle societário, o conjunto de indícios e elementos fáticos demonstra que as empresas combinavam recursos e esforços para a consecução de objetivos comuns, sob direção única e coordenada, portanto, atuavam economicamente como grupo. Há solidariedade entre as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondendo pelas obrigações decorrentes da lei de custeio da previdência social, por expressa disposição legal, bem como pela comprovação do interesse comum na situação que constitua fato gerador. Constatada a ocorrência de simulação, consubstanciada na utilização de empresa inexistente de fato, a fim de obter exclusivamente a redução da carga tributária, é lícita a deconsideração do negócio jurídico e o arbitramento das contribuições devidas. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. OCORRÊNCIA. INFRAÇÃO. MULTA. PROCEDÊNCIA. Verificada a omissão em GFIP, de fatos gerados apurados nas folhas de pagamentos e contabilidade, é procedente a aplicação de penalidade pelo decumprimento de obrigação acessória. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 28/04/2014 (fls. 944), e ainda inconformada, a Contribuinte protocolou recurso voluntário em 27/05/2014 (fls. 948/975) argumentando, em síntese, · Que o lançamento se sustenta em presunção simples, não havendo provas das alegações da autoridade lançadora. Acontece que para acusar a ocorrência de fraude é necessário provar o quanto se alega; · Que "não existe óbice legal que impeça que uma Empresa preste serviços para outra Empresa, cuja administração seja exercida, cada qual por seus Sócios, com certo grau de parentesco." (fl. 953); Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 996 10 · Que não há lei proibindo que duas empresas se instalem no mesmo imóvel; · Que a Contribuinte é empresa autônoma, mantendo sua estrutura societária, legal, funcional e administrativa própria, conforme provas juntadas aos autos mas não analisado pela DRJ, sendo indevida a declaração de sua nulidade ou de inexistência; · Que não há ilicitude na subdivisão da atividade empresarial em pessoas jurídicas diversas, sendo indevida a reunião das receitas dessas pessoas em uma só para fins de tributação. Cita precedentes do CARF nos acórdãos nº 3403002.519 e nº 10323.357; · Que é ilegítimo o arbitramento uma vez que foram apresentados à Fiscalização todos os documentos da recorrente e das demais empresas; · Que não há relação entre o faturamento e o número de funcionários; · Que não há fundamento para a descaracterização da Lampe Equipamentos Industriais Ltda do SIMPLES NACIONAL, vez que esta observou todos os requisitos legais; · Que a existência de sócio em comum não é suficiente para caracterizar grupo econômico; · Que, não havendo grupo econômico, "não há que se falar em responsabilidade solidária, uma vez que a carga tributária incidente em cada fato gerador, encontrase devidamente recolhida, por cada um dos sujeitos passivos correspondentes" (fl. 962); · Que a própria autoridade lançadora admitiu que a Contribuinte de direito pagou todos os tributos, mas que ainda assim não considerou esses valores recolhidos pela Lampe Equipamentos Industriais Ltda. · Que, além disso, "deve ser afastada a aplicação do instituto da responsabilidade solidária ao presente caso, uma vez que a simples alegação de interesse comum, não é suficiente para a aplicação do instituto em questão." (fl. 967); · Que, subsidiariamente, as multas são inaplicáveis uma vez que a Contribuinte de Direito na ocasião, a Lampe Equipamentos Industriais Ltda., recolheu as contribuições previdenciárias e satisfez todas as obrigações acessórias; · Que, ainda subsidiariamente, a Lei nº 11.941/2009 deve ser aplicada retroativamente, uma vez que mais benéfica; e · Que as multas impostas afrontam os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do não confisco. Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 997 11 A responsável solidária LAMPE COM. REPRESENTAÇÕES LTDA. também foi intimada em 28/04/2014 (fl. 945). Os presentes autos foram apensados aos processos nº 10920.722325/201180, nº 10920.722324/201135, nº 10920.722332/201181 e nº 10920.722333/201126 (fl. 832). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Redatora ad hoc Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de voto inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF, de sorte que o posicionamento abaixo esposado não necessariamente tem a aquiescência desta Conselheira O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Da presunção simples Argumenta a Contribuinte que o lançamento foi feito com base exclusivamente em presunção simples, o que é indevido. Defende que cabe à autoridade lançadora provar as suas alegações. A verdade é que, no presente caso, a autoridade lançadora apresentou fatos e provas que as fundamentasse. Por exemplo, descreveu o quadro componente das empresas (itens 6 e 7.1 do Relatório de Fiscalização), e apresentou as provas que lastraram tais afirmações (fls. 763/792). Também afirmou que a maior parte do faturamento da LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. era proveniente da Recorrente, e depois apresentou tabela resumindo os valores apurados por ano que lastrearam a sua afirmação. Esse procedimento investigativo é plenamente válido quando da investigação de fraudes e outras hipóteses de desconsideração de fatos aparentemente verdadeiros. É incomum que sejam identificadas provas diretas de fraudes ou de inexistência de fato de empresas. Portanto, é racional que essas fiscalizações se lastreiam em processos de dedução da verdade material com base em premissas. Inclusive, esse procedimento é estabelecido na legislação, como se observa do art. 33, § 6º, da Lei nº 8.212/1991, citado pela autoridade lançadora. Questão completamente diferente é a análise da adequação das conclusões da autoridade lançadora em relação às provas e premissas adotas. Esse ponto, entretanto, será destrinchado a seguir. Do grupo econômico, da inexistência de fato e do reenquadramento dos segurados empregados O lançamento tem por objeto o reenquadramento dos funcionários formalmente declarados na empresa LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA., de sorte que foram considerados como segurados empregados da ora Recorrente. O fundamento foi a Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 998 12 inexistência de fato daquela. Para fundamentar a sua constatação de que havia um grupo econômico, a autoridade lançadora anotou que: · Que os sócios de todas as empresas consideradas eram parentes entre si, o que de pronto demonstra interesse comum nas empresas; · Que a administração das sociedades era compartilhadas entre os sócios, estes primos entre si e netos do fundador do grupo econômico; · Que uma empresa passou a ser sócia de outra; Já para lastrear a acusação de que a empresa desconsiderada inexistia de fato, a autoridade lançadora anotou que: · Que seu único propósito era diminuir os custos da Recorrente; · Que ocupa o mesmo prédio onde se situa a Fábrica, mediante suposta locação do imóvel; · Que a mesma pessoa figura como atendente de ambas as empresas, assinando os AR's das duas; · Que foi atendido simultaneamente por ambos os sócios, apesar de um se dizer responsável por uma sociedade e outro pela outra; · Que os sócios afirmaram literalmente que "a empresa Lampe Equipamentos Industriais Ltda., “industrializava os produtos” enquanto a Fábrica de Máquinas Lampe Ltda. “realizava o faturamento”." (fl. 27); · Que a contabilidade das empresas corrobora a afirmação de que a LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. optante pelo SIMPLES inexiste de fato, mas que apenas arcava com os custos com os empregados, enquanto a Recorrente, tributada pelo lucro real, realizava o faturamento de forma a minimizar o pagamento dos tributos, apresentando tabelas nas quais se observa que a Recorrente tinha como "Faturamento" valores entre R$ 1.5 milhões e R$ 2.6 milhões, como "Custos Produtos" valores entre R$ 560 mil e R$ 1.3 milhões, e como "Gasto com pessoal" valores inferiores a R$ 20mil. De outro lado, na Lampe Equipamentos Industriais o "Faturamento" variava entre R$ 500mil e R$ 700mil, o "Custo Produtos" entre R$ 90mil e R$ 260mil, e o "Gastos Pessoal" entre R$ 430mil e R$ 550mil. · Que mais de 50% do faturamento da LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. era proveniente da FÁBRICA DE MÁQUINAS LAMPE LTDA.; · Que a empresa desconsiderada não tem nenhum valor a título de Ativo Imobilizado. Que tampouco tinha Ativo Circulante (Caixa e Bancos) capazes de fazer frente aos seus compromissos financeiros do Passivo Circulante, e, enfim, que todas as suas despesas eram pagas com recursos de empréstimos obtidos da Recorrente e da empresa classificada como Responsável solidária nesta lançamento; e Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 999 13 · Que a empresa desconsiderada não tinha nenhum pagamento a título de água ou energia elétrica, ou mesmo qualquer outra despesa que justifique a sua existência, sendo todos custeados pela Recorrente. Outrossim, também foi atribuída responsabilidade solidária da LAMPE COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. em função dos arts. 121 e 124 do CTN e do art. 30 da Lei nº 8.212/1991. Esta questão será tratada especificamente em tópico apartado, porém desde já é registrada em função da importância da questão da existência ou não de grupo econômico para a sua configuração. A DRJ, analisando a impugnação, concluiu pela correção das conclusões alcançadas pela autoridade lançadora. Analisando os fatos apurados, também concluiu ser improvável que uma empresa fosse capaz de levar a cabo processo industrial sem maquinário, matériasprima, energia ou água; igualmente, que não é crível que uma empresa fosse capaz de produzir máquinas e faturasse valores na casa de R$ 2.2milhões com um único funcionário registrado. Admitiu não haver óbice à constituição de pessoas jurídicas autônomas, formação de grupo econômico e estruturação da atividade empresarial para dividir o processo industrial/comercial. Contudo, entendeu que os fatos realmente convergiam no sentido de que a empresa desconsiderada realmente inexistia de fato. Em sua defesa, a Contribuinte contesta a configuração de grupo econômico. Argumenta que não há óbice legal ao compartilhamento de um mesmo imóvel por duas ou mais empresas; que tampouco há qualquer irregularidade em uma empresa prestar serviço a outra, independentemente de seus sócios e dirigentes serem parentes; que as empresas são autônomas, mantendo estrutura societária, legal, administrativa e funcional próprias, afirmando ter apresentado provas, as quais foram ignoradas pela DRJ; que a existência de sócio em comum é insuficiente para caracterizar grupo econômico; que não há correlação entre o faturamento da empresa e o número de funcionários; e que a LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. preencheu todos os requisitos para se enquadrar no SIMPLES NACIONAL. De qualquer maneira, desenvolve raciocínio no sentido de que não há ilicitude na divisão e na subdivisão da atividade empresarial em pessoas jurídicas diversas. E, nesse caso, que não pode a autoridade lançadora simplesmente reunilas para fins de tributação. Imperioso delimitar a lide nesse ponto. A primeira questão a ser analisada é a existência de fato ou não da empresa LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. Somente se esta inexistir de fato é que será relevante analisar a existência ou não de grupo econômico, a correta identificação do sujeito passivo e a responsabilidade solidária. Da (in)existência de fato da LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. A própria autoridade lançadora esclareceu que é necessário diferenciar o planejamento tributário ou seja, a elisão fiscal, os atos lícitos tendentes a reduzir a tributação da evasão fiscal: "27. Assim, será elisão fiscal quando o contribuinte adota um procedimento lícito para evitar a ocorrência do fato gerador ou adota uma alternativa legal ao seu dispor para reduzir a carga Fl. 999DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 1000 14 tributária. Mas, será evasão fiscal ilícita, quando a conduta trilhe pelo caminho da sonegação e da fraude, através da simulação." fl. 32. (...) "40. Assim, diante dos fatos descritos, vimos que a conduta da empresa no sentido de criar empresa inexistente de fato do SIMPLES, acima exposto, e independente das formas jurídicas simuladas empregadas, cabe à Fiscalização efetuar o devido enquadramento da situação fática encontrada, de forma a efetuar o correto lançamento das contribuições efetivamente devidas pelo contribuinte à Seguridade Social." fl. 35; Ou seja, o lançamento tem como premissa a existência de simulação. A autoridade lançadora não contesta a validade da organização da atividade empresarial, nem a possibilidade ou impossibilidade de se dividir a atividade industrial em duas ou mais pessoas jurídicas. Apenas, entendeu que a LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. não existia de fato, ou seja, que houve simulação por parte da Contribuinte e que todos os empregados formalmente declarados naquela em verdade estavam vinculadas a esta. Nessa linha, os argumentos da contribuinte no sentido de ser lícita a divisão da atividade empresarial, bem como de que é possível a prestação de serviços de uma empresa a outra não têm o condão de infirmar o lançamento. Diferentemente, é sim fulcral a questão de haver ou não autonomia entre essas empresas, em especial no que toca à estrutura funcional. Essa é a principal acusação e sobre isso deveria recair a defesa da Contribuinte. Apresentou como únicas provas, entretanto, (a) duas notas fiscais emitidas em relação a operações com terceiros (fls. 911/912), (b) contratos de sublocação (fls. 913/918), desacompanhado de provas do pagamento dos alugueres, e (c) contracheques de funcionários da empresa desconsiderada (fls. 925/928). Os contratos de sublocação seriam ótimo instrumento de prova em favor da Contribuinte caso houvesse provas do pagamento dos alugueres. Ausentes estas, apenas corroboram as constatações da autoridade lançadora de que a empresa desconsiderada estava localizada no mesmo endereço da Contribuinte e que aquela não tinha custos no mundo real, sendo tudo arcado por esta. Os contracheques, nesse contexto, não fazem provas a favor nem contra a recorrente nesse ponto. A verdade é que esse fato é inconteste: a empresa LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. tinha funcionários em sua contabilidade. Tanto assim que esse é exatamente o fato gerador identificado: a existência de pagamentos a segurados empregados declarados por esta empresa. De outro lado, as notas fiscais emitidas em relação a operações com terceiros contam sim a seu favor. Efetivamente, demonstram que a empresa EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. tinha vínculos comerciais não apenas com a Recorrente, mas também com outras pessoas. É indício, portanto, da sua existência de fato. Contudo, isoladamente, é prova extremamente frágil. Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 1001 15 Já das alegações da autoridade lançadora, (a) é irrelevante a acusação de que o único propósito era a diminuição dos custos tributários da Recorrente, vez que, como a própria autoridade lançadora admitiu, o planejamento tributário lícito é válido; (b) é contrário à tese de inexistência de fato a constatação de que aproximadamente 50% do faturamento da LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. era proveniente de outras pessoas, que não a Recorrente. Esse fato demonstra, pelo contrário, que a referida empresa mantinha operações comerciais hígidas com outras pessoas e, relações essas, inclusive, que podem servir como parâmetro para demonstrar que os preços estabelecidos nas suas operações com a Recorrente eram os preços de mercado. Entretanto, têm grande peso as alegações da autoridade lançadora de que (c) a contabilidade das empresas demonstrava que a LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. apenas arcava com os custos com os empregados, sendo o "grosso" do faturamento atribuído à Recorrente; (d) a empresa desconsiderada não tinha valores a título de Ativo Imobilizado nem e o ativo circulante era incapazes de fazer frente aos seus compromissos financeiros; (e) todas as suas despesas eram pagas com recursos de empréstimos obtidos da Recorrente e da empresa classificada como Responsável solidária nesta lançamento; (f) a empresa desconsiderada não tinha nenhum pagamento a título de água ou energia elétrica, ou mesmo qualquer outra despesa que justifique a sua existência, sendo todos custeados pela Recorrente. Ora, como pode uma empresa fabricante de máquinas não deter de maquinário para o processo de industrialização? Como pode não ter matériaprima? E não ter custos com eletricidade? Não era necessário que fosse proprietária do maquinário industrial, mas é indispensável que demonstrasse ter acesso a tal infraestrutura, seja por meio de locação, de arrendamento etc. Ou que demonstrasse sim ter a matériaprima e os custos com eletricidade. Nada disso fez. Há que se registrar que no acórdão nº 10323.357, de 23/01/2008, citado pela própria Contribuinte como fundamento para a sua defesa, percebese o seu erro. Efetivamente, naquele julgamento entendeuse pela legalidade da subdivisão da atividade econômica com o fito de economizar tributo. Da leitura do voto, se observa, entretanto, que: Por isso, o fisco, a quem incumbe desconstituir a presunção de legitimidade de que gozam os atos e negócios jurídicos atacados, provando que não passam de mera aparência ou ocultam uma outra relação jurídica de natureza diversa, escamoteando a ocorrência do fato gerador, há de se valer da prova indireta, de indícios, que hão de ser graves, precisos, concordantes entre si, resultantes de uma forte probabilidade e indutores de ligação direta do fato desconhecido como fato conhecido. A meu sentido, disso não se desincumbiu o fisco. A falta de aprofundamento da ação fiscal faz com que os fatos apontados como indícios de simulação, quais sejam, a instalação das duas empresas na mesma área geográfica e as alterações dos seus objetivos sociais, reservandose a uma a fabricação do casco e à outra os serviços de montagem da embarcação, possam ser tidos como desdobramento da atividade antes exercida por uma delas, objetivando racionalizar as operações e minorar a carga tributária. Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 1002 16 A conclusão diversa chegaria se a fiscalização comprovasse que a empresa desqualificada não mantinha registros ou inscrições fiscais próprias, que não possuía quadro próprio de empregados, que não celebrava negócios, que não emitia documentação, que não mantinha escrituração fiscal relativa a seus negócios. O mesmo se extrai da ementa do acórdão 3403002.519, de 22/10/2013: PIS. REGIME MONOFÁSICO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. ART. 116, P.U. DO CTN. UNIDADE ECONÔMICA. ART. 126, III, DO CTN. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não se configura simulação absoluta se a pessoa jurídica criada para exercer a atividade de revendedor atacadista efetivamente existe e exerce tal atividade, praticando atos válidos e eficazes que evidenciam a intenção negocial de atuar na fase de revenda dos produtos. A alteração na estrutura de um grupo econômico, separando em duas pessoas jurídicas diferentes as diferentes atividades de industrialização e de distribuição, não configura conduta abusiva nem a dissimulação prevista no art. 116, p.u. do CTN, nem autoriza o tratamento conjunto das duas empresas como se fosse uma só, a pretexto de configuração de unidade econômica, não se aplicando ao caso o art. 126, III, do CTN. Ou seja, em ambos esses acórdãos deuse razão à Recorrente porquanto se verificou que a empresa ali desconsiderada existia de fato, ou ao menos que a autoridade lançadora não logrou demonstrar que inexistia de fato. No presente caso, em sentido contrário, a autoridade lançadora logrou reunir indícios suficientes que, em conjunto, demonstram a inexistência de fato da empresa LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. A Recorrente, por sua vez, não foi capaz de infirmar tais conclusões. Diferente teria sido se demonstrasse, por exemplo, que a empresa desconsiderada tinha custos com energia elétrica, com a aquisição de matériaprima, com a locação do espaço, que atuava de maneira efetivamente autônoma, ainda que manteve relação próxima com outra empresa do mesmo grupo econômico. Por esse motivo, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Do grupo econômico Superada a questão acima, impende verificar se havia grupo econômico e se, nesse contexto, foi correta a imputação dos fato geradores à Recorrente. Com razão a Recorrente aponta ser de menor importância o fato de que os sócios das empresas eram parentes entre si. É plenamente possível que diversas pessoas jurídicas formem um grupo econômico sem que seus sócios sejam parentes, bem como que diversas empresas tenham como sócios parentes inclusive mais próximos, como pais e filhos, ou irmãos sem que por isso formem um grupo econômico. Não há, nesse elemento, nenhum elemento de probabilidade da existência de interesse comum. Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 1003 17 O fato de que as pessoas jurídicas estavam sediadas no mesmo imóvel, diferentemente, é relevante. É plenamente possível que duas empresas autônomas fiquem localizadas no mesmo imóvel. Entretanto, quando se verifica que as pessoas jurídicas têm íntima relação entre si, atuando de maneira complementar, em que "uma industrializa os produtos" e outra "realiza o faturamento", em que se verifica que a mesma pessoa física atende e assina por ambas, então já se percebe a existência de interesse comum. Fator de ainda maior relevância é a constatação de que uma delas custeia a atividade da outra. Ou seja, apesar de ambas estarem no mesmo imóvel, apenas uma delas paga o aluguel, apenas uma delas paga energia elétrica etc. Mais uma vez, como anotado acima, a Contribuinte não logrou infirmar as constatações da autoridade lançadora. Por esse motivo, é plausível concluir que existiu grupo econômico de que a Recorrente, enquanto a pessoa que custeava a operação, era a verdadeira tomadora dos serviços prestados pelos segurados empregados. Do arbitramento Argumenta ainda a Contribuinte que o arbitramento é ilegítimo, uma vez que todos os documentos foram oferecidos à Fiscalização. A verdade é que o lançamento foi arbitrado exatamente porque a autoridade lançadora entendeu que a documentação contábil e fiscal apresentada pela Recorrente não refletia a verdade material. Esse entendimento se encontra escorado no quanto já analisado acima de que houve simulação, ou seja, criação de uma pessoa jurídica sem qualquer substância ou existência de fato. Nessa senda, adequado o arbitramento. Outrossim, conforme o Relatório Fiscal, o lançamento tomou como base de cálculo as "remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados, formalmente registrados na LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA (...), constante de suas folhas de pagamentos pagas e/ou creditadas aos segurados empregados" e as "remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados, formalmente registrados na LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA (...), registradas na contabilidade e não lançadas em folhas de pagamentos" (fl. 19). Percebese, portanto, que o "arbitramento" nada mais foi do que o reenquadramento dos segurados empregados de uma empresa em outra, pelos fatos já elencados acima. Portanto, uma vez que é legítimo, e que o critério utilizado pela autoridade lançadora é adequado, não há que se reformar o lançamento nesse ponto. Dos valores já recolhidos Argumenta ainda a Recorrente que todos os valores devidos foram recolhidos pelos sujeitos passivos correspondentes, o que inclusive teria sido reconhecido pela própria autoridade lançadora. Nessa linha, entende que não há lançamento a ser feito. É verdade que a autoridade lançadora reconheceu a existência de pagamentos efetuados pela empresa desconsiderada. Entretanto, é verdade também que a autoridade lançadora já considerou tais valores quando da apuração do montante devido. Tanto assim que elaborou "Relatório de Documentos Apresentados RDA" (fls. 6/7) e "Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA" (fls. 55/57). Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 1004 18 Portanto, não assiste razão à recorrente nesse ponto. Da responsabilidade solidária Argumenta ainda a Contribuinte contra a imposição da responsabilidade solidária. Afirma que todos os valores já foram recolhidos pelos respectivos sujeitos passivos, bem como que não foi demonstrado o interesse comum no presente caso. Em conformidade com tudo quanto discorrido anteriormente, é possível afirmar que havia grupo econômico o que, nos termos do art. 30, IX, da Lei nº 8.212/1991 é suficiente para a responsabilização solidária e que não ficou demonstrado o recolhimento integral dos débitos tributário apurados no presente lançamento. Portanto, não assiste razão à recorrente nesse ponto. Das multas Subsidiariamente, a Recorrente reclama que as multas não sejam aplicadas uma vez que ferem o princípio da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco. Também, que argumenta que todos os valores devidos já foram recolhidos pelos respectivos sujeitos passivos e, consequentemente, que satisfez todas as obrigações acessórias. Enfim, que a Lei nº 11.941/2009 não foi aplicada retroativamente. Quanto ao primeiro argumento, basta remeter ao tópico "Dos valores já recolhidos", supra. Quanto ao segundo argumento, é suficiente anotar que foi desconsiderada a pessoa jurídica LAMPE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA., e entendeuse que os fatos geradores ocorreram em relação à ora Recorrente, o que implica afirmar que suas declarações foram omissas em relação a esses fatos geradores e, em última análise, que ela não satisfez suas obrigações acessórias. Já no que toca ao terceiro argumento, é relevante fazer uma análise mais aprofundada. Compulsando o Relatório Fiscal, constatase que a autoridade lançadora afirmou ter aplicado a Lei nº 11.941/2009 de maneira retroativa, nos termos do art. 106, II, 'c', do CTN. Nessa linha, que efetuou comparação das somas do art. 32, § 5º e 35, II, 'a', com o art. 9.340/1996. Esse comparativo realmente é identificado nas fls. 134/138. Pois bem. O presente DEBCAD foi lavrado aplicandose a legislação vigente à época dos fato. Ou seja, foi formalizada a multa constante no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 1005 19 (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Acontece que essa multa foi revogada pela Lei nº 11.941/2009, publicada em 28/05/2009, que incluiu em seu lugar a multa do art. 32A: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (Vide Lei nº 13.097, de 2015) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Já prevendo situações de alteração da legislação, o Código Tributário Nacional estabeleceu uma regra de transição em relação às penalidade, determinando que, Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 1006 20 Analisando a alteração concretizada pela Lei nº 11.941/2009, percebese que houve (1) alteração da penalidade já existente; (2) revogação da multa anteriormente existente e (3) ao mesmo tempo criação de outra multa, em função de fatos diversos. Nesse caminho, só pode retroagir a norma que alterar o comando legal em favor da Contribuinte, como quando reduzir a penalidade (1), ou quando revogou a norma que impõe a penalidade anteriormente existente (2). Diferentemente, a norma que cria penalidade nova (3) não pode retroagir, somente podendo ser aplicada nos lançamentos posteriores. Nesse sentido devese limitar a multa a 20%, conforme o art. 35, da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009, não podendo ser aplicada a multa da redação original desse artigo, uma vez que foi revogada, nem a multa do art. 35A, da mesma Lei, vez que só foi criada após o fato gerador, não podendo retroagir em prejuízo do sujeito passivo. Esse é, inclusive, o entendimento do STJ, conforme se observa do seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PREMISSA EQUIVOCADA. SÚMULA 284/STF. INAPLICABILIDADE. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA. REDUÇÃO PARA 20%. ART. 35 DA LEI N. 8.212/91 E ART. 106, II, "C", DO CTN. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. PRECEDENTES. HONORÁRIOS. CABIMENTO. 1. Tratandose de ato não definitivamente julgado, aplicase a lei mais benéfica ao contribuinte, para redução de multa, conforme dispõe o art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. 2. O art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela Lei n. 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa seguir o patamar de 20% que, sendo mais propícia ao contribuinte, deve ser a ele aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. 3. Precedentes: AgRg no AREsp 185.324/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 27.8.2012; AgRg no REsp 1216186/RS, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16/5/2011; REsp 1117701/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 19/10/2009. 4. O art. 35 da Lei n. 8.212/91, com a redação anterior à Lei n. 11.940/09, não distingue a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), hipótese prevista tão somente com o advento da Lei n. 11.940/09, que introduziu o art. 35A à Lei de Custeio da Seguridade Social, restringindo sua incidência aos casos ocorridos após sua vigência, sob pena de retroação. 5. É firme o entendimento no sentido de que a procedência do incidente de exceção de préexecutividade, ainda que resulte apenas na extinção parcial da execução fiscal ou redução de seu valor, acarreta a condenação na verba honorária. Precedentes. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos. Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 1007 21 (EDcl no AgRg no REsp 1275297/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/12/2013, DJe 10/12/2013) Mais relevante ainda é a leitura do voto proferido pelo i.Min. Relator, de onde se extrai os seguintes excertos: Cumpre destacar que o art. 35 da Lei n. 8.212/91, com a redação anterior à Lei n. 11.940/09, não distinguia a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), mas levando em consideração, essencialmente, o momento em que constatado o atraso no pagamento: antes da notificação fiscal, durante a notificação e existência de recurso administrativo, e após a inscrição em dívida ativa. Vale a transcrição: (...) Com efeito, a nova redação do art. 35 da Lei n. 8.212/91, dada pela Lei n. 11.941/09, ao prever que as multas aplicadas obedecerão os parâmetros estabelecidos no art. 61 da Lei n. 9.430/96, possibilitou a aplicação da multa reduzida aos processos ainda não definitivamente julgados. (...) A distinção quanto à forma de lançamento para fixação de multa somente foi prevista com o advento da Lei n. 11.940/09, que introduziu o art. 35A à Lei n. 8.212/91, verbis: (...) Com efeito, sua aplicação restringese aos lançamentos de ofício existentes após sua vigência, sob pena de retroação. Outros relevantes precedentes são: · AgRg no REsp 1319947/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/09/2012, DJe 02/10/2012); e · AgRg no REsp 1216186/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2011, DJe 16/05/2011). Nesse caminho, é necessário reconhecer a aplicação retroativa (art. 106 do CTN) da Lei nº 11.941/2009, aplicandose a multa mais benéfica ao Contribuinte, por competência, limitada porém ao patamar de 20% constante na nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa. Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 1008 22 (assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio (voto de Dilson Jatahy Fonsenca Neto) Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do i. Conselheiro relator quanto a multa mais benéfica a ser aplicada. Nesse sentido, é elucidativo o voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no Acórdão CSRF nº9202004.006: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art.35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 1009 23 § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 1010 24 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. No presente caso, conforme consta do relatório, foi feito o comparativo entre a sistemática anterior 24% e o AIOA, e a multa atual do art. 35A, justamente aplicandose aquela que fosse mais benéfica ao recorrente no momento da lavratura. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. (...) Para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. A multa deve resultar do comparativo entre os valores que seriam lançados considerando a lei vigente à época do fato gerador com o valor da multa de ofício que teria sido aplicada considerando a redação atual, conforme artigo 44 da Lei 9.430, de 1996 (percentual de 75%) somado, se for o caso, ao valor da multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91. Com a maxima venia, entendo que não cabe a comparação da multa de 24%, da regra anterior, com a multa de 20%, da nova regra, pois são multas aplicadas em relação a fatos distintos: enquanto a multa de 24% era aplicada de ofício, por meio de uma Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), a multa de 20% incide sobre pagamento espontâneo, feito em atraso. Do exame dos autos, verificase que a autoridade fiscal procedeu corretamente a esse comparativo (item VI do Relatório Fiscal, a partir de fl.37). O critério adotado respeita a proibição de dupla penalização pela prática de uma mesma conduta infracional e compara penalidades incidentes sobre condutas idênticas. Assim, entendo que o procedimento fiscal mostrase correto, inexistindo reparos a se fazer no lançamento fiscal. Por todo o exposto, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10920.722323/201191 Acórdão n.º 2202004.686 S2C2T2 Fl. 1011 25 É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 1011DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.912146/2009-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 19/12/2006
PER/DCOMP. PEDIDO COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Devido a inexistência de prova que demonstre a existência do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado por meio de PER/DCOMP, não há que se falar em homologação da compensação requerida.
Numero da decisão: 3001-000.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 19/12/2006 PER/DCOMP. PEDIDO COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Devido a inexistência de prova que demonstre a existência do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado por meio de PER/DCOMP, não há que se falar em homologação da compensação requerida.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 19/12/2006 PER/DCOMP. PEDIDO COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Devido a inexistência de prova que demonstre a existência do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado por meio de PER/DCOMP, não há que se falar em homologação da compensação requerida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 21 46 /2 00 9- 83 Fl. 44DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário impetrado contra Acórdão de Manifestação de Inconformidade emitido pela DRJ de Ribeirão Preto que decidiu pela improcedência da manifestação. O despacho decisório, situado à fl. 20, não reconheceu o crédito pleiteado no PER/DCOMP nº 29867.06053.130707.1.3.042530, que pleiteava a restituição de pagamento indevido ou a maior efetuado em 19/12/2006, no montante de R$14.475,44, não homologando, por conseguinte, as compensações declaradas devido ao fato de os créditos terem sido totalmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Não satisfeita com a resposta do fisco, a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que retificou a DCTF de modo que sanaria a causa impeditiva da compensação. A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, convalidando integralmente o indeferimento consubstanciado no despacho decisório conforme Acórdão no 1445.053 a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 19/12/2006 ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância afirmando que a DCTF retificadora apresenta os valores efetivamente incorridos e que se encontra em consonância com a Ficha do Saldo do IPI da DIPJ competência 2006. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10983.912146/200983 Acórdão n.º 3001000.585 S3C0T1 Fl. 45 3 Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre o não reconhecimento do crédito pleiteado tendo em vista a não comprovação do pagamento indevido ou a maior. A decisão de piso entendeu que não cabe a alegação da manifestação de inconformidade tendo em vista que a retificação da DCTF efetuada pela recorrente após o Despacho Decisório não é suficiente para sanear a causa da negativa exarada na decisão, não atendendo ao disposto no art. 36 da Lei no 9.784/99. Afirma ainda que a recorrente não trouxe nenhuma prova ou indício que comprovasse o alegado recolhimento indevido. Entretanto, a recorrente reafirma em seu Recurso Voluntário que a DCTF retificadora apresenta os valores efetivamente incorridos e que se encontra em consonância com a DIPJ competência 2006 em sua Ficha do Saldo do IPI e que estas informações por si só seriam provas suficientes de que efetuou o pagamento a maior. Não procedem as alegações da recorrente e julgo correta a decisão de piso. Destaco a seguinte passagem da decisão de primeira instância, na qual reputa da maior relevância para o caso em questão: “não basta apenas harmonizar o pedido de restituição com uma DCTF retificadora sem demonstrar a efetiva existência de crédito líquido e certo, ou seja, é necessário provar que realmente ocorreu um pagamento indevido, ou maior que o devido, ao teor do já citado art. 36 da Lei nº 9.784/99”. Fl. 46DF CARF MF 4 Importante ressaltar que o presente Colegiado tem acompanhado a tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para acolher as provas apresentadas nesta instância recursal. Contudo, para sua aplicação é necessária a apresentação pormenorizada por parte da recorrente dos elementos necessários e indispensáveis para comprovação das suas alegações, em especial dos créditos efetivamente pretendidos. Destaquese que a apresentação de DIPJ possui a natureza informativa, não consubstanciando elemento de prova e, muito menos, a atribuição de confissão de dívida. Portanto, para comprovar as alegações apresentadas, a recorrente deveria juntar aos autos documentações hábeis e idôneas que corroborassem as informações de valor devido de IPI, qual seja, pelo menos, os livros contábeis e fiscais. Diante do exposto, devido a ausência de comprovação do recolhimento indevido, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 47DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000460/2003-53
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
DECISÃO JUDICIAL. DEFERIMENTO DE LIMINAR. RETORNO PARA EXAME DE ADMISSIBILIDADE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO.
Não cabe retorno dos autos para novo exame de admissibilidade nos casos em que há decisão judicial deferida justamente contra o mérito do exame anterior e determinando a admissão do recurso, sob pena de descumprimento de ordem judicial.
REFORMA DE DECISÃO RECORRIDA. APRECIAÇÃO APENAS DE MATÉRIA PREJUDICIAL SUSCITADA PELA PGFN. RETORNO PARA JULGAR RECURSO VOLUNTÁRIO.
Tendo a decisão recorrida se manifestado favoravelmente apenas sobre questão prejudicial suscitada pela PGFN que foi suficiente para resolver o litígio naquele momento, e tal ponto sido superado por ordem judicial, cabe retorno dos autos para a turma a quo realizar julgamento do recurso voluntário interposto pela Contribuinte.
Numero da decisão: 9101-003.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de resolução, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator) e Cristiane Silva Costa. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial, com retorno dos autos ao colegiado de origem a fim de que se julgue o recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor quanto a rejeição da proposta de resolução o conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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DEFERIMENTO DE LIMINAR. RETORNO PARA EXAME DE ADMISSIBILIDADE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. Não cabe retorno dos autos para novo exame de admissibilidade nos casos em que há decisão judicial deferida justamente contra o mérito do exame anterior e determinando a admissão do recurso, sob pena de descumprimento de ordem judicial. REFORMA DE DECISÃO RECORRIDA. APRECIAÇÃO APENAS DE MATÉRIA PREJUDICIAL SUSCITADA PELA PGFN. RETORNO PARA JULGAR RECURSO VOLUNTÁRIO. Tendo a decisão recorrida se manifestado favoravelmente apenas sobre questão prejudicial suscitada pela PGFN que foi suficiente para resolver o litígio naquele momento, e tal ponto sido superado por ordem judicial, cabe retorno dos autos para a turma a quo realizar julgamento do recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de resolução, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator) e Cristiane Silva Costa. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial, com retorno dos autos ao colegiado de origem a fim de que se julgue o recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor quanto a rejeição da proposta de resolução o conselheiro Demetrius Nichele Macei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 04 60 /2 00 3- 53 Fl. 1965DF CARF MF Processo nº 19740.000460/200353 Acórdão n.º 9101003.743 CSRFT1 Fl. 1.966 2 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Fl. 1966DF CARF MF Processo nº 19740.000460/200353 Acórdão n.º 9101003.743 CSRFT1 Fl. 1.967 3 Relatório Tratase de ordem judicial (processo nº 100733548.2015.4.01.3400) determinando do recebimento e julgamento do recurso especial interposto pela COIFA PECULIOS E PENSÕES (efls. 1682 e segs), em face do Acórdão nº 140200.720 (efls. 1523/1525), proferido pela 2ª Turma Ordinária da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 29 de setembro de 2011, no qual se decidiu acolher os embargos com efeitos infringentes interpostos pela PGFN e retificar o acórdão 140200.256, para não conhecer o recurso voluntário em razão de concomitância administrativa com ação judicial. O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a tempestividade dos embargos, bem como a efetiva ocorrência de omissão nos fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido, cabe conhecer e acolher os embargos, para retificar tais equívocos. CONCOMITÂNCIA. Não se conhece de recurso voluntário quanto a matéria concomitante com ação judicial (Sumula 2 do CARF). (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos interpostos pela PFN, e no mérito, retificar o acórdão 140200.356, de 02/09/2010, para não conhecer o recurso voluntário, em razão da discussão da mesma matéria em ação judicial, nos termos relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O acórdão recorrido julgou embargos com efeitos infringentes opostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN"), em face do acórdão nº 140200.256. Protestou a PGFN nos embargos que o acórdão embargado não teria se pronunciado sobre questão prejudicial, de que havia sido impetrado o MS n° 2002.51.010125572, perante a 14ª Vara Federal do Rio de Janeiro, requerendo "(...) seja afastada das impetrantes entidades de previdência privada aberta, atualmente regidas pela Lei Complementar n° 10901 a incidência da contribuição social sobre o lucro liquido, com base no entendimento de que as demandantes são entidades sem fins lucrativos, (...)". O pedido foi acolhido e o acórdão embargado foi reformado pelo Acórdão nº 140200.720. Manifestouse a decisão recorrida no sentido de que a ação judicial versava sobre o mesmo objeto do litígio dos presentes autos, qual seja, a não incidência da CSLL sobre resultados de entidades de previdência privada. Assim, não conheceu do recurso voluntário. A Contribuinte interpôs recurso especial, cujo seguimento foi negado por despacho de exame de admissibilidade (efls. 1744/1748) e despacho de reexame (efls. 1749/1750). Fl. 1967DF CARF MF Processo nº 19740.000460/200353 Acórdão n.º 9101003.743 CSRFT1 Fl. 1.968 4 Consta nos autos ação judicial (processo nº 100733548.2015.4.01.3400) no qual aduziu a Contribuinte que, no processo judicial anterior (n° 2002.51.010125572), que teria resultado em concomitância com os presentes autos, foi homologado pedido de desistência, sem julgamento de mérito, ou seja, não haveria mais que se falar em julgamento concomitante. A 2ª Vara Federal Cível do Distrito Federal acolheu o pedido da Contribuinte, tendo proferido decisão (efl. 1944) nos seguintes termos: Defiro a antecipação recursal da tutela para que o recurso especial/CARF da impetrante seja recebido e julgado como for de direito, ficando suspensa a exigibilidade da respectiva contribuição até julgamento (CTN, art. 151/III). A PGFN foi intimada e apresentou contrarrazões, pugnando pela negativa do provimento do recurso especial (efls. 1955/1961). É o relatório. Fl. 1968DF CARF MF Processo nº 19740.000460/200353 Acórdão n.º 9101003.743 CSRFT1 Fl. 1.969 5 Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Tratase de recurso especial interposto pela Contribuinte, no qual há ordem judicial determinando a apreciação. Transcrevo a decisão proferida pela 2ª Vara Cível da SJDF: Defiro a antecipação recursal da tutela para que o recurso especial/CARF da impetrante seja recebido e julgado como for de direito, ficando suspensa a exigibilidade da respectiva contribuição até julgamento (CTN, art. l51/III). Existe probabilidade de provimento deste recurso (CPC, art. 527/III). Homologada a desistência do mandado de segurança (17.04.2008) antes do ato impugnado (29.09.2011), não se aplica a Súmula CARF n° 1, como bem ponderou a impetrante: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade' processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, Conforme se vê da ementa, a concomitância entre as vias administrativa e judicial só enseja a prejudicialidade da primeira, quando a decisão judicial é definitiva. Como, no presente caso, a decisão que extinguiu a demanda judicial foi terminativa, não há como a autoridade impetrada suscitar a impossibilidade de continuar a discussão da matéria na via administrativa em virtude do que aduz a Súmula 1 do CARF. Comunicar o juízo de origem (2ª Vara da SJ/DF) para providenciar o imediato cumprimento desta decisão, publicar e intimar a União/PFN para; responder em 10 dias. Vale observar o comando da sentença: o recurso especial deve ser "recebido" e "julgado como for de direito". Há que se apreciar qual a abrangência dos termos. Em relação ao termo "recebido", vale dizer que, no recurso especial da Contribuinte, há protesto no sentido de que a Súmula nº 1 do CARF teria sido incorretamente aplicada pela decisão recorrida, porque a ação judicial que seria, em tese, concomitante com o processo administrativo, foi extinta sem julgamento do mérito, em razão de pedido de desistência homologado. Apresenta dois paradigmas, nº 10808.352 e 10195.304, aduzindo terem sido situações no qual houve extinção do processo judicial sem julgamento de mérito e as turmas entenderam que inexistência da concomitância. Transcrevo as ementas na parte que interessa: Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 19740.000460/200353 Acórdão n.º 9101003.743 CSRFT1 Fl. 1.970 6 (Ac. nº 10808.352) IRPJ PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO NÃO CONCOMITANTES CORREÇÃO MONETÁRIA LEI N° 8.200/91 CONSTITUCIONALIDADE. Inicialmente, não houve concomitância entre a esfera administrativa e a esfera judicial, eis que o processo judicial foi extinto sem julgamento do mérito. Com relação à matéria de fundo, esta não prospera, tendo em vista a manifestação do STF acerca da constitucionalidade da Lei n° 8.200/91 (art. 3°, I, com a redação dada pela Lei n° 8.682/92), reconhecendo que a dedução do saldo devedor da correção monetária com base no IPC somente poderá ser utilizada a partir do ano de 1993.” (...) (Ac nº 10195.304) RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA MANDADO DE SEGURANÇA EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO LANÇAMENTO EX OFFICIO POSTERIOR INOCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA APRECIAÇÃO POSSIBILIDADE O exercício exclusivo da função jurisdicional do Estado através do Poder Judiciário impede que uma mesma questão seja discutida, simultaneamente, na via administrativa e na via judicial. O ingresso na via judicial para discutir determinada matéria implica abrir mão de fazêlo pela via administrativa. O fundamento para o não conhecimento da matéria na instância administrativa consiste em obstaculizar a ocorrência de conflitos entre as decisões, o que não ocorre quando o processo judicial tenha sido julgado extinto sem apreciação de mérito, por não possibilitar decisões conflitantes.” (...) Os paradigmas foram apreciados pelo despacho de exame de admissibilidade, estritamente sob a perspectiva da Súmula nº 1 do CARF, como se pode verificar no excerto da decisão (efl. 1747), tendo negado seguimento ao recurso especial da Contribuinte: Isso porque, os acórdãos paradigmas, colacionados pela Recorrente, tratam, respectivamente, de decisões que remontam ao ano de 2005, portanto, anteriores à edição da Súmula CARF nº 1, divulgada mediante a Portaria nº 52, de 21/12/2010, publicada no DOU, de 23/12/2010. (...) Importante ressaltar, que a Súmula CARF nº 1 dispõe que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo interessado, de ação judicial, independente da modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, ressalvado os casos em que há distinção entre as matérias. No caso em apreço, conforme se vislumbra no acórdão nº 1402 00.720, a decisão foi no sentido de reconhecer a concomitância com a via judicial, por considerar tratarse da mesma matéria submetida à via administrativa, importando, assim em renúncia as instâncias administrativas, fato este que se subsume perfeitamente ao enunciado da Súmula CARF nº 1. Fl. 1970DF CARF MF Processo nº 19740.000460/200353 Acórdão n.º 9101003.743 CSRFT1 Fl. 1.971 7 Dessa forma, por tratarse de decisão lastreada em súmula de jurisprudência do CARF, não cabe interposição recurso especial, conforme preconiza o art. 67, §2º (Anexo II) do RI CARF. Portanto, do exame dos requisitos de admissibilidade do recurso, estabelecidos nos arts. 67 e 68 (Anexo II) do RICARF, verifica se que o recurso especial não deve ser admitido, pois inexiste a divergência jurisprudencial apontada. (Grifei) Primeiro, o despacho pronunciouse no sentido de que as decisões paradigmas não serviriam porque foram proferidas antes da edição da Súmula CARF nº 1; na sequência, aduz que como o caso concreto trata da decisão lastreada em súmula, não cabe interposição de recurso especial, e ao final afirma que "inexiste a divergência jurisprudencial". Por sua vez, a decisão judicial pronunciouse sobre a questão da Súmula nº 1 do CARF, afirmando claramente que, uma vez tendo sido homologada a desistência do mandado de segurança (17.04.2008) antes do ato impugnado (29.09.2011), não se aplica a Súmula CARF n° 1. O que se observa é que, no despacho de exame de admissibilidade, apesar de dizer que "inexiste a divergência jurisprudencial apontada", em nenhum momento realizou a comparação entre a decisão recorrida e as decisões paradigmas, para verificar se enfrentaram situações com similitude fática similares e se proferiram decisões divergentes. A análise do despacho de exame de admissibilidade centrouse na repercussão da Súmula nº 1 do CARF nos presentes autos. Ocorre que, tendo a aplicabilidade do entendimento sumular sido afastada pela decisão judicial, a premissa do despacho de exame de admissibilidade restou superada. Por isso, entendo que o termo "recebido" deve ser entendido na acepção de que o presente Colegiado deve superar o óbice em relação à Súmula nº 1 do CARF. Na sequência, a ordem judicial determinar que o recurso especial da Contribuinte deve ser "julgado como for de direito" No caso, devese esclarecer que o julgamento do recurso especial no CARF segue rito próprio, determinado pelo Regimento Interno do CARF (RICARF), com base no Decreto nº 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF)1 , de cumprimento obrigatório pelos Conselheiros, sob pena de perda de mandato2. E o rito estabelecido pelo RICARF, em relação ao julgamento de recurso especial, estabelece duas etapas: 1 PAF, art. 37: O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 2 RICARF, Anexo II, art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: I descumprir os deveres previstos neste Regimento Interno; (...) Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 19740.000460/200353 Acórdão n.º 9101003.743 CSRFT1 Fl. 1.972 8 1º) exame de admissibilidade do recurso, no qual se julgará se será conhecido ou não conhecido; 2º) caso superada a primeira etapa, exame do mérito. Por sua vez, o exame de admissibilidade também envolve duas etapas: 1º) exame inicial pelo Presidência da Câmara da turma recorrida, por meio de despacho de exame de admissibilidade, que pode decidir no sentido de conhecer ou não conhecer do recurso; 2º) caso superada a primeira etapa, novo exame efetuado pelo Colegiado da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcrevo excertos dos arts. 67 e 68, Anexo II do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) Art. 68. O recurso especial, da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contado da data da ciência da decisão. § 1º Interposto o recurso especial, compete ao presidente da câmara recorrida, em despacho fundamentado, admitilo ou, caso não satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade, negar lhe seguimento.(Grifei) Portanto, no caso em tela, diante da determinação judicial de que o recurso especial do Contribuinte deve ser "julgado com for de direito", cabe, inicialmente, discorrer sobre a admissibilidade do recurso. Como já dito, o despacho de exame de admissibilidade em nenhum momento pronunciouse sobre o mérito dos acórdãos paradigmas, ou seja, se enfrentaram situação similar à dos presentes autos, e se proferiram decisões com interpretação divergente em relação à decisão recorrida. O que fez o despacho de exame de admissibilidade foi uma apreciação tendo como premissa a aplicação da Súmula nº 1 do CARF, que foi superada pela ordem judicial. Assim, o próximo passo é verificar se os paradigmas apresentados pela Contribuinte (nº 10808.352 e 10195.304) podem demonstrar a divergência necessária para o seguimento do recurso. Fl. 1972DF CARF MF Processo nº 19740.000460/200353 Acórdão n.º 9101003.743 CSRFT1 Fl. 1.973 9 Entendo que, caso o presente Colegiado resolva avançar e se manifestar sobre o atendimento do requisito, de se verificar se os paradigmas apresentados pela Contribuinte se prestariam a demonstrar divergência com a interpretação conferida pela decisão recorrida, estaria se sobrepondo à competência inicial do Presidente da Câmara. Isso porque cabe ao Presidente da Câmara, em despacho de exame de admissibilidade, efetuar o exame inicial, o que não foi realizado no caso concreto, por ter a matéria sido considerada não prequestionada. Dessa maneira, cabe um retorno dos autos para a Presidência da Câmara a que se encontra vinculada a turma recorrida, para que se pronuncie, em despacho de admissibilidade complementar, se restou caracterizada divergência entre a decisão recorrida e os paradigmas apresentados pela Contribuinte. Tendo sido vencido na proposta de diligência, no sentido de que a fase de admissibilidade está superada, e por isso o presente Colegiado deve se pronunciar sobre o mérito do recurso especial da Contribuinte, passo à análise. Há que se apreciar o pedido formulado pela Contribuinte, no recurso especial: V DO PEDIDO 44. Pelo exposto, a Recorrente espera e requer que seja conhecido e provido o seu recurso para reformar a decisão recorrida e, consequentemente, que o caso retorne para julgamento de mérito na 2ª Turma, Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. (Grifos originais) Ora, a decisão judicial não deixa dúvidas no sentido de que a Súmula nº 1 do CARF, cuja aplicação foi suscitada em embargos opostos pela PGFN, não se aplica aos presentes autos. Nesse contexto, resta completamente reformada a decisão recorrida, que aplicou o entendimento sumular. Contudo, remanesceram as matérias devolvidas por meio do recurso voluntário que não apreciadas pela decisão recorrida, precisamente por ter se pronunciado apenas sobre questão prejudicial suscitada pela PGFN. Nesse sentido, mostrase preciso o pedido da Contribuinte, para que se determine o retorno dos autos para a turma a quo, para que sejam apreciadas as matérias devolvidas no recurso voluntário. Vale dizer que, não obstante o Acórdão nº 140200.256 ter apreciado na integralidade o recurso voluntário, foi reformado pelo Acórdão nº 140200.720, que julgou os embargos com efeitos infringentes aplicando a Súmula nº 1 do CARF. Nesse contexto, deve ser efetuado um novo julgamento do recurso voluntário. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Contribuinte, para determinar o retorno dos autos para a turma a quo, para o julgamento do recurso voluntário. Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 19740.000460/200353 Acórdão n.º 9101003.743 CSRFT1 Fl. 1.974 10 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1974DF CARF MF Processo nº 19740.000460/200353 Acórdão n.º 9101003.743 CSRFT1 Fl. 1.975 11 Voto Vencedor Conselheiro Demetrius Nichele Macei, Redator designado. O presente voto se presta exclusivamente a esclarecer os motivos para a rejeição da proposta de resolução apresentada pelo i.Conselheiro Relator. No presente processo o contribuinte apresentou recurso especial à efl 1.682, discutindo a inexistência de concomitância entre a via administrativa e a via judicial, quando há extinção do processo judicial sem apreciação do mérito. O despacho de admissibilidade de efolhas 1.744 a 1.748, negou seguimento ao recurso por não ter reconhecido a divergência jurisprudencial alegada pela recorrente, nos seguintes termos: Pois bem, examinandose a divergência posta pela Recorrente, verificase que a matéria fulcral, em que se funda o aludido dissídio jurisprudencial, referese à inexistência de concomitância entre a via administrativa e a via judicial, quando há a extinção do processo judicial sem apreciação do mérito. Alega ainda a Recorrente, sem muito aprofundamento, que inexiste similitude entre as matérias submetidas à apreciação dos órgãos julgadores do Poder Administrativo e às questões postas junto ao Poder Judiciário, uma vez que o processo judicial diz respeito, tão somente, à obtenção da Certidão Negativa de Débitos – CND. A esse respeito, manifestouse o colegiado, quando do julgamento dos embargos interpostos pela PFN, no sentido de reconhecer a identidade das matérias submetidas à via administrativa e à via judicial, ao acolher, por unanimidade, os argumentos apresentados pela embargante. Cabe esclarecer que na apreciação da prova, a autoridade judicante de segunda instância formou livremente sua convicção fundamentada nos elementos produzidos nos autos, amparada no princípio da persuasão racional (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Não há, pois, qualquer divergência jurisprudencial no presente caso. Com relação ao dissídio jurisprudencial arguido pela Recorrente, no que tange à inexistência de concomitância com a via judicial, em face da extinção do processo judicial sem julgamento do mérito, este, também não restou devidamente configurado. Isso porque, os acórdãos paradigmas, colacionados pela Recorrente, tratam, respectivamente, de decisões que remontam ao ano de 2005, portanto, anteriores à edição da Súmula CARF nº 1, divulgada mediante a Portaria nº 52, de 21/12/2010, publicada no DOU, de 23/12/2010. É cediço que as matérias sumuladas pelo CARF representam o entendimento pacificado no âmbito deste órgão julgador, com observância obrigatória por Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 19740.000460/200353 Acórdão n.º 9101003.743 CSRFT1 Fl. 1.976 12 todos os seus membros, à luz do que estabelece o art. 72, caput (Anexo II) do RICARF. Importante ressaltar, que a Súmula CARF nº 1 dispõe que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo interessado, de ação judicial, independente da modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, ressalvado os casos em que há distinção entre as matérias. No caso em apreço, conforme se vislumbra no acórdão nº 140200.720, a decisão foi no sentido de reconhecer a concomitância com a via judicial, por considerar tratarse da mesma matéria submetida à via administrativa, importando, assim em renúncia as instâncias administrativas, fato este que se subsume perfeitamente ao enunciado da Súmula CARF nº 1. Dessa forma, por tratarse de decisão lastreada em súmula de jurisprudência do CARF, não cabe interposição recurso especial, conforme preconiza o art. 67, §2º (Anexo II) do RICARF. Portanto, do exame dos requisitos de admissibilidade do recurso, estabelecidos nos arts. 67 e 68 (Anexo II) do RICARF, verificase que o recurso especial não deve ser admitido, pois inexiste a divergência jurisprudencial apontada. Por todo o exposto, PROPONHO, com base no artigo 25 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256, de 22/06/09, c/c itens 4.1 e 4.3 da Ordem de Serviço CARF nº 01, de 22/10/09, seja NEGADO SEGUIMENTO ao recurso especial interposto." Na sequência, à efolha 1.749, o despacho de reexame de admissibilidade de recurso especial manteve a decisão do primeiro despacho de admissibilidade, o que motivou a contribuinte a impetrar Mandado de Segurança (efl 1.875), cuja decisão se deu nos seguintes termos: "Defiro a antecipação recursal da tutela para que o recurso especial/CARF da impetrante seja recebido e julgado como for de direito, ficando suspensa a exigibilidade da respectiva contribuição até julgamento (CTN, art.151/III). Existe probabilidade de provimento deste recurso (CPC, art. 527/III). Homologada a desistência do mandado de segurança (17.04.2008) antes do ato impugnado (29.09.2011), não se aplica a Súmula CARF nº 1, como bem ponderou a impetrante: Súmula CARF nº 1 'Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.' Conforme se vê da ementa, a concomitância entre as vias administrativa e judicial só enseja a prejudicialidade da primeira, quando a decisão judicial é definitiva. Como, no presente caso, a decisão que extinguiu a demanda Fl. 1976DF CARF MF Processo nº 19740.000460/200353 Acórdão n.º 9101003.743 CSRFT1 Fl. 1.977 13 judicial for terminativa, não há como a autoridade impetrada suscitar a impossibilidade de continuar a discussão da matéria na via administrativa em virtude do que aduz a Súmula 1 do CARF. Comunicar o juízo de origem (2ª Vara da SJ/DF) para providenciar o imediato cumprimento desta decisão, publicar e intimar a União/PFN para responder em 10 dias. Brasília, 15.01.2016. NOVÉLY VILANVA DA SILVA REIS" Ato contínuo, diante da ordem judicial o i. Conselheiro Relator entendeu que seria o caso de se determinarmos resolução para que a competência do Presidente da Câmara não fosse ultrapassada, entendendo o colega relator que a expressão “julgado como for de direito” constante na decisão do Mandado de Segurança significaria que o recurso deveria passar novamente pelo exame de admissibilidade, para só então ser julgado. Contudo, prevaleceu nesta i.Turma o entendimento de que a ordem judicial, por si só, é suficiente para que o julgamento do recurso ocorra, uma vez ter tal decisão substituído o exame de admissibilidade, analisando e negandolhe efeitos, conferindolhe, em novo exame de admissibilidade, seguimento. Em outras palavras: “julgado como for de direito” significa, julgar o recurso no âmbito da própria Turma, ai sim sem qualquer restrição de entendimento, inclusive sobre eventual conhecimento ou não do recurso especial. Desta feita, rejeitase a proposta de resolução apresentada pelo i.Conselheiro Relator. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 1977DF CARF MF
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