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Numero do processo: 10735.002349/2010-25
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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score : 1.0
Numero do processo: 13888.906869/2012-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3002-000.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
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COMPENSAÇÃO. Recorrente ELRING KLINGER DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a nãohomologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 69 /2 01 2- 15 Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.142 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito proveniente de pagamento a maior de Cofins no valor de R$ 30.725,80, relativo ao período de apuração julho/2008, para a quitação de débitos de IRPJ (fls. 43 a 47). Por meio do despacho decisório à fl. 48, a Delegacia da Receita Federal em Piracicaba decidiu pela não homologação da declaração porque o Darf informado no PER/Dcomp havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para a realização da compensação. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 7), na qual alegou, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por tratarse de decisão genérica, sem a devida motivação, o que caracterizaria o cerceamento ao contraditório e à ampla defesa. Quanto ao mérito, informou que ao proceder à revisão dos créditos das contribuições sociais no período de agosto/2006 a junho/2011, na sistemática nãocumulativa, constatou que não havia descontado créditos relativos às aquisições de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda e relativos às despesas e custos incorridos com armazenagem e frete, decorrendo daí o pagamento indevido da Cofins para o qual pleiteava compensação. Instruiu sua peça recursal com atos constitutivos e de representação da empresa, o Despacho Decisório, o Dacon retificador e o Per/Dcomp original (fls. 8 a 42). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 0256.395 (fls. 54 a 58), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o despacho decisório não incidiu em nenhuma hipótese que possibilitasse a decretação de sua nulidade e, em relação ao mérito, que a divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF afastavam a certeza do crédito. A decisão sustentouse, ainda, no fato de o contribuinte, a quem caberia o ônus da prova, não ter trazido aos autos documentação probatória, sendo insuficiente a retificação do Dacon, desacompanhada de documentos para suportar a alteração efetuada. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.143 3 Data do fato gerador: 31/07/2008 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, e a tramitação do processo se dá em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 28.07.2014, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 60, e protocolizou seu Recurso Voluntário em 27.08.2014, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 61. Em seu recurso voluntário (fls. 62 a 72), o contribuinte retoma a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, agora tanto do despacho decisório quanto da decisão de primeira instância, configurado pela ausência de análise dos argumentos e da prova apresentada (Dacon retificador), bem como por não ter sido solicitada a realização de diligência ou de apresentação de novos documentos pela DRJ. Em relação ao mérito, repisa os argumentos da manifestação de inconformidade, sobre não ter tomado crédito relativo a despesas na prestação de serviços de ferramentaria, usinagem de peças e manutenção de máquinas; nos serviços de frete; e nas aquisições de peças para manutenção de máquinas e equipamentos. Defende a adoção de um conceito de insumo que seja sinônimo de custos de produção, ou seja, os gastos incorridos no processo de obtenção de bens e serviços colocados à venda. Juntou ao recurso voluntário, a título de prova, o Dacon original, quatro notas fiscais, de prestação de serviços de manutenção e venda/substituição de peças, emitidas por empresas diversas em junho e julho/2008, e Livro Diário, referente aos meses de julho e agosto/2008 (fls. 73 a 1.136). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.144 4 O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade – Cerceamento de Defesa Na alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a recorrente defende que, em prol da verdade material, deveria a autoridade administrativa ter analisado os documentos juntados e solicitado novos documentos (e/ou diligência) para apurar mais alguma informação necessária para a decisão. Prossegue afirmando que a divergência entre Dacon e DCTF não seria motivo suficiente para o indeferimento do pedido, visto que a DCTF por si só não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, motivo pelo o qual deveria o julgador ter procurado esclarecer a razão da divergência entre Dacon e DCTF, em uma análise mais cuidadosa da situação, e que o cerceamento se configura por não ter havido fundamentação baseada na análise dos documentos apresentados. De pronto, chama a atenção a inversão de papéis e responsabilidades pretendida pela recorrente. O que temos, de fato, ao longo de todo este processo, são falhas na atuação do contribuinte. Quando fez a transmissão da declaração de compensação, ela estava em desacordo tanto com o Dacon quanto com a DCTF. Ao se aperceber da divergência, providenciou a retificação apenas do Dacon, mas não da DCTF, que é uma declaração que tem o poder de uma confissão de dívida. Posteriormente, ao protocolar sua manifestação de inconformidade, mesmo sabedor do não provimento do seu pedido, não trouxe aos autos eventuais provas que pudesse ter sobre o montante do débito que considerava realmente devido. Limitouse a juntar o Dacon retificador, documento ao qual a DRJ já tinha acesso. E agora, nesta fase, após a segunda negativa a seu pleito, junta notas fiscais em valor insuficiente para respaldar a redução do débito realizada e protesta contra a omissão da Administração Fazendária, que não teria se ocupado de produzir as provas que a ele caberia. É cediço que, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, cabe ao contribuinte, aquele que alega o direito, o ônus da produção da prova. Tal entendimento, aplicado de forma pacífica nos diversos colegiados do Carf, sustentase no Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União. Por ele, vemos em seu art. 28 que cabe ao interessado a prova dos fatos que alega. Igualmente podemos nos socorrer do Código de Processo Civil, que estabelece em seu art. 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. Portanto, se o contribuinte não exerceu o seu direito no momento e na forma que deveria, não cabe inculpar a Administração por sua desatenção. O Decreto nº 70.235/1972 (PAF) estabelece que a manifestação de inconformidade deve conter os argumentos e provas necessários para a demonstração do que se alega, nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.145 5 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (grifado) Fica claro pelo texto legal que a recorrente deveria ter produzido as provas quando apresentou sua impugnação/manifestação de inconformidade. No que tange à reclamação pela ausência de diligência, deve ser esclarecido que se trata de procedimento facultativo, disponível para o julgador quando há dúvida substancial, que deve ser sanada para que seja possível a tomada de decisão, nos termos do que dispõe o PAF em seu art. 18, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifado) Segundo se depreende do voto do Acórdão da DRJ, não houve qualquer incerteza que justificasse a determinação de ofício de realização de diligência. Como, de sua parte, o contribuinte também não solicitou o procedimento, possibilidade prevista no PAF, não cabe reclamar do julgador que entendeu existirem elementos suficientes para a decisão e assim a proferiu. Cabem ainda algumas considerações sobre o PER/Dcomp e o despacho decisório. A declaração de compensação (Per/Dcomp) que se analisa teve tratamento eletrônico, que consiste no cruzamento dos dados informados pelo contribuinte em suas declarações, em busca de se encontrar, ao menos, consistência e coerência nas informações, de modo a permitir o deferimento do pleito. Essa sistemática visa ao processamento rápido de um número expressivo de compensações, o que não se alcança com a análise manual. De se ressaltar que esse batimento de dados não é apto para verificar a fidedignidade contidos nas declarações, mas tão somente a coerência entre eles, de tal forma que o mínimo que se exige do contribuinte nesta fase é que preste a mesma informação em sua declaração de compensação e em sua DCTF. Caso se constate divergência, a compensação é indeferida e o contribuinte tem a oportunidade de apresentar explicações e documentos que irão demonstrar o seu direito ao crédito. Portanto, ainda que a verificação eletrônica consista em um procedimento pré Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.146 6 estabelecido e limitado, de forma alguma o direito de argumentar, explicar ou se defender é reduzido ou retirado do contribuinte. Fazse necessário, ainda, o esclarecimento sobre o propósito e alcance de cada declaração, aspectos que a recorrente trata com impropriedade e tenta utilizar como forma de desacreditar as decisões. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) constitui confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente para a cobrança administrativa, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984, sendo enviada para inscrição na Divida Ativa da União em caso de não liquidação dos débitos, e, por isso, é a declaração que a Receita Federal utiliza em suas verificações. O Dacon, por sua vez, é mero demonstrativo da apuração das contribuições sociais, prestandose a detalhar para a Receita Federal como o contribuinte encontrou o valor declarado em DCTF e auxiliar a fiscalização. O Dacon não tem o mesmo status jurídico da DCTF. Por esse motivo, o que consta no Dacon é indício de direito, mas não prova, não havendo qualquer mácula na fundamentação da decisão de primeira instância quando afirma que a retificação de Dacon, destituída de documentos que comprovem a redução do débito não faz prova do direito creditório. Nestes autos, ocorre que, no momento da emissão do despacho decisório, a Receita Federal dispunha de uma declaração de débito de Cofins no valor de R$ 64.905,50 (DCTF), ao passo que na declaração de compensação o contribuinte afirmava ser o débito inferior, de apenas R$ 34.179,70, e que poderia utilizar a diferença para compensar débitos de IRPJ. Logo, a não homologação da compensação está plenamente justificada pela utilização integral do Darf para quitar os débitos de Cofins confessados em DCTF e não padece de nenhum vício que possa acarretar a sua nulidade. Igualmente descabido é o argumento de que a DRJ teria ignorado as alegações e argumentos juntados pela recorrente, sem considerálos em sua decisão. A leitura do voto é suficiente para demonstrar o que se afirma e, por isso, transcrevo a parte final do acórdão recorrido: No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Na falta de comprovação do erro, a divergência entre os valores informados em Dacon e DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples indicação de supostos valores corretos em Dacon retificador ou em demonstrativo integrante da manifestação de inconformidade não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas originalmente na DCTF, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado e atestar a certeza e liquidez do crédito. Para melhor ilustrar os fatos acima relatados, as verificações efetuadas nos sistemas da RFB e nos autos desse processo podem ser assim consolidadas: Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.147 7 Dessa maneira, concluo que não há vício nas decisões que integram este processo, pois estão fundamentadas, foram proferidas por autoridades competentes, os prazos e ciências foram respeitados, os argumentos e o único documento pertinente juntado à manifestação de inconformidade foi analisado. Ademais, e tratase de aspecto elementar para a caracterização do cerceamento de defesa, pelo conteúdo das peças recursais, vêse que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente o motivo da denegação do seu pedido. Pelo o exposto, afasto a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Mérito Tendo compreendido que a mera retificação do Dacon, desacompanhada de documentação que justificasse a redução do débito confessado, não era suficiente para demonstrar o direito, a recorrente traz aos autos provas documentais, pela primeira vez, na fase de recurso voluntário. E requer a sua apreciação, sem maiores considerações sobre o fato de fazêlo intempestivamente. Sobre esse ponto, então, irá residir o cerne deste julgamento. A compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional, e, como já mencionado, que a demonstração da certeza e liquidez nos casos de compensação é ônus que recai sobre o requerente. Assim sendo, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235/1972, que assim instituiu: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.148 8 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante ainda o art. 16, transcrito acima, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Conforme já abordado, no momento do despacho decisório havia informação discrepante sobre o real débito de Cofins, prestada pelo próprio contribuinte, que desconsiderou que a redução de débitos confessados em DCTF deveria estar amparada por documentos fiscais e contábeis, hábeis a comprovála, como determina o art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Por esse motivo as instruções normativas da Receita Federal que disciplinavam o Dacon, já extinto, determinavam que a pessoa jurídica que retificasse esse Demonstrativo deveria também apresentar DCTF retificadora, confirmando a concepção de que o conteúdo do Dacon pode ser indício de direito, mas não faz prova. Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.149 9 É pacífico neste Colegiado que a ausência de retificação da DCTF pode ser superada pela comprovação do direito ao crédito por meio de documentos fiscais e contábeis hábeis e suficientes, mas a manifestação de inconformidade foi instruída apenas com a retificadora do Dacon, que não tem valor de prova, e agora foram juntadas algumas notas fiscais, por amostragem, insuficientes para cobrir a redução que débitos que se pretende, e o livro diário, sem justificativa para a apresentação tardia dessa documentação. Incontestável que a situação não se enquadra em nenhuma das alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto e está configurada, por consequência, a preclusão temporal. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal, mas não absoluto, como muitas vezes se pretende. Deve o julgador procurar o equilíbrio com os demais princípios, em especial como os princípios da legalidade e do devido processo legal, principalmente porque se trata de afastar a aplicação de um dispositivo legal que determina expressamente a preclusão. Para tanto, é requisito que o contribuinte tenha exercido seu papel de tentar demonstrar o direito quando devido, ou seja, na interposição da manifestação de inconformidade. Nesse contexto, as provas apresentadas com o recurso voluntário poderiam ser conhecidas com o objetivo de esclarecer um ponto obscuro, complementar uma demonstração já iniciada ou reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo próprio do desenvolvimento da marcha processual. O que se configura inadmissível é a invocação da busca da verdade material com vistas a propiciar ao recorrente a oportunidade de suprir sua própria omissão em fase anterior, que é o que ocorre nestes autos. Tal entendimento é o que prevalece atualmente em diversos colegiados no Carf. A ver os Acórdãos seguintes, todos proferidos em julgamentos realizados em 2018: nº 3201003.476 do conselheiro Marcelo Vieira e nº 1302002.731 do conselheiro Flávio Dias, representativos de decisões em Turmas Ordinárias de diferentes Seções de Julgamento, bem como o Acórdão nº 9303007.555, do conselheiro Luiz Eduardo Santos, nº 9303006.241, da conselheira Vanessa Cecconello, e nº 9303007.334, do conselheiro Demes Brito, todos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcrevese, a título complementar, as razões de decidir da conselheira relatora Vanessa Cecconello no Acórdão nº 9303006.241, pela pertinência no presente caso: Esclareçase não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. Somese aos fundamentos até aqui expendidos, que, conforme consignado no acórdão recorrido, mesmo sendo admitidos os documentos fiscais e contábeis trazidos pelo Sujeito Passivo em sede de recurso voluntário, não seriam suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do indébito tributário. Por Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.150 10 conseguinte, demandaria a reabertura da fase de instrução do processo para que a Contribuinte colacionasse aos autos outras provas complementares, as quais provavelmente estavam em seu poder quando da apresentação da manifestação de inconformidade, providência incabível, nesse caso, em sede de recurso. Admitirseia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a manifestação de inconformidade e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados por insuficientes. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poderseia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de manifestação de inconformidade, mas tão somente em sede de recurso voluntário e não comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Contribuinte. (grifado) Pelo o exposto, uma vez não caracterizada a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, concluo por precluso o direito de produzir provas e não conheço da documentação juntada aos autos. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 1150DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.728567/2014-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. UTILIZAÇÃO DOS SALDOS DE PREJUÍZOS FICAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL PARA A QUITAÇÃO DE JUROS, MULTAS E ENCARGOS. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. POSSIBILIDADE.
Não gera acréscimo patrimonial, não podendo ser considerada como receita tributável, a utilização dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da contribuição social na quitação de juros, multas e encargos de débitos parcelados no âmbito da Lei nº 11.941/2009, conforme a expressa dicção do art. 4º, parágrafo único da referida lei.
EXCLUSÃO DOS VALORES DE PIS E COFINS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXIGIDOS NO LANÇAMENTO.
A dedução do PIS/COFINS da base de cálculo do IRPJ/CSLL, enquanto pendente de julgamento o lançamento das referidas contribuições não é passível de apreciação no âmbito deste processo, nos termos do § 1º do art. 344 do RIR/99.
EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. REVERSÃO DE PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REGISTROS CONTÁBEIS. GLOSA PROCEDENTE.
Apesar de cabível a baixa de provisão em face de conta de passivo, no caso de evento efetivamente consumado, caberia à Recorrente demonstrar de forma cabal os lançamentos contábeis correspondentes. Não havendo a comprovação do alegado pela Recorrente, perfeitamente cabível a manutenção da glosa efetuada pela Fiscalização.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
LANÇAMENTO CALCADO NOS MESMOS ELEMENTOS DE PROVA.
Aplicam-se ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção.
Numero da decisão: 1401-002.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, tão somente para cancelar a glosa da exclusão decorrente dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa de contribuição social utilizadas na liquidação de juros, multas e encargos legais, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº 11.941/2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. UTILIZAÇÃO DOS SALDOS DE PREJUÍZOS FICAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL PARA A QUITAÇÃO DE JUROS, MULTAS E ENCARGOS. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. POSSIBILIDADE. Não gera acréscimo patrimonial, não podendo ser considerada como receita tributável, a utilização dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da contribuição social na quitação de juros, multas e encargos de débitos parcelados no âmbito da Lei nº 11.941/2009, conforme a expressa dicção do art. 4º, parágrafo único da referida lei. EXCLUSÃO DOS VALORES DE PIS E COFINS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXIGIDOS NO LANÇAMENTO. A dedução do PIS/COFINS da base de cálculo do IRPJ/CSLL, enquanto pendente de julgamento o lançamento das referidas contribuições não é passível de apreciação no âmbito deste processo, nos termos do § 1º do art. 344 do RIR/99. EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. REVERSÃO DE PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REGISTROS CONTÁBEIS. GLOSA PROCEDENTE. Apesar de cabível a baixa de provisão em face de conta de passivo, no caso de evento efetivamente consumado, caberia à Recorrente demonstrar de forma cabal os lançamentos contábeis correspondentes. Não havendo a comprovação do alegado pela Recorrente, perfeitamente cabível a manutenção da glosa efetuada pela Fiscalização. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 LANÇAMENTO CALCADO NOS MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. Aplicam-se ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção.
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UTILIZAÇÃO DOS SALDOS DE PREJUÍZOS FICAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL PARA A QUITAÇÃO DE JUROS, MULTAS E ENCARGOS. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. POSSIBILIDADE. Não gera acréscimo patrimonial, não podendo ser considerada como receita tributável, a utilização dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da contribuição social na quitação de juros, multas e encargos de débitos parcelados no âmbito da Lei nº 11.941/2009, conforme a expressa dicção do art. 4º, parágrafo único da referida lei. EXCLUSÃO DOS VALORES DE PIS E COFINS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXIGIDOS NO LANÇAMENTO. A dedução do PIS/COFINS da base de cálculo do IRPJ/CSLL, enquanto pendente de julgamento o lançamento das referidas contribuições não é passível de apreciação no âmbito deste processo, nos termos do § 1º do art. 344 do RIR/99. EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. REVERSÃO DE PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REGISTROS CONTÁBEIS. GLOSA PROCEDENTE. Apesar de cabível a baixa de provisão em face de conta de passivo, no caso de evento efetivamente consumado, caberia à Recorrente demonstrar de forma cabal os lançamentos contábeis correspondentes. Não havendo a comprovação do alegado pela Recorrente, perfeitamente cabível a manutenção da glosa efetuada pela Fiscalização. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 85 67 /2 01 4- 78 Fl. 1088DF CARF MF 2 Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO CALCADO NOS MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. Aplicamse ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, tão somente para cancelar a glosa da exclusão decorrente dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa de contribuição social utilizadas na liquidação de juros, multas e encargos legais, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº 11.941/2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Relatório Trata o presente processo de lançamentos relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, ambos relativos ao anocalendário de 2009, em decorrência da apuração das seguintes irregularidades: a) glosa da exclusão relativa a “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009” haja vista a falta de comprovação de que tais valores Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.089 3 teriam transitado como receita de reversão de provisão no resultado contábil apurado em 31/12/2009 e; b) glosa da exclusão de receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº. 11.941/2009. Para bem descrever os fatos que circundam o presente processo, nos utilizaremos em grande medida do Relatório constante da decisão recorrida, do Termo de Verificação Fiscal, da Impugnação e do Recurso Voluntário. Relativamente à glosa de exclusão da “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009”, no importe de R$ 19.893.893,60, a contribuinte alegou à Fiscalização que teria adicionado os respectivos valores em anos anteriores e registrados na parte B do LALUR. Com a adesão do parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009, a Contribuinte passou a considerar tais valores como dedutíveis, pois considerava que sua exigibilidade não estaria mais suspensa, ou seja, teria deixado de ser uma provisão. Neste ponto, a Fiscalização destaca que o sujeito passivo teria apresentado, a fim de comprovar tal alegação, as fichas das DIPJ bastantes para demonstrar a formação da reversão de R$ 19.893.893,60, valor este que seria referente a adições efetuadas a título de atualização monetária de impostos com exigibilidade suspensa nas DIPJs de 2003 a 2006. Ressalta a Fiscalização, a respeito da matéria sob exame, que as receitas efetivamente contabilizadas, decorrentes de reversão de provisões não dedutíveis, em períodos de apuração seguintes, podem ser excluídas na apuração do lucro real, evitandose a dupla incidência dos tributos IRPJ e CSLL, uma vez que tais provisões deveriam ter sido adicionadas ao lucro líquido de exercícios anteriores. Contudo, para viabilizar tal exclusão, a pessoa jurídica deveria controlar, na Parte B do LALUR, o valor da provisão adicionado ao lucro líquido (Parte A do LALUR). Entretanto, no presente caso, a Fiscalização concluiu que a empresa não teria escriturado a crédito de contas de resultado o montante das reversões de provisões não dedutíveis apropriado como exclusão na Ficha 09A, Linha 40, da demonstração do lucro real (DIPJ 2010), uma vez que não consta qualquer valor na Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ EM GERAL, linha 30 – Reversão dos Saldos das provisões Operacionais na referida DIPJ, bem como na escrituração contábil digital (ECD). Também ressalta a Fiscalização que o sujeito passivo não teria constituído contabilmente a conta de provisão de atualização monetária de impostos com exigibilidade suspensa, conforme recomendação do Manual de Contabilidade Societária – FIPECAFI, 2ª edição, ano de 2013, página 412, a seguir reproduzido: Fl. 1090DF CARF MF 4 Por não ter se desincumbido de provar que tais valores, considerados como exclusão a título de "Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009" teriam transitado como receita de reversão de provisão no resultado contábil apurado em 31/12/2009, o valor de R$ 19.893.893,60 foi objeto de glosa. A segunda infração diz respeito à glosa de exclusão de receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº. 11.941/2009. A Fiscalização glosou R$ 33.958.262,31 referente à parcela do valor apurado de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, utilizado para liquidar multas de mora ou de ofício e juros moratórios. Alegou a Contribuinte à Fiscalização que a exclusão dos referidos valores estaria amparada pelo disposto na Solução de Consulta nº 21, de 21 de fevereiro de 2001. De outro lado, a Fiscalização entendeu que a liquidação de juros e multas com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, corresponderia a uma receita da fiscalizada, que deveria ter sido tributada pelo IRPJ e CSLL, no período de apuração em que ocorreu a adesão ao parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009. Isso porque não haveria previsão legal para tal exclusão. Traça um paralelo com a compensação de prejuízos autorizada pela Lei nº 9.065/95, em seus arts. 15 e 16, para concluir que tal compensação é, na realidade, um benefício fiscal. Assevera que tanto a Lei n° 9.065/95, quanto à jurisprudência do STF caracterizam o benefício fiscal em questão como uma compensação. A compensação seria justamente um confronto de direitos e deveres do mesmo gênero (no caso em tela, bases de cálculo negativas de IRPJ/CSLL de períodos anteriores com as bases de cálculo positivas de IRPJ/CSLL do período corrente). Sendo o benefício fiscal um mero encontro de direitos e deveres semelhantes, não há como considerálo sujeito à tributação. Acrescenta que, por definição, o benefício fiscal previsto nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95 atua para reduzir a própria base de cálculo dos tributos sobre o lucro, razão pela qual não há qualquer sentido em considerálo como sujeito à incidência desses mesmos tributos. Também discorre a Fiscalização que os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas da CSLL representariam uma mera expectativa de direito para a pessoa jurídica, na medida em que o contribuinte poderá utilizálos se (e somente se) houver lucros tributáveis em períodos de apuração subsequentes. Nesse sentido, a Deliberação CVM nº 273/1998 (itens 19 e 31), a Instrução CVM nº 371/2002 (artigo 2°), a Resolução CFC n° 998/2004 (itens 19.2.3.8 e 19.2.3.23), a Deliberação CVM n° 599/2009 (itens 34 e 58) e a Resolução CFC nº 1.189/2009 (itens 34 e 58) dispuseram que as pessoas jurídicas que possuem a perspectiva de apurar lucros tributáveis em períodos de apuração futuros (e apenas tais pessoas jurídicas) devem reconhecer os ativos fiscais diferidos correspondentes aos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, com contrapartida em contas de receita. Também ressalta que os ativos fiscais diferidos, reconhecidos na forma prevista nas instruções e deliberações da CVM e resoluções do CFC, não representam um direito líquido e certo para o contribuinte. Eles dependem de um fato incerto, qual seja, auferir lucros tributáveis em períodos de apuração futuros. Conclui que haveriam três motivos para que os ativos fiscais diferidos não sejam oferecidos à tributação quando do seu reconhecimento contábil: (1) o benefício fiscal a que eles se referem caracterizarseia como uma compensação (encontro de direitos e deveres semelhantes); (2) o benefício atuaria para reduzir a própria base de cálculo do IRPJ e da CSLL; (3) eles dependeriam de uma condição futura incerta para que se tornassem direitos efetivos. Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.090 5 De outra face, assevera a Fiscalização que no momento da opção pela utilização dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, nasceria um novo direito que deveria ser reconhecido contabilmente. Como a Lei n° 11.941/2009 não teria criado uma nova hipótese de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, mas sim uma possibilidade de liquidação de débitos, tal norma ofereceria a possibilidade de que o contribuinte venha a abrir mão de um direito originalmente incerto (dependente de lucros tributáveis futuros), em troca de um direito líquido e certo (liquidação de juros/multas no parcelamento de débitos fiscais). Em consequência, esse novo direito certo nasceria por ato do contribuinte: adesão ao parcelamento estabelecido pela Lei nº 11.941/2009 e opção pela utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de dívidas tributárias (multas e juros), devendo ser reconhecido contabilmente nesse momento. A contrapartida do aumento patrimonial (reconhecimento do direito), segundo a Fiscalização, deveria ser registrada em conta de receita, impactando positivamente o resultado do período de apuração (o qual, ajustado pelas adições, exclusões e compensações, caso positivo, seria tributado pelo IRPJ e pela CSLL). Salienta a Autoridade Administrativa que o direito relacionado à utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas foi reconhecido contabilmente pelo sujeito passivo em 30/09/2009, com contrapartida a crédito de conta de resultado (conta contábil 35109001). Todavia, tais receitas foram excluídas do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, sem que houvesse previsão legal para tanto. Ainda assevera a Fiscalização que a própria Lei nº 11.941/2009, que permitiu tal utilização, também previu, conforme disposto em seu § 7º do art. 10, a redução de multas e juros para quem optasse pelo parcelamento especial. Em relação às receitas decorrentes dessa "redução de multas e juros", todavia, o artigo 4°, parágrafo único, da Lei n° 11.941/2009, de forma expressa, autoriza sua exclusão na apuração das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS/PASEP e da COFINS. Terseia, portanto, a seguinte situação: (a) a Lei n° 11.941/2009 previu dois benefícios para quem possuísse débitos tributários; (b) o legislador expressamente autorizou que as receitas decorrentes de um desses benefícios (redução de multas, juros e encargos para pagamento à vista ou parcelamento) fossem excluídas do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL e das contribuições PIS/PASEP e COFINS; (c) o legislador não se manifestou a respeito das receitas decorrentes do outro benefício (liquidação de juros e multas com utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL). Assim, conclui que, havendo duas situações, e tendo o legislador se manifestado pelo tratamento tributário favorecido de apenas uma delas, é porque quis que a outra não tivesse o mesmo tratamento. Ou seja, se houvesse a intenção de que as receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas também não fossem tributadas, certamente teria sido criado dispositivo legal neste sentido. Haja vista a alegação da Contribuinte de que seria aplicável o disposto na Solução de Consulta SRRF09 nº. 21/2001, assevera a Fiscalização que o disposto na referida norma não alcançaria o benefício fiscal veiculado nos §§ 7° e 8° do artigo 1º da Lei nº Fl. 1092DF CARF MF 6 11.941/2009, haja vista tratarse de benefício de natureza diferente daquele posto pela Lei nº 9.065/95, em seus arts. 15 e 16. Destarte, no caso em comento, as receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas deveriam ser classificadas como “outras receitas” na estrutura da Demonstração dos Resultados do Exercício estabelecida pela Lei nº. 6.404/76 e, assim, incluídas no Resultado do Exercício Antes do IR, cujo valor, ajustado pelas adições, exclusões e compensações, caso positivo, é tributado pelo IRPJ e pela CSLL. No tocante à natureza jurídica da faculdade de o contribuinte compensar prejuízos, a fiscalização aponta que: “(...) não é apenas a RFB que classifica a compensação de prejuízos fiscais como um benefício fiscal, mas sim o Supremo Tribunal Federal, a quem incumbe, em última instância, a interpretação da legislação (RE 612.737, cuja ementa foi reproduzida no presente relatório). O STF decidiu ainda que prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum (RE 344.944, rel. p/ acórdão min. Eros Grau, Tribunal Pleno, Die de 28/08/2009). Assim, é absolutamente descabida a afirmação do sujeito passivo de que a receita decorrente da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de multas e juros é neutra para fins fiscais. O lucro tributável é aquilo que o legislador define como tal, não tendo relação absoluta com a existência de acréscimo no patrimônio da empresa. Tanto é assim que a legislação estabelece adições ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as quais podem fazer até mesmo com que uma empresa que apure prejuízo contábil tenha que pagar IRPJ. (...) Observese que o STF afirma também que a ausência do benefício fiscal correspondente a compensação de prejuízos fiscais não viola os conceitos de renda e lucro (RE 612.737), ou seja, não há, como quer fazer crer o sujeito passivo, um direito absoluto a compensação de prejuízos fiscais com lucros tributáveis futuros. Tanto é assim que o STF expressou, ainda, que essa compensação é um instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado (RE 344.944)”. Após qualificar como benefícios fiscais tanto a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL com lucros vindouros quanto à faculdade de utilizarse de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para a liquidação de multas e juros, a fiscalização aponta que haveria "uma diferença significativa entre ambos os benefícios fiscais: na compensação de prejuízos fiscais/bases de cálculo negativas da CSLL com lucros tributáveis, o benefício age na própria base de cálculo dos tributos sobre o lucro, razão pela qual não há qualquer sentido em considerálo tributável. Diversamente, na utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de multas e juros, o benefício age para reduzir uma dívida da pessoa jurídica, promovendo um ganho que deve ser tributado a não ser que o legislador expressamente disponha em contrário. Tal diferença se vislumbra no fato de que o primeiro benefício é caracterizado como uma compensação (encontro de direitos e deveres do mesmo gênero), enquanto o segundo não. E complementa: "Salientese que não há direito prévio relativo aos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, conforme consagrou o ministro Menezes Direito no julgamento do RE 344.944: enquanto não houver a constatação do lucro, não existe Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.091 7 a possibilidade de compensação ... por esse motivo é que ao tempo em que se verificam as condições legais aplicáveis para a compensação é que pode existir essa compensação; daí porque não há direito a compensação antes da determinação específica do lucro. Assim, não é legítimo ao contribuinte alegar que as receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL não podem ser tributadas porque elas se originam de um direito que não seria tributável (a possibilidade de compensação dos prejuízos fiscais com lucros tributáveis), uma vez que o sujeito passivo sequer, efetivamente, possuía tal direito”. A fiscalização ainda aduz que seria inequívoco que o sujeito passivo teria auferido um ganho com o benefício fiscal previsto nos §§ 7º e 8º do artigo 1º da Lei nº 11.941/2009, deixando de pagar juros e multas ao renunciar a um direito incerto, que se concretizaria apenas caso apurasse lucros tributáveis e somente se na data em que tais lucros fossem auferidos o benefício de compensar prejuízos de anos anteriores não tivesse sido extinto. Contrariamente ao aventado pelo sujeito passivo, a fiscalização observa que “(1) houve a redução de uma obrigação do sujeito passivo (multas e juros) sem a redução de um direito de valor correspondente, logo, houve um acréscimo patrimonial; (2) não há norma que estabeleça a não incidência de IRPJ e CSLL sobre o acréscimo patrimonial ocorrido, logo, ele deve ser tributado pelo IRPJ e pela CSLL”. Destacase que o próprio Conselho Federal de Contabilidade apontaria que o ganho em foco seria uma receita, vez que estaria disposto que a diminuição de um passivo, que resultar em aumento do patrimônio, é uma receita. Para finalizar seu raciocínio neste ponto da autuação, a fiscalização aponta que: “Conforme estabelecem as Resoluções CFC n° 1.121/08 e nº 1.374/11, a receita deve ser reconhecida quando resultar em aumento nos benefícios econômicos futuros relacionados com aumento do ativo ou com diminuição de passivo e puder ser mensurada com confiabilidade. Portanto, a existência (ou não) de condição não influência o reconhecimento de uma receita. Para esse reconhecimento basta que a receita possa ser mensurada com confiabilidade, sendo que esse requisito está presente na situação sob análise, pois é perfeitamente mensurável a redução do passivo decorrente da liquidação de multas e juros com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL. Irresignado com a autuação, a Contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (v. efls. 612/640), requerendo seja declarada sua total improcedência, haja vista os argumentos expostos a seguir. Em relação à glosa da exclusão a título de "Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009", apontada no LALUR 2009, aduz a Impugnante que a Fiscalização teria incorrido em "erro" de interpretação a respeito do que se entende por Fl. 1094DF CARF MF 8 "reversão de provisão". Inicia o seu raciocínio tentando demonstrar que o termo "reversão" pode assumir dois sentidos, com efeitos fiscais diversos, mas fiscalmente equivalentes. Segundo a Recorrente, quando a causa que motivou a constituição da provisão deixa de existir, fazse necessário reconhecer a "receita" para se efetivar a baixa do passivo/provisão. Nesse caso, como a provisão foi adicionada ao Lucro Real quando de sua constituição, a "receita" deverá ser excluída para fins fiscais, mantendo, assim, a neutralidade fiscal. De outro lado, se a provisão transformarse em um "débito efetivo", neste caso, uma despesa dedutível fiscalmente, a única providência a ser tomada deve ser a exclusão dos valores que estavam sendo controlados na parte B do LALUR e que correspondem às adições que foram feitas em competências pretéritas. Esse seria o caso dos autos, pois, segundo a Contribuinte, os valores que até então correspondiam à provisão teriam sido incluídos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Vale a pena reproduzir as alegações da recorrente quanto à sistemática adotada em relação à reversão das provisões objeto do lançamento: Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.092 9 A Impugnante esclarece que, ao adotar método diverso de contabilização da contrapartida de reversão de provisão (receita), teria feito com base no princípio contábil da competência, uma vez que teria entendido que o período em que as correções monetárias incidiram foram, efetivamente, no momento em que as provisões teriam sido constituídas. Assim, a adoção do procedimento contábil em foco teria se pautado na ausência de justificativa para se promover a reversão da provisão via conta de resultado, uma vez que tal procedimento lhe obrigaria, em seguida, a registrar o passivo tributário a pagar, tendo como contrapartida uma despesa que seria lançada no período corrente, ou seja, extemporaneamente ao momento em que a correção monetária efetivamente ocorreu. Reforçase que, apenas por este motivo (respeito ao princípio da competência) é que a Impugnante teria optado por realizar a baixa da conta de provisão sem que a contrapartida se desse no resultado (receita). A Impugnante aduz que, caso o método de contabilização seja entendido como incorreto, sob o ponto de vista fiscal, tal equívoco seria classificado como mero erro formal, ou seja, não seria bastante para fundar a autuação. Em relação à glosa de exclusão do lucro líquido das receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº. 11.941/2009, a Impugnante aponta que, ao aderir ao REFIS, teria efetuado a opção por liquidar parcela do saldo devedor (multas e juros) mediante a utilização de seu prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL acumulados, conforme autorizaria o artigo 1º, §7º, da Lei nº. 11.941/2009. Com fulcro nas exigências da técnica contábil, ao estimar a utilização do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL, a Impugnante teria “ativado” (ativo fiscal diferido) o seu direito, que ordinariamente seria controlado de forma extra contábil, conforme previsto no parágrafo 34 do Pronunciamento Técnico CPC nº. 32. Logo, em razão do reconhecimento deste direito, até então controlado de forma extra contábil, a Impugnante teria lançado como contrapartida uma “receita” espelhada no prejuízo fiscal e base de cálculo negativa que seriam utilizados. No tocante a este ponto, a Impugnante aduz que “a contrapartida do ativo fiscal diferido (prejuízo fiscal e base negativa) não pode ser alcançada pela tributação, isto porque a inclusão de tais ativos na contabilidade da sociedade não implica real aumento de seu patrimônio, mas, simplesmente, a evidenciação contábil de um direito já existente (ativo fiscal concedido à medida em que é verificado resultado fiscal negativo), que só não fora registrado na contabilidade por razões estritamente técnicocontábeis”. Fl. 1096DF CARF MF 10 Prossegue a Impugnante apontando que “em suma, a ´receita´ reconhecida tratase de mera conveniência contábil, adotada em razão da inexistência de outra opção técnica possível para a documentação do evento, mas que, por suas características que lhe são únicas e diversas do que se entende por ´receita´, verdadeiramente ´receita´ não é”. A Impugnante relembra que, nas lições de Ricardo Mariz de Oliveira, o termo técnico receita seria definido como um ingresso que se incorporaria ao patrimônio da sociedade. Tal lição traria essencialmente a idéia de que receita seria um valor que adviria de fonte externa (ou seja, não haveria receita que se gerasse internamente). Logo, ingressos que não atendessem a este requisito (origem externa) não poderiam ser alcançados pela tributação, inclusive de PIS e COFINS. Com base em tais idéias, o Impugnante assevera que “a "receita" de ativação do prejuízo fiscal não é verdadeiramente uma receita no sentido técnico jurídico alcançável pela legislação tributária brasileira, mas apenas uma solução adotada por falta de outras opções técnicas mais adequadas para o registro de um “direito extra contábil” préexistente e de utilização condicionada, sendo ordinariamente autorizado o uso na forma dos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065/1995, que dizem respeito à hipótese de compensação na base de cálculo positiva do IRPJ/CSLL, e excepcionalmente em parcelamentos especiais, tal qual é o caso do REFIS instituído pela Lei n° 11.941/2009”. Em decorrência de a fiscalização ter asseverado existir diverso regime de tratamento ao ativo fiscal diferido decorrente da compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, a Impugnante aponta que “ao contrário do que tentou sustentar o Auditor Fiscal, a legislação fiscal vigente não reconhece a possibilidade de exclusão das receitas decorrentes da ativação do prejuízo fiscal e base negativa somente no caso em que o seu uso se der em compensação de bases, mas para todo e qualquer "prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores", conforme podemos verificar no artigo 250, III, do RIR/99”. Com base neste raciocínio, a Impugnante aduz que: “A lei, em nenhum momento, estabeleceu que a possibilidade de exclusão das receitas de reconhecimento do prejuízo fiscal e da base negativa está limitada, exclusivamente, à utilização do benefício na compensação de bases. O que de fato verificamos são apenas os seguintes pontos: a) O prejuízo fiscal apurado em períodos anteriores pode ser excluído da base de cálculo de apuração dos tributos; b) No caso da utilização do prejuízo fiscal em compensação de bases, a exclusão não será possível se houver utilização superior a 30% do lucro líquido ajustado. Desta forma, havendo outra lei que crie nova hipótese de utilização do prejuízo fiscal e da base negativa, a receita decorrente deverá ser excluída das bases de cálculo de qualquer tributo”. Ainda neste ponto, a Impugnante reforça que “sob um novo ângulo, também podemos considerar que a autorização legal (Lei n° 11.941/2009) para a utilização do prejuízo fiscal com a finalidade de liquidação de multas de mora ou ofício, ou juros moratórios não altera a natureza jurídica do direito à utilização do prejuízo fiscal. O que muda, efetivamente, é o momento em que este direito será usufruído”. Ademais, “se a natureza jurídica do prejuízo fiscal e da base negativa fosse alterada conforme a utilização admitida em lei, teríamos o absurdo cenário onde dois contribuintes, numa mesma situação, sofreriam carga tributária diferente, em razão da opção de utilizar o prejuízo fiscal acumulada para Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.093 11 pagamento do Imposto de Renda ou pagamento de saldo do parcelamento da Lei n° 11.941/2009”. A Impugnante ainda aponta que “sob outro prisma analítico, poderíamos ainda dizer que o direito à utilização do prejuízo fiscal e à base negativa são decorrentes do princípio contábil da continuidade, o qual estabelece que a vida da sociedade empresária não se limita a um só exercício, mas é contínua, devendo por isso também ser contínuos os registros das contas patrimoniais, donde se encaixam os lucros e prejuízos acumulados ao longo da história da empresa”. A Impugnante destaca que seu entendimento acerca da intributabilidade do ativo fiscal diferido, seja decorrente da compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, seja na modalidade da apuração de créditos em parcelamentos especiais, encontraria respaldo na Solução de Consulta SRRF09 nº. 21, de 01/02/2001 e nos Acórdãos nº. 087030, proferido pela DRJ Fortaleza em 10/11/2005, nº. 0329567, proferido pela DRJ Brasília em 20/02/2009, e nº. 1644579, proferido pela DRJ São Paulo em 06/03/2013. Corroborando o entendimento da Receita Federal relembrado no parágrafo anterior, a Impugnante relembra o quanto decidido pela 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, no acórdão nº. 1301001.471, que teria deixado bem claro o “entendimento no sentido de que a receita reconhecida na contabilidade como contrapartida da ativação do prejuízo fiscal, trata se de mera representação contábil com o objetivo de demonstrar aos acionistas e demais interessados a existência de um direito potencialmente realizável pela companhia em futuro próximo, sem qualquer repercussão sob o ponto de vista tributário”. Ademais, mesmo que se entenda que a utilização do prejuízo fiscal para amortização de juros e multas incluídos no parcelamento da Lei nº. 11.941/2009 seria bastante para alterar sua natureza jurídica, a autuação permaneceria insubsistente, pois “se o prejuízo fiscal de que trata a Lei n° 11.941/2009 é instituto diferente daquele que ordinariamente é utilizado para pagamento do IRPJ, imperioso reconhecer, para dar coerência ao raciocínio e por uma questão de lógica jurídica, que estamos a falar de um benefício novo. Uma possibilidade de redução de juros e multa proporcionada pela Lei n° 11.941/2009. E se assim é, ele o prejuízo fiscal deve ser colocado dentro do campo de incidência do artigo 4º, § único da Lei n° 11.941/2009, cuja redação é a seguinte: “Art. 4° Aos parcelamentos de que trata esta Lei não se aplica o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, no § 2º do art. 14 A da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e no § 10 do art. 1º da Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003. Parágrafo único. Não será computada na apuração da base de cálculo do imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1º, 2º e 3° desta Lei” (grifos no original). Apontase que a possibilidade de quitação das multas e juros mediante o registro de créditos fundados no saldo de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas cumpriria os dois requisitos previstos no dispositivo legal acima relembrado (redução e multa e juros e previsão nos três primeiros artigos da lei). Ademais, nem se deveria cogitar “de que o texto normativo não se refere a "liquidação", mas sim a "redução", pois a norma, da forma Fl. 1098DF CARF MF 12 que se encontra redigida, permite afirmar que a redução do valor dos juros e multas pode se dar por todas as formas previstas na Lei n° 11.941/2009, ou seja, por desconto ou por liquidação”. Por fim, aduzse que a fiscalização não teria computado, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o lançamento reflexo de PIS e COFINS, mesmo diante da inequívoca dedutibilidade de tais despesas tributárias. A impugnação foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo DRJ/SPO, que em uma análise preliminar resolveu baixar os autos em diligência para esclarecer os seguintes pontos: Destarte, entendese imperioso o envio dos autos à Autoridade Lançadora, a fim de que sejam respondidos os seguintes questionamentos: 1) as importâncias excluídas a título de “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis” (Linha 40 da Ficha 9A da DIPJ 2010) foram adicionadas à apuração do Lucro Real em anoscalendário anteriores, conforme indicado nas razões de defesa apresentadas pelo contribuinte (ano de 2002 – Linha 22 da Ficha 09A; ano de 2003 – Linha 21 da Ficha 09A; ano de 2004 – Linha 23 da Ficha 09A e ano de 2005 – Linha 20 da Ficha 09A) – fls. 622? 2) sendo positiva a resposta ao primeiro questionamento, solicitase indicar se a importância excluída a título de “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis” Linha 40 da Ficha 9A da DIPJ 2010 (i) não foi computada como despesa na apuração do lucro líquido do anocalendário de 2009 e (ii) foi registrada contabilmente a débito da conta do passivo representativa do registro de provisão de tributos com exigibilidade suspensa e a crédito da conta do passivo relativa ao parcelamento instituído pela Lei nº. 11.941/2009, conforme indicado na impugnação – TRANSFERÊNCIA DE SALDOS ENTRE CONTAS DO PASSIVO (fls. 617)”. (g.n.) Intimada pela Autoridade Fiscal a esclarecer os pontos levantados acima, a Contribuinte apresentou a manifestação de efls. 818/822, na qual: a) esclarece quais seriam as contas contábeis que registrariam os valores excluídos nos anoscalendário de 2002 a 2005; b) aponta que o total das adições realizadas de 2002 a 2005 seria superior ao montante excluído em 2009, pois parte dos débitos adicionados anteriormente teriam sido parcelados em 2007; c) assevera que, em face da intenção de parcelar seus débitos tributários federais, teria empreendido a reunião, em uma única conta contábil do passivo, das dívidas em aberto e das disputas judiciais, sendo que uma parcela deste valor corresponderia às provisões anteriormente adicionadas; d) em setembro de 2009, quando da efetiva adesão ao parcelamento “Refis da Crise”, a Impugnante teria renomeado a conta do passivo e apropriado contabilmente apenas a diferença dos tributos federais não reconhecidos anteriormente, tendo revertido fiscalmente as adições de 2002 a 2005 (montante de R$ 19 milhões) por intermédio de exclusões na apuração do lucro real conforme DIPJ 2010. Não satisfeita com a resposta da Contiribuinte, a Fiscalização a intimou novamente, desta feita para requisitar a demonstração e a comprovação, com base em documentação comprobatória idônea, da composição dos saldos informados na parte B do Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.094 13 LALUR 2009, fl. 52, do valor de R$ 39.893,66; fl. 53, o valor de R$ 17.510.386,13 e fl. 54, o valor de R$ 2.343.613,81, bem como o tratamento contábil desses valores, uma vez que os mesmos foram excluídos na parte A do LALUR (fls. 878). Em resposta à intimação da Autoridade Fiscal, a Contribuinte apresentou os esclarecimentos de efls. 882/906, abaixo reproduzidos em apertadíssima síntese: a) O saldo informado na parte B do LALUR de 2009 nas fls. 52, 53 e 54, no total de R$ 19.893.893,601, teria sido composto das adições referentes às despesas de parte do PIS s/ faturamento (conta contábil n° 30.20.10.07 e 32107093.00003), parte da COFINS s/ faturamento (conta contábil n° 30.20.10.09) e das atualizações dos impostos federais (conta contábil n° 4190.040.00099); b) Quanto ao tratamento contábil, os valores adicionados teriam sido transferidos entre contas do passivo, das contas dos impostos federais para a conta do parcelamento (n° 22305041 — Impostos federais — Refis IV LP), quando da publicação do programa de parcelamento. Nova intimação foi feita à Contribuinte, desta feita solicitando a apresentação do “SPED CONTÁBIL do ano de 2008, a fim de comprovar os lançamentos informados na resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 07/03/2016, cuja ciência se deu em 10/03/2016” (e fls. 907). Em 01/07/2016, a Impugnante apontou, em petição, que estaria atendendo à intimação (efls. 911/912). Em 07/02/2017, a fiscalização intimou a Impugnante a “apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) – original dos anos 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008” (efls. 934). Após requisitar a dilação do prazo para o cumprimento desta intimação, a Impugnante acostou aos autos os documentos solicitados (cópias do LALUR e telas do sped contábil). Em 30/03/2017, a Fiscalização encerrou a diligência fiscal, prestando os seguintes esclarecimentos (v. efls. 959/964): “Quanto ao questionamento de número 1 “um”, ao se analisar os Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR), constatouse que os valores correspondentes a soma de 19.893.893,60 excluído a título de “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009” no LALUR 2009 foram adicionados no LALUR nos anos de 2002 à 2005, totalizando uma adição de 29.758.335,07. No ano de 2007 ocorreu uma baixa de 9.864.441,47, a débito na Parte B do LALUR, valor este excluído na Parte A do LALUR, conforme consta da página 65, do Livro 05. O saldo remanescente em 2007 dos valores que foram adicionados no LALUR totalizou 19.893.893,60, conforme os valores constantes nas folhas números 64, 65 e 66 do Livro número 05 apresentado, cujas cópias foram autuadas no processo. Acerca do questionamento de número 2 “dois” acima reproduzido, constatouse: 1) Que o valor de 19.893.893,60 representa a soma da atualização monetária sobre parcelamento de impostos contabilizado 17.510.386,13, da diferença de alíquota da COFINS 2,0% para 3,0% 2.343.613,81 e da provisão de PIS indébito a compensar 39.893,66 e que somente o valor de 17.510.386,13 foi comprovado a débito da conta contábil de despesa 4190504000099. Importante frisar que não foi comprovada as contrapartidas dos respectivos valores a título de provisão. 2) Que o sujeito passivo não comprovou contabilmente que as contrapartidas dos lançamentos das despesas, referente ao valor de 19.893.893,60, foram efetuadas a Fl. 1100DF CARF MF 14 crédito de contas de provisão, bem como das contas 22305004, 22305008, 223050010 e 22305015 cujos saldos foram baixados, em 2008, a débito das respectivas contas e a crédito da conta 22305041, IMPOSTOS FEDERAIS, e em 2009 a conta contábil 22305041 foi renomeada para IMPOSTOS FEDERAIS REFIS IV LP. Assim, o montante lançado a título de “Exclusões”, ficha 09A, linha 40 (–) “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis, no valor de R$ 19.893.893,60, DIPJ 2010, Anocalendário 2009, não teve comprovada contabilmente que os valores referentes à atualização monetária sobre parcelamento de impostos contabilizado 17.510.386,13, da diferença de alíquota da COFINS 2,0% para 3,0% 2.343.613,81 e da provisão de PIS indébito a compensar 39.893,66, foram contabilizados a crédito de contas de provisão, bem como a créditos das contas 22305004, 22305008, 223050010 e 22305015, como contrapartidas das contas de despesas informadas pelo sujeito passivo e cujos saldos foram transferidos para a conta contábil 22305041. 3) Que a contrapartida do referido valor como receita de reversão de provisão no Resultado Contábil apurado em 31/12/2009, não atendeu os preceitos estabelecidos na legislação aplicável, uma vez que não ficou comprovado a constituição das respectivas provisões, bem como que as reversões dessas provisões transitaram pela apuração do resultado do exercício. 4) Que os valores referentes as receitas alcançadas pelo benefício previsto no § único do artigo 4º da Lei nº 11.941/2009 (a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1º, 2º e 3º desta Lei) não trazem relação com provisão, pois provisão não representa despesa incorrida e sim expectativa de despesa, a qual não pode ser deduzida do lucro real e da base de cálculo da CSLL, ou seja, deve ocorrer uma adição de igual valor. Nesse sentido, as reversões das provisões constituídas, cuja contrapartida deve ser receita de reversão de provisão, pode ser excluída do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, conforme artigo 250, II, do RIR/99”; 5) Que ao efetuar a adesão ao REFIS IV e reconhecer como dedutível as despesas com exigibilidade suspensa, as provisões deveriam ser revertidas contra o resultado do exercício e a respectiva parcela excluída da PARTE A do LALUR e baixada da PARTE B, a fim de anular o efeito fiscal. Em seguida se utilizar dos benefícios previstos na Lei nº 11.941/2009 e efetuar as reduções permitidas a débito da conta contábil 22305041, IMPOSTOS FEDERAIS REFIS IV LP e a crédito do resultado do exercício receitas, receitas a serem excluídas da base de cálculo do IRPL e da CSLL, conforme previsto no § único do artigo 4º da Lei nº 11.941/2009”. Cientificada do relatório de diligência, a Contribuinte apresentou suas manifestações acerca das conclusões da Fiscalização (v. efls. 972/981), e que, em apertadíssima síntese, poderíamos resumir conforme abaixo: a) Inexistiria controvérsia acerca das adições mencionadas na impugnação (ou seja, o questionamento 1 da diligência fiscal teria sido respondido afirmativamente); b) No tocante ao segundo quesito da diligência fiscal, o Autuante teria repetido seu equívoco interpretativo, ao asseverar que “a contrapartida do referido valor como receita de reversão de provisão no Resultado Contábil apurado em 31/12/2009, não atendeu os preceitos estabelecidos na legislação aplicável, uma vez que não ficou comprovado a constituição das respectivas provisões, bem como que as reversões dessas provisões transitarem pela apuração do resultado do exercício”. Em decorrência da manutenção deste equívoco interpretativo, a Impugnante entende que a diligência fiscal não foi atendida. c) Este segundo questionamento da diligência poderia ser subdividido em dois tópicos: a) confirmar se o valor da exclusão glosada não foi computado como despesa no Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.095 15 anocalendário autuado (2009); verificar se há prova do registro do lançamento a débito da conta contábil que controlava os tributos com exigibilidade suspensa em contrapartida e a crédito da conta do passivo relativa ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, conforme indicado na impugnação a crédito. d) A Impugnante aduz que, por ter a intenção de parcelar seus débitos tributários na sistemática estabelecida pela Lei nº. 11.941, “foi feita a reunião, em uma única conta contábil do passivo, do montante das dívidas tributárias já parceladas e das em disputas judiciais. O total reunido na nova conta foi de R$ 68.897.637,11, sendo uma parcela deste valor correspondente às provisões adicionadas anteriormente. Para comprovar tal alegação, a Impugnante apresenta os seguintes quadros, que teriam sido elaborados com base nos registros do SPEDContábil (fls. 902)” (...) e) Prossegue apontando que “em setembro de 2009, quando da efetiva adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, a Impugnante renomeou a conta do passivo e lançou a debito em conta de despesa apenas a diferença dos tributos federais não reconhecidos anteriormente. Assim, o montante de R$ 111.416.448,21 parcelado no Refis da Crise (Lei nº 11.941/09) foi composto por: i) transferências entre contas do passivo no total de R$ 68.897.637,71 (fls.902), dentro dos quais estão os valores que foram adicionados, conforme reconhecido pelo próprio Agente Fiscal no Primeiro Questionamento; ii) tributos federais reconhecidos como despesa R$ 20.501.646,34 (fl. 905); iii) transferências dos saldos de parcelamentos anteriores R$ 22.017.164,16 (fl. 905)”. Juntou à sua manifestação ao Relatório de Diligência alguns quadros que evidenciariam os movimentos contábeis que teriam sido realizados na conta dos débitos incluídos no parcelamento, conforme registros do SPEDContábil. Para concluir, manifestouse no seguinte sentido: “ o valor da exclusão realizada não foi objeto de lançamento a débito em resultado no anocalendário de 2009. Tratase, conforme reconhecimento na resposta ao primeiro questionamento, de valores que têm origem em despesas reconhecidas contabilmente em períodos pretéritos e que foram adicionadas ao Lucro Real; as contas de passivo que controlavam as despesas que foram acionadas em períodos pretéritos foram transferidas para a conta dos débitos incluídos no parcelamento da Lei n° 11.941/2009. Os documentos apresentados comprovam o lançamento a débito da conta dos débitos (adicionados ao Lucro Real no passado) e a crédito na conta do parcelamento da Lei n° 11.941/2009”. Retornando o processo à DRJ/SPO, a impugnação foi julgada em sessão realizada no dia 04 de outubro de 2017, resultando na prolação do Acórdão nº 1680.360 1ª Turma, cuja ementa reproduzo abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 Fl. 1102DF CARF MF 16 PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. RECEITA CORRESPONDENTE À PARCELA DA MULTA E JUROS MORATÓRIOS QUITADA COM UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. É tributável a receita correspondente à parcela da multa, de mora ou de ofício, e dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários próprios incluídos no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, e quitada mediante utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL de períodos anteriores, vez ser certa sua integração ao lucro líquido e ausente norma específica que permita sua exclusão na apuração do lucro real. EXCLUSÃO DOS VALORES DE PIS E COFINS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXIGIDOS NO LANÇAMENTO. Ainda que, via de regra, os valores apurados de Contribuição para o PIS e COFINS sejam dedutíveis das bases tributáveis da IRPJ e da CSLL, após a lavratura da autuação, havendo contencioso administrativo, sua exigibilidade resta suspensa, não sendo autorizada tal dedução, nos termos do § 1º do art. 344 do RIR/99. EXCLUSÃO FUNDADA EM REVERSÃO DE PROVISÕES DE TRIBUTOS INDEDUTÍVEIS POR SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO REGISTRO DE RECEITA OU DA MERA TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DO PASSIVO. PROCEDÊNCIA DA GLOSA. Quando se torna exigível um tributo anteriormente provisionado e devidamente adicionado na apuração da base de cálculo do imposto de renda, é permitido o registro de exclusão do lucro real, no valor do tributo agora exigível, quando (a) a reversão da provisão é contabilizada como receita do exercício corrente ou (b) restar comprovado que os valores anteriormente provisionados foram transferidos para conta do passivo representativa do dever de recolher o referido tributo. Não restando provadas quaisquer destas condições, tornase descabida a exclusão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2010 LANÇAMENTO CALCADO NOS MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. Aplicamse ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. RECEITA CORRESPONDENTE À PARCELA DA MULTA E JUROS MORATÓRIOS QUITADA COM UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. Integrase à receita tributável o incremento, ao patrimônio do contribuinte, de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições que impeçam sua imediata fruição. Assim, ao optar pelo registro do crédito previsto no artigo Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.096 17 1º, § 8º, da Lei n°. 11.941/2009, e, por via de consequência, renunciar a um direito condicional (compensar futuramente o prejuízo fiscal e a base de cálculo da CSLL), é imperioso o registro de receita tributável pela COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. RECEITA CORRESPONDENTE À PARCELA DA MULTA E JUROS MORATÓRIOS QUITADA COM UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. Integrase à receita tributável o incremento, ao patrimônio do contribuinte, de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições que impeçam sua imediata fruição. Assim, ao optar pelo registro do crédito previsto no artigo 1º, § 8º, da Lei n°. 11.941/2009, e, por via de consequência, renunciar a um direito condicional (compensar futuramente o prejuízo fiscal e a base de cálculo da CSLL), é imperioso o registro de receita tributável pelo PIS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não satisfeito com a decisão supra, que lhe foi cientificada em 09/10/2017 (v. efls. 1.035), a Contribuinte protocolou o Recurso Voluntário de efls. 1.038/1.080, em 07/11/2017 (v. efls. 1.037). Abaixo colaciono, em breve resumo, as alegações trazidas no corpo do recurso voluntário por parte da Recorrente: 1) Preliminarmente, propugna pela nulidade parcial da decisão recorrida no que diga respeito aos débitos de PIS e COFINS, haja vista que tais lançamentos teriam se dado em outro processo, à parte da exigência relativa ao IRPJ e CSLL. O processo administrativo a que faz alusão a Contribuinte seria o de nº 10314.728567/201478; 2) Com relação às glosas relativas às exclusões de reversão de provisões, inicialmente, propugna a Recorrente pela nulidade da decisão recorrida, que teria adotado critério jurídico diferenciado daquele que foi utilizado pela Fiscalização no Auto de Infração; 3) As provas carreadas aos autos seriam mais do que suficientes para denotar os lançamentos contábeis que constituíram as provisões revertidas, não sendo possível à Recorrente produzir prova negativa; 4) A tributação da ativação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa seria indevida, seja porque a sistemática dos institutos assim não o permitiriam, seja porque o parágrafo único do artigo 4º da Lei nº 11.941/2009, expressamente prescreve o afastamento da tributação; 5) Também não teria sido considerado pelo Autuante, como dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL exigidos pelo presente Auto de Infração, os débitos de PIS/COFINS; Fl. 1104DF CARF MF 18 Afinal, vieram os presentes autos a este Conselheiro para relatar e votar. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como vimos no Relatório, a autuação centrouse em duas infrações, a saber: 1) Glosa da exclusão relativa a “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009”; 2) Glosa da exclusão de receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº. 11.941/2009. Tratemos, pois, de cada uma das referidas infrações de forma individualizada. 1) Reversão dos saldos das provisões não dedutíveis 2009 Neste ponto, o Auditor Fiscal lastreou a autuação no fato de não ter identificado na contabilidade da Recorrente, mais especificamente nas contas de resultado, nenhum lançamento que dissesse respeito à reversão dos saldos das provisões não dedutíveis decorrentes da atualização monetária de tributos com exigibilidade suspensa e que foram confessados no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009. Vejamos alguns trechos do TVF (v. efls. 569), que bem ilustram as razões da exigência fiscal: Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.097 19 A Recorrente entende que tal interpretação seria equivocada. Como se tratam de débitos ao final confessados pela adesão ao parcelamento, defende a Recorrente que a baixa da provisão deveria ser feita contra uma conta de passivo, agora considerado como definitivo. Já no LALUR, o procedimento correto a ser adotado seria a baixa dos valores controlados em sua parte B e a consequente exclusão desses mesmos valores na parte A. Entende a Recorrente que o raciocínio exposado pela Fiscalização se adequa ao caso de baixa de provisão cujo risco inicialmente identificado quando de sua constituição é afastado em definitivo (quando o débito se mostra improcedente, por exemplo). O que não se coadunaria com o caso concreto, em que esse risco (pagamento do tributo) efetivamente se concretizou com a confissão da dívida. Em relação à forma de contabilização da baixa dessa provisão, creio assistir razão à Recorrente. As provisões são constituídas em função da probabilidade da ocorrência de determinado evento. Assim, a “perda” objeto da provisão pode ou não se concretizar, a depender da consumação de fato incerto. Toda e qualquer análise a respeito da dedutibilidade de despesas provisionadas deve levar em conta, como ponto de partida, o histórico dos lançamentos Fl. 1106DF CARF MF 20 contábeis realizados. A partir daí, passase à aferição da dedutibilidade ou não das despesas que foram provisionadas. Devese verificar, portanto, inicialmente, se a provisão foi objeto de lançamento a crédito de conta redutora de ativo (por exemplo, uma conta de provisão para determinada despesa), e a débito em conta de resultado (despesas com provisões). Passo seguinte, seria verificar se tais lançamentos foram objeto de ajuste na apuração do Lucro Real, haja vista trataremse, como no presente caso, de provisão não dedutível para efeito de imposto de renda e contribuição social. Assim, revelase obrigatória a adição ao lucro líquido do valor correspondente à despesa objeto da provisão. Conseqüência da referida adição é a sua escrituração na parte B do LALUR para efeito de controle. No caso concreto, esta primeira etapa restou superada e comprovada após a realização da diligência requerida pela DRJ/SPO, que solicitou à Autoridade Administrativa que verificasse se as importâncias excluídas a título de “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis” (Linha 40 da Ficha 9A da DIPJ 2010) teriam sido ou não adicionadas à apuração do Lucro Real em anoscalendário anteriores, conforme indicado nas razões de defesa apresentadas pela contribuinte (ano de 2002 – Linha 22 da Ficha 09A; ano de 2003 – Linha 21 da Ficha 09A; ano de 2004 – Linha 23 da Ficha 09A e ano de 2005 – Linha 20 da Ficha 09A) – v. efls. 612/640. O Relatório de diligência, às efls. 961, é bastante claro ao asseverar que tais valores foram adicionados na apuração do Lucro Real dos anos calendários de 2002 a 2005 (vide excerto do referido Relatório abaixo): Quanto ao questionamento de número 1 “um”, ao se analisar os Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR), constatouse que os valores correspondentes a soma de 19.893.893,60 excluído a título de “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009” no LALUR 2009 foram adicionados no LALUR nos anos de 2002 à 2005, totalizando uma adição de 29.758.335,07. No ano de 2007 ocorreu uma baixa de 9.864.441,47, a débito na Parte B do LALUR, valor este excluído na Parte A do LALUR, conforme consta da página 65, do Livro 05. O saldo remanescente em 2007 dos valores que foram adicionados no LALUR totalizou 19.893.893,60, conforme os valores constantes nas folhas números 64, 65 e 66 do Livro número 05 apresentado, cujas cópias foram autuadas no processo. (grifos nossos) Assim, a primeira condição estaria satisfeita, qual seja, a adição das provisões na apuração do lucro real de períodos anteriores. O próximo passo a ser analisado diz respeito à implementação da condição que motivou a criação da provisão ou, em outras palavras, à verificação da ocorrência ou não do evento até então incerto que lhe deu origem. Verificandose que tal evento não ocorreu, caberia à Contribuinte promover à reversão da provisão, efetuando um lançamento a débito na conta redutora de ativo (conta de provisão para despesa) e outro a crédito em conta de resultado (conta de receita de reversão de provisão). Já no LALUR, caberia a exclusão da provisão na apuração do lucro real com a consequente baixa do mesmo valor na sua parte B, neutralizando, assim, o efeito contábil no resultado fiscal. Conclusão desses fatos é de que, não havendo a consumação do evento que motivou a constituição da provisão, a respectiva despesa não teria incorrido, sendo incabível, portanto, a sua dedução da base de cálculo do tributo. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.098 21 De outra sorte, em se verificando que referido evento efetivamente ocorreu, uma das providências contábeis a ser realizada poderia ser de registro a débito na conta redutora de ativo (conta de provisão para despesa), e a crédito da conta caixa (caso de pagamento da obrigação). Neste caso, não haveria nenhum registro a ser efetuado em conta de resultado. Ato contínuo, na apuração do lucro real, bastaria fazer a exclusão da provisão (que já fora adicionada em períodos anteriores), reduzindo, portanto, a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social e, conseqüentemente, baixando referido valor da parte B do LALUR. No caso concreto, tratase de provisão constituída tendo por objeto valores referentes à atualização monetária de tributos federais que estavam com sua exigibilidade suspensa. Com a adesão da Contribuinte ao parcelamento instituído pela lei nº 11.941/2009, tais valores teriam sido incluídos no referido programa, passando, portanto, a serem exigíveis pela Administração Tributária. No plano contábil, aduz a Recorrente que efetuou lançamento a débito da respectiva provisão e a crédito de conta de passivo, instituída no momento de sua adesão ao parcelamento. A referida conta de passivo agregaria todos os débitos até então com exigibilidade suspensa (conta de passivo nº 22305041 – Impostos Federais – Refis IV LP). Tal proceder é correto, não vejo nenhum óbice ao seu implemento. Essa também é a conclusão a que chegou o Acórdão nº 1103001.143, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção deste CARF, em sessão realizada no dia 25 de novembro de 2014, da lavra do Ilustre Conselheiro Marcos Shigueo Takata, que transcrevo abaixo: As contrapartidas de passivos (ou de contas redutoras de ativo) de provisão, a bem ver, caracterizamse como adições temporárias. Uma hora ou outra são objeto de exclusão, a neutralizar as adições anteriormente feitas. É que as provisões um dia se tornam passivo efetivo (obrigação certa e líquida), ou um dia deixam de representar obrigação estimada pela certeza de sua inexistência, i.e., a expectativa de se tornar um passivo efetivo falece, não se convolando em obrigação certa e líquida. A temporariedade ou precariedade é da gênese da provisão. Essa temporariedade é seu caráter. Daí as contrapartidas de constituição (ou aumento) de provisão caracterizarem adições temporárias. Quer dizer, um dia o passivo (ou conta redutora de ativo) de provisão será revertido – reversão lato sensu: convolase em passivo efetivo (obrigação certa e líquida) ou é baixado não se concretizar a obrigação expectada. Logo, a reversão lato sensu de provisão pode se dar a débito da conta de provisão em contrapartida a crédito de passivo (efetivo – obrigação certa e líquida), sem trânsito em conta de resultado, como se pode dar com trânsito em conta de resultado, mediante lançamento a débito da conta de provisão em contrapartida a crédito de receita de reversão de provisão ou a crédito de despesa de provisão (reduzindoa). Enfim, não causa espécie o fato de a reversão de provisão não transitar por conta de resultado – é a reversão em senso lato. Em senso estrito se pode dizer que reversão de provisão se dá a débito da conta de provisão em contrapartida a crédito em conta de resultado – receita de reversão de provisão ou a crédito em despesa de provisão. Rigorosamente, o resultado tributário é o mesmo. Portanto, o procedimento alegadamente adotado pela Contribuinte encontra amparo técnico para sua realização. Entretanto, não foi esse o entendimento da Fiscalização, Fl. 1108DF CARF MF 22 que fundamentou o lançamento na necessidade/obrigatoriedade de que tais valores, anteriormente provisionados, transitassem por contas de resultado. Vide excerto do Termo de Verificação Fiscal de efls. 561/587, que reproduzo abaixo: Pelo exposto, esta fiscalização entende que o sujeito passivo não logrou êxito em demonstrar que o valor de R$ 19.893.893,60 informado como exclusão a título de “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009” no LALUR 2009, transitou como receita de reversão de provisão no resultado contábil apurado em 31/12/2009. Assim, nesse sentido, a exclusão fiscal, no valor de R$19.893.893,60, será objeto de glosa, por meio da lavratura do competente Auto de Infração. Como vimos, no caso concreto, não haveria a necessidade de fazer transitar em contas de resultado os valores anteriormente provisionados e adicionados à apuração do lucro real de períodos pretéritos. Assim, restaria verificar se a Contribuinte realmente procedeu conforme o alegado em seu recurso ao Auto de Infração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, ao analisar a impugnação, decidiu, preliminarmente, em relação a este ponto, por converter o julgamento em diligência para verificar i) se os valores excluídos haviam sido objeto de adição em anos anteriores, ii) se tais valores teriam sido ou não computados na apuração do lucro líquido em 2009 e iii) se teria sido contabilizada a baixa da respectiva provisão via lançamento a débito da referida conta, representativa do registro de provisão de tributos com exigibilidade suspensa, e a crédito da conta do passivo relativa ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Tais questionamentos foram necessários, segundo a DRJ, para comprovar as alegações feitas pela Recorrente em sua peça impugnatória. A resposta da Autoridade Administrativa foi a seguinte (v. efls 961/962): Quanto ao questionamento de número 1 “um”, ao se analisar os Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR), constatouse que os valores correspondentes a soma de 19.893.893,60 excluído a título de “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009” no LALUR 2009 foram adicionados no LALUR nos anos de 2002 à 2005, totalizando uma adição de 29.758.335,07. No ano de 2007 ocorreu uma baixa de 9.864.441,47, a débito na Parte B do LALUR, valor este excluído na Parte A do LALUR, conforme consta da página 65, do Livro 05. O saldo remanescente em 2007 dos valores que foram adicionados no LALUR totalizou 19.893.893,60, conforme os valores constantes nas folhas números 64, 65 e 66 do Livro número 05 apresentado, cujas cópias foram autuadas no processo. Acerca do questionamento de número 2 “dois” acima reproduzido, constatouse: 1) Que o valor de 19.893.893,60 representa a soma da atualização monetária sobre parcelamento de impostos contabilizado 17.510.386,13, da diferença de alíquota da COFINS 2,0% para 3,0% 2.343.613,81 e da provisão de PIS indébito a compensar 39.893,66 e que somente o valor de 17.510.386,13 foi comprovado a débito da conta contábil de despesa 4190504000099. Importante frisar que não foi comprovada as contrapartidas dos respectivos valores a título de provisão. 2) Que o sujeito passivo não comprovou contabilmente que as contrapartidas dos lançamentos das despesas, referente ao valor de 19.893.893,60, foram efetuadas a crédito de constas de provisão, bem como das contas 22305004, 22305008, 223050010 e 22305015 cujos saldos foram baixados, em 2008, a débito das respectivas contas e a crédito da conta 22305041, IMPOSTOS FEDERAIS, e em Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.099 23 2009 a conta contábil 22305041 foi renomeada para IMPOSTOS FEDERAIS REFIS IV LP. Assim, o montante lançado a título de “Exclusões”, ficha 09A, linha 40 (–) “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis, no valor de R$ 19.893.893,60, DIPJ 2010, Anocalendário 2009, não teve comprovada contabilmente que os valores referentes à atualização monetária sobre parcelamento de impostos contabilizado 17.510.386,13, da diferença de alíquota da COFINS 2,0% para 3,0% 2.343.613,81 e da provisão de PIS indébito a compensar 39.893,66, foram contabilizados a crédito de contas de provisão, bem como a créditos das contas 22305004, 22305008, 223050010 e 22305015, como contrapartidas das contas de despesas informadas pelo sujeito passivo e cujos saldos foram transferidos para a conta contábil 22305041. 3) Que a contrapartida do referido valor como receita de reversão de provisão no Resultado Contábil apurado em 31/12/2009, não atendeu os preceitos estabelecidos na legislação aplicável, uma vez que não ficou comprovado a constituição das respectivas provisões, bem como que as reversões dessas provisões transitaram pela apuração do resultado do exercício. (...) 5) Que ao efetuar a adesão ao REFIS IV e reconhecer como dedutível as despesas com exigibilidade suspensa, as provisões deveriam ser revertidas contra o resultado do exercício e a respectiva parcela excluída da PARTE A do LALUR e baixada da PARTE B, a fim de anular o efeito fiscal. Em seguida se utilizar dos benefícios previstos na Lei nº 11.941/2009 e efetuar as reduções permitidas a débito da conta contábil 22305041, IMPOSTOS FEDERAIS REFIS IV LP e a crédito do resultado do exercício receitas, receitas a serem excluídas da base de cálculo do IRPL e da CSLL, conforme previsto no § único do artigo 4º da Lei nº 11.941/2009. Com relação ao primeiro quesito, não há nenhuma dúvida de que a informação prestada pela Autoridade Fiscal foi no sentido de que os valores ora excluídos foram anteriormente adicionados, entre os anos calendário de 2002 a 2005. Já em relação aos demais quesitos é que emerge a dúvida, pois a Fiscalização apontou à DRJ/SPO que não obteve êxito em comprovar, através das informações prestadas pela Contribuinte, que os valores excluídos na apuração do lucro real i) não teriam transitado pelo resultado do ano calendário de 2009 e ii) teriam sido objeto de transferência entre contas do passivo (débito na conta que registrava a provisão e correspondente crédito em um passivo exigível afeto ao parcelamento instituído pela lei nº 11.941/2009), conforme as alegações da defesa. Por essa razão, ou seja, pelo fato de não terem restado comprovadas as alegações da Contribuinte acerca do tratamento contábil que teria sido dado à referida provisão, é que a DRJ/SPO não proveu o recurso neste ponto. Por conta desse entendimento da DRJ/SPO, a Recorrente argui em seu recurso que a decisão a quo teria inovado, dando outro fundamento jurídico às razões de autuação. Neste ponto não lhe assiste razão. A DRJ/SPO baixou os autos em diligência simplesmente para confirmar as alegações da Recorrente, constantes da impugnação, haja vista que ela não teria conseguido, com as informações constantes do processo até então, se certificar de que tais argumentos eram verossímeis. Ocorre, que o resultado da diligência apontou para a Turma Julgadora de piso que tais argumentos não se sustentavam, a partir dos elementos colacionados através do respectivo Fl. 1110DF CARF MF 24 procedimento. Em função disso (do resultado da diligência), sob o ponto de vista da DRJ/SPO, os argumentos trazidos na impugnação não foram aceitos pela Turma Julgadora. No entendimento deste Conselheiro, nada há de alteração no critério jurídico do lançamento o fato de a DRJ/SPO ter adotado essa posição (de ausência de comprovação daquilo que foi alegado). Restanos, então, decidir se o critério adotado pela DRJ/SPO para resolver a questão é adequado ou não ao caso em apreço. Já vimos que o tratamento que a Recorrente alega ter dado à baixa da provisão (ou sua reversão) é plenamente viável do ponto de vista técnico. Bastaria, então, comprovar que aquilo que foi dito ter sido realizado, efetivamente o foi da forma como alegado. Foi exatamente o que tentou fazer a DRJ/SPO, mas não obteve êxito. Assim, caberia à Recorrente, em seu recurso voluntário, ao dialogar com a decisão recorrida, desconstituir seus fundamentos, apontando as provas de que tudo o que foi alegado até então estaria cabalmente demonstrado no processo. No recurso voluntário, a Contribuinte argui que a baixa da provisão teria sido realizada com lançamentos a crédito em contas de passivo, aliados aos ajustes no LALUR (partes A e B). Os ajustes no LALUR estão bem delineados (v. efls. 950/954). Também é através do LALUR que identificamos a composição dos R$19.893.893,60 excluídos na apuração do lucro real de 2009: 1) Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa (ICMS, IPI, PIS e COFINS) R$ 17.510.386,13; 2) Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa COFINS 1% R$2.343.613,81; e 3) Provisão para PIS Indébito a Compensar R$39.893,66. Essas, portanto, são as contas que deveriam ter sido consideradas como ponto de partida para responder aos questionamentos formulados pela DRJ/SPO. Bastaria que a Contribuinte tivesse identificado em sua contabilidade as referidas contas e demonstrado o histórico de lançamentos que culminaram com a constituição da conta nº 22305041, denominada de Impostos Federais Refis IV LP. No entanto, no presente recurso voluntário, a Recorrente atevese a reproduzir o que já havia escrito na impugnação, na resposta à diligência fiscal (nas três intimações que recebeu) e na manifestação ao relatório de diligência. A sua resposta foi sempre a mesma: 27. Na época, como a Recorrente tinha a intenção de parcelar seus débitos tributários federais, foi feita a reunião, em uma única conta contábil do passivo, do montante das dívidas tributárias já parceladas e das em disputas judiciais. O total reunido na nova conta foi de R$ 68.897.637,11, sendo uma parcela deste valor correspondente às provisões adicionadas anteriormente. 28. Vejamos os lançamentos realizados à época, conforme registros do SPED contábil disponibilizados durante a diligência (fls. 902/903): Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.100 25 Débito e crédito de cada lançamento: 29. Em setembro de 2009, quando da efetiva adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, a Recorrente renomeou a conta do passivo e lançou a débito em conta de despesa apenas a diferença dos tributos federais não reconhecidos anteriormente. 30. Assim, o montante de R$ 111.416.448,21 parcelado no Refis da Crise (Lei nº 11.941/09) foi composto por: a) Transferências entre contas do passivo no total de R$ 68.897.637,71 (fl. 902), dentro dos quais estão os valores que foram adicionados, conforme reconhecido pelo próprio Agente Fiscal no Primeiro Questionamento; b) Tributos federais reconhecidos como despesa R$ 20.501.646,34 (fl. 905); c) Transferências dos saldos de parcelamentos anteriores R$ 22.017.164,16 (fl. 905). 31. Vejamos os movimentos contábeis realizados na conta dos débitos incluídos no parcelamento, conforme registros do SPEDcontábil disponibilizados durante a diligência (fls. 905/906): Fl. 1112DF CARF MF 26 Débito e crédito de cada lançamento: 32. Dito isso, podemos concluir que: a) O valor da exclusão realizada não foi objeto de lançamento a débito em resultado no anocalendário de 2009. Tratase, conforme reconhecimento na resposta ao primeiro questionamento, de valores que têm origem em despesas reconhecidas contabilmente em períodos pretéritos e que foram adicionadas ao Lucro Real; b) As contas de passivo que controlavam as despesas que foram acionadas em períodos pretéritos foram transferidas para a conta dos débitos incluídos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Os documentos apresentados comprovam o lançamento a débito da conta dos débitos (adicionados ao Lucro Real no passado) e a crédito na conta do parcelamento da Lei nº 11.941/2009. 33. Portanto, diferentemente do que concluiu a 1ª Instância Julgadora, restou comprovado nos autos deste processo que a exclusão realizada pela Recorrente se deu em conformidade com a legislação de regência e, por isso, não pode ser anulada pela Administração Fiscal. 34. Ademais, se, conforme o Agente Fiscal responsável pela diligência e, também, a 1ª Instância Julgadora, não teria restado comprovado que o saldo de provisões tributárias teria sido baixado contra as contas de débitos tributários, então, como teria sido feito o lançamento contábil? A contrapartida a crédito desse lançamento (débito contra as contas de provisão) teria simplesmente desaparecido da contabilidade? 35. Vejam, Srs. Julgadores, que independentemente das alegações feitas pelos Agentes Fiscais e, também, pela DRJ, fato é que, tecnicamente, não haveriam outros meios para a realização da baixa das contas de provisão, senão por meio da contrapartida no resultado (receita de reversão) ou por meio da migração entre contas do passivo (conversão em efetivo débito). 36. E em quaisquer desses casos, a realização do lançamento de uma exclusão da base de cálculo do IRPJ/CSLL é devida, pois (a) no caso da contrapartida no resultado, a exclusão anula a tributação da receita de reversão e (b) no caso da contrapartida no passivo, a exclusão permite a apropriação da despesa dentro da competência em que ela é efetivamente incorrida. 37. Fica claro, neste ponto, que todas as questões trazidas pelo Sr. Agente Fiscal e as complicações daí decorrentes se prestaram, simplesmente, a maquilar uma situação Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.101 27 onde, independentemente do caminho tomado, não seria possível a autuação da Recorrente. Tiramos algumas conclusões dos parágrafos acima reproduzidos, constantes do recurso voluntário. No item 27, a Recorrente aduz que, em 2008, reuniu em uma única conta do passivo o montante das dívidas tributárias já parceladas e das em disputas judiciais. Em valor, o total reunido na conta nº 22305041, intitulada de Impostos Federais, foi de R$68.897.637,11. No item 28, demonstra os lançamentos efetuados nessa conta, que recebeu valores de outras 04, de nºs 22305004, 22305008, 22305010 e 22305015, intituladas de IPI a Recolher Parcelamento, PIS a Recolher Parcelamento, COFINS a Recolher Parcelamento e Crédito Prêmio Exportação, respectivamente. Informa que, incluído no valor de R$68.897.637,11, estariam os valores excluídos na apuração do lucro real de 2009, relativos às provisões adicionadas nos anos anteriores (R$19.893.893,60). Aqui uma primeira observação: primeiramente, as contas que compõem os valores excluídos (provisões), relembrando, intituladas de Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa (ICMS, IPI, PIS e COFINS), Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa COFINS 1% e Provisão para PIS Indébito a Compensar não guardam nenhuma correspondência com as contas que compuseram a conta nº 22305041, intitulada de Impostos Federais. Em segundo lugar, não restou efetivamente demonstrado que os R$19.893.893,60 excluídos estariam englobados pelos R$68.897.637,11, lançados na conta nº 22305041. A diligência solicitada pela DRJ/SPO, em relação a este ponto assim se manifestou: Que o sujeito passivo não comprovou contabilmente que as contrapartidas dos lançamentos das despesas, referente ao valor de 19.893.893,60, foram efetuadas a crédito de constas de provisão, bem como das contas 22305004, 22305008, 223050010 e 22305015 cujos saldos foram baixados, em 2008, a débito das respectivas contas e a crédito da conta 22305041, IMPOSTOS FEDERAIS, e em 2009 a conta contábil 22305041 foi renomeada para IMPOSTOS FEDERAIS REFIS IV LP. Assim, o montante lançado a título de “Exclusões”, ficha 09A, linha 40 (–) “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis, no valor de R$ 19.893.893,60, DIPJ 2010, Anocalendário 2009, não teve comprovada contabilmente que os valores referentes à atualização monetária sobre parcelamento de impostos contabilizado 17.510.386,13, da diferença de alíquota da COFINS 2,0% para 3,0% 2.343.613,81 e da provisão de PIS indébito a compensar 39.893,66, foram contabilizados a crédito de contas de provisão, bem como a créditos das contas 22305004, 22305008, 223050010 e 22305015, como contrapartidas das contas de despesas informadas pelo sujeito passivo e cujos saldos foram transferidos para a conta contábil 22305041. Apesar da linguagem truncada, concluiu a diligência, em apertada síntese, que a Contribuinte não logrou comprovar a correspondência entre os R$19.893.893,60 excluídos e os valores lançados nas contas 22305004, 22305008, 223050010 e 22305015, cujos saldos foram transferidos para a conta nº 22305041 Impostos Federais. No item 29, a Recorrente informa que, ao aderir ao parcelamento, em 2009, renomeou a conta nº 22305041, que agora passaria a ser intitulada de Impostos Federais Refis Fl. 1114DF CARF MF 28 IV LP. Já de acordo com o item 30 acima, a referida conta, que agora manteria um saldo de R$111.416.448,21, seria composta pelos R$68.897.637,71 (onde estariam embutidos os valores das provisões excluídas), por R$20.501.646,34, relativos a tributos federais efetivamente reconhecidos como despesas e R$22.017.164,16 de parcelamentos anteriores. Entretanto, não é o que demonstra a fotografia da conta nº 22305041, relativa ao dia 30 de setembro de 2009, que reproduzo novamente abaixo: Em relação ao informado neste item 30, encontramos correspondência entre os lançamentos efetuados na conta nº 22305041, apenas no que diz respeito aos R$20.501.646,34 (tributos reconhecidos como despesa) e os R$22.017.164,16 (transferências de parcelamentos anteriores). Os demais lançamentos em nada se referem às parcelas que foram excluídas. A favor da Contribuinte trabalha o saldo da respectiva conta, de R$29.730.031,70, que em tese poderia abrigar os R$19.893.893,60 excluídos ao final do período. Entretanto, isso também não ficou demonstrado. No item 32, a Contribuinte conclui que o valor da exclusão realizada não foi objeto de lançamento a débito em resultado no anocalendário de 2009, respondendo, objetivamente, a um dos quesitos formulados pela DRJ/SPO quando da diligência solicitada. A bem da verdade, os demonstrativos apresentados não são capazes, por si só, para se chegar a essa conclusão. Entretanto, tem razão a Contribuinte, em ponto próprio de seu recurso, ao alegar que não poderia fazer prova negativa de tal fato, que caberia à Fiscalização, a partir dos elementos postos à sua disposição (escrituração contábil e fiscal) fazer as verificações devidas ou solicitar os esclarecimentos necessários. Como a Autoridade Fiscal não foi capaz de informar se os valores excluídos compuseram ou não a apuração do lucro líquido em 2009, a dúvida labora a favor da Recorrente neste ponto. Também conclui a Recorrente que as contas de passivo que controlavam as despesas que foram acionadas em períodos pretéritos foram transferidas para a conta dos débitos incluídos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Os documentos apresentados comprovam o lançamento a débito da conta dos débitos (adicionados ao Lucro Real no passado) e a crédito na conta do parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Com a devida vênia, não consegui chegar à mesma conclusão da Recorrente a partir dos lançamentos mostrados. Permanece em aberto uma questão que se apresenta crucial e que foi o principal fundamento utilizado na decisão recorrida para negar provimento ao recurso de Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.102 29 impugnação: a Contribuinte não consegue demonstrar a correlação entre os valores lançados na conta nº 22305041 (Impostos Federais), cuja origem remonta às contas nºs 22305004, 22305008, 22305010 e 22305015, intituladas de IPI a Recolher Parcelamento, PIS a Recolher Parcelamento, COFINS a Recolher Parcelamento e Crédito Prêmio Exportação, respectivamente, e os valores excluídos na apuração do lucro real em 2009, que tem origem nas contas Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa (ICMS, IPI, PIS e COFINS), Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa COFINS 1% e Provisão para PIS Indébito a Compensar (designadas assim no LALUR). Sem esclarecer esse ponto, cai por terra toda a argumentação da defesa. Por mais que se concorde ser possível adotar a técnica alegada para o tratamento contábil das provisões que passaram a ser exigíveis, é preciso demonstrar que tal tratamento contábil foi efetivamente realizado, da forma como o alegado. E isso não está demonstrado nos autos. No item 34, a Recorrente faz o seguinte questionamento: se, conforme o Agente Fiscal responsável pela diligência e, também, a 1ª Instância Julgadora, não teria restado comprovado que o saldo de provisões tributárias teria sido baixado contra as contas de débitos tributários, então, como teria sido feito o lançamento contábil? A contrapartida a crédito desse lançamento (débito contra as contas de provisão) teria simplesmente desaparecido da contabilidade? Ora, é justamente essa questão que deveria ter sido respondida, através da demonstração dos lançamentos contábeis pertinentes, pela própria Contribuinte, intimada para tanto em três oportunidades (v. efls. 814/815, 878/879 e 934/936) durante a diligência fiscal. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso neste ponto. 2) Glosa da exclusão de receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº. 11.941/2009. No ponto anterior decidimos com base, essencialmente, em questões probatórias. Já neste segundo ponto, a discussão gira em torno de questões eminentemente de direito. A segunda infração diz respeito à glosa de exclusão de receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº. 11.941/2009. A Fiscalização glosou R$ 33.958.262,31 referente à parcela do valor apurado de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, utilizado para liquidar multas de mora ou de ofício e juros moratórios. A Fiscalização entendeu que a liquidação de juros e multas com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, corresponderia a uma receita da fiscalizada, que deveria ter sido tributada pelo IRPJ e CSLL, no período de apuração em que Fl. 1116DF CARF MF 30 ocorreu a adesão ao parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009. Dentre outros motivos, porque não haveria previsão legal para tal exclusão. A tese Fiscal escorase no entendimento de que o benefício instituído pela Lei nº 11.941/2009, em seu art. 1º, §§ 7º e 8º, tem natureza diferente daquele instituído pela Lei nº 9.065/95, em seus arts. 15 e 16 (compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL na apuração do imposto de renda e da contribuição social). Assevera a Fiscalização que no momento da opção pela utilização dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, nasceria um novo direito que deveria ser reconhecido contabilmente. Como a Lei n° 11.941/2009 não teria criado uma nova hipótese de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, mas sim uma possibilidade de liquidação de débitos, tal norma ofereceria a possibilidade de que o contribuinte venha a abrir mão de um direito originalmente incerto (dependente de lucros tributáveis futuros), em troca de um direito líquido e certo (liquidação de juros/multas no parcelamento de débitos fiscais). Em consequência, esse novo direito certo nasceria por ato do contribuinte: adesão ao parcelamento estabelecido pela Lei nº 11.941/2009 e opção pela utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de dívidas tributárias (multas e juros), devendo ser reconhecido contabilmente nesse momento. A contrapartida do aumento patrimonial (reconhecimento do direito), segundo a Fiscalização, deveria ser registrada em conta de receita, impactando positivamente o resultado do período de apuração (o qual, ajustado pelas adições, exclusões e compensações, caso positivo, seria tributado pelo IRPJ e pela CSLL). Salienta a Autoridade Administrativa que o direito relacionado à utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas foi reconhecido contabilmente pelo sujeito passivo em 30/09/2009, com contrapartida a crédito de conta de resultado (conta contábil 35109001). Todavia, tais receitas foram excluídas do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, sem que houvesse previsão legal para tanto. Segundo a Autoridade Fiscal, o benefício instituído pela Lei nº 11.941/2009, que permitiu tal utilização, também previu, conforme disposto em seu § 7º do art. 10, a redução de multas e juros para quem optasse pelo parcelamento especial. Em relação às receitas decorrentes dessa "redução de multas e juros", todavia, o artigo 4°, parágrafo único, da Lei n° 11.941/2009, de forma expressa, autoriza sua exclusão na apuração das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS/PASEP e da COFINS. Terseia, portanto, a seguinte situação, segundo a Fiscalização: (a) a Lei n° 11.941/2009 previu dois benefícios para quem possuísse débitos tributários; (b) o legislador expressamente autorizou que as receitas decorrentes de um desses benefícios (redução de multas, juros e encargos para pagamento à vista ou parcelamento) fossem excluídas do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL e das contribuições PIS/PASEP e COFINS; (c) o legislador não se manifestou a respeito das receitas decorrentes do outro benefício (liquidação de juros e multas com utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL). Assim, conclui que, havendo duas situações, e tendo o legislador se manifestado pelo tratamento tributário favorecido de apenas uma delas, é porque quis que a outra não tivesse o mesmo tratamento. Ou seja, se houvesse a intenção de que as receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas também não fossem tributadas, certamente teria sido criado dispositivo legal neste sentido. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.103 31 Haja vista a alegação da Contribuinte de que seria aplicável o disposto na Solução de Consulta SRRF09 nº 21/2001, assevera a Fiscalização que o disposto na referida norma não alcançaria o benefício fiscal veiculado nos §§ 7° e 8° do artigo 1º da Lei nº 11.941/2009, haja vista tratarse de benefício de natureza diferente daquele posto pela Lei nº 9.065/95, em seus arts. 15 e 16. De outro lado, alega a Contribuinte em relação à essa glosa que, ao aderir ao REFIS, teria efetuado a opção por liquidar parcela do saldo devedor (multas e juros) mediante a utilização de seu prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL acumulados, conforme autorizaria o artigo 1º, §7º, da Lei nº. 11.941/2009. Com fulcro nas exigências da técnica contábil, ao estimar a utilização do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL, a Impugnante teria “ativado” (ativo fiscal diferido) o seu direito, que ordinariamente seria controlado de forma extra contábil, conforme previsto no parágrafo 34 do Pronunciamento Técnico CPC nº. 32. Logo, em razão do reconhecimento deste direito, até então controlado de forma extra contábil, a Impugnante teria lançado como contrapartida uma “receita” espelhada no prejuízo fiscal e base de cálculo negativa que seriam utilizados. No tocante a este ponto, a Contribuinte aduz que “a contrapartida do ativo fiscal diferido (prejuízo fiscal e base negativa) não pode ser alcançada pela tributação, isto porque a inclusão de tais ativos na contabilidade da sociedade não implica real aumento de seu patrimônio, mas, simplesmente, a evidenciação contábil de um direito já existente (ativo fiscal concedido à medida em que é verificado resultado fiscal negativo), que só não fora registrado na contabilidade por razões estritamente técnicocontábeis”. Prossegue a Recorrente apontando que “em suma, a ´receita´ reconhecida tratase de mera conveniência contábil, adotada em razão da inexistência de outra opção técnica possível para a documentação do evento, mas que, por suas características que lhe são únicas e diversas do que se entende por ´receita´, verdadeiramente ´receita´ não é”. A Impugnante relembra que, nas lições de Ricardo Mariz de Oliveira, o termo técnico receita seria definido como um ingresso que se incorporaria ao patrimônio da sociedade. Tal lição traria essencialmente a idéia de que receita seria um valor que adviria de fonte externa (ou seja, não haveria receita que se gerasse internamente). Logo, ingressos que não atendessem a este requisito (origem externa) não poderiam ser alcançados pela tributação, inclusive de PIS e COFINS. Com base em tais idéias, o Impugnante assevera que “a "receita" de ativação do prejuízo fiscal não é verdadeiramente uma receita no sentido técnico jurídico alcançável pela legislação tributária brasileira, mas apenas uma solução adotada por falta de outras opções técnicas mais adequadas para o registro de um “direito extra contábil” préexistente e de utilização condicionada, sendo ordinariamente autorizado o uso na forma dos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065/1995, que dizem respeito à hipótese de compensação na base de cálculo positiva do IRPJ/CSLL, e excepcionalmente em parcelamentos especiais, tal qual é o caso do REFIS instituído pela Lei n° 11.941/2009”. Em decorrência de a fiscalização ter asseverado existir diverso regime de tratamento ao ativo fiscal diferido decorrente da compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, a Recorrente aponta que “ao contrário do que tentou sustentar o Auditor Fiscal, a legislação fiscal vigente não reconhece a possibilidade de exclusão das Fl. 1118DF CARF MF 32 receitas decorrentes da ativação do prejuízo fiscal e base negativa somente no caso em que o seu uso se der em compensação de bases, mas para todo e qualquer "prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores", conforme podemos verificar no artigo 250, III, do RIR/99”. Ainda neste ponto, a Recorrente reforça que “sob um novo ângulo, também podemos considerar que a autorização legal (Lei n° 11.941/2009) para a utilização do prejuízo fiscal com a finalidade de liquidação de multas de mora ou ofício, ou juros moratórios não altera a natureza jurídica do direito à utilização do prejuízo fiscal. O que muda, efetivamente, é o momento em que este direito será usufruído”. Ademais, “se a natureza jurídica do prejuízo fiscal e da base negativa fosse alterada conforme a utilização admitida em lei, teríamos o absurdo cenário onde dois contribuintes, numa mesma situação, sofreriam carga tributária diferente, em razão da opção de utilizar o prejuízo fiscal acumulada para pagamento do Imposto de Renda ou pagamento de saldo do parcelamento da Lei n° 11.941/2009”. A Contribuinte ainda aponta que “sob outro prisma analítico, poderíamos ainda dizer que o direito à utilização do prejuízo fiscal e à base negativa são decorrentes do princípio contábil da continuidade, o qual estabelece que a vida da sociedade empresária não se limita a um só exercício, mas é contínua, devendo por isso também ser contínuos os registros das contas patrimoniais, donde se encaixam os lucros e prejuízos acumulados ao longo da história da empresa”. Ademais, mesmo que se entenda que a utilização do prejuízo fiscal para amortização de juros e multas incluídos no parcelamento da Lei nº. 11.941/2009 seria bastante para alterar sua natureza jurídica, a autuação permaneceria insubsistente, pois “se o prejuízo fiscal de que trata a Lei n° 11.941/2009 é instituto diferente daquele que ordinariamente é utilizado para pagamento do IRPJ, imperioso reconhecer, para dar coerência ao raciocínio e por uma questão de lógica jurídica, que estamos a falar de um benefício novo. Uma possibilidade de redução de juros e multa proporcionada pela Lei n° 11.941/2009. E se assim é, ele o prejuízo fiscal deve ser colocado dentro do campo de incidência do artigo 4º, § único da Lei n° 11.941/2009, cuja redação é a seguinte: “Art. 4° Aos parcelamentos de que trata esta Lei não se aplica o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, no § 2º do art. 14 A da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e no § 10 do art. 1º da Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003. Parágrafo único. Não será computada na apuração da base de cálculo do imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1º, 2º e 3° desta Lei” (grifos no original). Neste ponto, concordo inteiramente com a Contribuinte. Para fundamentar minha visão do assunto em tela, reproduzo excerto do voto do Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, constante do Acórdão nº 1301002.175, de 24 de janeiro de 2017: Filiome à tese apresentada pela recorrente, no sentido de entender que a natureza jurídica do crédito decorrente de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL não se altera em face de sua utilização, seja para compensar com lucros futuros, seja para liquidar multas e juros no REFIS. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.104 33 Assim, os prejuízos fiscais e as bases negativas da CSLL, quando não utilizados nos períodos próprios, constituemse em crédito contra o Fisco para serem utilizados na compensação com lucros de períodos futuros, porém, de acordo com a legislação aplicável, serão excluídos do lucro líquido para fins de determinação do lucro real. Da mesma forma, quando utilizados para liquidar juros e multas de débitos inseridos no REFIS da Crise, devem ser excluídos da determinação do referido lucro. A Lei nº 11.941/09 em nada alterou a regulamentação deste crédito, apenas e tão somente ampliou as alternativas de utilização do crédito para liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS da Crise. Logo, não há fundamento legal para que os citados prejuízos e/ou bases negativas da CSLL utilizados para este fim, tenham tratamento diverso daquele previsto para compensação com lucros futuros. Por outro lado, entendo que inexiste, no caso, acréscimo patrimonial necessário à incidência dos tributos exigidos no presente feito. O que houve, a bem da verdade, foi uma redução de ativo (ativo fiscal diferido) com uma correspondente redução de passivo (liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS), sem que tal fato represente qualquer incremento na situação patrimonial da recorrente, vez que está a ocorrer, no meu modo de ver, apenas um encontro de contas, uma compensação. Observese, por oportuno, que crédito contra o fisco não resulta apenas de indébito tributário, ao contrário do sustentado na decisão recorrida. Entendo que, embora o crédito não seja originado de indébito tributário, este fato não lhe retira sua titulação de crédito, vez que constituído, declarado na DIPJ, controlado por sistema específico da Receita Federal e utilizável na compensação de IRPJ e CSLL incidentes sobre lucros vindouros e, no caso dos autos, a Lei conferiu liquidez também para utilização na liquidação de multas e juros no âmbito do REFIS. Por outro lado, o argumento basilar adotado pela fiscalização, ratificado no acórdão recorrido, reside na alegação de falta de previsão legal a respeito da exclusão dos valores relativos à liquidação de juros e multas com utilização de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL. Logo, parte a fiscalização de uma premissa inexistente, qual seja, incremento patrimonial, pois, conforme visto, este inexiste, pois o que de fato ocorreu foi apenas uma compensação. Portanto, o fato da Lei 11.941/09 tratar expressamente da exclusão da redução de multa e juros e ser "omissa" com relação à liquidação de saldo remanescente de multas e juros com prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, não autoriza a conclusão de que o contribuinte deveria adicionar às respectivas bases de cálculos o montante de R$ 13.274.679,18. Assim, não havendo qualquer razão jurídica para tratar distintamente o crédito aqui mencionado (ativo fiscal diferido), seja quando empregado na compensação com lucros vindouros, seja na hipótese de ser utilizado para liquidação de multas e juros, resta evidente que a pretensão da fiscalização de exigir IRPJ e CSLL sobre o montante de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL não encontra amparo legal e, bem por isso, deve ser reformada a decisão recorrida, neste ponto. O voto acima citado serve como uma luva ao caso em apreço neste processo. São situações idênticas e que tiveram o mesmo tratamento por parte da Fiscalização. Como asseverado, a Lei nº 11.941/2009, a par do disposto na Lei nº 9.065/95, instituiu novo benefício fiscal incidente sobre o mesmo tipo de crédito, qual seja, o prejuízo Fl. 1120DF CARF MF 34 fiscal e a base de cálculo negativa da contribuição social. A partir de sua edição, os Contribuintes em geral passaram a dispor de duas opções para o aproveitamento de tais valores. Nada obstava ao Contribuinte utilizarse de um, de outro ou de ambos ao mesmo tempo. Pela sua própria natureza, o benefício fiscal constante da Lei nº 9.065/95 não se sujeita à tributação quando utilizado. Já a Lei nº 11.941/2009 estabelece, de forma expressa, em seu art. 4º, parágrafo único, que "não será computada na apuração da base de cálculo do imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1º, 2º e 3° desta Lei". Tal previsão é expressa e não admite a interpretação emprestada pela Fiscalização de que, ao falar em "redução do valor das multas, juros e encargo legal", não estaria abrangendo a liquidação dos mesmos valores. Ora, parece óbvio que, quando se fala em "redução", esta pode vir a ser total, o que equivaleria à "liquidação". Portanto, tal raciocínio não pode, de maneira alguma prosperar. Também não merece reparo a assertiva constante do voto acima reproduzido, de que a quitação de multas, juros e encargos com a utilização de prejuízos fiscais e bases negativas manteria inalterada a situação patrimonial da Contribuinte. Esse é outro pilar da Autuação Fiscal. Ora, o patrimônio não se altera ao debitarmos uma conta de passivo (débitos tributários) e creditarmos uma conta de ativo (ativo diferido prejuízos e bases negativas a compensar), razão pela qual entendemos como equivocada a visão da Autoridade Fiscal em relação a esta matéria. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso neste ponto. 3) Lançamentos relativos ao PIS/COFINS A Recorrente aduz, ainda, que a Fiscalização não teria computado, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o lançamento reflexo de PIS e COFINS, mesmo diante da inequívoca dedutibilidade de tais despesas tributárias. A decisão da DRJ/SPO foi vazada nos seguintes termos: A alegação de que os valores constituídos a título de PIS/PASEP e COFINS deveriam ser deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL não merece provimento, em decorrência da ausência de exigibilidade de tais exações. De fato, quando da confecção da lavratura, não seria possível asseverarse que os tributos constituídos seriam imediatamente exigíveis, vez que o sujeito passivo dispõe da faculdade de suspender a exigibilidade de tais exações mediante a apresentação de impugnação (ou seja, no prazo legalmente estabelecido para a apresentação e impugnação, não seria escorreito entenderse que os créditos constituídos são exigíveis). Sobrevindo impugnação (como ocorreu no caso vertente) ou restando materializada quaisquer das demais hipóteses previstas no artigo 151 do CTN, a exigibilidade dos tributos constituídos permanece suspensa, o que impede sua dedutibilidade para fins de apuração do lucro real, conforme consignado no artigo 344 do Regulamento do Imposto de Renda, in verbis: Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.105 35 “Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966, haja ou não depósito judicial”. Ademais, destaquese que há precedente do CARF em sintonia com o entendimento acima esposado, sendo relevante transcreverse o seguinte excerto do Acórdão nº. 1402002.603: “Alega a Recorrente, apenas por meio de argumentação abstrata e genérica, que a Contribuição para o PIS e a COFINS contra ela exigidos neste mesmo lançamento de ofício deveriam ser excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, vez que são valores dedutíveis. Não procede tal alegação, na medida que desde a lavratura das Autuações havendo o presente contencioso administrativo a exigibilidade de tais Contribuições está suspensa, nunca ganhando exigibilidade e, assim, não revestindose de dedutíveis, mesmo que atinentes ao mesmo período”. Assim, no atual momento, não é possível reconhecerse a dedutibilidade dos valores constituídos a título de PIS/PASEP e COFINS nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A decisão da DRJ/SPO é, no mínimo, contraditória. Ao mesmo tempo que reconhece não ser possível tratar da dedutibilidade dos valores lançados a título de PIS/COFINS na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, por força da suspensão da exigibilidade dos respectivos lançamentos (constantes do processo nº 10314.728567/201478), conclui que as supostas receitas, decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL para a quitação de multas e juros no âmbito do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, devem compor a base de cálculo das Contribuições ao PIS e COFINS. Vejam o trecho que copiei abaixo do Acórdão recorrido (v. efls. 1.026): Com base nos dispositivos legais acima transcritos, pareceme evidente que, no regime não cumulativo de apuração, todas as receitas da pessoa jurídica submetem se à incidência do PIS/COFINS. Logo, sendo induvidoso que o crédito previsto no artigo 1º, § 8º, da Lei nº. 11.941/2009 é uma receita, vez que se materializa como um incremento, ao patrimônio do contribuinte, de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições que impeçam sua imediata fruição, penso ser evidente sua inclusão na base de cálculo do PIS/COFINS. Em relação à dedução do PIS/COFINS, exigido através do presente procedimento fiscal, da base de cálculo do IRPJ/CSLL, não tenho reparos à decisão recorrida. Não há como reconhecer o direito à dedução das referidas contribuições exigidas através de Auto de Infração próprio, no caso, o processo nº 10314.728567/201478, enquanto o mesmo estiver pendente de apreciação. Mesmo porque, não há nenhuma garantia acerca do resultado final do julgamento do recurso apresentado no âmbito do referido processo. Aliás, referido processo foi apensado a este e está pautado para julgamento na mesma sessão. Já não se pode dizer o mesmo em relação ao decidido nesse mesmo acórdão em relação à base de cálculo do PIS/COFINS vir a computar as supostas receitas decorrentes da utilização dos saldos de prejuízos e bases negativas na quitação de multas e juros. Tal matéria está afeta exclusivamente à apreciação no âmbito do processo nº 10314.728567/2014 Fl. 1122DF CARF MF 36 78, razão pela qual o decidido no acórdão recorrido em relação a esta matéria deve ser desconsiderado, eis que inaplicável ao caso em apreço nestes autos. Por todo o exposto, dou parcial provimento ao recurso para cancelar a glosa da exclusão decorrente dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa de contribuição social utilizadas na liquidação de juros, multas e encargos legais, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº. 11.941/2009. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 1123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014187/2001-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/1999 a 30/06/2001
PRAZO PRESCRICIONAL PARA COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por instauração de processo administrativo fiscal através da interposição de Manifestação de Incoformidade, nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, atinge a contagem do prazo prescricional para cobrança dos crédito tributário informado em declaração de compensação. Incidência do artigo 151, inciso III e artigo 174 do Código Tributário Nacional.
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3402-005.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 28/02/1999 a 30/06/2001 PRAZO PRESCRICIONAL PARA COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por instauração de processo administrativo fiscal através da interposição de Manifestação de Incoformidade, nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, atinge a contagem do prazo prescricional para cobrança dos crédito tributário informado em declaração de compensação. Incidência do artigo 151, inciso III e artigo 174 do Código Tributário Nacional. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido
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SUSPENSÃO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por instauração de processo administrativo fiscal através da interposição de Manifestação de Incoformidade, nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, atinge a contagem do prazo prescricional para cobrança dos crédito tributário informado em declaração de compensação. Incidência do artigo 151, inciso III e artigo 174 do Código Tributário Nacional. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 41 87 /2 00 1- 60 Fl. 682DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório A Recorrente apresentou em 03/12/2001 o Pedido de Restituição sob o nº 10680.014187/200160, referente a valores recolhidos indevidamente a título de COFINS (Código da Receita 2172) no período de apuração de 28/02/1999 a 30/06/2001, anexando Documentos de Arrecadação de Receitas Fiscais (DARF) às fls. 12 a 22, no valor total de R$ 1.262.268,73 (Hum milhão, duzentos e sessenta e dois mil, duzentos e sessenta e oito reais e setenta e três centavos). Em manifestação de fls. 05 a 11, datada de 14 de Novembro de 2001, invoca o Princípio da Isonomia Tributária, esclarecendo que o pedido decorre de discordância pelo tratamento diferenciado na determinação da base de cálculo da COFINS, permitindolhes determinadas deduções e exclusões da Receita Bruta, as quais levam a concluir que na verdade, para tais entidades passouse a ter como base de cálculo o LUCRO BRUTO, diferente da maioria dos demais contribuintes, cuja Base de Cálculo da COFINS é a Receita Bruta. Igualmente argumenta que não incide multa de mora, uma vez que os débitos seriam levados à compensação antes de respectivos vencimentos, incidindo o instituto da denúncia espontânea previsto pelo artigo 138 do Código Tributário Nacional. As guias de recolhimentos realizados a título de COFINS (Código da receita: 2172) foram anexados às fls. 12 a 22. Em resumo, os pedidos iniciais são os seguintes: Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10680.014187/200160 Acórdão n.º 3402005.712 S3C4T2 Fl. 683 3 i) restituição dos valores recolhidos a maior no que respeita ao diferencial da base de cálculo entre o LUCRO BRUTO e o FATURAMENTO BRUTO, tendo como termo "a quo" a competência 02/99; ii) compensação com débitos futuros, nos termos do artigo 74 da Lei 9.430/96 e Decreto 2.138/97, considerando planilha de fls. 4. O PERD/COMP Nº 07260.91444.30120§.1.3.042014 foi apresentado às fls. 441499 para compensação com débitos de COFINS dos períodos de apuração referente s a junho de 2002 a janeiro de 2003 e maio de 2003 a setembro de 2005, bem como débitos de PIS dos períodos de apuração julho de 2002 a setembro de 2005, considerando as seguintes informações: Às fls. 500502 a Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte/MG proferiu despacho decisório nº 1362/2008, negando a homologação do pedido de compensação com a seguinte Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de Apuração: 28/02/1999 a 30/06/2001 Ementa: BASE DE CÁLCULO DETERMINAÇÃO Somente a lei pode estabelecer a base de cálculo de tributos e contribuições. Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não se encontra abrangida pela competência da autoridade administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das lei. Fundamentação Legal: Art. 97 do Código Tributário Nacional, art. 102 “a” da Constituição Federal e art. 2° e 3° da Lei 9.718/1998. Compensação não Homologada Foi fundamentado em despacho decisório que: A base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS é o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta da pessoa jurídica, a partir de fevereiro de 1999, com a Lei n° 9.718/1998, art. 3°, §l°, entendendose por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo Fl. 684DF CARF MF 4 irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Para fins de determinação da base de cálculo da COFINS, excluise da receita bruta apenas o que está previsto na lei. Neste sentido, devese observar o disposto no parágrafo 6° do artigo 150 da Constituição Federal de 1988, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 3, de 17 de março de 1993: “§ 6° Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativas a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou 0 correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2°, XII, g. " (grifei) No que atine ao mencionado tratamento isonômico, há de ser esclarecido que a Receita Federal do Brasil, como órgão da Administração Direta da União, não é competente para decidir acerca da inconstitucionalidade de norma legal, cabendolhe, mediante ação administrativa, aplicar a lei tributária. O foro competente para apreciar argüição de descumprimento de preceito constitucional é o Supremo Tribunal Federal, consoante dispõe o art. 102, parágrafo único da Constituição Federal. A Carta Magna em seu art. 2° estabelece o princípio da separação e independência dos Poderes, sendo, portanto, interditado ao Executivo avocar matéria de competência privativa do Poder Judiciário como é a de decidir acerca da inconstitucionalidade de norma legal. Requer a contribuinte, diante do princípio constitucional constante do art. 150, II, da CF, a isonomia de tratamento que é dada às instituições financeiras, para que sejam incluídas as exclusões e deduções, de modo que a base de cálculo da referida contribuição seja o lucro bruto. Nesse aspecto, tratandose de empresa que explora o comércio atacadista e varejista de acessórios, suprimentos e equipamentos de informática em geral, importação e exportação de mercadorias da linha comercial, além da prestação de serviços de desenvolvimento, manutenção, suporte e treinamento em sistemas e programas de processamento de dados, bem como a instalação de tais equipamentos e sistema e a locação de equipamentos de informática, não se enquadrando a contribuinte entre as instituições financeiras a que se refere o §l° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, correspondelhe a base de cálculo da referida contribuição tal como disposta nos art. 2° e 3° da Lei 9.718/1998. Às fls. 512518 foi interposta Reclamação em data de 05/09/2008, requerendo a homologação da compensação e extinção do crédito tributário em razão dos seguintes argumentos de defesa: * Prescrição dos períodos de julho de 2002 a agosto de 2003: Aplicase o artigo 174 do Código Tributário Nacional, com extinção do crédito tributário, nos termos do Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10680.014187/200160 Acórdão n.º 3402005.712 S3C4T2 Fl. 684 5 artigo 156, inciso V do mesmo Diploma Legal, uma vez que o pedido de compensação junto a Receita não tem o condão de suspender o prazo prescricional; * Aplicação da Lei nº 9.718/1998: A inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do julgamento do REAgR nº 356280/PR, aplicandose a regra do parágrafo único do artigo 4º da Lei nº 2.346/97. Às fls 522529 foi proferido o Acórdão nº 0219.832 pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, julgando improcedente a manifestação de inconformidade por unanimidade, nos termos do voto do Relator, conforme Ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2001 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação é de competência exclusiva do Poder Judiciário. A extensão administrativa dos efeitos jurídicos de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no exercício do controle difuso condicionase às hipóteses estabelecidas no Decreto n° 2.346, de 1997. AVISO DE COBRANÇA. De acordo com a legislação de regência, às Delegacias de Julgamento não compete apreciação das manifestações de inconformidade apresentadas contra os Avisos de Cobrança, mas apenas àquelas dirigidas contra o indeferimento, pelas Delegacias, Alfândegas e Inspetorias da SRF, dos pedidos de restituição e compensação. Solicitação Indeferida. Às fls. 660665 foi interposto Recurso Voluntário pugnando pela total reforma da decisão recorrida, o que se fez nos exatos termos apresentados em peça de Reclamação. Às fls. 676 e 679 foi proferido despacho esclarecendo a incompetência, respectivamente, da 1ª Turma Especial e 1ª Turma Extraordinária, ambas desta 3ª Seção, em razão do limite de alçada quanto ao valor do crédito tributário. Em razão da renúncia de mandato da anterior Conselheira, o processo foi distribuído para julgamento por esta 2ª Turma da 4ª Câmara, sob minha relatoria. É o relatório. Fl. 686DF CARF MF 6 Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora Pressupostos legais de admissibilidade Cabe observar que não é possível averiguar neste processo a data exata da intimação da Recorrente sobre o Acórdão proferido pela DRJ de Belo Horizonte/MG, como se observa da intimação anexada às fls 648657 deste processo eletrônico. No entanto, considerando a data de 24/11/2008 constante na formalização de fls. 648 e postagem de fls. 657, bem como a postagem em data de 22/12/2008 (fls. 658659) e, por aplicação do artigo 23, inciso II e § 2º, inciso II do Decreto nº 70.235/1972, resta averiguada a tempestividade do Recurso Voluntário. Com isso, atendidos os pressupostos legais de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido por este Colegiado. Preliminar Com relação à preliminar, a 1ª Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG acompanhou o voto do Eminente Relator, que invocou a incidência do artigo. 23, inciso I da Portaria MF n° 259/ 2001, cumulado com artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, artigo 174 da Portaria MF n° 95/2007 e artigo 160 do Regimento Interno da RFB, concluindo que os atos preparatórios de cobrança não comportam manifestação de inconformidade e não formaliza lançamento passível de instaurar o contencioso administrativo fiscal, uma vez ausentes os pressupostos dos artigos 9°, 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72. Neste caso, entende o Julgador da DRJ pela competência para apreciar recursos contra ato de nãohomologação, o que não alcança providências ulteriores à sua liquidação, concernentes à cobrança ou suspensão do débito compensado. A Recorrente pugnou em peça recursal pela declaração de competência da DRJ de Belo Horizonte/MG para julgamento da defesa, uma vez que a Reclamação foi interposta contra decisão que não homologou o pedido de compensação, com intimação para cobrança dos débitos informados em PERD/COMP, resultando no atendimento aos pressupostos para apreciação. Com relação à preliminar suscitada em defesa, deixo de apreciar o argumento sobre nulidade da decisão recorrida, o que faço em razão dos fundamentos que serão abordados no mérito. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10680.014187/200160 Acórdão n.º 3402005.712 S3C4T2 Fl. 685 7 Mérito Prescrição A Recorrente invoca igualmente a aplicação do artigo 174 do Código Tributário Nacional, pugnando pela extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso V do mesmo Diploma Legal, uma vez que o pedido de compensação junto a Receita não tem o condão de suspender o prazo prescricional. Na análise sobre a incidência do instituto da prescrição deve ser aplicada a previsão do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, insurgindo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, por sua vez, a suspensão do prazo prescricional para cobrança do débito informado em declaração de compensação, nos termos previstos pelo artigo 151, inciso III, cumulado com artigo 174, ambos do Código Tributário Nacional. Por este motivo, voto no sentido de afastar a prescrição invocada em Recurso Voluntário. Aplicação da Lei nº 9.718/1998. A Recorrente igualmente fundamentou pela inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998, declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do julgamento do REAgR nº 356280/PR, argumentando que deve ser aplicada a regra do parágrafo único do artigo 4º da Lei nº 2.346/97. A 1ª Turma da DRJ de Belo Horizonte negou a homologação do Pedido de Compensação por concluir pela ausência de repercussão geral da decisão do Supremo Tribunal Federal, finalizando a decisão recorrida com a seguinte informação: Conseqüentemente, o acolhimento de sua pretensão resta condicionado a que as mencionadas decisões do STF venham a ter seus efeitos estendidos para os contribuintes que não são partes nas ações em que foram proferidas. Essa ampliação ou extensão depende de atos do Senado Federal ou do Presidente da República, ou ainda de ato do Secretário da Receita Federal do Brasil, conforme artigos retro transcritos. No entanto, tais atos não existem e, assim, não existe base legal que permita o reconhecimento administrativo do direito creditório pleiteado. (sem destaque no original) Ocorre que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º a Lei nº 9.718/1998 através do julgamento do RE nº 585.235 (TEMA 110), conforme Ementa abaixo descrita: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Fl. 688DF CARF MF 8 Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008) Importa observar que o julgamento proferido pelo STF em repercussão geral ocorreu em data de 10/09/2008, com publicação do Acórdão em 28/11/2008 e trânsito em julgado em 12/12/2008, sendo que o julgamento da Reclamação pela 1ª Turma da DRJ/BHE ocorreu em 10/11/2008. Ao que pese a proximidade de tais datas, no momento em que foi proferida a decisão a quo já havia a decisão do STF por atribuir repercussão geral ao RE nº 585235. Deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecer o direito ao crédito informado em Declaração de Compensação ou, no mínimo, suspender o julgamento até trânsito em julgado e confirmação da repercussão geral que naquele momento já estava decidida. Por sua vez, este Tribunal Administrativo reconhece a aplicação do Tema 110 do STF. Neste caso, incide o artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, que assim dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Neste sentido, colacionase precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/2001 03): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10680.014187/200160 Acórdão n.º 3402005.712 S3C4T2 Fl. 686 9 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Por sua vez, importante observar que a Contribuinte instruiu o pedido com as DARF’s correspondentes, procuração, declaração sobre o objeto do pedido, cartão CNPJ, documentos de identificação dos sócios proprietários, contrato social e alterações, Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultados do Exercício referentes ao período de 31/12/1992 a 31/12/2000, Balancete em 30/06/2001, bem como DIPJ Exercícios 2000 e 2001, como pode ser constatado às fls. 12 a 206 do processo eletrônico. Outrossim, em nenhum momento foi colocado em dúvida a prova material (recolhimentos efetuados) trazida aos autos com relação aos pagamentos indicados como recolhidos a maior, tampouco sobre a comprovação dos valores demonstrados em planilha de fls 4. Portanto, diante da comprovação nos autos do recolhimento realizado sobre a base de cálculo apurada com fulcro em dispositivo de lei declarado inconstitucional, deve ser aplicada a decisão judicial, resultando em necessário retorno à Unidade de Origem para análise e apuração de tais créditos. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo PARCIALMENTE PROVIDO para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998, o processo retorne à Unidade de Origem para apurar o quantum e eventual direito creditório da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 690DF CARF MF 10 Fl. 691DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.001065/2005-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO.
Mesmo se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, não havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 9202-007.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Mesmo se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, não havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Mesmo se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, não havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 10 65 /2 00 5- 31 Fl. 212DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2802000.470 proferido pela Segunda Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 22 de setembro de 2010, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 148: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 IRPF. DECADÊNCIA. O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considerase ocorrido em 31 de dezembro. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, opera se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Recurso provido Da mencionada decisão, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 171 e seguintes, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 198 e seguintes, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à Decadência. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) sujeitos ao regime de tributação na declaração de ajuste anual, o lançamento sobre rendimentos auferidos em 1999 somente poderia ser efetuado de ofício no ano seguinte, em 2000, após a entrega da declaração. Iniciandose o lustro no primeiro dia do exercício seguinte, em janeiro de 2001, o seu termo ocorreu em 31/12/2005, restando tempestivo o lançamento notificado ao contribuinte em 27/12/2005 (fls. 98); b) O STJ, em recurso especial representativo de controvérsia (REsp 973.733/SC) assentou que o prazo decadencial, na hipótese de não recolhimento prévio de tributos, é o do artigo 173, I, do CTN; c) deve ser reformado o acórdão recorrido, restaurandose a decisão de primeira instância. Intimado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13558.001065/200531 Acórdão n.º 9202007.374 CSRFT2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Conforme narrado, a controvérsia dos autos reside na definição do termo inicial da contagem do prazo de decadência: se seria de acordo com o art. 150, §4º, do CTN, ou de acordo com o art. 173, I, do mesmo diploma legal. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), em 12 de agosto de 2009, com acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543¬C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta¬se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Fl. 214DF CARF MF 4 Santi,"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege¬se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando¬se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida¬se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu¬se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam¬se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543¬C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do Código tributário Nacional. No caso ora analisado, não houve pagamento antecipado do imposto de renda, motivo pelo qual a Procuradoria da Fazenda Nacional pleiteia a aplicação do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Considerando o disposto em sede de repetitivo, observase que assiste razão a Procuradoria da Fazenda Nacional, pois ausente a antecipação do pagamento, não se vislumbra a atração da norma contida no art. 150, §4º, do Código Tributário. Portanto, sobre rendimentos auferidos em 1999, somente poderia ser efetuado o lançamento de ofício no ano seguinte, em 2000, após a entrega da declaração. Assim o termo inicial da decadência ocorreu em no primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, em janeiro de 2001, e o seu termo final ocorreu em 1/01/2006, restando tempestivo o lançamento notificado ao contribuinte em 27/12/2005 (fls. 98). Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13558.001065/200531 Acórdão n.º 9202007.374 CSRFT2 Fl. 4 5 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso especial e, no mérito, dar lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13857.720500/2013-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009
MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE.
Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-005.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10830.725904/2013-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009 MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE. Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10830.725904/2013-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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Recorrente MASTER COMERCIO, IMPORTACAO E EXPORTACAO DE COSMETICOS E SANEANTES LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009 MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE. Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10830.725904/201355, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 7. 72 05 00 /2 01 3- 65 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13857.720500/201365 Acórdão n.º 3302005.914 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Processo Administrativo por meio do qual discutese a incidência de multa por atraso na entrega da DACON, prevista no art. 7º, da lei nº 10.426/2002, com redação dada pela Lei n. 11.051 de 2004. No caso concreto não há qualquer controvérsia acerca da ocorrência, no mundo fenomênico, do fato jurídico consistente no atraso da referida DACON. A Recorrente insurgese tão somente em relação ao montante exigido que, segundo ela seria excessivo e, por tal motivo violaria o postulado normativo da razoabilidade e da proporcionalidade, infringindo a norma constitucional que veda o confisco. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 14051.957. A Recorrente insurgiuse por meio de Recurso Voluntário no qual reitera os argumentos contidos na sua impugnação, merecendo destaque a razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco, trazendo relevantes julgados e doutrinas que embasam o seus argumentos. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.906, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.725904/201355, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.906): "O Recurso Voluntário é tempestivo e revestese dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A Recorrente reconhece que descumpriu a legislação que estabelece o prazo para entrega da DACON de que trata o Auto de Infração, limitandose a discutir a razoabilidade, proporcionalidade e confiscatoriedade da norma que estabelece a multa que lhe foi aplicada. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13857.720500/201365 Acórdão n.º 3302005.914 S3C3T2 Fl. 4 3 Os argumentos trazido pela Recorrente remontam à discussão suscitada por Daniel Webster durante o julgamento do caso McCulloch v. Maryland, perante a Suprema Corte NorteAmericana no já distante ano de 1819, e que foi a razão de decidir de ninguém menos que o seu Presidente John Marshall, que praticamente duzentos anos atrás afirmou que o poder de tributar envolve o poder de destruir e que até hoje ecoa no Supremo Tribunal Brasileiro, como bem ilustram interessantes julgados trazidos pela própria Recorrente. Contudo, por força da Súmula CARF n. 02, este Colegiado não é o foro específico para a discussão acerca de eventual inconstitucionalidade de legislação em vigor, merecendo destaque o fato de que a referida Súmula é de observância obrigatória, o que veda a análise da matéria no âmbito do CARF. Por tal motivo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 13163.720028/2017-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL.
É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ.
INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO.
A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova.
Numero da decisão: 2001-000.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL. É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ. INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO. A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 3. 72 00 28 /2 01 7- 01 Fl. 103DF CARF MF 2 Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2013, anocalendário de 2012, em que foi apurada omissão de rendimentos. Abaixo, reproduzse trecho da fundamentação do lançamento: "O contribuinte alega ser portador de moléstía grave que o isentaria do imposto de renda, todavia, não apresenta o indispensável laudo pericial em conformidade com a exigência legal e, assim, a isenção pleiteada não pode ser reconhecida." O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ PORTO ALEGRE. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 69/78. Em síntese, alega ser portador de moléstias graves (distrofia muscular, cardiopatia, usuário de marcapasso e AIDS). Informa que recebe proventos de pensão, decorrentes da morte de sua mãe. Junta ao recurso, Relatório Médico, receituários, declaração de profissional da área médica. É o relatório.. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13163.720028/201701 Acórdão n.º 2001000.317 S2C0T1 Fl. 3 3 (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Fl. 105DF CARF MF 4 Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Assim, em observância ao comando normativo retrocitado, (art. 30 da Lei nº 9250/95), não há como acatar, para fins de reconhecimento de isenção de IRPF, o “Relatório Médico” de f. 81. Referido relatório e outros documentos médicos, poderiam ser considerados, inclusive para anotação da data do início da doença, quando submetido à avaliação por perícia médica realizado por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, para emissão de laudo médico pela junta médica oficial. Importante frisar que o próprio Relatório Médico que o contribuinte apresenta destaca a necessidade de emissão de Laudo Pericial. Isso se constata pelo aviso expresso ao final: "As informações relacionadas estão sujeitas à ratificação pelo grupo médico pericial credenciado da entidade solicitante." Convém ainda mencionar a regra inserta no artigo 111, do CTN, que determina que as normas que veiculam outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. Portanto, não há como reconhecer o direito à isenção pleiteado pelo recorrente, haja vista que não foi feita prova nos termos exigidos pela legislação. Desta forma, adotando a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu o reconhecimento da isenção, há de se concluir pela correção do procedimento fiscal. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13163.720028/201701 Acórdão n.º 2001000.317 S2C0T1 Fl. 4 5 Voto Vencedor Discordo do relator quanto sobre a caracterização da doença grave. Tratase de divergência principalmente quanto à necessidade de apresentação de laudo oficial. O contribuinte apresentou outros elementos de prova indicando possuir doença grave. Entendemos que a fundamentação baseada somente na falta de apresentação, ou problemas formais no documento, no laudo médico, não afastam por si a caracterização da doença grave quando há outros meios de prova indicando a doença. Trazemos entendimento do STJ com o qual concordamos, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ, relator do caso, AREsp 81.149: “Ainda que conste como preceito legal, a perícia médica oficial não pode ser tida como indispensável ou como o único meio de prova habilitado, sendo necessário ponderarse a razoabilidade de tal exigência legal no caso concreto” E mais recente, mais no ponto do caso em questão e já sendo matéria sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça, que é o órgão do Poder Judiciário do Brasil que assegura a uniformidade à interpretação da legislação federal., trazemos a Súmula 598, que assim dispôs: É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o magistrado entenda suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 08/10/2017. Sobre a interpretação literal do texto legal, em cumprimento ao art 111 do CTN, inciso II, que trata de isenção, questão trazida amiúde quando se fala de isenção tributária, trazemos o pensamento do tributarista Carlos da Rocha Guimarães, com o qual concordamos plenamente: O art. 111 "não quer realmente negar que se adote, na interpretação das leis concessivas de isenção, o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma, mas simplesmente impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, alargando, além do seu exato limite, o que diz a letra da lei, sem, no entanto, deixar de incluir, na interpretação do texto legal, todos os casos que a sua significação indica como nele incluídos, sem o que a própria letra da lei também estaria ferida, e a exoneração, assim truncada, ficaria sem sentido." Explicase, em relação ao caso: não se poderia estender a isenção de doença grave para pessoas em casos semelhantes, pessoas com doenças não consideradas graves, pessoas idosas, pessoas desempregadas, pessoas presas, etc. Aqui, sim, não se pode estender porque se interpreta literalmente, a isenção é só para doença grave. Fl. 107DF CARF MF 6 No entanto, para a caracterização da doença grave prevista em lei, para o exame da prova sobre a doença, se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e processo normal do exame da prova. No exame da documentação entendemos estar caracterizada a doença grave. Os rendimentos recebidos por portador de doença grave são isentos, conforme Lei 7.713/1988, art. 6º. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.722632/2014-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). AUSÊNCIA DE INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO. SINDICATOS COM BASE TERRITORIAL LIMITADA AO ESTATUTO. DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA.
Para fins de averiguar a negociação entre a empresa e seus empregados, prevista no artigo 2º. da Lei n. 10.101/2000, a representatividade do sindicato está restrita a sua base territorial definida no estatuto e com aprovação do Ministério do Trabalho e Emprego e o Acordo Coletivo de Trabalho que instituiu Plano de PLR não se aplica a empregados de categorias e localidades não abrangidas pelos limites de representação das respectivas entidades sindicais.
VANTAGENS ADICIONAIS, BENEFÍCIOS E BONIFICAÇÃO. HABITUAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRÊMIO EVENTUAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Por gerar um ganho a título de gratificação ajustada, incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vantagens adicionais, benefícios, bonificação e prêmios, que foram concedidos de forma habitual.
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. REFEIÇÃO. INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílio-alimentação em dinheiro e de forma habitual.
AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. EDUCAÇÃO SUPERIOR. GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA.
Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pós-graduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea t, § 9º, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, no artigo 39, estabelece que a educação profissional integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pós-graduação.
ALÍQUOTA GILRAT/FAP. HIPÓTESE LEGAL. CONTRIBUINTE AUTUADO. INFORMAÇÕES DO FAP DA EMPRESA CONTRATANTE DE MÃO DE OBRA.
A alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) é determinada de acordo com a atividade preponderante do contribuinte autuado e seu o respectivo grau de risco, observando os dados e informações do Fato Acidentário de Prevenção (FAP) da empresa empregadora de mão de obra e não se leva em consideração elementos informativos da empresa sucessora.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE LEGAL. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC.
Após a data de vencimento do crédito tributário, a aplicação de juros sobre multa de ofício é aplicável na medida que faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN) autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito tributário a que se refere o caput do artigo.
Numero da decisão: 2402-006.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores referentes às bolsas de estudo. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luís Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Dias Lima - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). AUSÊNCIA DE INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO. SINDICATOS COM BASE TERRITORIAL LIMITADA AO ESTATUTO. DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. Para fins de averiguar a negociação entre a empresa e seus empregados, prevista no artigo 2º. da Lei n. 10.101/2000, a representatividade do sindicato está restrita a sua base territorial definida no estatuto e com aprovação do Ministério do Trabalho e Emprego e o Acordo Coletivo de Trabalho que instituiu Plano de PLR não se aplica a empregados de categorias e localidades não abrangidas pelos limites de representação das respectivas entidades sindicais. VANTAGENS ADICIONAIS, BENEFÍCIOS E BONIFICAÇÃO. HABITUAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRÊMIO EVENTUAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Por gerar um ganho a título de gratificação ajustada, incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vantagens adicionais, benefícios, bonificação e prêmios, que foram concedidos de forma habitual. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. REFEIÇÃO. INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílio-alimentação em dinheiro e de forma habitual. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. EDUCAÇÃO SUPERIOR. GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pós-graduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea t, § 9º, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, no artigo 39, estabelece que a educação profissional integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pós-graduação. ALÍQUOTA GILRAT/FAP. HIPÓTESE LEGAL. CONTRIBUINTE AUTUADO. INFORMAÇÕES DO FAP DA EMPRESA CONTRATANTE DE MÃO DE OBRA. A alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) é determinada de acordo com a atividade preponderante do contribuinte autuado e seu o respectivo grau de risco, observando os dados e informações do Fato Acidentário de Prevenção (FAP) da empresa empregadora de mão de obra e não se leva em consideração elementos informativos da empresa sucessora. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE LEGAL. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Após a data de vencimento do crédito tributário, a aplicação de juros sobre multa de ofício é aplicável na medida que faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN) autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito tributário a que se refere o caput do artigo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores referentes às bolsas de estudo. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luís Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator (assinado digitalmente) Luis Henrique Dias Lima - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). AUSÊNCIA DE INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO. SINDICATOS COM BASE TERRITORIAL LIMITADA AO ESTATUTO. DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. Para fins de averiguar a negociação entre a empresa e seus empregados, prevista no artigo 2º. da Lei n. 10.101/2000, a representatividade do sindicato está restrita a sua base territorial definida no estatuto e com aprovação do Ministério do Trabalho e Emprego e o Acordo Coletivo de Trabalho que instituiu Plano de PLR não se aplica a empregados de categorias e localidades não abrangidas pelos limites de representação das respectivas entidades sindicais. VANTAGENS ADICIONAIS, BENEFÍCIOS E BONIFICAÇÃO. HABITUAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRÊMIO EVENTUAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Por gerar um ganho a título de gratificação ajustada, incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vantagens adicionais, benefícios, bonificação e prêmios, que foram concedidos de forma habitual. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. REFEIÇÃO. INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílio alimentação em dinheiro e de forma habitual. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. EDUCAÇÃO SUPERIOR. GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pósgraduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea “t”, § 9º, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 26 32 /2 01 4- 20 Fl. 12754DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.755 2 bases da educação nacional, no artigo 39, estabelece que a educação profissional integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pósgraduação. ALÍQUOTA GILRAT/FAP. HIPÓTESE LEGAL. CONTRIBUINTE AUTUADO. INFORMAÇÕES DO FAP DA EMPRESA CONTRATANTE DE MÃO DE OBRA. A alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) é determinada de acordo com a atividade preponderante do contribuinte autuado e seu o respectivo grau de risco, observando os dados e informações do Fato Acidentário de Prevenção (FAP) da empresa empregadora de mão de obra e não se leva em consideração elementos informativos da empresa sucessora. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE LEGAL. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Após a data de vencimento do crédito tributário, a aplicação de juros sobre multa de ofício é aplicável na medida que faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN) autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito tributário a que se refere o caput do artigo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores referentes às bolsas de estudo. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luís Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator (assinado digitalmente) Luis Henrique Dias Lima Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente). Fl. 12755DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.756 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, apresentado às fls. 12.614 usque 12.639, voltado contra Acórdão de fls. 12.549 a 12.593, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário conforme lançado. Por bem delinear a causa até a interposição do apelo, forçoso transcrever o relatório da decisão objurgada, que tem o seguinte estilo: Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT/FAP), previstas nos incisos I e II do artigo 22 da Lei 8.212/1991, e às contribuições destinadas a outras Entidades e Fundos (Terceiros), incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, relativas às competências 01/2010 a 12/2010. O lançamento é composto das seguintes contribuições sociais e Debcad’s: 1. AIOP N° 51.062.1147 (fls. 11730/11916), referente às contribuições destinadas à Previdência Social, correspondentes a cota patronal previdenciária (alíquota de 20%), incluindo aos riscos de acidentes do trabalho (RAT/GILRAT/FAP, alíquota de 3%), no valor de R$ 23.311.362,12 (vinte e três milhões, trezentos e onze mil, trezentos e sessenta e dois reais e doze centavos), consolidado em 18/09/2014; 2. AIOP N° 51.062.1155 (fls. 11917/12099), relativas à contribuições sociais destinadas a Outras Entidades e Fundos (alíquota de 5,8%) sobre remuneração pagas aos segurados empregados, no valor de R$ 5.376.664,22 (cinco milhões, trezentos e setenta e seis mil, seiscentos e sessenta e quatro reais e vinte e dois centavos), consolidado em 18/09/2014; 3. AIOA N° 51.062.1163 (fls. 12100/12101), referese à multa por não contabilizar em títulos próprios (Código de Fundamento Legal 34), no valor de R$ 18.128,43 (dezoito mil, cento e vinte e oito reais e quarenta e três centavos), consolidado em 18/09/2014. I DO RELATÓRIO FISCAL O Relatório Fiscal (fls. 104/123) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas são pagamentos a segurados empregados não declarados em GFIP, referentes a contribuição previdenciária a cargo da empresa (patronal), destinadas ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e a Outras Fl. 12756DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.757 4 Entidades e Fundos/Terceiros (Salário Educação/FNDE, SENAC, SESC, INCRA e SEBRAE). Informa que a empresa Casa Bahia Comercial Ltda (autuada) sofreu uma Cisão Parcial que gerou a empresa NOVA CASA BAHIA S/A (NCB), sendo que esta nova empresa englobou parte dos empregados da empresa cindida e aqueles empregados que, por questões de ordem operacional, não puderam formalizar seu vínculo trabalhista com a nova empresa (NCB), imediatamente após a Cisão Parcial permaneceram empregados da cindida até que fosse possível transferir o registro desses empregados. Portanto, a remuneração dos empregados objeto deste auto referese aqueles que permaneceram sendo remunerados pela empresa cindida Casa Bahia Comercial Ltda (autuada), declarados em GFIP e em DIRF, após a Cisão Parcial. Conforme Relatório Fiscal, a base de cálculo decorre das seguintes remunerações pagas ao segurados empregados: Participação nos lucros ou resultados (PLR): após análise dos acordos e convenções coletivas que embasam os pagamentos de PLR, constatouse que, considerando as bases territoriais dos sindicatos, algumas unidades da empresa autuada não apresentaram quaisquer instrumentos de negociação coletiva. Com isso, os valores pagos a título de PLR, oriundo exclusivamente das unidades que não possuíam acordos ou convenção coletiva, foram considerados em desacordo com a Lei, não se enquadrando no disposto no art. 28, § 9°, alínea ‘j’, da Lei 8.212/1991, e, portanto, integraram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O Relatório Fiscal afirmase que: “consideradas as bases territoriais dos sindicatos, as demais unidades para as quais não foram apresentados quaisquer instrumentos de negociação coletiva foram consideradas em desacordo com a Lei”; Vantagens adicionais, benefícios e bonificações não declaradas em GFIP: referese a valores retirados da conta 3609002 OUTRAS DESPESAS COM PESSOAL, cujo histórico indica "PAGO A FUNCIONÁRIOS EXTRAS", que não foram declarados em GFIP e não constam da folha de pagamento; Pagamento de Refeição: constitui os pagamentos em dinheiro para despesas com alimentação, sendo que os valores foram pagos a título de refeição nas rubricas: 177 Refeição e 179 Refeição Paga. O Relatório Fiscal registra que a empresa foi reintimada, por meio do TIF n°5, a esclarecer os fatos relacionados ao pagamento a título de refeição, sendo que ela manifestou da seguinte maneira da seguinte: “Conforme informado em 14/04 pagamento estabelecido em Convenção Coletiva de Trabalho que determina o pagamento em espécie o qual não integram ao salário ou quaisquer bases legais conforme abaixo. Segue anexa a Convenção na íntegra. Apenas para colaboradores da região do Distrito Federal e entorno ocorria este pagamento”; Fl. 12757DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.758 5 Bolsa de Estudos: TREINAMENTO, valores pagos a título de BOLSA DE ESTUDO: concessão de valores a título de reembolso 50%, apesar de questionada, a empresa não apresentou resposta conclusiva a respeito dos pagamentos. Diante dos fatos, os valores pagos a título de bolsa de estudo foram considerados como integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias e das contribuições destinadas a Terceiros, tendo em vista que se tratam de cursos de nível superior de graduação, pósgraduação e MBA. Foram excluídos os cursos que estão de acordo com a alínea "t" do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/1991. Os valores foram apurados por meio dos seguintes levantamentos: B1 BOLSA DE ESTUDO Valores pagos aos empregados a título de bolsa de estudo, período lançado de 01/2010 a 09/2010; E1 EXTRA Vantagens adicionais, benefícios e bonificação pagos aos empregados e contabilizados na conta 3609002 OUTRAS DESPESAS COM PESSOAL, período lançado de 01/2010 a 09/2010; P1 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Pagamentos a título de participação nos resultados em desacordo com a Lei, período lançado de 01/2010 a 12/2010; e R1 REFEIÇÃO Valores pagos aos empregados através das rubricas 177 Refeição e 179 Refeição paga, período lançado de 01/2010 a 12/2010. Por fim, a empresa foi autuada por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma, discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições. Da Multa Aplicada. Quanto à aplicação da multa constante deste Auto de Infração, esclarecese que foi aplicada a multa de ofício de acordo com o art. 35A da Lei 8.212/1991, incluído pela Lei 11.941/2009, que determina, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação do disposto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Dessa maneira, em razão da conduta da empresa, foi aplicada a multa de ofício de 75% prevista no inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/1996, exceto para o levantamento “B1 BOLSA DE ESTUDO”. Com relação ao levantamento “B1 BOLSA DE ESTUDO”, foi aplicada a multa de ofício agravada de 50%, prevista no inciso II do § 2° do art. 44 da Lei 9.430/1996 pois a empresa não atendeu, no prazo marcado, a solicitação de informações listadas no TIF n° 5. Para isso, o Relatório Fiscal informou que: “Tendo em vista que a empresa não cumpriu o prazo do TIF n° 5, conforme item 56, não demonstrou as regras de acesso, apesar de informada, através do TIF n° 5, de que havia apresentado Fl. 12758DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.759 6 regulamento de empresa diversa, deixou de relacionar os lançamentos contábeis aos beneficiários, identificando as respectivas unidades, CNPJ, não apresentou documentos que comprovem a matrícula, e deixou de classificar os cursos conforme a Lei 9.394/1996, foi agravada a multa aplicada ao levantamento B1 BOLSA DE ESTUDO, e todos os valores lançados na matriz” (item 66 do Relatório Fiscal, fls. 116/117). Da Representação Fiscal Para Fins Penais (RFFP). Houve a elaboração de Representação Fiscal Para Fins Penais (RFFP), pela ocorrência, em tese, do delito de sonegação fiscal de contribuição previdenciária, capitulado no art. 337A, inciso I, do Código Penal Brasileiro (com a redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000), constituída no processo administrativo n° 10805.722633/201474, que foi apensada ao presente processo administrativo fiscal e cumprirá o rito processual previsto nos §§ 2° e 3° do art. 4° da Portaria RFB n° 2.439/2010, DOU de 22/12/2010. Da Ciência do Lançamento Fiscal. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo autuado deuse em 24/09/2014, por meio de sua Caixa Postal eletrônica (fls. 12102/12103). II DA IMPUGNAÇÃO Em 23/10/2014, foi apresentada a impugnação (fls. 12112/12154) em nome da Via Varejo S.A (CNPJ 33.041.260/065290), na qualidade de sucessora por incorporação da empresa Nova Casa Bahia S.A (NCB), esta por sua vez sucessora de Casa Bahia Comercial Ltda (autuada). A Impugnação deduz, em síntese, as seguintes as questões. Preliminarmente: Da Legitimidade Passiva da Impugnante. Afirma que a empresa autuada foi submetida à operação de cisão parcial em 9 de novembro de 2010, oportunidade em que parcela do acervo cindido, foi destinada à empresa Nova Casa Bahia S/A (Doc. 04), sendo certo que em tal operação restou alinhavado que todos os empregados que antes prestavam serviços à Casa Bahia Comercial Ltda. passariam a ser empregados pela nova empresa constituída, a Nova Casa Bahia S/A. Nesse passo, argumenta que, em 2 de janeiro de 2013, a empresa Nova Casa Bahia S.A. foi incorporada pela empresa Via Varejo S.A. (Doc. 05), e conclui que esta possui atualmente legitimidade para apresentar a presente Impugnação, porquanto sucessora da primeira em todos seus direitos e obrigações, notadamente tributários, nos termos em que preceitua o artigo 227, caput, da Lei 6.404/1976 c/c artigo 132 do Código Tributário Nacional. Da Nulidade das Autuações: Inexistência de Adequada Descrição dos Fatos Imponíveis. Da Violação aos Princípios da Ampla Defesa e Contraditório. Fl. 12759DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.760 7 Diz que os Autos de Infração ora atacados devem ser cancelados, uma vez que estão eivados de vício formal, sendo flagrante a sua nulidade. Para isso, afirma que, da simples leitura do Relatório Fiscal que embasa as autuações, verificase a ausência de fundamentação clara e inequívoca dos lançamentos fiscais, tendo em vista a Autoridade Administrativa não logrou êxito em demonstrar adequadamente as razões que dão sustentáculo às infrações supostamente identificadas. Afirma que a descrição circunstanciada do ato infracional ou do fato concreto é imprescindível para justificar a exigência do tributo. E, dessa forma, a inobservância de tal exigência possui o condão de viciar, de forma insanável, o respectivo procedimento administrativo, acarretando a nulidade do lançamento por vício formal. Para embasar o entendimento de nulidade dos Autos de Infração, cita os dispositivos do artigo 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235/1972. Nesse passo, alega que os Autos de Infração foram constituídos à revelia de uma fundamentação clara e precisa. Essa situação prejudica sobremodo o devido processo legal administrativo, porquanto a generalidade existente impossibilita a ampla produção de provas, em face do alargamento semântico atribuído à conjuntura da incidência e o desconhecimento do imputado. Entende que o Auditor Fiscal não lançou contribuições sobre a totalidade da PLR paga ou creditada pela Impugnante, mas apenas sobre parte, como se afere do item 33 do Relatório Fiscal. Sem embargo, o Auditor Fiscal omitiu a descrição ou arrolamento das PLR autuadas, limitandose a inventariar as PLR’s não autuadas. Essa estratégia de autuação, além de desequilibrar o contraditório e prejudicar a ampla defesa da Impugnante, impediu a confirmação do lançamento, ou seja, a ratificação de que as bases utilizadas para apuração do devido são aderentes às PLRs autuadas. Ao invés de arrolar as PLRs não autuadas, o Auditor Fiscal deveria ter descrito as que foram objeto do lançamento, de modo a permitir não somente o exercício da ampla defesa e do contraditório, mas, também, a validação do quantum lançado, o que por si só já é suficiente para infirmar o lançamento. Avança e afirma que as formalidades não foram negligenciadas apenas no lançamento das contribuições sobre a PLR. O Auditor Fiscal omitiu os fundamentos do lançamento das gratificações nãoajustadas (Das Vantagens Adicionais, Benefícios e Bonificação não Declaradas em GFIP). O lançamento se sustentou, apenas, no argumento de que essas importâncias não foram incluídas em folha de pagamento, tampouco informados em GFIP. Fl. 12760DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.761 8 Reafirma que o ato administrativo cerceia as franquias constitucionais e legais do contraditório e da ampla defesa asseguradas à Impugnante, pois sem conhecer a imputação, não dispõe de meios para promover a contestação. E, com isso, a ausência desses dados impossibilita a verificação da incidência das contribuições sociais, impedindo, por via convexa, a produção de provas eficazes à demonstração da imunidade, da não incidência ou da isenção. Do Mérito: Da Isenção da PLR: Cumprimento dos Requisitos da alínea “J” do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/1991 c/c Lei 10.101/2000. Sustenta que a Lei 10.101/2000 não exige que a PLR seja negociada com todos os sindicatos que representavam os empregados da Impugnante, mas apenas com algum que representava a categoria profissional. Com isso, a Impugnante, observado o enunciado legal, negociou PLR com a categoria profissional dos comerciários e dos rodoviários, que compreendem todos os seus empregados. Assim, a PLR paga ou creditada aos empregados dos estabelecimentos identificados no item 33 do Relatório Fiscal (ANEXO PG PLR RESUMO DA FOLHA DE PAGAMENTO), diferentemente do apontado pelo Auditor Fiscal, não estavam desprovidas de lastro, haja vista que se amparavam nos instrumentos firmados com os representantes das respectivas categorias profissionais, definidas no âmbito do art. 511 da CLT. Afirma que a categoria profissional não é definida por meio do aspecto territorial. A homogeneidade não decorre do local onde a atividade econômica é praticada, mas da solidariedade de interesses econômicos dos que empreendem atividades idênticas, semelhantes ou conexas, nos termos do art. 511, caput, e §§ 1o, 2o e 4o, da CLT. Conclui que a inexistência de instrumento de PLR para cada estabelecimento da Impugnante não poderia justificar a incidência de contribuições sobre as participações pagas ou creditadas aos empregados desses estabelecimentos, porque: (i) a Lei 10.101/00 não exige que a PLR seja contratada individualmente com cada sindicato, mas com a categoria profissional; e (ii) a existência de PLRs específicas para cada estabelecimento seria inadequada ao modelo constitucional. Da Isenção da PLR: Aplicabilidade do Item 7 da alínea “E” do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91. Sustenta que a Fiscalização, após descaracterizar a isenção prevista na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n. 8.212/91, identificou que a Impugnante pagou ou creditou a PLR apenas na competência 12/2010. Com isso, não houve a reiteração, repetição ou frequência no pagamento ou crédito da PLR e ocasionou uma classificação do valor pago ou creditado como remuneração pontual, única e infrequente. Fl. 12761DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.762 9 Dessa maneira delineada para a apuração da PLR, a Impugnante entende que os valores pagos ou creditados aos empregados são essencialmente eventuais. Essa característica decorre da ausência de periodicidade e/ou da ausência da expectativa. Quanto à periodicidade, a PLR era paga, no máximo, duas vezes por ano. A PLR não era, outrossim, expectada pelos empregados, ante a eventualidade e ausência de redundância (periodicidade),tampouco previamente conhecida pelos empregados. Conclui que os Autos de Infração devem, necessariamente, ser anulados, porque a natureza eventual da PLR descaracteriza a tributação pela influência direta do item 07 da alínea “e” do artigo 28 da Lei 8.212/91, que isenta de contribuição previdenciária todo o ganho, remuneratório ou não, pago ou creditado sem periodicidade e/ou sem expectativa. Da Imunidade sobre a PLR. Sustenta que a PLR é imune de contribuição previdenciária independentemente de satisfazer os requisitos da Lei 10.101/2000. Assim, a desoneração dessa rubrica seria estabelecida pela regra contida no inciso IX do art. 7o da Constituição Federal, que blinda a PLR de qualquer tributação previdenciária. Diante de todo o exposto, é possível afirmar que: (i) o inciso IX do art. 7o da Constituição Federal é regra de imunidade, que impede o legislador de onerar com contribuições previdenciárias a PLR; (ii) a eficácia plena do inciso IX do art. 7o da Constituição Federal não depende de lei ordinária ou complementar; e (iii) a desoneração da PLR não depende da satisfação dos requisitos da Lei 8.212/91, tampouco da Lei 10.101/2000 ou da CLT, mas simplesmente da imunidade enunciada pelo inciso IX do art. 7o da Constituição Federal. Com isso, entende que a aplicabilidade imediata e plena do inciso IX do art. 7o da Constituição Federal justifica a anulação dos autos de infração, que, inconstitucionalmente, oneram importância expressamente imunizada pela Constituição Federal. Não Incidência sobre a PLR. Alega que ainda que a PLR fosse considerada espécie de remuneração, o que admitimos apenas para argumentação, não haveria tributação previdenciária, porque a incidência pressupõe que a importância paga ou creditada seja caracterizada como remuneração e também retribua o trabalho prestado pelo empregado. Entende que a PLR não objetiva retribuir o trabalho, mas socializar os lucros ou resultados da empresa, permitindo a integração entre o capital e o trabalho como incentivo à produtividade. A PLR, portanto, não é paga ou creditada em contraprestação ao trabalho, mas, exclusivamente, quando a Fl. 12762DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.763 10 empresa atinge determinado resultado ou lucro. A PLR, ademais, independe do trabalho, porque o resultado ou lucro da empresa pode ser atingido por outros fatores senão o trabalho de seus empregados. Para isso, afirma que o inciso I do art. 22 da Lei 8.212/91 não pormenoriza as parcelas remuneratórias passíveis de tributação, agindo na generalização. Salário, gorjeta, ganhos sob a forma de utilidades, bem como outras espécies de remuneração compreendem o predicado da incidência. O único pressuposto à tipificação é que a parcela remuneratória destinese a "retribuir o trabalho". Assim, importâncias pagas ou creditadas a pessoas físicas, não obstante habituais, que não venham a caracterizar se como remuneração ou não se destinem a retribuir o trabalho não integram o complemento da hipótese, não ensejando, portanto, a incidência tributária. Reafirma que os valores pagos ou creditados pela Impugnante com a PLR não se amoldam ao conceito legal de remuneração, tampouco objetivam retribuir o trabalho prestado pelos empregados elegíveis. Diz que a PLR, diferentemente do concluído pelo trabalho fiscal, não pode ser onerada simplesmente porque não integra a hipótese de incidência da contribuição previdenciária. A exclusão se justifica: i) na descaracterização da PLR como remuneração; ii) na descaracterização da finalidade de retribuir o trabalho prestado. Registra que a impossibilidade de caracterizar a PLR como remuneração, além de legal, é constitucional. Ao constitucionalizar a PLR, o inciso IX do art. 7o da CF expressamente a desvinculou da remuneração, tratandoa como fenômeno jurídico específico e descaracterizandoa como fato gerador e basedecálculo da contribuição previdenciária, independentemente da existência de isenção. Esse enunciado foi reiterado no art. 3o da Lei 10.101/2000, que peremptoriamente desvinculou a PLR da remuneração ou tratou esse ganho como forma de substituição ou complementação daquela retribuição. Da Isenção das Gratificações não Ajustadas (Vantagens Adicionais, Benefícios e Bonificação não Declaradas em GFIP). Sustenta que os valores pagos a título de vantagens adicionais, benefícios e bonificação estariam enquadrados na regra isentiva do item 7 da alínea “e” do § 9o do art. 28 da Lei 8.212/91, já que tais valores foram concedidos de forma eventual e não se pode negar eficácia à isenção retromencionada. Para isso, afirma que a simples análise do ANEXO PAGAMENTO EXTRA A FUNCIONÁRIO do Relatório Fiscal denota a natureza não ajustada e infrequente dos pagamentos ou créditos. A instabilidade é inexorável, inexistindo modelo linear e constante de pagamento. O valor pago ou a periodicidade do pagamento são inconstantes, caracterizando a eventualidade. Fl. 12763DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.764 11 Por exemplo, no estabelecimento ...0001, enquanto em 01/2010, a Impugnante pagou R$ 98.740,90; em 07/2010 pagou R$ 795.409,70, ou seja, uma variação de quase oito vezes. Nos demais estabelecimento não houve pagamentos; essas características denotam a eventualidade, justificando a incidência da isenção do item 7 da alínea “e” do § 9o do art. 28 da Lei 8.212/91. Da Isenção do Vale Refeição. Sustenta que, diante da omissão do Relatório Fiscal, é inscrita no PAT (Doc. 08 e 09), e que operou o pagamento do Vale Refeição em dinheiro em apenas alguns estabelecimentos, em razão da imposição do acordo coletivo. Diz que a jurisprudência do STJ, após a decisão do STF, passou a desonerar da incidência das contribuições previdenciárias os Vales Transportes pagos em dinheiro, não obstante a literalidade da legislação condicionar a isenção ao pagamento ou crédito in natura. Com isso, solicita a aplicação desse entendimento para os vales refeição pagos aos seus trabalhadores em dinheiro. Afirma que, diante dos entendimentos do STF, do STJ e da Administração Pública de que a forma de pagamento, se em dinheiro ou in natura, não interessa à isenção previdenciária, não existe opção senão a nulidade absoluta do lançamento, que impôs contribuições previdenciárias simplesmente porque ela pagou ou creditou alguns Vales Refeições em dinheiro. Da Isenção da Bolsa de Estudos: Aplicabilidade da alínea “T” do § 9o do art. 28 da Lei 8.212/91, com redação da Lei 9.711/98. Argumenta que os cursos de graduação e pósgraduação se classificam como cursos de capacitação e qualificação profissionais, porque, além de prepararem os alunos para as atividades acadêmicas, os preparam para as carreiras profissionais. Essa conclusão se confirma nos incisos II e III do art. 43 da Lei 9.394/96. Alega que, diferentemente do identificado pelo Auditor Fiscal no item 60 do Relatório Fiscal, os cursos superiores, independentemente do seu conteúdo, caracterizamse como cursos de qualificação e capacitação profissionais, sendo que as bolsas de estudos conferidas para esses cursos, atendidos os outros requisitos da alínea “t” do § 9o do art. 28 da Lei 8.212/91, não integram a base de cálculo das contribuições lançadas. Da Não Incidência Sobre Bolsa De Estudos: Ausência De Natureza Jurídica Remuneratória. Entende que o art. 22 da Lei 8.212/91 limita a incidência de contribuições previdenciárias às remunerações pagas ou creditadas aos segurados obrigatórios do RGPS. Fl. 12764DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.765 12 Portanto, a incidência pressupõe, necessariamente, o pagamento ou crédito de remuneração, e a indenização não gera a incidência, porque o art. 22 não inclui essa importância na base de cálculo da contribuição previdenciária. Assim, a caracterização da bolsa de estudo como indenização e a consequente desoneração previdenciária não se limita às bolsas concedidas para a educação básica ou tecnológica, atingindo, outrossim, as bolsas para a educação superior, graduação e pósgraduação. Da Impossibilidade de Aplicação do FAP ao Caso Concreto. Da Ofensa a Resolução CNPS 1.316/2010. Afirma que as fontes de dados utilizadas para a apuração dos elementos que compõem o cálculo do Fator Acidentário de Prevenção (FAP) se baseiam nos registros de Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT), nos benefícios acidentários concedidos, seja em razão de nexo causal ou técnico com o trabalho – após abril de 2007 –, nos dados populacionais empregatícios registrados pelas empresas no Cadastro Nacional de Informações Social (CNIS) e na expectativa de sobrevida construída pelo IBGE. Diz que a Resolução 1.316/2010, no item 2.5., determina que para as empresas constituídas após janeiro de 2007, o FAP será calculado no ano seguinte ao que completar dois anos de constituição. Diante disso, entende que, considerando que a empresa Nova Casa Bahia teve origem apenas no ano de 2010, tornase impossível, por ausência de suporte legal e fático, estabelecer a aplicação do FAP no próprio ano de sua constituição, período ora fiscalizado, nos termos das Resolução que disciplina esse índice. Argumenta que não há que se falar na aplicação do índice do FAP no ano de 2010, objeto da fiscalização que culminou na lavratura dos autos de infração ora impugnados motivo pelo cancelamento da aplicação do percentual constante nos autos de infração ora impugnados e consequente redução automática das exigências. E como a empresa Nova Casa Bahia foi regularmente constituída em novembro de 2010, o FAP atribuído ao período fiscalizado deverá ser equivalente ao patamar de =1,0000 até o ano de 2013, quando será divulgada a sua performance em relação aos índices de frequência, gravidade e custo, os quais permitirão, se vigente idêntico modelo de apuração do coeficiente, o cálculo do FAP a ser aplicado a partir da competência de janeiro de 2014. Da Não Aplicação de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício. Sustenta que a expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" não contempla a multa de ofício, pois se assim não fosse, não haveria necessidade alguma para a existência do § único do art. 43 da Lei 9.430/96. Fl. 12765DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.766 13 Portanto, ao interpretar a legislação ordinária verificase que aquela autoriza expressamente a incidência de juros de mora somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada. Afirma que – ao analisar conjuntamente os artigos 161, 139 e 113, todos do CTN – esses dispositivos não autorizam a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada proporcionalmente ao tributo. E ressalta, ainda, que caso a multa de ofício estivesse incluída na expressão "crédito" sobre o qual incidem os juros de mora nos termos do art. 161 do CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante no referido artigo de que o crédito deve ser exigido "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis". Logo, a conclusão inafastável é a de que o Código Tributário Nacional não autoriza a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Alega que, subsidiariamente, caso não seja integralmente cancelado o Auto de Infração com base no direito arguido na presente Impugnação, o que se admite apenas para argumentar, devem estes Julgadores, ao menos, excluir a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Dos Pedidos. Requer sejam declarados totalmente insubsistentes os Autos de Infração decorrentes dos lançamentos citados no Relatório Fiscal, inclusive os consectários legais incidentes sobre os valores lançados. Subsidiariamente, caso não seja integralmente cancelado o lançamento, requer, ao menos, seja cancelada a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, conforme entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. III DA DECISÃO DA DRJ: Não Conhecer da Impugnação. Em 14/05/2015, esta 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DRJ/BSB (Acórdão 03 67.397, fls. 12335/12339) decidiu pelo não conhecimento da Impugnação, em razão da empresa autuada (Casa Bahia Comercial LTDA) não apresentar procuração específica para representála nos autos. E, no conteúdo da decisão, informa que a procuração acostada as folhas 12206 a 12207 foi outorgada pela Via Varejo S.A., empresa esta que não figura no polo passivo da autuação. A decisão concluiu que o sujeito passivo não comprovou a legitimidade do signatário da Impugnação apresentada, para o fim de representálo neste processo, apesar de regularmente intimado para tanto, e, com isso, declarou a sua revelia. IV DA DECISÃO DO CARF: Conhecer da Impugnação. Após interposição de recurso da decisão da DRJ/BSB que não conheceu da Impugnação, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) deu provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do Acórdão n°. 0367.397 da 5a Turma Fl. 12766DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.767 14 da DRJ/BSB (fls. 12335/12339), por ofensa do art. 59, II, do Decreto 70.235/72, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para que a peça impugnatória seja conhecida e seja proferido novo acórdão, instaurandose o contencioso administrativo no presente processo. A decisão do CARF registra que a empresa VIA VAREJO S.A. é sucessora da NOVA CASA BAHIA S.A. que, por sua vez, foi sucessora da CASA BAHIA COMERCIAL LTDA., razão pela qual em 23/10/2014 a VIA VAREJO S.A. apresentou a sua peça de impugnação, em nome próprio, no presente processo administrativo fiscal, por ser sucessora da empresa originariamente autuada (CASA BAHIA COMERCIAL LTDA). O entendimento do CARF foi manifestado na ementa nos seguintes termos: IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. SUCESSOR. LEGITIMIDADE. Comprovada a cisão parcial da empresa autuada e a cessão de seus ativos e passivos a nova sociedade, a qual, posteriormente, é incorporada, legitimada a sucessora a apresentar impugnação e demais atos do processo administrativo, na condição de contribuinte. (Acórdão 2401004.611 da 4a Câmara / 1a Turma Ordinária / 2a Seção, fls. 12515/12225). Em seu apelo, primeiramente demonstra as hipóteses de incidência das contribuições previdenciárias, fiando que, além daquilo que posto na alínea "a", do inc. I, do art. 195, da CF, haveria ampliação de hipóteses para sua incidência, qual seja o §11, do artigo 201 da Lei Maior, onde se inseriu os ganhos habituais cedidos aos empregados. Assim, restaria definido que as contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social devidas pela empresa incidiriam sobre o total da remuneração paga em retribuição ao trabalho e sob os ganhos habituais concedidos sob a forma de utilidades, conforme artigo 22, inc. I da Lei nº 8.212/91. Desse modo, a realização de pagamentos desprovidos de natureza remuneratória ou a concessão de utilidades de forma não habitual, não permitiriam a cobrança das ditas contribuições, por ausência de previsão legal. Quanto a participação nos lucros ou resultados, aponta que, diferentemente do que posto no Relatório Fiscal e no Acórdão Recorrido, a Lei nº10.101/00 não exigiria que cada uma das unidades da empresa, em suas diversas localidades celebre acordo específico de PLR, sendo suficiente, conforme artigo 2º, inc. I, apenas a participação de um sindicado de cada categoria de empregados, o que não estaria atrelado ao fator territorial, mas sim à similitude das atividades laborais. Assim, por ter distribuição da PLR uniforme para todas as suas unidades de negócio que possuem a mesma categoria, a ilegalidade apontada pelo Relatório Fiscal e pela d. DRJ seria descabida, uma vez que haveria critério único para incentivar os empregados a incrementar a sua produtividade. Colaciona jurisprudência deste e. Conselho em defesa de sua tese. Fl. 12767DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.768 15 Quanto às vantagens, aponta que o Relatório tem a seguinte motivação (fls. 12.632): “Vantagens adicionais, benefícios e bonificações não declaradas em GFIP: referese a valores retirados da conta 3609002 OUTRAS DESPESAS COM PESSOAL, cujo histórico indica "PAGO A FUNCIONÁRIOS EXTRAS", que não foram declarados em GFIP e não constam da folha de pagamento;” E o acórdão teria se fundamentado em: “VANTAGENS ADICIONAIS, BENEFÍCIOS E BONIFICAÇÃO. HABITUAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Por gerar um ganho a título de gratificação ajustada, incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vantagens adicionais, benefícios e bonificação, que foram concedidos de forma habitual.” Assim, aponta que os fundamentos da autuação fiscal relacionados ao pagamentos das "vantagens" teriam sido substancialmente modificados pela DRJ, posto que enquanto o auditor fiscal entendeu que o simples fato do pagamento ser escriturado como "despesa de pessoal" denotaria se tratar de parcela de natureza remuneratória, conquanto a DRJ, com o intuito de salvar o lançamento, teria concluído que as vantagens pagas pela Recorrente tratarseiam de gratificação ajustadas e seriam concedidas de forma habitual. Desse modo, teria a Delegacia inovado o critério jurídico da autuação, iria de encontro direto com o que determinado pelos artigos 146 e 149 do Código Tributário Nacional, devendo ser refutados os novos argumentos apresentados pela DRJ na tentativa de salvaguardar o lançamento fiscal, o que demonstraria reconhecimento da procedência do argumento apresentado pela Recorrente em sua Impugnação, no sentido de que o lançamento fiscal é nulo, uma vez que não traria consigo qualquer evidência de que o pagamento das vantagens possuiria natureza remuneratória. No mesmo sentido, aponta que não haveria qualquer evidência que permita afirmar que os pagamentos realizados pela Recorrente seriam decorrentes de prévio pacto ou que eram realizados de forma habitual. Ao contrário, teria sido demonstrado que, dada a incerteza e ausência de prévio pacto relativo ao pagamento da denominada vantagem, restaria preenchida a hipótese do art. 28, §9º, alínea "e", item 7 (ganho eventual). Além disso, se amoldaria ao disposto na alínea "z" do mesmo artigo, razão pela qual, por qualquer ângulo, sobressairia a conclusão de que a decisão guerreada não deveria prosperar. Quanto ao subtópico "alimentação", narra que diferentemente do que alegado pela DRJ, não existiria Lei, em sentido estrito, tratando da vedação do pagamento do benefício de alimentação em pecúnia. In casu, aponta que a concessão do benefício em dinheiro não decorreria de liberalidade da Recorrente, mas sim de previsão contida em Convenção Coletiva de Trabalho. Além disso, indigita que, da análise do auditor fiscal, não sobreveria qualquer alegação de que a finalidade do benefício seria distinta daquela originariamente declarada. E, Fl. 12768DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.769 16 por tratarse de benefício desprovido de natureza remuneratória, não faria sentido a incidência das contribuições sociais previdenciárias. Para calcar seu argumento, utilizase do raciocínio do Supremo Tribunal Federal, exposto no RE nº 478.410/SP, no sentido de que: "A discordância se baseia, inicialmente, no fato de que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar a constitucionalidade da vedação de concessão dos valores transporte em dinheiro (RE nº 478.410SP), concluiu que a forma de concessão do benefício não altera a sua finalidade. No presente caso, o raciocínio é exatamente o mesmo, com a diferença de que não há lei, em sentido estrito, tratando da vedação do pagamento do benefício de alimentação em pecúnia." Em seguida, quanto às bolsas de estudo, assenta que, na época dos fatos, a Lei dispunha de duas espécies de benefício educacional: a primeira voltada à educação básica", nos termos do artigo 21, da Lei 9.394, e a segunda voltada a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Assim, estabelece que semelhança entre elas era a de que dependiam do cumprimento de dois requisitos para não se sujeitarem à tributação previdenciária: (i) não ser tratar de benefício utilizado em substituição de parcela salarial e (ii) serem extensíveis a todos os empregados e dirigentes da empresa, sendo que não haveria qualquer restrição prevista na legislação quanto à modalidade do curso voltado à capacitação ou qualificação profissionais. Colaciona jurisprudência deste e. Tribunal. Para além, pontua que os cursos de graduação e pósgraduação estariam enquadrados na Lei de Diretrizes Básicas da Educação, conforme entendimento esposado por este e. Conselho no Acórdão nº 2403002.734. Propugna pela reforma integral da decisão nesse ponto. Posteriormente, quando referese ao cálculo do FAP e dos juros sobre a multa, reitera os argumentos aduzidos em sua impugnação, no sentido de que FAP somente poderia ser aplicado a empresas com dois ou mais anos de atividade (que não seria caso da empresa autuada) e, em relação à aplicação de juros sobre a multa, a Recorrente entende que tal medida careceria de fundamentação legal. Desse modo, requer seja dado integral provimento ao recurso para reformar totalmente o acórdão vergastado e, via de consequência, seja extinto o crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Fl. 12769DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.770 17 1. ADMISSIBILIDADE. O Acórdão nº 0367.397 5ª Turma da DRJ/BSB [Fls. 12.335/12.339], foi reformado pelo Acórdão 2401004.611 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária [Fls. 12.515/12.525] que reconheceu a legitimidade do sucessor para apresentação da impugnação original, gerando a emissão de novo Acórdão da DRJ de nº 03076.502 5ª Turma da DRJ/BSB [Fls. 12.549/12.593], em face do qual o presente Recurso Voluntário. Vencidas tais questões, concluímos que o Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade, merecendo conhecimento. 2. – DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS / PLR. 2.1. ABRANGÊNCIA GEOGRÁFICA DA PLR. A Recorrente possui estabelecimentos em todo o Brasil e seu quadro funcional é composto por profissionais integrantes de diversas categorias. A mesma instituiu planos de participação nos lucros ou resultados sob a sistemática de negociação prevista no inciso II do Art. 2º da Lei 10.101/00. Com tal objetivo firmou Acordos Coletivos de Trabalho com as seguintes entidades sindicais: • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Santo André. Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Diadema, Mauá, Ribeirão Pires Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Ribeirão Preto SP. Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Altinópolis, Barrinha, Batatais, Brodowski, Cajuru, Cravinhos, Dumont, Guatapará, Jardinópolis, Pontal, Ribeirão Preto, Santa Cruz da Esperança, Santo Antônio da Alegria, São Simão, Serra Azul, Serrana e Sertãozinho. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Jundiaí e região. Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Campo Limpo Paulista, Itatiba, Itupeva, Jundiaí, Louveira, Várzea Paulista e Vinhedo. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o S.T.E.T.R.C.E. Passageiros de Duque de Caxias – RJ. Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Duque de Caxias e Magé. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Curitiba (São José dos Pinhais). Conforme Cadastro Nacional de Entidades Fl. 12770DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.771 18 Sindicais a base territorial é: Almirante Tamandaré, Araucária, Balsa Nova, Bocaiúva do Sul, Campina Grande do Sul, Campo Largo, Colombo, Contenda, Curitiba, Mandirituba, Piraquara, Quatro Barras, Rio Branco do Sul e São José dos Pinhais. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Paraná com a filial 475, CNPJ 59.291.534/0631 69. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Rodoviários e Anexos do ABC com a filial 500, CNPJ 59.291.534/067741. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Santo André. Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Diadema, Mauá, Ribeirão Pires Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Ribeirão Preto SP. Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Altinópolis, Barrinha, Batatais, Brodowski, Cajuru, Cravinhos, Dumont, Guatapará, Jardinópolis, Pontal, Ribeirão Preto, Santa Cruz da Esperança, Santo Antônio da Alegria, São Simão, Serra Azul, Serrana e Sertãozinho. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Jundiaí e região. Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Campo Limpo Paulista, Itatiba, Itupeva, Jundiaí, Louveira, Várzea Paulista e Vinhedo. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o S.T.E.T.R.C.E. Passageiros de Duque de Caxias – RJ. Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Duque de Caxias e Magé. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Curitiba (São José dos Pinhais). Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Almirante Tamandaré, Araucária, Balsa Nova, Bocaiúva do Sul, Campina Grande do Sul, Campo Largo, Colombo, Contenda, Curitiba, Mandirituba, Piraquara, Quatro Barras, Rio Branco do Sul e São José dos Pinhais. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Paraná com a filial 475, CNPJ 59.291.534/0631 69. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Rodoviários e Anexos do ABC com a filial 500, CNPJ 59.291.534/067741. Fl. 12771DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.772 19 A fiscalização entendeu que os empregados lotados em estabelecimentos situados fora da área de ação dos sindicatos mencionados, não poderiam receber a participação nos lucros e resultados por ausência de negociação prévia junto ao respectivo sindicato da categoria. Os pagamentos realizados sob tal titulo integraram a base de calculo dos créditos [levantamento P1 Participação Lucros Resultados] constituídos através Autos de Infração n° 51.062.1147 (parte patronal) e 51.062.1155 (Outras Entidades). A Recorrente não nega este fato, apenas afirma que "a Lei nº 10.101/00 não exige que cada uma das unidades da empresa, em suas diversas localidades, celebre um acordo específico de PLR. A norma é clara ao estabelecer como regra um sindicato de cada uma das CATEGORIAS de empregados". Quanto a efetividade dos direitos sociais, dentro de limites legais, é preciso aplicar métodos hermenêuticos que privilegiem essência em detrimento da forma, evitando resultados interpretativos que inviabilizem o exercício de tais direitos. Quando tratamos de PLR existem muitos entendimentos pautados em um formalismo exacerbado, mas a garantia do direito de negociar os termos dos planos de participação nos lucros e resultados, de modo livre e igualitário, não integra o rol dos elementos formais, está na essência da norma. Entendemos que não é possível garantir negociação livre sem a participação das respectivas entidades sindicais de representação dos trabalhadores em cada uma das localidades em que o plano vigorará. Entender de modo diverso daria margem a negociações de conveniência, pois, para uma empresa com operação em grande parte do território nacional bastaria escolher os sindicatos com propostas e condições mais vantajosas, burlando a finalidade da Lei nº 10.101/00 ao determinar a participação dos sindicatos das respectivas categorias. A alegação da Recorrente de que o Acordo firmado se deu por categoria profissional e deveria abranger a totalidade dos estabelecimentos é equivocada, pois, o enquadramento sindical é determinado pela atividade preponderante da empresa [arts. 570 e 581, § 2º da CLT], a não ser no caso de categoria profissional diferenciada e dos empregados regidos por lei especial [art. 511, § 3º da CLT]. E ainda que, em razão da preponderância, se pudesse admitir a extensão dos efeitos do referido acordo a todos os empregados de modo indistinto, a base territorial dos sindicatos representantes das categorias profissionais e econômica deve ser considerada, não podendo ser flexibilizada. Os efeitos da representação estão limitados a base territorial sendo vinculativos em razão do local de trabalho dos empregados, sendo isto uma decorrência dos princípios da territorialidade e da unicidade sindical1. De modo simétrico ao que dispõe a Constituição Federal e o Art. 516 da CLT2, a Lei nº 10.101/00, determina que a negociação seja realizada junto ao sindicato da 1 Art. 8º, inc. II da Constituição da República 2 Art. 516 Não será reconhecido mais de um Sindicato representativo da mesma categoria econômica ou profissional, ou profissão liberal, em uma dada base territorial. Fl. 12772DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.773 20 respectiva categoria3 o que, ao contrário do que sustenta a recorrente, se define também pela base territorial da entidade. Ante a tal realidade, somente poderiam ser considerandos válidos os pagamentos realizados a titulo de PLR para empregados vinculados a estabelecimentos localizados nas regiões de abrangência territorial da representação sindical. As negociações coletivas de trabalho se dão por representação exercida nos limites do reconhecimento sindical atribuído a entidade, não sendo possível vincular aos efeitos de tal negociação, sejam positivos ou negativos, empregados que não integram a categoria econômica da entidade sindical ou que esteja fora de seu âmbito territorial de ação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso neste ponto. 2.2. ISENÇÃO APLICABILIDADE DO ITEM 7 DA ALÍNEA E DO §9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. Com o não acolhimento da tese recursal e confirmação da desqualificação dos pagamentos realizados sob a titulação de PLR, ainda assim, alega a recorrente, tais pagamentos não seriam tributáveis. Sustenta tratarse de pagamento eventual e vinculado a critérios de desempenho, estando desvinculados do salário, portanto, seriam passiveis de classificação como prêmios. O lançamento tomou por base o pagamento de PLR realizado em dezembro de 2010, portanto um único pagamento. Embora ausente a adequada representação sindical, fato que impossibilitou o reconhecer tais pagamentos como Participação nos Lucros e Resultados, é inegável que os pagamentos não foram realizados com habitualidade e não indicam uma contraprestação diretamente relacionada ao trabalho dos empregados, mas um prêmio pelo alcance de metas. Os prêmios, conforme conceitua o §4º do mesmo dispositivo, são liberalidade concedidas pelo empregador em forma de bens, serviços ou valor em dinheiro a empregado ou a grupo de empregados, em razão de desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades laborais.4 3 Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. 4 Memso antes da Reforma Trabalhista, a CLT já não incluia os prêmios como salário, os tratava como liberalidade. Vemos o paragrafo 22 do mesmo Artigo: § 22. Consideramse prêmios as liberalidades concedidas pelo empregador, até duas vezes ao ano, em forma de bens, serviços ou valor em dinheiro, a empregado, grupo de empregados ou terceiros vinculados à sua atividade econômica em razão de desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades. (Incluído pela Medida Provisória nº 808, de 2017) (Vigência encerrada) Fl. 12773DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.774 21 O que se considera desempenho superior integra o âmbito das subjetividades e escolhas do administrador dos negócios e não foi objeto de questionamento por parte da autoridade fiscal, portanto, ausente o elemento essencial para considerar os prêmios como tributáveis, habitualidade, nos termos do item 7, da alínea a, §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/915 tais pagamentos estariam excluídos do conceito de saláriodecontribuição. Por tudo que foi exposto e ante a verdade dos fatos, voto por dar provimento ao recurso neste ponto. 2.3. DAS VANTAGENS ADICIONAIS, BENEFÍCIOS E BONIFICAÇÃO NÃO DECLARADAS EM GFIP. Como asseverado pela Recorrente, o relatório da autuação fiscal, no que concerne as "vantagens" indica como motivação para a tributação dos pagamentos o seguinte: E essa é toda a fundamentação adotada pela autoridade fiscal para realizar o lançamento. [Fls. 112/113]. O Acórdão recorrido, para viabilizar a manutenção do lançamento, seguiu em outro sentido. Vejamos: 5 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] e) as importâncias: [...] 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Fl. 12774DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.775 22 Ainda que seja possível articular argumentos no sentido de que tais pagamentos foram realizados com habitualidade e de modo retributivo, caberia a fiscalização indicar e provar tal fato. O lançamento trata como gerador apenas o fato da Recorrente ter deixado de declarar tais pagamentos em GFIP as "despesas com pessoal", sem promover nenhuma analise mais contundente quanto a natureza de tais despesas, razões de pagamento, composição entre outras. Não cabe ao julgador ajustas, aprimorar ou inovar nas razões do lançamento. Por mais que seja possível aduzir tais conclusões partindo de documentos contidos nos autos, o elemento delineador do lançamento quanto a identificação do fato é o REFISC e o julgador deve se por dentro desses limites, por mais inadequados que sejam. A mesma regra é aplicável às impugnações e recursos do contribuinte, ainda que seja possível aduzir razões não articuladas pelo contribuinte para exoneração do lançamento, os limites da lide estão postos e não cabe ao julgador inovar. A decisão recorrida fere a imparcialidade ao inovar com claro intuito de aprimorar ato defeituoso, o que foge a finalidade essencial do processo administrativo fiscal como meio de resguardar a legalidade, retirando do ordenamento jurídico atos defeituosos e incompletos. Fl. 12775DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.776 23 Por sua vez, o lançamento, se analisando em seus termos originais, não se apresenta adequado a conclusão quanto a tributabilidade, o mero registro contábil como despesa de pessoal e ausência de declaração em GFIP não conformam o fato gerador da contribuição lançada, carecendo o lançamento de motivação adequada. Tomando todos esses fatos, ante a inovação na decisão recorrida e inadequação dos motivos que determinaram o lançamento voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. 2.4. DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE REFEIÇÃO. No presente caso são fatos inquestionáveis que a Recorrente, com base em regramento contido em Instrumento Coletivo de Trabalho, pagou em dinheiro valor destinado ao custeio de alimentação dos funcionários. Não constam informações sobre inscrição no PAT. Embora existam indícios claros quanto a destinação e esteja comprovada a obrigatoriedade do custeio de alimentação dos empregados, existem formas estabelecida em lei para que tal obrigação seja executada sem que integre a remuneração e o pagamento em pecúnia não é uma destas formas. As cortes superiores já firmaram entendimento quanto a incidência de contribuições previdenciárias sobre pagamentos realizados à titulo de custeio de benefícios de alimentação quando pagos em pecúnia, assim como esta própria turma, em diversas composições, se mostrou alinhada a tal entendimento. A Lei 8.212/91 alínea, C, §9º do Art. 28 é clara ao excluir a exigibilidade do crédito tributário incidente sobre a parcela "in natura" recebida pelos empregados de pessoas jurídicas que efetuem tais pagamentos com observância dos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, o que, considerando as obrigações em analise, não é o caso da Recorrente6. E ainda que os argumentos da Recorrente sejam marcados por certo senso de justiça, a lei é clara quanto aquilo que está abarcado pela norma de isenção referida e, tratando se de isenção, deve ser interpretada de modo literal, nos termos determinados pelo Art. 111, II do CTN7. Não havendo controvérsias de caráter fático, estando os pagamentos inadequados ao que dispõe a lei temos razões que impedem o acolhimento da pretensão recursal neste ponto. 2.5. DAS BOLSAS DE ESTUDO. 6 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; 7 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; Fl. 12776DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.777 24 Os termos do REFISC e do Acórdão recorrido estão alinhados quanto as razões para qualificar as bolsas de ensino como remuneração integrante da base de calculo das contribuições lançadas. Segundo seus termos a legislação aplicável indicaria que apenas os cursos vinculados às diretrizes básicas de educação (Lei nº 9.394/96) estariam abrangidos pela isenção de contribuições previdenciárias. Vejamos: “Bolsa de Estudos: TREINAMENTO, valores pagos a título de BOLSA DE ESTUDO: concessão de valores a título de reembolso 50%, apesar de questionada, a empresa não apresentou resposta conclusiva a respeito dos pagamentos. Diante dos fatos, os valores pagos a título de bolsa de estudo foram considerados como integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias e das contribuições destinadas a Terceiros, tendo em vista que se tratam de cursos de nível superior de graduação, pósgraduação e MBA. Foram excluídos os cursos que estão de acordo com a alínea "t" do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/1991.” (relatório fiscal) “AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. EDUCAÇÃO SUPERIOR. GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO. INCIDÊNCIA. A inobservância das condições na concessão de auxílioeducação, conforme previsto na legislação específica vigente à época, atribui a esta verba o caráter remuneratório, para todos os efeitos, inclusive para fins de incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. Na época da ocorrência do fato gerador, o valor pago a título de graduação e pósgraduação estava submetido à incidência de contribuição previdenciária.” (DRJ) A Lei 9.528/97 dispõe sobre a matéria ao determinar não integrar o salário de contribuição "o valor relativo a plano educacional que vise ao ensino fundamental e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo" [ alinea t, §9º do Art. 28 da Lei 8.212/91.8 Como se pode perceber a hipótese de exclusão de tais bolsas da base de remuneração dos empregados se divide em educação básica e profissionalizante em conformidade com o que dispõe a Lei nº 9.394/96. No presente caso temos bolsas pagas para custeio de cursos de graduação e pósgraduação dos empregados da recorrente. A própria Lei nº 9.394/96 em seu artigo 39 estabeleceu que a educação profissional integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pósgraduação. 9 8 Art. 28, §9º, t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: 9 Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) Fl. 12777DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.778 25 Não é possível manter o entendimento fiscal e a decisão recorrida neste ponto, razão pela qual votamos por dar provimento ao recurso. 2.6. DO CÁLCULO DO FAP. Neste ponto a Recorrente fez referência aos termos da impugnação. Não havendo questões novas e por concordar com os termos do decisório neste ponto, votamos por negar provimento ao recurso adotando os termos do julgado recorrido como fundamento do presente voto. A Impugnante alega que, como a empresa Nova Casa Bahia S/A (NCB) teve origem apenas no ano de 2010, seria impossível por ausência de suporte legal e fático, estabelecer a aplicação do FAP no próprio ano de sua constituição, período ora fiscalizado, já que o item 2.5 da Resolução 1.316/2010 dispõe que, para as empresas constituídas após janeiro de 2007, o FAP será calculado no ano seguinte ao que completar dois anos de constituição. Em que pese os argumentos da defesa, não há previsão legal para acatar essa tese, tendo em vista que os trabalhadores foram contratados e prestaram serviços diretamente para a empresa autuada (Casa Bahia Comercial Ltda) e não para a empresa Nova Casa Bahia S/A (NCB). Isso porque, após a Cisão Parcial da empresa Casa Bahia Comercial Ltda (autuada) ocorrida em novembro de 2010 (Protocolo firmando entre as empresas envolvidas), a empresa Nova Casa Bahia S/A (NCB) somente absorveu parte dos empregados da empresa cindida (autuada) e aqueles empregados que, por questões de ordem operacional, não puderam formalizar seu vínculo trabalhista com a nova empresa (NCB), imediatamente após a Cisão Parcial permaneceram empregados da empresa autuada até que fosse possível transferir o registro desses empregados. Além disso, a remuneração dos empregados objeto do lançamento referese aqueles que permaneceram sendo pagos diretamente pela empresa cindida § 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos, observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pósgraduação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pósgraduação organizarseão, no que concerne a objetivos, características e duração, de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. Fl. 12778DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.779 26 (Casa Bahia Comercial Ltda, autuada), conforme informações declaradas em GFIP e em DIRF, após a Cisão Parcial. Tais informações não foram invalidadas pela defesa que apenas busca alterar a aplicação da alíquota GILRAT/FAP com base em argumentos de constituição de empresa nova, após a Cisão Parcial da autuada, que não encontram respaldo na legislação vigente, pois não é possível a aplicação de analogia nessa situação em que há disposição expressa na legislação tributária (artigo 108 do CTN). Ressaltase que a legislação é clara ao estipular que a contribuição destinada ao GILRAT/FAP será calculada com base no grau de risco da atividade do contribuinte autuado, cujo enquadramento será feito de acordo com a sua atividade econômica preponderante, levandose em consideração a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE prevista no Anexo V do RPS, conforme artigo 72, §1º, inciso I, da Instrução Normativa RFB n° 971/2009. Instrução Normativa RFB n° 971/2009 Art.72. (...) § 1º A contribuição prevista no inciso II do caput será calculada com base no grau de risco da atividade, observadas as seguintes regras: I o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, e deve ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, que foi reproduzida no Anexo I desta Instrução Normativa, obedecendo às seguintes disposições: (...) Por sua vez, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT está prevista na Lei 8.212/1991, artigo 22, inciso II, e Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, artigo 202. Lei 8.212/1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:(...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; Fl. 12779DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.780 27 b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. [...]§ 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. ........................................................................................ Regulamento da Previdência Social (RPS): Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...) § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. Essas determinações foram devidamente observadas pela auditoria fiscal, em obediência ao disposto no Código Tributário Nacional (CTN), artigo 142, parágrafo único, segundo o qual: “A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. 2.7. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tal temática é recorrente neste colegiado que tem entendimento sedimentando no sentido reconhecer a legalidade da incidência de juros sobre multa de oficio. Fl. 12780DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.781 28 O presente caso não apresenta nenhuma peculiaridade que destoe do que fora paradigma para formação da Súmula CARFnº 108, razão pela qual votaremos por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto, lastreando nosso entendimento na referida súmula, que passamos a transcrever: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Voto Vencedor Luís Henrique Dias Lima Redator Designado. Não obstante o bem fundamentado voto do i. Relator, dele divirjo nas matérias relacionadas à i) isenção aplicabilidade do item 7 da alínea "e" do § 9°. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991; e ii) vantagens adicionais, benefícios e bonificação não declaradas em GFIP. Com relação à isenção prevista no art. 28, alínea “e”, § 9º, da Lei 8.212/1991, resta comprovado nos autos que o pagamento do valor total da PLR restringiase apenas aos segurados empregados que trabalhassem durante o período de 01/01/2010 a 31/12/2010, respeitando a proporcionalidade de 1/12 (um doze avos ) por mês trabalhado, conforme cópia do Acordo Coletivo (efls. 135/149). Outrossim, os valores eram pagos de acordo com os fatores de ordem pessoal de cada trabalhador no exercício de determinada atividade laboral (metas estabelecidas para cada setor) e o aceite da proposta de contratação sinalizava o pagamento dos valores intitulados de PLR, que passavam a integrar o patrimônio dos beneficiários. Concluise, assim, que os valores eram pagos em decorrência do contrato de trabalho, vez que a concessão da suposta PLR estava vinculada à atividade laboral a ser desempenhada pelo obreiro na empresa, portanto, distinto de um contrato de natureza civil que não se vincula à atividade laboral. Da mesma forma, também não prospera a alegação da Recorrente de que os pagamentos de PLR sem instrumento de negociação seria uma verba concedida de forma eventual e, por isso, estaria livre da incidência previdenciária em razão da norma inserta no item 7 da alínea “e” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991, tendo em vista que tal premissa não se amolda à melhor interpretação da legislação, uma vez que a verba em apreço referese a pagamento do período de atividade de 01/01/2010 a 31/12/2010, estando ausente qualquer traço de liberalidade na sua concessão. Quanto às vantagens adicionais, benefícios e bonificação não declaradas em GFIP, não há de se concordar com o argumento de inovação na decisão recorrida e inadequação dos motivos que determinaram o lançamento, conforme entende o i. Relator. Fl. 12781DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.782 29 Nesse contexto, entendo por demais esclarecedoras e suficientes as conclusões da decisão da instância de piso, verbis: Impugnante tenta descaracterizar a natureza salarial dos valores pagos a título de vantagens adicionais, benefícios e bonificação, alegando que são pagos sem habitualidade (ganhos eventuais) e, com isso, estariam acobertados pela regra isentiva do item 7 da alínea “e” do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer. Isso porque, contrário ao ganho eventual, a habitualidade (não eventualidade) não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo e de forma linear (sempre o mesmo valor), mas pela garantia do recebimento a cada implemento de uma condição imposta ao trabalhador. E, no caso dos autos, os valores foram pagos somente aos funcionários da empresa autuada em decorrência da prestação de serviços e da própria política de sua concessão, já que os valores receberam a denominação de “vantagens adicionais, benefícios e bonificação” e a própria empresa autuada informou que tais valores eram pagos aos funcionários da região do Distrito Federal de acordo com o previsto na Convenção Coletiva, conforme TIF n° 05. Tanto ficou configurada a habitualidade que, durante as competências 01/2010 a 09/2010, a Impugnante registrou o pagamento dos valores na sua escrita contábil como despesas com pessoal (conta 3609002 OUTRAS DESPESAS COM PESSOAL), e indicava como histórico o pagamento a funcionários na modalidade “extra” (“PAGO A FUNCIONÁRIOS EXTRAS”). Portanto, a habitualidade e a retributividade restam caracterizadas em decorrência da própria política de concessão, do período de permanência (período de 01/01/2010 a 30/09/2010) e da maneira como foi registrada em sua escrita contábil, materializandose na disponibilidade dos valores no patrimônio dos beneficiários, conforme planilhas do Anexo PAGAMENTO EXTRA A FUNCIONÁRIO (fls. 9165/9283), e, por consectário lógico, gerando um ganho a título de gratificação ajustada por meio da Convenção Coletiva de Trabalho que corresponde a uma típica cláusula de contrato de trabalho. Dessa maneira, os valores pagos a título de vantagens adicionais, benefícios e bonificação configuram rendimentos recebidos em razão da prestação de serviços à Impugnante, já que se enquadram na moldura jurídica do inciso I do art. 28 da Lei 8.212/1991 e não, na regra isentiva do item 7 da alínea “e” do § 9° do art. 28 dessa mesma Lei. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário (efls. 12614/12639), para excluir do lançamento os valores referentes às verbas a título de bolsas de estudo. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 12782DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721450/2016-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório 1. Por bem representar o caso em tela, emprego como meu parte do relatório do acórdão nº 1463.819, veiculado pela DRJ de Ribeirão Preto (fls. 684/698), o que passo a fazer nos seguintes termos: Tratase de impugnação apresentada contra os lançamentos das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas sujeitas ao regime não cumulativo, referentes às competências de janeiro e fevereiro de 2011. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 21 45 0/ 20 16 -7 0 Fl. 803DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3402001.598 S3C4T2 Fl. 2.480 2 Os lançamentos decorreram da falta de recolhimento das contribuições devidas sobre o faturamento mensal pelos fatos de: i) o interessado ter deixado de incluir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes de subvenções concedidas por Estados da União, correspondentes à redução ou à concessão de crédito presumido do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS); ii) o autuante ter reduzido a zero os saldos dos créditos das contribuições apurados pelo interessado, para as competências de abril e junho de 2010, remanescentes ao final de dezembro de 2010; e, iii) de o autuante ter glosado parte dos créditos aproveitados (descontados) pelo interessado no período objeto dos lançamentos em discussão, conforme Relatório Fiscal às fls. 199/236. Intimado dos lançamentos, o interessado impugnouos (fls. 245/302), alegando, em síntese (...) (grifos nosso). 2. Diante da aludida autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 245/301, a qual foi julgada improcedente pelo mencionado acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2011, 28/02/2011 DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO, DECADÊNCIA. PRAZO. CONTAGEM. A contagem do prazo quinquenal da decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário sujeito a lançamento por homologação, quando não há antecipação de pagamentos, é feita a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2011, 28/02/2011 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. A base de cálculo da contribuição sujeita ao regime não cumulativo é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, excluídas as receitas expressamente previstas em lei. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE SUBVENÇÕES. EXCLUSÃO. Somente as receitas de subvenções comprovadamente aplicadas em investimentos imobilizados podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins com incidência não cumulativa. SALDOS CREDORES. PERÍODOS ANTERIORES. DESCONSIDERAÇÃO. Correta a desconsideração dos saldos credores de períodos anteriores, na apuração da diferença da contribuição lançada e exigida, pelo fato Fl. 804DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3402001.598 S3C4T2 Fl. 2.481 3 de tais saldos terem sido objetos de processos próprios nos quais foram analisadas a certeza e liquidez dos valores aproveitados (descontados). DESPESAS. FRETES DEVOLUÇÕES, TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS. GLOSAS DE CRÉDITOS. Correta a glosa dos créditos sobre despesas com fretes de devoluções, transferências de produtos em elaboração, acabados, insumos entre os estabelecimentos do interessado por não se enquadrarem no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2011, 28/02/2011 LEGISLAÇÃO CORRELATA. APLICAÇÃO. Dada a correlação entre as normas que regem as contribuições, aplicamse na íntegra as mesmas ementas e conclusões de mérito do PIS à Cofins. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Uma vez intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 707/768, oportunidade em que repisou os fundamentos invocados em sua impugnação. 4. Em razão da resolução nº 3201001.290 (fls. 777/783) o Presidente da 3a Seção deste Tribunal Administrativo, por intermedio do despacho de fls. 787/788, determinou que o presente processo fosse distribuído por dependência ao processo n. 13971. 24090/201587, sob minha relatoria. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro I. Da admissibilidade do Recurso 6. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. II. O contexto fático da presente demanda 7. Conforme se observa dos autos, a presente exigência fiscal pautase em três fundamentos distintos, sendo um deles o seguinte: · redução a zero dos saldos das contribuições nãocumulativas, ao final do período de apuração 12/2009, conforme Relatório Fiscal que integra o processo n° 13971.723730/201451 (itens 85 a 88). Fl. 805DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3402001.598 S3C4T2 Fl. 2.482 4 8. Em outros termos, o contribuinte alega que o saldo credor existente até dezembro de 2009 seria suficiente para saldar integralmente o débito aqui lançado. Ocorre que, aludido crédito foi objeto de glosa, a qual é discutida no âmbito do processo administrativo 13971.723730/201451, cujo extrato processual obtido por este Relator junto ao comprot encontrase abaixo indicado: 9. Da análise de tal movimentação processual é possível constar que, aparentemente, o contribuinte interpôs impugnação administrativa, cujo desfecho é de impossível conclusão apenas com base na movimentações processuais alhures indicadas. Fl. 806DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3402001.598 S3C4T2 Fl. 2.483 5 10. Não obstante, alega ainda o contribuinte que a manutenção ou não do débito exigido nos autos n. 13971.723730/201451 depende ainda da glosa de saldo credores debatidos nos autos 13971.908784/201141 e 13971.908783/201105, os quais estão pendentes de julgamento definitivo neste Tribunal Administrativo: Fl. 807DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3402001.598 S3C4T2 Fl. 2.484 6 11. Diante deste quadro e para a existência de uma segura conclusão do presente julgamento, mister se faz converter em diligência o presente julgamento para que sejam tomadas as seguintes providências pela unidade preparadora (i) informar a atual andamento processual dos autos n. 13971.723730/201451, juntando aos autos cópias das eventuais peças defensivas (impugnação e recursos), bem como das correlatas decisões administrativas; (ii) informar a atual andamento processual dos autos n. 13971.908784/201141 e 13971.908783/201105, juntando aos autos cópias das eventuais peças defensivas (impugnação e recursos), bem como das correlatas decisões administrativas; Fl. 808DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3402001.598 S3C4T2 Fl. 2.485 7 (iii) demonstrar, analiticamente, a eventual relação existente entre os autos n. 13971.723730/201451 e aqueles autuados sob os ns. 13971.908784/201141 e 13971.908783/201105. bem como a relação do primeiro processo administrativo aqui citado com o caso em julgamento; e, por fim (iv) tomadas tais providências, deverá a unidade preparadora intimar o contribuinte para que, tendo interesse, manifestese em 30 dias a respeito, exatamente como prevê o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 12. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 809DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723813/2016-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
Tendo sido afastada a decadência do direito de pleitear a restituição, os autos devem retornar à DRJ, para que aquele colegiado se pronuncie acerca do pedido da contribuinte, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 2002-000.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o retorno dos autos à DRJ, para que se pronuncie acerca do direito creditório pleiteado pela contribuinte, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Tendo sido afastada a decadência do direito de pleitear a restituição, os autos devem retornar à DRJ, para que aquele colegiado se pronuncie acerca do pedido da contribuinte, sob pena de supressão de instância.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Recorrente ALBERTINA PASCOTINI WEBER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Tendo sido afastada a decadência do direito de pleitear a restituição, os autos devem retornar à DRJ, para que aquele colegiado se pronuncie acerca do pedido da contribuinte, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o retorno dos autos à DRJ, para que se pronuncie acerca do direito creditório pleiteado pela contribuinte, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 38 13 /2 01 6- 11 Fl. 156DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso da contribuinte em face do Acórdão nº 1675.154 da DRJ/SPO (fls.142/146), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte contra o Despacho Decisório Seort/DRF/POA nº 544, de 2016 (fls.121/126). A recorrente busca a restituição dos valores de R$4.731,10 e de R$3.223,54 que teriam sido pagos a maior nos anoscalendário 2008 e 2009. O despacho decisório indeferiu o pleito uma vez que não foi utilizado o programa PERD/DCOMP, na forma da IN RFB nº1.300, de 2012, salientando que a contribuinte solicitou a restituição à DRJ, fora do limite do contencioso. Acrescenta, para fins de argumentação, que não haveria base legal para o reconhecimento do direito creditório, uma vez que inexistiriam provas de que a contribuinte arcou com o ônus dos valores adicionais do IRRF que pretende compensar, nem que os valores tenham incidido sobre parcelas recebidas nos anos de 2008 e 2009, conforme simulações de declarações retificadoras juntadas. Cientificada dessa decisão em 24/6/2016, a Contribuinte apresentou, em 7/7/2016, a manifestação de inconformidade de fls.126/137, apresentando os argumentos a seguir sintetizados: não teria conseguido apresentar o pedido de restituição do programa por decorrer mais de cinco anos do pagamento do crédito, tendo sido orientada a solicitar a restituição por meio do formulário. em relação ao item 4 da decisão, não adentraria ao mérito para não aumentar a discussão sobre tal matéria, já tratada nos acórdãos DRJ os 1671.374 e 1671.375. em relação ao item 5 da decisão, teria pago complemento do IR após os ajustes das declarações acima dos valores devidos, sendo que o valor do IRRF já supriam o IR devido com restituições. a decisão impugnada estaria discutindo além dos limites dos acórdãos proferidos em fase anterior. No acórdão já mencionado, a DRJ/SPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, sem reconhecimento do direito creditório pleiteado, apontando que os pedidos de restituição foram protocolizados em 12/5/2016, com a utilização do formulário em papel, quando já extinto o direito da contribuinte, nos termos dos artigos 165, inciso I, c/c 168, inciso I, do CTN. Cientificada da decisão em 26/12/2016 (fl.148), a recorrente formalizou seu recurso em 5/1/2017 (fl.150), alegando, em síntese (fls.150/151): a decisão recorrida teria apontado a existência de prazo para os contribuintes pleitearem restituição como forma de não lhe devolver os valores a que faz jus. a decisão não teria atentado para a suspensão do prazo em virtude de estar com recursos junto à RFB em andamento. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11080.723813/201611 Acórdão n.º 2002000.480 S2C0T2 Fl. 157 3 os valores pleiteados estariam associados aos processos 11080.7239992/201262 e 11080.723990/201273, em que foram proferidos os acórdãos nos 1671.374 e 1671.375, exonerando os créditos tributários referentes aos exercícios 2009 e 2010. o prazo ficaria suspenso em virtude da existência desses recursos junto à RFB, onde estão sendo discutidos ao valores. após reproduzir trecho de decisão acerca do Parecer Normativo Cosit nº 11, sobre prazo prescricional de compensação administrativa de crédito tributário decorrente de decisão judicial transitada em julgado, requer o acolhimento do seu recurso por medida de justiça tributária. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O pleito da recorrente recai sobre parte dos recolhimentos efetuados para quitar os valores de imposto a pagar apurados por ela nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios 2009 e 2010. A decisão recorrida aponta que o pedido estaria decadente por decurso do prazo, uma vez que os recolhimentos foram efetuados em 29/4/2009 e 29/4/2010 e, nos termos do artigo 168 do CTN, a recorrente teria até 29/4/2014 e 29/4/2015, respectivamente, para solicitar a restituição. Como foi protocolado em 12/5/2016, o pedido estaria decadente. Com a maxima venia, entendo que merece reparo a decisão recorrida. Como relatado, os recolhimentos estão atrelados às DIRPF dos exercícios 2009 e 2010. De acordo com a legislação aplicável, para pleitear a restituição de recolhimentos de cotas do IRPF, a contribuinte deveria, primeiro, retificar suas Declarações de Ajuste correspondentes e, posteriormente, peticionar a restituição dos pagamentos efetuados a maior nas declarações originais entregues, mediante PER/DCOMP. Ocorre que essas declarações foram objeto de autuação, as quais foram impugnadas pela recorrente nos autos dos processos os 11080.723990/201273 e 11080.7239992/201262. Dessa forma, a recorrente estava impedida de retificar essas declarações. Fl. 158DF CARF MF 4 Nas autuações mencionadas (fls.13/17 e 28/31), verificase que foi imputada à contribuinte omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, tendo sido compensados os valores de IRRF correspondentes (fls. 16 e 29). Constatase das defesas apresentadas naqueles autos (fls.19 e 35/36), que a recorrente discordou da inclusão dos rendimentos, mas entendeu fazer jus aos valores do IRRF indicados na autuação. A restituição pleiteada decorreria da inclusão do IRRF, que ela defende ter direito. Seguem os trechos das impugnações: Processo 11080.7239992/201262 Processo 11080.723990/201273 Não obstante, nos acórdãos exarados (fls.9/11 e 21/25), esses pedidos da contribuinte, acerca da compensação do IRRF, não foram analisados. As decisões deram provimento, para cancelar integralmente a autuação, ou seja, cancelar a inclusão tanto dos rendimentos quanto dos IRRF correspondentes, consignando: Processo 11080.7239992/201262 Processo 11080.723990/201273 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11080.723813/201611 Acórdão n.º 2002000.480 S2C0T2 Fl. 158 5 Vejase que esses pedidos constaram das impugnações, protocoladas em 2012, e, portanto, dentro do prazo legal para tal. Não obstante, entendeu o colegiado de primeira instância que não caberia a apreciação de tal pleito, ainda que intrinsecamente relacionado ao lançamento, já que decorria do direito da contribuinte em compensar ou não o IRRF incluído na autuação. A esse respeito, o Despacho Decisório exarado, após indeferir o pleito em função da forma inapropriada (formulário em papel), registrou (fls.121/122): 4. Por fim, apenas para fins de argumentação, cabe ressaltar que, quanto ao mérito, também não haveria base legal para o reconhecimento do direito creditório. Com o intuito de fazer aflorar seu direito à restituição, a contribuinte juntou declarações retificadoras nas quais aumentou o valor do IRRF. Ocorre que, quanto à compensação do IRRF, o Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, em seu artigo 87, IV, estabelece que, do imposto apurado na declaração de ajuste anual, poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo. Nessa toada, entendo que a recorrente apresentou tempestivamente seus pedidos de restituição, cabendo sua apreciação. Em sendo assim, em observância ao princípio do duplo grau de jurisdição, o qual orienta o processo administrativo fiscal, os autos devem retornar à DRJ, para que se pronuncie acerca da restituição pleiteada. Por todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRJ, para que se pronuncie acerca do direito creditório pleiteado pela contribuinte. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 160DF CARF MF
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