Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10675.001025/2002-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-007.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10675.001025/2002-11
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5931310
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.413
nome_arquivo_s : Decisao_10675001025200211.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10675001025200211_5931310.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7532922
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149207076864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2088; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10675.001025/200211 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.413 – 3ª Turma Sessão de 19 de setembro de 2018 Matéria IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. SELIC. Recorrente MATABOI ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 10 25 /2 00 2- 11 Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 3 2 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte com fulcro no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 210200.152. Na parte de interesse ao presente julgamento o colegiado a quo não reconheceu o direito à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, das aquisições de insumos efetuadas perante pessoas físicas, nem o direito à incidência da taxa Selic sobre os valores pleiteados em ressarcimento. O recurso especial foi admitido, consoante despacho do presidente da Câmara competente, com relação às seguintes insurgências da Contribuinte: a interpretação de que as aquisições de insumos de pessoas físicas não compõem a base de cálculo do crédito presumido de IPI da Lei n.º 9.363/96; e a interpretação de que não incide correção monetária ou juros Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes de incentivos fiscais. A Fazenda Nacional, devidamente intimada, não apresentou contrarrazões ao recurso especial da Contribuinte. É o Relatório. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.411, de 19/09/2018, proferido no julgamento do processo 13886.001231/200234, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.411): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, a controvérsia posta no recurso especial da Contribuinte cingese às seguintes matérias: (i) requer a inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido de IPI; e (ii) postula a aplicação da taxa Selic aos pedidos de ressarcimento. 1. Da inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido de IPI A possibilidade de inclusão das aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS, como pessoas físicas e cooperativas, no cálculo do crédito presumido de IPI, foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp n.º 993.164/MG, pela sistemática dos recursos repetitivos. O acórdão recebeu a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 5 4 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 6 5 sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 7 6 Por força do art. 62, §2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça para o caso dos autos deve ser reproduzido por este Conselho, sendo reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI com relação às aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS pessoas físicas e cooperativas. 2. Incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI No acórdão recorrido, entendeuse pela impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI a ser ressarcido. Com relação à atualização do ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, pela taxa Selic, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de ser cabível a correção monetária, por meio do julgamento do recurso especial nº 1035847/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), que recebeu a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifouse) Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 8 7 O caso julgado em sede de recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça aplicase ao presente processo administrativo, uma vez que também tratou de pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, decorrente de impedimento interposto por atos normativos infralegais para aproveitamento do benefício. Portanto, deverá haver a incidência da correção monetária pela taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido, conforme entendimento já consolidado neste Colegiado. No caso dos autos, houve a oposição estatal ilegítima a obstar o aproveitamento do crédito presumido de IPI: o direito creditório da Contribuinte foi indeferido, nos termos do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP (fls. 87 a 88), direito de crédito indeferido também nas demais decisões da DRJ (fls. 108 a 117) e do CARF, consoante acórdão de recurso voluntário (fls. 138 a 150). Portanto, dúvidas não há quanto à possibilidade de incidência da correção monetária sobre o valor a ser ressarcido, no caso tão somente quanto às aquisições de pessoas físicas, deferida no presente recurso especial. Nesse sentido, é o entendimento já consolidado desta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se vê no Acórdão n.º 9303007.012, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas." (...)1 "Em que pese os argumentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, discordo diametralmente de seu entendimento. O Recurso foi apresentado tempestivamente e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento, passo a decidir. A matéria divergente posta a julgamento nesta E.Câmara Superior, diz respeito a incidência ou não da taxa SELIC, sobre o cálculo de crédito presumido de IPI a ressarcir, bem como o termo inicial de incidência. Com efeito, na forma reiterada da jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164). Embora, o STJ tenha definido aplicação da Taxa Selic acumulada a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração, entendo que os processos ao crivo de julgamento desta E. Câmara Superior, a turma deve analisar detidamente se houve ou não "oposição estatal" ou "ilegítima resistência por parte da Administração Pública". Nos processos de minha relatoria, adoto o entendimento expresso do STJ de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847/RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411/STJ). E ainda, também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que 1 Deixouse de transcrever, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do termo inicial para a incidência da taxa Selic, por ser entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto encontrase no acórdão do processo paradigma (9303007.411). Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 9 8 a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457/07), conforme decidiu a Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Neste mesmo diapasão, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Confiramse recentes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CREDITAMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA 411/STJ. TERMO INICIAL: 360 DIAS APÓS PROTOCOLADO O PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VERBA HONORÁRIA FIXADA EM R$ 5.000,00. VALOR NÃO CONSIDERADO IRRISÓRIO PELO STJ, CONSIDERANDO O VALOR ATRIBUÍDO À CAUSA (R$ 200.000,00) E O DECAIMENTO PARCIAL DAS AUTORAS. AGRAVO INTERNO DAS CONTRIBUINTES A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Encontrase pacificado o entendimento da 1a. Seção desta Corte de que eventual possibilidade de aproveitamento dos créditos escriturais não dá ensejo à correção monetária, exceto se tal creditamento for injustamente obstado pela Fazenda, considerandose a mora na apreciação do requerimento administrativo de ressarcimento feita pelo Contribuinte como um óbice injustificado. Aplicase a essa hipótese o enunciado 411 da Súmula do STJ, segundo o qual é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. A propósito, 1a. Seção do STJ consolidou esse entendimento por ocasião do julgamento do REsp. 1.035.847/RS, relatado pelo ilustre Ministro LUIZ FUX e julgado sob o regime do art. 543C do CPC/1973. 2. O marco inicial da correção monetária só pode ser o término do prazo conferido à Administração Tributária para o exame dos requerimentos de ressarcimento, qual seja, 360 dias após o protocolo dos pedidos. Precedentes: AgInt no REsp. 1.581.330/SC, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 21.8.2017; AgRg no AgRg no REsp. 1548446/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 10.12.2015; AgRg no AgRg no REsp. 1.255.025/SC, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 8.9.2015. [...] 6. Agravo Interno das Contribuintes a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1348672/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/11/2017, DJe 5/12/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. APROVEITAMENTO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. 1. A jurisprudência do STJ firmou o posicionamento de que éincabível a correção monetária de créditos escriturais como regra, exceto na hipótese de ocorrer "vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 10 9 ingresso no Judiciário", situação em que "postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco" (REsp 1035847/RS RECURSO ESPECIAL 2008/00448972, Relator Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, Data de Julgamento 24/06/2009, DJe 03/08/2009, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos). 2. Concedido à Administração Pública o prazo máximo de 360 dias, a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, para que seja proferida decisão administrativa (art. 24 da Lei n. 11.457/2007), a interpretação literal e teleológica de tal dispositivo legal conduz à conclusão de que somente após o término desse prazo é que deve incidir a correção monetária pela taxa Selic. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1637361/RS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/9/2017, DJe 13/11/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CRÉDITO ESCRITURAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. LEI 11.457/2007. DISSÍDIO INTERNO NÃO DEMONSTRADO. ACÓRDÃO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente embargos de divergência que versam sobre o termo inicial da correção monetária de créditos tributários objeto de pedido de ressarcimento. 2. Não há similitude entre os acórdãos confrontados, tendo em vista que o acórdão embargado, para decidir a questão relativa ao termo a quo da correção monetária, ponderou o prazo estipulado pela Lei 11.451/07 para a Administração analisar o pedido de ressarcimento, sendo que essa lei nem sequer foi sopesada no julgamento do aresto apontado como paradigma. 3. Ademais, o entendimento adotado pelo acórdão embargado, de que após a vigência do art. 24 da Lei 11.457/2007 a correção monetária de ressarcimento de créditos de ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo, encontrase em conformidade com a jurisprudência das Turmas de Direito Público. Precedentes: AgRg no REsp 1.465.567/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 24/3/2015; REsp 1.240.714/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/9/2013; AgRg no REsp 1.353.195/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 5/3/2013; AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 21/2/2013; AgRg nos EDcl no REsp 1.222.573/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 7/12/2011. Incide, pois, a Súmula 168/STJ. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 1490081/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/6/2015, DJe 1º/7/2015. Os Tribunais vem decidido da mesma forma, ou seja, no que diz respeito a incidência da taxa SELIC e o seu termo inicial, as decisões ultrapassadas vinham no sentido de que, havendo pedido administrativo de restituição e/ou compensação dos créditos tributários, formulado pela Contribuinte, a eventual "resistência ilegítima" da Fazenda Pública, Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 11 10 configurada pela demora em analisar o pedido, ensejaria a sua constituição em mora, sendo devida a correção monetária dos respectivos créditos a partir da data de protocolo do pedido. Ocorre, contudo, que recentemente o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Embargos de Divergência, uniformizou entendimento no sentido de que a correção monetária deve incidir apenas após o encerramento do prazo legal (360 dias contados da data do protocolo administrativo) concedido à autoridade fiscal para analisar os pedidos administrativos de ressarcimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PEDIDO ADMINISTRATIVO. TAXA SELIC. TERMO INICIAL DA CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. Caracterizada a mora do Fisco ao analisar o pedido administrativo de reconhecimento de crédito escritural ou presumido (quando extrapolado o prazo de análise do pedido), deve incidir correção monetária, pela taxa SELIC. 2. O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito de PIS/COFINS não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco, consoante entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 1.461.607/SC. (TRF4 AC: 50001491820184047117 RS 500014918.2018.4.04.7117, Relator: ROGER RAUPP RIOS, Data de Julgamento: 10/10/2018, PRIMEIRA TURMA) Não é diferente o entendimento desta E. Câmara Superior. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide sobre a parcela revertida no contencioso a favor do contribuinte, mas somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência. (3ª Turma da CSRF Acórdão nº 9303007.011, Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, data de julgamento: 14 de junho de 2018). Como visto, o Poder Judiciário sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 12 11 Sem embargo, as conclusões da Ilustre Relatora vencida, não se coaduna com os princípios da eficiência e celeridade processual, concluise que sua leitura não atingiu os objetivos de aplicação do artigo 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência, que de modo vinculante estabeleceu um prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado pela lei. Diametralmente oposto no voto vencido, in caso como se observa nas razões de decidir da Relatora Vencida, é visível o prejuízo suportado pela Contribuinte, em razão da postergação de um prazo razoável para solução de lide, não há justificativa para o que não se pode justificar, a incidência de correção monetária pela Taxa Selic desde o protocolo do pedido, colide com os princípios da celeridade e eficiência. Por oportuno, esclareço que o processo administrativo fiscal esta adstrito as regras positivadas do sistema, neste sentido, invoco o magistério do Professor Luiz Orlando Junior Zanon (pg.104,105106) o qual em sua tese de Doutorado, Teoria Complexa do Direito2, esclarece a correta inserção das normas no plano sistêmico. In verbis: "O Positivismo Jurídico pressupõe que o Direito é formado exclusivamente (ou ao menos preponderantemente) por Regras Jurídicas, como sinônimo de Normas Jurídicas positivadas, devidamente fixadas pelos parlamentares (no sistema codificado) ou estabelecidas em precedentes judiciais anteriores (no modelo judiciário ou consuetudinário)3 No primeiro cenário (civil law, statutory law ou code based legal system), a Regra Jurídica é o resultado da interpretação de um texto elaborado pelo legislador, no sentido de reconstruir sua intenção ao prolatar o dispositivo normativo, como se fosse um procedimento de adivinhação de qual teria sido a solução dada pelo órgão legiferante, acaso diante do caso concreto. E, no segundo (common law ou judge made law), a Regra Jurídica pode ser extraída não só da legislação, mas também do texto de um precedente anterior, num esforço de verificar qual seria a solução que teria sido dada pelo Poder Legislativo para reger o novo caso, nos pontos relevantes em que é precisamente similar ao julgamento anterior. Em ambas hipóteses, a interpretação e a aplicação do Direito são consideradas, pela generalidade dos juspositivistas [...] (com a notável ressalva de Kelsen), como meramente reprodutoras de sentidos já previamente fixados por Regras Jurídicas anteriores, que já guardam a resposta para solução do novo problema emergido no tecido social”. (pg.104,105106). [...]. 2 ZANON JUNIOR, Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Florianópolis: Cejur, 2013. 3 DIMOULIS, Dimitri. Positivismo jurídico: Introdução a uma teoria do direito e defesa do pragmatismo jurídicopolítico. São Paulo: Método, 2006. p. 68: “Isso indica que ser positivista no âmbito jurídico significa escolher como exclusivo objeto de estudo o direito que é posto por uma autoridade e, em virtude disso, possui validade (direito positivo)”; e, p. 131: “Partindo dessa delimitação negativa, o PJ stricto sensu afirma a absoluta identidade entre o conceito de direito e o direito efetivamente posto pelas autoridades competentes, isto é, pelas autoridades que, em razão de uma constelação de poder, possuem a capacidade de impor o direito”. E FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris: teoría del derecho y de la democracia. V 1. Madrid: Trotta, 2011. p. 395457. Especialmente, p. 396: “Las normas son reglas que pertenecen al derecho positivo em cuanto son efectos jurídicos puestos o causados por actos (T8.11, T8.12). Obviamente, em tanto que reglas, las normas son significados de preceptos (T8.13), a los que vienen asociadas em cada caso mediante interpretación jurídica”. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 13 12 Dispositivo Ex positis, em razão da resistência ilegítima configurada, dou provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do Contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 773DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001498/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 29/05/2002 a 31/10/2002
TERMO DE INÍCIO PARA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DO LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA DE 75% SOBRE O VALOR DE IRRF NÃO RETIDO E RECOLHIDO PELA FONTE PAGADORA.
Não havendo retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora, o direito de a Fazenda constituir, por meio de lançamento de oficio, o crédito tributário relativo à aplicação de multa isolada pelo descumprimento dessa obrigação acessória, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN.
OPERAÇÕES DE MÚTUO. EMPRESAS CONTROLADORAS, CONTROLADAS, COLIGADAS OU INTERLIGADAS. ISENÇÃO.
O art. 77, inciso II, da Lei 8.981, de 1995, que previa isenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, não foi revogado tacitamente pelo art. 5º, da Lei nº 9.779, de 1999, mas tão somente, e de forma expressa, pelo art. 94, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 2201-004.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 29/05/2002 a 31/10/2002 TERMO DE INÍCIO PARA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DO LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA DE 75% SOBRE O VALOR DE IRRF NÃO RETIDO E RECOLHIDO PELA FONTE PAGADORA. Não havendo retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora, o direito de a Fazenda constituir, por meio de lançamento de oficio, o crédito tributário relativo à aplicação de multa isolada pelo descumprimento dessa obrigação acessória, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. OPERAÇÕES DE MÚTUO. EMPRESAS CONTROLADORAS, CONTROLADAS, COLIGADAS OU INTERLIGADAS. ISENÇÃO. O art. 77, inciso II, da Lei 8.981, de 1995, que previa isenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, não foi revogado tacitamente pelo art. 5º, da Lei nº 9.779, de 1999, mas tão somente, e de forma expressa, pelo art. 94, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18471.001498/2007-21
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5936093
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.772
nome_arquivo_s : Decisao_18471001498200721.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 18471001498200721_5936093.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7541275
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149215465472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1822; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 126 1 125 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001498/200721 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.772 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de novembro de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 29/05/2002 a 31/10/2002 TERMO DE INÍCIO PARA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DO LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA DE 75% SOBRE O VALOR DE IRRF NÃO RETIDO E RECOLHIDO PELA FONTE PAGADORA. Não havendo retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora, o direito de a Fazenda constituir, por meio de lançamento de oficio, o crédito tributário relativo à aplicação de multa isolada pelo descumprimento dessa obrigação acessória, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. OPERAÇÕES DE MÚTUO. EMPRESAS CONTROLADORAS, CONTROLADAS, COLIGADAS OU INTERLIGADAS. ISENÇÃO. O art. 77, inciso II, da Lei 8.981, de 1995, que previa isenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, não foi revogado tacitamente pelo art. 5º, da Lei nº 9.779, de 1999, mas tão somente, e de forma expressa, pelo art. 94, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 14 98 /2 00 7- 21 Fl. 126DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 90/123, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), de fls. 74/87, a qual julgou procedente o lançamento por meio do qual está sendo exigida multa isolada, no valor de R$ 3.425.726,43, acrescida dos encargos moratórios até a data do efetivo pagamento, devido à falta de retenção e recolhimento do IRRF, para fatos geradores ocorridos de 29/05/2002 a 31/10/2002, conforme item 2 do Termo de Constatação. Ante a clareza do Relatório constante da decisão proferida pela DRJ, transcrevo: No item 2 do Termo de Constatação Fiscal de fls. 25/29, parte integrante do Auto de Infração, os Fiscais Autuantes informam, em síntese, que a falta de retenção dos valores do quadro Apuração do IRF sobre Pagamentos de Juros em Mútuos com Sociedades Congêneres (fl. 20) contraria o disposto no art. 5° da Lei n° 9.779/1999 e o art. 18, § 2°, da IN SRF n° 25/2001, sujeitando o contribuinte à aplicação da multa de 75% sobre o valor do tributo não retido, conforme previsto no art. 9°, § único, da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002 c/c o art.. 14, inciso I, da Lei 11° 11.488, de 15 de junho de 2006. ' Da Impugnação Recebida a cientificação do lançamento, apresentou, em 14/11/2007, por meio de seus procuradores (procuração de fls. 56/63), a Impugnação de fls. 36/54, com anexos de fls. 55/63, na qual alega, em síntese: Da Preliminar de Decadência de Parte do Crédito Tributário que o Auto. de Infração exige da Impugnante multa isolada pela falta de retenção e recolhimento do IRRF supostamente incidente sobre os juros por ela pagos, no período de maio a outubro de 2002, decorrentes de mútuos com empresas ligadas; que, conforme demonstrará, a multa isolada pela falta de retenção e recolhimento do IRRF referente ao período de 29/05/2002 a 14/10/2002 não seria mais exigível da Impugnante, porquanto teria sido extinto o respectivo direito pela decadência; que, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, não é possível, em qualquer hipótese, a exigência de multa isolada relativa a tributo Fl. 127DF CARF MF Processo nº 18471.001498/200721 Acórdão n.º 2201004.772 S2C2T1 Fl. 127 3 lançado por homologação se já tiver transcorrido o prazo de cinco anos contado a partir da ocorrência dos fatos geradores; que, assim sendo, a fiscalização, em 23/10/2007, já tinha decaído do direito de exigir multa isolada de 75% por não ter a Impugnante retido e recolhido o IRRF sobre os juros por ela pagos, decorrentes de mútuos com empresas a ela ligadas, no período de 29/05/2002 a 14/10/2002, pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados dos respectivos fatos geradores, conforme determina o art. 150, § 4°, do CTN; Da Não Tributação, pelo IRRF, de Juros Decorrentes de Mútuos Entre Empresas Ligadas no AnoCalendário de 2002 que o Fisco entendeu que os juros pagos pela Impugnante, no anocalendário de 2002, em decorrência de mútuos com empresas a ela ligadas, estariam sujeitos à incidência do IRRF, em razão da suposta revogação da regra que dispensava tal retenção (art. 77, inciso II, da Lei n° 8.981/1995) pelo art. 5° da Lei n° 9.779/1999; que esse equívoco do Fisco se demonstra pelo fato de que a IN SRF n° 07/1999, por ele invocada é igualmente equivocada quando i. numa interpretação do alcance do caput do supratranscrito art. 5° da Lei n° 9.779/1999 entendeu que tal dispositivo teria revogado o art. 77, inciso II, da Lei n° 8.981/1995 e, portanto, que os rendimentos de mútuos contratados entre pessoas jurídicas ligadas estariam sujeitos, a partir de 01/01/1999, à incidência do IRRF à mesma alíquota a que se submetem as aplicações financeiras de renda fixa; que a referida IN SRF n° 07/1999 veio a ser renovada pela IN SRF n° 25, de 06/03/2001, mas esse entendimento equivocado foi nele mantido no § 2° do seu art. 18; que esse entendimento está equivocado, uma vez que o art. 77, inciso II, da Lei n° 8.981/1995 apenas foi revogado pela art. 94, inciso III, da Lei n° 10.833/2003, com efeitos a partir de 01/01/2004, e não pelo art. 5° da Lei n° 9.779/ 1999, e interpretar de forma diversa seria tomar letra morta o referido art. 94, o que contraria o princípio da Hermenêutica segundo o qual a lei não traz palavras inúteis ou expressões supérfluas; que este é o entendimento da jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme as duas ementas trazidas à colação; que, assim, é descabida a exigência da multa isolada de 75%, porquanto a Impugnante não estava obrigada a reter e recolher IRF sobre os juros decorrentes de mútuos por ela pagos, no ano calendário de 2002, a empresa ligadas; Do Descabimento de Cobrança de Multa Isolada de Oficio por Descumprimento de Obrigação Principal Fl. 128DF CARF MF 4 que em decorrência da falta de retenção e recolhimento do IRRF sobre os juros decorrentes de mútuos pagos pela Impugnante, no anocalendário de 2002, a empresas a ela ligadas, o Auto de Infração dela exige multa isolada de oficio de 75% dos valores não recolhidos, nos tennos do art. 9° e seu parágrafo único da Lei n° 10.426, de 24/04/2002; que tal imposição de multa, de forma isolada, viola o CTN, especificamente o art. 97, V, combinado com o art. 113; que, de acordo com o § 1° do art. 113 do CTN, as obrigações tributárias de dar são apenas de duas espécies: a) de pagar tributos (e respectivos acessórios, correspondentes aos juros e à multa) ou b) de pagar, isoladamente, penalidade pecuniária (multa) decorrente do descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer); que, assim, apenas a multa decorrente do, descumprimento de obrigação acessória seria autônoma em relação à obrigação de pagar tributo; que, dessa forma, a cobrança de multa de oficio isolada somente seria possível na hipótese de descumprimento de obrigação acessória, mas não pelo descumprimento de obrigação principal (pagar o tributo); que, nesse sentido, trouxe à colação três Acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes e um da Câmara Superior de Recursos Fiscais; que a não retenção do IRRF nada tem a ver com descumprimento de obrigação acessória, já que o recolhimento do IRRF não retido supriria a infração correspondente à não retenção do imposto; assim é que, a não retenção do IRRF quando também não se verificasse o recolhimento do imposto pela fonte pagadora, ou, supletivamente, o oferecimento do rendimento à tributação do IR pelo respectivo beneficiário configuraria descumprimento de obrigação principal, por apenas ter por objeto o pagamento do tributo e que, portanto, é inaplicável o art. 9° da Lei n° 10.426/2002, por impor a aplicação de multa isolada em afronta ao disposto nos arts. 97, V, e 113 do CTN. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls. 74/75): Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 29/05/2002 a 31/10/2002 TERMO DE INÍCIO PARA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DO LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO IsOLADA DE 75% SOBRE O VALOR DE IRRF NÃO RETIDO E RECOLHIDO PELA FONTE PAGADORA. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 18471.001498/200721 Acórdão n.º 2201004.772 S2C2T1 Fl. 128 5 Não havendo retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora, O direito de a Fazenda constituir, por meio de lançamento de oficio, O crédito tributário relativo à aplicação de multa isolada pelo descumprimento dessa obrigação acessória, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. Assunto: OBRIGAÇÖES ACESSÓRIAS Período de apuração: 29/05/2002 a 31/10/2002 MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS RENDIMENTO. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO PELA FONTE. MULTA ISOLADA. Estão sujeitos à incidência do imposto os rendimentos relativos a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, inclusive quando a operação for realizada entre empresas ligadas. A fonte pagadora, obrigada a reter e recolher o tributo, fica sujeita a multa isolada quando deixar de cumprir a obrigação acessória de efetuar a retenção e o recolhimento, bem como quando efetuar o recolhimento após o prazo fixado. Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 29/05/2002 a 31/10/2002 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade de leis ou a legalidade de atos do Poder Executivo, gozando tais atos de presunção de legitimidade. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ, conforme aviso de fls. 89, em 08/04/2008 e apresentou o recurso voluntário de fls. 90/123. Em sede de Recurso Voluntário, praticamente repetiu os argumentos em sede de impugnação. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 130DF CARF MF 6 O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. Da Preliminar de Decadência de Parte do Crédito Tributário O Recorrente alega que o direito do fisco lançar a multa isolada pela falta de retenção e recolhimento do IRRF que seriam devidos pelo pagamento de juros pagos no período de maio a outubro de 2002, decorrentes de mútuos com empresas coligadas. De acordo com sua argumentação, a multa isolada pela falta de retenção e recolhimento do IRRF referente ao período de 29/05/2002 a 14/10/2002 não seria mais exigível da Recorrente, porquanto teria sido extinto o respectivo direito pela decadência. Ainda, conforme sustenta, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, já teria transcorrido o prazo de cinco anos contado a partir do fato gerador, de modo que a multa isolada teria sido alcançado pela decadência. No caso, a fiscalização, em 23/10/2007, já tinha decaído do direito de exigir multa isolada de 75% por não ter a Recorrente retido e recolhido o IRRF sobre os juros por ela pagos, decorrentes de mútuos com empresas a ela ligadas, no período de 29/05/2002 a 14/10/2002, pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados dos respectivos fatos geradores, conforme determina o art. 150, § 4°, do CTN. Por outro lado, o dies a quo para contagem do prazo decadencial para o lançamento da multa isolada iniciase do primeiro dia do exercício seguinte, nos termos do disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. Sendo assim, não prospera a preliminar de decadência alegada pelo Recorrente. Da Não Tributação, pelo IRRF, de Juros Decorrentes de Mútuos Entre Empresas Ligadas no AnoCalendário de 2002 Em outro ponto de seu recurso o Recorrente alegou que o Fisco entendeu que os juros pagos no anocalendário de 2002, em decorrência de mútuos com empresas a ela ligadas, estariam sujeitos à incidência do IRRF, em razão da suposta revogação da regra que dispensava tal retenção (art. 77, inciso II, da Lei n° 8.981/1995) pelo art. 5° da Lei n° 9.779/1999. Conforme constou na decisão de piso, seria aplicável a IN SRF n° 07/1999: Fl. 131DF CARF MF Processo nº 18471.001498/200721 Acórdão n.º 2201004.772 S2C2T1 Fl. 129 7 Fl. 132DF CARF MF 8 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 18471.001498/200721 Acórdão n.º 2201004.772 S2C2T1 Fl. 130 9 21. Portanto, o julgador de 1” instância administrativa deve acatar as determinações estabelecidas nos atos normativos Fl. 134DF CARF MF 10 expedidos pela autoridade administrativa competente. As alegações de inconstitucionalidade de lei ou de ilegalidade de ato normativo devem ser formuladas perante o Poder Judiciário porque falece competência à autoridade administrativa para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade da legislação. As leis e atos normativos regularmente incorporados ao mundo jurídico gozam de presunção de constitucionalidade e legalidade, restando à autoridade administrativa cumprir e velar pelo fiel cumprimento da legislação em vigor, a que está vinculada. Por outro lado, temos que na época, ainda estava em vigor o disposto no artigo 77, inciso II, da Lei n° 8.981/1995: Art. 77. O regime de tributação previsto neste Capítulo não se aplica aos rendimentos ou ganhos líquidos: (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (...) II nas operações de mútuo realizadas entre pessoas jurídicas controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, exceto se a mutuária for instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil; (Revogado pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Portanto, os rendimentos de mútuos contratados entre pessoas jurídicas ligadas não estariam sujeitos ao IRRF. A revogação só ocorreu com o advento do disposto no artigo 94, III da Lei nº 10.833, de 30.06.2003. A matéria em discussão trazida nos presentes autos, já foi apreciada pela 1ª Seção do Egrégio Superior Tribunal de Justiça nos autos do EREsp nº 1.050.430/DF, ocorrido em 13.03.2013: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. OPERAÇÃO DE MÚTUO ENTRE CONTROLADORAS, CONTROLADAS, COLIGADAS OU INTERLIGADAS. ISENÇÃO. ART. 77, II, DA LEI 8.981/95. DISPOSITIVO REVOGADO TÃO SOMENTE PELO ART. 94, III, DA LEI 10.833/03. EMBARGOS REJEITADOS. 1. "A incompatibilidade implícita entre duas expressões de direito não se presume; na dúvida, se considera uma norma conciliável com a outra" (Carlos Maximiliano. Hermenêutica e Aplicação do Direito. 20ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011, p. 291). 2. O art. 77, inciso II, da Lei 8.981/95, que previa isenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, não foi revogado tacitamente pelo art. 5º da Lei 9.779/99, mas tão somente, e de forma expressa, pelo art. 94, inciso III, da Lei 10.833/03. 3. Embargos de divergência rejeitados. (EREsp 1050430/DF, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/03/2013, DJe 15/04/2013) Fl. 135DF CARF MF Processo nº 18471.001498/200721 Acórdão n.º 2201004.772 S2C2T1 Fl. 131 11 Cumpre ressaltar que a 1ª Seção tem competência para uniformizar a jurisprudência consolidada das 1ª e 2ª Turmas daquele Tribunal. Há que se ressaltar que após a ocorrência do trânsito em julgado do mencionado EREsp 1.050.430/DF, foram proferidas outras decisões no mesmo sentido, a título de exemplo: REsp nº 1.536.453MA (DJe de 24.08.2015); REsp nº 1.676.543ES (DJe 10.10.2017); REsp nº 1.758.172SP (DJe de 24.08.2018). Merece destaque o fato de que este entendimento foi acolhido pela 2ª Turma da CSRF, conforme se verifica da ementa do Acórdão nº 9202005.144, de 21.01.2017, de relatoria da Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO: (...) OPERAÇÕES DE MÚTUO. EMPRESAS CONTROLADORAS, CONTROLADAS, COLIGADAS OU INTERLIGADAS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. O art. 77, inciso II, da Lei 8.981, de 1995, que previa isenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, não foi revogado tacitamente pelo art. 5º, da Lei nº 9.779, de 1999, mas tão somente, e de forma expressa, pelo art. 94, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003. Neste sentido, acompanho a jurisprudência deste Egrégio CARF e do Superior Tribunal de Justiça STJ, para cancelar o crédito tributário discutido nos presentes autos. Conclusão Em razão do exposto, conheço do recurso voluntário e doulhe provimento. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13746.001481/2007-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA NO SIMPLES. ENTREGA DA DIPJ NO PRAZO DEVIDO A NÃO RECEPÇÃO PELO RECEITANET DE DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA (DSPJ). REENQUADRAMENTO NO SIMPLES COM EFEITOS RETROATIVOS. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ PARA FICAR DE ACORDO COM A OPÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Em vista de sua exclusão do SIMPLES, a contribuinte apresentou DIPJ antes do término do prazo, já que o sistema bloqueava o envio da declaração simplificada. Após a sua reinclusão com efeitos retroativos, a DSPJ foi entregue para que a mesma ficasse de acordo com a sua opção. Assim não deve prevalecer a multa por atraso na entrega da DSPJ, pois a Contribuinte adotou todas as providências possíveis e exigíveis pela legislação.
Numero da decisão: 1001-000.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA NO SIMPLES. ENTREGA DA DIPJ NO PRAZO DEVIDO A NÃO RECEPÇÃO PELO RECEITANET DE DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA (DSPJ). REENQUADRAMENTO NO SIMPLES COM EFEITOS RETROATIVOS. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ PARA FICAR DE ACORDO COM A OPÇÃO. NÃO CABIMENTO. Em vista de sua exclusão do SIMPLES, a contribuinte apresentou DIPJ antes do término do prazo, já que o sistema bloqueava o envio da declaração simplificada. Após a sua reinclusão com efeitos retroativos, a DSPJ foi entregue para que a mesma ficasse de acordo com a sua opção. Assim não deve prevalecer a multa por atraso na entrega da DSPJ, pois a Contribuinte adotou todas as providências possíveis e exigíveis pela legislação.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13746.001481/2007-83
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5931980
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.908
nome_arquivo_s : Decisao_13746001481200783.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
nome_arquivo_pdf_s : 13746001481200783_5931980.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7534408
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149218611200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1743; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 46 1 45 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13746.001481/200783 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.908 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 06 de novembro de 2018 Matéria MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Recorrente ACB METALURGICA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA NO SIMPLES. ENTREGA DA DIPJ NO PRAZO DEVIDO A NÃO RECEPÇÃO PELO RECEITANET DE DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA (DSPJ). REENQUADRAMENTO NO SIMPLES COM EFEITOS RETROATIVOS. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ PARA FICAR DE ACORDO COM A OPÇÃO. NÃO CABIMENTO. Em vista de sua exclusão do SIMPLES, a contribuinte apresentou DIPJ antes do término do prazo, já que o sistema bloqueava o envio da declaração simplificada. Após a sua reinclusão com efeitos retroativos, a DSPJ foi entregue para que a mesma ficasse de acordo com a sua opção. Assim não deve prevalecer a multa por atraso na entrega da DSPJ, pois a Contribuinte adotou todas as providências possíveis e exigíveis pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 14 81 /2 00 7- 83 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13746.001481/200783 Acórdão n.º 1001000.908 S1C0T1 Fl. 47 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1220.366, de 13/08/2008 (efls. 23/24), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado auto de infração (efl. 8), mediante o qual é exigido crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada relativa ao exercício de 2006, anocalendário 2005, no valor de R$ 596,86. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação argumentando que foi excluída do simples em 2000 e que conforme solicitado, mediante o processo 13746.000627/200340 (despacho à efl. 7, em 07/10/2006), teve o direito de permanecer no Simples restabelecido de forma retroativa. Alega que, assim, teria que apresentar nova Declaração pelo modelo simplificado, mas como apresentou Declaração tempestiva pelo Lucro Presumido, por ter sido excluída do Simples, requer o cancelamento da multa. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento, cujos excertos do voto condutor do acórdão recorrido transcrevese, verbis: As razões da interessada se resumem a afirmar que apresentou sua Declaração tempestivamente em 30/06/2006 e que a autuação se fundou na entrega de Declaração, do mesmo exercício, apresentada posteriormente, em 19/03/2007, após o prazo final de entrega, que expirou em 31/05/2006. Assim, a seu ver, descaberia a aplicação da multa por atraso na entrega, uma vez que a Declaração que a ensejou seria tão somente uma Declaração retificadora de original apresentada tempestivamente. Ocorre que, segundo o art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 166, de 23 de dezembro de 1999, não é admitida retificadora com alteração no regime de tributação, salvo nos casos determinados pela legislação para fins de adoção do lucro arbitrado. No presente caso, a Declaração apresentada tempestivamente pela interessada teve como regime de tributação o lucro presumido, enquanto a declaração apresentada extemporaneamente, que ensejou a autuação, teve como forma de tributação SIMPLES. Destarte, não há como considerar a mesma como retificadora daquela apresentada tempestivamente, mas sim, Declaração original que, apresentada após o prazo, corretamente ensejou o lançamento da multa por atraso objeto do presente processo. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13746.001481/200783 Acórdão n.º 1001000.908 S1C0T1 Fl. 48 3 Face ao exposto, julgo procedente o lançamento efetuado, e, por conseguinte, devida a multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada SIMPLES relativa ao exercício de 2006, anocalendário 2005, no valor de R$ 569,86. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Cabe a exigência da multa por atraso na entrega de Declaração apresentada extemporaneamente que, por força do art. 5° da IN SRF n° 166/1999, não possa ser admitida como retificadora de Declaração entregue tempestivamente. Lançamento Procedente. Ciente da decisão de primeira instância em 16/09/2008, conforme Aviso de Recebimento à efl. 30, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 30/09/2008 (efls. 31/32), conforme carimbo aposto à efl. 31. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, e acrescenta que durante o período de espera do pedido "a empresa ficou recolhendo todos os encargos como simples federal" e que o sistema do Simples não aceitava a declaração pelo regime simplificado por ter sido excluída. Temse que nos termos do art. 16 da Lei 9.317/96, as microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Cumpre ressaltar que, no caso de eventual instauração de litígio administrativo, não há no Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo tributário, norma que contemple a atribuição de efeito suspensivo ao recurso, bem como o art. 151, III, do CTN não se aplica à exclusão do SIMPLES, já que trata de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e não da suspensão do ato declaratório de exclusão do SIMPLES. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13746.001481/200783 Acórdão n.º 1001000.908 S1C0T1 Fl. 49 4 Assim, eventuais pedidos de dispensa do cumprimento das obrigações acessórias e principal não encontrariam azo na legislação pertinente. Outrossim, é também de conhecimento que se a empresa não constasse do cadastro CNPJ como enquadrada no SIMPLES, o sistema automaticamente bloqueava o envio da declaração simplificada (DSPJ) pelo RECEITANET. Isto posto, a recorrente teria que apresentar a DIPJ no prazo estipulado e assim o fez pela forma do Lucro Presumido, agindo de acordo com a legislação e, digase, que apesar de ter se insurgido contra a sua exclusão do Simples, agiu com prudência e de acordo com o art. 32 da Lei Complementar apresentando a declaração. Ocorre que mediante despacho do SECAT, de 09/10/2006 (efl. 7), a contribuinte foi reincluída retroativamente no Simples, em relação ao anocalendário 2000, tendo em vista que regularizou as pendências dentro do prazo regulamentar. Assim, após a ciência do deferimento do pedido, para que a declaração ficasse de acordo com a forma de tributação, a contribuinte apresentou a DSPJ. Assim, dadas as circunstâncias do caso, entendo que a Contribuinte adotou todas as providências possíveis e exigíveis pela legislação e, em vista de sua reinclusão retroativa no Simples, apresentou a DSPJ para que a mesma ficasse de acordo com a sua opção, devendo a Administração tributária efetuar de ofício o cancelamento da DIPJ do exercício 2006. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para cancelar a multa pelo atraso na entrega da DSPJ do exercício 2006, anocalendário de 2005. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11131.720217/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 01/01/2008, 30/09/2010
EXPORTAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. PERÍODO ANTERIOR A MP 497/2010. INAPLICABILIDADE.
A multa decorrente da conversão em perdimento, prescrita no § 3º do art. 23 do Decreto-Lei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por referir-se à base de cálculo relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). Apenas a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3º, é que torna-se possível sua aplicação.
SUBFATURAMENTO. PENALIDADE A SER APLICADA. ART. 23 DO DECRETO-LEI Nº 1.455/1976.
Nos casos de dano ao erário, a penalidade a ser aplicada é a pena de perdimento (art. 23 do Decreto-lei nº 1.455/1976) ou, como consequência, sua multa pecuniária substitutiva, não sendo esta cumulada com a multa prevista pelo parágrafo único do art. 88 da MP nº 2.158-35/2001, nem tampouco substituída por esta. Assim, a multa equivalente a 100% sobre a diferença de preços só deve ser aplicada para as situações que não caracterizem dano ao erário. Restando demonstrada a fraude, indubitavelmente está caracterizado o dano ao erário. Dessa forma, o subfaturamento subsome-se ao teor dos incisos VI e/ou XI, do art. 105 do Decreto-lei nº 37/1966.
IMPORTAÇÃO. FRAUDE DEMONSTRADA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO APLICÁVEL A medida extrema de perdimento dos bens em favor da União, nos moldes do art. 23, IV, §1º e §3º, do Decreto-Lei n° 1.455/76 deve ser aplicada quando demonstrada a fraude por artifícios dolosos imputados ao contribuinte.
Recurso de Ofício provido em Parte
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 01/01/2008, 30/09/2010 EXPORTAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. PERÍODO ANTERIOR A MP 497/2010. INAPLICABILIDADE. A multa decorrente da conversão em perdimento, prescrita no § 3º do art. 23 do Decreto-Lei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por referir-se à base de cálculo relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). Apenas a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3º, é que torna-se possível sua aplicação. SUBFATURAMENTO. PENALIDADE A SER APLICADA. ART. 23 DO DECRETO-LEI Nº 1.455/1976. Nos casos de dano ao erário, a penalidade a ser aplicada é a pena de perdimento (art. 23 do Decreto-lei nº 1.455/1976) ou, como consequência, sua multa pecuniária substitutiva, não sendo esta cumulada com a multa prevista pelo parágrafo único do art. 88 da MP nº 2.158-35/2001, nem tampouco substituída por esta. Assim, a multa equivalente a 100% sobre a diferença de preços só deve ser aplicada para as situações que não caracterizem dano ao erário. Restando demonstrada a fraude, indubitavelmente está caracterizado o dano ao erário. Dessa forma, o subfaturamento subsome-se ao teor dos incisos VI e/ou XI, do art. 105 do Decreto-lei nº 37/1966. IMPORTAÇÃO. FRAUDE DEMONSTRADA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO APLICÁVEL A medida extrema de perdimento dos bens em favor da União, nos moldes do art. 23, IV, §1º e §3º, do Decreto-Lei n° 1.455/76 deve ser aplicada quando demonstrada a fraude por artifícios dolosos imputados ao contribuinte. Recurso de Ofício provido em Parte Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11131.720217/2011-21
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5927415
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-005.189
nome_arquivo_s : Decisao_11131720217201121.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 11131720217201121_5927415.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7514165
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149263699968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2208; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2.301 1 2.300 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11131.720217/201121 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3301005.189 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA E SUBFATURAMENTO Recorrentes INACE IATES LTDAME FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 01/01/2008, 30/09/2010 EXPORTAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. PERÍODO ANTERIOR A MP 497/2010. INAPLICABILIDADE. A multa decorrente da conversão em perdimento, prescrita no § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por referirse à base de cálculo relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). Apenas a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3º, é que tornase possível sua aplicação. SUBFATURAMENTO. PENALIDADE A SER APLICADA. ART. 23 DO DECRETOLEI Nº 1.455/1976. Nos casos de dano ao erário, a penalidade a ser aplicada é a pena de perdimento (art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976) ou, como consequência, sua multa pecuniária substitutiva, não sendo esta cumulada com a multa prevista pelo parágrafo único do art. 88 da MP nº 2.15835/2001, nem tampouco substituída por esta. Assim, a multa equivalente a 100% sobre a diferença de preços só deve ser aplicada para as situações que não caracterizem dano ao erário. Restando demonstrada a fraude, indubitavelmente está caracterizado o dano ao erário. Dessa forma, o subfaturamento subsomese ao teor dos incisos VI e/ou XI, do art. 105 do Decretolei nº 37/1966. IMPORTAÇÃO. FRAUDE DEMONSTRADA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO APLICÁVEL A medida extrema de perdimento dos bens em favor da União, nos moldes do art. 23, IV, §1º e §3º, do DecretoLei n° 1.455/76 deve ser aplicada quando demonstrada a fraude por artifícios dolosos imputados ao contribuinte. Recurso de Ofício provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 72 02 17 /2 01 1- 21 Fl. 2301DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.302 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por economia processual, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 2.038/2.043) lavrado em 30/05/2011, contra a empresas Inace Iates Ltda (Inace), com vistas à exigência do crédito tributário no valor total de R$ 9.578.402,50. Sendo R$ 7.366.580,00, referente à multa por conversão da pena de perdimento, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, pela ocultação do real adquirente do produto exportado mediante os Registros de Exportação (RE) no 06/1137190001 e 06/0422109001, R$ 2.210.822,50 relativo à ocultação do fornecedor do produto importado, conforme previsto no inciso V, art. 23, do DecretoLei no 1.455/76; e R$ 1.000,00, em virtude da descrição incorreta ou incompleta da mercadoria constante nas Declarações de Importação no 09/11646315 e 09/12765229, consoante art. 84 da Medida Provisória no 215835/01. Segundo o Relatório Final de Procedimento Fiscal (Relatório Fiscal) de fls. 1.987/2.037, a lavratura do presente Auto de Infração é resultado da fiscalização instaurada, em 03/07/2009, que visava verificar a regularidade dos atos concessórios de drawback suspensão no 20040320456 e 20050224514 e as importações registradas pelo autuado no período compreendido entre 01/01/2008 a 30/09/2010, conforme determinação judicial da 11ª Vara da Justiça Federal do Ceará (nº 0011.0008506/2009), decorrente da razão da investigação realizada pela Polícia Federal na denominada “Operação Luxo” (fl. 1.987). Afirma a autoridade lançadora que o Relatório Fiscal fundamentouse nos documentos e nas informações obtidas por meio dos procedimentos de busca e apreensão efetuados nos escritórios da Indústria Naval, na residência dos sócios, nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil e na rede mundial de computadores (internet). (fl. 1.988) Fl. 2302DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.303 3 No início do Relatório Fiscal, a autoridade tributária descreve os primeiros procedimentos da fiscalização, quando, no período compreendido entre 03/07/2009 a 27/05/2011, o contribuinte foi por diversas vezes intimado a apresentar documentos comprobatórios da regularidade dos procedimentos relativos às suas importações, conforme visto às fls. 1.986/1.990, vindo a ser diligenciado em 25/05/11, fato que culminou na apreensão das mercadorias sujeitas à aplicação da pena de perdimento e, em 27/05/2011, no lançamento da multa por conversão do perdimento das mercadorias importadas mediante a DI nº 10/1360501446 que, segundo informou a autuada, já teriam sido incorporadas ao Casco 576. Do Grupo Inace A autoridade fiscal relata que as vinculações societárias apresentadas no quadro 1 (fl. 1.992), mostrado a seguir, e os documentos apreendidos durante a “Operação Luxo” comprovam que a Indústria Naval SA e a Inace Iates, por meio da manipulação fraudulenta dos documentos instrutivos das operações de comércio exterior, utilizaram as empresas Multisea, S&S Seafood, Jasfer, Oceantech Enterprises, All Oceans, atuando da seguinte forma (fl. 1.990): “Os estaleiros INACE efetuavam uma compra de empresa estrangeira pelo seu setor de compras no Brasil ou pelo escritório de Miami (OCEANTECH, ALL OCEANS, INACE USA). Esse escritório de Miami atuava como emitente da invoice para os estaleiros INACE, simulando uma operação de venda internacional, ou apenas cuidando do embarque das mercadorias, sendo a invoice do próprio fornecedor estrangeiro ou de até mesmo de outro fornecedor interposto, ROZEN INTERNATIONAL, 4NET NETWORKING, sem vinculação societária formal. Emissão de commercial invoice/fatura comercial em nome da OCEANTECH, ALL OCEANS e TRI OCEANS referente à compra, alterando a descrição e valor das mercadorias e prazo "formal" de pagamento de mercadorias, conforme a conveniência e necessidade dos estaleiros INACE, para permitir a importação de uma mercadoria no regime de drawback, até mesmo referente à embarcação diversa a que a mercadoria seria destinada, configurando a falsidade ideológica dessas invoices e a ocultação dos verdadeiros fornecedores estrangeiros. O pagamento ao real fornecedor estrangeiro efetuado na maioria das vezes adiantado e/ou à vista por meios ilícitos, utilizando recursos dos estaleiros INACE no Brasil ou no exterior não contabilizados, mediante os escritórios OCEANTECH, ALL OCEANS, INACE USA, caracterizado a evasão de divisas. Enquanto o prazo para pagamento a interposta ALL OCEANS seria de até 180 dias. Somente esse lapso de tempo já revelaria a falsidade da operação. A maior parte dessas importações da fornecedora estrangeira interposta fraudulentamente ALL OCEANS estão formalmente pendente de liquidação cambial, conforme consta do extrato Siscomex de 08/02/2011 (anexo). A INACE USA figura em muitos documentos como "compradora" de mercadorias que são exportadas para os estaleiros INACE em nome da ALL OCEANS.” (fls 1.990/1.991) A fiscalização relata que “a logística fraudulenta nas exportações de embarcações foi a de utilização da OCEANTECH como compradora de fachada por meio de contratos e nota fiscais de venda para exportação de embarcações encomendadas por fornecedores estrangeiros diversos ideologicamente falsos” (fl. 1.991). (...) Fl. 2303DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.304 4 Das provas da Interposição Fraudulenta Visando sustentar as acusações apontadas no Auto de Infração, a fiscalização apresenta, às fls. 1.991/2.008, os elementos de prova que motivaram a presente autuação fiscal, provas estas que serão copiadas e apreciadas, oportunamente, na parte de análise do mérito do presente voto. Das Operações de Drawback Após apresentar um histórico da legislação que trata dos regimes especiais de Drawback e destacar a necessidade de utilização dos bens importados sob o referido regime na produção dos bens destinados à exportação, a autoridade fiscal acusa o Grupo Inace de utilizar faturas falsas em suas operações de comércio exterior, fazendo uso de interpostas pessoas como importadoras e exportadoras. (fl. 2.012) Tal procedimento visava, além de reduzir a base de calculo dos tributos, adequar o valor das mercadorias importadas ao valor autorizado no ato concessório do regime ou vincular a operação de importação a ato concessório de embarcação distinta daquele a que se destinava originalmente a mercadoria importada, conforme a conveniência de cada caso. (fl. 2.012) Narra a fiscalização que para permitir o enquadramento de mercadorias destinadas a uma embarcação ao regime de drawback referente à outra embarcação, as mercadorias eram descritas de forma divergente da real, fato reclamado até por funcionário da Inace, em razão da dificuldade de se controlar de estoque (fl. 2.012). Sendo assim, segundo a autoridade fiscal, restaria evidenciada a fraude na importação de mercadorias ao amparo do regime de drawback suspensão, em razão da utilização de fatura comercial propositadamente falsificada para permitir o enquadramento de importação de mercadoria que, antes mesmo da importação, já era dada destinação diversa à compromissada no AC (fl. 2.012). Das irregularidades e fraudes em operações de comércio exterior Das Exportações de Embarcações O agente fiscal relata que as duas exportações de barcos realizadas pela Inace no período de 2006 a 2010 foram amparadas pelo regime de drawback, consoante informações prestadas pela empresa em atendimento às intimações n° 001 e 003 (atos Concessórios nº 20040320456 e 20050225414) e que tais importações foram feitas com o compromisso de utilização das mercadorias nas embarcações nº 559 e 560, cujo encomendante contratual seria a empresa Oceantech Enterprises (fl. 2.013). No entanto, documentos apreendidos na “Operação Luxo”, comprovam, segundo a acusação, que o real adquirente do casco nº 559 foi o Sr. Passen (fls. 2.013/2.104) e do casco nº 660 foi o Sr. Eberhard (fls. 2.014/2.015). Das operações de Importação O autuante afirma que as importações registradas pela Inace, no período de janeiro/2007 a setembro/2010, e as operações feitas ao amparo do regime de drawback suspensão, nas quais foram declarados os fornecedores norteamericanos ALL OCEANS TRADING, ROZEN INTERNATIONAL e TRIOCEANS, foram simuladas, ocultando o efetivo fornecedor estrangeiro. Sendo que, em algumas operações, foi detectado, também, o subfaturamento do valor das mercadorias e o inadimplemento do compromisso de exportar, pelo desvio de destinação do bem Fl. 2304DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.305 5 importado e a descrição incompleta da mercadoria, conforme fundamentos e elementos de provas vistos às fls. 2.015/2.028. A Fiscalização registra que no período de janeiro de 2008 a setembro de 2010 foram registradas 16 importações do fornecedor estrangeiro All Oceans Trading com utilização de faturas comerciais falsas, conforme enumerado às fls. 2.015/2.026. Conta, também, que até setembro de 2009 foram registradas pela Inace Iates duas importações que apresentavam como exportador a empresa TriOceans Inc (DI nº 10/13605014 e 10/15348752), nas quais foram utilizadas a mesma logística fraudulenta efetuada pela All Oceans e pela Oceantech, como fundamentado à fl. 2.026. Por fim, a autoridade tributária afirma que nas DIs nº 09/16293496, 09/15364136, 09/13044126, 09/01580761 e 08/15029521 foram evidenciadas a falsidade da fatura instrutiva da DI ou a destinação diversa à exigida pelo regime de Drawback, conforme detalhado às fls. 2.027/2.028. Das Infrações e Penalidades aplicáveis Segundo entendimento fiscal, no caso em tela, em razão da impossibilidade de apreensão das mercadorias importadas, tendo em vista sua incorporação ou utilização em embarcações já exportadas ou em construção, foi efetuada a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro declarado da mercadoria. Foi aplicada, também, a multa no valor de 1% do valor aduaneiro da mercadoria, por sua descrição incorreta ou incompleta, consoante o disposto no art. 689, inciso XXII do Regulamento Aduaneiro/2009. Da falsidade ideológica dos documentos instrutivos das importações e das exportações Pela apresentação de fatura comercial e de conhecimentos de transportes ideologicamente falsos no procedimento de despacho aduaneiro de importação, devese aplicar o perdimento da mercadoria. Entretanto, em razão da impossibilidade de aplicação dessa pena, foi aplicada a multa por conversão referente às mercadorias que não estavam estocadas na empresa, consoante o §1º, do art. 689, do Regulamento Aduaneiro/09, com redação dada pela Lei nº 10.637/02. Quanto às exportações, nas quais foram utilizadas Notas Fiscais falsas para instrução dos REs nº 06/0422109001 e 06/1137190001, vinculados aos AC nº 20040320456 e 20050224514, “informando venda simulada à interposta adquirente Oceantech”, impõese a aplicação da multa de 100% do valor declarado da embarcação em razão da impossibilidade de apreensão, uma vez que as embarcações já teriam sido exportadas. (fls. 2.030/2.031) Por fim, após colar uma série de decisões administrativas acerca do tema, fiscalização sustenta que “a falsidade de documento instrutivo de operação de comércio exterior de importação ou de exportação impõe a aplicação da penalidade de perdimento da mercadoria, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso impossível a apreensão da mercadoria”. (fl. 2.031) Da descrição incompleta das mercadorias Fl. 2305DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.306 6 Afirma os autuantes que é pacífico o entendimento na esfera administrativa acerca da procedência da aplicação da multa de 1% do valor aduaneiro das mercadorias, nos termos do disposto no §§ 1º e 2º, inciso III, do art. 69 da Lei 10.833/2003 c/c artigo 84 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, nas hipóteses de descrição incorreta ou incompleta da mercadoria, como no caso em apreço. Para comprovação, apresenta decisões administrativas vistas à fl. 2.032/2.033. Do Valor Aduaneiro da Mercadoria O fiscal informa que no cálculo das multas aplicadas em relação às mercadorias importadas foi considerado o valor aduaneiro declarado (Demonstrativo de Valor Aduaneiro Declarado) ou efetivo (Demonstrativo de Valor Aduaneiro Efetivo) das respectivas mercadorias constantes das respectivas DI consideradas na autuação, conforme planilhas anexas ao Auto de Infração. Informa, ainda, que, caso o valor efetivo de mercadoria importada, cujo lançamento tenha sido efetuado com base no valor declarado, seja identificado posteriormente, serão efetuados lançamentos complementares na forma da legislação pertinente. (fl. 2.034) Quanto à mercadoria exportada, afirma que o preço normal de venda de referidas mercadorias não poderá ser inferior ao seu, acrescido de 15% de margem de lucro. Dessa forma, apuraramse os valores aduaneiros, conforme visto à fl. 2.034. Da Impugnação Inconformada com a exigência fiscal, da qual tomou ciência pessoal em 02/06/2011, (fl. 2.039) a empresa apresentou em 04/07/2011 (segundafeira) a impugnação de fls. 2.047/2.090, onde, após um breve relato dos fatos, alega em síntese: Da alegação de inexistência de irregularidade nas operações aduaneiras de drawback O autuado destaca, inicialmente, que cabe a fiscalização o ônus de comprovar as irregularidades postas na peça acusatória e que “ausente a certeza acerca da existência dos elementos que compõem o fato ensejador da infração aduaneira, não deve prosperar a multa decorrente da conversão da pena de perdimento” (fl. 2.049) Nesse sentido, o impugnante sustenta que, ante aos exatos termos do Auto de Infração, não se pode concluir pela ocultação do real comprador da mercadoria exportada, pois “em nenhum momento a autoridade fiscal comprovou mediante provas incontestes a irregularidade na exportação”, e, nesse caso, devese fazer uso do Princípio do in dúbio pro reo, expresso no art. 112 do CTN. (fl. 2.052) Às fls 2.055/2.069, o impugnante rebate a acusação fiscal com relação aos Atos Concessórios considerados no Relatório Fiscal, alegando que os compromissos assumidos em tais atos foram cumpridos, tanto no que se refere ao prazo, quanto ao real adquirente da mercadoria exportada. Da inexistência de subfaturamento ou superfaturamento das mercadorias importadas indicadas nas fls. 29/42 do “Relatório Final de Procedimento Fiscal” Fl. 2306DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.307 7 Quanto às DI consideradas no Relatório Fiscal, o impugnante refuta a acusação, afirmando que a exigência fiscal se apresenta de forma generalizada, considerando importações sobre as quais a fiscalização não apontou qualquer irregularidade. Seguindo o raciocínio, o acusado alega que não teve o seu direito a ampla defesa assegurado durante o procedimento fiscal, conforme impõe o art. 73 da Lei nº 10.833/03, pois não foi intimada a apresentar os documentos comprobatórios da regular operação aduaneira de importação, imposição do art. 18, §1º, do Decreto nº 6.759/09. (fl. 2.069) Às fls. 2.071/2.090, o interessado rebate a acusação fiscal analisando cada uma das DI consideradas no Relatório Fiscal, buscando, assim, comprovar a improcedência da acusação. Da primeira Diligência Fiscal Em análise preliminar, foi observado que o Relatório Fiscal não identificava com clareza a localização dos elementos de prova juntados ao processo. Assim, por meio da Resolução no 2.468 (fl. 2.102/2.104), de 11/04/2013, a 2a Turma de Julgamento da DRJ Fortaleza decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem identificasse, utilizando a numeração automática do eprocesso, as folhas onde se encontram os arquivos/documentos citados no corpo do “Relatório Final de Procedimento Fiscal”, em especial nas notas de rodapé, ou, caso não encontrasse os arquivos/documentos citados no processo, deveria buscálos e anexá los para saneamento da instrução. Em 22/04/2013, em cumprimento à Resolução no 2.468, a unidade de origem juntou os documentos solicitados por esta DRJ, identificando a localização dos documentos citados como elementos de prova, conforme informação fiscal de fls. 2.130/2.133. Após tomar ciência dos documentos trazidos ao processo por força do cumprimento da resolução exarada pela 2ª Turma de Julgamento, que ocorreu em 29/05/2013 (fl. 2.134), o contribuinte se manifestou, em 28/06/2013, por meio do documento de fls. 2.136/2.137, onde reitera tanto a ocorrência do cerceamento ao seu direito de defesa, em virtude da dificuldade de encontrar e identificar as provas juntadas ao processo, quanto o pedido de improcedência das acusações postas no Auto de Infração. Da segunda Diligência Fiscal Em 15/04/2015, vislumbrando a necessidade de esclarecer pontos que ainda permaneciam obscuros no processo, a 2ª Turma de Julgamento decidiu converter, novamente, o processo em diligência, por meio da Resolução nº 08002.913, (fls. 2.139/2.144) para que a unidade de origem identificasse quais foram as Declarações de Importação consideradas no montante de R$ 1.359.598,81, referente ao valor declarado, vez que o total da planilha de fls. 1.965/1.973 não corresponde ao somatório dos valores aduaneiros nela contidos. Em cumprimento à Resolução nº 08002.913, a unidade de origem juntou o documento de fls. 2.146/2.150, no qual consta uma planilha com a relação de Declarações de Importação consideradas na autuação referente ao valor declarado, no montante de R$ 1.359.598,81. Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.308 8 Após tomar ciência dos documentos trazidos ao processo por força do cumprimento da Resolução nº 08002.913, que ocorreu em 06/04/2017 (fl. 2.151), o contribuinte se manifestou, em 05/05/2017, por meio do documento de fls. 2.154/2.155, onde afirma que: i) as planilhas apresentadas no Relatório Final de Diligência partiram de premissas equivocadas, uma vez que foram formuladas com inclusão de importações que não constavam nas planilhas anteriores; ii) a informação fiscal resultante das primeiras diligências não se presta a sanar o vício contido no processo concernente à sua correta instrução de forma a possibilitar a correta e indispensável identificação da infração; e ii) a nova planilha apresentada pela Autoridade alfandegária com o resultado da diligência, em nada altera a absoluta deficiência do lançamento em comprovar as infrações apontadas no Auto de Infração. A 2ª Turma da DRJ/FOR, acórdão n° 0839.938, deu provimento parcial à impugnação, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/01/2008, 30/09/2010 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR ESTRANGEIRO. MULTA POR CONVERSÃO DO PERDIMENTO. Considerase dano ao Erário, punido com a pena de perdimento das mercadorias, ou, no caso de estas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, a ocultação do real vendedor das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, bem como a falsificação, material ou ideológica, de qualquer documento necessário ao desembaraço aduaneiro. SUBFATURAMENTO. MULTA POR CONVERSÃO DO PERDIMENTO. INAPLICABILIDADE. A partir da vigência da Medida provisória nº 2.15835/01, não se aplica o perdimento da mercadoria ou a multa por conversão aos casos de subfaturamento, devendo ser exigido, além dos impostos e da multa de ofício, a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado. IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO IE EXPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO NA BASE DE CÁLCULO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inaplicável, por falta de previsão legal relativamente à base de cálculo, a multa decorrente da conversão da pena de perdimento na exportação das mercadorias, quanto aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010. Fl. 2308DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.309 9 Em seu recurso voluntário, a empresa repisa os argumentos de sua impugnação e não traz novos documentos. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso de ofício e o recurso voluntário atendem aos pressupostos legais de admissibilidade, deles, portanto, tomo conhecimento. Aplicação da multa substitutiva da pena de perdimento aplicada nas exportações ocorridas antes de 27/07/2010 A multa por conversão do perdimento na exportação foi aplicada em relação a fatos ocorridos em 22/03/2006 e 26/07/2006. A multa decorrente da conversão em perdimento, prescrita no § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, antes da redação dada pela Lei nº 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por referirse à base de cálculo relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). Apenas a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3º, é que se torna possível sua aplicação, ao prescrever multa equivalente ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente. Vejase abaixo a evolução da legislação. Redação à época dos fatos geradores: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 3º A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Redação após a edição da Medida Provisória nº 497, de 28/07/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: Fl. 2309DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.310 10 V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) §3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Medida Provisória nº 497, 27 de julho de 2010) Em suma, a multa por conversão da pena de perdimento na exportação tornouse aplicável apenas a partir de 28/07/2010 e, como dito acima, os fatos geradores ocorreram em 22/03/2006 e 26/07/2006, logo, não há previsão legal para sua exigência. Por conseguinte, deve ser mantida a exoneração do crédito de R$ 7.366.580,00, referente aos Atos Concessórios nºs 20040320456 e 20050224514, por vício material do lançamento. O recurso de ofício então deve ser negado nesta matéria. Da ausência de motivação Como bem consignado pela decisão de piso, no cotejo das DIs objeto de lançamento com as DIs que constam no Relatório de Procedimento Fiscal, vêse que algumas das DIs consideradas pelo autuante no cômputo do valor lançado não constam no referido relatório produzido pela Autoridade lançadora, não sendo possível sequer identificar qual seria o fornecedor da mercadoria, fato que caracteriza ausência de motivação, vício que impossibilita que se verifique se, de fato, ocorrera a interposição fraudulenta nos procedimentos de importação formalizados por meio das DIs nº 09/12758346, 09/14998395, 09/15577334, 09/17445419 e 09/17511837. Resta clara a falta de motivação do auto de infração, que traduzse em vício material. Isso porque, a motivação do lançamento envolve a fundamentação jurídica e seus pressupostos de fato e de direito. Pressuposto de fato é a ocorrência do fato no mundo fenomênico, ao passo que pressuposto de direito é a norma jurídica específica aplicável para aquele fato. Logo, a ausência de motivação acarreta a nulidade do auto de infração por vício material. Por isso, correto o cancelamento do auto quanto às DIs acima listadas, que totalizam o valor de R$ 322.537,18. Dessa forma, negase provimento ao recurso de ofício quanto a exoneração dos créditos referentes a essas DI. Multa por conversão do perdimento aos casos de subfaturamento Fl. 2310DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.311 11 Entendeu a DRJ que a partir de 24/08/2001, quando entrou em vigor a MP 2158, esta passou a prever penalidade específica a ser aplicada na hipótese de subfaturamento (art. 88, parágrafo único), tal ilícito teria sido excluído do rol das fraudes consideradas no art. 23 do DecretoLei n° 1.455/76. Por isso, afirmou que a aplicação da multa prevista no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76, sobre a DI 09/16293496, que teve como motivação exclusivamente o subfaturamento, foi equivocada, porquanto haveria previsão de penalidade específica. Não comungo com tal fundamento. Nos casos de dano ao erário, a penalidade a ser aplicada é a pena de perdimento ou, como consequência, sua multa pecuniária, não sendo esta cumulada com a multa prevista pelo parágrafo único do art. 88 da MP nº 2.15835/2001, nem tampouco substituída por esta. Assim, a multa equivalente a 100% sobre a diferença de preços só deve ser aplicada para as situações que não caracterizem dano ao erário. No presente caso, está comprovada a fraude, o que indubitavelmente caracteriza dano ao erário. Dessa forma, o subfaturamento subsomese ao teor dos incisos VI e/ou XI, do art. 105 do Decretolei nº 37/1966. Então, deve ser dado parcial provimento ao recurso de ofício neste ponto, para manter a exigência da penalidade de R$ 45.755,61. Das multas por utilização de notas fiscais ideologicamente falsas, exclusivamente por ocultação do efetivo vendedor estrangeiro ou, conjuntamente, por ocultação do efetivo vendedor estrangeiro e subfaturamento Multa por descrição incorreta da mercadoria No tocante à aplicação de penalidade por utilização de notas fiscais ideologicamente falsas por ocultação do efetivo vendedor estrangeiro ou, conjuntamente, por ocultação do efetivo vendedor estrangeiro e subfaturamento, bem como à multa por descrição incorreta da mercadoria, entendo que a decisão de piso não merece reparos. Considerando que a empresa não trouxe novos argumentos em recurso voluntário e que concordo totalmente com os termos da decisão recorrida, proponho a adoção dos fundamentos do voto condutor da DRJ, e o faço com fundamento no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/98 e art. 57, § 3º, do RICARF, com redação da Portaria n° 329, de 2017. Observase que a decisão recorrida foi precisa, minuciosa e analítica quanto ao mérito dessas penalidades, ou seja, os pressupostos de aplicação das multas e o conjunto probatório que lhes deram suporte. Por isso nego provimento ao recurso de ofício, mantendo as exonerações apontadas e nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a autuação nos pontos listados a seguir: Da aplicação da multa de 1% do valor aduaneiro da mercadoria por erro na descrição da mercadoria. Quanto à multa de 1% do valor do valor aduaneiro da mercadoria, é oportuno que se faça, inicialmente, uma análise da legislação aplicável ao caso. Fl. 2311DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.312 12 O art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/01, dispõe que: Art.84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. §1° O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. Esclarecendo melhor o referido dispositivo legal, o art. 69 da Lei nº 10.833/03 estabelece: Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1° A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2° As informações referidas no § 1°, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. No presente caso, como pode ser observado nas fls. 2.018 e 2.019, as informações sobre as quais recaem a acusação de inexatidão, apontadas pela fiscalização, referemse ao fabricante ou ao modelo do produto importado, informações estas que estão expressamente citadas na legislação como necessárias ao controle aduaneiro. Logo, a conduta infracional do autuado se amolda exatamente ao dispositivo legal. Sendo assim, acompanho a pretensão fiscal e julgo procedente a exigência da multa de 1% do valor aduaneiro da mercadoria, prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/01, no montante de R$ 1.000,00. Fl. 2312DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.313 13 Da multa por interposição fraudulenta Do modus operandi do Grupo Inace e da atuação da empresa All Oceans Trading Quanto às importações realizadas em nome da empresa All Oceans, Trading, entendo que a autuada, nos procedimentos enumerados pela fiscalização no “Relatório Final de Procedimento Fiscal” (fls. 1.987/2.035), constituía, juntamente com a empresa Indústria Naval S/A, o que pode ser denominado, informalmente, de Grupo Inace, que utilizava a empresa All Oceans como mera preposta, testa de ferro ou sucursal nas operações de comércio exterior realizadas entre os anos de 2008 e 2010, de forma a ocultar o nome do verdadeiro exportador ou importador e subfaturar a mercadoria importada, conforme quadro a seguir: (...) Diante do quadro acima, vêse, de imediato, a existência da vinculação entre a Inace Iates (autuada) e a All Oceans, pois, a empresa Oceantech Interprises, uma das empresas fornecedoras, tem como sócios a Sra. Flavia M. Barros e Sr. Sergio S. Ferreira, sendo aquela, também, sócia da Inace Iates e, este último, sócio da empresa All Oceans Trading. Documentos acostados ao processo demonstram que depois da aquisição das mercadorias, nos Estados Unidos ou em outros países, o fornecedor/vendedor encaminhava as mesmas para a empresa Oceantech, onde estas eram armazenadas, consolidadas e refaturadas (“revendidas”) para fins de exportação para a empresa autuada, de acordo com instruções oriundas do Grupo Inace. As faturas que instruíam os procedimentos de importação eram emitidas sob orientação da Inace, conforme se vê no documento de fl. 752, que apresenta detalhada orientação sobre o funcionamento da empresa, do qual extraio o seguinte trecho: Fl. 2313DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.314 14 Fl. 2314DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.315 15 O procedimento de orientar a emissão das faturas era utilizado também nas importações instruídas por invoices da All Oceans, conforme email de Rafael Ribeiro (Compras da Inace) para Robert (Inace), que define a responsabilidade dos embarques procedentes da All Oceans, inclusive às relativas a documentação de despacho (fl. 576):(...) As provas trazidas pela autoridade fiscal revelam que a empresa All Oceans era utilizada como uma “tratadora” de faturas comerciais, como visto, por exemplo, no documento denominado “procedimento para controle de materiais (iates)” (fl. 757/758), que define a responsabilidade de cada um dos funcionários dos estaleiros Inace que atuavam no procedimento de refazimento das invoices em nome da All Oceans, transcrito a seguir: 2A confecção das invoices e Packing Lists deverá ser de responsabilidade de: 2.1 ALL OCEANS: Sérgio Cabral 2.2 INACE: Dep. Compras internacionais. (Raffael, Marcelo e Gabriela) 2.3 Novo procedimento IATES 1)Quando Sérgio passar por correspondência eletrônica as informações do embarque que ele está preparando, a Paola deverá preparar um draft da invoice para conferência e correções e passar novamente para o Sérgio para que ele possa preparar INVOICE original; OBS.: Caso ocorra alguma divergência com a documentação (Invoice, Packing List, conhecimento de embarque), o departamento de importação / exportação deverá informar exatamente o que deve ser alterado ou providenciado para a conclusão do processo. Não é de responsabilidade do Dep. Importação / Exportação alterar INVOICE, apenas informar o que deve ser alterado para Paola/Gabriela passar para Sergio através do email e aviso por telefone. A resolução dos demais problemas será de responsabilidade do setor de importação / exportação. Reforçando tal entendimento, temse a ata de reunião dos estaleiros Inace de 24/04/2008, que determina que “o controle de compras efetuadas pelas ALL OCEANS será organizado através de arquivo de acesso comum aos quatro Fl. 2315DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.316 16 integrantes do setor" (fl. 761), comprovando, assim, que a All Oceans funcionava como um setor do departamento de compras da Inace. A logística fraudulenta de utilização da All Oceans resta, também, comprovada na mensagem eletrônica de fl. 763, enviada por Gabriela (Inace) para Robert Gil em 06/02/2009, na qual é revelada a prática de envio dos documentos originais de toda mercadoria adquirida nos EUA diretamente do fornecedor para a Indústria Naval, enquanto a mercadoria a ser transportada para o Brasil por via marítima deveria ser primeiramente encaminhada para o escritório da ALL OCEANS na Flórida. Consta ainda a sugestão na mencionada mensagem de que no Packing List ou na Purchase Order / Ordem de compra emitida pela ALL OCEANS fosse acrescido o n° do pedido dos estaleiros INACE, para facilitar a identificação dos pedidos no Setor de Compras: “Conforme conversado, toda mercadoria com aquisição nos Estados Unidos e transporte via embarque marítimo será destinada, primeiramente, ao escritório da All Oceans, Doral, FL. A documentação original de cada mercadoria deverá seguir diretamente do fornecedor para a Indústria Naval. Sugiro, ainda, que seja acrescido a referência das nossas P.Os (Pedidos) no Packing List ou na Purchase Order (P.O) emitida pela All Oceans com a finalidade de facilitar a identificação dos pedidos no Setor de Compras.” Demonstram os autos, por meio de um vasto conteúdo probatório e conforme minudentemente relatado pela fiscalização às fls. 1.987/2.035, das quais foram retirados os exemplos acima, que a empresa All Oceans foi constituída como uma espécie de “tentáculo internacional” do Grupo Inace nos Estados Unidos, com o objetivo de “refaturar” as importações, agindo sob o comando e conveniência da empresa autuada. Sendo assim, acompanho a acusação fiscal no sentido de que os procedimentos de importação enumerados no Relatório Fiscal, que foram instruídos com documentos em nome da All Oceans, devem ser considerados falsos, pois tais documentos ocultam o nome do verdadeiro fornecedor, caracterizando a interposição fraudulenta, conforme definido no art. 23 do Decreto nº 1.455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. Sendo assim, entendo que deva ser integralmente mantido o valor lançado nos procedimentos de importação enumerados no Relatório Fiscal e nos quais tenham sido declarados como fornecedor a empresa All Oceans e cuja acusação seja de interposição fraudulenta, no valor de R$ 418.706,70. Do Subfaturamento Fl. 2316DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.317 17 Sobre parte das DIs registradas em nome da empresa All Oceans Trading recai, além da acusação de interposição fraudulenta, a acusação de subfaturamento, infração que será apreciada individualmente, ou seja, a análise será realizada por procedimento fiscal objeto de lançamento, conforme a seguir: Da DI nº 08/11010567 A autoridade tributária aponta que parte da mercadoria importada por meio da DI nº 08/11010567, instruída pela invoice nº 3647 da All Oceans, foi subfaturada, fato comprovado pela existência da invoice nº 1431575, da DEPCO PUMP, dirigida a INACE/USA, que discrimina valores superiores, em mais de 100% do valor declarado nas adições 4, 6 e 7. Por outro lado, a impugnante defende que os documentos trazidos pela acusação não comprovam o suposto subfaturamento, que os insumos apontados como invoice são diferentes dos declarados na DI nº 08/11010567, além de ser de data distante do procedimento de importação. (...) Analisando a documentação apresentada, em que pese o fato de os documentos trazidos como prova terem datas compatíveis com o procedimento de importação, diferentemente do que aponta a Autoridade Fiscal, não vejo como inferir que os itens 4, 6 e 7 da invoice nº 3647, emitida pela All Oceans, sejam os mesmos itens que constam da invoice nº 1431575, emitida pela Depco Pump Company. Exemplificando a questão, vejamos o item referente a adição 7 da DI em tela, que, segundo a Fiscalização, consta na invoice emitida pela Depco da seguinte forma: Por outro lado, o autuante afirma que o mesmo item consta na invoice emitida pela All Oceans, que instruiu o procedimento de importação, com o seguinte texto: Ora, diante da falta de elementos suficientes para que se possa concluir que as mercadorias foram, de fato, adquiridas pelos valores apresentados na invoice emitida pela Depco, julgo improcedente a acusação de subfaturamento das mercadorias que constam nas adições 4, 6 e 7 da DI nº 08/11010567. Da DI nº 08/16654373 Por meio da DI nº 08/16654373 foi importado um sistema estabilizador, instruída pela invoice nº 2289, emitida em nome da All Oceans, pelo valor declarado de US$ 80.600,00. Quanto à referida mercadoria, a Fiscalização acusa que: “As minutas de invoice n° 2188, 2189 e 2289 da ALL OCEANS e do packing list 2289PS se referem a equipamento idêntico destinado às embarcações Cascos 575 e 576. Entretanto, a invoice n° 2188 em nome da ALL OCEANS não instrui importação dos estaleiros INACE e a de n° 2189 instruiu DI de equipamentos Fl. 2317DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.318 18 distintos ao dessa DI e o AC n° 20070084793 ampara importações destinadas à embarcação Casco 576. A mensagem eletrônica enviada por Paola Aquino a Aécio Costa em 30/01/2009 explicita a manipulação pelos estaleiros INACE das informações de drawback, conforme texto transcrito abaixo. A invoice n° 2188 é anexada à mensagem Segue a INVOICE do ESTABILIZADOR. Pelo que eu entendi as informações que estão faltando na nota são vocês que colocam certo? Já que temos essa invoice agora, eu devo mudar o item do novo drawback do 576, ou não será necessário porque vc vai liberar pelo antigo? “A falsidade ideológica da fatura n° 2289 em nome da ALL OCEANS instrutiva da DI e o subfaturamento do valor declarado do equipamento importado resta cabalmente comprovada pela apreensão na Operação Luxo da ordem de compra QM#810 e da invoice Q00195 da Quantum, anexadas à invoice #3 da INACE IATES referente ao terceiro pagamento da embarcação Casco 576. Esses documentos da Quantum representam a verdadeira transação comercial do sistema de estabilizador importado mediante a DI acima referenciada. Desses documentos constam o valor (fob) do estabilizador para o Casco 576 de US$ 175.000,00, sendo a invoice Q00195 referente ao pagamento do depósito inicial de 25%, no valor de US$ 43.750,00.” Os documentos citados foram: (...) De fato, conforme alega a Fiscalização, a fatura emitida pela empresa quantum (fl. 1.306) revela que a citada empresa vendeu um sistema estabilizador por US$ 175,000.00, sendo que a fatura nº Q001295 representa 25% do valor da venda. No entanto, não há elementos suficientes para vincular a descrição da mercadoria que consta na invoice nº 2289, emitida pela All Oceans, que instruiu a importação, com a mercadoria descrita na invoice emitida pela Quantum. Sendo assim, julgo improcedente a acusação de subfaturamento da mercadoria que consta na adição 1 da DI nº 08/16654373. Da DI nº 09/11381281 A Fiscalização afirma que, por meio da DI nº 09/11381281, foram importados dois molinetes e dois cabrestrantes da Maxwell, além de duas bombas Depco. No entanto, conforme fl. 1.974, vêse que a acusação de subfaturamento recai somente sobre os citados molinetes (adição 2), que foram declarados pelo valor de US$ 28.800,00. Autoridade fiscal fundamenta a acusação nas faturas nº 401462 e 401463, emitidas pela Maxwell, nos valores de US$ 44.099,60, referente, segundo afirma, aos mesmos molinetes que constam na fatura nº 9020512, da All Oceans, que instruiu a DI nº 08/16654373. (...) No caso da DI nº 09/11381281, além de as datas das faturas apresentadas como prova distarem um prazo razoável uma da outra, vêse, também, que, novamente, não há como vincular a mercadoria apresentada na adição 2 da fatura Fl. 2318DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.319 19 que instruiu a DI em questão com as mercadorias relacionadas na invoice nº 401462, emitida pela Maxwell. Sendo assim, julgo improcedente a acusação de subfaturamento das mercadorias da DI nº 09/11381281. Da DI nº 09/12430820 A Fiscalização afirma que, por meio da DI nº 09/12430829, a Inace importou 7.058 Kg madeira teca de burma em prancha, instruindo o procedimento com a invoice nº 2.217, emitida em nome da All Oceans, no valor de R$ 52.544,19. No entanto, o Autuante sustenta que a minuta da invoice n° "p/ revisão", apreendida na Operação Luxo, encaminhada para revisão por Jackie Ferreira para Aécio, mediante a mensagem eletrônica de 26/01/2009, no valor total de US$ 55.844,21, revela o real valor da operação, ou seja, “na versão final da invoice, embora incluindo o incoterms CFR, não foi adicionado o frete ao valor da mercadorias, revelando a omissão do valor do frete e subfaturamento do valor aduaneiro”. (...) Com relação à DI nº 09/12430820, acompanho a trilha traçada pela Fiscalização quanto ao subfaturamento, pois, conforme teor pelos emails apreendidos, concluise que a invoice que instruiu o procedimento da referida DI omitiu o frete do valor declarado, caracterizando, assim, o subfaturamento. Por isso, considero que foram apresentadas provas suficientes para a comprovação da infração referente ao subfaturamento da adição 1 da DI nº 09/12430820. Da DI nº 09/17498164 e Da DI nº 10/02259616 A Autoridade administrativa relata que a DI nº 09/17498164, instruída pela invoice n° 903112 da ALL OCEANS, amparou a importação de duas transmissões náuticas, modelo mgx 5114dc, redução 4.1.7:1, do fabricante TWIN DISK, no valor total de US$ 33.573,24. Todavia, a apreensão da proforma invoice n° LA 19020901 BR, da empresa LA LOGISTICS, apresentada a seguir, referente à venda de duas reversoras mgx 5114dc, redução 4.1.7:1 do fabricante TWIN DISK para a INACE USA no valor total (exworks) de US$ 36.790.00 comprova a o subfaturamento em mais de 10% do valor declarado dos equipamentos. (...) Quanto à DI nº 10/02259616, registrada em 10/02/2010 e instruída pela invoice n° 9090924, em nome da ALL OCEANS, foram importados diversos equipamentos eletrônicos, no valor de US$ 137.589,90. Sendo que a Fiscalização afirmou ter ocorrido subfaturamento nas adições 3, 4, 5, 7, 8, 9 10, 11, 12, 14, 15, 17, 18, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 27, 28, 30, 31, 35, 38 e 39. Afirma a Autoridade Fiscal que a proforma invoice n° SO8210, emitida pela empresa MARKA EXPORTS em 18/07/2008, dirigida à IND. NAVAL, discriminando os mesmos produtos, no valor total de US$ 136.440,74, apresenta, de fato, os valores reais da operação, sendo a invoice instrutiva em nome da ALL OCEANS ideologicamente falsa. Fl. 2319DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.320 20 Acusa, também, que as mensagens eletrônicas abaixo reproduzidas comprovariam o subfaturamento: A mensagem eletrônica de E. Sander da Radiomar para João Acary de 15/08/2008 encaminha essa proforma e esclarece que será o contato desse fornecimento da MARKA EXPORTS. Em 18/08/2008 João Acary repassa para Robert Gil, Guilherme e Flávia de 18/08/2008 a mensagem e proforma e indaga se a importação seria direta ou passaria pelo Sérgio. Robert e Guilherme, Segue proforma invoice para o pacote dos eletrônicos do casco 582 (Luis Ermírio). Como iremos proceder? Você passará para o Sergio ou comprará por aqui mesmo? Podemos fazer a solicitação no sistema? Prazo de entrega apenas para abril de 2009, não tem necessidade de estar aqui no estaleiro antes deste prazo. Atenciosamente, João. Em outra mensagem eletrônica de 29/04/2009 de Raffael Ribeiro para Sérgio Cabral é solicitada a emissão e encaminhamento de pedido desses equipamentos Marka pela ALL OCEANS Beto / Sergio, Essa é a situação referente aos pagamentos dos equipamentos listados pelo Eng. João Acary e que devem ser verificados. Por favor informe se esta tudo de acordo pra que possamos providenciar as alterações. [...[Eletrônicos da Radiomar (Marka). Emitir e enviar pedido para Ali Oceans (pedido recém enviado diretamente pelo Brasil Marcelo.) [...] Ainda em 29/04/2009, Marcelo Queiroz encaminha para Vanessa da MARKA EXPORTS e Sanders da RADIOMAR mensagem eletrônica em que informa que os equipamentos seriam pagos pelo parceiro em Miami ALL OCEANS TRADING e que a proforma teria que ser alterada Caros Vanessa e Sander, Após uma reunião entre o Sr. Robert, D. Flávia e D.Elisa, ficou decidido que os materiais da Radiomar(Marka) vão ser pagos por um parceiro nosso em Miami (Ali Oceans). Portanto, a proforma que vocês me enviaram tem que ser alterada. O contato é o Sr. Sérgio Cabral, email sjcabral@aol.com Tel: (01)(305)4683541 Marcelo Queiroz Nessa mesma data Marcelo Queiroz encaminha para Sérgio Cabral) o pedido n° 1137 em nome da INACE IATES para a ALL OCEANS e proforma n° SO 8210R5 da MARKA dirigida a INACE IATES no valor de US$ 134.025,98 referente a esses equipamentos e acrescenta:"Conforme fora acordado, em anexo pedido 1137 e proforma em nome da Inace. Já informei ao fornecedor a respeito da mudança no pagamento e que a proforma deverá ser alterada.” Portanto, os documentos acima explicitados revelam que as mercadorias FORAM compradas diretamente pelos estaleiros Fl. 2320DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.321 21 INACE da MARKA EXPORTS com a intermediação da RADIOMAR e que a ALL OCEANS foi fraudulentamente interposta na operação mediante operações simuladas. E que o frete declarado de US$ 133,77 para mais de 500 kg, certamente foi subfaturado. (...) Ora, é sabido que a Proforma Invoice é o documento que inicia o negócio entre as partes, não gera obrigações entre elas e possui características de orçamento, podendo ser alterado no decorrer da negociação comercial, sendo imprestável para, por si só, sem o apoio de outros elementos de prova, comprovar o subfaturamento das duas DIs em questão. Ademais, no caso da DI nº 10/02259616, a proforma invoice trazida como prova pela Fiscalização, foi emitida em 18/07/2008, enquanto a procedimento fiscal em questão foi registrado em 10/02/2010, distância e fragiliza a acusação fiscal. Por fim, Vêse que a comunicação eletrônica colada não faz nenhuma menção ao subfaturamento, somente apontando para interposição. Posto isso, julgo improcedente a acusação de subfaturamento referente à adição 1, da DI nº 09/17498164, e das adições 3, 4, 5, 7, 8, 9 10, 11, 12, 14, 15, 17, 18, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 27, 28, 30, 31, 35, 38 e 39, da DI nº 10/02259616. Conclusão quanto às DI registradas em nome da All Oceans Trading Diante dos fundamentos acima, julgo procedente a exigência da multa por conversão do perdimento referente às importações listadas no Relatório Fiscal, nas quais tenha sido declarado como fornecedor a empresa All Oceans e que a acusação tenha se fundamentado exclusivamente na interposição fraudulenta, no montante de R$ 418.706,70. Entretanto, entendo que, com exceção da DI nº 09/12430820, a Fiscalização não conseguiu comprovar a acusação de subfaturamento nos procedimentos de importação registrados em nome da All Oceans, nos casos cuja a acusação tenha se fundamentado no subfaturamento e na interposição fraudulenta. Sendo assim, com exceção da DI nº 09/12430820, os valores referentes às importações formalizadas em nome da All Oceans, nos casos nos quais recaem a acusação de interposição fraudulenta e de subfaturamento, devem ser reduzidos aos valores declarados, ou seja, desconsiderando os valores acrescidos em virtude da acusação de subfaturamento, passando de R$ 805.470,78 para R$ 581.417,24, de forma a exonerar R$ 224.053,57, conforme tabela a seguir: (...) Face aos fundamentos acima, julgo integralmente procedente a acusação de interposição fraudulenta e parcialmente procedente a acusação de subfaturamento referente aos procedimentos de importação considerados no Relatório fiscal que constam como fornecedor a empresa All Oceans. Sendo assim, deve ser mantido o valor de R$ 418.706,70, referente às DIs nas quais recaem somente a acusação de interposição. Por outro lado, nas DIs nas quais foi apontado, além da interposição, o subfaturamento, o valor deve ser reduzido de R$ 805.470,78 para R$ 581.417,24, uma vez que parte da acusação de subfaturamento não foi comprovada. Fl. 2321DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.322 22 Logo, quanto aos procedimentos de importação nos quais constam como fornecedor a empresa All Oceans, deve ser mantido o total de R$ 1.000.123,94 (R$ 418.706,70+R$ 581.417,24) e exonerado o montante de R$ 224.053,57. Da Tri Oceans e Dos demais fornecedores estrangeiros Concluída a análise das importações instruídas com as faturas em nome da All Oceans, resta apreciar, quanto à multa por conversão do perdimento, os procedimentos de importação referentes aos demais fornecedores, nos quais, ao meu ver, não se pode concluir pela interposição fraudulenta, devendose analisar cada procedimento de importação isoladamente, o que será feito a seguir: 1) Do Fornecedor Tri Oceans Quanto ao fornecedor Tri Oceans, os fundamentos utilizados pela fiscalização para considerar falsas as faturas (interposição fraudulenta) que instruíram as DIs nº 10/13605014 e 10/15348752 foram: i) a vinculação do Sr. John DeCaro com os estaleiros Inace (fl. 2.026); ii) a semelhança do formato gráfico entre as invoices emitidas pela All Oceans e pela Tri Oceans (fl. 2.026); iii) a sistemática de controle adotada pela All Oceans e pela Tri Oceans e iv) a dúvida quanto aos signatários das invoices. Inicialmente, diferentemente do que entende a autoridade fiscal, não vejo os documentos de fls. 692/693 e 710, vistos a seguir, datados, respectivamente, em 31/08/2005 e 06/06/2007, suficientes para comprovar que o Sr. John DeCaro seria um “representante/corretor/vendedor” do Grupo Inace, uma vez que tais documentos, apontados pela fiscalização como comprobatórios da referida vinculação, apresentam somente uma série de emails desconexos com os fatos geradores em questão, ocorridos em 2010, ou seja, a comprovação da vinculação entre o Sr. DeCaro e o Grupo Inace em época distinta dos fatos geradores em apreço, não implica dizer que as faturas por ele assinadas posteriormente, em nome de uma outra empresa (Tri Oceans), sejam falsas. (...) Quanto à semelhança entre as faturas da TriOceans e da All Oceans, entendo que os referidos documentos também se assemelham com outros modelos de faturas normalmente utilizados no comércio exterior, inclusive com algumas apresentadas no processo em tela como, segundo a fiscalização, reveladoras de uma operação real, como, por exemplo, a fatura da Headhunter, conforme apresentado a seguir: (...) Sendo assim, não restando comprovado que a suposta vinculação entre o Sr. John DeCaro e a Inace era suficiente para se concluir que as faturas emitidas pelas TriOceans seriam falsas, entendo que os demais indícios trazidos pela fiscalização não são suficientes para sustentar a acusação de que a Tri Oceans sucedeu a All Oceans no esquema de interposição fraudulenta identificado com relação a esta última empresa, de forma a viciar todas as faturas emitidas por aquela. Sendo assim, julgo improcedente a exigência da multa de conversão do perdimento referente às DIs nº 10/13605014 e 10/15348752, no montante de R$ 514.887,97, conforme planilha: (...) 2) Dos outros fornecedores HungBridge Ind. Co e TC Watson & Sons Ltda Fl. 2322DF CARF MF Processo nº 11131.720217/201121 Acórdão n.º 3301005.189 S3C3T1 Fl. 2.323 23 Quanto aos fornecedores HungBridge Ind. Co e TC Watson & Sons Ltda, a fiscalização assevera que as invoices nº HBI80107A e nº GDT75970609, que instruíram respectivamente as DI nº 09/13044126 e 09/15364136, formalizadas em nome destas empresas, seriam falsas, pois apresentavam o mesmo formato gráfico que era, também, idêntico ao padrão gráfico apresentado por outras invoices que instruíram outras DI em nome da Indústria Naval. Falsidade essa ratificada pelas duas faturas proforma n° HBI 80107A, em nome da HungBridge, que totalizavam US$ 16.655,00 e US$ 17.055.00: (...) Conforme assevera a Fiscalização, diferentemente do caso da empresa Tri Oceans, nos quais as faturas apresentadas eram somente semelhantes, entendo que a utilização de idêntico padrão gráfico de faturas emitidas por duas empresas, pesando, ainda, o fato de uma ser situada em Taiwan e outra na Nova Zelândia, aponta para a falsidade de tais documentos, ensejando a multa de perdimento ou da sua conversão, conforme o caso. Sendo assim, julgo procedente parte da exigência da multa de conversão do perdimento, na importação, referente às DI nº 09/13044126, da HungBridge Ind. Co., e nº 09/15364136, da TC Watson & Sons Ltd., no valor de R$ 103.464,23. Tendo em vista as razões de decidir acima adotadas, nego provimento ao recurso voluntário para: a manter a autuação de R$ 1.000,00, relativa à multa por descrição incorreta das mercadorias na importação; b manter a autuação de R$ 1.000.123,94, relativa à parcela da multa decorrente da conversão da pena de perdimento, por interposição fraudulenta, nas importações, cujo fornecedor é a empresa All Oceans e c a autuação de R$ 103.464,23, relativa à multa decorrente da conversão da pena de perdimento, por interposição fraudulenta, referente às importações cujos fornecedores são as empresas HungBridge Ind. Co. e TC Watson & Sons Ltd. Ademais, com fundamento nas mesmas razões, nego provimento ao recurso de ofício, mantendo a exoneração dos seguintes créditos: a valor de R$ 224.053,57, referente à acusação de subfaturamento, em parte das importações cujo fornecedor é a empresa All Oceans; b a quantia de R$ 514.887,97, relativa à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, referente às importações que tiveram exportadora a empresa TriOceans. Conclusão Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 2323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.009311/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 11/12/2003 a 22/01/2004
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX.
No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no SISCOMEX, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu após decorrido o prazo de 7 (sete) dias, é devida a multa regulamentar por falta do respectivo registro, aplicada sobre cada viagem.
AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARÍTIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, no tocante à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. EXPORTAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 126.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema SISCOMEX, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração.
Numero da decisão: 3401-005.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 11/12/2003 a 22/01/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no SISCOMEX, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu após decorrido o prazo de 7 (sete) dias, é devida a multa regulamentar por falta do respectivo registro, aplicada sobre cada viagem. AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARÍTIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, no tocante à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. EXPORTAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 126. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema SISCOMEX, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11128.009311/2008-80
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5944415
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.387
nome_arquivo_s : Decisao_11128009311200880.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : TIAGO GUERRA MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 11128009311200880_5944415.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7560010
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149273137152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1856; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 173 1 172 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.009311/200880 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.387 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO SISCOMEX Recorrente CMA CGM DO BRASIL AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/12/2003 a 22/01/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no SISCOMEX, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu após decorrido o prazo de 7 (sete) dias, é devida a multa regulamentar por falta do respectivo registro, aplicada sobre cada viagem. AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARÍTIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, no tocante à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. EXPORTAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 126. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema SISCOMEX, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 93 11 /2 00 8- 80 Fl. 176DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 133 e seguintes) contra decisão da 24ª Turma da DRJ/SP1, que considerou improcedente as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração, exarado pela DRJ II SP, em 24.11.2008, lavrado em razão do descumprimento da obrigação acessória de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação, no Siscomex. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 02 e seguintes) de R$ 125.000,00 (cento e vinte e cinco mil reais). Em síntese, o lançamento de ofício decorreu do fato de que a contribuinte teria deixado de prestar informações referentes ao embarque de mercadorias a serem exportadas : O presente Auto de Infração, no valor de R$ 125.000,00, foi lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação, no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Conforme consta na peça impositiva (fls. 02/13), a autoridade fiscal fundamentou a autuação no art. 107, inciso IV, alíneas “c” e “e”, do Decretolei 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003, bem como nos artigos 37 e 44, da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994. No caso, o auditor fiscal identificou que os dados de embarque de 25 navios/viagens foram registrados fora do prazo de 07 dias. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11128.009311/200880 Acórdão n.º 3401005.387 S3C4T1 Fl. 174 3 Da Impugnação A Contribuinte apresentou Impugnação (fls. 25 e seguintes ), alegando, em síntese, o seguinte: a) é parte passiva ilegítima, uma vez que o agente marítimo não pode ser equiparado ao transportador marítimo ou ao agente de carga para fins de imputação de responsabilidade tributária, com base nas disposições do DecretoLei nº 37/66. Cita jurisprudência judicial e Súmula 192 do extinto TFR; b) o artigo 37 da IN SRF 28/94 que fundamenta a autuação, apenas dispunha à época dos fatos que o prazo para registrar os dados pertinentes ao embarque marítimo no SISCOMEX era “imediatamente após”. Somente com a edição da IN SRF 510, de 14/02/2005, o art. 37 passou a indicar o prazo de sete dias para registro no SISCOMEX. Logo, à época da suposta infração não havia um prazo expressamente previsto para a realização do registro, sendo perfeitamente aceitável que se procedesse ao registro em prazo superior a sete dias; c) cita jurisprudência administrativa para demonstrar a insubsistência da autuação fiscal, uma vez que não houve qualquer embaraço à fiscalização; d) o afastamento da multa é medida administrativa que se impõe em observância aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade; Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 1646.366 (fls 119 e seguintes), exarado pela 24ª Turma da DRJ/SP1, em 08.05.2013, através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 11/12/2003 a 22/01/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu após decorrido o prazo de 7 (sete) dias, é devida a multa regulamentar por falta do respectivo registro, aplicada sobre cada viagem. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 178DF CARF MF 4 Período de apuração: 11/12/2003 a 22/01/2004 AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARÍTIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, no tocante à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, tendo a ciência do Acórdão da DRJ ocorrido em 20.05.2013 e o Recurso Voluntário foi protocolado em 12.06.2013 (fls 133 e seguintes), e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que tomolhe conhecimento. Do Mérito Da Ilegitimidade Passiva suscitada pela Recorrente A Recorrente sugere que, como mero agente marítimo, não possui legitimidade passiva para vir a ser exigida a cumprir obrigações tributárias, nem mesmo estaria às respectivas penalidades em caso de inadimplemento. Contudo, é expressa a responsabilidade do agente marítimo, na qualidade de representante do transportador estrangeiro no país, como se infere do disposto no art. 32 do Decretolei nº 37/1966, verbis: Art. 32. É responsável pelo imposto: Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11128.009311/200880 Acórdão n.º 3401005.387 S3C4T1 Fl. 175 5 I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; Assim, sendo certo que o agente marítimo assume a representação legal do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Além disso, vale ressaltar que a redação dada ao artigo 32 acima mencionado é decorrente da alteração trazida pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988, enquanto a Súmula TFR 192, de entendimento diversos, é de 25/11/1985, de modo que a argumentação da Recorrente já está, há muito tempo, superada. Por fim, vale ainda destacar o Acórdão 3302005.729 , julgado em 27 de julho de 2018, de relatoria do Conselheiro Jorge Lima Abud, sobre matéria idêntica: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/06/2004 AGENTE MARÍTIMO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. LEGITIMIDADE PASSIVA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. Logo, o recorrente, investido na qualidade de representante do transportador estrangeiro, ao não prestar as informações devidas, no prazo regulamentar, sobre carga destinada ao exterior, no âmbito do despacho aduaneiro de exportação, responde pela respectiva sanção pecuniária, em face da referida infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. Diante disso, não há de prosperar o argumento recursal. Fl. 180DF CARF MF 6 Da Alegada Extinção da Multa por Denúncia Espontânea A Recorrente, ainda, defende a hipótese de que "as DDE´s mencionadas na intimação foram inseridas no SISCOMEX muito antes da lavratura deste auto e do início de qualquer procedimento fiscal. Mais uma vez, não se sustenta a alegação da Recorrente. Os Tribunais Superiores vêm consolidando o entendimento de que o instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138, do Código Tributário Nacional, não se aplica às obrigações acessórias; de modo que sua entrega fora do prazo não representa excludente da multa prevista no DecretoLEi 37/1966, mesmo porque o dever do contribuinte é adimplir a obrigação acessória no prazo estabelecido pela legislação, não cabendo adimplemento parcial do ponto de vista temporal. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 03/STJ. SUPOSTA OFENSA AO ART. 535 DO CPC/73. AUSÊNCIA DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO. EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO DE RENDA. MULTA. ATRASO NA ENTREGA. LEGALIDADE. REQUISITOS DE VALIDADE DA CDA. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. ARESTO ATACADO QUE CONTÉM FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS SUFICIENTES PARA MANTÊLO. ÓBICE DA SÚMULA 126/STJ. 1. Não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade ou contradição, não fica caracterizada ofensa ao art. 535 do CPC/73. (...) 4. É cediço o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido da legalidade da cobrança de multa pelo atraso na entrega da declaração de rendimentos, inclusive quando há denúncia espontânea, pois esta "não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas" (AgRg no AREsp 11.340/SC, Rel. MINISTRO CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/9/2011, DJe 27/9/2011). 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1022862/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/06/2017, DJe 21/06/2017) Outrossim, especificamente sobre o caso presente, reafirmo a obediência desse colegiado a suas súmulas enunciadas pela CSRF. No caso, a recente exarada Súmula CARF 126 veio a corroborar esse entendimento: Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11128.009311/200880 Acórdão n.º 3401005.387 S3C4T1 Fl. 176 7 Da Alegada Ausência de Previsão Legal para o prazo de cumprimento da Obrigação Acessória A Recorrente alega que o prazo de 7 (sete) dias para prestar as informações no SISCOMEX não resta consignado na legislação regente da matéria à época, razão pela qual não poderia a fiscalização exigir conduta não tipificada. De certo, a Recorrente aduz que o prazo para enviar as informações via SISCOMEX não estavam claramente presentes na referida Instrução Normativa 28/1994, publicada em 28/04/1994. Todavia, o seu artigo 37 dispunha que o registro deveria ser realizado "imediatamente após realizado o embarque da mercadoria". Semanticamente, a expressão "imediatamente após" remete a continuidade de fatos ininterruptos. Portanto, quando a legislação determinou que as informações fossem registradas no Siscomex "imediatamente após o embarque", acabou por determinar que elas fossem prestadas na própria data do embarque. Logo, não havendo silêncio normativo quanto ao momento para adimplir tal obrigação tributária acessória; é legítima a fundamentação do lançamento. Da Alegada Ausência de Embaraço à Fiscalização Diante da conclusão do item anterior, qual seja, a Recorrente haver prestado, fora do prazo estabelecido pela Receita Federal, informações no Siscomex sobre os dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação, tampouco há de prosperar a alegação de que não houve embaraço à fiscalização. Isto porque, inicialmente, o artigo 44 da IN/SRF 28/1994 tipificou indubitavelmente a conduta de omissão ou de registro intempestivo dos dados de embarque no SISCOMEX pelo transportador como hipótese de imposição da multa prevista no artigo 107, do DecretoLei 37/1966: Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis. Posteriormente, com a nova redação pela Lei Federal nº 10.833/03 ao art. 107 do DecretoLei 37/1966:, restou prejudicado o disposto no art. 44 da IN/SRF 28/1994, já que tal conduta passou a constar na alínea “e” do inciso IV daquele dispositivo, mais específica aplicável ao caso em questão. Fl. 182DF CARF MF 8 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e” Portanto, não há que se falar em ausência de tipicidade legal, já que os fatos narrados no lançamento se enquadram claramente no previsto na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DecretoLei 37/1966. Dos Argumentos de Cunho Constitucional Quantos aos argumentos de linde constitucional visando afastar a aplicação de norma vigente À época dos fatos, reservome à aplicação da Súmula CARF nº 2, de modo que não há tomo dar provimento a essa parcela do Recurso. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, porém negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.907337/2008-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.907337/2008-57
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5922615
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.886
nome_arquivo_s : Decisao_10680907337200857.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10680907337200857_5922615.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7492301
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149276282880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1661; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 359 1 358 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.907337/200857 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.886 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 04 de outubro de 2018 Matéria PERDCOMP Recorrente IMANTEC INSTALACAO E MANUTENCAO TECNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 73 37 /2 00 8- 57 Fl. 359DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PERDCOMP) 32312.36998.120804.1.3.041524 (efls. 12/16), de 12/08/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos supostamente indevidos (IRPJ 2089, PA: 30/06/1999). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 775490412 (efl. 11), que analisou as informações e averbou que o pagamento foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0225.954 4ª Turma da DRJ/BHE, efls. 28/31). Assim dispôs em relatório aquela decisão de primeira instância: Ciente em 30 de julho de 2008, conforme aviso de recebimento de fls. 15, a interessada apresentou, em 28 de agosto de 2008, a manifestação de inconformidade de fl. 1, alegando tão somente que “os débitos apresentados fiaram compensados com recolhimentos a maior calculados com base de cálculo de 32% sendo a correta 8%. Por um lapso somente no dia 04/08/2008 foram transmitidas as DCTF 's retificadoras.” Para instrução dos autos, foram juntados os seguintes documentos: Declaração de Compensação n° 3231236998.120804.1.3.04›1524 (fls. 8/10) e cópia do recibo de entrega de Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTFS, correspondentes aos quatro trimestres de 1999, recepcionadas em 04/08/2008 (fls. 11/14). É o relatório. A mesma decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas contábeis que comprovassem a disponibilidade integral do crédito. Adicionalmente a decisão recorrida dispôs que os valores pagos correspondem aos débitos (PA: 2° trimestre de 1999) confessados na DCTF válida entregue em 26/04/2004: (...) Nas DCTFs n° 41847767 e 12409088, apresentadas em 26/04/2004, e válidas por ocasião da transmissão da DCOMP 323I2.36998.120804.1.3.04.1524, a contribuinte declarou que o IRPJ apurado para o segundo trimestre de 1999, no valor de R$ 19.748,74, seria pago em três cotas de R$ 6.582,91 (docs. fls. 17/19, ora juntados). Para esse período, de acordo com a tela do sistema Sina106 (fls. 20), sob o código 2089, foram efetuados três pagamentos, em 28/07/1999, 30/08/1999 e 30/09/1999, sendo aquele efetuado em 30/08/1999 o pagamento relativamente ao qual a impugnante pleiteia o direito creditório. (...) Como visto, de acordo com o art. 16, III e § 4°, do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, cabe à impugnante o ônus da Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10680.907337/200857 Acórdão n.º 1001000.886 S1C0T1 Fl. 360 3 prova. Caso não o faça, como é a situação aqui tratada, não há como considerar indevido o pagamento no valor de R$ 6.648,74, efetuado em 30/08/1999. Por tudo que dos autos consta, não há provas de que a contribuinte faz jus ao direito creditório que pleiteia. Cientificada da decisão de primeira instância em 25/05/2010 (efl. 25) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 24/06/2010 (efl. 39), em que repete o argumento de que os recolhimentos a maior teriam sido calculados considerando uma base de cálculo de 32% sendo a correta 8%. Adiciona que na decisão recorrida sustentase: “Para justificar o erro, a contribuinte sequer menciona as atividades que exerce, e em que proporção em relação ao total as receitas correspondentes a essas atividades teriam sido auferidas”, o que facultaria a juntada de novos documentos a fim de contrapor os fatos sustentados. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Observo que a DIPJ tem caráter meramente informativo, constituindose apenas num demonstrativo da apuração da base de cálculo, do imposto devido, e dos saldos a pagar ou a restituir de imposto, passível de verificação. Como a DCTF retificadora entregue em 26/04/2004, a que faz alusão a contribuinte, declara como valor do IRPJ a pagar o mesmo contido no DARF referido na PERDCOMP em questão, não restou o crédito a ser compensado que embasa este recurso. Nesse sentido o pedido de restituição de crédito (considerando uma base de cálculo de 8% sendo incorreta a de 32%) não foi acompanhado dos atributos necessários de liquidez e certeza (e que contrariasse a DCTF referida acima), os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Neste sentido, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações Fl. 361DF CARF MF 4 prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no caso em apreciação nesta segunda instância o recorrente tenta sanar sua omissão quanto à apresentação de documentos contábeis que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Mas conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10680.907337/200857 Acórdão n.º 1001000.886 S1C0T1 Fl. 361 5 demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo, por não trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos contábeis hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Neste sentido, e em caso que se referia também à compensação de alegados créditos fiscais, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 363DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13054.720105/2011-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429-SP e Resp. 1.470.720-RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Decisão que restou confirmada no ARE 817.409.
2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.118.429-SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte.
3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.470.720-RS), o valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente. A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 2301-005.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp. 1.470.720.
(assinado digitalmente).
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: WESLEY ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429-SP e Resp. 1.470.720-RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. 1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Decisão que restou confirmada no ARE 817.409. 2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.118.429-SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. 3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.470.720-RS), o valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente. A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. Recurso Voluntário parcialmente provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13054.720105/2011-66
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5936111
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.689
nome_arquivo_s : Decisao_13054720105201166.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WESLEY ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 13054720105201166_5936111.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp. 1.470.720. (assinado digitalmente). João Bellini Júnior - Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7541376
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149278380032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2188; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 417 1 416 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13054.720105/201166 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.689 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente GRACIANO ALMEIDA MARTINS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429SP e Resp. 1.470.720RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. 1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Decisão que restou confirmada no ARE 817.409. 2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC (Resp. 1.118.429SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. 3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC (Resp. 1.470.720RS), o valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente. A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. Recurso Voluntário parcialmente provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 72 01 05 /2 01 1- 66 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 418 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp. 1.470.720. (assinado digitalmente). João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por GRACIANO ALMEIDA MARTINS, contra o Acórdão de julgamento (efls. 78, e seguintes), que julgou improcedente a impugnação apresentada. O relatório da decisão recorrida assim descreve: Mediante Notificação de Lançamento, de fls. 04/07 exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física suplementar, acrescido de multa de ofício e juros de mora no valor total de R$ 97.797,64, calculados até 30/11/2010, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2008, anocalendário de 2007. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 07, a fiscalização informa que confrontando o valor dos rendimentos tributáveis declarados recebidos de pessoa jurídica, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte –DIRF, para o titular e/ou dependentes, verificouse a ocorrência de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 233.881,83, sendo que foi compensado IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 7.016,45. Os rendimentos foram informados pela Caixa Econômica Federal, CNPJ 00.360.305/000104. Contra o lançamento o contribuinte apresentou impugnação de fls. 02/04 dos autos, alegando, em síntese que: Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 419 3 os rendimentos de R$ 233.881,83 são isentos por tratarse de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave; recebeu parte dos valores e não a integralidade dos mesmos, pois ajuizou por meio de procurador, ação de revisão de aposentadoria e que foram descontados os valores anteriormente contratados com o advogado; tais valores foram recebidos pelo autor como reposição da aposentadoria, através de ação previdenciária competente, e por isto não deveriam ser tributados, já que se trata de verba de natureza alimentar; além disso, o impugnante foi representado em referido processo, por um procurador, o qual através de contrato assinado anterior ao ajuizamento da causa recebeu parte dos R$ 233.881,83, sendo destinado ao procurador o montante entre R$ 60.000,00 ou R$ 70.000, não recordando ao certo o valor; que após receber a presente notificação, procurou o escritório a fim de que recebesse cópia do contrato e apurar os valores recebidos por este, negandose tal escritório a fornecer as informações solicitadas; finalmente requer que seja julgada a presente intimação (sic), bem como que seja absolvido das imputações que foram feitas contra si, ou caso outro seja o entendimento da Receita Federal do Brasil, a devida intimação do escritório Renato Von Muhlen Advogados Associados, para prestar as informações atinentes ao andamento deste processo administrativo e ao fim um novo cálculo com a tributação justa, que deve ser bem aquém da ora apresentada. Às fls. 70, registro manifestação da Agência da Receita Federal do Brasil de São Leopoldo que reportase ao art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009, a qual passa a vigorar acrescida do art. 6ºA: Art. 6º ª A impugnação do sujeito passivo à Notificação de Lançamento efetuada sem intimação prévia, ou sem atendimento à intimação, e sem apresentação anterior de Solicitação de Retificação de Lançamento, terá o seguinte tratamento: I – os documentos apresentados e demais questões de fato alegadas serão analisados pela autoridade lançadora. Neste diapasão, os autos foram encaminhados ao SEFIS/DRF/NHO, para análise e prosseguimento. Com efeito, às fls. 71, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo HamburgoRS, proferiu Despacho Decisório DRF/NHO nº 468, de 11 de abril de 2013; peço vênia para transcrever a conclusão do indigitado despacho, eila: 2. CONCLUSÃO Na análise dos documentos apresentados constatase que a notificação de lançamento cobrou Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, tendo em vista rendimentos de ação judicial recebidos da CAIXA ECONÔMICA Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 420 4 FEDERAL. Sem razão o impugnante. Verificase a correção dos valores declarados na NL, pois não há previsão para a Receita Federal do Brasil não proceder com a cobrança. Ressaltese não foram apresentados recibos e/ou notas fiscais referentes a honorários advocatícios/periciais. Com base nos arts. 226 e 300 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 24 de dezembro de 2010, e Portaria DRF/NHO nº 046, de 20 de julho de 2012, DECIDO: (X) INDEFERIR a solicitação de cancelamento da exigência. A presente Decisão abrange somente as questões de fato suscitadas pelo contribuinte. O indigitado Despacho Decisório estipula o prazo de 30 dias da ciência do mesmo para o contribuinte, querendo, manifestarse contrariamente ao decisum. O contribuinte foi cientificado do aludido despacho em 07/05/2013, fls. 78. O notificado interpôs manifestação de inconformidade em 05/06/2013, fls. 81/83 na qual manifesta, em síntese, que: estão isentos a pensão e os proventos da inatividade pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o pensionista ou inativo completar 65 anos de idade, até o valor de R$ 1.164,00 no mês de janeiro de 2006, e de até R$ 1.257,12 por mês, nos meses de fevereiro a dezembro de 2006, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto; o valor excedente a esse limite está sujeito à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração; ocorre que tais valores foram recebidos pelo autor como reposição da aposentadoria, através de ação previdenciária competente, e por isto não deveriam ser tributados, já que tratase de verba de natureza alimentar, não tratandose de qualquer enriquecimento sem causa, mas sim de mera reposição de pensão; se for considerado o período que abrange os créditos previdenciários de 18 anos, dissolve a pretensão de cobrança de imposto, pois seria inferior anualmente ao previsto pela legislação; outro aspecto relevante e que deve ser destacado é o relativo à idade superior a 65 anos do recorrente; finalmente, requer que seja o recorrente isentado da cobrança do imposto de renda. Em seu recurso de efls. 67/71, o recorrente alega que não deve incidir o imposto de renda sobre as verbas provenientes de aposentadoria, pois não alcançaria os valores devidos para serem tributados, em razão de ação judicial que deixou de receber o provento devido por mais de 18 anos. Pede o cancelamento da exigência fiscal. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 421 5 Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário é tempestivo. Assim, passo a analisálo. DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO Conforme o enquadramento legal da Notificação de Lançamento, foram omitidos à tributação os valores recebidos de pessoa jurídica, referente a rendimentos recebidos acumuladamente, decorrentes de ação judicial, e nesse caso, valores em condenação do INSS, em razão de pagamento de aposentadoria, a título de complementação de repasse a menor ao contribuinte. O recorrente alega que os valores não seriam tributáveis em razão de não atingir a quantia mínima para serem tributados, uma vez que teria mais de 65 anos de idade, se utilizado do Regulamento do Imposto de Renda/99, em seu art. 39, inciso XXXIV, que assim dispõe: " Art. 39 ......................................... XXXIV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor de novecentos reais por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XV, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 28);. Conforme já analisado pela DRJ de origem, verifico o seguinte: "O Manual de preenchimento da declaração de ajuste anual do exercício de 2007, página. 28, assim esclarece a situação do contribuinte maior de 65 anos que recebe rendimentos de mais de uma fonte pagadora: “A parcela isenta na declaração está limitada a até R$ 1.164,00, no mês de janeiro de 2006, e até R$ 1.257,12 por mês, nos meses de fevereiro a dezembro de 2006, independentemente de recebimento de uma ou mais aposentadorias, pensões e/ou reforma. O valor excedente deve ser informado como rendimento tributável.” Nesse sentido, quanto verifico que não é o caso de utilização do dispositivo mencionado pelo recorrente, uma vez que o benefício mencionado não é o aplicável ao caso, tendo em vista que consta na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2007, efls. 67, Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 422 6 que o contribuinte percebeu a título de aposentadoria, naquele período, a quantia de R$ 2.727,54, estando acima do limite da parcela permitida para a concessão da isenção. DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009 O tema é pacificado por esse Tribunal, e foi objeto de apreciação pelas Cortes Superiores, e no presente processo, a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, por força de ação judicial, relativos ao anocalendário de 2009. Nesse sentido, acerca da incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, a Receita Federal do Brasil editou em 07 de fevereiro de 2011 a Instrução Normativa nº 1.127. Destaco o artigo 2º que assim dispõe: "Art. 2º Os RRA, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, quando decorrentes de: I – aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos estados do Distrito Federal e dos municípios; e II – rendimentos do trabalho. § 1º Aplicase o disposto no caput, inclusive, aos rendimentos decorrentes de decisões das Justiças do Trabalho., Federal, Estaduais e do Distrito Federal. § 2º Os rendimentos a que se refere o caput abrangem o décimo terceiro salário e quaisquer acréscimos e juros deles decorrentes. Vêse, portanto, que os rendimentos recebidos acumuladamente antes de 28 de julho de 2010 estão sujeitos às regras previstas no art. 12, da Lei 7.713/88, combinado com o art. 56, do RIR. Com isso reproduzo o voto do respeitado Presidente desta Turma, Conselheiro João Bellini Júnior, em Acórdão julgamento de Recurso Voluntário n.º 2301004.658, de 10 de maio de 2016, assim redigido: "Tal tema já foi objeto de apreciação tanto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quanto pelo Superior Tribunal de Justiça (STF), em processos com decisão definitiva de mérito na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei 5.869, de 1973 (presentemente, arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015). Assim, tais decisões devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho Administrativo, por força do disposto no art. 62, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf). Passemos à análise das referidas decisões. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 423 7 Do STF, temos o julgamento do RE 614.406/RS (com repercussão geral reconhecida) cuja tese restou reafirmada no julgamento do ARE 817.409, cujos trânsito em julgado deramse respectivamente em 11/12/2014 e 05/06/2015. Em ambos os acórdãos, decidiuse que o imposto sobre a renda das pessoas físicas (IRPF) sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência, ou seja, calculados de acordo com o regime de competência. Tal é o entendimento que deve ser reproduzido pelos órgãos deste Carf. O RE 614.406/RS recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de (SIC) ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Assim, no RE 614.406/RS decidiuse negar provimento ao recurso extraordinário interposto pela União contra acórdão exarado pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, pelo qual entendeuse correta a “Incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência após somado este com o valor já pago, pena afronta aos princípios da isonomia e capacidade contributiva insculpidos na CF/88 e do critério da proporcionalidade que infirma a apuração do montante devido”. Friso que, embora alguns Ministros teçam considerações sobre a inconstitucionalidade do art. 12 da lei 7.713, de 1988 (como é o caso do Min. Marco Aurélio, do Min. Dias Toffoli e da Min. Cármen Lúcia), a discussão que se estabelece no plenário do STF é qual o regime de tributação a ser aplicado ao caso: (a) regime de caixa, posição da Min. Ellen Grace, que dava provimento ao recurso interposto pela União, julgando constitucional o art. 12 da Lei 7.713, de 1988 e (b) regime de competência, posição dos demais ministros, que, em decorrência, negaram provimento ao recurso da União. Desse modo, o limite objetivo da coisa julgada é dado pelo desprovimento da apelação da União contra o acórdão do TRF4, que houvera reconhecido incidentalmente a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713, de 1988 para que o IRPF fosse tributado pelo regime de competência (e não pelo regime de caixa) Tal situação, ou seja, ser o limite objetivo da coisa julgada no RE 614.406/RS a tributação dos rendimento recebidos acumuladamente pelo regime de competência, resta cristalina pela simples leitura da ementa do ARE 817.409: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MODO DE CÁLCULO. RENDIMENTOS PAGOS EM ATRASO E ACUMULADAMENTE. REPERCUSSÃO GERAL Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 424 8 RECONHECIDA PELO STF. TEMA Nº 368. JULGAMENTO DE MÉRITO NO RE 614.406. ALEGADA INDIFERENÇA NA APLICAÇÃO DO REGIME DE CAIXA OU DE COMPETÊNCIA AO CASO. INCURSÃO NO ACERVO FÁTICOPROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA Nº 279 DO STF. INCIDÊNCIA. 1. Os valores recebidos em atraso e acumuladamente por pessoas físicas devem se submeter à incidência do imposto de renda segundo o regime de competência, consoante decidido pelo Plenário do STF no julgamento do RE 614.406, Rel. Min. Rosa Weber, Redator do acórdão o Min. Marco Aurélio, DJe de 27/11/2014, leading case de repercussão geral, Tema nº 368. (...) No mesmo sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) no julgamento do Acórdão CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, o qual recebeu a seguinte ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Das razões do conselheiro relator, Heitor de Souza Lima Junior, transcrevo: Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão (RE 614.406/RS), de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no . 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. (...) Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. (...) Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 425 9 Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. (...) Como já referido, também o STJ enfrentou a matéria no julgamento de dois recursos especiais sujeitos à sistemática do art. 543C do CPC, (e, portanto, vinculativos ao CARF em face do disposto no art. 62, § 2º, do Ricarf). Nesses, também restou assentado que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. O primeiro desses julgamentos é o Resp. 1.118.429SP, julgado em 24/03/2010 e transitado em julgado em 17/06/2010, o qual recebeu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (Grifou se.) O segundo julgado, Resp. 1.470.720RS, julgado em 10/12/2014 e transitado em julgado em 04/03/2015, esmiúça a determinação das bases de cálculo do imposto sobre a renda, e recebeu a seguinte ementa: RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543 C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. VERBAS RECEBIDAS Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 426 10 ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. CORREÇÃO MONETÁRIA. FACDT. SELIC. (...) 2. O valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como no caso, o FACDT – fator de atualização e conversão dos débitos trabalhistas). A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. (Grifouse.) 3. Sistemática que não implica violação ao art. 13, da Lei n. 9.065/95, ao art. 61, §3º, da Lei n. 9.430/96, ao art. 8º, I, da Lei n. 9.250/95, ou ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, posto que se refere à equalização das bases de cálculo do imposto de renda apurados pelo regime de competência e pelo regime de caixa e não à mora, seja do contribuinte, seja do Fisco. 4. Tema julgado para efeito do art. 543C, do CPC: "Até a data da retenção na fonte, a correção do IR apurado e em valores originais deve ser feita sobre a totalidade da verba acumulada e pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente, sendo que, em ação trabalhista, o critério utilizado para tanto é o FACDT". (Grifos no original.) 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Transcrevo trechos do Resp. 1.470.720, a fim de aclarar os critérios pelos quais deve ser calculado o imposto sobre a renda: Esta Corte ao julgar recurso representativo da controvérsia decidiu que: "O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente" (REsp. n. 1.118.429/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 24.03.2010). Ou seja, entendeu que o art. 12, da Lei n. 7.713/88 não deve ser interpretado de forma a permitir a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente pelo regime de caixa (tributação considerando as alíquotas, os parâmetros e no mês em que efetivamente pagos os rendimentos de uma só vez), mas sim pelo regime de competência (tributação considerando as alíquotas, os parâmetros e no mês em que deveriam ter sido pagos dos rendimentos mês a mês). Em razão dessa jurisprudência já consolidada, surgiu em inúmeros processos a discussão a respeito do modo com que se daria o cálculo dessa diferença de imposto de renda a ser paga pelo contribuinte ou a ele repetida pelo fisco, nos casos em que o Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 427 11 Imposto de Renda incide sobre verbas trabalhistas pagas em atraso de forma acumulada, ou verbas de outra natureza também pagas em atraso de forma acumulada. Esse modo não poderia descurar da forma com que calculado o imposto nas declarações de ajuste, respeitandose a lógica do imposto e de sua repetição. Dito de outra forma, para respeitar a sistemática de apuração do Imposto de Renda e ao mesmo tempo o regime de competência, havia a necessidade de se estabelecer uma forma retroativa de cálculo do tributo que deveria ter sido pago ao tempo em que deveria ter sido recebido o rendimento (regime de competência) e apurar a diferença em relação ao que retido posteriormente na fonte (regime de caixa), o que carece da aplicação de um critério único de correção monetária, a fim de se equalizar as bases de cálculo do Imposto de Renda através do tempo (a base de cálculo do imposto que deveria ter sido pago sob o regime de caixa deve ser equalizada à base de cálculo do imposto pago sob o regime de competência) e definir a diferença do tributo a pagar ou restituir. Assim, o que se discute é o índice a ser fixado para a correção da base de cálculo do tributo e não do tributo devido ou do indébito a ser restituído. No caso das verbas trabalhistas, sabese que a Justiça do Trabalho utiliza para atualização dos débitos (base de cálculo do Imposto de Renda) a chamada Tabela FACDT (Fator de Atualização e Conversão dos Débitos Trabalhistas), que tem por objetivo assegurar, "com base no índice oficial da inflação do mês anterior, o valor monetário dos créditos do trabalhador até o primeiro dia do mês seguinte" (Agravo de Petição n. 718903, TRT4, Sexta Turma, Rel. Juiz João Ghisleni Filho, julgado em 19.11.1998). Sendo assim, sua natureza é de fator de correção monetária, não se tratando de juros de mora, que tem por objetivo punir o devedor pela mora, acrescendo ao débito uma indenização a título de lucros cessantes. Do mesmo modo, no caso de verbas previdenciárias, a Justiça Federal faz uso do IGPDI e, mutatis mutandis, em outros casos fazse uso de índices diversos judicialmente fixados e transitados em julgado. A jurisprudência então caminhou para a seguinte forma de cálculo: resgatase o valor original da base de cálculo (após, portanto, as deduções legais) declarada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao anocalendário a que o rendimento corresponde (A) e adicionase o valor do rendimento recebido acumuladamente relativo ao mesmo ano (excluídos atualização monetária e juros) (B). Assim, chegase ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento tivesse sido percebido na época própria (C = A + B). Sobre esta base de cálculo aplicase a tabela progressiva vigente no ano a que o rendimento corresponde. Com a aplicação da alíquota da tabela progressiva sobre a base de cálculo (C), chega se a um resultado de imposto devido à época. Desse resultado se subtrai o imposto efetivamente pago calculado com os valores da Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 428 12 época. Essa diferença corresponde ao cálculo da diferença de imposto correspondente (D). Este cálculo deverá ser feito para cada anocalendário referente aos rendimentos percebidos acumuladamente (Dl, D2, etc). Esta diferença de imposto de renda (D), apurada em cada ano (D1, D2, etc), será atualizada pelo índice que melhor reflita a correção monetária para o débito em questão (no caso de débitos trabalhistas, utilizase o Fator de Atualização e Conversão dos Débitos Trabalhistas FACDT, como visto) a partir de 30 de abril do ano subseqüente ao anocalendário respectivo. Cada uma das diferenças anuais (Dl, D2) será atualizada pelo índice referido até 30 de abril do ano subseqüente àquele em que ocorreu o recebimento dos valores acumulados e somadas entre si, constituindo o somatório de diferenças de imposto de renda (E =" Dl + D2 + etc.). O montante total das diferenças (E) será compensado com o total do imposto que foi indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa por força do recebimento de rendimentos acumulados, perfazendo o saldo de imposto de renda (F), a pagar (se E > imposto indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa) ou a restituir (se E < imposto indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa). Sobre (F), incidirá a taxa SELIC a partir de 1º de maio do ano subsequente ao do recebimento dos rendimentos acumulados porque, ou constitui (F) uma diferença de imposto não pago pelo contribuinte (situação em que incidem o art. 13, da Lei n. 9.065/95 e o art. 61, §3º, da Lei n. 9.430/96), ou constitui um valor de indébito a ser repetido pelo Fisco ao contribuinte (situação em que incide o art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95). (...) De observar que a taxa SELIC não incide em nenhum momento anterior porque antes de 1º de maio do ano subsequente ao do recebimento dos rendimentos acumulados o que ocorre é apenas uma equalização da base de cálculo do imposto de renda e não a mora, seja do contribuinte, seja do Fisco. Assim, em atenção ao disposto no art. 62, § 2º do Anexo II do Ricarf, devem ser aplicadas as disposições do (a) RE 614.406/RS (STF), explicitadas no ARE 817.409 (STF), (b) Resp. 1.118.429SP (STJ) e (c) Resp. 1.470.720 (STJ)". CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e darlhe parcial provimento para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp. 1.470.720. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 429 13 (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13054.720105/201166 Acórdão n.º 2301005.689 S2C3T1 Fl. 430 14 Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.722083/2016-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo analisado argumentos não suscitados pela impugnante, bem como deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo analisado argumentos não suscitados pela impugnante, bem como deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10909.722083/2016-97
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5930202
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.428
nome_arquivo_s : Decisao_10909722083201697.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 10909722083201697_5930202.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7529601
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149296205824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1688; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 65 1 64 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.722083/201697 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.428 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 17 de outubro de 2018 Matéria NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA Recorrente SANCHES & SANCHES TRANSPORTES E LOGISTICA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo analisado argumentos não suscitados pela impugnante, bem como deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 20 83 /2 01 6- 97 Fl. 65DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 45 dos autos: Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. O processo trata de auto de infração lavrado contra o contribuinte sob o fundamento de que teria até o dia 21/08/2013 para prestar as informações sobre veículo/carga com data prevista de atração para 23/08/2013, e de que só teria prestado a informação, porém, no dia 22/08/2013. Em sua impugnação, o contribuinte afirmou ter prestado as informações em atraso por ter havido uma modificação na data de atracação do navio sem que tenha tomado conhecimento com antecedência suficiente. Teria visto, em consulta realizada ao sistema no dia 20/08/13, que a atracação estava agendada para 29/08/13. Em nova consulta realizada em 22/08/13, constatou a antecipação da operação para 23/08/13, quando providenciou, nesse mesmo dia, a inclusão das informações. Arguiu a necessidade de que os agentes transportadores de cargas e logísticos providenciem a correção dos termos indicados no Siscomex Carga para evitar futuras correções, e, assim, ocorra a liberação de mercadorias e correta aplicação dos tributos da operação de importação. Requereu a extinção do auto de infração e cancelamento do débito fiscal. Juntou, com a impugnação, os seguintes documentos: i) conhecimentos de carga (fls. 26/29); ii) emails tratando de adiantamento de navio (fls. 30/32); iii) documentos de representação (fls. 36/37). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação. Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 43/47) consignou, inicialmente, que não acolheria as preliminares aduzidas pelo contribuinte, visto que as arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo. Afastou o Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10909.722083/201697 Acórdão n.º 3002000.428 S3C0T2 Fl. 66 3 argumento de ocorrência de denúncia espontânea, sob o fundamento de que este instituto não seria aplicável ao caso concreto. Da mesma forma, afastou os argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, por entender que não se coadunavam com a hipótese dos autos. Em seguida, discorreu sobre a necessidade de se respeitar os prazos estabelecidos no artigo 22 da IN SRF 800/2007 para possibilitar o controle aduaneiro. Prosseguiu afirmando que os registros devem representar fielmente as mercadorias para se possibilitar que a aduana defina no tratamento a ser dado em cada caso, racionalizando os procedimentos e agilizando o despacho. Concluiu que o julgador administrativo está adstrito ao Decretolei 37/66, que prevê as penalidades administrativas. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 19/02/2018 (vide AR à fl. 51 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 20/03/2018, Recurso Voluntário (fls. 54/61). Em seu recurso, o contribuinte arguiu, preliminarmente, a nulidade da decisão da primeira instância, que não estaria devidamente motivada. Pediu anulação do acórdão e prolação de outra decisão. No mérito, alegou ilegalidade do auto de infração, por inobservância ao disposto no artigo 142 do CTN. Repetiu os argumentos da impugnação sobre seu desconhecimento acerca da antecipação da data de atracação do navio e sobre a importância da correção dos dados no Siscomex para evitar futuras indagações/correções. Alegou ausência de motivação do auto de infração, argumentando que agiu conforme a legislação, já que não foi avisado previamente da alteração na data da operação de embarcação. Arguiu, por fim, não ter cometido qualquer infração e pediu o acolhimento da preliminar suscitada, ou, não sendo este o entendimento, o cancelamento da penalidade imposta pelas razões de mérito aduzidas. Não juntou novos documentos. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da nulidade do acórdão recorrido Em sede de preliminar, o Recorrente requer que seja decretada a nulidade da decisão da primeira instância, que não estaria devidamente motivada, em desrespeito ao devido processo legal e ao contraditório. Isso porque, teria a DRJ, na decisão recorrida, trazido Fl. 67DF CARF MF 4 fundamentos que não teriam qualquer relação com a impugnação apresentada pelo contribuinte no caso concreto. Consoante acima narrado, o acórdão (fls. 43/47) consignou, inicialmente, que não acolheria as preliminares aduzidas pelo contribuinte, visto que as arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo. Afastou o argumento de ocorrência de denúncia espontânea, sob o fundamento de que este instituto não seria aplicável ao caso concreto. Da mesma forma, afastou os argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, por entender que não se coadunavam com a hipótese dos autos. Ocorre que, da análise da impugnação apresentada pelo contribuinte neste caso concreto, verificase que, de fato, o contribuinte não trouxe em seus fundamentos de defesa nenhuma das alegações acima indicadas. A impugnação interposta limitouse a tratar acerca do não conhecimento prévio da empresa acerca da antecipação da atracação do navio no porto (argumento de mérito). Sendo assim, não resta dúvidas que o acórdão recorrido trouxe em seus fundamentos razões que não estão relacionadas à presente contenda, levando à compreensão de que o caso não fora analisado com o devido cuidado pelos Julgadores naquela oportunidade. Como se não bastasse, verificase que o acórdão recorrido, quanto à análise de mérito, também não chegou a discorrer acerca das particularidades do caso concreto objeto da presente contenda. Consoante se extrai dos autos, argumenta o contribuinte em sua defesa que deixou de cumprir o prazo de 48horas por não ter conhecimento acerca da antecipação da data de atracação, inicialmente agendada para o dia 28 de agosto de 2013. Informa que havia consultado o sistema no dia 20 de agosto de 2013, e que esta era a data indicação da atracação. Acontece que, em 22 de agosto de 2013, ao consultar novamente o sistema, verificou que teria havido uma antecipação da atracação para o dia 23 de agosto de 2013, antecipação esta da qual não tinha tido conhecimento anteriormente, levandoo a incluir o CE mercante filhote neste mesmo dia (22 de agosto de 2013). Logo, defende a inexistência de infração. Para fins de comprovar o que alega, o contribuinte anexou aos autos consulta à situação do conhecimento, realizada em 20 de agosto de 2013, em que, de fato, consta como data de operação o dia 29 de agosto de 2013 (vide fl. 26 dos autos), os conhecimentos de transporte (fls. 27 a 29), bem como emails trocados em que são apresentados questionamentos acerca da razão da antecipação da atracação do navio em questão (fls. 30 a 32). Vêse que o descumprimento do prazo de 48 horas é incontroverso no presente caso. O que haveria de ser analisado, portanto, é se a não observância deste prazo poderia ser escusada, em razão das alegações trazidas pelo contribuinte neste caso concreto e da documentação apresentada. Ao analisar o caso, o acórdão recorrido discorreu sobre a necessidade de se respeitar os prazos estabelecidos no artigo 22 da IN SRF 800/2007 para possibilitar o controle aduaneiro, prosseguiu afirmando que os registros devem representar fielmente as mercadorias para se possibilitar que a aduana defina no tratamento a ser dado em cada caso, racionalizando os procedimentos e agilizando o despacho e concluiu que o julgador administrativo está adstrito ao Decretolei 37/66, que prevê as penalidades administrativas. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10909.722083/201697 Acórdão n.º 3002000.428 S3C0T2 Fl. 67 5 Ou seja, verificase que a DRJ, de fato, julgou a presente contenda de forma genérica, sem que tivesse feito qualquer consideração acerca das particularidades alegadas pelo contribuinte neste caso concreto e da referida documentação anexada aos autos. No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Isso porque, além de ter incluído argumentos não levantados pelo contribuinte em sua impugnação administrativa, deixou de analisar fundamentos e documentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda. 2. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para fins de, acolhendo a preliminar levantada, decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem àquela instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, em que sejam analisados os argumentos e documentos constantes da impugnação administrativa apresentada. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.721867/2016-30
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2008.2012
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Manifestação de inconformidade por negativa de reconhecimento de direito creditório sobre pedido de restituição de contribuição previdenciária. Direito Creditório não Reconhecido.
Numero da decisão: 2001-000.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2008.2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Manifestação de inconformidade por negativa de reconhecimento de direito creditório sobre pedido de restituição de contribuição previdenciária. Direito Creditório não Reconhecido.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10840.721867/2016-30
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5937712
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.814
nome_arquivo_s : Decisao_10840721867201630.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10840721867201630_5937712.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7543628
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149299351552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1211; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 264 1 263 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.721867/201630 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.814 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente ROSELY CURY DE MELLO SÁ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2008.2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Manifestação de inconformidade por negativa de reconhecimento de direito creditório sobre pedido de restituição de contribuição previdenciária. Direito Creditório não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 18 67 /2 01 6- 30 Fl. 264DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de inconformidade por negativa de reconhecimento de direito creditório para devolução de Contribuição Social Previdenciária referente ao período de 01.03.2008 a 31.03.2012. O fundamento básico do não reconhecimento creditório é pela afirmação de ausência de pagamento indevido de vez que os salários de contribuição dos valores pleiteados na restituição foram utilizados na concessão da aposentadoria da Recorrente. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na expedição da decisão de negativa do direto creditório pleiteado, como segue: Tratam os autos de Manifestação de Inconformidade apresentada contra a decisão que indeferiu o requerimento de restituição de contribuição previdenciária recolhida nas competências março de 2008 a março de 2012 pela segurada Rosely Cury de Melo Sá. De acordo com o Despacho Decisório, emitido pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão Preto, o pedido de restituição foi indeferido, pois as contribuições recolhidas foram utilizadas para cálculo de benefício, conforme carta de concessão juntada às fls. 204 a 206. A controvérsia presente nos autos restringese, inicialmente, a saber se as contribuições previdenciárias cuja restituição a contribuinte requer foram utilizadas no cálculo da sua aposentadoria. A carta de concessão juntada às fls. 204 a 206 não deixa dúvidas quanto a isso. No cálculo do salário de benefício da referida aposentadoria, concedida em 10/05/2012, foram consideradas as contribuições relativas ao período de 03/2008 a 03/2012. De acordo com o art. 24 da Lei nº 8.213, de 1991, carência é o número mínimo de contribuições mensais indispensáveis para a concessão do benefício. Assim, ainda que no ano de 2008, a segurada já possuísse as 162 contribuições à época exigidas como carência, isso não significa que as contribuições realizadas posteriormente a esta data não tenham sido computadas. Até porque, de acordo com o art. 50 da referida lei, a renda mensal da aposentadoria por idade corresponde a 70% do salário de benefício, mais um por cento a cada grupo de 12 contribuições mensais. Ou seja, quanto maior o tempo de contribuição considerado, maior a renda mensal do benefício concedido. Além do mais, a contribuição previdenciária é uma espécie tributária cujo fato gerador é o exercício de atividade remunerada. Portanto, ainda que tais contribuições não tivessem sido computadas no cálculo do benefício, elas seriam devidas pelo simples fato de ter ocorrido o fato gerador. Neste mesmo sentido, mesmo que a segurada já estivesse aposentada, se continuasse a exercer atividade remunerada após a aposentadoria, estaria obrigada a manter os seus recolhimentos à Previdência, nos termos do § 4º do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991. Isso posto, voto por INDEFERIR a solicitação contida na presente Manifestação de Inconformidade e manter a decisão administrativa que indeferiu a restituição pleiteada, referente aos recolhimentos Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10840.721867/201630 Acórdão n.º 2001000.814 S2C0T1 Fl. 265 3 efetuados pela segurada nas competências março de 2008 a março de 2012. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da manifestação de inconformidade e decide pela manutenção da negativa do direito creditório pleiteado. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Conforme Per/Dcomps a contribuinte realizou os pagamentos indevidos: Declaro para os devidos fins de direito que a Sra. ROSELY, no mês de Fevereiro de 2008 já tinha o direito adquirido ao tempo legal para Requerer aposentadoria. Mas continuo pagando indevidamente até o mês 032012. Dentro do prazo legal de 5 anos, conforme análise das Respectivas datas de transmissão das PER/Dcomps. De acordo com art. 24 da Lei nº 8213, 1991, a carência é o número mínimo de contribuições mensais indispensáveis para a concessão do Benefício. No que consta da Carta de Concessão, foi solicitado Aposentadoria por Idade, inclusive não usou este período para Aposentadoria por Idade, conforme tabela de carência por Aposentadoria por idade em 2008 era exigido de contribuições um total de 162 meses, segue em anexo cópia do Contrato de Trabalho anotação CTPS nº 48.221 Série nº 204, um total de 165 meses ou seja 13 Anos + 9 meses, mais do que exigido na carência. Além do mais, a contribuição é uma tributação cujo fato gerador é o exercício da atividade. Mas neste período ela recolheu indevidamente como facultativo código 1406 sem prestar nenhuma atividade conforme alguns comprovantes de recolhimento em anexo. Diante de todos os meios comprobatórios apresentados no momento e os que já estão anexos ao processo REQUER PELO DEFERIMENTO DO RESSARCIMENTO PERÍODO: 032008 A 032012. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator Fl. 266DF CARF MF 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A divergência das partes consubstancia no número de contribuições necessárias a obtenção do direito à aposentadoria, a validade das contribuições previdenciárias recolhidas a destempo e a possibilidade de devolução ao segurado demandante, se desnecessárias para o cômputo do cálculo. O texto base que define o direito da obtenção do benefício à aposentadoria está contido nos arts. 24, 25 e 27, da Lei nº 8.213/91, e a obrigatoriedade da contribuição previdenciária para que continuar trabalhando, nos termos do § 4º do art. 12 da Lei nº 8.212/91, em especial no que segue: Lei nº 8.213/91. Art. 24. Período de carência é o número mínimo de contribuições mensais indispensáveis para que o beneficiário faça jus ao benefício, consideradas a partir do transcurso do primeiro dia dos meses de suas competências. Art. 25. A concessão das prestações pecuniárias do Regime Geral de Previdência Social depende dos seguintes períodos de carência, ressalvado o disposto no art. 26: I auxíliodoença e aposentadoria por invalidez: 12 (doze) contribuições mensais; II aposentadoria por idade, aposentadoria por tempo de serviço e aposentadoria especial: 180 contribuições mensais. (...) Art. 27. Para cômputo do período de carência, serão consideradas as contribuições: I referentes ao período a partir da data de filiação ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), no caso dos segurados empregados, inclusive os domésticos, e dos trabalhadores avulsos; II realizadas a contar da data de efetivo pagamento da primeira contribuição sem atraso, não sendo consideradas para este fim as contribuições recolhidas com atraso referentes a competências anteriores, no caso dos segurados contribuinte individual, especial e facultativo, referidos, respectivamente, nos incisos V e VII do art. 11 e no art. 13. Lei nº 8.212/91. Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: § 4º O aposentado pelo Regime Geral de Previdência SocialRGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições de que trata esta Lei, para fins de custeio da Seguridade Social. O pedido de restituição foi feito sob o argumento de que as contribuições identificadas teriam sido feitas indevidamente e, portanto, sem necessidade para a obtenção do Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10840.721867/201630 Acórdão n.º 2001000.814 S2C0T1 Fl. 266 5 benefício da aposentadoria requisitada pela Contribuinte e concedida pelo órgão competente de previdência pública oficial. Ocorre que há pressupostos para a concessão do benefício da aposentadoria que não está restrito ao número de contribuições e/ou a idade do segurado, senão o conjunto deles, dentro do critério disposto da legislação pertinente acima citada. Assim que, a Recorrente teve direito à aposentadoria considerando o requisito da idade conjugado com o número de 180 contribuições mensais, com recolhimentos que lhe manteve a condição de segurada da previdência oficial. As referidas contribuições foram consideradas no cômputo para a concessão do benefício da aposentadoria, portanto, mantenedoras da condição legal em atendimento aos requisitos indispensáveis aquele reconhecimento do órgão previdenciário oficial. Neste sentido, concluise não haver contribuições indevidamente recolhidas que resguarde eventual decisão de considerar a existência de direito creditório que permita a restituição de contribuições previdenciárias recolhidas. Cabe ressaltar, por oportuno, que a contribuição previdenciária é um tributo cujo fato gerador ocorre em razão do exercício de atividade remunerada e mesmo que referidas contribuições não tivessem sido computadas no cálculo do benefício seriam elas devidas pelo fato da segurada continuar exercendo suas atividades laborais remuneradas, conforme disposto no § 4º do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao pleito de direito creditório. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.006583/2003-31
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1003-000.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de saldos negativos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do ano-calendário de 2000 no valor de R$162.104,44, do 1º trimestre do ano-calendário de 2002 no valor de R$15.842,62 e do 2º trimestre do ano-calendário de 2004 no valor de R$144.000,00.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13811.006583/2003-31
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5921592
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.013
nome_arquivo_s : Decisao_13811006583200331.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 13811006583200331_5921592.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de saldos negativos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do ano-calendário de 2000 no valor de R$162.104,44, do 1º trimestre do ano-calendário de 2002 no valor de R$15.842,62 e do 2º trimestre do ano-calendário de 2004 no valor de R$144.000,00. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
id : 7485939
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149302497280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1802; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 1.282 1 1.281 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13811.006583/200331 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1003000.013 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Data 02 de outubro de 2018 Assunto PER/DCOMP Recorrente AGNELO PACHECO CRIAÇÃO E PROPAGANDA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de saldos negativos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2000 no valor de R$162.104,44, do 1º trimestre do anocalendário de 2002 no valor de R$15.842,62 e do 2º trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$144.000,00. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nº 33614.28893.140606.1.3.027857 em 14.06.2006, nº 15656.12197.110706.1.3.02478082 em 11.07.2006, nº 37090.17005.290906.1.7.026989 em 29.09.2006, nº 33614.28893.140606.1.3.027857, em 14.06.2006 utilizandose dos créditos relativos aos saldos negativos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2000 no valor de R$162.104,44, fls. 307335, do 1º trimestre do anocalendário de 2002 no valor de R$15.842,62, fls. 152157 e do 2º RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 11 .0 06 58 3/ 20 03 -3 1 Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.283 2 trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$144.000,00, fls. 145151 e 442449 apurados pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. De acordo com o Despacho Decisório Derat/SP, de 27.03.2008, fls. 561568, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: A vista de todo o exposto, considerando as informações acima e que o presente Despacho Decisório não afasta o direito que tem a Secretaria da Receita Federal de realizar verificações fiscais posteriores junto ao contribuinte, em relação aos períodos e ao tributo em tela, PROPONHO o RECONHECIMENTO do direito creditório do contribuinte no valor calculado, para 31/12/2000, de R$ 23.911,41 [...] e, para 30/06/2004, de R$ 57.219,45 [...], relativamente a saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e, em conseqüência, a HOMOLOGAÇÃO das compensações declaradas nas DCOMPs constantes do quadro à fl. 01 deste despacho, bem como de outras compensações porventura vinculadas aos créditos aqui analisados, até o limite do direito creditório reconhecido. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 5ª Turma/DRJ/RJOI/RJ nº 1260.104, de 25.09.2013, e fls. 708720: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2002, 2004 CERCEAMENTO AO DIREITO DE AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE APÓS INSTAURAÇÃO DA LIDE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO. Não há que se falar em violação ao princípio constitucional de ampla defesa e contraditório quando a pessoa se encontra a exercer esse direito. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO MOTIVADO. SERVIDOR COMPETENTE. DESCABIMENTO. O pedido de nulidade do despacho decisório deve ser indeferido quando o ato administrativo estiver revestido das formalidades legais previstas, sido expedido por servidor competente e não houver cerceamento do seu direito à ampla defesa e contraditório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Pedido de diligência para apresentação de provas que o contribuinte tem o dever de apresentar junto à impugnação / manifestação de inconformidade e não o faz deve ser indeferido por ser mero expediente protelatório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2002, 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. INEXISTÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.284 3 Inexistindo certeza e liquidez no crédito alegado pelo contribuinte em seu favor não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 17.10.2013, efl. 722, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18.11.2013, efls. 724742, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: I. DO DIREITO A) DO CERCEAMENTO DE DEFESA POR FALTA DE INSTRUÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO A Constituição prevê a obrigatoriedade de se conceder aos acusados e litigantes em geral (seja na esfera administrativa, seja na judicial) a mais ampla defesa, com os recursos a ela inerentes, assegurandolhes o devido processo legal e garantindolhes, outrossim, o direito ao contraditório, conforme dispõe o artigo 5º, LIV e LV. No caso vertente, todavia, tais princípios não foram cumpridos pela fiscalização, que procedeu à intimação da não homologação do pedido de compensação pela simples alegação de inexistência do crédito informado para compensar os débitos declarados no PER/DCOMP, sem ao menos justificar a razão desta conclusão, violando, assim, o direito à ampla defesa da Recorrente. Assim, ao não fundamentar o despacho decisório, demonstrando o motivo pela não homologação do crédito de IRPJ, por meio do PER/DCOMP [...], a fiscalização impede a análise mais apurada das razões que deram origem à glosa do crédito pleiteado. Tal fundamentação é obrigatória e necessária ao exame da validade do ato de não homologação da compensação pleiteada pela Recorrente, porém esse procedimento foi simplesmente desprezado pela fiscalização, razão pela qual a Recorrente desconhece as irregularidades apontadas pelas autoridades administrativas. Ante essa manifesta violação ao direito de defesa, o ato administrativo é nulo. Não obstante, aduz o v. acórdão recorrido que "houve uma detalhada análise das retenções efetuadas pelas fontes pagadoras do contribuinte, com base nos registros de informações por elas prestadas à RFB, o que constitui motivação para a não homologação da DCOMP apresentada e tal motivação foi amparada em fundamentação legal". Tal conclusão, todavia, não afasta o cerceamento do direito de defesa constante no despacho decisório e no próprio v. acórdão, mormente quando se verifica, conforme se verá no decorrer deste recurso, que há saldo a restituir. Para os fins que importam o presente capítulo, certo é que não foram franqueados à Recorrente elementos suficientes para a não homologação da compensação declarada, ao que se conclui pela nulidade do ato administrativo em questão. Com efeito, não há motivo no ato administrativo para não ter reconhecido a totalidade das retenções declaradas pela Recorrente, assim como restou totalmente desmotivada a "proporcionalização" realizada em relação aos valores retidos das receitas do período do 2º trimestre de 2004. [...] Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.285 4 Portanto, da análise do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação formulado pela Recorrente pela mera menção de insuficiência do saldo negativo comprovado, sem qualquer motivação por parte da autoridade administrativa, ofendidas estão as regras do processo administrativo federal, devendo ser considerado nulo nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72 [...] Requerse, assim, seja reconhecida e declarada a nulidade do despacho decisório ora debatido, o que se dará com a reforma do v. acórdão recorrido, dada a manifesta e efetiva ausência de fundamentos que possibilitem a defesa da Recorrente, o que não é admitido em nosso ordenamento jurídico por violar os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, vez que não foi possível a análise precisa e minuciosa dos fatos que levaram à não homologação da compensação do crédito de IRPJ. B) DO CERCEAMENTO DE DEFESA POR VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, ao não reconhecer o saldo negativo informado pela Recorrente, conclusão mantida no v. acórdão recorrido, incidiu em violação direta ao princípio da busca da verdade formal que orienta a atividade fiscalizatória estatal. De fato, a Recorrente procedeu às autorretenções recolhidas via DARF's no código 8045, assim como sofre retenções de fontes pagadores informados nos respectivos códigos de receita; as autoridades fiscais, todavia, em violação ao princípio da busca da verdade material, sequer analisaram as informações prestadas nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, os recolhimentos efetuados em nome da Recorrente que constam de seu sistema de dados e nos próprios pedidos de compensação (PerdComps) que de forma expressa evidenciam a existência de tais créditos. Com efeito, aos agentes da Administração Tributária impõese proceder à coleta de todos os dados e informações que lhes possam auxiliar na verificação dos eventos efetivamente acontecidos no mundo dos fatos e sua eventual violação às normas legais. É, portanto, o princípio da verdade real ou material aquele que orienta a atividade administrativa concernente à fiscalização e o controle do cumprimento das obrigações tributárias e deveres instrumentais correlatos. [...] Neste sentido, temos a irrestrita aplicação, no processo administrativo tributário, dos princípios constitucionais que asseguram ao contribuinte o recurso a todos os meios de provas hábeis à comprovação dos fatos ou acontecimentos relacionados a qualquer aspecto de obrigação tributária, principal ou acessória. [...] Dessa forma, tivesse a análise administrativa sido devida e corretamente elaborada, no exercício da atividade de fiscalização, concluirseia de forma inexorável pelo deferimento integral dos créditos de IRPJ em favor da Recorrente. A análise administrativa deveria ter aprofundado as investigações, para se confirmar ou se infirmar a presunção de que a Requerente não possuía direito aos créditos pleiteados, visto que o ônus da prova é da própria Administração [...]. Contudo, a ansiedade no indeferimento do crédito da Recorrente fez com que as provas dos fatos não fossem suficientes analisadas pela autoridade administrativa, não sendo admitidas para a comprovação dos créditos debatidos, contrariando os princípios do direito administrativo pela busca da verdade material, ao que deve ser declarado nulo o r. despacho decisório ora combatido. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.286 5 Consequentemente, deve ser reformado o v. acórdão recorrido, cujos termos entendeu que "as retenções de IRPJ no pagamento feito por terceiros ao interessado e que constituiriam o seu alegado direito poderiam ter sido comprovadas pela juntada aos autos dos registros contábeis fiscais em poder da defendente, que declarou seu IRPJ do Exercício de 2001 a 2005, anosbases de 2000 a 2004, pelo lucro real, mas não o fez". Com a devida vénia, tais documentos são de posse da Receita Federal do Brasil e deveriam, em respeito ao princípio da verdade material, terem sido analisados. Como não o foram, há evidente ofensa a tal princípio, ao que deve ser reformado o v. acórdão recorrido. II. DA COMPROVAÇÃO DO SALDO NEGATIVO A COMPENSAR Muito embora os parcos elementos trazidos no r. despacho decisório, assim como no v. acórdão recorrido não sejam suficientes para delimitar as razões pelas quais a compensação pleiteada pela Recorrente não foi deferida, é possível se demonstrar a existência de saldo negativo de IRPJ do período suficiente a fazer frente ao débito compensado. ANO CALENDÁRIO DE 2000 Com efeito, da análise da DIPJ da requerente é possível se inferir que foi apurado, no ano calendário de 2000, IRPJ no valor de R$ 9.926,24 [...]. Neste período, contudo, a requerente prestou serviços para diversas pessoas jurídicas não ligadas à administração pública federal, ao que, de acordo com a Instrução Normativa SRF 123, de 20 de novembro de 1992, e artigo 6º da Lei nº 9.064/95, efetuou a retenção e recolhimento do imposto de renda, por conta e ordem dos anunciantes, no valor total de R$ 148.179,01 [...]O valor "autorretido" pode ser confirmado pelos DARF's anexos, recolhidos no código 8045, bem como das notas fiscais de prestação de serviço, de onde se infere a correta base de cálculo para o valor recolhido. Ainda neste período, a Recorrente apurou receitas financeiras, as quais se sujeitaram à retenção do imposto de renda pelas fontes pagadoras, na ordem de R$ 21.067,55 [...]. As retenções em comento podem ser verificadas nos extratos do fundo de investimentos da Recorrente ora anexados. As "autorretenções" efetuadas pela Recorrente e a retenção do imposto de renda feita pela instituição financeira, todavia, não foram levadas em consideração pela d. fiscalização, assim como foram ignoradas pelo v. acórdão recorrido. [...]Inexorável concluir, destarte, que deve ser reformado o v. acórdão recorrido exatamente por haver um crédito comprovado em favor da Recorrente, oriundo de saldo negativo de IRPJ, no montante total de R$ 162.104,44 [...], em valores históricos. O v. acórdão recorrido, destarte, como se demonstrou, merece ser reformado, pois os documentos anexos (DARF's de recolhimento no código 8045 e extratos com informes de retenção do imposto de renda incidente nas receitas financeiras) comprovam, de forma irretratável, que a requerente é detentora do saldo credor pleiteado, ao que devem ser homologadas as compensações efetuadas. PRIMEIRO TRIMESTRE DO ANO CALENDÁRIO DE 2002 Da análise da DIPJ [...] da requerente é possível se inferir que foi apurado, no primeiro trimestre do ano calendário de 2002, IRPJ no valor de R$ 51.428,10 [...]. Neste período, contudo, a requerente prestou serviços para diversas pessoas jurídicas não ligadas à administração pública federal, ao que, de acordo com a Instrução Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.287 6 Normativa SRF 123, de 20 de novembro de 1992, e artigo 6º da Lei nº 9.064/95, efetuou a retenção e recolhimento do imposto de renda, por conta e ordem dos anunciantes, no valor total de R$ 47.315,12 [...]. O valor "autorretido" pode ser confirmado pelos DARF's anexos, recolhidos no código 8045, bem como das notas fiscais de prestação de serviço, de onde se infere a correta base de cálculo para o valor recolhido. Ainda neste período, a Recorrente apurou receitas financeiras, as quais se sujeitaram à retenção do imposto de renda pelas fontes pagadoras, na ordem de R$ 18.577,33 [...]. As retenções em comento podem ser verificadas nos extratos do fundo de investimentos da Recorrente ora anexados. As "autorretenções" efetuadas pela Recorrente e a retenção do imposto de renda feita pela instituição financeira, todavia, não foram levadas em consideração pela d. fiscalização, assim como foram ignoradas pelo v. acórdão recorrido. [...] O v. acórdão recorrido, destarte, como se demonstrou, merece ser reformado, pois os documentos anexos (DARF's de recolhimento no código 8045 e extratos com informes de retenção do imposto de renda incidente nas receitas financeiras) comprovam, de forma irretratável, que a requerente é detentora do saldo credor pleiteado, ao que devem ser homologadas as compensações efetuadas. SEGUNDO TRIMESTRE DO ANO CALENDÁRIO DE 2004 Da análise da DIPJ (doe. anexo) da requerente é possível se inferir que foi apurado, no segundo trimestre do ano calendário de 2004, prejuízo fiscal no valor de R$ 57.679,33 [...] Neste período, não obstante, a requerente prestou serviços para diversas pessoas jurídicas não ligadas à administração pública federal, ao que, de acordo com a Instrução Normativa SRF 123, de 20 de novembro de 1992, e artigo 6º da Lei nº 9.064/95, efetuou a retenção e recolhimento do imposto de renda, por conta e ordem dos anunciantes, no valor total de R$ 69.935,26 [...]. O valor "autorretido" pode ser confirmado pelos DARF's anexos, recolhidos no código 8045, bem como das notas fiscais de prestação de serviço, de onde se infere a correta base de cálculo para o valor recolhido. Aqui já se encontra a primeira inconsistência e necessidade de reforma do v. acórdão recorrido, eis que concluiu que "o extrato Sistema SIEFDIRF indica um valor de R$ 41.279,91 retido sob esses códigos" quando evidentemente o valor é de R$ 69.935,26, conforme acima demonstrado. Ainda neste período, a Recorrente prestou serviços a diversas pessoas jurídicas, diversas daquelas reguladas pela IN SRF 123/1992, cuja receita decorrente desta prestação de serviços alcançou o valor de R$ 3.511.757,52. Descontados os tributos incidentes no faturamento, obtémse o lucro bruto de R$ 3.009.911,62. A este lucro bruto, aplicase o percentual de 4,8% estabelecido na Instrução Normativa SRF nº 306, de 12 de março de 2003, chegandose ao valor de imposto de renda retido na fonte de R$ 144.475,76. Não obstante, alega o v. acórdão que "as receitas correspondentes aos valores retidos sob os códigos supra montam a R$ 5.751.992,67, ao passo que apenas R$ 3.511.757,52 foram oferecidas à tributação, conforme rubrica 'Receita de Prestação de Serviço' da Demonstração do Resultado da DIPJ/2005 (fl. 557). Proporcionalizandose a soma dos valores retidos ao valor das receitas contabilizadas na determinação do Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.288 7 Lucro Real, obtémse um valor de R$ 113.118,73, fazendo o contribuinte jus a dedução de IRRF informada no cômputo do IRPJ sobre o Lucro Real relativo ao segundo trimestre do anocalendário 2004, de R$ 57.219,45". Destaquese, primeiramente, que as receitas decorrentes do código 8045 já foram explicitadas acima e foram submetidas à tributação, conforme guias de autorretenção deste código. Somandose as autorretenções efetuadas pela Recorrente aos valore retidos por suas fontes pagadoras, chegase ao montante retido de R$ 214.411,02. Ocorre que o v. acórdão reconhece o crédito de somente R$ 113.118,73, sem ao menos explicitar as razões pelas quais concluiu que a Recorrente faz jus à "dedução de IRRF informada no cômputo do IRPJ sobre o Lucro Real relativo ao segundo trimestre do anocalendário 2004, de R$ 57.219,45". Adicionese a isso que o v. acórdão recorrido amparou suas premissas na Instrução Normativa SRF/STN/SFC nº 23, de 2 de março de 2001, que já havia sido revogada pela Instrução Normativa SRF nº 306, de 12 de março de 2003, quando da ocorrência dos fatos geradores, mais um motivo para sua reforma. As "autorretenções" efetuadas pela Recorrente e as retenções do imposto de renda efetuadas pelas fontes pagadoras da Recorrente, todavia, não foram levadas em consideração pela d. fiscalização, assim como foram ignoradas pelo v. acórdão recorrido, conforme trechos destacados acima. Inexorável concluir haver um crédito em favor da Recorrente, decorrente de saldo negativo de IRPJ, no montante total de R$ 214.411,02 [...], em valores históricos. O v. acórdão recorrido, destarte, como se demonstrou, merece ser reformado, pois os documentos anexos comprovam, de forma irretratável, que a requerente é detentora do saldo credor maior do que o crédito pleiteado, ao que devem ser homologadas as compensações efetuadas. [...]Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Pelo exposto, é a presente para requerer seja reformado o v. acórdão recorrido de nº 1260.104 e, por conseguinte, o r. despacho decisório, reconhecendose o saldo negativo da requerente para homologar, em sua integralidade, os PER/DCOMP's declarados e extinguir, nos termos do artigo 156, II, do Código Tributário Nacional, o crédito exigido no Processo Administrativo nº 13811.006583/200331 e apensos. [...] Diante de todo exposto, a Requerente requer seja julgado procedente o presente Recurso Voluntário, a fim de que seja reformado o v. acórdão recorrido, restabelecendose, assim, as compensações regularmente efetivadas, bem como desconstituindose o crédito tributário ora exigido, bem como todos os consectários legais, e suspendendose a sua exigibilidade. É o Relatório. Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.289 8 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido e considerados os recolhimentos de IRRF código 8045. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.290 9 na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza3. As normas legais expressamente permitem a dedução dos valores de IRRF recolhidos em DARF referentes ao código nº 8045 a título por serviços de propaganda e publicidade. Essa matéria é tratada de forma especial e o IRRF deve ser recolhido pelas agências de propaganda, por ordem e conta do anunciante, caso em que ambos são solidariamente responsáveis pela comprovação da efetiva realização dos serviços. A agência de propaganda deve efetuar o recolhimento do imposto englobando todas as importâncias relativas a um mesmo período de apuração, devendo informar, ainda, o valor do imposto na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), bem como fornecer ao órgão anunciante, até 31 de janeiro de cada ano, documento comprobatório com indicação do valor do rendimento e do imposto de renda recolhido, relativo ao anocalendário anterior, para que o anunciante possa, com base nessas informações, preencher a DIRF4. Ademais, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Tendo em vista o início de prova produzido pela Recorrente e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto em converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente juntar aos autos: I DIPJ relativas aos anoscalendário de 2000, 2002 e 2004; e 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: inciso I do art. 157 da Constituição Federal, inciso II do art. 53 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985 e art. 6º da Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995, Instrução Normativa SRF nº 123, de 20 de novembro de 1992, art. 15 e art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 269, de 26 de dezembro de 1992 e atualmente art. 15 e art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 983, de 12 de dezembro de 2009. Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 13811.006583/200331 Resolução nº 1003000.013 S1C0T3 Fl. 1.291 10 II Relação de pagamentos do IRRF do código 8045 relativos aos períodos de apuração do anocalendário de 2000, ao 1º trimestre do anocalendário do anocalendário de 2002 e ao 2º trimestre do anocalendário de 2004 com o somatório dos valores recolhidos em cada período. A autoridade designada para cumprir a diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza dos valores de direitos creditórios pleiteados a título de saldos negativos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2000 no valor de R$162.104,44, do 1º trimestre do anocalendário de 2002 no valor de R$15.842,62 e do 2º trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$144.000,00. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes5 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 1291DF CARF MF
score : 1.0
