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Numero do processo: 10120.011840/2007-70
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO POR DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES PARA PERMANÊNCIA NO SIMPLES. NECESSIDADE DE EMISSÃO DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO.
É insubsistente o lançamento por arbitramento do lucro promovido de ofício, se não foi formalizado o competente ADE de exclusão do SIMPLES.
Numero da decisão: 1801-001.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO POR DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES PARA PERMANÊNCIA NO SIMPLES. NECESSIDADE DE EMISSÃO DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. É insubsistente o lançamento por arbitramento do lucro promovido de ofício, se não foi formalizado o competente ADE de exclusão do SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 18 40 /2 00 7- 70 Fl. 645DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 04/04 /2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Tratase de retorno de diligência realizada nos termos da Resolução nº 1801 000.086, editada nestes autos, por esta E. Turma Julgadora. Pedese vênia para transcrever o relatório que compôs o referido ato, que bem sumariza o feito sob análise: Tratase o processo de auto de infração para a exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL), anocalendário 2004, no valor, respectivamente, de R$ 401.019,08 e R$ 198.638,11. O lançamento decorreu do arbitramento do lucro, tendo em vista que o contribuinte, sujeito a tributação com base no SIMPLES, não possuía escrituração na forma das leis comerciais, nem apresentou à Fiscalização o Livro Caixa referente ao ano calendário 2004. Na sua impugnação, a ora Recorrente requereu o cancelamento total dos lançamentos, sob os seguintes fundamentos: o problema deviase à forma de tributação quanto à real receita bruta de vendas da empresa; no final do ano de 2003 foi convidada a ingressar no mercado de distribuição de cartões telefônicos (prépagos e de "orelhão") percebendo comissão pelos serviços prestados, calculada sobre o valor de face de cada cartão comercializado. tinha dúvidas quanto à forma de apuração do lucro, tendo optado por continuar no SIMPLES Federal, tomando como base a sua receita bruta correspondente às comissões recebidas; o arbitramento do lucro foi equivocado, pois incluiu lucro que não é possível auferir em sua atividade, a qual é subordinada às regras impostas pela fornecedora dos cartões; está condicionada a ganhos (receitas) conforme cláusula 6.1 de um dos contratos que transcreve: "6.1 — os cartões PréPagos, de qualquer valor, serão adquiridos pela Distribuidora com um desconto de 11% (Onze por cento), sobre o valor facial, devendo ser repassado aos pontos de venda autorizados pela Fornecedora um desconto de no máximo 8% (oito por cento) sobre o valor facial"; afirmou que não poderia arcar com um arbitramento de lucro onde os coeficientes utilizados para arbitrar são no mínimo três vezes superiores à margem bruta de ganho da empresa, que gira em tomo dos 3 a 4%; esclareceu que a metodologia utilizada para calcular a margem bruta efetiva, em base a uma nota fiscal específica, explicando acerca do preenchimento do "Mapa de Vendas 2004", no qual informa "o valor em que a empresa distribui/fornece os produtos adquiridos de sua fornecedora aos pontos de vendas finais"; Fl. 646DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 04/04 /2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.011840/200770 Acórdão n.º 1801001.678 S1TE01 Fl. 631 3 explicitou que preenche o "Mapa de Vendas – Margem Bruta 2004" com os valores que efetivamente detém em cada operação, para fazer face as suas despesas operacionais e ofertar a tributação; teria errado a fiscalização ao somar a margem da empresa aos valores totais de fornecimento aos pontos de vendas, em face da documentação que apresentou Notas Fiscais, Mapas de Vendas, apuração da Margem Bruta, explicações e contratos; alegou que o lançamento fiscal é nulo, conforme art.59, § 1°, do CTN; alegou que a Fiscalização fundamentou o lançamento nos artigos 530, III, do RIR 199, que por sua vez se reporta ao artigo 527, que trata de lucro presumido, sendo que a atividade da empresa não suportaria tal opção; A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente o auto de infração, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 VENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. Integra a receita tributável para fins de apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas a totalidade dos valores percebidos pela mesma nas operações de venda de cartões telefônicos, e não apenas o lucro, sendo irrelevante se a venda de cartões se dá para consumidor final ou para pontos de revenda. SIMPLES NACIONAL Uma das condições estabelecidas em lei para que as pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES fiquem dispensadas de escrituração comercial é a de manutenção, em boa ordem e guarda, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, do Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. ARBITRAMENTO DE LUCRO. A não apresentação da escrita contábil na forma das leis comerciais e fiscais, em obediência à legislação de regência, implica no arbitramento do lucro. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 REFLEXO Fl. 647DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 04/04 /2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido dele decorrente. Lançamento Procedente em Parte A DRJ remeteuse a soluções de consulta proferidas na Decisão SRRF/e RF/DISIT N° 70, de 28 de dezembro de 2000, Decisão SRRF/7a RF/DISIT n° 35, de 09 de fevereiro de 2000, e Solução de Consulta SRRF/2a RF/DISIT 36, de 05/04/2004, para fundamentar o entendimento segundo o qual a Recorrente estaria confundindo receita bruta com lucro, pois de acordo com a legislação de regência (art. 532 do RIR199), quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado será determinado mediante a aplicação dos percentuais prefixados no art. 519 do mesmo Regulamento, inexistindo previsão legal para o cálculo do lucro arbitrado a partir da margem de lucro informada pelo contribuinte. Com relação à consideração de custos referentes a notas fiscais de entrada, não seria possível computar tais custos no caso de arbitramento do lucro, que somente poderiam ser computados no caso de apuração mediante as regras do Lucro Real, que não puderam ser aplicadas ao contribuinte devido à ausência de escrituração comercial. Quanto ao erro na soma das informações contidas nos "Mapas de VendasMargem 2004" (fls. 79/91) com o "Mapa de Vendas 2004" (fls. 93/105), foram excluídas as parcelas consideradas em duplicidade. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos expendidos na impugnação, alegando, ademais que: não tinha à disposição da fiscalização a escrituração completa do seu Livro Caixa, mas que em vias de registro, disponibilizou a documentação inerente a este registro, que dariam todo o suporte fiscal e contábil para existência do primeiro registro solicitado; que teria se predisposto a sanar a exigência, fazendo a escrituração do Livro Caixa, porém não teria logrado êxito na solicitação de maior prazo para o atendimento da fiscalização; não sonegara do fisco as informações primordiais para a constituição do Livro Caixa, tanto que o mesmo teria se utilizado destas informações para gerar o lançamento; que teria apresentado extratos bancários, Notas Fiscais de compra dos produtos, mapas de vendas e seu inventário de estoques, contratos a que estava subordinada a época pelos seus fornecedores, a 'forma de como atuava, razões pelas quais esta estava a optar pelo regime do SIMPLES; alegou violação ao Princípio da Capacidade Contributiva; a Solução de Consulta SRRF/RF/DISIT n° 36 de 05/04/2004, que regula tal tributação e a opção correta de tributação para Fl. 648DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 04/04 /2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.011840/200770 Acórdão n.º 1801001.678 S1TE01 Fl. 632 5 empresas com o mesmo objeto social que o seu deuse em momento tardio para opção da tributação. É o relatório Na proposição da diligência, a d. Relatora, Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, apontou que: De outra banda, também é obrigatória nos termos do artigo 15, parágrafo 3º da mesma lei retromencionada (Lei 9.317/1996), a expressa exclusão da empresa do SIMPLES por meio de ato declaratório, com a necessidade de ciência do contribuinte de modo a possibilitar a sua manifestação e eventual demonstração por meio de provas a correta ou não, exclusão, tudo em homenagem ao contraditório, ampla defesa e legalidade afeitos aos processos e procedimentos administrativos. A DRF silenciou acerca da exclusão. E a decisão de primeira instancia silenciou acerca da existência ou não do ato declaratório, embora a lei seja determinante. Em face desta questão e com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, votouse pela conversão do julgamento na realização de diligência para que o ato declaratório de exclusão do SIMPLES FEDERAL seja juntado ao processo bem como comprovante de ciência da Recorrente. Na diligência, a repartição fiscal de origem anexou aos autos telas de consulta ao CNPJ da recorrente, e “tabela de eventos do CNPJ”, para ilustrar o significado dos códigos presentes naquelas telas. Ao final, a d. autoridade preparadora elaborou o Despacho de Encaminhamento que compõe o processo eletrônico no arquivo 50707530. Informa que não foi formalizado ato declaratório de exclusão do SIMPLES, e aponta as razões que entende relevantes para esclarecer o procedimento fiscal. A recorrente não foi intimada para se manifestar quanto ao resultado da diligência. É o relatório. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 04/04 /2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos previstos na norma processual, devendo ser conhecido e suas razões apreciadas nesta instância de julgamento. Em primeiro lugar, devese atentar para a falta de intimação da recorrente com relação ao teor do que restou produzido pela repartição fiscal em cumprimento à diligência determinada por esta Corte Administrativa. Revelase, sem dúvida, defeito procedimental tendente a deflagrar arguições de nulidade por cerceamento de direito de defesa. Cabível, a princípio, nova remessa do processo para a origem, para que a intimação seja aperfeiçoada. No entanto, atentando para a ressalva disposta no parágrafo 3º do artigo 59 do Decreto nº. 70.235/72 (“quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta”), o prosseguimento na apreciação da lide mostrase pertinente. Como se constata nos autos, conforme posto na informação fiscal vinda com a diligência, não foi editado o competente ato declaratório executivo de exclusão do SIMPLES. O que se tem é: exclusão mediante pedido da recorrente com efeitos a partir do anocalendário de 2005; verificação em procedimento de ofício da extrapolação dos limites de receita para o anocalendário de 2004 (que surtiria efeitos excludentes com relação ao anobase de 2005); arbitramento de ofício promovido com relação a 2004, pela não entrega dos controles contábeis exigidos pela lei (livrocaixa). Portanto, dentre os procedimentos fiscais e aqueles adotados pela própria recorrente, o que importa à resolução da presente lide administrativa, é o arbitramento de ofício com relação ao anocalendário 2004. Para tanto, não se pode prescindir da emissão do correlato ADE, que formalize a exclusão do SIMPLES, apontando os fundamentos fáticos e jurídicos, e permitindo, inclusive, a abertura do contencioso administrativo e/ou judicial pelo sujeito passivo. Esse é o rito indispensável prescrito na Lei nº. 9.317/96, em seu artigo 15, parágrafo 3º, nos seguintes termos: A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Assim, o lançamento formalizado nos presentes autos é insubsistente, por pretender exigir tributo sob regime tributário estranho àquele ao qual a recorrente encontrava se submetida no período fiscalizado. A transposição para o regime geral, com o subsequente arbitramento do lucro, carece do ato administrativo definido na norma legal como sendo hábil a tal mister. Digase, por fim, que não se trata de mero vício formal do ato de lançamento destes autos. O defeito extrínseco ora apontado esvazia materialmente a autuação em comento. É insubsistente a base de cálculo e a tributação promovida, por não guardarem relação com a forma de apuração de tributos atrelada à recorrente no anobase 2004. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 04/04 /2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.011840/200770 Acórdão n.º 1801001.678 S1TE01 Fl. 633 7 Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para determinar o cancelamento do auto de infração, e a exoneração do crédito exigido. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Relator Fl. 651DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 04/04 /2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19991.000077/2010-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral: Fernando Augusto Pena Fabri - OAB/MG 90.403.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral: Fernando Augusto Pena Fabri - OAB/MG 90.403. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral: Fernando Augusto Pena Fabri OAB/MG 90.403. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 99 91 .0 00 07 7/ 20 10 -7 2 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19991.000077/201072 Resolução nº 3302000.381 S3C3T2 Fl. 11 2 Tratase de pedidos de ressarcimento de créditos de PIS e Cofins recolhidos pela sistemática não cumulativa. Por retratar a realidade dos fatos, peço vênia a meus pares para transcrever o relatório citado na decisão de primeira instância administrativa, a saber: “Tratase de Pedidos de Ressarcimento de créditos de Pis/Cofins não cumulativos — exportação e Pis/Pasep não cumulativo — mercado interno, PA 1° ao 4° trimestres/2006 (fls. 0102) e de Dcomps relacionadas (fls. 0320) onde tais créditos foram vinculados. As fls. 2226 consta a Decisão SARAC/DRF/PCS n° 971/2010 na qual não foi reconhecido o direito creditório nem homologadas as respectivas compensações. Ali foi esclarecido inicialmente que, consoante o Dacon retificado do período (linhas 06A ou 16A), pleiteouse créditos a titulo de: 01bens para revenda; 07 despesas de armazenagem e frete na operação de venda; 09 encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; 26 crédito presumido agroindústria. No mais, foram as seguintes as razões para a glosa de valores da base de cálculo ali operada: bens para revenda foram adquiridos de pessoas jurídicas inaptas e de omissas contumazes; nesse último caso, intimações "voltaram com aviso de que as empresas mudaramse [..], reputandose, portanto, não comprovadas as operações de compra destes fornecedores"; embora a contribuinte não tenha solicitado, apropriase indevidamente do crédito presumido — agroindústria (linha 26 do Dacon), vez que as notas fiscais de aquisição de café disponibilizadas, embora de entrada, indicam que as mercadorias continuam depositadas ou foram entregues no Internacional Arm. Gerais Ltda, sem indicação de que o café tenha transitado no estabelecimento da contribuinte para se submeter ao processo de produção. Além disso, a atividade descrita na declaração de fl. 160 do processo 19991.000019/201049 não atende ao disposto no § 6° do art. 8° da Lei n° 10.925/2004. As fls. 2865, manifestação de inconformidade assim articulada: 1. DOS FATOS 2. DO DIREITO 2.1. DA EFETIVA AQUISIÇÃO DAS MERCADORIAS. DA REAL EXISTÊNCIA DA OPERAÇÃO. 2.2. DA EXISTÊNCIA DAS MERCADORIAS NO ESTOQUE DA MANIFESTANTE 2.3. DA EFETIVA EXPORTAÇÃO DA MERCADORIA Fl. 215DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19991.000077/201072 Resolução nº 3302000.381 S3C3T2 Fl. 12 3 2.4. DAS AQUISIÇÕES DOS FORNECEDORES EXPORT DO BRASIL LTDA. E F J. B. BARONI 2.5. DO CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA: A .MANIFESTANTE PESSOA JURÍDICA PRODUTORA, NOS TERMOS DA LEI 10.925/04 E DO DECRETO 4.544/02 2.5.1 O FATO DE A PRODUÇÃO SUPOSTAMENTE SER FEITA POR TERCEIRO NÃO RETIRA DA MANIFESTANTE A QUALIDADE DE PRODUTORA 3. DOS PEDIDOS (original contém negritos e sublinhas) É o relatório.” Após analisar as razões da Recorrente, a 2a Turma da DRJ/JFA proferiu o acórdão no 0937.096 (fls. 159/165 – digital fls. 184/190), que restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório é ônus do qual deve se desincumbir. CRÉDITO DE BENS PARA REVENDA, ADQUIRIDOS DE INAPTAS E OMISSAS CONTUMAZES. Na qualidade de terceiro interessado, há que se reconhecer tão somente o direito creditório dos valores de Pis/Cofins não cumulativos relativos ante os quais a contribuinte comprovou o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias, de sorte a que se visse livre da inidoneidade das respectivas notas fiscais de aquisição. CRÉDITO PRESUMIDO – AGROINDÚSTRIA Para fazer jus ao crédito presumido agroindústria, na espécie, mister que a pessoa jurídica produza o café que revende, considerandose como produção o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Credit6rio Reconhecido em Parte” Fl. 216DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19991.000077/201072 Resolução nº 3302000.381 S3C3T2 Fl. 13 4 Inconformada, a Recorrente opôs Recurso Voluntário às fls. digitais 193/207, por meio do qual reiterou os argumentos trazidos em sua impugnação. Em resumo a Recorrente defende: (i) a impossibilidade de desconsideração dos créditos de PIS e Cofins não cumulativo por problemas dos fornecedores, posto que a compra efetivamente ocorreu; (ii) o direito ao crédito em razão de realizar o processo produtivo exigido por lei, ainda que na forma da industrialização por encomenda. É o relatório. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, a questão referese à utilização de insumo no sistema não cumulativo da COFINS. Em síntese, os créditos pleiteados foram glosados pela fiscalização pelas seguintes razões: (i) AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA – glosa em virtude de a aquisição ter ocorrido de pessoas jurídicas inidôneas; (ii) CRÉDITO PRESUMIDO – glosado com base no §6º do artigo 8º, da Lei nº 10.925/04 em vista de a Recorrente não ter realizado o processo produtivo previsto na legislação, necessário para concessão do crédito tributário no caso de aquisição de pessoas físicas. A primeira questão pode ser resolvida com base na análise da legislação regente, todavia, a última, para que possa ser julgada, no entender desta julgadora, prescinde de maiores esclarecimentos fáticos. É que a discussão está pautada no fato de existência do processo produtivo de café e de quem realizou este processo produtivo. A Recorrente diz que realiza o beneficiamento do café, a fiscalização conclui que a Recorrente não realiza qualquer processo produtivo e o contrato social da Recorrente não traz a possibilidade de industrialização, mas apenas de comércio e exportação de grãos de café. Isto é, as informações são conflitantes e não constam, nos autos, documentos conclusivos. A Recorrente, em sua defesa, admite que pode não ter realizado todo o processo produtivo, mas que a terceirização da industrialização não lhe retiraria o direito ao crédito presumido, assim como não alteraria o fato de o café ter sido beneficiado. De qualquer forma não há, nos autos, como se afirmar sequer se os requisitos exigidos pela lei foram atendidos, seja pela Recorrente sozinha, seja pela Recorrente e seus parceiros. Em virtude deste fato, voto por converter o presente julgamento em diligência, para que a Recorrente seja intimada a, no prazo de 30 dias, esclarecer e comprovar seu processo produtivo elucidando: como é realizado este processo produtivo, definindo as fases (recebimento do café/moagem/torra/etc) e todo o procedimento ao qual se submete o grão de café; quem é que faz este processo produtivo, clareando a informação do que é feito em seus próprios estabelecimentos e o que é terceirizado, apresentado, se o caso, provas deste procedimento de industrialização em seus estabelecimentos; Fl. 217DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19991.000077/201072 Resolução nº 3302000.381 S3C3T2 Fl. 14 5 comprovar documentalmente o procedimento de envio para industrialização por encomenda, bem como que realiza a venda de produto industrializado. Recebidas as informações da Recorrente, a autoridade administrativa deverá elaborar parecer conclusivo sobre a atividade de industrialização apresentada, no sentido de ser um procedimento de industrialização regular que atende aos requisitos do §6º, artigo 8º, da Lei nº 10.925/04, considerando para tanto ambas as fases: terceirizada e própria. Após, a Recorrente deverá ser intimada acerca do parecer emitido pela fiscalização para se manifestar, se quiser, no prazo de 30 dias. É como voto. Sala de Sessões, 29 de janeiro de 2014. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 218DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904473/2012-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 73 /2 01 2- 82 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904473/201282 Acórdão n.º 3803004.823 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904473/201282 Acórdão n.º 3803004.823 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904473/201282 Acórdão n.º 3803004.823 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 15563.720018/2013-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.
Numero da decisão: 3201-001.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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SULAMERICANA DE TABACOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 00 18 /2 01 3- 56 Fl. 688DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15563.720018/201356 Acórdão n.º 3201001.612 S3C2T1 Fl. 689 2 Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foram lavrados os seguintes autos de infração: a) de fls. 425/435, em que são exigidos R$ 4.603.949,42 de PIS (substituição tributária – cigarros), relativamente ao período de apuração de 01/2008 a 12/2009, além de multa de ofício de 75% e acréscimos legais, em face da apuração de falta de recolhimento da contribuição, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal, demonstrativo de apuração da contribuição e demonstrativo de multa e juros de mora, e b) de fls. 436/446, em que são exigidos R$ 18.132.557,20 de Cofins (substituição tributária – cigarros), além de multa de ofício de 75% e encargos legais, em face da falta de recolhimento da contribuição relativamente ao período de apuração de 01/2008 a 12/2009, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal, demonstrativo de apuração e demonstrativo de multa e juros de mora. Consoante o documento “Termo de Verificação Fiscal”, anexado às fls. 415/420, foi procedida, em atendimento ao MPF F n° 07.1.03.002011013671 (ciência em 20/10/2011, fl. 7/8), auditoria de IRPJ, IPI, PIS e Cofins, relativamente aos anos de 2008 e 2009. No que tange às contribuições ao PIS e à Cofins foram realizadas diversas intimações à contribuinte. Como resultado destas intimações, a interessada disponibilizou ao Fisco, dentre outros documentos, seus livros comerciais e fiscais e arquivos digitais relativos às notas fiscais de entrada e saída, dos anos calendário de 2008 e 2009. Os registros digitais do ano de 2008, porém, segundo apontou a autoridade fiscal, não informavam a data de saída, apesar desta informação constar do corpo das notas fiscais propriamente ditas. Foi, então, em 17/12/2012, lavrada nova intimação (fls. 46/50), solicitando à contribuinte, entre outras ações a disponibilizar a memória de cálculo de apuração do PIS e da Cofins, do período em questão, assim como a apresentação da tabela de preços de venda de seus produtos no varejo. Em 10/01/2013, a interessada atendeu à intimação acima, entregando demonstrativos das bases de cálculo do PIS e da Cofins dos meses de junho de 2008 e junho de 2009, juntamente com a tabela de preços de venda no varejo do período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009 (fls 57/73). Na sequência, aduz a autoridade fiscal que como a contribuinte apresentou apenas os demonstrativos das bases de cálculo do PIS e da Cofins dos meses de junho de 2008 e junho de 2009, foi lavrada nova intimação. Nesta, cientificada em 21/01/2013, com prazo de atendimento de três dias, foi solicitado à contribuinte provar que estava amparada judicialmente a apurar as contribuições ao PIS e à Cofins em desacordo com o art. 62 da Lei n° 11.196/2005 e art. 62 da Lei n° 12.024/2009. Foi intimada, ainda, a apresentar cópia da sentença proferida e dos depósitos judiciais, uma vez que a partir de junho de 2008 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15563.720018/201356 Acórdão n.º 3201001.612 S3C2T1 Fl. 690 3 deixou de efetuar os recolhimentos das contribuições, informando na DCTF que estas estavam suspensas por depósito judicial pelo processo de n° 2008.34.0.0017290. Foi informado à contribuinte, ainda, que como não identificou na tabela apresentada o preço de venda a varejo dos cigarros MAXXI PRATA – CL II, foi utilizado o preço do FLY II, pelo fato de na classe I tais cigarros possuírem o mesmo preço. A contribuinte foi informada, também, que os cigarros FLY IIIR, que não apresentavam no arquivo digital a identificação da versão (cor/aroma), foi utilizado o menor valor da tabela para o cigarro FLY IIIR. Nesta intimação, a contribuinte foi informada, também, que, in verbis: Anexamos ao presente a planilha “Demonstrativo da Base de Cálculo do PIS/Cofins – Lei nº 11.196/05 e Lei n° 12.024/2009”, para que o sujeito passivo se manifeste no prazo acima estabelecido, caso discorde da forma de apuração adotada, ou sobre qualquer outro fato. Em 25/01/2013, a contribuinte apresentou resposta à intimação acima referida, anexando os documentos referentes às ações judiciais 2008.34.00.017290 e 2007.51.10.0058030. A autoridade fiscal diz que após analisar os referidos processos verificou que o segundo diz respeito a Mandado de Segurança com o objetivo do reconhecimento do direito de excluir o ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS, em razão da inconstitucionalidade do art. 3o, §§ 1o e 2o da Lei n° 9.718/98. Após, a autoridade fiscal informa que, com base nas informações apresentadas pela Interessada e dos fatos acima narrados, promoveu o lançamento do crédito tributário de PIS e de Cofins (substituição – cigarros – fabricantes nacionais), por insuficiência de recolhimento das contribuições, conforme valores demonstrados nas planilhas “Diferença a tributar COFINS” (fl. 423/424) e “Diferença a tributar PIS” (fl. 421/422). Relata a autoridade fiscal que o sujeito passivo não apurou o PIS e a Cofins de acordo com a legislação vigente no período, tendo lavrado, em função disso, a planilha “Demonstrativo da Base de Cálculo do PIS/Cofins – Lei nº 11.196/05 e Lei n° 12.024/2009” (fls. 77 a 227), na qual os valores devidos de PIS e de Cofins foram confrontados com os valores apurados pela contribuinte nas DCTF para a apuração das diferenças a tributar. A fundamentação legal informada pela autoridade fiscal é a seguinte: Art. 3o da Lei complementar n° 70/1991 (Cofins): define que “a base de cálculo da contribuição mensal devida pelos fabricantes de cigarros, na condição de contribuintes e de substitutos dos comerciantes varejistas, será obtida multiplicandose o preço de venda do produto no varejo por cento e dezoito por cento”; Fl. 690DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15563.720018/201356 Acórdão n.º 3201001.612 S3C2T1 Fl. 691 4 Art. 5o da Lei n° 9.715/1998 (PIS): determina que “a contribuição mensal devida pelos fabricantes de cigarros, na condição de contribuintes e de substitutos dos comerciantes varejistas, será calculada sobre o preço fixado para venda do produto no varejo, multiplicado por um vírgula trinta e oito”; Art. 62 da Lei n° 11.196/2005: dispõe que “o percentual e o coeficiente multiplicadores a que se refere o art. 3o da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991, e o art. 5o da Lei no 9.715, de 25 de novembro de 1998, passam a ser de 169% (cento e sessenta e nove por cento) e 1,98 (um inteiro e noventa e oito centésimos), respectivamente”. Art. 62 da Lei n° 12.024/2009: estabelece que “o percentual e o coeficiente multiplicadores a que se referem o art. 3º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e o art. 5º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, passam a ser de 291,69% (duzentos e noventa e um inteiros e sessenta e nove centésimos por cento) e 3,42 (três inteiros e quarenta e dois centésimos), respectivamente”. Cientificada em 30/01/2013 (fl. 473), a Interessada apresentou impugnação, alegando em síntese o seguinte. Na descrição dos fatos, afirma que no dia 21/01/2013, uma semana antes da emissão do Auto de Infração, recebeu Termo de Intimação Fiscal para que “no prazo surreal de apenas três dias” se manifestasse, entre outros pontos, se discordava da forma de apuração adotada ou sobre qualquer outro fundamento da planilha “Demonstrativo da Base de Cálculo do PIS/Cofins – Lei nº 11.196/05 e Lei n° 12.024/2009”, que contém 151 folhas, com 41 linhas e 9 colunas cada uma, em um total de 55.719 dados. Alega que, por isso, houve cerceamento do direito de defesa, que está disposto no art. 5o, da Constituição Federal. Afirma, outrossim, que, conforme art. 2o da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, é dever da Administração Pública agir com razoabilidade e proporcionalidade. Transcreve jurisprudência sobre o princípio da razoabilidade. Repete, então, dados sobre a intimação fiscal a qual deveria atender no prazo de 3 dias, sustentando ser impossível atendêla no prazo determinado. Argumenta, então, que “efetivamente, não foi concedido à recorrente qualquer prazo para manifestarse sobre a referida planilha”. Diz, ainda, que a “Sra. Auditora Fiscal autuante” agiu de forma pessoal, fato que “flagela o princípio constitucional da impessoalidade – cujos indícios estão escancaradamente explícitos a quem quiser vêlos”. Isso porque, segundo afirma, o período fiscalizado de janeiro de 2008 estaria decaído no dia 1o de fevereiro de 2013, razão pela qual, “embora a fiscalização já transcorresse há mais de quatorze meses, ou a Sra. Auditora Fiscal encerrava a fiscalização até o dia 31/01/2012, ou ela seria responsabilizada por deixar decair pelo menos um mês do tributo com o trabalho em suas mãos”. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15563.720018/201356 Acórdão n.º 3201001.612 S3C2T1 Fl. 692 5 Por isso, “para escapar de qualquer responsabilidade funcional pela decadência do mês de janeiro de 2008 em suas mãos, lavrou a referida intimação fiscal concedendo à impugnante o insensato prazo de apenas três dias para um resposta sabidamente impossível de ser dada neste tempo”. Alega, também, que o Decreto 7.574, de 29 de setembro de 2011, determina o prazo de vinte dias “sempre que for necessário solicitar ao contribuinte informações no seu curso e necessárias ao prosseguimento da fiscalização”. Afirma que os prazos para resposta às intimações não podem estar submetidos à inteira e absoluta discricionariedade dos Auditores Fiscais. Repete que não existe qualquer razoabilidade ou proporcionalidade no prazo de três dias concedidos. Afirma, ainda, que o cerceamento do direito de defesa “não se elide com esta impugnação, que instaura a fase litigiosa do procedimento, pois a resposta que a impugnante poderia ter dado à intimação fiscal de 21/01/2013 se oportunidade tivesse para tanto – seria levada em consideração, no todo ou em parte, pela Sra. Auditora Fiscal, e, agora, sua decisão estaria sendo atacada nesta irresignação, tomandose por base os argumentos por ela expendidos para negar aqueles desfavoráveis à recorrente. Portanto, inexoravelmente, esta fase da defesa está suprimida, e não se renova com a fase litigiosa do processo, o que, também, conduz à nulidade de todo o processo fiscal”. No mérito, afirma, simplesmente, que “ante o cerceamento do direito de defesa imposto à impugnante, fundado nas preliminares arguidas, não há como adentrar na discussão de mérito do Auto de Infração, pelo seu total e absoluto desconhecimento do cálculo dos valores nele insertos”. Requer que seja declarado nulo o lançamento em função da violação aos princípios da impessoalidade, razoabilidade, proporcionalidade e pela supressão de instância, por não ter lhe sido concedido a possibilidade de se manifestar sobre a planilha encaminhada em 21/01/2013. Por fim, ressaltese que nos termos da Portaria SUTRI nº 513 de 24 de abril de 2013, publicada no Diário Oficial de 25 de abril de 2013, a competência para julgamento do referido processo foi transferido para esta DRJ em Curitiba. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontram se consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15563.720018/201356 Acórdão n.º 3201001.612 S3C2T1 Fl. 693 6 Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa do processo administrativo fiscal com a impugnação ao lançamento, não cabendo cogitarse de cerceamento do direito de defesa no curso da ação fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. A impugnação da exigência é o ato que instaura a fase litigiosa do procedimento fiscalizatório. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. Não se configura violação aos princípios de proporcionalidade e razoabilidade o estabelecimento de prazo exíguo para a contribuinte se manifestar sobre a apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins durante o procedimento fiscalizatório, uma vez que a fase litigiosa se inicia com a apresentação da impugnação. PESSOALIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nos autos qualquer prova a demonstrar que a autoridade fiscal agiu de forma pessoal durante o procedimento fiscalizatório. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. METODOLOGIA. É clara a metodologia utilizada pela autoridade fiscal para a apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins, tendo esta sido demonstrada para cada item de nota fiscal emitida pela contribuinte. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A lide restringese a alegação de cerceamento de direito de defesa decorrente do prazo exíguo de três dias concedido para a recorrente se manifestar, durante o procedimento Fl. 693DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15563.720018/201356 Acórdão n.º 3201001.612 S3C2T1 Fl. 694 7 fiscal, acerca da planilha “Demonstrativo da Base de Cálculo do PIS/Cofins – Lei nº 11.196/05 e Lei n° 12.024/2009”. Inicialmente, constatase que para a recorrente foi concedido o prazo legal de trinta dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso tivesse interesse. A recorrente questiona o prazo concedido em meio ao procedimento fiscal preparatório ao lançamento. Esclarecese que o procedimento de fiscalização possui cunho eminentemente inquisitório, decorrente do exercício do poder de polícia, inerente ao ato de fiscalizar. Esta etapa, em que ocorre a investigação fiscal, é constituída de medidas preparatórias tendentes a definir a pretensão da Fazenda, procedimentos que conduzem a constituição do crédito tributário. Após esta etapa, ocorrendo o lançamento, abrese ao contribuinte a oportunidade de contestação da exigência fiscal, ocasião em que oferece sua impugnação. A partir daí instaurase o Processo Administrativo Fiscal propriamente dito, a fase contenciosa, que exige a observância de suas normas regentes, entre elas os princípios da Ampla Defesa e do Contraditório. Este momento inicial, de termino do procedimento fiscal e de abertura do processo, encontrase devidamente positivado no artigo 14 do Decreto 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Desta forma, o fato de a autoridade fiscal, durante a fase preparatória ao lançamento, ter concedido um prazo exíguo para manifestação da recorrente frente a um documento não configura cerceamento ao seu direito de defesa ou contraditório caso lhe seja concedido outro momento processual para que se manifeste sobre os documentos que embasaram a autuação, notadamente o prazo de trinta dias para a impugnação. Como já explicitado, além dos prazos concedidos pelo auditor durante a fase fiscalizatória, foi oferecido a recorrente o prazo de trinta dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação e juntar as provas suficientes a elidir o valor autuado pela autoridade fiscal, o que não ocorreu no caso em tela. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 694DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15563.720018/201356 Acórdão n.º 3201001.612 S3C2T1 Fl. 695 8 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10680.008538/2007-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 01/11//2005
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas.
Numero da decisão: 9202-002.685
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad
Relator
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Redator-Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 01/11//2005 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Alexandre Naoki AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 85 38 /2 00 7- 99 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 11/02/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Nishioka (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira RedatorDesignado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 11/02/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10680.008538/200799 Acórdão n.º 9202002.685 CSRFT2 Fl. 176 3 Relatório Em face de Centro Oftalmológico de Minas Gerais S.A., foi lavrado Auto de Infração de fls. 01/28, em razão da entrega das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Conforme TEAF de fls. 10, para os mesmos períodos envolvidos foi lavrada NFLD para lançamento das diferenças de contribuição previdenciária (mais multa e juros), formalizada em outro processo. A Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 230101.931, que se encontra às fls. 145/149 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 01/11/2005 AUTO DE INFRAÇÃO – APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM INFORMAÇÕES INEXATAS EM RELAÇÃO AOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para os lançamentos de ofício, como é o caso da Auto de Infração, aplicase a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 11/02/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32A da Lei nº 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por maioria de votos, aplicou ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, e, por unanimidade de votos, excluiu da regra decadencial do Art. 173, I, do CTN os fatos que ensejaram o cálculo da multa até 12/2000 (anteriores a 01/2001). Intimada do acórdão em 20/10/2011 (fls. 150), a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial às fls. 153/156, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão n° 240100.127, que considera que, para fins de aplicação da retroatividade benigna, devese considerar o limite do art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44 da Lei n. 9.430/1996. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300 332/2012, de 24/05/2012 (fls. 765/765vº). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte deixou de apresentar suas contrarrazões. É o Relatório. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 11/02/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10680.008538/200799 Acórdão n.º 9202002.685 CSRFT2 Fl. 177 5 Voto Vencido Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como se verifica dos autos o recurso foi interposto em razão da divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão nº 240100.127. O acórdão paradigma encontrase assim ementado: “OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP – Guia de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. ASSUNTO: PROCESSO ADMINSITRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL – PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA – APLICAÇÃO. Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN.” (AC 240100.127) Consta de trecho do acórdão paradigma: “(...) Asseverese que todas as contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio das notificações já mencionadas e, a meu ver, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32a, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso das notificações conexas e já julgadas, prevalecerem os valores de multa aplicados nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, o qual previa uma multa máxima de cinquenta por cento, ou seja, inferior ao percentual de setenta e cinco por cento estabelecido pela nova regra. Assim, para evitar o bis in idem, o cálculo da multa deve ser efetuado pela aplicação do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, Fl. 14DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 11/02/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 excluindose os valores das multas lançadas nas notificações correspondentes. (...)” Verifico, no texto do acórdão paradigma, que ele considerou aplicável, em situação análoga à dos presentes autos, retroatividade computada nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, na nova redação a ele atribuída pela Lei n. 11.941/2009 (e não nos termos do art. 32A como fez o acórdão recorrido). Entendo, portanto, caracterizada a divergência de interpretação, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Entendo que com o advento da Lei n. 11.941/2009 a multa pelo descumprimento de dever de apresentar corretamente a GFIP passou, por força da regra de retroatividade benigna prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional, a ser regida pelo artigo 32A da Lei n. 8.212/1991, e não mais pelo antigo parágrafo 5º do mesmo dispositivo. Tal entendimento se aplica ainda que tenha havido, como no caso presente, exigência de contribuição previdenciária formalizada em NFLP relativa ao mesmo período. Neste diapasão, não compartilho do entendimento que passei a denominar de “cesta de multas”, segundo o qual a multa por descumprimento de obrigação acessória, lançada no presente auto de infração deveria ser somada à multa por falta de recolhimento da contribuição, lançada na NFLD, para fins de comparação com a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n. 9.430, referida pela novel redação do art. 35A da Lei n. 8.212/1991. Transcrevo a seguir o voto do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, nos autos do Processo nº 36378.002129/200615, cujos fundamentos adoto, verbis: “A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituem violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Isso é inquestionável. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, entendo que a penalidade para tal infração, a qual até então constava do § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Segundo penso, ainda que o contribuinte tenha pago integralmente as contribuições previdenciárias devidas, estará sujeito à penalidade pela ausência de apresentação ou pela entrega com omissões ou com incorreções da GFIP (artigo 32A da Lei n° 8.212/91). Por outro lado, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (citada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91) tem outra conotação, qual seja, as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. A redação do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, é a seguinte: Fl. 15DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 11/02/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10680.008538/200799 Acórdão n.º 9202002.685 CSRFT2 Fl. 178 7 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Grifei) Portanto, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 é aplicável apenas na hipótese de haver tributo não pago, ao passo que a multa do artigo 32A da Lei n° 8.212/91 incide ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas. Pareceme ser escorreito afirmar que a DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Sob minha ótica, a penalidade lançada contra a contribuinte (§5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91) restou substituída pela multa prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Diante do exposto, na parte não atingida pela decadência, voto no sentido de que se calcule a penalidade devida pela contribuinte de acordo com a regra do artigo 32A da Lei n° 8.212/91.” Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Recorrente para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 16DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 11/02/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao excelso relator, divirjo de suas conclusões. Como bem salientado no voto, ocorreu alteração do cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, com o surgimento do Art. 35A na Lei 8.212/1991. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para a recorrente, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Para tanto, devese comparar as penalidades impostas antes da alteração legislativa com as posteriores a alteração legislativa. Conseqüentemente, para tanto, devese comparar a multa constante dos autos com a resultante do cálculo da multa expressa no I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzidas as multas aplicadas nos lançamentos correlatos e caso seja mais benéfico à recorrente utilizar esse valor. Portanto, o recurso deve ser provido, nos termos solicitados pela recorrente. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em DAR PROVIMENTO ao recurso da Procuradoria, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 17DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 11/02/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
Numero do processo: 11080.724828/2012-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/11/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com o disposto no art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso é de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão recorrido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente.
Lourenço Ferreira do Prado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com o disposto no art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso é de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão recorrido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 48 28 /2 01 2- 72 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por DENTAL SPORT SOCIEDADE SIMPLES LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade dos seguintes Autos de Infração: a) 37.342.9819: O crédito previdenciário constituído neste lançamento fiscal, referese à contribuição parte da empresa e as destinadas ao GILRAT sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais sócios (prólabore). b) 37.342.9800: O crédito previdenciário constituído neste lançamento fiscal, referese à contribuições destinadas as terceiros incidentes sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados. Consta do relatório fiscal que os valores lançados foram obtidos em folhas de pagamento, RAIS, DIRF e GFIP´s exportadas e substituídas. O Relatório Fiscal informa que foi aplicada a multa de acordo com o disposto no artigo 106, inciso II, do Código Tributário Nacional – CTN e, ainda, que por falta de atendimento à intimação para apresentação de documentos e arquivos digitais solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, a multa foi agravada conforme dispõe o artigo 44, parágrafo 2º, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. O lançamento compreende o período de 09/2007 a 11/2008, tendo sido o contribuinte cientificado em 23/07/2008 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 150/155), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a ocorrência de fato novo, não considerado quando do julgamento de primeira instância, qual seja a existência na justiça federal do processo de execução fiscal que compreende as competências objeto do presente lançamento, conforme inicial que anexa ao seu recruso; 2. que houve violação ao preceito constitucional do artigo 84, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, entendendo a inconstitucionalidade e ilegalidade da via eleita para a normatização da contribuição para o RAT. 3. que é inconstitucional a cobrança da contribuição para o INCRA, bem assim como as contribuições para o SESI, SEBRAE e SENAI. 4. que informou, através de suas GFIP, os valores devidos. “Assim, utilizandose da denúncia espontânea promovida pela Empresa Contribuinte é que a Autarquia Previdenciária efetuou o lançamento do crédito tributário devido e ora executado.” Fl. 234DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11080.724828/201272 Acórdão n.º 2402003.779 S2C4T2 Fl. 3 3 5. que tendo ocorrido denúncia espontânea, deve ser excluída, “do débito todo e qualquer tipo de sanção (multa).” 6. entende inconstitucional e ilegal a multa aplicada, por seu efeito confiscatório, em percentual maior do que 20%. 7. alega a ilegalidade da aplicação da taxa SELIC nos autos de infração impugnados. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Da análise dos autos verificase às fls. 157 que o contribuinte foi intimado do acórdão recorrido na data de 08/10/2012 (segundafeira), tendo protocolado o presente recurso voluntário em 08/11/2012 (fls. 159), de modo que o prazo legal de 30 (trinta) dias para a sua interposição restou extrapolado. Ante todo o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 10120.727598/2012-17
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedando-se a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa).
Nulidade material do lançamento dada a impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2802-002.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o(s) Conselheiro(s) Jaci de Assis Júnior que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62-A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedando-se a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa). Nulidade material do lançamento dada a impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88. Recurso Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o(s) Conselheiro(s) Jaci de Assis Júnior que negava provimento. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello.
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INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedandose a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa). Nulidade material do lançamento dada a impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o(s) Conselheiro(s) Jaci de Assis Júnior que negava provimento. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 75 98 /2 01 2- 17 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2010, exercício 2011 (fls. 6/10), decorrente de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, relativo ao exercício 2011, anocalendário 2010. Valor: R$ 516.891,96, que resultou no imposto suplementar a pagar no valor de R$ 115.284,73, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Apreciada a Impugnação (fl. 5), o lançamento foi julgado procedente, sob o seguinte fundamento: “O contribuinte apresentou sua declaração de ajuste anual sem informar os rendimentos recebidos acumuladamente, tendo informado tais rendimentos como isentos, o que gerou a presente notificação de lançamento por omissão de rendimentos tributáveis. Por ocasião da impugnação, requer que os rendimentos sejam tributados na forma do artigo 12A da Lei 7.713/1998. Entretanto, como já exposto, para os rendimentos recebidos acumuladamente no período de 01/01/2010 a 27/07/2010, a regra é a tributação na forma prevista no artigo 12 da Lei 7713/1998. A aplicação do artigo 12A dependia de manifestação do contribuinte. Ao analisarse a declaração encaminhada pela notificada, exercício 2011, anocalendário 2010, verificase que ele optou por não informar seus rendimentos como tributáveis na declaração de ajuste anual. Portanto, correto o lançamento ao considerar os rendimentos como sujeitos ao ajuste anual. [...] Quando o contribuinte apresentou sua declaração retificadora na DRF de origem, em 22/09/2011 (documentos de fls. 87 a 111), ainda não se encontrava em procedimento de ofício, pois o Termo de Intimação Fiscal só foi entregue ao contribuinte em 02/03/2012 (fls. 46/47). Portanto, a declaração retificadora apresentada estava espontânea, mas, como altera a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, não pode ser aceita em razão do disposto nas normas acima transcritas. No presente caso, como o contribuinte não fez a opção pela tributação na forma do artigo 12A dentro do prazo para entrega da declaração de ajuste anual, a opção não pode ser feita nesse momento processual”. Nas razões de Voluntário (fl. 129/136), acompanhado dos documentos de fls. 137/157, inova a tese e apresenta laudo médico (fl. 148) que aponta ser o portador de moléstia grave e que, por isso, os rendimentos em questão estariam isentos de tributação; argumentou ainda que a responsabilidade pela retenção e pagamento seria da fonte pagadora e por fim requereu fossem excluídos da base de cálculo os valores despendidos com honorários advocatícios, peritos e demais custas processuais. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10120.727598/201217 Acórdão n.º 2802002.791 S2TE02 Fl. 120 3 Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Versam os presentes autos sobre cuja matéria de fundo trata da incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente decorrentes de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99, conforme trecho da decisão recorrida, a seguir: “O contribuinte apresentou sua declaração de ajuste anual sem informar os rendimentos recebidos acumuladamente, tendo informado tais rendimentos como isentos, o que gerou a presente notificação de lançamento por omissão de rendimentos tributáveis. Por ocasião da impugnação, requer que os rendimentos sejam tributados na forma do artigo 12A da Lei 7.713/1998. É de se ver que a tributação desses valores, conforme demonstrativo juntado aos autos, se deu pelo regime de caixa, ou seja, pela aplicação da alíquota sobre a totalidade dos rendimentos recebidos, em desacordo com o decidido pelo STJ, em sede de repetitivo (Resp 1.118.429∕SP) e atualmente sob repercussão geral no STF (Tema 368). Nos termos do artigo 62A do RICARF: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do dispositivo regulamentar acima transcrito, cuja observância é obrigatória aos membros do CARF, o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de repetitivo deve ser necessariamente o fundamento decisório nas situações nas quais a tributação de rendimentos acumulados seja objeto de lide. A Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC, assim decidiu: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo Fl. 190DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." O julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Não por outra razão, ambas as Turmas da 1ª Seção do STJ, já se pronunciaram favoravelmente à tese de que o decidido em repetitivo no Resp n. 1.118.429∕SP, deve ser aplicado no âmbito das condenações judiciais decorrentes de verbas trabalhistas. Nesse sentido: AgRg no AgRg no REsp 1.332.443/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013, AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 434.044/SP e Recurso Especial nº 1.376.363 – PE, cuja ementa segue abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VERBAS RESCISÓRIAS. VIOLAÇÃO DO ART. 535. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. FGTS. JUROS DE MORA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTES. 1. (...) 2. Este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que não incide Imposto de Renda sobre o recebimento do FGTS e dos juros de mora correlatos. Precedentes. 3. O entendimento de que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos em atraso e acumuladamente deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas, vedandose a utilização do montante global como parâmetro, também se aplica ao contexto das verbas trabalhistas. (destaques meus). Por fim, é de ressaltar que a discussão ainda pendente no STF, no RE 614.406, sob repercussão geral (Tema 368), em nada afeta a definitividade da decisão em repetitivo proferida pelo STJ. Isso em razão do distinto enfoque dado pelo STF ao tema, eminentemente em razão da superveniência de decisão do TRF da 4ª Região, pela inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei n. 7.713/88, o que em tese, poderia violar a isonomia e o princípio da uniformidade geográfica dos contribuintes submetidos àquela jurisdição em relação aos demais jurisdicionados do país. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10120.727598/201217 Acórdão n.º 2802002.791 S2TE02 Fl. 121 5 De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, que não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Logo, não cabe a este órgão de julgamento o refazimento do lançamento nesta fase recursal, cujo vício material de origem se encontra na incorreta aplicação da alíquota, sem observância do regime de competência, a resultar na indeterminação da matéria tributável, requisitos mínimos para atestar a validade do lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. Face ao reconhecimento da nulidade do lançamento, prejudicadas as demais argumentações sobre a natureza dos rendimentos. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso voluntário, para anular o lançamento por vício material. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 192DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10850.001522/2002-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 29/10/1997
IRRF. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE DARF. DOCUMENTOS DE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA E DARF DE PERÍODOS ESTRANHOS AO LANÇAMENTO. RECURSO NEGADO.
O recolhimento de IRRF se comprova com a apresentação dos respecitovs DARF. No caso dos autos, o lançamento é legitimado pela falta de DARF correspondente ao período da autuação. Os documentos relativos a débitos em conta na Instituição Financeira e DARF, todos de períodos estranhos ao lançamento, são ineficazes para fins de cancelamento da exigência.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE DARF. DOCUMENTOS DE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA E DARF DE PERÍODOS ESTRANHOS AO LANÇAMENTO. RECURSO NEGADO. O recolhimento de IRRF se comprova com a apresentação dos respecitovs DARF. No caso dos autos, o lançamento é legitimado pela falta de DARF correspondente ao período da autuação. Os documentos relativos a débitos em conta na Instituição Financeira e DARF, todos de períodos estranhos ao lançamento, são ineficazes para fins de cancelamento da exigência. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 15 22 /2 00 2- 41 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF em decorrência de não ter sido comprovado o recolhimento IRRF — Remun.Serv. Prestados por PJ (1708), no valor de R$ 368,57, declarado na quarta semana de outubro de 1997. O contribuinte apresentou a impugnação na qual alega que o IRRF lançado já havia sido integralmente recolhido e anexou cópias de correspondência encaminhada ao Banco Unibanco S/A (fl.35), na qual é autorizado débito na contacorrente 201.2887, no valor de R$ 368,57, para pagamento do IRRF atrasado de 1995/1996, bem como a cópia do aviso de débito de fl. 36, no qual consta que foi efetuado o débito em contacorrente no valor de R$ 368,57, em 30/10/1997. A DRJ considerou que os documentos apresentados (fls. 35/36) não comprovam o recolhimento, o que somente seria válido por meio do DARF; excluiu a multa de ofício por aplicação retroativa da Lei 10.833/2003. A ciência do acórdão ocorreu em 27/02/2008 e Recurso Voluntário em 27/03/2008. Em resumo, na peça recursal o recorrente alega que o recolhimento do IRRF do período de apuração 0410/1997 é comprovado pelos documentos de fls. 94 a 97, e que o valor de R$368,57 é resultado da somas dos diversos valores especificados no recurso (fls. 80); e que os princípios da busca da verdade material e o dever de revisão do lançamento legitimam o cancelamento da exigência. O processo foi distribuído a este Relator em 20/02/2014. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. A discussão referese exclusivamente à comprovação do recolhimento de IRRF de código 1708 que foi declarado na DCTF, referente à 4º semana de outubro de 1997. Essa parte da DCTF consta às fls. 57 e o respectivo demonstrativo do lançamento, às fls. 30. Primeiramente o contribuinte baseouse nos documentos de fls. 35/36. O primeiro é uma autorização dada ao banco Unibanco para débito em conta e faz referência ao pagamento de IRRF atrasado de 1995/1996; o segundo é o aviso de débito correspondente. Há dois obstáculos à aceitação desses documentos: a) é o DARF que comprova o recolhimento, e esse não foi apresentado; b) os documentos de fls. 35/36 referem se a períodos de apuração estranhos aos lançamento. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10850.001522/200241 Acórdão n.º 2802002.858 S2TE02 Fl. 105 3 Em sede recursal, o recorrente apresenta alguns DARF (fls. 94/96) que se reportam a períodos de apuração de 1995 e 1996. Não há documento comprobatório em relação à quarta semana de outubro de 1997. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 106DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10940.000245/2003-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 13/02/2003
Ementa:
DECISÃO JUDICIAL. AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
A decisão judicial não pode ser simplesmente afastada pela administração sob o pretexto de que incorreu em erro ou nulidade. Para reversão do teor da sentença há mecanismos jurídicos específicos na seara judicial.
COMPENSAÇÃO. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. VEDAÇÃO.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme art. 170-A do CTN.
Numero da decisão: 3403-002.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Esteve presente ao julgamento a Dra. Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF no 15.791.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 13/02/2003 Ementa: DECISÃO JUDICIAL. AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. A decisão judicial não pode ser simplesmente afastada pela administração sob o pretexto de que incorreu em erro ou nulidade. Para reversão do teor da sentença há mecanismos jurídicos específicos na seara judicial. COMPENSAÇÃO. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. VEDAÇÃO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme art. 170-A do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Esteve presente ao julgamento a Dra. Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF no 15.791. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
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AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. A decisão judicial não pode ser simplesmente afastada pela administração sob o pretexto de que incorreu em erro ou nulidade. Para reversão do teor da sentença há mecanismos jurídicos específicos na seara judicial. COMPENSAÇÃO. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. VEDAÇÃO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme art. 170A do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Esteve presente ao julgamento a Dra. Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF no 15.791. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 02 45 /2 00 3- 21 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Versa o presente sobre a DCOMP de fls. 021 (há cópia de DCOMP também à fl. 17), com protocolo de 15/01/2003, indicando recolhimentos indevidos em função de ação judicial de no 94.00.086695 de empresa incorporada/sucedida (com indicação de trânsito em julgado em 03/09/2000 e desistência da execução em 09/01/2003, cf. declaração de fl. 3 cópias de peças às fls. 21 a 109). A unidade local, ao analisar as compensações, verificou a existência de quatro ações judiciais: (a) mandado de segurança no 91.000185469, no qual foi reconhecida como indevida a exigibilidade de FINSOCIAL em alíquota superior a 0,5%, rechaçandose a tese de imunidade; (b) ação ordinária no 93.00172905, na qual foi denegado o pedido com fundamento na inaplicabilidade da imunidade ao caso (referente ao 2o semestre de 1988 e ao 1o semestre de 1989); (c) ação ordinária no 94.00086695 (que funda o pedido administrativo), na qual o FINSOCIAL (referente ao 2o semestre de 1989) é reconhecido como imposto residual, limitando a restituição ao faturamento destinado a empresas que publicam jornais e livros; e (d) ação ordinária no 95.00043793, na qual também foi reconhecida como indevida a exigibilidade de FINSOCIAL (1o semestre de 1990) em alíquota superior a 0,5%, rechaçandose a tese de imunidade. Percebeu assim a unidade local que havia decisões judiciais conflitantes, demandando análise técnica da PGFN (fls 144/145). A PGFN, em resposta (fls. 146 a 154), conclui que tendo sido apreciado o mérito no mandado de segurança no 91.000185469, a matéria não pode ser rediscutida em outra ação, pois o tema se encontra sob o manto da coisa julgada material e formal, e que estaria encaminhando cópias das ações ao procurador responsável, para eventual ação rescisória. Em 13/07/2004 proferese despacho decisório (fls. 166/167), não homologando a compensação, a partir do exposto pela PGFN (vez que a ação judicial seria objeto de ação rescisória). Cientificada do despacho decisório (em 16/07/2004, cf. AR de fl. 168), a empresa apresenta manifestação de inconformidade em 17/08/2004 (fls. 175 a 185), alegando, em síntese, que: (a) “tem por objeto social a produção, comercialização, importação e exportação de papel, especialmente papel para impressão de livros, jornais e periódicos”; (b) por conta do reconhecimento, em definitivo, do direito creditório na ação ordinária de no 94.00.086695, apresentou declarações de compensação no valor de R$ 1.223.408,33, em análise no processo administrativo no 10940.000073/200396, e no valor de R$ 12.068,78 (analisadas no presente processo); (c) com base na mensagem “opinativa” da PGFN, a unidade local não homologou as compensações; (d) as ações judiciais se referem a períodos diferentes, não havendo identidade nem litispendência; (e) o mandado de segurança não induz litispendência, pois a partir dele não seria possível pleitear a restituição de valores pagos indevidamente, e a decisão a ele correspondente não contém na parte dispositiva (que faz coisa julgada) negação à imunidade; (f) a matéria não foi objeto de discussão na via judicial; (g) não é possível negar a compensação sem prévia ação rescisória (sendo que o prazo para a 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 320DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10940.000245/200321 Acórdão n.º 3403002.813 S3C4T3 Fl. 320 3 apresentação da rescisória expirou em 05/09/2002, cf. art. 495 do CPC); e (h) pela súmula 239 do STF, “decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores”. Após a impugnação, em 30/09/2004, a unidade local anula o despacho decisório emitido, por ausência de sua premissa fática (interposição de ação rescisória), indicando ainda que o trânsito em julgado da ação não restou comprovado (cf. documento de fl. 105). Envia o processo, então, para os cálculos necessários à apuração do crédito (fls 193 a 195). Em 22/01/2007 indagase à PGFN sobre a cogitada ação rescisória, obtendose como resposta que não foi interposta a ação rescisória, mas se entende que deve prevalecer a decisão no mandado de segurança no 91.000185469 (fl. 200). Novo despacho decisório é proferido, então, em 30/04/2007 (fls. 201 a 205), concluindo que a sentença proferida na ação ordinária no 94.00.086695 “inovou de modo inválido” ao decidir de modo contrário ao mandando de segurança no 91.000185469. Entre as decisões (ambas transitadas em julgado), de prevalecer a decisão no mandado de segurança, anterior à própria propositura da ação ordinária. Entende ainda que a sentença da ação ordinária “é inexistente”, e que o ato inexistente não se convalida pela coisa julgada (invocando a doutrina de Roque Komatsu). No despacho, assentase ainda que a DCOMP constitui confissão de dívida, a partir da MP no 135/2003 (assim, somente as DCOMP entregues à RFB a partir de 31/10/2003 constituem instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados). Contudo, também a DCTF constitui confissão de dívida, por força do Decretolei no 2.524/1984, e, tendo havido declaração em DCTF no presente caso, desnecessária a constituição por meio de lançamento de ofício (na linha da Solução de Consulta Interna COSIT no 3, de 08/01/2004). Cientificada do novo despacho decisório (em 07/05/2007, cf. AR de fl. 206), a empresa apresenta outra manifestação de inconformidade de fls. 209 a 222 (tida como tempestiva à fl. 227), na qual reitera os argumentos expostos em sua primeira manifestação de inconformidade, acrescentando que: (a) a fiscalização não tem competência para descaracterizar os créditos judiciais transitados em julgado; (b) os conteúdos dos comandos das sentenças não são incompatíveis, residindo a suposta contradição na fundamentação, e não na parte dispositiva; e (c) o que esclarece Roque Komatsu é que as sentenças inexistentes transitadas em julgado “não precisam ser rescindidas, porque qualquer juiz pode reconhecer o vício” (e não a PGFN ou a RFB). O julgamento de primeira instância ocorre em 29/08/2007 (fls. 228 a 239), decidindo a DRJ unanimemente pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que a questão a ser analisada encontra obstáculo preliminar: a inadmissibilidade de manifestações de inconformidade em relação a não homologação de compensações declaradas em período anterior a 31/10/2003, data em que a DCOMP passou a ter o atributo de confissão de dívida. A partir da análise dos arts. 22, 23 e 25 da IN SRF no 210/2002, do art. 5o do Decretolei no 2.524/1984, do art. 8o da IN SRF no 73/1996, do art. 2o da IN SRF no 45/1998, dos arts. 1o e 2o da IN SRF no 77/1998, do art. 7o da IN SRF no 126/1998, do art. 90 da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 74 da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 49 da Lei no 10.637/2002, a DRJ entende que não restou confessada a dívida, e que qualquer exigência de crédito tributário em decorrência da não homologação das compensações deveria ser formalizada em auto de infração. Em suma, endossase a posição externada no despacho decisório sobre confissão de dívida, à exceção da admissão de que tal confissão ocorreu na DCTF constante do presente processo. Assim, os Fl. 321DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 débitos jamais poderiam ser exigíveis tãosomente com base no presente processo, pois “o lançamento de ofício, na hipótese, é obrigatório”. Pelo expediente de fl. 240, percebe que teve a mesma decisão o processo administrativo no 10940.000073/200396, referente à outra compensação. Cientificada da decisão da DRJ (em 27/09/2007, conforme AR de fl. 241), a empresa apresenta recurso voluntário em 29/10/2007 (fls. 250 a 265 com documento de postagem à fl. 266), reiterando o teor das manifestações de inconformidade, e defendendo a ilegalidade da decisão recorrida. À fl. 267, comunicase que as não homologações das compensações constantes deste processo e do processo administrativo no 10940.000073/200396 resultaram “na lavratura de auto de infração referente ao PIS e de auto de infração referente a COFINS, ambos protocolados sob no de processo 12.571.000183/200752, em atendimento à determinação da 3a Turma Julgadora da DRJ/CTBA”. Em 17/03/2010, ocorre o julgamento no CARF, acordandose por unanimidade de votos (Acórdão no 310100.360 fls. 270 a 275), em anular o processo a partir do acórdão recorrido, inclusive, determinando que o julgador de piso aprecie, em respeito ao duplo grau de jurisdição, todas as razões da controvérsia. O novo julgamento de primeira instância ocorre em 16/02/2011 (fls. 283 a 294), decidindo agora a DRJ unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que: (a) “é incabível a apresentação de declaração de compensação baseada em ação judicial, cujo mérito já havia sido objeto de apreciação no judiciário, na qual houve decisão transitada em julgado contrária aos interesses da interessada” (sic); e (b) é vedada a compensação objeto de discussão judicial antes do trânsito em julgado da decisão em que for reconhecido o direito creditório do sujeito passivo. Cientificada da segunda decisão da DRJ (em 02/03/2011, conforme AR de fl. 297), a empresa apresenta recurso voluntário em 31/03/2011 (fls. 298 a 313), reiterando o teor das manifestações de inconformidade (no que se refere à impossibilidade de descumprimento administrativo de decisão judicial e à ausência de ação rescisória), e reforçando a inexistência de litispendência, visto que o mandado de segurança buscava o não pagamento de FINSOCIAL a partir de novembro de 1991, e a ação ordinária a restituição do FINSOCIAL referente ao 2o semestre de 1999 (pedido diverso), tendo em vista entendimento, à época, de que o MS não era cabível para discutir restituição de tributos (é inclusive por tal motivo que a PGFN não alegou a existência de litispendência entre as ações). Acrescenta ainda que “a decisão quanto ao mérito da questão, ou seja, a restituição do FINSOCIAL, transitou em julgado em 03/09/2000, conforme afirmou a recorrente”, e que a decisão que transitou em julgado “em 22/09/2004 foi apenas no tocante à verba honorária que havia sido fixada pelo juízo a quo”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10940.000245/200321 Acórdão n.º 3403002.813 S3C4T3 Fl. 321 5 Restam contenciosos basicamente dois temas: (a) o afastamento da decisão obtida na ação ordinária no 94.00.086695; e (b) a ocorrência de trânsito em julgado na referida ação no momento da compensação. É de se recordar que a empresa solicita a compensação, em 13/02/2003 (fl. 02), no valor de R$ 12.068,78 (referentes a pagamentos indevidos/a maior no segundo semestre de 1989), com fundamento na ação judicial no 94.00.086695, que informa ter transitado em julgado em 03/09/2000 (com desistência e homologação da desistência da execução em 09/01/2003). Pelo que se percebe das cópias de peças da ação, acostadas aos autos, e em consultas aos sítios web do TRF4 e do STJ, o pedido efetuado em juízo (fls. 33/34) é para “restituição do valor total recolhido a título da Contribuição ao FINSOCIAL sobre o faturamento resultante da venda de papel destinado à impressão de jornal no segundo semestre de 1989, pago nos termos das Guias DARF no período compreendido entre 15 de agosto de 1989 a 15 de janeiro de 1990”, “acrescido de atualização monetária e dos juros na base de 1% ao mês”, e “condenação da União Federal nas custas dos atos do processo e nos honorários de advogado, sujeitos a atualização monetária na forma da lei”. Na sentença de primeiro grau, parte dispositiva (fls. 40/41), julgase o pedido parcialmente procedente, para restituir as quantias ali já fixadas (pós perícia), havendo condenação recíproca no que se refere a custas processuais (90% à ré e 10% a autora) e a honorários advocatícios. Apesar da apelação cível apresentada pela PGFN (fls. 42 a 46), o TRF da 4a Região acorda em 13/06/2000 (fl. 71), com publicação no DJU de 02/08/2000, que: “CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. IMUNIDADE. LIVROS, JORNAIS DE PERIÓDICOS. 1. O tributo denominado Finsocial já foi reconhecido pela jurisprudência pátria como contribuição social. 2. A norma contida no art. 19, III, “b” da Carta anterior, foi mantida na atual em seu art. 150, VI, “d”, dispondo sobre imunidade relativa a livros, jornais, periódicos e ao papel destinado à sua produção, devendo, contudo, esta interpretação ser feita de forma restrita, não abrangendo atividades destinadas a outros objetivos. 3. Sentença mantida, eis que em conformidade a preceito constitucional.” (grifo nosso) Diante do acórdão, a recorrente interpõe recurso especial (fls. 73 a 82), discutindo tão somente a existência de sucumbência, em 17/08/2000, e a União suas contrarrazões (fl. 84), resumidas a dois parágrafos: “Por amor à brevidade e para evitar tautologias, a FAZENDA NACIONAL reportase integralmente às razões do acórdão recorrido, as quais, por sua clareza e correção, dispensam qualquer retoque. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 Em face do exposto espera que seja mantida a decisão da Egrégia TURMA DO TRIBUNAL FEDERAL DA QUARTA REGIÃO, pelas próprias razões do Acórdão recorrido.” (grifo nosso) Por meio do despacho de fl. 86, emitido em 19/10/2000 (DJU de 12/12/2000), o recurso especial não é admitido, tendo a recorrente interposto agravo de instrumento em 05/02/2001. Foi negado provimento ao agravo, no STJ, em despacho datado de 03/03/2004 (DJ de 17/03/2004). Interpostos embargos de declaração pela recorrente, em 26/03/2004, estes são recebidos como agravo regimental não conhecido, por acórdão datado de 01/06/2004. O acórdão foi publicado em 16/08/2004 e transitou em julgado em 22/09/2004. Enquanto ainda tramitava a ação ordinária (em que pese já não estar em discussão o crédito tributário, mas tão somente a sucumbência), a recorrente apresentou pedido de “execução definitiva de título judicial” (fls. 88 a 90), em 06/08/2001, no valor de R$ 972.940,72. A PGFN, em 18/09/2001, questiona a execução (fls. 91 a 93), no que se refere a cálculos/índices, retificando o valor da execução para R$ 753.741,38. Na informação de fl. 94 (22/04/2002), do núcleo de contadoria da Seção Judiciária da Justiça Federal/PR, informase que os cálculos da PGFN partiram de valores diversos dos definidos na sentença, e que nos cálculos da recorrente não foi possível confirmar a aplicação dos índices estabelecidos na sentença. Chega assim o contador judicial ao valor de R$ 713.457,98. A recorrente contesta o contador judicial, informando, em 15/06/2002 (fls. 98 a 102), que: (a) o valor de R$ 713.457,98 não computa os juros de mora incidentes, contados do trânsito em julgado, cf. determina a sentença; (b) o acórdão que concedeu o direito creditório não foi objeto de contestação pela PGFN, sob a forma de recurso especial ou extraordinário, o que fez, juridicamente, que ocorresse o trânsito em julgado após 30 dias da intimação da Fazenda, em agosto de 2000; (c) tanto a decisão judicial transitou em julgado que a execução é definitiva e não provisória; (d) o valor do principal corrigido mais juros de mora resulta em R$ 799.072,90; e (e) a diferença de índices se deve à utilização do INPC, ao invés do IPCA (utilizado pelo contador judicial). Em 22/08/2002 o Poder Judiciário (fl. 105) reconhece a inexistência de trânsito em julgado, tornando provisória a execução em andamento. Em 09/01/2013 a recorrente pleiteia desistência da execução (fls. 108/109), destacando que “a controvérsia acerca do valor do crédito será resolvida na esfera administrativa, nos termos das Instruções Normativas que tratam da compensação tributária, em especial a IN SRF 210/02”. Ainda na mesma data (fl. 106), o juízo homologa a desistência da execução, tornando extinto o processo. Ocorre que em consulta ao processo de execução, percebese que há posterior interposição de agravo, para continuidade da execução da verba honorária, e embargos da PGFN. Há expedição de precatório, intimandose as partes em 21/05/2007. Em 23/09/2011 é publicada sentença (transitada em julgado em 31/01/2012)com o seguinte teor: “Tratase de ação de execução de sentença na qual se condenou a União ao pagamento de honorários advocatícios e custas em favor do exequente. Foi expedida a requisição de pagamento, e os valores foram disponibilizados em janeiro/2008, conforme demonstrativo da fl. 318. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10940.000245/200321 Acórdão n.º 3403002.813 S3C4T3 Fl. 322 7 Intimada para se manifestar quanto ao prosseguimento da execução, a parte exequente requereu sejam os autos mantidos em Secretaria até a restituição ou compensação dos créditos na via administrativa. Ante o exposto, julgo extinta, por sentença, para que produza seus efeitos jurídicos e legais, a presente execução de sentença relativa às custas e honorários de sucumbência, com fulcro nos artigos 794, I, e 795 do Código de Processo Civil. Transitada em julgado, aguardese em Secretaria pelo prazo de 1 ano eventual manifestação da parte autora.” (grifo nosso) Percebase que atualmente se tem tanto a sentença que aprecia o direito creditório e as demais verbas, quanto sua execução, transitadas em julgado. Do afastamento administrativo de decisão judicial Assim, passamos a discutir o primeiro tópico apresentado ao início deste voto: a possibilidade de afastamento administrativo da decisão judicial proferida na ação ordinária no 94.00.086695. Parece juridicamente elementar o que se tem a dizer, mas diante das discussões travadas no presente processo, no qual tanto as decisões da unidade local (a primeira sustentando a não homologação no fato de que haveria ação rescisória, e a segunda, que reconhecia não haver ação rescisória, mas que a decisão judicial era “ato inexistente”) quanto a segunda decisão da DRJ (que textualmente afirma que são meras reproduções da argumentação da PGFN), que busca reverter (ou ignorar, considerandoa “ato inexistente”) administrativamente o teor de sentença judicial, é bom recordar o que já foi decidido por esta turma recentemente: “DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO ADMINISTRATIVA. LIQUIDAÇÃO. REVERSÃO DA SENTENÇA. IMPOSSIBILIDADE. A Administração pode aplicar ao caso concreto o teor da sentença judicial, liquidando o crédito, mas não pode reverter o teor da sentença (ainda que esta tenha utilizado pressuposto incorreto). Para reversão do teor da sentença há mecanismos jurídicos específicos na seara judicial.” (Acórdão n. 3403 002.525, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 22.out.2013) Naquele processo tivemos, no voto, unanimemente acolhido pela turma, a oportunidade de assentar derradeiramente que: “É de se sintetizar o aqui exposto no seguinte sentido: quando se entende estar a decisão judicial desconforme ao ordenamento, ou ao entendimento jurisprudencial dominante, cabe discutir tal matéria dentro do processo judicial, pois discutilo no processo administrativo (alargada ou restritivamente) implicaria subverter a unidade de jurisdição, comprometendo todo o sistema de julgamento, seja ele administrativo ou judicial.” Fl. 325DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 O entendimento é plenamente aplicável ao presente processo, no qual há reiteradas tentativas de relativização administrativa da decisão judicial, o que se revela juridicamente impossível. Do trânsito em julgado da ação Ao tempo da apresentação da declaração de compensação (13/02/2003), a ação judicial ainda estava em trâmite, não se comungando aqui do entendimento exposto pela recorrente em relação à possibilidade de haver diversos trânsitos em julgado (parciais) em uma mesma ação. São frequentes os casos em que temas aparentemente incontroversos são afetados por decisão judicial em instâncias superiores que detecta nulidade ou erro processual. Não se tem dúvida sobre qual trânsito em julgado está a referirse o comando do art. 170A do Código Tributário Nacional, incluído pela Lei Complementar no 104/2001, já vigente ao tempo do protocolo da compensação: “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial” (grifo nosso) Tal comando, por certo, visa a impedir que a administração reconheça em definitivo (compensandoo com débitos da empresa) crédito que ainda está em discussão judicial. Assim, não se pode acolher as compensações demandadas no presente processo tão somente pela expressa disposição legal do art. 170A, que não pode ser administrativamente afastada em virtude da Súmula no 2 deste CARF. É relevante, contudo, esclarecer que não se está aqui negando o direito ao crédito, agora definitivamente assegurado em juízo. A negativa é somente em relação ao direito de efetuar a compensação pleiteada, que encontra óbice no art. 170A do CTN. Ademais, há obstáculo ainda na Instrução Normativa SRF no 210/2002 (art. 37, principalmente no que se refere ao § 2o), tendo em vista a continuidade da discussão no processo de execução fiscal (e na ação ordinária) em relação às demais verbas. De fato, a compensação, no contexto em que foi pleiteada, foi corretamente não homologada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 326DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10940.000245/200321 Acórdão n.º 3403002.813 S3C4T3 Fl. 323 9 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 16682.721029/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO.
O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou.
Existem regras expressas e limites temporais que regem a matéria, razão pela qual o não exercício da faculdade conferida pela lei implica renúncia e preclusão de direito, até porque parece razoável que os direitos, notadamente aqueles de que resultam efeitos tributários, não podem ser exercidos a qualquer tempo, mediante simples e pura liberalidade do interessado.
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.
A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora.
Numero da decisão: 1201-000.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Rafael Correia Fuso, Luiz Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Júnior. Farão declaração de voto os Conselheiros Rafael Correia Fuso e João Carlos de Lima Júnior.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. Existem regras expressas e limites temporais que regem a matéria, razão pela qual o não exercício da faculdade conferida pela lei implica renúncia e preclusão de direito, até porque parece razoável que os direitos, notadamente aqueles de que resultam efeitos tributários, não podem ser exercidos a qualquer tempo, mediante simples e pura liberalidade do interessado. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 10 29 /2 01 2- 89 Fl. 2868DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Rafael Correia Fuso, Luiz Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Júnior. Farão declaração de voto os Conselheiros Rafael Correia Fuso e João Carlos de Lima Júnior. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Auto de Infração com a exigência de recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo ao anocalendário de 2009, no valor de R$ 57.500.000,00, acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora, com crédito tributário total de R$ 116.270.750,00, além de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, relativa ao ano calendário de 2009, no valor de R$ 20.700.000,00, acrescido da multa e juros de mora, com crédito tributário total de R$ 41.857.470,00. O lançamento tem como fundamento a legislação tributária, que não admite a dedução de despesas de juros sobre o capital próprio (JSCP) referente a períodos anteriores. A ação fiscal foi iniciada com base no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n° 07.1.85.002012006194 e verificou que os juros sobre o capital próprio (JSCP) lançados no valor de R$ 230.000.000,00, na linha 42 das fichas 06A e 07A, da DIPJ 2010 (ano calendário 2009) referemse a períodos de apuração anteriores, especificamente às posições do Patrimônio Líquido nos anos de 2000 a 2003. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal: A distribuição dos referidos JSCP foi registrada em duas atas de reunião das sóciasquotistas, com datas de 28/08/2009 e 29/01/2010 (fls. 153 a 156 – RESP TIF 01 ATAS JSCP DOC 06). A seguir, apresentase um resumo dos valores que foram estabelecidos nessas duas atas e demonstrados na memória de cálculo da contribuinte: Fl. 2869DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 4 3 ATA DE 28/08/2009 Ano do Patrimônio Liquido Valor utilizado do JSCP (R$) 2000 ***683.000,00*** 2002 ***43.248.000,00*** 2003 ***101.069.000,00*** TOTAL ***145.000.000,00*** ATA DE 29/01/2010 Ano do Patrimônio Liquido Valor utilizado do JSCP (R$) 2002 ***72.498.000,00*** 2001 ***12.502.000,00*** TOTAL ***85.000.000,00*** TOTAL DOS JSCP DE PERÍODOS ANTERIORES (R$) ***230.000.000,00*** No Lalur do anocalendário de 2009 (fls. 173 a 261 RESP TIF 01 LALUR DOC 09) não foi encontrada adição do valor de R$ 230.000.000,00 acima demonstrado, tendo a contribuinte informado, em resposta ao Termo de Início de Procedimento fiscal (fls. 03 a 06, item 10 TIF01), que esse valor foi efetivamente por ela considerado dedutível no anocalendário de 2009 (fls. 07 a 08, item 10 RESP TIF 01 ESCLARECIMENTOS). A fiscalização também apurou que os juros sobre o capital próprio (JSCP) lançados no valor de R$ 230.000.000,00 foram utilizados para fins de dedução da base de cálculo da CSLL, posto que foram contabilizados como despesas (conforme DIPJ 2010 e lançamentos contábeis efetuados) e que, por isso, coube adicionar de ofício o valor de R$ 230.000.000,00 à base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2009. Fl. 2870DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 5 4 Intimado do auto de infração, o Recorrente apresentou impugnação em 27 de novembro de 2012, acompanhada de documentos, na qual, em síntese, alegou que: 1. Foram observados os limites de dedutibilidade previstos na legislação, não havendo base legal para justificar a glosa fiscal; 2. Deduziu, no ano calendário de 2009, juros sobre o capital próprio no valor de R$ 230.000.000,00, conforme planilha anexa, apurados mediante a aplicação da TJLP sobre as contas de patrimônio líquido de 2000 a 2003, obedecendo ao limite de 50% do lucro acumulado até o ano de 2008 e do lucro ajustado do ano da efetiva aprovação e do crédito, isto é, 2009; 3. Inexiste previsão legal expressa com limitação de apuração de juros sobre o capital próprio sobre contas de patrimônio líquido de períodos anteriores; 4. O período de competência dos juros sobre o capital próprio não pode ser outro senão aquele em que é definido o seu pagamento; 5. Se a empresa deixa de pagar juros sobre o capital próprio em determinado período, em virtude de opção negocial discutida pelos sócios, esse não deixa de ser um direito dos acionistas, que podem vir a receber tais juros, caso a situação financeira da empresa permita; os juros sobre o capital próprio, tendo a mesma natureza dos dividendos, podem ser pagos com relação a contas de patrimônio líquido anteriores, conforme jurisprudência que reproduz; 6. Não houve pagamento de juros sobre o capital próprio em duplicidade; 7. Não se pode aplicar juros de mora sobre a multa de ofício. Em sessão realizada no dia 29 de janeiro de 2013, a 1ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, negou provimento à Impugnação para manter integralmente as exigências do IRPJ e da CSLL consubstanciadas nos autos de infração, acrescidos de multa de ofício de 75% e dos juros de mora. As Ementas a seguir reproduzem o entendimento daquela instância de julgamento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE. NÃO EXERCÍCIO. RENÚNCIA AO DIREITO À DEDUTIBILIDADE. DEDUÇÃO EM ANOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio JSCP a acionista ou sócio é faculdade concedida pela lei, para ser exercida no devido momento (1ª assembleia ou reunião após o encerramento de cada exercício financeiro), estando a Fl. 2871DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 6 5 dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes limitada aos juros (TJLP) incidentes sobre o patrimônio líquido do ano da referida apuração. O não exercício da mencionada faculdade em determinado ano calendário configura renúncia ao benefício e enseja a preclusão temporal que impede a dedução dos JSCP em anos posteriores. Assim, é vedada a dedução, na apuração do lucro real do ano, de JSCP incidentes sobre patrimônio líquido de anos anteriores. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte foi intimado da decisão da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro em 18 de fevereiro de 2013 e, em 05 de março de 2013, juntou documentos e interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que: 1. Calculou os juros mediante a aplicação da TJLP pro rata die para o período compreendido entre 1º de janeiro e a data do evento, considerando o patrimônio líquido de referido intervalo temporal; 2. Para os eventos que implicaram aumento do patrimônio líquido (p. e. constituição de reserva), calculou os juros mediante a aplicação da TJLP pro rata die para o período compreendido entre a data do evento e 31 de dezembro, considerando também patrimônio líquido de referido intervalo temporal; 3. Para fins de cálculo, foram considerados todos os eventos que implicaram mutação do patrimônio líquido no período considerado; 4. Apurou valores passíveis de pagamento a título de juros sobre o capital próprio e, então deliberou o valor que seria efetivamente pago a suas sócias; 5. O valor total passível de remessa calculado sobre as contas de patrimônio líquido dos anoscalendário de 2000 a 2003 corresponde a R$ 477.448.417,45, sendo que deliberou e contabilizou em 2009 o valor de R$ 230.000.000,00, o qual corresponde, exatamente, ao valor deduzido para fins de apuração do lucro real; Fl. 2872DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 7 6 6. Demonstrou como procedeu à apuração dos juros sobre o capital próprio, apuração esta que, por ter sido efetuada com base no caput do artigo 9º da Lei nº 9.249/95, evidencia a observância dos comandos legais sobre o tema a permitir a dedutibilidade dos valores pagos a tal título para fins fiscais; 7. Faz jus à dedução do valor integral registrado a título de juros sobre o capital próprio para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2009, pois: a) Os juros sobre o capital próprio no valor de R$ 230.000.000,00 foram corretamente apurados mediante a aplicação da TJLP sobre as contas de patrimônio líquido da sociedade; b) Que esses juros foram individualizadamente pagos aos sócios da Recorrente; c) Observou o limite correspondente a 50% do lucro do ano de 2009 para o pagamento dos JCP. 8. Não existe dispositivo legal veiculando qualquer limitação quanto à possibilidade de efetuarse a apuração de juros sobre o capital próprio calculado sobre contas de patrimônio líquido de períodos anteriores; 9. O artigo 9º da Lei nº 9.249/95 dá ao contribuinte a faculdade de pagar ou creditar juros sobre o capital próprio a seus sócios sobre contas do patrimônio líquido e determina que esse valor pode ser tratado como despesa dedutível para fins fiscais no momento de seu pagamento ou crédito; 10. Não há limitação temporal ao cômputo de juros apurados sobre contas de patrimônio líquido de períodos anteriores em anos posteriores; 11. O §1° do artigo 9º da Lei nº 9.249/95, traz apenas uma limitação quantitativa para o pagamento dos juros sobre o capital próprio, contudo não faz qualquer limitação ao pagamento relativo à aplicação da TJLP sobre as contas de patrimônio líquido de períodos anteriores; 12. Os artigos 1.071, 1.072 e 1.078 do Código Civil determinam as matérias que dependem da deliberação de sócios de sociedades empresárias limitadas; a forma pela qual as deliberações de sócios devem ser tomadas em reuniões e assembleias e o período em que tais reuniões e assembleias devem ser realizadas para a tomada de deliberações; 13. Os artigos do Código Civil mencionados não trazem expressa limitação temporal ao cômputo de juros apurados sobre contas de patrimônio líquido de períodos anteriores em anos posteriores para fins fiscais; 14. Não há disposição no sentido de que a deliberação dos sócios pelo nãopagamento ou crédito de juros sobre o capital Fl. 2873DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 8 7 próprio ao final de determinado exercício ensejaria a renúncia dessa faculdade nos próximos exercícios; 15. Não se pode afirmar, com base nos dispositivos legais societários do Código Civil, que a Recorrente teria renunciado ao seu direito de pagamento ou crédito de juros relativos aos anos de 2003 a 2007 pelo simples fato de não têlos deliberado ao final dos respectivos exercícios; 16. Com base nos princípios da livre iniciativa e da autonomia da vontade, decidiu em assembleias pelo não pagamento ou crédito de juros a sócios e acionistas nos anoscalendário de 2003 a 2007. 17. Não renunciou seu direito facultado em lei de apurar e distribuir valores de juros sobre capital próprio desses períodos, apenas optou por fazêlo em momento posterior; 18. A norma que regula a dedutibilidade dos valores em questão não estabelece o momento em que se devam pagar os juros, apenas estabelece como devem ser calculados e os limites a serem observados para a dedução dos valores pagos ou creditados; 19. Apurou corretamente os tributos devidos para cada um dos anoscalendário de 2000 a 2003, tendo apurado fatos geradores e bases de cálculo de forma independente nos respectivos exercícios, razão pela qual não há que se falar em descumprimento do princípio da autonomia dos exercícios financeiros; 20. Os juros sobre o capital próprio calculados com base nas contas de patrimônio líquido de 2000 a 2003 foram aprovados pelos sócios da Recorrente e pagos em relação ao ano calendário de 2009, de forma que sua dedução para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL nesse período está em estrita observância da legislação fiscal; 21. As Instruções Normativas da Receita Federal n. 11/96 e n. 41/98, não trazem restrição à adoção, como base para determinação dos juros sobre o capital próprio, de contas de patrimônio líquido de períodos anteriores; 22. Os juros sobre o capital próprio somente passam a existir a partir do momento em que os sócios ou acionistas definem sua aprovação e seu pagamento. Antes disso, há resultados positivos que podem ser aplicados indistintamente na manutenção e desenvolvimento da empresa ou pagos aos sócios como remuneração de seu investimento; 23. O artigo 202, § 4º, da Lei 6.404/76 traz exceção à obrigatoriedade do pagamento do dividendo em situações nas quais nas quais a situação financeira da companhia não permitir tal tipo de dispêndio; Fl. 2874DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 9 8 24. A empresa pode deixar de pagar os dividendos para não prejudicar sua situação financeira, mas o recebimento desses valores não deixa de ser um direito ao acionista, que pode vir a recebêlos em caso de melhora da situação financeira da companhia. Essa lógica é não só aplicada a dividendos, mas também aos juros sobre o capital próprio e a todas as eventuais formas de remuneração de capital; 25. Os juros sobre o capital próprio, tendo a mesma natureza jurídica dos dividendos de remuneração de capital, podem ser pagos com relação a contas de patrimônio líquido anteriores; 26. Apurou o valor passível de pagamento a título de juros sobre o capital próprio de cada anocalendário apenas uma vez, mediante a aplicação da TJLP sobre as contas de patrimônio líquido de cada ano; 27. É impossível a incidência de juros de mora sobre multa de ofício aplicada pelas autoridades fiscais, tendo em vista que o artigo 61 da Lei nº 9.430/96 é expresso no sentido de que apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis. Por fim, requereu a reforma da decisão recorrida para que seja reconhecida a total regularidade do cálculo dos juros sobre o capital próprio registrados no anocalendário de 2009 e, caso não for este o entendimento, que seja reconhecida a impossibilidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada sobre os créditos tributários em cobrança. Colaciona, ainda, doutrina e jurisprudência. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. A discussão que se traz aos autos basicamente se resume a matéria de direito, visto que não há contestação acerca dos montantes pagos ou creditados a título de juros sobre o capital próprio nem tampouco sobre a sistemática de cálculo da TJLP ou dos limites estabelecidos na Lei n. 9.249/95. A questão essencial aqui debatida versa sobre a possibilidade de se pagar ou creditar juros sobre o capital próprio relativo a períodos anteriores, dada a suposta faculdade e consequente liberdade de opção que teria a Contribuinte, ante a inexistência de expressa vedação legal. Fl. 2875DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 10 9 No intuito de enfrentarmos o tema tornase necessário discorrer, ainda que brevemente, sobre a figura dos juros sobre o capital próprio, nos termos da Lei n. 9.249/95 e de todo o arcabouço normativo que cerca a matéria. O conceito de juros sobre o capital próprio decorre do artigo 9o da Lei n. 9.249/95, com a redação dada pela Lei n. 9.430/96: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I – antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II – tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4o (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for Fl. 2876DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 11 10 adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. A leitura do dispositivo legal nos permite, de plano, traçar as principais características dos juros sobre o capital próprio, a saber: a) Tratase de faculdade, que, como tal, poderá ser exercida pela empresa mediante deliberação dos sócios; b) O pagamento ou creditamento deve ser individualizado, em favor dos sócios; c) Possui limites quanto ao montante dos valores pagos ou creditados; d) Obedecem à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP; e) Sofrem a incidência do IR Fonte, à alíquota de 15%. Como visto, a Recorrente alega que deduziu, no ano calendário de 2009, juros sobre o capital próprio no valor de R$ 230.000.000,00, apurados mediante a aplicação da TJLP sobre as contas de patrimônio líquido de 2000 a 2003, obedecendo ao limite de 50% do lucro acumulado até o ano de 2008 e do lucro ajustado do ano da efetiva aprovação do crédito. Diz que os juros sobre o capital próprio possuem a mesma natureza dos dividendos e, por força disso, podem ser pagos em períodos posteriores. Aduz, ainda, que o artigo 9º da Lei n° 9.249/1995 conferelhe a faculdade de pagar ou creditar juros sobre o capital próprio a seus sócios sobre contas do patrimônio líquido e determina que esse valor possa ser tratado como despesa dedutível para fins fiscais no momento de seu pagamento ou crédito. Assim, defende que não haveria qualquer limitação temporal, apenas quantitativa (§ 1º do art. 9º), ao cômputo de juros apurados sobre contas de patrimônio líquido de períodos anteriores, inclusive nas Instruções Normativas exaradas pela Receita Federal do Brasil. Portanto, será a partir dessas premissas que deveremos analisar o alcance e a aplicação da faculdade prevista no artigo 9º da Lei n° 9.249/1995, bem assim a possibilidade de se pagar ou creditar juros sobre o capital próprio em relação a períodos anteriores ao da deliberação societária. No que tange à alegada ausência de prazo nas Instruções Normativas da Receita Federal do Brasil que tratam do tema, entendo que não assiste razão à Recorrente, visto que o artigo 29 da IN n. 11/96 expressamente determina que, para efeitos da apuração do lucro real, os juros sobre o capital próprio deverão seguir o regime de competência: Instrução Normativa n° 11/1996 Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à Fl. 2877DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 12 11 variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. (grifamos) No mesmo sentido, o artigo 1o da Instrução Normativa n. 41/98 considera como creditado o valor dos juros sobre o capital próprio quando a despesa for registrada na escrituração contábil da empresa, em contrapartida a conta ou subconta de seu passivo exigível, representativa de direito de crédito do sócio. Art. 1º Para efeito do disposto no art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considerase creditado, individualizadamente, o valor dos juros sobre o capital próprio, quando a despesa for registrada, na escrituração contábil da pessoa jurídica, em contrapartida a conta ou subconta de seu passivo exigível, representativa de direito de crédito do sócio ou acionista da sociedade ou do titular da empresa individual. E a exigência da escrituração no regime de competência pode ser expressamente encontrada no artigo 4o da referida norma: Art. 4º Na hipótese de beneficiário pessoa jurídica o valor dos juros creditados ou pagos deve ser escriturado como receita, observado o regime de competência dos exercícios. Ressaltese, aliás, que o registro das mutações patrimoniais pelo regime de competência é a regra geral do sistema tributário para as empresas, de modo que deverá ser observada na interpretação das normas contábeis, societárias e tributárias relativas às pessoas jurídicas, inclusive aquelas cuja roupagem jurídica seja a das sociedades anônimas. Se, para fins tributários, as instruções normativas cotadas estabelecem a escrituração dos juros sobre o capital próprio pelo regime de competência, cabenos indagar qual o tratamento dispensado ao tema pelas normas contábeis e societárias. Com efeito, no campo da Contabilidade o princípio da competência possui plena eficácia, além de ser vinculante, ante a competência privativa do Conselho Federal de Contabilidade, que o definiu no artigo 9o da Resolução CFC n. 750/93, com a redação que lhe foi dada pela Resolução CFC n. 1.282/2010, verbis: Art. 9º O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Parágrafo único. O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10) (grifamos) A simples leitura do dispositivo nos permite concluir, sem margem para dúvidas, que o tratamento previsto nas normas contábeis para os juros sobre o capital próprio deve obedecer ao regime de competência, que serve como limite temporal para as respectivas escriturações. Mas não é só. Fl. 2878DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 13 12 Cabe, por fim, perquirir o entendimento das normas societárias sobre o tema, que, na esteira do raciocínio até aqui desenvolvido, corrobora integralmente a observância do regime do competência para o pagamento ou creditamento dos juros sobre capital próprio, como se pode depreender dos artigo 177, da Lei n. 6.404/76: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (grifamos) Assim, entendo que a regra geral do regime de competência deve ser aplicada automaticamente, enquanto que as exceções, porventura existentes, carecem de expressa autorização legal. Ainda em relação ao tema, convém lembrar que a Receita Federal do Brasil já se manifestou, em duas ocasiões, sobre a necessidade do regime de competência para o pagamento ou creditamento dos juros sobre o capital próprio, bem assim pela vedação do cômputo de exercícios anteriores, conforme Soluções de Consulta a seguir transcritas: SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 63, de 24 de Abril de 2001 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. Sob pena de infringir o regime de competência previsto na legislação própria, é vedado à pessoa jurídica computar em um exercício o montante dos juros sobre capital próprio de períodos anteriores. (grifamos) e SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 32, de 27 de Janeiro de 2010 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. A observância do regime de competência é condição para a dedutibilidade dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido. (grifamos) Por óbvio que a questão dos juros sobre o capital próprio transborda a simples análise e constatação do descumprimento do regime de competência. Isso porque outro ponto relevante para o deslinde da questão diz respeito à faculdade que tem o Contribuinte em deliberar sobre o pagamento ou creditamento dos juros sobre o capital próprio no momento pertinente, e as inegáveis consequências do não exercício dessa prerrogativa. Fl. 2879DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 14 13 Aqui caberia indagar se a ausência de deliberação implica renúncia ou preclusão de um direito ou, alternativamente, apenas o diferimento dessa prerrogativa, como alega a Recorrente. Neste ponto cabe apresentar a abalizada lição de Edmar Oliveira Andrade Filho1: (...) é impossível, do ponto de vista lógico e jurídico, a imputação, a exercícios passados, dos efeitos produzidos por uma decisão societária atual porque o Balanço, depois de aprovado pelos sócios ou acionistas, constitui ato jurídico perfeito e que só pode ser validamente modificado se demonstrada a anterior ocorrência de erro, dolo ou simulação. Se as pessoas que detinham competência para deliberar sobre o pagamento dos juros não o fizeram e aprovaram as demonstrações financeiras sem que tal obrigação fosse considerada, parece fora de dúvida que elas renunciaram à faculdade prevista em lei. Em decorrência dessa renúncia e considerando que demonstrações contábeis, depois de aprovadas pelos sócios ou acionistas são consideradas "ato jurídico perfeito", impõese a conclusão de que elas só podem ser modificadas em caso de erro, dolo ou simulação. Convém ressaltar que a opinião acima apresentada encontra eco majoritário na boa doutrina contábil e tributária. É também o entendimento, entre outros, de Hiromi Higuchi e Celso Hiroyiuki Higuchi, in Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática2: (...) a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento. (grifamos) E foi justamente essa a fundamentação utilizada pela autoridade lançadora, o que demonstra a correção dos lançamentos efetuados: Em resumo, se não foi regularmente materializada a opção da contribuinte no momento correto, mediante a contabilização da despesa de juros sobre o capital próprio no período de sua competência, qual seja, aquele tomado por base para a decisão de seu pagamento ou crédito aos sócios (decisão esta que é tomada na Assembléia de Acionistas ou Reunião de Cotistas do exercício seguinte, com base no resultado do exercício anterior), ocorre uma preclusão temporal, de forma que não é possível 1 ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. IRPJ e CSLL: Juros sobre o Capital Próprio calculado sobre a Movimentação do Patrimônio Liquido os fatos e a consulta. Disponível em: <http://www.fiscosoft.com.br/mainjndex.php?home=home_artigos&m=_&nx_=&viewid=113124>. 2 35a ed., São Paulo, Atlas, 2010, p. 118 Fl. 2880DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 15 14 validar a opção extemporânea pelo pagamento de juros sobre o capital próprio de períodos anteriores. Como é cediço, os juros sobre o capital próprio representam a remuneração dos sócios ou acionistas por conta dos investimentos feitos na sociedade, com natureza de juros compensatórios, como bem destaca a decisão recorrida, que, ademais, demonstra a necessidade de se segregar as implicações dos juros sobre o capital próprio no âmbito da legislação societária e no âmbito das normas que regulam a dedutibilidade fiscal, com esteio nos ensinamentos de Edmar Oliveira Andrade Filho3: De fato, a remuneração do capital dos sócios ou acionistas é uma faculdade que depende apenas da decisão formal deles próprios por intermédio de deliberação tomada em Assembléia de Acionistas ou Reunião de Quotistas, ou em virtude de cláusula estatutária ou contratual existente. Esta faculdade é garantida por um feixe de normas jurídicas que constituem a esfera particular de ações das pessoas, em que as ações são governadas pelos princípios da livre iniciativa e da autonomia da vontade, delimitados e orientados pelo ordenamento jurídico. (...) Há de se ter presente, todavia, que uma coisa é a possibilidade jurídica do pagamento dos juros e outra, completamente diferente, é o tratamento fiscal que deverá ser dispensado a tais juros. De fato, a dedução dos juros sobre capital está sujeita à observância de limites quantitativos objetivos. (grifamos) No que tange ao caso dos autos, a decisão de origem faz minudente análise dos fatos e circunstâncias que ensejaram a autuação, com o enfrentamento de todos os principais pontos suscitados pelo Contribuinte, de modo que passo a transcrever tais argumentos, os quais acolho integralmente, para os efeitos deste voto (grifos no original): O interessado, conforme contrato social e consignado na DIPJ, é uma sociedade empresária limitada. No plano societário, a sociedade limitada é regulada pelos artigos 1.052 a 1.087 da Lei nº 10.406/2002 (Código Civil) e, supletivamente, pela Lei das S/A.. Transcrevese, a seguir, os dispositivos legais que tratam das matérias inerentes à sociedade empresária limitada, que dependem da deliberação dos sócios. Art. 1.071. Dependem da deliberação dos sócios, além de outras matérias indicadas na lei ou no contrato: I a aprovação das contas da administração; II a designação dos administradores, quando feita em ato separado; III a destituição dos administradores; 3 Edmar Oliveira Andrade Filho, Imposto de Renda das Empresas, ed. Atlas, 7ª edição, p. 274 Fl. 2881DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 16 15 IV o modo de sua remuneração, quando não estabelecido no contrato; V a modificação do contrato social; VI a incorporação, a fusão e a dissolução da sociedade, ou a cessação do estado de liquidação; VII a nomeação e destituição dos liquidantes e o julgamento das suas contas; VIII o pedido de concordata. Art. 1.072. As deliberações dos sócios, obedecido o disposto no art. 1.010, serão tomadas em reunião ou em assembléia, conforme previsto no contrato social, devendo ser convocadas pelos administradores nos casos previstos em lei ou no contrato. § 1o A deliberação em assembléia será obrigatória se o número dos sócios for superior a dez. § 2o Dispensamse as formalidades de convocação previstas no § 3o do art. 1.152, quando todos os sócios comparecerem ou se declararem, por escrito, cientes do local, data, hora e ordem do dia. § 3o A reunião ou a assembléia tornamse dispensáveis quando todos os sócios decidirem, por escrito, sobre a matéria que seria objeto delas. § 4o No caso do inciso VIII do artigo antecedente, os administradores, se houver urgência e com autorização de titulares de mais da metade do capital social, podem requerer concordata preventiva. § 5o As deliberações tomadas de conformidade com a lei e o contrato vinculam todos os sócios, ainda que ausentes ou dissidentes. § 6o Aplicase às reuniões dos sócios, nos casos omissos no contrato, o disposto na presente Seção sobre a assembléia. Art. 1.078. A assembléia dos sócios deve realizarse ao menos uma vez por ano, nos quatro meses seguintes ao término do exercício social, com o objetivo de: I tomar as contas dos administradores e deliberar sobre o balanço patrimonial e o de resultado econômico; II designar administradores, quando for o caso; III tratar de qualquer outro assunto constante da ordem do dia. Da análise sistemática dos dispositivos legais acima reproduzidos, verificase que os sócios, em reunião ou assembléia, nos 4 (quatro) meses seguintes ao término do exercício social, devem, dentre outras coisas: tomar as contas dos administradores e aproválas, se for o caso; deliberar sobre Fl. 2882DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 17 16 o balanço patrimonial e sobre o resultado econômico, estabelecendo o modo de sua remuneração, o que inclui, evidentemente, a deliberação sobre a distribuição ou não de juros sobre o capital próprio no período. Melhor explicando: a deliberação a respeito de pagamento ou crédito de JSCP deve ser tomada na 1ª assembléia ou reunião após o encerramento do exercício social (art. 1.078 da Lei nº 10.406/2002 Código Civil). Ou seja, deve constar da ata da 1ª assembléia ou reunião realizada até 4 (quatro) meses após o encerramento do exercício a deliberação a respeito de distribuição de juros sobre o capital próprio (JSCP). Ressaltese que é o efetivo pagamento (desembolso financeiro) que poderá ocorrer em exercícios futuros, mas não a deliberação sobre a distribuição de JSCP e a efetiva escrituração dos juros na contabilidade, que deverá ocorrer no próprio exercício. (...) Portanto, ao contrário do que alega o interessado, os dispositivos legais, acima mencionados, interpretados conjuntamente, limitam temporalmente a determinação de juros sobre o capital próprio sobre contas de patrimônio líquido de períodos anteriores. O interessado alega que não teria existido ofensa ao regime de competência, já que a análise dos artigos 177 e 187 da Lei nº 6.404/1976 e do art. 251 do RIR/2009 revela que devem ser escrituradas as despesas pagas ou incorridas, referentes ao período de apuração. Afirma que os juros sobre o capital próprio somente passaram a existir a partir do momento em que os sócios ou acionistas definiram sua aprovação e seu pagamento; que este é o período de competência, momento no qual é gerada uma obrigação para a empresa e um direito creditório aos sócios e acionistas; que, antes disso, não há que se falar de juros sobre o capital próprio, mas, sim, de resultados positivos que podem ser aplicados indistintamente na manutenção e desenvolvimento da empresa ou pagos aos sócios como remuneração de seu investimento. Aduz que, considerando que no presente caso o pagamento dos juros sobre o capital próprio foram registrados e as respectivas despesas foram deduzidas no próprio ano calendário de 2009 em que incorreram, deverseia reconhecer a regularidade do procedimento fiscal adotado, o qual teria sido praticado em estrita observância ao regime de competência. O interessado parte de uma premissa equivocada. Defende que não haveria impedimento legal para que os sócios ou acionistas, em qualquer momento, pudessem deliberar e definir a aprovação de distribuição e pagamento de juros sobre o capital próprio. Em outras palavras, poderiam os sócios ou acionistas, como ocorreu, em Assembléias nos anos de 2009 e 2010, deliberar sobre a distribuição de juros sobre o capital próprio referentes a Fl. 2883DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 18 17 fatos verificados nos anos de 2000 a 2003. Data venia, tal entendimento não encontra amparo legal. Se não foram observadas as regras societárias, não cabe o benefício da dedutibilidade fiscal. Como abordado anteriormente, a deliberação a respeito de pagamento ou crédito de JSCP não pode ocorrer em qualquer momento. Deve ser tomada na 1ª assembléia ou reunião após o encerramento do exercício financeiro (art. 1.078 da Lei nº 10.406/2002 Código Civil). (...) O procedimento adotado pelo interessado, qual seja, de apurar JSCP sobre contas de patrimônio líquido de períodos anteriores inobserva o regime de competência. O artigo 9º da Lei nº 9.249/1995, a seguir transcrito, que disciplina a dedução dos JSCP na apuração do lucro real, artigo esse reproduzido pelo artigo 347 do RIR/99, sendo ambos consignados como fundamento legal do lançamento, é norma tributária concessiva de faculdade, que autoriza o interessado a deduzir, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em determinado ano calendário, despesas de JSCP incidentes sobre o Patrimônio Líquido, consoante limites e condições que fixa. (...) Por força desse comando legal, o interessado teve, então, direito ao exercício, em cada ano calendário do período de 2000 a 2003, da faculdade de deduzir despesas com juros sobre o capital próprio (JSCP), que deveriam ter sido deliberados pelos sócios na forma do art. 1.078 da Lei nº 10.406/2002, antes mencionado, na apuração do lucro real de cada ano. Todavia, optou por não exercer a referida faculdade, tendo procedido à dedução em 2009, o que veio dar causa à glosa objeto do presente lançamento. Portanto, in casu, se, em 2009/2010, decidiuse creditar aos sócios JSCP incidentes sobre PL de anos anteriores (2000 a 2003), decisão esta totalmente em desconformidade, como já mencionado, com o art. 1.078 da Lei nº 10.406/2002, a mesma não poderá ter efeitos para fins fiscais. Isto porque, se fosse cumprida a legislação societária, e os sócios deliberassem, no devido momento (1ª assembléia ou reunião após o encerramento de cada exercício financeiro), sobre a distribuição de JSCP, tais despesas teriam sido incorridas em anos anteriores (2000 a 2003), e não em 2009. Portanto, há uma clara inobservância ao regime de competência, pois o interessado, ao descumprir norma societária, “deslocou”, artificialmente, despesas de um ano para outro ano. Tal procedimento, no meu modo de ver, fere o regime de competência. Fl. 2884DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 19 18 A faculdade de pagamento ou crédito de JSCP a acionista ou sócio deve ser exercida no devido momento, sendo que, em se tratando de determinado ano calendário, há que se admitir, ao contrário do pretendido pelo interessado, que se restrinja aos juros incidentes sobre o PL do ano, e não de juros incidentes sobre PL de anos anteriores, respeitandose, assim, o regime de competência. (...) O interessado alega que, apesar de ter havido pagamento de juros sobre o capital próprio apurado sobre contas de patrimônio líquido de períodos anteriores, inexistiu pagamento em duplicidade, que apurou o valor passível de pagamento a título de juros sobre o capital próprio de cada ano calendário apenas e tão somente uma vez, mediante a aplicação da TJLP sobre as contas de patrimônio líquido de cada ano. Impende ressaltar que tal argumento, mesmo que seja comprovado, é irrelevante. Ainda que não tenha havido pagamento em duplicidade, o fato é que houve preclusão temporal de um direito. Isto porque, o não exercício da faculdade em questão, prevista no art. 9º da Lei nº 9.249/1995, pelo interessado, nos anos calendários de 2000 a 2003, ensejou a preclusão temporal do direito de fazêlo, por decurso do prazo concedido para seu exercício. Ainda, o não exercício da faculdade de dedução de despesas de JSCP dos anos calendários de 2000 a 2003, como ocorrido no presente caso, configura renúncia ao direito de exercício então disponível. A lei não autoriza exercêlo em 2009. Com base nos argumentos apresentados, que comprovam a qualidade e pertinência da decisão recorrida, entendo como procedente o lançamento de IRPJ efetuado pela autoridade fiscal, bem assim aquele reflexo, efetuado em razão da CSLL. À guisa de conclusão, e com esteio em tudo o que foi demonstrado, penso que ser incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. Creio que há, ao contrário do que alega a Recorrente, regras expressas e limites temporais que regem a matéria, razão pela qual o não exercício da faculdade conferida pela lei implica renúncia e preclusão de direito, até porque parece razoável que os direitos, notadamente aqueles de que resultam efeitos tributários, não podem ser exercidos a qualquer tempo, mediante simples e pura liberalidade do interessado. Por fim, diz a Recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de dispositivo legal. Contudo, pareceme induvidoso que a multa de ofício integra o conceito de obrigação tributária esposado pelo artigo 113 do Código Tributário Nacional. Fl. 2885DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 20 19 Como é cediço, o conceito de crédito tributário no Brasil engloba tributo e multa, como expressamente estabelece o artigo 43 da Lei n. 9430/96: Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifamos) Artigo 5o, §3º, da Lei n. 9.430/96. As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (grifamos) No mesmo sentido, impõe o Código Tributário Nacional que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifamos) Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à espécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. (grifamos) Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, NEGOLHE provimento. Fl. 2886DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.721029/201289 Acórdão n.º 1201000.886 S1C2T1 Fl. 21 20 É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 2887DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA
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